porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Equilíbrio é de Grande Ajuda nos Momentos de Estresse

Setembro de 1918

Nestes tempos em que os nossos costumes, hábitos e negócios estão sendo tão radicalmente afetados pela grande guerra[1], não importa em que lugar da Terra vivamos; quando especialmente os irmãos do sexo masculino estão sendo ceifados aos milhões pelos canhões; quando até mesmo as nossas irmãs do sexo feminino têm que, além de cuidar das atribuições próprias do lar, tomar parte na titânica luta atrás das linhas de fogo; quando os irmãos e as irmãs mais vulneráveis, sejam por serem idosos ou idosas, sejam por serem crianças, sejam por estarem em condições socioeconômicas frágeis, seja por estarem com estado de saúde comprometido, sucumbem à privações; como não se sentir, em maior ou menor grau, perturbado pelo sofrimento alheio ou a proximidade com o mar agitado de ódio, de angústia e de tristeza profunda naquela que outrora foi a  bela França ou nos lugares onde se travam as batalhas dessa guerra?

Permanecer indiferente talvez pareça impossível. Não se pode permanecer insensível de tanto sofrimento. Um Estudante Rosacruz, após descrever a devastação de uma cidade bombardeada, pergunta: “Como não se pode se sentir profundamente abalado a respeito disso?”. Não, Cristo se sentiu profundamente abalado quando chorou pelos pecados de Jerusalém[2], e Ele demonstrou sua justa indignação quando expulsou os mercadores do Templo[3]. Mas, o equilíbrio emocional é, indubitavelmente, uma das grandes lições que podemos aprender com essa guerra.

É fácil ser pacífico se alguém se refugia nas montanhas e vive a vida como um eremita. Mas, que mérito há em manter o equilíbrio sem ninguém para nos contrariar, se opor a nós ou nos aborrecer? É mais difícil, porém, manter uma atitude pacífica numa cidade industrial, onde uma guerra implacável é travada incansavelmente com a espada da competição, e onde a existência está circunscrita por leis e costumes. Mas é possível, e muitos que não pretendem desenvolver a espiritualidade na vida estão conseguindo, no entanto, descobriram que a perda do equilíbrio interfere em suas ambições. Então, eles se dedicam a se treinar na prática do equilíbrio. A experiência indiscutível dessas pessoas tem sido a de que elas se beneficiaram muito. Sua saúde melhorou, assim como a sua felicidade, e até os seus negócios prosperaram.

Se tal autocontrole ou domínio próprio pode ser alcançado por pessoas no mundo que não estão a fim de cultivar e praticar a espiritualidade em suas vidas, e se tantos benefícios podem advir disso no controle das condições normais da vida, então aqueles entre nós que aspiramos as coisas mais nobres e elevadas, os Aspirantes à vida superior, e que têm se esforçado para seguir esse caminho de espiritualidade por anos e anos, deveriam ser exemplos de fé e de esperança nestes momentos críticos, não deveriam? Devemos ser pilares de fortaleza para aqueles que não tiveram o privilégio da grande iluminação que obtivemos. E, acima de tudo, devemos exercer uma influência construtiva e edificante nesta crise mundial.

Portanto, descrevi nesta lição mensal as causas secretas pelas quais, no passado, geraram e fertilizaram as sementes que agora floresceram em nossa atual condição catastrófica, e indiquei, ainda que minimamente, como estamos semeando as sementes do nosso futuro bem-estar ou mal-estar – isso na esperança de que vocês concentrem seus pensamentos construtivamente na direção indicada e defendam, em suas esferas de vida, os pontos de vista aqui apresentados. Assim, muita dor, tristeza e angústia profundas poderá ser evitada no futuro, pois os pensamentos são coisas, e se eles estiverem em harmonia com a finalidade cósmica de fazer com que todas as coisas trabalhem juntas para o bem, certamente prosperarão.

(Do Livro: Carta nº 94 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial.

[2] N.T.: Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe os seus pintinhos debaixo das suas asas, e não o quiseste! Eis que a vossa casa vos ficará abandonada pois eu vos digo: não me vereis, desde agora, até o dia em que direis: Bendito aquele que vem em nome do Senhor!”. (Mt 23:37-39)

[3] N.T.: Estando próxima a Páscoa dos judeus, Cristo Jesus subiu a Jerusalém. No Templo, encontrou os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados. Tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do Templo, com as ovelhas e com os bois; lançou ao chão o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas e disse aos que vendiam pombas: “Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio”. Recordaram-se seus discípulos do que está escrito: O zelo por tua casa me devorará. (Jo 2:13-17) (Mt 21:12-13), (Mc 11:15-16), e (Lc 19:45-48).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Efemérides Científica e Simplificada – Calculada para o Meio-dia (Noon) Greenwich – 2003

OBSERVAÇÕES:

1. Efemérides calculada para: Noon at Greenwich (Meio-dia de Greenwich) – não há necessidade de qualquer ajuste ou fatores de correção para utilização na Astrologia Rosacruz

2. Repare que os valores da Longitude dos Astros são fornecidos com a precisão de centésimos de minutos, que, para o nosso caso, não é necessária tamanha precisão.

Assim, considere o arredondamento matemático:

– Até 4, arredonde para baixo

– Acima de 5, arredonde para cima

Exemplo: 25o10.5 = 25o11’

A mesma regra aplique para a Hora Sideral (Sideral Time – ST)

  • Exemplos:
  • 18:44:28.0 = 18:44:28
  • 18:44:24.6= 18:44:25
  • 18:52:21.1= 18:52:21

Efemérides Científica e Simplificada – Calculada para o Meio-dia (Noon) Greenwich – 2003 com as Declinações

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Qual o nosso papel no mundo: sejamos candeias que iluminam pelo exemplo

Os Evangelhos foram escritos há quase dois mil anos. No entanto, estão bem atuais e o estarão ainda por muito tempo, porque, se atentarmos bem, a história de Cristo-Jesus e dos Apóstolos é nossa própria história.

Em que sentido? – perguntarão alguns.

E vos respondo: buscando “o espírito das palavras” e não “a letra que mata”. Nele veremos qual o nosso papel e não um mero relato histórico, um piedoso memorial, uma peregrinação sentimental; nele veremos a revelação que nos alarga a concepção de Deus e nos revela a nós mesmos, autenticamente. Por esse ângulo, os Evangelhos nos anunciam, nos visam e nos profetizam.

S. Tiago nos diz que os Evangelhos são um espelho. Cada um de nós pode se ver refletido nele, mas “o pior cego é o que não quer ver”; geralmente vislumbramos a imagem dos outros e nos indignamos com sua maldade, cegueira e insensatez.

Max Heindel, utilizando-se da Lei de Refração espiritual, nos informa que, via de regra, costumamos ver os outros através de nossa própria aura, matizando os semelhantes com nossas próprias faltas, fantasias e extravagâncias.

Citando, por exemplo, o nascimento de Jesus: “Estando eles ali, completaram-se os dias de dar à luz; e teve seu filho primogênito e o enfaixou e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para Ele nas hospedarias” (Lc 11:7). Comenta Max Heindel: “Com que eloquência podemos ampliar o sentido dessa frase: “Não houve lugar para Ele…”! Na família, na sociedade, na escola, no fundo das almas pecadoras, em nossas próprias almas, haverá digna morada para “Cristo nascente” – o nosso Cristo Interno? Não será também o nosso coração, ainda hoje, um lugar onde não haja lugar para Cristo?

Há boa intenção, sem dúvida. Procuramos, muitas vezes, agir nobremente, ajudar nossos semelhantes, renunciar a vícios e hábitos danosos, etc. Assim nasce em nós o Cristo. Mas logo depois nossa natureza inferior, personalizada em egoísmo – simbolizado muito bem por Herodes –, receoso de perder seu poder em nosso reino interno, “manda degolar todas as criancinhas”: nossos esforços nobres, sentimentos puros, na tentativa de eliminar o futuro Rei.

Quando O aceitamos, passando a admitir que somos os “Seus”, para junto dos quais Ele veio, então os Evangelhos nos alumiam. Sabemos por que Ele foi mal recebido, como o seria ainda hoje por muitos que amam as sombras mais que a luz. Sabemos por que lhe recusaram a doutrina, por que se encontrou tão “pobre” ante a oposição e dureza de coração. É a nossa dureza. Sua Vida, Paixão e Morte se repetem como ecos nos indivíduos.

Cristo se hospeda na casa de Marta e de sua irmã Maria. “Maria, sentada aos pés do Senhor, bebia-lhe os ensinos. Marta, porém, andava preocupada com o seu serviço.” (Lc 10:30-40). Qual das duas representamos? Maria, que escolhia o melhor, que estava sempre em comunhão com o Senhor (não se disse que ela negligenciasse os deveres) ou Marta, que se afundava tanto nos afazeres do mundo e não tinha tempo de estar com Ele?

Infelizmente há mais “Martas” que “Marias”! Muito mais. Dizendo-se religiosa, a maior parte da Humanidade empenha a vida inteira em acumular fortuna, conquistar fama e glória material e se recreando com banalidades, muitas vezes, prejudiciais. Não tem tempo. Não se compraz na presença d’Ele. Embora Ele esteja tão próximo, se distancia. Precisa de imagens e cerimoniais simbólicos, não lhe alcança a essência, tão facilmente despertada em cada um dessa maioria.

Quando chega a noite tal maior parte da Humanidade está cansada. Não se encontra com o Senhor de dia, não conversa com Ele, como prazerosamente fazemos com um amigo ou com uma amiga que estimamos. À noite, esgotada, mais por seus desequilíbrios que propriamente pelo trabalho, tal maioria busca se distrair em frente a uma televisão, a um boteco, roda de bate papo “furado”, num cinema ou outros divertimentos quaisquer. Afinal, uma reunião sobre Estudo de Filosofia Rosacruz é algo cansativo, um “descer penoso” em que podemos adormecer.

Somam-se, assim o dispêndio de um esforço ambicioso e egoísta, desequilíbrios emocionais oriundos de concorrência mundana, o acúmulo de sensações levianas e tolas, e tardes da noite tal maioria se deixa adormecer. Não pensa no “Cristo menino”, dentro de si – o Cristo Interno –, que precisa de alimento; não pensa no esforço dos Irmãos Maiores, todas as noites; não pensa, sequer, no privilégio de servir como Auxiliares Invisíveis, para ajudar os que, tolerantemente, aguardam as almas abnegadas e altruístas que desejam trabalhar com Eles na seara. Não tem tempo. Verdadeira “Marta”.

Cristo nos ensinou claramente que devemos “orar e vigiar[1], incessantemente. Não significa que devamos ficar o tempo todo a orar, desleixando nossos deveres. Ele mesmo obedeceu às leis da sociedade em que vivia, sem, contudo, se apegar. Orar sem cessar quer dizer: pensar, sentir e agir sempre em consonância com o Senhor Cristo. Não importa a natureza de nosso trabalho. Todos são dignos, desde que os façamos em nome do Senhor. Então somos “Maria”.

Vejamos outro dos muitos personagens que podem nos refletir: o pequeno Zaqueu. “Era chefe dos publicanos e rico. Procurou ver quem era Cristo, porém não o conseguia por causa da multidão e porque era de pequena estatura. E correndo se adiantou e subiu em uma árvore para vê-Lo passar”[2]. Enquanto estamos envolvidos nas coisas do mundo somos pequenos. Mas se desejamos algo mais elevado, podemos nos adiantar, esforçando-nos mais que o comum dos seres humanos e subindo com a ajuda de uma Filosofia esotérica iluminadora, a fim de sentir a presença e ouvir a voz que nos diz: “hoje ficarei em tua casa”. E passaremos a empregar parte de nossos recursos na elevação da Humanidade carente, em vez de conservá-los egoisticamente em nosso único proveito (física, emocional, mental e financeiramente).

Os Evangelhos terminam com a morte e paixão de Cristo-Jesus. E S. João acrescenta que muitas outras coisas poderiam dizer, mas que por ora não as suportaríamos.

A Paixão recomeça todos os dias. A Humanidade, os novos autores, ensaiam seus papéis. Milhões e milhões de indiferentes, dos covardes, dos que “lavam as mãos”; depois os milhões que face aos problemas, e momentos difíceis, negam seus ideais superiores, como os “S. Pedros”; os “Judas Iscariotes” que traem a consciência d’Ele com um “beijo” falso, os milhares de carrascos que se comprazem em explorar o fraco, espezinhar o débil, os brutos com seus açoites diversos, o funcionário com seu frio regulamento diante da mesma face dolorosa, infinitamente paciente, infinitamente amorosa que se cala e nos dirige aquele olhar que despedaçou o coração de S. Pedro e fê-lo branquear os cabelos numa noite. Aquele olhar de ternura, de interrogação e de espera.

E mais do que nunca há vítimas que sofrem perseguições injustas. Em nossa casa, junto de nós, há alguém que chora, alguém que sofre, alguém sequioso de orientação e conforto, alguém com fome e frio, alguém doente, alguém de luto, alguém na solidão. Estão esperando por nós. Quem é Verônica? Quem é Simão Cirineu? Quem é João, o discípulo amado? Quem é Pedro? Quem é Judas Iscariotes? Quem é José de Arimatea? Quem é Pôncio Pilatos? Quem é sua esposa?

Que oportunidade a nossa! Eternamente presente, Cristo-Jesus nos olha e nos espera: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste.” (Mt 25:40). Ele vive em nós, sofre em nós. Acompanhamos o drama. Queiramos ou não, somos levados a fazer parte d’Ele. Mas temos a liberdade de escolher o papel, embora seja uma liberdade relativa. Podemos esclarecer e converter alguns da multidão indiferente para que O amem; dos que O odeiam, para que O conheçam pelo menos, porque só a ignorância gera o ódio. Podemos conseguir alguns servos vigilantes, alguns corações amorosos, para que nos ajudem a continuar-lhe a obra de redenção dos que “não sabem o que fazem[3].

O teatro está sempre aberto. Uma parte sai e a outra entra em cena. Vivemos repetindo a peça. Variações sobre o mesmo tema. Sabemos nosso papel de cor. Julgamos conhecer o Evangelho. “Estamos prontos” – dizemos ao Grande Diretor.

Mas ficamos ofuscados quando entramos em cena neste mundo, ansiosos de glória, desejosos de aplausos, preocupados demais com os trajes, com os efeitos. Distraímo-nos. Não vivemos o papel despretensiosamente. E perdemos a oportunidade.

Em dado momento cai o pano para a nossa parte no mundo e o Diretor irrompe em nosso camarim: que houve com você? Por que não representou? E o ator confuso e envergonhado, responde: perdi a noção de meu papel, deixei-me levar pela assistência e pelo que podiam pensar de mim, não julguei que fosse assim antes de entrar.

De que valem as escusas? Sim há o infinito pela frente, mas o tempo perdido não volta mais. Temos que enfrentar novamente as mesmas falhas até vencê-las. Repetir a cena. Como há mais de dois mil anos, hoje a mesma coisa. Feliz o servidor que o Mestre, à sua chegada, encontra vigilante. “Minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me conhecem e seguem.” (Jo 10:27).

Felizes dos que ouvem essa voz e a seguem. “Pois assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam mais para lá, mas embebem a terra, fecundando-a e fazendo-a germinar para que dê semente ao que semeia e pão ao que come, assim será a minha palavra: saída da boca não tornará a Mim vazia, mas fará tudo quanto quero e prosperará onde eu a enviar.” (Is 55:10-11).

A Palavra de Deus é eficaz, é viva. É Água Viva da qual, alguém bebendo, jamais terá sede, conforme disse Cristo à mulher samaritana. Só podemos oferecer dessa Água se primeiramente a tivermos bebido. Não podemos dar a ninguém o que não temos. Não podemos comunicar senão o que temos vivido. Não podemos atrair os outros senão para aquilo que conhecemos.

É a palavra de Deus que deve determinar nosso apostolado, nossa ação.

Saibamos escolher e bem representar nossos papéis no mundo. Sejamos autênticos Cristãos, candeias que iluminam pelo exemplo, sais que não deixam a massa corromper e dão sabor à Humanidade, sal cuja presença é sentida sem se evidenciar.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Mt 26:41

[2] N.R: E, tendo entrado em Jericó, ele atravessava a cidade. Havia lá um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Ele procurava ver quem era Cristo Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sicômoro para ver Jesus que iria passar por ali. Quando Cristo Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa”. Ele desceu imediatamente e recebeu-o com alegria. À vista do acontecido, todos murmuravam, dizendo: “Foi hospedar-se na casa de um pecador!”. Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: “Senhor, eis que eu dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo”. Cristo Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele, também, é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”. (Lc 19:1-10)

[3] N.R.: Lc 23:34

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Poder Curador da Música “Ave Maria” de Schubert

A música é a linguagem dos Mundos celestes, o que a Forma é para o Mundo Físico, a cor é para o Mundo do Desejo e o som é para o plano mais elevado da consciência, no Mundo do Pensamento.

A música tem o poder de chegar mais profundamente ao que realmente somos, um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), que qualquer outra arte e atraindo sua atenção às lembranças dos Mundo espirituais, do qual viemos, desperta uma “nostalgia espiritual”. “Creio que nunca estou alegre quando escuto uma música doce”, disse Jéssica em uma cena pensativa de amor, na qual Lorenzo, seu amante, responde: “A razão é que os espíritos da música são galantes”. Nessas sensíveis linhas, Shakespeare destaca um fato esotérico subjacente, uma experiência mais ou menos comum a todos.

Um toque de tristeza vem a uma pessoa que reflita em nosso estado presente, a luz de insinuações relativas ao mundo real – os Mundos celestes –, de onde ela veio (onde é seu verdadeiro lar), e de onde está exilada temporariamente.

Certos grandes compositores, de vez em quando, têm sido arrebatados a um espírito de exaltação para se comunicar com reinos mais elevados e escutar o que se conhece como música imortal, porque viverá tanto quanto dure a Terra. Muitas das músicas chamadas “músicas de Natal” pertencem a essa mesma categoria!

Várias canções de Natal são transcrições diretas de cantos angélicos. Ainda que transcritos durante o período medieval e do Cristianismo primitivo, sua beleza e inspiração tem durado, e seguramente continuarão assim através dos ciclos que virão.

Vamos ver, por exemplo, o Poder Curador da “Ave Maria” de Schubert: a música angélica pode ser dinamicamente curadora. Isso é verdade no caso da “Ave Maria” de Schubert e se evidencia em uma oportunidade que ocorreu durante a II Guerra Mundial. Um jovem soldado foi ferido no campo de batalha na Sicília; sua condição era crítica. No momento que chegou a um hospital na Inglaterra sua Mente estava totalmente “escurecida”. Suas inibições pareciam insuperáveis, porém, ainda que muito incerto, alguns médicos e psiquiatras estavam de acordo que poderiam recuperá-lo, se conseguissem fazê-lo liberar suas emoções e chorar; mas todos os esforços foram em vão.

Mais tarde em um hospital norte-americano o resultado desejado foi conseguido por meios inesperados. O paciente de mãos dadas com as esposas dos assistentes foi levado a um teatro onde foi submetido a influência de um instrumento que produzia uma combinação de vibrações de tons e cores. Os ajudantes se viram na necessidade de levantar sua cabeça e manter seus olhos abertos, para que visse a apresentação. À medida que o show avançava, seu encanto mágico fez com que a tensão de seus músculos e corpo fosse diminuindo gradualmente. Então uma coisa milagrosa aconteceu!

A versão de belíssimo tom e cor da “Ave Maria” de Schubert inundou a “tela” e o jovem começou a chorar; suas lágrimas rolaram por 20 minutos sem cessar. Depois ele regressou para o quarto onde dormiu calmamente por 9 horas, sem a necessidade de lhe administrar calmantes. Ainda que estivesse quieto, por não poder falar, nem cuidar de si mesmo de nenhum modo desde o acidente, agora estava calmo e racional. Despertou e disse muito naturalmente: “Acabo de despertar”. E ele sabia disso!

A “Ave Maria” de Schubert é uma transição do paradigma da alma musical da “Virgem Bendita”. Vibrar na nota-chave daquele Único e Santo cujo ministério ao ser humano está focado na cura e regeneração.

Aliás, essa composição, em certo sentido, pode se considerar como a nota-chave musical da época de Natal. A música que essa obra enseja produz como resultado um elevado poder espiritual, em que parece como se devolvesse o eco dos ritmos celestiais dos espaços cósmicos.

Durante esse tempo encantado, um tríplice nascimento é produzido:

Primeiro é o nascimento cósmico do Cristo que impregna toda a Natureza com Sua nova vida;

Segundo é o nascimento histórico do Cristo, o Mestre do Mundo, que escolheu essa época para nascer entre nós, com o Corpo Denso e o Corpo Vital do Irmão Maior Jesus de Nazaré;

Terceiro é o nascimento metafísico de Cristo no interior do Discípulo – o Cristo Interno –, no estado de iluminação.

Que as Rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Pouco sobre a Simbologia do Natal em Nós

Estamos nos aproximando do Natal, época de grande significado para nós, Estudantes Rosacruzes. Façamos um pequeno histórico da nossa vida e de nossa relação com o acontecimento ocorrido há mais de dois mil anos, a fim de entendermos a ligação entre Deus, nós e as outras coisas.

Por certo, já devemos ter pensado no significado mais profundo do Natal e na sua importante ligação com a nossa vida. De fato, existe algo de profundamente grande nesse elo entre o Natal e nós.

Falam os Evangelhos de um ser de elevada evolução, Jesus de Nazaré, nascido em Belém, cidade da Palestina. Ele nasceu, por falta de estalagem, em lugar humilde, uma manjedoura onde se dava alimento aos animais.

Pensemos no que isso representa em nossa vida. Não é só um fato ocorrido há mais de dois mil anos, encarado apenas historicamente e sem relação alguma com a atualidade. Nada disso. Pensemos bem nessas coisas e não nos será difícil descobrir que elas dizem respeito a nós mesmos.

Em primeiro lugar, o nascimento de Jesus em uma manjedoura simboliza a profunda humildade que nós devemos considerar em nossa vida. Jesus foi o perfeito exemplo e Cristo demarcou, com os fatos do Seu ministério, os passos que todos nós, ao nosso tempo, deveremos percorrer conscientemente para voltar ao Deus-Pai.

Desde o Período de Saturno, nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana (ou a Hierarquia Zodiacal de Peixes) temos, vida após vida, desenvolvido e aperfeiçoado nossos veículos, inclusive a Mente, que nos proporcionará cada vez mais a consciência de nós mesmos como um indivíduo. Através da Mente e do desenvolvimento da razão, chave dessa Época, a Ária, iremos descobrir dentro de nós uma réplica da história de Jesus e mais profundamente sentiremos a relação que existe entre nossas vidas e a daquele amado Irmão Maior da Humanidade.

A meditação sobre o Natal vai nos levar a reconhecer algo muito sério que a grande maioria dos irmãos e das irmãs não alcançou ainda e o Cristianismo popular, por isso (em parte), não explica.

Bethlehem (Belém) significa “casa de carne” em hebraico (“casa do pão” em grego antigo) e é o símbolo do corpo material – o Corpo Denso –, que é composto de elementos químicos. Mesmo já domesticados, dentro desse Corpo existem os “animais dos nossos instintos”, porque a manjedoura do nosso coração não abriga apenas sentimentos elevados. Ali, sob o influxo divino evolutivo, destinado um dia a abrigar um “Cristo adulto”, nasce “Jesus”, o Espírito interno que surge mais definidamente dentro de nós, após tantos anos de escravidão (e que se tornará o Cristo Interno), filho de José, a Vontade educada, e de Maria, a Imaginação pura. Desses dois atributos primeiros da Divindade surge o Verbo que se fez carne.

Quanto mais não podemos deduzir de tão sublimes ensinamentos à luz da Filosofia Rosacruz, que tudo nos alumia? Em tão curto espaço não poderíamos nos estender.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Sol Místico da Meia Noite no Natal

Mais uma vez, a dança circular mística revelada do Sol vai sendo executada em sua órbita e, novamente, ficamos aguardando com um regozijo antecipado o nascimento de um novo Sol para nos levar ao próximo ano. Não obstante a Grande Guerra[1], o Espírito do Natal está no ar, o Espírito da expectativa, o sentimento de que algo novo está entrando em nossas vidas e que o futuro será mais brilhante do que o passado e isso tudo será para todos. Embora todas as calamidades e sofrimentos contidos na Caixa de Pandora[2] pareçam estar no lado de fora nesse momento, a Esperança, o presente celestial dos Deuses, sorri nos encorajando, enquanto ela aponta para o revestimento prateado da grande nuvem da guerra e, nos diz que, por trás dessa nuvem, o Sol da paz e alegria será mais luminoso do que nunca, e que atualmente iluminará a Terra com um esplendor tal que nunca foi apreciado por nós.

Contudo, existem alguns que são fisicamente cegos e, embora o Sol nunca brilhe tão intensamente, eles não o percebem. Também, existem aqueles que são espiritualmente cegos e, consequentemente, incapazes de ver a grande onda espiritual que desce anualmente sobre a Terra. Devemos ter dentro de nós esse órgão de percepção, pois, como diz Angelus Silesius:

“Embora Cristo nasça mil vezes em Belém,

Se não nascer dentro de ti, tua alma seguirá extraviada.

Olharás em vão a cruz do Gólgota,

Enquanto ela, também, não se erguer em teu coração”.

Ano após ano, o Místico iluminado vê esse grande Drama Cósmico, da descida do Espírito na matéria, ocorrendo ante sua visão espiritual. Não é uma visão vaga e indefinida e dependente de certos sentimentos, mas é uma apresentação clara e precisa nos mínimos detalhes. Não é necessário que o Espírito nos Mundos invisíveis assuma uma determinada forma definida, exatamente como fazemos no Mundo Físico, pois, qualquer forma que tenha um certo contorno nítido implica em limitação.

Um Espírito pode permitir que sua forma se misture com às formas de outros Espíritos, podendo permear até os Corpos Densos de outros e ainda reter sua própria Individualidade, porque ele vibra em um certo tom ou nota-chave diferente daquela de todos os outros. Assim, em setembro, o Clarividente Voluntário treinado e iluminado percebe o Espírito Crístico Cósmico como uma poderosa Onda de Luz de supremo esplendor, descendo sobre a Terra que Ele permeia.

Em torno do dia 21 de dezembro, essa luz celestial alcança o centro de nossa esfera terrestre. Então os dias são mais curtos, as noites são mais longas e mais escuras, “mas a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a apreenderam[3]. Os impulsos vibratórios motrizes fornecidos à Terra, durante os primeiros meses de cada ano, quase se esgotaram; no Natal, a Terra está cristalizada, morta e fria, e se essa nova vida do Espírito de Cristo não fosse derramada na Terra para renovar suas energias por mais um ano, toda a vida em nosso Planeta pereceria.

Sempre houve muita especulação sobre a natureza da “estrela” que brilhou em Belém à meia-noite. A opinião ortodoxa[4] sustenta que a Imaculada Concepção e o Nascimento de Jesus são os únicos na história da Onda de Vida humana; ela supõe que a “Estrela de Cristo” foi vista no firmamento apenas naquela ocasião; mas os Sábios que, pela alquimia do crescimento anímico, estão se esforçando para construir dentro de si a pedra angular que foi rejeitada pelos construtores, mas que é valorizada por todos os filósofos, sabem que a Luz de Cristo não pode ser encontrada fora de nós.

Eles sabem que o axioma hermético que expressa a lei da analogia “como acima é embaixo” também se aplica nesse caso, e que o Cristo formado dentro deles deve procurar a Estrela do Cristo dentro da Terra, pois, novamente citando Angelus Silesius, “seria impossível para um Cristo salvar o Mundo, estando fora da Terra, como é para um Cristo no Gólgota nos salvar”. Até que o Cristo nasça dentro de nós, e até que o Cristo nasça dentro da Terra, Ele não pode realizar Sua missão.

Portanto, na noite mais longa e mais escura de cada ano o Místico se ajoelha em silenciosa adoração, olhando internamente por meio da visão espiritual. Cultivada por ele, em direção ao centro da Terra, onde a maior e mais elevada Luz que já brilhou na terra ou no mar, ilumina o mundo inteiro com resplendor e luminosidade que são avassaladores.

E então, o ser humano sábio traz seus dons e os oferece aos pés do recém-nascido Salvador. Ele pode ser pobre diante dos bens materiais do mundo; pode até não ter um lugar para descansar a cabeça, no entanto, seus dons são mais preciosos do que qualquer quantia extremamente grande de dinheiro que se possa imaginar. Durante sua vida de Aspiração, ele cultivou bens preciosos e o primeiro a ser oferecido no Altar do Sacrifício é o Amor.

 “O amor não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconveniente, não busca os seus interesses, (…) não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; (…) se houver profecias, falharão, e se houver ciência desaparecerá, porque agora permanecem a , a Esperança e Amor, mas, a maior das virtudes é o amor[5]. “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna[6]. E esse grande presente não foi dado para sempre, mas, a cada ano o Filho de Deus renasce, novamente na Terra, para vivificar esse Planeta com Suas vibrações superiores, para que possamos ter vida e vida em abundância.

Assim como o Espírito Humano morre no plano espiritual quando nasce no Mundo Físico, também o Espírito de Cristo morre na Esfera Solar quando, por nossa causa, nasce na Terra na época do Natal. É confinado pelo ambiente de cristalização que criamos. Verdadeiramente, “ninguém tem maior amor do que dar a vida por seus amigos”[7], e Cristo disse: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu mando, (…) e esse é o meu mandamento: amar uns aos outros[8].

Portanto, o amor do Místico, oferecido sobre o Altar do Sacrifício no grande festival da Noite Santa, não é abstrato, mas se expressa em atos concretos para com todos com quem ele entra em contato durante o ano seguinte. Seu segundo presente para o recém-nascido Salvador é a devoção. O fogo do entusiasmo deve arder no peito de todo Aspirante à vida superior, pois nenhuma observância fria dos ritos religiosos, nenhuma entrega de presentes sem esse sentimento intensamente devocional pode ter qualquer valor na luz espiritual. Foi dito que um dos antigos Reis Israelitas praticou o mal com ambas as mãos avidamente; assim também o Aspirante à vida superior deve praticar o bem com ambas as mãos avidamente: todo o seu coração, toda a sua alma e toda a sua Mente devem ser oferecidos sobre o Altar do Sacrifício, e como se diz: do mesmo modo que o incenso dos sábios, mencionados na Bíblia, encheu o lugar da natividade com perfume, assim também, deve esse fogo de entusiasmo acender nossa devoção, para que o “incenso” possa penetrar em todo o ambiente com a devoção para a causa dos Irmãos Maiores.

Contudo, o amor, a devoção e o entusiasmo oferecidos pelo Místico sobre o altar do recém-nascido Cristo não são separados e afastados de d’Ele mesmo. Ele não pode dar sem incluir o maior e melhor de todos os presentes, o único presente valioso; ou seja, Ele mesmo. Não importa qual seja sua posição na vida, elevada ou baixa, rica ou pobre, essa não é uma preocupação de Cristo. O Espírito falando com ele sempre lhe diz: “Filho, eu não desejo aquilo que é teu, pois isso já é Meu; a Terra e a sua plenitude, o gado nas mil colinas, todos foram feitos por Mim e através de Mim[9], contudo, o que eu desejo é você mesmo, o seu coração. Dá-me o teu coração, Filho, e eu te darei o que é mais do que tudo, a Paz que supera todo o entendimento[10]. E possa a “Pomba da Paz”, o Amor de Cristo, logo encontrar um novo apoio em nosso mundo desgastado por essa guerra.

(De Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro de 1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial

[2] N.T.: Caixa de Pandora é um artefato da mitologia grega, tirada do mito da criação de Pandora, que foi a primeira mulher criada por Zeus. A “caixa” era na verdade um grande jarro dado a Pandora, que continha todos os males do mundo.

[3] N.T.: Jo 1:5

[4] N.T.: ou exotérica

[5] N.T.: ICor 13:4-13

[6] N.T.: Jo 3:16

[7] N.T.: Jo 15:13

[8] N.T.: Jo 15:14-17

[9] N.T.: Sl 50:10

[10] N.T.: Pb 23:26 e Fp 4:7

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Valor dos Sentimentos Retos

Maio de 1911

Espero que tenham gostado da lição do mês passado. Talvez tenham ficado surpresos, mas ela agradou-me inteiramente, pois elevou, de forma poderosa, a minha devoção, e pude meditar como a Vida Divina se derrama periodicamente em nós para que possamos ter uma vida mais abundante. Sem esse influxo da Vida de Deus, toda a vida, ou melhor, toda a forma deixaria de existir. Ao sentir as emoções superiores é que nos elevamos mais facilmente. É bom estudar e assim desenvolver nossas Mentes, mas há um grande perigo nos dias de hoje em sermos enredados nas malhas do intelecto. São Paulo vislumbrou isto quando disse: “O conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica”[1]. Todos desejamos saber, e é natural que assim seja. Mas, a menos que o nosso conhecimento seja utilizado para que nos tornemos melhores homens e mulheres e melhores servos de nossos semelhantes, esse saber não nos fará melhores aos olhos de Deus. Portanto, é de enorme importância cultivarmos o sentimento reto, e sinceramente espero que tenham sentido a lição da Páscoa, pois este é o único caminho de obter pleno benefício dela.

Mentalizem a grande onda de energia divina projetada do Sol invisível, que é a manifestação do Pai. Procurem sentir o respeito que sentiriam se pudessem vê-la, tal como o sente o vidente exercitado. Acompanhem-na em sua imaginação quando ela penetra na Terra durante a Sagrada Noite de Natal. Deixem que esta energia os penetre da mesma forma que o faz na Terra e que é a causa ativa da germinação de todos os reinos. Cristo referiu-se, por analogia, às aves recolhendo seus filhotes embaixo das suas asas ao descrever Seus sentimentos para com os outros seres[2] e, se tentarmos sentir a germinação de todas as coisas da Natureza, como indicamos na lição da Páscoa, perceberemos outros aspectos do assunto.

Espero que utilizem bem esta lição como matéria de meditação, pois ela é diferente das lições intelectuais que facilmente se gravam na Mente e depois são esquecidas. Esta lição tem valor permanente, e quanto mais a estudarem, deixando-a penetrar fundo no coração, mais perto estarão do coração do todo que é Deus, o grande e amoroso Pai, que derrama igualmente a Sua vida tanto sobre a menor planta como sobre o maior espécime da floresta. Ele cuida dos animais selvagens e das aves; do pária sem lar e do potentado real em seu palácio, sem discriminação.

Que Deus os abençoe, abundantemente, revelando-lhes os tesouros de Sua riqueza, os quais ultrapassam todos os valores terrenos. Que sintam a onda de amor que Ele derrama, ano após ano, como uma realidade renovada. Assim, não se sentirão sós, mesmo estando sozinhos, e serão muito mais ricos – independentemente dos bens e do amor terreno que possuam – e mais preparados para irradiar o maior e a mais sublime de todos os sentimentos: o Amor Espiritual.

(Carta nº 5 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1]  (N.T.: ICor 8:6)

[2] N.T.: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe os seus pintinhos debaixo das suas asas, e não o quiseste!” (Mt 23:37). “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados, quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha recolhe seus pintinhos debaixo das asas, mas não quiseste!” (Lc 13:34).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Qual é o Mistério Incontestável

A necessidade de desenvolvermos o Corpo-Alma, se quisermos viver conscientemente na próxima Era está contida nesse versículo do Apocalipse de S. João e são de natureza profética: “A quem vencer, eu o farei coluna do Templo do meu Deus, e dele nunca sairá” (Apo 3:12). Seu significado é muito claro e conciso!

Adaptando-lhe os termos da Filosofia Rosacruz, quer dizer que aqueles que extraíram da existência física o Corpo-Alma, ou seja, o “Veículo de Cristo”, se tornam servos em Sua “Vinha” ou Reino e não mais retornam ao Mundo material. Os que não vencerem, devem retornar à Terra pelo renascimento para poderem progredir, sendo-lhes dada assim outra oportunidade de revestirem-se do Manto Dourado Nupcial.

Temos aqui uma positiva evidência do Renascimento, cuja doutrina é indispensável para podermos aceitar a evolução. O progresso depende de substituir o velho pelo novo, à medida que avançamos; a morte para o velho e o nascimento para o novo, como acontece com a vida.

A Forma é uma necessidade para a expressão da Vida, que é eterna. Em sua evolução, a Vida teve, necessariamente, de usar diversas Formas que sempre foram melhorando conforme a Vida progredia. Daí a morte e o renascimento resultando da verdade: “Deveis nascer de novo” (Jo 3:1). Quando a Forma se torna imprestável para o nosso uso deve ser abandonada, daí resultando a morte, e uma nova Forma deve ser construída para que o nosso desenvolvimento espírito continue. Tal é o princípio do Renascimento. O Renascimento é, portanto, um fator incontestável nesse Esquema de Evolução – no qual todos estamos inseridos, saibamos ou não –, já que o progresso, sem ele, é inadmissível, e o Renascimento se torna parte da nossa concepção da eternidade, uma necessidade para aquilo que era, é e será. O Renascimento é, na verdade, um fator indiscutível na evolução, pois o progresso é impossível sem ele. Velado em mistério, sua aceitação ainda depende da nossa fé. Para alguns, todavia, há dificuldades em aceitá-lo, porque não podem compreender que perdemos a lembrança de nossa existência espiritual superior durante os Renascimentos aqui. Isso acontece para que demos maior importância a sua vida física, pois se tivéssemos lembranças da nossa vida nos Mundos superiores não daríamos a devida importância a nossa existência material e nossa vida aqui na Terra seria de pouca valia para nós. Pode-se facilmente reconhecer a sabedoria que preside a essa circunstância, quando verificamos que descemos à existência no Mundo Físico para aprendermos tudo o que pudermos a respeito deste Mundo como parte da nossa evolução e, não tendo conhecimento de nossa existência superior, somos impelidos a nos aplicar na vida aqui na Terra. O Estudante Rosacruz ativo e que já está trilhando a algum tempo o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz sabe que o Renascimento é uma verdade porque tem ciência que é um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) e pode acompanhá-lo desde a sua saída do Corpo, por ocasião da morte aqui, até que reaparece na Terra por meio de novo Renascimento.

A Filosofia Rosacruz estabelece que o nosso Corpo Denso era semelhante ao mineral durante a Época Polar; semelhante ao vegetal durante a Época Hiperbórea; semelhante ao animal, possuindo um Corpo de Desejos, na Época Lemúrica, tendo chegado ao estado humano, possuindo Mente, na Época Atlante e que agora estamos desenvolvendo o terceiro aspecto do nosso Tríplice Espírito, o Espírito Humano, na atual Época Ária. As mudanças feitas por meio das referidas mortes e nascimentos foram feitas por nós mesmos em nosso estado inconsciente, mas atualmente adquirimos a Consciência de Vigília, ou consciência de nós mesmos, exercendo em alguma extensão nossa vontade individual, o que está nos habilitando a desenvolver o nosso poder espiritual divino. Atualmente somos grandemente responsáveis por nossos atos estando sujeito à Lei de Consequência. Essa Lei, agindo em harmonia com os Astros, nos traz ao nascimento quando as posições dos corpos celestes fornecem as condições necessárias a nossa experiência e progresso na Escola da Vida. As Leis do Renascimento e de Consequência têm sido ensinadas secretamente em todos os tempos, porém não foi ensinada publicamente no Mundo Ocidental durante os últimos dois mil anos.

A Hierarquia Criadora de Escorpião, os Senhores da Forma, tem a seu cargo os três germes dos Corpos Denso, Vital e de Desejos durante o presente estado evolutivo. Essa Hierarquia, sob a direção de outras ainda mais elevadas, realmente faz o principal trabalho nesses Corpos, usando a Vida que está evoluindo como uma espécie de instrumento. Atualmente estão com o encargo do terceiro aspecto do Espírito, o veículo Espírito Humano, durante o restante desse Período Terrestre.

O Signo de Escorpião, o Signo dos segredos, da morte e da regeneração ou renascimento é o segundo Signo da Trindade Reprodutora está, e quando o Sol está transitando por ele, estamos nos preparando para um renascimento do Cristo, mais uma vez no centro do nosso Planeta Terra, pelo Natal, enquanto a “Mãe Terra” mergulha no silêncio e na escuridão material e é permeada mais fortemente pela aura do Sol Espiritual, com o correlativo aumento do Fogo Sagrado inspirador de crescimento anímico em nós (não importando em que hemisfério estamos, sentimos essa influência, se estamos cultivando a nossa espiritualidade Cristã praticada na nossa vida aqui); mas, pela Páscoa, provoca uma diminuição de espiritualidade com o correlativa intensificação e pujança de vitalidade física (também não importando em que hemisfério estamos, sentimos essa influência, se estamos cultivando a nossa espiritualidade Cristã praticada na nossa vida aqui). O nascimento e a morte são necessários um ao outro como polos opostos de manifestação da Vida. O segredo da morte é a preparação para o nascimento. O princípio do renascimento – “aparecer de novo” – está sempre diante de nós: o Sol nasce pela manhã e morre à tarde, para aparecer novamente no dia seguinte; nossa consciência vem ao despertarmos do sono, para morrer mais tarde quando o sono retorna. Esse princípio de atividade consciente e inconsciente age em todos os planos, em grau diverso. Pelo Renascimento cada novo aparecimento é uma melhora nas condições anteriores, se adquirimos o conhecimento por meio da experiência, à proporção em que caminhamos para a frente e para cima, sempre.

É o polo positivo do ígneo Marte, por meio de Áries, que traz o renascimento ao plano material no Mundo Físico e é o polo negativo desse Planeta que introduz o Renascimento nos Mundo celestes por meio de Escorpião, precedido da morte no Mundo Físico. Portanto, Marte é o “Senhor do Renascimento”.

A criação procede da geração e a geração é o resultado da atividade sexual administrada por Marte. O sexo, ou a força sexual criadora, se manifesta em tudo na Região Química do Mundo Físico, o plano físico. Já nos planos suprafísicos essa mesma força criadora se manifesta nos princípios masculino (Vontade) e feminino (Imaginação) e estão sempre ativos no universo. Toda atividade resulta da atração e a força sexual criadora é o poder ativo que está por trás da atividade. No plano físico, as atividades dos elétrons, dos átomos e dos corpúsculos são simples atividades dessa força criadora. No plano mental, a Mente objetiva (quando renascemos no sexo masculino aqui) e a Mente (quando renascemos no sexo feminino aqui) estão em atração mútua, enquanto no plano espiritual existe a atração das essências espirituais entre a Vontade e Imaginação. A atividade da força sexual criadora, o princípio causador da criação, deu a Marte o título de “auxiliar do Sol”, que é o “Senhor da Criação”.

Vejamos agora o que a crença no Renascimento pode fazer por nós em nossa vida neste plano físico. Primeiramente revela o fato de que nós, sendo conscientes de nós mesmos, e agindo de acordo com a nossa própria vontade, nos tornamos responsáveis por nossas ações. Essas ações, sob a Lei de Consequência (isto é, o efeito que resulta da causa) ajudam a modelar nossa vida. Aprendemos que colhemos boas recompensas pela atos retos, ação ou obra reta, e colhemos dores e sofrimentos pelos maus atos, más obras ou ações. Não podemos escapar dessas consequências, pois se não aparecerem na vida atual, aparecerão em uma nossa vida posterior como Destino Maduro a ser dissolvido, às vezes, em situação mais difícil e doloroso. Portanto, temos muitos incentivos para nos tornarmos uma melhor pessoa por nossa vida em evolução aqui. O Renascimento vem ao encontro da doutrina da Ressurreição, pois por seu intermédio, o “aguilhão da morte” é removido e perdida a “vitória do túmulo”, pois o que desapareceu tornará a aparecer.

O Renascimento revela a eternidade da vida que proporciona a alegria de viver e das aspirações por sucesso na evolução, pois os fracassos nessa vida poderão se tornar vitórias na vida futura, por meio de novas oportunidades para vencer o que hoje nos cerceia.

As repetidas vidas do correto viver, desejar, falar, pensar nos habilitam a conhecer de “onde viemos, para onde vamos e por que estamos aqui”, bem como o que o futuro nos reserva acerca da Liberdade de escolha.

O Renascimento revela a sabedoria de Deus e a justiça das Suas Leis, a Santidade da vida e, sobretudo, a nossa grandeza feito à imagem e semelhança de Deus.

A crença no Renascimento não é coisa nova; existe na Índia desde tempos antigos; é encontrada no Budismo; contida no Alcorão, o livro sagrado de Islã; é conhecida dos Lamas do Tibete. Foi ensinada por Pitágoras e dos gregos foi transmitida à primitiva Igreja Cristã. É religiosa, filosófica; e também podemos dizer, científica.

Na realidade a morte não existe! O que assim parece é uma perda temporária de consciência num período de transição, quando passamos de um degrau para outro superior na escada da evolução.

Erradicando o temor da morte de nossas vidas, pelo conhecimento do renascimento, a transmutação e a transfiguração guiam o curso das nossas vidas para os portos celestes da paz e do amor, ao mesmo tempo que viajamos para o nosso Criador, tendo cumprido nossa missão o melhor que pudemos, para alegria do nosso Senhor!  

E quando tenha terminado meu trabalho na Terra,

E meu novo trabalho nos Céus comece.

Esqueça eu os louros que ganhei.

Enquanto trabalho pelos outros.

(Frances Jane Crosby – Fanny Crosby)

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Estar Receptivo

Entre as várias instruções que são dadas pela Filosofia Rosacruz encontramos sempre as que nos dizem: “orar constantemente“; “Estar receptivo à Força Curadora do Pai“; “Faça-se a Tua Vontade e não a minha“.

Quando nos é dito: “Orar constantemente”, compreendemos ser uma referência ao alimento que devemos dar ao nosso Cristo Interno, o Cristo que habita em nós. O eterno que está dentro de nós deve ser alimentado com o nosso trabalho diário; com a responsabilidade pelos deveres assumidos; com amor, perdão e alegria; com o encanto para o bem; com o respeito a todos os Reinos da Natureza; com o cultivo das artes; com os sentimentos e emoções positivos; com o conhecimento aplicado, com todas as manifestações de Deus.

Quando nos é dito: “Estar receptivo”, compreendemos ser uma referência a estarmos abertos, preparados, dispostos para receber a Força Curadora do Pai. Para que o Sol entre em um ambiente é necessário abrir a janela, assim como para receber um cumprimento é necessário estender e abrir a mão. É o estar receptivo a algo que nos vai favorecer, que realmente desejamos – é o esforço que temos de fazer, é a nossa própria participação necessária no processo de Cura Rosacruz. Se você almeja ser curado, então faça sua parte, exatamente como o Cristo mandava o doente ou enfermo fazer em todos os Seus Milagres de Cura.

Quando nos é dito: “Faça-se a Tua vontade e não a minha”, estamos colocando toda a nossa fé e confiança na Sabedoria de Deus-Pai, pois não sabemos os desígnios que nos foram reservados e o porquê do nosso sofrimento ou da nossa dor. Mas sabemos que em todo o mal há sempre um bem em gestação e a força do nosso pedido, a sinceridade das nossas intenções pode, muitas vezes, modificar uma condição de sofrimento ou de dor, pois Deus é infinitamente misericordioso.

A força que nos leva a Deus é a fé e o ato de se integrar na espiritualidade, é um ato tranquilo, de puro amor e confiança. O processo é interno e íntimo.

Deus é amor” e é através desse amor é que atingimos a plenitude de nossa consciência e evolução.

Que a paz de Deus e as doces bênçãos divinas encontrem, em cada um de nós, a receptividade e o alimento para permanecerem em nos ajudando nessa mais uma vida aqui!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1985 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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