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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Guerra: uma Operação para remover a Catarata Espiritual

Novembro de 1915

Você já deve ter estudado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos, que houve uma Raça no final da Época Lemúrica, sete Raças na Época Atlante, sete Raças na Época Ária e haverá uma na vindoura Época Nova Galileia, totalizando dezesseis Raças. Você também se lembra que essas dezesseis Raças são chamadas pelos Irmãos Maiores de “os dezesseis caminhos para a destruição”, porque o risco de se enredar nos corpos de qualquer Raça é tão alto, que o Espírito ficará incapaz de seguir os outros Espíritos ao longo do Caminho da Evolução. Durante os Períodos e as Épocas sempre há tempo suficiente para que os Líderes da humanidade possam reunir e ordenar da forma mais adequada e eficaz os que estão sob as suas responsabilidades. Contudo, os judeus são o exemplo do que pode acontecer a um povo que se tornou tão intensamente imbuído do espírito racial, que eles se recusam totalmente a abandonar tal espírito racial. Eles continuam como uma anomalia entre o restante da humanidade, um povo sem uma pátria, um rei ou outro qualquer dos fatores que impulsionam a evolução racial.

Essa foi a tendência entre as nações da Europa até a guerra atual[1]. Assim, o patriotismo e o ideal de Raça são fomentados, o que as conduz para longe de Deus. As inúmeras descobertas científicas foram precedidas por uma era de dúvida e de ceticismo, e as Raças pioneiras no mundo ocidental foram levadas muito próximas à beira da destruição. Por conseguinte, se tornou necessário que os Irmãos Maiores concebessem medidas para que a humanidade abandonasse o caminho do prazer e cultivasse o caminho da devoção, e isso só poderia ser feito removendo a catarata espiritual de um número suficientemente grande de pessoas para que, então, superar a dúvida e o ceticismo do restante da humanidade.

Quando nós habitávamos sob as águas na primitiva Época Atlante, éramos, como você sabe, incapazes de ver o Corpo Denso ou até mesmo senti-lo, porque a nossa consciência estava focada nos reinos espirituais. Víamo-nos uns aos outros, alma a alma. Estávamos inconscientes tanto do nascimento como da morte, e não sentíamos a separação daqueles que amávamos. Mas, quando nós, gradualmente, nos tornamos conscientes dos nossos Corpos Densos, e a nossa consciência foi focada no Mundo Físico desde ao nascimento até a morte aqui, e nos Mundos espirituais da morte até o nascimento lá, houve uma separação e o consequente pesar devido ao advento da morte. No entanto, em tempos passados, havia muitos seres humanos que eram capazes ver em ambos os mundos; eles formavam um número considerável entre toda a população humana. Os testemunhos desses seres humanos sobre a continuidade da vida foram um grande conforto para aqueles que ficavam desolados com a morte, pois eles acreditavam plenamente que aqueles que haviam morrido ainda estavam vivos e felizes, embora incapazes de se dar a conhecer. Mas, gradualmente, o mundo se tornou cada vez mais materialista; a fé na realidade da vida após a morte aqui se desvaneceu, e tornando-se mais intensa e profunda a angústia, a tristeza e até o arrependimento pela perda dos entes queridos, e ainda hoje muitos acreditam que a separação é definitiva. Para esses, a palavra “renascimento” é uma palavra vazia de sentido e, portanto, a angústia profunda e pungente é imensa.

Mas essa angústia profunda e pungente é o remédio da natureza para a catarata espiritual. Tão certo como o desejo de crescimento construiu o complicado canal alimentar desde o começo mais simples para que o anseio de crescimento pudesse ser satisfeito; tão certamente quanto o desejo de movimento desenvolveu as maravilhosas articulações, os tendões e ligamentos com os quais isso é realizado; com a mesma certeza, o intenso anseio de continuar os relacionamentos rompidos pela morte construirá o órgão para sua gratificação – o olho espiritual. Portanto, essa matança em massa de milhões de seres humanos ajudou e está ajudando mais a preencher o abismo entre os Mundos invisíveis e o Mundo visível do que mil anos de pregação poderiam fazer. Ao longo da história do mundo, foi registrado que os guerreiros (das batalhas e guerras) viram as chamadas manifestações sobrenaturais, e há muitos testemunhos de que estas visões também foram vistas na guerra atual. O choque da ferida, os sofrimentos nos hospitais, as lágrimas das viúvas, dos viúvos e dos órfãos, tudo isso está abrindo os olhos espirituais da Europa, e os tempos da dúvida e do ceticismo, aos poucos, desaparecerá. Em lugar de ficar envergonhado por ter fé em Deus, o mundo honrará o ser humano mais por sua devoção do que por suas proezas, e isso num futuro não muito distante. Elevemos uma prece para este dia chegar.

(Carta nº 60 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Grande Guerra Mundial.

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A Revelação de João, O Evangelista

A “Revelação de Jesus Cristo” mostrou aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu Anjo as enviou, e as notificou a São João, evangelista, seu servo: “O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto” (Apo 1:2).

Bem-aventurado aquele que lê e os que ouvem as palavras dessa profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo“(Apo 1:3). Para encontrarmos as inestimáveis verdades contidas nas Sagradas Escrituras, particularmente no Livro da Revelação, ou o Livro do Apocalipse, devemos investigar o que se oculta sob suas “verdades”. Max Heindel nos lembra, no livro Conceito Rosacruz do Cosmos, do seguinte: “os que originalmente escreveram a Bíblia não pretenderam dar a verdade de maneira a poder tê-la quem quisesse. Nada estava mais distante de sua Mente do que a ideia de escrever ‘um livro aberto de Deus’. Os grandes ocultistas que escreveram o Zohar[1] são muito categóricos nesse ponto. Os segredos do Thorah não podem ser compreendidos por todos, como provará a citação seguinte:

‘Ai do ser humano que vê no Thorah[2] (a lei) só um simples recitativo de palavras comuns! Porque, em verdade, se fosse só isso, poderíamos escrever, ainda hoje, um Thorah muito mais digno de admiração. Contudo, não é assim. Cada palavra do Thorah tem um elevado significado e um mistério sublime…. Os versos do Thorah são como as vestes do Thorah. Ai daquele que toma essas vestes do Thorah pelo próprio Thorah! Os simples só notam os ornamentos e os versos do Thorah. Nada mais percebem. Não veem o que está encerrado nessas vestiduras. O ser humano mais esclarecido não presta atenção alguma às vestes, mas sim ao Corpo que encerram’”.

A Filosofia Oculta vem sendo ministrada por “aqueles mais instruídos dos seres humanos”, portanto, nos ensinamentos sobre a origem, evolução e futuro desenvolvimento da humanidade e do universo têm a chave dos mais profundos segredos da Bíblia. São João encontrava-se entre aqueles mais elevados Iniciados, aptos a lerem os registros imperecíveis da Memória da Natureza, onde obtém as informações impossíveis de serem alcançadas de outra forma. No Conceito Rosacruz do Cosmos encontremos a informação de que o Discípulo bem-amado, João, simboliza a Iniciação de Vênus (Iniciação Venusiana). O Apocalipse retrata em símbolos – para aqueles que têm olhos para ver – os sublimes registros do passado, do presente e do futuro da humanidade e do universo. Essa revelação diz respeito não somente às mudanças de condições dos Corpos humanos e da Terra, como também às transformações menos perceptíveis que se nos operam mais íntimos recessos do ser humano, na medida em que ele progride da matéria até Deus.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1969 – Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.R.: É considerado como um dos trabalhos mais importantes da Cabalá, no misticismo judaico. E faz parte dos livros que seriam canônicos para os judeus.

[2] N.R.: Ou Torah, ou, ainda, Torá é o nome dado aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, o Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio e que constituem o texto central do judaísmo.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Significado Oculto de Babilônia e de Nova Jerusalém

Lemos na Bíblia que havia duas cidades muito parecidas, mas completamente opostas. Uma era a cidade de Babilônia, o berço da confusão, de onde os seres humanos deixaram de se considerar irmãos e se separaram uns dos outros. Estava localizada sobre sete colinas. Entre essas sete colinas passava um rio. Essa cidade era governada por um rei; seu nome: Lúcifer, o lucífero, filho da manhã, a “estrela do dia”, o dador de luz. Então, Lúcifer era o rei de Babel-On (a Porta do Sol). Ali a humanidade cessou de atuar como uma só nação e se separou em nações guerreiras. Babilônia é a semente de todas as enfermidades e doenças que se possa imaginar.

No Livro de Isaías, capítulo 13 e 14 lemos a queda da cidade de Babilônia: “A Babilônia, pérola dos reinos, glória e orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, destruídas por Deus”.

Babilônia havia se convertido em uma abominação, e a chamavam de prostituta, provocando guerras, perturbações e desolações em todos os povos da Terra. No Livro de Isaías, 14, lemos: “O Senhor quebrou a vara dos perversos e o bastão dos dominadores que feria os povos com furor com golpes incessantes, que dominava com cólera as nações perseguindo-as implacavelmente.”.

De um lado totalmente oposto temos outra cidade chamada Nova Jerusalém, uma outra “Luz do Mundo”, um “Brilhante Luzeiro da Manhã”, a chamada Noiva. Também está sobre sete colinas. Mas não há nenhum rio fluente, e sim um Mar de Cristal. Tem como rei um outro dador de luz. É a cidade da paz, cujas portas nunca se fecham. Dentro dela está a Árvore da Vida. Não existe noite e nem iluminação externa. A luz é interior. Essa cidade não é uma cidade desse mundo, mas sim uma cidade que veio do céu. No Livro do Apocalipse 21:2 lemos: “Vi a cidade santa, a Nova Jerusalém, que descida céu do lado de Deus, ornada como uma esposa se enfeita para o esposo”.

Que significa a existência dessas duas cidades? Supondo ter existido Babilônia, não terá sido como foi descrita literalmente. Já Nova Jerusalém é contrária a todas as leis da natureza. Assim, as duas cidades são simbólicas.

Para entender essa simbologia vamos retroceder até a um longínquo passado, quando o ser humano não havia alcançado o desenvolvimento que alcançou atualmente.

Quando nós, como Espíritos Virginais manifestos, entramos no Período Terrestre, o quarto Período do nosso Esquema de Evolução, começamos o trabalho de união entre nós, o Ego, e o nosso Tríplice Corpo. O objetivo desse trabalho foi modificar os Corpos para serem interpenetrados pela Mente, o veículo mais novo que hoje possuímos.

No Corpo Denso começamos a construir a testa, para abrigar o cérebro, e seus dois hemisférios – hemisférios cerebrais –, e a dividir o Sistema Nervoso em Voluntário e Involuntário, criando a Medula Espinhal. Perceba que só com um Sistema Nervoso Voluntário é que podemos ter meios de estimular nosso Corpo Denso a fazer movimentos orientados por nós e não somente por impulsos externos.

No Corpo Vital, as modificações foram feitas para que esse continuasse com a forma do Corpo Denso, criando, assim, um cérebro vital e os Sistemas Nervosos Voluntário e Involuntário vital. Também, o ponto da raiz do nariz da parte etérica e da parte física foram colocados na mesma posição relativa, ou seja, concentrizados.

No Corpo de Desejos foi efetuada uma divisão em duas partes: uma superior e outra inferior.

Com isso, as Hierarquias Criadoras, as que nos auxiliavam nas modificações e aquisições de novas ferramentas para utilização nesse Mundo Físico, puderam nos dar as seguintes orientações:

  • Os Senhores da Mente (Hierarquia Zodiacal de Sagitário) cuidaram da parte superior do Corpo de Desejos, estimulando-nos a gerar desejos e emoções altruístas, superiores;
  • Os Senhores da Mente (Sagitário), também, nos deram o germe da Mente;
  • Os Arcanjos (Hierarquia Zodiacal de Capricórnio) foram ativos na parte inferior do Corpo de Desejos, dando-nos possibilidade de termos desejos e emoções inferiores;
  • Foi feita a divisão dos sexos. Metade da força sexual criadora foi utilizada para construirmos o cérebro e a laringe, órgãos indispensáveis para criar e se expressar no Mundo Físico.

Estava criada a base para a expressão individual aqui na Região Química do Mundo Físico. E com as modificações atmosféricas da Época Atlante, o ser humano pode ver os objetos da Região Química do Mundo Físico com claridade e nitidez. Como diz a Bíblia: “Eles olharam-se, seus olhos foram abertos e viram que estavam nus.”.

Foi daí por diante que o ser humano pode guiar a si mesmo, aprendendo a ser independente, assumindo responsabilidade por seus próprios atos. Os seres humanos eram infantis no Mundo Físico. A nossa consciência está toda voltada para os Mundos espirituais.

Como em toda Onda de Vida, também na Onda de Vida dos Anjos, houve seres atrasados. A esses seres conhecemos como Anjos Caídos ou Anjos Lucíferos ou, ainda, Espíritos Lucíferos, ou, simplesmente, Lucíferes. Estes estavam numa situação estranha. Os Anjos não necessitam de cérebro para adquirir conhecimento e, portanto, não havia necessidade de construir um. O ser humano necessita e sabe construir um. Os Anjos Lucíferos necessitam, mas não sabem construir um.

Quando os Anjos Lucíferos viram que o ser humano desenvolveu um cérebro e a medula espinhal, eles viram uma oportunidade de evoluir ajudando o ser humano a focar a sua consciência na Região Química do Mundo Físico.

Através de quando o ser humano renascia como mulher, que expressa o polo negativo da força criadora, a imaginação, eles conseguiram nos ajudar a entender que o ser humano possuía um Corpo Denso, que o Mundo Físico era também realidade, que podia aprender muito aqui, e que podia comer da Árvore do Conhecimento. Quando o ser humano renascia como mulher ajudava quando o ser humano renascia como homem a entender isso também e, desde então, “os seus olhos se abriram e conheceram o bem e o mal”.

Então, os Lucíferos apareceram como “Dadores de Luz”, aquele que mostrou o caminho do conhecimento. Incitaram o ser humano a tomar em suas mãos o domínio do uso da força sexual criadora. Incitaram – ou seja: tentaram – o ser humano a exercitar o egoísmo, a ambição, o abuso da força criadora e a conhecer a morte. Criaram um ponto de contato – que eles tanto necessitavam para seu desenvolvimento. Esse ponto é o lado esquerdo, ou o hemisfério esquerdo, do nosso cérebro. Esse lado tende para o egoísmo. Aí está assentado os Anjos Lucíferos, aí está a cidade da Babilônia.

Como lemos no Livro do Apocalipse 17:4: “A mulher se vestia de púrpura e escarlate, estava adornada de ouro e pedras preciosas e pérolas (…). Na fronte trazia escrito um nome: ‘Babilônia, a grande, mãe das prostitutas e das abominações da terra’”. E as “sete colinas (ou montes) sobre as quais a mulher (ou a prostituta) está sentada.” (Apo 17:9) são os sete lugares de observação localizados na cabeça: os dois ouvidos, as duas fossas nasais, a boca e os dois olhos. Sobre esses lugares se apoia o cérebro, donde o “Dador de Luz”, a razão, o raciocínio, o intelecto, governa o pequeno mundo, o microcosmo, os veículos dos seres humanos.

Aliás, os dez veículos que nós possuímos: o Tríplice Espírito, a Tríplice Alma, o Tríplice Corpo e a Mente, que os une, são os dez cornos da besta que São João fala no Livro do Apocalipse 17:12: “Os dez chifres que vês são dez reis, que ainda não receberam a realeza, mas com a besta receberão poder de reis por uma hora. Eles, de comum acordo, emprestarão à besta seu poder e autoridade”.

Os Espíritos Lucíferos nos ajudaram a enfocar a nossa consciência no Mundo Físico e a conquistá-lo, mas com isso sofremos e ficamos sujeitos a tristeza, a dor e a morte.

Agora está na hora de voltar. Como estudamos na parábola do Filho Pródigo.

Devemos nos livrar desse caminho de sofrimento, de dor, de tristeza. Mas como, se só sabemos conhecer algo através do raciocínio, da razão, da utilização do hemisfério esquerdo do nosso cérebro?

Aqui é nos dado outro meio de adquirir o conhecimento. É através da Intuição, que quer dizer, conhecimento interno. É uma faculdade espiritual, igualmente presente em todos nós, mas mais proeminente quando renascemos em um corpo feminino.

Sabemos que utilizamos muito pouco o hemisfério direito do nosso cérebro. Também sabemos que o coração está se movendo lentamente da esquerda para a direita. E também que se trata de um órgão que possui fibras musculares cruzadas, tipo este que está sob o controle da nossa vontade. Entretanto, não podemos controlá-lo…ainda.

Aos poucos, com as nossas ações altruísticas, de serviço, de amor desinteressado, de Fraternidade Universal, de utilização apropriada da força sexual criadora estamos construindo mais fibras cruzadas no coração de modo que, a devido tempo, poderemos controlá-lo.

Quando isso ocorrer, poderemos recusar enviar o sangue para o Hemisfério Esquerdo de nosso cérebro, a Babilônia e a cidade de Lúcifer cairá.

Então, poderemos enviar o sangue para o hemisfério direito do cérebro teremos construído a Nova Jerusalém, a cidade da Paz (Jer-u-Salem — ali haverá paz).

Concomitante a isso, nosso Corpo Denso se fará mais sutil, mais próximo de se fundir ao Corpo Vital, formado de Éteres. Isso faz parte da preparação para entrada na nova Época que se aproxima, a Época Nova Galileia, onde teremos outro novo veículo, o Corpo-Alma, formado dos dois Éteres superiores e construído por meio da quinta essência do nosso serviço amoroso e desinteressado prestado a todos os seres vivos. Tal Corpo não se cansará nunca! Portanto, não existirão noites (“Não existe noite.” Ap 21:25). As doze portas para o assento da consciência, que são os doze nervos cranianos, nunca estarão fechadas (“As portas nunca se fecharão.” Ap 21:25).

A Nova Jerusalém será formada de Éter Luminoso e deixará transluzir a luz solar. (“A cidade não tem necessidade de sol nem de lua que a ilumine.” Ap 21:23).

O amor será altruísta e a razão aprovará seus ditames. Cada um trabalhará para o bem de todos. A Fraternidade Universal abarcará todos os seres, unidos pelo amor e guiados por Cristo, que terá retornado (“Os seus servos o servirão e verão a sua face e trarão seu nome nas fontes.” Ap 22:4).

Não haverá morte porque a Árvore da Vida, a faculdade de gerar a força vital, estará lá e se fará possível para todos.

Para que tudo isso ocorra, temos que trabalhar muito, com o objetivo sempre voltado para “frente e para cima” por meio do nosso serviço amoroso e desinteressado para com os outros. O objetivo, agora, não é mais a conquista da Região Química do Mundo Físico, mas sim a Região Etérica do Mundo Físico, já no caminho de “volta para a casa do Pai”, onde seremos colaboradores conscientes do seu maravilhoso Esquema de Evolução.

Mas, como disse São Paulo: “devemos formar o Cristo dentro de nós”. Caso contrário, não estaremos prontos para a sua segunda vinda.

Terminamos repetindo Ângelus Silésius:

“Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém,

Se não nasce dentro de ti, tua alma seguirá extraviada.

Buscará em vão a cruz do Gólgota,

Enquanto ela não se levantar dentro de ti mesmo.”

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Calendário: Fraternidade Rosacruz em Campinas/SP/Brasil–2022–Julho

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Nossa Jornada Cíclica

Há corpos celestes e corpos terrestres, mas certamente uma é a glória dos celestes e outra, a dos terrestres. Uma é a claridade do Sol e outra é a claridade das estrelas, porque até uma estrela difere em claridade de outra estrela.”

(I Cor 15:40-41)

Toda pessoa dada à meditação uma vez ou outra há de ter considerado a imensidade do tempo e, talvez, chegado a mesma conclusão que Walt Whitman em seu trabalho “Canção de mim mesmo” no Poema 20 onde ele detalha sobre a amplitude do tempo[1]. Comparando o tempo com nossa curta estadia sobre a Terra, compreendemos que nossa existência aqui dura só um momento ínfimo, um relâmpago de consciência.

A evolução é um fato na natureza e aponta para um plano, uma meta que pode ser alcançada com o tempo. Permite-nos chegar à conclusão de que seremos capazes de alcançar a perfeição por meio da experiência. “Em qualquer parte na natureza encontra-se esse lento e persistente esforço pela perfeição.”

Sabemos, por intuição, que para o ser humano existe algo mais do que este curto lapso de existência no meio físico. Continuando a viver esta nossa vida diária descobrimos que o tempo segue sua marcha inexorável, quer nos interessemos por ele ou não, e que a morte é o fim de cada existência, de cada ser que vive sobre a Terra. Essa conclusão nos faz formular as seguintes perguntas, formal e meditativamente: de onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos?

Sabemos que nascemos em um Corpo Denso e pequenino, mas possuindo abundantes qualidades. Sabemos que esse Corpo cresce até alcançar a estatura de adulto e que realmente nos serve bem. Depois de funcionar durante uma vida ele se torna menos flexível e não executa nossas ordens tão prontamente como antes. Finalmente, em meio a todas as incertezas que esta vida nos oferece, há só uma certeza: que algum dia nossa jornada terminará.

Com a ajuda da lógica e da intuição, da analogia e da fé, chegamos à conclusão de que a morte não põe fim à nossa existência. Há dentro de nós algo indicando que todos os sonhos e todos os nossos planos não terão fim quando terminar nossa existência física. Se o ser humano não possuísse mais do que o Corpo Denso, seria impossível manifestar algo mais do que as substâncias químicas que constituem a sua forma. O denso Mundo Físico é feito de cristais inertes, porém o pensamento e o sentimento do ser humano penetram em reinos superiores. Devemos realmente compreender que são necessários outros e mais sutis veículos para suas múltiplas experiências no plano terrestre.

Agora se impõe a seguinte pergunta básica e devemos encontrar a sua resposta. Descobrimos que o que chamamos de morte é uma mudança da consciência de um plano de existência a outro.

Há leis cósmicas e imutáveis que não são menos importantes para a nossa vida espiritual e mental do que a lei da gravidade é para a nossa existência física.

Descobrimos que a matéria e a energia nunca estão em estado de repouso, mas perpetuamente estão mudando de um estado de visibilidade a um estado de invisibilidade e vice-versa. Sondando o enigma da nossa existência temos de tomar em consideração esse fato. Temos que admitir que “vivemos em um Mundo de efeitos que é o resultado de causas invisíveis”.

Não podemos perceber as forças que moldam a matéria e a forma, as quais são invisíveis aos nossos sentidos. Reconhecemo-las por suas manifestações. A eletricidade, para mencionar uma delas, chegou a ser o servidor mais valioso do ser humano, depois dele compreender as leis que a regem. Com a ajuda da câmera fotográfica, do microscópio e dos Raios-X, estamos começando a olhar o interior, os, até agora, invisíveis processos da natureza. Porém, até que o ser humano obtenha um sentido inteiramente novo, será incapaz de resolver o problema dos reinos invisíveis, completamente.

É lógico concluir que os “mortos” se encontram agora em Mundos invisíveis para nós. Porém há alguns que, tendo conhecimento direto e definido, percebem esse plano por meio de um sexto sentido. Não existe algo de sobrenatural nisso, mas como é “suprafísico” deve despertar-se e se desenvolver.

As palavras de Cristo, “Procurai e encontrareis“, foram particularmente aplicadas às qualidades espirituais e dirigidas a “qualquer um que as deseje”. Não existe alguém que impeça e, sim, muitos que desejam ajudar o investigador sincero que está à procura do conhecimento.

O desenvolvimento desse conhecimento começa com “o melhoramento de si mesmos”.

Os Mundos invisíveis estão divididos em diferentes reinos, porém essa divisão não é arbitrária, mas necessária, porque cada plano é regido por leis diferentes. Como cada Mundo está composto de matérias diferentes, o ser humano deve ter um veículo feito da mesma substância com o objetivo de poder funcionar naquele Mundo. Como foi escrito pelo Apóstolo São Paulo na sua Epístola aos Coríntios, “Como trazemos em nós a imagem do ser humano terrestre, devemos também trazer a imagem do celeste”.

No estado de vigília, todos os veículos do ser humano são concêntricos com o Corpo Denso, quando o pensamento, o sentimento e a ação estão funcionando. Mas, quando o Corpo se cansa e esgota, esses veículos mais elevados saem do Corpo Denso. Isso causa a inconsciência, sobrevindo o sono. Assim, esse veículo denso pode ser restaurado, tornando-se de novo útil e eficiente.

O ser humano é uma parte da natureza e, também, é uma miniatura dela. A vida do nosso Planeta reflete-se em menor escala na vida humana. O Grande Ser que habita nosso Planeta é um dos Sete Espíritos diante do Trono. O ser humano também é um Espírito e foi feito à semelhança de Deus.

A fonte dos Planetas é o pai Sol e eles giram em torno dele em ciclos elípticos. O espírito humano dá voltas ao redor de sua fonte, Deus, também em órbita elíptica.

O ser humano está mais perto de Deus quando sua esfera o leva para próximo de sua fonte. E está mais distante enquanto vive sua vida aqui na Terra, em seu Corpo Denso. Todos nós sentimos em algum momento a saudade das regiões celestiais.

Essas posições cambiantes são necessárias para que o ser humano possa adquirir experiências variadas e realizar-se como um ser humano completo. No presente, o ser humano não pode permanecer perpetuamente no Céu, nem um Planeta pode parar e permanecer imóvel.

Cada existência terrestre é um capítulo da história da vida, extremamente humilde no começo, porém aumentando em importância à medida que nos elevamos a posições mais e mais altas de responsabilidade humana.

Nenhum limite é concebível, porque em essência somos divinos e, portanto, devemos ter as infinitas possibilidades de Deus. O poder para desenvolver essas potencialidades internas está dentro de nós. E o trazemos conosco em cada nascimento.

Na presente circunstância, a morte é uma necessidade. Novos nascimentos em novos ambientes fornecem ao ser humano outras oportunidades de aprender todas as lições que ele possa desejar aprender durante um dia na escola da vida.

Temos de compreender que a continuidade da vida é um fato fundamental, se desejamos estudar a existência do ser humano aqui e no Além. O renascimento, assim como a Lei da Causa e Efeito, torna possível que o ser humano desenvolva todos os seus poderes latentes na amplitude do tempo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1974-Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.T.: poema 20 da obra Canção de Mim Mesmo (Song for Myself):

Quem vai ali? Cheio de realizações, tosco místico, nu;

Como extraio energia da carne que consumo?

O que é um homem afinal? O que sou eu? O que és tu?

Tudo o que marco como sendo meu tu deves compensar

com o que é teu.

De outro modo seria perda de tempo me ouvir.

Não lanço a lamúria da minha lamúria pelo mundo inteiro,

De que os meses são vazios e o chão é lamaçal e sujeira.

Choradeira e servilismo são encontrados junto com os

remédios para inválidos, a conformidade polariza-se

no ordinário mais remoto.

Uso meu chapéu como bem entender dentro ou fora de casa.

Por que eu deveria orar? Por que deveria venerar e ser

cerimonioso?

Tendo inquirido todas as camadas, analisado as minúcias,

consultado os doutores e calculado com perícia,

Não encontro gordura mais doce do que aquela que

se prende aos meus próprios ossos.

Em todas as pessoas enxergo a mim mesmo, em nenhuma

vejo mais do que eu sou, ou um grão de cevada a menos.

E o bem e o mal que falo de mim mesmo eu falo delas.

Sei que sou sólido e sadio.

Para mim os objetos convergentes do universo

perpetuamente fluem,

Todos são escritos para mim, e eu devo entender o que a

escrita significa.

Sei que sou imortal,

Sei que a órbita do meu eu não pode ser varrida pelo

compasso de um carpinteiro,

Sei que não passarei como os círculos luminosos que as crianças

fazem à noite, com gravetos em brasa.

Sei que sou augusto.

Não perturbo meu próprio espírito para que se defenda ou

seja compreendido,

Vejo que as leis elementares nunca pedem desculpas,

(Reconheço que me comporto com um orgulho tão alto

quanto o do nível com que assento a minha casa, afinal).

Existo como sou, isso me basta,

Se ninguém mais no mundo está ciente, fico satisfeito.

E se cada um e todos estiverem cientes, satisfeito fico.

Um mundo está ciente e esse é incomparavelmente o maior

de todos para mim, e esse mundo sou eu mesmo,

E se venho para o que é meu, ainda hoje ou dentro de

dez mil anos, ou dez milhões de anos,

Posso alegremente recebê-lo agora, ou esperá-lo com

alegria igual.

Meus pés estão espigados e encaixados no granito,

Debocho daquilo que chamas de dissolução,

E conheço a amplitude do tempo.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Misericórdia e a Piedade

Palavras tão pouco difundidas e com significados tão pouco conhecidos e, muito menos, aplicadas.

Misericórdia e piedade não têm nada a ver com a lógica, a razão, em primeira instância.

A primeira ideia que surge quando nelas pensamos é a de cunho místico, devocional, onde se sente pelo coração. Muitas vezes, a prática da misericórdia se limita a nossa incapacidade de ter feito algo correto, erros que estamos sofrendo. Já a piedade se limita a um modo de conformar os outros pelo erro cometido.

Quantas vezes por dia nos tornamos perturbados – e com razão – por causa daqueles que não se importam com pessoa alguma e desconhecem o próximo?

Quando estamos dirigindo um carro e outro nos corta subitamente, qual é a nossa reação? É raiva ou desdém?

Quando, em uma reunião, palestra ou até em uma audição, ouvimos alguém fazer um comentário que para nós não é totalmente válido, por estar sendo encarado do ponto de vista terreno, condenamos esse alguém por sua ignorância ou rimos pela sua falta de compreensão?

Quando vemos um criminoso na TV, nos vídeos da internet ou lemos sobre ele nos meios de comunicação, qual é a nossa reação? Dizemos: “Bem-feito, era isso que ele merecia”, esquecendo que ele é fraco e está perdido num mundo que sensacionaliza o crime? E que mais ainda e acima de tudo: é um nosso irmão ou uma nossa irmã?

Quando alguém nos faz algum aparente mal desejamos e procuramos uma oportunidade para se vingar?

Se a qualquer uma dessas perguntas respondemos “sim”, então somos fracos, ignorantes e negligentes em relação aos outros. Não praticamos a misericórdia.

Ter misericórdia é nos conscientizarmos da fraqueza do próximo, nosso irmão ou nossa irmã. E, além disso, ajudá-lo ou ajuda-la por meio da compreensão de seus atos, enviando-lhe pensamentos positivos ao invés de negativos.

Misericórdia é a manifestação do amor quando levamos em consideração a fraqueza do próximo, nosso irmão, nossa irmã.

Misericórdia é a manifestação do Amor de Deus, de modo especial quando considera a fraqueza das criaturas.

A misericórdia de Deus é infinita e universal. Lemos no Livro dos Salmos 144:9: “Para todos é bom o Senhor e a todas as criaturas estende-se a sua misericórdia”. No Livro do Eclesiástico 18:12: “A misericórdia do homem tem por objeto o seu próximo; mas a misericórdia de Deus estende-se a toda a carne”.

Tanto o pecador como o contrito são objetos da misericórdia de Deus. Lemos no Evangelho Segundo São Lucas 1:50: “E a sua misericórdia se estende de geração a geração sobre os que o temem”. E no Livro dos Números 14:18: “O Senhor é paciente e de muita misericórdia, que tira a iniquidade e as maldades e que a nenhum culpado deixa sem castigo”. No Livro de Isaías, 55:7: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem iníquo os seus pensamentos, e volte-se para o Senhor e haverá dele misericórdia, e para o nosso Deus, porque Ele é de muita bondade para perdoar”.

Ora, se Deus é misericordioso tanto com o pecador quanto com o arrependido, quem somos nós para não sermos?

A prática da misericórdia é impedida pela vaidade e pelo orgulho de não admitir as muitas ignorâncias que ainda possuímos. Ou ainda, que em muitos casos sabemos e temos certeza de que estamos corretos. Por isso julgamos.

Tornamo-nos juízes. E, assim, agindo como juízes, nos colocamos numa posição de autoafirmação e utilizamos da razão para justificar. Somos “aquele que nunca agiu assim”. Ou “se fosse conosco jamais teríamos feito desse modo”.

Primeiro: “será que nunca agimos deste modo?”. Segundo: “como saber se realmente isto está errado?”.

Segundo: se você tivesse o mesmo horóscopo do irmão ou da irmã que você está julgando, com as mesmas configurações adversas e benéficas e os mesmos Signos nas cúspides de cada Casa, tem certeza de que não agiria daquele modo ou, talvez, até pior?

Como não estamos certos, com toda a certeza, de termos agido deste modo ou não, tratemos de aproveitar as situações aqui descritas, como oportunidades para servir. Por exemplo: quando alguém passa por nós e nos injuria podemos dizer: “quantas vezes já me senti culpado por isto; quantas vezes agi dessa maneira”, ao invés de praguejar, de brigar ou de revidar.

Neste contexto, qual foi um dos mais característicos traços de Cristo-Jesus na sua jornada aqui na Terra? A Sua misericórdia. Principalmente para com os abandonados e arrependidos.

Podemos ler no Evangelho Segundo São Mateus 9:36: “e olhando para aquelas gentes, se compadeceu delas: porque estavam fatigadas e quebrantadas como ovelhas sem pastor”.

Podemos vê-la facilmente expressa nas parábolas: do filho pródigo, do bom samaritano e da ovelha perdida.

A compreensão da misericórdia na doutrina de Cristo leva-nos a concebê-la como: o perdão da ignorância e do egoísmo do nosso próximo e de nós mesmos.

Aqui praticamos a lei de dar e receber. E a lei de semelhante atrai semelhante. Pois se praticarmos a misericórdia – perdão pela ignorância – recebemos misericórdia – perdão pela nossa ignorância.

Como isso, vemos que o Amor de Deus não pode estar num coração sem misericórdia. E isso se dá na conscientização de que não sabemos tudo, que erramos, blasfemamos, somos ignorantes.

A partir daí, podemos agir:

. com maior compreensão, perdoando os que nos ofendem;

. com maior tolerância, procurando criticar construtivamente algo que não

. entendemos ou que, ao nosso ver, está errado;

. com paciência, procurando argumentos lógicos e amorosos em nossas colocações; com humildade, procurando entender as limitações, as restrições e lições que devemos aprender dos e com os outros.

Portanto, a misericórdia é uma virtude que deve ser vivida com toda a intensidade pelo Aspirante à vida superior em todas as circunstâncias e situações em que a ele for apresentada.

Quantas vezes ao ver um irmão ou uma irmã sofrer viramos o nosso rosto, torcendo para que ele ou ela e ninguém nos solicitem?

Quantas vezes nos esquecemos de dirigir uma oração a esse irmão sofredor ou a essa irmã sofredora que está passando por alguma dificuldade, seja física, moral, espiritual ou psíquica.

Quantas vezes não admitimos que a dificuldade que um irmão ou uma irmã está passando é realmente uma dificuldade?

Achando que nós, em seu lugar, tiraríamos de letra e, portanto, julgamos que ele ou ela está sofrendo porque quer?

Tudo isso é a falta de compreender o que é piedade.

Na verdade, achamos que compreendemos o que é piedade e acreditamos que a aplicamos quando a dificuldade é conosco, ou com algum familiar ou, no máximo, com algum conhecido muito querido. Então, passamos a procurar uma igreja e a realizar atos tais como acender velas, ajoelhar, rezar terços, novenas, jejuns, “envio de energias”, passe espiritual entre outras coisas.

Caso contrário, no máximo chegamos a alguma frase do tipo: “que Deus o ajude”, “deve estar pagando alguma dívida passada”, “coitado”, “tome e faça essa oração todos os dias”. E nos afastamos com a certeza do dever cumprido e torcendo para que não sobre nada para nós.

Afinal piedade não é a tristeza pelo sofrimento e desgraça alheia? Pois então: já ficamos tristes! Já expressamos nosso sofrimento pela desgraça alheia e muita gente viu (temos testemunhas). Agora voltamos a ser alegres e a esquecer a desgraça alheia, certo?

Agora, para o Aspirante à vida superior piedade é o primeiro passo para a compaixão. Piedade é a capacidade de sentir a dor alheia. Piedade é uma virtude que inclina o ser humano para Deus numa filial obediência e amor reverencial.

Na maioria das vezes a piedade praticada é aquela que os fariseus praticavam no tempo de Cristo-Jesus onde eles sobrepunham de tal modo o ritualismo externo às práticas internas que a verdadeira piedade interior ficou a perigo de desaparecer.

Cristo-Jesus, porém, iluminou novamente o caminho como vemos no Evangelho Segundo São Mateus 6:1-18: “Guardai-vos não façais as vossas boas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles (…). Não faças tocar a trombeta diante de ti”.

Ou: “e quando orais, não haveis de ser como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das ruas para serem vistos”.

Ele mostrou que a verdadeira piedade consiste em fé firme, confiança filial, submissão a vontade de Deus e que se manifesta pelo amor ao próximo. E é nesse sentido que precisamos ser capazes de sentir a dor alheia.

Uma das melhores maneiras é através das nossas próprias experiências: o que sentimos em determinada situação poderá ser transmitido para outro em situação similar.

Isso é aplicável desde que aprendamos com as nossas experiências, tomando consciência da relação causa e efeito. Para isso, sem dúvida, muito contribui o processo de captação da quinta essência que é feito pelo Exercício Esotérico da Retrospecção.

Agora, e em situações que ainda não experimentamos? Como podemos sentir o quão é doloroso ou dificultoso?

Se olharmos o nosso horóscopo podemos descobrir como tenderemos a sentir tal experiência. Ou se usarmos a imaginação pode criar um modelo que facilitará enormemente compreender a dor alheia.

Uma vez entendido, compreendido e assimilado a situação do irmão sofredor ou irmã sofredora estamos prontos a sentir a compaixão e, portanto, nasce naturalmente um desejo de ajudar a minorar o seu sofrimento. Podemos ter a certeza que aí, nesse ponto, a ajuda é eficaz, bem dosada e proveitosa.

Por exemplo: quando encontramos um irmão ou uma irmã doente podemos falar-lhe: “coitadinho. Deus o ajudará” ou, após imbuir-se do seu sofrimento, sentindo a tristeza e a dor que ele está sentindo, dizer-lhe: “está bem, você está doente e precisa de ajuda, o que você pretende fazer?”.

Outro exemplo: há muitas pessoas no mundo que sentem pena dos animais, que até fundam sociedades para protegê-los contra maus tratos. Mas continuam comendo essas mesmas criaturas que elas intencionam salvar (ou será que cachorro, gato, cavalo e outros “pets” não são animais com a mesma necessidade de evolução da vaca, do boi, da galinha – enfim de todas as espécies animais e aves, dos peixes, dos crustáceos, dos anfíbios e afins?). Até certo ponto, podemos considerar isso piedade. Mas essa só será totalmente verdadeira como primeiro passo para a compaixão quando puderem dizer: “eu sinto tanto por eles que estou preparado para renunciar a comê-los”.

Portanto, vemos que a piedade nos eleva acima das dificuldades impostas pela nossa Personalidade em entender as dificuldades, sofrimentos e tristezas dos nossos irmãos ou das nossas irmãs e, com isso, entender as nossas. É o meio que nos ajudam a ser mais eficazes no nosso servir. A ser mais conscientes do que é ajudar e o que não é.

É, enfim, a compreensão de que como Deus, nosso Pai, entende as nossas dificuldades e de como ele está sempre criando meios que nos ajudam a suplantá-las.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Há Estações, Tempo, Idades e Épocas nos Planos Internos da Natureza?

Resposta: Não. Há como um dia muito longo, sem fim. Ali não há tempo, porque sua existência provém da rotação da Terra ao redor de seu eixo e sua revolução em torno do Sol. Esses movimentos produzem o dia e a noite, o verão e o inverno, o calor e o frio. A constituição opaca e sólida da Terra torna-a impenetrável aos raios luminosos e ao calor emitido pelo Sol.

Nos Mundos suprafísicos, porém, nada é opaco nem frio. Nem há verão ou inverno. Tudo é um dia brilhante, largo…, eterno.

Quando deparamos com aqueles que passaram o umbral da morte, tomamos conhecimento de que eles não têm a menor ideia de tempo. E, algumas vezes, perguntam quanto tempo faz que morreram. Há só um meio de avaliar o tempo. E ele é empregado pelos Clarividentes voluntários exercitados para localizar os acontecimentos quando os examinam na Memória da Natureza, ou seja, mediante a Astrologia, observando a posição dos Astros. Por suposto, se o acontecimento em observação ocorreu nos tempos históricos, pode-se determinar o ano de ocorrência mediante outro acontecimento histórico registrado na época.

Quando o fato aconteceu há muitos milhares de anos atrás, como é o caso das inundações atlantes, busca-se o tempo de sua ocorrência na Precessão dos Equinócios. Essa consiste no movimento retrógrado do Sol através dos doze Signos zodiacais, movimento este que se completa em cerca de vinte e seis mil anos.

Pode-se determinar a época em mira contando o número de períodos de vinte e seis mil anos transcorridos entre a primeira e a segunda inundação, entre a segunda e a terceira e desta a nossos dias. Se se ignora a ciência dos Astros, não é possível utilizar esse sistema. Aliás, isto constitui um bom motivo para Estudante Rosacruz aprender a Astrologia Rosacruz.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz outubro/74 – Fraternidade Rosacruz SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Panaceia Espiritual preparada no Templo da Ordem Rosacruz

Vamos falar hoje sobre o significado de algumas palavras-chaves dos Ensinamentos Rosacruzes, isto é, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. Algumas dessas palavras vêm do grego e têm uma distinta conexão filosófica com as aspirações do Mundo Ocidental.
Termos como Panaceia, Arquétipo, Cosmos, Ecclesia, Hierofante, Neófito, Mistério, Misticismo, etc. expressam uma evolução filosófica de processo do pensamento e nos dão um vislumbre do progresso do Cristianismo Místico. O Estudante Rosacruz compreende, sem dúvida, seu significado. Não obstante, as palavras acima mencionadas estão propensas a ocultar certos aspectos sutis e que, amiúde, passam por alto, sendo necessário, portanto, trazê-las à luz. Somente quando compreendermos a origem e o completo significado de tais iluminadoras palavras podem elas converter-se em símbolos vivos, imagens pulsantes do pensamento, que nos desvendam um sentido mais profundo, o qual se acha contido na Filosofia Rosacruz. Adentremo-nos à filosofia e à mitologia da Grécia pré-cristã a fim de obter alguma luz, pois essas palavras simbólicas foram criadas pelos pensadores da antiga Grécia, particularmente por Platão, Aristóteles, Hipócrates e vários outros durante um dos períodos mais gloriosos da história: a Idade de Ouro.
O termo Panaceia envolve, talvez, uma das palavras de maior significado dentro dos nossos ensinamentos. Designa uma das três pedras angulares: CURAR, SERVIR e PREDICAR o ensinamento. Sobre essas três pedras se orienta a filosofia dos Irmãos Maiores. Panaceia é uma palavra simbólica que expressa a aspiração e o desvelo da Fraternidade Rosacruz no desenvolvimento da Arte de Curar pelo método Rosacruz.
O dicionário Webster define a Panaceia como: “um remédio universal que oferece a cura para todas as enfermidades”. No idioma grego PANAKEIAS, uma palavra composta, que une a PAN (tudo) com AKEISTHAE (curar). Literalmente significa: um remédio para curar tudo ou uma fórmula para a cura de todas as enfermidades físicas ou mentais. Na mitologia Grega, Panaceia e Hâgeia (saúde) eram irmãs.
Ambas eram filhas de Asklepios (fàusculapius em latim), o Deus da Cura. Este, por sua vez era filho de Apolo (o Deus Sol), o Grande Médico.
Os Centros de Cura existiram desde tempos imemoriais, na Grécia. Eram dedicados a Asklepios, o Deus da Cura. Seus sacerdotes constituíam um grupo de curadores especializados, muito devotos e espirituais, que praticavam também a medicina no sagrado recinto chamado Asklepión. Em épocas astrologicamente propícias, os enfermos eram levados a esse lugar santo, onde se lhes subministravam umas tabuinhas em forma votiva, isto é, mediante certa cerimônia (uma espécie de hóstia sagrada) as quais haviam sido deixadas pelos ex-pacientes agradecidos, a fim de levantar sua fé no Deus da Cura. Depois dos serviços religiosos eram deixados ali durante à noite, onde dormiam. Durante o sono, os sacerdotes lhes subministravam remédios por meio de conjuros e encantamentos da Panaceia, Hygeia e Asklepios.
Por esses métodos de cura, muitos pacientes despertavam na manhã seguinte completamente curados, tal como contam muitas inscrições existentes. Esse ritual é tecnicamente conhecido como “Incubação”, do termo grego “Epoaso”, que quer dizer, chocar ou sentar-se sobre ovos.
Existe uma grande semelhança entre o Templo de Cura grego e a Arte de Curar da Fraternidade Rosacruz, porque ambos os métodos empregam a ajuda espiritual do Mundo Ocidental em seus esforços de ajudar a humanidade a obter a saúde do corpo mediante uma combinação da Panaceia Espiritual e meios físicos, proporcionando uma dieta adequada, exercício e Astroterapia. Quando examinamos os diferentes significados de Panaceia, Hygeia ou saúde, e Astroterapia do ponto de vista Rosacruciano, vemos Max Heindel afirmar que a saúde ou Hygeia é uma condição do corpo quando todos os órgãos trabalham em perfeita harmonia. Mas, quando essa é quebrada por um órgão que tem sua função reduzida ou por outros que a têm acelerada, então produz-se a enfermidade. Se essa se prolonga devido ao paciente ser incapaz de aproveitar as oportunidades astrais favoráveis, então se aplica a Panaceia. Como diz Max Heindel: “A Panaceia faz com que a concentrada substância da Vida de Cristo flua através do corpo e infunda a cada célula um certo ritmo que desperta o Ego aprisionado em sua letargia e lhe devolve a vida e a saúde”.
Em que consiste essa Panaceia e o que pode realizar, Max Heindel conta que lhe ocorreu uma imagem mental inesquecível, quando visitou o Templo da Ordem Rosacruz. Ao penetrar no Templo, viu três esferas dependuradas no teto. “Na esfera superior observou um pequeno recipiente contendo vários pacotes cheios de substância do Espírito Universal. Depois que os Irmãos se sentaram em uma posição específica, e a música preparou o ambiente, inesperadamente as esferas começaram a brilhar com as três cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Durante esse encantamento, o recipiente que continha os pacotes tornou-se luminoso com uma essência espiritual, a qual os Irmãos aplicavam nos pacientes, enquanto eles permaneciam adormecidos. No processo de administrar essa Panaceia, a substância contida nos pacotes se espalhava como por arte mágica e destruía a matéria cristalizada que cobria os centros espirituais do corpo enfermo. A cura era instantânea e o paciente despertava pela manhã seguinte, gozando de plena saúde”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1972 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Remédio Fácil: Andar

É de bom alvitre que cada indivíduo, de vez em quando, dê um balanço em suas atividades cotidianas, a fim de verificar se não são essas as causas das perturbações que está sentindo.

Certas dores de cabeça, irritações nervosas e indisposições para o trabalho, originam-se, muitas vezes, do excesso de repouso ou da longa permanência do corpo em má posição. Em tal atitude, o indivíduo está contrariando o próprio organismo, que requer movimento e que, não sendo atendido, protesta, através daquelas manifestações de mal-estar, aparentemente oriundas de outras causas mais graves.

Muitos neurastênicos devem a esse errôneo comportamento a sua lastimável irritabilidade. Ficam horas e horas a trabalhar sentados, ou em posição incômoda, irregular e, sentindo-se abalados em sua saúde, não se lembram de atribuir ao abuso do repouso e da postura forçada o mal de que padecem.

Após um dia de atividade sedentária, curvado o corpo e preocupado com sua tarefa, sem conceder à sua energia física a liberdade de que ela necessita, qualquer um de nós há de, por força, sentir falta de um pouco de exercício, de expansão, por assim dizer, da nossa reprimida vitalidade. O mal-estar geral e o nervosismo que então venham a nos assaltar, possivelmente desaparecerão com um simples passeio. Andar, caminhar a passos firmes e fortes, é excelente meio de indenizar o organismo dos prejuízos que sofreu durante a sua longa parada.

Sei, por experiência própria, que nem sempre se pode interromper o serviço, para tirar o corpo da situação forçada a que ele se acha submetido. Mas, logo após o serviço costumo remediar a minha inatividade física com uma caminhada compensadora. Deixando o trabalho, vou a pé pelas ruas, marchando o mais possível com vigor e tranquilidade. Tal exercício constitui um verdadeiro reconstituinte.

Andar, caminhar, realmente, é uma alegria, depois de todo um dia sem liberdade de movimento. Se as pessoas que se sentem nervosas, maldispostas e com tendência para se recolher ao leito, raciocinarem acerca da possível causa disso, talvez sejam levadas muitas vezes a concluir que o remédio está bem ao alcance das suas mãos, isto é, dos seus pés.

Experimentem, pois, andar. Andando, além de corrigir um erro prejudicial à saúde, proporcionarão ao espírito momentos de agradável e útil distração.

Assim, pode-se provar que as nossas pernas fornecem, às vezes, remédios contra o entorpecimento que lhes infligimos. Basta que as tenhamos em ação, e era uma vez o nervosismo, o desânimo e outros pequenos aborrecimentos físicos e morais, de grandes e graves consequências.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de Abril/1969-Fraternidade Rosacruz-SP)

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