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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Primeiro Céu, o nosso Lar dependente da Nossa Alma

Como já aprendemos através dos nossos estudos do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, o motor-mestre de todos os pensamentos, atos, todas as ações e obras, sejam bons ou maus, tem origem no desejo. O desejo de apaziguar a fome nos leva a comer; o desejo de companhia nos faz procurar os outros; e assim por diante. Antes de possuirmos um Corpo de Desejos (antes do Período Lunar), éramos imóveis e semelhantes a uma planta. A nossa forma tinha vida e capacidade de se mover, mas nenhum incentivo para fazer isso. Esse incentivo era fornecido pelas forças ativas no Mundo do Desejo que trabalhavam através do nosso Corpo de Desejos macrocósmico e nos impeliam a movimentar o nosso Corpo Denso nesta ou naquela direção.

Primeiro foi nos fornecido o germe do Corpo Denso; depois foi nos fornecido o germe do Corpo Vital, como meio de vitalizar o Corpo Denso. Depois foi acrescentado o germe do Corpo de Desejos, que pôs em ação o Corpo Denso e o Corpo Vital, resultando disso desejos, vontades, paixões, sentimentos e emoções. Em seguida, foi nos fornecido o germe da Mente, através do qual podemos ganhar experiências e, assim, aprender a controlar as atividades do nosso Tríplice Corpo. E agora nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), estamos devidamente equipados para começar o nosso aprendizado na grande Escola da Vida de Deus.

Depois de cumprida uma certa quantidade de trabalho renascido, mais uma vez, aqui, aprendemos como se encerra o dia quando atravessamos o portal do que se chama de mais uma morte aqui. O caminho para o nosso verdadeiro lar, que é o Segundo Céu, nos leva primeiro ao Purgatório – que se situa nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo –, onde é purgado de cada partícula de mal, por menor que seja, e a memória do sofrimento resultante dessa purgação é incorporada na consciência; depois vem o Primeiro Céu, que se situa nas três Regiões mais elevadas, ou superiores, do Mundo do Desejo.

Os nomes dessas três Regiões superiores do Mundo do Desejo são: Região da Vida Anímica, Região da Luz Anímica e Região do Poder Anímico. Nelas residem todas as atividades da vida da Alma. E aqui, mais uma vez, a realidade é trazida até nós: o nosso grau de felicidade nos Mundos celestiais depende de quanto crescimento de Alma nós praticamos durante a vida no Mundo material.

Aqui, no Primeiro Céu, nos encontramos purificados novamente do panorama da nossa vida passada, que se desenrola de novo para trás; mas dessa vez os bons atos da vida são a base do sentimento. E agora, note bem isto, — assim como foi na passagem pelo Purgatório, assim é nos Mundos celestes — exatamente na proporção dos atos, das ações, e obras praticados por meio do nosso Corpo Denso que baseou a nossa existência purgatorial, acontece o mesmo em relação à bem-aventurança celeste no Primeiro Céu. Poucos, se é que alguém, da Humanidade da nossa fase atual de evolução são inteiramente bons para escapar apenas um pouco do fogo refinador que separa a escória do ouro puro que há no Purgatório. E poucos são os que não têm suficiente bem armazenado no registo do seu passado para lhes dar alguma porção de alegria nos Mundo celestiais, que há no Primeiro Céu.

À medida que o panorama do passado se desenrola no Primeiro Céu, quando nos deparamos com as cenas em que ajudamos os outros irmãos, percebemos de novo toda a alegria de ajudar que era nossa no momento em que o ato, a ação ou a obra de bondade foi praticado e, além disso, sentimos toda a gratidão que nos foi derramada pelo destinatário da nossa ajuda. Quando chega às cenas em que fomos ajudados por outros, sentimos toda a gratidão que, então, sentiu o nosso benfeitor. Vemos assim a importância realmente grande de apreciar os favores que nos são feitos pelos outros, porque a gratidão é um meio de crescimento de Alma e tal crescimento é a grande obra da nossa época. Aqui também está a chave para a nossa felicidade nos Mundos celestes, pois ela depende da alegria e do regozijo que damos aos outros irmãos (Serviço) e da valorização que damos ao que os outros fizeram por nós. O livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz ensina isso.

É um grande erro pensar que a capacidade de prestar serviço, de dar esteja investida principalmente em pessoas de posses. A doação indiscriminada de quaisquer tipos de recursos financeiros pode causar mal! Mas não há alguém tão pobre em bens mundanos que não possa fornecer um olhar bondoso, um sorriso, uma expressão de confiança amorosa e simpática (um “bom dia”, uma “boa tarde”, “boa noite”, um “Olá”, um “como vai”, um “muito obrigado”, um “com licença”), palavras animadoras de coragem e fé, um pensamento útil ou uma ótima risada. O que importa é o ato, a obra, a ação de ajudar o irmão ou a irmã de um modo desinteressado (se possível, anonimamente) – sempre esquecendo os defeitos deles e, assim focando na divina essência oculta em cada um de nós), seja mental, moral ou fisicamente, a se ajudar e não a torná-lo dependente nem de nós e nem dos outros, pois a dependência gera fraqueza, enquanto todo esforço produz força. Não é isso que repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo quando rezamos no final da Oração Rosacruz: “… E, com todo o nosso poder, possamos elevar todas as Almas, a fim de que vivam em harmonia e na luz de uma perfeita Liberdade.”.

No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos que o Primeiro Céu é um lugar de alegria, sem uma única gota de amargura. Lá, nós estamos além da influência das condições materiais ou terrenas e assimilamos todo o bem contido na nossa vida passada, enquanto a vivemos de novo. Aqui se realizam, em toda a sua plenitude, todas as aspirações enobrecedoras a que aspiramos. É um lugar de repouso e, quanto mais dura tiver sido a nossa vida aqui, tanto mais intensamente será desfrutado o repouso e o regozijo lá.

A doença, a tristeza e a dor são desconhecidas aqui. É no Primeiro Céu que os pensamentos do Cristão devoto construíram a Nova Jerusalém, a partir do material de desejos sutil de que esta região é composta. Belas casas, árvores e flores, para citar alguns exemplos, são a porção daqueles que as desejaram e, embora construídas com material sutil, são tão reais e tangíveis para eles, quanto as nossas são para nós. Todos obtêm aqui a satisfação que lhes faltou na vida terrena.

Este Céu é também um lugar de progressão para todos os que foram estudiosos, artísticos ou altruístas. Aqui o estudante e o filósofo têm acesso a todas as bibliotecas do mundo. O artista tem um prazer infinito nas combinações de cores em constante mudança, pois aprende rapidamente que os seus próprios pensamentos misturam e moldam essas cores à sua vontade. Suas criações brilham e cintilam com uma vida impossível de alcançar para quem trabalha com os pigmentos baços do mundo terreno, pois aqui ele está, por assim dizer, pintando com materiais vivos e brilhantes; assim, é capaz de executar os seus projetos com uma facilidade que enche a sua alma de prazer.

Tal como o Mundo Físico é o mundo da forma e por isso a forma é aqui mais acentuada, também a cor é particularmente acentuada no Mundo do Desejo. O músico ainda não alcançou o lugar onde sua arte se expressará em toda a sua extensão, pois a música pertence ao Mundo do Pensamento, onde estão localizados o Segundo Céu e o Terceiro Céu. O Mundo do Pensamento é a esfera do tom e a música celestial é um fato, não uma simples figura de linguagem. Embora o tom seja mais acentuado no Mundo do Pensamento, os ecos dessa música celestial chegam até nós, aqui, no Mundo Físico, e são os nossos bens mais preciosos, embora sejam tão excessivamente elusivos que não possam ser criados permanentemente como podem outras obras de arte — a escultura, a pintura ou a literatura. No Mundo Físico o tom desaparece no momento em que nasce, mas no Primeiro Céu os ecos são, naturalmente, muito mais belos e têm mais permanência; por isso o músico ouve sons mais doces do que já ouviu durante a sua vida terrena.

No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz lemos sobre a bela vida celestial que as crianças têm no Primeiro Céu, e nos dizem que, se pudéssemos vê-las lá, a nossa dor cessaria rapidamente aqui. Quando uma criança morre antes do nascimento do Corpo de Desejos, que ocorre por volta do décimo quarto ano na vida aqui, ela não vai além do Primeiro Céu, porque não é responsável pelos seus atos, suas obras ou ações, assim como o recém-nascido não é responsável pela dor que causa à sua mãe, quando se movimenta no seu ventre. Portanto, a criança não tem existência purgatorial. O que não é vivificado não pode morrer e por isso o Corpo de Desejos de uma criança, junto da Mente, persistirá até um novo nascimento; por essa razão tais crianças são muito aptas a se lembrar da sua vida anterior, como no caso citado em outro lugar do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.

Para essas crianças, o Primeiro Céu é um lugar de espera, onde permanecem de um a vinte anos até que uma oportunidade para um novo nascimento seja oferecida. No entanto, é mais do que um simples lugar de espera, porque há muito progresso feito durante esse tempo. Quando uma criança morre, há sempre um parente, um conhecido que a quer muito bem que a espera ou, na falta destes, há pessoas que amaram ser “mães” de crianças na vida terrena e que encontram prazer em cuidar de uma pequena solitária. A extrema plasticidade do material de desejo facilita a formação dos mais requintados brinquedos vivos para as crianças e a vida delas é um belo jogo; no entanto, a sua instrução não é negligenciada. São agrupadas em classes, de acordo com os seus temperamentos, mas independentemente da idade.

No Mundo do Desejo é fácil dar lições objetivas sobre a influência das paixões boas e más na conduta e na felicidade. Essas lições ficam indelevelmente impressas no sensível e emocional Corpo de Desejos da criança e permanecem com ela após o renascimento, de modo que muitos que vivem uma vida nobre devem muito disso ao fato de terem recebido esse treinamento. Muitas vezes, quando um Ego fraco nasce, os Seres Compassivos (os Líderes invisíveis que guiam a nossa evolução) fazem com que ele morra aqui no início da vida para que possa ter esse treinamento adicional lá, que o prepara para o que pode ser uma vida difícil. Este parece ser o caso, particularmente, quando a gravação no Átomo-semente do Corpo de Desejos foi fraca e prejudicada, em consequência de uma pessoa moribunda ter sido perturbada pelas lamentações dos seus parentes, ou porque encontrou a morte por acidente ou no campo de batalha ou seu Corpo Denso, depois que morreu, foi dissecado, cutucado, furado, cortado, embalsamado. Ela não experimentou, nessas circunstâncias, a intensidade apropriada de sentimento em sua existência post-mortem; logo, quando ela nasce e morre no início da vida, a perda é compensada.

Muitas vezes, o dever de cuidar dessa criança na vida celeste pertence àqueles que foram a causa da anomalia. Eles têm assim a possibilidade de compensar a sua falta e de aprender melhor. Ou talvez se tornem os pais da pessoa que prejudicaram e cuidem dela durante seus poucos anos de vida. Então não importa se lamentam histericamente a morte dessa criança, porque não haverá imagens de qualquer consequência no Éter Refletor do Corpo Vital da criança. E assim a “dívida é paga” e a “conta é liquidada” como sempre deve ser.

Nenhuma pessoa que passa por uma vida terrena egoísta, crítica, egocêntrica, censuradora e sem caridade, buscando seus principais prazeres nas coisas físicas, materiais — ou seja, no que pode ser obtido e desfrutado apenas por meio dos sentidos puramente físicos e, ainda assim, porque uma vez colocou seu nome em um registro de uma Igreja ou frequenta alguma “Religião exotérica” por motivo de dever ou como se fosse uma espécie de bálsamo para uma consciência ultrajada — deve esperar que lhe seja permitido ficar por muito tempo ou desfrutar muito a estada no Primeiro Céu. Porque o Primeiro Céu é, verdadeiramente, a Região da Alma e a Alma é a essência da simpatia e da ajuda feita e prestada aqui, que é a quintessência do serviço amoroso e desinteressado (se possível, anonimamente) – sempre esquecendo os defeitos deles e, assim focando na divina essência oculta em cada um de nós) – prestado durante a nossa vida terrestre, ou seja: aqui, especial e principalmente por meio de atos, obras e ações, usando o nosso Corpo Denso.

Ou seja, uma vida assim: egoísta, crítica, egocêntrica, censuradora e sem caridade, buscando seus principais prazeres nas coisas físicas, materiais – ou seja, no que pode ser obtido e desfrutado apenas por meio dos sentidos puramente físicos e, ainda assim, porque uma vez colocou seu nome em um registro de uma Igreja ou frequenta alguma “Religião exotérica” por motivo de dever ou como se fosse uma espécie de bálsamo para uma consciência ultrajada – não pode ser produtiva de grande quantidade de ambos. Porque nenhuma qualidade pode se tornar parte de nós até que a tenhamos incorporado na nossa natureza, vivendo-a no dia a dia. Podemos pensar em altruísmo, podemos falar sobre altruísmo e podemos acreditar em altruísmo, mas para realmente possuirmos o altruísmo temos que vivê-lo, colocá-lo em prática por meio de atos, obras e ações. Não há outro caminho! É exatamente assim que o crescimento anímico – o crescimento da Alma – funciona. A Alma não é um órgão físico nem um sentido físico, como a visão e o tato. Cada Alma é o resultado do nosso trabalho (o Ego) em cada um dos nossos três Corpos, a saber: a Alma Consciente, resultado do trabalho por meio de atos, obras e ações boas no nosso Corpo Denso; a Alma Emocional, resultado do trabalho por meio de desejos, emoções e sentimentos superiores no nosso Corpo de Desejos; a Alma Intelectual, resultado da memória dos atos, obras e ações boas, e desejos, emoções e sentimentos superiores gravados no nosso Corpo Vital. Assim, os nossos veículos devem se tornar o “servo” e não o “senhor”, porque são simplesmente os nossos instrumentos, nossas “ferramentas de trabalho”.

Você quer encurtar a sua permanência no Purgatório? Então tente não incorporar em seu Panorama de Vida – quando morrer mais uma vez aqui – as coisas das quais será purgado para se tornar puro. Quer ter uma ajuda que acelera a redução desses registros que levam a estada no Purgatório? Pratique o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção.

Gostaria de saborear a sua estada no Primeiro Céu, essa região de alegria e regozijo, sem uma única gota de amargura, onde todas as suas aspirações mais elevadas se realizam em toda a sua extensão e você obtém a satisfação que a vida terrena não deu? Então procure ter uma vida que faça sua Alma crescer. Busque diligentemente os doze tipos de oportunidade que nos chegam todos os meses e, quando encontrar, seja atencioso no serviço amoroso e desinteressado (se possível, anonimamente) – sempre esquecendo os defeitos deles e, assim focando na divina essência oculta em cada um de nós) – prestado durante a nossa vida terrestre!

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross junho/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A importância em nos dedicarmos aqui à Tríplice Alma

No princípio, Deus diferenciou dentro de Si uma hoste de Espíritos como faíscas de um fogo. Esses Espíritos não eram chama, embora dotados de consciência total – omnisciência –, não tinham autoconsciência. Eles tinham todas as possibilidades de ser, mas não eram realmente onipotentes como Deus, porque não tinham o poder dinâmico disponível para uso, a qualquer momento, de acordo com sua vontade. Para que pudessem desenvolver essas qualidades, começaram sua peregrinação pela matéria.

Aprendemos na Filosofia Rosacruz que o nome deles é Espírito Virginal e que nós, Espíritos Virginais da Onda de Vida humana estamos manifestados em um Tríplice Espírito — Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano — (como Deus, nosso criador, está manifestado também: de forma Tríplice), possuímos um veículo Mente, por meio da qual estamos aprendendo a governar um Tríplice Corpo — Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos — cujo germe ganhamos de Hierarquias Criadoras e por meio do nosso trabalho (Tríplice Espírito) sobre esse Tríplice Corpo fomos enriquecendo os Átomos-sementes de cada um desses três Corpos, com o propósito de coletar experiência. E, aos poucos, vamos transmutando esse Tríplice Corpo em uma Tríplice Alma por meio da qual iremos da impotência à onipotência.

Durante a Involução (a primeira das duas partes desse Esquema de Evolução), nós – o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana – progredimos construindo um Tríplice Corpo e vamos conquistando o controle sobre esses Corpo por meio do elo da Mente. A Mente é o ponto básico sobre o qual a Involução se transforma em Evolução e nós, que entramos em nossos veículos (o Tríplice Corpo), começamos a desenvolver a Tríplice Alma — Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional.

E o processo é o seguinte: toda atividade que executamos via nosso veículo Espírito Divino sobre o nosso Corpo Denso, que resulta em observação e ação retas, promove o crescimento da Alma Consciente, alimento para aumentar a consciência do veículo Espírito Divino, a fim de um dia termos um Corpo Espírito Divino.

O Corpo Denso é trabalhado pelo Espírito Divino porque ele é a oitava inferior desse Espírito Divino. A Alma Consciente cresce pela observação, ação, pelos impactos externos e experiência. Essas são as lições que nos são dadas na grande Escola de Deus, o ambiente diário que nos cerca e do qual frequentemente reclamamos amargamente; ainda assim, quando corretamente enfrentadas, na realidade elas se tornam nossas maiores bênçãos, pois são o alimento que nutre a Alma Consciente e ela aumenta a consciência do Espírito Divino porque ela é a quintessência do Corpo Denso, que é a contraparte inferior – ou oitava inferior – do Espírito Divino.

Toda atividade que executamos via nosso veículo Espírito de Vida sobre o nosso Corpo Vital, que resulta em memória da observação e ação retas e dos desejos, sentimentos e emoções superiores, promove o crescimento da Alma Intelectual, alimento para aumentar a consciência do veículo Espírito de Vida, a fim de um dia termos um Corpo Espírito de Vida.

Repare que a Alma Intelectual, como mediadora entre a Alma Consciente e a Alma Emocional, cresce pelo exercício do discernimento e da memória pela qual ela liga experiências passadas e presentes às ações feitas pelo Corpo Denso, pelos desejos, sentimentos, emoções do Corpo de Desejos, pensamentos e ideias, criando simpatia e antipatia; isso não poderia existir sem a memória, porque os sentimentos resultantes apenas da experiência seriam evanescentes.

O Corpo Vital é trabalhado pelo Espírito de Vida porque ele é a oitava inferior desse Espírito de Vida. A Alma Intelectual fornece poder adicional ao Espírito de Vida, porque ela é extraída do Corpo Vital, que é a contraparte inferior – ou oitava inferior – do Espírito de Vida.

Toda atividade que executamos via nosso veículo Espírito Humano sobre o nosso Corpo de Desejos, que resulta em desejos, sentimentos e pelas emoções superiores (ou seja: criados por nós usando somente materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo) promove o crescimento da Alma Emocional, alimento para aumentar a consciência do veículo Espírito Humano, a fim de um dia termos um Corpo Espírito Humano.

Ou seja: o Corpo de Desejos é trabalhado pelo Espírito Humano, porque ele é a oitava inferior desse Espírito Humano. Repare que os desejos, sentimentos e as emoções inferiores não fazem crescer a Alma Emocional. A Alma Emocional, que é o extrato do Corpo de Desejos, é acrescentada à eficiência do Espírito Humano, que é a contraparte espiritual – ou oitava superior – do Corpo de Desejos.

A Alma é, por assim dizer, a quintessência, o poder ou força do Tríplice Corpo; quando um Corpo é completamente construído e levado à perfeição através das Épocas e Períodos, como descrito previamente, a Alma é totalmente extraída dele para ser absorvida por um dos três aspectos do Espírito.

O Espírito Divino, que tem a sua contraparte o Corpo Denso, promove o crescimento da Alma Consciente; essa Alma será absorvida pelo Espírito Divino na sétima Revolução do Período de Júpiter. O Espírito de Vida, que tem a sua contraparte o Corpo Vital, promove crescimento da Alma Intelectual; essa Alma será absorvida pelo Espírito de Vida na sexta Revolução do Período de Vênus. O Espírito Humano, que tem a sua contraparte o Corpo de Desejos, promove crescimento da Alma Emocional, que será absorvida pelo Espírito Humano na quinta Revolução do Período Vulcano.

Quanta ou quão pouca Alma um ser humano tem depende da quantidade de trabalho que ele realizou em seu Tríplice Corpo, pois a Alma é o produto espiritualizado do Corpo. É importante enfatizar demais a extrema importância desta parte do nosso trabalho, porque é a parte em que estamos realmente engajados hoje. Agora mesmo, cada um de nós está construindo, ou então negligenciando construir, esta Tríplice Alma.

E lembre-se de que os esforços necessários para que possamos promover o crescimento da Alma são os seguintes: observação, ações corretas, a memória dessas ações, desejos, sentimentos e emoções superiores, tais como: gratidão, olhares gentis, expressões de confiança, simpatia, ajuda amorosa, discernimento, esforço para ajudar os necessitados a se ajudarem, boas ações, firme contenção de tendências ao autoritarismo, o esforço para conter o apetite e as paixões animais, devoção, serviço prestado independentemente de conforto e prazer pessoal e coisas afins a essas. Nessas qualidades são encontrados todos os elementos necessários para o crescimento da Alma. Cada ato e cada pensamento são fatores determinantes na construção da Tríplice Alma

Não devemos prolongar a nossa estada no Purgatório – quando terminar mais uma vida terrestre –, pois não podemos deixar esta Região enquanto uma única propensão ao mal não for purgada. E assim nossa permanência no Purgatório depende não do desejo de Deus de nos punir pelos erros cometidos enquanto estamos vivendo aqui, mas inteiramente de cada um de nós e do tempo que usamos para nos apegar às práticas malignas que apreciávamos enquanto estávamos revestidos com nossa vestimenta de carne. Pois, sabemos que “a morte não tem poder de limpeza”. Se nos deleitávamos em fazer o mal ou em nada fazer de bom (“deixa a vida me levar”) enquanto levávamos nossa vida terrena, então temos exatamente os mesmos gostos e inclinações após a morte, pois sempre somos nós e não o nosso Corpo Denso quem sentia prazer em fazer o mal ou em se deleitar em nada fazer de bom. O Corpo Denso por si só não tem vontade para o certo nem para o errado; ele é simplesmente um veículo através do qual funcionamos na Região Química do Mundo Físico, e quando nos retiramos, ele rapidamente perde toda sua forma e retorna aos seus elementos originais na Natureza.

Há uma classe de pessoas que se esforçam para se esquivar, por assim dizer, da Lei de Causa e Efeito, tomando uma espécie de rota intermediária entre o bem e o mal. Essas pessoas não são malfeitoras, em sentido geral. Nem estão preocupadas com o trabalho de construir a Tríplice Alma. Elas são honestas, corretas e não são injustas com os outros; mas estão profundamente imersas nos negócios delas aqui e não pensam sobre a vida espiritual e, logicamente, nem sobre o que realmente estamos fazendo aqui e nem para onde vamos depois daqui. Este mundo é suficientemente bom para elas. Elas sentem que se deva ser decente para não desejar prejudicar outros e o principal negócio da sua vida é prover abundantemente para si e para a família; quiçá para alguns no seu entorno que, logicamente, interessa a ela. São os que tem estada garantida na Região Limítrofe. O Purgatório ocupa as três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. O Primeiro Céu está nas três Regiões superiores. A Região central – Região Limítrofe – é uma espécie de terra de fronteira — não é o Purgatório nem o Céu; aqui encontramos essas pessoas após a morte. Para elas o Mundo do Desejo é um estado de monotonia indescritível.

Não há “negócios” naquele lugar nem algo que seja parecido; então essas pessoas têm muita dificuldade para pensar em coisas mais elevadas do que resultados financeiros, contas no banco ou ganhos monetários. Aqueles que pensaram no problema da vida e chegaram à conclusão de que “a morte acaba com tudo”, que negaram a existência de coisas fora do mundo material-sensorial, esses também sentem essa terrível monotonia. Eles esperavam que a morte implicasse a aniquilação da consciência e do Corpo; mas em vez disso eles se percebem com uma percepção aumentada de pessoas e objetos ao seu redor. Estavam acostumados a negar a realidade espiritual tão veementemente na Terra que, muitas vezes, imaginam que o Mundo do Desejo é uma alucinação e podem ser ouvidos frequentemente exclamando no mais profundo desespero: “Quando isso vai acabar? Quando vai acabar?”.

Essas pessoas estão realmente em um estado lamentável. Geralmente, estão além do alcance de qualquer ajuda e sofrem muito mais do que qualquer outra pessoa. Além disso, elas têm pouca coisa a fazer nos Mundo celestes, onde a construção de Corpos para uso futuro é ensinada; logo, projetam todos os seus pensamentos cristalizantes no Corpo que será construído para sua vida futura; um Corpo assim moldado tem as tendências de endurecimento que vemos, por exemplo, em doenças consultivas, como por exemplo a tuberculose, pneumonia e afins. Às vezes, o sofrimento de tais Corpos decrépitos eleva os pensamentos das entidades que os animam para Deus e sua evolução pode prosseguir; mas na Mente materialista reside o maior perigo de perder o contato entre o Ego (o que realmente ele é) e os Corpos e se tornar um pária nessa vida.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de maio de 1916, e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O que é o Purgatório, o que é Purgar e quais os Resultados Práticos para a Nossa Vida

A morte é a passagem do indivíduo de um Mundo para outro, uma remoção para outro plano onde vivemos sem qualquer alteração, pois apenas o nosso ambiente e as condições exteriores são alterados. Essa ida de um Mundo para outro é, geralmente, acompanhada por mais inconsciência ou menos. Quando despertamos no Mundo do Desejo, nós somos, com uma exceção, a mesma pessoa com todos os aspectos que tínhamos antes da morte. Qualquer um que nos visse lá iria nos reconhecer, se nos conheceu aqui, na Região Química do Mundo Físico.

Não há poder transformador na morte; o nosso caráter não muda! O ser humano perverso e o bêbado continuam perverso e bêbado; o avarento ainda é um avarento; o ladrão é tão desonesto como antes. Mas há uma grande e importante mudança em todos eles: todos perderam seu Corpo Denso e isso faz toda a diferença em relação à satisfação de seus vários desejos. O bêbado não pode beber nada, pois ele não tem estômago (nem físico e nem vital) e embora tente de todas as maneiras possíveis satisfazer o seu desejo de bebida alcoólica, é estritamente impossível e em consequência disso ele sofre as torturas de Tântalo[1] até que, finalmente, o desejo se queima por falta de satisfação, como acontece com todos os desejos, sentimentos e emoções, inclusive na nossa vida física aqui.

Note que não é uma Divindade vingadora que mede o sofrimento no Purgatório, nem um demônio que executa o julgamento; mas os desejos, sentimentos e as emoções malignos, cultivados em cada vida terrena por nós e incapazes de gratificação no Mundo do Desejo, é que causam o sofrimento, até que, com o tempo, eles são dissipados. Assim, o sofrimento é estritamente proporcional à força de cada hábito maligno praticado na vida recém-finda.

Enquanto nossos maus hábitos são tratados dessa maneira geral, nossas ações más e específicas são tratadas da seguinte maneira: no momento da morte, antes que nós, o Espírito ou Ego humano, vestido com a bainha da Mente e do Corpo de Desejos, seja inteiramente retirado da forma física, um Panorama da Vida prestes a terminar é gravado no Corpo de Desejos e esse panorama começa a se desdobrar para trás da morte ao nascimento, após nossa entrada no Purgatório, que está localizado nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. No Corpo de Desejos de alguns existe uma preponderância de matéria de desejo grosseira ou inferior e, em outros, de matéria de desejo fina ou superior; isso faz a diferença no nosso ambiente e status quando entramos no Mundo do Desejo após a morte, pois então a matéria do Corpo de Desejos, enquanto assume o aspecto e a forma do Corpo Denso que foi descartado, ao mesmo tempo se organiza de modo que a matéria mais sutil e pertencente às Regiões superiores do Mundo do Desejo forma o centro do veículo, enquanto a matéria das três Regiões inferior fica na periferia desse Corpo.

Quando mais uma vida terrena nossa termina, nós exercemos uma força centrífuga para nos libertarmos do nossos Corpos. Seguindo a mesma lei que faz um Planeta lançar ao espaço a parte de si mesmo que é mais densa e cristalizada, primeiramente descartamos o nosso Corpo Denso. E isso nós chamamos de “morte”. Esse é o momento em que o Panorama da Vida é gravado no nosso Corpo de Desejos. Quando entramos no Mundo do Desejo, essa força centrífuga continua a agir de modo a lançar a matéria mais grosseira ou inferior desse Corpo de Desejos para fora; assim somos forçados a permanecer nas Regiões inferiores do Mundo do Desejo, o Purgatório, até ser purgado dos desejos, sentimentos e emoções mais grosseiros que foram incorporados à nossa matéria de desejo. A matéria de desejo mais grosseira ou inferior está, portanto, sempre na periferia do nosso Corpo de Desejos, enquanto passamos pelo Purgatório, sendo gradualmente eliminada pela força centrífuga.

Durante esse tempo, o Panorama da Vida é, gradualmente, desdobrado para trás, da morte ao nascimento, como dito acima, a uma taxa de, aproximadamente, três vezes a velocidade da nossa vida física, de modo que alguém que tivesse sessenta anos no momento da morte viveria sua vida no Mundo do Desejo em vinte anos. No Purgatório, enquanto o Panorama da Vida que acabou se desenvolve, o bem contido nele não causa qualquer impressão em nós, mas todo o mal reage sobre nós de tal forma que, nas cenas em que nós fizemos outro ser sofrer, nós próprios nos sentimos sofrendo como o ser que fizemos sofrer sofreu. Sofremos toda a dor e angústia que nossa vítima sentiu; como a velocidade da vida é triplicada aqui, o sofrimento também é! E ainda mais agudo, pois o Corpo Denso tem uma vibração tão lenta que diminui até mesmo o sofrimento, mas no Mundo do Desejo, quando estamos sem o veículo físico, o sofrimento é muito mais intenso e quanto mais nítida a impressão panorâmica da vida passada for gravada no Corpo de Desejos no momento da morte, mais sofreremos e mais claramente sentiremos em nossas vidas futuras que a transgressão deve ser evitada, ou que “vida do transgressor é dura e sofrida” (Pb 13:15).

Assim, somos purgados de todo tipo de mal, pois a missão do Purgatório é erradicar os nossos hábitos prejudiciais, tornando nossa gratificação impossível. É por causa do nosso sofrimento lá que aprendemos a agir gentilmente, honestamente e com tolerância para com os outros aqui. Quando nascemos de novo, estamos livres dos maus hábitos e nova obra, ação ou todo novo ato malignos que cometemos vem do livre-arbítrio. Às vezes, essas tendências nos tentam, proporcionando-nos uma oportunidade de nos posicionar do lado da misericórdia, da compaixão, da paciência e da virtude, contra o vício e a crueldade.

Mas para indicar o ato, a ação ou a obra correta e nos ajudar a resistir às armadilhas e artimanhas da tentação, temos o sentimento resultante da expurgação de hábitos malignos e da expiação dos atos errados de vidas passadas: a consciência moral produzida pelo sofrimento purgatorial. Se dermos atenção a esse sentimento e nos abstermos do mal a tentação cessará: nós nos libertaremos dela para sempre. Se cedermos, porém, experimentaremos um sofrimento mais agudo do que antes até que finalmente tenhamos aprendido a viver pela Regra de Ouro (Mt 7:12), porque o “caminho do transgressor é muito difícil”. Logo, o Purgatório tem influência fundamental no Crescimento da Alma.

Entretanto aprendemos na Fraternidade Rosacruz que há um benefício inestimável em conhecer o método e o objetivo dessa purgação, porque assim somos capazes de evitá-la, vivendo nosso Purgatório aqui e agora, dia a dia, avançando muito mais rápido do que seria possível de outra forma. Um exercício é fornecido na última parte do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, cuja intenção é a purificação como ajuda para o desenvolvimento da visão espiritual. Consiste em refletir sobre os acontecimentos do dia após se retirar para dormir, à noite, e julgar cada incidente para verificar se agimos corretamente ou não. Se dessa maneira superarmos conscientemente nossas fraquezas, também faremos um avanço muito objetivo na Escola da Evolução. Mesmo se falharmos em corrigir nossas ações, teremos um imenso benefício ao julgar a nós mesmos, gerando assim aspirações para o bem que, com o tempo, certamente darão frutos em forma de ações corretas.

Arrependimento e reforma íntima também são fatores poderosos para encurtar a existência purgatorial, pois a natureza nunca desperdiça esforços em processos inúteis. Quando percebemos o erro de certos hábitos ou atos em nossa vida e determinamos erradicar esse hábito e compensar o erro, nós drenamos suas imagens da Memória ou Mente Subconsciente e eles não estarão no Purgatório para nos julgar após a morte. Mesmo que não sejamos capazes de fazer a restituição por um erro cometido, a sinceridade do nosso arrependimento será suficiente. A indenização pode ser oferecida à nossa vítima de outras maneiras.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de maio de 1916, e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Em sua história, conta-se que, ousando testar a omnisciência dos deuses, roubou os manjares divinos e serviu-lhes a carne do próprio filho Pélope num festim. Como castigo foi lançado ao Tártaro, onde, em um vale abundante em vegetação e água, foi sentenciado a não poder saciar sua fome e sede, visto que, ao aproximar-se da água essa escoava e ao erguer-se para colher os frutos das árvores, os ramos moviam-se para longe de seu alcance sob a força do vento. A expressão suplício de Tântalo refere-se ao sofrimento daquele que deseja algo aparentemente próximo, porém, inalcançável, a exemplo do ditado popular “Tão perto e, ainda assim, tão longe”.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Auxiliares Invisíveis Conscientes: cidadãos de dois Mundos

Há uma classe de sensitivos com caracteres fortes positivos por seu poder interno, de acordo com os ditados de sua própria vontade. Esses caracteres podem ser treinados para se converter em Clarividentes voluntários e serem seus próprios senhores em lugar de serem escravos de um Espírito desencarnado (de um irmão ou de uma irmã que morreu e não entrou no Purgatório, ou seja: um “Espírito apegado à Terra”, vivendo nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo por meio do seu Corpo de Desejos).

Em alguns sensitivos é possível extrair parte do Éter que forma o Corpo Vital. Quando um Espírito desencarnado obtém acesso a um sujeito de tal natureza, desenvolve esse sensitivo como um Clarividente involuntário, chamado de “médium materializante”.

O ser humano que é capaz de extrair os dois Éteres superiores do seu Corpo Vital por um ato volitivo se converte em um cidadão de dois Mundos, consciente, independente e livre. São conhecidos, geralmente, como Auxiliares Invisíveis Conscientes. Por meio dos Exercícios Esotéricos fornecidos pela Escola dos Ensinamentos Ocidentais, a Fraternidade Rosacruz, pode-se lograr, com o tempo, separar os dois Éteres Superiores do dois Éteres inferiores do Corpo Vital – que chamamos de Corpo-Alma –, então, pode sair de seu Corpo Denso, o físico, deixando-o abandonado momentaneamente, rodeado e vitalizado somente pelos dois Éteres Inferiores do seu Corpo Vital. Com esse Corpo-Alma ele pode sair levando o seu Corpo de Desejos e a sua Mente para quaisquer distâncias, mantendo-se ligado ao Corpo Denso por meio do Cordão Prateado.

Os Auxiliares Invisíveis são seres humanos que chegaram a um grau de evolução tal, que, ao mesmo tempo que observam durante o dia, em seu Corpo Denso, uma vida consagrada ao serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao seu irmão e a sua irmã, focando na divina essência oculta que há dentro de nós – e que é a base da Fraternidade, têm merecido o privilégio de ser, durante a noite, os colaboradores assíduos dos Irmãos Maiores. Os Auxiliares Invisíveis podem dirigir correntes de força vital solar para fins de cura para os irmãos e as irmãs doentes e, também, podem materializar mãos para manipular a parte enferma do Corpo Vital desses irmãos e dessas irmãs. Todos eles trabalham sob a direção dos Irmãos Maiores, que são os geradores da Panaceia Espiritual Curativa.

Contudo, para se converter em um Auxiliar Invisível é necessário, primeiramente, ser um Auxiliar Visível, ou seja, levar uma vida durante o dia voltada: a ajudar os nossos irmãos e as nossas irmãs; a fazer os Exercícios Esotéricos Rosacruzes; a oficiar diariamente os Rituais dos Serviços Devocionais; a trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz e, importantíssimo voltada a prática do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao seu irmão e a sua irmã que estão ao seu lado, focando na divina essência oculta que há dentro de nós – e que é a base da Fraternidade.

(Publicado no O Encontro Rosacruz – Fraternidade Rosacruz de Santo André – SP – abril/1982)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Quais os Astros ou Signos estão mais intimamente associados ao sentimento de consciência? A consciência é, naturalmente, a base da lei, da ética, da justiça, da virtude, etc.?

Resposta: Antes de mais nada, vamos conceituar o que o perguntante entende por “consciência”. A consciência aqui referida difere-se da Consciência de Vigília e/ou dos elementos que são passíveis de serem percebidos por uma pessoa (tomar conhecimento de). No presente artigo, o termo “consciência” se refere ao resultado das reações sentidas pelo Ego sobre as experiências de uma vida, normalmente, produzida durante a estada no Purgatório e Primeiro Céu. Sabe-se que o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, quando realizado adequadamente, também permite a formação desta consciência moral.  

De acordo com os Ensinamentos Rosacruzes, quando o Espírito sai da vida física por ocasião da morte, ele vê diante de si, o Panorama de sua Vida passada, em ordem inversa. Nessa ocasião, os quadros que compõem a história de sua vida são gravados nos veículos mais sutis que o Ego leva consigo para os Mundos invisíveis. A reação aos quadros em que o Espírito fez algum mau ato constitui sua experiência de purgação. Essa purgação extirpa desses quadros do Panorama da Vida, mas deixa um “aroma” – que nós chamamos consciência – para prevenir ao Espírito, em sua vida seguinte, de não fazer as coisas que anteriormente lhe causaram sofrimentos de purgação.

O escrúpulo é a qualidade positiva da consciência negativa. A consciência nos previne de não fazer aquilo que é errado; o escrúpulo nos incita a fazer aquilo que é correto.

Mitologicamente, Saturno é o ceifeiro com a foice e a ampulheta. O “anjo da morte”, que nos tira da vida terrestre para uma existência de purgação onde colhemos o que semeamos. Neste sentido, portanto, Saturno está na base da consciência.

Ele nos admoestará sempre, dizendo “não, não, não”, e se ouvimos sua voz no passado e o temos atualmente numa boa posição em relação aos outros Astros (Planetas, Sol e Lua), especialmente Júpiter, o Planeta da lei, da ordem e da ética, e também o Sol, que nos fornece nossos ideais mais elevados; seremos, então, homens e mulheres realmente conscientes, e sempre executaremos nossa tarefa na vida, não importa quão árdua ela seja e quanta perseverança e persistência seja necessária, ou quanto autossacrifício seja exigido.

A consciência, portanto, não é produto de um só Astro, mas é necessária a combinação das virtudes mais elevadas envolvendo vários Astros para originá-la em sua expressão mais nobre e sublime.

Naturalmente há muitas pessoas que são conscientes devido à influência de outros Astros, mas a fase mais elevada exige a cooperação do Sol, de Júpiter e Saturno.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz fevereiro/1964 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Cremação do nosso Corpo Denso, depois da morte, afeta de alguma forma a nossa evolução, resultado de mais uma vida aqui recém findada?

Resposta: Durante a vida aqui, no estado de Consciência de Vigília, os nossos veículos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente) se mantem todos juntos, concentricamente. Mas, ao morrer, nós – o Ego, ou seja, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui –, envolto na Mente e no Corpo de Desejos, nos retiramos do nosso Corpo Denso. Como as funções vitais terminaram, então o nosso Corpo Vital também se retira do nosso Corpo Denso, deixando-o inanimado sobre o lugar em que ele se encontra. Nós levamos conosco o Átomo-semente do Corpo Denso que está na posição referencial do ápice do ventrículo esquerdo do coração. O Corpo Denso passa a se desintegrar. Então, se inicia um processo sobremaneira importante e os que assistem o defunto devem tratar zelosamente para que reine a maior quietude em toda a casa ou no velório, porque, então ocorre a revisão do Panorama da Vida que recém terminou. As imagens de mais uma vida aqui que acaba de terminar e que se achavam impressas no Átomo-semente do Corpo Denso, começam a passar como um filme, ante os “olhos do Espírito”, em progressão lenta e ordenada, porém, no sentido inverso, ou seja, do momento da morte para trás, passando pela senilidade, maturidade, juventude, infância, até o nascimento. Esse Panorama da Vida que recém terminou dura entre algumas horas até três dias e meio, segundo: a evolução do Ego, as circunstâncias da morte, o ambiente em que se acha o Corpo Denso e a capacidade de concentração do Ego naquele momento. Mas, o principal fator de duração é a força vital do Corpo Vital, que determina o tempo que o Ego poderá se manter desperto, assistindo ao Panorama da Vida que recém terminou. Mesmo em vida, algumas pessoas podem se manter ativas e despertas durante sessenta ou mais horas, antes de ficarem exaustas. Todavia, outras só permanecem despertas umas poucas horas.

A razão por que se torna necessário a quietude no velório ou onde o Corpo Denso fica depois da morte, até três dias e meio (logicamente para que não se decomponha nesse tempo, o Corpo Denso deve ficar em um refrigerador mortuário, também chamado de caixa de congelamento de armazenamento frio de cadáveres – que se encontram, normalmente, em hospitais), decorre do processo panorâmico: as cenas da vida devem se imprimir sobre o Átomo-semente do Corpo de Desejos, que será o nosso (Ego) veículo, no Mundo do Desejo, em cujas Regiões inferiores poderemos ter que passar, onde fica o Purgatório – onde formamos a consciência resultante dos atos, das ações e obras que fizemos de errado ou que prejudicamos alguém –, e em cujas Regiões superiores também poderemos ter que passar, onde fica o Primeiro Céu – onde assimilará o bem realizado resultante dos atos, das ações e obras que fizemos de correto ou reto ou que ajudamos alguém.

Quando a vida recém terminada foi muito intensa (para o “bem ou para o mal”) e o Corpo Vital é forte em sua composição etérica, o tempo do Panorama da Vida será mais longo do que se a vida não foi tão intensa e o Corpo Vital é débil. Durante o Panorama da Vida o Corpo Denso está conectado aos veículos superiores por meio do Tríplice Cordão Prateado, mais precisamente, por meio do primeiro seguimento, o etérico, entre o Átomo-semento do Corpo Denso e o Átomo-semente do Corpo Vital que fica na posição referencial do Plexo Celíaco (ou Plexo Solar ou, popularmente, a “boca do estômago”). E através dessa ligação, nós (o Ego) sentiremos, até certo ponto, os incômodos físicos, químicos e vibrações, bem como quaisquer danos causados ao nosso Corpo Denso. Assim, o embalsamento, as autópsias, a cremação, feitos dentro desse período de três dias e meio após a morte clínica do Corpo Denso serão sentidos dolorosamente por nós. Daí que não devam ser feitos durante esse período.

Após os três dias e meio o Panorama da Vida já foi transferido para o Átomo-semente do Corpo de Desejos. Então, o Cordão Prateado se rompe primeiro seguimento. O Corpo Vital (especialmente os dois Éteres inferiores) é atraído para o Corpo Denso para se decompor sincronicamente com ele. Toda conexão entre nós e o nosso Corpo Denso fica definitivamente rompida. Seguimos nós, o Ego, livremente, para iniciar mais uma Vida Celeste, se assim desejarmos.

Quando se enterra um Corpo Denso, o Corpo Vital permanece sobre a tumba. O Clarividente pode vê-lo, decompondo-se sincronicamente com o Corpo Denso. Por exemplo, quando o braço enterrado já se decompôs, o etérico também se desfaz e desaparece, até que desapareça o último vestígio do Corpo Denso. Mas quando se realiza a cremação, o Corpo Vital se desintegra imediatamente. Esse veículo é o que conserva as imagens das experiências da vida acabada de terminar. Essas imagens precisam ser transferidas para o Átomo-semente do Corpo de Desejos pelo processo do Panorama da Vida recém terminada já mencionado, a fim de formar a base da vida no Purgatório e no Primeiro Céu; assim, seria grandemente prejudicial que a cremação se efetuasse dentro dos três dias e meio após a morte clínica do Corpo Denso.

Perde-se algo quando ocorre a cremação logo após a morte, antes do Cordão Prateado se romper por si só. A impressão sobre o Átomo-semente do Corpo de Desejos não é, então, tão profunda como deveria ser. Isso tem efeito nas vidas posteriores, porque, quanta mais forte for a impressão, tanto mais agudos são os sofrimentos no Purgatório, pelo “mal realizado”, e tanto mais intensos serão os regozijos no Primeiro Céu, resultantes das “boas obras” da vida passada. São estes sofrimentos e regozijos os que nos formam a chamada consciência. Quando perdemos a advertência do sofrimento, perdemos, também, na formação da conduta, porque a purificação purgatorial nos adverte contra a repetição do mal, em vidas posteriores, ao se apresentarem de novo as tentações que antes nos vitimaram. Portanto, os efeitos da cremação prematura devem ser levados em muita conta. Triste é dizê-lo: temos a Ciência do Nascimento, com o concurso de médicos obstétricos, parteiras experimentadas, antissépticos e todo o necessário para o conforto e segurança da criança que vai nascer e de sua mãe, mas nos falta a Ciência da Morte que nos permita despedir, convenientemente, dos nossos amigos deste mundo e nos preparar para mais um nascimento nos Mundos Celestes. 

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1975 – Fraternidade Rosacruz SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Nós encontramos com os amigos e entes queridos após a morte, mesmo que eles tivessem crenças diferentes da nossa ou, ainda, que não passassem de ateus?

Resposta: Sim, certamente nós os encontramos e os reconhecemos, porque a morte não encerra poder transformador algum. A pessoa surge ali na mesma forma que o conhecemos aqui, porquanto ela se crê ainda possuidor dessa forma, mas, o lugar em que poderemos encontrá-la depende de vários fatores.

Em primeiro lugar, se tivermos vivido uma vida muito religiosa, não teremos que passar pelo Purgatório e, também, teremos uma existência muito curta no Primeiro Céu, e iremos quase que diretamente para o Segundo Céu[1], enquanto aquele a quem o amor era de tal natureza que ele teria uma longa estada no Mundo do Desejo, então, é claro que não deveríamos nos encontrar até que ele chegasse ao Segundo Céu. Se morremos aqui logo após esse ente querido, talvez o encontro não aconteceria, pelo menos, antes de vinte anos, mas isso não importância, porque nas referidas Regiões do Mundo do Desejo a pessoa está totalmente inconsciente do tempo.

A pessoa materialista, se tivesse vivido uma existência moralmente sã, como costumamos descobrir que essas pessoas fazem, permaneceria na quarta Região do Mundo do Desejo[2], durante certo número de anos, de acordo com o tempo vivido no plano físico, posteriormente passaria pelo Purgatório e Primeiro Céu e depois para o Segundo Céu, embora não tivesse lá uma consciência tão ampla e clara, como a pessoa devotada às realidades do Espírito.

Nós o veríamos, o reconheceríamos e associando-nos a ele durante séculos, na obra de engendrar o futuro ambiente, e lá ele não seria nada materialista, porque ao atingir essa elevada Região[3], o Espírito não se encontra dominado pelas ilusões que, muitas vezes, o envolveram no Mundo material. Todos e cada um se reconhecem como seres espirituais, lembrando-se desta vida terrestre da forma como recordamos algum pesadelo. O Espírito, ao penetrar no Segundo Céu, já sente a sua verdadeira natureza.

(Pergunta nº 56 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: No Mundo do Pensamento.

[2] N.T.: Região Limítrofe

[3] N.T.: o Segundo Céu, no Mundo do Pensamento

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Audiobook – A Luz Além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

Capa-A-Luz-alem-da-Morte-1024x576 Audiobook - A Luz Além da Morte - Dos Escritos de Max Heindel - Fraternidade Rosacruz

INTRODUÇÃO

Vamos conceituar, primeiro, o que é um Audiobook ou Audiolivro: nada mais é do que a transcrição em áudio de um livro impresso digital ou fisicamente.

Basicamente, é a gravação de um narrador lendo o livro de forma pausada e o arquivo é disponibilizado para o público por meio de sites. Assim, ao invés de ler, o interessado pode escolher ouvi-lo.

Um audiobook que obedece ao conceito de “livro-falado” tenta ser uma versão a mais aproximada possível do “livro em tinta” (livro impresso), a chamada “leitura branca”, que, mesmo desprovida de recursos artísticos e de sonoplastia, obedece às regras da boa impostação de voz e pontuação, pois parte do princípio de que quem tem de construir o sentido do que está sendo lido é o leitor e não o ledor (pessoas que utilizam a voz para mediar o acesso ao texto impresso em tinta para pessoas visualmente limitadas).

Para que serve audiolivro?

O audiolivro é um importante recurso, na inserção do no ecossistema da leitura, para:

  • o incentivo à leitura e promoção da inclusão de pessoas com deficiências visuais ou disléxicos
  • quem tem dificuldades para ler ou até que, infelizmente, não sabem ler
  • para quem gosta de aprender escutando, já que a forma de absorver conhecimento varia de indivíduo para indivíduo.
  • para crianças dormirem durante a noite.
  • para desenvolver a cognição. Ao escutar um audiobook, a cognição pode ser desenvolvida de uma forma mais ampla, uma vez que, além de escutar, será necessário imaginar as situações, diferenciar ambientes e personagens.

O audiolivro é apreciado por um público de diversas idades, que ouve tanto para aprendizado como para entretenimento.

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Audiobook – A Luz Além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – Introdução
Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – C.1 – Para Aqueles que Lamentam
Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – C.2 – A Ciência da Morte
Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – C.3 – O Enigma da Vida e da Morte
Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – C.4 – Onde Estão os Mortos
Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – C.5 – Nossa Vida no Purgatório
Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – C.6 – Vida e Atividades nos Céus
Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – C.7 – Método Rosacruz de Cuidar dos Mortos
Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – C.8 – No Caso de ser Liberado do Corpo Denso
Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – C.9 – Os Efeitos do Suicídio
Audiobook – A Luz além da Morte – Dos Escritos de Max Heindel -FRC em Campinas-SP-Brasil – C.10 – A Eutanásia

FIM

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual a posição adotada pela Fraternidade Rosacruz em relação ao aborto? Será que alguns Egos encontram este caminho por razões de destino e o que acontece a eles depois que suas vidas, no útero, foram abortadas? Será que as pessoas que abortam ou ajudam a cometer o aborto, defrontam-se com possíveis débitos de destino? Que consequências aguardam essas pessoas?

Resposta: Do ponto de vista do ocultismo, o aborto é um crime. É um exemplo gritante do mau uso do livre arbítrio da Humanidade.

Os Ensinamentos Rosacruzes pregam que a vida é sagrada e santa e que ninguém tem o direito de destruir a forma sob a qual um Espírito vive. O Espírito que habita um embrião ou um feto tem tanto direito a sua forma densa, quanta um recém-nascido com o corpo mais desenvolvido. Quem pratica o aborto é tão culpado quanto um assassino “convencional”.

O aborto, em países civilizados, é tão repreensível e criminoso como a prática, entre povos primitivos, de matar as crianças fêmeas, por serem consideradas   um peso, e não terem valor. A conduta moderna em relação ao aborto, no que tange as razões mais frequentemente usadas em sua defesa, é, de fato, muito repreensível. Pessoas rudes e despreparadas que não têm noção alguma da imoralidade de tirar uma vida humana, podem até serem compreendidas e talvez desculpadas, por sua ignorância. As chamadas pessoas “ilustradas”, que são as que mais defendem o aborto, defendem esta pratica cruel, por conveniência. Querem ter os prazeres da vida, mas sem assumir as consequências.

Elas estão, deliberadamente, tirando a vida de outros, para satisfazer os próprios desejos egoístas. Esta atitude vai trazer-lhes débitos severos, em vidas futuras.

Há aqueles que defendem o aborto, por razões médicas, isto é, esperam salvar a vida ou proteger a saúde da mãe, livrando-a do filho. Ou esperam evitar que uma criança retardada ou com outro defeito qualquer, chegue a nascer. Embora os motivos dessas pessoas sejam mais compreensíveis, o aborto não pode ser perdoado, do ponto de vista espiritual. O estado de saúde de uma pessoa é o resultado do respeito e devoção às leis naturais nesta vida e na anterior. Se for necessário que ela aprenda as lições através de um sofrimento, isto é, pela doença, por deficiências físicas e mentais, ela deverá passar por essas lições. A família de uma criança doente foi escolhida para cuidar dela e seus membros podem, desta maneira, tirar experiências valiosas. Ao livrar-se de crianças, antes dela nascer, o indivíduo não elimina a necessidade de ter essas experiências e elas terão de ser vividas, de uma maneira ou de outra, pelos Egos afetados. Em tais exemplos, o aborto serve para intensificar a carga de destino, numa responsabilidade individual.

Se as pessoas compreendessem o processo maravilhoso do pré-nascimento que se desenvolve nos Mundos invisíveis, quando um Ego está pronto a renascer e todas as causas e efeitos passados que envolvem este evento, certamente hesitariam em destruir a forma infantil, no princípio de sua formação.

Não sabemos, na verdade, se o aborto é atualmente ou não apresentado como inevitável, para um determinado Espírito prestes a alcançar o renascimento. Há sem dúvida, certas influências de destino que trabalham num Ego cuja vida, subsequente, será abortada. Este Ego parece precisar de um fim precoce de vida terrena.

Os Ensinamentos Rosacruzes nos ensinam que as pessoas que morrem violentamente e, em consequência, não vivenciam pós-morte – o panorama de suas experiências – renascem logo em seguida e morrem ainda criança. Elas irão imediatamente para o Primeiro Céu e aí aprenderão as lições necessárias e serão capazes, então, de assimilar a essência das experiências do Purgatório e do Primeiro Céu, resultantes de suas vidas anteriores na Terra.

Sabemos, também, que as Forças Superiores que ajudam a nossa evolução estão, constantemente, tentando transformar o mal em bem, por nossa causa. É possível, então, que estes Seres Sábios, fazendo frente a atual popularidade e quantidade de abortos, estejam utilizando esses mesmos abortos, como um meio de permitir aos Egos que precisam morrer na infância, a deixar a vida física desta maneira.

Milhares de pessoas morreram violentamente durante a II Grande Guerra, em catástrofes e cataclismas e não há dúvida que muitos desses Egos estão esperando a oportunidade de renascer e morrer na infância.

Nós só podemos especular, mas é possível que alguns desses Egos estejam tendo a chance desta maneira e assim irem diretamente para o Primeiro Céu, logo que seus estados embrionários ou fetais tenham terminado. É possível, também que, Egos que em vidas passadas tenham sido responsáveis por mortes de outras pessoas, sejam agora forçados a pagar as dívidas do destino deste modo, isto é, o período de vida física desses Egos chega ao fim, ainda no estágio pré-natal.

Nada disto, porém, isenta de culpa, aqueles que abortam ou praticam o aborto. Podemos estar certos de que eles terão que pagar um preço muito alto, em vidas futuras, por suas ações presentes.

 (Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” e publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – agosto/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O que o Horóscopo Natal de uma Pessoa não Mostra

É extremamente importante perceber que a Astrologia não nos mostra o que e onde estamos. Tudo o que a Astrologia nos mostra são as forças com as quais temos que trabalhar e os problemas que enfrentaremos na vida.

O que fazemos com estas forças e se resolvemos estes problemas de forma construtiva depende de como exercemos o nosso livre arbítrio, o que não é mostrado no horóscopo.

No Livro “A Mensagem das Estrelas – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz”, no Capítulo 2[1], se observa que se um astrólogo quiser ler um horóscopo com precisão, ele deve conhecer o estado de evolução espiritual do indivíduo. Pessoas com diferentes graus de evolução espiritual podem responder de maneira diferente a qualquer conjunto de forças astrológicas.

Certa vez, um astrólogo francês fez uma experiência em que reuniu os horóscopos de vários criminosos presos e os misturou com os horóscopos de várias outras pessoas e depois perguntou a alguns astrólogos para dizer quais eram os criminosos e quais eram as outras pessoas. Os astrólogos não foram capazes de fazê-lo. A razão pela qual os astrólogos não foram capazes de fazer isso é que, para qualquer conjunto de forças astrológicas, algumas pessoas podem agir como folhas sopradas pelo vento e cair no potencial armadilhas indicadas, e outros podem exercer a sua sabedoria e a sua vontade e usar as forças de forma construtiva.

Com o exercício da sabedoria e da força de vontade, os problemas da vida podem ser resolvidos e as forças nas Quadraturas e Oposições podem ser usadas de forma tão construtiva quanto as forças nos Sextis e Trígonos.

Conheci pessoas principalmente com Sextis e Trígonos, e apenas uma ou duas Quadraturas ou Oposições, que estavam bagunçando suas vidas. Conheço outras pessoas que têm muitas Quadraturas e Oposições, que ganharam o controle de suas vidas e estão vivendo de forma construtiva.

Quando o horóscopo mostra problemas, a pessoa, se quiser, saberá que através de suas ações em vidas passadas acumulou esta pesada dívida (que nada mais são do que lições não aprendidas nessa Escola da Vida) que deve ser paga (lição aprendida) em algum momento.

Suponha que uma criança trouxe algum dever de casa da escola. Se os pais virem o dever de casa, que conclusões tirarão? Eles presumirão que a criança foi reprovada em algum teste e recebeu essa lição de casa como trabalho corretivo? Eles presumirão que esse dever de casa é apenas parte do processo de aprendizagem atribuído a todos os alunos da turma? Ou irão presumir que a criança está à frente do resto da turma e realizou algum trabalho extra? Obviamente, apenas ver os trabalhos de casa não é suficiente para dizer aos pais as razões da lição de casa e qual suposição está correta.

O horóscopo mostra os problemas de “lição de casa” que devemos resolver nesta vida. Não deveríamos fazer suposições sobre se estes são problemas antigos que não conseguimos aprender anteriormente ou se são novos desafios que estão a nos ajudar a desenvolver força espiritual. Somente quem investigou diretamente as vidas passadas de um indivíduo pode fazer qualquer afirmação sobre se os problemas que enfrenta são antigos ou novos.

Além disso, as pessoas precisam ter cuidado ao fazer declarações sobre essa pesada dívida (repetimos: que nada mais são do que lições não aprendidas nessa Escola da Vida). Na retrospectiva post mortem, todas as dívidas de sofrimento são “pagas” integralmente, resultando na consciência que orienta na próxima vida a testar se realmente aprendeu a lição. Se, através de nenhuma por culpa própria nesta vida, uma pessoa experimenta sofrimento, as possíveis causas são:

1) A pessoa tem alguma lição para aprender ou alguma força espiritual para desenvolver a partir desta experiência ou;

2) a pessoa pode ser atormentada por outra pessoa que esteja exercendo seu livre arbítrio. Quando for esse o caso, o algoz sofrerá por sua indiscrição no Purgatório. Sem a visão espiritual não podemos dizer qual destas explicações é aplicável ou se ambas são aplicáveis ​​num determinado caso.

(de Elsa Glover, publicada na Revista Rays from the Rose Cross de julho-agosto/2003 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: CAPÍTULO II – O GRAU DE SUSCETIBILIDADE ÀS VIBRAÇÕES ASTRAIS

Quando julgamos um horóscopo, é de suma importância que levemos em consideração a posição social e etnológica do indivíduo, pois configurações de grande importância no horóscopo de um caucasiano instruído podem significar pouco ou nada no horóscopo de um trabalhador nativo não qualificado chinês, e vice-versa. Esquecer tal fator nos levaria, inevitavelmente, a conclusões falsas, como nós explicaremos a seguir.

É uma máxima mística que quanto mais baixo um indivíduo estiver na escala da evolução, mais certamente ele responderá aos raios astrais, e, inversamente, quanto mais elevado um indivíduo na escala da realização, mais ele conquistará e governará suas estrelas, se libertando da dependência ou tutela das Hierarquias Divinas. Esse jugo, contudo, não foi imposto ao ser humano para refreá-lo desnecessariamente, mas do mesmo modo que impedimos uma criança, na nossa vida cotidiana, de fazer coisas que desconhece, e que poderiam machucá-la ou talvez invalidá-la por toda a vida, também somos contidos pelas Hierarquias Divinas por meio dos Aspectos entre os Astros, de modo a não nos machucarmos além do que possamos nos recuperar nas experiências da vida.

Contudo, juntamente com essa a orientação, existe, é claro, certo grau de livre arbítrio, o qual cresce à medida que evoluímos. Entre nós, a criança possui, na verdade, pouquíssimo livre arbítrio, estando sujeita não somente aos seus pais, mas também aos empregados da casa, e a todos a quem esteja relacionada, todo o mundo a controlando para o próprio bem dela. À medida que a criança cresce, esse cerceamento vai se moderando pouco a pouco, até que, com o passar dos anos, a criança aprenda a exercitar esse seu livre arbítrio. Esse método é seguido pelas Hierarquias Divinas, no caso do ser humano. Na sua infância a Humanidade foi totalmente guiada pelas regras Divinas, sem exercitar nenhum Arbítrio; “Portanto, deverás fazer isto, ou não fazer” eram as ordens impostas a ela, e que deviam ser implicitamente obedecidas, caso contrário, o descontentamento Divino seria, imediatamente, mostrado por meio de manifestações enérgicas como um recurso para impressionar a Mente da Humanidade infantil, tais como: raios, trovões, terremotos e ocorrências de grandes pragas. Isso ocorria para a orientação coletiva da Humanidade; para repressão individual havia as leis, os mandamentos e as regras rígidos. Tributos deviam ser pagos continuamente ao Líder Divino e oferecidos no altar como sacrifícios, e para cada infração à lei um determinado sacrifício de bens materiais devia ser feito. Temor era a nota-chave dominante daquela Dispensação, pois “O começo da sabedoria é o temor do Senhor Deus” (Prov 9:10). Esse regime prosseguia sob as condições astrais de Marte e da Lua. Marte, sendo o lar dos Espíritos Luciferinos dominantes, dava à Humanidade a energia necessária para que a evolução pudesse ser realizada; essa energia marciana era da maior importância, particularmente, é claro, nos estágios iniciais. A Lua, que é o lar dos Anjos, sob o Divino Líder deles Jeová, deu à Humanidade em sua infância aquele cérebro-mente como de criança, que é passível de ser governado e se curva facilmente perante a autoridade.

Esses dois Astros com Saturno eram os únicos raios astrais que afetavam a Humanidade como um todo durante a Época Lemúrica, de modo que, se se levantasse um horóscopo para qualquer pessoa naquele tempo, seria desnecessário considerar outros Astros, pois ela não podia responder aos seus raios. Mesmo hoje, uma grande parte da Humanidade ainda não evoluiu muito além daquele ponto. Uma grande classe, particularmente entre aquelas que chamamos de “raças inferiores”, e mesmo as classes mais baixas do nosso mundo ocidental, são dominadas, principalmente, por esses raios astrais. Sob seus impulsos essas duas classes atuam com infalibilidade automática em uma maneira específica, de forma que é possível predizer exatamente o que farão sob determinados Aspectos desses Astros, porque elas vivem inteiramente em suas emoções e raramente, se tanto, são suscetíveis às vibrações intelectuais de Mercúrio. Elas nem podem apreciar as emoções tais como as expressas por Vênus ou pela sua oitava, Urano; tais pessoas respondem somente à natureza inferior, às paixões animais. Movem-se sob os impulsos de Marte e da Lua, com respeito ao sexo e à subsistência. Seus prazeres são da natureza a mais baixa e mais sensual. Elas vivem como animais em bando no físico, e seus credos é “comer, beber e se divertir”. Seus desejos são dirigidos principalmente para “vinho e amores”, pois ainda não despertaram para o encanto da música; nem a beleza teve ainda a oportunidade para encantar o coração selvagem, nesse estágio de desenvolvimento, porque isso provém dos raios de Vênus, que estão além dessas pessoas. Em tal estágio, a mulher é apenas um animal de carga e uma conveniência para o homem.

Enquanto isso o “Pai Tempo”, representado pelo Planeta Saturno, marca a contagem e brande sobre elas o açoite da necessidade, a fim de impeli-los para frente, nesse caminho evolutivo, retribuindo a cada um, na época da colheita entre vidas, com os frutos de seu trabalho. Quando o ser humano já cultivou as rudes virtudes de bravura, resistência física, etc., sonha na existência post-mortem com novos campos para conquistar, e vê onde fracassou, e a razão de seus desejos frustrados por falta de ferramentas. Gradualmente, o raio marciano construtivo e a destreza de Saturno fertilizam o cérebro lunar que ele está construindo, de maneira que, com o tempo, aprende a fazer as toscas ferramentas necessárias à realização de suas ambições primitivas. Mesmo atualmente vemos os mesmos traços de caráter hábil, as mesmas técnicas primitivas manifestadas nas “raças inferiores” e por meio delas, com o propósito de irrigar a terra, extrair minério ou moer grãos. Todos aqueles primeiros instrumentos resultaram dos raios astrais de Saturno, da Lua e de Marte, influenciando o cérebro primitivo da Humanidade infantil.

Um pouco adiante no caminho evolutivo, na Época Atlante, os Senhores de Vênus e os Senhores de Mercúrio vieram a Terra com o objetivo de dar um impulso no desenvolvimento mental e emocional. A tarefa de Vênus era combater as emoções inferiores e elevar a rude paixão animal de Marte ao mais terno e mais belo amor de Vênus. Devia acrescentar beleza à força, e para alcançar aquele ideal, os Senhores de Vênus estimularam as artes plásticas, a pintura e a escultura. Tais artes não eram ensinadas aos seres humanos comuns daquela época; os ideais que precisam ser desenvolvidos numa raça são sempre ensinados primeiramente aos mais avançados, em um templo de mistério, e, naquela época, a Iniciação não incluía instrução espiritual, mas consistia em educação nas artes liberais (compostas da lógica, gramática, retórica e da aritmética, música, geometria, astronomia.). A escultura ensinava como o belo pode ser incorporado à forma física. Chamava a atenção para o corpo, e tornava um ideal as suaves linhas curvas. O resultado está agora incorporado ao nosso próprio corpo, pois, compreenda-se bem, numa escola de mistério um ideal não é ensinado hoje simplesmente para ser esquecido amanhã ou na geração seguinte, mas ideais são inculcados para que, com o tempo, eles se tornem parte da própria vida, da alma e corpo de uma raça. Compare o corpo de raça do ser humano civilizado moderno com o do indiano, do australiano, do hotentote (Povo da África ao norte do Rio Orange), etc., e verá que nele a beleza foi de fato acrescentada à força.

Pode-se argumentar que estamos degenerando, se comparados ao que mostram as Artes Helênicas, mas isso positivamente não está acontecendo, mesmo porque ainda não alcançamos esse ideal tão elevado. Na Grécia antiga os templos de mistério ocupavam uma posição muito mais proeminente do que hoje; a forma bonita era idolatrada em detrimento da Mente, não obstante se constatar o fato de que a Grécia teve um Platão e um Sócrates. Os Senhores de Mercúrio, que tinham a incumbência de desenvolver a Mente à época em que os Senhores de Vênus exerciam sua grande influência sobre as emoções, não foram então capazes de causar uma impressão universalmente forte na Humanidade primitiva. Sabemos muito bem que mesmo hoje é difícil pensar, ao passo que é fácil se entregar às emoções. Hoje em dia, a classe média do ocidente está muito mais adiantada do que os Gregos antigos, em virtude da influência desses dois raios planetários em nossas vidas. A mulher, naturalmente, sobressai na faculdade altamente imaginativa de Vênus, devido à sua participação na função criadora, que ajuda a moldar o corpo da raça. Por isso, a sua silhueta possui as curvas graciosas que naturalmente expressam a beleza, ao passo que o homem possui um intelecto de conhecimento mundano, estimulado pelos Senhores de Mercúrio, que é o expoente da razão e o agente criador do progresso físico no trabalho do mundo.

Sempre almejamos, admiramos e aspiramos àquilo que nos falta. Nos dias de selvageria, quando golpes e pontapés era seu pagamento diário, a mulher ansiava pelo carinho de seu senhor. O raio de Vênus lhe deu a beleza e a fez adepta dos artifícios femininos que conquistaram o coração masculino, de modo que agora o homem desempenha o papel de protetor sob o pretexto de que a mulher não é mentalmente competente; entretanto, ele está se tornando aquilo que admira nela; ele está mais gentil e afável. Vênus está conquistando Marte, mas a ilusão da superioridade intelectual de Mercúrio precisa de outra influência para conquistá-lo. Agora, a mulher está suprindo isso, por meio de sua aspiração. Do mesmo modo que ela dominou a brutalidade marciana através da beleza de Vênus, assim também ela vai se libertar da escravidão mercuriana pela intuição uraniana.

Para o ser humano primitivo, impelido pelo aguilhão da necessidade saturnina, quando não pela luxúria e pelas paixões animais de Marte e Lua, o mundo parece sombrio. O medo é a palavra-chave de sua existência: o medo dos animais; o medo dos outros seres humanos; o medo das forças da natureza; medo de tudo ao seu redor. Ele precisa estar sempre atento e em alerta; a vigilância é eternamente o preço da sua segurança. Contudo, quando a evolução o torna mais sensível às influências de Vênus e Mercúrio, estes abrandam suas emoções e clareiam sua mentalidade; ele começa a olhar o amor e a razão como fatores na vida. O Sol também começa a iluminar sua visão da vida, e o brilho na natureza do ser humano, durante essa fase evolutiva, parcialmente dispersa as sombras de Saturno. Assim, gradativamente, à medida que o ser humano evolui e se torna mais sensível à música das esferas, na harpa celestial uma corda após outra toca um acorde semelhante na alma humana e a faz sensível às suas vibrações, de forma que, do mesmo modo que um diapasão, quando tocado, desperta a música em outros diapasões do mesmo tom a uma distância razoável, assim também os Planetas em nosso Sistema Solar, na sucessão evolutiva, tocaram vários acordes que encontraram eco no coração humano.

No entanto, as cordas da Lira celestial de Apolo não estão todas em harmonia. Algumas se encontram em verdadeira dissonância, de maneira que, enquanto o ser humano responde a algumas, ele permanece necessariamente, pelo menos em parte, indiferente às outras. De fato, antes de poder responder, perfeitamente, aos raios de Vênus, é necessário que o ser humano domine Marte em um grau considerável e mantê-lo sob controle, de maneira que alguns indesejáveis traços marcianos de sua natureza sejam suplantados, enquanto outros, que possam ter valor, sejam preservados. O amor de Vênus, que tudo deseja àqueles que ama, não pode conviver lado a lado no coração com o raio de Marte, que requer todas as coisas para si próprio. Por conseguinte, o ser humano primitivo precisa aprender a se dominar, em certa medida, a fim de poder se tornar o mais civilizado ser humano da família dos tempos modernos. Sob os desenfreados e apaixonados raios de Marte e da Lua, os pais põem crianças no mundo e as deixam entregues a si mesmas, quase como fazem os animais, já que são produtos da paixão animal. As fêmeas são compradas e vendidas como um cavalo ou uma vaca, ou são tomadas à força. Até mesmo em tempos mais recentes, já na obscura época medieval, o cavaleiro costumava, muitas vezes, tomar sua noiva pela força das armas, praticamente do mesmo modo que, entre os animais, os machos lutam pela posse da fêmea nos períodos de acasalamento.

Vemos, então, que o primeiro passo rumo à civilização exige que o ser humano domine um ou mais dos Planetas, pelo menos até certo ponto. A paixão desenfreada, como a gerada pelos raios do primitivo Marte, não é mais permitida sob o regime da civilização moderna, nem é mais admissível o princípio de que “força é direito”, exceto nas guerras, quando voltamos ao barbarismo. A qualidade da bravura física de Marte, que, em certo período, era tida como uma virtude para atacar a outros e roubar propriedades, não é mais admirada no indivíduo. Ela é punida de diversos modos, de acordo com a lei, embora seja ainda válida quando se trata de nações que entram em guerra, as quais agem sob esse impulso primitivo com propósitos de expansão territorial. Contudo, como dissemos, Marte foi dominado em grande parte na vida civil e social para que o amor de Vênus pudesse tomar o lugar da paixão de Marte.

Como dissemos acima, os filhos do ser humano primitivo eram deixados entregues a si mesmos, tão logo houvessem aprendido a se defender nas lutas físicas. Com o advento de Mercúrio, outro método foi introduzido. A batalha da vida hoje em dia não é mais travada somente com armas físicas. O cérebro, mais do que os músculos, determina o sucesso. Consequentemente, o período de educação foi sendo dilatado à medida que a Humanidade avançava, visando principalmente uma realização mental, pois os raios de Mercúrio acompanham o desenvolvimento de Vênus na civilização moderna. Assim, o ser humano vê a natureza de um prisma mais iluminado quando aprende a responder ao Sol, a Vênus, Mercúrio, Marte, Lua e Saturno, mesmo que em grau muito reduzido.

Contudo, embora esses vários estágios da evolução tenham, gradualmente, submetido o ser humano ao domínio de um número de raios astrais, o progresso foi unilateral, pois esse domínio fomentou apenas os interesses em coisas sobre as quais ele tem direito de propriedade: seu negócio, sua casa, sua família, seu gado, sua fazenda, etc., tudo de vital importância e precisando de cuidados. Suas posses devem ser aumentadas, se possível, não importando o que aconteça aos bens, à família, etc., dos outros, que absolutamente não lhe interessam. Entretanto, antes que possa alcançar um estágio mais avançado de evolução, é necessário que esse desejo de se apoderar das terras e de retê-las para si, deva dar lugar a um desejo que beneficie seus semelhantes. Em outras palavras, o Egoísmo deve dar lugar ao Altruísmo, e assim como Saturno, brandindo sobre ele o açoite da necessidade em seus dias primitivos, trouxe-o até seu atual estágio de civilização, do mesmo modo também Júpiter, o Planeta do altruísmo, está destinado a erguê-lo da condição de ser humano à condição de “super-homem”, onde ele estará sob o raio de Urano, no que tange à sua natureza emocional, quando a paixão gerada por Marte será substituída pela Compaixão e quando a consciência infantil de origem lunar será substituída pela consciência cósmica do raio netuniano. Portanto, o advento do raio jupteriano em nossa vida marca um avanço muito destacado no desenvolvimento humano. Conforme nos ensina o livro O Conceito Rosacruz do Cosmos (Você pode obter uma cópia digital desse livro, de graça, aqui no nosso site: www.fraternidaderosacruz.com), estamos a ponto de avançar do nosso atual Período Terrestre para o Período de Júpiter e, entretanto, o raio jupteriano marca aquele estágio elevado de altruísmo, que será então um fator proeminente em nossas relações mútuas; e será compreendido de imediato que, antes de podermos realmente responder aos raios de Júpiter, precisamos cultivar o altruísmo a um tanto e dominar o Egoísmo proveniente da força racional de Mercúrio. Aprendemos a dominar algumas das influências de Marte e da Lua, mas podíamos também ter aprendido a dominar algumas das influências inferiores de Mercúrio e Vênus, pois quanto mais as dominarmos, mais capazes seremos de responder às forças vibratórias superiores que emanam desses Astros; sim, se nos esforçarmos com afinco, um dia seremos capazes de dominar até mesmo a influência mais elevada do amor de Vênus, que sempre se prende a um objeto possuído por nós. Amamos nossos filhos porque são nossos; amamos nossos maridos e esposas porque nos pertencem; orgulhamo-nos – orgulho venusiano – de suas características morais – orgulho mercurial – de suas realizações, embora Cristo estabeleceu uma norma mais elevada: “Se alguém vem a mim e não deixe seu próprio pai e mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:26). A ideia de que devemos negligenciar nossos pais e mães, ou de que devemos odiá-los para podermos segui-Lo, esteve longe de passar pela Sua Mente, é claro, mas pai e mãe são apenas corpos; a alma que habita o corpo de seu pai e de sua mãe é que deve ser amada, não o simples invólucro físico. Nosso amor deveria ser o mesmo, seja a pessoa velha ou jovem, feia ou bonita. Devemos buscar a beleza da alma, buscar o relacionamento universal entre todas as almas, sem que importe tanto o relacionamento entre os corpos. “Quem são minha mãe e meus irmãos?” (Mt 12:48), disse Cristo, e apontou para seus Discípulos, aqueles que eram um só com Ele em Sua grande obra. Com efeito, eles estavam mais perto d’Ele do que qualquer irmão poderia estar, em virtude do mero relacionamento físico. Essa atitude constitui um passo adiante em relação ao amor de Vênus, que enfatiza os invólucros físicos dos entes amados e não considera a alma que está em seu interior. Por outro lado, o amor jupteriano reconhece somente a alma, independentemente do corpo que ela usa. A fase mercurial ou racional da mentalidade também é modificada em razão da sensibilidade ao altruístico Júpiter. E aqui o cálculo frio fica fora de cogitação. Aquele que sente o raio expansivo de Júpiter é generoso em tudo, do princípio ao fim, permanentemente, generoso no que se refere às suas emoções, ao seu amor, generoso no que diz respeito a todas as coisas do mundo. “Uma pessoa jovial” é uma expressão adequada. Ele é sempre bem-vindo e amado por todos aqueles que encontra, porque não irradia o Egoísmo comum, mas o desejo de beneficiar os outros, que em nós desperta uma sensação de confiança, sensação diametralmente oposta àquela que sentimos, instintivamente, quando entramos em contato com uma pessoa Saturno-Mercúrio.

É uma questão de experiência real para os astrólogos dotados com a visão espiritual que os raios astrais de cada pessoa produzem certas cores em sua aura, além da cor básica que identifica a “raça” à qual o indivíduo pertence. O ser humano com os pobres e doentios tons azuis da combinação Saturno e Mercúrio deve ser digno de compaixão e não censurado, pela avareza e melancolia que são sua constante atitude mental; ele vê tudo no mundo através do espelho áurico que ele criou ao seu redor; ele sente que o mundo é frio, duro e Egoísta, e que, portanto, é preciso que ele seja ainda mais Egoísta e frio, a fim de se proteger. Por outro lado, quando vemos o divino raio azul de Júpiter, tingido talvez com o delicado ouro da natureza uraniana, percebemos o quanto a visão de tão nobre indivíduo é diferente do modo sórdido com que o outro vê as coisas. Mesmo os que possuem a mais fraca tonalidade jupteriana estão num mundo repleto do brilho do sol, de flores desabrochando, vendo o todo da natureza colorido e alegre. E, ao contemplarem o mundo através dessa atmosfera, eles atraem de outras fontes uma resposta semelhante, do mesmo modo que o diapasão, já mencionado, faz vibrar outro diapasão do mesmo tom.

Depois do que foi dito, não será difícil compreender que as características uranianas, nas quais o amor se converte em compaixão, proporciona uma sabedoria que não depende da razão; um amor que não se prende a um objeto único, mas inclui tudo o que vive, se move e tem o seu ser com características semelhantes às que serão desenvolvidas pela Humanidade durante o Período de Vênus (o sexto Período nesse Esquema de Evolução. Veja nesse Livro, Conceito Rosacruz do Cosmos, mais detalhes), quando o amor perfeito substituirá todo o medo, quando o ser humano dominará todos os aspectos inferiores de sua natureza, e o amor será tão puro quanto é universal o seu alcance.

Quando essas vibrações uranianas são sentidas por antecipação na vida superior por meio da aspiração, há o grande perigo de rompermos os grilhões da lei e do convencionalismo, antes de estarmos realmente preparados para nos governar segundo a lei do divino Amor; de desrespeitarmos as leis que são do mundo; de não darmos “a César o que é de César”, em obediência ou dinheiro; de não sermos cuidadosos em evitar a presença do mal; de pensarmos que já superamos, em muito, o estágio da Humanidade comum; que podemos viver como super-humanos; de que a paixão de Marte, em nosso caso, se converta em compaixão uraniana, que é assexuada. Com tais equívocos, muitas pessoas, que se esforçam em seguir o caminho, desprezam as leis do Matrimônio, passando a se relacionar como almas gêmeas e afinidades. Elas sentem o raio uraniano, mas não podem responder totalmente à sua sublime pureza e, portanto, experimentam uma falsa sensação venusiana que normalmente termina em adultério e perversão sexual, de modo que, em vez da natural paixão animal de Marte, ela se transmuta na compaixão de Urano, e, de fato, degenera em algo muito pior que a completa expressão sexual dos raios marcianos, levada a efeito de maneira franca e apropriada. Esse é um perigo que não se pode evitar completamente e compete a cada um, que se esforça em viver a vida superior, não tentar almejar os raios uranianos até que esteja, primeiro, completamente imbuído das vibrações altruísticas de Júpiter, pois aqueles que têm aspirações elevadas e que depois caem, trazem mais desgraça para o mundo do que aqueles que não almejam o suficiente. “O orgulho vem antes da queda” é um provérbio antigo e muito verdadeiro, que cabe a cada um de nós guardar de cor. Cristo participou das bodas de Canaã. O Matrimônio é uma instituição Cristã regular, e deve existir até que seja abolido no reino que há de vir; lá nossos corpos não se desgastarão, pelo que não mais haverá necessidade do Matrimônio para gerar outros novos corpos.

Que seja também entendido que o ministro que realiza o Matrimônio não pode realmente casar as pessoas, portanto, a presença da harmonia básica para o verdadeiro Matrimônio deve ser determinada antes da cerimônia do Matrimônio.

Como vimos acima, Marte, Vênus e Urano marcam três estágios no desenvolvimento emocional do ser humano. Durante o estágio em que ele é suscetível somente à Marte, a paixão animal reina suprema, e ele busca, desenfreadamente, a gratificação de todos os seus desejos inferiores na relação sexual com o semelhante, principalmente com o sexo oposto; durante o estágio em que se torna suscetível aos raios de Vênus, o amor lhe abranda a brutalidade dos desejos, e as paixões animais são, de algum modo, controladas; sob as influências superiores desse Planeta, ele se dispõe até mesmo a se sacrificar a si próprio e aos seus desejos para o bem e o conforto daqueles a quem ama. Quando evoluiu ao ponto em que pode sentir os raios de Urano, a paixão de Marte se volta, gradativamente, para a compaixão; aqui o amor de Vênus, que é dirigido somente a uma pessoa em particular, se torna tão abrangente que abarca toda a Humanidade, não importando o sexo ou qualquer outra distinção, pois se trata do divino amor de alma para alma, o qual está acima de todas as considerações materiais de qualquer natureza.

A mentalidade também evolui através de três estágios, de acordo com a suscetibilidade da pessoa às vibrações da Lua, de Mercúrio e de Netuno. Enquanto o ser humano for susceptível apenas à influência lunar, será como uma criança, facilmente guiada pelos poderes superiores que o conduzem através dos vários estágios mencionados nos capítulos anteriores. Sob o raio planetário de Mercúrio, ele desenvolve, gradualmente, seus poderes intelectuais e se converte em um ser racional. E, como tal, é posto sob a Lei de Causa e Efeito, e considerado responsável por suas próprias ações, de maneira que pode colher o que semeou e, assim, aprender as lições que a vida humana tem para lhe ensinar no atual regime. Sendo inexperiente, comete erros em quaisquer das direções indicadas pelas aflições de Mercúrio em seu horóscopo e, consequentemente, sofre a correspondente punição em sofrimento e dificuldades. Se não tiver inteligência para raciocinar sobre a conexão entre seus erros e as tristes experiências consequentes deles durante sua vida, o panorama de vida que se desenrola no estado post-mortem torna isso claro, e deixa com ele uma essência de “sentimento correto”, conhecida como “consciência”.

Essa consciência o impede de repetir erros passados, já que o sentimento gerado se torna bastante forte para contrabalançar uma tendência a ceder à particular tentação que causou seu sofrimento. Assim, o indivíduo, gradativamente, desenvolve uma consciência espiritual que está acima e além do raciocínio humano, mas a qual, não obstante, também está conectada à razão e, de tal modo que quando o resultado é alcançado, o ser humano que possui essa Consciência Cósmica sabe por que este fato é e deve ser assim, ou porque deve executar uma certa ação. Essa Consciência Cósmica é desenvolvida sob o raio de Netuno, e difere daquele correto sentimento intuitivo desenvolvido sob o raio de Urano no fato muito importante de que, ainda que a pessoa que desenvolveu a qualidade intuitiva de Urano chegue à verdade instantaneamente, sem necessidade de pensar e raciocinar sobre o assunto, ela é incapaz de dar qualquer coisa além do resultado, isto é, não consegue conectar as várias etapas da sequência lógica, por meio das quais o resultado final foi alcançado. Todavia, o ser humano que desenvolve a faculdade de neptuniana também tem a resposta imediata para qualquer pergunta, e é capaz de dar a razão pela qual aquela é a resposta adequada e certa.

A faculdade da intuição, construída desde a base da paixão marciana, através do estágio do amor venusiano e do raio da compaixão uraniano, depende da capacidade da pessoa envolvida para sentir muito intensamente. Pelo amor e pela devoção, o coração se sintoniza com todos os outros corações do universo, e, desse modo, conhece e sente tudo o que pode ser conhecido e sentido por qualquer outro coração no universo, compartilhando assim da omnisciência divina que une Nosso Pai no Céu a Seus filhos, e por meio do toque direto que vai de coração a coração com aquela omnisciência, a pessoa obtém as respostas de todos os problemas com que se depare.

Os seres humanos mais nobres de todos os tempos, os santos Cristãos da mais transcendente espiritualidade, alcançaram seu maravilhoso desenvolvimento por meio dos raios espirituais desse Planeta, em virtude do intenso sentimento de Unidade com o divino e com tudo que vive e respira no universo.

Mas há outros que não são assim constituídos, não sendo, pois, capazes de trilhar aquele caminho. Esses, por meio da Lua, de Mercúrio e de Netuno, desenvolveram seu intelecto e alcançaram os mesmos resultados e o mesmo poder de idealização netuniano.

Esse é um ponto muito importante e é só revelado nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, pois, embora tenha sido ensinado anteriormente que o Espírito se envolve na matéria e, desse modo, se cristaliza na forma que depois desenvolve, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos dizem que existe, além disso, um terceiro fator no avanço universal, a saber: a Epigênese; a faculdade pela qual o Espírito pode escolher um rumo que, ao mesmo tempo, é novo e independente daquele que seguia antes. Nós vemos a expressão disso em todos os reinos relativos à forma, mas, no reino humano, a Epigênese se expressa como gênio, como um instinto criador, que torna o ser humano mais próximo ao divino do que qualquer outra de suas conquistas. Isso é desenvolvido sob o raio de Netuno, quando esse Planeta está bem-posicionado no horóscopo. Naturalmente, há também coisas como o gênio mau, uma faculdade destrutiva desenvolvida sob um Netuno afligido.

Somente as pessoas mais sensíveis no mundo sentem os raios de Urano e de Netuno na atualidade. Para sentir tais vibrações, a conexão entre o Corpo Denso e o Corpo Vital, que é feito de Éter, deve ser bastante frouxa, pois quando esses dois veículos estão firmemente interligados, a pessoa sempre tende para o materialismo, não podendo responder às vibrações mais elevadas e sutis do Mundo espiritual. Mas, quando os raios estelares desses dois Planetas se projetam sobre uma pessoa, cujo Corpo Vital está frouxamente conectado ao Corpo Denso, temos aquele é chamado de sensitivo. No entanto, A direção e qualidade dessa faculdade dependem do posicionamento e dos Aspectos dos dois Planetas em questão. Aqueles que, particularmente, se acham sob o domínio de um Aspecto adverso do raio de Urano, geralmente, desenvolvem as mais indesejáveis fases de Clarividência e de mediunidade. Tornam-se, facilmente, presas de entidades dos Mundos invisíveis, as quais não têm nenhuma consideração pelo desejo de suas vítimas, mesmo que essas pudessem protestar debilmente. Tais médiuns são, geralmente, usados em simples comunicações de transe, e nos poucos casos conhecidos pelo autor tiveram as vidas belas e felizes, em virtude de crerem implicitamente nos Espíritos que os dominavam. Nesses casos, os Espíritos-controle eram de uma classe melhor que aquela dos que geralmente conhecemos. Mas, assim como essa faculdade uraniana é construída através de Marte e Vênus, a paixão é proeminente em tais naturezas, de maneira que, sob a influência de Espíritos obsessivos, muitas dessas pessoas são levadas à imoralidade completa. O vampirismo e outras práticas infames semelhantes são, também, engendradas pelo uso pervertido do raio uraniano em médiuns.

Pode-se dizer que Netuno representa os Mundos invisíveis, nos seus Aspectos mais benéficos (Trígonos, Sextis e algumas Conjunções), e nos Aspectos que estão sob os raios adversos (Quadraturas, Oposições e algumas Conjunções) desse Planeta são, portanto, postos em contato com os mais indesejáveis ocupantes dos Mundos invisíveis. A obsessão real, pela qual o possuidor de um Corpo é despojado de seu veículo, ocorre sob o raio de Netuno e nenhuma sessão de materialização se poderia efetuar não fora essa vibração estelar. A magia branca ou negra jamais pode ser posta em prática, a não ser sob e por causa dessa vibração netuniana. Fora da influência desse raio, tudo é teoria, especulação e literatura. Portanto, os Iniciados de todas as Escolas de Mistérios – Clarividentes Espirituais – que têm pleno controle de suas faculdades, e os Astrólogos são sensíveis ao raio de Netuno, em graus variáveis. O Mago Negro e o Hipnotizador, seu irmão gêmeo, dependem também do poder desse raio estelar para uso em suas práticas nefastas.

O nível mais elevado de desenvolvimento humano atualmente, ou seja, o desenvolvimento da alma que é realizado nos Templos de Mistérios, por meio da Iniciação, é resultado direto do raio de Netuno, pois, assim como as configurações adversas sujeitam os seres humanos às investidas das entidades invisíveis, também as configurações benéficas de Netuno são, particularmente, necessárias para capacitar um indivíduo que desenvolva, pela Iniciação, todos os seus poderes da alma, e a se tornar um agente consciente nos Mundos invisíveis. Lembremo-nos, no entanto, que as configurações benéficas ou adversas não são o resultado do acaso ou da sorte, mas são o produto de nossos próprios atos passados; o horóscopo o que ganhamos nas nossas vidas passadas e, portanto, o que merecemos na vida presente.

Além disso, devemos sempre nos lembrar que as estrelas impelem, mas não compelem; porque se um homem ou uma mulher tem uma configuração adversa de Netuno ou Urano, não significa que deva ficar sujeito, ativamente, a má Mediunidade ou a Magia Negra, tornando a sua própria vida mais difícil no futuro. A oportunidade de fazê-lo e a tentação virão, em determinados momentos, quando os marcadores celestiais do tempo apontarem para a hora exata no relógio do destino. Então, será hora de se manter firme no bem e no correto; sendo alertado por meio de um conhecimento de Astrologia, ele também se prevenirá, e pode superar mais facilmente quando tal Aspecto culmine.

Assim, vemos que o ser humano é sensível aos raios astrais em um grau crescente, à medida que avança através da evolução, mas, quanto mais espiritualmente evoluído se torna, menos ele permitirá que os Astros o dominem, enquanto a alma mais jovem é arrastada, irresistivelmente, pela maré da vida, em qualquer direção que as vibrações astrais a impelem. É a característica da alma avançada manter o curso verdadeiro, a despeito das vibrações astrais. Entre esses dois extremos existem, naturalmente, todas as gradações, umas sensíveis aos raios de um Astro, algumas aos de outro. O barco da vida dos homens e das mulheres é, frequentemente, impelido para os rochedos das tristezas e dos sofrimentos, isso para que eles possam aprender a desenvolverem, dentro de si mesmos, a força de vontade que, finalmente, os libertem de todo o domínio das estrelas regentes. Como disse o grande místico Goethe:

“De todo poder que mantém o mundo agrilhoado,

O ser humano se liberta, quando o autocontrole é conquistado.”

E pode-se perguntar: teremos percorrido toda a escala de vibrações, quando houvermos aprendido a responder a todos os sete Planetas que estão representados no mito como as sete cordas da Lira de Apolo? Em outras palavras, é Netuno a vibração mais elevada a que ainda devemos responder? Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental (Nome como também é conhecida a Filosofia Rosacruz) nos dizem que ainda existem mais dois Planetas no universo, os quais serão conhecidos no futuro, e influenciarão no desenvolvimento de qualidades de natureza tão transcendental que não as podemos compreender, por enquanto. O número de Adão – ser humano ou Humanidade – é nove, e há nove degraus na escada estelar pela qual ele está ascendendo a Deus; até o momento, subiu apenas cinco desses degraus: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, e nem mesmo as vibrações desses ele, por algum meio, aprendeu; Urano e Netuno estão, aos poucos, entrando em nossas vidas; eles não se tornarão ativos do mesmo modo e grau como, por exemplo, a Lua e Marte o são presentemente, até que muitas eras se tenham passado. No entanto, mesmo que tenhamos aprendido a lhes responder, existem mais dois, a respeito dos quais conheceremos algo mais tarde; é a opinião dos autores que esses, provavelmente, não são sentidos por ninguém, exceto por aqueles formados numa Escola de Mistérios Maiores e pelos Hierofantes desta sublime instituição.

Concluindo esse artigo sobre a Suscetibilidade do Ser Humano às Vibrações Astrais, nos reportemos ao artigo sobre “Luz, Cor e Consciência”, do livro Os Mistérios Rosacruzes:

“Verdadeiramente, Deus é Uno e indivisível.  Ele contém em Seu Ser tudo o que é, da mesma forma que a luz branca inclui todas as cores. Mas Ele aparece em manifestação tríplice, assim como a luz branca se refrata em três cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Onde quer que vejamos essas cores, elas simbolizam o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esses três raios primários da Vida Divina se difundem ou são irradiados pelo Sol e produz: A Vida, a Consciência e a Forma em cada um dos sete portadores de luz, os Planetas, que são chamados “Os Sete Espíritos diante do Trono”. Seus nomes são: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno e Urano. A Lei de Bode prova que Netuno não pertence ainda ao nosso Sistema Solar e indicamos ao leitor o Livro Astrologia Científica e Simplificada, escrita pelo autor do presente trabalho, para a demonstração matemática dessa afirmação.”

“Cada um dos sete Planetas recebe a luz do Sol em proporções diferentes, de acordo com sua proximidade da órbita central e a constituição de sua atmosfera; e os seres em cada um deles, de acordo com o seu estado de desenvolvimento, têm afinidade com alguns dos raios solares. Os Planetas absorvem a cor ou as cores que lhes são harmônicas e refletem as restantes sobre os outros Planetas. Esses raios refletidos levam consigo um impulso da natureza dos seres com os quais estiveram em contato.”

“Desse modo, a Luz e a Vida Divinas chegam a cada um dos Planetas, quer diretamente do Sol, quer refletidas pelos seis Planetas irmãos, de modo semelhante à brisa do verão que, tendo passado pelos campos em flor, leva em suas asas silenciosas e invisíveis a fragrância mesclada de uma multidão de flores, assim como também as influências sutis do Jardim de Deus nos trazem os impulsos reunidos de todos os Espíritos Planetários e, nessa luz multicor, nós vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”.

“Os raios que vêm diretamente do Sol são produtores da iluminação espiritual; os raios refletidos dos outros Planetas aumentam a consciência e o desenvolvimento moral; e os raios refletidos pela Lua proporcionam o crescimento físico”.

“Contudo, como cada Planeta só pode absorver uma quantidade determinada de uma ou mais cores, de acordo com o estado geral de sua evolução lá, assim cada ser sobre a Terra, seja mineral, vegetal, animal ou humano, só pode absorver e assimilar uma determinada quantidade dos diversos raios projetados sobre a Terra. O restante não o afeta nem lhe causa sensação nenhuma, do mesmo modo que o indivíduo totalmente cego não tem consciência da luz e da cor que existem em volta dele. Portanto, cada ser é afetado distintamente pelos raios estelares, e a ciência da Astrologia, uma verdade fundamental na natureza, é de enorme benefício na obtenção do crescimento espiritual”.

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