Pergunta: O que significa o Segundo Aspecto do Deus Trino?
Resposta: Deus é uno, assim como a luz é una, mas, como a luz que passa através da atmosfera é refratada nas três cores primárias – vermelha, amarela e azul – também assim Deus, quando se manifesta ou se reflete na natureza, é triplo na Sua manifestação. Há primeiro o princípio da Criação, em seguida há o princípio da Preservação, e em terceiro lugar há o princípio da Dissolução das formas que foram criadas, por um determinado tempo, foram preservadas e utilizadas, e depois foram destruídas para que os materiais utilizados na construção possam ser usados na edificação de novas formas.
Esses três princípios de Deus receberam nomes diferentes nas diversas Religiões e, nos últimos anos, foi usada muita tinta para defender ou depreciar a ideia de uma Trindade, embora isso deveria ser evidente a qualquer pessoa que observasse a natureza com uma Mente ponderada e atenciosa. No Mundo Ocidental, nós chamamos o Segundo Aspecto do Deus Trino de Cristo de o princípio de preservação unificado; e em certo sentido isso é muito apropriado, porque o Cristo veio como o mestre do Amor e da Fraternidade Universal, a qual deveria substituir, por já ter passado a necessidade de existir, as nações que lutam umas contra as outras e Ele mesmo disse que haveria um estágio ainda mais elevado quando o reino, estabelecido por Ele, deveria ser entregue ao Pai e quando todos deverão ser um com Ele.
(Pergunta nº 74 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume 1” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Elasticidade
Retiravam a carga de mercadorias do caminhão. Na calçada puseram um grande e velho pneu que amortecia o impacto das caixas, tornando possível seu reaproveitamento, protegendo seu conteúdo e, também, para não danificar o passeio.
Preciso aprender essa lição.
Em meu relacionamento com todos, normalmente com meus familiares, amigos e colegas, é mister que me torne mais tolerante e flexível, como aquele velho pneu, de modo a lhes amenizar as eventuais rudezas de trato com a inofensividade de minhas reações, cedendo ou silenciando quando necessário.
Quero e posso evitar atritos, preservar meus justos direitos com lhaneza e equilíbrio, conservando minhas amizades, não comprometendo minhas relações e tampouco perdendo o que existe sempre de belo e positivo em cada um de meus semelhantes.
Ouço o conselho de Cristo: “Não oponho resistência” e nem me magoo com as investidas e desequilíbrios dos outros. Tenho convicção em meus princípios de consciência e sei perfeitamente que o único que me pode em realidade magoar e prejudicar, sou eu mesmo.
Por isso não serei flexível comigo mesmo, não tolerarei minhas dubiedades de caráter, conterei as pequenas solicitações de condescendência própria e estarei vigilante, a fim de que essa elasticidade não beneficie a mim, senão aos outros, o que, em última análise, reverte em meu próprio bem, de uma forma Cristã.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1968)
Filosofia Rosacruz pelo Método Socrático
A Região Limítrofe e o Primeiro Céu
Pergunta: Quais os tipos de indivíduos que encontramos na Região Limítrofe, entre o Purgatório e o Primeiro Céu?
Resposta: Ali encontramos os que não têm interesse pela vida superior ou a parte espiritual da vida enquanto renascidos aqui, os de tendência materialistas, que negam a existência post-mortem. Tais indivíduos se colocam além de qualquer possibilidade de ajuda e sofrem mais do que qualquer outra alma. Ademais, ao saírem de tal plano e se elevarem aos planos celestes, quando são chamados a formar, segundo suas faculdades e sentido de harmonia e lógica, os futuros veículos e ambientes, seus pensamentos cristalizantes, suas formas de pensar e sentir, desvirtuadas, influem desfavoravelmente na construção dos arquétipos, gerando futuros corpos defeituosos e geralmente com tendências consuntivas. Eis porque a causa mais comum da tuberculose é o materialismo.
Algumas vezes, o sofrimento produzido por tais corpos decrépitos provoca um rápido despertar do Ego, levando-o de volta às leis de harmonia e de uma vivência superior, permitindo o normal andamento de seu processo evolutivo. Porém, muitas vezes essas mentalidades resistem à evidência dos fatos e recrudescem sua revolta e insatisfação. Daí que o maior interesse das forças brancas que trabalham através dos diversos movimentos espiritualistas, seja o de iluminar e transformar essas mentalidades, em que jaz o maior dos perigos, porque vão perdendo o seu contato com o Ego interno e necessária influência dele, tornando-se um proscrito o infeliz.
Pergunta: O que ocorre quando a existência purgatorial termina?
Resposta: O Espírito purificado ascende ao Primeiro Céu, situado nas três Regiões superiores do Mundo do Desejo. O resultado do sofrimento purgatorial é incorporado como consciência ao Átomo-semente do Corpo de Desejos, para que o futuro indivíduo possa ter internamente, percepção entre o bem e o mal, naqueles pontos que transgrediu. O reto sentir, pois, é conquista adquirida nesse processo, impulsionando-nos para o bem e advertindo-nos contra as mesmas tendências e tentações.
Pergunta: Qual a primeira experiência por que passa o Espírito no Primeiro Céu?
Resposta: Vê o panorama do passado se desenvolver em ordem inversa, mas apenas os atos bons que tenha realizado na última existência terrena. Se realizou pouco bem, rápida será sua passagem por esse venturoso plano. Mas se muito realizou de bom sobre a Terra, colherá os dourados pomos de uma vivência indescritível, de alegria indizível.
Quando ali o espírito vê as cenas em que ajudou os outros, sente novamente, porém triplicada, a alegria que isso lhe proporcionou e ainda mais: sente a gratidão que lhe foi dirigida por aquele que recebeu a ajuda. Assim, vemos a importância dos favores que prestamos, porque a gratidão promove o crescimento da alma. Nossa felicidade no Primeiro Céu depende dos sentimentos que os bons atos provoquem, em nós e nos outros.
Pergunta: Nos casos de dificuldades econômicas, ficamos restringidos em nossa possibilidade e capacidade de dar?
Resposta: Absolutamente, não. Tal ideia estaria correta se o ser humano fosse apenas um ser material. Nesse caso, suas necessidades estariam limitadas a esse plano. Mas sabemos que o ser humano é um ser complexo e suas necessidades abrangem os diversos veículos pelos quais se expressa: material, etérico, emocional e mental – além do ser real, espiritual. A ajuda deve atender a todos esses aspectos. Ainda mais, sabemos que a vida material, as condições deste Mundo, são apenas reflexos e consequências dos outros planos causais: mental e emocional. Se o indivíduo não sabe pensar corretamente nem sentir nobremente, sua vida material será logicamente prejudicada. E desse modo, ajudar alguém a pensar e sentir segundo os ditames do Espírito, acordes com os princípios evangélicos, será a maior ajuda, que não depende de condição econômica, pois, ao homem e mulher de boa vontade há sempre algum tempo para isso. É claro que não vamos impor nossas ideias a ninguém, nem pregar nas praças públicas. O bom exemplo acabará atraindo nossos familiares e amigos a ouvir nossa opinião, e então a daremos despretensiosamente, deixando que o livre arbítrio escolha livremente a forma de agir.
O dinheiro, como tudo o mais que Deus, como talentos, pôs à nossa disposição, depende do reto emprego. Dar dinheiro, indiscriminadamente, é, muitas vezes, um mal, embora nossa intenção seja boa. Somos pela ajuda material, feita inteligentemente e como complemento da ajuda primordial, causal, que é a difusão de ideias conducentes a uma vida mais feliz. Cada Estudante Rosacruz pode e deve valer-se da orientação da fraternidade, para aprender e realizar corretamente essa nobilitante ajuda à humanidade carente.
Pergunta: Quais as condições que o recém-ido encontra no Primero Céu?
Resposta: o Primeiro Céu é o lugar de alegria, isenta de qualquer sombra de amargura ou de tristeza. Ali, todos os mais nobres propósitos, almejados pelo ser humano, se realizam na mais ampla expressão. É o lugar do repouso, pois, quanto mais dura ou áspera tenha sido a anterior encarnação terrestre, mais profundamente sentirá a sensação de repouso. As doenças, a tristezas, as dores, são ali desconhecidas. É a Terra do Verão dos Espiritualistas, onde os pensamentos devotos Cristãos construíram a Nova Jerusalém. Belas casas floridas são o quinhão daqueles que as desejaram, pois podem construí-las pelo simples emprego da sutil matéria de desejos, mediante o poder da vontade e do pensamento, tornando-as tangíveis e reais como as moradias deste mundo. E não só as floridas casas, senão tudo aquilo que intimamente ambicionamos realizar, pois todas as satisfações emocionais superiores são ali realizadas, quer como quintessência das experiências boas da Terra, quer como formas de tudo que nos tenha sido negado ou dificultado.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1968)
Pergunta: No Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” não encontrei referências a insetos e répteis em evolução. Por favor, poderia me esclarecer a respeito?
Resposta: Não há muitas referências sobre isso nos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz. Contudo, no Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Os Sete Dias da Criação, do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos, Max Heindel faz alusão aos répteis, que pertencem à quarta divisão do reino animal. “A quarta divisão na escala do reino animal tem quatro subdivisões: peixes, répteis, aves e mamíferos”.
Na Pergunta nº 165 do Volume I do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas”, Max Heindel afirma:
“Sobre insetos e répteis nocivos pode-se dizer que, em muitos casos, foram criados e ganharam forma, graças aos nossos maus pensamentos e hábitos impuros. Os répteis de maiores dimensões, como as cobras, não são tão perigosos como imaginamos que sejam. Em alguns templos da Índia, as pessoas que os frequentam mantêm uma atitude de absoluta inofensividade se recusando a matar ou ferir a mais ínfima expressão de vida. Lá pode se ver um fato cotidiano: cobras venenosas rastejando entre o povo, sem lhe fazer nenhum mal. Essas criaturas inferiores logo aprenderão a confiar em nós tão certamente como agora nós as tememos.”.
Nesta correlação de fatos e ideias, recordamo-nos de uma notícia veiculada recentemente por jornal, envolvendo alguns domesticadores de serpentes da cidade de São Francisco, Califórnia: segundo declararam, elas são inteiramente dóceis.
Talvez não haja mais répteis venenosos, quando as ações e os pensamentos humanos tornarem-se puros e desinteressados.
(Publicado na sessão P&R da Revista Serviço Rosacruz março/1974)
A Finalidade da Vida Humana aqui
Ensina, a Sabedoria Ocidental, que a vida é um constante “vir a ser”. São Paulo afirmava que “morria todos os dias”. Concluímos que o ser humano de hoje não é o mesmo de ontem, e o de hoje não será o mesmo de amanhã, porque esse já o terá ultrapassado, apesar de todas as aparências em contrário.
Há um princípio ativo na vida que determina: “nada se perde e tudo tende para melhor”. Esse princípio tem dois aspectos que designamos como evolução e transfiguração. Evolução, (do Latim “Evolutio” = abrir) é o processo de pôr para fora aquilo que está contido ou implícito em alguma coisa. Transfiguração (ato de transfigurar) significa mudar a forma, modificar para melhor a figura ou a aparência, tal como se deu com Cristo-Jesus no “Monte”.
Podemos admitir que a Evolução leva à Transfiguração gradativa, para a mudança de condições requeridas ao final de cada Época, Revolução e Período, capacitando-nos a ingressar e viver sob novas e futuras condições.
Até a primeira metade do Período Terrestre, em que atualmente evoluímos, o ser humano era guiado, ou levado ao desenvolvimento, pelas mãos e orientação de Grandes Hierarquias, delas recebendo os germes dos vários veículos que deveria formar e aperfeiçoar, em seu esforço de expressão nos vários mundos ou planos.
No primeiro Período, o de Saturno, o ser humano, Ego, encerrado em condições que lhe toldavam completamente a consciência de sua origem divina, recebeu o germe de seu corpo químico, o Corpo Denso. No segundo Período, o Solar, envolvido ainda mais em véus de veículos que obscureciam sua consciência espiritual, recebeu o germe de seu corpo etérico ou Corpo Vital. No terceiro Período, o Lunar, envolto em mais uma capa, a do corpo emocional ou Corpo de Desejos, cujo germe então recebeu, se distanciou ainda mais de sua origem divina. Nesse processo de aquisição e envoltura dos germes dos veículos o ser humano foi desenvolvendo sua consciência exterior. Assim, paralelamente, foram sendo despertados nos Egos determinados graus de consciência correspondentes aos que hoje possuem três Reinos inferiores de vida em evolução na Terra:
Lembramos que no decorrer de toda essa trajetória, tais germes foram sendo trabalhados, adaptados e desenvolvidos, de modo a poderem suportar novas e diferentes condições e tornarem-se melhores no período seguinte. Assim, o germe do Corpo Denso, dado ao Ego no Período de Saturno, como germe, foi por ele melhorado inconscientemente, com ajuda das Hierarquias, através desse Período e dos posteriores, já citados, o mesmo acontecendo com os demais germes. Presentemente, vemos o fruto desse trabalho, expresso num Corpo cuja perfeição maravilha nossos cientistas. Igualmente temos defesas e recursos vitais e sensoriais (Corpo Vital) notáveis, a ponto de os médicos reconhecerem que eles apenas ajudam, mas que o organismo é que realmente realiza tudo numa cura ou recuperação. Temos sentimentos elevados; o altruísmo, graças a Deus vai crescendo no mundo. Eis a revelação incontestável da evolução germinal de nossos veículos. O Corpo Denso por ser o mais antigo, é o mais aperfeiçoado, seguindo-se, em ordem, o Corpo Vital e o Corpo de Desejos.
A Fraternidade Rosacruz dedica especial atenção ao desenvolvimento dos diferentes veículos notadamente do Corpo Vital, porque o ser humano deve aprender a espiritualizar seus corpos, através dos diversos renascimentos, em corpos gradualmente mais refinados, até abandoná-los definitivamente, levando a capacidade de criar e de funcionar nesses veículos e planos.
Até meados da Época Atlante, no presente Período, o Ego se veio envolvendo em graus de consciência cada vez mais densas, culminando com a matéria física. Esse envolvimento é designado, na Filosofia Rosacruz, como involução, envolvimento ou enrolamento. Tudo que é envolvido por alguma coisa não demonstra sua forma ou natureza original. À medida que vamos tirando os vários envoltórios começamos a ter uma concepção de sua real natureza, até que, ao tirar-lhe o último dos envoltórios, ficamos sabendo de sua origem. Assim é o Ego ou o ser humano real. Como Ego, veio se envolvendo, inconscientemente, com ajuda de exaltados Seres, em sua Involução. Chegou o tempo em que, com ajuda de seu último instrumento, a Mente, cujo germe lhe foi dado na Época Atlante, ele atingiu a consciência de si mesmo e passou a trabalhar, sozinho, na evolução de seus corpos, para sua transubstanciação, espiritualização e retirada gradual desses envoltórios que obscurecem a Luz e a Consciência. A Filosofia Rosacruz mostra que chegou o momento da luz interna brilhar um pouco mais. O ser humano deve expandir sua consciência. E essa expansão será possível por meio de um trabalho definido, que atua sobre o Corpo Vital. Note-se bem: um trabalho definido, peculiar, que atua sobre o Corpo Vital. Quer dizer que essa tarefa não deverá ser feita diretamente sobre o Corpo Vital, senão indiretamente. Ainda mais: a pessoa que a executar definidamente, não deve pensar em seu autoaperfeiçoamento, isto é, um particular esforço de melhorar seu Corpo Vital. Não! Ele é ensinado a fazer essa tarefa sem esperar recompensas e mediante o serviço ao próximo. A Sabedoria Ocidental, exposta por Max Heindel (fundador da Fraternidade Rosacruz) em a obra básica “O Conceito Rosacruz do Cosmos”, como nas demais obras complementares, diz que o Aspirante à vida superior deve executar o “Serviço sincero, amoroso e desinteressado aos demais”. E por “demais” quis ele significar não apenas os “semelhantes”, os “seres humanos”, senão os demais reinos da Natureza. É o mesmo sentido dado nos Evangelhos ao “amar o próximo como a nós mesmos”.
Até os estágios de consciência de sono profundo e de sono sem sonhos, não houve uma palavra-chave para superar os obstáculos que se interpunham ao ser humano, a fim de facilitar-lhe a passagem de um a outro Período. Foi somente nas Épocas que precederam a atual para o conseguimento de uma condição que lhe possibilitaria passar para o Período seguinte.
Este Período, o Período Terrestre, está dividido em Épocas, que são reproduções ou recapitulações melhoradas do trabalho executado pelo ser humano em Períodos anteriores, sob orientação das Grandes Hierarquias. Diríamos, comparativamente, que os períodos equivalem a um ano de trabalho e as Épocas a 24 horas ou um mês de trabalho.
A Época Polar (a primeira) equivale, em ponto menor, ao Período de Saturno;
A Época Hiperbórea (a segunda) equivale, em ponto menor, ao Período Solar;
A Época Lemúrica (a terceira) equivale, em ponto menor, ao Período Lunar;
Nessas Épocas recapitulamos o trabalho dos Períodos correspondentes. Somente na quarta Época, a Atlante e a subsequente, a Época Ária atual, é que realmente começou o trabalho propriamente dito, do Período Terrestre.
Voltando à questão das palavras-chave, a Filosofia Rosacruz nos ensina que nas primeiras Épocas (a Polar e a Hiperbórea) predominava a inconsciência e, por isso, não houve palavras-chaves. A partir da Época Lemúrica, passou a humanidade a desenvolver a consciência onírica ou subconsciente. As Hierarquias Criadoras iniciaram, então, o processo de nos dar uma palavra-chave, ou seja, uma Religião ou meio de desenvolvimento, uma condição que nos auxiliasse na caminhada para a perfeição. Essa palavra-chave que nos auxiliaria a transpor a Época Lemúrica para a Atlante nos foi ensinada pelos Líderes da humanidade por meio de quando renascíamos como mulheres de então, mais receptivas. Eis como foi ensinada: “Você tem um corpo”. Chamava, pois, nossa atenção, para a existência de um Corpo Denso, tangível, do qual não tínhamos consciência, porque estávamos focalizados nas esferas da vida subjetiva. Essa frase nos foi repetida milhões de anos, seguidamente, até passarmos para a quarta Época, a Atlante. Nessa Época, a palavra-chave ensinada pelas Hierarquias Criadoras tinha dois sentidos: um esotérico (oculto) e o outro exotérico (exterior material). A palavra-chave era: “Aspire a Luz”. O sentido exotérico correspondia ao interesse que começava a delinear-se em nós: o desejo de mais luz, pois habitávamos as profundidades da Terra, os vales, as cavernas, os grotões, onde a neblina espessa, quase água, a tudo e a todos envolvia num triste véu cinzento sob o qual o sol nos aparecia como um foco indefinido e nebuloso, semelhante à lâmpada da rua em dia de forte neblina. Pelo interno desejo de mais luz, ouvíamos, então, interessados, a palavra-chave, pronunciada pelos Líderes da Humanidade. À medida que aspirávamos a luz, íamos subindo em direção aos altiplanos e mesetas da Terra, onde a luz solar era mais visível. Nesse esforço de ascensão fomos gradativamente mudando nossas condições respiratórias, das primitivas, por guelras ou brônquios semelhantes às dos peixes e desenvolvendo pulmões. Essa é a razão porque a ciência supõe que a vida humana evoluiu da água. Notemos também: o desenvolvimento dos pulmões e a construção das costelas, apoiadas no osso externo é o significado do símbolo “arca de Noé”, na qual os mais adiantados puderam passar para a atual Época Ária.
É racional e lógico: atualmente não podemos fugir à regra sobre a necessidade de uma palavra-chave indicativa do exercício ou método para enfrentarmos a sexta Época, chamada na nomenclatura Rosacruz de a Nova Galileia. A Filosofia Rosacruz nos ensina que os Líderes da Humanidade, embora agora trabalhando indiretamente, chegaram à conclusão de que, para vencer este ponto perigoso de cristalização e existência material, só poderíamos evoluir com interferência direta, com uma ajuda especial. Essa ajuda tornou-se efetiva pela vinda de Cristo, encarnado no corpo de Jesus de Nazareth por três anos. Somente após os efeitos da purificação levada a efeito por Cristo no Planeta Terra nos foi possível atingir condições internas para aspirar e praticar a nova palavra-chave salvadora. Cristo é realmente o salvador da humanidade. Ele nos mostrou que o trabalho de Transfiguração, correlato do processo evolutivo, começou após as mudanças internas que sua vinda processou na Terra e em nós.
A palavra-chave está contida no Cristianismo Esotérico, particularmente no Cristianismo Rosacruz, para todo aquele que desejar praticá-la. Hoje, o êxito não depende do pronunciamento, isto é, do fato de ouvir-se ou de pronunciar-se passivamente determinada frase, como em Épocas anteriores. Antigamente era assim, em razão de nossa vivência subconsciente. Agora são-nos dados métodos ou disciplinas que deverão ser por nós vividos. Daí o dizermos ao Estudante Rosacruz que ele deverá ser um “sacrifício vivente”, que deverá realmente “viver a vida”, a fim de que as capas que envolvem sua Luz possam pouco a pouco serem removidas, ou melhor, transfiguradas, para formação de um novo veículo.
Conforme dissemos atrás, a palavra-chave a ser vivida neste fim de Época e início de idade preparatória da futura Sexta Época, está contida no “Novo Testamento”, sob a forma inédita de um conjunto de regras ou disciplinas, ensinadas e vividas por Cristo, fundamentadas no Amor. Essas regras ou disciplinas fundamentadas no amor impessoal são, em síntese: “Amai ao próximo como a vós mesmos”, isto é, com o mesmo interesse que temos por tudo que nos possa beneficiar ou agradar. Amar é uma ação, uma atividade. Portanto, a palavra-chave para Época atual não é uma fórmula mágica a ser recitada, senão uma atividade a ser executada com renúncia e amoroso interesse, para benefício do próximo.
Tal atividade tem dois polos: subjetivo, oculto, invisível e o objetivo, visível, externo. Na esfera subjetiva e oculta, processa-se o desenvolvimento silencioso por meio da meditação, da atenção, da vigilância interna, mental e sentimental, no aperfeiçoamento da capacidade de serviço ao próximo. Em resumo, é a prática do domínio próprio, por amor, isto é, para melhor servir, pois estamos aprendendo a nos dominar, não para tirar vantagens pessoais de engrandecimento ou poder, mas para adquirir mais qualidade no serviço ao semelhante. A prática dessa ação amorosa e subjetiva é fundamental. Sem ela, o polo objetivo, externo, se inutiliza porque ficará restringido, limitado, às expressões puramente humanas e sujeito quase sempre aos juízos antecipados, à impaciência, aos temperamentos, gostos, preferências, tendências e comodismo. Realizada a ação subjetiva, então, o verdadeiro “Eu”, o “Superior”, poderá espelhar-se, expressar-se numa ação externa eficiente, justa e amorosa. De fato, como pode o Aspirante à vida superior servir objetivamente ou praticar a caridade se ainda está sujeito às fraquezas humanas? É o caso do cego dirigindo outro cego. Por isso insistimos na necessidade da ação subjetiva fundamental. Sem ela a ação externa e objetiva não pode ser positiva, constante, bem orientada. Ademais, esse preparo interior, representado pelo domínio próprio, em última análise é o processo do conhecimento próprio.
Para amar, cristãmente falando, é necessário um aprendizado. Isso pode causar estranheza e suscitar uma pergunta: “para amar é necessário preparo?”. Respondemos: sim. No ato ou atividade amorosa, o executante não escapa, por força da lei, ao fator responsabilidade. As consequências de um relacionamento imperfeito resultam sempre em desagradáveis e até funestos.
Por isso, como qualquer outra atividade, a amorosa requer um aprendizado, perfeitamente delineado pelo Mestre, que afirmou: “Buscai, primeiramente, o Reino de Deus e Sua Justiça, e tudo o mais te será dado por acréscimo”. Esse acréscimo quer dizer: todos os nossos desejos, intenções se realizarão, inclusive a aspiração de bem Servir, segundo a disciplina de “Buscai o Reino de Deus…”. Mas, pergunta-se: “onde está o Reino de Deus?”. Novamente o Mestre responde (pois nada ele deixou em lacuna): “O Reino de Deus está dentro de vós”. Essa frase do Senhor equivale ao dito que lhe foi anterior: “Homem, conhece-te a ti mesmo”. É também correlata ao domínio próprio, à atividade subjetiva a que o Aspirante deve submeter-se para que, amando sabiamente, possa realmente servir aos semelhantes. Concomitantemente, pois, à prática do serviço amoroso e desinteressado, deve o Aspirante exercitar o serviço de introspecção, de análise de suas razões, de seus motivos, de seus impulsos, de seu temperamento, de suas tendências, a fim de que adquira eficácia e firmeza em seu modo de agir. Um médico não pode curar sem primeiramente submeter-se a longo preparo teórico e prático. Da mesma forma porque a lei é a mesma em qualquer atividade – deve o Aspirante Rosacruz exercitar-se longa, paciente, perseverante e cuidadosamente, para conquistar uma visão mais ampla e clara do objeto de seu amor: isso remete-o ao conhecimento próprio.
Portanto, a palavra-chave, para estes tempos prestes a findar-se, é: Serviço amoroso e desinteressado aos demais. Por meio dessa prática, tal como aconteceu nos dias de Noé, quando a humanidade desenvolveu pulmões para poder viver num ambiente em que predominava a adversidade, a luz solar e o oxigênio, pondo plenamente em prática uma aspiração com características materiais, assim também nós, a atual humanidade, deveremos formar uma réplica luminosa, etérica, de nosso Corpo Denso; uma forma bem mais sutil, mais perfeita, um “glorioso refúgio”, que será a “soma psuchicon” mencionado por São Paulo Apóstolo, o Corpo-Alma, o dourado manto nupcial da união do “eu inferior” com o “Eu Superior”, dentro do ser humano.
(De José Gonçalves Siqueira, publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro de 1968)
Os Espíritos-Grupo dos Animais: quem são e como trabalham
Os animais pertencem a uma onda de vida que iniciou sua peregrinação no Período Solar desse Grande Dia de Manifestação, como denominado na terminologia Rosacruz.
É importante termos em mente que nós, Espíritos Virginais da onda de vida humana, iniciamos nossa peregrinação no Período de Saturno desse mesmo Grande Dia de Manifestação, que é um Período anterior ao Período Solar. Por isso que reconhecemos os animais como nossos irmãos menores a quem devemos proteger.
Lembremos que os antropoides (bonobos, chimpanzés, gorilas e orangotangos) não pertencem à onda evolutiva dos animais, mas a onda de vida dos seres humanos. Na verdade, eles são os Atrasados da nossa onda de vida e poderão, em um futuro, alcançar a nossa evolução. Atualmente, eles ocupam os exemplares mais degenerados daquilo que foi, antes, uma forma humana.
Os animais têm os seguintes Corpos:
Não possuem uma Mente, o que não os capacita a funcionar na Região do Pensamento Concreto. Portanto, os animais não são capazes de projetar ideias, ou seja: as conclusões que estabelecemos na Região do Pensamento Abstrato, revestindo-as de matéria mental da Região do Pensamento Concreto formando os pensamentos-forma.
Ou, em outras palavras, não são capazes de despertar voluntariamente o sentimento que impele à ação imediata, seja através do Interesse (sentimento presente na quarta Região do Mundo do Desejo), pondo em ação ou a força de Atração ou a de Repulsão (forças presentes da primeira a terceira e da quinta à sétima Região do Mundo do Desejo), seja através da Indiferença (o outro sentimento presente na quarta Região do Mundo do Desejo).
Vamos falar um pouco dos sangues dos animais: animais que possuem vitalidade e movimento, mas não possuem sangue vermelho, não possuem Corpo de Desejos separado. Tal ser encontra-se em um estado de transição da planta para o animal.
Por outro lado, animais que possuem sangue vermelho, mas frio, como por exemplo: peixes e répteis, já possuem um Corpo de Desejos separado. Nesse caso o espírito que anima tal forma está completamente fora do Corpo Denso.
Finalmente, animais que possuem sangue vermelho e quente, também têm um Corpo de Desejos separado, entretanto, nesse caso, o espírito que anima tal forma está parcialmente fora do Corpo Denso.
É por isso que o animal não é um ser completamente “vivo”, se considerarmos o ponto de vista do Mundo Físico. Eles possuem uma consciência análoga a que possuíamos, quando sonhávamos (consciência análoga a sono com sonhos), vivendo no Mundo do Desejo. Portanto, a consciência dos animais está focada no Mundo do Desejo.
Dali para baixo, ou seja, na Região Etérica e na Região Química do Mundo Físico eles são inconscientes. E é, justamente, por toda essa condição de dependência de evoluir no Mundo Físico, mas sem terem a consciência de vigília nesse Mundo (ainda não possuem o elo que liga o Tríplice Espírito ao Tríplice Corpo – a Mente – o que os tornaria indivíduos separados e únicos) é que os animais precisam ser guiados no seu caminho de evolução. E quem são os responsáveis por isso são os Espíritos-Grupo.
A responsabilidade de serem Espíritos-Grupo dos animais, atualmente, constitui um dos trabalhos dos Arcanjos, seres especialistas em matéria de desejos, assim como nós somos especialistas em matéria química do Mundo Físico. O Corpo mais denso de um Arcanjo é o Corpo de Desejos, assim como o nosso é o Corpo Denso.
Há diversos graus de inteligência entre os seres humanos. Do mesmo modo, também acontece entre os seres superiores. Os Arcanjos menos evoluídos governam os animais como Espíritos-Grupo e, dessa maneira, se desenvolvem adquirindo capacidade superior. Podemos entender o que é um Espírito-Grupo fazendo uma analogia com o nosso Corpo Físico. Nosso Corpo Físico é composto de muitas células, tendo cada uma sua própria vida celular, mas todas estão sob o nosso comando, utilizando ainda, o sangue como ponto de aderência ao Corpo Físico.
Assim, também, o Espírito-Grupo é um ser que funciona nos Mundos espirituais e possui um corpo espiritual composto por muitos espíritos animais separados. Guia seus protegidos de fora para dentro. O Espírito-Grupo guia os animais através do sangue. O Espírito-Grupo não funciona no Mundo Físico. Como Arcanjos, eles funcionam no Mundo do Desejo, mesmo lugar aonde o Ego dos animais se encontra.
Recordem-se: no Mundo do Desejo a distância não existe. Por isso o Espírito-Grupo do animal pode influenciar esse em qualquer lugar em que o animal se encontre. Sua evolução se dá enviando os diversos espíritos animais a formas de Corpos Físicos que o Espírito-Grupo ajuda a criar.
Conjuntos de Corpos Densos compõe uma espécie de animal e os Espíritos-Grupo guiam essa espécie mediante sugestões que chamamos de instinto. Portanto, os animais não estão sujeitos a Lei de Causa e Efeito.
A orientação dos Espíritos-Grupo aos animais é dada pelas fortes correntes de matéria de desejos colocadas pelos Espíritos-Grupo e que giram em torno do Planeta Terra. Por isso que a espinha dorsal do animal se mantém na horizontal.
A força vital emanada do Sol, da Lua e dos Planetas é também absorvida pelos animais, mas não diretamente. Isso porque eles possuem somente 28 pares de nervos espinhais e estão harmonizados com o mês lunar de 28 dias dependendo, portanto, de um Espírito-Grupo para preparar os raios astrais a fim de serem utilizados como força vital para: geração, nutrição, crescimento e ação.
Quando um Corpo Denso de um animal morre, o Ego do animal adquiriu, mesmo que inconscientemente, uma quantidade de experiência por ter trabalhado nesse veículo.
E depois de certo tempo, tais experiências também são absorvidas pelo Espírito-Grupo. E é assim que os Espíritos-Grupo dos animais vão evoluindo, assim como vão evoluindo os animais. Os Espíritos-Grupo dos animais são vistos no Mundo do Desejo em uma forma humana e com cabeça de animal. Vemos isso nos templos egípcios, onde se retratam seres com Corpos Densos humanos e cabeças de animal. Aliás, aqueles que possuem visão espiritual do Mundo do Desejo não encontram nenhuma dificuldade em conversar com eles e, muitas vezes, ficam maravilhados pela sabedoria que eles expressam.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Liberdade e Felicidade
“É em vão que o homem procure ao longe a sua felicidade, descuidando de cultivá-la em si mesmo, pois ainda que ela viesse de fora, não poderia fazer-se sensível enquanto não encontrasse uma alma aparelhada para gozá-la”.
Essas sábias palavras de Rousseau coadunam-se perfeitamente com os princípios básicos do Cristianismo Esotérico no que diz respeito à felicidade. Essa, para ser real e perdurável, deve alicerçar-se em algo imorredouro, espiritual, interno. Se a fundamentamos em objetos transitórios, ela não se manifestará e, em vão, persegui-la-emos durante toda a vida.
Há estreita correlação entre liberdade e felicidade. Uma não subsiste sem a outra. Via de regra, muitos de nós configuram a felicidade como sendo a posse de bens externos. Olvidam que, dependendo do nosso conceito de posse, os bens externos constituem verdadeiros grilhões, atando-nos de pés e mãos a transitoriedade dessa existência concreta.
Se colocarmo-nos na posição de administradores, ao invés de possuidores, multiplicando e empregando altruisticamente aquilo que nos vem às mãos, concorrendo para a manutenção do bem-estar e equilíbrio sociais, sentiremos interiormente uma paz inefável, fruto da verdadeira felicidade. Para nós, a vida será um fluxo constante de bênçãos.
Se por outro lado, a avidez de posse nos alucina, fatal e desgraçadamente arruinaremos nossa vida e a dos outros. Seremos escravos daquilo que temos ou almejamos, arrastando pesados grilhões pelo restante dos nossos dias.
Gandhi, “o pai da libertação da Índia”, tinha por filosofia de vida manter consigo apenas aquilo de que necessitava para viver. O resto, dizia ele, “não passava de superfluidade”. Esse homem simples e franzino, assemelhando-se mais a um mendigo do que a um líder de milhões de seres humanos, logrou abalar um poderoso império.
O importante não é possuirmos ou não possuirmos bens externos. O essencial é não sermos possuídos por eles. Muitos têm posses e não são cativos delas. Outros não possuem e são agrilhoados pelo que almejam possuir. Nossa liberdade e felicidade correspondem à medida do nosso desapego. É um bom tema para meditação, nesses agitados dias de competição em que vivemos.
(Gilberto A V Silos – Editorial da Revista Serviço Rosacruz de março/1969)
Um Resumo para Aplicação dos Mistérios das Glândulas Endócrinas
As Glândulas Endócrinas podem ser chamadas de as sete rosas na cruz do Corpo Vital e estão intimamente ligadas com o desenvolvimento oculto da humanidade:
Cada uma delas possui determinada nota-chave que está adormecida. Quando despertada, desenvolverá certas potencialidades em nós. Essas notas-chaves estão relacionadas com os “Espíritos Planetários”.
O soar da nota-chave de um determinado “Espírito Planetário”, gradualmente, irá despertando a nota-chave da Glândula correspondente. Quando a nota-chave da Glândula é despertada, desenvolvem-se em nós energias específicas que o Espírito Planetário expressa. O Ego deverá aprender a controlar e dirigir essas energias, pois conforme sejam utilizadas, manifestam-se como bem ou mal. Lembrando sempre que todo mal é um bem mal dirigido:
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Pergunta: Poderiam dizer-me qual a melhor maneira de ajudar aqueles que faleceram?
Resposta: Expressamos frequentemente a nossa aprovação sobre a “ciência do nascimento” com os seus métodos eficientes para auxiliar ambas, mãe e criança, quando esta última está para iniciar a sua vida terrena, mas lamentamos de todo coração a ausência de uma “ciência da morte” que ensinasse às pessoas como ajudar inteligentemente o Ego que está passando da vida terrena para os reinos invisíveis da natureza. Em tais momentos permanecemos, geralmente, impotentes e, muitas vezes, na nossa ignorância, agimos de maneira a prejudicar o conforto do Espírito que está em transição. Se as pessoas soubessem o quanto seus lamentos e histéricas explosões afetam seus entes queridos que partem, uma reflexão altruísta levá-los-ia provavelmente a uma mudança de atitude, e, em consequência, permaneceriam serenos e silenciosos.
No que se refere ao corpo, ele não está realmente morto, senão após três dias e meio de o Espírito tê-lo abandonado, pois o Cordão Prateado o liga ainda aos veículos superiores. Durante esse período, qualquer processo “post-mortem”, seja autópsia, embalsamamento ou cremação, é sentido pelo Espírito quase tão profundamente quanto o sentiria se estivesse no corpo. Esses são fatos bem conhecidos pelos Estudantes da Filosofia Rosacruz, mas talvez não lhes tenha sido dado o destaque devido.
Devemos lembrar que a nossa atitude após esse período continua a afetar o Espírito, pois os nossos amigos geralmente não abandonam o lugar ao qual estão acostumados. Muitos ficam no lar ou perto dele durante vários meses após ter deixado o corpo, e sentem as condições até mais profundamente do que quando vivos na Terra.
Se suspirarmos, chorarmos e lamentarmos, transferiremos para eles a nossa tristeza, ou os prenderemos junto a nós, pois tentarão animar-nos.
Em ambos os casos, somos um empecilho ou uma pedra de tropeço no caminho do progresso espiritual deles, e, embora isso possa ser perdoado naqueles que ignoram os fatos relativos à vida e à morte, as pessoas que estudaram a Filosofia Rosacruz ou ensinamentos similares incorrem em uma grande responsabilidade ao entregar-se a tais práticas. Estamos bem cientes de que a tradição exigia que se lamentasse o morto, e que as pessoas só eram respeitadas se vestissem um traje de luto como prova de sua dor. Mas, felizmente, os tempos estão mudando e uma visão mais esclarecida está sendo formada a respeito desse assunto. A transição em si para o outro mundo é bastante séria, envolvendo um processo de ajustamento às condições estranhas que se apresentam ao redor do Espírito que, nessa passagem, é perturbado também pela aflição e angústia dos bem-amados que o circundam. Ao vê-los cercados por uma nuvem negra de tristeza, vestidos com trajes dessa mesma cor, e alimentando a sua dor durante meses e anos a fio, o efeito só poderá ser depressivo.
Bem melhor é o comportamento daqueles que aprenderam os Ensinamentos Rosacruzes e os praticam. A sua atitude perante o passamento de um ente querido é animadora, esperançosa e encorajadora. O sentimento egoísta de perda é controlado para que o Espírito possa receber todo o estímulo possível. Normalmente os componentes da família vestem-se de branco no funeral e uma atitude serena e amável prevalece do princípio ao fim.
O pensamento dos familiares não é: “O que farei agora que o (a) perdi? O mundo todo parece estar vazio para mim”. Mas expressa-se assim: “Espero que ele (ela) esteja ciente das novas condições e consiga desprender-se o mais rapidamente possível, sem se preocupar por nos ter deixado”. Assim, graças à boa vontade, à inteligência, ao altruísmo e ao amor dos amigos que permaneceram, o Espírito que desencarna sente-se capaz de enfrentar a nova situação sob circunstâncias bem mais favoráveis. Os Estudantes da Filosofia Rosacruz deveriam divulgar amplamente esse ensinamento. De acordo com a Bíblia, os redimidos do Senhor vencerão finalmente o último inimigo, a morte, e exclamarão então: “Oh, morte, onde está o teu aguilhão? Oh, tumba, onde está tua vitória?” Para aqueles que desenvolveram a visão espiritual, naturalmente a morte não existe. Para os que estudaram e assimilaram os Ensinamentos Rosacruzes, podemos dizer que, nesse ponto, alcançaram uma grande vitória.
(Pergunta nº 12 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: Afirma-se no “Conceito Rosacruz do Cosmos” que o alcoólatra que se encontra nas Regiões inferiores do Mundo do Desejo não pode satisfazer os seus desejos, mas também é dito que os Egos que se encontram no Primeiro Céu, nas Regiões superiores do Mundo do Desejo, moldam realmente a matéria de desejos a transformando num meio ambiente real, de acordo com os seus desejos e ideias. Por que o alcoólatra não pode fazer o mesmo nas Regiões inferiores do Mundo do Desejo e criar condições reais de vício adequadas ao seu temperamento?
Resposta: Foi observado por muitos Estudantes do “Conceito Rosacruz do Cosmos” que esse livro sempre se antecipa e responde às perguntas que possam surgir na Mente do leitor. Se consultarem o Capítulo I — subtítulo O Mundo do Desejo do livro, poderão ler: “Na substância mais fina e sutil das três Regiões superiores do Mundo do Desejo, só a Força de Atração atua, embora ela também se encontre presente em certo grau na matéria mais densa das três Regiões inferiores, onde atua contra a Força de Repulsão que ali domina. A desintegrante Força de Repulsão destruiria, de imediato, qualquer forma que entrasse nessas três Regiões inferiores, não fora a ação neutralizadora daquela. Na região mais densa e mais inferior, onde é mais poderosa, a Força de Repulsão agita e dissolve violentamente as formas ali constituídas, ainda que não seja uma força vandálica.
“Nada é vandálico na Natureza. Tudo que assim parece trabalha apenas para o bem, o que sucede com essa força em sua ação na Região mais inferior do Mundo do Desejo. As formas que ali se encontram são criações demoníacas, constituídas pelas paixões e desejos mais brutais dos animais e do ser humano.
“A tendência de todas as formas no Mundo do Desejo é atrair para si as de natureza semelhante e, consequentemente, crescer. Se essa tendência para a atração fosse predominantemente nas Regiões inferiores, o mal cresceria como o joio e a anarquia em vez da ordem predominaria no Cosmos. Isso é evitado pela preponderante Força de Repulsão nessa Região. Quando uma forma criada por um desejo brutal é atraída para outra da mesma natureza, cada uma exerce sobre a semelhante um efeito desintegrante, produto da desarmonia existente nas respectivas vibrações, assim, em vez de fundir-se mal com mal, mutuamente eles se destroem e, desse modo, o mal no mundo conserva-se dentro de limites razoáveis. Quando compreendemos o efeito dessas duas forças gêmeas em ação, podemos também entender a máxima ocultista: “Uma mentira no Mundo do Desejo é, ao mesmo tempo, assassina e suicida”.
De fato, os alcoólatras no Mundo do Desejo tentam geralmente fabricar a bebida, pela qual anseiam, a partir do momento em que aprendem que é possível moldar a matéria de desejos de maneira tal que ela se transforme segundo o seu desejo. Mas todos declaram, unanimemente, que a bebida forte ou as drogas fabricadas dessa maneira não lhes trazem satisfação nenhuma. Eles podem imitar o gosto perfeitamente, mas a bebida assim fabricada não tem o poder de embriagá-los. Onde conseguem atingir a completa satisfação como alcoólatras, é introduzindo-se nos corpos dos alcoólatras que ainda estão no Mundo Físico. Por essa razão, estão sempre rondando os bares, esforçando-se para induzir os frequentadores desses lugares a ingerir doses excessivas de álcool.
Declaram que também se satisfazem através das emanações do hálito dos alcoólatras que estão no Corpo Denso e quanto mais pesada e viciosa for a atmosfera nos bares, mais perto eles chegam da satisfação procurada.
Se os descuidados seres humanos frequentadores de tais lugares pudessem perceber as táticas repugnantes dos invisíveis réprobos, haveria certamente um despertar que provavelmente ajudaria os que não estão ainda demasiadamente viciados, a reencontrar o caminho da decência e da vida honesta. Mas, graças a Deus, (tanto para os alcoólatras visíveis como para os invisíveis), é-lhes impossível criar um antro de vício na matéria de desejos, porque a força de Repulsão tende a destruí-lo tão logo o tragam à existência.
(Pergunta nº 14 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)