Cristo-Jesus nos ordenou: “Pregai o Evangelho e curai os doentes”.
A cura permanente demanda que esses dois mandamentos sejam obedecidos.
Por meio do “Evangelho” nós temos uma compreensão interna das leis da vida e do ser.
O propósito da vinda de Cristo foi ensinar ao ser humano como se salvar por meio da regeneração, e isto Ele ensinou tanto por exemplos assim como por preceitos, pois, de outra forma, seus ensinamentos não seriam bem-sucedidos.
“Todos as faltas, falhas, todos os erros praticados hoje se cristalizarão como doenças no amanhã. O Espírito é o construtor de seu próprio Corpo.
Os milagres de cura do Mestre são apenas para aqueles que têm ouvidos para ouvir e olhos para ver”.
Assim escreveu o grande Paracelso.
1. Para fazer download ou imprimir:
Os Milagres de Cura de Cristo Jesus – Corinne Heline
2. Para estudar no próprio site:
OS MILAGRES DE CURA DE CRISTO JESUS
Por
Corinne Heline
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
The Healing Miracles of Christ Jesus
1ª Edição em Inglês, 1951, editada por Corinne Heline
O conteúdo desse livro é idêntico ao do Capítulo do mesmo nome na obra New Age Bible Interpretation, Vol. IV, New Testament, Part II de Corinne Heline
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
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SUMÁRIO
“A PATOLOGIA OCULTA E A TEOLOGIA SÃO UMA SÓ”
A Cura de um Endemoninhado aos Pés do Monte Hermon
A Cura Definitiva da Sogra de Pedro
Cura da Filha de uma Mulher Cananeia
A Cura Definitiva de um Homem com a Mão Atrofiada
A Cura do Servo de um Centurião
A Elevação do Filho da Viúva de Naim
Cristo-Jesus nos ordenou: “Pregai o Evangelho e curai os doentes”. A cura permanente demanda que esses dois mandamentos sejam obedecidos. Por meio do “Evangelho” nós temos uma compreensão interna das leis da vida e do ser. Os primeiros seres humanos conheciam a si mesmos como Espíritos Virginais, feitos à imagem e semelhança de Deus. Encontravam-se sob a guarda dos Anjos e viviam em harmonia com a música das esferas. O parto era indolor, a juventude eterna e a morte desconhecida. Então, vieram os Espíritos Lucíferes e impregnaram o Corpo de Desejos do ser humano com um novo impulso – a força inferior e destrutiva do fogo; como resultado o ser humano perdeu, gradualmente, o contato consciente da Lei Cósmica. Ele se vestiu com “roupas de pele” e sua consciência focou-se apenas na vida pessoal, ao invés de focar na vida universal, como até então. E isto lhe abriu o caminho do sofrimento, por meio da doença, pobreza e morte.
O Antigo Testamento nos conta a história da vinda de Lúcifer, a Falsa Luz. O Novo Testamento nos apresenta a história de Cristo, a Verdadeira Luz, o Salvador do Mundo, que nasceu de uma Imaculada Concepção e que veio com a cura em Suas Asas.
O propósito da vinda de Cristo foi ensinar ao ser humano como se salvar por meio da regeneração, e isto Ele ensinou tanto por exemplos assim como por preceitos, pois, de outra forma, seus ensinamentos não seriam bem-sucedidos. Pelo despertar do Cristo dentro de si mesmo, o ser humano se ergue sobre e além de todas as limitações, dentro de uma consciência de paz, harmonia e plenitude. Aí então, ele se dará conta de uma nova vida, onde não existe mais o “sofrimento, nem lágrimas, nem morte, porque todas as coisas anteriores terão passado”[1].
O Supremo curador foi, também, o Mestre Ocultista. Seu ministério de cura leva em si um duplo propósito: curar o doente e ensinar, ao mesmo tempo, lições de profunda importância metafísica aos Seus Discípulos. Todas as curas bíblicas contêm uma chave de Iluminação ou Iniciação espiritual.
Se nós estudarmos, cuidadosamente, os vários métodos e palavras que Cristo empregou em Suas curas, nós descobriremos que ele utilizou todas as fases mais importantes de uma lei oculta. Ele não se concentrava somente nas imperfeições do instrumento físico exterior, mas tinha em conta, também, os corpos invisíveis, onde se encontram as origens de todas as doenças, assim como o início de todos os processos de cura.
Qualquer tipo de doença é o esforço da natureza em focalizar a atenção no elo frágil na corrente da perfeita harmonia entre o transformar e o ser. Se nós aprendermos a lição corretamente, a cura permanente é o resultado inevitável. A doença jamais nos deixará, se permanecermos onde atualmente nos encontramos. Esta verdade é enfatizada por meio do ministério de Cristo Jesus. Aquele que se recusa em dar atenção a isto permanecerá doente, “por causa da sua incredulidade”[2]. À luz desse entendimento, lembre-se que não existe esta tal coisa de doença incurável.
(Mc 8:22-25[3])
Todo órgão do corpo físico é uma réplica de uma concepção mental e é a projeção dessa concepção dentro de uma manifestação física. Os olhos representam a consciência do saber do Espírito. O Ego em suas muitas peregrinações terrestres frequentemente se esquece da perfeita consonância com o Mundo Ideal que ele uniu antes de sua descida ao renascimento, e a visão imperfeita que normalmente acompanha o amadurecimento através dos anos atestam este fato. Trancafiando-se deliberadamente longe das verdades espirituais, durante uma ou mais vidas, tenderá à cegueira física mais adiante em futura encarnação.
Cristo Jesus prefaciava cada uma de suas restaurações de visão com uma lição, que expressava a importância do conhecimento espiritual. “Tens olhos e não vês? E tendo ouvidos não ouvis? E não te recordas?”[4]. Estas Suas palavras precedem a cura de um homem cego, como nos está descrito no Evangelho segundo São Marcos 8: 22-25.
João se refere ao Cristo como o Pão da Vida. Os Discípulos lamentavam não entendê-Lo melhor porque eles não tinham pão – que é símbolo de sua falta de conhecimento espiritual.
Betsaida significa “a casa ou o lugar de pesca” e o peixe é a representação do Iniciado na Nova Dispensação inaugurada por Cristo Jesus e sublinhada no Novo Testamento. Que esta cura de um homem cego de Betsaida lida com o processo iniciatório é evidente, desde que observado o rito empregado pelo Mestre no evento. O homem cego (ou neófito) foi levado a um lugar sagrado fora da cidade e, ali, o Mestre focou sobre ele Suas grandes forças vitais. Sua visão abriu-se para as épocas evolutivas passadas e ele foi capaz de traçar o caminho da humanidade através das brumas do passado até a clara luz da presente Época Ária, e ele “viu todos os homens claramente”.
(Mc 10:46-52[5])
Das quatro curas de cegueiras, uma é relatada por São Mateus, como ocorrida em Cafarnaum, uma por São Marcos em Betsaida, uma por São João em Jerusalém, e a que vamos considerar agora é descrita nos três Evangelhos[6], como ocorrida em Jericó.
Jericó é a Cidade da Lua, símbolo da vida de sentidos. Aqui se conta a história de um Bartimeu, cego pela intensidade de suas reações emocionais: observe-se que ele lança de si sua capa antes de receber a cura. Então, imediatamente, “ele recebeu sua visão e seguiu Jesus no Caminho”. Através da purificação ele se tornou um dos seguidores do Mestre e iniciou sua caminhada nas sendas do discipulado. A cura em Betsaida e esta (em Jericó) representam graus diferentes de avanço espiritual. Uma, lida com a preparação para o noviciado e a outra define a consecução do desenvolvimento direto.
A promessa do Mestre ao neófito precedeu-se então, como agora e sempre, pelas palavras: “Aquele que quiser ser o primeiro entre vós, seja o servo de todos”[7].
(Mt 9:27-31[8])
Ninguém é tão cego como aquele que não despertou para as verdades espirituais. A fé é enfatizada muito mais no Novo Testamento porque seu atributo é uma das necessidades essenciais para a iluminação das verdades dos planos interiores; não no sentido da cegueira intelectual de reconhecer determinadas colocações supostamente autoritárias, mas no silêncio, na profunda convicção de que as coisas espirituais realmente existem, e que elas representam o Bem Definitivo.
Sem esta convicção nós não temos o incentivo suficiente para colocar em ação o necessário esforço para alcançar a liberação.
“Seja feita segundo a vossa fé”: assim disse o Grande Médico. Lembrando que em Nazaré Ele não foi capaz de realizar muitos trabalhos por causa da incredulidade do povo de lá.
Os praticantes de todas as escolas de cura definitiva percebem o poder curador da fé, e que a cura permanente é obtida pelo nível que a consciência do paciente vai se tornando centrada na realização do poder do Espírito para a cura.
Vontade, Imaginação e Fé são as três forças por meio das quais as maravilhas da mágica são realizadas.
Colocando-as em ação, a doença pode ser curada. Elas devem, entretanto, serem suficientemente desenvolvidas para alcançar tal resultado, mas nós lembramos que se nós temos uma fé do tamanho de uma semente de mostarda nós podemos efetuar milagres.
No acontecimento que estamos discutindo, a restauração da visão dos dois homens cegos ocorreu imediatamente após a “ressurreição” (ascensão, elevação) da Filha de Jairo, e se refere ao equilíbrio entre os dois polos do Espírito no ser humano, por meio da qual a escuridão da cegueira material e a ignorância são dissipadas para sempre e os poderes da vida eterna se manifestam aqui e agora.
(Jo 9:1-41[9])
A doença não é uma punição, mas é o inevitável resultado de uma violação das Leis da Natureza. O sofrimento que ela carrega provará, no seu devido tempo, ser uma restauração que nos iluminará no caminho das leis superiores. Quando o Ego desperta sua consciência para a sua falta de sintonia com as Leis Cósmicas, as doenças desaparecem e a harmonia, ou saúde, é restaurada. Este é o significado do evento vivido pelo Mestre relatado no capítulo 9, versículos de 1-7 do Evangelho segundo São João: “Ao passar, Ele viu um homem, cego de nascença. Seus Discípulos Lhe perguntaram: ‘Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?’. Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram”.
“Mas”, continuou o Mestre, “é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus. Enquanto é dia, temos de realizar as obras daquele que me enviou; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego e lhe disse: ‘Vai lavar-te na piscina de Siloé – que quer dizer ‘Enviado’’. O cego foi, lavou-se e voltou vendo”.
“O corpo mostra os defeitos da alma”. A cegueira é também o resultado do abandono de esforços para pensar corretamente, no passado. A perversão e a deturpação do ponto de vista mental produzirão sempre condições similares na visão física; assim como a surdez, de certo modo, resulta da recusa às instruções espirituais.
“O corpo sempre representa o passado; mas o passado pessoal de todo ser humano é um fragmento microcósmico de seu passado macrocósmico, e ambos estão impressos em seu corpo”. O Supremo Médico jamais observou as aparentes limitações do Corpo físico. Ele trabalhou sempre com o ser humano interior, lembrando que o espírito exerce seus próprios poderes dados por Deus, pois só desta forma pode manter-se em saúde permanente. Segundo a versão bíblica de Tyndale[10], Sua primeira pergunta ao homem foi: “Você realmente quer ter tudo?” A vontade é o polo masculino do Espírito. A fé pertence ao princípio feminino, simbolizado pela água limpa e pura. Quando estes dois se unem revela-se: “Tudo o que pedires em Meu nome, ser-te-á dado”.
Em todas as cerimônias de Iniciação pré-cristãs eram recomendados ao neófito como exercícios de preparação de purificação o lavar-se em um lago ou poço. Aquelas águas sagradas eram encontradas próximo ao Templo ou lugar santo. O poço de Siloé é um velho Templo Egípcio, termo familiar a todos os aspirantes ao Templo.
Familiar também ao antigo noviciado era ungir os olhos com lama que depois eram lavados nas águas sagradas. Este gesto ritualístico referia-se à abertura dos órgãos internos da visão, por meio dos quais o neófito capacitava-se em ver por sua própria vontade os mundos espirituais, embora não tivesse ainda a capacidade de neles atuar (Isto requer, ainda, preparação maior). A Glândula Pineal é também chamada de terceiro olho, mas a visão equilibrada requer um funcionamento harmonioso entre a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário. Destas glândulas, Urano rege o Corpo Pituitário e Netuno a Pineal: o Corpo Pituitário é, em potencial, predominantemente feminino, enquanto a Pineal é masculina. Seu despertar e forma de desenvolvimento determinam a natureza da visão interior que é alcançada pelo neófito.
O trabalho de transfiguração ou regeneração, do qual estas faculdades supranormais são mais que simples sinais, devem acontecer enquanto o Ego habita o Corpo físico. Todo Ego após estar fora da vestimenta carnal, devido ao processo denominado morte, desperta nos Mundos espirituais, e, portanto, possui o mesmo grau de força para ver e experimentar as realidades desses Mundos. Entretanto, este não é o mesmo poder daquele que é Iniciado nos Mistérios de Cristo e que, enquanto em seu Corpo físico, alcançou a consciência da alma separada do Corpo, antes que ocorresse o processo natural da morte. Para que isto ocorra, o neófito deve limpar suas naturezas moral e mental por seus próprios esforços, pois, de outra forma, somente limpará sua natureza inferior quando de sua estada no Purgatório. Então o Iniciado vive tanto o seu Purgatório e o seu Paraíso, enquanto ainda na Terra em seu Corpo de barro. Daí as palavras do Cristo: “Importa que façamos nossas obras enquanto é dia; vem a noite (a morte) quando ninguém pode trabalhar”.
Sua triunfante proclamação final ressoará através de toda a eternidade, um clarim chamará todo aquele que desejar seguir o Caminho do Cristo, o Caminho da Iniciação, que foi aberto pelo Grande Iniciador de todos, o Supremo Mestre da Terra, quando Ele declarou: “EU SOU A LUZ DO MUNDO”.
(Mt 8:1-4[11]; Mc 1:40-44[12] e Lc 5:12-14[13])
A lepra[14], cuja causa foi o uso desenfreado das forças sexuais criadoras nas remotas Lemúria[15] e Atlântida[16], é uma das mais terríveis entre todas as doenças.
“Um laço íntimo une o gerador com o que é gerado. As gerações passadas são utilizadas na construção do futuro corpo; estão entrelaçadas no corpo como as tendências a alguma enfermidade, influindo tanto na sua formação como nas forças vitais. O veneno das vidas passadas tem que ser, em algum tempo, trocado por sanidade. Esta batalha vem através de infecções. As epidemias das raças são os males do passado materializados. A Praga da Morte Negra[17] teve sua maior incidência nos países onde a prática da magia negra floresceu, através de feitiçarias e encantamentos passionais” (Paracelso[18]).
Talvez não haja uma fase mais interessante no renascimento do que aquela na qual se revelam as causas passadas das enfermidades. Toda doença é o resultado de uma causa anterior existente. Citando novamente o celebrado médico suíço Paracelso, que nos deu muita luz sobre o problema das doenças em relação ao renascimento, nós lemos: “Nenhum médico deve presumir conhecer o tempo da convalescença, porque não é dado ao ser humano julgar a ofensa de outro, e o templo interior contém mistérios os quais nenhum estranho não Iniciado é permitido enxergar. Se o julgamento terminou, DEUS enviará o Curador: se o paciente se recupera é sinal de que a ajuda foi enviada por DEUS. Se a recuperação não é conseguida, DEUS não enviou o médico”.
A lepra e o câncer são “doenças do fogo”, e têm sua matriz no Corpo de Desejos. Ambas as doenças são consequência de um desejo de natureza desgovernada, na presente encarnação ou em encarnações passadas. O câncer tem grande incidência na vida moderna, enquanto a lepra teve no passado, e pelas mesmas razões.
Ambos os Corpos e Mente do ser humano são compostos de átomos rotativos e circulantes. O mais forte controla o mais fraco. A Mente é superior à matéria, esta é a lei da natureza.
Quando há saúde, os átomos do Corpo giram positivamente da esquerda para a direita. Na matriz de uma doença, como o câncer ou a lepra, por exemplo, eles giram negativamente da direita para a esquerda. No último caso a taxa de rotação é muito baixa, e os átomos também se diferenciam na coloração daqueles que estão em estado saudável. Os átomos negativos da Mente produzem a destruição, a pobreza, a doença, a anarquia e a morte. Os átomos mentais positivos manifestam paz, saúde, felicidade, harmonia e plenitude. Todas as coisas ou evoluem ou involuem. A morte é a dissolução dos átomos do Corpo. A vida é evolução, e sua meta, em ciclos inter-relacionados, é o ser humano espiritualizado.
Durante a Dispensação do Antigo Testamento, a lepra era conhecida como “o dedo de DEUS”. O povo em geral conhecia sua antiga origem e a tornara familiar com sua gente – a função que você usa mal, torna-se sua inimiga. E dessa forma eles entendiam que a lei Jeovística era a reguladora da relação entre o ser humano e seu próprio corpo (Nm 12:10)
A Nova Dispensação, sob a égide do Cristo, trouxe a Graça para substituir a Lei, o Amor para suplantar e tomar o lugar do medo. “E tomado pela compaixão, Ele estendeu a mão e tocou-o, dizendo: Eu quero, sê limpo. E a lepra desapareceu dele e ele tornou-se limpo”. E o leproso, banido da sociedade e isolado devido ao mortal conceito chamado de incurável e intocável, foi capaz, por meio de sua fé, humildade e devoção ao Mestre, de separar os elos do passado e seguiu limpo dali em diante.
Que esta cura é uma simbólica e exaltada preparação espiritual está evidenciada pelo fato de que no Evangelho de São Mateus ela ocorre logo após as palavras do Sermão da Montanha, e pertence a uma das fases mais elevadas no ensinamento esotérico. São Marcos a inclui entre os primeiros trabalhos que sucedem o Rito do Batismo, e São Lucas a coloca logo a seguir ao trabalho profundamente esotérico da Pesca Maravilhosa.
Nem todos os leprosos que se aproximaram do Grande Curador alcançaram a cura, como veremos no caso dos dez leprosos como relatado em São Lucas. Nós podemos entender somente o fato sob a luz de causas passadas. Alguns não foram capazes de quebrar seus elos e ninguém pode fazer isso por nós. Os outros podem nos mostrar o caminho, mas nós mesmos devemos realizar o trabalho individualmente. Não foi difícil para o Mestre ler a aura do pedinte diante de Si e, então, saber que ele estava preparado para saldar seus débitos.
(Lc 17:11-19[19])
Nesse caso, o Mestre fez uma demonstração do fato familiar a todos os esoteristas que o ser humano decreta sua própria doença e seu próprio tempo para a cura. Os dez leprosos se aproximaram do Mestre e pediram a Sua misericórdia. Seu amor e sua ternura compassiva os envolveram a todos igualmente, mas apenas um voltou – curado.
Paracelso atesta a universalidade da Lei da Cura quando ele declara: “Nenhuma doença é incurável, exceto quando a morte está presente. Na sabedoria do futuro todas as doenças terão um fim. Os processos regenerativos em uma doença são devidos ao Eterno que existe no ser humano”.
A cura dos dez leprosos é registrada apenas no Evangelho de Lucas. Dez (10) é o número de equilíbrio e o Evangelho de Lucas é um tratado importante sobre o assunto para o esoterista.
(Mc 1:23-26[21] e Lc 4:31-37[22])
Há muita controvérsia entre os estudiosos da Bíblia sobre o aumento da crença da possessão demoníaca ocorrido na Palestina, no tempo de Cristo. Os ocultistas sabem, todavia, e não é sem fundamento histórico, que a demonologia era um tema muito familiar dos judeus daquele tempo, como também o era o conhecimento dos seus efeitos sinistros e de longo alcance. Os membros do Sinédrio[23] eram obrigados a conhecer trabalhos de magia, assim como saber lidar com as questões a ela concernentes. A possessão demoníaca estava incluída nessa categoria, além de ser bem conhecida como a causa de muitas doenças. Rabinos e sacerdotes eram instruídos nas artes do exorcismo. E mais, devido a isto, através de todo o Império Romano, a palavra “Judeu” era sinônimo de “mágico”, o que nos ajuda a compreender as frequentes cargas de feitiçarias que eram lançadas contra as nascentes comunidades Cristãs.
A obsessão era prevalecente e de crescimento marcante no mundo inteiro (e não só na Palestina), que estava entre as sete grandes razões para a vinda do Cristo, particularmente naquele tempo, a fim de quebrar o elo entre os seres humanos e os maus espíritos desencarnados, bem como com os espíritos elementais, limpando e purificando as correntes do Mundo do Desejo, e tornando assim a humanidade mais suscetível a um novo e mais elevado impulso evolutivo. A expulsão de demônios ocupou, consequentemente, um lugar de destaque no ministério de cura definitiva[24] do Messias, e sua importância é acentuada como essencial para o elevado treinamento de Seus Discípulos.
Os escritores dos Evangelhos trataram a obsessão de forma particular, sob diferentes aspectos e de modo variado, entre cada descrição daquele mal. As obsessões são, ainda hoje, males predominantes entre povos primitivos, e reconhecidas frequentemente por missionários, muito dos quais têm descoberto o poder do exorcismo usando o nome de Cristo-Jesus. A Senhorita Mildred Cable[25], uma missionária na China, fez observações muito interessantes relativas à obsessão, descritas como se segue:
“Nossa primeira paciente mulher em Hwochou Opium Refuge ficou interessada pelos Evangelhos, e em seu retorno para casa destruiu as imagens, reservando, entretanto, os santuários de ídolos belamente esculpidos que ela colocou no quarto do seu filho. Depois de, aproximadamente, seis meses nós fomos enviados por um mensageiro especial para ver a esposa do filho que tinha ocupado esse quarto. Quando nós chegamos, a garota estava cantando a estranha nota menor do possuído, a voz, como em todos os casos que eu vi, distinguindo-a claramente da loucura. Isso pode, talvez, ser melhor descrita como uma voz distinta da personalidade de alguém possuído. Parece como se o demônio usasse os órgãos da fala da vítima para o transporte da sua própria voz. Ela recusava usar roupas ou se alimentar, e por meio da sua violência aterrorizava a comunidade. Imediatamente quando nós entramos no quarto, ela parou de cantar, e bem devagar apontou o seu dedo para nós, permanecendo nessa postura, durante um tempo. Como nós nos ajoelhamos sobre o kang[26] para orar, ela tremeu e disse: ‘o quarto está cheio de givei (um termo usado pelas pessoas comuns de lá para indicar desencarnados que recebem de cada família certas oferendas)’. ‘Assim que um vai, outro chega’, ela disse. Nós nos esforçamos para acalmá-la e fazê-la repetir conosco: ‘Senhor Jesus, salve-me’. Depois de um esforço considerável, ela conseguiu pronunciar essas palavras, e quando ela assim o fez, nós ordenamos que o demônio a deixasse; seu corpo tremia, e ela espirrou umas cinquenta ou sessenta vezes; então, de repente, ela veio a si mesma, pediu roupas e comida e parecia perfeitamente ter retomado bem o seu controle. Tão insistentemente reiterou a afirmação de que os demônios estavam usando o santuário do ídolo como refúgio, que durante o processo que acabamos de mencionar, seus pais entregaram voluntariamente aos Cristãos presentes essas esculturas, e se uniram a eles para destruí-las. Daí em diante ela estava perfeitamente bem, uma jovem normal e saudável”.
Entre as curas definitivas individuais realizadas por Cristo-Jesus, e descritas no Novo Testamento, sete são de endemoninhados: cinco homens, um menino e uma menina. Em cada um desses casos o Mestre usou métodos específicos e diferentes para obter a cura, os quais enriquecem os estudos cuidadosos do curador definitivo espiritual. Como foi dito anteriormente, Cristo estava empenhado não só em curar definitivamente os enfermos, mas, ao mesmo tempo, em instruir Seus Discípulos como desenvolverem o mesmo trabalho por Ele realizado, e quando Ele os enviou dois a dois nos longos caminhos do serviço, Ele deu-lhes o poder sobre os espíritos impuros (Mc 6:7).
O primeiro ato de exorcismo é relatado por São Marcos e São Lucas, e ambos o citam entre os primeiros eventos do ministério da cura definitiva. Ocorreu em um domingo, na sinagoga, em Cafarnaum na Galileia. Cafarnaum era também conhecida como cidade de Jesus, porque Ele a utilizava como lar sempre que saía de Nazaré. Tornou-se também a cidade de quatro de Seus mais chegados Discípulos, e cenário de muitos de Seus grandes trabalhos.
As palavras que o Mestre endereçava aos endemoninhados mostram-nos, claramente, que ele falava não ao homem propriamente dito, mas a outro ser que, temporariamente, se apossara interiormente daquele homem.
É certamente digno de nota que todas as entidades obsessoras conheciam o Cristo, reconheciam Seu poder sobre elas, e sentiam que elas teriam que sujeitar-se-á Sua vontade para sempre. Essa entidade clamou: “Que temos nós contigo, Jesus de Nazaré?” E, em resposta a firme determinação do Cristo, “Cala-te e sai dele!”, a entidade obedeceu-O e, de acordo com São Lucas, o médico, deixou o corpo daquele homem. Então, todos os que viram este fato falavam sobre uma nova autoridade, e sobre a lei de cura definitiva introduzida por Cristo, dizendo: “Ele ordena aos espíritos imundos e eles O obedecem”.
Neste caso, o espírito obsessivo parecia ter a inteligência de um ser humano, ainda apegado à Terra e aos prazeres dos sentidos, o que conseguiria somente usurpando os órgãos de um Ego incorporado. Daí poder utilizar-se da laringe humana e falar, além de usando o corpo possuído, parecer um humano, embora repleto de maldade.
(Mt 9:32-33[27])
No caso do surdo-mudo endemoninhado o demônio possuidor controlava os órgãos da fala e da audição, privando-o de seu uso. Tão logo expulso o mal, o homem pode falar e ouvir de novo normalmente. Então as pessoas que assistiram o evento chamarem Jesus de “Filho de Daniel” e de “Filho de Deus”.
A cura da obsessão ou expulsão de demônios acontecerá novamente, como nos tempos de Cristo, e transformar-se-á em um dos principais ministérios de cura definitiva[28] na Nova Era. Atualmente a obsessão é raramente curada definitivamente, porque é muito pouco entendida, em geral sendo classificada erroneamente como insanidade ou como várias desordens nervosas. Para obter sucesso com esta forma de doença, o curador deve possuir um elevadíssimo grau de espiritualidade. Muitas pessoas que estão confinadas, hoje em dia, em asilos para doentes mentais são deploráveis exemplos de obsessão. Geralmente este terrível mal é fruto de uma causa passada e frequentemente o resultado direto da prática do hipnotismo. Não há pecado maior que a privação, ainda que momentaneamente, da livre vontade de um Ego, sua mais inestimável herança.
(Mt 8:28-32[30]; Mc 5:1-20[31] e Lc 8:26-39[32])
“Seu nome é Legião”. Esta cura é de especial interesse uma vez que é descrita em São Mateus, São Marcos e São Lucas, com ligeiras variações de acordo com a fase de desenvolvimento que cada escritor deseja enfatizar. São Paulo aconselha os neófitos orarem sem cessar e, novamente, a vestirem completamente a armadura de Deus, ou em outras palavras, manterem-se totalmente envoltos na aura da oração. Isto é muito necessário ao aspirante quando inicia suas primeiras investigações nos planos internos. Este, então, é confrontado por testes muito mais sutis do que aqueles que ele enfrentou no mundo físico exterior, onde os maus impactos são amortecidos pela matéria densa. Nos planos interiores não existe esta barreira protetora. Há uma profusão de pensamentos, palavras e atos negativos que são constantemente gerados e postos em movimento sobre a Terra, enquanto outros são fortalecidos e usados como canais magnéticos de aproximação a espíritos terrestres que estão ainda imersos no mal de suas recentes vidas físicas.
Sucede que, frequentemente, essas entidades obsessoras apossam-se de alguém que não sabe como controlá-los ou comandá-los. A ajuda do Mestre é então necessária como neste exemplo bíblico: “Sai deste homem, espírito impuro”, ordenou o Cristo. Os maus espíritos não causam danos àqueles que são corajosos e amorosos e àqueles que sabem como usar o Nome de Cristo Jesus, o Sagrado NOME que é um talismã, quer nos planos internos, quer nos externos.
Assim que o Mestre soube o nome do espírito obsessor, este ficou totalmente sob Seu poder, e não teve escolha senão obedecê-Lo. Este foi um caso mais difícil que os anteriormente discutidos, onde o grande Mestre estava instruindo Seus Discípulos no poder secreto (vibração) existente nos nomes e como esse poder pode ser usado na cura e na elevação (física e/ou espiritual).
O homem de Gerasa (ou Jerasa) era controlado alternativamente por muitos demônios, todos exibindo as mais destrutivas características. A pobre vítima, em sua agonia e desespero, cortava-se com pedras, afligia e dilacerava seu próprio corpo. A transformação foi instantânea e completa. Com violência, a besta demoníaca foi possuída de grande medo e retirou-se; e o homem transformou-se em um ser humano normal, e sentou-se como uma criança aos pés de Jesus. Quando o Mestre retornou ao barco, ele O seguiu, somente pedindo-Lhe para permanecer perto de Sua maravilhosa Presença. Reconhecendo sua total dedicação, o Mestre indicou-o como Seu apóstolo e testemunha entre as pessoas daquelas terras; e em obediência aos desígnios do Mestre ele testemunhou em Gerasa e em todas as outras cidades de Decápolis as maravilhosas coisas que aprendeu com Cristo-Jesus e Seus trabalhos.
No antigo simbolismo Egípcio, o suíno era identificado como Marte, a natureza inferior e passional do ser humano. A presença de uma enorme quantidade de porcos, neste caso, talvez seja mais uma reminiscência de um ritual de cura para a obsessão, da antiga Babilônia, na qual a imagem de um animal, usualmente um porco, era colocada ao lado do paciente antes de o curador iniciar o exorcismo; esta inclusão tinha como finalidade determinar que o demônio penetrasse na imagem, que posteriormente era destruída. O Grande Senhor da Vida e do Amor jamais condenaria inocentes animais à morte. O que ele fez foi com que os maus espíritos retornassem ao seu próprio elemento, simbolizado pelo bando de porcos (vara). Ele não veio para destruir o mal, mas para ensinar-nos como elevá-lo com grande poder e transmutá-lo em bem, pois o maior pecador deve, certamente, transformar-se no maior santo.
Este acontecimento da legião de demônios ocorreu quase que imediatamente após o Mestre haver mostrado os poderes de Sua altíssima Iniciação sossegando as águas e acalmando a tempestade.
(Mt 17:14-21[33]; Mc 9: 14-29[34] e Lc 9:37-42[35])
Imediatamente após o glorioso Rito da Transfiguração (que foi testemunhado somente pelos mais avançados Discípulos: Pedro, Tiago e João), ocorreu a mais difícil de todas as curas de obsessão, e que os Discípulos, por si sós, seriam incapazes de realizar.
Embora os Discípulos já houvessem exorcizado com êxito muitos espíritos maus, eles ainda não tinham força suficiente diante desse último. “Frequentemente, tem-se que atirá-lo ao fogo e dentro da água, a fim de destruí-lo”. Eis uma chave mística. Esse menino, na vida anterior, fora um seguidor dos Mistérios, trabalhando nos Templos com os dois elementos: fogo e água. Sem sombras de dúvidas ele fez mal-uso de seus poderes e dedicou-se à magia negra, daí nessa vida, “desde criança” ter ficado sob o controle das poderosas forças do mal emanadas das Irmandades Negras. Por essa razão os Discípulos, apesar de seu elevado desenvolvimento, não podiam livrá-lo daqueles laços. Somente o Mestre, superior a todas as artes negras, podia realizá-lo.
“Por que não pudemos expulsá-lo?” – Perguntaram-Lhe os Discípulos quando Ele retornou. “Esta casta não é expulsa senão com muita oração e jejum”. Em outras palavras, é somente por meio de uma vida de completa dedicação à pureza que o tenaz aperto dos magos negros pode ser quebrado.
Este caso é, geralmente, conhecido como epilepsia. É significativo, neste momento, notar que Areteu[36], em seu Tratado sobre Doenças Crônicas considera a epilepsia como uma doença infame, porque ele pensava ser ela infligida somente sobre as pessoas que houvessem pecado contra a lua. Em seu livro “Os dias críticos”, Galen[37] afirma que a lua governa os períodos de ataques epiléticos (Os Milagres e a Nova Psicologia, Micklen).
(Mt 9:2-7[38]; Mc 2:3-12[39] e Lc 5:18-26[40])
Estudando a Bíblia vemos que o ensinamento explicita que o pecado, ou o agir erroneamente, é a causa direta das doenças. De acordo com o Livro do Levítico, a lepra era o resultado da calúnia. Miriam, certa feita, viu surgir-lhe a lepra logo depois de ter falado mal de Moisés durante os anos no deserto (Num 12).
Entre os primeiros cristãos acreditava-se que “as doenças provinham de sete pecados: calúnia, derramamento do sangue no fluxo menstrual, falso testemunho, falta de castidade, arrogância, roubo e inveja”. Cristo Jesus enfatizava, frequentemente, as mesmas verdades em Suas conversas com os Doze Apóstolos, como no caso em que, após curar um paralítico disse: “Tem ânimo, meu filho, teus pecados estão perdoados. Levanta-te toma o teu leito e vá para tua casa”, “Ele lhes perguntou: “O que é mais fácil dizer: teus pecados estão perdoados ou dizer levanta-te e anda?”.
A cura definitiva[41] só é alcançada no final do ciclo de causa, onde a doença é a parte conclusiva. Cristo-Jesus podia facilmente, devido aos Seus poderes cósmicos, curar instantaneamente qualquer pessoa de qualquer doença. Entretanto, se o enfermo não houvesse aprendido a lição concernente aos seus erros, sua enfermidade cedo ou tarde reapareceria. Somente quando o Átomo-semente no coração, que carrega a gravação de todos os esforços mal direcionados (pecados), tiver sido purificado pela repetição, reforma e restauração, Cristo dirá “Levanta-te, estás livre”. Isso porque o Mestre pode mandar “Levanta-te e anda”, mas somente o próprio ser humano pode tornar isso possível, a fim de que Ele declare: “Teus pecados estão perdoados”.
A paralisia, como todos os curadores espirituais sabem, é o resultado de alguma forma de medo. Um profundo e intenso medo centrado na Mente subconsciente[42], talvez por muitas vidas, impede e diminui as funções vitais, até que, finalmente, o corpo físico torna-se inerte e não responde mais às comunicações do Ego: ele se transforma em um paralítico.
Foi imediatamente após essa inspirada cura que aconteceu a chamada de São Mateus, que, entusiasmado com essa sublime manifestação do grande poder de cura do Mestre, renunciou, por vontade própria, à todas as coisas pertencentes a vida pessoal dele anterior, e alegremente O seguiu. Os posteriores eventos ocorridos em sua vida de apostolado dão ênfase e evidência de quão completa e inalterável foi sua dedicação.
(Mt 8:14-15[43])
Após a cura definitiva[44] do endemoninhado na sinagoga, em Cafarnaum, em um Dia do Sabbath, Cristo-Jesus retornou à casa com Pedro e André, acompanhado de Tiago e João. A casa estava toda enfeitada e o candelabro de sete braços estava aceso para a Santa Ceia, o almoço ao meio-dia. Essa festividade semanal fora idealizada especialmente para homenagear a presença do amado Mestre. Todavia, quando eles chegaram à casa, como Lucas descreve em seu Evangelho, “a sogra de Pedro estava acamada ardendo em febre”. Ele “acercou-Se dela e desaprovou a febre e essa a deixou, e tomando a mulher pela mão levantou-a, e ela imediatamente passou a servir a todos”.
Em cada evento de cura definitiva o grande Médico utilizava a Palavra de Poder, e, algumas vezes, aumentava esse Poder com o toque de Suas mãos. As mãos são portadoras da cura definitiva e do serviço. Quando o centro do coração é despertado, as mãos tornam-se poderosos canais para as forças de curas definitivas interiores.
Lágrimas, frio e condições físicas semelhantes pertencem ao elemento água, podem ser traços da falta de controle da natureza emocional. A febre relaciona-se com o elemento fogo e origina-se na falta de controle da natureza passional. Pensamentos destrutivos ou negativos, e mesmo a insanidade, pertencem ao elemento ar e representam uma falha no controle de algum processo mental (especialmente a imaginação), e estão intimamente ligados às energias criadoras. O corpo físico é a placa de ressonância dos veículos internos que registra fielmente tanto as notas dissonantes como as harmoniosas.
Cada enfermidade se correlaciona com um dos quatro elementos. Nenhuma doença do fogo pode existir nas forças da água, nem pode qualquer fraqueza relativa à água existir no elemento fogo. Todos os venenos originam-se no fogo e estão centrados no Corpo de Desejos, motivo pelo qual o espírito desses venenos não tem nenhuma força quando os desejos inferiores são transmutados. Para tal, aos Discípulos de Cristo que tinham completado a transmutação, Ele dizia: “Vocês poderão ingerir qualquer bebida mortal e ela não lhes fará mal algum”[45].
A febre é um meio de purificação por meio do Fogo, um processo de purificação da natureza dos desejos carnais. A experiência da sogra de Pedro foi uma dedicatória daquela mulher que imediatamente “levantou-se e pôs-se a servir”.
O amor, o serviço e o sacrifício formam o tríplice caminho que conduz ao trabalho de criação da espiritualidade do verdadeiro discipulado.
(Mt 15:21-28[46] e Mc 7:24-30[47])
Cristo-Jesus se retirou por um tempo e desejava que ninguém soubesse onde Ele tinha ido. São Marcos escreve que embora Cristo-Jesus tenha se isolado, pois “entrou em uma casa e não queria que ninguém O visse”, ainda assim, “Ele não pôde Se ocultar”. A compaixão de Seu grande coração sempre abarcava todo infortúnio e sofrimento e, então, Ele não podia permanecer distante quando Seu socorro fosse requisitado. E Ele jamais se ocultaria daqueles que O buscavam sinceramente, nem deixaria de dar atenção a um honesto pedido de ajuda em qualquer plano. “Creiam-Me, Eu estarei sempre com vocês”; é Sua promessa.
Uma mulher fenícia, de nome Justa, de acordo com os escritos de Clementino, viajara cerca de duzentos e cinquenta quilômetros ou mais em busca de Sua ajuda para a filha dela. Ela era seguidora do culto de Astarte, a deusa Lua, mas a fama do Divino Curador chegara até ela em sua longínqua moradia, e quando ela chegou ao local onde estavam os Discípulos, implorou-lhes que intercedessem por ela junto ao Mestre.
Ela foi levada diante de Sua Presença. Em resposta aos seus rogos, disse-lhe Ele: “Não fica bem tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos” – e nessas palavras podemos notar o nível espiritual daquela mulher. Ela não pertencia ao círculo interno de Estudantes, portanto, não estava preparada para receber o pão (ensinamentos profundos) dos filhos (grupo fechado). Ela havia feito, entretanto, a completa renúncia, e seguiria no Caminho que a levaria àquele círculo hermético, haja vista sua reposta: “Isso é verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos!”.
Sua dedicação foi aceita e sua filha foi instantaneamente curada, tendo em vista o que declarou o Mestre: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como queres!”. Estas palavras carregam a elevada promessa da conquista que mais tarde ela alcançaria.
Nesta cura Cristo-Jesus demonstrou aos Seus Discípulos que, em verdade, o Espírito é todo-poderoso e que transcende a todas as barreiras de tempo e espaço. A menina foi curada por Sua palavra, muito embora ela estivesse a centenas de quilômetros de distância, e sem que Ele tivesse tido qualquer contato anterior com ela.
Fé, humildade e devoção sem reservas, abrirão sempre a porta para todo o aspirante neófito: “Grande é a tua fé! Seja feito como queres!”.
(Lc 14:1-6[48])
Cristo-Jesus, o Senhor do Amor, centralizou Seu serviço na suprema Lei que é o AMOR. Ele não perdia nenhuma oportunidade de ensinar e demonstrar esta verdade fundamental sempre e onde Ele podia. Nesta ocasião, como no Sabá[49] anterior, Ele procurou ensinar aos literalistas a preeminência do Amor sobre o código rígido e formal que continha somente a Lei que eles conheciam. Isso Ele conseguiu curando definitivamente um homem com hidropisia, contrariando as leis sabáticas que os literalistas interpretavam como proibição de qualquer tipo de trabalho no Sabá, ainda que fosse o divino serviço de qualquer tipo de cura.
A observância do Sabá foi um dos muitos costumes que os Hebreus herdaram da Caldéia. Os caldeus contavam cinco Sabás por mês e foram eles que dividiram o período semanal em sete dias, dedicando-os ao Sol, à Lua e aos demais Planetas. Essa divisão de tempo era usada na Caldéia desde os tempos de Abraão, que, como Príncipe dos Caldeus, deve ter-se familiarizado com isso antes de ouvir a Voz da Nova Revelação, chamando-o para seguir para a nova terra. Um calendário Assírio explica que Sabá significa “a conclusão de um trabalho, o dia de descanso da alma”. E determina que é ilegal cozinhar, trocar de roupas ou mesmo oferecer qualquer sacrifício no Sabá; e ao rei era proibido falar em público, dirigir sua carruagem, ou executar qualquer tipo de dever militar ou civil e ainda tomar remédio nesse dia.
Como havia cinco Sabás Babilônicos em cada mês, algumas vezes havia mais de um em uma só semana. Estes Sabás, entretanto, não eram dedicados a nada em particular, mas caíam, regularmente, nos sétimos, décimo quarto, décimo nono, vigésimo primeiro e vigésimo oitavo dia do mês, indiferentemente do dia da semana em que essas datas caíssem. Então as deidades astrais recebiam suas homenagens em sucessão regular, obedecendo a sequência de um Sabá mais sagrado do que um outro, em que uma especial reverência era devida a determinados deuses nos locais a eles sagrados desde remota antiguidade. Não só os assírios e judeus, mas também os fenícios mantinham a observância do Sabá babilônico.
É significativo que desses Sabás os judeus selecionaram para uma observância especial somente o Dia de Saturno (em inglês: Saturday e em português Sábado), o sétimo dia da semana. Sete é o número do término, envolvimento, descanso e da assimilação. Então, com o passar do tempo, suas leis Sabáticas expressaram mais e mais a rigidez dos princípios Saturninos em seus aspectos negativos ou formais. Cristo-Jesus veio trazer uma nova declaração, o poder e a luz de um Novo Dia e de uma Nova Era, baseada no Princípio Solar. Geralmente, é notado pelos Estudantes de astrologia que, na matéria em questão, a palavra “Satã” é derivada de Saturno, e no idioma árabe, “Shaitan” que significa “Aquele que se desespera”. O Árabe e o Hebreu têm muita semelhança assim como acontece com o Espanhol e o Português.
O Dia do Sol, regido pelo Cristo, carrega consigo um profundíssimo significado que a maioria dos indivíduos não compreende. O Sol é o centro da vida, da luz e do amor para o Sistema Solar inteiro e ao qual o Planeta Terra pertence. O Dia do Sol, portanto, deveria ser o dia em que nós nos dedicássemos em nos transformar em sóis em miniatura, centros de irradiação de amor, luz e felicidade tão extensa quanto nossa influência alcançasse.
Domingo é o primeiro dia, o Novo Dia, o princípio de uma nova semana, um momento para a assimilação das essências da alma extraídas das experiências da semana anterior; e essa assimilação é o ponto de partida de um novo processo, para o qual a pedra alquímica é um extrato. As novas Leis Solares de fraternidade, igualdade e unicidade que o Mestre defendeu, e que Ele imortalizou nos Sermão da Montanha, são ainda, mesmo tendo passado mais de dois mil anos, o centro de controvérsias onde quer que haja um indivíduo ou um grupo de indivíduos que tenha captado a visão de seu sentido e tenha conseguido colocá-lo em prática todos os dias de suas vidas. Tivesse a humanidade seguido as Leis Solares de Cristo em lugar das leis de Saturno dos escribas e fariseus o mundo não seria um lugar tão penoso como o é hoje.
Em outro Sabá, o Mestre tentava ensinar a supremacia do Amor sobre a Lei quando ele curou definitivamente e em público um homem com a mão atrofiada. Neste dia de Sabá Ele procurava atenuar o obscurantismo farisaico, curando definitivamente um homem com hidropisia na casa de um dos líderes fariseus, onde Ele fora participar do sagrado almoço de Domingo, mas seus corações e suas mentes estavam fechados para Seus ensinamentos, daí seu destino foi o de terem perdido todas as coisas colocadas diante deles pelo Cristo. A mesma sina aguarda os atuais seguidores das leis farisaicas, sejam judeus, cristãos ou pagãos.
Na lição que o Cristo provê imediatamente após a cura definitiva do homem com hidropisia Ele transmite e fornece a sutil ideia sobre sua causa e sua cura final. E isto é encontrado na parábola da humildade onde Ele adverte aqueles que vêm ao banquete para se contentar com os lugares mais inferiores até serem convidados pelo anfitrião para ocuparem lugares mais elevados. Ele, então, adiciona a fórmula para alcançar a verdade espiritual que todos os Senhores da Sabedoria têm guardada desde o princípio dos tempos, mas que, mesmo nos dias de hoje, é a mais difícil para o aspirante aceitar e seguir: “Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 14:11).
(Mc 3:1-5[50] e Lc 6:6-10[51])
Complementando os ensinamentos das profundas verdades ocultas através dos Seus serviços de cura definitiva[52], o Mestre também deixou algumas verdades práticas consistentes com a vida diária, como no caso do homem com a mão atrofiada. Suas palavras e atos não eram apenas para as pessoas de Seu tempo, mas para serem igualmente aplicados às necessidades do ser humano atual.
Os escribas e fariseus estão sempre conosco, e algumas vezes eles estão até dentro de nós. A intolerância e a condenação da ação dos outros são farisaicas. Ao vivermos apenas em estrito acordo com a letra da lei, nós estamos relegando o perdão, a compaixão e o amor a um segundo plano, que é a característica daqueles literalistas que o Mestre reprimia tão frequente e severamente.
Porque era Sabá, os fariseus se opuseram às atividades de cura definitiva que estavam sendo realizadas. O compassivo Mestre ficou triste devido à dureza de seus corações e os inquiriu: É permitido, no sábado, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou destruí-la?”. Eles, porém, permaneceram calados diante da Sua questão. Muitas vezes o poder de nosso Cristo interno é subjugado pela rígida aderência à regulamentos que excluem a equação pessoal de piedade, amor e serviço exterior como preceitua o Caminho.
Em toda cura espiritual definitiva a fé é a essência primordial. Foi com muita frequência que Cristo usava esta palavra em Suas atividades; em outros casos, Ele fazia com que o paciente a demonstrasse. Ao homem com a mão atrofiada foi dito: “estenda-a”. Sem qualquer pensamento de recusa, o esforço foi feito – e sua mão se moveu e foi restabelecida completamente.
Nos anais da Maçonaria Mística conta-se esse mesmo caso como relatado por São Lucas, mas adicionando que a mão afetada e sem utilidade era a mão direita. As duas mãos simbolizam os dois caminhos do serviço nos Mundos ocultos. O ser humano, em seu estágio materialista atual, assassinou violentamente a força do Amor, permitindo-a murchar com o desuso. Quando o Supremo Senhor do Amor apareceu, Ele despertou o coração, e assim o fogo daquele coração como que queimou seus caminhos para fora até as mãos, e seu membro atrofiado foi curado definitivamente e tornou possível, uma vez mais, a manifestação do construtivo trabalho no mundo.
É significante notar essa conexão de que a mão atrofiada foi curada no interior do Templo.
(Mt 8:5-13[53] e Lc 7:1-10[54])
A história do Centurião de Cafarnaum está relatada tanto em São Mateus como em São Lucas. Este homem, investido de autoridade militar do governo romano, já havia aprendido, em seus contatos mundanos, a praticar dois princípios que o Mestre agregara aos ensinamentos de seus Discípulos, a saber, humildade ou auto esquecimento e fé vigorosa; verdadeiramente uma conquista inigualável. Assim, ele se qualificara também para seguir o Caminho, e fazer-se, imediatamente, recebedor da atenção e as mercês do Mestre. “Eu vos afirmo que nem mesmo em Israel vi tanta fé” foram as palavras do Mestre, descritivas do Centurião. O servo do Centurião, a quem este queria muito bem, encontrava-se doente, e ele havia enviado amigos para pedirem ajuda ao Grande Curador, uma solicitação prontamente atendida. Quando os mensageiros retornaram a casa, eles encontraram o servo com saúde.
Uma vida dedicada e centrada na humildade e serviços aos demais é a fórmula de trabalho para ao sucesso do discipulado, e seus resultados são sempre produtivos como demonstrado na resposta do Mestre à solicitação do Centurião.
Neste caso, nós temos outra instância de cura à distância, como vimos na história da mulher Cananéia e sua filha. O Espírito envolve todas as coisas e todos os lugares em sua manifestação ativa ou positiva, e a matéria é também Espírito, e a forma dos seres é o resultado das cristalizações em torno do polo negativo do Espírito, que é o Espaço. Por este motivo, os ocultistas declaram que Deus é Espírito e que nenhum ser humano pode ser, em realidade, d’Ele separado. A separação do Ser Humano de Deus, Matéria do Espírito, nada mais é que uma ilusão; a Unidade é a realidade, e o conceito de Unidade desenvolve-se em consciência, e daí a cura torna-se possível. Isto é o que Cristo demonstrou e ensinou aos Discípulos quando efetuou curas, mesmo estando o paciente bem distante.
O versículo oito[55] é uma descrição esotérica do longo e crescente treinamento preparatório que leva à conquista de si mesmo. Os soldados e servos são as faculdades interiores de cada ser humano. Quando um aspirante hodierno afirma: “Eu digo a alguém, vá e ele vai: e a outro vem, e ele vem; e ao meu empregado faça isto, e ele faz”, então ele também está preparado para receber as graças e benesses do Mestre e tornar-se consciente de que sua vida e seu serviço têm-se tornado fortalecidos a tal ponto de penetrar na aura de Sua divina e protetora Presença.
(Lc 13:10-13[56])
Novamente o ministério de cura continuou em um Sabá[57], em uma Sinagoga, e uma vez mais os líderes cegos pela cegueira espiritual continuaram a demonstrar sua rígida aderência às letras da lei enquanto se olvidavam do Espírito nela contido.
Esta cura refere-se a uma mulher que era incapaz de se manter em posição normal, ereta, havia já dezoito anos. Esotericamente, as curas que ocorreram na Sinagoga e no recinto do Templo têm todo um significado especial oculto não encontrado em outras ocasiões. Cabalisticamente, dezoito é a soma de um mais oito, que dá nove, que é o número da liberdade, da liberação e da iluminação. Essa mulher vivia inclinada para a terra (mortalidade), mas, agora, tendo encontrado o Cristo ela se liberta, se ergue, centrada não mais na vida mortal, mas no caminho do Espírito. “Ele lhe impôs as mãos e, instantaneamente, ela se endireitou e glorificava a Deus”.
Na escolha de Seus Discípulos, invariavelmente, as Escrituras dizem: “Ele os chamou e eles vieram até Ele”. É nessa passagem que nós descobrimos o primeiro requisito do Discipulado. Ele chamou e essa mulher veio e ela encontrou a “Luz que ilumina todos os homens”. Ele a chamou, Ele lhe falou, Ele lhe ensinou. Esses são os três primeiros passos dados por quem está preparado para receber um elevadíssimo acréscimo de consciência, e esses passos indicam abertura de seus sentidos às faculdades espirituais por meio dos quais o neófito descobre um novo mundo dentro de si mesmo e dentro da natureza.
(Mt 9:20-22[58], Mc 5:25-34[59] e Lc 8:43-48[60])
São Mateus, São Marcos e São Lucas contam a estória de uma mulher que sofria de uma enfermidade já por doze anos, e que se encontrava entre as muitas pessoas que se acercavam e se aglomeravam esperando que o Mestre passasse a caminho da casa de um nobre chamado Jairo.
“Se eu puder tocar suas vestes eu estarei totalmente curada”. Essas palavras atribuídas à mulher fazem parte de um mantra iniciatório. As vestes representam o Corpo-Alma em contraparte à personalidade. Para a cura total é necessário passar-se por meio dos portais da Iniciação, onde o neófito não mais “vê através de um espelho escurecido, mas face a face”.
Essa mulher e sua cura representam a elevação do polo feminino e com toda legitimidade pertence ao processo iniciatório, simbolicamente descrito na ressurreição da filha de Jairo. No mesmo sentido, a ressurreição do Filho da Viúva lida com o soerguimento do polo masculino e é uma parte do processo iniciatório descrito na Ressurreição de Lázaro.
A filha de Jairo tinha doze anos de idade. A mulher enferma foi afligida por sessenta e dois anos. As duas ocorrências são relatadas juntas nos três Evangelhos sinóticos.
A fim de entendermos o significado esotérico sublinhado na cura dessa mulher que foi afligida com um fluxo de sangue durante a maior parte de sua vida, vamos dar uma olhada no antigo ensinamento sobre o mistério do sangue. Goethe[61] nos diz que “o sangue é a mais peculiar de todas as essências”, e sua taxa vibratória indica o estado esotérico de cada indivíduo. O fluxo de sangue é o grande higienizador e purificador da natureza dos desejos. Aquele que está preparado para o elevado trabalho espiritual como um profeta, professor ou curador, frequentemente, suporta alguma experiência onde há uma grande perda de sangue. Após essa limpeza, ele encontra menos dificuldades para acalmar a natureza sensual, e silenciar os clamores de seu apetite. O sangue vermelho representa a natureza carnal e materialista do ser humano. Ao final, através da transmutação, o sangue se transformará em uma brilhante essência branca.
Toda doença no sangue se correlaciona com o elemento Fogo, e sempre resulta de uma estimulação demasiada do Corpo de Desejos, seja na presente encarnação ou em alguma anterior.
O Iniciador é sempre muito consciente de Suas responsabilidades, quando Ele instrui alguém sobre essas verdades veladas. Essa é a única passagem gravada onde Cristo-Jesus chamou uma mulher de “filha”. O Mestre se torna um verdadeiro pai e protetor desse “recém-nascido”.
São Mateus escreve Sua saudação a ela como “Ânimo, minha filha”. São Marcos e São Lucas, “Vá em Paz”. Essa Paz que ultrapassa todo entendimento, posto que só é encontrada como o centro do Bem Onipotente e Onipresente.
Eusébio[62], no sétimo volume de seu livro História Eclesiástica[63], nos diz que ele viu em Cesareia de Filipe[64] uma estátua erigida por essa mulher no portão de entrada de sua casa, representando o Cristo com suas mãos estendidas sobre ela ajoelhada em súplicas diante d’Ele.
(Mt 9:18-19[65], 23-26, Mc 5:22-24, 35-43[66] e Lc 8:41-42,49-55[67])
Essa linda história, que oculta o processo de Iniciação do leitor comum, é pontuada nos três Evangelhos de São Mateus, São Marcos e São Lucas.
A Iniciação é, verdadeiramente, morrer para a antiga vida pessoal e nascer para uma nova. São Lucas nos informa que a filha de Jairo, uma menina de doze anos, “estava à beira da morte”. Mas Cristo disse: “A menina não está morta, mas dorme”. Não existem colocações contraditórias quando interpretadas à luz dos Ensinamentos Ocultos, mas se referem à mesma experiência.
Cristo-Jesus procurou mostrar aos Discípulos a cura de muitas e variadas formas de doenças, suas causas pré-existentes e o método de lidar com cada uma. Na presença de Seus Discípulos mais avançados Ele deu assistência a três outros a alcançarem o iluminado estado da Iniciação.
O Ego que habitava o corpo da filha de Jairo era muito adiantado na evolução. Nela nós encontramos um Iniciado dos Antigos Mistérios, retornando como um dos pioneiros da Dispensação Cristã. Ela fora levada aos planos internos, recebendo os sagrados ensinamentos pertencentes ao mais elevado despertar de consciência, enquanto seus amados parentes mantinham sagrada vigília ao lado de seu invólucro físico. E, no devido tempo, Cristo, na presença dos pais da menina adormecida e de Pedro, Tiago e João (evidentemente aqueles que estavam preparados para entender essas verdades ocultas), assistiram a jovem no retorno e reentrada em seu corpo físico.
O Mestre recebeu a menina, quando esta retornou, com uma expressão de infinita beleza e ternura, revelando uma riqueza de entendimento ao ocultista. São Marcos nos diz que Ele disse: “Talita kum. A palavra ‘Talita’ em Aramaico é um diminutivo que significa “pequena ovelha”. Suas palavras para ela foram, pois “Pequena ovelha, levanta”. Cordeiro ou carneiro são usados nos Antigo e Novo Testamentos para descrever os Iniciados. A maioria dos grandes videntes da Era Mosaica era composta de “Pastores”. O Próprio Mestre veio como o Cordeiro de Deus, e na última Iniciação de São Pedro, Sua nota chave soou como “Alimenta minhas Ovelhas”[68].
No ciclo de vida de um indivíduo, a idade simbólica de doze anos é um ponto crucial para a criança. É quando a natureza dos desejos da juventude inicia seu despertar e as tendências e inclinações de vidas passadas começam a se manifestar. E num momento como esse, como na vida da filha de Jairo, uma “alma velha”, para alguém que teve muitas vidas de experiências na escola terrestre, essa idade marca o desenvolvimento definitivo da natureza espiritual. Em vez de despertar os desejos físicos, ocorre um avivar definitivo dos poderes passados na alma. Assim como alguém que trabalhou definitiva e conscientemente com o processo de transmutação por muitas vidas passadas. Esse foi a caso do menino Samuel quando começou a profetizar, e o caso do Mestre Jesus, quando, também com doze anos, ensinava aos anciãos no Templo. Experiências inspiradoras são claramente comuns mesmo entre adolescentes comuns, e psicólogos têm observado que se um indivíduo não se converte a uma religião nesse período da vida será como ele jamais tivesse tido tal experiência.
É significante observar-se que nos três Evangelhos sinóticos a elevação da filha de Jairo é precedida por casos de exorcismo de maus espíritos.
Nas experiências de Iniciação, a expulsão de demônios nada mais é que o “enfrentamento” com o Guardião do Umbral, que é uma entidade formada pela essência de todo o mal ou ações negativas de vidas passadas, e que o novo Iniciado deve encarar, vencer e dissolver (ao menos em parte) pela transmutação, antes que possa passar aos “reinos de luz” e ser agraciado com um “novo nascimento”.
Jairo era um nobre, um administrador da Sinagoga e, portanto, um homem com muita autoridade. Quando alguém alcança o grau que aquela jovem Iniciada alcançou, quase sempre é filho ou filha de um rei ou de um nobre por ter encontrado e reivindicado a verdadeira herança do Espírito, uma verdadeira demonstração de afinidade com o Pai: “Tudo o que é do Pai é meu”[69].
Tudo o que, nas escrituras, se relaciona com a elevação se refere, na verdade, à latente divindade interior do ser humano, que, quando despertada, transforma-o em um iluminado ou um ser espiritualmente esclarecido. Contudo, muitas das referências bíblicas de pessoas “mortas” ou “adormecidas” se referem às inclinações à materialidade.
Quando o Cordão Prateado, que liga o Ego ao corpo, se romper não será mais possível reanimar o corpo. O Mestre explicava claramente esse fato quando dizia quem tem olhos para ver, quem tem ouvidos para ouvir: “a menina não está morta, apenas dorme”, indicando que o Ego estava ainda unido ao Corpo, e, consequentemente, vivo.
(Jo 4:46-53[70])
Vimos que os Evangelhos de São Mateus, São Marcos e São Lucas contêm a história da cura da filha de Jairo, que são narrativas semelhantes, uma vez que simbolizam um dos primeiros e mais importantes trabalhos de purificação a serem alcançados. Não há, entretanto, nenhuma menção deste fato, em São João, porque seu Evangelho, o mais profundo e esotérico dos quatro, lida com trabalhos de importância maior ainda. Em lugar da ressurreição da filha de Jairo, São João nos apresenta a do filho de um homem nobre.
Os Evangelhos, quando estudados esotericamente, revelam o caminho da Iniciação nos Mistérios Cristãos, cada sinal representando algum atributo particular no processo de desenvolvimento. O filho de um homem nobre não é mencionado nos trabalhos de São Mateus, São Marcos e São Lucas. A razão disto pode ser encontrada no fato de que no processo de elevação espiritual o princípio feminino deve ser elevado e restaurado a partir de sua queda, como notado na restauração da filha de Jairo. Uma vez isto acontecido, então segue-se o estabelecimento de seu equilíbrio com o masculino. Os três primeiros Evangelhos dedicam-se ao primeiro caso, São João ao último.
A mística festa de casamento em Caná da Galileia, com que São João abre seu Evangelho, contém profundos ensinamentos considerando-se a harmonização desses dois princípios internos no Corpo do Aspirante à Iniciação. O filho do nobre representa alguém que em sua própria vida tinha realizado o serviço dado pelo Cristo. As Escrituras estabelecem que após a ressurreição o nobre e todos os ligados à sua casa tornaram-se seguidores de Cristo-Jesus.
Através de toda a Bíblia os mais profundos ensinamentos encontram-se ocultos sob uma gravação literal que forma a base dos credos ortodoxos.
Quando o princípio masculino (a cabeça: Hermes), representado pela ressurreição do filho do nobre, que não estava morto, mas próximo da morte, e o princípio feminino (o coração: Afrodite), tipificado na filha de Jairo, que não estava morta, mas dormindo, estão novamente em equilíbrio, a Cruz não estará mais longe de se ser o símbolo do Cristianismo. Ela será representada pelas duas colunas, Joaquim e Boaz, que adornam a entrada do Templo de Salomão e representam o Divino Hermafrodito. O neófito ou candidato não será mais o “Filho da Viúva”, mas se tornará o Mestre que encontrou a Luz no Leste.
(Jo 11:1-44)[71]
Os nove Mistérios Menores, também chamados de Mistérios Lunares, nos têm sido dados em algum momento da história do ser humano. A vinda do Cristo introduziu as novas ou Iniciações Solares no mundo, e é a essas grandes verdades, destinadas a servirem à humanidade durante o Grande Ano Sideral que se inicia com o Sol em sua última passagem por precessão através de Áries, que esses Mistérios pertencem. A religião do Cordeiro traz um profundo e enorme significado que, geralmente, não é entendido atualmente.
Lázaro era o mais avançado espiritualmente de todos os Discípulos que estiveram sob a tutela de Cristo-Jesus (Os demais só alcançaram esse estágio no Dia de Pentecostes).
Os religiosos exotéricos atrapalham-se em dizer que Cristo “atrasou-se dois dias” antes de ir socorrer Lázaro. O ocultista sabe que Cristo estava ciente de que somente o corpo de Lázaro estava no túmulo, enquanto o espírito dele se encontrava nos planos interiores recebendo o trabalho iniciatório nos profundíssimos Mistérios Cristãos. O Mestre Jesus fora iniciado nesses Mistérios no Rito do Batismo, e Lázaro, o seguinte em consecução espiritual, quando na passagem de sua suposta morte.
Cristo-Jesus descreveu essa Iniciação nas palavras: “Esta doença não leva à morte, mas à Glória de Deus”. Em outras palavras, Lázaro se tornou o canal mais perfeito para receber e disseminar a glória de Deus sobre a Terra.
Maria e Marta, as duas irmãs de Lázaro, estavam entre as mais avançadas espiritualmente entre as mulheres Discípulas de Cristo. Por isso, estavam habilitadas a tomar parte nessa Iniciação ou Rito da Ressurreição de seu irmão, assim como ocorreu com o pai e a mãe da filha de Jairo. Maria simboliza o caminho místico, ou a fé no coração; Marta, o caminho do ocultismo, ou a mente racional. A união do coração (amor) com a cabeça (conhecimento) gera a Sabedoria, a verdadeira essência da alma. Lázaro representa essa dupla combinação harmônica, que eleva o neófito a um estado de consciência que é o mais transcendental já possuído pela humanidade comum.
“Marta foi encontrá-lo, porém Maria permaneceu na casa (João 11:20). Marta, a Mente, está sempre procurando a luz através de exterioridades. Maria, o coração, em silêncio, volta-se para seu interior para encontrar os Reinos dos Céus.
Cristo-Jesus disse para Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida; aquele que crê em Mim, ainda que morto, viverá; e aquele que vive e crê em Mim, jamais morrerá. Crês nisto? “.
E Marta respondeu: “Sim, Senhor. E acredito que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”.
Dito isso, ela se retirou e foi chamar, secretamente, sua irmã, Maria, e lhe disse: “O Mestre está aqui, e te chama”.
Essas palavras do Mestre para Marta são chamadas de passaporte humano para a imortalidade. Elas não são palavras dirigidas somente para Marta, irmã de Lázaro; elas são o chamado do Cristo à razão ou Mente racional ou concreta de toda a humanidade. “Transforme-se pela renovação de sua Mente”. Essa é a execução para unir a Mente com o “Eu Sou”, a consciência onde reside a realização da ressurreição à vida eterna.
A gloriosa mensagem da interpretação da Bíblia para a Nova Era é que essa consciência pode ser despertada aqui e agora; não é necessário aguardar a morte para trabalhar nessa transformação. “Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto (para a materialidade) viverá” – em um renovado: corpo, ambiente e conceito de vida – uma ressurreição em um novo ser em todos os planos de consciência. Verdadeiramente um passaporte humano para a imortalidade.
Em João 11:38-39; 41-44 lemos:
38 Comoveu-se de novo Jesus e dirigiu-se ao sepulcro. Era uma gruta, com uma pedra sobreposta. 39 Disse Jesus: “Retirai a pedra! “ (…) 41 Retiraram, então, a pedra. Jesus ergueu os olhos para o alto e disse: “Pai, dou-te graças porque me ouviste. 42 Eu sabia que sempre me ouves; mas digo isso por causa da multidão que me rodeia, para que creiam que me enviaste”. 43 Tendo dito isso, gritou em alta voz: “Lázaro, vem para fora!” 44 O morto saiu, com os pés e mãos enfaixados e com o rosto recoberto com um sudário. Jesus lhes disse: “Desatai-o e deixai-o ir embora”.
Todo grande nascimento tem lugar em uma gruta ou em um estábulo: o Cristo pode nascer interiormente somente por meio de um trabalho de regeneração do “homem inferior”. Em Capricórnio, o Cristo nasce na gruta da natureza inferior pela purificação. Em Virgem, Ele nasce na gruta do coração através da transmutação. “Lazare deuro exo! – Lázaro vem para fora! Desatai-o e deixai-o ir”. Essas palavras místicas carregam a mensagem da vitória espiritual de Lázaro.
Os fariseus e sacerdotes estavam cientes da extensão dos Ensinamentos dos Mistérios. Na verdade, Arthur Weigall, mundialmente renomado egiptologista, já falecido, declarou que suas pesquisas sobre religiões antigas o convenceram que o Novo Testamento descreve um ritual no qual um criminoso condenado foi executado como um sacrifício, como na antiga Babilônia, e que Jesus, quando condenado à morte, foi crucificado de acordo com os mandamentos daquele ritual.
Um caso idêntico na história da Grécia fala-nos de Ésquilo que, embora avisado em sonho por Dionísio por escrever uma tragédia, não obstante foi ameaçado de morte por uma multidão irada onde uma de suas peças estava sendo produzida, sob a acusação de que ele havia revelado alguns segredos dos Mistérios. Ele salvou sua vida refugiando-se no altar de Dionísio na orquestra, e mais tarde, obteve sucesso em provar, diante do Areópago, que ele não tinha conhecimento de que o que dissera era secreto. Jesus, entretanto, não procurou Se defender, uma vez que Ele, propositalmente, revelou os Segredos de Israel, e por sua própria vontade sofreu a extrema punição.
(Lc 7:11-15)[72]
A elevação do Filho da Viúva, como contada por São Lucas, contém também contornos da iluminação ou cristianização de Lázaro. Naim (o nome de uma cidadezinha) significa Nove, e a morte do Filho da Viúva é mística fraseologia descritiva de alguém que havia trilhado o Caminho tortuoso que o levara da morte (do pessoal) à ressurreição (do impessoal). Daí uma pessoa não ser mais “o filho da viúva”. São Lucas explicitamente estabelece que após ele se elevar Cristo “o entregou à sua mãe”. O equilíbrio entre os dois polos do Espírito, masculino e feminino, foi alcançado. Essa é a suprema conquista dos Mistérios Cristãos, demonstrado nos Ritos dos tempos de outrora, mas consumados nos Mistérios estabelecidos por Cristo. Por isso é que Cristo é a Luz do Mundo, a meta de todos os Ensinamentos antigos. O equilíbrio do Espírito foi perdido sob o velho regime; mesmo os Mistérios se degeneraram tornando-se quase que, em muitos casos, inexpressivos (e frequentemente cruéis) rituais. Cristo-Jesus pontuou o caminho de volta: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Tornar-se Cristianizado ou Iniciado em Seu nome é o supremo propósito da evolução na Terra.
O filho da viúva é uma expressão alegórica que faz referência a alguém que se esforça em desenvolver as polaridades do Espírito interno. Desde os dias do antigo Egito até nossos dias, os membros da Ordem Maçônica são assim conhecidos.
O “filho da viúva de Naim” se refere a alguém que tenha passado pelos nove Mistérios Menores e agora está preparado (como estava Lázaro) para ser elevado por Cristo às Grandes Iniciações dos Mistérios Cristãos. Isto é ultimado no trigésimo terceiro grau (33; 3 x 3=9). É prefigurado no décimo oitavo grau (18; 1+8=9).
Iniciando com o Grau da Rosacruz (18º grau) e continuando através do 33º grau, o Candidato trabalha definitivamente na transmutação de sua própria personalidade, em seu Templo feito sem mãos, mas eterno nos céus. Esse é seu manto dourado de bodas, ou o perfeito Corpo-Alma. Com a consumação desse Trabalho ele não é mais o Filho da Viúva. A Polaridade é alcançada e sua “cura definitiva” é completa.
(Mc 7:31-35[73])
Nós estamos sob o jugo da Lei enquanto permanecemos na ignorância de sua verdadeira natureza, mas na sabedoria do Cristo nós nos tornamos livres, porque não existe mais nenhuma dissonância entre nossa nota-chave e a nota- -chave do Universo. Esse é o entendimento dos ensinamentos de São Paulo, o grande metafísico bíblico.
“Eis que Eu faço todas as coisas novas”[74], declarou Cristo. Quando formos suficientemente dignos para nos livrarmos das ligações do destino maduro[75] passado, contataremos a Lei da Libertação. A escolha é nossa, rejeitar ou aceitar, permanecermos sob o jugo ou sermos livres. Todas as curas definitivas[76] bíblicas foram ordenadas de acordo com o merecimento do beneficiário.
“Todos as faltas, falhas, todos os erros praticados hoje se cristalizarão como doenças no amanhã. O Espírito é o construtor de seu próprio Corpo. Os milagres de cura do Mestre são apenas para aqueles que têm ouvidos para ouvir e olhos para ver”. Assim escreveu o grande Paracelso[77].
O impedimento da fala deve-se ao mau uso da sagrada força da vida. Um defeito ou a perda da linguagem é a consequência da blasfêmia, ou injúria lançada contra outros por meio de maledicências, ou a traição à crença sagrada. “A língua é um pequeno órgão repleto de males mortais”[78]. Outras mostras da aplicação da Lei podem ser observadas na perda de dedos, como um resultado de destino maduro, consequência de práticas desonestas; a perda das mãos, como resultado da devassidão cometida, frequentemente, durante as guerras, por exemplo; a perda dos pés é resultante de se ter andado por caminhos errados e liderando outras pessoas para tais caminhos; a deformação do corpo se deve à perpetração de crueldades, tais como as hediondas punições nas câmaras dos horrores da Inquisição; defeitos de coluna, pelo uso das forças espirituais para propósitos de magia negra ou coisa semelhante; problemas no estômago ou digestivos, por gulodice ou apetite descontrolado; desordens cardíacas são devidas ao enorme egoísmo e amor pessoal com o qual se falhou no atendimento ao bem-estar dos outros; e a tuberculose é resultante de pensamentos e vida materialistas. Muitas vezes as consequências derivadas do destino maduro ocorrem no período da vida seguinte; na maioria das vezes elas acontecem nas encarnações posteriores, depois dos intervalos pós-morte, quando, então, o indivíduo pode nascer inocente quanto a um período de vida conhecido por ele já sofrendo dessas retribuições trazidas do passado.
No caso do homem surdo e gago, descrito no Evangelho de São Marcos, Cristo-Jesus tocou seus ouvidos e sua língua, e olhando para os céus (símbolo do Eterno), Ele exclamou: “Efatá”, que significa “Abre-te”. E ele escolheu seguir o Cristo no céu de uma nova vida, livre das limitações e restrições da velha vida. Sua escolha pode também ser a nossa com os mesmos resultados.
“Efatá” ou “abre-te”, esotericamente se refere à clarividência, à clariaudiência e ao poder de falar a Palavra despertada no Discípulo. Esse ato simbólico do Cristo é relembrado tanto na Igreja Grega como na Romana no Rito do Batismo, onde o sacerdote toca os ouvidos e a boca do penitente com o dedo com que tocou seus próprios lábios, pronunciando a palavra: Efatá.
A Igreja primitiva se referia a Efatá como o mistério de Apertio, ou Abertura, e o conectava aos Mistérios de Cristo-Jesus com o Rito do Batismo, onde o Discípulo recebia também os poderes de estender sua visão e audição. Era possível para o Arcanjo, que nós conhecemos como o Cristo, envolver todos os átomos cristalizados com os poderes de seu próprio Mundo, o Reino do Espírito de Vida, onde tudo é vida, luz e amor. Por isso as curas foram instantâneas em todos os casos em que Ele escolheu realizá-las. Tais eram as forças que emanavam d’Ele e suas radiações tão poderosas que mesmo quem tocasse apenas em suas vestes se curava. Esse fato se evidencia novamente na cura da orelha de Malco[79], quando da prisão do Mestre no Getsemani.
Após o exercício prolongado de Seus poderes, o glorioso Espírito Cristo se afastava para um período de solidão no convívio dos Essênios, a fim de que Suas poderosas vibrações não esmagassem o corpo humano de Jesus, que Ele adotara, quando do Batismo, e o utilizou durante todo o Seu ministério sobre a Terra. Durante esses recolhimentos do ministério público, Ele se afastava daquele corpo mortal, deixando-o aos cuidados dos Essênios, que trabalhavam sobre ele em Sua ausência. Isso era um trabalho especializado dos Essênios, pois eles eram capazes de fazê-lo, em face dos poderes espirituais que irradiavam de si mesmos. Almas avançadas invariavelmente trabalham por projetar suas forças vibratórias. Ora, Cristo também expulsou os maus espíritos com a palavra, curou a todos os que estavam doentes e aqueles cujo destino maduro os dava como curáveis, e isso pode ser entendido por meio do que diz Isaías, o profeta: “Ele tomou sobre Si nossas enfermidades e curou nossas doenças” (Mt 8:17).
Paracelso nos adverte para que nos lembremos que o motivo da doença e da cura definitiva pode ser compreendido somente quando considerado à luz do destino maduro, e seus efeitos não só no corpo físico, mas também nos diversos veículos invisíveis que o interpenetram. “Há um duplo poder ativo no ser humano”, diz ele, “um visível e um invisível. O corpo visível tem suas forças naturais e o corpo invisível tem, também, suas forças naturais – e o remédio para toda doença ou injúria que possa afetar o veículo físico está contido no corpo invisível, porque esse é o assento das forças que infundem vida naquele e sem o qual a forma não teria vida”.
A formação dos corpos visível e invisíveis está dividida em sete ciclos. O primeiro dos sete é pertinente, principalmente, à formação dos Corpos Denso (físico) e Vital, que se correlaciona com o desenvolvimento do sistema glandular. O segundo ciclo se refere ao desenvolvimento do Corpo de Desejos. É ígneo, e se correlaciona com a química do sistema circulatório sanguíneo. O terceiro ciclo é alusivo ao desenvolvimento da Mente. É aéreo. O pensamento agora se torna o supremo poder criador. No subconsciente ele estabelece hábitos, que são uma tendência à cristalização do Corpo etéreo ou Vital. O quarto ciclo é um resumo ou síntese de todos os sete. Ele recapitula o passado e, agindo dessa forma, ele normalmente toca o destino maduro que foi formado durante as existências anteriores na Terra, e que agora são “agendados para serem pagos”.
Os vinte e oito anos de idade marcam o completar desses quatro ciclos setenários quando, no sentido oculto, se considera que a verdadeira vida mental do Ego começou. Marca o final do amadurecimento dos quatro “invólucros” etéreos, que são a matriz do crescimento físico.
“Porque você deve entender que existem sete vidas no ser humano, das quais nenhuma delas alcança a verdadeira vida que está na alma”. Essas sete vidas são os sete períodos setenários desde nascimento até os quarenta e dois anos de idade, conhecida como “meia idade” pelo ocultista, e marca o tempo de profundas e fundamentais mudanças dirigidas a uma nova visão em que se encontrou “a verdadeira vida que está na alma”. Os sete devem ser transformados antes que o total desenvolvimento se realize. Cristo-Jesus expulsou sete demônios de Maria Madalena, o que traz uma referência a esse alcance sétuplo. Após essa experiência ela se transformou na mais adiantada entre os Discípulos do Mestre e foi a primeira de todos eles a ser capaz de elevar sua consciência suficientemente para reconhecê-Lo, quando Ele retornou para as bênçãos do Dia da Páscoa.
“O verdadeiro médico deve entender e perceber”, escreveu ainda Paracelso. “Se ele não enxerga o paciente de maneira astral ele não poderá prescrever qual será a força oposta curativa, que deverá despertar no interior do espírito do paciente. O verdadeiro curador não olha apenas para as causas no visível, ele procura entender o invisível”. Verdadeiramente, o ser humano jamais conhecerá a perfeita saúde, até que aprenda a viver em harmonia com as leis da vida. Ainda nas palavras de Paracelso: “A doença é a expressão de luta que está sendo travada entre o ser humano oculto contra as condições degeneradas de sua natureza”.
Toda verdade é una e eterna, e os ensinamentos do Cristo atravessaram os séculos nos testemunhos dos sábios e dos virtuosos até os nossos dias. As seguintes palavras do Dr. Alexis Carrel[80], um verdadeiro professor da Nova Era, em seu livro tão popular, “O Homem esse Desconhecido”, vão diretamente ao ponto em estudo: “A ciência” – diz ele – “estuda intensivamente o fígado, os rins e todas as funções físicas do ser humano, tudo enfim, exceto sua única e mais importante função, que é o Pensamento”. Isso soa como uma nota-chave para o processo da Nova Era. “Cristianizai vossas mentes”[81], exortou São Paulo. Quando isso é feito, seguem-se a purificação e a perfeição do Corpo. As correntes das causas passadas e jugo da hereditariedade nos prenderão tão somente se nós permitirmos que tal aconteça. Nós estamos sob o jugo da lei; nós seremos livres em Cristo.
“Vai e não peques mais para que mal pior não caia sobre ti”[82]. Essas palavras bem expressam a íntima conexão existente entre a doença e o pecado, sendo o pecado, neste caso, tudo aquilo que não está de acordo com os poderes construtivos da natureza, ou, em outras palavras, com a Lei Divina. Iluminação e regeneração são unas no processo de cura. Conhecer a saúde contínua e radiantemente é viver em constante comunhão com a divindade interior. Essa foi a mensagem do Cristo, assim como é a de todos os verdadeiros Mestres que tanto O precederam como os que vieram após Ele.
Este corpo físico é reflexo do Plano Divino, assim como o universo que se manifesta ao nosso redor. Ele é composto de moléculas envoltas por um ponto central de luz ou poder espiritual que controla as taxas vibratórias ou movimento. Todos os elementos do Universo estão dentro do ser humano. O microcosmo é a criança do macrocosmo. A interação desarmoniosa, ou doença, manifesta-se no Corpo Vital antes de ser notada no Corpo Denso. O tom do veículo vitalizante é reduzido; ele é “dissonante” por parar de vibrar em harmonia com a nota-chave de seu padrão arquetípico.
Atitudes positivas e pensamentos construtivos rapidamente restauram o tom normal do Corpo Vital, e, por outro lado, o medo é o maior inimigo para a restauração da saúde. O Salmo 23[83] nos dá o mágico poder para eliminar o medo. Deixe o ritmo de suas declarações conferir suas harmonia e poder em todo o teu ser. Ele o tornará saudável e curado. “O Senhor é meu pastor… não temerei…Não temerei mal algum porque Tu estás comigo”.
O verdadeiro curador espiritual possui faculdades com as quais os veículos internos do paciente e suas relações com o físico podem ser examinados. “Se nossos Estudantes de medicina” – escreve Franz Hartmann[84], notável escritor ocultista e médico –, “empregasse uma parte do tempo aplicado no estudo das ciências externas, que praticamente não usam, no desenvolvimento de suas percepções interiores, eles se tornariam capazes de ver determinados processos dentro do organismo do ser humano, que são para eles meras matérias especulativas e que não são discerníveis por meios físicos”.
Não está tão distante o dia em que a medicina ortodoxa, como a ciência ortodoxa como um todo, e também a religião ortodoxa, experimentarão o despertar espiritual que os guindará a novos elevados serviços. Uma ativa aceleração está a caminho. Cada vez maior é o número de almas que despertam esforçando-se grandemente para seguir na direção do ideal enunciado pelo Nosso Abençoado Senhor quando Ele nos diz:
“Sê perfeito, como é
FIM
[1] N.T.: Apo 21: 4
[2] N.T.: Mc 6:6
[3] N.T.: 22E chegaram a Betsaida. Trouxeram-lhe então um cego, rogando que Ele o tocasse. 23Tomando o cego pela mão, levou-o para fora do povoado e, cuspindo-lhe aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: “Percebes alguma coisa?”. 24E ele, começando a ver, disse: “Vejo as pessoas como se fossem árvores andando”. 25Em seguida, Ele colocou novamente as mãos sobre os olhos do cego, que viu distintamente e ficou restabelecido e podia ver tudo nitidamente e de longe.
[4] N.T.: Mc 8: 18
[5] N.T.: 46Chegaram a Jericó. Ao sair de Jericó com os seus Discípulos e grande multidão, estava sentada à beira do caminho, mendigando, o cego Bartimeu, filho de Timeu. 47Quando percebeu que era Jesus, o Nazareno, que passava, começou a gritar: “Filho de Davi, Jesus, tem compaixão de mim! ”. 48E muitos, o repreendiam para que se calasse. Ele, porém, gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem compaixão de mim! ”. 49Detendo-se, Jesus disse: “Chamai-o! ”. Chamaram o cego, dizendo-lhe: “Coragem! Ele te chama; levanta-te”. 50Deixando a sua capa, levantando-se e foi até Jesus. 51Então Jesus lhe disse: “Que queres que Eu te faça? ”. O cego respondeu: “Rabbuni! Que eu possa ver novamente! ”. 52Jesus lhe disse: “Vai, a tua fé te salvou”. No mesmo instante ele recuperou a vista e seguia-O no caminho.
[6] N.T.: Mt 20:29-34; Mc 10: 46-52 e Lc 8:35-43
[7] N.T.: Mt 20:27
[8] N.T.: 27Partindo Jesus dali, puseram-se a segui-lo dois cegos, que gritavam e diziam: “Filho de Davi, tem compaixão de nós!”. 28Quando entrou em casa, os cegos aproximaram-se dele. Jesus lhes perguntou: “Credes vós que tenho poder de fazer isso?”. Eles responderam: “Sim, Senhor”. 29Então tocou-lhes os olhos e disse: “Seja feito segundo a vossa fé”. 30E os seus olhos se abriram. Jesus, porém, os admoestou com energia: “Cuidado, para que ninguém o saiba”. 31Mas eles, ao saírem dali, espalharam sua fama por toda aquela região.
[9] N.T.: Ao passar, Ele viu um homem, cego de nascença. 2Seus Discípulos Lhe perguntaram: “Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?” 3Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus. 4Enquanto é dia, temos de realizar as obras daquele que me enviou; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. 5Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. 6Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego 7e lhe disse: “Vai lavar-te na piscina de Siloé – que quer dizer ‘Enviado’”. O cego foi, lavou-se e voltou vendo. 8Os vizinhos, então, e os que estavam acostumados a vê-lo antes, porque era mendigo, diziam: “Não é esse que ficava sentado a mendigar? “. 9Alguns diziam: “É ele”. Diziam outros: “Não, mas alguém parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo”. 10Perguntaram-lhe, então: “Como se abriram os teus olhos?” 11Respondeu: “O homem chamado Jesus fez lama, aplicou-a nos meus olhos e me disse: ‘Vai a Siloé e lava-te’. Fui, lavei-me e recobrei a vista”. 12Disseram-lhe: “Onde está ele?” Disse: “Não sei”. 13Conduziram o que fora cego aos fariseus. 14Ora, era sábado o dia em que Jesus fizera lama e lhe abrira os olhos. 15Os fariseus perguntaram-lhe novamente como tinha recobrado a vista. Respondeu-lhes: “Ele aplicou-me lama nos olhos, lavei-me e vejo”. 16Diziam, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado”. Outros diziam: “Como pode um homem pecador realizar tais sinais?” E havia cisão entre eles. 17De novo disseram ao cego: “Que dizes de quem te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta”. 18Os judeus não creram que ele fora cego enquanto não chamaram os pais do que recuperara a vista 19e perguntaram-lhes: “Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que agora ele vê?” 20Seus pais então responderam: “Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. 21Mas como agora ele vê não o sabemos; ou quem lhe abriu os olhos não o sabemos. Interrogai-o. Ele tem idade. Ele mesmo se explicará”. 22Seus pais assim disseram por medo dos judeus, pois os judeus já tinham combinado que, se alguém reconhecesse Jesus como Cristo, seria expulso da sinagoga. 23Por isso, seus pais disseram “Ele já tem idade; interrogai-o”. 24Chamaram, então, uma segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: “Dá glória a Deus! Sabemos que esse homem é pecador”. 25Respondeu ele: “Se é pecador, não sei. Uma coisa eu sei: é que eu era cego e agora vejo”. 26Disseram-lhe, então: “Que te fez ele? Como te abriu os olhos?” 27Respondeu-lhes: “Já vos disse e não ouvistes. Por que quereis ouvir novamente? Por acaso quereis também tornar-vos seus Discípulos?” 28Injuriaram-no e disseram: “Tu, sim, és seu Discípulo; nós somos Discípulos de Moisés. 29Sabemos que Deus falou a Moisés; mas esse, não sabemos de onde é”. 30Respondeu-lhes o homem: “Isso é espantoso: vós não sabeis de onde ele é e, no entanto, abriu-me os olhos! 31Sabemos que Deus não ouve os pecadores; mas, se alguém é religioso e faz a sua vontade, a este ele escuta. 32Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. 33Se esse homem não viesse de Deus, nada poderia fazer”. 34Responderam-lhe: “Tu nasceste todo em pecados e nos ensinas?” E o expulsaram. 35Jesus ouviu dizer que o haviam expulsado. Encontrando-o, disse-lhe: “Crês no Filho do Homem?” 36Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu nele creia?” 37Jesus lhe disse: “Tu o estás vendo, é quem fala contigo”. 38Exclamou ele: “Creio, Senhor!” E prostrou-se diante dele. 39Então disse Jesus: “Para um discernimento é que vim a este mundo: para que os que não veem, vejam, e os que veem, tornem-se cegos”. 40Alguns fariseus, que se achavam com ele, ouviram isso e lhe disseram: “Acaso também nós somos cegos?” 41Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas dizeis: ‘Nós vemos!’ Vosso pecado permanece.
[10] N.T.: A Bíblia de Tyndale geralmente se refere ao conjunto de traduções bíblicas de William Tyndale. A Bíblia de Tyndale é creditada como sendo a primeira tradução para o inglês a trabalhar diretamente com os textos hebraico e grego.
[11] N.T.: 1Ao descer da montanha, seguiam-no multidões numerosas, 2quando de repente um leproso se aproximou e se prostrou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tens poder para purificar-me”. 3Ele estendeu a mão e, tocando-o disse: “Eu quero, sê purificado”. E imediatamente ele ficou livre da sua lepra. 4Jesus lhe disse: “Cuidado, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta a oferta prescrita por Moisés, para que lhes sirva de prova”.
[12] N.T.: 40Um leproso foi até Ele, implorando-lhe de joelhos: “Se queres, tens o poder de purificar-me”. 41Movido de compaixão, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: “Eu quero, sê purificado”. 42E logo a lepra o deixou. E ficou purificado. 43Advertindo-o severamente, despediu-o logo. 44dizendo-lhe: “Não digas nada a ninguém; mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece por tua purificação o que Moisés prescreveu, para que lhes sirva de prova”. Ele, porém, assim que partiu, começou a proclamar ainda mais e a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade: permanecia fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-Lo.
[13] N.T.: 12Estava Ele numa cidade, quando apareceu um homem cheio de lepra. Vendo a Jesus, caiu com o rosto por terra e suplicou-lhe: “Senhor, se queres, tens poder para purificar-me”. 13Ele estendeu a mão e, tocando-o, disse: “Eu quero. Sê purificado!” E imediatamente a lepra o deixou. 14E ordenou-lhe que a ninguém o dissesse: “Vai, porém, mostrar-te ao sacerdote, e oferece por tua purificação conforme prescreveu Moisés, para que lhes sirva de prova”. 15A notícia a Seu respeito, porém, difundia-se cada vez mais, e acorriam numerosas multidões para ouvi-Lo e serem curadas de suas enfermidades. 16Ele, porém, permanecia, retirado em lugares desertos e orava.
[14] N.T.: Lepra, hanseníase, morfeia, mal de Hansen ou mal de Lázaro é uma doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae (também conhecida como bacilo-de-hansen) que causa danos severos a nervos e à pele. A denominação hanseníase deve-se ao descobridor do microrganismo causador da doença, dr. Gerhard Hansen. O termo lepra está em desuso por sua conotação negativa histórica.
[15] N.T.: tempo na evolução onde passamos pela Época Lemúrica.
[16] N.T.: tempo na evolução onde passamos pela Época Atlante.
[17] N.T.: Peste negra é o nome pela qual ficou conhecida, durante a Baixa Idade Média, a pandemia de peste bubônica que assolou a Europa durante o século XIV, e dizimou entre 25 e 75 milhões de pessoas (mais ou menos um terço da população europeia), sendo que alguns pesquisadores acreditam que o número mais próximo da realidade é de 75 milhões, aproximadamente metade da população daquela época.
[18] N.T.: ou Paracelsus – Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493-1521) – físico, botânico, alquimista, astrólogo e ocultista suíço-germânico.
[19] N.T.: 11Como ele se encaminhasse para Jerusalém, passava através da Samaria e da Galileia. 12Ao entrar num povoado, dez leprosos vieram-lhe ao encontro. Pararam à distância 13e clamaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”. 14Vendo-os, ele lhes disse: “Ide mostrar-vos aos sacerdotes”. E aconteceu que, enquanto iam, ficaram purificados. 15Um dentre eles, vendo-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, 16e lançou-se aos pés de Jesus com o rosto por terra, agradecendo-lhe. Pois bem, era um samaritano. “Tomando a palavra, Jesus lhe disse: “Os dez não ficaram purificados? Onde estão os outros nove? 18Não houve, acaso, quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?”. 19Em seguida, disse-lhe: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”.
[20] N.T.: Peste negra é o nome pela qual ficou conhecida, durante a Baixa Idade Média, a pandemia de peste bubônica que assolou a Europa durante o século XIV e dizimou entre 25 e 75 milhões de pessoas (mais ou menos um terço da população europeia), sendo que alguns pesquisadores acreditam que o número mais próximo da realidade é de 75 milhões, aproximadamente metade da população da época.
[21] N.T.: 23Na ocasião, estava na sinagoga deles, um homem possuído de um espírito impuro, que gritava 24dizendo: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos? Sei quem tu és: o Santo de Deus” 25 Jesus, porém, o conjurou severamente: “Cala-te e sai dele”. 26Então o espírito impuro, sacudindo-o violentamente e soltando grande grito, deixou-o.
[22] N.T.: 31Desceu então a Cafarnaum, cidade da Galileia, e ensinava-os aos sábados. 32Eles ficavam pasmados com seu ensinamento, porque falava com autoridade. 33Encontrava-se na sinagoga um homem possesso de um espírito de demônio impuro, que se pôs a gritar fortemente: 34”Ah! Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos? Sei quem tu és: o Santo de Deus”. 35Mas Jesus o conjurou severamente: “Cala-te, e sai dele!” E o demônio, lançando-o no meio de todos, saiu sem lhe fazer mal algum. 36O espanto apossou-se de todos, e falavam entre si: “Que significa isso? Ele dá ordens com autoridade e poder aos espíritos impuros, e eles saem!” 37E sua fama se propagava por todo lugar da redondeza.
[23] N.T.: O Sinédrio é o nome dado à associação de 20 ou 23 juízes que a Lei judaica ordena existir em cada cidade.
[24] N.T.: Cura do Corpo, da Alma e do Espírito
[25] N.T.: Alice Mildred Cable (1878-1952) nasceu em Guildford, Inglaterra. Ela foi uma missionária protestante cristã na China.
[26] N.T.: O kang é uma tradicional e longa (2 metros ou mais) plataforma para uso geral: trabalho, entretenimento e dormir, usado na parte norte da China.
[27] N.T.: 32 Logo que saíram, eis que lhe trouxeram um endemoninhado mudo. 33 Expulso o demônio, o mudo falou. A multidão ficou admirada e pôs-se a dizer: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!”.
[28] N.T.: a cura do Corpo, da Alma e do Espírito.
[29] N.T.: também escrito como: Gadarenos
[30] N.T.: 28Ao chegar ao outro lado, ao país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoninhados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29E eis que se puseram a gritar: “Que queres de nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”30Ora, a certa distância deles havia uma manada de porcos que estava pastando. 31Os demônios lhe imploravam, dizendo: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. 32Jesus lhes disse: “Ide”. Eles, saindo, foram para os porcos e logo toda a manada se precipitou no mar, do alto de um precipício, e pereceu nas águas.
[31] N.T.: 1Chegaram do outro lado do mar, à região dos gerasenos. 2Logo que Jesus desceu do barco, caminhou ao seu encontro, vindo dos túmulos, um homem possuído por um espírito impuro: 3habitava no meio das tumbas e ninguém podia dominá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes já o haviam prendido com grilhões e algemas, mas ele arrebentava os grilhões e estraçalhava as correntes, e ninguém conseguia subjugá-lo. 5E, sem descanso, noite e dia, perambulava pelas tumbas e pelas montanhas, dando gritos e ferindo-se com pedra. 6Ao ver Jesus, de longe, correu e prostrou-se diante d’Ele, 7clamando em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, Filho de Deus altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! “ 8Com efeito, Jesus lhe disse: “Sai deste homem, espírito impuro! “ 9E perguntando-lhe: “Qual é o teu nome? “ Respondeu: “Legião é o meu nome, porque, somos muitos”. 10E rogava-lhe insistentemente que não os mandasse para fora daquela região. 11Ora, havia ali, pastando na montanha, uma grande manada de porcos. 12Rogava-lhe, então, dizendo: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Ele o permitiu. E os espíritos impuros saíram, entraram nos porcos e a manada — cerca de dois mil — se arrojou no mar, precipício abaixo, e eles se afogavam no mar. 14Os que os apascentavam fugiram e contaram o fato na cidade e nos campos. E correram a ver o que havia acontecido. 15Foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e em são juízo, aquele mesmo que tivera a Legião. E ficaram com medo. 16As testemunhas contaram-lhes o que acontecera com o endemoninhado e o que houve com os porcos. 17Começaram então a rogar-lhe que se afastasse do seu território. 18Quando entrou no barco, aquele que fora endemoninhado rogou-lhe que o deixasse ficar com Ele. 19Ele não deixou, e disse-lhe: “Vai para tua casa e para os teus e anuncia-lhes tudo o que fez por ti o Senhor na sua misericórdia”. 20Então partiu e começou a proclamar na Decápole o quanto Jesus fizera por ele. E todos ficaram espantados.
[32] N.T.: 26Navegaram em direção à região dos gerasenos, que está do lado contrário da Galileia. 27Ao pisarem terra firme, veio ao seu encontro um homem da cidade, possesso de demônios. Havia muito que andava sem roupas e não habitava em casa alguma, mas em sepulturas.28Logo que viu a Jesus começou a gritar, caiu-lhe aos pés e disse em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes”. 29Jesus, com efeito, ordenava ao espírito impuro que saísse do homem, pois se apossava dele com frequência. Para guardá-lo, prendiam-no com grilhões e algemas, mas ele arrebentava as correntes e era impelido pelo demônio para os lugares desertos. 30Jesus perguntou-lhe: “Qual é o teu nome?” — “Legião”, respondeu, porque muitos demônios haviam entrado nele. 31E rogavam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.32Ora, havia ali, pastando na montanha, uma numerosa manada de porcos. Os demônios rogavam que Jesus lhes permitisse entrar nos porcos. E ele o permitiu. 33Os demônios então saíram do homem, entraram nos porcos e a manada se arrojou pelo precipício, dentro do lago, e se afogou.34Vendo o acontecido, os que apascentavam os porcos fugiram, contando o fato na cidade e pelos campos. 35As pessoas então saíram para ver o que acontecera. Foram até Jesus e encontraram o homem, do qual haviam saído os demônios, sentado aos pés de Jesus, vestido e em são juízo. E ficaram com medo. 36As testemunhas então contaram-lhes como fora salvo o endemoninhado. 37E toda a população do território dos gerasenos pediu que Jesus se retirasse, porque estavam com muito medo. E ele, tomando o barco, voltou. 38O homem do qual haviam saído os demônios pediu para ficar com ele; Jesus, porém, o despediu, dizendo: 39”Volta para tua casa e conta tudo o que Deus fez por ti”. E ele se foi proclamando pela cidade inteira tudo o que Jesus havia feito em seu favor.
[33] N.T.: 14Ao chegarem junto da multidão, aproximou-se dele um homem que, de joelhos, lhe pedia: 15”Senhor, tem compaixão de meu filho, porque é lunático e sofre muito com isso. Muitas vezes cai no fogo e outras muitas na água. 16Eu o trouxe aos teus Discípulos, mas eles não foram capazes de curá-lo”. 17Ao que Jesus replicou: “Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-o aqui”. 18Jesus o conjurou severamente e o demônio saiu dele. E o menino ficou são a partir desse momento. 19Então os Discípulos, procurando Jesus a sós, disseram: “Por que razão não pudemos expulsá-lo?”. 20Jesus respondeu-lhes: “Por causa da fraqueza da vossa fé, pois em verdade vos digo: se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: transporta-te daqui para lá, e ela se transportará, e nada vos será impossível”. [21] “Quanto a essa espécie (de demônio), não é possível expulsá-lo senão pela oração e pelo jejum”
[34] N.T.: 14E, chegando junto aos outros Discípulos, viram uma grande multidão em torno deles e os escribas discutindo com eles. 15E logo que toda a multidão O viu, ficou admirada e correu para saudá-lo. 16Ele perguntou-lhes: “Que discutíeis com eles?”. 17Alguém da multidão respondeu: “Mestre, eu te trouxe meu filho que tem um espírito mudo. 18Quando ele o toma, atira-o pelo chão. e ele espuma, range os dentes e fica ressequido. Pedi aos teus Discípulos que o expulsassem, mas não conseguiram”. 19Ele, porém, respondeu: “Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-o a mim”. 20Levaram-no até Ele. O espírito, vendo a Jesus, imediatamente agitou com violência o menino que, caindo por terra, rolava espumando. 21Jesus perguntou ao pai: “Há quanto tempo lhe sucede isto?”. — “Desde pequenino, respondeu; 22e muitas vezes o atira ao fogo ou na água para fazê-lo morrer. Mas, se tu podes, ajuda-nos, tem compaixão de nós”. 22Então Jesus lhe disse: “Se tu podes! …Tudo é possível àquele que crê!”. 24Imediatamente, o pai do menino gritou: “Eu creio! ajuda a minha incredulidade!”. 25Vendo Jesus que a multidão afluía, conjurou severamente o espírito impuro, dizendo-lhe: “Espírito mudo e surdo, Eu te ordeno: deixa-o e nunca mais entres nele!”. 26E, gritando e agitando-o violentamente, saiu. E o menino ficou como se estivesse morto, de modo que muitos diziam que ele tinha morrido. 27Jesus, porém, tomando-o pela mão, ergueu-o, e ele se levantou. 28Ao entrar em casa, perguntaram-lhe os seus Discípulos, a sós: “Por que não pudemos expulsá-lo?”. 29Ele respondeu: “Essa espécie não pode sair a não ser com oração”.
[35] N.T.: 37No dia seguinte, ao descerem da montanha veio ao seu encontro uma grande multidão. 38E eis que um homem da multidão gritou: “Mestre, rogo-te que venhas ver o meu filho, porque é meu filho único. 39Eis que um espírito o toma e subitamente grita, sacode-o com violência e o faz espumar; é com grande dificuldade que o abandona, deixando-o dilacerado. 40Pedi a teus Discípulos que o expulsassem, mas eles não puderam”. 41 Jesus respondeu: “Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco e vos suportarei? Traze aqui teu filho”. 42Estava ainda se aproximando, quando o demônio o jogou por terra e agitou-o com violência. Jesus, porém, conjurou severamente o espírito impuro, curou a criança e a devolveu ao pai.
[36] N.T.: Areteu da Capadócia, é um dos mais notórios médicos da Grécia Antiga; no entanto, apenas alguns detalhes de sua vida são conhecidos. Existe alguma incerteza com relação à sua idade e país de origem, mas parece provável que exerceu a Medicina no século I, durante o reinado de Nero ou Vespasiano. É geralmente denominado “o Capadócio”.
[37] N.T.: de Galen’s Critical Days (De diebus decretoriis) era um texto que fundamenta a medicina astrológica.
[38] N.T.: 2Aí lhe trouxeram um paralítico deitado numa cama. Jesus, vendo tão grande fé, disse ao paralítico: “Tem ânimo, meu filho; os teus pecados te são perdoados. “ 3Ao ver isso alguns dos escribas diziam consigo: “Está blasfemando”. 4Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: “Por que tendes esses maus pensamentos em vossos corações? 5Com efeito, que é mais fácil dizer ‘Teus pecados são perdoados’, ou dizer ‘Levanta-te e anda’? 6Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem poder na terra de perdoar pecados. . . “ disse então ao paralítico: “Levanta-te, toma tua cama e vai para casa”. 7Ele se levantou e foi para casa.
[39] N.T.: 3Vieram trazer-lhe um paralítico, transportado por quatro homens. 4E como não pudessem aproximar-se por causa da multidão, abriram o teto à altura do lugar onde Ele se encontrava e, tendo feito um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5Jesus, vendo sua fé, disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. 6Ora, alguns dos escribas que lá estavam sentados refletiam em seus corações: 7”Por que está falando assim? Ele blasfema! Quem pode perdoar pecados a não ser Deus? “ 8Jesus imediatamente percebeu em seu espírito o que pensavam em seu íntimo, e disse: “Por que pensais assim em vossos corações? 9O que é mais fácil dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda?’ 10Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem poder de perdoara pecados na terra, 11Eu te ordeno — disse Ele ao paralítico — levanta-te, toma o teu leito e vai para a tua casa”. 12O paralítico levantou-se e, imediatamente, carregando o leito, saiu diante de todos, de sorte que ficaram admirados e glorificaram a Deus, dizendo: “Nunca vimos coisa igual!”.
[40] N.T.: 18Vieram então alguns homens carregando um paralítico numa maca; tentavam levá-lo para dentro e colocá-lo diante dele. 19E como não encontravam um jeito de introduzi-lo, por causa da multidão, subiram ao terraço e, através das telhas, desceram-no com a maca no meio dos assistentes, diante de Jesus. 20Vendo-lhes a fé, ele disse: “Homem, teus pecados estão perdoados”. 21Os escribas e os fariseus começaram a raciocinar: “Quem é este que diz blasfêmias? Não é só Deus que pode perdoar pecados?” 22Jesus, porém, percebeu seus raciocínios e respondeu-lhes: “Por que raciocinais em vossos corações? 23Que é mais fácil dizer: Teus pecados estão perdoados, ou: Levanta-te e anda? 24Pois bem! Para que saibais que o Filho do Homem tem o poder de perdoar pecados na terra, eu te ordeno — disse ao paralítico — levanta-te, toma tua maca e vai para tua casa”. 25E no mesmo instante, levantando-se diante deles, tomou a maca onde estivera deitado e foi para casa, glorificando a Deus. 26O espanto apoderou-se de todos e glorificavam a Deus. Ficaram cheios de medo e diziam: “Hoje vimos coisas estranhas!”
[41] N.T.: Cura do Corpo, da Alma e do Espírito
[42] N.T.: A memória involuntária ou Mente Subconsciente está, atualmente, fora de nosso controle. Relaciona-se totalmente com as experiências desta vida. Consiste das impressões dos acontecimentos no Corpo Vital. Tais impressões podem ser modificadas ou até apagadas, utilizando a doutrina do perdão dos pecados.
[43] N.T.: 14Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra deste, que estava de cama e com febre. 15Logo tocou-lhe a mão e a febre a deixou. Ela se levantou e pôs-se a servi-lo.
[44] N.T.: Cura do Corpo, da Alma e do Espírito
[45] N.T.: Mc 16:18
[46] N.T. 21Jesus, partindo dali, retirou-se para a região de Tiro e de Sidônia. 22E eis que uma mulher cananeia, daquela região, veio gritando: “Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: a minha filha está horrivelmente endemoninhada”. 23Ele, porém, nada lhe respondeu. Então os seus Discípulos se chegaram a ele e pediram-lhe: “Despede-a, porque vem gritando atrás de nós”. 24Jesus respondeu: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel”. 25Mas ela, aproximando-se, prostrou-se diante dele e pôs-se a rogar: “Senhor, socorre-me!” 26Ele tornou a responder: “Não fica bem tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos”. 27Ela insistiu: “Isso é verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos!” 28Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como queres!” E a partir daquele momento sua filha ficou curada.
[47] N.T.: 24Saindo dali, foi para o território de Tiro. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse, mas não conseguiu permanecer oculto. 25Pois, logo em seguida, uma mulher cuja filha tinha um espírito impuro ouviu falar d’Ele, veio e atirou-se a seus pés. 26A mulher era grega, siro-fenícia de nascimento, e lhe rogava que expulsasse o demônio de sua filha. 27Ele dizia: “Deixa que primeiro os filhos se saciem porque não é bom tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos”. 28Ela, porém, lhe respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas das crianças! “ 29E Ele disse-lhe: “Pelo que disseste, sai: o demônio saiu da tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou a criança atirada sobre a cama. E o demônio tinha ido embora.
[48] N.T.: 1Certo sábado, ele entrou na casa de um dos chefes dos fariseus para tomar uma refeição, e eles o espiavam. 2Eis que um hidrópico estava ali, diante dele. 3Tomando a palavra, Jesus disse aos legistas e aos fariseus: “É lícito ou não curar no sábado?” 4Eles, porém, ficaram calados. Tomou-o então, curou-o e despediu-o. 5Depois perguntou-lhes: “Qual de vós, se seu filho ou seu boi cai num poço, não o retira imediatamente em dia de sábado?” 6Diante disso, nada lhe puderam replicar.
[49] N.T.: Sabá ou sabat é o dia semanal de descanso e/ou tempo de adoração que é observado em diversas crenças. O termo deriva do hebraico shabat, “cessar”, que foi pela primeira vez usado no relato bíblico do sétimo dia da Criação. A observância e lembrança do sabá é um dos Dez Mandamentos (o quarto na tradição original judaica, a cristã ortodoxa e maioria das tradições protestantes, o terceiro nas tradições luterana). Tido como sábado, dia do descanso da religião judaica.
[50] N.T.: 1E entrou de novo na sinagoga, e estava ali um homem com uma das mãos atrofiada. 2E o observavam para ver se o curaria no sábado, para o acusarem. 3Ele disse ao homem da mão atrofiada: “Levanta-te e vem aqui para o meio”. 4E perguntou-lhes: “É permitido, no sábado, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou matar?”. Eles, porém, se calavam. 5Repassando estão sobre eles um olhar de indignação. E entristecido pela dureza do coração deles, disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu, e sua mão estava curada.
[51] N.T.: 6Em outro sábado, entrou ele na sinagoga e começou a ensinar. Estava ali um homem com a mão direita atrofiada. 7Os escribas e os fariseus observavam-no para ver se ele o curaria no sábado, e assim encontrar com que o acusar. 8Ele, porém, percebeu seus pensamentos e disse ao homem da mão atrofiada: “Levanta-te e fica de pé no meio de todos”. Ele se levantou e ficou de pé. 9Jesus lhes disse: “Eu vos pergunto se, no sábado, é permitido fazer o bem ou o mal, salvar uma vida ou arruiná-la”. 10Correndo os olhos por todos eles, disse ao homem: “Estende a mão”. Ele o fez, e a mão voltou ao estado normal.
[52] N.T.: Cura do Corpo, da Alma e do Espírito
[53] N.T.: 5Ao entrar em Cafarnaum, chegou-se a ele um centurião que lhe implorava e dizia: 6“Senhor, o meu criado está deitado em casa, paralítico, sofrendo dores atrozes”. 7Jesus lhe disse: “Eu irei curá-lo”. 8Mas o centurião respondeu-lhe: “Senhor, não sou digno de receber-te sob o meu teto; basta que digas uma palavra e o meu criado ficará são. 9Com efeito, também eu estou debaixo de ordens e tenho soldados sob o meu comando, e quando digo a um ‘Vai!’, ele vai, e a outro ‘Vem!’, ele vem; e quando digo ao meu servo: ‘Faze isto’, ele o faz”. 10Ouvindo isso, Jesus ficou admirado e disse aos que o seguiam: “Em verdade vos digo que em Israel não achei ninguém que tivesse tal fé. 11Mas eu vos digo que virão muitos do oriente e do ocidente e se assentarão à mesa no Reino dos Céus, com Abraão, Isaac e Jacó, 12enquanto os ‘filhos do Reino’ serão postos para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”. 13Em seguida, disse ao centurião: “Vai! Como creste, assim te seja feito!” Naquela mesma hora o criado ficou são (Mt 8:5-13).
[54] N.T.: 1Quando acabou de transmitir aos ouvidos do povo todas essas palavras, entrou em Cafarnaum. 2Ora, um centurião tinha um servo a quem prezava e que estava doente, à morte; 3Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns dos anciãos dos judeus para pedir-lhe que fosse salvar o servo. 4Estes, chegando a Jesus, rogavam-lhe insistentemente: “Ele é digno de que lhe concedas isso, 5pois ama nossa nação, e até nos construiu a sinagoga”. 6Jesus foi com eles. Não estava longe da casa, quando o centurião mandou alguns amigos lhe dizerem: “Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa; 7nem mesmo me achei digno de ir ao teu encontro. Dize, porém, uma palavra, para que o meu criado seja curado. 8Pois também eu estou sob uma autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e a um digo: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro ‘Vem!’, e ele vem; e a meu servo ‘Faze isto!’, e ele o faz”. 9Ao ouvir tais palavras, Jesus ficou admirado e, voltando-se para a multidão que o seguia, disse: “Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. 10E, ao voltarem para casa, os enviados encontraram o servo em perfeita saúde (Lc 7:1-10).
[55] N.T.: em São Lucas. Note: em São Mateus é versículo 9.
[56] N.T.: 10Ora, ele estava ensinando numa das sinagogas aos sábados. 11E eis que se encontrava lá uma mulher, possuída havia dezoito anos por um espírito que a tornava enferma; estava inteiramente recurvada e não podia de modo algum endireitar-se.12Vendo-a, Jesus chamou-a e disse: “Mulher, estás livre de tua doença”, 13e lhe impôs as mãos. No mesmo instante, ela se endireitou e glorificava a Deus. 14O chefe da sinagoga, porém, ficou indignado por Jesus ter feito uma cura no sábado e, tomando a palavra, disse à multidão: “Há seis dias para o trabalho; portanto, vinde nesses dias para serdes curados, e não no dia de sábado!” 15O Senhor, porém, replicou: “Hipócritas! Cada um de vós, no sábado, não solta seu boi ou seu asno do estábulo para levá-lo a beber? 16E esta filha de Abraão que Satanás prendeu há dezoito anos, não convinha soltá-la no dia de sábado?” 17Ao falar assim, todos os adversários ficaram envergonhados, enquanto a multidão inteira se alegrava com todas as maravilhas que Ele realizava.
[57] N.T.: Sabá ou sabat é o dia semanal de descanso e/ou tempo de adoração que é observado em diversas crenças. O termo deriva do hebraico shabat, “cessar”, que foi pela primeira vez usado no relato bíblico do sétimo dia da Criação. A observância e lembrança do sabá é um dos Dez Mandamentos (o quarto na tradição original judaica, a cristã ortodoxa e maioria das tradições protestantes, o terceiro nas tradições luterana). Tido como sábado, dia do descanso da religião judaica.
[58] N.T.: 20Enquanto ia, certa mulher, que sofria de um fluxo de sangue fazia doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe a orla da veste, 21pois dizia consigo: “Será bastante que eu toque a sua veste e ficarei curada”. 22Jesus, voltando-se e vendo-a, disse-lhe: “Ânimo, minha filha, a tua fé te salvou”. Desde aquele momento, a mulher foi salva.
[59] N.T.: 25Ora, certa mulher que havia doze anos tinha um fluxo de sangue 26e que muito sofrera nas mãos de vários médicos, tendo gasto tudo o que possuía sem nenhum resultado, mas cada vez piorando mais, 27tinha ouvido falar de Jesus. Aproximou-se d’Ele, por detrás, no meio da multidão, e tocou-lhe a roupa. 28Porque dizia: “Se ao menos tocar as suas roupas, serei salva”. 29E logo estancou a hemorragia. E ela sentiu no corpo que estava curada de sua enfermidade. 30Imediatamente, Jesus, tendo consciência da força que d’Ele saíra, voltou-se à multidão e disse: “Quem tocou minhas roupas? “ 31Os Discípulos disseram-lhe: “Estás vendo a multidão que Te comprime e perguntas: ‘‘‘Quem me tocou ?’ 32Jesus olhava em torno de si para ver quem havia feito aquilo. 33Então a mulher, amedrontada e trêmula, sabendo o que lhe tinha sucedido, foi e caiu-lhe aos pés e contou-lhe toda a verdade. 34E Ele disse a ela: “Minha filha, a tua fé te salvou; vai em paz e esteja curada desse teu mal”.
[60] N.T.: 43Certa mulher, porém, que sofria de um fluxo de sangue, fazia doze anos, e que ninguém pudera curar, 44aproximou-se por detrás e tocou a extremidade de sua veste; no mesmo instante, o fluxo de sangue parou. 45E Jesus perguntou: “Quem me tocou?” Como todos negassem, Pedro disse: “Mestre, a multidão te comprime e te esmaga”. 46Jesus insistiu: “Alguém me tocou; eu senti que uma força saía de mim”. 47A mulher, vendo que não podia se ocultar, veio tremendo, caiu-lhe aos pés e declarou diante de todos por que razão o tocara, e como ficara instantaneamente curada. 48Ele disse: “Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz”.
[61] N.T.: Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) – autor e estadista alemão que também fez incursões pelo campo da ciência natural.
[62] N.T.: Eusébio de Cesareia (ca. 265-339) (chamado também de Eusebius Pamphili, “Eusébio amigo de Pânfilo”) foi bispo de Cesareia e é referido como o pai da história da Igreja porque nos seus escritos estão os primeiros relatos quanto à história do cristianismo primitivo.
[63] N.T.: A História Eclesiástica (em latim: Historia Ecclesiastica ou Historia Ecclesiae) de Eusébio de Cesareia foi uma obra pioneira do século IV por tratar de um relato cronológico do desenvolvimento do cristianismo primitivo entre o primeiro e o quarto século. Ela foi escrita em grego koiné e sobreviveu também em manuscritos em latim, siríaco e armênio. O resultado foi a primeira narrativa extensiva escrita de um ponto de vista cristão
[64] N.T.: Cesareia de Filipe (em latim Caesarea Philippi) era uma antiga cidade, localizada no sopé sudoeste do monte Hermon na atual região arqueológica de Banias. Por volta do ano 20 a.C. o rei Herodes, o grande, construiu aos pés do monte Hermon um templo branco de mármore, e dedicou a César Augusto. Quando Herodes morreu a cidade ficou nas mãos de seu filho, Herodes Filipe, que a ampliou, e embelezou, e a chamou de Cesareia de Filipe, para alcançar graça diante seu imperador Tibério César, e distingui-la da outra Cesareia, a capital romana na Judeia e porto marítimo muito mais conhecida, que ficava na costa. É hoje um local arqueológico perto da fronteira Israel-Síria, junto à nascente do rio Jordão.
[65] 18Enquanto Jesus lhes falava sobre essas coisas, veio um chefe e prostrou-se diante dele, dizendo: “Minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe-lhe a mão e ela viverá”. 19Levantando, Jesus o seguia, juntamente com os seus Discípulos. (…) 23Jesus, ao entrar na casa do chefe e ver os flautistas e a multidão em alvoroço, disse: 24”Retirai-vos todos daqui, porque a menina não morreu: está dormindo”. E caçoavam dele. 25Mas, assim que a multidão foi removida para fora, Ele entrou, tomou-a pela mão e ela se levantou. 26A notícia do que aconteceu espalhou-se por toda aquela região.
[66] 22Aproximou-se um dos chefes da sinagoga, cujo nome era Jairo, e vendo-O, caiu a seus pés. 23Rogou-lhe insistentemente, dizendo: “Minha filhinha está morrendo. Vem e impõe sobre ela as mãos, para que ela seja salva e viva”. 24Ele o acompanhou e numerosa multidão O seguia, apertando-O de todos os lados. (…) 35Ainda falava, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, dizendo: “Tua filha morreu. Por que perturbas ainda o Mestre?”. 36Jesus, porém, tendo ouvido a palavra que acabava de ser pronunciada, disse ao chefe da sinagoga: “Não temas; crê somente”. 37E não permitiu que ninguém o acompanhasse, exceto Pedro, Tiago e João, o irmão de Tiago. 38Chegaram à casa do chefe da sinagoga, e Ele viu um alvoroço. Muita gente chorando e clamando em voz alta. 39Entrando, disse: “Por que este alvoroço e este pranto? A criança não morreu; está dormindo”. 40E caçoavam d’Ele. Ele, porém, ordenou que saíssem todos, exceto o pai e a mãe da criança e os que o acompanhavam, e com eles entrou onde estava a criança. 41Tomando a mão da criança, disse-lhe: “Talitha Kum” — o que significa: “Menina, Eu te digo, levanta-te”. 42No mesmo instante, a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos. E ficaram extremamente espantados. 43Recomendou-lhes então expressamente que ninguém viesse a saber o que tinha visto. E mandou que dessem de comer à menina.
[67] 41Chegou então um homem chamado Jairo, chefe da sinagoga. Caindo aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa, 42porque sua filha única, de mais ou menos doze anos, estava à morte. Enquanto Ele se encaminhava para lá, as multidões se aglomeravam a ponto de sufocá-lo. (…) 49Ele ainda falava, quando chegou alguém da casa do chefe da sinagoga e lhe disse: “Tua filha morreu; não perturbes mais o Mestre”. 50Mas Jesus, que havia escutado, disse-lhe: “Não temas; crê somente, e ela será salva”. 51Ao chegar à casa, não deixou que entrassem consigo senão Pedro, João e Tiago, assim como o pai e a mãe da menina. 52Todos choravam e batiam no peito por causa dela. Ele disse: “Não choreis! Ela não morreu; está dormindo”. 53E caçoavam d’Ele, pois sabiam que ela estava morta. 54Ele, porém, tomando-lhe a mão, chamou-a dizendo: “Criança, levanta-te!”. 55O espírito dela voltou e, no mesmo instante, ela ficou de pé. E ele mandou que lhe dessem de comer.
[68] N.T.: Jo 21:17
[69] N.T.: Jo 16:15
[70] N.T.: 46Ele voltou novamente a Caná da Galileia, onde transformara água em vinho. Havia um funcionário real, cujo filho se achava doente em Cafarnaum. 47Ouvindo dizer que Jesus viera da Judéia para a Galileia, foi procurá-lo, e pedia-lhe que descesse e curasse seu filho, que estava à morte. 48Disse-lhe Jesus: “Se não virdes sinais e prodígios, não crereis”. 49O funcionário real lhe disse: “Senhor, desce, antes que meu filho morra!”. 50Disse-lhe Jesus: “Vai, o teu filho vive”. O homem creu na palavra que Jesus lhe havia dito e partiu. 51Ele já descia, quando os seus servos lhe vieram ao encontro, dizendo que o seu filho vivia. 52Perguntou, então, a que horas ele se sentira melhor. Eles lhe disseram: “Ontem, à hora sétima, a febre o deixou”. 53Então o pai reconheceu ser precisamente aquela a hora em que Jesus lhe dissera: “O teu filho vive” e creu, ele e todos os da sua casa.
[71] N.T.: 1 Havia um doente, Lázaro, de Betânia, povoado de Maria e de sua irmã Marta. 2 Maria era aquela que ungira o Senhor com bálsamo e lhe enxugara os pés com seus cabelos. Seu irmão Lázaro se achava doente. 3 As duas irmãs mandaram, então, dizer a Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. 4 A essa notícia, Jesus disse: “Essa doença não é mortal, mas para a glória de Deus, para que, por ela, seja glorificado o Filho de Deus”. 5 Ora, Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro. 6 Quando soube que este se achava doente, permaneceu ainda dois dias no lugar em que se encontrava; 7 só depois, disse aos Discípulos: “Vamos outra vez até a Judéia!” 8 Seus Discípulos disseram-lhe: “Rabi, há pouco os judeus procuravam apedrejar-te e vais outra vez para lá?”. 9 Respondeu Jesus: “Não são doze as horas do dia? Se alguém caminha durante o dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo, 10 mas se alguém caminha à noite, tropeça, porque a luz não está nele”. “Disse isso e depois acrescentou: “Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo”. 12 Os Discípulos responderam: “Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar!” 13 Jesus, porém, falara de sua morte e eles julgaram que falasse do repouso do sono. 14 Então Jesus lhes falou claramente: “Lázaro morreu. 15 Por vossa causa, alegro-me de não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos para junto dele!” 16 Tomé, chamado Dídimo, disse então aos outros Discípulos: “Vamos também nós, para morrermos com ele!” 17 Ao chegar, Jesus encontrou Lázaro já sepultado havia quatro dias. 18 Betânia ficava perto de Jerusalém, a uns quinze estádios. 19 Muitos judeus tinham vindo até Marta e Maria, para as consolar da perda do irmão. 20 Quando Marta soube que Jesus chegara, saiu ao seu encontro; Maria, porém, continuava sentada, em casa. 21 Então, disse Marta a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. 22 Mas ainda agora sei que tudo o que pedires a Deus, ele te concederá”. 23 Disse-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. 24 Sei, disse Marta, que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia!” 25 Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. “ 26 E quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês nisso?” 27 Disse ela: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo”. 28 Tendo dito isso, afastou-se e chamou sua irmã Maria, dizendo baixinho: “O Senhor está aqui e te chama!” 29 Esta, ouvindo isso, ergueu-se logo e foi ao seu encontro. 30 Jesus não entrara ainda no povoado, mas estava no lugar em que Marta o fora encontrar. 31 Quando os judeus, que estavam na casa com Maria, consolando-a, viram-na levantar-se rapidamente e sair, acompanharam-na, julgando que fosse ao sepulcro para aí chorar. 32 Chegando ao lugar onde Jesus estava, Maria, vendo-o, prostrou-se a seus pés e lhe disse: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. 33 Quando Jesus a viu chorar e também os judeus que a acompanhavam, comoveu-se interiormente e ficou conturbado. 34 E perguntou: “Onde o colocastes?” Responderam-lhe: “Senhor, vem e vê!” 35 Jesus chorou. 36 Diziam, então, os judeus: “Vede como ele o amava!” 37 Alguns deles disseram: “Esse, que abriu os olhos do cego, não poderia ter feito com que ele não morresse?” 38 Comoveu-se de novo Jesus e dirigiu-se ao sepulcro. Era uma gruta, com uma pedra sobreposta. 39 Disse Jesus: “Retirai a pedra!” Marta, a irmã do morto, disse-lhe: “Senhor, já cheira mal: é o quarto dia!” 40 Disse-lhe Jesus: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” 41 Retiraram, então, a pedra. Jesus ergueu os olhos para o alto e disse: “Pai, dou-te graças porque me ouviste. 42 Eu sabia que sempre me ouves; mas digo isso por causa da multidão que me rodeia, para que creiam que me enviaste”. 43 Tendo dito isso, gritou em alta voz: “Lázaro, vem para fora!” 44 O morto saiu, com os pés e mãos enfaixados e com o rosto recoberto com um sudário. Jesus lhes disse: “Desatai-o e deixai-o ir embora”.
[72] N.T.: 11Ele foi em seguida a uma cidade chamada Naim. Seus Discípulos e numerosa multidão caminhavam com ele. 12Ao se aproximar da porta da cidade, coincidiu que levavam a enterrar um morto, filho único de mãe viúva; e grande multidão da cidade estava com ela. 13O Senhor, ao vê-la, ficou comovido e disse-lhe “Não chores!” 14Depois, aproximando-se, tocou o esquife, e os que o carregavam pararam. Disse ele, então: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” 15E o morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe.
[73] N.T.: 31<Cristo Jesus> Saindo de novo do território de Tiro, seguiu em direção do mar da Galileia, passando por Sidônia e atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram-Lhe um surdo que gaguejava, e rogaram que impusesse as mãos sobre ele. 33Levando-o a sós para longe da multidão, colocou os dedos nas orelhas dele e, com saliva, tocou-lhe a língua.34Depois, levantando os olhos para o céu, gemeu, e disse Effatha, que quer dizer “Abre-te!” 35Imediatamente abriram-se -lhe os ouvidos e a língua se lhe desprendeu, e falava corretamente.
[74] N.T.: Apo 21:5
[75] N.T.: Destino maduro refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado. Ver mais no Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. II.
[76] N.T.: Cura do Corpo, da Alma e do Espírito.
[77] N.T.: ou Paracelsus – Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493-1521) – físico, botânico, alquimista, astrólogo e ocultista suíço-germânico.
[78] N.T.: Tg 3:5
[79] N.T.: Malco é um personagem secundário no Novo Testamento da Bíblia, mencionado em Jo 18:10 como o servo do sumo sacerdote Caifás que havia sido golpeado na orelha por Simão Pedro durante a prisão de Cristo Jesus no Getsemani. De acordo com os evangelhos, quando Jesus estava para ser preso, um dos Discípulos puxou a espada e feriu o servo de Caifás que estava entre os soldados. No entanto, Cristo Jesus repreendeu ao seu Discípulo, curou a orelha de Malco.
[80] N.T.: Alexis Carrel (1873-1944) foi um biologista francês. Nasceu em Lyon, estudou medicina na Universidade de Lyon e graduou-se em 1900. Depois emigrou para os Estados Unidos.
[81] N.T. Ef 4:23
[82] N.T. Jo 5:14
[83] N.T.: “O Senhor é meu pastor, não me faltará”.
[84] N.T.: Franz Hartmann (1838-1912) escritor e médico alemão, estudioso das doutrinas de Paracelso, Jakob Böehme e a Tradição Rosacruz.
[85] N.T.: Mt 5:48
A Perfeita Paz do Eterno…para isso você deve saber quem é o seu mediador
Pelo endereçamento de nossos pensamentos a Deus — que é, ao mesmo tempo, o Centro do universo e de cada indivíduo – contatamos e vivenciamos a paz, harmonia, ordem e beleza perpétua; encontramos perfeito repouso e segurança. Nessa quietude mora o infinito poder. Nesse divino Centro habitam a Vida Eterna, a Integralidade, a Beleza, a Perfeição e a Saúde. Em tal estado, o nosso poder de realização e de felicidade ultrapassa o entendimento. Mas, Deus é sábio. Pela mesma lei que amadurece gradativamente o fruto, assim Ele nos amadurece internamente para admitir mais e mais luz, à medida que nos aproximamos de Sua Presença. O impacto de toda a plenitude luminosa, num contato pleno com nosso Centro, ser-nos-ia desastroso. Por isso, existem os degraus da escada de Jacó, as etapas, na medida em que nos preparamos, sem recalques, para exprimir mais Deus. Daí que todas as religiões e filosofias procurem conduzir nossas aspirações, vontade, desejos e pensamentos, ao Divino Centro, que Cristo Jesus despertou dentro de nós.
Segundo o esforço que façamos no sentido de uma vida mais pura e altruísta, segundo o que o Mestre dos Mestres nos ensinou, assim também será nosso progresso ascensional em direção a um vislumbre dessa vivência suprema. Por certo que nossa vontade se agigantaria, levando-nos resolutamente a concentrar todos os esforços para alcançar a meta. Mas nem é preciso isso. A promessa de Cristo é muito clara: “Buscai e achareis”; “Batei e ser-vos-á aberta a porta”; “Pedi e recebereis”. Contudo, impôs a condição: “Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça e todas as demais coisas vos serão acrescentadas”… Vigiemos e oremos, pois, buscando metodicamente, sem preocupações, o reino de Deus em nós. Os que buscam sempre encontram; os que batem à sua porta serão admitidos… Não há outro caminho para Deus. Aqueles que buscam o desenvolvimento interno por métodos ocultos e metafísicos, que deixam o Cristo de fora, correm graves perigos.
Cuidado com eles. Cristo Jesus é único mediador “entre Deus e o Homem”. Basta que sigamos os Seus ensinamentos.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – 01/1978)
A Fotossíntese da Vida: cuide do jardim da sua vida
Esta é a ocasião anual em que toda a natureza leva a efeito o prodigioso e inspirador ciclo do crescimento. Como por um passe de mágica, o arbusto torto, a parreira e a árvore erguem-se em majestosa vida sob o comando silencioso do Mestre Construtor. O drama interior dos elementos manifesta-se agora diante de nós em incontáveis multiplicações de cor, de tonalidade, de botões e de flores. A alma sente que aquilo que os olhos veem — ainda que em toda sua resplendente glória, é apenas uma parte infinitesimal de uma alquimia de vida maior, mais profunda.
Regozijamo-nos com a visão e o odor das flores, das árvores e dos arbustos, embora saibamos que isto é apenas uma pequena parte do invisível processo de vida que tem lugar na flora e com o qual ficamos maravilhados.
De onde veio esse súbito e irresistível impulso de vida na planta? Como pode essa força construir um produto infinitamente perfeito e soberbamente desenhado que excita a humilde admiração e a grosseira imitação dos maiores artesões e arquitetos?
Como em todas as coisas no universo, devemos contentar-nos em ver somente os efeitos de um vasto oceano de sabedoria cósmica e de vida-força. Isto é, enquanto virmos e sentirmos apenas com os olhos e as mãos físicas. Por meio dos nossos sentidos físicos podemos observar e examinar, friamente, praticamente tudo o que existe sobre esta terra; mas é necessário possuir um coração, uma alma e uma visão espiritual para sentir profundamente e misticamente e gozar a verdadeira essência das coisas que vemos. Por trás da manifestação física há uma fonte maior, mais exuberante.
A natureza visível é ainda o nosso melhor instrutor. Sabemos que para termos farta colheita no fim do ano devemos ser cuidadosos com nossa plantação. Vemos os ciclos de vida e de morte nas flores e nas sementes — o maior, mais simples e sublime exemplo da imortalidade da vida para todos, adultos e crianças. Vemos a Lei de Causa e Efeito ensinar-nos quando observamos a reação que existe entre os cuidados que nossas plantas recebem e os resultados obtidos em crescimento e em beleza.
Quando Cristo Jesus eloquentemente nos aconselhava a “observarmos os lírios, como eles crescem”, Ele fazia um apelo ao coração casto que mora dentro de nós.
Dentre todos os mistérios relativos à vida das plantas, o processo da fotossíntese é sem dúvida, o maior. A fotossíntese, mesmo à luz da ciência moderna, é um processo alquímico pouco conhecido, por meio do qual a clorofila — principalmente nas folhas das plantas — utiliza o gás carbônico, a umidade e os raios solares vermelho e violeta para crescer e renovar-se, no mesmo sentido em que nós lançamos alimento no interior do nosso próprio sistema para suster e ajudar o corpo físico a desenvolver-se.
De coisas tão etéricas como a luz, o gás e a umidade, esta humilde vida vegetal compõe carboidratos e outros elementos em estado intermediário — e como se isso não fosse bastante, lança à atmosfera o oxigênio, gás tão necessário à vida. Bastante surpreendentemente, somente cerca de 10% do crescimento da árvore vem, realmente, do solo. Isto significa que 90% do seu crescimento provém da atmosfera.
Às vezes o ser humano sente que recebe toda a sua vida do alimento que consome. No afã de ter uma vida confortável, com televisão esportes e muitas outras atividades, ele se perde no mundo dos efeitos. Hoje, mais do que em qualquer outra ocasião, o ser humano precisa arranjar, diariamente, tempo para criar, para compreender que sua verdadeira vida vem de uma fonte de vida invisível e que aquilo que ele faz por meio da alimentação é, apenas, simples fração daquilo que sustenta seus atributos físicos. Nem mesmo o seu alimento é tão físico quanto ele supõe, pois, também está sobrecarregado com vida etérica e esta é quem verdadeiramente constrói o templo que é o seu corpo. No sentido literal, dentro de cada pessoa tem lugar uma grande fotossíntese de vida. A Luz do Pai, o alimento da Terra, os pensamentos da mente, até mesmo cada elemento que entra em sua vida diária à transmutado naquilo que você é fisicamente, mentalmente, moralmente e espiritualmente.
A mensagem de saúde que nós lhe enviamos este mês é que você deverá cuidar do jardim de sua vida com o mesmo cuidado e amor que você tem por suas flores; regue o ser humano “interior” com a água da fonte perene da oração e do serviço; converta a Luz do Pai em alegria; cultive uma mente serena, cheia de pensamentos de devoção, sabedoria e de estudos e; dê graças, sempre, porque sua única fonte de vida é Deus e sempre que você se ponha em harmonia com ela e com Suas Leis, sua saúde e sua alegria estarão asseguradas.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1978)
Sublimação – Falemos sobre o conceito esotérico: Harmonia
Todos nós já passamos pela experiência de adentrar um recinto onde tudo aparentava a mais perfeita paz. Sentíamos, porém, que as coisas não eram exatamente como pareciam: o ambiente estava realmente carregado de tensões encobertas. Se há desacordo ou ressentimento no coração das pessoas, o disfarce de pequenas frases amáveis não pode ser qualificado de harmonia. A harmonia não é ausência de qualquer coisa; é, sim, a presença do amor.
Ao examinarmos a vida de Cristo-Jesus, vivenciaremos um exemplo de harmonia. Ao procurarmos as fontes dessa harmonia, encontramos uma constante atmosfera, um contato permanente com o Pai, o que Lhe permitia afirmar: “Eu e o Pai somos Um”. São Paulo apóstolo também nos recomendou a orar sem cessar. Começamos a compreender a necessidade de uma disciplina e integração internas, uma incessante abertura do canal espiritual que somos para a Grande Influência Superior.
Na literatura Rosacruz há constantes citações da chamada “harmonia das esferas”. E quando logramos uma pálida noção do mundo em que vivemos, concordamos em que qualquer falta de harmonia em nosso Universo seria, humanamente falando, desastrosa.
Tal harmonia deve ser produzida por uma Fonte Perfeita, porque aqui, mesmo aqui, podemos aplicar o axioma hermético “assim como é no macrocosmos é também no microcosmos”, válido para os nossos corpos finitos que são universos em miniatura.
Desvinculados do emaranhado de nossas mesquinhas “preocupações” do mundo, podemos mergulhar realmente no Grande Desconhecido de que fazemos parte: o “habitat da harmonia”. Examinando o movimento dos astros em suas órbitas, convencer-nos-emos de que tão somente uma total e absoluta harmonia poderia ter produzido as galáxias, onde tudo se movimenta a velocidades incríveis, numa perfeita sincronização. Não necessitamos de grande imaginação para vislumbrar o caos total se houvesse ausência de harmonia na “sinfonia das esferas”.
A Palavra Criadora é uma palavra harmoniosa. E como a Terra deve considerar-se afortunada pelo fato de nossas palavras ainda não terem adquirido essa magnitude de poder. Podemos nos impacientar com a lentidão do nosso progresso espiritual, porém, entendemos porque o Amor Cósmico nos está protegendo de nós mesmos, até aprendermos a manter uma harmonia interna, como aparentamos exteriormente.
(Traduzido de Rays From The Rose Cross e publicado na Revista Serviço Rosacruz de 8/77)
A Nossa “Bondade” tem que adquirir Força em Si Mesma
Durante a nossa jornada de purificação, quando nos esforçamos por mudar seriamente de vida e tornar-nos cada vez melhores corremos o risco de acabar parecendo tolos, dando ensejo a que pessoas mal informadas, interpretem nossa bondade baseadas em seus próprios padrões, como sinal de fraqueza. Daí podem surgir situações difíceis que vão exigir tremendos esforços de nossa parte, para que sejam corrigidos todos os enganos, e as coisas colocadas em seus lugares. Na verdade, leva um bom tempo até que nosso esforço para sermos melhores, apareça revestido de sua própria verdade, sob sua real aparência. Antes disso, há um longo incômodo interno até que se chegue a adquirir o aspecto de tranquilidade, paz e desprendimento real, que não poderá mais ser confundido com a aparência de uma pessoa tola e desavisada.
Para isso, nossa “bondade” deve adquirir força em si mesma, criada não só pelos nossos bons propósitos, mas principalmente pelas nossas boas realizações.
O exemplo máximo de força encontramos em Cristo Jesus, que era bom, justo, honesto e manifestava todas as qualidades superiores que eram raras na humanidade de seu tempo. Essas qualidades eram fortes e se sobrepunham às iniquidades e fraquezas dos que O cercavam, fazendo-O amado por uns e temido por outros. E foi por temor à força dessas qualidades que O crucificaram. Mas embora fosse Cristo um enviado do Pai para sacrificar-se por nós, redimindo nossos erros pelo seu sangue derramado na cruz, é seu exemplo que temos de seguir, para que seja possível despertar a força que existe em nós, e que é Deus em nosso próprio íntimo.
Porque, só quando pudermos nos apoiar nesta força, é que alguma coisa começará a dar frutos, no longo caminho de preparação que vimos trilhando. Esses frutos, porém, muitas vezes poderão parecer fugazes, como se a força conquistada em bem, nos esteja escapando, fazendo com que nos sintamos subitamente sós e desamparados. Mas, embora isso aconteça, não será prova de que Deus nos abandonou e retirou de nós a sua força.
Pelo contrário, vem provar que Ele está ainda mais próximo, a ponto de nos permitir experimentar nossa própria solidão, e nos fazer compreender e sentir que Ele é também esta solidão, que Ele também está no nosso desamparo.
Uma coisa é certa: nunca estamos sós. Deus está sempre presente, e é a nossa constância no Bem, nossa permanência na Verdade, que nos levará a sentir cada vez mais real a presença Divina. Mesmo que a impressão dessa Presença mude, que já não se manifeste como apoio, como graça, como auxílio, mas como percalço, como dura experiência, mesmo assim, ela, a Presença, está cada vez mais perto e mais sutil; não como uma força externa, mas como Poder dentro de nós mesmos, como aquisição conquistada pela nossa própria permanência na fé. E esta deve ser a nossa maior esperança quando tivermos que colocar à prova a nossa bondade, num mundo que nem sempre encontraremos preparado para recebê-la.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/73)
A fim de facilitar o estudo desse assunto dividiremos nas seguintes partes:
Deste modo, será mais fácil, para aqueles que não estudaram os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, compreenderem a ideia.
Há 3 meios de você acessar esse Livro:
1. Em formato PDF (para download):
Quando Conheceremos Cristo quando Ele voltar? – Max Heindel
2. Em forma audiobook ou audiolivro:
Como Conheceremos Cristo quando Voltar? – Max Heindel – audiobook
3. Para estudar no próprio site:
COMO CONHECEREMOS CRISTO QUANDO VOLTAR
Relatório Taquigrafado de uma Palestra Proferida em Los Angeles Study Center, Rx. F., em 18 de maio de 1913, por Max Heindel
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês, How shall we know Crist at his coming, editada por The Rosicrucian Fellowship
1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
ÍNDICE
PARTE II – POR QUE CRISTO VEIO À TERRA PELA PRIMEIRA VEZ?
PARTE III – POR QUE ELE DEVE VIR OUTRA VEZ
PARTE IV – COMO CONHECEREMOS CRISTO QUANDO ELE VOLTAR?
Relatório Taquigrafado de uma Palestra Proferida em Los Angeles Study Center, Rx. F., em 18 de maio de 1913, por Max Heindel
Existe um quadro em minha Mente, ele está lá há anos; algumas vezes, quando tenho tempo disponível para voltar-me para dentro de mim mesmo e olhar aquele arquivo, este aparece. Deixe-me descrevê-lo: Acompanhe-me, regredindo no tempo, cerca de dois mil anos. A cena passa-se na Palestina; as colinas estão desertas; vê-se um pequeno grupo de homens e no rosto de cada um reflete-se a tristeza. Eles estão pranteando. Aquele que, pensavam, tinha vindo para fazer grandes coisas foi-lhes tirado por mãos implacáveis e Sua vida parecia-lhes destruída, e eles perguntavam-se: “Será este o fim”? Isto emocionava-os profundamente. Ele os tinha chamado de amigos. Disse-lhes: “Vós sois meus amigos”[1], e eles choravam por Ele, como a um amigo. Disse-lhes também: “Se Eu for embora, Eu virei novamente”[2], e eles discutiam, ansiosamente, procurando saber quando esse advento ocorreria.
Assim foi o início, mas, desde então, isto continua sendo um assunto de interesse para todos que, pela graça de Cristo, intitulam-se Seus amigos. Tem sido um tema de entusiástica e constante indagação: Quando Ele virá novamente, e como O conheceremos quando Ele voltar?
Ele disse a Seus seguidores na Palestina que muitos viriam para enganar: que se lhes fosse dito para irem ao deserto, a este ou aquele lugar para procurá-Lo, eles não deveriam ir. Disse-lhes, também, que os Anjos no céu não sabiam o dia em que Ele retornaria; que mesmo o Filho não sabia, mas somente o Pai. Como descrevi antes, eles estavam discutindo, procurando saber o tempo aproximado do advento e, particularmente, como cada um poderia conhecê-Lo quando Ele aparecesse.
Pretendentes – tem havido muitos desde aquele dia – têm alegado ser Cristo; alguns enganam-se a si próprios e aos outros, acreditando que são realmente aquele exaltado e elevado Mestre. Existem outros que, deliberada e maliciosamente, procuram usurpar Seu lugar. Portanto, há um interesse permanente na pergunta: Como vamos reconhecê-Lo?
Há um ano atrás, apareceu em uma revista inglesa, um artigo intitulado “Arautos Ocultos”. Nele foram apresentados resumos dos Ensinamentos dos Mistérios Ocidentais como são fornecidos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e do Ocultismo Oriental, representado por uma sociedade que promulga aquela doutrina. Os líderes das duas sociedades e suas obras foram comparados. Semelhanças foram encontradas, mas o autor do artigo também percebeu, com notável perspicácia, o que Estudantes superficiais dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental não perceberam, isto é, a diferença Vital e irreconciliável nos dois ensinamentos, no que diz respeito a Cristo e Sua vinda. Foi mostrado que, de acordo com os ensinamentos Orientais, tanto Cristo quanto Buda foram homens de vida comum, enquanto nos ensinamentos do Mistério Ocidental diz-se, com ênfase, que Cristo é um Hierarca divino, não de nossa evolução, mas, “que por nós, homens, veio” e que, tendo uma vez deixado o Corpo Denso, Ele jamais aparecerá em um veículo físico.
Como esta é uma das principais diferenças entre a Sabedoria do Ocidente e os Ensinamentos Orientais, constituindo isto um dos maiores problemas atuais, parece Vital que todos os Estudantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental compreendam perfeitamente o assunto.
Para sistematizar nossa exposição, vamos dividi-la em quatro partes, cada uma dedicada à consideração de uma questão que tenha relação definida com nosso assunto:
Deste modo, será mais fácil para aqueles que não estudaram os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, compreenderem a ideia.
O primeiro ponto que precisamos colocar é a identidade de Cristo, como é ensinada na Escola dos Mistérios Ocidentais. De acordo com a figura anterior, “Os Sete Dias da Criação”, o ser humano passou por um período de involução compreendendo os Períodos de Saturno, Solar e Lunar, como também metade do Período Terrestre. Nesta peregrinação através da matéria, ele adquiriu os veículos que hoje possui.
Durante o Período de Saturno, quando éramos semelhantes aos minerais, alguns seres eram humanos como nós somos hoje, mas eram de uma onda de evolução diferente. Desde então, eles têm avançado e tornaram-se os Senhores da Mente. O mais elevado daquela evolução – da Onda de Vida que estava, então, no estágio humano – é chamado no esoterismo de o Pai.
O mais elevado Iniciado do Período Solar, quando aqueles seres, que agora são Arcanjos, eram humanos, é chamado o Filho, ou seja, o Cristo.
Os Anjos atuais eram humanos no Período Lunar e o mais elevado Iniciado, que agora chamamos de Jeová, é também chamado Espírito Santo.
Temos aqui a categoria dos três mais ativos grandes seres – os líderes da evolução.
A humanidade do Período Solar não podia descer mais no mar da matéria além do Mundo do Desejo (veja a figura acima), portanto, seu veículo inferior era o Corpo de Desejos e, como é uma lei cósmica que nenhum ser pode criar um veículo que não aprendeu a construir durante sua evolução, era impossível para o Espírito Cristo nascer em um Corpo Denso. Ele não poderia formar tal veículo. Nem poderia formar o Corpo Vital, feito de Éter. Faltava-Lhe também a habilidade de funcionar na última substância, pois Ele nunca a havia adquirido em Sua evolução. Para fornecer os veículos necessários para Cristo, Jesus, um ser humano da nossa evolução – um homem nascido de um pai e de uma mãe, ambos altos Iniciados, que fizeram do ato criador um sacrifício e chegaram à concepção imaculada sem paixão – entregou seus Corpos Denso e Vital no Batismo para o Espírito Sol, Cristo, que, então, entrou no mundo material e tornou-se mediador, possuindo todos os veículos necessários para funcionar entre Deus e o ser humano. Cristo Jesus é, portanto, absolutamente único, e a Bíblia nos diz que não há nenhum outro nome pelo qual devemos ser salvos, a não ser pelo nome de Cristo Jesus. Este é o único Credo Cristão autorizado.
Tendo explicado a identidade de Cristo e de Jesus, como é apresentada nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, nosso problema seguinte é:
No Gólgota, o Corpo Denso de Jesus foi destruído, ao mesmo tempo em que se manifestavam certos fenômenos relatados na Bíblia, e o Espírito de Cristo penetrou na Terra. Até aquele momento, a Terra vinha sendo governada de fora. Do mesmo modo que os Espíritos-Grupo guiam os animais de fora, também a Terra foi guiada em sua órbita e a humanidade também o foi, no caminho de evolução, dirigida quase que inteiramente por Jeová, mas, desde aquele momento, o Cristo se tornou nosso Espírito Interno da Terra. Agora, Ele guia nosso Planeta em sua órbita e está procurando substituir o regime de guerra, inaugurado por Jeová de um lado e pelos marciais espíritos Lucíferos de outro, por um regime de altruísmo, um reino de Fraternidade Universal. Ouvimos falar muito sobre Fraternidade Universal, mas não é necessário formarem-se sociedades para proclamar que somos irmãos. Todos sabemos disto, não há necessidade de chamar atenção para este fato. Irmãos e irmãs nem sempre são harmoniosos, mas devem procurar sê-lo, se pretendem ser amigos. Cristo instituiu um ideal muito mais elevado, quando chamou Seus Discípulos de amigos: “Vós sois meus amigos se fizerdes tudo que Eu vos mandar”[1].
Enquanto temos a promessa enfática do retorno de Cristo, existem muitos Cristãos que não acreditam no Segundo Advento, de maneira que será melhor, analisar se existe alguma razão compelindo Seu retorno.
Para elucidar este ponto, tomemos um episódio iluminador de “Fausto”. Embora escrito por Goethe, este drama não foi uma ficção, pois a lenda de Fausto é mais velha que a história; é um dos mitos que expressa, em termos fantasiosos, pictóricos, a história da alma em busca da luz. Estes contos foram transmitidos à humanidade infantil para que pudesse, subconscientemente, absorver os ideais que, em épocas posteriores, deveria viver. Na verdade, usamos o mesmo método de instrução quando damos a nossos filhos livros com ilustrações para inculcar-lhes ideias que não podem captar intelectualmente, por serem muitos novos.
Fausto leu livros durante sua vida inteira e, gradualmente, aprendeu que nós sabemos somente o que vivemos. Se não for para aplicação prática na vida diária, o aprendizado através de livros não terá nenhum valor. Quando a alma desperta para este fato, coloca-se no limiar do verdadeiro conhecimento olhando em direção à LUZ. Mas, a estrada se bifurca: um caminho é tranquilo e fácil, por toda sua extensão existem guias serviçais e risonhos prontos para encorajar o viajante e assisti-lo em tudo que desejar, e, no final, está Lúcifer, o portador da luz, disposto a dar honras mundanas àqueles que lhe prestam culto. O outro caminho é áspero, escarpado e perigoso; algumas vezes é muito escuro; muitos corações doloridos estão nele e, frequentemente, podemos ouvir o grito de angústia: “Quanto tempo mais, Ó, Senhor! Quanto tempo”? Mas, ainda que a alma lute aparentemente sozinha, sempre escuta uma voz interior, suave, tênue e silenciosa, mas inconfundivelmente clara: “Vinde, vós que estais fatigados e sobrecarregados e Eu vos darei repouso”[2]. Às vezes, a “Verdadeira Luz”, Cristo, a meta da alma que procura, é vista através de uma brecha nas nuvens tempestuosas, que precisam ser transpostas para que o aspirante alcance o topo da realização e, a partir da visão beatificada, a alma que busca reúne novas forças.
No caminho escuro, Lúcifer favorece todos os apetites sem restrições ou reserva. Enquanto a alma é levada pela correnteza, tudo aparenta ser fácil e o prazer parece estar a espera a cada passo. No entanto, quanto a alma finalmente chega ao fim do rio da vida, em lugar de voar muito alto em direção à própria meta, é arrastada para baixo pelos apetites vis que se uniram a ela, como a polpa de sua fruta verde está colada na presente; e ela experimenta, com uma intensidade mil vezes maior, a dor que sobrevém quando pretende se libertar dos grilhões consolidados pelo pecado.
Thomas A. Kempis menciona o desejo da maioria de viver uma longa vida e como poucos se preocupam em viver uma boa vida. Eu posso parafrasear isto, exclamando: “Oh, quantos desejam alcançar poderes espirituais, mas como são poucos os que se esforçam para cultivar a espiritualidade”! A história de Fausto dá-nos uma visão daquilo que pode acontecer, se exclamássemos com toda a intensidade de nosso ser, como ele o fez:
“Oh! Há Espíritos no ar,
Que flutuam entre o céu e a terra em domínio atuando?
Inclinai-vos aqui de vossa atmosfera dourada,
Para cenários, nova vida e plena rendição ides me guiando.
Se eu possuísse um manto mágico, simplesmente,
Para transportar-me como que em invisíveis asas, largamente,
Muito mais do que custosas vestes eu prezaria,
E nem por um manto real o trocaria”.
Por esta impaciência e desejo de obter alguma coisa em troca de nada, de colher onde não semeou, ele atrai para si um espírito de natureza indesejável, pois os habitantes dos Mundos invisíveis não são, de modo algum, diferentes das pessoas daqui. Um filantropo não é encontrado a cada curva do caminho neste mundo, nem encontramos Anjos por todos os lados quando atravessamos fronteira, e a única proteção é esforçar-nos para sermos dignos de entrar conscientemente naqueles reinos. Quando tivermos alcançados o caráter requerido, não teremos que esperar.
Não precisamos referir-nos ao tipo de barganha que foi proposta a Fausto por Lúcifer, que seguiu sua vítima em perspectiva até seu gabinete; mas, quando ele se volta para a porta e está prestes a sair, ele vê, aflito, uma estrela de cinco pontas, com duas pontas viradas para a porta e uma ponta à sua frente. Esta, ele pede a Fausto que a remova, mas ao ser rigorosamente interpelado e convidado a sair pela janela ou chaminé, Lúcifer finalmente confessa:
“Para os fantasmas e espíritos é uma lei
Por onde entrarmos, por aí sair devemos”.
Isto é um ponto muito importante, pois, assim como Lúcifer entrou no gabinete de Fausto pela porta e é forçado a sair pelo mesmo caminho, Cristo entrou na Terra por meio do Corpo Vital de Jesus e precisa, em Seu retorno, sair da Terra redimida por esse mesmo caminho em direção ao Sol, Seu lar celestial. Nenhum outro veículo o fará.
Mas existem mais coisas de interesse nesta situação e na ligação entre Fausto e Lúcifer. A porta está aberta, então, por que a estrela de cinco pontas iria barrar a saída de Lúcifer, especialmente quando ele a havia transposto ao entrar no gabinete?
A estrela de cinco pontas é o emblema do ser humano com seus membros separados e braços estendidos; uma ponta está no topo, representando a cabeça que é a porta natural do espírito. Por aí ele entra em seu futuro Corpo cerca de 18 dias depois da concepção, daí saindo quando o Corpo dorme, retornando pela mesma passagem pela manhã. Para os Auxiliares Invisíveis esta é, também, a saída e a entrada. Finalmente, quando a morte chega, o espírito se retira por meio da cabeça.
Por esta razão, a estrela de cinco pontas, com uma ponta para cima, como está representada no emblema da Fraternidade Rosacruz, é o símbolo de magia branca, que trabalha por meios naturais, em harmonia com a lei de evolução.
O Estudante de uma Escola de Mistérios aprende a dirigir a força criadora para cima, para o cérebro e transmutá-la em poder anímico através de uma vida de castidade e auto sacrifício. Esse poder anímico ele o usa para projetar-se nas esferas superiores por meio da cabeça. O seguidor da magia negra, incapaz de auto sacrifício, obtém o poder através do uso pervertido da força de vida de suas vítimas, que o projetam para baixo por meio dos pés, e ele deve retornar pelo mesmo caminho. O Cordão Prateado, então, projeta-se através do órgão inferior. Portanto, a estrela de cinco pontas, com duas pontas apontando para cima e uma para baixo, é o símbolo da magia negra. Foi fácil para Lúcifer entrar no gabinete de Fausto porque as duas pontas da estrela estavam apontando para a entrada, mas, quando ele quis sair e defrontou-se com uma ponta do símbolo, sua alma pervertida foi repelida pelo emblema da pureza e do amor.
Realmente, não temos qualquer prova legal de que Cristo tenha entrado na Terra e esteja lá parcialmente confinado, como estamos confinados em nossos Corpos Densos, mas existe nisto muita evidência mística e, pela Lei da Analogia, está evidente que Cristo, passa Seus dias-santos, parte dentro e parte fora da Terra.
Câncer, regido pela Lua, é o Signo que rege a concepção. Os Egípcios o retrataram como um besouro e, para eles, o escaravelho era o símbolo da alma. Quando a Luz do Mundo, o Sol, entra em Câncer, em Junho, o poder criador do último ciclo que deu vida à Terra foi gasto e, para renovar esta vida, que caso contrário se desvaneceria, o Sol precisa descer novamente. No Equinócio de Setembro, a balança se inclina e a força germinativa entra em nossa Terra, alcançando o Centro no Natal, quando o Sol está em seu ponto mais baixo de declínio, o Solstício de Dezembro. Daí a força germinante, o raio de Cristo, se irradia para frutificar novamente a matéria e alcançar a periferia da Terra no momento em que o Sol cruza o equador celeste, no Equinócio de Março. Então, o Salvador, o Cordeiro de Deus, morre para o Mundo, mas se torna vivo para as esferas superiores.
Assim como estamos confinados em nossos Corpos Densos, de manhã até a noite pelas atividades do dia, também Cristo está confinado na Terra, do Equinócio de Setembro até o Equinócio de Março, que é o período em que as atividades físicas estão bastante inativas, mas onde os esforços espirituais trazem melhores resultados. E, da mesma forma que somos libertados de nossos Corpos à noite e entramos nos Mundos invisíveis para recuperar-nos (para o espírito) das condições difíceis da existência física, o Cristo também é temporariamente libertado da Terra na cruz (cificação) quando vemos o Sol passar o equador celeste e elevar-se às alturas celestiais. Esta é, portanto, a ocasião em que sentimos o impulso espiritual enfraquecer e utilizamos nossa energia nas atividades físicas, no cultivo do solo, fazendo crescer duas folhas de erva onde havia apenas uma.
De acordo com a opinião comum sobre o assunto, Cristo completou o Sacrifício no Gólgota, mas, na verdade, aquilo foi só o início. Ele ainda está confinado à Terra como nós estamos em nossos “Corpos de Morte”. Ele sofre como nós sofremos, mas com uma intensidade que não podemos avaliar. Ele ainda está “gemendo e labutando esperando pela manifestação dos Filhos de Deus”[3], que somos nós mesmos. Quando um número suficiente de pessoas sentir o nascimento do Cristo Interno, de modo que possam suportar a carga de seus irmãos e dar suas vidas como Cristo está agora dando a Sua, então, a hora da libertação soará e Cristo poderá retornar permanentemente para o Sol. Mas, da mesma forma que Ele entrou na periferia da Terra quando veio, assim também, sob a lei que acabamos de explicar, Ele deve voltar para a superfície da Terra e isto, em si, é o que constitui a Segunda Vinda.
Não existe na Bíblia aviso mais enfático do que aquele dado por Cristo contra os que pretendem ser Cristos. Ele declarou que alguns produziriam sinais e maravilhas que poderiam enganar o próprio escolhido, e nós devemos lembrar-nos de Suas palavras, quando começamos a considerar nossa última pergunta:
Cristo disse: “Tende cuidado para que nenhum ser humano vos engane; pois muitos virão em meu nome, dizendo, Eu sou Cristo; e enganarão muitos. E, se algum ser humano vos disser, olhai, aqui está Cristo, ou olhai, ele está lá, não acrediteis nele. Pois falsos Cristos e falsos profetas surgirão e produzirão sinais e milagres para enganar, se isto fosse possível, o verdadeiro escolhido… então, eles verão o Filho do homem vindo nas nuvens com grande poder e glória … Ele enviará Seus Anjos e juntará Seu escolhido dos quatro ventos …, mas, deste dia e hora, nenhum ser humano o sabe, nem os Anjos que estão no céu, nem o Filho, mas só o Pai”.[4]
Por essas passagens, vemos como precisamos ser cuidadosos para não sermos atraídos por impostores. Existe, também, muita luz a guiar-nos para o caminho certo e alguns sinais são os indicadores pelos quais podemos, certamente, reconhecer Cristo dos imitadores. O sinal mais conclusivo dos impostores é que, não importa quanto seu argumento possa ser inteligente, eles vêm revestidos em um Corpo físico. Existem boas razões para entendermos que:
Cristo Não Virá em um Corpo Físico[5]
Nenhum veículo poderia suportar a tremenda vibração de tão grande Espírito. Pelas Escrituras, sabemos que Cristo frequentemente afastava-Se de Seus Discípulos. Nessas ocasiões, Ele levava o Corpo de Jesus para os Essênios, que eram homens de nossa evolução e hábeis médicos esotéricos, peritos nos cuidados com o Corpo. Eles restauravam o seu vigor e energia e, dessa forma, mantiveram o Corpo de Jesus unido por três anos. Do Gólgota, o Corpo foi levado para o túmulo e, como a influência coesiva foi retirada, os átomos espalharam-se em todas as direções e quando o túmulo foi aberto, somente a vestimenta foi encontrada.
Para obter outro veículo físico para a Segunda Vinda, da mesma maneira que o primeiro foi preparado, seria muito difícil, mas poderia ser conseguido. No entanto, sob a lei de que um espírito deve sair por onde entrou, somente aquele único Corpo de Jesus seria utilizado e, como foi destruído, é impossível que Cristo apareça em um veículo físico. Portanto, como já foi dito, possuir tal Corpo revela o impostor.
Supondo que essa “lei” seja uma invenção da imaginação do autor e que a Lei de Analogia, citada como defesa, seja somente uma coincidência, nossa argumentação é ainda apoiada pela Bíblia, não obstante todas as outras evidências. Cristo disse: “Se eles disserem para vós; Olhai, Ele está no deserto; não ides. Olhai, Ele está nas câmaras secretas; não acrediteis”[6]. Assim Cristo não deve ser encontrado em nenhum lugar físico. São Paulo também declara enfaticamente que “carne e sangue” não herdarão o reino. Se nós estamos para ser “revestidos com uma casa que nos vem do céu”, por que o líder da Nova Dispensação deveria Ter um veículo físico?
A Bíblia não abandona o assunto e diz-nos onde não procurar Cristo. Ele disse enfaticamente: “O Filho do Homem virá nas nuvens”[7]. Quando Ele finalmente deixou Seus Discípulos, “Ele foi levado para cima, e uma nuvem O recebeu, sem ser visto por eles. E, enquanto eles olhavam fixamente para o céu, à medida que Ele subia, dois homens permaneceram perto deles em trajes branco, os quais também disseram: Ele voltará do mesmo modo que O vistes ir para o céu” (At 1:10-11). São Paulo diz: “O Senhor, Ele mesmo descerá do céu… depois nós … seremos arrebatados por entre nuvens para encontrar o Senhor, no ar” (ITes 4:16-17). São João viu o primeiro céu e a terra desaparecerem – o mar secou e uma cidade santa desceu do céu, da qual Cristo era o regente. Estas coisas são, evidentemente, impossibilidades físicas. Um Corpo de carne e sangue não pode elevar-se no ar, e São Paulo afirma, categoricamente, que “carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus”. Se nós não podemos entrar naquele traje, como pode Cristo, o líder, usar um Corpo físico em um universo de lei?
Se pudéssemos, agora, descobrir que tipo de veículo Ele usou, saberíamos como reconhecê-Lo e, também, como seremos constituídos, pois “seremos como Ele” de acordo com São João: “Amados, agora nós somos os filhos de Deus, e não aparece ainda o que seremos: mas nós saberemos que, quando Ele aparecer, nós seremos como Ele.” (IJo 3:2). São Paulo diz: “nossa comunidade (não conversação, como foi traduzido; a palavra grega é “politeuma” – forma de governo ou comunidade e é usada pelo apóstolo para se referir ao novo céu e terra) está no céu, de onde também estamos esperando o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso Corpo vil, fazendo-o semelhante ao Seu Corpo glorioso.” (Fp 3:20-21).
O Corpo que Cristo usou depois do evento do Gólgota era também capaz de entrar em uma sala com portas fechadas, pois Ele assim apareceu para Seus Discípulos e deixou Tomás tocá-lo. Podem pseudo-Cristos, em um Corpo físico, fazer isto? Acredito que não.
Este fato requer um veículo mais sutil que o físico e nenhum sofisma poderá invalidar este argumento, isto é, de que Cristo usará um veículo mais sutil que o físico. A Bíblia diz que Cristo usou um Corpo tão sutil depois da ressurreição, que Ele ascendeu ao Céu dentro dele, que Ele deverá voltar neste mesmo Corpo e que, neste aspecto, nós mudaremos para um estado onde seremos como Ele.
Surge a pergunta final: Ensina-nos a Bíblia que veículo é esse e existe alguma informação pela qual possamos obter conhecimento completo e definitivo com respeito a este novo veículo? Devemos procurar a resposta no inimitável capítulo XV da 1ª Epístola aos Coríntios, onde São Paulo ensina a doutrina do Renascimento por meio dos Átomos-semente, tão claramente quanto a dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental de hoje.
Na versão inglesa, o versículo 44 diz: “Existe um Corpo natural e um Corpo espiritual”; mas o Novo Testamento não foi escrito em inglês e, como os tradutores nada sabiam dos ensinamentos internos, não tinham ideia de como traduzir a palavra grega que para eles parecia sem sentido, por isso, a traduziram como a compreenderam. Contudo, deixarei que vocês a traduzam, mesmo que não sejam Estudantes de grego. A palavra que é usada e traduzida como “corpo natural” é soma psuchicon. Soma é uma palavra grega que, todos concordam, é Corpo – não há dúvidas quanto a isto. Mas Psuchicon – psuche – (psyche) – a alma – um Corpo-Alma do qual nunca ouviram falar; provavelmente pareceu-lhes tolice, de maneira que traduziram a palavra como “Corpo natural”. É verdade que São Paulo diz na 1ª Epístola aos Tessalonicenses, 5:23, que o ser de todo ser humano é Espírito, Alma e Corpo, mas, provavelmente, eles interpretaram alma e espírito como sinônimos. Existe, porém, uma grande diferença, como é explicado nos Mistérios Rosacruzes: este Corpo-Alma é o veículo a que São Paulo se refere e no qual encontraremos Cristo. É composto de Éter e, portanto, capaz de levitação e de passar por paredes, uma vez que toda matéria densa é permeada com Éter. Os Auxiliares Invisíveis o usam hoje, como Cristo o fez.
De início, parece muito estranho saber que encontraremos o Senhor “no ar”, que esta terra vai ser deixada para trás. Mas não é estranho se considerarmos que o caminho da evolução sempre foi de dentro para fora. Na última parte da Época Lemúrica, quando esta terra estava em um estado ígneo, o ser humano vivia na crosta que estava sendo formada próxima ao centro ígneo, em um Corpo que começava também a ser formado. Ele viveu na Época Atlante, nas bacias da Terra, sob a densa neblina que se levantava da terra que se esfriava, como é mencionado no capítulo segundo do Livro do Gênesis. Então, a humanidade foi chamada, como relata a história folclórica alemã “Niebelungen” – Niebel, que significa neblina e Ungen, filhos: Filhos da Neblina. A Bíblia conta-nos como eles foram guiados por seus mestres e, gradualmente, como esta atmosfera nebulosa da terra condensou-se quando o Planeta resfriou e, finalmente, como as águas desceram do céu no chamado “o dilúvio”.
Nessa ocasião, sabemos que o ser humano deixou as terras baixas, que estavam submersas pela neblina condensada, o mar, e entrou em uma nova era de desenvolvimento sob as atuais condições. Então, ele viu o arco-íris pela primeira vez, quando o Sol brilhou sobre as nuvens e foi-lhe dito que, enquanto aquele sinal permanecesse, a sucessão de mudanças, que conhecemos como estações, continuaria. Enquanto tivermos as atuais condições atmosféricas, esta era de alternâncias continuará. Devagar, mas seguramente, estamos subindo em direção aos cumes da terra; procuramos níveis cada vez mais altos.
Quanto mais elevada for a evolução das raças, mais elas quererão subir em direção ao ar e, gradualmente, vão deixando as terras baixas.
Como aconteceu na época de Noé, dia virá que ocorrerá uma grande mudança cósmica. Cristo refere-se a isto ao falar de Sua vinda: “Assim como foi nos dias de Noé, assim será nos dias do Filho do homem”[8]. Pessoas movimentavam-se como sempre o haviam feito. Casavam-se e eram dadas em casamento; comiam e bebiam e viviam suas vidas mundanas. Mas, de repente, o dilúvio desceu sobre a antiga Atlântida e os veículos que tinham não lhes eram mais úteis. Necessitavam de veículos onde pudessem adaptar-se às novas condições atmosféricas, da mesma maneira que o bebê, quando nasce, precisa instantaneamente adaptar-se, da respiração que tinha dentro da água, à respiração no ar. Se não puder fazer isto, ele morrerá e foi o mesmo no caso dos Atlantes que estavam acostumados a respirar em sua atmosfera aquosa e nebulosa. Aqueles que não estavam fisiologicamente ajustados para esta mudança, afogaram-se.
Cristo disse que uma condição semelhante ocorrerá à Sua vinda. Aqueles que viviam na Atlântida, talvez não tenham percebido o desenvolvimento fisiológico que ocorreu em alguns e que os preparou para mudar da respiração aquosa para a respiração do ar, usando diretamente os pulmões. Do mesmo modo, há uma mudança acontecendo na humanidade, não observável por aqueles que não cultivam a visão espiritual. É um fato que uma atmosfera áurica envolve todo ser humano. Sabemos que, frequentemente, sentimos a presença de uma pessoa que não vemos e sentimos isto porque existe esta atmosfera fora de nossos Corpos Densos. Ela está, pouco a pouco, mudando; está se tornando cada vez mais dourada no Oeste. Quanto mais caminhamos com Cristo, mais esta cor dourada aumentará – esta que é a cor do Cristo e dos semelhantes a Ele: os Santos que os pintores retrataram com uma auréola. Gradualmente, estamos nos tornando mais semelhantes a Ele e esse “soma psuchicon” ou Corpo-Alma está adquirindo forma, está sendo preparada como nosso “traje nupcial”.
Um número crescente de pessoas está se tornando capaz de funcionar neste veículo e muitos estão se preparando para o dia da vinda de Cristo. Esta mudança não é realizada por processo físico, mas pelo serviço, pelo amor, pelo que conhecemos no mundo ocidental como altruísmo, que está se difundindo cada vez mais na sociedade. Estamos ficando mais humanos; cada vez mais iguais a Cristo, embora longe de sermos perfeitos. Talvez o dia da vinda de Cristo não seja nesse século ou no outro, nem no próximo milênio, não obstante, podemos observar uma mudança espiritual acontecendo na humanidade e depende de nós apressarmos o dia da vinda de Cristo, pois como Ele mesmo disse: “Este dia nenhum ser humano conhece”[9]. Nenhum ser humano está habilitado a dizer quando e quantas pessoas terão desenvolvido o soma psuchicon, de tal forma que estejam capacitados a fazer a obra que Ele está agora fazendo para nós.
Descemos até ao vale da matéria e, por nossa causa, foi necessário que Cristo entrasse na Terra para nos ajudar de dentro. Por nossa causa, Ele está agora sofrendo e labutando lá, esperando pela manifestação dos filhos de Deus e depende de nós apressarmos ou retardarmos este dia. Cada ato nosso tem algum efeito nesse sentido – cada um de nós tem seu trabalho neste mundo e quanto mais cedo aprendermos a fazê-lo, melhor será para nós. Não deveríamos procurar o Cristo fora – Ele não se encontra lá. Ele mesmo disse, “Não vás para o deserto”. Não O procuremos nestes lugares: o Cristo é formado de dentro. O Corpo-Alma que está, gradualmente, tornando-se capaz de elevar-se sobre as montanhas, é o resultado do esforço de cada aspirante que esforça para ser admitido à vida superior. Como diz Fausto:
“Duas almas, oh! Moram dentro do meu peito,
E aí lutam por um indivisível reino;
Uma aspira pela terra, como vontade apaixonada
À íntimas entranhas ainda está ligada.
Acima das névoas, a outra aspira, de certeza,
Com ardor sagrado por esferas onde reine a pureza”.
Amigos, em cada um de nós há essa luta travada entre a natureza superior e a inferior. São Paulo teve que lutar essa batalha e toda alma que procura deve lutar, também. Mas, não pensem que é saindo para o extenso mundo e nele lutar, que encontraremos o que procuramos. Sir Launfal saiu de sua casa ainda jovem, passou toda uma vida procurando o Graal. Quando voltou para seu castelo, encontrou o mesmo mendigo que ele havia desdenhosamente ignorado quando partiu de casa, mas, quando agiu certo, quando o amoroso espírito do serviço entrou nele, então, o Cristo se manifestou.
“Ele partiu em duas, sua única côdea de pão,
Ele quebrou o gelo da beira do córrego;
E ao leproso deu de comer e beber pela mão”.
O Salvador, diante dele, disse: “Este é meu Corpo e este é meu sangue”.
“Santa Ceia é mantida, na verdade,
Por tudo que ajudamos o outro em sua necessidade”
Não é o que damos, mas é o que compartilhamos que realmente tem valor. Aqueles que dão somente quando têm em abundância, quando dão coisas que não necessitam – coisas que são realmente um peso para eles, coisas de que não sentem falta – não sabem o que é dar a vida por um amigo. Enquanto não se derem, suas dádivas serão estéreis. “Não há maior amor que o do ser humano que dá sua vida por um amigo”. Este não deve ser um único ato – o dar a vida por um amigo – mas sim um auto sacrifício constante, diário. “Eu estava com fome e tu me deste de comer; eu estava com sede e tu me deste de beber … eu estava doente e tu me visitaste”[10]. Este é o único requisito. Que nós possamos aprendê-lo, amigos. Não precisamos procurá-Lo tão longe: está perto de nós, ao nosso lado.
Conhecemos aquele pequeno poema sobre deixar nossa luz brilhar exatamente onde estamos. Nem todos podem ser uma estrela, nem podem brilhar, nem ser um líder, mas cada um pode fazer algo, acender sua própria velinha e deixar que ela dissipe um pouco a escuridão ao redor. Isto é o que temos que fazer e se fizermos somente este tanto, descobriremos que aquela vela será como uma estrela ardente para guiar-nos para o Cristo, na Sua próxima vinda. Então, teremos certeza de reconhecê-Lo, pois encontraremos a resposta dentro de nós. Diz-se que O conheceremos porque seremos como Ele e, como Ele não tem Corpo Denso para vir, temos que desenvolver aquele veículo da alma, o soma psuchicon. Para que nós possamos encontrá-Lo quando Ele aparecer, mas deveremos estar trajados com o “Dourado Manto Nupcial”.
F I M
[1] N.T.: Jo 15:14
[2] N.T.: Mt 11:28
[3] N.T.: Rm 8:18
[4] N.T.: Mt 24 4-36 e Mc 13:5-32
[5] N.T.: em um Corpo Denso
[6] N.T.: Mt 24:26
[7] N.T.: Mt 24:30; Lc 21:27 e Mc 13:26
[8] N.T.: Mt 24:37
[9] N.T.: Mt 24:36
[10] N.T.: Mt 25:35-36
As informações contidas nesse livreto foram trazidas das conferências e de outros escritos de Max Heindel e publicadas de tempos em tempos, em forma de revista ou trechos em livros.
Esse humilde esforço pretende ser uma inspiração para aqueles que tenham vislumbrados a Centelha de Luz e Amor Divinos, e que está se esforçando para alcançar aquela última meta que foi alcançada por Cristo Jesus a mais de dois mil anos no Gólgota.
O que Ele conseguiu, naquela ocasião, é a tarefa que se defronta a todos e a cada um de nós.
Quando tivermos submetido totalmente ao Eu Superior ou Cristo-interno, então virá a ressurreição ou a completa libertação da matéria.
Então, nós podemos dizer com Cristo: “Está consumado”.
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Há 4 meios de você acessar esse Livro:
1.Em formato PDF (para download ou imprimir):
Interpretação Mística da Páscoa – Max Heindel
2.Em formato de audiobook ou audiolivro:
Audiobook – Interpretação Mística da Páscoa – Max Heindel
3. Em forma de videobook ou videolivro no nosso canal do Youtube: https://www.youtube.com/c/TutoriaisEstudosFraternidadeRosacruzCampinas/featured
aqui:
Interpretação Mística da Páscoa – Max Heindel em videobook
4. Para estudar no próprio site:
INTERPRETAÇÃO MÍSTICA DA PÁSCOA
Por
Max Heindel
(1865-1919)
Compilado de vários escritos e conferências de um místico
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês, The Mystical Interpretation of Easter, editada por Max Heindel
1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
PREFÁCIO
As informações contidas nesse livreto provêm das conferências e escritos de Max Heindel, e foram publicadas uma e outra vez em forma de artigos de revista e/ou em livros. O Boletim Echoes, editado pela primeira vez em junho de 1913, por Max Heindel, contém uma grande quantidade de conhecimentos e sabedoria sobre esse e outros importantes acontecimentos de significado místico. Alguns capítulos sobre a Páscoa são, também, encontrados nos livros Coletâneas de um Místico e Ensinamentos de um Iniciado.
Esse humilde esforço pretende ser uma inspiração para aqueles que tenham vislumbrados a Centelha de Luz e Amor Divinos, e que está se esforçando para alcançar aquela última meta que foi alcançada por Cristo Jesus a mais de dois mil anos no Gólgota. O que Ele conseguiu, naquela ocasião, é a tarefa que se defronta a todos e a cada um de nós. Quando tivermos submetido totalmente ao Eu Superior ou Cristo Interno, então virá a ressurreição ou a completa libertação da matéria. Então, nós podemos dizer com Cristo: “Está consumado”.
ÍNDICE
UM ACONTECIMENTO DE SENTIDO MÍSTICO
O SIGNIFICADO CÓSMICO DA PÁSCOA
O SIGNIFICADO CÓSMICO DA PÁSCOA.
QUE FOI FEITO DO CORPO FÍSICO DE JESUS?
“Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém,
se não nasce dentro de ti, tua alma segue extraviada.
Olharás em vão a Cruz do Gólgota,
enquanto não fizeres um Gólgota de teu coração também”.
AngelusSilésius[1]
A canção popular de hoje, que todo mundo canta com entusiasmo, mas que é esquecida amanhã; o espetáculo que é levado à cena, talvez, cem noites seguidas, para depois ser abandonado e relegado ao pó, e todas as outras coisas que são evanescentes demonstram, claramente, que não tem um valor intrínseco. O brilho de uma estrela cadente ilumina o céu por um momento, mas embora o brilho das outras estrelas seja mais fraco e atraia menos a nossa atenção, suas luzes confortam ao caminhante, noite após noite, através dos tempos. Somente as canções que, por seu valor, são reproduzidas sempre de novo, cuja música não nos cansa nunca, têm realmente algo de valioso na vida. O mesmo acontece nos ciclos cósmicos que sempre se repetem, marcados pelas festas do ano. Como elas são recorrentes, sempre nos ensinam as mesmas antigas lições, sempre sob um novo ponto de vista.
O impulso de vida do Cristo Cósmico que entrou na Terra no último mês de setembro, manifestou-se no nascimento Místico no Natal e realizou sua maravilhosa magia de fecundação do mês de setembro até março e se libertou da cruz da matéria para ascender novamente ao trono do Pai, na Páscoa deixa a Terra coberta de uma glória verde dos próximos meses, pronta para as atividades físicas[1].
Como é em cima, assim também é em baixo. Os processos que se desenvolvem em larga escala na Terra manifestam-se, também, no ser humano. Durante os meses de setembro a março nós fomos completamente impregnados pelas vibrações espirituais que predominaram nos últimos meses, muito mais do que foi possível sob as condições mais materiais que prevalecem entre março e setembro. Chegou-nos em setembro com um novo impulso para a vida superior; culminou na Noite Santa, e sua magia trabalhou dentro de nós e em nossas naturezas na proporção que aproveitamos nossas oportunidades. De acordo com a nossa aplicação ou descuido no último período, o progresso será acelerado ou atrasado no próximo período, porque não existem palavras mais verdadeiras do que aquelas que nos ensinam que somos exatamente aquilo que fizermos de nós mesmos. O serviço que prestamos ou deixamos de prestar determina se a nova oportunidade, para um serviço maior, nos proporciona um impulso mais forte para cima; e não será nunca demais repetir que é inútil esperar libertação da cruz da matéria, antes que tenhamos usado nossas oportunidades aqui e, então obter uma mais ampla capacidade de sermos úteis. Os “cravos” que prendem a Cristo na Cruz do Calvário prendem você e eu, até que o impulso dinâmico de amor flua de nós em ondas e correntes rítmicas, tal como a maré de amor que, anualmente, entra na Terra, e a impregna com vida renovada.
Conhecemos a analogia entre o ser humano – que entra nos seus veículos, quando desperta pela manhã, vive neles e trabalha por meio deles, e a noite é um Espírito livre, livre da escravidão do Corpo Denso – e o Espírito de Cristo que mora em nossa Terra, uma parte do ano. Nós todos sabemos que grilhão e que prisão esse Corpo representa; como nós somos cerceados pelas doenças e sofrimentos, porque não existe ninguém que esteja sempre em perfeita saúde, de maneira que nunca estamos livres de sentir as ânsias de dor, pelo menos ninguém que esteja no estreito caminho espiritual.
A mesma coisa acontece com o Cristo Cósmico, que dirige Sua atenção para a nossa pequena Terra, focando Sua consciência neste Planeta, para que tenhamos vida. Ele tem que vitalizar esta massa morta (que nós mesmos cristalizamos fora do Sol) todos os anos; e isso é um grilhão, um peso e um aprisionamento para Ele. Esse é o motivo justo e próprio pelo qual devemos nos alegrar quando Ele chega à época doNatal, todos os anos, e nasce, novamente, no nosso mundo para nos ajudar a transformar para melhor essa massa informe, com a qual nos sobrecarregamos. Nossos corações, nessa época, devem voltar-se para Ele, em gratidão pelo sacrifício que Ele faz por nossa causa, durante os meses de: setembro, outubro, novembro e dezembro, permeando este Planeta com Sua Vida, para despertá-lo da hibernação, no qual permaneceria se não fosse Ele, pelo seu nascimento, para dar-lhe vida.
Durante os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro Ele sofre agonias de torturas, “gemendo, trabalhando e esperando pelo dia da libertação”[2], a qual chega no tempo em que nós falamos nas igrejas ortodoxas: Semana da Paixão, mas nós afirmamos que, de acordo com os ensinamentos místicos, essa semana é exatamente a culminação ou ponto mais alto dos Seus sofrimentos, e que Ele, então, sai de Sua prisão; e quando o Sol cruza o Equador, Ele é suspenso na Cruz, exclamando: “Consummatum est!” – “Está consumado!”[3]; ou “Está cumprido!”. Isto quer dizer que o Seu trabalho, para aquele dia, foi cumprido. Não é um grito de agonia, mas um grito de triunfo, um grito de alegria, pois a hora da libertação chegou e, mais uma vez, Ele pode se elevar, por mais um período, se livrando da prisão e do peso do nosso Planeta.
O ponto para o qual desejo chamar vossa atenção é que deveríamos nos alegrar com Ele, nessa grande, gloriosa e triunfante hora, a hora da libertação, quando Ele exclama: “Está cumprido”. Sintonizemos os nossos corações para esse grande acontecimento Cósmico; alegremo-nos com o Cristo, nosso Salvador, que o tempo de Seu sacrifício anual se completou, mais uma vez; sintamo-nos agradecidos, do fundo dos nossos corações, que Ele está, agora, prestes a ser libertado da prisão terrena; pois a vida que Ele imbuiu no nosso Planeta é suficiente para conservar-se até o próximo Natal.
A Natureza é a expressão simbólica de Deus. Por isso, quando queremos conhecer a Deus precisamos estudar a Natureza, lembrando-nos sempre que existe um propósito emtoda a manifestação; que a vida é uma escola e aprendendo suas muitas lições a humanidade evolui lentamente de uma chispa divina para a Divindade. Se tivéssemos aprendido as lições da vida, tal como nos foram dadas, não teria havido necessidade do grande sacrifício que foi feito e que é anualmente repetido pelo Espírito de Cristo, que é a personificação do Amor. Por egoísmo, desobediência às Leis e práticas do mal fomos cristalizando rapidamente, não somente nossos corpos, mas, também a Terra na qual vivemos, a um nível que ambos estavam se tornando inúteis como meios de evolução. Quando já não nos podíamos salvar dos resultados dos nossos próprios erros, o Cristo compassivo ofereceu a Si mesmo e o seu grande Poder de Amor para romper essas condições cristalizadas dos corpos humanos e da Terra. Durante três anos Ele ensinou a Humanidade pela palavra, pelo preceito e exemplo.
Quando Ele foi crucificado no Gólgota o seu Grande Sacrifício pela humanidade apenas começou. Cada ano, desde esse tempo, quando o Sol passa do Signo zodiacal de Virgem para o de Libra, o Espírito de Cristo, retornando à nossa Terra, toca a sua atmosfera. Ele começa a sua jornada de descida em torno de 21 de junho[4], no Solstício de Junho, quando o Sol entra no Signo de Câncer. Ele chega ao centro da nossa Terra à meia-noite de 24 de dezembro. Aí Ele fica por três dias e, depois, começa a voltar. Esta volta completa-se na Páscoa. Da Páscoa até o Solstício de Junho Ele está passando pelos Mundos Espirituais e chega ao Mundo do Espírito Divino, o Trono do Pai, a 21 de junho[5]. Durante julho e agosto, quando o Sol está em Câncer e Leão, Ele reconstrói o seu veículo Espírito de Vida, que Ele trará ao mundo, novamente, e, com esse veículo, Ele voltará a rejuvenescer a Terra e os reinos de vida que nela evolucionam. Do Natal até a Páscoa Ele se dá a Si mesmo sem limitações nem medida, imbuindo com vida, não apenas as sementes adormecidas, mas todas as coisas sobre e dentro da Terra.
Sem essa infusão da vida e energia Divinas, todos os seres viventes da nossa Terra morreriam imediatamente, e todo o progresso seria frustrado, no que concerne à nossa presente linha de desenvolvimento. Essa atividade germinativa da vida do Pai, que nos é trazida por Cristo e entregue amplamente no tempo da Páscoa, que renova o crescimento e intensifica a atividade na planta, no animal e no ser humano, nessa especial parte do ano. Cristo não deixa a Terra na Páscoa senão depois de dar de Si Mesmo até ao máximo. É, então, que a infusão de Sua Vida, junto com os raios quase verticais do Sol, faz as sementes germinarem; as árvores florirem; os pássaros acasalarem, dirigidos pelos seus Espíritos-Grupo, e construírem seus ninhos. A humanidade, então, é fortificada e imbuída com a energia e a coragem necessárias para enfrentar, aproveitar e crescer por meio das experiências inesperadas providas pelos diversos e perplexos problemas da vida.
Para aqueles que se decidiram trabalhar consciente e inteligentemente com a Lei Cósmica, a Páscoa tem um grande significado. Para eles significa a libertação anual do Espírito de Cristo das restrições dolorosas da Terra e Sua gloriosa ascensão ao mundo do Seu verdadeiro lar, para lá permanecer um período junto ao seio do Pai. E se os seus olhos estão verdadeiramente abertos eles podem ver as hostes Angélicas que O estão esperando, prontos para acompanhá-Lo na Sua viagem em direção ao céu; se os seus ouvidos estão sintonizados com os sons celestiais, eles ouvem os coros celestiais cantando Seu louvor e hosanas jubilosos, elevados ao Deus Altíssimo.
Para as almas iluminadas a Páscoa traz uma profunda compreensão do fato de que toda a humanidade é peregrina na Terra; que a verdadeira pátria do Espírito são os Mundos Espirituais e para alcançar esse reino devemos nos esforçar em aprender as lições da escola da vida o mais rápido possível, de maneira que possamos ser capazes de ver para o amanhecer de um dia que nos liberaremos, permanentemente, da escravidão da Terra. Então, da mesma forma como o Cristo libertado, chegaremos a uma realização dessa gloriosa imortalidade, como recompensa da conquista do Espírito perfeito. Para as almas iluminadas, a Páscoa simboliza o amanhecer de um dia feliz, quando toda a humanidade, semelhante ao Cristo, será permanentemente livre das restrições materiais, e ascenderão aos Reinos celestes, tornando-se pilares de força na Casa do Pai, de onde não mais sairão.
Para onde eu vou não podes agora seguir-me; mas
depois me seguirás … Aquele que crê em mim
também fará as obras que eu faço
e as fará maiores do que estas.
Jo 13:36; 14:12
Se fôssemos a uma igreja ortodoxa num Domingo de Páscoa, provavelmente ouviríamos a história de Jesus, o Filho de Deus, concebido sem pecado e que, com a idade de 30 anos, assumiu um sacerdócio que durou três anos e que terminou em crucificação e morte por nós; que através de seu sangue podemos ser salvos. Provavelmente, poderíamos ouvir, também, que no dia da Páscoa ele levantou-se novamente dos mortos, subindo depois para o Pai onde está agora sentado à direita da majestade de Deus, de onde retornará para julgar os vivos e os mortos na última Ressurreição.
Porém, mesmo sabendo – em virtude de podermos ler na Memória da Natureza – que Jesus viveu e morreu, que teve uma missão mística da máxima importância para a evolução humana e que os principais acontecimentos daquela grande vida se deram realmente conforme relata o Evangelho, sabemos também que a missão do Cristo Místico é algo infinitamente mais gloriosa do que aquilo que já penetrou no coração dos que conhecem apenas a interpretação ortodoxa dos Evangelhos.
Em primeiro lugar, a festa da Ressurreição, chamada Páscoa, não comemora simplesmente a ressurreição de um indivíduo, mas significa um evento cósmico. Seria extrema tolice celebrar-se a morte e ressurreição de uma pessoa, ocorrida em certo dia do ano, com uma festa móvel que é determinada pelas posições do Sol e da Lua no Signo zodiacal de Áries, o carneiro ou cordeiro.
Cada ano uma onda espiritual de vitalidade invade a Terra no Solstício de Junho, a fim de despertar a semente que hiberna no solo gelado e infundir nova vida ao mundo em que vivemos. Este trabalho se processa durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, enquanto o Sol transita pelos Signos zodiacais de Capricórnio, Aquário e Peixes. Então, ele cruza o equador celestial vindo do Sul, onde esteve durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro; esse cruzamento ou crucificação (crucifixão) é então relacionado, cosmicamente, com a sua entrada no Signo de Áries, o carneiro ou cordeiro. Então, o Sol se eleva para os Signos dos céus setentrionais a fim de promover, com seus raios aquecedores, o crescimento da semente no solo já revitalizada pela onda de vida Crística nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Sem essa onda mística anual de energia vital oriunda do Cristo Cósmico, a vida física seria uma impossibilidade. Sem ela não poderia haver nem pão e vinho físicos, nem a transubstanciada tintura espiritual, preparada pela alquimia vinda do sangue do coração do Discípulo.
O cordeiro foi morto quando da fundação do mundo da Época Ária, em que agora vivemos. Seu sangue foi o símbolo que salvou da morte o povo escolhido de Deus quando este deixou o lendário Egito, a pátria de adoração do boi Touro ou Apis. A partir dali, tornou-se idolatria para todos os que haviam sido salvos pelo sangue do cordeiro, adorar o bezerro de ouro, pois as velhas Religiões do boi Touro tinham sido superadas pela Religião do cordeiro, quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, deixou o Signo de Touro e entrou no Signo celestial de Áries, o cordeiro ou carneiro. Completado o tempo em que o Sol, por Precessão dos Equinócios, havia alcançado os sete graus no Signo do carneiro, Cristo veio no corpo de Jesus para estabelecer um novo pacto sob o selo e símbolo dos místicos pão e água da vida. Mas o Cordeiro de Deus precisava morrer, e isto aconteceu individualmente quando Cristo deixou o corpo de Jesus e, cosmicamente quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, saiu do Signo de Áries. Então um novo símbolo precisava ser dado àqueles que seriam os mensageiros durante a entrante Era de Peixes, por conseguinte, Ele, Ele próprio representou na última ceia do cordeiro do sacrifício. O pão e a água da vida foram dados como símbolo do seu corpo e do seu sangue, devendo ser usados para recordá-Lo durante a próxima Era. Há, portanto, uma ligação entre o vinho místico e o sangue, como também entre o pão místico e o corpo, que precisamos compreender se quisermos conhecer o verdadeiro sentido místico da morte e da ressurreição.
Em sua evolução o ser humano recebeu o alimento apropriado ao desenvolvimento de cada um dos seus veículos. Um veículo como o nosso corpo físico, formado de compostos químicos, só pode ser nutrido com substâncias químicas. Analogamente, só Espírito pode atuar sobre Espírito, portanto o vinho foi acrescentado à dieta do ser humano para ajudá-lo a dissolver as pesadas moléculas da carne e estimulá-lo na batalha da existência. A isto se refere à história de Noé (Gn 9:2-20), o qual com seus seguidores, representa a humanidade na era do arco-íris em que a assim chamada “dieta mista” e o vinho constituem a alimentação necessária à presente fase de evolução.
Fortalecido pela Mente carnívora e pelo Espírito do álcool, o ser humano se afastou cada vez mais do caminho da fraternidade, pois nutrindo-se com o mesmo alimento dos carnívoros ele se tornou necessariamente tão feroz quanto um animal predador, passando a caçar instintivamente ao seu próprio semelhante. Enquanto o sistema de procriação e casamento dentro da mesma tribo prendia-o firmemente aos seus companheiros de clã, ele ao menos demonstrava amá-los. Mas desde que os casamentos intertribais entraram em voga e ele começou a emancipar-se gradativamente do Espírito de raça, passou a saquear, ao próprio ser humano e até à própria família. O egoísmo tomou-se ilimitado, nada mais foi sagrado aos olhos cobiçosos, e cada ser humano passou a viver em guarda contra todos os outros. Além da ação que tais coisas trazem, não há descanso, não há paz duradoura nem felicidade na senda da paixão e da autogratificação. Portanto, chega a hora em que o ser humano deseja um fim permanente para os seus sofrimentos mais do que qualquer outra coisa, e aí começa a buscar o caminho da paz, que é também o caminho da pureza e da abnegação. Então ele é introduzido nos mistérios do Gólgota, do Sangue Purificador e da Cruz das Rosas, como segue:
Purificar o sangue do egoísmo é o Mistério no Gólgota. O processo começou quando o sangue de Jesus foi derramado e continuou através das guerras entre nações Cristãs todas as vezes que o ser humano lutou por um ideal, e prosseguirá até que o contraste entre os horrores da guerra e a beleza da fraternidade tenham impressionado suficientemente a espécie humana. Abaixo de nós na escala da evolução estão os vegetais e os animais, acima estão os deuses. Anatomicamente nós pertencemos ao reino animal e, em nossas vidas passadas, vivemos abaixo da nossa condição de humanos. Como os animais, gratificávamos nossos desejos sexuais e nossos apetites, mas enquanto aqueles eram mantidos sob controle por um sábio Espírito-Grupo nós não exercemos nenhum domínio sobre os nossos desejos, pelo que a doença, a dor e o sofrimento tornaram-se o nosso quinhão. Agora, contudo, aspiramos palmilhar a senda da paz em direção à serena felicidade dos deuses. Para isso devemos nos tomar como as plantas, isto é, puros e sem paixões. Consideremos o antigo Templo de Mistérios Atlante, também chamado “O Tabernáculo no Deserto”. Na velha Dispensação, quando a carne oferecida em sacrifício pelos pecados era queimada sobre o altar do sacrifício, seu odor elevava-se aos céus como um atestado da repugnante natureza da transgressão, da paixão e da impureza. Mas dentro do Tabernáculo havia o candelabro de sete braços, que queimava a essência das oliveiras sem desprender odor desagradável. Toda carne foi concebida sob a paixão e o pecado, mas a geração da planta é pura e imaculada. Por conseguinte, a flor aromática, especialmente a rosa vermelha, mantém-se em simbólica e direta oposição à carne corrompida. A flor é o órgão gerador da planta. Ela nos diz que a concepção sem mácula, em amor e pureza, é o caminho da paz e do progresso. Em Sua última reunião com seus Discípulos, Cristo estabeleceu os símbolos do novo pacto, do Testamento: deu-lhes pão para comer, simbolizando o Seu corpo, e a taça simbolizando o Seu sangue. Não uma taça comum para qualquer líquido, nem que o líquido por si só tivesse o poder suficiente para ratificar o novo pacto. O mistério jaz no fato de que a taça e seu conteúdo eram partes essenciais e necessárias de um sublime todo. O nome que designava essa taça mística em latim era “Calix”, em grego era “Poterion”.
Na velha Dispensação só a água era usada nos serviços do templo, mas com o tempo o vinho tornou-se um fator na evolução humana. Um deus do vinho – Baco – passou a ser adorado, e orgias da mais brutal natureza eram celebradas para que, sufocando as aspirações do Espírito, o ser humano se voltasse mais para a conquista do Mundo Físico. Mesmo sob a Dispensação mosaica os sacerdotes eram rigorosamente proibidos de usar o vinho enquanto oficiassem no templo, mas Cristo em sua primeira aparição em público mudou a água em vinho, aprovando deste modo o seu uso na ordem de coisas então existentes. Note-se, todavia, que isso foi feito em público, e que esse foi Seu primeiro ato como sacerdote do povo, mas na última reunião esotérica de Cristo com Seus Discípulos, quando o novo pacto foi dado, não havia nem carne de carneiro (Áries) – conforme estabelecia a ordem Mosaica – nem vinho, mas tão somente pão, um produto vegetal e o cálice do qual falaremos após ouvirmos as palavras que Ele proferiu naquela ocasião: “Não mais beberei deste fruto da videira até o dia em que hei de beber, novo, convosco no Reino dos Céus”[6]. O suco novo, recém-espremido da uva, não contém o Espírito da fermentação e da decomposição, mas é um alimento vegetal nutritivo e puro. Por conseguinte, os seguidores da doutrina esotérica foram instruídos por Cristo a não consumirem alimentos cárneos nem alcoólicos.
Geralmente supõe-se que o cálice usado por Cristo na Última Ceia continha vinho, muito embora não haja fundamento bíblico para tal suposição. Existem três relatos dos preparativos para a Páscoa. Mesmo que Marcos e Lucas refiram-se aos mensageiros enviados a certa cidade em busca de um homem que carregava um cântaro de água, nenhum dos evangelistas diz que o cálice continha vinho. Além disso, investigações na Memória da Natureza mostram que a água é que foi usada, e no que diz respeito aos esoteristas o vinho não tinha mais vez. Daquele ato, data também a inauguração do movimento de temperança, pois tais mudanças cósmicas envolvem longos preparativos nos Mundos Espirituais internos antes que possam manifestar-se nas sociedades do Mundo externo. Assim, milhares de anos quase nada significam nesses processos.
O uso da água na Última Ceia também se harmoniza com os requisitos astrológicos e éticos. O Sol saía de Áries – o Signo do Cordeiro – e entrava em Peixes, um Signo de Água. Ia soar uma nova nota de aspiração. Na Era de Peixes entrante ia iniciar-se uma nova fase de soerguimento humano. A autoindulgência ia ser suplantada pela autonegação. O pão, a matéria da vida, que é feito do grão gerado imaculadamente, não estimula paixões como a carne, nem nosso sangue se agita tão apaixonadamente quando recebe água do que quando recebe vinho. Portanto, pão e água são os alimentos e símbolos apropriados aos ideais da Era Peixes-Virgem, pois representam pureza. A Igreja Católica dá aos seus fiéis a água de Peixes na porta dos templos, como dá também o pão da Virgem no altar, mas nega-lhes o cálice de vinho do ofício. Todavia, as considerações acima não conduzem no âmago do mistério oculto no “Cálice do Novo Pacto”.
A taça de vinho velho, que nos foi dada no início da Época Ária – terra da geração – estava cheia de destruição, morte e veneno, de modo que a palavra que então aprendemos a falar é morta e destituída de poder.
A taça de vinho novo, mencionada como o ideal da futura época – a Nova Galileia (não a confundir com a Era de Aquário) – é um órgão etérico construído no interior da cabeça e da garganta pela força sexual economizada, o qual órgão é visto pelos Clarividentes como a haste de uma flor que ascende da parte inferior do tronco. Este cálice, ou taça-semente, é verdadeiramente um órgão criador capaz de emitir a palavra, a vida e o poder.
A palavra atual é produzida por movimentos musculares rudimentares que combinam laringe, língua e lábios de tal modo que a passagem do ar saído dos pulmões gera determinados sons. Mas o ar é um veículo pesado, difícil de mover-se, comparado as forças mais sutis da Natureza como a eletricidade, que se propaga no Éter, de modo que, quando este órgão tiver alcançado pleno desenvolvimento, ele terá o poder de falar a palavra da vida e infundir vitalidade nas substâncias que até ali estiverem inertes. Este órgão está sendo agora construído por nós, através do serviço.
Recorde-se que Cristo não deu o cálice ao povo, mas sim aos Seus Discípulos, Seus mensageiros e servos da Cruz. Nos dias atuais, aqueles que bebem do cálice da auto-abnegação para poderem usar a força no serviço aos outros estão construindo esse órgão e, também, o Corpo-Alma, que é o traje nupcial. Estão aprendendo a usá-lo aos poucos, como Auxiliares Invisíveis, quando fora de seus corpos à noite precisam emitir a palavra de poder para dissipar doenças e produzir tecidos sadios.
Quando a Época Atlante se aproximava do seu fim e a humanidade abandonava o lar de sua infância, onde viveu sob a orientação direta de Guias Divinos, o velho pacto foi feito dando ao ser humano carne e vinho, e estes dois elementos, juntamente com o uso descontrolado da força sexual, tornaram a Época Ária uma era de morte e destruição. Agora estamos nos aproximando do fim dessa era. Estamos em busca do Reino dos Céus, da Nova Galileia, e a fim de preparar-nos para essa época. Cristo nos deu o pão e a água da vida, ordenando-nos ao mesmo tempo não cedermos a luxúria. Tendo feito este novo pacto, Ele foi para a cruz da libertação, deixando atrás de Si o corpo da morte e pairando nas alturas em um veículo de vida, o Corpo Vital. Mas Ele deu aos Seus seguidores a certeza de que, embora eles não O pudessem seguir então ao lugar para onde ia, mais tarde o seguirão. Cada pessoa é um Cristo-em-formação e algum dia acontecerá a “Páscoa” para cada um de nós.
“Toda a vida de Cristo foi uma cruz e um martírio,
e tu buscas para ti mesmo folga e prazer? Quanto
maior o avanço espiritual de um indivíduo mais
pesadas as cruzes com que ele se depara frequentemente,
pois as dores do seu desterro aumentam
com o fortalecimento do seu amor”.
Thomas de Kempis[7]
Na manhã da Sexta-Feira Santa de 1857, Richard Wagner[8], o maior artista do século dezenove, sentou-se à varanda de uma vivenda suíça que se debruçava às bordas do lago de Zurich[9]. O panorama que se descortinava ao redor estava banhado por um glorioso brilho do Sol; paz e boa vontade pareciam vibrar por toda a Natureza. A criação inteira palpitava de vida e o ar estava carregado da deliciosa fragrância dos bosques de pinho – bálsamo gratificante para um coração atormentado e uma Mente agitada.
Então, de súbito, como um raio caído do céu azul, surgiu na alma profundamente mística de Wagner a lembrança do execrável significado daquele dia – o mais sombrio e mais doloroso do ano Cristão. Essa lembrança o inundou de tristeza, pelo contraste com o que via. Era uma incongruência marcante entre o alegre cenário que tinha diante de si, a clara atividade notável da Natureza, em luta pela renovação da vida após o longo sono hibernal, e o mortal esforço do Salvador torturado na cruz; entre os gorjeios plenos de vida e amor dos milhares de cantores de pena do bosque, na charneca e no prado, e os hediondos gritos de ódio duma turba enfurecida que insultava e zombava do mais nobre ideal que o mundo já conheceu; entre a maravilhosa energia criadora manifestada pela Natureza na primavera[10] e o elemento destruidor no ser humano, que assassinou o caráter mais nobre que já agraciou a Terra.
Enquanto Wagner meditava assim sobre os paradoxos da vida, ocorreu-lhe a pergunta: “há alguma relação entre a morte do Salvador por crucificação, na Páscoa, e a energia vital que se manifesta tão abundantemente na primavera quando a Natureza começa a vida de um novo ano?”.
Mesmo que Wagner não percebesse, conscientemente, o significado total da relação entre a morte do Salvador e o rejuvenescimento da Natureza, não obstante ele havia dado com a chave de um dos mais sublimes mistérios com que o Espírito humano já deparou em sua peregrinação da Terra à Deus.
Na noite mais escura do ano, quando a Terra dorme mais profundamente no abraço do frio Boreal, quando as atividades materiais descem ao nível mais baixo, uma onda de energia espiritual transporta em sua crista a “Palavra do Céu”, divina e criadora, para um nascimento místico no Natal. Então, como uma nuvem luminosa, o impulso espiritual paira sobre o mundo que “não o conheceu”[11] porque ele “brilha nas trevas”[12] do inverno, quando a Natureza está paralisada e muda.
Essa divina “Palavra” criadora contém uma mensagem e tem uma missão. Nasceu para “salvar o mundo”[13] e “para dar sua vida pelo mundo”. Deve, necessariamente, sacrificar sua palavra para conseguir o rejuvenescimento da Natureza. Gradativamente sepulta-se na Terra e passa a infundir sua própria energia vital nas milhões de sementes que jazem adormecidas no solo. Sussurra a “palavra de vida” nos ouvidos dos animais e pássaros, até que o evangelho das boas novas tenha sido pregado a todas as criaturas. O sacrifício se completa totalmente na época do ano em que o Sol cruza seu nódulo oriental no Equinócio de Março. Então a divina palavra criadora expira. Em um sentido místico, ela morre na cruz da Páscoa, emitindo um último brado de triunfo: “Está Consumado”[14] (Consummatum est).
Porém, do mesmo modo que o eco volta a nós, muitas vezes, repetido, assim também o canto celestial de vida se repete sobre a Terra. A criação inteira entoa um cântico de louvor, que é repetido sem cessar pelo coro de uma legião de línguas. As pequeninas sementes no seio da Mãe Terra começam a germinar, brotando e despontando em todas as direções, e logo um maravilhoso mosaico de vida, um tapete verde aveludado bordado de flores multicores, toma o lugar da mortalha do imaculado branco gelado. Dos animais de pelo e pena, em todos a palavra de vida ressoa como uma canção de amor, impelindo-os ao acasalamento. Geração e multiplicação é o lema em toda parte – o Espírito libertou-se para uma vida mais abundante.
O ser humano é uma miniatura da Natureza. O que acontece em grande escala na vida de um Planeta, como a nossa Terra, ocorre em escala menor ao longo da vida do ser humano. Um Planeta é o corpo de um grande, maravilhoso e exaltado Ser, um dos Sete Espíritos diante do Trono (do Pai Sol). O ser humano também é um Espírito “feito à sua imagem e semelhança”. Assim como um Planeta gira em seu caminho cíclico ao redor do Sol, de onde é emanado, assim também o Espírito humano se move numa órbita em volta de sua fonte central – Deus. Sendo elípticas as órbitas planetárias, possuem pontos muitíssimo próximos e pontos extremamente afastados dos seus centros solares. De maneira análoga, a órbita do Espírito humano é elíptica. Nós estamos mais perto de Deus quando nossa jornada cíclica nos leva à esfera de atividade celeste – o Céu – e estamos mais separados d’Ele durante a vida terrena. Tais mudanças são necessárias ao nosso crescimento anímico. Assim como as festividades do ano assinalam o caráter repetitivo de acontecimentos importantes na vida de um Grande Espírito, do mesmo modo nossos nascimentos e mortes são fatos de repetição periódica. É tão impossível para o Espírito permanecer definitivamente no Céu ou na Terra como o é para um Planeta deter-se em sua órbita. A mesma imutável lei de periodicidade que determina a ininterrupta sequência das estações, a alternação do dia com a noite e os fluxos e refluxos das marés, governa também a marcha progressiva do Espírito humano tanto no Céu quanto na Terra.
Dos domínios de luz celestial onde vivemos em liberdade, sem as limitações do tempo e do espaço, onde vibramos em uníssono com a infinita harmonia das esferas, nós descemos para nascer no Mundo Físico, onde nossa visão espiritual torna-se obscurecida pela corda enrolada que nos agrilhoa a esta fase de limitações da nossa existência. Vivemos uns tempos aqui, depois morremos e subimos aos céus, para renascer e morrer outra vez. Cada vida terrena é um capítulo da história seriada da vida, extremamente humilde em seu começo, mas crescendo em interesse e importância à medida que ascendemos para estágios de responsabilidade humana, cada vez mais altos. Nenhum limite é concebível, pois somos divinos em essência e, portanto, temos latentes em nós as infinitas possibilidades de Deus. Quando tivermos aprendido tudo o que este mundo tem para ensinar-nos, uma órbita mais ampla, uma esfera maior de utilidade sobre-humana, abrir-se-á às nossas maiores capacidades.
“Mas, e Cristo?” – Pode alguém perguntar. “Você não acredita n’Ele? Você está discorrendo sobre a Páscoa, o feriado que comemora a morte cruel do Salvador e Sua gloriosa e triunfante ressurreição, todavia parece referir-se a Ele mais como uma alegoria que como um fato.”.
Certamente nós cremos em Cristo; amamo-Lo de todo o coração e com toda a nossa alma, mas queremos enfatizar a crença de que Cristo é a primícia da raça. Ele disse que nós poderíamos fazer as coisas que Ele fez, “e maiores ainda”. Portanto, somos Cristos-em-formação.
Estamos muito habituados a buscar um Salvador externo ao mesmo tempo que abrigamos um demônio interno, mas até que Cristo seja formado EM NÓS, conforme disse São Paulo, buscaremos em vão, porque assim como é impossível para nós percebermos a luz e a cor ao nosso redor sem o registro de suas vibrações pelo nosso nervo ótico, e assim como permanecemos inconscientes do som quando o tímpano dos nossos ouvidos está insensível, do mesmo modo permanecemos cegos à presença de Cristo e surdos à Sua voz enquanto não despertarmos nossa natureza espiritual interna. No entanto, uma vez despertada essa natureza espiritual, o Senhor do Amor se revela como uma realidade primordial, baseado no princípio de que, fazendo-se vibrar um diapasão, outro diapasão de mesmo tom começará também a vibrar, enquanto outros de tons diferentes ficarão mudos. Por isso Cristo disse que Suas ovelhas conheciam-No pelo som de Sua voz, à qual respondiam, mas não ouviam a voz do estranho (Jo 10:5). Não importam nossos credos, todos somos irmãos de Cristo, portanto regozijemo-nos: o Senhor ressuscitou! Busquemos a Ele e esqueçamos nossos credos e outras diferenças de menor importância.
O sinal da Cruz estará no céu quando o Senhor
vier para julgar. Então, todos os que servem a
Cruz e que na vida se tenham harmonizado com o
Crucificado poderão aproximar-se de Cristo com
toda coragem.
Thomas de Kempis
Mais uma vez chegamos ao ato final do drama cósmico que envolve a descida do Raio solar de Cristo ao interior da matéria de nossa Terra, o qual se completa no nascimento místico celebrado no Natal e na Morte Mística e Libertação, celebradas logo após o Equinócio de Março, quando o Sol do novo ano inicia sua ascenção às esferas superiores dos céus setentrionais, depois de verter sua vida para salvar a humanidade e revigorar todas as coisas sobre a Terra. Nessa época do ano uma nova vida, uma energia intensificada, circula com força irresistível nas veias e artérias de todos os seres vivos, inspirando e instilando neles novas esperanças, novas ambições e nova vida, e impelindo-os a novas atividades pelas quais possam aprender novas lições na escola da experiência. Consciente ou inconscientemente, tudo o que tem vida beneficia-se desse manancial de energia fortalecida. Até a planta responde por um aumento de circulação de seiva, que resulta em uma renovação de folhas, flores e frutos, meios pelos quais esta classe de vida expressa-se a si mesma e evolui para um estado superior de consciência.
Mas ainda que maravilhosas sejam essas manifestações físicas externas, e ainda que possa ser chamada de gloriosa essa transformação da Terra de um deserto de neve e gelo em um formoso jardim florido, isso é insignificante diante das atividades espirituais paralelas que se efetuam ao mesmo tempo. As características salientes do drama cósmico são idênticas em termos de época com os efeitos materiais do Sol nos quatro Signos Cardeais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio), porque os eventos mais significativos ocorrem nos pontos equinociais e solsticiais.
Realmente, é de fato verdadeiro que “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[15]. Fora d’Ele não poderíamos existir; vivemos por e através de Sua vida; movimentamo-nos e agimos por e através de sua fortaleza; é o Seu poder que sustenta nossa morada, a Terra, e sem Seus incessantes e invariáveis esforços o universo desintegrar-se-ia por si mesmo. Sabemos que o ser humano foi feito à semelhança de Deus, e nos é dado compreender que, consoante a lei de analogia, possuímos internamente certos poderes latentes idênticos àqueles que vemos tão poderosamente manifestados pela Deidade na obra do universo. Isso desperta, em nós, um particular interesse no drama cósmico anual em que envolve a morte e ressurreição do Sol. A vida do Deus-Homem, Cristo-Jesus, foi moldada de conformidade com a história solar e prenuncia, de modo idêntico, tudo o que pode acontecer ao Homem-Deus, a quem Cristo-Jesus profetizou quando disse: “As obras que eu faço vós fareis também, e maiores ainda[16]; para onde vou agora vós não podeis ir, mas depois podereis seguir-me”[17].
A Natureza é a expressão simbólica de Deus. Ela nada faz em vão ou arbitrariamente, mas existe um propósito por trás de todas as coisas e de todos os atos. Por conseguinte, devemos estar alertas e considerar cuidadosamente os sinais nos céus, porque eles possuem um significado profundo e importante referentes às nossas próprias vidas. A compreensão inteligente desses propósitos capacita-nos a trabalhar mais eficazmente com Deus em Seus maravilhosos esforços para emancipar nossa raça da escravidão das leis da Natureza e, mediante essa liberação, alcançarmos a plena estatura de filhos de Deus, coroados de glória, honra e imortalidade; livres do poder do pecado, da doença e do sofrimento que agora encurtam nossas existências terrenas em razão de nossa ignorância e de inconformidade às leis de Deus. O propósito divino visa essa emancipação, e ser ela conseguida através do longo e tedioso processo evolutivo ou ser alcançada através do caminho muitíssimo mais curto da Iniciação, isso depende da nossa vontade de cooperar ou não. A maioria da humanidade atravessa a vida com olhos que não veem e ouvidos que não ouvem. Segue absorvida em seus negócios materiais, comprando e vendendo, trabalhando e divertindo-se sem a devida apreciação ou compreensão dos propósitos da existência e, ainda que tais propósitos se tornassem claros, é provável que dificilmente se conformasse em virtude do sacrifício que isso envolve.
Não é de estranhar que Cristo chame especialmente o pobre e enfatize a dificuldade do rico entrar no Reino dos Céus, pois mesmo hoje, quando a humanidade já avançou dois milênios na escola da evolução desde aquela data, vemos que a grande maioria ainda dá mais valor às suas casas e terras, às suas roupas e chapéus, aos prazeres sociais, festas e banquetes do que aos tesouros celestiais, que se juntam pelo serviço aos outros e sacrifício de si mesmo. Ainda que essa maioria possa perceber intelectualmente a beleza da vida espiritual, a conveniência desta torna-se insignificante aos seus olhos quando comparada ao sacrifício exigido para alcançá-la. Como o moço rico, ela seguiria, voluntariamente, a Cristo não fora a necessidade de tanto sacrifício. Prefere ir-se quando percebe que o sacrifício é a única condição para ingressar-se no discipulado. Portanto, para tais pessoas a Páscoa não é mais que uma ocasião de regozijo porque se trata do fim de um momento especial e começo de outro momento especial diferente, que convida manifestações de alegrias.
Mas para aqueles que escolheram, definitivamente, a senda do auto sacrifício que conduz à libertação, a Páscoa é o sinal anual que evidencia as bases cósmicas de suas esperanças e aspirações.
No Sol da Páscoa, que no Equinócio de Março começa a percorrer os céus setentrionais, após verter sua vida na Terra, temos o símbolo cósmico da veracidade da ressurreição. Quando o consideramos como um fato cósmico enquadrado na lei de analogia, que relaciona o macrocosmo com o microcosmo, o importante é saber que algum dia alcançaremos a consciência cósmica e conheceremos positivamente por nós mesmos, por nossa própria experiência, que a morte não existe, mas o que isso parece é apenas uma transição para uma esfera mais sutil.
É um símbolo anual para fortalecer as nossas almas no afã das boas-obras, para que possamos tecer o manto dourado nupcial requerido para converter-nos em filhos de Deus no sentido mais elevado e mais santo. É literalmente verdadeiro que enquanto não andarmos na luz, como Ele na luz está, não seremos fraternais uns com os outros. Mas, fazendo sacrifícios e prestando os serviços que se requerem de nós para ajudar na emancipação da raça humana, estamos assim construindo um Corpo-Alma de radiante luz dourada, que é a substância especial emanada do e pelo Espírito do Sol, o Cristo Cósmico. Quando esta substância dourada nos envolver com densidade suficiente, então seremos capazes de imitar o Sol da Páscoa e pairar em esferas mais elevadas.
Com esses ideais firmemente impressos em nossas Mentes, a época da Páscoa se converte em uma estação apropriada para revisarmos nossas vidas durante o ano que passou e tomarmos novas resoluções que adiantem nosso crescimento anímico até ao próximo. É uma época em que o símbolo do Sol ascendente deve levar-nos a uma compreensão profunda do fato de que na Terra não somos mais que peregrinos e forasteiros; que, como Espíritos, nossa verdadeira pátria é o Céu; e que devemos esforçar-nos para aprender as lições desta vida tão depressa quanto nos permitam os caminhos apropriados. O Dia da Páscoa marca a ressurreição e libertação do Espírito de Cristo dos planos inferiores, e essa libertação deve lembrar-nos de buscar continuamente a aurora do dia em que estaremos permanentemente livres das malhas da matéria, do corpo de pecado e morte, juntamente com todos os nossos irmãos em escravidão. Nenhum aspirante sincero poderia conceber uma libertação que não incluísse a todos que estivessem na mesma situação.
Esta é uma tarefa gigantesca. Enfrentá-la pode muito bem desalentar o mais valente coração, de modo que se estivéssemos sozinhos não poderíamos realizá-la, mas as Hierarquias Divinas, que têm guiado a humanidade no caminho evolutivo desde o começo da jornada, ainda estão ativas e trabalhando conosco desde os Mundos Espirituais siderais, de maneira que com sua ajuda seremos, oportunamente, capazes de conseguir o soerguimento da humanidade como um todo e alcançar uma condição individual de glória, honra e imortalidade. Com esta enorme esperança dentro de nós mesmos, com esta grande missão no mundo trabalhemos como nunca para sermos melhores homens e mulheres, de forma que, por nossos exemplos, possamos despertar nos outros o desejo de levar uma vida que conduza à libertação.
“Porque se morreres com Ele, também com Ele
viverás, e se partilhares dos Seus sofrimentos,
da Sua glória também partilharás”.
Thomas de Kempis
Outra vez a Terra alcança o Equinócio de Março, em seu movimento anual de translação em torno do Sol, e assim chegamos à Páscoa. O raio espiritual emitido pelo Cristo Cósmico nesse período, para reativar a esgotada vitalidade da Terra, está quase subindo de volta ao Trono do Pai. Às atividades espirituais de fecundação e germinação, levadas a efeito durante os últimos seis meses, seguir-se-ão os processos de crescimento físico e amadurecimento durante os próximos seis meses, sob a influência do Espírito da Terra. O ciclo termina no “Lar da Colheita”. Deste modo o grande Drama do Mundo é encenado e reencenado ano após ano, numa eterna disputa entre a vida e a morte, sendo cada uma por vez vencedora e vencida na sequência dos ciclos.
Os grandes fluxos e refluxos cíclicos não estão limitados em seus efeitos à Terra, à sua flora e fauna. Exercem igualmente uma influência dominante sobre a humanidade, mesmo que a grande maioria não se aperceba das causas que a impelem a agir numa e noutra direção. Não obstante, essa ignorância, permanece o fato de que a mesma vibração terrestre que adorna vistosamente as aves e outros animais nesses próximos três meses, responde também pelo desejo humano de se vestir com cores alegres e roupas mais claras nessa época do ano. É, também, “o apelo do silvestre campo”, que nos subsequentes três meses convida o ser humano a relaxar no meio rural, onde os Espíritos da natureza exercitaram suas artes mágicas nos campos e florestas, para recuperar-se da tensão das condições artificiais reinantes nas cidades congestionadas.
Por outro lado, é a “queda” do raio espiritual do Sol nos meses de setembro, outubro e novembro que causa o reinício das atividades mentais e espirituais nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. A mesma força germinadora que fermenta a semente na terra e a prepara para reproduzir sua espécie multiplicada, também ativa a Mente humana e fomenta atividades altruístas que tornam o mundo melhor. Caso essa grande onda de desprendido Amor Cósmico não culminasse no Natal, com vibrações de paz e boa-vontade, não poderia haver nenhuma sensação festiva em nossos corações de modo a gerar o desejo de fazer os outros igualmente felizes. O costume universal de dar presentes no Natal seria impossível, e todos nós sofreríamos essa perda.
Quando Cristo andava, dia após dia, pelas colinas e vales da Judeia e Galileia, ensinando às multidões, todos foram beneficiados. Mas Ele convivia mais com Seus Discípulos, e estes cresciam rapidamente cada dia. À medida que o tempo passava esses laços de amor estreitavam-se ainda mais, até que, um dia, mãos impiedosas tiraram o amado Mestre e o levaram a morte desonrosa. Contudo, mesmo que tenha morrido na carne, Ele continuou a conviver intimamente com Seus Discípulos por algum tempo, em Espírito. Mas por fim subiu às esferas superiores, perdendo-se assim o contato direto com Ele, e aqueles homens olharam-se tristemente, cara a cara e perguntaram-se: “É este o fim?”. Eles haviam esperado tanto, haviam alimentado tão elevadas aspirações que, apesar da verdejante paisagem continuar brilhante e beijada pelo Sol como antes de Sua Partida, a Terra parecia fria e monótona, pois sombria desolação oprimia os seus corações.
Algo semelhante também acontece conosco quando buscamos seguir o Espírito e lutar contra a carne, mesmo que a analogia não tenha sido aparente até aqui. Quando, nos meses de setembro, outubro e novembro a “queda” do raio Crístico começa anunciando a época da supremacia espiritual, logo o sentimos e começamos avidamente a banhar nossas almas nessa bendita maré. Experimentamos uma sensação semelhante à dos Apóstolos, quando andavam com Cristo, e à medida que os meses avançam torna-se cada vez mais fácil comungar com Ele, face a face, como antes. Mas, no curso anual dos acontecimentos, a Páscoa e Ascenção do raio de Cristo “ressuscitado” para o Pai, deixa-nos em idêntica posição à dos Apóstolos quando seu querido Mestre se afastou. Nós ficamos desolados e tristes, vemos o mundo como um deserto monótono e não podemos atinar com a razão de nossa perda, que é tão natural como os fluxos e refluxos das marés ou como os dias e as noites – fases da era atual dos ciclos alternados.
Existe um perigo nesta atitude mental. Se permitirmos que ela nos domine, é possível que abandonemos o nosso trabalho no mundo e nos convertamos em sonhadores desiludidos, percamos, nosso equilíbrio e provoquemos, contra nós, a crítica muito justa dos demais. Este tipo de conduta é inteiramente errado, pois, assim como a Terra emprega o seu esforço material para produzir abundantemente em um período, após haver recebido o ímpeto espiritual em outro período, é nosso dever, também, envidar os maiores esforços ao trabalho do mundo quando possuímos o privilégio de comunicar com o Espírito. Assim fazendo, é possível que despertemos nos outros o Espírito de emulação e o de reprovação.
Estamos acostumados a pensar no avaro como alguém que junta ouro, sendo essa classe de pessoas objeto de desprezo, de modo geral. Mas há indivíduos que lutam tão tenazmente para adquirir conhecimento, quanto se esforça o avaro para acumular ouro, não hesitando em usar qualquer meio ou subterfúgio para alcançar seu intento e guardando consigo seus conhecimentos, tão egoisticamente quanto o avaro guarda o seu tesouro. Não compreendem que por tal método eles fecham de fato as portas à uma sabedoria maior. A antiga teologia nórdica continha uma parábola que, simbolicamente, esclarece o assunto. Dizia que todos os que morriam no campo de batalha (as almas fortes que combateram o bom combate até o fim) eram levados ao Valhalla[18], a estar com os deuses, enquanto os que morriam na cama ou por doenças (as almas fracas, que vagavam pela vida) iam para o lúgubre Niflheim. No Valhalla, os valentes guerreiros banqueteavam-se diariamente com a carne de um javali chamado Scrimner, que se caracterizava por uma particularidade: sempre se cortava um pedaço de suas carnes, imediatamente outro crescia no lugar, de modo que seu corpo nunca era consumido, não importa quanto se cortasse dele. Isto simbolizava adequadamente o “conhecimento”, pois, não importa quanto dele possamos dar aos outros, o original sempre fica conosco.
Existe, portanto, certa obrigação de transmitirmos os conhecimentos que possuímos, pois “àquele a quem muito foi dado, muito lhe será pedido”[19]. Se acumularmos as bênçãos espirituais que temos recebido, o mal nos ronda, por isso imitemos a Terra nesta época da Páscoa. Externemos no Mundo Físico da ação, os frutos do Espírito semeados em nossas almas durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Habilitemo-nos a receber bênçãos cada vez maiores de ano para ano.
“E quando este corpo incorruptível se revestir de incorruptibilidade,
e o que é mortal se revestir de imortalidade,
e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória”.
ICor 15 :54
Para os nossos irmãos e irmãs do hemisfério norte passaram-se os sombrios e monótonos dias do inverno (meses de dezembro, janeiro e fevereiro). A Mãe Natureza remove o manto frio de gelo que cobre a terra, permitindo a milhões e milhões de sementes abrigadas no chão macio, romperem sua crosta e vestirem o solo com trajes de verão numa orgia de cores alegres e vistosas, preparando as “câmaras nupciais” para os animais e aves se acasalarem.
Na presente estação a Mente do mundo volta-se para a festividade que chamamos Páscoa, na qual se comemora a morte e ressurreição do nobre indivíduo que o mundo conhece pelo nome de Jesus, cuja história de sua vida foi escrita nos Evangelhos. Mas um Cristão Místico tem uma visão mais profunda e mais ampla desse evento cósmico que se repete anualmente. Para este, o que existe é uma impregnação anual da Terra com a vida do Cristo Cósmico. Uma inalação que tem lugar durante os meses de setembro, outubro, e novembro, culminando no Solstício de Dezembro, quando celebramos o Natal, e uma exalação que chega ao fim na época da Páscoa.
O drama cósmico de vida e morte é representada anualmente, por todas as criaturas e coisas evoluintes, da maior à menor, porque até o grande e sublime Cristo Cósmico, em Sua compaixão, torna-se sujeito à morte quando entra nas condições enclausurantes da Terra, em um período do ano. Por conseguinte, é oportuno recordar alguns pontos relativos à morte e renascimento que, às vezes, podemos esquecer.
Entre os símbolos cósmicos conservados desde a antiguidade, nenhum é mais comum que o do ovo. Acha-se em toda Religião. Encontramo-lo no Antigo Eddas dos Escandinavos, venerável pela idade, que nos fala do mundano esfriado pelo sopro gelado do Niebelheim, mas aquecido pelo hálito quente do Muspelheim, antes que os vários Mundos Espirituais e o próprio ser humano viessem a existir. Se nos voltarmos para o ensolarado sul, podemos achar nos Vedas da Índia a mesma história no mito Kalahansa, o Cisne do tempo e do espaço, o qual pôs o ovo que veio a ser, finalmente, o mundo. Entre os egípcios encontramos o globo alado e as serpentes ovíparas, simbolizando a sabedoria manifestada neste nosso mundo. Os gregos utilizaram esse simbolismo, reverenciando-o em seus Mistérios. Foi preservado pelos Druidas; tal símbolo era também conhecido dos construtores do grande outeiro da serpente, em Ohio; e conservou seu lugar na simbologia sagrada até hoje, muito embora a grande maioria de seres humanos seja cega ao grande mistério que ela encerra e revela – o mistério da vida.
Quando quebramos a casca de um ovo, achamos apenas fluídos viscosos de coloração variada e consistências diversas. Mas se submetido a uma temperatura adequada logo se dá uma série de mudanças e assim, em pouco tempo, uma criatura viva pode romper a casca e surgir pronta para assumir seu lugar entre os de sua espécie. Os magos dos laboratórios podem duplicar as substâncias do ovo e injetá-las numa casca de maneira que, conforme as experiências feitas até aqui, uma réplica perfeita do ovo natural pode ser produzida. Contudo, este difere do ovo natural em um ponto, isto é nenhuma coisa viva pode ser incubada no produto artificial. Fica evidente, portanto, que alguma coisa intangível deve estar presente em um e ausente em outro.
Esse mistério de todos os tempos que produz o ser vivo é que nós chamamos vida. Visto que a Vida não pode ser detectada em meio aos elementos do ovo, nem mesmo através do mais potente microscópio (ainda que ela ali esteja para produzir as mudanças que se notam), é de concluir-se que ela deve ser capaz de existir independentemente da matéria. Aprendemos, pois, através do sagrado simbolismo do ovo que, apesar da vida ser capaz de modelar a matéria, não depende, entretanto, desta para existir. Ela é autoexistente e não tendo princípio não pode também ter fim. Isto é simbolizado pela forma ovoide do ovo.
Quando nos apercebemos do verdadeiro conhecimento contido no simbolismo do ovo de que a vida nunca teve princípio e nunca terá fim, habilitamo-nos a criar coragem e admitir que aqueles que se retiram agora da existência física estão apenas atravessando uma jornada cíclica idêntica à da vida do Cristo Cósmico, vida que penetra a Terra no outono e a abandona na Páscoa. Vemos assim como a grande Lei da Analogia atua em todas as circunstâncias e em todas as fases da vida. O que acontece no grande mundo ao Cristo Cósmico verifica-se também nas vidas daqueles que são Cristos-em-formação.
Devemos admitir que a morte é uma necessidade cósmica nas atuais circunstâncias, porque se fôssemos aprisionados num corpo como o que agora usamos, e fôssemos colocados num ambiente tal e qual este em que nos encontramos hoje, para assim viver perenemente, as enfermidades do corpo e as condições insatisfatórias do ambiente bem cedo nos fariam cansar da vida e implorar por libertação. Isso impediria todo progresso e tornaria impossível para nós evoluirmos às alturas mais elevadas, tais como os que podemos alcançar por meio do nascimento em novos veículos e novos ambientes que nos permitam novas possibilidades de crescimento. Por conseguinte, devemos agradecer a Deus o fato de que, enquanto o nascimento em um corpo concreto tem sido necessário para um desenvolvimento futuro, a liberação pela morte tem sido proporcionada para libertar-nos do instrumento esgotado pelo uso; e a ressurreição e um novo nascimento sob o céu alegre de um novo ambiente fornecem-nos outras oportunidades para recomeçar a vida com a ficha limpa e aprender as lições que não conseguimos assimilar antes. Por este método seremos, algum dia, perfeitos como o Cristo ressuscitado. Ele assim determinou e nos ajudará a consegui-lo.
“Se alguém quiser vir após mim,
negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.
Mt 16:24
De acordo com uma antiga lenda, quando expulso do Paraíso, Adão levou consigo três mudas da árvore da vida, as quais, plantadas pelo seu filho Seth, vingaram e cresceram. De uma delas se fez mais tarde o cajado de Aarão, com o qual este operou milagres diante do Faraó. Outra foi levada ao Templo de Salomão para servir de pilar ou coisa semelhante ali, mas, como não serviu para nada no interior do edifício, foi então utilizada como uma ponte sobre um regato que corria fora do Templo. A terceira foi usada para fazer-se a cruz de Cristo, sobre a qual Ele sofreu por nós, libertou-se finalmente, penetrou na Terra e tornou-se o Espírito Planetário do nosso globo, no qual Ele agora sofre e geme esperando o dia da libertação.
Existe um grande significado nessa lenda antiga. A primeira muda da árvore representa o poder espiritual exercido pelas Hierarquias Divinas na infância da humanidade, isto é, um poder exercido por outrem para o nosso próprio benefício. A segunda era para ser usada no Templo de Salomão. Ninguém pode apreciá-la, exceto a Rainha de Sabá, nenhuma serventia foi achada para ela, pois o Templo de Salomão era a consumação das artes e ofícios e em uma civilização materialista nada que seja espiritual é apreciado. Os Filhos de Caim conseguiam sua salvação ao longo de linhas materiais, portanto não precisavam de poderes espirituais. Assim, “ela foi usada como ponte sobre o regato”. Sempre existiram almas – os reais, os verdadeiros Maçons Místicos – capazes de usar essa ponte que vai do visível ao invisível, e de voltarem ao Jardim do Éden; ao Paraíso, através da mesma. Foi a terceira muda da árvore da vida que deu a cruz de Cristo. Erguido naquela cruz foi que Ele conseguiu se libertar desta existência física e entrar nas esferas superiores. De modo semelhante nós também, ao tomarmos nossa cruz e segui-Lo, podemos desenvolver nossos poderes anímicos e ingressar numa esfera de maior utilidade nos Mundos invisíveis. Esforcemo-nos todos de modo que, dia após dia, sejamos encontrados de joelhos e vencedores, agarrados à cruz de Cristo para que, num dia não muito distante, possamos subir à nossa própria cruz e dali alcançarmos a gloriosa libertação, a ressurreição da vida da qual Cristo foi e continua sendo os primeiros frutos para toda alma crente. Esta é a autêntica, a verdadeira mensagem da Páscoa e devemos compreender que todos somos Cristos-em-formação, e que quando Cristo nasce real e verdadeiramente dentro de nós Ele então nos mostrará o caminho da cruz a partir da Árvore do Conhecimento pela qual conseguimos avançar. Essa cruz trouxe morte à Árvore da Vida no Corpo Vital, mas trouxe também a imortalidade.
“Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste Tabernáculo se desfizer,
temos da parte de Deus um edifício,
casa não feita por mãos, eterna, nos céus”.
IICor 5: 1
Que fim teve o Corpo Denso de Jesus, colocado no túmulo, mas não encontrado na manhã do domingo de Páscoa? E se o Corpo Vital de Jesus foi preservado para ser usado novamente por Cristo, como pode ele, Jesus, estar nesse meio tempo funcionando num Corpo Vital? Não teria sido mais fácil conseguir para Cristo, em Sua segunda vinda, outro Corpo Vital?
Essas perguntas foram respondidas assim, no “Ecos” de 1914[20]:
Estudos nas Escrituras revelam o fato de que Cristo costumava afastar-se de Seus Discípulos e que estes ignoravam para onde Ele ia nessas ocasiões ou, se não ignoravam, isso jamais foi mencionado. O motivo desses afastamentos, porém, era que, sendo Ele um Espírito tão glorioso, Suas vibrações eram demasiado elevadas mesmo para o melhor e mais puro dos veículos físicos, fazendo-se, portanto, necessário retirar-se deste veículo, frequentemente, para um período de completo repouso, de modo que o padrão vibratório de seus átomos pudesse baixar ou voltar ao normal. Por conseguinte, Cristo habitualmente buscava os Essênios em tais momentos, aos cuidados de quem deixava o Corpo, uma vez que eles eram peritos em lidar com o Corpo Denso. Cristo nada sabia de como tratar o veículo que recebera de Jesus. Não fora esses repousos e os cuidados recebidos, o corpo de Jesus ter-se-ia desintegrado bem antes de se haverem completado os três anos do Seu ministério, e assim o Gólgota não teria sido alcançado.
Quando o tempo se esgotou e o ministério terreno chegou ao fim, os Essênios pararam de intervir, então as coisas tomaram o seu curso natural e a tremenda força vibratória que atuava sobre os átomos físicos espalhou-os aos quatro ventos de modo que, quando o túmulo foi aberto poucos dias depois, nenhum sinal do corpo foi encontrado.
Isso se harmoniza perfeitamente com as leis naturais que conhecemos e com o seu modo de atuarem no Mundo Físico. A corrente elétrica de baixa potência queima e até mata, enquanto a alta voltagem pode atravessar o corpo sem prejudicá-lo. A luz, que possui elevadíssimo grau vibratório, é agradável e benéfica ao corpo, mas quando focalizada através de uma lente esse grau vibratório é reduzido, produzindo-se então o fogo que queima e destrói. De modo idêntico, quando Cristo, o Grande Espírito Solar, entrou no Corpo Denso de Jesus, reduzindo Seu padrão vibratório em virtude de resistência da matéria densa, tê-lo-ia queimado – como na cremação – caso não tivessem sido tomadas medidas para evitá-lo. A força era a mesma, os resultados idênticos, exceto num pormenor: o fogo que consumiu o corpo de Jesus não produziu cinzas, conforme aconteceria com o fogo comum que produz chamas. A propósito, é bom recordar que o fogo, embora invisível, encontra-se latente em todas as coisas. É verdade que não o vemos na planta, no animal ou na pedra, não obstante, ele ali está perceptível à visão interna e capaz de manifestar-se a qualquer momento na substância física em forma de chama.
Uma das nossas ilusões é a de que o corpo que habitamos é vivo. Isto de fato não acontece. Pelo menos a porção deste corpo que pode ser verdadeiramente chamada de viva é tão pequena que a afirmação acima é praticamente verdadeira. O resto dele existe absolutamente adormecido, se não inteiramente morto. Este fato é bem conhecido pela ciência e é algo que a razão nos demonstra ser verdade: nosso poder espiritual é tão pequeno que não pode dotar de vida este veículo por tempo suficientemente longo, de modo que, na medida em que nos incapacitamos para vitalizar o corpo, este começa a assemelhar-se a um pesado torrão de barro que devemos arrastar penosamente conosco até que alguns poucos anos depois ele se cristaliza a tal ponto que se nos torna impossível manter o trabalho vibratório por mais tempo. Então, somos forçados a abandoná-lo, e aí se diz que ele morre. Inicia-se, assim, um lento processo de desintegração que devolve o átomo à sua condição original de liberdade.
Confronte agora a condição das coisas quando um desses mesmos corpos terrenos é possuído por um poderoso Espírito como o de Cristo. Pode-se achar uma analogia com o caso de um indivíduo reanimado após um afogamento. Em tais casos o Corpo Vital se retira e a ação vibratória dos átomos físicos quase cessa, quando não para totalmente. Restauradas as condições que permitem ao Corpo Vital voltar a interpenetrar o corpo físico, aquele entra imediatamente a acionar e pôr em vibração todos os átomos deste. Esta tentativa de despertar os átomos inertes provoca aquela intensa e desagradável sensação de formigamento que o afogado descreve depois de reanimado, sensação que persiste até os átomos físicos alcançarem o grau vibratório de uma oitava abaixo daquele em que vibra o Corpo Vital. Chegado a esse ponto acaba a sensação, nada mais é sentido, salvo aquilo que se sente normalmente.
Agora consideremos o caso de Cristo entrando no Corpo Denso de Jesus, cujos átomos naturalmente moviam-se numa velocidade muito inferior àquela das forças vibratórias do Espírito Cristo. Consequentemente, uma aceleração tinha de acontecer, de tal maneira que, durante os três anos de ministério, essa notável aceleração de vibração desses átomos teria desintegrado o corpo não fora a atuação da poderosa vontade do Mestre para conservá-lo inteiro, reforçada pela habilidade dos Essênios. Se os átomos do corpo de Jesus estivessem adormecidos no momento em que Cristo dele se retirou – conforme ocorre aos nossos átomos quando abandonamos nossos corpos – um longo processo de putrefação ter-se-ia feito necessário para desintegrar aquele corpo. No entanto eles estavam altamente sensibilizados e vivos, portanto, era impossível ficarem presos após o Espírito ter-se retirado. Em futuras épocas, quando tenhamos aprendido a manter nossos corpos vivos, não precisaremos mudar átomos nem trocar de corpos tão frequentemente. Quando isso acontecer, o processo de putrefação não exigirá tanto tempo para se completar, conforme acontece presentemente. O sepulcro não foi fechado hermeticamente, portanto não podia oferecer obstáculo à passagem dos átomos.
Ao morrer o Corpo Denso de Jesus, os Átomos-semente retomaram ao seu primitivo dono. Durante os três anos de intervalo entre o batismo, em que ele renunciou a seus veículos, e a crucificação, quando pôde reaver os Átomos-semente, Jesus formou um veículo etérico, do mesmo modo que um Auxiliar Invisível junta matéria física sempre que se faça necessário materializar um corpo ou parte dele. Contudo, matéria que não corresponda ao Átomo-semente não pode ser utilizada de modo permanente: desintegra-se tão logo desapareça a força de vontade que a atraiu. Portanto, aquilo foi para Jesus apenas um expediente de ocasião. Quando o Átomo-semente do seu Corpo Vital retornou, então um novo corpo foi formado, e em tal veículo Jesus vem funcionando desde então, trabalhando com as igrejas. Nunca mais utilizou um Corpo Denso, embora seja perfeitamente capaz de fazer um. Presumivelmente isto se dá em virtude de seu trabalho ser totalmente desligado das coisas materiais e diferir diametralmente da obra de Christian Rosenkreuz, que tem muito a ver com problemas de governos, industriais e políticos, pelo que precisa de um corpo físico em que possa aparecer ao público.
A razão pela qual o Corpo Vital de Jesus é conservado para a segunda vinda de Cristo ao invés de Lhe providenciar um novo veículo pode ser encontrada em “Fausto”, mito que apresenta em sentido figurado grandes verdades espirituais de valor inestimável à alma sedenta. Fausto, em seu esforço para obter poder espiritual antes de merecê-lo, atrai um Espírito disposto a auxiliá-lo em seus desejos mediante uma compensação, pois em tal classe de Espírito o altruísmo é uma virtude que simplesmente não existe. Quando Lúcifer se volta para sair, nota apavorado a existência de um pentagrama diante da porta, uma das pontas em sua direção. Pede, então, a Fausto que retire dali o símbolo para que ele possa sair, ao que este lhe pergunta por que não sai pela janela ou pela chaminé. Lúcifer, relutantemente, admite que:
Para os fantasmas e Espíritos é lei
que por onde entramos, devemos sair.
Quando, no curso natural dos acontecimentos, o Espírito volta a nascer, ele entra no Corpo Denso pela cabeça, trazendo consigo os veículos superiores. Ao deixar o corpo à noite, sai pelo mesmo lugar, para reentrar do mesmo modo na manhã seguinte. O Auxiliar Invisível também sai do seu corpo e nele reentra da mesma maneira. E quando por fim nossa vida terrena chega a seu termo, é pela cabeça que saímos do nosso corpo pela última vez. Vemos, pois, que a cabeça é a porta natural do corpo e, por conseguinte, o pentagrama com uma ponta para cima é o símbolo da magia branca, que atua em harmonia com a lei de progressão.
O mago negro, que atua contrariamente à natureza, perverte a força da vida dirigindo-a para baixo, através dos órgãos inferiores. O portal da cabeça está fechado para ele, mas ele se retira pelos pés, o cordão prateado estendendo-se através dos órgãos inferiores. Portanto, foi fácil para Lúcifer entrar no gabinete de Fausto, pois o pentagrama com duas pontas voltadas para ele representava o símbolo da magia negra, mas ao tentar sair depara com uma só ponta em sua direção, e então se amedronta diante do sinal da magia branca. Ele só podia sair pela porta inferior porque por ali é que havia entrado, por isso ficou preso quando essa porta inferior foi bloqueada.
De maneira análoga, Cristo era livre para escolher Seu veículo para entrar na Terra onde agora se acha confinado, mas uma vez escolhido o veículo de Jesus a este ficou limitado como único meio de sair dela. Se esse veículo houvesse sido destruído, Cristo teria de ficar enclausurado no globo até que a Terra se dissolvesse no caos. Isso seria uma calamidade imensurável, portanto o veículo usado por Ele está sendo guardado com o máximo cuidado pelos Irmãos Maiores.
Nesse meio tempo Jesus perdeu todo o crescimento anímico alcançado durante seus trinta anos na Terra, antes do batismo, e contido no veículo dado a Cristo. Isto foi e continua sendo um grande sacrifício feito por nós, mas redundará em glória maior no futuro, como todas as boas ações. Porque esse veículo, utilizado como foi, e a ser usado novamente por Cristo em Sua vinda para estabelecer e aperfeiçoar o Reino de Deus será tão espiritualizado e glorificado que, quando for devolvido a Jesus na época em que Cristo entregar o Reino ao Pai será também o mais maravilhoso de todos os veículos humanos. E, ainda que isto não tenha sido ensinado, o autor acredita que Jesus será, por isso mesmo, o mais alto fruto do Período Terrestre, seguido de Christian Rosenkreuz. Porque “nenhum homem tem maior amor do que aquele que dá a própria vida”[21] e dar não somente o Corpo Denso, mas também o Corpo Vital, e por tempo tão prolongado, certamente é o máximo dos sacrifícios.
F I M
[1] N.R.: Independentemente da inversão das estações, uma coisa que se mantém idêntica no Norte e no Sul: a distância maior ou menor, a que o Sol se encontra da Terra. No Solstício de Dezembro, o Sol se encontra mais próximo da Terra: a Terra é permeada mais fortemente pela aura do Sol Espiritual (inspiração de crescimento anímico nos seres humanos). No Solstício de Junho, a Terra no máximo afastamento do Sol: diminuição de espiritualidade com a intensificação de vitalidade física.
[2] N.R.: Rm 8:22
[3] N.R.: Jo 19:30
[4] O Solstício de Junho varia entre 20 e 21 de junho, dependendo do ano.
[5] N.R.: ou 20, dependendo do ano.
[6] N.R.: Mt 26:26-29
[7] N.R.: Também conhecido como Tomás de Kempen, Thomas Hemerken, Thomas à Kempis, ou Thomas von Kempen (1379 ou 1380-1471) foi Monge e escritor alemão.
[8] N.R.: Wilhelm Richard Wagner (1813-1883) – maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão.
[9] N.R.: ou Zurique é a maior cidade da Suíça, um país do hemisfério norte.
[10] N.R.: a Suíça fica no hemisfério norte, onde, em março, é a estação da primavera.
[11] N.R.: Jo 1:10
[12] N.R.: Jo 1:5
[13] N.R.: Jo 12:47
[14] N.R.: Jo 19:30
[15] N.R.: At 17:28
[16] N.R.: Jo 14:12
[17] N.R.: Jo 13:36
[18] N.R.: Valhala, Valíala, Valhalla ou Palácio dos Einherjar (em português “Palácio dos mortos heroicos”), na mitologia nórdica e nas religiões pagãs nórdicas, como a popular Ásatrú, é um palácio com enorme salão com 540 quartos — situado em Asgard e dominado pelo deus Odin — no qual metade dos guerreiros mais nobres e destemidos mortos em batalha são levados pelas valquírias após a morte para viverem com Odin (enquanto a outra metade vai para os campos Folkvang da deusa Freia), onde participam de combates diários, para manter o exercício da luta e preparar-se para o dia de Ragnarök (em português “o dia do fim do mundo”).
[19] N.R.: Lc 12:48
[20] N.R.: Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship.
[21] N.R.: Jo 15:13