porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Significado Esotérico de: “não a paz, mas sim a espada”

Eis que faço novas todas às coisas. E continuou: ‘Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras’.” (Ap 21:5), proclama a Presença na Revelação anunciando a visão etérica da cidade santa, a Nova Jerusalém.

Cristo, sem dúvida, veio ao mundo para tornar novas todas às coisas. Ele trouxe para a humanidade um novo Ensinamento de amor e fraternidade e permanece como Espírito Planetário, de onde podemos tirar proveito da nova e pura matéria do desejo, com a qual Ele penetra em nossa atmosfera. Quando Ele se manifestar novamente, na segunda aparição, Ele irá reinar sobre uma nova raça da humanidade regenerada, onde os Corpos Densos terão se tornado obsoletos.

Quando, finalmente, todas as coisas se tenham tornado novas, foi nos dito que uma era áurea nos espera. “Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Sim! As coisas antigas se foram!” (Ap 21:4).

Quando todas as coisas tiverem sido feitas novas estaremos vestindo nossos brilhantes e dourados trajes nupciais, o nosso Corpo-Alma. Não haverá mais Corpos Densos, acompanhados de doença e morte. Na dourada cidade etérica, experimentaremos a imortalidade da vida eterna alegre e completa, sem a presença da dor. Deus deverá, realmente, enxugar todas as lágrimas, porque o que as causou deverá ter se acabado para sempre. Os seres inferiores terão evoluídos para seres superiores, o material para o espiritual e, deste modo, terá sido revelada a renovação de todas as coisas.

O auge será glorioso, mas o processo de transição de nosso estado atual até o revelado será com dor e tormentos. O obsoleto não será vencido sem protestos, pois a regeneração raramente vem sem revolta. Mudanças vantajosas e verdadeiras são muitas vezes lentas para que seus efeitos possam ser profundos e duradouros. Mudanças superficiais, baseadas em caprichos e, portanto, efêmeras, são mais fáceis de conseguirem, mas seus efeitos deixam muito a desejar, não são de longo alcance.

Basta observar a Natureza para se notar como o processo de mudança é realmente ponderado e, muitas vezes, cataclísmico. São necessários séculos para que as condições físicas de uma época substituam, por completo, as de outra. Mudanças geográficas, climáticas, fisiológicas e biológicas não são feitas, jamais, de um dia para outro e quase que, invariavelmente, há um elemento perturbador no processo. Vulcões, terremotos, mudança violentas e prejudiciais nos padrões do comportamento do clima e a ascensão e queda “literal” dos continentes: tudo isto são fatores de tais alterações.

Mesmo em períodos mais curtos, mudanças menores são acompanhadas por destruição que precede a regeneração. Incêndios nas florestas são seguidos por novo crescimento.

“Anos de vacas magras” durante os quais a seca, a fome e as pragas se manifestam, são seguidos por “anos de vacas gordas” durante os quais as perdas do período anterior são recuperadas, muitas vezes seguindo-se métodos mais eficientes do que os usados anteriormente. Alguma coisa foi aprendida como consequência da miséria e as mudanças resultantes, mesmo que sutis e pequenas, foram, consequentemente, instituídas.

Mudanças espirituais são, também, acompanhadas de revolta. Para se evoluir do egoísmo, típico da humanidade materialmente orientada, todo Ego precisa travar sua própria guerra contra seu caráter inferior, de batalha em batalha, até que um caráter mais alto, permanentemente virtuoso, surja triunfante.

Todos nós, no caminho espiritual, conhecemos bastante bem as dificuldades, frustrações e o desespero, assim como os momentos de exaltação, que caracterizam esta luta. Livrando-nos de nossos antigos padrões de pensamento, a atitude e a conduta posterior são difíceis, porque todos nós temos certos vestígios de egoísmo e sentimentos inferiores profundamente enraizados dentro de nós.

Desde os tempos em que os fundamentos do verdadeiro Cristianismo foram introduzidos por Cristo-Jesus, as mudanças foram acompanhadas de resistência, agitação, protesto e derramamento de sangue, assim como crueldades cometidas em nome da chamada “Cristandade”.

A divulgação do Cristianismo ortodoxo mostrou traços de interesse próprio. Durante séculos a Igreja vigente foi intolerante a todas as divergências e críticas a ela dirigidas e, mais tarde, houve proliferação de divisões da Igreja com diferentes denominações, todos convencidos de que suas interpretações dos princípios cristãos representavam, se não a verdade em si, certamente a mais lógica, compreensível e racional versão da verdade.

Muitos membros dessas seitas se convenceram, através dos anos, de que somente seus pontos de vista estavam certos e que aquele, cuja interpretação divergisse da sua, tinha de ser convertido, evitado ou combatido.

Assim, muitas formas, dogmas, credos e rituais foram introduzidos, encobrindo, substituindo e, portanto, alterando a simples essência dos verdadeiros ensinamentos de Cristo, transmitidos à humanidade pelos primeiros Cristãos e seus descendentes espirituais.

Vemos, então, que não somente mudanças, mas o que pode ser chamado contra-mudanças, acompanharam a divulgação dos Ensinamentos. Intrinsicamente eles eram e são elaborados para acabar com a desunião humana e promover a fraternidade. Abnegação, sacrifício e compaixão são seus princípios. Os valores espirituais mais avançados eram, inicialmente, adaptados a um contexto material somente na quantidade necessária para desenvolver a vida espiritual, num plano material. Aos poucos, porém, estes conceitos sublimes foram ocultados pelas adaptações e adições materiais do ser humano com o tempo, e a mensagem louvada de Cristo ficou quase perdida diante da proliferação de armadilhas feitas pelo próprio ser humano.

Houve, naturalmente, Egos avançados (superiores) mesmo nos séculos mais obscuros, que viveram e mostraram o verdadeiro Cristianismo por meio de suas vidas, pela conduta, pelo amor e pelo serviço.

E estes Egos poderiam ser Cristãos ou não, mas tinham o Cristianismo dentro de si – e estão no plano mais evolutivo, no caminho da mudança, das “coisas novas”, mais perto da palavra revelada.

Para o resto da humanidade, porém, a era das grandes mudanças ainda está para vir. Mas, no século XIX, os princípios de serviço, sacrifício próprio e universalidade começaram a receber uma aceitação ativa em larga escala. Muitas pessoas estão, agora, fervorosamente empenhadas em utilizar um ou todos estes princípios em suas vidas, como também mais ativamente ligadas ao bem-estar de seus companheiros. Muitas destas pessoas não se consideram Cristãos.

Alguns se desencantaram com as leis rígidas e intolerantes da ortodoxia. Outros aderiram a outras fés ou a crenças religiosas não organizadas. Os princípios de Cristianismo esotérico, contudo, depois de mais de 2.000 anos de distorções humanas e deturpações, provará sua invencibilidade e sua eternidade. Eles estão emergindo agora, com consciência, para o idealismo de homens e mulheres sensíveis e de visão em todos os lugares.

Eventualmente, o Cristianismo esotérico (na realidade, o verdadeiro Cristianismo trazido pelo Cristo) servirá como a Religião unificadora de toda a humanidade. No momento, porém, o que é mais importante não é o nome sob o qual os princípios esotéricos são expressos, mas, o fato de que eles estão sendo enunciados num âmbito cada vez maior.

Podemos dizer que a era da mudança, em oposição à da contra-mudança, começou verdadeiramente. Há ainda, uma resistência, um egoísmo e uma ignorância bastante grande das verdades Universais pelas quais estamos trabalhando. Porém, podemos esperar um progresso encorajador de vivência cristã.

A Era de Aquário, a nossa frente, verá o refinamento destes princípios, só observados agora pelos olhos dos visionários.

Cristo veio a Terra para que todas as coisas se tornassem novas, mas Ele não prometeu que o processo de mudança seria agradável. “Não penseis que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada.” (Mt 10:34). A espada metafórica é o eliminar do velho, aquilo que não se adapta ao novo. Isto se aplica a instituições, costumes, atitudes raciais, formas de exploração material, mas, acima de tudo, se aplica ao estado interior de cada indivíduo. As condições exteriores que parecem regular nosso comportamento estão, na verdade, baseadas nas condições interiores da humanidade e do indivíduo, o que faz com que este estado permaneça mais tempo em vigor. Muitas vezes dizemos: “Não concordo com este procedimento, mas, por circunstâncias, sou forçada a isto”.

Devemos pensar, no entanto, que nada em que estejamos muito ou pouco envolvidos pode ser considerado alheio (externo) a nós, porque essa reação irá determinar seu efeito sobre nós mesmos. Portanto, “o que devemos dizer ou fazer, que nos é ainda muito difícil dizer ou fazer, é que mesmo que esta ou aquela condição exista, meu comportamento em relação a essa mesma condição será sempre o certo, o correto.”. Qualquer que seja a conduta do outro, a minha estará de acordo com os preceitos espirituais de compreensão, compaixão, bondade e ajuda.

Esta é a maneira pela qual devemos aplicar a espada a nós mesmos e abdicar totalmente do chamado desejo “natural” de vingança, justificação própria, proteção ou qualquer outro vestígio de egoísmo, vaidade ou orgulho. Devemos substituir estas atitudes por outras mais naturais e superiores, olhar todas as coisas dentro de um contexto universal, do bem comum e da maneira como elas se adaptam no plano divino para a evolução de todas as coisas. Estes mesmos fatores não se tornarão novos e nem poderiam, a não ser que este conceito seja o resultado do esforço de cada um de nós, o que refletirá na humanidade.

Cristo-Jesus nos disse que veio para trazer uma espada, mas Ele também nos advertiu para que a carregássemos. Cristo disse: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11:29-30). Isto quer dizer, simplesmente, que somos obrigados a carregar nossas próprias cruzes e segui-Lo, aderindo a Seus ensinamentos e vivendo a vida que Ele pregou e da qual Ele é o mais perfeito exemplo. Teremos que nos transformar em novos para que nos tornarmos seres espirituais compadecidos, destituídos de ambições e interesses materiais.

A melhor, mais rápida, mais segura e mais gratificante maneira de fazer isto é seguir os passos de Cristo, suportando o peso da experiência e da evolução, como Ele suportou e continua a suportar. Pode parecer, à primeira vista, que assumir nossas cargas espirituais seja difícil e, de certo modo, o é. O Caminho do Aspirante à vida superior se torna cada vez mais estreito e mais exigente e a necessidade de autodisciplina, autoconfiança e devoção total para atingir essa meta fica cada vez mais acurada. É, por vezes, muito difícil afastar os prazeres, o conforto e o auto engrandecimento da existência material, em favor da austeridade, do autossacrifício e de outras demandas feitas ao Aspirante à vida superior. Porém, as recompensas permanentes do esforço espiritual valem muito mais do que qualquer vantagem e conforto material temporário.

O Ego que aceita sua carga descobre que está em sintonia com a lei do “para frente, para cima, sempre”, o que caracteriza todo desenvolvimento. Sob esta lei, a inovação eventual de todas as coisas será inevitável. Depois, esta meta gloriosa de nossos esforços se tornará também antiquada, sendo substituída, por sua vez, por outro elevado estado de existência e consciência.

O Ego que permanece suficientemente adaptável para sempre cooperar com a lei do progresso contínuo, encontra uma tarefa muito mais fácil, no que se refere a sua evolução, do que aquele que adere obstinadamente ao “status quo” e permanece.

Sabemos que a evolução não admite ficar parado. As duas únicas alternativas que se nos apresentam são a regeneração ou a degeneração. Se, por conseguinte, não fizemos esforços para incluirmos na corrente da regeneração, nós nos encontraremos nas águas estagnadas da degeneração. A palavra regeneração é composta por duas palavras: “re” – que vem de “novamente”, e “generare” – que vem de “produzir, procriar ou criar”. Humanidade regenerada significa, portanto, a humanidade que foi criada novamente. Esta será a o tipo de ser humano que povoará a Nova Jerusalém, quando “todas as coisas se tornarem novas”.

Se optarmos pela regeneração, estamos, com efeito, nos recriando, nos tornando novos nos alicerces estabelecidos em vidas anteriores.

Todo renascimento, sem dúvida, é uma oportunidade para renovação, uma chance para nos tornarmos mais perfeitos e mais de acordo com as Verdades fundamentais, nas quais são baseados toda vida e todo progresso. Se todo Ego pudesse ao menos ficar ciente deste fato, desde seus primeiros anos de formação, que diferente aspecto de comportamento humano teríamos!

A Era da Nova Galileia chegará quando os seres humanos se provarem dignos. . . e “Daquele dia e da hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, somente o Pa.” (Mc 13:32).

Quanto mais cedo criarmos e fortalecermos dentro de nós as condições que visam uma recriação da humanidade, mais cedo seremos capazes de ajudar outros a assim agirem.

A perspectiva é empolgante e divertida, assim como atemorizante. Olhando para a história passada podemos traçar o desenvolvimento das realizações intelectuais, culturais e científicas do ser humano, desde os trabalhos mais primitivos na Idade da Pedra até seu alto grau de sofisticação atual. Algumas destas realizações são valiosas no sentido do desenvolvimento criativo do ser humano, no progresso material, outras concebidas para beneficiar a humanidade.

Muitos outros, porém, especialmente aqueles de décadas mais recentes, estão contribuindo muito para o desenvolvimento material universal, numa sociedade de consumo, angustiada.

Chegou a hora, portanto, de intensificar também nossa imagem espiritual. Conquistas materiais são somente acessórios temporários no quadro completo da evolução do ser humano, o progresso espiritual será infinito e eterno. Não há dúvidas de que o despertar para a regeneração humana já começou, porque as pessoas procuram a “verdade”, o “significado da vida”, a “identidade e o destino do indivíduo”, e sentem que não recebem essa resposta no mundo físico e material. Mais importante: seres humanos, em todos os cantos do mundo, se esforçam, mais do que nunca, para ajudarem seus irmãos.

A regeneração da onda de vida humana será feita deste material; o movimento já começou, façamos parte dele, o progresso deve ser também espiritual, progresso para nós e para cada ser humano.

(Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” e Publicado na Revista Serviço Rosacruz – 10/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Milagre do Nascimento de um Novo Tipo de Ser Humano

O Milagre do Nascimento de um Novo Tipo de Ser Humano

Novos tipos, novas mentalidades, novas classes de intelecto aparecendo são certamente evidências de que a semente de um novo tipo de ser humano está irrompendo. Cada nova geração está mostrando uma maior evidência de originalidade de pensamento e inspiração e nunca, em outras gerações, houve pessoas tão relutantes em aceitar teorias, dogmas e superstições dos mais velhos. Sua independência está realmente trazendo novas faculdades de pensamento, uma consciência mais elevada e novos fatores mental e espiritual.

O assunto das influências pré-natais é de vital importância e está ainda pouco entendido. A história grega nos diz que era costume das mulheres, quando grávidas, ficarem retiradas, permanecendo tranquilamente em seus lares. Elas se rodeavam de coisas bonitas, se ocupavam de forma útil e agradável, lendo ou estudando filosofia, música ou arte, a fim de desenvolver a Mente e ter alguma coisa elevada e superior para pensar. Elas faziam isso para imprimir beleza e uma pura atmosfera espiritual sobre a criança que estava para vir, porque elas estavam convencidas de que todos esses fatores ajudariam a dar à criança um melhor caráter e uma forma mais bonita.

Os Essênios, que viviam em suas próprias comunidades privadas no Egito e na Terra Santa, deram ensinamentos superiores como parte do seu trabalho no Templo. Antes de entrarem no casamento, homens e mulheres, igualmente, seguiam certas práticas de purificação e por um ano todos se alimentavam de comidas especiais prescritas pelos mais velhos. Outras prescrições eram dadas para as mulheres no estado de gravidez. A abençoada Maria, mãe de Jesus de Nazaré e Isabel, a mãe de João Batista, foram duas mulheres que receberam essa educação e elas deram à luz as mais maravilhosas e desenvolvidas crianças que o mundo conheceu. Elas não tinham dúvidas quanto à escolha de se tornarem os instrumentos para as vidas de dois seres que desempenharam um papel tão importante na história do mundo, por causa de sua pureza de pensamentos e treinamento espiritual.

O espiritual é a compreensão do amor onipotente e onipresente, que está dentro de cada Espírito vivente. Quanto mais a mãe envolver o Ego que está para vir com amor, mais a criança será capaz de vibrar em uníssono com o mais alto.

Assim, através da mãe, os mais elevados tipos da humanidade podem ser incorporados e ela deve estar absolutamente consciente disso. Honestidade e bondade devem começar em casa, onde toda a verdadeira reforma começa. Deve começar com a própria pessoa, neste caso a mãe, e seu desejo deve ser o de trazer para o Mundo Físico, o mais elevado ser humano.

Os pais não estão isentos de responsabilidade. A condição mental da mãe depende muito do tratamento que seu marido der a ela, durante o período de gestação. É dever do homem, nessa fase especial, provir a mulher de todas as necessidades e confortos da vida que estão ao seu alcance e lhe demonstrar a maior ternura e carinho. Ele deve procurar desenvolver suas mais nobres qualidades da Mente e do Coração, pois a impressão que ele marca na mãe durante esse período será, em última análise, o que ele imprimirá sobre a criança, através da mãe.

A vida e a obra de Maria, José e Jesus são proféticas da Nova Era, quando todo Ego será bem nascido, concebido em Amor pelos pais que são puros e castos. Somente então, haverá um novo tipo de seres unidos em amizade e amorosa fraternidade que farão manifestar um mundo novo, onde habitarão a paz, a alegria, a saúde e a abundância. Será, verdadeiramente, mostrado no futuro a “santidade perante o Senhor”.

Nós reconhecemos que somos de natureza tríplice — física, mental e espiritual — e que essas três partes do nosso ser devem ser desenvolvidas juntas e equilibradas. Devemos considerar isso também quando pensamos nas influências pré-natais. Devemos tentar equilibrar o desenvolvimento espiritual com o mental. Quando pensamos sobre tais manifestações da vida, como nós as vemos no fenômeno do nascimento de uma criança e nas influências pré-natais, devemos considerar isso ao lado dos fatores físicos e materiais que a ciência descobriu, mediante longos e pacientes estudos. Há, também, verdades espirituais e mentais que têm igual importância e que devem ser consideradas. Se cada um pudesse saber sob que condições pré-natais nasceria, estaria mais habilitado a explicar muitas coisas a seu próprio respeito.

É interessante observar que a semente do novo tipo de ser humano está começando a nascer entre nós. Olhem as crianças! Como são diferentes se nós as comparamos com nós próprios quando éramos jovens. Elas têm uma nova mentalidade, uma nova resistência nervosa e novas qualidades espirituais. Não as levemos para trás com nossas ideias fixas e antiquadas. As crianças desse novo dia têm olhos mais brilhantes, um aspecto mais claro, a Mente mais perspicaz; elas não são absolutamente do tipo musculoso. São mais vivas e interpretam a vida sob um ponto de vista mais espiritual. Elas aplicam a inteligência nos seus trabalhos diários. Elas têm os mesmos problemas que nós tivemos, mas elas os veem sobre um plano mais elevado. Elas têm um entendimento intuitivo maior e mais profundo sobre a vida e nós devemos estar preocupados com o nosso próprio desenvolvimento se quisermos acompanhá-las. Devemos ainda lhes dar instrução espiritual, conselhos e lhes ensinar a pureza do coração.

Se entendermos que cada um de nós é uma parte componente da onda de vida humana, nossa visão da vida mudará completamente. Trazer crianças para este Mundo é uma boa maneira de nos fazer sentir ligados à humanidade como um todo. Alguns nunca conceberiam crianças se dependesse meramente do instinto primitivo da multiplicação. Eles desejariam trazer uma criança para este Mundo se, por esse meio, sentissem que estavam fazendo uma contribuição para a onda de vida humana, como uma coisa mais perfeita e mais refinada do que antes. A pessoa altamente desenvolvida tem sempre o desejo de levar adiante alguma coisa nova e sentir a responsabilidade de fazer o melhor para ajudar o aprimoramento e a perfeição da onda de vida humana.

Tudo o que fizermos sinceramente em serviços elevados — tanto no trabalho de um ideal como para um ser humano — se reflete sobre nós mesmos, não somente agora, como nas vidas que virão. Se pudermos educar nossas crianças, despertando-as para o sentido da responsabilidade, tanto individual como coletivo, inspirá-las-emos a viver saudável, bela e inteligentemente para benefício das futuras gerações. Devemos trabalhar continuamente por meio dessas linhas. A assim chamada influência pré-natal pode começar dentro de cada menina que poderá algum dia se tornar mãe e dentro de cada menino que poderá algum dia se tornar pai. Essas crianças serão os pais da próxima geração. Nós ficaremos surpreendidos com que entusiasmo e naturalidade as crianças respondem a essas ideias, se nós as conduzirmos ao caminho certo.

Toda mulher é uma expressão e uma representação do aspecto feminino da Deidade. No nascimento, a mãe desempenha sua parte do drama eterno da evolução. Paternidade é um sacramento e não simplesmente um mero acaso, que os homens saibam disso. À medida que o conhecimento cresce, o autocontrole é praticado. O amor aumenta em grandeza, beleza e o ideal da paternidade espiritual regulará as vidas dos homens e das mulheres. Um belo novo tipo de ser humano nascerá, então, que deixará muito para trás a beleza imortal dos gregos antigos. Conhecimento e forças espirituais serão adicionadas à beleza clássica e isso formará a trindade essencial para que uma humanidade e uma civilização perfeitas possam imperar.

Com a ajuda de Sua Mãe, Jesus fez do seu corpo um puro, santo e belo santuário para a morada do Espírito Cristo. Ele mostrou à humanidade o maior grau de perfeição que um Corpo Denso pode alcançar e sustentou a humanidade com um modelo supremo sobre o qual o novo tipo de ser humano será moldado e perfeito. É possível, por meio da dedicação completa à missão de pais, parentesco, atrair um Ego avançado que venha dos Mundos celestiais e que favoreça o conhecimento entre os humanos e os leve para a Nova Era.

Paracelso escreveu: “uma criança no útero da mãe, durante sua formação, está tanto nas mãos e debaixo da vontade da mãe, como a argila nas mãos de um oleiro que dela faz o que mais lhe agradar. Qualquer desejo forte, apetite ou inclinação podem ser imprimidos sobre a criança. É, também, possível para uma mulher, por persistentes pensamentos sobre um sábio ou grandes seres humanos como Platão, Aristóteles, Goethe, como um grande músico (como Bach, Beethoven, Mozart) ou um pintor (como Leonardo da Vinci, Raphael, Michelangelo, Dürer) trabalhar sobre as tendências plásticas de sua prole. Mas também deve haver alguma coisa na mãe que corresponda aos talentos especiais que ela imaginou”.

Paracelso também nos disse que a imaginação do pai e da mãe exercem grande influência sobre o desenvolvimento da criança e fala sobre o que nós chamamos da Lei da Associação, sob a qual “semelhante atrai semelhante”. Assim nós podemos explicar certas semelhanças entre as crianças e seus pais. Isso enfatiza a importância de um viver puro, pensamentos elevados e santos por parte dos pais durante o tempo no qual o Ego está sendo preparado para a nova experiência terrena.

O dever e responsabilidade de todos que entendem da missão de paternidade é muito grande. Corpos puros, sensíveis, refinados e saudáveis são necessários para Egos avançados que vão comandar e guiar a humanidade na construção de uma nova civilização. Tais corpos somente podem ser produzidos por pais que reconhecem sua responsabilidade para a formação desse novo tipo de ser humano. Os pais das crianças da Nova Era devem ser inspirados pelos mais velhos e pelos mais elevados ideais espirituais e devem, também, reconhecer que o poder do ser humano para procriar é um atributo divino. Casamento e paternidade são realmente sacramentos, em sua natureza. Maternidade é sagrada e, como tal, deve ser reverenciada. Crianças devem nascer de uniões inspiradas pelo amor mais profundo e altruísta e ideais espirituais os mais elevados possíveis, porque assim, e somente assim pode a promessa de uma mais nobre humanidade ser cumprida e as crianças de um novo tipo de ser humano nascerem.

Nossos sistemas educacionais são deploravelmente deficientes em não prover para a juventude a instrução suficiente que possa ajudá-los a assumir a maior responsabilidade da vida — ser pai ou mãe.

O maior poder conquistado do universo é o Amor e um elemento poderoso pode produzir esse poder e força — a maternidade. O amor de mãe poderá, algum dia, reger o mundo. Então, não mais haverá guerras e brigas.

Quando nós reconhecermos essa gloriosa missão de produzir crianças que criarão um estado de harmonia, paz, boa vontade e amor fraternal, isso nos fará compreender a resposta à prece: “O Reino vem; Ele será feito na Terra tanto como no Céu”. Então entenderemos verdadeiramente: “Paz na terra e a boa vontade entre os homens”.

(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross e publicado na Revista O Encontro Rosacruz – dezembro/1982)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Nossos Pecados: porque os cometemos e o que fazer para nos redimir

Deus é perfeito. Mas nós, individualmente, não somos perfeitos. Devido ao processo de evolução nós estamos a cometer erros. E a maioria desses erros nós os cometemos por causa da nossa ignorância.

Em parte, isso é devido a irmos contra as Leis da Natureza. Na maioria das vezes deixamos nosso “Eu inferior” dominar a situação. Nosso “Eu superior” sabe como não pecar, como obedecer às Leis da Natureza. Isso prova nossa imperfeição. Usamos nosso livre arbítrio de modo contrário às Leis de Deus. Cometemos mais pecados por omissão do que por comissão. São pequenos pecados aos quais, na sua maioria, nem damos importância. Entretanto, ao passar do tempo esses pecados começarão a atrapalhar o nosso progresso espiritual.

O pecado é consequência natural das Religiões de Raça, as Religiões de Jeová. Essas Religiões eram Religiões de Leis, originadoras do pecado, como consequência à desobediência dessas leis. Sob essas leis todos pecavam. E chegou-se a tal ponto que a evolução teria demorado muito, e muitos de nós perderíamos a nossa onda de vida se não fôssemos ajudados.

Isso porque não sabíamos agir com retidão e amor. Nossa natureza passional tornou-se tão forte que não sabíamos mais como controlá-la. Pecávamos continuamente.

Na Época Lemúrica, a propagação da Raça e o nascimento eram executados sob a direção dos Anjos, por sua vez enviados por Jeová, o Regente da Lua.

A função criadora era executada durante determinados períodos do ano, quando as configurações astrais eram favoráveis. Como a força criadora não encontrava obstáculo, o parto realiza-se sem dor.

A consciência do Lemuriano era igual à nossa de hoje, quando estamos dormindo. Assim, ele era inconsciente do Mundo Físico e, portanto, inconsciente do nascimento, e da morte. Ou seja, essas duas coisas não existiam para o Lemuriano.

Quando havia o íntimo contato das relações sexuais entre o homem e a mulher nessa Época, o Espírito sentia a carne e por um momento o ser humano atravessava o véu da carne e observava uma ligeira consciência. A isso se referem várias passagens da Bíblia: “Adão conheceu a sua mulher”, ou seja: sentiu fisicamente. “Adão conheceu Eva e ela concebeu Seth”; “Elkanah conheceu Havah e ela concebeu Samuel”. Mesmo no novo testamento, quando o Anjo anuncia a Maria que será a mãe do Salvador, ela contesta: “Como pode ser isso possível, se eu não conheço a nenhum homem?”. Essas coisas perduraram até aparecer os Espíritos Lucíferos.

Como o ser humano via muito mais facilmente no Mundo de Desejo, os Espíritos Lucíferos manifestaram-se por aí, e chamaram-lhe a atenção para o mundo exterior. Ensinaram-lhe como podia deixar de ser manipulado por forças exteriores, como poderia converter-se em seu próprio Dono e Senhor, parecendo-se aos Deuses, “conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:5). Também lhe mostraram como podia construir outros corpos, sem a necessidade da ajuda dos Anjos.

O objetivo dos Espíritos Lucíferos era dirigir a consciência do ser humano para o exterior. Essas experiências proporcionaram dor e sofrimento, mas deram também a inestimável benção da emancipação das influências e direção alheias e o ser humano iniciou a evolução dos seus poderes espirituais.

A partir daí foram os seres humanos que dirigiram a propagação e não mais os Anjos. A partir daí o ser humano ignorou a operação das forças solares e lunares como melhor Época para a propagação e abusou da força sexual, empregando-a para a gratificação dos sentidos. Então, restou a dor que passou a acompanhar o processo de gestação e nascimento.

Daí o ser humano conheceu a morte, pois via quando passava do Mundo Físico para os Mundos espirituais e vice-versa quando voltava, ao renascer.

A partir daí, como diz a Bíblia: “conceberás teus filhos com dor”. Isso não foi uma maldição de Jeová, como normalmente se acha. Foi uma clara indicação do que iria ocorrer quando se utilizasse a força criadora na geração de um novo ser sem tomar em conta as forças estelares.

Então, é o emprego ignorante da força criadora que origina a dor, a enfermidade e a tristeza.

Esse é o pecado original. “A terra te produzirá espinhos e abrolhos, e tu terás por sustento as ervas da terra. Tu comerás o pão no suor do teu rosto, até que te tornes na terra, de que foste formado.” (Gn 3:18-19).

A partir daí o ser humano teve que trabalhar para obter o conhecimento. Através do cérebro, interioriza parte da força criadora para obter conhecimento do Mundo Físico. Isso é egoísmo. Mas a partir da queda na geração, não há outro modo de se obter conhecimento.

Assim, uma parte da força sexual criadora do ser humano ama egoisticamente o outro ser, porque deseja a cooperação na procriação. A outra parte pensa, também por razões egoístas, porque deseja conhecimento.

Como resultado cristalizou os seus veículos e esqueceu-se de Deus. Os corpos debilitados e as enfermidades que vemos ao nosso redor foram causadas por séculos de abuso, e até que aprendamos a subjugar nossas paixões não poderá existir verdadeira saúde na humanidade.

Em resumo: o pecado original veio porque o ser humano usou o seu livre arbítrio e quis obter a consciência cerebral e a do Mundo Físico, pegando um caminho de atalho. Transformou-se de um autômato, guiado em tudo, num ser criador e pensante.

Aos poucos, através do sábio uso da força criadora sexual e da espiritualização dos seus corpos, o ser humano vai respondendo aos impactos espirituais e escapando do estigma do pecado original.

A partir do momento que o ser humano tomou para si as rédeas de sua evolução, ele começou a experimentar, agindo bem ou mal, fazendo o certo e o errado.

Como quando lhe foi dado a Mente – entre a última parte da Época Lemúrica até a segunda parte da Época Atlante – o Ego era excessivamente débil e a natureza de desejos muito forte, de modo que a Mente se uniu ao Corpo de Desejos, originando a astúcia, a tendência foi fazer mais o mal do que o bem, mais o errado do que o certo, desenvolvendo mais o vício do que a virtude.

Assim, devido à sua ignorância, foi lhe dada uma Religião que tinha como base o látego do medo, impelindo-o a temer a Deus.

Por causa desse medo, tentava-se fazer o bem, o certo. Mas a astúcia e a ignorância eram muito fortes e o ser humano fazia mais o mal.

Após isso, foi lhe dada uma Religião que o levava a certa classe de desinteresse coagindo-o a dar parte dos seus melhores bens como sacrifício: “Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar.” (Gn 8:20).

Noé simboliza os Atlantes remanescentes, núcleo da quinta Raça, a Raça Ária, e, portanto, nossos progenitores. Isso foi conseguido pelo Deus de Raça ou Tribo. Um Deus zeloso que exigia a mais estrita obediência e reverência. Mas, que era um poderoso amigo, ajudava o ser humano em suas batalhas e devolvia lhes multiplicando os carneiros e cereais que lhe eram sacrificados.

O ser humano não sabia que todas as criaturas eram semelhantes, mas o Deus de Raça ensinou-lhe a tratar benevolentemente seus irmãos de Raça e fazer leis justas para os seres da mesma Raça.

Entretanto, houve muitos fracassos e desobediência, pois o egoísmo estava – e ainda está – muito enraizado na natureza inferior.

No Antigo Testamento encontramos inúmeros exemplos de como o ser humano se esqueceu dos seus deveres e de como o Deus de Raça o encaminhou, persistentemente uma e outra vez.

Só com os grandes sofrimentos ditados pelo Espírito de Raça foi que os seres humanos caminharam dentro da lei. Isso porque o propósito da Religião de Raça é dominar o Corpo de Desejos, na maioria das vezes apegado à natureza inferior de modo que o intelecto possa se desenvolver. Portanto, essas Religiões são baseadas na lei, originadoras do pecado, como consequência à desobediência a essas leis.

Exemplos dessas desobediências e de suas consequências vemos no Pentateuco Mosaico, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento.

O ser humano foi pecando – pois não sabia agir por amor – por desobediência a essas Leis, baseadas na lei de consequência, e acumulando uma quantidade tão grande de pecados que se não houvesse uma intervenção externa muitos teriam sucumbido e toda a evolução perdida.

E essa ajuda foi a vinda de Cristo. Por isso ele disse que veio para “buscar e salvar os que estavam perdidos”. Cristo não negou a Lei, nem Moises, nem os profetas.

Disse que essas coisas já tinham servido aos seus propósitos e que para o futuro, o AMOR deveria suceder a Lei.

Ele é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. E o tirou, mas não o pecado do indivíduo.

Purificou e, continua purificando todos os anos, o Mundo do Desejo de modo que tenhamos matéria de desejos mais pura para construir nossos Corpos de Desejos e desejos superiores, mais puros.

Assim, por inanição, vamos eliminando nossas tendências inferiores, nossos vícios, o egoísmo, etc.

Ele nos deu a doutrina do Perdão dos Pecados. Ela não vai contra a Lei de Consequência, como muitos pensam, mas a complementa.

Dá aos que se interessam pela vida espiritual forças para lutar, apesar de repetidos fracassos e para conseguir subjugar a natureza inferior.

Mediante o Perdão dos Pecados, foi nos aberto o caminho do arrependimento e da reforma íntima.

Aplicando uma lei superior à Lei Mosaica, a lei do amor, conseguimos esse perdão. Se não o fazemos, teremos que esperar pela morte que nos obrigará a liquidar nossas contas.

Para conseguir o perdão dos nossos pecados temos que, quando cometermos um erro, ter um sincero arrependimento seguido de uma devida regeneração que pode ser um serviço prestado a quem injuriamos ou uma oração para essa pessoa; se for impossível a prestação do serviço poderá ser um serviço prestado a outrem. Com esse sentimento e essa compreensão tão intensa quanto possível do erro cometido, a imagem desse ato se desvanece do Átomo-semente do Corpo Denso, no qual foi gravado.

Lembremos que são as gravações desse Átomo-semente que formam a base da justa retribuição depois da morte e que é o livro dos Anjos do Destino. Com isso, no Purgatório, esse registro não estará mais lá e não sofreremos por esse ato errado, pois já aprendemos que ele é errado, restituindo-o voluntariamente. Lição aprendida, ensino suspenso.

Nesse ponto, muito nos ajuda o exercício noturno de Retrospecção, é ele que nos faz viver o Purgatório diariamente e nos ajuda na compreensão e no discernimento em fazer o bem e o que é fazer o mal.

Portando, não sigamos tanto a carne, o Mundo Físico, pois já passamos do tempo que precisávamos disso.

Não sejamos preguiçosos, gulosos, impudicos, voluptuosos, soberbos, avarentos. Pois em que nós pecamos, seremos gravemente castigados.

Relembremos, agora, os nossos pecados para podermos aproveitar melhor o tempo após a morte para ajudarmos os nossos irmãos e para construirmos melhores corpos.

Sejamos sábios utilizando toda essa ajuda que os nossos irmãos mais evoluídos nos dão.

Se vivemos para Cristo, veremos que toda tribulação dará prazer, pois a sofreremos com paciência e que: “a iniquidade não abrirá a sua boca” (Sl 106:42).

E pela paciência e persistência estaremos entre os escolhidos no dia do juízo, pois: “erguer-se-ão naqueles dias os justos com grande força contra aqueles que os oprimiram e desprezaram.” (Sab 5:1).

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Como um Estudante Rosacruz estuda a Bíblia?

Como um Estudante Rosacruz estuda a Bíblia

A princípio, sempre nos lembremos que a “Bíblia foi nos dada pelos Anjos do Destino, que estando acima de todos os erros, dão a cada um e a todos o que necessitam para o seu desenvolvimento. Por conseguinte, se procurarmos a Luz, encontrá-la-emos na Bíblia”.

Quando se fala dos Mistérios Cristãos deve-se compreender que os quatro Evangelhos que encontramos na Bíblia não são exclusivamente relatos da vida de um único indivíduo, escritos por quatro pessoas diferentes, mas sim que são símbolos de Iniciações distintas. Cada um de nós atravessará algum dia os quatro períodos descritos nos quatro Evangelhos, porque cada um está desenvolvendo o espírito de Cristo no seu interior, o Cristo Interno. E ao dizer isso dos quatro Evangelhos, podemos aplicá-lo também a uma grande parte do Antigo Testamento que é, também, um maravilhoso livro de ocultismo, pois nos relembra o que fizemos naqueles tempos, bem como quantos irmãos e irmãs anteciparam o conhecimento que iria nos ser fornecido na plenitude via o Novo Testamento.

Quando colhemos batatas não esperamos encontrar somente batatas e nenhuma terra; tampouco, devemos esperar, ao nos aprofundarmos no livro chamado Bíblia, que cada palavra seja uma verdade oculta, porque como deve haver terra entre as batatas, assim também deve haver escória entre as verdades ocultas da Bíblia. Os quatro Evangelhos foram escritos de tal maneira que somente aqueles que têm o direito de saber podem descobrir o verdadeiro significado e compreender os fatos subjacentes. Do mesmo modo, no Antigo Testamento encontramos grandes verdades ocultas que se tornam lúcidas quando podemos olhar por detrás do véu.

Deve-se notar que as pessoas que originalmente escreveram a Bíblia não intentaram dar a verdade de uma maneira que todo aquele que quisesse, pudesse lê-la. Nada estava mais afastado de suas Mentes que escrever “um livro aberto sobre Deus”. Os grandes ocultistas que escreveram o Thorah são muito categóricos a esse respeito. Os segredos do Thorah não podiam ser compreendidos por todos. Cada palavra do Thorah tem um significado elevado e um mistério sublime. Muitas passagens estão veladas; outras devem ser entendidas literalmente; e ninguém que não possua a chave oculta pode decifrar as profundas verdades veladas naquilo que, amiúde, apresenta um feio revestimento.

(Publicado na Revista O Encontro Rosacruz – dezembro/1982)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Conceitos sobre: Espíritos Obsessores, Espíritos Apegados à Terra e Purgatório e seus correlacionamentos

Os Conceitos sobre: Espíritos Obsessores, Espíritos Apegados à Terra e Purgatório e seus correlacionamentos

Hoje trataremos do tema “Obsessão”. Apesar de ser um assunto complexo, é fundamental abordá-lo para que possamos nos proteger contra estes espíritos obsessores.

Entres os espíritos obsessores existem os elementais que são de uma classe de espíritos sub-humanos. Trata-se de uma onda de vida em adição às Hierarquias Divinas e às ondas de vida dos espíritos que se acham agora evoluindo no Mundo Físico por meio dos quatro Reinos: mineral, vegetal, animal e humano.

Inicialmente seria bom esclarecer a relação de inferno e Purgatório. O “inferno” é tido popularmente como o lugar que ficaremos sofrendo depois da morte, se praticarmos o mal nesta vida. Nos Ensinamentos Rosacruzes o chamado inferno, nada mais é do que o Purgatório.

O Purgatório está localizado nas três regiões inferiores do Mundo do Desejo, para onde vamos logo após a morte. Aqui os registros gravados de nossas ações errôneas na vida terrena provocam uma reação da força de repulsão e esses sofrimentos são três vezes mais curtos e de maior intensidade, pois não temos o Corpo Denso para amenizar essa dor.

Nesse processo purgatorial desenvolvemos, por meio da dor, a consciência. Essa é aquela voz interna que nos permite discernir entre o bem e o mal, quando despertos neste Mundo Físico.

No Conceito Rosacruz do Cosmos, Max Heindel nos mostra que trabalhamos nos três Corpos. E que somos um Espírito Tríplice. Porém, somente o Corpo Denso é visível aos nossos olhos físicos.

Na Primeira Epístola aos Coríntios, Capítulo 15, Versículos de 40 e 44, São Paulo diz o seguinte: “Há corpos celestes e corpos terrestres… e há corpo animal e há corpo espiritual”.

O Corpo Denso está interpenetrado por um corpo chamado Corpo Vital, que mantém a saúde do Corpo Denso uma vez que este é destruído pelos desejos inferiores que nós criamos, no nosso dia a dia. Durante a vida no Mundo Físico temos a chance de desenvolver nossos corpos e veículos invisíveis e superiores por meio de bons hábitos (Corpo Vital), pensamentos (Mente), desejos e emoções (Corpo de Desejos).

Mas, quando os nossos desejos deixam de ser direcionados para a construção dos veículos superiores e nos negligenciamos desses bons desejos e boas emoções, acabamos sendo atraídos até a região purgatorial, após a morte, e lá deveremos nos purgar desses maus hábitos.

Se não nos apegamos a esta existência terrestre, seguimos o nosso caminho rumo aos Mundos superiores: Regiões superiores do Mundo do Desejo e Mundo do Pensamento.

Porém, existem alguns irmãos nossos que após a morte se apegam à vida terrena e não deixam seus veículos espirituais aprenderem novas lições. E os chamamos de “espíritos apegados à Terra”, enquanto estiverem nessa situação.

E como não possuem um Corpo Denso para manifestarem-se, ficam perambulando na atmosfera da Terra e tentando e utilizando os Corpos Denso e Vital de outros irmãos que entram em sintonia ou vibração com esses espíritos apegados à Terra. Sabemos que ao nosso redor existem milhões de “espíritos sem luz” (pois “espíritos de luz” não tenta reencarnar em alguém, nem parcial, nem totalmente), pobres irmãos apegados à vida terrestre.

Chamamos de “espíritos sem luz” porque após a morte não seguiram seu caminho de aceitação aos Mundos superiores.

E por não aceitarem a separação do seu Corpo Denso e tudo o que aqui deixaram, ficam presos a atmosfera tentando satisfazer seus prazeres, resolver suas preocupações ou fazer o mal.

Quando esses espíritos desencarnados desejam influenciar seres encarnados, precisarão de um veículo da mesma densidade de vibração da sua para atingir os centros cerebrais. Mas, quem são esses espíritos desencarnados?

Max Heindel, no Conceito Rosacruz do Cosmos, nos diz que a região inferior do Mundo do Desejo está cheia de espíritos apegados à Terra ou espíritos obsessores que estão em contato com o Mundo Físico.

Quando deixam este Mundo Físico cheios de ódios e desejos baixos se encontram despreparados para viver nos planos invisíveis.

Nessa Região inferior do Mundo do Desejo encontramos muitos irmãos e irmãs que foram, na vida recém-finda, drogados, alcoólatras, assassinos, outros que morreram em guerras, pessoas que nutrem ódio, rancor e vingança, pessoas apegadas a bens materiais como casas, terras, joias, etc. Estes últimos espíritos são os que mais têm nos dias de hoje.

Exemplifiquemos o caso do assassino que cumpre sua pena perante a sociedade na prisão.

Poderá ocorrer que o remorso pelo seu ato cometido o leve, mediante a oração e íntimo arrependimento, a apagar o ódio nutrido a sua vítima.

E quando seu Espírito estiver livre no Mundo do Desejo poderá caminhar feliz e quem sabe numa vida futura procurará ajudar aquelas pessoas a quem maltratou na vida anterior.

Mas, se a sociedade quiser se vingar do criminoso e levá-lo à pena de morte pelo crime cometido, ele, achando que foi injustiçado, permanecerá por muito tempo entre os encarnados, incitando outros a cometerem o mesmo crime. E toda vez que isso acontece, e quando a vítima cai nas garras da justiça esses espíritos obsessores conseguem se realizar e deixam a pessoa para ir atrás de outras.

Se isso sempre acontecer, certamente teremos uma epidemia de assassinatos espalhados em comunidades.

Podemos classificar a Clarividência em duas classes:

1) As de caráter positivo, tornando-se assim um clarividente treinado e um Auxiliar Invisível;

2) As de temperamento negativo, submissa à vontade dos outros que se desenvolve com ajuda desses espíritos apegados à Terra.

Esses espíritos apegados à Terra, normalmente, se intitulam como “guias espirituais” e agem como espíritos de controle em busca de sua satisfação. Para manifestarem-se no Mundo Físico podem retirar o Corpo Vital da pessoa por meio do baço e usar temporariamente o Éter, do qual é composto, a fim de se materializar, devolvendo o Éter à pessoa após terminada a sessão.

Transformando suas vítimas em “médiuns de transe” ou em “médiuns de materialização”.

O espírito obsessor tomando posse do corpo de sua vítima utiliza-o à mercê de sua vontade, e mesmo que a pessoa tente deter a influência dele não conseguirá, pois houve a permissão para a posse.

Lembrando que o nosso Corpo Denso é o bem mais precioso que temos nesta vida terrestre. Sabemos que existem famílias inteiras à mercê desses espíritos obsessores. Por isso que Max Heindel nos orienta para não assistir às sessões ou reuniões em que invoquem a presença de espíritos de irmãos ou irmãs desencarnados – seja para reencarnarem parcial ou totalmente, seja para se manifestarem de quaisquer formas -, demonstrações hipnóticas; não frequentar lugares em que são queimados incensos, defumadores, bola de cristal, etc.

Normalmente toda vez que você frequenta tais ambientes, os chamados “guias” o convocam para desenvolver sua mediunidade, só que de forma negativa. Essa é a maneira de estarem formando sua grande falange de controle.

É evidente que a grande maioria das pessoas que evocam a presença de espíritos de irmãos ou irmãs desencarnados ou os médiuns não compreendem o grande perigo que os aguarda após a morte.

E mesmo nesta vida não sabem o perigo que está por vir, pois enquanto fazem tudo que seus obsessores ordenam, estes são dóceis e compassivos. Mas, se algum deles tentar recusar a ceder seu corpo ao desencarnado, logo sentirá a espada do obsessor.

Todos nascemos com a Clarividência. Se quisermos desenvolvê-la, façamos de maneira positiva por meio dos exercícios para um Treinamento Esotérico positivo, dados pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.

Sabemos que existem pessoas que em determinados momentos de sua vida deixam se arrastar por pensamentos e emoções negativas, chegando a ficarem perturbados, irritados e, às vezes, desequilibrados emocionalmente e muitas vezes não encontram o caminho de volta à razão. É bom lembrar que essa crise foi gerada pela própria pessoa, e é neste momento que damos abertura ou permissão para a invasão de espíritos obsessores. Tornamo-nos, assim, joguetes desses espíritos perturbadores e essas entidades jamais se preocuparão com a reputação daqueles cujos corpos violaram.

Isso acontece diariamente sem saber se aquela pessoa está possuída ou não. Mas existe uma forma infalível de descobrirmos se uma pessoa está possuída: através do diagnóstico dos olhos.

Max Heindel fala que “os olhos são as janelas da alma”, pois somente o verdadeiro dono do corpo é capaz de contrair e dilatar a íris.

Naquele que estiver possuído, notaremos que a íris de seus olhos não se dilatará quando penetrar em um quarto escuro ou quando fixar um objeto distante. Isto é, a íris não responde nem à luz nem à distância.

O que podemos fazer para nos proteger contra a obsessão? Simplesmente manter uma atitude positiva da Mente, pois temer alguma coisa é atraí-la.

Devemos construir uma aura protetora e invulnerável contra qualquer classe de ataque ou influências negativas.

Max Heindel expressa que “ao vivermos existências de pureza, quando os nossos dias estão preenchidos com serviços a Deus e a nossos semelhantes, com atos e pensamentos da mais elevada nobreza, então construímos o ‘manto dourado nupcial’ (o Corpo-Alma), que é uma força radiante do bem, nenhum mal é capaz de penetrar por essa armadura e então é refletido em direção àquele que o emitiu”.

É sempre oportuno recordar uma frase de São Paulo que diz: “Orai e vigiai para não cair em tentação” e, assim, orar sempre.

Lembremos o seguinte: “Não temos mestres. Os Irmãos Maiores são nossos amigos e nossos instrutores. Nunca ordenam, nem exigem obediência a qualquer uma de suas sugestões, seja em que condição for. O mais que fazem é aconselhar, deixando-nos livres para seguirmos as suas sugestões ou não”.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Existe alguma citação na Bíblia que sustente a teoria do Renascimento?

Pergunta: Existe alguma citação na Bíblia que sustente a teoria do Renascimento?

Resposta: Sim, há muitas citações a sustentarem-na, embora seja ensinada diretamente em um só lugar. Os sacerdotes judeus acreditavam na teoria do Renascimento, ou não teriam mandado perguntar a João Batista: “Tu és Elias?”, como está relatado no Evangelho segundo São João, Capítulo 1, Versículo 21; no Evangelho Segundo São Mateus temos as palavras de Cristo a respeito de João Batista, que são claras e inequívocas. Ele disse: “Esse é Elias”. E, também, numa ocasião posterior, no momento que estavam no Monte da Transfiguração, Cristo disse: “Digo-vos, porém, que Elias já veio, e fizeram a ele o que quiseram”, e nos é dito que os Discípulos “sabiam que Ele falava de João”, que tinha sido decapitado por Herodes.

No Evangelho Segundo São Mateus, Capítulo 16, Versículo 14, Ele pergunta aos Seus discípulos: “Que dizes o povo que Eu sou?”, e a resposta que eles deram a Ele foi: “Uns dizem que és João Batista, outros que és Elias, e outros que Jeremias ou algum dos profetas”. É digno de nota que Cristo não os contradisse absolutamente, pois Ele era o Mestre, e se eles tivessem concebido uma ideia errada a respeito da doutrina do Renascimento, teria sido, sem dúvida, Seu dever corrigi-los. Mas Ele não o fez. Além do mais, Ele a ensinou diretamente, conforme constatamos na passagem acima.

Há também casos mencionados na Bíblia, em que uma pessoa foi escolhida para um certo trabalho antes do seu nascimento. Um Anjo prenunciou a chegada de Sansão e a sua missão — exterminar os Filisteus. O Senhor disse ao profeta Jeremias: “Antes que tu saísses da clausura do ventre materno, santifiquei-te e ordenei-te profeta entre as nações”. João e Jesus receberam sua missão antes de nascer. Uma pessoa é escolhida para uma missão devido à uma aptidão especial. A competência pressupõe a prática antes do nascimento que deve ter sido adquirida numa vida anterior. Nesse caso, a doutrina do Renascimento também é ensinada, por analogia, nos casos citados.

(Pergunta nº 81 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Você teria permissão para informar ao meu irmão que faleceu novembro passado que, com um simples esforço de vontade, ele pode evitar que a matéria do Corpo de Desejos tome a forma de camadas concêntricas; ou seja, a matéria mais grosseira na camada externa e a mais pura na interna?

Pergunta: Meu único irmão faleceu em novembro passado e deve se encontrar em uma das Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Você teria permissão para informá-lo que, com um simples esforço de vontade, ele pode evitar que a matéria do Corpo de Desejos tome a forma de camadas concêntricas; ou seja, a matéria mais grosseira na camada externa e a mais pura na interna? Gostaria de lhe dizer que, com um esforço de vontade, ele poderia fazer a matéria das sete regiões do Mundo do Desejo, que forma o seu Corpo de Desejos, vir para a superfície desse corpo. Por esse meio ele seria capaz de entrar imediatamente em contato com as sete Regiões do Mundo do Desejo, em vez de se limitar às regiões inferiores. Acredito que não haja sérias objeções a esse uso da força de vontade.

Resposta: Essa pergunta se refere ao fato de que, quando a morte ocorre e o ser humano se encontra no Mundo do Desejo, as forças magnéticas do Átomo-semente estão esgotadas, o arquétipo está se dissolvendo e, consequentemente, a força centrífuga de Repulsão força a matéria de desejo do Corpo de Desejos para fora, em direção à periferia. A matéria pertencente às regiões inferiores é lançada para fora, primeiro pelo processo de purgação, que limpa profundamente o ser humano, livrando-o de todas as más ações da vida que acabou. Esse é o resultado da mesma lei natural que, no Mundo Físico, faz com que um Sol lance para fora de si a matéria que forma, em seguida, os Planetas. Interferir nessa lei seria calamitoso para qualquer ser humano, mesmo supondo que isso fosse possível, o que não é. Portanto, é inútil tentar ajudar o seu irmão dessa maneira.

É diferente com o Iniciado que vai ao Mundo do Desejo no decorrer de sua vida. O Átomo-semente do Corpo de Desejos forma, então, um centro natural de atração ou gravitação que mantém a substância de desejo desse veículo nas linhas habituais. Também é diferente para quem pratica os exercícios científicos dados pelas Escolas de Mistério. Tal pessoa está purificando constantemente o seu Corpo de Desejos da matéria mais grosseira, de forma que, na hora da morte, ela não é tão afetada pela força centrífuga de Repulsão quanto aqueles que não tiveram esse treinamento.

No entanto, há outro modo de ajudar alguém próximo de nós e que nos é querido, contanto que tenhamos a sua cooperação. Para tornar claro esse ponto, é necessário mencionar primeiro que, quanto mais grosseira for a matéria de desejo no Corpo de Desejos, mais firmemente ela aderirá a um ser humano; portanto, a expurgação pela força de Repulsão causa muito sofrimento e é isso que sentimos durante a experiência no Purgatório. Se nós estivéssemos totalmente dispostos a admitir e reconhecer os nossos erros, então, à medida que as imagens se apresentam durante o desenrolar do panorama da vida, ao invés de tentar justificativas ou nos deixar levar pela raiva e pelo ódio do passado, haveria muito menos dor envolvida na erradicação das más ações do nosso Corpo de Desejos. Se esse fato pudesse ser incutido em alguém que desejássemos ajudar, se pudéssemos levá-lo a um estado de espírito em que ele se mostrasse disposto, do fundo do seu coração, a reconhecer os seus erros e falhas, o processo da purgação seria mais curto e menos doloroso, e ele ascenderia às Regiões mais elevadas, onde a força de Atração predominaria em um tempo bem mais curto do que no caso contrário.

O mesmo resultado pode ser alcançado pela oração e, também, por bons pensamentos, os de elevada espiritualidade e auxílio, pois eles têm o mesmo efeito para aqueles que já estão fora do corpo, como as palavras, os atos bondosos e as ações fraternas têm sobre as pessoas que vivem neste mundo aqui.

(Pergunta nº 9 do Livro: “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Fogo com Ar-Condicionado

Fogo com Ar-Condicionado

Chiado e Faísca, que faziam tudo juntos, tinham vivido a maior parte de suas vidas em fogueiras que as pessoas acendiam na praia. Eram Salamandras muito jovens e conheciam muito pouco do resto do mundo, mas, Chiado pelo menos, achava que sabia muito sobre todas as coisas.

Durante todo o verão, Chiado e Faísca tinham pulado de uma fogueira para outra. Competiram para ver quem conseguia provocar a chama mais alta ou a maior faísca. Eram muito bons para aparecer no ar no momento em que um fósforo era riscado, mas nem sempre eram cuidadosos sobre como os fósforos queimavam. Às vezes, o Mestre Salamandra tinha que lhes dar uma boa reprimenda por quase terem queimado os dedos das pessoas e, muitas vezes, tinha que pô-los em terra. Então, eles só podiam arder no carvão, enquanto seus companheiros se divertiam muito nas chamas altas e crepitantes.

Uma noite, Chiado e Faísca estavam no meio de uma fogueira muito grande e muito especial.

— Puxa! exclamou Faísca, diminuindo a língua de uma chama. Que belo fogo. Tomara que eles continuem pondo lenha nele a noite toda.

— Está muito quente, queixou-se Chiado, dando desconsolado um pontapé em uma brasa.

— Muito quente? Faísca olhou para ele espantada.

O que você quer dizer, muito quente? Você sabe que fogo é quente.

— Eu sei, eu sei, disse Chiado, mas gostaria que tivéssemos fogo como esse negócio que as pessoas chamam de ar-condicionado. Ele deve refrescar as coisas.

— Ar cond… Você ficou biruta. Você deve ter andado ultimamente rondando muitas chamas azuis.

— Não, não, não, resmungou Chiado. Eu só gostaria que houvesse fogo com ar-condicionado, só isso.

É tão fora de propósito?

— Bem, disse Faísca, eu acho que é fora de propósito. Mais ainda, acho que é loucura. Ora, vamos. Esqueça esse estúpido ar-condicionado e vamos nos divertir.

— Não, disse Chiado, endireitando os ombros. Eu vou dizer para o Mestre Salamandra que eu quero morar num fogo com ar-condicionado. Eles inventaram o raio e inventaram o granizo, com certeza podem inventar fogo com ar-condicionado.

— Chiado, disse Faísca. Você está doido! E é melhor não falar com Mestre Salamandra desse jeito. Ele vai pôr você numa chama de vela onde não terá condições de pular para cima e para baixo, de jeito nenhum.

— Não, ele não vai fazer isso, disse Chiado com firmeza. O Mestre Salamandra é esperto. Ele deve saber como fazer um fogo com ar-condicionado. Você vai comigo ou está com medo? Faísca suspirou.

— Não, eu não sou covarde, disse, sim, eu vou com você. Nós sempre fazemos tudo juntos e eu não vou recuar agora. Mas, continuo pensando que você está louco.

Então, Chiado e Faísca foram procurar Mestre Salamandra, que estava descansando depois de um dia duro, pois esteve reavivando raios de quinze tempestades diferentes. Ele não parecia muito satisfeito em vê-los.

— O que é que vocês, meninos, estão fazendo aqui? perguntou impaciente. Quem está cuidando das fogueiras?

— Oh, os outros estão fazendo tudo direito. Eles não precisam de nós, senhor, respondeu Chiado, o mais respeitosamente que pôde, a fogueira é muito quente. Nós queremos morar num fogo com ar-condicionado.

Mestre Salamandra arregalou os olhos para Chiado.

— Misericordiosos Fósforos! exclamou. O que é que esta nova geração vai inventar mais? Em nome de tudo quanto é explosivo, para que você quer um fogo com ar-condicionado?

— Senhor, disse Chiado de novo, é que aquela fogueira está muito quente. Um fogo com ar-condicionado vai fazê-la ficar mais fresca. O senhor deve saber como fazer isso. Por favor, senhor.

Mestre Salamandra olhou para Faísca.

— Você também está nesta loucura? Perguntou.

— Não senhor, respondeu Faísca. Eu também acho que é loucura. Não existe fogo com ar-condicionado. Mas como Chiado e eu sempre fazemos tudo juntos, achei que era melhor ficar de olho nele, porque eu acho que ele está ruim da cabeça.

Um som estranho, zangado veio da garganta de Chiado, mas ele engoliu-o.

— Hummmm, hummmm, murmurou Mestre Salamandra pensativamente. Sua preocupação com seu amigo certamente é digna de elogios. Mas, na realidade, existe mesmo fogo com ar-condicionado.

— Ah! gritou Chiado, virando-se triunfante para Faísca. Eu não disse? E você disse que eu era louco.

— Contudo, continuou Mestre Salamandra. Não creio que você possa gostar de morar nele. Não é muito confortável.

— Oh, sim, senhor, eu gostaria de morar lá. Por favor, mande-nos para lá, pediu Chiado.

— Você não sabe nada sobre ele, Chiado, avisou Mestre Salamandra.

— Oh, eu sei, senhor, eu sei. Por favor, mande-nos para lá.

Mestre Salamandra ficou pensativo por um longo momento e por fim disse:

— Muito bem, se você insiste. Acho que só vai aprender por experiência própria. Agora, você, Faísca, não precisa ir se não quiser. Você é muito boazinha em querer vigiar Chiado, mas estou avisando, lá para onde vocês vão, não é agradável.

— Eu — eu suponho que não é, senhor. Mas, de qualquer modo, eu vou com Chiado, disse Faísca lentamente. Eu ainda acho que devo ficar de olho nele.

— Talvez sim, disse Mestre Salamandra, talvez sim. Muito bem, dirijam-se para Longitude 158.2 Oeste, Latitude 73.4 Norte, amanhã de manhã. Lá vocês vão encontrar seu fogo com ar-condicionado.

Duas horas depois, Chiado e Faísca deslizavam rapidamente pelo ar, bem acima da Terra. Eles vinham de muito longe e ainda tinham um longo caminho pela frente. Tinham visto estrelas que nunca viram antes, e tinham corrido sobre correntes de vento nas quais nunca tinham corrido antes.

Uma vez, o caminho deles tinha sido bloqueado pela maior e mais feroz Salamandra que já tinham visto, que reclamou, querendo saber o que eles estavam fazendo no seu território.

Chiado estava tão assustado que nem podia falar, mas Faísca arquejou e conseguiu dizer:

— Nós vamos para a Longitude 158.2 Oeste, Latitude 73.4 Norte. O Mestre Salamandra nos enviou. Meu amigo quer morar num fogo com ar-condicionado e eu vou ficar de olho nele.

Mesmo estando muito assustado, Chiado produziu um som estranho e zangado, mas Faísca e a Salamandra o ignoraram.

— Ele vai precisar mesmo de ter cuidado. Esse garoto biruta – fogo com ar-condicionado, bolas! Imagino quem é que vai tomar conta de vocês. Bem, podem atravessar meu território. Eu não invejo vocês.

Finalmente, chegaram à Longitude 158.2 Oeste, Latitude 73.4 Norte e mergulharam para pousar na Terra. O solo estava coberto por uma coisa branca, e as únicas cores que podiam ver por quilômetros ao redor, eram o branco do solo e o cinza de um céu pouco amistoso.

— Como é que isto tudo é tão branco? Perguntou Chiado. Que negócio é este?

— Isto deve ser neve, disse Faísca. Eu ouvi falar nisto. É qualquer coisa como água, só que mais fria. Se você puser muito disto em um fogo, o fogo apaga.

— Ah! estremeceu Chiado. Faz frio também. Brrrr. Eu não gosto daqui. Este não deve ser o lugar certo. Eu não vejo fogo algum.

— É aqui mesmo, sim, disse Faísca, que também não estava contente. Olhe ali.

No chão, havia uma coisa branca com o formato de metade de uma bola de baseball, como as que as crianças humanas jogam nas praias. Um fio de fumaça estava saindo de uma abertura.

— Venha, disse Faísca. É melhor resolver isto.

— Lá? disse Chiado recuando.

— Onde então? Mestre Salamandra disse que a gente não ia gostar disto aqui. Talvez agora você acredite nele. Venha.

Faísca deslizou através daquela construção branca. Chiado não teve outro remédio senão segui-la. O lugar onde eles entraram era úmido e frio, frio de amargar. Fez as duas Salamandras sentirem-se tão fracas, que nem tiveram energia suficiente para acender um vagalume.

Dentro, muitas pessoas estavam amontoadas em redor de um fogo, que as salamandras acharam sem personalidade alguma. Não troava, não estalava, não subia alegremente pelo ar. Mas, também não era quente, pelo menos comparado com uma fogueira.

— Aí está o seu fogo com ar-condicionado, disse Faísca. É justamente o que você queria. Você deve estar contente agora. Não posso entender por que você não parece ser feliz.

— Oh, não amole! resmungou Chiado. Eu não sabia que ia ser assim. Por que este lugar é tão frio?

— Eu pensei que você queria que fosse frio, retorquiu Faísca. Faz frio porque aqui é o Círculo Ártico e nós estamos em um iglu, que é o mais próximo do ar-condicionado que se pode ter.

— Como é que você sabe? perguntou Chiado.

— Porque eu presto mais atenção na aula de geografia do que você, disse Faísca indiferentemente. Bem, vamos entrar no fogo. Foi para isso que viemos.

Então, Faísca e Chiado entraram no fogo, mas perceberam que não tinha graça nenhuma. O fogo era tão fraco que Chiado, pulando nele para cima e para baixo, quase o apagou.

— Devagar, avisou Faísca. Você agora não está numa fogueira. Você não pode pular para cima e para baixo como lá.

— Eu sei que não estou numa fogueira, rosnou Chiado, e eu preciso pular para cima e para baixo porque eu estou com frio.

— Você queria ficar com frio, lembrou-lhe Faísca, pouco simpaticamente. E se você apagar esse fogo, não haverá mais fogo algum, aí sim, é que você vai sentir frio.

E, com essa feliz observação, Chiado e Faísca acomodaram-se para morar no seu fogo com ar-condicionado. Dia após dia, eles se movimentaram com cuidado dentro dele, sem nunca subir ou pular, nunca escorregando pelas línguas de fogo, nunca espalhando faíscas chiando para todos os lados. Algumas vezes, ficavam com frio e outras ficavam gelados mesmo — mas, certamente, não podiam se queixar de estar com calor!

Até que uma manhã, Chiado não pôde nem se mexer. Ficou encolhido numa brasa e nem prestava atenção à Faísca, que estava fazendo alguns exercícios de aquecimento.

— Vamos, Chiado, levante-se, insistia Faísca. Você vai ficar mais quente se você se mexer um pouco.

— Está frio demais para eu me mexer, murmurou Chiado, com voz tão fraca que Faísca quase não podia entendê-lo. Eu vou ficar sentado aqui.

Faísca olhou para ele, preocupada.

— Você não pode ficar sentado, disse, você vai morrer de frio.

— Eu sei, murmurou. Eu não me importo.

— Chiado! exclamou Faísca, realmente alarmada. Você tem que se importar. Você não pode simplesmente morrer de frio! Vamos — Levante-se!

— Deixe-me em paz! murmurou Chiado, mal abrindo a boca.

Levante-se, ordenou Faísca, agarrando Chiado e levantando-o.

Mas, quando ele o largou, Chiado despencou outra vez.

— Deixe-me em paz! murmurou outra vez.

— Não, eu não vou deixá-lo em paz! Gritou Faísca quase chorando. Levante-se e fique em pé!

Mais uma vez Faísca pôs Chiado de pé. Ela o arrastou para lá e para cá no fogo.

— Vamos, Chiado, mexa-se, ordenou. Mexa-se! Mexa-se!

— Não, murmurou Chiado. Deixe-me em paz!

— Pare de dizer isso!, gritou Faísca. Eu não vou deixar você em paz. Eu não vou deixar você morrer de frio. Agora, ande, continue andando. Um — dois — três — quatro, um — dois — três — quatro!

Durante todo o dia, Faísca arrastou um Chiado relutante para lá e para cá em um fogo fraquinho. Chiado não cooperava nada, ele só queria se esparramar no chão e morrer de frio.

Até tarde da noite, Faísca ficou arrastando Chiado para lá e para cá. Tentou tudo o que podia para aquecer Chiado. Insultou-o, fez piada sobre o fogo com ar-condicionado, xingou-o. Mas, Chiado não ficava em pé sem que Faísca o segurasse, e tudo o que dizia era: Deixe-me em paz! Deixe-me em paz!

Então, quando Faísca completamente exausta, estava quase desistindo, um brilho quente encheu o iglu.

— Bom trabalho, Faísca, estou orgulhoso de você, disse Mestre Salamandra. Eu vim assim que recebi sua mensagem por pensamento, e acho que cheguei na hora certa. Chiado certamente estaria perdido sem você para cuidar dele.

Dizendo isso, Mestre Salamandra fez duas chamas e numa embrulhou Faísca e na outra Chiado. As chamas eram quentes — ardentemente quentes como a maior fogueira. Num instante as duas salamandras estavam quentinhas e fortes de novo, como se nunca tivessem estado num fogo com ar-condicionado.

Chiado quase se esqueceu que há um minuto a única coisa que queria era morrer de frio. Mas, lembrou-se o suficiente para dizer:

— Obrigado, Mestre Salamandra. E obrigado, Faísca. Vocês dois salvaram a minha vida.

— Oh isso não foi nada, disse Faísca embaraçada.

— Não, Faísca, isso foi muito, disse Mestre Salamandra com voz severa. Chiado fez um jogo muito perigoso quando pensou que sabia melhor do que eu, o que era melhor para ele. Se você não tivesse sido tão leal com ele, Faísca, na certa ele teria morrido de frio. Você quase perdeu a sua vida por causa da tolice de Chiado. Espero que ele tenha aproveitado a lição.

— Aprendi a lição, sim, senhor, disse Chiado com voz tão humilde como ninguém ainda o tinha ouvido usar. De agora em diante, prometo ouvir o que as pessoas mais sensatas e com muita experiência disserem, e pensar com muito cuidado sobre as coisas que eu quero fazer.

— Ótimo, Chiado. Espero que seja verdade. E agora, disse Mestre Salamandra, acho que é hora de voltarmos para a nossa praia. Amanhã é sábado e haverá muitas fogueiras. Vamos embora.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. VII – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa – como oficiar e como participar

O Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa é oficiado na véspera do Natal, dia 24 de Dezembro nos Centros da Fraternidade Rosacruz espalhados pelo mundo.

O irmão ou a irmã que não possa ir a um Centro Rosacruz poderá oficiá-lo em seu lar com familiares e amigos, preferencialmente, no horário indicado e sempre no mesmo local.

Perceba que o Ritual é dividido em três partes bem distintas:

1ª – Preparação – composto por músicas e textos que visam preparar o ambiente, separando o ambiente externo (de onde vem o Estudante) do interno (para o interior do Estudante).

2ª – Concentração – é o clímax do Ritual, onde o Estudante se dedica a se concentrar com toda a sua dedicação, foco, disposição e vontade no Serviço amoroso e desinteressado voltado exclusivamente para a divina essência do irmão e da irmã “que sofre, que chora, que ri” utilizando todos os meios disponíveis: pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras, atos, obras e ações.

3ª – Saída – composto por uma admoestação de saída e música que visam preparar o Estudante para internalizar tudo o que aqui falou, ouviu, participou e se concentrou, recebendo toda a força espiritual gerada durante a oficiação do Ritual, a fim de aplicá-la no seu dia a dia, se esforçando para o cumprir no tema concentrado: servir amorosa e desinteressadamente exclusivamente a divina essência do irmão e da irmã “que sofre, que chora, que ri” utilizando todos os meios disponíveis: pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras, atos, obras e ações.

a) Se você quiser saber exatamente como oficiar, assista o vídeo do nosso canal no Youtube: Tutorias, Dicas e Detalhes dos Ensinamentos Rosacruzes clicando aqui: Como Oficiar o Exercício Esotérico Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa

b) Se você quiser oficiar o Ritual, então acesse o texto aqui: Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa

c) Se você quiser “participar” da oficiação como um ouvinte, então é só clicar no áudio abaixo, seguindo as seguintes observações:

  1. se puder prepare o ambiente ouvindo o Adágio da 9ª Sinfonia de Beethoven. Se não a tiver, clique aqui para acessá-la: Adágio Molto e Cantabile – da Sinfonia nº 9 em Ré Menor de L. V. Beethoven
  2. atente para os momentos:
  • de ficar em pé – do início até o oficiante dizer a saudação Rosacruz (“que as rosas floresçam em vossa cruz”) e você responder: “e na vossa também”, quando então você se senta e se concentra na audição do texto do Ritual
  • você se levanta quando terminada a Concentração e o oficiante vai começar a cantar/falar o Hino Rosacruz de Encerramento
  • no final quando o oficiante dizer a saudação Rosacruz (“que as rosas floresçam em vossa cruz”) e você responde: “e na vossa também”.
  1. Agora, é só clicar em um dos dois áudios abaixo:
Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa –
Hinos de Abertura e Fechamento Rosacruz Falados
Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa –
Hinos de Abertura e Fechamento Rosacruz Cantados

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