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porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Aplicação da Astrologia Rosacruz

A Astrologia, sendo para o Estudante Rosacruz uma fase da Religião, constitui-se numa ciência espiritual. Essa ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo. Ela evidencia a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo) demonstrando a unidade fundamental entre ambos.

Com esse conhecimento podemos determinar o tipo astrológico de cada indivíduo e conhecer a potencialidade ou a debilidade relativa das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado desse conhecimento, podemos iniciar a formação sistemática e científica do caráter – e caráter é destino. Nós observamos os períodos e as estações cosmicamente propícios ao desenvolvimento de qualidades ainda latentes, corrigindo os traços de caráter defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.
A divina ciência da Astrologia revela as causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Orienta: o adulto com respeito à vocação, aos pais na educação dos filhos, ao mestre em seu trabalho com os alunos, ao médico no diagnóstico de enfermidades. Dessa maneira, ajuda a todos em qualquer situação que se encontrem.

Nenhum outro tema do âmbito do conhecimento humano parece conter as possibilidades estendidas aos Astrólogos Rosacruzes para auxiliar aos outros irmãos e irmãs, como deuses em formação, a um maior entendimento da lei universal e à comprovação de nossa eterna segurança, nos braços acariciadores da vida infinita e do ser ilimitado.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1975 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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Hierarquias Zodiacais – Touro: A Força Coesiva do Universo

(*) Advertência:

A descrição aqui apresentada é mais exata conforme a cúspide da 1ª Casa esteja mais próxima do ou no segundo decanato do Signo (10º grau até 20º grau);

Quando os 3 últimos graus de um Signo estão ascendendo, ou quando os 3 primeiros graus ascendem no momento do nascimento, diz-se que a pessoa nasceu “na cúspide” entre dois Signos, e, então, a natureza básica dos Signos envolvidos são mescladas no corpo dela.

Astros nas Casas:

  1. Os Astros no Signo Ascendente podem modificar a descrição;
  2. Astros colocados na 12ª Casa e que se encontram dentro de seis graus dessa podem modificar a descrição.

Em tais casos o Estudante deve usar seu conhecimento do caráter dos Astros em conjunto com a descrição do Signo.

(Veja mais no Livro: Mensagem das Estrelas – O Signo Ascendente – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz)

Todas as forças do Universo estão potencialmente contidas no ser humano e o seu Corpo Denso representa as forças da natureza. “Tanto em cima, como em baixo”, mas primeiro em cima e depois em baixo. Não devemos somente comparar o microcosmos e o macrocosmos porque eles são essencialmente um em suas forças; na verdade é o mesmo na constituição de seus elementos. A Astrologia é incompreensível para aqueles que não podem perceber o verdadeiro caráter dos Astros.

Nossas vidas são construídas sobre princípios superiores, elaborados em detalhes sob leis definidas. Existem grandes Seres que incorporam esses princípios e cujas atividades são as leis da criação. Do mesmo modo encontramos hostes de seres inferiores que agem como veículos para essas atividades.

Ao meditarmos sobre a amplitude da ação das órbitas celestes, percebemos que o Corpo Denso é apenas uma reprodução das mesmas forças que formaram as estrelas no céu. O sucesso do ser humano em absorver, por completo, as forças destas Hierarquias Criadoras depende exclusivamente dele próprio. Embora a vida e as forças coesivas do universo, exemplificadas nas duas primeiras forças de vida, Áries e Touro, se associem para produzir um campo de ação de força intensa e grande potencialidade, a essência espiritual do ser humano vem da mais elevada emanação de Deus, o Pai. As estrelas não nos compelem a nada que não queiramos aceitar, a nada que não desejamos.

A Individualidade do ser humano é respeitada

Deus respeita a Individualidade do ser humano e não penetrará em sua consciência até que essa se abra para lhe dar as boas-vindas. O Estudante Rosacruz anseia tirar a tristeza dos ombros da Humanidade atormentada, porém, uma das lições mais difíceis de se aprender é que a atitude de cada inteligência espiritual em relação ao Espírito evolutivo é aquela de esperar pelo convite que dissipará a escuridão. Não é falta de compreensão, é uma sabedoria profunda. O ser humano não deve ser compelido; ele precisa ser livre. A vida evolui e o ser humano não é um escravo, mas um Deus em formação e seu crescimento não pode ser forçado, mas sim desejado, de dentro. A liberdade de ação é a força inerente do Espírito.

O Corpo, através do qual a vida opera, seja Astro ou ser humano, vem dos elementos e é uma partícula cristalizada formada com o propósito de adquirir experiências. A Alma vem das estrelas e o Espírito de Deus. Tudo que o intelecto pode conceber vem das estrelas e por estrelas não estamos nos referindo aos corpos físicos dos Planetas, mas a estados de consciência que existem no cosmos e que são representados pelas estrelas. Essas nobres e sublimes Hierarquias Divinas ou Hierarquias Criadoras, suas vidas, leis e seus princípios, são incorporados sob formas que permitem, a essa grande consciência, criar meios de vida e atividades futuras em uma escala muito maior do que a anterior.

Para realizar esse imenso projeto as Hierarquias Criadoras – Áries e Touro, em especial – trabalharam por livre vontade, para estabelecer uma base sobre a qual manifestações futuras da vontade do Pai possam se tornar evidentes.

Sendo uma força unificadora importante – um símbolo do princípio feminino na natureza – Touro surge para unir e combinar suas suaves e doces influências místicas com o poder arrebatador e a força enfatizada na atividade dinâmica da primeira das grandes Hierarquias Criadoras, Áries.

Através do poder da palavra, Deus criou tudo que existe no Universo, mas a manifestação completa dessa criação ainda não foi alcançada. As faculdades potenciais latentes estão sempre presentes, mas até que uma consciência se desenvolva e seja capaz de dirigir a força de maneira inteligente, não haverá um canal apropriado para a ação completa. Nosso próprio Esquema setenário de Evolução foi fundamentado no princípio de vida ligado ao princípio do amor e fez-se evidente sob a forma de duas grandes Hierarquias Criadoras: Áries e Touro.

Touro: Manifestação Feminina

Touro é a manifestação feminina da vida e sua expressão é suave, sedutora, doce, delicada e calma. Touro tem uma força nascida do amor, uma força unificadora que desafia a vontade dos elementos quando se propõe, com firme propósito, a realizar sua missão na Terra.

Touro é a grande mãe da Terra, que dá a vida e fertilidade. Todas as coisas vivas provêm de seu seio. Seu amor é um grande amor pela natureza e pelos seres humanos, criativo e possessivo, pois ela é muito pessoal e materna. O amor de Touro é um amor de sacrifícios e o maior sacrifício é dar a vida, algumas vezes no Mundo Físico outras nos Mundos superiores.

Touro une e funde seu corpo no abraço apaixonado de Áries. Não se quebra sob uma força intensa, mas adapta-se à vontade de seu amante. É nessa reação calorosa, nessa força unificante que se cria tudo que há de vir. Touro não se entrega sem reservas, abranda e resfria o temperamento de seu amante com delicadeza, paciência nascida da compreensão, amor, carinho firme e duradouro. Está ciente de que ele nada pode fazer por si só e, então, de própria vontade, sacrifica seu corpo pela criação de coisas ainda maiores do que as anteriores.

Isto não é um amor pessoal, mas, muitas vezes, os nativos de Touro se perdem em vidas possessivas, obscurecendo assim a própria visão. Não é um sacrilégio que esses grandes Seres criadores permaneçam na escuridão, quando a luz do Espírito está sempre esperando elevar a Humanidade acima da escravidão pessoal? É fácil ver que as características negativas dos nativos de Touro estão ligadas a fatos materiais da vida humana de hoje e não a potencial força de vida, amor e criação.

A beleza é a criação desse Signo, porque belo é também o nascimento. A beleza na arte e na cor, a força da criação em outro plano, representativa de uma fase de consciência tocada somente por uma profunda onda de sentimento, de grande poder e vida. Vênus, a filha de Touro, portanto, surge com todo seu doce charme, cor, curvas e maciez agradável de se tocar.

Touro não tem nenhum ardor ou fogo real, mas seu amor queima devagar e sempre. Áries é seu marido e amante, e todos os outros Signos são seus filhos. Esses Espíritos são velhos, porém, continuam sempre a trabalhar e a se desenvolver, embora os filhos de Áries e Touro raramente reconheçam seus divinos privilégios.

Emoções vulgares estão muito longe da Mente dos nativos de Touro. A força moral está construída sobre as mais puras intenções e quando os filhos de Touro começam a reconhecer e a desenvolver suas potencialidades criadoras, a mais firme e estável força do bem estará presente. Uma grande força supera a fraca e uma emoção mais forte pode tornar uma mais fraca, inativa. Se a emoção forte for de caráter elevado e nobre, irá, em consequência, elevar a mais baixa. Se a mais baixa for a mais forte, o resultado será a degradação. As emoções superiores evoluem e desenvolvem-se das mais baixas e, através do autocontrole e do esforço próprio, os vícios podem transformar-se em virtudes. Emoções, sentimentos e desejos não podem ser exterminados ou apagados, mas podem ser modificados para níveis mais altos. Os filhos de Touro podem sofrer críticas por suas emoções. O amor tem muitas formas, mas o verdadeiro amor de Touro é a força que une toda partícula do Universo e é o atributo mais forte do Espírito.

Amor é força divina. Corpo, Alma e Espírito tornam-se um só, como resultado da força coesiva dessa Hierarquia Criadora. Toda vez que uma forma é concebida, uma radiação ocorre, como um raio vindo de Deus, que provê o futuro ser humano com o Espírito. A qualidade adicional da Alma é continuamente absorvida e renovada, o que forma a essência espiritual do ser humano.

A experiência em cada renascimento abranda e molda a Vida numa grande força anímica. Somente experiências contínuas constroem a Alma que, por sua vez, juntando-se ao impulso inicial da própria vida, caminha para glorificar para sempre, nosso Pai no Céu.

Atributos divinos acendem uma chama correspondente. A vida surge para o próximo nascimento de uma Alma que, por sua vez, é irradiada e absorvida pelo Espírito.

A espiritualidade não deve ser considerada um estado de alto desenvolvimento intelectual. É o despertar para um estado de consciência completamente diferente e mais elevado do que aqueles geralmente encontrados nos planos materiais. Esse despertar pode ocorrer em pessoas de alto desenvolvimento intelectual, mas acontece com maior frequência naqueles que não são sofisticados e aqueles puros de Coração e de Mente.

Essa força criativa existe em Touro numa intensidade que oprime seus filhos, a menos que seus corações já tenham sido abrandados por um desenvolvimento extenso. Tendências sutilmente femininas expressas com o Sol (Espírito), em um Signo passivo e receptivo, indicam qualidades místicas elevadas.

Os pontos principais do taurino são determinação, autoconfiança, persistência, obstinação em alcançar seu objetivo e, geralmente, conseguem alcançá-lo com esse poder inato, agindo resolutamente, oferecendo uma excelente qualidade de força sobre a qual se pode construir e é bem possível, para os nativos de Touro, renascerem sob as circunstâncias e condições que ofereçam oportunidades para que desenvolvam inteiramente a verdadeira força desse Signo.

Em situação privilegiada, Touro é capaz de dirigir, amparar e ajudar muitos com a beleza, calma e simplicidade de uma personalidade inspirada, transmitindo pensamentos espiritualmente iluminados, que nascem da meditação e da contemplação das forças superiores com uma certeza prática. Touro reconhece a necessidade da perseverança e da concentração para alcançar o sucesso. Os nativos de Touro nada perdem do que está acontecendo ao seu redor, embora possam dar a impressão de que não estejam prestando atenção, mas na realidade estão concentrados nos objetivos que pretendem alcançar, porque vão às raízes de tudo a que se propõem.

Têm certeza de tudo e são completos, esmerados e cautelosos, mas são propensos a sentir rancor por uma familiaridade imprópria, especialmente em amizades recentes. O taurino desenvolvido e intelectual pode exercer uma influência poderosa naqueles que o cercam. Possuem um vigoroso magnetismo que atrai outros, e como a luz do Espírito que cresce em esplendor cada vez maior e aquece tudo que toca, eles preparam os corações dos seres humanos para uma pureza verdadeira, para reconhecerem a bondade em toda criação de Deus.

Touro possui valores venusianos: amor, beleza, arte e harmonia. Possui emoções cheias de graça e os instintos cultos da Humanidade.

Têm muito orgulho da dignidade pessoal e muitas vezes não perdoam, e essa é uma manifestação de sua pior característica, a inflexibilidade. Não se adaptam à certas condições o que favorece a cristalização. São constantes e leais com aqueles que amam, mas raramente, ou nunca, demonstram estes sentimentos exteriormente. Têm um grande potencial para a devoção.

Pelo menos exteriormente eles tendem a manter todas as convenções da vida; são conservadores e raramente visionários. Possuem profundas qualidades místicas que estão escondidas dentro deles. No casamento e na afeição são possessivos e minuciosos, embora amorosos, à sua maneira. Uma das principais tarefas para o nativo de Touro é aprender a receber, acatar e adotar novas ideias.

Quando têm tendências dominadoras tornam-se demasiadamente pessoais e possessivos, não estando expressando sua força interior e seu caráter.

Sua natureza calma, delicada e amorosa pode ter dificuldades em expressar seus verdadeiros sentimentos àqueles que não podem ver a beleza que abrigam em seus corações.

A força da natureza interior de um indivíduo será determinada pelo Sol. Para o iluminado taurino, combinações e Aspectos astrológicos benéficos asseguram-lhe meios de expressar a sua mensagem mística. Mesmo naqueles mapas onde muitos Aspectos benéficos estão dirigidos para um Astro, pode-se alertar para a habilidade do indivíduo de usar as faculdades representadas da melhor maneira possível. Contudo, ninguém possui nada que não seja adquirido.

Portanto, as faculdades de que se dispõem devem ter sido adquiridos com um propósito. Quando encontramos o Sol de Touro com Aspectos benéficos com Marte, temos uma indicação positiva de que essa pessoa possuirá fogo e vida, assim como as características mais fracas da natureza feminina. Mesmo quando o Aspecto formado for uma Quadratura: é melhor ter qualquer Aspecto ligado a Marte do que nenhum, porque isso gera atividade e ação que resulta em experiência, em desenvolvimento da alma, em progresso espiritual. Certamente algumas configurações são mais fortes que outras. Procure sempre a relação entre Marte e Saturno. Se estão com Aspectos benéficos, eles mostram onde os esforços constantes devem ser aplicados e algumas vezes com muita luta. Quanto estão com Aspectos adversos, mostram uma possível redenção dos erros passados. Isso, em consequência, produz crescimento e permite uma oportunidade de serviço, que deve ser bem aproveitada nessa vida, aqui e agora. Ao aceitar essa filosofia e ao viver uma existência dedicada àquilo a que se propôs, o nativo de Touro verá aumentada, no futuro, sua esfera de ação para o benefício do Corpo, da Alma e do Espírito. Ele é capaz de combinar os muitos desafios da vida com uma compreensiva aceitação das mensagens iluminadas e significativas que estão a sua disposição nessa grande Hierarquia Criadora.

Touro rege o Cerebelo

Para compreender alguns pontos que virão a seguir, devemos lembrar que Touro governa o cerebelo ou a parte posterior do crânio, o lugar dos movimentos involuntários e, também, o centro dos reflexos. Em uma determinada época, a Humanidade que evoluía era guiada por influências externas que agiam diretamente sobre esses centros subjetivos.

Em linha com o progresso evolutivo do ser humano uma individualização acontece. Isso é obtido quando o indivíduo é libertado dessas influências de direção e alcança meios pelos quais a consciência pode desenvolver-se em uma força dinâmica. Sem perder essa força positiva podemos, através da Meditação, colocarmo-nos em harmonia com a Lei Divina.

Ao sermos receptivos e ao corresponder à vontade dessas forças superiores, tornamo-nos canais autoconscientes para uma verdade e uma sabedoria que iluminam verdadeiramente o nosso caminho.

Não devemos supor que a manifestação ativa desses grandes princípios ou Hierarquias atuem ou ajam imediatamente. Ao contrário, essas faculdades são desenvolvidas somente por constante atenção a toda oportunidade disponível e em todos os planos de consciência, vida após vida, através de eons de tempo.

Experiências completas, conseguidas através de todas as tarefas executadas, ajudam o desenvolvimento da alma individual e a visão interior.

Ao mesmo tempo a imaginação é uma das mais fortes características femininas, e seu desenvolvimento consciente ou inconsciente, terá um papel importantíssimo para a natureza de um nativo de Touro.

Num mapa individual, onde indicações femininas estão preponderantemente ativas, será benéfico procurar atividades fortes e equilibradas nos Signos masculinos do Zodíaco. Quando isso acontece, o iluminado taurino pode harmonizar os dois caminhos, o místico e o oculto. Quando for construída uma ponte entre esses pontos radiantes, as limitações materiais enfraquecem e não exercem mais força sobre o Espírito em desenvolvimento. Olhar além das condições temporais, compreender o verdadeiro significado do amor, juntar o valor espiritual, a força produtiva, desenvolver a compreensão, ser um exemplo vivo desses ideais, aí está o verdadeiro desafio para Touro e, também, para aqueles cuja escolha esteja dirigida para as linhas avançadas do esforço. Quanto mais lutarmos por um ideal mais provas e testes encontraremos em nosso caminho.

O sacrifício de Touro produzindo vida contínua é uma qualidade extraordinária. Sem sua força coesiva-unificante, seu poder de unir pelo amor, não haveria muitas das coisas organizadas que existem no Reino de Deus. Essa polaridade, a combinação do positivo com o negativo, do masculino com o feminino, é que fazem a força dos mais inteligentes filhos desse Signo.

(de Thomas G. Hansen – com prefácio da Fraternidade Rosacruz de Campinas – SP – Traduzido do original inglês: Zodiacal Hierarchies de Thomas G. Hansen e publicado na revista Rays from the Rose Cross da The Rosicrucian Fellowship, no período de abril de 1980 a março de 1981 – publicada na Revista Serviço Rosacruz da Fraternidade Rosacruz-SP em maio de 1982)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por que deveria Jesus perder a experiência correspondente aos trinta anos que já vivera, uma vez que ele havia ocupado esses veículos e os Átomos-sementes voltaram a ele depois que Cristo cessou de usá-los?

Pergunta: Por que deveria Jesus perder a experiência correspondente aos trinta anos que já vivera, uma vez que ele havia ocupado esses veículos e os Átomos-sementes voltaram a ele depois que Cristo cessou de usá-los?

Resposta: Essa pergunta decorre do que se declarou anteriormente, isto é, que quando Jesus deixou o seu veículo ao cargo do Cristo, ele perdeu com isso a experiência dos trinta anos que já vivera, e isso é verdade.

As experiências ficam realmente registradas no Átomo-semente, e quando Jesus recebeu esses Átomos-sementes após a morte no Gólgota, ele recebeu, desse modo, um registro da experiência, mas o Corpo Vital é que recebeu o impacto das experiências. Jesus viveu seu céu e seu inferno diariamente, como todo verdadeiro Probacionista o faz, e gravou a experiência no Corpo-Alma que foi entregue a Cristo.

O Corpo-Alma, os dois Éteres superiores que cresceram durante a vida na Terra, incluindo naturalmente os três anos em que foi habitado por Cristo, continua faltando a Jesus.

Aquele não será devolvido até que o Dia da Libertação e o Milênio tenham chegado e passado, de modo que o Cristo tenha completamente acabado a necessidade de utilizar o Corpo Vital que Ele recebeu de Jesus.

Então, naturalmente, o crescimento anímico alcançado por Cristo recairá sobre Jesus em decorrência da Lei de Atração, e ele se tornará muitíssimo mais rico do que o seria se não tivesse sacrificado o seu corpo dessa maneira. É por essa razão que declarei, como opinião pessoal, que Ele seria o mais elevado ser sobre a Terra, devido a esse fato.

(Pergunta nº 98 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol II-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Inalação da queima de Incenso pode prejudicar o Desenvolvimento Espiritual?

Pergunta: A Fraternidade Rosacruz desaconselha à queima de incenso, alegando que sua inalação pode deixar o indivíduo à mercê ou influenciado por espíritos Elementais, cuja atividade negativa induz a sensualidade ou outras práticas perniciosas. O que se pode afirmar com referência à queima de incenso nas igrejas?

Resposta: Para um espírito desencarnado ou Elemental influenciar uma pessoa necessita agir sobre seus centros cerebrais. Porém, ele só pode realizar isso se dispuser de um veiculo suficientemente denso. Caso um Elemental consiga utilizar um veículo dessa natureza poderá impressionar ou incitar moral ou mentalmente uma pessoa, dependendo do caráter e capacidade de autocontrole dela.

Ao queimar-se incenso em um recinto, a fumaça constitui por si só um veículo de tal densidade que poderá ser usado facilmente por qualquer entidade fim ao grau de vibração daquela espécie particular de incenso. Esse veículo abre a entidade Elemental um caminho de acesso aos centros cerebrais. Ao ser inalado oodor, irá inalar também o espírito Elemental, afetando a pessoa conforme sua natureza ou suscetibilidade.

Um indivíduo altamente evoluído, possuidor de visão espiritual desenvolvida, tendo a possibilidade de ver e reconhecer a verdadeira natureza dos vários seres existentes nos Mundos invisíveis pode queimar incenso, utilizando-o como veículo para entidades auxiliadoras. Contudo, somente os Iniciados podem se dedicar a essa prática e, mesmo assim, em perfeita conexão com as Escolas de Mistérios.

Quanto às igrejas, o incenso por elas empregado é de natureza comercial e não específica, embora ainda não tenhamos dados exatos sobre isso, o incenso, quando preparado especificamente por uma pessoa ignorante ou movida por sentimentos egoístas, torna-se veículo para entidades de natureza semelhante que, revestindo-se da fumaça e do odor, incitam outras pessoas a atos imorais ou criminosos. Quando a prática é constante, o espírito obsessor adquire tal controle sobre sua vítima, a ponto de conduzi-la a estados similares ao frenesi epiléptico ou a espasmos motores idênticos aos produzidos pela coreia de Sydenham ou “dança de São Vito”.

NT: Corinne Heline, no terceiro volume de sua obra “A interpretação da Bíblia pela Nova Era”, relata que o incenso empregado nas igrejas facilita a influência do sacerdote sobre o público que inala a fumaça, tornando-a mais passível de aceitar suas emanações ou intenções, enquanto pastor de um rebanho. Desse modo, por ser um ambiente que representa o polo passivo e puramente devocional de desenvolvimento espiritual, as pessoas ficam neste estado de consciência passiva, recebem maior influência pelo incenso, que é uma resina. Não significa que a pessoa que inala o incenso não possa ter a força de vontade suficiente para superar qualquer influência externa. Em verdade, uma consciência positiva, apesar de muita fé em Deus, jamais se deixa levar por influências externas.

Vale também lembrar que a simbologia do incenso nada tem a haver com o ato de queimar incenso: em histórias mitológicas, a palavra incenso significa Alma. Por exemplo, diz-se que o menino Jesus recebeu Ouro, Mirra e Incenso dos três Reis Magos. O Ouro aqui representa o Espírito; a Mirra os Corpos; e o Incenso a Alma.

Pelo exposto pode-se concluir sobre a periculosidade do uso indiscriminado do incenso.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1966- traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross”- Fratrernidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Retrospectiva Oculta

Que estamos cercados por Mundos invisíveis, povoados de seres invisíveis e que podemos, sob certas circunstâncias, comunicar-nos com aqueles que passaram para além véu é uma crença tão antiga quanto a civilização humana. Houve momentos na história do Mundo em que foram feitas tentativas de suprimir essa crença, mas ela ainda sobrevive fortemente em nossas comunidades atuais. Embora nos tempos modernos a ciência tenha se esforçado, às vezes, para matar essa crença como sendo ridícula, descobertas científicas e recentes tendem a justificar a fé em fenômenos ocultos, em vez de desencorajá-la.

A Bíblia dá uma justificativa considerável para essa crença de que é possível se comunicar com aqueles que estão nos Mundos invisíveis — os chamados mortos. Conta-nos que a Bruxa de Endor[1] invocou o fantasma de Samuel a pedido de Saul. Podemos raciocinar, é claro, que a Bruxa de Endor fosse uma impostora, mas a Bíblia não diz isso. É possível que essa passagem dramática da Bíblia tenha feito mais do que qualquer outra coisa para preservar a crença popular na comunicação com os espíritos que partiram e essa crença é mantida entre algumas das pessoas mais esclarecidas do mundo. É verdade que a Bíblia condena Saul por tentar invocar o fantasma de Samuel e esse desastre veio de seu experimento ousado. Também pode ser que isso tenha sido um fator para dar má reputação às tentativas de comunicação com os mortos e com todas as relações geralmente conhecidas sob o nome de magia; no entanto, é um fato histórico que os primeiros cientistas eram todos magos e lidavam com espíritos desencarnados e seres que já tinham partido. Os sacerdotes babilônicos e egípcios eram os mais ilustres desses praticantes de magia e, no entanto, sem dúvida fizeram um progresso considerável no que hoje é chamado de ciência natural. Esses primeiros sacerdotes orientais eram sobretudo astrólogos e sempre misturavam o lado oculto com seus estudos de astronomia, como bem demonstrou Richard Proctor[2] em seu livro sobre o Observatório da Grande Pirâmide[3].

Os árabes foram os pioneiros da matemática, a mais exata de todas as ciências, e ainda assim eram astrólogos e crentes profundos na magia. Eles adoravam os Anjos das estrelas, os Espíritos Planetários, que nunca perderam seu lugar na Religião e estão incorporados nos rituais católicos de hoje.

Ao longo da Idade Média, a crença na magia e nos espíritos invisíveis, que estão ao nosso redor, persistiu e não era fomentada apenas entre as classes mais baixas; na verdade, era mais forte entre as pessoas mais civilizadas, embora em lugares frequentados pelo mal e pela degradação. Tanto a Igreja quanto o Estado tentaram eliminá-la, mas sem sucesso; talvez porque muitos dos que tinham autoridade fossem os mais fortes crentes na magia e praticantes da ciência.

O irmão do rei Luís XIV da França, oficialmente conhecido como “o rei mais Cristão”, e muitos membros da corte foram descobertos realizando orgias secretas, sessões espíritas com os espíritos dos mortos e “adorando Satanás”. Segundo a história, os parentes do rei e alguns dos personagens mais importantes da aristocracia da França foram salvos por sua posição, mas os de posição inferior foram torturados e executados por seus pecados. Mágicos famosos como Johannes Trismegisto[4] dominavam comunidades inteiras; até os Rosacruzes foram acusados de praticar ritos misteriosos em segredo e incluíam os membros mais ricos e importantes da sociedade; mas eles, é claro, não estavam preocupados com o fenômeno de conjurar os espíritos dos mortos. Eles tinham outros trabalhos mais importantes a fazer e qualquer magia que praticassem naquela época, ou hoje, seria pura e branca, sem o menor toque da magia impura e negra, o que caracterizava quase todo o resto daqueles que praticavam as sessões secretas.

A ciência moderna, que se diz ter começado com Francis Bacon[5], fez desde o início as mais sérias incursões nas reivindicações dos magos, astrólogos e todos os negociantes do ocultismo; embora o próprio Bacon, sendo adepto do Rosacrucianismo, não estivesse relacionado com essas perseguições de forma alguma. É verdade que os fenômenos dos magos não suportariam a investigação por métodos de laboratório na fria luz do dia e há muitas razões pelas quais esses fenômenos só podem ser produzidos no escuro, mas isso não justifica a alegação de que eles sejam fraudulentos.

Não podemos usar uma câmera para fotografar em um lugar escuro, porque as vibrações no Éter são muito lentas; nem podemos materializar um espírito à luz do Sol, porque as vibrações etéricas são muito rápidas e despedaçariam a estrutura tênue da qual o corpo espiritual é formado. Esse é um fato que nem mesmo a ciência compreende nos dias atuais. Por causa dessas perseguições tolas e falsos apelos à razão e ao intelecto, as classes econômicas-sociais mais elevadas começaram a ficar mais céticas em relação à magia e comunicação com os espíritos que partiram; apenas as chamadas classes “ignorantes” e pessoas de disposição extraordinariamente sensível se apegaram a elas. Deve-se dizer que esses últimos sempre foram numerosos, mesmo nas classes mais altas da sociedade. A rainha Maria Antonieta[6], no final do século XVIII, acreditava e praticava o espiritismo e em nossos dias o Czar da Rússia tem sido muito criticado pela amizade que demonstrava com Rasputin, o monge que, segundo todos os relatos, era um ocultista de primeiro nível, seja da escola negra ou da branca.

Em meados do século XIX, a ciência moderna aparentemente havia esmagado a magia antiga e tudo o que a acompanhava; a própria palavra “ocultista” ou “mágico”, que uma vez causou terror na Mente das pessoas, foi então dada a prestidigitadores e faquires viajantes, gente que retirava coelhos e tigelas de peixinhos dourados da cartola. A ciência havia quase totalmente reprimido a prática de fenômenos ligados ao ocultismo, mas então veio a onda irresistível do espiritismo. De várias partes do mundo, principalmente da América, chegaram relatos de materialização de espíritos em que os falecidos eram vistos e ouvidos em grupos reunidos com o objetivo de evocá-los por meio de um médium.

A ciência travou uma luta dura e amarga, mas a crença não pôde ser derrubada; na verdade, cresceu e se desenvolveu à medida que a ciência gritava “é fraude!”; finalmente, invadiu até as fileiras dos cientistas, transformando alguns dos principais entre eles de escarnecedores a defensores ardentes, pois eles viram que esses fenômenos estavam de acordo com as modernas descobertas científicas e quanto mais a ciência avançou em suas investigações dos segredos da natureza, mais se descobriu que esses fenômenos psíquicos estão de acordo com a operação das leis naturais descobertas.

De fato, as maravilhas das descobertas científicas quase rivalizam com as mais loucas e fantásticas afirmações dos antigos magos: forças invisíveis reproduzem a voz humana e mensagens voam pelo ar ao redor do mundo sem sequer um fio para guiá-las. A levitação foi realizada por meios mecânicos e muitas outras maravilhas modernas, em parte devido à descoberta da eletricidade, a mais maravilhosa de todos os nossos servidores modernos, estão forçando a crença nos Mundos invisíveis e nos espíritos que vivem neles. Aqui está uma força que é invisível, intangível, imponderável, mas capaz de exercer os mais tremendos poderes, capaz de tirar a vida e destruir qualquer obra da mão humana em um segundo. Aqui está um poder que realiza praticamente tudo o que foi reivindicado pelos antigos magos, ao realizar o que chamamos de “milagres”. É bem sabido que os sacerdotes dos templos egípcios, e outros, criaram os efeitos mais inspiradores ao produzir uma voz humana falando do vazio. Hoje, o mesmo fenômeno pode ser visto nas chamadas “sessões de trombeta”[7], em que espíritos desencarnados falam por meio de uma espécie de trombeta; mas, temos em nossas casas instrumentos semelhantes como o telefone e o fonógrafo, que são operados pela voz humana. Então, no que diz respeito à telegrafia sem fio, devido em grande parte às pesquisas de Sir Oliver Lodge[8], que desde então se tornou o mais forte crente em fenômenos psíquicos, por esse uso da eletricidade, as vibrações são feitas para fluir completamente ao redor do mundo, transportando mensagens, sem impedimentos, por montanhas, desertos e todas as obstruções naturais. Isso é semelhante às mensagens e comunicações telepáticas, que são frequentemente registradas como feitos dos antigos magos, feitos que são duplicados todos os dias em milhares e milhares de situações, às vezes conscientemente ou, com mais frequência, de forma inconsciente.

Talvez pensemos em uma certa melodia e alguém na sala comece a cantarolá-la. Às vezes, ao visitar um amigo, somos recebidos com um “Ah, eu estava querendo ver você”, o que mostra, se pensarmos bem, que respondemos a uma mensagem de telepatia. De mil e uma outras maneiras estamos nos tornando pensadores cada vez mais poderosos e mais sensíveis aos pensamentos dos outros. Foi essa faculdade conscientemente cultivada entre os magos do passado que os capacitou a realizar muitos dos seus célebres fenômenos; chegará o tempo, em um futuro não distante, em que seremos capazes de ler os pensamentos uns dos outros e transmiti-los de cérebro em cérebro sem a intervenção da fala, da escrita ou de qualquer um dos métodos de comunicação atualmente conhecidos.

Entre outras maravilhas científicas e relacionadas com a magia antiga, podemos citar também os raios-X, descobertos por Sir William Crookes[9], que nos permitem ver através de um objeto sólido. Isso está de acordo com os poderes descritos como Clarividência ou visão espiritual, possuídos por todos os ocultistas antigos e por um número cada vez maior de pessoas que vivem agora no mundo. Os raios-X também existem por causa dessa grande eletricidade mágica, mas são apenas um pobre substituto para os poderes da visão espiritual, que permitem ao seu possuidor ver igualmente bem o que acontece do outro lado do globo ou na sala em que está sentado. É digno de nota que Sir William Crookes, assim como Oliver Lodge, seja um crente em fenômenos ocultos e foi levado a isso por suas descobertas científicas, que mostraram que deve haver Mundos invisíveis; seus experimentos o convenceram da possibilidade de comunicação com aqueles que partiram desta vida e agora estão vivendo nesses Mundos invisíveis.

É impossível catalogar em um artigo de revista todas as descobertas científicas e a respectiva conexão com, ou influência sobre, o assunto da comunicação com o Mundos invisíveis e os espíritos invisíveis no ar. Mas, em vista de todos os fatos científicos, não podemos escapar da conclusão de que o espírito humano continuará a existir à parte do seu Corpo Denso; essas descobertas científicas apontam para um tempo não muito distante em que todos veremos sem os olhos físicos, ouviremos sem os ouvidos físicos e falaremos sem  a língua física.

Em vista do que foi realizado, não se trata de mera especulação ociosa, mesmo do ponto de vista científico, e há um valor legítimo na entrega a tais sonhos, como os “homens de ciência” os chamariam, pois nada jamais foi alcançado como fato físico sem que antes não tivesse sido objeto de sonho. Se Alexander Graham Bell, o inventor do telefone, não tivesse sonhado com a possibilidade de comunicação por tais meios, não teríamos hoje esse valioso instrumento. Se Morse não tivesse sonhado com a travessia do espaço por um fio para transmitir mensagens ao longo desse minúsculo condutor por meio de eletricidade, não teríamos agora o telégrafo. Se Edison não tivesse sonhado com a luz elétrica, isso hoje não estaria incluído entre as conveniências que empregamos… Esses sonhos ajudam o trabalhador individual a alcançar seu objetivo e estimulam o interesse e o entusiasmo nos outros. Por isso, é útil quando os cientistas de Mente mais aberta olham para o futuro para ver qual poderá ser a linha do progresso e é ridículo ouvi-los dizer que o espírito humano seja uma forma de eletricidade, mas isso pode ajudá-los a enxergar a direção certa. Alexander Graham Bell, por exemplo, imagina que chegará o dia em que as pessoas andarão com bobinas de arame sobre suas cabeças, comunicando pensamentos uns aos outros por indução. Ele não sabe que o ser humano tem a energia dinâmica e interna para transmitir essas vibrações sem outro instrumento além do cérebro; mas é interessante estudar a ideia científica. Resumidamente, a hipótese científica de que as Mentes possam se intercomunicar diretamente se baseia na teoria de que o pensamento ou a força vital seja uma forma de distúrbio elétrico que pode ser captado por indução e transmitido à distância por meio de um fio ou simplesmente através do onipresente Éter, como no caso da telegrafia sem fio.

Há muitas analogias que sugerem que o pensamento seja da natureza de uma perturbação elétrica; isso é para a Mente científica. Um nervo, que é da mesma substância que o cérebro, é um excelente condutor de corrente elétrica. Quando os cientistas passaram pela primeira vez uma corrente elétrica pelos nervos de um homem morto, ficaram chocados e surpresos ao vê-lo sentar-se e mover; os nervos eletrificados produziram a contração dos músculos como faziam em vida.

Os nervos pareciam agir sobre os músculos da mesma forma que a corrente elétrica age sobre um eletroímã. A corrente magnetiza uma barra de ferro colocada em ângulo reto a ela e os nervos produzem (eletricidade) através da corrente intangível de força vital que flui através deles, contraindo as fibras musculares que estão dispostas em ângulo reto a elas.

Seria possível citar muitas razões pelas quais o pensamento e a força vital possam ser considerados, do ponto de vista científico, essencialmente iguais à eletricidade. A corrente elétrica é considerada um movimento de onda no Éter, a substância hipotética que alguns da ciência admitem que preenche todo o espaço e permeia todas as substâncias. Esses cientistas acreditam que deve haver Éter porque sem ele a corrente elétrica não poderia passar pelo vácuo nem a luz do Sol pelo espaço; portanto, é razoável acreditar que apenas um movimento ondulatório de caráter semelhante possa produzir os fenômenos do pensamento e da força vital; eles supõem que as células cerebrais ajam como uma bateria e que a corrente produzida por elas flua ao longo da linha dos nervos. Nessa ideia eles estão muito próximos dos fatos reais, pois é sabido e ensinado pelos ocultistas, que podem ver esses fenômenos por meio da visão espiritual, que a força solar entra no corpo humano através do baço e seja dirigida do Plexo Celíaco, através dos nervos, para todas as diferentes partes do corpo, nas quais aparece como um fluido cor-de-rosa; é esse fluido que produz os fenômenos vitais. Isso é muito parecido com a eletricidade, mas não é de forma alguma o Ego, assim como o operador em uma estação de telégrafo não é idêntico à corrente que flui através do fio elétrico. Do mesmo jeito que o operador do telégrafo direciona a corrente para o fio ou através do Éter e envia a mensagem para o vasto mundo, também o Ego no corpo pode utilizar esse fluido vital para vestir a mensagem-pensamento e enviá-la em qualquer direção que ele queira, depois de passar pelo treinamento adequado de como usar esse fluido, como o operador de telégrafo é submetido a um curso de treinamento funcional para aprender a usar as teclas que controlam a força elétrica que acelera ao longo dos fios ou através do Éter.

No livro Conceito Rosacruz do Cosmos é dada uma tabela de vibrações que foi compilada por cientistas; um estudo dessa tabela revela o fato de que existem muitas lacunas ou taxas de vibração cujos efeitos são desconhecidos. É um fato notável que quase todos os passos recentes da ciência estejam relacionados com descobertas de vibrações até então desconhecidas. Suponha que possamos fazer uma barra de ferro vibrar em qualquer frequência desejada, em um quarto escuro; a princípio, ao vibrar lentamente, seu movimento será indicado apenas por um sentido, o do tato. Assim que as vibrações aumentarem, um som baixo emanará dela, o que apelará a dois sentidos, tato e audição. A cerca de 32.000 vibrações por segundo o som será alto e estridente, mas a 40.000 vibrações por segundo será silencioso e seus movimentos não serão percebidos pelo toque; na verdade, somos incapazes de senti-la. Desse ponto até 1.500.000 de vibrações por segundo, não temos sentido que possa apreciar qualquer efeito das vibrações intervenientes. Atingido esse estágio, seu movimento é indicado primeiro pela sensação de temperatura; depois, quando a haste fica incandescente, pelo sentido da visão; a 3.000.000 de vibrações por segundo emite uma luz violeta; acima disso passa pelos raios ultravioletas e outras radiações invisíveis, algumas das quais podem ser percebidas por instrumentos empregados por nós.

No entanto, quando a ciência aprender a perceber o efeito dessas vibrações nas grandes lacunas em que os sentidos humanos são incapazes de ouvir, ver ou sentir o movimento, então ela estará em contato com aqueles poderes que são exercidos na Clarividência e na Clariaudiência, visão espiritual e audição espiritual, respectivamente. Então, não será uma questão de fé se existem Mundos invisíveis ou se eles são habitados por pessoas que anteriormente viveram entre nós no Mundo Físico, mas todos saberão e verão por si mesmos.

A ciência tem feito um trabalho maravilhoso em seus esforços para lidar com os problemas que a confrontam, mas sempre foi limitada, porque depende de instrumentos. Uma bobina de fio pode ser, e é, usada com esplêndido efeito na transmissão de uma onda sem fio para os cantos mais distantes da Terra; contudo, bobinas de fio são desnecessárias ao redor da cabeça humana para transmitir pensamentos e o que os cientistas precisam reconhecer é a limitação de seus instrumentos para começar a cultivar os poderes dentro de si, pois todo ser humano tem esses poderes espirituais e latentes dentro de si mesmo e nossa evolução futura depende do desenvolvimento deles. O telefone é apenas uma muleta para nos permitir ouvir melhor com nossos ouvidos. O telescópio é outra muleta para nos permitir ver melhor com nossos olhos. O microscópio é outra que nos ajuda a perceber o infinitamente pequeno, assim como o telescópio revela o infinitamente grande; mas, além desses órgãos dos sentidos temos órgãos mais sutis e forças mais sensíveis que algum dia entrarão em uso. Se Alexander Graham Bell tivesse vivido na Idade das Trevas e produzido seu telefone, as chances maiores seria de que ele teria sido queimado como um mago maligno. Se Edison tivesse vivido e produzido sua luz elétrica e fonógrafo naquela época, ele provavelmente teria compartilhado o mesmo destino. Hoje, mesmo aqueles que possuem os sentidos mais apurados são vistos como fraudulentos e excêntricos; apenas o fato de que o sentimento geral é contrário à violência os protege de serem confinados em prisões ou manicômios. No entanto, as lágrimas que fluem de milhões de olhos e o anseio que quase quebra milhões de corações por um vislumbre ou mensagem daqueles que morreram aqui e estão vivendo nos Mundos celestes estão gradualmente desgastando a escama dos olhos e sintonizando um grande número às vibrações da visão e audição espirituais. E os pensamentos dos “mortos”, seu desejo de se comunicar com os amigos que deixaram para trás, são uma força dinâmica e igualmente intensa. Dois grandes exércitos estão, assim, abrindo túneis na parede da grande divisão e logo a fé e a esperança darão lugar ao conhecimento direto, em primeira mão, de que os mortos vivem, pois então veremos e nos comunicaremos com eles à vontade, tão facilmente quanto fazemos agora com os que chamamos de vivos.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto/1918 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: A Bruxa de Endor é um personagem bíblico do Antigo Testamento, de aparição principal no Primeiro Livro de Samuel. Trata-se de uma necromante em Endor que aconselha ao rei Saul antes de este batalhar contra os filisteus (ISm 28:7-25).

[2] N.T.: Richard Anthony Proctor (1837-1888) foi um astrônomo inglês.

[3] N.T.: Richard A. Proctor – The Great Pyramid. Observatory, Tomb, and Temple – 1888

[4] N.T.: um autor do século XIX que escrevia sob o pseudônimo Johannes Trismegistos ou Johannès Trismégiste e que praticava a Cafédomancia e o tarô.

[5] N.T.: Francis Bacon, 1°. Visconde de Alban, também referido como Bacon de Verulâmio (1561-1626) foi um político, filósofo, cientista, ensaísta inglês, barão de Verulam (ou Verulamo ou ainda Verulâmio) e visconde de Saint Alban. É considerado como um dos fundadores da Revolução Científica.

[6] N.T.: Maria Antônia Josefa Joana de Habsburgo-Lorena (em alemão: Maria Antonia Josepha Johanna von Habsburg-Lothringen; francês: Marie Antoinette Josèphe Jeanne de Habsbourg-Lorraine; 1755-1793) foi uma arquiduquesa da Áustria e rainha consorte da França e Navarra.

[7] N.T.: Para os que acreditavam nesse método, o ato de mediunidade de trombeta é melhor definido como “mediunidade de voz direta”. Embora não seja comumente usados hoje, os primeiros espiritualistas estariam muito familiarizados com esses objetos misteriosos. O Spirit Trumpet é um cone cilíndrico com um bocal estreito que geralmente se expande em três partes em um megafone semelhante aos tradicionais “trompetes falantes” empregados por líderes de torcida em eventos esportivos. Os espíritas fabricaram as primeiras trombetas espirituais de papelão ou metal, mas depois incorporaram designs mais elegantes e caros usando alumínio ou estanho. Varejistas especializados como Everett Atwood Eckel, de Indiana, lucraram com sua crescente popularidade vendendo os dispositivos estranhos por US$ 2 ou US$ 3 por meio de anúncios publicados em “Psychic Power” e outros periódicos espiritualistas. A “trombeta do espírito” foi originalmente criada por espíritas que afirmavam poder ampliar os sussurros dos espíritos presentes em um círculo. É por isso que alguns espiritualistas descrevem as trombetas espirituais como os “aparelhos auditivos” originais ou “trombetas de ouvido” para as vozes do além.

[8] N.T.: Sir Oliver Joseph Lodge (1851-1940) foi um físico e escritor britânico envolvido no desenvolvimento e detentor de patentes importantes para o rádio. Ele identificou a radiação eletromagnética independente da prova de Hertz e em suas palestras da Royal Institution de 1894 (“O trabalho de Hertz e alguns de seus sucessores”), Lodge demonstrou um detector de ondas de rádio inicial que ele chamou de “coerente”. Em 1898 ele foi premiado com a patente “sintônica” (ou tuning) pelo Escritório de Patentes dos Estados Unidos. Lodge foi diretor da Universidade de Birmingham de 1900 a 1920. Marcado pela morte de seu filho caçula na I Guerra Mundial, Sir Oliver Lodge discorre sobre a sobrevivência da alma, e consequentemente da existência do espírito fora das contingências da vida transitória do corpo físico. A ciência moderna encaminhou suas atividades para o campo dos fatos espirituais a fim de conhecer sua gênese e meios de manifestação, à luz dos processos da experimentação e observação. A sua sentença e resposta é afirmativa: Há espíritos. A sobrevivência é uma realidade.

[9] N.T.: William Crookes (1832-1919) foi um químico e físico britânico. Frequentou o Royal College of Chemistry em Londres, trabalhando em espectroscopia. Em 1861, descobriu um elemento que tinha uma linha de emissão verde brilhante no seu espectro, ao qual deu o nome de tálio, do grego thalos, um broto verde, que é o elemento químico de número atômico 81. Também identificou a primeira amostra conhecida de hélio, em 1895. Foi o inventor do radiômetro de Crookes, vendido ainda como uma novidade, e desenvolveu os tubos de Crookes, investigando os raios catódicos.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Espírito de Cristo e a Panaceia Espiritual

Agosto de 1912

Você lembra de ter lido no livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” sobre como nos tempos de Noé até os tempos de Cristo, sob o regime de Jeová, o egoísmo universal foi fomentado em toda a humanidade. Disseram ao homem: “O céu é o céu do Senhor, mas a terra, ele a deu para os filhos de Adão[1]. Assim, o ser humano se viu forçado a procurar posses materiais e não tinha noção dos tesouros do Céu, que são os frutos do autossacrifício. Em consequência disso, sua vida espiritual se tornou cada vez mais estéril; o seu progresso espiritual decaiu e, a menos que um novo impulso lhe fosse fornecido, seu progresso espiritual teria cessado definitivamente.

Então, o Espírito do Cristo Cósmico, o “Redentor”, começou o Seu beneficente trabalho e, finalmente, conseguiu obter o acesso à Terra, mediante o “Sangue purificador de Jesus”, quando fluiu no Gólgota; e, agora, o Espírito do Cristo está trabalhando de dentro do nosso globo para atenuar os seus constituintes físicos e suprafísicos. Um enorme influxo espiritual foi sentido no momento em que Ele tomou posse total da Terra no Gólgota; tão grande que, verdadeiramente, aquela intensidade de luz cegou o povo. Desde aquele momento, o princípio do altruísmo começou a ter uma influência maior sobre a Onda de Vida humana; gradualmente, vamos deixando de olhar exclusivamente para os nossos próprios interesses, e estamos acumulando tesouros ao se interessar no bem-estar do nosso próximo. Se não fosse a vinda de Cristo, outra Lua deveria ter sido expelida para nos livrar dos piores elementos, mas fomos salvos graças ao sacrifício do Espírito do Cristo Cósmico – um sacrifício que não envolve a Sua morte, como comumente é entendido, mas que é uma infusão da Terra com a vida superior que nos capacita viver mais abundantemente no espírito.

Nós temos uma analogia entre essa vinda de Cristo à Terra e a administração da Panaceia espiritual, de acordo com a lei: “Como é em cima, assim é embaixo”. Em cada pequena célula do corpo humano há uma vida celular separada, mas, sobre e acima disso está o Ego que dirige e controla todas as células para que atuem em harmonia. Durante certas doenças prolongadas, o Ego se torna tão concentrado no seu sofrimento que cessa de vivificar plenamente as células; assim, as doenças corporais acarretam a inação mental e pode se tornar impossível se livrar da doença sem um impulso especial para dissipar a confusão mental e reiniciar as atividades das células. É isto que a Panaceia Espiritual faz. Assim como a dádiva da vida de Cristo no Gólgota começou a dissipar a nuvem do medo, criada pela lei inexorável que pendia sobre a Terra como uma mortalha, e assim como isso deu início a que milhares de pessoas encontrassem o caminho da paz e da boa vontade, assim também, quando a Panaceia é aplicada, a vida de Cristo nela concentrada penetra no corpo do paciente, e infunde cada célula com um ritmo que desperta o Ego aprisionado de sua letargia, devolvendo-lhe a vida e a saúde. Que Deus nos permita poder levar, o mais rapidamente possível, essa elevada dádiva à humanidade sofredora.

(Carta nº 21 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Sl 115(113B) (16)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Calendário: Fraternidade Rosacruz em Campinas/SP/Brasil–2022–Maio

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porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Cruz e a Crucifixão ou Crucificação

Como todos os símbolos que temos, os significados da cruz são muitos. Um deles é que ela é o símbolo oculto da vida humana em sua relação com as correntes vitais.

Ou como disse Platão: “A Alma do Mundo está crucificada”. Ou seja, no Mundo Físico temos Quatro Reinos de vida ou Ondas de Vida que estão representados na cruz: Mineral, Vegetal, Animal e Humano.

O Reino Mineral constitui-se de todas as substâncias químicas, qualquer tipo que seja; assim, a cruz feita de qualquer material dessa Região Química é o símbolo desse Reino.

A parte inferior da cruz é o símbolo do Reino Vegetal, porque tem as suas raízes na Terra química e porque os Espíritos-Grupo que dirigem os seres do Reino Vegetal estão no centro da Terra de onde enviam as correntes espirituais em direção à periferia da Terra.

A parte horizontal da cruz é o símbolo do Reino Animal, porque sua espinha dorsal é horizontal e por ela passam as correntes espirituais dos Espíritos-Grupo que dirigem os animais, e que tem uma direção circundante à Terra.

A parte superior da cruz é o símbolo do Reino Humano, porque o ser humano é um ser vegetal invertido.

Senão vejamos:

  • O ser vegetal absorve seus alimentos por baixo, pelas raízes e o ser humano absorve seus alimentos por cima;
  • O ser vegetal dirige seus órgãos sexuais para o Sol e o ser humano dirige os seus para o centro da Terra;
  • Enquanto o ser vegetal é sustentado pelas correntes espirituais dos Espíritos-Grupo que vem do Centro da Terra, o ser humano recebe do Sol a sua influência espiritual mais elevada;
  • O ser vegetal absorve o dióxido de carbono e exala para cima o vivificante oxigênio e o ser humano absorve a força advinda dos raios solares que descem da cabeça para baixo.

Outro significado da cruz é a sua representação como o conflito entre as duas naturezas aludidas por São Pedro em sua Primeira Epístola (2:1): “Eu vos rogo que vos abstenhais dos desejos carnais que lutam contra a alma.”.

Nesse sentido, são muito significativas as palavras de Cristo que temos no Evangelho Segundo São Mateus (16:24): “Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”.

Para muitos parecem dura essas palavras. Muito mais duro, porém, será de ouvir aquela sentença final: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno” (Mt 25:41).

Pois a orientação do Esquema de Evolução traçado pelo nosso Pai e Criador, Deus do nosso Sistema Solar, é clara: uma vez conquistado, dominado e aprendido a trabalhar conscientemente com o material químico da Região Química do Mundo Físico, devemos partir para a Região Etérica do Mundo Físico.

Já alcançamos o nadir da materialidade, o ponto mais denso da Região Química do Mundo Físico, e conquistamos a Região Química do Mundo Físico, ainda lá na segunda fase da Época Atlante (hoje já estamos na Época Ária).

Para isso, devemos nos desapegar de tudo que tenha a conotação de posse material, de egoísmo, de ignorância, de preguiça, de desperdício, de foco nessa Região Química do Mundo Físico.

Em outras palavras, saibamos ou não já cumprimos a nossa missão de descida dos Mundos suprafísicos para essa parte do Mundo Físico, qual seja:

Agora é tempo de voltar para o Pai. Esse tempo foi anunciado por Cristo, nosso único Mestre e Salvador há mais dois mil anos atrás.

E o que significa voltar?

Significa entrar numa nova etapa da evolução, agora na direção “para cima e para frente”.

Aprendendo, daqui:

  • A desapegar-se de todas as posses individuais, sejam materiais, emocionais, sentimentais que nos aprisiona aqui na Região Química do Mundo Físico;
  • A plantar a semente da fraternidade, reconhecendo que, apesar de nossa Individualidade, somos todos irmãos e irmãs, filhos de um mesmo Pai e que temos um Plano único a cumprir;
  • A preparar o novo Corpo para essa próxima etapa, Corpo esse que é formado da quintessência de todo serviço desinteressado que prestamos e que é conhecido como Corpo-Alma.

Caso insistamos em nos manter voltados para esse Mundo material, perdendo totalmente o interesse em construir o Corpo-Alma (por meio da insistência de permanecemos em egoísmo maldade e desperdício), então ouviremos a sentença final expressa no Evangelho Segundo São Mateus (25:41): “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno”. Quando da volta do Cristo em seu Corpo Vital, Ele espera cada um de nós com o Corpo-Alma construído e nele funcionando conscientemente. Essa sentença que lemos acima no Evangelho, simplesmente, significa perder toda a chance de evolução nesse Esquema de Evolução atual e ter que esperar o próximo Dia de Manifestação num cone sombrio de uma Lua qualquer.

Sabendo das dificuldades que uma Onda de Vida tem de se desvencilhar dos costumes cristalizados, quando da sua imersão no Mundo mais denso que teve que ir, foi nos dada, e continua sendo, muita ajuda, exemplos de vida e motivação para podermos soltar as amarras que nos prendem nesse Mundo de ilusões.

Tomar a nossa Cruz é assumir a responsabilidade e a atitude de voltar à casa do Pai. É ser o Filho Pródigo, aquele da Parábola que podemos ler no Evangelho Segundo São Lucas (15:11-32), no seu retorno à casa do Pai:

Disse ainda: “Um homem tinha dois filhos. O mais jovem disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, ajuntando todos os seus haveres, o filho mais jovem partiu para uma região longínqua e ali dissipou sua herança numa vida devassa. E gastou tudo. Sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar privações. Foi, então, empregar-se com um dos homens daquela região, que o mandou para seus campos cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E caindo em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai. Ele estava ainda ao longe, quando seu pai o viu, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então, disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos seus servos: ‘Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois, este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!’ E começaram a festejar. Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa ouviu músicas e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe disse: ‘É teu irmão que voltou e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde’. Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar. Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém, respondeu a seu pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado!’ Mas o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois, esse teu irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado!’”.

A dificuldade está em continuar vivendo nessa Região Química do Mundo Físico, estando aqui, aprendendo os milhões de lições que ainda temos a aprender, mas não ser mais desse Mundo (“estar no mundo, mas não ser do mundo”), não o ter como fim da nossa existência, como objetivo da nossa vida a busca da felicidade nesse mundo.

É comum falar de um sofrimento, de uma limitação física ou de uma dura experiência como uma “cruz que se carrega”. Em certo sentido a comparação é exata, principalmente se a aflição foi causada por outra pessoa.

Nesse sentido podemos citar o sofrimento do Cristo pela humanidade, que levou na Cruz todos os pecados, todas as maldades, todo o egoísmo do mundo de então.

Quando Cristo disse que: “tome sua cruz e siga-me” está nos chamando para assumirmos as nossas limitações, as nossas imperfeições. Não é um trabalho suave. Romper com as próprias fraquezas exige um esforço hercúleo. Os apelos do mundo são mais envolventes que o chamamento espiritual.

Está nos dizendo para pararmos de dissimularmos, de utilizar a nossa Personalidade como máscara, achando que estamos enganando a todos, escondendo, dentro de nós, toda a podridão que existe.

A hipocrisia, a avareza, o egoísmo, a mentira, a astúcia, a ignorância são as barreiras que os impedem de caminhar na direção correta.

Preferimos esconder tais vícios achando que ninguém está vendo e que podemos utilizar tais “ferramentas” a nosso bel prazer.

Tomando a nossa cruz estamos dizendo que aceitamos aprender aquilo que planejamos aprender nessa vida; que aceitamos nossas imperfeições – sabendo que tanto aquilo que aceitamos aprender como as nossas imperfeiçoes fomos nós mesmos que escolhemos no Terceiro Céu quando estávamos nos preparando para renascer aqui –; que estamos conscientes que aquilo que agora não temos podemos conseguir no futuro. Afinal, não é dito que: “aquele que compreende a própria ignorância deu o primeiro passo para o conhecimento”?

Outro significado é a indicação do caminho do verdadeiro Aspirante à Vida espiritual. Mostra-nos que, cada um de nós, como um Ego humano (um Espírito Virginal manifestado aqui), está crucificado na matéria, seja Física, Etérica, de Desejos ou Mental. Essa crucificação turva nossa consciência nesses Mundos e como sofremos por não podermos atuar nesses Mundos como queremos. A ilusão imposta por essa crucificação resulta em todos os sofrimentos pelos quais passamos.

Já a inscrição colocada na cruz de Cristo nos indica o Aspirante à vida superior crucificado. INRI, traduzida erroneamente como Iezus Nazarenus Rex Iudeoros, contém um simbolismo muito mais forte do que isso. Representa o ser humano composto, o Pensador, no momento de seu desenvolvimento espiritual, quando começa a se libertar da cruz de seu Corpo Denso.

Senão vejamos:

  • IAM – palavra hebraica que significa Água, elemento fluídico Lunar; símbolo dos nossos desejos, nossas aspirações e emoções;
  • NOUR – palavra hebraica que significa Fogo, elemento energético marciano; símbolo do calor produtor do sangue vermelho que infunde no Corpo Denso humano energia e ambição, sem as quais não haveria progresso nem espiritual, nem material;
  • RUACH – palavra hebraica que significa Ar, elemento racional Mercuriano; símbolo do Espírito Virginal da Onda de Vida Humana envolvido pela Mente que o capacita controlar e dirigir seus Corpos e suas atividades de forma racional;
  • IABESHAH – palavra hebraica que significa Terra, elemento sólido terrestre, simboliza a parte densa do ser humano, cristalizado, que forma o corpo terrestre cruciforme.

Assim, o ser humano, Aspirante a vida Superior, no momento que começa a se libertar da cruz desse seu Corpo Denso inicia esse processo:

  • Revertendo o curso da sua força sexual criadora. Ao invés de desperdiçá-la para satisfazer suas paixões, começa dirigindo-a para cima, conectando os três segmentos do Cordão Espinhal, regidos, respectivamente, por Lua, Marte e Mercúrio e onde os raios de Netuno acendem o Fogo Regenerador Espiritual da Espinha Dorsal;
  • Essa consciente elevação coloca as duas Glândulas Endócrinas, Corpo Pituitário e Glândula Pineal, em vibração, o que abre a Visão Espiritual;
  • Essa abertura junto à vibração das duas Glândulas desperta o Sinus Frontal, cujo efeito é o mesmo dado pela Coroa de Espinhos, que o faz vibrar em direção aos outros 5 centros por onde fluem as correntes do Corpo Vital;
  • Todos esses centros despertam e vibram em uníssono, cujo efeito é o mesmo dado pelos ferimentos no Corpo de Cristo-Jesus;
  • O dourado Manto Nupcial ilumina todos os veículos;
  • Então, num rápido movimento, o grande vórtice do Corpo de Desejos, localizado na região referente ao fígado fica livre, e a energia marciana contida nesse Corpo impulsiona para cima esse veículo;
  • Esse sobe através da caveira (Gólgota) enquanto o Aspirante Cristão crucificado lança o grito triunfante: “Está Consumado”.

Por que então tememos tomar a cruz pela qual se caminha ao Reino do Céus?

Que As Rosas Floresçam Em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Cartas de Augusta Foss Heindel: A Ordem Rosacruz e a Fraternidade Rosacruz: Nosso Supremo Ideal

Augusta Foss Heindel

Nossa missão é dar a conhecer publicamente os Ensinamentos dos Irmãos Maiores dessa Ordem e, mediante a aplicação deles em nossa vida diária, poder chegar a possuir: uma Mente Pura – um Coração Nobre – um Corpo São.

Antes de entrar na explicação desses Ensinamentos Rosacruzes, bom será que digamos algumas palavras acerca dos Irmãos Maiores e do lugar que ocupam na evolução da humanidade.

Por razões que se dirão mais adiante, os Ensinamentos Rosacruzes advogam uma visão dualista: sustentam que cada um de nós é um Espírito encerrando em si mesmo todos os poderes de Deus, como a semente encerra a planta, e que esses poderes se desenvolvem lentamente em uma série de existências dentro de um corpo terreno que melhora gradualmente; sustentam, além disso, que referido desenvolvimento se tem processado sob a direção de Seres exaltados que dirigem, ainda hoje, nossos passos, embora essa tutela vá diminuindo à medida que gradualmente adquirimos intelecto e vontade. Esses Seres Excelsos, se bem que invisíveis a nossos olhos físicos, constituem, entretanto, poderosos fatores em todos os assuntos da vida, dando aos diferentes grupos humanos lições que impulsionam o desenvolvimento dos poderes espirituais deles com o máximo grau de eficiência. De fato, a Terra pode ser comparada a uma vasta escola de treinamento, na qual existem Discípulos de várias idades e diferentes habilidades ou disposições, como ocorre em qualquer de nossas escolas. Existem os selvagens, vivendo e adorando sob as mais primitivas condições, vendo Deus numa pedra ou num pedaço de madeira. Assim, sob o progresso que cada um de nós realiza para diante e para cima na escala da civilização, encontramos uma concepção mais alta da Deidade até florescer, em nosso mundo ocidental, na formosa Religião Cristã, que nos proporciona, atualmente, a inspiração espiritual e o incentivo necessário para melhorar. Os Seres, que a Religião Cristã conhece sob o nome de Anjos do Destino, proporcionaram a cada grupo humano as diferentes Religiões que conhecemos, e sua maravilhosa previsão capacita-Os para verem a direção de algo tão instável como a Mente humana, podendo assim determinar que passos são necessários para guiar nosso desenvolvimento a respeito de linhas convenientes ao bem universal mais elevado.

Estudando a história das antigas nações veremos que, cerca de seiscentos anos antes de Cristo, uma grande onda espiritual surgiu nas costas orientais do Oceano Pacífico, onde a grande Religião de Confúcio acelerou o progresso da nação chinesa. Na mesma época a Religião de Buda começou a conquistar milhões de adeptos na Índia, e mais a oeste temos a sublime filosofia de Pitágoras. Cada sistema era apropriado às necessidades particulares do povo ao qual se aplicava.

Veio então o período dos céticos, na Grécia, e mais tarde, caminhando para Oeste, a mesma onda espiritual se manifesta na Religião Cristã da Idade Média, quando o dogma de uma Igreja dominante impôs sua crença em toda a Europa Ocidental.

É Lei do Universo que à uma onda de despertar espiritual siga sempre um período de materialismo duvidoso, e cada uma dessas fases é necessária para que o Espírito receba igual desenvolvimento, tanto em seu intelecto como em seu coração, sem ir demasiado longe em nenhuma das direções.

Os Grandes Seres, anteriormente mencionados, que cuidam de nosso progresso, tomam sempre medidas para preservar a humanidade desse perigo.

Quando previram a onda de materialismo que começou no século dezesseis com o nascimento da ciência moderna, tomaram medidas para proteger o Ocidente, como haviam anteriormente salvaguardado o Leste contra os céticos, que se viram contidos pelas Escolas de Mistérios.

No século treze surgiu na Europa Central um grande Mestre espiritual cujo nome simbólico foi CHRISTIAN ROSENKREUZ, isto é — CRISTÃO ROSACRUZ — que fundou a misteriosa Ordem Rosacruz, em relação à qual tantas suposições têm sido feitas sem que grande coisa haja chegado ao mundo em geral, uma vez  que se trata da Escola de Mistérios do Oeste e se abre, unicamente, àqueles que alcançaram o estado de desenvolvimento espiritual necessário a serem “ iniciados nos seus segredos relativos à Ciência da Vida e do Ser

Se alcançamos um desenvolvimento tal que nos permita deixar nosso Corpo Denso e encetar um voo anímico pelo espaço interplanetário, veremos que o átomo físico primário é de forma esférica, como nosso Planeta, isto é — um globo. Se tomamos um determinado número de globos de igual tamanho e os agrupamos em torno de um deles, necessitaremos exatamente doze para ocultar o décimo-terceiro. Também assim os doze visíveis e o décimo-terceiro oculto – o UNO — são cifras que revelam uma relação cósmica; como todas as Ordens de Mistérios estão baseadas em linhas cósmicas, todas se compõem de doze membros reunidos em torno de um décimo-terceiro que é o Líder invisível.

São sete as cores do espectro: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. Entre o violeta e o vermelho, porém, existem outras cinco cores invisíveis aos olhos físicos, mas que se descobrem pela visão espiritual. Em toda Ordem de Mistérios existem igualmente sete Irmãos que, às vezes, aparecem no mundo a fim de realizar o trabalho necessário para o progresso daqueles a quem servem. Entretanto, cinco Irmãos nunca são vistos fora do Templo. Eles ensinam e trabalham com aqueles que já passaram por certos estados de desenvolvimento espiritual e que podem, portanto, dirigir-se ao Templo em seus corpos espirituais — fato esse que se ensina na primeira Iniciação, que costuma ter lugar no exterior do Templo, por não ser conveniente a todos visitá-lo fisicamente.

Não vá agora o leitor imaginar que essa Iniciação faz do Estudante um Rosacruz, como tampouco a admissão de um estudante na Universidade o torna membro dessa Faculdade. Nem mesmo após passar os nove graus desta ou de outra Escola de Mistérios, se é um Rosacruz. Os Rosacruzes são Hierofantes dos Mistérios (ou Iniciações) Menores e além deles existem, ainda, escolas em que são ensinados Mistérios (ou Iniciações) Maiores. Todos aqueles que já concluíram os Mistérios Menores e são alunos dos Mistérios Maiores são chamados Adeptos; mas, nem mesmo eles alcançaram a privilegiada situação dos doze Irmãos da Rosacruz ou dos Hierofantes de qualquer Escola de Mistérios Menores, assim como o Estudante que acaba de graduar-se na Universidade não desfruta da posição e do reconhecimento devidos aos catedráticos.

Em outro artigo falaremos sobre a Iniciação, mas devemos salientar aqui que a porta de uma genuína Escola de Mistérios não se abre com chave de ouro, mas tão somente como recompensa pelos serviços meritórios realizados em prol da humanidade. Todo aquele que se anuncia a si mesmo como um Rosacruz, ou se encarrega de instruir a troco de dinheiro, se acredita a si mesmo como charlatão por qualquer desses dois atos.

Nos séculos decorridos desde a formação da Ordem Rosacruz seus membros têm trabalhado secreta e silenciosamente, esforçando-se por moldar o pensamento da Europa Ocidental mediante obras de Paracelso, Boehme, Bacon, Shakespeare, Fludd e outros. Diariamente à meia-noite, quando as atividades físicas do dia estão em seu mais baixo refluxo e os impulsos espirituais em seu fluxo superior, enviam de seu Templo vibrações que agitam e comovem a alma a fim de contrabalançar o materialismo e para impulsionar o desenvolvimento das forças do espírito. À suas atividades respondemos nós e delas nos beneficiamos, assim como a ciência materialista, que se vai espiritualizando lenta e gradativamente.

(de Augusta Foss Heindel – Traduzido e Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto de 1969 – Fraternidade Rosacruz em São Paulo – SP)

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