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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Deus – A Fonte e a Meta da Existência

Janeiro de 1918

Novamente nos encontramos no começo de um Ano Novo, e existe um costume nessa época de transformarmos as nossas aspirações em resoluções. E como Estudantes dos Ensinamentos Rosacruzes necessariamente interessados no assunto sobre o crescimento espiritual, pensei que as seguintes considerações, talvez, possam ser muito proveitosas neste momento. 

Na Mente de muitas pessoas a palavra “santidade” se tornou associada a uma expressão facial de tristeza ou melancolia e a uma atitude mental hipócrita, de modo que as pessoas no mundo, geralmente, são muito reservadas em relação àqueles que fazem profissões de santidade. Mas, é claro que essa não é a verdadeira realidade. O ser humano realmente santo não é um desmancha-prazeres; ele não é indolente no mundo dos negócios; ele cumpre plenamente com seu dever, em casa ou no trabalho, coloca seu coração em tudo que faz; ele é um exemplo digno de fidelidade e, geralmente, é respeitado por todos que o conhecem, porque suas ações valem mais do que palavras e do que elogios. Ele é cuidadoso ao lidar com seus semelhantes, se esforçando para não dever nada a ninguém, a não ser amor; sempre pronto e ansioso em ajudar os outros – ele é, de fato, um bom exemplo de pessoa em todos os relacionamentos da vida.

Mas essa vida de retidão mundana não é, por si só, uma prova de santidade. Existem muitas pessoas esplêndidas no mundo que são modelos vivos por razões de ética e se comportam de maneira que exige o respeito de todos os que as conhecem. Também são solidários e se destacam, de acordo com a sua posição, em todas as boas obras. No entanto, repetimos, não é essa a prova. A prova que mostra a diferença entre o homem ou mulher que é meramente modelo e o santo é encontrado nas horas de lazer, quando o que chamamos de dever foi totalmente cumprido no devido tempo. Nesse momento é que descobriremos os caminhos da parte mundana e os da parte sagrada. O ser humano de Mente mundana, nessas ocasiões se voltará para a recreação, diversão e para os prazeres a fim de dar vazão à sua energia ou, talvez, buscará algum passatempo favorito, de acordo com a inclinação da sua Mente e com seus próprios meios. Podem ser simples jogos, esportes, canto e música, teatros, festas ou qualquer outro meio que ele possa encontrar para lhe proporcionar um agradável passatempo.

Contudo, o ser humano santo é como o aço tocado pelo ímã e desviado, pela força, de apontar para o polo. Quando o coração tenha sido tocado pelo imã do amor de Deus, o dever pode e o desvia para as obrigações mundanas, a qual demanda todos os cuidados legítimos. O ser humano santo não se descuida de sua obrigação mundana, mas cumpre seu dever, fazendo-o melhor e mais conscientemente do que antes de se entregar a Deus. Ao mesmo tempo, inconscientemente, ele sente o desejo de voltar à comunhão com o Pai, de maneira análoga à agulha de aço imantada que, desviada do norte, exerce uma pressão na direção ao polo. No momento em que o chamado do dever foi perfeitamente cumprido e removida a pressão com o passar do tempo, os pensamentos do ser humano santo, automaticamente, se voltam para o Divino. O trajeto de ida e volta do trabalho nada mais é do que uma oportunidade para meditação. O tempo que emprega quando espera por alguém, também é utilizado da mesma forma. Em resumo, para o ser humano santo não há um só momento de relaxamento para os assuntos mundanos, pois seus pensamentos estão a todo instante voltado para sua fonte e objetivo – Deus.

Ouvimos falar de pessoas que estudaram leis, enquanto se deslocavam para ir e voltar do trabalho; outros aprenderam idiomas utilizando os momentos livres, quando a maioria das pessoas desperdiçam com pensamentos inúteis, vagos e sem objetivos. Aprendamos uma lição com eles e, durante o próximo ano, pratiquemos o hábito de direcionar os nossos pensamentos para Deus, enquanto estivermos nos momentos de folga. Se praticarmos isso fielmente, nos encontraremos muito mais avançados no caminho do crescimento anímico.

(Carta nº 86 – do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Dívida de Gratidão do Mestre

Janeiro de 1916

Estamos, agora, no encerrar de mais um ano das nossas vidas e no começo de um novo ano, e me ocorreram alguns pensamentos em relação a essas divisões de nossas vidas terrestres.

Quando Cristo, no final de Seu ministério, participou da última ceia com Seus Discípulos, lavou os pés deles apesar dos protestos de alguns que achavam isso humilhante para o Mestre. No entanto, esse gesto foi o símbolo de uma atitude da Mente que é de grande significância como um fator para o crescimento anímico. Se não existisse o solo mineral, o Reino Vegetal seria uma impossibilidade, assim como o Reino Animal não poderia existir se as plantas não lhe dessem os recursos necessários. Então, vemos que na natureza o superior se alimenta e é dependente do inferior para o seu desenvolvimento e a consequente evolução. Embora seja um fato que os Discípulos eram instruídos e ajudados por Cristo, assim também é um fato que eles eram um meio para o progresso e o avanço evolutivo do próprio Cristo; e era em reconhecimento a esse fato que Ele humilhou a Si mesmo reconhecendo a Sua dívida para com eles, servindo-os da maneira mais humilde que se possa imaginar.

Foi um grande privilégio para o autor transmitir a vocês, assim como a milhares de outras pessoas, as instruções esotéricas dos Irmãos Maiores durante o ano que terminou, e nisso foi ajudado, direta ou indiretamente, por todos os que trabalham em Mount Ecclesia. Aqueles que colaboraram na imprensa, nos escritórios ou em qualquer dos nossos departamentos compartilham também desse privilégio, e agradecemos a todos que nos proporcionam essas oportunidades para o crescimento anímico e que vieram a nós para que pudéssemos ajudá-los e servi-los.

Nós acreditamos que tenhamos sido de alguma serventia a esse respeito, e pedimos as suas orações para que possamos ser servidores mais eficazes no próximo ano que se inicia.

E sobre vocês, querido amigo e querida amiga? Durante o ano que se finda tiveram, também, oportunidades para servir os outros a sua volta de uma maneira similar à que tivemos? Vocês utilizaram o que conseguiram obter como conhecimentos que lhes transmitimos para iluminar os que estiveram em contato com vocês? Não é necessário subirmos a um púlpito, literal ou metaforicamente, em nenhum momento para falar ao coração dos outros. Frequentemente é muito mais eficaz fazê-lo de formas mais silenciosas, para que as pessoas não suspeitem que estamos tentando mostrar algo a elas. Confiamos que tenham aproveitado as suas oportunidades o melhor possível no ano que passou, e oramos para que possam entrar no ano novo com um espírito de serviço ainda maior, e que isso possa provar a si mesmos ser muito mais frutífero para o crescimento da alma do que o conseguido no ano ora findo.

(Do Livro: Carta nº 62 do Livro “Cartas aos Estudantes”-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Sugestão para o seu Exercício Esotérico de Meditação nesse período: A Parábola do Semeador

A Bíblia é um dos maiores livro de Mistérios de todos os tempos. Há poucos que se dão conta de suas insondáveis profundidades. Cristo disse: “a fim de que vendo, vejam e não percebam; e ouvindo, ouçam e não entendam” (Mc 4:12).

Na mais antiga simbologia a palavra “barco” se referia à alma, e a palavra “mar” se referia às correntes psíquicas. Diz-se que Cristo Jesus se sentou em uma barca e ensinava o povo que estava na margem. Isso significa que ensinava aos que estavam nos planos internos e aos que estavam nos planos externos, posto que sua missão era instruir tanto os encarnados como os desencarnados.

Quando Cristo terminou de expor a Parábola do Semeador, disse: “Quem tem ouvidos, ouça”. O semeador é o Mestre; as sementes são as verdades que vai disseminando. Os Estudantes e os Discípulos, que são a terra, as recebem de acordo com sua capacidade de compreensão e, de acordo com ela, usam os ensinamentos. Também disse o Senhor que alguns receberam (e produziram) trinta ou, em outras palavras, só puderam aceitar uma interpretação literal. Outros receberam (e produziram) sessenta e são os que alcançaram os significados mais profundos. O compreender que a Bíblia é o livro de texto supremo da vida há de ser uma das primeiras conquistas do verdadeiro Discípulo Cristão.

Parabola-O-Semeador-709x1024 Sugestão para o seu Exercício Esotérico de Meditação nesse período: A Parábola do Semeador

Depois Ele acrescentou que houve outros que receberam (e produziram) cem; esses são os Iniciados, que captaram as verdades em sua totalidade. Eles são a boa terra, na qual as sementes caem, crescem e produzem fruto. Algumas sementes, no entanto, caem sobre o caminho e são devoradas pelos pássaros, ou seja, são captadas pelos emocionalmente inseguros e, por isso, não lhes puderam proporcionar um porto seguro espiritual.

Aconselha-se a todo Discípulo que aprenda a contatar com seu próprio ser interior e, por meio da oração e meditação, a despertar e a incrementar seus poderes. Um Aspirante capaz converte esse centro (interno) no ponto focal a partir do qual trabalha para atrair o bom, o verdadeiro e o formoso. Há de ter cuidado, no entanto, de não se ver circunscrito pela estreiteza do pensamento ou o fanatismo da interpretação. Esse centro, o mais recôndito de si mesmo, se não for cultivado com persistência e perseverança, a pessoa tenderá a ter que enfrentar a decepção e a desilusão. Quando isso sucede, o neófito não só abandona as coisas do espírito, mas também obstrui o caminho para os outros. A advertência bíblica no Evangelho Segundo São Lucas em 9:62 ratifica isso: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus”.

De acordo com a parábola, outras sementes caíram entre as rochas e morreram por falta de umidade. Esse é o símbolo da pessoa puramente mental, aquela cujo coração ainda não foi despertado. A Mente, só, nunca poderá resolver os problemas da vida, nem ensinar a outros como fazê-lo, porque isso só se pode conseguir por meio do amor de um coração espiritualizado.

Algumas das sementes caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e as afogaram. Os espinhos representam os desejos inferiores. Desde os dias da antiga Atlântida, a Mente humana está mais intimamente ligada à natureza de desejo do que ao espírito, o que contrário ao plano divino. Por isso, em uma grande maioria, a humanidade é mais motivada pelo desejo do que pela razão. Essa motivação egoísta deu origem a atual situação caótica do mundo: as raças, as nações e os indivíduos estão tão desgarrados pela dissenção e confusão que a humanidade se aproxima de um estado geral de pânico e desespero.

Um dos objetivos principais das sucessivas vidas sobre a Terra é que o ser humano liberte sua Mente dos laços de sua natureza de desejos para que a Mente se converta em um instrumento do espírito. Há de voltar uma e outra vez até que tenha aprendido a lição. As pessoas cujas vidas estão mais motivadas pela razão que pelo desejo são exceções e, entre elas, as que se guiam pelo intelecto espiritualmente iluminado são extremamente raras.

Por fim, parte das sementes caíram em terra boa e frutificaram produzindo cem por um. Isso se refere aos poucos que alcançaram o equilíbrio entre o Coração e a Mente, estado superior que é o ideal Crístico para toda a humanidade. Quando um Aspirante aprende a equilibrar essas duas forças, é digno de receber e disseminar os Mistérios do Reino de Deus.

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Consciente ou inconscientemente estamos construindo um novo Corpo: para que, para quando e por quê?

A parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres superiores, o Éter Luminoso e o Éter Refletor, é a que podemos chamar de Corpo-Alma; quer dizer, ela é a que está mais intimamente ligada ao Corpo de Desejos e a Mente e, também, a mais receptiva ao toque do Espírito do que se acha a parte formada pelos dois Éteres inferiores.

O Corpo-Alma é o veículo do intelecto, e responsável por tudo que faz do indivíduo, um ser humano.

Nossas observações, nossas aspirações, nosso caráter, etc., são devidos ao trabalho do Espírito nesses dois Éteres superiores, que se tornam mais ou menos luminosos de acordo com a natureza de nosso caráter e hábitos.

Outrossim, do mesmo modo que o Corpo Denso assimila partículas de alimento e assim adquire carne, os dois Éteres superiores assimilam nosso bem agir durante a vida e assim também crescem em volume.

De acordo com nossos feitos nessa vida atual, aumentamos ou diminuímos desse modo à bagagem que trouxemos ao nascer.

Se nascermos com um bom caráter, expresso nesses dois Éteres superiores, não nos será fácil mudá-lo porque o Corpo Vital tornou-se muito, muito firme durante as miríades de anos em que o desenvolvemos.

Por outro lado, se fomos frouxos, negligentes e indulgentes em relação aos hábitos que consideramos maus, se formamos um mau caráter em vidas anteriores, aí vai ser difícil superá-los porque isso estabeleceu a natureza do Corpo Vital, e anos de constante esforço serão precisos para mudar sua estrutura.

É por isso que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmam que todo desenvolvimento místico tem início no Corpo Vital.

Cada vez que prestamos serviço a alguém nós aumentamos o brilho de nosso Corpo-Alma.

É o Éter de Cristo que atualmente movimenta o nosso globo, e é bom lembrar que se desejamos um dia trabalhar pela Sua libertação, precisamos que um número suficiente desenvolva seus Corpos-Alma ao ponto em que eles possam fazer a Terra flutuar. Então, poderemos carregar Seu fardo e libertá-Lo da dor da existência física.

A Parábola do Banquete Nupcial é muito bem aplicada nesse contexto:

O Reino dos Céus é semelhante a um rei que celebrou as núpcias do seu filho. Enviou seus servos para chamar os convidados para as núpcias, mas estes não quiseram vir. Tornou a enviar outros servos, recomendando: ‘Dizei aos convidados: eis que preparei meu banquete, meus touros e cevados já foram degolados e tudo está pronto. Vinde às núpcias’. Eles, porém, sem darem a menor atenção, foram-se, um para o seu campo, outro para o seu negócio, e os restantes, agarrando os servos, os maltrataram e os mataram. Diante disso, o rei ficou com muita raiva e, mandando as suas tropas, destruiu aqueles homicidas e incendiou a cidade. Em seguida, disse aos servos: ‘As núpcias estão prontas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas e convidai para as núpcias todos os que encontrardes’. E esses servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons, de modo que a sala nupcial ficou cheia de convivas. Quando o rei entrou para examinar os convivas, viu ali um homem sem a veste nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial?’ Ele, porém, ficou calado. Então disse o rei aos que serviam: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes’. Com efeito, muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. (Mt 22:2-14 Lc 14:20-24)

Que as Rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O “coração” – místico, devoção – e a “cabeça” – intelecto, razão

Um dos maiores encantos e vantagens reais daquele que trilha o Caminho do desenvolvimento espiritual pela “cabeça” – intelecto, razão – é o grande valor que ela tem como local de retiro mental. Quando um ser humano fez o seu melhor, suportou todas as tensões e sofrimentos da vida mundana e está cansado, sua Mente volta-se com alegria para a ajuda satisfatória proporcionada pelo intelecto. Aquelas coisas que pareciam encher seu horizonte com a sombra negra da dúvida e do medo, então se reduzem à pequenez e a própria vida assume um aspecto mais animador.

O intelecto é universal, em sua aplicação. A pessoa que trilha o Caminho do desenvolvimento espiritual pela “cabeça” – intelecto – tem uma solução racional ou até científica para os mistérios da vida. Ela exige uma explicação semelhante da Religião. A fé, para ela, é assunto de conhecimento. A pessoa que trilha o Caminho do desenvolvimento espiritual pelo “coração” – místico, devoção – deseja um apelo voltado ao coração e não à Mente. Ela não está tão preocupada com o verdadeiro “por quê?” ou “para quê?” de uma ocorrência ou afirmação, mas, sim, com o valor de suas propriedades emocionais.

A primeira se preocupa com a verdadeira razão física de um milagre; a segunda, com a apreciação da maravilha e da beleza real que acompanham sua manifestação. Uma daria ajuda a um semelhante não tanto por compaixão, mas principalmente porque tal ato estaria de acordo com sua própria concepção intelectual da relação da pessoa com a pessoa. A outra, é claro, agiria com sincera simpatia e um desejo emocional de ajudar o necessitado.

A pessoa simpática, que sente amor por todas as criaturas de Deus e não considera nenhuma delas muito pequena ou mesquinha para ajudar, é um tipo bonito e cada traço do seu rosto simboliza uma graça espiritual. Verdadeiramente, o espírito molda a carne à sua semelhança e expressão de suas próprias qualidades.

Atualmente, o intelecto e as realizações materiais dele resultantes parecem ser de importância soberana. Certamente, é um método excelente para atingir certas qualidades de alma que são necessárias; contudo, a história de todas as pessoas que desenvolveram o intelecto e a vontade às custas da emoção e da intuição tem sido de tristeza, decepção e negação espiritual.

Mas, novamente e ao contrário, aqueles que desenvolvem somente pelo “coração” e ignoram a cultura da força de vontade e do intelecto estão, igualmente, sujeitos à tristeza e ao desapontamento.

Um caráter bem equilibrado, nem muito desenvolvido intelectualmente nem devocionalmente, é a coisa certa e um dos assuntos principais de um Estudante Rosacruz que se aplica em aprender e praticar os ensinamentos da Filosofia Rosacruz.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de maio/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: O que são os sonhos? Todos eles têm um significado? Como podemos atraí-los ou induzi-los?

Resposta: No estado de vigília, os diferentes veículos do Ego – a Mente, o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e o Corpo Denso – são todos concêntricos. Eles ocupam o mesmo espaço e o Ego atua, externamente, no Mundo Físico.

Contudo, à noite durante um sono sem sonhos, o Ego, revestido do seu Corpo de Desejos e da sua Mente, se retira deixando os Corpos Denso e Vital sobre o leito, não havendo mais ligação entre os veículos superiores e inferiores, a não ser por um fio tênue e brilhante chamado Cordão Prateado.

Acontece, às vezes, que o Ego se envolve tanto com o Mundo Físico, que o Corpo de Desejos fica de tal forma excitado que se recusa a abandonar os veículos inferiores e se retira apenas por uma parte. Então, a conexão entre os centros sensoriais do Corpo de Desejos e os centros sensoriais do cérebro físico fica somente parcialmente rompida.

O Ego vê os aspectos e as cenas do Mundo do Desejo, que lhe são extremamente fantásticas e ilusórias, transmitidas aos centros cerebrais sem qualquer conexão racional. Dessa situação é que surgem todos os nossos sonhos absurdos e fantásticos.

Às vezes, acontece que o Ego, ao sair completamente do Corpo Denso em um sono sem sonhos, vê um acontecimento que lhe diz respeito e que está prestes a se materializar, pois os acontecimentos iminentes se apresentam antecipadamente, isto é, antes que qualquer coisa aconteça aqui no mundo material, já aconteceu nos Mundos espirituais.

Se ao acordar após tal experiência o Ego conseguir fixar no cérebro aquilo que viu, terá um sonho profético que, ao devido tempo, se tornará realidade. O Ego também poderá, se o seu destino o permitir, modificá-lo por meio de uma nova ação, isto é, se informado a respeito de um acidente, poderá tomar providências para impedir o desastre iminente.

Quanto à terceira parte da pergunta: “Como podemos atrair ou induzir os sonhos”, podemos dizer que, naturalmente, não há qualquer vantagem em atrair ou induzir sonhos confusos e fantásticos. Na verdade, se chegar um momento na vida de um ser humano em que ele começa a trilhar a vida superior, gradualmente e através de certos exercícios, ele desenvolverá a faculdade de deixar o seu corpo conscientemente à noite ou a qualquer outro momento. Então, ele estará perfeitamente consciente nos Mundos invisíveis, poderá ir para onde lhe aprouver, até mesmo a extremidade da Terra em questão de minutos e, à medida que aprenda a trabalhar conscientemente nestes Mundos invisíveis, não “sonhará” mais, mas passará a viver outra vida mais plena ou mais real do que a que agora vive.

(Pergunta n° 33 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Importância da Música em Nossa Vida

A influência da música sobre o ser humano é geral e naturalmente reconhecida, mas, o que não é de grande conhecimento é a relação dessa arte com os mundos espirituais superiores.

Foi o Verbo – a Palavra Criadora Divina – ou seja, uma vibração sonora divina, que tudo criou e a “sustentação” dessa vibração que mantém a Criação. Já não são apenas as filosofias ocultas ou correntes espiritualistas que admitem que toda criação manifestada, nesse plano, de forma concreta, encerra um som ou uma nota-chave particular que lhe deu origem. A ciência já tem registrado, através de seus instrumentos, tons musicais que são emitidos, por exemplo, pela grama crescendo, pelo movimento do Sol e por vários órgãos do corpo humano.

Segundo a Filosofia Rosacruz cada um dos nossos veículos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente) tem sua nota-chave ou seu tom próprio que ao soar pela primeira vez, deu origem a criação desses veículos. A vibração contínua e harmoniosa ou “conforme” com o som original durante toda uma vida é o fator responsável pela manutenção e equilíbrio desses mesmos veículos. Não há como deixarmos de fazer parte desse cântico da criação. A “Canção de Deus” está presente em toda a parte: em todo Planeta, em toda célula, na rocha e nos nossos corpos mais sutis.

O que estamos fazendo com essa canção?

Que “alimento sonoro” damos aos nossos veículos?

Não estamos falando apenas da conhecida música dos Grandes Mestres, ou da música erudita de boa qualidade, que na verdade, é uma expressão elevada do potencial criador do ser humano. Estamos querendo refletir um pouco mais, procurando mostrar que todo ato criador é vibração, e “música”, e, portanto, estamos sempre às voltas com nossas “sonoridades” e “vibrações”, já que como filhos de um ser criador temos em nós esse mesmo potencial.

Se a nossa canção está “harmonizada” com a “Canção de Deus”, depende de nós. A Filosofia Rosacruz nos dá inúmeros recursos para que possamos “afinar” e harmonizar nossos instrumentos e os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz estão sempre ansiosos por nos ajudar a utilizar esses instrumentos no serviço de elevação da humanidade.

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Lei de Analogia

Todo Estudante Rosacruz que busca aprofundar-se nos Ensinamentos Rosacruzes deve esforçar-se por cultivar uma Mente aberta. Também compreender que o ser humano é uma miniatura do Universo e tudo o que procura externamente, não poderá encontrar fora de seu interior. Neste sentido, ele pode concluir que todos os problemas de sua existência tiveram iniciou nos planos espirituais ou internos e somente lá poderá ter fim.

Todo aquele que desejar compreender as coisas maiores da vida, deverá primeiro esforçar-se por compreender as coisas menores, sabendo que ambas fazem parte de um Todo (Deus). O axioma Hermético “assim como é em cima é em baixo; e assim como é em baixo é em cima” nos dá a fórmula para chegarmos a uma conclusão a respeito das coisas menores. Esta fórmula pode ser encontrada na Escola dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que é a Fraternidade Rosacruz, que também compreende a Lei de Analogia. Ela é a chave mestra para investigarmos a vida e seus enigmas, e seu propósito é ajudar todo aquele que busca se familiarizar com o mundo macrocosmo em um trabalho harmonioso com mundo microcosmo.

Uma das aplicações cotidianas da Lei de Analogia está relacionada ao mistério da morte. Para o Cristão místico a morte não existe, ao contrário, ele afirma que a morte física é um nascimento para os Mundos espirituais; assim como o nascimento físico é uma morte para os Mundos espirituais. Desta maneira, podemos observar que o Ego está em constante evolução; lembrando que a evolução do ser humano se processa em espiral, sempre para cima e para frente e tem como propósito a busca pela perfeição dos Corpos Denso, Vital, de Desejos e da Mente.

Para muitos, a morte ainda constitui um mistério, pois enxergam apenas um Corpo Denso inerte e sem vida. Outros ainda não acreditam em vida após a morte. Já para o ocultista, que aplica a Lei de Analogia, descobre que se faz necessária diariamente adotar uma atitude altruísta acerca da morte, tão necessária ao desenvolvimento anímico.

É um dever de todo Estudante Rosacruz procurar aplicar a Lei de Analogia sobre a morte e disseminar tais conhecimentos entre aqueles que ainda vivem nas trevas em relação a ela, respeitando o livre arbítrio desses irmãos e irmãs. Como é dever de todos, recorrer aos próprios meios investigativos para resolver as dificuldades do dia a dia, mesmo que às vezes aparenta ser difícil.

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A que o Cristo se referiu quando disse: “Todo aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, nele não entrará”?

Resposta: No mundo que nos rodeia, vemos o “Reino dos Homens”, onde todos estão se esforçando em manter sua própria posição e, dependendo de suas próprias ideias e de sua autoafirmação, manter essa posição contra todos os que se aproximam. Quando se depara com algo novo, sua atitude mental, geralmente, é impregnada de ceticismo. Pois, ele teme ser enganado.

A atitude de uma criança em relação ao que vê ou ouve é exatamente o oposto da posição dos adultos. A criança pequena não tem um sentimento avassalador de seu próprio conhecimento superior, pois é francamente ignorante e, portanto, perfeitamente ensinável, e foi a essa característica que o Salvador se referiu na passagem citada.

Quando entramos na vida superior, primeiro devemos esquecer tudo aquilo que sabíamos no mundo. Devemos começar a ver as coisas de uma maneira totalmente diferente e quando um novo ensinamento nos é apresentado, devemos nos esforçar para recebê-lo, independentemente de outros fatos previamente observados. Isso para que possamos ser perfeitamente imparciais. É evidente que não devemos acreditar imediatamente que “preto é branco”, mas se alguém afirmar categoricamente que um objeto que julgamos preto é realmente branco, nossa Mente deve estar suficientemente aberta para nos impedir de fazer um julgamento de imediato e dizer: “Ora, eu sei que esse objeto é preto”. Devemos estar dispostos a reexaminar o objeto para verificar se não pode haver um ponto de vista do qual aquilo que pensamos ser preto parece ser branco. Somente quando fizermos um exame minucioso e concluirmos que o objeto é realmente preto, sob qualquer ponto de vista, poderemos retornar à nossa opinião anterior.

Não há nada mais notável numa criança do que a atitude flexível de sua Mente, que a torna tão ensinável, e o Aspirante que se esforça por viver a vida superior deve sempre manter como objetivo a sua Mente nesse estado fluídico, pois, quando as nossas ideias se tornam cristalizadas e incapazes de qualquer mudança, o nosso progresso cessa. Essa era a grande verdade que Cristo estava se esforçando para apresentar aos ouvintes quando fez a observação que gerou a pergunta.

(Pergunta nº 105 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

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Pela Paz: que Paz? A falsa Paz, a que o mundo dá aos seus devotos?

Estamos orando pela paz; estamos pensando na paz; esperando por paz e por alguns momentos consideraremos a paz em seu significado mais amplo e completo. Qual é a paz pela qual estamos orando com todos os nossos corações, enquanto lá longe o barulho e o horror da luta fratricida enchem a aura da Terra com seu vermelho lúgubre?

No ano passado, foram realizados mais de cento e cinquenta Congressos, Convenções e Conferências Internacionais de Paz. Acreditava-se que isso pressagiasse a aproximação da tão esperada unidade mundial pela qual a humanidade estava orando. Foi declarado, com certeza enfática, que a guerra era coisa do passado. Hoje, estamos em meio a condições que podem fazer os Anjos chorarem — a Europa está mergulhada na mais terrível luta fratricida já registrada na história[1]. Disso somos forçados a tirar várias conclusões — uma das quais é que o nosso otimismo anterior repousava sobre uma base muito insegura e que a nossa “paz” se empoleirava sobre uma crosta fina, em cima de fogos internos e fervilhantes.

O grande Mestre — Cristo Jesus — pronunciou estas palavras maravilhosas em seu significado profundo e místico: “Minha paz vos dou — não como a dá o mundo”. Observe que elas foram faladas apenas aos Discípulos; para aqueles que O amavam e foram consagrados ao Seu serviço. Além disso, elas implicam dois tipos de paz. A analogia humana confirma a inferência. A paz que o mundo dá é a falsa segurança que nos embala em um cochilo temporário, enquanto a tempestade se forma.

A paz de Cristo pela qual oramos é mais do que a calma externa. É mais do que a imobilidade exterior sobre profundezas agitadas e fervilhantes. No microcosmo, é mais do que a emoção embalada por um descanso momentâneo. É mais do que os sentidos paralisados de uma criança quieta que, por um breve intervalo, não veem, não sentem, não ouvem. No microcosmo, é mais do que a cessação do movimento marcial, quando as forças elementais são silenciadas pela vontade de um Mestre. A paz mundial pela qual ansiamos e esperamos não é a quietude sinistra da miséria oprimida e sufocada — sufocada sob a tirania esmagadora. Não é a patética indiferença ao destino que as massas submersas mostram sob a mão de ferro da ganância e da avareza. Não é a aceitação monótona de condições implacáveis — uma submissão que impede a guerra aberta por causa das condições. Tal submissão paralisa todos os esforços de longo alcance ou alimenta um fogo fervente de ódio interior que, eventualmente, irá estourar todos os limites.

Essas têm sido as condições de paz dos últimos séculos entre as nações do mundo. Murmúrios agourentos da tempestade que se aproxima foram ouvidos de vez em quando através do silêncio abafado. Os erros clamam por reparação, mas foram silenciados pela mão erguida da tirania, tingida de vermelho com o sangue da humanidade. Chamamos isso de “paz” porque havia uma submissão entorpecida a condições inevitáveis. Os erros foram vestidos com roupas de dignidade oficial, a injustiça foi vestida de púrpura com arminho e a crueldade ocupou os tronos do poder.

Portanto, houve “paz”. Paz? Ah, amigos! Vamos olhar para baixo, para o coração, o âmago de tudo isso. Mais uma vez, voltemos às palavras do nosso grande exemplo, o Cristo. Ele faz uma distinção significativa entre a paz que o mundo dá e a que Ele concede àqueles que O amam. Vimos os efeitos da primeira. Vivemos sob a falsa segurança dela e sofremos com suas consequências de longo alcance. Essa paz é como a de uma tarde abafada de verão, quando toda a natureza está consciente de distúrbios elétricos em algum lugar. Os centros dos sentidos e os centros emocionais percebem as vibrações sutis das agitadas correntes atmosféricas. Atualmente, há um movimento de ar, uma energia correndo, um suspiro de florestas curvadas e uma batalha feroz, elementar está acontecendo…

Outra analogia para a falsa paz pode ser encontrada na lagoa tranquila em cujas profundezas escuras o veneno se esconde. Uma falsa paz, queridos amigos, não repousa sobre um fundamento real. A qualquer momento, impulsos vindos de baixo podem penetrar em sua casca fina, causando perturbações gigantescas. É evidente, assim, que desejamos outra forma de paz — algo duradouro e potencial. Essa paz só pode ser encontrada no princípio do Cristo: o Espírito do Cristo deve prevalecer e guiar. Essa paz difere daquela que o mundo oferece em sua política de contemporização, pois energia radiante é diferente de letargia. A paz de Cristo é energia radiante, vida brilhante, chama movente de um centro puro de Luz; Seu altruísmo brilhante envolve e abençoa o coração da humanidade — a alma do mundo. Quando essa paz chegar ao coração da humanidade, as nações não estarão mais em guerra. Não haverá espírito racial, nenhum desejo de poder para usar no monopólio egoísta; nenhum tentáculo de avareza para agarrar vítimas infelizes. Esta, então, é a paz pela qual oramos esta noite, amanhã e todos os dias que virão: A paz de Cristo! Dizem que isso excede o entendimento. Ela ultrapassa os limites do intelecto. A Mente não pode entendê-la. Somente o Espírito pode reconhecê-la e abraçá-la. Mesmo assim, daquele centro radiante sentimos sua calma benevolente e alta bem-aventurança por toda a vida. Ela toca e eletrifica todos os sentidos e todos os centros emocionais. Ela realmente irradia bênçãos por todas as vias da consciência. Não pode ser expressa. Não pode ser entendida por aqueles que não a conhecem.

Torna-se evidente que o mundo não está totalmente pronto para a bem-aventurança divina da paz de Cristo. Qualquer coisa menos do que isso não é paz, mas apenas ausência de movimento marcial. É uma das grandes tragédias da nossa “Estrela das Dores” que lágrimas e derramamento de sangue, destroços e ruína devem preceder a harmonia reconciliadora — a harmonia que brota da paz perfeita e a inclui. O espírito de Marte torna esta era uma época de inquietação. Isso é sentido não só no campo de batalha, mas em cada caminhada na vida, em cada avenida do progresso do mundo. É bom, portanto, enviar pensamentos de paz continuamente; concentrar-se na paz, trabalhar e orar por ela; mas devemos fazer mais do que isso.

Devemos analisar com a visão do filósofo e encontrar as causas subjacentes das condições caóticas que encontramos em toda parte. Então, devemos reconhecer todos os elementos da discórdia e encontrar uma verdadeira base para a paz. Porque isso só pode ser encontrado no altruísmo — o amor universal —, no reconhecimento da unidade fundamental. É claro, então, que devamos trabalhar para isso; em outras palavras, para Cristo e Seu Reino. Para fazer o máximo, não pare no meio do caminho nem sonhe com condições disfarçadas que são más no centro, mas “justas” por fora — como sepulcros caiados. São essas condições que produziram as guerras e misérias. Tais guerras e misérias devem prevalecer até que o fluxo da vida humana seja purificado em sua fonte. Muito do “elemento animal” no ser humano está agora misturado com a essência pura dele que, às vezes, fica difícil separar os dois. No entanto, devemos nos tornar puros antes que possamos ter paz — a paz duradoura — tanto na vida coletiva com os demais como na individual. Enquanto tudo o que é falso ou mau está oculto, encoberto ou dissimulado, o máximo de paz que podemos conhecer é aquela que o mundo dá — uma calmaria temporária na tempestade — um armistício durante o qual podemos enterrar nossos mortos.

A verdadeira paz é branca e luminosa como um raio de luz de Deus. É a flor perfeita que coroa a vida harmonizada. É a verdadeira sinfonia da vida humana cuja análise qualitativa pode ser resumida nestas palavras do grande músico, Beethoven: “Nada pode ser mais sublime do que se aproximar da Divindade e difundir aqui na Terra Seus raios divinos entre os mortais”.

Durante o processo de desenvolvimento, de ajuste, de utilidade construtiva e beleza, a vida é cheia de discórdia e contenda. Tanto com as nações como com os indivíduos — no macrocósmico e no microcósmico. Enquanto os destroços de uma estrutura demolida estão sendo liberados para dar lugar ao novo, a visão não é agradável. Todos os sentidos ficam ofendidos com o lixo e a confusão. Só a alma do artista pode ver, na imaginação, a nova estrutura que surgirá em graça arejada, em beleza nobre sobre os destroços e ruínas. Em nossa antiga terminologia, precisamos falar das vidas humanas que foram “apagadas no campo de batalha”, como a chama de uma vela. Sabemos agora que sua vida não se extinguiu — a chama ainda vive. As velhas condições cristalizadas serão rompidas por essa terrível reviravolta e sentiremos a agitação de correntes etéricas mais sutis.

Vamos, então, continuar a enviar pensamentos de paz e mais do que isso para torná-los poderosos, potentes, onipotentes — carregados da corrente elétrica do amor do Centro Divino. Assim, poderemos ajudar no movimento pela paz, a verdadeira paz, a paz do Cristo. O trabalho preparatório deve ser feito, no entanto. Os destroços do pensamento inútil, da fantasia ociosa e dos interesses egoístas devem ser eliminados. A necessidade do ser humano em ser orientado por um Espírito de Raça deve se extinguir. As distinções de classe, exceto os graus de realização espiritual, devem ser abolidas. O único padrão de excelência deve ser baseado no desenvolvimento espiritual. Todas as distinções arbitrárias da nossa “civilização” tola e moderna devem ser dissolvidas na luz branca da Verdade que brilha nos mundos espirituais. Todos os nossos conceitos baseados nos falsos padrões da Terra devem ser revertidos e devemos permanecer como uma unidade infinitamente multiplicada, como um de forma radical e fundamental, manifestando-se em diferentes graus; mas juntos, formando a humanidade perfeita.

Para usar o antigo comparativo musical: cada inteligência humana emite sua Nota chave e um certo número dessas notas harmoniosamente mescladas compõem o acorde perfeito. Todos esses acordes, com seus tons e sobretons, seu equilíbrio e ritmo, formam a grande sinfonia da vida. Nenhuma nota pode ser dispensada: nenhum acorde pode ser ignorado. Mesmo aqueles que entram com uma dissonância estranha em ouvidos destreinados, sob a habilidade do Mestre ajudam a produzir a música mais verdadeira — a harmonia mais perfeita. Nenhum de nós que viajamos juntos nesta “Estrela triste” pode entrar em harmonia perfeita até que a última nota individual e falsa soe sua nota completa e verdadeira. Na grande alma do mundo existem muitos tons. Alguns soam muito discordantes para ouvidos sensíveis, mas devem ser transformados em esferas verdadeiras e claras como um fato vívido, em vez de um sonho de poeta. Então saberemos o significado da paz e perceberemos o quão completamente somos um. Neste exato momento, a nota marcial prevalece; mas, do estrondo de trompas e tambores surgirá a melodia clara e pura das cordas de violino e violoncelo da alma superior do ser humano: o reinado da paz começará.

Em um sentido muito real, somos os guardiões de nossos irmãos, em um sentido místico e profundo, pois no cerne das coisas somos um. Nossas almas, formadas a partir da alma do mundo, embora estejam separadas agora, estando cada uma envolta em sua minúscula concha, quando purificadas e unidas à Inteligência espiritual, serão uma só em grande poder e bem-aventurança.

Um último pensamento: o altruísmo deve ter suas raízes dentro, no centro sagrado do Amor e da Luz, em que o verdadeiro Eu habita. As sementes da verdade devem cair no silêncio do coração e germinar ali, na quietude profunda. Não sabemos o que perdemos quando as deixamos cair na turbulenta e agitada correnteza da vida exterior, em suas inquietas correntes. Seus impulsos são sempre externos e, se as verdades divinas, que o Mestre fala ao ouvido interno, não puderem fruir plenamente por dentro, antes de serem levadas para fora, elas falharão em seu alto propósito. Uma verdade profunda está oculta nisso — uma verdade digna de sua reflexão séria.

O Coração do Cristo é amor e luz. Quando Sua lei governa a vida, o resultado é a paz. A inquietação é um sinal de centros perturbados e mostra que as energias estão fluindo em canais de parto — dissipadas em linhas que não são essenciais.

A falsa paz, a que o mundo dá aos seus devotos, desune, segrega, perturba. À sua maneira, é quase tão prejudicial quanto as forças marciais. Para entrar na grande e duradoura paz, queridos amigos, a alma da humanidade deve se voltar para o Divino, a Luz central, para longe do mundo da forma e da fantasia. É a tentativa de enfrentar os dois lados que traz toda a nossa miséria.

Tudo é muito simples — o problema da vida, tanto no nível individual quanto no cósmico —, quando encontramos a chave. Essa chave está ao alcance de todos, quando olhamos para dentro, para o centro do nosso ser — na imobilidade profunda, encontramos nosso verdadeiro Eu: nosso Eu superior, nosso Deus.

Que o pensamento final de paz que levaremos conosco seja expresso nas palavras de um hino escrito por um místico e santo da Abadia Galesa de Llanthony.

Silêncio — que uma quietude profunda

Paire sobre cada coração!

Que cada pensamento terreno

Agora parta totalmente.

Mestre, diga: “Fique quieto”.

Pois você está certamente aqui.

Mestre — que Tua grande calma

Faça-nos Te sentir por perto!

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de junho/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: refere-se à Primeira Guerra Mundial

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