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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Porque e Quando se Torna mais Fácil Servir

Ao terminar o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, a maioria dos Estudantes sente um forte impulso para indagar: como se pode servir?

O serviço não é apenas um simples exercício da alma. É a responsabilidade assumida pela aquisição do conhecimento. Quando o neófito ou a neófita se acerca do que são os Ensinamentos Rosacruzes na prática do dia a dia, sente uma transformação total em si mesmo: há confusão, alegria, otimismo, entusiasmo, jovialidade, saúde da alma e do corpo, fortaleza… até convencer-se plenamente de que é um novo ser humano. Do entusiasmo e confusão passa a uma serenidade profunda, uma majestosa dignidade que o faz compreender o valor do Eu Superior como ente espiritual.

Se você quer “Servir”, há mil maneiras diferentes de fazê-lo, como melhor apraz a seu coração. Em sua profissão, no trato diário com os familiares, na empresa, no escritório ou na escola, os preceitos Rosacruzes encontram campo para serem vividos e empregados. Eles constituem um “código de elevada moral”.

Quer um exemplo que ajuda bastante? Se você quer servir, frequente um Grupo de Estudos ou Centro Rosacruz mais próximo de você (graças às “ferramentas” aquarianas, hoje você pode frequentar pessoalmente ou remotamente!). Cada Grupo de Estudos ou Centro Rosacruz têm pessoas que estão lá para estudar os Ensinamentos Rosacruzes e com esse foco fica mais fácil ajudar aqueles que pela primeira vez sentem o anseio de conhecer tais Ensinamentos, bem como é uma oportunidade para conhecer e conversar com pessoas com a mesma afinidade espiritual. Nele reúnem-se Estudantes Rosacruzes, que espontaneamente também trabalham para difundir tão sagrados conhecimentos. Já que a Fraternidade Rosacruz é uma Associação de Cristãos Místicos, e como toda verdadeira Associação todas as atividades são executadas por meio do trabalho voluntário, eles oferecem parte de seu tempo, digitalizando material, traduzindo, fazendo cópias, escrevendo, publicando, melhorando figuras e diagramas, organizando o que se precisa, executando atividades em várias áreas existentes e até proferindo conferências sobre Astrologia Rosacruz, Filosofia Rosacruz e Estudos Bíblicos Rosacruzes, atendendo aqueles que chegam em busca da Panaceia Espiritual. Reúnem-se em um dia da semana para orar em benefício dos doentes e enfermos do mundo todo, cumprindo assim os dizeres do nosso ritual: “Um só carvão não produz fogo, mas quando se juntam vários carvões…”.

A essa tarefa dedicam-se os mais esforçados, pois um ou uma Estudante Rosacruz desejoso ou desejosa de servir sabe que, para se tornar um (a) Auxiliar Visível atuante, deve reunir em si mesmo as condições expressas nos Ensinamentos Rosacruzes. Assim, logrará a realização de um serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã, focando na Divina Essência oculta em cada um deles – que é a base da Fraternidade.

A Fraternidade Rosacruz oferece só uma resposta ao Estudante: quem se adentrar no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz deve manter sua conduta sob vigilância, vivendo conforme as Leis Divinas, como preceituam os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.

Todo ou toda Estudante Rosacruz deve se conscientizar do seguinte: para chegar a um nível do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – e dali para frente – nunca ingerirá bebidas alcoólicas, não fuma, nem come carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, répteis, frutos do mar e afins), pois sabe que a partir daquele nível conhece a importância da vibração de sua nota-chave e de como pode transmiti-la, não só por meio da palavra e do pensamento, como também da ação, obra ou do ato. A vibração emanada de uma simples carta ou conversa dele ou dela pode ser portadora de um oásis de paz para quem a recebe. Tal é o poder do ritmo e da vibração que alguém emite quando “vive a vida”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1976-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Divina Essência Oculta Dentro de Você e o Que Fazer Com Ela

Nos Estudos Bíblicos Rosacruzes aprendemos que a significância esotérica de: “Não sabeis que sois o santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, porque o santuário de Deus que sois vós é sagrado” (ICor 3:16-17), cujas palavras parecem tão coerentemente claras, produzem confusão e dúvida entre muitos de nós.

Para um Cristão afeito ao Cristianismo Popular tentar entender o que S. Paulo quis dizer nesses versículos constitui um exercício perigoso, uma aventura capaz de lhe abalar a fé. Aprofundar-se na ideia de que o “Espírito de Deus habita em nós” é algo temerário. Afinal, o Espírito de Deus só pode ser o próprio Deus. Deus no ser humano, dando vida ao seu santuário? Por que ir além?

Mas, para o próprio Estudante Rosacruz sobrevém, a princípio, grande dificuldade em aceitar a realidade do Deus Interno. Ora, durante toda sua vida se habituou a venerar e recorrer a uma inteligência superior, abstrata, permeando o espaço cósmico. A certeza da existência de um Deus externo lhe trouxe, sempre, uma certa segurança, ainda mais que esta Divindade lhe oferece seu Filho Unigênito — o Cristo — para redimi-lo de suas transgressões. Aos poucos, conforme trilha o Caminho da Santidade, vai tendo provas da Divina Essência oculta em cada um de nós e que essa é a base da Fraternidade.

A ideia de que Cristo é um ser interno, um princípio inerente à nossa condição de Egos (Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui), que desabrocha e evolui através de várias existências de pureza e serviço não é fácil de se aceitar. A ideia de que é esse Cristo interno que salva e não o Cristo exterior pode ser assustadora, pois revela, e como isso é duro, que a salvação é um problema individual, interno e intransferível!

É responsabilidade exclusiva de cada um. Logicamente ninguém está só, no desenvolvimento desse processo. Pode-se recorrer às Orações Científicas, oficiações de Rituais de Serviço Devocional, práticas de Exercícios Esotéricos Rosacruzes que, quando acompanhada de esforços sinceros e serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado justamente na Divina Essência oculta em cada um de nós, voltado sempre ao irmão ou a irmã que está no entorno, atrairá a ajuda dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, quando se trilha o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

A centelha divina tem em si as mesmas sementes de perfeição do Deus Macrocósmico. Quanto mais ampla for a nossa consciência de que esta Divindade habita em nós, maiores serão seus canais de manifestação.

A pessoa comum, aquela que alardeia seu agnosticismo ou vive condicionado a uma crença num ente exterior, pode se abalar com as crises desta época. Pode padecer de todas as desesperanças, apavorar-se com todas as mudanças, porque falta-lhe a energia positiva de quem admite a presença de Deus dentro de si mesmo.

O Estudante Rosacruz ativo e fiel se sobrepõe espiritual, mental, emocional, fisicamente e a todas as condições transitórias desse mundo. Nada teme, porque está convencido de que a única realidade possível é o Deus Interno!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/abril/1988-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Cordão Prateado humano, do animal e relações com Espírito-Grupo e Espírito de Raça

Três Períodos de evolução precederam o nosso atual Período Terrestre. Durante o Período de Saturno, éramos semelhantes aos minerais (na constituição de Corpo e de Consciência); no Período Solar, tínhamos uma constituição similar à das plantas (na constituição de Corpos e de Consciência); no Período Lunar, desenvolvemos veículos parecidos com o dos animais atuais (na constituição de Corpos e de Consciência). Dizemos parecidos, pois a constituição do mundo era tão diferente que uma construção idêntica teria sido impossível. Nesse Período Lunar, imagine agora um imenso globo circulando no espaço como um satélite ao redor do seu Sol. Esse é o corpo de um Grande Espírito, Javé ou Jeová. Assim como temos carne macia e ossos duros no nosso Corpo Denso, também a parte central do Corpo de Javé é mais densa que a externa, que é enevoada e semelhante a uma nuvem.

Embora Sua consciência permeie tudo, Javé aparece principalmente na nuvem e com Ele estão Seus Anjos e outras Hierarquias Criadoras. Dessa grande abóbada de nuvens pendem milhões e milhões de cordões, cada um com seu saco fetal, pairando próximo à parte central e densa; assim como o fluxo vital da mãe humana circula através do cordão umbilical até que o feto possa viver independentemente, quando o período de gestação se completa, assim também a vida divina de Javé flutuava sobre nós na nuvem e fluía por toda a família da Onda de Vida humana durante esse estágio embrionário da evolução dela — éramos tão incapazes de iniciativa como os fetos.

Desde então, o Maná (Manas, mens, Mensch ou “Homem”) caiu do céu, do seio de Deus-Pai, e agora, já na quarta Revolução no Globo D do Período Terrestre está ligado pelo Cordão Prateado ao Corpo Denso durante as horas de vigília; e mesmo durante o sono, ele forma o elo de ligação que conecta os veículos superiores aos inferiores, sendo essa conexão rompida apenas pela morte.

O Cordão Prateado não é feito de um único tipo de material, mas é bastante complexo em sua constituição. Uma extremidade está enraizada no Átomo-semente do Corpo Denso que está na posição relativa do ápice no coração e é feita de Éter. Uma segunda parte, feita de substância de desejo, cresce na posição relativa do lóbulo superior do fígado, local onde está o Átomo-semente do Corpo de Desejos e, também, o grande vórtice do Corpo de Desejos. Quando essas duas seções do Cordão Prateado se unem no Átomo-semente do Corpo Vital, localizado no Plexo Celíaco ou Solar, essa junção dos três Átomos-semente marca o momento da animação, ou vivificação, do feto.

Mas há ainda outro segmento do Cordão Prateado, feito de substância mental, que cresce a partir do Átomo-semente da Mente e está localizado na posição relativa do que do seio frontal (na testa). Essa parte se estende entre as Glândulas pituitária e a Glândula pineal, descendo e se conectando às Glândulas Tiroide e Glândula Timo, além da Glândula Baço e das duas Glândulas Suprarrenais, para finalmente se unir à segunda parte do Cordão Prateado, no Átomo-semente do Corpo de Desejos.

O caminho ao longo do qual essa parte do Cordão Prateado crescerá é indicado no Arquétipo, mas requer aproximadamente 21 anos para completar a junção. A união da primeira com a segunda divisão do Cordão Prateado marca a vivificação física, que depende da destruição completa dos glóbulos sanguíneos nucleados que carregam a vida da mãe física e da emancipação da sua interferência por meio da gaseificação do sangue, que se torna então o veículo direto do Ego. A junção da segunda com a terceira parte do Cordão Prateado sinaliza uma vivificação mental e a consequente emancipação da mãe Natureza, que então completou o processo de gestação necessário para estabelecer os alicerces e a estrutura do templo do Espírito — que, a partir desse período, pode construir como quiser, limitado apenas por suas ações passadas.

Durante o período que estamos acordados no Mundo Físico, o Cordão Prateado é tríplice e fica enrolado em espiral dentro do Corpo Denso, principalmente ao redor do Plexo Celíaco. Mas à noite, quando o Ego se retira e deixa o Corpo Denso e o Corpo Vital dormindo em um leito, para que o Corpo Vital possa recuperar o Corpo Denso, esse Cordão se projeta para fora do crânio e o Corpo de Desejos, em forma oval, flutua acima da ou próximo à forma adormecida, assemelhando-se a um balão preso por um fio. Nessa condição, no caso das crianças e das pessoas pouco desenvolvidas, o Ego permanece ali, pensando sobre os acontecimentos do dia até que impactos do Mundo Físico, como o toque de um despertador, uma chamada ou algo semelhante, façam o Cordão Prateado vibrar, atraindo a atenção do Ego para seus veículos abandonados e fazendo com que ele retorne a eles.

Nenhum desenvolvimento oculto é possível até que a terceira parte do Cordão Prateado seja desenvolvida; contudo, após esse evento, o Ego pode deixar seu Corpo Denso e vagar pelos Mundos espirituais, seja conscientemente após o devido treinamento esotérico e/ou Iniciação, ou inconscientemente e, nesse caso, com a ajuda de outros ou acidentalmente como um sonâmbulo que deixa seu leito e retorna sem saber para onde foi ou o que fez. Em qualquer um desses contextos, a maleabilidade e elasticidade da terceira parte do Cordão Prateado, que é feita de substância mental, serve como ligação com os veículos inferiores.

A qualidade da consciência do Ego, quando está afastado do seu Corpo Denso, depende da formação, ou não, de um Corpo-Alma, que é feito de Éter de Luz e Éter Refletor e é o veículo da percepção sensorial e da memória, suficientemente estável para ser carregado. Se tiver formado, o processo de Iniciação terá sido ensinado como proceder e o Ego terá consciência plena enquanto estiver fora do Corpo Denso, além de memória confiável sobre o que ocorreu durante o “voo da alma”, ao retornar. Caso contrário, tanto a consciência quanto a memória estarão ausentes ou serão falhas em algum grau.

Depois de nos familiarizarmos com a construção e a função do Cordão Prateado como ligação entre o Ego e seus veículos para a Onda de Vida humana, iremos estudar sua constituição e uso em relação ao animal e seu Espírito-Grupo. Foi ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que os hábitos, gostos, as preferências e aversões de cada espécie derivam do Espírito-Grupo que atua através deles.

Todos os esquilos acumulam uma reserva de nozes para o uso no inverno; todos os ursos engordam em preparação para o período de hibernação; todos os leões desejam carne, enquanto os cavalos, sem exceção, comem feno, grama, mato — mas o que é alimento para uma pessoa pode ser veneno para outra. Se conhecemos os hábitos de um animal, conhecemos os hábitos de todos os que pertencem à mesma família, mas seria inútil investigar, por exemplo, a família Edison para descobrir a origem do gênio de Thomas A. Edison.

Um tratado sobre os hábitos de um cavalo se aplicará a todos os outros, mas a biografia de um ser humano difere completamente da de qualquer outro, porque cada um age sob as diretrizes de um Ego que trabalha com seus Corpos e veículo a partir do seu interior e individual, enquanto os animais de um determinado grupo são dirigidos por uma inteligência comum, o Espírito-Grupo, a partir de fora e por meio do Cordão Prateado.

Cada animal possui seu próprio e individual Cordão Prateado, em relação às duas partes que conectam o Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos; mas a terceira parte, que está ligada ao vórtice central do Corpo de Desejos, localizada na posição relativa do fígado, pertence ao Cordão Prateado do Espírito-Grupo. Por meio desse vínculo elástico, este Espírito-Grupo governa os animais da sua espécie, independentemente de onde estejam, com igual facilidade. A distância não existe nos Mundos internos e os animais não possuem Mente própria; assim, eles obedecem sem questionar às sugestões do Espírito-Grupo.

Nisso, as crianças são uma anomalia, pois elas também têm apenas as duas partes do Cordão Prateado desenvolvidas e possuem uma Mente na qual a terceira parte está em formação. Assim, o Ego não tem comunicação direta com seus veículos e, portanto, a prole humana, que possui o maior potencial, é, ao mesmo tempo, a mais indefesa de todas as criaturas da Terra, estando sujeita principalmente à autoridade dos seus guardiões físicos.

Embora o ser humano agora seja individualizado e emancipado da interferência direta em suas ações pelo “cordão de condução” com o qual o Espírito-Grupo força (não há outra palavra que transmita melhor o sentido) o animal a obedecer à sua vontade, ele ainda não está apto a governar a si mesmo, assim como a criança sobre a qual mantemos autoridade até atingir a maioridade não está pronta para cuidar de seus próprios assuntos; assim, os Espíritos de Raça ainda continuam a governar muitas nações. Cada uma tem seu próprio Espírito de Raça, que plana sobre a porção da Terra onde reside as pessoas daquela nação em forma de nuvem, e é nele que vivem, movem-se e têm o seu ser. Eles são o seu povo peculiar e Espírito de Raça é um deus ciumento. A cada respiração, eles inalam esse Espírito de Raça e, se forem levados para longe da porção da Terra onde reside as pessoas daquela nação vão desejar sua terra natal, porque em qualquer outro local o ar é diferente e carrega a vibração de outra Hierarquia Arcangélica que tem a função de Espírito de Raça.

Com o passar do tempo, à medida que avançamos, também as nações são emancipadas da influência do Espírito de Raça, que tem vivido por meio da respiração desde que Javé-Elohim soprou o nephesh, o ar vital, nas narinas das pessoas que compõe tais nações. Esses Espíritos de Raça atuam no Corpo de Desejos e no Espírito Humano, fomentando o egoísmo e o egocentrismo. Sua mais alta realização é o patriotismo.

Mas quando aprendermos a construir a gloriosa veste nupcial, o Corpo-Alma, que é tecido através do Serviço amoroso e desinteressado (o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada pessoa – que é a base da fraternidade – a cada irmão e irmã, e o matrimônio místico foi consumado, quando o Cristo nascer imaculadamente dentro de nós – o Cristo interno –, então o Amor Universal nos emancipará para sempre da Lei Universal e seremos perfeitos como nosso Pai nos Céus é perfeito.

De todo poder que mantém o mundo em correntes,

O homem se liberta quando domina a si mesmo.

                                                                       Johann Wolfgang von Goethe

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Pensamento sobre Pensamentos

No último verso do belo poema de Max Heindel, Credo ou Cristo[1], lemos sobre a compaixão e o amor como as chaves que destrancam os portões dos Céus e asseguram a vida eterna. O único requisito para o progresso espiritual é o Amor. Nós lemos:

“Só uma coisa o Mundo necessita conhecer:

apenas um bálsamo existe para curar toda a humana dor;

apenas um caminho há que conduz, acima, aos céus:

Este caminho é: a COMPAIXÃO e o AMOR.”

Não é suficiente saber sobre a consciência ininterrupta ou possuir uma compreensão completa das Leis de Deus; nem mesmo um entendimento abrangente sobre a nossa jornada após a morte constitui os requisitos para a entrada na existência celeste. O conhecimento é uma vantagem, uma pérola de grande valor, mas antes e por último o vínculo da compaixão humana deve despertar nos corações de todos nós a percepção de que “o Guardião do Nosso Irmão e da Nossa Irmã”[2] é um fato e um mandamento.

Sem a compaixão humana, como pode o vasto conhecimento encontrar um meio de expressão? Negado um meio de expressão, um meio para a conversão de riquezas acumuladas em conhecimento, como pode haver benefício? Não é ensinado que possuir talento, ou entendimento, gera a administração que deve ser contabilizada e somente em igual medida o prêmio é compatível com a ação? Aquele que recebeu cinco talentos na Parábola[3] teve sucesso no bom uso da habilidade, acumulou mais cinco e foi premiado com a administração em muitas coisas, “sendo fiel sobre algumas”. Aquele que recebeu dois talentos também teve êxito em dobrar a quantia, merecendo assim o justo elogio. O operário que recebeu um talento ficou com medo e o escondeu para mantê-lo seguro, mas até mesmo o cuidado tomado para reter o que recebeu foi condenado, pois a preguiça não merece aprovação e somente o crescimento e o desenvolvimento daquilo que é dado recebe o “Muito bem, servo bom e fiel” (Mt 25:21).

Ter muito conhecimento gera grande responsabilidade e mesmo um pequeno conhecimento requer uso correto e justo. Usar nossos talentos para promover o bem-estar de nossos semelhantes, independentemente de interesses próprios, é o meio mais seguro de adquirir essa compaixão e amor, a chave para o desenvolvimento espiritual. O amor pelos ideais espirituais não é suficiente, pois assim como o mais elevado encontra reflexo no mais baixo, o amor divino cresce e brilha através do humano e do ato de bondade; é pelo ato de misericórdia e pela missão de administração útil que o amor de Deus é refletido. À medida que elevamos os outros, elevamos a nós mesmos; é através do amor e da compaixão humanos que crescemos em direção à manifestação mais elevada.

A compaixão e o amor humanos são promovidos por meio de apenas um canal: o do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, para com o nosso irmão e a nossa irmã que estão ao nosso redor. O serviço é divulgado abertamente, é bradado para todos os lados e o próprio ar parece vibrante com a sua entoação. Por quê? Porque por meio do serviço é adquirido o amor de fazer aos outros pelo simples fazer e não porque, por trás de cada ato, esteja o pensamento “Eu cresço espiritualmente fazendo isso”. Mas todo crescimento espiritual é esquecido e todos os exercícios e métodos são secundários, uma vez que se começou realmente a servir como se deve. Ao realizar ações gentis para os outros, esquecemos tudo, exceto a necessidade daquele que estamos ajudando; é nisso que está o segredo do crescimento da alma.

Obter os melhores resultados do nosso trabalho para que o bem-estar do outro possa ser promovido e porque nos sentimos motivados a dar o nosso melhor, em espírito de amor para desempenhar os deveres que atendem à nossa vocação, é o tipo de serviço que devemos prestar! Nós nos esquecemos de nós mesmos e tornamos atentos ao bem-estar do outro; nesse esquecimento está um grande progresso. É exigido de todos que se doem em todos os momentos e a melhor maneira de fazer isso é esquecer os interesses próprios, usando nossos talentos para o bem-estar daqueles com quem entramos em contato. Ao esquecer de si mesmo, começamos a nos aproximar de nossos semelhantes e a sentir mais os seus esforços; surge assim uma resposta a suas lutas e encontramos oportunidades para aliviar sua vida; assim, é estabelecido o vínculo da compaixão humana. A compaixão é semelhante ao amor; na verdade, ela é a mais alta expressão do amor, está no amor: é amor.

É o esquecimento de si no cuidado do bebê em seus braços que desperta emoções internas de tal forma que cada mágoa, cada choro ou necessidade da criança é sentida pela mãe. Seu interesse é centrado no bem-estar da criança, independentemente de interesses próprios; tal é a sua compaixão e o seu amor que todas as crianças trazem um sorriso gentil em seu rosto, uma demonstração de amor e cuidado.

Servir significa fazer o que está mais próximo da melhor maneira possível, com espírito altruísta. É verdade que não podemos ser, todos nós, professores, médicos, enfermeiros, profissionais de saúde ou ter uma profissão que dê oportunidade constante de ajudar os outros; mas, sejamos balconistas em uma loja ou engenheiros em qualquer indústria ou empresa ou até profissionais liberais, somos servos na medida em que nossos irmãos ou irmãs que estão ao nosso lado dependem de nós. É o espírito com que servimos que determina nosso crescimento. Se o (ou a) balconista atua de maneira cortês e faz todos os esforços para atender às necessidades do seu cliente, não por causa da recompensa material, mas porque o cliente depende do seu julgamento e justiça para receber o melhor que pode ser obtido, então esse (ou essa) balconista serve a Deus e ao seu irmão ou sua irmã ao redor. Por menor que seja o ato, a obra ou ação, ele é muito agradável aos olhos de Deus, caso o Ego que inicia a ação seja altruísta.

Para o Aspirante à vida superior, que busca desenvolver suas potencialidades latentes, a necessidade de servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível), focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, para com o irmão e a irmã que estão ao redor dele é intensamente sentida e ele se esforça fielmente para se esquecer de si mesmo e ser o servo de todos. Há uma força que pode ser usada por todos para servir aos outros[4] e nela está o desdobramento de todos os poderes latentes; além disso, é pelo uso dessa força que nossos semelhantes são beneficiados. Refiro-me à força do pensamento!

Aprendemos estudando o Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que os pensamentos-forma estão dentro e sendo continuamente projetados sobre o Corpo de Desejos em um esforço para despertar um dos dois Sentimentos, Interesse ou Indiferença, que levarão à ação ou não e que a razão deva governar a natureza inferior (ou “eu inferior) e deixar o escopo do “Eu superior” para a expressão de suas propensões divinas. Também sabemos que o pensamento habitual tem o poder de moldar a matéria física, pois a natureza do sensualista é claramente discernível em suas feições, que são grosseiras e toscas, assim como as feições do espiritualista são delicadas e finas.

O poder do pensamento é ainda maior em sua potência de moldar os Corpos mais sutis. Pensamentos de medo e preocupação congelam o Corpo de Desejos de quem se entrega a eles e é igualmente certo que, cultivando um estado de espírito feliz e otimista em todas as circunstâncias, podemos sintonizar nossos Corpos de Desejos com qualquer tom que desejarmos; depois de um tempo, isso se tornará um hábito, embora devamos confessar que seja muito mais difícil manter o Corpo de Desejos em linhas definidas, mas isso pode ser realizado e a tentativa deve ser feita por todos que querem avanço espiritual.

Pelo exposto será percebido que os pensamentos têm poder e conhecendo isso nos tornamos administradores dessa força à medida que as usamos para o bem ou para o mal, para nós mesmos ou para os outros, merecemos uma recompensa correspondente. À medida que semeamos, colhemos e o pensamento-forma enviado retorna à sua fonte, trazendo o registro da jornada, seu sucesso ou fracasso, e é impresso nos átomos negativos do Éter Refletor do Corpo Vital do seu criador, onde molda aquela parte do registro da vida e ação do pensador que, às vezes, chamamos de Mente Subconsciente. Também notamos que o poder do pensamento está na repetição; pensamentos habituais têm poder suficiente para modificar até mesmo a matéria física.

Possuímos uma força que precisa apenas de controle e intensidade suficientes para se tornar dinâmica; isso torna evidente que sejamos obrigados a lidar com o modo como a usamos. Ou o desenvolvimento da força do pensamento está adormecido ou crescente, tornando-se bom ou mau de acordo com nossa vontade. Desdobrar as potencialidades dinâmicas requer esforço constante e, assim como a força do pensamento, que é uma potencialidade, o esforço constante, intensidade e propósito são necessários para reunir forças dispersas de pensamento e moldar uma forma vibrante e potente com energia dinâmica que seja capaz de cumprir a vontade do seu criador.

Ao enviar pensamentos de esperança e alegria aos outros não somente os cercamos com sugestões de boa vontade como, por meio da repetição, somos capazes de estabelecer um vínculo pelo qual nossos pensamentos são recebidos e postos em prática. O Poder de Cura por meio do pensamento fornece uma vasta oportunidade de serviço por meio do envio de pensamentos-formas vibrantes que tenham o Poder Divino de Cura. A força do pensamento deve ser concentrada e controlada. É preciso haver intensidade e grande poder fundamentando o pensamento-forma que é projetado.

Pensamentos amorosos, constantemente saindo de nós em missões de serviço a Deus no tempo certo, se tornarão dinâmicos e estarão sob nosso comando para serem usados em prol dos outros. O retorno dessas formas aumentará tanto o brilho das nossas auras que o Estudante Rosacruz ativo atrai a atenção dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz; com esse poder seremos canais para o grande trabalho deles e, ao usar nossas forças de pensamento para elevar os outros, ajudamos a nós mesmos, pois através do amor e da compaixão irradiamos a luz de Deus e nossa própria presença se torna um testemunho vivo do Nosso Pai.

“Não desperdicemos nosso tempo ardentemente desejando

Feitos brilhantes, mas impossíveis.

Não fiquemos indolentemente esperando

O nascimento de asas angelicais visíveis.

Não desprezemos as pequenas luzes brilhando,

Pois nem todos podem ser uma estrela reluzente;

Mas, vamos realizar nossa missão, iluminando

O lugar onde estamos presentemente.

As velas pequenas são tão indispensáveis

Como o é no céu o Sol fulgente.

E as ações mais nobres são realizáveis

Quando as fazemos dignamente.

Talvez agora não consigamos, caminhando,

Alumiar a escuridão das distantes regiões, claramente.

Mas, vamos realizar nossa missão, iluminando

O lugar onde estamos presentemente.”[5]

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

[2] N.T.: É uma expressão que enfatiza a responsabilidade compartilhada e a interconexão dentro de uma comunidade ou sociedade. Sugere que temos a obrigação moral de cuidar, proteger e apoiar uns aos outros. Na Bíblia vemos essa pergunta: “Acaso sou guardião de meu irmão?” (Gn 4:9).

[3] N.T.: A Parábola do Talentos descrita na Bíblia: 14Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com a sua capacidade. E partiu. Imediatamente, 16o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. 17Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. 18Mas aquele que recebera um só o tomou e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. 19Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. 20Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei’. 21Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’” 22Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor, tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei’. 23Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ 24Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. 25Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. 26A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que eu colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? 27Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar, eu receberia com juros o que é meu. 28Tirai-lhe o talento que tem e dai-o àquele que tem dez, 29porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem será tirado. 30Quanto ao servo inútil, lançai-o fora nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’ (Mt 25:14-30)

[4] N.T.: Mc 9:35

[5] N.T.: do poema: “Shining Just Where We Are” – de Autor Desconhecido

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Prazer de Servir

Toda a natureza é um anelo de “serviço”.

Serve a nuvem; serve o vento; serve o sulco.

Onde houver uma árvore para plantar, plante-a você; onde houver um erro para corrigir, corrige-o você; onde houver uma tarefa que todos recusam, aceite-a você.

Seja quem tira a pedra do caminho, o ódio dos corações e as dificuldades dos problemas.

Há alegria de ser sincero e de ser justo; porém, há mais que isso: a formosa, a imensa alegria de servir.

Como seria triste o mundo se tudo já estivesse feito, se não houvesse uma roseira para plantar, uma iniciativa para tomar!

Não seduzam você as obras fáceis. É belo fazer tudo que os outros se recusam a executar.

Não cometa, porém, o erro de pensar que só tem merecimento executar as grandes obras; há pequenos préstimos que são bons serviços: enfeitar uma mesa, arrumar uns livros, pentear os cabelos de uma criança.

Aquele é quem critica, este é quem destrói, seja você quem serve.

O servir não é próprio de seres inferiores. Deus, que nos dá o fruto e a luz, serve. Poderia chamar-se: o Servidor.

E tem seus olhos fixos em nossas mãos e nos pergunta todos os dias: “serviu você hoje? A quem? A árvore, ao seu amigo, a sua amiga, a sua mãe, a seu pai, a um desconhecido ou desconhecida?”.

Lembremo-nos sempre o “modelo de serviço” preconizado pela Fraternidade Rosacruz: “serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã ao seu lado, esquecendo os defeitos deles e focando na divina essência oculta que está dentro deles e dentro você”. Afinal, é essa divina essência oculta a base da Fraternidade!

(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – agosto/1964 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Cristo Cósmico: diferente de Cristo-Jesus – um Raio do Cristo Cósmico

“Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém, se não nasce dentro de ti, tua alma segue extraviada. Olharás em vão a Cruz do Gólgota, enquanto não fizeres um Gólgota de teu coração também.”

Angelus Silesius

A canção popular de hoje, que todo mundo canta com entusiasmo, mas que é esquecida amanhã; o espetáculo que é levado à cena talvez cem noites seguida, para depois ser abandonado e relegado ao pó, e todas as outras coisas que são evanescentes demonstram claramente que não têm um valor intrínseco. O brilho de uma estrela cadente ilumina o céu por um momento, mas embora o brilho das outras estrelas seja mais fraco e atraia menos a nossa atenção, suas luzes confortam ao caminhante noite após noite, através dos tempos. Somente as canções que por seu valor são reproduzidas sempre de novo, cuja música não nos cansa nunca, têm realmente algo de valioso na vida. O mesmo acontece nos ciclos cósmicos que sempre se repetem, marcados pelas festas do ano. Como elas se repetem sempre nos ensinam as mesmas antigas lições, sempre sob um novo ponto de vista.

Estamos novamente na época da Páscoa. O impulso de vida do Cristo Cósmico que entrou na Terra na última descida manifestou-se no Natal, quando realizou sua maravilhosa magia de fecundação; agora, se liberta da cruz da matéria para ascender novamente ao trono do Pai, cobrindo a Terra de uma glória verde da primavera, pronta para as atividades físicas do verão.

Como é em cima, assim também é embaixo. Os processos que se desenvolvem na Terra, em larga escala, manifestam-se também no ser humano. Você e eu fomos impregnados, nos últimos seis meses, por vibrações espirituais diferentes das que seremos impregnados nos próximos seis meses, muito mais do que foi possível sob as condições mais materiais que prevalecem nesses próximos seis meses. Chegou-nos com a descida do Cristo Cósmico um novo impulso para a vida superior; culminou na Noite Santa do Natal, e sua magia trabalhou dentro de nós e em nossas naturezas na proporção que aproveitamos nossas oportunidades. De acordo com a nossa aplicação ou descuido na última temporada, o progresso será apressado ou atrasado na próxima, porque não existe ensino mais certo do que aquele que preconiza que somos exatamente aquilo que fizemos de nós mesmos. O serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada irmão ou irmã – que é a base da Fraternidade – que prestamos ou deixamos de prestar determina se a nova oportunidade para um serviço maior nos proporciona um impulso mais forte para o alto; e não será nunca demais repetir que é inútil esperar libertação da cruz da matéria antes que tenhamos usado nossas oportunidades aqui e, com elas, ganhada a mais ampla capacidade de sermos úteis. Os pregos que prendem a Cristo na Cruz do Calvário encadeiam você e eu, até que o impulso dinâmico de amor flutua de nós em ondas e correntes rítmicas, tal como a maré de amor que, anualmente, entra na nossa Terra, e a embebe com renovada vida.

Conhecemos a analogia entre nós, o Ego, que entramos nos nossos veículos, quando despertamos pela manhã, vivemos neles e trabalhamos por meio deles, e à noite somos um Espírito livre, livre da escravidão do Corpo Denso, e por outro lado, o Espírito de Cristo que mora em nossa Terra uma parte do ano. Nós todos sabemos que peso e que encadeamento esse corpo representa, como nós somos cerceados pelas doenças e sofrimentos, porque não existe ninguém que esteja sempre em perfeita saúde, de maneira que nunca estamos livres de sentir as ânsias da dor, ao menos nenhum de nós que é um Aspirante à vida superior.

A mesma coisa acontece com o Cristo Cósmico que dirige Sua atenção para a nossa pequena Terra, enfocando Sua consciência neste Planeta, para que tenhamos vida.  Ele tem que vitalizar esta massa morta (que nós mesmos cristalizamos do Sol) todos os anos; e essa massa é um peso e um aprisionamento para Ele. Esse é o motivo justo e próprio pelo qual devemos nos alegrar quando Ele chega à época do Natal, todos os anos, e nasce novamente no nosso mundo para nos ajudar a levar essa massa inerte, com a qual nos sobrecarregamos. Nossos corações, nessa época, devem se voltar para Ele; em gratidão, pelo sacrifício que faz por nós durante os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro, penetrando este Planeta com Sua Vida, para despertá-lo mais uma vez, no qual permaneceria se não fosse Ele, pelo seu nascimento, para dar-lhe vida.

Durante os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro Ele sofre agonias e torturas, esperando pela libertação, a qual chega no tempo que conhecemos como “Semana da Paixão”; mas, nós afirmamos que, de acordo com os Ensinamentos Rosacruzes, que essa semana é exatamente a culminação ou ponto mais alto dos Seus sofrimentos, e que Ele, então, sai de sua prisão; e quando o Sol cruza o Equador (em um movimento aparente do sul para o norte), Ele é suspenso na Cruz, exclamando: “Consumatum est“, isto é, está consumado, ou está cumprido. Isso quer dizer que o Seu trabalho, para aquele momento, estava cumprido. Não é um grito de agonia, mas uma exclamação de triunfo, um grito de alegria, pois a hora da libertação chegou e mais uma vez Ele pode remontar aos ares por mais um período de tempo livre da prisão e do peso de nosso Planeta.

Nesse momento deveríamos nos alegrar nessa grande, gloriosa e triunfante hora, a hora da libertação, quando Ele exclama: “Está cumprido”. Afinemos os nossos corações para esse grande acontecimento cósmico. Alegremo-nos como Cristo, nosso Salvador, que o tempo de seu sacrifício anual se completou mais uma vez. Sintamo-nos agradecidos, no mais profundo dos nossos corações, nesse momento em que Ele se liberta da prisão terrena; pois, a vida que Ele ofereceu ao nosso Planeta agora é bastante para se conservar até o tempo do próximo Natal.

A Natureza é a expressão simbólica de Deus. Por isso, quando queremos conhecer a Deus, precisamos estudar a Natureza, lembrando-nos sempre que existe um propósito em toda a manifestação; que a vida é uma escola e aprendendo suas muitas lições a evoluímos lentamente de uma chispa divina para a Divindade. Se tivéssemos aprendido as lições, tal como nos foram dadas, não teria havido necessidade do grande sacrifício que foi feito e que é anualmente repetido pelo Espírito de Cristo, que é a personificação do Amor. Por egoísmo e desobediência às Leis fomos cristalizando, não somente nosso corpo, mas, também a Terra na qual vivemos a ponto de nos tornarmos quase incapazes de acompanhar o plano evolutivo. Quando já não nos podíamos salvar dos resultados dos nossos próprios erros, o Cristo Compassivo se ofereceu com a Sua grande Força de Amor para romper essas condições cristalizadas dos nossos Corpos (especialmente o Corpo Denso e o Corpo de Desejos) e da Terra. Durante três anos Ele nos ensinou pela palavra, pelo preceito e pelo exemplo.

Quando Ele foi crucificado no Gólgota, o seu Grande Sacrifício por todos nós apenas começou. Cada ano, desde esse tempo, quando o Sol passa do Signo zodiacal de Virgem para o de Libra, o Espírito de Cristo toca a atmosfera da Terra. Ele começa a sua descida nas proximidades de 21 de Junho, no Solstício de Junho, quando o Sol entra em Câncer. Ele chega ao centro da nossa Terra à meia-noite de 24 de Dezembro. Aí Ele fica três dias e depois começa a voltar. Essa volta se completa na Páscoa. Até o Solstício de Junho Ele está passando pelos Mundos espirituais e chega ao Mundo do Espírito Divino, o Trono do Pai, em 21 de Junho. Durante Julho e Agosto, quando o Sol está em Câncer e Leão, Ele reconstrói o seu veículo do Espírito de Vida, que trará ao mundo e, com esse veículo, Ele voltará a rejuvenescer a Terra e os reinos que nela evolucionam. Do Natal até a Páscoa Ele se derrama, sem limitações nem medida, imbuindo com Sua Vida, Seu Amor e Sua Luz não apenas as sementes adormecidas, mas todas as coisas sobre e dentro da Terra.

Sem essa infusão da vida e energia divina, todos os seres viventes da nossa Terra morreriam imediatamente, e todo o progresso ordenado seria frustrado, no que concerne a nossa presente linha de desenvolvimento. Essa atividade germinativa da vida do Pai que nos é trazida por Cristo (o Filho) e entregue amplamente no tempo da Páscoa, renova o crescimento e intensifica a atividade na planta, no animal e no ser humano, nessa especial temporada do ano. Cristo não se afasta da Terra pela Páscoa senão depois de se oferecer completamente a Si Mesmo e, então, é que a infusão de Sua Vida, junto com os raios quase verticais do Sol, faz as sementes germinar; as árvores florir; os pássaros acasalar, dirigidos pelos seus Espíritos-Grupo, e construir seus ninhos. Então somos fortificados e embebidos com a energia e a coragem necessárias para enfrentarmos, aproveitarmos e crescermos nos encontros com os diversos e embaraçantes problemas da vida.

Para aqueles que se decidiram trabalhar consciente e inteligentemente com a Lei Cósmica (por exemplo, os Estudantes Rosacruzes que estão trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz), a Páscoa tem uma grande significação. Para eles significa a libertação anual do Espírito de Cristo das restrições dolorosas da Terra e Sua gloriosa ascensão ao Divino Lar de Sua Origem, para lá permanecer uma temporada junto ao Coração do Pai. E quando seus olhos se tornam capazes de perceber, podem ver os divinos Seres que o esperam, prontos para acompanhá-Lo na sua viagem em direção ao céu; quando seus ouvidos são afinados para os tons celestiais, eles ouvem os coros angélicos cantando seu louvor e hosanas jubilosos, elevados ao Deus Altíssimo.

Para as almas iluminadas a Páscoa traz uma profunda compreensão do fato de que somos peregrinos na Terra; que o nosso verdadeiro lar são os Mundo espirituais e para alcançar esse reino devemos nos esforçar em aprender as lições da escola da vida o mais rapidamente possível, de maneira a apressar o dia da libertação das cadeias da Terra. Então, da mesma forma como o Cristo libertado, chegaremos a uma realização dessa gloriosa imortalidade, como recompensa da conquista da perfeição espiritual. Para as almas iluminadas, a Páscoa simboliza o amanhecer de um dia feliz, quando todos nós, semelhante ao Cristo, seremos permanentemente livre das restrições materiais, ascendendo aos Reinos Celestes, nos tornando pilares de força na Casa do Pai, de onde não mais nos afastaremos.

 (Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – março/1966 – do Livro: Interpretação Mística da Páscoa – Capítulo I – Fraternidade Rosacruz – SP)

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