Em Busca do que é a Verdade nessa Vida que vivemos aqui
No Evangelho Segundo São João, capítulo 18, versículos 37-38 temos a conversa entre Cristo Jesus e Pilatos:
“- Disse Cristo Jesus: Para isso nasci, para isso vim ao mundo, para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que é da Verdade ouve a minha voz.
– Disse-lhe Pilatos: O que é a Verdade?”
E nós aqui perguntamos: O que é a Verdade?
Será que a Verdade é o que vemos com os nossos olhos físicos? O que sentimos? O que ouvimos? Será que são as nossas posses? Nossos recursos intelectuais, emocionais, sentimentais?
Não… Essas coisas são muito limitadas para serem a Verdade.
Essas explicações e outras que são demonstráveis material ou concretamente e que tencionam explicar tudo sobre o ser humano e seu meio só satisfazem o intelecto, a Mente.
Raciocinar nesse Mundo dos Fenômenos, dos Efeitos, em que vivemos buscando a verdade é ilusão.
O que temos aqui são os efeitos da Verdade que se expressa como causas nos Mundos superiores.
Como disse Cristo:
“Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.”
Contudo, como conheceremos a Verdade, estando aqui vivendo neste Mundo dos efeitos, dos fenômenos, onde tudo está obscurecido ou torcido, irreconhecível sob essas condições ilusórias?
À medida que deixemos de lado todas as nossas aspirações para aquisições materiais, buscando amontoar tesouros no céu, quanto mais servirmos amorosa e desinteressadamente tanto mais rapidamente conheceremos a Verdade e, então mesmo vivendo neste Mundo dos fenômenos, poderemos falar como um Iniciado:
“Vivo neste Mundo, mas não sou deste Mundo”.
Portanto: para uma pessoa que um dia parou para pensar e chegou à brilhante conclusão que não sabe nada sobre o assunto, e, como diz Max Heindel, compreendeu sua ignorância e, assim, deu o primeiro passo para o conhecimento desse assunto, sente internamente, que algo maior existe e aspira conhecer a Verdade, mesmo sabendo que dificilmente alcançará pelos próprios meios.
Todavia, o que é esse “sentir internamente”? Não é nada mais, nada menos do que o coração aspirando por esclarecimentos mais profundos.
Vamos a um exemplo:
Quantas vezes estamos trabalhando afincadamente para resolver um problema e por mais que fazemos não conseguimos chegar à conclusão alguma.
Aí, eis que um belo dia, sem mais nem menos, um fio de intuição nos dá a solução que satisfaz todos os requisitos.
Nesse momento paramos para pensar no dito popular:
“O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
E mais: todo ato motivado por uma intuição pura raramente deixa de produzir um resultado positivo.
Aqui surge mais uma pergunta: O que é a intuição? Ou, ainda, para não fugirmos do assunto: e o que ela tem a ver com a busca da Verdade?
Para entendermos o que seja a intuição, precisamos entender os nossos três tipos de Memória todas relacionadas com a nossa Mente, que nos conduz à Região Abstrata do Mundo do Pensamento, onde começa a realidade, e, portanto, o vislumbre da Verdade. Porque nesse reino de realidades abstratas a Verdade não está obscurecida pela matéria. Ela é evidente por si mesma.
A Memória Consciente, também conhecida como Memória Voluntária, está Relacionada totalmente com as experiências desta Vida. Basicamente é formada pelas ilusórias e imperfeitas percepções dos nossos 5 sentidos: olfato, audição, visão, paladar e tato. Essas percepções são gravadas no Éter Refletor do nosso Corpo Vital como impressões dos acontecimentos. Tais impressões podem ser modificadas ou até apagadas. Temos acesso instantâneo a ela. De onde se veem duas coisas: Os nossos 5 sentidos sãos os veículos da Memória Consciente e as diversas regiões do Cérebro são os pontos onde acessamos para compor a nossa Memória Consciente. Experimente fechar os olhos e lembrar de algo. Acabou de utilizar a sua Memória Consciente ou Voluntária.
É através da utilização dessa nossa Memória e da execução persistente do exercício da Observação como um dos exercícios do método para adquirir o conhecimento direto (detalhado no Conceito Rosacruz do Cosmos) que compreendemos o que Cristo quis dizer no Evangelho Segundo São Marcos, capítulo 8, versículo 18 com: “Tendes olhos e não vedes. Tendes ouvidos e não ouves.”.
A Memória Subconsciente, também conhecida como Memória Involuntária, relaciona-se totalmente com as experiências desta vida. Basicamente é formada pelo Éter contido no ar que aspiramos. Esse Éter leva consigo uma imagem fiel e detalhada de tudo o que está em nossa volta, tenhamos observado ou não. Portanto, muito mais precisa na gravação do que a Memória Consciente ou Voluntária. Esse ar impregnado com o Éter chega aos nossos pulmões através das vias respiratórias. Do pulmão é absorvido pelo sangue no processo de oxigenação. Através das quatro Veias Pulmonares o sangue chega até a Aurícula esquerda do Coração. E passando pela Válvula Mitral, o sangue vai até o Ventrículo Esquerdo. No Ápice desse Ventrículo está localizado o Átomo-semente do nosso Corpo Denso, o físico. O sangue ao passar por aí deixa gravado nesse Átomo-semente todo pensamento, emoção, desejo, sentimento, palavra, obra, ação e ato registrado no Éter que o acompanha. De onde se veem duas coisas: o sangue é o veículo da Memória Subconsciente e esse registro é a nossa Memória Subconsciente.
Assim, esse Átomo-semente contém as recordações de toda a vida nos seus mínimos detalhes e são essas imagens que serão tanto o árbitro do nosso destino após a morte, como a base da nossa vida futura. Isso ocorre as 24 horas do dia, 7 dias por semana desde a nossa primeira respiração que inalamos ao nascer até o último alento ao morrer.
Também tais impressões podem ser modificadas ou até apagadas por meio de outro exercício do método para adquirir o conhecimento direto, o exercício de Retrospecção (detalhado no Conceito Rosacruz do Cosmos).
Não temos acesso instantâneo a essa Memória. Daqui vemos a importância de se ter um Corpo são, pois o estado do sangue afeta o cérebro e todos os outros órgãos do nosso Corpo.
A Memória Supraconsciente contém todas as nossas faculdades e conhecimentos adquiridos em todas as vidas anteriores. Ou seja: está relacionada com as nossas vidas passadas e não com esta como as outras duas Memórias. É o resultado de todas as nossas lições aprendidas em todas as nossas vidas passadas. É o que entendemos como Verdade. Verdade segundo o nosso ponto de vista. Essas faculdades e conhecimentos são gravados no nosso veículo Espírito de Vida. O nosso Espírito de Vida está permanentemente em estreito contato com o nosso coração. Pois, o nosso Espírito de Vida é a contraparte superior do nosso Corpo Vital e tem o seu assento secundário no nosso coração. O Espírito de Vida é um dos nossos três veículos espirituais e que retrata o amor e a unidade. Por isso o coração é o foco do amor altruísta.
Esse nosso veículo do Espírito de Vida funciona no Mundo do Espírito de Vida. Esse Mundo é o primeiro Mundo, de baixo para cima, onde cessa toda a separatividade, onde o cotidiano é a Fraternidade Universal e é onde se encontra a verdadeira Memória da Natureza.
O Espírito de Vida vê mais claramente no seu Mundo do que em qualquer um dos Mundos mais densos. Contudo, as recordações gravadas na Memória da Natureza, quando trazidas pelo Espírito de Vida, não voltam pelos nossos sentidos físicos, mas sim por meio do Éter Refletor do nosso Corpo Vital.
Assim, quando estamos com algum problema, podemos utilizar nosso veículo Espírito de Vida para buscar a solução, a verdadeira solução. Essa solução é enviada através do Éter Refletor até o nosso coração, como orientação e iniciativa. Tão logo a recebe, o nosso coração a retransmite ao nosso cérebro através do Nervo Pneumogástrico. Isso é como se torna impulso emanado diretamente da fonte da sabedoria e do amor cósmico. O processo é extremamente rápido. O nosso coração o elabora muito antes da nossa Mente, mais lenta, poder considerar a situação. Normalmente, esse impulso atua como: consciência e caráter. Ou, ainda, compele a ação com uma força tão grande que chega até a contradizer a nossa Mente e o nosso Corpo de Desejos.
Perceba que, para compelir a ação esse impulso não precisa se envolver em matéria Mental ou de Desejos, como ocorre com as nossas ideias. Pena que, na maioria dos casos, após esse verdadeiro impulso intuitivo, vem o raciocínio e o cérebro acaba dominando o coração.
Em outras palavras: a nossa Mente e o nosso Corpo de Desejos frustram o nosso próprio objetivo e, assim, junto com os nossos Corpos sofremos as consequências. De qualquer modo, quanto mais estivermos dispostos a seguir essa orientação da nossa Memória Supraconsciente, tanto mais frequentemente ela falará, para o nosso próprio benefício.
Com isso vemos que através da utilização mais frequente da nossa Memória Supraconsciente podemos aplicar a Verdade aqui na nossa vida cotidiana. Daqui percebemos que tanto a fé como o conhecimento são somente meios para se chegar a um fim comum: chegar a Deus.
E para chegar a Deus precisamos buscar a união entre o Coração e Mente. Equilibrando a nossa fé com as ações.
Pois quando as perguntas da nossa Mente são respondidas, o nosso coração está livre para amar. E, ajudada pela nossa intuição, a nossa Mente pode penetrar nos mistérios do nosso ser.
Esse equilíbrio é fundamental para chegarmos a um conhecimento mais verdadeiro de nós próprios e do mundo que vivemos. E, portanto, entenderemos que buscar a verdade aqui, não é mais nada senão buscar viver a vida superior. Despojarmo-nos do nosso egoísmo e viver o bem pelo simples prazer de fazer o bem.
Quanto mais acharmos difícil é porque estamos perto de conseguir o objetivo, pois nisso estamos mostrando que já compreendemos a luta interna, aqui dentro, entre o nosso “eu inferior”, a personalidade, e o nosso “eu superior”, a individualidade, o Ego, o que realmente somos.
Uma luta árdua, constante, sem descanso. E uma vozinha lá dentro, baixinha, mas firme, a nos empurrar para cima e para frente, dizendo-nos, constantemente: “O único fracasso é deixar de lutar”.
Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz
O Trabalho do Cristo na Terra: de Dezembro à Março de cada ano
O Trabalho do Cristo no Mundo do Espírito Divino: de Março à Junho de cada ano
É o período em que Cristo chega até o Mundo do Espírito Divino, ou seja, Cristo chega ao Trono do Pai.
De acordo com o Livro A Mensagem das Estrelas – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, a Astrologia é o “Relógio do Destino”. Os doze Signos do Zodíaco correspondem ao mostrador; o Sol e os Planetas correspondem ao ponteiro das horas, que indica o ano; a Lua corresponde ao ponteiro dos minutos, indicando o mês do ano em que ocorrências diferentes na pontuação do destino maduro atribuído a cada vida devem se resolver. Embora haja algumas coisas das quais não podemos escapar, temos algum livre-arbítrio para modificar as causas já postas em movimento. Nossas ações presentes determinam as condições futuras.
A Lei de Consequência trabalha em harmonia com os Astros, de forma que a pessoa nasce no momento em que a posição dos planetas no Sistema Solar lhe dê as condições necessárias para sua experiência e avanço na escola de vida. Esse trabalho está sob a administração de grandes seres de espiritualidade sublime e sabedoria superlativa, que administram todas as coisas com uma inteligência, além da compreensão de nossas Mentes finitas. Verificou-se, no entanto, que as tentativas de fugir de uma colheita de tristeza que se acumulou de certo destino maduro são balanceadas por outro movimento por parte dos administradores invisíveis dessa Lei.
No Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, lemos sobre um conferencista que foi avisado por Max Heindel que se ele saísse de sua casa em determinado dia, sofreria um acidente. Ele confundiu o dia, pensando que 28 fosse 29, fez uma viagem para outra cidade e foi ferido como previsto, em uma colisão ferroviária. Ele havia sido avisado, acreditou no aviso e pretendia acatá-lo, mas sem dúvida o sofrimento decorrente daquele acidente lhe era adequado como expiação de certos erros. Portanto, os agentes da Lei da Consequência, evidentemente, o fizeram esquecer o dia.
Independentemente das condições em que nos encontramos, o conhecimento de que as fizemos nos ajuda a suportar com paciência e nos fornece a satisfação de sermos árbitros do nosso destino e podermos fazer do futuro o que quisermos. Isso é, em si, um poder. É claro que ainda temos que enfrentar o passado e, talvez, muitos infortúnios ainda possam advir de ações erradas; contudo, podemos olhar com alegria para cada aflição como se estivéssemos liquidando uma conta antiga e aproximando o dia em que teremos os registros limpos.
É possível fazer previsões com certeza para a maioria da humanidade, porque essas pessoas seguem o rio da vida. As previsões falham no caso de quem cuida, prioriza e se esforça para cuidar da sua parte espiritual, entretanto, em proporção à sua realização espiritual e à sua força de vontade.
Além do destino trazido conosco de vidas passadas para liquidação nesta vida, todos os dias exercemos influência causal por meio dos nossos atos. Uma parte considerável das ações feitas nesse Corpo produzirá efeitos antes que a morte termine nossa estada aqui, enquanto as que não forem liquidadas serão retidas e formarão a base de uma existência futura, em que colheremos o que plantamos. O destino transportado de uma vida para outra é mostrado em nosso horóscopo e fornece alguma base ou tendência para determinada linha de ação. No entanto, existe o livre-arbítrio relativo em grande porcentagem de nossas ações, o que nos deixa espaço para o exercício da Epigênese, a atividade criativa e divina que é a base da evolução. Max Heindel nos encoraja a buscar o princípio da Epigênese e aprender a aplicá-lo a nossas vidas.
É bom reconhecer que estamos continuamente tecendo a teia do destino no tear do tempo e criando para nós mesmos uma vestimenta de glória ou escuridão, de acordo com nosso bom ou mal trabalho; além disso, esse destino maduro não pode ser contornado. O que se segue é de uma palestra proferida por Max Heindel, em 1916:
“Uma lenda árabe relata que o bom e sábio Paxá Suleiman, tendo mostrado grande zelo pela propagação do Islã, uma noite foi visitado por Deus em um sonho e, então, teve a opção de escolher qualquer favor que pudesse pedir. Suleiman, sempre humilde e temeroso de que o orgulho e a arrogância entrassem em seu coração e desviasse seu rosto de Deus, pediu que todos os dias o Anjo da Morte o visitasse para impressionar sobre ele a natureza fugaz e evanescente do poder, da glória e o fato de que, ao final de uma curta vida, o homem deva enfrentar o portal da morte para encontrar seu Deus e prestar contas de sua gestão na Terra. Certo dia, enquanto o Anjo da Morte caminhava pela corte do Paxá Suleiman, ele olhou surpreso para um dos cortesãos, um homem muito próximo ao coração do sábio Suleiman. Esse nobre estava tão distraído e perturbado pela atenção dispensada a ele pelo Anjo da Morte que foi ao Paxá em busca de ajuda e conforto, porque temia que o Anjo da Morte viesse para ele naquele mesmo dia. Ele tinha apenas um pensamento: fugir da morte.
O sábio Paxá tentou confortá-lo da melhor maneira possível, mas sem sucesso. O homem alegou que só houvesse uma saída: ele precisava fugir o mais rápido possível. Para tanto, implorou ao Paxá que lhe emprestasse seu cavalo, Abdullah, famoso garanhão árabe da melhor raça, tão veloz que não houvesse uma única criatura conhecida por alcançá-lo. Depois de muitos esforços, em vão, para acalmar seu amigo, o Paxá finalmente concordou e deu a seu amigo o famoso garanhão. Ele cavalgou e cavalgou, o dia inteiro e toda a noite, com a velocidade do vento, até que finalmente o nobre garanhão caiu morto na areia. Então o cortesão caiu de cara no chão, chorando amargamente, ao pensar que não poderia ir mais longe.
Em seguida, o Anjo da Morte apareceu e acenou para ele. Sabendo que não existisse via de escape, ele se preparou para obedecer à convocação, mas antes de deixar a Terra perguntou ao Anjo da Morte: “Por que você me olhou de forma tão estranha, ontem, na corte do Paxá Suleiman?”. Ao que o Anjo da Morte respondeu: “Fui ordenado por Alá para abordá-lo neste mesmo lugar esta manhã e, quando o vi ontem de manhã no tribunal do Paxá Suleiman, fiquei surpreso, pois não conseguia entender como seria possível para você chegar a este lugar distante em tão pouco tempo; se você não tivesse o nobre corcel do Paxá, teria sido uma impossibilidade”.
Assim, ao se esforçar para escapar do destino que o esperava, ele de fato cavalgou e muito para encontrá-lo, gastando toda a sua energia para achar seu destino no tempo determinado.
Os Planetas giram em torno do Sol, ano após ano, século após século, com precisão invariável, mas eles têm alguma latitude (uma liberdade de movimento). Dentro do curso prescrito, cada um pode variar um certo número de graus de espaço e o mesmo acontece na vida do ser humano. Os grandes eventos, o nascimento e a morte, são incidentes inevitáveis na vida do Espírito, vida que nunca acaba, nunca começa. Como Sir Edwin Arnold diz:
Nunca o Espírito nasceu,
O Espírito deixará de existir nunca.
Nunca houve tempo em que não existiu.
Fim e começo são sonhos.
Sem nascimento e sem morte permanece o Espírito para sempre.
Embora certos eventos devam acontecer a todos os seres humanos, no entanto, há alguma latitude na vida, um livre-arbítrio que podemos exercer a fim de moldar nossas vidas como desejamos e trabalhar o destino para nós mesmos à nossa própria maneira. Isso é bem afirmado, como segue:
Um navio navega para o leste e outro para o oeste,
Com os mesmos ventos que sopram.
É o sistema de vela e não o vendaval.
Isso é o que determina o caminho que segue a nau.
Existe um propósito geral na vida e somos guiados por certo caminho amplo, denominado Caminho da Evolução, pelas Hierarquias Criadoras, também chamadas de Hierarquias Zodiacais. Temos a liberdade de escolher nossos cursos individuais, nessa estrada larga, e não é por acaso, portanto, que alguns de nós conheceram, estudam, vivenciam, se desenvolvem e promovem os Ensinamentos Rosacruzes como preconizados pela Fraternidade Rosacruz. O Sol, pelo seu movimento de Precessão dos Equinócios, agora está se aproximando da cúspide de Aquário e uma Nova Era será introduzida em breve. Novas características nas pessoas estão para aflorar em seus novos renascimentos.
É nossa missão guiar o trabalho do mundo ao longo de caminhos novos e mais elevados — para promover novos ideais, para que possamos entrar na próxima espiral da evolução. Afinal a Fraternidade Rosacruz é o arauto da Era de Aquário!
Na antiga Época Atlante, quando a Época Ária estava para ser introduzida, Deus, por meio de Seus profetas, falou ao povo em quem viu certas qualidades que poderiam ser aproveitadas: “Saia do meio deles e seja meu povo; Eu serei o seu Deus e dar-lhe-ei uma terra onde transborda o leite e o mel; a sua semente será tão numerosa como as areias da praia”.
Essa chamada soa hoje, mas dentro do peito de cada indivíduo. Muitas pessoas estão elaborando seus destinos, como desejado pelas Hierarquias Criadoras, pela atração causada pela ilusão do ouro, que concebem ser uma recompensa por seu trabalho. Há um número crescente de pessoas, no entanto, cujo discernimento interior tornou claro para elas que trabalhar por uma recompensa material, na forma de ouro, que devem abandonar quando o Anjo da Morte chegar, é loucura. Essas pessoas agora ouvem o chamado em seus corações: “Saia do meio deles e seja meu povo; Eu serei o seu Deus” (IICor 6:17). Embora ainda possam continuar a cumprir seus deveres no mundo, doravante não será por causa do ouro material, que eles sabem ser verdadeiramente inútil, mas por Deus, independentemente de uma recompensa material que esteja além das necessidades com as quais manter o corpo e a alma juntos. Assim, eles servem na vinha do Mestre e acumulam, quer pensem nisso ou não, uma recompensa espiritual, um tesouro no Céu que é maior do que o ouro terreno.
É esclarecedor observar o cadinho em que o ferreiro funde o metal com o qual vai fazer a junta. Vários pedaços de chumbo são colocados no cadinho, mas gradualmente perdem sua forma distinta e separada para se fundir em uníssono com os outros, até que todos se tornem um. Ainda assim, há em cada peça alguma escória que não derrete nem é incorporada ao metal; é jogada para cima pelo calor e o ferreiro a remove até que o metal esteja limpo — tão claro que ele possa ver seu próprio rosto ali. Da mesma forma, na Fraternidade Rosacruz somos muitas formas distintas e separadas, cada uma com suas próprias características e idiossincrasias. Fomos jogados no caldeirão e cada Corpo deve afundar sua personalidade na causa comum, se quisermos ter sucesso em nosso trabalho de divulgação dos Ensinamentos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz e na preparação do caminho para a Nova Era. Pode não ser fácil, para qualquer um de nós, esquecer-se de si mesmo, mas pelo calor e fricção que é gerado nesse processo de amálgama, as arestas agudas são arredondadas e derretidas para que nos ajustemos a nossos irmãos e irmãs. Adaptabilidade é a grande palavra de ordem; sem isso não podemos amalgamar; contudo, devemos esperar ser descartados como a escória do caldeirão, enquanto os nossos corações não tenham sido perfeitamente purificados para que a face de Deus seja vista neles, Ele não poderá fazer o melhor uso de nós em Sua obra.
Portanto, que nos esforcemos dia a dia para trabalhar séria e honestamente na “vinha do Mestre”, onde quer que estejamos colocados, lembrando o grande e glorioso destino que está diante de nós. Vamos considerar todas as tribulações atuais como indignas de serem mencionadas. Embora possamos ser mal compreendidos por aqueles que nos são próximos e queridos e, até, ser desprezados por quem pense apenas em um bom tempo e em acumular o ouro que se deve largar às portas da morte, voltemos os nossos rostos para a meta do nosso chamado e trabalhemos fielmente pelos tesouros espirituais, que perduram para sempre.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro/1984 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
O Trabalho do Cristo no Mundo do Espírito de Vida: de Junho à Setembro de cada ano
A Árvore Gananciosa
— Sr. Pica-pau, disse a macieira, será que você pode fazer à gentileza de bicar uma abertura no meu tronco, o suficiente para caber uma moeda?
— O que?
O Pica-pau parou no meio de uma bicada, deixando escapar o inseto que estava pegando. Ficou olhando para os galhos da macieira.
— Para que você quer uma fenda no seu tronco? Normalmente eu não posso picar buraquinhos tão pequenos que agradem vocês, árvores.
— Eu sei, eu sei, disse a árvore impacientemente, mas isto é diferente. Neste ano eu vou cobrar uma moeda por cada uma de minhas maçãs. Elas estão quase maduras e eu preciso dessa fenda depressa.
— O que? — disse novamente o Pica-pau. Você perdeu o juízo?
— Ao contrário, disse a árvore. Agora é que eu achei meu juízo. Toda minha vida, os seres humanos têm encontrado escadas bem na minha cara e subido em cima de mim por todos os lados, arrancando minhas maçãs sem pedir licença. E o que é que eu ganhei com isso? Nada!
A árvore fez uma cara tão feia que um sabiá que ia pousar em seus galhos, fugiu depressa.
— Nada? – duvidou o Pica-pau. Você não se sente bem, por dentro, por saber que as pessoas gostam de comer seus frutos, os quais lhes dão saúde? O pessegueiro se sente bem.
— O pessegueiro é um sentimental exagerado, respondeu a macieira. O que você pode fazer com “sentir—se bem por dentro?” Você não pode usar isso. Você não pode comprar nada com isso. Se eu cobrar uma moeda por cada maçã, eu vou poder comprar muitas coisas.
Mais uma vez, o Pica-pau olhou duro e longamente para os galhos da macieira.
— Eu acho que você está louca, ele afirmou.
— Faça—me um favor, disse a árvore. Poupe—me a análise psicológica e comece a fazer a fenda.
O Pica-pau continuou a olhar fixo para a árvore e por tanto tempo, que finalmente a árvore disse, impaciente:
— Você sabe o que é uma fenda, não sabe? Você conhece essas máquinas automáticas nos postos de gasolina nas estradas. Elas têm…
— Sim, eu sei o que são fendas e já vi as máquinas automáticas nos postos de gasolina. Coisas horríveis. Todas de metal e vidro, sem raízes na terra e sem folhas por cima.
— É claro que elas não têm raízes nem folhas. A árvore parecia desgostosa. Elas são produtos da civilização. E eu também vou ser um produto da civilização. Eu vou ser rica. Por favor, você quer começar agora a fazer a fenda?
— Oh! Muito bem. O Pica-pau suspirou e sacudiu a cabeça. Acho que não adianta pedir para você desistir dessa bobagem. Você vai ter que aprender por um caminho mais duro. Onde é que você quer a fenda?
— Bem embaixo, disse a árvore, onde os humanos possam alcançá-la. Principalmente as crianças. São elas que pegam mais as minhas maçãs.
— E isso não faz você feliz? Você não fica feliz sabendo que todas essas crianças vão ter mais saúde comendo as suas maçãs?
— Não, isso não me faz feliz, rosnou a árvore. Mas eu vou ficar feliz se pagarem as minhas maças. É agora você quer trabalhar?
— Muito bem, disse o Pica-pau, mas lembre-se, foi você que pediu. Isto vai doer.
— Não tem importância, disse a árvore. Eu aguento. Nada mais vai doer quando eu ficar rica.
— Há! zombou o Pica-pau e começou a trabalhar vingativamente.
Ele não estava se sentindo delicado, e não tentou ser delicado. Ele picou com força, ele picou fundo e ele picou rápido. “Ratat, ratatat”, fazia seu bico afiado, e a árvore sentiu como se tivesse uma dúzia de abelhas picando o seu braço ao mesmo tempo.
— Ai, gemeu a árvore. Você precisa ser assim tão cruel?
— Eu disse que ia doer, disse o Pica-pau indiferentemente. Você quer que eu pare?
— Não! exclamou a árvore. Eu posso aguentar. Continue, continue!
Então, o Pica-pau continuou, “Ratat, ratatat”, cada vez mais depressa, cada vez mais forte. A árvore se encolheu, estremeceu, gemeu e sofreu, mas não gritou, nem chorou ou se queixou. Em vez disso, dizia:
— Nada mais vai doer quando eu ficar rica.
— Puah! disse por fim o Pica-pau, cuspindo um pedaço amargo da casca da árvore. Já está pronto. Espero que você esteja satisfeita.
— Oh! sim, disse a árvore. Muito obrigada. Está perfeito. Agora você pode também esculpir ’10 centavos’ embaixo da fenda? Os humanos não saberiam para que é a fenda se não lhes for explicado.
— Devo admitir que você me espanta, admirou—se o Pica-pau. Você pensa realmente que só porque está escrito ‘10 centavos’ embaixo de uma fenda no seu tronco, as pessoas vão colocar uma moeda dentro, toda vez que quiserem uma maçã?
— Claro, disse a árvore. Eles estão condicionados a colocar dinheiro nas fendas para qualquer coisa. Não tem problema!
— Há! bufou o Pica-pau outra vez. Acho que você está a caminho de um triste despertar. Além disso, você vai ficar desfigurada se começar a ter preços gravados no seu tronco.
— Eu não me importo, disse a árvore. Vale a pena, quando eu ficar rica não vai fazer diferença.
Então, o Pica-pau começou de novo a trabalhar. “Ratat, ratatat”. De novo a árvore se encolheu, estremeceu, gemeu e sofreu, mas de novo não gritou, nem chorou ou se queixou. Em vez disso, ficou dizendo de novo:
— Nada mais vai doer quando eu ficar rica.
Finalmente, o Pica-pau acabou.
— Puah! disse cuspindo outro pedaço da casca da árvore. Aí está. Uma fenda e escrito ‘10 centavos’, E eu não vou fazer mais nada. Estou cansado desse negócio. Adeus!
— É tudo que eu preciso, gritou a árvore quando o Pica-pau foi embora voando. Obrigada!
— Hum! disse o Pica-pau. Árvore idiota! Ela vai se arrepender. Mas a árvore não ouviu.
Uma semana depois, duas crianças vinham alegremente pela estrada, carregando uma cesta.
— É aquela a árvore, disse a maior. E as maçãs estão maduras. Eu vou subir e jogo as maçãs pra você.
— Ah! pensou a árvore, meus primeiros fregueses. Vejam como o dinheiro vai correr agora.
A árvore tinha um sorriso tão desagradável na sua cara, que um azulão, que ia pousar nos seus galhos, voou rápido para longe.
— Hei, veja! chamou a criança menor. O que é isto?
Ela apontava para a fenda no tronco da árvore.
— Ahn! disse a maior, observando com atenção. É – é uma fenda e embaixo está escrito 10 centavos. Acho que é para a gente colocar uma moeda por cada maçã.
— Mas nós não temos uma moeda por cada maçã, protestou a menor. Nós não temos nem mesmo uma moeda.
— Eu sei, disse a maior. Bem, vamos. Lá está outra macieira que não tem fendas. Podemos tirar nossas maças dela.
Então, as duas crianças foram pela estrada balançando a cesta entre elas.
— Pequenos miseráveis, rosnou a árvore. Tinha uma expressão tão sem caridade em sua cara, que um sabiá, que ia pousar nos seus galhos, voou rápido para longe.
Um homem velho vinha pela estrada, apoiado numa bengala e carregando um saco de estopa nas costas. Ficou em frente da árvore, pousou o saco e a bengala com um suspiro.
— Ah! Pensou a árvore. Outro freguês. Agora o dinheiro vai correr.
— Oh! Meu Deus, disse o velho, que caminho comprido. Mas, se eu puder encher o saco com maçãs, valeu a pena. O que é isto?
O velho tirou seus óculos do bolso e colocou-os no nariz. Pôs a cara bem perto do tronco da árvore e leu ‘10 centavos’.
— 10 centavos? exclamou. 10 centavos por cada maçã? Bem, eu não posso pagar isso. Já tenho bastantes problemas para o dinheiro chegar. Acho que vou ter que ir até aquela outra árvore do caminho. Lá não tem fendas.
Lentamente, o velho se curvou, recolheu o saco e a bengala. Depois, foi pela estrada apoiado na bengala e carregando o saco nas costas.
— Pão duro! rosnou a árvore. Tinha um sorriso tão desagradável na sua cara, que um melro, que ia pousar nos seus galhos, voou rápido para longe.
Nesse momento, um carro preto grande parou na beira da estrada. Um homem careca com um terno caro desceu do carro, e uma senhora de cabelos brancos penteados para cima e usando um vestido caro desceu pela outra porta.
— É essa a árvore, meu bem, disse o homem. Parece que está carregada de maçãs.
— Ah! pensou a árvore. Estas pessoas são ricas.
Agora eu vou ganhar um bom dinheiro.
— Mas, olhe aqui, disse a senhora em voz alta, lamuriando—se. Aqui diz 10 centavos. Vamos ter que por 10 centavos na fenda por cada maçã. Nunca vi uma coisa assim.
— Que abuso! exclamou o homem. Eles devem pensar que somos feitos de dinheiro. Venha, meu bem. Há outra macieira sem fendas, mais adiante. Vamos pegar nossas maçãs, lá.
Então, o homem com o terno caro e a senhora com o vestido caro entraram de novo no carro e partiram numa nuvem de poeira.
— Avarentos! rosnou a árvore. Tinha uma expressão tão pouco amigável na sua cara, que um papa—figo, que ia pousar nos seus galhos, voou rápido para longe.
Logo depois, um furgão parou na beira da estrada. Um pai uma mãe e seis crianças pularam para fora.
— É essa a árvore, papai? perguntou a menininha menor.
— É esta mesma, disse o pai. Tirem a escada do furgão, meninos. Vamos ter bastante trabalho.
— Ah! pensou a árvore. Uma família numerosa. Agora sim, vou ganhar dinheiro.
O rapaz mais velho encostou a escada na árvore e, de repente, parou.
— Ei! venham cá, chamou, apontando para o tronco da árvore.
— O que foi, filho? perguntou o pai. Puxa! Não acredito! Uma fenda para moedas! Querem uma moeda para cada maçã!
— 10 centavos por cada maçã. Nós somos oito, se cada um de nós apanhar 50 maçãs, serão 400 moedas, disse a menina maior que era bamba em aritmética. Nós temos 400 moedas?
— Não, nós não temos 400 moedas, disse o pai. E, se tivéssemos, não iríamos gastá-las assim. Todo mundo para o furgão. Há outra macieira sem fendas, mais adiante. É lá que vamos fazer a nossa colheita.
Então, o pai, a mãe e os seis filhos se ajeitaram no furgão e partiram numa nuvem de poeira.
— Unhas de fome! rosnou a macieira. Tinha uma expressão tão mesquinha na sua cara que um corvo, que ia pousar em seus galhos, voou rápido para longe.
E, assim, foi por todo o outono. Nenhum humano apanhou nenhuma maçã daquela árvore. Nenhum quati subiu na árvore para pegar um bom petisco, e nenhum pássaro deu sequer uma bicada em uma maçã. Até os insetos, quando sabiam o que estava acontecendo, rastejavam para longe da árvore e não ligavam para as maçãs. Aos poucos, as maçãs endureceram, murcharam e caíram. No chão estavam as frutas de um ano inteiro, escurecidas e podres — coisas mortas, espalhadas, desprezadas.
Tudo tinha dado errado para a macieira. Ela não ficou rica. Em vez de ter centenas de moedas, não tinha sequer uma. E o que era muito pior, ninguém gostava dela. Os seres humanos a ignoravam e os animais e pássaros ficavam longe dela. Outras árvores e plantas que tinham sido suas amigas, a ignoravam. Pela primeira vez, a macieira sentiu o que era a solidão. Finalmente, parou de rosnar e começou a chorar.
— Por que eu fui tão gananciosa? chorava. Eu queria ser rica de dinheiro, quando eu já era rica de amigos e frutos. Agora, eu não sou rica de nada. Eu sou tão pobre, eu não tenho nada.
Mas, sem que a árvore soubesse, uma das maçãs não tinha caído. Pendurada no galho mais baixo, aninhada junto ao tronco e escondida peias folhas, estava uma maçã grande, brilhante, vermelha, que cada dia ficava mais doce, mais suculenta e mais deliciosa.
Uma manhã, quando o Pica-pau voou por perto, mas sem dirigir-lhe uma palavra, a árvore chamou-o:
— Sr. Pica-pau, eu sei que o senhor está desgostoso comigo e o senhor tem razão. Mas será que o senhor pode dar um jeito de me fazer um favor?
Relutante, o Pica-pau parou o seu voo.
— Um favor? perguntou. Eu lhe fiz um favor antes e veja no que deu! Agora, o que é que você quer?
— Por favor, risque a fenda e o letreiro de 10 centavos do meu tronco, pediu a árvore.
— Você não os quer mais? perguntou sarcástico o Pica-pau.
— Não, eu não os quero mais, disse a árvore, quase chorando. De agora em diante, vou dar as minhas maçãs. Nunca mais vou cobrar por elas. Talvez eu nem tenha maçãs o ano que vem. Eu não mereço. Mas se eu as tiver, eu quero que as pessoas vejam que já não existe mais a fenda.
— Hummmm, disse o Pica-pau, olhando fixamente para a árvore. Acho que você está mudando seus sentimentos. Mas você deve saber que isto vai doer mais do que na última vez, porque eu vou ter que cortar fundo.
— Eu sei, suspirou a árvore, eu sei. Mas acho que eu mereço isso também. Por favor, pode fazer.
— Então, lá vou eu, disse o Pica-pau. Segure-se.
O Pica-pau começou a trabalhar e doeu. Puxa, como doeu! A pobre árvore se encolheu, estremeceu, gemeu e sofreu, mas não gritou, nem chorou ou se queixou.
— Você tem certeza de que já tirou tudo? Não quero que sobre nada da fenda e da inscrição.
— Estou tirando tudo, respondeu o Pica-pau. Mas, você vai ter uma grande ferida exposta na sua casca que vai doer por muitos meses.
— Não tem importância, disse a árvore.
E, quando o Pica-pau acabou, é evidente, ficou uma grande ferida exposta na casca e a árvore sabia que isso ia doer por meses. Mas, ela disse:
— Obrigada Sr. Pica-pau, não posso nem dizer o quanto lhe sou grata por isto. Mesmo que eu não dê maçãs no ano que vem, é maravilhoso estar livre da fenda e do letreiro.
— Não tem de que, respondeu o Pica-pau. Devo dizer que eu me sinto muito melhor tendo que desfazer isso, do que me senti da primeira vez, quando o fiz.
Logo depois, o inverno chegou e, para surpresa de todos, bem antes do tempo. Parecia que quase não tinha havido outono. Numa semana, as árvores ainda tinham folhas, na semana seguinte as folhas já tinham desaparecido, levadas por um vento frio, frio.
Foi aí que os pássaros, os animais, as árvores e os arbustos viram uma maçã grande, brilhante, vermelha, doce, suculenta, ainda pendurada no galho mais baixo da macieira. Os quatis se assombraram, mas não a tocaram. Os pássaros se maravilharam, mas não a picaram.
As árvores e os arbustos ficaram espantados, mas não disseram nada. E a macieira viu, mas teve até medo de acreditar.
Depois caiu uma tempestade de neve por dois dias e duas noites, quando acabou, só o que se podia ver era a neve branca, os galhos marrons e uma maçã grande, brilhante, vermelha, pendurada no galho mais baixo da macieira.
Os quatis tinham que se virar para arranjar comida. Os pássaros que tinham sorte achavam migalhas e sementes jogadas para eles nas fazendas das vizinhanças. Mas, nenhum pássaro ou animal tentou comer aquele misterioso fruto vermelho da macieira.
No dia seguinte da tempestade de neve, viu-se um vultozinho marcando os primeiros sinais na camada funda de neve que ainda cobria a estrada. Lentamente, com dificuldade, o vulto avançava como se cada passo fosse o último que conseguia dar.
À medida que o vulto se arrastava, alguns centímetros de cada vez, a macieira viu que era um garoto que parecia muito pequeno para estar abrindo caminho na neve. O garoto chegou até a macieira, parou e se encostou nela com todo seu peso.
— Puxa, como eu estou cansado! disse. E com fome. Daqui até o armazém, ainda tem 1 Km e meio. Não sei se eu vou conseguir.
Nem as árvores, nem as criaturas selvagens que espiavam por trás das moitas, sabiam que a mãe do garoto estava muito doente. Como ela estava de cama, ela não sabia de que altura estava a neve e o quanto seria difícil andar nela. Por isso, ela tinha pedido a ele que fosse ao armazém comprar comida e remédios, e ele já tinha saído há muitas horas.
O garoto ficou muito tempo encostado na árvore antes de ver a maçã vermelha pendurada no galho mais baixo.
— Ei! exclamou sem acreditar no que seus olhos estavam vendo. Isto é de verdade?
Estendeu a mão e a maçã estava bem na altura para ele pegar. Quando ele a puxou do galho, parece até que ela pulou para a sua mão. A primeira mordida foi doce e suculenta e, logo que a mordeu, sentiu—se ficar mais forte e menos cansado.
— Puxa, como está gostosa! disse o garoto, dando outra mordida. Encostou—se na árvore, saboreando a maçã, e apreciando—a mais do que se lembrava de alguma vez ter apreciado um sorvete, doce, milk-shake ou seu bolo favorito.
Quando acabou, endireitou o corpo.
— Oba! exclamou, já nem estou cansado! Isso é que é uma maçã especial!
Retomou seu caminho, andando muito mais depressa do que antes. Quando ele desapareceu pela estrada, a macieira não teve dúvida de que ele conseguiria chegar ao armazém sem dificuldade.
— Foi uma beleza de maçã que você produziu, disse o Pica-pau que tinha ficado a observar. Parabéns.
— Oh, não, disse a macieira. Não me felicite. Do jeito que eu me comportei, durante todo o verão, eu não merecia ter essa maçã especial no meu galho. Ela me foi dada de presente, só para me mostrar que eu tenho outra oportunidade de não ser egoísta. E acredite, eu não vou desperdiçar essa chance no próximo verão.
Realmente, no verão seguinte a macieira produziu centenas e centenas de lindas maçãs. E, quando estavam no ponto de serem colhidas, vinha gente de muito longe para apanhar aquelas frutas deliciosas. Eles colhiam, colhiam, e cada uma delas parecia perfeita.
— Havia uma fenda para dinheiro nesta árvore, disse alguém um dia, mas já não está mais aqui. Alguém a cortou fora. Isso deve ter machucado a árvore; mas, à essa altura, já não doía mais. Ela estava tão feliz dando seus frutos a todos que os quisessem, que nunca mais sentiu dor.
Mês de Janeiro: Senhor Cristo Inunda a Terra com o Prodigioso Poder Espiritual
Quando o Sol entra em Capricórnio (Signo regido por Saturno, daí os Saturnalia) em 21 de dezembro, os poderes das trevas, de certo modo, tomam conta do “Dador da Vida”, mas dá-se o renascimento após os três dias de “paragem” (sol-stitium = sol + sistere, suster, parar), ou seja, o dia 25 marca o termo do “ciclo solsticial”. A partir do dia 26 de dezembro inicia-se um segundo ciclo de especial significado Iniciático: entre o dia 26 de dezembro (1.º Dia Sagrado) e o dia 6 de janeiro (12.º Dia Sagrado) ocorria a preparação ritual dos catecúmenos que eram batizados no Dia de Reis (Primeira Iniciação). Estes “Doze Dias Sagrados”, que acompanham a fase inicial do renascimento do “Sol Invencível”, eram como que um resumo do ano zodiacal seguinte, e, tal como já se referiu, estavam sob a proteção das Hierarquias Celestes que tradicionalmente regem os 12 Signos do Zodíaco.
A observância para janeiro começa, justamente, quando o Sol passa pelo Signo de Capricórnio na noite do Solstício de Dezembro. Como já foram observadas, as energias liberadas a cada Cerimonial continuam inundando nossa Terra durante a época em que o Sol transita em cada Signo, em particular no caso de Capricórnio. O Cerimonial acha-se relacionado com esse sagrado acontecimento: a Natividade.
Jesus nasceu numa manjedoura onde os animais se alimentavam. Da mesma maneira, o nascimento do Cristo no ser humano tem que acontecer numa manjedoura – isto é, em sua natureza inferior. Ainda não há lugar na hospedaria para Ele nascer, pois a hospedaria está na cabeça.
O primeiro trabalho de um Aspirante no Caminho é a purificação e espiritualização de sua natureza inferior. Por isso, o próprio Cristo sempre nasce numa manjedoura.
Durante o mês de Capricórnio, hostes de Anjos mandam poderosas correntes de purificação e cura, aproximam-se e cantam sem parar, “Que o Cristo nasça em você!” Isso gera e irradia um imenso poder. Quão pouca percepção nós temos das benéficas emanações que são continuamente irradiadas para nós vindas dos planos internos!
Exatamente oitocentos anos após a Natividade, os orgulhosos romanos que crucificaram Cristo ajoelharam-se perante Ele em homenagem – pois quando o soberano Carlos Magno foi coroado Imperador do Oeste no Dia de Natal em 800 D.C., abriu-se o caminho para o estabelecimento da Cristandade na Europa. Duzentos anos depois, numa Noite de Natal, Guilherme, o Conquistador, foi coroado e as Ilhas Britânicas ficaram sob a influência dos ensinamentos Cristãos. Um ano após, novamente no Natal, foi inaugurado o primeiro parlamento de “homens livres” que o mundo jamais havia visto.
Poucas pessoas percebem o prodigioso poder espiritual que inunda a Terra na época do Santo Natal. Os Sábios usam todas as oportunidades e canais para fazer frutificar o Plano Divino na Terra.
A observância do Solstício de Dezembro vai continuar nos mais profundos planos até que Cristo nasça no coração de cada um.
(Você pode ter mais material para estudos em: Cap. XII – Ensinamentos de um Iniciado; O Cristo Cósmico – Interpretação Mística da Páscoa; Cap. I – Interpretação Mística do Natal; A Estrela de Belém – Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel; A Escala Musical e o Esquema de Evolução – compilado por um Estudante da Fraternidade Rosacruz; A Festa da Natividade – Ao Longo do Ano com Maria; O Maravilhoso Livro das Épocas – Vol. VI – Vol. VII – Vol. X – Corinne Heline; António de Macedo – Os Solstícios e os Equinócios – Fraternidade Rosacruz de Portugal)
Mês de Fevereiro: Cristo torna a Terra mais branda e rica: é a Sua dedicação
Quando em fevereiro o Sol transita pelo Signo de Aquário – o Portador da Água – temos a época das chuvas e tempestades e, do mesmo modo que o batismo consagra misticamente o Salvador à sua obra de Serviço, assim também a abundância de umidade que desce sobre a Terra torna-a de tal maneira branda e rica, que pode produzir frutos para preservar a vida de todos os que nela habitam.
Em fevereiro, acontece o cerimonial da dedicação. Quão magnífica foi a ocasião em que Jesus Menino foi levado ao Templo. Deve ter sido o maior dia na história de Jerusalém. Por centenas de anos, o povo da Palestina falou do Messias prometido, rogou por sua vinda e aguardou ansioso por tão esperado acontecimento. Entretanto, quando Ele chegou, esse mesmo povo entregou-se calmamente às suas rotinas.
Não tivessem eles sido tão insensíveis e insensatos, teriam visto o ofuscante raio de Luz que iluminou toda a estrutura do Templo, quando da entrada desse Santo Ser. Teriam ouvido o elevado coro dos Anjos e Arcanjos que sempre acompanhavam os passos da criança de modo a envolvê-lo em um literal halo de som, que se tornou Seu sustento e Sua proteção.
Os únicos a reconhecê-lo foram os mais altos Iniciados, Simão e Ana. Eles sabiam que a preciosa criança havia chegado à Terra para servir de canal para o Senhor Cristo. Eles também perceberam o papel vital que Sua santa mãe desempenharia no drama de Cristo. Por isso, eles ofereceram palavras de amor e de coragem para fortalecê-la e sustentá-la.
Na vida da humanidade, o Templo representa o mundo. Dedicação e consagração a todas as causas nobres e a todo idealismo elevado são os objetivos das forças que os Grandes Seres derramam no coração da humanidade durante a Festa da Dedicação.
Dedicação e consagração, num Serviço em permanente ampliação para o desenvolvimento do espírito de fraternidade por todo o mundo, fazem soar a nota-chave de Aquário, já que fevereiro é o mês da realização das esperanças e da frutificação dos sonhos.
(Você pode ter mais material para estudos em: Cap. XII – Ensinamentos de um Iniciado; O Cristo Cósmico – Interpretação Mística da Páscoa; Cap. I – Interpretação Mística do Natal; A Estrela de Belém – Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel; A Escala Musical e o Esquema de Evolução – compilado por um Estudante da Fraternidade Rosacruz; A Festa da Natividade – Ao Longo do Ano com Maria; O Maravilhoso Livro das Épocas – Vol. VI – Vol. VII – Vol. X – Corinne Heline)