Pergunta: É-nos dito que, do ponto de vista espiritual, todas as coisas ou palavras são boas. Contudo, consideremos os indescritíveis crimes vis e covardes infligidos às indefesas populações civis de algumas das nações que se encontram em zona de guerra. Segundo a Teoria do Renascimento, os infelizes que sofrem dessa maneira poderiam ter cometido atrocidades semelhantes em existências anteriores; contudo, mesmo assim, dois erros correspondem a um acerto? Em vista disso, alguém pode sentir-se incentivado a refugiar-se atrás dessa doutrina filosófica que ensina que a relação dos sentidos é ilusória, a teoria do pesadelo, como uma explicação do mal praticado no mundo; ou do simples materialismo, que, por sua natureza, não necessita dar qualquer esclarecimento que se espera de um ensinamento espiritualista. Será que há outra solução para o problema?
Resposta: Sim, é claro que há, pois embora nós, com nossas Mentes finitas, sejamos incapazes de compreender os detalhes complexos do véu emaranhado do destino, assim mesmo o amplo esquema da Lei do amor, que trabalha pelo bem através daquilo que parece representar o mal, pode ser facilmente percebido por qualquer um. Contudo, antes de entrarmos na discussão direta da questão, permitam-nos corrigir o nosso correspondente. Não dizemos que todas as coisas são boas, pois se fosse verdade, não seria certo que continuassem a ocorrer essas atrocidades mencionadas pelo correspondente. Na realidade, sempre mantivemos e ainda afirmamos que todo mal é realmente um bem em formação — isto é, de qualquer situação má algo de bom resulta. Não hesitamos em chamar uma nuvem de nuvem, mas apontamos também a auréola prateada que mostra que, além e atrás da nuvem, o Sol ainda brilha tão maravilhosamente como sempre. E se a dor e o sofrimento causados por esta guerra representarem os meios de abolir finalmente as guerras da face da Terra, com certeza o custo não será tão elevado.
Sua observação quanto à Teoria do Renascimento, que os infelizes mencionados podem ter cometido atrocidades semelhantes em existências prévias, é evidente que há uma interpretação errônea, ao julgar que todas as condições presentes se relacionam a atos e ações de vidas passadas. Também não foi levado em consideração o fato de que em todos os momentos de nossas vidas estamos gerando um novo destino, ao mesmo tempo que estamos saldando dívidas antigas. Esse fato tão grande e importante foi apresentado na antiga mitologia grega, onde as três Parcas representam o passado, o presente e o futuro. Também na mitologia nórdica, as três Norns, Urda, Skuld e Verdande, tecem a teia do destino para desembaraçá-la novamente. Nem o destino é simplesmente um recurso para equilibrar os fatos. Se em uma vida A roubou B e o arruinou, não devemos presumir que em uma vida sucessiva B irá tornar-se desonesto e roubar A. Isso não seria realmente uma boa solução para o problema, pois será certamente melhor para um ser humano perder todo o seu dinheiro do que recuperá-lo por meios desonestos.
De forma semelhante, supondo que em uma existência anterior, como sugerido, as atuais vítimas das atrocidades bélicas cometeram crueldades contra aqueles que estão agora proporcionando-lhes sofrimento, teria sido melhor para o crescimento anímico de todos que não houvesse vingança, para não se assemelharem a animais selvagens nesta vida. Se esse fosse o modo da Lei funcionar, os atos de crueldade e as atrocidades se multiplicariam, e estremeceríamos só de pensar no que a humanidade poderia acumular para uma próxima vida, se os civis feridos de hoje pretendessem vingar-se dos atuais agressores militares.
No entanto, felizmente o processo não é esse. Um estudo da Memória da Natureza comprovou de forma conclusiva a verdade do ensinamento espiritual; isto é, o ódio não se extingue com ódio, mas com amor e serviço. Verificou-se em todos os casos investigados pelo autor — os quais perfazem algumas centenas — que sempre que, em alguma vida, uma pessoa prejudicou outra, o sofrimento que, devido a esse ato, retorna a ela durante a expiação no Purgatório que se sucede à morte, leva-a realmente à conscientização e ao arrependimento. Em seguida, será colocada em uma situação em que terá a oportunidade de prestar serviço àquele que prejudicou, quando ambos retomarem à vida física. Será recompensador, se aproveitar a oportunidade, pois ambos serão beneficiados, se estabelecerem a paz e a boa vontade mútua. Se recusar a oportunidade, ver-se-á colocada em uma posição em que se sentirá continuamente atormentada e, numa terceira vida, será induzida a pagar a dívida de serviço. Poderá ainda ser prejudicada por alguém e, assim, aprender a sentir-se solidária e fraterna, sentimentos que a levarão a prestar serviço. Entretanto, qualquer que seja o método, e há uma infinidade deles, de alguma forma a dívida causada pelo ódio será finalmente liquidada mediante o amor, porque esse é o único meio que permite à humanidade seu maior crescimento.
Aplicando essas ideias ao atual problema do sofrimento da população civil em zona de guerra (Primeira Guerra Mundial) e, embora admitindo-se que o passado possa, em alguns casos, relacionar-se com esses acontecimentos, evidencia-se que um novo destino está sendo gerado tanto pelos agressores como por suas vítimas. Não devemos esquecer que os agressores, assim como suas vítimas, estão também sofrendo e passando por grandes tribulações. É uma época de sofrimento para todos e as experiências no purgatório, para aqueles que permitem que a sua natureza inferior extravase dessa forma, serão muitíssimo severas. Quando uma nova vida começa, ao serem colocados numa situação em que encontrarão suas vítimas, a memória subconsciente do sofrimento no Purgatório provocará na grande maioria o desejo de emendar-se para que, da fornalha do sofrimento, surja um reino de “paz na Terra e boa vontade entre os homens”.
(Pergunta nº 21 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel)
Como funciona a Epigênese
Qual é o propósito da nossa existência neste Mundo Físico?
Se aqui é o baluarte da nossa evolução ou o laboratório experimental, então aqui vivemos, nos movemos, não com o objetivo propriamente de encontrar a felicidade, o que nos tornaria apenas superficiais, mas com objetivo de adquirir experiência, conquistar o mundo e sobrepor ao eu inferior para atingir o domínio próprio.
Nesse sentido, o sofrimento e a dor são os nossos melhores mestres no caminho evolutivo. E não nos preocupemos se daremos conta ou não. Pois como lemos no Evangelho Segundo São Mateus 6:34: “A cada dia basta seu fardo”.
Mas isso só é possível através de uma tríade chamada: Involução, Evolução e Epigênese.
Quando o nosso primeiro passo no desabrochar espiritual, isto é, no período da Involução, estávamos empenhados em construir os nossos Corpos Denso, Vital e de Desejos, através dos quais o Espírito aqui se manifesta.
É o período em que nos dedicamos à aquisição da consciência do “eu”.
Estávamos com a nossa consciência voltada para dentro na construção dos veículos. Contudo, tudo isso de acordo e sob a assistência grandiosa das grandes Hierarquias Criadoras.
Depois disso foi necessário à ligação do Espírito com os corpos construídos. Isto se deu por intermédio da Mente.
E passamos a ter nossa consciência voltada para fora. Daí então: “O homem vê o rosto, Deus o coração”, como lemos no Primeiro Livro dos Reis cap. 16:7.
Estávamos na fase da Evolução que é o período da existência, em que estamos desenvolvendo a consciência até convertê-la em divina onisciência.
Estávamos prontos a enfrentar o caminho evolutivo, o aperfeiçoamento desses veículos, agora de dentro para fora. Mas sem perder a ligação com as Hierarquias que são nossos orientadores.
Essa ligação é a força interna que trazemos e que nos faz diferentes dos demais.
Ela que nos dá o elemento de originalidade, que nos dá lugar à habilidade criadora, que converte o ser evolucionante em um Deus, afinal como lemos em Gênesis: “Deus criou o homem à sua imagem”.
Essa força é manifestada através da Epigênese, base do livre arbítrio.
Por isso, somente a Involução e Evolução do Espírito são insuficientes, precisamos aplicar a Epigênese no caminho evolutivo para nos tornarmos criadores.
Já tínhamos tudo o que precisávamos, isto é, os (três) Corpos, a Mente e os poderes latentes, incluindo a Epigênese.
Agora era só aplicá-los no nosso dia a dia.
Contudo, se nós deixássemos de utilizar esses poderes latentes no seu campo de evolução apenas passaríamos pela vida.
Essa fuga à experiência que nós nos negamos a vivenciar para assegurar uma vida tranquila e descuidada, é, lá no fundo, um tipo de acomodação de nossa personalidade que dentro de nós não aceita mudanças.
E quando a Epigênese se torna inativa em nós, ou até mesmo em nossa nação ou raça, cessa a evolução e começa a degeneração.
Hoje encontramos pessoas, infelizmente, que se acomodaram em suas vidas e não buscam alternativas para mudarem.
Elas simplesmente cedem aos contratempos da vida e ficam lamentando da sorte, escapam das responsabilidades geradas e perdem as oportunidades de tentar escapar da atual situação.
Muitos de nós somos preguiçosos, negligentes e fúteis na vida terrestre.
Nos apegamos às ilusões e esquecemos que aqui é somente o Mundo dos Efeitos, como lemos no Livro do Eclesiastes 1:14: “Pois nada há estéril debaixo do sol, onde tudo é vaidade e aflição do Espírito”.
E com isso nos submetemos aos ditames da natureza inferior e muitas vezes acabamos por reagir de maneira indesejável à nossa conduta.
Quando morremos, passamos por etapas para extrair as essências vividas aqui neste mundo físico, com objetivo de purificação do Espírito. Lembrando que não serão as mais agradáveis etapas já experimentadas.
Uma dessas etapas é a construção do nosso futuro ambiente, moldaremos de acordo e propício, no modo de conduta das vidas anteriores para termos a chance de mudar, regenerar e aprender as lições escolhidas.
E se perdermos novamente as oportunidades de crescimento anímico, certamente somaremos sofrimento para as vidas futuras.
Essas oportunidades não aproveitadas jamais retornam.
Lembrando o que São Paulo disse: “Tudo que aqui se planta, aqui se colhe”.
Em todas as nossas vidas seremos expostos a certas experiências que nada mais são do que o resultado do comportamento que tivemos em vidas anteriores.
Isso é, temos que passar por “incidentes mal resolvidos” em vidas anteriores para produzirmos novas causas que certamente se tornarão sementes de experiências em vidas futuras.
Imaginem se nesta escola da vida deixássemos de aplicar a Epigênese e produzir novas causas: cessaríamos a existência do Espírito, pois com as causas antigas resolvidas deixaríamos de produzir novos efeitos.
O mundo é a grande escola de Deus, e como temos que passar por etapas no mundo invisível, também nos atrasamos, nos descontrolamos e muitas vezes nos esquivamos, alguns até saem da escola por algum tempo, mas certamente teremos que retomar ao trabalho deixados atrás para aprender as lições e depois prestar exame.
A vida é diferente todos os dias e repleta de maravilhosas oportunidades.
Imaginem as lições de aperfeiçoamentos que o Espírito está sujeito a enfrentar nesta vida como defeitos de coluna, membros faltantes, pessoas com problemas mentais, problemas emocionais e tantos outros existentes.
Portanto como lemos no Evangelho Segundo São Mateus (16:24): “Renuncia a ti mesmo, toma tua cruz e segue a Jesus Cristo”.
Nós somos uma peça no grande tabuleiro da Natureza, que é a expressão viva de Deus, e devemos procurar mediante a vontade persistente buscar essas forças internas na purificação dos nossos veículos, por meio de bons pensamentos, boas palavras e atos corretos.
Isso será possível quando substituirmos certos vícios como: o egoísmo, a cobiça, a soberba, a inveja e a crueldade por bondade, tolerância, compaixão, perdão, fé e a humildade.
Deus, sendo justo, não permitiria que nada de bom ou mal nos acontecesse sem que merecêssemos e se, na sua infinita bondade e sabedoria, permite que soframos as consequências de nossos erros é somente para aprendermos as lições que não podemos ou não queremos aprender de outra maneira.
O que acontece é que ainda somos ignorantes das leis e das forças cósmicas e por isso estamos constantemente violando essas leis de forma que atraímos dor sobre nós mesmos.
Existem dois métodos de aprender o caminho evolutivo.
Um é pela experiência (chamamos dor) e o outro é pela observação (que chamamos amor).
A Fraternidade Rosacruz orienta seus Estudantes para que aprendam pela observação, um dos primeiros Exercícios Esotéricos que é solicitado ao Estudante executar diariamente, no seu dia a dia.
Contudo, existem várias fontes de ajuda disponíveis quando realmente trazemos para nós a responsabilidade para resolver nossos problemas.
Uma dessas fontes é a oração, mas que seja feita com sinceridade e que saibamos discernir nossa atitude quando recebermos a resposta.
Lembrando sempre de dizer a seguinte frase: “Pai, faça sua vontade e não a minha”.
Uma segunda fonte de ajuda é a intuição, que nos envia uma mensagem ao coração e este, em seguida, ao cérebro.
Essa mensagem ou resposta ao nosso “problema” vem diretamente da Sabedoria Cósmica, do Mundo do Espírito de Vida.
E uma outra fonte seria o conhecimento aplicado e que já é sabido que quanto maior o conhecimento, maior é a responsabilidade quanto ao uso que fazemos desses conhecimentos.
Não devemos nos sentir abatidos ou enfraquecidos diante dos fatos desagradáveis que nos acontecem e nem achar que somos incapazes ou imperfeitos.
Essas dificuldades são naturais no caminho evolutivo, e se forem bem compreendidas aumentarão a nossa Luz Interna.
Devemos procurar compreender o nosso papel aqui neste mundo físico e dar graças por essas oportunidades, pois Cristo disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14:6).
Que as rosas floresçam em vossa cruz
A Origem do Pecado, como aprendemos com ele e como sublimá-lo
Deus é perfeito. Contudo, nós, individualmente, não somos perfeitos.
Devido ao processo de evolução nós estamos sujeitos a cometer erros. E a maioria desses erros nós cometemos por causa da nossa ignorância.
Em parte, isso é devido a irmos contra as leis da natureza. Na maioria das vezes deixamos nosso “eu inferior” dominar a situação.
Nosso “eu superior” sabe como não pecar, como obedecer às Leis da Natureza. Isso prova nossa imperfeição. Usamos nosso livre arbítrio de modo contrário às Leis de Deus. Cometemos mais pecados por omissão do que por comissão. São pequenos pecados a que, na sua maioria, nem damos importância. Entretanto, ao passar do tempo esses pecados começarão a atrapalhar o nosso progresso espiritual.
O pecado é “consequência natural das Religiões de Raça, as Religiões de Jeová”. Essas Religiões eram Religiões de Leis, originadoras do pecado como consequência à desobediência dessas leis. Sob essas leis todos pecavam. E chegou-se a tal ponto que a evolução teria demorado muito, e muitos de nós perderíamos a evolução de nossa onda de vida se não fossemos ajudados.
Isso porque não sabíamos agir com retidão e amor. Nossa natureza passional tornou-se tão forte que não sabíamos mais controlá-la. Pecávamos continuamente.
Na Época Lemúrica, a propagação da raça e o nascimento eram executados sob a direção dos Anjos, por sua vez enviados por Jeová, o Regente da Lua.
A função criadora era executada durante determinados períodos do ano, quando as configurações estelares eram favoráveis. Como a força criadora não encontrava obstáculo, o parto realizava-se sem dor.
A consciência do Lemuriano era igual à nossa hoje, quando estamos dormindo. Assim, ele era inconsciente do Mundo Físico e, portanto, inconsciente do nascimento e da morte. Ou seja, essas duas coisas não existiam para o lemuriano. Eles percebiam as coisas físicas de maneira espiritual, como quando as percebemos em sonhos, quando parece que tudo está dentro de nós.
Quando, nessa Época, havia o íntimo contato das relações sexuais entre o homem e a mulher, o espírito sentia a carne e, por um momento, o ser humano atravessava o véu da carne e observava uma ligeira consciência. A isso se referem várias passagens da Bíblia: “Adão conheceu a sua mulher”, ou seja: sentiu-a fisicamente. “Adão conheceu Eva e ela concebeu Seth”; “Elkanah conheceu Havah e ela concebeu Samuel”. Mesmo no Novo Testamento, quando o Anjo anuncia à Maria que será a mãe do Salvador, ela contesta: “Como pode ser isso possível se eu não conheço a nenhum homem?“. Essas coisas perduraram até aparecerem os Espíritos Lucíferos.
Como o ser humano via muito mais facilmente no Mundo do Desejo, os Espíritos Lucíferos manifestaram-se por aí, e chamaram-lhe a atenção para o mundo exterior. Ensinaram-lhe como podia deixar de ser manipulado por forças exteriores, como poderia converter-se em seu próprio dono e Senhor, parecendo-se aos Deuses, “conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:5). Também lhe mostraram como podia construir outros corpos, sem a necessidade da ajuda dos Anjos.
O objetivo dos Espíritos Lucíferos era dirigir a consciência do ser humano para o exterior. Essas experiências proporcionaram a dor e o sofrimento, mas deram também a inestimável benção da emancipação das influências e direção alheias e o ser humano iniciou a evolução dos seus poderes espirituais.
A partir daí foram os seres humanos que dirigiram a propagação e não mais os Anjos. Eles passaram, então, a ignorar a operação das forças solares e lunares como melhor época para a propagação e abusaram da força sexual, empregando-a para a gratificação dos sentidos. Então, restou a dor que passou a acompanhar o processo de gestação e nascimento.
Passaram, também, a conhecer a morte, pois viam quando eles atravessavam do Mundo Físico para os mundos espirituais e vice-versa, quando voltavam, ao renascerem.
A partir daí, como diz a Bíblia: “conceberás teus filhos com dor”. Isso não foi uma maldição de Jeová, como normalmente se acha. Foi uma clara indicação do que iria ocorrer quando se utilizasse a força criadora na geração de um novo ser sem tomar em conta as forças astrais.
Então, é o emprego ignorante da força criadora que origina a dor, a enfermidade e a tristeza.
Esse é o pecado original. “A terra te produzirá espinhos e abrolhos, e tu terás por sustento as ervas da terra. Tu comerás o teu pão no suor do teu rosto, até que te tornes na terra, de que foste formado”. (Gn 3:18-19)
A partir daí o ser humano teve que trabalhar para obter o conhecimento. Através do cérebro, interioriza parte da força criadora para obter o conhecimento no Mundo Físico.
Isso é egoísmo.
Contudo, a partir da queda na geração, não há outro modo de se obter conhecimento.
Assim, uma parte da força sexual criadora do ser humano ama egoisticamente o outro ser, porque deseja a cooperação na procriação. A outra parte pensa, também, por razões egoístas, porque deseja conhecimento.
Como resultado cristalizou os seus veículos e esqueceu-se de Deus. Os corpos debilitados e as enfermidades que vemos ao nosso redor foram causados por séculos de abuso, e até que aprendamos a subjugar nossas paixões não poderá existir verdadeira saúde na humanidade.
Em resumo: o pecado original veio porque o ser humano usou o seu livre-arbítrio e quis obter a consciência cerebral e a do Mundo Físico. Transformou-se, de um autômato, guiado em tudo, num ser criador pensante.
Aos poucos, através do sábio uso da Força Criadora e da espiritualização dos seus corpos, o ser humano vai respondendo aos impactos espirituais e escapando do estigma do pecado original.
A partir do momento em que o ser humano tomou para si as rédeas de sua evolução, ele começou a experimentar, agindo bem ou mal, fazendo o certo e o errado.
Na Época Atlante, quando lhe foi dado a Mente, o Ego era excessivamente débil e a natureza de desejos muito forte, motivo por que a Mente uniu-se ao Corpo de Desejos, originando a astúcia; a partir daí, então, a tendência foi fazer mais o mal do que o bem, mais o errado do que o certo, desenvolvendo mais o vício do que a virtude.
Assim, devido à sua ignorância, foi lhe dada uma Religião que tinha como base o látego do medo, impelindo-o a temer a Deus.
Por causa desse medo, tentava-se fazer o bem, o certo. Mas a astúcia e a ignorância eram muito fortes e o ser humano fazia mais o mal do que o bem.
Após isso, foi lhe dada uma Religião que o levava a certa classe de desinteresse, coagindo-o a dar parte dos seus melhores bens como sacrifício: “Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar”(Gn 8:20).
Noé simboliza os Atlantes remanescentes, núcleo da quinta raça, a Raça Ária, e, portanto, nossos progenitores. Isso foi conseguido pelo Deus de Raça ou Tribo. Um Deus zeloso que exigia a mais estrita obediência e reverência. Contudo, era um poderoso amigo, ajudava o ser humano em suas batalhas e lhe desenvolvia multiplicados “os carneiros e cereais” que lhe eram sacrificados.
O ser humano não sabia que todas as criaturas eram semelhantes, mas o Deus de Raça ensinou-lhe a tratar benevolentemente seus irmãos de raça e fazer leis justas para os seres da mesma raça.
Entretanto, houve muitos fracassos e desobediências, pois o egoísmo estava – e ainda está – muito enraizado na natureza inferior.
No Antigo Testamento, encontramos inúmeros exemplos de como o ser humano se esqueceu dos seus deveres e de como o Deus de raça o encaminhou, persistentemente, uma e outra vez.
Só com os grandes sofrimentos ditados pelos Espíritos de Raça foi que os seres humanos caminharam dentro da lei. Isso porque o propósito da Religião de Raça é dominar o Corpo de Desejos, na maioria das vezes apegado à natureza inferior, de modo que o intelecto possa se desenvolver. Portanto, essas Religiões são baseadas na lei, originadoras do pecado, como consequência à desobediência a essas leis.
Exemplos dessa desobediência e de suas consequências vemos no Pentateuco Mosaico, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento. O ser humano foi pecando – pois não sabia agir por amor – por desobediência a essas Leis, baseadas na Lei de Consequência, e acumulando uma quantidade tão grande de pecados que, se não houvesse uma intervenção externa, muitos teriam sucumbido e toda a evolução perdida.
E essa ajuda foi a vinda do Cristo. Por isso ele disse que veio para “buscar e salvar os que estavam perdidos“. Cristo não negou a Lei, nem a Moisés, nem aos profetas.
Disse que essas coisas já tinham servido aos seus propósitos e que, para o futuro, o AMOR deveria suceder a Lei.
Ele é: “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. E o tirou, mas não o pecado do indivíduo!
Purificou, e continua purificando todos os anos, o Mundo do Desejo de modo que tenhamos matéria de desejos, emoções e sentimentos mais pura para construir nossos Corpos de Desejos e desejos, emoções e sentimentos superiores, mais puros.
Assim, por inanição, vamos eliminando nossas tendências inferiores, nossos vícios, o egoísmo, etc.
Ele nos deu a doutrina do Perdão dos Pecados. Ela não vai contra a Lei de Consequência, como muitos pensam, mas a complementa.
Dá aos que se interessam pela vida espiritual forças para lutar, apesar de repetidos fracassos e para conseguir subjugar a natureza inferior.
Mediante o Perdão dos Pecados foi nos aberto o caminho do arrependimento e da reforma íntima.
Aplicando uma lei superior à Lei Mosaica, a lei do amor, conseguimos esse perdão. Se não o fazemos, teremos que esperar pela morte que nos obrigará a liquidar nossas contas.
Para conseguir o perdão dos nossos pecados temos que, quando cometermos um erro, ter um sincero arrependimento seguido de uma devida regeneração que pode ser um serviço prestado a quem injuriamos ou uma oração para essa pessoa – se for impossível o serviço – ou, ainda, um serviço prestado a outrem. Com esse sentimento e essa compreensão tão intensas quanto possível do erro cometido, a imagem desse ato se desvanece ao Átomo-semente, no qual foi gravado.
Lembremos que são as gravações desse Átomo-semente que formam a base da justa retribuição depois da morte e que é o livro dos Anjos do Destino. Com isso, no Purgatório esse registro não estará mais lá e não sofreremos por esse ato errado, pois já aprendemos que ele é errado, restituindo-o voluntariamente.
Lição aprendida, ensino suspenso!
Nesse ponto, muito nos ajuda o Exercício da Retrospecção. É ele que nos faz viver o nosso Purgatório diariamente e nos ajuda na compreensão e no discernimento em fazer o bem e o que é fazer o mal.
Portanto, não sigamos tanto “a carne”, o Mundo Físico, pois já é passado o tempo que precisávamos disso.
Não sejamos preguiçosos, gulosos, impudicos, voluptuosos, soberbos, avarentos. Pois no ponto em que nós pecamos seremos gravemente castigados.
Relembremos, agora, os nossos pecados para podermos aproveitar melhor o tempo após a morte para ajudarmos os nossos irmãos e para construirmos melhores corpos.
Sejamos sábios utilizando toda essa ajuda que os nossos irmãos mais evoluídos nos dão.
Se vivemos para Cristo, veremos que toda tribulação dará prazer, pois a sofreremos com paciência e que: “a iniquidade não abrirá a sua boca” (Sl 106:42).
E pela paciência e persistência estaremos entre os escolhidos no dia do Juízo, pois: “erguer-se-ão naqueles dias os justos com grande força contra aqueles que os oprimiram e desprezaram.” (Sb 5:1).
Que as rosas floresçam em vossa cruz
A importância da dedicação para alcançarmos resultado em uma escola preparatória como a Fraternidade Rosacruz
O lema Fraternidade Rosacruz é “Uma Mente Pura, um Coração Nobre e um Corpo São”, o que fornece uma ideia de seu programa de realização, muito mais formativo do que informativo.
Tomando o ser humano como realmente é, potencialmente divino, desvela a cada Aspirante as possibilidades que têm de se transformar em altamente iluminado, segundo o nível interno e empenho que ponha na sua regeneração. Seu lema é um convite e ao mesmo tempo um desafio para essa integralidade que vai muito além do conceito materialista de que somos meramente uma criatura carnal. Contudo, a realização dessa integralidade pressupõe um sincero e perseverante esforço, utilizando meios seguros de elevação, dados pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz que já percorreram essa ascese e voltaram para ajudar e orientar com segurança, a escalada dos que vêm atrás. São os mais adiantados no Caminho Rosacruz que já se consagraram na elevação da humanidade, em serviço amoroso e altruísta.
Nada cobram e como irmãos e amigos ajudam seus companheiros, respeitando-lhes a índole e nível pessoais, suscitando-lhes os meios de realização interna. No entanto, cada membro tem o dever moral de contribuir, na medida de suas posses, na divulgação do ideal, uma vez que a ele se ligam para considerá-lo edificante.
Sua tônica é: servir – partindo da convicção de que ninguém pode receber sem primeiramente dar: o efeito se segue a causa. Ninguém tem o direito de avaramente reter o que pode edificar os demais: “A quem mais for dado, mais lhe será exigido”.
Ademais, o exercício do dar traz o crescimento interno. Desse modo depositamos no “Banco Interno” os meios e asseguramos os “juros” de seu emprego no amoroso SERVIR, “acumulando tesouros nos céus, onde o ladrão não rouba, a ferrugem não corrói e a traça não destrói”. Esse depósito é valioso porque podemos “sacar” recursos de equilíbrio, de intuição, de graça, de discernimento, nas horas de desafio. Daí a ênfase que damos à vivência: a verdade que não é assimilada, é inútil; mas a verdade vivida é a que nos transforma internamente em novas criaturas.
Como disse Cristo: “Por seus frutos os conhecereis”.
A Fraternidade Rosacruz é uma associação Cristã de âmbito mundial. Foi fundada em 1909 por Max Heindel, ramificando-se rapidamente.
A ela podem se filiar todas as pessoas, de ambos os sexos, sinceramente desejosas de um aprimoramento mental, espiritual, moral e físico.
Ela busca preparar e encaminhar os Aspirantes de boa vontade, de modo que um dia atinjam as portas da iluminação. Observa a vida do candidato, até admiti-lo como Estudante Preliminar. Nesse estágio avalia seu grau de compreensão interna, disciplina, aspiração, no curso de doze lições – que servem como introdução para ele compreender a terminologia Rosacruz e ter os primeiros contatos com os Ensinamentos Rosacruzes – e fidelidade na oficiação dos rituais e na prática dos exercícios esotéricos. Já aqui é lhe fornecido os 10 Preceitos do Estudante Rosacruz para que ele tenha a oportunidade de ir exercitando cada um, se dedicando ao que cada um solicita e internalizando cada um na sua vida cotidiana:
Vencida a primeira etapa, o candidato é admitido à qualificação de Estudante Regular, com inscrição na Sede Mundial, a The Rosicrucian Fellowship, em Mount Ecclesia, passando de lá a receber uma lição periódica, submetendo-se à aplicação do que recebeu no seu dia a dia e voltados para o seu desenvolvimento interno. Ao mesmo tempo vai fazendo o Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz, para se aprofundar nos conhecimentos, nas terminologias e nas respostas às questões da vida. Nesse período, se lhe sobra tempo para outros estudos, além dos trabalhos citados e fidelidade na oficiação dos Rituais e na prática dos exercícios esotéricos, pode se dedicar aos Cursos de Astrologia Rosacruz e Estudos Bíblicos Rosacruzes.
Após dois anos no segundo grau, o Estudante ativo e fiel é considerado apto e convidado a ingressar no Probacionismo, terceiro grau. Nesse estágio recebe instruções especiais, mediante Cartas e lições periódicas específicas também da Sede Mundial, a The Rosicrucian Fellowship, em Mount Ecclesia – além de instruções durante o sono, se o seu preparo e sinceridade fizerem jus. As Cartas e Lições contêm ensinamentos definidos e científicos para prevenir o Probacionista quanto aos perigos da ilusão e das decepções do Mundo em que vive e dos Mundos suprafísicos.
Definimos o Probacionista autêntico àquele que nos seus pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras, atos, obras e ações diárias procura “Amar, Honrar e Obedecer ao Eu Verdadeiro e Superior”. Se é realmente sincero, dedicado e fiel nos seus deveres internos e externos, chegará ao ponto de ser admitido ao quarto grau e último da Fraternidade Rosacruz: o Discipulado.
Para isso, sua aura deverá atrair a atenção do Irmão Maior da Ordem Rosacruz responsável por tal atividade que o submeterá a uma prova (sem que o candidato saiba) para avaliar seu preparo ao Discipulado.
Do exposto se vê que a Fraternidade Rosacruz tem uma parte oculta. Oculta porque nossos cinco sentidos comuns não percebem. Os que se preparam e desenvolvem as faculdades latentes podem chegar a ponto de “ver” a “porta” e bater, para ser admitido, à Ordem Rosacruz.
A Ordem Rosacruz são as raízes sustentadoras dessa grande árvore que é a Fraternidade Rosacruz. A ordem é o alicerce, o fundamento; a Fraternidade é a parte pública, visível, do plano físico, ou seja: da Região Química do Mundo Físico.
Uma entidade esotérica que não tenha esse fundamento, esse alicerce, essa parte oculta, Iniciática, não é autêntica: é meramente humana, por mais boa vontade que tenham seus membros.
E prevenimos que há entidades com nome de “Rosacruz” ou com designações similares, que não pertencem à Ordem Rosacruz.
A Fraternidade Rosacruz é essencialmente Cristã. Não no sentido do cristianismo popular, que respeitamos e que, no entanto, é apenas uma fase elementar da verdadeira Religião do Cristo, que florescerá na Era de Aquário. Nosso trabalho é preparar essa nova compreensão da mensagem do Cristo, revelando aspectos até agora desconhecidos.
Cristo, para os Rosacruzes, não foi simplesmente mais um Profeta ou Iluminado que, de tempos em tempos, foram enviados para ajudar um certo povo ou uma parte da humanidade.
Cristo é a maior luz que jamais se manifestou aos seres humanos. É o mais elevado iniciado dos Arcanjos, moradores do Sol. Com o objetivo de poder “aparecer” aqui em Corpo Denso, Jesus cedeu o seu Corpo Denso e o seu Corpo Vital, de livre e espontânea vontade, no Batismo do Rio Jordão e, dali em diante se tornou Cristo Jesus: Jesus, o mais elevado iniciado humano, cujos veículos, de elevadíssima vibração, permitiram a manifestação direta do Cristo, como “um homem, entre os homens”, nos três anos de mistério que marcaram a consciência da humanidade para uma nova era espiritual.
A tarefa sobre-humana que o Cristo veio realizar (porque os seres humanos mais avançados eram incapazes de tanto) foi de transformar as condições vibratórias de nosso Planeta. Nosso Globo estava ameaçado de ir para o Caos, comprometido com as gravações de todos os erros acumulados pela humanidade em seus estratos. O Pai Universal interferiu em nosso favor e, com a colaboração dos seres humanos mais avançados da Terra, realizou o Plano de Salvação, e, através do sangue de Jesus, derramado no Gólgota, o Cristo pôde penetrar no nosso Planeta (“desceu aos infernos”) e conquistá-lo diretamente, de dentro, dando-lhe um novo impulso espiritual.
Ao mesmo tempo, nas entrelinhas dos Evangelhos são revelados, sob a forma de palavras, frases-chave e símbolos diversos, os degraus conducentes à cristificação. Aquilo que o Cristo revelou, como um modelo, devemos e podemos realizar, à nossa maneira, internamente, desde que nos disponhamos, resolutamente, à metanoia (transmutação pregada por São João Batista, o precursor), que nos levará à anunciação (umbral) e daí a percorrer os alegóricos passos do ministério Crístico: Batismo, Tentação, Transfiguração, Última-Ceia e Lava-pés, Getsemani, Estigmata, Crucifixão, Ressurreição e Ascensão.
Para “os Rosacruzes” a Bíblia (composta pela Velha e Nova Dispensação, isto é, Antigo e Novo Testamentos) é um relato do Espírito humano que está evoluindo; uma jornada através de diversos estágios de consciência, a conduzi-lo de Adão (Adi-aham ou primeiro Ego) ao último Adão (o Cristo ou ungido, pela fusão da consciência humana à divina).
Como entidade esotérica, a Fraternidade Rosacruz tem muitos pontos comuns a outras Escolas de Pensamento.
O Estudante encontrará nos nossos ensinos: a Cosmogênese (origem e evolução do Universo); a Antropogênese (origem, estado atual e futuro do gênero humano); as Leis de Causa e Efeito (Consequência), de Renascimento, da Atração, dos Semelhantes, etc. São verdades universais ensinadas pelos Mestres das diversas escolas.
O que distingue a Fraternidade Rosacruz (como as outras entidades esotéricas) é o Método de Desenvolvimento Interno. Cada Escola tem seu método próprio, provado e estabelecido. É indispensável que o Candidato, uma vez satisfeito o seu íntimo e confirmada sua sintonia com ela, permaneça fiel, a ela se dedicando exclusivamente. Não é que subestimemos outras Escolas sérias e julguemos a Rosacruz a única certa. Longe disso! Uma pessoa pode ver obras de todas as escolas e devorar tudo o que se refira a ocultismo, a esoterismo. O livre arbítrio é sagrado. Isso é compreensível, enquanto a pessoa está no diletantismo intelectual; na curiosidade superficial em nossa época de superficialidade informativa. Há muita gente que vai de escola em escola, de conferência em conferência, de livro em livro, ávida de “novidades”.
Sentimos desiludir: não há novidades, mas sim verdades antigas em novas roupagens. As novidades não estão em novas formas de apresentação, exigidas pela época, pela analogia científica etc. Não! A novidade está na constante descoberta interna, daquilo que vamos vivenciando. Contudo, isso requer penetração além do estudo superficial.
Por isso exigimos concentração de esforços na Fraternidade Rosacruz. Ninguém tem o direito de afirmar que um método de desenvolvimento é falho, se não o provou sinceramente; se não o testou profunda e sistematicamente. Ora, na Fraternidade Rosacruz não miramos o conhecimento apenas, senão a vivência, a realização da verdade, a iluminação interna. E isso pressupõe a prática fiel e persistente do método indicado pelos Irmãos Maiores.
Um exemplo bem próximo pode demonstrar a razoabilidade do que afirmamos: se uma pessoa, ao buscar uma profissão, praticar apenas uma semana em cada uma (alfaiate, relojoeiro sapateiro, etc.), ao fim de um ano ou dois o que será que aprendeu de fato? Será apenas um conhecedor superficial delas. Se alguém deseja ser engenheiro, deve se dedicar exclusivamente ao seu estudo, até se formar; depois deve praticar seriamente para adquirir segurança e descortino na especialidade escolhida. Não é assim? No entanto, no assunto esotérico (oculto, interno, espiritual), muito mais complexo e delicado, as pessoas têm a pretensão de conhecer e dominar em curto tempo!
Depois que um engenheiro se considera como tal, pode se dar ao prazer de fazer outros cursos e estudos correlatos, para enriquecer o seu conhecimento.
Igualmente, quando alcançamos a realização interna e uma visão definida do esoterismo, em qualquer escola séria, podemos nos dedicar ao estudo comparativo, muitas vezes necessário na tarefa de conferencista, para esclarecer honestamente os outros. Antes disso, não.
Ainda em relação ao ocultismo, é corrente a curiosidade por fenômenos, a que o espiritismo, a umbanda, a parapsicologia e outros similares muito têm contribuído.
Maior ainda é o interesse do povo em resolver seus problemas, apelando para alguém que tenha “poderes” para “dar um jeitinho”.
Esclarecemos de início que a Fraternidade Rosacruz conhece bem a origem e o mecanismo dos fenômenos das magias “branca”, “cinzenta” e “negra”, mas absolutamente não se dedica a isso.
Ela desaconselha tacitamente seus Aspirantes a perseguir poderes e provocar fenômenos.
Seu programa é formativo: primeiro ela ajuda a formar o caráter; a consolidação, integralização a um reto viver; a uma busca e encontro do Divino interno – advertindo que os fenômenos são naturais decorrências das aberturas internas; que os poderes internos são flores feiticeiras do Caminho, cujo aroma pode retardar ou desviar da jornada. Nunca se dá um poder ou faculdade a quem não pode usá-lo reta e edificantemente. O ensino do Mestre é claro: “Busca, em primeiro lugar, o Reino de Deus (que está dentro de ti) e sua justiça, e tudo o mais lhe será dado por acréscimo”.
Temos provas, em nosso viver, de que todos os problemas devem ser solucionados dentro de nós. A vida externa (as circunstâncias, suas limitações, dores etc.) é apenas uma projeção ampliada de nosso íntimo.
Quando harmonizamos o íntimo, pela obediência às Leis Divinas, quebramos automaticamente a sequência do destino maduro, e transformamos nossa vida para melhor. Tal é a solução definitiva e real que devemos conquistar, em cada escaninho de nossa vida. As soluções forçadas são como os remédios: amenizam os efeitos, mas não removem as causas, não curam. O indivíduo reto não cede aos vícios, pois sabe que a recaída é bem pior.
Os centros Rosacruzes da Fraternidade Rosacruz espalhados pelo mundo, da mesma maneira que a Sede Mundial, a The Rosicrucian Fellowship, possuem um Departamento de Cura, dirigido por pessoas competentes, que atendem aos vários aspectos da saúde integral: mental, espiritual, emocional, psíquico e físico.
Cada centro Rosacruz da Fraternidade procura, ao mesmo tempo, orientar os enfermos a uma dieta racional, a novos hábitos conducentes à estável harmonia.
Em resumo, como recomendou Cristo, pregamos e curamos – o que é a mesma coisa, porque uma decorre da outra. Um indivíduo são se vai tornando ao mesmo tempo são (de integral, santo) no seu interior, que é a causa e o físico é o efeito. Tudo o que se manifesta no físico nasceu primeiramente no mental e no emocional, ou seja, no Espírito. Se corrigimos o íntimo, curamos o externo e o indivíduo se torna integralmente harmonioso.
Os Estudantes Rosacruzes que estiverem impossibilitados de frequentar a Sede de um Centro Rosacruz e o seu Templo, podem realizar seus estudos por correspondência (física ou eletrônica). Contudo, devem sempre que possível, buscar uma frequência física, tanto para melhor orientação, como para um melhor proveito, especialmente da egrégora construída em um verdadeiro Templo solar.
Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz
A Nuvem Ruidosa
A nuvenzinha cinza-claro estava muito infeliz. Ela era tão pequena e tão cinza-claro. Nos dias bonitos, ela mal podia ser vista por causa do brilho do sol e do resplandecente céu azul. Nos dias feios, ela mal podia ser vista porque todas as grandes nuvens escuras de tempestade a empurravam para fora do caminho.
A nuvenzinha cinza-claro queria tanto ser uma nuvem ruidosa. Queria ser escura e assustadora e fazer com que todos que a vissem fugissem e se escondessem.
Contudo, mesmo que se esforçasse muito por mudar, continuava exatamente do jeito que era. Mesmo que se esforçasse muito para ficar escura, continuava exatamente o mesmo cinza-claro. Mesmo que se esforçasse muito para ser barulhenta, continuava silenciosa como sempre.
Derramava algumas lágrimas, esperando que, ao menos, elas causassem um pouco de chuva, mas apenas caiam dois ou três pingos que nem eram percebidos pelas pessoas lá embaixo. A pobre nuvenzinha ficava cada vez mais infeliz.
Por fim, as Sílfides e as Salamandras que vinham observando a nuvenzinha, não aguentaram mais vê-la assim infeliz. Se puseram a trabalhar. A nuvenzinha ficou muito animada ao ver que estava ficando cada vez mais escura. Ventos sopravam em volta dela e clarões de relâmpagos e tremendos estrondos de trovões vinham deles. Uma chuvarada caia dela para a Terra. A nuvenzinha cinza-claro tinha se tornado uma nuvem ruidosa.
Então, veio uma tempestade. As pessoas lá embaixo disparavam para suas casas ou abriam os guarda-chuvas. As senhoras que mexiam nos jardins corriam para dentro. As pessoas que assistiam ao jogo de futebol, colocavam jornais na cabeça. Às estradas ficaram molhadas, os carros ficaram molhados, e os policiais que dirigiam o trânsito ficaram encharcados.
Ninguém podia acreditar que toda aquela chuva, raios e trovões vinham daquela nuvenzinha. Não conseguiam entender como ela era tão escura e barulhenta, quando tudo em volta no céu era azul.
Cientistas corriam para fora de seus laboratórios para examinar seus aparelhos. Contudo, os aparelhos só lhes diziam que havia uma nuvem ruidosa no céu, o que eles já sabiam. Os aparelhos não diziam por que uma nuvenzinha ruidosa estava provocando tamanha tempestade, quando todo o céu estava azul.
A nuvem ruidosa, sentindo-se muito poderosa e muito barulhenta, choveu, trovejou e relampejou até que tudo de fora ficou encharcado e tudo de dentro ficou muito quente, porque as janelas estavam fechadas.
Depois, ela se afastou da cidade e foi para o campo. Encontrou um prado de margaridas, crisântemos e rainhas-margaridas, todas murchas e tristes porque não tinham recebido chuva há muitas semanas. A nuvem ruidosa era bastante grande para chover em todo o prado, o que ela fez com prazer. As flores estavam com sede e beberam e beberam. Logo levantaram as cabeças, estenderam suas folhas, realmente muito agradecidas à nuvem ruidosa.
A nuvem ruidosa passou acima das montanhas. Ali ela encontrou algumas nuvens enormes, escuras, carrancudas e frias. Elas riram quando a nuvenzinha apareceu. Acharam que ela era uma nuvenzinha muito boba, tentando achar um lugar entre elas que eram tão grandes e poderosas.
Todavia, quando a nuvenzinha deixou cair uma nova chuvarada e alguns trovões de quebrar os tímpanos, elas pararam de rir.
— Nada mau, disseram com admiração. Nada mau mesmo.
A nuvenzinha também achou que estava muito bem, quando viu sua chuva se transformar em chuva de pedra no alto das montanhas. Ela ribombou, troou e fez tanto barulho quanto pode, e as montanhas lá embaixo pareciam mesmo sombrias e assustadoras.
Pouco depois, a nuvenzinha, ainda chovendo, dirigiu-se para o deserto. É claro que todos sabiam que no deserto nunca chovia nessa época do ano.
— Meu Deus! exclamou um professor que estava examinando um cacto com uma lente e nem imaginava que uma nuvem ruidosa pudesse estar a menos de 800 km de distância.
— Santo Deus! exclamou um viajante, com uma mochila nas costas, que estava com muito calor, muita sede e desejando poder ter mais água no seu cantil.
— Por Deus! exclamou um senhor enorme, gordo que estava tomando sol ao lado da piscina e estava todo satisfeito antes de se encontrar, de repente, ensopado da cabeça aos pés.
A nuvem ruidosa move-se daqui para lá sobre o deserto, fazendo com que muita gente ficasse olhando para o céu, sem acreditar o que estava acontecendo e, quando ficaram encharcados, disseram:
— Isto não está acontecendo!
Finalmente, depois de atravessar todo o país, a nuvem ruidosa se achou sobre uma das grandes cidades perto do oceano. Ela já estava ficando cansada, mas ainda queria produzir uma tempestade gigantesca. Juntando todas as suas energias, relaxou-se com um relâmpago que iluminou todo o céu e um violento ribombar de trovão e de chuva muito forte.
As pessoas nos escritórios fecharam as janelas rapidamente. As pessoas que estavam lavando os carros fecharam as torneiras e correram para dentro. As crianças que estavam no recreio voltaram correndo para dentro da escola.
A nuvem ruidosa fez tanto barulho que as pessoas não podiam ouvir seus rádios. As crianças não podiam ouvir as professoras ensinando aritmética.
Os cachorros não podiam ouvir seus donos chamá-los. As secretárias não podiam ouvir os chefes ditando. Um maestro, que estava ensaiando um concerto, não podia ouvir a música que sua orquestra estava tocando.
A nuvem ruidosa continuou com seu terrível temporal de raios e trovões por dez minutos. Foi o suficiente para que os meteorologistas pudessem descobrir que nenhum de seus mapas geográficos, aparelhos, livros e artigos científicos explicassem por que uma nuvenzinha escura podia estar isolada em um céu azul e causar tanta agitação.
Repórteres de televisão e de jornal, excitados, escreveram artigos sobre o tempo mais incrível daquele dia. Um avião cheio de cientistas já tinha deixado a capital e estava perseguindo aquela estranha nuvem ruidosa que estava causando tanta perturbação.
Mas, a nuvem ruidosa, muito orgulhosa de si mesma, satisfeita e feliz, estava também muito cansada. Já chegava. Tinha sido muito feliz por ter seu desejo satisfeito e ter sido uma nuvem ruidosa por algum tempo. Agora, estava bem contente para voltar a ser uma nuvenzinha comum cinza-claro, vagando no céu, quase despercebida.
Agradeceu às Sílfides e às Salamandras por sua grande ajuda e flutuou preguiçosamente por cima do oceano. Em breve, bem alto no céu, ela desapareceu da vista das pessoas. A nuvenzinha cinza-claro tinha passado um dia muito feliz, do qual nunca mais se esqueceria.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. VII – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Este livro fornece uma descrição completa dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, até o ponto onde podem ser tornados públicos, atualmente.
Ele contém um esboço abrangente do processo evolutivo do ser humano e do universo, correlacionando a Ciência com a Religião.
O autor recebeu esses Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz pessoalmente, dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
É a sua última comunicação.
O Livro é um material de estudos e consultas, portanto sua leitura é permanente para quem está trilhando Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
É dividido em 3 partes, a saber:
Parte I – trata dos Mundos Visível e Invisíveis, do Método da Evolução do Ser Humano, Renascimento e Lei de Causa e Efeito.
Parte II – trata do Esquema de Evolução, em geral, e da Evolução do Sistema Solar e da Terra, em particular.
Parte III – trata do Cristo e da Sua Missão, do Futuro Desenvolvimento do Ser Humano e da Iniciação, do Treinamento Esotérico e do Método Seguro de Adquirir o Conhecimento Direto.
Há 4 meios de você acessar esse Livro, obra básica da Fraternidade Rosacruz:
onde você encontra o videobook ou videolivro do CONCEITO aqui:
O Conceito Rosacruz do Cosmos ou Cristianismo Místico – por Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – videobookBons Estudos 🙂

INTRODUÇÃO
Vamos conceituar, primeiro, o que é um Audiobook ou Audiolivro: nada mais é do que a transcrição em áudio de um livro impresso digital ou fisicamente.
Basicamente, é a gravação de um narrador lendo o livro de forma pausada e o arquivo é disponibilizado para o público por meio de sites. Assim, ao invés de ler, o interessado pode escolher ouvi-lo.
Um audiobook que obedece ao conceito de “livro-falado” tenta ser uma versão a mais aproximada possível do “livro em tinta” (livro impresso), a chamada “leitura branca”, que, mesmo desprovida de recursos artísticos e de sonoplastia, obedece às regras da boa impostação de voz e pontuação, pois parte do princípio de que quem tem de construir o sentido do que está sendo lido é o leitor e não o ledor (pessoas que utilizam a voz para mediar o acesso ao texto impresso em tinta para pessoas visualmente limitadas).
Para que serve audiolivro?
O audiolivro é um importante recurso, na inserção do no ecossistema da leitura, para:
O audiolivro é apreciado por um público de diversas idades, que ouve tanto para aprendizado como para entretenimento.
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Os cuidados de um Estudante Rosacruz trilhando o Caminho de volta à Deus
Nesse atual Esquema de Evolução em que estamos inseridos, houve um momento em que éramos ingênuos e inocentes. Guiados em tudo, protegidos em tudo, não tomávamos decisões próprias. Contudo, de acordo com o plano traçado por nosso Criador Deus Pai tínhamos que conhecer todas “as moradas” que ele criou para nós, os Seus filhos. E, ainda, considerando que fomos “feitos à Sua imagem e semelhança”, dentro de nós temos o preceito divino de criar por nós mesmos, de ousar, de ser original. Daí que continuar a ser autômato, guiado em tudo, não poderia ser um estado a durar todo o Esquema de Evolução.
Afinal, a Epigênese, aquela faculdade definida como “a liberdade para inaugurar algo inteiramente novo e não uma simples escolha entre dois cursos de ação”, faz parte de cada um de nós. Fomos criados com ela. Deus Pai já nos criou com ela. Então, como poderíamos ser autômatos, guiados em tudo para sempre?
Foi, então, graças à ajuda de seres vindos do Planeta Marte, os seres lucíferos – também conhecidos como Anjos caídos, espíritos lucíferos – que conseguimos nos livrar dessa dependência eterna.
Conhecemos o bem e o mal, usamos e abusamos da força sexual criadora. Conhecemos a dor e o sofrimento. Vivenciamos o egoísmo e a ambição. Todavia, conquistamos a Região Química do Mundo Físico. Transformamos essa Região num paraíso na Terra. Um lugar agradável de passarmos a nossa existência física. Tudo isso, como planejado pelo nosso Deus Pai.
Mergulhamos nessa Região do Mundo Físico a tal ponto de esquecermos dos outros Mundos! Acostumamo-nos a viver tão bem nesse Mundo que, para muitos, é impossível a existência de outros Mundos!
Estamos tão à vontade nesse Mundo, que tudo que procuramos fazemos comparações com algo desse Mundo. Pensar no concreto ficou mais fácil do que pensar no abstrato! Somos treinados a assim proceder desde que renascemos nesse Mundo, vida após vida.
Quando crianças, devido às forças que operam pelo polo negativo do Éter Refletor do nosso Corpo Vital serem extremamente ativas, temos uma clarividência involuntária. Ou seja: podemos “ver” outros Mundos, além deste. Frequentemente, quando crianças, falamos daquilo que, então, vemos, até que, por “dizer bobagens”, os castigos ou o ridículo que os adultos nos impõem nos fazem desistir de falar. É fato que as crianças têm invisíveis companheiros de brinquedo, que os visitam com frequência durante alguns anos de idade. Portanto, em virtude dessa insistência dos adultos e do mergulho na idade escolar – onde começamos a nossa convivência com a sociedade -, vamos fixando mais nossa atenção na Região Química do Mundo Físico.
Entretanto, estamos no mundo ocidental, no lado ocidental desse campo de evolução que conhecemos como Planeta Terra. Particularmente, estamos na parte onde estão a aprendizagem mais avançada para a espiritualidade: o Cristianismo.
Em outras palavras: os nossos irmãos e irmãs que renascem e vivem nesse lado já passaram o Nadir da Materialidade, o ponto mais baixo, mais denso que nós, como Espíritos Virginais, podemos alcançar na Região Química do Mundo Físico. Ou seja: já aprendemos a obter dessa Região tudo que poderíamos obter. Já conquistamos essa Região! Já conhecemos essa “morada” que Deus criou para nós. Ou ainda: já terminamos a Involução – a parte do Esquema de Evolução em que nos dedicamos à aquisição da consciência e à construção dos veículos (Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente) – e começamos a subir novamente na evolução – a parte do Esquema de Evolução onde convertemos os nossos Corpos em Almas e desenvolvemos a consciência até convertê-la em divina omnisciência. Ou seja, o objetivo é transformar e desenvolver as possibilidades latentes em poderes dinâmicos.
Tal qual lemos na Parábola do Filho Pródigo (Lc 15:11-32) em que o filho mais jovem sai da casa do pai. Após gastar tudo que tinha e conhecer tudo que podia, volta arrependido, mas cheio de conhecimento de outras moradas. Do mesmo modo, nós saímos da casa do Pai, ingênuos e inocentes – portanto, ignorantes – e começamos a nossa longa peregrinação através dos cinco Mundos mais densos que o Mundo que habitávamos no início (o Mundo dos Espíritos Virginais), os quais são: Mundo do Espirito Divino, Mundo do Espírito de Vida, Mundo do Pensamento, Mundo do Desejo e Mundo Físico.
Estamos voltando já com o conhecimento adquirido na Região Química do Mundo Físico. Não somos mais ingênuos neste Mundo. Somos conscientes e conseguimos conhecer este Mundo. Já sabemos compreender e podemos vivenciar o verdadeiro propósito desta vida, ou seja, a aquisição de experiências (e não a busca da felicidade).
E, mais ainda, já aprendemos que existem dois modos de adquirir essas tão valiosas experiências: pessoalmente (mediante a experimentação, muitas vezes dolorosa e dura) ou observando os atos alheios (raciocinando e refletindo sobre eles, guiados pela luz da experiência que já tenhamos alcançado).
Só o fato de já sabermos que esse é o objetivo desta existência mostra que estamos voltando à “casa do Pai”. E a aquisição dessas experiências é a nossa demonstração ao Pai de que aproveitamos o que ele criou para nós, que nos exercitamos como criadores.
São os talentos da Parábola que lemos em Mt 25:14-30, em que aqueles que utilizaram e multiplicaram tudo que Deus lhes deu, receberam mais. Entretanto, o preguiçoso, o medroso, o sovina, o avarento, até o único talento que tinha foi-lhe tirado, como lemos no versículo 29 do mesmo capítulo 25 citado acima: “Pois ao que tem muito, mais lhe será dado e ele terá em abundância. Mas ao que não tem, até mesmo o pouco lhe será tirado”.
Essa volta significa uma reorientação na nossa existência terrestre. É certo que continuaremos ainda, por muito tempo, na roda de nascimentos e mortes neste Mundo Físico, morrendo e voltando de tempos em tempos. É certo que continuaremos ainda, por muito tempo, com relações familiares, com obrigação de adquirir bens, de passarmos por tudo isso que significa funcionar no Mundo Físico. Afinal aqui é o baluarte da nossa evolução. Entretanto, considerando que a finalidade de nossa existência neste Mundo não é mais a aquisição de bens até ficarmos ricos, não é mais protegermos somente nossa família ou os nossos conhecidos, amparando-os e defendendo dos outros desconhecidos, enfim, não é mais a conquista deste Mundo, nem o de mostrar para os outros como se faz, então está na hora de buscarmos essa reorientação.
Com esse propósito de reorientarmos nossa existência, poderemos: assimilar melhor as lições que aqui aprendemos; construir corpos perfeitos para funcionar em cada Região de cada Mundo que Deus criou nos tornando conscientes dos outros Mundos, funcionar neles conscientemente e ajudar, mais eficientemente, nossos irmãos que tanto necessitam, companheiros na jornada, em direção à Deus.
Essa reorientação significa a renúncia de nós mesmos, detalhada pormenorizadamente na Bíblia, particularmente no Novo Testamento, que foi escrito especialmente para os que buscam a realização espiritual pelo único meio que é possível: o Cristianismo. Afinal, “a Bíblia foi nos dada pelos Anjos do Destino que, estando acima de todos os erros, dão a cada um e a todos exatamente o que necessitam para o seu desenvolvimento”.
Ao nos submetermos em viver os ensinamentos de Cristo, conforme fornecidos no Novo Testamento, oferecemos voluntariamente nossos Corpos como um sacrifício vivente sobre o altar da fraternidade e do amor incondicional, amor ágape.
Essa renúncia não é nada fácil. E também não haveria de ser. Passamos tanto tempo exercitando a aquisição de tudo que podíamos que, quando chega o tempo de exercitarmos o desapego, é lógico que haverá dificuldades.
Se a renúncia se dá com alguma reserva, porque talvez não se tenha plena confiança em Deus, sofremos por achar que não conseguimos fazer nada correto, que Deus é injusto. É o caso, por exemplo, de confiar em Deus, mas procurar se resguardar cultuando várias religiões ao mesmo tempo – em especial as não-cristãs –, pedindo para todas a solução do problema. É o caso de quando se tem uma doença (ou alguém querido doente) ir a todos os médicos, do mais barato ao mais caro e, só depois (quantas vezes quando a situação não pode ser explicada pelos médicos, ou que se trata de problema complicado!) “apelar” a Deus, e ainda tentando barganhas.
Se a renúncia se dá de uma maneira desordenada e superficial, a princípio tudo se oferece, despe-se de tudo, mas depois, combatido pela tentação, voltam às comodidades e não se progride em nada. Entristece-se e se revolta com os que buscam a verdadeira renúncia, não compreendendo que o problema está dentro da própria pessoa.
Nem os do primeiro, nem os do segundo caso chegarão à verdadeira renúncia que traz a verdadeira liberdade do coração puro.
Engana-se quem acha que engana a Deus.
Os dois primeiros casos estão como a história do jovem rico que lemos em Mt 19:16-22: “E eis que alguém se aproximou e Lhe disse: ‘Mestre, que de bom devo fazer para alcançar a vida eterna?’. Cristo disse: ‘Por que me perguntas pelo bom? Um só é o bom. Se quiseres entrar na vida, observa os mandamentos’. Disse-lhe ele: ‘Quais?’. Cristo respondeu: ‘Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não prestarás testemunho falso, honra pai e mãe e ama teu próximo como a ti mesmo’. Disse o jovem: ‘Tudo isso tenho observado. O que ainda me falta?’. Respondeu-lhe Cristo: ‘Se quiseres ser perfeito, vai vende tudo que tens, dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus; depois vem e me segue’”.
Ao ouvir isso, o jovem se foi triste, porque possuía muitos bens.
A renúncia a que Cristo sugere é bem entendida, em sua totalidade, no livro de Jó, no Antigo Testamento.
Lá lemos exemplos de total desapego de si mesmo, das suas posses, da sua felicidade, de todos a quem ele ama, por amor e confiança em Deus.
Esse desapego e renúncia nos liberam para o próximo passo para cima e para frente: a conquista e o trabalho consciente na Região Etérica do Mundo Físico.
E por que é tão necessária essa renúncia, esse desapego das coisas que, até então, nos agarramos?
Devido à Região Etérica do Mundo Físico ser a contraparte do Mundo do Espírito de Vida, o primeiro Mundo, de baixo para cima, onde cessa toda a separatividade, onde reina a fraternidade, onde Cristo — nosso guia e salvador — tem, como o Iniciado mais elevado do Período Solar, dos Arcanjos, o seu corpo mais inferior: o corpo Espírito de Vida.
Portanto, ao exercitarmos essa renúncia aqui, estamos adiantando para funcionarmos na Região Etérica num futuro não tão longínquo como todos pensam. Ao mesmo tempo estamos ajudando os nossos irmãos a percorrer esse caminho.
Se estamos numa Escola de Preparação para a Iniciação como a Fraternidade Rosacruz, Aspirante à Ordem Rosacruz, podemos ter certeza de que não é por acaso. Se somos verdadeiramente Aspirantes à Vida Superior, também não é por acaso. Simplesmente, chamamos para nós a responsabilidade de sermos vanguardeiros. Cada um sendo esteio no meio que está inserido. Cada um sendo a luz pequenina em cima do monte à disposição de quem dela precisa. Cada um sendo exemplo no meio em que está apontando o caminho, na maioria das vezes, não com pregações ou proselitismo, mas com exemplos de vida, de comportamento no seu dia a dia.
Afinal, enquanto Estudantes Rosacruzes são muitos os que nos observam e fazem de nós exemplos para suas vidas. São muitos os que dependem de nós, saibamos ou não. Portanto, se tropeçamos muitos tropeçam também. Se desistimos, muitos fracassam também. Contudo, a maior responsabilidade sempre será nossa. Afinal, escolhemos, de livre vontade, esse caminho. O caminho que vai de volta para a Casa do Pai!
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Pergunta: Se houver uma forte atração entre duas pessoas que não conseguiram uma consumação legal, mediante o casamento em virtude de ligações prévias, se uma delas morrer com esse desejo, há possibilidade de se reencontrarem no céu, se unirem e se casarem numa vida futura na Terra?
Resposta: Sim, com toda probabilidade. A atração sentida mutuamente e que não pôde encontrar aqui meio de expressão, em muitos casos, os reunirá mesmo antes da próxima vida. Embora não haja casamento no Céu, aqueles que se amam e são, num certo sentido, necessários um ao outro para obter a felicidade, são unidos por meio de um vínculo de amizade muito íntima durante a estadia no Primeiro Céu, se faleceram na mesma ocasião ou em data próxima. Contudo, se um deles permanecer no corpo por alguns anos mais depois do outro ter morrido, o que se encontra no Mundo celestial criará, por meio do seu pensamento amoroso, uma imagem do outro e infundirá vida nessa imagem. Não esqueçamos que o Mundo do Desejo é constituído de tal maneira que somos capazes de dar forma a qualquer pensamento nosso. Assim, embora essa imagem só seja animada pelo pensamento de ambos, do que morreu e do que vive ainda na região física, engloba todas as condições necessárias para preencher a felicidade desse habitante do Mundo celestial.
Da mesma forma, ao falecer a segunda pessoa, se a primeira tiver progredido até o Segundo Céu, sua chamada concha (o Corpo de Desejos em desintegração no qual ele ou ela viveu) responderá ao propósito e parecerá perfeitamente real ao segundo amante até que sua vida termine nesse reino. Então, quando ambos passarem para os Segundo e Terceiro Céus, o esquecimento do passado se processará, e poderão partir novamente para uma ou mais vidas sem sentimento de perda. Mas, em alguma época e em algum lugar, se encontrarão novamente e a força dinâmica que geraram no passado, por seu afeto mútuo, irá atraí-los inevitavelmente, e os unirá para que seu amor realize a legítima consumação.
Isto não se aplica somente aos amantes, na acepção geral da palavra, mas ao amor existente entre irmãos, pais e filhos ou amigos sem relação sanguínea. A nossa vida no Primeiro Céu é sempre abençoada e preenchida pela presença daqueles que amamos. Se eles não estiverem no Mundo espiritual e, portanto, não realmente presentes, suas imagens lá estarão. Não devemos pensar que essas imagens sejam pura ilusão, pois elas são animadas pelo amor e pela amizade, enviadas pelos ausentes em direção à pessoa de cuja vida celestial são uma parte.
(Pergunta nº 5 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. II – Fraternidade Rosacruz – Max Heindel)