Quando investigamos o significado de qualquer mito, lenda ou símbolo de valor oculto é absolutamente necessário entendermos que, assim como todo objeto do mundo tridimensional deve ser examinado de todos os ângulos para dele obtermos uma compreensão completa, igualmente todos os símbolos têm também certo número de aspectos. Cada ponto de vista revela uma fase diferente das demais, e todas merecem igual consideração.
Visto em toda sua plenitude, esse maravilhoso símbolo contém a chave da evolução passada do ser humano, sua presente constituição e desenvolvimento futuro, mais o método de sua obtenção. Quando ele se apresenta com uma só rosa no centro simboliza o espírito irradiando de si mesmo os quatro veículos: os Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente significando que o espírito entrou em seus instrumentos, convertendo-se em espírito humano interno.

No entanto, houve um tempo em que essa condição ainda não havia sido alcançada, um tempo em que o Tríplice Espírito pairava acima dos seus veículos, incapaz de neles entrar. Então a cruz erguia-se sem a rosa, simbolizando as condições prevalecentes no começo da terça parte da Época Atlante.

Houve também um tempo em que faltava o madeiro superior da cruz. A constituição humana era, pois, representada pela Tau (T), isto na Época Lemúrica, quando o ser humano só dispunha dos Corpos Denso, Vital e de Desejos e carecia da Mente. O que predominava, então, era a natureza animal. O ser humano seguia os seus desejos sem reserva.

Anteriormente ainda, na Época Hiperbórea, só possuía os Corpos Denso e Vital, faltando o de Desejos. Então o ser humano, em formação, era análogo às plantas: casto e sem desejos. Nesse tempo sua constituição não podia ser representada por uma cruz; era simbolizada por uma coluna reta, um pilar (I).

Esse símbolo foi considerado fálico, indicando a libertinagem do povo que o venerava. Por certo é um emblema de geração, mas geração não é absolutamente sinônimo de degradação. Longe disso. O pilar é o madeiro inferior da cruz, símbolo do ser humano em formação, quando era análogo às plantas. A planta é inconsciente de toda paixão ou desejo e inocente do mal. Gera e perpetua sua espécie de modo tão puro, tão casto, que propriamente compreendida é um exemplo para a decaída e luxuriosa humanidade, a qual deveria venerá-la como um ideal. Aliás, o símbolo foi dado às Raças primitivas com esse objetivo. O Falo e o Yona, empregados nos Templos de Mistério da Grécia, foram dados pelos Hierofantes com esse espírito. No frontispício do templo colocavam-se as enigmáticas palavras: “Ser humano, conhece a ti mesmo”. Esse lema, bem compreendido, é análogo ao da Rosacruz, pois mostra as razões da queda do ser humano no desejo, na paixão e no pecado, e dá a chave de sua liberação do mesmo modo que as rosas sobre a cruz indicam o caminho da libertação.
A planta é inocente, porém, não virtuosa. Não tem desejos nem livre escolha. O ser humano tem ambas as coisas. Pode seguir seus desejos ou não, conforme queira, para aprender a dominar-se.
Enquanto foi como as plantas, um hermafrodita, ele podia gerar por si, sem cooperação de outrem; mas ainda que fosse tão inocente e tão casto como as plantas, ele era também como elas: inconsciente e inerte. Para poder avançar, necessitava que os desejos o estimulassem e uma Mente o guiasse. Por isso, a metade de sua força criadora foi retida com o propósito de construir um cérebro e uma laringe. Naquele tempo o ser humano tinha a forma arredondada. Era curvado para dentro, semelhante a um embrião, e a laringe atual era então uma parte do órgão criador, aderindo à cabeça quando o Corpo tomou a forma ereta. A relação entre as duas metades pode-se ver ainda hoje na mudança de voz do rapaz, expressão do polo positivo da força geradora, ao alcançar a puberdade. A mesma força que constrói outro Corpo, quando se exterioriza, constrói o cérebro quando retida. Compreende-se isso claramente ao sabermos que o excesso sexual conduz à loucura. O pensador profundo sente pouquíssima inclinação para as práticas amorosas, de modo que emprega toda sua força geradora na criação de pensamentos, ao invés de desperdiçá-la na gratificação dos sentidos.
Quando o ser humano começou a reter a metade de sua força criadora para o fim já mencionado, sua consciência foi dirigida para dentro, para construir órgãos. Ele podia ver esses órgãos, e empregou a mesma força criadora, então sob a direção das Hierarquias Criadoras, para planejar e executar os projetos dos órgãos, assim como agora a emprega no mundo externo para construir aeroplanos, casas, automóveis, telefones, etc. Naquele tempo o ser humano era inconsciente de como a metade daquela força criadora se exteriorizava na geração de outro Corpo.
A geração efetuava-se sob a direção dos Anjos, que em certas épocas do ano, agrupavam os humanos aptos em grandes templos, onde se realizava o ato criador. O ser humano era inconsciente desse fato. Seus olhos ainda não tinham sido abertos, e embora fosse necessária a colaboração de uma parceira, que tivesse a outra metade ou o outro polo da força criadora indispensável à geração, cuja metade ele retinha para construir órgãos internos, em princípio não conhecia sua esposa. Na vida ordinária o ser humano estava encerrado dentro de si, pelo menos no que tangia ao Mundo Físico. Isto, porém, começou a mudar quando foi posto em íntimo contato, como acontece no ato gerador. Então, por um momento, o espírito rasgou o véu da carne e Adão conheceu sua esposa. Deixou de conhecer-se a si mesmo,quando sua consciência se concentrou mais e mais no mundo externo, e foi perdendo a sua percepção interna, a qual não poderá ser readquirida plenamente enquanto necessitar da cooperação de outro ser para criar, e não tenha alcançado o desenvolvimento que lhe permita utilizar, de novo e voluntariamente, toda sua força criadora. Então voltará a conhecer-se a si mesmo, como no tempo em que atravessava o estágio análogo ao vegetal, mas com esta importantíssima diferença: usará sua faculdade criadora conscientemente, e não será restringido a empregá-la só na procriação de sua espécie, mas poderá criar o que quiser. Outrossim, não usará os seus atuais órgãos de geração: a laringe, dirigida pelo espírito, falará a palavra criadora através do mecanismo coordenador do cérebro. Assim, os dois órgãos, formados pela metade da força criadora, serão os meios pelos quais o ser humano se converterá finalmente em um criador independente e autoconsciente.
Mesmo presentemente o ser humano já modela a matéria pela voz e pelo pensamento ao mesmo tempo, como vimos nas experiências científicas em que os pensamentos criaram imagens em placas fotográficas, e noutras em que a voz humana criou figuras geométricas na areia, etc. Em proporção direta ao altruísmo que demonstre, o ser humano poderá exteriorizar a força criadora que retiver. Isto lhe dará maior poder mental e o capacitará a utilizar-se de tal poder na elevação dos demais, ao invés de tentar degradá-los e sujeitá-los à sua vontade. Aprendendo a dominar-se, cessará de tentar dominar aos outros, salvo quando o fizer temporariamente para o bem deles,jamais para fins egoísticos. Somente aquele que se domina está qualificado para orientar aos demais e, quando necessário, é competente para julgá-los no modo que melhor lhes convenha.
Vemos, portanto, que, a seu devido tempo, o atual modo passional de geração será substituído por um método mais puro e mais eficiente que o atual. Isto também está simbolizado pela Rosacruz, em que a rosa se situa no centro, entre os quatro braços. O madeiro mais comprido representa o Corpo; os dois horizontais, os dois braços; e o madeiro curto superior representa a cabeça. A rosa branca está colocada no lugar da laringe.

Como qualquer outra flor, a rosa é o órgão gerador da planta. Seu caule verde leva o sangue vegetal, incolor e sem paixão. A rosa de cor vermelho-sangue mostra a paixão que inunda o sangue da Raça humana, embora na rosa propriamente dita o fluido vital não seja sensual, mas sim casto e puro. Ela é, por conseguinte, excelente símbolo dos órgãos geradores em seu estado puríssimo e santo, estado que o ser humano alcançará quando haja purificado e limpo seu sangue de todo desejo, quando se tenha tornado casto e puro, análogo a Cristo.
Por isso os Rosacruzes esperam, ardentemente, o dia em que as rosas floresçam na cruz da humanidade; por isso os Irmãos Maiores saúdam a alma Aspirante com as palavras de saudação Rosacruz: “Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz”; e é por esse motivo que essa saudação é usada nas reuniões dos Núcleos da Fraternidade pelo dirigente, ocasião em que os Estudantes, Probacionistas e Discípulos presentesrespondem à saudação dizendo: “E na vossa também”.
Ao falar de sua purificação, São João (IJo 3:9) diz que aquele que nasce de Deus não pode pecar, porque guarda dentro de si a sua semente. Para progredir é absolutamente necessário que o Aspirante seja casto. Todavia, deve-se ter bem presente que a castidade absoluta não é exigida enquanto o ser humano não tenha alcançado o ponto em que esteja apto para as Grandes Iniciações, e que a perpetuação da Raça é um dever que temos para com o todo. Se estivermos aptos: mental, moral, financeira e fisicamente, podemos executar o ato da geração, não para gratificar a sensualidade, mas como um santo sacrifício oferecido no altar da humanidade. Tampouco deve ser realizado austeramente, em repulsiva disposição mental, mas sim numa feliz entrega de si mesmo, pelo privilégio de oferecer a algum amigo que esteja desejando renascer, um Corpo e ambiente apropriados ao seu desenvolvimento. Desse modo estaremos também o ajudando a cultivar o florescimento das rosas em sua cruz.
UM LEMBRETE MUITO IMPORTANTE:
A EXPOSIÇÃO PÚBLICA DO SÍMBOLO ROSACRUZ QUE CONTÉM A ROSA BRANCA VISÍVEL deve ser feita publicamente somente nos momentos em que os Rituais Rosacruzes (do Templo, de Cura, dos Equinócios e Solstícios, de Véspera da Noite Santa) forem oficiados com mais um detalhe: descobri-lo depois do Hino Rosacruz de Abertura e recobri-lo antes do Hino Rosacruz de Encerramento.
E Após o Ritual o Símbolo Rosacruz deve ser guardado, em local apropriado, não visível publicamente.
O Estudante Rosacruz oficia o Ritual do Serviço Devocional do Equinócio de Setembro todos os anos na véspera do Equinócio de Setembro, que pode variar de um ano para o outro. Para saber o dia exato é só consultar o Calendário Anual da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil.
Perceba que o Ritual é dividido em três partes bem distintas:
1ª – Preparação – composto por músicas e textos que visam preparar o ambiente, separando o ambiente externo (de onde vem o Estudante) do interno (para o interior do Estudante);
2ª – Concentração – é o clímax do Ritual, onde o Estudante se dedica a se concentrar com toda a sua dedicação, foco, disposição e vontade sobre o Amor Divino e o Serviço.
3ª – Saída – composto por uma música e uma admoestação de saída que visam preparar o Estudante para internalizar tudo o que aqui falou, ouviu, participou e se concentrou, recebendo toda a força espiritual gerada durante a oficiação do Ritual, a fim de aplicá-la no seu dia a dia, se esforçando para o cumprir no tema concentrado: servir amorosa e desinteressadamente exclusivamente a divina essência do irmão e da irmã “que sofre, que chora, que ri” utilizando todos os meios disponíveis: pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras, atos, obras e ações.
a) Se você quiser saber exatamente como oficiar, assista o vídeo do nosso canal no Youtube: Tutorias, Dicas e Detalhes dos Ensinamentos Rosacruzes clicando aqui: Como Oficiar o Exercício Esotérico Ritual do Serviço Devocional do Equinócio de Setembro
b) Se você quiser oficiar o Ritual, então acesse o texto aqui: Ritual do Serviço Devocional do Equinócio de Setembro
c) Se você quiser “participar” da oficiação como um ouvinte, então é só clicar no áudio abaixo, seguindo as seguintes observações:
Cristo-Jesus disse: “Eu não venho trazer a paz, mas uma espada”. Muitas pessoas foram incapazes de conciliar essa declaração com os ensinamentos de Cristo sobre o amor e a paz. No entanto, há, sim, uma explicação dessa afirmação que nos permite conhecer seu verdadeiro significado e, também, saber o que será necessário antes que a paz possa reinar na Terra. No Evangelho Segundo São João, 10:16, lemos que Cristo-Jesus também disse: “Haverá um rebanho e um pastor”. Isso indica que TODAS as pessoas eventualmente devam chegar a um estado de unidade sob Sua liderança.
A história tem sido amplamente um registro de conflitos e guerras entre raças e nações. Diferenças de ideais, religiões, características físicas, idiomas e formas de governo fomentaram a separatividade e desse fato, associado ao egoísmo inato do ser humano imperfeito, resultou a competição contínua e a turbulência ao longo dos séculos.
A primeira raça foi estabelecida no final da Época Lemúrica, quando “havia uma pequena parte da humanidade nascente que estava suficientemente avançada para que a mente germinativa lhe pudesse ser dada e o Espírito pudesse começar lentamente a atrair seus veículos”. O início das nações separadas foi promovido durante a terceira parte da segunda metade na Época Atlante. Grupos de pessoas que tinham hábitos e gostos semelhantes se uniram e fundaram novas colônias. As raças foram colocadas sob os cuidados dos Espíritos de Raça (os Arcanjos), que deram para os líderes delas leis escritas, recompensas instantâneas e punições. Os Arcanjos guiaram as raças para diferentes climas e diferentes partes da Terra. Os Espíritos de Raça promovem o patriotismo e instigam guerras, quando tais medidas drásticas são necessárias, intensificando assim a separatividade que existe entre os diferentes povos.
Obviamente, enquanto a humanidade permanecer dividida em raças e nações, povos e países, falantes de um idioma comum ou filiações nacionais, grupos étnicos ou tipos essenciais de indivíduos com base em traços observáveis (ou quaisquer outras terminologias mais “politicamente correta” do momento), cada uma promovendo agressivamente seus próprios objetivos e propósitos, a “paz na Terra” e a “boa vontade entre os homens” não serão possíveis. Somente quando todas as nações e raças, povos e países acima se unirem em Fraternidade Universal é que a paz será possível.
O ser da onda de vida humana (seja homem ou mulher), cujo destino é crescer, progredir e desenvolver seus potenciais internos respondendo às influências espirituais direcionadas a ele, deve se tornar autossuficiente, emancipado de todas as influências externas, incluindo as dos Espíritos de Raça.
A vinda do Raio de Cristo como Espírito Planetário interno da nossa Terra iniciou a emancipação dos seres humanos não apenas dos poderes envolventes dos Espíritos da Raça, mas também de seus próprios desejos contaminados por Lúcifer. As vibrações do Poder de Amor do Cristo, irradiando de dentro da Terra, purificaram a matéria de desejo do Mundo do Desejo do nosso Planeta e tornaram possível a todos nós garantir substâncias de desejos, emoções e sentimentos mais puras para ser utilizada pelo nosso Corpo de Desejos. Seu Poder de Amor funciona, particularmente, através do nosso Corpo Vital, e “quando nos libertamos das labutas do Corpo de Desejos e vivemos de acordo com as vibrações do Corpo Vital, ficamos imbuídos do Espírito de Cristo. Então e somente então, com certeza, abandonamos o princípio nacional e patriota e nos tornamos capazes de ser irmãos uns dos outros”.
Aqui reside a chave para estabelecer paz e harmonia em nossa Terra. À medida que o poder do divino Amor de Deus, manifestado a nós por meio de Cristo, cresça e se expresse de dentro de cada um de nós, somos capazes de nos libertarmos da nossa escravidão à consciência nacional. O patriotismo não é mais o estreito “meu país, certo ou errado”, mas agora abraçaremos o bem-estar de todas as outras pessoas no mundo. Perdemos o desejo competitivo e começamos a considerar o interesse dos outros tanto quanto o nosso.
Sabemos que as Leis imutáveis do Amor divino e da Justiça operam em nosso universo, trazendo a cada pessoa o que lhe é devido ou o seu imposto. Todo indivíduo criou o que chegou até ele e somente ele pode mudar suas condições ou resgatar. Isso se aplica também às nações. A menos que reconheçamos plenamente esses fatos e ajamos de acordo, não poderemos trazer paz ao mundo.
A nossa paz é verdadeiramente uma herança divina. Somos essencialmente Espírito diferenciado em Deus para revelar os poderes divinos latentes em nós. Somos Deuses em formação e só podemos reivindicar nossa herança divina aprendendo a viver de acordo com a Lei do Amor. Essa Lei move toda a vida manifestada para uma perfeição cada vez maior. A vida “É”; ela não pode morrer. Somente a forma perece ou muda. Chegamos repetidamente à vida na Terra para redimir nossa injustiça passada e transformar a Centelha divina em uma Chama ainda mais gloriosa.
Sempre conosco estão as Forças da Luz e do Amor. “Todo aquele que quiser” pode abrir seu coração ao influxo divino e enviá-lo novamente à humanidade. Os sábios olharão para a vida de Cristo-Jesus e terão coragem. A Vida DELE era perfeitamente positiva. ELE viveu de maneira construtiva. ELE amou. ELE curou. ELE ensinou.
ELE forneceu o poder e apontou o caminho para a unificação de todos os seres da onda de vida humana em paz e amor. SEU caminho é o único caminho para a paz permanente.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1985 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
O Processo da Iniciação Cristã Mística
Para entender o porquê de devermos buscar o despertar dos nossos poderes espirituais façamos um breve resumo da nossa caminhada neste Esquema de Evolução. É fato que estamos progredindo através de um processo que chamamos de evolução da impotência para a onipotência.
No início dessa peregrinação éramos inteiramente conscientes dos Mundos espirituais, mas ignorantes das nossas potencialidades criadoras.
Aos poucos fomos mergulhando nos Mundos mais densos, construindo veículos para neles funcionar. Contudo, mesmo tendo se envolvido nesses veículos, seguíamos inconscientes da existência deles, pois nossa consciência estava voltada totalmente para os Mundos espirituais.
No entanto, gradualmente, alguns tornaram-se conscientes desse Corpo Denso. Como diz a Bíblia: “Eles olharam-se, seus olhos foram abertos e viram que estavam nus”.
Esses pioneiros, que haviam sido assim Iniciados no mistério do Corpo Denso, começaram a dizer aos outros: “Nós temos um Corpo”. No início, é natural que muito poucos acreditassem neles, mas, gradualmente, um número maior tornou-se também Iniciado no mistério do Corpo.
Para que isso fosse possível, cada um tinha que fazer a sua parte, que aqui era:
Só assim, com a parte de cada um executada, tais pioneiros podiam ajudar esse alguém na Iniciação daquele tempo e que consistia em: abertura dos olhos e percepção do Corpo Denso no Mundo Físico. Finalmente, com o passar do tempo, todos nós desenvolvemos os cinco sentidos físicos e foi assim que percebemos o Mundo material no qual vivemos hoje.
Conquistamos esse Mundo e já fizemos dele um paraíso para se viver. Dando uma olhada ao nosso redor podemos perceber que muitas coisas básicas que levávamos muito tempo para se fazer, hoje fazemo-las bem mais rapidamente. Buscamos otimizar o máximo as tarefas que envolve material físico a fim de sobrar mais tempo para nos dedicar a outras coisas. Revivemos o pináculo do desenvolvimento tecnológico alcançado no nadir da materialidade — Época Atlante — redescobrindo e aplicando a tecnologia para facilitar nossa estada neste Mundo.
E por tudo isso, e mais os sentimentos negativos desenvolvidos por nós, quais sejam: egoísmo, ambição desmedida, ignorância, preguiça, ostentação, avareza, cobiça e outros afins.
Apegamo-nos a esse Mundo material de tal modo que perdemos a consciência da existência dos nossos veículos superiores e do fato de existir um Mundo espiritual que é a causa de tudo que aqui, neste Mundo material, existe. E mais, esquecemos que para perceber esse Mundo espiritual só temos que desenvolver mais um dos nossos sentidos: o sexto sentido. Tal sentido já foi desenvolvido por poucos, mas está latente na maioria de nós. Esses poucos que já têm o sexto sentido desenvolvido se tornaram Iniciados no Mistério dos Mundos espirituais. Agora estão ocupados em difundir para os outros exatamente isso: que temos uma alma e um sentido latente para percebê-la.
Assim, a Iniciação, agora, consiste, até certo ponto, em ajudar alguém que não tenha sido previamente capaz de perceber o Mundo espiritual a mudar a sua consciência a fim de poder focalizá-la à vontade nesse Mundo, mantendo a perfeita consciência de tudo que vê. Em outras palavras: desenvolver o sexto sentido por meio do qual os Mundos invisíveis e os nossos veículos invisíveis possam ser percebidos. Mas, do mesmo modo que nos tempos antigos cada um tinha que fazer a sua parte para ser Iniciado no Corpo Denso (desenvolver e manter bem os órgãos desse Corpo) a fim de que os pioneiros pudessem ajudar a ensinar a utilização dos cinco sentidos no Mundo Físico, também, agora há a necessidade de nos prepararmos para a atual Iniciação, ou seja: o desenvolvimento do sexto sentido. Isto é: é necessário que construamos um veículo para funcionar nos Mundos invisíveis. Esse veículo é conhecido como Corpo-Alma.
O material para a sua construção não se pode comprar em nenhum lugar. Também não se pode mandar fazer nem mandar buscar. Nem contratar professor que o ensine. Muito menos tal material é obtido por acúmulo de quaisquer coisas que se imagine. Nem se associar a alguém, a um grupo ou a alguma comunidade para ter o interesse de se adquirir mais fácil. Tudo isso é impossível, porque tal material é o SERVIÇO AMOROSO E DESINTERESSADO PARA COM TODOS OS NOSSOS IRMÃOS E NOSSAS IRMÃS. E esse Serviço é o que executamos na vida diária e nas pequenas coisas que são aparentemente destituídas de importância, mas que têm, na realidade, um significado fundamental.
Afinal, se não podemos ser fiéis nas pequenas coisas, como esperar que sejamos nas grandes?
A “receita” para essa preparação podemos encontrar no “Conceito Rosacruz do Cosmos” no capítulo Método para Adquirir o Conhecimento Direto, que descreve, minuciosamente, as fórmulas de Iniciação que são os quatro Evangelhos narrativos da vida do Cristo. Esse método Rosacruz de Iniciação Cristã Mística objetiva despertar a compaixão em cada de um de nós que buscamos tal Iniciação. Esse despertar da compaixão é feito mediante o conhecimento. É ensinado a conhecer os ocultos mistérios do ser, e perceber, intelectualmente, a unidade de cada um com todos. E é também pelo conhecimento que despertamos em nós o sentido que nos fará perceber verdadeiramente nossa ligação com tudo o que vive e se move. É isso que nos porá em perfeita e completa sintonia com o infinito, tornando-nos um verdadeiro auxiliar e trabalhador no divino reino da evolução.
Essa compaixão deve ser desenvolvida de dentro para fora. E somente se consegue isso mediante a vivência e o cultivo, em nossos corações, da compaixão que, mesclada com o conhecimento, torna-se o nosso fator-guia nessa preparação. Assim o caminho para a Iniciação passa pelo enfrentamento das diferentes estações da Via Dolorosa ou do Caminho do Sofrimento que conduz ao Calvário, de modo a experimentar no nosso próprio corpo as dores e agonias sofridas pelo Cristo.
O que nos leva a concluir que a Iniciação é um processo cósmico de iluminação e de evolução. E, que, assim, as experiências de todos são semelhantes nos principais acontecimentos.
Na nossa aplicação atual podemos aprender muito sobre esse caminho atentando para os cinco Passos que compõem o caminho até ao Calvário:
PRIMEIRO PASSO: ORAÇÃO NO HORTO DO GETSEMANI – essa Via Dolorosa começa com a Oração no Horto do Getsemani, detalhada no Evangelho Segundo São Mateus 26, 36-46 para onde Cristo Jesus se retirou para orar antes de ser preso.
Nesse ponto é nos ensinado o valor da contrição, do arrependimento. “Pai meu, se é possível, afaste de mim esse cálice! Todavia não se faça nisto a minha vontade, mas sim a Tua.”. E como solução para não nos deixar cair em tentação alguma, Cristo nos ensina, aqui, quando diz a Pedro, que dormia: “Vigiai, e orai para que não entreis em tentação. O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca.”.
Ou seja, a ORAÇÃO é a solução. Deus sempre nos atenderá por meio dela, ou nos livrando do sofrimento ou nos dando forças necessárias para suportá-lo.
SEGUNDO PASSO: FLAGELAÇÃO DE CRISTO-JESUS – o segundo passo dessa Via Dolorosa é a Flagelação de Cristo-Jesus, detalhada no Evangelho Segundo São Mateus 26, 57:68 e 27, 11:28… quando, então, Cristo-Jesus, após ser interrogado por Pilatos, foi escarnecido, açoitado e entregue para ser crucificado.
E a qualquer tentativa de provocação, Ele se mantinha calado, convicto da sua posição, independentemente das dores e sofrimentos corporais que Lhe eram impostos, inabalável nos seus ensinamentos ao dizer: “Sim (Eu sou o Cristo). Além disso eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-Poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu.” (Mt 26:64).
Nesse ponto é nos ensinado o valor da penitência do sacrifício para a expiação dos nossos pecados; da afirmação do nosso ideal de alcançar a Iniciação; da convicção de praticar os ensinamentos do Cristo na nossa vida; da negação de voltar a viver a vida de prazeres, de futilidades e de busca de acumulação de bens materiais como um fim em si mesmo.
TERCEIRO PASSO: COROAÇÃO DE ESPINHOS – o terceiro passo dessa Via Dolorosa é a Coroação de Espinhos de Cristo-Jesus detalhada no Evangelho Segundo São Mateus 27:29. Quando tentaram insinuar com escárnio: “Salve, rei dos Judeus.” coroando-O com uma Coroa de Espinhos que, junto com uma vara de cana e um manto escarlate, suscitava a compaixão de quem quer que o visse tentando-O levar ao desespero.
Aqui nos é ensinado o valor da mortificação, do sacrifício do nosso próprio Corpo Denso e do nosso Corpo de Desejos a serviço dos nossos elevados propósitos e do sacrifício de todos os nossos desejos inferiores: da vergonha, da ostentação pessoal, da vaidade, em prol do nosso desenvolvimento espiritual e que nos é dado em provas no nosso dia a dia.
QUARTO PASSO: CARREGAMENTO DA CRUZ – o quarto passo dessa Via Dolorosa é o Carregamento da Cruz por Cristo-Jesus detalhada no Evangelho Segundo São Mateus 27-32:34, quando colocaram uma Cruz nas costas de Cristo-Jesus para ser levada até o Calvário. A cada passo se renovava a agonia de Cristo-Jesus enquanto a pesada cruz esmagava seu ombro. Acompanhava-o uma grande multidão de povo e de mulheres que se lamentavam e choravam. A exemplo do Cristo-Jesus nessa hora, também nós devemos aceitar com resignação as duras provas que nos afligem, pois só assim poderemos ser dignos de seguir a Cristo. Cada um de nós tem a sua Cruz. É nosso dever conduzi-la cristianamente. E, como um verdadeiro aspirante a vida superior, ajudar nossos irmãos a carregar, cada um, a sua cruz. Isso fazemos através do Serviço Amoroso e desinteressado.
QUINTO PASSO: CRUCIFIXÃO – o quinto passo dessa Via Dolorosa é a Crucifixão de Cristo-Jesus detalhada no Evangelho Segundo São Mateus 27-35:96, quando o pregaram na cruz que Ele havia carregado. Aqui Ele alcançou a libertação da prisão do Corpo Denso de Jesus. Mostrando-nos o valor da perseverança na busca pela vida superior, por meio da libertação dos valores do Mundo Físico e que ilusoriamente achamos que sejam a realidade em si mesmo. Ali Ele alcançou a liberdade de realmente poder sentir-se um espírito que sopra em qualquer lugar, em qualquer momento, que não é limitado, que não é preso por nada, que trabalha exclusivamente para o bem, para a concretização do Plano de Deus.
Assim, meus caros irmãos e irmãs, podemos perceber que somente por meio da nossa própria vontade e disposição sincera em percorrer o caminho que leva à Iniciação, mediante o serviço amoroso e desinteressado, é que as penas irão se transformar em compaixão, o único poder do mundo capaz de nos fortalecer nessa escalada, transformando-nos num sacrifício vivente a serviço de Deus.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Deus é perfeito. Mas nós, individualmente, não somos perfeitos. Devido ao processo de evolução nós estamos a cometer erros. E a maioria desses erros nós os cometemos por causa da nossa ignorância.
Em parte, isso é devido a irmos contra as Leis da Natureza. Na maioria das vezes deixamos nosso “Eu inferior” dominar a situação. Nosso “Eu superior” sabe como não pecar, como obedecer às Leis da Natureza. Isso prova nossa imperfeição. Usamos nosso livre arbítrio de modo contrário às Leis de Deus. Cometemos mais pecados por omissão do que por comissão. São pequenos pecados aos quais, na sua maioria, nem damos importância. Entretanto, ao passar do tempo esses pecados começarão a atrapalhar o nosso progresso espiritual.
O pecado é consequência natural das Religiões de Raça, as Religiões de Jeová. Essas Religiões eram Religiões de Leis, originadoras do pecado, como consequência à desobediência dessas leis. Sob essas leis todos pecavam. E chegou-se a tal ponto que a evolução teria demorado muito, e muitos de nós perderíamos a nossa onda de vida se não fôssemos ajudados.
Isso porque não sabíamos agir com retidão e amor. Nossa natureza passional tornou-se tão forte que não sabíamos mais como controlá-la. Pecávamos continuamente.
Na Época Lemúrica, a propagação da Raça e o nascimento eram executados sob a direção dos Anjos, por sua vez enviados por Jeová, o Regente da Lua.
A função criadora era executada durante determinados períodos do ano, quando as configurações astrais eram favoráveis. Como a força criadora não encontrava obstáculo, o parto realiza-se sem dor.
A consciência do Lemuriano era igual à nossa de hoje, quando estamos dormindo. Assim, ele era inconsciente do Mundo Físico e, portanto, inconsciente do nascimento, e da morte. Ou seja, essas duas coisas não existiam para o Lemuriano.
Quando havia o íntimo contato das relações sexuais entre o homem e a mulher nessa Época, o Espírito sentia a carne e por um momento o ser humano atravessava o véu da carne e observava uma ligeira consciência. A isso se referem várias passagens da Bíblia: “Adão conheceu a sua mulher”, ou seja: sentiu fisicamente. “Adão conheceu Eva e ela concebeu Seth”; “Elkanah conheceu Havah e ela concebeu Samuel”. Mesmo no novo testamento, quando o Anjo anuncia a Maria que será a mãe do Salvador, ela contesta: “Como pode ser isso possível, se eu não conheço a nenhum homem?”. Essas coisas perduraram até aparecer os Espíritos Lucíferos.
Como o ser humano via muito mais facilmente no Mundo de Desejo, os Espíritos Lucíferos manifestaram-se por aí, e chamaram-lhe a atenção para o mundo exterior. Ensinaram-lhe como podia deixar de ser manipulado por forças exteriores, como poderia converter-se em seu próprio Dono e Senhor, parecendo-se aos Deuses, “conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:5). Também lhe mostraram como podia construir outros corpos, sem a necessidade da ajuda dos Anjos.
O objetivo dos Espíritos Lucíferos era dirigir a consciência do ser humano para o exterior. Essas experiências proporcionaram dor e sofrimento, mas deram também a inestimável benção da emancipação das influências e direção alheias e o ser humano iniciou a evolução dos seus poderes espirituais.
A partir daí foram os seres humanos que dirigiram a propagação e não mais os Anjos. A partir daí o ser humano ignorou a operação das forças solares e lunares como melhor Época para a propagação e abusou da força sexual, empregando-a para a gratificação dos sentidos. Então, restou a dor que passou a acompanhar o processo de gestação e nascimento.
Daí o ser humano conheceu a morte, pois via quando passava do Mundo Físico para os Mundos espirituais e vice-versa quando voltava, ao renascer.
A partir daí, como diz a Bíblia: “conceberás teus filhos com dor”. Isso não foi uma maldição de Jeová, como normalmente se acha. Foi uma clara indicação do que iria ocorrer quando se utilizasse a força criadora na geração de um novo ser sem tomar em conta as forças estelares.
Então, é o emprego ignorante da força criadora que origina a dor, a enfermidade e a tristeza.
Esse é o pecado original. “A terra te produzirá espinhos e abrolhos, e tu terás por sustento as ervas da terra. Tu comerás o pão no suor do teu rosto, até que te tornes na terra, de que foste formado.” (Gn 3:18-19).
A partir daí o ser humano teve que trabalhar para obter o conhecimento. Através do cérebro, interioriza parte da força criadora para obter conhecimento do Mundo Físico. Isso é egoísmo. Mas a partir da queda na geração, não há outro modo de se obter conhecimento.
Assim, uma parte da força sexual criadora do ser humano ama egoisticamente o outro ser, porque deseja a cooperação na procriação. A outra parte pensa, também por razões egoístas, porque deseja conhecimento.
Como resultado cristalizou os seus veículos e esqueceu-se de Deus. Os corpos debilitados e as enfermidades que vemos ao nosso redor foram causadas por séculos de abuso, e até que aprendamos a subjugar nossas paixões não poderá existir verdadeira saúde na humanidade.
Em resumo: o pecado original veio porque o ser humano usou o seu livre arbítrio e quis obter a consciência cerebral e a do Mundo Físico, pegando um caminho de atalho. Transformou-se de um autômato, guiado em tudo, num ser criador e pensante.
Aos poucos, através do sábio uso da força criadora sexual e da espiritualização dos seus corpos, o ser humano vai respondendo aos impactos espirituais e escapando do estigma do pecado original.
A partir do momento que o ser humano tomou para si as rédeas de sua evolução, ele começou a experimentar, agindo bem ou mal, fazendo o certo e o errado.
Como quando lhe foi dado a Mente – entre a última parte da Época Lemúrica até a segunda parte da Época Atlante – o Ego era excessivamente débil e a natureza de desejos muito forte, de modo que a Mente se uniu ao Corpo de Desejos, originando a astúcia, a tendência foi fazer mais o mal do que o bem, mais o errado do que o certo, desenvolvendo mais o vício do que a virtude.
Assim, devido à sua ignorância, foi lhe dada uma Religião que tinha como base o látego do medo, impelindo-o a temer a Deus.
Por causa desse medo, tentava-se fazer o bem, o certo. Mas a astúcia e a ignorância eram muito fortes e o ser humano fazia mais o mal.
Após isso, foi lhe dada uma Religião que o levava a certa classe de desinteresse coagindo-o a dar parte dos seus melhores bens como sacrifício: “Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar.” (Gn 8:20).
Noé simboliza os Atlantes remanescentes, núcleo da quinta Raça, a Raça Ária, e, portanto, nossos progenitores. Isso foi conseguido pelo Deus de Raça ou Tribo. Um Deus zeloso que exigia a mais estrita obediência e reverência. Mas, que era um poderoso amigo, ajudava o ser humano em suas batalhas e devolvia lhes multiplicando os carneiros e cereais que lhe eram sacrificados.
O ser humano não sabia que todas as criaturas eram semelhantes, mas o Deus de Raça ensinou-lhe a tratar benevolentemente seus irmãos de Raça e fazer leis justas para os seres da mesma Raça.
Entretanto, houve muitos fracassos e desobediência, pois o egoísmo estava – e ainda está – muito enraizado na natureza inferior.
No Antigo Testamento encontramos inúmeros exemplos de como o ser humano se esqueceu dos seus deveres e de como o Deus de Raça o encaminhou, persistentemente uma e outra vez.
Só com os grandes sofrimentos ditados pelo Espírito de Raça foi que os seres humanos caminharam dentro da lei. Isso porque o propósito da Religião de Raça é dominar o Corpo de Desejos, na maioria das vezes apegado à natureza inferior de modo que o intelecto possa se desenvolver. Portanto, essas Religiões são baseadas na lei, originadoras do pecado, como consequência à desobediência a essas leis.
Exemplos dessas desobediências e de suas consequências vemos no Pentateuco Mosaico, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento.
O ser humano foi pecando – pois não sabia agir por amor – por desobediência a essas Leis, baseadas na lei de consequência, e acumulando uma quantidade tão grande de pecados que se não houvesse uma intervenção externa muitos teriam sucumbido e toda a evolução perdida.
E essa ajuda foi a vinda de Cristo. Por isso ele disse que veio para “buscar e salvar os que estavam perdidos”. Cristo não negou a Lei, nem Moises, nem os profetas.
Disse que essas coisas já tinham servido aos seus propósitos e que para o futuro, o AMOR deveria suceder a Lei.
Ele é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. E o tirou, mas não o pecado do indivíduo.
Purificou e, continua purificando todos os anos, o Mundo do Desejo de modo que tenhamos matéria de desejos mais pura para construir nossos Corpos de Desejos e desejos superiores, mais puros.
Assim, por inanição, vamos eliminando nossas tendências inferiores, nossos vícios, o egoísmo, etc.
Ele nos deu a doutrina do Perdão dos Pecados. Ela não vai contra a Lei de Consequência, como muitos pensam, mas a complementa.
Dá aos que se interessam pela vida espiritual forças para lutar, apesar de repetidos fracassos e para conseguir subjugar a natureza inferior.
Mediante o Perdão dos Pecados, foi nos aberto o caminho do arrependimento e da reforma íntima.
Aplicando uma lei superior à Lei Mosaica, a lei do amor, conseguimos esse perdão. Se não o fazemos, teremos que esperar pela morte que nos obrigará a liquidar nossas contas.
Para conseguir o perdão dos nossos pecados temos que, quando cometermos um erro, ter um sincero arrependimento seguido de uma devida regeneração que pode ser um serviço prestado a quem injuriamos ou uma oração para essa pessoa; se for impossível a prestação do serviço poderá ser um serviço prestado a outrem. Com esse sentimento e essa compreensão tão intensa quanto possível do erro cometido, a imagem desse ato se desvanece do Átomo-semente do Corpo Denso, no qual foi gravado.
Lembremos que são as gravações desse Átomo-semente que formam a base da justa retribuição depois da morte e que é o livro dos Anjos do Destino. Com isso, no Purgatório, esse registro não estará mais lá e não sofreremos por esse ato errado, pois já aprendemos que ele é errado, restituindo-o voluntariamente. Lição aprendida, ensino suspenso.
Nesse ponto, muito nos ajuda o exercício noturno de Retrospecção, é ele que nos faz viver o Purgatório diariamente e nos ajuda na compreensão e no discernimento em fazer o bem e o que é fazer o mal.
Portando, não sigamos tanto a carne, o Mundo Físico, pois já passamos do tempo que precisávamos disso.
Não sejamos preguiçosos, gulosos, impudicos, voluptuosos, soberbos, avarentos. Pois em que nós pecamos, seremos gravemente castigados.
Relembremos, agora, os nossos pecados para podermos aproveitar melhor o tempo após a morte para ajudarmos os nossos irmãos e para construirmos melhores corpos.
Sejamos sábios utilizando toda essa ajuda que os nossos irmãos mais evoluídos nos dão.
Se vivemos para Cristo, veremos que toda tribulação dará prazer, pois a sofreremos com paciência e que: “a iniquidade não abrirá a sua boca” (Sl 106:42).
E pela paciência e persistência estaremos entre os escolhidos no dia do juízo, pois: “erguer-se-ão naqueles dias os justos com grande força contra aqueles que os oprimiram e desprezaram.” (Sab 5:1).
Que as rosas floresçam em vossa cruz
“Vi então uma Besta que subia do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças; sobre os chifres havia dez diademas, e sobre as cabeças um nome blasfemo. A Besta que eu vi parecia uma pantera: seus pés, contudo, eram como os de um urso e sua boca como a mandíbula de um leão. E o Dragão lhe entregou seu poder, seu trono, e uma grande autoridade. Uma de suas cabeças parecia mortalmente ferida, mas a ferida mortal foi curada. Cheia de admiração, a terra inteira seguiu a Besta e adorou o Dragão por ter entregado a autoridade à Besta. E adorou a Besta dizendo: “Quem é comparável à Besta” e quem pode lutar contra ela?”. Foi-lhe dada uma boca para proferir palavras insolentes e blasfêmias, e também poder para agir durante quarenta e dois meses. Ela abriu então sua boca em blasfêmias contra Deus, blasfemando contra seu nome, sua tenda e os que habitam no céu. Deram-lhe permissão para guerrear contra os santos e vencê-los; e foi-lhe dada autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação. Adoraram-na, então, todos os habitantes da terra cujo nome não está escrito desde a fundação do mundo no livro da vida do Cordeiro imolado. Se alguém tem ouvidos, ouça: ‘Se alguém está destinado à prisão, irá para a prisão; se alguém deve morrer pela espada, é preciso que morra pela espada’. Nisso repousa a perseverança e a fé dos santos.” (Ap 13:1-10)
Na simbologia oculta, “água” significa as emoções e a palavra “mar” costuma ser usada para indicar o Mundo do Desejo, cuja substância fornece o material para o Corpo de Desejos do ser humano e do animal. Desde a impregnação na Época Lemúrica e na Época Atlante pelos Espíritos Lucíferos no Corpo de Desejos do ser humano com o princípio demoníaco da paixão, muito mal (ação contrária às leis de Deus) foi cometido, e é a soma desse mal em todas as vida passadas que constituiu a “besta” subindo “do mar” ou o Guardião do Umbral, para ele.
O mal coletivo corporificado em todos as pessoas da Terra, o anti-Cristo é uma força poderosa no mundo. O ser humano, como uma entidade individual, é Sétuplo e Décuplo, sendo um Tríplice Espírito com um Tríplice Corpo e uma Tríplice Alma, conectados pela Mente.
Com relação ao Guardião do Umbral e como essa “besta” pode ser superada, Max Heindel diz o seguinte: “Quando o neófito entra no Mundo do Desejo conscientemente, após deixar seu Corpo Denso durante o sono, ele terá que passar por uma entidade. Essa é a personificação de todas as más ações de seu passado que, ainda não tendo sido expiadas, aguardam a erradicação em vidas futuras. Ele deve reconhecer e aceitar essa entidade como parte de si mesmo. Ele deve prometer a si mesmo liquidar, o mais rápido possível, todas as dívidas constituídas em sua péssima forma”.
“Essa entidade é um demônio e é neutralizada de outra forma, a qual representa todo o bem que um indivíduo fez no passado, e pode ser chamada de seu ‘Anjo da Guarda’. No entanto, essas forças gêmeas são invisíveis para o ser humano comum em todos os momentos, todavia, sempre potentes em sua vida”.
As pessoas que se esforçam para expiar os erros de seu passado, vivendo uma vida de pureza e serviço altruísta aos outros são aquelas que têm seus nomes: “Escrito no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo”.
Aqueles que continuam a responder com o mal dentro de suas próprias naturezas “Quem mata com a espada”, eventualmente, ficarão para trás na evolução e terão que recomeçar mais tarde.
(Publicado na: Rays From the Rose Cross – março/1916 – Traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
De acordo com o Livro A Mensagem das Estrelas – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, a Astrologia é o “Relógio do Destino”. Os doze Signos do Zodíaco correspondem ao mostrador; o Sol e os Planetas correspondem ao ponteiro das horas, que indica o ano; a Lua corresponde ao ponteiro dos minutos, indicando o mês do ano em que ocorrências diferentes na pontuação do destino maduro atribuído a cada vida devem se resolver. Embora haja algumas coisas das quais não podemos escapar, temos algum livre-arbítrio para modificar as causas já postas em movimento. Nossas ações presentes determinam as condições futuras.
A Lei de Consequência trabalha em harmonia com os Astros, de forma que a pessoa nasce no momento em que a posição dos planetas no Sistema Solar lhe dê as condições necessárias para sua experiência e avanço na escola de vida. Esse trabalho está sob a administração de grandes seres de espiritualidade sublime e sabedoria superlativa, que administram todas as coisas com uma inteligência, além da compreensão de nossas Mentes finitas. Verificou-se, no entanto, que as tentativas de fugir de uma colheita de tristeza que se acumulou de certo destino maduro são balanceadas por outro movimento por parte dos administradores invisíveis dessa Lei.
No Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, lemos sobre um conferencista que foi avisado por Max Heindel que se ele saísse de sua casa em determinado dia, sofreria um acidente. Ele confundiu o dia, pensando que 28 fosse 29, fez uma viagem para outra cidade e foi ferido como previsto, em uma colisão ferroviária. Ele havia sido avisado, acreditou no aviso e pretendia acatá-lo, mas sem dúvida o sofrimento decorrente daquele acidente lhe era adequado como expiação de certos erros. Portanto, os agentes da Lei da Consequência, evidentemente, o fizeram esquecer o dia.
Independentemente das condições em que nos encontramos, o conhecimento de que as fizemos nos ajuda a suportar com paciência e nos fornece a satisfação de sermos árbitros do nosso destino e podermos fazer do futuro o que quisermos. Isso é, em si, um poder. É claro que ainda temos que enfrentar o passado e, talvez, muitos infortúnios ainda possam advir de ações erradas; contudo, podemos olhar com alegria para cada aflição como se estivéssemos liquidando uma conta antiga e aproximando o dia em que teremos os registros limpos.
É possível fazer previsões com certeza para a maioria da humanidade, porque essas pessoas seguem o rio da vida. As previsões falham no caso de quem cuida, prioriza e se esforça para cuidar da sua parte espiritual, entretanto, em proporção à sua realização espiritual e à sua força de vontade.
Além do destino trazido conosco de vidas passadas para liquidação nesta vida, todos os dias exercemos influência causal por meio dos nossos atos. Uma parte considerável das ações feitas nesse Corpo produzirá efeitos antes que a morte termine nossa estada aqui, enquanto as que não forem liquidadas serão retidas e formarão a base de uma existência futura, em que colheremos o que plantamos. O destino transportado de uma vida para outra é mostrado em nosso horóscopo e fornece alguma base ou tendência para determinada linha de ação. No entanto, existe o livre-arbítrio relativo em grande porcentagem de nossas ações, o que nos deixa espaço para o exercício da Epigênese, a atividade criativa e divina que é a base da evolução. Max Heindel nos encoraja a buscar o princípio da Epigênese e aprender a aplicá-lo a nossas vidas.
É bom reconhecer que estamos continuamente tecendo a teia do destino no tear do tempo e criando para nós mesmos uma vestimenta de glória ou escuridão, de acordo com nosso bom ou mal trabalho; além disso, esse destino maduro não pode ser contornado. O que se segue é de uma palestra proferida por Max Heindel, em 1916:
“Uma lenda árabe relata que o bom e sábio Paxá Suleiman, tendo mostrado grande zelo pela propagação do Islã, uma noite foi visitado por Deus em um sonho e, então, teve a opção de escolher qualquer favor que pudesse pedir. Suleiman, sempre humilde e temeroso de que o orgulho e a arrogância entrassem em seu coração e desviasse seu rosto de Deus, pediu que todos os dias o Anjo da Morte o visitasse para impressionar sobre ele a natureza fugaz e evanescente do poder, da glória e o fato de que, ao final de uma curta vida, o homem deva enfrentar o portal da morte para encontrar seu Deus e prestar contas de sua gestão na Terra. Certo dia, enquanto o Anjo da Morte caminhava pela corte do Paxá Suleiman, ele olhou surpreso para um dos cortesãos, um homem muito próximo ao coração do sábio Suleiman. Esse nobre estava tão distraído e perturbado pela atenção dispensada a ele pelo Anjo da Morte que foi ao Paxá em busca de ajuda e conforto, porque temia que o Anjo da Morte viesse para ele naquele mesmo dia. Ele tinha apenas um pensamento: fugir da morte.
O sábio Paxá tentou confortá-lo da melhor maneira possível, mas sem sucesso. O homem alegou que só houvesse uma saída: ele precisava fugir o mais rápido possível. Para tanto, implorou ao Paxá que lhe emprestasse seu cavalo, Abdullah, famoso garanhão árabe da melhor raça, tão veloz que não houvesse uma única criatura conhecida por alcançá-lo. Depois de muitos esforços, em vão, para acalmar seu amigo, o Paxá finalmente concordou e deu a seu amigo o famoso garanhão. Ele cavalgou e cavalgou, o dia inteiro e toda a noite, com a velocidade do vento, até que finalmente o nobre garanhão caiu morto na areia. Então o cortesão caiu de cara no chão, chorando amargamente, ao pensar que não poderia ir mais longe.
Em seguida, o Anjo da Morte apareceu e acenou para ele. Sabendo que não existisse via de escape, ele se preparou para obedecer à convocação, mas antes de deixar a Terra perguntou ao Anjo da Morte: “Por que você me olhou de forma tão estranha, ontem, na corte do Paxá Suleiman?”. Ao que o Anjo da Morte respondeu: “Fui ordenado por Alá para abordá-lo neste mesmo lugar esta manhã e, quando o vi ontem de manhã no tribunal do Paxá Suleiman, fiquei surpreso, pois não conseguia entender como seria possível para você chegar a este lugar distante em tão pouco tempo; se você não tivesse o nobre corcel do Paxá, teria sido uma impossibilidade”.
Assim, ao se esforçar para escapar do destino que o esperava, ele de fato cavalgou e muito para encontrá-lo, gastando toda a sua energia para achar seu destino no tempo determinado.
Os Planetas giram em torno do Sol, ano após ano, século após século, com precisão invariável, mas eles têm alguma latitude (uma liberdade de movimento). Dentro do curso prescrito, cada um pode variar um certo número de graus de espaço e o mesmo acontece na vida do ser humano. Os grandes eventos, o nascimento e a morte, são incidentes inevitáveis na vida do Espírito, vida que nunca acaba, nunca começa. Como Sir Edwin Arnold diz:
Nunca o Espírito nasceu,
O Espírito deixará de existir nunca.
Nunca houve tempo em que não existiu.
Fim e começo são sonhos.
Sem nascimento e sem morte permanece o Espírito para sempre.
Embora certos eventos devam acontecer a todos os seres humanos, no entanto, há alguma latitude na vida, um livre-arbítrio que podemos exercer a fim de moldar nossas vidas como desejamos e trabalhar o destino para nós mesmos à nossa própria maneira. Isso é bem afirmado, como segue:
Um navio navega para o leste e outro para o oeste,
Com os mesmos ventos que sopram.
É o sistema de vela e não o vendaval.
Isso é o que determina o caminho que segue a nau.
Existe um propósito geral na vida e somos guiados por certo caminho amplo, denominado Caminho da Evolução, pelas Hierarquias Criadoras, também chamadas de Hierarquias Zodiacais. Temos a liberdade de escolher nossos cursos individuais, nessa estrada larga, e não é por acaso, portanto, que alguns de nós conheceram, estudam, vivenciam, se desenvolvem e promovem os Ensinamentos Rosacruzes como preconizados pela Fraternidade Rosacruz. O Sol, pelo seu movimento de Precessão dos Equinócios, agora está se aproximando da cúspide de Aquário e uma Nova Era será introduzida em breve. Novas características nas pessoas estão para aflorar em seus novos renascimentos.
É nossa missão guiar o trabalho do mundo ao longo de caminhos novos e mais elevados — para promover novos ideais, para que possamos entrar na próxima espiral da evolução. Afinal a Fraternidade Rosacruz é o arauto da Era de Aquário!
Na antiga Época Atlante, quando a Época Ária estava para ser introduzida, Deus, por meio de Seus profetas, falou ao povo em quem viu certas qualidades que poderiam ser aproveitadas: “Saia do meio deles e seja meu povo; Eu serei o seu Deus e dar-lhe-ei uma terra onde transborda o leite e o mel; a sua semente será tão numerosa como as areias da praia”.
Essa chamada soa hoje, mas dentro do peito de cada indivíduo. Muitas pessoas estão elaborando seus destinos, como desejado pelas Hierarquias Criadoras, pela atração causada pela ilusão do ouro, que concebem ser uma recompensa por seu trabalho. Há um número crescente de pessoas, no entanto, cujo discernimento interior tornou claro para elas que trabalhar por uma recompensa material, na forma de ouro, que devem abandonar quando o Anjo da Morte chegar, é loucura. Essas pessoas agora ouvem o chamado em seus corações: “Saia do meio deles e seja meu povo; Eu serei o seu Deus” (IICor 6:17). Embora ainda possam continuar a cumprir seus deveres no mundo, doravante não será por causa do ouro material, que eles sabem ser verdadeiramente inútil, mas por Deus, independentemente de uma recompensa material que esteja além das necessidades com as quais manter o corpo e a alma juntos. Assim, eles servem na vinha do Mestre e acumulam, quer pensem nisso ou não, uma recompensa espiritual, um tesouro no Céu que é maior do que o ouro terreno.
É esclarecedor observar o cadinho em que o ferreiro funde o metal com o qual vai fazer a junta. Vários pedaços de chumbo são colocados no cadinho, mas gradualmente perdem sua forma distinta e separada para se fundir em uníssono com os outros, até que todos se tornem um. Ainda assim, há em cada peça alguma escória que não derrete nem é incorporada ao metal; é jogada para cima pelo calor e o ferreiro a remove até que o metal esteja limpo — tão claro que ele possa ver seu próprio rosto ali. Da mesma forma, na Fraternidade Rosacruz somos muitas formas distintas e separadas, cada uma com suas próprias características e idiossincrasias. Fomos jogados no caldeirão e cada Corpo deve afundar sua personalidade na causa comum, se quisermos ter sucesso em nosso trabalho de divulgação dos Ensinamentos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz e na preparação do caminho para a Nova Era. Pode não ser fácil, para qualquer um de nós, esquecer-se de si mesmo, mas pelo calor e fricção que é gerado nesse processo de amálgama, as arestas agudas são arredondadas e derretidas para que nos ajustemos a nossos irmãos e irmãs. Adaptabilidade é a grande palavra de ordem; sem isso não podemos amalgamar; contudo, devemos esperar ser descartados como a escória do caldeirão, enquanto os nossos corações não tenham sido perfeitamente purificados para que a face de Deus seja vista neles, Ele não poderá fazer o melhor uso de nós em Sua obra.
Portanto, que nos esforcemos dia a dia para trabalhar séria e honestamente na “vinha do Mestre”, onde quer que estejamos colocados, lembrando o grande e glorioso destino que está diante de nós. Vamos considerar todas as tribulações atuais como indignas de serem mencionadas. Embora possamos ser mal compreendidos por aqueles que nos são próximos e queridos e, até, ser desprezados por quem pense apenas em um bom tempo e em acumular o ouro que se deve largar às portas da morte, voltemos os nossos rostos para a meta do nosso chamado e trabalhemos fielmente pelos tesouros espirituais, que perduram para sempre.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro/1984 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Os Espíritos Virginais que atualmente formam a humanidade, ou seja, os Espíritos Virginais da onda de vida humana, começaram sua peregrinação através da matéria no Período de Saturno.
Na Época Polar deste Período Terrestre – a primeira Época -, auxiliados pelos Senhores da Forma, o ser humano construiu seu primeiro corpo mineral, ou seja, um Corpo formado de material da Região Química do Mundo Físico. E os primeiros a aparecer foram os mais desenvolvidos da época. O ser humano dessa Época tinha ainda seu foco muito voltado à Região Etérica do Mundo Físico e a Terra não tinha solidificado ainda, como a vemos hoje.
Portanto, podemos relacionar o Corpo Denso à Adão, que simbolizava o ser humano dessa Época, como lemos na Bíblia: “foi feito de barro”. Isso pelo fato de ter sido semelhante ao mineral, atualmente.
Na Época Hiperbórea deste Período Terrestre – a segunda Época -, auxiliados pelos Senhores da Forma e os Anjos, que tinham atingindo o seu “grau de humanidade” (a maior densidade em matéria que poderia alcançar nesse Esquema de Evolução, qual seja, na Região Etérica do Mundo Físico) no Período Lunar, foi acrescentado ao ser humano o Corpo Vital. Portanto, sua constituição foi semelhante à planta, atualmente. Na Bíblia está relacionado a Caim, descrito como um agricultor, já que o ser humano daquela época vivia dos “frutos da terra”.
Na Época Lemúrica deste Período Terrestre – a terceira Época -, auxiliados pelos Arcanjos, que tinham atingindo o seu “grau de humanidade” (a maior densidade em matéria que poderia alcançar nesse Esquema de Evolução, qual seja, no Mundo do Desejo) no Período Solar, foi acrescentado ao ser humano o Corpo de Desejos. Portanto, sua constituição foi semelhante ao animal, atualmente. Então, o leite que era extraído dos animais foi dado como alimento aos seres humanos. O emprego do leite nessa Época foi para nos colocar em contato com as forças cósmicas e utilizado para desenvolver o Corpo de Desejos. Fato esse relacionado na Bíblia com Abel, quando diz que ele foi um pastor.
Na Época Atlante deste Período Terrestre – a quarta Época -, foi dado ao ser humano o germe da Mente pelos Senhores da Mente, que tinham atingindo o seu “grau de humanidade” (a maior densidade em matéria que poderia alcançar nesse Esquema de Evolução, qual seja, na Região Concreta do Mundo do Pensamento) no Período de Saturno. O veículo Mente é o ponto de ligação entre nós, um Espírito Virginal da onda humana manifestado, e os três Corpos, completando assim o conjunto de ferramentas da constituição atual do ser humano, equipado para conquistar o Mundo e criar o poder da alma por meio do esforço e da experiência.
E para que o ser humano pudesse buscar essas vantagens e as oportunidades para seu progresso foi necessário privá-lo da existência espiritual, pois o ser humano dessas quatro primeiras Épocas estava com a sua consciência mais voltada para os Mundos espirituais. Sabia que não podia morrer, pois quando seu Corpo Denso se tornava inútil para ele, abandonava – o e construía outro.
Só que chegou o momento em que o ser humano precisava despertar para sua existência física. Precisava buscar as oportunidades de crescimento na Região Química do Mundo Físico. Precisava buscar os recursos materiais desse Mundo que a existência concreta na vida terrestre lhe daria. Precisava descer para obter a consciência de si mesmo, o que antes não possuía, nessa Região do Mundo Físico. E foi nesse momento evolutivo que o ser humano desceu mais profundamente na matéria física. E, para isso, foi acrescentado pelos Líderes responsáveis pela evolução da humanidade mais um alimento ao ser humano para construir os diferentes veículos de consciência, indispensáveis para que conseguíssemos chegar ao processo de evolução da alma. Foi nesse momento evolutivo que se iniciou a prática de comer carne dos animais. E por meio da dieta da carne animal o ser humano foi se fartando tanto dela, que foi sobrecarregando todo o organismo, tornando o Corpo Denso pesado, sombrio e bruto.
Pari passu o ser humano começou a perder a visão espiritual. A visão do ser humano foi sendo obscurecida pelo véu da carne e, por isso, acabou se tornando estranho entre os seus irmãos. Matava para comer, razão pela qual na Bíblia diz que “Nimrod era um caçador poderoso”. Ele representava o ser humano daquela Época. Pois com a obtenção da Mente, a atividade do pensamento acabava por destruir as células nervosas do corpo, o que acabava por produzir a morte. E como o Corpo Denso é composto de matéria química mineral, o alimento para esse Corpo só poderia ser de alimentos químicos minerais e, com isto, faz com que haja uma luta para dissolução da proteína animal (domínio das células animais dentro do nosso Corpo) e, por outro lado, estimular o amolecimento do Espírito humano, incentivando o foco na consciência na Região Química do Mundo Físico, a que conhecemos como consciência de vigília.
Repare, então, que em cada Época passada foi acrescentado ou modificado algo na alimentação do ser humano, a fim de que pudesse obter as condições apropriadas para atingir as finalidades previstas nesse Esquema de Evolução, conforme criado por Deus.
Seguindo essa necessidade de acréscimo e modificação da alimentação, na Época Ária deste Período Terrestre – a quinta Época -, foi necessário um novo alimento, o “vinho” (ou seja: bebidas alcoólicas fermentadas exteriormente ao nosso Corpo Denso), que pudesse ajudar o ser humano a dominar as moléculas altamente individualizadas da carne, e a focar definitivamente sua consciência na Região Química do Mundo Físico, obrigando-o a pensar que era “um verme do pó”, como lemos na Bíblia.
Note que o “princípio ativo do álcool é um espírito”. Atuando sobre o Corpo, gerou as dificuldades na parte espiritual do ser humano em se focar nos Mundos espirituais, paralisou-o temporariamente, a fim de fazê-lo conhecer, estimar e conquistar essa Região Química do Mundo Físico e avaliar seu justo valor.
Na Bíblia é dito que Noé fermentou o “vinho” pela primeira vez ao começar a “Era do Arco-Íris”, que é a Era em que vivemos com atmosfera de ar puro e clara (a Era de Áries da quinta Época, a Ária). Bem diferente da atmosfera úmida em que vivia o ser humano até a Era de Touro na Época Atlante, a quarta Época.
Foi nessa Época Ária (que agora estamos) que começou a lei dos ciclos alternantes do dia e da noite, do verão e inverno, da chuva e do sol e de tantos outros a que o ser humano está sujeito atualmente.
Dessa forma o ser humano ficou provido de uma constituição física composta e com uma dieta alimentar apropriada para o guiar. A humanidade foi, então, entregue à sua própria iniciativa na batalha da vida e sobrevivência.
Agora, já atingimos outro patamar nesse Esquema de Evolução. Desde a primeira vinda do Cristo é tempo de conquistarmos a Região Etérica do Mundo Físico. A alimentação já mudou: carnes animais e “vinho” não devem fazer mais parte da nossa alimentação, pois o objetivo agora é reduzir a densidade dos nossos Corpos, é sublimar o Corpo Denso, é extrair dele a Alma Consciente, facilitando a assimilação da sua quintessência pelo Corpo Vital, o Corpo em que devemos funcionar conscientemente para viver com a consciência de vigília na Região Etérica do Mundo Físico.
Como fazer isso em menor tempo possível? Os Ensinamentos Rosacruzes como fornecidos pela Fraternidade Rosacruz nos ensinam, desde que estejamos dispostos a seguir o Caminho de Preparação e o Caminho de Iniciação Rosacruz.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
A Origem do Pecado, como aprendemos com ele e como sublimá-lo
Deus é perfeito. Contudo, nós, individualmente, não somos perfeitos.
Devido ao processo de evolução nós estamos sujeitos a cometer erros. E a maioria desses erros nós cometemos por causa da nossa ignorância.
Em parte, isso é devido a irmos contra as leis da natureza. Na maioria das vezes deixamos nosso “eu inferior” dominar a situação.
Nosso “eu superior” sabe como não pecar, como obedecer às Leis da Natureza. Isso prova nossa imperfeição. Usamos nosso livre arbítrio de modo contrário às Leis de Deus. Cometemos mais pecados por omissão do que por comissão. São pequenos pecados a que, na sua maioria, nem damos importância. Entretanto, ao passar do tempo esses pecados começarão a atrapalhar o nosso progresso espiritual.
O pecado é “consequência natural das Religiões de Raça, as Religiões de Jeová”. Essas Religiões eram Religiões de Leis, originadoras do pecado como consequência à desobediência dessas leis. Sob essas leis todos pecavam. E chegou-se a tal ponto que a evolução teria demorado muito, e muitos de nós perderíamos a evolução de nossa onda de vida se não fossemos ajudados.
Isso porque não sabíamos agir com retidão e amor. Nossa natureza passional tornou-se tão forte que não sabíamos mais controlá-la. Pecávamos continuamente.
Na Época Lemúrica, a propagação da raça e o nascimento eram executados sob a direção dos Anjos, por sua vez enviados por Jeová, o Regente da Lua.
A função criadora era executada durante determinados períodos do ano, quando as configurações estelares eram favoráveis. Como a força criadora não encontrava obstáculo, o parto realizava-se sem dor.
A consciência do Lemuriano era igual à nossa hoje, quando estamos dormindo. Assim, ele era inconsciente do Mundo Físico e, portanto, inconsciente do nascimento e da morte. Ou seja, essas duas coisas não existiam para o lemuriano. Eles percebiam as coisas físicas de maneira espiritual, como quando as percebemos em sonhos, quando parece que tudo está dentro de nós.
Quando, nessa Época, havia o íntimo contato das relações sexuais entre o homem e a mulher, o espírito sentia a carne e, por um momento, o ser humano atravessava o véu da carne e observava uma ligeira consciência. A isso se referem várias passagens da Bíblia: “Adão conheceu a sua mulher”, ou seja: sentiu-a fisicamente. “Adão conheceu Eva e ela concebeu Seth”; “Elkanah conheceu Havah e ela concebeu Samuel”. Mesmo no Novo Testamento, quando o Anjo anuncia à Maria que será a mãe do Salvador, ela contesta: “Como pode ser isso possível se eu não conheço a nenhum homem?“. Essas coisas perduraram até aparecerem os Espíritos Lucíferos.
Como o ser humano via muito mais facilmente no Mundo do Desejo, os Espíritos Lucíferos manifestaram-se por aí, e chamaram-lhe a atenção para o mundo exterior. Ensinaram-lhe como podia deixar de ser manipulado por forças exteriores, como poderia converter-se em seu próprio dono e Senhor, parecendo-se aos Deuses, “conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:5). Também lhe mostraram como podia construir outros corpos, sem a necessidade da ajuda dos Anjos.
O objetivo dos Espíritos Lucíferos era dirigir a consciência do ser humano para o exterior. Essas experiências proporcionaram a dor e o sofrimento, mas deram também a inestimável benção da emancipação das influências e direção alheias e o ser humano iniciou a evolução dos seus poderes espirituais.
A partir daí foram os seres humanos que dirigiram a propagação e não mais os Anjos. Eles passaram, então, a ignorar a operação das forças solares e lunares como melhor época para a propagação e abusaram da força sexual, empregando-a para a gratificação dos sentidos. Então, restou a dor que passou a acompanhar o processo de gestação e nascimento.
Passaram, também, a conhecer a morte, pois viam quando eles atravessavam do Mundo Físico para os mundos espirituais e vice-versa, quando voltavam, ao renascerem.
A partir daí, como diz a Bíblia: “conceberás teus filhos com dor”. Isso não foi uma maldição de Jeová, como normalmente se acha. Foi uma clara indicação do que iria ocorrer quando se utilizasse a força criadora na geração de um novo ser sem tomar em conta as forças astrais.
Então, é o emprego ignorante da força criadora que origina a dor, a enfermidade e a tristeza.
Esse é o pecado original. “A terra te produzirá espinhos e abrolhos, e tu terás por sustento as ervas da terra. Tu comerás o teu pão no suor do teu rosto, até que te tornes na terra, de que foste formado”. (Gn 3:18-19)
A partir daí o ser humano teve que trabalhar para obter o conhecimento. Através do cérebro, interioriza parte da força criadora para obter o conhecimento no Mundo Físico.
Isso é egoísmo.
Contudo, a partir da queda na geração, não há outro modo de se obter conhecimento.
Assim, uma parte da força sexual criadora do ser humano ama egoisticamente o outro ser, porque deseja a cooperação na procriação. A outra parte pensa, também, por razões egoístas, porque deseja conhecimento.
Como resultado cristalizou os seus veículos e esqueceu-se de Deus. Os corpos debilitados e as enfermidades que vemos ao nosso redor foram causados por séculos de abuso, e até que aprendamos a subjugar nossas paixões não poderá existir verdadeira saúde na humanidade.
Em resumo: o pecado original veio porque o ser humano usou o seu livre-arbítrio e quis obter a consciência cerebral e a do Mundo Físico. Transformou-se, de um autômato, guiado em tudo, num ser criador pensante.
Aos poucos, através do sábio uso da Força Criadora e da espiritualização dos seus corpos, o ser humano vai respondendo aos impactos espirituais e escapando do estigma do pecado original.
A partir do momento em que o ser humano tomou para si as rédeas de sua evolução, ele começou a experimentar, agindo bem ou mal, fazendo o certo e o errado.
Na Época Atlante, quando lhe foi dado a Mente, o Ego era excessivamente débil e a natureza de desejos muito forte, motivo por que a Mente uniu-se ao Corpo de Desejos, originando a astúcia; a partir daí, então, a tendência foi fazer mais o mal do que o bem, mais o errado do que o certo, desenvolvendo mais o vício do que a virtude.
Assim, devido à sua ignorância, foi lhe dada uma Religião que tinha como base o látego do medo, impelindo-o a temer a Deus.
Por causa desse medo, tentava-se fazer o bem, o certo. Mas a astúcia e a ignorância eram muito fortes e o ser humano fazia mais o mal do que o bem.
Após isso, foi lhe dada uma Religião que o levava a certa classe de desinteresse, coagindo-o a dar parte dos seus melhores bens como sacrifício: “Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar”(Gn 8:20).
Noé simboliza os Atlantes remanescentes, núcleo da quinta raça, a Raça Ária, e, portanto, nossos progenitores. Isso foi conseguido pelo Deus de Raça ou Tribo. Um Deus zeloso que exigia a mais estrita obediência e reverência. Contudo, era um poderoso amigo, ajudava o ser humano em suas batalhas e lhe desenvolvia multiplicados “os carneiros e cereais” que lhe eram sacrificados.
O ser humano não sabia que todas as criaturas eram semelhantes, mas o Deus de Raça ensinou-lhe a tratar benevolentemente seus irmãos de raça e fazer leis justas para os seres da mesma raça.
Entretanto, houve muitos fracassos e desobediências, pois o egoísmo estava – e ainda está – muito enraizado na natureza inferior.
No Antigo Testamento, encontramos inúmeros exemplos de como o ser humano se esqueceu dos seus deveres e de como o Deus de raça o encaminhou, persistentemente, uma e outra vez.
Só com os grandes sofrimentos ditados pelos Espíritos de Raça foi que os seres humanos caminharam dentro da lei. Isso porque o propósito da Religião de Raça é dominar o Corpo de Desejos, na maioria das vezes apegado à natureza inferior, de modo que o intelecto possa se desenvolver. Portanto, essas Religiões são baseadas na lei, originadoras do pecado, como consequência à desobediência a essas leis.
Exemplos dessa desobediência e de suas consequências vemos no Pentateuco Mosaico, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento. O ser humano foi pecando – pois não sabia agir por amor – por desobediência a essas Leis, baseadas na Lei de Consequência, e acumulando uma quantidade tão grande de pecados que, se não houvesse uma intervenção externa, muitos teriam sucumbido e toda a evolução perdida.
E essa ajuda foi a vinda do Cristo. Por isso ele disse que veio para “buscar e salvar os que estavam perdidos“. Cristo não negou a Lei, nem a Moisés, nem aos profetas.
Disse que essas coisas já tinham servido aos seus propósitos e que, para o futuro, o AMOR deveria suceder a Lei.
Ele é: “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. E o tirou, mas não o pecado do indivíduo!
Purificou, e continua purificando todos os anos, o Mundo do Desejo de modo que tenhamos matéria de desejos, emoções e sentimentos mais pura para construir nossos Corpos de Desejos e desejos, emoções e sentimentos superiores, mais puros.
Assim, por inanição, vamos eliminando nossas tendências inferiores, nossos vícios, o egoísmo, etc.
Ele nos deu a doutrina do Perdão dos Pecados. Ela não vai contra a Lei de Consequência, como muitos pensam, mas a complementa.
Dá aos que se interessam pela vida espiritual forças para lutar, apesar de repetidos fracassos e para conseguir subjugar a natureza inferior.
Mediante o Perdão dos Pecados foi nos aberto o caminho do arrependimento e da reforma íntima.
Aplicando uma lei superior à Lei Mosaica, a lei do amor, conseguimos esse perdão. Se não o fazemos, teremos que esperar pela morte que nos obrigará a liquidar nossas contas.
Para conseguir o perdão dos nossos pecados temos que, quando cometermos um erro, ter um sincero arrependimento seguido de uma devida regeneração que pode ser um serviço prestado a quem injuriamos ou uma oração para essa pessoa – se for impossível o serviço – ou, ainda, um serviço prestado a outrem. Com esse sentimento e essa compreensão tão intensas quanto possível do erro cometido, a imagem desse ato se desvanece ao Átomo-semente, no qual foi gravado.
Lembremos que são as gravações desse Átomo-semente que formam a base da justa retribuição depois da morte e que é o livro dos Anjos do Destino. Com isso, no Purgatório esse registro não estará mais lá e não sofreremos por esse ato errado, pois já aprendemos que ele é errado, restituindo-o voluntariamente.
Lição aprendida, ensino suspenso!
Nesse ponto, muito nos ajuda o Exercício da Retrospecção. É ele que nos faz viver o nosso Purgatório diariamente e nos ajuda na compreensão e no discernimento em fazer o bem e o que é fazer o mal.
Portanto, não sigamos tanto “a carne”, o Mundo Físico, pois já é passado o tempo que precisávamos disso.
Não sejamos preguiçosos, gulosos, impudicos, voluptuosos, soberbos, avarentos. Pois no ponto em que nós pecamos seremos gravemente castigados.
Relembremos, agora, os nossos pecados para podermos aproveitar melhor o tempo após a morte para ajudarmos os nossos irmãos e para construirmos melhores corpos.
Sejamos sábios utilizando toda essa ajuda que os nossos irmãos mais evoluídos nos dão.
Se vivemos para Cristo, veremos que toda tribulação dará prazer, pois a sofreremos com paciência e que: “a iniquidade não abrirá a sua boca” (Sl 106:42).
E pela paciência e persistência estaremos entre os escolhidos no dia do Juízo, pois: “erguer-se-ão naqueles dias os justos com grande força contra aqueles que os oprimiram e desprezaram.” (Sb 5:1).
Que as rosas floresçam em vossa cruz
O que fazer para mitigar o risco que muitos correram no tempo entre o final da Época Atlante e o início da Ária nesse momento de mudança de Era
O Mundo é a escola de ensinamentos de Deus. No passado, aprendemos a construir veículos diferentes, e entre eles, o Corpo Denso. Mediante esse trabalho somos elevados de classe em classe, ou de grau, cada um com seu particular alcance de desenvolvimento de consciência. Desenvolvemos olhos com os quais podemos ver, ouvidos para ouvir, e outros órgãos com os quais podemos cheirar, saborear, sentir, enfim funcionar na Região Química do Mundo Físico.
Porém nem todos os espíritos progrediram ao mesmo tempo.
Quando a névoa do ar na Época Atlante se condensou, preenchendo as bacias e os vales da Terra com oceanos de água, impelindo os seres humanos para as planícies e montanhas, muitos pereceram por asfixia, porque não tinham desenvolvido os pulmões. Por isso, não puderam transpor o portal do Arco-íris, que foi, por assim dizer, a porta de entrada da Época Ária, nas condições de atmosfera seca.
Agora está por vir outra grande transformação mundial, que não sabemos quando, nem mesmo Cristo disse não saber o dia e a hora, porém nos advertiu que virá “como um ladrão”, à noite, por surpresa, e Ele profetizou que as condições do Mundo serão então semelhantes àquelas que prevaleceram nos “dias de Noé”, quer dizer que a humanidade vivia em completo abandono e divertimento, quando de repente as portas celestiais se abriram, e a morte e a destruição fizeram estragos entre os seres humanos. Cristo nos disse que é possível “tomar o Reino de Deus por assalto” e conseguir ganhar o estado de consciência que prevalecerá naqueles dias. Porém, por sua vez, São Paulo nos disse que a carne e o sangue não podem herdar esse Reino, e acrescentou que teremos um Corpo-Alma, e que nos reuniremos “ao Senhor no ar”. Esse Corpo-Alma é tão necessário para penetrar no Reino de Deus na Época futura, como foi necessário um corpo dotado de pulmões para os atlantes que desejaram entrar na Época que agora estamos vivendo.
(Publicado na Revista “O Encontro Rosacruz” – Fraternidade Rosacruz de Santo André-SP em abril/1982)