Éter: A Nova Fronteira
Nesta lição trataremos da Região Etérica do Mundo Físico. Se bem que o Éter não seja visível para a grande maioria das pessoas, pertence, ainda assim, ao plano físico e é considerado como matéria física. O Éter envolve os átomos físicos como uma aura que os rodeia, interpenetra e protege todo o tempo. Os átomos físicos nadam num mar de Éter. Quando os desejos de uma pessoa tenham esgotado a estes átomos, o Corpo de Desejos atrai, do Sol e por meio do baço, a vitalidade necessária para revivificá-los. O Corpo Denso está constantemente sofrendo mudanças e seus átomos necessitam constante renovação. O Corpo de Desejos está sempre em estado cambiante e em rodamoinho, mas os átomos etéricos prismáticos do Corpo Vital assumem uma posição estacionária, permanecendo sempre no mesmo lugar desde o nascimento até a morte, se bem que estejam, ao mesmo tempo, pulsando e enviando suas forças com sua influência protetora através do Corpo Denso inteiro. Acontece o mesmo com relação aos Éteres planetários da Terra, das plantas e dos animais.
O Éter está dividido em quatro estados de crescente vibração, a saber: o Éter Químico, o Éter de Vida, o Éter Luminoso e o Éter Refletor, cada um deles desempenhando funções específicas. O Éter Químico, que é o mais denso, pode ser visto como uma bruma azul que rodeia as montanhas. Especialmente é este o caso ao amanhecer e ao anoitecer, quando as forças vitais da Terra são mais fortes. O Éter Químico tem dois polos. O polo positivo atua na assimilação dos elementos nutritivos, no crescimento ou na acumulação de tais elementos no corpo e na conservação da forma. Estas funções involuntárias são executadas sob a direção dos Espíritos da Natureza que têm a seu cargo a construção das formas minerais dos quatro reinos. As forças que trabalham pelo polo negativo controlam a eliminação e a excreção das toxinas e dos catabólitos. O Éter Químico é o construtor e o limpador. Podemos compará-lo à enfermeira, que alimenta, cuida e restaura a saúde, mas também limpa, purifica e elimina todos os detritos. Os Éteres Químicos e de Vida encontram-se e rodeiam as folhas e a vegetação apodrecidas, os corpos mortos do animal e do ser humano, até que a decomposição tenha destruído inteiramente os átomos físicos, que são devolvidos ao reino mineral.
O Éter de Vida é um fator determinante na propagação da espécie. As forças que atuam pelo polo positivo deste Éter, trabalham durante a gestação através da matriz colocada pelos Anjos no útero da mãe, para dar à luz um novo Ego. O sexo é determinado antes de que esta matriz seja colocada no útero. Se a matriz é constituída por átomos etéricos positivos, atraem para si átomos físicos de polaridade negativa, os quais constroem um corpo feminino; mas, se a matriz é feita de átomos etéricos negativos, então constrói um corpo masculino. O polo negativo do Éter de Vida permite ao macho produzir o sêmen.
Os cientistas estão lutando por compreender as leis que determinam o sexo. Até agora têm sido capazes de controlar em certo grau o sexo de várias espécies, mas, ao que se refere à onda de vida humana fica mais difícil. Se bem que seja possível trabalhar com as ondas de vida mais jovens, que estão sob o controle dos Espíritos-Grupo, devemos recordar que o ser humano é um ser individualizado e é o senhor de seu próprio destino. Seu destino, resultado das vidas passadas, está escrito no diminuto átomo-semente, do qual extraem os Anjos Arquivistas (ou Anjos do Destino ou Senhores do Destino) o núcleo para a matriz, que é feito especialmente para acomodar-se a cada Ego particular, quando este está pronto para o renascimento, e o sexo é determinado pela escolha feita quando o Ego está ainda no Terceiro Céu (na Região do Pensamento Abstrato). Portanto, um cientista com o fim de controlar o sexo de qualquer ser humano teria que ser sapientíssimo e poderoso, e começar a controlar as circunstâncias dos mundos internos e ainda das vidas anteriores ao presente renascimento desse Ego.
O Éter Luminoso e as forças que trabalham através do seu polo positivo geram calor e movimento; também controlam a circulação da seiva nas plantas, do sangue nas artérias e veias e do fluido rosado nos nervos motores. As forças que trabalham através do polo negativo fazem funcionar os sentidos, manifestando-se como funções passivas da sensação, audição, visão, olfato e paladar. Também constroem e nutrem os órgãos sensoriais (particularmente o olho) e seus correspondentes nervos. Esta é também a avenida de depósito para os pigmentos e matéria colorante, não apenas do sangue, do cabelo e da pele do animal e do ser humano, mas também das folhas e pétalas das plantas e das flores.
O Éter Refletor é a avenida através da qual a Mente do ser humano se comunica com o cérebro físico. Também registra ou reflete todos os acontecimentos que tenham sucedido, algum dia, nas vidas passadas e presentes do ser humano. Tudo faz uma impressão que é registrada sobre este Éter em forma de memória. Também reflete impressões e formas de pensamentos armazenadas na verdadeira Memória da Natureza, que se encontra nos reinos superiores. Existem, pelo menos, três principais níveis de memória: a memória subconsciente do Éter Refletor, que tem assento no sangue; a memória consciente no Mundo do Pensamento, mas que também é refletida no Éter Refletor, tratando estas duas classes de memória com a presente vida terrestre, e a memória supraconsciente no Mundo do Espírito de Vida, que pode evitar a Mente e impressionar ao Éter Refletor diretamente em forma de lampejos de intuição, tratando esta última classe de memória, essencialmente com as atividades das vidas passadas.
Até recentes décadas a Ciência tem conhecido muito pouco a respeito destes Éteres, mas várias de suas especialidades modernas, tais como a Astronomia, a Astrofísica, a Biologia, a Bioquímica, a Física Nuclear e as Ciências do Espaço para citar apenas algumas têm-se esforçado em estudar e compreender coisas tais como a transmissão da luz, a gravidade, as comunicações espaciais, a fotossíntese, a reprodução celular, a engenharia genética, a fusão nuclear, as estruturas subatômicas, e assim sucessivamente, as quais estão sob o ordenado controle dos Éteres. Neste último terço da Era de Peixes a Ciência vai se tornar mais forte e finalmente nos levará a redescobrir a perfeita ordem subjacente no Mundo Físico, revelando a maravilhosa sabedoria de Deus — seu Criador — com Quem logo devemos aprender a trabalhar e viver em harmonia.
Mediante orações repetidas e concentração tem sido atraídos os Éteres superiores ao Templo de Cura de Mount Ecclesia, e agora o banham, com um poder que aumenta a cada dia. Quando nos colocamos em sintonia, atraímos para nós um mar destes Éteres superiores e nos convertemos em poderosos agentes de Cristo e de seu bálsamo curador, para ajudar a humanidade. Assim como os atlantes tiveram que desenvolver os pulmões com a finalidade de respirar acima da atmosfera carregada de névoa, assim nós devemos desenvolver o Corpo Anímico, composto dos Éteres superiores, o que permitirá que nos elevemos sobre a densa atmosfera para flutuar à vontade, através dos Éteres, a fim de ajudar a humanidade que sofre.
Nossos astronautas do presente estão simplesmente indicando o caminho, e à falta de um Corpo-Alma devem colocar-se em um traje espacial. Contudo, quando regeneramos nossas vidas e com alegria nos damos para servir desinteressadamente à humanidade, construímos o novo traje espacial etérico, o Corpo-Alma, o qual rapidamente nos abrirá a Nova Fronteira do Espírito: o Espaço.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – Jul/Ago/88)
Pergunta: Se a mulher, que possui o Corpo Vital positivo, atingir um ponto evolutivo que lhe permita escolher um corpo, e ela escolher um Corpo Denso positivo, onde será contrabalançada a parte negativa?
Resposta: Para esclarecer melhor, precisamos compreender primeiramente que homem e mulher são designações que se aplicam apenas ao Corpo Denso, pois o sexo não se expressa da mesma maneira nos veículos superiores. Fixem firmemente a ideia que o Espírito que se manifesta nos corpos de ambos os sexos, que chamamos masculino e feminino, é assexual. No entanto, duas características do Espírito são particularmente postas em evidência quando ele cria seus veículos: vontade e imaginação, positivo e negativo, e eles manifestam-se, respectivamente, como masculino e feminino quando o Espírito alcança o Mundo Físico e constrói o corpo no qual atuará sob a orientação divina das Hierarquias Criadoras. O Espírito expressa alternadamente vontade e imaginação, para que se desenvolvam igualmente ao manifestarem-se em corpos masculinos e femininos. O equilíbrio, sendo imperfeito, é restabelecido ao receber um Corpo Denso positivo juntamente com um Corpo Vital negativo, e vice-versa.
Finalmente, quando chega o momento em que o Espírito — após ter passado pela escola da vida aprendendo suas lições — atinge um grau de evolução tão elevado que consegue um perfeito autocontrole ou harmonia, torna-se desnecessário garantir o pleno equilíbrio através das polaridades opostas no corpo. Então, o Espírito pode e toma para si um Corpo Vital positivo e um Corpo Denso positivo. Isso acontece com a maioria dos Iniciados, exceto quando, por razões especiais, eles acham vantajoso usar um Corpo Denso negativo. No entanto, em todo Iniciado o Corpo Vital é sempre positivamente polarizado, pois isso o torna um instrumento melhor e mais receptivo às vibrações oriundas do Espírito de Vida, do qual o Corpo Vital é uma contraparte.
(Perg. 71 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Milagres?
São Pedro não ressuscitou Dorcas, assim como O Cristo não ressuscitou Lázaro nem ninguém, o que aliás, Ele não pretendeu ter feito. Ele disse: “Lázaro não está morto: dorme”.
Para que essa asserção possa ser bem compreendida devemos explicar o que se passa por ocasião da morte e em que essa difere da letargia, pois as pessoas acima mencionadas estavam nesse estado na ocasião em que os supostos milagres foram executados.
Durante a vigília, enquanto o Ego age conscientemente no Mundo Físico seus diversos veículos estão concêntricos: ocupam o mesmo espaço. Contudo, à noite, durante o sono, ocorre uma separação: o Ego, revestido do Corpo de Desejos e da Mente, desliga-se dos Corpos Denso e Vital que ficam sobre o leito. Os veículos superiores flutuam próximo e acima deles. Estão ligados aos outros dois corpos pelo Cordão Prateado, um fio estreito e brilhante com três segmentos, onde dois deles tem a forma de dois seis invertidos e do qual uma das extremidades está ligada ao Átomo-semente no coração e a outra no Átomo-semente do Corpo de Desejos.
No momento da morte, esse fio desliga-se do coração. As forças do Átomo-semente passam pelo nervo pneumogástrico, pelo terceiro ventrículo do cérebro, através da sutura entre os ossos parietal e occipital, subindo aos veículos superiores que estão fora, por intermédio do Cordão Prateado. O Corpo Vital também se separa do Corpo Denso com essa ruptura (aliás é essa à única ocasião em que se dá essa separação) e junta-se aos veículos superiores que estão flutuando sobre o cadáver. Aí o Corpo Vital permanece cerca de três dias e meio. Depois desse tempo, os veículos superiores se desligam do Corpo Vital que começa a se desintegrar simultaneamente com o Corpo Denso, nos casos comuns.
No momento dessa última separação, o Cordão Prateado rompe-se pelo meio, no lugar da união dos dois seis, e o Ego encontra-se livre de qualquer contato com o mundo material (a Região Química do Mundo Físico).
Durante o sono, o Ego também se retira do Corpo Denso, mas o Corpo Vital continua interpenetrando esse último, e o Cordão Prateado permanece inteiro.
Acontece, às vezes, que o Ego não torna a entrar no corpo pela manhã, para despertá-lo como de hábito, porém fica fora durante algum tempo que varia. Nesse caso, porém, o Cordão Prateado não se rompeu. Quando ocorre essa ruptura, não será possível nenhuma restauração. O Cristo e os Apóstolos eram Clarividentes: sabiam que não tinha havido ruptura nos casos mencionados, e daí a afirmação: “Ele não está morto, dorme”. Eles possuíam o poder de obrigar o Ego a entrar no seu corpo e de restaurar as condições normais.
Assim foram feitos os supostos milagres.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jul/ago/88)
Pergunta: Já me disseram que não deveria abraçar pessoas que não conheço bem, porque no contato com o baço durante o abraço algumas pessoas “sugam”nossa energia; seria a energia do Corpo Vital?
Resposta: O baço por onde entra as forças vitais é o baço etérico e não o físico. E mesmo aquele não “participa” desse tipo de evento.
Não há nenhum problema em abraçar quem quer que seja, desde que você esteja bem espiritualmente. Semelhante atrai semelhante. Se, por acaso, você “sentir” algo desagradável é porque você não está firme na sua fé e na sua situação espiritual. Ore e trabalhe e verá que esse tipo de coisa que falaram não haverá ponto de contato em você.
Pergunta: Na medida que conseguimos evoluir nosso Corpo Vital vai deixando de ficar tão interligado com Corpo Denso naturalmente?
Resposta: Não. O desprendimento do Corpo Vital do Corpo Denso é feito por meio do treinamento esotérico e só começa depois que você persiste em fazer todas as noites o Exercício da Retrospecção e todas as manhãs o de Concentração, e no período entre eles, à noite, durante o sono e depois da restauração do seu Corpo Denso, você preste o serviço amoroso e desinteressado como Auxiliar Invisível Inconsciente por um bom tempo.
Concomitantemente, durante as horas de vigília – quando acordada – você se esforce para fazer os Rituais Devocionais (Exercícios Esotéricos), praticar no seu dia a dia os Ensinamentos Rosacruzes que você vai aprendendo e, por meio do serviço amoroso e desinteressado, anonimamente, prestado à divina essência dos irmãos e irmãs com quem você se relaciona, ser um Auxiliar Visível Consciente. Persistência, persistência e persistência é a chave para obter isso.
Resposta: Nós vivemos numa época de germes e soros. Supõe-se que cada doença tem seus micro-organismos, toma-se então um antídoto para prevenir ou para curar. Pode-se mesmo ser inoculado contra os resfriados, e se a operação for bem sucedida, estaremos imunes daqui por diante. Talvez, algum dia, todos os diferentes antídotos possam ser reunidos em um único “elixir vitae” que nos torne imunes à horda inteira dos temíveis germes! Realmente, que anômala é nossa condição. O ser humano conquistou o mundo inteiro e incutiu o terror nos corações de todas as criaturas que pôde alcançar por meio dos vários artifícios que inventou para sua destruição. Até mesmo grandes criaturas fogem diante dele com temor, mas ele próprio teme criaturas tão diminutas que só podem ser vistas com o auxílio de potentes microscópios. Esses pequenos micróbios são tão temíveis que alguns dos homens mais capazes dedicam a sua vida inteira no esforço de restringir suas devastações.
É verdade que os micro-organismos existem, e é também verdade que eles não conseguem estabelecer-se no organismo de quem esteja em estado normal de saúde. É somente quando, devido a outras causas, nossos corpos estão debilitados, que os germes da doença são capazes de instalar-se e iniciar seus processos destrutivos. As pessoas que estão radiantes de saúde, e empregamos esta frase em seu sentido literal, poderiam entrar sem o menor temor num isolamento para doenças infecciosas, mesmo que houvesse mais germes numa polegada quadrada do corpo dos pacientes do que habitantes na Terra. Enquanto essa pessoa conservasse sua saúde radiante, não seria infectada.
Para tornar mais claro o que queremos dizer com saúde radiante, devemos reiterar um fato que a ciência está começando a descobrir, isto é, que nossos corpos são interpenetrados pelo Éter em tal volume que em algumas circunstâncias ele se irradia do corpo. Qualquer pessoa que seja favorecida com uma visão espiritual vê, dentro do corpo físico denso, um outro veículo inteiramente semelhante, órgão por órgão, e formado de Éter. Vê também que, através do baço, entra um fluxo contínuo de força etérica vital que sofre uma mudança química no Plexo Celíaco, espelhando-se depois por todo o corpo como um fluido cor-de-rosa pálido com um leve matiz púrpura. Esse fluido etérico irradia-se de toda a periferia do corpo através de cada poro da pele, transportando consigo uma grande quantidade de gases venenosos gerados pela alimentação que tomamos, alimentação essa escolhida mais para agradar aos olhos ou ao paladar que pelo valor nutritivo que possa ter.
Essa radiação vital da força vital etérica é tão forte que não somente retira os venenos do corpo, mas impede também a entrada de organismos deletérios, seguindo o mesmo princípio que torna impossível a entrada de moscas e outros insetos num prédio através de uma abertura onde tenha sido instalado um exaustor de ar que envie a corrente aérea para o exterior. Tão logo pare o exaustor, o caminho está aberto às várias classes de insetos que infestam nossos edifícios. De modo semelhante, se por qualquer razão o organismo humano torna-se incapaz de assimilar uma quantidade suficiente de força vital, a fim de conservar sua emanação radiante, é também possível aos temíveis micro-organismos entrar e estabelecerem-se no corpo, onde começam suas devastações com posterior detrimento para a saúde. Em vista desses fatos, a prevenção das doenças resume-se em conservar o sistema desimpedido, de modo a permitir que a força vital radiante possa fluir sem obstáculos. Quando se instalam condições doentias, o processo curador deve ter o efeito de abrir os canais obstruídos para um melhor sucesso.
O Dr. Harvey W. Wiley, antigo diretor do Departamento de Química em Washington, disse, certa vez, que o melhor meio de curar um resfriado é apanhar um vidro de xarope contra a tosse, colocá-lo sobre a mesa do quarto do doente, abrir todas as janelas e atirar o vidro através de uma delas.
Em outras palavras, em lugar de xaropes e outros remédios para resfriados, devemos consumir ar fresco e puro em abundância. Sem dúvida alguma, há muita sabedoria nessa recomendação, mas não é inteiramente suficiente. Se ele tivesse dito: “Tragam também para o doente um bom desjejum, almoço e jantar e joguem tudo isso no mesmo lugar do vidro de remédio”, ele ter-se-ia aproximado mais do meio de curar uma gripe. Pode-se dizer, sem receio de contradição, que o maior número de doenças, que dizem ser herdadas pela carne, provém do excesso de comida, alimentação não adequada e mastigação insuficiente. Essa última talvez seja a maior de nossas faltas.
O Barão de Munchausen, o célebre campeão das mentiras, relata que quando visitou a Lua observou que seus habitantes cozinhavam os alimentos do mesmo modo que nós aqui na Terra, mas, em lugar de sentar-se a uma mesa e comê-los aos poucos, eles simplesmente abriam uma portinhola no lado esquerdo do corpo e colocavam por ali a comida no estômago. Ainda não chegamos a esse ponto, mas estamos muito próximos. O modo pelo qual o americano médio engole sua comida é simplesmente deplorável, para não dizer outras coisas. As casas de refeições rápidas, com seus assentos incômodos onde é impossível descansar e relaxar o corpo enquanto se tomam aquelas pseudorrefeições, são uma ameaça nacional. Todos os que se sentam nesses lugares parecem estar dispostos a bater um recorde de deglutição da maior quantidade de alimentos no espaço de tempo mais curto possível. Os métodos abomináveis de preservar tudo em gelo durante meses a fim de que certos intermediários e atacadistas possam fazer os preços subir, só aumentam os perigos da má saúde, que ameaçam toda a comunidade num mundo chamado civilizado, onde esses discutíveis métodos modernos estão em voga. Com esses alimentos “puros” sobrecarregados de venenos, nós nos esforçamos em construir nossos corpos e isso, como é bem sabido, é feito pela transformação desse alimento em sangue, sendo o resto eliminado como excreções.
É hábito da profissão médica zelar para que a eliminação dos resíduos se faça corretamente, não importa qual seja a doença. Qualquer pessoa que queira cortar um resfriado deve necessariamente imitar esse método sábio e providenciar para que a função excretória se efetue corretamente e seja estimulada ao mais alto grau possível, pois essa é uma medida importante de livrar o sistema e torná-lo capaz de deixar o fluxo de força vital escoar-se através dele novamente. A outra porção de alimento que se transforma em sangue não permanece no estado fluídico, mas evapora-se, ou melhor, eteriza-se de acordo com o desenvolvimento do Ego em cujo corpo ele flui. Ele se escoa através de todo o corpo, como o vapor através de uma caldeira, e quando entra em contato com o ar frio através dos poros obstruídos por uma quantidade supérflua de veneno alimentar e parcialmente anestesiados a ponto de não responderem aos impulsos nervosos que tendem a fechá-los parcialmente contra o frio, o sangue liquefaz-se total ou parcialmente, e torna-se um obstáculo e um empecilho àquela outra parte da corrente sanguínea que não está afetada. Como resultado, são gerados micro-organismos que formam a indisposição que sentimos como um resfriado.
Uma pessoa ferida que perde uma certa quantidade de sangue sente-se fraca. Isso também acontece com as pessoas cujo sangue enregelou-se, e aquele que tem um resfriado deve despender maior esforço a fim de expelir os resíduos nocivos antes que possa curar-se. A glutonaria, a má alimentação e a mastigação defeituosa não são as únicas causas dos resfriados. É um fato bem conhecido por todos os ocultistas, que tudo o que há no mundo visível é a manifestação de algo que pré-existia nos reinos invisíveis da natureza, e o resfriado não é uma exceção à regra. Quando sabemos que há uma imutável Lei de Causa e Efeito, e que não pode haver efeito sem uma causa adequada e subjacente, poderemos verificar facilmente a verdade dessa asserção. É também certo que nada nos ocorre sem que o tenhamos merecido, portanto, se procurarmos as causas no reino invisível, verificamos que elas têm, naturalmente, algo a ver conosco.
O resfriado que sentimos aqui e que nos é tão desagradável, é um resultado de algo que existia dentro de nós previamente, mas o quê? A essa pergunta podemos responder confiantes que nossa própria atitude mental é um fator de suma importância no estado de nossa saúde. Esse fato é bem conhecido por toda a ciência médica e por todos os observadores. Verificaremos que uma pessoa que é sempre otimista, que está sempre alegre, pronta a expandir-se num largo sorriso, será particularmente imune a resfriados ou a outras doenças. Pelo contrário, uma pessoa que tem a boca caída e o rosto fechado, que está sempre se aborrecendo com coisas que nunca se realizam e persistentemente toma uma atitude de raiva e malignidade contra seus inimigos imaginários ou reais, com essa atitude mental encolhe-se numa casca e impede a assimilação das forças etéricas vitais radiantes. Ela é, portanto, uma presa fácil das doenças que acometem a carne. Não poderá ser curada nem por toda a medicina antes que abandone seu modo negro de encarar a vida.
Os dois casos citados são naturalmente extremos, há todas as gradações, bem como misturas das duas naturezas. É fácil verificar, contudo, que a saúde de uma pessoa varia quase na mesma razão com que varia seu modo de enfrentar a vida.
Das notas precedentes podemos deduzir o seguinte: a melhor proteção da saúde é uma atitude otimista do espírito, que deve encarar a vida sem temor e ver em cada pessoa um amigo.
Deve haver também discriminação e circunspecção na escolha dos alimentos. Devemos evitar os excessos. É melhor comer pouco do que muito, e devemos exigir um assento confortável onde possamos relaxar o corpo enquanto mastigamos lentamente nossas refeições.
Devemos também dar bastante atenção ao assunto da eliminação, e quando ela não estiver normal, certos alimentos ricos em celulose poderão reconduzi-la a uma ação perfeita.
Resumindo: devemos cultivar a alegria e ser moderados na alimentação. A jovialidade, a temperança ao comer e a eliminação correta, formam uma composição que curaria todas as doenças que afligem a carne.
A ciência está aprendendo, gradualmente, as verdades anteriormente ensinadas pela ciência oculta, e sua atenção está sendo voltada para as glândulas endócrinas, que lhes darão a solução de muitos mistérios. Contudo, não parecem estar inteirados ainda de que há uma ligação física entre o corpo pituitário, o principal órgão de assimilação e, portanto, do crescimento, e as glândulas suprarrenais, que eliminam os resíduos e assimilam as proteínas. Elas também estão ligadas fisicamente com o baço, o timo e as glândulas tireoides. Nessa ligação, é significativo, do ponto de vista astrológico, que o corpo pituitário é regido por Urano, que é a oitava superior de Vênus, o regulador do Plexo Celíaco, onde está localizado o Átomo-semente do Corpo Vital. Desse modo, Vênus guarda a entrada do fluido vital que nos vem diretamente do Sol através do baço, e Urano é o guardião da porta de entrada do alimento físico. É a função dessas duas correntes que produz o poder latente armazenado em nosso Corpo Vital, até que seja convertido em energia dinâmica pela natureza marcial do desejo.
(Pergunta 51 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas Vol. II, de Max Heindel)
O Hipnotismo, um cerceamento e violência à sagrada liberdade individual
Nos ensinamentos que promulga, a Fraternidade Rosacruz leva acima de tudo a liberdade humana. Sua mensagem é, sobretudo, de libertação. Como o hipnotismo representa um cerceamento e violência a essa liberdade, a Fraternidade Rosacruz o desaprova terminantemente. Porque o hipnotismo é um cerceamento e violência à sagrada liberdade individual, explicaremos no decorrer desta exposição.
Muitas pessoas, ao tomar seu primeiro contacto com a Fraternidade e receber as instruções preliminares, estranham que vedemos a inscrição a hipnotizadores, médiuns, videntes, quiromantes e astrólogos profissionais. Explicamos: são práticas que agridem a liberdade do espírito interno, que mercantilizam e prostituem forças divinas. Isso dizemos porque a realidade mesma, observada dos planos internos, nos autoriza a proteger a boa fé e ignorância de muita gente a respeito desses assuntos.
Do ponto de vista da ciência materialista, o ser humano é considerado simplesmente como algo físico, um corpo organizado, não um ser espiritual a manipular uma complexa instrumentação mental, emocional, etérica e química. Esses conceitos materialistas são divulgados tanto nos livros e escolas que, ao atingirmos a fase adulta e começarmos a estudar o ocultismo, surpreendemo-nos muitas vezes com a insidiosa influência dessas ideias, gravadas em nós desde a infância. Sabemos da Bíblia, aprendemos catecismo em pequenos, ouvimos muitas vezes as inúmeras e claríssimas asserções de que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, de que a vontade de Deus é que atinjamos a perfeição, de que as coisas que o Cristo fazia nós as faremos também e maiores obras ainda, além de um sem número de afirmações, segundo as quais vemos que somos seres espirituais, herdeiros das promessas divinas. No entanto, passemos os olhos ao nosso redor. Vejam quanta gente agitada, convulsionada, nervosa, lutando desesperadamente numa competição muitas vezes injusta, anticristã, no afã de quê? Ficar rico? “Gozar” a vida? “Assegurar” o futuro? Onde a fé, onde a confiança em Deus, onde a convicção de que, à morte, tudo deixamos aqui, levando apenas a essência do que tenhamos FEITO de bom ou de mau?
É lógico que ninguém poderá fazer as coisas que o Cristo fez e obras maiores ainda, segundo nos afirmam os Evangelhos, se não for pelo renascimento, que permite o aperfeiçoamento gradativo, pois ninguém pode realizar esse gigantesco intento em uma só existência. É lógico que, se há “céus”, se há um plano imaterial, suprassensível, um mundo invisível aos nossos olhos físicos, esse mundo que é a origem de tudo, o mundo das causas, nenhum assunto poderá ser inteiramente considerado e compreendido, se não for abordado em seus aspectos físico e espiritual, devendo haver entre ambos os aspectos inteira coerência, pois no reino de Deus não existe contradição.
Com esse preâmbulo, voltemos ao tema do hipnotismo.
Que é ele?
Consiste em, por meio de passes à cabeça ou por meio de toques em certos pontos vitais, EXPULSAR o éter da cabeça da vítima, introduzindo ali, em substituição, por meio da vontade, o próprio éter (do hipnotizador). Nessa condição, fica o paciente privado de consciência, do crivo da razão, que o torna ser humano, ser racional, capaz de analisar, rejeitando ou aceitando o que lhe é proposto. No transe hipnótico, temos de obedecer ao que nos for ordenado. Depois a “ordem” ficará gravada através de um pequeno resíduo do Corpo Vital do hipnotizador na medula oblonga da vítima, como elos, como cordéis pelos quais o hipnotizador poderá atuar na vítima enquanto viver. O hipnotismo é perigoso, mormente nas mãos de pessoas inescrupulosas. Difundido como está, infelizmente até por certas escolas ditas espiritualistas, pode ser um instrumento de domínio, de exibição de falsos poderes, com propósitos egoístas, dando geralmente causa à idiotia em vida futura. Muitos Egos, privados numa vida de seu livre arbítrio, vinculados e aprisionados num corpo demente, de cérebro deformado, sem possibilidade de expressão natural, mostram as causas de sua enfermidade nos maus aspectos de Netuno, que rege as faculdades espirituais. Embora não seja uma forma grave de magia negra, traz essa consequência num destino maduro. Contudo, por isso não devemos concluir que todos os casos de idiotia congênita se devem a essas práticas em vidas anteriores, porque existem outras causas.
Para se ter uma ideia próxima de como se desloca a parte etérica, tomemos o exemplo de um fenômeno comum, como o do adormecimento de um braço ou de uma perna. Uma posição forçada, dificultando a livre circulação do sangue e do fluido vital, provoca o deslocamento do Éter. Em tais casos, vemos o braço ou a perna etéricos flutuando sobre o braço ou a perna material, respectivamente, até que, pela normalização da circulação do sangue, os pontos vitais de novo se introduzem no membro, dando causa, com sua entrada, àquela sensação de “formigamento”. No caso da hipnose, não se dá o formigamento porque a parte vital retirada da cabeça é substituída imediatamente por éter do hipnotizador, durante o transe.
Muitos objetam, embora, sabendo disso, que em certos casos o hipnotismo se justifica, como, por exemplo, na medicina ou em odontologia, para tirar o dente, sem dor, de pessoas que têm alergia por injeções, que têm males de coração, etc. As correntes médicas especializadas no assunto se dividem, pró e contra sua aplicação. A maioria dos psicanalistas já condenou o seu emprego nas sessões, para descobrir a causa dos traumas. Julgam eles, mui acertadamente, que o paciente deve ter consciência da causa e por si mesmo, com orientação do médico ou sem ela, erradicar o trauma.
Do ponto de vista oculto, é evidentemente errado tratar de curar um hábito, como o da bebida alcoólica, pelo hipnotismo. Encarado do ponto de vista de uma só vida (daí a ciência material e as igrejas cristãs populares muitas vezes concordarem com o hipnotismo) o tratamento pela hipnose pareceria justo e eficiente. Senta-se o paciente numa cadeira, faz-se-o dormir e dão-se-lhe certas sugestões. Desperta-se-o e quando se põe de pé, já está curado de seu mau hábito. De alcoólatra que era, converte-se num cidadão respeitável, que cuida bem de sua esposa e filhos e segundo todas as aparências o benefício obtido é inegável.
Mas se contemplamos as coisas do ponto de vista mais profundo, o do ocultista, que vê os dois planos e contempla esta vida como uma dentre muitas, que toma em consideração o efeito causado nos veículos invisíveis dessa pessoa, então o caso é completamente diferente. Quando se submerge uma pessoa no sono hipnótico, na forma já descrita, além de privá-la da livre escolha, impõe-se-lhe uma ordem, não uma simples sugestão e o paciente não tem outro remédio senão obedecer, mormente quando se repetem os transes, porque fica um resíduo do manipulador, para agir dentro do indivíduo. É como que, para usar uma comparação, uma pequena parte do magnetismo infundido num dínamo elétrico, que nele fica sempre e com o qual pode ser posto em movimento. Assim, o resíduo etérico do hipnotizador, dentro da vítima, cresce em proporção e poder, com a repetição dos transes a que for submetido pela mesma pessoa. Concluímos, pois, que a vítima de um hipnotizador não vence um mau hábito por sua própria vontade e força, senão pela imposição da vontade de outra.
Quando regressa à terra, em próximo renascimento, terá as mesmas debilidades que não venceu e terá de novamente lutar consigo mesmo, até vencer-se.
Alguém poderá contestar que uma sugestão não prejudica, pois, a vida inteira passamos a receber sugestões por meio de livros, de cinema, de pessoas, etc. Mas é um caso muito diferente, porque em tais circunstâncias a pessoa está de posse de sua razão, com direito de aceitar ou rejeitar a sugestão. Se se trata de uma pessoa de forte personalidade, diante de outra, de vontade débil, essa sugestão poderá assumir quase o caráter de uma imposição. Mas essa influência a moverá somente quando atender-lhe à natureza. Uma pessoa comum, numa assembleia onde todos estejam vibrando em uníssono numa mesma ideia, ou num comício onde um líder consiga inflamar a maior parte dos ouvintes com suas ideias, ou numa parada patriótica onde se exaltem os sentimentos de patriotismo, poderá afetar-se momentaneamente, deixar-se levar pela força da egrégora. Mas depois, consigo mesmo, voltará à tônica de seu modo de ser. No hipnotismo é diferente: fica uma influência, uma imposição estranha.
Por oportuno, lembremos o que diz Max Heindel em “O Conceito Rosacruz do Cosmo”, obra básica da Filosofia Rosacruz: “O método Rosacruz difere de todos os outros métodos num ponto especial: procura, desde o princípio libertar o aspirante de todas as limitações internas e externas, ajudando-o a conquistar o pleno domínio de si mesmo, pois só em tais circunstâncias poderá “efetivamente ajudar os demais”. Já soubemos de outras organizações com nome de Rosacruz, (não a de Max Heindel, ligada aos Irmãos Maiores da Ordem), que facilitam meios de exercer poder sobre os semelhantes. Do ponto de vista oculto e do Bem, é repreensível, mas os Irmãos Maiores têm isso a seu cuidado, como guardiães e vigilantes de tudo o que é perigoso na evolução humana. Cumprimos nosso dever, esclarecendo quando necessário, deixando o mais a cuidado desses excelsos Seres, vanguardeiros Guias da Onda humana.
Foram os próprios Irmãos Maiores que, no tempo que julgaram oportuno, anunciaram indiretamente ao mundo a força do pensamento e deixaram entrever o mecanismo do subconsciente, muito antes de Freud. Foram eles que mandaram Mesmer, o qual foi tremendamente ridicularizado pelos postulados que pregava. Só quando os materialistas, trocando o nome da forca descoberta por Mesmer, deram ao mesmerismo o nome de “hipnotismo” é que se tornou “científica”. Em verdade, resta ainda muito a aprender e desaprender aos atuais indivíduos da ciência materialista. Podem eles lutar até o último momento contra o que, zombando, qualificam de “ideias ilusórias” dos ocultistas. É só questão de tempo; terão de aceitar e admitir todas as suas verdades, uma a uma.
“Os pensamentos são coisas”, é uma força atualmente incalculável. À medida que a razão se for desenvolvendo, controlando mais e mais os impulsos do Corpo de Desejos e o altruísmo for assegurando um legítimo emprego a todos os poderes latentes do ser humano, alcançaremos o mérito de utilizar esse poder maravilhoso, mas sempre para o bem e sem imposição a ninguém.
Siegfried, símbolo da alma avançada, na mitologia nórdica, estava armado para a batalha da vida com a espada “nothung” (a coragem do desespero) com a qual combateu e venceu os dois dragões da cobiça e do credo. E tinha outra arma, que nos tempos modernos podemos chamar de poder hipnótico: Tarcap, o capacete da ilusão, que permitia a quem usasse aparecer aos outros na forma que desejasse. E para fazer uso desse poder lhe foi dado também, por Brunhilde, o espírito da verdade, seu cavalo alado, Grane, o discernimento, graças ao qual podemos distinguir o erro da ilusão. Aí está porque nós devemos tornar primeiramente merecedores, por nossa formação moral, de utilizar esses e outros poderes do espírito. Eis, também, porque não podemos aceitar em nosso seio aqueles que propositada e egoisticamente fazem deles uso pervertido.
Para finalizar, damos um meio de empregar legitimamente a força do pensamento, em casos de pessoas que precisam de auxílio extra. Tal auxílio é prestado durante o sono natural, quando o Ego, envolto pela Mente e o Corpo de Desejos sai do corpo físico e geralmente flutua sobre ele ou permanece em sua vizinhança, ligado pelo cordão prateado, enquanto os Corpos Denso e Vital se restauram, no leito. Nessa oportunidade é possível influenciar a pessoa adormecida, inculcando-lhe no cérebro pensamentos e ideias que lhe queremos comunicar. Contudo, não se pode conseguir que ela faça algo ou que acolha qualquer ideia que não esteja de acordo com suas próprias tendências habituais. É impossível ordenar-lhe que faça algo ou obrigá-lo à obediência porque durante o sono natural seu cérebro está interpenetrado por seu próprio Corpo Vital e tem perfeito controle de si mesmo. Não há, aí, desrespeito ao livre arbítrio da pessoa. Já no sono hipnótico, os passes do hipnotizador lançam fora do cérebro o Éter da cabeça, que fica então sobre os ombros da vítima como um colar. Então o cérebro está aberto ao Éter do Corpo Vital do hipnotizador, que toma o lugar do Corpo Vital da vítima. De sorte que no sono hipnótico a vítima não pode escolher nem quanto às ideias, nem quanto aos movimentos de seu corpo, porque é o cérebro que dirige os nervos e músculos voluntários e então, está manipulado por Éter estranho. No sono natural, o Ego é o agente completamente livre. Na realidade, esse método de sugestão durante o sono é sumamente importante para as mães que têm filhos rebeldes e refratários e para as esposas de viciados rebeldes, de vontade fraca. Para tratar dessas pessoas, assenta-se ao lado da pessoa adormecida e (se possível, tomando-lhe uma das mãos) fala-se suave e audivelmente com ela, inculcando-lhe no cérebro as sugestões convenientes. Ao despertar e principalmente com a repetição (há mais facilidade, naturalmente, com as pessoas de sono pesado) verá que muitas dessas ideias lançaram raízes no subconsciente, de uma forma eficaz, porque muitas pessoas detestam conselhos e reprimendas e desse modo se lhes faculta seguir a própria deliberação. Igualmente se pode tratar assim de pessoa enferma, quando carece de otimismo, coragem, fé e outros valores importantes na cura. Sabemos que isso pode ser usado para o mal, mas não mantemos o segredo porque acreditamos que o bem que se pode realizar com esse método sobrepassará em muito o prejuízo que uma ou outra pessoa malvada possa ocasionar. Além do mais, a lei de causa e efeito se incumbe de pôr os irresponsáveis, pela dor, no devido caminho.
(Publicado na revista Serviço Rosacruz de maio/1966)
Muito se tem falado e escrito sobre o sangue redentor, derramado no Gólgota, em holocausto aos nossos pecados. Tal é a versão do cristianismo popular e não chegamos a compreender como o simples ato de derramamento de sangue de um mártir, tenha alcançado tão grande repercussão. Houve muitos mártires, antes e depois de Jesus-Cristo. Por que o sacrifício deles foi diferente? Ou estes sacrifícios não foram aceitos? Sabemos que muitos desses mártires foram canonizados e, portanto, foram reconhecidos. Qual, então, a diferença?
A explicação está no lado oculto, exposto pelo Cristianismo Esotérico. Oculto porque ainda não pode ser compreendido pela massa; no entanto, a disposição daqueles que se disponham a conhecer com mais profundidade os mistérios do Cristianismo.
O sangue é a mais alta expressão do Corpo Vital e através dele se manifesta o Espírito interno. Se, através da Filosofia Rosacruz, observamos os reinos em evolução na Terra, vemos que o sangue acompanha os níveis evolutivos.
No reino Vegetal o sangue é a seiva, cheia de força vital. Sua circulação depende do polo positivo do éter luminoso, que vem da luz solar. Na primavera e verão a circulação da seiva é ativa e promove a vida na planta, ajudando-a a retirar os meios de sobrevivência do solo, encaminhando-os para os galhos. Essa atividade é governada pelos Espíritos-Grupo dos vegetais, os Anjos, que são hábeis manipuladores da vida. Eles é que se incumbem de alimentar as partes carentes das plantas, mandando mais água às ramagens quando o demasiado calor ameaça queimá-las; e dosam a água em clima ameno. Quando vem o outono a seiva diminui e no inverno chega a paralisar-se (nos países frios) por falta de luz solar.
No reino animal, os insetos apresentam a circulação de um líquido, a linfa. Não têm Corpo de Desejos e sua ação é dirigida pelos Espíritos-Grupo dos Animais, os Arcanjos, cuja sabedoria explica a extraordinária ordem comunitária que se nota nos formigueiros e colmeias, etc.
Os animais de sangue Vermelho e frio (peixes, anfíbios e répteis) são mais evoluídos que os insetos e já possuem Corpo de Desejos separado, sentindo emoções, se bem que num grau pequeno. Menos dependentes dos Espíritos-Grupo Arcangélicos.
Os animais de sangue vermelho e quente (aves, mamíferos) sentem mais plenamente. Estão ainda menos dependentes dos Espíritos-Grupo. Os animais superiores (mamíferos), principalmente o cão, o cavalo etc., estão perto da individualização: seus espíritos individuais já estão parcialmente dentro da forma.
O ser humano passou por estágios semelhantes, pois as condições jamais se repetem, havendo a tendência geral de melhora constante, devido as espirais que se elevam.
E quando fizemos a transição para o reino humano, em fins da época Lemúrica, libertamo-nos da influência do Espirito-Grupo, o que amenizou sua orientação, passando a atuar como Espíritos de Raça. A influência do Espírito de Raça e através do ar da respiração.
Ele paira sobre a região ou país que rege, através do ar, unificando as aspirações de seus protegidos e insuflando-lhes o amor racial (nacionalidade), o patriotismo, etc. Essa transição, de Espírito-Grupo para Espírito de Raça é marcada por uma transformação sanguínea: o sangue do animal é nucleado; através do núcleo o Espirito-Grupo exerce influência direta. Quando passámos para o Reino Humano, o sangue continuou nucleado até meados da Época Atlante, porque não tínhamos o sangue quente. Só quando se liberou o ferro marciano para formarmos a hemoglobina do sangue é que preenchemos os requisitos de Espírito individualizado (laringe vertical, caminhar ereto, fígado e sangue quente). Entramos nos corpos e começamos a vida individual, eliminando os núcleos sanguíneos de influência externa e iniciando nosso livre arbítrio.
Daí por diante, na medida da evolução, o sangue se vai tornando, cada vez mais, uma expressão individualizada. Chegará a um ponto em que a transfusão será impossível, devido à elevada individualização.
O plano evolutivo se desenvolve sempre com recapitulações maiores e menores. É o que observamos. Sabemos que na fase inicial, o feto humano tem sangue nucleado, porque seu desenvolvimento depende exclusivamente de trabalho externo. Quando o espírito penetra no ventre materno, entre 18 e 21 dias após a concepção, ele começa a dissolver os núcleos do sangue, até que este seja uma expressão individual. Ao nascer, não tendo capacidade para formar os corpúsculos sanguíneos, recolhemos na glândula Timo os corpúsculos fornecidos pelo sangue de nossos pais, para servirem de base na formação do sangue individual. Por isso a glândula Timo é grande na criança que nasce. Depois, a medida que vamos utilizando a essência do sangue dos pais, até chegar a puberdade, ela vai diminuindo. Nesse período a criança, devido a influência do sangue dos pais, tem muita afinidade com eles, sente tudo o que se passa com eles: é a ligação sanguínea. Ao chegar a puberdade, a criança começa a formar seu sangue através da medula óssea e Marte começa a atuar em seu horóscopo individual, dando nascimento ao Corpo de Desejos e início à personalidade, desligando o filho dos pais e explicando porque se vai ele tornando bem diferente deles. É um período de autoafirmação e de conflitos com os pais, mormente quando estes são muito protetores. Ao chegar aos 21 anos (início da capacidade mental individualizada), a Mente regula a temperatura sanguínea para estabelecer normalidade na ação do Espírito interno.
Esta fase, do nascimento à maioridade (21 anos) é uma recapitulação do período evolutivo em que, libertados da ação do Espírito-Grupo, tínhamos, contudo, a influência familiar muito forte. Havia a endogamia (casamento em família, união entre irmãos). O sangue era comum, homogeneizado, para conservar a união da Tribo. Isto fazia com que fôssemos clarividentes involuntários: através do sangue comum guardávamos a lembrança dos ancestrais desencarnados, conservando essa linha de experiência da Tribo (daí a palavra linhagem). Isso explica porque a Bíblia afirma terem os patriarcas vivido centenas de anos. Não que pessoalmente tenham vivido tanto; é que suas experiências se conservaram através dos descendentes.
Quando o casamento começou a ser feito fora da tribo, essa memória interna desapareceu e se diz que os Patriarcas (os cabeças das linhagens) ”morreram”. Desde em tão o casamento em família foi considerado com horror e no Oriente proibiam uniões de parentes próximos, estabelecendo que os primos se chamassem irmãos, para que, na convivência, não pensassem em casamento. No entanto, alguns povos persistiram algum tempo no hábito da endogamia (casamento dentro da Tribo), o que retardou a sua evolução. Os ciganos, com esse hábito, até hoje guardam certa clarividência negativa.
Enquanto essa influência tribal era diluída aos poucos, ainda seus membros tinham certa ligação entre si. Um sinal dessa ligação é o hábito dos sufixos: ”son”, “daughther” (Johnson, Stevenson, Mary-daughter). Pela influência do sangue, a família estava acima do indivíduo e este se sentia, antes, um filho de fulano, do que ele próprio.
Nas Américas não temos Espírito de Raça. Estamos exercitando uma individualidade sadia, não movida pelo egoísmo separatista, em detrimento da ordem social e dos interesses familiares, senão uma ação individual autêntica, fraternal e colaboradora, pela união divina e não sanguínea, como objetiva o Cristo: “um só rebanho e um só pastor” – uma família universal, pelos laços do Cristo interno que identifica superiormente os homens, acima dos preconceitos e influências do sangue, da raça, da cor, da classe, da religião etc.
Que a evolução pode ser contada pela história do sangue, é uma experiência que hoje podemos comprovar em laboratório, pela hemólise: se inoculamos sangue humano em uma ave, ela sucumbe, porque a consciência humana, muito mais evoluída, presente no sangue inoculado, no esforço de afirmar-se e libertar-se, mata a ave, incapaz de superá-la. Que a consciência ou alma está no sangue, a Bíblia o confirma em Levítico 17:14: “A alma de toda a carne está no sangue”. Ora, se a alma é a expressão de nosso nível evolutivo e está presente no sangue, compreendemos que o sangue se transforma na medida de nossa evolução. Ainda mais, todo nosso comportamento se reflete no sangue. Harvey, o descobridor da circulação sanguínea, afirmou que uma circulação deficiente ocasiona enfermidade. O ocultismo vai muito além. Ele diz que uma vida moral, sadia, otimista, torna o sangue limpo e ativo. Contrariamente, uma vida imoral, pessimista, ansiosa, suja o sangue e torna a circulação pobre. A astrologia confirma que os bons Aspectos de Júpiter e Vênus asseguram boa circulação arterial e venosa, enquanto os Aspectos adversos indicam sangue pobre, sujo, circulação deficiente.
Ora, Júpiter rege a benevolência, o otimismo, o altruísmo, o idealismo, etc. Vênus governa a coalizão, o amor, a compreensão, a adaptabilidade, etc.
Se o sangue é puro e a circulação ativa, a ação do Espirito nos corpos é muito mais eficaz e sua evolução mais rápida. Como a memória está no sangue, que registra as cenas pelo éter da respiração, ao pensar o sangue aflui ao cérebro e leva para lá todas as imagens d’a memória, possibilitando um perfeito correlacionamento de ideias e de recursos internos. Um sangue puro defende perfeitamente o sistema, promove normal digestão e assegura harmonia geral do corpo. Como decorrência, sendo a mais alta expressão do Corpo Vital, começamos a torná-lo mais positivo e refinado, podendo ter acesso à memória supraconsciente e de lá trazer ao coração, como intuição, a sabedoria interna.
E o sangue impuro? Cheio de impurezas, de medo, de ira, frequentemente provoca anormalidades físicas, morais e mentais. O medo retrai o sangue para o interior do corpo, provocando a palidez, fazendo cair a temperatura do sangue até a ponto de expulsar o Ego. A ira esquenta o sangue e igualmente chega a expulsar o Espirito interno, que não pode agir senão em equilibrada temperatura sanguínea, já que seu ”assento” no corpo é o sangue.
O tema do sangue assume, assim, um caráter geral. O sangue redentor deve acontecer em cada um de nós, pela gradual libertação de todos os fatores externos. Em tal ascese, nossa consciência se expande e ocorre uma transformação física: o coração começa a formar estrias e a tornar-se cada vez mais controlado pelo Corpo Vital, ou melhor, controlado pelo Cristo interno que atua do Espirito de Vida, através de sua contraparte, o Corpo Vital. Então o Cristo interno poderá dirigir a circulação sanguínea para ‘os centros espirituais e a desvia-la dos centros do egoísmo, para redimir-nos da “queda”.
De fato, quando o gênero humano descambou, houve uma transformação em seu sangue e circulação. O sangue passou a fluir mais para o hemisfério esquerdo, onde estão os centros do egoísmo, do personalismo. A isto a Bíblia refere alegoricamente, dizendo que queríamos construir uma torre que fosse até o céu: a torre de Babel.
Babel ou Babilônia significa contusão, que o Senhor estabeleceu entre os trabalhadores da Torre, para que não pudessem termina-la, fazendo com que cada um falasse uma língua diferente. Quer dizer: jamais podemos alcançar a realização espiritual (o céu) através do meio separatista do egoísmo (a língua do personalismo).
Com a libertação individual, que afeta o sangue, o coração, dirigido pelo Divino interno, poderá aos poucos alimentar com o sangue os centros de altruísmo localizados no hemisfério direito cerebral, que esotericamente chamamos: ”A Nova Jerusalém” – o novo lugar de onde nos virá a paz interna. Essa Nova Jerusalém é citada no livro da revelação de João Evangelista (Apocalipse) como “a noiva ataviada que desceu dos céus” para o casamento com o cordeiro (requisito para a Iniciação).
Através dos graus Iniciáticos menores o sangue sofrerá ainda outras mutações, até que desapareça todo vestígio de humanidade, de ignorância, de erro. É o símbolo da degola de João Batista, quando foi sucedido pelo Cristo. Enquanto estivermos na personalidade (João Batista) deveremos nascer do ventre materno (nascer da água da placenta). É o iniciado menor, “chamado filho de mulher.
“Dos filhos de mulher – disse Cristo – João Batista é o maior” (quer dizer que ele devia ter alcançado a 9ª Iniciação Menor). “Mas o menor no Reino dos Céus (a primeira Iniciação Maior, já é ”Filho do Homem”, porque não tem mais necessidade do ventre materno para formar seus veículos: domina as leis da Terra e manipula as forças do metabolismo para constituir seus veículos, por método alquímico) é maior do que João”.
Voltando, agora com estes recursos de compreensão, ao sangue redentor de Jesus-Cristo, que tinha ele de diferente?
Jesus, embora tenha nascido de Maria, passou pelas Iniciações Maiores no seu preparo de 30 anos. Era o Ser mais evoluído entre nossa humanidade. Com isto ele atingiu o centro de nosso Planeta e entrou em ligação com o Espírito Planetário. Só Ele podia ter um sangue, cuja consciência podia servir de veículo ao Cristo para adentrar nosso Planeta, até o Centro e, de lá o Cristo purificar este Globo conspurcado pelas paixões acumuladas dos homens. Nenhum outro sangue poderia fazê-lo, porque a evolução está no sangue e a consciência de Jesus tinha atingido o Centro do Globo. Logo, só este sangue poderia servir de veículo ao Cristo, no grande ato redentor da humanidade. E aquele Corpo Vital sublime permaneceu, para meio de ingresso ao planeta, quando o Raio Crístico retorna pelo Natal, todos os anos.
Se você, caro leitor (a), estudou mesmo o ”Conceito Rosacruz do Cosmos”, poderá meditar proveitosamente sobre este artigo, a fim de ponderar a grande responsabilidade de sua vida, de seus pensamentos, emoções, palavras e ações, na espiritualização de seus corpos, na transubstanciação de seu sangue, até que possa atingir o centro mesmo de seu SER.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro de 1976)
Caráter é destino. Nunca será demais repetir essa verdade. Afinal, ela diz respeito aos nossos interesses mais íntimos.
Todo ser humano alimenta o desejo de construir para si um destino harmonioso e equilibrado. Não vamos falar em “destino feliz”, porque o conceito de felicidade é muito relativo, variando até, sem exagero nenhum, de pessoa para pessoa. Cremos, portanto, na harmonia e no equilíbrio como o binômio ideal na constituição de um destino.
Esse binômio é atingível? Afirmamos que sim, embora poucos o tenham conseguido.
Todo ser humano anseia por um porvir agradável, sem, contudo, imaginar que ele se condiciona a um caráter bem formado. Ora, somente pelo manejamento adequado das causas, pode-se alterar os efeitos. Todo destino é, em última análise, uma gama de efeitos. Daí ser fácil concluir-se: se almejamos um futuro equilibrado, cuidemos, antes de mais nada, do nosso caráter.
Mas como fazê-lo? Em primeiro lugar, analisando-o.
E como analisá-lo? Max Heindel indica-nos um meio seguro de fazê-lo: o exercício noturno de Retrospecção. É uma forma prática de autoconhecimento.
Conhecidos nossos traços de caráter, em suas profundezas, é bom ressaltar, cabe-nos o segundo e mais importante passo: a reforma.
Não se julgue, todavia, que a correção requer luta tenaz contra o mal. Nada disso.
Resistindo-se-lhe só lograremos, para nosso desespero, reforçá-lo ainda mais. É um erro lamentável julgar que todo malefício provém do exterior. Se não há mal em nosso interior, não atrairemos males de fora.
Tudo, portanto, encontra-se em nosso mundo interno: o bem ou o mal. E o que se pode fazer no sentido de vencer o mal interno, sem luta?
A Filosofia Rosacruz enseja-nos a resposta: através do Corpo Vital, o veículo dos hábitos. Estes se formam pela repetição. O hábito reclama, insistentemente, a repetição.
Ela é o seu alimento, a chave para a gestação de um destino harmonioso ou perturbador.
Eis porque a reforma interna é de suma importância.
Muitos podem objetar essa argumentação alegando ser essa tarefa muito difícil, quase impossível.
Concordamos em que não seja fácil levá-la adiante. Mas não a reputamos impossível, não a configuramos como utópica. É uma questão de esforço e de vontade.
Ocorre que nosso caráter constitui na mescla de tendências antigas e influências novas desta existência. E como o ser humano não se dispõe com facilidade a mudanças radicais em sua vida, qualquer reforma interna encontra muitos obstáculos à sua frente.
A transmutação do “homem velho em homem novo” requer muita dedicação e coragem. Não se deve objetivar outra meta a não ser a realização do BEM. A única recompensa digna é a paz nascida do dever cumprido. O desinteresse deve revelar-se como uma norma fundamental. Fazer concessões ao interesse próprio é compactuar com as antigas e retardatárias mazelas.
Em Atenas, prometiam-se belas estátuas de mármore branco de Paros. Em Roma, belas coroas de oliveira. Maomé oferecia doces carícias de fadas amorosas. Odin, os encantos das louras Valquírias.
Em toda parte e em todos os tempos, se ofereceram recompensas a quem praticasse ou vivesse no Bem. Entretanto, uma cidade nada oferecia aos seus heróis. Era Esparta. Os defensores das Termópilas receberam apenas uma simples inscrição:
“Cumpriram o seu dever”.
O espiritualista sincero conscientiza-se de que promovendo a reforma de seu caráter está apenas cumprindo um dever. Nada reivindica para si mesmo.
Certamente terá de enfrentar momentos difíceis. Em algumas circunstâncias poderá até amargar a tentação de desistir. Fará, no entanto, da coragem a sua bandeira, não se deixando envolver pelos reclamos da personalidade. Esses heróis da alma serão as pilastras da Casa do Pai.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/1978)
O Sangue: você sabe qual a sua real importância?
Pergunta: Qual é o meio direto pelo qual o Ego pode agir no Corpo Físico?
Resposta: O sangue. Podemos notar que o Ego não pode atuar no Corpo Físico sem que o sangue esteja dentro de uma temperatura apropriada. Por exemplo: um calor acima do normal torna a pessoa sonolenta, tornando-a inconsciente pela expulsão do Ego, se a temperatura continuar a subir.
Pergunta: O frio intenso produzirá o mesmo efeito?
Resposta: O frio excessivo também tende a tornar o Corpo sonolento ou inconsciente. Somente quando o sangue se encontra próximo ou na temperatura normal é que o Ego poderá usá-lo como veículo de consciência.
Pergunta: Como podemos notar a atividade do Ego no sangue?
Resposta: Podemos mencionar vermelhidão produzida pela vergonha ou por outra emoção. É uma evidência da maneira pela qual o sangue é levado à cabeça, assim superaquecendo o cérebro e paralisando o pensamento.
Pergunta: Qual a reação do Ego face ao medo?
Resposta: O medo é um estado em que o Ego é levado a defender-se de algum perigo exterior. Por isso o sangue flui mais internamente. As faces empalidecem porque o sangue deixou a periferia do Corpo.
Pergunta: A qualidade do sangue afeta o trabalho do Ego?
Resposta: Em uma pessoa vigorosa, quando o sangue não atinge uma determinada temperatura, é ativa corporal e mentalmente, ao passo que a pessoa anêmica é sonolenta, o que quer dizer que num caso o Ego tem um melhor domínio e no outro menor.
Pergunta: A crença de que o Ego age no sangue é corroborado pela História?
Resposta: Os artigos Noruegueses e Escoceses admitem que Ego está no sangue, porque nenhum estrangeiro poderá tornar-se seu parente, até que tenha feito a “mistura de sangue” com eles, e dessa forma tornar-se um deles.
Pergunta: Existem outras fontes idôneas que concordam com essa crença?
Resposta: Goethe, um Iniciado, demostra essa verdade em seu Fausto, quando estava para assinar o pacto com Mefistófeles: “Por que não assinar com tinta comum? Por que usar o sangue? “O sangue é uma essência muito peculiar”, respondeu Mefistófeles. Quer dizer que aquele que tem o sangue tem o ser humano. É pelo calor do sangue que o Ego pode expressar-se.
Pergunta: Em que época o sangue atinge a temperatura apropriada?
Resposta: O calor apropriado do sangue para capacitar o Ego a expressar-se plenamente, torna-se uma realidade quando o indivíduo está para atingir os vinte e um anos de idade.
Pergunta: Há aspectos legais em relação a esse fato?
Resposta: A lei reconhece isso ao ser humano.
Pergunta: O sangue tem alguma conexão com a memória?
Resposta: A memória está intimamente conectada com o sangue, o qual é a mais alta expressão do Corpo Vital. E somente por meio dos dois Éteres superiores que o ser humano tem o senso de percepção e memória. Isso se aplica à memória Consciente, como também aos registros que designamos como memória Subconsciente, os quais se realizam por meio do Corpo Vital com o auxílio do sangue.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/73 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Como Fazer as Coisas
Você já reparou como se formam as grossas raízes de uma árvore? À medida que elas mergulham no solo, vão se ramificando cada vez mais, até que, por fim, encontramos raizinhas finíssimas. Estas extremidades radiculadas são importantíssimas no metabolismo da árvore. Quem admira e exalta a árvore que se ergue do solo, não se lembra muitas vezes que ela depende dessas radicelas!
Você já pensou em como se formam os grandes rios? Acompanhe, mentalmente, um de seus afluentes; depois tome um afluente daquele e, assim, busque chegar ao início de uma das inúmeras correntes d’água. Lá você encontrará uma fontezinha, modesta, alegremente a cantar! Quem se lembra das fontezinhas quando contemplam e viajam pelo grande rio, obscuras e distantes, elas constituem as origens desse rio.
Você já reparou nos desenhos da circulação do sangue? O Corpo não poderia ser alimentado integralmente sem os finíssimos vasos sanguíneos.
Nem poderia, sem eles, processar a eliminação. Eles são essenciais no metabolismo.
A ideia e o desenho das bacias fluviais, das raízes e da circulação, em essência são iguais. Eles nos fazem pensar nas pequenas coisas de nossa vida. A humanidade deveria atentar mais para os pequeninos pensamentos, para os impulsos emocionais pequenos ou para os atos chamados insignificantes. Eles são as causas, as fontes, as radículas, os vasos dos atos maiores que aparecem como efeitos nesta Vida e se no livro “A Teia do Destino”, de Max Heindel, aprendemos: “Todo ato de cada indivíduo, manifesta no universo uma certa vibração. Segundo sua vibração, ele reagirá benéfica ou maleficamente sobre seu criador e seu ambiente. Você já pensou na contribuição de seus pequenos atos à harmonia ou desarmonia de seu lar ou de seu trabalho? Uma simples mente humana é incapaz de imaginar os reflexos todos e as incontáveis consequências de seus pequenos atos, no espaço de uns meses, anos e vidas! ”
Meditemos no significado dessa afirmação! Cada espírito, numa vida apenas, acumula milhões de pequeninos atos.
Cada um deles vai reclamar uma resposta universal.
Sua essência continua reagindo sobre seu criador, a partir do momento em que se tornou “carne” não apenas na presente existência, como na seguinte e ainda mais longe, até que se esgote pela correção do caráter. Em outras palavras, o que fazemos agora terá uma conexão substancial com o que desejamos realizar, com a capacidade de realização, milhares de anos a partir deste momento. Veja que este pensamento é muito sério!
Muitas pessoas podem acreditar e asseverar que as pequenas ações não sejam importantes. Acham que apenas os atos mais importantes joguem um papel de destino maduro, principalmente os que envolvem outras pessoas (e, espiritualmente, pouquíssimos atos não atingem nossos semelhantes).
No entanto, quando olhamos a vida de um ponto de vista global – tal como a visão de uma bacia fluvial vemos claramente que nenhuma ação é insignificante, por mais trivial ou ociosa que pareça. Uma corrente tem a fortaleza de seus elos.
Isto é certo para uma corrente de metal como para uma corrente de ações individuais ou coletivas. No fundo de um gênio, de um campeão olímpico, de um artista, encontramos milhares de pequenos esforços, persistentemente dirigidos a um objetivo. Igualmente num líder que facilmente vence os desafios. E da mesma forma num fracassado ou num ladrão.
Naturalmente acumulamos muitos pequeninos esforços bons e maus. Ninguém é inteiramente bom ou mau. Assim, o bem final que poderíamos obter dos bons esforços, ficam debilitados pelos pequeninos atos maus. Isso nos serve de advertência para vigiar as pequeninas coisas de nossa vida.
Acompanhando o fio de uma vida individual, vemos aqui e acolá surgirem os momentos críticos de desafio, que vão exigir o melhor da pessoa. Mas, se descuidamos da formação de nossa moral, se negligenciamos depositar no “Banco interno” os pequeninos esforços diários de autocontrole e amor desinteressado, então, ao chegarem os desafios, buscamos ansiosamente os recursos e não os encontrarmos. Aí vêm os infartos, as diabetes, os derrames, os desequilíbrios nervosos, tão comuns do mundo moderno. É uma vergonha para nossa cultura e avanço científico não compreendermos essas coisas elementares. E se compreendemos e as negligenciamos, então erramos duas vezes. Infelizmente, as pessoas estão muito ansiosas para usufruir as coisas materiais e não têm tempo. Querem resolver tudo no mais curto prazo de tempo possível, atacam os efeitos. Buscam livrar-se da advertência da dor e continuam agindo do mesmo modo que ocasionou o mal.
Um dia chega a crise, que é também um acúmulo de pequenos abusos. E quando essa crise não se desfecha nesta vida há de vir em outra, a menos que a pessoa tome outros rumos. Alguns raros indivíduos persistem tanto no mau caminho que seus pequeninos atos o acabam levando a constante “azar” como se costuma dizer. Mas a sorte e azar são consequências justas de nossos atos passados.
Um ponto importante é a intenção com que realizamos nossas atividades rotineiras. A dona de casa que faz alegre e amorosamente suas tarefas, que enche de harmonia seu lar beneficia os que nele estão e recolhe para si crescentes benefícios futuros.
Além disso, o trabalho se vai aperfeiçoando pela dedicação. Contrariamente, aquela que vive se queixando “de seus fardos e monotonia” realiza de má vontade as tarefas. Elas ficam malfeitas, a casa se enche de aborrecimento e desarmonia e essa atmosfera afetará desfavoravelmente a todos que nela residem ou entrem. Mais que isso, essa dona de casa estará acumulando maiores dificuldades futuras.
São Paulo apóstolo nos exorta “a fazer todas as coisas para a glória de Deus”. Se realizamos nossos afazeres com tal intenção, aí eles se tornam importantes, belos e agradáveis, por mais humildes e desagradáveis que pareçam.
Não é a importância ou humildade da ação que propriamente conta. Vale mais a intenção com que é feita e o sacrifício de si mesmo, tal como nos ilustra o “óbolo da Viúva”, nos evangelhos, mas se o ato é grande e amoroso, naturalmente é maior.
Em favor da rotina, podemos acrescentar: quando ela é feita com amor e atenção, vamos adquirindo perícia e, ao mesmo tempo, planejando melhores formas de execução.
Essa é a base do aprimoramento, que economiza trabalho, tempo e gasto além de enriquecer nossa capacidade epigenética. Precisamos de compreender que, do ponto de vista evolutivo, mais vale fazer bem as pequenas coisas rotineiras do que pular de uma a outra grande realização, sem dominar nenhuma. Que isto sirva de meditação para os que se acham aborrecidos com o seu ramerrão. Por mais brilhante que seja o indivíduo, a inconstância o retarda.
Ela equivale ao amontoar tijolos esparsos, aqui e acolá, em vez de alinhá-los sob determinado plano, para edificação de um templo. A rotina é também importante nos assuntos espirituais. A repetição de um ritual de efeitos ocultos definidos acaba construindo o templo etérico. É o que sucede na Fraternidade Rosacruz. Aprendemos que a nota-chave do Corpo Vital é a repetição. O Corpo Vital tem o poder de movimentar o inerte Corpo Denso, mas só o consegue por meio da repetição, da prática. Qualquer profissão ou habilidade pressupõe a repetição sistemática.
Devido a isso se costuma dizer que:” “todo desenvolvimento oculto começa pelo exercitamento do Corpo Vital”.
Mas devemos estar alertas e ativos para que, através desse meio, possamos promover o desenvolvimento intelectual e espiritual, em grande potencial, para a Idade de Aquário que se aproxima.
A própria rotina de nossa vida material foi prevista pela evolução para que, por meio da repetição possamos despertar plenamente nossos Corpos Vitais, precisamos de corrigir nosso atual conceito de “dever” como algo odioso. Se nos rebelamos contra o que chamamos de “monotonia”, acabamos retardando nossa evolução. O brasileiro e demais latinos devem compreender muito bem esse ponto. Que isso os estimule a lutar contra o desejo de mudanças e novidades e aproveitem as oportunidades para tornar a rotina numa alavanca de evolução. No começo não será fácil, mas depois acabarão fazendo com amor suas tarefas materiais e os deveres espirituais (preces, exercícios de concentração e meditação matinais e o de retrospecção noturna). A prática fiel desses exercícios constitui dificuldades para nossos estudantes, porque não aprenderam a gostar da rotina e nem a executar como recomendamos aqui. Entendamos bem seu alcance para que possamos amá-la. Disse Max Heindel a respeito dos exercícios: “persistência e mais persistência; ela é que nos traz resultados, quer no plano material, quer no plano espiritual”.
Nossas ações devem ser levadas a cabo com uma atitude de devoção, discernimento e determinação, para que se tornem realmente valiosas, para nós e para os demais, agora e num futuro distante. Quando desejamos servir a Deus em tudo que fazemos, aí infundimos humildade, reverência, previsão e criatividade nas tarefas. Procuraremos expressar a vontade de Deus e não a nossa.
Desse modo, nossos propósitos vão se aproximando e coincidindo com os de Deus. Ademais, quando compreendemos que o amar a Deus depende de amar e servir nossos semelhantes, passamos a cumprir as tarefas mais monótonas com espírito de amor, considerando mais o modo de realizá-la do que sua importância ou natureza intrínseca.
Tudo isto nos conduz ao discernimento. Se algo é digno de ser feito, vale a pena fazê-lo bem. O “prefácio” para qualquer ação deveria ser: É digna de ser feita? Qual o seu objetivo? A quem beneficiará? Ela é compatível ou contrária à Lei natural? Nossas motivações, ao executá-la, são egoístas ou altruístas? Se a nossa intuição e conhecimento oculto aprovam as respostas, é o sinal de que o trabalho merece realização.
Nosso tempo é limitado. Portanto escolhamos bem o que fazer e o melhor modo de fazê-lo. Algumas pessoas têm mais capacidade de previsão, mas ela pode ser desenvolvida pela prática. Se cada ação, por menor que seja, conta, seja bem pensada e altamente motivada.
Eis outro fator igualmente importante no reto agir: a determinação. Está intimamente ligada com o primeiro passo: a repetição racional. Uma vez que decidamos realizar algumas coisas, é mister evitar a indiferença e desânimo ante os fracassos ou desafios de sua execução, mormente na etapa inicial. Talvez seja necessário mudar alguma coisa ou simplesmente continuar fazendo e aprimorarmo-nos com isso. A obra é digna de ser feita. Devemos alcançá-la com êxito. Também é possível que nosso plano inicial, por honesto que seja, resulte deficiente no curso da ação.
Nesse caso, não nos resta outra alternativa senão a de pensar novamente no assunto, à luz da experiência; consultar alguém que saiba melhor que nós; e continuar tentando, sem nos arrefecermos ante os malogros.
Aprendemos mais com os fracassos do que com os êxitos.
Finalmente advertimos contra o terrível anestésico da vontade e da realização: a preguiça. A ociosidade e indiferença que nascem da indolência são mais danosas que o mau planejamento e egoísmo para a evolução física e espiritual. O propósito da vida sobre a Terra é a experiência e só podemos obter pela firme vontade de realizar, de fazer as coisas. Mais vale um grama de realidade do que um quilo de sonhos. “A fé sem obras, é morta”.
As faculdades e propensões que armazenamos, para uso futuro, nascem das reações e experiências suscitadas pelos atos. Se nos permitimos desperdiçar o tempo na preguiça, recolheremos poucas experiências. Em tal caso, é lógico esperar que o aguilhão de Saturno, através da necessidade, nos venha espicaçar. A inatividade temporária é muitas vezes prudente, para refazer a saúde e recomeçar com mais método; ou então deixar que as coisas se aclarem. Mas isso não deve ser confundido com a indolência que muitos, infelizmente, se permitem por ignorância dos assuntos espirituais.
A atividade é a essência da vida. A natureza não conserva nada inútil: ou se ativa, e vive e cresce; ou se atrofia e morre. Mas a atividade deve ser planejada, estudada segundo a reta conduta que temos o privilégio de conhecer, por meio da Fraternidade Rosacruz.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 12/73 – Fraternidade Rosacruz –SP)