Lemos na Bíblia a história de como Noé e a sua família foram salvos do Dilúvio e formaram o núcleo da humanidade da Época do Arco-Íris, aquela em que vivemos agora. Também se diz que Moisés guiou seu povo fora do Egito, a terra do touro (do Signo de Touro) através das águas e o estabeleceu como o povo escolhido para adorar o Carneiro, o Signo de Áries, em cujo Signo havia já entrado o Sol pelo movimento de Precessão dos Equinócios. Esses dois relatos se referem ao mesmo incidente, a saber, a aparição da infante humanidade do continente submerso da Atlântida (na Época Atlante), nesta época de ciclos alternados: verão e inverno, dia e noite, fluxo e refluxo.
Como a Humanidade acabara de receber a Mente, ela começou a dar conta da perda da visão espiritual que até então possuía. Sentiu um anelo pelo mundo do espírito e seus guias divinos, que persiste, todavia, pois ainda não cessou de lamentar essa perda. Por essa razão foi-lhe dado o Tabernáculo no Deserto, antigo Templo de Mistérios Atlante, para que pudesse encontrar o Senhor quando estivesse qualificada por meio do serviço e domínio da natureza inferior pelo Eu Superior. Tendo sido delineado por Jeová, foi a incorporação de grandes verdades cósmicas, ocultas por um véu de simbolismo que falava ao Eu interno ou Eu Superior.
Em primeiro lugar, é importante saber: esse plano divino do Tabernáculo foi dado a um povo escolhido, que devia construí-lo por meio de sacrifícios. E aqui há uma lição particular consistindo em nunca se dar à pessoa alguma a norma do caminho do progresso se primeiramente não se fez um convênio com Deus para servi-lo e estar disposto a oferecer o sangue do seu coração numa vida de serviço totalmente desinteressado. A palavra “phree messen” é um termo egípcio significando “filho da luz”. Na literatura iniciática fala-se de Deus como o Grande Arquiteto. Arche é uma palavra grega significando “substância primordial”.
Diz-se que José, pai de Jesus, foi um “carpinteiro”, porém a palavra grega é “tekton” — construtor. Também se diz que Jesus foi um “tekton”, um “construtor”.
Por conseguinte, cada verdadeiro Iniciado é um filho da luz, um construtor que se esforça em edificar o templo místico de acordo com o plano divino dado por nosso Pai nos Céus. A esse fim dedica todo o seu Coração, Alma e Mente. Ele deve aspirar a ser “o maior no Reino de Deus” e, portanto, há de ser o servo de todos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1978 – Fraternidade Rosacruz -SP)
Quando nossas almas anseiam por um recolhimento no deserto, começa uma etapa expressiva em nossa vida. Não é buscar o Tibet, à Índia ou um lugar isolado qualquer, fora do convívio humano. Não se trata de um ponto geográfico, mas de um recolhimento interno; um estado estéril para a Personalidade, mas produtivo e fértil para a Alma que, saudosa, busca o “paraíso interno” para aquietar-se, restaurar a harmonia interna e crescer, a fim de exercer sua benéfica influência em nossa vida.
Feliz de quem sente esta saudade e apelo do íntimo. Ainda que a pessoa não esteja consciente dessa necessidade interna, quando começa a orar e meditar corretamente, em entrega, abertura e tranquilidade interior, começa a ouvir a “pequenina e silenciosa voz” que sussurra, e sente-se bem.
Podemos ser bem-sucedidos no trabalho, nas relações com os íntimos e no trato com os amigos, porém isto não é suficiente. Há uma insatisfação interna. E na medida que a saciamos no “deserto” interior, muitas coisas começam a perder o significado para nós. Já não nos dizem nada. Tal insatisfação não significa um convite para buscarmos outras formas de viver. Nada disso. Se o tentamos, logo nos desiludimos.
De nada nos vale fazer transformações externas. Se temos a graça de sentir essa insatisfação, não cometamos a tolice de comprar uma casinha na praia ou um sítio isolado, para levar amigos e folias de nossa rotina. Saibamos que o “deserto” deve ser buscado, aqui e agora mesmo, num cantinho de nossa casa, onde respeitem nossos momentos de quietude. Isto exige apenas algumas modificações no mundo interior, disciplinando a Mente e o Coração pelas verdades acerca de nossa real natureza e relação com Deus. É uma conscientização do modelo de Cristo; de equilíbrio entre uma atividade ordeira e o refazimento no “deserto” em nós. Afinal, é nosso Deus que nos ensina, por meio do profeta Isaías: “Tornarei o deserto em mananciais de águas” (Is 41:18).
Estes intervalos no “deserto” nos trazem vislumbres da Mente de Cristo, para reavaliação de conceitos; para constatação de coisas que devemos descartar, porque não servem à nova criatura. São períodos de ajustamento, mas, também, muitas vezes, de solidão, em que nos sentimos perdidos e nos perguntamos se vale a pena esse esforço. Tais vazios são provocados pelo próprio Cristo interno, para experimentarmos se O procuramos, por Ele mesmo ou se “pelos pães e peixes”. Outra razão d’Ele esconder-nos a Sua face é a falta de sentimento em nosso retiro no “deserto”.
Mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra seremos chamados a essa experiência maravilhosa, resistir-Lhe, é protelar mudanças positivas em nossas vidas. É melhor ouvir e atender ao tênue convite interno, agora, porque é o tempo certo, determinado pelo íntimo. Portanto, não pense que você ainda não esteja pronto para isso. Se o “deserto” o chama, é porque você já está preparado. Nem receie que isso vá desviá-lo de um viver pleno. Ao contrário: jamais sua vida será completa sem a ligação gradual com o Eu superior. Ele é que lhe dará sentido e significado à existência. Você continuará no Mundo, mas será uma nova pessoa, feliz, para fazer os outros felizes. Jamais estará só: uma Luz encherá sua vida!
O tempo dedicado ao exercício do “deserto” nunca é estéril, embora o pareça, no início, a quem tenha um sentido prático do mundo. É tempo ganho, pois enseja um processo interno, que não podemos perceber: de gradual abertura e sintonia à Consciência. Se nos mantemos conscientes, em calma entrega e anseio de Deus, algo ocorre e o processo se realizará!
Moisés estava evidentemente preparado quando foi atraído à Montanha e Deus lhe falou: “Vem tu, pois, e te enviarei ao Faraó para que lhe tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Ex 3:10). Também assim, somos chamados para o “deserto”, incumbidos de nos libertarmos do “Faraó” do mundo materialista, os pensamentos e emoções nobres atualmente apegados e condicionados a valores tolos, adestrando-os para que sirvam a significados mais altos e eternos. Não é fugir do Mundo, e ter uma nova relação com ele. É viver nele e não lhe pertencer. É adquirir melhores significados.
Cristo-Jesus sabia que Levi, o coletor de impostos (que depois chamou de Mateus) estava preparado quando o olhou bem. Convocou-o para o discipulado e ele, deixando tudo, imediatamente O seguiu (Lc 5:27-28). Esta convocação é interna, quando chega o tempo para nós, não devemos hesitar.
Depois passamos meses e anos no deserto, em intervalos de aquietamento e entrega. Não é um tempo “perdido”. Conheço um homem que se empenhou muitos anos a expressar seus talentos numa arte. Ficou longo tempo fazendo seus esboços, sob orientação dos melhores professores. Deu o melhor de si, mas estranhamente, jamais saiu do chão, como se diz, na profissão escolhida. Falava dos sacrifícios que teve de enfrentar nesse período e considerou-o improdutivo e desperdiçado.
Em conversa posterior descobri que foi precisamente nesse período que ele teve um despertar espiritual, pois se havia agarrado com toda a alma à Verdade e entrega de Deus, na esperança de que seria essa a chave-mestra para lhe destrancar as portas para o sucesso. Porém, o resultado foi diferente do que ele esperava: ele recebeu uma visão totalmente nova de sua vida. Aproveitando os talentos que desenvolvera, aplicou-os num campo inesperado, que lhe abriu meios de expressão criativa e gratificante. “Atirou no que viu e acertou no que não viu” — como diz o ditado popular. Só então, olhando para trás, reconsiderou sua opinião acerca do período “desperdiçado”. Compreendeu que “o período no deserto” o encaminhou à sua verdadeira vocação, dando-lhe, ao mesmo tempo significados novos da existência. Em verdade, foi o período mais rico de sua vida.
Temos notado que a dor, o insucesso, a esperança de mais altos significados, as decepções da vida, etc., são meios constantes que levam as pessoas para o “deserto interior”. Vão em busca de certas coisas e descobrem outras, muito mais altas e duradouras, que transformam radicalmente suas vidas!
Você se sente numa rotina monótona e vazia, sem significado? Talvez seja esse o convite, como foi dito: “Bem-aventurados os que têm fome, porque serão fartos” (Lc 6:21). Quiçá você pergunte: “por que tenho de passar pela experiência do “deserto”? Respondo: porque há um processo interno que só o Cristo, em você, pode realizar, através dessa comunhão. É inútil você procurar libertação para esse estado aí fora. Ninguém pode fazer por você o que a Deus incumbe. Pode o agricultor amadurecer o pêssego, para soltar-lhe o caroço? Não. Só o trabalho interior do próprio pessegueiro!
Não adie e nem resista ao convite de encontro com seu verdadeiro Ser. Aceite-o. E quando tiver passado por essa experiência indizível, você poderá retornar do “deserto”, ao encontro dos seres humanos, sob a direção da Mente de Cristo, para que “brilhe a sua luz diante deles, a fim de que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai celestial” (Mt 5:16).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/fevereiro/1988 – Fraternidade Rosacruz– SP)
Manas, mensch, mens ou man (ser humano) são palavras que facilmente se associam com o Maná que caiu do céu. Somos nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) e que para isso “desceu” de nosso Deus-Pai para uma peregrinação através da matéria (nesse Esquema de Evolução); o Pote de Ouro do Maná, onde se conservava o Maná, simboliza a aura resplandecente do nosso Corpo-Alma.
Ainda que a história da Bíblia não esteja de pleno acordo com os acontecimentos, relata os fatos principais do Maná Místico que caiu do céu. Quando desejamos saber qual é a natureza do assim chamado “pão”, podemos consultar o capítulo 6 do Evangelho Segundo S. João, que relata como Cristo alimentou a multidão com pães e peixes, simbolizando a doutrina mística dos 2000 anos que Ele estava iniciando. Durante esse tempo, por Precessão dos Equinócios, o Sol estava passando através do Signo de Peixes (os peixes), e a nós éramos ensinados a nos abster, ao menos um dia por semana (referente ao hoje “sexta-feira”) e em certa época do ano, das “panelas de carne” de que tanto se abusara no Egito ou na antiga Atlântida.
À porta do templo era fornecida a água de “Peixes” (água benta, usada ainda hoje nas portas das Igrejas Católicas), e na mesa Eucarística, ante o Altar, a Hóstia Imaculada (feita de trigo), quando se adora a “Virgem” que representa o Signo celestial da Virgem (o oposto ao Signo de Peixes).
Cristo também explicou, naquele tempo, em linguagem mística, mas inconfundível, o que era esse “pão da vida”, ou Maná, isto é, nós, o Ego. Essa explicação se encontra nos versículos 33 e 35, onde lemos: “Porque o pão de Deus é aquele que desceu do céu e dá vida ao mundo … Eu sou (Ego sum) o pão da vida” (Jo 6-33-35). Isso, então, é o símbolo do Pote de Ouro do Maná que se encontrava na Arca da Aliança do Tabernáculo no Deserto.
Esse Maná é o Ego que vivifica os Corpos Densos. Hoje, está oculto dentro da Arca de cada um de nós, e o Pote de Ouro ou Corpo-Alma, ou “Traje Dourado de Bodas”, está também latente em cada um de nós. É a “casa não feita com as mãos”, eterna nos céus, com a qual S. Paulo anelava revestir-se, como se lê na Epístola aos Coríntios (IICor 5:1-10): “Sabemos, com efeito, que, se a nossa morada terrestre, esta tenda, for destruída, teremos no céu um edifício, obra de Deus, morada eterna, não feita por mãos humanas. Tanto assim que gememos pelo desejo ardente de revestir por cima da nossa morada terrestre a nossa habitação celeste — o que será possível se formos encontrados vestidos, e não nus. Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos acabrunhados, porque não queremos ser despojados da nossa veste, mas revestir a outra por cima desta, a fim de que o que é mortal seja absorvido pela vida. E quem nos dispôs a isto foi Deus, que nos deu o penhor do Espírito. Por conseguinte, estamos sempre confiantes, sabendo que, enquanto habitamos neste corpo, estamos fora da nossa mansão, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé e não pela visão… Sim, estamos cheios de confiança, e preferimos deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor. Por isto também esforçamo-nos por agradar-lhe, quer permaneçamos em nossa mansão, quer a deixemos. Porquanto todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal.”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz, março/1978 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Porque todo o destino da humanidade está intimamente envolvido com as estrelas. Não importa se consultamos a nossa própria Bíblia ou quaisquer outros livros de qualquer outra Religião. Em todos eles devemos descobrir que as estrelas ocupam um lugar muito proeminente. Na nossa própria Bíblia sabemos que são chamados os Sete Espíritos diante do Trono. São os Sete Anjos Estelares, como particularmente conhecidos pela Igreja Católica; os Sete Espíritos Planetários relacionados com a nossa evolução desde que a humanidade começou a se desenvolver neste Planeta. Por conseguinte, o curso das estrelas e suas configurações são, naturalmente, os marcadores do tempo na história da humanidade.
Ouvimos Pitágoras falar da Música das Esferas[1]. A maioria das pessoas pensa que é uma expressão poética. Não o é; é um fato. Em qualquer lugar que estivermos, há um som distinto dos sons de outros lugares percorridos. O farfalhar das árvores, quando o vento sopra, o murmúrio dos riachos, tudo tem um som peculiar. Dois riachos não produzirão o mesmo som. Os musicistas que possuem um ouvido treinado poderão distinguir a diferença. Se formos à uma cidade, haverá um aglomerado de ruídos, mas todo esse barulho se mistura com o tom da cidade. A composição de todos os sons em todo o mundo, o farfalhar dos ventos nas árvores e todos os ruídos são ouvidos no espaço, como um tom único determinado — o tom da Terra.
Essas órbitas estelares trafegam ao redor, como é bem conhecido pelos astrólogos, mas não em um círculo. Elas não permanecem em uma única ordem, mas se apresentam em configurações diferentes entre si. O mesmo acontece nos sete tons da oitava, que são a réplica dos Sete Espíritos Planetários. Da mesma forma que eles podem se combinar de maneiras diferentes, formando acordes diferentes, também esses tons diferentes dos mundos que estão se movimentando através do espaço criam a harmonia das esferas, e a humanidade está evoluindo de acordo com a mudança dessas vibrações. Há uma vibração diferente a cada instante, e sempre que um novo ser renasce, essas várias e diversas vibrações atuam sobre ele, tornando-o diferente de todos os demais. Portanto, ele tem o seu próprio destino.
Isso ocorre tanto no microcosmo quanto no macrocosmo, no pequeno e no grande mundo. Todos nós estamos relacionados com as estrelas. Todos estão intimamente envolvidos com as estrelas; sem elas nada é feito ou criado. Essa é a razão pela qual os antigos sacerdotes do Egito, plenamente cientes disso, adicionavam esse aspecto à Religião. Essa é a razão pela qual eles estudavam a Astrologia tão profundamente, e chegará o dia em que muito mais pessoas a estudarão. A ciência da Astrologia se restabelecerá quando nos tornarmos mais sábios.
(Pergunta nº 115 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: A música das esferas, também conhecida como harmonia das esferas ou música universal, é um antigo conceito definido pelos gregos que postula a existência de uma harmonia divina e matemática entre o macrocosmo e o microcosmo. Pitágoras, atuando na Magna Grécia, em suas pesquisas sobre astronomia, matemática, acústica e música, foi talvez o primeiro a estabelecer um elo entre a regularidade dos eventos celestes e as proporções matemáticas que regulavam as consonâncias e dissonâncias musicais. Tentando explicar o funcionamento do mundo, veio a conceber a ideia de que o cosmos era um imenso mecanismo de origem divina e estrutura unificada.
Não abordaremos, aqui, a Astrologia hindu, chinesa ou pré-colombiana. Limitar-nos-emos à História da Astrologia do Oriente Médio.
Os documentos astronômicos mais antigos que possuímos datam do terceiro milênio a.C.
Eles foram encontrados na Mesopotâmia, entre o Rio Tigre no oeste e o Rio Eufrates no leste.
A região foi então dividida entre os sumérios no sul e os acadianos no norte. Os sumérios usavam a escrita cuneiforme.
Essa escrita incluía, aproximadamente, 550 símbolos formados pela disposição de 4 elementos básicos tendo a forma de pregos (horizontal, oblíquo, vertical e duplo) (cuneus = prego em latim).
Além disso, os sumérios, com a ajuda de 60 desses sinais, podiam escrever todos os números inteiros, bem como as frações (numeração de lugar, base 60), enquanto os egípcios, os gregos, os romanos não tinham um sistema de numeração como efetivo (numeração por justaposição).
Nossa forma de contar os minutos e segundos dos ângulos e do tempo vem do sistema de numeração sumério (sistema sexagesimal). Sem a constituição dessa rica escrita e desse sistema de numeração, o conhecimento do céu não poderia ter se desenvolvido como eles.
As tabuinhas relativas à Astronomia desse período referem-se essencialmente aos ciclos lunares (calendário com os meses lunares).
No segundo milênio (a.C.), a civilização babilônica substituiu a civilização sumério-acadiana. Essa civilização desenvolveu o conhecimento astronômico e astrológico.
Os estudiosos da Babilônia observam que 12 meses lunares não correspondiam exatamente a um ano (faltam 29 1/4 dias). Usando a observação do nascer e do pôr do Sol das constelações, eles introduzem um mês intercalar de tempos em tempos para corrigir.
Em 729, o rei da Babilônia foi destronado pelo rei da Assíria.
Uma série de 70 tabuletas contendo uma descrição de 36 constelações (incluindo as doze do Zodíaco), uma lista de Eclipses do Sol e cerca de 7000 presságios relativos a colheitas, guerras, soberanos (note-se que, em nenhum lugar, ainda encontramos a Astrologia natal).
Vamos ver aqui alguns exemplos dessas inscrições:
• “Neste dia, o Planeta Mercúrio é visível. Quando Mercúrio estiver visível no mês de Kislou, haverá ladrões na Terra”;
• “Se a Lua estiver rodeada por uma auréola e Júpiter ficar lá, o rei de Akkad será aprisionado”;
• “Se Vênus iluminar com sua luz ardente o peito do Escorpião, cuja cauda é escura e cujos chifres são claros, a chuva, as inundações e os gafanhotos devastarão o país”;
• “Se Júpiter se aproximar de Marte, no mesmo ano morrerá o rei de Akkad e a colheita será abundante”.
Os Planetas são chamados de “cabras selvagens”, porque se movem entre o “rebanho” de estrelas fixas (deve-se notar que estávamos então na era de Áries…).
Cada estrela corresponde a um deus no quadro de uma visão trinitária do mundo: a trindade fundamental do Céu, da Terra e do Mar (Anu, Enlil e Ea) é duplicada por uma trindade que compreende Sin (a Lua), Shamash (o Sol) e Ishtar (Vênus). Quanto aos outros Planetas: Nabu (Mercúrio), Ninurta (Marte), Marduk (Júpiter) e Nergal (Saturno), eles correspondiam a uma visão quaternária do resto do universo.
Ishtar (Vênus) é reverenciado como o deus do amor. Ninurta (Marte) é o deus da guerra. Nabu (Mercúrio), filho de Marduk (Júpiter) é descrito como o deus do conhecimento. Nergal (Saturno) estava relacionado com a justiça e a ordem.
Em 626 a.C., é um rei caldeu que ascende ao trono da Babilônia e que submete a Assíria (apesar da intervenção tardia do Egito em favor dos assírios).
Cada cidade da Caldéia e da Assíria tinha seu observatório, em forma de torre (zigurate) ou pirâmide, geralmente anexa a templos ou palácios.
Os escribas continuam a aperfeiçoar as observações astronômicas para as necessidades da Astrologia.
Em 539 a.C., o rei da Pérsia, Ciro, proclamou-se rei da Babilônia, após uma rápida derrota dos caldeus. Seu filho Cambises submeteu o Egito em 525 a.C., que se tornou uma província do Império Persa.
No que diz respeito ao Egito, não se conhece nenhum texto astrológico desse país anterior à dominação persa. Deve-se notar, no entanto, que as inscrições relativas ao destino são encontradas na época de Amenophis IV (1375-1325 a. C.), que mudou seu nome para Akhenaton (= a serviço de Aton) e tentou, em vão, introduzir o monoteísmo. Um papiro datado de 1300 a. C., preservado no Museu Britânico, apresenta fragmentos de um calendário que especifica os dias auspiciosos e não auspiciosos do ano, mas que não parece ser baseado em posições planetárias.
Foi feita a seguinte pergunta a Max Heindel: “Por que os antigos sacerdotes egípcios praticavam Astrologia?” (“Filosofia da Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume 2,” Pergunta: n°115). Aqui está parte da resposta dele: “Todos estão intimamente envolvidos com as estrelas; sem elas nada é feito ou criado. Essa é a razão pela qual os antigos sacerdotes do Egito, plenamente cientes disso, adicionavam esse aspecto à Religião. Essa é a razão pela qual eles estudavam a Astrologia tão profundamente, e chegará o dia em que muito mais pessoas a estudarão. A ciência da Astrologia se restabelecerá quando nos tornarmos mais sábios”. Nessa resposta, Max Heindel não especifica a hora.
De qualquer forma, os textos astrológicos datados do século VI a. C., que foram encontrados no Egito, já contêm estudos individuais correspondentes ao momento do nascimento (isso é chamado de Astrologia Genetlíaca), enquanto os mais antigos horóscopos semelhantes descobertos na Babilônia datam do século III a.C.
Foi nessa mesma época (século VI a. C.) que encontramos a primeira representação do zodíaco no Egito, em uma tabuinha chamada tabuinha de Cambises.
Foi também nessa época que Pitágoras, depois de ter sido iniciado em Memphis e na Babilônia, criou sua famosa escola de Crotona onde, entre outras coisas, se ensinava Astrologia mística (Música das Esferas).
Historiadores e astrólogos não esotéricos consideram que os gregos apenas conectaram sua mitologia pré-existente com a astrologia caldeia.
Chronos está associado ao Planeta Nergal (Saturno), Zeus a Marduk (Júpiter), Ares a Ninurta (Marte), Afrodite a Ishtar (Vênus), Hermes a Nabu (Mercúrio).
A correspondência entre as duas culturas é tão “natural” que mais provavelmente se trata, como vimos anteriormente, do fundo comum de verdades iniciáticas vindas da Atlântida.
(de: Introduction: L’astrologie Selon Les Enseignements Rosicruciens : L’Astrologie Rosicrucien, da Association Rosicrucienne Max Heindel, Centre de Paris – Texte inspiré de l’enseignement rosicrucien légué à Max Heindel par les Frères Aînés de la Rose-Croix – Traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Um congresso médico, reunido na França, em 1958, declarou guerra ao ruído e recomendou, entre outras coisas, o respeito às horas de sono, para evitar os males provocados pela fadiga. O certo é que não é preciso submeter uma pessoa à tortura chinesa (em que o supliciado era amarrado dentro de um sino em movimento) para que se chegue a casos extremos. Ninguém ignora que a emoção é tão capaz de matar quanto a infecção, e que o barulho é um poderoso criador de tensões.
O barulho urbano é inevitável e, nas cidades modernas, está intimamente ligado ao planejamento e à tecnologia. Em última análise, é o preço que se tem de pagar pelo progresso. Quando esse progresso é caracterizado pela contínua evolução industrial e comercial, o processo implica alteração dos períodos de trabalho. Assim, as horas do dia são preenchidas por incessantes atividades dinâmicas e motoras, muitas delas de natureza barulhenta.
Algumas das atividades estendem-se pela noite adentro e, além de prejudicar o trabalho de terceiros, também pode atrapalhar o descanso de muita gente. Nas grandes cidades, o ruído tende a aumentar, e o problema tem duas origens fundamentais: a má localização de uma série de atividades indispensáveis (aeroportos, fábricas, mercados) e o trânsito. O problema foi estudado por técnicos estrangeiros e brasileiros, e durante os testes verificou-se a existência de níveis de som anormais.
A intensidade dos sons é medida por uma unidade convencionada, o decibel, que indica as diferenças de altura da sensação acústica. O termo foi criado pela American Standard Association e é adotado internacionalmente.
Quando os sons alcançam o limite de 90 decibéis, como o choro de uma criança, causam incômodo, podendo duplicar a quantidade de sangue bombeada pelo coração. O pulso mantém o mesmo ritmo, mas a pele se torna mais avermelhada e há, frequentemente, sensação de calor.
O farfalhar de folhas provoca ruídos de 10 decibéis, uma casa sossegada alcança 30 decibéis, um escritório, não muito barulhento, produz sons de 50 decibéis, o interior de uma fábrica,110 decibéis, e o barulho de um avião a jato, nos aeroportos, 134 decibéis. A potência do som se duplica a cada 10 decibéis. Os males que os ruídos excessivos causam ao organismo têm sido demonstrados mediante inúmeras experiências com animais, concluindo-se que os sons que vão de 125 a 140 decibéis são quase insuportáveis, capazes mesmo de provocar dores cruciantes. Quando o barulho atinge 150 decibéis, a lesão ocasionada no ouvido, interna, é tão grande que pode levar à surdez permanente. Segundo pesquisas efetuadas no Rio e em São Paulo, a margem de som ultrapassava os limites de tolerância. Concluiu-se que o índice médio registrado nas horas de maior movimento no centro da cidade era de 80 decibéis, em média, alcançando, em alguns lugares, 90 decibéis, muito superior ao índice encontrado nas grandes capitais europeias e em algumas cidades norte-americanas. Levando-se em conta que o ouvido humano pode suportar de 65 a 75 decibéis, sem sofrer lesões, as pesquisas indicaram uma cumulação urbana nociva de 20 a 60 vezes superior aos índices que causam lesões no ouvido e com reflexos no sistema nervoso. O ruído, além de contribuir para a fadiga nervosa, dificulta a comunicação, provoca erros no trabalho, etc. Em nossos ambientes de trabalho podemos reduzir o ruído das seguintes maneiras: eliminando as campainhas de chamada, trocando-as por interfones, abafando a campainha do telefone e colocando uma base de feltro de 4 mm de espessura, abafando as batidas da máquina de escrever colocando o feltro de 5 mm sobre a mesa, campanha de silêncio, falando-se o indispensável e em voz baixa, forrando o chão com tapete, colocando luvas de borracha nos pés das cadeiras, fechando janelas que dão para ruas movimentadas.
Essa ilustração técnica visa apenas reforçar o que sempre é recomendado aos Estudantes Rosacruzes, principalmente para os que não podem fugir da turbilhão fatigante das grandes cidades: é indispensável buscarem a comunhão interna, silenciosa, todos os dias.
“Jesus cresceu no Egito, a terra do silêncio.”. Essa alusão é bem clara quanto ao nosso Cristo interno em formação.
A meditação, a prece, a retrospecção, a música pura, a leitura elevada, são meios muito mais poderosos do que se julga para a edificação de nossa natureza espiritual.
Convençamos nossos familiares a fazer silêncio em casa. Se eles desejam ouvir televisão ou escutar música que os ponham em volume baixo, em baixa intensidade de som; de nossa parte, tolerando o gosto dos demais, convém buscar nosso cantinho e preenchermos as horas de lazer com algo mais construtivo.
Com os pequenos lapsos de tempo, bem empregados, é que vamos realizando nosso progresso anímico. Se os deixamos escoar entre as recreações vazias, não podemos nos queixar depois, o resultado será também vazio. Cultivemos o hábito de falar baixo e calmamente.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz da Fraternidade Rosacruz em São Paulo-SP de novembro/1969)