Categoria Filosofia

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Sua Vontade e a Sua Razão

A Sua Vontade e a Sua Razão

Sempre se diz que a inclinação do ser humano para o mal é mais forte do que para o bem. Indubitavelmente, isso é certo no estado presente da sua evolução, pois nesse momento as atividades e tendências animais, no ser humano, são muito fortes.

Quando o Aspirante à vida superior sincero se propõe à reforma de hábitos, sente agudamente a luta entre o espírito e a carne, embate que lhe ruge no peito com aquela violência que São Paulo descreve ao desafogar seus íntimos sentimentos, dizendo como a carne pelejava contra o espírito em seu coração e fazia o mal que ele não queria fazer, omitindo o bem que desejava realizar.

É uma luta gigantesca, a da construção silenciosa do Templo interno. E só com a ajuda da razão podemos vencê-la, como lemos no Evangelho Segundo São João 8:32: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

No ser humano comum, os princípios espirituais não se desenvolveram suficientemente para lhe dar consciência de si e isso mostra que o “conhecer a verdade” equivale a conhecer a si mesmo. Apesar das tendências animais serem proporcionalmente mais fortes do que as inclinações espirituais, há uma Luz divina e eterna dentro de nós, atraindo-nos poderosamente à Sua busca. Se resistirmos a esse íntimo apelo e preferirmos nos dirigir ao mal, essa atração não deixará, contudo, de existir. Mas também nunca poderemos alcançar a razão perfeita das coisas e de nós mesmos, se não nos dirigirmos a essa Chama interna, o Cristo interior. O ser humano só poderá ser completamente livre quando sua razão vibrar uníssona e harmoniosamente com a Razão divina e interna que, por sua vez, vibra com a Razão universal. Portanto, o ser humano só pode ser livre se obedecer à Lei, não por temor, como os antigos, mas pelo conhecimento elevado de que a Razão de Deus seja amorosa e justa. Até que cheguemos lá, estamos plantando em nossa alma um número infinito de sementes do bem e do mal das quais brotarão plantas belas ou disformes.

O calor necessário para o seu crescimento vem do fogo que se chama vontade. Se a vontade for boa, desenvolverá plantas belas; se for má, plantas disformes. Logo, o passo atual do ser humano é a purificação da vontade, cultivando-a para que se converta em potência espiritual e o único meio para purificar a vontade é a ação. Para consegui-lo, as ações têm que ser boas até que o agir bem torne-se um hábito. E o hábito se estabelecerá quando na vontade não houver mais desejo de agir mal.

Cristo nos está ajudando, com Sua descida anual à Terra até a segunda volta, a formar o corpo espiritual, o Corpo-Alma, que nos possibilitará a transição para o ar. Por isso afirmou que aparelhará lugar. E São Paulo completa: os que vivem em Cristo. Essa realmente é a condição. E, se por um lado temos o livre-arbítrio para desleixar tão importante trabalho evolutivo, pois, na medida que evoluímos, influímos em todo o nosso ambiente, ajudando a apressar o novo advento, por outro também podemos nos aplicar conscientemente a esse trabalho, como fazem os autênticos Aspirantes Rosacruzes, os candidatos à classe adiantada da humanidade a que aludiu o versículo 12 do capítulo 11 de Evangelho Segundo São Mateus: “O Reino dos Céus conquista-se pela violência e os valentes o arrebatam”, embora a tradução fiel seja esta: “Invadiram o Reino dos Céus e os invasores tornaram-se donos d’Ele”. Quanto aos demais, que rejeitarem a ajuda dos Senhores do Destino pelos diversos meios, a esses atrasados ficará a advertência contida no Evangelho Segundo São Mateus 24:37: “Pois assim como nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do ser humano”.

Não há lugar, portanto, para comodismos, procrastinações, irresponsabilidades e indiferença. A cada um será dado segundo o seu mérito individual e não pelos que os “mestres” externos e humanos possam prometer. A direção é clara: de dentro para fora, de baixo para cima, sempre.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1964)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O que é estar entre os Escolhidos? Há injustiça de Deus nisso?

O que é estar entre os Escolhidos? Há injustiça de Deus nisso?

Ninguém vem a mim, a não ser que meu Pai o chame.

(Jo 6:44)

Não há injustiças nem erros da parte de Deus. Os quatro excelsos Seres a quem chamamos os Anjos Arquivistas ou Anjos do Destino se acham, em seu elevado estado evolutivo, acima dos erros e dão a cada um e a todos exatamente o de que necessitam para o seu desenvolvimento. Temos a prerrogativa da liberdade e por ela estamos aprendendo a nos dirigir e nos credenciarmos a serviços mais elevados. São nossos atos os determinadores do destino, em seus aspectos positivo e negativo. Somos nós mesmos que determinamos a amplitude e a natureza de nossa ação na Terra. Tal fato está fora de questão: tudo está no devido lugar e as mudanças para melhor ou pior dependem de novas causas que colocamos em ação.

Se estamos conscientemente na Fraternidade Rosacruz, significa que procuramos um compromisso maior em relação ao processo evolutivo, e isso é um bom sinal. A simples oportunidade que nos oferecem de conhecer a portadora de tão elevada Filosofia Cristã revela mérito e responsabilidade com o próximo.

E agora? – Nos perguntamos.

Chegamos à Fraternidade Rosacruz, recebemos todos os esclarecimentos de que necessitávamos, temos ampla liberdade para assistir as reuniões, palestras, seminários, fazer os cursos, examinar, deduzir para, finalmente, concluir que realmente nos serve. Mais que isso, temos a nossa disposição explicação lógica, simples e objetiva de tudo o que é essencial relacionado com o ser humano e o mundo. Nada nos pede e tudo nos oferece.

Fazemos os cursos, lemos os substanciosos livros de Max Heindel e de toda literatura da Fraternidade Rosacruz, assistimos regularmente as reuniões, participamos dos Rituais de Serviço: do Templo, de Cura, dos Equinócios e Solstícios, de Véspera da Noite Santa.

Sim, e agora? Basta isso para nos elevar de estado anímico?

– Não! – Respondemos. Estamos procurando viver seus princípios e o reconhecemos, de um nível Cristão, o método de desenvolvimento mais avançado até agora exposto ao mundo, capaz de transformar um grande pecador num indivíduo virtuoso, desde que se esforce sincera e persistentemente no método que ela oferece?

Contudo, será mesmo que nós estamos nos esforçando devidamente? Estaremos nós vivendo seus princípios?

Bem, dentro de nossas possibilidades de tempo, podemos justificar, dizendo que a vida está muito dura, que o tempo é escasso; mas estamos fazendo, de fato, o que é possível?

Na verdade, mesmo diante do fiel testemunho de nossa consciência, sabemos que estamos fazendo pouco. O que se observa é maior interesse INTELECTUAL do que a busca pelo despertar de uma VIVÊNCIA. Apesar de triste, tal fato é compreensível.

Cristo dizia que “muitos serão os chamados e poucos os escolhidos” (Mt 22:14). A seleção é justa. Deus não se engana.

É certo que o conhecimento intelectual ajuda e é necessário. A Filosofia Rosacruz se destina, especialmente, a satisfazer a razão dos que não encontram o Cristo pela fé para que, uma vez satisfeita à razão, o coração comece a “falar”. A Mente compreende, se satisfaz, nos entusiasmamos e, então, é que nossa vida começa a mudar para melhor. Quando muda!

Há o perigo de ficarmos apenas na compreensão dos Ensinamentos Rosacruzes e de não construirmos a ponte que ativa o Coração. Além disso, se existe uma boa distância, um abismo entre a compreensão e a prática, há também a responsabilidade maior de quem sabe o que é bom e não o pratica, se tornando, perante sua consciência e Deus, maior transgressor que o ignorante, um criminoso detentor de uma riqueza que deveria fazer circular em benefício dos outros, porque nada lhe pertence.

A Filosofia Rosacruz, assim como as demais bênçãos que nos chegam, por mérito, dos planos invisíveis, são meios de elevação pelo serviço.

Vejamos bem isso. Nossa vida é muito curta aqui e ela representa a sementeira dos frutos que vamos colher e assimilar no estado post-mortem. Além disso, os frutos assimilados determinarão as condições de nossas vidas futuras, até que possamos nos libertar do ciclo de renascimentos e mortes, que, para nós, é uma Lei!

A questão é muito pessoal. Sabemo-lo muito bem. Veja o que cada um está fazendo com tão grande riqueza. Ou não a aprecia devidamente e, nesse caso, sua oportunidade fica transferida; ou, embora reconhecendo-a de grande valia, não tem forças para dominar sua natureza inferior, se deixando ficar nos mesmos hábitos e comodismo, ou se esforça e avança.

Cristo não gostava dos mornos, instruiu para sermos quentes ou frios. Ninguém pode servir a dois senhores: ou a Deus ou a Mamon, o Deus da cobiça. Ruy Barbosa, referindo-se a questões de direito, afirmou: “diante do erro, ou somos a favor ou contra. A neutralidade é criminosa”.

Definamo-nos. O mundo precisa de seres humanos, de Cristãos autênticos. Ninguém pode se enganar. Em nossa vida particular, íntima, em nossa relação com a família, companheiros de trabalho e demais como na Fraternidade Rosacruz temos um dever a cumprir. A tônica da Fraternidade Rosacruz é SERVIÇO, num amplo sentido. Façamos a nossa parte. Ofereçamos nossos préstimos. Há sempre o que oferecer. Particularmente nossos irmãos que lutam na condução do movimento precisam de nosso apoio.

Lembremos a parábola dos talentos: a boa administração dos bens mentais, emocionais e materiais que Deus nos oferece e que nos capacita e eleva à condição de ESCOLHIDOS, com os recursos pessoais maiores e apoio externo superior, para mais elevados serviços da “Vinha do Cristo”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – 06/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Como o Tempo que usamos no Dia a Dia é Determinado

Como o Tempo que usamos no Dia a Dia é Determinado

Geralmente na vida cotidiana consideramos o tempo medido pelo movimento dos ponteiros de um relógio, seja de pulso, seja de parede.

O orgulho com que muitas pessoas se referem à precisão de seu relógio mostra o quanto um conhecimento preciso do tempo é valorizado pelas civilizações desenvolvidas. Quando paramos para pensar quão dependentes nós somos, todos os dias das nossas vidas, de um conhecimento sobre o tempo correto, nós começamos a entender o débito que todo mundo tem para com o astrônomo que forneceu esse conhecimento. Entretanto, apesar do uso que fazermos do relógio para saber as horas e o dia, realmente muito pouco conhecemos de como o tempo é determinado.

Muitos anos atrás o relógio solar era usado para mostrar a hora solar, sendo que a hora do meio-dia era indicada quando a sombra estava na linha norte-sul. Contudo, o tempo mostrado dessa maneira não é exato, pois o Sol não está no centro da órbita da Terra, e o tempo entre os segundos sucessivos em que a sombra se aproxima do norte e do sul é diferente em várias épocas do ano. Consequentemente, os relógios eram feitos para funcionar de tal maneira que a duração de um dia fosse a mesma ao longo do ano e de igual duração a média do dia, conforme mostrado pelo relógio solar. Isso é chamado de tempo médio.

O sol, no entanto, é tão grande que não é fácil observá-lo com precisão, de modo que o astrônomo, frente a alguns propósitos, precisa do tempo mais preciso e exato, para olhar as estrelas.

As estrelas se movem pelo céu, assim como o Sol se move. Observando atentamente, foram determinados os horários exatos em que certas estrelas cruzam uma linha norte e sul no céu. Esse tempo é conhecido como a centésima parte de segundo por cerca de mil estrelas.

Geralmente, um telescópio especial, conhecido como instrumento de trânsito, é usado para determinar o tempo. Está configurado de tal maneira que só pode apontar ao longo de uma linha norte e sul nos céus. Uma dessas mil estrelas é, então, observada nesse telescópio e o instante em que está exatamente no meio do campo de visão é observado e registrado por um dispositivo de registro automático.

Se o relógio que o astrônomo usa mostra a hora em que ele sabe que a estrela cruzou o centro do campo de visão, então está mostrando a hora correta. Caso contrário, rápido ou lento, lhe é mostrado o quando está errado.

Geralmente, um número das chamadas “estrelas do relógio” são observadas para que média seja obtida. Tais observações, normalmente, são feitas uma ou duas vezes por semana. Podemos dizer que, para o astrônomo, essa passagem da estrela selecionada é como um apito do meio-dia que aguardamos para acertar nossos relógios. Se nossos relógios não estiverem de acordo com o apito, nós os acertamos. Da mesma forma, o astrônomo compara seu relógio com as estrelas.

No entanto, o tempo obtido das estrelas dessa maneira não é um tempo médio, que é o que queremos. Porém, é uma questão simples, mudar do tempo das estrelas para o tempo médio.

Tendo feito essa transformação, outro relógio, o relógio de tempo médio, é corrigido para mostrar o tempo médio e executado de acordo com ele. Esse relógio de tempo médio é um circuito telegráfico que transmite as batidas pelo fio no tempo determinado. As batidas são feitas para parar em um determinado momento, por exemplo, às 12 horas. A última batida foi precisamente naquele momento. Dessa forma, um sinal é enviado por todo o país e qualquer pessoa que esteja no escritório de telégrafo pode definir seu relógio.

A realização real das observações e o cálculo do tempo delas são um pouco mais complicados do que a simples declaração feita acima, mas o princípio no qual os métodos se baseiam é o indicado. Uma determinação cuidadosa do erro de relógio em um observatório moderno pode levar de duas a três horas e é correta até quase o centésima de segundo. Essa precisão não é necessária para uso comum, mas o astrônomo tem a oportunidade de usá-la em certas linhas de investigação.

N.T.: Essa maneira de medir o tempo é conhecida como Tempo Médio de Greenwich (Greenwich Mean Time), cuja sigla é GMT. Atualmente, também há um método chamado UTC (Tempo Universal Coordenado) que não se define pelo Sol ou as estrelas, mas é sim uma medida derivada do Tempo Atômico Internacional (TAI) – calculado em 70 laboratórios do mundo por 400 relógios “atômicos” (batizados assim porque o segundo é definido pelo ritmo de oscilação de um átomo de césio). Devido ao fato do tempo de rotação da Terra oscilar em relação ao tempo atômico, o UTC sincroniza-se com o dia e a noite de UT1, ao que se soma ou subtrai segundos de salto (leap seconds), quando necessário. Os segundos de salto são definidos, por acordos internacionais, para o final de julho ou de dezembro como primeira opção e para os finais de março ou setembro como segunda opção. Até hoje somente julho e dezembro foram escolhidos como meses para ocorrer um segundo de salto. A entrada em circulação dos segundos de salto é determinada pelo Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra (IERS), com base nas suas medições da rotação da terra. No uso informal, quando frações de segundo não são importantes, o GMT pode ser considerado equivalente ao UTC. Em contextos mais técnicos é geralmente evitado o uso de “GMT”.

Na prática não há diferença de horário entre Greenwich Mean Time e Universal Time Coordinated.

(Publicado na: Rays From The Rose Cross – jan. /1916 – Traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Ouvimos falar de almas novas. No entanto, todas não tiveram início nessa vida terrena ao mesmo tempo; ou algumas procederam de uma onda de vida anterior?

Pergunta: Ouvimos falar de almas novas. No entanto, todas não tiveram início nessa vida terrena ao mesmo tempo; ou algumas procederam de uma onda de vida anterior?

Resposta: A explicação detalhada para essa pergunta importante é fornecida no Conceito Rosacruz do Cosmos, particularmente no Capítulo IX, onde se lê sobre atrasados e recém-chegados; contudo, podemos dizer brevemente que a onda de vida humana, agora em evolução na Terra, compreenda bilhões de Espíritos Virginais. Sempre há uma quantidade desses renascidos aqui no Mundo Físico e outro tanto evoluindo nos Mundos invisíveis. Em certos períodos do nosso desenvolvimento 50% habitam a Terra revestidos de seus Corpos Densos e terrenos. Relembramos também que, além desses, que pertencem unicamente ao raio terreno, há outras hostes habitando Marte, Mercúrio, Vênus e os demais Planetas. No entanto, o total do vasto grupo de Espíritos Virginais que, agora, está evoluindo no nosso Sistema Solar, iniciou sua evolução no Período de Saturno, em uma existência semelhante à da onda de vida mineral. Entretanto, as diferenças logo se evidenciaram; alguns se revelaram mais adaptáveis e diligentes que outros e é evidente que esses progrediram mais rapidamente no caminho do que os seus irmãos que se tornaram, por isso, os atrasados. À medida que avançamos ao longo do curso evolucionário, o número de pioneiros se reduziu cada vez mais e o grupo dos atrasados aumentou proporcionalmente. Atualmente, encontramos os pioneiros da onda de vida humana evoluindo na Terra, no lado ocidental do Planeta, renascidos em corpos vivendo deste lado, e nos referimos a eles como sendo almas mais velhas, porque têm mais experiência, enquanto os irmãos e irmãs que renascem e vivem no lado oriental do Planeta, podem ser chamadas de almas mais novas, por terem menos experiência e desenvolvimento.

Devemos notar, contudo, que essa é apenas uma regra geral. Há muitas almas jovens que foram atraídas para o ocidente por laços de bondade e serviço ou ódio e desejo de vingança relacionados a vidas passadas. Também encontramos almas velhas no lado oriental e aí nasceram para ajudá-los a se elevarem a um nível superior; portanto, a cor da pele não é uma indicação da idade alma, da mesma forma que a cor da capa de um livro não revela a sua natureza. Assim, devemos compreender que os termos “povos mais ou menos desenvolvidos” e “almas mais velhas ou mais novas” não devem, de forma alguma, ser considerados um reflexo ou uma indicação de superioridade ou inferioridade. Os Senhores de Vênus e os Senhores de Mercúrio, que nos ajudaram em nossa evolução, são também Espíritos pertencentes à nossa onda de vida e eles evoluíram tão incomensuravelmente além da nossa presente condição que podem olhar para nós como um jovem amadurecido observa seus irmãos menores.

(Pergunta nº 34 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. 2)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Experiência Purgatorial do Ego é Contínua desde a gravação do Panorama de Vida na sua morte até o Seu Nascimento?

Pergunta: A experiência purgatorial do Ego é contínua desde o panorama da sua morte até o seu nascimento ou há períodos de intervalo entre o fim de um sofrimento causado por determinada ação e o início de outro?

Resposta: A Natureza, que é Deus em Manifestação, sempre pretende preservar a energia, obtendo os maiores resultados com o mínimo gasto de força e a mínima perda de energia. A Lei de Analogia é aplicada neste caso. Se estudarmos o efeito da mudança no Mundo Físico, aprenderemos sobre a sua consequência no Reino acima do nosso. Uma pessoa que sofre intensamente por um curto período de tempo geralmente sente a dor muito agudamente, enquanto aquela que sofre durante anos sucessivos, embora a dor infligida possa ser igualmente violenta, não parece senti-la na mesma proporção, pois acostumou-se a ela e, de certa forma, o corpo adaptou-se à dor; por isso, o sofrimento não é tão intensamente sentido neste caso quanto no primeiro.

Ocorre o mesmo na experiência purgatorial. Se uma pessoa (homem ou mulher) foi excessivamente dura e cruel durante a sua vida; se permaneceu indiferente quanto aos sentimentos dos outros; se causou profunda dor em variadas ocasiões, verificamos que o seu sofrimento no Purgatório será muito rigoroso, naturalmente intensificado pelo fato de que a experiência purgatorial seja de menor duração do que a vida vivida na Terra; mas a dor é intensificada proporcionalmente. Portanto, torna-se evidente que, se a experiência fosse contínua ou a dor gerada por um ato fosse imediatamente seguida por outra, grande parte do sofrimento perder-se-ia para a alma, pois não seria sentida em toda a sua intensidade. Por esse motivo, às experiências chegam-lhe em ondas, com períodos de descanso, para que o sofrimento seguinte possa ser profundamente sentido.

Alguns podem achar que isso seja cruel e que a dor infligida, ao utilizar-se desse artifício para intensificar o sofrimento, seja desnecessária. Porém não é assim. Esse sofrimento resultará um bem maior, pois a Natureza, ou Deus, nunca busca desforra ou vingança, mas apenas almeja ensinar ao culpado a não mais reincidir no erro. Por isso, ele deve expiar todas as faltas cometidas. Isso irá ensiná-lo a respeitar, em vidas futuras, os sentimentos alheios e a ser misericordioso com todos. Portanto, é necessário que a dor seja altamente sentida para a conservação da energia e para que a pessoa possa purificar-se e tornar-se melhor, o que não aconteceria, caso a dor fosse contínua e o sofrimento, correspondentemente amenizado.

(Pergunta nº 1 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas Volume 2)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Quando um ser humano paga aqui as suas dívidas, cuida da sua família e vive uma vida honrada não estará em excelentes condições no outro Mundo?

Pergunta: Quando um ser humano paga aqui as suas dívidas, cuida da sua família e vive uma vida honrada não estará em excelentes condições no outro Mundo?

Resposta: Não, exige-se algo mais. Há muitas pessoas que julgam ser isso suficiente, no entanto, passam tempos nada invejáveis no Mundo do Desejo após a morte. Naturalmente, devem ser respeitadas, mas somente sob o ponto de vista desta existência. Na verdade, precisamos cultivar algumas tendências altruístas para progredirmos além do nosso presente estágio evolucionário.

Encontramos pessoas que negligenciaram seus mais altos deveres na quarta região do Mundo do Desejo (onde está a Região Limítrofe) após a morte. Há o ser humano de negócios que pagou o valor justo pelo que recebeu, que foi honesto com todos, que trabalhou para o progresso material da sua cidade e país como um bom cidadão, recompensou seus empregados com ótimos salários, tratou sua esposa ou seu marido e família com respeito, deu-lhes tudo que há de melhor, etc. Ele pode até, por causa deles, ter erigido uma igreja, ou até ter feito doações generosas para isso, ou ainda ter construído bibliotecas ou fundado instituições. Contudo, ele não se deu. Ele só se interessou pela igreja por amor à família ou à respeitabilidade, ele não colocou seu coração nisso, pois o seu coração estava todo nos negócios, em ganhar dinheiro ou alcançar uma posição de destaque no mundo.

Ao entrar no Mundo do Desejo, após a morte, ele é considerado bom demais para passar pelo Purgatório, mas não o bastante para entrar no Céu. Ele tratou a todos com justiça e não prejudicou ninguém. Portanto, nada tem a expiar. Todavia, tampouco fez algo meritório que o habilitasse a uma vida no Primeiro Céu, onde o bem da sua vida passada é assimilado. Sendo assim, permanece na quarta região do Mundo do Desejo, isto é, entre o “Céu e o Inferno”. A quarta região, que é a região central do Mundo do Desejo, é onde o sentimento é mais intenso. O ser humano tem aí ainda um desejo profundo pelo mundo dos negócios, mas não pode mais comprar nem vender, e sua vida se torna terrivelmente monótona.

Tudo o que doou às igrejas, instituições, etc. não é considerado, pois não colocou nisso o seu coração. Somente quando damos por amor é que a dádiva nos trará felicidade no outro Mundo. Não é o valor que damos, mas o espírito que acompanha o ato é que importa; portanto, todos podem dar e se beneficiar, tanto a si como aos outros.

Entretanto, a distribuição indiscriminada de dinheiro leva, frequentemente, as pessoas à indigência e ao esbanjamento. Por esse motivo, devemos manifestar amizade, uma simpatia sincera, ajudar as pessoas a terem fé em si mesmas, colaborar para que se reergam com novo ânimo após uma dura queda, isto é, nos dar por meio de serviços prestados à humanidade. Com estas atitudes estaremos acumulando tesouros no céu, mais preciosos que o ouro. Cristo disse: “Os pobres estão sempre conosco”. Podemos não ser capazes de levá-los da pobreza à riqueza, o que talvez não seja o melhor para eles, mas podemos encorajá-los a entender a lição a ser aprendida na pobreza; devemos levá-los a uma visão melhor da vida e, se o ser humano indicado na pergunta não tiver agido por amor, ele não estará “bem” após a morte; sofrerá aquela terrível monotonia que o ensinará a preencher a sua vida com algo que tenha real valor. Assim, em vidas futuras, a sua consciência o estimulará a fazer coisas melhores do que ganhar dinheiro, conquanto não negligencie seus deveres materiais, pois isso seria tão condenável quanto o fato de rejeitar a realização espiritual.

(Pergunta nº 15 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Fraternidade Rosacruz concorda com a pena capital? Se assim for, expliquem as razões. Quando um ser humano é executado, a Lei da Mortalidade Infantil incidirá sobre ele na próxima vida e ele morrerá na infância como acontece com as vítimas de acidentes?

Resposta: Os Ensinamentos Rosacruzes nunca estão em conflito com a Religião Cristã e sabemos que, de acordo com a doutrina de Cristo, o princípio de vingança, “olho por olho, dente por dente”, está totalmente errado. Além disso, do ponto de vista oculto, há outras razões abalizadas pelas quais a pena capital seja enfaticamente considerada a pior maneira de lidar com um ser humano perigoso. Enquanto tal ser humano estiver preso ao Corpo Denso, será fácil controlá-lo e confiná-lo em um lugar onde não possa prejudicar a sociedade; no entanto, quando o enforcamos ou eletrocutamos, estamos na realidade soltando-o no Mundo do Desejo, onde lhe será possível influenciar os outros muito mais do que aqui.

Tais pessoas, que representam ameaça para a sociedade, não demoram para descobrir suas possibilidades e tirar vantagens delas. Incitam as que possuem um ressentimento contra a comunidade a realizar alguns feitos, encorajando-as a destruir edifícios, cometer assassinatos, estupros ou ainda a satisfazer um ressentimento pessoal contra algum inimigo, tirando-lhe a vida. Assim, o homicídio resultante da pena capital dará origem a muitos outros crimes. Por outro lado, se o assassino fosse encarcerado tendo em vista a segurança da comunidade, seria possível que, durante os anos de sua vida na prisão, chegasse a mudar sua maneira de agir. Muitos arrependem-se dos seus crimes e, quando libertos do corpo pela morte natural, alcançam o Mundo do Desejo e não representam mais ameaça para a sociedade nem têm influência maléfica sobre os outros.

Por todas essas razões, a pena capital realmente atua de forma oposta ao propósito para a qual foi criada. Não age como um meio de impedimento para outros criminosos; ao contrário, fomenta e instiga o crime. Portanto, mesmo excluindo o fato de que a prática da vingança seja totalmente errada, que não tenhamos o direito de tirar uma vida que não possamos dar ou que muitas vezes um ser humano seja julgado e executado por um crime que não cometeu, enquanto o verdadeiro assassino anda à solta, mesmo assim a pena capital deveria ser abolida para que houvesse diminuição de crimes.

Quanto à sua pergunta sobre um assassino executado ter de morrer durante a infância na vida seguinte, podemos responder que sim. De acordo com a Lei da Mortalidade Infantil, quem morrer sob dramáticas circunstâncias, não podendo rever o panorama da sua vida logo após a morte, não recolherá os frutos da sua vida passada. Quando uma pessoa é executada, o choque, o ódio e o ressentimento experimentados — os horrores do procedimento todo — privam-na da paz e tranquilidade necessárias ao trabalho post-mortem, de forma que ela não obterá um registro da vida que findou. Portanto, essa perda terá que ser suprida por um trabalho educacional realizado depois que ela tiver morrido como criança na vida seguinte, exatamente como foi esclarecido em outros trabalhos da nossa literatura, onde a Lei da Mortalidade Infantil é amplamente explicada.

(Pergunta nº 33 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. 2)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Educando a criança e o adulto para o futuro já na órbita de influência da Nova Era

Os pais e educadores conscienciosos de hoje, bem como todos os interessados no bem-estar da humanidade, estão dedicando considerável atenção à questão educacional, tanto das crianças quanto dos adultos.

Os métodos e programas das escolas elementares e secundárias estão passando por uma análise crítica e por nova apreciação à luz das inúmeras mudanças em nosso modo de vida, resultantes das descobertas e invenções científicas, assim como das influências espirituais que estão, à revelia de muitos, afetando o conhecimento humano.

A intensificação de uma percepção mundial revelou com grande insistência o fato de que milhões de seres humanos estejam com extrema necessidade não somente de alimento para sua substância física, mas também de ideias para nutrir suas personalidades espirituais e livrá-las da ignorância, da pobreza, da doença e escravidão a mercê das quais têm estado há tanto tempo. Consciente ou inconscientemente, muitas pessoas percebem que as ideias extremamente nacionalistas ou separatistas não favorecem a formação de bons cidadãos da Nova Era, a Era de Aquário, que ora surge; sinal disso é a maneira com que se acentua hoje a necessidade das “relações humanas” nas escolas públicas e nos cursos profissionais. A educação planejada para pessoas de todas as idades, abrangendo o lar, a fábrica e a escola é considerada o meio lógico de ajudar a humanidade, em todas as partes, a construir uma vida melhor e um nível de conhecimento mais elevado.

Até aqui tudo isso está muito bom. Porém, se todos os educadores estivessem cientes do fato de que agora estejamos atravessando um período de transição, seus planos educativos seriam elaborados com mais segurança, de modo a satisfazer as necessidades da nova raça de seres humanos. Quer muita gente saiba, quer não, o fato é que estamos preparando as condições das quais emergirá uma parte mais evoluída da humanidade. Agora, estamos nos libertando da matéria e, futuramente, o lado real ou mais elevado do ser humano, em vez do lado físico, deverá ter a preferência.

Os sistemas escolares do passado e do presente, nos diversos países do mundo, embora diferindo em muitos aspectos, têm sido destinados principalmente a desenvolver a natureza infantil em relação às coisas. A criança, desde os tempos primordiais, tem se tornado cônscia do seu ser físico e do Mundo material em que vive esse ser físico. O programa escolar é elaborado principalmente para prepará-la a funcionar bem como um ser físico. Sua alimentação, roupa, habitação e prazeres físicos receberam máxima consideração.

Contudo, o fato de que uma Nova Era esteja raiando torna necessário que novos princípios básicos substituam os do passado e do presente. O ser humano, o Tríplice Espírito, possui outros Corpos, que são mais sutis do que o veículo físico, o Corpo Denso. Esses Corpos, o Vital e o de Desejos, estão relacionados diretamente aos mundos suprafísicos, os reinos de força, causa e significado, e ligados ao Espírito pela ponte da Mente. A fim de orientar a educação com sabedoria, o ser humano precisa primeiro compreender a existência dos Mundos invisíveis e se adaptar as suas realidades.

É muito bom aprender a ler, escrever e contar; contudo, o objetivo de tal aprendizagem, bem como dos métodos empregados, deve basear-se na evidência fundamental de o ser humano ser um Tríplice Espírito e a Mente, a ponte entre o Espírito e seus veículos, ser o instrumento por meio do qual se atinge um dos propósitos da evolução: o controle da personalidade, do Ego. Daí a necessidade de se dispensar atenção especial à educação da Mente, embora nunca se deva esquecer que ela seja apenas um instrumento, sendo o Espírito a energia central, a força dentro do ser humano.

A Mente concreta, que é inferior, reflete os desejos inferiores e precisa ser utilizada para transmitir ao Ego as experiências sensórias ou as informações que ela projeta, vindas do Mundo do Desejo. Contudo, o processo de educar a mentalidade humana e desenvolver os sentidos superiores precisa estar relacionado com o mundo das causas e significados, ao invés do mundo dos fenômenos físicos. Existem Leis que regem esse processo e elas abrangem muito mais do que decorar e sistematizar fatos, exigem que se ponham em exercício as três forças fundamentais do Espírito: Vontade, Sabedoria, Atividade.

A Vontade é o princípio mais elevado do Deus trino que está dentro do ser humano; seu desenvolvimento e orientação acertada deveriam ser a maior preocupação de todos os educadores. As crianças deveriam ser ensinadas, desde os primeiros anos, a desejar o bem, o verdadeiro e o belo. A vontade de ajudar e servir os outros deveria ser um dos objetivos específicos. O desenvolvimento da vontade impede que a natureza dos desejos se imponha e desvirtue as atividades.

A Sabedoria, o segundo Aspecto do Deus interno do ser humano, é o princípio unificador mediante o qual todas as pessoas podem compreender sua identidade com todas as outras criaturas e, assim, viver coletivamente, estabelecendo relações humanas harmoniosas, construtivas. É bom sinal o aumento constante do número de pessoas que compreendem o fato de que conviver harmoniosamente com os seus semelhantes, qualquer que seja a sua natureza, sua religião, raça ou cor, seja requisito indispensável para viver feliz hoje — e amanhã.

O terceiro, ou princípio de Atividade, compreende o desenvolvimento da força criadora, inata ao Espírito, e sua transmutação da potencialidade física em potencialidade superior. Os educadores verificaram que as crianças apreciam e aprendem melhor fazendo coisas. Isto aplica-se grandemente aos artigos físicos, é verdade, mas também à música, literatura e todos os outros setores onde são utilizadas as faculdades criadoras. Desejar criar objetos úteis à humanidade é o passo seguinte.

Para promover o desenvolvimento das três forças do Espírito interior certas faculdades podem ser aproveitadas, tanto no ensino tradicional como praticamente em todos os processos educativos e indiretos. Uma faculdade importante é o discernimento. A criança aprende a distinguir entre real e irreal — essencial e não-essencial. Compreender que as realidades existam nos mundos suprafísicos torna possível encarar os eventos do mundo material como secundários e, não raro, de pequeno ou nenhum valor real. Devidamente orientada, a criança aprende a dedicar suas energias para controlar e transmutar a personalidade, ao invés de egoisticamente ganhar dinheiro e adquirir posses materiais.

A observação é outra faculdade de máxima importância. A menos que aprendamos a observar com precisão as cenas ao nosso redor, as imagens em nossa memória consciente não coincidirão com os registros automáticos e subconscientes. Existe uma perturbação do ritmo e da harmonia no Corpo Denso que atua em proporção à falta de precisão de nossas observações diárias.

A devoção também deve ser incluída na educação da criança, devoção à realização de ideais elevados e ao Criador. Como Max Heindel disse: “A devoção aos ideais elevados é um freio aos instintos animais, ela gera e desenvolve a alma (que é alimento para o Espírito)”. Isso é particularmente certo para as pessoas que têm inclinação à vida intelectual, porque aqueles que se excedem no intelectualismo, em relação ao coração, e seguem “o caminho do saber simplesmente para aprender e não para servir podem acabar na magia negra”.

A ordem também deve ser ensinada ao Ego em desenvolvimento, não somente em relação ao seu mundo objetivo, mas também a sua atividade criadora. O universo se baseia em um plano divinamente ordenado. Daí a manifestação de suas maravilhas. O ser humano também possui a habilidade inata de funcionar melhor debaixo de um propósito dirigido e um ritual. O máximo grau de atividade construtiva obedece a um ritmo ordenado. Entretanto, ele não é imposto por terceiros. É uma obediência interior às Leis espirituais que foram estabelecidas e sempre conduz a ritmos espirais mais elevados.

Acima de tudo, a educação para o futuro deve dirigir a atenção e o propósito do ser humano para o autoaperfeiçoamento físico, emotivo, mental e espiritual, afastando-o das glórias nacionalistas do passado e das possíveis conquistas do futuro. Quando colocarmos a personalidade sob o controle do Espírito, que é trino e equilibrado, poderemos observar energias que formam condições melhores para uma humanidade mais altamente desenvolvida.

(Tradução da Revista: Rays From The Rose Cross e publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1966)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Do Merecimento de Cada Um

Do Merecimento de Cada Um

Não raro acontece encontrarmos na vida pessoas que habitualmente atribuem aos outros a causa dos seus malogros, quando não, à sua própria falta de sorte. Em princípio, sabe-se que a sorte não existe, que tudo o que nos acontece é sempre resultado de nosso próprio merecimento. Até aquilo que vulgarmente chamamos de “coisa feita”, “despacho”, “feitiço”, e que tem sido, em muitos casos, apontado como responsável por ocorrências funestas na vida das pessoas a quem se dirige, até aquilo, não deixa de ser fruto de um merecimento. Porque se não houver culpa nenhuma — ou do presente, ou do passado — não existirá força negativa capaz de causar danos a quem quer que seja. Temos de ter sempre em mente que a pureza de sentimentos, de ações, de viver, enfim, fecha todas as brechas, reforçando os pontos fracos que poderiam dar acesso a qualquer maldade exterior.

E, na ordem de pureza, deve ser reconhecida, não só a nossa constância no bem, em todos os instantes do dia, como também uma fé inabalável em nossa autoprojeção que será conquistada através de nossa permanência na luz, procurando evitar tudo o que possa facilitar qualquer incursão de forças negativas em nosso mundo interior. Principalmente no início de nossa jornada, será necessário evitarmos contatos com ambientes em que se pratica o espiritualismo de forma passiva; ambientes que possam favorecer qualquer fragilidade nossa, como por exemplo, sortistas e adivinhos. Aliás, já o fato de sentirmos interesse ou necessidade de tais “apoios”, significa por si mesmo uma fragilidade em nosso campo de força interno.

Isso porque só o semelhante atrai o semelhante. E, se aceitamos certas ideias espiritualistas, e ainda mais se convivemos com elas por anos e anos, fazendo delas nossa forma de vida, não se justifica o fato de não encontrarmos nossas mesmas ideias — que já se devem ter transformado em vivência — não se justifica, repetimos, a necessidade de partilhar de outras ideias, nem que o façamos levados apenas por uma simples curiosidade. E, se alguém, por acaso pensar que há muita rigidez nesse modo de proceder, que uma vez possuindo força própria conquistada no bem realizado, não haverá razão para temermos outros ambientes ou outras ideias contrárias às nossas, será bom que analise as verdadeiras razões que o estarão induzindo a procurar outros canais de força. Tenhamos em mente que liberdade total nesse sentido só será real, deixando de se constituir em prejuízo, quando não houver mais nenhum interesse pessoal, nenhuma atração íntima a esses contatos, mas apenas uma imparcial e sincera necessidade da prática do Serviço que, de outra maneira talvez não fosse possível em tais meios.

Quando isso acontecer, estaremos amparados por nossos próprios recursos internos e, então, nada teremos a temer, nem da vida, nem das criaturas, tanto encarnadas como desencarnadas.

Portanto, se alguém chegar a sofrer alguma vez esse tipo de tentativa destrutiva por parte de um semelhante mais atrasado, não esqueça que o merecimento próprio será a sua melhor proteção, seu melhor apoio. Lembre-se que se tiver sido persistente no certo, essa proteção há de fazer-se notar de uma forma ou de outra, dependendo do seu grau de entendimento e aceitação das coisas. Melhor dizendo, sempre que estivermos no ponto de merecer auxílio das forças superiores, havemos de ter, um vislumbre que seja, ou das orações a serem feitas, ou de algum sacrifício necessário, ou de alguma atitude mental de despreocupação, ou ainda, de outro qualquer recurso positivo que deverá ser empregado no caso.

Uma coisa é bem clara: quem já penetrou um pouco mais na consciência de si mesmo, jamais pensará sequer em lançar mão, para se defender, de um recurso semelhante ao impacto negativo recebido. Seu próprio estado de merecimento não justificará tal reação, na certeza de que esse não seria o recurso acertado para libertar-se do jugo que lhe foi imposto.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de set/1973)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Interesse pelas Filosofias Esotéricas

Interesse pelas Filosofias Esotéricas

Cresce, de forma notável, o interesse pelas filosofias esotéricas entre as diversas camadas socioeconômicas e culturais brasileiras, haja vista o grande número de obras lançadas atualmente, abordando temas espiritualistas.

As bancas de jornais e as livrarias registram uma procura superior à verificada em qualquer época. Naturalmente, nem todas as publicações situam-se num nível elevado. Há também algumas inconsequentes e de fundamento dúbio. Mas, de um modo geral nota-se muita semente digna de germinar sendo lançada.

E, além do mais, contribuem valiosamente para esclarecer as pessoas sobre uma gama variadíssima de questões vigentes até pouco tempo como incógnitas.

Há uma procura, procura muitas vezes desordenada. Contudo, pressupõe ânsia de conhecer. Busca da verdade. Desejo de obter respostas às mais intimas indagações.

Quão grande é a responsabilidade das Escolas Filosóficas em face dessa situação! E perante essa responsabilidade, quão privilegiada é a posição da Fraternidade Rosacruz por divulgar uma filosofia racional, logicamente ordenada, credenciada a satisfazer aos mais extremos anseios da Mente inquiridora, tão característica do ocidental.

O ocidente clama por ensinamentos profundos. Ensinamentos que revelem ao ser humano a sua natureza real. Que tenham o condão de, atingindo sua mente, lhe sensibilizar o coração no amadurecimento de uma natureza equilibrada. Que expliquem a origem dos seres e do mundo, determinando as causas entranhadas em todos os fatos.

A Fraternidade Rosacruz é uma Escola séria. Não visa a aliciar prosélitos. Mas acolhe de braços abertos a tantos quantos aspirem a uma vida superior. Oferece um programa de regeneração. Todavia, não é dogmática.

Respeita ao máximo a liberdade do Estudante. Procura libertá-lo da dependência de fatores externos, tornando-o confiante em si mesmo no mais alto grau. Preconiza o estudo. Estimula a pesquisa. Exorta à devoção. Respeita e compreende as demais escolas e crenças, reconhecendo a importância que assumem em determinados agrupamentos humanos, cujos estágios evolutivos comportam exatamente aquelas linhas doutrinárias. Não tem líderes. Alicerça-se na boa vontade e idealismo de seus membros.

A Fraternidade Rosacruz, nós o sabemos, é um movimento inspirado desde os planos internos. Contudo, para a colimação de seus propósitos no Mundo Físico, necessita do empenho de seus Estudantes. Nascida em meio às lutas e sacrifícios de Max Heindel, ela logrou sobreviver às inúmeras dificuldades, consolidando-se como um movimento “sui generis”. Da mesma forma, o esforço desinteressado de cada Estudante, fortalece a Obra na hora presente.

É um ideal grandioso. O campo para divulgação do rosacrucianismo desponta cada vez mais promissor. E a Fraternidade Rosacruz deve estar preparada para essa fase.

O número de Estudantes já é considerável, mas ainda são poucos os que dedicam uma mínima parcela de seu tempo em benefício da Obra.

Cada departamento requer uma estrutura cada vez mais definida e segura para atender e corresponder às necessidades daqueles que solicitam nossos serviços. A divulgação da filosofia deve estender-se a outras áreas. E os campos atingidos atualmente devem ser ampliados.

Esse trabalho de divulgação, esse verdadeiro apostolado, logrará o esperado êxito se desenvolvido em bases racionais, didáticas e impessoais.

Nesse labor altruísta o espírito de equipe deverá encontrar sua máxima expressão. Quem não se integra ao contexto do trabalho grupal, sobrepondo os interesses coletivos aos sentimentos pessoais de simpatia e antipatia, sacrificando inclusive suas ideias próprias (quando for necessário), encontrar-se-á irremediavelmente deslocado dentro da Obra.

Perscrutemo-nos anteriormente. Analisemos imparcialmente nossa conduta dentro do movimento Rosacruz. O ideal significa muito para nós? Dedicamo-lhe nossos melhores esforços? Damos um colorido impessoal ao nosso trabalho? Fazemo-lo independentemente de cargos e honrarias?

Com a palavra a nossa consciência!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1973)

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