A música é a linguagem dos Mundos celestes, o que a Forma é para o Mundo Físico, a cor é para o Mundo do Desejo e o som é para o plano mais elevado da consciência, no Mundo do Pensamento.
A música tem o poder de chegar mais profundamente ao que realmente somos, um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), que qualquer outra arte e atraindo sua atenção às lembranças dos Mundo espirituais, do qual viemos, desperta uma “nostalgia espiritual”. “Creio que nunca estou alegre quando escuto uma música doce”, disse Jéssica em uma cena pensativa de amor, na qual Lorenzo, seu amante, responde: “A razão é que os espíritos da música são galantes”. Nessas sensíveis linhas, Shakespeare destaca um fato esotérico subjacente, uma experiência mais ou menos comum a todos.
Um toque de tristeza vem a uma pessoa que reflita em nosso estado presente, a luz de insinuações relativas ao mundo real – os Mundos celestes –, de onde ela veio (onde é seu verdadeiro lar), e de onde está exilada temporariamente.
Certos grandes compositores, de vez em quando, têm sido arrebatados a um espírito de exaltação para se comunicar com reinos mais elevados e escutar o que se conhece como música imortal, porque viverá tanto quanto dure a Terra. Muitas das músicas chamadas “músicas de Natal” pertencem a essa mesma categoria!
Várias canções de Natal são transcrições diretas de cantos angélicos. Ainda que transcritos durante o período medieval e do Cristianismo primitivo, sua beleza e inspiração tem durado, e seguramente continuarão assim através dos ciclos que virão.
Vamos ver, por exemplo, o Poder Curador da “Ave Maria” de Schubert: a música angélica pode ser dinamicamente curadora. Isso é verdade no caso da “Ave Maria” de Schubert e se evidencia em uma oportunidade que ocorreu durante a II Guerra Mundial. Um jovem soldado foi ferido no campo de batalha na Sicília; sua condição era crítica. No momento que chegou a um hospital na Inglaterra sua Mente estava totalmente “escurecida”. Suas inibições pareciam insuperáveis, porém, ainda que muito incerto, alguns médicos e psiquiatras estavam de acordo que poderiam recuperá-lo, se conseguissem fazê-lo liberar suas emoções e chorar; mas todos os esforços foram em vão.
Mais tarde em um hospital norte-americano o resultado desejado foi conseguido por meios inesperados. O paciente de mãos dadas com as esposas dos assistentes foi levado a um teatro onde foi submetido a influência de um instrumento que produzia uma combinação de vibrações de tons e cores. Os ajudantes se viram na necessidade de levantar sua cabeça e manter seus olhos abertos, para que visse a apresentação. À medida que o show avançava, seu encanto mágico fez com que a tensão de seus músculos e corpo fosse diminuindo gradualmente. Então uma coisa milagrosa aconteceu!
A versão de belíssimo tom e cor da “Ave Maria” de Schubert inundou a “tela” e o jovem começou a chorar; suas lágrimas rolaram por 20 minutos sem cessar. Depois ele regressou para o quarto onde dormiu calmamente por 9 horas, sem a necessidade de lhe administrar calmantes. Ainda que estivesse quieto, por não poder falar, nem cuidar de si mesmo de nenhum modo desde o acidente, agora estava calmo e racional. Despertou e disse muito naturalmente: “Acabo de despertar”. E ele sabia disso!
A “Ave Maria” de Schubert é uma transição do paradigma da alma musical da “Virgem Bendita”. Vibrar na nota-chave daquele Único e Santo cujo ministério ao ser humano está focado na cura e regeneração.
Aliás, essa composição, em certo sentido, pode se considerar como a nota-chave musical da época de Natal. A música que essa obra enseja produz como resultado um elevado poder espiritual, em que parece como se devolvesse o eco dos ritmos celestiais dos espaços cósmicos.
Durante esse tempo encantado, um tríplice nascimento é produzido:
Primeiro é o nascimento cósmico do Cristo que impregna toda a Natureza com Sua nova vida;
Segundo é o nascimento histórico do Cristo, o Mestre do Mundo, que escolheu essa época para nascer entre nós, com o Corpo Denso e o Corpo Vital do Irmão Maior Jesus de Nazaré;
Terceiro é o nascimento metafísico de Cristo no interior do Discípulo – o Cristo Interno –, no estado de iluminação.
Que as Rosas floresçam em vossa cruz
Mais uma vez, a dança circular mística revelada do Sol vai sendo executada em sua órbita e, novamente, ficamos aguardando com um regozijo antecipado o nascimento de um novo Sol para nos levar ao próximo ano. Não obstante a Grande Guerra[1], o Espírito do Natal está no ar, o Espírito da expectativa, o sentimento de que algo novo está entrando em nossas vidas e que o futuro será mais brilhante do que o passado e isso tudo será para todos. Embora todas as calamidades e sofrimentos contidos na Caixa de Pandora[2] pareçam estar no lado de fora nesse momento, a Esperança, o presente celestial dos Deuses, sorri nos encorajando, enquanto ela aponta para o revestimento prateado da grande nuvem da guerra e, nos diz que, por trás dessa nuvem, o Sol da paz e alegria será mais luminoso do que nunca, e que atualmente iluminará a Terra com um esplendor tal que nunca foi apreciado por nós.
Contudo, existem alguns que são fisicamente cegos e, embora o Sol nunca brilhe tão intensamente, eles não o percebem. Também, existem aqueles que são espiritualmente cegos e, consequentemente, incapazes de ver a grande onda espiritual que desce anualmente sobre a Terra. Devemos ter dentro de nós esse órgão de percepção, pois, como diz Angelus Silesius:
“Embora Cristo nasça mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma seguirá extraviada.
Olharás em vão a cruz do Gólgota,
Enquanto ela, também, não se erguer em teu coração”.
Ano após ano, o Místico iluminado vê esse grande Drama Cósmico, da descida do Espírito na matéria, ocorrendo ante sua visão espiritual. Não é uma visão vaga e indefinida e dependente de certos sentimentos, mas é uma apresentação clara e precisa nos mínimos detalhes. Não é necessário que o Espírito nos Mundos invisíveis assuma uma determinada forma definida, exatamente como fazemos no Mundo Físico, pois, qualquer forma que tenha um certo contorno nítido implica em limitação.
Um Espírito pode permitir que sua forma se misture com às formas de outros Espíritos, podendo permear até os Corpos Densos de outros e ainda reter sua própria Individualidade, porque ele vibra em um certo tom ou nota-chave diferente daquela de todos os outros. Assim, em setembro, o Clarividente Voluntário treinado e iluminado percebe o Espírito Crístico Cósmico como uma poderosa Onda de Luz de supremo esplendor, descendo sobre a Terra que Ele permeia.
Em torno do dia 21 de dezembro, essa luz celestial alcança o centro de nossa esfera terrestre. Então os dias são mais curtos, as noites são mais longas e mais escuras, “mas a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a apreenderam”[3]. Os impulsos vibratórios motrizes fornecidos à Terra, durante os primeiros meses de cada ano, quase se esgotaram; no Natal, a Terra está cristalizada, morta e fria, e se essa nova vida do Espírito de Cristo não fosse derramada na Terra para renovar suas energias por mais um ano, toda a vida em nosso Planeta pereceria.
Sempre houve muita especulação sobre a natureza da “estrela” que brilhou em Belém à meia-noite. A opinião ortodoxa[4] sustenta que a Imaculada Concepção e o Nascimento de Jesus são os únicos na história da Onda de Vida humana; ela supõe que a “Estrela de Cristo” foi vista no firmamento apenas naquela ocasião; mas os Sábios que, pela alquimia do crescimento anímico, estão se esforçando para construir dentro de si a pedra angular que foi rejeitada pelos construtores, mas que é valorizada por todos os filósofos, sabem que a Luz de Cristo não pode ser encontrada fora de nós.
Eles sabem que o axioma hermético que expressa a lei da analogia “como acima é embaixo” também se aplica nesse caso, e que o Cristo formado dentro deles deve procurar a Estrela do Cristo dentro da Terra, pois, novamente citando Angelus Silesius, “seria impossível para um Cristo salvar o Mundo, estando fora da Terra, como é para um Cristo no Gólgota nos salvar”. Até que o Cristo nasça dentro de nós, e até que o Cristo nasça dentro da Terra, Ele não pode realizar Sua missão.
Portanto, na noite mais longa e mais escura de cada ano o Místico se ajoelha em silenciosa adoração, olhando internamente por meio da visão espiritual. Cultivada por ele, em direção ao centro da Terra, onde a maior e mais elevada Luz que já brilhou na terra ou no mar, ilumina o mundo inteiro com resplendor e luminosidade que são avassaladores.
E então, o ser humano sábio traz seus dons e os oferece aos pés do recém-nascido Salvador. Ele pode ser pobre diante dos bens materiais do mundo; pode até não ter um lugar para descansar a cabeça, no entanto, seus dons são mais preciosos do que qualquer quantia extremamente grande de dinheiro que se possa imaginar. Durante sua vida de Aspiração, ele cultivou bens preciosos e o primeiro a ser oferecido no Altar do Sacrifício é o Amor.
“O amor não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconveniente, não busca os seus interesses, (…) não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; (…) se houver profecias, falharão, e se houver ciência desaparecerá, porque agora permanecem a Fé, a Esperança e Amor, mas, a maior das virtudes é o amor”[5]. “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”[6]. E esse grande presente não foi dado para sempre, mas, a cada ano o Filho de Deus renasce, novamente na Terra, para vivificar esse Planeta com Suas vibrações superiores, para que possamos ter vida e vida em abundância.
Assim como o Espírito Humano morre no plano espiritual quando nasce no Mundo Físico, também o Espírito de Cristo morre na Esfera Solar quando, por nossa causa, nasce na Terra na época do Natal. É confinado pelo ambiente de cristalização que criamos. Verdadeiramente, “ninguém tem maior amor do que dar a vida por seus amigos”[7], e Cristo disse: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu mando, (…) e esse é o meu mandamento: amar uns aos outros” [8].
Portanto, o amor do Místico, oferecido sobre o Altar do Sacrifício no grande festival da Noite Santa, não é abstrato, mas se expressa em atos concretos para com todos com quem ele entra em contato durante o ano seguinte. Seu segundo presente para o recém-nascido Salvador é a devoção. O fogo do entusiasmo deve arder no peito de todo Aspirante à vida superior, pois nenhuma observância fria dos ritos religiosos, nenhuma entrega de presentes sem esse sentimento intensamente devocional pode ter qualquer valor na luz espiritual. Foi dito que um dos antigos Reis Israelitas praticou o mal com ambas as mãos avidamente; assim também o Aspirante à vida superior deve praticar o bem com ambas as mãos avidamente: todo o seu coração, toda a sua alma e toda a sua Mente devem ser oferecidos sobre o Altar do Sacrifício, e como se diz: do mesmo modo que o incenso dos sábios, mencionados na Bíblia, encheu o lugar da natividade com perfume, assim também, deve esse fogo de entusiasmo acender nossa devoção, para que o “incenso” possa penetrar em todo o ambiente com a devoção para a causa dos Irmãos Maiores.
Contudo, o amor, a devoção e o entusiasmo oferecidos pelo Místico sobre o altar do recém-nascido Cristo não são separados e afastados de d’Ele mesmo. Ele não pode dar sem incluir o maior e melhor de todos os presentes, o único presente valioso; ou seja, Ele mesmo. Não importa qual seja sua posição na vida, elevada ou baixa, rica ou pobre, essa não é uma preocupação de Cristo. O Espírito falando com ele sempre lhe diz: “Filho, eu não desejo aquilo que é teu, pois isso já é Meu; a Terra e a sua plenitude, o gado nas mil colinas, todos foram feitos por Mim e através de Mim[9], contudo, o que eu desejo é você mesmo, o seu coração. Dá-me o teu coração, Filho, e eu te darei o que é mais do que tudo, a Paz que supera todo o entendimento”[10]. E possa a “Pomba da Paz”, o Amor de Cristo, logo encontrar um novo apoio em nosso mundo desgastado por essa guerra.
(De Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro de 1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial
[2] N.T.: Caixa de Pandora é um artefato da mitologia grega, tirada do mito da criação de Pandora, que foi a primeira mulher criada por Zeus. A “caixa” era na verdade um grande jarro dado a Pandora, que continha todos os males do mundo.
[3] N.T.: Jo 1:5
[4] N.T.: ou exotérica
[5] N.T.: ICor 13:4-13
[6] N.T.: Jo 3:16
[7] N.T.: Jo 15:13
[8] N.T.: Jo 15:14-17
[9] N.T.: Sl 50:10
[10] N.T.: Pb 23:26 e Fp 4:7
É tempo de Natal. Mais uma vez o Espírito de Cristo – um raio do Cristo Cósmico –, amorosamente, esparge sua energia em nosso Planeta, renovando-o espiritualmente. A época é muito propícia ao recolhimento e introspecção.
Perguntemo-nos sobre nossas vidas. Inquiramo-nos sobre o que temos feito das oportunidades colocadas em nossas mãos. Elas estão sendo aproveitadas edificantemente, tais como os talentos da parábola evangélica (a Parábola dos Talentos[1]), multiplicando-se por seu emprego justo e apropriado?
Não neguemos: temos tido oportunidades. A despeito das cruezas e incertezas da era que vivemos, podemos nos considerar privilegiados. Quantas bênçãos e oportunidades de crescimento anímico são postas ao nosso alcance.
Contemplemos essa admirável Filosofia Rosacruz! É uma fonte inesgotável de sabedoria, assentada sobre bases adequadas ao nosso desenvolvimento. O aspecto racional dela projeta luz sobre os mais intrincados problemas da vida, facultando-nos encontrar Deus em todas as coisas e em nós mesmos. Enseja-nos respostas. Delineia-nos um caminho. Disciplina o fluxo das nossas energias.
O aspecto devocional da Filosofia Rosacruz fortalece nossa fé no supremo “bem”. Alenta-nos nos difíceis momentos dos desafios: “O único fracasso é deixar de lutar”. Prepara-nos, inspira-nos, revela-nos nossa vocação espiritual.
Ensina-nos, a Filosofia Rosacruz, a dignidade do bom relacionamento, evidenciando a regra de ouro: “não fazer a outrem o que não queremos que nos façam”[2]. Exorta-nos à pureza, advertindo que “o salário do pecado é a morte”[3].
Estimula o estudo como um meio de conhecermos as Leis da Natureza: “O único pecado é a ignorância, e a única salvação o conhecimento aplicado”. Das entrelinhas de seus ensinamentos faz emergir o Evangelho do Serviço: “O serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) para com os demais é o caminho mais curto, mais seguro e mais agradável que nos conduz a Deus”.
O método de desenvolvimento da Fraternidade Rosacruz, se observado com fidelidade, conduz ao portal do Templo da Iniciação. Basta “viver a vida” e amar a todos os seres da criação.
Mas nem sempre essas preciosíssimas oportunidades estiveram ao alcance de todos.
Nos tempos pré-Cristãos, o Caminho da Iniciação era uma realidade para uma minoria. As portas do Templo eram abertas exclusivamente para uns poucos escolhidos, preparados e guiados pelos Hierofantes dos Mistérios. A natureza de desejos era muito forte e o egoísmo constituía o denominador comum do relacionamento humano. Um número insignificante de pessoas se mostrava em condições de se acercar das realidades espirituais por meio da Iniciação.
Com o advento do Cristianismo, as coisas passaram por substanciais modificações. Quando o sangue fluiu no Gólgota, o “véu do templo rasgou-se de alto a baixo”[4]. E o Cristo se tornou assim o Regente Planetário da Terra, iniciando um trabalho de, periodicamente, infundir energia e purificar o Corpo de Desejos planetário. O fim desse ciclo está condicionado ao nosso próprio adiantamento. Abria-se, assim, o Caminho da Iniciação para todos aqueles que se dispusessem a trilhá-lo, acumulando para tanto o necessário mérito; agora, só o mérito é que conta!
Sensibilizados pelo Amor Universal, sentimos brotar em nosso interior as primícias dessa ação cósmica: a caridade, o sentimento de empatia, o espírito de sacrifício, a fraternidade.
Diariamente somos prodigalizados com inúmeras oportunidades de servir. Que fazemos delas? A menos que as traduzamos em obras, continuaremos a retardar o dia da libertação, o “consumatum est” coletivo.
O Cristo Cósmico aguarda pacientemente o nascimento, em cada um de nós, de sua réplica microcósmica, o Cristo Interno. É um trabalho árduo, exigindo paciente persistência em praticar o bem. As oportunidades estão aí, mas o mundo com suas ardilosas solicitações ainda nos exerce um perigoso fascínio. O nascimento do Cristo em nós, por certo, resultará de um parto doloroso. Um dia, porém, deverá acontecer.
É tempo de Natal. Aproveitemos para meditar sobre isso.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – dezembro/1974-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com a sua capacidade. E partiu. Imediatamente, o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas aquele que recebera um só o tomou e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei’. Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’” Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor, tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei’. Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que eu colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar, eu receberia com juros o que é meu. Tirai-lhe o talento que tem e dai-o àquele que tem dez, porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o fora nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’ (Mt 25:14-30)
[2] N.R.: Mt 7:12
[3] N.R.: Rm 6:23
[4] N.R.: Mt 27:51, Mc 15:38 e Lc 23:45
Resposta: A história do Evangelho, como geralmente é lida pelas pessoas nas igrejas, é apenas a história de Jesus, um personagem único, o Filho de Deus em um sentido especial, que nasceu em Belém, viveu na Terra pelo curto espaço de trinta e três anos, morreu pela Humanidade, depois de muito sofrimento e agora é permanentemente exaltado à direita do Pai. De lá, eles esperam que Ele retorne para julgar os vivos e os mortos, e celebram seu nascimento e sua morte em determinadas épocas do ano, porque se supõe que tenham ocorrido em datas definidas, iguais ao aniversário de, por exemplo, Lincoln[1], Washington[2] ou da Batalha de Gettysburg[3].
Embora essas explicações satisfaçam as multidões, que não são se aprofundam muito em suas investigações sobre a verdade, há outro ponto de vista que é muito evidente para o Místico. Essa é uma história de amor divino e sacrifício perpétuo que o enche de devoção ao Cristo cósmico, Aquele que nasce periodicamente para que possamos viver e ter a oportunidade de evoluir neste ambiente, poie o Místico compreende, a partir dessa perspectiva, que sem esse sacrifício anual recorrente essa Terra e suas atuais condições de progresso seriam impossíveis.
No momento em que o Sol está no Signo celestial de Virgem, a virgem, ocorre a Imaculada Concepção. Uma onda de luz e vida solar do Cristo se concentra na Terra. Gradualmente, essa luz penetra cada vez profundamente na Terra, até que o ponto mais profundo seja alcançado na noite mais longa e escura do ano, que chamamos de Natal. Este é o nascimento Místico de um impulso da Vida Cósmica que impregna e fertiliza a Terra. É a base de toda a vida terrestre. Sem ele nenhuma semente germinaria, nenhuma flor apareceria na face da Terra, nem o ser humano e nem os animais poderiam existir, e a vida logo se extinguiria. Portanto, há de fato uma razão muito, muito válida para o regozijo que é sentido na época do Natal. Como o Autor Divino do nosso ser, nosso Deus-Pai Celestial, deu o maior de todos os presentes ao ser humano, o Filho, assim, os seres humanos também são impelidos a dar presentes uns aos outros. Reinam na Terra a alegria jubilosa, a boa vontade e a paz, ainda que as pessoas não compreendam as razões místicas e anualmente recorrentes para isso.
Assim como “um pouco de fermento fermenta toda a massa”[4], esse impulso de vida espiritual, que impregna a Terra durante o Solstício de Dezembro e percorre os meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março em direção à sua circunferência, dando vida a tudo que entra em contato. Nem mesmo os minerais não poderiam crescer, caso esse impulso de luz fosse retido; e quando chega a Páscoa, a Terra está florescendo, os pássaros começam a cantar e os pequenos animais nas florestas estão se acasalam, tudo está imbuído dessa grande Vida Divina; Ela se esgota, morre e é elevada novamente à direita do nosso Deus-Pai. Assim, o Natal e a Páscoa são momentos decisivos que marcam o fluxo e o refluxo da Vida Divina, anualmente oferecidos por nossa causa, sem os quais seria impossível viver na Terra. Essa última também encerra a repetição anual do sentimento festivo que experimentamos do Natal à Páscoa, a alegria que vibra em nosso ser. Se somos minimamente sensíveis, não podemos deixar de sentir o Natal e a Páscoa no ar, pois estão carregados de amor divino, vida divina e de regozijo divino.
Mas, de onde vem a nota de sofrimento, angústia e tristeza profundas que antecede a Ressurreição da Páscoa? Por que não nos regozijamos com uma alegria pura no momento em que o Filho é libertado e retorna ao Pai? Por que a Paixão e a Coroa de Espinhos? Por que isso não pode ser deixado de lado? Estão aí perguntas cujas respostas nosso interlocutor gostaria de conhecer.
Para compreender esse mistério é necessário ver a questão da perspectiva do Cristo e perceber plenamente que essa onda vital anual que se projeta em nosso Planeta não é simplesmente uma força desprovida de consciência. Ela carrega consigo a plena consciência do Cristo Cósmico. É um fato absolutamente verdadeiro que sem Ele nada do que foi feito teria sido feito, como nos ensina S. João, no primeiro capítulo do seu Evangelho[5]. No momento da Imaculada Concepção, em setembro, esse grande impulso vital começa sua descida sobre a nossa Terra e, por ocasião do Solstício de Dezembro, quando o ocorre nascimento místico, o Cristo Cósmico já se concentrou completamente sobre e dentro deste Planeta. Vocês perceberão que deve causar muito desconforto a um Espírito tão grandioso estar confinado dentro da nossa pequena Terra e ter consciência de todo o ódio e de toda discórdia que Lhe enviamos diariamente, durante o ano inteiro.
É um fato inegável que toda expressão de vida é feita por meio do amor e, dessa forma, a morte vem pelo ódio. Se o ódio e a discórdia que geramos em nosso cotidiano, em nossas interações uns com os outros, a falsidade, a infâmia e o egoísmo não fossem remediados, esta Terra seria tragada pela morte.
Você se lembra da descrição da Iniciação fornecida no livro Conceito Rosacruz do Cosmos? Lá está escrito que, no serviço realizado todas as noites à meia-noite, o Templo etérico da Ordem Rosacruz é o foco de todos os pensamentos de ódio e perturbação do mundo ocidental, ao qual serve, que tais pensamentos são ali desintegrados e transmutados e que essa é a base do progresso social no mundo. Também se sabe que os Espíritos que já alcançaram a plena santidade se entristecem e sofrem com muita angústia com as perturbações do mundo, com a discórdia e o ódio, e que emanam de si mesmos, individualmente, pensamentos de amor e bondade. Os esforços associados de Ordens como a dos Rosacruzes são direcionados pelos mesmos canais de ação, quando o mundo ainda está parado, no que se diz respeito às atividades físicas e, portanto, está mais receptivo à influência espiritual, ou seja, à meia-noite. Nesse momento, eles se esforçam para atrair e transmutar essas flechas feitas de pensamentos de ódio e discórdia, sofrendo assim ao receber uma pequena parte delas, enquanto tentam remover alguns espinhos da coroa do Salvador.
Considerando o exposto, você entenderá que o Espírito de Cristo na Terra está, como afirmou S. Paulo, realmente gemendo e sofrendo, esperando o dia da libertação[6]. Assim, Ele reúne todos os dardos de ódio e raiva. Esta é a coroa de espinhos.
Em tudo o que vive, o Corpo Vital irradia raios de luz da força que se esgotou na construção do Corpo Denso. Durante a saúde, esses raios removem o veneno do Corpo Denso e o mantêm limpo. Condições semelhantes prevalecem no Corpo Vital da Terra, que é o veículo de Cristo. As forças venenosas e destrutivas, geradas por nossas paixões, são removidas pelas forças vitais do Cristo, mas cada pensamento ou ato maligno traz a Ele sua própria proporção de dor e, portanto, se torna parte da Coroa de Espinhos – a coroa, já que a cabeça é sempre considerada a sede da consciência. Devemos perceber que cada ato maligno recai sobre o Cristo da maneira descrita e Lhe acrescenta mais um espinho de sofrimento.
Em vista do exposto, podemos compreender com que alívio Ele profere as palavras finais no momento da libertação da cruz terrena: “Consummatum est”. Por que a recorrência anual do sofrimento, você pergunta? Assim como absorvemos continuamente em nossos Corpos o oxigênio que nos proporciona a vida para que ele complete seu ciclo, revitalizando e energizando todo o Corpo Denso, e esse oxigênio, enquanto permanece no Corpo, morre momentaneamente para o mundo exterior, carregando-se de toxinas e resíduos e, finalmente sendo exalado como dióxido de carbono, um gás venenoso, também é necessário que o Salvador entre anualmente no grande corpo que chamamos de Terra e tome sobre Si todo o veneno gerado por nós mesmos, para purificá-la, limpá-la e proporcionar uma nova vida antes de, finalmente, ressuscitar e ascender ao Seu Pai.
(Pergunta nº 85 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Abraham Lincoln (1809- 1865) foi um político norte-americano que serviu como o 16° presidente dos Estados Unidos, posto que ocupou de 4 de março de 1861 até seu assassinato em 15 de abril de 1865. Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a integridade territorial do país, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo nacional.
[2] N.T.: George Washington (1732-1799) foi um líder político, militar, agricultor, empresário do tabaco e estadista norte-americano. Um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos, foi o primeiro presidente daquele país de 1789 a 1797. Anteriormente, liderou as forças patriotas à vitória na Guerra de Independência. Presidiu a Convenção Constitucional de 1787, que elaborou a Constituição e estabeleceu o governo federal. Washington foi denominado o “Pai da Pátria” por conta de sua liderança na formação dos Estados Unidos.
[3] N.T.: A Batalha de Gettysburg, ocorrida nos arredores e dentro da cidade de Gettysburg, Pensilvânia, foi o embate com o maior número das vítimas na Guerra de Secessão e ponto culminante da segunda invasão do norte pelo exército confederado do general Robert E. Lee. No final, o Exército do Potomac, comandado pelo major general George Meade, derrotou os ataques do Exército da Virgínia do Norte, comandado pelo general Lee, suspendendo a invasão confederada no Norte.
[4] N.T.: ICor 5:6 e Gl 5:9
[5] N.T.: Jo 1:3
[6] N.T.: Rm 8:22
SIGNO: Sagitário, o centauro
QUALIDADE: Comum ou consciência dirigida maravilhosa e experimentalmente para o entendimento e integração de novas experiências e conceitos.
ELEMENTO: Fogo, ou uma orientação aspirada e entusiástica da consciência. Entre outras coisas, o elemento Fogo corresponde aos Éteres, ao Corpo Vital e ao Espírito.
NATUREZA ESSENCIAL: Inspiração
ANALOGIA FÍSICA: umidade
ASTRO REGENTE: Júpiter, porque ele é capaz de expressar sua função livremente quando está em Sagitário. Júpiter representa o meio para expressar o regozijo, a gratidão e o otimismo, para experimentar o conhecimento do bem em todas as coisas e para se esforçar para uma fé maior em alguma coisa além de si mesmo.
CASA CORRESPONDENTE: a 9ª Casa e representa o desejo para expandir o horizonte de consciência.
ANATOMIA ESOTÉRICA: representa o Espírito Divino.
ANATOMIA EXOTÉRICA: específica: costelas, coxa, nervos ciáticos, artérias e veias ilíacas, fêmur, sacro e cóccix. Geral: artérias, tecido adiposo e as vísceras.
FISIOLOGIA: Júpiter governa os seguintes processos fisiológicos: pressão do sangue, circulação arterial (note como a qualidade de Júpiter de expansão é refletida na expansão do sangue no coração, no centro do corpo, para todas as outras partes do Corpo Denso); funções das Glândulas Suprarrenais e do fígado, formação de tumor e inchação.
TABERNÁCULO NO DESERTO: Sagitário corresponde a Glória de Shekinah, que brilhava sobre o Propiciatório na parte mais ocidental do Salão Oeste. A Glória de Shekinah foi a mais alta manifestação da presença de Deus no ser humano nos tempos Atlantes. Somente ao Sumo Sacerdote era permitido entrar no Salão Oeste e permanecer nessa Presença, e somente uma vez ao ano. Para nós, isso corresponde ao Espírito Divino, que encontra seu assento na raiz do nariz. Não há nenhum modo de penetrar nesse lugar, nem o maior dos Clarividentes existentes consegue penetrar nesse ponto, nem do ser humano menos evoluído. Somente o próprio Espírito pode penetrar nesse ponto, que é o Sumo Sacerdote do seu próprio Tabernáculo (seu Corpo Denso e seu ser). Sagitário é o Signo do idealismo e da aspiração e representa o constante esforço do Ego para alcançar seu objetivo espiritual, da mesma forma que os Semitas Originais se esforçaram para alcançar os ideais dados a eles por Jeová, através do Sumo Sacerdote. Esse Signo mostra incessantemente a aspiração vibrante do Deus interno para alcançar a perfeição e a total consciência. De fato, esse fogo espiritual interno é inextinguível, e independente se você ignora-o, nega-o ou extingui-o; mais cedo ou mais tarde ele se manifesta e o dirige para aquela realização. Quanto mais você resiste em trabalhar com ele, maior dor você experimentará.
CRISTIANIDADE CÓSMICA: À medida que o Sol transita por Sagitário, o Cristo Cósmico trabalha para nos despertar para a nossa natureza espiritual superior. Este é o tempo do “Espírito Natalino”, quando, mais do que em qualquer outra época do ano, as pessoas se esforçam para serem amigáveis, hospitaleiras, caridosas e prestativas com os outros. Elas se tornam menos egoístas e mais interessadas no bem-estar alheio. De acordo com a consagração e dedicação à vida superior que fizemos sob a influência do Sol em Escorpião (literal ou figurativamente), nos encontraremos agora repletos de inspiração espiritual nesta época sagrada do ano, quando o poder espiritual que flui do Pai através da presença de Cristo se aproxima do seu ápice.
MITOLOGIA GREGA: Júpiter era conhecido na mitologia grega como Zeus, o deus dos deuses do Olimpo, simbolizando o mais alto princípio espiritual do ser humano: o Espírito Divino. Zeus depositou seus favores generosamente naqueles que encontraram sua aprovação e, esses eram normalmente aqueles que eram fortes e poderosos nas batalhas e que se esforçaram para proteger os fracos e defender os princípios. Por outro lado, ele poderia, às vezes, ser mais inconsistentes em seu comportamento, voltar-se para os favorecimentos pessoais, ao invés de permanecer imparcial ou induzir suas paixões através de métodos desleais. Sagitariano é meio homem, meio animal. Isso simboliza que o ser humano deve se elevar acima de sua natureza inferior.
LIÇÕES A APRENDER: Para tirar o máximo proveito das características positivas de Sagitário e evitar o desenvolvimento das negativas, seria útil integrar os seguintes atributos: força para suportar a discrepância entre o real e o ideal, combinando paciência com fé; uma abordagem organizada para a realização de ideais que se mantém com algum grau de consistência; discrição de Mente aberta que possa primeiro acolher uma nova ideia ou opinião de um ponto de vista distanciado, sem emitir um juízo de valor imediato sobre ela.
REGENTE: Júpiter é o regente de Sagitário e, portanto, encontra sua maior liberdade de expressão neste Signo. Júpiter é o Planeta da alegria expansiva, do otimismo, da prestatividade e da benevolência. Júpiter, com sua inclinação filosófica, doa generosamente de seus recursos para ajudar a elevar os padrões do que existe ao seu redor. Podemos dizer que a posição de Júpiter no horóscopo mostra como e onde estamos mais inclinados a nos doar pessoalmente para auxiliar outras pessoas em direção a uma maior felicidade e realização espiritual. Júpiter também mostra como e onde nós mesmos podemos ser os beneficiários de tais favores.
EXALTAÇÃO e em QUEDA: não tem
DETRIMENTO: Mercúrio está em detrimento em Sagitário e, portanto, tende a ter sua capacidade de expressar sua natureza inata limitada neste signo. Mercúrio geralmente trabalha com o poder da observação e os dados tangíveis resultantes dela, transformando-os em conceitos e conjecturas que ajudam a pessoa a moldar seu ambiente de acordo com suas necessidades e desejos. Mas, em Sagitário, o lado estritamente observacional de Mercúrio pode ser prejudicado por crenças ou opiniões preconcebidas sobre um assunto, e muitas vezes não conseguimos ver o que desejamos intensamente não ver. Da mesma forma, a formação de conceitos precisos e consistentes pode ser dificultada por fortes preconceitos. No entanto, Mercúrio em Sagitário também pode trazer mais calor à mente, ajudando a expandir seus poderes de observação além das formas e reações externas das coisas, e auxiliando na compreensão do significado mais profundo por trás desses fenômenos externos.
(traduzido da Revista: Rays from the Rose Cross – dezembro/1976 e 1977 pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Setembro de 1912
Se eu tivesse pedido aos Estudantes que me escrevessem qual era, na opinião deles, o ponto mais importante da lição do mês passado, o que você acha que teria sido respondido na maioria dos casos? Acredito que muitos sentiriam que a conexão entre o pão, o vinho e a saúde era a ideia principal; e talvez eu seja responsável por essa visão, porque escrevi essas palavras em negrito[1]. Mas, ainda que seja de suma importância essa conexão entre o pão, o vinho e a saúde, e a apliquemos em nossas vidas com o máximo da nossa capacidade, se o fizermos por uma razão menor do que a dada por Nosso Senhor, isso será essencialmente egoísta, e não promoverá nosso desenvolvimento tanto quanto se o fizéssemos como Ele pediu: “em memória de Mim”[2].
Basta olhar para a questão sob esse prisma, caro amigo ou cara amiga, você entenderá a ideia. Sob o regime de Jeová, o egoísmo cristalizou a Terra em tal extensão que as vibrações espirituais quase cessaram. A evolução estava estagnada, e o sangue estava tão impregnado de egoísmo que a Onda de Vida humana corria o perigo de degenerar. Então, o Cristo Cósmico se manifestou por meio de Jesus para nos salvar. Purificar profundamente livrando o sangue de todo o egoísmo é o Mistério do Gólgota; começou quando o sangue de Jesus fluiu, continuou através das guerras das nações Cristãs sempre que os seres humanos lutavam por um ideal, e durará até que, por contraste, os horrores da guerra tenham impressionado suficientemente a Humanidade com a beleza da Fraternidade.
Cristo entrou na Terra pelo evento do Gólgota. Ele está, novamente, fermentando o Planeta Terra e tornando-a receptiva às vibrações espirituais, mas o Seu sacrifício não foi consumado em um só momento, morrendo para nos salvar, como geralmente se crê. Ele ainda está gemendo e sofrendo, esperando pelo dia da Sua libertação[3], pela “manifestação dos filhos de Deus”; e realmente nós apressamos esse dia toda vez que participarmos do alimento para os nossos Corpos superiores, simbolizados pelos: pão e vinho místicos. Mas seríamos muito mais eficientes em acelerar a nossa própria libertação e em apressar o “dia de Nosso Senhor”, se sempre fizéssemos “em memória de Mim”.
Você se lembra da “Visão de Sir Launfal?”. Não era o tamanho da dádiva o que importava; a moeda de ouro atirada ao mendigo era materialmente mais valiosa do que a côdea de pão que ele deu mais tarde; mas a moeda foi dada com impaciência para se livrar de uma presença repugnante. A côdea de pão foi dada em memória de Cristo e por Sua causa, e nisso está toda a diferença.
E Sir Launfal lhe disse:
“Vejo em ti
a imagem d’Aquele que na cruz morreu.
Tu, também, tens a coroa de espinhos de quem padeceu,
muitos escárnios tens também sofrido
e o desprezo do mundo hás sentido.
As feridas em tua vida não faltaram
nos pés, nas mãos, no corpo, elas te machucaram.
Filho da clemente Maria reconhece quem eu sou
e vê que, através do pobre, é a Ti que eu dou.”
Quanto mais cultivarmos o espírito de tudo fazer pela causa de Cristo e Sua Libertação, melhores e mais frutíferas serão as nossas vidas aqui.
(Cartas aos Estudantes – nº 22 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Lição do mês passado publicada como Capítulo IV do Livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: O SACRAMENTO DA COMUNHÃO – “em memória de Mim” – PARTE II
“… na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim”. Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha. Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação. Eis porque há entre vós tantos débeis e enfermos e muitos morreram.” (ICor 11:23-30).
Nos trechos acima há um significado esotérico profundamente oculto que é particularmente obscuro na tradução inglesa, mas em alemão, latim e grego o Estudante Rosacruz ainda tem um indício do que realmente foi pretendido com essa última admoestação do Salvador a Seus Discípulos. Antes de examinar esse aspecto do assunto, vamos considerar primeiro as palavras: “em memória de Mim”. Estaremos, então, talvez em melhores condições para compreender o que significa o “cálice” e o “pão”.
Suponhamos que uma pessoa procedente de um lugar distante venha ao nosso país e viaje através dele, visitando vários lugares. Por toda parte verá pequenas comunidades se reunindo ao redor da Mesa do Senhor para celebrar esse rito mais sagrado para todos os Cristãos, e se perguntasse a razão de fazerem isso, as pessoas lhe responderiam que elas faziam isso em memória d’Aquele que viveu uma vida mais nobre do que qualquer um que já viveu nesta Terra; d’Aquele que foi a bondade e o amor personificados; d’Aquele que foi o servo de todos sem se preocupar em ganhar ou perder. Se esse estranho comparasse a atitude dessas comunidades religiosas aos domingos na celebração desse rito com as vidas deles durante o restante da semana, o que veria?
Cada um de nós sai para o mundo para batalhar pela existência. Sob a lei da necessidade, esquecemos o amor que deveria ser o fator principal nas vidas Cristãs. A mão de uma pessoa está sempre contra seu irmão ou sua irmã. Todos lutam por posição, riqueza e pelo poder que advém com esses atributos. Esquecemos na segunda-feira o que, reverentemente, relembramos no domingo e, em consequência, todo o mundo é digno de pena por isso. Fazemos, também, uma distinção entre “o pão e o vinho” que bebemos na chamada “Mesa do Senhor” e o alimento que comemos ou bebemos durante os intervalos entre o comparecimento à Comunhão. Porém, nada é mencionado nas Escrituras que justifique tal distinção, como qualquer um pode verificar mesmo na versão inglesa, que omite as palavras impressas em itálico inseridas pelos tradutores para dar o que pensavam ser o sentido da passagem. Pelo contrário, é-nos dito que tudo o que comermos, bebermos ou qualquer coisa que fizermos, deveria ser feito para a glória de Deus. Todos os nossos atos deveriam ser uma oração. A “ação de graças” superficial que fazemos às refeições é, na realidade, uma blasfêmia e o pensamento silencioso de gratidão Àquele que nos dá o pão de cada dia está longe de ser o suficiente. Quando lembramos, à cada refeição, que o alimento retirado da substância da Terra é o corpo do Espírito de Cristo que ali habita, que aquele corpo está sendo repartido para nós diariamente, podemos compreender apropriadamente a bondade amorosa que O impele a Se dar por nós; por isso vamos, também, relembrar que não há um momento, dia ou noite, que Ele não esteja sofrendo por estar aprisionado a esta Terra. Portanto, quando comemos e percebemos a verdadeira situação, de fato estamos proclamando a morte do Senhor Cristo, cujo Espírito está gemendo e labutando, esperando pelo dia da libertação, quando não haverá necessidade de uma envoltura tão densa como a que necessitamos agora.
Mas há um outro mistério, maior e mais maravilhoso ainda, oculto nessas palavras de Cristo. Richard Wagner, com a rara intuição do gênio do músico, percebeu essa ideia quando, sentado em meditação à beira do Lago de Zurique numa Sexta-Feira Santa, sentiu brotar em sua Mente um pensamento: “Que conexão há entre a morte do Salvador e os milhões de sementes que germinam na terra nessa época do ano?”. Se meditarmos sobre aquela vida que anualmente brota na primavera, vemo-la como algo gigantesco e inspirador; uma intensidade enorme de vida que transforma o globo, de um momento próximo à morte congelante a uma vida rejuvenescida, em um curto espaço de tempo; e a vida que assim se propaga nos brotos de milhões e milhões de plantas é a vida do Espírito da Terra.
Dela vem tanto o trigo como a uva. Esses representam o corpo e o sangue do aprisionado Espírito da Terra, incumbido de sustentar a Humanidade durante a presente fase da evolução dela. Nós repudiamos a argumentação daqueles que alegam que o mundo tem a obrigação de lhes dar uma vida boa, sem que eles se esforcem e onde não tenham nenhuma responsabilidade material da parte deles; no entanto, nós insistimos que há uma responsabilidade espiritual conectada com “o pão e o vinho” servidos na Última Ceia do Senhor: devem ser ingeridos dignamente, caso contrário, causarão problemas de saúde e até mesmo a morte. Superficialmente lido, poderá parecer um conceito forçado, porém, quando meditamos à luz do esoterismo, examinando outras traduções da Bíblia e observando as condições atuais do mundo, veremos que não é assim tão forçado.
Retornemos ao momento na Evolução em que o ser humano vivia sob a guarda dos Anjos, construindo, inconscientemente, o Corpo que agora ele usa. Isso foi na antiga Época Lemúrica. Era necessário um cérebro para evolução do pensamento e uma laringe para expressão verbal desse mesmo pensamento. Portanto, metade da força criadora foi dirigida para cima e usada pelo ser humano para formar esses órgãos. Por isso, a Humanidade se tornou separada em sexos masculino e feminino, e foi forçada a procurar um complemento quando foi necessário criar um outro novo Corpo Denso e um Corpo Vital para servir como um instrumento numa fase mais elevada da evolução.
Enquanto o ato do amor era consumado sob a sábia custódia dos Anjos, a existência do ser humano estava livre de angústias e tristezas profundas, e de dores e da morte. Mas quando, sob a tutela dos Espíritos Lucíferos, ele comeu da árvore do Conhecimento e perpetuou a raça, sem levar em conta as linhas de forças interplanetárias, transgrediu a lei e os Corpos assim formados se cristalizaram excessivamente e se tornaram sujeitos à morte, de uma maneira muito mais perceptível do que haviam estado até então. Por isso, foi forçado a criar Corpos novos mais frequentemente, à medida que seu período de vida aqui se encurtava. Os guardiães celestiais da força criadora expulsaram o ser humano do jardim de amor para o deserto do mundo, e ele se tornou responsável por suas ações sob a lei cósmica que governa o universo. Desde então, por um longo tempo, o ser humano continua essa luta difícil e esgotante para conseguir sua própria salvação, e a Terra, em consequência disso, se cristalizou cada vez mais.
Hierarquias divinas, incluindo o Espírito de Cristo, trabalharam sobre a Terra externamente, assim como o Espírito-Grupo guia os animais sob sua proteção; mas, como diz S. Paulo tão corretamente: “Ninguém pode ser justificado sob a lei, pois sob ela todos pecaram e todos devem morrer” Rm (2:12). Não há no antigo pacto nenhuma esperança além da presente, salvo um presságio de alguém que há de vir e que restaurará o agir de acordo com a Lei Divina, livre de culpa ou pecado. Por isso, S. João proclama que a lei foi dada por Moisés e a graça veio por meio de Cristo (Jo 1:17). Mas, o que é a graça? Ela pode trabalhar contra a lei e revogá-la completamente? Certamente não. As Leis de Deus são imutáveis e firmes, ou o universo se tornaria um caos. A lei de gravidade mantém nossas casas em posição relativa às outras casas e por isso, quando saímos delas sabemos, com certeza, que as encontraremos no mesmo lugar ao retornarmos. Pelo mesmo princípio, todas as outras divisões no universo estão sujeitas a leis imutáveis.
Assim como a lei, separada do amor, originou o pecado, assim também a lei temperada com amor é a graça. Tomemos um exemplo de nossas condições sociais concretas: temos leis que decretam uma certa penalidade para uma ofensa específica e, quando a lei é observada, chamamos isso de justiça. Porém, a longa experiência está começando a nos ensinar que justiça, pura e simples, é como os dentes do dragão Colchian (No mito grego, os dentes do dragão aparecem com destaque nas lendas do príncipe fenício Cadmo e na busca de Jasão pelo Velocino de Ouro. Em cada caso, os dragões estão presentes e cospem fogo. Seus dentes, uma vez plantados, se transformariam em guerreiros totalmente armados. Cadmo, o portador da alfabetização e da civilização, matou o dragão sagrado que guardava a fonte de Ares. A deusa Atena disse-lhe para semear os dentes, de onde surgiu um grupo de guerreiros ferozes chamados spartoi – um povo mítico que surgiu dos dentes do dragão semeados por Cadmo e foram considerados os ancestrais da nobreza tebana. Ele jogou uma joia preciosa no meio dos guerreiros, que se viraram na tentativa de se apoderar da pedra. Os cinco sobreviventes juntaram-se a Cadmo para fundar a cidade de Tebas. Da mesma forma, Jason foi desafiado pelo Rei Aeëtes da Cólquida a semear dentes de dragão – daí dragão de Colchian – em Atenas para obter o Velocino de Ouro. Medea, filha de Aeëtes, aconselhou Jason a jogar uma pedra entre os guerreiros que surgiram da terra. Os guerreiros começaram a lutar e matar uns aos outros, não deixando nenhum sobrevivente além de Jason. As lendas clássicas de Cadmo e Jasão deram origem à frase “semear dentes de dragão”. Isso é usado como uma metáfora para se referir a fazer algo que tem o efeito de fomentar disputas.) que gera disputas e lutas cada vez maiores. O chamado criminoso permanece criminoso e se torna cada vez mais embrutecido pelas penalidades da lei; mas, quando um regime menos rigoroso, nos tempos atuais, permite que a sentença imputada àquele que transgrediu a lei seja suspensa, então ele estará sob a graça e não sob a lei. Também, o Cristão que procura seguir os passos do Mestre é emancipado da lei do pecado pela graça, desde que abandone o caminho do pecado.
Esse foi o pecado dos nossos progenitores na antiga Época Lemúrica que eles espalharam suas sementes independentemente da Lei e sem o amor. Mas é o privilégio do Cristão se redimir pela pureza da sua vida, em memória do Senhor. S. João diz: “Sua semente permanece nele” (IJo 3:9) e esse é o significado oculto do “pão e vinho”. Na versão inglesa lemos simplesmente: “Esse é a taça do Novo Testamento”, mas no alemão, a palavra que designa cálice é “Kelch” e em latim é “Calix” (Na língua portuguesa temos a tradução como cálice), ambas significando a parte externa que envolve a semente da flor. Em grego temos um significado mais sutil ainda, não expresso em outras línguas, na palavra “poterion”, um significado que se torna evidente quando consideramos a etimologia da palavra “pot”. Isso nos fornece, imediatamente, a mesma ideia de cálice ou “calix” – um receptáculo; e verbo latino “potare” (beber) também mostra que a “taça” é um receptáculo capaz de reter um líquido. As palavras inglesas “potente” e “impotente”, designando possuir ou ter falta da força viril, mostra o significado dessa palavra grega que indica a evolução do “homem para um super-homem”.
Já vivemos existências semelhantes ao mineral, à planta e ao animal, respectivamente, antes de nos tornarmos humanos como o somos hoje e, diante de nós existem ainda outras evoluções até nos aproximarmos cada vez mais do Divino. Prontamente aceitamos como verdade e válido que são nossas paixões animais que nos retêm no caminho da realização; a natureza inferior está constantemente em luta com o “eu superior”. Isso acontece, pelo menos, com os que já experimentaram um despertar espiritual; uma guerra está sendo travada silenciosamente no interior e pior seria se isso fosse reprimido. Goethe (Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) foi um polímata, autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.), com arte magistral, exprimiu esse sentimento nas palavras de Fausto, a alma aspirante, ao se dirigir a seu amigo materialista, Wagner:
“Por um só impulso tu estás possuído,
Inconsciente do outro permaneces, ainda não o tens sentido.
Duas almas, oh! moram dentro do meu peito,
E aí lutam por um indivisível reino;
Uma aspira pela terra, com vontade apaixonada
Às íntimas entranhas ainda está ligada.
Acima das névoas, a outro aspira, de certeza,
Com ardor sagrado por esferas onde reine a pureza”.
Foi o conhecimento dessa necessidade absoluta de castidade (exceto quando o objetivo é a procriação) por parte daqueles que já haviam tido um despertar espiritual, que inspirou as palavras de Cristo e o Apóstolo S. Paulo exprimiu uma verdade esotérica quando disse que aqueles que tomam a comunhão sem viver a vida, estão em perigo de doença e morte. Assim como, sob uma tutela espiritual, a pureza de vida pode elevar o Discípulo de uma maneira maravilhosa, assim também a falta de castidade produz um efeito muito maior sobre os Corpos mais sensibilizados do que sobre aqueles que estão ainda sob a lei e não se tornaram participantes da graça, pelo cálice da Nova Aliança.
[2] N.T.: Lc 22:19
[3] N.T.: Rm 8:19-23
Com o recente descobrimento de antigos documentos palestinos, que hoje conhecemos com o nome de Pergaminhos do Mar Morto, importantes fatos relacionados com o advento do Cristianismo surgiram, chamando a atenção não somente dos eruditos e estudantes bíblicos como de todo o povo e de toda a pessoa que lê e pensa, sem preconceitos, livremente. O interesse geral que hoje notamos sobre o conteúdo de tais pergaminhos mostra que esse descobrimento tem especial significação.
Os pergaminhos são restos de uma biblioteca pertencente aos Essênios, comunidade religiosa de antes e ao tempo de Cristo, espalhada por diversos pontos do mundo daquela época e que fundou uma colônia nas colinas da Judeia perto do Mar Morto, numa data não especificada do segundo século antes de Cristo. Nesse lugar, chamado Qumran, um pastor beduíno, procurando uma cabra perdida, entrou numa gruta e encontrou uns jarros de cerâmica que encerravam o maior achado documental de toda história. Isto aconteceu em 1947. Desde então, despertados para o assunto, representantes católicos e protestantes bem como estudiosos cientistas empreenderam no local e nas proximidades contínuas explorações, encontrando tesouros após tesouros nesse campo, ascendendo hoje a centenas de manuscritos. A maioria deles são simples fragmentos, porém, de grande importância, posto que compreendem partes de quase todos os livros do Antigo Testamento, bem como dos livros apócrifos, além de Hinos e escritos acerca dos Essênios, essa Ordem Devota, já estudada por Max Heindel quando escreveu o “Conceito Rosacruz do Cosmos” em 1909, e não mencionada no Novo Testamento. Muitos desses manuscritos bíblicos são anteriores em mais de mil anos ao tradicional texto hebraico que constituiu o fundamento de nossa bíblia.
Existem nove grutas perto do antigo centro Essênio; nestas se encontravam os inapreciáveis manuscritos, alguns de pele, outros de papiro e outros ainda de cobre. A primeira gruta encerrava o grande rolo de Isaías, que é quase uma versão fiel do texto atual, contido na bíblia. Os eruditos apontaram ligeiras variantes desse pergaminho, em confronto com o texto atual, das quais, apenas algumas merecem importância maior. Essas divergências mais importantes já foram incorporadas na Versão Standard Revisada (inglesa). Segundo os estudiosos, o maior proveito que se tirou do pergaminho de Isaías foi a eliminação da barreira para o conhecimento do texto hebreu arcaico, conhecimento que até agora não havia sido conquistado. Essa primeira gruta continha também um comentário sobre o livro de Habacuque, que era desconhecido, e o Manual de Disciplina Essênio, como foi chamado. Muito do material encontrado já foi traduzido e publicado em diversas línguas, inclusive em português. A Universidade Hebraica de Jerusalém foi a primeira a proceder a versão dos artigos principais, além do pergaminho segundo de Isaías, um saltério da Ordem e uma relação essênia da Guerra dos Filhos da Luz.
O seguinte descobrimento importante foi o da quarta gruta, onde acharam mais de trezentos manuscritos. A diferença era a de conservação: os documentos da primeira gruta estavam encerrados em jarras fechadas e seladas, portanto, conservados, ao passo que o da quarta estavam sem nenhuma proteção contra os elementos e, assim, em condições fragmentárias. Deduzimos daí que foram deixados às pressas por ocasião da invasão romana levada a efeito no ano 67 D.C. em que destruíram Qumran. As explorações continuam. Cada ano traz algo de novo aos descobrimentos. A tarefa de decifrar, traduzir, cotejar e interpretar o material é uma obra que absorverá a atenção dos eruditos por muitos anos mais.
A primeira apresentação geral do assunto foi feita por Edmund Wilson, num extenso artigo publicado no THE NEW YORKER, número de maio de 1955. Desde então foram publicados centenas de artigos em jornais e revistas religiosos, populares e científicos. Já em 1952 havia sido publicado um livro de cem páginas, sob o título “Os pergaminhos do Mar Morto” por A. Dupont-Sommer, professor de línguas semíticas da Universidade Sourbonne de Paris. Era um estudo preliminar. A Universidade de Oxford está preparando uma série de volumes sobre o assunto.
Para os esoteristas, principalmente os Cristão-esotéricos, que são os Estudantes Rosacruzes, a literatura dos Essênios é de enorme interesse por mais de uma razão. Os Essênios foram os esoteristas de seu tempo e se achavam entre os principais depositários dos Ensinamentos dos Mistérios da Antiguidade. Possuíam literatura a que tinham acesso apenas “os discretos”. Eram o degrau entre a Antiga e a Nova Dispensação, constituídos pelo Alto para serem os precursores de Cristo e os iluminados heraldos de um novo evangelho. É um descobrimento estremecedor que projeta sobre essa santa Ordem uma luz mais clara do que a que a iluminava nos dias da comunidade cristã primitiva.
Os Essênios, os Fariseus e os Saduceus foram as três principais seitas que existiam dentro do Judaísmo, ao tempo de Cristo. Os Essênios foram “os religionários da nova fé”. Constituíam uma sociedade estreitamente esotérica. A ela pertenceram S. João Batista, seus pais Zacharias e Izabel, Jesus, Maria e José, Ananias que em Damasco iniciou S. Paulo etc.
Os Saduceus eram a classe sacerdotal que havia perdido a luz interior com sua absorção nos interesses materiais. Não acreditavam em Anjos nem na imortalidade da alma. Por isso são considerados os materialistas religiosos de sua época.
Os Fariseus eram constituídos pelos escribas e os Doutores e intérpretes da lei. Consideravam tão rigorosamente a letra, o texto, que perdiam de vista o espírito dela. Em outras palavras, eram os tradicionalistas.
Desse modo, nem os Saduceus, nem os Fariseus estavam capacitados a ler corretamente os sinais dos tempos. Ambos conheciam a lei e os profetas, ensinavam a vinda de um redentor ao mundo. Não obstante, eram incapazes de perceber a preparação efetiva dos Essênios para recebê-Lo. Carecendo de percepção espiritual, não apenas não reconheceram o Messias como se tornaram Seus inimigos. Que trágica incoerência! Os líderes oficiais de Israel (cujo destino nacional e racial era preparar um veículo físico para a pessoa de Jesus de Nazaré na Divina Encarnação e estabelecer um ambiente adequado e uma atmosfera social propícia à Sua manifestação e ministério) não conheceram sua missão!
Mas o plano de salvação não podia ser frustrado pelo fracasso desses seres, embora devessem eles estar à frente do cumprimento dessa preparação. Mas, para contrabalançar, atrás dessa cena pública encontravam-se em recolhimento os Essênios, aquelas almas que não haviam perdido a iluminação interna e se conservavam fiéis à Sabedoria dos Mistérios. Eles se haviam consagrado, como discípulos espirituais, a preparar os passos do Senhor. Com esse fim, visando a evitar a contaminação do mundo, reuniram-se em cidades pequenas e, das grandes cidades afastavam-se para o deserto, constituindo comunidades fechadas, inteiramente dedicadas ao cultivo da vida espiritual. Não era um retiro egoísta com finalidade de fugir das responsabilidades que deviam ter perante a comunidade nacional. Ao contrário; era genuína e profundamente altruísta, pois tinham perfeita visão das condições e sofrimentos do mundo e se incumbiam do nobre duro mister de criar as condições etéricas necessárias para a vinda do Messias que devia ser o Salvador do mundo. Foi um movimento sacrificial que implicava a observância de severas disciplinas e preces; uma forma ascética de vida e um ostracismo virtual do mundo convencional que os cercava. Eles eram diferentes, demasiado diferentes para livremente misturar-se com a multidão e seguir suas normas de vida.
Os Essênios chamavam a si mesmos de Novo Israel e se consideram o povo do Novo Testamento. Chegara o tempo em que a Antiga Dispensação (a segunda das duas Jeovísticas) deveria ceder lugar à Nova Dispensação (a primeira das duas Cristãs). Os Essênios estavam preparados para essa transição e prepará-la foi sua missão.
Nesse tempo, o Judaísmo oficial, como dissemos, estava nas mãos dos tradicionalistas e de sacerdotes egoístas. Os saduceus (termo que significa os filhos de Sadoc) eram a Casta Sacerdotal. Sadoc foi o passado da classe sacerdotal judaica e o primeiro a servir no Templo de Salomão. Mas os Saduceus já não eram fiéis a este prestígio e à confiança que neles depositavam, pois os interesses egoístas competiam com o serviço sacerdotal. Permitiam que os traficantes negociassem em santos lugares, sacrilégios que mais tarde moveu Cristo a expulsar do Templo os cambistas de moedas. Mas a vocação sacerdotal não devia ser abandonada. Devia, isso sim, ser restaurada em seu legítimo lugar de honra e dignamente conservada para presidir no altar do Senhor. Os requisitos para tal serviço deveriam advir, não da herança física, mas da aptidão espiritual que os Essênios buscavam cumprir. Daí os Essênios reclamarem para si o nome de Filhos de Sadoc, não em virtude de sua ascendência, senão em decorrência de sua linhagem espiritual.
Em conexão com este fato, Flávio Josefo, o famoso historiador judeu do primeiro século de nossa era, afirmou que na comunidade dos Essênios a vida estava baseada, não nos laços de sangue, mas no zelo da virtude e no amor à humanidade. Isto os situa definidamente na Nova Dispensação. Foram cristãos, antes da vinda de Cristo.
O laço de sangue era a base da comunidade judaica na Antiga Dispensação. As unidades sociais eram determinadas pelas relações físicas. Com exceção dos Essênios, os hebreus anteriores à vinda de Cristo, e ainda os judeus de hoje, estavam ligados em virtude de sua descendência comum do Pai Abraão. Cristo veio para romper esse laço de sangue e substitui-lo pela união espiritual. A isto se referia Cristo quando disse aos judeus que se orgulhavam de ser os eleitos, por serem filhos de Abraão: “Antes de Abraão fosse, eu era” (Jo 8:58). Com essa afirmação estava atribuindo a seus ouvintes uma herança maior, a herança de Deus, o Pai. Essa herança, comum a todos nós, nos torna todos irmãos. Os Essênios não haviam aceitado este fato de modo puramente intelectual: eles o viviam. Suas ações não eram motivadas pelos impulsos hereditários que emanavam do sangue, senão que brotavam do centro espiritual de seu Ser. Eles haviam alcançado a união com o Cristo interno e por ele, a ligação com o Cristo Cósmico, antes mesmo de Sua primeira vinda aqui, pondo sua vida em consonância com a d’Ele. Haviam, assim, transcendido o pensamento racial separatista e chegado a ser verdadeiramente universalistas.
O destino de todos nós é alcançar, algum dia, a libertação dos restritivos laços raciais e alcançar a viva realização da unidade do gênero humano, como conseguiram entre si os Essênios. A essência da missão de Cristo é precisamente a de nos ajudar a alcançar esse estado. Mas Sua ajuda não foi dada de uma vez por todas, durante os três anos de Seu ministério por Cristo Jesus; Seu ministério continua dos Mundos internos irradiando à nossa esfera humana, impulsos espirituais que fortalecem a nossa vida egóica, despertando em cada um de nós o reconhecimento do Eu superior e nos fazendo compreender nosso imortal destino como Filho de Deus.
Que os Essênios haviam tido contato consciente com o Cristo Cósmico, para cuja iminente encarnação estavam fazendo os mais cuidadosos preparativos, está evidenciado nos pergaminhos que deixaram claro muitos pontos que mantêm inequívoca similitude com os Evangelhos, demonstrando a sua associação com Cristo-Jesus. Por exemplo, o Manual de Disciplina, um dos mais importantes dos recém-descobertos manuscritos essênios, contém uma afirmação quase idêntica à usada por S. João, ao início de seu Evangelho: “E por Seu conhecimento, tudo se fez. E tudo o que é, foi estabelecido por seu propósito e fora d’Ele nada se faz”. A versão de S. João dessa sublime verdade, tão familiar a nós, Estudantes Rosacruzes, reza: “Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele e sem Ele nada do que tem sido feito se fez”. Tão profundas afirmações só podiam ter surgido da consciência de um Iniciado. S. João a possuía, conforme o expressa no Evangelho. Antes de S. João, os Essênios a possuíam, conforme ficou evidenciado em seus escritos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1962-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Se tivermos em mente que devemos distinguir entre o Cristo cósmico e o planetário, temos a chave para todo o problema. Lembrem-se de que, há muito tempo atrás, durante o Período Solar desse atual Esquema de Evolução (que estamos inseridos), o Cristo histórico foi um ser que estava no seu estágio “Humanidade” na terceira Revolução e meia do Globo D daquele Período, funcionando em um Corpo de Desejos, o veículo mais denso daquele tempo remoto, e alcançando o mais alto grau de Iniciação que um Arcanjo pode alcançar nesse Esquema de Evolução, que chamamos aqui de o Grande Iniciado. Por essa razão, e porque Seu sacrifício de mais de dois mil anos atrás O tornou o Regente Planetário da Terra, nos referimos a Ele como o Cristo planetário. Ele desceu em um Corpo Denso e Corpo Vital, cedidos voluntariamente por Jesus de Nazaré, quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, atingiu o em torno de sete graus de Áries, ou seja, em torno no ano 30 d.C.
Mas cerca de doze mil anos antes do Advento de nosso Salvador aqui no nosso Planeta Terra, quando o Sol por Precessão dos Equinócios passou por Libra pela última vez, o primeiro impulso espiritual preparatório para Sua vinda foi dado à Onda de Vida humana, nós, e daquele tempo em diante até Sua primeira vinda aqui, grandes mestres como Rama, Krishna e Buda na Índia, Lao Tsé e Confúcio na China, Zoroastro na Pérsia, Hermes no Egito, Orfeu na Grécia e Moisés entre os israelitas apareceram em intervalos periódicos. As necessidades especiais dos povos entre os quais ensinavam, e a força cósmica do Cristo que emanava do Sol espiritual, do Coração do nosso Universo, da fonte de todas as nossas vibrações Crísticas, era poderosa neles. Mas eles eram produtos exaltados de nossa própria evolução humana, pertencentes ao Período Terrestre – renascimentos do Grande Iniciado do Período Solar, não eram! Este Iniciado apareceu aqui apenas uma vez, há dois mil anos, no Corpo Denso de Jesus, e quando chegar a hora, Ele aparecerá novamente no Corpo Vital construído por Jesus, na primeira vinda do Cristo, que está sendo preservado para esse propósito.
Há uma estreita união mística entre o Cristo planetário e o cósmico, e a cada ano, quando o Grande Iniciado se aprisiona novamente na Terra, do Natal até a Páscoa, a força cósmica do Sol ou Filho é atraída para nós através da mediação de nosso Salvador planetário. Nós, por meio do evento a “Queda do Homem”, trouxemos sobre nós e sobre o Planeta Terra o perigo de sermos isolados do Sol ou Filho vivificante, ou do aspecto cósmico do Cristo (observe como a Terra se tornou estéril e o clima frio após a “Queda do Homem”), e para nos salvar desse destino iminente, o Cristo planetário se tornou o nosso mediador, elevando as nossas vibrações à intensidade e ao tom necessários para responder às vibrações do Sol. Ele veio para todo o Planeta Terra, não apenas para um povo ou uma nação, e fundou a única Religião universal, que no devido tempo abrangerá toda a Humanidade.
Jesus, em cujos Corpos Denso e Vital o Cristo funcionou, pertencia à Ordem dos Essênios, que era temida e desprezada pelas classes dominantes entre os judeus, embora reverenciada pelo povo, e isso explica por que o historiador judeu, Josefo, mal menciona o odiado mestre essênio, Jesus de Nazaré, que foi morto (já que quem tomava esse partido não distinguia Jesus de Cristo-Jesus) apenas porque o povo o amava e as autoridades temiam sua influência. Não seria conveniente que o historiador judeu oficial divulgasse esse fato e, portanto, quanto menos se falasse sobre o perigoso Nazareno, melhor.
Os Evangelhos são relatos históricos, além de serem exposições simbólicas de Iniciação; mas, além dos quatro Evangelhos que temos agora, existiram e ainda existem outros Evangelhos, plenamente conhecidos pelos gnósticos dos primeiros séculos Cristãos e pelos Iniciados de hoje, e que foram suprimidos pela Igreja.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro de 1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Somente quando o conhecimento espiritual se converte em parte integrante da nossa vida é que nos tornamos “senhor” do nosso próprio Templo: o Corpo Denso. Quando a Consciência Crística desabrochar e dirigir esse veículo, poderemos sentir e compreender realmente o verdadeiro espírito do Natal, que passou e que se estende como tal até a Epifania do Senhor. Contudo, há um pré-requisito, uma condição prévia e irrevogável para que esse processo de conscientização Crística ocorra. Trata-se da erradicação do egoísmo — esse terrível flagelo. Devemos cultivar primeiramente o sentimento de amor e da pureza para que possamos trilhar, com segurança, o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
As presentes condições em que vivemos são filhas do egoísmo e perturbam sobremaneira o já frágil equilíbrio daqueles inclinados ao materialismo. Mesmo entre os Estudantes Rosacruzes, apesar de possuirmos conhecimento sobre as verdades profundas da vida, há quem, entre nós, emita pensamentos críticos e destrutivos. Obtivemos conhecimento, mas muitos de nós ainda não permitiram à Luz do Cristo Interno iluminar e dirigir as vidas deles.
Uma mudança efetiva e consciente no nosso íntimo deve abrir novas perspectivas de crescimento. É importante que essa mudança ocorra porque a Consciência Crística nasce do mais puro amor. Nenhuma condição inferior pode ser transmutada mediante o criticismo, essa antítese da Luz. Para a irradiação da Luz de Deus, necessitamos de pensar e trabalhar construtivamente. A Sabedoria Divina se manifesta unicamente se nos convertemos num adequado receptáculo dessa Luz, por meio de uma vida reta.
Cristo afirmou: “Vós sois a Luz do mundo” (Mt 5:14). Cabe a nós aproveitarmos a vibração espiritual mais exuberante nessa época Santa do ano para meditar sobre o privilégio de “ser a luz do mundo”. É um privilégio e responsabilidade daqueles que optaram por entrar pela “porta estreita”.
Possamos dedicar nossos esforços em irradiar essa Luz, deixando-a resplandecer em forma de simpatia e amor, para que o Cristo, assim, encontre morada em nossos corações. Todos nós seremos beneficiados com isso e o dia de “paz e boa vontade entre os homens” (Lc 2:14) se encontrará mais próximo do que nunca. Uma vez isso aconteça, jamais retornaremos às limitadas condições do passado. Terá assim o Cristo Interno estabelecido uma perfeita união com o Cristo Cósmico. Estaremos preparados, então, para nos oferecermos amorosamente a serviço da Fraternidade Universal. Que todos possam participar dessa Grande Obra, inspirados na lição que o Natal oferece a cada ano que passa!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1986-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: A Lei da Analogia é válida em todo lugar. É a chave mestra para todos os mistérios, e você verá que aquilo que se aplica ao nível microcósmico (como no ser humano), se aplica também ao nível macrocósmico (como em Deus) ou ao Poder Divino. Atualmente, a Onda de Vida animal está sendo guiada por Espíritos de fora[1]. Num período posterior, os Espíritos Virginais da Onda de Vida dos animais se tornarão Espíritos internos residentes e aprenderão a guiar os veículos – os Corpos – deles sem ajuda proveniente de qualquer fonte. O mesmo aconteceu com o Planeta Terra, como é afirmado no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz e em vários outros textos da nossa Literatura Rosacruz. Até há pouco mais de 2000 anos, Jeová era responsável e guiava o Planeta Terra de fora, da mesma forma que os animais são guiados pelos Espíritos-Grupo de fora. O Planeta Terra foi mantido em sua órbita graças ao Seu poder e Jeová foi o “Deus Supremo” até aquele momento.
No entanto, após a transformação realizada no Gólgota, o Espírito de Cristo penetrou até o centro do Planeta Terra para que nos ajudar a desenvolver faculdades que estavam fora das atribuições de Jeová. Jeová nos deu as Leis que nos mantinham sob controle, mas Cristo nos deu o amor. O conjunto das Leis de Jeová é uma força restritiva aplicada de fora; o amor de Cristo é uma energia propulsora aplicada de dentro. Assim, o Cristo está agora guiando o Planeta Terra em sua órbita, a partir do interior do Planeta, e assim continuará até que tenhamos aprendido a vibrar com esse atributo, o amor, por meio do qual seremos capazes de aplicar o poder ao nosso próprio Planeta, guiando-o na órbita dele a partir de dentro.
Cristo é o mais elevado Iniciado do Período Solar e, como tal, Ele tem a Sua morada no Sol. Ele é o Sustentador e o Preservador de todo o nosso Sistema Solar. Em certo sentido, é correto dizer que Ele habita nosso Planeta Terra como um Raio, embora isso não transmita uma ideia exata do que ocorre. Talvez compreendamos melhor o assunto mediante uma ilustração. Vamos comparar o grande Espírito Solar a um refinador de metais – ou seja, uma pessoa que se dedica à técnica de refino de metais, que visa obter a maior pureza possível do metal. Ele tem em sua fornalha vários cadinhos e observando todos eles. O calor funde esses metais e lança suas impurezas para o topo de cada cadinho. O refinador, gradualmente, vai desbastando os cadinhos até que o metal esteja totalmente limpo e brilhante, a ponto de se poder ver o rosto refletido neles. Da mesma forma, podemos ver Cristo direcionar Sua atenção de um Planeta a outro e, quando Ele se volta para o nosso Planeta Terra, por exemplo, Sua imagem é refletida justamente nesse Planeta. Contudo, não é uma imagem inanimada. É um ser vivo, sensível e capaz de perceber e sentir tudo, tão cheio de vida e sentimentos que nós mesmos, em nosso atual estado mortal, habitando esses Corpos terrenos, não podemos ter sequer uma pequena ideia dessa faculdade de sentir possuída pelo Espírito Planetário da Terra.
Assim, durante um certo período, Sua energia é transmitida sobre essa imagem como um foco e, embora estando realmente no Sol, o Cristo Cósmico sente tudo o que está acontecendo no Planeta Terra, como se Ele estivesse realmente presente aqui. Essa imagem interior, que deve ser completamente compreendida, não é uma imagem no sentido comum da palavra, mas é uma contraparte, um elemento do Cristo Solar e, por meio dela, Ele conhece, sente e percebe tudo que acontece no Planeta Terra, como se Ele mesmo estivesse verdadeiramente presente. Note que já repeti isso, mas trata-se de um assunto que deve ser repetido inúmeras vezes, pois é algo que deve ser muito bem compreendido. Isto é o que realmente significa onipresença. Assim, enquanto o Cristo é o Espírito residente do Sol, Ele também é o Espírito Planetário da Terra e deve continuar a exercer essa função de auxiliar-nos — sentindo tudo, suportando tudo o que acontece ou acontecerá com Sua presença real, por nossa causa.
Vamos analisar, por um momento, aquilo que chamamos de Planeta Terra — ou seja, a sua origem. A solidificação começou no Período Solar, quando não conseguíamos vibrar na alta taxa exigida para permanecer no centro do Sol. Assim, gradualmente, nos afastamos do centro do Sol e até sermos projetados no espaço[2]. A frequência vibratória foi, gradualmente, baixando até a metade da Época Atlante e, então, o Planeta Terra se cristalizou, por assim dizer, em uma massa pétrea. Assim, nós mesmos fizemos o Planeta Terra como ele é, e se não tivéssemos recebido ajuda, não teríamos conseguido nos livrar das malhas da matéria. Jeová, de fora, procurou nos ajudar por meio das Leis. Conhecer a Lei e segui-la nos teria ajudado, desde que tivéssemos a força necessária para segui-la. Entretanto, nenhum ser humano é justificado pela Lei e por meio dela todo Espírito se torna ainda mais enredado. Portanto, era preciso dar um novo impulso que inscrevesse a Lei dentro dos nossos corações. Há uma grande diferença entre o que fazemos, porque devemos fazer, por medo de um “mestre externo” que fornece uma retribuição justa para cada ofensa, e o impulso interno que nos impele a fazer o que é certo porque é certo.
Reconhecemos o que é certo quando a Lei está inscrita em nossos corações e, então, obedecemos aos seus ditames, inquestionavelmente, ainda que isso possa fazer todo o nosso ser vibrar de dor.
Desse modo, somos coletivamente os Espíritos Planetários da Terra. Algum dia, teremos que guiar o veículo que criamos. Jeová o guiou de fora por meio de Leis. Entretanto, como isso não foi suficiente para nos levar ao ponto de individualização, em que seremos capazes de cuidar de nós mesmos, Cristo veio até nós como Salvador e está nos ajudando até chegar o momento em que teremos desenvolvido, internamente, uma natureza amorosa que seja suficiente para fazer o Planeta Terra flutuar. Logo, não houve quaisquer outros Espíritos Planetário da Terra. O Cristo está aqui apenas temporariamente para nos ajudar e, no tempo devido, será nosso privilégio receber a tarefa de conduzir o nosso Planeta Terra como queremos e devemos. O aumento da força vibratória já tornou o Planeta Terra muito menos densa, bastante mais leve e, com o passar do tempo, ele se tornará novamente etérico, como já foi. Ela deixará de estar morta no pecado. E se tornará viva no amor.
(Pergunta nº 99 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: que chamamos de Espíritos-Grupo.
[2] N.T. Já no Período Terrestre, na Época Hiperbórea.