Como Chispas Divinas criadas por Deus, devemos percorrer o caminho de desenvolvimento que parte da impotência até a onipotência. Este caminho iniciou no Período de Saturno quando, pelo emprego da inerente força criadora que possuímos, começamos a construção e integração de nossos corpos. Isso ocorreu sob a orientação das Hierarquias Divinas ou Hierarquias Criadoras (veja mais informações no artigo “Arco Descendente: de onde viemos?” disponível no endereço eletrônico: https://www.fraternidaderosacruz.com/estudos-de-filosofia/arco-descendente-da-evolucao-de-onde-viemos).
O mecanismo da nossa evolução humana, que nos permitirá nos tornarmos um Deus, funciona do seguinte modo:
(1) todo o trabalho que realizamos com nosso Corpo Denso se converte em uma experiência (quintessência) ou Poder Anímico, que conhecemos como Alma Consciente e que deverá se amalgamar ao Espírito Divino ou a primeira faceta, ou o primeiro aspecto, do Ego;
(2) todo o trabalho que realizamos com o Corpo Vital se converte em uma experiência (quintessência) que conhecemos como Alma Intelectual. Essa se amalgamará ao Espírito de Vida ou segunda faceta, ou segundo aspecto, do Ego, e finalmente;
(3) todo o trabalho realizado com o Corpo de Desejos se converte em Alma Emocional que se amalgamará ao Espírito Humano ou segunda faceta, ou terceiro aspecto, do Ego.
O germe da Mente foi nos fornecido mais tarde e o trabalho feito com ela não será amalgamado de modo específico a algum aspecto de nós, o Ego humano, mas como um todo, afinal, sua função é servir como um elo ou meio pelo qual nós podemos transmitir nossos comandos para todos os nossos três Corpos. Façamos a importante observação de que o objetivo da evolução não é desenvolver corpos, mas experiências que promovem poder de expressão a nós, o Ego. O aperfeiçoamento dos Corpos é uma mera consequência da necessidade de novas experiências mais profundas que geram Alma ou Poder Anímico para nós, o Ego. Essa noção pode nos auxiliar na percepção da nossa real natureza, considerando o forte apego que possuímos para com o nosso Corpo Denso que naturalmente morrerá, pois chegamos ao ponto de confundir nossa identidade com o próprio Corpo Denso. Conclui-se, então, que a vida deve se resumir na busca por experiências que se convertem em Poderes Anímicos para nós, o Ego. O resto é pura ilusão.
No entanto, alguém pode se perguntar: este plano parece não justiçar as condições de misérias físicas que muitos de nós vivemos atualmente. Por que temos doenças, por que sofremos e por que morremos? Vamos tentar responder essas questões:
A doença, o sofrimento e a morte deram origem exatamente quando decidimos tomar as rédeas da nossa própria evolução, no episódio conhecido como a “Queda do Homem”. Antes da Queda, estávamos vivendo no Jardim do Éden, que é a Região Etérica do Mundo Físico. Lá, funcionávamos em um Corpo Vital que não morria bem diferente do Corpo Denso. Nessa época, éramos ingênuos e não possuíamos qualquer percepção do Mundo Físico e do Corpo Denso. Contávamos com a ajuda de Hierarquias Criadoras que neutralizavam nossos Corpos de Desejos e nos colocavam em condições difíceis de gerar dor. Mas essa dor não possuía a mesma natureza da dor que conhecemos atualmente, provocada pela desarmonia da Lei de Causa e Efeito. Aquela dor era positiva e estimulante, e tinha o objetivo de despertar a vontade, quando lá renascíamos como homens, e a imaginação, quando lá renascíamos como mulher. Ambos os métodos objetivavam fazer o despertar da consciência material (veja mais detalhes no Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos, Capítulo XII – Época Lemúrica). Mas tal processo era demasiadamente lento.
Nós poderíamos adiantar este processo se desejássemos, bastava respondermos ao incentivo dado pelos Espíritos Lucíferos (“serpente”) que sugeriu a Eva que comesse da fruta do conhecimento e disse: “Certamente não morrereis” (Gn 3:4) se comerdes do fruto da árvore proibida. “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos (para o Mundo Físico), e sereis como Deus (Objetivo da Evolução), sabendo o bem e o mal” (Gn 3:5). “Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus (virão seus Corpos Densos). No suor do teu rosto comerás o teu pão (isto é, deverão seguir independentes e produzir poder anímico por conta), até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3:19).
A decisão de tomar as rédeas da evolução significou abrir mão de toda ajuda divina, inclusive à ajuda que neutralizava nossos Corpos de Desejos e que evitava que tivéssemos desejos desenfreados. Perdemos a instrução de procriar apenas nas épocas propícias e o ensino dado pelas Hierarquias Criadoras, que tinham por objetivo nos ajudar a focarmos a consciência no Mundo Físico. “Adão conheceu Eva”, em verdade, começamos a estabelecer relacionamentos sexuais de modo independente e demasiadamente, conhecendo o sexo oposto. Deste contato físico, fomos percebendo que muitas outras coisas físicas também ocorriam além da percepção do outro corpo pelo qual nos relacionávamos (foram abertos os olhos de ambos). Assim, adiantamos todo o processo.
O problema é que a força gasta com o sexo é exatamente a mesma força que nos faz desenvolver ações efetivas para produzir o nosso alimento (Almas ou poder anímico). Tínhamos três problemas:
(1) um Corpo de Desejos desneutralizado e com materiais das regiões inferiores;
(2) pouca força de vontade ou poder anímico desenvolvido;
(3) uma Mente totalmente nova (que foi nos dada no Período Terrestre), que pouco conseguia refrear os impulsos do Corpo de Desejos.
Deste modo, a natureza corpórea (ou Personalidade) ganhou a cena e fez com que “sua vontade desenfreada” ficasse mais proeminente do que a nossa vontade pouco desenvolvida (nós, Ego): “Todo o bem que quero fazer não faço, e todo mal que não quero fazer, esse sim, faço” (Rm 7:15). Apesar da condição corajosa de assumirmos as rédeas da evolução, estávamos sem qualquer preparo para tal, e a forte tendência de gastarmos indiscriminadamente a força criadora nos fez gerar desequilíbrios importantes na natureza. As consequências sempre geraram dor, e pela dor fomos, gradativamente, perdendo nossa percepção espiritual e ganhando consciência na Região Química do Mundo Físico, onde a separatividade e o egoísmo reinam. Conhecemos a fome, o frio e a morte (fatores desta Região). Mas não apenas os fatores inerentes desta região de morte, mas também os desequilíbrios gerados fizeram com que houvesse doenças e corpos de morte. A perda da percepção etérica (do jardim do Éden) nos fez acreditar que somos apenas um Corpo Denso e não há vida após a morte.
Depois de focar totalmente nossa consciência aqui, conquistamos a Região Química do Mundo Físico (ainda na Época Atlante). Deveríamos, portanto, abandoná-la e partir de volta ao Jardim do Éden (agora conhecida como Nova Jerusalém) com toda a experiência produzida ali. Infelizmente, muitos de nós, ainda permanecem com o resquício enraizado e direcionam todos seus esforços para gratificar suas paixões sensualistas. Se não forem direcionados ao sexo, são direcionados aos negócios do mundo ou para o ser no mundo (como carreiras, cargos ou posição social). Chegamos ao ponto de necessitarmos de doenças e enfermidades para que haja o despertar de nossa consciência de volta a vida (para as coisas espirituais). Insistimos em agir como se não tivéssemos conquistado as experiências deste mundo. Por isso, continuamos a morrer, sofrer e “a comer o pão com nosso suor”.
Se aspiramos em ser arautos da Nova Jerusalém, nós, como aspirantes a vida superior, devemos compreender que nossos esforços criadores devem, agora, ser direcionados para um “corpo de vida”, onde não há morte, fome e sofrimento. O modo pelo qual podemos deixar a Região Química do Mundo Físico, interromper a morte e iniciar o processo de vida eterna se dá pelo caminho que permite tecermos o Dourado Manto Nupcial ou Corpo-Alma. Este é o “corpo de vida” que não conhece a morte. Este caminho foi ensinado por ninguém menos que Cristo Jesus, em seus três anos de Ministério na Terra, na Sua primeira vinda.
Devemos compreender que o maior mandamento Cristão consiste em “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.” (Jo 15:12-17); que devemos deixar os resquícios de separatividade do passado e buscar o amor universal, afinal “Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos” (Mc 3:33-34); compreende que o foco atual não é conquistar coisas da Terra, pois: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem (afinal, está região é a região da morte e tudo é passageiro), e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração (foco de sua consciência e propósito de vida)”. (Mt 6:19-21).
Qualquer pessoa sabe que não mais devemos fazer uso de bebidas alcoólicas que nos faz focar, ainda mais, a consciência no Mundo Físico, e isto é ensinado aqui: “Pois vos digo que desde agora não beberei o fruto da videira até que venha o Reino de Deus” (Lc 22:16), aqui: “Mas digo-vos que desta hora em diante não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que hei de beber de novo convosco no reino do meu Pai” (Mt 26:29), e aqui “Em verdade vos digo que nunca mais beberei do fruto da videira, até aquele dia em que hei de beber de novo no Reino de Deus” (Mc 16:25).
Qualquer um compreende que devemos deixar o adultério e o gasto da força criadora sexual desenfreada, sendo puros já em nossos veículos internos: “Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura; no coração já cometeu adultério com ela.” (Mt 5:28), e que o serviço amoroso e desinteressado é o caminho mais curto, mais seguro e maia agradável que nos conduz a Deus: “Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mt 25:35-40); “Aquele que quiser o maior entre vós, seja o servo de todos.” (Lc 22:26).
Todas estas práticas são diferentes daquelas que estamos habituados com o propósito de crescermos materialmente, de acumularmos fortuna e subirmos de posição social. Muitas das práticas que nos levam a Nova Jerusalém, onde não há doenças, sofrimentos e morte, parecem ser irracionais do ponto de vista material, e são impossíveis de serem colocadas em prática. No entanto, não podemos reproduzir o erro que já executamos no passado, “pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento (foco na Região Química do Mundo Físico já naquela época), até ao dia em que Noé entrou na arca (final da Época Atlante), e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mt24:36-39). “Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (ITss 5:1-3).
Um novo dilúvio está por vir, não pela condensação da atmosfera gasosa em água, como ocorreu no passado, mas pela eterificação do ar que respiramos. A Nova Jerusalém está próxima e se não estivermos preparados para entrar e viver lá, o “dilúvio” nos consumirá novamente. Possamos mudar nossos hábitos materiais de morte, que produzem mais e mais sofrimento no mundo, para objetivos espirituais conforme ensinados pelo Cristo. Somente assim estaremos:
(1) aprimorando cada um dos corpos que possuímos;
(2) produzindo mais e mais poder anímico para o Ego;
(3) não mais nos perdendo com afazeres inúteis que atrasam nossa evolução; e
(4) finalmente livres da doença, sofrimento e da morte.
Que as rosas floresçam em vossa cruz

SIGNO: Peixes, os peixes
QUALIDADE: Comum ou mutável; tem a propriedade de difundir ou distribuir e são capazes de transformar um tipo de energia em outra.
ELEMENTO: Água; ou sensitivo, sentimento consciente relacionando à qualidade da alma das coisas. Entre outras coisas, o elemento Água representa os fluídos, o Corpo de Desejos, o Mundo do Desejo e a Alma.
ANALOGIA FÍSICA: nuvens, neblina, névoa, umidade.
PLANETAS REGENTE: Júpiter e Netuno. A função de Júpiter já foi discutida em Sagitário. Netuno expressa sua natureza interna mais livremente através do Signo de Peixes. Representa a necessidade de experiência espiritual e o esforço para adquirir conhecimentos e compreensão espirituais. Representa o impulso para o crescimento da consciência através do nível material e a obtenção de alguma medida de maestria sobre as mais sutis forças da vida.
CASA CORRESPONDENTE: a 12ª Casa no horóscopo natural corresponde a Peixes.
ANATOMIA ESOTÉRICA: representa a Alma Intelectual.
ANATOMIA EXOTÉRICA: específica: pés. Geral: dedos dos pés, fibrina do sangue.
FISIOLOGIA: Governados por Júpiter (veja em Sagitário). Netuno não governa diretamente os processos do Corpo Denso, já que se trata de um dos Planetas trans-pessoal. Netuno governa os centros das mais altas percepções nos veículos suprafísicos do ser humano e a conexão desses centros com o Corpo Denso. Netuno regula o despertar desses centros para a atividade, o desenvolvimento da clarividência e das faculdades similares a ela, e o crescimento da consciência mais níveis mais elevados. A habilidade para controlar e dirigir as forças e energias espirituais, incluindo o Fogo Espiritual Espinhal, é também desenvolvida por meio do raio de Netuno. O principal órgão no Corpo Denso sob a regência de Netuno é a Glândula Pineal, já que a Glândula Pineal regula as alterações ocorridas no Corpo Denso como resultado do desenvolvimento espiritual.
TABERNÁCULO NO DESERTO: simboliza o Altar dos Incensos, que foi colocado diretamente em frente do véu que dividia a Sala Leste da Sala Oeste. Isso simboliza a disposição da Alma para procurar a liberação das limitações do mundo material e para encontrar, novamente, o seio do Pai, lá estar reunido com sua fonte espiritual e encontrar a paz. Isso é a profunda aspiração que deve consumir a Alma antes de entrar na Sala Oeste, a Sala da Liberação. Essa aspiração ascende ao Pai e fornece para a Alma a orientação em como utilizar os meios disponíveis: a oração, a meditação, a concentração, a contemplação e a adoração. Esses canalizam para o Poder Divino e, fornecendo a habilidade e o conhecimento de como utilizá-los, torna acessível de acordo como bem extraímos as lições de humildade, gratidão e apreciação das nossas experiências no mundo material.
MITOLOGIA GREGA: Netuno representa o deus Poseidon, regente dos sete mares.
CRISTIANIDADE CÓSMICA: Marca o tempo do ano quando nós melhor aprendemos como nos desapegar das coisas inferiores e nos voltarmos para o “Eu Superior”. Essa é a estação para conscientemente cultivar as oportunidades de oferecer a nós mesmos como sacrifícios em divulgar o evangelho do amor e da paz e estar pronto para sofrer por isso, se necessário. Peixes marca a estação da Quaresma. Aqui, no Jardim do Getsemani, Cristo desapegou-se da Sua vontade pessoal a fim de trabalhar para o Pai, mesmo sabendo que isso Lhe traria muito sofrimento, muita humilhação, dor e a morte. Mas, Cristo também experimentou a Ressurreição pelo Seu sacrifício.
(traduzido da Revista: Rays from the Rose Cross – março/1977 pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Diagrama 5: a nossa Constituição Decupla – Tríplice Espírito, Tríplice Corpo, Tríplice Alma e a Mente

Quando, nós, o Tríplice Espírito – ou o Ego – desenvolvemos o nosso Tríplice Corpo e obtenhamos o domínio deles por meio do foco mental, começamos a desenvolver a Tríplice Alma, trabalhando de dentro. A maior ou menor alma que nós podemos ter depende da quantidade de trabalho que nós, o Tríplice Espírito, fizemos em nossos Corpos.
Esse diagrama mostra a nossa Constituição Decupla (dez veículos). Nós somos um Espírito Tríplice (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano) que possuímos uma Mente, com a qual governamos o nosso Corpo Tríplice (Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos) que emanou de si próprio, para adquirir experiência. Esse Corpo Tríplice se transmuta em uma Alma Tríplice (Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional) da qual se alimenta, se elevando, dessa forma, da impotência à onipotência.
O espelho da Mente também contribui para aumentar o crescimento espiritual, porque o pensamento transmite ao Espírito, ou o que dele recebe, lhe dão polimento e mais brilho, intensificando cada vez mais o seu foco e o reduzindo-o a um ponto único perfeitamente flexível e sob o domínio do Espírito.
Durante a vida o tríplice Espírito, o Ego, trabalha sobre e no Corpo Tríplice ao qual está ligado pelo elo da Mente. Esse trabalho traz à existência a Tríplice Alma. A Alma é, pois, o produto espiritualizado do Corpo.
Como o alimento apropriado nutre o Corpo no sentido material, assim também a atividade do Espírito no Corpo Denso, manifestada como reta ação, promove o crescimento da Alma Consciente. Como as forças solares atuam no Corpo Vital e o nutrem para que possa atuar no Corpo Denso, assim também a memória dos atos praticados no Corpo Denso; dos desejos, sentimentos e das emoções do Corpo de Desejos e dos pensamentos e das ideias na Mente produzem o crescimento da Alma Intelectual. Por forma semelhante, os desejos e as emoções mais elevados do Corpo de Desejos formam a Alma Emocional.
A Tríplice Alma, por sua vez, amplia a consciência do Tríplice Espírito.
A parte do Corpo de Desejos trabalhada pelo Ego fica transmutada em Alma Emocional e, por fim, é assimilada pelo Espírito Humano, cujo veículo especial é o Corpo de Desejos. A Alma Emocional cresce pelos sentimentos e emoções gerados pelas ações e pela experiência. A Alma Emocional é o extrato do Corpo de Desejos. Ela aumenta a eficiência do Espírito Humano, que é a contraparte espiritual do Corpo de Desejos.
A parte do Corpo Vital trabalhada pelo Espírito de Vida converte-se em Alma Intelectual que edifica o Espírito de Vida, porque esse aspecto do Tríplice Espírito tem sua contraparte no Corpo Vital. A Alma Intelectual é um mediador entre as outras duas e cresce pelo exercício da memória, que liga as experiências passadas às experiências presentes e os sentimentos por elas engendrados. Origina a simpatia e a antipatia, que não têm existência independente da memória. Sentimentos que resultassem somente das experiências seriam evanescentes. A Alma Intelectual amplia o poder do Espírito de Vida porque a Alma Intelectual é extraída do Corpo Vital, que é a contraparte material do Espírito de Vida.
A parte do Corpo Denso que tenha sido trabalhada pelo Espírito Divino chama-se Alma Consciente e, por fim, submerge-se no Espírito Divino, porque o Corpo Denso é a sua emanação material. A Alma Consciente cresce pela ação, pelos impactos externos e pela experiência. A Alma Consciente aumenta a consciência do Espírito Divino, pois (a Alma Consciente) é o extrato do Corpo Denso, que por sua vez é a contraparte do Espírito Divino.
Note que é o nosso trabalho (nós, Tríplice Espírito, Ego) sobre os nossos Corpos que produz cada Alma. E qual será o objetivo de cada Alma? Vejamos:
A Alma Consciente será absorvida pelo Espírito Divino na sétima Revolução do Período de Júpiter.
A Alma Intelectual será absorvida pelo Espírito de Vida na sexta Revolução do Período de Vênus.
A Alma Emocional será absorvida pelo Espírito Humano na quinta Revolução do Período de Vulcano.
(Quer saber mais? Faça os Cursos de Filosofia Rosacruz (todos gratuitos) e/ou consulte o Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel)
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Não nos foi possível desenvolver nossos poderes, enquanto não construímos os nossos três veículos inferiores os Corpos: Denso, Vital e de Desejos. É deles que nós obtemos o alimento com o qual nutrimos e desenvolvemos nossos poderes potenciais.
Esse alimento-essência é chamado de Alma. Do Corpo Denso nós extraímos, automaticamente, a Alma Consciente, mediante a prática da ação reta em relação aos impactos externos, pelas experiências e observações. Esse pábulo ou alimento transmuta os poderes latentes do Espírito Divino (o veículo espiritual mais elevado em que nós nos manifestamos) em forças dinâmicas que se manifestam como vontade, inteligência, sabedoria, o princípio “Pai”, o poder de “fazer”, a força positiva do ser.
Do Corpo Vital extraímos o alimento-essência que chamamos de Alma Intelectual, também automaticamente, por meio do discernimento entre as coisas importantes, essenciais, reais da vida e as irreais, sem importância, não essenciais.
O que se chama de Alma Intelectual alimenta e transmuta em poderes dinâmicos as forças do Espírito de Vida (o segundo mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos), que são a imaginação, a intuição, o poder receptor, o poder de assimilar a natureza amorosa, o princípio “Mãe”.
Finalmente, pelo refreamento dos instintos animais, pela devoção aos sentimentos e desejos elevados e sublimes, pelas emoções geradas através da ação reta e por experiências purificadoras, nós, automaticamente, extraímos do Corpo de Desejos o alimento-essência conhecido como Alma Emocional. Com ele alimentamos e desenvolvemos as potencialidades do Espírito Humano (o terceiro mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos; note: manifestação tríplice, como Deus que nos criou): o poder criador (físico e mental), a fecundação, a expansão, a germinação e o crescimento; transformando-os em forças dinâmicas sob o domínio da nossa vontade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1975)
O Mito de Sæhrímnir
A antiga teologia escandinava tinha um mito segundo o qual todos os que morressem no campo de batalha (as almas que lutam a batalha da vida valorosamente até o fim) eram levados ao Valhalla, onde gozavam da comunhão com os deuses. Mas os que morressem na cama (os covardes, indiferentes e preguiçosos) ou de enfermidade (que se compraziam na prática de atos contrários à Lei) iam ao nefasto Niflheim. No Valhalla, os vencedores passavam a se alimentar esplendidamente da carne de um javali chamado Sæhrímnir, que tinha a particularidade de recompor imediatamente os próprios pedaços de carne que lhe cortassem, por mais que tirassem, conservando sempre o corpo intacto e completo.
Sæhrímnir é um símbolo bem expressivo do CONHECIMENTO, pois por muito que demos aos demais do que sabemos, sempre nos fica o original, aliás reforçado pelo exercício e enriquecido por detalhes que nos vão ocorrendo no esforço da explicação.
Em “Siegfried, o buscador da verdade”, há uma passagem em que ele e seus amigos vão à caça do javali. Siegfried persegue e domina o maior deles. Isso significa a maior elevação dele em relação a seus companheiros, porque dominava um maior conhecimento. O símbolo é a expressão de uma verdade cósmica e daí ser Sæhrímnir tão atual ainda.
Uma parte da humanidade, mercê de seus esforços em vidas passadas, atingiu o privilégio de entrar em contato com conhecimentos superiores como os ensinamentos transmitidos pelos Irmãos Maiores, em O Conceito Rosacruz do Cosmos. É um javali de qualidade, à nossa disposição.
Todavia, são ainda poucos os que se sentem atraídos por eles, porque a condição imposta por seu conhecimento à própria consciência do Estudante é a de continuar lutando para despertar os companheiros que estão dormindo.
Para o Estudante Rosacruz, o conhecimento é a fonte que deve correr pelas campinas da vida, fertilizando o mundo e saciando pessoas. A água que se estagna fica poluída e alimenta pestes.
Há pessoas que, mesmo em relação aos conhecimentos superiores como os nossos, portam-se como autênticos avaros para quem o ouro é o fim e não um meio. Elas anelam ardentemente adquirir conhecimentos e empregam todos os seus esforços para consegui-los, mas depois os conservam zelosamente, como o avaro, mostrando apenas para se engrandecer. É a sua ruína, pois o conhecimento apenas infla. Os Irmãos Maiores nos ensinam o equilíbrio entre a Mente e o Coração, o conhecimento e a virtude, para que ambos se completem e harmoniosamente trabalhem em benefício dos demais. Automaticamente, dessa maneira, vai-se tecendo o “traje dourado das núpcias” de cada um de nós, com o Cristo Interno. Quem procura primeiramente o reino de Deus e Sua justiça recebe tudo o mais por acréscimo, segundo suas necessidades.
O olho foi feito pela necessidade de vermos a Luz e o aparelho digestivo pela necessidade de assimilarmos os nutrientes dos alimentos e crescermos. Aspiramos ao conhecimento e o atraímos; se perdermos a oportunidade sem aproveitá-la ou a usarmos mal, responderemos depois por isso, porque “a quem muito é dado, muito lhe será exigido”.
O que não se usa, atrofia. A natureza não admite inatividade. O preço da evolução é o exercício do bem; ou seja, sua prática. O conhecimento se inclui nesta lei: se não é aplicado, acaba morrendo.
Alguns Estudantes, de natureza mística, deduzem que o conhecimento seja dispensável e que a vontade de ajudar e trabalhar pelos outros já nos dá intuição de como realizá-lo. Supomos que o conhecimento ilumine o coração e esse oriente o conhecimento para a virtude. Um depende do outro. São os dois polos do servo completo. A verdadeira intuição deriva do Mundo do Espírito de Vida da Supraconsciência em nós e pressupõe o desenvolvimento da Alma Intelectual, ou seja, do segundo atributo latente em cada homem: o Amor-Sabedoria.
Como disse Max Heindel: “O único pecado é a ignorância e a única salvação, o conhecimento aplicado”. De fato, VIRTUDE significa discernir entre o bem e o mal, preferindo o bem. Quem tem virtude realiza o verdadeiro serviço. E o serviço, por corolário, é o que nos leva à realização espiritual.
Talvez não seja impróprio transcrever, aqui, a experiência de Max Heindel, a “prova” a que foi submetido antes que pudesse merecer o privilégio de receber os ensinamentos contidos em “O Conceito Rosacruz do Cosmos” e tornar-se o iluminado mensageiro dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Eis como ele nos conta, no Livro “Ensinamentos de um Iniciado”.
“Ignorava que partisse para ser submetido a uma prova. Aconteceu quando fui à Europa, em busca de um instrutor. Como supunha, ele realmente era capaz de me ajudar a avançar no caminho espiritual; contudo, quando lhe examinei os ensinamentos até as mais profundas entranhas e lhe fiz admitir certas incongruências que não me pudesse explicar, achei-me no verdadeiro caminho do desespero, preparado para regressar à América. Estava eu sentado no quarto, meditando sobre a minha desilusão, quando senti, de repente, que outra pessoa estivesse presente e levantei a cabeça. Vi aquele que desde então foi meu Mestre.
“Com vergonha recordo a grosseria com que lhe perguntei o que queria e quem o havia mandado para ali, porque eu estava profundamente descontente e vacilava muito em aceitar as razões que me haviam levado à Alemanha.
“Durante os dias seguintes, meu novo conhecido apareceu em meu quarto várias vezes, respondendo as minhas perguntas e me ajudando a resolver problemas que até então haviam sido obstáculos para mim. Porém, minha vista espiritual estava então pouco desenvolvida e nem sempre sob meu controle, de modo que me sentia um pouco cético a respeito das coisas que ele me explicava. Não poderia ser tudo isso uma alucinação? “Discuti essa questão com um amigo. As respostas que me foram dadas, pela aparição, eram claras, concisas e lógicas no mais alto grau. Limitavam-se sempre e estritamente ao que eu havia perguntado e eram, ademais, de uma índole infinitamente superior a tudo que eu fosse capaz de conceber. Por tais razões, chegamos à conclusão de que a experiência devesse ser real.
“Poucos dias depois meu novo amigo me disse que a Ordem a que pertencia tinha uma completa solução para o enigma do Universo, de muito mais alcance do que qualquer outro ensinamento publicamente conhecido e que eles me comunicariam, se eu me comprometesse a guardá-lo como um segredo inviolável.
“Então eu me dirigi a ele, encolerizado: ‘Ah! Por fim vejo a orelha do diabo! Não! Se tem o que diz e se tal enigma é bom, será bom para o mundo também. A Bíblia proíbe terminantemente que ocultemos a luz e eu não quero fartar-me de conhecimentos, enquanto milhares de almas anelam, como eu, encontrar a solução para seus problemas’. Então meu visitante se retirou e eu concluí que fosse um emissário dos Irmãos das Trevas.
Um mês mais tarde, vendo que não pudesse obter uma ilustração maior na Europa, decidi voltar. Com esse propósito fui reservar um compartimento num vapor para Nova Iorque. Havia muita passagem e tive que esperar um mês pela cabine. Quando voltei à minha habitação, após haver comprado meu bilhete, nela encontrei meu desdenhado Mestre, que outra vez me ofereceu seus ensinamentos com a condição de eu guardar segredo. Desta vez minha negativa foi bem mais enérgica e indignada do que antes. Porém ele não se foi e disse: ‘Alegro-me muito de ouvir sua negativa, meu irmão, e espero que você seja sempre tão zeloso na difusão de nossos ensinamentos, sem medo nem súplica, como o foi nesta recusa. Esta é a condição necessária para poder receber os ensinamentos’.
“O modo como recebi instruções para tomar certo trem em certa estação e ir a um lugar do qual nunca ouvira falar, onde encontrei o Irmão em carne e osso, ou como fui levado ao Templo (etérico) e nele recebi as principais instruções contidas em nossa literatura são coisas de bem pouco interesse. O principal é que, se eu houvesse aceitado a condição de guardar segredo sobre suas instruções, teria sido automaticamente desqualificado para ser mensageiro da Rosacruz e em tal caso os Irmãos teriam que procurar outro. Assim também acontece com qualquer um de nós: se entesourarmos as bênçãos espirituais, os ensinamentos superiores que recebemos, seremos provados pela dor. Convém-nos imitar a Terra, na primavera, que tira de seu seio os frutos do espírito plantados por Cristo durante o inverno. Só assim receberemos, ano após ano, bênçãos mais abundantes e recursos maiores para fazer o bem.”
Aqui terminamos o relato de Max Heindel sobre sua “prova” e sua advertência a respeito do uso de nossos ensinamentos. Estimulamos todos os caros Estudantes a meditarem muito sobre isso e arregaçar as mangas, cada um fazendo o que puder pela difusão da nossa amada filosofia e praticando o bem que estiver ao seu alcance a fim de que, por exemplos e palavras, possamos, todos nós, abreviar o advento da Era da Fraternidade Universal.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1973)