Arquivo de tag força sexual craidora

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Qual é o Mistério Incontestável

A necessidade de desenvolvermos o Corpo-Alma, se quisermos viver conscientemente na próxima Era está contida nesse versículo do Apocalipse de S. João e são de natureza profética: “A quem vencer, eu o farei coluna do Templo do meu Deus, e dele nunca sairá” (Apo 3:12). Seu significado é muito claro e conciso!

Adaptando-lhe os termos da Filosofia Rosacruz, quer dizer que aqueles que extraíram da existência física o Corpo-Alma, ou seja, o “Veículo de Cristo”, se tornam servos em Sua “Vinha” ou Reino e não mais retornam ao Mundo material. Os que não vencerem, devem retornar à Terra pelo renascimento para poderem progredir, sendo-lhes dada assim outra oportunidade de revestirem-se do Manto Dourado Nupcial.

Temos aqui uma positiva evidência do Renascimento, cuja doutrina é indispensável para podermos aceitar a evolução. O progresso depende de substituir o velho pelo novo, à medida que avançamos; a morte para o velho e o nascimento para o novo, como acontece com a vida.

A Forma é uma necessidade para a expressão da Vida, que é eterna. Em sua evolução, a Vida teve, necessariamente, de usar diversas Formas que sempre foram melhorando conforme a Vida progredia. Daí a morte e o renascimento resultando da verdade: “Deveis nascer de novo” (Jo 3:1). Quando a Forma se torna imprestável para o nosso uso deve ser abandonada, daí resultando a morte, e uma nova Forma deve ser construída para que o nosso desenvolvimento espírito continue. Tal é o princípio do Renascimento. O Renascimento é, portanto, um fator incontestável nesse Esquema de Evolução – no qual todos estamos inseridos, saibamos ou não –, já que o progresso, sem ele, é inadmissível, e o Renascimento se torna parte da nossa concepção da eternidade, uma necessidade para aquilo que era, é e será. O Renascimento é, na verdade, um fator indiscutível na evolução, pois o progresso é impossível sem ele. Velado em mistério, sua aceitação ainda depende da nossa fé. Para alguns, todavia, há dificuldades em aceitá-lo, porque não podem compreender que perdemos a lembrança de nossa existência espiritual superior durante os Renascimentos aqui. Isso acontece para que demos maior importância a sua vida física, pois se tivéssemos lembranças da nossa vida nos Mundos superiores não daríamos a devida importância a nossa existência material e nossa vida aqui na Terra seria de pouca valia para nós. Pode-se facilmente reconhecer a sabedoria que preside a essa circunstância, quando verificamos que descemos à existência no Mundo Físico para aprendermos tudo o que pudermos a respeito deste Mundo como parte da nossa evolução e, não tendo conhecimento de nossa existência superior, somos impelidos a nos aplicar na vida aqui na Terra. O Estudante Rosacruz ativo e que já está trilhando a algum tempo o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz sabe que o Renascimento é uma verdade porque tem ciência que é um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) e pode acompanhá-lo desde a sua saída do Corpo, por ocasião da morte aqui, até que reaparece na Terra por meio de novo Renascimento.

A Filosofia Rosacruz estabelece que o nosso Corpo Denso era semelhante ao mineral durante a Época Polar; semelhante ao vegetal durante a Época Hiperbórea; semelhante ao animal, possuindo um Corpo de Desejos, na Época Lemúrica, tendo chegado ao estado humano, possuindo Mente, na Época Atlante e que agora estamos desenvolvendo o terceiro aspecto do nosso Tríplice Espírito, o Espírito Humano, na atual Época Ária. As mudanças feitas por meio das referidas mortes e nascimentos foram feitas por nós mesmos em nosso estado inconsciente, mas atualmente adquirimos a Consciência de Vigília, ou consciência de nós mesmos, exercendo em alguma extensão nossa vontade individual, o que está nos habilitando a desenvolver o nosso poder espiritual divino. Atualmente somos grandemente responsáveis por nossos atos estando sujeito à Lei de Consequência. Essa Lei, agindo em harmonia com os Astros, nos traz ao nascimento quando as posições dos corpos celestes fornecem as condições necessárias a nossa experiência e progresso na Escola da Vida. As Leis do Renascimento e de Consequência têm sido ensinadas secretamente em todos os tempos, porém não foi ensinada publicamente no Mundo Ocidental durante os últimos dois mil anos.

A Hierarquia Criadora de Escorpião, os Senhores da Forma, tem a seu cargo os três germes dos Corpos Denso, Vital e de Desejos durante o presente estado evolutivo. Essa Hierarquia, sob a direção de outras ainda mais elevadas, realmente faz o principal trabalho nesses Corpos, usando a Vida que está evoluindo como uma espécie de instrumento. Atualmente estão com o encargo do terceiro aspecto do Espírito, o veículo Espírito Humano, durante o restante desse Período Terrestre.

O Signo de Escorpião, o Signo dos segredos, da morte e da regeneração ou renascimento é o segundo Signo da Trindade Reprodutora está, e quando o Sol está transitando por ele, estamos nos preparando para um renascimento do Cristo, mais uma vez no centro do nosso Planeta Terra, pelo Natal, enquanto a “Mãe Terra” mergulha no silêncio e na escuridão material e é permeada mais fortemente pela aura do Sol Espiritual, com o correlativo aumento do Fogo Sagrado inspirador de crescimento anímico em nós (não importando em que hemisfério estamos, sentimos essa influência, se estamos cultivando a nossa espiritualidade Cristã praticada na nossa vida aqui); mas, pela Páscoa, provoca uma diminuição de espiritualidade com o correlativa intensificação e pujança de vitalidade física (também não importando em que hemisfério estamos, sentimos essa influência, se estamos cultivando a nossa espiritualidade Cristã praticada na nossa vida aqui). O nascimento e a morte são necessários um ao outro como polos opostos de manifestação da Vida. O segredo da morte é a preparação para o nascimento. O princípio do renascimento – “aparecer de novo” – está sempre diante de nós: o Sol nasce pela manhã e morre à tarde, para aparecer novamente no dia seguinte; nossa consciência vem ao despertarmos do sono, para morrer mais tarde quando o sono retorna. Esse princípio de atividade consciente e inconsciente age em todos os planos, em grau diverso. Pelo Renascimento cada novo aparecimento é uma melhora nas condições anteriores, se adquirimos o conhecimento por meio da experiência, à proporção em que caminhamos para a frente e para cima, sempre.

É o polo positivo do ígneo Marte, por meio de Áries, que traz o renascimento ao plano material no Mundo Físico e é o polo negativo desse Planeta que introduz o Renascimento nos Mundo celestes por meio de Escorpião, precedido da morte no Mundo Físico. Portanto, Marte é o “Senhor do Renascimento”.

A criação procede da geração e a geração é o resultado da atividade sexual administrada por Marte. O sexo, ou a força sexual criadora, se manifesta em tudo na Região Química do Mundo Físico, o plano físico. Já nos planos suprafísicos essa mesma força criadora se manifesta nos princípios masculino (Vontade) e feminino (Imaginação) e estão sempre ativos no universo. Toda atividade resulta da atração e a força sexual criadora é o poder ativo que está por trás da atividade. No plano físico, as atividades dos elétrons, dos átomos e dos corpúsculos são simples atividades dessa força criadora. No plano mental, a Mente objetiva (quando renascemos no sexo masculino aqui) e a Mente (quando renascemos no sexo feminino aqui) estão em atração mútua, enquanto no plano espiritual existe a atração das essências espirituais entre a Vontade e Imaginação. A atividade da força sexual criadora, o princípio causador da criação, deu a Marte o título de “auxiliar do Sol”, que é o “Senhor da Criação”.

Vejamos agora o que a crença no Renascimento pode fazer por nós em nossa vida neste plano físico. Primeiramente revela o fato de que nós, sendo conscientes de nós mesmos, e agindo de acordo com a nossa própria vontade, nos tornamos responsáveis por nossas ações. Essas ações, sob a Lei de Consequência (isto é, o efeito que resulta da causa) ajudam a modelar nossa vida. Aprendemos que colhemos boas recompensas pela atos retos, ação ou obra reta, e colhemos dores e sofrimentos pelos maus atos, más obras ou ações. Não podemos escapar dessas consequências, pois se não aparecerem na vida atual, aparecerão em uma nossa vida posterior como Destino Maduro a ser dissolvido, às vezes, em situação mais difícil e doloroso. Portanto, temos muitos incentivos para nos tornarmos uma melhor pessoa por nossa vida em evolução aqui. O Renascimento vem ao encontro da doutrina da Ressurreição, pois por seu intermédio, o “aguilhão da morte” é removido e perdida a “vitória do túmulo”, pois o que desapareceu tornará a aparecer.

O Renascimento revela a eternidade da vida que proporciona a alegria de viver e das aspirações por sucesso na evolução, pois os fracassos nessa vida poderão se tornar vitórias na vida futura, por meio de novas oportunidades para vencer o que hoje nos cerceia.

As repetidas vidas do correto viver, desejar, falar, pensar nos habilitam a conhecer de “onde viemos, para onde vamos e por que estamos aqui”, bem como o que o futuro nos reserva acerca da Liberdade de escolha.

O Renascimento revela a sabedoria de Deus e a justiça das Suas Leis, a Santidade da vida e, sobretudo, a nossa grandeza feito à imagem e semelhança de Deus.

A crença no Renascimento não é coisa nova; existe na Índia desde tempos antigos; é encontrada no Budismo; contida no Alcorão, o livro sagrado de Islã; é conhecida dos Lamas do Tibete. Foi ensinada por Pitágoras e dos gregos foi transmitida à primitiva Igreja Cristã. É religiosa, filosófica; e também podemos dizer, científica.

Na realidade a morte não existe! O que assim parece é uma perda temporária de consciência num período de transição, quando passamos de um degrau para outro superior na escada da evolução.

Erradicando o temor da morte de nossas vidas, pelo conhecimento do renascimento, a transmutação e a transfiguração guiam o curso das nossas vidas para os portos celestes da paz e do amor, ao mesmo tempo que viajamos para o nosso Criador, tendo cumprido nossa missão o melhor que pudemos, para alegria do nosso Senhor!  

E quando tenha terminado meu trabalho na Terra,

E meu novo trabalho nos Céus comece.

Esqueça eu os louros que ganhei.

Enquanto trabalho pelos outros.

(Frances Jane Crosby – Fanny Crosby)

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por favor, me diga o que Jesus quis dizer quando disse à sua mãe Maria: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (Jo 2:4).

Resposta: Este é mais um caso em que os tradutores da Bíblia traduziram o texto grego de uma forma totalmente injustificável. O comentário foi feito por ocasião das Bodas de Caná, onde Maria, a mãe de Jesus, teria ido até ele dizendo que não havia mais vinho. Jesus então respondeu com as seguintes palavras em grego: “Ti emoi kai soi gunai”. Traduzido literalmente, seria algo como: “Que me importa isso, ó mulher? Ainda não é chegada a minha hora”. Mesmo deixando de lado o significado esotérico dessa observação, essa parece ser uma resposta muito mais gentil do que a grosseira resposta atribuída a Jesus na versão popular da Bíblia do Rei Jaime[1]. Deve-se também lembrar que Cristo não era o filho de Maria no mesmo sentido em que o era Jesus, e que, embora Ele tenha usado o corpo de Jesus, Ele não reconheceu uma relação física com Maria e, portanto, estava perfeitamente justificado em se a ela chamando-a “mulher”.

No entanto, há outro significado, mais profundo, em todo o relato das Bodas de Caná. Ensinou-se na literatura Rosacruz que os Evangelhos não são relatos da vida de um indivíduo chamado Cristo ou Jesus, que foi único entre a Humanidade. Embora o Jesus dos Evangelhos tenha realmente vivido, os próprios Evangelhos são histórias ou fórmulas de Iniciação, e as Bodas de Caná, onde Cristo realizou o Seu primeiro grande milagre, foi algo muito maior do que uma mera cerimônia de casamento entre um homem e uma mulher na vida comum. Tratava-se, na verdade, de um casamento místico do “Eu superior” e o “Eu inferior” sob a nova ordem do Serviço do Templo, então inaugurada por Cristo. Na Época Atlante a água era usada nos templos, mas na Época Ária o “vinho” era essencial.

Diferentes Raças viveram sobre a Terra em várias Épocas, e elas tinham constituições diferentes do que nós temos hoje. A primeira Raça humana é simbolizada na Bíblia pelo nome de Adão. Os seres dessa Raça eram da terra, isto é, terrenos. Ou seja, eles possuíam somente uma massa mineral[2], pois eram formados pela terra mineral. A segunda raça é simbolizada pelo nome de Caim. Os seres dessa Raça possuíam tanto um Corpo Denso mineral quanto um Corpo Vital, formado de Éteres. Portanto, eles eram semelhantes às plantas, e o alimento vegetal lhes foi proporcionado para comer. Por isso, ouvimos dizer que Caim cultivava a terra e plantava grãos. A terceira Raça também desenvolveu um Corpo de Desejos e devido a essa natureza emocional e passional, os seres dessa Raça se tornaram semelhantes a animais. Portanto, receberam como comida carne animal, e lemos na Bíblia que Nimrod era um poderoso caçador. Por fim, a Mente lhes foi adicionada como um elo entre o Tríplice Corpo e o Tríplice Espírito. O Espírito então entrou no Corpo e passou a habitá-lo, tornando-se um Ego.

Para que este Ego pudesse aprender a lição na Terra, ele deveria esquecer, por um tempo, sua origem espiritual celeste. Para esse fim, um novo alimento lhe foi fornecido, e o “vinho”, um espírito fermentado fora do corpo, foi usado pela primeira vez por Noé, o Hierarca Atlante, para amortecer o verdadeiro Espírito que habitava o Corpo. Sob a influência inebriante desse pseudo-espírito, o ser humano gradualmente esqueceu sua origem divina e concentrou toda a sua atenção nas lições a serem aprendidas neste Mundo. Contudo, embora a Humanidade se tenha entregado a esse novo produto de nutrição, o “vinho”, mesmo apesar das orgias realizadas em cerimônias exotéricas, nos santuários de todas as antigas Dispensações só era utilizado água, e os mais elevados e santos sacerdotes jamais permitiam que o vinho tocasse seus lábios. Consequentemente, eles não eram líderes cegos conduzindo outros cegos, mas viam claramente os Mundos invisíveis e conheciam o sagrado mistério da vida.

Durante as Épocas primitivas da nossa evolução fomos guiados por mensageiros visíveis das Hierarquias Divinas, a quem reverenciávamos como Deus, e mesmo depois que estes nos deixaram, os profetas e videntes continuaram a aparecer entre os seres humanos, testemunhando a realidade de Deus e dos Mundos invisíveis. As Religiões antigas também ensinavam a doutrina do Renascimento e, assim, o ser humano sabia que progredia por meio da experiência adquirida utilizando uma série de Corpos terrenos de textura cada vez mais aprimorada. É por essa razão que muitos hindus, que acreditam no Renascimento, sentem que não há necessidade de pressa em termos de evolução.[3] No entanto, para que o ser humano do Mundo ocidental, onde habitam os seres humanos pioneiros, pudesse se dedicar de corpo e alma a dominar os segredos da vida terrena, foi planejado que ele fosse completamente privado desse ensinamento. Além disso, o conselheiro espiritual estava temporariamente cego quanto ao conhecimento consciente de Deus e a visão dos Mundos internos, de modo que toda a Humanidade pudesse se sustentar por si mesma durante a Nova Dispensação e, consequentemente, se dedicasse inteiramente à evolução material que lhe estava reservada. O “vinho” teve, desde o início, essa contribuição em termos exotéricos, e o seu uso foi sancionado no Templo pelo primeiro milagre.

Sob a Antiga Dispensação, somente a água era usada no Serviço do Templo, mas com o decorrer do tempo, o “vinho” se tornou um fator na evolução humana. Um “deus do vinho”, Baco, era adorado e as orgias da mais selvagem natureza eram realizadas a fim de abafar as aspirações do Espírito, para que esse pudesse se dedicar a conquistar o Mundo Físico. Sob a Dispensação Mosaica (Antiga Dispensação), os Sacerdotes eram estritamente proibidos de usar “vinho” enquanto oficiavam no Templo, mas Cristo, em Sua primeira aparição pública, transformou a água em “vinho, ratificando seu uso na ordem das coisas então existentes. Note-se, porém, que isto foi feito em público e que foi o Seu primeiro ato de ministério público. Contudo, na última sessão esotérica de Cristo com Seus Discípulos, onde a Nova Aliança foi celebrada, não havia carne de cordeiro (Áries), como exigido pela Lei Mosaica. Não havia “vinho”, mas apenas pão – um produto vegetal – e o cálice do qual falaremos a seguir, depois de termos notado Suas palavras proferidas naquele momento: “Em verdade vos digo, não beberei mais do fruto da videira até que o beba novamente convosco no Reino dos Céus” (Mc 14:25). O suco de uva recém-extraído não contém um espírito proveniente da fermentação e decomposição, sendo, portanto, um alimento vegetal puro e nutritivo. Assim, os seguidores da doutrina esotérica foram instruídos, por Cristo, a seguirem uma dieta que não incluísse nem a carne animal, nem bebidas alcóolicas.

Geralmente se supõe que o cálice usado por Cristo na Última Ceia continha “vinho”, embora, na verdade, não haja fundamento na Bíblia para essa suposição. Existem três relatos sobre os preparativos para esta Páscoa. Enquanto S. Marcos e S. Lucas afirmam que os mensageiros foram instruídos a ir a uma determinada cidade e procurar um homem que carregava um cântaro de água, nenhum dos Evangelistas menciona que o cálice continha “vinho”. Além disso, pesquisas na Memória da Natureza mostram que a água era a bebida usada, e que, sob o ponto de vista esotérico, o “vinho” já tinha cumprido sua função. Desse esse ato data também a inauguração do movimento da temperança, pois essas mudanças cósmicas envolvem uma longa preparação nos Mundos internos antes de se manifestarem exteriormente na sociedade. Milhares de anos não são nada em tais processos.

O uso da água na Última Ceia também está em harmonia com as exigências astrológicas e éticas. O Sol estava deixando Áries, o Signo do cordeiro, entrando em Peixes, o Signo dos peixes, um Signo de Água[4]. Uma nova nota de aspiração estava prestes a soar, uma nova fase de elevação humana estava prestes a começar durante a Era de Peixes que se aproximava. A autogratificação seria substituída pela abnegação. O pão, alimento básico, feito de grãos imaculadamente cultivados, não alimenta as paixões como a carne animal; tampouco o nosso sangue, quando diluído em água, pulsa com a mesma intensidade que quando bebemos “vinho”. Portanto, o “pão e a água” são alimentos adequados e símbolos de ideais durante a Era Peixes-Virgem. Eles representam a pureza, e a Igreja Católica deu aos seus fiéis a água pisciana colocada à porta do templo e o Pão Virginiano no altar, negando-lhes o cálice de vinho durante a Liturgia. Contudo, mesmo o que foi exposto acima não nos leva ao cerne do mistério culto no “Cálice da Nova Aliança”.

A antiga “taça de vinho” que nos foi dada quando entramos na Época Ária, a terra da geração, estava cheia de destruição, da morte e do veneno, e a palavra que, então, aprendemos a falar está morta e impotente.

A nova “taça de vinho” mencionada como a representação do ideal da Época futura, a Nova Galileia (que não deve ser confundida com a Era de Aquário), é um órgão etérico construído dentro da cabeça e da garganta pela força sexual criadora não gasta, que à visão espiritual se assemelha à haste de uma flor elevando-se da parte inferior do tronco. Este cálice, ou cálice de sementes, é verdadeiramente um órgão criador, capaz de proferir a palavra da vida e do poder.

A palavra atual é gerada por movimentos musculares desajeitados que regulam a laringe, a língua e os lábios, de modo que o ar, proveniente dos pulmões, emita determinados sons, mas o ar é um meio pesado, difícil de mover quando comparado às forças mais sutis da Natureza, como a eletricidade, que se movem no Éter. Quando este novo órgão estiver desenvolvido, terá o poder de proferir a palavra de vida, de infundir vitalidade em substâncias que antes estavam inertes. Este órgão está sendo hoje formado por nós, por meio do serviço amoroso e desinteressado.

Vocês se lembrarão que Cristo não deu o cálice à multidão, mas aos Seus Discípulos, que eram os Seus mensageiros e servos da Cruz. Atualmente, aqueles que bebem da taça do autossacrifício, para que possam usar a sua força sexual criadora ao serviço amoroso e desinteressado aos outros, estão construindo esse órgão, juntamente com o Corpo-Alma, o “Dourado Manto Nupcial”. Eles estão aprendendo a usá-lo, em pequena escala, como Auxiliares Invisíveis, quando estavam fora do Corpo Denso à noite, pois então são ensinados a proferir a palavra de poder que remove a doença e edifica tecidos saudáveis.

Quando a Época Atlante se aproximava do fim e a Humanidade abandonou seu lar ancestral, onde havia estado sob a orientação direta dos Mestres divinos, a Antiga Aliança foi firmada, concedendo-lhes a carne animal e o “vinho”. Estes dois elementos, juntamente com o uso desenfreado da força sexual criadora, transformaram a Época Ária, especialmente nas suas duas primeiras Eras[5], em Eras de morte e destruição. Agora, estamos nos aproximando do fim dessa Era, a de Peixes.

Pois a Era de Peixes, ou o período em que o Sol, pelo movimento de precessão, passa pelo Signo de Peixes, está chegando ao fim. Durante esse período, o Signo oposto a Peixes, Virgem, representou o ideal humano. Ela foi venerada por um sacerdócio celibatário que recomendava aos seus fiéis o consumo de “peixes” como alimento em determinadas épocas da semana e do ano. No Zodíaco ilustrado, o Signo de Virgem tem uma espiga de trigo na mão. Tanto a semente quanto a uva são produtos do Reino vegetal, e a Imaculada Virgem Celestial, portanto, personificava o primeiro princípio da Imaculada Concepção: o sangue (“vinho”) e o corpo (pão) de Cristo. A essas coisas o sacerdócio celibatário, que dirigia o culto, chamou a atenção durante a Era de Peixes, que agora está prestes a terminar e, portanto, o “vinho” está sendo rapidamente abolido nos ofícios do templo e do uso nas missas, com o resultado de que uma correspondente medida de sensibilidade está sendo experimentada. O Espírito Divino, oculto dentro de cada ser humano, despertou do seu sono tóxico induzido pelo “espírito do vinho”, e começa a se recordar de sua origem divina e de sua herança da vida, à qual não tem início nem fim.

Vale a pena notar, a este respeito, que todo o clero dos diversos países do Velho Mundo e, também, os padres católicos das Américas ainda continuam a usar o “vinho” e as bebidas alcoólicas diariamente, e é mais significativo que, quando o Parlamento da Inglaterra, o Rei e os nobres, que representam a classe política, tentaram aprovar leis que proibissem a venda de bebidas alcoólicas no país, a medida fracassou devido à determinada oposição dos mais altos dignitários da Igreja.

Essa atitude do clero europeu não implica, de modo algum, numa degradação por parte deles, nem que devam ser censurados em qualquer aspecto. A Humanidade tem ainda muitas lições para aprender que só podem ser proporcionadas durante a “era do vinho”. Quando a necessidade do espírito falsificado passar, ele cairá em desuso sem que seja necessário recorrer a medidas legislativas, que geralmente não são eficientes, pois é absolutamente impossível legislar a moralidade nas pessoas. Até que uma lei seja aprovada internamente – de dentro para fora –, elas são obrigadas a quebrá-la para garantir a satisfação de seus desejos, independentemente das medidas restritivas.

(Pergunta nº 90 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. (Jo 2:4)

[2] N.T.: Um Corpo Denso rudimentar

[3] N.T.: Hindus são pessoas que seguem o hinduísmo, uma das Religiões mais antigas e complexas do mundo, originária do subcontinente indiano, caracterizada por diversas crenças, como a crença em múltiplos deuses (Brahma, Vishnu, Shiva) e na reencarnação, além de uma rica tapeçaria de práticas, rituais (como o pujá e yoga) e textos sagrados (Vedas, Ramayana) que moldam a cultura indiana e não possuem um fundador único.

[4] N.T.: Tudo isso devido ao movimento de Precessão dos Equinócios da Terra.

[5] N.T.: Era de Áries e Era de Peixes

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Estação da Alegria

No seu sermão no Dia de Pentecostes S. Pedro proferiu: “Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida, com a Tua face me encherás de júbilo.” (At 2:28), quando Cristo apareceu com a descida do Espírito Santo em cumprimento da promessa do Cristo, e os Apóstolos anunciavam uma alegria espiritual de felicidade futura. Foi seguindo o conhecimento da vida conforme Cristo ensinou que S. Pedro conseguiu a intensa alegria dessa vida. S. Pedro foi, sem dúvida, a figura principal na formação do Cristianismo do primeiro século, pois ele foi a pedra sobre a qual Cristo construiria a Religião Cristã manifestada aqui e a ele foram fornecidas as simbólicas “chaves” do Reino do Céus. Crê-se que S. Pedro foi martirizado durante o reinado de Nero no ano 65, aproximadamente.

S. Pedro, um pescador galileu, na organização do Cristianismo recebeu ajuda e assistência do douto e missionário S. Paulo. A Religião Cristã se desenvolveu como uma instituição promotora de uma fé e de uma teologia.

A alegria de S. Pedro se baseava na prova e na fé de sua crença na Ressurreição, fortalecida pela vinda do Confortador ou Espírito Santo no Dia de Pentecostes. Esse é o ponto crucial de toda Religião Cristã: não existe a morte: “Creio na Ressurreição do Corpo e na Vida Eterna”.

Como isto é verdadeiro nesta estação do ano! Tempo de prazer e de alegria, com a natureza ornada ao máximo. Este tempo de beleza é o trabalho d’Ele, que deseja nos confortar e trazer Alegria ao Mundo, radiante e expressiva. O canto de alegria surge dos pássaros, dos animais e das plantas que dão tudo em troca do amor que lhes deu o Cristo que partiu. Descem sobre o Místico, vibrações de consciência que podem enchê-lo de alegria à sua aproximação, como sucedeu com S. Pedro.

Este período de júbilo, esta harmonia de formas, é o triunfo do Espírito sobre a Terra, e a manifestação do ritmo do amor. O Senhor nos mostrou Sua face e foi benigno conosco. Com o Espírito Santo ou, como ensina a Filosofia Rosacruz, com o Espírito Humano assumindo o trabalho do Cristo nesta estação lembremo-nos do primeiro dos três passos a dar, isto é, que pela união com o “Eu Superior” nos sobrepomos a nossa natureza interior.

Este primeiro passo é o que mais nos interessa atualmente. O primeiro auxílio que nos foi dado para consegui-lo foram as Religiões de Raça que nos ajudaram a conquistar o Corpo de Desejos, preparando-nos para a nossa união com o Espírito Santo a fim de ser extraída a Alma Emocional. O efeito total deste auxílio se viu no Dia de Pentecostes, pois o Espírito Santo é o Deus de Raça e todas as línguas são Sua expressão. Quando os Apóstolos ficaram cheios do Espírito Santo, falaram várias línguas. Seus Corpos de Desejos haviam sido suficientemente purificados para produzir a união necessária e isto nos mostra o que o Discípulo conseguirá algum dia: o poder de falar todas as línguas, pois, então, a diferenciação em Raças separadas terá terminado.

As Religiões do Espírito Santo, as Religiões de Raça, se destinam a elevação da Onda de Vida humana por meio do sentimento de parentesco limitado a um grupo, família, tribo ou nação, e é este Deus de Raça que recebe as preces pelas vitórias nas batalhas, pelas chuvas, pelo aumento material dos rebanhos e pela repleção dos celeiros. Como essas preces são feitas pelo Corpo de Desejos por coisas temporais, não são puras como deveriam ser para conseguirem nosso desenvolvimento espiritual.  Bem diferente da parte da Oração do Senhor (O Pai-Nosso) que pede pelo Corpo de Desejos é: “Não nos deixes cair em Tentação” – a tentação de desejar as coisas dos outros seres humanos.

Esta alegre estação do ano fornece expressão a sua vibração em palavras para exprimir o pensamento, que é o nosso mais elevado privilégio. Para podermos fazer isso precisamos de uma laringe vertical que nos permita falar. Foi quando nós, o Ego, entramos na posse dos nossos veículos que se tornou necessário usar parte da nossa força sexual criadora para a construção do cérebro e da laringe. A laringe foi construída enquanto o Corpo Denso estava curvado, do mesmo modo que fica o embrião humano, quando em gestação. À medida que o Corpo Denso se endireitava e ficava em pé, parte do órgão criador permaneceu com a parte superior do Corpo Denso e mais tarde se transformou em laringe e cérebro. Dessa forma obtivemos a consciência cerebral do Mundo externo a custa da metade do nosso poder criador, que antes era usado, integralmente, para exteriorizar outro ser.

Agora temos o poder de criar e exprimir o pensamento aqui. A laringe é mantida pelo poder da força sexual criadora que, quando purificada, se torna o poder anímico que, a seu tempo, invalidará os órgãos sexuais e nós, então, falaremos o Verbo criador.

No Simbolismo Rosacruz achamos a Rosa de brancura imaculada colocada no centro da Cruz, representando o lugar da laringe, pois aí está o poder criador puro que gera a magia da cura.

Durante este mês o Sol está passando pelo segundo Signo da Trindade Criadora, o Signo do princípio criador materno, Touro, regido pela senhora do amor, Vênus, e assistido pela Rainha da Noite, a Lua. A riqueza da Mãe Terra se espalha diante de nós para nosso júbilo e felicidade.

Acabamos de passar pelo mês apaixonado de Marte, introdutor, no início do Ano Novo, do princípio gerador masculino, no qual dominaram as atividades materiais, e estamos agora gozando o produto feminino da Senhora da Graça, Vênus, no qual o crescimento espiritual é manifestado na beleza da vida na forma.

Aquilo que fora paixão, agora foi transformado em amor por intermédio do Cristo, o Confortador, inundando a Terra com alegria e felicidade, à medida que a Voz da Natureza se faz ouvir pela Música das Esferas. Os trabalhadores foram convocados, o Fiat Criador foi proferido e a restauração do Templo na Terra está em andamento. Coalisão e unidade sob o vínculo da Deusa do Amor reflete a vida do Cristo.

Neste tempo, em que a aquisição das necessidades físicas é soberana para a preservação, é bom para nós lembrarmos que nós, o Ego, assim como o nosso Corpo, também precisamos de alimento para nosso crescimento e evolução. Nosso alimento consiste em atos e feitos de bondade, de consideração para com os outros e no esquecimento de nós mesmos.

A canção de júbilo em nossos corações, por aquilo que nos tem sido feito, deve encontrar seu eco nos outros quando, por nossa parte, fizermos algo por eles, pois, o Crescimento da Alma depende das Ações. Nossa Alma enfraquecerá se só a alimentá-la com livros, pois isso não acrescentar um átomo ao nosso Corpo-Alma. A menos que ponhamos em prática o que aprendemos, o conhecimento não produzirá dano considerável, pois somos responsáveis pelo que conhecemos e devemos pôr em bom uso os nossos talentos.

No juízo final será perguntado o que fizemos e não o que sabemos. “E, se Deus assim veste a erva que está no campo e amanhã é lançada ao forno, quanta mais a vós, homens de pouca fé” (Mt 6: 30).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)

Idiomas