Augusta Foss Heindel
Há, atualmente, na humanidade, um desejo extraordinário em saber algo a respeito da vida nos reinos invisíveis. Muitos ainda são incrédulos e não aceitam a ideia de uma outra existência após deixarem seus Corpos Densos, mas há um desejo crescente de entender e contatar esses reinos invisíveis e isso tem atraído muitos irmãos e irmãs materialistas.
Não podemos mais duvidar de que influências astrais (Sol, Lua e Planetas) são também responsáveis por essa mudança de atitudes no mundo.
Ouvimos com frequência a expressão: “Está no ar”, e até o incrédulo está agora mais propenso a convencer-se.
Estamos em um momento nesse Esquema de Evolução que aqueles que puderem responder às vibrações mais elevadas de Saturno, Netuno e Urano ajudarão no trabalho pioneiro de divulgar os Ensinamentos Cristãos Esotéricos, a Religião do futuro. Os que buscam e aceitam essas verdades avançadas, não mais duvidarão da existência da vida além-túmulo, tampouco temerão o assim chamado sobrenatural.
Aprendemos no livro o “Conceito Rosacruz do Cosmos” que somos um Tríplice Espírito e que funcionamos em um Tríplice Corpo; desses Corpos somente um pode ser visto com os olhos físicos. Diz São Paulo no 15º Capítulo, da Primeira Epístola aos Coríntios, Versículo 40: “Existem também corpos celestiais e corpos terrestres”; no versículo 44, “Existe um corpo natural e existe um corpo espiritual”.
Sem dúvida, aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes que temos mais de um Corpo, e que o Corpo Denso é interpenetrado pelo Corpo Vital, que constrói e restaura durante o sono o que nós, com nossos desejos, destruímos durante o dia, e por um veículo ainda mais delicado conhecido como o Corpo de Desejos. Esse Tríplice Corpo corresponde a diversos Mundos Invisíveis que o cercam, consistindo-se dos mesmos graus de substância. A Região Química e a Região Etérica do Mundo Físico e o Mundo do Desejo, os diversos planos de existência, são de diferentes graus de densidade e se interpenetram mutuamente. Por exemplo, no Mundo do Desejo a densidade da matéria de desejo faz com que ele atue de forma análoga à fumaça, o que é mais pesado mantém-se baixo, próximo à Terra, enquanto o mais puro ou mais leve eleva-se no ar.
Durante a nossa vida no Mundo Físico, estamos constantemente utilizando nossos Corpos invisíveis por meio dos nossos pensamentos, desejos, sentimentos e emoções. Se os nossos desejos nos puxam para baixo, para uma vida de gratificações, de prazeres terrestres, de busca por satisfações mundanas, se o nosso tempo é gasto em prazeres inúteis e autogratificantes, ou se não tem outra aspiração mais elevada senão acumular riquezas materiais, então, nosso Corpo de Desejos poderá ser comparado a uma fumaça negra pesada. Depois que passamos para a vida além-túmulo, iremos, com o nosso Corpo de Desejos gravitar para uma região chamada Purgatório (que se encontra nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo), e que se encontra mais próxima do denso plano físico. Aí, nos purgaremos de todos os desejos, emoções e sentimentos inferiores que colocamos em ação durante a vida recém-finda; deveremos limpar o Corpo de Desejos antes que possamos nos elevar àquela Região mais elevada, que é chamada o Primeiro Céu (localizada nas três Regiões superiores do Mundo do Desejo).
Se levássemos uma pessoa refinada, sensível, que tenha vivido uma vida pura e limpa, a um lugar sujo e promíscuo de uma grande cidade e a forçássemos a viver nesse ambiente, ela iria sofrer, ficar doente e, na primeira oportunidade, iria voltar ao seu meio. Da mesma forma, se tomarmos uma pessoa rude e degradada, que tenha sempre vivido em ambientes de vício, entre a imundice e a desonestidade e a colocarmos em um lugar refinado no meio de gente culta, ela irá se sentir muito desconfortável e na primeira oportunidade voltará aos seus antigos lugares. Condições semelhantes existem no Mundo do Desejo. A pessoa que tenha vivido uma vida limpa e espiritual, após falecer, permanecerá um curto período na parte inferior do Mundo do Desejo. Assim que se liberte de seu Corpo Denso, ascenderá rapidamente às Regiões mais elevadas do Mundo do Desejo. Mas, a pessoa que nunca soube o que significa uma vida pura, que nunca pensou na vida além-túmulo, é como a fumaça espessa e negra, e paira próximo ao plano físico. Prefere se apegar ao seu antigo ambiente, especialmente se guardar algum rancor contra alguém no plano terrestre e quiser se vingar, então, permanecerá apegado à Terra até que tenha conseguido concretizar sua vingança contra aquela pessoa ou até que tal vontade morra por inanição. Pairará em lugares onde se pratica a incorporação de espíritos desencarnados ou no local em que viva seu inimigo, até que consiga influenciar alguma pessoa fraca ou negativa para executar seu plano de vingança. Com frequência tomamos conhecimento que um assassino ou ladrão declarou em juízo que, de repente, sentiu algo contra o qual não pôde resistir e que o levou a cometer o crime, alguma força obrigou-o a fazê-lo.
O pobre e fraco bêbado também é usado por espíritos desencarnados e, com frequência, é obrigado a beber, pois dessa maneira o degenerado no Mundo do Desejo obtém alguma satisfação.
No filme intitulado “Apegados à Terra” (Earthbound) de 1940, baseado na história de autoria de Basil King, um espírito apegado à Terra é retratado de forma maravilhosa, mostrando como ele influenciou seus amigos e parentes depois de ter sido alvejado por um amigo ciumento, com cuja esposa estava prestes a fugir. Imediatamente após o tiro e antes que seus parentes tomassem conhecimento da tragédia, sua filhinha, que brincava com o seu cachorro de estimação, viu o espectro do corpo de seu pai atravessando a sala. A criança correu para a mãe dizendo: “Papai esteve aqui há pouco, mas ele estava diferente!”. A mãe acusou a criança de estar mentindo. Infelizmente, é isso que frequentemente acontece com os pais, alegam que seus filhos têm imaginação fértil ou que faltam com a verdade, enquanto a criança é simplesmente clarividente e consegue ver o que o pai ou a mãe não veem.
Há alguns anos, uma senhora idosa faleceu aqui e era uma velha conhecida da autora. Tinha alcançado uma idade avançada e sua vida havia sido pura, altruísta; por causa de um corpo frágil, tinha passado muitos anos sentada tranquilamente em meditação.
Quando veio a falecer poderia ser comparada a um fruto muito maduro, que não pôde mais manter-se preso à árvore; portanto, o rompimento do Cordão Prateado, que comumente leva três dias e meio, no seu caso, levou menos de três horas.
Durante sua última doença e no seu delírio, ela pedia uma bengala que tinha pertencido a seu marido, o qual já havia passado a uma vida mais elevada vinte anos antes, e que ela se habituara a usar desde então. Morreu com a bengala, segurando-a firmemente com ambas as mãos e os parentes ficaram relutantes em separá-la de algo que tanto tinha amado em vida, de tal modo que a bengala foi cremada com seu corpo. Pouco tempo após seu desaparecimento, ela voltou para uma visita à autora; vê-la, foi, na verdade, uma visão magnífica. Seu Corpo de Desejos consistia somente dos braços, mãos e a cabeça e ela segurava a bengala (que tinha o aspecto tão natural como qualquer bengala de madeira poderia ter) com ambas as mãos. Ela parecia uma leve pena branca tentando levantar voo, porém, presa por uma pedra. Era tão leve que, se não fosse pela bengala que segurava firme com as duas mãos e que era como um peso a retê-la, teria passado Purgatório no Mundo do Desejo em poucos dias. Quando pedimos a ela que largasse a bengala, segurou-a com força, dizendo: “Não, eu preciso ficar mais um pouco”. A tristeza de uma de suas filhas mantinha-a presa à Terra. Ela queria muito consolar a filha, mas depois de cerca de seis semanas tornou-se impossível para ela continuar.
Uma das filhas dessa mesma senhora faleceu cerca de um ano após a morte de sua mãe. Estava em perfeita saúde e na plenitude de sua vida, vindo a falecer depois de alguns dias de doença. O marido que não acreditava em cremação, enviou o corpo para o agente funerário e foi usado um líquido para embalsamento. Cerca de três semanas após, ela nos visitou e estava em grande aflição, implorou para que disséssemos ao marido e aos filhos que jamais enviassem alguém novamente aos agentes funerários e, com grande angústia, declarou que eles a tinham cortado como em um açougue. Disse: “Oh, como sofri quando cortaram meu corpo! Procurei pedir-lhes que parassem, mas não consegui que me ouvissem ou percebessem”. Perguntou também por que não conseguia encontrar a mãe. Disse-me: “Eu a tenho procurado por toda a parte, porque é que o Sr. S. que morreu vinte e cinco anos antes de minha mãe ainda está aqui e eu não consigo encontrá-la?”. Disseram-lhe que sua mãe, devido à sua vida pura e altruísta, já havia passado para os planos mais elevados. No entanto, o Sr. S. estava preso à Terra por conta de muitas maldades que tinha feito à sua família durante sua vida terrena e não podia passar para Regiões mais elevadas enquanto aqueles a quem causou tanto mal, não estivessem também livres do corpo, para que ele pudesse, então, ter uma oportunidade de reparar parte das ofensas. Ela foi aconselhada a permanecer afastada de assuntos terrenos e trabalhar com o objetivo de passar a planos mais elevados onde poderia, finalmente, juntar-se a seu pai e à sua mãe.
Vira e mexe nos deparamos com textos que contam as razões pelas quais várias pessoas tenham sobrevivido a acidentes coletivos, como por exemplo ao “atentado do 11 de setembro às torres gêmeas do WTC nos EUA”. Razões muito simples são alguns dos fatos citados que fizeram com que eles não estivessem no World Trade Center no momento exato do atentado. Segue o exemplo de um dos textos:
“Depois do atentado do 11 de setembro, uma empresa que tinha o seu escritório em um dos andares do World Trade Center, convidou os seus sócios e empregados que por alguma razão haviam sobrevivido ao ataque, para compartilhar as suas experiências.
Aquelas pessoas estavam vivas pelas razões mais simples da vida, eram pequenos detalhes como esses:
Mas a história que mais me impressionou foi a de um senhor que ficou com uma bolha no calcanhar, devido ao seu sapato ser novo e antes de chegar ao trabalho ele decidiu parar em uma farmácia para comprar um curativo e por isso ele está́ vivo hoje.
Agora, quando eu fico preso no trânsito, quando perco um ônibus, quando preciso me atrasar porque tive que atender alguém e muitas outras coisas que me desesperariam, penso primeiro
“Este é o lugar exato no que devo estar, nesse exato e precioso momento”.
Na próxima vez que a tua manhã for uma loucura, que teus filhos demorem em se arrumar, ou que você não esteja conseguindo achar as chaves do carro, não fique chateado ou frustrado.
VOCÊ ESTÁ EXATAMENTE NO LUGAR QUE DEVERIA ESTAR, nesse grande quebra cabeça da vida. Aplique a gratidão agora e seja grato por como você está́ agora e pelas coisas que tem”.
Isso suscita a seguinte pergunta: Por que morreram tantas pessoas e outras se salvaram por um triz?
Acidentes coletivos são, na realidade, resgastes coletivos, ou seja, segundo a Lei de Consequência somos responsáveis por nossos atos nesse mundo e colhemos o justo resultado de nossas obras, boas ou más. Temos responsabilidades por nossas ações individuais e pelas coletivas, grupal ou nacional.
Por sermos membros de uma comunidade ou nação, algumas vezes, atuamos como um grupo gerando causas boas ou más e quando tais atos são maus, a dívida assim contraída é geralmente liquidada no curso dos chamados acidentes de grandes proporções, ou seja, os Egos participantes dessas ações são atraídos para colherem, em conjunto, o que em conjunto efetuaram. Importante enfatizar que por estarmos em uma teia de destino, não necessariamente as causas que colocamos em ação nessa vida gerarão efeitos nessa vida. O que acontece, muitas vezes e que nos dá essa sensação é que o efeito de uma causa já está latente no nosso horóscopo (e isso é até fácil de descobrir, difícil é a pessoa aceitar) e uma vez que ativamos a causa, o efeito acontece. Agora, para tais efeitos que nos levam a sermos retirados dessa vida terrena são causas que colocamos em ação em vidas passadas.
Os Anjos do Destino tomam todas as providências para que nada seja alterado por interferência humana, que impeça que alguém experimente os efeitos da causa gerada, ou seja, nesse caso, o destino será cumprido, pois é a melhor maneira que existe para aprendermos a lição que nos é apresentada.
Há um caso citado no “Conceito Rosacruz do Cosmos” de um senhor que foi alertado sobre um acidente que ele sofreria. Ele então se programou para não sair de casa naquele dia. Só que ele se enganou com a data e acabou sendo ferido numa colisão de trens. Entendemos que o sofrimento decorrente desse acidente lhe era destinado como uma expiação de determinados erros.
Contudo, o inverso também é verdadeiro, pois se está previsto a queda de um avião, onde várias pessoas resgatarão uma dívida, e nesse avião tem passageiros que não fizeram parte dessa geração de dívidas, tenha a certeza de que essas pessoas, por qualquer razão, não embarcarão nesse voo.
Resumindo, todas as Leis da Natureza, incluindo a Lei de Consequência estão sob a administração de grandes Seres de sublime espiritualidade e sabedoria. Essas Leis são feitas para que possamos evoluir, nunca para nos prejudicar ou como vingança. Tudo está sob a orientação de Deus – em Quem vivemos, nos movemos e temos o nosso ser. Estamos sob Sua proteção amorosa em tudo, portanto, nada nos pode acontecer que não esteja em harmonia com o Seu grande plano divino.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Não é possível para nós, por mais desenvolvido que estejamos no caminho da realização espiritual, expressarmos com palavras o que sentimos quando meditamos sobre o poder de expressão do Cristo. Esse estudo devotado nos colocará em contato direto com elevados conceitos que poderá nos abrir horizontes inimagináveis. Além disso, o contato com esses conceitos enriquece nosso próprio repertório de expressão que deve, cada vez mais, tornar-se puro, belo e verdadeiro.
No “Conceito Rosacruz do Cosmos”, de Max Heindel, lemos: “Cristo-Jesus possui os doze veículos que formam uma ininterrupta cadeia desde o Mundo Físico até o próprio Trono de Deus. Portanto, Ele é o único Ser do Universo que está em contato, ao mesmo tempo, com Deus e com o ser humano. É capaz desta mediação porque experimentou, pessoal e individualmente, todas as condições e conhece todas as limitações incidentais à existência física”.
Muitas Religiões exotéricas (que preconizam o Cristianismo popular) ensinam que Jesus Cristo é Deus. E de fato Ele É, pois possui estatura espiritual criadora tamanha que ganhou o privilégio de assumir o segundo aspecto do Deus Trino (o aspecto que conhecemos por Filho), correspondente ao segundo aspecto, o Verbo ou o Unigênito, do Ser Supremo que deu origem a todos os Sete Planos Cósmicos (veja mais detalhes no Livro o Conceito Rosacruz do Cosmos de Max Heindel, Diagrama 6). Assim, Cristo é também Deus, assim como o Pai e o Espírito Santo (Jeová) são também Deus.
Pelo estudo dos Períodos que deram origem a nossa manifestação é possível verificar que a Onda de Vida da qual Cristo faz parte é conhecida, entre os Estudantes Rosacruzes, como Arcangélica, ou seja, dos Arcanjos. Estes seres têm o Corpo de Desejos como seu veículo inferior no qual funcionam conscientemente (assim como nós temos o Corpo Denso como nosso veículo inferior pelo qual funcionamos conscientemente). Seu veículo mais sutil se encontra no Mundo dos Espíritos Virginais. Se observarmos o poder de expressão consciente dos Senhores da Mente, a Onda de Vida do Período de Saturno, verificaremos que estes possuem seu corpo mais denso no Mundo do Pensamento Concreto em que funcionam conscientemente, um Corpo Mental. Estes seres também possuem seus veículos mais sutis no Mundo dos Espíritos Virginais, mas em regiões mais superiores do que a dos Arcanjos.
Independente das regiões de expressão, todos os seres ordinários de uma Onda de Vida possuem sete veículos de expressão. No entanto, esse padrão de sete veículos parece não ocorrer entre os Iniciados de um Período. Estes se esforçaram ao ponto de desenvolverem corpos além daqueles que seus irmãos de mesma Onda de Vida normalmente empregam para se expressar. Cada novo corpo superior se robusteceu ao ponto de poder ser utilizado como nova expressão consciente.
Vamos utilizar o exemplo do ser humano que despertou seu interesse pela vida espiritual. Com o tempo, percebe que o objetivo de sua vida é criar um novo corpo de expressão consciente, que é o Corpo-Alma. O ser humano que atualmente já desenvolveu esse Corpo, pode conscientemente funcionar no Corpo Denso (como todos) e, também, funcionar na Região Etérica do Mundo Físico. Conforme ele se desenvolve no Caminho da Iniciação, poderá funcionar conscientemente em outros corpos mais elevados do que o Corpo-Alma. Um Irmão Maior, por exemplo, que é um ser humano que antecipou todas as lições da evolução, é capaz de funcionar conscientemente em seu veículo mental – pois já criou o Corpo Mental, e não somente o veículo Mente – sendo seu funcionamento equiparado a de um Senhor da Mente (superior aos Anjos e Arcanjos). No entanto, seria um erro dizer que este ser humano elevado seja equivalente a um Senhor da Mente. Este último é um Ser muito mais antigo e com outra concepção de evolução, bastante diferente do modelo de evolução humano. Do mesmo modo, seria um erro até mesmo compará-lo aos Arcanjos e Anjos.
Quando verificamos o poder de expressão do Cristo, verificamos que, por Ele ser um Arcanjo, também possui capacidade de funcionar conscientemente em um Corpo de Desejos. Mas conforme foi galgando Iniciações durante o Período Solar foi conquistando corpos e consciência mais elevados do que seus irmãos Arcanjos comuns. Em outras palavras, conquistou maiores poderes de expressão. Chegou ao ponto de possuir o Corpo mais inferior de funcionamento consciente no Mundo do Espírito de Vida, assim como os Senhores da Individualidade (a Hierarquia Criadora de Libra).
Quando alguém ganha a capacidade de funcionar conscientemente em um corpo mais sutil, significa que dominou totalmente o funcionamento do corpo anterior. Assim, quando conquistou a capacidade de funcionar conscientemente no Corpo Mental, significa que Cristo dominou seu Corpo de Desejos em sua plenitude, ou seja, não mais necessitava funcionar nesse Mundo com o objetivo de evoluir, pois tinha aprendido todas as lições. Se necessitasse utilizar esse Corpo para alguma ocasião específica, o faria com os materiais mais puros existentes neste Mundo. Quando ganhou a funcionalidade consciente no Espírito Humano, a mesma regra se aplicou em relação ao Corpo Mental. Ou seja, Cristo tem um Corpo Mental tão robusto que é capaz de focalizar e extrair conhecimento diretamente dos Arquétipos e com eficácia e capacidade jamais sonhada por qualquer ser humano (com exceção dos Irmãos Maiores que podem funcionar nesse Corpo Mental, mas que constitui sua máxima de expressão). Quem tem essa capacidade mental é capaz de extrair, imediatamente e com o poder da vontade, toda a vida de um conceito ou pensamento-forma, pois sabemos que os arquétipos entoam informações, o tempo todo, sobre sua origem e sobre o que de fato são. Quando Cristo ganhou a estatura de funcionar conscientemente no Corpo Espírito de Vida, significa que já possuía Corpo Espírito Humano perfeito, que é um corpo composto de materiais das ideias. Com o Seu corpo inferior no Mundo do Espírito de Vida, Mundo que possui a verdadeira Memória da Natureza, Cristo tem acesso imediato a toda história desse Sistema Solar criado por Deus. É o acesso direto à memória consciente de Deus. Quando Cristo ganhou a estatura de funcionar conscientemente no Corpo Espírito Divino, significa que já possuía Corpo Espírito de Vida perfeito, que é um corpo composto de materiais do Mundo do Espírito de Vida, o primeiro Mundo de baixo para cima onde cessa toda separatividade, onde a Fraternidade Universal é o cotidiano.
Como é possível notar, Cristo não possui apenas três corpos, que são as contrapartes de sua expressão Trina enquanto Ego. Em verdade, enquanto cada ser ordinário de uma Onda de Vida pode funcionar conscientemente em apenas um corpo (exemplo: ser humano ordinário só pode funcionar no Corpo Denso conscientemente), Ele, por sua vez, pode funcionar conscientemente em cinco diferentes corpos (Corpo de Desejos, Corpo Mental, Corpo Espírito Humano, Corpo Espírito de Vida e Corpo Espírito Divino). Finalmente tem seu Ego no Mundo de Deus.
No momento do Batismo do Jordão, o Espírito de Cristo “desceu dos Céus” até o Mundo do Desejo, Corpo que pode construir e se expressar conscientemente. No entanto, como Ele não é de uma Onda de Vida que funcione em Corpos inferiores aos do Mundo do Desejo, não possui o conhecimento de construção dos mesmos. Foi aí que Jesus, que é um ser humano muito elevado, cedeu para Cristo o seu Corpos Vital e o seu Corpo Denso. Com essa posse, Cristo teve capacidade de funcionar conscientemente em sete Corpos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos, Corpo Mental, Corpo Espírito Humano, Corpo Espírito de Vida e Corpo Espírito Divino). Um amplo leque de materiais e de expressões que é inconcebível para nós que podemos expressar apenas ações, palavras, desejos e pensamentos.
Aqui a aplicação do axioma hermético “como é em cima, assim também é embaixo” se faz necessário para entendermos a relação de Cristo para conosco e entendermos o Corpo que devemos utilizar para iniciarmos nossa caminhada rumo a realização espiritual. O Grande Ser Supremo se expressa de modo Trino (Poder, Verbo e Movimento). Deus nosso Pai, criador do nosso Sistema Solar, se expressa também de modo Trino (Pai, Filho e Espírito Santo). E isso não poderia ser de outro modo. Conforme já mencionado, Cristo ganhou a estatura que lhe permite assumir o Segundo aspecto de nosso Deus (o aspecto Filho). O ser humano, por ser imagem e semelhança de Deus, também se manifesta de modo trino (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano). O segundo aspecto do ser humano é exatamente o Espírito de Vida, que tem seu material de expressão no Mundo do Espírito de Vida, o mesmo Mundo pelo qual Cristo (também segundo Aspecto de Deus) pode funcionar conscientemente. Verdadeiramente, aquilo que é material de expressão do Ego para o ser humano é material de expressão consciente para o Cristo. Os veículos mais sutis de Cristo (seu Ego) estão em comunhão com o Mundo de Deus. Por isso o “Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.
A contraparte ou oitava inferior do Mundo do Espírito de Vida é exatamente a Região Etérica do Mundo Físico. Como Cristo é “o caminho, a verdade e a vida”, devemos nos esforçarmos para termos um corpo que é uma oitava inferior ao Seu Corpo de Espírito de Vida. Assim, mesmo dentro de nossa pequenez e limitação, podemos construir um Corpo que vibra no mesmo tom do Corpo Espírito de Vida de Cristo, mas uma oitava inferior. Esse é o nosso Corpo-Alma que é o mais suscetível a responder as influências deste segundo aspecto de nós, o Ego. Note que o Corpo-Alma é composto do mesmo material do Corpo de Cristo. Por isso se diz que todo desenvolvimento esotérico começa no Corpo Vital.
A mais profunda devoção e meditação de todo o Poder de Expressão do Cristo, que se sacrifica anualmente para nos salvar, pode nos ajudar a entrar em contato mais íntimo com Ele. Deste modo, poderemos responder mais intensamente as Suas vibrações, que são anualmente derramadas. Essa meditação constitui material importantíssimo que nos ajudará a quebrar paradigmas e a ampliar nossa compreensão sobre o amplo leque de materiais que um Ser pode possuir.
Que nesta época santa do ano possamos meditar, profundamente, sobre a constituição de Cristo, sua Religião universal (a Religião Cristã) que é o caminho, a verdade e a vida. Com isso, poderemos corresponder com uma vida mais intensa de serviço amoroso e desinteressado para com nossos irmãos e nossas irmãs!
Que as rosas floresçam em vossa cruz
No ciclo dos grandes acontecimentos cósmicos a que chamamos de Solstícios e Equinócios, mas que esotericamente sabemos se tratar de planos de ação e fases do grande trabalho de Cristo para a redenção da humanidade, chega novamente o NATAL.
É certo que, em cada dia do ano, buscamos nos animar com um propósito altruísta e amoroso. Mas, nesta época sentimos, sob o contagiante influxo do Salvador, um desejo quase irreprimível de infundir nosso entusiasmo, idealismo e fé no futuro da humanidade.
Como Estudantes Rosacruzes sabemos que devemos desejar a cada irmão e irmã com que convivemos que a presença viva e real do Salvador possa figurar em uma cadeira vazia de sua ceia, exortando, por vibração, a uma integração ativa e consciente na grande família do futuro, intuindo a suprema verdade de que todos precisamos de todos; isto é, de que a Fraternidade Rosacruz, não importa onde cada um de nós esteja, é alimentada e fortificada, em cada momento e dia do ano, pelas nossas boas ações, nobres sentimentos, pensamentos edificantes e esforço contínuo e persistente em aprender e aplicar os Ensinamentos Rosacruzes no nosso dia a dia.
Como Estudantes Rosacruzes sabemos que devemos desejar a cada irmão e irmã com que convivemos que o anúncio dos Anjos, no eco da ação Crística que se renova, aceite em cada um de nossos corações e entendimentos, o sentido atual que reclama: “Eis que vos trago novas de grande alegria. É-nos nascido o Salvador. Ide e adorai-O. Glória a Deus nas maiores alturas; e na Terra, paz e boa vontade entre os homens”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro de 1968 da Fraternidade Rosacruz em São Paulo – SP)
Durante os últimos 2000 anos o Mundo Ocidental vem celebrando o nascimento do “Cristo Menino”, o nascimento do Menino Jesus. Anualmente, inúmeros seres humanos relembram esse maravilhoso acontecimento que marcou a aurora de uma nova era, o fim de uma velha ordem de coisas, o começo de um novo regime.
Desde o início, observada à luz da sabedoria material, essa nova Religião foi vítima de perseguições. Nem o próprio nascimento pôde ter um lugar num ambiente humano normal. Esse espírito brilhante; essa joia da coroa da humanidade ao entrar no cenário de sua provação e agonia, não teve sequer os menores confortos de um modesto lar camponês.
O perigo rondou sua vida infantil. Herodes tentou matá-lo. Mas, apesar de todos os obstáculos, esse Ego escolhido levou avante, resolutamente, o trabalho que devia executar.
A atenção de todos os que respondem aos Raios do Cristo tem sido concentrada sobre os incidentes da infância de Jesus. E particularmente pelo Natal, tais incidentes tornam-se profunda realidade na consciência do Mundo Ocidental. Tal consciência é retrospectiva. É uma realização, por meio do estudo da vida do nosso grande Irmão Maior Jesus e de Cristo-Jesus da distante mudança que deverá ter lugar antes de que qualquer progresso real possa ser feito durante Seu regime. Mais ainda, por esse estudo temos um vislumbre do que vem sendo feito por Jesus atualmente para auxiliar-nos, de Sua atividade nos negócios da complicada vida e evolução humanas.
Poucos Egos existem no Plano Terrestre que estão além da massa humana. Esses poucos desenvolveram poderes e faculdades além da compreensão da maioria não desenvolvida. À frente desse grupo de pioneiros está nosso Irmão Maior Jesus. O exemplo da nossa Onda de Vida. E esses pioneiros, com seus poderes e faculdades adquiridos pela aplicação ao serviço, podem atingir os planos nos quais Jesus age. Devido a esse contato, eles conhecem o trabalho levado a efeito e, obedientemente, transmitem seus conhecimentos aos Estudantes Rosacruzes sinceros e fiéis aos Ensinamentos Rosacruzes que trilham o Caminho da Preparação e Iniciação Rosacruz.
Desde o sacrifício do Gólgota, Jesus tem continuado o ministério de curar os doentes e de ensinar a humanidade pecadora. Seu auxílio nunca foi negado.
Muitas pessoas conhecem o quadro intitulado “O Companheiro Branco”. Descreve um campo de combate de Flandres durante a guerra de 1914 pejado de cadáveres. Um soldado ajuda um companheiro ferido. A seu lado está Jesus, com vestes brancas e glorioso, olhando com sublime compaixão para a vítima do ódio humano. Realmente o artista mostrou conhecer algo do serviço realizado por nosso Irmão Maior.
Jesus visita os hospitais e irradia amor e compaixão a todas as almas que sofrem. Ele sente a dor que as abate, pois estão pagando as dívidas que contraíram pela violação das Leis de Deus, e Seu compassivo coração pulsa forte ao testemunhar tanta agonia. Na verdade, está onde a necessidade é maior. Mas passa sem ser visto.
O Natal é a ocasião especial para Jesus entrar em contato com Seus fiéis seguidores. Como a Noite Santa veste-se de paz e os seres humanos e Anjos cantam “Paz na Terra e boa vontade entre os homens” lá, no ambiente do primeiro aniversário do Cristianismo abre-se aos nossos olhos uma visão gloriosa se realmente pudermos “ver”.
Ele é uma forma radiante que ultrapassa qualquer descrição terrestre; Sua voz soa com o tom da música das esferas e ressoa nos Éteres do espaço, e o grupo de almas enlevadas em adoração experimenta viva alegria e harmonia.
Aos corações ansiosos, Ele envia uma mensagem:
“Bem-aventurados vós que trilhais os caminhos das penas e misérias terrenas; vós que estais engajados na batalha entre o bem e o mal; vós que tendes combatido na luta aparentemente desigual, por vezes permanecendo eretos, e outras vezes caídos no pó da humilhação e do fracasso, mas que levantais de novo e travais o combate interminável pelo vosso objetivo. O caminho que agora trilhais, Eu o percorri há muitos anos. Conheço vossas tristezas e sofro convosco.”
“Vossa paciência foi provada ao máximo, mas permanecestes firmes, firmes até a morte. Mas, agora, o tempo de provações passou. A vitória das Hostes de Deus desponta no horizonte. Coragem e paciência são as palavras de passe. Os Poderes da Luz juntam-se para a destruição final daquilo que impede a vinda do Reino de Cristo. Sede calmos e equilibrados para que as sutilezas do inimigo não vos confundam. Esperai em prontidão para quando vier o chamado estejais prontos para responder. “
“As infalíveis leis de retidão e de justiça dirigirão o curso de todos os acontecimentos, e desta escuridão, desta tristeza surgirá a aurora de um NOVO DIA.”
Que as bênçãos de Deus e a paz do Natal possam renovar em vós a força para ganhardes a batalha.
(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross e publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro de 1969 e de 1971 – da Fraternidade Rosacruz em São Paulo – SP)
Em 3 de novembro de 1906, The Wall Street Journal publicou um editorial sobre esta questão: “Existe um declínio de fé?”. Ele mostra que o efeito da Religião é um fator de longo alcance na vida empresarial do mundo e levou a certos pensamentos que apresentaremos após o leitor ter lido o artigo que, abaixo, reimprimimos.
Existe um declínio de fé?
“Quem acredita em uma vida futura é um cidadão de dois mundos. Ele se move neste mundo, mas seus pensamentos e inspirações mais elevadas estão fixas no futuro. Para tal pessoa o que acontece aqui e agora não é sem importância, mas é infinitamente menos importante do que o que acontecerá no futuro. Ele considera sua vida aqui apenas uma preparação para a vida futura. Suas experiências aqui, sejam de alegria ou tristeza, são de valor para ele apenas porque o capacitam a atender melhor às demandas eternas da vida após a morte. Ele não é indiferente às recompensas que podem advir, neste mundo, para a indústria, o esforço e a oportunidade; mas, fracasso, doença, pobreza, abuso — o que isso significa para uma pessoa que acredita que vai desfrutar dos privilégios sublimes da eternidade? Ele mede tudo pelo infinito. Riqueza, luxo, poder, distinção — ele pode não desprezar isso, mas os considera apenas temporários — meros deleites que são dados como testes para o seu caráter.”
“A fé na vida eterna aplaina todas as desigualdades e injustiças da vida presente, sob o grande peso do infinito. Faz com que os pobres se sintam ricos e dá aos desafortunados uma sensação de herança do Todo-Poderoso. Isso faz com que os ricos tenham um senso de grande responsabilidade e tutela.”
“Mas não é necessário para esta discussão considerar se tal fé é razoável ou não. The Wall Street Journal não se preocupa com discussões teológicas. Não está a favor de, ou contra, credo algum, porém bastante interessado nos efeitos econômicos e políticos de qualquer mudança no pensamento, nos hábitos e na vida dos seres humanos. Se houve um declínio acentuado na fé religiosa, esse fato deve ter um significado profundo e de longo alcance, porque altera as condições básicas da civilização e torna-se um fator nos mercados. Ele muda os padrões e afeta os valores das coisas que são compradas e vendidas, dizendo respeito aos interesses imediatos daqueles que nunca tiveram tal fé, quase tanto quanto diz respeito à vida daqueles que tiveram fé e a perderam.”
“A questão, portanto, é de importância prática, imediata e tremenda para Wall Street, tanto quanto para qualquer outra parte do mundo. Houve um declínio na fé e na vida futura? Em caso afirmativo, em que medida isso é responsável pelos fenômenos especiais de nossos tempos? A busca ávida por riqueza repentina; o luxo e a ostentação desavergonhados; a extravagância grosseira e corruptora; “o mau uso de grandes fortunas”; a indiferença à lei; o crescimento da corrupção; os abusos do grande poder corporativo; a agitação social; a disseminação da demagogia; os avanços do socialismo; os apelos ao amargo ódio de classe… Para descobrir que conexão existe entre a decadência na fé religiosa e a agitação social do nosso tempo, devido, por um lado, ao uso opressor do poder financeiro e, por outro, à agitação das classes, pode ser proveitosa a investigação por uma comissão de especialistas do Governo, se for possível para ele entrar em tal empreendimento.”
“Quaisquer que sejam as crenças pessoais de um ser humano, ninguém prefere fazer negócios com uma pessoa que realmente não acredita em uma vida futura. Se houver menos pessoas com essa fé no mundo, isso fará uma grande diferença; e se a fé deve continuar a declinar, isso exigirá ajustes. Certamente existem, na superfície, muitos sinais desse declínio. Talvez, se for possível sondar profundamente o assunto, possamos descobrir que a fé ainda seja grande, mas não se expresse mais da maneira antiga. Mas, somos obrigados a aceitar as indicações superficiais. Essas incluem uma queda na frequência à igreja; o abandono do culto familiar; a entrega do domingo, cada vez mais, ao prazer e ao trabalho; a separação dos religiosos da educação secular sob as severas exigências do não-sectarismo; o crescimento de uma geração não instruída, ao contrário dos nossos pais, no estudo da Bíblia; a secularização de uma parte da própria igreja; e sua incapacidade de ganhar a confiança do povo trabalhador. Se esses são realmente sinais de decadência da fé religiosa, então, de fato, não há problema mais importante diante de nós do que descobrir algum substituto adequado para a fé ou tomar medidas imediatas para conter um declínio que contém em si as sementes de desastre nacional.”
Agora, à luz dos Ensinamentos Rosacruzes vamos tentar compreender os métodos ocultos que promovem a fé.
Sim, há uma razão oculta para o declínio da fé e é inútil falar sobre remédio antes que a causa seja encontrada, pois nenhuma medida aleatória levará a humanidade de volta e permanentemente ao caminho da retidão. Vamos primeiro considerar algumas das causas comumente dadas e depois entenderemos melhor aquela que é científica e oculta.
Frequentemente, ouvimos dizer com desprezo que a razão pela qual as igrejas permanecem vazias é que o padre, o pastor ou o ministro não tem uma mensagem nova, mas está continuamente revisando as velhas histórias da Bíblia. A censura perde força quando se pergunta: “Aprendemos a Bíblia de cor?”. Esperamos que uma criança repita a tabuada indefinidamente até que saiba e possa aplicá-la. É mais importante que conheçamos a Bíblia completamente do que a criança se lembre da tabuada; portanto, a repetição é necessária.
Os atenienses, na Colina de Marte, sempre procuravam alguma coisa nova que lhes desse o que discutir, mas algo mais é necessário para o crescimento da alma. São Paulo especificamente nos informa que embora possamos conhecer todos os mistérios e todo o conhecimento, se não tivermos amor, isso vale nada para nós.
A reprovação dos bancos vazios repousa particularmente sobre as igrejas católicas e as protestantes de todas as denominações e pode não ser impróprio, portanto, fazer uma comparação entre o seu método e o método da igreja Cristã primitiva, lá no início do Cristianismo, como comunicado por Cristo Jesus. Se estamos ansiosos para aprender, devemos colocar o preconceito de lado e nos esforçar para ver os méritos e deméritos de cada um, de maneira imparcial.
Vamos, primeiro, olhar para a igreja católica ou protestante comum ou tradicional, em que o padre, pastor ou ministro se esforça para levar o Evangelho ao povo. Quase todos os bancos estão vazios e entre os presentes as mulheres superam os homens em seis para um ou mais. O padre, pastor ou ministro geralmente é sincero e se esforça para ser eloquente, quando se dirige à Deidade em oração. Mas ele ouviu a reprovação da repetição tantas vezes que teme que um serviço se assemelhe a outro, ainda que seja no mínimo grau. Uma nova oração, um novo sermão, uma nova canção do coro, tudo o mais novo possível para escapar daquela censura terrível. Ele quase se torna uma pilha de nervos por causa do pensamento assustador de que seu povo pode considerá-lo “velho”.
A seguir, vamos a uma igreja católica ou protestante “popular” para ver quais métodos ela usa. O padre, pastor ou ministro nessas igrejas é sempre “progressivo” e “atualizado”. Algumas vezes, há um salão, um ginásio ou alguma coisa que promova atividades físicas, de dança, de entretenimento anexado ao estabelecimento. Todas as noites da semana há uma reunião ligada a algum entretenimento. Há piqueniques, festas, bailes e jantares na igreja. Algumas vezes pode haver reuniões para homens e reuniões para mulheres, encontros de jovens e até para crianças geralmente são combinadas, de modo que o todo seja uma fantasmagoria deslumbrante, sem momento algum de tédio durante a semana — e no domingo, ah! esse é o verdadeiro mimo, a grande atração, então o padre, pastor ou ministro se diverte como só ele sabe. Ele é auxiliado por um coral alegre e feliz, às vezes acompanhado dos mais diversos instrumentos (de preferência os mais modernos), treinados por um regente ou um animador de festas. A música não é particularmente religiosa (muitas vezes “adaptadas” e com ritmos que “agitem”), pois toda boa música recém-vinda do mundo celestial fala ao ser espiritual e desperta as memórias do nosso lar eterno; mas é um prazer para o amante da música e atrai centenas.
Entre a abertura e o encerramento do programa musical vem o chamado “sermão”. Como exemplo relatamos um fato em que certa vez uma pessoa ficou horrorizada ao entrar em uma igreja e ver no púlpito esta inscrição: “Não prego o evangelho”. As outras palavras da frase, “Ai de mim, se”, estavam escondidas do outro lado do púlpito e o efeito deve ter sido surpreendente, para dizer o mínimo.
Mas é um lema que pode estar no púlpito de mais de uma Igreja “popular” ou “progressista”, pois embora o “sermão” possa começar com uma citação da Bíblia, geralmente essa é a única referência à palavra de Deus. O resto é uma excelente oratória sobre qualquer tópico relativo a uma questão local ou nacional que seja vívida; ou, se houver escassez de fontes sociais e políticas, há sempre os problemas de temperança e pureza. É verdade que estão velhos e gastos, “como os Evangelhos”, mas promovendo um show, enlouquecendo e estimulando a ações no mínimo de gosto duvidoso, ainda é possível apelar para o cansado gosto por sensacionalismo que é, em última instância, desenvolvido pela maioria dos seus ouvintes. Mas a essa altura, o padre, pastor ou ministro “progressista” recebe um chamado para construir outra igreja, em outro lugar.
Isso é universalmente admitido: sob o pastorado contínuo de uma pessoa, os frequentadores da igreja perdem o interesse. Não porque seus padres, pastores ou ministros não sejam sinceros e trabalhadores, a grande maioria é exemplar em todos os sentidos, mas de alguma forma eles não conseguem manter seu controle sobre o povo. Algumas denominações atribuem as igrejas sob sua jurisdição a seus padres, pastores ou ministros por determinado período e, ao final desse tempo, transferem-nos a outra seção para trabalhar lá por algum tempo.
Muito pode ser dito a favor e contra esses vários esquemas, mas isso está além da presente discussão. Apenas um remédio para a falta de interesse parece ter potência suficiente para encontrar a aprovação geral como produtor de entusiasmo pelo menos temporário: shows, o avivamentos.
Lá, as pessoas se aglomeram para ouvir um estranho, sempre de personalidade forte, dominante e agressiva, com uma voz que pode falar em oitavas, desde um baixo chamado de súplica, pegando o pecador esmagado, até o grito de clarim que soa como o estalar da desgraça para os recalcitrantes. Como o padre, pastor ou ministro “progressista”, ele é habilmente auxiliado por uma equipe treinada, coro e conjunto musical, todos arranjados para fazer um poderoso apelo às sensações, desejos e emoções. As pessoas são “convertidas” aos milhares e a Religião (?) ganha uma nova vida naquela comunidade.
Mas, infelizmente, apenas por um tempo. É um fato que não precisa mais do que uma simples declaração: depois de pouco tempo, apenas uma pequena e lastimável porcentagem dos convertidos permanecem e o pobre padre, pastor ou ministro deve continuar trabalhando para manter a aparência de Religião em uma comunidade cada vez mais negligente com os assuntos espirituais.
Esse estado de coisas tornou-se tão notório que relativamente e cada vez mais menos pessoas entram para seminários ou escolas de preparação para pastores e ministros. Há, portanto, um declínio de frequentadores na igreja e de padres, pastores ou ministros que, se continuar, pode ter apenas um fim: a extinção da igreja católica ou protestante “desse tipo”. Não olhe somente no seu país, mas observem outros países.
Quando investigamos os métodos da igreja católica tradicional – deixando de lado a questão dos dogmas e outras particularidades que são corretas para o Cristianismo popular e que trabalham muito mais pelo coração do que pela Mente –, para fins de comparação e para chegar à conclusão correta a respeito do seu poder de atração, devemos primeiro notar o contraste absoluto entre o serviço ali e aquele nas igrejas protestantes “populares”. Se ouvirmos por um momento o que é dito nas denominações protestantes “populares”, descobriremos que cada pastor ou ministro tem um tema diferente; mas podemos ir a qualquer igreja católica tradicional, em qualquer parte do mundo, e descobriremos que todos estão usando o mesmo ritual no altar, em determinado dia.
O que o padre pode dizer do púlpito é insignificante perto de todo esse fato importante, pois as palavras são vibrações e elas são criativas, como demonstrado quando areia e esporos formam figuras geométricas em resposta à voz de um cantor. A missa cantada em inúmeras igrejas católicas tradicionais espalhadas pelo mundo reverbera com poder cumulativo por todo o universo como um poderoso hino, afetando todos os que estão em sintonia com ela, aumentando seu fervor religioso e lealdade à sua igreja de maneira inacessível aos isolados e casuais esforços de indivíduos, por mais sinceros que sejam.
O ritual tem um poder cumulativo. Há um efeito oculto do esforço concentrado e obtido pelo uso de leituras idênticas em todas as igrejas católicas no mundo, de modo que o efeito cumulativo pode ser sentido por cada católico que está sintonizado com elas. Esse efeito seria muito mais forte, se o serviço fosse realmente oculto e cantado com certa intensidade, como é na missa.
Assim, para resumir esta fase do assunto, as tentativas individuais e persistentemente contínuas de pregadores protestantes “populares” para guiar seu povo mediante sermões novos e originais são um fracasso, enquanto esforços centrados em rituais uniformes, repetidos ano após ano, conforme apresentado, por exemplo, pela igreja católica tradicional, mantêm um mínimo do Cristianismo Popular, a terceira das quatro Dispensações.
Para compreender esse mistério e aplicar o remédio com inteligência, é necessário compreender a constituição de uma pessoa, tanto durante os anos de crescimento como na idade adulta.
Além do corpo visível da pessoa, que vemos com nossos olhos físicos, existem outros veículos, mais refinados, que não são vistos pela grande maioria da humanidade; no entanto, eles não são apêndices supérfluos do corpo físico, mas, na verdade, muito mais importantes pelo fato de serem as fontes de toda ação. Sem esses veículos mais refinados, o corpo físico – o Corpo Denso – seria inerte, sem sentido e morto.
O primeiro desses veículos chamamos de Corpo Vital, porque é a avenida da vitalidade que fermenta a massa inerte do corpo mortal nos anos de vida e nos dá força para nos mover.
O segundo é o Corpo de Desejos, a base das nossas emoções e sentimentos, o corpo que estimula o corpo visível a agir. Esses três veículos, juntamente com a Mente, constituem a Personalidade, que é então percebida pelo espírito.
Cada um dos Corpos que nomeamos tem sua própria natureza essencial e podemos dizer que a palavra-chave do Corpo Denso é “Inércia”, pois ele nunca se move, a menos que seja impelido por esses corpos invisíveis e mais sutis. A palavra-chave do Corpo Vital é “Repetição”. Isso é facilmente compreendido, quando consideramos que, embora ele tenha o poder de mover o corpo, é apenas por impulsos repetidos e do mesmo tipo que aprendemos a coordenar os movimentos do corpo conforme nós, o Ego – o Espírito Virginal da Onda de Vida Humana manifestado –, desejamos. Se formos a um instrumento musical como um órgão pela primeira vez e nos esforçarmos para tocar, não seremos imediatamente capazes de mover os dedos da maneira desejada para produzir os tons adequados; executar até os mais simples movimentos coordenados dos dedos, necessários para fazer a harmonia apropriada, requer nossos esforços repetidos. Por causa dessa necessidade de repetição, é uma máxima oculta que todo desenvolvimento oculto começa com o treinamento do Corpo Vital.
O Corpo de Desejos, que sentimos como nossa natureza emocional, por outro lado, está sempre buscando algo novo. Esse desejo de mudança de condição, mudança de cenário, mudança de humor, o amor pela emoção e sensação ocorre devido às atividades do Corpo de Desejos, que se assemelha ao mar durante uma tempestade, cheio de ondas, sacudindo-se para cá e para lá, ao acaso e sem desígnio, onde cada onda é poderosa e destrutiva, porque é desenfreada e sem fidelidade ao poder dirigente e central.
A Mente, na verdade, é o foco através do qual o Ego se esforça para subjugar a Personalidade e guiá-la de acordo com a habilidade adquirida durante seu período evolutivo. Mas, atualmente, apenas uma quantidade muito pequena de pessoas pode fazer isso; a maioria é, portanto, guiada principalmente por seus sentimentos, desejos e emoções, sem muita receptividade à razão ou ao pensamento racional.
Reconhecendo o grande e maravilhoso poder das emoções, dos desejos e sentimentos e sua receptividade ao “ritmo”, que pode ser aceito como sua palavra-chave, a teologia progressiva, também chamada de “moderna”, se dirigiu ao Corpo de Desejos, e concentrou seus esforços em apelos a esse veículo. É essa parte da nossa natureza que gosta das diversões do sensacional pastor, ministro ou padre do “teatro de variedades”. É esse veículo que balança e geme sob o discurso rítmico do revivalista, ele próprio vibrante de emoção. Subindo e descendo na medida bem calculada da voz do falante, a unidade de tom é logo estabelecida, um estado de hipnose real em que a vítima não pode evitar de se converter, “se arrependendo do caminho do pecado que, até então, trilhou,” do mesmo jeito que a água não pode evitar correr morro abaixo. Eles percebem de forma poderosa, mas breve, a enormidade dos seus pecados e estão igualmente ansiosos para começar uma vida melhor; contudo, infelizmente a próxima onda de atração em sua natureza emocional lava tudo o que o pregador disse, todas as suas resoluções, e eles ficam exatamente onde estavam antes, para grande desgosto e tristeza desse mesmo pregador, seja pastor, padre ou ministro.
Assim, todos os esforços para elevar a humanidade pelo trabalho sobre o instável Corpo de Desejos são, e sempre devem se mostrar, fúteis. Isso, as Escolas de Mistérios, como o é a Fraternidade Rosacruz, de todas as épocas reconheceram e, portanto, dedicaram-se à mudança no Corpo Vital, trabalhando em sua natureza, que é a repetição. Para esse propósito, todas as verdadeiras Escolas de Mistérios escreveram vários rituais adequados à humanidade em diferentes estágios do desenvolvimento dela e, dessa forma, promoveram o crescimento da alma de modo lento, mas seguro, independentemente do ser humano estar ciente de que estivesse sendo estimulado internamente dessa maneira. Por exemplo, o Antigo Templo de Mistérios dos Atlantes, que chamamos de Tabernáculo no Deserto – e que tanto estudamos na Fraternidade Rosacruz –, tinha certos ritos que foram prescritos no monte, pela Hierarquia Divina ou Criadora que era o mestre deles naquele momento. Certos ritos eram realizados durante os dias da semana; outros eram, especificamente, usados no Sabbath e, afinal, mais alguns eram praticados nos festivais nos dias da Lua Nova e no grande festival solar. Não era permitido a pessoa alguma, incluindo o Sumo Sacerdote, alterar esse ritual, que poderia resultar ao transgressor dores, sofrimentos e até pena de morte.
Também entre outros povos antigos encontramos evidências de um ritual — os hindus, os caldeus e os egípcios o usavam em seus serviços religiosos; entre os últimos temos, por exemplo, o chamado Livro dos Mortos como uma evidência do valor oculto e do escopo de tais serviços ritualísticos. Mesmo entre os gregos, embora fossem notoriamente individualistas e ansiosos por dar expressão à sua própria concepção, encontramos o ritual nos mistérios. Mais tarde, durante a chamada Era Cristã, temos o mesmo ritual de inspiração ocultista na igreja católica como meio de promover o crescimento anímico por meio do trabalho no Corpo Vital.
Tudo isso não quer dizer que não houve abusos dentro desses vários sistemas de Religião, nem que os Sacerdotes sempre foram homens Santos e que suas mãos estiveram limpas e imaculadas, quando ministravam o Sacrifício ou o ritual. É fato que os abusos, às vezes, se tornavam tão grandes que fossem necessárias reorganizações. O movimento protestante foi inaugurado por Martinho Lutero para fugir dos abusos que surgiram dentro da igreja católica. Mas, todos esses sistemas tinham em si o cerne da verdade e do poder no fato de trabalharem para o desenvolvimento do Corpo Vital e, portanto, por mais corruptos que fossem os Sacerdotes, o ritual sempre reteve seu grande poder. Consequentemente, quando os “reformadores” abandonaram o ritual, eles estavam exatamente na mesma posição que os atenienses da Colina de Marte, sendo forçados a buscar continuamente algo novo. Em cada denominação há um desejo pela verdade; cada uma das seitas hoje luta para resolver o problema da vida à sua própria maneira, no entanto, cada uma toca uma nova nota de maneira aleatória e, portanto, todas estão falhando, enquanto, por exemplo, a igreja católica, com todos os seus abusos, ainda exerce uma influência maravilhosa sobre seus adeptos, por causa do poder do ritual.
É de conhecimento oculto que o nascimento é um evento quádruplo e que o nascimento do Corpo Denso é apenas uma etapa desse processo. O Corpo Vital também passa por um desenvolvimento análogo ao crescimento intrauterino do Corpo Denso; ele nasce por volta do sétimo ano de vida. Durante os próximos sete anos, o Corpo de Desejos amadurece e nasce por volta do décimo quarto ano, quando chega a adolescência. A Mente nasce por volta dos vinte e um, quando começa a idade da responsabilidade do homem e da mulher. Esses fatos ocultos são bem conhecidos, de uma forma ou de outra, pela igreja católica.
Enquanto os padres, pastores ou ministros dessas igrejas “progressivas”, “modernas” ou “atualizadas” trabalham sobre a natureza emocional, que está sempre em busca de algo novo e sensacional, sem perceber a futilidade da luta e o fato de que esse veículo é o mais desenfreado, o que leva as pessoas dessas igrejas a buscar algo novo e sensacional, a igreja católica, de alguma forma ocultamente informada, concentra seus esforços nas crianças. “Dê-nos a criança até o sétimo ano e ela será nossa para sempre”, dizem eles, e estão certos, focando na catequese.
Durante esses sete anos importantes, eles impregnam os flexíveis Corpos Vitais pela repetição. As muitas orações repetidas, os rituais, o tempo e a melodia dos vários cantos, tudo isso têm efeito poderoso no Corpo Vital que está em crescimento. Tampouco importa que o ritual esteja em língua desconhecida, pois para o Ego essa mensagem vibratória é um cântico de cor divina, inteligível a todos os espíritos. Nem importa que a criança repita isso como um papagaio, sem entender, desde que repita o que lhe é dado. Quanto mais, melhor, pois essas vibrações ocultas são, assim, incorporadas ao seu Corpo Vital, antes de ele se estabelecer, e aí permanecerão por toda a vida. Cada vez que uma missa é entoada pelos servos da igreja, em qualquer parte do mundo, o poder vibratório e cumulativo do seu esforço agita aqueles que têm as linhas de força afins em seus Corpos Vitais de tal maneira que são atraídos para a igreja com uma força, geralmente, irresistível. Isso segue o mesmo princípio de que, quando um diapasão é tocado, outros de afinação idêntica começam a cantar.
Alguns católicos se voltaram contra a igreja católica, mas subconscientemente e no íntimo permaneceram católicos até o dia da morte, pois o Corpo Vital é extremamente difícil de mudar e as linhas de força embutidas nele, durante seu período de gestação, são praticamente mais fortes do que a vontade de qualquer indivíduo.
Segue-se, portanto, que se mudássemos a tendência do mundo, de buscar o prazer e a gratificação dos sentidos, excluindo a Religião, faríamos bem em começar com as crianças pequenas. Se as reunirmos no altar, ensinarmos a amar a casa de Deus, agregarmos certas orações universais e partes do ritual na formação de seus Corpos Vitais, cultivando em todos o ideal de reverência por um lugar sagrado, então, aos poucos construiremos em torno da estrutura de pedra física um templo invisível de Luz e Vida; (isso tem significado literal, porque tais templos são visíveis à visão espiritual), como descreve Manson, no livro “The Servant in The House” de Charles Rann Kennedy, nas seguintes palavras:
“Temo que você não considere isso uma preocupação totalmente substancial. Tem que ser visto de certa maneira sob certas condições. Algumas pessoas nunca veem isso… Você deve entender que esta não seja uma pilha de pedras e madeira morta ou sem sentido. É uma coisa viva. Ao entrar, você ouve um som, o som de um poderoso poema entoado. Ouça por bastante tempo e você aprenderá que é feito de batidas de corações humanos. Da música sem nome das almas dos seres humanos; isto é, se você tiver ouvidos. Se você tiver olhos, verá a própria igreja, um mistério iminente de formas e sombras que saltam do chão à cúpula. O trabalho de um construtor incomum”.
“Seus pilares sobem como troncos musculosos de heróis e a doce carne humana de homens e mulheres é moldada em torno de seus baluartes, forte, inexpugnável. Os rostos das crianças riem de cada pedra angular; seus admiráveis vãos e arcos são as mãos unidas de companheiros; nas alturas e nos espaços estão inscritas as inúmeras reflexões de todos os sonhadores do mundo. Ainda está sendo construído, sendo construído… Às vezes, a obra avança em trevas profundas; às vezes, em luz ofuscante. Agora sob o peso de uma angústia indescritível; aqui, ao som de grandes risos e gritos heroicos como o brado de um trovão. Às vezes, durante a noite pode-se ouvir as pequenas marteladas dos companheiros trabalhando na cúpula, os companheiros que subiram”.
Quando tivermos construído tal igreja, descobriremos que qualquer um que entre estará mais do que ansioso para permanecer “em sintonia com o infinito”.
Lembremos que como Estudantes Rosacruzes é sumamente importante termos um coração nobre, pois se formos só pelo conhecimento intelectual, estaremos deixando de praticar uma das máximas que São Paulo nos ensina na Bíblia, qual seja: o conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica (e o amor só se sente com um coração nobre, e jamais com um coração duro). Normalmente quem caminha só pelo intelecto deprecia a Religião Cristã (aqui hoje entendida como Cristianismo Popular, já que com seu coração duro nem consegue conceber o que seria, de fato, o Cristianismo Esotérico), porque acham que falta a ela uma concepção intelectual do Universo.
Afinal: “ainda que eu conheça todos os mistérios e toda a ciência, se não tiver Amor, serei como o metal que soa ou como o sino que tine” e este amor deve ser utilizado no serviço e no auxílio aos nossos semelhantes.
Por fim, como lemos, relemos e estudamos no livro de Max Heindel Carta aos Estudantes: “Espero que todos os Estudantes Rosacruzes compreendam que vivemos numa terra Cristã e, assim, somos Cristãos de coração. Todos somos Cristos em formação. A natureza do amor está desabrochando em todos nós, portanto, por que não nos identificarmos com uma ou outra das igrejas cristãs que acalentam o ideal de Cristo? Alguns dos melhores Estudantes Rosacruzes da Fraternidade Rosacruzes são membros ativos de igrejas Cristãs. Muitos estão famintos pelo alimento que temos para lhes dar. Não podemos compartilhar desse alimento com eles mantendo-nos afastados. Prejudicamo-nos pela negligência em não aproveitar a grande oportunidade de ajudar na elevação da igreja cristã.
Naturalmente, não há coação nisto. Não pedimos que se unam ou cuidem da igreja, mas se formos até ela com espírito de ajuda, afirmo-lhes que experimentarão um maravilhoso crescimento de alma em um curto espaço de tempo. Os Anjos do Destino, que dão a cada nação e povo a Religião mais apropriada às suas necessidades, nos colocaram em uma terra Cristã, porque a Religião Cristã favorece um amplo crescimento anímico. Mesmo admitindo que a igreja tenha sido obscurecida pelo credo a pelo dogma, não devemos permitir que isto nos impeça de aceitar os ensinamentos que são bons, porque isso seria tão infrutífero como centralizar a nossa atenção sobre as manchas do Sol recusando ver a sua luz gloriosa. Medite sobre este assunto, querido amigo e amiga, a tomemos por lema deste mês; Maior Utilidade, para que possamos crescer, empenhando-nos sempre no aperfeiçoamento das oportunidades surgidas.”
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1916 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
É fato que tanto o altruísmo impulsionado por Cristo, ano após ano, quanto a gradual expansão de consciência, promovem alterações na dinâmica do funcionamento biológico de diferentes partes do nosso Corpo Denso. Vamos ver parte destas mudanças graduais, que está estreitamente relacionada à promoção de maior longevidade e até mesmo da tão mal compreendida vida eterna.
Primeiro de tudo vamos recapitular o modo como nos tornamos conscientes no Mundo Físico. Essa recapitulação se faz necessária para traçar uma linha de referência de nosso desenvolvimento. Conforme aprendemos na Filosofia Rosacruz, nós, um Espírito Virginal da Onda Humana, descemos dos Mundos superiores na parte desse Esquema de Evolução que denominamos Involução. Por ação recíproca, Corpos constituídos de materiais correspondentes aos Mundos que passávamos foram construídos. Ao todo, três Corpos foram desenvolvidos (Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos) com o propósito de desenvolver os três princípios divinos que o ser humano (a Onda de Vida Humana composta de Espíritos Virginais) herdou de Deus (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano); pois tal como Deus, quando se manifesta, o faz de forma tríplice (Pai, Filho, Espírito Santo), nós, criados a Sua imagem e semelhança, também o fazemos. Mas para que houvesse comunicação entre os princípios divinos e seus instrumentos um veículo mental teve de ser nos dado; assim a união entre os Corpos e os respectivos Espíritos foi estabelecida por meio desse veículo que chamamos de Mente. A partir daqui o Espírito se torna um Ego: um Espírito Virginal manifestado em forma sétupla (Tríplice Espírito, Tríplice Corpo e a Mente). Neste ponto do desenvolvimento, a dual força criadora (polo masculino ou vontade e polo feminino ou imaginação) ainda era direcionada para baixo. Isto é, ambos os polos, direcionados para o mesmo sentido, conferia a nós a capacidade de sermos hermafroditas.
No entanto, para que as vivências exteriores pudessem ser capturadas e para que as ideias concebidas pela Mente pudessem ser transmitidas, adaptações no Corpo Denso ocorreram. Para isso, um encéfalo, que fosse capaz de processar as informações provenientes do meio e enviar tais códigos para que o Espírito trabalhe sobre as mesmas e, por fim, transmitir estas conclusões de volta ao meio, deveria ser construído. Também uma laringe para facilitar a comunicação das conclusões que foram produzidas pelo processamento das informações provenientes do meio.
Concomitante a essas necessidades, a matéria que hoje constitui nosso Planeta foi arrojada do Sol e, posteriormente, a matéria que forma a Lua foi arrojada da Terra. Tais separações promoveram expressões separadas de forças (força do Sol e força da Lua). Deste modo, alguns Corpos passaram a ser melhores condutores das forças solares e outros lunares. Um dos polos da dual força criadora foi internalizado e direcionado para cima, a fim de construir o cérebro e a laringe. No caso do Corpo masculino (influência do Sol), o polo feminino foi internalizado para este fim. Já o Corpo feminino (influência da Lua), o oposto. A condição de ser hermafrodita cessou e a necessidade da cooperação do sexo oposto para procriar se fez necessária.
Além disso, um meio físico que suportasse as altas vibrações do Espírito individualizado era necessário, para que o Ego pudesse governar seus Corpos. O sangue vermelho e quente constitui tal veículo. O metal marciano conhecido como ferro é o elemento essencial para a produção deste sangue vermelho e quente. Já é bem consolidado pela ciência atual que grande quantidade de sangue é direcionada a regiões do Corpo Denso que participa da realização de tarefas. O ocultista sabe que tal fenômeno significa o Ego utilizando sua ferramenta corporal para adquirir experiências.
Foi somente na Época Lemúrica – uma das Épocas que atravessamos nesse Período Terrestre desse atual Esquema de Evolução – que o ferro pode ser livremente utilizado (após a eliminação da influência marciana sobre a Terra) e, assim, o sangue se tornar mais quente no interior do Corpo Denso em relação a temperatura ambiente. Com o sangue quente e vermelho e com um cérebro e uma laringe bem formados, pudemos alcançar o estado de consciência de vigília, parecido com o que temos atualmente.
O plano inicial era o seguinte: quando o Ego renascia em um corpo feminino (mulher) era exposto a estímulos ambientais extremamente fortes (tempestades gigantescas, ventos, explosões vulcânicas): o objetivo era despertar a nossa consciência quando renascíamos como mulher para fora, e, por meio desta exposição a acontecimentos alheios, a atenção seria direcionada também para isso. Esta atenção fez com que iniciássemos um processo de construção de representações mentais das coisas externas (criação de códigos para que o Espírito pudesse interpretar o meio externo). Note que isso está de acordo com o que compreendemos hoje: mostra que tudo aquilo que o cérebro interpreta é, em realidade, representações mentais subjetivas que servem como código ou referência. Não enxergamos as coisas como elas são, mas enxergamos as representações mentais que criamos para interpretar estas coisas. O meio pelo qual as representações foram criadas ocorreu pela imaginação (força feminina).
Já quando renascíamos como homem, os estímulos corporais de dor e de estados de prisões eram determinados. Os estados de prisões eram realizados de modo que o, então homem, pudesse, com um pouco de força de vontade, se libertar. Já a dor, fazia com que um movimento para que a mesma cessasse fosse realizado. Ambos tinham o objetivo de despertar a vontade (força masculina).
Vemos, deste modo, as duas polaridades sexuais agindo separadamente, e métodos de aprendizagem adaptados a cada um eram necessários. Juntamente com esses estímulos, os Arcanjos – seres que estão a dois graus de evolução acima de nós – neutralizavam o nosso Corpo de Desejos, e este só era libertado em épocas propícias para a procriação. A procriação era orientada pelos Anjos – seres que estão a um grau de evolução acima de nós.
Diferentemente dos Anjos, que direcionam toda sua energia criadora para fora de si e, em troca, recebem sabedoria, nós internalizamos metade de nossa força criadora para construção de uma laringe e um cérebro. A internalização para autosserviço determina uma característica de individualismo genuíno para nós. Se meditarmos sobre este caminho, compreenderá que o processo era demasiadamente lento, mas garantia o despertar seguro da vontade e da imaginação humana. Isto é, naquela época, a personalidade e o temperamento não agiam como um fator de dificuldade tal como ocorre nos dias de hoje. Pelo menos até o ponto em que este plano pôde perdurar.
Mesmo que a morte do Corpo Denso também ocorresse naquela época, a longevidade era muito maior do que atualmente, pois não conhecíamos o pecado (transgressões das leis). Quando renascíamos como mulher, pela imaginação, já conseguíamos identificar muitas coisas que ocorria fora de nós mesmos. Mas também conservávamos a visão etérica das coisas. Por isso, quando percebíamos a morte de um Corpo Denso, ao mesmo tempo, também percebíamos a permanência do Corpo Vital; isto é, a pessoa que morria no Mundo Físico permanecia viva, e esse fato nos deixava extremamente confusos.
Para acelerar o processo de evolução, os Espíritos Lucíferos – uma parte da Onda de Vida Angélica que se atrasou – entraram em contato quando renascíamos como mulher pela coluna espinhal, relatando que poderia gerar um novo Corpo Denso que morria. Para isso, deveria realizar o ato sexual (“árvore do conhecimento”) sem esperar o comando dos Anjos. Isso a tornaria, juntamente com o homem, semelhante aos deuses (com capacidade de “criar”). Esse ato também favoreceria a libertação do Corpo de Desejos, pois haveria motivação para procriação sem a presença dos Arcanjos.
Por isso a Bíblia relata que Lúcifer era uma serpente sábia (coluna espinhal) que apareceu para Eva em uma árvore. Lúcifer (portador da luz) tentou adiantar o processo, nos ensinando a nos libertarmos da influência dos Anjos e dos Arcanjos, assumindo a própria evolução e geração de novos Corpos.
Isto é relatado na Bíblia como a expulsão da humanidade do Jardim do Éden, que a obrigou a “comer poeira todos os dias de tua vida” e “com o suor de teu rosto, comer teu pão, até que retornes ao solo” (Gn 3:14 e 19). O problema é que o Corpo de Desejos estava em situação muito rudimentar, composto, praticamente, apenas de materiais das Regiões inferiores do Mundo do Desejo. A Mente também estava em situação similar, sendo muito fraca para refrear o desejo e direcioná-lo aos propósitos do Ego. Somados a genuína condição de individualismo, o egoísmo e as paixões predominaram e uma série de desequilíbrios deu início.
Devemos, pois, a Lúcifer e a seus “Anjos caídos”, à capacidade de ser autômato e da possibilidade de desenvolvermos ao ponto de nos tornarmos semelhante aos deuses – por isso, a ideia de que Lúcifer é mau e que devemos abominá-lo está incutido no inconsciente humano, pois foi ele que nos abriu os olhos para utilizamos nossos poderes para sermos iguais aos deuses (superiores aos Anjos). O problema é que tal estado só será alcançado quando a personalidade for dominada (estado ainda sonhado pela maioria das pessoas que já despertaram para a vida espiritual).
O individualismo genuíno, transformado agora em egoísmo e orgulho pela personalidade, fez com que cada ato nosso fosse direcionado para benefício próprio e quase nenhuma cooperação era conseguida. A sabedoria divina, incutindo determinadas motivações no âmago da personalidade, fez com que a evolução não fosse totalmente frustrada. As motivações foram: Amor, Fortuna, Poder e Fama. O desejo de alguma ou várias destas coisas é o motivo pelo qual fazemos ou deixamos de fazer algo. Isso promove alguma experiência e aprendizado. O livro Conceito Rosacruz do Cosmos já explorou todos os fatos mencionados até o momento com extraordinária maestria. Convidamos o leitor a estudar este livro, a fim de que tenha uma ideia melhor de tudo isso.
Agora que foi recapitulado o processo de aquisição do estado de vigília e esclarecido o modo pelo qual deixamos o plano inicial de evolução e iniciamos o processo de evolução “por nossa própria conta e risco”, podemos ver que mudanças físicas estão ocorrendo devido ao aumento da consciência e do altruísmo no mundo.
O Corpo Denso é um instrumento que, atualmente, possui duração pré-determinada de utilidade para servir ao propósito do Ego que é: extrair a quintessência das experiências vividas (experiência). Com o passar do tempo, suas funções vão declinando (devido a nossa incompetência em não o deixar cristalizar), até que a morte (a nossa incapacidade em se manter renascido nesse Corpo Denso) sobrevém.
Dois fatores importantes atrapalham o desenvolvimento dos nossos poderes: 1) a busca da satisfação pessoal imposta pela personalidade que inclui o gasto demasiado da força sexual, a gula, os vícios, os maus hábitos, as omissões, as preguiças e irresponsabilidades com a saúde, todos constituem maiores prazeres físicos e encurtamento da vida. Isso significa menores oportunidades de crescimento para nós. 2) Outro fator é a influência da Lei de Consequência, pois muitos desequilíbrios foram gerados a partir da falsa iluminação lucífera. As doenças limitam, consideravelmente, a qualidade da nossa produção anímica.
Entretanto, isso não significa ausência de possibilidades para geração produção anímica. A Graça Divina é tamanha que há espaço para o desenrolar concomitante de produção anímica e o reequilíbrio das Leis transgredidas. Esse plano só pôde ser concretizado a partir do trabalho misericordioso de Nosso Senhor (o Cristo), que anualmente “retira o pecado do mundo”, isto é, purifica o Mundo do Desejo da Terra com seu Altruísmo. Com isso, disponibiliza materiais para que possamos avançar no caminho, mesmo que ainda tenhamos muitos pecados.
O tema astrológico natal revela as nossas tendências de pontos fracos, cuja ciência material compreende como de origem genética e ambiental. Tais tendências são determinadas a partir dos desequilíbrios praticados em nossas vidas precedentes e de desequilíbrios que tenderemos a realizar na presente vida. Por meio da progressão pode-se saber o momento em que tais tendências estarão ativas e fortes.
Independentemente do tipo de doença e do tratamento que o doente e seus cuidadores devem buscar, duas são as fontes de energia que, se deficitárias, acelerarão o desenvolvimento de qualquer patologia: 1) a energia vital que vem diretamente do Sol e é absorvida através do baço; e 2) a energia proveniente dos alimentos físicos, produto da respiração celular realizada, principalmente, pelas mitocôndrias. “É a fusão dessas duas correntes que produz o poder latente que está armazenado em nosso Corpo Vital até converter-se em energia dinâmica pelo desejo marciano natural” (veja mais detalhes no livro O Mistério das Glândulas Endócrinas) e, assim, podemos utilizar essa energia para produzir crescimento anímico.
Com foco na corrente de energia proveniente do consumo de alimentos, Max Heindel descreve: “o sangue que entra em contato com o ar, todas as vezes que respiramos, passa pelos pulmões e, da mesma maneira que uma agulha é atraída para um imã, o oxigênio do ar inspirado se mistura com o ferro no sangue. Realiza-se, então, um processo de combustão que é semelhante à ferrugem ou oxidação que observamos no ferro exposto ao ar”. Continua: “a experiência ensinou-nos que o material combustível pode ser colocado em uma fornalha com todas as condições necessárias para a combustão, porém, até que se use o fósforo, os materiais não serão consumidos. Aqueles que estudaram as leis de combustão sabem que uma corrente de ar bem forte leva consigo grande quantidade de oxigênio, que é necessário para se obter calor do combustível que contém muito mineral”. Assim, oxigênio é o acelerador deste processo. “Um processo similar ocorre dentro do corpo, que é o templo do espírito” (veja mais detalhes no livro Maçonaria e Catolicismo).
O processo de combustão que ocorre dentro do Corpo é um pouco diferente da combustão verificada, por exemplo, quando se queima gasolina, madeira ou papel. Neste último, o processo de retirada de energia ocorre em grande quantidade e de uma única vez. Por outro lado, a respiração celular promove quebra das cadeias de carbono (processo químico necessário para a retirada de energia das moléculas) de modo gradativo e em pequenas parcelas. Isto é necessário para a preservação da estrutura das células, pois se a combustão ocorresse como no primeiro exemplo, as células pereceriam pelo excesso de energia. Além disso, a energia retirada pelas mitocôndrias não é consumida rapidamente, mas permanece dissolvida na célula e, gradativamente, é utilizada no metabolismo.
Um dos problemas é que durante a extração de energia, moléculas incompletas de oxigênio também são geradas: incompletas por conterem um número ímpar de elétrons em sua última camada eletrônica. Este elétron ímpar, que se estabelece após cada quebra das cadeias de carbono, pode ser não pareado com o restante dos elétrons do átomo em questão. Em outras palavras, sua órbita segue uma rota diferente da órbita dos demais elétrons. Tal característica confere-lhe grande capacidade de reagir com outras biomoléculas que existem na célula, contra as quais colidem. Essa reação forçará a retirada de elétrons de outras moléculas que já são completas e possuem função importante dentro do sistema biológico (principalmente lipídios e proteínas das membranas celulares e, até mesmo, o DNA). Essa retirada de elétrons modificará suas adequadas estrutura e função. Os exemplos mais comuns de radicais de oxigênio altamente reativos são: radicais superóxido (O2-), hidroxila (OH-), peroxila (RO2), alkoxila (RO) e hidroperoxila (HO2). O óxido nítrico (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2) são espécies reativas de nitrogênio.
O organismo normalmente consegue equilibrar os efeitos desses radicais de oxigênio reativos (radicais livres). Porém, há casos em que ocorrem desequilíbrios a favor do sistema pró-oxidantes em detrimento do sistema antioxidantes. Isto é denominado estresse oxidativo. O acúmulo dos efeitos do estresse oxidativo promove danos nas células e acelera o surgimento de doenças e envelhecimento (principalmente se ocorrer em órgãos do corpo relacionados a vulnerabilidades que acumulamos em outras vidas), fatores estes que limitam as nossas oportunidades de gerar experiências e crescimento anímico.
Dentre as doenças já comprovadas pela ciência física que estão relacionadas aos efeitos dos radicais livres, somados a outros fatores estão: demência de Alzheimer, doença de Parkinson, aterosclerose, complicações da diabetes mellitus, câncer, doenças cardiovasculares, catarata, declínio do sistema imunológico, disfunções cerebrais, o envelhecimento precoce, enfisema pulmonar, doenças inflamatórias, entre outras.
Sobre a respiração celular e oxigênio dentro do Corpo Denso, Max Heindel continua: “É a chama que acende o fogo interior e gera o produto espiritual que se exterioriza de todas as criaturas de sangue quente, da mesma maneira que o calor se irradia de uma estufa. Estas linhas radiantes de força que emanam de nossos Corpos Densos de maneira invisível à visão física, são nossa aura, como já foi dito e, não obstante a cor da aura de cada indivíduo diferir da dos outros, existe uma cor básica ou fundamental que mostra sua posição na escala da evolução. Nas raças inferiores esta cor básica é um vermelho fraco, semelhante ao vermelho de um fogo que queima lentamente, que indica sua natureza passional e emocional (isso indica que a pessoa ainda responde a Lúcifer e a Jeová). Ao examinarmos as pessoas que estão em grau mais elevado na escala da evolução, a cor básica ou a vibração irradiada por elas parece ser de uma tonalidade alaranjada, que é o amarelo do intelecto misturado com o vermelho da paixão”.
O uso de antioxidantes, pela alimentação, naturalmente pode evitar os danos corrosivos dos radicais livres de oxigênio. O problema é que as transgressões das Leis Divinas e a natureza passional, em muitos casos, são tamanhas, que o uso de oxidantes nem sempre é suficiente, e os danos ainda permanecem. A produção de radicais livres constitui um fator natural do Corpo Denso e sempre foi programada por nós mesmos. Afinal, o propósito da existência física é o acúmulo de experiências e não devemos permanecer na Terra para “todo o sempre”. Naturalmente, processos que facilitam a morte e o desgaste do Corpo Denso devem ocorrer. O comer da Árvore da Vida, provavelmente, implicaria em também solucionar o problema dos efeitos dos radicais livres, dentre outros relacionados a doenças e morte do Corpo Denso.
“A auréola dourada ao redor dos santos, pintada por artistas dotados de visão espiritual, é a representação física de uma promessa espiritual que se aplica à humanidade como um todo, embora isto tenha sido compreendido apenas por alguns poucos, que são chamados Santos. Após vidas de luta com suas paixões, perseverança no fazer o bem, cultivando nobres aspirações e depois de aderir firmemente a propósitos superiores, estas pessoas elevaram-se acima do raio vermelho e estão agora totalmente imbuídas com o raio dourado de Cristo e sua vibração.” Max Heindel continua: “A cor dourada natural é o raio de Cristo, que encontra sua expressão química no oxigênio, um elemento solar”.
Naturalmente, podemos concluir que conforme a correspondência às vibrações Crísticas e o estabelecimento de uma vida com propósitos superiores, tanto a eficiência das mitocôndrias no processo de respiração celular quanto fatores que neutralizam os radicais livres aumentarão, promovendo menores danos às células e maior longevidade saudável. Porém, tal conclusão parece ser equivocada. Lembre-se: o propósito do Ego não é permanecer na Região Química do Mundo Físico, mas retornar ao Pai com sua herança divina despertada e totalmente desenvolvida (essa é a significância da Parábola dos Talentos que lemos na Bíblia).
Qual a diferença de desempenho de uma pessoa experiente de outra iniciante, em uma dada tarefa em comum? A diferença básica é que a pessoa experiente já aprendeu todos os mecanismos e as técnicas necessárias para desempenhar, com segurança, cada etapa de uma tarefa. Por isso, aplica de modo direcionado, com paciência e observação, a quantidade ideal de energia (vontade) e estratégias para cumprir o propósito com eficiência. Já o inexperiente, por não conhecer os mecanismos e nem as técnicas, necessita muito tempo para aprender e tirar conclusões. Além disso, mesmo que realize todo este movimento, se realmente não se dedicar na extração da experiência, pouca memória formará. Isso significa que “viveu as cegas”, e continuará a gastar bastante energia todas as vezes que se deparar com a mesma situação, sendo um eterno aprendiz das mesmas coisas.
O acúmulo de experiência permite o menor gasto de energia e, assim, menor necessidade das funções das mitocôndrias para gerar energia. Isso não significa que há menos atividades ou produção anímica. Inversamente, se faz muito mais com muito menos! Conforme a correspondência de vida vai gradativamente se afinando com as lições Cristãs, o uso dos Corpos ocorre mais adequadamente. Isto é, o Eu Superior domina a personalidade. Este domínio pode ser ilustrado da seguinte maneira:
Vemos, pois, que uma vida bem vivida está pautada no acúmulo de sabedoria e firmada a propósitos superiores. Não há outro propósito maior do que estes. A fé, o amor universal, o propósito de contribuir com a evolução da humanidade e a convivência com verdades espirituais, revelam caminhos tão sublimes e infinitos que tornam cada ato da vida uma nota musical afinada à grande sinfonia divina. Não haverá mais espaços para desequilíbrios ou transgressões das leis, mas sim ações que nos aproximam de Deus.
Lógica do menor esforço e maior eficiência é o padrão de ouro para a vida espiritual, mas ela exige o emprego constante da observação e aprendizado. Com o tempo, passaremos a evocar as experiências de modo tão eficiente que não mais necessitaremos dos arquivos do cérebro químico para nos fornecer referência de como agir, mas iremos acessar diretamente o Éter Refletor, não mais necessitando de energia física. Consequentemente haverá menos necessidade de mitocôndrias e menos radicais livres. Como a aproximação da nova Era passaremos a utilizar o Éter, um material com vibração superior aos elementos químicos, para manifestação do estado de vigília (já o fazemos atualmente, mas a quantidade será muito maior), pois o poder do Ego será tamanho que necessitará de materiais mais vibrantes para dar conta de sua expressão. Neste estado de Corpo de Vida, não mais conheceremos a morte e a vida eterna será, então, uma realidade.
Um dos polos da dual força criadora foi internalizada e direcionada para cima, a fim de construir um cérebro e uma laringe. Antes, ambas eram direcionadas para baixo com o propósito de gerar Corpos Densos. Com o novo Corpo de Vida, não mais haverá mortes, sendo o ser humano Cristificado isento da paixão lucífera. O casamento místico, conforme bem expressado por Salomão em seu “Cântico dos Cânticos”, mostra a reunião dos polos da força criadora, mas agora com parte que permaneceu para baixo também direcionada para cima. “O homem deve se casar com a mulher que possui dentro de si mesmo, e a mulher com seu homem interno”. O mito denominava cada polo como Anima (feminino) e Animus (masculino). Com esta re-união dos polos criadores, mas direcionados para cima, a palavra fornecerá o molde (o verbo se fará carne) para gerar obras tão grandiosas como as obras dos deuses.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Esta manhã eu quero falar sobre os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz e o trabalho deles.
Temos o privilégio de contarmos com a inspiração da Filosofia da Fraternidade Rosacruz, que nos foi dada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz são seres humanos que passaram pelas nove Iniciações Menores e pelas quatro Iniciações Maiores. Vamos explicar tudo isso nesse texto à frente.
O trabalho dos Irmãos Maiores é nos explicar todo o processo, desde a criação até a Involução, a Evolução e a realização divina. Eles trabalharam com nosso fundador, Max Heindel, para realizar esta obra monumental chamada “Conceito Rosacruz do Cosmos”, que é muito rica em significado espiritual.
No século XIV, no ano 1313, Christian Rosenkreuz, um elevado Iniciado nos Mistérios Cristãos, fundou a Ordem Rosacruz. Ele escolheu doze irmãos, todos Adeptos e Iniciados nos Mistérios Maiores, cuja missão seria expandir os Mistérios Cristãos por meio da Escola de Mistérios Rosacruz e promover a evolução espiritual do ser humano, particularmente no mundo ocidental.
Agora, o que realmente queremos dizer com Iniciação? Iniciações são experiências internas que, primeiro, conectam-nos ao nosso passado, na fase de Involução; depois, aos dias atuais e, finalmente, elas nos movem através das etapas da nossa Evolução futura. A Iniciação envolve a expansão da consciência humana, a ativação consciente do relacionamento mais próximo conosco mesmo (Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida Humana manifestado), dentro do qual está o que chamamos de nosso “eu superior”, e inclui o desenvolvimento prático de nossas faculdades criativas e divinas, em uma base diária. Em última análise, isso leva à compreensão e à ativação de nossa onipotência, onisciência e onipresença divinas. Durante a Involução-Evolução cósmica da nossa jornada, nós nos sintonizamos com o eu superior por meio de uma vida correta. A vida correta consiste em praticar a ação correta, o sentimento correto, o pensamento correto e a intenção correta – e realmente viver uma vida de serviço aos outros, à luz do amor e da abnegação.
Essas experiências espirituais são o domínio, o poder, e são supervisionadas pelas Escolas de Mistérios. O que são as Escolas de Mistérios? Existem 12 Escolas de Mistérios na Terra e cada uma delas é representada por um pequeno círculo ao redor do grande centro. Essas Escolas de Mistérios não estão no plano físico como as escolas regulares na Terra estão em um distrito escolar. Na verdade, elas estão no plano invisível e estão subdivididas em sete Escolas de Mistérios Menores, das quais a Fraternidade Rosacruz é uma. Essas Escolas atendem às necessidades dos Aspirantes à vida superior por meio do processo de trabalho de nove Iniciações Menores. Então, como há sete Escolas de Mistérios Menores, há cinco Escolas de Mistérios Maiores que trabalham com Aspirantes à vida superior que já completaram as nove Iniciações Menores por meio do trabalho das Escolas de Mistérios Menores.
Cada uma das Escolas de Mistérios é, na verdade, uma Ordem com doze Irmãos Maiores e ao redor deles está o décimo terceiro membro. Um dos propósitos das Escolas de Mistérios é fornecer o Treinamento Esotérico ou a Educação Esotérica a todos os Aspirantes à vida superior que entrem no caminho da luz, a fim de acelerar o processo da própria evolução deles e agilizar a evolução de nossos Planetas, guiando-os de dentro para fora a fim de que se capacitem para entrar no portão dourado do templo etérico e interno, em que a Iniciação realmente ocorre.
Por que treze? Isso se baseia no princípio matemático e universal da geometria sagrada, a relação das partículas de matéria cósmica no espaço. Se vocês pegarem uma caixa com bolas de pingue-pongue, todas do mesmo tamanho, tomar uma e quiser escondê-la, colocando outras bolas ao redor dela, quantas bolas seriam necessárias? Na verdade, seriam necessárias doze bolas para esconder uma. É um exemplo, uma proporção matemática, algo que vocês não podem argumentar a favor ou contra. É um fato do universo. A Ordem Rosacruz tem doze Irmãos em torno de Christian Rosenkreuz, que é o décimo terceiro e o augusto líder da Ordem Rosacruz.
Agora, cada uma das doze Escolas de Mistérios tem um décimo terceiro membro. Pensemos assim: quando os doze Líderes se reúnem eles formam um nível superior de Escola que você pode chamar de conselho central da Fraternidade Branca. É centralizado, então eles se reúnem aqui, todos eles se reúnem na Fraternidade Branca, em torno do seu décimo terceiro, que é o Líder do Planeta, a quem chamaremos de Espírito Planetário da Terra e que está, atualmente, e desde a crucificação, sob a presença do Cristo.
Vamos falar sobre o Esquema, Obra, Caminho da Evolução para situarmos a necessidade dessas Escolas. O processo de Evolução, conforme indicado na Bíblia, ou o processo de criação, no Gênesis, leva sete “dias” ou sete etapas. Max Heindel e os Irmãos Maiores explicam que os sete Períodos são Períodos de manifestação que incluem Criação, Involução e Evolução. Assim, no livro do Gênesis, Deus, o Espírito dentro do Universo, faz Sua criação por meio de sete etapas cósmicas. Esses dias cósmicos duram eras de tempo. Eles não são dias de 24 horas. Eles são vastas extensões de tempo; na verdade, estão além do tempo, como o conceituamos atualmente.
Quando lidamos com esses Períodos, realmente temos que lidar com uma escala que está além do tempo e do espaço. Está nos Mundos celestiais. Mas vamos dar uma forma para que possamos nos relacionar com ela. Temos uma Mente concreta que precisa ter algo para ver, tocar e ao qual se apegar.
Então, na primeira fase da Evolução (que nós chamamos de Período de Saturno) estávamos envolvidos com o recebimento do germe do Corpo Denso e o início do seu desenvolvimento. Na fase seguinte (ou Período Solar) estávamos envolvidos com o recebimento do germe do Corpo Vital e o início do seu desenvolvimento. Na terceira fase (Período Lunar) estávamos envolvidos com o recebimento do germe do Corpo de Desejos e o início do seu desenvolvimento. E na primeira metade do Período Terrestre (a Metade Marciana) passamos pelo processo do recebimento do germe da Mente e o início do seu desenvolvimento (eu digo “nós” porque Deus e Sua criação não podem ser separados). Somos parte da Sua criação e, também, parte de Deus.
Na verdade, nossos Corpos e o nosso veículo Mente não são o que nós realmente somos. Eles são apenas instrumentos que usamos para adquirir sabedoria e experimentar as faculdades divinas. A parte real em nós é a chama do Espírito (a chispa divina, o Espírito Virginal da Onda de Vida Humana), que é invisível para a maioria e que, na verdade, não tem começo nem fim, vivendo para sempre. Ele permanece como um impulsionador dentro dos Corpos e dos seus veículos, enquanto passamos por nossas experiências.
Atualmente, estamos nesse estágio de criação. Começando deste ponto em diante, estamos agora iniciando a fase de Evolução. Quando descemos do Período de Saturno e começamos a trabalhar nesses germes, estávamos nos movendo do Mundo dos Espíritos Virginais para a Região Química do Mundo Físico (a fase da Involução nesse Esquema de Evolução). Agora, que estamos focados na Região Química do Mundo Físico, estamos começando a desfazer tudo isso e voltar ao Mundo dos Espíritos Virginais. Esse processo é chamado de fase da Evolução nesse Esquema de Evolução. Portanto, a segunda metade do Período Terrestre está envolvida com o aperfeiçoamento da Mente e com a assimilação de todas as qualidades e poderes do Corpo Denso pela Mente — aprender as leis do Mundo Físico. Agora, com a ciência, a orientação da filosofia espiritual e as experiências do coração podemos penetrar cada vez mais nos Mistérios da vida para que possamos entender de onde viemos, porque estamos aqui e para onde vamos.
O próximo Período é o Período de Júpiter, no qual estaremos envolvidos com a criação de um Corpo para o Espírito Humano ou a Mente abstrata, que é o veículo espiritual mais inferior do Ego. Na Religião Cristã esotérica nós nos referimos ao Espírito como um ser tríplice quando em manifestação – como estamos agora -, o Tríplice Espírito (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano). Falamos sobre o Espírito Santo, o Filho e o Pai, que basicamente representam três energias cósmicas — todas em um só Espírito. No Período de Júpiter, criaremos um Corpo que poderá usar o poder do Espírito Humano ou do Espírito Santo.
No próximo Período, o Período de Vênus, estaremos envolvidos na criação de um Corpo para o Espírito de Vida, o Espírito de Amor representado pelo Filho. Iremos assimilar todas as informações desse Corpo na Mente.
De lá, vamos para a próxima fase que é o Período de Vulcano, o “Dia Final da Criação”, no qual criaremos um Corpo para o Espírito Divino, o Pai, e espiritualizaremos nossa Mente, assimilando todas essas qualidades, para que tenhamos um Tríplice Corpo espiritual e uma Mente espiritualizada que nos ajudará a tornar criadores. No final do Período de Vulcano, que é o último Dia da Criação, seremos Deuses criadores. Teremos alcançado a onipotência divina com o pleno desenvolvimento de nossos poderes criativos; teremos alcançado a onisciência com o pleno desenvolvimento de nosso conhecimento consciente dos cinco degraus da evolução; teremos alcançado a onipresença com plena consciência nos reinos que estão envolvidos nesta fase de Evolução. Então, esse é um processo muito longo e amplo.
Para que possamos acelerar esse processo, temos a oportunidade de passar pelas nove Iniciações Menores. O primeiro voto do Iniciado é o de “silêncio”, o que significa que não há muita informação disponível sobre a Iniciação. Esse é um processo interno e individualizado. Cada um de nós passa por isso de maneira particular, em seu próprio tempo e, portanto, é difícil descrever para outra pessoa algo que ela mesma não tenha experimentado; mas Max Heindel e os Irmãos Maiores nos deram algumas dicas que podemos usar para falar sobre isso e ter uma ideia adequada sobre a Iniciação.
Os Aspirantes à vida superior aos nove Mistérios Menores são treinados esotericamente através de uma das sete Escolas de Mistérios Menores. As primeiras quatro Iniciações Menores conduzem o Aspirante à vida superior através de uma recapitulação dos quatro Períodos anteriores de Evolução. O Período de Saturno, quando construímos o Corpo Denso; o Período Solar, quando construímos o Corpo Vital; o Período Lunar, quando construímos o Corpo de Desejos; e a primeira metade do Período Terrestre (Metade Marciana), quando construímos a Mente. A quinta das Iniciações Menores o leva ao Período atual ou Metade Mercuriana do Período Terrestre. As últimas quatro Iniciações Menores conduzem a questões que abordam o desenvolvimento futuro, até o final do Período Terrestre. Todas as nove Iniciações Menores culminam na primeira Iniciação Maior, que resume todo o Período Terrestre. Depois disso, há mais três Iniciações Maiores que lidam com o estado de consciência dos próximos três Períodos desse Esquema de Evolução (o Período de Júpiter, o Período de Vênus e o Período de Vulcano), que eventualmente nos levam à libertação.
E esse caminho, na Fraternidade e Ordem Rosacruz, nós trilhamos iniciando como um Estudante Preliminar, depois Estudante Regular, depois Probacionista, depois Irmão Leigo e depois Adepto, antes de atingirmos o grau de Irmão Maior.
Agora, vamos falar sobre os Adeptos; o que queremos dizer com Adepto? Um Adepto é uma pessoa que se graduou, pelo menos, na primeira Iniciação Maior, o que significa que ela experimentou, internamente, com sucesso as nove Iniciações Menores e está prosseguindo em direção às quatro Iniciações Maiores (ou Iniciações Cristãs). Quando o Adepto passa pela primeira Iniciação Maior (que é uma experiência interna, é claro), ele passa por um processo alquímico que inclui uma transmutação biológica que muda a relação entre seus Corpos Denso e Vital, bem como entre os Corpos de Desejos e Mental, usando todo o poder armazenado no Dourado Manto Nupcial, no seu “super” Corpo-Alma.
Ao espiritualizar o seu Corpo Mental com práticas espirituais, disciplina mental e positiva, pensamentos edificantes e outros usos construtivos da Mente, eles moldam suas Mentes abstratas e concretas para processar mais luz espiritual. Ao purificar e elevar o Corpo de Desejos, o corpo por meio do qual expressamos sentimentos e emoções, eles se conectam com as Regiões superiores do Mundo do Desejo, ativando sentimentos mais nobres, mais compassivos e mais altruístas para criar uma conexão anímica mais profunda com os outros e com o universo. Ao ativar mais energias etéricas através de bons hábitos e boas intenções no dia a dia, de melhor higiene, do uso responsável da força criativa e da repetição de coisas boas, eles sobrecarregam os dois Éteres superiores do Corpo Vital; ou seja, o Éter de Luz e o Éter Refletor. Esses estão envolvidos com a percepção sensorial, cognição, atividade mental e memória; e isso permitem a eles fazer um trabalho maior nos planos internos, como Auxiliares Invisíveis e de forma plena e perfeitamente consciente.
Os Adeptos mantêm o Corpo Denso saudável com uma quantidade mínima de exercícios físicos, seguindo uma nutrição apropriada e assimilando quantidades suficientes de fósforo nos Corpos Densos, engajando-se em atividades positivas, construtivas e num estilo de vida altamente espiritual; quando prontos, os Adeptos iniciam conscientemente uma transmutação alquímica da sua estrutura bioquímica: de uma base de carbono para uma química à base de fósforo. O carbono tem quatro valências, o fósforo tem cinco; portanto, a base química é alterada. Esse processo é, em essência, a maneira como eles se tornam invisíveis, o que lhes permite navegar entre os reinos visível e invisíveis à vontade.
Eles, então, têm a capacidade de materializar e desmaterializar seus Corpos Densos à vontade. Isso lhes permite prestar um serviço maior à humanidade, pois atuam como agentes invisíveis ou auxiliares na orientação dos governos mundiais, como cientistas, artistas, filósofos, inventores, pensadores… Eles ajudam a promover um maior avanço da cultura nas áreas da arte, ciência, espiritualidade ou filosofia religiosa.
A Ordem Rosacruz consiste em doze Irmãos Maiores, ao redor de Christian Rosenkreuz, e um desses Irmãos está especificamente conectado à Fraternidade Rosacruz, porque ela é uma Escola preparatória para a Escola de Mistérios Rosacruz, nos planos internos: a Ordem Rosacruz.
É por isso que na Fraternidade Rosacruz nós aprendemos a importância do desenvolvimento de uma Mente sã, de um Coração nobre e de um Corpo são, bem como o treinamento diário e completo para o desenvolvimento do Corpo-Alma, que chamamos de Dourado Manto Nupcial, e é necessário à transição para uma vida consciente nos planos internos. Por analogia, imagine o Corpo-Alma como o traje espacial do astronauta. Esse Corpo-Alma é usado para viajar por uma região diferente, um mar invisível de energia que nos cerca, mas do qual, nesse momento, temos muito pouca percepção.
Para compreender melhor a necessidade de nos aplicar o máximo possível agora, nessa vida, nesse momento, a construção do Corpo-Alma, vamos falar sobre as Épocas anteriores a atual, a Época Ária. Seguindo a Época Lemúrica, passando pela aquosa Atlântida, quando a atmosfera tinha muita água e estávamos respirando por meio de órgãos semelhantes as guelras, dos peixes atuais, precisamos construir pulmões. Várias inundações atlantes precipitaram a água dos oceanos e, então, precisamos respirar ar fresco. As inundações vieram em uma série. Não houve apenas uma inundação; houve uma série delas, durante um longo período de tempo. A última inundação data de cerca de 10.000 anos (contando, como base, a maneira do tempo atual), quando o Sol estava cruzando, por Precessão dos Equinócios, o Signo de Câncer.
Então, esses foram os pioneiros da Época Ária, a Época atual. Eles se reuniram e subiram nas montanhas, acima das névoas e da água; eles já tinham desenvolvido os pulmões e podiam respirar o ar rarefeito. Contudo, as pessoas que viviam nas terras baixas ainda estavam na atmosfera aquosa e tiveram que aprender a construir pulmões, porque ainda respiravam por órgãos parecidos como guelras. Quando as várias séries de inundações se tornaram raras, aqueles que não construíram os pulmões não sobreviveram. No momento, ainda temos 85% de água em nossos Corpos Densos, mas quando entrarmos na Era de Aquário, daqui a 500 anos, aproximadamente, a água finalmente evaporará e será substituída por Éteres. Aqueles que não treinaram seus Corpos Vitais não serão capazes de sobreviver na superior atmosfera etérica da Era de Aquário. Portanto, é importante que desenvolvamos nossos Corpos Vitais agora, focando na construção do Corpo-Alma.
E quem nos fornece todo o conhecimento e a técnica para tal são os Irmãos Maiores, ou seja, eles fornecem o Treinamento Esotérico preciso e necessário para cada geração de buscadores ocidentais que enfatizam a construção de um Corpo Vital superforte. Os Irmãos Maiores trabalham muito para superar os efeitos destrutivos do materialismo, da nacionalidade, da ganância, do egoísmo e do pensamento negativo. Todas as noites, à meia-noite, eles realizam o serviço religioso da meia-noite, no templo etérico da Ordem Rosacruz. Eles atraem esses tipos de energias negativas a fim de transmutá-las em amor puro, benevolência, altruísmo, positivismo e alta aspiração espiritual que eles eventualmente enviam de volta ao mundo para elevar e encorajar todo o bem. Se não fosse por suas poderosas vibrações espirituais, as forças do materialismo já teriam esmagado todos os esforços espirituais.
Portanto, é imperativo que os ajudemos, aprendendo a fazer esse trabalho — que os ajudemos fazendo o trabalho nós mesmos —; ou seja, praticando em nossa vida diária os princípios positivos que eles nos ensinam. Então, toda vez que você se notar tendo um pensamento negativo, você tem que parar e pensar sobre isso. Você deve fazer um retrospecto e ver como pode mudá-lo, enfatizando o que é mais construtivo. Quando se depara com situações em que as pessoas lhe fazem algo ruim e você começa a nutrir ressentimentos e sentimentos ruins, examine isso, porque o deixa doente, de qualquer maneira. Não só destrói seus Éteres, como queima sua energia interior; assim, é importante aprender a perdoar, aprender a praticar os princípios de Cristo, porque todos os princípios de Cristo são princípios alquímicos que mudam as energias internas e externas. Tudo o que fazemos tem um efeito. Se você tem um pensamento, esse pensamento afeta suas funções internas e, também, afeta seu ambiente. Ele afeta sua aura, é claro, mas também afeta o solo, as energias ao seu redor e as outras pessoas.
A mesma coisa é válida para os seus sentimentos. Se você tem sentimentos negativos por coisas com as quais tem dificuldade em lidar emocionalmente, você precisa se concentrar nelas para buscar uma solução, uma forma de transmutar os sentimentos negativos em algo mais construtivo. É o trabalho da alquimia. É um processo consciente que exige certa quantidade de esforço.
O mesmo vale para suas intenções e seus motivos. Quais são seus motivos? Eles são universais? Você está tentando fazer algo de bom para o todo ou está apenas se apegando a si mesmo, querendo unicamente ajudar a si próprio? Se for esse o caso, você tem que repensá-los, porque estamos todos no mesmo barco — um único Planeta onde tudo o que fazemos afeta todos os outros.
Se começarmos a gerar pensamentos positivos, sentimentos positivos, intenções positivas e, por consequência, geramos ações positivas, vamos mudar nosso Planeta e torná-lo um mundo melhor para todos. Não apenas devemos nos esforçar para praticar essa filosofia positiva, mas também devemos sair e ensiná-la ao mundo.
Ao contrário de outros, não fazemos proselitismo. Tudo o que precisamos fazer é ser um exemplo daquilo em que acreditamos. Quando mostramos, por meio de nossas próprias obras, os princípios da nossa Filosofia, estamos na verdade ensinando. Devemos ser exemplos vivos daquilo em que acreditamos. Devemos educar o mundo sobre como viver a vida, um modo de vida positivo que não faz mal a pessoa alguma, que respeita toda forma de vida, que nutre o Planeta, que protege seus recursos, que ensina a amar e respeitar os irmãos e irmãs. Quando digo irmãos e irmãs, não me refiro apenas a irmãos e irmãs humanos. Também quero dizer nossos irmãos animais, nosso respeito pelo Reino vegetal e pela própria Terra, o reino mineral. Devemos colocar em prática o princípio cósmico de amor e compaixão universais que o Cristo nos deu há mais de 2.000 anos. À medida que a Era de Aquário se aproxima na Terra, quando então uma Idade de Ouro, de vida consciente e luz espiritual desabrochará, aboliremos todas as guerras e eliminaremos as doenças. Homens e mulheres de boa vontade devem compartilhar o amor e a paz por 1000 anos.
É nossa responsabilidade cuidar da Terra e do seu povo; nós somos os guardiões dos nossos irmãos e irmãs. Devemos praticar o amor conforme ensinado por Jesus Cristo, em atos e em verdade, não apenas em palavras; devemos nos empenhar pela fraternidade universal.
(Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz – uma palestra proferida na Pro-Ecclesia em 9/agosto/2009 por um Probacionista e traduzida pela Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
A parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres superiores, o Éter Luminoso e o Éter Refletor, é a que podemos chamar de Corpo-Alma; quer dizer, ela é a que está mais intimamente ligada ao Corpo de Desejos e a Mente e, também, a mais receptiva ao toque do Espírito do que se acha a parte formada pelos dois Éteres inferiores.
O Corpo-Alma é o veículo do intelecto, e responsável por tudo que faz do indivíduo, um ser humano.
Nossas observações, nossas aspirações, nosso caráter, etc., são devidos ao trabalho do Espírito nesses dois Éteres superiores, que se tornam mais ou menos luminosos de acordo com a natureza de nosso caráter e hábitos.
Outrossim, do mesmo modo que o Corpo Denso assimila partículas de alimento e assim adquire carne, os dois Éteres superiores assimilam nosso bem agir durante a vida e assim também crescem em volume.
De acordo com nossos feitos nessa vida atual, aumentamos ou diminuímos desse modo à bagagem que trouxemos ao nascer.
Se nascermos com um bom caráter, expresso nesses dois Éteres superiores, não nos será fácil mudá-lo porque o Corpo Vital tornou-se muito, muito firme durante as miríades de anos em que o desenvolvemos.
Por outro lado, se fomos frouxos, negligentes e indulgentes em relação aos hábitos que consideramos maus, se formamos um mau caráter em vidas anteriores, aí vai ser difícil superá-los porque isso estabeleceu a natureza do Corpo Vital, e anos de constante esforço serão precisos para mudar sua estrutura.
É por isso que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmam que todo desenvolvimento místico tem início no Corpo Vital.
Cada vez que prestamos serviço a alguém nós aumentamos o brilho de nosso Corpo-Alma.
É o Éter de Cristo que atualmente movimenta o nosso globo, e é bom lembrar que se desejamos um dia trabalhar pela Sua libertação, precisamos que um número suficiente desenvolva seus Corpos-Alma ao ponto em que eles possam fazer a Terra flutuar. Então, poderemos carregar Seu fardo e libertá-Lo da dor da existência física.
A Parábola do Banquete Nupcial é muito bem aplicada nesse contexto:
“O Reino dos Céus é semelhante a um rei que celebrou as núpcias do seu filho. Enviou seus servos para chamar os convidados para as núpcias, mas estes não quiseram vir. Tornou a enviar outros servos, recomendando: ‘Dizei aos convidados: eis que preparei meu banquete, meus touros e cevados já foram degolados e tudo está pronto. Vinde às núpcias’. Eles, porém, sem darem a menor atenção, foram-se, um para o seu campo, outro para o seu negócio, e os restantes, agarrando os servos, os maltrataram e os mataram. Diante disso, o rei ficou com muita raiva e, mandando as suas tropas, destruiu aqueles homicidas e incendiou a cidade. Em seguida, disse aos servos: ‘As núpcias estão prontas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas e convidai para as núpcias todos os que encontrardes’. E esses servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons, de modo que a sala nupcial ficou cheia de convivas. Quando o rei entrou para examinar os convivas, viu ali um homem sem a veste nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial?’ Ele, porém, ficou calado. Então disse o rei aos que serviam: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes’. Com efeito, muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. (Mt 22:2-14 Lc 14:20-24)
Que as Rosas floresçam em vossa cruz
Atualmente, vivemos com a tendência de repetir o mal das vidas passadas, mas devemos aprender a agir com retidão, conscientemente, e por vontade própria.
Tais tendências tentam-nos eventualmente, proporcionando-nos oportunidades de autodomínio e de inclinação para a virtude e a compaixão, opondo-nos à crueldade e ao vício.
Mas, para indicar a ação reta e ajudar-nos a resistir às ciladas e aos ardis da tentação, temos o sentimento resultante da purificação dos maus hábitos e da expiação dos maus atos das vidas passadas. Se ouvimos e atendemos sua voz e evitamos o mal que nos incita, a tentação cessa. Então, nos libertamos dela para sempre. Se caímos, experimentamos um sofrimento mais agudo do que o anterior, porque o destino do transgressor é muito duro até que aprenda a viver pela regra de ouro.
O exercício noturno da Retrospecção, um dos exercícios para o nosso treinamento esotérico, tem como objetivo a purificação, como ajuda ao desenvolvimento da visão espiritual.
Por outro lado, devemos sempre nos lembrar que Cristo limpou os “pecados do mundo” e não de cada um de nós (ninguém tem essa capacidade, a não ser cada um de nós para com os nossos pecados) e ao fazer essa purificação, devemos a Ele a possibilidade de atrair para os nossos Corpos de Desejos matéria emocional mais pura do que antes (e é por aqui que começamos a nos purificar: não pecando mais!).
Tenha sempre consigo a seguinte verdade Crística: “a Religião Cristã é a única que tem a finalidade da união com Cristo, pela purificação e governo do nosso Corpo Vital”.
Outro exercício esotérico muito importante para o Estudante Rosacruz fazer é a Oração do Senhor (Pai Nosso) que é como uma fórmula abstrata ao melhoramento e purificação de todos os seus veículos. Ela é uma das ajudas espirituais no progresso humano.
Ao falar de sua purificação, São João (IJo 3:9) diz que aquele que nasce de Deus não pode pecar, porque guarda dentro de si a sua semente.
Também, nunca esqueçamos: as tentações são colocadas em nosso caminho para avaliarmos se a purificação foi suficiente para ensinar-nos as lições necessárias, e só dependerá de nós entregarmo-nos às tentações ou permanecer firmes e fortes na prática do bem!
A Parábola da pérola preciosa ilustra muito bem o que realmente purifica e o que não purifica o ser humano sob a nova Dispensação, o Cristianismo: não são as circunstâncias, mas a substância, ou seja, a pureza do ser humano vem de dentro.
“Em seguida, chamando para junto de si a multidão, disse-lhes: “Ouvi e entendei! “Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca, isto sim o torna impuro”. Então os discípulos, acercando-se dele, disseram-lhe: “Sabes que os fariseus, ao ouvirem o que disseste, ficaram escandalizados?”. Ele respondeu-lhes: “Toda planta que não foi plantada por meu Pai celeste será arrancada. Deixai-os. São cegos conduzindo cegos! Ora, se um cego conduz outro cego, ambos acabarão caindo num buraco”.
São Pedro, interpelando-o, pediu-lhe: “Explica-nos a parábola”. Disse Jesus: “Nem mesmo vós tendes inteligência? Não entendeis que tudo o que entra pela boca vai para o ventre e daí para a fossa? Mas o que sai da boca procede do coração e é isto que torna o homem impuro. Com efeito, é do coração que procedem más intenções, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações. São essas coisas que tornam o homem impuro, mas o comer sem lavar as mãos não o torna impuro”. (Mt 15: 10-20)
Que as Rosas floresçam em vossa cruz