Antigamente, quando um Templo de adoração era construído, o terreno ou área destinada à construção era enfeitado com guirlandas de flores em um dia determinado pelos astrólogos. “Há um tempo para tudo debaixo do sol“[1], e os astrólogos buscavam determinar as condições propícias para o início da obra sagrada. No dia e na hora determinados, apenas pessoas de renome, carregando galhos de árvores, entravam no recinto. Os galhos simbolizavam uma conclusão feliz e frutífera para a obra. As pessoas de renome eram seguidas pelas virgens vestais que, em oração, aspergiam o local com água trazida em urnas por meninos e meninas. Em seguida, vinham os sacerdotes e dignitários do Estado, seguidos pelos cidadãos carregando a pedra fundamental enfeitada com guirlandas. Após o Pretor impor as mãos sobre as cordas que envolviam a pedra, os pedreiros a colocavam no lugar, e o Pontífice, consagrando-a ao seu uso, exortava o povo a servir e temer os deuses e a obedecer à lei.
A pedra era sempre colocada no canto nordeste do Templo, análogo ao local de maior poder do Sol no Solstício de Junho, quando todos os seres vivos são mais vitalizados por seus raios.
Chegamos agora a mais uma “colocação da pedra fundamental”, mas uma que é única por inaugurar uma nova era na Religião Cristã. Por mil novecentos e vinte anos, a igreja tem lutado para “Pregar o Evangelho” em obediência ao mandamento de nosso Salvador. Agora, a Fraternidade Rosacruz ergue bem alto a bandeira com o segundo mandamento, “Curai os Enfermos“, como um estímulo à nossa missão Cristã, e “coloca a pedra fundamental” de um Templo de Cura consagrado em Cristo para servir ao nosso próximo irmão e irmã sofredores.
O lugar sagrado do Templo estava radiante com a efusão de bênçãos das “hostes invisíveis” que reconhecem a importância espiritual do passo dado. O pequeno e devotado grupo de seguidores da Fraternidade Rosacruz respondeu com silenciosa dedicação interior do “Eu superior” ao serviço de Cristo como Curador Divino: orações silenciosas por força para purificar o “Eu inferior” de toda indignidade, a fim de que o poder curador do Senhor pudesse fluir através de nós como canais limpos para Sua obra.
Ele, nosso amado Salvador, conheceu apenas a terrível agonia da “Coroa de Espinhos”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos nos esforçando para fazer crescer uma “rosa” de poder espiritual onde cada espinho sugou uma gota de Seu sangue. Ele conheceu apenas a agonia de ser pregado na “Cruz”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos tentando “arrancar os pregos” que nos pregam firmemente à cruz; os pregos do desejo egoísta, da ânsia por poder temporal, da cegueira espiritual.
Este trabalho de cura espiritual Cristã é um dos métodos de servir à Humanidade sofredora, oferecendo ao verdadeiro (a verdadeira) profissional de saúde um meio de unir o poder da Ciência ao da Religião. A Fraternidade Rosacruz clama pelo verdadeiro (pela verdadeira) profissional de saúde, a pessoa que não se envergonha de orar por seus pacientes enquanto trabalha por eles. Cristo-Jesus disse: “Eu sou O CAMINHO, A VERDADE e A VIDA”[2].
No entanto, quantos profissionais de saúde e pacientes em sofrimento intenso negligenciaram convidá-Lo para ajudar! Existe uma maneira de invocar essa efusão divina, assim como existe uma maneira de fazer cada coisa que fazemos. Esse CAMINHO exige preparação, purificação, dedicação, consagração, e isso faz parte do trabalho do Estudante Rosacruz.
O verdadeiro e ativo (a verdadeira e ativa) Estudante Rosacruz não busca poder temporal. Busca servir a Deus ajudando seus semelhantes que estão sofrendo fisicamente, emocionalmente e/ou mentalmente. Um local de capacitação para o trabalho é maravilhosamente alcançado no Templo de Cura, que está sendo construído pelo serviço amoroso e desinteressado de muitos.
Augusta Foss Heindel aproveitou esse momento para lembrar onde começou a ideia da construção do Templo de Cura e qual é e será o seu objetivo para cumprirmos o mandamento de Cristo: Curar os Enfermos.
“Amigos, estamos aqui hoje para realizar o que foi iniciado em 25 de novembro de 1914 por Max Heindel. Naquela ocasião, nos reunimos para preparar esta pedra que hoje colocamos como pedra fundamental. Ela é um símbolo de uma estrutura física que, por sua vez, nos aparecerá como um símbolo daquilo que nós, como trabalhadores do Templo de Deus, estamos nos esforçando para construir. Aprendemos o uso simbólico das ferramentas do pedreiro; definimos o pedreiro como aquele que coloca o cimento e coloca o tijolo, trabalhando com as ferramentas de seu ofício; assim, um edifício é erguido. Também somos verdadeiros “pedreiros livres”, usando materiais diferentes. Estamos construindo o material que os Irmãos Maiores nos deram, que acabamos de colocar nessa pequena caixa, a gloriosa mensagem que nos foi dada pelos Irmãos Maiores através da grande alma cujo aniversário celebramos hoje, a alma que nasceu em 23 de julho de 1865 e que estava destinada a trazer ao mundo uma visão mais ampla dos ensinamentos de Cristo do que jamais foi dada à Humanidade, uma Religião que será a pedra angular de todos nós na Era de Aquário. Este mensageiro também nos disse que este seria o último templo físico a ser erguido pelos Irmãos Maiores. A Humanidade alcançará esse estágio de desenvolvimento e agora está trabalhando com o objetivo de se preparar para que possa adorar no verdadeiro Templo, aquele Templo de Deus não feito por mãos, eterno nos céus, que não é construído de pedras, tijolos e argamassa, mas de corações amorosos e do sacrifício de nossas próprias naturezas inferiores, dedicando-nos assim como pedras vivas nele.
É um privilégio ser um dos obreiros, uma das pedras vivas, escolhido para obedecer aos dois últimos mandamentos do Cristo: “Pregai o Evangelho e Curai os Enfermos“[3]. O último mandamento foi esquecido pela Humanidade por tantos e tantos anos. Pregamos o Evangelho, mas apenas cumprimos a primeira metade dos mandamentos que Ele deu aos Seus discípulos. Esquecemos, nas Igrejas, de curar os enfermos. Houve uma divisão entre Ciência e Religião. Esse afastamento causou as condições materialistas de hoje. Cimentar essa brecha, unir Ciência e Religião, é o que nós, como obreiros e seguidores dos Ensinamentos Rosacruzes, estamos nos esforçando para fazer. Estamos construindo a pedra fundamental de uma grande obra futura. Pouco percebemos hoje, os poucos de nós que estamos aqui, o que isso significa para a Humanidade. O conteúdo desta pequena caixa viverá por eras depois que tivermos abandonado estes Corpos Densos. As vibrações que serão incorporadas a esta construção alcançarão os confins da Terra. Dizem-nos que quando Salomão construiu o Templo em Jerusalém, ele purificou e mudou a vibração de toda a cidade.
Fomos mantidos sob o domínio de Saturno, sob um ambiente cristalizado. Era necessário, no entanto, que aprendêssemos nossas lições, pois estamos neste mundo cristalizado e precisamos usar cimento material. Mas chegamos a um estágio neste trabalho em que não será necessário lutar por muito mais tempo, pois a fundação já está lançada. Hoje, lançamos esta pedra fundamental que, com seu conteúdo, permanecerá por eras e eras.
Amigos, vamos embora daqui hoje, dedicando-nos novamente a nos tornarmos canais mais puros, melhores e mais limpos, através dos quais os grandes Ensinamentos Rosacruzes possam ser enviados ao mundo. Estamos aqui porque fomos escolhidos para sermos trabalhadores neste grande campo do Mestre, Cristo. E estamos aqui para preparar o Templo invisível, usando o Templo físico apenas como um centro de trabalho. Ainda não nos desfizemos destes Corpos Densos, mas, ainda assim, estamos nos preparando para poder encontrar o Cristo, como Ele prometeu que, quando Ele vier, o “encontraremos no ar”. O que isso significa? Que estamos tecendo a “veste dourada das bodas”, o Corpo Vital espiritualizado, no qual todos seremos capazes de encontrar o Cristo em Sua vinda.
Vamos, amigos, ao colocarmos cada um uma colher de pedreiro de argamassa para selar esta pedra, colocá-la ali com uma oração de gratidão, pedindo por maior força, pureza e conhecimento, para que possamos ser instrumentos adequados para continuar esta obra e enviar esta mensagem à Humanidade, lembrando que Cristo é a verdadeira Pedra Angular.”
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: Ecl 3:1
[2] N.T.: Jo 14:6
[3] N.T.: Mt 10:7-8
A Fraternidade Rosacruz é uma Escola de Cristianismo Esotérico, isto é, diferente do Cristianismo Exotérico ou Popular. Ela procura transferir as realidades do Cristianismo para o interior de cada indivíduo, visando convertê-lo no centro de uma realidade espiritual, num microcosmo, feito à imagem e semelhança de Deus em realidade. Afinal: “Não sabeis que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?”[1].
Esse reino interno de Cristo é concebido por Virgem, a Virgem Celestial, em cooperação com José. Virgem é o símbolo da pureza e do serviço e mostra que o Cristo se forma pela pureza e serviço amoroso e desinteressado, mediante o esforço bem orientado da vontade humana consciente (José).
A história de Cristo Jesus é a nossa. Jesus nasceu em Bethlehem (“casa do pão”), o Corpo Denso. Somos nós, o Espírito interno, que aguardamos a nossa purificação ou o nosso batismo, a fim de que comecemos, de fato, a dirigir nosso destino. Depois é tentado, transfigurado e, finalmente, entra em Jerusalém (Jer-u-salém, “onde haverá paz”), e ali Seu primeiro ato foi expulsar os mercadores do Templo, mostrando que para haver paz dentro do Templo do nosso Corpo é preciso limpá-lo dos desejos, sentimentos e das emoções inferiores.
Nessa trajetória, Cristo Jesus pregou e curou, vivendo os mandamentos básicos da Sua mensagem e mostrando os meios de elevação para cada um de nós: autoaperfeiçoamento e serviço amoroso e desinteressado ao próximo, esquecendo os defeitos desse e focando na divina essência oculta nele, que é a base da Fraternidade. Por isso chamou os hipócritas fariseus de “túmulos caiados de branco por fora e podre por dentro”[2].
Para nós, Estudantes Rosacruzes, Cristo é o ideal que buscamos atingir, ajudados pelos Ensinamentos Rosacruzes, tal como foram fornecidos pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, conhecedores da natureza humana e que nos previnem racional e devocionalmente como realizar essa gigantesca tarefa.
Não é uma Escola para a maioria, compreendemos, mas para verdadeiros Aspirantes à vida superior que buscam a realização pelo Cristianismo Esotérico, escolhidos por seus valores morais, pela sinceridade de propósito, provados na prática do trabalho coletivo. Não é certo que “pelos frutos se conhecem árvores”[3]?
O Cristianismo Popular (Exotérico) ainda não compreendeu esse sentido ativo que ele deve imprimir a cada seguidor. “Ajuda-te que Deus te ajudará”[4]. “Tome o Reino de Deus por assalto”[5].
No Evangelho segundo S. Lucas (6:45) estudamos: “O homem bom, do bom tesouro do coração, tira o bem; e o mau, do mau tesouro tira o mal porque a boca fala do que está cheio o coração”. O que presenciamos atualmente que amostra nos dá dos corações dos seres humanos?
No entanto, os erros dos outros não justificam os nossos. Dizer que somos compelidos a errar por força das circunstâncias ou do meio em que vivemos é uma desculpa irrazoável. Afinal, a “ocasião não faz o ladrão”, mas, simplesmente, mostra o que a pessoa realmente é. Afinal, a ocasião faz o ladrão só quando há uma decisão para ser um ladrão; assim, não é a ocasião, mas o possível ladrão que decide. Portanto, a decisão continua a ser determinada pela pessoa e nunca pela circunstância. Uma pessoa pode e deve ser um Cristão consciente em qualquer meio, embora pareça difícil manter a coerência interna e externa. É uma questão de prudência e de boa compreensão do Cristianismo Esotérico.
Por outro lado, a elevação da pessoa não é tarefa impossível. Muitas a realizaram e nós também podemos levá-la a efeito. Uma história para ilustrar essa possibilidade: contam que certo embaixador, na antiguidade, visitou o rei de Esparta, que lhe mostrou toda a cidade. No fim da excursão o visitante estranhou: “Mas, onde estão as famosas muralhas de Esparta? O rei lhe respondeu: “Volte amanhã que lhe mostrarei”. No dia seguinte o rei levou o visitante às planícies fora da cidade, onde os Espartanos faziam exercícios, com escudos e lanças reluzindo ao Sol. Mostrando os soldados, disse o rei: “Eis as muralhas de Esparta. Cada homem é um tijolo”. E nós dizemos: “orai e vigiai”[6], agindo como um real Cristão, no próprio aprimoramento interno e na prestação do serviço amoroso e desinteressado ao irmão e a irmã que estão ao seu lado, sempre focando na divina essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, o melhor possível cada dia que passa e verá como se forma um “homem novo”[7] de pequenos esforços, constantemente alinhados num plano de regeneração. Ao mesmo tempo passaremos a constituir, cada um de nós, um tijolo na obra de reerguimento do mundo, de que a pedra angular é o Cristo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1963-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: (ICor. 3:16)
[2] N.R.: Mt 23:27
[3] N.R.: Lc 6:44
[4] N.R.: Mt 7,7-8
[5] N.R.: Mt 11:12
[6] N.R.: Mt 26:41 e Mc 13:33
[7] N.R.: Ef 4:22-24 e Cl 3:10-11
Nenhum edifício se constrói sem base. E essa base não pode ser falsa (Mt 7:24-27[1] e Lc 6:46-49[2]). O ser humano sensato que edifica o templo interno sobre a rocha dos princípios Cristãos e não sobre a areia da transitoriedade, constituem-se num tijolo do templo de Deus, num esteio da sociedade e na pedra angular de sua família. E como a Fraternidade Rosacruz, em essência e realidade, não é constituída de edifícios, nem de “Sedes” nem de “Grupos”, mas, sim de indivíduos, de almas afinadas na mesma elevada aspiração, no mesmo edificante serviço, deduz-se que ela se edifica e se fortalece na medida em que seus Estudantes Rosacruzes se tornam mais cônscios da responsabilidade de cada um e crescem em virtude e entendimento. Os Evangelhos, igualmente, falam de Cristo como da Pedra Angular. E Cristo falou da transitoriedade das coisas externas, símbolo das verdades internas que aprenderemos a reverenciar dentro de nós e no Todo (Mt 24:1-2[3], Jo 4:19-24[4]).
Importa que os Estudantes Rosacruzes, após o estágio inicial necessário, em que, dentro da maior liberdade, podem examinar, ponderar e concluir se realmente essa Filosofia Rosacruz corresponde as necessidades de seu grau evolutivo, que eles empreendam um estudo sério. Para isso há os diversos Cursos (por correspondência ou por e-mail), há diversas reuniões públicas, há os sites e as redes sociais de Centros Rosacruzes e, principalmente, a possibilidade de se formar “Grupos de Estudos” (Informais e Formais, reconhecido, inclusive, pela The Rosicrucian Fellowship e núcleo de um futuro Centro Rosacruz), todos eles gratuitos e amplos. Ali poderá o Estudante Rosacruz participar das questões, apresentar seus estudos e preparar-se para ser um membro consciente, capaz de prestar um esclarecimento correto, sucinto, das questões que lhes forem propostas por amigos, conhecidos, desconhecidos e familiares interessados.
Esse é um trabalho de base. A tarefa não é de expandir sem firmeza. A expansão deve corresponder ao número de Estudantes Rosacruzes preparados para uma disseminação segura e fiel. Sabemos que há muitas pessoas sequiosas de esclarecimento, que muitas almas sofredoras necessitam das lógicas explicações da Filosofia Rosacruz sobre os mistérios da vida e da morte, do Mundo terreno e dos superiores, das leis que regem nossos destinos. Mas também, se não estamos preparados, suficientemente, para um esclarecimento seguro, somos “um cego dirigindo outro cego[5] para o buraco da confusão e desilusão”. Além disso, é necessário que esse trabalho de difusão, na esfera individual ou na direção de Grupos de Estudos, baseie-se num perfeito desinteresse, quer no ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista da vaidade, do personalismo, que sacrifica o espírito de equipe. Ambas são formas de cobrar.
De toda maneira, pressupõe-se um preparo seguro, quer do lado moral, quer do filosófico, ou melhor, dizendo, da Mente e do Coração.
Há dias um simpatizante pelos Ensinamentos Rosacruzes nos interpelou com uma pergunta difícil. Pudemos responder-lhe de pronto e seguramente porque estudamos sempre as obras de Max Heindel. Foi esta: “Como se explica logicamente o renascimento, sabendo-se que a população do globo vai aumentando cada vez mais? Se os espíritos levam determinado tempo nos mundos superiores e renascem, deveria ser sempre igual à população…”.
Esta pergunta é frequente e pode confundir o Estudante Rosacruz abordado. Por isso, para esclarecimento, aqui vai a resposta: “A Onda de Vida inicial de Espíritos Virginais, da humanidade, evoluiu junta até o Período Terrestre no Globo que mais tarde se tornou o Sol, o centro de nosso Sistema Solar. Mas devida a evolução variada de diversos grupos de Espíritos, foi necessário que tais grupos saíssem do Sol, arrojados com os Planetas que foram aos poucos se diferenciando, entre eles a nossa Terra. Mas não tínhamos impressão de morte, de separação, da perda dos corpos, até inicios da Época Atlante, quando nos “foram abertos os olhos” e tivemos a ilusão de que somos seres separados. Desde então fomos perdendo a visão dos planos internos e temendo a morte, porque não sabemos o que nos espera. Mas os Iniciados da Ordem Rosacruz, que sabem, não por suposição ou por teoria, mas porque veem, inclusive na Memória da Natureza, onde estão os registros de todos os fatos passados, nos explicam que os Espíritos renascem, normalmente, uma vez em cada mil anos, sendo uma vez como mulher e outra como homem, alternadamente, no espaço em que Sol transita, pelo movimento de Precessão dos Equinócios, por cada Signo no Zodíaco (por volta de 2.160 anos). Esta é uma regra geral, com exceções. Particularizando a questão, quanto mais atrasado é um ser humano, tanto mais tempo leva para reencarnar aqui e, contrariamente, quanto mais evoluído, tanto menos tempo. À medida que os seres vão se elevando, os intervalos vão encurtando até que estejam livre da roda de renascimentos sucessivos, que são atualmente uma necessidade evolutiva, para conquista das experiências na escola do mundo. Daí se infere que, ao início de cada Época, os períodos entre renascimentos são mais longos para que se dê tempo ao Ego, de assimilar as experiências novas. Com o tempo, vão se encurtando. Agora, que estamos chegando ao final da Época, os Egos vão renascendo todos mais amiúde, neste cadinho de ensinamentos, que é a Terra. No entanto, os Adeptos e Irmãos Maiores estão além da necessidade de renascimento. Estão aqui para ajudar-nos, por amor”.
Aqui termina a explicação, a resposta que poderia ser muito mais longa e pormenorizada. Citamo-la como ilustração de que, em apenas saberem que pertencemos a Fraternidade Rosacruz, as pessoas, algumas por curiosidade, outras por real interesse, outras por desafio, nos põem a prova. Devemos estar preparados para responder com firmeza ou então, honestamente dizer: “a pergunta é interessante. Vou estudá-la para lhe dar a resposta, segundo nossa Filosofia Rosacruz”. Além disso, como dissemos e repetimos, a preparação do Estudante Rosacruz o torna um membro consciente e atuante, para enriquecimento da própria alma e da alma da Fraternidade, de que fazemos parte.
(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – Maio/1964 – Fraternidade Rosacruz–SP)
[1] N.R.: Assim, todo aquele que ouve essas minhas palavras e as pôr em prática será comparado a um homem sensato que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava alicerçada na rocha. Por outro lado, todo aquele que ouve essas minhas palavras, mas não as pratica, será comparado a um homem insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande sua ruína!”
[2] N.R.: Por que me chamais ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que eu digo? Vou mostrar-vos a quem é comparável todo o que vem a mim, escuta as minhas palavras e as põe em prática. Assemelha-se a um homem que, ao construir uma casa, cavou, aprofundou e lançou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a torrente deu contra essa casa, mas não a pôde abalar, porque estava bem construída. Aquele, porém, que escutou e não pôs em prática é semelhante a um homem que construiu sua casa ao rés do chão, sem alicerce. A torrente deu contra ela, e imediatamente desabou; e foi grande a sua ruína!”.
[3] N.R.: Saindo do Templo, Jesus caminhava e os discípulos se aproximaram dele para mostrar-lhe as construções do Templo. Ele disse-lhes: “Estais vendo tudo isto? Em verdade vos digo: não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja demolida”.
[4] N.R.: Disse-lhe a mulher: “Senhor, vejo que és um profeta…Nossos pais adoraram sobre esta montanha, mas vós dizeis: é em Jerusalém que está o lugar onde é preciso adorar”. Jesus lhe disse: “Crê, mulher, vem a hora em que nem sobre esta montanha nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora — e é agora — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”
[5] N.R.: Lc 6:39
Fraternidade: demonstremos pelos nossos atos coerentes de amor e entendimento
Seria maravilhoso se pudéssemos estar reunidos, todos nós que vibramos de forma uníssona neste sublime ideal, em um espontâneo diálogo, de simpatia e esclarecimento, uma osmose em que todos pudéssemos absorver as experiências de cada um, em real comunhão de ideias, sentimentos e esforços.
Não sendo isso possível, ficamos no monólogo, em que nós falamos, mas não escutamos; em que dizemos o que pensamos e não aprendemos o que você, leitor, acrescentaria ao assunto. Contudo, pelo menos permanece o conforto de nos estender até vocês com sentimentos de comunhão, simpatia e incentivo, dizendo: estudemos e assimilemos juntos os Ensinamentos Rosacruzes. Dentro desses Ensinamentos, vibramos em uma nota-chave de iluminação e serviço, dentro do Plano Etérico, em um grande todo a que chamamos FRATERNIDADE, não de prédios de tijolos, mas formada por ALMAS-tijolos, que tomam toda a área do mundo, acima das limitações rácicas e ideológicas que muram e adstringem os irmãos e irmãs menos preparados.
Graças damos ao irmão Max Heindel. Sua mensagem libertadora gravou-se em nossas consciências com letras de fogo, indelevelmente. Ele teve o dom de fazer ecoar com novas modalidades a voz do Bom Pastor, que há quase dois milênios vibrou na Palestina, espalhando-se em todos os sentidos pelos vales e serras dos homens e mulheres, em busca de consonância; a voz do amor e da sabedoria, conhecida por seus cordeiros; o radar divino que denuncia, pela resposta, a distância e a posição de seus eleitos.
Max Heindel teve o mérito de, como ninguém depois do evento Cristão, graças ao seu treinamento oculto, verter-nos em primeira mão e pela primeira vez publicamente os mistérios Cristãos com tal poder penetrador que fez vibrar todas as almas afins, como um chamado familiar, estranhamente familiar, que nos descortina uma nova terra prometida, uma nova ordem de coisas — a Era de Aquário.
Temos uma grande obra a realizar, embora nos reconheçamos humildes pedreiros, de acordo com os desígnios do Grande Arquiteto, seguindo as linhas de uma Pedra Angular — O Cristo.
Cada ação nobre será um tijolo que poderemos juntar à construção com a argamassa do amor. E a melhor homenagem que podemos prestar ao fundador da Fraternidade Rosacruz, Max Heindel, é mostrar, por nossos atos COERENTES de amor e entendimento, o que aprendemos da inestimável mensagem que ele nos legou.
Trabalhemos todos para sermos dignos dessa herança, não importando se estejamos distantes e isolados dos Centros e Grupos de Estudos Rosacruzes. O que realmente vale é estarmos afinados com o Ideal através de nossos pensamentos, emoções e atos. Eles é que mostrarão, como frutos, que a semente lançada caiu em terra fértil; eles é que farão erguer o mais expressivo sentimento de gratidão ao iluminado mensageiro dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz!
(de Olga Guerreiro – publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1965)