Indolência é uma palavra feia. Está intimamente associada à estagnação e à decadência e essas são palavras repulsivas para a Mente saudável. A indolência é a precursora da decadência e da morte. A atividade é o promotor do crescimento, do desenvolvimento e da força. Isso é verdade para o sistema muscular, para todos os órgãos do Corpo Denso e para o sangue, que é a vida. Também é verdade para o cérebro; um cérebro não pode ser alimentado com sono e ser saudável e forte; para triunfar, requer ainda mais exercício do que o Corpo Denso. A inatividade causa a degeneração do Ego e do Corpo Denso.
O Corpo Denso foi feito para ser ativo e o bem-estar do corpo exige isso. A natureza é o melhor exemplo de atividade. A natureza nunca adormece no sentido de desperdício ou improdutividade. Nos meses frios, ela está ocupada armazenando energia para os meses produtivos.
As grandes e pequenas criaturas vivem vidas ativas, ensinando a nós o valor do tempo e a brevidade da vida. Quem não observou os pássaros quando chegam a primavera? Começam a construir os seus ninhos, porque a Terra continua a se mover, sem perder um único segundo de tempo e, assim, e em breve, chegarão os dias em que terão de procurar climas mais quentes. A abelha há muito que é vista nós como uma criatura de atividade e indústria. A abelha é a própria encarnação da atividade e não tolera a indolência. Ela segue o ditado bíblico: “Quem não trabalhar também não comerá”; mas, no caso da abelha temos: “Quem não trabalhar também não viverá”.
Mas, há outro lado da vida ativa e completa. Tal como a saúde do Corpo Denso e do Ego não pode ser saboreada na ausência de uma vida ativa, também a felicidade e o contentamento não podem existir num ambiente de ociosidade. Parece que a inatividade enche o Corpo Denso com uma matéria estranha que envenena a felicidade, pois se somos ociosos não podemos ser felizes. Vemos outro exemplo disso novamente na Natureza. As aves na época do acasalamento, quando estão mais ativas, são felizes e cheias de canto. A miséria e a ociosidade caminham juntas, enquanto a felicidade e o contentamento acompanham uma vida ativa. Se todos os que estão cansados da monotonia da existência saíssem da luxuosa ociosidade, a vida teria um encanto e os dias seriam muito curtos em vez de ser muito longos.
A ociosidade tem sanções que afetam a nossa própria existência. A ação é a lei do nosso ser, é a lei do crescimento. A ociosidade é fraqueza; a ação é tão favorável ao crescimento físico e mental como o simples fato de dormir em um ginásio o é para a força de um atleta. O trabalho gera força, enquanto a ociosidade é perda de força. Até o menor talento se desvanecerá se não for utilizado. O poder de fazer as coisas deserda a pessoa, quando ela não age. Quando a energia é desligada, a máquina para; quando ficamos ociosos e nos esquivamos da nossa responsabilidade de trabalhar, a energia nos abandona. Nunca se deve permitir que o poder mental diminua. A perda de energia, a falta de confiança e uma capacidade executiva deficiente são os castigos.
O ocioso é um inadaptado, porque fica estacionário em um mundo ativo e se torna impotente, porque a Natureza lhe retira o talento que possuía. Aquele que abandona a vida ativa pela aposentadoria – por exemplo – apresenta um triste espetáculo, porque a infelicidade e não o prazer é o resultado inevitável. A classe ociosa apresenta uma vista infeliz. O trabalhador pode ser pobre, mas feliz; o ocioso pode ser rico, mas miserável. Ele não se encaixa na Natureza; está fora de harmonia com Deus e com o ser humano. O segredo da saúde e da felicidade é a atividade.
Todo o nosso ambiente, ao nosso redor, fala de atividade, de desenvolvimento, de utilidade; ensina-nos que devemos utilizar o tempo, devemos prestar atenção e respondermos aos monitores e às sirenes da atividade que nos rodeiam. A indolência é um crime que a Natureza não perdoa. Devemos trazer no nosso Corpo Denso as marcas da inatividade. Porque, com isso, rouba o nosso Corpo Denso e o nosso cérebro; nosso Corpo Denso não pode ser forte e saudável nem o nosso cérebro, desenvolvido. O Corpo Denso se fortalece com exercício, assim como o cérebro se fortalece e expande com a expressão do pensamento que criamos, como Egos.
Será que a Natureza perdoa esse crime de indolência? Não! Temos que confessar os nossos pecados; temos que ser obedientes; temos que limpar o nosso “Templo de Deus”, porque a Doutora Natureza sabe o que é melhor. A Natureza é o único “médico” verdadeiro; devemos então obedecê-la e começar a trabalhar.
O exercício mantém o Corpo Denso jovem ao promover a flexibilidade de todos os músculos e articulações. O exercício mantém o Corpo Denso saudável ao evitar a estagnação e expulsar as matérias estranhas do Corpo. Para saborear o maior grau de saúde, todos os órgãos, músculos e ligamentos do Corpo Denso devem ser exercitados, não só os membros, mas também a maquinaria interna. É aqui que o verdadeiro exercício tem valor. Quando deixamos de nos exercitar, a “idade se faz sentir”: músculos flácidos e articulações rígidas são alguns dos resultados e dos castigos.
O cérebro deve ser exercitado regularmente para se desenvolver e se manter jovem. Em pouco tempo o Corpo Denso e o cérebro enfraquecem, se forem negligenciados. Certamente é um crime matar o cérebro de fome, enfraquecer esse órgão maravilhoso com o qual Deus tanto nos abençoou. Tal como o Corpo Denso enfraquece sem exercício, também o cérebro enfraquece, caso não seja mantido ativo. Tão importante é o exercício e o uso adequado do cérebro, que cada um de nós deve prestar contas no grande julgamento pelo uso do tempo e do talento. Seremos obrigados a prestar contas rigorosas pela condição do “Templo de Deus”, o Corpo. Uma recompensa só pode ser concedida a um Templo limpo, incluindo o Corpo Denso e o cérebro.
O caminho que leva para cima é difícil de escalar. Significa trabalho árduo; mas, na escalada, ganha-se força, energia, coragem, persistência e consistência; o sucesso nos espera e o prazer na escalada é o companheiro diário. “Tudo que a tua mão encontrar para fazer, faça com a tua força” (Ecl 9:10). Há poder no trabalho. Aquele que não trabalha com o coração no seu trabalho não trabalha bem nem age bem.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de outubro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Eu olho e vejo uma planície onde uma luta terrível está acontecendo. As nações da Terra estão reunidas para matar e destruir. As paixões mais ferozes lutam lá; os instrumentos mais diabólicos de morte e destruição que as mãos do ser humano podem criar estão ali, alinhados uns contra os outros. O ar está cheio do trovão dos canhões, dos gritos dos feridos e moribundos, e vermelho é o chão com o sangue dos mortos. Então, a fumaça sobe e bloqueia minha visão.
Eu olho novamente, e eis! Tudo está quieto. É noite e o país desolado está coberto por uma capa de neve. A Terra está em paz. Além das colinas cobertas de neve, a Lua nascente lança seu brilho prateado sobre a planície.
Mais uma vez eu olho e eis! É primavera. O Sol nasce em toda a sua beleza e esplendor, e derrama seu brilho sobre a Terra. O ar está cheio do canto dos pássaros e do zumbido das abelhas. Lá, onde tão recentemente as paixões ferozes se enfureceram e o clamor da batalha aconteceu, as flores da primavera agora crescem e sorriem ao Sol; as rosas e as madressilvas florescem nas sebes; a cotovia voa alto cantando e pulando de alegria enquanto canta.
O mesmo Espírito de Cura trabalha na Natureza e no coração do ser humano. Não há mal que não possa corrigir, nem ferida que não possa curar. É a eterna juventude dentro de nós, é a beleza que nunca desaparece nem perece, é o amor que nunca cansa nem envelhece. Fora do naufrágio e ruína de um mundo desgastado pela guerra Ele ainda sussurra: “Eis que faço novas todas as coisas”.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro de 1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Fevereiro de 1917
Uma pergunta foi me colocada recentemente; ei-la: “Você fala tanto sobre o serviço; mas o que isso significa? Há muitas pessoas em nossa Fraternidade Rosacruz que dizem que gostam muito de servir, mas nada fazem além do que gostam de fazer. Isto é servir?”.
Parece-me que essa questão nos oferece alimento para uma reflexão proveitosa e que uma análise sobre o assunto pode beneficiar a todos nós, por isso decidimos dedicar a carta mensal a esse propósito.
É evidente que a maioria das pessoas no mundo não prestará serviço algum a não ser que haja “algum proveito disso” para ela. Estão procurando por uma recompensa material, e esta é a maneira sábia empregada pelos poderes invisíveis para estimular as pessoas à ação, pois assim elas estão evoluindo inconscientemente até atingir a etapa do crescimento anímico, onde as pessoas servirão pelo amor de servir. Mas não se pode esperar que tal coisa mude da noite para o dia; não há transformações repentinas na Natureza. Quando a casca do ovo se rompe e o pintinho sai, ou quando o casulo se rompe e a borboleta voa por entre as flores, sabemos que a mágica não foi instantânea. Houve um processo interno de preparação antes que pudesse haver a mudança externa. Um processo similar de um crescimento interior ou interno é necessário para transformar os servidores de Mamon[1] em servidores do Amor.
Se queremos construir um edifício maior, tudo o que temos que fazer é transportar nossos tijolos e demais materiais de construção para o local, montar uma força tarefa de trabalhadores e pronto! O edifício começa a crescer rapidamente em qualquer dimensão e na velocidade que desejarmos, dependendo tão somente da nossa habilidade em equipar a mão de obra e em fornecer todo material necessário. Mas, se queremos aumentar o tamanho de uma árvore ou de um animal, não podemos atingir nosso objetivo pregando madeira no tronco da árvore ou colocando carne e pele no dorso do animal. O edifício cresce por acréscimos externos, porém, em todas as coisas viventes o crescimento físico é de dentro para fora e não pode ser apressado em nenhuma extensão apreciável sem o perigo de se provocar complicações. É a mesma coisa que acontece com o crescimento espiritual; ele procede de dentro para fora e deve ter tempo. Não podemos esperar que pessoas que começaram recentemente a sentir o impulso interior, que as impele a uma associação altruísta, renunciem em um piscar de olhos a todo egoísmo e a outros vícios e se desenvolvam à estatura de Cristo. Na melhor das hipóteses, somos apenas um pouco melhores do que éramos, exceto pelo fato de estarmos nos esforçando e nos empenhando para seguir “Seus passos”. No entanto, nisto está toda a diferença, pois estamos tentando servir como Ele serviu.
Se este é o motivo, de modo algum, diminui o serviço de um músico que nos inspira com devoção em nossos serviços, por ele amar sua música. Tampouco torna o serviço menos valioso, porque o orador que nos inflama com fervor na obra do Mestre, gosta de revestir suas ideias com belas palavras. Nem por isso, um salão se torna menos atraente porque a pessoa que o varreu, limpou e decorou gosta de deixar seu ambiente externo bonito. Cada um pode, de fato, servir com muito mais vantagem se a linha de serviço estiver no caminho de suas inclinações e habilidades naturais, e devemos encorajar uns aos outros a procurar oportunidades onde cada um esteja mais apto para servir.
Não há mérito especial em procurar servir em uma função ou situação que nos seja desagradável. Seria um erro se o músico dissesse a um encarregado da organização de um recinto: “Não gosto de esfregar o chão e nem de decorar ambientes, e sei que você treme só de pensar em tocar, pois está sem prática, mas vamos trocar de lugar por amor ao serviço”. Por outro lado, se não houvesse ninguém para tocar, seria dever do encarregado da organização de um recinto deixar a desconfiança de lado e servir da melhor forma possível. Se fosse necessário esfregar o chão e limpar as cadeiras, o orador e o músico deveriam estar dispostos a fazer esse trabalho também, de livre e espontânea vontade, independentemente de qualquer aversão pessoal. Nada é insignificante, servil, subalterno ou inferior. O mesmo princípio deve ser aplicado no lar, no ambiente de trabalho ou em qualquer lugar que se esteja. O serviço prestado pode ser definido como o melhor uso de nossos talentos – a colocação de nossos talentos para melhor utilização em cada caso de necessidade imediata, independentemente da nossa preferência de gostar ou não.
Se nos esforçarmos em proceder dessa maneira, nosso progresso e crescimento da alma aumentarão de forma proporcional.
(Carta nº 75 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Mamon é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade. A própria palavra é uma transliteração da palavra hebraica “Mamom”, que significa literalmente “dinheiro”. Nos Evangelhos, a palavra é utilizada quando afirma que não é possível servir simultaneamente a Deus e a Mamon (Lc 16:13 e Mt 6:24). O termo, no texto original, também é citado no Evangelho Segundo São Mateus.
Vamos considerar a natureza como um conceito religioso. A Religião é o reconhecimento dos limites da competência humana na presença do incognoscível e do incontrolável, diante do qual todos os seres humanos ficam maravilhados. A natureza também. Como o incognoscível e sagrado, ela existe, existam ou não os humanos. Ela preexiste aos humanos. Portanto, devemos conceber a natureza como parte da nossa vida religiosa. A religião admite que nós, humanos, não somos mestres do universo; nem mesmo somos mestres da Terra. Em vez disso, somos coabitantes deste planeta, junto a uma multidão de outras criaturas e não podemos nem mesmo sonhar em controlá-lo.
Se não podemos controlar a Terra, então certamente não podemos controlar a natureza. Está essencialmente fora de controle. Ela pode ter sido abusada, sua vegetação destruída, seus animais quase extintos; contudo, depois de restaurá-la à saúde e enquanto continuarmos a administrar a maneira como as pessoas agem sobre ela, devemos deixar a própria natureza em paz. Natureza é o que não comandamos. A natureza selvagem é aquilo que está além da ansiosa autoafirmação dos humanos. É a metáfora desse vasto universo que, quando oramos, reconhecemos estar além da nossa compreensão.
A natureza é um conceito religioso porque exige nossa reverência e porque é uma ideia profundamente séria. Religião deve ser aquilo que levamos mais a sério. O que poderia ser mais sério do que uma resposta admirada ao desconhecido e incontrolável? O que é mais sério do que a reverência pela saúde da Terra? Além disso, a legislação da natureza é um reconhecimento dos nossos pecados — nossas delinquências como administradores das porções da terra selvagem sobre as quais presumimos assumir o controle — e da nossa responsabilidade de manter, restaurar e preservar o que ainda não corrompemos.
Cumprir nossa sagrada responsabilidade de reverenciar e proteger a natureza é uma tarefa muito grande para ser deixada apenas para a comunidade conservacionista. Se há algo em que todos os conservacionistas podem concordar, é que não somos o suficiente. Embora cada um de nós acredite ser uma multidão, juntas, nossas fileiras permanecem muito pequenas para alcançarmos a proteção da terra e dos lugares reverenciados pelos humanos, que é a nossa tarefa.
Todos nós estamos tentando muito; nenhum de nós recebe agradecimentos suficientes e não há o suficiente de nós. Devemos trazer novos recrutas para a causa, começando com um grupo de concidadãos que, à sua maneira, fizeram parte da nossa aliança o tempo todo; mas não ouviram muito de nós em termos de convite. Esses aliados naturais são, creio eu, as pessoas religiosas. O conceito central de vida religiosa é o mesmo que o conceito central de preservação da natureza. Esse conceito é um sentido de escala, de escala humana, na presença de coisas e assuntos maiores. Somos menos do que Deus; menos importantes, menos amplos, menos conhecedores.
As pessoas religiosas falam de si mesmas como humildes, na presença de Deus. Mesmo o mais secular dos conservacionistas admitiria, eu suponho, que muitas vezes se sente humilhado na presença da natureza — uma parte do mundo de Deus com seus dons maravilhosos. Esse sentimento vai além da reverência. A maioria das pessoas religiosas pensa no universo como intencional, uma Criação — não necessariamente feito de uma vez nem construído em apenas uma semana; mas intencional. Portanto, todas as suas partes têm valor, todas as suas espécies, todas as suas montanhas, águas, campos e oceanos. Os humanos, na tradição religiosa, não são as únicas espécies significantes na Terra. Nossos pomares, fazendas, bosques, vilas e cidades não são os únicos lugares dignos de respeito. Toda a criação é digna de respeito.
Reconhecemos que de fora de qualquer uma das nossas armadilhas, alçapões ou jaulas existem formas de vida que merecem nosso respeito. A natureza coloca tudo isso em um mapa. Suas fronteiras, grilhões e travas são limites para a pretensão humana, limites facilmente compreendidos e aceitos pelos religiosos, porque só afirmam na geografia o que foi afirmado desde o início na teologia. Em teologia, é dito que, além das fronteiras do conhecido, há um domínio negado à ciência, à história, a todo o aparato comum do conhecimento. Na geografia da natureza, afirma-se que, quando chegarmos à sua borda, podemos saber algo do que está além; no entanto, não devemos cruzar essa fronteira com a intenção de controlá-la.
Embora normalmente não façamos a genuflexão, ao passar por uma placa rotulada “área selvagem”, não seria estranho se o fizéssemos. A selva é um lugar, mas também é um mistério, um mistério profundo. É mais do que um pool genético, é um fundo de verdades insondáveis. Somos constantemente surpreendidos pela vida em formas inesperadas. Quando micróbios novos para nós, mas conhecidos por eles mesmos há milhões de anos, são repentinamente descobertos por nós, não é seu valor monetário o mais significativo, mas o religioso: embutido neles está o mistério da vida, em suas afirmações perpetuamente mutáveis, infinitamente diversas. Ser culpado de extinguir a vida por meio de intromissão descuidada ou tola é um tipo de pecado contra o qual devemos estar alertas.
Outro pecado com o qual se deve ter cuidado é não permitir espaço suficiente para o desconhecido florescer, de modo que possa se realizar. Nossa espécie orgulhosa, obstinada, muitas vezes descuidada e tola, está aprendendo o tempo todo quão pouco ela realmente sabe, quão pouco ela controla. Todos os elementos essenciais da vida — nascimento, morte, sacramentos — são intrusões do desconhecido e do essencialmente imprevisível em nossas vidas bem planejadas, escrupulosamente administradas e bem cuidadas. As áreas selvagens não são grandes zoológicos; nós é que estamos nos zoológicos. As áreas selvagens estão fora dos zoológicos. É por isso que devem ser grandes o suficiente para permitir toda a gama de vida dentro delas.
A natureza selvagem é necessária para nós, biologicamente. É necessária para nós, espiritualmente. Também é necessária para nós, psicologicamente, cada vez mais; e essa necessidade tem um caráter religioso. A natureza selvagem é uma espécie de sábado sagrado, físico e geográfico. Nela podemos encontrar a solução para as consequências da nossa má administração em outros lugares, do que fizemos ao mundo e a nós mesmos durante “o resto da semana”.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro-dezembro/1995 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Se o ser humano pudesse compreender que o maior curador é a natureza! Deus preparou Seu Laboratório de modo que todo aquele que seja observador dos efeitos dos vegetais e das frutas no organismo humano saberá que contêm um remédio para cada enfermidade de que são herdeiros os seres humanos e os animais.
O animal quando está doente lhe é possível encontrar a erva ou o vegetal necessário para curar-se. Já observou você o cão ou o gato em tal caso? Se tem a oportunidade de sair do quarto onde está preso, no mesmo instante busca as folhas verdes do capim, e especialmente as pontas do trigo ou da cevada, os quais mantêm os órgãos digestivos desses carnívoros em perfeito estado de saúde. Se seu cãozinho ou gato estão doentes e não têm oportunidade de ser livres, leve-os ao campo e permita-lhes que por si próprios encontrem sua medicina; se lhes concede que sigam seus instintos, rapidamente ficarão curados. Se as folhas do capim contêm tudo o que necessita o enorme corpo de um boi ou de um cavalo para alimentá-los, quanto mais podia receber o ser humano dos vegetais mais altamente cultivados e evoluídos?
Para as queimaduras, escaldaduras e contusões, moa-se a batata crua ou a cebola e use-se como emplasto; absorverá toda a inflamação.
A cebola crua, quando se corta em fatias e se põe entre dois biscoitos de água e sal como um sanduiche, e se comem tendo vazio o estômago cada noite antes de dormir, reconstruirá o sistema nervoso, assegurando um sono profundo. Enquanto o corpo descansa, esse vegetal maravilhoso atuará como uma escova para limpar o fígado e os intestinos de suas impurezas.
O alho, esse vegetal tão desprezado, devido a seu odor, quando se come em forma de sanduiche entre fatias de pão integral, eliminando toda outra classe de alimentação por alguns dias e fazendo três comidas ao dia desse sanduiche, curará as escrófulas, os desarranjos biliares, a prisão de ventre e os catarros, sendo também muito útil nos casos de elevada pressão sanguínea e endurecimento das artérias.
Se o sangue está anêmico, ou com falta de ferro, o espinafre, as beterrabas, a alface, o almeirão silvestre e as maçãs vermelhas, que estão bem supridas com o ferro da natureza, são os vegetais e frutas que se deveriam comer. Todas as substâncias minerais que se vendem como drogas nas farmácias são prejudiciais e não são assimiláveis pelo sangue. O mel é um maravilhoso estimulante, e restaurará a energia e força do organismo depois de um trabalho muscular intenso. O mel quando é misturado com o suco de limão é bom para curar as enfermidades da garganta, catarros e resfriados, e quando é mesclado com água também cura as queimaduras do sol e as mãos gretadas.
Uma laranja ou uma maçã comida durante a noite antes de ir dormir e ao se levantar em jejum, faz a mesma coisa, estimula a ação dos intestinos e com o tempo cura a prisão de ventre.
As réstias dos feijões verdes podem secar-se e armazenar-se para casos de emergência; fazendo-se infusão delas como se fosse um chá, aliviará todos os distúrbios de bexiga e são um regulador eficiente dela.
Para aclarar a cútis e obter o brilho do cabelo, coma-se pouco creme, gordura ou gemas de ovo, mas bastantes vegetais ou saladas, tais como almeirão, espinafre, as pontas da beterraba tenra, (as folhagens) cenouras, mostarda silvestre, agrião, etc.
A seguinte tábua de alimentos terapêuticos pode ser de utilidade:
PARA OS NERVOS: As cebolas, alface, cenouras, maçãs. Passas negras, morangos, amoras, aipo.
PARA FORMAR OU ENRIQUECER O SANGUE: As beterrabas, cenouras, espinafre, alface, morangos, maças vermelhas, ameixas, uvas vermelhas.
PURIFICADORES DO SANGUE E DO FÍGADO: As cebolas, o alho, as cenouras, nabos, almeirão silvestre, tomates, ameixas em passas, ameixas, figos e pêssegos.
PARA OS RINS: Os aspargos, alcachofras, almeirão silvestre, suco de maçãs, feijões verdes, ervilhas verdes, limões.
PARA O RAQUITISMO OU DEFICIÊNCIA DE CÁLCIO: Vagens verdes do feijão, ervilhas verdes, cenouras, maçãs, morangos.
PARA O ESTÔMAGO: Tudo o que geralmente poderíamos aconselhar para este órgão, quando sofre transtornos, é um descanso muito necessário, deixando de ingerir alimentos durante um ou dois dias.
(De Augusta Foss Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross – Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/1978)
Protesto da Natureza
O poder da Natureza e sua influência sobre nós, como parte integrante da mesma, é incontestável.
É dele que extraímos o alimento, o ar que respiramos, a água, o benefício que nos proporciona a energia solar e o rico alimento dos mares como se um mundo à parte fosse dentro do nosso próprio mundo e, no entanto, é triste reconhecer o perigo ecológico que ora nos ameaça.
Com um pouco de sensibilidade, alguém ouviu do misterioso silêncio da Natureza o que passo a comentar.
A noite estava silenciosa, longe do vozerio da cidade, pois o fato que originou o presente relato é passado na pureza de um aprazível sitio. E eis a impressão desse alguém que meditava na ingratidão do ser humano para com Deus: o monólogo, para os que pensam que ele estava só, começa quando a criatura, ouvindo estranhos sons, procura classificá-los e acaba concluindo que tudo que se passou tem raízes profundas de verdade.
Na bucólica paisagem reinante, a noite é cálida e as estrelas, prateadas falenas divinas, como se fossem partículas de diamantes espargidos pelo zimbório celeste, oferecem magnífico cenário propício à meditação e essa alma contemplativa e cheia de sensibilidade, depois de ouvir e observar com cuidado o que à sua volta se passa, entretém suave diálogo com uma voz estranha e obtém as respostas que tanto a surpreendem.
– Por que ouço no ar soturno soluçar uma espécie de gemido não muito nítido, mas real? E a resposta não se faz esperar.
– O som que se faz ouvir é meu triste protesto contra os que estão a me poluir de mil maneiras. Sou o vento que soluça entre os ramos das árvores, pois já não sirvo como aragem que refresca nem como o ar que alimenta as criaturas. Quando corro, como as águas dos rios tropeço a cada passo, pois vejo deturpados os meus intentos. Quero, com minhas águas, fertilizar o solo, servir de meio de transporte, alimentar peixes e distribuir as minhas águas como enriquecedora fonte a ser consumida. Quando tratada, mitigo sede de todo ser vivente e para mil coisas estou sempre pronta a ser útil. Sou eu ainda que alimento as usinas de força e, unida ao sol, faço crescerem as plantas.
Sou os peixes e as aves que estão morrendo pela poluição daqueles que não me prezam como os prezo eu. Sou todos os animais que são sacrificados como distração para o ser humano que me destrói apenas por esporte, que me trancafia em zoológicos, tirando-me do meu habitat.
Sou as árvores decepadas sem escrúpulo e sem necessidade e que, dentro em pouco, privarão o mundo do oxigênio que generosamente ofereço.
Sou o obscuro grão de areia que pulsa em suas mãos. Sou, igualmente, a pedra que rola pelos caminhos do mundo como algo sem valor, como o pensam as crianças quando me atiram por diversão ou ainda quando me fazem explodir nas pedreiras os adultos, mas aí é diferente; quando elas se despedaçam, minha alma se divide e se multiplica, pois vou servir para alguma construção e me sinto feliz. Quando me tornam útil, sinto-me respeitada.
Muitas vezes, tenho lançado meus protestos através da boca dos vulcões que ponho em erupção ou nos terremotos e maremotos que provoco com grande alarido, afim de ver se com isso desperto o ser humano para a sua evolução, mas minha voz não é ouvida.
Choro por seres que querem e são impedidos de nascer. Pelas guerras e desigualdades que vejo. Pela fome que assola grande parte da população, pois o egoísmo dominou o mundo. Contudo, ainda assim, estou sempre procurando a tudo suportar, pois se muitos fizerem e entenderem o que você faz agora, dentro em breve voltarei a sorrir como as flores nos jardins, como o canto dos passarinhos, como a cantiga das cascatas, como o vento suave a entoar singela melodia.
Como toda a humanidade, possuo o meu lado alegre e o triste. Vou lhe revelar agora quem sou. Eu sou a alma de tudo que o rodeia. Sou a Alma da Natureza, que tudo vê e observa. Sou sua melhor amiga e quero estar sempre sendo sentida pela humanidade.
Alma irmã da minha alma, já se faz alta a noite e os Anjos a convidam para um sono feliz. Caminha para casa e vê se sonha comigo e divulga esse sonho quando despertar. Sou a Alma da Natureza a dialogar com a alma humana.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 02/86)