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porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Nove Sinfonias de Beethoven – Correlacionadas com as Nove Iniciações Menores – Oitava Sinfonia

Por Corinne Heline

CAPÍTULO VIII – OITAVA SINFONIA – FA MAIOR – OPUS 93

Nunca a arte ofereceu ao mundo algo tão sereno como as Sinfonias em Lá e em Fá Maior e todos aqueles trabalhos tão intimamente relacionados a elas que o mestre produziu durante o período divino de sua surdez. O seu primeiro efeito sobre um ouvinte é colocá-lo livre de um sentimento de culpa, enquanto dá nascimento a um sentimento de paraíso perdido ao retornar ao mundo dos fenômenos. Desse modo, esses maravilhosos trabalhos preconizam arrependimento e reparação no sentido da divina revelação.

Nesta Sinfonia, há pensamentos musicais intensos, há passagens que, por um momento, soam as profundezas e alcançam as alturas… Sem a grandiosidade da Quinta Sinfonia ou o romance da Sétima, ela contém um final perfeito e um rico estoque de bom humor.

Romaine Rolland[1]

A Oitava Sinfonia teve sua primeira apresentação em Viena, em 20 de abril de 1813. Sua nota-chave espiritual é harmonia.

Os antigos declararam que o número oito contém a marca da divindade e isso é o que a Oitava Sinfonia representa. Berlioz[2] declara que o modelo dessa Sinfonia foi formulado no céu e caiu dentro do cérebro do compositor. Um crítico de arte, escrevendo sobre essa Sinfonia, diz que ela é um brinquedo divino na região do pensamento tonal. Mais adiante, ele diz que a Sétima é uma arte épica ao máximo, então a Oitava Sinfonia é arte lírica em sua plenitude. A Oitava tem sido chamada de “um épico de humor”. Suas quatro divisões são permeadas com um sopro de alegria e transbordam em excêntrico humor. Um leve e caprichoso espírito de felicidade se difunde completamente. É deliciosa em sua totalidade. Dizem que Beethoven olhava-a com ternura e se referia a ela como sua “pequenina”. Talvez fosse por causa de seu espírito despreocupado e, também, porque é a menor das nove.

As duas primeiras partes estão cheias de alegria e suas harmonias extasiantes continuam a tecer e a entretecer através de toda a terceira parte. Ao invés do usual Scherzo, esse terceiro movimento é um lindo e majestoso minueto. Embora delicadamente caprichoso, ele, ao mesmo tempo, toca uma nota mais grave. Foi comparado por alguns escritores a uma exultante risada. E é verdade. Ele soa uma gargalhada triunfante de uma alma emancipada que encontrou sua própria herança divina de imortalidade consciente e a divina bem-aventurança da liberdade cósmica. Como Pitts Sanborn diz “não é o riso de regozijo infantil ou de frivolidade desesperante e imprudente”. Pelo contrário, é o “vasto e interminável riso de que Shelley[3] fala em Prometheus Unbound[4]. É o riso de um homem que amou e sofreu e, escalando as alturas, alcançou o cume. Só uma ou outra nota de rebeldia se intromete momentaneamente; e, às vezes, em repouso lírico… uma intimidação da Divindade mais do que o ouvido descobre”.

O Finale sobe a alturas ilimitadas em ritmo e fantasia. Irregularidades repentinas e ritmos interrompidos servem para criar uma atmosfera de mistificação deliberada. É fantasia altamente carregada designada para levar o ouvinte além dos estreitos confins da mente concreta.

A Oitava Sinfonia é, no entanto, uma outra composição que o grande gênio criativo de Beethoven deu ao ser humano para ajudá-lo em seus objetivos espirituais, que era seu verdadeiro destino perseguir e cumprir.

George Grove[5], em seu trabalho “Beethoven´s Nine Immortals” descreve o poder de Beethoven de abstrair-se do mundo externo e viver num mundo de sonho dele próprio. Seu ideal, como o de todos os grandes heróis, teve pouco interesse no mundo e nas poucas pessoas em volta dele. Ele foi um pico de uma montanha solitária e elevada que olhava para os vales. Seus olhos testemunhavam um solitário homem espiritualmente faminto. Seu idealismo sobrepassava seu julgamento. Era difícil para ele aceitar coisas realmente diferentes das que ele idealizava. Nos seus últimos anos ele mergulhou em profunda ternura e doce melancolia, resultando no que ele denominou sua “tendência feminina”.

Beethoven foi um instrumento usado pelo Espírito da Música para se realizar mais do que um homem que meramente compôs música. Em sua música, sempre criando mundos, seu grande gênio foi mostrado em seus movimentos rápidos, pois eles refletem os ritmos das órbitas celestes que se movem com mais velocidade que a luz.

Gustav Nottebohn[6], em seus Esboços de Eroica, observa que Beethoven alcançou um tipo de melodia que alguns chamaram de absoluta e, compondo seus últimos trabalhos, ele ficava verdadeiramente “possuído”. Sua Mente Superior assumiu a direção. Então, não trabalhou do pormenor para o todo, mas começou do todo para o pormenor. Sob um estado subconsciente, uma composição era como um todo antes que ele começasse a pensar nos detalhes. Um poeta expressou essa mesma verdade nas palavras: “Você não teria me procurado a menos que já tivesse me encontrado”.

Referimo-nos repetidamente às Nove Sinfonias como música cósmica. Quando Beethoven as escreveu, elas eram obviamente para demonstrar musicalmente as verdades fundamentais da polaridade. As Sinfonias ímpares possuem a grandiosidade, a rapidez, a ousadia, a coragem, a inovação e todas as qualidades masculinas dominantes. As de números pares são doces, ternas, dóceis, calmas, características do feminino.

A Quinta em Dó Menor teria seguido a Terceira, ou a Eroica. Beethoven colocou em prática esboços como elas originalmente chegaram a ele, de acordo com seus biógrafos. Algo em sua natureza antecipou isso até que a mais gentil Sinfonia em Si Maior, a Quarta, inseriu-se num modelo divino que a colocou imediatamente depois da poderosa Terceira. Então, seguindo a Épica Quinta, segue-se a Sexta ou Sinfonia Pastoral como um companheiro contemplativo.

Outra vez, após um espaço de quatro anos, Beethoven produziu outro par de afinidades complementares: a Sétima, de força masculina, e a Oitava, de atributos femininos, as duas produzidas em 1862 em sequência.

Finalmente, quase dez anos mais tarde, apareceu a magnífica mistura de opostos, que tinham se alternado nas precedentes oito Sinfonias e culminou na grandiosidade da Nona.

Oitava Iniciação

A oitava Iniciação está relacionada com a oitava camada da Terra conhecida como Estrato Atômico. O poder dessa Iniciação é tal que um objeto situado nesse Estrato, quando usado como um núcleo, pode ser multiplicado à vontade. Era o poder dessa oitava Iniciação que o Senhor estava demonstrando aos Discípulos quando multiplicou os cinco pães e os dois peixes e alimentou cinco mil – com doze cestas cheias de sobra[7].

Muito pode ser dito sobre essa Iniciação, excetuando que o participante tem que ter conquistado domínio sobre si mesmo e sobre o Mundo material. Uma harmonia básica é um requisito para a entrada nesse elevado Rito. As essências da experiência adquiridas através das Iniciações que precederam são aqui transformadas em poder anímico de tal força que uma tão esperada harmonia se torna a nota-chave da vida. O ser nunca mais explodirá numa experiência emocional, nem será indevidamente sacudido por eventos dolorosos ou agradáveis. Ele achou agora para sempre aquela profunda e intensa calma e paz à qual São Paulo se referiu quando disse que de fato nenhuma das coisas do mundo exterior o comoviam.

A esfera celestial chamada no ocultismo de Mundo dos Espíritos Virginais está refletida no oitavo Estrato da Terra. É nesse nível de vida que Deus diferencia dentro d´Ele as entidades que constituem uma Onda de Vida evolutiva. É desse plano que esses seres divinos em embrião entram em sua jornada evolutiva eterna através do tempo, espaço e matéria. Nesse estágio, os Espíritos Virginais possuem só consciência divina. O fim a ser atingido através de sua Involução dentro da matéria é a autoconsciência, quando o processo evolutivo o leva de volta à consciência Divina.

Na oitava Iniciação, o Iniciado é levado para muito além do mundo humano. As palavras são inadequadas para descreverem as maravilhas e as glórias daquele Mundo espiritual no qual ele é permitido entrar. A sublime música da Oitava Sinfonia transcreve algumas das maravilhas daquele Mundo.

Toda alma iluminada canta sua própria canção de realização. Essa canção é, às vezes, uma expressão de aspiração, busca, agonia, desilusão e mesmo de completa escuridão. Então, como a agonia continua, segue-se uma nova, fresca e sempre profunda dedicação, que culmina eventualmente numa vitória de completa conquista de si próprio. Essa foi a canção de alma que Moisés cantou na vitória do Mar Vermelho, uma vitória que se referiu não tanto a uma ocorrência física, mas a uma transmutação perfeita em seu interior. Outras canções de alma de tal alcance são os imortais Salmos de Davi e a melhor de todas as canções de amor, o 13º capítulo da 1ª Epístola aos Coríntios[8]. Também a Canção do Cisne de Lohengrin naquele magnífico drama musical que leva o seu nome.

É essa mesma Canção de Realização que é ouvida na Oitava Sinfonia de Beethoven composta não em palavras, mas na linguagem tonal trazida inspiradamente do mundo celeste do som. O Finale dessa Sinfonia ressoa toda a profunda alegria do Ser Emancipado. É a Canção de Alma daquele que aprendeu, por sua divindade inata, a reivindicar sua herança que é a Liberdade Cósmica. Essa é a nota-chave da oitava Iniciação e o elevado tema musical da Oitava Sinfonia.

O elevado trabalho dessa oitava Iniciação está exemplificado na música dessa Sinfonia que é tão suave, linda e cheia de tal corrente de força que parece cantar a habilidade de acalmar a violenta tempestade ou de remover montanhas de seus lugares. A música da Oitava Sinfonia é a expressão do Feminino altamente aperfeiçoado, aquele poder espiritual que o alquimista descreveu como o Feminino em Exaltação.


[1] N.T.: Romain Rolland (1866-1944) foi um novelista, biógrafo e músico francês.

[2] N.T.: Hector Berlioz (1803-1869) foi um compositor romântico francês.

[3] N.T.: Percy Bysshe Shelley (1792-1822) foi um dos mais importantes poetas românticos ingleses.

[4] N.T.: Prometheus Unbound é um drama lírico em quatro atos de Percy Bysshe Shelley, publicado pela primeira vez em 1820. Trata-se dos tormentos da figura mitológica grega Prometeu, que desafia os deuses e dá fogo à humanidade, pelo qual é submetido ao castigo eterno e sofrimento nas mãos de Zeus.

[5] N.T.: Sir George Grove CB (1820-1900) foi um engenheiro e escritor inglês sobre música, conhecido como o editor fundador do Grove’s Dictionary of Music and Musicians.

[6] N.T.: Martin Gustav Nottebohm (1817-1882) foi um pianista, professor, editor musical e compositor que passou a maior parte de sua carreira em Viena. Ele é particularmente celebrado por seus estudos de Beethoven.

[7] N.T.: “Cristo Jesus, ouvindo isso, partiu dali, de barco, para um lugar deserto, afastado. Assim que as multidões o souberam, vieram das cidades, seguindo-o a pé. Assim que desembarcou, viu uma grande multidão e, tomado de compaixão, curou os seus doentes. Chegada a tarde, aproximaram-se dele os seus discípulos, dizendo: “O lugar é deserto e a hora já está avançada. Despede as multidões para que vão aos povoados comprar alimento para si”. Mas, Cristo Jesus lhes disse: “Não é preciso que vão embora. Dai-lhes vós mesmos de comer”. Ao que os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. Disse Cristo Jesus: “Trazei-os aqui”. E, tendo mandado que as multidões se acomodassem na grama, tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos ao céu e abençoou. Em seguida, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos às multidões. Todos comeram e ficaram saciados, e ainda recolheram doze cestos cheios dos pedaços que sobraram. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.” (Mt 14:13-21).

[8] N.T.: “Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se eu não tivesse a caridade, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine. Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse a caridade, eu nada seria. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria. A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais passará. Quanto às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas, cessarão. Quanto à ciência, também desaparecerá. Pois o nosso conhecimento é limitado, e limitada é a nossa profecia. Mas, quando vier a perfeição, o que é limitado desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio da criança. Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido. Agora, portanto, permanecem fé, esperança, caridade, essas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade.” (ICor 13:1-13).

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Aqui a Oitava Sinfonia em MP3:

Symphony #8 In F, Op. 93 – 1. Allegro Vivace e Con Brio
Symphony #8 In F, Op. 93 – 2. Allegretto Scherzando
Symphony #8 In F, Op. 93 – 3. Tempo Di Menuetto
Symphony #8 In F, Op. 93 – 4. Allegro Vivace
porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Como o Esoterismo interpreta a Crucificação?

Resposta: A Crucificação representa o mais importante evento na vida de Cristo-Jesus. Naquele momento, o Arcanjo Cristo penetrou no mais profundo do coração da Terra, transformando-se em seu Espírito Planetário. Na Bíblia estudamos que, naquele momento, a Terra foi tomada pela escuridão, mas aqueles que possuíam a visão interior, capazes de penetrar o véu da matéria e olhar para o interior do Planeta, viram-no ser iluminado por uma luz jamais comparada a nenhuma outra apreciada sobre a terra ou o mar.

No exato instante em que o Cristo se tornou o Espírito Planetário residente da Terra, Ele mudou os caminhos da Iniciação para toda a humanidade. A Iniciação pré-Cristã era efetuada no Mundo do Desejo que envolvia a Terra. O Senhor Cristo, por sua entrada no coração do Planeta, abriu um novo Caminho de Iluminação, que conduz ao mais íntimo do coração da Terra e ali o então iluminado atinge seu supremo clímax quando, face a face, e merecidamente, ouvirá do Sagrado Senhor Sua bênção iniciatória: “Fizeste-o bem, bom e fiel servo, aconchega-te na Paz de teu Senhor.” (Mt 25:21).

(Do Livro “Questions and Answers on the Bible” – Corinne Heline)

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Pergunta: A Estrela de Belém não era um cometa?

Resposta: Não; a Estrela de Belém brilha à meia-noite em todas as noites, como brilhou na noite registrada na Bíblia, e pode ser vista por qualquer um entre os sábios de hoje, embora seja oculta aos demais.

A chave do mistério é a seguinte:

Os Evangelhos não são simplesmente relatos da vida de um indivíduo; eles retratam, dramaticamente e em símbolos, os incidentes no caminho da realização espiritual; eles são fórmulas de Iniciação.

Todos os anos, desde meados de junho até meados de setembro, quando a Terra se esforça para produzir o pão da vida para todos os que vivem nela, o Sol, que se encontra elevado nos céus e mais distante da Terra, emite seus raios vitais em direção ao nosso Planeta. Então, todas as atividades físicas estão em primeiro plano e o ser humano é absorvido pelas ocupações materiais necessárias à sua existência. Mas, desde meados de dezembro até meados de março, quando o Sol está abaixo do Equador e mais perto da Terra, a natureza está inativa, e as influências espirituais que o Sol emite são as mais potentes. Quando a escuridão física aumenta, a luz espiritual brilha com mais intensidade e culmina com o nascimento de salvadores, entre vinte e quatro e vinte e cinco de dezembro, quando o Sol inicia sua jornada em direção ao norte para salvar a humanidade do frio e da fome que resultariam se permanecesse nas latitudes meridionais.

Nesta noite particular, as vibrações espirituais são as mais fortes do ano. É, por excelência, a Noite Santa do ano. Nesta noite é a mais fácil para o neófito se sintonizar, conscientemente, com as vibrações espirituais. Portanto, era costumeiro conduzir os neófitos aos Templos nessa Noite Santa. Lá eles entravam em transe sob a orientação de homens sábios e eram ensinados a deixar seus corpos, conscientemente, por um ato de vontade própria. Então, a Terra se tornava transparente diante dos seus olhares fixos e atentos e, por detrás dela, viam o Sol da meia-noitea estrela flamejante. Claro que não era o Sol físico, mas o Sol espiritual que é a verdadeira Estrela de Cristo, pois o Cristo Cósmico é o mais elevado Iniciado entre os luminosos espíritos solares, os Arcanjos.

(Pergunta nº 94 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

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A Maçonaria Mística e a Flauta Mágica de Mozart – F PH Preuss – Fraternidade Rosacruz

Em A Flauta Mágica, onde existem muitas notas e simbologia Rosacruzes, Mozart nos eleva para a criação da Fraternidade Universal consciente. Na “Flauta Mágica”, Mozart descreve a senda que o candidato – pobre, nu e cego – percorre à procura da luz.

A ópera continua revelando os passos sequentes da senda, de muitas provas e alterações, pelas quais ele é submetido para, finalmente, tornar-se digno de entrar naquele Templo, que não é feito por mãos, mas que está eternamente nos céus, onde ele se encontra para sempre em divina união com a luz eterna.

Para fazer download ou imprimir:

A Maçonaria Mística e a Flauta Mágica de Mozart – F PH Preuss – Fraternidade Rosacruz

2. Para estudar no próprio site:

A MAÇONARIA MÍSTICA

E A FLAUTA MÁGICA DE MOZART

Resumido por

Corinne Heline

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Revisado de acordo com:

Cópia Datilografada: Traduzido do alemão por F. Ph. Preuss em 1976 da Revista “Das Rosenkreuz” e Resumido por Corinne Heline

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

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SUMÁRIO

PRIMEIRO ATO.. 4

O ENREDO DA ÓPERA.. 5

SEGUNDO ATO.. 11

PRIMEIRO ATO

Mozart inicia a abertura de sua Ópera “Flauta Mágica”[1] com três acordes majestosos que correspondem aos três passos, ou graus fundamentais, que é a base de todos os ensinamentos místicos. Essa tríade é conhecida como o serviço da Loja Azul. Os três acordes descrevem as três batidas do candidato antes que ele tenha o seu pedido de iluminação atendido. A esses três acordes segue-se uma procissão em marcha solene, geralmente escrita para metais, a qual simboliza a “senda” do candidato. Na abertura, muitos acordes com temas diferentes foram genialmente entremeados por Mozart. Ele descreve aqui os maravilhosos e augustos ensinamentos, os três graus maçônicos superiores, os quais existem em todo ser humano. A abertura chega à sua máxima e triunfal expressão quando retrata exatamente a “senda”. O caminho é longo e o trabalho é exaustivo, mas no final – assim Mozart nos conta – o aspirante digno chega à culminância – ele se torna um “Iniciado”. Na abertura são descritos vários processos, pelos quais a pedra, áspera e tosca, se transforma até ficar completamente polida; ele finaliza com a repetição dos três acordes (batidas), através dos quais é mostrado que o solicitante procura maior sabedoria e luz. A senda é sem-fim, a procura é eterna!

O ENREDO DA ÓPERA

A cena inicial desenrola-se no Egito, num campo aberto, perto do templo de Isis. Tamino[2], um belo e jovem mancebo, em vestimentas elegantes, está sendo perseguido por uma grande serpente. Sua precipitação, perturbação e medo são expressivamente descritos nas agitadas passagens da orquestra. Com uma prece aos deuses para obter proteção, ele cai inconsciente ao chão. Aparecem três jovens cobertas por véus, cada uma com uma lança de prata para que possam matar a cobra. Após o que, elas cantam a beleza do mancebo num harmônico e melodioso trio. Essas três jovens representam, na obra máxima de um aspirante ao iniciar suas buscas, a purificação do corpo, a purificação dos desejos e os apetites, assim como a espiritualização do intelecto. Os grandes progressos que Tamino já alcançara na senda são comprovados pelo fato de que a cobra fora abatida no seu corpo tríplice, isto é, as paixões animais, que pertencem à natureza inferior, já foram vencidas.

Uma melodia lindíssima soa ao longe; ela é alegre, uma das características das obras de Mozart. Ela descreve perfeitamente o personagem que a canta: “O passarinheiro, sim sou eu, alegre, cantando e pulando…”

O seu traje é feito principalmente de penas e nas costas traz uma grande gaiola de pássaros. Tamino acorda e vê a cobra morta aos seus pés, contempla o recém-chegado com interesse e esse lhe diz que seu nome é Papageno[3] e que ele é um caçador de pássaros da Rainha da Noite; ele acrescenta, ainda, que todos os dias, quando leva os pássaros à Rainha, recebe das três meninas, suas servas, pão, vinho e figos doces.

Assim como Tamino é um aspirante à procura da luz, Papageno representa a massa humana, a qual pouco ou nada se interessa pelo que diz respeito à espiritualidade profunda, e que vive só para comer, beber, para ser feliz, com poucos pensamentos para o amanhã.

Papageno percebe que Tamino crê ter sido ele quem matou a cobra e reivindica imediatamente o mérito para si. Ele diz ter a força de um gigante e afirma ter matado a cobra com seu braço direito. Nesse instante, aparecem as três jovens veladas, que solicitam ao caçador de pássaros, que se vangloria, que abandone suas mentiras. Elas lhe dizem que nem pão nem vinho receberá nesse dia, mas somente água e uma pedra, e que, além disso, fechar-lhe-ão os lábios com um cadeado.

As Servas da Rainha dão a Tamino um quadro de Pamina[4] e contam-lhe que ela é a filha da Rainha. Quando ele vê a encantadora beleza, canta a fascinante ária: “Esta imagem é tão bela e encantadora, como olhos jamais viram!”. Ele expressa seu desejo de estar unido a ela para sempre. Pamina representa a natureza espiritual latente no homem, a qual é frequentemente apresentada como a sublime feminilidade. Quando um Discípulo se aperfeiçoa em sua busca, começa a sentir as perspectivas da maravilhosa e augusta beleza superior, e se consagra cada vez mais intensamente à realização da união com seu divino EU, o que constitui, no ocultismo, “as bodas místicas”.

As jovens (servas da Rainha) informam Tamino que ele fora escolhido para ser o libertador da bela Pamina, que desaparecera por magia de um mago malévolo.

Ecoa uma ensurdecedora trovoada, e o cenário escurece. Entre estrelas aparece a Rainha da Noite em seu trono. Seu recitativo, solene e sério, conta a perda de sua filha. Numa graciosa ária, em coloratura, canta que Tamino é inocente, sábio e piedoso e se ele tiver êxito em achar sua filha, poderia tomá-la como sua. Depois dessa promessa, o cenário escurece novamente.

O candidato ao atingir um certo grau em sua “senda” começa a desenvolver a clarividência. Esse novo grau de visão fá-lo capaz de visualizar algo dos mundos internos. A pergunta, feita admiravelmente por Tamino, é própria de todos os aspirantes que alcançam esse estado de consciência: “É verdade o que eu vejo? Ou perturbam-se os meus sentidos?”. As jovens dão-lhe, a seguir, uma flauta mágica, a qual – e elas prometem – o protegerá em qualquer dificuldade. Pois que a flauta suaviza as paixões dos seres humanos, e tem muito mais valor do que ouro e coroas e proporcionará, algum dia, paz a todos os seres humanos. Esta flauta mágica representa a divindade latente no ser humano; se o seu poder for desenvolvido satisfatoriamente, fá-lo-á capaz de ouvir seu próprio tom básico por toda a sua vida, parando, somente, na hora da morte.

As jovens livram os lábios de Papageno e ordenam-lhe que acompanhe Tamino. O medroso caçador de pássaros não se entusiasmou com essa ordem, pois não aspira a nada superior. Elas lhe dão alguns sinos mágicos que, como elas dizem, o protegerão de todo mal.

Ao ficar só, Tamino toca a flauta e dirige uma prece aos deuses, suplicando por bençãos e proteção quando ele for à procura de Pamina. Essa prece é acompanhada pela orquestra com um delicado “Obligato” de flauta.

O quadro seguinte é o de uma ala ricamente adornada num palácio egípcio. O mágico malévolo, Monostatos[5], um representante dos poderes negros, entra arrastando a semiconsciente Pamina. Ele a joga sobre um sofá e acena a três escravos que o ajudem a algemá-la. Esses três escravos representam os veículos humanos: o Corpo Denso, o Corpo de Desejos e a Mente quando usados para fins maléficos. São símbolos do prazer inferior, do medo e da ignorância, os quais acorrentam o espírito à personalidade.

Papageno entra em cena acompanhado por outros – para Mozart esse acompanhamento é caracterizado por frases diabólicas de violino. O homem dos pássaros reconhece imediatamente Pamina como a figura original do quadro que ele havia visto nas mãos de Tamino e narra-lhe sobre o jovem e vistoso mancebo que vem em seu socorro. Ela, por sua vez, sente-se encantada com as boas novas, porém adverte Papageno que, se for descoberto, morrerá morte muito cruel. Eles resolvem fugir imediatamente, titubeando, contudo, porque o passarinheiro, sentindo-se sobremaneira feliz devido à simpatia dela, confessa-lhe a sua solidão, dando-lhe a entender que ele mesmo a desejaria como sua pequena Pamina. Pamina admoesta-o a ser paciente, e diz-lhe que sabe que os deuses lhe mandarão uma companheira.

Os dois afastam-se, cantando o lindíssimo dueto sobre a delícia e a bem-aventurança do amor: “não há nada mais nobre do que o homem e a mulher”.

O cenário muda: três templos estão ligados entre si por corredores de colunas. O da direita ostenta a inscrição “TEMPLO DA RAZÃO, o da esquerda, “TEMPLO DA NATUREZA”, e o do meio, “TEMPLO DA SABEDORIA”. Esses três templos representam, na simbologia maçônica, a força masculina, a beleza feminina e a sabedoria (a união dos dois).

Quando Tamino indagou às três jovens como podia achar a montanha na qual Pamina está encerrada, elas lhe contaram que seria acompanhado por três belos mancebos, sábios e bons. Esses três jovens guiam-no aos três templos, abandonando-o depois com a exortação: “sede imperturbável, paciente e calado, considerai isso; enfim, sede homem, depois jovem, e tereis a vitória como homem”. Novamente só, Tamino procura entrar no Templo à direita, mas a entrada lhe é proibida por uma voz que lhe ordena “para trás”; experimenta entrar no Templo à esquerda, mas a entrada lhe é proibida da mesma maneira. Ele não se deixa perturbar e bate no portal do meio, o da “SABEDORIA”. Um sacerdote idoso aparece na entrada e o príncipe compreende que chegou ao Templo de Sarastro[6], o sumo sacerdote do sol, o mago sábio, que se acha em harmonia com as forças da luz. Tamino tenta, ansioso, saber algo sobre o paradeiro de Pamina. O sacerdote responde-lhe: “meu caro filho, não me é permitido dizer-te isso agora. O juramento e a responsabilidade tolhem-me a língua”, Tamino pergunta quando estará liberto desse juramento. O sacerdote responde-lhe numa das mais solenes árias da ópera: “Logo que te guiar ao santuário do laço da eterna amizade”.

Nessa ocasião, um coro se eleva pedindo a Tamino não interromper suas buscas pois que não demorará muito tempo até que encontre Pamina. Tamino responde numa ária que exprime sua alegria e gratidão pelo auxílio dos deuses, acompanhado por um sublime solo de flauta.

Quando Tamino se afasta, aparecem Papageno e Tamina, que são perseguidos por Monostatos e seus três escravos. Em desespero, Papageno toca os sinos mágicos que recebera das três jovens, para sua proteção. Imediatamente forma-se ao redor dos dois uma aura que não pode ser devastada pelo mago malévolo. Eles estão livres! É na verdade, possível a todas as pessoas encerrarem-se em si mesmas numa aura divina, onde nenhuma força negativa ou maléfica possa atingi-las. Papageno e Pamina cantam jubilosos um dueto em agradecimento ao auxílio divino, que lhes foi concedido por intermédio da sonoridade dos sinos; proclamam que, se todos soubessem fazer uso de tal magia, inimigos tornar-se-iam amigos, e o mundo inteiro seria o reino da beleza e da harmonia.

Um coro invisível anuncia a aproximação do sumo sacerdote Sarastro. Ele entra acompanhado por vários sacerdotes e Iniciados. Pamina relata que tentara fugir, pois temia o mouro Monostatos. Num ritmo apaziguante, conta-lhe Sarastro que algum dia compreenderá por que foi separada de sua mãe, e colocada sob os cuidados do Templo. Nesse instante entra o mouro arrastando Tamino atrás de si. O príncipe e a princesa reconhecem-se de maneira intuitiva e abraçam-se afetuosa e calorosamente. Sarastro pede aos sacerdotes para encaminharem Tamino e Papageno ao Templo da Provação. Os sacerdotes lhes cobrem as cabeças com véus e os acompanham para fora. Sarastro toma Pamina pela mão e guia-a ao Templo da Sabedoria. Ali, invoca os deuses e suplica-lhes que abençoem os jovens aspirantes à procura da luz:

“Ó Isis e Osiris, dai

o espírito da sabedoria ao jovem par!

Vós, que guiais os passos que caminham;

Fortalecei-os no perigo com a paciência!

Fazei que eles vejam os frutos da provação;

Se, porém, devem descer à sepultura,

Gratificai a virtude da ousada corrida,

Aceitai-os em vossa Santa Morada”.

SEGUNDO ATO

O segundo ato começa com uma marcha solene (geralmente com instrumentos de sopro) com o mesmo tema dos acordes iniciais da abertura. Como acompanhamento, aparecem os sacerdotes, guiados por Sarastro, que lhes diz que Tamino e seu companheiro esperam na entrada norte do Templo. Eles perguntam ao príncipe por que Tamino desejaria conhecer os mistérios.

Ele responde que sua finalidade é alcançar sabedoria para que possa se unir a Pamina. Acrescenta, ainda, que ele espera, com isso, fortificar as forças do amor e da comunhão no mundo e está pronto a sacrificar sua vida para atingir esse fim. A seguir, os sacerdotes perguntam a Papageno qual o objetivo de sua vida. Ele responde que não ambiciona sabedoria; deseja somente comer bem, dormir e brincar e, se possível, achar uma pequena companheira para si.

Aqui estão claramente revelados os dois caminhos da evolução. Há poucos, como Tamino, dedicados ao serviço da sabedoria. Mas muitos são como Papageno, só vivem para gozar a aquisição de bens materiais e ter vida alegre e voluptuosa.

As três jovens voltam e advertem Tamino da traição de Sarastro e dos sacerdotes. Tamino nega-se a ouvi-las. Sempre em épocas de crise espiritual unem-se as baixas forças físicas, tanto com os sentimentos quanto com as forças mentais, para uma experiencia decisiva que visa alterar, astutamente, o espírito humano da luz. A uma ordem severa de um dos sacerdotes, as três jovens afundam na terra. Novamente entram os sacerdotes. Eles louvam Tamino por sua coragem, força e perspicácia.

O segundo ato, em sua maior parte, é dedicado às tentações que Tamino e Pamina precisam vencer, para confirmar sua dignidade perante a Iniciação dos mistérios.

O cenário mostra um jardim maravilhoso. Pamina aparece novamente, perseguida pelo negro Monostatos. Ele descreve o seu desejo imperioso em relação a Pamina, exigindo que ela se entregue a ele. Ela, porém, afirma, com toda a energia, que antes prefere morrer. No auge dessa luta, aparece a Rainha da Noite e Pamina pede-lhe ajuda. A Rainha responde-lhe que seu pai, antes de morrer, dera o santo escudo do sol ao sumo sacerdote e que ela não pode libertá-la sem o poder do escudo. Contudo, entrega à Pamina um punhal, com o qual poderia matar Sarastro e ajudar a mãe a retomar o escudo sagrado. Numa ária-coloratura, a Rainha confirma seu ódio contra o sumo sacerdote e seu desejo de vingança, jurando destruir o templo e os sacerdotes.

A Rainha desaparece quando Pamina cai de joelhos rezando, pois sabe que não pode matar Sarastro. O mau Monostatos, que espreitava, volta. Rapidamente arranca de Pamina o punhal e exige que ela se entregue a ele, ou do contrário morrerá. Ela repete que prefere a morte. De repente, Sarastro encontra-se entre os dois. Ternamente toma a moça em seus braços, contando-lhe que fora separada da Rainha para seu próprio bem, porque ela queria encetar uma revolta para destruir o Templo, junto com seus santos servidores. Isso, declara ele, agora ela não seria capaz de fazer. “Tu e Tamino”, acrescenta, “sois destinados um para o outro”. “Juntos, tereis muitas bençãos e trareis muitos benefícios ao mundo.” A cena termina com a magnífica ária de Sarastro:

“Nestas santas galerias

Não se conhece a vingança;

E se um homem decair

O amor o levará ao seu dever

Anda suave na mão amiga

Contente e alegre num mundo melhor.

Nestes muros abençoados

Onde o homem ama o Homem,

Não pode traidor espreitar,

Porque perdoa-se ao inimigo.

Aquele, a quem tais ensinamentos

Não agradam, não merece homem se chamar.”

Cada grupo que estuda a atividade das leis divinas cria uma força dinâmica, utilizando-a para construir ou destruir. É de máxima importância, para os grupos, aprenderem que a primeira fase em sua obra é: “viver e deixar viver”. Recomenda-se cautela para impossibilitar imediatamente qualquer sinal de bisbilhotice, inveja, ciúme ou ódio. Se isso for negligenciado, haverá discordância, afastamento e, no fim, como consequência, a destruição. Uma lei fundamental diz que a verdadeira ação esotérica só pode ter sucesso se baseada na união espiritual. A pedra fundamental de todos os grupos ocultos pode ser achada nas palavras do sumo sacerdote Sarastro: “Nestas santas galerias não se conhece a vingança”. 

O quadro seguinte é o de uma galeria grande, Tamino e Papageno são acompanhados por dois sacerdotes que lhes pedem para ficar calados, aludindo que, se ouvirem trombetas, devem-se se dirigir à direção dos sons. Papageno, porém, não se cala. Tagarela sem parar, de alegria, apesar dos esforços de Tamino em fazê-lo calar-se. Entram depois os três jovens, que trazem uma mesa repleta de comida e vinho. Trazem, também, a flauta e os sinos mágicos. Papageno está encantado e começa a comer vorazmente, enquanto Tamino toca sua flauta. A esse som, aparece Pamina correndo rapidamente em sua direção. Ele se lembra de seu juramento e faz-lhe sinais para ir-se embora, entendendo que teria perdido seu amor. Ela canta com desânimo:

“Ah! Eu sinto que desapareceu

Eternamente a felicidade do amor.

Nunca mais voltareis vós, horas de prazer,

Ao meu triste coração!

 A cena seguinte passa-se perto das pirâmides. Entram Sarastro e seus sacerdotes. Numa procissão solene cantam uma invocação a Isis e Osiris. Tamino e Pamina são levados para o cenário, envoltos em véus, e lhes é anunciado que se devem separar para sempre. Quando tiram os véus de Tamino, Pamina corre impetuosamente em sua direção; porém, ele a rejeita, e Pamina, triste, abandona a galeria, para enfrentar seu desventurado destino. 

Amedrontado, Papageno vem à procura de Tamino. Bate numa porta e depois noutra. Vozes ásperas advertem-no de que ele não é digno de ser admitido. Mereceria trilhar para sempre os escuros abismos da terra, mas os deuses o dispensam do castigo, “jamais tereis, porém, o prazer de sentir a Iniciação”. Papageno responde: “Bem, então existe mais gente igual a mim” e, enquanto toca os seus sinos, canta a atraente ária: “Uma menina ou mulherzinha Papagena[7] deseja para si…”

A seguir, a cena se passa num jardim, ao alvorecer… Os três jovens vêm adorar o sol nascente. Pamina entra levando o punhal que a Rainha da Noite lhe dera, dizendo que vai acabar com a vida. Os três mancebos aconselham-na a esperar pacientemente a sua reunião com Tamino, o qual se aproxima, pois Deus a castigaria pelo suicídio.

A próxima cena mostra duas montanhas separadas. No interior de uma, vê-se um fogo chamejante, da outra, uma estrondosa catarata. Dois guardas, em armadura, cantam: 

“Aquele que trilha este caminho cheio de sofrimentos,

Purifica-se pelo fogo, pela água, pelo ar e pela terra,

Se supera o medo da morte

Impulsiona-se da terra aos céus

Iluminado será depois de

Consagrar-se aos mistérios de Isis.”

 À esquerda, entra Tamino, acompanhado por um sacerdote, e, à direita, Pamina acompanhada por outro. Sem demora, dão-se as mãos atravessando o fogo, incólumes. Tamino toca sua flauta mágica durante esse tempo. Depois passam ilesos pela prova da água. Quando acabam de passar, Sarastro acha-se na porta aberta do templo, e dá-lhes as boas-vindas ao venerável santuário!

Antes fora mencionado que o santo escudo do sol havia sido entregue pelo pai de Pamina ao sumo sacerdote. Isso se refere à aura iluminada de um Iniciado, ao maravilhoso traje nupcial, que cada neófito deve tecer para si mesmo, antes de chegar a ser um Iniciado. Esse traje, formado pelos dois éteres superiores de um aspirante, é muitas vezes denominado “a roupagem de um mestre em azul e ouro”, pois são essas as cores dos dois Éteres Superiores. Se um aspirante vestir este Traje Nupcial pode passar através de fogo, ar, água e terra.

A cena final da ópera começa quase em completa escuridão. A Rainha da Noite e suas três jovens aproximam-se, acompanhadas por Monostatos que leva uma tocha acesa. Eles pretendem destruir o Templo e seus sacerdotes; como recompensa por seu auxílio, Monostatos receberia a mão da encantadora Pamina. De repente, ouve-se um trovão ensurdecedor. Imaginaram terem sido destituídos de seu poder, e com um grito de pavor afundam os cinco na terra.

Novamente o palco se torna feericamente iluminado e o Templo, em luz radiante, é visto no alto de uma colina. Nele aparecem Sarastro, os sacerdotes, os três jovens, Tamino e Pamina. Como foi antes mencionado, os três mancebos representam os três veículos inferiores do ser humano: o Corpo Denso, o Corpo de Desejos e a Mente. Numa existência terrestre o ser humano acumula conhecimentos, os quais deixam a sua impressão na natureza composta, para a posteridade. Por um processo alquímico, que é ativo tanto durante uma vida terrestre como também durante o tempo da presumida morte e Renascimento, a essência das experiências é alquimicamente extraída da personalidade e incluída na alma tríplice. Nessa ópera franco-maçônica, os três aspectos da alma são identificados como as três características do espírito: “poder, sabedoria e beleza”.

A “Flauta Mágica” finaliza com o coral dos sacerdotes:

“Santificados sede vós, Iniciados!

Superastes o tormento da noite

Bendito sê tu, Osiris,

Louvor a ti, ó Isis

Venceu o celso poder

Recompensado com a coroa eterna,

da beleza e da sabedoria”.

 Na “Flauta Mágica”, Mozart descreve a senda que o candidato – pobre, nu e cego – percorre à procura da luz. A ópera continua revelando os passos sequentes da senda, de muitas provas e alterações, pelas quais ele é submetido para, finalmente, tornar-se digno de entrar naquele Templo, que não é feito por mãos, mas que está eternamente nos céus, onde ele se encontra para sempre em divina união com a LUZ ETERNA.

FIM


[1] N.T.: A Flauta Mágica (original em alemão Die Zauberflöte Loudspeaker.svg? KV 620 é uma ópera (singspiel) em dois atos de Wolfgang Amadeus Mozart, com libreto alemão de Emanuel Schikaneder. Estreou no Theater auf der Wieden em Viena, no dia 30 de setembro de 1791. Algumas de suas árias tornaram-se muito conhecidas, como o dueto de Papageno e Papagena, e as duas árias da Rainha da Noite.

[2] N.T.: o príncipe

[3] N.T.: o caçador de pássaros

[4] N.T.: filha da Rainha da Noite

[5] N.T.: mouro a serviço de Sarastro

[6] N.T.: sacerdote de Ísis e Osíris

[7] N.T.: prometida a Papageno

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A Maçonaria Mística e a Flauta Mágica de Mozart

O caminho é longo e o trabalho é exaustivo, mas no final – assim Mozart nos conta – o Aspirante digno chega à culminância – ele se torna um “Iniciado”. Na abertura são descritos vários processos, pelos quais a pedra, áspera e tosca, se transforma até ficar completamente polida; ele finaliza com a repetição dos três acordes (batidas), através dos quais é mostrado que o solicitante procura maior sabedoria e luz. A senda é sem-fim, a procura é eterna! Mais detalhes? Leia aqui: Maçonaria Mística e a Flauta Mágica de Mozart

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Sugestão para o seu Exercício Esotérico de Meditação nesse período: A Parábola do Banquete de Bodas do Filho do Rei

A parábola relativa à Leão é a do banquete de bodas do filho do rei.

Leao-O-Banquete-de-Bodas-do-Filho-do-Rei-1-709x1024 Sugestão para o seu Exercício Esotérico de Meditação nesse período: A Parábola do Banquete de Bodas do Filho do Rei
ou Parábola do Banquete de Casamento ou Parábola do Grande Banquete ou Parábola da Festa de Casamento ou Parábola do Casamento do Filho do Rei

A festa de bodas é, naturalmente, a Iniciação. Não há estação na qual os portais do céu se abram mais ou na qual a luz brilha com maior intensidade que durante o tempo em que as forças de Leão estão focadas sobre a Terra. O leão, símbolo do Signo de Leão, representa o fogo cósmico no interior do ser humano. Quando esse fogo é elevado à cabeça, esse órgão se converte no centro regenerador do Corpo-Templo. Esse é o significado mais elevado do leão rampante (ou seja, apoiado sobre as patas traseiras), que simboliza o mais elevado aspecto da Iniciação. Na magnífica cerimônia da loja maçônica, o leão, em pé, e com uma garra estendida, era o que elevava o herói maçônico Hiram Abiff (O construtor Mestre do Templo de Salomão, era Filho de uma Viúva, um artífice habilidoso. Uma das encarnações de Christian Rosenkreuz) das trevas da morte até a glória da vida imortal.

A Iniciação, tal e como existia antes da vinda de Cristo, era um processo bem diferente da atual. A Iniciação antiga era chamada de A Trilha dos Mistérios Iluminados e consistia em uma solene cerimônia que representava importantes acontecimentos na vida dos grandes Mestres do mundo, desde o nascimento até a sua Ressurreição. Com a vinda do Cristo, a Iniciação experimentou uma mudança e agora é chamada de A Trilha dos Mistérios Solares. A Iniciação Cristã ainda representa importantes acontecimentos da vida do Senhor: Nascimento, Batismo, Transfiguração, Ressurreição e Ascensão. Contudo, agora são experiências realizáveis e vitais no interior da consciência e do Corpo do Discípulo. Daí que agora, sob Cristo, seja muito mais difícil a Iniciação do que era antes da Sua vinda. Por isso São Paulo, um dos maiores expoentes dos Mistérios Cristãos, deu a seus Discípulos um tipo de mantra, aplicável a todos no tempo moderno, quando lhes disse: “Que Cristo seja formado em vós”. As diversas escolas de metafísicos como o Novo Pensamento, a Ciência Cristã e outras, que preconizam a manifestação do Cristo Interno, são etapas preparatórias que conduzem à realização suprema na vida do ser humano: a Iniciação nos Mistérios trazidos à Terra por Cristo.

Outra importante diferença entre os Mistérios pré-Cristãos e os ensinados por Cristo consiste em que nos tempos antigos cada cidade tinha seu próprio Templo de Iniciações onde se observavam os Mistérios. Durante a Idade de Ouro da Grécia não se permitia ocupar um cargo público a nenhum homem que não fosse iniciado nos Mistérios. Todos esses Templos terrenos foram fechados e os verdadeiros Templos de Mistérios estão, agora, situados na Região Etérica do Mundo Físico. Por isso, cada Aspirante há de tecer, antes, seu próprio “traje de bodas” para poder entrar, já que em seu Corpo Denso não é mais possível entrar lá.

Os Éteres estão divididos em quatro graus de densidade. Como já foi dito, enquanto o ser humano pertencer à terra, é terreno, e vive para comer, beber e ser feliz, seu Corpo Vital se compõe, principalmente, dos dois Éteres inferiores. Quando começa a renunciar ao caminho da carne e a aspirar às coisas do espírito, então, atrai cada dia em maior quantidade os dois Éteres superiores.

Em nossos dias, o elevado e sagrado significado da Iniciação foi perdido, para a maioria das pessoas. Consequentemente, o reconhecimento do profundo significado espiritual dos antigos Templos de Mistérios é muito pequeno ou completamente nulo. Não se tratava de cerimônias ao alcance de qualquer um, como irrefletidamente se crê. Eram acessíveis só aos que tinham se qualificado devidamente para participar neles. Essa é a verdade expressa na parábola do Banquete de Bodas do Filho do Rei. Só podiam entrar nele os revestidos com o “dourado vestido de bodas”. Esse traje não pode ser dado por ninguém. Há de ser tecido por si mesmo. E isso só se consegue fazer “vivendo a vida”, por meio da sublimação dos desejos inferiores em poderes do espírito e mediante à prestação de serviços amorosos e desinteressados a todos os demais seres humanos e a todos os seres viventes. Essa é a verdade destacada pela Cristandade esotérica. Enquanto que a ortodoxa põe todo o peso da salvação do ser humano sobre os ombros do Cristo, a Cristandade esotérica põe tal salvação onde deve estar: sobre os ombros do próprio ser humano.

É durante o tempo em que a Hierarquia de Leão está derramando suas forças sobre a Terra, que é mais fácil para o Aspirante se dedicar, novamente, a prosseguir na trilha para tecer a luminosa vestimenta que lhe há de abrir a essas correntes de luz e a essas radiações de amor. Quando esse traje for totalmente tecido, será considerado digno de participar do banquete do matrimônio místico e de ser contado entre os filhos do Rei. Quando a alguém é permitida essa assistência, pode estar em Sua presença, olhando-O face a face e o conhecendo tal qual Ele é.

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Diagrama 15 – O Simbolismo do Caduceu de Mercúrio

A ciência oculta diz que há 777 encarnações, o que não quer significar que a Terra sofra 777 metamorfoses. Significa que a vida que está evoluindo faz: 7 Revoluções em torno dos 7 Globos dos 7 Períodos.

Esta peregrinação involutiva e evolutiva e o caminho reto da Iniciação estão simbolizados no Caduceu ou “Cetro de Mercúrio” (veja o Diagrama 15).

O Caduceu (O Caduceu ou emblema de Hermes (Mercúrio)) é um bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é adornada com asas. É um antigo símbolo. É frequentemente confundido com o símbolo da medicina, o bordão de Esculápio ou bastão de Asclépio) foi, essencialmente, uma cruz grega. Nele o braço horizontal está substituído por duas asas, e duas serpentes se enroscam ao redor do braço vertical. É considerado, frequentemente, como o báculo de Mercúrio. Nesse sentido é significativo que Mercúrio foi o deus da Iniciação e que, na Grécia, a Iniciação alcançou, indubitavelmente, elevados níveis de sublimidade. Os Aspirantes modernos reconhecem no caduceu o símbolo mais perfeito, jamais concebido, da Iniciação.

É assim chamado porque esse símbolo oculto indica o Caminho da Iniciação, aberto unicamente desde o princípio da metade mercurial do Período Terrestre. Alguns Mistérios Menores foram dados aos primitivos lemurianos e atlantes, mas não as quatro Grandes Iniciações, as Iniciações Cristãs.

Diagrama-15-Caduceu-de-Mercurio Diagrama 15 – O Simbolismo do Caduceu de Mercúrio
Diagrama 15 – O Simbolismo do Caduceu

A serpente negra do Diagrama 15 indica o caminho cíclico e tortuoso da Involução, e compreende os Período de Saturno, Solar, Lunar e a metade Marciana do Período Terrestre. Durante esse intervalo, a vida, que está evoluindo, construiu seus veículos, mas só adquiriu plena e clara consciência do mundo externo na última parte da Época Atlante.

A serpente branca representa o caminho que seguirá a humanidade através da metade Mercurial do Período Terrestre e dos Períodos de Júpiter, de Vênus e de Vulcano. A consciência humana expandir-se-á durante esta peregrinação, até alcançar a onisciência, a Inteligência Criadora. Enquanto a grande maioria dos seres humanos segue o caminho serpenteante, o Cetro de Mercúrio em que se enrolam as serpentes mostra o “estreito e reto caminho”, o Caminho da Iniciação. Os que por ele viajam, realizam em poucas vidas o que requer milhões de anos para a maioria da humanidade.

Assim, o Caduceu é o símbolo profundo da verdade iniciática. Sua haste vertical simboliza, para o alquimista, o cordão espinhal dentro do corpo humano. Ao longo da medula espinhal existem certos centros que, nas Escolas de Sabedoria orientais se conhecem como “flores de lótus” e nas Escolas de Sabedoria ocidentais, se conhecem como rosas, florescendo sobre a cruz do corpo. As serpentes entrelaçadas ao redor da haste do caduceu simbolizam os dois sistemas nervosos, o cérebro-espinhal e o simpático. Quando os centros se põem em atividade, são produzidas alterações em ambos os sistemas nervosos.

Note, também, que o Caminho da Evolução é sim uma espiral quando o observamos unicamente sob o ponto de vista físico, mas é uma lemniscata quando visto tanto em seu lado físico como no espiritual. Na lemniscata, ou forma de “oito”, há dois círculos que convergem para um ponto central e esses círculos podem ser considerados símbolos do espírito imortal, do Ego em evolução. Um dos círculos significa sua vida no Mundo Físico, do nascimento à morte. Durante esse intervalo de tempo, ele planta uma semente em cada ato praticado e, em troca, deve colher uma correspondente quantidade de experiência. No entanto, do mesmo modo que podemos semear e nada colher, porque a semente caiu em um solo pedregoso, entre espinhos, etc., também a semente da oportunidade pode ser desperdiçada devido à negligência em cultivar o solo. A vida, então, será infrutífera. Por outro lado, assim como o interesse ou cuidado aplicado no cultivo aumentam, imensamente, o poder produtivo da semente, assim também a séria dedicação aos vários afazeres da vida – o aproveitamento das oportunidades para aprender as lições da vida e extrair delas a experiência que contêm – resulta em mais oportunidades; e ao fim de um dia de existência, o Ego se encontra à porta da morte repleto com os mais ricos frutos colhidos durante a vida.

Ao terminar o trabalho objetivo da existência física, com o consequente findar dos dias dedicados às ações, o Ego entra no trabalho subjetivo da assimilação, realizado durante sua permanência nos Mundos invisíveis, compreendendo o período desde a morte até ao nascimento, simbolizado pelo outro anel da lemniscata. Como o método da realização dessa assimilação já foi minuciosamente descrito em várias partes da nossa literatura, não é necessário repeti-lo aqui. É suficiente dizer que no momento em que um Ego chega ao ponto central na lemniscata, o qual divide o Mundo Físico dos Mundos psíquicos, e que chamamos a porta do nascimento ou da morte, dependendo se o Ego está entrando ou saindo da vida aqui, ele tem consigo um conjunto de faculdades ou talentos adquiridos em todas as suas vidas anteriores, e que poderá usá-los ou não durante sua próxima existência; assim, seu crescimento anímico dependerá do uso que fizer dessas suas faculdades ou desses seus talentos.

Se por muitas vidas ele alimentou, principalmente, a natureza inferior, vivendo para comer, beber e se divertir, ou se sonhou e passou a vida em especulações metafísicas sobre a natureza de Deus, diligentemente se abstendo de todas as ações necessárias, gradualmente será deixado para traz pelos mais ativos e progressistas. Contrariamente à ideia comumente aceita, isso se aplica também àqueles engajados em trabalhos sistemáticos especialmente para algum propósito útil ou a criação de algo de valor (por exemplo, em qualquer tipo de empresa, na prestação de serviços, na agricultura, etc.). O fato de ganhar dinheiro é somente uma circunstância, um incentivo. Além desse aspecto, o trabalho deles é tão ou mais espiritual que o daqueles que passam seu tempo orando em prejuízo de um trabalho útil.

(Quer saber mais? Faça os Cursos de Filosofia Rosacruz (todos gratuitos) e/ou consulte o Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel)

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Imaculada Conceição

A doutrina da Imaculada Conceição ou Imaculada Concepção é um dos mais sublimes mistérios da Religião Cristã e, talvez por essa razão, tem sido mais encarada pelo lado material do que qualquer outro dos mistérios.

A ideia popular, mas errônea, é que há 2.000 anos, um indivíduo chamado Jesus Cristo nasceu sem a necessidade da cooperação de um pai terreno e que esse incidente é tido como único na história do mundo.

Na realidade, não é assim. A Imaculada Conceição já ocorreu muitas vezes na história do mundo e será universal no futuro.

O fluxo e refluxo periódico das forças materiais e espirituais que afetam a Terra são as causas invisíveis das atividades físicas, morais e mentais exercidas sobre o nosso globo. De acordo com o axioma hermético “como em cima, assim é em baixo”, uma atividade semelhante ocorre no ser humano, que é uma edição menor da Mãe Natureza.

Os animais têm vinte e oito pares de nervos espinhais e, atualmente, estão em seu estado lunar, perfeitamente sintonizados com os vinte e oito dias que a Lua demora para circundar o Zodíaco. O Espírito-Grupo regula o acasalamento dos animais em estado selvagem. Por isso, neles não existe o abuso.

O ser humano, no entanto, encontra-se em estado de transição: progrediu demasiado e por isso mesmo não obedece às vibrações lunares, porque tem trinta e um pares de nervos espinhais. Mas ainda não está sintonizado com o mês solar de trinta e um dias e se acasala em qualquer época do ano; daí o período menstrual da mulher, o qual, em condições apropriadas, é utilizado para formar parte do corpo de um filho mais perfeito que o do seu pai ou de sua mãe.

De igual modo, o fluxo periódico da humanidade se converte em espinha dorsal do adiantamento racial; o fluxo periódico das forças espirituais da Terra, que ocorre no Natal, resulta o nascimento de Salvadores que, de tempos em tempos, renovam os impulsos para o avanço espiritual da raça humana.

A Bíblia possui duas partes: o Velho e o Novo Testamento. Depois de relatar resumidamente como foi formado o mundo, o Antigo Testamento nos fala da “Queda”.

Nós entendemos que a “Queda” foi ocasionada pelo abuso ignorante da força sexual do ser humano, em ocasiões em que os raios interplanetários eram adversos à concepção dos melhores e mais puros veículos. Desse modo, o ser humano foi se aprisionando gradualmente em um Corpo Denso, cristalizado pela pecaminosa paixão e, consequentemente, dentro de um veículo imperfeito, sujeito ao sofrimento e à morte.

Então começou a peregrinação através da matéria e por milênios temos vivido neste duro e cristalizado corpo que obscurece a luz dos Céus ao Espírito interno. O Espírito é como um diamante encerrado em uma crosta grosseira e os lapidadores celestiais, os Anjos do Destino, estão continuadamente procurando remover essa crosta a fim de que o Espírito possa brilhar através do veículo que anima.

Quando o lapidário encosta o diamante na pedra polidora, ele emite um gemido, como se fosse um grito de dor, à medida que a cobertura opaca se desprende. Aos poucos, o diamante bruto que é submetido às aplicações da pedra transforma-se em gema de transcendental brilho e pureza.

Do mesmo modo, os seres celestiais que zelam pela nossa evolução nos oprimem fortemente contra a pedra polidora da experiência. Dores e sofrimentos resultam disso e despertam o Espírito que dorme dentro de nós. O ser humano que até este momento se contentou com as coisas materiais, que tem sido indulgente com os sentidos e com o sexo, sente descontentamento e isso o impele a buscar uma vida mais elevada.

No entanto, a satisfação dessa sublime aspiração é normalmente acompanhada de uma luta muito severa, por parte da natureza inferior. Foi durante essa luta, que São Paulo exclamou com toda a angústia de um coração devoto e aspirante: — “Infeliz homem que sou… Porque eu não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero… Porque eu me deleito na lei de Deus, segundo o homem interior, mas sinto nos meus membros outra lei que repugna à lei do meu Espírito e que me faz cativo na lei do pecado, que está nos meus membros.” (Rm 7:19-24).

Quando se espreme uma flor, liberta-se a sua essência e, assim, enche-se o ambiente com a sua grata fragrância, que deleita o olfato de todos os que tenham a sorte de estar próximos. Os golpes do destino podem envolver um homem ou uma mulher que tenha chegado ao estado de eflorescência, mas isso servirá para mostrar a doçura da natureza e exaltar a beleza da alma, até que brilhe com fulgor, marcando o seu possuidor com um halo luminoso.

Essa pessoa encontra-se no caminho da Iniciação. Ela aprende como o licencioso uso do sexo, sem ter em conta os raios astrais, fizeram-na prisioneira do corpo; como está acorrentada a ele e como, por meio do uso apropriado dessa mesma força sexual, em harmonia com os Astros, poderá gradualmente melhorá-lo e sutilizá-lo, obtendo afinal a libertação da existência concreta.

Um construtor naval não pode fazer um barco de carvalho usando madeira comum. Nem o ser humano colhe uvas de espinheiros; semelhante atrai semelhante e um Ego de natureza passional, quando se encarna, é arrastado para pais da mesma natureza; deste modo, o seu corpo será concebido em harmonia com o impulso do momento, pela satisfação dos sentidos.

A alma que provou da taça da tristeza devido ao abuso da força criadora e bebeu sua amargura, gradualmente buscará pais cada vez menos dominados pelos instintos passionais, até que por fim obterá a Iniciação.

Havendo sido instruída, no processo da Iniciação, sobre a influência dos raios astrais no parto, o próximo corpo será gerado por pais Iniciados, sem paixão e sob a constelação mais favorável para o trabalho a que o Ego se propôs.

Por isso, os Evangelhos (que são fórmulas de Iniciação) começam com o relato da Imaculada Conceição e terminam com a Crucifixão, ambos ideais maravilhosos que teremos de alcançar, porque somos Cristos em formação e alguma vez passaremos pelo nascimento místico e pela morte mística anunciados nos Evangelhos. Por meio do conhecimento poderemos apressar o dia da nossa libertação, em vez de frustramos estupidamente o nosso desenvolvimento espiritual, como agora fazemos.

Em relação à Imaculada Conceição, prevalecem incompreensões em todos os sentidos, como: a perpétua virgindade da mãe depois do parto; a baixa posição de José como suposto pai adotivo, etc. Vamos rever rapidamente esses pontos, como são revelados na Memória da Natureza.

Em algumas partes da Europa, classifica-se de “bem-nascidos” ou mesmo “altamente bem-nascidos” as pessoas de classe elevada, filhos de pais que têm lugar preponderante na sociedade. Tais pessoas, por vezes, olham com desdém os de modesta posição.

Nada temos contra a expressão “bem-nascidos” e desejaríamos mesmo que todos fossem bem-nascidos; isto é, que fossem filhos de pais de alta posição moral, sem nos importar a sua hierarquia social.

Existe uma virgindade da alma que é independente do estado do corpo, uma pureza da Mente que conduz quem a possui ao ato da geração sem a mancha da paixão e torna possível que a mãe tenha o filho em seu seio com um amor inteiramente isento do desejo sexual.

Antes de Cristo, isso teria sido impossível. Em tempos remotos, na jornada do ser humano sobre a Terra, era mais desejável a quantidade do que a qualidade e daí a ordem: “Crescei e multiplicai-vos”. Além disso, foi necessário que o ser humano esquecesse temporariamente sua natureza espiritual e concentrasse suas energias sobre as condições materiais. A indulgência em relação à paixão sexual atingiu esse objetivo e a natureza de desejos teve amplitude em suas funções. Floresceu a poligamia e quanto mais filhos tivesse um matrimônio, mais se honrava, enquanto a esterilidade era vista como a maior aflição possível.

Por outro lado, a natureza de desejos foi refreada pelas leis dadas por Deus e a obediência aos mandatos divinos foi forçada por castigos aplicados aos transgressores, tais como guerras, pestes ou fome. Recompensava-se a rigorosa observância desses mandatos e os filhos, o gado e as colheitas do ser humano “reto” eram numerosos; ele obtinha vitórias sobre os seus inimigos e a taça da felicidade transbordava para ele.

Mais tarde, quando a Terra estava suficientemente povoada, depois do dilúvio Atlante, a poligamia foi decrescendo cada vez mais, tendo como resultado a melhoria da qualidade dos corpos e, na época de Cristo, a natureza de desejos podia ser refreada, no caso dos mais avançados entre a humanidade; o ato gerador tornava-se possível sem paixão, para que os filhos fossem concebidos imaculadamente.

Assim eram os pais de Jesus. Diz-se que José era um carpinteiro; todavia ele não era um trabalhador de madeira, mas um “construtor” no mais alto sentido. Deus é o grande Arquiteto do Universo. Abaixo de Deus existem muitos construtores de diferentes graus de esplendor espiritual. Todos estão ocupados e comprometidos na construção de um templo sem ruído de martelos e José não era uma exceção.

Por vezes, perguntam-nos por que os Iniciados são sempre homens e nunca mulheres. Não é assim: nos graus inferiores existem muitas mulheres; mas quando é permitido a um Iniciado escolher o sexo, normalmente prefere um Corpo Denso que é positivo, masculino, pois a vida que o conduziu à Iniciação espiritualizou o seu Corpo Vital e o tomou positivo sob todas as condições, de modo a ter, então, um veículo da mais alta eficiência.

No entanto, há épocas em que as exigências de natureza evolutiva requerem um corpo feminino, como por exemplo para prover um corpo do mais refinado tipo, a fim de que receba um Ego de grau elevadíssimo. Então, um alto Iniciado pode tomar um corpo feminino e passar novamente pela experiência da maternidade, depois de, talvez, ter deixado de fazer por várias vidas, como foi o caso do formoso caráter que conhecemos como Maria de Belém.

Em conclusão, recordemos os pontos expostos: somos Cristos em formação; algum dia cultivaremos qualidades tão imaculadas que nos tornem dignas de habitar corpos imaculadamente concebidos.

Quanto mais depressa começarmos a purificar as nossas Mentes, tanto mais rápido alcançaremos esse objetivo. Em última análise, isso depende apenas da honestidade dos nossos propósitos e da força da nossa vontade.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1969)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Desenvolvimento do Coração e a Iniciação

O Desenvolvimento do Coração e a Iniciação

Maio de 1917

Enquanto elaborava a lição deste mês, me ocorreu perguntar se vocês estão obtendo ou não, todos os benefícios proporcionados por essas lições.   Tudo depende da maneira como estão estudando, pois vocês não podem obter mais delas do que aquilo a que se dedicarem por si mesmos. Portanto, pensei que seria oportuno dedicar essa carta a uma pequena discussão sobre o método mais adequado de utilizá-las com o máximo de benefício possível.

Sabemos que o objetivo dos Ensinamentos Rosacruzes é desenvolver, equitativamente, a Mente e o Coração; fornecendo todas as explanações de uma maneira tão lógica que a Mente esteja pronta para aceitar e, assim, o coração fique livre e à vontade para trabalhar sobre o material recebido. Se vocês simplesmente lerem a lição e refletirem sobre ela, achando até lógica e racional a explanação sobre o assunto abordado mensalmente e, em seguida, a deixarem de lado e a esquecerem, de pouco valerá, pois utilizarão apenas o intelecto e não o coração. A maneira apropriada, após a lição ter sido assimilada e aceita intelectualmente, é praticá-la de uma forma devocional durante o resto do mês, em diferentes ocasiões, quando sentirem a necessidade e a predisposição para realizar esse exercício. Depois, deverão não pensar mais na lição, se esforçando para não raciocinarem sobre qualquer assunto que ela contenha, deixando o intelecto o mais longe possível que puderem. Esforcem-se para senti-la, pois, o sentimento é uma função do coração. Tentem visualizar os diferentes detalhes e assuntos nela contidos.

Por exemplo, a lição que acompanha esta presente carta aborda sobre a humanidade durante o estágio em que fomos hermafroditas. Ela nos recorda a entrada dos espíritos de Lúcifer, bem como o caminho da regeneração sob a orientação de Mercúrio. Se visualizarem ante sua visão interior a condição do ser humano durante os diferentes estágios que se sucederam, colherão grande benefício. Fazendo dessa forma, podem visualizar e sentir as mudanças que ainda estão por vir no futuro, pois na consciência interna de vocês permanecem latentes todos os sentimentos que experimentaram durante todas as vidas passadas da evolução, e será apenas uma questão de prática serem capazes de contatá-las, quando quiserem.

Lembrem-se do que foi dito no Conceito Rosacruz do Cosmos sobre o método de Iniciação que, em algum momento, quando chegarem a esse ponto, terão que retroceder ao longo do caminho que percorreram para sentir e ver, conscientemente, aquilo que trilharam de maneira inconsciente. Portanto, a prática acima mencionada é uma preparação. Quanto mais puderem ver por si mesmos, no estado de espírito indicado acima, mais profundamente poderão sentir a condição correspondente e perceberão a mão protetora e condutora das Hierarquias Divinas, que nos têm ajudado no caminho da evolução; assim, estarão melhor preparados para o tempo vindouro, quando tiverem que passar pelo processo da Iniciação. É seguro dizer que, dessa maneira, receberão muito mais benefícios da Iniciação do que se estivessem despreparados.

Nessa prática de sentir a lição, vocês encontrarão um auxílio muitíssimo grande para o progresso espiritual; e se usado corretamente, iluminará as lições e lhes fornecerá uma percepção espiritual que não poderá ser alcançada de nenhuma outra maneira. Portanto, sinceramente, eu espero que levem isso a sério e decidam praticar esse modo de estudar a lição regularmente, mesmo naquelas que, à primeira vista, possam lhes parecer monótonas e desinteressantes. Esse processo permitirá a vocês extrair as pérolas escondidas sob a superfície, com as quais jamais sonhariam.

(Carta nº 78 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Caminho da Preparação – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz

Vivemos no Mundo das Formas (Mundo Físico) que é de grande valor para a nossa evolução.  Serve como uma estação de experiência para nos capacitar a trabalhar corretamente nos Mundos Superiores.

Ao buscamos este caminho devemos compreender que “o caminho da Preparação precede ao caminho da Iniciação”.

Nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, aprendemos que todo desenvolvimento espiritual começa no Corpo Vital, formado de material da Região Etérica do Mundo Físico e que ainda é invisível para a maioria de nós, devido à necessidade de desenvolvermos a visão etérica, para tal. Esta Região Etérica está dividida em quatro Éteres: Químico, de Vida, de Luz e Refletor.

O Éter Químico é o canal para assimilação e excreção.

O Éter de Vida é a avenida para propagação e crescimento.

O Éter de Luz (Luminoso) gera o calor do sangue e é também o veículo da percepção sensorial.

O Éter Refletor é um dos mais importantes em nosso presente estado evolutivo e é por onde o Ego controla o Corpo Denso. Nele se mantêm os registros ou arquivos da nossa memória.

1. Para fazer download ou imprimir:

O Caminho da Preparação – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz

2. Para estudar no próprio site:

O Caminho da Preparação

Por

um Estudante

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Português, 1964, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

Sumário

INSTRUÇÕES INICIAIS PARA O CAMINHO DA PREPARAÇÃO.. 4

INTRODUÇÃO.. 7

A PERSISTÊNCIA E O ÉTER QUÍMICO.. 15

A DEVOÇÃO E O ÉTER DE VIDA.. 19

o éter luminoso e a observação.. 23

o éter refletor e o discernimento.. 26

INSTRUÇÕES INICIAIS PARA O CAMINHO DA PREPARAÇÃO

Vivemos no Mundo das Formas (Mundo Físico) que é de grande valor para a nossa evolução.  Serve como uma estação de experiência para nos capacitar a trabalhar corretamente nos Mundos Superiores.

Ao buscarmos este caminho devemos compreender que “o Caminho da Preparação precede ao Caminho da Iniciação”. Nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental aprendemos que todo desenvolvimento espiritual começa no Corpo Vital, formado de material da Região Etérica do Mundo Físico, e que ainda é invisível para a maioria de nós, devido à necessidade de desenvolvermos a visão etérica para tal. Essa Região Etérica está dividida em quatro Éteres: Químico, de Vida, de Luz e Refletor. O Éter Químico é o canal para assimilação e excreção. O Éter de Vida é a avenida para propagação e crescimento. O Éter de Luz (Luminoso) gera o calor do sangue e é também o veículo da percepção sensorial. O Éter Refletor é um dos mais importantes em nosso presente estado evolutivo e é por onde o Ego controla o Corpo Denso. Nele se mantêm os registros ou arquivos da nossa memória.

Os dois Éteres inferiores (Químico e de Vida) desta região são compostos de átomos etéricos prismáticos e estão conectados com os processos físicos do Corpo Denso. É nos dois Éteres superiores (Luminoso e Refletor) que formaremos o Corpo-Alma (composto, justamente, por esses dois Éteres). Quando renascemos neste Mundo, trazemos certas tendências boas e/ou más, construtivas e/ou destrutivas que foram adquiridas em várias vidas passadas. Se durante a nossa vida procurarmos fortalecer o bem e transmutar o mal construiremos melhores Corpos e melhor caráter em cada vida. “Nossas observações, nossas aspirações, nosso caráter, etc., são devidos ao trabalho do Espírito nesses dois Éteres superiores, que se tornam mais ou menos luminosos de acordo com a natureza de nosso caráter e hábitos”.

Sabemos que a nota chave do Corpo Vital é a REPETIÇÃO. Pois, a formação de nosso caráter é estabelecida por meio de repetidas ações sejam boas ou más. Além disso “caráter é destino”. É fundamental que as verdades espirituais sejam sempre repetidas e vivenciadas, para que a nossa alma cresça em luminosidade; assim, nosso Espírito de Vida assimilará a essência das boas ações na construção do nosso Corpo-Alma. Isso porque quando se recapitula uma antiga situação, ela é vivenciada diferentemente pelo Estudante, pois este caminhou algumas etapas na vida e possui maior vivência para aprofundar, ainda mais, na mesma lição e encontrar verdades que não tinha percebido na primeira vez que teve a oportunidade de estudá-la. E vale ressaltar a importância do alimento que ingerimos e no cuidado também no nosso Corpo Denso, de alimentar elevados sentimentos e do reto pensar, pois todos os nossos veículos (Denso, Vital, de Desejos e Mente) estão interligados neste trabalho.

Nesta escola experimental, que é a vida, é de suma importância que cada um de nós tenha suas próprias experiências e que tiremos delas o melhor proveito possível. Nenhuma outra pessoa poderá fazer nosso próprio trabalho; cada um deve resolver seus próprios problemas uma vez que todos eles foram criados e colocados em ação por nós mesmos. Agora temos a oportunidade de estarmos aqui para transmutar nossas falhas, mas a ajuda que devemos receber é de Seres Superiores como os Irmãos Maiores, que estão sempre nos colocando em estado elevado, otimista e não negativo. As ações devem vir de dentro e respaldadas por nossa vontade e, por isso, devemos estar capacitados para tomar nossas próprias decisões e escolher nossos próprios meios de ação.

Porque com boas ações e serviços amorosos, prestados desinteressadamente nesta vida, é que formaremos o Corpo-Alma, veículo da Nova Dispensação.

No Conceito Rosacruz do Cosmos encontramos duas correntes de desenvolvimento espiritual que a humanidade segue. Ambas estão tecendo o Corpo-Alma ou Traje Dourado Nupcial a seu modo. Com o tempo, elas serão unidas, o que estabelecerá o “Abre-te Sésamo” para os Mundos invisíveis. Quando houver esta união, teremos a certeza de estarmos sendo regidos pela Lei do Amor.

“Que as rosas floresçam em vossa cruz”

INTRODUÇÃO

Bem-disse o Cristoas minhas ovelhas conhecem a minha voz[1]. Todo Aspirante Rosacruz verdadeiro, quando se defronta pela primeira vez com um dos nossos livros de Filosofia Rosacruz ou após ler algum material da Fraternidade Rosacruz, diz: “É o que eu estava procurando há muito tempo. Finalmente achei!”. E se lhe perguntarmos de onde lhe vinha essa aspiração, responderá: “É uma questão interna; eu tinha a intuição de que devia ser assim; parece-me lógico”. Isso revela que trazemos conosco o desenvolvimento anímico preparatório que nos habilitará a etapas superiores de desenvolvimento nesta vida. Então um dia, um aparente acaso nos leva a um website ou a uma rede social da Fraternidade Rosacruz, vemos em uma vitrine alguma daquelas capas características da nossa literatura Rosacruz ou entramos em um grupo de estudos da Fraternidade Rosacruz e, então, dentro de nós algo crepita, uma vozinha atravessa o véu de carne e reconhece o que já tínhamos estudado. Assim, lembramos a frase do Mestre a Tomé: “Bendito o que não vê, mas crê[2]. Realmente, como disse São Paulo, “A fé é a substância das coisas esperadas[3].

É muito natural que o Aspirante à vida superior almeje a Iniciação para conquistar maior capacidade de serviço ao próximo. No entanto, isso pressupõe esforço e perseverança. Assim também faz o indivíduo que estuda anos a fio e com afinco para se tornar médico e se habilitar a cuidar dos irmãos e irmãs doentes ou enfermos. Aqueles que buscam a Iniciação por mera curiosidade sobre coisas diferentes e fantásticas ou com intuitos interesseiros não têm fibra para conquistá-la. Podem, então, procurá-la pelo caminho fácil dos exercícios de respiração ou de espelho e, nesse caso, acabam dentro de um hospício ou hospital, ou no mínimo perturbados pelo resto da vida; também podem buscar um falso mestre que os “inicie” em determinado período e por certa quantia de dinheiro. Em todos os casos, arruínam-se ou se desiludem e concluem: “É uma farsa”. Ora, o verdadeiro mestre não se revela, senão no devido tempo, nem cobra qualquer valor!

As Leis da Natureza (as Leis de Deus) são bem fundamentadas. A Natureza não dá saltos. Todo desenvolvimento harmonioso é gradativo. Quando é conquistado mais rapidamente, como no Método Rosacruz, exige renúncia e dedicação; como no caso de alguém que se submeta a exames supletivos para ganhar tempo.

É muito lógico: se um médico precisa estudar dezoito anos (isso quando não é reprovado em alguma disciplina) para dominar regularmente a especialidade que abraçou, que é uma ciência material, como poderíamos abarcar a ciência da alma, que é muito mais complexa, em pouco tempo? Só mesmo uma alma velha e amadurecida poderia; mas nesse caso seu esforço foi feito anteriormente e ela dependia de um simples despertar, um esforço menor, para revelar-se nesta vida.

Já transcrevemos em vários livros e artigos um claríssimo trabalho de Max Heindel sobre o que é a Iniciação. Em resumo, podemos repetir: é algo interno e não será por exercícios materiais que vamos conquistá-la. O Corpo Denso influi sobre os veículos superiores e estes sobre o Corpo Denso, mas esta é uma parcela do assunto. A Iniciação abrange o desenvolvimento simultâneo dos diferentes veículos do ser humano, um atuando sobre os outros.

Podemos dizer que “o desenvolvimento espiritual começa pelo Corpo Vital”, o veículo dos hábitos e que os hábitos se formam pela REPETIÇÃO. Falamos aqui, é claro, de hábitos elevados, pois a repetição de atos degradantes, pensamentos baixos e sentimentos instintivos levam a costumes escravizadores que embrutecem o ser humano e lhe retardam a evolução. Nossos cursos por correspondência e por e-mail dão uma ideia global e pormenorizada de tudo o que convém à alma Aspirante. Com tais dados, qualquer pessoa poderá compreender em que sentido dirigir seus esforços e quais os novos hábitos que deva formar. Se somos insinceros ou dúbios, enganamos a nós mesmos. A água não se mistura com azeite. Se não temos decisão para renunciar a antigos hábitos errôneos, que nossa natureza inferior reclama, e procuramos acender uma “vela para Deus e outra para o Diabo”, nada conseguiremos. “Vinho novo não se põe em odre velho, porque rasga[4]; “nem se põe remendo novo em roupa velha[5], diz o Evangelho e muito judiciosamente. O novo “homem”, indicado por São Paulo, tem de ser NOVO mesmo, coerente.

Quando começamos novos e edificantes hábitos, físicos, morais e mentais, partimos ao encontro do ser humano ideal em nós que, segundo Platão, deve ser atleta, sábio e santo, ou, conforme nosso lema Rosacruz, “Corpo são; Coração nobre; Mente pura”. E o método para atingir esse ser humano ideal? Max Heindel o expôs de forma magistral na Conferência n° 11 do livro “O Cristianismo Rosacruz”. É a amorosa contribuição genérica de quem já foi muito adiante no caminho e volta para nos prevenir dos desvios retardantes, ensinando como chegar mais depressa ao cimo. Por isso, é uma orientação genérica. A Iniciação é muito pessoal e não pode ser dada por correspondência ou classe, segundo afirmam algumas escolas que inclusive e indevidamente têm o nome de Rosacruz. Indicado o Caminho, cada um se esforça em percorrê-lo.

E depois de certo ponto terá ajuda individual do Mestre, um Mestre verdadeiro, um Irmão Maior da Ordem Rosacruz que lhe respeitará a Epigênese. Essa etapa, na Escola Rosacruz, é o Discipulado, o quarto de sete graus. Até aí ele será preparado pela Fraternidade Rosacruz através dos cursos epistolares e orais, além de outras ajudas acessórias que você encontra nessa Escola, a Fraternidade Rosacruz.

OS ÉTERES

O Caminho da Preparação necessariamente deve preceder ao Caminho da Iniciação. O trabalho iniciático é preparado através do Corpo Vital, de um lado por ser ele o veículo dos hábitos para a formação do “novo homem” e, de outro, porque é indispensável ao Ego para funcionar fora do Corpo Denso com plena consciência nos Mundos suprafísicos. Particularizando a questão, dizemos que o Corpo de Desejos, que ganhamos como germe no terceiro Período, o Lunar, é relativamente novo e ainda não está organizado com órgãos, como o Corpo Vital e o Corpo Denso, mais antigos e mais próximos da perfeição. Desse modo, se o Corpo Vital não registrasse as impressões da vida para transmiti-las, durante os primeiros três dias e meio após a morte, ao Corpo de Desejos, não poderíamos ter atividade no Mundo do Desejo e, consequentemente, não poderíamos adquirir consciência e desenvolvê-la.

Todavia, como veículo de consciência a serviço do Ego, o Corpo Vital deve ser purificado de modo a permitir a natural divisão entre os dois Éteres superiores, o Refletor e o Luminoso, e os inferiores, o Vital e o Químico. Só a partir de então os dois Éteres superiores, formando o Corpo-Alma, o dourado manto nupcial das bodas do eu inferior com o eu superior, o “soma-psuchicon” citado por São Paulo, poderão ser retirados do corpo com o Corpo de Desejos e a Mente para formar o veículo de percepção e memória do Espírito.

No entanto, isso não é obtido de forma rápida, mas pela espiritualizarão dos Éteres e pelo domínio de suas funções. Nesse trabalho de preparação há quatro palavras-chave que mostram as qualidades a serem cultivadas, simultaneamente:

Esses são os meios de realização, as qualidades que sensibilizam o Corpo Vital. Mediante a persistência e a devoção os Éteres Químico e de Vida se capacitam para cuidar das funções que lhes estão afetas: o Químico, assimilação e excreção; o de Vida, o fornecimento do material que cimenta a assimilação e a condução da energia solar especializada pelo baço. São as funções vitais conservadoras do equilíbrio corporal durante o sono.

Explicando melhor, podemos dizer que a persistência consiste na repetição de hábitos sadios como o alimentar e o higiênico; e a devoção, no exercício de uma vida pura e idealista. É por isso que se aconselha os Aspirantes à vida superior (aconselhamos, não obrigamos) a adotar a alimentação vegetariana e racional, com todos os elementos necessários (vitaminas, sais minerais, proteínas), facilitando-lhes receitas e promovendo de tempos em tempos cursos práticos; fazemos exposições mensais sobre os “princípios ocultos de saúde e cura”; falamos sobre as razões científicas e ocultas dos benefícios da castidade progressiva, começando pelo “orar e vigiar”; abordamos o abandono de tóxicos e outros estímulos sensoriais e muito mais, até que o Aspirante à vida superior desfrute de um equilíbrio interno que lhe permita a divisão etérica mencionada. Quando a pureza de vida eleva a força criadora sexual que não é usada, gerada pelo Éter de Vida, até o coração, tal força passa a manter, durante o sono, a limitada e necessária circulação sanguínea, para assegurar a normalidade das funções vitais, enquanto trabalhamos fora do corpo.

Os dois Éteres inferiores são corporais e os superiores, espirituais. O desenvolvimento de ambos os grupos é paralelo e o de um se comunica com o outro. O Químico, que é o primeiro, atua sobre o terceiro, o Luminoso; e o segundo, o de Vida, sobre o Refletor. É fácil compreender a correlação: a agudeza e agilidade sensorial dependem do perfeito funcionamento vital; a robustez cerebral e da memória dependem do crescimento anímico, que nos permite maior assimilação do fósforo e, além disso, lembremos que o cérebro e a laringe foram construídos com metade da força criadora.

Com o aperfeiçoamento dos dois Éteres inferiores, por meio da persistência e da devoção bem entendidas, produz-se a desconexão entre eles e os superiores. Estes são espiritualizados pela observação e pelo discernimento até que, atraindo o Mestre pelo brilho da aura, o Aspirante é ensinado por ele mediante um esforço de vontade, como quem tira um fruto maduro da árvore, e sai do corpo levando esses Éteres, o Luminoso (sensorial) para ver e o Refletor (de memória) para recordar-se de seus conhecimentos na Terra, quando está no Mundo do Desejo, e registrar, trazendo de lá, a recordação de sua viagem e observações.

Resumindo o exposto, dizemos que os dois meios de desenvolvimento dos Éteres inferiores, a persistência e a devoção, incluem-se no exercício noturno de Retrospeção, que tem por finalidade desenvolver nossa natureza emocional e vibrar o vórtice correspondente à Glândula Pituitária, que é regida por Urano, oitava superior de Vênus. É o lado místico da nossa natureza. Quem tem esse lado preponderante nota que seja mais fácil o esforço nesse sentido. Os dois meios de desenvolvimento dos Éteres superiores, a Observação e o Discernimento, dizem respeito ao exercício matinal, de Concentração e Meditação, cuja finalidade é ativar o vórtice correspondente à Glândula Pineal, regida por Netuno, oitava superior de Mercúrio. É o lado ocultista ou intelectual da nossa natureza, mais facilmente executado pelos que desenvolveram essa tendência.

Os dois lados devem seguir paralelamente equilibrados para conseguirmos alcançar o casamento do homem e da mulher dentro de nós; ou seja, da Mente e do Coração.

Aos que têm mais facilidade em um lado, aconselhamos esforçarem-se mais diligentemente no outro, até conseguir o equilíbrio.

Dessa maneira e ao mesmo tempo, o Aspirante desenvolve sua Tríplice Alma: a Emocional com o cultivo dos Éteres inferiores; a Consciente pela observação bem orientada; e a Intelectual pelo discernimento.

A PERSISTÊNCIA E O ÉTER QUÍMICO

Como dissemos, a chave particular da sublimação do Éter Químico é a persistência. Mas como a persistência está intimamente relacionada com a repetição, que por sua vez é a chave geral do Corpo Vital, podemos dizer que a sublimação dos quatro Éteres se fundamenta na persistência em um caminho superior.

A maior sensibilidade corporal e, consequentemente, a facilidade de transubstanciação, do ponto de vista astrológico-científico, depende de Urano, que rege o Éter e de seus Aspectos benéficos, principalmente com o Ascendente, porque essa indicação mostra que já se armazenaram conquistas anteriores nesse campo.

Contudo, a persistência depende da boa vontade desenvolvida positivamente. Essa qualidade é revelada num horóscopo pelos Signos Fixos em seus ângulos e pelos Aspectos benéficos de Saturno (que rege o esqueleto, as cartilagens, a cristalização, a inércia, o “status quo”) com Marte (o Planeta do dinamismo), com o Sol (o Astro da vitalidade e do misticismo) ou com Júpiter (o Planeta do idealismo).

O idealismo pode estar presente num horóscopo sem a valiosa companhia da persistência. Isso sucede a muitos Aspirantes do espiritualismo. Veem-se atraídos pela beleza da filosofia oculta, mas não têm perseverança. Seus horóscopos revelam que essa conquista não foi feita em vida anterior e, portanto, deve ser feita agora. Porém muitos não se detêm o suficiente para examinar a questão e se encher de suficiente convicção para realizar essa tarefa. Vão de uma à outra escola, não terminam coisa nenhuma, não realizam os Exercícios Esotéricos matinal (de Concentração) e noturno (de Retrospecção), recomendados pela Fraternidade Rosacruz e, por fim, o resultado é pequeno. É como se alguém fosse aprender um ofício e ficasse cada dia em uma especialidade. Ao fim, torna-se uma colcha de retalhos. Entende um pouquinho de cada coisa e nada profundamente. Que seria de nossa ciência, se todos agíssemos assim? Ninguém seria médico ou engenheiro. E no campo ocultista, em que trabalhamos com a alma, bem mais complexa, que resultado podemos esperar, sem a persistência?

No entanto, é mera questão de persistir em um rumo que saibamos ser certo. O Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” nos explica muito bem, de um modo que nem mesmo a moderna psicologia poderia fazê-lo: o germe de uma ideia vem da Mente abstrata, imbuído da vontade espiritual (o atributo do Pai dentro de nós). Essa vontade atrai matéria mental concreta e toma forma: é já um pensamento-forma, imaginação (atributo do Filho). Desce à quarta região (a dos Sentimentos), para o Corpo de Desejos e ali é atraída para alguma sub-região segundo a sua natureza, em nosso caso para a superior (a do altruísmo, da filantropia e todas as demais qualidades superiores da vida da alma), onde, se a vontade é suficientemente forte, sujeita a matéria emocional e com ela se envolve para acionar os centros etéricos e agir sobre o cérebro, culminando na ação física (atividade, aspecto do Espírito Santo). Tudo isso em uma fração de segundos. No entanto, se a vontade é débil, não chega ao campo físico, por falta de impulso. Então fica registrado o esforço, ainda que fraco, na Memória (ou Mente) subconsciente. Quando fizer novo esforço, no mesmo sentido, ainda que novamente débil, por afinidade ele será atraído e somado ao esforço anterior e, assim, pela persistência, chegará um dia em que aquele intuito alcançará força suficiente para abrir caminho até a ação física. Então, assim, completamos o ideal, já que a “fé sem obras é morta.” (Tg 2:26).

Vejam, pois, a vantagem da persistência rumo ao caminho superior. É uma questão de repetição que forma o hábito e esse, como segunda natureza, leva-nos a agir automaticamente na direção tomada. Isso explica a força de nossos maus hábitos. Porém como o inverso também é verdadeiro, se VIGIARMOS e ORARMOS, deixando de fazer o que é inconveniente e concentrando forças em novos e bons hábitos, teremos a transubstanciação. Não lutamos contra o mal, porque isso traria recalques. Simplesmente, devemos nos concentrar no que é benéfico. O pensamento não pode manter no foco da consciência senão uma coisa de cada vez. Pois que seja ela o bem; o mal, pelo esquecimento, morrerá de inanição. Sabemos que os hábitos antigos são muito fortes e, vez por outra, somos arrastados à sua repetição. Contudo, persistamos no bem sem perder tempo em pensar nessas quedas. O que interessa é o bem. “A função faz o órgão”, o exercício faz o músculo e, portanto, nossa energia deve ser concentrada agora, à vontade do nosso entendimento, na busca de uma meta superior. E justamente esse conhecimento nos traz maiores responsabilidades. A quem mais se dá, mais se lhe exige. Quem sabe o que é o bem e não o pratica, erra duas vezes; por não fazer e por saber que seja bom.

No tocante ao Éter Químico, que disciplina a assimilação e a excreção, a persistência deve ser desenvolvida:

  1. – pelo exercício físico, que nos habilita a governar o Corpo Denso sem deixar acumular toxinas e gorduras ou desenvolver a preguiça. A atividade física ordenada conserva a atividade corporal e assegura boa circulação sanguínea para a perfeita eliminação dos resíduos internos
  2. – pela higiene, que deixa os poros abertos para um normal catabolismo
  3. – pela alimentação vegetariana, porque é de mais fácil assimilação, tem celulose para estimular os movimentos peristálticos dos intestinos na defecção, não está imbuída de instintos animais que não desejamos somar aos nossos e não supõe sacrifício de um irmão menos evoluído que sofre. Entretanto, a alimentação deve ser racional, contendo todos os elementos essenciais à normalidade orgânica. O Estudante recebe nossa orientação completa e
  4. – finalmente, pelo equilíbrio emocional, para que as Glândulas Endócrinas não fiquem prejudicadas na função conservadora do corpo.

A soma dessas realizações disciplina e sensibiliza o Corpo Denso de modo que suas células se põem a vibrar mais rapidamente, permitindo que os vórtices do Corpo de Desejos, que normalmente se paralisam em nosso estado de vigília, devido à condição atual de insensibilidade do Corpo Denso, comecem a girar, a princípio lentamente, até alcançar, com a continuidade da disciplina, maior rapidez. Então, vem o desabrochar das faculdades internas.

A DEVOÇÃO E O ÉTER DE VIDA

Entendamos que a trilogia ideal (MENTE PURA, CORAÇÃO NOBRE e CORPO SÃO), que constitui o lema Rosacruz, fundamenta-se sobretudo na disciplina e na espiritualização dos Éteres, sendo que o Químico afeta o corpo, o de Vida afeta a emoção e os dois superiores, o Luminoso e Refletor, afetam os sentidos e a Mente; ou seja, o intelecto. No entanto, frisamos sua interrelação e mútua influência. O primeiro, o Químico, tem relação com o terceiro, o Luminoso, influindo ambos sobre o Corpo Denso, pois a observação e a ação geram a Alma Consciente, que é o extrato das experiências do Corpo Denso, absorvidas pelo mais elevado aspecto espiritual do ser humano, o Espírito Divino. O segundo Éter, o de Vida, tem relação com o quarto, o Refletor, pois a disciplina do sexo pelas asas da devoção a ideais superiores eleva a força criadora não utilizada, através do coração, ao centro espiritual da Glândula Pituitária, ao mesmo tempo que desenvolve a capacidade de assimilar mais fósforo, fortificando as funções da memória e do discernimento para mais fiel interpretação mental do espírito. A elevação da força criadora acende o fogo espinhal de Netuno e faz vibrar o centro espiritual da Glândula Pineal. Aí temos, então, o equilíbrio perfeito entre a Mente e o Coração, estabelecendo uma ponte vibratória entre ambos os centros da cabeça para o abrir dos olhos espirituais.

Como sabem os Estudantes Rosacruzes, os dois polos são regidos pelos opostos zodiacais, Touro e Escorpião, sendo o primeiro a palavra e o segundo, o sexo. O segundo, para formar a Águia, que voa em busca das alturas, depende da força impulsora da energia criadora e sublimada. A força criadora desperdiçada é morte em todos os sentidos, pois retarda a evolução e enlaça cada vez mais o Ego às consequências dolorosas provocadas pelo embrutecimento do corpo, o que é contrário aos desígnios evolutivos. Por isso, Escorpião é o oitavo Signo, correspondente à oitava Casa, a Casa da morte. Conforme diz a Bíblia: “O salário do pecado é a morte[6]. Além disso, lembremos que com a metade da força criadora formamos o cérebro e a laringe para criar superiormente no futuro, como hermafroditas espirituais, e não temos outro caminho, senão o da sublimação da força criadora em benefício do órgão etérico que está sendo formado dentro do cérebro do ser humano, como uma flor cuja haste se apoia na laringe. Então a criação do Verbo será de um poder inimaginável, tendo em vista as rudimentares possibilidades da nossa laringe material. A força instintiva do rastejante Escorpião não é coisa desprezível que deva ser objeto de tabus, de repulsa ou considerada inferior. Essa interpretação errônea de falsos puritanos, de religiosos recalcados e de doutrinas orientais deve, necessariamente, dar lugar ao lógico discernimento. Para isso concorre a psicologia moderna, que supera a de Freud, explicando o mecanismo da emoção e a necessidade da catarse. Todavia, a Filosofia Rosacruz vai além: mostra como e por que sublimar essa força; que toda força é, em si, divina e boa e o erro está no seu mau uso, iniciado pela ignorante transgressão às Leis, com a decorrente perda de nosso estado de pureza e decretação de posteriores sofrimentos, “Comerás o pão com o suor do teu rosto”, desde o simbólico paraíso ou Éden. Agora, com a chave da razão, a meta evolutiva da presente Época Ária, vamos sublimar essa força.

Os prejuízos espirituais e físicos provenientes do recalque estão bem expressos no mito “Parsifal”, musicado por Wagner na ópera de mesmo nome. Ali, Amfortas (símbolo do ser humano) tenta destruir Klingsor (natureza inferior, instintos) com a lança do poder espiritual (o fogo de Netuno). De fato, Klingsor mutilou-se, mas como a paixão está no Corpo de Desejos e não no Corpo Denso, os instintos se manifestaram pela imaginação libidinosa, criando um castelo com jovens-flores que tentavam e desviavam para o mal os Cavaleiros do Graal (os sentimentos nobres). Com isso Amfortas foi ferido (recalque) e sofria cada vez, quando devia realizar a cerimônia para descobrir a lança e a taça, que correspondem à dor da consciência despertada perante o seu Cristo interno.

A questão é a de sublimar, à maneira de Parsifal (a pureza dentro de nós), que defrontando Klingsor e suas tentadoras flores (imaginações libidinosas) sentiu, por simpatia, o sofrimento de Amfortas e, fazendo o sinal da cruz com a espada (usando o bem, a oração), desfez o reino do mal; posteriormente, em peregrinação pelo mundo, no desenvolvimento da consciência e discernimento, jamais usou a lança para benefício próprio ou defesa de si mesmo. Essa mesma ideia está expressa na formosa lenda dos Maniqueus, em que os Filhos da Luz (altruísmo) vencem os Filhos das Trevas (instintos); mas, não desejando destruí-los, porque eram bons, dividem seu reino (a parte superior do Corpo de Desejos) com os vencidos. A mesma lenda estava presente entre os Essênios e constituiu um dos mais importantes rolos encontrados em 1947, no soterrado mosteiro de Qumran, às margens do Mar Morto.

Com isso não queremos induzir alguém à castidade absoluta. Ela é somente exigida nas Iniciações Maiores e, portanto, por poucos indivíduos. Atualmente, a união sexual é o método de procriação. Não há outra forma de fornecer corpos aos Egos que precisam renascer e é dever de todo aquele que seja são mental, moral e fisicamente facilitar o veículo e ambiente apropriado aos muitos espíritos em busca de novas experiências; isso, conforme os recursos e as oportunidades lhe permitam. Deveríamos realizar o ato da procriação como se fosse um sacramento e não para gratificar os sentidos; como se fosse uma oração espiritual. Isso é um ideal a ser alcançado aos poucos, na sublimação do Éter de Vida pela devoção a ideais superiores, pois assim usada, a força criadora seria necessária pouquíssimas vezes e sem o prejuízo do desenvolvimento espiritual, como sucedeu a José e Maria, pais de Jesus.

Por ser um tema muito delicado e profundo, cuja solução é fundamental aos que buscam o desenvolvimento espiritual, sua solução fica na dependência de cada Aspirante à vida superior, que deve estudá-la e resolvê-la por seu próprio discernimento, ajudado por nossa formosa filosofia, pela astrologia oculta e incentivado pelas maravilhosas promessas contidas na Bíblia e nas obras ocultistas.

“Ao que vencer, eu o farei coluna do Templo do meu Deus e dali jamais sairá.” (Apo 3:12)

O ÉTER LUMINOSO E A OBSERVAÇÃO

A observação é o emprego dos sentidos como meio de obter informações a respeito dos fenômenos que ocorrem ao nosso redor. Como dissemos, a observação e a ação geram a alma consciente, que representa a colheita de experiência do Espírito Divino, o mais elevado aspecto da nossa Trindade interna, através da sua contraparte, o Corpo Denso. É, pois, da maior importância para o nosso desenvolvimento espiritual que observemos fielmente tudo o que ocorre em nossa volta. Se não gravamos corretamente os eventos observados, provocamos uma discordância entre as imagens formadas na memória consciente, pela observação, e as recordações automáticas feitas fielmente através do Éter do ar, pela respiração, e que constitui a memória subconsciente. Essa memória é mais importante que a consciente e forma a maior parte da nossa atividade interna. A moderna psicologia está levando na devida conta esses registros. A filosofia Rosacruz, que alia ciência, arte e religião, explica logicamente essas coisas e possibilita a seus Estudantes alcançar o equilíbrio interno pela coerência entre essas duas memórias.

O ritmo e a harmonia do Corpo Denso se perturbam proporcionalmente às inexatidões das nossas observações durante o dia. É muito comum, ao Aspirante sincero e sensível, sentir uma desagradável sensação de mal-estar interno, quando diz alguma mentira, exagera uma verdade ou fornece uma versão maliciosa sobre algo. Quando chega a noite e ele faz seu exercício de Retrospecção, encontra a causa, isso quando não a percebe de imediato, como é comum. Quando não desfazemos essa desarmonia pelo arrependimento sincero e consciente, nossas atividades durante o sono a desfazem, mas apenas parcialmente. Porém a luta de vibrações, dia após dia, ano após anos, gradualmente destrói e endurece o nosso organismo até que ele se torne impróprio para o emprego do espírito neste mundo. Temos então de abandoná-lo e buscar novas experiências, mais tarde, em um novo e melhor corpo. Contudo, o Aspirante à vida superior dedicado pode amenizar esses transtornos e alongar sua estada nesta escola, pois é desejável que aprenda mais, quando já está no caminho. Na proporção direta à exatidão com que aprendemos a observar, obteremos paz interna, saúde e longevidade. Outro ponto importantíssimo: necessitaremos de menos horas de sono para restaurar as perdas corporais e psíquicas. O tempo de que necessita o Corpo de Desejos para restaurar e restabelecer o ritmo dos corpos depende da maneira como tenhamos empregado o Corpo Denso durante o dia. Se permitirmos que o Corpo Denso se agite entre emoções descontroladas ou desarmonia de observações, o Corpo de Desejos levará mais tempo, durante a noite, para restaurar a harmonia e o ritmo do Corpo Denso. Assim, vemos que o ser humano, o Ego, fica ligado ao seu corpo dia e noite. Contudo, quando aprendemos a descansar na ação e controlamos nossas energias durante o dia, evitando desperdiçá-las com palavras ou atos desnecessários; quando começamos a dominar nossos impulsos, a moldar nosso caráter e impedir desarmonia nas observações, então o Corpo de Desejos não precisa trabalhar durante a noite para restaurar o Corpo Denso. Grande parte da noite poderá, então, ser empregada para trabalharmos fora do corpo, livres como Auxiliares Invisíveis; isso ocorre quando os centros do Corpo de Desejos estão suficientemente desenvolvidos, como na maioria dos seres humanos inteligentes e equilibrados, de modo a permitir ao Ego estirar o cordão prateado e viajar no Mundo do Desejo, onde verá e ouvirá coisas de que geralmente não recordará até que haja efetuado a desconexão entre as partes inferior e superior do Corpo Vital, segundo já explicamos. É por isso que a maioria dos Probacionistas ainda é Auxiliar Invisível de forma inconsciente.

Do exposto pode o leitor avaliar a grande importância da observação correta, aliada à devoção a elevados ideais, alimentação pura, etc. Também, a persistência, sobretudo para chegarmos a um resultado superior pelo caminho mais curto, o caminho do meio, representado pelo cetro do símbolo do Caduceu de Mercúrio.

Para arrematar, podemos lembrar que a capacidade maior ou menor de observação está indicada no horóscopo científico, de modo a permitir que nos eduquemos e orientemos nossos filhos nesse importante ponto. Leia-se no Livro “A Mensagem das Estrelas” o seguinte trecho, sobre o assunto: “É um fato científico bem conhecido que a sensação depende da habilidade de sentir e interpretar a vibração do Éter e do ar, de acordo com o sentido correspondente (visão, olfato, paladar, tato ou audição). Os videntes antigos tomaram o báculo de Mercúrio como o símbolo de seus efeitos e entre outros segredos espirituais incorporados nas formas ondulantes das duas serpentes, branca e preta, enroscadas no báculo, há também este: Mercúrio é o originador de todo movimento vibratório, sendo, pois, um fator primordial no produto da sensação e no processo mental que dela depende. Portanto, a elevação de nossa consciência, como resultado dos processos mentais, conscientes, depende de Mercúrio, que rege nossa mente, nosso raciocínio. Daí vemos que um Mercúrio elevado (no Meio do Céu), forte e bem aspectado, agudiza nossos sentidos e torna a mente mais engenhosa e penetrante. Ao contrário, estando Mercúrio com Aspectos adversos, produz embotamento dos sentidos e torna a pessoa hipersensitiva, nervosa”. E como os Astros indicam o que nós construímos anteriormente, aceitamos com isso nossa responsabilidade no caso e tratamos de destecer o mal e tecer o bem, pois, se o destino foi construído por nós, também por nós pode ser modificado. E de fato está sendo, continuamente: “Os Astros impelem, mas não obrigam”. Podemos e devemos mudar o horóscopo, indicativo de nosso caráter. E a maneira científica e racional de fazer isso é a indicada por Max Heindel, neste trabalho, o livro “A Mensagem das Estrelas”.

O ÉTER REFLETOR E O DISCERNIMENTO

Dissemos que o discernimento é a chave particular de desenvolvimento do Éter Refletor, por meio do qual o espírito colhe as experiências que nutrem e formam a Alma Intelectual, para o enriquecimento do segundo aspecto da nossa divindade interna, o Espírito de Vida.

O discernimento é a faculdade que nos permite distinguir entre o essencial e o supérfluo, separando a realidade da ilusão, o permanente do transitório.

Na materializada vida de nossos dias somos impelidos a pensar que nós somos o Corpo Denso. Contudo, o discernimento nos ensina que somos Egos humanos (Espíritos Virginais da onda de vida humana manifestados), enquanto nossos Corpos (Denso, Vital, de Desejos) e o nosso veículo Mente são apenas prisões temporais, instrumentos à nossa disposição. O carpinteiro usa martelos e serrotes que lhe são instrumentos utilíssimos; no entanto, nunca lhe ocorre crer que ele seja tais ferramentas. Assim também, não devemos nos identificar demasiado com o Corpo, mas, com ajuda do discernimento, considerá-lo um valioso servidor, quando obedece fielmente aos nossos (Ego) ditames.

Considerando-o desse modo veremos que nos é possível realizar muitas coisas anteriormente inviáveis. É por isso que o discernimento gera a Alma Intelectual e nos fornece o primeiro impulso rumo à vida espiritual, porque nos mostra em que estado se encontram nossos Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente, ensinando-nos a ver quais pontos nos estão obstaculizando a marcha ascendente.

Contudo, esse desenvolvimento sozinho é parcial. O ocultista se desenvolve assim, por linhas intelectuais, buscando a verdade pela observação e discernimento. Observa e raciocina sobre o que vê, obtendo, desse modo, o conhecimento. Contudo, São Paulo advertiu que o conhecimento incha, enquanto o amor constrói, edifica e, antes que o conhecimento seja utilizado no desenvolvimento espiritual, é necessário aprendermos a senti-lo. Caso contrário, não poderemos vivê-lo. Portanto, o caminho completo é o ensinado pela Fraternidade Rosacruz, o da lanterna e do coração, o da Mente e do Coração, o do ocultismo e do misticismo, juntos, paralelamente. Assim, enquanto o discernimento nos mostra os pontos falhos, a devoção à vida superior nos ajuda a ser humildes, a reconhecer as próprias faltas, a eliminar os hábitos errôneos e os indesejáveis traços de caráter, sobrepondo-nos aos desejos inferiores e impulsos instintivos.

Nesse assunto de ver ou discernir há um ponto importantíssimo: os pensamentos de crítica devem ser evitados. É um péssimo hábito, muito prejudicial ao Aspirante. Devemos abster-nos da crítica, tanto quanto nos seja possível. O verdadeiro discernimento nos ensinará a ver, impessoalmente e de modo genérico, o que é bom e o que é mau. Mas não nos produzirá um sentimento em relação à causa, acontecimento ou pessoa observada. Esse é o ponto importante. O exame de um fato, uma ideia ou um objeto é necessário para que saibamos do seu valor. Olhar e discernir é legítimo e importante para que não nos suceda como àquele homem que, levando a extremo a recomendação bíblica de “não julgar para não ser julgado[7], acabou tornando-se um idiota, incapaz de saber o que era conveniente ou não. O que se deve evitar são os pensamentos agressivos, que ferem ou degradam, pois sabemos como são gerados os pensamentos-forma e como agem fora de nós, contra as pessoas a quem os dirigimos. Sabemos que eles voltam e depois agem sobre nós próprios. Por outro lado, o estado de crítica, de contínua insatisfação, obstrui a aura e impede o fluxo de pensamentos nobres e incentivadores que os Irmãos Maiores dirigem a todos.

A capacidade maior ou menor de discernimento é revelada, no horóscopo cientificamente levantado: por Mercúrio, que rege a vibração do Éter e permite a observação; por Saturno, o Planeta da consciência e da moral; por Júpiter, a Mente superior; e pela Lua, a Mente subconsciente. É uma qualidade mental a ser desenvolvida por quem a tendência a ser mais místico, sentimental, de se deixar levar pelo primeiro impulso. A preguiça mental é um grande mal. Devemos aprender a discernir. Igualmente triste é a cultura periférica dos que vivem a citar ideias alheias que não chegam sequer a compreender profundamente. Recomendaríamos, porém, que memorizemos e sempre recordemos a seguinte frase: “Os melhores mestres são esses: Quem? Por quê? Como? Quando? Onde?”, pois ela nos orienta em direção ao amor inato ao próximo e nos ajuda a aproveitar melhor nossos esforços sociais, muitas vezes malbaratados com coisas vãs.

F I M


[1] N.R.: Jo 10:27

[2] N.R.: Jo 20:29

[3] N.R.: Hb 11:1

[4] N.R.: Lc 5:33

[5] N.R.: Mt 9:16

[6] N.R.: Rm 6:23

[7] N.R.: Mt 7:1

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