Junho de 1914
Pela lição do mês passado, ficará evidente, por mais estranho que pareça, que a ópera Tannhäuser [1] é o lendário apelo pelo tão discutido sufrágio feminino, do qual tanto ouvimos falar nos tempos modernos. Também é evidente, como dissemos no mês passado, que “semelhante atrai semelhante”; e uma mulher tímida e medrosa, forçada a um casamento de maneira brutal (física ou psicológica), que se sente propriedade de alguém, como se fosse uma posse, sem liberdade para expressar suas ideias e ideais, não pode gerar uma prole nobre, forte e destemida, com a coragem de defender seus ideais. Portanto, enquanto muitos homens mantiverem a mulher em cativeiro (físico ou psicológico), negando-lhe o lugar que lhe cabe no mundo como companheira e cooperadora, todos estaremos nos atrasando no nosso desenvolvimento e de toda Onda de Vida humana. Essa é a razão esotérica pela qual deve haver uma perfeita igualdade entre os todos os seres humanos que, quando renascidos aqui, se manifestam por meio do sexo.
Se todos os seres humanos que aqui renasceram com o sexo masculino compreendessem plenamente a ideia de que renascemos em Corpos Densos com sexos alternados (em um renascimento como sexo feminino e no próximo com sexo masculino), logo atenderiam aos justos pedidos das mulheres – nem que apenas pelo motivo egoísta de que, em suas vidas futuras, aqueles que agora estão ocupando um Corpo Denso masculino assumirão um Corpo Denso feminino e terão que viver sob as condições que agora criaram. Desse modo, qualquer homem que agora nega os justos privilégios às mulheres algum dia terá que viver sob essas mesmas condições. Enquanto os que atualmente se manifestam com Corpo Denso feminino desfrutarão dos mesmos privilégios pelos quais agora lutam, sem precisar pedi-los; mas o autor vê a questão não limitada a falar somente sobre o direito do voto feminino, mas sim da igualdade moral que a mulher sente que deveria ter, e certamente ela tem um direito divino a isso, assim como o homem.
Um ponto destacado por Tannhäuser deve ser particularmente interessante para aqueles que desejam viver uma vida superior espiritualmente: Tannhäuser é responsabilizado com a mesma seriedade perante seus amigos que conhecem seu crime, assim como perante a Igreja. Não há duplo padrão de moral na Natureza. Pecado é pecado, independentemente de quem o cometa, e mais do que isso, a quem muito é dado, muito será exigido.
Portanto, as pessoas que alcançaram um estado elevado de iluminação devem, acima de tudo, aprender a viver uma vida pura e honesta, em harmonia com os seus ideais elevados de iluminação. Se, por meio da iluminação nos elevamos acima da lei, que não usemos nossa liberdade como pretexto para satisfazer a “carne”, como nos ensinou S. Paulo[2]. A doutrina “das almas gêmeas”[3] e “das afinidades”[4] têm arruinado muitas vidas que, se não fosse por isso, teriam sido coroadas com grande crescimento espiritual.
O que a sombra é para a luz, o que “o diabo” é para Deus, a luxúria é para o amor. O amor é divino, uma comunhão de almas livres. A luxúria é diabólica, e o transgressor é um escravo do pecado – não importa se a transgressão foi legalizada pelo Estado ou abençoada pela Igreja.
Esforcem-nos, portanto, por amar uns aos outros segundo o Espírito, e não segundo a “carne”.
(Do Livro: Carta nº 43 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Baseada numa lenda medieval, conta a história de Tannhäuser, um menestrel que se deixa seduzir por uma mulher mundana, de nome Vênus, contrariando assim a defesa do torneio dos trovadores a que ele pertence de que o amor deve ser sublime e elevado. Quando Tannhäuser defende deliberadamente o amor carnal de Vênus, é reprimido pelos trovadores e consolado apenas por Isabel, uma virgem que o ama muito. É-lhe dito que sua única chance de perdão é dirigir-se ao Vaticano e rogar o perdão do Papa. Tannhäuser segue, então, com o torneio até Roma, mas de maneira autopunitiva: dormindo sobre a neve, enquanto os demais estão no alojamento; caminhando descalço sobre o chão quente, passando fome, e ainda com os olhos vendados, para não ver as belas paisagens da Itália. Ao chegar diante do papa, em vez de obter o perdão, ouve o papa dizer que é mais fácil o cajado que ele segura florescer do que ele obter o perdão dos pecados, tanto no céu quanto na terra. Odiando a Igreja, Tannhäuser volta à Alemanha e Isabel sobe aos céus, rogando a Deus que interceda por ele. Os trovadores voltam com a notícia de que o cajado do papa floresceu, simbolizando que um pecador obteve no Céu o perdão que não obteve na Terra.
[2] N.T.: Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros. (Gl 5:16-26)
[3] N.T.: A doutrina das “almas gêmeas” refere-se à crença de que os indivíduos têm um parceiro predestinado, perfeito e, muitas vezes, único, destinado a completá-los espiritual, física e psicologicamente. Enraizada na filosofia grega antiga e popular em contextos espirituais modernos, essa ideia enfatiza uma conexão intensa e predestinada que transcende a mera compatibilidade.
[4] N.T.: A doutrina das afinidades refere-se à relação jurídica ou canônica criada entre um cônjuge e os parentes consanguíneos do outro cônjuge por meio do casamento (sob a lei), ou, historicamente, por vezes, por meio de relações sexuais ilícitas.
Aprendemos por meio dos Ensinamentos Rosacruzes que somos um Espírito Virginal, parte integrante de Deus, e temos em nós todas as possibilidades divinas (que traduzimos como poderes latentes); que, por meio de repetidas existências em Corpos Densos aqui na Região Química do Mundo Físico e de crescente perfeição, esses poderes latentes gradualmente se convertem em energia dinâmica; que nesse processo ninguém se perde e que todos nós alcançaremos, finalmente, a meta da perfeição e religação (da palavra “Religião” vem do latim religare, que significa “religar” ou “reconectar”) com Deus, levando conosco as experiências acumuladas como fruto de nossa peregrinação através da matéria.
E isso é feito por meio do Ciclo de Nascimentos e Mortes aqui na Região Química do Mundo Físico!
Se quiser saber mais detalhes sobre essa peregrinação, como “morte aqui, nascimento lá; morte lá, nascimento aqui”, é só clicar aqui: Nosso Trabalho para Renascer aqui mais uma vez – Dos 42 aos 49 anos
Para ver os outros ciclos setenários é só clicar aqui: Nosso Trabalho para Renascer Aqui Mais Uma Vez
Resposta: A “história da costela”[1] é um daqueles exemplos de flagrante ignorância por parte dos tradutores da Bíblia, que não possuíam conhecimento oculto ao lidar com a língua dos hebreus que, na escrita, não era dividida em palavras e não possuía pontos vocálicos. Inserindo vogais em pontos diferentes e dividindo as palavras de forma diferente, vários significados para o mesmo texto podem ser obtidos em muitos lugares.
Este é um caso em que uma palavra apontada de uma forma se lê “tsad” e de outra forma “tsela”. Os tradutores da Bíblia leram a história de que Deus havia tirado algo do lado de Adão (“tsela”) e ficaram intrigados quanto ao que era, e por isso, talvez, pensaram que lhe teria feito menos mal tirar uma costela (“tsad”), daí a história tola.
O fato é que nós, inicialmente, éramos como os Deuses, “feito à sua imagem e semelhança”, macho e fêmea, um hermafrodita e, posteriormente, um dos seus lados nos foi retirado, dividindo-nos em dois sexos: masculino e feminino. Pode-se dizer ainda que o primeiro órgão a se desenvolver como o é agora foi o órgão feminino, tendo o lado feminino sempre existido em tudo antes do masculino, que surgiu depois, e, de acordo com a Lei de Evolução, que “o primeiro será o último”, o feminino permanecerá um sexo distinto por mais tempo do que o masculino e, portanto, o pesquisador está completamente equivocado em sua suposição. É o masculino que será absorvido pelo feminino. Mesmo agora, vê-se que o órgão masculino está se contraindo gradualmente em sua base e finalmente deixará de existir. Quanto à perda da Individualidade, tal coisa é impossível; é justamente o propósito da evolução que nos tornemos indivíduos, autoconscientes e separados durante a evolução, autoconscientes e unidos durante os interlúdios entre as manifestações.
(Pergunta nº 18 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: 18Iahweh Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda”.19Iahweh Deus modelou então, do solo, todas as feras selvagens e todas as aves do céu e as conduziu ao homem para ver como ele as chamaria: cada qual devia levar o nome que o homem lhe desse. 20O homem deu nomes a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras selvagens, mas, para o homem, não encontrou a auxiliar que lhe correspondesse. 21Então Iahweh Deus fez cair um torpor sobre o homem, e ele dormiu. Tomou uma de suas costelas e fez crescer carne em seu lugar. 22Depois, da costela que tirara do homem, Iahweh Deus modelou uma mulher e a trouxe ao homem. 23Então o homem exclamou: “Esta, sim, é osso de meus ossos e carne de minha carne! Ela será chamada ‘mulher’, porque foi tirada do homem!”. 24Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne. 25Ora, os dois estavam nus, o homem e sua mulher, e não se envergonhavam. (Gn 2:18-25)
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que nós, Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, em uma regra geral (pois há exceções), renascemos aqui, em média, duas vezes em cada Era Zodiacal, expressando-nos na Região Química do Mundo Físico, alternadamente como sexos masculino e sexo feminino, a fim de adquirirmos todas as espécies de experiência, posto que a experiência de um sexo difere amplamente da do outro. Ao mesmo tempo, como as condições externas não se alteram demais num milhar de anos, a entidade pode, por um lado, receber experiências em idêntico ambiente, tanto como homem quanto como mulher. E, por outro, cada Signo Zodiacal, ao interagir com o Sol, proporciona condições próprias e diferentes dos demais Signos.
Pelo fenômeno da Precessão dos Equinócios (um dos inúmeros movimentos do Planeta Terra), sabemos que uma Era Zodiacal dura, aproximadamente, 2.155 anos, o tempo que a intersecção entre a Eclíptica (o movimento aparente do Sol, visto da Terra) e o círculo do Zodíaco no atual mês de março (que marca o Equinócio de Março) demora para percorrer a distância angular de 30 graus, correspondente a um Signo.
Lembrando que só temos Eras e Épocas durante a nossa passagem pela metade da quarta Revolução deste Período Terrestre. E que cada Época tem 3 Eras. Exemplos: Época Atlante teve as Eras de Touro, Gêmeos e Câncer; Época Ária tem as Eras de Áries, Peixes e Aquário.
Pelas mesmas razões por que precisamos renascer duas vezes em cada Era Zodiacal, nós precisamos renascer, em média, 24 vezes em cada ciclo completo de Eras que são em número de 12 no total.
Por outro lado, como aprendemos na Fraternidade Rosacruz, conforme o Sol atravessa os diferentes Signos, no curso do ano, as mudanças climáticas e outras tais nos afetam como também impactam nossas atividades de várias maneiras. Semelhantemente, a passagem do Sol por Precessão dos Equinócios através dos doze Signos do Zodíaco, que é chamado Ano Mundial, produz na Terra as mais variadas condições. Assim, um Ano Mundial tem a duração de, aproximadamente, 25.860 anos (12 x 2.155). Consequentemente, durante um Ano Mundial nós renascemos aqui 24 vezes.
(Publicado na Revista Amizade Rosacruciana de Junho/1987 – Centro Rosacruz Max Heindel – Lisboa – Portugal)
No Livro do Apocalipse[1] há uma descrição bem detalhada do que é o casamento místico do nosso “Eu superior” com o “eu inferior” dentro de nós – o perfeito equilíbrio dos nossos polos positivo e negativo.
Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental velam que nós, Ego (o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) não somos nem homem nem mulher, mas que durante o presente estado de manifestação se tornou necessário dedicar uma metade da força sexual criadora para o desenvolvimento do cérebro e da laringe, por meio dos quais podemos criar pela palavra e produzir imagens mentais que serão reproduzidas em matéria concreta do Mundo Físico. Dessa forma se tornou necessário desenvolver um organismo físico, um Corpo Denso, com dois sexos: um expressando a qualidade espiritual da Vontade (masculina) e outro a da Imaginação (feminina). Note o Corpo Denso expressa ou o sexo masculino ou o sexo feminino. O Corpo Vital expressa o polo negativo (quando o Corpo Denso expressa o sexo masculino) e o polo positivo (quando o Corpo Denso expressa o sexo feminino). Já o Corpo de Desejos “não tem sexo”. E a Mente também “não tem sexo”.
Como cada um de nós nasce alternadamente em Corpos Densos masculinos e femininos, assim também expressamos, alternadamente, nossas faculdades gêmeas de Vontade e Imaginação. Cada uma dessas duas faculdades predomina em cada vida nossa aqui, enquanto a outra permanece latente, determinando, assim, os sexos masculino ou feminino. Porém, como renascemos aqui, vida após vida, na Grande Escola vamos nos tornando, com o aprendizado, mais capacitados a compreender e a dirigir o mecanismo dos sexos, até que vai nos sendo possível expressar simultaneamente e em certa medida essas duas qualidades. No Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz isso é possível para nós quando alcançamos o nível de Adepto. Mas esse trabalho vai sendo efetuado por graus, até que nos encontremos realmente nas mais sutis qualidades femininas e a mulher dentro de si se identifique com os mais nobres traços masculinos e nas mais sutis qualidades masculinas e a homem dentro de si se identifique com os mais nobres traços femininos. Quando tal ocorre, produz-se o equilíbrio e tem lugar o “casamento místico” ou “matrimônio místico”. Em tal condição, estaremos funcionando com os seus dois hemisférios cerebrais. É dito que no céu não há casamento, nem se dar em casamento, porque nós lá estamos livres das limitações e das imposições da carne. Lá não há problema sexual nem estamos sujeitos à expressão unilateral de um de seus polos. A nossa qualidade dual é então utilizável e, consequentemente, o casamento é desnecessário. Cada um cria o Arquétipo de seus futuros Corpos, com apenas a assistência das Hierarquias Criadoras. Só quando se deixa o Mundo celeste se penetrando na Região Química do Mundo Físico é que se torna necessária a cooperação de pessoas para a formação de Corpo Denso, que se adapte ao arquétipo construído no Segundo Céu. Este conhecimento de nossa constituição permite ao Estudante Rosacruz entender hoje a necessidade de se encarar como realmente é uma unidade criadora integral. Desse modo, ele vai preservando racional e conscientemente sua força sexual criadora, a fim de usá-la como energia para fins espirituais. E assim, naturalmente, a força sexual criadora provoca a ascensão do fogo espinhal para que, ao devido tempo, se defrontem dentro de nós o homem e a mulher. Tal fato foi muitas vezes exposto de modo falso por certas escolas espiritualistas na teoria das “almas gêmeas”, prestando-se a grosseiras concepções, uniões sexuais ilícitas, etc.
Realmente é do modo descrito que se realiza dentro de nós o Casamento Místico, com a ligação desses dois polos e o despertar de uma consciência criadora em todos os reinos da Natureza.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz – abril/1972 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: “6Ouvi depois como que o rumor de uma grande multidão, semelhante ao fragor de águas torrenciais e ao ribombar de fortes trovões, aclamando: “Aleluia! Porque o Senhor, o Deus todo-poderoso passou a reinar! 7Alegremo-nos e exultemos, demos glória a Deus, porque estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro, e sua esposa já está pronta: 8concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente” — pois o linho representa a conduta justa dos santos. 9A seguir, disse-me: “Escreve: felizes aqueles que foram convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro”. E acrescentou: “Estas são as verdadeiras palavras de Deus”. 10Caí então a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: “Não! Não o faças! Sou servo como tu e como teus irmãos que têm o testemunho de Jesus Cristo. É a Deus que deves adorar!”. Com efeito, o espírito da profecia é o testemunho de Jesus Cristo.” (Ap 19:6-10).