Pergunta: Consideram autênticas as profecias de “Mother Shipton”?
Resposta: Meio século antes que a América fosse descoberta, “Mother Shipton”, a vidente de Yorkshire, profetizou a descoberta de uma terra desconhecida na qual o ouro abundaria. Ela viu os automóveis e as ferrovias de hoje com os muitos acidentes que causariam; o telefone, o telégrafo, escafandristas, submarinos, aeronaves, e os grandes navios de ferro que substituiriam as embarcações de madeira. Ela previu as grandes convulsões políticas no mundo, principalmente na França, sua aliança com a Inglaterra e uma mescla das raças Anglo-saxônicas que poderá ainda acontecer apesar de seu conflito atual (1914-1918). Ela viu a emancipação dos judeus e sua elevação a cargos de proeminência, e uma expansão, sem precedentes, do conhecimento mesmo entre os pertencentes às mais humildes classes sociais, finalizando com a predição sobre certas elevações da superfície da Terra, por meio das quais regiões antigas submergiriam e uma nova terra surgiria. Previu o fim do mundo para 1991.
As últimas profecias farão, provavelmente, com que a maioria dentre nós sacuda a cabeça de maneira cética, mas, se analisarmos um pouco a questão, a ideia não nos parecerá tão absurda. Sabemos que já ocorreram elevações da crosta terrestre no passado, e os terremotos e erupções vulcânicas mostram-nos que as atividades subterrâneas não estão, em absoluto, extintas. O autor viu, durante muitos anos, grandes cavernas subterrâneas cheias de óleo e gás que correm numa mesma direção, desde o Maine, atravessando todo o continente americano em direção ao sudoeste abaixo da Califórnia do Sul e prolongando-se até o Oceano Pacífico ao sul.
Sua explosão provocaria uma enorme fenda na Terra. Ao mesmo tempo, viu um arquétipo em fase de construção, que mostra a forma que terá a Terra nessa região quando um cataclismo ou uma série de cataclismos tiver destruído a atual configuração desse continente e do oceano adjacente. Talvez seja arriscado determinar quando começará essa remodelação da Terra, mas o arquétipo ou matriz moldada em matéria mental e representando o pensamento criador do Grande Arquiteto e de Seus construtores está tão próximo de conclusão que, ao julgar pelo progresso realizado durante os anos em que o autor observou a sua construção, parece seguro dizer que até a metade do século atual (1950), senão antes, as elevações ter-se-ão iniciado. Não seria de todo inconcebível se houvesse em 1991 um abalo de tal magnitude que justificasse a profecia da vidente, apontando esse ano como o do fim do mundo. Não obstante, o autor pode estar precipitando-se ao julgar que esses abalos sísmicos terão início na metade do século. Pode ser que demorem a acontecer, e que isso só ocorra no fim do século. Só o tempo dirá, mas é certo que os preparativos para uma grande mudança estão sendo feitos há séculos e estão agora quase completos no mundo invisível. Consequentemente, podemos esperar que a profecia de “Mother Shipton” se realize logo, como se realizaram as outras mencionadas no início deste artigo.
Transcrevemos a profecia para que os nossos leitores possam julgar por si próprios:
Carruagens sem cavalos andarão,
E, por desastres, muita dor no mundo causarão;
“Primrose Hill ” em Londres estará,
E no seu centro, a sede de um Bispado haverá;
Os nossos pensamentos num segundo,
Num piscar de olhos irão dar a volta ao mundo;
Grande muralha a água realizará
Embora estranho, a verdade surgirá,
Nas raízes das árvores será o ouro encontrado;
O homem percorrerá colinas
Sem cavalos ou burros ao seu lado;
Sob as águas os homens vão andar a percorrer, dormir, falar,
Em branco, em preto e em verde
Serão vislumbrados no ar.
Um grande homem virá e irá embora!
O ferro flutuará na água
Tão facilmente como um barco de madeira o faz agora;
O ouro, a riqueza será encontrada
Numa terra até agora ignorada.
O fogo e a água farão maravilhas igualmente.
A Inglaterra acolherá o Judeu finalmente,
O Judeu tão menosprezado
Nascerá de um Cristão determinado.
Uma casa de vidro deverá na Inglaterra passar.
No entanto, que pena!
A guerra estará novamente em cena.
Na terra do Turco e do Pagão,
Procurando destruir-se entre si,
Estado contra Estado ferozmente lutarão.
Mas, quando pelo Norte, o Sul se dividir,
Uma águia o seu ninho na boca do Leão vai construir.
Sangue, guerras e taxas tão pesadas
Pesarão em todas as moradas.
Por três vezes a querida França
Irá voltear numa sangrenta dança,
Antes que seu povo vá se libertar.
Verá três tiranos dirigentes,
Procedendo de dinastias diferentes,
Os três sucessivamente a governar.
Então, lutas cruéis serão travadas
Inglaterra e França, unidas, bem ligadas;
A oliveira da Inglaterra em seguida,
Em casamento com a vinha da Alemanha será cingida.
Os homens sob e sobre os rios irão andar.
Todos os filhos da Inglaterra o solo vão lavrar,
Serão vistos com livros na mão, estudando,
A cultura assim circulando
E a sabedoria também nos pobres brotando.
As águas escoarão por onde os trigais crescem,
E o trigo crescerá por onde as águas descem.
Nos vales abaixo, casas vão surgir,
Mas por granizo e neve irão se cobrir.
O mundo chegará ao fim, sem engano algum,
Em mil novecentos e noventa e um.
(Perg. 155 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
“Amor e Simpatia” – O Único Remédio Para os Males do Mundo
“Estamos vivendo um momento crítico da história da humanidade”; “a decisão tem que ser tomada”, “qual o caminho?”, “estamos numa encruzilhada”; etc. etc., dizem-nos de todos os lados as várias escolas filosóficas, e as várias igrejas. Acreditamos que Max Heindel, o mensageiro dos Ensinamentos Rosacruzes, nos dá o mais sábio conselho: amor e simpatia. Aqueles que desenvolverem e cultivarem ao máximo esses sentimentos, ajudarão a equilibrar o mundo, porque estarão fortalecendo uma corrente de forças positivas, única couraça para protegê-los, e aqueles com quem comunguem, das forças negativas de desarmonia e ferocidade.
Quem cultiva em seu coração a simpatia e desenvolve a capacidade de amar, está ajudando a equilibrar o mundo. Quem dinamiza a capacidade de amar, tem encontro com a verdade.
A única e verdadeira felicidade neste mundo vem do amor. Mas do amor dinamizado, partindo que seja de um amor pessoal, particular, até atingir as proporções totais de um amor universal generalizado a todos e a tudo que nos cerca. Assim, quem tenha a felicidade de ter filhos, família numerosa, deveria tomar consciência da grata oportunidade que lhe foi dada de poder desenvolver e aperfeiçoar sua capacidade de amar, amparar, esclarecer, sacrificar-se, ser útil, com aqueles que lhe são mais chegados, mais queridos, o que lhe tornará mais fácil a tarefa. E quantos sacrifícios exige por vezes criar um filho, amparar pais, irmãos, parentes ou amigos, dar-lhes assistência numa doença, numa prova dura da vida! Agindo sem exclusivismos nem egoísmos, verificará que serão círculos e círculos de amor que se irão multiplicando geometricamente.
Lembremo-nos de uma frase de Max Heindel que constitui um aviso sensato: “nem todos podemos ser grandes luzes para o mundo, mas seja cada um a pequena luz que brilha no lugar em que foi posto”.
Épocas houve em que anseios espirituais nos levaram a uma certa ansiedade no desejo de procurar realizar obras altruístas, de auxílio e assistência. E quando corríamos de cá para lá na busca de campo de ação, sempre se manifestava a falta de oportunidade, até a inutilidade, por vezes, daqueles esforços que nos levará aqui e ali. Numa palavra, as portas não se abriam – se bem que seja válido o esforço que se faça em ser de algum modo útil. Parece que a própria vida se encarregava de lembrar-nos o velho ditado: a caridade bem ordenada em casa deve ser começada.
Contentemo-nos em ser “a pequena luz que brilha no lugar em que foi posta”. É sem dúvida a família que construímos, é o lugar em que fomos postos.
E pensar que estamos ajudando a construir núcleos de paz e amor para o mundo dando assistência e dedicação aos nossos lares e aos nossos filhos, parentes ou amigos, onde o amor, bondade, o equilíbrio, sedimentam-se dia após dia. Isto traz-nos imensa paz e felicidade. Estaremos colaborando na construção de focos de luz que irradiarão para o mundo.
Para isso há que procurar cada um tomar consciência de si próprio, de sua realidade interna sem cobri-la com falsos véus, ser autêntico, analisar suas falhas e qualidades, conquistar o necessário domínio próprio pela força de vontade em aspirar a corrigir falhas e fortalecer qualidades, melhorar-se cada vez mais para desenvolver os dons que potencialmente todos possuímos. O valor dessa conquista está no anseio e esforço que inquebrantavelmente empregamos para ela. Gandhi, o pacífico e bondoso apologista da resistência passiva, com que conquistou muitas melhorias para seu povo, dizia não achar valor algum nessa sua qualidade que apenas tinha nascido com ele – não era uma conquista de sua aspiração ou esforço.
Isso pode chegar a parecer um exagerado anseio de perfeição, mas o que revela é uma adorável humildade. Há outra qualidade tão necessária a quem quer viver uma vida superior, uma vida de amor. Na “Imitação de Cristo” nos é lembrado: e porque os seres humanos aspiraram em sua vaidade a um estado mais elevado que aquele onde Deus os queria, perderam rapidamente a graça. Pela falta de humildade quantos seres humanos de valor se desviam pelas veredas da vida, perdendo assim maravilhosas oportunidades de serem úteis a si próprios e a seus semelhantes.
Na reforma do caráter, na busca do aperfeiçoamento, é fundamental conquistar a necessária humildade de reconhecer seus erros e enganos e tentar corrigi-los.
Creio que o domínio e equilíbrio próprio são algumas das maiores conquistas que o ser humano deve perseguir, sem a qual não poderá expandir seus íntimos valores.
Observa-se na vida que, no meio termo, encontra-se o equilíbrio, exceto no amor, onde não há perigos de extremos: quanto maior mais equilibra.
O verdadeiro amor não fanatiza porque já não se apega a verdades temporais, a mestres, escolas ou igrejas. Não lhe interessam nomes, mas o AMOR CRISTÃO e saberá respeitar a visão e grau de evolução de quem quer que seja. Fará sentir a Verdade, que é uma só, em todos os lugares em todas as religiões, em todas as filosofias: bondade, justiça, lealdade, abnegação, sinceridade, o que forma os caracteres íntegros.
O amor universal reveste-se de todas as características do amor de pais, filhos, esposos e amigos: é aquele de que nos diz São Paulo na Bíblia “tudo crê, tudo espera, tudo suporta, nunca falha”.
Quando alcançado esse grau de amor, podem suceder desgraças, podem os seres humanos trazerem-nos os maiores desenganos e dores, que um coração infenso a rancores e ressentimentos permanecerá sereno.
O amor constrói; o ódio destrói. Santo Agostinho, em suas famosas “Confissões”, delineia numa frase, a síntese do que é a falta do amor: “como se houvesse maior inimigo do ser humano do que o próprio ódio que ele tem em seu coração”. O que pesa, o que realmente importa para a evolução, equilíbrio e felicidade do ser humano, é o que ele pensa e sente, não o que outros pensem ou sintam a seu respeito. A felicidade vem de dentro para fora, do AMOR que haja nos corações. Os que o têm, quando alvo no mundo de injustiças, ingratidões, injúrias, ataques ou abandonos, chegarão a poder sentir em seu coração muito embora a dor irreprimível dos erros de que foi alvo – uma imensa mágoa pelos erros que outros estejam cometendo, acarretando para si próprios inevitáveis sofrimentos, conscientes de que o verdadeiro mal está em quem os pratica, seguirão tranquilos sua caminhada.
Pondo em ordem seus pensamentos e sentimentos, projetando para aqueles que o rodeiam, simpatia e desejo de ser útil, justo e correto, o ser humano encontra a paz que o equilibrará neste mundo conturbado. Não serão as grandes obras, os grandes feitos, as grandes conquistas materiais que lhe trarão, mas os pequenos gestos de bondade, os pensamentos puros de tolerância e compreensão para com falhas e grandezas dos outros, a disposição constante de auxiliar de algum modo, com trabalho, companhia, palavras amigas de encorajamento e alegria.
Grandes pensadores, grandes inteligências que nos legaram quase sempre fruto de seus íntimos anseios e sofrimentos – obras famosas, tais como Schopenhauer, Kierkegaard, Kafka, tendo aguda e clara visão de muitos problemas da alma humana, não encontraram paz e equilíbrio. Andaram perto da Verdade e não a tocaram, porque não encontraram o Amor que os libertaria da angústia. O Amor é como um foco de luz, que mal o buscamos tudo ilumina e aquece. “Quem vive em amor vive em Deus, e Deus nele” – esta afirmação de São Paulo nos dá a verdadeira dimensão do amor. É uma chave da porta da paz, uma chave universal, pois serve a crentes ou ateus, católicos ou judeus, protestantes ou budistas. Deus ou o que queiramos chamar-lhe, esse algo desconhecido de quem emanamos, que tudo criou, dita-nos claramente, através da consciência, que para termos paz e harmonia neste mundo só vivendo no bem e no amor. E só quando haja o amor cristão em seus corações, os homens terão paz e harmonia, quando, ainda que ignorando o Cristo, sintam despertar em seu íntimo os atributos que o caracterizam: a doutrina do amor ao próximo, a única que poderá unificar os seres humanos.
Durante muito tempo não achava a forma de orar ou pedir algo por meus filhos, certa de que cada um tem o seu caminho próprio (que desconhecemos) a percorrer, sua colheita daquilo que semeia. Mas um dia achei a fórmula mágica. Envolvendo-os em amor, elevo o pensamento às forças superiores que regem o mundo num intenso anseio de que eles se mantenham sempre pela vida afora no caminho do Bem e do Amor. Não se afastando desses princípios, estarão protegidos, serão certamente úteis e felizes. Prova alguma os derrubará na vida.
Dar amor é como uma sementeira de belas flores, que a seu tempo brotarão e desabrocharão, encantando-nos.
Quando ouvi de uma de minhas filhas que umas palavras escritas por mim em seu álbum de juventude a tinha feito chorar de emoção, quando um filho me conta que esta ou aquela frase ou atitude minha o comovera em silêncio até às lágrimas, 20 anos atrás, quem se comove agora profundamente sou eu, ao constatar a sensibilidade de seus corações, a receptividade ao amor e carinho que lhes dava.
É o amor que nos permite construir sólidas amizades que nos enriquecem e confortam a vida. É no intercâmbio de ideias, conhecimentos, dedicações, sacrifícios, alegrias e sofrimentos que pomos em atividade os íntimos valores, descristalizando-os, adaptando-nos a novas experiências e renovações.
Procurar desvendar os mistérios da nossa origem, de onde viemos, para onde vamos, para que vivemos, através dos muitos caminhos da espiritualidade, é cativante e útil. Mas a observação dos seres humanos nos mostra que a principal e básica procura deverá ser a do íntimo conhecimento e equilíbrio próprio, a formação de um caráter íntegro sem o qual todos os conhecimentos podem tornar-se absolutamente inúteis. Pessoas há que depois de passarem longos anos ligadas, integradas, numa Igreja ou Escola, caem nos mesmos erros e enganos dos seres humanos comuns que nunca se vincularam a qualquer caminho espiritual – porque lhes faltou a reforma básica que os tornassem caracteres íntegros. Não tiveram a coragem de se olhar intimamente, de encarar suas próprias falhas. Durante anos enganaram-se a si próprios e aos outros. Mas chega fatalmente dia em que surgirá qualquer prova colocando em evidência seu verdadeiro caráter, aquilo que não foi corrigido.
Que valor tem um profundo conhecedor de filosofias – e todas elas pregam o amor, a bondade, a justiça – se na vida não souber agir equilibradamente, dominando seus pensamentos, sentimentos e ações, com amor, bondade e justiça?
“De que servirá uma filosofia ou religião que não nos torne melhores seres humanos, melhores maridos e pais?”. Esta é na verdade uma pergunta de Max Heindel a ser meditada!
Em compensação, quem não tenha estudado filosofia ou religiões, mas tenha em si o dom de saber amar, esse assistirá sereno aos erros e enganos, injustiças e falhas que campeiam pelo mundo, com amor, bondade e tolerância.
Viver é uma arte. Já que desconhecemos o porquê, o para quê, nos foi dada a vida, procuremos dar-lhe um sentido, torná-la útil, vivendo numa atitude não de egoísta procura de meras satisfações pessoais – o que, aliás, gera afinal a insatisfação! – mas voltada para o interesse pelos que nos rodeiam. Muitos apagariam suas íntimas angústias se, por uma atividade de interesse pelas dos outros, deixassem de focalizar as suas! A frase bíblica “viver no mundo sem pertencer ao mundo” é um desafio ao aspirante a uma vida equilibrada. Na verdade, deve-se participar ativamente da vida material que nos rodeia neste mundo em que vivemos, tão cheio de belezas. Mas, ao se vislumbrar que há em nós um outro mundo, o mundo espiritual, cujos valores são muito mais importantes que os do mundo externo, tão falíveis, tão perecíveis, começa-se a ter melhor consciência do valor relativo deste plano.
Participando equilibradamente de todas as atividades possíveis na vida, sem excessos nem exageros, colhe-se a necessária experiência por meio da qual a vida do espírito vai manifestar-se melhor.
Então chegaremos a amar o mundo sem a ele nos prendermos, sentindo que há outro mundo dentro de nós, aquele que nos permite amar melhor o externo, porque nos deixa livres de apegos, preconceitos, ilusões.
Há que participar ativamente do mundo em que vivemos, e o podemos fazer intensamente e com alegria se, aprendendo a dominar sentimentos, soubermos agir equilibradamente. A rainha-mãe da Inglaterra mostrou muito bom-senso e conhecimento do valor da vida quando, recusando o retrato que um pintor lhe havia feito, disse: está muito bonito mas dir-se-ia que passei pela vida sem dela ter participado!
Vida espiritual não tem que ser isolamento do mundo.
Quando a consciência espiritual desperta no ser humano, ela deverá refletir-se em integridade de caráter, no seu comportamento externo, no modo como age e participa do mundo. Acredito que essa atitude externa de ativa e equilibrada participação será o que mais estimulará e desenvolverá a parte espiritual da humanidade.
Haverá assim um movimento de duas forças ativas que se fortalecem e equilibram, uma demonstrando a outra.
O mundo está cheio de injustiças, egoísmos, vaidades, ferocidade, mil aspectos que nos entristecem. Mas sendo cuidadosos em não participar desses fatos negativos, antes cultivando ao máximo o Bem e o Amor, além de formarmos uma corrente positiva que ajudará a equilibrar o mundo, poderemos desfrutar das coisas belas que nos rodeiam. Quem tenha uma certa sensibilidade, e cultive as superiores qualidades de caráter, sente que correm no mundo as correntes construtivas e destrutivas, do bem e do mal. Distingue facilmente onde se expressa uma mensagem de amor e onde há apenas especulações intelectuais, muitas vezes camuflando egoísmos e vaidades.
Afinal, para se viver em paz e com alegria no coração não é essencial penetrar nas especulações metafísicas, religiosas – e sempre no infinito das nossas especulações haverá pontos de interrogação. Deixemos isso para depois de termos aprendido a dar amor e simpatia, base das maiores alegrias, confortos espirituais e materiais, e a forma mais fácil de chegar perto da Verdade.
No decorrer dos anos, ao longo da vida, vão surgindo momentos marcantes de grande íntima alegria ou mágoa profunda, pelos acontecimentos da vida: a leitura de um autor cujo pensamento ilumine o nosso, um gesto de amizade, um ato de bondade, um belo espetáculo da natureza ou criado pelos seres humanos– a maldade deles, os horrores das guerras, etc. etc. São momentos de emoção que nos fazem parar na caminhada para uma tomada de consciência. Algo de novo foi acrescentado à nossa experiência, enriquecendo a nossa vida. E essas sucessivas tomadas de consciência vão formando como que degraus que nos vão traçando caminho. Se ele for o caminho do Bem e do Amor atingiremos uma plataforma estável onde nos fixaremos tranquilamente, de onde teremos uma visão mais ampla, uma nova dimensão do mundo que nos cerca.
Essa plataforma é conquista de cada um. É trabalho e esforço de cada um. Não se pode ensinar aos outros a fé em algo superior, como não se pode dar aos outros a chave do seu caminho. Cada um vai colhendo daqui e dali, das mais variadas fontes, as pedras e pedrinhas com que formará a sua estrada, que o levará ou não à plataforma da paz. Mas é preciso ter a aspiração de construir a estrada.
Creio que as mais úteis chaves que um pode dar a outro são Amor e Simpatia.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/75 – Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: Tivemos algumas discussões nas nossas aulas a respeito da Alma. As opiniões continuam um pouco confusas. Qual a relação entre a Alma e a Mente? Estão as forças de ambas permanentemente ligadas ao Espírito? Qual o Corpo que será usado nos estágios posteriores de desenvolvimento, o Corpo Mental – evoluído a partir do veículo Mente – ou o Corpo-Alma?
Resposta: Como explicação, reportemo-nos ao Diagrama 15 do “Conceito”. Lá encontramos um gráfico mostrando todo o esquema da involução e da evolução. Não é um gráfico muito complicado, e o estudante que desejar conhecer a fundo o mistério da existência, faria bem em memorizar completamente esse diagrama.
Lendo no lado esquerdo do diagrama acima citado, aprendemos que, durante um estágio de evolução inconsciente, o Espírito desenvolveu um Corpo tríplice e cristalizou-se dentro dele.
Esse Corpo era constituído pelo Corpo Denso, o Corpo Vital e o Corpo de Desejos. No Período Terrestre, foi dado o foco da Mente, que se tornou a base sobre a qual a involução transformou-se em evolução. Em seguida, começou um estágio tríplice de evolução consciente, durante o qual o crescimento de uma Alma tríplice é realizado espiritualizando os três Corpos em Alma. Verificamos que, durante o restante do Período Terrestre, extraímos a Alma Consciente do Corpo Denso; no Período de Júpiter, a Alma Intelectual será extraída do Corpo Vital; e no Período de Vulcano, tornar-nos-emos inteligências criadoras pela amalgamação da Alma tríplice com a Mente.
Para tornar isto mais claro vejamos o Capítulo XVI do “Conceito” onde há um subtítulo sobre alquimia e o crescimento da Alma. Lemos o seguinte: “O Corpo Denso começou a desenvolver-se no Período de Saturno, passou através de Várias transformações nos Período Solar e Lunar e alcançará seu maior grau de desenvolvimento no Período Terrestre”.
“O Corpo Vital teve início na segunda revolução do Período Solar, foi reconstruído nos Períodos Lunar e Terrestre e alcançará a perfeição no Período de Júpiter, que é o seu quarto estágio, assim como o Período Terrestre é o quarto estágio para o Corpo Denso”.
“O Corpo de Desejos teve início no Período Lunar, foi reconstruído no Período Terrestre, será novamente modificado no Período de Júpiter e alcançará a perfeição no Período de Vênus”.
“Examinando-se o Diagrama 8 do Conceito, vê-se que o globo mais inferior do Período de Júpiter está situado na Região Etérica. Seria, portanto, impossível empregar o veículo físico Denso ali, porque só o Corpo Vital pode ser usado na Região Etérica. Contudo, não se deve supor que, transcorrido tanto tempo para completar e aperfeiçoar o Corpo Denso, desde o começo do Período de Saturno até o final do Período Terrestre, esse veículo seja abandonado para que o ser humano possa funcionar em veículo “mais elevado'”.
“Nada é desperdiçado na Natureza. No Período de Júpiter as forças do Corpo Denso serão aplicadas ao Corpo Vital concluído. Este veículo possuirá, então, os poderes do Corpo Denso, além das próprias faculdades, e será, portanto, um instrumento muito mais útil para a expressão do Tríplice Espírito do que se construído unicamente às suas próprias forças”.
“De modo semelhante, o Globo D do Período de Vênus está situado no Mundo do Desejo (veja o Diagrama 8), onde nem o Corpo Vital nem o Denso podem ser usados como instrumentos de consciência. Portanto, as essências dos Corpos Denso e Vital aperfeiçoadas serão incorporadas ao Corpo de Desejos concluído, o que o converterá num veículo de qualidades transcendentais, maravilhosamente adaptado e sensibilíssimo ao menor desejo do espírito interno, tão superior às nossas presentes limitações que escapa à nossa mais elevada concepção”.
“Todavia, até a eficiência desse esplêndido veículo será superada no Período de Vulcano quando sua essência, mais as dos Corpos Denso e Vital, forem adicionadas ao Corpo mental. Então, este se converterá no mais elevado dos veículos humanos, contendo em si a quintessência do melhor que em todos eles havia. Se o veículo no Período de Vênus está tão além de nossa presente compreensão, quanto mais estará o veículo posto ao serviço dos divinos seres do Período de Vulcano!”.
“Durante a Involução, as Hierarquias Criadoras ajudaram o ser humano a despertar à atividade o Tríplice Espírito, o Ego, para construir o Tríplice Corpo e adquirir o elo da Mente. Agora, contudo, no sétimo dia (usando a linguagem da Bíblia), Deus descansa. O ser humano deve elaborar sua própria salvação. O Tríplice Espírito deve completar a obra do plano iniciado pelos Deuses”.
“O Espírito Humano, despertado durante a Involução no Período Lunar, será o mais proeminente dos três aspectos do espírito na evolução do Período de Júpiter, período correspondente ao Lunar no arco ascendente da espiral. O Espírito de Vida, cuja atividade começou no Período Solar, manifestará sua atividade principal no correspondente Período de Vênus, e as influências particulares do Espírito Divino serão as mais fortes no Período de Vulcano, já que foi vivificado no correspondente Período de Saturno”.
“Todos os três aspectos do espírito estão constantemente ativos durante a evolução, mas a atividade principal de cada aspecto será desenvolvida nesses Períodos particulares, porque a obra que ali executarão há de ser trabalho especial”.
“Quando o tríplice Espírito desenvolveu o tríplice Corpo e conseguiu controlá-lo através do foco da Mente, começou também a desenvolver a tríplice Alma trabalhando de dentro. A maior ou menor Alma que o ser humano tenha, depende da quantidade de trabalho efetuado pelo espírito em seus Corpos. Isto foi explicado no capítulo que descreve as experiências ‘post-mortem'”.
“A parte do Corpo de Desejos trabalhada pelo Ego fica transmutada em Alma Emocional e, por fim, é assimilada pelo Espírito Humano, cujo veículo especial é o Corpo de Desejos”.
“A parte do Corpo Vital trabalhada pelo Espírito de Vida converte-se em Alma Intelectual que edifica o Espírito de Vida, porque este aspecto do Tríplice Espírito tem sua contraparte no Corpo Vital”.
“A parte do Corpo Denso que tenha sido trabalhada pelo Espírito Divino chama-se Alma Consciente e, por fim, submerge-se no Espírito Divino, porque o Corpo Denso é a sua emanação material”.
“A Alma Consciente cresce pela ação, pelos impactos externos e pela experiência”.
“A Alma Emocional cresce pelos sentimentos e emoções geradas pelas ações e experiências”.
“A Alma Intelectual, como um mediador entre as outras duas, cresce pelo exercício da memória. Esta liga as experiências passadas às presentes e os sentimentos por elas engendrados, criando assim a “simpatia” e a “antipatia”, que não têm existência independente da memória, porque os sentimentos que resultassem somente das experiências seriam evanescentes”.
“Durante a Involução, o Espírito progrediu através do crescimento dos Corpos, mas a Evolução depende do crescimento da Alma, isto é, da transmutação dos Corpos em Alma. A Alma é, por assim dizer, a quintessência, o poder ou força do Corpo, de modo que quando um Corpo foi completamente construído e alcançou a perfeição através dos diversos estágios e Períodos na forma já descrita, a Alma é totalmente extraída dele e absorvida por um dos três aspectos do espírito que primeiramente gerou tal Corpo. Assim:
A Alma Consciente será absorvida pelo Espírito Divino na sétima revolução do Período de Júpiter.
A Alma Intelectual será absorvida pelo Espírito de Vida na sexta revolução do Período de Vênus.
A Alma Emocional será absorvida pelo Espírito Humano na quinta revolução do Período de Vulcano”.
E isso é tudo no que concerne à evolução da Alma.
Voltemo-nos agora para a Mente e os vários estágios que a levam à perfeição.
Lemos no Capítulo XVI – subtítulo: A Palavra Criadora do “Conceito”: Atualmente, contudo, a Mente não está enfocada de maneira a dar uma imagem certa e clara daquilo que o espírito imagina. Está mesmo desfocada, o que produz quadros confusos e imprecisos. Daí a necessidade da experimentação, que demonstra as impropriedades da primeira concepção e produz novas imaginações e ideias, até que a imagem produzida pelo espírito em substância mental seja reproduzida em substância física”.
“No melhor dos casos só podemos formar imagens mentais que tenham relação com a Forma, porque a Mente humana não teve início senão no Período Terrestre, pelo que está presentemente no estado ou forma mineral”. Por isso, em nossos labores estamos limitados às formas, aos minerais. Podemos imaginar maneiras e meios de trabalhar com as formas minerais dos três reinos inferiores, mas nada, ou muito pouco, podemos fazer com os Corpos viventes. Na verdade, podemos enxertar um ramo vivente numa árvore, ou uma parte viva de um animal ou ser humano em outras partes vivas, mas isto não é trabalhar com a vida, e sim com a forma somente. Modificamos as diferentes condições, mas a vida que antes habitava a forma ainda continua a fazê-lo. Criar vida está além do poder do ser humano, até que sua Mente se torne uma coisa viva”.
“No Período de Júpiter, a Mente será até certo ponto vivificada. Então, o ser humano poderá imaginar formas que viverão e crescerão como as plantas”.
“No Período de Vênus, quando sua Mente tiver adquirido ‘Sentimento’, poderá criar coisas viventes, com a capacidade de crescer e sensibilizar-se”.
“Quando alcançar a perfeição, ao final do Período de Vulcano, será capaz de imaginar e dar existência a seres que viverão, crescerão, terão sentimento e pensarão”.
“A onda de vida que atualmente forma a humanidade começou sua evolução no Período de Saturno. Os Senhores da Mente eram, então, humanos. Trabalhavam com o ser humano, que nesse Período era mineral. Agora nada têm a ver com os reinos inferiores, pois estão relacionados somente com o nosso desenvolvimento”.
“Os animais atuais começaram sua existência mineral no Período Solar, tempo em que os Arcanjos eram humanos. Por isso, os Arcanjos são os dirigentes e guias da evolução que agora é animal, nada tendo a ver com as plantas e os minerais”.
“Os atuais vegetais começaram sua existência mineral no Período Lunar. Os Anjos eram, então, humanos, pelo que no presente estão relacionados especialmente com a vida que habita os vegetais. Guiam-na até que atinja o estado humano, mas nada têm a ver com os minerais”.
“A humanidade atual terá a seu cargo a nova onda de vida que começou sua evolução no Período Terrestre, e que agora anima os minerais. Atualmente trabalhamos com eles por meio da faculdade da imaginação, dando-lhes formas, convertendo-os em barcos, pontes, estradas de ferro, casas, etc.”.
“No Período de Júpiter guiaremos a evolução do reino vegetal, por isso, o que atualmente é mineral terá então uma existência análoga à das plantas. Deveremos trabalhá-las assim como, no presente, os Anjos trabalham o nosso reino vegetal. Nossa faculdade imaginativa estará tão desenvolvida que, por seu intermédio, teremos a habilidade não só de criar formas, mas também de insuflar-lhes Vitalidade”.
“No Período de Vênus a atual onda de vida mineral terá alcançado um outro grau. Então faremos pelos animais desse Período o que fazem atualmente os Arcanjos com os nossos animais, dando-lhes formas viventes e sensíveis”.
“Por último, no Período de Vulcano, será nosso privilégio dar-lhes uma Mente germinal, como os Senhores da Mente fizeram conosco. Os minerais de hoje serão a humanidade do Período de Vulcano, e o ser humano terá passado através de estágios análogos aos que percorrem agora os Anjos e Arcanjos. Teremos alcançado, então, um ponto na evolução um pouco superior ao dos atuais Senhores da Mente. Recorde-se que em nenhuma parte se repete uma condição exatamente igual. Devido à espiral, sempre existe aperfeiçoamento progressivo na evolução”.
“O Espírito Divino absorverá o Espírito Humano ao fim do Período de Júpiter, e o Espírito de Vida ao finalizar-se o Período de Vênus. A Mente aperfeiçoada, incorporando tudo quanto foi adquirido durante sua peregrinação através dos sete Períodos, será absorvida pelo Espírito Divino ao fim do Período de Vulcano”.
Das explicações precedentes, torna-se claro que há uma evolução distinta da Alma e outra evolução igualmente distinta da Mente. Não obstante, elas não são inteiramente independentes uma da outra, mas trabalham em perfeita união, como por exemplo, o coração e os pulmões que trabalham juntos para manter o ritmo do Corpo. Portanto, não será nem o Corpo Mental nem o Corpo-Alma que usaremos nos estágios posteriores do nosso desenvolvimento, mas um veículo composto que conterá, de maneira crescente, a essência de todos os nossos Corpos, que formarão, então, um traje composto do Espírito, tão maravilhoso e glorioso que fica além de nossa mais fantástica concepção neste presente momento.
(Perg. 160 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
A Arte de Conhecer
“Não sabeis que Deus que sois o Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (ICor 3:16).
Estas palavras foram escritas aos Coríntios por Saulo de Tarso, mais conhecido por seu nome romano de Paulo, o Apóstolo. Em seu sentido espiritual, tais palavras têm alto significado. São Paulo bem o pode fazer, mercê do seu elevado padrão cultural que possuía como estudante de Gamaliel; era um cidadão romano sofisticado e discípulo da cultura greco-hebráica.
Sua íntima associação com São Pedro foi o início do desenvolvimento da religião Cristã como um ensinamento, uma teologia, uma fé. Poderíamos dizer que São Pedro foi o historiador que narrou as ações do Cristo, enquanto que São Paulo foi o organizador daqueles que acreditavam no que São Pedro ensinava.
Pode-se dizer que a comunidade cristã teve seu começo no ponto de confluência dos mundos oriental e ocidental, os Judeus e os Gentios. Este encontro e essa mescla de culturas foi em grande parte, trabalho de São Paulo.
Foi São Pedro quem disseminou os Ensinamentos do Cristo, mas foi São Paulo quem procurou explicá-los. Crê-se que São Pedro foi martirizado no reinado de Nero, enquanto que a tradição diz que São Paulo foi decapitado em Roma, e que ambos os eventos ocorreram cerca do ano 65 depois de Cristo. Assim, os primeiros seguidores do Cristo deram sua vida, como o fez seu Mestre, para que outros pudessem ter vida mais abundante.
A arte pode ser definida como a adaptação de meios para se conseguir um fim. Aqui é aplicada como o maravilhoso conhecimento da realização de Deus no interior do indivíduo. É realmente verdade que se nos conhecemos, conheceremos a Deus; daí o valor do aforismo: “Homem, conhece a ti mesmo”. Neste sentido a arte é uma ciência e é tão elevadora em sua influência, como a religião. Portanto, temos a religião, a arte e a ciência, numa trindade educacional do ser humano.
Vivendo neste mundo e sendo governados pelas leis da natureza, se nós as conhecermos, podemos com elas cooperar inteligentemente, usando-as como valiosos serviçais. Sendo a natureza o símbolo visível do invisível. Deus, podemos utilizar as vantagens oferecidas, crescendo, por seu intermédio, em força e poder, da escravidão ao domínio.
O saber não é atingido sem esforço persistente e sem a convicção que somos feitos à imagem de Deus; tudo está latente em nós, aguardando o desenvolvimento pelos métodos apropriados. Adquirimos o saber na proporção exata ao esforço que despendermos para o adquirir.
Há duas classes de saber: o exotérico e o esotérico; o que é visto e o que não é visto. Em ambos, contudo, o supremo motivo para sua pesquisa deve ser um desejo ardente de BENEFICIAR a HUMANIDADE, desprezando a si mesmo para TRABALHAR PARA OUTROS. Este é o “saber artístico” que faz nascer o mais valioso de todo o saber, isto é, A SABEDORIA uma combinação de cabeça e o coração.
Devemos primeiro procurar compreender o conhecimento inferior antes de podermos aspirar com sucesso ao conhecimento superior. Intentar conhecer os Mundos Invisíveis e os veículos sutis, tendo pouco conhecimento dos veículos com os quais trabalhamos diariamente e do ambiente em que vivemos, é rematada tolice. É por isso que para nós é essencial a construção de um CORPO SÃO. Subamos a escada com segurança, degrau a degrau, não tentando um novo passo enquanto não estivermos perfeitamente seguros e equilibrados no lugar em que nos encontramos.
A maioria dos nossos fracassos na vida, provém de tentarmos obter as coisas antes de estarmos preparados para elas, “avançando o sinal”, por assim dizer, pois estamos numa época de impaciência e não podemos nem sabemos esperar. Tais nascimentos prematuros, sendo contrários à natureza produzem penas sofrimentos e tristezas.
Devemos também lembrar-nos que o conhecimento traz consigo a RESPONSABILIDADE, pois “a quem muito é dado, muito será EXIGIDO” (Lc 12:48). Se persistirmos em usar nosso conhecimento egoisticamente, nossa magia se transforma de branca em cinzenta e depois em negra, e por fim é-nos retirado, a menos que nos arrependamos enquanto é tempo.
O saber pode ser definido como conhecimento prático, dependendo, portanto, da capacidade mental individual, que é um produto da Mente. A Mente foi dada ao ser humano na Época Atlante para que ele tivesse propósito para agir na Época Ariana, foram desenvolvidos o pensamento e a razão pelo trabalho do Ego através da Mente, para conduzir o Desejo por caminhos que o levassem à obtenção da perfeição espiritual, meta da evolução.
Esta faculdade de pensar e de formar ideias, obteve-a o ser humano a expensas do controle sobre as forças vitais, isto é, as forças da natureza.
Nós, como Egos, agimos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que temos especializada dentro da periferia de nossa aura individual. Daí vemos as impressões causadas pelo mundo exterior sobre o Corpo Vital por meio dos sentidos, juntamente com os sentimentos e emoções gerados por essas impressões no Corpo de Desejos e REFLETIDAS NA MENTE. Dessas imagens mentais formamos nossas conclusões na substância da Região do Pensamento Abstrato. Tais conclusões são as IDEIAS. Pelo poder da vontade projetamos a ideia através da Mente, onde ela toma forma concreta como PENSAMENTO-FORMA atraindo em torno de si substância mental da Região do Pensamento Concreto. Pela atividade desses pensamentos-forma nós adquirimos o que designamos por CONHECIMENTO.
O Espírito, por meio da parte da força sexual ou ENERGIA CRIADORA dirigida “para dentro”, construiu o cérebro para acumular CONHECIMENTO do Mundo Físico. Essa força é a que, ainda hoje, constrói e alimenta o cérebro. A força que é exteriorizada com o propósito de criar outro ser chamamos AMOR. O ser humano exterioriza somente parte do seu Amor; o resto ele conserva egoisticamente para construir seus órgãos de expressão internos para aperfeiçoar-se. Com parte do seu poder anímico criador ele, egoisticamente, ama outro ser porque deseja sua cooperação na propagação. A outra parte do seu poder anímico criador ele utiliza para pensar, porque DESEJA CONHECIMENTOS.
Atualmente a Mente pode apenas modelar essas imagens, pois está no grau de evolução “mineral”; criar VIDA está fora do poder do ser humano até que sua própria Mente se torne VIVA.
No Período de Júpiter a Mente humana será vivificada em certa extensão e então o ser humano poderá imaginar formas que VIVAM e cresçam como as plantas. No Período de Vênus, quando a Mente humana tenha adquirido SENTIMENTO, o ser humano poderá criar coisas vivas que cresçam e “sintam”. Finalmente a perfeição humana será atingida no final do Período de Vulcano e o ser humano poderá “imaginar”, trazendo à “existência” criaturas que vivam, cresçam, sintam e pensem. O ser humano terá adquirido completo PODER ANÍMICO e MENTE CRIADORA como fruto de sua peregrinação pela matéria. Avançou da impotência à onipotência, da ignorância à Onisciência.
Logo, a arte de conhecer é o aformoseamento da Mente, à medida que o ser humano transmuta o Corpo em Alma e a Alma em Espírito.
Esta parte do ano é aquela em que estamos a meados da última parte da TRINDADE CRIADORA, enquanto o Sol atravessa o Signo intelectual de Gêmeos. Este ano já passamos pelas criações do Espírito Humano (Jeová) por meio de Áries; pelas criações do Espírito de Vida (Cristo) por meio de Touro e agora estamos sujeitos às criações do Espírito Divino (o Pai) por meio de Gêmeos; assim o Corpo, a Alma e o Espírito são, respectivamente, criados.
É essencial que o Princípio Paterno aja pelo Princípio Jeovístico, ou seja, pelo Confortador que agora está conosco.
Agora é, portanto, a ocasião em que a Mente em evolução deve receber maior consideração, o que bem pode ser feito pela prática de pensar NOS OUTROS E PARA OS OUTROS. A Ordem do Dia é: “trabalhar para que a Mente egoísta se torne altruísta em suas atividades”.
Tendo a Mente surgido do poder criador da força sexual transmutada em poder anímico pelo AMOR, isto se torna na “chave mágica” pela qual a Mente pode evoluir. O Amor foi a grande dádiva que nos fez Cristo, o Espírito da Vida, o qual, por seu poder, produz a Alma Intelectual, resultado do CONHECIMENTO adquirido por intermédio do Corpo Vital, que é a base por onde o Aspirante principia. Logo, a Arte de Conhecer oportunamente nos elevará com o Cristo até o Pai nesta parte especial do ano.
“Apenas uma coisa o mundo necessita: SABER. Apenas um bálsamo existe para as dores humanas, apenas um caminho conduz aos céus: SIMPATIA E AMOR” (Credo ou Cristo do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel).”.
“Por isso o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para reassumir” (Jo 10:17).
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 08/79 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Vigilância e Oração
Não se pode deixar as coisas acontecerem à vontade em nossas vidas. Temos que ter o controle de nossas vidas nas mãos. Mesmo aquilo que não se pode mudar, pode pelo menos ser atenuado, pela atenção e o cuidado que dermos ao fato. Isso faz com que nos tornemos mais atentos de nossas coisas, mentalmente mais ativos. Mesmo as pessoas com quem convivemos diariamente ou mesmo acidentalmente, podem ter suas atitudes para conosco controladas, se soubermos tomar as rédeas das situações.
Já explicaremos isto: quando se diz que devemos amar a nossos irmãos, não significa que nos tornemos tolerantes em relação a todas as pessoas que nos cercam. Amar não é aceitar a um e outro com seus erros, suas implicâncias, com todos os seus desafios. Amar é saber controlar a situação, de tal modo, que nós não ajamos errado em relação aos outros, mas também, da mesma forma, não permitamos que eles procedam errado conosco.
Porque só assim estaremos cumprindo o mandamento de amar-nos uns aos outros, e, principalmente, de amar ao próximo como a nós mesmos, e não MAIS do que a nós mesmos. É acertando estas disparidades que equilibramos a nossa vida.
Quando, por exemplo, sentimos que amanhecemos contrariados, com ou sem razão aparente, e reconhecemos que nossos Astros devem estar adversos, atentemos para a renovação de nossos valores, procurando nos fixar no BEM e no CERTO. Não se deve deixar a situação piorar em torno de nós ou em nós mesmos, ao ponto de não ter mais forças para orar, como muitas pessoas, às vezes, ficam. Deixam então que o nervosismo tome conta e não encontram refúgio nem mais em Deus.
Só chegaremos a este ponto crucial, se nos faltar a vigilância, a permanente atenção ao que se passa conosco, com o que sentimos, às vezes, já no início do dia. Temos que evitar, se possível, sair à rua quando estivermos negativos, porque este descuido poderá facilitar e até atrair algum acontecimento desagradável e até prejudicial.
Reajustemos primeiro nosso estado de espírito no Bem, através da oração, de um pequeno relaxamento, de uma curta meditação, antes de qualquer iniciativa, quando isto acontecer.
Melhor é orar diariamente, entregando-nos a Deus, e pedir-Lhe que tome conta de nós, sem esperarmos pelos maus momentos para só então rogar proteção. Porque se facilitarmos, afrouxando o cuidado com nosso equilíbrio interno, acabaremos agravando a situação de abandono a Deus e vamos aos poucos nos separando de Sua Presença. Ele está sempre em nós, mas nós devemos estar sempre n’Ele. E é este cuidar-se permanente para estarmos com o pé na linha reta, que nos aproxima de Deus e nos coloca permanentemente a Seu lado. Estar em Deus é isso mesmo: vigilância e oração.
Quanto às causas de nossos desajustes que julgamos, às vezes, imprevistos, bem podem ter origem em coisas simples e malfeitas, até numa raivinha de véspera, alguma crítica mental menos bondosa, enfim, qualquer coisa que se possa ter feito contra a ordem natural das coisas, contra as leis da natureza que são Deus. Porque viver certo é um modo-contínuo que não pode ser quebrado a fim de conservar a harmonia, o que se consegue pela vontade atuante e permanente no Certo que é Deus.
Por isso, o que tanto se fala e se aconselha sobre o Amor ao semelhante, não deve ser encarado como algo longínquo e transcendental.
O amor é algo bem próximo de nós, efetivo e constante, e depende da nossa própria atividade, até na defesa dos nossos interesses. Porque, procurando estar equilibrado, atentos para não errar, por nossa segurança e pela dos outros, certamente esta preocupação nos levará a bem viver com o próximo. E este bem viver, essa tentativa de acertar permanentemente, é Amor.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 08/79 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Os Preceitos para o Estudante Rosacruz (originalmente publicados pela The Rosicrucian Fellowship – Precepts for the Rosicrucian Student) são em número de 10:
1. Cristo-Jesus será seu ideal;
2. Recordando a exortação do Cristo – “que o maior entre vós seja o servo de todos” – se esforçará diariamente por servir seu semelhante, em qualquer oportunidade que se apresente, com amor, simplicidade e humildade;
3. Tendo fé inquebrantável na sabedoria e bondade de Deus, trabalhará de acordo com a Lei de Evolução, se esforçando para falar, agir e ver somente o bem nas relações diárias com seus semelhantes e com tudo que o rodeia;
4. Sendo a Verdade, a Honestidade e a Justiça qualidades fundamentais da Divindade Interior procurará expressá-las em seus pensamentos, suas palavras e ações;
5. Sabendo que suas condições atuais são um resultado das ações que praticou no passado e que pode construir o seu futuro destino, melhorando-o por meio de uma atuação reta no presente, não gastará seu tempo invejando os outros, dedicando, pelo contrário, suas aspirações a exercitar a prerrogativa divina do Livre Arbítrio, semeando boas sementes para o amanhã;
6. Considerando que o silêncio é um dos maiores auxiliares para o crescimento da alma, procurará sempre que, no ambiente onde se encontre predomine a paz, a harmonia e a calma;
7. Sendo a autossuficiência uma virtude fundamental para o Aspirante Espiritual, fará o possível por praticá-la tanto em pensamentos como em atos;
8. Sabendo que a Divindade Interior é o único Tribunal Real da Verdade, se esforçará para estabelecê-lo submetendo todos os assuntos ao seu Verdadeiro Final;
9. Reservará, todos os dias, um certo período à Meditação e à Oração, procurando se elevar nas asas do Amor e da Aspiração ao próprio Trono do Pai;
10. Sabendo que o fracasso reside apenas em deixar de lutar ante qualquer obstáculo, procurará paciente e persistentemente atingir o alvo proposto, procurando realizar os elevados ideais ensinados por Cristo.
Desses preceitos advêm os desafios. Vamos detalhá-los a seguir.
O Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz deve prestar a atenção e estar pronto, vigilante e encarar os seguintes desafios: ter sempre o Cristo, nosso Salvador e Redentor, como o seu ideal. Aquele que ele procura imitar na sua vida cotidiana. Para isso o Aspirante precisa conhecê-Lo. O Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos já fornece TODA a informação necessária e suficiente sobre quem Ele é e qual é a Sua missão para com o Aspirante, um ser da onda de vida humana. O Aspirante precisa conhecer o que Ele fez na sua primeira vinda. Os 4 Evangelhos da Bíblia fornecem farto material para ele saber e entender como Cristo se portou, o que ensinou, como ensinou e o que deixou para ele aprender e praticar. Afinal, como enfatiza Max Heindel: “os Evangelhos são fórmulas de Iniciação” e “cada passagem da vida do Cristo é exatamente cada passagem que o Aspirante viverá no seu caminho”. Assim, o bom Aspirante é um assíduo estudante da Bíblia, todos os dias.
Seguindo um dos dois Mandamentos do Cristo, que é enfatizado na Fraternidade Rosacruz, o Aspirante tem o desafio de um dia chegar a ser um Auxiliar Invisível Consciente que tem a principal missão de Curar definitivamente a doença e a enfermidade de cada pessoa (ou seja, curar o Corpo, a Alma e o Espírito). É a Cura Espiritual.
Para isso precisa conhecer o que realmente é isso, se preparar e praticar. Para conhecer, ele começa por entender como isso é feito. Volta aos Evangelhos e aos Milagres de Cura executados por Cristo e estuda os seus tipos, quando pode ocorrer e quando não pode, quando é obsessão e não é doença ou enfermidade e todos os outros detalhes de cada um deles. Para se preparar, ele começa com a leitura de livros e textos da Literatura da Fraternidade Rosacruz sobre a Cura Rosacruz, qual é o método utilizado, os diversos papéis que se exercem, o que é a Panaceia Espiritual e os outros detalhes do processo. O livro Princípios Ocultos de Saúde e Cura é a base e o Livro Astrodiagnose e Astroterapia: um Guia de Cura é o melhor para entender como se deve (e não de outra maneira) ser aplicada a Astrologia Rosacruz. Há muito outros em assuntos como O Mistério das Glândulas Endócrinas, O Papel da Música na Cura, A Teia do Destino, Princípios Rosacrucianos de Educação Infantil e outros.
Para praticar, ele faz, todos os dias, os exercícios para o seu treinamento esotérico denominados Rituais (Devocional do Templo, todos os dias; o de Cura nos dias específico; Equinócios e Solstícios nas vésperas desses acontecimentos cósmicos e de Véspera de Natal e outros específicos, dependendo do ponto onde está no Caminho da Preparação Rosacruz). Concomitantemente, faz, todos os dias, os dois Exercícios, o noturno de Retrospecção e o matutino de Concentração. Com o tempo de repetições e persistências em fazê-los cada vez com maior qualidade, sobrará tempo, à noite, para fazer parte das atividades como Auxiliar Invisível Inconsciente, nos trabalhos de Cura espiritual. Esse é o começo!
Outro Desafio é o sublimar o modo como é feito o seu relacionamento com as outras pessoas (independentemente de gênero, posição social, financeira, emocional, simpatia/antipatia, se tem algo que lhe interessa ou não, profissionalmente ou não). Aprende a olhar e somente considerar nos outros a “divina essência”, oculta em cada um, que é a base da Fraternidade, que será uma realidade para cada um na próxima Época, a 6ª, a Nova Galileia, onde o amor se fará altruísta e a razão aprovará seus ditames. E é somente nessa “divina essência” que ele foca quando se relaciona em pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras e/ou atos com alguém. Assim, e somente assim, ele garante que qualquer relacionamento é o servir seu semelhante, em qualquer oportunidade que se apresente, com amor, simplicidade e humildade.
Mais um desafio é a pratica da fé inquebrantável na Sabedoria e Bondade de Deus. No início de Estudante e no início de cada etapa se esforça por praticar a “fé infantil”, típica de quando se é criança, na qual não existe sombra de dúvida, conservando os Ensinamentos que recebe até comprovar para si mesmo a certeza ou o erro. Com certeza absoluta ele nada considera como fato estabelecido, porque compreende perfeitamente quanto é importante manter a sua Mente no estado fluídico de adaptabilidade que caracteriza a criança. Compreende, com todas as fibras do seu ser, que “agora vemos como em espelho, obscuramente” e está sempre alerta, anelando por “luz, mais luz”. E é assim que chegará à fé inquebrantável na Sabedoria e Bondade de Deus. E é por meio dela que ele chega ao ponto de viver amando o bem por ser o bem.
Procura ordenar sua conduta de acordo com este princípio, sem ter em conta seu benefício ou sua desgraça presente, ou os resultados dolorosos em algum tempo futuro. E é por meio dela que demonstrará a sua “fé por obras”, trabalhando de acordo com a Lei de Evolução, procurando falar, atuar e ver somente o Bem nos relacionamentos diários com seus semelhantes e com tudo que o rodeia. E aqui cabe salientar que o Aspirante já entendeu e procura viver sabendo que primeiramente satisfaz, buscando se provar no entendimento de que, no universo tudo é razoável. Isso o ajudará a triunfar sobre o seu rebelde intelecto. E, junto a isso, não mais fazer crítica a nada.
Junto à fé inquebrantável, cultiva e executa a verdadeira disposição de aceitar, provisoriamente, como verdade provável, afirmações que, de imediato, não pode constatar. Pois já sabe que então, e somente então, desenvolverá as faculdades superiores pelo treinamento esotérico. É nesse ponto que ele deixa de ser um simples ser humano de fé, para passar ao conhecimento direto.
Apesar disso, conforme progride no conhecimento direto e se habilita a investigar por si próprio, o Aspirante entende que há sempre outras verdades além do seu alcance. Sabe serem verdades, mas seu insuficiente avanço não lhe permite investigar. Ou seja, pratica a máxima de “um véu atrás do outro é levantado para se encontrar um véu após o outro por detrás”. E enquanto estiver usando somente a sua Mente concreta é isso que encontrará.
Outro Desafio é o de seus pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras e atos serem sempre norteados pela Verdade, Honestidade e Justiça que são as qualidades fundamentais do Espírito Virginal, o “você verdadeiro”, quando não manifestado em Ego (o Tríplice Espírito). E o fato de cair na tentação, não conseguindo expressá-los nos seus pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras e atos será um dos principais motivos de purgação quando fizer o Exercício de Retrospecção. Tendo uma certeza absoluta e inexorável de que ele é o que ele próprio escolheu; ele tem exatamente o que precisa, em bens materiais e suprafísicos; o que ele não tem é porque não precisa, no momento; quando ele precisar de mais alguma coisa, ela lhe será dada na medida e no momento exato; se ele a tivesse agora, lhe atrapalharia e o impossibilitaria de aprender o que precisa para dar um passo à frente, pelo que não inveja a nada e nem a ninguém. E se prepara para lançar sempre boas sementes para o amanhã, pois sabe que deve exercitar a prerrogativa divina do Livre Arbítrio. Enquanto o Aspirante não alcança a capacidade de poder ver, de um só relance, o passado e o presente e assim determinar as causas, as crises e as condições atuais para diagnosticar, conhecer a si mesmo e saber exatamente que lições tem a aprender, utiliza as muletas que tem – diagramas, livros, infográficos – dentre elas a Astrologia Rosacruz (vejam mais detalhes sobre isso no livro Cartas aos Estudantes nº 57). E aqui está a razão principal para todo e verdadeiro Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz se esforçar por aprender, por si só, a levantar seu tema astrológico, utilizando a Astrologia Rosacruz, desde o início até o seu final, com suas Progressões e Trânsitos, tanto para lhe ajudar, como para lhe dar a segurança necessária quando trabalhar na Cura Rosacruz.
Pratica o silêncio. Como um exercício bem preliminar que irá exercer como um voto quando for Iniciado, já na 1ª Iniciação Menor da Ordem Rosacruz. Entende e vivencia o ensinamento que nos diz que o silêncio, em verdade, é um dos maiores auxiliares para o crescimento da alma. Está convicto que está aqui encarnado para adquirir experiência, conquistar o mundo, se sobrepor ao eu inferior (criado, alimentado por ele mesmo) e alcançar o domínio próprio. E é por esse domínio próprio que busca, incessantemente, praticar o bom hábito da autossuficiência, repetidamente, de modo a transformá-la em uma virtude fundamental. Para isso procura se emancipar de toda dependência dos outros, se tornando autoconfiante no mais alto grau, de maneira a poder permanecer só em todas as circunstâncias e enfrentar todas as condições. Isso é o que difere o Método da Fraternidade Rosacruz de todos os outros sistemas existentes de desenvolvimento cristão espiritual.
Afinal, somente aquele que for tão bem equilibrado pode ajudar ao débil. Eis a razão do porquê de todo Estudante da Fraternidade Rosacruz efetuar seus exercícios esotéricos de Retrospecção, Concentração, Observação, Discernimento, Meditação, Contemplação e Adoração sozinho. Seguindo este método, se obtêm resultados mais lentamente. Porém, quando tais resultados aparecerem se manifestarão como poderes cultivados por ele mesmo, e poderão ser empregados independentemente dos demais.
Com essa técnica apurada, consegue retirar dos Ensinamentos Rosacruzes o que precisa para construir um caráter que, ao tempo em que desenvolve suas faculdades espirituais, lhe resguarda da tentação de perverter os poderes divinos, em busca do prestígio mundano.
Outro desafio muito importante é o estabelecimento do seu Tribunal Real da Verdade. O Verdadeiro Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz já chegou à conclusão de que o Eu Interno é o único tribunal da verdade.
Leva, consciente e persistentemente, todos os seus problemas e dificuldades ante este tribunal. Pois entendeu que assim desenvolve, com o tempo, um senso superior da verdade que, instintivamente, onde ouvir uma ideia avançada, sabe se ela é ou não correta e legítima. A Bíblia, em várias passagens, exorta para que ele esteja atento a todas as espécies de doutrinas que flutuam no ar e ao nosso redor, porque muitas são perigosas e perturbam a Mente. Livros são lançados para promover este, aquele ou outro sistema de filosofia. A menos que tenha estabelecido ou começando a estabelecer este Tribunal Interno da Verdade, ele pode ficar vagueando de um lugar para outro, sem encontrar descanso na sua vida e, no final, sabendo pouco mais ou talvez até menos do que no princípio. O Verdadeiro Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz nunca aceita, nunca rejeita ou nunca segue cegamente qualquer autoridade. Ele se esforça para estabelecer internamente o Tribunal Interno da Verdade.
Remete todos os assuntos a esse tribunal. Comprova todas as coisas e absorve firmemente tudo o que nele existir de bom. Dentre os instrumentos que são fornecidos pela Fraternidade Rosacruz, os Exercícios de Retrospecção noturna e de Concentração matutina são os melhores para ajudá-lo a construir e desenvolver esse Tribunal Interno da Verdade (veja mais detalhes no livro Cartas aos Estudantes nº 83).
Sabe que o assunto Oração merece uma profunda atenção e estudo. E pratica a verdadeira oração científica, pois já entendeu ser ela um dos métodos mais poderosos e eficazes para encontrar graça diante de nosso Pai, e receber a imersão na luz espiritual, que transforma alquimicamente o pecador em santo e o envolve com o Dourado Manto Nupcial de Luz, o luminoso Corpo-Alma. “Ora e Labora” é seu jeito de ser, pois também aprendeu que a oração por si só não pode efetuar essa transformação. Mas sim a sua vida inteira, tanto desperto como em sono, se torna uma oração para a iluminação e santificação.
Sabe que o fracasso reside apenas em deixar de lutar ante qualquer obstáculo. Como diz Max Heindel muito bem: “O único fracasso é deixar de lutar”. Por isso, procura, paciente e persistentemente, atingir o alvo proposto, ou seja, realizar os elevados ideais ensinados por Cristo através da sua vivência diária. Afinal, o Aspirante Espiritual só pode mostrar o que é na hora de adversidade. Pois, como se lê: “Deus prova aqueles a quem ama”, mas também lemos que “se Ele dá o fardo, dá juntamente, as forças para suportá-lo”. A luta valoriza o esforço e a vitória do Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz. E, se vez por outra ele cai, que importa?
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
A Ansiosa Solicitude pela Vida
“Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber, nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Os mundanos é que procuram todas estas coisas. Contudo, vosso Pai Celeste sabe que necessitais de todas elas. Buscai, pois, e em primeiro lugar Seu reino e Sua justiça e todas as demais coisas vos serão dadas por acréscimo. Não vos inquietais, portanto, com o dia de amanhã”. (Mt 6:25-34).
Preocupação com o imediato, com os anos vindouros ou com as próprias condições no crepúsculo da existência.
Não importa. A maioria de nós experimenta essa ansiedade, essa insegurança, esse medo do futuro, em nossa trajetória pelo mundo.
Muitos impõem-se um sistema de economia ou austeridade que chega às raias da avareza, privando-se a si próprio e aos seus dependentes até das comodidades mais básicas, para não ficarem sujeitos a privações no futuro: este o pensamento, esta a intenção. Jamais nos passa pela cabeça nesses dias de ansiosa solicitude pela vida, que todo ser humano é um importantíssimo filho do zeloso Provedor Universal, que fornece permanentemente de tudo aos “armazéns cósmicos” e a esta “praça consumidora” terráquea com a mais infalível pontualidade. E não percebemos também pouco que se o cuidadoso e indefectível Provedor alimenta, veste e até adorna os quadrúpedes, as aves e flores dos campos, quanto mais a nós, por quem Seu próprio Filho sacrificou-se um dia e continua se sacrificando anualmente!
E foi Ele quem recomendou certa vez que nos mantivéssemos tranquilos quanto ao dia de amanhã. Como elevadíssimo Iniciado, sabia quão prejudiciais são o receio e a ansiedade à nossa saúde e ao nosso progresso; sabia que a cada momento de preocupação uma parcela de nossa saúde se esgota, um pouco do nosso tempo é perdido, parte da alegria de viver se desvanece e muito do nosso progresso espiritual – talvez também o material – estaciona; e sabia, finalmente, o quanto atraímos para nós aquilo que de bom desejamos ou o de que precisamos somente por confiar em Deus – ou em que Deus jamais deixa faltar nada àqueles que aos Seus cuidados se entregam.
“O justo não mendigará o pão”, registrou Salomão.
E o que significa ser justo? Muitos séculos depois do registro dessa Verdade, mas já no Sermão da Montanha, Cristo a esclarece esotericamente na exortação: “Buscai primeiramente o reino de Deus e Sua justiça e todas as demais coisas vos serão dadas por acréscimo”.
Aí está.
Aquele que procura ver além da matéria, que busca as coisas do espírito (“o reino de Deus”), procurando ao mesmo tempo conhecer as leis suprafísicas (“Sua justiça”) que regem a vida evolucionante e vivendo consoante elas, passa a ter – por força dessas mesmas leis tudo a seu favor, como se o Universo inteiro iniciasse uma tácita cooperação efetiva com ele.
O Iniciado de Tarso esclarece mais uma vez e com outras palavras: “Todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seus decretos” (leis). Ora, como amar ao próximo (a quem vemos) é o mesmo que amar a Deus (a quem não vemos); e como em linguagem esotérica “ser chamado” é o mesmo “que ser atraído” (considere-se a Lei de Atração do Semelhante), as palavras de São Paulo na Epístola aos Romanos (8:28) podem ser lidas assim: “Todas as circunstâncias favorecem àquele que ama ao seu semelhante e se harmoniza com as leis universais, de tal modo que nada lhe poderá faltar”. Isso não é uma promessa milagrosa, como se pensa há séculos. Não existe milagre. É muito, e muito mais. É a “mecânica” das leis universais em pleno funcionamento, atuante desde os primórdios dos mundos; leis vibrantes em cada átomo das matérias físicas e suprafísicas; sábias, justas, onipresentes e infalíveis. “Causa e Efeito”, “Dar e Receber”, “Atração do Semelhante”, entre outras. É pois mais que um aval dos céus: é uma CERTEZA!
Percebe aí o amigo leitor quanta confiança esse sopro de Verdade pode infundir no sincero “Siegfried” dos nossos dias – dias de contagiante medo, ansiedade, incertezas e carências materiais e espirituais – ou no ser humano que se volta para as coisas superiores do espírito em qualquer tempo? É de fato impressionante! Maravilhosamente impressionante!
A Sabedoria Ocidental ensina: “É lei da Natureza que nossa atitude confiante favorece os nossos propósitos quando desejamos alcançar alguma coisa”. O admirável porta-voz dessa Sabedoria, valendo-se do exemplo de sua própria vida quando lutava arduamente para fundar e manter a Fraternidade Rosacruz em Oceanside, escreveu algures: “Asseguro-lhe que falo por experiência própria quando advogo o viver pela fé, porque tenho trabalhado duramente e me mantido rigorosamente nesses labores, dia após dia. Apesar disso minha vida é um gozo contínuo nunca interrompido por pensamentos de aflição sobre necessidades materiais ou pela falta de dinheiro para continuar e terminar minha tarefa. E nos anos que transcorreram desde que comecei a viver pela fé, meus recursos se tornaram muito mais amplo do que naqueles dias em que costumava me preocupar”.
Aí está. Isso é FÉ, isso é VIVER. Max Heindel comprovava realmente na prática a Verdade registrada por antigos Iniciados no Livro de Habacuque, Capítulo 2, Versículo 4 e citada pelo Apóstolo na Epístola aos Romanos (1:17): “O justo viverá pela fé”.
Complemento dessa CONFIANÇA EM DEUS, o cultivo do AMOR AO PRÓXIMO ajuda-nos, sobremaneira, a afastar o medo, a ansiedade, ou a ansiosa solicitude pela vida. Em parte, porque a natureza desse Amor é de tal sublimidade que nos eleva a pararmos onde impossível é lembrarmos de nós mesmos. E em parte porque – já que amar o semelhante é o mesmo o que amar a Deus – esse Amor é perfeito e sabemos que “O Amor perfeito lança fora o temor”, como escreveu o evangelista.
Também ajuda bastante a afirmação diária (ao acordar de manhã e ao dormir à noite) de verdades como: “Eu e meu Pai somos UM”; “Tudo posso n’AqueIe que me fortalece” (Fp 4:13); “‘Se Deus é por mim, quem será contra mim?” (Rm 8:31) e “O Senhor é meu Pastor, não me faltará” (Sl 23:1), na convicção de que “O homem nada recebe que não venha do céu” (Jo 4:27). Ajuda principalmente nos “dias de nossas fraquezas”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/88 – Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: Qual a diferença entre Alma e Corpo-Alma?
Resposta: Esta é uma das perguntas mais profundas que já foi feita, e não pode ser respondida diretamente, mas unicamente por meio de uma ilustração. Da mesma forma que as crianças aprendem certas verdades intelectuais, que estão além do seu alcance, por ilustração pictórica, a humanidade nascente aprendeu profundas verdades religiosas por meio dos mitos e alegorias.
O Corpo Vital é composto de quatro Éteres. Os dois Éteres inferiores são as vias particulares de crescimento e propagação. No Corpo Vital de uma pessoa, cujo interesse principal é a vida física e que vive, por assim dizer, inteiramente voltada para o prazer sensual, estes dois Éteres predominam, enquanto numa pessoa que é indiferente ao prazer material da vida, mas que procura progredir espiritualmente, os dois Éteres superiores formam a maior parte do Corpo Vital. Eles representam o que Paulo chamou de “soma psuchicon”, ou Corpo-Alma, que permanece junto ao ser humano durante as suas experiências no Purgatório e no Primeiro Céu, onde a essência da vida vivida é extraída. Esse extrato é a Alma, cujas duas qualidades principais são a consciência e a virtude.
O sentimento da consciência é o fruto dos erros em vidas terrenas passadas, os quais, no futuro, guiarão o Espírito corretamente e ensiná-lo-ão como evitar tais erros semelhantes. A virtude é a essência de tudo o que houve de bom em vidas passadas, e atua como um incentivo que mantém o Espírito em seu esforço ardente no caminho da aspiração. No Terceiro Céu, essas duas qualidades amalgamam-se totalmente com o Espírito tornando-se parte integrante dele. Desse modo, no decorrer de suas vidas, o ser humano eleva-se e as qualidades anímicas de consciência e de virtude tornam-se mais fortemente atuantes como princípios orientadores de conduta.
Talvez consigamos ter uma ideia melhor da diferença entre a Alma e o Corpo-Alma se considerarmos a alegoria contida no antigo Templo Atlante de Mistérios, o Tabernáculo no Deserto. Esse símbolo, dado por Deus, era provido com todos os elementos de crescimento da Alma necessários ao desenvolvimento da humanidade. Entre eles havia no Tabernáculo, a Mesa dos Pães da Proposição. Sobre esta mesa havia doze pãezinhos dispostos em duas pilhas de seis pães cada uma, e sobre cada pilha havia um pequeno monte de incenso. Lembremos que o grão, dos quais se originaram esses pães, foi dado por Deus ao ser humano, mas era necessário que o ser humano o plantasse, arasse o solo, regasse e alimentasse as minúsculas plantinhas. Devia colhê-las, debulhar o grão e triturá-lo transformando-o em farinha. Em seguida, devia preparar a massa e assar o pão antes de poder trazê-lo para o templo e apresentá-lo como produto do seu trabalho, executado com o grão ofertado por Deus. Esse grão dado por Deus representa a oportunidade.
Doze tipos de oportunidades apresentam-se ao ser humano a cada ano através dos doze departamentos da vida representados pelas doze casas em seu horóscopo. Mas muitos podem descuidar dessas oportunidades, da mesma forma que os antigos israelitas lançavam seu grão a um canto, esquecendo-o. Sendo assim, o ser humano não terá pão para apresentar ao Senhor. Será comparado ao servo que pegou seu único talento e o enterrou. Por outro lado, se ele arasse o solo e alimentasse o grão da oportunidade por serviços na vinha do Senhor, teria, como resultado, um acréscimo que poderia colher e preparar para ofertá-lo no templo do Senhor no momento apropriado, demonstrando ter cultivado fielmente todas as oportunidades de serviço, fazendo o máximo de acordo com a sua capacidade.
Observamos, no entanto, que estes doze pães da Proposição não eram realmente oferecidos ao Senhor, mas que sobre cada pilha de seis havia um pequeno monte de incenso, que representava a essência do pão. Por analogia, esta é a essência do nosso serviço; compreenderemos a razão disto por meio de outra pequena ilustração encontrada nas experiências pelas quais passamos para adquirir as faculdades físicas.
Todos nos lembramos de como na época em que íamos à escola e aprendíamos a escrever, fazíamos os mais desajeitados movimentos e contorções com o braço e o corpo tentando desenhar as letras sobre o papel.
Manchávamos os nossos cadernos de textos, que ficavam com uma aparência horrível, e nossas tentativas para escrever não eram nada bonitas. Não obstante, aos poucos, fomos adquirindo a faculdade e, ao longo dos anos, esquecemos tudo que se refere à experiência dos dias iniciais, quando nos esforçávamos em cultivá-la. Aqui está o ponto: se não tivéssemos passado por essa experiência incômoda, não possuiríamos hoje a faculdade de escrever, e há outro ponto a considerar: após termos adquirido a faculdade, é desnecessário recordar os métodos enfadonhos na sua aquisição. Similarmente, a substância física grosseira, o grão do Pão da Proposição, não devia ser ofertado ao Senhor, mas apenas a essência ou aroma dela, a faculdade do serviço hábil, a benevolência cultivada por nós ao fazer o bem aos outros.
As duas pequenas pilhas de incenso eram, então, levadas ao altar do incenso, em frente ao segundo véu e aí eram acesas. Erguia-se dali uma nuvem de fumaça para o exterior ou parte leste do templo, mas apenas o aroma, puro e livre da fumaça, penetrava através do véu para dentro do santuário interno. Por analogia, podemos comparar os Pães da Proposição às experiências pelas quais passamos ao servir e auxiliar os outros; o incenso, que se encontra no topo da pilha de pães, pode ser comparado à essência da simpatia e dos préstimos que extraímos desses serviços, o crescimento da Alma neles contido. Vemo-lo ao nosso redor como uma aura dourada, a qual constitui o Corpo-Alma. Mas, embora esse veículo glorioso seja feito dos dois Éteres mais sutis, não poderia, por qualquer processo que seja, amalgamar-se com o Espírito em si, da mesma forma que o incenso não pode queimar sem desprender a fumaça e deixar um resíduo de cinzas. Por conseguinte, pela alquimia espiritual do exercício noturno da Retrospecção, ou no processo na purgação após a morte, este Corpo-Alma é queimado sem o véu (no primeiro céu), e o aroma ou a Alma penetra o véu até o mais recôndito santuário como alimento para o Espírito.
Desse modo, o Espírito leva consigo o aroma de todas as suas vidas passadas. Uma Alma mais jovem, que só teve poucas existências das quais pudesse tirar experiências e alcançar o crescimento anímico, é cruel e egoísta, pois não prestou serviço aos outros. Mas, alguém que já teve muitas vidas, que aprendeu, através da amargura e do sofrimento, a sentir e auxiliar os demais, responde instantaneamente ao grito de dor, pois nesse alguém, a Alma é a quintessência do serviço, portanto, está sempre pronto a ajudar seu semelhante a despeito do conforto e dos prazeres pessoais.
(Perg. 159 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Livrando-se de todo o pensamento indigno e de sentimentos sem bondade ou amor
Poucos compreendem ou tem alguma ideia do poder do pensamento. Mesmo os que costumam cuidar de suas palavras, amiúde se descuidam de seus pensamentos, crendo que, enquanto não os expressam, eles de nada valem. Mas o pensamento se difunde pelo mundo com maior força do que a palavra proferida.
A diferença é que essa se dirige à Mente consciente e o pensamento impressiona a Mente subconsciente. O pensamento vibra muito mais rapidamente que a palavra e abarca, em poucos momentos, o que levaria centenas de palavras para ser expressa. Desconhece ele os limites do tempo e espaço.
O rádio nos revelou as maravilhas da vibração, que é a lei de toda a manifestação material. Há poucos anos, acreditávamos ser impossível a comunicação sem alarmes transmissores, mas agora o rádio demonstra o contrário.
O pensamento é criador. Produz nos Éteres “pensamentos-formas” que chegam a ser arquétipos ou moldes para fatos ou objetos que mais tarde aparecem no plano físico. Nada existe materialmente, que não haja sido concebido pelo pensamento. Nada sucede por casualidade. Diz-se “é minha falta de sorte”quando, na realidade se deveria dizer “são meus maus pensamentos”.
O pensamento atua sempre repleto de sentimentos e emoções e a influência destes é imensa. A qualidade dos sentimentos influi grandemente na saúde, na felicidade e no êxito, bem como nas condições que nos rodeiam, pois “os semelhantes se atraem”. Emoções fortes como o ódio, inveja, amargura, ansiedade, ciúmes, etc., injetam no sangue algo que altera a ação, especialmente do fígado, e, consequentemente, a digestão e todo o corpo. É necessário dominar os pensamentos e emoções pela força de caráter.
A religião Cristã nos ensina esse dever e, por meio de Cristo Jesus, nos proporciona os meios de fazê-lo. É certo que algumas de nossas dificuldades provêm de nossas vidas anteriores e, talvez, nos sejam inevitáveis. Mas Deus, nosso Pai, é misericordioso e nos perdoa.
É bom esquadrinhar toda nossa vida passada para, se possível, descobrirmos qualquer sentimento inconfessável e dele nos libertarmos. Uma injustiça ainda não reparada, o ressentimento de uma experiência amarga ainda não esquecida, pode ficar como uma infecção na alma e causar enfermidades.
As emoções de puro amor e prazer natural de uma vida boa, exercem também enorme e benéfica influência. Temos de retirar do coração toda a perturbação e livrá-lo de todo o pensamento indigno e sentimentos sem bondade ou amor, até gozar a pureza de um coração receptivo da radiante vida divina. Perceberemos então um descanso indescritível.
(de Maria José A.S. de P. Coimbra, publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 06/79 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Os Ensinamentos Rosacruzes e a Teoria do Renascimento
Desde os mais remotos tempos as almas avançadas vêm demonstrando grande interesse em elucidar o enigma da vida e da morte. Hoje, entretanto, esse ardor ganha maior amplitude. As catástrofes, as guerras, os problemas socioeconômicos se agravando, a autodestruição pelas drogas e neuroses, as questões ecológicas, a violência urbana, formam um delicado painel a desafiar o ser humano. Embora esta seja a época dos ‘QIs’ assombrosos, dos PHDs, da tecnologia ultrassofisticada, nunca houve tamanha sensação de insegurança.
Essa grande provação está induzindo os seres humanos a procurarem respostas satisfatórias, em fontes não convencionais. Muitos já estão se embrenhando no campo do espiritualismo profundo, na esperança de encontrar soluções para os problemas que os afligem. Daí o crescimento das Escolas Esotéricas e a venda em escala crescente de obras ocultistas nas livrarias.
Motivando mais ainda essa busca, notamos os modernos meios de comunicação social apresentando, constantemente, reportagens e artigos sobre a “vida após a morte”, reencarnação, clarividência e outros temas apaixonantes.
Isso é muito significativo, mesmo a despeito de alguns programas de televisão darem um tratamento superficial e sensacionalista a tais questões. Porém, sempre resta um saldo positivo.
Qual dos temas acima referidos cerca-se de maior interesse? Cremos ser o da reencarnação, nos ensinamentos da Sabedoria Ocidental, divulgados pela Fraternidade Rosacruz, conhecida como RENASCIMENTO.
Lemos no Antigo Testamento, Jó queixando-se da natureza efêmera da vida humana e dos dissabores por ela causados: “O homem nascido de mulher vive breve tempo, cheio de inquietações”. E em outro versículo indaga: “Quando o homem morre, tornará a viver?”.
A essa pergunta sumamente importante, os ensinamentos rosacruzes responde com toda segurança: sim. No capítulo IV do Conceito Rosacruz do Cosmos – Renascimento e Lei de Consequência – Max Heindel aborda a questão, alinhavando considerações, ilustrações e argumentos. É um dos pontos básicos do rosacrucianismo, porque faz emergir as causas de muitos fatos e fenômenos intrigantes.
O ocultista aceita o renascimento como um fato indiscutível, não como uma possibilidade ou hipótese. Não afirma “crer”, porquanto “crença” é algo meio vago, subjetivo. Ele conhece, sabe. Os mais avançados, inclusive, têm a oportunidade de acompanhar a trajetória de um Ego, desde que desencarna, passando por algumas etapas “post-mortem”, até o próximo renascimento. Logo, não necessitam crer.
Três teorias principais procuram esclarecer o enigma da vida e da morte: (1) a Materialista, (2) a Teológica e (3) a do Renascimento. Segundo a primeira, delas, nada há que transcenda os limites da matéria física. A Mente é o resultado de certas correlações da matéria, o homem é o ser mais elevado do Universo e sua inteligência perece quando da sua morte. Fora disto, dizem os apologistas dessa teoria, tudo é produto da imaginação, de alucinações ou fruto da ignorância. O mundo material é a única realidade.
Essa teoria, entretanto, a cada dia que passa se torna mais insustentável. As pesquisas efetuadas pelas sociedades parapsicológicas das nações mais desenvolvidas; os estudos realizados por pessoas cultas e séria; os depoimentos de pessoas comprovadamente sãs e idôneas, envolvendo fenômenos suprafísicos, evidenciam a descoberta e confirmação de uma nova realidade.
A Teoria Teológica nega a possibilidade de o espírito renascer aqui no Mundo Físico. Assevera que, em cada nascimento uma alma recém-criada por Deus adentra a arena da vida; que ao fim de certo período deixa essa existência, passando pelo umbral da morte; que as condições “post-mortem”, eternas por sinal, dependerão de seus atos e conduta (segundo algumas seitas cristãs) ou de sua fé em Cristo como seu Salvador (segundo outras) durante a vida terrena. Portanto, aqueles cujo procedimento foi reprovável ou não tiveram fé deverão sofrer eternamente, enquanto os outros serão recompensados.
Ora, é fácil encontrar uma grande, uma flagrante contradição nessa teoria, decorrente da injustiça que ela carrega em seu bojo. Se nos Evangelhos o próprio Cristo nos exorta a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente, como Deus pode condenar alguém ao sofrimento eterno, sabendo-se que o ambiente ou qualquer circunstância podem induzir facilmente à transgressão?
Que Divindade é essa, responsável pelo nascimento de um indivíduo numa favela, em meio à fome, ignorância e delinquência, e de outro numa mansão, cercado de todos os cuidados e educação esmerada? Se a própria justiça dos seres humanos, falível em si mesma, ainda tem a nobreza de conceder “sursis”, liberdade condicional e oportunidades de recuperação a quem comete delitos, por que Deus – suprema Perfeição – condenaria alguém?
Não, não é possível que seja assim. A Teoria Teológica projeta a imagem de uma Deidade antropomórfica, ou seja, concebida à imagem e semelhança do ser humano. Mas não é a própria Bíblia que afirma termos sido criados, nós, à Sua imagem e semelhança? O bom senso não consegue admitir tamanho absurdo. Conclui-se, portanto, da insustentabilidade dessa teoria.
Por fim, resta-nos analisar a Teoria do Renascimento, chamada pelos espíritas, teosofistas, budistas, etc., de reencarnação.
Se observamos a vida do ponto de vista ético-lógico não há como deixar de aceitar o renascimento. O Universo é regido por leis sábias, e, certamente, uma mente lúcida não poderá atribuir-lhe um sentido injusto. Tudo tem sua razão de ser.
Se os próprios seres humanos de ciência admitem, no campo material, um processo denominado “evolução”, por que não admitir que o mesmo se estenda a todos os campos?
Em todos os lugares contemplamos o esforço da natureza para atingir a perfeição. Não há processos súbitos de criação e destruição. Tudo caminha e se aperfeiçoa, lenta, mas seguramente.
Observemos a organização social, política, econômica, religiosa e familiar dos povos. Confrontemos com o panorama de quinhentos, mil ou dois mil anos atrás. Houve uma transformação radical, uma evolução, um aprimoramento, sem dúvida alguma. Não é lógico supor-se, entretanto, que os subsídios para promover essa evolução tenham sido colhidos apenas e tão somente nos bancos escolares ou nos templos, em um determinado lapso de tempo.
Há um cabedal de experiências, um lastro cultural e psicológico, impossível de ser formado no curto espaço correspondente a uma vida. Não nos esqueçamos, também, de um aspecto importante: todos esses avanços extraordinários tiveram a conduzi-los, a inspirá-los, a traçar-lhes as diretrizes, seres humanos dotados de qualidades incomuns, alguns até gênios na mais pura expressão do termo. Não adquiriram asas faculdades maravilhosas em poucas décadas.
A evolução é a história do progresso do espírito no tempo. São necessárias muitas vidas para que se consolide um atributo excepcional. Não fosse isso verdade, como explicar o fato de um Mozart tocar e compor em tenra idade, sem submeter-se a um aprendizado metódico?
“Por toda parte, observando os variados fenômenos do Universo, vê-se a espiral do caminho evolutivo. Cada volta da espiral compreende um ciclo. As espirais são contínuas. Cada ciclo submerge-se no próximo e é o produto melhorado do precedente, criando estados de maior desenvolvimento”, afirma Max Heindel.
Renascendo alternadamente em corpos masculinos e femininos, os seres humanos adquirem conhecimentos e experiências variados. Alguma imperfeição desta vida poderá ser corrigida numa ou em várias existências futuras. Uma qualidade atual poderá ser aprimorada a níveis nunca dantes imaginados. E, o que é muito importante, novas causas poderão ser deflagradas, novos cursos de ação eleitos, no exercício de uma divina faculdade, alavanca mór de todo progresso: a Epigênese.
Até poucas décadas atrás, o assunto “renascimento” ou “reencarnação”, era tratado com certa reserva fora dos ambientes esotéricos. Bastava que se o mencionassem para, de imediato, alguém, associá-lo com espiritismo. Verdade seja dita: os seguidores de Kardec também são reencamacionistas. Entretanto, essa associação de ideias revela como se desconhece o assunto. Afinal, ele é igualmente familiar a outras denominações filosóficas e religiosas. Nas rodas acadêmicas, todavia, era considerado “tabu”. Ninguém se aventurava a mencioná-lo, por temor ao ridículo.
Hoje, o quadro acima se encontras em franca mudança. A realidade ou não do renascimento vem merecendo debates até nos meios científicos. As pesquisas se intensificam. Casos interessantes estão sendo estudados e catalogados, objetivando-se, mais cedo ou mais tarde, provar-se alguma coisa.
E por que razão alguém se vexaria em admitir, publicamente, sua crença no retomo do espírito à vida terrena? Se é por temor ao ridículo, então…nossos pêsames. Se alguém se envergonha de suas convicções, então por que não as abandona de uma vez? Na realidade não está convencido de coisa alguma.
Mergulhamos no passado. Veremos a doutrina do renascimento constituindo um dogma fundamental dos sistemas religiosos dos antigos egípcios, dos Druidas e de outros povos. Quase todas as religiões orientais são reencarnacionistas.
Nos países ocidentais, vários seres humanos célebres confessaram publicamente sua crença nessa verdade. Pitágoras, insigne filósofo e matemático grego do quinto século antes de Cristo dizia, lembrar-se de ter sido Hermotino e de ter lutado na guerra de Tróia.
Ovídio, poeta latino (43 A.C. a 17 D.C.) afirmava ter assistido, numa encarnação anterior, ao cerco de Tróia, chegando a relatar em seus versos, acontecimentos de diferentes existências pelas quais teria passado.
Empédocles, filósofo e médico (quinto século A.C.) ensinava que os “seres se separavam pela repugnância, e pelo amor atingiam a união; que a alma para alcançar os conhecimentos necessários, reencarnava até chegar à perfeição”. Afirmava lembrar-se de duas encarnações, uma delas como homem e a outra como mulher.
O célebre escritor e político francês Lamartine, cria nas vidas sucessivas. No seu livro “Viagem ao Oriente” diz ter reconhecido o vale do Terevento e o túmulo dos macabeus.
Guerra Junqueiro meditando sobre os males que afligem o gênero humano, inclinava-se a crer que sejamos réprobos expiando faltas de outras existências.
Theophile Gautier, Alexandre Dumas (pai), Ponson de Terrail, Pierre Loti e outros escritores externam, por diversas vezes sua crença no renascimento.
Encontramos no Novo Testamento vários pontos alusivos ao renascimento, se bem Cristo não o tenha revelado abertamente. Mas fê-lo aos Discípulos, reservadamente. Por razões de ordem evolutiva, o conhecimento dessa verdade permaneceu oculto das massas durante vários séculos. Para os esoteristas cristãos e alquimistas, contudo, essa doutrina nunca foi novidade.
Cresce, dia a dia, o número de pessoas que, não só aceitam essa teoria, como se dispõem a estudá-la com profundidade. E, na Idade de Aquário, a iniciar-se dentro de uns 600 anos, aproximadamente, sua aceitação deverá ser total.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/79 – Fraternidade Rosacruz)