A Lua na Tradição Oculta – Parte II – A Significância Espiritual da Lua Cheia
Corinne Heline
Como a Lua Nova marca o tempo de novos começos, da nova Dedicação e nova Consagração aos mais elevados ideais aos quais alguém pode aspirar, então a Lua Cheia marca o tempo de Realização, Consecução e Cumprimento, as três palavras que expressam a nota-chave espiritual dela. E como o Batismo, que foi geralmente observado na época da Lua Nova como o cerimonial da nova dedicação e nova consagração do Ego àquilo que é mais elevado no ser humano, o Deus Interior, assim também o aprofundamento, o aumento e a glória da realização sublime estão incluídos no belo cerimonial da Festa do Amor Místico ou Eucaristia que, nos Templos de Mistério, era celebrado em noites de Lua Cheia.
A elevada realização do mistério da Eucaristia não pode ser adquirida em poucos meses ou mesmo anos; mas requer um período de muitas vidas. No entanto, um antegozo dessa glória toca a consciência de cada Aspirante à vida superior sincero, em qualquer parte do Caminho onde estiver, por mais humilde que seja. Participar do Rito da Realização significa que a personalidade se tornou a serva obediente, em todos os momentos, dos ditames do Espírito. Significa que alcançou a conquista suprema, a do “eu”. Na vida de Dante, isso foi alcançado quando ele chegou ao topo do Monte do Purgatório e Virgílio, seu mestre e guia espiritual, disse a ele: “Com coroa e mitra eu te nomeio soberano sobre ti mesmo!”. Quando nos voltamos para a Bíblia, aquele supremo Livro da Vida, encontramos entre seus personagens mais importantes aqueles que alcançaram esse alto nível de desenvolvimento.
No décimo quinto capítulo do Êxodo, Moisés canta sua canção triunfal da autorrealização. Ele declara: “O Senhor é minha força e meu cântico. O Senhor é minha salvação. Por causa Dele triunfei”. Com essas palavras, ele descreve sua passagem milagrosa pelo Mar Vermelho. Esotericamente, esse mar é apropriadamente chamado de Vermelho porque simboliza a cor marciana da paixão física à qual a natureza emocional está sujeita. As hostes do Faraó, que perseguiam os israelitas e foram engolfadas e afogadas pelas águas do Mar Vermelho, representam aqueles que não superaram suas propensões emocionais, inferiores e, consequentemente, são engolfados pelas águas da paixão e do desejo. Moisés e os israelitas, por outro lado, representam aqueles que dominaram sua natureza inferior e se tornaram obedientes aos conselhos e orientação do seu eu superior. Para eles, as inundações emocionais retrocedem e caminham a seco para as vistas gloriosas da Terra Prometida. Pela autorrealização, todo obstáculo que barraria o caminho para o autodomínio e a iluminação é infalivelmente removido.
Os Salmos de Davi são hinos de vários graus de Iniciação. Alguns são dirigidos ao iniciante ou neófito; outros foram compostos para aqueles que avançaram mais no Caminho; e ainda há os que expressam o estado exaltado de almas que alcançaram a consciência cósmica. No Salmo 24, por exemplo, ouvimos os acordes triunfantes de uma canção de Iniciado: “Abri, ó portas, ó portas eternas, para que o Rei da Glória possa entrar”. Esse Rei da Glória não é apenas o Senhor Deus dos Exércitos. Ele também é o Ser luminoso que chega à consciência e expressão na alma que alcançou o lugar de onde pode abrir as portas para os mundos espirituais e entrar e sair à vontade. Com essa conquista, vem a capacidade de estudar, ensinar e servir conscientemente nos planos interno e externo, conforme as condições e circunstâncias exigirem.
Em suas Epístolas, São Paulo delineou o caminho do Iniciado tal como ele próprio o havia vivido. Por isso, foi capaz de pronunciar aquelas palavras comoventes que incontáveis “atletas de Deus” proclamaram depois dele: “Eu combati o bom combate. Eu mantive a fé. Eu terminei a corrida”.
O Senhor Cristo reteve Seu ensino mais avançado até o final do Seu ministério terreno. Os mistérios mais profundos que Ele veio a revelar foram transmitidos aos Seus Discípulos mais avançados quando eles se reuniram no “Cenáculo” e compartilharam a “Última Ceia”. Essa observância perpetuou os cerimoniais anteriores do Templo, conhecidos como Festa do Amor Místico, e santificou-os como os mais sagrados dos sacramentos cristãos. A Eucaristia, ou Sagrada Comunhão, conforme observada pela Igreja, está no próprio cerne da fé e da prática cristã.
Em nosso volume O Mistério dos Cristos citamos: “A Última Ceia ou Rito da Eucaristia fez parte de todo ensinamento iniciático que já foi dado ao ser humano. No Egito, o pão e o vinho místicos significavam as bênçãos do Deus Sol, Rá. Na Pérsia, a Eucaristia fazia parte dos Mistérios Mitraicos. Na Grécia, o pão era sagrado para Perséfone e o vinho, para Adônis. O Rito também é referido em um fragmento antigo do Rigueveda, na Índia. – “Você bebeu soma”, diz uma passagem, “nos tornamos imortais; entramos na luz; nós conhecemos os deuses”.
Todas as épocas, pessoas e Religiões receberam esse ritual sagrado do “pão e do vinho” e ele sempre é visto como o cerimonial que carrega os mais elevados ensinamentos espirituais que podem ser ministrados à época. Em cada época e religião sucessivas, à medida que a revelação divina se estende, o ritual da Eucaristia assume significados mais profundos, alcançando seu mais alto significado espiritual quando o Cristo, o supremo Instrutor do Mundo, celebra o rito com Seus Discípulos no Cenáculo, à meia-noite da Quinta-feira Santa, imediatamente antes da Sexta-Feira Santa ou Dia da Paixão.
Na hora da Última Ceia, esse serviço sagrado foi dividido em três partes. A primeiro consistia principalmente de orações e hinos com o objetivo de criar um espírito de pura comunhão entre os reunidos, porque somente em um estado de harmonia um eficaz trabalho espiritual pode ser realizado.
A segunda parte do Serviço consistia dos ensinamentos que Cristo deu a estes, Seus Discípulos mais avançados, relativos à doutrina do balanço, ou equilíbrio, entre as forças masculina e feminina da mente e do coração. O pão personificava a força positiva, ou masculina (a mental), e o vinho, a força negativa ou feminina (o coração). Enquanto o Cristo administrava aos Discípulos o pão e o vinho, ao mesmo tempo derramava do Seu próprio Ser esses poderes duais que possuía em um estado perfeito de equilíbrio. Essas duas forças também são representadas como o Maná do Céu, ou Pão da Verdade, e o Vinho do Amor.
Astrologicamente, o pão se correlaciona com o Signo terrestre de Virgem, a virgem do céu, que carrega um feixe de trigo; enquanto o fruto da videira, o poder do amor feminino, relaciona-se ao Signo ígneo e masculino de Leão, o rei leão. Nessas relações estelares, descobrimos como a mistura dos opostos é tecida na própria estrutura do Universo. Assim, a Hierarquia feminina de Virgem carrega consigo poderes masculinos ocultos e a Hierarquia masculina de Leão, as potências femininas. A interação harmoniosa entre esses poderes, seja na abóbada dos céus ou nos interiores da alma humana, é o estado que leva à totalidade ou santidade.
De muitos pontos de vista, o registro bíblico indica a necessidade que o ser humano tem de atingir o estado de consciência no qual é justo dizer-se que ele pode pensar com o coração e amar com a mente. Com tal realização, vem a Iluminação. O ser humano pode então andar na Luz como Ele está na Luz.
No terceiro e último estágio do cerimonial da Eucaristia, aberto apenas aos “Poucos” ou “Remanescentes”, o Mestre ensinou a Seus Discípulos como derramar os poderes espirituais da polaridade Amor-Sabedoria nas substâncias físicas, resultando que, assim magnificados – engrandecidos com louvor –, irradiaram poderes de cura. Que as potências vivas e energizantes são transmitidas a objetos tocados por um Mestre foi intuitivamente reconhecido em todas as religiões, desde os primeiros tempos e, embora isso tenha dado origem a muitas práticas supersticiosas em relação a talismãs e relíquias, ainda existe uma realidade espiritual e subjacente a elas.
Depois da Ascensão e da partida do Mestre, os Discípulos se reuniam todas as noites naquele Cenáculo, que era sagrado para a memória do Banquete Místico. A ocorrência mais importante do dia para eles foi a celebração da sagrada Festa do Amor. Depois que os elementos do pão e do vinho eram energizados com a vital força cósmica, os Discípulos os levavam para os enfermos e aflitos; tão poderosas eram suas emanações magnéticas que muitos eram curados simplesmente tocando ou mesmo olhando para eles.
Na tarde da Páscoa, durante a festa e a caminho de Emaús, dois Discípulos convidaram um estranho que passava para entrar e jantar com eles. Eles não O reconheceram como o Mestre até que, à mesa, Ele colocou as mãos sobre o pão, o qual, de repente, tornou-se luminoso como ouro fundido. Foi então que eles souberam que o Cristo ressuscitado estava no meio deles. Quando, mais tarde, Ele desapareceu de suas vistas, eles saíram com alegria, proclamando que o Mestre ressuscitado havia retornado para eles.
Em uma de suas interpretações mais importantes, a Bíblia pode ser verdadeiramente denominada “O Livro da Angelologia”. Muitos dos seus ilustres personagens foram acompanhados, dirigidos e iluminados por visitantes angelicais. Alguns dos eventos mais maravilhosos da Bíblia acontecem por meio da intercessão angelical. Há apenas um ligeiro reconhecimento desse ministério celestial em nossos dias, devido à luz ofuscante do materialismo. Mesmo nas igrejas, onde se esperaria que fosse um ensino muito proeminente, ele falhou em receber a ênfase que merece. E, no entanto, para aqueles que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir, o ministério angélico continua a ser tão essencial e eficaz para a vida humana como sempre foi.
Durante as horas da noite, hostes de Anjos se reúnem acima das cidades do mundo, dissipando as escuras nuvens astrais que pairam sobre elas. Essa névoa cancerígena é composta pela combinação dos pensamentos negativos e sentimentos malignos da população. O medo, o desânimo, a crueldade, o ódio, a luxúria e os elementos discordantes e destrutivos de todo tipo escurecem e sobrecarregam a atmosfera psíquica. Para neutralizar essa condição, que surge no curso das atividades diárias, o ministério angélico trabalha durante a noite com o fim de dissipar a nuvem e limpar a atmosfera, de modo que melhores condições prevaleçam na madrugada do próximo dia para o progresso do ser humano.
Embora o ministério angélico seja incessante, é à noite, quando os humanos estão dormindo e suas mentes quietas, que eles respondem melhor às influências espirituais desse ministério.
Onde quer que haja problemas, tristeza e sofrimento, mensageiros angélicos estão sempre presentes para prestar Serviço amoroso e útil. Eles se reúnem em grande número nos campos de batalha, onde trazem paz aos recém-mortos e confortam os que sofrem. Os Anjos também visitam casas, hospitais e instituições psiquiátricas durante o dia e a noite. Eles trazem luz a lugares escuros, força aos fracos, esperança aos desanimados, conforto aos enlutados e paz de espírito às mentes perturbadas e alienadas. Embora não façam acepção de pessoas, sendo ministros de acordo com a necessidade e não o mérito, eles são mais felizes no ambiente daquelas cujas vidas estão em sintonia com os níveis superiores de consciência e expressão. Eles também se reúnem em grande número dentro, e ao redor, de lugares sagrados; por exemplo, os Templos de Mistério no plano etérico e onde quer que os devotos se reúnam na observância do Santo Sacramento da Eucaristia. Sua presença e participação são sentidas interiormente pelos devotos adoradores e são claramente vistas por aqueles que possuem uma segunda visão. Em ambos os casos, as bênçãos de suas emanações áuricas são inconfundíveis.
Nas lendas do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, que na verdade são descrições veladas das atividades do Templo que ocorriam na época medieval, cada cavaleiro recebia uma cadeira específica na qual sempre se sentava. Acima de cada cadeira e sobre a cabeça de cada cavaleiro via-se uma forma angelical. Pois foi dito que Deus designou a cada cavaleiro um Anjo que o acompanhava em todas as suas aventuras, ou testes, para sustentá-lo no fracasso e ampará-lo na justiça, regozijando-se com ele em sua realização espiritual, enquanto progredia em seu Caminho de Iniciação.
Realização, Consecução e a grande glória da Consumação — essas são as bases espirituais que transmitem o verdadeiro significado da noite de Lua Cheia. As lendas nos contam que, depois que Pedro negou seu Senhor, ele sofreu terríveis agonias de contrição e humilhação que foi literalmente reformado e sua natureza inferior passou por uma transmutação completa. Foi então que ele se tornou de fato e de verdade São Pedro, o Iniciado; foi a Iniciação de Pedro a que o Senhor Cristo Se referiu por estas palavras: “Sobre esta pedra fundamental edificarei a minha igreja”. Foi assim que, de acordo com a lenda, Pedro atingiu tal santidade que, enquanto caminhava, onde quer que sua sombra caísse nos enfermos, eles eram curados e, ao se levantarem, com alegria e exultação proclamavam o Santo Nome e seu poder transformador.
“Eu combati o bom combate. Eu mantive a fé. Eu terminei a corrida”. Esse é o glorioso ideal defendido por aqueles grandes Discípulos espirituais, São Pedro e São Paulo. E, à medida que avançamos no Caminho da Luz, também aprenderemos a superar as turbulentas águas do Mar Vermelho. Nós também estaremos em terra seca e teremos um vislumbre daquela Terra Prometida, que é a aurora dourada da Nova Era, agora se aproximando tão rapidamente… Aquela Era em que a “Paternidade de Deus” e a “Fraternidade do Homem” se tornarão uma realização viva em todo o mundo.
(Publicado na Revista New Age Interpreter – Corinne Heline second quarter, 1964 – traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Educando Nossos Filhos (naturais ou espirituais) dos 7 aos 14 Anos
Nos períodos setenários em torno dos sete aos catorze anos e dos catorze aos vinte um anos os veículos invisíveis Corpo de Desejos e Mente, respectivamente, se encontram ainda no útero da Mãe Natureza.
Nos seus primeiros anos de vida, a criança vê-se como uma propriedade de sua família, ela está subordinada aos desejos de seus pais e em maior grau do que após os quatorze anos. O motivo é que existe na garganta do feto e da criança uma glândula chamada Timo, a qual, sendo maior antes do nascimento, vai diminuindo de tamanho através dos anos da infância até desaparecer numa idade que varia de acordo com as características da criança. A finalidade desse órgão no corpo humano tem intrigado os anatomistas, que ainda não chegaram a um acordo sobre o seu verdadeiro papel. Supõem, contudo que antes do desenvolvimento da medula dos ossos, a criança não é capaz de produzir seu próprio sangue e, portanto, a glândula Timo, contendo a essência fornecida pelos pais, responde pelo fabrico do sangue necessário desde os primeiros anos até a idade em que ela, já adolescente, possa produzi-lo por si mesma como parte da família e não como Ego. Durante esse período, até o entorno dos catorze anos, ele é “o menininho da mamãe” ou “a menininha do papai”, “o menininho do papai” ou “a menininha da mamãe”.
Por volta dos sete anos, o Corpo Vital da criança alcança a suficiente perfeição que lhe permite receber os impactos do Mundo externo. Estendendo sua capa protetora de Éter sobre o Corpo Denso, começa então a viver independentemente. É aí que deve começar o trabalho do educador sobre o Corpo Vital, auxiliando-o na formação da memória, da consciência, dos bons hábitos, e de um temperamento harmonioso.
Autoridade e Aprendizado passam a ser as palavras chave dessa época em que a criança vai aprender o significado das coisas. Se temos um filho precoce, procuremos não estimulá-lo a cursos que exijam esforços mentais extremos. Criança-prodígio, geralmente, vêm a ser homens e mulheres de inteligência abaixo do normal. Neste particular deve-se permitir à criança seguir as suas próprias inclinações. Sua faculdade de observação precisa ser ensinada especialmente através dos exemplos. Mostre à criança uma pessoa embriagada e também o vício que a deixou em tão lastimável estado. Em seguida, mostre-lhe uma pessoa sóbria, e apresente-lhe ideias elevadas.
Neste período pode-se começar a prepará-la para economizar a força que principia a despertar em si, e que vai capacitá-la a reproduzir a espécie ao fim do segundo período de sete anos. Que ela nunca busque se informar a esse respeito através de fontes duvidosas porque seus pais, muitas vezes, tolhidos por um falso senso de pudor, evitam esclarecê-la devidamente. É dever do educador (pai e mãe ou o responsável pela criança) o esclarecimento apropriado da criança. A omissão nesse ponto equivale a deixá-la cruzar de olhos vendados uma área cheia de armadilhas, com advertência de não tropeçar nelas. Ora, ao menos tirem-lhe a venda. Ela já terá dificuldades suficientes mesmo sem ela.
A flor pode servir como lição objetiva, e todas as crianças, das maiores às menores, devem receber as mais belas instruções em forma de um conto de fadas. Pode-se ensiná-las que as flores são como as famílias, sem precisar confundi-las com termos de botânica. Mostrem-lhes então algumas flores, dizendo: “Aqui está uma família-flor em que todos são meninos (as estaminas); e aqui está uma outra onde estão meninos e meninas (uma flor que tem tanto estames como pistilos). Mostrem-lhes o pólen nas anteras. Digam-lhes que estas flores são idênticas aos meninos nas famílias humanas; que são destinados e estão sempre desejosos de sair pelo Mundo afora e lutar na batalha da vida. Mostrem-lhes as abelhas com as cestas de pólen em suas pernas e contem-lhes como os meninos-flores cavalgam nesses corcéis alados, tal como os cavaleiros de antanho iam pelo Mundo em busca da princesa aprisionada no castelo encantado (o óvulo oculto no pistilo); mostrem-lhes também como o polensinho – cada cavaleiro – abre caminho através do pistilo até alcançar o óvulo. Digam-lhes, então que esse encontro significa o casamento da flor-homem com a flor-mulher, os quais daí em diante viverão felizes e se tornarão pais de muitas flores-meninos e flores-meninas. Quando elas compreenderem isto perfeitamente, estarão também sabendo bastante sobre o acasalamento nos reinos animal e humano, uma vez que não existe diferença, pois a geração em um reino é tão casta, pura e santa quanto nos outros. A criança educada desta maneira sempre olhará a função criadora com reverência. Cremos que não há melhor modo de introduzi-la no assunto.
Esta narrativa pode variar e ser enriquecida de acordo com a fantasia do educador, como ainda pode ser suplementada por histórias de pássaros e outros animais. Isto despertará na criança a compreensão da origem do seu próprio corpo e emprestará ao amor mútuo dos pais todo o romantismo das flores-meninos e flores-meninas, além de prevenir o mais leve pensamento de repulsa associado ao parto, que possa surgir na Mente da criança. Quando assim preparada, ela estará pronta para o nascimento do Corpo de Desejos, na ocasião da puberdade.
No entanto, para que a criança possa melhor colher os benefícios da orientação e ensino dos seus pais e de seus mestres, é fora de dúvida que precisará tê-los na maior veneração e sentir admiração por sua sabedoria. Cabe a nós, portanto, conduzir-nos à altura desse conceito, pois se ela observa em nós frivolidade, ouve conversas levianas e presencia algum comportamento duvidoso, privamo-la do mais forte apoio na vida que é a fé e a confiança em seus semelhantes. É nesta idade que se forjam os cínicos e céticos. Somos responsáveis perante Deus pelas vidas a nós confiadas, e teremos de responder perante a Lei de Consequência por termos negligenciado a grande oportunidade de guiar os primeiros passos de um ser no caminho certo. O exemplo é sempre melhor do que um conselho.
Há também a considerar a questão dos castigos corporais, os quais são importantes fatores no despertar da natureza sexual e assim este castigo deve ser totalmente evitado. É um crime infligir castigos corporais à criança, seja qual for sua idade. A força nunca foi um direito, e os pais e responsáveis, como os mais fortes, sempre devem ter compaixão pelo débil. Não há criança, por mais indócil que seja, que não reaja ao método de recompensa pelas boas ações e à supressão de privilégios como consequência da desobediência. Coloquemo-nos no lugar de uma criança: gostaríamos de viver agora com alguém de cuja autoridade não pudéssemos escapar, que fosse muito maior do que nós, e que nos batesse quase todos os dias? Ponhamos de lado essa prática, e notaremos que muitos dos males sociais desaparecerão em uma geração. Reconhecemos o fato de que o chicote dobra o espírito de um cão, ao mesmo tempo que deploramos os indivíduos sem fibra e de vontade fraca. Deve-se isto aos açoites impiedosos a que foram submetidos na infância. É deplorável que certos pais e responsáveis considerem como sua missão na vida quebrantar o espírito de seus filhos e filhas pela lei da vara. Como pais e responsáveis podemos e devemos orientar e sanar o mal guiando a vontade dos nossos filhos e das nossas filhas por linhas que a nossa própria razão amadurecida possa indicar. Deste modo ajudamo a eles e a elas a cultivar a fortaleza de caráter, ao invés da fraqueza e subserviência, que infortunadamente afligem muitos de nós. Por conseguinte, nunca bata numa criança. Quando a correção se fizer necessária, retire uma concessão ou suspenda um privilégio.
Agora um método para orientar os passos dos nossos filhos e das nossas filhas no caminho do bem agir, especialmente nesse período setenário dos sete aos catorze anos. Temos observado que o melhor é não notar as faltas menores, mesmo aquelas que consideramos ofensivas, ainda que ocasionalmente possamos insinuar, “Eu não faria isto, ou aquilo”; “Meninas bonitas não fazem isto ou aquilo”; “Você não vai querer que os outros pensem que você não é um garato bonzinho”. “papai do céu não gosta de criança levada”. Se vocês não derem liberdade à criança e não levarem em conta o fato de que os Éteres do Corpo Vital ainda não estão totalmente despertos durante esse período, vocês se equivocarão. O Corpo Vital é o veículo do hábito, portanto, a criança cria um hábito após outro, mas abandona os velhos quase tão rapidamente quanto se formam os novos.
Com isto em mente, vocês devem deixar de corrigir sua filha a todo instante, o que diminuirá o respeito dela por vocês, de modo que, quando tiverem de exigir-lhes obediência em coisas verdadeiramente importantes que ele a deve seguir para seu bem, vocês, por certo, não serão ouvidos. É importante saber do que ela mais gosta em relação a alimentos, brincadeiras, vestidos e também diversões fora de casa e, assim, podem começar a por em prática, suavemente a princípio, e aumentando gradativamente, este processo que vou tentar explicar-lhes, até que o objetivo em vista seja alcançado.
Nunca se priva uma criança em crescimento do seu alimento regular, porém, neste caso, seu prato pode ser-lhe entregue sem o acompanhamento esperado. Assim o “Suplício de Tântalo” é perfeitamente válido, isto é, tragam as sobremesas e deixem-na ver a mamãe e o papai saboreá-las e dizerem como são deliciosas, e também ver que estas coisas estão-lhe sendo negadas por ela não concordar em obedecê-los. Pensamos ser este um dos métodos mais eficazes para conseguir obediência. Se a menina gosta de roupas bonitas e tem um vestido que ache feio, façam-na usá-lo sempre que desobedecer. Assim vestida ela não desejará sair e ser vista pelas companheiras. E, se sair, logo será descoberto o motivo por que está vestida assim. Então, com aquela costumeira crueldade infantil, a criançada zombará da rebeldezinha que, por certo, receia mais esse tratamento do que qualquer coisa que mamãe possa fazer-lhe. Deste modo, a pressão exercida bem cedo poderá forçá-la à obediência resultando, talvez, em um pedido para que vocês livrem-na daquele vestido.
Existem vários outros métodos, dentro desta mesma diretriz, que poderão ocorrer aos pais. Tais corretivos, entretanto, só devem ser usados muito raramente e como último recurso, caso contrário, a criança poderá tornar-se insensível aos mesmos.
Em geral, ponderações sobre o amor filial e o reconhecimento do carinho com que os pais a cercam, fazendo-a compreender o objetivo da educação, é quanto basta para ajudá-la a ter uma conduta correta.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Pergunta: De acordo com a Bíblia, apenas o ser humano recebeu uma alma. Então, por que você diz que os animais têm um Espírito-Grupo?
Resposta: No primeiro capítulo de Gênesis, versículo 20, lemos que “Deus disse: Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos”. A palavra usada em hebraico é nephesh, que significa “sopro“. Essa palavra também é usada no segundo capítulo, versículo 7, em que se lê: “Então o Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um sopro de vida (nephesh) e o homem se tornou um ser vivente (nephesh chayim)”. Não é uma alma vivente, como foi traduzido. A tradução da versão do Rei Jaime[1] foi modificada por pessoas que possuíam um pouco mais de consideração pela verdade do que por ideias preconcebidas; eles consentiram em escrever a palavra “alma” na margem como uma leitura alternativa da palavra no capítulo 1, versículo 20, em que a criação dos animais está registrada, de forma que, mesmo nas Bíblias atuais, se admite que os animais têm uma alma.
Entretanto, essa tradução não está correta, nephesh significa sopro e não alma; a palavra hebraica para alma é neshamah. Alma não é sinônimo de espírito, que é chamado de Ruach, de forma que o Gênesis não menciona o espírito do ser humano ou do animal, pois o espírito não tem gênese – ELE É. As formas do animal e do ser humano são sustentadas pelo sopro e tiveram um princípio e é isso que o Gênesis registra. Essa ideia está perfeitamente de acordo com as palavras de Salomão em Eclesiastes 3:19, em que nos é dito que (no que diz respeito ao corpo formado do barro) o ser humano não tem superioridade sobre o animal, pois assim como um morre, o outro também morre, todos têm um só sopro (nephesh) e como um morre, assim morre o outro. Todos vão para um só lugar (ou seja, o Mundo do Desejo).
Se a pessoa aceitar apenas a palavra em inglês e a versão da Bíblia, como se esse livro tivesse sido escrito diretamente em nossa língua[2], seria justo perguntar: Se o homem obteve sua alma conforme descrito na Bíblia, quando a mulher recebeu sua alma; ou ela não tem alma?
(Pergunta nº 82 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: A Bíblia do Rei Jaime (ou Tiago), também conhecida como Versão Autorizada do Rei Jaime, é uma tradução inglesa da Bíblia realizada em benefício da Igreja Anglicana, sob ordens do rei Jaime I no início do século XVII.
[2] N.T.: no caso do texto se refere à língua inglesa.
Diagrama 5: a nossa Constituição Decupla – Tríplice Espírito, Tríplice Corpo, Tríplice Alma e a Mente

Quando, nós, o Tríplice Espírito – ou o Ego – desenvolvemos o nosso Tríplice Corpo e obtenhamos o domínio deles por meio do foco mental, começamos a desenvolver a Tríplice Alma, trabalhando de dentro. A maior ou menor alma que nós podemos ter depende da quantidade de trabalho que nós, o Tríplice Espírito, fizemos em nossos Corpos.
Esse diagrama mostra a nossa Constituição Decupla (dez veículos). Nós somos um Espírito Tríplice (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano) que possuímos uma Mente, com a qual governamos o nosso Corpo Tríplice (Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos) que emanou de si próprio, para adquirir experiência. Esse Corpo Tríplice se transmuta em uma Alma Tríplice (Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional) da qual se alimenta, se elevando, dessa forma, da impotência à onipotência.
O espelho da Mente também contribui para aumentar o crescimento espiritual, porque o pensamento transmite ao Espírito, ou o que dele recebe, lhe dão polimento e mais brilho, intensificando cada vez mais o seu foco e o reduzindo-o a um ponto único perfeitamente flexível e sob o domínio do Espírito.
Durante a vida o tríplice Espírito, o Ego, trabalha sobre e no Corpo Tríplice ao qual está ligado pelo elo da Mente. Esse trabalho traz à existência a Tríplice Alma. A Alma é, pois, o produto espiritualizado do Corpo.
Como o alimento apropriado nutre o Corpo no sentido material, assim também a atividade do Espírito no Corpo Denso, manifestada como reta ação, promove o crescimento da Alma Consciente. Como as forças solares atuam no Corpo Vital e o nutrem para que possa atuar no Corpo Denso, assim também a memória dos atos praticados no Corpo Denso; dos desejos, sentimentos e das emoções do Corpo de Desejos e dos pensamentos e das ideias na Mente produzem o crescimento da Alma Intelectual. Por forma semelhante, os desejos e as emoções mais elevados do Corpo de Desejos formam a Alma Emocional.
A Tríplice Alma, por sua vez, amplia a consciência do Tríplice Espírito.
A parte do Corpo de Desejos trabalhada pelo Ego fica transmutada em Alma Emocional e, por fim, é assimilada pelo Espírito Humano, cujo veículo especial é o Corpo de Desejos. A Alma Emocional cresce pelos sentimentos e emoções gerados pelas ações e pela experiência. A Alma Emocional é o extrato do Corpo de Desejos. Ela aumenta a eficiência do Espírito Humano, que é a contraparte espiritual do Corpo de Desejos.
A parte do Corpo Vital trabalhada pelo Espírito de Vida converte-se em Alma Intelectual que edifica o Espírito de Vida, porque esse aspecto do Tríplice Espírito tem sua contraparte no Corpo Vital. A Alma Intelectual é um mediador entre as outras duas e cresce pelo exercício da memória, que liga as experiências passadas às experiências presentes e os sentimentos por elas engendrados. Origina a simpatia e a antipatia, que não têm existência independente da memória. Sentimentos que resultassem somente das experiências seriam evanescentes. A Alma Intelectual amplia o poder do Espírito de Vida porque a Alma Intelectual é extraída do Corpo Vital, que é a contraparte material do Espírito de Vida.
A parte do Corpo Denso que tenha sido trabalhada pelo Espírito Divino chama-se Alma Consciente e, por fim, submerge-se no Espírito Divino, porque o Corpo Denso é a sua emanação material. A Alma Consciente cresce pela ação, pelos impactos externos e pela experiência. A Alma Consciente aumenta a consciência do Espírito Divino, pois (a Alma Consciente) é o extrato do Corpo Denso, que por sua vez é a contraparte do Espírito Divino.
Note que é o nosso trabalho (nós, Tríplice Espírito, Ego) sobre os nossos Corpos que produz cada Alma. E qual será o objetivo de cada Alma? Vejamos:
A Alma Consciente será absorvida pelo Espírito Divino na sétima Revolução do Período de Júpiter.
A Alma Intelectual será absorvida pelo Espírito de Vida na sexta Revolução do Período de Vênus.
A Alma Emocional será absorvida pelo Espírito Humano na quinta Revolução do Período de Vulcano.
(Quer saber mais? Faça os Cursos de Filosofia Rosacruz (todos gratuitos) e/ou consulte o Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel)
Que as rosas floresçam em vossa cruz
A Lua na Tradição Oculta – Parte I – A Significância Espiritual da Lua Nova
Corinne Heline
Os primeiros ensinamentos do Templo foram dados quase no início da civilização. Nenhum desses ensinamento está perdido; mas, através dos tempos foram endereçados aos cuidados das Escolas de Mistérios e ainda estão disponíveis aos “poucos” que estão prontos para recebê-los. Muitos dos belos cerimoniais simbólicos e pertencentes aos antigos Templos de Mistérios foram incorporados às várias Religiões do mundo. Talvez os dois mais importantes desses cerimoniais, levados à primitiva Igreja Cristã, sejam o cerimonial do Batismo e o da Festa do Amor Místico que, na terminologia da igreja, é chamado de Eucaristia ou Sagrada Comunhão.
Esses dois cerimoniais, como observados nos antigos Templos de Mistérios, geralmente eram comemorados nas noites de Lua Nova e Lua Cheia. Os neófitos do Templo eram ensinados que esses são os pontos espirituais elevados de cada mês, porque nas noites de Lua Nova e Lua Cheia há uma liberação adicional de energias espirituais em todo o Planeta Terra, exterior e interiormente.
É significativo que em vários livros do Antigo Testamento o leitor seja advertido contra a participação nos festivais da Lua, e eles são o objeto de muitas repreensões veementes de vários profetas. A razão para isso é que os cerimoniais religiosos pertencentes à Era de Touro, embora belos e puros em suas concepções originais, no tempo do Antigo Testamento degeneraram em feitiçaria e sensualismo do tipo mais degradante. As assembleias da Lua Nova haviam se tornado conclaves sombrios e sinistros, sob a égide dos deuses e deusas da feitiçaria, enquanto as festas da Lua Cheia eram tempos de folia licenciosa, descritos no Antigo Testamento como a adoração ao bezerro de ouro. À parte desses festivais degenerativos, no entanto, havia verdadeiros Mistérios da Lua que eram celebrados nos santuários mais internos do Templo, que sempre foram uma forma da ordem celestial mais elevada e sagrada.
Para o Aspirante no Templo do Mistério, a Lua Nova é uma época de novos começos. É tempo de consagração e dedicação aos mais exaltados ideais aos quais ele aspira. No final de cada mês lunar, portanto, ele examina cuidadosamente, em retrospecto, todas as obras do mês que acabou de terminar e observa em que falhou em viver fiel a esses ideais, tentando descobrir o motivo dessas falhas.
Um dos mais notáveis videntes modernos disse que o único e verdadeiro fracasso que alguém pode conhecer é deixar de tentar; e, assim, o Discípulo do Templo de Mistério tem a oportunidade de rever suas falhas. Por mais lamentáveis que sejam, ele sabe que não são irremediáveis, porque não parou de tentar.
Logo após o festival da Lua Nova e a cada mês, o Discípulo é instruído a se doar a um ideal pessoal ou de um movimento que contribuirá, por menor que seja, para a elevação da humanidade e o aprimoramento do mundo. Isso é feito para provar sua abnegação total e irrestrita, em harmonia com o belo mantra Rosacruz: “O serviço amoroso e desinteressado é o caminho mais curto, mais seguro e mais agradável que conduz a Deus”.
Nos ensinamentos do Templo, o cerimonial batismal era, geralmente, observado nas noites de Lua Nova e a Festa do Amor Místico, ou Eucaristia, nas noites de Lua Cheia.
O serviço batismal que foi organizado para se harmonizar com a lei esotérica está disponível hoje. Simples na forma, ainda que rico em substância espiritual e poderoso em invocação da torrente cósmica.
Os Quatro Elementos são usados nesse cerimonial e cada um é dedicado ao serviço do Aspirante. Eles são: Sal, Óleo, Água e Fogo (Luz). O sinal da Cruz também é usado, como na igreja. A Cruz é um símbolo pertencente aos primeiros ensinamentos do Templo e sua assinatura é um ato litúrgico de “magia” espiritual que sela a unidade do ser humano com o cosmos. É um símbolo cósmico em ação. Ele invoca as bênçãos de Câncer, a Hierarquia do Norte; Capricórnio, a Hierarquia do Sul; Leão, a Hierarquia do Oriente; Aquário, a Hierarquia do Ocidente. Câncer representa os Elementos da Água; Capricórnio, os da Terra; Leão, o do Fogo e Aquário, o do Ar.
Uma bênção é pedida aos quatro grandes Seres que operam através dos Quatro Elementos Cósmicos que são tão importantes no trabalho evolucionário do nosso Planeta Terra e dos seres residentes nele.
Na bênção dos Quatro Elementos, o sinal da Cruz é feito primeiro no Coração e depois na testa; sendo o Coração o núcleo de amor do corpo e a cabeça, o centro da Mente. O ponto crucial dos ensinamentos do Templo sempre foi a unificação das forças da Mente com as do Coração. A Bíblia nos mostra que devemos aprender a pensar com o Coração e a amar com a Mente. Quando essas duas forças são estabelecidas em equilíbrio dentro do ser humano, ele “nasce” como um Iniciado. É a união das duas forças cósmicas que a Bíblia retrata simbolicamente como uma Festa do Casamento Místico. É com uma Festa do Casamento Místico que o Evangelho Segundo São João começa. São João foi o mais avançado dos Discípulos de Cristo e, por isso, seu Evangelho contém os ensinamentos do Templo mais exaltados já dados ao mundo.
Um por um, os Quatro Elementos Sagrados são abençoados para o serviço do Aspirante. Em primeiro lugar, o Elemento Sal, símbolo de pureza: a pureza do alimento que sustenta e nutre o Corpo Denso; a pureza do amor que desperta o Coração; a pureza do pensamento que ilumina a Mente; a pureza da ação que embeleza a vida. Aquele que realiza o rito batismal coloca suas mãos sobre o Sal em bênção e, então, faz o sinal da Cruz no Coração do Aspirante, dizendo: “Cristo ensina que somente os puros de Coração verão a Deus”. Em seguida, o sinal da Cruz é feito na testa, com as palavras: “Quando a pureza é alcançada na consciência do ser humano, isso é conhecido como um grande poder espiritual. Do servo de Deus é dito que sua força é como a força de dez, cujo Coração é puro”.
Então as mãos são colocadas em bênção sobre o Óleo, que é o símbolo da harmonia, unidade, cooperação, da cura, do companheirismo, da fraternidade. Novamente o sinal da Cruz é feito no Coração, com as palavras: “Se andarmos na Luz como Ele está na Luz, seremos fraternais uns com os outros”. E novamente o sinal da Cruz é feito na testa, com as palavras: “Que a aspiração do seu pensamento o eleve sempre à realização harmoniosa com o ideal da Paternidade de Deus e da Fraternidade do Homem”.
Em seguida, as mãos são colocadas em bênção acima da vela acesa, pois o Fogo é o símbolo da fé e a fé tem sua casa no Coração. O sinal da Cruz é feito no Coração e as palavras são pronunciadas: “Que a bela fé de uma criança viva sempre e floresça em seu Coração”. O sinal da Cruz é, então, feito na testa, junto às palavras: “Cristo disse: se tiverdes fé como um grão de mostarda, tudo quanto pedirdes será feito a vós”.
Em seguida, as mãos são abençoadas acima da vela acesa. São João deu a única descrição perfeita da Luz quando disse: “Deus é Luz”. Ao que acrescentou: “Deus é Amor”. Mais uma vez o sinal da Cruz é feito acima do Coração: “Que este Amor-Luz celestial sempre brilhe em seu Coração e ilumine sua vida e a vida de todos aqueles que você encontrar”. Novamente o sinal da Cruz é feito na testa e as palavras de São Paulo são ditas: “Que esteja em vós aquela Mente que também estava em Cristo Jesus”.
Agora, as mãos são colocadas na Água; mais uma vez é abençoada e algumas gotas são colocadas sobre a cabeça do aspirante no encerramento da bênção: “Que você ande sempre na Luz como Ele está na Luz e que você sempre viva, mova-se e tenha seu ser n’Ele. Amém”.
O cerimonial do batismo ocupou um lugar de destaque na vida da primitiva comunidade Cristã. Foi observado em muitas estações; talvez a mais importante delas sendo o Sábado Santo, à noite, imediatamente antes do amanhecer da Páscoa. Foi nessa época que os recém-batizados foram encontrados esperando para tomar parte naquela gloriosa procissão da Páscoa, que ocorre nas altas esferas espirituais e que é conduzida por nosso bendito Senhor, o Cristo.
(Publicado na Revista New Age Interpreter – Corinne Heline – first quarter, 1963 – traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Os Bosques da Alegria
No onírico, de acordo com nossas visões ocidentais – e muito pouco prático no oriente, onde, em geral, os sentimentos profundamente religiosos das pessoas superam em muito o instinto material – o sonho, às vezes, se materializa da maneira mais surpreendentemente prática.
Por muito tempo e em muitos lugares o mais pesado da viagem era e ainda é realizado de maneira primitiva, a pé ou por animais de carga, que auxiliam no tráfego das trilhas e, frequentemente, ao longo do caminho o viajante cansado encontra um “Bosque da Alegria”; um grupo de árvores com uma pequena casa onde, como um dever religioso, uma refeição gratuita é fornecida para o ser humano ou animal pelas pessoas da vizinhança que, assim, discretamente dão do seu escasso estoque para que seu irmão possa ser revigorado, descansar e se recuperar para começar de novo a próxima etapa da sua jornada. Que sensação deve ser a de gratidão e alegria, de descanso e alívio sentida pelo ser humano e pelos animais, quando entram em tal lugar, após um dia na poeira, na claridade e no calor da estrada e que atmosfera de altruísmo deve haver ali, para incalculável benefício espiritual tanto do doador quanto do receptor, do benfeitor e do beneficiário! Por outro lado, que calamidade seria se a maioria dos viajantes dessas rodovias e atalhos ficasse cega pela poeira da estrada ou pelo brilho do sol, de modo que não pudesse ver esses Bosques da Alegria. Quanto eles perderiam! Quão dura e quão difícil seria sua jornada!
Nossa vida, aqui na Terra, é uma grande jornada do berço ao túmulo e, como Jó diz: “O homem que nasceu da mulher tem poucos dias e tem muitos problemas”. Mesmo aqueles entre nós que vivem em ambiente mais abrigado têm tristeza e sofrimento, às vezes. O que dizer, então, daqueles infelizes que são assediados por provações e tribulações todos os dias de suas vidas? Todos nós temos que suportar aflições físicas em alguma medida; alguns sofrem aflições mentais ou morais; alguns sofrem com a perda ou desgraça de entes queridos; nenhum de nós está livre das cicatrizes da tristeza que, às vezes, marcam a alma até o âmago do nosso ser. Alguns ficam desapontados com suas ambições para si ou para os outros, após uma vida de sacrifício, e partem para a sepultura caindo de decepção; tudo isso porque estamos cegos pela poeira, pelo brilho da clareira e permitimos que o espectro da tristeza obscureça os Bosques da Alegria que estão ao longo da estrada da vida, repletos de altruísmo e prontos para nos receber, removendo dos nossos olhos o brilho e o charme, para encher nossa alma de alegria e nos enviar rejuvenescidos e alegres pelo caminho, deixando claro que não estamos caminhando para a sepultura, mas para Deus, o doador de tudo o que é bom.
A vida é uma corrida; porém não é de forma alguma uma corrida de cem metros que pode ser realizada em um único momento por um jato de energia. É um teste de resistência e, portanto, devemos perceber que seja um erro fatal estabelecer um ritmo mais rápido do que podemos manter. É também uma regra bem estabelecida que em uma corrida devemos deixar de lado todo peso que não seja absolutamente necessário e, se aprendermos a nos apressar lentamente, provavelmente viveremos mais e aprenderemos mais, porque seremos menos prejudicados pela poeira da tristeza e pelo clarão da ilusão. Se pararmos para visitar os Bosques da Alegria — onde a sombra protetora da Religião alivia nossos olhos cansados do brilho gerado pela ilusão daquilo que o mundo valoriza e mostra os verdadeiros padrões de amor e luz, onde podemos viver perto dos riachos de alegria para nos lavar do pó da tristeza que nos oprime, atrapalhando nossa corrida, e lançar nossas preocupações n’Aquele que cuida de nós, conforme mostrado por Seu convite, “Venham todos vocês que estão cansados e sobrecarregados e Eu vou dar-lhes descanso”, — então nos sentiremos, ah, muito mais leves! Nossos pés serão calçados com as asas do vento e caminharemos sustentados pela força adquirida nos Bosques da Alegria. Então seremos capazes de realizar uma obra maior no mundo.
Não é perda de tempo começar o dia com oração, louvor e adoração a Deus, o doador de todo bem, não importa o quão apressados possamos estar. O tempo investido nesse propósito logo será compensado pela suave elevação que levaremos conosco por esta comunhão com nossa Fonte e nossa Meta. Não é necessário recorrer ao nosso Pai quando estivermos cansados, exaustos, fatigados com o trabalho e as preocupações do dia. Devemos dormir mais profundamente, descansar e nos recuperar melhor. Geralmente somos muito religiosos em nossa observância dos momentos em que o alimento é servido para a restauração do ser humano físico; mas “o homem não vive só de pão” e não importa quão suntuosa seja nossa comida, morreremos de fome se não visitarmos o Bosque da Alegria, onde nosso Pai espera pelos errantes, pronto com o pão do estímulo espiritual para banir o cuidado embotado e reavivar o espírito que se afunda. Nossa é a perda, se permitirmos que a poeira e o brilho da estrada da vida nos ceguem e não passemos por essas casas de repouso; nosso é o ganho, se muitas vezes nos afastarmos do caminho da dor para comer o pão da vida nos Bosques da Alegria.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de set/1918 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Educando Nossos Filhos (naturais ou espirituais) dos 0 aos 7 Anos
Um dos mais embaraçadores assuntos no aconselhamento educacional é o fato de que, na grande parte das vezes, são os pais da criança que necessitam de uma reformulação na maneira de ser e viver, pois o comportamento indesejável da criança nada mais é do que o reflexo de maus exemplos, descontroles e falta de harmonia na família.
Max Heindel quando tratou da educação das crianças, à luz dos Ensinamentos Rosacruzes, afirmou “Não há sob o céu um ser tão imitador quanto uma criança pequena, e sua conduta nos anos posteriores dependerá, em muito, do exemplo dado por seus pais na primeira infância (dos 0 aos 7 anos). Não adianta dizer a uma criança ’não faça isso’. Ela não tem uma Mente para discernir, mas segue sua tendência natural, como a água que corre por uma vertente abaixo. Portanto, os pais devem se lembrar sempre, de manhã até à noite, de que há uns olhos vigilantes pousados sobre eles, para fazer tudo quanto eles façam, seguir seus exemplos”.
Isso porque o Corpo Vital, por ser uma aquisição mais recente do ser humano, não nasce no mesmo momento que nasce o Corpo Denso, quando aqui renascemos mais uma vez. Consequentemente, demanda mais tempo construí-lo servindo-se de materiais ainda não utilizados no revestimento do arquétipo, e ele não nasce antes dos sete anos, em torno da época da segunda dentição.
Assim, as crianças cuja infância transcorre num ambiente harmonioso – em que os pais e demais familiares mantêm um relacionamento carinhoso e respeitoso, em que hábitos de vida (alimentação, lazer, trabalho, etc.) são pautados em normas de moral e moderação – terão maiores e melhores possibilidades de se desenvolver sem distorções físicas e intelectuais.
No tocante aos alimentos, grande cuidado precisa ser tomado nessa fase, pois um apetite normal ou exagerado nos anos seguintes dependerá de como a criança foi alimentada no primeiro período setenário. Aqui, também, o exemplo é o melhor mestre. Pratos excessivamente condimentados prejudicam o organismo. Quanto mais simples for o alimento, quanto mais aproveitado for pela mastigação, mais o apetite se tornará saudável, o que norteará o ser humano através da vida, proporcionando-lhe um corpo sadio e uma Mente sã, fatos que o glutão desconhece. Contudo, não façamos para nós um prato e outro diferente para nosso filho. Podemos impedir que ele coma certos alimentos em casa, mas despertamos nele um secreto desejo pelo alimento proibido e cuja satisfação buscará quando tiver idade suficiente para ter vontade própria. Aí sua capacidade de imitação prevalecerá. Compete, portanto, a cada pai e a cada mãe lembrarem-se, do princípio ao fim do dia, que olhos vigilantes nos seguem o tempo todo, esperando que ajam para lhes imitar o exemplo.
Quanto às roupas, certifiquemo-nos de que sejam sempre folgadas, para não irritarem a criança. Muito da natureza imoral que estraga uma vida tem sido primeiramente despertada pelas fricções das roupas demasiadamente apertadas, particularmente no caso dos meninos. A imoralidade é um dos piores e mais persistentes males que mancham a nossa civilização.
É preciso, também, lembrar da inutilidade dos castigos físicos em qualquer etapa do desenvolvimento do educando. Os pais nada conseguirão além de demonstrar a eles que são mais fortes e sem compaixão para com os mais fracos. Outro perigo na aplicação dos castigos corporais em jovens poderá despertar a natureza passional que, geralmente, está fora do controle dos jovens em crescimento.
Com relação à educação do temperamento, sabemos que as cores assumem aqui a maior importância, e sabemos também que o assunto envolve não somente o conhecimento do efeito das cores, mas particularmente o efeito das cores complementares, pois são essas que atuam no organismo da criança.
Esse conhecimento é da máxima importância para os pais, já que uma boa compreensão do desenvolvimento que se efetua em cada período setenário capacita-os a trabalharem inteligentemente com a Natureza, podendo conquistar mais confiança do que aqueles pais que desconhecem os Ensinamentos dos Mistérios Rosacruzes.
(Publicado no Ecos da Fraternidade Rosacruz-São Paulo-SP de julho-agosto/1991)
Vamos compreender o grau de consciência que resulta da posse dos veículos empregados pela vida evolutiva nos quatro Reinos estudando o Diagrama 4.

O ser humano – o Ego, o Pensador – desceu à Região Química do Mundo Físico e, nela começando a dirigir os seus veículos, obteve o estado de consciência de vigília e continua aprendendo a controlar esses veículos.
Os órgãos do Corpo de Desejos e os da Mente não se desenvolveram ainda. A Mente nem sequer é ainda um Corpo; é um veículo. Atualmente não é mais do que um simples elo, um envoltório, que o Ego usa como ponto focal. É o último dos veículos que se formaram.
O Ego, o Espírito Virginal manifestado, trabalha gradualmente da substância mais sutil a mais densa, construindo assim os veículos, primeiro em substância sutil e depois em substância cada vez mais densa.
O Corpo Denso foi o primeiro a ser construído e chegou agora ao seu quarto grau de evolutivo; o Corpo Vital encontra-se em seu terceiro estágio; o Corpo de Desejos está no segundo sendo, portanto, ainda como uma nuvem; e a Mente é ainda mais sutil e está no seu primeiro grau evolutivo.
Como o Corpo de Desejos e a Mente não desenvolveram ainda quaisquer órgãos fica evidente que isolados seriam inúteis como veículos de consciência. Entretanto, o Ego penetra dentro do Corpo Denso, liga tais veículos sem órgãos com os centros físicos dos sentidos, e assim obtém o estado de consciência de vigília no Mundo Físico.
Aqui um importante ponto que você deve notar e sempre considerar nas suas análises e conclusões a respeito do seu Corpo Denso (o seu corpo físico): os veículos superiores (Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente) têm valor presentemente porque estão conectados com o Corpo Denso, cujo mecanismo é tão esplendidamente organizado. Se você sempre levar isso em consideração não cometerá o erro, tão frequente em muitas pessoas, de menosprezar o Corpo Denso ao saber que existem Corpos superiores, dele falando como de coisa “grosseira” e “vil” e dirigindo os olhos ao céu ansioso por abandonar logo esse amálgama de barro terreno para voar nos seus “veículos superiores”.
As pessoas que menosprezam o Corpo Denso (ao saber que existem Corpos superiores) e ansiosamente focam no momento de abandoná-lo logo para voar nos seus “veículos superiores”, geralmente, não compreendem a diferença entre “superior” e “perfeito”.
Vamos eliminar essa dúvida: certamente o Corpo Denso é o veículo mais inferior no sentido de ser o mais pesado e por relacionar o ser humano com o mundo dos sentidos, a Região Química do Mundo Físico, com todas as limitações que isso implica. Contudo, o Corpo Denso tem atrás de si um enorme período evolutivo; está em seu quarto grau de desenvolvimento e atingiu presentemente um maravilhoso e grandioso grau de eficiência. É o veículo mais bem organizado de todos os que você possui agora e tempo virá em que alcançará a perfeição.
Já o Corpo Vital está em seu terceiro grau evolutivo e menos organizado do que o Corpo Denso. E mais: o Corpo de Desejos e a Mente são, ainda, meras nuvens – quase completamente desorganizados. Nos seres humanos mais inferiores estes veículos nem mesmo são ovoides definidos, mas sim formas indefinidas.
O Corpo Denso é um instrumento admiravelmente construído, o que pode ser comprovado por todo aquele que tenha a pretensão de conhecer a constituição do ser humano. Observe-se, por exemplo, o fêmur, o osso que suporta todo o peso do Corpo. Sua parte externa é formada por uma delgada camada de osso compacto. A parte interna é fortalecida por feixes entrecruzados de osso celular, dispostos em maneira tão maravilhosa que a mais perfeita ponte ou obra de engenharia jamais poderiam chegar a formar um pilar de igual fortaleza com tão pouco peso. Os ossos do crânio são construídos de maneira semelhante, empregando-se sempre o mínimo de material e obtendo-se o máximo de fortaleza. Considere a sabedoria manifestada na construção do coração e diga-se, depois, se esse soberbo mecanismo pode ser menosprezado. O ser humano sábio é grato pelo seu Corpo Denso, e dele cuida da melhor maneira possível porque sabe que é, presentemente, o mais valioso dos seus instrumentos.
Vamos agora, falar do Ego animal, o Espírito Virginal manifestado da onda de vida animal: em sua descida alcançou somente o Mundo do Desejo. Não se desenvolveu ainda até o ponto de poder “entrar” em um Corpo Denso. Portanto, o animal não tem espírito interno individual, mas um Espírito-Grupo que o dirige de fora.
O animal tem o Corpo Denso, o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, mas o Espírito-Grupo que o dirige encontra-se fora.
O Corpo Vital e o Corpo de Desejos do animal não estão completamente dentro do Corpo Denso, especialmente no que concerne à cabeça. Por exemplo, a cabeça etérica de um cavalo sobressai muito além e acima da cabeça densa. Quando, em raros casos, acontece de a cabeça etérica de um cavalo penetrar na cabeça do seu Corpo Denso, esse cavalo pode aprender a ler, a contar e a executar operações elementares de aritmética. Devido a essa peculiaridade os cavalos, os cães, os gatos e outros animais domésticos percebem o Mundo do Desejo, ainda que nem sempre distingam a diferença entre esse e o Mundo Físico. Um cavalo pode se espantar ante uma figura invisível para o cavaleiro. Um gato pode tentar se esfregar em pernas invisíveis, pois, ainda que veja o fantasma, não percebe que as pernas não são densas, nas quais se poderia esfregar. O cão, mais sábio que o cavalo e o gato, sentirá, muitas vezes, que há alguma coisa que ele não compreende quando aparece seu dono já falecido e não pode lamber as mãos dele. Ele uivará pesarosamente esse se deitará em um canto com o rabo entre as pernas.
Vejamos como o Espírito-Grupo de um animal trabalha: se um animal é ferido esse sofre, mas não tanto quanto o Espírito-Grupo. Os animais se movem sob os ditames do Espírito-Grupo.
Ouve-se falar de “instinto animal” e de “instinto cego”. Não existe essa coisa indefinida e vaga como instinto “cego”. Não há nada “cego” na maneira como o Espírito-Grupo guia seus membros, mas há isto sim, Sabedoria escrita com maiúscula.
O clarividente treinado, quando funciona no Mundo do Desejo, pode se comunicar com esses Espíritos-Grupo das espécies animais e constatar que são muito mais inteligentes do que uma grande porcentagem de seres humanos. Pode observar o maravilhoso tino que demonstram ao dirigir os animais, que são os seus Corpos físicos.
É o Espírito-Grupo que reúne os bandos de aves no outono e os impele a emigrar para o sul, nem demasiado cedo nem demasiado tarde, para escapar ao sopro gelado do inverno. E é ele ainda quem os dirige de volta, na primavera, fazendo-os voar à altura adequada, altura que difere segundo as diferentes espécies.
O Espírito-Grupo do castor ensina-o a construir represas que cruzam a corrente no ângulo exatamente apropriado, considerando a velocidade da corrente e todas as demais circunstâncias, precisamente como faria um engenheiro experimentado, e demonstrando que está tão atualizado sobre cada particularidade do seu ofício quanto qualquer indivíduo tecnicamente preparado em universidade. É a sabedoria do Espírito-Grupo que dirige a construção da célula hexagonal da colmeia com tanta exatidão geométrica; que ensina o caracol a construir e formar sua casa em perfeita e bela espiral; que ensina o molusco do oceano a arte de decorar sua concha iridescente. Sabedoria, sabedoria por toda parte! Tão grande, tão imensa, que o observador atento não pode deixar de sentir-se pleno de admiração e reverência.
Nesse ponto pode ocorrer naturalmente o pensamento: se o Espírito-Grupo é tão sábio, considerando o curto período de evolução do animal comparado com o do ser humano, por que não manifesta esse último uma sabedoria muito maior? Por que deve o ser humano ser ensinado a construir represas e geometrizar, enquanto o Espírito-Grupo faz tudo isso sem ter sido ensinado?
A resposta a tais perguntas está relacionada com a descida do Espírito Universal na matéria de densidade sempre crescente. Nos Mundos superiores, onde os seus veículos são poucos e mais sutis, ele se acha em estreito contato com a Sabedoria Cósmica, que se revela de modo tão sublime no Mundo Físico, porém, conforme o espírito desce, a luz da sabedoria torna-se temporariamente mais e mais empanada até quase desvanecer-se totalmente no mais denso de todos os Mundos.
Uma ilustração tornará isto mais claro. A mão do ser humano é o seu servo mais valioso; sua destreza permite-lhe responder a mais ligeira ordem. Em algumas profissões, tais como a de caixa de bancos, o delicado tato das mãos torna-se tão sensível que ele é capaz de distinguir uma moeda falsa de uma verdadeira. Isto se processa tão maravilhosamente que quase se pode pensar que a mão foi dotada de inteligência individual.
Sua maior eficiência, porém, revela-se talvez na reprodução da música, pois é capaz de reproduzir as mais formosas melodias que embevecem a alma. O tato delicado e acariciante da mão extrai do instrumento os mais suaves acordes na linguagem da alma, dizendo suas tristezas, alegrias, esperanças, temores e anseios, de uma maneira que só a música pode fazê-lo. É a linguagem do mundo celeste, o verdadeiro lar do espírito, e apresenta-se à chispa divina aprisionada na carne, como a mensagem de sua terra natal. A música impressiona a todos, sem levar em conta Raça, credo ou qualquer outra distinção mundana. E quanto mais elevado e espiritual é o indivíduo, tanto mais claro ela lhe fala. Mesmo o indivíduo mais rude não fica impassível ao ouvi-la.
Imaginemos agora um mestre de música que vestisse luvas muito finas e tentasse tocar seu violino. Notaríamos logo que seu tato delicado tornar-se-ia menos sutil. A alma da música ter-se-ia afastado. Se colocasse outro par de luvas mais grossas por cima do primeiro par, suas mãos ficariam tolhidas a tal ponto que, provavelmente, criariam uma desarmonia ao invés da harmonia original dos acordes. Se por último pusesse outro par de luvas mais pesadas sobre os já postos, ele ficaria total e temporariamente incapaz de tocar. Então aquele que não o tivesse ouvido, anteriormente, sem as luvas, diria, por certo, ser impossível que tal professor pudesse tocar formosas melodias, especialmente se ignorasse o empecilho nas mãos dele.
Ora, o mesmo acontece com o Espírito: cada passo para baixo, cada descida para a matéria mais densa é para ele o mesmo que para o músico seria vestir as luvas. Cada passo para baixo limita seu poder de expressão, mas acostuma-se a essas limitações e encontra seu foco, do mesmo modo que o olho encontra seu foco depois de entrar numa casa escura em dia claro de verão. Ao brilho do Sol a pupila contrai-se dentro dos seus limites. Assim, ao entrar na casa tudo parece escuro, mas conforme a pupila se dilata e admite a luz, o ser humano pode ver tão bem na escuridão da casa como via à luz do Sol.
O objetivo da evolução humana é capacitar o Espírito a encontrar seu foco no Mundo Físico, onde atualmente a luz da Sabedoria parece embaçada. Contudo, em seu devido tempo, quando tenhamos “encontrado a luz”, a sabedoria do ser humano brilhará francamente por meio de seus atos, ultrapassando em muito a sabedoria manifestada pelo Espírito-Grupo do animal.
Além disso, devemos fazer distinção entre o Espírito-Grupo e os Espíritos Virginais da onda de vida que atualmente se expressa como animais. O Espírito-Grupo pertence a uma evolução diferente (onda de vida Arcangélica) e é o guardião dos espíritos animais.
O Corpo Denso em que funcionamos é composto de inúmeras células, tendo cada uma sua consciência celular separada, ainda que de ordem inferior. Enquanto essas células fazem parte do nosso Corpo estão sujeitas e dominadas por nossa consciência. Um Espírito-Grupo animal funciona num Corpo espiritual, que é seu veículo inferior. Esse veículo compõe-se de um número variável de Espíritos Virginais, imbuídos durante esse tempo da consciência do Espírito-Grupo. Esse último dirige os veículos construídos pelos Espíritos Virginais, cuidando deles e ajudando-os a aperfeiçoar esses veículos. Conforme aqueles que estão ao seu cargo evoluem, o Espírito-Grupo também evolui. Sofre assim uma série de metamorfoses, de modo idêntico àquele pelo qual crescemos e ganhamos experiência por introduzirmos em nosso organismo as células do alimento que comemos, elevando também dessa maneira – e por indução temporária – a sua consciência.
Assim, o Ego separado e autoconsciente que se encontra em cada Corpo humano dirige as ações do seu veículo particular, enquanto o espírito do animal, separado, mas ainda não individualizado nem autoconsciente, forma parte do veículo de uma entidade com consciência própria pertencente a uma evolução diferente – o Espírito-Grupo.
Esse Espírito-Grupo dirige as ações animais em harmonia com a lei cósmica, até que os Espíritos Virginais a seu cargo tenham adquirido consciência própria e se tornado humanos. Então, gradualmente começarão a manifestar vontade própria, libertando-se cada vez mais do Espírito-Grupo e tornando-se responsáveis pelos seus próprios atos. Contudo, o Espírito-Grupo continua a influenciá-los (ainda que em grau decrescente) como Espírito de Raça, de tribo, de comunidade ou de família, até que cada indivíduo se torne capaz para agir em plena harmonia com a lei cósmica. Só então o Ego se libertará e se tornará inteiramente independente do Espírito-Grupo, que por sua vez entrará numa fase superior de evolução.
A posição ocupada pelo Espírito-Grupo no Mundo do Desejo fornece ao animal uma consciência diferente da do ser humano, que tem uma consciência de vigília clara e definida, pelo que vê as coisas fora de si nítida e distintamente.
Devido ao caminho evolutivo em espiral, os animais domésticos mais avançados, particularmente o cão, o cavalo, o gato e o elefante, veem os objetos quase que da mesma maneira, embora não tão claramente definidos. Todos os outros animais têm uma “consciência pictórica” interna parecida ao sonho do ser humano, ou seja: sono com sonhos. Quando um desses animais encara um objeto, percebe imediatamente dentro de si uma imagem, acompanhada de uma forte impressão de malefício ou benefício para ele. Se o sentimento é de medo, associa-se a uma sugestão do Espírito-Grupo de como escapar ao perigo iminente. Esse estado de consciência negativo facilita ao Espírito-Grupo guiar, por sugestão, os Corpos Densos das espécies a seu cargo, já que os animais não têm vontade própria.
O ser humano não pode ser manejado tão facilmente de fora, seja ou não com o seu consentimento. Conforme a evolução progride e sua vontade se desenvolve de modo crescente, menos acessível ele se torna à sugestão externa e mais se liberta para agir a seu talante, sem levar em conta a sugestão alheia. Esta é a diferença capital entre o ser humano e os seres dos outros Reinos. Estes agem de acordo com a lei e sob os ditames do Espírito-Grupo (que chamamos instinto), enquanto o ser humano se converte gradativamente numa lei em si mesmo. Não perguntamos ao mineral se ele quer ou não se cristalizar, nem à flor se quer ou não florescer, nem ao leão se deixará ou não de devorar. Todos estão, tanto nas grandes quanto nas pequenas coisas, sob o domínio absoluto do Espírito-Grupo, pois carecem de iniciativa e livre arbítrio, o que em certo grau são atributos de todo ser humano. Todos os animais da mesma espécie aparentam ser quase iguais porque emanam do mesmo Espírito-Grupo, enquanto entre as quinze centenas de milhões de seres humanos que povoam a Terra não há dois que pareçam exatamente iguais; nem sequer os gêmeos quando adolescentes, porque a estampa que seu Ego individual interno põe sobre cada um produz a diferença, tanto na aparência quanto no caráter.
Todos os bois pastam erva e todos os leões comem carne, mas “aquilo que é alimento para um ser humano pode ser veneno para outro”. Isto é mais uma ilustração da absoluta influência do Espírito-Grupo. Tal influência contrasta com a do Ego, que faz cada ser humano necessitar de uma porção de alimento diferente da que precisa outro. Os médicos notam com perplexidade a mesma peculiaridade ao administrar medicamentos. O mesmo medicamento atua diferentemente sobre cada indivíduo, enquanto em dois animais da mesma espécie produz sempre efeitos idênticos. Isto se dá porque todos os animais seguem os ditames do Espírito-Grupo e da Lei Cósmica, agindo sempre semelhantemente, sob circunstâncias idênticas. Somente o ser humano pode, até certo ponto, seguir seus próprios desejos dentro de limites determinados. É certo que seus erros são muitos e graves, o que leva muitas pessoas a julgar que melhor seria que o ser humano fosse obrigado a seguir o caminho reto. Contudo, se assim fosse nunca aprenderia a retidão. As lições de discernimento entre o bem e o mal não podem ser aprendidas sem o exercício da livre escolha do próprio caminho, e sem que se aprenda a rejeitar o erro como uma verdadeira “matriz de dor”. Se agisse com retidão apenas por não ter uma alternativa nem oportunidade de agir diferentemente, ele seria um autômato e não um Deus em evolução. Como o construtor aprende pelos seus erros, corrigindo-os nas edificações futuras, assim também o ser humano, por meio de seus tropeços e das dores que produzem, alcança uma sabedoria superior à do animal (por ser autoconsciente) o qual só atua sabiamente porque a isso é impelido pelo Espírito-Grupo. No devido tempo o animal alcançará o estado humano, terá liberdade de escolha, cometerá erros e por eles aprenderá, tal como acontece atualmente conosco.
O animal, simbolizado pelo madeiro horizontal da cruz, está entre a planta e o ser humano. Sua espinha dorsal é horizontal, e através dela passam as correntes do Espírito-Grupo animal que circulam em torno da Terra.
Vamos agora, falar do Ego vegetal, o Espírito Virginal manifestado da onda de vida vegetal, as plantas: o Espírito-Grupo do Reino Vegetal (que pertence a onda de vida angélica) tem seu veículo inferior na Região do Pensamento Concreto. Estando a dois graus do seu veículo denso, a consciência das plantas corresponde ao sono sem sonhos. O Reino Vegetal, em geral, tem suas raízes no solo químico, mineral. Os Espíritos-Grupo das plantas estão no centro da Terra. Como devemos recordar, se encontram na Região do Pensamento Concreto que, assim como os outros Mundos, interpenetra a Terra. Destes Espíritos-Grupo emanam fluxos ou correntes em todas as direções para a periferia da Terra, exteriorizando-se através e ao longo das plantas ou árvores.
A planta absorve seus alimentos pelas raízes. A planta dirige seus órgãos de geração para o Sol. O Reino Vegetal é sustentado pelas correntes espirituais do Espírito-Grupo desde o centro da Terra, as quais nela penetram pela raiz. A planta absorve o venenoso dióxido de carbono expirado pelo ser humano e exala, em troca, o vivificante oxigênio que esse utiliza.
Por último, vamos agora, falar do Ego mineral, o Espírito Virginal manifestado da onda de vida mineral: o Espírito-Grupo do mineral tem seu veículo inferior na Região do Pensamento Abstrato, estando, portanto, a três passos afastados do seu Corpo Denso. Consequentemente encontra-se em estado de inconsciência profunda, parecida à condição de transe. O Reino Mineral não possui Corpo Vital individual e, portanto, não pode ser o veículo de correntes que pertencem aos Reinos superiores. Resumindo: o ser humano é um espírito individual interno, um Ego separado de qualquer outra entidade, que dirige e trabalha um conjunto de veículos de dentro. Já os vegetais e animais são dirigidos de fora por um Espírito-Grupo que tem jurisdição sobre certo número de animais ou vegetais em nosso Mundo Físico. Estão, pois, separados somente na aparência.
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Que as rosas floresçam em vossa cruz
Como todos os outros corpos ou órgãos por meio dos quais os veículos superiores e nós, o Ego, trabalhamos, o cérebro teve início antes que o germe da Mente fosse dado ao ser humano. Na Primeira Revolução do Período Terrestre, recapitulação do Período de Saturno, antes que o ser humano tivesse um Corpo Denso químico, quando ainda era um pensamento-forma e não havia se cristalizado o suficiente para ser chamado de químico, o primeiro impulso foi dado para construir a parte frontal do cérebro.
Portanto, nosso cérebro remonta ao início do Período Terrestre; naquele tempo distante, a substância da qual o cérebro foi construído era material de desejo, matéria da finura e plasticidade do Mundo do Desejo. Havia, entretanto, apenas um impulso, um cérebro germinativo, por assim dizer, e foi somente na quarta Revolução e na terceira Época, a Lemúrica, que realmente construímos um cérebro físico, composto de matéria mineral. Isso foi feito por meio da separação dos sexos, conforme estudamos no Conceito Rosacruz do Cosmos e na Bíblia. Metade da força criadora foi canalizada para cima, construindo o cérebro e a laringe.
O objetivo desse cérebro era funcionar como um veículo para a Mente. Há uma distância muito longa entre os primórdios do cérebro, na Primeira Revolução do Período Terrestre, e o seu desenvolvimento atual. Mesmo assim, hoje, apesar do nosso maravilhoso progresso, estamos apenas tocando a orla daquilo que ele deve ser. Provavelmente, nenhuma pessoa que vive entre a humanidade comum de hoje está usando mais da metade da massa cinzenta do cérebro.
Os antigos, não considerando os Iniciados, não tinham conhecimento das funções do cérebro. A palavra cérebro não ocorre em uma única parte da Bíblia. Os hebreus, em comum com outras raças antigas, aparentemente não tinham ideia de que o cérebro fosse o órgão de expressão da Mente. Eles pensavam que a Mente estivesse nos rins. Davi, em um de seus Salmos, disse: “o Senhor prova o coração e os rins”. Substitua a palavra “Mente” por “rins” e ela se torna inteligível. Jeremias, ao falar dos hipócritas daquela época, disse (Jr 12:2) que eles tinham o Senhor em suas bocas, mas não em seus rins (Mentes). No entanto, mesmo antes que os hebreus localizassem a Mente nos rins, os antigos babilônios a colocaram no fígado. Tanto quanto pode ser verificado, eles foram os primeiros a entender a Mente como um órgão corporal.
Alcemon, o pitagórico de Crotona, que viveu por volta de 500 a. C., foi o primeiro a mencionar o cérebro como o veículo do pensamento; porém ninguém deu atenção às suas afirmações, embora Platão, que viveu cerca de 200 anos depois, tenha desenvolvido a mesma teoria, mas de uma forma puramente especulativa, sem dar nenhuma razão para sua crença como Alcemon fizera. Aristóteles afirmava que o cérebro era um órgão de resfriamento que gelava o sangue para o coração e descobrimos, assim, que ao longo dos séculos, a Mente, como órgão do pensamento, foi atribuída primeiro a uma parte do corpo, depois a outra…
Em tempos bem modernos, sustentava-se a teoria de que “o cérebro fosse uma glândula que segregava pensamento como o fígado segrega a bile”. E hoje ainda existem muitos que, embora não o expressem de forma tão direta como visto na frase que acabamos de citar, pensam realmente assim, pois afirmam que não é uma presença animadora no Corpo Denso que tem o poder de pensar, mas que a capacidade de pensar é inerente ao próprio cérebro, estando tal ideia, em última análise, apenas um pouco afastada da “secreção de pensamento”.
O cérebro é dividido em dois hemisférios e os dois, no que diz respeito à matéria cinzenta, são exatamente iguais em todas as aparências, porém há uma diferença: o centro da fala (a Área de Broca) se desenvolve apenas em um hemisfério. O outro fato curioso foi trazido à tona: todas as pessoas destras têm o centro da fala desenvolvido no hemisfério esquerdo e as pessoas canhotas, no hemisfério direito: no entanto, nas pessoas ambidestras o centro da fala está presente em ambos os hemisférios.
Outro fato interessante é que ninguém nasce com o centro da fala já desenvolvido. Em geral, todos os bebês ouvem e enxergam ao nascer, embora não focalizem bem a visão, mostrando que nascem com os centros de visão e audição já construídos no cérebro; contudo, a criança precisa esperar um tempo que varia de dez meses a vários anos, em casos extremos, antes que a faculdade da fala seja adquirida.
A Ciência Material não nos dá qualquer explicação sobre essa variação no uso dos sentidos; mas, se olharmos para o nosso Conceito Rosacruz do Cosmos, encontraremos o motivo. Lá, aprendemos que o ouvido é o órgão sensorial mais antigo e mais desenvolvido que temos. Em seguida, descobrimos que, na Época Polar, o tato era um sentido localizado. A Ciência Material não conseguiu encontrar no cérebro o centro do tato (apesar de sempre haver algumas hipóteses); ela se pergunta sobre sua ausência e diz que ainda não está localizado com certeza ; porém os Estudantes Rosacruzes da Fraternidade Rosacruz sabem que durante a Época Polar o tato estava localizado na Glândula Pineal e, desde então, foi distribuído por todo o corpo e a sensação do tato nunca mais estará localizada no cérebro, pois atingiu um estágio de relativa perfeição.
Nenhuma menção especial é feita no Conceito Rosacruz do Cosmos ao sentido do paladar, mas por um processo de raciocínio podemos chegar à conclusão de que foi um dos sentidos desenvolvidos em um estágio inicial da nossa evolução, pois o bebê demonstra muito rapidamente sua capacidade para reconhecer doces, quando colocados em sua boca.
A capacidade de nos expressar pela fala pertence apenas ao ser humano. Nenhum dos Reinos inferiores, em desenvolvimento da consciência, pode se expressar dessa forma. Ela foi adquirida na Época Lemúrica, mas devemos lembrar que nessa Época não usávamos palavras como fazemos hoje. Naquela Época, “sua linguagem consistia em sons parecidos com os da natureza”, diz o Conceito Rosacruz do Cosmos. A habilidade de usar palavras para expressar os sentimentos veio depois.
O Lemuriano era capaz de perceber a Luz através dos pontos sensibilizados que mais tarde se desenvolveram nos nossos olhos atuais. O Conceito Rosacruz do Cosmos não afirma qual sentido foi aperfeiçoado primeiro, mas podemos razoavelmente concluir que o olho foi construído antes que a faculdade da fala fosse aperfeiçoada, pois sabemos que a prática gera perfeição e a longa prática no uso do ouvido e do paladar, também ao construir esses centros em cada novo Corpo Denso que ocupamos, nos permitiu construí-los em um período mais curto do que os centros de faculdades adquiridos posteriormente.
Assim, durante a vida pré-natal, fazemos o trabalho das primeiras Revoluções e Épocas iniciais e continua até nossos dias atuais, no que diz respeito aos centros de audição e paladar; assim, a criança nasce com a capacidade de ouvir e o paladar totalmente desenvolvido, porque os centros desses sentidos estão, aparentemente, embutidos no cérebro. O sentido da visão, sendo um desenvolvimento posterior, não é perfeito: embora o centro esteja embutido no cérebro e a criança possa ver ao nascer, é necessário um tempo mais longo do que a duração da vida pré-natal para aprender a usar os olhos físicos e focá-los corretamente.
Embora a fala aperfeiçoada possa não ser uma aquisição posterior à visão, é o único dos sentidos que não compartilhamos com o Reino animal e é necessário mais tempo para aperfeiçoá-lo. Carecemos da prática que nos capacita a construir o centro para a fala, na vida pré-natal, e a criança nasce enquanto ainda está no estágio Lemuriano de seu desenvolvimento. Como o antigo Lemuriano, ela enuncia os sons e continua a fazê-lo até que, com o tempo, tenha terminado o trabalho sobre aquele centro e, gradualmente, de maneira gaguejante e hesitante, aprenda a se fazer compreender por meio da palavra falada.
Também pode ser que as variações observadas no período necessário para o desenvolvimento do centro da fala dependam da evolução dessa espiral particular. Talvez isso nos dê uma pequena iluminação sobre a maneira pela qual os antigos Lemurianos eram capazes de se comunicar uns com os outros, usando apenas sons ululantes, quando nos lembramos da rapidez com que as mães podem interpretar os desejos do seu bebê a partir do caráter do choro.
O centro da fala é frequentemente destruído por acidente, doença, etc. Quando o acidente ocorre na infância, foi notado que, depois de um período variável (dependendo um pouco da idade da criança), a faculdade da fala é recuperada. O Ego constrói um novo centro na Área de Broca, no hemisfério oposto. Em todos os casos, na investigação por exame post mortem (o único meio de investigação aberto ao cientista material), o novo centro é aparente, porque o antigo pode ser visto em sua condição destruída.
O cérebro da criança é plástico, como o resto do corpo, e pode ser facilmente moldado para atender às necessidades do Ego; no entanto, nos adultos essa capacidade parece não existir. Em todos os casos de adultos em que foi possível investigar, após a morte, demonstrou-se que a recuperação parcial da faculdade da fala ocorreu por uma reconstrução daquele centro ferido e não pela instalação de um novo centro.
Todos nós conhecemos esta frase: “O pensamento sulca o cérebro”. Isso é literalmente verdade: a matéria cinzenta dobra-se repetidamente sobre si mesma e novas áreas do cérebro são formadas, como prateleiras em uma biblioteca, uma acima da outra. Se você deseja estudar um novo idioma, por exemplo, deve fazer uma nova prateleira e nós podemos, assim, organizar novas áreas do cérebro para realizar novas funções; contudo, a dificuldade com que isso é feito aumenta com o avanço da idade. Existem grandes áreas no cérebro que são lisas e sem sulcos; a dedução lógica é que não estamos usando essas partes. Isso nos dá uma ideia de como nossos cérebros podem desenvolver uma capacidade mental aumentada, no futuro, viabilizando que essas áreas lisas sejam cultivadas.
Vamos deixar o cérebro de lado, por enquanto, e dar uma olhada rápida na Mente. Na terceira Época ou Época Lemúrica, os pioneiros que se prepararam para a recepção da Mente receberam o seu núcleo dos Senhores da Mente, que irradiaram de si mesmos a substância que ajudou o ser humano a construir a Mente germinativa; mas a maioria da humanidade não estava pronta, naquela época, para esse novo passo e teve que esperar até a Época Atlante. A Mente é o nosso último veículo adquirido e o mais importante. Na grande maioria das pessoas, ela é informe e desorganizada: está em seu estágio mineral e tem poder apenas sobre os minerais. Poucos são capazes de ter pensamentos originais; tudo o que muitos de nós fazem é refletir os pensamentos de outras pessoas, estejam elas nos Mundos visível ou invisíveis.
“A Mente foi dada ao ser humano para que, pela obra do Ego através dela, o Pensamento e a Razão pudessem ser desenvolvidos, de modo que o desejo possa ser conduzido por canais que levem à obtenção da perfeição espiritual”. A Mente é composta da substância da Região do Pensamento Concreto e é, atualmente, uma essência semelhante a uma nuvem. Sendo o veículo mais jovem, ele tem um período de desenvolvimento mais curto do que nossos outros veículos e leva vinte e um anos, após o nascimento do Corpo Denso, para trazê-la à luz. É nosso desejo de conhecimento que nos impele a pensar; portanto, o egoísmo está na base de nossa capacidade de refletir.
A Mente é, temporariamente, extraída do Corpo Denso durante o sono, mas quando a morte acontece, ela é retirada permanentemente e permanece com o Ego, até que ele deixe o Segundo Céu e vá para o Terceiro, quando ela é dissolvida e sua a substância é deixada na Região do Pensamento Concreto.
Vamos olhar para frente e ver como será a Mente nos Períodos futuros. Como agora, durante o Período Terrestre, ela está em seu estágio mineral, atingirá o estágio de planta no Período de Júpiter; então se tornará viva e seremos capazes de trabalhar com vida, com plantas vivas, como os Anjos estão fazendo agora. Seremos capazes de criar vida pela imaginação e dar existência pelo pensamento a formas que viverão e crescerão como plantas; teremos a orientação do Reino vegetal nesse Período (nossos minerais atuais). No Período de Vênus, o Reino vegetal terá avançado para o Reino animal e nós daremos a eles formas vivas, com sentimento. No Período de Vulcano, nossas Mentes terão alcançado o estágio em que poderão criar ou propagar outras Mentes e nós daremos para a humanidade daquele Período a Mente germinativa.
Tendo visto uma breve revisão de várias fontes, da origem e do desenvolvimento do cérebro e da Mente, vejamos se podemos descobrir de que modo a Mente usa o cérebro como um veículo físico de expressão. Talvez devamos nos perguntar como nós combinamos os dois, porque nós, o Ego, estamos na base da Mente. Somos informados no Conceito Rosacruz do Cosmos de que o Éter Refletor é o meio pelo qual o pensamento é impresso no cérebro. Existem vários métodos pelos quais um pensamento pode atingir o cérebro. O primeiro, e mais geralmente usado, é o descrito no Conceito Rosacruz do Cosmos, em que estudamos os Éteres. Estamos todos perfeitamente familiarizados com este método — como o pensamento é lançado, já como forma de desejos, no Corpo de Desejos e, se a Força de Atração é despertada, então esse pensamento entra em espiral no Corpo de Desejos, é estimulada a forma de desejos, como se fosse acrescentada energia ao pensamento-forma e ela é revestida de matéria de desejo: então pode atuar no cérebro etérico e, por meio desse, no cérebro físico, para compelir a ação.
Se a Força de Repulsão for despertada no Corpo de Desejos, ocorrerá uma luta entre a força espiritual, na forma de pensamento, e o Corpo de Desejos; sabendo desse fato, devemos ser cuidadosos para que, quando nós, como Egos, desejamos despertar uma boa ação, a forma de pensamento que enviamos tenha por trás dela, e dentro dela, suficiente vontade e energia espiritual para que possa lutar por seu caminho, apesar da Força de Repulsão, assegurando o material de desejo necessário para se incorporar, em vez de ser expulsa do Corpo de Desejos. Se houver pouca vontade, poucas das nossas boas disposições se tornarão mais do que impulsos, pois a força espiritual está ausente.
Outro método pelo qual o Ego pode imprimir pensamentos no cérebro é por meio do sangue. O sangue é o veículo do Ego e carrega nossos sentimentos e emoções. É, em certo sentido, o veículo da memória subconsciente (ou Mente subconsciente) e está em contato com a Memória da Natureza, que é muito mais precisa do que a memória consciente (ou Mente consciente). As imagens do Éter Refletor são transportadas para os pulmões pelo ar que respiramos e a partir daí, transmitidas ao sangue; à medida que o sangue flui para todas as partes do corpo, incluindo o cérebro, uma impressão mais ou menos distinta daquilo que ele contém em seu depósito, incluindo o pensamento subconsciente, pode ser impressa no cérebro pelo Ego, caso se tornar necessário.
Outra maneira é pela memória superconsciente (ou Mente superconsciente) – também chamada de memória Supraconsciente -, inata ao Espírito de Vida, que é capaz de se imprimir diretamente no Éter Refletor do Corpo Vital sem a necessidade de se revestir de matéria de desejo: isso é a intuição ou a consciência que fala conosco. De uma quarta forma, o Espírito de Vida pode transmitir sua mensagem de sabedoria diretamente ao coração, que instantaneamente a transmite ao cérebro por meio do nervo pneumogástrico, resultando as primeiras impressões, os impulsos intuitivos do Espírito de Vida.
Tendo rastreado a origem e o desenvolvimento da Mente e do cérebro, olhado para o futuro e tido um vislumbre da evolução da Mente durante os três Períodos que virão e compreendido amplamente o quanto as nossas Mentes atuais permitirão a imensidão desse plano final, consideremos agora alguns dos métodos pelos quais o desenvolvimento da Mente e do cérebro pode ser realizado, ambos tendo como objetivo do desenvolvimento a evolução espiritual do Ego.
Vamos começar com o cérebro: todos nós conhecemos a conexão íntima que existe entre o cérebro, o sistema nervoso e o sangue. O sangue é o meio pelo qual o alimento é levado às várias partes do corpo e o tipo de alimento que comemos deve ter grande influência sobre o cérebro. O Conceito Rosacruz do Cosmos nos informa que “o fósforo é o elemento particular por meio do qual o Ego é capaz de expressar o pensamento e influenciar o Corpo Denso”.
O fósforo se encontra em maior concentração no cérebro e “a proporção e variação desta substância corresponde ao estado e estágio de inteligência do indivíduo… Portanto, é de grande importância ao Aspirante à vida superior que vai usar seu corpo, pois o trabalho mental e espiritual deve suprir seu cérebro com a substância necessária para esse propósito”. Mais uma vez, Max Heindel diz: “Além disso, devem ser selecionados os alimentos que são mais facilmente digeridos, porque quanto mais facilmente a energia dos alimentos é extraída, mais tempo o organismo tem para se recuperar, antes de ser necessário repor o fornecimento”.
É importante que os vários órgãos fornecidos com a finalidade de livrar o corpo dos resíduos devem ser mantidos em perfeito funcionamento (e isso inclui a pele), ou o sangue ficará envenenado e transportará esse veneno para o cérebro, produzindo lentidão mental e, às vezes, até estupor.
Sabemos, por nossos Ensinamentos Rosacruzes, que a força criadora construiu o cérebro em primeiro lugar e é razoável concluir que a mesma força melhorará o cérebro, se for direcionada para cima e não desperdiçada por ordem do Corpo de Desejos.
Para entender o próximo método de melhora do cérebro, vamos recordar o que foi dito no início deste artigo a respeito de diferentes áreas do cérebro serem dedicadas a diferentes linhas de pensamento. Todos nós temos, dentro de nossos cérebros, certas áreas dedicadas ao pensamento egoísta. O pensamento destrói o tecido e, como nos diz o Conceito Rosacruz do Cosmos, o tecido destruído, assim como todos os outros resíduos do corpo, é substituído por novo tecido pelo sangue.
O coração era um músculo involuntário, mas aos poucos está se tornando um músculo voluntário, desenvolvendo listras ou estrias cruzadas como os outros músculos voluntários. Essas listras cruzadas podem ser incrementadas por certos exercícios ocultos, de modo que o tempo necessário para desenvolver o coração e torná-lo um músculo voluntário pode ser bastante reduzido pelo treinamento oculto; quando o coração se tornar um músculo voluntário totalmente desenvolvido, a circulação do sangue passará do controle do Corpo de Desejos para o influência absoluta do Espírito de Vida; esse veículo poderá então cancelar o suprimento de sangue para as áreas do cérebro dedicadas a propósitos egoístas: já que os pensamentos egoístas destruirão os tecidos e nenhum suprimento novo de sangue será enviado para aquele lugar, eles irão se atrofiar, gradualmente. Ao mesmo tempo, as áreas dedicadas ao pensamento altruísta serão aumentadas pelo maior suprimento de sangue e, dessa forma, o cérebro se tornará um fator poderoso no desenvolvimento espiritual.
Resta ver como a Mente pode ser melhorada. A concentração é um dos grandes auxílios, já que, por meio dela, a Mente torna-se direcionada; também pelos estudos do pensamento abstrato, preservando o estado fluídico de adaptabilidade, ou seja, mantendo a Mente aberta para que não se cristalize em uma linha de pensamento, mas esteja sempre pronta a assimilar novas verdades. A Religião é uma forma de ajudar a melhorar a Mente. Quando nossa Mente era nova, ela se fundiu com o Corpo de Desejos e, assim, as Religiões de Raça foram dadas para emancipar a Mente do desejo. A Mente deve ser mantida em seu devido lugar, como um elo entre o “Eu superior” e a Personalidade; deve, assim, procurar dar as mãos para o “Eu superior”; dessa forma seremos salvos das experiências que surgem quando a Mente fornece uma aliança ao Corpo de Desejos.
O Conceito Rosacruz do Cosmos afirma que a oração pela Mente é a parte mais importante da Oração do Senhor, o Pai-Nosso. Afirma ainda: “o espelho da Mente contribui cada vez mais para o crescimento espiritual, à medida que os pensamentos que ele transmite para o Ego, e a partir dele, aperfeiçoam-no para um brilho máximo, aguçando e intensificando seu foco cada vez mais para um único ponto, perfeitamente flexível e sob o controle do Ego”. É de grande importância que tenhamos apenas o tipo certo de pensamentos em nossa Mente, porque pensamentos de caráter semelhante serão atraídos a nós pelos pensamentos que já estão em nossa Mente. Se tivermos pensamentos espirituais, eles crescerão e aumentarão, porque “semelhante atrai semelhante”. A Mente, assim como todos os outros veículos, pode ser espiritualizada pelo cultivo das faculdades da observação, discriminação e memória, devoção a ideais elevados, oração, concentração e do uso correto das forças vitais.
Por último, todo trabalho que fizermos em nosso Corpo de Desejos, purificando os desejos e emoções, será extraído do Corpo de Desejos em forma da Alma Emocional e nos Mundos celestes ela será amalgamada ao Espírito Humano, o que resultará em Mentes melhores em vidas futuras.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de jul/1918 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

O Diagrama 3 mostra o veículo que cada Reino tem em cada Região ou Mundo para funcionar (trabalhar e aprender as lições inerentes de cada Região ou Mundo).
Também mostra que o Ego separado (de cada um dos Reinos) é segregado definitivamente dentro do Espírito Universal na Região do Pensamento Abstrato. E isso para todos os 4 Reinos.
Veja que o Reino Humano se expressa sendo o responsável pela sua evolução em todos os Mundos que atua. Já os Reinos mineral, vegetal e animal se expressa parcialmente, tendo um Espírito-Grupo como o responsável pela sua evolução em todos os Mundos que atua. Enquanto o Espírito-Grupo do Reino animal é uma das atribuições da Onda de Vida dos Arcanjos, o Espírito-Grupo do Reino vegetal é uma das atribuições da Onda de Vida dos Anjos, o Espírito-Grupo do Reino mineral, por enquanto, tem como Espírito-Grupo o Espírito Planetário da Terra, Cristo.
Note que unicamente o ser humano possui a cadeia completa de veículos que o correlaciona com todas as divisões dos três Mundos:
Para os outros Reinos:
A razão das várias diferenças é que:
Em seu devido tempo as três Ondas de Vida, que agora animam os três Reinos inferiores, alcançarão o estado humano, e nós teremos passado a um estado de desenvolvimento superior.
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