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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Assistindo ao Próprio Funeral

Quando chegou ao Mount Ecclesia a notícia de que Frank English, um de nossos membros de Los Angeles, havia se livrado do corpo mortal e que o autor deveria oficiar o Ritual do Serviço de Funeral, antes da cremação do corpo, um grupo foi formado pelos trabalhadores em Mount Ecclesia e fomos para Los Angeles no domingo de manhã, ajudamos nas atividades para cremar o corpo e viajamos de volta, uma distância total de 300 quilômetros, a tempo de Max Heindel falar na reunião noturna diária na Pro-Ecclesia — um dia de trabalho bastante extenuante.

Mas, isso é apenas um incidente registrado para preparar o caminho para contarmos a nossa história e trazer à tona o fato de que as pessoas, geralmente, assistem a seus próprios funerais. Isso foi aprendido quando alguém perguntou ao autor, após a reunião: “Você viu o Frank? Ele está aqui?”.

“Eu nunca oficiei um funeral em que o chamado ‘morto’ não estivesse presente e não fosse um espectador interessado”, respondeu Max Heindel. Ele então começou a contar uma série de experiências interessantes sobre o comportamento dos “mortos”: “Na maioria das vezes”, ele disse, “eles  se sentam quietos em seus assentos, observando o que acontece como qualquer uma das pessoas que nós chamamos de vivas, embora o significado do termo comum ‘os vivos e os mortos’ deva realmente ser invertido; pois nós, que estamos presos neste pesado ‘pedaço de barro’ e sujeitos a inúmeras dores e males, estamos realmente muito mais mortos do que os Espíritos desencarnados que assim designamos; enquanto aqueles, que não conhecem a doença, que não podem sentir fadiga, que se movem mais rápido que o vento sem fazer o menor esforço, devem realmente ser chamados de vivos”.

“Mas, na hora do funeral, muitos deles ainda não se encontraram, por assim dizer, pois acabaram de sair da visão e revisão sobre o panorama da vida passada, que é descortinada diante deles em ordem inversa, da morte ao nascimento, mostrando que os efeitos de suas vidas foram gerados por causas antecedentes; e como na maioria dos casos as pessoas não estudam sobre o assunto vida após a morte, elas geralmente ficam irremediavelmente confusas em todo o processo. Muitas vezes percebem que devem ter ‘morrido’, pois observam o Corpo Denso no caixão, mas se veem com uma forma semelhante, que para eles parece tão sólida e real quanto a coisa que está morta.”.

“Então eles não podem entender por que ainda estão em sua antiga casa e por que eles não viram qualquer coisa do ‘Tribunal, do Céu ou do Inferno’ — isto é, se eles acreditavam nisso. Se foram materialistas, provavelmente, começam a se perguntar como podem pensar ou continuar a existir. Encontrei apenas alguns materialistas do outro lado e não perguntei a eles sobre seus sentimentos a esse respeito, mas todos ficaram muito irritados por serem gradualmente forçados a revisar sua teoria de que a aniquilação do ser segue a morte física. Eles queriam a extinção da consciência e estavam muito infelizes”.

“As pessoas que estudaram os Ensinamentos Rosacruzes, promulgados pela Fraternidade Rosacruz, diferem radicalmente da maioria como grupo, pois instantaneamente reconhecem, ao despertar da visão e revisão do panorama da vida, os fatos essenciais do caso. Eles sabem que entraram nas Regiões inferiores do invisível Mundo do Desejo e que estão entrando em uma nova fase de evolução. A maioria deles está quieta e subjugada, sentindo a importância da mudança, e consideravelmente amedrontada por enquanto. Eles costumam ir para uma parte da sala onde os cultos estão sendo realizados, que fica o mais longe possível de todos.”

“Contudo, sempre notei que, se a conversa na sala é toma um tom de alegria, tem um efeito maravilhoso em alegrar o amigo ou a amiga recém-falecido ou recém-falecida. Várias vezes tive a satisfação de vê-los sair do seu canto e se tornar muito brilhantes, com um aumento correspondente no ânimo de todos os ‘vivos’. Em uma ocasião o ‘morto’ ficou tão interessado e tão alegre que ele quase me atropelou no meio do meu discurso.”.

“Quando entrei na sala, esse homem estava sentado em um canto, muito quieto. Ele conhecia os Ensinamentos Rosacruzes e, evidentemente, estava totalmente atento aos fatos, mas também estava claro que a situação pesava bastante sobre ele. Então, imediatamente eu fiz todos os esforços para administrar ‘consolação aos mortos’ por meio de uma conversa alegre com a viúva sobre a morte e a condição posterior, relatando uma série de experiências para ilustrar os diferentes pontos, e muito em breve o ‘morto’ apurou os ouvidos, aproximou e se sentou ao lado da sua companheira de vida.

“Durante o serviço ele permaneceu lá, sentado, atento e alerta. Ele ouviu atentamente enquanto eu explicava ao público que aquele ‘pedaço de barro” no caixão era apenas uma roupa que nosso amigo havia usado há pouco tempo e, que, com o tempo, seria substituído por um corpo novo e melhor no qual ele aprenderia novas lições na Grande Escola da Vida.”

“Enquanto isso, continuei a apontar com a mão esquerda para o corpo no caixão aberto, enquanto a direita estava suspensa no ar. Eu estava me preparando para citar o poema inimitável de Sir Edwin Arnold que começa com: ‘Nunca nasceu o Espírito! Nunca o Espírito deixará de ser!’. Comecei a dizer: ‘Como diz Sir Edwin Arnold…’”.

“Então veio um clímax que eu não esperava. De repente, o homem ‘morto’ deslizou do sofá em que estava sentado e, em linha reta, passando pela mesa em que eu estava, foi até o caixão, olhou com grande interesse para a forma descartada, evidentemente observando-a de um modo que ele nunca tinha realmente entendido antes; e ele permaneceu assim, perdido em pensamentos por vários minutos.”

“Mas dizer que fiquei surpreso com esse incidente inesperado é dizer o mínimo. Em vez de manter minha Mente no discurso, involuntariamente segui os movimentos do nosso amigo ‘morto’ para ver o que ele faria, com o resultado inevitável de que perdi o fio do meu discurso por um minuto e repeti sem jeito: ‘Como Edwin Arnold diz…’. Então, com um grande esforço, juntei meus pensamentos e continuei.”

“Houve duas coisas notáveis sobre o que ele fez. Em primeiro lugar, as pessoas costumam andar de um lugar para outro por algum tempo depois de deixarem o Corpo Denso, até que gradualmente descobrem que podem planar mais rapidamente que o vento. Elas também parecem ter um pavor instintivo de atravessar uma parede ou uma porta fechada, mesmo que saibam, por seus estudos, que isso pode ser feito. Acima de tudo, elas temem que um amigo ‘vivo’ venha e se sente na cadeira em que estão sentadas. Talvez essa seja a verdadeira razão pela qual elas costumam ficar sentadas em algum canto durante o seu funeral.”.

“Mas, nesse caso o cavalheiro deslizou pela sala, passando diretamente pela mesa e por um vaso de flores, até chegar ao caixão. Isso me mostra que ele deve ter ficado tão absorto na ideia de que seu Corpo Denso descartado era exatamente como um casaco velho e que, durante esse acesso de abstração, inconscientemente obedeceu às leis do movimento do reino invisível, em vez do habitual método físico de locomoção.”

“Ah, e sobre Frank, como ele agiu?”.

“Ora, você deve se lembrar de que ele era um membro dos graus mais elevados (do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz), no qual foi ensinado a assimilar o panorama da vida dia a dia (por meio dos Exercícios Esotéricos diários: o noturno de Retrospecção e o matutino de Concentração), de modo que, quando ele saiu do Corpo Denso, provavelmente, havia apenas algumas pontas esparsas que precisaram ser cortadas, antes que o Cordão Prateado se rompesse e o deixasse livre, em plena posse de sua consciência. Esse trabalho o familiarizou com os Mundos invisíveis anos atrás, de modo que ele estava bem à vontade. Além disso, quatro dias se passaram desde que ele falecera então, provavelmente, ele se sentia bem, pelo menos é o que pareceu — andando entre nós e parando ora entre um grupo de amigos, ora em outro grupo de amigos. Quando ele me viu, ele acenou com a cabeça e sorriu como se nada fora do comum tivesse acontecido.”

“Eu só gostaria que todos pudessem ver os amigos e as amigas depois do falecimento deles; e é sempre uma maravilha para mim que não possam ainda, pois durante os primeiros dias e as primeiras semanas eles me parecem tão densos quanto as radiações de calor acima de um radiador de vapor. Mas, graças a Deus, esse dia está chegando.”

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de outubro/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Lei do Renascimento para você se perguntar: é lhe dado tarefas fáceis ou difíceis?

Dentre vários ensinamentos que lemos nas Epístolas de São Paulo há um muito interessante para entendermos a questão do título: “Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gl 6:7). Estas palavras foram escritas pelo Iniciado o Apóstolo São Paulo em uma Epístola aos Gálatas, que eram um grupo de pessoas que habitava uma província da Ásia Menor. São Paulo leva a Religião Cristã aquela gente, a quem amou de maneira muito especial, congregando-os em uma Igreja. Estando deles ausente, apareceram certos “mestres”; dentre eles três judeus e trataram de persuadir aquela gente a desprezar a Religião Cristã, que lhes tinha sido ensinada por São Paulo, e voltaram à antiga forma de adoração.

São Paulo viu claramente que para os Gálatas o retroceder depois de terem visto a luz significava atraso, em lugar de progresso, e que suas consequências seriam o incorrer em uma pesada dívida com o destino, que requeria eternidades para eles a liquidarem.

Sendo São Paulo um Iniciado, conhecia perfeitamente as Leis do Renascimento e as de Causa e Efeito e, por isso, sabia muito bem que se este povo contraísse uma tal dívida, teria de pagá-la alguma vez e em alguma parte, ao preço de grande dor e de profunda angústia. Por esta razão, São Paulo proclamou a Lei de Causa e Efeito a essa gente, dando-lhe o conhecimento dela em termos inequívocos: “Não vos enganeis: Deus não pode ser iludido; tudo o que o homem semear, isso também colherá“.

Se o Renascimento não fosse um fato, numerosas afirmações da Bíblia, semelhantes à que acabamos de citar, seriam difíceis de aceitar. De fato, seria absolutamente impossível para um homem ou uma mulher inteligente aceitar muitos fatos da vida, nem sequer em mínima parte. Por todas as partes vemos no mundo pessoas semeando sem cessar, sementes de maldade, discórdia, ódio, desonestidade, decepções, etc. e, contudo, ostentam-se prósperos e florescentes, como o verde loureiro proverbial. Aqueles cujas vidas são piores, acham-se com frequência, ocupando os mais altos cargos; entretanto vemos oprimidos, homens e mulheres de vida santa e Cristã.

E qual a resposta a esses diversos e complexos problemas que, constantemente, a vida nos está apresentando? Não têm eles respostas alguma? E a morte? Ainda os resultados da morte são incertos. Aniquila a morte a consciência?

Como resposta a tais perguntas, a maioria das pessoas dirá: “Creio nisto ou naquilo, mas nada sei”.

Há uma resposta para cada problema que a vida nos apresenta; os precursores da grande escola da vida, que avançaram e progrediram, puderam nos dar estas respostas. Eles não dizem: “creio” ou “penso”, mas dizem: “sei” -“Eu sei”. E como sabem? Porque adquiriram conhecimento de primeira mão. E de que maneira o adquiriram? Por meio da perseverança, devoção, observação e discernimento.

Antes que um homem ou uma mulher possa entender a vida, há de achar-se disposto ou disposta a aceitar como uma hipótese eficaz a de que o Renascimento é um fato e que toda a manifestação se explica pela Lei de Causa e Efeito. Uma vez que uma pessoa permita que entrem na sua consciência estes dois grandes fatos, tem já um ponto de apoio ou de partida para seus raciocínios.

Se o Renascimento é um fato, então todos nós temos vivido várias vidas anteriores à atual, e temos passado por numerosas provas. Temos sido arrogantes, cruéis, opressores, tiranos, injustos? Tem havido ocasiões em que temos sido bondosos, tolerantes, sensíveis, serviçais etc.? Pois bem, na atualidade somos a soma de nossas experiências anteriores, ou melhor, a soma de nossas reações à todas as nossas experiências passadas.

Cada criatura humana de nossa Onda de Vida tem-se iniciado na grande escola da vida, na Grande Escola de Deus, com iguais oportunidades. Durante cada vida foram-nos dadas certas lições. Quando as tivermos aprendido perfeitamente, teremos ganho em conhecimento e inteligência e teremos avançado.

Quando recusamos fazer nosso trabalho, e dissipamos nosso tempo vivendo preguiçosa ou licenciosa e desordenadamente, não só debilitamos, então, nossa estrutura moral, deixando para o lado o trabalho, senão que ao deixar para mais tarde o que devíamos ter feito hoje mesmo, deixamos para o dia seguinte uma tarefa mais dura e mais difícil de executar; e já não estaremos tão preparados para ela como estávamos ao ser-nos dada a primeira lição.

Mas esse trabalho há de ser executado alguma vez, em alguma vida, porque estamos desenvolvendo nossos próprios deuses, que absoluta e necessariamente hão de alcançar seu desenvolvimento, mercê de nossos próprios esforços.

O desenvolvimento das potencialidades latentes, dentro de cada indivíduo, não pode comprar-se, não pode achar-se ou receber-se como se fosse um gracioso donativo.

Depende de nossos próprios esforços perseverantes e resolutos, o que este crescimento progressivo encerra, e só nós estamos em possibilidade de apressá-lo ou retardá-lo. O indivíduo que diz: “Não tive nunca uma oportunidade na minha vida”, está-se enganando. Cada incidente que ocorre, e sucedem-se dezenas deles diariamente, nos subministra a oportunidade de desenvolver em alguma extensão algum poder potencial latente, em nosso interior, e as provas que sofremos, vem precisamente com esse objetivo. Não são meros acidentes com que tropeçamos, mas oportunidades dadas por Deus mesmo, para nosso crescimento, às quais devemos estudar bem e aproveitar tudo o que pudermos. Uma vez que nos dermos conta disso, cada dia de nossa vida se converte em uma grande e gloriosa aventura. Os mais humildes acontecimentos tornam-se grandes e maravilhosas experiências. O gorjeio de uma ave fere nossos ouvidos, estimula nosso sentido da audição e desenvolve nossa apreciação da verdadeira harmonia expressa em sons. Um humilde gusano, uma humilde minhoca, arrasta-se pelo solo aos nossos pés; o sentido da vista entra em ação; a cor daquela criatura se nos revela; a sua forma, a sua maneira de locomoção. Nosso poder de observação se vigoriza; o nosso interesse se estimula; a nossa Mente entra em atividade.

Começamos a estudar a vida, a verificar a nossa mentalidade e acabamos por aprender que tudo aquilo que existe é uma parte de Deus, que lenta, mas seguramente desenvolve dentro de si próprio, a Divindade.

A vida não nos aparece já como um confuso labirinto. É uma escola onde toda a criatura vivente recebe um ensino alegre e intenso. Nada há nela de opaco ou privado de interesse. São a Lei e a Ordem, trabalhando unidos, harmoniosamente. É o Amor em manifestação; é a atividade que nos revela em miríades de demonstrações.

Por que vemos ocupar altos postos aqueles que, segundo todas as aparências, carecem de algum mérito? Suas lições por um dia na Escola da Vida exigirão esse ambiente particular? Mas ai daquele que abuse de seus altos privilégios! Esse está criando uma tremenda dívida de destino, que não lhe será fácil pagar. Por que vemos sofrer opressão a uma pessoa digna? É com o objetivo de que possa aprender valiosas lições que hão de ser usadas em proveito de seus semelhantes, em vidas futuras, nas quais ocupará postos de grande influência e poderio. Tal pessoa não cometerá nunca o erro que seu irmão ou sua irmã menos adiantado ou adiantada poderia cometer ao achar-se numa posição semelhante.

O homem ou mulher que semeia sementes de discórdia, ódio, desonestidade, engano, etc. não pode ter a esperança de escapar ao castigo da Lei.

“Qualquer coisa que um homem semear, isso mesmo colherá“, seja durante sua vida atual, seja durante alguma outra vindoura, a não ser que se arrependa do seu mau comportamento.

Reformem-se enquanto puderem, reparem o mal que tenham cometido. A razão de que não vemos o malfeitor pagar suas dívidas é porque não estamos capacitados, no atual estado do nosso desenvolvimento, para segui-lo vida após vida e saber quando se vencem essas dívidas.

Algumas vezes pagam-se durante a vida em que se contraíram; outras vezes levam-se através de um ou mais Renascimentos, mas nunca ficam por saldar.

A Lei de Causa e Efeito, é ensinada pela Bíblia, ainda que expressa com diferente terminologia: “Qualquer coisa que um homem semear isso também colherá“. Nem esta Lei nem a Lei do Renascimento são realmente novas, como poderia comprovar qualquer estudante da Bíblia, cuidadoso e dotado de espírito analítico. Na atualidade, contudo, está lhe dando uma importância muito particular, por parte das escolas avançadas de preparação espiritual, devido a que um número considerável de seres humanos completou já as lições ensinadas por meio da Religião Cristã ortodoxa, e se encontram já prontos para uma etapa mais adiantada na senda do progresso. Essa etapa mais avançada lhes abrirá os Mundos invisíveis onde reside o Espírito, ou verdadeiro “EU”, durante os intervalos entre a morte e o novo renascimento, e os capacitará para seguirem as pisadas do Espírito, ainda que esse faça suas diversas viagens, da morte ao nascimento e vice-versa.

Antes que um indivíduo possa chegar a essa etapa adiantada, há de construir um veículo que lhe permita funcionar nos Mundos invisíveis. Esse veículo se constrói determinando uma separação entre os dois Éteres inferiores (o Químico e o de Vida) dos Éteres superiores (Luminoso e Refletor), que são os veículos da percepção dos sentidos e da memória; podem então usar-se como tal, o veículo a que se chama o Corpo-Alma.

Em consequência, a “Senda da Preparação” precede a capacidade de adquirir conhecimento de primeira mão, o conhecimento direto.

O amoroso e abnegado serviço aos outros, a perseverança, a devoção, a observação e o discernimento são os meios de alcançá-lo. O serviço amoroso e abnegado aos outros atrai automaticamente ao indivíduo os dois Éteres superiores, a saber; o Luminoso e o Refletor, com os quais se constrói o “Corpo-Alma”.

O Éter Químico e o Éter de Vida são capazes de se encarregar das funções vitais do Corpo Denso, durante o sono. Mais tarde tem lugar uma separação entre estes dois Éteres inferiores e os dois Éteres superiores. Quando esses dois últimos Éteres que compõem o “Corpo-Alma” já se espiritualizaram o suficiente, por meio da observação, do discernimento e do serviço, uma simples fórmula, dada por um Mestre espiritual, capacita o Aspirante à vida superior a levar consigo o “Corpo-Alma” à vontade, junto com o seu Corpo de Desejos e a sua Mente. Fica assim equipado com seus veículos de percepção sensorial e de memória.

Qualquer conhecimento que possua no Mundo Físico está, então, à sua disposição para usá-lo nos Mundos invisíveis, e quando de novo entra em seu Corpo Denso, traz consigo, ao cérebro físico, memórias de suas experiências adquiridas durante seu funcionamento longe do próprio corpo e naqueles altos lugares.

Quando o indivíduo tenha construído esse veículo no qual funciona, pode visitar os Mundos invisíveis e fica com liberdade para explorá-los a seu gosto, e aprender neles as causas que produzem todos os efeitos que se manifestam no plano físico.

Pode, então, acompanhar uma criança, da morte ao renascimento e comprovar assim que a reencarnação é um fato.

Pode então compreender a vida e seu objetivo, e trabalhar em harmonia com todas as Leis da Natureza; e dessa maneira tem já em suas mãos não só o método de acelerar sua própria evolução, senão também o de ajudar os outros a fazerem outro tanto.

Todo o nosso progresso depende de que aprendamos as lições que se nos apresentam em nossa vida diária, sem ter em conta que sejam fáceis ou difíceis. Devemos agradecer cada lição e pôr-nos prontamente a aprendê-la. E devemos agradecer especialmente às difíceis e desagradáveis, pois indicam que fizemos consideráveis progressos no passado e que, por consequência, estamos já capacitados para aprendê-las. Às almas jovens e pouco experimentadas não são dadas tarefas difíceis para executar.

Cada dia está cheio de oportunidades que, nos tornam os donos delas e se as aproveitarmos tanto quanto possível, nos permitirão avançar rapidamente pelo caminho do verdadeiro desenvolvimento.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1979 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Necessidade Primordial da Fidelidade do Estudante Rosacruz na aprendizagem e prática dos Ensinamentos Rosacruzes

Um verdadeiro Estudante Rosacruz, um Aspirante à vida superior, ao entendimento do que, como funciona e como se desenvolver para trabalhar eficientemente nos Mundos suprafísicos, nos Mundos invisíveis, busca continuamente se ligar ao Cristo Interno e está sempre ajudando o próximo, praticando fielmente o serviço amoroso e desinteressado (e, portanto, o mais anônimo possível) e focando na divina essência de cada um que ele serve.

Assim, ajuda no anonimato, é confiante em si mesmo, consegue permanecer só em todas as circunstâncias e luta em todas as condições sempre bem equilibrado (“sim, sim” e “não, não”, mas jamais morno!).

O verdadeiro Aspirante Rosacruz sabe que na Fraternidade Rosacruz não há mestres, nem instrutores, nem professores, mas amigos, irmãos e irmãs em Cristo sempre prontos a ajudar, a orientar, a mostrar o caminho reto que nos mostra por meio da obtenção do conhecimento direto, desenvolvendo em cada um de nós os veículos necessários e apropriados para funcionarmos diretamente em cada Região e Mundo suprafísicos. 

Aquele que vive buscando proteção, novos autores, novos livros, correndo de uma a outra conferência, de um a outro site, de oradores que consideram ilustres, que vivem repetindo ideias alheias, não pode ser um Aspirante à vida superior, um Estudante Rosacruz, pois está sempre atendendo os anseios inferiores do seu Corpo de Desejos, e onde o Corpo de Desejos prevalece, o Corpo Vital (sede do alicerce para o desenvolvimento espiritual) não tem espaço, pois todo o seu tempo está voltado para reparar os estragos dos desejos, sentimentos e emoções que o Corpo de Desejos faz no Corpo Denso (como aprendemos nos Cursos de Filosofia Rosacruz).

Somos filhos de Deus, centelhas de Seu fogo, Espíritos feitos à Sua imagem e semelhança, tendo, dentro de nós, todos os atributos latentes à espera de desenvolvimento e potencialização. E isso a Fraternidade Rosacruz oferece ao fiel e sincero Estudante Rosacruz.

Eis o motivo dos Irmãos Maiores preconizarem o método direto para obtermos o conhecimento, sem utilizar nenhum instrumento (seja ele outra pessoa ou até artefatos físicos) para tal.

Somos criadores em formação, Cristos em desenvolvimento, portanto, firmes no nosso propósito, na nossa busca, na nossa independência, buscando sempre aprender os ensinamentos Cristãos e segui-los, colocando-os em prática na nossa vida cotidiana.

A Fraternidade Rosacruz não é obra de mestres terrenos, de literaturas rendadas, de promessas fantasiosas, de pretensas Iniciações. 

Os Irmãos Maiores ditaram para Max Heindel, fundador da Fraternidade Rosacruz, aqui no Mundo Físico, a obra básica que é o Conceito Rosacruz do Cosmos, um livro de estudos permanente e de aplicação durante toda a nossa vida.

Esses Irmãos Maiores são elevados Iniciados, seres humanos como nós, muito conhecidos por seus grandes frutos. 

A Fraternidade Rosacruz reúne o que há de mais atual às nossas necessidades internas, Egos, renascidos no ocidente, que somos; ela é o “alimento sólido do adulto”.

Ela desmascara ilusões e artificialismo, com seus princípios bem racionais e devocionais, em um equilíbrio perfeito entre “cabeça e coração”.

Ela se destina aos simples, aos essencialistas, aos sinceros, aos realizadores, aos servidores, aos humildes, aos corajosos, que podem e querem renunciar aos acenos do passado e buscam atingir o “Reino dos Céus por assalto” – como orientado pelo nosso Mestre, o Cristo –, por seu próprio esforço e sempre bem orientados, hoje mais ainda pelos meios aquarianos que, se bem utilizados, ajudam muito, tais como estudos on-line, site, redes sociais, e-mails e sim, quando houver um ambiente apropriado: seminários, palestras, reuniões de estudos e uma boa conversa. 

Quem nela se inspira, liberta-se da sua natureza inferior, não mais se desilude porque não se ilude. Não fala de si mesmo, não se intitula “Mestre”, não conta suas “experiências”, não exibe seus recursos curadores, não busca fama, glória, nem poder, ocupa o último lugar sempre que puder, é simples, autêntico, humilde, sempre se refere à Deus em seu interior, é o que busca mais servir, desinteressadamente, anonimamente por amor aos seus semelhantes, sem pretensões ulteriores. 

Pratica fielmente a máxima ocultista: “buscar o Reino de Deus e Sua justiça, que o resto vem por acréscimo”.

Quem entender isso, logo se engaja e se firma e caminha a passos largos no Caminho de Preparação para a Iniciação Rosacruz!!!

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

“O Cego vê e o Surdo ouve”

Por Max Heindel

Enquanto a incapacidade física causada pela cegueira é, sem dúvida, uma grande aflição, há uma cegueira que apresenta efeito mais prejudicial sobre aqueles que dela sofrem: a cegueira do coração. Um velho provérbio diz: “Ninguém é tão cego quanto aquele que não quer ver”[1]. Toda grande Religião trouxe ao povo a quem foi dada certas verdades vitais e necessárias para o seu desenvolvimento, e o próprio Cristo nos disse que a Verdade nos libertaria. Muitas das sublimes verdades contidas nos ensinamentos Cristãos foram, no entanto, obscurecidas por credos e dogmas com os quais as várias seitas e denominações se contentaram. Contrata-se um ministro ou um pastor para uma igreja protestante e o encarregam de expor a verdade da Bíblia, mas sua língua está atada ao credo de sua denominação específica; ele é proibido, sob pena de desgraça pública e dispensa, de publicar ou pregar algo que não esteja em estrito acordo com o tipo particular de Religião desejado por aqueles que lhe pagam o salário. Cada ministro ou pastor recebe “um par de óculos que são coloridos” de acordo com o credo específico que ele representa, e ai dele se ousar enxergar a Bíblia com outros óculos sobre o nariz: fazer isso significa sua ruína financeira e ostracismo social, que poucos são corajosos o suficiente para enfrentar.

Enquanto o ministro ou pastor mantiver seus óculos denominacionais, não haverá perigo; contudo, às vezes algum ministro ou pastor retira os óculos, porque planejou ou por acidente. Ele pode ser de natureza aventureira e, de alguma forma, tem a sensação de que há alguma coisa fora da sua esfera de visão particular, ou pode ter acidentalmente perdido seus óculos. Mas, em ambos os casos, se ele tropeça na verdade nua da palavra de Deus, torna-se infeliz. Esse escritor falou com vários ministros e pastores que confessaram ter a ciência de certas verdades, mas não ousavam pregá-las porque isso jogaria a fúria de sua congregação sobre eles, por perturbar as condições estabelecidas. E isso não é de se admirar; mesmo o Rei Jaime[2], um monarca e autocrata, advertiu os tradutores da Bíblia para não a traduzirem de maneira que a nova versão perturbasse as ideias estabelecidas, porque ele sabia que, no momento em que novos pontos fossem introduzidos, haveria uma controvérsia entre os defensores da antiga visão religiosa e os da nova, o que provavelmente resultaria em uma guerra civil. A maioria das pessoas sempre está pronta para sacrificar a verdade pelo bem da paz; portanto, hoje estamos presos, apesar de nossa liberdade vangloriada, e não importa o quanto seja aguçada a nossa visão física, um grande número entre nós está cego por uma escama tão opaca que quase obscurece completamente sua visão espiritual.

No entanto, apesar de tudo, a verdade surge e, às vezes, nos lugares mais inesperados, como mostra o recorte a seguir. Isso soa mais como as reflexões de um Místico do que os escritos de um ministro ou pastor presbiteriano, anotações ligadas à terrível doutrina da predestinação e ao compromisso das almas com o fogo eterno do inferno, onde torturas terríveis são suportadas pela eternidade, mesmo por bebês que foram predestinados a sofrer para sempre pelo seu criador. Foi escrito por J. R. Miller, um conhecido pastor de igreja da Filadélfia, e é apenas outra indicação do fato de que um sexto sentido está sendo desenvolvido lentamente e, frequentemente, como dito, nos lugares mais inesperados, esmagando o credo com evidências e conhecimentos Místicos. O reverendo Miller diz:

“Todos nós projetamos uma sombra. Há sobre nós uma espécie de penumbra — algo estranho e indefinível — que chamamos de influência pessoal e tem efeito em todas as outras vidas que ela toca. Vai conosco onde quer que vamos. Não é algo que possamos ter ou retirar quando quisermos, como uma roupa. É uma coisa que sempre brota da nossa vida, como a luz de uma lâmpada, o calor de uma chama, o perfume de uma flor.”.

Certa vez, quando Cristo estava sozinho com seus Discípulos, Ele lhes perguntou: “Quem dizem os homens que Eu, o Filho do Homem, sou?”. E eles responderam e disseram: “Alguns dizem que Tu és Elias; outros, Jeremias; e outros dizem que és um dos profetas”. E Cristo respondeu e disse: “Mas quem dizeis que Eu sou?”. E São Pedro disse em resposta a essa pergunta: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Ele havia descoberto a verdade, tinha visto o Cristo. E a resposta de Cristo veio rapidamente: “Bendito és tu, Simão, filho de Jonas, porque a carne e o sangue não te revelaram isso, mas meu Pai que está no Céu; a ti darei as chaves do Reino dos Céus e do Inferno”[3].

Aqui, a Religião dita Cristianismo popular, que tantas vezes desvalorizou a Arte a seu serviço, pode ver apenas uma chave material e, portanto, encontramos fotos em que São Pedro está com uma chave enorme na mão; porém o Místico descobre nesse incidente que os Discípulos receberam o ensinamento de uma grande verdade da natureza: o Renascimento! Pela chave da Iniciação, esse mistério foi descoberto, as portas do Céu e do Inferno foram abertas para mostrar a imortalidade do Espírito e nossa volta a esta esfera de ação para aprender novas e maiores lições vida após vida, como uma criança aprende suas lições na escola, dia após dia.

Se o Renascimento não fosse um fato natural, o retorno de espíritos que partiram, como Jeremias, Elias e outros, para então ocupar o corpo de Jesus, seria um absurdo e teria sido o dever de Jesus, como Mestre dos Discípulos, explicar que tais ideias fossem ridículas. Em vez disso, Ele mantém o assunto para descobrir a profundidade do seu discernimento e pergunta — “Quem então você diz que Eu sou?”. E quando a resposta chega, mostrando que eles percebem n’Ele alguém acima dos profetas e da Onda de Vida humana, o Cristo, o Filho do Deus vivo, Ele nota que estão prontos para a Iniciação que resolve, na Mente dos Discípulos, o problema do Renascimento para além de qualquer disputa. Nenhuma quantidade de leitura de livros, conversas ou explicações pode solucionar esse ponto para além de qualquer possibilidade de confusão. O candidato deve saber por si mesmo. Portanto, nas atuais Escolas de Mistérios, após a primeira Iniciação abrir-lhe os Mundos invisíveis, ele tem a oportunidade de se satisfazer com o Renascimento e lhe é mostrada uma criança que recentemente saiu do Corpo Denso. Por causa de seus poucos anos, ela renasce rapidamente, provavelmente dentro de um ano após a morte. O recém-Iniciado observa essa criança até que, finalmente, ela entra no útero da mãe para emergir como um bebê recém-nascido de novo. A razão pela qual ele assiste a uma criança e não a um adulto é porque esse fica fora da vida física aqui por aproximadamente mil anos, enquanto um bebê renasce em poucos anos; alguns chegam a encontrar um novo ambiente depois de alguns meses e renascem dentro de um ano. Durante esse período, o Iniciado também tem oportunidades de estudar a vida e as ações daqueles que estão no Purgatório e no Primeiro Céu, que são o Céu e o Inferno mencionados na Bíblia. Foi isso que Cristo ajudou seus Discípulos a fazer: ver e saber. Sobre a rocha dessa verdade a Igreja foi fundada, pois se não houvesse Renascimento, não haveria progresso evolutivo e, consequentemente, todo avanço seria uma impossibilidade.

Mas qual é o caminho para a realização? Eis a grandíssima questão e para isso há e pode haver apenas uma resposta — o desenvolvimento do sexto sentido por meio do qual o Místico descobre essa sombra imortal da qual o reverendo Miller fala. O Céu e o Inferno são relativos a nós: nossas vidas passadas e as vidas de nossos contemporâneos foram jogadas na tela do tempo e estão prontas para serem lidas a qualquer momento, mas devemos construir nossos sentidos para poder ler.

A luz elétrica, quando focada através de uma lente estereóptica, projeta a imagem brilhante de um slide, quando há escuridão; contudo, não deixa marcas visíveis quando os raios do Sol atingem a tela. Nós também, se quisermos ler o pergaminho Místico de nosso passado, devemos aprender a acalmar nossos sentidos para que o mundo externo desapareça nas trevas. Então, pela luz do espírito, veremos as imagens do passado tomarem o lugar do presente.

Tal sombra, vista pelo pastor Miller ao redor do corpo, é análoga à fotosfera, a Aura do Sol e dos Planetas. Cada um desses grandes corpos tem uma sombra invisível; ou melhor, invisível em condições normais. Vemos a fotosfera do Sol quando a esfera física é obscurecida durante um eclipse, mas em nenhum outro momento. O mesmo acontece com a sombra ou fotosfera do ser humano; quando aprendemos a controlar nosso senso de visão para que possamos observar um ser humano sem ver sua forma física, então essa fotosfera ou aura pode ser vista em todo seu esplendor, pois as cores da Terra são opacas em comparação com os fogos vivos e espirituais que envolvem e emanam de cada ser humano.

O fantástico jogo da Aurora Boreal nos dá uma noção de como essa fotosfera, ou sombra, age. Está em movimento incessante; dardos de força e chamas estão constantemente disparando de todas as suas partes, mas particularmente ativos ao redor da cabeça; e as cores e tons dessa atmosfera áurica mudam a cada pensamento ou movimento. Essa sombra é observável apenas para quem fecha os olhos a todas as visões da Terra; quem deixou de se preocupar com o louvor ou a culpa dos seres humanos, mas está concentrado apenas no Pai Celestial; quem está pronto e disposto a defender a verdade e somente ela; quem vê com o coração e no coração dos seres humanos que eles possam descobrir dentro de si mesmos o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Tampouco é o que nos rodeia uma sombra que desaparece quando o Sol da vida deixa de brilhar no Corpo Denso. Longe disso, é o vestuário resplandecente do Espírito humano, obscurecido durante a existência material pela roupa opaca feita de carne e sangue. Quando John L. McCreery[4] escreve sobre os amigos que faleceram, que

Eles deixaram cair o manto de barro

Para colocar uma roupa brilhante,

ele está incorreto. Seu traje é realmente “brilhante”; no entanto, eles não o colocam na ocasião da morte. Seria mais correto conceber a nós mesmos como vestindo uma roupa de substância de alma que seja intensamente brilhante, porém escondida por uma “camada de pele” escura e sem brilho: um Corpo Denso. Quando o deixamos de lado, a magnífica Casa do Céu mencionada por São Paulo no quinto capítulo da Segunda Epístola aos Coríntios[5] torna-se nossa habitação normal de Luz. É o Soma Psuchicon ou Corpo-Alma, traduzido de forma incorreta como “corpo natural”, no capítulo 15 da Primeira Epístola aos Coríntios, no quadragésimo quarto versículo, onde encontraremos o Senhor em Sua vinda, mas “carne e sangue”, como usamos atualmente, não podem herdar o Reino de Deus.

Há muita diferença nessas emanações áuricas que foram observadas pelo reverendo Miller; de fato, existem tantos tipos áuricos diferentes quanto pessoas. O jogo das cores nunca é o mesmo. Se assistíssemos ao nascer e ao pôr do Sol por toda a vida, nunca encontraríamos dois exatamente iguais quanto à cor, efeito das nuvens ou tantos outros detalhes. Da mesma forma, quando observamos o jogo das emoções humanas, revelado na aura, há uma variedade incontável inclusive na mesma pessoa, quando em posições e condições idênticas, porém momentos diferentes. Em certo sentido, todos os pores do Sol são iguais; certas pessoas não percebem diferenças, mas para o artista o jogo de cores variado, às vezes, é realmente doloroso em sua intensidade. Alguns também podem não apreciar a importância dessa nuvem áurica e luminosa. Contudo, quando um Cristo vê as lutas difíceis, sofridas e intensas da pobre humanidade cega, que maravilha que Ele grite: “Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes Eu lhe teria reunido sob minhas asas!”[6]. A menos que estejamos preparados para nos tornar “homens de dor”, não devemos desejar a extensão da visão que permite ao seu possuidor penetrar a opacidade do corpo que revela, assim, a Alma, pois a partir de então seremos obrigados a suportar, além das nossas, também as dores dos nossos irmãos e das nossas irmãs. No entanto, quem assim se tornar um “Servo” terá, ao lado de toda essa tristeza, também alegria e paz que ultrapassam qualquer entendimento.

Quando abrirmos os olhos espirituais e aprendemos a ter a visão celestial do Cristo dentro dos corações dos seres humanos, haverá outros passos que nos levarão mais adiante no caminho. Quando aprendemos a fechar nossos ouvidos à multidão que só clama e reclama, às brigas de pessoas sobre isso, aquilo ou qualquer outra coisa que não seja essencial; quando aprendemos que os credos, dogmas e todas as opiniões terrenas não tem valor e que existe apenas uma voz no universo que é digna de ouvirmos, a voz do nosso Deus-Pai que fala sempre aos que buscam o Seu rosto, então seremos capazes de ouvir a Canção das Esferas mencionada no imortal “Fausto”[7], nessas inspiradas palavras:

                        O Sol entoa sua velha canção,

                        Entre os cânticos rivais das esferas irmãs,

                        Seu caminho predestinado vai trilhar

                        Através dos anos, em retumbante marchar.

O que ocorre no caso da fotosfera do Sol, que é vista apenas durante um eclipse, quando sua esfera física é obscurecida, também acontece com a Canção das Esferas: ela não é ouvida até que todos os outros sons tenham sido silenciados, pois é a voz do Pai. Nessa sublime harmonia, as notas-chaves de Sabedoria, Força e Beleza reverberam por todo o Universo e nessas vibrações nós vivemos, nós nos movemos e temos o nosso ser. O Amor divino se derrama sobre nós em medida irrestrita através de cada acorde cósmico para animar os desanimados e instigar os retardatários. “Não se vendem dois pardais por um asse? E, no entanto, nenhum deles cai em terra sem o consentimento do vosso Pai!”[8] “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e eu vos darei descanso.”[9] Repousem sobre o grande coração cósmico do Pai. Sua voz confortará e fortalecerá a alma.

A cada ano e idade, esse grande Canto Cósmico muda; a cada vida aprendemos a cantar uma nova música. Deus, em todos e através de todos, opera Seus milagres na natureza e no ser humano. Geralmente, estamos surdos à mágica produzida pelo som silencioso da Palavra divina; entretanto, se pudermos aprender a “ouvir”, sentiremos a verdadeira proximidade de nosso Pai, que está mais perto do que as mãos e os pés, e saberemos que nunca estamos sozinhos, nunca fora do Seu cuidado amoroso.

Assim como o Sol e os demais Astros produzem luz e som, o ser humano também tem sua estrutura de luz e som. Na medula queima uma luz como a chama de uma vela, mas não de maneira constante, silenciosa e quieta. Ela pulsa e, ao mesmo tempo, emite um som que varia do nascimento à morte e pode-se dizer que nunca é o mesmo. À medida que muda, também mudamos, pois é a tônica do ser humano. Aí estão expressas nossas esperanças e nossos medos, nossas tristezas e alegrias como foram trabalhadas no Mundo Físico, porque esse fogo é aceso pelo Arquétipo do Corpo Denso. O Arquétipo é uma esfera vazia; contudo, ao soar uma nota específica, atrai para si todas as concreções físicas que vemos aqui como manifestação — o Corpo Denso de um ser humano. Nessa chama sonora o maior número dos nervos do corpo humano tem sua raiz e origem. Esse lugar é o ponto vital do ser humano, a sede da vida, o núcleo da sombra da qual o pastor Miller falou. Quando atingimos esse ponto, quase chegamos ao coração do ser humano.

Para alcançar esse local supremo são necessários outros passos; no entanto, geralmente estamos tão envolvidos com nossos próprios interesses, independentemente dos negócios e cuidados das outras pessoas, que somos egocêntricos. Isso deve ser superado; precisamos aprender a enterrar nossas próprias tristezas e alegrias, a sufocar nossos próprios sentimentos, porque assim como a luz do Sol esconde a fotosfera e o opaco Corpo Denso do ser humano oculta a bela atmosfera áurica, assim também nossos sentimentos, emoções pessoais e interesses nos tornam insensíveis aos sentimentos dos outros. Quando aprendemos a acalmar o sentimento dos nossos próprios corações, a pensar pouco em nossas próprias tristezas e alegrias, começamos a sentir as batidas do grande Coração Cósmico que agora está trabalhando para trazer muitos filhos à glória.

As dores do nascimento do nosso Pai-Mãe no Céu são sentidas apenas pelo Místico em seus momentos mais elevados e sublimes, quando ele sufoca inteiramente os gemidos egoístas de seu próprio coração, pois esse é o inimigo mais forte e mais difícil de superar. No entanto, quando isso é alcançado, ele sente, como foi dito, o Grande Coração do nosso Pai Celestial. Assim, passo a passo, nós nos aproximamos da Luz, até mesmo do Pai das Luzes em quem “não há sombra”. É importante que deixemos o seguinte muito claro:

Pode ser uma marca de conquista ser capaz de ver “a sombra”.

Pode marcar um passo mais alto na conquista poder ouvir “a voz no silêncio”.

Acima de tudo, porém, vamos nos esforçar para sentir as batidas do coração de nossos semelhantes, para tornar nossas as suas tristezas, regozijar-nos em suas realizações e guiá-las ao seio de nosso Pai, por paz e conforto.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de outubro/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: de Matthew Henry

[2] N.T.: Rei Jaime VI e I, Rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda.

[3] N.T.: Mt 16:13-19

[4] N.T.: John Luckey McCreery (1835-1906) foi um poeta americano mais conhecido pelo poema “A Morte não Existe”:

A morte não existe. Os astros escondem-se

para elevarem-se sobre novas terras.

E sempre brilhando no diadema celeste

espalham seu fulgor incessantemente.

                               A morte não existe. As folhas do bosque

                               converte em vida o ar invisível;

                               as rochas quebram-se para alimentar

                               o musgo faminto que nelas nascem.

A morte não existe. O chão que pisamos

converter-se-á, pelas chuvas do verão,

em grãos dourados ou doces frutos,

ou em flores com as cores do arco-íris.

                               A morte não existe. As folhas caem,

                               as flores murcham e secam;

                               esperam apenas, durante as horas do inverno,

                               pelo hálito morno e suave da primavera.

A morte não existe; embora lamentamos

quando as lindas formas familiares

que aprendemos a amar, sejam afastadas

dos nossos braços

                               Embora com o coração partido,

                               vestido de luto e com passos silenciosos,

                               levemos seus restos a repousar na terra,

                               e digamos que eles morreram.

Eles não morreram. Apenas partiram

para além da névoa que nos cega aqui,

para nova e maior vida

dessa esfera mais serena.

                               Apenas despiram suas vestes de barro,

                               para revestirem-se com traje mais brilhante;

                               não foram para longe,

                               não foram “perdidos”, nem partiram.

Embora invisível aos nossos olhos mortais,

continuam aqui e nos amando;

nunca se esquecem

dos seres amados que deixaram.

                               Por vezes sentimos sobre nossa fronte febril

                               sua carícia, um hálito balsâmico.

                               Nosso espírito os vê, e nossos corações

                               sentem conforto e calma.

Sim, sempre junto a nós, embora invisíveis

continuam nossos queridos espíritos imortais

pois todo o universo infinito de Deus

É VIDA – A MORTE NÃO EXISTE!

[5] N.T.: IICor 5:1

[6] N.T.: Mt 23:37

[7] N.T.: Fausto é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, dividido em duas partes.

[8] N.T.: Mt 10:29

[9] N.T.: Mt 11:28

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual é a diferença entre um Clarividente, um Iniciado e um Adepto?

Resposta: O que uma pessoa vê depende da sensibilidade do seu olho. Algumas pessoas podem distinguir objetos a uma distância que para outras pessoas já são invisíveis. Os artistas percebem tons de cores que as pessoas comuns não conseguem distinguir e algumas pessoas são até daltônicas; há ainda aqueles que não podem ver – são os cegos.

As pessoas que podem ver mais longe ou distinguir os tons mais delicados de cores são mais Clarividentes, ou possuem uma visão mais clara do que o restante das pessoas.

A maioria de nós é capaz de ver muitas coisas em nosso ambiente, mas sabemos muito pouco sobre as coisas que vemos apenas por que as vemos. Tivemos que ser “iniciados” no uso do telefone, da bicicleta, do automóvel, do piano, etc.

Mas, embora saibamos como usar esses instrumentos em circunstâncias normais, não estamos tão familiarizados com sua construção para que possamos construí-los ou repará-los quando estiverem avariados. Antes de nos qualificarmos para esse trabalho, devemos fazer um curso de treinamento especial, e se nos aplicarmos de todo o coração, podemos nos tornar Adeptos em nossa linha especial.

Se aplicarmos essa ilustração ao problema que surge a nossa frente, podemos entender que um Clarividente é uma pessoa, cujo sentido da visão se estendeu de tal forma, que ele percebe um outro mundo, que é invisível à maioria de nós, e que ele é capaz de ver tudo lá.

Contudo, ele não “sabe tudo a respeito” das coisas que vê ali, utilizando apenas da percepção, da mesma forma que nós não sabemos tudo a respeito das coisas que vemos nesse Mundo (ou seja: na Região Química do Mundo Físico). Ele deve se aplicar para obter esse conhecimento. Assim, gradualmente, se tornará um Iniciado, que compreende as coisas que vê, e poderá manipular algumas delas sob circunstâncias normais, da mesma forma que somos capazes de tocar um piano ou andar de bicicleta quando aprendemos essas artes.

Será necessário um treinamento maior para que o Iniciado se capacite a exercer poderes sobre as coisas e sobre as forças dos Mundos invisíveis como um Adepto.

Consequentemente, o Clarividente é aquele que vê nos Mundos invisíveis; o Iniciado vê os Mundos invisíveis e compreende o que vê, enquanto o Adepto vê, conhece e tem poder sobre as coisas e forças dos Mundos invisíveis.

(Pergunta nº 131 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Como posso entender a diferença entre a Clarividência voluntária e o Espírito de Controle? Qual é a sensação que cada um desses dois tipos produz?

Resposta: A Clarividência voluntária é uma forma positiva de desenvolvimento espiritual por meio da qual a pessoa desenvolve seus veículos internos em uma maneira positiva de modo que ela se torna capaz de perceber as realidades dos Mundos invisíveis (invisíveis à visão física). A visão do Clarividente positivo é obtida mediante o desenvolvimento da sua Glândula Pineal e do seu Corpo Pituitário (duas Glândulas endócrinas), por meio da construção de uma “ponte” entre elas. É essa ponte vibratória que permite a expressão do poder da Clarividência. Na Clarividência voluntária ou positiva todos os átomos que formam todos os veículos da pessoa estão vibrando no sentido do ponteiro de um relógio analógico (com o relógio na sua frente, gira da esquerda para a direita).

No caso da mediunidade e dos Espíritos de Controle, a conexão com os Mundos invisíveis é feita por meio do Plexo Celíaco e do sistema nervoso involuntário. A mediunidade envolve a vibração daqueles átomos, citados acima, no sentido contrário ao ponteiro do relógio relógio analógico (com o relógio na sua frente, gira da direita para a esquerda) que é, atualmente, contrário aos processos de desenvolvimento da Natureza (dizemos atualmente, porque no passado longínquo, em uma Época que conhecemos como Época Lemúrica e no começo da subsequente, que foi a Época Atlante, esse processo estava adequado à Natureza humana. Na Época atual, Ária, e nas próximas, não). Quando alguém possui a Clarividência voluntária ou positiva, ele está completamente consciente do fato. A mediunidade e os Espíritos de Controle podem ser desenvolvidos até mais facilmente, no entanto, sempre os Espíritos de Controle estarão no comando, anunciando o fato que eles são entidades externas e que a informação que eles dão não são resultados das faculdades internas próprias da pessoa.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de outubro/1978 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Guerra: uma Operação para remover a Catarata Espiritual

Novembro de 1915

Você já deve ter estudado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos, que houve uma Raça no final da Época Lemúrica, sete Raças na Época Atlante, sete Raças na Época Ária e haverá uma na vindoura Época Nova Galileia, totalizando dezesseis Raças. Você também se lembra que essas dezesseis Raças são chamadas pelos Irmãos Maiores de “os dezesseis caminhos para a destruição”, porque o risco de se enredar nos corpos de qualquer Raça é tão alto, que o Espírito ficará incapaz de seguir os outros Espíritos ao longo do Caminho da Evolução. Durante os Períodos e as Épocas sempre há tempo suficiente para que os Líderes da humanidade possam reunir e ordenar da forma mais adequada e eficaz os que estão sob as suas responsabilidades. Contudo, os judeus são o exemplo do que pode acontecer a um povo que se tornou tão intensamente imbuído do espírito racial, que eles se recusam totalmente a abandonar tal espírito racial. Eles continuam como uma anomalia entre o restante da humanidade, um povo sem uma pátria, um rei ou outro qualquer dos fatores que impulsionam a evolução racial.

Essa foi a tendência entre as nações da Europa até a guerra atual[1]. Assim, o patriotismo e o ideal de Raça são fomentados, o que as conduz para longe de Deus. As inúmeras descobertas científicas foram precedidas por uma era de dúvida e de ceticismo, e as Raças pioneiras no mundo ocidental foram levadas muito próximas à beira da destruição. Por conseguinte, se tornou necessário que os Irmãos Maiores concebessem medidas para que a humanidade abandonasse o caminho do prazer e cultivasse o caminho da devoção, e isso só poderia ser feito removendo a catarata espiritual de um número suficientemente grande de pessoas para que, então, superar a dúvida e o ceticismo do restante da humanidade.

Quando nós habitávamos sob as águas na primitiva Época Atlante, éramos, como você sabe, incapazes de ver o Corpo Denso ou até mesmo senti-lo, porque a nossa consciência estava focada nos reinos espirituais. Víamo-nos uns aos outros, alma a alma. Estávamos inconscientes tanto do nascimento como da morte, e não sentíamos a separação daqueles que amávamos. Mas, quando nós, gradualmente, nos tornamos conscientes dos nossos Corpos Densos, e a nossa consciência foi focada no Mundo Físico desde ao nascimento até a morte aqui, e nos Mundos espirituais da morte até o nascimento lá, houve uma separação e o consequente pesar devido ao advento da morte. No entanto, em tempos passados, havia muitos seres humanos que eram capazes ver em ambos os mundos; eles formavam um número considerável entre toda a população humana. Os testemunhos desses seres humanos sobre a continuidade da vida foram um grande conforto para aqueles que ficavam desolados com a morte, pois eles acreditavam plenamente que aqueles que haviam morrido ainda estavam vivos e felizes, embora incapazes de se dar a conhecer. Mas, gradualmente, o mundo se tornou cada vez mais materialista; a fé na realidade da vida após a morte aqui se desvaneceu, e tornando-se mais intensa e profunda a angústia, a tristeza e até o arrependimento pela perda dos entes queridos, e ainda hoje muitos acreditam que a separação é definitiva. Para esses, a palavra “renascimento” é uma palavra vazia de sentido e, portanto, a angústia profunda e pungente é imensa.

Mas essa angústia profunda e pungente é o remédio da natureza para a catarata espiritual. Tão certo como o desejo de crescimento construiu o complicado canal alimentar desde o começo mais simples para que o anseio de crescimento pudesse ser satisfeito; tão certamente quanto o desejo de movimento desenvolveu as maravilhosas articulações, os tendões e ligamentos com os quais isso é realizado; com a mesma certeza, o intenso anseio de continuar os relacionamentos rompidos pela morte construirá o órgão para sua gratificação – o olho espiritual. Portanto, essa matança em massa de milhões de seres humanos ajudou e está ajudando mais a preencher o abismo entre os Mundos invisíveis e o Mundo visível do que mil anos de pregação poderiam fazer. Ao longo da história do mundo, foi registrado que os guerreiros (das batalhas e guerras) viram as chamadas manifestações sobrenaturais, e há muitos testemunhos de que estas visões também foram vistas na guerra atual. O choque da ferida, os sofrimentos nos hospitais, as lágrimas das viúvas, dos viúvos e dos órfãos, tudo isso está abrindo os olhos espirituais da Europa, e os tempos da dúvida e do ceticismo, aos poucos, desaparecerá. Em lugar de ficar envergonhado por ter fé em Deus, o mundo honrará o ser humano mais por sua devoção do que por suas proezas, e isso num futuro não muito distante. Elevemos uma prece para este dia chegar.

(Carta nº 60 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Grande Guerra Mundial.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Nossa Jornada Cíclica

“Há corpos celestes e corpos terrestres, mas certamente uma é a glória dos celestes e outra, a dos terrestres. Uma é a claridade do Sol e outra é a claridade das estrelas, porque até uma estrela difere em claridade de outra estrela.”

(I Cor 15:40-41)

Toda pessoa dada à meditação uma vez ou outra há de ter considerado a imensidade do tempo e, talvez, chegado a mesma conclusão que Walt Whitman em seu trabalho “Canção de mim mesmo” no Poema 20 onde ele detalha sobre a amplitude do tempo[1]. Comparando o tempo com nossa curta estadia sobre a Terra, compreendemos que nossa existência aqui dura só um momento ínfimo, um relâmpago de consciência.

A evolução é um fato na natureza e aponta para um plano, uma meta que pode ser alcançada com o tempo. Permite-nos chegar à conclusão de que seremos capazes de alcançar a perfeição por meio da experiência. “Em qualquer parte na natureza encontra-se esse lento e persistente esforço pela perfeição.”

Sabemos, por intuição, que para o ser humano existe algo mais do que este curto lapso de existência no meio físico. Continuando a viver esta nossa vida diária descobrimos que o tempo segue sua marcha inexorável, quer nos interessemos por ele ou não, e que a morte é o fim de cada existência, de cada ser que vive sobre a Terra. Essa conclusão nos faz formular as seguintes perguntas, formal e meditativamente: de onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos?

Sabemos que nascemos em um Corpo Denso e pequenino, mas possuindo abundantes qualidades. Sabemos que esse Corpo cresce até alcançar a estatura de adulto e que realmente nos serve bem. Depois de funcionar durante uma vida ele se torna menos flexível e não executa nossas ordens tão prontamente como antes. Finalmente, em meio a todas as incertezas que esta vida nos oferece, há só uma certeza: que algum dia nossa jornada terminará.

Com a ajuda da lógica e da intuição, da analogia e da fé, chegamos à conclusão de que a morte não põe fim à nossa existência. Há dentro de nós algo indicando que todos os sonhos e todos os nossos planos não terão fim quando terminar nossa existência física. Se o ser humano não possuísse mais do que o Corpo Denso, seria impossível manifestar algo mais do que as substâncias químicas que constituem a sua forma. O denso Mundo Físico é feito de cristais inertes, porém o pensamento e o sentimento do ser humano penetram em reinos superiores. Devemos realmente compreender que são necessários outros e mais sutis veículos para suas múltiplas experiências no plano terrestre.

Agora se impõe a seguinte pergunta básica e devemos encontrar a sua resposta. Descobrimos que o que chamamos de morte é uma mudança da consciência de um plano de existência a outro.

Há leis cósmicas e imutáveis que não são menos importantes para a nossa vida espiritual e mental do que a lei da gravidade é para a nossa existência física.

Descobrimos que a matéria e a energia nunca estão em estado de repouso, mas perpetuamente estão mudando de um estado de visibilidade a um estado de invisibilidade e vice-versa. Sondando o enigma da nossa existência temos de tomar em consideração esse fato. Temos que admitir que “vivemos em um Mundo de efeitos que é o resultado de causas invisíveis”.

Não podemos perceber as forças que moldam a matéria e a forma, as quais são invisíveis aos nossos sentidos. Reconhecemo-las por suas manifestações. A eletricidade, para mencionar uma delas, chegou a ser o servidor mais valioso do ser humano, depois dele compreender as leis que a regem. Com a ajuda da câmera fotográfica, do microscópio e dos Raios-X, estamos começando a olhar o interior, os, até agora, invisíveis processos da natureza. Porém, até que o ser humano obtenha um sentido inteiramente novo, será incapaz de resolver o problema dos reinos invisíveis, completamente.

É lógico concluir que os “mortos” se encontram agora em Mundos invisíveis para nós. Porém há alguns que, tendo conhecimento direto e definido, percebem esse plano por meio de um sexto sentido. Não existe algo de sobrenatural nisso, mas como é “suprafísico” deve despertar-se e se desenvolver.

As palavras de Cristo, “Procurai e encontrareis“, foram particularmente aplicadas às qualidades espirituais e dirigidas a “qualquer um que as deseje”. Não existe alguém que impeça e, sim, muitos que desejam ajudar o investigador sincero que está à procura do conhecimento.

O desenvolvimento desse conhecimento começa com “o melhoramento de si mesmos”.

Os Mundos invisíveis estão divididos em diferentes reinos, porém essa divisão não é arbitrária, mas necessária, porque cada plano é regido por leis diferentes. Como cada Mundo está composto de matérias diferentes, o ser humano deve ter um veículo feito da mesma substância com o objetivo de poder funcionar naquele Mundo. Como foi escrito pelo Apóstolo São Paulo na sua Epístola aos Coríntios, “Como trazemos em nós a imagem do ser humano terrestre, devemos também trazer a imagem do celeste”.

No estado de vigília, todos os veículos do ser humano são concêntricos com o Corpo Denso, quando o pensamento, o sentimento e a ação estão funcionando. Mas, quando o Corpo se cansa e esgota, esses veículos mais elevados saem do Corpo Denso. Isso causa a inconsciência, sobrevindo o sono. Assim, esse veículo denso pode ser restaurado, tornando-se de novo útil e eficiente.

O ser humano é uma parte da natureza e, também, é uma miniatura dela. A vida do nosso Planeta reflete-se em menor escala na vida humana. O Grande Ser que habita nosso Planeta é um dos Sete Espíritos diante do Trono. O ser humano também é um Espírito e foi feito à semelhança de Deus.

A fonte dos Planetas é o pai Sol e eles giram em torno dele em ciclos elípticos. O espírito humano dá voltas ao redor de sua fonte, Deus, também em órbita elíptica.

O ser humano está mais perto de Deus quando sua esfera o leva para próximo de sua fonte. E está mais distante enquanto vive sua vida aqui na Terra, em seu Corpo Denso. Todos nós sentimos em algum momento a saudade das regiões celestiais.

Essas posições cambiantes são necessárias para que o ser humano possa adquirir experiências variadas e realizar-se como um ser humano completo. No presente, o ser humano não pode permanecer perpetuamente no Céu, nem um Planeta pode parar e permanecer imóvel.

Cada existência terrestre é um capítulo da história da vida, extremamente humilde no começo, porém aumentando em importância à medida que nos elevamos a posições mais e mais altas de responsabilidade humana.

Nenhum limite é concebível, porque em essência somos divinos e, portanto, devemos ter as infinitas possibilidades de Deus. O poder para desenvolver essas potencialidades internas está dentro de nós. E o trazemos conosco em cada nascimento.

Na presente circunstância, a morte é uma necessidade. Novos nascimentos em novos ambientes fornecem ao ser humano outras oportunidades de aprender todas as lições que ele possa desejar aprender durante um dia na escola da vida.

Temos de compreender que a continuidade da vida é um fato fundamental, se desejamos estudar a existência do ser humano aqui e no Além. O renascimento, assim como a Lei da Causa e Efeito, torna possível que o ser humano desenvolva todos os seus poderes latentes na amplitude do tempo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1974-Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.T.: poema 20 da obra Canção de Mim Mesmo (Song for Myself):

Quem vai ali? Cheio de realizações, tosco místico, nu;

Como extraio energia da carne que consumo?

O que é um homem afinal? O que sou eu? O que és tu?

Tudo o que marco como sendo meu tu deves compensar

com o que é teu.

De outro modo seria perda de tempo me ouvir.

Não lanço a lamúria da minha lamúria pelo mundo inteiro,

De que os meses são vazios e o chão é lamaçal e sujeira.

Choradeira e servilismo são encontrados junto com os

remédios para inválidos, a conformidade polariza-se

no ordinário mais remoto.

Uso meu chapéu como bem entender dentro ou fora de casa.

Por que eu deveria orar? Por que deveria venerar e ser

cerimonioso?

Tendo inquirido todas as camadas, analisado as minúcias,

consultado os doutores e calculado com perícia,

Não encontro gordura mais doce do que aquela que

se prende aos meus próprios ossos.

Em todas as pessoas enxergo a mim mesmo, em nenhuma

vejo mais do que eu sou, ou um grão de cevada a menos.

E o bem e o mal que falo de mim mesmo eu falo delas.

Sei que sou sólido e sadio.

Para mim os objetos convergentes do universo

perpetuamente fluem,

Todos são escritos para mim, e eu devo entender o que a

escrita significa.

Sei que sou imortal,

Sei que a órbita do meu eu não pode ser varrida pelo

compasso de um carpinteiro,

Sei que não passarei como os círculos luminosos que as crianças

fazem à noite, com gravetos em brasa.

Sei que sou augusto.

Não perturbo meu próprio espírito para que se defenda ou

seja compreendido,

Vejo que as leis elementares nunca pedem desculpas,

(Reconheço que me comporto com um orgulho tão alto

quanto o do nível com que assento a minha casa, afinal).

Existo como sou, isso me basta,

Se ninguém mais no mundo está ciente, fico satisfeito.

E se cada um e todos estiverem cientes, satisfeito fico.

Um mundo está ciente e esse é incomparavelmente o maior

de todos para mim, e esse mundo sou eu mesmo,

E se venho para o que é meu, ainda hoje ou dentro de

dez mil anos, ou dez milhões de anos,

Posso alegremente recebê-lo agora, ou esperá-lo com

alegria igual.

Meus pés estão espigados e encaixados no granito,

Debocho daquilo que chamas de dissolução,

E conheço a amplitude do tempo.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Causa e a Cura da Gripe

Como esta é a época do ano em que as pessoas estão mais aptas a pegar gripe, também pode ser época de considerar as causas da gripe, como prevenir-se contra ele e, no caso de alguém já ter contraído, como curá-lo.

Vivemos em uma era de germes e soros. Toda doença deve ter seu microrganismo e um antídoto é dado como preventivo ou curativo. Podemos até ser vacinados contra um gripe e afirmam que, se a operação for bem-sucedida, ficamos imunes. Talvez algum dia todos os diferentes antídotos possam se tornar um elixir vitae (bebida da vida), o que nos tornará imunes a toda a horda de germes temidos. Sério, que anomalia é essa condição! O ser humano conquistou o mundo inteiro e infundiu terror nos corações de todas as criaturas que ele pode alcançar pelos vários dispositivos que ele criou para destruí-las. Mesmo a maior das criaturas foge dele com medo. Mas ele mesmo tem medo de criaturas tão diminutas que só pode vê-las com a ajuda do microscópio mais poderoso. E esses pequenos micróbios são tão temidos que alguns dos seres humanos mais capazes do mundo passam a vida inteira se esforçando para conter os estragos do inimigo minúsculo.

É verdade que os micro-organismos existem, mas também é verdade que eles não podem se firmar em um organismo que esteja em estado de saúde normal. É somente quando, por outras causas, nossos corpos ficam debilitados que os germes das doenças são capazes de se firmar e iniciar seus processos destrutivos. Aqueles que estão com saúde radiante, e usamos essa palavra literalmente, podem entrar sem medo em qualquer campo de peste, mesmo que haja mais germes em um centímetro quadrado do corpo do paciente do que pessoas em todo o mundo; contanto que o ser humano esteja com a saúde radiante, eles não podem afetá-lo.

Para tornar claro o que queremos dizer com esta frase, “saúde radiante”, devemos reiterar o fato tantas vezes insistido, um fato que a ciência está começando a descobrir: nossos Corpos Densos são interpenetrados pelo Éter em tal volume que, na maioria das condições, ele irradia do corpo. Aquele que é dotado de visão espiritual vê dentro do Corpo Denso outro veículo que é exatamente como ele, órgão por órgão, e formado de Éter: o Corpo Vital. Ele vê também que através do baço há um influxo contínuo de força vital e etérica que sofre uma mudança química no Plexo Celíaco e, então, circula por todo o corpo como um pálido fluido cor-de-rosa que irradia de toda a periferia do corpo através de cada poro da pele, levando consigo uma enorme quantidade de gases venenosos que são gerados pelos alimentos que ingerimos, selecionados geralmente porque agradam aos olhos ou ao paladar, mas não pelo valor nutricional que contém. Enquanto essa irradiação da força vital e etérica for suficientemente forte, ela não apenas levará embora os venenos do corpo, mas impedirá a entrada de organismos deletérios, segundo o mesmo princípio que impossibilita a entrada de moscas ou outros insetos em um edifício através de uma abertura onde um exaustor esteja enviando uma corrente de ar para fora.

No entanto, no momento em que o exaustor é desligado, abre-se o caminho para as várias classes de insetos que infestam nossos prédios. Da mesma forma, se por algum motivo o organismo humano torna-se incapaz de assimilar uma quantidade suficiente de força vital para manter essa emanação radiante, é possível que os temidos micro-organismos entrem e se instalem no corpo onde, então, começam sua devastação, em detrimento da nossa saúde. Em vista desses fatos, a prevenção da doença limita-se ao problema de como evitar que o organismo fique obstruído para que a força vital e radiante possa ter um fluxo desimpedido; quando as condições doentias se instalam, o processo curativo deve ter o efeito de abrir os canais obstruídos para ser bem-sucedido. O Dr. Harvey W. Wiley, ex-chefe do Bureau of Chemistry (Departamento de Química) em Washington, teria dito que a melhor maneira de curar um gripe é pegar um frasco de remédio para tosse, colocá-lo na mesa do quarto do paciente, abrir todas as janelas e jogar o frasco de remédio para fora por uma delas. Em outras palavras, em vez de tomar remédios para combater a tosse ou a gripe, devemos usar bastante ar puro e fresco. Sem dúvida há muita sabedoria nesse conselho.

Mas não vai longe o suficiente. Se ele também tivesse dito “Traga também um bom jantar, café da manhã e ceia para o paciente e jogue-os fora, depois de jogar o frasco de remédio”, teria chegado muito mais perto da cura da gripe. Pois pode-se dizer, sem medo de contradição, que o maior número das doenças das quais se diz que a carne seja herdeira vem do comer demais, comer o tipo errado de alimento e da falta de mastigação.

Esse último talvez seja o maior de nossos pecados. O Barão de Munchausen, o célebre campeão prevaricador, conta como, quando visitou a Lua, descobriu que as pessoas cozinhavam sua comida lá como nós fazemos aqui, mas em vez de se sentar à mesa e comer pouco-a-pouco, elas simplesmente abriam uma porta em seu lado esquerdo e colocavam a comida em seus estômagos. Ainda não atingimos esse ponto, mas estamos muito perto. A maneira pela qual muitas pessoas mastigam às pressas a sua comida é, no mínimo, deplorável.

Os fast-foods com seus banquinhos desconfortáveis, onde é impossível descansar e relaxar enquanto se come a “comida”, são uma ameaça nacional. Todo aquele que se senta em um desses lugares parece determinado a estabelecer um recorde para engolir a maior quantidade de comida no menor tempo possível. E os métodos abomináveis de manter tudo no gelo por muitos meses para que certos intermediários e grandes atacadistas possam fazer os preços subirem, para seus lucros pessoais, estão aumentando em grande medida os perigos da doença, que ameaçam todas as comunidades do, assim chamado, mundo civilizado onde esses métodos modernos e questionáveis estão em voga. A partir desses alimentos puros (Deus salve a marca!) e sobrecarregados de veneno, nós nos esforçamos para construir nossos corpos e isso, como sabemos, é realizado transformando o máximo possível em sangue, enquanto o resto deve ser eliminado como lixo.

É costume da profissão médica cuidar para que a eliminação adequada de resíduos ocorra, não importando qual é a natureza da doença, e quem tenta curar um gripe deve necessariamente imitar esse método sábio para que a função excretora seja estimulada no mais alto grau, porque esse é um método importante de liberar o organismo e permitir que a força vital flua novamente através dele. A outra parte do alimento, que se transforma em sangue, não fica no estado fluido, mas é evaporada ou mesmo eterizada, conforme o desenvolvimento do Ego em cujo corpo flui. Ele surge por todo o corpo como vapor em uma caldeira e, quando entra em contato com o ar frio através de poros obstruídos por uma quantidade excessiva de veneno alimentar e parcialmente anestesiados para não responder ao impulso nervoso que de outra forma os fecha parcialmente contra o frio, o sangue é liquefeito ou parcialmente liquefeito e se torna um fardo, um entupimento para a parte da corrente sanguínea que não é afetada. Como resultado, são gerados micro-organismos que formam o pus que sentimos como um gripe.

Uma pessoa que está ferida e perde uma grande quantidade de sangue sente-se fraca. O mesmo acontece com a pessoa cujo sangue gelou dentro dela e pela mesma razão; mas quem está gripe deve despender mais esforços para se livrar dos resíduos deletérios antes que possa ser curado. Gula, comida ruim e mastigação defeituosa não são as únicas causas de gripe. É um fato bem conhecido de todo ocultista que tudo o que está no Mundo visível é uma manifestação de algo que era preexistente nos Mundos invisíveis da natureza e o frio não é exceção. Quando sabemos que existe uma imutável Lei de Causa e Efeito e que não pode haver efeito sem causa subjacente e adequada, podemos facilmente perceber a verdade dessa afirmação. Também é certo que nada pode vir a nós, se não tenhamos de alguma forma merecido e, portanto, se procurarmos causas no reino invisível, descobriremos que elas devem naturalmente estar relacionadas a nós. O frio que sentimos aqui e que é uma manifestação desagradável para nós é resultado de algo que existia dentro de nós anteriormente; mas o quê? A essa pergunta pode-se afirmar com segurança que nossa própria atitude mental é um fator muito importante no estado de saúde.

Isso também é bem conhecido da ciência médica e de todas as pessoas que fazem observação. Um ser humano que é habitualmente otimista, cuja boca tem uma curva para cima nos cantos, sempre à beira de se expandir em um sorriso largo, será considerado singularmente imune a gripes, bem como a todas as outras doenças, enquanto a pessoa com a curva da boca para baixo, que está sempre se preocupando com coisas que nunca se materializam, que vê um inimigo em cada ser humano e mantém persistentemente uma atitude de raiva e malícia em relação a seus inimigos imaginários ou reais, por essa mesma atitude mental se encolhe em uma concha e impede a assimilação das radiantes forças vitais e etéricas; é, portanto, presa de todos os males de que a carne é herdeira. Nem pode ser curada por todos os remédios já feitos até que aprenda a abandonar sua visão sombria da vida. Esses casos são, naturalmente, extremos e existem todas as gradações, bem como misturas das duas naturezas, mas descobriremos que a saúde de uma pessoa varia conforme sua visão da vida em uma proporção quase exata.

Assim, das observações anteriores podemos tirar a seguinte dedução: que o melhor preservador da saúde é uma atitude mental otimista que encara a vida sem medo e vê um amigo em todos.

Circunspecção e discriminação em matéria de alimentação. Devemos evitar excessos. É melhor comer pouco do que muito e devemos exigir um assento confortável onde possamos relaxar o corpo enquanto mastigamos vagarosamente a refeição.

A devida atenção também deve ser dada à questão da eliminação e quando ela não estiver normal, certos alimentos que contêm superabundância de celulose devem ser tomados para promover sua ação perfeita. Para resumir em uma frase: seja alegre, seja moderado com a comida. Alegria, moderação com os alimentos e eliminação correta são um composto que curaria quase todos os males dos quais a carne é herdeira.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro/1917 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Mortos Perderam o Interesse em Nós?

Max Heindel

Conta-se a história de um casal de grande coração, no País de Gales, que, desejando adotar uma criança belga refugiada, viajou para Swansea a fim de obter uma do Campo de Concentração de lá. Mas, nenhuma lhes convinha, exceto um irmão e uma irmã; porém, os dois se agarravam um ao outro tão tenazmente que não tiveram coragem de separá-los. Decidiram, finalmente, adotar os dois, levando-os para casa. Quando a senhora despiu a menininha, notou um medalhão pendurado no pescoço da criança e a menininha lhe disse da melhor maneira que pôde que ele continha uma foto da sua mãe, que havia sido massacrada. Ao abrir o medalhão, a mulher viu com espanto e tristeza a foto da sua própria irmã, que havia ido para a Bélgica como governanta anos antes e de quem ela havia perdido o rastro. Dessa forma, descobriu-se que ela havia levado os filhos da sua irmã assassinada para seu coração e lar.

Como isso aconteceu? Isso “aconteceu”? Essa é uma questão de grande importância, pois afeta o destino de todo ser humano, se os eventos em nossas vidas são governados por acaso ou destino. A explicação mais simples é, claro, que “simplesmente aconteceu” e pode parecer muito improvável para a maioria postular o destino. Ainda assim, Cristo disse: “os cabelos da sua cabeça estão contados, nem mesmo um pardal cairá na terra sem que o Pai saiba. Vós sois de mais valor do que muitos pardais” (Lc 12:7). Se Cristo disse a verdade, e não podemos duvidar disso, então o elemento “acaso” é eliminado e tudo o que nos acontece é o resultado do desígnio divino ou humano, operando sob, e em harmonia com a lei imutável da consequência; e os agentes que garantem esse desígnio podem estar nos Mundos visível ou invisíveis. Com essa hipótese, é fácil explicar a ocorrência. Quando nos perguntamos quem estaria interessado em levar essas crianças para a proteção da tia, a resposta é, obviamente, a mãe.

E, se uma ou outra mãe pode fazer isso por seus filhos, segue-se que todas as mães devem ter a mesma capacidade de afetar os destinos de seus filhos, restringidas, é claro, pela Lei de Causa e Efeito, como já foi dito; e se as mães podem fazer tais coisas, os pais ou outros parentes, em suma, o mundo inteiro do outro lado do véu da morte, devem ter o poder de afetar todas as outras pessoas que vivem aqui, e devemos ter o poder de afetá-los. Não pode haver meias medidas.

Para o investigador ocultista é de conhecimento comum que aqueles a que chamamos de mortos continuam por um tempo, variando de acordo com sua inclinação e disposição, a se interessar pelos assuntos daqueles que deixaram para trás, e se esforçam, com variado sucesso, para influenciá-los como influenciamos uns aos outros nas relações físicas. Eles não são livres para fazer isso o tempo todo, porque episódios no panorama da sua vida passada exigem toda a sua atenção enquanto estão sendo expurgados; mas, entre esses períodos nossos amigos dos Mundos invisíveis estão conosco e nos abraçam com a mesma solicitude e amor que tiveram por nós enquanto estavam ao nosso lado, aqui renascidos na Região Química do Mundo Físico.

Infelizmente, o inverso também é verdadeiro: se um inimigo morre, não nos livramos dele por esse fato. Ele pode realmente nos fazer mais mal fora do Corpo Denso e Vital do que poderia fazer enquanto estava aqui renascido na Região Química do Mundo Físico. Isso foi sentido em pequena escala na guerra russo-japonesa, quando alguns dos golpes inteligentes dos japoneses ocorreram em virtude de impressões recebidas do outro lado; métodos semelhantes foram usados em uma extensão que ninguém iria acreditar, se não estivesse ciente dos fatos, no início da presente guerra[1]. Mas, o efeito organizado dos Irmãos Maiores e seus grupos de Auxiliares Invisíveis deram frutos para conter a corrente de ódio entre as vítimas da batalha, de modo que todos os que cruzam o portal da morte são agora instruídos sobre o efeito da malícia sobre si mesmos e o mundo, sua melhor natureza surge e o altruísmo é exaltado como mais nobre do que o patriotismo; o resultado é que a maioria é convertida, pelo menos na medida em que se abstém de esforços ativos para interferir na batalha.

Há muitos anos defendemos a abolição da pena capital por razões semelhantes; o assassino ressentido é, por esse ato de retaliação, liberado do Corpo Denso para influenciar outros de mentalidade semelhante e o resultado é que os assassinatos se multiplicam; ao passo que, se fosse mantido na prisão, seria isolado até os anos passarem e esfriarem o ressentimento dele contra a sociedade; então ele morreria em um estado de espírito menos perigoso e, provavelmente, não faria mal à sociedade.

Portanto, que se perceba que seja um fato e não um sentimento poético, o que John McCreery escreveu:

Embora invisíveis aos olhos mortais,

Eles ainda estão aqui e ainda nos amam.

Os queridos que deixaram para trás,

Eles nunca esquecem.

Sim, sempre perto de nós, embora invisíveis,

Nossos queridos espíritos familiares caminham.

Pois todo o Universo sem limites de Deus é Vida.

Não há mortos.


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Grande Guerra Mundial

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto/1915 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

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