Somos apologistas do trabalho em equipe. Observamo-lo portador de inúmeras vantagens, como, por exemplo, o alcance de um rendimento máximo em tempo mínimo, mediante o aproveitamento racional das qualidades e aptidões de cada um em função do todo. Além disso, sua ação faz-se sentir individualmente, revertendo em benefício de cada um, em forma de disciplina, solidariedade, harmonia, companheirismo e expansão natural das próprias qualidades.
Mas, não se pense que o desenvolvimento do trabalho em grupo ou em equipe depende, única e exclusivamente, da aglutinação de pessoas dotadas de capacidade para realizar a obra proposta. Não. Não é tão simples assim. Certas aptidões, conhecimentos e habilidades são importantes e desejáveis. Mas, por si só não asseguram o êxito final de um trabalho coletivo. Há certos requisitos prioritários, tais como: boa vontade, sinceridade, desprendimento, altruísmo, harmonia, ausência de personalismo e outros. São essas qualidades, de natureza moral, que possibilitam a um grupo relativamente heterogêneo empreender e concretizar obras de vulto, num sentido comum.
É importante, na quadra atual, cada um meditar sobre isso, e perguntar-se: “Estou preparado para trabalhar em equipe?” Sempre estão se formando novos Grupos de Estudos Rosacruzes Informais e Formais e muitos estão se tornando Centro Rosacruz. E por meio deles os Estudantes Rosacruzes têm oportunidade de contribuir com sua parcela de esforço para a disseminação do Ideal Rosacruz.
O Método Rosacruz de Desenvolvimento oferece meios de realização estritamente individuais, objetivando o aprimoramento espiritual do Aspirante à vida superior, de modo a permitir-lhe transcender os entraves internos separatistas, integrando-o cada vez mais no puro sentido de equipe.
Todos temos alguma coisa a realizar, pois o mundo necessita de pessoas responsáveis, decididas a arregaçar as mangas e trabalhar. Não fiquemos aguardando o surgimento de condições favoráveis. Não esperemos o emergir do amanhã acenando-nos com as oportunidades. Essas já estão por aí à espera da nossa decisão. Nos dias que correm o “futuro é hoje”. E o trabalho deve ser realizado “aqui e agora”!
Se você quiser saber como deve funcionar um trabalho em grupo ou em equipe típico Rosacruz (pautado, logicamente, nos preceitos aquarianos) leia e estude esse material elaborado por um antigo Probacionista:
A Libertação Através Do Trabalho Em Grupo
“Devemos aprender a lição do trabalho para um propósito comum, sem lideranças. Cada qual, igualmente induzido pelo espírito de amor que lhe vem do íntimo, deve empenhar-se pela elevação física, moral e espiritual da humanidade à altura de Cristo – o Senhor e a Luz do mundo”.
Max Heindel
O conhecimento, em todos os seus aspectos, é a base reconhecida do progresso. À medida que novos fatos são descobertos, novas leis são formuladas, a tecnologia vai se aperfeiçoando e as evidências do progresso se manifestam. Desse modo o ser humano vai obtendo tudo o que previamente lhe parecia impossível. Tal acontece porque novos fragmentos de conhecimento em um campo provê a chave do mistério existente em outro campo. Consequentemente, em virtude do interrelacionamento comum entre todas as fases da vida e do conhecimento, quanto mais o ser humano sabe a respeito de determinado assunto, mais poderá saber a respeito dos outros. Assim, a luz do conhecimento cresce e se torna mais brilhante.
Muitos problemas da vida, mercê dessa transferência de capacidade e interrrelacionamento de conhecimento, são resolvidos satisfatoriamente. Mas, o progresso aí está, constantemente desafiando o ser humano com novas e diferentes situações que inevitavelmente suscita. Os novos problemas vão tornando mais amplos, envolvendo mais pessoas, abrangendo maiores horizontes e exigindo soluções mais rápidas. As conquistas da técnica e da ciência, aproximando cada vez mais e identificando os diferentes grupos humanos, fazem com que cada acontecimento afete a todos. É evidente que a humanidade está sendo submetida a um processo evolutivo acelerante. Os sinais apontados são o início desse processo.
Ninguém sabe tudo – nenhum ser humano, por mais disciplinado, inteligente e dono de seu tempo que seja, pode hoje aprender tudo o que está à disposição do conhecimento humano. Ninguém, por mais poderoso e influente, não poderá pensar, planejar e atuar, com o acerto e rapidez necessários, em todos os problemas sociais. Ora, não é do intento divino que seja a humanidade subjugada e vencida pelo desespero, ante os penosos e confusos tempos que vamos adentrando. Graças a alguns afortunados cérebros que não se deixam limitar pelo medo, que sobrepassaram o egoísmo e, pelo amor ao próximo, sincero e desinteressado, lograram alcançar as mais profundas verdades do Cristo, está sendo divulgado por todas as partes a necessidade imperiosa de congregar as pessoas em grupos. Pela conjugação dos recursos individuais, na busca da solução dos mais altos e legítimos problemas coletivos, vêm-se obtendo meios para enfrentar a evolução da técnica, a fim de utilizá-la convenientemente, sem violência aos sagrados direitos do ser humano. Ainda há muito erro, decorrente, as mais das vezes, da falta do espírito de equipe. Ademais, há pouco é que, praticamente, se evidenciam as vantagens desta técnica há tanto tempo pregada por Cristo. Mas, ninguém pode deter o fluxo do propósito evolucionário; verifica-se um rápido aumento do trabalho em grupo, em todo o mundo.
Necessidades para se trabalhar em grupo – o primeiro passo para o trabalho em grupo é o reconhecimento de nossas limitações pessoais. Isso nos leva a participar de esforços cooperativos, cujo brilhante futuro mal podemos prever. À medida que nossos egoísmos e interesses imediatistas forem dando lugar ao altruísmo e bem-comum, novas fases irão sendo exploradas no trabalho em grupo. De fato, a formação de grupos de trabalho ainda está na infância. As técnicas são relativamente desconhecidas de uma grande maioria de indivíduos e as forças cósmicas, que unem os indivíduos esparsos em grupos, estão apenas começando a produzir seus impactos sobre a consciência humana. Tais forças fluem primeiramente do Espírito do Cristo Interno e secundariamente da influência de Aquário. Ao se tornarem mais fortes, os grupos de pessoas, de uma natureza mais original e espiritual, se tornarão mais comuns. Eles serão os vanguardeiros e a glória da Era de Aquário. Pelo discernimento de assuntos públicos, Júpiter – o princípio da expansão e da boa vontade, da filantropia e da sociabilidade – revela o que é desejável em matéria de negócios, de religião, de ciência e outros assuntos, suscitando a revisão de atividades para novas e construtivas fases em grupos. Desse modo, utilizando os valores relativos pessoais, sob o impulso do altruísmo e sem ofender a liberdade individual, Júpiter vai tornando possível grandes melhoramentos. Para as pessoas integradas em movimentos humanísticos e espirituais, o trânsito desse Planeta enseja grandes oportunidades de progresso.
No passado, as transições de progresso que se operavam no mundo eram consequências do trabalho de indivíduos mais ou menos iluminados, cujas Personalidades exerciam poderosa ação, atraindo e dominando aqueles que se tornariam seus discípulos. Por intermédio de tais singulares indivíduos o trabalho era feito. Foram grandes homens e mulheres a quem devemos não somente as revelações religiosas, como o progresso nos vários ramos da arte, da ciência, das leis, da política, da filosofia, etc. Eles, em grande parte, fizeram a história, história de umas poucas pessoas, de cujo esforço e gênio dependeram as grandes realizações, em todos os campos de trabalho.
Atualmente essa condição está mudando. Novos métodos e novos homens e mulheres estão rapidamente emergindo. Muitos poucos indivíduos excepcionais surgem, mas, em compensação, levanta-se muitos homens e mulheres aptos para qualquer atividade. Em vez do antigo “mestre” que determinava tudo, observamos hoje muita gente com idêntica habilidade, trabalhando em conjunto. Ampliam-se enormemente as atribulações de responsabilidade e expansão da atividade humana. Devemos, hoje, aprender a trabalhar em conjunto ou nos desatualizaremos. Como predisse Max Heindel, devemos ser iguais, amigos, compartilhando experiências e ações, acima da preocupação de liderança. A Fraternidade é a nova ordem da Era que se aproxima. Ou nos entendemos ou nos limitaremos cada vez mais.
O desejo de se destacar – A ambição para se tornar líder leva a mesma razão que torna o indivíduo inadaptado para a mais elevada forma de trabalho em grupo, não importando quão altruístas e benevolentes possam ser as motivações. O desejo de se destacar, de exercer autoridade, encerra um erro de aproximação à moderna atividade em grupo, pois ressalta a Personalidade, em prejuízo de fatores anímicos de confraternização, de identidade incondicional. Em seus trabalhos com os Irmãos Leigos e Discípulos, os Irmãos Maiores nunca dão ordens, nunca censuram e nunca louvam. O anelo de servir, de viver retamente, deve brotar espontaneamente do interior do indivíduo. Isso o capacitará para a integração da equipe. Esse deve ser o espírito de todo trabalho em grupo.
Tempo está chegando em que, na vida de todo e qualquer indivíduo, a única autoridade a ser levada em conta será o “Eu Superior”, o foro íntimo. Na medida em que cada um aprenda a amar, a honrar e a obedecer a seu “Eu Superior” expressará o que é bom, o belo e o verdadeiro (o que é indispensável na evolução prática dos ideais Cristãos). E para isso é imprescindível se torna compreensivo e harmonioso com todos seus companheiros de atividade, entendendo e seguindo espontaneamente os objetivos do grupo. A intuição, em vez do intelecto, será o fator reinante. Desaparecerão as regras e os regulamentos impostos pelos líderes. Nos novos grupos, em vez de um líder, surge um representante, um porta-voz, o qual, pelo menos em teoria, preside aos trabalhos, por escolha de todos. Em virtude de seus méritos pessoais ele se tornou o SERVO DE TODOS, cujo conceito está muito distante do de um líder que, seguindo suas próprias ideias e determinações, modela e executa o sistema de um grupo.
A especialização em um determinado ramo de atividade – No sentido de ampliar mais as possibilidades do conhecimento, atualmente há uma tendência bastante generalizada: se especializar um determinado ramo de atividade, depois de ter sido adquirido o conhecimento geral da profissão escolhida. Reúnem-se, então, os especialistas de diversos ramos para que todos e cada um contribuam com seus talentos num objetivo e benefício comum. Essa conjugação de técnicos desempenhou importante papel no esforço da última guerra mundial. Igualmente, a interdependência de técnicos foi que produziu o tremendo avanço da medicina, da ciência em geral, da técnica dos negócios. É a prova de que, fundindo e focalizando o conhecimento e poder cerebral de muitos, resolvem-se os mais complexos problemas do mundo. De igual modo, se fundirmos e focalizarmos os atributos do coração, o conhecimento e as energias espirituais de muitos indivíduos devidamente preparados, então pode-se, com toda a certeza, exercer um poder espiritual quase ilimitado na tarefa de libertação do mundo. Esse é um palpitante, profundo e maravilhoso tema para o qual chamamos a atenção especial de todo Aspirante à vida superior sincero.
O trabalho em grupo – Existem utilíssimos conhecimentos em relação ao trabalho de grupo. Contudo, permitimo-nos tecer considerações acerca de fatores diretamente relacionados com atividades espirituais, que é o nosso caso. Temos amplas razões para admitir que, por meio da Fraternidade Rosacruz, conseguiremos promover uma expressiva fase de libertação da humanidade. E para compreendermos como atingir essa realização de efetiva ajuda ao Cristo, estudemos os cinco princípios básicos do nosso esforço em grupo:
1) O primeiro princípio é o SACRIFÍCIO, pois, sugere o impulso amoroso de dar, com renúncia de si mesmo, sem egoísmo. Sem o sacrifício o trabalho de grupo é praticamente impossível. Tudo o que não beneficie o conjunto e suas finalidades e que possa constituir obstáculo para Deus e para o ser humano, deve ser posto de lado. Sacrifício é fazer apenas o que é bom e implica renúncia aos reclamos da Personalidade. É interessante observar, de passagem, que embora exista muitas pessoas altruístas, em todos os lugares, atualmente, poucas são as que agem acima de sua Personalidade com o único propósito de servir e elevar os semelhantes. Aqueles que se reúnem para congregar forças a fim de obter mudanças políticas, para fundar uma instituição filantrópica, quase sempre cobram o preço do prestígio e do proveito pessoal. Raro é o que nada reclama para si, cuja presença e ação, eficientes e silenciosas, constituem o alicerce espiritual do movimento.
O fundamento e a causa de todo poder espiritual residem, em parte, no sacrifício. O egoísta transfere para um plano secundário o interesse impessoal da humanidade, sobrepondo-lhe a glória, a fama e poder material dos membros do grupo. Sacrifício é o “abc” do viver espiritual, é esquecimento próprio, é afastar tudo o que, de alguma forma, possa enfraquecer ou dividir os membros do grupo ou interferir no desenvolvimento de seus propósitos comuns. Não nos referimos somente ao que é errado, mas também ao não essencial, ao que não seja diretamente objetivado pelo movimento pelo qual o grupo está reunido – como, por exemplo, é o caso da Fraternidade Rosacruz –, embora interesse, de modo especial, a um ou a vários membros do grupo.
Cada membro deve ter boa vontade em relação ao grupo, deixando de lado sua vontade pessoal, seus esquemas favoritos e toda forma de ambição pessoal. O que prevalece é a vontade da maioria. Lembremos que, por força da presente condição humana, todos vemos “como que através de um vidro enfumaçado”, isto é, com nossas limitações não percebemos claramente a vontade de Deus e seus agentes, os Irmãos Maiores. Os propósitos dos Irmãos Maiores sobre a questão da elevação e libertação humana respeitam, em primeiro lugar, a liberdade individual, a valorização e o poder de uma FRATERNIDADE; conciliam os aspectos individuais mais legítimos com os propósitos de Deus. Mas, devido às limitações, apenas uma parte do trabalho pode, por ora, ser realizado, porque não enxergamos com clareza os detalhes do Divino Plano Redentor. Todavia, não nos desalentemos por isso.
Por meio do esforço sincero, o Aspirante à vida superior Rosacruz está conquistando, mais depressa, sua libertação e elevação, capacitando-se para um trabalho mais elevado. São poucos os que conseguem. Por enquanto, esforcemo-nos, sem nos aborrecermos por presenciar, frequentemente, membros que não trabalham com idênticas compreensão e unidade de propósito. A perfeição do trabalho em grupo é coisa do futuro. Contudo, um contato íntimo, fundado no amor e numa profunda realização de unidade em Cristo, é possível atualmente, com indivíduos incomuns, que saibam sobrepor-se às diferenças de opinião, que lutam contra as desuniões, porque essas resultam sempre das forças inferiores. É da maior importância, num trabalho em grupo, que todos aprendam a amarem-se uns aos outros, com o Amor de Cristo – amor ágape, incondicional –, de alma para alma, um amor nunca influenciado por fatores pessoais.
O amor é o que ilumina e valoriza o sacrifício. O serviço em favor da humanidade se realizará satisfatoriamente apenas quando se fundar num profundo e permanente amor, livre de crítica (em geral oriundas de frustrações) e orientado pelo firme propósito de não transigir com o erro, com o supérfluo e, sobretudo, com as brechas que entre seus membros produzam desuniões e enfraquecimentos. O sacrifício de fatores negativos pessoais, para perfeita integração e ajuda na Fraternidade, em prol da humanidade é, ao mesmo tempo, uma contribuição preciosa para si mesmo, um exemplo e cooperação à Fraternidade e uma ajuda à humanidade, porque todos os nossos pensamentos, emoções e atos refletem-se em todos os planos da Natureza. Pela contribuição perfeita ao grupo, o indivíduo realiza a superação automática de si mesmo. Pelo esforço de integração, pacificação e eliminação de divergências, cada um harmoniza-se, ao mesmo tempo, a si mesmo.
2) O sacrifício sábio traz, portanto, à atividade, o segundo princípio do trabalho em grupo: a IDENTIFICAÇÃO AMOROSA COM OS COMPANHEIROS DE LABOR. Ao sobrepor-se à Personalidade, cada membro do grupo, pela dedicação ao serviço, cresce em consciência quanto aos propósitos comuns. À medida que cresce, indiferente ao personalismo e egoísmos de toda ordem, identifica-se mais com seu verdadeiro “Eu” e adquire uma atitude de alegria, de confiança própria e de profundo amor ao próximo. Atinge, então, a vivência da “realização da unidade fundamental de si com os demais, em identidade espiritual”. Começa a manifestar sua deidade interna, que permite a superação espontânea de suas solicitações egoísticas e, ao mesmo tempo, fá-lo olhar seus semelhantes, não pelos aspectos externos, não por seus defeitos, senão pela “divina essência oculta em cada um”, o IRMÃO.
Só então atinge a consciência e vive a consciência real do grupo. Muitos de nós, nos instantes de oração ou oficiação de rituais em grupo (quando se processa uma perfeita fusão entre todos), tivemos oportunidade de sentir uma grande vibração. Isto é possível, devido ao princípio de fusão de semelhantes (semelhante atrai semelhante), que é muito mais forte do que uma unidade. Um grupo harmonioso é mais do que um simples ajuntamento de pessoas. São carvões que provocam um fogo que, e em conjunto, focalizados e vibrando num ideal comum, formam um instrumento de Cristo. Por isso foi dito que “onde dois ou mais se reunirem EM MEU NOME” ali Ele estaria! A fusão de almas é o mais poderoso instrumento de corporificação de Cristo, para um trabalho superior, porque produz um volume tão grande de vibração espiritual que pode canalizar, do Mundo do Espírito de Vida, um caudal de energia incalculável. Todos conhecemos essa lei: chama-se a Força de Atração.
Ela determina a atração de pessoas de vibração idênticas, levando-as a diariamente se reunir para um propósito comum. Eis o sentido de cada Centro ou Grupo de Estudos Rosacruz em todo o mundo! O semelhante atrai o semelhante. A mais alta expressão dessa Lei é a fusão de indivíduos preparados para um ideal superior, com plena consciência das leis que regem o trabalho em grupo, isto é, com renúncia de si mesmos e dedicação amorosa ao próximo. Eis como se realiza o trabalho de Cura da Fraternidade Rosacruz, a Cura Rosacruz. A fusão consciente e ardorosa de tais indivíduos forma um canal de natureza tão sublime que atrai um fluxo magnético poderoso do plano Crístico, beneficiando enfermos de todo gênero e enchendo a Terra de uma força equilibradora. Por meio do silencioso poder de tais grupos, os Seres Superiores podem fazer fluir o Poder Curador, a força, a Sabedoria e Amor, para todo este mundo carente. Atualmente o Mundo do Desejo se acha tão conturbado que seus reflexos na humanidade são os que observamos por aí. O contato de Egos, uns com os outros, em propósitos construtivos, é o meio mais eficiente, mais seguro, mais rápido, de libertação individual. O relacionamento de alma, pela autorrenúncia, leva-nos a um conhecimento superior e à unidade com o Cristo Cósmico, pelo despertar de nosso Cristo Interior. As aspirações devocionais e consagradoras para com o serviço, elevam os membros da Fraternidade a planos e condições que, sozinhos, abandonados a seus próprios recursos e às influências que vigoram desde a última conflagração mundial, não poderiam atingir.
3) O terceiro princípio do trabalho em grupo é o SERVIÇO (tônica da Fraternidade Rosacruz). Dele ninguém pode se evadir. Do mais elevado ao mais inferior dos seres vivos, o serviço é o preço a pagar, não somente para o progresso de todos, como também por mera imposição do direito de existir. De uma evasão deliberada, egoísta, do privilégio de SERVIR, origina severas penalidades das leis equilibradoras do Universo. É o que sucede a muitos Egos que atualmente, em alguns países, são obrigados, à FORÇA, a se conformar e servir com boa ou má vontade para atender às necessidades do grupo a que pertencem. O SERVIÇO é a capacidade de identificação do indivíduo com os interesses comuns. Pressupõe, como dissemos, a superação dos interesses pessoais, voluntariamente e regozijosamente. Quem é feliz servindo, torna-se simpático na vida íntima do grupo. É a técnica que liberta o indivíduo dos laços do “eu inferior” e o capacita a integrar a família de Cristo. O verdadeiro serviço não é fácil. Sua legítima expressão pressupõe muita renúncia, persistência e fé: “Poderosamente devem mourejar os que servem os deuses eternos”.
Servir significa sacrifício de tempo, de interesses pessoais, de ideias favoritas. Exige prudência, sabedoria, habilidade de trato, domínio das emoções. Observe-se quão poucos estão preparados para trabalhar impessoalmente. Não se trata de mero negócio, nem de interferências ou de esforços fanáticos. O verdadeiro serviço nasce da combinação das faculdades mentais com as do coração. Não é motivado por estados emotivos, por sentimentalismos, por arroubos acidentes de entusiasmos e tampouco do desejo de progresso espiritual da parte do servidor. O verdadeiro serviço salienta o grupo, em vez de o indivíduo. Por meio do verdadeiro trabalho em grupo nos tornamos mais úteis do que isoladamente poderíamos ser e mais nos aproximamos da nossa FONTE e ORIGEM. Através do serviço verdadeiro expressamos, com mais facilidade, os atributos de nosso “Eu Superior”, o Ego, cuja natureza é naturalmente boa e nobre, amorosa e fraternal, porque “feita à imagem e semelhança do Pai”.
O verdadeiro serviço não é solicitado nem planejado como um fim em si mesmo: surge espontaneamente na medida em que crescemos por dentro e nosso Cristo deseja expandir seus poderes anímicos. Gradualmente, à medida que vamos crescendo por dentro, irradiamos o amor e outras energias espirituais, nunca para nosso próprio engrandecimento, senão para elevação e libertação daqueles que de nós se aproximam. O verdadeiro servidor tira as vistas de si mesmo e de suas realizações, dando atenção integral para as necessidades de seus semelhantes, a começar por seu lar, sem deixar-se prender pelas insidiosas cadeias do interesse puramente familiar. Conduz-se equilibradamente em meio a todas as necessidades, seguindo os impulsos de seu Cristo Interior. A completa submissão à lei do serviço leva-o gradualmente ao íntimo do coração do grupo e a conhecer, para além de todas as dúvidas, que é UNO com as almas IRMÃS. À medida que os membros se elevam assim, o grupo vai atingindo a capacidade de serviço total, o poder e a oportunidade de executar as obras mais inimagináveis.
4) O quarto princípio consiste em RECUSAR tudo o que seja danoso aos interesses do grupo. Isso exige sinceridade, lealdade, coerência. Há muita gente de boa índole que falha neste princípio, por medo de ferir os membros do grupo. Mas a recusa não é desamorosa. Ao contrário: é firme, porém, amorosa, inteligente, esclarecida. Relaciona-se, como veem, com a Força de Repulsão, uma vez que, tudo o que não seja da mesma vibração do grupo tende a ser afastado. Pela manifestação desse princípio, todos os grupos tendem a repelir o que lhe seja estranho ao modo de ser e necessidades, envolvendo pessoas, coisas e condições. Não se trata propriamente de conservação. A evolução do grupo se processa naturalmente, à medida que seus membros evoluem e refletem amorosamente novas necessidades coletivas. Porém, o princípio que estamos considerando preserva o interesse de todos, elevando para Deus as pessoas e coisas identificadas, entre si, como conjunto.
Simbolicamente falando, a totalidade dos membros dedicados de um grupo “reúne seus carvões”, abanando-os pelo serviço amoroso, a fim de que flameje a chama do fogo espiritual, que é um poderoso dissipador das trevas da ignorância e do frio egoísmo que existe no mundo. Por meio de sua própria existência irradiará de tal grupo luz e calor que dissiparão as forças mentais negativas e as correntes miasmáticas do Mundo do Desejo, que escravizam a humanidade. Atuando sobre cada membro ou unidade do grupo, esse quarto princípio imprime, em suas consciências, uma profunda determinação de evitar e repelir, em sua maneira particular de vida, tudo o que possa obstar ou interferir desfavoravelmente nas atividades e interesses comuns. Disso decorre a necessidade de vigilância constante, de si mesmo e não propriamente quanto aos demais. Deve cada um vigiar todas as atividades físicas, emocionais e mentais, a fim de que não chegue a exprimir ação inconveniente.
Compreendendo que sua própria consciência é parte integrante do Todo, a qual, de algum modo misterioso, ele ajuda a sustentar, o membro dedicado e sincero pratica o discernimento e amiúde pergunta a si mesmo: “O que estou pensando, sentindo ou fazendo influencia favoravelmente o grupo? Aumentará ou diminuirá a Luz Espiritual do grupo?”. Então procura, sincero como é para si mesmo, atuar harmoniosamente, recusando tudo o que seja imoral, rancoroso, malicioso, interesseiro, crítica destrutiva, etc. e cultivando apenas, deliberadamente, as vibrações auxiliadoras da sã alegria, da simpatia e do altruísmo. Para o bem do grupo e não por motivos pessoais, trabalha para a pureza, para a estabilidade emocional e pelo controle do pensamento. Respeita e obedece aos propósitos do Grupo e recusa todas as faltas que, dentro de si, procurem prejudicar seu trabalho na equipe. Aprende que não é lutando que vence o egoísmo, senão pelo esquecimento de si mesmo, dedicação aos demais e prazerosa obediência à luz interna, conforme aquela frase de Cristo: “Aquele que perde sua vida por Minha causa, encontrá-la-á”.
5) Quando cada membro tenha aprendido a trabalhar em íntima cooperação mental e espiritual com seus companheiros; quando o desejo de crescimento pessoal e espiritual tenha sido transcendido e cada um tenha dado tudo o que pode ao grupo, então o quinto princípio começará a atuar. Esse princípio que brota da UNIDADE de cada um com todos, originará uma automática distribuição das conquistas do grupo, de forma que, qualquer unidade ou membro começará a sentir e expressar tudo o que o grupo tenha conquistado, embora individualmente não o tenha pretendido. Uma completa realização, por parte de um membro do poder do amor, por exemplo, eventualmente se tornará uma realização consciente de todo o grupo e, assim, em relação a tudo em evolução. É a lei que Cristo enunciou quando disse “Se eu ascender levarei comigo todos os seres humanos”.
Indubitavelmente existem outros princípios que operam nos grupos, a respeito das quais, atualmente, pouca noção temos. Contudo, a boa vontade de nossa parte, em adaptar nossa vida aos princípios aqui enunciados, nos possibilitará percorrer mais rapidamente e proveitosamente o longo caminho que nos conduz às novas e luminosas condições da Era de Aquário.
(por Elvin Joseph Noel)
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
Max Heindel afirma que o exercício de Retrospecção é um dos ensinamentos mais importantes da Fraternidade Rosacruz. E não há nenhum exagero nessa afirmação, se considerarmos o poder autotransformador dessa prática diária. A Filosofia Rosacruz tem como base o conhecimento e o seu objetivo é o aperfeiçoamento do ser humano em todos os sentidos. Ela oferece as ferramentas para essa melhoria interna, fato que pode ser constatado por quem se dedica diligentemente ao estudo, a meditação e reflexão sobre seus ensinamentos.
Max Heindel asseverou que a lógica, a coerência e a elevação desses ensinamentos conquistaram as Mentes e os corações de muitas pessoas no mundo todo. Ele, porém, não escondia sua preocupação em que lhes impressionassem apenas o intelecto com sua beleza filosófica, sem atingir o ideal mais elevado de torná-las melhores seres humanos, mais sensíveis, amorosos e solidários.
Esse exercício conduz ao autoconhecimento, passo inicial do processo de alquimia interna, sem o qual não há como aprimorar o caráter e desenvolver aquelas virtudes que iluminam a vida do Estudante Rosacruz.
Ninguém julgue, porém, tratar-se de um trabalho fácil. Deve ser realizado toda noite, antes de dormir, com o cuidado de, com a prática regular, não se tornar um automatismo. Deve ser feito conscientemente e esse processo de rememorar os fatos ocorridos e vividos deve revestir-se de sentimento, para que o praticante possa julgar o aspecto moral de sua conduta.
Se praticado com esse espírito de sincera devoção, todos os registros das más ações praticadas durante o dia serão apagados do Átomo-semente, e aqueles referentes às atitudes nobres e amorosas servirão de estímulo para o aperfeiçoamento do caráter. Conduz também ao processo de purificação dos pensamentos e emoções.
Assim, reduzirá o seu tempo no Purgatório e no Primeiro Céu, podendo até a chegar ao ponto de passar direto para o Segundo Céu!
O Estudante Rosacruz, porém, deve manter-se atento para que durante o dia evite cometer atos indesejáveis, mesmo sabendo que à noite, durante o exame retrospectivo, terá a oportunidade de apagá-los, pois assim procedendo evitará também cair num círculo vicioso.
O ideal é justamente criar um círculo virtuoso, ou seja, a experiência noturna deve promover uma vivência cada vez mais aprimorada nos ideais cristãos e o fortalecimento da consciência moral, de tal maneira que os desvios de conduta se tornem cada vez mais raros.
“Que as rosas floresçam em vossa cruz”
A sua Paciência
“…tende por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações, pois sabeis que a vossa fé, bem provada, leva à perseverança.” (ITg 1:2-3).
Passamos dificuldades, provações, tentações, porque estamos em contínuo treinamento, em ininterrupto aprendizado. Se enfrentamos essa dificuldade, essa provação de frente e com vontade, logo a resolveremos, logo descobrimos o seu mistério: a solução, pois um mistério depois de ser desvendado deixa de ser mistério.
E assim é, pois o objetivo da nossa existência aqui não é a busca da felicidade, como muitos pensam, mas sim a aquisição de experiências nessa vida. Ou seja, como, sozinhos, podemos suportar e resolver todas as dificuldades.
E quantas vezes nos pegamos numa situação onde a paciência basta para resolver! Então, o que é a paciência, senão a “prova da nossa fé”? Sim, porque se temos paciência, é porque acreditamos que alguma coisa acontecerá para nos ajudar a resolver tal dificuldade.
Muitas vezes a paciência nos falta porque nos deixamos envolver pelo amor desordenado e pelo vão temor. Esses, por sua vez, trazem o desassossego do coração e a distração dos sentidos. Já que, se a paz, necessária para a paciência, depender da boca dos outros, do que dizem ou deixam de dizer de nós, então não teremos a paciência. Pois a verdadeira paciência está em Cristo, na prática da vida espiritual, que é interior, e nada tem a haver com o seu exterior, o seu entorno.
E é, principalmente, nas horas de dificuldades que devemos nos calar, nos voltar interiormente para Cristo, e não se deixar perturbar com os sussuros humanos. Nessa constante luta, durante a nossa peregrinação aqui nessa vida, devemos sempre considerar que: “sem trabalho não se consegue o descanso e sem combate não se alcança a vitória.”.
Agora, devemos ter claro para nós mesmos que é a paciência e não a indiferença que temos que cultivar. Sim, porque, como diz São Tiago em sua Primeira Epístola, também no Capítulo 1, versículo 4: “…mas é preciso que a perseverança produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência.”. A indiferença induz ao egoísmo de não se importar com as pessoas ao nosso redor. Ao contrário, a paciência é aceitá-las, ajudando-as aonde necessitarem. A tentação aqui está presente por meio da indiferença ou, ainda, da falta de paciência. É muito mais cômodo!
Esse comportamento de indiferença está ligado, muitas vezes, a essa eterna mania de achar que podemos ficar onde estamos, estáticos, “no se cantinho, sem ninguém a importunar”. Como ficar nessa posição em um universo dinâmico, onde tudo evolui? Portanto, se insistirmos em ficar onde estamos, retrocedemos ou cristalizamos. Essa é uma pobre e perigosa ilusão do nosso “Eu inferior”. Aqui entra a tentação para não nos deixar ficar parados. Mas, como também diz São Tiago em sua Primeira Epístola, também no Capítulo 1, versículos 13 a 14: “Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: ‘É Deus que me está tentando’, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. Antes, cada qual é tentado pela própria concupiscência, que o arrasta e seduz.”. Deus não tenta ninguém. Cada um é tentado pelos seus próprios defeitos, teimosia, dívidas a pagar, ignorância e desejos de bens materiais.
A partir do momento em que deixemos de viver na esfera do nosso “Eu inferior”, que esqueçamos por completo a Personalidade e a viver na nossa Individualidade, começamos a suplantar à tentação, a resistir à tentação, a “não cair em tentação”, a ficar acima dela. Amando e servindo a divina essência oculta em cada pessoa ao seu redor, nos unificamos por amor de Deus, respondendo ao nosso “Eu superior”, dando ênfase a nossa Individualidade. Sim, porque para “amar o bem, é preciso ser bom”.
É esse nosso próprio desejo por focar nossa vida em aquisição de bens materiais (direta ou indiretamente) que “…dá à luz o pecado, e o pecado, atingindo a maturidade, gera a morte.” (ITg 1:15). E entendamos que a indiferença, que na realidade nada mais é do que o medo de alguém nos perturbar e nos tirar da situação em que gostamos, também é pecado.
Assim, vemos que a paciência requer sabedoria: o conhecimento temperado com amor. E “…Se alguém dentre vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a concede generosamente a todos, sem recriminações, e ela ser-lhe-á dada, contanto que peça com fé, sem duvidar, porque aquele que duvida é semelhante às ondas do mar, impelidas e agitadas pelo vento.” (ITg 1:5-6). E é por meio dessa sabedoria que conhecemos a causa de todo o bem. Então, é por meio dessa prática que conhecemos a Deus. Mas, o que é o conhecimento de Deus, senão o conhecimento do bem e do mal? E se conhecermos realmente o bem e o mal, as provações não serão mais “problemas”. A paciência, advinda desse conhecimento, nos dará a explicação do porque ocorre dessa e não de outra maneira. Afinal, é fato que “todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto e desce do Pai das luzes, no qual não há mudança nem sombra de variação.” (ITg 1:17).
De que adianta sofrer só quando “queremos”? Lá vem falso conhecimento dizendo que é a “vontade de Deus” que soframos tudo isso. Acomodamo-nos em tal “sofrimento” e criamos uma falsa paciência, ou melhor, um comodismo. E quantas são as pessoas que conhecemos nessa situação! E quantas vezes nos pegamos nessa situação!
O verdadeiro paciente, aquele que possui a virtude da paciência, não “escolhe” a ocasião para sofrer, para suportar uma provação. Mas, sempre que lhe sucede qualquer adversidade, qualquer provação, aceita-a e agradece, pois sabe que se trata de uma grande oportunidade para o seu crescimento espiritual. Nunca devemos nos desanimar com quaisquer contrariedades. Mas, ver nela sempre aquela oportunidade de aprendizagem que tanto precisamos.
Se tomarmos a consciência lógica de que tal contrariedade, tal provação, fomos nós mesmos que escolhemos no Terceiro Céu, quando estávamos no nosso processo para iniciar essa vida aqui, veremos já que estávamos preparados para enfrentá-la; já sabíamos que tínhamos condições de sobrepassá-la.
Cabe, então, a cada um de nós arregaçar as mangas e, com paciência, achar a solução para resolvê-la. Para isso, São Tiago em sua Primeira Epístola, também no Capítulo 1, versículos 19 a 20 nos ensina: “Isso podeis saber com certeza, meus amados irmãos. Que seja cada um de vós pronto para ouvir, mas tardio para falar e tardio para encolerizar-se; pois a cólera do homem não é capaz de cumprir a justiça de Deus.”. Ou seja: nunca devemos perder a paciência. Pois, além disso não nos ajudar animicamente, ainda produz desordens físicas, mentais, doenças e enfermidades.
Por fim, tentações, provações, dificuldades, adversidades, contrariedades e tribulações teremos na nossa vida aqui inteira. E a virtude da paciência é a chave para suportá-la e, só assim, aprenderemos com elas.
Se você não possui a virtude da paciência ainda, cultive-a repetindo-a cada vez mais nas situações que a necessite. Com certeza, um dia virará mais um dos seus bons hábitos e a persistência em repetir esse seu bom hábito, um dia se tornará a virtude da paciência.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Algumas Sugestões para um Exercício Esotérico de Retrospecção mais eficaz
Em primeiro lugar devemos buscar um ambiente que esteja de acordo com nosso desenvolvimento espiritual e, também, manter um bom sistema de estudos sobre os Ensinamentos Rosacruzes.
Podemos obter melhores resultados se nos acostumarmos a escutar músicas eruditas – ou similares que tenham harmonia, melodia e ritmo elevados – antes de deitar-se. Dessa maneira nossa Mente se torna mais fluida e elástica, nos mostrando as cenas mais nítidas para que possamos apreciar melhor nossas atitudes em toda a sua verdadeira natureza.
A Mente é chamada de “o caminho” na linguagem esotérica e é uma ponte entre o Ego e seus veículos. As condições em que mantemos essa ponte depende de nosso desenvolvimento espiritual.
Agora nos encostamos e iniciamos o relaxamento, nos concentrando devagar e mentalmente para nos percebermos, também, desde a ponta dos pés até a ponta do fio do cabelo na nossa cabeça. Essa concentração tem por objetivo conservar nossa Mente em um estado ativo-receptivo, para manter nossa consciência desperta durante todo a execução da Retrospecção.
O outro passo, é ler o seguinte (devemos memorizar):
Dessa maneira, impressionamos nossa consciência, com a finalidade de poder assimilar melhor o benefício que obteremos da Retrospecção, a qual vamos iniciar devidamente preparados.
Temos de estabelecer, finalmente, que a Retrospecção vai mudando nosso caráter e, automaticamente, nosso destino, por isso dizemos que caráter é igual a destino. Essa é a explicação lógica das palavras de Cristo: “Buscai o Reino de Deus e Sua justiça, e o mais vos será dado por acréscimo.”.
(Publicado na Revista Joyas Espirituales da Fraternidad Rosacruz del Paraguay em octubre/1995 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Sugestões para o Exercício de Concentração
Todos nós sentimos, por vezes, a necessidade urgente de enviar pensamentos de ajuda a alguém; contudo, por muito grande que seja o nosso desejo, só os pensamentos concentrados têm a força suficiente para atingir o seu destino. Devem ser dirigidos numa única direção para que, como os raios do sol concentrados numa lente de aumento, possam acender o fogo do seu objetivo. O Aspirante à vida superior deve aprender a controlar e a canalizar os seus pensamentos; por meio de um esforço persistente conseguirá concentrar perfeita e voluntariamente a sua Mente, em qualquer altura desejada.
Contudo, como o método de Concentração é frio e intelectual, o Aspirante à vida superior tem que o desenvolver utilizando a oração. No Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”, Max Heindel nos diz que “o Aspirante deve conquistar, sistematicamente, todos os arrebatamentos do Corpo de Desejos e assumir o próprio domínio. Isso se efetua pela concentração sobre elevados ideais, que vigoriza o Corpo Vital. É um meio muito mais eficaz do que as orações da igreja. O ocultista cientista prefere empregar a concentração à oração porque a primeira realiza-se com o auxílio da Mente, que é fria e insensível, porquanto a oração, geralmente, é ditada pela emoção. Feita com devoção pura e impessoal, dirigida a elevados ideais, a oração é muito superior à fria concentração. Aliás, nunca poderá ser fria, porque voa para Divindade sobre as asas do Amor, a exaltação do místico.”.
A concentração intensa constrói uma forma de pensamento viva, uma imagem clara e verdadeira. Na concentração focalizamos toda a nossa atenção num só tema ou ideia.
Como introdução aos Exercícios de Concentração, o Estudante pode utilizar a ‘Oração’ que Max Heindel nos deixou no livro Véu do Destino (“A Oração do Estudante Rosacruz”):
“AUMENTA O MEU AMOR POR TI, Ó DEUS, PARA QUE EU POSSA SERVIR-TE MELHOR A CADA DIA QUE PASSA. FAZE COM QUE AS PALAVRAS DOS MEUS LÁBIOS E AS MEDITAÇÕES DO MEU CORAÇÃO SEJAM SEMPRE AGRADÁVEIS À TUA PRESENÇA, Ó SENHOR, MINHA FORÇA E MEU REDENTOR”.
Repita-a várias vezes, devagar, destacando a primeira ideia na primeira vez, depois a segunda na segunda vez, a terceira na terceira, e assim sucessivamente, durante alguns minutos. Termine-a então com o método de concentração que tenha vindo a praticar. Gradualmente, verificará muito maior facilidade no Exercício de Concentração, sem dúvida difícil de executar, mas não impossível.
Pode variar esse método com qualquer outro que se coadune mais consigo. Tome por exemplo, a frase: “Deus é luz. (…) se andamos na luz, como Ele na luz está, seremos fraternais uns com os outros” (IJo 1:5 e 7). Repita essa ideia várias vezes, sempre devagar, como expusemos acima. Um dos métodos sugeridos por Max Heindel é a repetição pausada dos primeiros cinco versos do Evangelho Segundo São João: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem Ele. N’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam.”.
Este plano não é mais do que uma sugestão para aqueles que sentem dificuldade em concentrar-se, possibilitando o desenvolvimento gradual e, consequentemente, uma maior eficiência na realização desse exercício.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Pouco antes de ter sentado para estudar, em uma dessas tardes, apertei o interruptor e imediatamente a luz inundou o quarto. Apanhei o livro e, abrindo, deparei com um trecho que tratava do trabalho executado pelos Adeptos — os Iluminados que podem pronunciar a Palavra Criadora.
Veio-me então à minha Mente o desejo de me tornar idêntico a eles e servir como fazem os Irmãos Maiores da Humanidade, levando luz à consciência da Humanidade. O que deveria fazer para me tornar igual a Eles?
Pensativamente, contemplei a lâmpada próxima a mim: a pressão sobre o interruptor não a criou; ele meramente tornou o dispositivo (a lâmpada) apto a transmitir luz, a contatando com certos itens (fios, ligações, cabos) que transportam a energia elétrica gerada pela fonte central (o gerador). O que aconteceria, se a lâmpada fosse feita de madeira? Quando eu apertasse o interruptor, poderia a luz inundar o meu quarto? Poderá o meu ser físico, tal como é agora, transmitir a luz de Deus?
Se as linhas elétricas fossem defeituosas, a pressão do meu dedo sobre o interruptor poderia proporcionar luz perfeita em meu quarto? Terei eu uma conexão apropriada com a fonte de energia espiritual para torná-la usável? Ou o que ocorreria, se o gerador funcionasse imperfeitamente? Para que serviriam os fios, os cabos, as ligações, as lâmpadas ou quaisquer outros dispositivos para a produção da luz, se o gerador não produzisse energia? Estarei eu, uma célula no Grande Corpo de Deus, produzindo e liberando energia para as mais altas funções dos meus veículos?
Essa autopesquisa me conduziu a uma revisão sobre o procedimento ensinado pela Filosofia Rosacruz para o aperfeiçoamento de nós mesmos, no sentido de nos tornar um “canal consciente” para o trabalho daqueles Elevadíssimos Seres, de modo a poder aplicar-me com renovado zelo ao trabalho indispensável para o crescimento da alma. O método: “Serviço amoroso, altruísta e desinteressado” então me veio à Mente como linha de conduta a ser sempre observada e lembrada. Ao mesmo tempo, eu me recordei de certas instruções específicas para a espiritualização de nossos veículos e, consequentemente, do crescimento da alma. O que me ocorreu foi o seguinte:
A Filosofia Rosacruz ensina que “o ser humano é um Tríplice Espírito” que possui uma Mente por meio da qual governa seu Tríplice Corpo, que ele emanou de si mesmo para obter experiências. Esse Tríplice Corpo, ele transmuta em Tríplice Alma da qual ele se nutre a fim de ir da impotência para a onipotência. O Espírito Divino emana de Si mesmo o Corpo Denso, extraindo como pábulo a Alma Consciente; o Espírito de Vida emana o Corpo Vital, extraindo a Alma Intelectual; e do Espírito Humano deriva o Corpo de Desejos, para extração da Alma Emocional.
Nosso desafio, como Aspirantes espirituais, então é planejar e controlar nossas atividades diárias de modo que, por meio delas, possamos extrair maior quantidade de poderes conscientes, intelectuais e emocionais dos nossos corpos. Uma vez que nossos veículos estão intimamente interrelacionados, a melhora de um automaticamente produz a evolução dos outros. Porém certas atividades afetam determinado corpo mais definidamente do que os outros.
O Corpo Denso, nosso corpo físico, é um maravilhoso instrumento mecanizado para a ação no plano material e é por meio das experiências que obtemos por seu intermédio, nossas retas ações em relação aos impactos externos, e pela observação acurada que o transformamos em Alma Consciente. Quanto mais ativos formos e mais retas forem nossas ações, maior crescimento de Alma Consciente alcançaremos. Basicamente, para a reta ação tornam-se necessários a higiene, o exercício, o ar fresco, uma dieta simples e constante à base de alimento integral e o altruísmo, o desejo de ajudar, a boa vontade. Em relação à observação correta, ensina-nos a Filosofia Rosacruz o seguinte.
É da mais alta importância ao nosso desenvolvimento que observemos os fatos e as cenas ao nosso redor acuradamente. Do contrário, as impressões em nossa memória consciente não coincidirão com os registros automáticos e subconscientes. O ritmo do Corpo Denso perturba-se na proporção da incapacidade da nossa observação durante o dia. Na proporção em que aprendemos a observar acuradamente, ganharemos saúde, longevidade e necessitaremos de menos descanso e sono. O Aspirante sistematicamente deve tudo observar, retirar conclusões das ações, cultivar a faculdade do raciocínio lógico, pois a lógica é o melhor mestre no plano físico e o guia mais seguro e certo em qualquer Mundo. Ao praticarmos esse método de observação, devemos sempre ter em Mente que ele deve ser usado apenas para reunir fatos e não com o propósito de criticismo, pelo menos não o azedo criticismo. A crítica construtiva que assinala defeitos e dá os meios de remediá-los é a base do progresso.
O Corpo Vital, o veículo do hábito, o armazém da memória consciente e subconsciente, é composto de quatro Éteres: o Éter Químico, o Éter de Vida, o Éter de Luz ou Luminoso e o Éter Refletor. Os dois primeiros constituem a matriz na qual o Corpo Denso é construído. A repetição é a nota-chave desse Corpo Vital. Daí o valor da repetição dos impactos espirituais do estudo, dos sermões, das conferências e leituras. Também a arte e a religião são de primeira importância no refinamento do Corpo Vital, bem como o cultivo da memória e da discriminação, particularmente efetivas na geração da Alma Intelectual. A memória liga as experiências passadas às presentes e aos sentimentos por elas engendrados, criando “simpatia” e “antipatia” que, de outro modo, não poderiam existir.
O discernimento é a faculdade por meio da qual distinguimos aquilo que não é importante, não é essencial, separando o real da ilusão, o duradouro do evanescente.
Na vida comum, muitos pensam em si mesmos como se fossem o Corpo Denso. O discernimento nos orienta no sentido de que somos Espíritos e que os nossos Corpos são temporariamente lugares residenciais, instrumentos de uso. Pelo discernimento aprendemos a “considerar o corpo um servo valioso, na medida em que se torna dócil às nossas ordens; assim considerando, veremos ser possível fazer muitas coisas que de outro modo pareceriam impossíveis”.
Os dois Éteres superiores do Corpo Vital, o Luminoso e o Refletor, são os que compõem o Corpo-Alma e em cada vida são renovados por meio do “serviço amoroso, altruísta e desinteressado”. A quintessência desses atos de bem deles extraídos determina a qualidade dos átomos estacionários e prismáticos de que são compostos os dois Éteres inferiores na vida seguinte. Esse Corpo-Alma é a parte do Corpo Vital que o Aspirante imortaliza como Alma Intelectual.
O Corpo de Desejos é nosso veículo dos desejos, das emoções e dos sentimentos. Durante o estado de vigília, ele se encontra constantemente em luta contra o Corpo Vital. O Corpo Vital constrói e suaviza, ao passo que o Corpo de Desejos cristaliza e destrói. Por meio da devoção persistente aos suaves ideais da vida superior, dominamos nossos instintos animais, eliminando os traços indesejáveis do hábito e do caráter resultantes da geração e do desenvolvimento da Alma Emocional. A importância do cultivo da faculdade da devoção dificilmente é enfatizada; assim, um dos melhores sistemas de desenvolvimento desse poder é a Retrospecção – esse exercício noturno ensinado pela Escola Rosacruz por meio do qual nos lembramos, em ordem inversa, dos acontecimentos do dia, cuidadosa e adequadamente nos louvando ou reprochando.
Uma explosão temperamental é detrimento para o crescimento da alma — é a dissipação em larga escala de uma energia que possa ser usada de forma proveitosa. Tal evento envenena o corpo, deixa-o alquebrado e impede enormemente o seu desenvolvimento. O Aspirante deve, sistematicamente, controlar todas as tentativas do Corpo de Desejos de sair de controle, o que poderá ser feito pela concentração em elevados ideais, que fortalece o Corpo Vital e é muito mais eficiente do que as orações comuns, usadas nas igrejas. Quando ditada pela devoção pura e altruísta a altos ideais, porém, a oração é muito superior à fria concentração.
Em nossos esforços para transmutar o Corpo de Desejos em poder anímico, devemos também nos lembrar de que o Espírito Humano, que está correlacionado com o Corpo do Desejos, é a contraparte do Espírito Santo — a energia criativa da Natureza que o Aspirante deve aprender a usar nos processos mentais e emocionais superiores para regeneração. Ao vivermos castamente, a força criadora sobe, pelo trabalho mental e espiritual, e nos refinamos, eterizando nosso Corpo Denso e, ao mesmo tempo, fortalecemos os veículos superiores. Dessa maneira, alargamos materialmente nossa vida e aumentamos nossas oportunidades de crescimento anímico, avançando em graus definidos.
É-nos ensinado que a Mente é o elo entre o Espírito e seus Corpos, sendo também real que “a Mente é o instrumento mais importante que o Espírito possui”. Um dos principais alvos da evolução, durante este Período, é aprender a controlar o pensamento, o que será conseguido por meio do exercício do princípio da vontade do Espírito. Possuindo a prerrogativa divina da livre volição, podemos nos treinar habitualmente a pensar como quisermos; dessa forma, se persistentemente continuarmos em nossos esforços de espiritualização dos corpos pela reta ação de sentimento e pensamento, tempo virá no qual seremos auxiliares altruístas de nosso próximo e guardiães do poder do pensamento. Tendo-nos, então, adaptado ao uso desse tremendo poder para o bem de todos, indiferentes ao interesse próprio, estaremos aptos a formar ideias acuradas que se cristalizarão em coisas úteis. Por meio da laringe perfeita falaremos a Palavra Criadora e, assim, atingiremos o ambicionado lugar na escada evolucionária.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Dicas para Melhorar a Nossa Capacidade de Observação
O emprego da faculdade de observação pelo Aspirante à vida superior é de inestimável valor, pois é por meio dessa habilidade que ele pode sutilizar seu Éter de Luz (um dos dois Éteres que compõem o Corpo-Alma) e restaurar o ritmo e a harmonia de seu Corpo Denso.
Esse é um dos Exercícios Esotéricos que o Estudante Rosacruz executa sempre.
A definição de observação dada por Max Heindel, em sua décima primeira conferência do livro Cristianismo Rosacruz, refere-se ao “uso dos sentidos como meio de obter informações a respeito dos fenômenos que ocorrem ao nosso redor”. Sob esta consideração, sugere-se que o Aspirante inicie, desde já, a criação do saudável hábito de observar todas as coisas que estão a sua volta. Há alguns exercícios que podem auxiliá-lo neste processo. São eles:
Adiante no texto da citada Conferência, Max Heindel dá uma explicação esotérica sobre a importância da observação. Ocorre que o Corpo Vital, independente da vontade do indivíduo, também funciona como um espelho, ou como uma película cinematográfica em movimento que não para, nem por um segundo, de captar as imagens do ambiente no qual o Aspirante está inserido. Semelhantemente, o Corpo Vital também capta as ideias que brotam de seu Espírito interno. O problema é que as pessoas, em sua maioria, não captam, de forma consciente, as mesmas informações que o Corpo Vital faz. Em outras palavras, a memória consciente, (estabelecida pela observação), não coincide com a memória gravada pelo Corpo Vital, e isso resulta em uma importante discrepância (ou entrechoques de vibrações) que gradualmente destrói o Corpo Denso. Para atestar o fato de que as pessoas possuem olhos, mas não veem, e ouvidos, porém não ouvem, pergunte qualquer detalhe sobre algum objeto, cena de filme, ou até mesmo algum sentimento que ela teve num determinado momento, e não raro receberemos uma resposta do tipo: “Não me lembro nem do que comi no almoço, como vou lembrar sobre o que você está me perguntando!”.
O fato é que, quanto maior for à discrepância entre as imagens gravadas pelo Corpo Vital e os eventos gravados na memória consciente pela observação, maior também será o tempo necessário para a restauração do Corpo Denso durante o sono. Há casos, por exemplo, em que as discrepâncias são tamanhas, que não resta tempo algum para trabalho nos planos internos. Se isso ocorrer com frequência, pouco crescimento espiritual será alcançado pelo Ego. Por isso, o Aspirante sincero, reconhece que pode (e é responsável) por tornar esse tempo maior ou menor, dependendo de sua capacidade em colocar em prática os ensinamentos dados pelos Irmãos Maiores. Pela observação, é possível fazer com que os entrechoques de vibrações das duas memórias ocorram com menor frequência e, deste modo, a restauração do Corpo Denso poderá ocorrer de maneira mais rápida.
Como auxílio neste processo, é de grande valia ao Aspirante, aprender a observar não apenas detalhes de objetos e fenômenos externos, mas também minúcias internas, pois é bem provável que o Corpo Vital também registre tais informações. É natural que neste ponto do texto, o leitor possa estar se perguntando: “que eventos são esses?”. Tais eventos são aqueles gerados pelo espírito (vontade), pelo Corpo de Desejos
(sentimentos e emoções), e pela Mente (pensamentos). A observação destes detalhes contribuirá fortemente no processo de redução dos entrechoques de vibrações entre as memórias.
De maneira geral, a maior parte das pessoas, quando está realizando uma determinada tarefa, observa apenas os procedimentos envolvidos para sua execução e seu resultado, (por exemplo, se alcançou ou não o objetivo). Porém, é importante que o Aspirante também observe, de maneira sincera e verdadeira, os motivos internos que o fez se movimentar nessa ou naquela direção. A chave para identificar tais motivos é
empregar o método do “Por que”. Alguns exemplos: Por que agi desta maneira?
Respostas:
Além de observar o motivo pelo qual uma ação foi realizada, o Aspirante pode também observar o sentimento que o envolveu no momento em que estava executando tal tarefa. Exemplos:
É muito comum as pessoas não fazerem distinção entre sentimentos e pensamentos. Contudo, esses fenômenos são bem diferentes, embora possam ou não possuir afinidade entre si. Por exemplo, uma pessoa pode dizer: “Eu senti que num dado momento, as coisas poderiam ter saído errado”. Mas observe que tal relato não é
referente a um sentimento, mas sim a um pensamento. Normalmente os sentimentos são alegria, tristeza, raiva, ódio, rancor, medo, coragem, ansiedade, entre outros. Pensamentos são ideias mais ou menos elaboradas sobre os fatos. Com certeza, estes últimos podem estar embasados em um sentimento bom ou ruim. A comum astúcia que todos nós praticamos em maior ou menor grau, é um bom exemplo da Mente (pensamentos) aliada à parte inferior do Corpo de Desejos (“eu” emocional inferior). Dados provindos da neurociência cognitiva, também revelam a possibilidade de ativações primárias de áreas cerebrais emocionais, antes de áreas corticais pré-frontais (que são mais relacionadas a pensamentos conscientes), frente determinados estímulos. Isso é bem evidente em transtornos ansiosos, como o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Transtorno de Pânico, entre outros. Isso tolda a capacidade do Ego de tomar decisões de maneira rápida. No exemplo acima, sobre confusões entre pensamentos e emoções, provavelmente o sentimento da pessoa sobre a possibilidade de algo sair errado, era de medo e/ou ansiedade, pois esses sentimentos possuem boa afinidade com estes pensamentos.
Outro importante fator que o Aspirante deve aprender a observar é o COMO seu jeito de ser, (que é modulado pelos motivos, pelos sentimentos e pensamentos) gera impactos nos demais que convivem com ele. A chave para isso é utilizar o método do “COMO”. Exemplos:
É muito importante, o Aspirante ter em mente que a observação consciente dos fatos internos e externos, também fornece base para o exercício de Retrospecção. Normalmente, se o resultado de uma tarefa foi positivo, o Aspirante louva-se por tal resultado, de modo que seu comportamento seja reforçado para continuar a agir desse modo. Entretanto, se os eventos internos não forem considerados, é provável que essa faceta do fenômeno permaneça apenas no Corpo Vital do Aspirante, e, se isso acontecer, ficarão nele como discrepantes. Por isso, sugere-se ao Aspirante que também aplique seu critério pessoal de valores aos fenômenos internos que vivencia (o crivo da lógica).
Coletar informações, por meio de observações como estas, é muito importante para deixar seu exercício de Retrospecção mais rico e, desta maneira, aprender as lições desta e de próximas vidas, de restaurar o equilíbrio entre memória consciente e dados gravados pelo Corpo Vital, ter saúde e longevidade. Como o exercício de Retrospecção influencia diretamente no caráter, e “caráter é destino”, é bem provável que o Aspirante comece a notar grandes diferenças em sua vida conforme for mudando seu eu real, para seu “Eu Ideal” (isso é pessoal). Com o tempo novas sinfonias e orquestras vibrarão em sua vida, o que provavelmente o fará uma pessoa muito realizada e feliz.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Dicas para os Exercícios Diários de Concentração e Meditação:
Trabalho do Cristo no Mundo do Espírito de Vida
(todo ano de dezembro à março)