por Max Heindel
De fato, “do Senhor é a terra e a sua plenitude.” (Sl 24,1).
Podemos pensar que “possuímos” um navio, mas em um minuto um maremoto pode engoli-lo, devolvê-lo ao armazém de Deus e nos deixar na miséria. Podemos cavar um buraco no solo e extrair ouro ou outros minerais sob a ilusão de que “possuímos” uma mina; mas de repente as Salamandras acendem os fogos ocultos, uma explosão acontece e nossa riqueza desaparece. Deus tomou o que era Seu.
Podemos derreter o minério de ferro nas montanhas, fazendo com ele pilares e vigas para uma estrutura imponente; podemos usar cimento para construir suas paredes e colocar nossos nomes em seus portais para significar nossa orgulhosa propriedade; mas um terremoto pode desfazer em minutos o trabalho de meses e quando isso acontece os pilares retorcidos são levados para a pilha de sucata para se desintegrar, pois Deus tomou o que era Seu.
Na verdade, não possuímos e não podemos possuir coisa alguma material. “Do Senhor é a terra e a sua plenitude”. Tudo aquilo de que nos apropriamos e acumulamos é, na melhor das hipóteses, um empréstimo. Mas, Deus nem sempre é consultado sobre a Sua disposição de emprestar e a dívida pode ser paga a qualquer momento.
Assim, o ser humano cujo único objetivo é a acumulação é um tolo. Muitos cujo coração e alma estão voltados para a aquisição de riqueza percebem isso subconscientemente e, portanto, tentam se enganar ainda mais com a ideia de que a posse de riqueza não é o seu objetivo final, mas apenas o meio para um fim. Esse objetivo imaginado é sempre altruísta em certa medida porque faz com que eles se sintam bem e justos. É agradável para um menino sonhar com riquezas para confortar seus pais idosos; lisonjeia sua vaidade pensar em si mesmo como seu benfeitor e ele desfruta em antecipação de suas expressões de louvor e gratidão. Ele pode retirar seu apoio atual e justificar sua negligência com o argumento de que deseja ser desimpedido enquanto “faz sua fortuna”. Depois ele vai “compensar”.
Mas aquele que não é “fiel” ou prestativo quando tem “pouco” não se torna generoso quando acumula “muito”, assim como o leopardo não perde suas manchas; portanto, à porta da morte, se não antes, Deus exige TUDO que tal pessoa pegou emprestado, e o interesse também, na dor e no sofrimento, quando as imagens do Purgatório o fazem sentir sua dureza de coração.
É literalmente verdade que “aquele que dá aos pobres empresta ao Senhor”, porque ele acumula um “tesouro no Céu”, já que na existência post-mortem a benevolência que motivou seus atos de bondade e a gratidão daqueles que foram ajudados por ele reagem sobre ele e lhe dão poder de alma adicional.
É um mau negócio ser mesquinho, mas a generosidade discriminada traz sucesso aqui e no futuro.
Também não devemos adiar o cultivo dessa virtude até que tenhamos adquirido abundância. Cristo elogiou “a viúva” porque seu presente, embora pequeno, provavelmente envolvesse um grande sacrifício e a negação de alguma necessidade. Portanto, era realmente maior do que os dons daqueles que viviam na riqueza e não se sentiam mais pobres em bens materiais por causa de sua oferta. Não temos algo contra o ser humano que deseja adquirir riqueza para poder ajudar, mas reiteramos que, embora a riqueza abra nesse caso uma via de expressão de caráter, ela não muda a natureza da pessoa. A pessoa que é mesquinha quando pobre na verdade se torna mais gananciosa quando rica; quem é generoso em circunstâncias pobres torna-se mais generoso quando a fortuna o favorece. E em todos os casos é verdade que “o que se cria no osso aparece na carne”; é tão importante cultivar a virtude da generosidade como qualquer outra, mesmo do ponto de vista egoísta.
Ella Wheeler Wilcox nos diz isso com as seguintes palavras.
Dá do teu ouro, ainda que pequena seja a tua porção
O ouro enfraquece e murcha na mão que o guarda.
Cresce em um que se abre largamente e livre.
Quem semeia a sua colheita é quem a colhe.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross july-august/1999 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Resposta: No que se refere aos Irmãos Maiores, eles possuem um corpo material exatamente como você e eu, e vivem numa casa que pode ser descrita como uma casa que pertence a uma pessoa próspera, mas não exibicionista. Parecem ocupar funções de destaque na comunidade onde vivem, mas essas posições são apenas um pretexto para justificar sua presença e não criar dúvidas quanto ao que eles representam ou quem são ou, ainda, para que não se note nada de extraordinário a seu respeito. Externa, internamente e através desta casa há o que pode ser chamado o Templo. Ele é etérico e é diferente das nossas construções comuns. Pode ser comparado à atmosfera áurica que circunda nossa Pro-Ecclesia em Mount Ecclesia, que é etérica e muito maior que a construção física.
A descrição oral de Manson[1] a respeito da igreja espiritual construída por ele, fornece uma ideia do que são tais estruturas. Elas envolvem totalmente os edifícios e as igrejas onde se reúnem pessoas de grande espiritualidade e, naturalmente, diferem em cores. Esse Templo Rosacruz é superlativo e não pode ser comparado a nenhum outro e a nenhuma outra coisa; ele envolve e permeia a casa onde vivem os Irmãos Maiores. A casa é tão permeada de espiritualidade que a maioria das pessoas não se sentiria muito confortável lá. E os Irmãos Leigos e as Irmãs Leigas têm um corpo material? Certamente. O autor[2] não é muito etérico e pode servir como uma ilustração da média.
(Pergunta nº 134 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: É um personagem do Livro The Servant in the House (1908), do escritor anglo-americano Charles Rann Kennedy (1871-1950).
[2] N.T.: Lembrando: Max Heindel é um Irmão Leigo, que alcançou a 5ª Iniciação Menor.
Resposta: Sim, o Ego, quando está para renascer, molda o Arquétipo criador da sua forma física no Segundo Céu, com o auxílio das Hierarquias Criadoras. Esse Arquétipo é uma coisa sonora, vibrante, que é posta em vibração pelo Ego com uma certa força proporcional à duração da vida a ser vivida na Terra; e até que esse Arquétipo cesse de vibrar, a forma, que é construída pelos componentes químicos da Terra, continuará a viver.
No entanto, a Lei de Causa e Efeito é o árbitro que determinará como a vida é para ser vivida, e certas oportunidades de crescimento espiritual são apresentadas ao Ego em vários momentos da sua vida terrena. Se essas oportunidades forem aproveitadas, a vida prossegue normalmente, caso contrário será desviada, por assim dizer, para um beco sem saída, em que lhe será dado um fim pelas Hierarquias Criadoras, que destroem o Arquétipo no Mundo Celeste. Por isso, podemos afirmar que a duração de uma vida terrena é determinada antes do nascimento físico, mas poderá ser abreviada se negligenciarmos certas oportunidades. Há, também, a possibilidade, em poucos casos, quando a vida foi plenamente vivida e proveitosa, em que a pessoa se esforçou totalmente para viver de acordo com as oportunidades que lhe foram dadas, de mais vida ser infundida no Arquétipo e, assim, a existência terrena poderá ser prolongada; mas, como foi dito, isso ocorre em casos excepcionais.
(Pergunta nº 47 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I” –Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Uma coisa evidente na doutrina Cristã, quer para o Cristão popular, quer para o Cristão esotérico, é a missão unificadora do Cristo, em que todos somos chamados a servir.
E como é costume, justamente nesse fundamento, singelo e claro, é que tropeçamos todos, até compreender que isso pressupõe a conquista de muitas virtudes Cristãs secundárias.
Não há do que fugir; harmoniosamente, ou pela dor, um dia chegaremos a sentir necessidade de nos entendermos perfeitamente, uns com os outros, recebendo-nos, sinceramente, como irmãos em essência e em verdade, para formar uma só família mundial, um só rebanho, de um só Pastor: Cristo, o Senhor e a Luz do Mundo!
A questão é interna. Cada um de nós tem de se analisar repetidamente. Como age Ele em seu lar? Em seu trabalho? Na Fraternidade Rosacruz?
Encontra dificuldade em viver harmoniosamente com a esposa, com o marido? É temido pelos filhos? Ou é desrespeitado? Ou, contrariamente, sente, da parte da esposa ou do marido, o amor e a atenção próprios de quem realmente quer bem? Os filhos o consideram um amigo ou uma amiga, um irmão ou uma irmã mais velho ou mais velha, a quem prezam e em cuja presença se sentem à vontade?
No trabalho, tem queixa dos colegas? Acha seu chefe horrível? Ou os estima e por eles é estimado e querido?
Na Fraternidade Rosacruz, espera sempre receber, sem dar? Senta-se comodamente na poltrona e nada faz pelo ideal? Ama o Ideal Rosacruz em si, pelo que de belo e profundo apresenta, como solução de sua felicidade, ou por mero diletantismo intelectual?
Acha um palestrante ou escritor bom e outros não, ou procura tirar o que de bom cada palestra, de cada texto, pode oferecer, independentemente da pessoa que a apresenta?
Desilude-se facilmente com qualquer defeito dos que lá trabalham, ou segue o Ideal Rosacruz impessoal e eterno apresentado pelos Irmãos Maiores, para melhor compreensão do verdadeiro Cristianismo?
Cada um é que deve responder a si próprio. Nosso Ideal Rosacruz busca desenvolver em cada um a consciência do seu valor, da sua responsabilidade espiritual, perante a si mesmo e a humanidade, e mostra como pode servir eficiente, amorosa e desinteressadamente.
O certo é que, se criticamos muito os demais, se estamos desgostosos com uma porção de coisas, se vivemos descontentes e amargurados, nervosos, sempre nos chocando com os outros, é sinal seguro de que ainda não compreendemos o sentido real de Fraternidade Rosacruz, de irmanação, de entendimento e de tolerância.
Recebamos cada qual como ele é e tem direito de ser. Façamos simplesmente nossa parte, sem exigir dos outros retribuição nem imitação. Não façamos para receber. Se assim o fizermos, pouco valor teremos.
Podem notar: o que mais critica e exige, é o que menos dá, em regra geral.
Em todos os Núcleos da Fraternidade Rosacruz, como em qualquer movimento social, há sempre uns dedicados, que lhes formam o alicerce, que sustentam o trabalho. E, mesmo esses, muitas vezes se amarguram com as críticas, não raro, injustas, com as deslealdades e outras provas do trabalho em grupo, retirando sua colaboração.
É uma pena. Quem tem convicção mesmo do Ideal Rosacruz que abraça tem que resistir a esses embates e pôr sua meta acima dos seres humanos. O que vale, no movimento Rosacruz, é que não temos líderes, gurus, instrutores, mestres, governadores a quem nos dependuramos. Cada qual procura se desenvolver ajudado por cursos, estudos, leituras, conversas, reuniões, participações de grupos de Estudos e Centros Rosacruzes, palestras e o estímulo inicial dos companheiros mais seguros. Mas, depois, é orientado a cortar o segundo cordão umbilical. Estão, portanto, menos sujeitos às desilusões que os chamados “mestres”, “instrutores”, “gurus” humanos, que são e às vezes mal-intencionados, costumam pregar.
Todavia, mesmo em nosso meio há os que têm dificuldade de se irmanar com os demais.
Não apenas um, nem dez, mas, muitas dezenas de pessoas e centenas e até milhares, passam nos grandes movimentos coletivos. Se procuram seu “raio”, está bem. O que observamos é que não o encontram nunca, por falta dessa virtude básica, essencialmente Cristã: a fraternidade.
Ela é que se irradia de uma pessoa que julgamos simpática, que é querida por todos, que raramente entra em conflito com os semelhantes, que tem “magnetismo”, que é bem-sucedida. Vem de dentro, da vivência, e não de intelectualismo. Como disse alguém: “prefiro antes sentir o amor, do que saber brilhantemente defini-lo”.
Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos. Nós mesmos nos selecionamos, nos capacitamos, nos escolhemos, segundo os nossos atos. E não nos descuidemos, mesmo quando já estivermos no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, como convidados para o banquete do Senhor, porque a vaidade e o personalismo nos espreitam e nos lançam os seus cantares de sereia. A tentação é necessária em todos os graus, pois são os exames que revelam nosso proveito na escola da vida.
Bem gostaríamos que todos se analisassem melhor nesse ponto essencial de buscar justificativas para sua inação, para sua falta de entrosamento com os outros. É muito fácil atribuirmos aos outros as causas de nossos fracassos. Mas não é justo.
Pensando bem, o único obstáculo que existe à nossa capacidade de irmanação é a nossa natureza inferior, essa segunda natureza construída através de muitas vidas de vícios e egoísmos de toda ordem. É tão velha, que já a consideramos de casa. Às vezes, chegamos ao cúmulo de a considerarmos nós mesmos, num flagrante desrespeito à nossa natureza espiritual. E quando chegamos a esse ponto, é porque a crosta de materialismo está mesmo grossa e necessitando de uma reação mais violenta da Lei de Consequência, porque, os que não querem aprender pelo entendimento e pelo amor, terão de aprender pela dor…
Como disse São Bernardo: “ninguém pode fazer mal a mim, senão eu mesmo. O mal que trago comigo, esse é que reage mal aos outros, esse é que me prejudica e dificulta a ascensão”.
Partindo do sincero reconhecimento dessa verdade, alertas com nossas falhas, tendo idealizado claramente nosso objetivo superior e esforçando-nos para atingi-lo, teremos certamente um resultado positivo.
A Fraternidade Rosacruz está ansiosamente à espera de colaboradores, sempre! Pessoas sinceras que compreendam bem esses pontos e possam exercitar, no trabalho de equipe, suas qualidades Cristãs, prová-las na prática, a fim de que se capacitem a sair da fase “intelectual” e partir para uma realização mais efetiva, de real vivência, cuja influência se estenderá por todas as esferas de sua vida, com favoráveis reflexos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
Max Heindel
Conta-se a história de um casal de grande coração, no País de Gales, que, desejando adotar uma criança belga refugiada, viajou para Swansea a fim de obter uma do Campo de Concentração de lá. Mas, nenhuma lhes convinha, exceto um irmão e uma irmã; porém, os dois se agarravam um ao outro tão tenazmente que não tiveram coragem de separá-los. Decidiram, finalmente, adotar os dois, levando-os para casa. Quando a senhora despiu a menininha, notou um medalhão pendurado no pescoço da criança e a menininha lhe disse da melhor maneira que pôde que ele continha uma foto da sua mãe, que havia sido massacrada. Ao abrir o medalhão, a mulher viu com espanto e tristeza a foto da sua própria irmã, que havia ido para a Bélgica como governanta anos antes e de quem ela havia perdido o rastro. Dessa forma, descobriu-se que ela havia levado os filhos da sua irmã assassinada para seu coração e lar.
Como isso aconteceu? Isso “aconteceu”? Essa é uma questão de grande importância, pois afeta o destino de todo ser humano, se os eventos em nossas vidas são governados por acaso ou destino. A explicação mais simples é, claro, que “simplesmente aconteceu” e pode parecer muito improvável para a maioria postular o destino. Ainda assim, Cristo disse: “os cabelos da sua cabeça estão contados, nem mesmo um pardal cairá na terra sem que o Pai saiba. Vós sois de mais valor do que muitos pardais” (Lc 12:7). Se Cristo disse a verdade, e não podemos duvidar disso, então o elemento “acaso” é eliminado e tudo o que nos acontece é o resultado do desígnio divino ou humano, operando sob, e em harmonia com a lei imutável da consequência; e os agentes que garantem esse desígnio podem estar nos Mundos visível ou invisíveis. Com essa hipótese, é fácil explicar a ocorrência. Quando nos perguntamos quem estaria interessado em levar essas crianças para a proteção da tia, a resposta é, obviamente, a mãe.
E, se uma ou outra mãe pode fazer isso por seus filhos, segue-se que todas as mães devem ter a mesma capacidade de afetar os destinos de seus filhos, restringidas, é claro, pela Lei de Causa e Efeito, como já foi dito; e se as mães podem fazer tais coisas, os pais ou outros parentes, em suma, o mundo inteiro do outro lado do véu da morte, devem ter o poder de afetar todas as outras pessoas que vivem aqui, e devemos ter o poder de afetá-los. Não pode haver meias medidas.
Para o investigador ocultista é de conhecimento comum que aqueles a que chamamos de mortos continuam por um tempo, variando de acordo com sua inclinação e disposição, a se interessar pelos assuntos daqueles que deixaram para trás, e se esforçam, com variado sucesso, para influenciá-los como influenciamos uns aos outros nas relações físicas. Eles não são livres para fazer isso o tempo todo, porque episódios no panorama da sua vida passada exigem toda a sua atenção enquanto estão sendo expurgados; mas, entre esses períodos nossos amigos dos Mundos invisíveis estão conosco e nos abraçam com a mesma solicitude e amor que tiveram por nós enquanto estavam ao nosso lado, aqui renascidos na Região Química do Mundo Físico.
Infelizmente, o inverso também é verdadeiro: se um inimigo morre, não nos livramos dele por esse fato. Ele pode realmente nos fazer mais mal fora do Corpo Denso e Vital do que poderia fazer enquanto estava aqui renascido na Região Química do Mundo Físico. Isso foi sentido em pequena escala na guerra russo-japonesa, quando alguns dos golpes inteligentes dos japoneses ocorreram em virtude de impressões recebidas do outro lado; métodos semelhantes foram usados em uma extensão que ninguém iria acreditar, se não estivesse ciente dos fatos, no início da presente guerra[1]. Mas, o efeito organizado dos Irmãos Maiores e seus grupos de Auxiliares Invisíveis deram frutos para conter a corrente de ódio entre as vítimas da batalha, de modo que todos os que cruzam o portal da morte são agora instruídos sobre o efeito da malícia sobre si mesmos e o mundo, sua melhor natureza surge e o altruísmo é exaltado como mais nobre do que o patriotismo; o resultado é que a maioria é convertida, pelo menos na medida em que se abstém de esforços ativos para interferir na batalha.
Há muitos anos defendemos a abolição da pena capital por razões semelhantes; o assassino ressentido é, por esse ato de retaliação, liberado do Corpo Denso para influenciar outros de mentalidade semelhante e o resultado é que os assassinatos se multiplicam; ao passo que, se fosse mantido na prisão, seria isolado até os anos passarem e esfriarem o ressentimento dele contra a sociedade; então ele morreria em um estado de espírito menos perigoso e, provavelmente, não faria mal à sociedade.
Portanto, que se perceba que seja um fato e não um sentimento poético, o que John McCreery escreveu:
Embora invisíveis aos olhos mortais,
Eles ainda estão aqui e ainda nos amam.
Os queridos que deixaram para trás,
Eles nunca esquecem.
Sim, sempre perto de nós, embora invisíveis,
Nossos queridos espíritos familiares caminham.
Pois todo o Universo sem limites de Deus é Vida.
Não há mortos.
[1] N.T.: Refere-se à Primeira Grande Guerra Mundial
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto/1915 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Desde que o trabalho da Fraternidade Rosacruz foi iniciado, em 14 de novembro de 1908, os movimentos com nome de “Rosacruz” multiplicaram-se rapidamente. Parece haver uma mania perfeita para anexar a palavra Rosacruz aos seus nomes; mas para garantir a distinção do restante, alguns escrevem com “k “— Rosakruz. Outros usam “ae” em vez do “a” — Rosaecrucianismo. Alguns deles fazem grandes reivindicações. Um até mesmo afirma ter seis milhões de membros, entre os quais estão os chefes coroados da Europa e todas as pessoas ilustres de todas as épocas, incluindo Moisés, Elias, os faraós do Egito e outros grandes demais para serem mencionados.
Tampouco é de admirar que essa deslumbrante fantasmagoria cegue alguns de nossos membros mais fracos, que correm para essas ordens com plena fé de que o chamado Grão-Mestre, Imperator ou qualquer outro nome fantasioso, simplesmente vai mover uma varinha mágica sobre eles e suas asas brotarão, imediatamente os tornando oniscientes como os deuses. Aos poucos eles entenderão melhor: o avanço no Caminho da realização espiritual depende, como já dissemos mil vezes, do crescimento da alma (crescimento anímico); ninguém pode assimilar nosso alimento espiritual para nós, nem crescer por nós, assim como não pode comer nosso café da manhã físico e nos entregar o valor alimentar pelo qual podemos crescer fisicamente mais fortes.
Shakespeare fez a pergunta: o que há em um nome? Pode haver pouco e pode haver muito. Todos nós conhecemos o valor comercial de um bom nome para designar uma marca de produtos; contudo, não importa quão bom seja o nome, a menos que os produtos que ele represente sejam de excelente qualidade, o nome por si só não pode torná-los um sucesso permanente e a mesma coisa é válida para um movimento espiritual — deve ter uma base sólida, uma filosofia robusta.
Os hindus receberam os Vedas; os persas receberam o Zend Avesta; os maometanos, o Alcorão; os Cristãos, a Bíblia. Cada grande Religião teve seu próprio livro-texto particular que é o fundamento da sua fé e esse livro-texto tem três pilares: um relato sobre a nossa origem, uma declaração sobre o futuro reservado para nós e um códigode ética. Mesmo nos tempos modernos descobrimos que os Cientistas Cristãos têm seu livro-texto, Ciência e Saúde, e os Teosofistas têm a Doutrina Secreta.
Antes do início da Fraternidade Rosacruz, os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz deram ao escritor os ensinamentos monumentais contidos no Conceito Rosacruz do Cosmos, que supera todas as filosofias anteriores. Esse é agora o livro-texto da Fraternidade Rosacruz e está se espalhando por todo o mundo da maneira mais maravilhosa, pois encontra em todos os lugares, entre as pessoas pensantes, um assentimento incondicional, porque apela ao fórum interno da verdade.
A Filosofia Rosacruz foi oferecida, pela primeira vez, pelos Irmãos Maiores a Max Heindel com a condição de que ele a mantivesse em segredo e só a revelasse a alguns, através do rito e dos mistérios da Iniciação. Mas, sendo ele mesmo, naquela época, uma alma faminta em busca da solução do mistério da vida, recusou a oferta, embora repetidas propostas fossem feitas para que ele se retratasse. Ele pensou que se esse ensinamento fosse bom para ele, seria bom para milhares de outras almas famintas no mundo; finalmente, foi dado a ele na condição inversa, ou seja, que ele fizesse tudo ao seu alcance para promulgar a Filosofia Rosacruz. Ele foi submetido a um teste para ver se a usaria egoisticamente ou se seria firme em seu propósito de dá-la à humanidade; por isso, a Filosofia Rosacruz está sendo difundida publicamente através desse livro-texto para que todo aquele que busca, venha e beba de graça dessa “água da vida”.
Basta pensar o que teria acontecido se os Apóstolos tivessem conspirado, com sucesso, para manter os ensinamentos de Cristo longe do mundo ou se os primeiros Sábios da Índia ou da Pérsia, que receberam os Vedas e o Zend Avesta, respectivamente, tivessem feito isso. Então todo o mundo teria ficado séculos sem o ensino religioso e, certamente, todos sabem que isso teria sido um grande prejuízo para a evolução espiritual de muitos. Tendo isso em mente, basta aplicar os mesmos argumentos de bom senso às alegações dos chamados “Mestres”, que professam iniciar nos mistérios desta ou daquela Ordem qualquer um que tenha recursos financeiros, mas nada oferecem ao público. É fácil pegar um nome e fazer afirmações, mas peça-lhes para produzirem seu livro e compará-lo com a Bíblia ou o Conceito Rosacruz do Cosmos, veja se ele cobre os três pontos essenciais que mencionamos e nenhum outro teste será necessário para mostrar a sua condição de falso Mestre.
A Fraternidade Rosacruz não tem coisa alguma contra essas pessoas, pois, como se diz que a imitação é a forma mais sincera de elogio, supomos que elas reconhecem o mérito e a força do nosso movimento ou não tentariam imitá-lo.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de abril/1916 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Pergunta: Por que deveria Jesus perder a experiência correspondente aos trinta anos que já vivera, uma vez que ele havia ocupado esses veículos e os Átomos-sementes voltaram a ele depois que Cristo cessou de usá-los?
Resposta: Essa pergunta decorre do que se declarou anteriormente, isto é, que quando Jesus deixou o seu veículo ao cargo do Cristo, ele perdeu com isso a experiência dos trinta anos que já vivera, e isso é verdade.
As experiências ficam realmente registradas no Átomo-semente, e quando Jesus recebeu esses Átomos-sementes após a morte no Gólgota, ele recebeu, desse modo, um registro da experiência, mas o Corpo Vital é que recebeu o impacto das experiências. Jesus viveu seu céu e seu inferno diariamente, como todo verdadeiro Probacionista o faz, e gravou a experiência no Corpo-Alma que foi entregue a Cristo.
O Corpo-Alma, os dois Éteres superiores que cresceram durante a vida na Terra, incluindo naturalmente os três anos em que foi habitado por Cristo, continua faltando a Jesus.
Aquele não será devolvido até que o Dia da Libertação e o Milênio tenham chegado e passado, de modo que o Cristo tenha completamente acabado a necessidade de utilizar o Corpo Vital que Ele recebeu de Jesus.
Então, naturalmente, o crescimento anímico alcançado por Cristo recairá sobre Jesus em decorrência da Lei de Atração, e ele se tornará muitíssimo mais rico do que o seria se não tivesse sacrificado o seu corpo dessa maneira. É por essa razão que declarei, como opinião pessoal, que Ele seria o mais elevado ser sobre a Terra, devido a esse fato.
(Pergunta nº 98 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol II-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: A Fraternidade Rosacruz desaconselha à queima de incenso, alegando que sua inalação pode deixar o indivíduo à mercê ou influenciado por espíritos Elementais, cuja atividade negativa induz a sensualidade ou outras práticas perniciosas. O que se pode afirmar com referência à queima de incenso nas igrejas?
Resposta: Para um espírito desencarnado ou Elemental influenciar uma pessoa necessita agir sobre seus centros cerebrais. Porém, ele só pode realizar isso se dispuser de um veiculo suficientemente denso. Caso um Elemental consiga utilizar um veículo dessa natureza poderá impressionar ou incitar moral ou mentalmente uma pessoa, dependendo do caráter e capacidade de autocontrole dela.
Ao queimar-se incenso em um recinto, a fumaça constitui por si só um veículo de tal densidade que poderá ser usado facilmente por qualquer entidade fim ao grau de vibração daquela espécie particular de incenso. Esse veículo abre a entidade Elemental um caminho de acesso aos centros cerebrais. Ao ser inalado oodor, irá inalar também o espírito Elemental, afetando a pessoa conforme sua natureza ou suscetibilidade.
Um indivíduo altamente evoluído, possuidor de visão espiritual desenvolvida, tendo a possibilidade de ver e reconhecer a verdadeira natureza dos vários seres existentes nos Mundos invisíveis pode queimar incenso, utilizando-o como veículo para entidades auxiliadoras. Contudo, somente os Iniciados podem se dedicar a essa prática e, mesmo assim, em perfeita conexão com as Escolas de Mistérios.
Quanto às igrejas, o incenso por elas empregado é de natureza comercial e não específica, embora ainda não tenhamos dados exatos sobre isso, o incenso, quando preparado especificamente por uma pessoa ignorante ou movida por sentimentos egoístas, torna-se veículo para entidades de natureza semelhante que, revestindo-se da fumaça e do odor, incitam outras pessoas a atos imorais ou criminosos. Quando a prática é constante, o espírito obsessor adquire tal controle sobre sua vítima, a ponto de conduzi-la a estados similares ao frenesi epiléptico ou a espasmos motores idênticos aos produzidos pela coreia de Sydenham ou “dança de São Vito”.
NT: Corinne Heline, no terceiro volume de sua obra “A interpretação da Bíblia pela Nova Era”, relata que o incenso empregado nas igrejas facilita a influência do sacerdote sobre o público que inala a fumaça, tornando-a mais passível de aceitar suas emanações ou intenções, enquanto pastor de um rebanho. Desse modo, por ser um ambiente que representa o polo passivo e puramente devocional de desenvolvimento espiritual, as pessoas ficam neste estado de consciência passiva, recebem maior influência pelo incenso, que é uma resina. Não significa que a pessoa que inala o incenso não possa ter a força de vontade suficiente para superar qualquer influência externa. Em verdade, uma consciência positiva, apesar de muita fé em Deus, jamais se deixa levar por influências externas.
Vale também lembrar que a simbologia do incenso nada tem a haver com o ato de queimar incenso: em histórias mitológicas, a palavra incenso significa Alma. Por exemplo, diz-se que o menino Jesus recebeu Ouro, Mirra e Incenso dos três Reis Magos. O Ouro aqui representa o Espírito; a Mirra os Corpos; e o Incenso a Alma.
Pelo exposto pode-se concluir sobre a periculosidade do uso indiscriminado do incenso.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1966- traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross”- Fratrernidade Rosacruz-SP)
Que estamos cercados por Mundos invisíveis, povoados de seres invisíveis e que podemos, sob certas circunstâncias, comunicar-nos com aqueles que passaram para além véu é uma crença tão antiga quanto a civilização humana. Houve momentos na história do Mundo em que foram feitas tentativas de suprimir essa crença, mas ela ainda sobrevive fortemente em nossas comunidades atuais. Embora nos tempos modernos a ciência tenha se esforçado, às vezes, para matar essa crença como sendo ridícula, descobertas científicas e recentes tendem a justificar a fé em fenômenos ocultos, em vez de desencorajá-la.
A Bíblia dá uma justificativa considerável para essa crença de que é possível se comunicar com aqueles que estão nos Mundos invisíveis — os chamados mortos. Conta-nos que a Bruxa de Endor[1] invocou o fantasma de Samuel a pedido de Saul. Podemos raciocinar, é claro, que a Bruxa de Endor fosse uma impostora, mas a Bíblia não diz isso. É possível que essa passagem dramática da Bíblia tenha feito mais do que qualquer outra coisa para preservar a crença popular na comunicação com os espíritos que partiram e essa crença é mantida entre algumas das pessoas mais esclarecidas do mundo. É verdade que a Bíblia condena Saul por tentar invocar o fantasma de Samuel e esse desastre veio de seu experimento ousado. Também pode ser que isso tenha sido um fator para dar má reputação às tentativas de comunicação com os mortos e com todas as relações geralmente conhecidas sob o nome de magia; no entanto, é um fato histórico que os primeiros cientistas eram todos magos e lidavam com espíritos desencarnados e seres que já tinham partido. Os sacerdotes babilônicos e egípcios eram os mais ilustres desses praticantes de magia e, no entanto, sem dúvida fizeram um progresso considerável no que hoje é chamado de ciência natural. Esses primeiros sacerdotes orientais eram sobretudo astrólogos e sempre misturavam o lado oculto com seus estudos de astronomia, como bem demonstrou Richard Proctor[2] em seu livro sobre o Observatório da Grande Pirâmide[3].
Os árabes foram os pioneiros da matemática, a mais exata de todas as ciências, e ainda assim eram astrólogos e crentes profundos na magia. Eles adoravam os Anjos das estrelas, os Espíritos Planetários, que nunca perderam seu lugar na Religião e estão incorporados nos rituais católicos de hoje.
Ao longo da Idade Média, a crença na magia e nos espíritos invisíveis, que estão ao nosso redor, persistiu e não era fomentada apenas entre as classes mais baixas; na verdade, era mais forte entre as pessoas mais civilizadas, embora em lugares frequentados pelo mal e pela degradação. Tanto a Igreja quanto o Estado tentaram eliminá-la, mas sem sucesso; talvez porque muitos dos que tinham autoridade fossem os mais fortes crentes na magia e praticantes da ciência.
O irmão do rei Luís XIV da França, oficialmente conhecido como “o rei mais Cristão”, e muitos membros da corte foram descobertos realizando orgias secretas, sessões espíritas com os espíritos dos mortos e “adorando Satanás”. Segundo a história, os parentes do rei e alguns dos personagens mais importantes da aristocracia da França foram salvos por sua posição, mas os de posição inferior foram torturados e executados por seus pecados. Mágicos famosos como Johannes Trismegisto[4] dominavam comunidades inteiras; até os Rosacruzes foram acusados de praticar ritos misteriosos em segredo e incluíam os membros mais ricos e importantes da sociedade; mas eles, é claro, não estavam preocupados com o fenômeno de conjurar os espíritos dos mortos. Eles tinham outros trabalhos mais importantes a fazer e qualquer magia que praticassem naquela época, ou hoje, seria pura e branca, sem o menor toque da magia impura e negra, o que caracterizava quase todo o resto daqueles que praticavam as sessões secretas.
A ciência moderna, que se diz ter começado com Francis Bacon[5], fez desde o início as mais sérias incursões nas reivindicações dos magos, astrólogos e todos os negociantes do ocultismo; embora o próprio Bacon, sendo adepto do Rosacrucianismo, não estivesse relacionado com essas perseguições de forma alguma. É verdade que os fenômenos dos magos não suportariam a investigação por métodos de laboratório na fria luz do dia e há muitas razões pelas quais esses fenômenos só podem ser produzidos no escuro, mas isso não justifica a alegação de que eles sejam fraudulentos.
Não podemos usar uma câmera para fotografar em um lugar escuro, porque as vibrações no Éter são muito lentas; nem podemos materializar um espírito à luz do Sol, porque as vibrações etéricas são muito rápidas e despedaçariam a estrutura tênue da qual o corpo espiritual é formado. Esse é um fato que nem mesmo a ciência compreende nos dias atuais. Por causa dessas perseguições tolas e falsos apelos à razão e ao intelecto, as classes econômicas-sociais mais elevadas começaram a ficar mais céticas em relação à magia e comunicação com os espíritos que partiram; apenas as chamadas classes “ignorantes” e pessoas de disposição extraordinariamente sensível se apegaram a elas. Deve-se dizer que esses últimos sempre foram numerosos, mesmo nas classes mais altas da sociedade. A rainha Maria Antonieta[6], no final do século XVIII, acreditava e praticava o espiritismo e em nossos dias o Czar da Rússia tem sido muito criticado pela amizade que demonstrava com Rasputin, o monge que, segundo todos os relatos, era um ocultista de primeiro nível, seja da escola negra ou da branca.
Em meados do século XIX, a ciência moderna aparentemente havia esmagado a magia antiga e tudo o que a acompanhava; a própria palavra “ocultista” ou “mágico”, que uma vez causou terror na Mente das pessoas, foi então dada a prestidigitadores e faquires viajantes, gente que retirava coelhos e tigelas de peixinhos dourados da cartola. A ciência havia quase totalmente reprimido a prática de fenômenos ligados ao ocultismo, mas então veio a onda irresistível do espiritismo. De várias partes do mundo, principalmente da América, chegaram relatos de materialização de espíritos em que os falecidos eram vistos e ouvidos em grupos reunidos com o objetivo de evocá-los por meio de um médium.
A ciência travou uma luta dura e amarga, mas a crença não pôde ser derrubada; na verdade, cresceu e se desenvolveu à medida que a ciência gritava “é fraude!”; finalmente, invadiu até as fileiras dos cientistas, transformando alguns dos principais entre eles de escarnecedores a defensores ardentes, pois eles viram que esses fenômenos estavam de acordo com as modernas descobertas científicas e quanto mais a ciência avançou em suas investigações dos segredos da natureza, mais se descobriu que esses fenômenos psíquicos estão de acordo com a operação das leis naturais descobertas.
De fato, as maravilhas das descobertas científicas quase rivalizam com as mais loucas e fantásticas afirmações dos antigos magos: forças invisíveis reproduzem a voz humana e mensagens voam pelo ar ao redor do mundo sem sequer um fio para guiá-las. A levitação foi realizada por meios mecânicos e muitas outras maravilhas modernas, em parte devido à descoberta da eletricidade, a mais maravilhosa de todos os nossos servidores modernos, estão forçando a crença nos Mundos invisíveis e nos espíritos que vivem neles. Aqui está uma força que é invisível, intangível, imponderável, mas capaz de exercer os mais tremendos poderes, capaz de tirar a vida e destruir qualquer obra da mão humana em um segundo. Aqui está um poder que realiza praticamente tudo o que foi reivindicado pelos antigos magos, ao realizar o que chamamos de “milagres”. É bem sabido que os sacerdotes dos templos egípcios, e outros, criaram os efeitos mais inspiradores ao produzir uma voz humana falando do vazio. Hoje, o mesmo fenômeno pode ser visto nas chamadas “sessões de trombeta”[7], em que espíritos desencarnados falam por meio de uma espécie de trombeta; mas, temos em nossas casas instrumentos semelhantes como o telefone e o fonógrafo, que são operados pela voz humana. Então, no que diz respeito à telegrafia sem fio, devido em grande parte às pesquisas de Sir Oliver Lodge[8], que desde então se tornou o mais forte crente em fenômenos psíquicos, por esse uso da eletricidade, as vibrações são feitas para fluir completamente ao redor do mundo, transportando mensagens, sem impedimentos, por montanhas, desertos e todas as obstruções naturais. Isso é semelhante às mensagens e comunicações telepáticas, que são frequentemente registradas como feitos dos antigos magos, feitos que são duplicados todos os dias em milhares e milhares de situações, às vezes conscientemente ou, com mais frequência, de forma inconsciente.
Talvez pensemos em uma certa melodia e alguém na sala comece a cantarolá-la. Às vezes, ao visitar um amigo, somos recebidos com um “Ah, eu estava querendo ver você”, o que mostra, se pensarmos bem, que respondemos a uma mensagem de telepatia. De mil e uma outras maneiras estamos nos tornando pensadores cada vez mais poderosos e mais sensíveis aos pensamentos dos outros. Foi essa faculdade conscientemente cultivada entre os magos do passado que os capacitou a realizar muitos dos seus célebres fenômenos; chegará o tempo, em um futuro não distante, em que seremos capazes de ler os pensamentos uns dos outros e transmiti-los de cérebro em cérebro sem a intervenção da fala, da escrita ou de qualquer um dos métodos de comunicação atualmente conhecidos.
Entre outras maravilhas científicas e relacionadas com a magia antiga, podemos citar também os raios-X, descobertos por Sir William Crookes[9], que nos permitem ver através de um objeto sólido. Isso está de acordo com os poderes descritos como Clarividência ou visão espiritual, possuídos por todos os ocultistas antigos e por um número cada vez maior de pessoas que vivem agora no mundo. Os raios-X também existem por causa dessa grande eletricidade mágica, mas são apenas um pobre substituto para os poderes da visão espiritual, que permitem ao seu possuidor ver igualmente bem o que acontece do outro lado do globo ou na sala em que está sentado. É digno de nota que Sir William Crookes, assim como Oliver Lodge, seja um crente em fenômenos ocultos e foi levado a isso por suas descobertas científicas, que mostraram que deve haver Mundos invisíveis; seus experimentos o convenceram da possibilidade de comunicação com aqueles que partiram desta vida e agora estão vivendo nesses Mundos invisíveis.
É impossível catalogar em um artigo de revista todas as descobertas científicas e a respectiva conexão com, ou influência sobre, o assunto da comunicação com o Mundos invisíveis e os espíritos invisíveis no ar. Mas, em vista de todos os fatos científicos, não podemos escapar da conclusão de que o espírito humano continuará a existir à parte do seu Corpo Denso; essas descobertas científicas apontam para um tempo não muito distante em que todos veremos sem os olhos físicos, ouviremos sem os ouvidos físicos e falaremos sem a língua física.
Em vista do que foi realizado, não se trata de mera especulação ociosa, mesmo do ponto de vista científico, e há um valor legítimo na entrega a tais sonhos, como os “homens de ciência” os chamariam, pois nada jamais foi alcançado como fato físico sem que antes não tivesse sido objeto de sonho. Se Alexander Graham Bell, o inventor do telefone, não tivesse sonhado com a possibilidade de comunicação por tais meios, não teríamos hoje esse valioso instrumento. Se Morse não tivesse sonhado com a travessia do espaço por um fio para transmitir mensagens ao longo desse minúsculo condutor por meio de eletricidade, não teríamos agora o telégrafo. Se Edison não tivesse sonhado com a luz elétrica, isso hoje não estaria incluído entre as conveniências que empregamos… Esses sonhos ajudam o trabalhador individual a alcançar seu objetivo e estimulam o interesse e o entusiasmo nos outros. Por isso, é útil quando os cientistas de Mente mais aberta olham para o futuro para ver qual poderá ser a linha do progresso e é ridículo ouvi-los dizer que o espírito humano seja uma forma de eletricidade, mas isso pode ajudá-los a enxergar a direção certa. Alexander Graham Bell, por exemplo, imagina que chegará o dia em que as pessoas andarão com bobinas de arame sobre suas cabeças, comunicando pensamentos uns aos outros por indução. Ele não sabe que o ser humano tem a energia dinâmica e interna para transmitir essas vibrações sem outro instrumento além do cérebro; mas é interessante estudar a ideia científica. Resumidamente, a hipótese científica de que as Mentes possam se intercomunicar diretamente se baseia na teoria de que o pensamento ou a força vital seja uma forma de distúrbio elétrico que pode ser captado por indução e transmitido à distância por meio de um fio ou simplesmente através do onipresente Éter, como no caso da telegrafia sem fio.
Há muitas analogias que sugerem que o pensamento seja da natureza de uma perturbação elétrica; isso é para a Mente científica. Um nervo, que é da mesma substância que o cérebro, é um excelente condutor de corrente elétrica. Quando os cientistas passaram pela primeira vez uma corrente elétrica pelos nervos de um homem morto, ficaram chocados e surpresos ao vê-lo sentar-se e mover; os nervos eletrificados produziram a contração dos músculos como faziam em vida.
Os nervos pareciam agir sobre os músculos da mesma forma que a corrente elétrica age sobre um eletroímã. A corrente magnetiza uma barra de ferro colocada em ângulo reto a ela e os nervos produzem (eletricidade) através da corrente intangível de força vital que flui através deles, contraindo as fibras musculares que estão dispostas em ângulo reto a elas.
Seria possível citar muitas razões pelas quais o pensamento e a força vital possam ser considerados, do ponto de vista científico, essencialmente iguais à eletricidade. A corrente elétrica é considerada um movimento de onda no Éter, a substância hipotética que alguns da ciência admitem que preenche todo o espaço e permeia todas as substâncias. Esses cientistas acreditam que deve haver Éter porque sem ele a corrente elétrica não poderia passar pelo vácuo nem a luz do Sol pelo espaço; portanto, é razoável acreditar que apenas um movimento ondulatório de caráter semelhante possa produzir os fenômenos do pensamento e da força vital; eles supõem que as células cerebrais ajam como uma bateria e que a corrente produzida por elas flua ao longo da linha dos nervos. Nessa ideia eles estão muito próximos dos fatos reais, pois é sabido e ensinado pelos ocultistas, que podem ver esses fenômenos por meio da visão espiritual, que a força solar entra no corpo humano através do baço e seja dirigida do Plexo Celíaco, através dos nervos, para todas as diferentes partes do corpo, nas quais aparece como um fluido cor-de-rosa; é esse fluido que produz os fenômenos vitais. Isso é muito parecido com a eletricidade, mas não é de forma alguma o Ego, assim como o operador em uma estação de telégrafo não é idêntico à corrente que flui através do fio elétrico. Do mesmo jeito que o operador do telégrafo direciona a corrente para o fio ou através do Éter e envia a mensagem para o vasto mundo, também o Ego no corpo pode utilizar esse fluido vital para vestir a mensagem-pensamento e enviá-la em qualquer direção que ele queira, depois de passar pelo treinamento adequado de como usar esse fluido, como o operador de telégrafo é submetido a um curso de treinamento funcional para aprender a usar as teclas que controlam a força elétrica que acelera ao longo dos fios ou através do Éter.
No livro Conceito Rosacruz do Cosmos é dada uma tabela de vibrações que foi compilada por cientistas; um estudo dessa tabela revela o fato de que existem muitas lacunas ou taxas de vibração cujos efeitos são desconhecidos. É um fato notável que quase todos os passos recentes da ciência estejam relacionados com descobertas de vibrações até então desconhecidas. Suponha que possamos fazer uma barra de ferro vibrar em qualquer frequência desejada, em um quarto escuro; a princípio, ao vibrar lentamente, seu movimento será indicado apenas por um sentido, o do tato. Assim que as vibrações aumentarem, um som baixo emanará dela, o que apelará a dois sentidos, tato e audição. A cerca de 32.000 vibrações por segundo o som será alto e estridente, mas a 40.000 vibrações por segundo será silencioso e seus movimentos não serão percebidos pelo toque; na verdade, somos incapazes de senti-la. Desse ponto até 1.500.000 de vibrações por segundo, não temos sentido que possa apreciar qualquer efeito das vibrações intervenientes. Atingido esse estágio, seu movimento é indicado primeiro pela sensação de temperatura; depois, quando a haste fica incandescente, pelo sentido da visão; a 3.000.000 de vibrações por segundo emite uma luz violeta; acima disso passa pelos raios ultravioletas e outras radiações invisíveis, algumas das quais podem ser percebidas por instrumentos empregados por nós.
No entanto, quando a ciência aprender a perceber o efeito dessas vibrações nas grandes lacunas em que os sentidos humanos são incapazes de ouvir, ver ou sentir o movimento, então ela estará em contato com aqueles poderes que são exercidos na Clarividência e na Clariaudiência, visão espiritual e audição espiritual, respectivamente. Então, não será uma questão de fé se existem Mundos invisíveis ou se eles são habitados por pessoas que anteriormente viveram entre nós no Mundo Físico, mas todos saberão e verão por si mesmos.
A ciência tem feito um trabalho maravilhoso em seus esforços para lidar com os problemas que a confrontam, mas sempre foi limitada, porque depende de instrumentos. Uma bobina de fio pode ser, e é, usada com esplêndido efeito na transmissão de uma onda sem fio para os cantos mais distantes da Terra; contudo, bobinas de fio são desnecessárias ao redor da cabeça humana para transmitir pensamentos e o que os cientistas precisam reconhecer é a limitação de seus instrumentos para começar a cultivar os poderes dentro de si, pois todo ser humano tem esses poderes espirituais e latentes dentro de si mesmo e nossa evolução futura depende do desenvolvimento deles. O telefone é apenas uma muleta para nos permitir ouvir melhor com nossos ouvidos. O telescópio é outra muleta para nos permitir ver melhor com nossos olhos. O microscópio é outra que nos ajuda a perceber o infinitamente pequeno, assim como o telescópio revela o infinitamente grande; mas, além desses órgãos dos sentidos temos órgãos mais sutis e forças mais sensíveis que algum dia entrarão em uso. Se Alexander Graham Bell tivesse vivido na Idade das Trevas e produzido seu telefone, as chances maiores seria de que ele teria sido queimado como um mago maligno. Se Edison tivesse vivido e produzido sua luz elétrica e fonógrafo naquela época, ele provavelmente teria compartilhado o mesmo destino. Hoje, mesmo aqueles que possuem os sentidos mais apurados são vistos como fraudulentos e excêntricos; apenas o fato de que o sentimento geral é contrário à violência os protege de serem confinados em prisões ou manicômios. No entanto, as lágrimas que fluem de milhões de olhos e o anseio que quase quebra milhões de corações por um vislumbre ou mensagem daqueles que morreram aqui e estão vivendo nos Mundos celestes estão gradualmente desgastando a escama dos olhos e sintonizando um grande número às vibrações da visão e audição espirituais. E os pensamentos dos “mortos”, seu desejo de se comunicar com os amigos que deixaram para trás, são uma força dinâmica e igualmente intensa. Dois grandes exércitos estão, assim, abrindo túneis na parede da grande divisão e logo a fé e a esperança darão lugar ao conhecimento direto, em primeira mão, de que os mortos vivem, pois então veremos e nos comunicaremos com eles à vontade, tão facilmente quanto fazemos agora com os que chamamos de vivos.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto/1918 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: A Bruxa de Endor é um personagem bíblico do Antigo Testamento, de aparição principal no Primeiro Livro de Samuel. Trata-se de uma necromante em Endor que aconselha ao rei Saul antes de este batalhar contra os filisteus (ISm 28:7-25).
[2] N.T.: Richard Anthony Proctor (1837-1888) foi um astrônomo inglês.
[3] N.T.: Richard A. Proctor – The Great Pyramid. Observatory, Tomb, and Temple – 1888
[4] N.T.: um autor do século XIX que escrevia sob o pseudônimo Johannes Trismegistos ou Johannès Trismégiste e que praticava a Cafédomancia e o tarô.
[5] N.T.: Francis Bacon, 1°. Visconde de Alban, também referido como Bacon de Verulâmio (1561-1626) foi um político, filósofo, cientista, ensaísta inglês, barão de Verulam (ou Verulamo ou ainda Verulâmio) e visconde de Saint Alban. É considerado como um dos fundadores da Revolução Científica.
[6] N.T.: Maria Antônia Josefa Joana de Habsburgo-Lorena (em alemão: Maria Antonia Josepha Johanna von Habsburg-Lothringen; francês: Marie Antoinette Josèphe Jeanne de Habsbourg-Lorraine; 1755-1793) foi uma arquiduquesa da Áustria e rainha consorte da França e Navarra.
[7] N.T.: Para os que acreditavam nesse método, o ato de mediunidade de trombeta é melhor definido como “mediunidade de voz direta”. Embora não seja comumente usados hoje, os primeiros espiritualistas estariam muito familiarizados com esses objetos misteriosos. O Spirit Trumpet é um cone cilíndrico com um bocal estreito que geralmente se expande em três partes em um megafone semelhante aos tradicionais “trompetes falantes” empregados por líderes de torcida em eventos esportivos. Os espíritas fabricaram as primeiras trombetas espirituais de papelão ou metal, mas depois incorporaram designs mais elegantes e caros usando alumínio ou estanho. Varejistas especializados como Everett Atwood Eckel, de Indiana, lucraram com sua crescente popularidade vendendo os dispositivos estranhos por US$ 2 ou US$ 3 por meio de anúncios publicados em “Psychic Power” e outros periódicos espiritualistas. A “trombeta do espírito” foi originalmente criada por espíritas que afirmavam poder ampliar os sussurros dos espíritos presentes em um círculo. É por isso que alguns espiritualistas descrevem as trombetas espirituais como os “aparelhos auditivos” originais ou “trombetas de ouvido” para as vozes do além.
[8] N.T.: Sir Oliver Joseph Lodge (1851-1940) foi um físico e escritor britânico envolvido no desenvolvimento e detentor de patentes importantes para o rádio. Ele identificou a radiação eletromagnética independente da prova de Hertz e em suas palestras da Royal Institution de 1894 (“O trabalho de Hertz e alguns de seus sucessores”), Lodge demonstrou um detector de ondas de rádio inicial que ele chamou de “coerente”. Em 1898 ele foi premiado com a patente “sintônica” (ou tuning) pelo Escritório de Patentes dos Estados Unidos. Lodge foi diretor da Universidade de Birmingham de 1900 a 1920. Marcado pela morte de seu filho caçula na I Guerra Mundial, Sir Oliver Lodge discorre sobre a sobrevivência da alma, e consequentemente da existência do espírito fora das contingências da vida transitória do corpo físico. A ciência moderna encaminhou suas atividades para o campo dos fatos espirituais a fim de conhecer sua gênese e meios de manifestação, à luz dos processos da experimentação e observação. A sua sentença e resposta é afirmativa: Há espíritos. A sobrevivência é uma realidade.
[9] N.T.: William Crookes (1832-1919) foi um químico e físico britânico. Frequentou o Royal College of Chemistry em Londres, trabalhando em espectroscopia. Em 1861, descobriu um elemento que tinha uma linha de emissão verde brilhante no seu espectro, ao qual deu o nome de tálio, do grego thalos, um broto verde, que é o elemento químico de número atômico 81. Também identificou a primeira amostra conhecida de hélio, em 1895. Foi o inventor do radiômetro de Crookes, vendido ainda como uma novidade, e desenvolveu os tubos de Crookes, investigando os raios catódicos.
Como todos os símbolos que temos, os significados da cruz são muitos. Um deles é que ela é o símbolo oculto da vida humana em sua relação com as correntes vitais.
Ou como disse Platão: “A Alma do Mundo está crucificada”. Ou seja, no Mundo Físico temos Quatro Reinos de vida ou Ondas de Vida que estão representados na cruz: Mineral, Vegetal, Animal e Humano.
O Reino Mineral constitui-se de todas as substâncias químicas, qualquer tipo que seja; assim, a cruz feita de qualquer material dessa Região Química é o símbolo desse Reino.
A parte inferior da cruz é o símbolo do Reino Vegetal, porque tem as suas raízes na Terra química e porque os Espíritos-Grupo que dirigem os seres do Reino Vegetal estão no centro da Terra de onde enviam as correntes espirituais em direção à periferia da Terra.
A parte horizontal da cruz é o símbolo do Reino Animal, porque sua espinha dorsal é horizontal e por ela passam as correntes espirituais dos Espíritos-Grupo que dirigem os animais, e que tem uma direção circundante à Terra.
A parte superior da cruz é o símbolo do Reino Humano, porque o ser humano é um ser vegetal invertido.
Senão vejamos:
Outro significado da cruz é a sua representação como o conflito entre as duas naturezas aludidas por São Pedro em sua Primeira Epístola (2:1): “Eu vos rogo que vos abstenhais dos desejos carnais que lutam contra a alma.”.
Nesse sentido, são muito significativas as palavras de Cristo que temos no Evangelho Segundo São Mateus (16:24): “Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”.
Para muitos parecem dura essas palavras. Muito mais duro, porém, será de ouvir aquela sentença final: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno” (Mt 25:41).
Pois a orientação do Esquema de Evolução traçado pelo nosso Pai e Criador, Deus do nosso Sistema Solar, é clara: uma vez conquistado, dominado e aprendido a trabalhar conscientemente com o material químico da Região Química do Mundo Físico, devemos partir para a Região Etérica do Mundo Físico.
Já alcançamos o nadir da materialidade, o ponto mais denso da Região Química do Mundo Físico, e conquistamos a Região Química do Mundo Físico, ainda lá na segunda fase da Época Atlante (hoje já estamos na Época Ária).
Para isso, devemos nos desapegar de tudo que tenha a conotação de posse material, de egoísmo, de ignorância, de preguiça, de desperdício, de foco nessa Região Química do Mundo Físico.
Em outras palavras, saibamos ou não já cumprimos a nossa missão de descida dos Mundos suprafísicos para essa parte do Mundo Físico, qual seja:
Agora é tempo de voltar para o Pai. Esse tempo foi anunciado por Cristo, nosso único Mestre e Salvador há mais dois mil anos atrás.
E o que significa voltar?
Significa entrar numa nova etapa da evolução, agora na direção “para cima e para frente”.
Aprendendo, daqui:
Caso insistamos em nos manter voltados para esse Mundo material, perdendo totalmente o interesse em construir o Corpo-Alma (por meio da insistência de permanecemos em egoísmo maldade e desperdício), então ouviremos a sentença final expressa no Evangelho Segundo São Mateus (25:41): “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno”. Quando da volta do Cristo em seu Corpo Vital, Ele espera cada um de nós com o Corpo-Alma construído e nele funcionando conscientemente. Essa sentença que lemos acima no Evangelho, simplesmente, significa perder toda a chance de evolução nesse Esquema de Evolução atual e ter que esperar o próximo Dia de Manifestação num cone sombrio de uma Lua qualquer.
Sabendo das dificuldades que uma Onda de Vida tem de se desvencilhar dos costumes cristalizados, quando da sua imersão no Mundo mais denso que teve que ir, foi nos dada, e continua sendo, muita ajuda, exemplos de vida e motivação para podermos soltar as amarras que nos prendem nesse Mundo de ilusões.
Tomar a nossa Cruz é assumir a responsabilidade e a atitude de voltar à casa do Pai. É ser o Filho Pródigo, aquele da Parábola que podemos ler no Evangelho Segundo São Lucas (15:11-32), no seu retorno à casa do Pai:
“Disse ainda: “Um homem tinha dois filhos. O mais jovem disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, ajuntando todos os seus haveres, o filho mais jovem partiu para uma região longínqua e ali dissipou sua herança numa vida devassa. E gastou tudo. Sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar privações. Foi, então, empregar-se com um dos homens daquela região, que o mandou para seus campos cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E caindo em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai. Ele estava ainda ao longe, quando seu pai o viu, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então, disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos seus servos: ‘Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois, este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!’ E começaram a festejar. Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa ouviu músicas e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe disse: ‘É teu irmão que voltou e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde’. Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar. Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém, respondeu a seu pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado!’ Mas o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois, esse teu irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado!’”.
A dificuldade está em continuar vivendo nessa Região Química do Mundo Físico, estando aqui, aprendendo os milhões de lições que ainda temos a aprender, mas não ser mais desse Mundo (“estar no mundo, mas não ser do mundo”), não o ter como fim da nossa existência, como objetivo da nossa vida a busca da felicidade nesse mundo.
É comum falar de um sofrimento, de uma limitação física ou de uma dura experiência como uma “cruz que se carrega”. Em certo sentido a comparação é exata, principalmente se a aflição foi causada por outra pessoa.
Nesse sentido podemos citar o sofrimento do Cristo pela humanidade, que levou na Cruz todos os pecados, todas as maldades, todo o egoísmo do mundo de então.
Quando Cristo disse que: “tome sua cruz e siga-me” está nos chamando para assumirmos as nossas limitações, as nossas imperfeições. Não é um trabalho suave. Romper com as próprias fraquezas exige um esforço hercúleo. Os apelos do mundo são mais envolventes que o chamamento espiritual.
Está nos dizendo para pararmos de dissimularmos, de utilizar a nossa Personalidade como máscara, achando que estamos enganando a todos, escondendo, dentro de nós, toda a podridão que existe.
A hipocrisia, a avareza, o egoísmo, a mentira, a astúcia, a ignorância são as barreiras que os impedem de caminhar na direção correta.
Preferimos esconder tais vícios achando que ninguém está vendo e que podemos utilizar tais “ferramentas” a nosso bel prazer.
Tomando a nossa cruz estamos dizendo que aceitamos aprender aquilo que planejamos aprender nessa vida; que aceitamos nossas imperfeições – sabendo que tanto aquilo que aceitamos aprender como as nossas imperfeiçoes fomos nós mesmos que escolhemos no Terceiro Céu quando estávamos nos preparando para renascer aqui –; que estamos conscientes que aquilo que agora não temos podemos conseguir no futuro. Afinal, não é dito que: “aquele que compreende a própria ignorância deu o primeiro passo para o conhecimento”?
Outro significado é a indicação do caminho do verdadeiro Aspirante à Vida espiritual. Mostra-nos que, cada um de nós, como um Ego humano (um Espírito Virginal manifestado aqui), está crucificado na matéria, seja Física, Etérica, de Desejos ou Mental. Essa crucificação turva nossa consciência nesses Mundos e como sofremos por não podermos atuar nesses Mundos como queremos. A ilusão imposta por essa crucificação resulta em todos os sofrimentos pelos quais passamos.
Já a inscrição colocada na cruz de Cristo nos indica o Aspirante à vida superior crucificado. INRI, traduzida erroneamente como Iezus Nazarenus Rex Iudeoros, contém um simbolismo muito mais forte do que isso. Representa o ser humano composto, o Pensador, no momento de seu desenvolvimento espiritual, quando começa a se libertar da cruz de seu Corpo Denso.
Senão vejamos:
Assim, o ser humano, Aspirante a vida Superior, no momento que começa a se libertar da cruz desse seu Corpo Denso inicia esse processo:
Por que então tememos tomar a cruz pela qual se caminha ao Reino do Céus?
Que As Rosas Floresçam Em Vossa Cruz