Categoria Estudos Bíblicos Rosacruzes em Perguntas e Respostas

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por favor, poderia explicar o que significa pecar contra o Espírito Santo?

Resposta: Em termos gerais, o Espírito Santo é o poder criador de Deus. Como uma das confirmações, lembremos da passagem do credo “Concebido pelo Espírito Santo[1], em que Gabriel disse a Maria que o Espírito Santo viria sobre ela. Por esse motivo é que foi trazido à existência e é um raio daquele atributo de Deus que é utilizado pela Humanidade para a perpetuação da Onda de Vida humana aqui. Quando isso é praticado abusivamente, ou seja, para a gratificação dos sentidos, seja por meio da masturbação ou em parceria, com ou sem o casamento legal, constitui, então, essa prática, o pecado contra o Espírito Santo. Disseram-nos que esse pecado não é perdoado; deverá ser expiado. A Humanidade, como um todo, está sofrendo por causa desse pecado. Os corpos debilitados, as doenças que vemos ao nosso redor, foram causadas ​​por séculos de abusos, e até que aprendamos a subjugar as nossas paixões, não poderá haver verdadeira saúde entre a Onda de Vida humana. Nascemos de pais que julgavam ser normal satisfazer as suas paixões a qualquer momento. E, em consequência disso, agora sofremos e, por nossa atitude em relação ao sexo, a maioria de nós está atualmente transferindo as mesmas doenças a nossos filhos. Assim, os pecados dos pais estão recaindo sobre os filhos, de geração em geração, e continuarão a trazer de que toda criança tem o direito de nascer em condições satisfatórias e de receber cuidados físicos apropriados durante o período de vida pré-natal.

(Pergunta nº 110 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Mt 1:20

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: De acordo com os Ensinamentos Rosacruzes quando Cristo voltará?

Resposta: A Bíblia diz verdadeiramente que “o dia e a hora ninguém conhece[1], e as pessoas que tentaram fixar uma certa data ou um certo ano para a Segunda Vinda definitivamente não compreenderam o objetivo da missão de Cristo na Terra. Seu ensinamento foi dado à humanidade à fim de que a lei, “Olho por olho e dente por dente”,[2] fosse abolida – para que a lei do temor (de Deus) pudesse ser absorvida pela Lei do Amor. Foi dito que “A lei e os profetas existiram até Cristo[3], mas sabemos que ainda hoje a lei existe e é necessária. Portanto, é evidente que aquela lei não foi abolida na vinda física de Cristo. É o despertar do Cristo Interno, a natureza interior do ser humano, que deverá abolir a lei.

São Paulo fala desse advento como o “Cristo sendo formado em nós[4], e até que o Cristo seja formado em nós não estaremos prontos para a Segunda Vinda. Angelus Silesius diz:

“Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém,

Se não nascer dentro de ti, tua alma segue extraviada.

Olharás em vão a Cruz do Gólgota,

Enquanto ela não se erguer dentro de ti mesmo novamente”.

A segunda vinda de Cristo dependerá em quanto tempo um número suficiente de pessoas se tornarão semelhantes a Cristo e sintonizados com o Seu princípio, de modo que, como diapasões do mesmo tom que vibram juntos quando um é tocado, para que sejam capazes de responder às vibrações Crísticas que serão estabelecidas no retorno do Salvador. Portanto, esse evento não pode ser calculado. Toda vez que nos esforçamos em imitar a Cristo e cumprir Seus ensinamentos, estamos acelerando Sua vinda; então vamos nos esforçar mais para isso.

(Pergunta nº 102 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Mt 24:36

[2] N.T.: Lv 24:19, Ex 21:24, Dt 19:21 e Mt 5:38

[3] N.T.: Lc 16:16

[4] N.T.: Gl 4:19

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Pergunta: O Credo Cristão está baseado na autoridade divina?

Resposta: Há três formas do Credo Cristão. Uma delas é conhecida como o Credo dos Apóstolos, embora não tenha sido composto pelos Apóstolos, mas se supõe que incorporam suas crenças. Outro Credo foi formulado e adotado no Concílio de Nicéia e é chamado de Credo Niceno. O Credo Atanasiano era ainda o mais recente. Eles não tinham mais autoridade divina do que qualquer outra contenda dos seres humanos a respeito da Bíblia.

No entanto, a própria Bíblia oferece um credo, na passagem em que afirma que “Pois não há, debaixo do céu, outro nome, exceto o de Cristo Jesus, dado aos homens pelo qual devamos ser salvos[1]. E isso está em harmonia com o ensinamento oculto, pois Jeová foi o autor de todas as antigas Religiões de Raça, em que o temor de Deus se opunha aos desejos da carne e uma lei foi imposta ao ser humano para refrear essa tentação. As Religiões de Raça agem educacionalmente de acordo com a natureza do desejo pelos meios mencionados, mas serão suplantadas, no devido tempo, pela Religião de Cristo. Essa Religião de fraternidade e amor eliminará o medo gerado pela lei de Jeová. Ela se esforçará para eliminar as nações com suas leis, lutas e contendas, trabalhando sobre o Corpo Vital de forma que a humanidade possa ser inteiramente movida pelo amor e não pela lei. Contudo, isso não é o definitivo. Quando o Reino for totalmente estabelecido, Ele deve entregá-lo ao Pai. A Religião do Pai será algo ainda mais elevado do que a Religião do Filho.

(Pergunta nº 111 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: At 4:2

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Pergunta: A que o Cristo se referiu quando disse: “Todo aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, nele não entrará”?

Resposta: No mundo que nos rodeia, vemos o “Reino dos Homens”, onde todos estão se esforçando em manter sua própria posição e, dependendo de suas próprias ideias e de sua autoafirmação, manter essa posição contra todos os que se aproximam. Quando se depara com algo novo, sua atitude mental, geralmente, é impregnada de ceticismo. Pois, ele teme ser enganado.

A atitude de uma criança em relação ao que vê ou ouve é exatamente o oposto da posição dos adultos. A criança pequena não tem um sentimento avassalador de seu próprio conhecimento superior, pois é francamente ignorante e, portanto, perfeitamente ensinável, e foi a essa característica que o Salvador se referiu na passagem citada.

Quando entramos na vida superior, primeiro devemos esquecer tudo aquilo que sabíamos no mundo. Devemos começar a ver as coisas de uma maneira totalmente diferente e quando um novo ensinamento nos é apresentado, devemos nos esforçar para recebê-lo, independentemente de outros fatos previamente observados. Isso para que possamos ser perfeitamente imparciais. É evidente que não devemos acreditar imediatamente que “preto é branco”, mas se alguém afirmar categoricamente que um objeto que julgamos preto é realmente branco, nossa Mente deve estar suficientemente aberta para nos impedir de fazer um julgamento de imediato e dizer: “Ora, eu sei que esse objeto é preto”. Devemos estar dispostos a reexaminar o objeto para verificar se não pode haver um ponto de vista do qual aquilo que pensamos ser preto parece ser branco. Somente quando fizermos um exame minucioso e concluirmos que o objeto é realmente preto, sob qualquer ponto de vista, poderemos retornar à nossa opinião anterior.

Não há nada mais notável numa criança do que a atitude flexível de sua Mente, que a torna tão ensinável, e o Aspirante que se esforça por viver a vida superior deve sempre manter como objetivo a sua Mente nesse estado fluídico, pois, quando as nossas ideias se tornam cristalizadas e incapazes de qualquer mudança, o nosso progresso cessa. Essa era a grande verdade que Cristo estava se esforçando para apresentar aos ouvintes quando fez a observação que gerou a pergunta.

(Pergunta nº 105 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual é o significado esotérico dos dois ladrões e da Cruz?

Resposta: Contrariando a opinião normalmente aceita, os quatro Evangelhos não são, absolutamente, a biografia de Jesus, o Cristo; são Fórmulas de Iniciação de quatro diferentes Escolas de Mistérios e, para ocultar seu significado esotérico, a vida e o ministério de Cristo também foram mesclados. Facilmente, isso poderia ser feito, porque todos os Iniciados, sendo individualidades cósmicas, possuem experiências similares. É correto dizer que Cristo falava à multidão por parábolas, mas o significado oculto era transmitido a Seus Discípulos em particular. São Paulo também dava leite aos fracos e carne aos fortes. Nunca houve a pretensão de transmitir os símbolos ocultos às pessoas comuns, ou de fazer da Bíblia “um livro aberto de Deus”, como muitos atualmente acreditam.

Ao ler na Memória da Natureza descobrimos que, no momento da crucificação, não houve apenas dois, mas vários, que foram crucificados. Naquela época, se aplicava a pena de morte para as mínimas transgressões e muitos foram penalizados com essas mortes bárbaras. Deste modo, aqueles que quisessem encobrir o significado oculto dos Evangelhos, não encontraram dificuldades em encontrar algo com que pudessem completar a história e obscurecer os pontos que são realmente vitais na crucificação. A parte da história que se relaciona aos ladrões é, portanto, um verdadeiro incidente, não tendo nenhum significado esotérico.

(Pergunta nº 99 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

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Pergunta: Como conciliar o fato de permanecermos um terço da vida recém-finda no Purgatório com as palavras de Cristo ao ladrão agonizante: “Hoje estarás comigo no paraíso?”

Pergunta: Nos Ensinamentos Rosacruzes, você afirma que permanecemos no Purgatório por um tempo equivalente a um terço da duração da vida terrena, para que nossos pecados possam ser expiados antes de entrarmos para o céu. Como, então, reconciliar esse Ensinamento com as palavras de Cristo ao ladrão agonizante: “Hoje estarás comigo no paraíso[1]?

Resposta: O Novo Testamento foi escrito em grego, uma língua que não se usavam ​​sinais de pontuação. A pontuação foi inserida em nossa Bíblia pelos tradutores posteriores a ela e, muitas vezes, a pontuação muda radicalmente o significado de uma frase, como a seguinte história ilustrará:

Num serviço religioso, alguém entregou um pedido para que o pastor lesse: “Um marinheiro indo para o mar, sua sogra deseja as orações da congregação pelo seu retorno seguro para esposa e filho”. O pedido não estava com pontuação, mas tudo indicava que a sogra do jovem estava muito solícita para que ele voltasse em segurança para sua esposa e filho e, por isso, desejava as orações da congregação. Se o pastor tivesse lido o pedido sem a vírgula, implicaria no fato de que o marinheiro, indo ver sua sogra, desejava as orações da congregação por seu retorno seguro para esposa e filho, e alguém naturalmente pensaria que a senhora, em questão, fosse uma pessoa intratável, uma vez que o jovem achou necessário pedir as orações da congregação antes de enfrentá-la. Nesse caso, se as palavras de Cristo forem lidas assim: “Em verdade vos digo hoje, estarás comigo no Paraíso”, elas implicariam que o ladrão estaria com o Cristo em algum momento futuro não definido. Mas onde a vírgula foi colocada antes da palavra “hoje”, como está na Bíblia, dá a ideia normalmente sustentada pelas pessoas.

O fato de que essa ideia está totalmente equivocada pode ser comprovado pela observação do Cristo logo após Sua Ressurreição, quando Ele disse à mulher: “Não me toque, porque ainda não subi para meu Pai[2]. Se Ele prometera ao ladrão que estariam juntos no Paraíso no dia da crucificação, e três dias depois declarou que ainda não havia ido para lá, o Cristo teria incorrido numa contradição que, naturalmente, é uma impossibilidade. Ao colocar a vírgula, conforme sugerido, reconcilia totalmente o significado das duas passagens e, além disso, São Pedro nos diz que naquele intervalo Ele trabalhou com os espíritos no Purgatório[3].

(Pergunta nº 98 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Lc 23:43

[2] N.T.: Jo 20:17

[3] N.T.: 1Pe 3,18-19; 4,6

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Algo está faltando na sua Bíblia?

A maioria das edições da Bíblia utilizada pelos nossos irmãos e irmãs protestantes tem a versão do Rei James. E mesmo outras versões diferem da Bíblia utilizada pelos nossos irmãos e irmãs católicos e de outras Religiões Cristãs. Muitas pessoas acreditam que a Bíblia utilizada pelos nossos irmãos e irmãs protestantes seja realmente completa. A menos, isto é, que tenham visto a Douay-Rheims (tradução da Bíblia, a partir da Vulgata, em inglês pelos membros do English College Douai, a serviço da igreja católica) ou outra versão católica, que não tem 66, mas 80 livros (isso porque há diferenças entre a Bíblia católica e a Bíblia protestante: católica tem 73 livros e a protestante 66 livros; a Bíblia protestante não tem os seguintes Livros: Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, I e II Macabeus, Trechos de Ester – 10, 4-16 – e Trechos de Daniel – 3, 24;20, 13-14).

Entre o Antigo e o Novo Testamento há 14 livros adicionais, classificados pelos nossos irmãos e irmãs protestantes como “apócrifos” (do grego apokryphos, escondido).

Surgem as perguntas: por que eles não estão nas Bíblias protestantes? Como ou por que motivo eles foram removidos? Eles pertencem ao cânone dos livros bíblicos? Um resumo dos fatos essenciais ajudará o leitor a tirar suas próprias conclusões.

No século III a.C., havia no Egito cerca de 70 ou 72 eruditos judeus que, a pedido de Ptolomeu II, prepararam o que veio a ser conhecido como a versão Septuaginta (da palavra 70) do Antigo Testamento. Ela incluía os apócrifos. Esse foi o Antigo Testamento usado por Nosso Senhor e os Apóstolos e sem reservas endossado pelos “pais da igreja primitiva”. Nossas Escrituras não incluem os… livros apócrifos… No entanto, o menino Jesus, provavelmente, estava familiarizado com eles e Ele se lembrou deles quando era adulto, porque são citados em Seus discursos registrados no Novo Testamento. A Igreja antenicena (antes do Concílio de Niceia, em 325 d.C.) os aceitou.

Em 382 d.C., um erudito conhecido como Jerônimo foi comissionado pelo Papa Dâmaso para revisar a versão latina da Bíblia, que conhecemos como a Vulgata. Os livros apócrifos faziam parte dela. Por mais de um milênio foi indiscutivelmente a Bíblia da Igreja. Quando Wyclif e Purvey prepararam a primeira tradução da Bíblia para o inglês, 1382-1388, os escritos apócrifos foram mantidos. Isso também é verdade para a primeira tradução alemã do texto em latim, feita mais ou menos na mesma época.

A primeira Bíblia publicada com os apócrifos separados foi a de 1520, em Wittenberg, Alemanha, por um certo Andreas Bodenstein, mais conhecido pelo nome de sua cidade natal, Karlstadt, e seguidor de Martinho Lutero. Ele acrescentou uma nota informando que esses livros eram “dignos da proibição do censor” — inferiores. Era uma Bíblia escrita em latim.

A primeira Bíblia em vernáculo — o holandês — que segregou os livros apócrifos, colocando-os todos após o Antigo Testamento, apareceu em 1526, em Antuérpia. Também incluía uma nota chamando a atenção para a opinião de que fossem inferiores aos demais livros. Em 1530, uma versão suíça semelhante apareceu; ambas foram emitidas por autores que não eram católicos.

Em 1534, foi publicada uma tradução completa da Bíblia, em alemão, por Lutero. Mais uma vez, esses 14 livros estavam juntos, logo após Malaquias, com um prefácio: “apócrifos — isto é, livros que não são considerados iguais às Sagradas Escrituras, mas são proveitosos e bons de ler”. Ele não explicou quem determinou que esses escritos “não são considerados iguais”, nem o porquê.

No ano seguinte, a primeira Bíblia em francês foi impressa por Pierre Robert Olivetán, perto de Neuchâtel, Suíça. Os apócrifos foram incluídos nessa edição, como também nas publicações francesas que vieram depois. Grande reformador protestante, o francês João Calvino (Jehan Cauvin), citou os apócrifos — embora apenas 10 vezes, enquanto se referiu aos outros 4.000 vezes —, mas nunca para apoiar posições doutrinárias.

Também, em 1535, apareceu a primeira Bíblia em inglês, impressa por Myles Coverdale. Os 14 livros apócrifos foram todos abrigados entre o Antigo e o Novo Testamento. Assim também ocorreu com todas as seguintes Bíblias protestantes em inglês: a Bíblia de Mateus de 1537; a Bíblia de Taverner e a Grande Bíblia de 1539; e a Bíblia de Genebra (produzida pelos puritanos) de 1560.

Enquanto isso, para conter a revolta protestante, a Igreja Católica Romana convocou o Concílio de Trento (1545 — 1563). Lá, os escritos apócrifos receberam o endosso mais forte possível. Naturalmente, isso não passaria despercebido aos protestantes, embora a reação deles viesse com uma lentidão surpreendente. Assim, o Livro de Oração Anglicano Protestante de 1549 ainda aceitava os apócrifos. Treze anos depois, o governo inglês publicou um documento muito interessante, os Trinta e Nove Artigos de Religião, definindo a ortodoxia oficial. Essa foi a época da Rainha Elizabeth I, cujo objetivo transcendente era acabar com a controvérsia religiosa como parte da sua Via Media (Caminho do Meio). Consequentemente, o Artigo VI pode ser interpretado como anti-apócrifo e o Artigo XXXV como pró-apócrifo.

Em 1581, a primeira Bíblia eslava (russa) foi publicada. Aqui, os livros apócrifos foram distribuídos por todo o Antigo Testamento. Mas a Igreja Ortodoxa Russa mudou gradualmente sua posição até que, em 1839, seu “Catecismo Mais Longo” excluiu, por completo, os apócrifos do Antigo Testamento. Voltando nossa atenção mais uma vez para o Ocidente, descobrimos que, em 1599, novas edições da Bíblia de Genebra começaram a omitir os 14 livros. Essa foi uma época de maré alta para os puritanos; eles se propuseram a “purificar” a Igreja da Inglaterra de todas as coisas que eles chamavam de “Romanas”. Isso incluía os livros tão singularmente apoiados pelo Concílio de Trento, 53 anos antes. Como disse o famoso estudioso Sir Frederick Kenyon, “os puritanos perseguiram os apócrifos”.

Mas, 1611 foi um ano de maré baixa para os puritanos, quando a versão do Rei Jaime apareceu. O Rei Jaime, que patrocinou a tradução (por isso que o prefácio ou a introdução, ainda vista em algumas edições da Versão do Rei Jaime, é tão ressaltada), foi também quem fez muitos puritanos fugirem para os Estados Unidos da América. Essa versão incluía os apócrifos. Não apenas isso, mas em 1615 George Abbot, arcebispo de Canterbury e, portanto, o “líder ativo” da Igreja da Inglaterra, sob o rei, ameaçou com um ano de prisão qualquer um que imprimisse uma Bíblia sem os apócrifos! Mas os “omissores” dos apócrifos tinham uma grande vantagem. As Bíblias sem os apócrifos tinham uma regalia competitiva — podiam ser colocadas à venda por um preço mais baixo. E devido às condições instáveis na Inglaterra, sob o governo de Carlos I (1625 — 1649) e o retorno da ascendência puritana sob a Comunidade de Cromwell (1649 — 1659), o decreto de Abbot não foi executado. Bíblias sem os apócrifos circularam em grande número. Exceto entre um grupo, os místicos. No espírito de amor Cristão, eles simpatizaram com as aspirações dos puritanos, embora tivessem sido perseguidos por eles, mas consideraram os 14 livros controversos como estando no mesmo nível dos outros.

Certamente, uma das principais publicações bíblicas e auxiliares por muitos anos tem sido a Concordância de Cruden. Sua primeira edição americana (1806) continha uma seção especial para os apócrifos; edições posteriores começaram a omiti-los. Uma razão pode ter sido que, em 1827, as sociedades bíblicas britânicas e americanas, que vinham incluindo os apócrifos em suas Bíblias, pararam de fazê-lo. Ainda assim, em 1894, quando a “Versão Revisada em Inglês da Bíblia” foi lançada, os 14 livros foram incluídos em algumas edições, embora em letras menores.

Um evento pouco conhecido, mas significativo, ocorreu em 1901, quando Eduardo VII da Inglaterra foi coroado. Por fim, pouco antes de o monarca beijar a Bíblia, antes de assinar o juramento de coroação, descobriu-se que ela, devidamente fornecida pela Sociedade Bíblica Britânica, não contava com os apócrifos. Outra, com os apócrifos, foi adquirida rapidamente, porque a lei do Reino Unido ainda exigia que uma Bíblia de 80 livros fosse usada nas instalações reais.

Não se pode negar que, ao longo dos anos, os livros apócrifos exerceram considerável influência cultural. O famoso poeta inglês do século 7, Caedmon, usou trechos deles. Isso fez Chaucer, sete séculos depois, em seus célebres Contos de Canterbury e outros escritos.

Colombo foi influenciado pelos apócrifos para zarpar em 1492! É um fato bem conhecido que ele foi influenciado pelo Imago Mundi (a forma do mundo) de Pierre d’Ailly para acreditar não apenas que a Terra era redonda, mas também que apenas um sétimo da superfície da Terra é coberto por água; portanto, as terras fabulosas a oeste não podiam estar muito longe. Essa noção foi baseada em uma interpretação errônea de II Esdras 6: 42, 47, 50, 52 de d’Ailly.

Shakespeare faz mais de 80 referências aos apócrifos (veja em Shakespeare and Holy Scripture, Thomas Carter; Shakespeare’s Biblical Knowledge and Use of the Book of

Common Prayer, Richard Noble), embora possa ser mera coincidência que duas de suas filhas tenham recebido o nome de heroínas apócrifas, Susanna e Judite. John Milton também ficou em dívida com esses livros. Por exemplo, seu Paraíso Perdido traz referências à Sabedoria de Salomão, mesmo que o transcendentalista americano Nathaniel Hawthorne possa ser ligado a II Macabeus.

Todos os anos, no Natal, milhões cantam “Noite Silenciosa, Noite Sagrada” e “Ó, Noite Santa”. Ainda assim, em Lucas 2:11, lemos que Jesus nasceu “hoje”. De onde vem a crença popular em um presépio noturno? Pode ser rastreada até a interpretação de Sabedoria 18:14-16, por parte dos pais da igreja primitiva. Os conhecedores de arte sabem que Judite, Tobit, Susanna e Holofernes inspiraram obras-primas. Suas histórias estão todas nos livros controversos da Bíblia.

Mesmo dessa visão geral bastante abreviada, alguns fatos indiscutíveis emergem: por mais de três quartos da era Cristã, os apócrifos foram universalmente aceitos e exerceram uma poderosa influência cultural. Também tem isto: a enorme lacuna de 400 anos entre o Antigo e o Novo Testamento. Se alguém lesse uma história dos EUA que omitisse eventos entre a Guerra Civil e a Segunda Guerra Mundial — menos de um quinto do intervalo de tempo entre Malaquias e Mateus —, perceberia imediatamente que algo estivesse faltando. Isso é verdadeiro, se alguém lê uma Bíblia sem os apócrifos.

“À medida que a videira produziu, eu – Sabedoria – ganhei sabor agradável e minhas flores são frutos de honra e riqueza. Eu sou a mãe do amor justo, do temor a Deus, do conhecimento e da esperança sagrada: Eu, portanto, sendo eterna, dou-me a todos os meus filhos, que têm o nome Dele. Venham a Mim, todos vocês que desejam se alimentar de Mim, e encham-se dos meus frutos. Porque o meu memorial é mais doce do que o mel e a minha herança, mais do que o favo de mel. Aqueles que Me comem ainda terão fome. Quem Me obedece nunca será confundido e os que trabalham por Mim não errarão.” (Eco 24:23-30)

“Pois enquanto todas as coisas estavam em quieto silêncio e aquela noite estava no meio do seu curso rápido, a Tua palavra Todo-poderosa saltou do Céu, do Teu trono real, como um feroz homem de guerra no meio de uma terra de destruição, e trouxe o Teu mandamento honesto como uma espada afiada.” (Sb 18:14-16)

“Temer ao Senhor é o princípio da sabedoria: ela foi criada junto dos fiéis, no ventre. Ela construiu um alicerce eterno com os homens.” (Eco 1:16)

Sabedoria é o sopro do poder de Deus e uma pura fonte que nasce da Glória do Todo-poderoso… o brilho da luz eterna, o espelho imaculado do poder de Deus e a imagem de Sua Bondade.” (Sb 7:2-26)

À margem da versão de 1611 do Rei James, não há menos do que 113 referências a passagens relacionadas nos apócrifos; 102 no Antigo Testamento e 11, no Novo (alguns exemplos: Mt 6:7; Eco 7:14; Mt 23:37; IIEsd 1:30; Mt 27:43; Sb 2:15-16; Lc 6:31; Tob 4:15; Lc 14:13; Tob 4:7; Jo 10:22; IMb 4:59; Rm 9:21; Sb 15:7; Rm 11:34; Sb 9:13; IICor 9:7; Eco 35:9; Hb 1:3; Sb 7:26; Hb 11:35; IIMb 7:7). Para detalhar aqui apenas duas dessa lista: Jo 10:22 fala sobre a Festa da Dedicação; IMb 4:59 relata sua origem pós-Antigo Testamento. E não pode haver dúvida de que o apóstolo Paulo emprestou muito dos apócrifos para sua epístola aos romanos (Rm 1:20-21; Sb 13:5-8; Rm 1:22; Sb 13:1, 12:24; Rm 1:26; Sb 14:24; Rm 1:29; Sb 14:25-27; Rm 9:20; Sb 12:12; Rm 9:21; Rm 9:22; Sb 12:20).

Não há melhor maneira de considerar a relação dos apócrifos com o resto da Bíblia do que os ler. Assim, alguém se perguntará em que base os 14 livros foram afastados dos outros 66. É frequentemente dito que eles não tenham qualidade devocional como os outros 66. Claro que essa é uma forma muito subjetiva de fazer julgamentos. Mas não há muitas partes dos 66 livros que podem ser consideradas deficientes da mesma maneira? As genealogias no Antigo Testamento, por exemplo, ou as histórias de muitas guerras sangrentas? Também é um fato que John Bunyan, famoso autor de Pilgrim’s Progress (O Progresso do Peregrino), em um momento de desânimo espiritual, encontrou um bálsamo para sua alma depois de pesquisar na Bíblia por “mais de um ano”, em Eclesiástico 2:10. Também pode ser observado que um grupo devoto de Cristãos Protestantes dirigiu seu clero, em casamentos, a ler não só o Antigo e o Novo Testamento, mas também o livro apócrifo de Tobias, pois ele “apresenta uma bela lição que fortalece os piedosos e tementes a Deus na Terra, especialmente no que diz respeito ao casamento”.

É certo que os apócrifos possam ser considerados “diferentes”. No entanto, essa é realmente uma afirmação vaga. Os outros 66 livros também são bastante diferentes uns dos outros. No Antigo Testamento, temos os livros históricos, a literatura sapiencial, os profetas maiores e os menores. Algumas partes de apenas um livro dos 66 são muito diferentes, razão pela qual, por exemplo, os capítulos que vão do quarenta ao cinquenta e cinco, no Livro de Isaías, são conhecidos como o Deutero-Isaías… Não da autoria de Isaías, mas obra de outro. No Novo Testamento, existem os Evangelhos, Atos, Epístolas e Apocalipse. Rute e Apocalipse são muito diferentes; também Crônicas e Coríntios, Provérbios ou Filipenses. Qualquer pessoa inclinada a denegrir os apócrifos precisa ser lembrada de que partes do Antigo Testamento, se fossem transformadas em filmes, receberiam uma classificação X, na melhor das hipóteses; porém não são questionadas. Isso é consistente?

Talvez a chave mestra para o que pertence à Bíblia é encontrada no fato de que reais eventos físicos são usados para esconder profundas verdades espirituais. Pode haver outra base viável para permitir certas partes do Antigo Testamento no cânone bíblico? Existe outra maneira pela qual as muitas contradições aparentes da Bíblia, com base em uma interpretação literal, podem ser harmonizadas?

Por causa da sua função como elo entre o Antigo e o Novo Testamento, os estudantes da Bíblia sofrem uma perda por negligenciar os apócrifos — mas, uma ainda maior por ignorar a chave para compreender todos os três: a abordagem esotérica que é apresentada pelo Cristianismo Místico. A literatura da Sabedoria Ocidental tem inúmeras referências aos apócrifos.

A palavra “apócrifo” também pode significar que os escritores dos livros quisessem que seu significado fosse enigmático ou aparente apenas para os Iniciados. Houve muitos escritos desse tipo no período imediatamente anterior e posterior ao início da era Cristã.

Aqueles familiarizados com as Escrituras extracanônicas, além dos apócrifos, estarão interessados em saber que ‘as Pseudoepígrafes’ ou Escrituras ‘falsamente inscritas’ não são fraudulentas; a falsa inscrição é apenas um artifício… pelo qual um escritor posterior poderia expressar suas ideias sob o abrigo de um nome do escritor anterior e aceito.

(publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro-outubro de 1995 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: O que significa a salvação e a “condenação eterna”?

Resposta: As Religiões ortodoxas dizem que aqueles que praticaram o bem nesta vida serão salvos, ou seja, irão para um céu não muito bem definido, e que aqueles que falharam em alcançar essa salvação são mergulhados em um inferno do qual não temos muito conhecimento, exceto que é um lugar de sofrimento. Uma vez todos julgados, bons e maus, vão para seus respectivos lugares; não há redenção para as almas perdidas e nenhum perigo de uma queda para aqueles que foram salvos.

Tal interpretação está radicalmente errada, se recorrermos ao dicionário grego como fonte autorizada, pois obviamente, o significado depende da palavra traduzida como “eterna“. Essa palavra é aionian, e no dicionário é traduzida como “um tempo, um período indefinido, uma vida toda” etc. Podemos, então, perguntar para nós mesmos qual é o verdadeiro significado da passagem citada e, com o objetivo de descobrir esse significado será necessário ter uma visão mais compreensiva da vida.

No início da manifestação, Deus, uma grande chama, diferencia um vasto número de chamas ou centelhas incipientes dentro de Si mesmo, não de Si mesmo, pois é um fato real que “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”. Nada pode existir fora de Deus. Portanto, dentro de Si mesmo, Deus diferencia essas incontáveis almas. Cada uma delas é potencialmente divina, cada uma encerra todos os Seus poderes como a semente encerra a planta, mas da mesma forma que a semente deve ser enterrada no solo para germinar a planta, também é necessário que essas centelhas divinas sejam imersas em veículos materiais para que possam aprender lições que só serão assimiladas e se tornarão ativas como faculdades em uma existência separada como a que existe no mundo.

O mundo pode ser considerado uma escola de treinamento para os espíritos em evolução. Alguns deles começaram cedo e se empenharam diligentemente na tarefa que tinham pela frente; consequentemente, progrediram rapidamente. Outros começaram mais tarde e ficaram atrasados. Eles são, portanto, deixados para trás no Caminho da Evolução; mas, no final, todos atingirão a meta da perfeição. Em consequência desse fato, existem várias classes desses espíritos peregrinos e, antes que um grupo ou classe de espíritos possa ser promovido a um degrau acima na evolução, é necessário que atinjam um determinado nível de proficiência. Eles são salvos de uma condição inferior, já que a superaram. Uma vez adquirido esse grau de eficiência, eles são promovidos para outra classe, em uma outra época. Mas, entre um grande número, sempre há os atrasados, e esses são condenados a permanecer dentro da classe na qual se encontram até que alcancem o estágio de crescimento necessário para o avanço. O plano é similar ao método em que as crianças de uma escola são promovidas a uma classe superior nos exames anuais, se conseguirem atingir certo grau de conhecimento; do contrário, estarão condenadas a ficar para trás – não para sempre, mas apenas até que outro exame anual prove que elas conseguiram se qualificar.

O que precede não é uma representação distorcida ou errada do significado da palavra “aionian”. Foi usada em outras partes da Bíblia de uma maneira que corrobora a nossa afirmação. Por exemplo, na Carta de São Paulo a Filemon, quando lhe devolve o escravo Onésimo com as seguintes palavras: “Pois acredito que ele veio a ser afastado de ti temporariamente, a fim de que o recebas para sempre”. A palavra “para sempre” é a mesma palavra “aionian” que é traduzida como “eterna” quando se refere à condenação e à salvação e, facilmente, podemos ver que, nesse caso, pode significar apenas uma parte de uma vida, pois nem São Paulo nem Filemon, dessa forma, viveriam para sempre.

(Pergunta nº 92 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Jesus foi batizado aos trinta anos, recebendo o “Espírito de Cristo”. Por favor, explique esse Batismo.

Resposta: A Terra nem sempre foi como é atualmente. A ciência nos diz que houve um tempo em que era uma névoa ígnea incipiente. A Bíblia nos mostra que mais remotamente houve um período anterior a essa névoa, quando a Terra era incandescente e luminosa como o fogo; um tempo em que reinava a escuridão.

Houve quatro Épocas ou estágios ao todo, no desenvolvimento da Terra. Primeiro, houve uma Época sombria, chamada na terminologia Rosacruz de Época Polar. Nela a substância que formava a Terra era uma massa escura, quente e gasosa. No segundo estágio, chamado de Época Hiperbórea, a massa escura foi ignificada. Lemos na Bíblia que “Deus disse: ‘Faça-se a luz’ e se fez a luz“. Depois veio o estágio em que o calor dessa névoa ígnea, em contato com o espaço frio, gerou umidade e essa umidade era mais densa próxima ao núcleo ígneo, onde o aquecimento correu, do que na sua periferia – “Deus separou as águas das águas”, isto é, a água mais densa próxima ao núcleo ígneo do que aquela em forma de vapor mais distante dele. Finalmente, ocorreu uma incrustação, tal como sempre ocorre onde a água é fervida continuamente formando, assim, crosta da Terra, a terra seca.

Quando aquela crosta foi totalmente formada, não havia água na superfície terrestre, mas como a Bíblia diz: “Uma névoa subiu à superfície”, e nenhuma erva ainda germinava na face da Terra. Naquela Época, no entanto, começou a aparecer a vegetação e a humanidade nascente vivia ali. Mas, não era uma humanidade constituída como a de hoje. A sua forma aparente era muito diferente e não era tão evoluída como somos atualmente. Na verdade, o corpo e o espírito não estavam perfeitamente concêntricos; os espíritos pairavam parcialmente do lado de fora dos seus corpos e, portanto, “os olhos do ser humano ainda não haviam sido abertos”.

Antigas histórias folclóricas que ouvimos falar na Alemanha, e em diferentes lugares do Velho Mundo, falam deles como os Nibelungos. “Niebel” significa névoa e “ungen” são crianças. Eles eram os “filhos da névoa”, pois a atmosfera clara de hoje ainda não existia; o Sol se assemelhava ao arco de névoa que vemos em torno de uma lâmpada em algum poste na rua num dia muito nebuloso, devido à densidade da névoa que se elevava da Terra.

Enquanto a humanidade vivia nesse estado, não era mentalmente tão desenvolvida como o é hoje. Os seres humanos não podiam ver as coisas existentes fora de si, mas tinham uma percepção interna. Distinguiam as qualidades da alma de todos os que viviam ao seu redor, e suas percepções eram espirituais e não físicas. Naquele tempo não existia nenhuma nação, a humanidade formava, então, uma imensa fraternidade. Todos estavam parcialmente fora de seus corpos e, portanto, em contato com o Espírito Universal, bem diferente da situação atual em que a humanidade está obscurecida pela separatividade do egoísmo, que faz com que cada ser humano se sinta distinto e separado de todo o resto da humanidade; em que a fraternidade é esquecida e o egoísmo impera.

Quando se progride ao ponto de compreender e vivenciar os benefícios da fraternidade, em que a pessoa se esforça em abolir o egoísmo e a cultivar o altruísmo, então estará capacitada a passar pelo rito do Batismo. Entrará na água como um símbolo de seu retorno às condições ideais de fraternidade existente quando toda a humanidade vivia, por assim dizer, na água. Por essa razão, é que vemos Jesus, como o arauto da Fraternidade Universal, no início de seu ministério entrando nas águas do Jordão e ali sendo batizado. Ao se reerguer das águas, o Espírito Universal pousou sobre Ele em forma como de uma pomba, e desde aquele momento não era simplesmente Jesus, mas Cristo Jesus, o Salvador potencial do mundo imbuído do Espírito Universal que, finalmente, retirará de sobre todos os males do egoísmo e devolverá a humanidade às bênçãos da fraternidade que serão realizadas quando o Espírito Universal se tornar imanente em toda a humanidade.

(Pergunta nº 97 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” -Vol. I-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Cristo não encarnou anteriormente em Gautama Buda e, ainda antes, em Krishna?

Pergunta: Eu entendo quando você diz que o Cristo encarnou uma única vez em Jesus. Ele não encarnou anteriormente em Gautama Buda e, ainda antes, em Krishna?

Resposta: Não. O próprio Jesus é um Espírito pertencente à nossa evolução humana, assim como também era Gautama Buda. O autor não tem informações a respeito de Krishna, mas tende a acreditar que ele também era um Espírito pertencente à onda de vida humana, porque as histórias indianas a seu respeito relatam como ele entrou no céu e o que lá aconteceu. O Espírito de Cristo, que entrou no corpo de Jesus quando o próprio Jesus o cedeu, é um raio do Cristo Cósmico. Podemos acompanhar Jesus em seus renascimentos anteriores e podemos acompanhar seu crescimento até os dias de hoje. O Espírito de Cristo, pelo contrário, não pode ser encontrado de maneira alguma entre nossos Espíritos humanos.

Podemos dizer que antes da vinda de Cristo, o próprio Cristo trabalhou na Terra a partir do seu exterior, assim como o Espírito-Grupo trabalha com os animais a partir do seu exterior, guiando-os e ajudando-os até que se tornem suficientemente individualizados para que seus Corpos sejam a morada de um Espírito individual. Não havia nenhum Espírito que habitava a Terra antes da vinda de Cristo, mas no momento em que o sacrifício no Gólgota foi consumado e o Espírito de Cristo foi libertado do corpo de Jesus, ele foi atraído para a Terra e agora é o Regente do Espírito da Terra, que São Paulo diz “gemendo e está com dores de parto, esperando o dia da libertação[1], pois, ao contrário da opinião aceita, o sacrifício no Gólgota não foi finalizado com a morte do corpo de Jesus; na verdade, podemos dizer que esse evento foi apenas o começo; o sacrifício continuará até que chegue o tempo em que tivermos desenvolvido o altruísmo e o amor que libertarão o Espírito da Terra das condições restritivas da existência material, quando não haverá mais a necessidade de guiar-nos.

(Pergunta nº 90 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” -Vol. I-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1](Rm 8:22)

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