porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Você teria permissão para informar ao meu irmão que faleceu novembro passado que, com um simples esforço de vontade, ele pode evitar que a matéria do Corpo de Desejos tome a forma de camadas concêntricas; ou seja, a matéria mais grosseira na camada externa e a mais pura na interna?

Pergunta: Meu único irmão faleceu em novembro passado e deve se encontrar em uma das Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Você teria permissão para informá-lo que, com um simples esforço de vontade, ele pode evitar que a matéria do Corpo de Desejos tome a forma de camadas concêntricas; ou seja, a matéria mais grosseira na camada externa e a mais pura na interna? Gostaria de lhe dizer que, com um esforço de vontade, ele poderia fazer a matéria das sete regiões do Mundo do Desejo, que forma o seu Corpo de Desejos, vir para a superfície desse corpo. Por esse meio ele seria capaz de entrar imediatamente em contato com as sete Regiões do Mundo do Desejo, em vez de se limitar às regiões inferiores. Acredito que não haja sérias objeções a esse uso da força de vontade.

Resposta: Essa pergunta se refere ao fato de que, quando a morte ocorre e o ser humano se encontra no Mundo do Desejo, as forças magnéticas do Átomo-semente estão esgotadas, o arquétipo está se dissolvendo e, consequentemente, a força centrífuga de Repulsão força a matéria de desejo do Corpo de Desejos para fora, em direção à periferia. A matéria pertencente às regiões inferiores é lançada para fora, primeiro pelo processo de purgação, que limpa profundamente o ser humano, livrando-o de todas as más ações da vida que acabou. Esse é o resultado da mesma lei natural que, no Mundo Físico, faz com que um Sol lance para fora de si a matéria que forma, em seguida, os Planetas. Interferir nessa lei seria calamitoso para qualquer ser humano, mesmo supondo que isso fosse possível, o que não é. Portanto, é inútil tentar ajudar o seu irmão dessa maneira.

É diferente com o Iniciado que vai ao Mundo do Desejo no decorrer de sua vida. O Átomo-semente do Corpo de Desejos forma, então, um centro natural de atração ou gravitação que mantém a substância de desejo desse veículo nas linhas habituais. Também é diferente para quem pratica os exercícios científicos dados pelas Escolas de Mistério. Tal pessoa está purificando constantemente o seu Corpo de Desejos da matéria mais grosseira, de forma que, na hora da morte, ela não é tão afetada pela força centrífuga de Repulsão quanto aqueles que não tiveram esse treinamento.

No entanto, há outro modo de ajudar alguém próximo de nós e que nos é querido, contanto que tenhamos a sua cooperação. Para tornar claro esse ponto, é necessário mencionar primeiro que, quanto mais grosseira for a matéria de desejo no Corpo de Desejos, mais firmemente ela aderirá a um ser humano; portanto, a expurgação pela força de Repulsão causa muito sofrimento e é isso que sentimos durante a experiência no Purgatório. Se nós estivéssemos totalmente dispostos a admitir e reconhecer os nossos erros, então, à medida que as imagens se apresentam durante o desenrolar do panorama da vida, ao invés de tentar justificativas ou nos deixar levar pela raiva e pelo ódio do passado, haveria muito menos dor envolvida na erradicação das más ações do nosso Corpo de Desejos. Se esse fato pudesse ser incutido em alguém que desejássemos ajudar, se pudéssemos levá-lo a um estado de espírito em que ele se mostrasse disposto, do fundo do seu coração, a reconhecer os seus erros e falhas, o processo da purgação seria mais curto e menos doloroso, e ele ascenderia às Regiões mais elevadas, onde a força de Atração predominaria em um tempo bem mais curto do que no caso contrário.

O mesmo resultado pode ser alcançado pela oração e, também, por bons pensamentos, os de elevada espiritualidade e auxílio, pois eles têm o mesmo efeito para aqueles que já estão fora do corpo, como as palavras, os atos bondosos e as ações fraternas têm sobre as pessoas que vivem neste mundo aqui.

(Pergunta nº 9 do Livro: “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Fogo com Ar-Condicionado

Fogo com Ar-Condicionado

Chiado e Faísca, que faziam tudo juntos, tinham vivido a maior parte de suas vidas em fogueiras que as pessoas acendiam na praia. Eram Salamandras muito jovens e conheciam muito pouco do resto do mundo, mas, Chiado pelo menos, achava que sabia muito sobre todas as coisas.

Durante todo o verão, Chiado e Faísca tinham pulado de uma fogueira para outra. Competiram para ver quem conseguia provocar a chama mais alta ou a maior faísca. Eram muito bons para aparecer no ar no momento em que um fósforo era riscado, mas nem sempre eram cuidadosos sobre como os fósforos queimavam. Às vezes, o Mestre Salamandra tinha que lhes dar uma boa reprimenda por quase terem queimado os dedos das pessoas e, muitas vezes, tinha que pô-los em terra. Então, eles só podiam arder no carvão, enquanto seus companheiros se divertiam muito nas chamas altas e crepitantes.

Uma noite, Chiado e Faísca estavam no meio de uma fogueira muito grande e muito especial.

— Puxa! exclamou Faísca, diminuindo a língua de uma chama. Que belo fogo. Tomara que eles continuem pondo lenha nele a noite toda.

— Está muito quente, queixou-se Chiado, dando desconsolado um pontapé em uma brasa.

— Muito quente? Faísca olhou para ele espantada.

O que você quer dizer, muito quente? Você sabe que fogo é quente.

— Eu sei, eu sei, disse Chiado, mas gostaria que tivéssemos fogo como esse negócio que as pessoas chamam de ar-condicionado. Ele deve refrescar as coisas.

— Ar cond… Você ficou biruta. Você deve ter andado ultimamente rondando muitas chamas azuis.

— Não, não, não, resmungou Chiado. Eu só gostaria que houvesse fogo com ar-condicionado, só isso.

É tão fora de propósito?

— Bem, disse Faísca, eu acho que é fora de propósito. Mais ainda, acho que é loucura. Ora, vamos. Esqueça esse estúpido ar-condicionado e vamos nos divertir.

— Não, disse Chiado, endireitando os ombros. Eu vou dizer para o Mestre Salamandra que eu quero morar num fogo com ar-condicionado. Eles inventaram o raio e inventaram o granizo, com certeza podem inventar fogo com ar-condicionado.

— Chiado, disse Faísca. Você está doido! E é melhor não falar com Mestre Salamandra desse jeito. Ele vai pôr você numa chama de vela onde não terá condições de pular para cima e para baixo, de jeito nenhum.

— Não, ele não vai fazer isso, disse Chiado com firmeza. O Mestre Salamandra é esperto. Ele deve saber como fazer um fogo com ar-condicionado. Você vai comigo ou está com medo? Faísca suspirou.

— Não, eu não sou covarde, disse, sim, eu vou com você. Nós sempre fazemos tudo juntos e eu não vou recuar agora. Mas, continuo pensando que você está louco.

Então, Chiado e Faísca foram procurar Mestre Salamandra, que estava descansando depois de um dia duro, pois esteve reavivando raios de quinze tempestades diferentes. Ele não parecia muito satisfeito em vê-los.

— O que é que vocês, meninos, estão fazendo aqui? perguntou impaciente. Quem está cuidando das fogueiras?

— Oh, os outros estão fazendo tudo direito. Eles não precisam de nós, senhor, respondeu Chiado, o mais respeitosamente que pôde, a fogueira é muito quente. Nós queremos morar num fogo com ar-condicionado.

Mestre Salamandra arregalou os olhos para Chiado.

— Misericordiosos Fósforos! exclamou. O que é que esta nova geração vai inventar mais? Em nome de tudo quanto é explosivo, para que você quer um fogo com ar-condicionado?

— Senhor, disse Chiado de novo, é que aquela fogueira está muito quente. Um fogo com ar-condicionado vai fazê-la ficar mais fresca. O senhor deve saber como fazer isso. Por favor, senhor.

Mestre Salamandra olhou para Faísca.

— Você também está nesta loucura? Perguntou.

— Não senhor, respondeu Faísca. Eu também acho que é loucura. Não existe fogo com ar-condicionado. Mas como Chiado e eu sempre fazemos tudo juntos, achei que era melhor ficar de olho nele, porque eu acho que ele está ruim da cabeça.

Um som estranho, zangado veio da garganta de Chiado, mas ele engoliu-o.

— Hummmm, hummmm, murmurou Mestre Salamandra pensativamente. Sua preocupação com seu amigo certamente é digna de elogios. Mas, na realidade, existe mesmo fogo com ar-condicionado.

— Ah! gritou Chiado, virando-se triunfante para Faísca. Eu não disse? E você disse que eu era louco.

— Contudo, continuou Mestre Salamandra. Não creio que você possa gostar de morar nele. Não é muito confortável.

— Oh, sim, senhor, eu gostaria de morar lá. Por favor, mande-nos para lá, pediu Chiado.

— Você não sabe nada sobre ele, Chiado, avisou Mestre Salamandra.

— Oh, eu sei, senhor, eu sei. Por favor, mande-nos para lá.

Mestre Salamandra ficou pensativo por um longo momento e por fim disse:

— Muito bem, se você insiste. Acho que só vai aprender por experiência própria. Agora, você, Faísca, não precisa ir se não quiser. Você é muito boazinha em querer vigiar Chiado, mas estou avisando, lá para onde vocês vão, não é agradável.

— Eu — eu suponho que não é, senhor. Mas, de qualquer modo, eu vou com Chiado, disse Faísca lentamente. Eu ainda acho que devo ficar de olho nele.

— Talvez sim, disse Mestre Salamandra, talvez sim. Muito bem, dirijam-se para Longitude 158.2 Oeste, Latitude 73.4 Norte, amanhã de manhã. Lá vocês vão encontrar seu fogo com ar-condicionado.

Duas horas depois, Chiado e Faísca deslizavam rapidamente pelo ar, bem acima da Terra. Eles vinham de muito longe e ainda tinham um longo caminho pela frente. Tinham visto estrelas que nunca viram antes, e tinham corrido sobre correntes de vento nas quais nunca tinham corrido antes.

Uma vez, o caminho deles tinha sido bloqueado pela maior e mais feroz Salamandra que já tinham visto, que reclamou, querendo saber o que eles estavam fazendo no seu território.

Chiado estava tão assustado que nem podia falar, mas Faísca arquejou e conseguiu dizer:

— Nós vamos para a Longitude 158.2 Oeste, Latitude 73.4 Norte. O Mestre Salamandra nos enviou. Meu amigo quer morar num fogo com ar-condicionado e eu vou ficar de olho nele.

Mesmo estando muito assustado, Chiado produziu um som estranho e zangado, mas Faísca e a Salamandra o ignoraram.

— Ele vai precisar mesmo de ter cuidado. Esse garoto biruta – fogo com ar-condicionado, bolas! Imagino quem é que vai tomar conta de vocês. Bem, podem atravessar meu território. Eu não invejo vocês.

Finalmente, chegaram à Longitude 158.2 Oeste, Latitude 73.4 Norte e mergulharam para pousar na Terra. O solo estava coberto por uma coisa branca, e as únicas cores que podiam ver por quilômetros ao redor, eram o branco do solo e o cinza de um céu pouco amistoso.

— Como é que isto tudo é tão branco? Perguntou Chiado. Que negócio é este?

— Isto deve ser neve, disse Faísca. Eu ouvi falar nisto. É qualquer coisa como água, só que mais fria. Se você puser muito disto em um fogo, o fogo apaga.

— Ah! estremeceu Chiado. Faz frio também. Brrrr. Eu não gosto daqui. Este não deve ser o lugar certo. Eu não vejo fogo algum.

— É aqui mesmo, sim, disse Faísca, que também não estava contente. Olhe ali.

No chão, havia uma coisa branca com o formato de metade de uma bola de baseball, como as que as crianças humanas jogam nas praias. Um fio de fumaça estava saindo de uma abertura.

— Venha, disse Faísca. É melhor resolver isto.

— Lá? disse Chiado recuando.

— Onde então? Mestre Salamandra disse que a gente não ia gostar disto aqui. Talvez agora você acredite nele. Venha.

Faísca deslizou através daquela construção branca. Chiado não teve outro remédio senão segui-la. O lugar onde eles entraram era úmido e frio, frio de amargar. Fez as duas Salamandras sentirem-se tão fracas, que nem tiveram energia suficiente para acender um vagalume.

Dentro, muitas pessoas estavam amontoadas em redor de um fogo, que as salamandras acharam sem personalidade alguma. Não troava, não estalava, não subia alegremente pelo ar. Mas, também não era quente, pelo menos comparado com uma fogueira.

— Aí está o seu fogo com ar-condicionado, disse Faísca. É justamente o que você queria. Você deve estar contente agora. Não posso entender por que você não parece ser feliz.

— Oh, não amole! resmungou Chiado. Eu não sabia que ia ser assim. Por que este lugar é tão frio?

— Eu pensei que você queria que fosse frio, retorquiu Faísca. Faz frio porque aqui é o Círculo Ártico e nós estamos em um iglu, que é o mais próximo do ar-condicionado que se pode ter.

— Como é que você sabe? perguntou Chiado.

— Porque eu presto mais atenção na aula de geografia do que você, disse Faísca indiferentemente. Bem, vamos entrar no fogo. Foi para isso que viemos.

Então, Faísca e Chiado entraram no fogo, mas perceberam que não tinha graça nenhuma. O fogo era tão fraco que Chiado, pulando nele para cima e para baixo, quase o apagou.

— Devagar, avisou Faísca. Você agora não está numa fogueira. Você não pode pular para cima e para baixo como lá.

— Eu sei que não estou numa fogueira, rosnou Chiado, e eu preciso pular para cima e para baixo porque eu estou com frio.

— Você queria ficar com frio, lembrou-lhe Faísca, pouco simpaticamente. E se você apagar esse fogo, não haverá mais fogo algum, aí sim, é que você vai sentir frio.

E, com essa feliz observação, Chiado e Faísca acomodaram-se para morar no seu fogo com ar-condicionado. Dia após dia, eles se movimentaram com cuidado dentro dele, sem nunca subir ou pular, nunca escorregando pelas línguas de fogo, nunca espalhando faíscas chiando para todos os lados. Algumas vezes, ficavam com frio e outras ficavam gelados mesmo — mas, certamente, não podiam se queixar de estar com calor!

Até que uma manhã, Chiado não pôde nem se mexer. Ficou encolhido numa brasa e nem prestava atenção à Faísca, que estava fazendo alguns exercícios de aquecimento.

— Vamos, Chiado, levante-se, insistia Faísca. Você vai ficar mais quente se você se mexer um pouco.

— Está frio demais para eu me mexer, murmurou Chiado, com voz tão fraca que Faísca quase não podia entendê-lo. Eu vou ficar sentado aqui.

Faísca olhou para ele, preocupada.

— Você não pode ficar sentado, disse, você vai morrer de frio.

— Eu sei, murmurou. Eu não me importo.

— Chiado! exclamou Faísca, realmente alarmada. Você tem que se importar. Você não pode simplesmente morrer de frio! Vamos — Levante-se!

— Deixe-me em paz! murmurou Chiado, mal abrindo a boca.

Levante-se, ordenou Faísca, agarrando Chiado e levantando-o.

Mas, quando ele o largou, Chiado despencou outra vez.

— Deixe-me em paz! murmurou outra vez.

— Não, eu não vou deixá-lo em paz! Gritou Faísca quase chorando. Levante-se e fique em pé!

Mais uma vez Faísca pôs Chiado de pé. Ela o arrastou para lá e para cá no fogo.

— Vamos, Chiado, mexa-se, ordenou. Mexa-se! Mexa-se!

— Não, murmurou Chiado. Deixe-me em paz!

— Pare de dizer isso!, gritou Faísca. Eu não vou deixar você em paz. Eu não vou deixar você morrer de frio. Agora, ande, continue andando. Um — dois — três — quatro, um — dois — três — quatro!

Durante todo o dia, Faísca arrastou um Chiado relutante para lá e para cá em um fogo fraquinho. Chiado não cooperava nada, ele só queria se esparramar no chão e morrer de frio.

Até tarde da noite, Faísca ficou arrastando Chiado para lá e para cá. Tentou tudo o que podia para aquecer Chiado. Insultou-o, fez piada sobre o fogo com ar-condicionado, xingou-o. Mas, Chiado não ficava em pé sem que Faísca o segurasse, e tudo o que dizia era: Deixe-me em paz! Deixe-me em paz!

Então, quando Faísca completamente exausta, estava quase desistindo, um brilho quente encheu o iglu.

— Bom trabalho, Faísca, estou orgulhoso de você, disse Mestre Salamandra. Eu vim assim que recebi sua mensagem por pensamento, e acho que cheguei na hora certa. Chiado certamente estaria perdido sem você para cuidar dele.

Dizendo isso, Mestre Salamandra fez duas chamas e numa embrulhou Faísca e na outra Chiado. As chamas eram quentes — ardentemente quentes como a maior fogueira. Num instante as duas salamandras estavam quentinhas e fortes de novo, como se nunca tivessem estado num fogo com ar-condicionado.

Chiado quase se esqueceu que há um minuto a única coisa que queria era morrer de frio. Mas, lembrou-se o suficiente para dizer:

— Obrigado, Mestre Salamandra. E obrigado, Faísca. Vocês dois salvaram a minha vida.

— Oh isso não foi nada, disse Faísca embaraçada.

— Não, Faísca, isso foi muito, disse Mestre Salamandra com voz severa. Chiado fez um jogo muito perigoso quando pensou que sabia melhor do que eu, o que era melhor para ele. Se você não tivesse sido tão leal com ele, Faísca, na certa ele teria morrido de frio. Você quase perdeu a sua vida por causa da tolice de Chiado. Espero que ele tenha aproveitado a lição.

— Aprendi a lição, sim, senhor, disse Chiado com voz tão humilde como ninguém ainda o tinha ouvido usar. De agora em diante, prometo ouvir o que as pessoas mais sensatas e com muita experiência disserem, e pensar com muito cuidado sobre as coisas que eu quero fazer.

— Ótimo, Chiado. Espero que seja verdade. E agora, disse Mestre Salamandra, acho que é hora de voltarmos para a nossa praia. Amanhã é sábado e haverá muitas fogueiras. Vamos embora.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. VII – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa – como oficiar e como participar

O Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa é oficiado na véspera do Natal, dia 24 de Dezembro nos Centros da Fraternidade Rosacruz espalhados pelo mundo.

O irmão ou a irmã que não possa ir a um Centro Rosacruz poderá oficiá-lo em seu lar com familiares e amigos, preferencialmente, no horário indicado e sempre no mesmo local.

Perceba que o Ritual é dividido em três partes bem distintas:

1ª – Preparação – composto por músicas e textos que visam preparar o ambiente, separando o ambiente externo (de onde vem o Estudante) do interno (para o interior do Estudante).

2ª – Concentração – é o clímax do Ritual, onde o Estudante se dedica a se concentrar com toda a sua dedicação, foco, disposição e vontade no Serviço amoroso e desinteressado voltado exclusivamente para a divina essência do irmão e da irmã “que sofre, que chora, que ri” utilizando todos os meios disponíveis: pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras, atos, obras e ações.

3ª – Saída – composto por uma admoestação de saída e música que visam preparar o Estudante para internalizar tudo o que aqui falou, ouviu, participou e se concentrou, recebendo toda a força espiritual gerada durante a oficiação do Ritual, a fim de aplicá-la no seu dia a dia, se esforçando para o cumprir no tema concentrado: servir amorosa e desinteressadamente exclusivamente a divina essência do irmão e da irmã “que sofre, que chora, que ri” utilizando todos os meios disponíveis: pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras, atos, obras e ações.

a) Se você quiser saber exatamente como oficiar, assista o vídeo do nosso canal no Youtube: Tutorias, Dicas e Detalhes dos Ensinamentos Rosacruzes clicando aqui: Como Oficiar o Exercício Esotérico Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa

b) Se você quiser oficiar o Ritual, então acesse o texto aqui: Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa

c) Se você quiser “participar” da oficiação como um ouvinte, então é só clicar no áudio abaixo, seguindo as seguintes observações:

  1. se puder prepare o ambiente ouvindo o Adágio da 9ª Sinfonia de Beethoven. Se não a tiver, clique aqui para acessá-la: Adágio Molto e Cantabile – da Sinfonia nº 9 em Ré Menor de L. V. Beethoven
  2. atente para os momentos:
  • de ficar em pé – do início até o oficiante dizer a saudação Rosacruz (“que as rosas floresçam em vossa cruz”) e você responder: “e na vossa também”, quando então você se senta e se concentra na audição do texto do Ritual
  • você se levanta quando terminada a Concentração e o oficiante vai começar a cantar/falar o Hino Rosacruz de Encerramento
  • no final quando o oficiante dizer a saudação Rosacruz (“que as rosas floresçam em vossa cruz”) e você responde: “e na vossa também”.
  1. Agora, é só clicar em um dos dois áudios abaixo:
Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa –
Hinos de Abertura e Fechamento Rosacruz Falados
Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa –
Hinos de Abertura e Fechamento Rosacruz Cantados

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Sacramentos Cristãos

Os Sacramentos Cristãos

A presente fase de nossa evolução, aqui no plano físico, vivemos na condição de obscuridade espiritual.

Mas, as Hierarquias Criadoras nos têm prestado uma maravilhosa ajuda por meio das Sagradas Escrituras.

Sabemos que através da Bíblia o ser humano tem recebido mais luz espiritual.

A Bíblia foi dada à humanidade pelos Anjos do Destino, que estão acima de todo erro, e que permanecem sempre dispostos para auxiliar aqueles que buscam compreensão, conforto e sabedoria.

E mesmo assim levará muitos anos (e, talvez vidas) para que possamos compreendê-la inteiramente.

Pois, ela é na verdade um elo dos Anjos com a humanidade. E dentro desse livro sagrado e que serve para nos dar mais impulso espiritual encontramos os Sacramentos Cristãos, que são verdadeiras dádivas de crescimento espiritual.

Os Sacramentos estão relacionados com a transmissão dos Átomos-sementes que formam os núcleos dos nossos diferentes corpos e veículos para cada nascimento aqui, na Região Química do Mundo Físico. Em que “Sacr” significa o “portador do germe”. Seria o germe do nosso corpo colocado em terreno fértil, que no caso do Corpo Denso nada mais é do que o útero da mãe.

E quais são os sete Sacramentos dados por Cristo aos seus Apóstolos? São: Batismo, Confirmação, Sagrada Comunhão (Eucaristia); Matrimônio; Penitência; Ordem Sacerdotal e Extrema-Unção.

Eles são simbolizados por rituais de curta duração, porém seu propósito é de nos prover de uma contínua ajuda para o nosso crescimento espiritual.

Não consideremos os Sacramentos como meras cerimônias, mas sim como exercícios espirituais de grande poder para o ser humano.

E toda vez que lemos a Bíblia e invocamos a ajuda dos Anjos do Destino, assim também quando vivemos o verdadeiro significado dos Sacramentos, estamos atraindo o Raio de Cristo para nosso preparo evolutivo.

Vamos falar agora do Sacramento do Batismo. Quando nos referimos ao Batismo, logo vem a nossa mente a criança que, após o nascimento no Mundo Físico, é levada pelos pais à Igreja para o ritual do Batismo, quando o ser humano se torna um herdeiro do céu. No Evangelho Segundo São Mateus em 3:11, lemos: “Eu vos batizo com água, em sinal de penitência…”. Mas devemos buscar uma outra explicação para o verdadeiro sentido do Ritual do Batismo. Vamos retroceder na nossa história evolutiva e buscar lá na verdadeira Memória da Natureza (que está no Mundo do Espírito de Vida) as imagens daquele tempo antes de formar o Planeta Terra, tal como conhecemos hoje. Era um lugar escuro e sem forma, como mostra no Livro do Gênesis em 1:2: “A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas”. Era uma massa ígnea que gerava calor e sua volta era rodeada por água fervente e então o vapor foi jogado para a atmosfera. E, assim, Deus disse: “Faça-se um firmamento entre as águas e separa ele uma das outras”. E quando se completou o processo de evaporação, houve a formação de uma crosta em volta deste centro ígneo. E a terra foi se solidificando.

E nós habitávamos essa terra nos lugares mais duros e resfriados. Mas nossa forma era muito diferente do que somos hoje. Éramos enormes e pesados. Tínhamos apenas percepção interna. O nosso desenvolvimento era voltado para dentro. Só conseguíamos perceber as qualidades espirituais e não os materiais, pois ainda não tínhamos aberto os olhos. Não existia nenhuma nação ou raça. Constituíamos uma vasta fraternidade, uma grande família, em que não havia o egoísmo, a astúcia, a maldade. Mas, vivíamos numa condição de inocência infantil. E todos estávamos em contato com o Espírito Universal que nos guiava em tudo. Ainda no final desse momento nesse Esquema de Evolução, quando ganhamos o germe da Mente e começamos a trabalhar com esse veículo, o utilizamos na forma de justificar os nossos desejos mais inferiores, desenvolvendo a astúcia e todos os meios para conseguir o que queríamos, fosse para o bem ou para mal dos outros (e de nós mesmos). Tornamo-nos egoístas e até egocêntricos. E, depois, quando deixamos a atmosfera desse lugar, a Atlântida, abrimos nossos olhos e percebemos a Região Química do Mundo Físico, ocasião em que tomamos consciência do nosso “Eu” individual; por uso e abuso da força sexual criadora nos tornamos mais egoístas e mais astutos, o que provocou nosso distanciamento dos demais. Sob a Lei de Consequência fomos nos tornando cientes do motivo dos sofrimentos gerados por nós mesmos e aos poucos fomos nos reparando e evoluindo. Essa compreensão da vida, de seus males e da morte só poderia ser assimilada pelo coração, já que a razão estava envolta em conquistar, adquirir, acumular egoisticamente. As experiências adquiridas em vidas anteriores e nesta vida têm nos ensinado que o “caminho largo” é dotado de dores, tristezas e desenganos; porém, quando se trilha o “caminho estreito” e reto podemos até sublimar a morte e entrar para a vida eterna. Mas, hoje quando conseguimos progredir no caminho evolutivo e passamos a apreciar as bênçãos da fraternidade vencemos o egoísmo, e cultivando o altruísmo poderemos então submeter-nos ao Ritual do Batismo. E quando sentimos o nascimento de Cristo dentro de nós, estamos em contato direto com essa inspiração divina, e esse é o primeiro passo para o Batismo. O Batismo Místico pode ocorrer em qualquer lugar e qualquer hora. O Batismo Espiritual do Cristo místico produz o sentimento Fraterno Universal. O verdadeiro significado do Sacramento do Batismo é o anseio germinal do Espírito por uma vida superior, o plantio de uma semente espiritual. E devemos fazer parte dessa grande Fraternidade, deixando de lado o proveito próprio, egoísta e buscar o principal incentivo para ação que é o serviço amoroso e desinteressado para com os outros, sempre focando esse serviço na divina essência oculta em cada irmão e em cada irmã. Cristo define esse tipo de serviço na seguinte frase: “Aquele que quiser ser o maior entre nós, seja o servo de todos”.

Vamos agora, tratar do Sacramento Cristão da Confirmação: esse Sacramento está relacionado com a imersão do nosso Espírito na matéria. Quando desejamos ardentemente obter novas experiências ingressamos para um novo nascimento. Assim, atraímos por meio do Átomo-semente de cada Corpo e do veículo Mente o material a ser utilizado como base para a construção deles para a próxima vida aqui. E então fazemos a escolha para o renascimento e, com a ajuda dos Anjos do Destino, somos auxiliados a escolher o panorama da próxima vida e construir a teia do destino para que nenhum ato nosso se frustre no cumprimento do destino escolhido. Depois de tudo pronto confirmamos o nascimento para uma nova vida aqui, onde aprendemos mais e colocamos em ação os ensinamentos obtidos em vidas passadas.

Agora, vamos ao Sacramento da Sagrada Comunhão (a Eucaristia): a Comunhão está relacionada aos Corpos Vital, Desejos e à Mente. Nós como Egos, Espíritos Virginais manifestados da onda de vida humana, começamos nossa peregrinação através da matéria e chegamos a uma Época aqui no Período Terrestre conhecida como a Época Lemúrica. Quando em formação, recebemos ajuda das grandes Hierarquias Criadoras que guiavam todos nossos passos. Até o alimento que comíamos era escolhido para que pudéssemos obter o melhor material apropriado para construir os vários veículos de consciência para o nosso processo de crescimento anímico. Lembrando que naquela Época a nossa consciência era voltada para dentro de nós mesmos (para construirmos os nossos órgãos, sistemas, tecidos, etc…). E assim nos evoluindo até que em meados da Época Atlante (a próxima depois da Época Lemúrica), o Sol físico “brilhou pela primeira vez sobre nós”, ou seja, desenvolvemos o que precisávamos para perceber a existência do Sol enquanto renascidos aqui. Então pudemos deslumbrar das maravilhosas formas e belezas da natureza da Região Química do Mundo Físico. Vimos a nós mesmos como um ser separado e independente de todos os outros. Mas já havíamos adquirido a faculdade para iniciar na escola da experiência, que é o mundo dos fenômenos, dos efeitos. Éramos livres para desempenhar nosso papel no mundo e aprendermos as lições, coordenadas pelas leis da natureza. Hoje, em função de uma vida atropelada de afazeres desenfreados e na busca de riqueza material e poder também material acabamos por esquecer as necessidades do amor, de se doar e de agradecer o ganho do pão diário. Na Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, capítulo 10, versículo 31, lemos: “Quer comais, quer bebais ou façais qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.”.

Da Terra se extrai o alimento para nossas refeições e esse sustento é o Corpo do Espírito de Cristo que mantém o Planeta Terra para que possamos evoluir. E esse Corpo nos é doado amorosamente todos os dias quando nos servimos da substância extraída da terra e que muitas vezes esquecemos de agradecer o alimento que é colocado à mesa. E saber que muitos nem lembram de agradecer todo esse trabalho de amor do Cristo para manter o planeta rejuvenescido e cheio de vida. A Santa Comunhão está relacionada ao “pão feito da semente (grão) da planta casta e pura” e ao “cálice preenchido com o suco da videira, também da planta casta e pura desprovida de paixão”; isso tudo simbolizado pela Última Ceia. E na Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, capítulo 11, versículos de 23-30, lemos: “O Senhor Jesus, na mesma noite em que foi traído tomou o pão, e depois de dar graças partiu-o e disse: ‘Tomai e comei; este é Meu Corpo, que se parte para vós. Fazei isto em memória de mim’. E depois de ceado tomou a taça e disse ‘Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; fazei isto todas as vezes que o beberes, em memória de mim… Porque qualquer um que come deste pão e beba deste cálice, indignamente, será réu do corpo e sangue do Senhor… pois come e bebe sua própria condenação. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes, e não poucos que dormem’”. Quando partilharmos do pão e do vinho estaremos construindo a Época futura, a Nova Galileia. Uma Época, em que não necessitaremos mais usar o Corpo Denso para transmitir “a semente da vida”, através do útero materno. Mas será uma Época, em que poderemos nos alimentar diretamente da Vida Cósmica e, assim, não precisaremos mais morrer aqui para assimilar as experiências da vida.

A perfeita execução do Sacramento da Comunhão podemos ler aqui na Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, Capítulo 11, versículos de 23 a 30: “… na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim’. Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim’. Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha. Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação. Eis porque há entre vós tantos débeis e enfermos e muitos morreram.”.

“São Paulo exprimiu uma verdade esotérica quando disse que aqueles que tomam a Comunhão sem viver a vida, estão em perigo de doença e morte. Assim como, sob uma tutela espiritual, a pureza de vida pode elevar o discípulo de maneira maravilhosa, assim também a incontinência produz um efeito muito maior sobre os corpos mais sensibilizados do que sobre aqueles que estão ainda sob a lei e não se tornaram participantes da graça, pelo cálice da Nova Aliança.”.

Agora, vamos ao Sacramento do Matrimônio: os Sacramentos do Batismo e da Comunhão estão relacionados com o Espírito, mas o Sacramento do Matrimônio está relacionado ao corpo. É a colaboração com a espécie humana. Houve um tempo em que vivíamos sem pecado, isto é, não éramos conscientes nem da dor e nem da morte. Porém, fomos tentados pelos Anjos Lucíferos, os Anjos caídos, que nos sugeriram um caminho de atalho para “conhecer” a Região Química do Mundo Físico, por meio da desobediência ao plano liderado pelos Anjos. Muitos de nós atenderam à sugestão e mais do que isso, abusaram no desperdício da força sexual criadora para gratificar os seus sentidos inferiores. O resultado de atender à sugestão foi a focalização da nossa consciência na Região Química do Mundo Físico, nos centrando no lado material; foi a conscientização da Lei de Causa e Efeito, ou Lei da Consequência e, assim, passamos a responder por nossos atos, conhecendo a Lei do Renascimento e a morte aqui nesta Região. O abuso nos trouxe a dor e o sofrimento que hoje sentimos. A partir daí, como podemos ler no Livro do Gênesis, capítulo 3, versículo 16: “Disse também à mulher: “Multiplicarei os sofrimentos de teu parto, darás à luz com dores”. A morte é o preço que pagamos por abusar da força sexual criadora. Agora, o Sacramento do Matrimônio é necessário para o nascimento de novos veículos, que pensamos inicialmente para os Egos que aguardam uma oportunidade para renascer aqui, mas que depois de uma análise mais profunda, concluímos que é para garantir a nós mesmos a chance de renascer em vidas futuras também aqui e, assim, continuar o nosso desenvolvimento. Na Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, capítulo 15, versículo 38, lemos: “Deus, porém, lhe dá o corpo como lhe apraz e a cada uma das sementes o corpo da planta que lhe é própria”. Esse “germe” do nosso Corpo Denso ainda precisa ser depositado em solo fértil, para desenvolver um veículo denso adequado e realizar o propósito de sua evolução.

O maior exemplo da execução desse Sacramento vemos em Maria e José: a mãe de Jesus, a Virgem Maria, possuía, também, a mais elevada pureza humana, por isso foi escolhida para ser a mãe de Jesus. O pai de Jesus, José, era um elevado Iniciado, capaz de realizar o ato de fecundação como se deve realizar no Sacramento do Matrimônio, sem nenhum desejo ou paixão pessoal.

E como temos um Corpo de Desejos que nos dá incentivo à ação por meio do Corpo Denso, mas por outro lado o destrói, precisamos também de um Corpo Vital para ir reparando esses danos no Corpo Denso, até um momento em que não mais se consegue. E, ainda, precisamos de dois seres unissexuais para que possa haver a geração de um novo Corpo Denso. Consideremos o matrimônio como união de duas almas ao invés de dois sexos; pois o verdadeiro matrimônio transcende ao sexo. E toda vez que dois seres se unirem para galgarem esse plano de intimidade espiritual, oferecendo seus Corpos para receber “aquele” que vai nascer, certamente proporcionará ao Ego a chance de um Corpo com melhores condições de se desenvolver espiritualmente. Porém, se a criança for concebida levando em consideração a natureza cristalizante do Corpo de Desejos (fruto de um “sexo casual”, de uma orgia sexual, de uma relação regada à bebida alcóolica ou a drogas lícitas ou ilícitas), o Ego poderá até ter uma vida curta e, muitas vezes, sofrida.

Existem pessoas que por motivos egoístas ou por maior comodidade e para poderem se entregar à paixão sexual ilimitada não são favoráveis a ter filhos, apesar de terem todas as condições financeiras, morais, psicológicas e físicas para tal.

“Como os outros sacramentos, a instituição do matrimônio teve seu começo e terá seu fim. Seu início foi descrito por Cristo quando Ele disse: “Não tendes lido que o Criador desde o princípio, os fez homem e mulher?” E disse: “Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne. Por isso não mais são dois, mas uma só carne”, como lemos no Evangelho Segundo São Mateus, capítulo 19 e versículos de 4 a 6.

E o seu fim foi anunciado por Cristo, por meio da Sua missão, em que veio para nos elevar, ajudando-nos a alcançar um estado mais elevado no qual não mais será necessário a roda de nascimento e morte. No Evangelho Segundo São Mateus, no capítulo 22, versículo 30, lemos: “Na ressurreição eles não se casarão nem serão dados em casamento, mas serão como os Anjos de Deus no céu”.

Agora, vamos ao Sacramento da Penitência: esse Sacramento é parecido com o Exercício de Retrospecção que o Estudante Rosacruz faz todas as noites quando se recolhe para dormir. Consiste em uma confissão ao Pai (“Eu Superior”) cada noite, de todos os acontecimentos do dia, arrependendo-se com toda sinceridade por todos os pecados cometidos. E mantendo o firme propósito de se reformar intimamente. Podemos ler no Conceito Rosacruz do Cosmos, em que Max Heindel declara que “A prática vespertina da Retrospecção é o exercício espiritual mais poderoso que tem sido dado ao ser humano”. Quando praticamos esse ato de penitência certamente permaneceremos menos tempo no Purgatório e no Primeiro Céu.

Agora, vamos ao Sacramento da Ordem Sacerdotal: esse Sacramento é mais uma conduta que todo Aspirante à vida superior terá que buscar no seu caminho. É quando, por meio de meditações e disciplina, se consegue elevar acima de qualquer necessidade para a expressão das energias criadoras. A aspiração espiritual precisa ser amadurecida pelo tempo e só chega quando obtemos as condições particulares sob as quais devemos procurar satisfazê-la. E esse Sacramento não está reservado apenas ao clero de uma Religião. O Aspirante à vida superior produzirá uma purificação em seus corpos que o classifica a gerar veículos puros. E criando oportunidades de renascer em Corpos e veículos mais desenvolvidos e exercer uma maior ajuda à humanidade.

Agora, vamos ao Sacramento da Extrema-unção: esse Sacramento está relacionado com o momento que morremos aqui e nascemos nos Mundo espirituais. É o Sacramento que marca um total rompimento do Cordão Prateado e a extração do gérmen sagrado, até que volte a ser plantado novamente em outra mãe. É o momento em que aspiramos a desenvolver nosso trabalho do outro lado e, então, assimilar tudo o que aprendemos na nossa última existência terrestre.  

Sabemos agora da importância de todos os Sacramentos na nossa vida. Por isso reafirmamos os nossos esforços pelos seus estudos e para que possamos abrir um por um desses selos sagrados que são as dádivas dos Anjos do Destino dadas à humanidade.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Se um espírito desencarnado pode atravessar uma parede, ele também pode atravessar uma montanha e a Terra, e pode ver o que está no seu interior?

Pergunta: Se um espírito desencarnado pode atravessar uma parede, ele também pode atravessar uma montanha e a Terra, e pode ver o que está no seu interior?

Resposta: Isso depende do tipo de Espírito desencarnado que o consulente tem em mente. Quando uma pessoa morre, ela é exatamente a mesma que era antes, com a exceção que não tem mais o Corpo Denso e, por conseguinte, é perfeitamente capaz de atravessar uma parede ou até uma montanha. Mas, não é capaz de passar através da Terra.

É bem conhecido que embora a maioria dos Clarividentes ou dos sensitivos às forças e influências não físicas ou sobrenaturais é capaz de dizer muito a respeito de algo digno de ser visto e das cenas do Mundo do Desejo, há muitas poucas informações sobre o interior da Terra, pois os Clarividentes comuns sabem que, se tentarem penetrar na Terra, ocorrerá com eles algo semelhante ao que se constata quando um ser humano se atira contra uma parede. Isso ocorre porque a Terra é o corpo de um grande Espírito e esse Espírito não pode ser acessado internamente, a não ser por meio do Caminho da Iniciação. Há nove estratos de espessura variada na Terra, ao redor do núcleo mais recôndito, esse constituindo-se como sendo uma décima parte, e as Iniciações ou Mistérios Menores são as chaves que permitem o acesso até esse núcleo.  Há nove graus de Iniciação ou Mistérios Menores e em cada grau o candidato se torna capaz de penetrar no estrato correspondente da Terra, enquanto a décima Iniciação já se relaciona com as Iniciações ou os Mistérios Maiores, que são em número de quatro. A primeira ensina tudo quanto pode ser ensinado ao ser humano sobre o Período Terrestre; a segunda das grandes Iniciações lhe traz o conhecimento que será adquirido por toda a humanidade no final do Período de Júpiter; a terceira das grandes Iniciações lhe traz a sabedoria a ser alcançada pela humanidade no fim do Período de Vênus, e a quarta completa a sua evolução no presente Esquema de Evolução. Ele ocupará a mesma posição que a humanidade terá no final do Período de Vulcano. Então, ele saberá tudo o que a Terra conterá nessa incorporação e em suas futuras manifestações. As Iniciações ou os Mistérios Menores também lhe ensinarão a evolução pela qual passou nos três Períodos anteriores ao nosso atual Período Terrestre. Esses são os segredos encerrados na Terra, e aí permanecerão até que o próprioser humano possa abrir essa porta de maneira correta; assim, nenhum Espírito, esteja no corpo ou desencarnado, pode ver o que está no interior da Terra até que as portas da Iniciação tenham despertado suas faculdades latentes.

(Pergunta nº 55 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

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Sugestões para o Exercício de Concentração

Sugestões para o Exercício de Concentração

Todos nós sentimos, por vezes, a necessidade urgente de enviar pensamentos de ajuda a alguém; contudo, por muito grande que seja o nosso desejo, só os pensamentos concentrados têm a força suficiente para atingir o seu destino. Devem ser dirigidos numa única direção para que, como os raios do sol concentrados numa lente de aumento, possam acender o fogo do seu objetivo. O Aspirante à vida superior deve aprender a controlar e a canalizar os seus pensamentos; por meio de um esforço persistente conseguirá concentrar perfeita e voluntariamente a sua Mente, em qualquer altura desejada.

Contudo, como o método de Concentração é frio e intelectual, o Aspirante à vida superior tem que o desenvolver utilizando a oração. No Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”, Max Heindel nos diz que “o Aspirante deve conquistar, sistematicamente, todos os arrebatamentos do Corpo de Desejos e assumir o próprio domínio. Isso se efetua pela concentração sobre elevados ideais, que vigoriza o Corpo Vital. É um meio muito mais eficaz do que as orações da igreja. O ocultista cientista prefere empregar a concentração à oração porque a primeira realiza-se com o auxílio da Mente, que é fria e insensível, porquanto a oração, geralmente, é ditada pela emoção. Feita com devoção pura e impessoal, dirigida a elevados ideais, a oração é muito superior à fria concentração. Aliás, nunca poderá ser fria, porque voa para Divindade sobre as asas do Amor, a exaltação do místico.”.

A concentração intensa constrói uma forma de pensamento viva, uma imagem clara e verdadeira. Na concentração focalizamos toda a nossa atenção num só tema ou ideia.

Como introdução aos Exercícios de Concentração, o Estudante pode utilizar a ‘Oração’ que Max Heindel nos deixou no livro Véu do Destino (“A Oração do Estudante Rosacruz”):

“AUMENTA O MEU AMOR POR TI, Ó DEUS, PARA QUE EU POSSA SERVIR-TE MELHOR A CADA DIA QUE PASSA. FAZE COM QUE AS PALAVRAS DOS MEUS LÁBIOS E AS MEDITAÇÕES DO MEU CORAÇÃO SEJAM SEMPRE AGRADÁVEIS À TUA PRESENÇA, Ó SENHOR, MINHA FORÇA E MEU REDENTOR”.

Repita-a várias vezes, devagar, destacando a primeira ideia na primeira vez, depois a segunda na segunda vez, a terceira na terceira, e assim sucessivamente, durante alguns minutos. Termine-a então com o método de concentração que tenha vindo a praticar. Gradualmente, verificará muito maior facilidade no Exercício de Concentração, sem dúvida difícil de executar, mas não impossível.

Pode variar esse método com qualquer outro que se coadune mais consigo. Tome por exemplo, a frase: “Deus é luz. (…) se andamos na luz, como Ele na luz está, seremos fraternais uns com os outros” (IJo 1:5 e 7). Repita essa ideia várias vezes, sempre devagar, como expusemos acima. Um dos métodos sugeridos por Max Heindel é a repetição pausada dos primeiros cinco versos do Evangelho Segundo São João: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem Ele. N’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam.”.

Este plano não é mais do que uma sugestão para aqueles que sentem dificuldade em concentrar-se, possibilitando o desenvolvimento gradual e, consequentemente, uma maior eficiência na realização desse exercício.

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Bíblia ensina a imortalidade da alma de uma forma autoritária. A Filosofia Rosacruz ensina o mesmo abertamente, apelando à razão. Não há provas positivas sobre a imortalidade?

Pergunta: A Bíblia ensina a imortalidade da alma de uma forma autoritária. A Filosofia Rosacruz ensina o mesmo abertamente, apelando à razão. Não há provas positivas sobre a imortalidade?

Resposta: O consulente está errado quando diz que a Bíblia ensina a imortalidade da alma. Não é mencionada uma única vez a palavra imortalidade ou céu no sentido de uma possessão do ser humano no Antigo Testamento. Lá encontramos, explicitamente, que: “O céu, mesmo os céus são do Senhor, mas a Terra, Ele a deu aos filhos dos homens” (Sl 115:16). É explicitamente anunciado que “a alma que peca, morrerá”. Se a alma fosse imortal, isso seria uma impossibilidade. No Novo Testamento, a palavra “imortal” ou “imortalidade” é somente usada seis vezes. Ela é destacada como alguma coisa pelo que lutar, ou algo que é um atributo de Deus.

No entanto, no que diz respeito ao Espírito, o caso é diferente e, mesmo quando esse é o tema, a palavra imortal não é usada. A imortalidade está subentendida, da mesma forma que a doutrina do Renascimento, em muitas passagens; mas a doutrina do renascimento se evidencia mais do que a da imortalidade do Espírito humano, pois a doutrina do Renascimento foi ensinada definitivamente pelo menos uma vez no Evangelho Segundo São Mateus capítulo 11, versículo 14, em que o Cristo disse de João Batista: “Esse é Elias”. Nesse ensinamento, a doutrina da imortalidade foi novamente mencionada, pois, se o Espírito Elias renasceu como João Batista, ele deve ter sobrevivido à morte física. O ensinamento da imortalidade era, naquele tempo, um dos ensinamentos ocultos e mesmo até hoje é dificilmente aceito, e assim o será até quando o ser humano entre no Caminho da Iniciação e lá veja por si mesmo a continuidade da vida.

No entanto, podemos afirmar, em resposta à pergunta, que tudo depende do que se entende por “prova positiva”, e quais são as qualificações da pessoa que pede a prova para poder julgá-las? Não podemos provar um problema de trigonometria a uma criança, mas se ela se desenvolver, aprendendo os preliminares necessários, lhe será fácil prová-la o problema. Também não podemos provar a existência da cor e da luz a um cego de nascença; são fatos que ele não pode apreciar, porque não possui a faculdade requerida. Mas, se adquirir a faculdade da visão, por meio de uma cirurgia, não será necessário lhe provar esses fatos, pois ele constatará a sua veracidade. Da mesma forma, ninguém pode apreciar as provas da imortalidade do Espírito até que, por si mesmo, esteja capacitado para percebê-las; então, será fácil para ele obter a prova positiva da imortalidade do Espírito, da sua existência antes do nascimento e da sua permanência após a morte. Enquanto ele não estiver assim qualificado, deve se satisfazer com deduções razoáveis que podem ser obtidas de várias outras maneiras.

(Pergunta nº 80 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

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Livreto: Ritual do Serviço Devocional do Solstício de Dezembro

Livreto: Ritual do Serviço Devocional do Solstício de Dezembro

Abaixo, em forma de livreto, você encontrará:

  1. O texto para oficiar o Ritual do Serviço Devocional do Solstício de Dezembro
  2. O texto do Hino Rosacruz de Abertura – o Hino cantado e tocado, você encontra clicando aqui
  3. O texto do Hino Rosacruz de Encerramento – o Hino cantado e tocado, você encontra clicando aqui

(*) Lembre sempre de preparar o ambiente com uma música apropriada. A melhor é o Adágio Molto e Cantabile – da Sinfonia nº 9 em Ré Menor de L. V. Beethoven, que você encontra clicando aqui.

O objetivo do Livreto é você poder imprimir como um livreto.

Assim, imprima frente e verso em “virar na borda horizontal” em impressoras que imprimem frente e verso.

Ou, caso sua impressora não imprima frente e verso, então imprima primeiro as folhas ímpares e depois no verso as folhas pares.

O tamanho também você pode escolher: cada 2 páginas em uma folha A4 ou cada 4 páginas em uma folha A4.

Tenha acesso ao Livreto clicando aqui.

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A Energia Vitalizadora Liberada por Cristo no Solstício de Dezembro

A Energia Vitalizadora Liberada por Cristo no Solstício de Dezembro

Existem quatro pontos cardeais no caminho do Sol através do Zodíaco, que se chamam os Solstícios de Dezembro e de Junho e os Equinócios de Março e Setembro. Nos ensinamentos dos Mistérios Ocidentais esses pontos marcaram certas crises na vida de um Grande Ser: o Espírito Planetário de nossa Terra, o Cristo. Em tais épocas é quando o verdadeiro místico pode ter acesso a um entendimento mais profundo de grandes princípios e verdades cósmicas, que são o fundamento do sagrado mistério do Gólgota e do que chamamos “natureza”.

No Solstício de Junho há um dia, o dia de São João, a 24 de junho, que assinala a culminância das atividades físicas da natureza e da ação da energia solar sobre a Terra.

Durante dois mil anos a Terra tem recebido, anualmente, um impulso agregado do “Deus Solar” Cristo. Desde aquele tempo essa energia vitalizadora tem sido liberada diretamente no centro de nossa Terra. Isso acontece no Solstício de Dezembro, o qual se chama o “Místico Nascimento”. A partir dessa data, essa grande força de amor e de vida começa a trabalhar para fora de novo, fermentando e fertilizando milhões de sementes que foram depositadas na terra para que possamos ter alimento físico. Essa energia dadora de vida (tanto em sentido físico como espiritual) morre sobre a cruz da Terra ao tempo da “cruz” do Sol sobre o equador, no Equinócio de Março. Por esse tempo, o Cristo é levantado da cruz da Terra (ou seja, a matéria) mediante a força ígnea de Áries e começa sua viagem de regresso ao Trono do Pai. Não disse Ele: “E eu, se for levantado da terra, a todos trarei a mim mesmo”?

O Solstício de Junho assinala o tempo em que o Raio do Cristo se libera completamente dos planos de nosso globo e entra em seu próprio mundo-lar, o Mundo do Espírito de Vida. Como se realiza isso? É algo que pode ser conhecido diretamente por aqueles que tenham merecido esse sagrado privilégio. No entanto, a experiência deve estar sempre oculta atrás das palavras, porque é impossível descobrir com elas as experiências obtidas nos mundos suprafísicos. Estamos tratando de descrever outra dimensão de espaço, o que não se pode fazer com palavras.

Na festa do Solstício de Junho, as hostes celestiais se regozijam, porque o “Grande Sacrifício” foi consumado uma vez mais. Legiões e legiões de seres angélicos acompanham o “Redentor da Terra” até as portas do Mundo do Espírito de Vida. Ele efetua a obra de acelerar a vibração da Terra, junto com seus mundos internos, sempre um pouco mais. Esses seres angélicos formam grupos, de acordo com seu grau de evolução. Seus corpos são luminosos e brilham com a luz branca dos céus. Alguns levam cruzes áureas e mantêm velados seus rostos ante o “sagrado mistério”. Outros formam com seus corpos radiantes uma nuvem dourada “como se por trás estivessem os raios do sol”. Nessa nuvem o Cristo é levado ao alto. Finalmente se adianta, eleva suas mãos como para bendizê-los, e os abençoa. Ao fazê-lo, as hostes de Anjos, Arcanjos, e os que se redimiram por intermédio do seu Amor, todos caem sobre seus rostos ante Ele. Nisso, ressoa a “Música das Esferas”, e ao ressoar por todo Universo, essa hoste de seres celestes canta o estribilho: “Eis aqui o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo.”. Então, ele se eleva à uma Vida mais abundante.

A cena se desvanece. De regresso à Terra, presenciaremos este festival da noite de junho entre essas pequenas criaturas conhecidas como Espíritos da Natureza. Eles fazem um verdadeiro e maravilhoso milagre na grande economia da natureza, porque são eles que proveem o vínculo entre a energia estimulante do sol e a matéria-prima da forma. Sem eles, não poderia haver vida sobre a Terra. Os corpos dessas pequenas criaturas sub-humanas estão de tal modo compostos de diferentes éteres, que atuam como portadores da força vital, amalgamando-a em seus corpos e com ela construindo a vida celular, da mesma forma que as abelhas recolhem o mel das flores e dele fabricam o favo de mel. Trabalham sob a direção dos mais elevados seres, a saber, os Anjos, que são os que guiam a evolução do Reino Vegetal. Na noite da festa se regozijam também, porque eles, de igual modo, fizeram seu trabalho fielmente para que possa existir mais abundante vida sobre a Terra. Refletem, no plano físico, a grande festa que tem lugar nos mais elevados Reinos nessa noite de junho.

O quadro que tivemos ocasião de contemplar, mostrava uma assembleia numa extensa área verde, em um bosque. Os Espíritos de Natureza estavam realizando um maravilhoso jubileu. Formavam um grande círculo. Dentro do círculo os gnomos preparavam seus alimentos etéricos para a festa, enquanto outras fadas dançavam em meio de um êxtase de alegria. Nesse êxtase, estendiam suas mãos, das quais fluíam estrelas e flores etéricas dos mais originais tons e cores, as quais iam flutuando no ar como as bolhas de sabão das crianças.

Algum dia a ciência descobrirá como se realiza o processo do metabolismo. Então, se revelará o que é “a alquimia da natureza”, e se encontrará a obra dessas pequenas criaturas, conhecendo-se, então, o trabalho que lhes cabe na manutenção da vida e da forma.

Certamente o estribilho que provém dos mundos superiores: “Muito bem, bom e fiel servo”, deve encontrar eco na alegria dos Espíritos da Natureza na Noite de junho. Quem diz que não? Sua festa dura da zero hora a uma hora da manhã de 22 de junho – somente uma hora; e logo depois se despedem e voltam às tarefas que lhes estão fixadas.

O Cristo passa pelo Mundo do Espírito de Vida e vai ao trono do Pai, no Mundo do Espírito Divino. Somente pode permanecer ali um breve tempo, na verdade, porque, como se diz, “tomou a forma de servo” e por seu próprio livre arbítrio foi crucificado sobre a Cruz da Matéria (a Terra). Privou-se de morar em Seus reinos de glória para que nossa Terra, engalfinhada no pecado, e suas correntes de vida evolucionante possam alcançar o grau que lhes tem sido assinalado segundo seu plano de evolução. Até que isso venha a cabo, “Ele deve vir de novo”, a cada ano, para acelerar a vibração do nosso meio, de modo que possamos progredir de acordo com o plano divino.

Cristo morre em Seu lugar de glória quando o Sol entra em Libra, no Equinócio de Setembro. Aqui é uma outra festividade sagrada, chamada a “Imaculada Concepção”, e de novo Cristo há de fazer-se manifesto em nossa terra, na forma de uma onda de energia espiritual. Como o veem os Clarividentes, é descendo lentamente sob a aparência de uma grande e maravilhosa luz. Deve avançar gradualmente, descendo através dos três mundos de nosso globo. Deve vir como as suaves chuvas de dezembro, com seu bálsamo de cura, e nunca como a tormenta elétrica que destrói. Entra completamente na Terra no Solstício de Dezembro, e outra vez começa a obra de fermentar a terra, fertilizando as sementes e elevando a consciência espiritual do ser humano para aproximá-la de Deus.

Essas são as quatro grandes festas dos Ensinamentos dos Mistérios Ocidentais. Se as estudamos e meditamos sobre elas, algum dia o véu será levantado para que possamos dar uma olhada “no que está entre o céu e a terra” e, na escala que vai desde a Terra até o Trono do Pai, encontraremos as pegadas dos pés do Senhor do Amor, conforme vai e vem em Sua viagem anual, até que a humanidade seja redimida por meio de Seu sacrifício e de Seu amor.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross e publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – julho/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Corpo Vital e o Progresso Espiritual do Ser Humano – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz

O Corpo Vital é feito de Éter e permeia o corpo visível como o Éter permeia todas as demais formas, com a exceção de que os seres humanos especializam uma maior quantidade do Éter universal que as outras formas.
Esse corpo etéreo é nosso instrumento para a especialização da energia vital do Sol.
A propagação é uma faculdade do Corpo Vital.

Quatro cores do Corpo Vital são indescritíveis, mas a quinta – que fica no meio das cinco – é similar ao matiz da flor de pessegueiro recém-aberta. Esta é realmente a cor do Corpo Vital.

Os Corpos Denso e Vital do ser humano estão em ordem, mas seus veículos superiores são ainda de forma ovoide.
Compõe-se de átomos etéreos prismáticos, que permanecem inalterados do berço ao túmulo.

A extensão do Corpo Vital do ser humano além do corpo físico é mais ou menos de uma polegada e meia. A parte que está fora do Corpo Denso é muito luminosa e tem uma cor parecida com a de uma flor de pessegueiro recém-aberta. É vista frequentemente por pessoas que possuem alguma clarividência involuntária.

O Corpo Vital tem exatamente a mesma forma que o Corpo Denso.

Corpo Denso é construído na matriz deste Corpo Vital, durante a vida pré-natal e com uma única exceção, é a cópia exata, molécula por molécula, do Corpo Vital.

Através da vida toda, o Corpo Vital é o construtor e restaurador das formas densas. Se assim não fosse, se o coração etéreo não restaurasse o coração físico, logo este se romperia sob a tensão contínua com que o sobrecarregamos. Todos os abusos a que submetemos o Corpo Denso fazem o Corpo Vital reagir, no que está em seu poder, e ele esta permanentemente lutando contra a morte do Corpo Denso.

1. Para fazer download ou imprimir:

O Corpo Vital e o Progresso Espiritual do Ser Humano – Por um Estudante

2. Para estudar no próprio site:

PREFÁCIO

O Corpo Vital tem funções, cor, forma, estrutura atômica e polaridade. Sua existência pode ser provada.

O ser humano, que é o Ego (um Espírito Virginal da onda de vida humana) é um ser complexo que possui 3 Corpos e um veículo no atual Campo de Evolução:

  • Corpo Denso, seu instrumento de ação;
  • Corpo Vital, condutor da “vitalidade” que faz possível a ação;
  • Corpo de Desejos, de onde vêm os desejos que compelem à ação;
  • Mente, que controla os impulsos, dando um propósito à ação

O objetivo da vida é transformar os poderes latentes do Ego em energia dinâmica, por meio da qual ele poderá controlar, perfeitamente, seus diferentes veículos e atuar como lhe pareça melhor.

Sabemos que o Ego não tem o domínio completo, pois, se assim fosse, não haveria guerra em nosso interior entre o Espírito e a carne, melhor dizendo, entre o Espírito e o Corpo de Desejos. É esta guerra que desenvolve o músculo espiritual, assim como a luta constrói o músculo físico.

Além do corpo visível do ser humano, conhecido como Corpo Denso ou Corpo Denso, que vemos com nossos olhos físicos, há outros veículos mais sutis que são invisíveis para a grande maioria da Humanidade. No entanto, não são acessórios inúteis do Corpo Denso; pelo contrário, são muito importantes pelo fato de serem impulsionadores de toda ação. Se não existissem esses veículos sutis, o Corpo Denso ficaria inerte, insensível e morto.

O primeiro desses veículos sutis que chamamos de Corpo Vital por ser a avenida da vitalidade, que faz fermentar a massa morta de nossa envoltura mortal em seus anos de vida, e nos dá o poder de nos movermos.

Quando nosso corpo visível atual brotou, primeiramente no Espírito, era um pensamento-forma, porém, gradualmente, foi-se condensando e solidificando até se converter na cristalização química atual. O Corpo Vital foi o próximo emanado pelo Espírito, também como um pensamento-forma, e se encontra agora em seu terceiro grau de solidificação, que é o etéreo.

O Corpo Vital formado de Éter, o qual tomou a seu cargo a construção do Corpo Denso, por meio dos alimentos que ingerimos em nosso organismo. Ele governa todas as funções vitais, tais como a respiração, a digestão, a assimilação, etc., trabalhando por meio do sistema nervoso simpático.

Outro veículo, ainda mais sutil, é o Corpo de Desejos; é o veículo de nossas emoções, sentimentos e desejos que gasta as energias acumuladas no Corpo Denso pelos processos vitais, graças ao controle que exerce sobre o sistema nervoso cérebro-espinhal ou voluntário. Durante sua atividade, o Corpo de Desejos está destruindo e rompendo continuamente os tecidos formados pelo Corpo Vital: é a guerra entre estes dois veículos que produz o que chamamos de consciência no Mundo Físico.

As forças etéreas do Corpo Vital operam de tal maneira que convertem em sangue a maior parte possível dos alimentos, e o sangue é a mais alta expressão do Corpo Vital.

Sumário

PREFÁCIO.. 3

CAPÍTULO 1 – AS QUATRO FORÇAS ELEMENTARES  6

1.   Preponderância do Éter Químico. 6

2.   Preponderância do Éter de Vida. 6

3.   Preponderância do Éter Luminoso. 7

4.   Preponderância do Éter Refletor. 7

CAPÍTULO 2 – DEDUÇÕES PARA O ASPIRANTE À VIDA SUPERIOR   13

CAPÍTULO 3 – FINALIDADES DA EVOLUÇÃO.. 20

CAPÍTULO 1 – AS QUATRO FORÇAS ELEMENTARES

Tendo em vista a constituição do Corpo Vital do ser humano, formado de quatro graus forças elementares, designados nos Ensinamentos Rosacruzes, respectivamente: Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso e Éter Refletor, cumpre que se note não agirem eles equilibradamente no ser humano comum. Em cada indivíduo há sempre preponderância de uma dessas forças elementares. Podemos praticamente dividir os seres humanos em quatro classes, de acordo com a preponderância de um desses Éteres, cujas características são as seguintes.

1)Preponderância do Éter Químico

Função preponderante: a digestiva

Todo o interesse da vida se inclina especialmente aos prazeres da alimentação; o apetite é fortemente estimulado e domina o caráter, se transformando com o tempo em vício, a gula. À proporção que se excede o apetite, estimula-se também o sensualismo, diminuindo-se gradativamente as funções dos Éteres Superiores, a sensibilidade e a mentalidade.

Defeitos consequentes: a preguiça, a indolência, o sensualismo.

2)Preponderância do Éter de Vida

Funções preponderantes: as perceptivas e todos os interesses se subordinam aos prazeres da sensualidade, que é fortemente estimulada. Para recuperar as forças perdidas constantemente nos excessos sexuais esses indivíduos são impelidos aos excessos da alimentação, ao abuso da carne e do álcool, estimulando-se assim as funções do Éter Químico, com as mesmas consequências observadas na classe anterior.

As piores consequências do abuso das funções sexuais se manifestam pela decadência das funções superiores, especialmente as mentais, tornando o ser humano incapaz de raciocinar perfeitamente. O idiotismo e os desiquilíbrios mentais são as últimas consequências desses excessos de função do Éter de Vida.

3)Preponderância do Éter Luminoso

Funções preponderantes: as perceptivas e emocionais

Caracterizam-se esses indivíduos pelos extremados desejos de sensações novas, de variações constantes em todas as direções. São extremamente curiosos; tudo querem ver e ouvir, satisfazendo assim sua sede terrível de sensações. São muito inclinados aos assuntos intelectuais, nos quais em geral se sobressaem, porém, são em geral incapazes de se estabilizar em qualquer ordem de ideias, porque não chegam nunca a examinar profundamente as questões. O que lhes interessa não são as ideias em si, o seu exato valor, mas simplesmente as emoções que elas despertam. À cata de sensações emoções são capazes de grandes esforços, mas uma vez alcançadas, correm em busca de outras, sem cessar nunca. Ao final vêm-se esgotados e sem firmeza em coisa alguma, porque em tudo foram superficiais é passageiros.

Seus defeitos principais são: a pretensão intelectual, a instabilidade, a imaginação desmedida, a mentira. Gostam especialmente de falar, de exibir-se e de tudo quanto possa proporcionar-lhes sensação.

4)Preponderância do Éter Refletor

Funções preponderantes: as mentais.

Nesta classe de indivíduos, todo interesse repousa em seus pensamentos e ideias. São concentrados e se descuidam constantemente das coisas materiais. Absorvidos em seus pensamentos e estudos esquecem-se até mesmo dos deveres sociais e das suas necessidades físicas. São os verdadeiros idealistas, constantemente examinando novas teorias e gerando novos pensamentos, mas que raramente conseguem levar a prática. Vivem em geral aborrecidos e desgostosos devido às dificuldades que encontram na realização das suas ideias. Fracassam geralmente em qualquer trabalho de ordem prática, tornando-se, por isso, nervosos e irritados.

Só se sentem, felizes em seu mundo de ideias, isolados do mundo e das coisas materiais. Quando lhes falta uma direção segura, enveredam para as extravagâncias mentais de toda ordem; deixam-se dominar por ideias errôneas e falsas, cujas consequências são fatalmente a desilusão e o desânimo intelectual que lhes abalará profundamente o seu Sistema nervoso e a saúde em geral.

Vê-se, pelo exposto, que o ser humano natural é a expressão desses Éteres de que se compõe o seu Corpo Vital, e manifesta em todas as suas ações as características de qualquer deles que se torne preponderante. Estimulado pelo Corpo de Desejos, qualquer desses Éteres pode desenvolver-se extraordinariamente, em detrimento dos demais, e isso significa um desequilíbrio, de consequências prejudiciais à livre manifestação do Ego.

No ser humano superior e equilibrado as funções dos Éteres são controladas pela razão, de maneira que não há preponderância de um sobre os outros. Entretanto, como todo ser humano nasce com a tendência natural para o excesso de um deles, cumpre que o Aspirante à vida superior procure reconhecer qual deles tem essa tendência, para poder dominá-lo inteligente e racionalmente.

Os excessos de alimentação, o estímulo constante do apetite, desenvolvem o Éter Químico que vai gradualmente dominando o indivíduo, tornando-o em pouco tempo escravo dessa força elementar que preside as funções digestivas.

Os excessos sexuais, o estímulo constante dos desejos sensuais; desenvolvem o Éter de Vida, que pouco a pouco se torna preponderante e escraviza o indivíduo às sensações eróticas, com graves consequências. O desperdício constante e pervertido das forças criadoras, as mais, sagradas do organismo, rebaixa perigosamente o grau de vitalidade de toda a constituição física, expondo o indivíduo a toda sorte de desequilíbrios orgânicos. Porém, o que torna mais deplorável esse estado é a terrível depressão mental que ocasiona. As faculdades mentais descacem espantosamente, causando muitas vezes o idiotismo e a loucura.

Os excessos de função do Éter Luminoso manifestam-se em excessos nervosos e em desejos imoderados de sensações, impedindo o indivíduo de concentrar-se- numa só ordem de ideias ou de aplicar-se à realização integral de qualquer plano. Tudo quanto exija firmeza de ideias e perseverança é considerado como um suplício, de que procuram ver-se livres. O excesso de energias do Éter Luminoso manifesta-se especialmente pela vontade exagerada de falar, de criticar, de exibir-se. Qualquer coisa ou qualquer, assunto só terá valor enquanto lhes proporcione alguma sensação agradável, estando prontas a abandonar o que quer que seja desde que cesse a sensação ou curiosidade que lhes despertava.

Essa manifestação exaltada do Éter Luminoso impede que o examinem detidamente as coisas, que avaliem o valor real de qualquer assunto ou estudo. Experimentando tudo superficialmente, pelo simples prazer de experimentar sensações novas, são incapazes de se estabilizar e de permanecer por muito tempo em qualquer trabalho ou ideal. E assim vêm passar os anos de sua existência na terra sem encontrar nunca satisfação em coisa alguma e sem realizarem nada de realmente útil a si mesmos ou a coletividade, antes pelo contrário, tornam-se muitas vezes perturbadores da paz e da ordem, porque levados pelo seu temperamento irrequieto e superficial, não são capazes de se sujeitar a qualquer disciplina.

Quando o Éter Refletor se torna excessivo é preponderante, as funções mentais prevalecem no indivíduo, que se sente constantemente dominado por toda sorte de pensamentos, sendo-lhe quase impossível cessar de pensar um só momento, levado pelo excesso desse Éter, que dia a dia se torna mais exigente, entrega-se o indivíduo à leitura excessiva, a estudos, de toda espécie onde possa encontrar novas ideias e pensamentos que lhe proporcionem constantes sensações mentais. Com o tempo forma-se em sua Mente um aglomerado desordenado de ideias próprias e alheias, e o seu maior prazer é revirar essa massa de elementos mentais que acumulou, como “um colecionador”. Para isso procura a solidão e se irrita facilmente, quando se vê perturbado pelos outros.

A maior parte desses indivíduos se torna cum o tempo cada vez mais insociável, descambando para os pessimismos, para as ideias negras que deixam dominar o seu campo mental já tão sobrecarregado sentem verdadeiro prazer em convencer os outros e arrastá-los às suas próprias ideias. Sofrendo profundamente sempre que alguém menospreze as suas opiniões. A grande falha de muitos destes indivíduos é que muitas vezes se deixam dominar por ideias “falsas, que procuram sustentar caprichosamente. Embora estudem muito, fazem-no pelo simples prazer de acumular conhecimentos e dar pasto à sua fome insaciável de sensações mentais.

Fracassam quase sempre na vida prática porque se descuidam constantemente dos seus deveres sociais. Deixam muitas vezes de pôr em prática as suas ideias, por receio de vê-las malsucedidas, ou de ser forçado a reconhecer que são falhas e defeituosas.

Vê-se que nestas quatro funções naturais dos Éteres do Corpo Vital, junto aos desejos que brotam do Corpo de Desejos, podemos incluir todas as atividades do ser humano terrestre. Como forças naturais e irresponsáveis, elas impelem o ser humano a satisfazê-las, e quanto mais forem empregadas e excitadas, mais exigentes se tornam. O exercício imoderado de qualquer dessas funções naturais, longe de satisfazer, mais fortifica o Éter correspondente e o correspondente desejo, que acabam por escravizar o indivíduo.

A tendência natural dessas forças vivas do organismo é a REPETIÇÃO SISTEMÁTICA das sensações experimentadas, para crescerem continuamente de potencial.

O que o ser humano comum chama de “prazer” é simplesmente a satisfação dos impulsos cegos dessas forças elementares que o impelem mecanicamente, com impulso cada vez mais forte, mas que nunca se satisfazem. Enquanto o entendimento espiritual e a razão não se despertam no ser humano, para que possa dirigir inteligentemente sua conduta na vida, as forças elementares e os desejos governam e dominam as suas atividades, e como não há neles nenhuma direção superior, forçam o ser humano a satisfazê-los, sem maiores considerações.

É por isso que o ser humano comum, reproduz, como um instrumento passivo, todos os impulsos de suas tendências naturais, não chegando nem mesmo a perceber o estado de servidão com que se encontra, arrastado por toda sorte de desejos, tendências, opiniões, hábitos e vícios.

Ao despertar-se o entendimento espiritual, começa o ser humano a compreender a necessidade de dominar e controlar os impulsos de sua natureza inferior, tornando-se “senhor de si mesmo” e não um mero joguete de forças elementares que só devem agir sob a direção de sua VONTADE, para finalidades justas e convenientes ao seu próprio aperfeiçoamento. Para isso cumpre que procure todos os meios de desenvolver racionalmente a VONTADE, para impô-la às tendências inferiores, libertando-se da dominação que exerciam sobre ele.

O desenvolvimento da VONTADE só se efetua quando o ser humano procura decidida e sistematicamente examinar os seus impulsos e tendências naturais, negando-se a atender e traduzir em atos aqueles que a sua razão e consciência reconhecem como contrários e prejudiciais ao seu próprio desenvolvimento espiritual. 

Não há nenhum mal em atender-se RACIONALMENTE às funções naturais e às necessidades orgânicas, mas é um terrível erro fazer delas motivos de prazeres irracionais e de vícios escravizantes. Desequilibrar e perverter as funções naturais, para deixar-se depois escravizar-se por elas é colocar-se, sem dúvida, na mais desastrosa das condições, cujas consequências serão fatais ao destino espiritual do indivíduo.

Entretanto, é necessário considerar, que só gradualmente, com paciência e perseverança, irá o Aspirante conquistando o domínio de sua natureza inferior, à proporção que for desenvolvendo a VONTADE nas lutas e vitórias que for alcançando. Cada vitória, por menor que seja, aumentará o poder de sua VONTADE que assim irá, gradativamente se afirmando. Nesse trabalho de transcendental importância é preciso que o Aspirante saiba agir com calma e prudência. Que ele não julgue que alcançará uma vitória efetiva sem lutar, seriamente e talvez por muito tempo. Não convém agir violentamente contra as forças naturais, nem se restringir repentinamente. É preferível contentar-se, no princípio, com pequenas vitórias, que não provocarão grandes reações perigosas. A VONTADE crescerá assim gradativamente, mas, com segurança, preparando-se para as lutas maiores que possam surgir. Especialmente nas ocasiões de dificuldades naturais da vida, quando se sentir um abatimento moral, convém redobrar de atenção, porque certamente as forças elementares e os desejos desordenados procurarão se aproveitar desses momentos críticos para desfazer todos os esforços anteriores do Aspirante, com o intuito de desanimá-lo e readquirir sua dominação.

CAPÍTULO 2 – DEDUÇÕES PARA O ASPIRANTE À VIDA SUPERIOR

Das considerações do capítulo anterior, infere-se que os primeiros esforços do Aspirante à vida superior se destinam a liberar a sua consciência dos impulsos das forças elementares, que deve aprender a dirigir e controlar com inteligência.

Compreender as funções dos Éteres do Corpo Vital é o primeiro passo para sobrepor-se a eles. Como instrumentos do Ego, são úteis e necessários à vida terrestre, mas hão de se subordinar à vontade do ser humano, sendo dirigidos para a realização do ideal superior: a vida espiritual.

Em suas funções naturais, os Éteres atuam como forças irresponsáveis, segundo as suas linhas específicas, incapazes de responder a qualquer outra espécie de estímulo senão a de seu próprio plano.

É assim que as forças do Éter Químico, tendo por função natural a manutenção dos processos digestivos e a garantia de conservação do Corpo Denso, provocarão no ser humano os estímulos correspondentes, a fome, a sede, para que seja atendida a necessidade de alimentos, que servem de base às funções daquele Éter. Entretanto, o ser humano é o único responsável se, arrastado por desejos pervertidos, faz dessa função um prazer vicioso e se torna guloso, excitando e descontrolando as funções naturais desse Éter.

O mesmo acontece com a ação do Éter de Vida sobre os órgãos de geração. Em sua função normal ele se manifesta, a seu devido tempo, provocando no ser humano o estímulo que o leva ao emprego dos seus órgãos geradores, necessário para a perpetuação da onda de vida humana aqui. Em sua expressão natural o Éter de Vida age como energia altamente espiritual, encarregada da mais elevada função orgânica: gerar novos corpos. Para garantir a perpetuação da onda de vida humana aqui, a Natureza fez dessa função a mais profunda sensação que o ser humano pode experimentar. É tão poderoso esse estímulo das forças geradoras que a grande maioria dos seres humanos se vê arrastada por ela e incapaz de controlá-la. Entretanto, como uma força natural e necessária, ela se expressa de acordo com a lei de expansão criadora, sem outra finalidade que não seja a geração de novos corpos. Por infelicidade, é o ser humano rapidamente dominado pelo desejo de renovar continuamente o prazer da sensação e resvala para os excessos entregando-se à sensualidade, com todo o seu cortejo de perversões degradantes. Quanto mais excita a função desse Éter, mais forte, exigente e insaciável ele se torna, arrastando o indivíduo a toda sorte de abusos. Também não há nenhuma função que produza maiores consequências físicas, mentais e morais.

Como todas as forças naturais, o Éter de Vida pode ser controlado, dentro dos limites do razoável, devendo o Aspirante à vida superior considerar que sobre essas forças repousam todas as suas possibilidades de avanço efetivo. Se souber acumular racionalmente essas potentes energias e dirigi-las sabiamente sentirá em si mesmo maravilhosa expansão das faculdades superiores, que aumentarão consideravelmente sua capacidade de trabalho mental, ao mesmo tempo que melhorarão imensamente as suas condições físicas.

Entretanto, cumpre que se tenha em vista que o controle das forças criadoras exige muito cuidado por parte do Aspirante à vida superior. Só há um meio acertado de se conquistar o domínio e controle dessa maravilhosa força natural, e esse meio é o domínio perfeito da Mente, libertando-a de todos os pensamentos de sensualidade, ao mesmo tempo que se afastará de todos os ambientes sensuais, das conversas maliciosas, das leituras provocantes. Mantendo o Aspirante essa atitude, o Éter de Vida não encontrará estímulo para se expandir demasiadamente, ficando limitado em suas funções físicas. Começa então o seu extraordinário poder de regeneração, porque não sendo canalizado para os órgãos físicos, o Éter de Vida procura se expandir naturalmente em direção à reconstrução e renovação de todo o organismo, especialmente o cérebro, tornando-o um instrumento mais completo, mais poderoso e mais eficiente para o trabalho do Espírito. Um indivíduo nessas condições é capaz de gerar um pensamento realmente “poderoso” e a sua capacidade de realização se torna quase ilimitada. Contudo, deve o Aspirante à vida superior lembrar-se que enquanto não alcançar um perfeito domínio mental experimentará certamente reações, às vezes violentas, mas que há de procurar, com coragem e paciência, dominar. Qualquer descuido provocará a descida dessas energias para os órgãos físicos e a volta das tentações sensuais.

Os casados, especialmente, deverão gradual e sistematicamente restringir os impulsos habituais, aumentando aos poucos os períodos de abstinência, enquanto for possível, sem prejuízo para a saúde, até que se habituem a uma vida casta e livre de malícia.

Em si mesmo, o ato sexual é natural e santo, quando empregado para sua legitima finalidade: a procriação. Mas, quando se faz dele um motivo de prazer vicioso e desregrado, passa a ser a maior calamidade, a maior causa de decadências e degenerações físicas e mentais, que tornam a vida um calvário de dores e de misérias.

O Éter Luminoso produz no ser humano o desejo de sensações novas. Desperta a curiosidade, a sede de conhecimento do mundo exterior, de ver, de ouvir, de experimentar toda sorte de sensações mundanas. Sua função é a de receber, através dos órgãos dos sentidos, todas as sensações e transmiti-las ao cérebro, onde a consciência percebe tais sensações.

A sua principal característica é procurar constantemente novas impressões, sem se importar absolutamente com o seu valor, ou com as impressões anteriores, fazendo do ser humano um ser essencialmente curioso, ávido de coisas novas, sempre em busca de algo diferente e novo, que satisfaça esse impulso natural. Quanto mais esse Éter é excitado, mais forte e exigente se torna, e os indivíduos que se deixam dominar por ele se tornam incapazes de estabilizar-se; de se afirmar em qualquer assunto que seja. Sua curiosidade excessiva e seu insensato desejo de sensações novas não lhes permite concentrar-se em coisa alguma. São extremamente superficiais e irrequietos, tudo experimentando pelo único prazer de passar por sensações diferentes. Seu principal e mais grave defeito é tratar todos os assuntos com superficialidade, abandonando com a maior facilidade qualquer assunto, por mais importante que ele seja, desde que não lhe proporcione mais sensações. É por isso que apreciam as leituras sensacionalistas, os romances de aventuras, os esportes, as viagens, etc.

Resulta disso que não afirmam jamais os seus conceitos e raramente chegam a realizar alguma coisa de valor. São como eternas crianças, que nada podem considerar seriamente.

O desenvolvimento espiritual exige firmeza e perseverança. Só o tempo e o esforço continuado, numa só direção inteligente, podem produzir algum resultado real, e o Aspirante à vida superior há de aprender a dominar os impulsos do Éter Luminoso para poder concentrar-se, devidamente, no estudo e na prática dos exercícios espirituais.

Para isso cumpre que reaja contra à tendência natural de passar, sobretudo, superficialmente e se esforce em estudar e examinar as coisas com paciente atenção.  É preciso que se habitue a concentrar-se e meditar profundamente sobre as questões espirituais, até que encontre uma solução lógica e razoável. Deixar-se levar irrefletidamente pelos impulsos e curiosidades do Éter Luminoso é tornar impossível a estabilidade interna, é impedir o desenvolvimento do entendimento espiritual.

Queixa-se, a maior parte dos Estudantes Rosacruzes, de que lhe custa compreender o que estuda, mas o que não nota é que não chega nunca a concentrar-se bem em coisa alguma, que não tem parada nem sossego para examinar os assuntos profundamente e meditar sobre eles. Essa é a consequência fatal da falta de domínio sobre as forças desse Éter Luminoso que excita constantemente todo indivíduo e o faz correr em busca de sensações sempre novas e variadas.

O Éter Refletor se manifesta, por duas funções:

  1. modelar e organizar os pensamentos, revestindo com suas forças as ideias que surgem da Mente;
  2. registrar todos os acontecimentos da vida nas Memórias Consciente e Subconsciente.

A primeira função compreende a formação dos pensamentos, que são ideias revestidas das forças desse Éter, tornando-se como seres distintos que se movem continuamente dentro da aura humana. Uma vez modelado e animado pelas forças do Éter Refletor, o pensamento começa imediatamente a agir interiormente, impelindo o ser humano à realização da ideia que lhe serve de impulso inteligente, procurando todos os meios possíveis de aumentar o seu poder e realizar-se através do seu criador. Cada vez que o indivíduo volta a pensar sobre uma determinada ideia, fornece-lhe novo reforço desse Éter Refletor, tornando-se cada vez mais poderoso o pensamento primitivo formado por essa ideia. Quanto mais forte se torna, mais atua sobre o seu criador, levando-o, por fim, à prática da respectiva ideia. É assim que, sem quase o notar, o ser humano comum é invariavelmente arrastado pelos pensamentos que cria e alimenta, tornando-se mero instrumento das ideias que sustenta, sejam elas certas ou errôneas. Sem o entendimento espiritual não passa o ser humano de um instrumento dos pensamentos que lhe ocupam o campo psíquico e que o impelem constantemente à execução dos atos correspondentes. O que torna essa questão ainda mais importante é que o ser humano comum é sempre afetado e impressionado por ideias e sugestões alheias que recebe, consciente ou inconscientemente, e que se desenvolvem em seu interior, alimentadas pelo seu próprio Éter Refletor, tornando-se, muitas vezes, elementos preponderantes em sua vida, embora sejam até mesmo contrários aos seus próprios desígnios e interesses.

O terrível poder da sugestão é ainda pouco compreendido. Desconhecendo os processos de funcionamento do Éter Refletor o ser humano comum é dominado pelos pensamentos que alimenta, quer sejam próprios ou de outrem, e muitas vezes se vê perturbado pela ação provocante de pensamentos desagradáveis que inadvertidamente vem conservando e contra os quais luta e se esforça por eliminar da consciência.

Pelo exposto pode-se avaliar quão necessário é aprender-se a controlar as funções desse Éter Refletor, evitando-se cuidadosamente que as suas forças continuem a alimentar ideias inconvenientes e prejudiciais. Examinando atentamente as ideias que surgem em nosso campo mental, ou que recebemos dos outros, poderemos distinguir as que merecem ser alimentadas ou as que devem ser repelidas. Enquanto é simplesmente “uma ideia” ela não causará maiores inconvenientes, porque não possui a força dinâmica do Éter Refletor. Mas se for admitida e alimentada por algum tempo, revestindo-se de forças etéricas, então se tornará propriamente um “pensamento”, cada vez mais poderoso. Desde que sejam alimentadas, as ideias-pensamentos seguirão invariavelmente o seu curso, crescerão e se desenvolverão até conseguirem a força suficiente para impelir o ser humano à ação.

O que felizmente equilibra a situação no ser humano comum é que os seus estados mentais não possuem estabilidade, variando constantemente, de maneira que os pensamentos não recebem um reforço constante e eficiente por longo tempo, sendo logo substituídos por outros de diferentes vibrações. Mas, se por infelicidade qualquer pensamento conseguir se afirmar mais fortemente, dominando os demais e monopolizando o campo da consciência, então veremos o que se costuma chamar de “mania”, e da mania à loucura vai apenas um passo. Não importa qual seja o pensamento; se ele se tornar preponderante a tal ponto que chegue a dominar todo o campo da consciência, então impedirá que nela se manifestem quaisquer outras ideias. Dominado por uma única ideia-pensamento cessa toda liberdade do Ego, arruinando-se por completo o seu desenvolvimento atual. As pessoas negativas, de vontade fraca, as que abusam de bebidas alcoólicas, podem facilmente cair nessa desgraçada condição, quando qualquer das suas ideias se desenvolve demasiadamente pela repetição constante, tornando-se um pensamento demasiado fortificado pelas energias do Éter Refletor.

O desenvolvimento espiritual exige a prática da concentração, na criação de ideias-pensamentos superiores e poderosas, que possam servir de auxiliares na conquista da Iluminação e da Iniciação. Entretanto, o Aspirante à vida superior há de manter-se sempre como senhor absoluto dos pensamentos desenvolvidos e dos seus estados mentais, e isso requer um preparo inteligente. É necessário, antes de tudo, desenvolver a consciência e a vontade, numa direção absolutamente justa e racional.

Qualquer desvirtuamento ou má intenção na criação dos pensamentos-formas acarretará invariavelmente consequências desastrosas, a qualquer praticante.  O único caminho legítimo é o do amor e da fraternidade. É o caminho de Cristo.

CAPÍTULO 3 – FINALIDADES DA EVOLUÇÃO

Dominar e dirigir sabiamente as energias vivas que funcionam em seus Corpos Vital, de Desejos e na Mente é o legítimo trabalho da Evolução a que todo ser humano é chamado e que, necessariamente, há de executar e completar algum dia.

Todo o processo evolutivo é uma questão de desenvolvimento da consciência e da vontade, para a conquista da liberdade espiritual, e ser livre espiritualmente significa “controlar e dirigir” as forças naturais que se manifestam na constituição humana, conduzindo-as inteligentemente para a plena realização do mais alto ideal, a própria iluminação.

Ao descer à Terra, o Espírito Humano tem uma finalidade: constituir uma consciência pessoal, que possa funcionar independentemente das Inteligências Criadoras que dirigem Evolução. Só através do Corpo Denso isso se torna possível. Porém, uma vez despertada essa consciência pessoal nascida no meio terrestre, ela é envolvida por todas as atrações e apegos da vida mundana, por todas as forças inferiores que dominam o mundo e se torna quase incapaz de atender à voz do seu próprio Espírito interior, deixando-se dominar pela terrível teia de ilusões mundanas e desejos inferiores que a escravizam.

Se durante a vida terrestre a consciência humana não conseguir reconhecer essa situação, se não se esforçar por se libertar das ilusões terrenas e se não quiser atender à voz do “Eu superior”, terá fracassado a primeira finalidade do Espírito, que será forçado a voltar à Terra e constituir novos Corpos, se personalizando novamente, para tentar mais uma vez a prova.

O Espírito Humano tem absoluta necessidade de uma consciência pessoal, e para isso constitui os Corpos terrestres, em que ela desperta e funciona, porém a consciência pessoal, dominada pelas condições terrestres, não reconhece o seu próprio criador, nem procura atender aos seus desígnios superiores, se entregando aos atrativos, aos prazeres e ilusões da vida terrestre, abandonando os interesses superiores do seu Espírito.

Nessas condições se encontram quase todos os seres humanos na Terra. Todos têm uma vaga impressão de um destino espiritual, de uma necessidade superior, mas que absolutamente não querem considerar seriamente, porque a infinidade de interesses terrestres, de apegos, de ilusões, de prazeres e de vícios lhes rouba todo tempo e toda alma. Para atender às contínuas exigências da vida terrestre, o ser humano abandona, quase por completo, os interesses do seu próprio Espírito, criando toda sorte de elementos mundanos que, longe de satisfazê-lo, cada dia se tornam mais dominantes.

A grande dificuldade, e o mais sério perigo para o ser humano, é que o ambiente terrestre não oferece à nova personalidade criada nenhuma orientação realmente superior antes, pelo contrário, a educação mundana, os exemplos, as necessidades materiais, ocupam toda a mentalidade do ser humano, desde a infância, forçando-o a deixar esquecidos e abandonados os seus interesses espirituais e impulsos superiores que provêm do seu Ego

De maneira que a primeira questão que se apresenta a todo ser humano, que deseja progredir espiritualmente, é vencer a oposição natural da mentalidade mundana formada desde a infância e que, agora, procura, a todo transe, mantê-lo afastado e descrente dos seus interesses espirituais. Nessa verdadeira luta interior contra o materialismo que procura dominá-lo, não encontra o ser humano nenhum apoio exterior, porque todo o mundo apoia e sustenta a mentalidade mundana, sendo incapaz como é, de reconhecer, as necessidades e ideais superiores. Nem mesmo os parentes e amigos apoiarão os esforços do ser humano que procura evoluir espiritualmente, e sem dúvida se oporão, classificando essas coisas de “excentricidades e manias”.

É necessário que o Aspirante à vida superior considere essas atitudes como absolutamente naturais, sendo inútil pretender que a mentalidade mundana admita e leve a sério as suas necessidades espirituais. Não podendo compreender, não se interessa a mentalidade mundana por coisa alguma superior. De nada valerão argumentos, discussões, nem aborrecimentos, que só prejudicarão os seus esforços. A luta há de ser inteiramente interior, contra suas próprias dúvidas, seus desejos e ilusões mundanas, seu egoísmo material e as sugestões que recebe do exterior, mas que procuram dominá-lo. Não são as coisas exteriores que nos afetam, mas as impressões que elas causam dentro de nós.

Pretender impor aos outros os seus pontos de vista superiores tem sido sempre a mais dolorosa falha de muito Estudantes, que por falta de experiência e de previsão julgam possível modificar a mentalidade de pessoas que absolutamente não se interessam pelos assuntos espirituais. O receio de se ver isolado mentalmente dos indivíduos que o rodeiam, dos seus próprios parentes e amigos a quem ama, faz com que o Estudante se esforce por convencê-los, para se sentir ao menos compreendido e consolado. Entretanto, essa atitude, com raras exceções, lhe trará amargas desilusões.

Os problemas espirituais são absolutamente individuais. Cada ser humano há de resolvê-los por si mesmo e internamente, sendo necessário que se prepare para enfrentar as oposições naturais e sistemáticas da “mentalidade mundana”, para a qual as questões espirituais não apresentam nenhum interesse.

Não deve o Aspirante à vida superior se admirar, nem se aborrecer, diante da oposição de indivíduos que o rodeiam, cuja mentalidade, dominada pelos interesses mundanos de toda ordem, é ainda incapaz de raciocinar espiritualmente.

A única atitude legítima e conveniente é a de reserva e tolerância, se evitando a todo transe provocar qualquer espécie de questões e de desarmonias, que viriam certamente prejudicar e talvez inutilizar todos os seus esforços.

O que é preciso evitar sempre, com o maior cuidado, é provocar a formação de um ambiente francamente antipático e contrário aos seus interesses superiores. Se os que o rodeiam tomarem a peito uma oposição sistemática e caprichosa, o Estudante se verá, certamente num círculo de terríveis provas morais que dificilmente poderá vencer. Se não formos prudentes e pacientes com a opinião alheia, certamente atrairemos constantes reações de toda espécie que dificultarão ainda mais a nossa marcha.

Não temos nenhum direito de exigir, de quem quer que seja, que adote os nossos pontos de vista, que aceite as nossas opiniões, por melhor que elas sejam, nem que nos acompanhe no caminho que encetamos. Algumas vezes tentamos entusiasmar os outros, para não nos sentirmos isolados, sozinhos, em nossa aventura espiritual, mas é quase certo que não encontraremos outras pessoas capazes de nos entenderem; a não ser os nossos verdadeiros companheiros de ideal, os amigos que fazem parte da nossa corrente espiritual. Será fácil compreender o motivo. É que os que se ligaram à nossa corrente e acompanham a orientação da Fraternidade Rosacruz vão, gradualmente e quase insensivelmente modificando a sua mentalidade, libertando-a dos velhos conceitos materialistas e mundanos. Um indivíduo mundano, por melhor que ele seja, desconhecedor dos princípios de verdadeira fraternidade que vimos constituindo, dificilmente poderá considerar as razões que nos aninam. Cuidemos muito de não forçar o entendimento dos outros, especialmente daqueles que não demonstram um verdadeiro interesse em aprender. Há uma regra fácil e útil para seguir nesses casos: não falar sem ser perguntado. Diz o Evangelho: “Aquele que pede, ser-lhe-á dado.”.

Esperemos pacientemente que nos perguntem por que só aquele que pergunta, ou que procura demonstra interesse em aprender, e está em condições de alcançar o conhecimento. Não pense nunca que o falar demais trará alguma vantagem nesse sentido. Quanto mais falarmos inoportunamente, tanto mais perturbaremos àqueles que não estão dispostos a aprender e, tanto mais provocaremos dificuldades para nós mesmos.

As descrenças e dúvidas daqueles que nos rodeiam, os seus sorrisos de escárnio, as suas malícias e graças serão outras tantas sugestões contrárias, que poderão, talvez, perturbar a nossa confiança e a nossa estabilidade, se ainda não alcançamos a firmeza e o pleno entendimento.

Evitemos sempre a triste mania de querer nos exibir fazendo dos conhecimentos espirituais um motivo de vaidade. Tudo o que falarmos movidos tão somente por essa egoística intenção será fatalmente prejudicial a nós mesmos e aos que nos ouvem. Além disso, toda ostentação vaidosa só atesta a falta do verdadeiro conhecimento. É por isso que não poderão produzir resultados superiores; levam em si o germe da desconfiança e de dúvida.

Quando for oportuno, falemos simplesmente com o sincero desejo de esclarecer os nossos semelhantes, e aquilo que dissermos produzirá os mais benéficos frutos. Não temamos falar, e falar claramente, quando for oportuno, mas guardemo-nos de pretender convencer os outros com discussões e críticas ao seu modo de pensar, porque com discussões e críticas só conseguiremos aborrecer aos outros e a nós mesmos.

Se queremos realmente prestar um grande serviço aos nossos semelhantes e conquistar, ao mesmo tempo, um elevado merecimento, falemos pouco sobre as questões espirituais e somente quando for oportuno.

F I M

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