No seu mais elevado aspecto, as Nove Sinfonias de Beethoven são uma interpretação musical dos passos iniciatórios conhecidos como as Nove Iniciações Menores. A Primeira, a Terceira, a Quinta e a Sétima Sinfonias são poderosas, vigorosas e imponentes, tipificando as características masculinas centradas na cabeça ou no intelecto. A Segunda, a Quarta, a Sexta e a Oitava Sinfonias são gentis, graciosas, ternas e belas, tipificando as características femininas centradas no coração ou na intuição. Quando um Aspirante à vida superior passa através de vários passos nas Iniciações, ele aprende a equilibrar as forças “da cabeça e do coração”. Sua união é conhecida como o Matrimônio Místico. É esse lindo rito que Beethoven descreve na sublime música da Nona Sinfonia.
É isso que trataremos nesse livro.
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AS NOVE SINFONIAS DE BEETHOVEN CORRELACIONADAS COM AS NOVE INICIAÇÕES
Por
Corinne Heline
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês em 1963, Beethoven’s Nine Symphonies correlated with the Nine Spiritual Mysteries – Corinne Heline – Publicado pela New Age Bible & Philosophy Center
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
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fraternidade@fraternidaderosacruz.com
SUMÁRIO
CAPÍTULO I – PRIMEIRA SINFONIA – DO MAIOR – OPUS 21. 12
CAPÍTULO II – SEGUNDA SINFONIA – RÉ MAIOR – OPUS 36. 19
CAPÍTULO III – TERCEIRA SINFONIA – MI BEMOL MAIOR – OPUS 55 – EROICA 27
CAPÍTULO IV – QUARTA SINFONIA – SI BEMOL MAIOR – OPUS 60 36
CAPÍTULO V – QUINTA SINFONIA – DÓ MENOR – OPUS 67. 42
CAPÍTULO VI – SEXTA SINFONIA – FÁ MAIOR – OPUS 68. 49
CAPÍTULO VII – SÉTIMA SINFONIA – LÁ MAIOR – OPUS 92. 58
CAPÍTULO VIII – OITAVA SINFONIA – FA MAIOR – OPUS 93. 66
CAPÍTULO IX – NONA SINFONIA – RÉ MENOR – OPUS 125. 73
UM ARAUTO MUSICAL DA NOVA ERA.. 78
O que segue é a descrição de Beethoven por um amigo do grande compositor, transcrito por Ernest Newman em seu livro intitulado “O Inconsciente Beethoven”[1]:
“Um grupo de amigos estava em um restaurante quando Beethoven entrou. Era um homem de média estatura com cabeça típica do Signo de Leão, cabeleira comprida e grisalha e olhos brilhantes e penetrantes. Ele se moveu como num sonho e sentou-se com olhar atordoado. Ao falarem com ele, levantou suas pálpebras como uma águia que acorda assustada e esboçou um sorriso triste. De vez em quando, tirava um livro de seu casaco e começava a escrever. Um dia, alguém perguntou o que ele estava escrevendo: ‘Ele está compondo, mas escreve palavras e não notas musicais. A arte se tornou uma ciência com ele e ele sabe o que pode fazer. Sua imaginação obedece à sua insondável reflexão.’”.
“Para um amigo íntimo, Beethoven uma vez descreveu seu método de trabalho: ‘Eu carrego minhas ideias comigo por longo tempo antes de escrevê-las. Minha memória é tão precisa que tenho a certeza de não esquecer um tema que me vem à mente mesmo no decorrer de vários dias. Eu o altero muitas vezes até ficar satisfeito e, então, começa o trabalho em minha cabeça. Como já estou consciente do que quero, a ideia fundamental nunca me abandona, ela sobe, ela cresce. Eu vejo diante de minha Mente a imagem em toda a sua extensão, como se estivesse numa simples projeção e nada deixa de ser feito a não ser o trabalho de escrever. Isso caminha de acordo com o tempo que tenho para escrevê-la, pois, às vezes, tenho vários trabalhos para fazer ao mesmo tempo, mas nunca confundo um com outro’. (…) Beethoven foi mais do que um simples músico. Foi um super-homem… Sua riqueza de ideias o coloca ao lado de Shakespeare e de Michelangelo, na história do espírito humano… Suas Sinfonias[2] são para ele o que o Sermão da Montanha é para a vida de Cristo Jesus; suas sonatas são a luta interna de Cristo Jesus no Jardim de Getsemani.
(…) Beethoven foi o Titã[3] do mundo musical. Outros músicos famosos podem ser comparados uns com os outros, mas Beethoven não tem comparação. Ele está sozinho. Ele foi o Prometheus[4] que foi erguido para trazer para nós a música espiritual do céu – música que cativa e encantará a humanidade enquanto o mundo existir. Este foi Beethoven.” [5]
Edmond Bordeaux em Ludwig Von Beethoven
“Diante da Sinfonia de Beethoven, nós estamos frente a um marco de um novo período na história da arte universal, pois, através dela, apareceu um fenômeno raríssimo no mundo da arte musical de todos os tempos.”[6]
Ludwig Van Beethoven nasceu em Bonn, Alemanha, em 16 de dezembro de 1770. Ele veio à Terra com uma missão definida. Citando as palavras de Johan Herder[7] em seus estudos filosóficos da História da Humanidade: “Deus age sobre a Terra por intermédio de seres humanos superiores escolhidos.”
Beethoven não nasceu para uma vida de facilidade e felicidade. Como a maioria das almas avançadas, desde a juventude, ele foi “um homem cheio de tristeza e familiarizado com a desgraça”, pois geralmente estava em pobreza desesperadora, cercado de pessoas incompatíveis e ambiente desarmônico. Ele disse para si mesmo: “Eu não tenho amigos, tenho que viver só; mas sei que em meu coração Deus está mais perto de mim do que de outros. Eu me aproximo d’Ele sem medo e sempre O conheci. Também não estou preocupado com minha música, que possa ser levada por um destino adverso, pois ela libertará aquele que a compreenda da miséria que aflige outros”.
O gênio musical de Beethoven tornou-se evidente muito cedo. Ainda bem jovem, ele foi mandado para Viena onde estudou por algum tempo. Fez sua primeira apresentação naquela cidade em 1795, tocando seu concerto para piano em si bemol maior.
“Na meia idade”, escreve Charles O’Connell[8] no livro Victor Book of the Symphony, “numa época em que o republicanismo era uma traição, ele ousou ser republicano, mesmo quando recebia o apoio de cortesãos e príncipes. Quando ser liberal era ser herege, ele viveu uma grande religião de humanista sem desrespeitar a ortodoxia estabelecida. Quando aristocratas perfumados olhavam de esguelha sua figura atarracada, de maneiras grotescas, traje ridículo, ele reagia rispidamente à mesquinhez. Grande demais para ser ignorado, pobre demais para ser respeitado, excêntrico demais para ser amado, ele viveu, uma das mais estranhas figuras em toda a história.”
“A tragédia o seguiu como um cão. Ficou surdo e seus últimos anos foram vividos num vazio de silêncio. Silêncio! De onde tirava os sons que o mundo todo adorou ouvir e ele deve ter ouvido antes de todos!”.
No início da civilização, as Iniciações foram instituídas com o propósito de nos ensinar sobre nossas faculdades e poderes latentes, de modo a nos capacitar para investigar a vida e o trabalho dos Mundos superiores, sobre os nossos veículos mental e espiritual e sobre a Terra.
Muitos clássicos literários contêm informação relativa às Iniciações, por exemplo, a Divina Comédia[9] de Dante[10] e o Paraíso Perdido e Recuperado[11] de Milton[12]. Beethoven os descreveu musicalmente em suas Nove Sinfonias.
O caminho da Iniciação conduz a uma investigação das maravilhas e glórias que pertencem aos planos internos deste Planeta. Nós somos muito mais do que um Corpo como é visto pelos olhos físicos. Somos compostos de outros veículos sutis que se interpenetram e, também, se estendem além da periferia do Corpo Denso. Assim, também a Terra está composta de mais que um globo físico. Ela tem veículos que a interpenetram e que se estendem para o espaço adentro. Por meio da Iniciação, nos tornamos ciente dos nossos corpos e veículos mais sutis e das funções deles e adquirimos conhecimento dos vários veículos da Terra e das funções deles.
Durante o século XIX, Egos humanos evoluídos renasceram para trazer à compreensão vários conceitos de verdade espiritual relativos à Iniciação – conceitos que foram deixados de lado e esquecidos durante os séculos do materialismo que envolveu o mundo. Essas verdades eram para ser revividas por aqueles que as aceitassem, de modo que pudessem ser fortalecidas e preparadas para os árduos e trágicos dias do século XX.
Richard Wagner, outro grande músico Iniciado, entendeu e apreciou a grande missão de Beethoven no mundo. Ele percebeu o sublime significado interno e o êxtase da alma na Nona Sinfonia. Ele a considerou a suprema dádiva musical para a humanidade. Quando construiu seu lindo santuário da música em Bayreuth, ele a inaugurou com as cordas imortais da celestial Nona de Beethoven.
Berlioz[13] escreveu sobre a Nona Sinfonia: “Qualquer coisa que se possa dizer desta Sinfonia, o fundamental é que, quando terminou seu trabalho e contemplou a grandiosidade do monumento que tinha acabado de erguer, Beethoven deve ter dito a si mesmo: ‘Deixe a morte vir agora, minha tarefa está cumprida’.”
A culminância do trabalho de Beethoven foi alcançada nas suas nove Sinfonias. Ele começou a primeira quando o mundo estava no limiar do século XIX. A Primeira Sinfonia foi escrita em 1802. A Nona e última foi completada e dada ao mundo em 1824. Com essa sublime composição, sua missão terrestre se aproximava de sua conclusão gloriosa. Seu chamado veio em 1827.
No seu mais elevado aspecto, as Nove Sinfonias de Beethoven são uma interpretação musical dos passos iniciatórios conhecidos como as Nove Iniciações Menores. A Primeira, a Terceira, a Quinta e a Sétima Sinfonias são poderosas, vigorosas e imponentes, tipificando as características masculinas centradas na cabeça ou no intelecto. A Segunda, a Quarta, a Sexta e a Oitava Sinfonias são gentis, graciosas, ternas e belas, tipificando as características femininas centradas no coração ou na intuição. Quando um Aspirante à vida superior passa através de vários passos nas Iniciações, ele aprende a equilibrar as forças “da cabeça e do coração”. Sua união é conhecida como o Matrimônio Místico. É esse lindo rito que Beethoven descreve na sublime música da Nona Sinfonia.
Cada Iniciação é acompanhada por música celestial – música que Beethoven trouxe para a Terra e traduziu para nós nas Nove Sinfonias. Quando o ser alcança o exaltado lugar da nona Iniciação, ele chega à mais elevada fase das Iniciações. Está pronto para se tornar um Adepto. Então, ele é capaz de chegar à presença do Senhor Cristo e receber Sua suprema bênção.
É reconhecido, sem sombra de dúvida que, em Beethoven, a maior e mais poderosa forma de música instrumental encontrou seu maior e mais poderoso expoente.
E. Markham Lee[14] em The Story of Symphonies
A primeira das Nove Sinfonias teve sua pré-estreia em Viena sob a direção do próprio Beethoven em 2 de abril de 1800. Essa foi a primeira da grandiosa e imortal série que é o monumento colossal da música deste tempo. O ano em que foi produzida sugere que foi o “canto do cisne” instrumental do século XVIII.
A missão de Beethoven foi a de servir como mensageiro da música cósmica. Era seu destino alcançar além da superfície deste plano e trazer para a humanidade a gloriosa música do espaço, e essa missão foi cumprida em suas Nove Sinfonias. Nessas composições, Beethoven, nas palavras do Sr. Lee, “reserva algumas de suas maiores e mais graves declarações. A perspectiva”, ele continua, “é invariavelmente grande, todo o método de concepção é de uma grandiosidade e de uma força titânica. Ele enfoca o assunto com seriedade e o resultado é grandioso e sereno.”
A nota-chave espiritual da Primeira Sinfonia é Poder. O número “um” – “1” – é indicado por uma coluna vertical, o primeiro símbolo da Divindade, como foi adorada pelo ser humano primitivo do início da civilização. O número “um” também significa o Ego, a Individualidade, cujo propósito de jornada através da evolução é manifestar sua divindade inata.
Fiel à forma sinfônica, essa Sinfonia está dividida em quatro movimentos[15]. Um Allegro[16], que é precedido por um Adágio[17] introdutório expressando poder, fornece as notas-chaves da composição. O segundo movimento, um Andante[18], e o terceiro, um Minueto[19] que é mais um Scherzo[20], sustentam uma convicção de uma fidelidade a esse poder que tudo permeia, mas que está latente. O Finale[21], num espírito de exaltação, chega a um clímax nas cordas triunfantes: “E Deus criou o Céu e a Terra e tudo o que está nela; Ele viu que Seu trabalho era bom”.
A Primeira Sinfonia é uma precursora das belezas e glórias dos Nove Graus de Iniciação pelos quais o ser humano se torna um “super-homem” e um “homem-deus”. Nela, Beethoven sobe às alturas e desce às profundezas de um modo que poucos no seu tempo puderam prever ou compreender. Aquele que consegue perceber os valores incorporados na estrutura interna dessa Sinfonia irá colocá-la entre as melhores inspirações desse magnífico gênio musical.
As composições de Beethoven seguem modelos pré-concebidos. Esse grande músico não fez nada sem um objetivo claro. Assim, por exemplo, não se pode considerar como acidental que a introdução da Primeira Sinfonia seja formada por doze compassos[22], cada um dos quais pode ser considerado como abrindo a porta a cada um dos doze Signos zodiacais, cujas forças desempenham seu papel na música verdadeiramente cósmica em sua expansão e natureza. Os doze compassos estão divididos em três grupos de quatro, cada grupo dos quais anuncia a melodia que se seguirá. Os quatro formam uma amalgamação das forças que fluem através dos quatro elementos da natureza: Fogo, Ar, Terra e Água.
O Adágio introdutório consiste em doze compassos, iniciando em Fá Maior e continuando em Dó Maior, tonalidades que têm rico poder tonal. Em contraste, o segundo tema expressa os atributos femininos de gentileza e
O Minueto, arauto do Scherzo, é um tempo rápido. Um crítico musical escreveu: “Ele se move livremente sobre extravagâncias divinas de modulação de um modo que perturbava os ortodoxos de 1800”.
O Finale é introduzido por três compassos nos quais os primeiros violinos revelam a escala ascendente do tema pouco a pouco. As progressões tonais e as passagens rápidas pressagiam o término da Idade Antiga e a busca para o começo da Nova.
No terceiro movimento, a música recapitula o trabalho dos dois movimentos anteriores num andamento acelerado que representa o júbilo do alcance espiritual. Esse movimento contém 353 compassos cujo valor numérico é 11, o número da perfeita polaridade. Tanto o Minueto como o Trio estão em Dó.
No Finale, que é descrito por um rondó[23], a métrica[24] numérica é oito, o número da sabedoria. “O primeiro motivo cadencia na dominante dentro de oito compassos e é seguido por um motivo acompanhado de mais oito compassos que levam ao completo final”.
Esse movimento se centraliza em um diálogo entre os sopros de madeira[25] e as cordas[26], tipificando os sentidos purificados, a Mente espiritualizada. Trompetes[27] e tímpanos[28] acrescentam forças amalgamadas do ser humano completo. Aqui, o três-oito-sete, que soma dezoito ou nove, indica as bases da Grande Obra.
O fraseado do Allegro é composto de quatro compassos e é dividido em dois-mais-dois que acentua o princípio fundamental da polaridade sobre a qual toda a criação está baseada e que forma a pedra angular de todos os ensinamentos da Iniciação. Beethoven aqui projeta princípios cósmicos ou fornece uma cópia do universo como é ensinado nas Escolas de Iniciação Musical que, como todos os antigos Templos de Mistérios, incluindo os da antiga Maçonaria, incluíam em seus currículos matemática e astronomia, além da música. O Allegro consiste em 288 compassos que soma o valor numérico nove, que é o “número do homem” e o “número da Iniciação”.
O segundo movimento compõe-se de 250 compassos, o valor numérico do sete, um número fundamental na evolução humana. Ele define o movimento que é introduzido por sete compassos não usuais. Mais adiante, há o retorno dos quatro compassos, após o qual é empregado um simples compasso para confirmar o começo da individualização.
Beethoven introduz nesse movimento um solo dos tímpanos independente. Ele está nos dizendo que o ser humano deve aprender a refletir o Espírito na ação. Esse fato é produzido pelo tema principal, sendo primeiramente dividido entre as cordas agudas e as graves, tipificando o caminho entre as naturezas inferior e superior. Mais adiante, o tema principal é outra vez repetido entre as cordas e as madeiras, assim definindo o caminho musical da transmutação pela qual o desejo é transmutado em Espírito.
A Iniciação nos Mistérios capacita a pessoa, quando envolvida por seus melhores e mais sutis corpos, a entrar e estudar as verdades maravilhosas que estão escondidas nas mais elevadas e sutis camadas da Terra.
Na Primeira Iniciação o candidato penetra nos planos internos da Terra. As forças e as atividades que se manifestam nesses planos, que são nove Estratos, correlacionam-se com cada uma das Nove Iniciações. Em cada uma dessas Nove Iniciações o candidato é ensinado a estudar essas várias atividades e a trabalhar com essas poderosas forças dos planos internos.
Quando a humanidade se tornar suficientemente clarividente para ser capaz de investigar esses planos, um admirável mundo novo será revelado a ela e a geologia será uma das mais fascinantes ciências materiais. Essa última expressão é um falso nome, pois, na realidade, não há uma ciência material, pois quando o coração de qualquer ciência é totalmente revelado, ela se torna verdadeiramente espiritual em sua natureza essencial. Assim, ela revela o amor e o cuidado de Deus por seu Planeta Terra e todas as Ondas de Vida em evolução que vivem nela. A música das Nove Sinfonias, quando musicalmente interpretada, abre novas visões de idealismo e compreensão até agora não sonhadas.
A Primeira Iniciação está relacionada com a Terra física. Na Memória da Natureza estão escondidos os maravilhosos segredos relativos ao longo período evolucionário deste planeta. Na Primeira Iniciação, aquele que se tornou capaz é ensinado a ler nos registros da Região Etérica do Mundo Físico e a aprender algo das maravilhas da história passada da Terra. Nesses registros, ele é capaz de ver as enormes florestas verdes e os gigantescos animais da Época Lemúrica. As majestosas florestas vermelhas da Califórnia são vestígios da antiga Época Lemuriana.
Essa Época foi seguida pelo cinzento e enevoado continente Atlante – Atlântida –, na Época Atlante. As formas dos animais se tornaram menores e a flora mais variada e delicada em sua textura e cor. Depois da Atlântida, a presente Época do arco-íris nasceu, uma Época em que o Sol brilha claro numa atmosfera oxigenada e a presente humanidade, a Quinta Raça Atlante – Raça Ária –, surgiu.
A majestade da Primeira Sinfonia é a descrição da tremenda transformação da Terra. Em seus quatro movimentos é como se o compositor estivesse colocando em música o fiat criador de Deus. A música cresce cada vez mais, culminando no voo do Finale que traduz em imortal som o pronunciamento do final dos seis dias da Criação registrado no Livro Gênesis de que tudo o que foi feito era bom[29], “era muito bom”.
Esta Sinfonia é música que transpira serenidade, beleza, jovialidade e coragem.
Philip Hale em “Boston Symphony Notes”
A segunda das Nove Sinfonias foi apresentada pela primeira vez em Viena em 5 de abril de 1803. Sua nota espiritual é Amor. O número dois expressa o feminino ou o princípio materno de Deus. Esse princípio se manifesta como amor supremo, poder que anima toda a Sinfonia, conferindo à música tal beleza e doçura que muitos devotos das Sinfonias de Beethoven declararam ser a mais bonita de todas. A proteção aconchegante do espírito materno brota em alguns de seus movimentos. Em outros, o espírito do sacrifício, inseparável do amor materno, encontra expressão em certas melodias ternas. O scherzo transpira felicidade tão refinada que é como uma brisa de ar perfumado. Tem o efeito de elevar e refrescar um espírito desanimado.
A surdez crescente de Beethoven serviu para livrá-lo das distrações do mundo físico, de modo que ele deve ter captado as harmonias celestiais que estão sempre vibrando através do nosso cosmos ordenado.
A qualidade tonal da Segunda Sinfonia é cheia de cores orquestrais que conferem à sua música uma qualidade e uma luminosidade desde o início até o final.
O primeiro movimento produz um efeito de um brilhante nascer do Sol. O larghetto[30] soa em cores suaves como um variado jogo de luz e sombra numa superfície clara. O scherzo brilha e faísca em júbilo vivaz e beleza, explodindo em contrastes dinâmicos no finale.
Sob apelos melódicos delicados e um tom de esplendor, essa Sinfonia está cheia de “episódios ousados” com insinuações de outros mundos e ecos tênues que confundiram os críticos da época.
Esse movimento, com suas súbitas explosões de acordes e modulações caprichosas, foi severamente criticado pelos revisores do tempo de Beethoven, mas foram também eles que reconheceram seus efeitos tonais como verdadeiramente magníficos. Beethoven sempre trabalhou dentro de estrutura de espaços ilimitados.
Berlioz, em seu comentário sobre essa Sinfonia, afirma que “o andante é uma canção pura e franca… cujo caráter não é removido do sentimento de ternura que forma o estilo nítido da ideia principal. É uma figura encantadora”, ele continua, “de prazer inocente que é dificilmente obscurecida por uns poucos acentos melancólicos”. Berlioz então descreve o scherzo como “francamente alegre na sua fantástica volubilidade como o andante foi completo e serenamente feliz; pois essa Sinfonia está sorrindo o tempo todo; as explosões do primeiro Allegro estão totalmente livres de violência; há só o ardor juvenil de um nobre coração no qual as mais bonitas ilusões da vida são preservadas imaculadas. O compositor ainda acredita em glória imortal, em amor e devoção. Que naturalidade em sua jovialidade… É como se você estivesse vendo os esportes mágicos dos espíritos graciosos de Oberon[31]”.
“O ‘Finale’, ele acrescenta, “é da mesma natureza”. “Um segundo scherzo em binário e sua jovialidade tem talvez algo ainda mais delicado, mas picante.”
Depois de uma das primeiras apresentações dessa Sinfonia em Leipzig[32] em 1804, um crítico de discernimento maior que o contemporâneo asseverou que era uma composição de ideias tão boas e ricas que permaneceria viva e que “sempre seria ouvida com renovado prazer mesmo quando mil coisas que hoje estão em moda estivessem enterradas”.
Como essa Sinfonia foi escrita sob circunstâncias de uma natureza depressiva, em virtude de enfermidades físicas que o compositor sofria e as notícias esmagadoras sobre Guilietta Guicciardi[33], uma aluna por quem tinha se apaixonado e que se casara com o Conde Gallenberg, os críticos não deixaram de comentar a contradição entre o sentimento pessoal melancólico do compositor e a música jovial e adorável que ele escreveu em sua Segunda Sinfonia.
A resposta à questão feita por essa circunstância é geralmente dada por um comentarista que concluiu que “em vista da tragédia daquele verão, esta Sinfonia deve talvez ser vista como um escape”.
Se Beethoven tivesse vivido para fins pessoais, tal explicação seria, com toda a probabilidade, completamente verdadeira. Mas Beethoven viveu para servir a objetivos universais e impessoais. Ele dedicou sua vida para trazer para a humanidade a cura e as forças redentoras da beleza através da mais elevada de todas as artes, a arte da música. Beethoven foi um Ego titânico funcionando dentro das limitações de uma forma pessoal. Quando ele se entregou para trazer do Mundo celeste suas comunicações musicais inspiradas, sua consciência ascendeu a níveis onde o que é puramente pessoal se perde no universal. Daí, concluímos sobre o caráter de Beethoven e sobre o propósito espiritual que, no caso da composição da Segunda Sinfonia, a alegria e o amor que ela irradia não é o resultado de um esforço desesperado da vontade de escapar da sua provação pessoal e atribulação, mas a renúncia às suas preocupações pessoais, sejam elas de natureza pesarosa ou de natureza exultante de alegria, a transmissão impessoal daquilo que o mundo do som era capaz de conferir ao homem através de um Ego qualificado para servir com tão exaltada capacidade.
Marion M. Scott[34], em “Master Musicians Series”, observa, com relação à Segunda Sinfonia, que, enquanto Beethoven andava nas campinas de Heiligenstadt[35], sua Mente perambulava pelos Campos Elíseos[36]. Em outras palavras, enquanto sua Personalidade estava andando aqui, na Terra, seu “Eu superior” estava voando lá em cima, nos Céus. Foi então que ele viu, nas palavras de Marion Scott, “como acontece nas cadeias de montanhas além do mar e nas cadeias de montanhas intermediárias uma radiante visão das montanhas distantes no horizonte – ele viu a Alegria”. Aquela visão, ele nos deixou na Segunda Sinfonia.
Como previamente foi dito, o tema principal da Segunda Sinfonia é Amor. Do amor brota confiança, serenidade, alegria e aquela grande paz que ultrapassa a compreensão. Todas essas qualidades são lindamente expressas através da Sinfonia que conclui na nota triunfante de que o Espírito é supremo e que é possível para ele permanecer liberto e intocado por todas as desarmonias e desilusões do mundo externo. Emerson[37] expressou isso muito apropriadamente quando escreveu: “É só o finito que tem trabalhado e sofrido; o infinito descansa em repouso sorridente”. Essa é a mensagem inspiradora da Segunda Sinfonia.
A Segunda Iniciação está conectada com o segundo envoltório da Terra chamado de Estrato Fluídico. Nele, estão refletidas as forças harmoniosas e pulsantes da Região Etérica do Mundo Físico. O trabalho dessa Iniciação tem a ver com o segredo dos Éteres, incluindo os seres que habitam essa Região. Neles, estão incluídos os Espíritos da Natureza que fazem muito para embelezar a Terra. A Região Etérica do Mundo Físico transcende a esfera de escuridão e morte. Aqui o ser se move em luz perpétua e numa região de vida imortal.
Existem quatro Éteres com os quais estamos relacionados. Os dois Éteres inferiores estão relacionados com a nossa vida no plano físico, na Região Química do Mundo Físico; quanto mais terreno for o nosso caráter, mais densos são estes dois Éteres no nosso Corpo Vital. Os dois Éteres superiores se relacionam com as nossas atividades espirituais e estéticas. Têm a ver com nossas faculdades superiores. Por isso, quanto mais sensível a nossa natureza, mais nos tornamos orientados para o desenvolvimento espiritual e mais rápido é o nosso avanço no caminho.
São Paulo se referiu ao nosso corpo como o Templo do Deus vivo. Os dois pilares que apoiam esse templo são os dois sistemas nervosos, o cérebro-espinhal e o simpático. Esses dois sistemas estão diretamente relacionados com as Iniciações. Diz-se que, nestes tempos caóticos e incertos, a grande maioria da humanidade está afetada de certa maneira por desajustamentos nervosos. Isso é porque nós não aprendemos a adaptar corretamente a nossa vida e as atividades ao fluxo e refluxo das forças etéricas. Quando entendermos essas forças internas e vivermos mais em harmonia com as leis que governam os planos Etéricos, nos tornaremos sensíveis e receptivos a essa bela e sutil influência. O corpo humano do futuro será enormemente diferente do que é hoje. Possuirá faculdades de tal ordem que dificilmente são imaginadas no presente.
O primeiro movimento com suas súbitas explosões de acordes caracteriza a Hierarquia dos Anjos, que é especialista na manipulação das forças Etéricas. Os Anjos, que prestam auxílio à Terra, entram em contato com ela através do plano Etérico. Embora estejam presentes no espaço que a envolve, sua presença não é sentida por causa da falta de visão Etérica. Essa oitava superior da visão se tornará bastante comum no curso da Era de Aquário. Uma maravilhosa irmandade e um companheirismo serão então estabelecidos entre os Reinos de Vida Humano e dos Anjos.
Na terna beleza e delicadeza, na doçura e pureza de muitas passagens dessa Segunda Sinfonia, Beethoven descreve algo da sublimidade dessa Região e a beleza e luz dos seres angélicos que a habitam.
Novamente citando o Sr. Scott, “Havia em Beethoven algo que transcendia a ética de Ésquilo[38] e Sófocles[39] – algo que o colocava ao lado do cego Homero[40] e Virgílio[41] cujos altos pensamentos refletiam o brilho de algum dia misterioso que ainda não chegou”. Como eles, ele podia passar pela tragédia para um conhecimento maior além, onde nascimento e morte, alegria e sofrimento são só lados diferentes da mesma moeda dourada da vida cunhada por Deus na eternidade.
O grande poder espiritual das Iniciações aumenta com cada grau ascendente. Na gloriosa música da Segunda Sinfonia, soa um eco e uma repetição desse eco daquela força espiritual que só atingirá sua perfeição e plenitude na música da Nona Sinfonia.
Beethoven se inspirou nas montanhas durante a composição dessa Sinfonia. Os picos mais altos que ele frequentemente contemplava com enlevo podem bem ser vistos como um reflexo físico do elevado reino espiritual no qual seu espírito era envolvido em êxtase, quando ele se empenhava em transcrever em música o elevado significado das Iniciações.
Na Segunda Iniciação, entramos na Região Etérica para estudar os mistérios das flores e das plantas e o ministério dos Anjos conectados com elas. A peculiar doçura da Segunda Sinfonia é fragrante com esses segredos raros.
Com a aproximação da Nova Era, nos tornaremos cada vez mais Clarividentes. Isso revelará um fascinante mundo novo. Seremos capazes de observar a vida e as atividades dos Espíritos da Natureza e, também, a dos mensageiros angélicos que dirigem e supervisionam nossas atividades através de todo o Reino de Vida Vegetal. Como resultado desse desenvolvimento, a botânica se transformará em uma das mais interessantes de todas as ciências.
Um dos mais fascinantes aspectos da botânica da Nova Era será a experimentação que lida com os efeitos do pensamento humano concentrado sobre a vida e o crescimento do Reino de Vida Vegetal. Algumas experiências importantes nesse assunto estão sendo conduzidas no mundo todo. Seus resultados certamente serão enormemente importantes e muito mais abrangentes do que podemos prever agora. Significará expansão de fronteiras em termos de consciência humana e uma amplitude de sua esfera de vida.
“O coração de Beethoven estava cheio de fogo divino e ele não conhecia a fronteira; todo o Céu e toda a Terra eram seus campos de exploração onde ele amava, sonhava, sofria imensamente e despejava seus sentimentos dentro de sua arte. Transformava tudo o que tocava, tornando luminoso com fogo divino. Em Viena, ouvi pela primeira vez uma de suas sinfonias, a Eroica. A partir daí, tive só um pensamento: estar em contato com este grande gênio e vê-lo pelo menos uma vez.”
Rossini[42]
“Seus gloriosos temas e a majestosa beleza de seu pensamento musical permitem que ela permaneça mais de cem anos após sua composição como uma das principais obras da criatividade musical.”
E. Markham Lee
“A música da Eroica é profunda, magnificamente ilustrativa de um heroísmo idealístico. Tipifica o puro espírito do heroísmo idealizado e universalizado. O Primeiro Movimento expressa o heroísmo da intrepidez dentro da qual a fé se torna o grande poder transformador que purifica e exalta. A Marcha Fúnebre não contém a representação da morte como tal, mas eleva, exalta e proclama os poderes da Vida Eterna, pois o amplo perfil do conceito de Beethoven não contém nenhuma sombra da morte.
O Scherzo expressa e mantém esta confiança e serenidade enquanto o Finale é ansioso e alegre com todo o conhecimento consciente do grande profeta musical, um brilhante prenúncio das forças do nascer do Sol mais tarde realizadas nos inspiradores compassos da Nona Sinfonia.”
John N. Burk em “Life and Works of Beethoven”
A Terceira das Nove Sinfonias, conhecida como Eroica[43], foi iniciada em 1803 e finalizada no ano seguinte. Foi apresentada pela primeira vez em Viena em 1805.
A nota-chave espiritual da Terceira Sinfonia é “Força”.O número três é formado pela união do “um” (poder) com o “dois” (amor). Nasce, dessa união, o terceiro atributo, a “força”. É esse poder anímico da força que se torna o tema básico da Terceira Sinfonia de Beethoven.
A verdadeira grandeza de Beethoven começou a se manifestar nesse estupendo trabalho. Aqui está a música de força concentrada e dinâmica. Sua concepção é tão vasta que a caneta era incapaz de acompanhar o esquema cósmico que foi revelado a ele em todas as suas proporções colossais. Cada compasso traz um heroico timbre. Essa não é uma música convencional, mas uma transcrição de celestiais melodias que, como uma melodia não interrompida, move-se em longas correntes de altos e baixos, uma poderosa sinfonia na qual as correntes da vida e da morte, ou vida transcendente, competem entre si em glória celestial.
Todos os críticos concordam com o espírito de universalidade que permeia essa Sinfonia. A magia tonal sobe aos picos das montanhas e desce aos vales subterrâneos, banhando toda a Terra com luz fulgurante. A recapitulação reafirma os temas num ritmo de crescente força e beleza.
A Terceira Sinfonia foi especialmente querida ao coração de Beethoven. Muitos dos que o conheceram intimamente disseram que essa Sinfonia, a Eroica, era sua favorita. A maioria dos comentaristas associaram essa Sinfonia a um significado político especial. No entanto, são os mais profundos e esotéricos aspectos nos quais estamos primeiramente interessados.
Essa sinfonia, como todas as Nove Sinfonias de Beethoven, está dividida em quatro partes designadas de Allegro, Marcha Fúnebre, Scherzo e Finale.
A natureza e sequência das quatro partes ocasionaram muitas e variadas especulações sobre o que o compositor tinha em mente quando criou a sinfonia. O alegre Scherzo que segue a Marcha Fúnebre tem deixado os comentaristas perplexos, mas, nas palavras de Robert Bagar e Louis Biancolli no livro “Concert Companion”, “ao musicólogo, ao historiador e ao romancista podem ser permitidas interpretações, mas a música permanece como um monumento à uma Mente grande e poderosamente expressiva cujos pensamentos e imaginações, quaisquer que tenham sido, se cristalizaram no brilhante e irresistível modelo de uma criação eterna”.
Com relação à impropriedade do alegre Scherzo vir imediatamente depois da Marcha Fúnebre que alguns sentiram, isso não apresenta dificuldade de interpretação à luz da profunda experiência anímica. Quando um Aspirante à vida superior entra sinceramente no Caminho da Transmutação da natureza inferior em superior, as experiências adquiridas são frequentemente cheias de falhas e frustrações, com dor e tristeza. Muitas vezes, os sons no coração do buscador, os solenes e enlutados tons da marcha fúnebre, retratam a renúncia do “Eu inferior”. Com o alcance dessa recém encontrada força anímica, no entanto, o Espírito renovado canta sua alegria e seu deleite, como expressado no Scherzo. Nas palavras de Davi, o doce cantor de Israel, “A tristeza permanece à noite, mas a alegria vem de manhã”[44].
O Iniciado músico Richard Wagner expressou-se sobre os valores internos e profundos incorporados nessa Sinfonia com tal inspiração espiritual que nós transcrevemos aqui. Em suas palavras inspiradas, o primeiro movimento “é para ser considerado em seu sentido amplo e nunca é para ser entendido, de forma alguma, como relacionado meramente a um herói militar. Se nós entendemos, no sentido amplo, por ‘herói’, o ser humano total e completo no qual estão presentes todos os sentimentos de amor puramente humanos, de dor, de força em sua mais alta suficiência, então nós iremos corretamente entender o que o artista desperta em nós nas acentuações de seu trabalho tonal. O espaço artístico desse trabalho está cheio de variados e crescentes sentimentos de uma individualidade forte e consumada, para a qual nenhum humano é um estranho, e inclui verdadeiramente dentro de si todo o sentimento humano, exprimindo isso de tal maneira que, depois de manifestar francamente toda a paixão nobre, termina dentro de uma enorme suavidade de sentimento, apegado à mais energética força. A tendência heroica desse trabalho artístico é o progresso em direção à conquista final”.
Para Wagner, o primeiro movimento “abraça, como num forno brilhante, todas as emoções de uma natureza ricamente abençoada no auge de uma juventude inquieta, contudo, todos esses sentimentos brotam de uma principal faculdade e esta é a ‘força’… Vemos um Titã lutando com os deuses”.
Do segundo movimento, com sua “força destruidora que alcança a crise trágica, o poeta musical reveste sua proclamação na forma musical de uma Marcha Fúnebre. A emoção subjugada por profunda aflição, movendo-se em tristeza solene, conta-nos sua história em tons agitados”.
Romaine Rolland[45] considerou a Marcha Fúnebre “uma das mais grandiosas coisas em música. É um cortejo”, ele observa, “das atribulações mundanas mais do que uma elegia para Napoleão”, e Pitts Sanborn[46] denominou-a “uma das mais tremendas lamentações concebidas em qualquer arte”.
Do terceiro movimento, Wagner diz: “força roubada de sua arrogância destrutiva – pela castidade de seu profundo pesar – o terceiro movimento mostra em si toda a sua flutuante alegria. Sua indisciplina selvagem modelou-se em fresca e alegre atividade; temos diante de nós agora esse adorável homem feliz que passa cordial pelos campos da Natureza”. Esse é o primeiro Scherzo de Beethoven e é considerado por muitos como sendo um entre os melhores.
No Finale, tremendas doses de força exultante são libertadas proclamando o alcance do autodomínio. É música dentro da qual cada átomo físico se afina com a música das esferas.
Como entendido por Wagner, o Finale representa o ser humano todo, isto é, “o ser humano profundamente sofredor e o ser humano feliz e alegre, os dois vivendo harmoniosamente nessas emoções em que a memória do sofrimento se torna a força formadora de nobres feitos”.
As citações wagnerianas nós devemos a Laurence Gilman em seu livro “Stories of Symphonic Music”.
A linguagem humana pode, no máximo, transmitir muito deficientemente a essência espiritual e o significado de trabalhos artísticos que brotam de uma consciência capaz de afinar com os mais altos planos espirituais através de uma Personalidade que possui a rara habilidade de transcrevê-las para uma clara audição humana. Que Wagner tenha a percepção de reconhecer valores internos na Terceira Sinfonia de Beethoven, mais completa e claramente que outros mortais, está amplamente demonstrado no esoterismo que forma a estrutura interna de todos os seus trabalhos imortais. Então, o que ele tem a dizer sobre a Terceira Sinfonia de Beethoven é mais do que uma coisa superficial, mais do que alcançar seu significado por uma mera audição.
Por exemplo, quando Wagner fala do Finale como sendo um resumo das tristezas e lutas do ser humano finalmente combinadas harmoniosamente em suas experiências criativas e alegres, das quais brota uma forma de arte que possui “força para nobres realizações”, ele está concordando com Pitágoras, que deu ao “três” o atributo da harmonia e também afirmou a verdade de que as experiências adquiridas estão sempre repletas de falhas, e o simbolismo do número “três” da Maçonaria que suporta os pilares da sabedoria, da força e da beleza.
Mais do que isto, Wagner fala do Finale como representativo do “ser humano total”, o “ser humano total que grita para nós a declaração de sua Divindade”.
Considerem essa afirmativa em relação ao campo vibratório do “três” dentro do qual a Terceira Sinfonia toma forma. Em toda parte, entre os antigos, o número “três” era considerado o mais sagrado dos números. Não há símbolo mais importante do que o triângulo equilátero usado como símbolo da Divindade. Platão viu nele a imagem do Ser Supremo e, de acordo com Aristóteles, o número “três” contém dentro de si o princípio e o fim. Era na Trindade que Platão se identificava com o Ser Supremo que criou o ser humano ou, nas palavras de Wagner, “o todo, o ser humano total, o ser humano que grita para nós a declaração de sua Divindade”. Nesse breve comentário de Wagner, nós temos uma declaração de um Iniciado interpretando o que um ser de eminente criatividade compôs para a audição de ouvidos que percebem menos.
Da Terceira Sinfonia, Pitts Sanborn tem para dizer: “O ‘três’ incorpora os desenvolvimentos com os quais Beethoven revolucionou a Sinfonia. Em amplitude e opulência, nenhum movimento sinfônico igualou ou mesmo se aproximou do inicial Allegro con brio, e podemos duvidar se algum o exceder subsequentemente. Ouvintes sensíveis, ouvindo-o pela primeira vez, poderiam bem ter gritado como Miranda: ‘Ó bravo novo mundo!’”.
A luta suprema que confronta todo ser humano é a conquista da Personalidade pelos poderes do espírito. Essa é a batalha na qual todo Ego está engajado muitas vezes em todo ciclo de vida e, quando a vitória é finalmente consumada, o Espírito se levanta livre, emancipado, vitorioso. É esse conflito e vitória que Beethoven descreveu tão magnificamente em sua “Eroica”. É sem dúvida por essa razão que Beethoven afirmou que essa composição era a sua Sinfonia favorita.
A Terceira Iniciação Menor está conectada com o terceiro Estrato da Terra conhecido como Estrato Vaporoso. Nesse Estrato está refletido o Mundo do Desejo. Aqui, compreendemos como nunca a relação entre nós e o Planeta em que vivemos. Aqui entendemos como a nossa indomável natureza de desejo influencia e libera certas forças sinistras dentro da correspondente camada na Terra. Também compreendemos como o controle dos desejos dentro de nós tende a impedir a operação das forças destrutivas dentro do corpo da Terra. Por exemplo: se a totalidade da humanidade tivesse um completo domínio sobre a sua natureza de desejos, haveria menos devastação pelo fogo, pela água, ciclones, erupções vulcânicas e outros violentos transtornos da natureza. Isso pode, à primeira vista, parecer estranho e inacreditável para aquele que não penetrou nos segredos internos da natureza e do ser humano. Foi o completo controle da natureza inferior nos três homens sagrados descritos no Livro de Daniel que os capacitou a se manterem vivos na “fornalha de fogo”[47]. Pela mesma razão, homens sagrados na Índia e em outros lugares atravessam florestas sem serem molestados por animais ferozes e répteis venenosos. Ao meditar sobre estes fatos, compreendemos mais profundamente o significado das palavras de Salomão: “Aquele que controla a si mesmo é maior do que o que toma uma cidade”[48]. Richard Wagner expressou essa mesma verdade em Parsifal[49] dando como sua nota-chave “Grande é a força do desejo, mas maior é a força da superação”. Esse é o poder que forma o tema da Terceira Sinfonia de Beethoven.
Somente aquele que atingiu o completo domínio de si mesmo, tal como Beethoven descreve na “Eroica”, pode entrar com segurança e investigar os reinos do Mundo do Desejo da Terra.
Na Terceira Iniciação as magníficas cores do Mundo do Desejo se refletem no terceiro ou Estrato de Vapor da Terra e se transformam em um verdadeiro arco-íris de beleza translúcida. Muitas das cores ali refletidas nunca foram vistas no plano físico, pois suas frequências vibratórias são altas demais para serem captadas pela visão física. Ali, o candidato aprende a controlar os ritmos do desejo dentro de seu corpo e a transformá-los em poder espiritual. Nas Iniciações Maiores ele também aprende como controlar as correntes de desejo no Mundo externo como, por exemplo, em certos ajuntamentos de pessoas onde as emoções tendem a disparar como numa corrida; essa pessoa evoluída possui o poder de dominar essas emoções e, assim, evitar o desastre ou a tragédia.
“A Quarta Sinfonia é como uma donzela grega entre dois gigantes Nórdicos.”
Robert Schumann[50]
A Quarta das Nove Sinfonias foi composta no verão de 1806. Foi feita numa das mais agradáveis cercanias e sob condições de serenidade interna e externa. À sinfonia, que então surgiu, Romaine Rolland[51] se referiu poeticamente como “uma pura e perfumada flor que guarda como um tesouro o perfume daqueles dias”.
Foi dito anteriormente que o número “três” (força) é uma emanação masculina dos valores vibratórios combinados do número “um” (poder) e do número “dois” (amor). O número “quatro” (beleza) é uma emanação feminina formada pela mistura do número “um” (poder), número “dois” (amor) e número “três” (força). Assim, há uma íntima relação entre força e beleza. As duas principais colunas na entrada do Templo de Salomão têm gravadas as palavras força e beleza. É interessante notar que vários escritores encontram nas Sinfonias de Beethoven uma estreita relação entre a Terceira e a Quarta. A Terceira Sinfonia está centralizada em poder e força e a Quarta Sinfonia, em amor e beleza. “Em suas características masculinas”, escreve Alexander Wheelock Thayer[52], “Beethoven atinge o cimo das montanhas com fogo celestial; em suas características femininas, ele enche os vales com doçura celestial”. Esta, a proeminentemente feminina Quarta Sinfonia, ele ouve como a “sinfonia do sonho”.
No desenvolvimento da força anímica pura, a beleza está sempre latente em seu coração, e a essência da verdadeira beleza espiritual será sempre encontrada para possuir uma certa força interna. A Quarta Sinfonia tem sido chamada de Sinfonia da felicidade e seus quatro movimentos identificados com as qualidades de serenidade, felicidade, beleza e paz.
Considerando as quatro partes, o introdutório Adagio é caracterizado por uma doçura angelical; possui uma profunda e mística serenidade. “Sua forma é tão pura e o efeito de sua melodia tão angelical”, escreve Hector Berlioz, “e tão irresistível ternura que a arte prodigiosa através da qual essa perfeição é atingida desaparece completamente. Desde os primeiros compassos, somos tomados por uma emoção que chega ao final tão poderosa em sua intensidade, que só entre os gigantes da arte poética podemos encontrar algo comparável com essa sublime página do gigante da música”; ele conclui, “a impressão produzida por esse Adagio se parece com aquela que experimentamos quando lemos o comovente episódio de Francesca da Rimini[53] na Divina Comédia[54].
O segundo movimento, um Adagio em Mi bemol Maior, respira um fervor que outra vez alguns comentaristas procuraram ligar à vida amorosa pessoal do compositor. Mas aqui, Berlioz, como Wagner, percebe a verdadeira, sublime e impessoal fonte de inspiração de Beethoven. “O ser que escreveu tal maravilha de inspiração como esse movimento”, diz Berlioz, “não é um homem. Deve ser a canção do Arcanjo Miguel quando contempla a sublevação do limiar do Céu”.
O terceiro movimento (Allegro Vivace[55]) invoca um completo deleite. É brilhante e fascinante. Há felicidade nas cordas, nos instrumentos de sopro e no harmônico soar dos tambores. É uma verdadeira canção de beleza que a alma receptiva vem realizar como imortal em si mesma, não tendo nem começo nem fim. Nesse ponto, somos levados a exclamar com Wagner de que é música que não pode ser entendida de outra forma a não ser através da “ideia de magia”.
O Finale termina numa “brilhante perspectiva em que a harmonia dos Mundos visível e invisíveis se encontram e se comunicam. Ele respira uma doce e terna bênção de paz. É a paz que vem só para a alma que aprendeu a transmutar as dificuldades e problemas em pura beleza anímica. O mais alto significado do número “quatro” é essa habilidade do iluminado, ou cristianizado, se elevar sobre as limitações da vida humana e vagarosa, mas certamente, transformar o áspero Ashlar[56] em um perfeito cuboide.
A Quarta Iniciação está relacionada com a quarta camada da Terra chamada de Estrato Aquoso. Lá estão refletidas as forças da esfera mental da Terra conhecida como Região do Pensamento Concreto. A Terceira Iniciação tem a ver com a superação da natureza de desejo. O próximo passo na realização é a iluminação ou espiritualização da Mente. Isso envolve longos e árduos processos e necessita de muitas vidas para sua completa consumação. Para a pessoa comum, a Mente é escrava da Personalidade. A vida está completamente centrada no “Eu” ou naquilo que se relaciona com a vida pessoal. Quando o ser entra no Caminho, aprende a desligar a Mente da Personalidade gradualmente e a ligá-la com o Espírito. É então que a Mente se torna uma luz, uma luz que ilumina o mundo. A vida e o trabalho de tal ser traz a marca da imortalidade.
Um dos mais profundos livros da Bíblia e uma das mais belas lendas iniciáticas em toda a literatura mundial é o Livro de Jó. É a história do Grande Triunfo. Enquanto o Espírito está ligado aos três amigos, o Corpo Denso, o Corpo de Desejos e a Mente, a Personalidade está sujeita a todas as dificuldades e limitações da vida física tais como pobreza, doença e morte.
O acontecimento supremo na vida de Jó foi o aparecimento de Eliú[57]. Sua vinda vitoriosa representa a separação da Mente da Personalidade e sua união com o Espírito. Essa iluminação ou Cristianização da Mente é a realização relatada na Quarta Iniciação e descrita musicalmente na Quarta Sinfonia. Quando Jó alcança esse estágio de desenvolvimento espiritual, seu Corpo Denso é recuperado, sua saúde se restabelece e até a vida de seus filhos é restituída. Jó é agora, nas palavras do poeta, “o senhor de seu destino e o capitão de sua alma”[58].
Na Quarta Iniciação, as forças do Mundo do Pensamento estão refletidas na quarta camada, chamada de Estrato Aquoso. Esse reino não é composto de água como pensamos desse elemento, mas é cheio de uma névoa luminosa e prateada, na qual estão refletidos os modelos arquetípicos que estão por trás de todas as coisas criadas.
O Mundo do Pensamento Concreto, onde está o Segundo Céu, é o lar de todos esses modelos arquetípicos. É lá, entre as vidas na Terra, que o Ego passa muito tempo aprendendo como construir o Arquétipo que será o modelo do seu próximo corpo terreno.
É importante notar que é no plano mental que esses modelos arquetípicos são construídos, pois isso nos dá um conceito mais claro do tremendo poder do pensamento criador. Na Quarta Iniciação, o candidato aprende como usar o poder construtivo e criativo do pensamento e a realização de que, por esse modo, ele constrói ou destrói sua vida. Pelo poder do pensamento, ele pode se degradar ou se glorificar. Os movimentos metafísicos Cristãos estão prestando um importantíssimo serviço no mundo de hoje ao considerarem o poder do pensamento construtivo como seu ensinamento fundamental. É verdade que os pensamentos são coisas. A Bíblia expressa essa profunda verdade na citação: “Como um homem pensa em seu coração, assim ele é.”[59].
“O espírito de Beethoven está encarnado em sua música e aquele que ouviu a Quinta Sinfonia, ouviu Beethoven.”
Sir Oliver Lodge[60]
A Quinta Sinfonia é uma canção dos quatro Elementos: Fogo, Ar, Terra e Água. É surpreendente em sua intensidade e poder. As pessoas sensitivas que viviam nos dias de Beethoven disseram ter sido lançadas em convulsões pelas grandes marés de verdadeiro fogo cósmico.
Assim é como Wagner descreve a “gigantesca energia” do primeiro movimento desta sinfonia: “Ele (Beethoven) rouba as ondas do mar e deixa vazio o fundo do oceano que para as nuvens em seu curso, dissipa o nevoeiro e revela o puro céu azul e a face ardente do Sol”.
Nas suas quatro partes, a sinfonia canta a canção de cada Elemento. Enquanto cada uma dessas partes está separada e distinta da outra, elas estão magicamente ligadas por uma linha dourada de harmonia. Os críticos frequentemente comentam sobre a concordância rítmica dos quatro Elementos.
O primeiro movimento (Allegro con brio[61]) é a chave do Elemento Fogo. O segundo (Andante con moto[62]) está relacionado com o Ar. É o mais irregular dos quatro movimentos. O terceiro (Allegro) está intimamente ligado ao primeiro, embora não se torne, de modo algum, uma repetição dele. Ele exprime um misterioso caráter tremeluzente e aquoso. Então, no Finale, é como o corpo todo da Terra que se estende em triunfo para receber, unido e integrado, esse cósmico poder dos quatro Elementos.
A Quinta Sinfonia foi composta no final do ano de 1807 ou no início de 1808. Tanto ela como a sua sucessora, a Sexta Sinfonia, foram apresentadas pela primeira vez em 22 de dezembro de 1808 em Viena.
A nota-chave espiritual da Quinta Sinfonia é liberdade.
Das nove grandes Sinfonias de Beethoven, esta é, provavelmente, a mais popular. Foi considerada “infalível na concepção e sem falhas na construção… um sublime e resistente monumento ao gênio incomparável e habilidade executiva de seu autor”. É música que se eleva acima do pessoal e transitório na vida; não contém nenhuma referência à cena externa e passageira, mas incorpora, dos níveis cósmicos, uma força moral designada para reforçar o ser interno de todos os que a ouvem. É música pura, refinada e abstrata com o objetivo de agitar a alma do ser humano dentro da lembrança de sua natureza divina e imortal, e aumentar seus poderes para dar um passo para cima. E isso ela realmente faz, haja reconhecimento consciente do fato ou não. Aqui está uma estrutura tonal erguida para uma “declaração cósmica”. Ela fala de modo redentor ao espírito interno do ser humano porque seus modelos sonoros são completamente harmoniosos com as atividades do “Grande Ser do Universo” e Sua reflexão no ser humano microcósmico da Terra.
Cada um dos quatro movimentos é, por si mesmo, uma brilhante criação. Considerados em conjunto, constituem um trabalho de imponente grandiosidade.
O primeiro movimento, Allegro con brio, inicia com quatro notas em uníssono que Beethoven uma vez explicou que soam como o Destino batendo à porta. O segundo movimento, Andante con moto, carrega uma nota de tristeza; no entanto, é maravilhosamente lindo e é realçado mais adiante por um daqueles temas marciais que só Beethoven pôde conceber.
Considerando o primeiro e o segundo movimento juntos, eles são uma verdadeira explosão de desafio da vontade que cresce mais veemente e intensa até que as forças de resistência são derrotadas. Como um comentarista expressou, os dois primeiros movimentos são a canção de um Ego de forte vontade, determinado a quebrar os laços do destino e se elevar acima de suas limitações.
Destino, deve ser acrescentado, é outro nome para a Lei de Causa e Efeito. Não é uma abstração fria e isolada. É um poder vivo e ativo entretecido numa fábrica de vida. Assim como um ser humano ou uma nação semeia, assim eles devem também colher. O ser humano, tanto individual como coletivamente, ressente-se dessa verdade antes de estar espiritualmente acordado. Ele se recusa a aceitar o fato de que seus sofrimentos e desgraças são o resultado de seus próprios erros e más ações. A raiva, a amargura, a indiferença e a contradição que a alma desperta enfrenta estão representadas nos dois primeiros movimentos da Quinta Sinfonia.
Com o terceiro movimento, uma grande transformação ocorre. Agora, a música se torna linda e cheia de um estranho misticismo que pressagia grandes baixos e impenetráveis altos, até agora não alcançados e inexplorados. Aqui, gradual, mas inevitavelmente, tão suaves e lindas como as pétalas de uma flor que se abre, o espírito é despertado mais profundamente para o verdadeiro propósito e mistério da vida. Uma nova e mais profunda realização nasce, mas quando as leis da vida são entendidas e harmoniosamente aplicadas, vemos que não são más e sim boas.
O terceiro movimento, ou Scherzo, tem algumas passagens básicas eloquentes e suas figuras rítmico-tonais são cheias de velado mistério e pesadas com presságios escuros. Ele se insinua dentro do “orgulhoso e ardente” Finale perto da Coda[63] que é de surpreendente brilho, finalizando com um Presto.
Não há nada mais etereamente lindo em toda a música do que a transição do Scherzo para o Finale, dentro do qual essa realização nasce completamente no âmago da alma que desperta ou se ilumina. É então, com uma canção de júbilo, que o espírito se liberta por toda a existência e eternidade, para não mais ficar atado à Lei de Causa e Efeito. A música gloriosa do Scherzo e do Finale soa como a canção triunfante de alguém que alcançou a espiritualidade. Essa sublime “música de liberdade” é a divina herança de toda alma que aprende a se emancipar, passando da condição finita da vida pessoal para a condição infinita do ser eterno.
Nas palavras de Charles O’Connell, “No sentido amplo, essa não é a expressão do pensamento ou sentimento de um homem. Essa é a declaração de uma humanidade confusa e sarcástica – e finalmente triunfante. Essa é a voz do povo, de um mundo sofredor e débil; embora contendo dentro de si os elementos da grandeza final … certamente, a Quinta Sinfonia tem um apelo à natureza humana mais poderoso, direto e universal do que qualquer outra grande música existente”.
O Finale é de tal magnitude e riqueza que, em comparação com ele, há poucas peças musicais que possam ser tocadas sem ser completamente esmagadas.
E. Markham Lee em “The Story of the Symphony” escreve sobre a Quinta Sinfonia: “Colossal em seu poder majestoso, romântica em sua essência e titânica em suas ideias inerentes, a Sinfonia em Dó Menor levanta-se como uma das mais nobres e mais características dos trabalhos de Beethoven. Vinda no meio das suas nove Sinfonias, não é como suas companheiras e, por sua nobreza e majestade, mantém sua cabeça orgulhosa com uma dignidade que é bem capaz de sustentar. Beethoven começou a compô-la logo após terminar a Eroica e a mesma seriedade é óbvia”.
Essa poderosa, magnífica e ao mesmo tempo maravilhosa música descreve a gloriosa liberdade que só o espírito pode conhecer quando quebra a cadeia que o prende à Personalidade e desperta para o êxtase do puro espírito. Essa Sinfonia é a sublime canção da emancipação. É a interpretação musical da luta épica do ser humano em níveis anímicos. É uma exultante canção de triunfo na qual o ser emancipado quebra os laços do finito e passa vitoriosamente para a gloriosa liberdade do infinito.
A Quinta Iniciação está conectada com a quinta camada ou Estrato Germinal da Terra, como é determinado na terminologia Rosacruz. Nessa camada da Terra está refletida a mais elevada Região do Mundo do Pensamento que é conhecida como Região do Pensamento Abstrato. É nesse nível ou plano que a Mente está ligada ao Ego.
É de conhecimento geral que a origem da vida se encontra na semente. No entanto, geralmente não é compreendido que a origem do pensamento se encontra também na semente. No Estrato Germinal ou quinta camada da Terra, estão armazenados os pensamentos gerados por toda a humanidade. Se uma pessoa pensa intensamente por um período numa ideia específica, um pensamento-forma dessa natureza ficará implantado nesse reino. Lá, irá germinar e dará nascimento a um fruto semelhante. Sendo esses os efeitos do poder criativo da Mente, não só a pessoa que pensou irá colher os resultados dele, mas outros também serão influenciados ou afetados em vários graus de acordo com sua afinidade. Então, por exemplo, quando um poderoso indivíduo como um Alexandre, o Grande, ou um Napoleão direciona sua Mente para conquistar o mundo, o resultado pode afetar outros de Mente semelhante por séculos, sendo multiplicado muitas vezes. Naturalmente, a lei opera de maneira semelhante em aqueles que possuem pensamentos elevados e nobres. Os bons pensamentos gerados por São Francisco de Assis, por exemplo, não pararam de dar frutos, e assim ele continua sendo semeado em nosso mundo por um santo moderno como Mahatma Gandhi.
Quando uma pessoa está para começar uma nova peregrinação na Terra, ela é trazida a essa quinta camada para começar a construção de seu novo veículo, pois, como a pessoa vive hoje, ela está construindo o amanhã. É na Quinta Iniciação que se ensina a ler o registro das vidas passadas na Terra, na Memória da Natureza, e a projetar a vida futura.
Há uma linha de demarcação que separa as cinco primeiras Iniciações Menores das quatro últimas. Através das cinco primeiras Iniciações, o Aspirante à vida superior recapitula e leva à perfeição o trabalho que é fornecido ao noviço. Isso envolve purificação e controle da natureza de desejo e uma espiritualização que entrega a Mente receptiva e obediente aos ditames do Ego mais do que sujeita às inclinações e impulsos da Personalidade.
Quando se passa através das cinco primeiras Iniciações Menores, o Cristo interno do ser humano é despertado e começa a governar suas ações. Quando ele passa pelas quatro Iniciações Menores finais e elevados graus, o Cristo interno floresce completamente. De agora em diante, ele é um “homem-deus” que participa dos ritos sagrados iniciatórios.
A Quinta Sinfonia é geralmente conhecida como a Sinfonia da Vitória. Essa designação é mais significativa em sua interpretação espiritual. Ela significa muito mais do que uma vitória do “homem sobre o homem” ou de uma nação sobre outra nação, pois se refere à conquista de si mesmo. O mais sábio de todos os sábios bíblicos sabia bem o significado dessa conquista de si mesmo quando disse: “Aquele que controla a si mesmo é maior do que o que conquista uma cidade”[64].
A quinta Iniciação marca um período de transição na vida do Aspirante à vida superior. É aqui que os últimos grilhões da vida pessoal são quebrados, de modo que o Ego pode se elevar, livre, nas alturas. Esse período de transição marca a fusão do temporal com o atemporal e do finito com o infinito. São Paulo descreveu esta mudança como “livrar-se do velho homem e despertar o novo”[65].
Em sua magnífica Quinta Sinfonia, Beethoven descreve esse período de transição no qual o apelo da carne é quebrado e o poder do Ego reina supremo. Nunca se pode compreender e apreciar totalmente a tremenda força e impacto da Quinta Sinfonia até que se esteja qualificado para interpretá-la espiritualmente. Então, é que o ser se levanta em Espírito sobre as praias de um vasto e encantado mar iluminado pela maravilha do mistério, sim, e com o terror, bem como a beleza, do novo e do inexplorado, enquanto acima, miríades de vozes celestiais são ouvidas cantando triunfalmente. O ser agora se levanta diante o limiar da vida eterna que o guia finalmente para uma união com o Abençoado que é a Luz do Mundo.
“Existe música no suspiro de um junco,
Existe música no alvoroçar de um riacho,
Existe música em todas as coisas, se o homem tiver ouvidos.
A Terra é somente o eco das esferas.”
Lord Byron[66]
A Sexta Sinfonia é uma das melhores peças musicais em toda classe de música absoluta. Beethoven nem uma vez transgrediu os grandes princípios da forma e do equilíbrio nessa Sinfonia. O movimento de abertura é um verdadeiro retrato campestre cheio de tônicas e dominantes da alegria do verão. O aroma do riacho com seu sonolento e repetido desenho na corrente das cordas é o refrão sempre soando na Natureza.
Romaine Rolland em “Beethoven”.
Beethoven foi um grande poeta que segurou a natureza com uma das mãos e o homem com a outra.
Autor Desconhecido
A Sexta Sinfonia foi terminada em 1808 e primeiramente apresentada em Viena no mesmo ano.
Há um triângulo cósmico composto por Deus, o Ser Humano e a Natureza. O ser humano é o pequeno deus no Grande Indivíduo. Quanto mais próximo o ser humano entra em sintonia com Deus, mais profundamente ele penetra nos mistérios da natureza.
É bastante significativo que, para a Sexta ou Sinfonia da Natureza, Beethoven tenha escolhido o tom de Fá Maior. Fá é a nota-chave musical da Terra e que verde é a sua cor. Estudantes de musicoterapia estão cientes do fato de que o uso de composições musicais nessa tonalidade produzirão efeitos benéficos sobre várias formas de tensão nervosa e sobre nítidos e prolongados efeitos da insônia. Qualquer pessoa que tenha ficado cansada ou debilitada por excesso de tensão e que tenha passado apenas uma só noite numa floresta de pinheiros, respirando sua suave fragrância, não duvida da força curadora da natureza nem dos efeitos rejuvenescedores da cor verde, pois, na verdade, essa é a cor da vida.
Em seu livro “Essais De Technique Et D’Esthetique Musicales”, Elie Poirée[67] observa que a Sinfonia Pastoral de Beethoven que está escrita em Fá Maior tem a “cor-auditiva” correspondente à cor verde. Compreendendo como ele compreendia a profunda importância espiritual das diferentes tonalidades, Beethoven escolheu com o maior cuidado a nota-chave de cada uma das nove Sinfonias.
Também deve-se notar o fato de que a nota-chave da Sexta Sinfonia está correlacionada com Virgem, o sexto Signo do Zodíaco. Virgem é um Signo feminino e pertence à triplicidade da Terra. Está, portanto, afinado com a Mãe Natureza. Seu símbolo é a virgem segurando um feixe de trigo. Entre as notas-chaves espirituais de Virgem, está o “Serviço” por meio do som e da beleza. Esses atributos também caracterizaram os motivos musicais da bela Sexta Sinfonia de Beethoven ou, como é popularmente chamada, a Sinfonia Pastoral.
Nessa Sinfonia, que é verdadeiramente “um Hino sublime à Natureza”, Beethoven procurou transcrever algo das harmonias existentes nas operações do triângulo cósmico de “Deus, Natureza e Ser Humano”. Daí, ela exprimir muito mais que uma viagem através dos bosques ou uma caminhada entre cenas silvestres. Na repentina tempestade de verão, tão graficamente expressa no quarto movimento, Beethoven está descrevendo a batalha pela supremacia entre os Espíritos da Natureza que sempre ocorre numa tempestade. O trovão é a voz do Ar, o relâmpago, do Fogo, e a chuva, da Água, sendo a tempestade a sua luta pelo domínio sobre a Terra. Essa é uma magnífica visão e um som magnífico para aqueles que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir. A linda canção no Finale é uma transcrição direta para a percepção humana da música daqueles Seres Celestiais que guiam e dirigem a vida e as atividades de toda a natureza. Como Beethoven mesmo declarou, “Nos campos, parece que eu ouço cada árvore repetindo ‘Sagrado, Sagrado, Sagrado’”.
Do segundo movimento, o Andante, chamado pelo compositor de “Uma Cena perto de um Riacho”, Vincent d´Indy[68] diz: “É a mais admirável expressão da natureza genuína em existência”, acrescentando que “só há algumas poucas passagens em Siegfried e em Parsifal de Wagner que podem ser comparadas com ela”. A propósito da comparação aqui feita, pode ser lembrado que Wagner, em seu trabalho, procurou combinar em seus dramas musicais o que Beethoven procurou expressar em suas Sinfonias, e Shakespeare em seus dramas. Pode ser que Wagner, em suas passagens sobre a natureza, tenha se inspirado na Sinfonia Pastoral de Beethoven.
Ainda citando Vincent d´Indy em seu comentário sobre o segundo movimento: “Enquanto o fluxo do riacho proporciona base para todo o segundo movimento, melodias adoráveis brotam expressivamente e o tema feminino do Allegro inicial emerge de novo sozinho, como se estivesse inquieto com a falta de seu companheiro. Cada seção do movimento é completada pela entrada de um tema de algumas notas, puras como uma prece. É o artista que fala, que reza, que ama e que se delicia em coroar as partes de seu trabalho com um tipo de aleluia. Esse tema expressivo termina as exposições sobre os passos do desenvolvimento, no meio dos quais as tonalidades obscuras provocam uma sombra por cima da Terra. Então, seguindo os episódios leves do canto dos pássaros, o tema é repetido três vezes, para concluir com uma afirmação comovente”.
A mensagem dessa Sinfonia, como Beethoven disse, é “Uma aproximação ao conhecimento de Deus através da Natureza”.
Um escritor definiu admiravelmente a fé de Beethoven que era cósmica e não cega, dizendo: “A Natureza era a Divindade para Beethoven; dela, ele tinha aprendido a aceitar todos os fenômenos como reflexões da Mente de Deus. Ele se sentia um ser escolhido de revelação sobrenatural, um herói, um salvador que tinha sofrido e, elevando-se, tinha sentido a vida divina dentro dele… À doutrina da Natureza em Deus e Deus na Natureza, de Deus imanente no universo, ele acrescentou uma mística compreensão de Deus como habitando em um simples indivíduo artístico e criativo”.
Há uma grande Sinfonia soando para sempre através da natureza, uma rara Sinfonia de harmonia e beleza que é inaudível para os ouvidos humanos e invisível para os olhos humanos até que se tenha elevado a consciência ao ponto onde ela possa se comunicar com os poderes que funcionam no lado interno da vida. O som do vento nas árvores, o estrondo da tempestade, o tamborilar da chuva, o melancólico chamado do cuco e o terno som da canção do rouxinol que são tão graficamente transcritos nessa Sinfonia, não são mais do que um aspecto da beleza e da harmonia da natureza. Em sons musicais refinados e Etéricos, o compositor transmite a música rarefeita do brotar da tenra grama, o desdobrar das pétalas das flores, o movimento das novas forças vitais nas folhas que brotam, no movimento rítmico dos Espíritos do Ar e no canto alegre de seres angelicais – todas essas coisas delicadas e intangíveis que pertencem ao lado oculto da natureza, Beethoven expressou no segundo e terceiro movimentos com tal delicadeza e beleza que suas maiores interpretações provavelmente não conseguiram descrever.
Beethoven era um filósofo musical profundo que possuiu não só a faculdade de perceber o lado vital da natureza, mas também teve o incomparável dom de transcrever algo da linguagem espiritual para que todos a ouvissem. Todos, no entanto, não desenvolveram a sensibilidade para perceber os tons superiores espirituais que ele foi capaz de colocar dentro de suas composições divinamente inspiradas. Mas, eles estão lá esperando reconhecimento, enquanto a humanidade se eleva suficientemente em consciência para acompanhar o compositor aos planos dos quais ele retirou sua sublime inspiração. Nesse meio tempo, aqueles que não são ainda capazes de compartilhar completamente em tudo o que o compositor experimentou na criação de seus trabalhos imortais são, no entanto, beneficiários do que eles realmente ouvem num maior sentido vital do que geralmente é reconhecido.
A música origina-se no Mundo celeste e, se o ser humano está ciente do fato ou não, ela serve para preservar nele, embora de maneira muito tênue, alguma recordação das esferas divinas das quais ele veio e para as quais ele está destinado a voltar. Torna-se um fator importante prevenir o ser humano de cair no esquecimento de seu verdadeiro lar.
E assim, ouvindo a Sinfonia Pastoral de Beethoven, o Ego humano é realmente colocado em contato com mais do que impressões de natureza externa qualquer que possa ser o grau de sua percepção consciente do que é então conectado. Lá está; ela colide com seus veículos mais sutis e deixa uma impressão que é refinadora, sensibilizadora, construtiva e redentora.
Portanto, não é somente música da natureza, como esse termo é geralmente compreendido, que Beethoven deu ao mundo em sua Pastoral. Não é uma tentativa de descrever programaticamente cenas físicas e efeitos atmosféricos. Para aqueles que podem perceber as nuances espirituais desta criação sinfônica, melodias alegres de pássaros transportam comunicações angélicas, águas correntes carregam uma paz interior, os campos abertos expandem os horizontes, enquanto florestas são transformadas em grandes catedrais e montanhas em elevadas cidadelas de Deus.
A nota-chave espiritual da Sexta Sinfonia é “unidade”. Seis é um número que expressa luz, amor e beleza. Esses são os humores musicais prevalecentes da Sexta Sinfonia.
A Sexta Sinfonia está relacionada com a sexta camada da Terra. É o Estrato Ígneo. Nessa conexão, não temos que considerar o fogo no sentido literal, pois esta sexta camada é luminosa. O ocultista entende a diferença entre Fogo e Chama. Fogo é uma força espiritual e Chama é o aspecto material daquela força. Moisés esteve diante da sarça ardente que não era consumida, o que significa que ele esteve na presença do ser espiritual da Luz que queimava, mas não se consumia.
Essa sexta camada da Terra reflete as forças espirituais daquele plano elevado que é conhecido metafisicamente como o Mundo da Consciência Crística. É o plano no qual todo o sentido de separatividade foi transcendido e a verdadeira universalidade de toda a vida é realizada. Aqui, a unidade completa prevalece. Se, em obediência à admoestação de São João, nós andamos na luz como Ele está na luz, teremos fraternidade entre todos. Este é o efeito da música da Sexta Sinfonia que podemos supor que foi escrita sob a inspiração da sublime visão da inclusiva e harmoniosa fraternidade existente nesse plano espiritual elevado.
Beethoven estava sempre nutrindo em seu coração o ideal da fraternidade humana. Era profundo e intenso; isso tocava o incomum e o cósmico. Na Sexta Sinfonia estão projetadas essas qualidades com relação à Natureza, a exteriorização de Deus no qual nós vivemos, nos movemos e temos o nosso ser. É sobre esse mesmo ideal de fraternidade que ele leva o ouvinte nas asas do êxtase para os altos planos da glória no Finale da sua Nona Sinfonia poderosa. É só quando esse estado de consciência está desenvolvido que as glórias internas da Natureza podem ser reveladas e o sublime trabalho da Sexta Iniciação pode ser empreendido com sucesso.
Como foi dito anteriormente, depois da quinta Iniciação, o trabalho se torna tão elevado que pouco pode ser dito sobre ele. Para interpretar algo sobre a Sexta Iniciação, Beethoven invocou o Espírito da Natureza. Ao estudar a natureza com reverência e devoção cada vez mais crescentes, mais seus sublimes mistérios são revelados ao ser humano, e mais próximo ele se afina com Deus. Um sábio mestre advertiu os aspirantes que procuram entrar nos profundos mistérios da vida dizendo que eles “estudassem a natureza, pois ela contém a marca da divindade”.
Beethoven considerava essa admoestação. É como ele expressou sua fé na sabedoria a ser aprendida, um texto que ele copiou de forma a tê-lo sempre com ele e, também, diante dele. Assim: “O ser pode corretamente denominar a Natureza de escola do coração; ela nos mostra claramente nossos deveres para com Deus e nosso vizinho. Portanto, eu desejo me tornar um discípulo dessa escola e oferecer a Ele o meu coração. Desejoso de instrução, eu tentaria obter aquela sabedoria que nenhuma desilusão pode rebater; eu ganharia um conhecimento de Deus e através desse conhecimento, eu obteria um antegozo da felicidade celestial”.
A Sexta Iniciação está relacionada com a Iniciação do Fogo. O segredo da vida está conectado com o fogo e é nessa Sexta Iniciação que a pessoa chega diante dessa poderosa verdade. Aqui, ela aprende a distinguir a chama do fogo. A chama é reconhecida pelos cinco sentidos físicos, enquanto o espírito do fogo é percebido só através das faculdades espirituais. Aquele que conhece os segredos da Iniciação do Fogo pode passar sem se queimar através da chama. Vários exemplos disso estão registrados no mais profundo dos livros ocultos, a Bíblia. Tal é a trasladação de Elias para o céu numa carruagem de fogo, a passagem dos três homens sagrados através do fogo como está escrito no Livro de Daniel e as línguas de fogo que estão colocadas nas cabeças dos Discípulos em Pentecostes. Essas são todas descrições dos vários estágios ou aspectos da Iniciação pelo Fogo, e todas relatam, em certo grau, o Sexto Mistério.
Os ciclos de renascimentos através dos quais o espírito individualizado tem que passar é o processo pelo qual as potencialidades divinas são despertadas e desenvolvidas em chama vivente. Essa é a luz a que São João se referiu quando disse: “Se nós andamos na luz como Ele está na luz, teremos fraternidade uns com os outros”. É só quando o ser humano desperta essa luz em si mesmo que ele pode conhecer o verdadeiro significado da fraternidade. A humanidade não pode oferecer ao Criador maior presente do que aquele de manifestar uma fraternidade universal e um mundo unido.
Beethoven compôs a Sétima das Nove Sinfonias em toda a exuberância de sua maturidade criativa, e cada um dos seus quatro movimentos transbordam a ardente essência de sua inspiração. O ouvinte é dominado pela abundância de sua beleza. Nesta Sinfonia, você sente o gênio de Beethoven como algo inesgotável, glorificado em sua própria força titânica, como se fosse uma divindade ignorando sua casta, orgulhoso de seu conhecimento de força invencível, liberto, despreocupado, salvo quando o Allegretto admite uma divina melancolia.
Pitts Sanborn[69]
A primeira apresentação dessa Sinfonia foi em Viena, em 8 de dezembro de 1813, fazendo assim um intervalo de cinco anos entre a Sexta e a Sétima. Durante esse período, Beethoven esteve aprofundando sua consciência espiritual e captando uma afinação mais próxima às forças da música celestial. O que ele produziu na Sétima Sinfonia oferece ampla evidência da verdade que a avaliação do Sr. Sanborn fez acima.
A nota-chave espiritual da Sétima Sinfonia é Exaltação. Sete marca a conclusão de um ciclo em termos de duração de tempo. A trindade do espírito (o Tríplice Espírito) se eleva triunfante sobre o quatro da matéria[70]. O espiritual se torna primário agora e o material, secundário. É esse triunfo do Espírito que é o glorioso tema da Sétima. Tanto Richard Wagner como Franz Liszt[71] olharam a Sinfonia como a “apoteose da dança”. O mais profundo espírito da dança representa ritmicamente a ascensão no caminho da Iniciação que termina em divina harmonia com a Eterna Luz. Do ponto de vista da interpretação, a Sétima Sinfonia é verdadeiramente uma Apoteose da Dança.
Wagner identificou essa Sinfonia com a dança em sua mais alta expressão como a realização do corpo em forma ideal. Ninguém melhor que ele sabia que a dança teve sua origem nos movimentos das esferas planetárias e que a missão de Beethoven era recapturar algo destas harmonias estelares.
No primeiro movimento (Poco sostenuto[72], vivace[73]), acordes exultantes e dominantes repetem esta canção triunfante acompanhada do inebriante ritmo do tema principal. Essa introdução desdobra os temas que se seguem numa sucessão de escalas ascendentes que foram descritas como escadas gigantes. Beethoven aqui está afinando os ouvidos humanos com os ritmos planetários. Ele traz à Terra insinuações da música das esferas pelas quais os sistemas solares são impelidos em seus movimentos. Assim, sua música se torna uma escada que vai até as estrelas. Ele carrega o ouvinte para as grandes alturas e profundezas, transcendendo a pequena e limitada esfera na qual o ser humano mortal se move em seu estado sem inspiração.
No segundo movimento (Allegretto), um tom de solenidade é introduzido. Ele passa de Lá Maior para Lá menor, já que é mais fácil recapturar os ecos da música celestial em tons menores. É como se o Espírito estivesse perplexo na realização da responsabilidade que vem com tal consecução. Esse tom solene e misterioso persiste por todo o movimento. Foi comparado a uma procissão através das catacumbas.
O terceiro movimento (Presto, presto meno assai) toca uma nota ainda mais exultante do que a que foi ouvida no primeiro movimento. Ritmos alegres e emocionantes são introduzidos pelas cordas com uma resposta alegre dos instrumentos de sopro. Há arpejos dançantes e um espírito de scherzo nele todo.
O Finale (Allegro com brio) é colossal e magnífico. É como se o Céu e a Terra se juntassem num poderoso coro de majestade e poder. É a voz do espírito extaticamente proclamando: “Estou livre, estou livre, para sempre e para toda a eternidade. Estou livre”.
Esse Espírito de exultante liberdade naturalmente trouxe à expressão a companhia da arte da dança. Wagner, que anteriormente se referiu à essa conexão, sentiu que não havia nada tão torpe e surdo que pudesse resistir à fórmula mágica; os galhos, as latas e as xícaras, o cego e o aleijado, etc., cairiam na dança.
A celebrada Isadora Duncan[74] dançou todos os movimentos dessa Sinfonia, exceto o primeiro, no Metropolitan Opera House em Nova York em 1908, e o Ballet Russo de Monte Carlo também transcreveu o trabalho todo em poesia do movimento. A coreografia que a Sinfonia evoca tem um caráter mais etérico e espiritual do que físico; isto foi declarado por um comentarista que pensou nela expressando uma dança cerimonial que deve ter sido realizada pelos coribantes[75], os sacerdotes de Cibele[76] em volta do berço do infante Zeus.
UMA VISÃO DO CAMINHO
Um viajante se aproxima de uma enorme e elevada montanha, cujo topo coberto de neve brilha à luz do Sol como uma coroa de diamantes. A subida dessa montanha é íngreme e perigosa, o caminho estreito e escarpado. Frequentemente, o viajante perde seu passo e cai de bruços no chão, mas sempre a silenciosa voz interior firmemente o impele “Para frente e para cima, para sempre”. Às vezes ele toma o caminho errado e tem que retroceder pelo longo e estreito caminho, mas sempre a voz interior, gentil, mas insistente, é ouvida dizendo: “Você nunca falhará enquanto persistir, pois a única falha está em parar de tentar”. Outra vez, o caminho leva através de escuras e estreitas fendas onde o Sol está longe da vista. É, então, que em sua visão mental ele pode ver o pico coberto de neve acima. O topo está rodeado por grandes conjuntos de rochas perpendiculares, escondendo toda a visão do caminho. Para concluir a subida, o viajante tem que possuir muita coragem, persistência e uma vontade que é dominada pelo Espírito.
Finalmente, o topo é alcançado e oh! a maravilhosa glória da vista! Lá em baixo, ao longe, estão as planícies e os vales rodeados por montes humildemente entremeados por cintilantes riachos. Há também grandes cidades nas quais a humanidade se ocupa com sua rotina diária, a maioria estando tão ocupada e tão descuidada para levantar seus olhos e pegar a inspiração dos lindos picos brancos lá em cima.
Quando o viajante eleva seus olhos, ele se enche de espanto, pois o topo no qual ele está, o qual ele pensou estar tão alto e ser o final, está diminuído por montanhas mais altas, cujos picos estão completamente longe da vista no imenso azul. As palavras do poeta místico Kalil Gibran[77] vêm à mente com um novo significado: “Quando você chega ao topo da montanha, então é que você começará a subir”.
É então que o viajante grita: “O que está além dos majestosos picos, cujas alturas se perdem nos céus?”. E a voz, em alegre exaltação, responde: “o infinito”. “E o que está além do infinito?”. Como uma bênção vinda de lugares distantes, em sons de doçura sobrenatural, a voz responde: “Um infinito de infinitos”.
Essa é a canção da alma da Sétima Sinfonia de Beethoven, o Espírito triunfante e exultante cantando: “Sempre para frente e para cima, pois o caminho da verdade não tem fim e a busca é eterna”.
A Sétima Iniciação Menor está conectada com o sétimo Estrato da Terra conhecido como Estrato Refletor. Esse estrato está correlacionado com o Mundo do Espírito Divino e está permeado com o poder espiritual desse Mundo celestial.
Fiel ao seu nome descritivo, o Estrato Refletor na Terra reage exatamente à natureza dos pensamentos e desejos do ser humano que podem ser construtivos ou destrutivos, pois, sob a Lei de Causa e Efeito, tanto os seres humanos como as nações colhem como semeiam. Assim age a Lei Divina ao operar no Mundo do Espírito Divino, que é a contraparte superior do Estrato Refletor da Terra.
A história oculta registra a submersão do Continente Atlante e a destruição de sua adiantada civilização, devido à muito difundida prática da magia negra. Nos tempos históricos, lemos sobre a queda da Babilônia, uma das mais famosas e bonitas cidades da Terra, seus jardins suspensos tendo sido classificados entre as Sete Maravilhas do Mundo. Em Pompéia, os arqueologistas descobriram evidências do descuido moral e depravação que existia entre os habitantes, que agiam por meio das forças localizadas no Estrato Refletor da Terra, no desastre natural que enterrou a cidade sob lava e cinzas. Também, na Bíblia, lemos a destruição de Sodoma e Gomorra, devido às maldades desenfreadas nessas cidades.
O ser humano é um ser sétuplo. O Tríplice Espírito está conectado com o Tríplice Corpo pelo elo da Mente. O propósito principal das peregrinações dele na Terra é capacitar o Tríplice Espírito a trabalhar sobre o Tríplice Corpo para refinar, sensibilizar e espiritualizar estes Corpos mais inferiores e transmutá-los em poderes anímicos.
Antes que esteja pronto para passar através do portal que se dirige a Sétima Iniciação Menor, grande parte desse trabalho tem necessariamente que estar realizado. No sétimo Estrato Refletor da Terra estão guardados os chamados sete grandes segredos da Natureza. Esses segredos estão conectados com os quatro elementos – Fogo, Ar, Água e Terra. Nesse grau, aprendem-se os muitos e variados modos nos quais esses elementos são transmutados com resultados que capacitam o controle das muitas Leis da Natureza. A Sétima Iniciação Menor é o Grau da Divina Sublimação. Quando se passa por esse Grau, o poder alcançado torna possível a jornada dentro dos lugares mais profundos da Terra e nas alturas do espaço interplanetário.
O Iniciado da Sétima Iniciação Menor é ensinado a investigar e compreender mais profundamente algo dos quatro poderes conhecidos como Fogo, Ar, Água e Terra. Esses poderes operam sob a direção dos altos seres celestiais. Muito pouco pode ser dito abertamente com relação a esse trabalho, exceto que, sob o poder do Fogo e do Ar, novos e maiores segredos são ensinados com relação à transmutação e, sob o poder da Água e da Terra são ensinados os mais profundos significados relativos ao equilíbrio e à polaridade.
Nessa elevada esfera para onde o Iniciado é trazido e colocado face a face com as verdades pertencentes a Sétima Iniciação Menor, ele se torna um verdadeiro trabalhador milagroso. Ele aprende o que é passar sem se molestar através do fogo e da água, a dominar a lei da gravidade e a trabalhar em harmonia com a lei da levitação. Ele agora é um verdadeiro mago branco, havendo aprendido a transformar os metais em ouro. Ele ganhou a liberdade da limitação que esse Planeta impõe a ele. É algo desse maravilhoso Espírito de Liberdade que é descrito na gloriosa e inesquecível música da Sétima Sinfonia.
Tal é a magia exercida pela música da Sétima Sinfonia de Beethoven, que o comentarista Philip Hale[78] fez a seguinte observação: “Toda vez que a música é tocada, toda vez que ela entra na Mente, ela desperta novos pensamentos e cada um sonha seus próprios sonhos”.
Há tal poder místico impregnado nessa Sinfonia que ela tem a magia de despertar na alma de um Aspirante à vida superior a visão dos passos que guiam progressivamente na escada ascendente da realização. Mais do que isso, ela realmente irradia energias tonais que emprestam uma força para a alma no caminho da Iniciação, para seguir os passos até que a busca seja finalmente consumada nas glórias celestiais do Reino Celeste.
Nunca a arte ofereceu ao mundo algo tão sereno como as Sinfonias em Lá e em Fá Maior e todos aqueles trabalhos tão intimamente relacionados a elas que o mestre produziu durante o período divino de sua surdez. O seu primeiro efeito sobre um ouvinte é colocá-lo livre de um sentimento de culpa, enquanto dá nascimento a um sentimento de paraíso perdido ao retornar ao mundo dos fenômenos. Desse modo, esses maravilhosos trabalhos preconizam arrependimento e reparação no sentido da divina revelação.
Nesta Sinfonia, há pensamentos musicais intensos, há passagens que, por um momento, soam as profundezas e alcançam as alturas… Sem a grandiosidade da Quinta Sinfonia ou o romance da Sétima, ela contém um final perfeito e um rico estoque de bom humor.
Romaine Rolland[79]
A Oitava Sinfonia teve sua primeira apresentação em Viena, em 20 de abril de 1813. Sua nota-chave espiritual é harmonia.
Os antigos declararam que o número oito contém a marca da divindade e isso é o que a Oitava Sinfonia representa. Berlioz[80] declara que o modelo dessa Sinfonia foi formulado no céu e caiu dentro do cérebro do compositor. Um crítico de arte, escrevendo sobre essa Sinfonia, diz que ela é um brinquedo divino na região do pensamento tonal. Mais adiante, ele diz que a Sétima é uma arte épica ao máximo, então a Oitava Sinfonia é arte lírica em sua plenitude. A Oitava tem sido chamada de “um épico de humor”. Suas quatro divisões são permeadas com um sopro de alegria e transbordam em excêntrico humor. Um leve e caprichoso espírito de felicidade se difunde completamente. É deliciosa em sua totalidade. Dizem que Beethoven olhava-a com ternura e se referia a ela como sua “pequenina”. Talvez fosse por causa de seu espírito despreocupado e, também, porque é a menor das nove.
As duas primeiras partes estão cheias de alegria e suas harmonias extasiantes continuam a tecer e a entretecer através de toda a terceira parte. Ao invés do usual Scherzo, esse terceiro movimento é um lindo e majestoso minueto. Embora delicadamente caprichoso, ele, ao mesmo tempo, toca uma nota mais grave. Foi comparado por alguns escritores a uma exultante risada. E é verdade. Ele soa uma gargalhada triunfante de uma alma emancipada que encontrou sua própria herança divina de imortalidade consciente e a divina bem-aventurança da liberdade cósmica. Como Pitts Sanborn diz “não é o riso de regozijo infantil ou de frivolidade desesperante e imprudente”. Pelo contrário, é o “vasto e interminável riso de que Shelley[81] fala em Prometheus Unbound[82]. É o riso de um homem que amou e sofreu e, escalando as alturas, alcançou o cume. Só uma ou outra nota de rebeldia se intromete momentaneamente; e, às vezes, em repouso lírico… uma intimidação da Divindade mais do que o ouvido descobre”.
O Finale sobe a alturas ilimitadas em ritmo e fantasia. Irregularidades repentinas e ritmos interrompidos servem para criar uma atmosfera de mistificação deliberada. É fantasia altamente carregada designada para levar o ouvinte além dos estreitos confins da mente concreta.
A Oitava Sinfonia é, no entanto, uma outra composição que o grande gênio criativo de Beethoven deu ao ser humano para ajudá-lo em seus objetivos espirituais, que era seu verdadeiro destino perseguir e cumprir.
George Grove[83], em seu trabalho “Beethoven´s Nine Immortals” descreve o poder de Beethoven de abstrair-se do mundo externo e viver num mundo de sonho dele próprio. Seu ideal, como o de todos os grandes heróis, teve pouco interesse no mundo e nas poucas pessoas em volta dele. Ele foi um pico de uma montanha solitária e elevada que olhava para os vales. Seus olhos testemunhavam um solitário homem espiritualmente faminto. Seu idealismo sobrepassava seu julgamento. Era difícil para ele aceitar coisas realmente diferentes das que ele idealizava. Nos seus últimos anos ele mergulhou em profunda ternura e doce melancolia, resultando no que ele denominou sua “tendência feminina”.
Beethoven foi um instrumento usado pelo Espírito da Música para se realizar mais do que um homem que meramente compôs música. Em sua música, sempre criando mundos, seu grande gênio foi mostrado em seus movimentos rápidos, pois eles refletem os ritmos das órbitas celestes que se movem com mais velocidade que a luz.
Gustav Nottebohn[84], em seus Esboços de Eroica, observa que Beethoven alcançou um tipo de melodia que alguns chamaram de absoluta e, compondo seus últimos trabalhos, ele ficava verdadeiramente “possuído”. Sua Mente Superior assumiu a direção. Então, não trabalhou do pormenor para o todo, mas começou do todo para o pormenor. Sob um estado subconsciente, uma composição era como um todo antes que ele começasse a pensar nos detalhes. Um poeta expressou essa mesma verdade nas palavras: “Você não teria me procurado a menos que já tivesse me encontrado”.
Referimo-nos repetidamente às Nove Sinfonias como música cósmica. Quando Beethoven as escreveu, elas eram obviamente para demonstrar musicalmente as verdades fundamentais da polaridade. As Sinfonias ímpares possuem a grandiosidade, a rapidez, a ousadia, a coragem, a inovação e todas as qualidades masculinas dominantes. As de números pares são doces, ternas, dóceis, calmas, características do feminino.
A Quinta em Dó Menor teria seguido a Terceira, ou a Eroica. Beethoven colocou em prática esboços como elas originalmente chegaram a ele, de acordo com seus biógrafos. Algo em sua natureza antecipou isso até que a mais gentil Sinfonia em Si Maior, a Quarta, inseriu-se num modelo divino que a colocou imediatamente depois da poderosa Terceira. Então, seguindo a Épica Quinta, segue-se a Sexta ou Sinfonia Pastoral como um companheiro contemplativo.
Outra vez, após um espaço de quatro anos, Beethoven produziu outro par de afinidades complementares: a Sétima, de força masculina, e a Oitava, de atributos femininos, as duas produzidas em 1862 em sequência.
Finalmente, quase dez anos mais tarde, apareceu a magnífica mistura de opostos, que tinham se alternado nas precedentes oito Sinfonias e culminou na grandiosidade da Nona.
A oitava Iniciação está relacionada com a oitava camada da Terra conhecida como Estrato Atômico. O poder dessa Iniciação é tal que um objeto situado nesse Estrato, quando usado como um núcleo, pode ser multiplicado à vontade. Era o poder dessa oitava Iniciação que o Senhor estava demonstrando aos Discípulos quando multiplicou os cinco pães e os dois peixes e alimentou cinco mil – com doze cestas cheias de sobra[85].
Muito pode ser dito sobre essa Iniciação, excetuando que o participante tem que ter conquistado domínio sobre si mesmo e sobre o Mundo material. Uma harmonia básica é um requisito para a entrada nesse elevado Rito. As essências da experiência adquiridas através das Iniciações que precederam são aqui transformadas em poder anímico de tal força que uma tão esperada harmonia se torna a nota-chave da vida. O ser nunca mais explodirá numa experiência emocional, nem será indevidamente sacudido por eventos dolorosos ou agradáveis. Ele achou agora para sempre aquela profunda e intensa calma e paz à qual São Paulo se referiu quando disse que de fato nenhuma das coisas do mundo exterior o comoviam.
A esfera celestial chamada no ocultismo de Mundo dos Espíritos Virginais está refletida no oitavo Estrato da Terra. É nesse nível de vida que Deus diferencia dentro d´Ele as entidades que constituem uma Onda de Vida evolutiva. É desse plano que esses seres divinos em embrião entram em sua jornada evolutiva eterna através do tempo, espaço e matéria. Nesse estágio, os Espíritos Virginais possuem só consciência divina. O fim a ser atingido através de sua Involução dentro da matéria é a autoconsciência, quando o processo evolutivo o leva de volta à consciência Divina.
Na oitava Iniciação, o Iniciado é levado para muito além do mundo humano. As palavras são inadequadas para descreverem as maravilhas e as glórias daquele Mundo espiritual no qual ele é permitido entrar. A sublime música da Oitava Sinfonia transcreve algumas das maravilhas daquele Mundo.
Toda alma iluminada canta sua própria canção de realização. Essa canção é, às vezes, uma expressão de aspiração, busca, agonia, desilusão e mesmo de completa escuridão. Então, como a agonia continua, segue-se uma nova, fresca e sempre profunda dedicação, que culmina eventualmente numa vitória de completa conquista de si próprio. Essa foi a canção de alma que Moisés cantou na vitória do Mar Vermelho, uma vitória que se referiu não tanto a uma ocorrência física, mas a uma transmutação perfeita em seu interior. Outras canções de alma de tal alcance são os imortais Salmos de Davi e a melhor de todas as canções de amor, o 13º capítulo da 1ª Epístola aos Coríntios[86]. Também a Canção do Cisne de Lohengrin naquele magnífico drama musical que leva o seu nome.
É essa mesma Canção de Realização que é ouvida na Oitava Sinfonia de Beethoven composta não em palavras, mas na linguagem tonal trazida inspiradamente do mundo celeste do som. O Finale dessa Sinfonia ressoa toda a profunda alegria do Ser Emancipado. É a Canção de Alma daquele que aprendeu, por sua divindade inata, a reivindicar sua herança que é a Liberdade Cósmica. Essa é a nota-chave da oitava Iniciação e o elevado tema musical da Oitava Sinfonia.
O elevado trabalho dessa oitava Iniciação está exemplificado na música dessa Sinfonia que é tão suave, linda e cheia de tal corrente de força que parece cantar a habilidade de acalmar a violenta tempestade ou de remover montanhas de seus lugares. A música da Oitava Sinfonia é a expressão do Feminino altamente aperfeiçoado, aquele poder espiritual que o alquimista descreveu como o Feminino em Exaltação.
(Com Coro Final “Ode à Alegria” – poema de Schiller)
A música é a entrada não corpórea no mundo superior do conhecimento que abrange a humanidade, mas que a humanidade não pode compreender. Por sua transparente beleza de ideia, há pouco no mundo da música que possa se aproximar desta obra prima em beleza melódica. Suas ideias são tão ricas em variedade, tão delicadas em orquestração e, também, tão profundamente simpáticas, que deve ser um ouvinte endurecido de fato aquele que escuta este movimento sem alguma percepção de uma visão dos céus se abrindo e um olhar distante no mundo além deste. Aqui, temos Beethoven como um expoente do sublime … Ninguém pode negar que aqui está uma obra prima inigualável na tremenda vastidão de sua concepção e inigualável por sua originalidade, poder e belezas prodigamente espalhadas.
Autor Desconhecido
Mais de dez anos se passaram depois da performance inicial da Oitava Sinfonia antes que Beethoven trouxesse à luz sua sucessora, a Nona e última, em 7 de maio de 1824. Durante esse intervalo houve, evidentemente, uma profunda preparação em seu interior para poder criar o glorioso clímax que é a Nona Sinfonia.
Quando os Senhores do Destino procuram um mensageiro cuja missão beneficiará o mundo e elevará a humanidade, muito tempo e cuidado são dedicados à sua escolha. Precauções especiais são tomadas para que o escolhido não se transforme em uma presa das seduções do mundo material. Beethoven foi um mensageiro escolhido. Ele nasceu na pobreza e se criou sob as mais adversas circunstâncias. Todos os anos de sua vida foram cheios de solidão, desapontamento e desilusão com as coisas do mundo exterior.
Um mensageiro assim escolhido para uma grande missão no mundo raramente conhece as alegrias do companheirismo humano, que é privilégio da maioria dos mortais. Ele tem necessariamente que viver uma vida mais ou menos isolada. Muito tempo tem que ser gasto sozinho para que possa alcançar aquelas alturas inspiradas que o capacitará a se tornar um canal claro e livre para seu objetivo.
No funeral de Beethoven foi dito: “ele não tinha esposa para chorar por ele, filho, filha – mas o mundo todo lamenta junto ao seu ataúde”. A vida de uma pessoa como ele não está centrada em um, mas em muitos. Então, quando Beethoven chegou ao apogeu da vida, chegou para ele, de acordo com a compreensão humana, a maior desgraça que pode acontecer a um músico – a perda da audição. No entanto, do ponto de vista espiritual, talvez isso foi sua maior bênção. Ele era um mensageiro da gloriosa música celestial das Hierarquias Criadoras. Essa música é tão sublime e etérea que os sons dissonantes e desarmônicos da Terra não podiam obstruir e prejudicar sua pureza e beleza. E, assim, quando Beethoven perdeu sua audição física, ele se tornou cada vez mais sensível às harmonias dos planos internos e, por isso, um transmissor mais perfeito para essa música celeste. Muito embora o espírito possa estar ciente de seu elevado destino, enquanto ele está confinado dentro do corpo humano, terá que lutar com as limitações de seu instrumento mortal. E, assim, havia momentos em que Beethoven dava espaço à melancolia e ao desespero, às vezes, voltando-se contra o destino.
O verdadeiro propósito do sofrimento é servir de agente purificador e redentor. No livro “Luz no Caminho” lê-se que “antes que os olhos possam ver, eles devem ter perdido seu senso de separatividade, e que antes que os ouvidos possam ouvir, eles devem ter perdido sua sensibilidade, e que antes que os pés possam estar na presença dos Mestres, eles devem ser lavados no sangue do coração”.
Como Edward Carpenter[87] escreve sobre Beethoven em seu livro Angel´s Wings:“Embora sua vida exterior, pela surdez, doença, pelas preocupações financeiras e pela pobreza fosse despedaçada em mil miseráveis fragmentos, em seu grande coração ele abraçou toda a humanidade; penetrou intelectualmente em todas as falsidades até atingir a verdade e, em seu trabalho artístico, deu um esboço aos religiosos, aos humanos, aos democráticos, aos amores, ao companheirismo, às individualidades ousadas e a todos os altos e baixos do sentimento, o esboço de uma nova era da sociedade. Ele foi de fato e deu expressão a um novo tipo de ser humano. O que essa luta deve ter sido entre suas condições internas e externas – de seu “eu real” com os solitários e pobres arredores nos quais estava encarnado – nós só sabemos através de sua música. Quando nós a ouvimos, compreendemos a tradição antiga de que, de vez em quando, uma criatura divina dos céus distantes toma uma forma mortal e sofre para que isso possa abraçar e redimir a humanidade”.
A nota-chave espiritual da Nona Sinfonia é Consumação. Nove é o mais importante número relacionado com o presente estágio de evolução da humanidade. É o número da humanidade. É, também, o número da Iniciação, aquele reto e estreito caminho pelo qual o ser humano retorna à união com Deus.
Notou-se previamente que as Sinfonias de Beethoven retratam uma variedade de experiências. Essas experiências são recapituladas nos passos sempre ascendentes ao caminho espiritual da realização, cada repetição proporcionando força aumentada e glória de desdobramento da alma, até a consumação alcançada na divina unidade tão magnificamente interpretada pela Nona Sinfonia.
Como foi dito anteriormente, as Sinfonias ímpares corporificam os atributos masculinos e as pares, os femininos, enquanto a última, ou a Nona, os dois atributos são trazidos em perfeito equilíbrio, um estado de unidade que, em linguagem esotérica, é chamada de Matrimônio Místico. Essa união marca o supremo alcance do ser humano sobre as coisas terrenas. Beethoven captou o lindo coro do Querubim na glória da Nona Sinfonia para que os ouvidos humanos pudessem sentir a poderosa efusão de seu poder espiritual.
O escritor John Naglee Burk[88], em seu livro “Life and Works of Beethoven”, se refere a esses ecos celestiais como “murmúrios misteriosos”; então, é como se os murmúrios do mundo celestial que Beethoven interiormente percebia se tornaram cada vez mais claros e mais fortes; enquanto o tema inicial se desenvolvia, há “um crescendo de suspense até que o tema em si é revelado… e proclamado fortíssimo pela orquestra toda em uníssono. “Ninguém”, ele acrescenta, “igualou esse poderoso efeito – nem mesmo Wagner que teve por essa página em particular uma mística admiração e que, sem dúvida, lembrou-a quando descreveu a serenidade elementar do Reno de maneira muito parecida na abertura de O Anel dos Nibelungos”.
“A Nona Sinfonia”, escreve Ralph Hill[89] em seu trabalho intitulado The Symphony, “é comparável aos vigorosos trabalhos como a Eroica e a Quinta Sinfonia, num plano psicológico tonalmente diferente que levanta questões mais amplas do que nas composições sinfônicas anteriores de Beethoven. Cada um de seus movimentos é incomparável em poder construtivo e na extensão e magnitude de suas ideias musicais. A abertura é de um mistério e intensidade. De uma região na qual tudo parece nebuloso e mal definido emerge o primeiro tênue prenúncio de um tema que é presentemente atirado violentamente com a força dos raios de Júpiter. Essa abertura portentosa é em seguida reformulada… e o tema todo é transferido, ainda fortíssimo, para o tom de Si Bemol. Por enquanto, é a terminação desse tema gigante que temos e esse, em sequências que se elevam, marcha para frente sem remorso até encontrarmos a transição para o segundo tema que se supõe conter leve semelhança com a Alegria, tema do Finale”.
“É difícil se encontrar algo mais requintado em toda a música”, escreve E. Markham Lee[90] no livro “The Story of the Symphony”, “do que o movimento de abertura, tão serenamente simples e ao mesmo tempo tão majestoso em suas ideias. Tecnicamente, sua complexa manipulação do material é maravilhosa e suas qualidades expressivas… são excelentes”.
O segundo movimento, um Scherzo, embora realmente não rotulado assim, foi considerado por muitos críticos musicais como uma das mais notáveis realizações de Beethoven. Um escritor se referiu a seu “ágil modo de andar” como “fortemente misturado com uma mística veia, um pouco como uma dança”. Berlioz o comparou ao ar puro e claro que acompanha o nascer do Sol numa manhã brilhante de maio.
“As palavras nos faltam”, escreve Markham Lee, “para comentar adequadamente o Adagio (terceiro movimento), uma das mais perfeitas e lindas peças de música orquestral que já foram escritas”. Bernard Shore[91], falando desse terceiro movimento em seu trabalho “Sixteen Symphonies”, afirma que é música que “deve estar nos céus” e nota como o incomparável Toscanini[92] ao apresentar essa parte “fez todo o esforço para transferir o toque de brilhante e incisiva vitalidade para a mais silenciosa e suave ternura. ‘No Paraíso!’, ele exclamava. As cordas acariciam particularmente sua música e nunca foi permitido que se tornassem apaixonadas – só etéreas.
Os três primeiros movimentos da Nona Sinfonia estão no mais alto plano de toda a música. O tema de abertura do primeiro movimento é grandioso em inspiração, vigoroso em poder. O Scherzo é talvez o melhor de Beethoven. O Adagio começa com uma melodia de extrema nobreza – perfeito em curva e de uma serenidade maravilhosa. O sentimento de misticismo devoto e admiração aumenta até o coro final”.
Beethoven experimentou uma grande liberdade interior de espírito, um grande estado enlevado de alma. Consequentemente, ele foi capaz de transcrever para a audição humana a mais sublime música que esse mundo já conheceu. Sigmund Spaeth[93] em seu livro “A Guide to Great Orchestral Music” exprimiu perfeitamente: “A Sinfonia alcançou em Beethoven o seu apogeu. Durante o século que veio após o dele, grandes músicos compuseram muita música bonita na forma, mas nós temos só que contemplar Beethoven para compreender que o zênite está ultrapassado e que toda a música daí por diante é música numa longa tarde”.
Ludwig Von Beethoven foi um dos mais importantes evangelhos da Nova Era que vieram à Terra. Em cada uma e em todas as suas composições magníficas soa a nota da liberdade, da emancipação, da igualdade e da eventual e permanente conquista do bem sobre o mal.
Beethoven também mostrou sua completa harmonia com os impulsos da Nova Era em seu ideal de feminilidade e no profundo respeito e reverência que ele dedicou ao sexo feminino. Ele nunca pôde entender como Mozart pôde usar seu grande gênio retratando tantas mulheres superficiais e frívolas. Beethoven deu ao mundo só uma ópera, Fidélio[94], o fiel. Em sua heroína, Leonora, ele dá um quadro perfeito da mulher da Nova Era. Na última das três aberturas de Leonora, que é ouvida no ato final da ópera, está uma rapsódia descritiva da exaltação do Divino Feminino que tem que ser despertado em toda a humanidade antes que as verdades gloriosas que pertencem à Nova Era possam se tornar realidade sobre a Terra. A ópera Fidélio conclui com um triunfante Coral retratando o alegre dia em que a liberdade e a fraternidade se tornarão universais. São essas mesmas notas de Liberdade, Fraternidade e Universalidade que são ouvidas no coral com o qual ele conclui seu trabalho final e supremo, a Nona Sinfonia.
O cantor está traduzindo sua canção em canto, sua alegria em formas e o ouvinte tem que traduzir o canto de volta em alegria original; então, a comunhão entre o cantor e o ouvinte é completa. A alegria infinita está manifestando-se em múltiplas formas, levando em si a servidão da lei e preenche nosso destino quando voltamos da forma para a alegria, da lei para o amor, quando desatamos o nó do finito e voltamos para o infinito.
Rabindranath Tagore[95]
Como mencionado anteriormente, Beethoven foi um mensageiro selecionado para transcrever a música cósmica para a audição humana. Essa “pressão interna levou-o a escolher uma vida de autoabnegação e retidão. Ele via através, por cima e além das ilusões e tentações do mundo numa época, e entre pessoas amplamente entregues à busca do prazer”.
Por música cósmica, queremos dizer música das Hierarquias Celestes. Foi a música triunfal soada pelos Querubins e Serafins na celebração dos Ritos do Matrimônio Místico da nona Iniciação que Beethoven gravou no magnífico Coral da Nona Sinfonia.
A humanidade não poderá vivenciar a alta exaltação espiritual desse Rito até que tenha aprendido a construir e a viver em um Mundo Unificado – um mundo em que a Paternidade de Deus e a Irmandade dos Homens se tornará realidade. Promover o ideal da fraternidade universal foi seu supremo objetivo; para esse fim, seu grande gênio estava completamente dedicado.
Para o Coral, Beethoven usou o poema de Schiller[96], Ode à Alegria. Esse poema, que foi escrito durante a Revolução Francesa, apresenta em seu tema a Fraternidade Universal.
Ó, amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!
Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce voo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!
Alegremente, como seus sóis voem
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões, vocês estão ajoelhados diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora! [97]
Por razões políticas, Schiller não usa a palavra “Liberdade” e a substitui pela palavra alegria. Beethoven entendeu assim. Para ele, o poema era sua expressão de liberdade espiritual. Queria dizer a emancipação da alma; a liberdade do espírito de todas as limitações físicas e materiais. Significava liberdade para perambular à vontade através dos planos espirituais superiores, para contatar seres celestes que habitam aqueles planos e ouvir a gloriosa música das esferas.
No primeiro movimento, os céus emitem poderosos sons de evocação através do profundo misticismo do Ré Menor que é proclamado pela orquestra toda em uníssono. Mais tarde, o tema é repetido e a orquestra toca a mesma nota de triunfo em Ré Maior que nos diz musicalmente que as proclamações do coro celeste desceram ao plano terrestre.
O segundo movimento, Berlioz descreve em toda a sua inata beleza como parecendo com o “efeito do ar fresco da manhã e os primeiros raios do sol nascente de maio”.
O Adagio se expressa em variações de crescente complexidade e ornamentação melódica daquela rara e indescritível beleza que caracteriza Beethoven no seu apogeu. Cada movimento de suas Sinfonias é uma divina aventura em espírito. O Espírito, quando despertado (iluminado), não pode estar completamente satisfeito com apenas as dádivas que este plano físico tem para oferecer.
O Finale nos fala sobre isso. Ele questiona e procura avidamente por mais luz. Uma sugestão dessa alta realização cantada pelo tema coral ecoa suavemente nas madeiras de sopro. O tema é então gradualmente desdobrado em Ré Maior (ainda uma experiência no plano terrestre).
No quarto movimento, Beethoven, pela primeira vez, introduz palavras numa Sinfonia. A “Ode à Alegria” de Schiller é a base do Finale cantada por solo, quarteto e pelo coro. Beethoven usou essa Ode para expressar solidariedade humana. Esse coro sublime eleva a Terra para perto do Céu e aproxima os seres celestiais em comunhão mais íntima com os mortais. Ela soa a mais alta nota-chave da realização humana que é a emancipação própria.
A nona Iniciação conduz ao coração da Terra. Nesse centro, está refletido o plano espiritual mais elevado, o Mundo de Deus. Esse é um plano onde reside o Absoluto. Aqui, o Espírito se une com a matéria, o finito funde-se com o Infinito e Deus e o ser humano se encontram face a face.
É aqui que os Deuses de outros Sistemas Planetários comungam com o Deus deste Sistema. É aqui que os sagrados Mistérios da Criação são revelados. Nenhuma música que tenha sido dada a este Planeta pode traduzir a maravilha e a glória dessa sublime experiência, excetuando o magnífico Coral com o qual o mestre Beethoven conclui a Nona Sinfonia.
O diagrama 18 do livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” mostra a escada de ascensão celestial. Poucos existem sobre a Terra que tenham alcançado seus mais altos degraus. Somente aqueles que trocaram o pessoal pelo impessoal, o terrestre pelo celeste, o humano pelo divino e que se tornaram verdadeiramente indivíduos Cristianizados alcançando as mais elevadas esferas da consciência. Porém, esse é o alto e glorioso destino que está esperando por toda a humanidade até que ela se faça merecedora da ascensão divina.
Na Noite Santa, quando a nona Iniciação é celebrada, inumeráveis hostes angélicas enchem o ar com sua canção de êxtase. Os ecos dessa gloriosa música dos céus foram captados por Beethoven e dados ao mundo no sublime Coral de sua grande Nona Sinfonia.
No coração da Terra, há três centros de poder que se relacionam com os três centros principais no corpo-templo humano, que são a cabeça, o coração e os órgãos reprodutivos. Entre a cabeça e os centros reprodutores há uma íntima relação. Entre esses dois pontos focais das energias criadoras, há uma constante corrente de força vital sagrada. Ela toma a forma de lemniscata, o ponto de junção sendo o coração. Um modelo igual de energias criadoras divinas está em ação dentro do coração da Terra.
A participação na nona Iniciação é possível somente depois que as correntes acima descritas alcançaram um estado de perfeito equilíbrio, com a Mente espiritualmente iluminada, o Coração um transmissor da ainda pequena voz interna e o centro reprodutor um assento da força vital regenerada. Essa realização alcança o clímax se encontrando face a face com o supremo Senhor deste mundo, o Abençoado Cristo. É essa a gloriosa experiência que espera a alma que alcança o nono degrau da escada da vida, a nona Iniciação.
A única música que pode adequadamente descrever o êxtase da alma dessa experiência é a magia que Beethoven teve o sucesso de tecer na Nona Sinfonia. É só por meio dessa música celestial que sua importância espiritual pode ser entoada. É música que pode vir somente da mais profunda experiência espiritual da qual o ser humano é capaz de registrar em sua presente e limitada existência. É a principal dádiva sem preço de um mágico à humanidade para ajudar em sua realização consciente e inconsciente para cima, para recapturar algo mais do seu puro estado divino.
Com a composição da Nona Sinfonia, o trabalho de Beethoven estava completo; seu destino se cumpriu. Esse é o seu canto do cisne, sua mais magnífica realização. Essa composição incomparável, como foi dito anteriormente, foi dada ao mundo em 1824. Três anos mais tarde, em 1827, ele recebeu a chamada para subir. Então, sem dúvida, ele também se tornou capaz de estar diante da divina presença e ouvir as palavras benignas que têm soado através dos tempos, “Muito bem, servo bom e fiel! Vem alegrar-te com o teu Senhor!”[98].
F I M
[1] N.T.: da obra The Unconscious Beethoven (de 1927) de Ernest Newman (1868-1959) que foi um crítico musical e musicólogo inglês.
[2] N.T.: Composição musical para orquestra, em forma de sonata, dividida em três ou quatro partes (alegro, andante, scherzo ou minueto e final ou rondó).
[3] N.T.: Os titãs (masculino), na mitologia grega, estão entre as entidades que enfrentaram Zeus e os demais deuses olímpicos na sua ascensão ao poder.
[4] N.T.: ou Prometeu (em grego: “antevisão”), na mitologia grega, filho de Jápeto (filho de Urano; um incesto entre Urano e Gaia) e irmão de Atlas, Epimeteu e Menoécio. Algumas fontes citam sua mãe como sendo Tétis, enquanto outras, como Pseudo-Apolodoro, apontam para Ásia oriental, também chamada de Clímene, filha de Oceano. Foi um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência, responsável por roubar o fogo de Héstia e dá-lo aos mortais.
[5] N.T.: da obra Ludwig Van Beethoven de Edmond Bordeaux Szekely (1905-1979) que foi um filólogo/linguista húngaro, filósofo, psicólogo e entusiasta da vida natural.
[6] N.T.: da obra Beethoven de Wilhelm Richard Wagner (1813—1883) que foi um maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão, primeiramente conhecido por suas óperas (ou “dramas musicais”, como ele posteriormente chamou).
[7] N.T.: Johann Gottfried von Herder (1744–1803) foi um filósofo, teólogo, poeta e crítico literário alemão.
[8] N.T.: Maestro e escritor americano (1900-1962)
[9] N.T.: A Divina Comédia (em italiano: La Divina Commedia, originalmente Comedìa e, mais tarde, denominada Divina Comédia por Giovanni Boccaccio) é um poema de viés épico e teológico da literatura italiana e mundial, escrito por Dante Alighieri no século XIV e dividido em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. A Divina Comédia propõe que a Terra está no meio de uma sucessão de círculos concêntricos que formam a Esfera armilar e o meridiano onde é Jerusalém hoje, seria o lugar atingido por Lúcifer ao cair das esferas mais superiores e que fez da Terra Santa o Portal do Inferno. Portanto o Inferno, responderia pela depressão do Mar Morto, onde todas as águas convergem, e o Paraíso e o Purgatório seriam os segmentos dos círculos concêntricos que juntos respondem pela mecânica celeste e os cenários comentados por Dante, num poema envolvendo todos os personagens bíblicos do Antigo ao Novo Testamento, que são costumeiramente encontrados nas entranhas do Inferno sendo que os personagens principais da Divina Comédia são o próprio autor, Dante Alighieri, que realiza uma jornada espiritual pelos três reinos do além-túmulo, e seu guia e mentor nessa empreitada, Virgílio – o próprio autor da Eneida.
[10] N.T.: Dante Alighieri (1265-1321) foi um escritor, poeta e político florentino, nascido na atual Itália. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana.
[11] N.T.: Paraíso Recuperado (em inglês: Paradise Regained) é um livro do século XVII do poeta inglês John Milton, publicado em 1671. É, por assim dizer, uma continuação de seu anterior livro “Paraíso Perdido”. O poema foi composto na casa de Milton em Chalfont St Giles em Buckinghamshire, e foi baseado no Evangelho de Lucas.
[12] N.T.: John Milton (1608-1674) foi um poeta, polemista, intelectual e funcionário público inglês, servindo como Secretário de Línguas Estrangeiras da Comunidade da Inglaterra sob Oliver Cromwell. Escreveu em um momento de fluxo religioso e agitação política, e é mais conhecido por seu poema épico Paraíso Perdido. Paraíso Perdido (em inglês: Paradise Lost) é um poema épico do século XVII, escrito por John Milton, originalmente publicado em 1667 em dez cantos. Uma segunda edição foi publicada em 1674 em doze cantos, com pequenas revisões do autor. O poema narra as penas dos Anjos caídos após a rebelião no paraíso, o ardil de Satanás para fazer Adão e Eva comerem o fruto proibido da Árvore do Conhecimento, e a subsequente Queda do homem. Após uma invocação à Musa, o poeta descreve brevemente a rebelião dos Anjos liderados por Lúcifer, a qual, fracassada, lhes custou o paraíso. Despertando no inferno depois de nove dias de confusão, estes deliberam sobre o que fazer, e Lúcifer, daí por diante chamado Satanás (do hebraico Satan: adversário), faz saber de um novo mundo e uma nova criatura – o homem – que seriam criados por Deus. Os demônios decidem corromper esse novo ser e desviá-lo do Criador, seu inimigo. Entrementes, no paraíso, Deus segreda a seu Filho a iminente transgressão do homem e todo o sofrimento que se lhe seguirá, e o Filho se oferece a si mesmo em sacrifício pela redenção da humanidade. Para assegurar que o homem seja responsável por seus atos, Deus envia um Anjo para notificar Adão e Eva do perigo; no entanto, a despeito da advertência, Eva é seduzida por Satanás, então no corpo de uma serpente, e come o fruto proibido, fazendo-o comer também a Adão. Os pais da humanidade são expulsos do Jardim do Éden e tomam conhecimento, como toda a sua descendência, do pecado e da morte; mas uma revelação do futuro consola o primeiro homem, que testemunha o nascimento e a morte do Cristo e a remissão dos nossos pecados.
[13] N.T.: Louis-Hector Berlioz (1803-1869) foi um compositor e maestro romântico francês.
[14] N.T.: Ernest Markham Lee (1874-1976) foi compositor, autor, conferencista, pianista e organista inglês.
[15] N.T.: Um movimento é uma parte independente de uma composição ou forma musical. Enquanto movimentos individuais ou selecionados de uma composição são realizados às vezes separadamente, uma execução do trabalho completo exige que todos os movimentos sejam executados em sucessão. Um movimento é uma seção, “uma grande unidade estrutural percebida como resultado da coincidência de um número relativamente grande de fenômenos estruturais”.
[16] N.T.: Allegro (“alegre” em italiano) – (120-128 BPM – batidas por minuto) – é um andamento musical leve e ligeiro, mais rápido que o allegretto (112-120 BPM – batidas por minuto) e mais lento que o presto (168-200 BPM – batidas por minuto, muito rápido). Costuma ser de maior dificuldade técnica que andante (176-108 BPM – batidas por minuto, ritmo de caminhada) ou adagio (66-76 BPM – batidas por minuto, devagar) por ter caráter mais contínuo e rápido que esses citados. É muitas vezes o movimento mais lembrado de Sinfonias e de concertos por ter uma movimentação musical mais engajadora e uma construção mais focada no desenvolvimento da invenzio apresentada do que em outros tempos mais melódicos (como adagio e andante).
[17] N.T.: Adágio é um andamento musical lento, por consequência composições musicais com esse tempo são conhecidas como adágios. O termo deriva de “ad agio” (comodamente). Costuma situar-se entre 66 e 76 batidas por minuto em um metrônomo tradicional, sendo, portanto, mais rápido que o lento e mais lento que o adagietto (72-76 BPM – batidas por minuto, bastante devagar, ligeiramente mais rápido que o adagio)e o andante. São comumente adágios o segundo mine e o segundo ou terceiro movimento de uma Sinfonia.
[18] N.T.: Denomina-se Andante o tempo depois de ter um andamento que se forma um trecho musical. É o andamento que vai determinar com precisão a duração do som ou do silêncio representado pelas figuras musicais.
[19] N.T.: Minueto ou minuet é uma dança em compasso de 3/4, de origem francesa ou uma composição musical que integra suítes e Sinfonias.
[20] N.T.: O scherzo (no plural scherzi, pronunciados isquêrtso, isquêrtsi) é um gênero musical de nome dado a certas obras ou a alguns movimentos de uma composição que possui maior duração, como uma sonata ou uma Sinfonia. Significa “piada” em italiano. Frequentemente se refere a um movimento que substitui o minueto como o terceiro movimento em um trabalho de quatro movimentos, como uma Sinfonia, sonata, ou quarteto de cordas.
[21] N.T.: Um Finale é o último movimento de uma Sonata, Sinfonia ou Concerto; o final de uma peça de música clássica não vocal que tem vários movimentos.
[22] N.T.: Na notação musical, um compasso é uma forma de dividir quantitativamente em grupos os sons de uma composição musical, com base em batidas e pausas.
[23] N.T.: O rondó é uma forma musical instrumental, que começou a ser mais claramente estabelecida em meados do Barroco Musical (2. med. séc. XVII), mas foi solidificada durante a transição entre Barroco e Classicismo Musical (1. med. séc. XVIII). No plano estrutural genérico, essa forma envolve a presença de diversas seções musicais (indicadas por letras maiúsculas) com variedade em número e conteúdo, começando e terminando com uma seção principal (A), que é normalmente reiterada durante peça, mas alternando com uma ou mais seções secundárias (B, C, D, etc.).
[24] N.T.: Métrica, em música, é a divisão de uma linha musical em compassos marcados por tempos fortes e fracos, representada na notação musical ocidental por um símbolo chamado de fórmula de compasso.
[25] N.T.: também chamado de naipe das madeiras em uma orquestra, é formado basicamente por instrumentos de sopro, como flauta, flautim, oboés, corne inglês, clarinetes, fagotes e contrafagotes. As flautas doces, por exemplo, são de metal, assim como o saxofone. E para quem estranha o saxofone estar nessa família, explicamos: apesar de feito de metal, suas características de funcionamento se assemelham às dos instrumentos do naipe de madeira. Já a flauta, até pouco tempo atrás, era de madeira, então mesmo quando surgiram as versões metálicas elas permaneceram nesta família. Com isso, podemos concluir que os instrumentos não são definidos pela matéria prima e sim pelo funcionamento, principalmente pelas palhetas e pelo sistema de chaves. Na orquestra, a família das madeiras fica no centro, em frente ao maestro e logo acima e atrás das cordas. Geralmente as flautas e oboés vem primeiro e os clarinetes e fagotes logo atrás, em frente aos metais. Esses instrumentos são responsáveis pela ligação entre as cordas e os metais e ajudam a manter a afinação da orquestra.
[26] N.T.: também conhecido como naipe de cordas. Diversos instrumentos utilizam as cordas para emitir música e eles são divididos em três categorias: a família das cordas friccionadas, a das cordas dedilhadas e a das cordas percutidas. Na primeira, o som resulta principalmente do atrito do arco com as cordas, a exemplo dos violinos, da viola, da rabeca, do armontino e do cello. Na segunda, é o dedilhar dos dedos ou das palhetas que extrai a música, como no violão, na guitarra, no alaúde, no baixo, no bandolim, no cavaquinho, na cítara, na harpa e no ukulelê. Por fim, na terceira categoria, o som é emitido quando as cordas são percutidas, como no piano, no cravo e no berimbau. Além dessa classificação, há uma enorme diferença no tamanho dos instrumentos. Isso ocorre porque quanto maior, mais grave é o som que emite (e vice-versa). Por isso, como o violino é o menor instrumento da sua família, é também o que produz o som mais agudo, seguido da viola, do violoncelo e do contrabaixo. Na orquestra, os violinos ainda são divididos em duas vozes, os primeiros e os segundos violinos, e localizam-se logo à esquerda do maestro. Já a viola fica à frente do regente, o cello à direita e o contrabaixo logo atrás do violoncelo.
[27] N.T.: que pertence ao naipe dos metais: é formado basicamente por instrumentos de sopro, como a corneta, a surdina, a trompa, o eufônio, o clarim, a vuvuzela, o berrante, o melofone, a bucina, entre outros. Mas os representantes mais conhecidos são o trompete, a trompa, a tuba e o trombone.
[28] N.T.: que pertence ao naipe da percussão: é dividido em dois grupos. O primeiro reúne instrumentos que emitem mais de uma nota musical, como marimba, tímpano, xilofone, glockenspiel, metalofone e carrilhão; e o segundo é formado pelos que produzem apenas uma nota, como pratos, triângulo, pandeiro e bombo.
[29] N.T.: Livro do Gênesis, Capítulo 1.
[30] N.T.: andamento musical moderadamente lento (60-66 BPM – batidas por minuto). Menos lento que o largo (40-60 BPM – batidas por minuto).
[31] N.T.: Oberon ou Oberão é o rei dos elfos, é um dos principais personagens de William Shakespeare, aparecendo em sua obra Sonhos de Uma Noite de Verão. Esposo de Titania.
[32] N.T.: é uma cidade independente do estado da Saxónia na Alemanha.
[33] N.T.: ou Julie Guicciardi (1784-1856) foi uma condessa austríaca e brevemente aluna de piano de Ludwig van Beethoven. Ele dedicou a ela sua Sonata para Piano nº 14, mais tarde conhecida como Sonata ao Luar
[34] N.T.: Marion Margaret Scott (1877-1953) foi uma violinista, musicóloga, escritora, crítica musical, editora, compositora e poetisa inglesa.
[35] N.T.: Heiligenstadt foi um município independente até 1892 e hoje faz parte de Döbling, o 19º distrito de Viena. Nos meses de verão, Heiligenstadt era um ponto turístico. Ludwig van Beethoven viveu lá de abril a outubro de 1802, enquanto enfrentava sua crescente surdez. Foi um momento difícil para o compositor.
[36] N.T.: A Avenue des Champs-Élysées é uma prestigiada avenida de Paris, na França.
[37] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense.
[38] N.T.: Ésquilo foi um trágico grego antigo e, muitas vezes, é descrito como o pai da tragédia.
[39] N.T.: Sófocles (497 ou 496 A.C.- 406 ou 405 A.C) foi um dramaturgo grego, um dos mais importantes escritores de tragédia ao lado de Ésquilo e Eurípedes, dentre aqueles cujo trabalho sobreviveu. Suas peças retratam personagens nobres e da realeza.
[40] N.T.: Homero foi um poeta épico da Grécia Antiga, ao qual tradicionalmente se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada e Odisseia.
[41] N.T.: Públio Virgílio Maro ou Marão (70 A.C.-19 a.C.) foi um poeta romano clássico, autor de três grandes obras da literatura latina, as Éclogas (ou Bucólicas), as Geórgicas, e a Eneida.
[42] N.T.: Gioachino Antonio Rossini (1792-1868) foi um compositor erudito italiano, muito popular em seu tempo, que criou 39 óperas, assim como diversos trabalhos para música sacra e música de câmara. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão Il barbiere di Siviglia (“O Barbeiro de Sevilha”), La Cenerentola (“A Cinderela”) e Guillaume Tell (“Guilherme Tell”).
[43] N.T.: em italiano significa “heroica”.
[44] N.T.: Sl 30:5
[45] N.T.: Romain Rolland (1866-1944) foi um novelista, biógrafo e músico francês.
[46] N.T.: John Pitts Sanborn (1879–1941) foi um crítico musical, poeta, romancista estadunidense.
[47] N.T.: Dn 3:16-18
[48] N.T.: Pb 16:32
[49] N.T.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. A ópera se passa nas legendárias colinas do Monte Salvat, na Espanha, onde vive uma fraternidade de cavaleiros do Santo Graal. O mago negro Klingsor teria construído um jardim mágico povoado com mulheres que, com seus perfumes e trejeitos, seduziriam os cavaleiros e fariam com que eles quebrassem seus votos de castidade, e teria ferido Amfortas, rei do Graal, com a lança que perfurou o flanco de Cristo, e todas as vezes em que Amfortas olha em direção ao Graal sente a ferida arder. Tal redenção só poderia ser realizada por um “inocente casto” (significado da palavra “Parsifal”). Este, em sua primeira aparição na ópera, surge ferindo um dos cisnes que purificavam a água do banho de Amfortas, e a todas as perguntas que os cavaleiros lhe fazem responde dizendo que não sabe de nada, nem ao menos seu nome. Parsifal atravessa o jardim mágico de Klingsor e é seduzido pela amazona Kundry, que ora é uma fiel serva do Graal, ora é escrava de Klingsor. Ao beijá-la, sente os estigmas das feridas que afligiam Amfortas e, quando Klingsor atira a lança contra ele, a lança dá a volta em seu corpo, e todo o castelo mágico é destruído. Tempos depois, tendo os cavaleiros se convencido de que ele é o “inocente casto” que faria a salvação, Parsifal cura as feridas de Amfortas e o destrona, assumindo a nova condição de rei do Graal.
[50] N.T.: Robert Alexander Schumann (1810-1856) foi um pianista, compositor e crítico musical alemão.
[51] N.T.: Romain Rolland (1866-1944) foi um novelista, biógrafo e músico francês.
[52] N.T.: Alexander Wheelock Thayer (1817-1897) foi um bibliotecário e jornalista americano que se tornou o autor da primeira biografia acadêmica de Ludwig van Beethoven, ainda após muitas atualizações considerada uma obra padrão de referência sobre o compositor.
[53] N.T.: Francesca da Rimini (Francisca da Polenta) (1255–1285) foi uma nobre medieval italiana, filha de Guido da Polenta, governante de Ravena, fonte de inspiração de Dante Alighieri, que a retratou na Divina Comédia. Seu pai, Guido da Polenta, era o governante da cidade e estava em guerra com a família Malatesta, de Rimini. Quando as famílias negociaram um acordo de paz, por conveniência, Guido concedeu Francesca em casamento para Giovanni Malatesta (Gianciotto), o filho mais velho de Malatesta da Verucchio, lorde de Rimini. Giovanni era um homem culto, porém de péssima aparência e tinha o corpo deformado. Guido sabia que Francesca não concordaria com o casamento de modo que ele foi realizado por procuração através do irmão mais novo, Paolo Malatesta, que era jovem e bonito. Francesca e Paolo não demoraram a se apaixonar. De acordo com Dante, Francesca e Paolo foram seduzidos pela leitura da história de Lancelote e Ginevra, e se tornaram amantes. Posteriormente foram surpreendidos e assassinados por Giovanni. Dante utilizou o romance de Lancelot, a fim de caber no âmbito do regime de amor poesia lírica, que emula Francesca no Canto V do Inferno.
[54] N.T.: A Divina Comédia (em italiano: La Divina Commedia, originalmente Comedìa e, mais tarde, denominada Divina Comédia por Giovanni Boccaccio) é um poema de viés épico e teológico da literatura italiana e mundial, escrito por Dante Alighieri no século XIV e dividido em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso.
[55] N.T.: Chama-se de andamento o grau de velocidade do compasso. No italiano, idioma utilizado tradicionalmente na música, andamento se traduz como tempo, frequentemente usado como marca em partituras. Por exemplo o Allegrissimo ou Allegro vivace – é muito rápido: 172–176 bpm (batidas
por minuto).
[56] N.T.: Ashlar é a melhor unidade de alvenaria de pedra, geralmente cuboide retangular, mencionada por Vitruvius como opus isodomum, ou menos frequentemente trapezoidal. Cortado com precisão “em todas as faces adjacentes às de outras pedras”, o silhar é capaz de fazer juntas muito finas entre os blocos, e a face visível da pedra pode ter a face da pedreira ou apresentam uma variedade de tratamentos: trabalhado, polido suavemente ou processado com outro material para efeito decorativo. Os blocos de Ashlar têm sido usados na construção de muitos edifícios como uma alternativa ao tijolo ou outros materiais. A palavra é atestada no inglês médio e deriva do francês antigo aisselier, do latim axilla, diminutivo de axis, que significa “prancha”.
[57] N.T.: ou Elihu é um crítico de Jó e seus três amigos no Livro de Jó da Bíblia Hebraica. Diz-se que ele era filho de Barachel e descendente de Buz, que pode ter sido da linha de Abraão (Gn 22:20-21 menciona Buz como sobrinho de Abraão). Eliú é apresentado em Jó 32:2, no final do Livro de Jó. Seus discursos compreendem os capítulos 32-37, e ele abre seu discurso com mais modéstia do que os outros consoladores. Eliú se dirige a Jó pelo nome (Jó 33:1, 33:31, 37:14) e suas palavras diferem daquelas dos três amigos em que seus monólogos discutem a providência divina, que ele insiste estar cheia de sabedoria e misericórdia. O prefácio do narrador Jó 32:4-5 e as próprias palavras de Eliú em Jó 32:11 indicam que ele estava ouvindo atentamente a conversa entre Jó e os outros três homens. Ele também admite seu status como alguém que não é um ancião (32:6-7). Como revela o monólogo de Eliú, sua raiva contra os três anciãos era tão forte que ele não conseguia se conter (32:2-4). Um “jovem raivoso”, ele critica tanto Jó quanto seus amigos: Tenho palavras para responder a você e seus amigos também. Eliú afirma que os justos têm sua parte de prosperidade nesta vida, não menos que os ímpios. Ele ensina que Deus é supremo, e que a pessoa deve reconhecer e se submeter a essa supremacia por causa da sabedoria de Deus. Ele extrai exemplos de benignidade, por exemplo, das constantes maravilhas da criação e das estações. Os discursos de Elihu terminam abruptamente e ele desaparece “sem deixar rastro”, no final do Capítulo 37.
[58] N.T.: do poema “Invictus” do poeta inglês William Ernest Henley (1849–1903).
[59] N.T.: Pb 23:7
[60] N.T.: Oliver Joseph Lodge (1851-1940) foi um físico e escritor inglês.
[61] N.T.: Em um ritmo rápido e com espírito (literalmente “com brilho”) (87 a 174 BPM)
[62] N.T.: Andamento com movimento, confortável, relaxado, sem pressa (69 a 84 BPM)
[63] N.T.: (que traduzindo do idioma italiano para o português quer dizer cauda) é a seção com que se termina uma música. Nessa seção o compositor ou arranjador poderá ou não utilizar ideias musicais já apresentadas ao longo da composição
[64] N.T.: Pb 16:32
[65] N.T.: Ef 4:22-23
[66] N.T.: George Gordon Byron (1788-1824), conhecido como Lord Byron, foi um poeta britânico e uma das figuras mais influentes do romantismo.
[67] N.T.: Elie Émile Gabriel Poirée (1850-1925) – compositor e crítico musical francês
[68] N.T.: Paul Marie Théodore Vincent d’Indy (1851-1931) foi um compositor e professor francês.
[69] N.T.: Nascido John Pitts (187-1941) foi um crítico de música, poeta e novelista estadunidense.
[70] N.T.: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
[71] N.T.: Franz Liszt (1811-1886) foi um compositor, pianista, maestro, professor e terciário franciscano húngaro do século XIX. Seu nome em húngaro é Liszt Ferenc.
[72] N.T.: conhecido por suas longas escalas ascendentes e uma série em cascata de dominantes aplicadas que facilitam as modulações em C maior e Fá maior. (marca do metrônomo: semínima = 69)
[73] N.T.: Vivace é utilizado como um andamento musical indicando que um movimento tem cadência com vivacidade e, portanto, está em um andamento rápido. Difere do Allegro e outros movimentos rápidos por seu carácter dançante, geralmente também é escrito em 3/4 ,3/8 e variantes. Nas sonatas e concertos costuma ser o último movimento por ser mais leve.
[74] N.T.: Angela Isadora Duncan (1877- 1927) foi uma coreógrafa e bailarina norte-americana, considerada a precursora da dança moderna.
[75] N.T.: Coribantes eram divindades menores na mitologia grega, cujos centros de culto antigos encontravam-se nas ilhas de Rodes e Cós e no interior anatólico.
[76] N.T.: Cibele era uma deusa originária da Frígia. Designada como “Mãe dos Deuses” ou Deusa mãe, simbolizava a fertilidade da natureza.
[77] N.T.: Gibran Khalil Gibran (1883-1931), também conhecido como Khalil Gibran (em inglês, referido como Kahlil Gibran[a]) foi um ensaísta, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa, também considerado um filósofo, embora ele mesmo rejeitou esse título.
[78] N.T.: Philip Hale (1854-1934) foi um crítico de música norte-americano.
[79] N.T.: Romain Rolland (1866-1944) foi um novelista, biógrafo e músico francês.
[80] N.T.: Hector Berlioz (1803-1869) foi um compositor romântico francês.
[81] N.T.: Percy Bysshe Shelley (1792-1822) foi um dos mais importantes poetas românticos ingleses.
[82] N.T.: Prometheus Unbound é um drama lírico em quatro atos de Percy Bysshe Shelley, publicado pela primeira vez em 1820. Trata-se dos tormentos da figura mitológica grega Prometeu, que desafia os deuses e dá fogo à humanidade, pelo qual é submetido ao castigo eterno e sofrimento nas mãos de Zeus.
[83] N.T.: Sir George Grove CB (1820-1900) foi um engenheiro e escritor inglês sobre música, conhecido como o editor fundador do Grove’s Dictionary of Music and Musicians.
[84] N.T.: Martin Gustav Nottebohm (1817-1882) foi um pianista, professor, editor musical e compositor que passou a maior parte de sua carreira em Viena. Ele é particularmente celebrado por seus estudos de Beethoven.
[85] N.T.: Cristo Jesus, ouvindo isso, partiu dali, de barco, para um lugar deserto, afastado. Assim que as multidões o souberam, vieram das cidades, seguindo-o a pé. Assim que desembarcou, viu uma grande multidão e, tomado de compaixão, curou os seus doentes. Chegada a tarde, aproximaram-se dele os seus discípulos, dizendo: “O lugar é deserto e a hora já está avançada. Despede as multidões para que vão aos povoados comprar alimento para si”. Mas, Cristo Jesus lhes disse: “Não é preciso que vão embora. Dai-lhes vós mesmos de comer”. Ao que os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. Disse Cristo Jesus: “Trazei-os aqui”. E, tendo mandado que as multidões se acomodassem na grama, tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos ao céu e abençoou. Em seguida, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos às multidões. Todos comeram e ficaram saciados, e ainda recolheram doze cestos cheios dos pedaços que sobraram. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. (Mt 14:13-21)
[86] N.T.: Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se eu não tivesse a caridade, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine. Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse a caridade, eu nada seria. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria. A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais passará. Quanto às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas, cessarão. Quanto à ciência, também desaparecerá. Pois o nosso conhecimento é limitado, e limitada é a nossa profecia. Mas, quando vier a perfeição, o que é limitado desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio da criança. Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido. Agora, portanto, permanecem fé, esperança, caridade, essas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade. (ICor 13:1-13)
[87] N.T.: Edward Carpenter (1844-1929) foi um poeta inglês, socialista, filósofo, antologista e um dos primeiros ativistas políticos.
[88] N.T.: (1891-1967) escritor estadunidense.
[89] N.T.: (1900-1950) foi um escritor sobre música inglês.
[90] N.T.: Ernest Markham Lee (1874-1956) foi um compositor, autor, conferencista, pianista e organista inglês.
[91] N.T.: (1896-1985) foi um violista e autor inglês.
[92] N.T.: Arturo Toscanini (1867-1957) foi um maestro italiano. Um dos mais aclamados músicos do século XIX e XX, ele foi renomado pela sua brilhante intensidade, seu inquieto perfeccionismo, seu fenomenal ouvido para detalhes e sonoridade da orquestra e sua memória fotográfica. Ele é especialmente considerado um competente intérprete das obras de Giuseppe Verdi, Ludwig van Beethoven, Johannes Brahms e Richard Wagner.
[93] N.T.: Sigmund Gottfried Spaeth (1885-1965) foi um musicólogo americano.
[94] N.T.: Fidelio (em português Fidélio), Op. 72b, é um Singspiel em dois atos, de Ludwig van Beethoven, com libretto de Joseph Sonnleithner e Georg Friedrich Treitschke baseado no libreto de Léonore ou L’Amour Conjugal (1798), peça em “prosa entremeada de canto”, de Jean-Nicolas Bouilly, baseada nas memórias do autor sobre os acontecimentos da França durante o Terror, quando ele era promotor público do Tribunal Revolucionário de Tours.
[95] N.T.: (1861-1941) foi um polímata bengali que trabalhou como poeta, escritor, dramaturgo, compositor, filósofo, reformador social e pintor.
[96] N.T.: Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759-1805), mais conhecido como Friedrich Schiller, foi um poeta, filósofo, médico e historiador alemão. Schiller foi um dos grandes homens de letras da Alemanha do século XVIII e, assim como Goethe, Wieland e Herder, é um dos principais representantes do Classicismo de Weimar, e é tido como um dos precursores do Romantismo alemão. Sua amizade com Goethe rendeu uma longa troca de cartas que se tornou famosa na literatura alemã.
[97] N.T.: o original em alemão:
O Freunde, nicht diese Töne!
Sondern laßt uns angenehmere
anstimmen und freudenvollere.
Freude! Freude!
Freude, schöner Götterfunken
Tochter aus Elysium,
Wir betreten feuertrunken,
Himmlische, dein Heiligtum!
Deine Zauber binden wieder
Was die Mode streng geteilt;
Alle Menschen werden Brüder,
Wo dein sanfter Flügel weilt.
Wem der große Wurf gelungen,
Eines Freundes Freund zu sein;
Wer ein holdes Weib errungen,
Mische seinen Jubel ein!
Ja, wer auch nur eine Seele
Sein nennt auf dem Erdenrund!
Und wer’s nie gekonnt, der stehle
Weinend sich aus diesem Bund!
Freude trinken alle Wesen
An den Brüsten der Natur;
Alle Guten, alle Bösen
Folgen ihrer Rosenspur.
Küsse gab sie uns und Reben,
Einen Freund, geprüft im Tod;
Wollust ward dem Wurm gegeben,
Und der Cherub steht vor Gott.
Froh, wie seine Sonnen fliegen
Durch des Himmels prächt’gen Plan,
Laufet, Brüder, eure Bahn,
Freudig, wie ein Held zum Siegen.
Seid umschlungen, Millionen!
Diesen Kuß der ganzen Welt!
Brüder, über’m Sternenzelt
Muß ein lieber Vater wohnen.
Ihr stürzt nieder, Millionen?
Ahnest du den Schöpfer, Welt?
Such’ ihn über’m Sternenzelt!
Über Sternen muß er wohnen.
[98] N.T.: Mt 25:23
De tempos em tempos, Estudantes de ocultismo de diversas partes do mundo nos perguntam qual deveria ser a atitude deles perante a guerra[1] e qual o propósito dela sob o ponto de vista espiritual. Já indicamos a posição dos Ensinamentos Rosacruzes referentes ao objetivo da guerra em vários artigos nossos, qual seja: para as pessoas se voltarem para Deus pela consolação devido à profunda angústia, tristeza e arrependimento delas, e para romper o véu que existe entre os Mundos visível e invisíveis, ajudando um considerável número de pessoas a adquirir a visão espiritual e a capacidade de se comunicar com aqueles que já passaram para o além. Mas, embora as explicações fornecidas satisfaçam a maioria dos Estudantes de ocultismo em até certo ponto, outros há que não se convenceram ainda; eles procuram algo mais diretamente relacionado com as condições estabelecidas. (trecho da Carta aos Estudantes nº 92).
É isso que trataremos nesse livreto.
Há 2 meios de você acessar esse livreto:
1.Em formato PDF (para download): O Lado Oculto da Guerra – Uma Operação de Catarata Espiritual – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – em PDF
2. Em forma audiobook ou audiolivro:
3.Em forma de videobook ou videolivro no nosso canal do Youtube: https://www.youtube.com/@fraternidaderosacruzcampinasbr/videos
aqui:
4.Para ler no próprio site:
O LADO OCULTO DA GUERRA
– UMA OPERAÇÃO DE CATARATA ESPIRITUAL
Por
Max Heindel
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês, War an Operation for Spiritual Cataract – 1st Part in Rays from the Rose Cross Magazine – a Magazine of Mystic Light – November 1915; 2nd Part in Rays from the Rose Cross Magazine – a Magazine of Mystic Light – December 1915; 3rd Part in Rays from the Rose Cross – a Magazine of Mystic Light – January 1916
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
SUMÁRIO
CAPÍTULO I – A PARTE DA GUERRA TRAVADA NOS MUNDOS INVISÍVEIS. 8
CAPÍTULO II – EXEMPLOS DA ATUAÇÃO DOS ESPÍRITOS DE RAÇA, CONFUNDIDOS COM OUTROS SERES DIVINOS. 15
CAPÍTULO III – VISÃO ESPIRITUAL ABERTA TEMPORARIAMENTE.. 21
CAPÍTULO IV – SOLICITANDO UMA EXPLICAÇÃO AO IRMÃO MAIOR.. 24
CAPÍTULO V – “OS DEZESSEIS CAMINHOS PARA A DESTRUIÇÃO”. 30
Você já deve ter estudado, no livro Conceito Rosacruz do Cosmos, que houve uma Raça no final da Época Lemúrica, sete Raças na Época Atlante, sete Raças na Época Ária e haverá uma na vindoura Época Nova Galileia, totalizando dezesseis Raças. Você também se lembra que essas dezesseis Raças são chamadas pelos Irmãos Maiores de “os dezesseis caminhos para a destruição”, porque o risco de se enredar nos corpos de qualquer Raça é tão alto, que o Espírito ficará incapaz de seguir os outros Espíritos ao longo do Caminho da Evolução. Durante os Períodos e as Épocas sempre há tempo suficiente para que os Líderes da humanidade possam reunir e ordenar da forma mais adequada e eficaz os que estão sob as suas responsabilidades. Contudo, os judeus são o exemplo do que pode acontecer a um povo que se tornou tão intensamente imbuído do espírito racial, que eles se recusam totalmente a abandonar tal espírito racial. Eles continuam como uma anomalia entre o restante da humanidade, um povo sem uma pátria, um rei ou outro qualquer dos fatores que impulsionam a evolução racial.
Essa foi a tendência entre as nações da Europa até a guerra atual[1]. Assim, o patriotismo e o ideal de Raça são fomentados, o que as conduz para longe de Deus. As inúmeras descobertas científicas foram precedidas por uma era de dúvida e de ceticismo, e as Raças pioneiras no mundo ocidental foram levadas muito próximas à beira da destruição. Por conseguinte, se tornou necessário que os Irmãos Maiores concebessem medidas para que a humanidade abandonasse o caminho do prazer e cultivasse o caminho da devoção, e isso só poderia ser feito removendo a catarata espiritual de um número suficientemente grande de pessoas para que, então, superar a dúvida e o ceticismo do restante da humanidade.
Quando nós habitávamos sob as águas na primitiva Época Atlante, éramos, como você sabe, incapazes de ver o Corpo Denso ou até mesmo senti-lo, porque a nossa consciência estava focada nos reinos espirituais. Víamo-nos uns aos outros, alma a alma. Estávamos inconscientes tanto do nascimento como da morte, e não sentíamos a separação daqueles que amávamos. Mas, quando nós, gradualmente, nos tornamos conscientes dos nossos Corpos Densos, e a nossa consciência foi focada no Mundo Físico desde ao nascimento até a morte aqui, e nos Mundos espirituais da morte até o nascimento lá, houve uma separação e o consequente pesar devido ao advento da morte. No entanto, em tempos passados, havia muitos seres humanos que eram capazes ver em ambos os mundos; eles formavam um número considerável entre toda a população humana. Os testemunhos desses seres humanos sobre a continuidade da vida foram um grande conforto para aqueles que ficavam desolados com a morte, pois eles acreditavam plenamente que aqueles que haviam morrido ainda estavam vivos e felizes, embora incapazes de se dar a conhecer. Mas, gradualmente, o mundo se tornou cada vez mais materialista; a fé na realidade da vida após a morte aqui se desvaneceu, e tornando-se mais intensa e profunda a angústia, a tristeza e até o arrependimento pela perda dos entes queridos, e ainda hoje muitos acreditam que a separação é definitiva. Para esses, a palavra “renascimento” é uma palavra vazia de sentido e, portanto, a angústia profunda e pungente é imensa.
Mas essa angústia profunda e pungente é o remédio da natureza para a catarata espiritual. Tão certo como o desejo de crescimento construiu o complicado canal alimentar desde o começo mais simples para que o anseio de crescimento pudesse ser satisfeito; tão certamente quanto o desejo de movimento desenvolveu as maravilhosas articulações, os tendões e ligamentos com os quais isso é realizado; com a mesma certeza, o intenso anseio de continuar os relacionamentos rompidos pela morte construirá o órgão para sua gratificação – o olho espiritual. Portanto, essa matança em massa de milhões de seres humanos ajudou e está ajudando mais a preencher o abismo entre os Mundos invisível e o Mundo visível do que mil anos de pregação poderiam fazer. Ao longo da história do mundo, foi registrado que os guerreiros (das batalhas e guerras) viram as chamadas manifestações sobrenaturais, e há muitos testemunhos de que estas visões também foram vistas na guerra atual. O choque da ferida, os sofrimentos nos hospitais, as lágrimas das viúvas, dos viúvos e dos órfãos, tudo isso está abrindo os olhos espirituais da Europa, e os tempos da dúvida e do ceticismo, aos poucos, desaparecerá. Em lugar de ficar envergonhado por ter fé em Deus, o mundo honrará o ser humano mais por sua devoção do que por suas proezas, e isso num futuro não muito distante. Elevemos uma prece para este dia chegar.
Max Heindel
De fato, seria novidade para a grande maioria das pessoas, se lhes disséssemos que a grande guerra[2] que está sendo travada tão arduamente na Europa, envolvendo uma grande destruição de corpos humanos e de construções muitas centenárias, testemunhas da civilização, esteja sendo travada com mais ferocidade nos Mundos invisíveis e que os participantes do lado oculto da vida têm ainda mais em jogo do que as coisas que são consideradas valiosas neste mundo, como aquisição territorial, indenização financeira, etc. Tal é, no entanto, o caso. A guerra começou nos Mundos invisíveis antes de se cristalizar em ação física. E lá deve cessar, antes de uma paz permanente ser negociada. Quem vê e conhece também sabe que essa grande influência espiritual que causou a guerra foi instigada pelos Espíritos de Raça dos vários países, que se ampliaram com o intenso patriotismo demonstrado por toda parte entre os povos da Europa.
Cada Espírito de Raça luta através do seu povo e por seu povo, como mostramos na palestra nº 13 do Livro Cristianismo Rosacruz, cuja tema “Anjos como fatores de evolução” [3] e embora muitas pessoas possam zombar e caçoar, os fatos permanecem.
Cada Espírito de Raça luta através do seu povo e por seu povoe embora muitas pessoas possam escarnecer, os fatos permanecem.
Instâncias e evidências dessa liderança invisível na guerra atual[4] podemos ver na Retirada dos Aliados de Mons[5]. Afirmou-se, com confiança, que vários oficiais haviam presenciado então um curioso fenômeno na forma de uma estranha nuvem que se interpôs entre os alemães e os britânicos. Essa afirmação foi confirmada por um correspondente do jornal “Light” de 8 de maio, afirmando que “na ação de retaguarda, houve um momento especialmente crítico, quando a cavalaria alemã avançava rapidamente e superava em muito as nossas forças; de repente, vimos uma espécie de nuvem luminosa ou neblina, que se interpôs entre os alemães e nossos homens. Nessa nuvem parecia haver objetos brilhantes se movendo. No momento em que apareceu, o ataque alemão pareceu receber um xeque. Os cavalos podiam ser vistos empinando e deixaram de avançar”. Essa intervenção angelical, na opinião do narrador, salvou toda a força da aniquilação.
A história anterior parece ser a mesma narrada pelo Dr. R. F. Horton[6] em um sermão recente na Igreja de Brighton, em Manchester. Ele descreve a ocorrência relatada a ele por tantas testemunhas que, se algo pode ser estabelecido por evidência corroborativa, deve ser verdade. “Uma seção da linha de batalha”, disse o Dr. Horton, “estava em perigo iminente e parecia que seria derrubada e eliminada. Alguns dos homens presentes viram uma companhia de Anjos interposta entre eles e a cavalaria alemã, quando os cavalos dos alemães bateram os pés. Evidentemente os animais viram o que os nossos homens viram. Os soldados alemães tentaram trazer os cavalos de volta para a linha, mas eles fugiram e isso foi a salvação dos nossos homens”. Outro relato, derivado de outras testemunhas da ocorrência, é citado em uma carta conforme a seguir.
“No domingo passado encontrei a senhorita Marrable, filha do conhecido cônego Marrable, e ela me disse que conhecia os oficiais que tinham visto os Anjos que salvaram nossa ala esquerda dos alemães, quando eles os atacaram durante a Grande Retirada de Mons.”.
“Eles esperavam aniquilação, pois estavam quase indefesos quando, para seu espanto, os alemães ficaram atordoados e nem sequer tocaram em suas armas ou se mexeram, até que nos viramos e escapamos por alguma encruzilhada.”
“Um dos amigos da senhorita Marrable, que não era um homem religioso, disse a ela que viu uma tropa de Anjos entre nós e o inimigo e tem sido um homem transformado desde então. Ela conheceu o outro homem em Londres, na semana passada, e perguntou a ele se ele ouviu falar sobre a maravilhosa história dos Anjos. Ele disse que os viu pessoalmente. Enquanto ele e sua companhia estavam recuando, eles ouviram a cavalaria alemã correndo atrás deles. Eles correram para um lugar onde pensaram que um abrigo pudesse ser feito com alguma esperança de segurança, mas antes que pudessem alcançá-lo a cavalaria alemã estava sobre eles; então se viraram e enfrentaram o inimigo, esperando a morte instantânea; então, para sua surpresa, viram entre eles e o inimigo uma tropa inteira de Anjos. Os cavalos dos alemães se viraram apavorados e dispararam. Os homens puxavam suas rédeas, enquanto os pobres cavalos se afastavam na direção oposta aos nossos homens. Ele jurou que viu os Anjos, a quem os cavalos alemães viram claramente, talvez até mesmo os soldados alemães, e isso deu aos nossos homens tempo para chegar ao pequeno forte, ou qualquer que fosse o abrigo, e se salvarem”.
Uma contribuição adicional para esses registros da Retirada de Mons foi fornecida pelo Sr. Lancaster, um clérigo de Weymouth, em seu sermão de 30 de maio. O reitor leu no púlpito uma carta de um soldado da linha de frente que se encontrava em Retirada de Mons e dizia, na carta, que o seu regimento estava sendo perseguido por muitos homens da cavalaria alemã, da qual se refugiaram em uma grande pedreira onde os alemães os encontraram e estavam a ponto de matá-los. Naquele momento, afirmou o autor da carta, toda a borda superior da pedreira estava forrada de Anjos, que foram vistos por todos os soldados e pelos alemães. Os alemães pararam de repente, deram meia-volta e galoparam em alta velocidade. O narrador acrescenta que isso é atestado não apenas pelos Tommies[7], mas também pelos oficiais do regimento.
Vemos aqui certas variantes do que aparentemente seja a mesma história; mas, no primeiro caso a aparição surge apenas como uma nuvem estranha; no segundo, como uma nuvem com objetos brilhantes movendo-se dentro dela; e no terceiro, quarto e quinto aparece definitivamente como uma companhia de Anjos. Não parece improvável que a mesma aparição tenha se mostrado com essas variações devido ao acordo entre ela, o temperamento psíquico e o desenvolvimento do observador.
É um fato oculto e óbvio para quem é dotado de visão espiritual que um Espírito de Raça governa seu povo na forma de uma nuvem. Nele, ou dentro dele, eles realmente vivem, movem-se e têm o seu ser. Seus pensamentos e ideias os permeiam com o que é chamado de “espírito nacional” e é bastante concebível que sob a tensão e o estresse da batalha, um ou outro dos Espírito de Raça, vendo seu povo em terrível aflição, ofereça ajuda e se interponha entre eles e seus inimigos.
Se voltarmos à Bíblia, encontraremos uma ocorrência semelhante na época em que os israelitas foram tirados do Egito. Eles foram então perseguidos pelo exército do Faraó, e El Shaddai (em hebraico, Deus Todo-poderoso), o Senhor dos Exércitos, que os guiou na forma de uma coluna de nuvem, interpôs-Se entre os israelitas e os egípcios até que as águas do mar se dividiram e eles estivessem prontos para atravessar. Então o pilar de nuvem foi até eles de novo e os guiou pela água. Seus inimigos, que os seguiram, foram engolidos pelo mar.
Em circunstâncias normais, as pessoas podem não ser capazes de perceber essas vibrações mais elevadas e sentir os seres que estão sempre ao nosso redor, invisíveis, mas, ainda assim, muito mais vivos do que nós, potentes também como fatores para o bem ou para o mal. Mas quando chega um momento de grande estresse, quando um grupo de homens se encontra em um canto muito apertado, por assim dizer, cara-a-cara com a morte, quando a tensão nervosa é elevada a um nível suficientemente alto, eles começam a sentir o mundo suprafísico e os seres que estão com eles. Essa tem sido a regra em todas as épocas. Sir Walter Scott[8], em um dos seus livros, conta certos casos de natureza semelhante; mas, embora a manifestação sobrenatural, em cada caso citado, tenha sido testemunhada por muitas pessoas, Sir Walter Scott procura desacreditar seu testemunho e menosprezar a ocorrência como superstição, um método que tem sido seguido por vários jornais ingleses em relação à ocorrência na Retirada de Mons.
Ele diz que “mesmo no campo da morte e em meio ao próprio cabo de combate mortal, uma forte crença operou a mesma maravilha que até agora mencionamos como ocorrendo na solidão e em meio à escuridão, e aqueles que estavam, eles próprios, à beira do mundo dos espíritos ou ocupados em enviar outros para as regiões sombrias imaginavam ter visto a aparição dos seres a quem sua mitologia nacional associava a tais cenas. Nesses momentos de batalha indecisa, em meio à violência, pressa e confusão de ideias inerentes à situação, os antigos gregos supunham ver suas divindades Castor e Pólux lutando na vanguarda para seu encorajamento; o escandinavo viu as Valquírias, as Escolhedoras dos Mortos; e os católicos não foram menos facilmente levados a reconhecer na guerra São Jorge ou São Tiago bem na frente da luta, mostrando-lhes o caminho da conquista. Tais aparições sendo geralmente visíveis para uma multidão, em todos os tempos foram apoiadas pela maior força do testemunho”.
O primeiro exemplo citado por Sir Walter Scott é do livro História Verdadeira da Conquista da Nova Espanha de Don Bemal Diaz del Castillo[9], um dos companheiros do célebre Cortez em sua conquista mexicana. Depois de obter uma grande vitória contra todas as probabilidades, ele menciona o relato inserido na contemporânea crônica de Gomara, de que São Tiago apareceu em um cavalo branco na vanguarda do combate e levou seus amados espanhóis à vitória.
É muito curioso observar a convicção interna do cavaleiro castelhano de que o boato surgiu de um engano, cuja causa ele explica por sua própria observação, enquanto ao mesmo tempo não se atreve a negar o milagre. O honesto conquistador reconhece que ele mesmo não viu essa aparição angélica; ou melhor, ele viu um cavaleiro chamado Francisco de Moria montado em um cavalo castanho e lutando arduamente no mesmo lugar onde São Tiago supostamente teria aparecido. No entanto, em vez de concluir que toda a sua companhia estivesse alucinada, o devoto Conquistador exclama: “Pecador que sou, quem sou eu para ter visto o abençoado Apóstolo!”.
Segue-se o outro exemplo do que Sir Walter Scott chama de “o caráter infeccioso da superstição”.
“No ano de 1686, nos meses de junho e julho, diz o honesto cronista, muitos ainda vivos podem testemunhar isso sobre o Crossford Boat, aproximadamente dois quilômetros abaixo de Lanark, especialmente no Mains, na água de Clyde, muitas pessoas se reuniram por várias tardes, onde houve chuvas de gorros, chapéus, revólveres e espadas que cobriram as árvores e o chão; companhias de homens armados marchando em ordem à beira-mar; grupos conhecendo grupos e passando por outros; depois todos caindo no chão e desaparecendo; outras companhias imediatamente apareciam marchando da mesma maneira… Fui lá três tardes e, como observei, dois terços das pessoas viram e um terço não viu; embora eu não pudesse ver qualquer coisa, havia tanto medo e tremor naqueles que viam, que era perceptível a todos os que não viam.
“Havia um cavalheiro de pé ao meu lado que falava como muitos outros e disse: ‘Um bando de malditos bruxos e bruxas que têm a segunda visão! O diabo não vejo’; e imediatamente houve uma mudança perceptível em seu semblante. Com tanto medo e tremor como qualquer mulher que vi ali, ele gritou: ‘Todos vocês que não veem, não digam coisa alguma; pois eu os convenço de que é fato e discernível para todos os que não são cegos’; então aqueles que viram disseram que aparência as armas tinham, qual era seu comprimento e largura; também falaram que cabo as espadas tinham, se eram pequenos, de três barras ou do tipo Highland Guard, e os nós dos gorros, se pretos ou azuis. Aqueles viram, sempre que estavam no exterior, observaram um gorro e uma espada cair no caminho.
No segundo livro de Samuel, no capítulo 22, nos versículos de 7 a 18, lemos.
“Na minha angústia invoquei a Iahweh, ao meu Deus lancei meu grito, ele escutou do seu Templo a minha voz e o meu clamor chegou aos seus ouvidos. “E a terra tremeu e vacilou, os fundamentos do céu se abalaram (pela sua ira eles oscilaram); fumo se elevou de suas narinas e da sua boca um fogo devorador (carvões inflamados saíam dele). Ele inclinou os céus e desceu, uma névoa escura debaixo dos seus pés; cavalgou um querubim e alçou voo, planou sobre as asas do vento. Fez das trevas a sua companhia e sua tenda, treva d’água, nuvem sobre nuvem; um fulgor adiante dele inflamou granizo e brasas de fogo. Iahweh trovejou desde os céus, o Altíssimo fez ouvir a sua voz; disparou setas e as espalhou, fez cintilar os relâmpagos e os dissipou. O leito dos mares apareceu, os fundamentos do mundo se descobriram, pela repreensão de Iahweh e ao sopro do vento de suas narinas. Enviou das alturas e me tomou, e me tirou das águas profundas; livrou-me do feroz inimigo, de adversários mais fortes do que eu.”.
No trecho acima, Davi dá uma descrição do Senhor dos Exércitos saindo para guerra para ajudar seus seguidores. E no décimo capítulo de Daniel (6-7) é dito como esses Arcanjos realmente ajudam uma nação contra outra a fim de trazer vitória ou derrota onde quer que seja necessário punição ou recompensa.
Daniel nos diz que “seu corpo tinha a aparência do Crisólito e seu rosto o aspecto do relâmpago seus olhos como lâmpadas de fogo, seus braços e suas pernas como o fulgor do bronze polido, e o som de suas palavras como o clamor de uma multidão. Somente eu, Daniel, vi esta aparição. Os homens que estavam comigo não viam a visão e, no entanto, um grande tremor se abateu sobre eles, a ponto de fugirem para se esconderem.” (Esse é outro caso em que um viu, enquanto outros sentiram a presença).
O Arcanjo disse a Daniel (10-13): “O Príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias, mas Miguel, um dos primeiros Príncipes, veio em meu auxílio. Eu o deixei afrontando os reis da Pérsia”.
“Então ele disse: “Sabes por que vim ter contigo? Mas vou anunciar-te o que está escrito no Livro da Verdade. Tenho de voltar para combater o Príncipe da Pérsia: quando eu tiver partido, deverá vir o Príncipe de Javã. Ninguém me presta auxílio para estas coisas senão Miguel, vosso Príncipe, meu apoio para me prestar auxílio e me sustentar.” (Dn 10:20a-21b e 11:1).
Do exposto fica claro que em todas as épocas, quando as pessoas estavam em grande estresse, sua visão espiritual foi aberta de forma temporária.
Vamos ver, agora, como a guerra é realmente uma operação para remover a catarata espiritual, um meio de abrir permanentemente a visão espiritual da humanidade.
Por muitos meses um assunto tem sido o principal nas Mentes de milhões de pessoas no mundo ocidental: a saber, a guerra. Foi lamentada por todos; todos os combatentes tentaram se desculpar por participar e buscaram colocar a responsabilidade sobre os ombros dos seus adversários. Assim, pela primeira vez na história do mundo, os senhores da guerra admitem que a guerra seja um erro. Toneladas de tinta e papel têm sido usadas pelas potências em conflito para culpar seus inimigos e poderem se desculpar, aliviando uma consciência dolorida. Mas nem desculpas nem tentativas de incriminação podem aliviar os corações doloridos de milhões de pessoas que clamam por uma solução para o problema e, às vezes, perguntam se Deus ainda Se importa com o Seu mundo ou se Ele está permitindo passivamente esse terrível massacre.
Para chegar a uma compreensão correta do assunto é necessário perceber que cada ser humano é cercado por uma aura sutil que é invisível para a maioria das pessoas, mas prontamente percebida por aquele que cultivou sua percepção espiritual. Essa aura é colorida de acordo com as vibrações que cada indivíduo estabelece em seu interior, por seus gostos e desgostos; é um índice de cor preciso do seu caráter. À medida que seus hábitos mudam, essa nuvem de cores assume diferentes tonalidades. Através dessa aura ele vê o mundo como através de um vidro e colore todos com quem entra em contato, de modo que imagina que eles tenham as mesmas virtudes e vícios que ele próprio possui e, com base no princípio de que quando um diapasão é tocado, ele evoca sons em outros de igual afinação, ele realmente evoca naqueles que encontra os traços que estão em si mesmo, um fato dentro da experiência de todos. Quem nunca foi despertado para a raiva, quando na presença de alguém que perdeu a paciência; quem ainda não sentiu irritabilidade, ao discutir qualquer assunto com um homem irritável? Da mesma forma, as nações se veem através da nuvem invisível do nacional Espírito de Raça e imaginam umas às outras como muito diferentes do que realmente são.
É significativo que homens e mulheres ingleses que viviam na Alemanha antes do início da guerra estivessem firmemente convencidos de que aquele país estivesse certo, antes de serem obrigados a voltar para casa; e que os alemães que residiam na Inglaterra fossem igualmente fanáticos em seu apoio a esse país, denunciando a Alemanha como agressora. No entanto, seu retorno à sua terra nativa, onde respiraram o espírito de Raça nacional, logo mudou sua atitude e todos começaram a ver “o outro lado” e apresentar sua fidelidade ao seu próprio Espírito de Raça.
Assim sendo, a guerra não é o resultado de ódio individual, pois não ouvimos que os soldados nas trincheiras confraternizavam sempre que surgisse uma oportunidade? Mas é o trabalho dos Espíritos de Raça que guiam as nações em seu caminho de progresso; ou melhor, deveríamos dizer, é permitido por eles, pois são os Irmãos da Sombra, as forças negras que fomentaram o lado maligno da vida nacional; orgulho, arrogância e busca de prazer para afastar a humanidade do lado mais sério da vida. Portanto, os espíritos raciais das nações, que estão sempre trabalhando para o bem, permitiram esta guerra não exatamente como um castigo, mas um meio de trazê-las de volta ao verdadeiro propósito da existência.
Isso já é conhecido há muito tempo pelo escritor, mas ele sabia e sentia no íntimo do seu coração que deveria haver outro propósito maior e que o bem a ser alcançado deveria ser proporcional ao sofrimento envolvido em sua obtenção; portanto, deve ser um grande e maravilhoso bem, uma bênção para a humanidade de inestimável importância. Mas o quê? Recordemos as palavras de Cristo: “Não vim trazer a paz, mas a espada”. Sempre consideramos a paz como um ideal, no entanto, e não conseguimos conciliar essa sentença com o Sermão da Montanha. Será que há uma virtude oculta na guerra que não percebemos até agora, uma virtude que possa justificá-la como um meio para um fim? Esse era um problema desconcertante.
Longos meses este escritor sofreu em silêncio por causa da terrível carnificina que vem acontecendo na Europa. Não é fácil trabalhar todas as noites entre as cenas angustiantes do campo de batalha, trazendo socorro aos feridos e trabalhando com os mortos de muitas nações, nos mundos invisíveis, em um esforço para aliviar sua angústia e acalmar seu ressentimento e, ao mesmo tempo, manter-se suficientemente preparado para continuar o trabalho na sede durante o dia. Durante esse tempo, estudantes de vários países pediram que tomássemos uma posição a favor do lado que eles defendiam e escrevêssemos nossas ideias sobre a guerra. Naturalmente, não tomaríamos posição contra qualquer um de nossos irmãos. A Fraternidade inclui o mundo inteiro e o amor universal nunca foi mais necessário do que agora. Nós nos esforçamos por lhe dar a expressão mais completa possível. E quanto à “escrita”: enquanto sentíamos e sabíamos que o resultado dessa grande calamidade deveria ser bom, não tínhamos luz e nunca foi nosso costume lidar com chavões ou encher nossas páginas com palavras, apenas palavras; então trabalhamos e oramos por luz, mês após mês, até que finalmente o suspense se tornou insuportável.
Ultimamente, a agonia daquela vasta massa de humanidade entre a qual trabalhamos há tantos meses parecia concentrar-se em nossa presença como um grande “Por quê?” escrito em letras de sangue e chamas durante nossas horas de vigília e, embora sozinho e tudo estivesse exteriormente quieto, o som daquele enorme “Por quê?” parecia preencher o Céu e a Terra em seu apelo intensamente apaixonado por uma resposta.
Por fim, não aguentei mais e quando o Irmão Maior que é o meu mentor apareceu em resposta ao meu grito de angústia, fiz a pergunta. A regra da Grande Ordem é que os Irmãos Leigos devem usar todos os esforços para resolver seus próprios problemas e apenas pedir ajuda como último recurso; contudo, até então tímido por causa disso, a agonia de um milhão de seres humanos parecia subir pela minha garganta quando eu o vi tão calmo e sereno: “Sei que o seu coração não é calejado, Irmão, que bate com tanta compaixão pelos milhões que até mesmo essa agonia de simpatia que agora dilacera o meu peito é nada em comparação; como então você pode ficar tão calmo enquanto milhões de pessoas sofrem inacreditavelmente! Qual é o propósito desse conflito cruel?”.
Nunca a música soou tão docemente ao meu ouvido; nunca experimentei uma sensação de alívio tão grande, uma modificação tão completa de sentimentos. Eu parecia saltar do pântano do desespero para o pináculo do louvor e da ação de graças, quando a resposta veio naquela voz sempre vibrante de bondade e compaixão, mas nessa ocasião essas qualidades foram tão intensificadas que as palavras não conseguem descrever.
Pare com sua tristeza, meu Irmão, e tenha bom ânimo; se você tivesse um amigo que tivesse perdido a visão por causa de uma catarata e ele fosse forçado a se submeter a uma operação, você provavelmente sentiria pena da dor atual, mas você se alegraria com a restauração iminente de sua visão e, talvez, na alegria da antecipação, você quase esquecesse a dor presente.
Da mesma forma, no caso desta guerra, o mundo, que se tornou espiritualmente cego, não admitirá pelo intelecto coisa alguma que não possa provar como demonstra um problema matemático. A dúvida e o ceticismo cresceram como enormes ervas daninhas entre os líderes do pensamento e os levou à louca busca do prazer; agora, a indulgência dos sentidos e a indiferença em relação a qualquer coisa que contribua para o crescimento da alma são características comuns entre as massas. Nem a pregação nem a oração podem despertar o mundo. Portanto, os Líderes Invisíveis da Evolução permitiram aos Irmãos da Sombra tentar os governantes das nações e, assim, os cães da guerra foram soltos junto do que parecem ser resultados absolutamente calamitosos.
Mas alegre-se, esta é na realidade uma operação de catarata espiritual em grande escala. É a sentença de morte da era do agnosticismo e do ceticismo em relação às verdades espirituais, pois abrirá a visão espiritual de tantos que seu testemunho terá sentido para aqueles que permanecem cegos; assim, o mundo ocidental se voltará para Deus com um novo zelo que não poderia ser despertado por mil anos de pregação.
Como lhes ensinamos no início e como está registrado no Conceito Rosacruz do Cosmos, a humanidade ainda está na parte mais perigosa do caminho do progresso, que chamamos de “os 16 Caminhos para a destruição”, e nunca em todas as anteriores corridas chegou tão perigosamente perto da beirada. Mas regozijai-vos e novamente digo: regozijai-vos! Pois o perigo já passou, a guerra salvou o mundo de um destino infinitamente pior e logo ressoará com louvor a Deus pela bênção forjada pela maldição da guerra.
Como os nossos leitores que não estão familiarizados com os Ensinamentos Rosacruzes podem não entender a referência aos 16 Caminhos e sua relação com esse problema e, também, como pode não ser intuitivo a todos o que se entende por “operação de catarata espiritual”, ou como a guerra pode abrir a visão espiritual, continuaremos este artigo no próximo mês com o propósito de elucidar esses pontos. Enquanto isso, os seguintes artigos do Literary Digest mostrarão que a previsão feita já começa a ser verificada.
No parágrafo final do nosso artigo sobre esse assunto afirmamos que o ser humano está agora passando pelo período mais perigoso do seu desenvolvimento: “as Dezesseis Raças”. E que a guerra salvou a humanidade de um destino infinitamente pior do que o atual massacre em massa. Os fatos são os seguintes: durante o desenvolvimento da humanidade em nosso atual Período Terrestre, a Terra mudou para proporcionar ao ser humano o ambiente adequado à sua constituição versátil e aos requisitos evolutivos. As grandes divisões de tempo ocupadas por essas mudanças são chamadas de Épocas. As Época Polar, Época Hiperbórea, Época Lemúrica e Época Atlante já passaram; agora estamos na Época Ária. Quando ela acabar, outra Época, a Época Nova Galileia, será inaugurada.
Durante as duas primeiras Épocas, o ser humano era tão inocente da sua Individualidade quanto as crianças atualmente; mas, no final da Época Lemúrica alguns eram diferentes da maioria e formavam o que poderia ser chamado de Raça. Havia sete Raças na Época Atlante; cinco nasceram desde então e mais duas devem aparecer na Época Ária; uma delas nascerá no início da Época Nova Galileia. Com a última das dezesseis Raças, a humanidade estará novamente unida em Amor e Fraternidade, mas enquanto os líderes da evolução tiveram muito tempo para guiar a humanidade nas primeiras Épocas, em que longos períodos de tempo foram consumidos na evolução de uma certa faculdade, nos períodos de tempo em que há Raças, por essas serem comparativamente evanescentes, há um grande perigo de que algumas pessoas possam ficar tão enredadas no ideal de Raça que não consigam prosseguir para o próximo estágio superior; portanto, as Dezesseis Raças são chamadas de “os dezesseis caminhos para a destruição”.
As mudanças mais profundas na formação geológica da Terra e na constituição fisiológica do ser humano ocorreram no último terço da Atlântida (na Época Atlante), quando a Época Ária estava prestes a ser inaugurada, porque essas Épocas sempre se sobrepõem, de modo que uma começa antes que a anterior esteja inteiramente terminada. As mudanças foram as seguintes.
Essas mudanças geológicas e fisiológicas tiveram, como dissemos, consequências de longo alcance e são diretamente responsáveis pela opressão individual e pela guerra, como veremos.
Durante as Épocas anteriores, quando o Espírito moldava o veículo que estava destinado a habitar, o ser humano, em formação, quase não tinha consciência física e mesmo nos primeiros dois terços da Atlântida, quando o Espírito entrou em sua morada, a consciência se concentrava principalmente nos Mundos espirituais e a neblina escura impossibilitava que os atlantes percebessem claramente o Corpo Denso uns dos outros; mas eles viam a alma e “caminhavam com Deus”, o Divino Hierarca que os guiava como Pai, pois Ele era visível para eles como uma entidade espiritual. Portanto, tudo era paz.
Então veio o dilúvio e limpou a atmosfera com os seguintes resultados: aqueles que evoluíram a visão física, viram seus semelhantes com clareza e aprenderam a diferenciar entre “Eu” e “Você”, “Meu” e “Teu”, lançando as bases para o egoísmo e a luta. Assim, a humanidade, como um todo, não podia mais ser guiada por um líder, mas foi subdividida e guiada por vários Espíritos de Raça que, como “poderes do ar”, assumiram o controle da laringe e dos pulmões do povo. A cada respiração as pessoas inalavam esse Espírito de Raça, até que ele penetrou todo o seu ser e suas cordas vocais vibraram em seu tom peculiar, tornando a fala de um grupo diferente da de outras Raças; assim, ele envolveu todo o seu povo como uma nuvem, colorindo ambos, o povo e as paisagens, da sua terra natal, com suas próprias vibrações de cores específicas; isso foi sentido por todos os seus dependentes como um vínculo sagrado que os une uns aos outros e à terra que habitam. Tão forte é o domínio sobre o pulmão, a laringe e a terra mantido pelo Espírito de Raça, que seu povo lutará até o último suspiro pela língua materna e pela pátria.
Esse sentimento de companheirismo incutido pelo Espírito de Raça em seus dependentes é chamado de patriotismo. Era o objetivo dos Espíritos de Raça, fomentando o amor pela família, educar a humanidade a amar sua nação ou seus compatriotas. Através do patriotismo eles esperavam gerar o altruísmo, que transcende todas as fronteiras imaginárias no mapa, em um esforço para abraçar a todos no amor universal.
No entanto, em vez de realizar esse nobre propósito, o patriotismo, o amor à família e à pátria fomentaram, em muitos, o ódio a todas as outras nações junto ao desejo de persegui-las e submetê-las ao seu próprio engrandecimento. Na medida em que qualquer Raça, nação ou povo fez isso, provou ser contrária ao bem universal, pois deve ser lembrado que as Raças são apenas um aspecto da Personalidade, somente os corpos são carimbados com características raciais, mas os Espíritos não estão sob tais restrições ilusórias, quando desencarnados.
Assim, há grande perigo de que, por excesso de patriotismo, os Espíritos se tornem tão enredados nos grilhões da família e do país que não deixem a Raça quando o impulso evolutivo seguir adiante, esforçando-se para perpetuar a Raça indefinidamente, procurando renascer repetidamente nela, como os judeus fizeram e, assim, ir para a ruína através de um daqueles dezesseis caminhos de destruição, como os Irmãos Maiores chamam as dezesseis Raças. Por isso Cristo disse: “Não vim trazer a paz, mas a espada”. Portanto, as nações Cristãs têm sido as mais militantes sobre a Terra, talvez com exceção dos maometanos, que são seus parentes, e há amplo testemunho em quase toda guerra para mostrar que um número de pessoas teve sua visão espiritual aberta, pelo menos temporariamente, de modo que a guerra sempre foi um meio de remover a catarata espiritual que nos cega para a unidade de toda a vida.
Nas três Épocas anteriores, o ser humano não sabia que possuía um Corpo Denso, embora o usasse como usamos nossos pulmões, independentemente do fato de nunca os termos vistos; ele estava inconsciente do nascimento e da morte, também, embora tenha passado por ambos repetidamente, pois sua consciência estava focada nos Mundos espirituais e permaneceu ininterrupta pelas vicissitudes do Corpo. Porém, no alvorecer da Época Ária, quando a atmosfera clareou, ele se percebeu fisicamente e aprendeu que a consciência que anima o Corpo Denso o deixa frio e morto, após um período mais longo ou mais curto. O véu da carne escondia os Mundos espirituais, onde moram os chamados mortos, da visão física dele, como uma catarata espiritual que se adensou com o passar do tempo, até que hoje em dia aqueles que não negam ativamente a existência dos Mundos interiores se resignaram à ideia de que nada pode ser conhecido do estado dos chamados de mortos.
Por causa dessa falsa ideia, essa cegueira, a dor intensa pela perda de entes queridos que estão além da nossa visão física, obscureceu os olhos de todo o mundo. Lágrimas correram em torrentes dos olhos dos enlutados, mas não em vão: pois cada lágrima suaviza a catarata espiritual, cada pontada de dor pela perda de um ente querido é um corte pela faca do Grande Cirurgião que se esforça para restaurar nossa visão espiritual, para que possamos continuar nosso companheirismo com os amigos e com as amigas que abandonaram a espiral mortal. E tão certo como o desejo de crescer desenvolveu e aperfeiçoou o canal alimentar e a luz preexistente construiu o olho para sua percepção, assim também e com certeza o desejo intenso por nossos entes queridos que ultrapassaram o limiar da morte quebrará a casca da catarata e abrirá nossa visão espiritual. Aqueles que vivem a chamada “vida superior” e são fortalecidos em tempos de angústia por uma compreensão mais avançada do fenômeno da morte, muitas vezes, sentem que a intensa dor dos enlutados que ignoram esses fatos é imprópria e prejudicial à saúde do Espírito que abandonou o Corpo Denso. E assim é, quando expresso durante os primeiros dias após a mudança; mas, ao mesmo tempo, essa dor intensa e a tensão incidentes com a aproximação da morte são os meios pelos quais a multidão, que percorre o Caminho da Evolução, acabará por preencher a lacuna e recuperar a consciência espiritual. Assim sendo, ela toma o lugar dos Exercícios Esotéricos dados nas Escolas de Mistérios, como a Fraternidade Rosacruz.
A criação da prisão corporal emparedou o Espírito e excluiu os Mundos espirituais de seu alcance.
A destruição dos corpos dos Discípulos, como um sacrifício vivente, restaura seu contato consciente com os Mundo invisíveis, despertando sua visão espiritual por um processo de magia branca.
A destruição do corpo de outra pessoa pelo sacrifício na guerra tem o mesmo efeito. Os vapores do sangue, o rugido dos tiros, os gritos dos feridos e moribundos, sejam audíveis ou inaudíveis, mas carregados da mais intensa dor e tristeza, são sentidos por todos como um poder psíquico que tende a atrair cada um dos participantes à beira da Grande Divisão e, que maravilha que os olhos deles estejam temporariamente abertos e eles vejam os habitantes dos reinos suprafísicos que estão sempre entre nós, mas particularmente quando e onde alguém esteja passando pela fronteira da nossa esfera para a deles.
Além disso, aqueles que morreram também não são passivos; o seu desejo de ser visto por seus entes queridos é um grande fator para estabelecer a comunicação. Muitos casos foram registrados, comprovando esse fato; há o da mãe que, por exemplo, se materializou e chamou seus pequeninos para longe de um poço que estava sendo cavado, embora ela não possuísse os segredos da Iniciação. Seu intenso desejo forjou para ela uma temporária vestimenta física. Ora, quanto mais não pode ser feito quando meses ou anos de matança aumentaram a tensão nervosa de milhões de pessoas, todas ansiando por relações com algum ente querido nesse ou no outro mundo! Esse grande desejo resultará um despertar permanente da visão espiritual de um número de pessoas grande demais para ser ignorado!
Em todas as câmaras da morte estamos perto do portal dos Mundos invisíveis e um grande número daqueles que estão desmaiando vê seus entes queridos esperando ao redor da cama para recebê-los, regozijando-se pela morte, que os libertou do Corpo Denso e os fez nascer no Além. A tensão nervosa sentida pelo homem e pela mulher comum é extraordinariamente alta e propícia para provocar a ligeira extensão da visão necessária para perceber a multidão que espera do outro lado; não fosse o horror irracional que os faz fugir quando ocorrem manifestações e esconder o fato de terem visto alguma coisa, muitos saberiam que não há morte, mas que a continuidade da vida é um fato na natureza.
Esse processo é lento, no entanto; e periodicamente as pessoas se afundam em um estado de incredulidade e indiferença. Então as guerras são permitidas para acelerar a evolução pela matança massiva que separa o Espírito do seu Corpo Denso. As pessoas são, então, desviadas da busca do prazer para enfrentar os fatos da Vida e da Morte.
Portanto, a guerra fará mais que mil anos de pregação, para acabar com a era do agnosticismo e levar o povo a Deus, além disso, quando esse contato com os Mundos espirituais for restabelecido, não poderá haver mais guerras, pois todos aprenderão que há, na realidade, não o judeu, nem o gentio, nem o grego ou o romano, que todas as Raças são manifestações ilusórias e evanescentes e que somos todos filhos de Deus, assim, através da carnificina, o perigo de destruição nas Raças terá passado e a humanidade começará a expressar o ideal da próxima Raça que é a Fraternidade Universal.
Assim, o propósito da guerra é despertar a visão espiritual através da dor e da saudade intensa por aqueles que faleceram. É também o propósito de fazer com que aqueles que partiram se esforcem para retornar e gerar a visão espiritual em todos os combatentes, pela tensão e pelo estresse da batalha, restabelecendo assim a comunicação entre os dois Mundos, roubando da morte seu terror e promovendo elevando ideais, em vez das preocupações sórdidas da existência concreta.
FIM
[1] N.T.: o autor se refere à Primeira Guerra Mundial.
[2] N.T.: o autor se refere à Primeira Guerra Mundial
[3] N.T.: CONFERÊNCIA Nº 13 – OS ANJOS COMO FATORES DA EVOLUÇÃO
Quando falamos de evolução, a ideia disso no ocidente é, principalmente, focada no materialismo. Acostumamo-nos a olhar a matéria pelo ponto de vista puramente científico: que o nosso Sistema Solar procede daquilo que, uma vez, foi uma incandescente nebulosa, cujas correntes foram geradas e postas em um movimento a partir de um movimento espontâneo. Essa nebulosa assumiu a forma esférica e lançou de si anéis conforme se contraía. Esses anéis se romperam e formaram, assim, os Planetas que se esfriaram e se solidificaram. Pelo menos um Planeta – nossa Terra – espontaneamente gerou organismos simples que mais tarde, pelo processo evolutivo, se tornaram cada vez mais complexos, elevando-se na escala através dos Radiados (ouriços, estrelas do mar, etc.), depois pelos Moluscos (ostras, mexilhões, etc.) e daí pelos Articulados (caranguejos, lagostas, etc.) até as espécies vertebradas. Após percorrer as quatro classes de vertebrados – Peixes, Répteis, Aves e Mamíferos – esse impulso evolutivo espontâneo alcançou o seu mais elevado estágio no ser humano, que é considerado a fina flor da evolução – a mais elevada inteligência do Cosmos.
O cientista materialista expressará desprezo ou impaciência com tudo aquilo que sugere a existência de um Deus, ou mesmo de qualquer outro agente externo, como totalmente desnecessária para explicar o universo. Em apoio a essa sua posição, ele pega uma vasilha com água e despeja nela um pouco de óleo. A água representa o espaço, e o óleo a nebulosa incandescente. A seguir, ele começa a mexer o óleo, girando-o na vasilha até formar uma “bola” no centro, e essa vai engrossando mais nas bordas, formando um anel, até se desprender desse anel. Isso formará uma esfera menor e revolve sobre a massa central como um Astro em volta do Sol. Então, o cientista pode, triunfalmente, se voltar e indagar com um sorriso compassivo: “Agora, você viu quão natural é isso, como é supérfluo o seu Deus?”.
Na verdade, é de causar pasmo a constatação de quão obtusas podem ser as mais brilhantes inteligências quando influenciadas por noções preconcebidas. É de pasmar também que alguém, capaz de idealizar essa excelente demonstração, seja ao mesmo tempo incapaz de ver que ele próprio representa, em sua experiência, o Autor do nosso sistema a quem chamamos Deus, porque a experiência jamais teria sido imaginada, nem o óleo jamais teria sido posto a girar sobre a água, formando algo semelhante a um sistema planetário, não fora o pensamento e a ação atuarem sobre a matéria. Por isso, ao invés de provar a “superficialidade” da existência de Deus, sua demonstração da teoria nebular prova, no sentido mais amplo, a absoluta necessidade de uma Causa Primeira – seja ela chamada Deus ou tenha qualquer outro nome. Percebendo isso foi que Herbert Spencer, o grande pensador do século XIX, rejeitou essa teoria. Contudo, foi por sua vez incapaz de explicar satisfatoriamente a origem do sistema solar independentemente da mesma, que considerou falha. A ciência, pois, embora não queira reconhecê-lo, também apoia a teoria da origem do mundo que requer a ação inteligente de um ser ou seres estranhos à matéria do universo: um Criador ou Criadores.
Propriamente compreendida, essa teoria está em perfeita harmonia com a Bíblia que nos fala de um certo número de diferentes Seres que tomam parte ativa na evolução da Terra e das criaturas que nela vivem. Ouvimos falar de Anjos, Arcanjos, Querubins, Serafins, Tronos, Principados, Poder das Trevas, Poder dos Ares, etc., de modo que a Mente indagadora não pode deixar de perguntar: “Quem são todos eles? Que papel desempenharam no passado? Qual o seu trabalho no presente?”. Porque a Mente indagadora não pode acreditar que os Anjos sejam seres humanos transformados pela morte em entidades espirituais cujo único prazer e única tarefa consiste em soprar uma trombeta e dedilhar uma harpa, quando na vida terrena eram incapazes até de distinguir uma nota de outra. Tal suposição contraria a razão e está em desacordo com todos os métodos da Natureza, que exige que nos esforcemos para desenvolver nossas faculdades.
Os ensinamentos ocultos – em harmonia com a Bíblia e com as modernas teorias científicas – e que se encontram no Capítulo “Análise Oculta do Gênesis” de “Conceito Rosacruz do Cosmos” dizem que o corpo que agora é a Terra nem sempre foi tão denso e sólido como no presente, mas que já passou por três Períodos de desenvolvimento antes de chegar ao atual Período Terrestre, e que, “após este, haverá ainda mais outros três antes de completar-se nossa evolução”.
Durante os três Períodos precedentes à nossa atual condição, isto que agora é a Terra, juntamente com o ser humano sobre ela, foram ambos gradativamente solidificados a partir de um sutil estado etéreo até outro de densidade muito maior do que é presentemente. Enquanto a “Involução” – o processo de consolidação – prosseguia, o Espírito que agora é o Ego humano construía um corpo ou um veículo para cada grau de densidade. Trabalhava inconscientemente, mas nisso era ajudado por diferentes Hierarquias espirituais, tais como os Tronos, os Querubins e os Serafins.
Quando o máximo de densidade foi alcançado, o Espírito teve a consciência despertada para si mesmo como um Ego separado no mundo material. Esse foi o ponto decisivo para o retorno, pois, uma vez consciente, o Espírito não pode continuar submergindo-se na matéria. Assim, à medida que sua consciência espiritual paulatinamente desponta, ele também aos poucos espiritualiza seus corpos, deles extraindo a alma que é a essência do poder de cada um.
Desse modo, ele se elevará gradativamente das regiões materiais mais densas, juntamente com a Terra, durante o resto do Período Terrestre e nos três Períodos subsequentes.
Nos primórdios da evolução, o tríplice “Espírito Virginal” estava “desnudo” e era inexperiente. Sua Involução implicava na construção de corpos, o que ele conseguiu inconscientemente com a ajuda de poderes superiores. Quando seus corpos foram concluídos e o Espírito tornou-se consciente, então a Evolução teve início. Mas esta exige crescimento anímico, que só pode ser alcançado mediante os esforços individuais do espírito no ser humano, o Ego, que ao final desta fase possuirá poder anímico como fruto de sua peregrinação através da matéria. E será daí uma Inteligência Criadora.
Os Rosacruzes deram aos sete Períodos de desenvolvimento os nomes dos Astros que regem os dias da semana porque, usando o termo em seu sentido mais amplo, tais Períodos são os Sete Dias da Criação. Significam também metamorfoses da Terra, nada tendo a ver com os Astros no céu, exceto que as condições que eles representam aproximam-se das dos Astros de mesmo nome, como segue: 1) Período de Saturno; 2) Período Solar; 3) Período Lunar; 4) Período Terrestre (cuja primeira metade é chamada “Marciana” e a segunda “Mercurial”, segundo o exposto no “Conceito Rosacruz do Cosmos”); 5) Período de Júpiter; 6) Período de Vênus; 7) Período de Vulcano.
Nossa evolução começou na Terra como ela era no quente e escuro Período de Saturno, em que a matéria era constituída de uma substância gasosa extraída da Região do Pensamento Concreto. Ali, o Espírito Divino (que é o mais elevado aspecto do tríplice “Espírito Virginal”, feito à semelhança de Deus) foi despertado pelos Senhores da Chama, também chamados Tronos no esoterismo Cristão, os quais irradiaram de si próprios o germe do pensamento-forma como contraparte material do Espírito Divino. Esse pensamento-forma foi mais tarde aperfeiçoado e consolidado na forma do Corpo Denso do ser humano, pelo que o seu mais elevado Espírito e o mais inferior dos seus corpos são frutos do Período de Saturno.
No Período Solar, a Terra alcançou a densidade do Mundo do Desejo, convertendo-se em algo assim como um nevoeiro incandescente de brilhante luminosidade. Então, os Querubins despertaram o segundo aspecto do Espírito Virginal tríplice: o Espírito de Vida. Sua contraparte – o Corpo Vital – nasceu aí como pensamento-forma e foi feito para interpenetrar o Corpo Denso germinal que se tinha consolidado e alcançado a mesma densidade da Terra. Foi, portanto, formado de matéria de desejos.
Ao fim das condições a que chamamos Período Solar, o ser humano possuía um duplo espírito e um duplo corpo.
No Período Lunar, a densidade da Terra aumentou a tal ponto que alcançou o estado de matéria que constitui a chamada Região Etérica. Era então um núcleo ígneo envolto em vapor e recoberto por uma atmosfera de nevoeiro quente ou de gás também vaporoso e quente. Quando a água esquentava pela proximidade com o núcleo ígneo, dele se afastava evaporando-se para o exterior; e quando resfriada pelo contato com o espaço externo, o vapor tornava a descer em direção ao núcleo ígneo.
Dessa substância úmida é que se formou o corpo mais denso dos “humanos aquáticos”. O pensamento-forma do Corpo Denso havia se consolidado em um gás úmido; o pensamento-forma do nosso atual Corpo Vital havia descido até o Mundo do Desejo, pois da matéria desse Mundo foi formado, conforme vimos anteriormente. O pensamento-forma do nosso atual Corpo de Desejos foi acrescentado a esse duplo corpo no Período Lunar, tendo sido os Serafins que despertaram aí o terceiro aspecto do Espírito Virginal: o Espírito Humano. Foi então que o Espírito Virginal se tornou um “Ego”, de modo que, ao fim do Período Lunar, o ser humano nascente possuía um Tríplice Espírito e um Tríplice Corpo, a saber:
1) o Espírito Divino e sua contraparte – o Corpo Denso;
2) o Espírito de Vida e sua contraparte – o Corpo Vital;
3) o Espírito Humano e sua contraparte – o Corpo de Desejos.
O Tríplice Corpo é a “sombra” do Tríplice Espírito, lançada na Região do Pensamento Concreto nos três Períodos que precederam o atual Período Terrestre. Desde ali, todos esses pensamentos-forma condensaram-se: 1 grau o Corpo de Desejos, 2 graus o Corpo Vital e 3 graus o Corpo Denso, antes de alcançarem sua presente densidade.
Os Senhores da Chama (Tronos), os Querubins e os Serafins trabalharam para o ser humano voluntariamente e por puro Amor. De uma evolução como a nossa, eles nada podiam aprender. Agora que já se retiraram no atual Período Terrestre, os “Poderes” (Exusiai) do Cristianismo Esotérico – chamados Senhores da Forma pelos Rosacruzes – assumiram um encargo especial, porque este é um Período eminentemente da “Forma” e foi essa Hierarquia espiritual quem deu a todas as coisas suas atuais, definidas e nítidas formas concretas, as quais eram incipientes e indistintas nos Períodos anteriores.
Além das Hierarquias espirituais mencionadas, houve outros que ajudaram, mas vamos ater-nos somente aos seres que alcançaram no desenvolvimento a condição de humanos nos três Períodos precedentes. Esses seres avançaram naturalmente, de modo que a humanidade do Período de Saturno estão agora três passos à frente dos humanos atuais, sendo conhecidos como “Senhores da Mente”. A humanidade do Período Solar encontra-se dois passos adiante de nós e são chamados “Arcanjos”. E a humanidade do Período Lunar acha-se apenas um passo à nossa frente: são os “Anjos”.
Os Períodos são dias da Criação e, entre cada dois Períodos, há um intervalo de repouso ou atividade subjetiva – uma Noite Cósmica, análoga à noite de sono restaurador que desfrutamos entre um dia e outro de nossa vida terrena. Quando a vida em evolução emerge do “Caos” na aurora de um novo Período, efetua-se em primeiro lugar uma recapitulação um grau à frente do trabalho realizado nos Períodos anteriores, antes de iniciar-se a obra do novo Período. Assim é alcançado o apogeu da perfeição capaz de ser atingida.
Portanto, a evolução do ser humano sobre a Terra, tal como se acha agora constituída, divide-se em “Épocas”, nas quais ele primeiro recapitula o seu passado, indo depois em frente às condições que prefiguram desenvolvimento e que só alcançarão expressão plena em Períodos futuros.
Na primeira – ou Época Polar – “Adão” ou humanidade – foi formado de “terra”. Atravessava ele aquela fase puramente mineral do Período de Saturno em que possuía somente o Corpo Denso, modelado por ele próprio sob a orientação dos Senhores da Forma. Estava submerso no então escuro e gasoso Astro que acabava de emergir do caos, “sem forma e vazio”, como diz a Bíblia. Pois, do mesmo modo que as framboesas são formadas de pequenas bagas, assim foi a nossa “mãe Terra” formada da multidão de corpos densos parecidos com minerais de todos os reinos, e as correntes de vida que se expressavam como minerais, animais e homens, trabalhavam para libertá-los.
Na segunda – ou Época Hiperbórea – disse Deus: “Haja luz”, e o calor transformou-se em uma nuvem incandescente idêntica àquela do Período Solar. Nessa Época, foi o Corpo Denso do ser humano interpenetrado por um Corpo Vital, ficando a flutuar de um lado para outro sobre a Terra ígnea como uma enorme coisa em forma de saco. O ser humano era então como as plantas porque dispunha dos mesmos veículos que estas possuem agora, enquanto os Anjos o auxiliavam a organizar seu Corpo Vital, conforme continuam fazendo até o presente.
Isso pode parecer uma anomalia, já que os Anjos são a humanidade do Período Lunar, no qual o ser humano obteve seu Corpo de Desejos. Mas não é, porque somente no Período Lunar a Terra em evolução condensou-se em Éter, tal como o que agora forma a substância de nosso Corpo Vital. A humanidade de então (os atuais Anjos) aprenderam ali a construir seus corpos mais densos de matéria etérea, assim como aprendemos a construir os nossos com matéria sólida, líquida e gasosa da Região Química. E nisso os Anjos tornaram-se peritos, conforme seremos também na construção de nossos Corpos Densos ao fim do Período Terrestre.
Eles estão, portanto, especialmente preparados para ajudar as outras Ondas de Vida em funções que digam respeito às importantes expressões do Corpo Vital. Ajudam assim na formação e manutenção das plantas, dos animais e do ser humano, relacionando-se muito de perto com a assimilação, crescimento e propagação desses reinos. Os Anjos anunciaram o nascimento de Isaac ao fiel Abraão, mas foram também os arautos da destruição de Sodoma por abusar-se ali das funções criadoras. O Anjo Gabriel (não Arcanjo, de acordo com a Bíblia) predisse os nascimentos de Jesus e João. Outros Anjos já haviam anunciado os nascimentos de Samuel e Sansão.
Os Anjos atuam particularmente nos Corpos Vitais dos vegetais porque a corrente de vida que anima esse reino iniciou sua evolução no Período Lunar, quando os Anjos eram humanos e trabalhavam com os vegetais do mesmo modo que agora trabalhamos com os minerais. Há, portanto, uma afinidade especial entre o Anjo e o Espírito-Grupo das plantas. Pode-se assim explicar a enorme assimilação, crescimento e fecundidade das plantas. O ser humano também alcançou enorme estatura na segunda Época – ou Época Hiperbórea – que estava principalmente a cargo dos Anjos. A mesma coisa se dá com a criança em sua segunda Época setenária de vida, porque então os Anjos podem trabalhar mais amplamente sobre ela de maneira que, ao fim dessa Época, aos quatorze anos, a criança alcança a puberdade e torna-se apta a reproduzir sua espécie – também com a ajuda dos Anjos.
A terceira – ou Época Lemúrica – apresentava condições análogas ao Período Lunar, embora mais densas. O núcleo ígneo da Terra ficava ao centro. Envolvendo-o, havia uma fervilhante camada de água em ebulição que, por sua vez, era envolvida na parte mais externa por uma atmosfera vaporosa de “neblina ardente”, pois assim “havia Deus dividido a terra das águas”, segundo o Gênese. Com a umidade mais densa do vapor, podia o ser humano viver em ilhas com crostas sólidas em formação espalhadas num mar de águas ferventes. Sua forma era então completamente firme e sólida, possuía tronco e membros e a cabeça começava a formar-se. O Corpo de Desejos foi acrescentado e aí o ser humano passou ao encargo dos Arcanjos.
Temos aqui outra vez o que se parece com uma anomalia, pois os Arcanjos foram a humanidade do Período Solar, Período em que nasceu o Corpo Vital, quando o ser humano não possuía ainda Corpo de Desejos. A dificuldade, porém, se desvanece quando recordamos que cada veículo nosso é a sombra de um dos aspectos do Espírito, conforme dissemos anteriormente, e que tais veículos não foram dados por essas Hierarquias. Essas simplesmente ajudam o ser humano no aperfeiçoamento de determinado veículo, dada a sua especial aptidão para trabalhar com a matéria dele. Os Arcanjos são educadores do nosso Corpo de Desejos, pois se fizeram peritos na construção e uso de tal veículo quando eram humanos no Período Solar. Nesse Período, eles construíram o seu corpo mais denso com “matéria de Desejos”, da mesma forma que agora construímos nosso corpo mais denso com matéria química mineral.
Os Arcanjos são também o principal apoio do Espírito-Grupo animal, porque os atuais animais começaram como minerais no Período Solar. Na Época Lemúrica, o ser humano encontrava-se em idêntica situação à daqueles na Época atual: o Espírito estava fora do corpo que tinha de dirigir, ainda que os corpos de todos já tivessem sido impregnados com o germe da personalidade individual, conforme esclareceremos a seguir. Desse modo, os seres humanos não eram tão fáceis de guiar como os animais do presente, pois o espírito separado de cada um desses ainda está inconsciente. O desejo então predominava, necessitando por isso de uma forte sujeição. Isso foi feito em alguns dos mais dóceis entre a nascente humanidade da Época Lemúrica, os quais, no devido tempo, vieram a ser instrutores dos demais. A grande maioria, contudo, não recebeu tal vantagem.
Na quarta – ou Época Atlante – teve início o verdadeiro trabalho do Período Terrestre. O Tríplice Espírito estava destinado a entrar no Tríplice Corpo e converter-se num Espírito interno para alcançar pleno domínio sobre seus veículos, mas faltava ainda o elo da Mente. Tal elo, nós o devemos aos Senhores da Mente que haviam antes impregnado os corpos com a sensação de personalidade separada. Essa preponderou sobre a primitiva sensação de unidade com o todo, possibilitando a cada um colher experiências individuais de condições semelhantes.
Os Senhores da Mente alcançaram o estado humano no Período de Saturno. Não eram “deuses” vindos de uma evolução anterior como os Querubins e os Serafins. Daí a tradição oriental de os chamar de “A-suras” – “Não-deuses” – e a Bíblia os denominar “Poderes das Trevas”, em parte porque procederam do escuro Período de Saturno e em parte porque os considera como o mal. São Paulo apóstolo fala do nosso dever de lutar contra eles.
São Paulo estava certo, mas é bom compreendermos que não existe nada absolutamente de mal, e que no passado eles foram os benfeitores do gênero humano. O mal não é outra coisa senão o bem mal colocado ou não desenvolvido. Por exemplo: suponhamos um especialista em fabricação de órgãos que construa um, todo especial – sua obra-prima. Nesse caso, ele é uma encarnação do bem. Mas se ele leva o órgão até a igreja e, mesmo não sendo músico, insiste em tocá-lo substituindo o organista, então ele representa o mal.
Quando os Senhores da Mente eram humanos no Período de Saturno e a Terra era constituída de substância da Região do Pensamento Concreto, aí começamos nossa evolução como minerais. Então, os Senhores da Mente aprenderam a construir seus corpos mais densos com esses minerais, do mesmo modo que agora construímos nossos corpos dos presentes minerais. Assim, especializaram-se no uso dessa “matéria mental”, estabelecendo também, portanto, uma relação extraordinariamente íntima conosco.
Chegado o tempo em que o Tríplice Corpo estava pronto para que o Espírito nele habitasse, o ser humano precisou da Mente para servir como elo entre o Espírito e o corpo. Mas isso os deuses não lhe podiam dar. Era demasiado para eles. Os Arcanjos e os Anjos ainda não podiam criar, mas os Senhores da Mente já haviam alcançado o terceiro Período além daquele em que tinham sido humanos, tornando-se, pois, Inteligências Criadoras. Assim, puderam naturalmente preencher a lacuna irradiando de si a substância de que está formada a nossa Mente.
Procedendo de tal forma, nossa Mente tinha de ser, como é de fato, naturalmente separatista e inclinada a ressentir-se da autoridade. Devia ser o instrumento do infante Espírito no governo do Tríplice Corpo e um freio ao desejo imoderado. Contudo, ela veio acrescentar ao desejo a poderosa astúcia, depois paixão e malvadez, sendo por si mesma mais difícil de domar que um potro selvagem. À Mente, agrada mais dominar o inferior do que obedecer ao superior. Por conseguinte, a paixão e a perversidade predominaram na Época Atlante. A raça degenerou e então tornou-se imperiosa a criação de outra e sob diferentes condições.
Entretanto, a atmosfera quente e vaporosa da Lemúria havia-se esfriado e condensado, convertendo-se em espesso nevoeiro na Época Atlante. Ali viveram os “niebelungen” (“filhos da névoa”) das velhas lendas, que foram os atlantes. Então, Deus ordenou que “as águas se juntassem em um lugar e que aparecesse a terra seca”. A névoa condensou-se gradualmente, caindo em torrentes e inundando os vales da Atlântida. A raça perversa pereceu, com exceção de uns poucos, conhecidos depois como “o povo eleito”, e escolhidos para serem o núcleo da atual raça ariana e herdarem a terra prometida: a Terra como é agora constituída. Esses poucos foram salvos conforme relatado diversamente nas histórias de Noé e Moisés, esse tirando o povo de Deus do Egito (Atlântida) e guiando-o através do Mar Vermelho (o dilúvio ou inundação atlântica), onde o Faraó (o malvado rei atlante) pereceu com todos os seus seguidores.
As Hierarquias espirituais têm sido seriamente embaraçadas em seus esforços para ajudar o ser humano desde a Época em que esse recebeu a luz da razão e se lhe abriu o entendimento, porque então tinha de lidar com assuntos dos quais não possuía o menor conhecimento, como por exemplo a propagação da espécie. Por ignorar as Leis Cósmicas que a regiam, o parto tornou-se doloroso e a morte converteu-se na experiência mais frequente e desagradável. Severas medidas impuseram-se, portanto, para controlar a natureza inferior. Isso foi feito por Jeová, o mais alto Iniciado do Período Lunar e regente dos Anjos, auxiliado nessa tarefa pelos Arcanjos, que são os Espíritos de Raça (Dn 12:1).
Jeová ajudou o ser humano a controlar a Mente e a dominar o Corpo de Desejos impondo leis e decretando castigos para as transgressões. O temor de Deus opôs-se então aos desejos da carne, e assim foi o pecado manifestado ao mundo.
Os Arcanjos, como Espíritos de Raça, lutavam a favor ou contra uma nação por intermédio de outra para castigar aquela em que houvesse pecado (Dn 10:20).
Eram os Anjos que faziam vicejar ou secar os trigais e vinhedos; os que aumentavam ou diminuíam os rebanhos; os que multiplicavam ou reduziam a família, conforme fosse necessário recompensar ou punir o ser humano por sua obediência ou transgressão às leis do Chefe dos Espíritos de Raça – Jeová. Sob o reinado desse, todas as Religiões de Raça – Confucionismo, Taoísmo, Budismo, Judaísmo, etc. – floresceram e atuaram no Corpo de Desejos como Religiões do Espírito Santo. Jeová ajudou o ser humano a dominar o Corpo de Desejos porque esse foi obtido no Período Lunar.
Mas a Lei conduz ao pecado, pois é separatista. Além disso, o ser humano deve aprender a agir bem, independentemente do medo. Portanto, Cristo, o mais alto Iniciado do Período Solar, veio para ensinar a Religião do Filho, que atua sobre o Corpo Vital, obtido no Período Solar. Ele ensinou que o Amor é superior à Lei. O amor perfeito lança fora o temor e liberta a humanidade do racismo, da casta e do nacionalismo, conduzindo-o à Fraternidade Universal, que será um fato quando o cristianismo for vivenciado.
Quando o Cristianismo houver espiritualizado plenamente o Corpo Vital, um passo ainda mais elevado será dado com a Religião do Pai, o qual, como o mais alto Iniciado do Período de Saturno, ajudará o ser humano a espiritualizar o corpo que obteve nesse Período: o Corpo Denso. Então, até a Fraternidade Universal será superada. Não haverá mais eu ou tu, porque todos serão conscientemente “Um” em Deus, e o ser humano terá sido emancipado da tutela dos Anjos, dos Arcanjos e dos Poderes ainda maiores.
[4] N.T.: o autor se refere à Primeira Guerra Mundial.
[5] N.T.: A Grande Retirada, também conhecida como a Retirada de Mons, foi a longa retirada para o rio Marne em agosto e setembro de 1914 pela Força Expedicionária Britânica (BEF) e pelo Quinto Exército Francês. As forças franco-britânicas na Frente Ocidental na Primeira Guerra Mundial foram derrotadas pelos exércitos do Império Alemão na Batalha de Charleroi (21 de agosto) e na Batalha de Mons (23 de agosto). Uma contraofensiva do Quinto Exército, com alguma ajuda do BEF, na Primeira Batalha de Guise (Batalha de St. Quentin 29-30 de agosto) não conseguiu acabar com o avanço alemão e a retirada continuou sobre o Marne. De 5 a 12 de setembro, a Primeira Batalha do Marne encerrou a retirada aliada e forçou os exércitos alemães a se retirarem em direção ao rio Aisne e a lutar na Primeira Batalha do Aisne (13 a 28 de setembro). Tentativas recíprocas de flanquear os exércitos adversários ao norte, conhecidas como Corrida para o Mar, ocorreram de 17 de setembro a 17 de outubro.
[6] N.T.: Robert Forman Horton (1855-1934), escritor inglês e pastor da Igreja Protestante Não-Conformista.
[7] N.T.: gíria britânica na época que quer dizer soldado sem patente.
[8] N.T.: Sir Walter Scott, PRSE (1771-1832) foi um romancista, poeta, dramaturgo e historiador escocês, o criador do verdadeiro romance histórico. Principais obras: A dama do lago (1810); Waverley (1814); Guy Mannering (1815); Rob Roy (1817); Ivanhoé (1819); Uma lenda de Montrose (1819); Kenilworth (1821); Peveril of the peak (1822); Woodstock (1826); Ano de Geirstein (1829). Ivanhoé é a mais conhecida e tornou-se filmes, seriados e peças de teatro.
[9] N.T.: Bernal Díaz del Castillo (1492-1584) foi um conquistador e cronista espanhol, que escreveu um relato da conquista espanhola do México liderada por Hernán Cortés, junto de quem serviu.
George du Maurier descreve nesse Livro: “Peter Ibbetson” como um prisioneiro pode reviver as ocorrências de sua infância, se vendo a si mesmo, a seus companheiros de brinquedo, a seus pais, a todo o seu ambiente pela reprodução do registro etérico de sua vida infantil, e até de vidas passadas.
Qualquer um que conheça o segredo de como se colocar em contato com tais imagens, pode encontrar e ler a vida das pessoas com as quais mantém contato.
Sobre isso, podemos ler no Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos: “Quando chega o tempo de passar ao segundo grau (a segunda Iniciação Menor), ao neófito é solicitado dirigir sua atenção às condições da segunda Revolução do Período Terrestre, conforme registradas na Memória da Natureza. Então, em plena consciência, observa os progressos alcançados nesse tempo pelos Espíritos Virginais, tal como Peter Ibbetson (o herói da obra “Peter Ibbetson”, de George du Maurier, cuja leitura recomendamos por ser uma descrição gráfica de certas fases de subconsciência) observava sua vida infantil durante as noites em que ‘sonhava de verdade’.”.
E isso só é possível porque, do mesmo modo que sabemos que os movimentos da humanidade de hoje podem ser reproduzidos, graças à câmara cinematográfica, mesmo depois que se tenham transcorridos muitos anos da morte de seus verdadeiros atores, também, iluminados pelas últimas descobertas, podemos preparar nossas Mentes para aceitar a ideia de que existe um registro automático de cada vida humana e também das vidas de comunidades, preservado, no que podemos chamar, por falta de melhor denominação, na Memória da Natureza.
Essa nos mostra os estados de evolução alcançados por todos os seres viventes e proporciona aos ministros de Deus, os Anjos Relatores, a perspectiva necessária de nos ajudar no esforço para alcançarmos a sabedoria, o conhecimento e o poder; eis os motivos pelos quais estas lições são necessárias para nosso avanço no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Acesse-o aqui: Livro: Peter Ibbetson – George Du Maurier

INTRODUÇÃO
Vamos conceituar, primeiro, o que é um Audiobook ou Audiolivro: nada mais é do que a transcrição em áudio de um livro impresso digital ou fisicamente.
Basicamente, é a gravação de um narrador lendo o livro de forma pausada e o arquivo é disponibilizado para o público por meio de sites. Assim, ao invés de ler, o interessado pode escolher ouvi-lo.
Um audiobook que obedece ao conceito de “livro-falado” tenta ser uma versão a mais aproximada possível do “livro em tinta” (livro impresso), a chamada “leitura branca”, que, mesmo desprovida de recursos artísticos e de sonoplastia, obedece às regras da boa impostação de voz e pontuação, pois parte do princípio de que quem tem de construir o sentido do que está sendo lido é o leitor e não o ledor (pessoas que utilizam a voz para mediar o acesso ao texto impresso em tinta para pessoas visualmente limitadas).
Para que serve audiolivro?
O audiolivro é um importante recurso, na inserção do no ecossistema da leitura, para:
O audiolivro é apreciado por um público de diversas idades, que ouve tanto para aprendizado como para entretenimento.
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INTRODUÇÃO
Vamos conceituar, primeiro, o que é um Audiobook ou Audiolivro: nada mais é do que a transcrição em áudio de um livro impresso digital ou fisicamente.
Basicamente, é a gravação de um narrador lendo o livro de forma pausada e o arquivo é disponibilizado para o público por meio de sites. Assim, ao invés de ler, o interessado pode escolher ouvi-lo.
Um audiobook que obedece ao conceito de “livro-falado” tenta ser uma versão a mais aproximada possível do “livro em tinta” (livro impresso), a chamada “leitura branca”, que, mesmo desprovida de recursos artísticos e de sonoplastia, obedece às regras da boa impostação de voz e pontuação, pois parte do princípio de que quem tem de construir o sentido do que está sendo lido é o leitor e não o ledor (pessoas que utilizam a voz para mediar o acesso ao texto impresso em tinta para pessoas visualmente limitadas).
Para que serve audiolivro?
O audiolivro é um importante recurso, na inserção do no ecossistema da leitura, para:
O audiolivro é apreciado por um público de diversas idades, que ouve tanto para aprendizado como para entretenimento.
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Como indicado no Livro: Mensagem das Estrelas, Capítulo XVIII, A Doutrina da Delineação em Poucas Palavras (para acessá-lo clique aqui), Max Heindel utilizou a técnica da combinação das palavras-chave de todos os outros Astros e Aspectos da Tabela que consta naquele capítulo para fazer as interpretações desses horóscopos e sugere que os Estudantes Rosacruzes também o façam. Nas palavras dele: “Isso os capacitará a uma boa leitura de qualquer horóscopo, mesmo com pouca prática. Para mais demonstrações práticas desse método sugerimos aos Estudantes que examinem os horóscopos de crianças publicados nos Livros Interpretações Astrológicas de Temas de Criança. Esses horóscopos constituem uma fonte de ensino que nenhum Estudante Rosacruz desejoso de se aperfeiçoar na ciência estelar pode dispensar. As palavras-chave proporcionarão o que foi dito a respeito da natureza geral dos Astros sob consideração; isso ele poderá combinar com a natureza dos Signos e das Casas em que os Astros estão, caso queira uma interpretação completa.”.
Essas interpretações astrológicas dos horóscopos feitas por Max Heindel, mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz, foram publicadas primeiramente na Revista da Fraternidade Rosacruz, Rays from the Rose Cross, durante os meses de setembro de 1915 a outubro de 1916.
Não foram impressas anteriormente em formato de livro, mas a base espiritual de sua apresentação, juntamente com sua clareza e concisão, as fez merecedoras de uma audiência maior.
Acreditamos que todos os Estudantes de Astrologia irão achar o estudo dessas vinte e oito delineações de um valor especial para aprender a interpretar corretamente os diferentes Aspectos dos Astros, assim como a sintetizar o mapa como um todo.
O conselho sábio dado aos pais das crianças representadas é outro recurso valioso dessas leituras.
“Se você é um pai ou uma mãe o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”. Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado. O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar o luxo de ignorar isso tudo.”
Max Heindel
Oceanside CA, Setembro de 1915
1. Para fazer download ou imprimir:
Interpretações Astrológicas de Temas de Crianças – Vol. III
2. Para estudar no próprio site:
INTERPRETAÇÕES ASTROLÓGICAS DE TEMAS DE CRIANÇAS
Por
Max Heindel
VOLUME 3
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês, Your Child’s Horoscope Vol. 3 editada por The Rosicrucian Fellowship
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Esse é o terceiro volume das interpretações astrológicas dos horóscopos feitas por Max Heindel, mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz. Elas foram publicadas primeiramente na Revista da Fraternidade Rosacruz, Rays from the Rose Cross, durante os meses de outubro de 1916 a julho de 1917.
Não foram impressas anteriormente em formato de livro, mas a base espiritual de sua apresentação, juntamente com sua clareza e concisão, as fez merecedoras de uma audiência maior. Acreditamos que todos os Estudantes de Astrologia irão achar o estudo dessas vinte e oito delineações de um valor especial para aprender a interpretar corretamente os diferentes Aspectos dos Astros, assim como a sintetizar o mapa como um todo. O conselho sábio dado aos pais das crianças representadas é outro recurso valioso dessas leituras.
“Se você é um pai ou uma mãe o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”. Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado. O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar ao luxo de ignorar isso tudo.”
Max Heindel
Oceanside CA, Setembro de 1915
ÍNDICE
ALICE F.S. – NASCIDA EM 7 DE JUNHO DE 1906 ÀS 10:30 AM… 6
BLANCHE LEONE K. – NASCIDA EM 12 DE JUNHO DE 1914 ÀS 1:15 AM… 9
CHRISTIAN R. S. – NASCIDO EM 15 DE JUNHO DE 1911 ÀS 3:10 PM… 12
DOUGLAS L. – NASCIDO EM 11 DE NOVEMBRO DE 1915 ÀS 11:17 PM… 16
ERNEST T. – NASCIDO EM 19DE MAIO DE 1909 ÀS 5 AM… 19
EUGENE HOWARD L. – NASCIDO EM 5 DE NOVEMBRO DE 1908 ÀS 9:47 PM… 23
FLORENCE A. A. – NASCIDA EM 19 DE JULHO DE 1916 ÀS 5:05 AM… 26
FRANCIS B. E. – NASCIDO EM 10 DE FEVEREIRO DE 1907 ÀS 2:30 PM… 30
GEORGE B. – NASCIDO EM 22 DE SETEMBRO DE 1910 ÀS 11:42 PM… 33
GEORGE W. R. – NASCIDO EM 19 DE JUNHO DE 1908 ÀS 6 AM… 36
GEORGE WILLIAM B. – NASCIDO EM 7 DE ABRIL DE 1911 ÀS 2:30 AM… 39
GERTRUDE A. K. – NASCIDA EM 9 DE AGOSTO DE 1907 ÀS 2:10 PM… 43
HAROLD VAN DER W. – NASCIDO EM 10 DE DEZEMBRO DE 1904 ÀS 11:00 PM 47
HARRIET S. – NASCIDA em 7 DE SETEMBRO DE 1910 ÀS 6:00 PM… 51
IRENE LA M. – 16 DE AGOSTO DE 1913, POR VOLTA DAS 4:00 PM… 54
JOHN MELVIN L. – NASCIDO EM 7 DE NOVEMBRO DE 1907 ÀS 4:15 PM… 57
LEONARD S. J. – NASCIDO EM 29 DE SETEMBRO DE 1913 ÀS 11:32 PM… 60
LILLIAN C. – NASCIDA EM 18 DE MARÇO DE 1915 ÀS 1:40 AM… 64
MARGUERITE K. – NASCIDA EM 8 DE MAIO DE 1915 ÀS 5:50 AM… 67
MARY V. G. – NASCIDA EM 25 DE JULHO DE 1917 ÀS 10:15 AM… 71
MILDRED MARION H. – NASCIDA EM 18 DE JUNHO DE 1918 ÀS 8:40 AM… 75
MORRIS B. – NASCIDO EM 3 DE ABRIL DE 1910, 00:03 am… 78
RICHMOND VAN D. – NASCIDO EM 5 DE JANEIRO DE 1912 ÀS 5:36 PM… 81
ROSE E. K. – NASCIDA EM 24 DE NOVEMBRO DE 1916 ÀS 7:00 AM… 85
RUTH R. – NascidA EM 14 DE JULHO DE 1904 ÀS 1:45 PM… 89
SARAH W. S. – NASCIDA EM 25 DE SETEMBRO DE 1907 ÀS 3:18 AM… 93
WATANA PAULINE E. – NASCIDA EM 18 DE ABRIL DE 1913 ÀS 6:55 A M… 96
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ALICE F.S. – NASCIDA EM 7 DE JUNHO DE 1906 ÀS 10:30 AM
EM MINNEAPOLIS, MINN., EUA
Alice, certamente, nasceu sob “estrelas da afortunadas”, com o vivificante Sol, o benevolente Júpiter e o versátil Mercúrio na 10ª Casa, pois esses estão entre os sinais mais seguros de sucesso geral na vida.
Marte, o Planeta da energia dinâmica, também está no Signo mercurial, Gêmeos. Isso lhe proporcionará uma boa memória, um raciocínio rápido e uma resposta pronta na ponta da língua, para que não seja facilmente surpreendida ou fique perplexa. Isso lhe proporcionará um sucesso financeiro acima da média, uma disposição honesta, correta, direta e aberta, que garantirá para ela o favor de pessoas acima dela na escala social, que a ajudarão a subir na vida e obter uma posição de confiança no funcionalismo público, ou um emprego lucrativo em uma grande empresa.
Esse é o lado bom e não mencionamos metade das possibilidades para alguém tão capaz e versátil como Alice, mas também há outro lado de sua natureza que é bastante feio. Essas características são indicadas pelo malicioso, destrutivo e teimoso Saturno em Quadratura com o bombástico e indolente Júpiter, o desonesto e mentiroso Mercúrio e o preguiçoso e não ambicioso Sol. O que fácil fica nervoso, imprudente e egoísta Marte também se opõe à Lua, vacilante e emocional. Essas configurações proporcionarão a ela um temperamento ruim com uma tendência infeliz de manter o rancor e tentar se vingar de qualquer pessoa que ela imagine que a machucou. Há crises de melancolia e teimosia, quando ela sente como se o mundo inteiro estivesse contra ela e, novamente, uma raiva e rebelião, tudo menos belo de se ver. Essas tendências já devem ter se mostrado e Alice agora tem idade suficiente para ser racional.
Mostre a ela esse texto e diga a ela que está escrito nas estrelas que se ela permitir que esse lado feio de sua natureza governe, isso vai roubar seus amigos e fortuna, vai prejudicar sua saúde e torná-la uma naufraga no mar da vida; todo mundo vai querer ficar longe dela por causa da sua feia disposição; portanto, ela deve se esforçar, e vocês devem ajudá-la, a cultivar as muitas boas qualidades latentes na configuração mencionada nos parágrafos anteriores. Lembre-se também de que todos os Astros benéficos estavam entre a 7ª e 12ª Casas, ou seja, acima do horizonte na época de seu nascimento, por isso eles são muito mais poderosos para o amor, a vida e a alegria do que Saturno, o Planeta da tristeza, que é o principal criador de dificuldades. Assim, com a sua ajuda e uma verdadeira boa vontade da parte de Alice, ela pode superar o mal e colher todo o bem que há em seu horóscopo.
Com relação à saúde, vemos que o quente e inflamatório Marte está no Signo de Gêmeos, que rege os pulmões; Sol e Júpiter, que vivificam, também estão lá, mas estão todos em Quadratura com Saturno, o Planeta da obstrução. Isso mostra que os pulmões são o elo mais fraco no organismo de Alice, e será necessário que ela tome cuidado para não pegar um resfriado.
Quando isso acontecer, certifique-se de tomar todas as medidas necessárias para superá-lo o mais rápido possível; não o deixe complicar, nem pense que ele vai melhorar por si mesmo. Você está vivendo em um clima muito rigoroso e severo. Se possível, Alice deve ser levada para um lugar como o sul da Califórnia, onde não estará sujeita ao frio extremo. Mas não há indícios de que deva ter medo, e se você tomar os cuidados normais e corretos, não há dúvida de que Alice se recuperará bem e gozará de boa saúde.
BLANCHE LEONE K. – NASCIDA EM 12 DE JUNHO DE 1914 ÀS 1:15 AM
EM CLAYTON, MICH., EUA
Na época do nascimento de Blanche, quatro Signos Cardeais estavam nos ângulos. Isso ajuda a tornar a vida ativa, fecunda em experiência. O Signo marcial de Áries estava no Ascendente e o dador da vida, o Sol, estava em Sextil com o Regente de Áries, Marte, o Planeta da energia dinâmica, e em Trígono com Júpiter, o grande benéfico. Isso fortalece as forças vitais e, embora o Sol esteja em Conjunção com o Saturno obstrutivo, podemos julgar que Blanche terá uma boa quantidade de vitalidade e energia. Como a Conjunção do Sol e Saturno ocorre em Gêmeos, o Signo que rege os pulmões, vocês descobrirão que esse é seu ponto mais fraco e que ela estará sujeita a resfriados no peito, a menos que ela esteja protegida.
Vocês não precisam temer nenhum desenvolvimento sério dessa tendência, pois o Sextil do Sol com Marte, o Planeta da energia dinâmica, proporcionará a ela poderes de recuperação suficientes para se livrar da doença, se ela adoecer por isso. Com respeito à mentalidade, descobrimos que Mercúrio, o Planeta da razão, está sem Aspectos, então ela nunca será muito boa em raciocinar, mas também encontramos a Lua, o outro significador da Mente, o Astro da imaginação, em Conjunção com Urano, o Planeta da intuição, e isso mostra que Blanche obterá as respostas para seus problemas sem a necessidade de raciociná-los. A solução chegará a ela por intuição tão rapidamente quanto um clarão de luz, e se ela cultivar essa faculdade, sempre será capaz de confiar em seus pensamentos.
O Trígono do Sol com Júpiter, o Planeta da opulência, a levará a uma situação financeira confortável, de modo que ela sempre será cuidadosa por toda a vida a esse respeito. Essa posição também oferece amigos influentes que a ajudarão a progredir na vida social e economicamente.
O Sol em Conjunção com Saturno, o Planeta da parcimônia, economia e premeditação, a tornará cuidadosa e gananciosa. Mas como o Sol é o significador do cônjuge no horóscopo de uma mulher, essa Conjunção é o reverso do bem, pois significa uma negação do casamento ou então uma união com alguém que é muito mais velho do que ela, alguém que será autoritário e dominador, deixando-a muito desconfortável.
Então esse parceiro morrerá, e ela provavelmente se casará mais de uma vez depois disso, mas invariavelmente, alguém com uma disposição saturnina, que a tratará de maneira mesquinha e desprezível.
Portanto, será muito melhor para Blanche não tentar nenhum empreendimento matrimonial, e vocês aumentarão sua felicidade ao influenciá-la nessa direção quando chegar a hora. Vênus em Conjunção com Netuno mostra que ela tem um talento latente para música, mas como Mercúrio está sem Aspecto, não está claro se ela será capaz de compreender e seguir nessa direção; porém, vale a pena tentar.
Seu pior defeito é a falta de aplicação mental, demonstrada pela Lua errante em Conjunção com o espasmódico Urano. Isso a tornará muito original em suas ideias, mas ela se preocupará e se irritará, se as coisas não acontecerem imediatamente como ela acha que deveria. Certifiquem-se de que sempre que vocês lhe derem uma tarefa, ela a cumprirá até que seja concluída, de modo que ela cultive o hábito da aplicação na infância.
Essa configuração da Lua e de Urano também a torna um tanto boêmia em caráter; e para seu próprio bem ela deve ser ensinada que devemos respeitar as convenções, mesmo evitando a aparência do mal.
EM NÁPOLES, ITÁLIA
O primeiro ponto que notamos é a esplêndida posição e os Aspectos de Mercúrio, o Planeta da Mente, expressão e destreza; está em seu próprio Signo, Gêmeos, Sextil com Marte, o Planeta da energia dinâmica, coragem, construção e do vigor; Marte está forte em seu próprio Signo, Áries. Mercúrio também está em Trígono com a Lua, que é o outro significador da Mente, e em Sextil com Vênus, o Planeta do amor, da arte e da música, estando esse altamente elevado no horóscopo perto do Meio do Céu e, portanto, muito poderoso.
Esses Aspectos proporcionarão a Christian uma Mente excepcionalmente brilhante, uma disposição amável e amorosa, uma habilidade e destreza na música e um modo de expressão agradável, porém vigoroso, que o tornará extraordinariamente popular e atrairá, ao seu redor, um grande círculo de amigos e admiradores; esse último benefício é baseado no fato de que Mercúrio é o senhor da 11ª Casa que governa os amigos, as esperanças e os desejos, de forma que aprendemos com isso que suas ambições e desejos na vida serão amplamente satisfeitos.
Podemos ainda dizer que a sua vocação na vida será de natureza artística; é difícil dizer exatamente qual ramo da arte, pois ele é muito versátil e tem uma destreza incomum, portanto, provavelmente será bem-sucedido em várias linhas, embora se especialize em uma. Há todas as indicações, como já foi dito, de que dessa maneira sua vida receberá a maior satisfação, que seus objetivos e ambições, provavelmente, serão realizados em uma medida justa e, assim podemos dizer que sua vida será muito bem-sucedida; ele nasceu sob um conjunto muito bom de Aspectos benéficos, de fato.
Com respeito à recompensa financeira que receberá por seus trabalhos, as indicações não são tão boas, pois Júpiter, o Planeta da opulência, está em Quadratura com a Lua e Vênus; isso mostra que seu julgamento comercial é pobre e, portanto, ele não será um homem muito rico, mas provavelmente ganhará o suficiente para o dia a dia. Também há indícios de um legado.
Talvez, conhecendo esses fatos, seja possível aos pais orientar sua educação de modo que seu conhecimento dos negócios seja aprimorado até certo ponto. Se isso puder ser feito, provavelmente, o poupará de uma considerável decepção com as perdas totalmente inesperadas que são previstas pela Conjunção de Urano com a Lua. O Sextil de Saturno, o Planeta da ordem, sistema e método, com Netuno, a oitava espiritual de Mercúrio, mostra que Christian terá uma inclinação para o aprendizado místico e, provavelmente, encontrará muita satisfação e conforto no estudo dos assuntos mais profundos de vida. Isso tornará sua natureza mais séria e atenciosa. Quando começamos a discutir a questão da saúde, infelizmente deixamos a luz ensolarada para trás e entramos no reino das sombras, pois os pontos mais fracos na natureza física de Christian estão intimamente ligados aos pontos fracos na constituição moral, e as falhas deste reagem sobre o outro.
Em primeiro lugar, notamos que ele não possui grande vitalidade, pois o Sol está na 8ª Casa e sem Aspectos. A segunda observação nos mostra Saturno, o Planeta da obstrução, no Signo de Touro, que governa a garganta; provavelmente isso produzirá adenoides e amigdalite, especialmente na idade da puberdade; mas tenha muito cuidado para não o submeter a cirurgias, pois as tonsilas não são tão supérfluas quanto os médicos querem que acreditemos. Saturno também afeta Escorpião, o Signo que governa os órgãos geradores, e lá encontramos um Júpiter retrógrado, o Planeta da autoindulgência, em Conjunção com a Cauda do Dragão saturnina e em Quadratura com Vênus e Lua femininos. Observe também Urano, o Planeta da relação sexual ilícita, está em Conjunção com a Lua. Esses testemunhos mostram uma tendência da parte de Christian em condescender com a natureza passional inferior com consequências muito sérias para si mesmo, pois as doenças que são contraídas por causa de tal má conduta são muito profundas e de longo alcance; elas têm resultados tão graves, que é terrível até mesmo contemplá-los.
Mas vamos agradecer a Deus que Christian ainda está nos anos de infância, quando a personalidade é plástica e pode ser moldada, pois vocês, como pais, terão a oportunidade de educá-lo nesses assuntos e mostrá-lo, desde o primeiro momento, que vocês podem orientá-lo a respeito da santidade e da sacralidade da função criadora sexual e os terríveis resultados que seguem seu abuso. Se vocês mostrarem a ele as tendências de seu caráter e lidar com este assunto delicadamente, mas sem minimizar a importância, vocês podem acumular um grande tesouro no céu salvando essa alma de um destino tão sério, e nós sinceramente esperamos que vocês se mostrem à altura da tarefa.
EM HOLLYWOOD, CALIFÓRNIA, EUA
No momento do nascimento do Douglas, encontramos quatro Signos Fixos nos ângulos, mostrando que ele será muito determinado e focado em seu caráter. Portanto, é importante que os pais comecem seu treinamento durante os primeiros anos de vida, quando ele é pelo menos um pouco impressionável, pois mais tarde será praticamente impossível moldar o caráter e erradicar quaisquer falhas ocultas que possam ser encontradas.
Primeiro notamos que o Sol, doador de vida, está em Trígono com Júpiter, o Planeta da benevolência, opulência, jovialidade e boa camaradagem. Esse é um dos melhores sinais de uma vida bem-sucedida, pois transmite aos que a possuem uma saúde radiante, um bom humor, uma bondade e disponibilidade que atrai outros a eles por laços de amizade e solidariedade. As pessoas gostam de suas maneiras geniais. Portanto, Douglas tende a ter uma disposição otimista, esperançosa e prestativa, forte e autossuficiente, o que o tornará muito popular entre seus associados e, também, lhe proporcionará uma boa capacidade executiva para que se encontre em uma situação financeira confortável.
Saturno, o Planeta do tato, da diplomacia, do sistêmico, método, da memória e premeditação, está em Trígono com o Sol, que proporciona a vida e, também, Saturno está em Trígono com Júpiter, o Planeta da autoridade e capacidade executiva. Isso fortalece o Aspecto anterior entre o Sol e Júpiter, proporcionando-lhe, além disso, poderes de penetração aguçados da Mente, uma premeditação, memória, um tato, uma Mente calma, clara, imparcial, um julgamento com discernimento e em assuntos que o habilitarão a manter uma posição responsável e se tornar um líder em sua esfera de vida.
Mercúrio, o Planeta da expressão, mental e da destreza manual, está em Conjunção com Vênus, o Planeta da beleza, arte e música, no Signo marcial energético de Escorpião. Isso lhe proporcionará uma mentalidade artística, adicionará agudeza ao seu poder de raciocínio e lhe proporcionará uma expressão fluente e suave; também uma destreza considerável para que ele seja capaz de direcionar sua habilidade para quase qualquer coisa.
Esse é o lado mais forte da natureza de Douglas, pois o Aspecto de Trígono entre Saturno, Sol e Júpiter terá a influência mais poderosa em sua vida. Mas também há um outro lado que não é tão bom.
Isso é indicado pelo turbulento Planeta Marte no Signo selvagem e bestial de Leão, em Quadratura com o Sol doador de vida, mostrando que, às vezes, ele pode ficar sujeito a acessos irracionais de ficar muito zangado e ter muita raiva que o machucarão fisicamente por enfraquecer o coração e provocando uma tendência à palpitação.
Possivelmente, se isso for levado longe o suficiente, pode ocorrer, até mesmo, tipos de cardiopatias e, portanto, deve ser o cuidado de vocês treiná-lo, desde os primeiros anos de idade, para se manter frio em todas as circunstâncias.
Esse Aspecto proporcionará a tendência a febres e doenças inflamatórias, também a queimaduras e outros acidentes, mas como Saturno e Júpiter estão apoiando o Sol, que dá a vida, vocês não precisam ter medo do resultado final. Ele, com certeza, sobreviverá. No entanto, existe um perigo que o ameaça de outra parte. Isso é mostrado por Mercúrio, o Planeta da Mente, em Quadratura com Netuno, sua oitava superior, e com a Lua, o luminar da ilusão e alucinação. Netuno e a Lua também estão em Oposição a partir da sexta e décima segunda Casas, que têm a ver com doença, tristeza, problemas, autodestruição, mediunidade, etc., e indica que ele formará uma forte atração em algum momento de vida para fenômenos espirituais. Se ele ceder a esse desejo, poderá perder o controle de si mesmo e ficar obsidiado por espíritos desencarnados, que podem causar uma perda do seu equilíbrio mental. Por isso nunca se deve permitir que esteja na companhia de pessoas de mentalidade mediúnica ou que assista a reuniões em que se evocam espíritos.
EM TOKYO, JAPÃO
No momento do Nascimento de Ernest encontramos o Signo mercurial de Gêmeos no Ascendente com seu Regente Mercúrio, o Planeta da expressão, Mente e destreza manual na 1ª Casa em Sextil com Saturno, o Planeta da
premeditação, memória, organização e ordem. Isto proporcionará a Ernest uma Mente perspicaz, a capacidade de pensar profundamente e se concentrar nos problemas que o confrontarem, de modo que ele possa agir com premeditação, cautela, tato e diplomacia, de uma maneira prática que, certamente, o ajudará a ser bem-sucedido na vida. Isso, também, o capacitará a fazer estudos científicos e proporcionará a ele a paciência e perseverança necessárias para realizar seu trabalho para uma conclusão com sucesso. Proporcionará sucesso na literatura ou em posições de confiança e responsabilidade.
Mercúrio também está em Trígono com Marte, o Planeta da energia dinâmica, ambição e construção, que está altamente elevado no Signo intelectual de Aquário. Isso aumentará a agudeza de sua Mente e uma natureza prática. Isso o tornará repleto de recursos, engenhoso, hábil e destemido, além de lhe proporcionar uma disposição espirituosa, bem-humorada e alegre que o ajudará a obter resultados, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, por despertar nos outros o empreendedorismo e o entusiasmo que ele próprio sente. Também lhe proporcionará habilidade como desenhista ou engenheiro mecânico, ou o ajudará em quase qualquer profissão que escolher.
A Lua está em Sextil com Netuno, a oitava superior de Mercúrio, e em Trígono com Urano, o Planeta da intuição e originalidade. Isso adicionará inspiração e intuição às qualidades já mencionadas e tornará o sucesso de Ernest mais seguro, por causa de métodos originais e independentes. Isso proporcionará uma virada criativa para a Mente no nível quase de um gênio. Mas a Lua é um Planeta psíquico, assim como Urano e Netuno; a Lua está em uma Casa oculta (a 12ª), Netuno está em um Signo psíquico (Câncer) e Urano está em uma Casa mental (a 9ª). Todos esses testemunhos mostram uma forte tensão espiritual em Ernest e parece que seus esforços e trabalho de pesquisa serão mais bem-sucedidos nas linhas ocultas, se ele sentir uma inclinação para esse tipo de trabalho.
Tendo estudado seus pontos positivos e apontado as linhas de sucesso, vamos agora dar uma olhada também no lado negro do horóscopo de Ernest, para que possamos saber o que fazer para ajudá-lo a superar e evitar esses percalços. Isso nós encontramos indicado por Vênus, o Planeta da preguiça e do desperdício, em Quadratura com Júpiter, o Planeta do julgamento, da autoindulgência e dissipação. Isso lhe proporcionará o desejo de exibição exteriores, mas impede a aquisição de dinheiro para satisfazer o desejo por luxo. Consequentemente, ele é responsável, sob aspectos desfavoráveis, por jogar todo o cuidado ao vento e esquecer todos os seus melhores instintos, por entrar em especulação, jogo de azar ou métodos semelhantes de enriquecimento rápido, com o resultado de que ele pode encontrar recursos financeiros e desastre social. Vocês devem, desde os primeiros dias da infância dele, reafirmar que a honestidade é a melhor e a única política segura a longo prazo, e que uma vida limpa conta mais do que roupas e ostentação. Se vocês o vir jogar qualquer um dos jogos de azar, frequentemente jogados pelos meninos, certifique-se de mostrar a ele o perigo e, em seu lar, evite jogar cartas ou qualquer outro jogo de azar. Nunca o leve para ver uma corrida de cavalos ou qualquer outro jogo de especulação, pois se o fizer, vocês contribuirão para a queda dele, em vez de ajudá-lo a superá-lo.
No que diz respeito à saúde, encontramos o Sol e a Lua no Signo vital de Touro, e Mercúrio, o senhor do Ascendente, bem fortificado. Esses são testemunhos muito bons para a saúde, embora as indicações mostrem que Ernest tem uma natureza muito tensa e nervosa, que deve tomar cuidado para não exagerar, para que a tensão mental não seja demais para o organismo. Marte em Aquário, em Trígono com Mercúrio, atua no Signo oposto de Leão, que governa o coração e fornece energia à circulação. Mas isso é um tanto impedido pela Quadratura de Júpiter e Vênus. Saturno, o Planeta da obstrução, em Áries o Signo que governa a cabeça, mostra que existe uma tendência à
dor de cabeça. Julgamos que isso vem do estômago porque Netuno está em Quadratura com Saturno, esse em Câncer.
O harmonioso, adorável e afetuoso Vênus em Sextil ao otimista, opulento e benevolente Júpiter ajudará a iluminar a vida de Florence. Ele compensa, em grande medida, os efeitos indesejáveis da Conjunção de Saturno e Mercúrio, tendendo a uma visão mais alegre da vida.
Já consideramos a questão da saúde até certo ponto, mas, além disso, podemos dizer que o quente e inflamatório Marte em Virgem, o Signo que governa os intestinos, e em Oposição à Lua, que é o principal significador da saúde para um mulher, confirma ainda o testemunho anterior de problemas abdominais e intestinais, que podem resultar de práticas dietéticas descuidadas. Júpiter em Touro, o Signo que governa o palato, em Sextil com Vênus no Signo do estômago, Câncer, indica a pessoa que adora comer bem e do melhor, e se ela não for ensinada a ser frugal, ela terá problemas digestivos nos anos posteriores. A Conjunção de Saturno com Mercúrio na 12ª Casa mostra tendência à surdez. Se vocês treinarem sua audição na infância, também podem evitar isso.
EM LOS ANGELES, CALIFÓRNIA, EUA
No momento do nascimento de Eugene encontramos quatro Signos Cardeais nos ângulos, mostrando que é provável que sua vida seja muito ativa. O opulento Júpiter está em Sextil com o vital, digno e possuidor de uma autoridade reconhecida e evidente Sol, e em Trígono com o avançado, original, independente, amante da liberdade e inventivo Urano. Esses estão entre os melhores Aspectos de toda a gama, pois trazem saúde, recursos e felicidade. Ele tende a ter uma disposição alegre, jovial, humana e gentil, assim tende a fazer muitos amigos e a ser amado e estimado por todos com quem tiver contato. Essas configurações também lhe proporcionarão uma boa cabeça para os negócios e uma esplêndida habilidade executiva, para que tenha certeza de ascender na vida e obter ajuda de amigos influentes; assim, ele acumulará uma competência confortável.
Ele também tem propensões para ser atraído pelas artes ocultas e, provavelmente, se tornará membro de alguma instituição de ensino. O Sol em Trígono com o oculto, profético, inspirador e espiritual Netuno também conta um pouco da mesma história com respeito às conexões ocultas. A magnética e imaginativa Lua está em Áries, perto do Meio-do-Céu, elevada acima de todos os outros Planetas e do Sol. Isso tende torná-lo muito independente, disposto a conseguir o que quer e agressivo, mas às vezes apto a ser imprudente e mergulhar nas coisas sem o devido pensar antes. Saturno, o Planeta da obstrução, em Áries tem uma influência calmante e os Aspectos anteriormente mencionados entre Júpiter e o Sol irão ajudá-lo como regra, mas mesmo se ele falhar, ele tem uma coragem destemida e imediatamente começará a reconstruir o que ele pode perder, de modo que, no final, ele tenha a certeza de ter sucesso na vida. Todos esses são bons testemunhos, mas naturalmente onde há luz, e luz forte, há também uma sombra forte. Isso é demonstrado pela tendência fervente em se zangar facilmente e apaixonadamente de Marte, na 4ª Casa, que governa o lar, e em Oposição à Lua. Como a Lua é a companheira de casamento de um homem, ela mostra uma tendência a ser autoritária e tirânica no lar e, se isso não for superado, é um presságio de infelicidade na vida de casada. Saturno, o Planeta da profunda tristeza e sofrimento, em Oposição a Vênus, também é outra indicação de que ele pode tornar a vida um fardo para o cônjuge por causa de um lado suspeito e ciumento de sua natureza. Essa é a única coisa que ameaçará o sucesso na vida, e se houver alguma maneira em que vocês possam pensar para educá-lo a depositar mais fé e confiança no sexo oposto, isso o ajudará muito materialmente. Embora ele seja liberal em todas as outras direções, este é o único ponto em que ele mostrará uma natureza mesquinha, então se vocês puderem encorajá-lo a ser livre e generoso com suas amigas, isso provavelmente pode ajudar e pavimentar o caminho para um semelhante atitude mais tarde na vida.
Júpiter em Trígono com o original e inventivo Urano, no Signo da 10ª Casa, em Capricórnio, é uma indicação de considerável capacidade inventiva, que ele deve ser encorajado a cultivar ao máximo, pois parece que essa será sua principal linha de esforço em vida.
No que diz respeito à saúde, descobrimos que Saturno, o Planeta da obstrução, em Áries, o Signo que rege a cabeça, e em Oposição a Vênus, regendo a circulação venosa, causará uma congestão na cabeça. A Lua também em Áries e em Oposição ao inflamatório Marte, reforça o testemunho de que ele pode sofrer violentas dores de cabeça, também por ação reflexa em Libra, podendo resultar em problemas renais. Mas se ele for ensinado a viver tão bem quanto vocês sabem que é correto, e se a ele for ensinado exercícios como mover a cabeça semelhante à maneira como um pião se move em seu pivô ou ponto, flexibilizando assim os músculos da garganta e do pescoço, é provável que ele consiga superar essas tendências, pois, é um ditado antigo e verdadeiro que “mais vale prevenir do que remediar”. Se ele começar assim na juventude, antes de os músculos ficarem tensos e definidos, ela terá muito mais chance de sucesso do que se começar mais tarde, quando talvez as dores de cabeça tenham se tornado crônicas.
EM ROCHESTER, N.Y., EUA
No momento do nascimento de Florence quatro Signos Cardinais estavam nos ângulos. Isto proporcionará a ela uma vida ativa, mas o fraco e aquoso Signo de Câncer no Ascendente com o dador da vida Sol em Conjunção com a saturnina Cauda do Dragão mostra que sua composição física, especialmente com respeito à saúde, a força e a aparência, não é muito forte.
Portanto, será necessário lhe prestar o maior cuidado, principalmente na infância. Saturno, o Planeta da obstrução, também está em Conjunção com o Sol em Câncer, o Signo que rege o estômago, e isso torna a digestão pobre. Portanto, para obter conforto e fazer a vida valer a pena, Florence deve aprender a comer bem. Ela terá todos os tipos de noções e desejará se entregar a coisas que não são boas para ela, mas vocês devem ser firmes e ensiná-la, por preceito e exemplo, a ficar satisfeita com os alimentos que são mais facilmente assimilados. Ao fazer isso, vocês salvarão de uma infelicidade mais tarde; pois vocês devem sempre lembrar que, embora as “estrelas impelem” para um determinado curso de ação e se inclinem para gostos particulares, elas não podem e “não obrigam”; portanto, é possível para Florence e todos os outros seres humanos governar “suas estrelas” e superar as fraquezas ou falhas físicas apresentadas, se apenas a força de vontade e uma premeditação suficientes forem exercidas.
O cauteloso, metódico e atencioso Saturno, em Conjunção com o perspicaz, estudioso e intelectual Mercúrio, fornece a ela uma memória esplêndida que será de grande ajuda para ela na vida; também o poder de concentração que a capacitará, por premeditação, a mapear sua vida e torná-la um sucesso, se ela apenas seguir suas próprias ideias. Também lhe proporciona a organização, o método e o tato tão necessários nos negócios e no trato com outras pessoas, e a economia que lhe garante ter sempre os meios para enfrentar os dias chuvosos da vida. Mas Saturno em Conjunção com Mercúrio a torna tímida ao se dirigir às pessoas, principalmente aos estranhos. Ela estará inclinada a fazer de si mesma uma reclusa e será muito tímida para tomar a dianteira. Portanto, vocês devem se esforçar para ajudá-la a superar essas desvantagens durante a infância; e, acima de tudo, sejam muito insistentes em ensiná-la a falar a verdade sempre e em todas as circunstâncias, pois se ela não aprender a não falar a verdade, em algum momento da vida, isso vai lhe trazer muita dor de cabeça, como mostra o fato de Saturno e Mercúrio estarem em Conjunção na 12ª Casa, denotando tristeza, problemas e autodestruição.
O arrogante e altivo Sol em Conjunção com o reservado e desconfiado Saturno tende a torná-la melancólica, pessimista e desconfiada dos outros, embora ela possa não demonstrar isso. Mas se na infância vocês puderem ensinar-lhe a visão otimista, isso a ajudará. Pegue, por exemplo, a história de “Pollyanna”[1] e leia para ela.
Conta como uma garotinha espalhou a luz do sol por todo o ambiente pela atitude que assumiu em relação a todas as coisas na vida. Em seguida, comece a ensiná-la assim que ela puder entender a diferença entre o luminosidade solar e a escuridão. Saturno tem pouco poder sobre as crianças e, provavelmente, vocês conseguirão mantê-la fora de suas garras, se fizer isso a tempo.
O harmonioso, adorável e afetuoso Vênus em Sextil ao otimista, opulento e benevolente Júpiter ajudará a iluminar a vida de Florence. Ele compensa, em grande medida, os efeitos indesejáveis da Conjunção de Saturno e Mercúrio, tendendo a uma visão mais alegre da vida.
Já consideramos a questão da saúde até certo ponto, mas, além disso, podemos dizer que o quente e inflamatório Marte em Virgem, o Signo que governa os intestinos, e em Oposição à Lua, que é o principal significador da saúde para um mulher, confirma ainda o testemunho anterior de problemas abdominais e intestinais, que podem resultar de práticas dietéticas descuidadas. Júpiter em Touro, o Signo que governa o palato, em Sextil com Vênus no Signo do estômago, Câncer, indica a pessoa que adora comer bem e do melhor, e se ela não for ensinada a ser frugal, ela terá problemas digestivos nos anos posteriores. A Conjunção de Saturno com Mercúrio na 12ª Casa mostra tendência à surdez. Se vocês treinarem sua audição na infância, também podem evitar isso.
EM COVINGTON, LA., EUA
No momento do nascimento de Francis, encontramos o deliberado, perseverante, diplomático, cauteloso, metódico e atencioso Saturno em Trígono com o oculto, inspirador, espiritual e devocional, Netuno. Isso proporcionará a Francis o espírito de profecia e devoção, inspiração e aspiração a ideais mais elevados. Isso, também, proporcionará a ele o caráter filosófico e a capacidade de concentração profunda. O Sextil do mecânico Saturno ao avançado, original, independente e amante da liberdade, o inventivo Urano lhe proporcionará habilidades originais, intuitivas e inventivas, mas também uma aversão à contenção e ao convencionalismo.
Consequentemente, ele tende a se comportar fora, em separado e diferente do comum da humanidade e pode ser muito mal compreendido.
O harmonioso, artístico, bonito, suave e adorável Vênus em Sextil com o mental, alerta, eloquente, literário e hábil Mercúrio irá acelerar a mentalidade, lhe proporcionar considerável facilidade de expressão e a poder ser um bom orador e que tem uma boa conversa.
Também lhe proporcionará habilidade vocal, instintos literários e artísticos, com considerável destreza manual que lhe resultará em uma técnica musical de qualidade sem igual.
O Trígono de Mercúrio com o obediente à lei, conservador, reverente, religioso, opulento e benevolente Júpiter poderá acrescentar as qualidades acima, além de lhe fornecer uma disposição livre, franca, jovial, alegre e otimista.
Isso também lhe proporcionará uma capacidade executiva e um grau moderado de sucesso financeiro.
Mas tudo isso depende de até que ponto Francis superará a falta em sua natureza que é primariamente indicada pelo preguiçoso, sem ambição, e sem Aspectos Sol e a negativa, sonhadora, visionária, vacilante e, também, sem Aspectos Lua, cujas indicações são reforçadas pelo Signo fraco e aquoso Câncer no Ascendente. Tudo isso mostra que falta a Francis ambição, energia e iniciativa para trazer à tona as boas qualidades. A menos que ele possa ser despertado e levado a se esforçar, ele fará de sua vida um fracasso. O inquieto, profano e mentiroso Mercúrio está em Quadratura com o destrutivo, discordante e temperamental Marte, proporcionando-lhe outras características indesejáveis, e lamentamos não ter tido o privilégio de levantar esse horóscopo há dez anos atrás, para podermos termos avisado vocês. Mas ele ainda é jovem e vocês, provavelmente, observaram algumas dessas tendências e se esforçaram para corrigi-las. Assim, com mais energia nessa direção e com um apelo à sua melhor natureza, indicado pelos Aspectos benéficos, ele ainda pode mudar para melhor e vocês terão prestado um grande serviço à essa alma. Acima de tudo, certifiquem-se de não fomentar a preguiça que está latente nele, mas a usar todos os meios que forem necessários, mesmo que sejam duros, para levá-lo à esforços físicos e mentais, pois desde que ele não seja forçado, durante a infância, a ser submetido à esforços extremos, ele enterrará tudo o que é bom para escapar da labuta.
No que diz respeito à saúde, vemos que o Signo fraco de Câncer está no Ascendente, com o sonhador e indolente Netuno, também no Ascendente, em Oposição a Urano, o Planeta da ação espasmódica. Isso mostra que Francis não é uma criança muito forte e neste fato ele pode ver e vocês podem encontrar uma desculpa para a lassidão e a falta de esforço, e é uma conclusão precipitada que ele sempre será mais ativo mentalmente do que fisicamente. No entanto, para preservar a saúde e se manter bem, ele deve fazer uma certa quantidade de exercícios e, a menos que a fraqueza inerente seja fortalecida pelo exercício, essa condição piorará, em vez de melhorar, com o passar dos anos. Saturno em Peixes, o Signo que rege os pés, tem tendência para o frio naquela região e, também, pode ter algo a ver com a debilidade geral. Portanto, deve-se ter cuidado para que essas extremidades sejam mantidas aquecidas e secas. Ele não será muito robusto em nenhum momento, mas não há razão para que, com os cuidados normais, ele não deva gozar de boa saúde, se uma dieta simples for adotada, pois Netuno em Câncer, o Signo que rege o estômago, não permitirá grande excessos sem causar problemas.
EM LANDSKRONA, SUÉCIA
No momento do nascimento de George, encontramos o Sol, digno, ambicioso, vital e aventureiro em Conjunção com o empreendedor, enérgico, entusiástico e construtivo Marte e, também, com o perspicaz, versátil, eloquente e hábil Mercúrio. Isso lhe proporciona uma disposição ambiciosa e digna e, embora o fraco Signo de Câncer esteja no Ascendente, a configuração que acabamos de mencionar lhe fornecerá uma boa medida de saúde por toda a sua vida. Isso vai fortalecer a formação física, especialmente com respeito a estrutura e aparência do seu Corpo Denso, e torná-lo capaz de suportar as tarefas mais difíceis, e isso lhe proporciona uma determinação intrépida e coragem para enfrentar todas as adversidades. Sempre que ele recebe um plano a seguir, pode-se confiar que ele superará todos os obstáculos físicos, pois ele tem capacidade executiva e construtiva, juntamente com uma vontade indomável que se recusa a reconhecer a derrota.
Ele é franco e aberto, mas muitas vezes rude e brusco, porque é muito inclinado a fazer o que quer fazer para perder tempo com polidez e suavidade, de modo que é capaz de afastar os convencionalismos sem escrúpulos e, portanto, pode incorrer a antipatia de pessoas com sensibilidade muito fina. Ele será essencialmente um homem de ação e um pioneiro no trabalho do mundo, pois seu empreendimento e sua energia não permitirão que ele se torne um seguidor; mas ele sempre se esforçará para liderar e abrir um caminho para si mesmo. O entusiasta e construtivo Marte, unido ao hábil e versátil Mercúrio, lhe fornecerá uma grande desenvoltura e, também, a capacidade de se expressar com considerável força, de modo a impressionar os outros com seus pontos de vista. Isso também o tornará um tanto argumentativo e apaixonado pelo debate, e isso lhe proporcionará um grande fundo de sagacidade e bom humor, às vezes misturado com uma veia de sarcasmo que sempre atinge seu alvo. No entanto, essa configuração ocorre no Signo de Libra, que é governado por Vênus; portanto, ele não será cruel ou malicioso.
Esse Aspecto também lhe fornecerá uma destreza considerável, de modo que ele será capaz de direcionar sua mão para qualquer tarefa que for necessária e executá-la com uma velocidade, facilidade e expedição que é, no mínimo, surpreendente. Ele não pode fazer nada lentamente ou pela metade; tudo o que ele fizer será feito com o uma vontade robusta e com muito entusiasmo e ele sempre colocará toda a sua energia nisso, para que possa realizar a tarefa e fazê-la bem.
Esses Aspectos lhe proporcionarão um sucesso considerável na vida e o tornarão muito respeitado pelas pessoas ao seu redor por sua habilidade mecânica. A magnética, emocional e imaginativa Lua, em Trígono com o avançado, independente, original, amante da liberdade e inventivo Urano e em Sextil com o oculto, profético, inspirador, devocional e musical Netuno, fornecerão a George uma originalidade e independência de espírito, uma mentalidade rápida e intuitiva, muito viva em sua imaginação e, também, uma capacidade inventiva. É provável que lhe traga algumas experiências com os Mundos suprafísicos, por meio de sonhos e visões, mas ele provavelmente será de natureza prática demais para se dedicar a qualquer coisa que seja sonhadora e visionária.
Sua principal falha é uma tendência a um temperamento muito ruim, indicada pela Conjunção do Sol, Marte e Mercúrio, também pelo bombástico e ostentoso Júpiter em Quadratura com o licencioso, não convencional e irreprimível Urano, e o fraudulento, enganoso, desonesto, sutil Netuno. Isso mostra que, às vezes, ele está apto a agir de maneira muito impulsiva e imprudente, a ser pródigo, extravagante e bombástico. Portanto, vocês devem se esforçar durante a infância para treiná-lo de maneira que esses traços de caráter sejam eliminados.
Com respeito à saúde, descobrimos que o imprudente e impulsivo Marte, em Conjunção com o Sol, pode torná-lo sujeito a acidentes, febres e doenças inflamatórias. Saturno, o Planeta da obstrução, em Touro, o Signo que rege a garganta, indica uma tendência a resfriados e dores de garganta. Marte em Libra, o Signo que rege os rins, também é uma indicação de problemas com esses órgãos. Mas, aplicando o máximo de prevenção durante a infância, muitos problemas podem ser evitados mais tarde na vida.
GEORGE W. R. – NASCIDO EM 19 DE JUNHO DE 1908 ÀS 6 AM
EM LEAVENWORTH, WASHINGTON, EUA
No momento do nascimento de George, o fraco Signo de Câncer estava no Ascendente, e isso não é um bom presságio no que diz respeito à saúde, mas encontramos Marte, o Planeta da energia dinâmica, no Ascendente e, também, o doador de vida Sol em Trígono com a Lua, que é o Regente do Ascendente, e essas configurações ajudam a compensar a falta de vitalidade mostrada pelo Signo Ascendente. Para que George seja bastante saudável terá que aprender a manter a cabeça fria, pois há uma tendência à extrema irritabilidade, demonstrada pela Oposição do errático Urano com Mercúrio, o Planeta que governa o sistema nervoso, com Marte, o governante, do sistema muscular e com Vênus, o governante da circulação venosa. E se vocês permitirem que essa tendência à irritação cresça, com o passar dos anos, facilmente poderá, então, haver um grande perigo de ataque de nervos e de problemas no estômago e de um arruinamento geral do organismo.
Portanto, durante os anos da infância, deve ser o cuidado particular de vocês em ensiná-lo a cultivar um temperamento alegre, pois esse será seu bem mais valioso na vida, e a falta dele prejudicará suas chances de sucesso, mais do que normalmente acontece. Vocês também devem ensiná-lo a frugalidade, pois George vai ter mais dinheiro do que ele saberá como usar. Uma das coisas para as quais ele poderá erroneamente usá-lo é para encher demais o estômago, como mostrado por Marte em Câncer e, se o fizer, terá de pagar por isso.
Quando dizemos que ele terá mais dinheiro do que pode usar, julgamos isso pelo fato de Júpiter, o Regente da 10ª Casa, estar na 2ª Casa, que lida com as finanças. E, também, está em Trígono com Saturno, o Planeta da economia e da parcimônia, o que mostra que ele vai se agarrar ao que tem. Na verdade, não faria mal a vocês inculcarem nele um espírito de generosidade, pois conhecemos muitas pessoas com Júpiter na 2ª Casa que eram muito ricas, mas eram muito relutantes em se separar de qualquer parte dessa riqueza. Esta é uma mania muito errada, pois não podemos levar nada conosco e apenas guardamos o que damos. Claro que devemos usar o discernimento adequado e não jogar dinheiro fora a torto e a direito, simplesmente porque não o perderemos. Isso também não é nada útil e, não obstante pode induzir os outros, às vezes, a sentir encorajado à inatividade ou à indolência e, ainda, a ser relaxado nas atividades do mundo. Mas onde o dinheiro é distribuído com o devido discernimento para ajudar outros a se ajudarem, o doador ganha um crescimento de alma considerável. E vocês podem ajudar muito George, fomentando nele um espírito de benevolência com discernimento, durante os anos em que sua Mente e pensamentos ainda são plásticos. Vocês não verão nenhuma dessas coisas se materializarem até que George tenha completado trinta anos. Todos os Astros estão confinados em sua 12ª Casa, e é provável que ele se atrapalhe e pareça não estar fazendo nenhum progresso terreno. Mesmo assim, mantenham a fé de vocês nele. Algum dia ele se encontrará e, então, será completamente diferente do que era antes. Ele tem uma Mente brilhante e perspicaz, demonstrada por Mercúrio, o Planeta da razão, em Conjunção com Marte, o Planeta da energia dinâmica, e no Signo lunar de Câncer. Isso também lhe proporcionará muita imaginação, de modo que verá oportunidades onde outros perderão.
EM CHICAGO, ILLINOIS, EUA
No momento do nascimento de George, encontramos o vital, ousado, digno e ambicioso Sol em Sextil com o empreendedor, enérgico, entusiasta e construtivo Marte. O Sol está em Áries, o Signo que Marte rege, e esse é também o Signo de Exaltação do Sol que fornece a vida; portanto, é a própria fonte de vida e vitalidade, conforme se manifesta no brotar de milhões de sementes que rompem a crosta terrestre no momento em que o Sol passa por aquele Signo na primavera do hemisfério Norte, transformando a vestimenta branca de inverno da Terra em um tapete bordado de flores verdes, e fazendo das florestas um caramanchão nupcial para o acasalamento de animais e pássaros. Essa grande força vital também encontra sua expressão nos filhos de Áries – o Signo solar – entre os quais encontramos o George.
Isso proporciona a ele um transbordamento de vida e energia a tal ponto que, muitas vezes, será muito difícil controlá-lo para mantê-lo dentro dos limites da segurança e do bom senso. Também lhe proporcionará muita autoconfiança e agressividade até certo ponto, sempre o líder de seus companheiros, desdenhoso de segui-lo, turbulento e radical em todos os seus pensamentos, ideias e ações, aventurando-se à beira da temeridade. Estando tão cheio de energia vital e ambição, está presente para ele a faculdade de infundir energia e entusiasmo em qualquer pessoa com quem possa estar associado no trabalho e, portanto, tem a capacidade de ser um capataz ou superintendente de primeira linha, embora haja dúvidas que ele seja bem-sucedido em qualquer empreendimento de seu próprio interesse.
Ele nunca se contenta em entrar em nada pela metade e, portanto, se ele pegar uma causa, seja social, política ou religiosa, ele trabalhará por essa causa com toda energia e todo vigor de sua natureza enérgica. Se, por outro lado, ele se tornar um viciado, toda a intensidade de sua natureza será voltada para a satisfação daquela parte particular da natureza inferior; portanto, vocês tem uma grande responsabilidade de apresentar a ele, por preceito e exemplo, a melhor e mais nobre forma ou conduta de que vocês serão capazes, pois o Signo dele é, talvez, o mais impressionável do Zodíaco, e os hábitos formados, as lições aprendidas na infância e juventude, geralmente, se apegará a ele e seus semelhantes ao longo da vida, tornando-o muito bom ou muito mau.
Sejam particularmente cuidadosos ao inculcar nele a abstinência de bebidas alcoólicas, pois, se uma criança de Áries se tornar viciada nesse mal hábito, geralmente ela não poderá mais ser salva e, não raro, ficará sujeita ao delírio. Seu pior defeito é indicado pela negativa, vacilante, insípida e frívola Lua, em Oposição ao licencioso, não convencional, fanático e irreprimível Urano; e o dissoluto, sensual, vulgar e preguiçoso Vênus, em Quadratura com o egoísta, discordante, destrutivo, apaixonado, impulsivo e temperamental Marte. Isso lhe proporcionará um temperamento terrível, um desprezo absoluto pelos convencionalismos, uma disposição muito voluptuosa e sensual, sujeita a excessos na satisfação das paixões, que minarão sua vitalidade; pode até ser levado ao extremo, quebrar a esplêndida constituição saudável que ele tem e, no final, deixá-lo um náufrago no mar da vida, se lhe for permitido as rédeas soltas.
Essas configurações tenderá a fazê-lo extravagante e pródigo, especialmente no que diz respeito ao sexo oposto; ele pode, por conta disso, gastar mais do que pode pagar. Além do que ele pode desperdiçar em tais amores, haverá outros caros gostos que podem colocá-lo em dificuldades financeiras, embora ele tenha esplêndidos poderes de ganho, e ele pode, portanto, tornar-se um réu no tribunal do devedor. Por isso, vocês devem treiná-lo com muito cuidado sobre economia e controle do temperamento.
Ninguém gosta de ver seu próprio rosto distorcido de lágrimas e raiva e descobrimos que se as crianças forem colocadas em um canto de frente para um espelho, ou talvez dois espelhos em ângulos retos entre si, para que não possam escapar da visão de suas próprias feições, isso irá refrear rapidamente sua paixão. Se vocês tiverem dificuldades em ensiná-lo de outra forma, talvez descubra que isso pode ser eficaz. Aconselhamos também a uma criança, como essa, uma dieta muito simples e não estimulante; nem carne, peixe, nem qualquer outro alimento desse tipo deve ser fornecido a ele. O horóscopo também mostra uma tendência para fugir de casa e mudar seu nome, de modo a se afastar totalmente da família; portanto, é melhor não serem muito duros com ele, ou mais tarde vocês podem sentir vontade de se culparem quando isso acontecer.
EM SALT LAKE CITY, UTAH, EUA
No momento do nascimento de Gertrudes, encontramos o Sol no Signo real do Zodíaco, Leão, que é regido pelo Sol, e na 9ª Casa. Isso lhe proporcionará uma natureza nobre, ambiciosa e aspirante, e a ajudará a desprezar as coisas mesquinhas, sórdidas e pequenas. Também a ajudará a não se rebaixar para fazer um ato inferior, mesmo sob grande provocação ou forte desejo de interesse próprio. Fornece uma natureza amorosa muito forte e ardente. Nenhum inconveniente ou sacrifício é grande demais para ela servir àqueles que ama. Ajudará a ela em ser uma amiga leal e verdadeira para aqueles a quem honra com sua amizade, ela os manterá nos bons e maus momentos. Leão é um Signo Fixo e fornece a seus filhos uma força de vontade considerável, de modo que geralmente conseguem chegar ao topo apesar de todas as desvantagens e obstáculos; portanto, não importa quais sejam os contratempos, ela certamente encontrará seu caminho na vida.
Ela é muito determinada em suas opiniões, porém, se ela abraçar qualquer causa, geralmente, a manterá e trabalhará por ela da maneira mais entusiástica, pois ela não pode fazer nada sem entusiasmo. Como Leão é um Signo de Fogo, isso a fornecerá poder, vitalidade e entusiasmo e, também, providenciará uma boa memória, especialmente porque Mercúrio, o Planeta da Mente, está em Trígono com Saturno, o Planeta da memória. Sua principal falha é uma disposição mental explosiva, comum a todos os leoninos, mas no caso dela aumentado pelo fato de que o egoísta, discordante, impulsivo e temperamental Marte está em Conjunção com o inconvencional e irreprimível Urano. Isso proporcionará a ela um comportamento literal de um paiol de pólvora ambulante e sujeita a explodir a qualquer momento e à menor provocação.
Portanto, é muito necessário que vocês a treinem no autocontrole. Ela já deve ter mostrado, em grande medida, essa característica e não vai melhorar com os anos, mas piorar; portanto, é imperativo que todos os meios sejam usados para conter essa disposição mental explosiva e permitir que ela ganhe autocontrole. É claro que vocês perceberão que o castigo corporal não ajuda uma criança a atingir o autocontrole, mas existe um método que elucidamos no horóscopo de George V., que foi considerado muito bem-sucedido onde quer que tenha sido tentado.
O perspicaz, versátil, eloquente e hábil Mercúrio ergue-se antes do Sol e está em Conjunção com o conservador, otimista, opulento e benevolente Júpiter, e ambos estão em Trígono com o cauteloso, deliberado, metódico e diplomático Saturno.
Isso mostra que vocês tem um bom material para trabalhar, pois fornece uma disposição basicamente alegre e otimista, com a capacidade de ver o lado bom das coisas e manter o ânimo nas horas de adversidade. Isso lhe proporcionará uma Mente ampla e versátil, uma capacidade de raciocinar corretamente e de formar julgamentos confiáveis por meio de cuidadosa deliberação.
A infusão saturnina mostra que ela não será muito precipitada em suas decisões; ela vai precisar de tempo para pensar sobre o que quer que seja apresentado a ela, mas uma vez que ela tenha chegado a uma conclusão, que geralmente será considerada incontestável, pois Saturno atua como um freio sobre a Mente volúvel e isso lhe dará seriedade, profundidade e concentração, que têm um valor inestimável na vida. Às vezes ela tende a ser melancólica, em vez de alegre, mas talvez essa premeditação e capacidade de raciocínio profundo sejam de maior ajuda para ela do que qualquer outro recurso. Isso proporcionará paciente persistência a ela em tudo o que empreender, de modo que nenhuma falha temporária será permitida no caminho do sucesso final.
A cautela e a diplomacia de Saturno proporcionarão a ela uma condição invencível no longo prazo. Será muito difícil a ela se submeter à derrota.
No que diz respeito à saúde, descobrimos que o Sol e a Lua, sendo a Lua o principal significador da saúde para uma mulher, estão sem Aspectos, exceto por um Paralelo, mas estão bem colocados, altamente elevados no Signo forte de Leão; portanto, é provável que se possa esperar uma boa saúde durante a vida. O ponto mais fraco é encontrado nos membros e pés, pois Marte em Conjunção com Urano em Capricórnio, o Signo que rege os joelhos, predispõe à nevralgia, e Saturno no Signo de Peixes, que rege os pés, mostra que há uma tendência ao frio em as extremidades, mas por reflexo exerce influência sobre os intestinos, governados por Virgem; portanto, a região abdominal deve ser especialmente protegida contra resfriados e doenças semelhantes.
HAROLD VAN DER W. – NASCIDO EM 10 DE DEZEMBRO DE 1904 ÀS 11:00 PM
EM PRETORIA, ÁFRICA DO SUL
No momento do nascimento de Harold o dador da vida Sol estava em Sextil com Saturno, o Planeta da ordem, organização, diplomacia e do tato; em Sextil com Marte, o Planeta do dinamismo, da energia, ambição e do empreendimento, e em Trígono com Júpiter, o Planeta da opulência, benevolência e da boa camaradagem.
Do Sextil do Sol com Marte, ele tem a sua disposição uma natureza ambiciosa, enérgica e empreendedora, cheia de entusiasmo e autossuficiência em tudo que empreende. Essa configuração também lhe fornece a resistência física e a força de vontade e determinação para levar seus projetos até uma consumação bem-sucedida, mesmo que isso tenha que ser feito por pura força de vontade. Marte no Signo de Libra também ajuda a fortalecer o intelecto. Do Sextil do Sol com Saturno ele tem a sua disposição o equilíbrio necessário para neutralizar a impulsividade marcial. Isso lhe proporcionará o ser conservador, diplomático, cheio de tato e, também, lhe fornecerá a persistência paciente e a capacidade de organização necessária para garantir o sucesso em seus empreendimentos. Ele tende a ser bem-sucedido, em especial, em empresas relacionadas com mineração ou terras.
O Trígono do Sol com Júpiter aumenta sua autoconfiança e habilidade executiva. Isso também lhe proporcionará a filantropia, humanidade e benevolência, radiante de amizade e companheirismo, o que atrairá para ele amigos ricos e influentes que o ajudarão materialmente em seus negócios, e essa configuração também lhe proporcionará riqueza e uma bondade genial para desfrutar da sociedade, juntamente com uma simpatia pronta para aqueles que estão em circunstâncias infelizes, e um desejo de ajudá-los. Assim, ele conquistará o respeito de ricos e pobres na comunidade e, provavelmente, será promovido a cargos de honra pública.
Existem outros Aspectos nesse horóscopo que mostram que o sucesso o aguarda, pois Marte, o Planeta da energia dinâmica, está em Trígono com Saturno, o Planeta da paciência, persistência, premeditação e do método.
Isso lhe proporcionará iniciativa e coragem para empreender tarefas incomuns ou perigosas e, também, a força e a resistência para as levar até o fim, apesar da oposição ou obstrução.
A Lua, que é o significador da Mente, está em Conjunção com Vênus, o Planeta do amor; isso lhe proporcionará uma boa disposição e possibilidade de ganhar popularidade em geral.
Mas embora todos esses Aspectos benéficos mostrem virtudes e, consequentemente, sejam indícios de sucesso, há nesse horóscopo, assim como em todos os outros, um lado negro que também deve ser levado em consideração.
Existem rochas e baixios onde o seu navio da vida pode naufragar e dos quais ele deve ter cuidado. Esses pontos de perigo são indicados pela Quadratura de Marte, o Planeta da imprudência e do impulso, com Mercúrio, o Planeta da fala, da Mente e da razão.
Marte também está em Quadratura com Netuno, que é a oitava superior de Mercúrio. O problema também é indicado pela Quadratura de Vênus com Júpiter, o Planeta da autoindulgência, licenciosidade e libertinagem. A Quadratura de Vênus com Júpiter nos diz que existe o perigo dele perder o bom alvo e agarrar a sombra em vez da substância, pois a Quadratura sempre traz o pior lado dos planetas; consequentemente, isso lhe proporcionará uma tendência para a arrogância, ostentação ou brilho e fascinação, e para a autoindulgência com a natureza inferior. Se ele cair nessa armadilha, a Quadratura de Marte com Mercúrio e Netuno o envolverá em um escândalo em relação ao sexo oposto, e trará problemas por conta de palavras e ações impulsivas, que podem arruinar sua chance na vida e fazer com que ele perca o respeito pela comunidade.
Portanto, vocês, como pais, devem ter muito cuidado para inculcar nele um forte amor pela verdade e uma retidão inabalável, não importa quais sejam os ganhos de outra conduta. É um pouco tarde para começar este treinamento, se vocês ainda não começaram, mas provavelmente essas tendências se manifestaram em alguma medida, então, provavelmente, vocês já levantaram o assunto com ele, e se agora vocês podem mostrar a ele como o horóscopo revela essas tendências e que é possível, para ele, procurar o bom caminho, em vez daquele que inevitavelmente o levará à destruição, vocês podem levá-lo a ver o ponto de perigo e formar uma resolução firme para ficar do lado certo da estrada.
Com relação à saúde, descobrimos que Harold é bem cuidado. Os Aspectos benéficos entre o Sol, Marte e Júpiter proporcionam a ele uma constituição forte, mas há uma chance de que problemas nervosos se desenvolvam por causa das Quadraturas de Marte com Netuno e com Mercúrio. Isso, entretanto, é bastante remoto e não precisa ser levado muito a sério.
HARRIET S. – NASCIDA em 7 DE SETEMBRO DE 1910 ÀS 6:00 PM
EM SPRINGVILLE, NOVA YORK, EUA
No momento do nascimento de Harriet, encontramos o vital, aventureiro e autoritário Sol em Conjunção com o empreendedor, enérgico, entusiástico e construtivo Marte, também em Sextil com a Lua, e embora o Sol esteja no Signo fraco de Virgem, e há quatro Signos Comuns nos ângulos, isso irá sobrepujar o testemunho do mal, fornecer uma esplêndida energia vital e uma saúde radiante por toda a vida. Isso fortalecerá a estrutura e a composição física e a tornará capaz de suportar tarefas muito mais difíceis do que de outra forma; também fornecerá a energia e o entusiasmo para lutar a batalha da vida, mesmo em face de adversidades consideráveis. Ela terá capacidade executiva e construtiva e vontade de vencer, de modo que não será derrotada facilmente. Isso, também, proporcionará a ela uma disposição franca e aberta, mas às vezes será bastante contundente em seu discurso, e isso pode fazer com que várias pessoas, que são bastante sensíveis, não gostem dela.
O Sextil do Sol com a Lua asseguram-lhe sucesso geral na vida, boas condições financeiras, um bom ambiente doméstico, com amigos fiéis e estima na comunidade. Também favorecem uma ascensão na vida para ela por causa de sua habilidade inata, que vai ganhar para ela o reconhecimento de pessoas em posição de ajudá-la a subir e, também, por sua própria energia ela ajudará a abrir seu caminho até o topo. Essa configuração dos luminares também é excelente para a saúde porque a Lua é o significador particular da saúde para uma mulher, e o Sol, a fonte da vitalidade, seus Aspectos benéficos sempre trazem uma abundância de vitalidade e vigor. Além disso, esse Aspecto entre os luminares favorece um casamento bem-sucedido, pois o Sol é o significador desse evento no horóscopo de uma mulher, e isso se aplica particularmente no caso de Harriet, porque o Sol em seu horóscopo está na 7ª Casa, o que trata do assunto casamento.
O melancólico, pessimista e obstrutivo Saturno está em Oposição à visionária e preocupante Lua. Isso, às vezes, lhe proporcionará a tendência de olhar para o lado mais escuro das coisas e, se não for cuidadosa, pode, sob essas condições, causar a si mesma uma grande quantidade de problemas por comentários e ações maliciosas que a deixarão sujeita a escândalo e desfavor.
Isso, também, lhe proporcionará uma tendência para manter o rancor, e ela deve ser particularmente cuidadosa com sua saúde na época da puberdade, quando a Lua chega à Conjunção com Saturno e à Oposição de seu próprio lugar, pois então ela está sujeita a obstruir o fluido menstrual e a causar problemas dessa forma. Isso não é tão sério no caso dela como seria se o Sol não houvesse o Sextil entre Marte e Lua, como já foi elucidado, mas com certeza há alguma indicação de problema no período mencionado; portanto, um prevenido vale por dois. Vocês podem, conhecendo esses fatos, tomar precauções que não pensariam de outra forma.
O entusiasta e enérgico Marte está em Trígono com o intuitivo, original e inventivo Urano. Isso adiciona ambição e originalidade às características de Harriet. Isso proporcionará a ela engenhosidade e intuição, muitos recursos em um alto grau e capacidade de lidar com dificuldades em circunstâncias difíceis. Além disso, proporcionará a ela uma mentalidade um tanto inventiva e será bem-sucedida em trazer suas ideias à prática. Nesse momento, quando as mulheres estão entrando em profissões que normalmente são tomadas ou consideradas exclusivamente para os homens, seria um benefício para Harriet se ela pudesse estudar e aprender a ciência da eletricidade, pois com as configurações em seu horóscopo é bastante provável que ela irá desenvolver algo que irá beneficiar tanto ela quanto a comunidade. Além do que dissemos a respeito da saúde, podemos acrescentar que, embora a Conjunção do Sol com Marte lhe proporcione uma vitalidade esplêndida, às vezes, a tornará sujeita a queixas febris ou inflamatórias, naturalmente de uma forma muito efêmera ou de natureza passageira, pois ela será capaz de se recuperar rapidamente. Acidentes relacionados com calor ou fogo também são mostrados por essa configuração e, portanto, seria bom avisá-la que ela deve ter cuidado ao manusear fogo ou qualquer coisa carregada de calor.
IRENE LA M. – 16 DE AGOSTO DE 1913, POR VOLTA DAS 4:00 PM
EM SAN DIEGO, CALIFÓRNIA, EUA
No nascimento da Irene, encontramos quatro Signos Cardeais nos ângulos, o que proporciona uma vida ativa para essa garotinha, e Júpiter, o grande Planeta benéfico e benevolente, está no Ascendente no Signo saturnino de Capricórnio, combinando as qualidades Jupiteriana e Saturnina. Isso lhe proporcionará uma natureza com muito empenho para alcançar os seus objetivos; isso a ajudará a se tornar muito autossuficiente e aspirante a ascender à posição mais elevada possível na vida.
Infelizmente, Júpiter está em Oposição a Vênus, o Planeta do amor, mostrando que ela tende a se exibir e a criar inimigos entre seus companheiros, de modo que é provável que haja um atrito considerável, se essa tendência for seguida por ela. Ela também será muito ostentosa em seus gostos e um grande apego ao prazer pode espantar seus pretendentes.
Se vocês puderem ensiná-la a ser simples, direta e econômica em suas roupas, em seu desejo de prazeres e em outras despesas, vocês poderão poupá-la de muitos problemas na vida.
A Lua é a significadora da Mente instintiva, ela provê a imaginação e o modo de ver; Urano, o Planeta da intuição, originalidade, independência e invenção, está em Conjunção com a Lua no Signo intelectual de Aquário; a posição desses dois Astros proporciona muito brilhantismo e muita intuição, rápida como um raio para compreender uma situação, sem a necessidade de raciocinar sobre todos os pontos envolvidos. Mas, a Lua está em Oposição ao Sol, e isso mostra que é necessário cuidado com relação à sua educação, pois ela tende a incorrer em grande antipatia entre seus companheiros. Isso também pode torná-la muito rápida e livre em sua fala; também é provável que seja muito instável e vacilante, muito apta a mudar sua atitude com respeito a qualquer assunto, sem a devida deliberação e inclinada a voar de um lado para o outro sem terminar o que começou. Vocês devem, portanto, tentar incutir em seu caráter a necessidade de continuar tudo que ela começar insistindo para que ela termine qualquer tarefa que vocês deem a ela, antes que ela comece a fazer qualquer outra coisa.
Sua ocupação deve ser principalmente mental; é onde ela brilhará, porque Mercúrio, o Planeta da Mente, da razão e da expressão, está em Sextil com Marte, o Planeta da energia dinâmica; além disso, Marte está no Signo mercurial, Gêmeos, adicionando força e poder. Essa configuração lhe proporcionará muito entusiasmo em tudo o que fizer; por enquanto, isso será de um interesse totalmente absorvente para ela e ela colocará nisso toda a energia de sua natureza. Isso também provê todas as condições para que ela seja uma oradora muito magnética e é mais provável que ela venha a ter destaque diante do público, porque a 7ª Casa, que rege a publicidade, está bem fortificada com três Planetas; entre eles encontramos o oculto, profético e inspirador Netuno, e ele está no Signo psíquico de Câncer. Isso mostra que ela será fortemente atraída pelo ocultismo e, provavelmente, seguirá essa linha em seu trabalho público.
Com relação à saúde, descobrimos que o frio e obstrutivo Saturno está em Conjunção com o quente e inflamatório Marte em Gêmeos, o Signo que rege os pulmões. Isso indica que os pulmões são o ponto mais fraco de toda a anatomia e que, portanto, seria bom que vocês cuidassem bem dela a esse respeito. Ela está vivendo no melhor, mais belo e saudável clima da face da Terra. Até agora tudo bem; mas Vênus está em Câncer, e em Oposição a Júpiter, Netuno também estando em Câncer, mostra que ela gosta demais dos prazeres da mesa e que, com o tempo, se seu apetite não for excessivamente controlado, isso causará problemas digestivos; então, como a maioria dos resfriados vem de um organismo obstruído, os pulmões podem ficar congestionados com catarro, e outras complicações podem surgir; portanto, é melhor ter muito cuidado na escolha dos alimentos para Irene, e também no que diz respeito à quantidade. Se ela for ensinada a viver bem, não há dúvida de que as tendências do horóscopo podem ser totalmente evitadas.
JOHN MELVIN L. – NASCIDO EM 7 DE NOVEMBRO DE 1907 ÀS 4:15 PM
EM PHILADELPHIA, PA., EUA
No momento do nascimento de John encontramos Mercúrio, o Planeta da Mente, do humor, da inteligência e expressão, em Conjunção com Vênus, o Planeta do amor, da arte e beleza. Isso proporciona a John um temperamento bem-humorado, amável e alegre, o que o torna popular entre seus companheiros, especialmente as mulheres.
Isso o proporcionará muita sociabilidade e o ajudará a apreciar as coisas bonitas, um bom entretenimento e prazer. Essa posição ajudará a atrair muitos amigos e lhe proporcionará muita satisfação na vida.
Essas indicações são fortalecidas pelo Trígono da Lua com Júpiter, o Planeta da benevolência, opulência, lei e boa comunhão, pois esse raio fortalecerá o bom julgamento de João e o ajudará a ser uma pessoa reta e honesta, simpática e bondosa, cheia de sentimento de solidariedade, otimismo e ânimo, que resultarão no cativo, por ele, do amor, da confiança e do respeito do seu círculo de associados, aproximando dele amigos e um sucesso financeiro, a felicidade no casamento e uma boa dose de possibilidade para ser bem-sucedido.
Ele não obterá todas essas coisas boas por nada, entretanto, todos nós temos que ganhar o que obtemos, e o Sextil da Lua com Marte, o Planeta da energia, do empreendimento e da construção mostra que John tem uma Mente cheia de recursos e energia e não tem medo de trabalho árduo, quando necessário, para cumprir seu objetivo.
Ele não desanimará facilmente, pois também há uma persistência paciente, uma virada conservadora, pensativa e metódica na Mente, conferida pelo Sol em Trígono com Saturno, o Planeta da persistência, do tato e da organização. Isso o capacitará a resistir à oposição e ainda continuar na linha que traçou para o sucesso, não importa o quão perigosa ou árdua seja a tarefa. Portanto, suas chances de ter o sucesso final são realmente grandes.
Vocês não devem imaginar, no entanto, que tudo é fácil para John; existem dificuldades e obstáculos em todas as vidas, todos nós temos nossos vícios, bem como nossas virtudes, e o principal obstáculo de John é mostrado pela Quadratura do Sol ao impulsivo, imprudente e arrogante Marte, também em sua Quadratura com o Júpiter bombástico, arrogante e esportivo. Esse irá, às vezes, quando os trânsitos favorecerem, proporcionar uma tendência a ser temerário e arriscado, de modo que pode resultar em um acidente, ou pode fazê-lo se inflar de um falso orgulho, inclinado a ser bombástico, dominador e arrogante, para que possa em um momento perder amigos e o prestígio que levou anos para ganhar. Nessas ocasiões, ele também estará sujeito a ficar com muita raiva e se zangar criando muita turbulência em sua volta, e os resultados de tal erupção podem, posteriormente, causar-lhe muito pesar e infelicidade. Portanto, deve ser o trabalho de vocês, como pais, ensiná-lo a refrear essas tendências indesejáveis, tanto pelo exemplo como pelo preceito, pois assim fazendo vocês o resguardarão de muitas tristezas na vida.
A natureza básica é principalmente boa, como mostram os outros Aspectos benéficos astrais, mas essa falta de autocontrole pode desfazer tanto e tão rapidamente que nunca mais poderá ser consertada ou remendada. Mercúrio, Vênus e o Sol estão na 7ª Casa e, portanto, podemos considerar que as chances de John ser bem-sucedido no casamento são boas. Como a Lua está na 8ª Casa e em Trígono com Júpiter, que é o governante da 8ª Casa, é evidente que John não apenas obterá ganhos financeiros por seus próprios esforços, mas também obterá recursos financeiros por casamento e legados. Assim, seu conforto e bem-estar material estão garantidos.
No que diz respeito à saúde, vemos que o quente e inflamatório Marte está em Quadratura com o Sol que dá vida, e isso, como já foi dito, proporciona tendências a acidentes, febres e queixas inflamatórias, causadas por métodos inadequados de dieta, e Netuno em Câncer tem tendência para indigestão e problemas intestinais. Portanto, vocês devem ensinar a John, tanto por preceito quanto por exemplo, a viver uma vida simples e frugal, e não condescender com o apetite. Ele deve comer para viver em vez de viver para comer.
LEONARD S. J. – NASCIDO EM 29 DE SETEMBRO DE 1913 ÀS 11:32 PM
EM LOS ANGELES, CALIFORNIA, EUA
No momento do nascimento de Leonard, quatro Signos Cardeais estão nos ângulos e os Astros espalhados pela maioria das Casas no horóscopo. Isso mostra que ele será de uma natureza versátil e terá uma vida ativa pela frente. Há três Aspectos benéficos no horóscopo. Mercúrio, o Planeta da razão, está em Trígono com Saturno, o Planeta do pensar ou de planejar com antecedência, do tato, da organização, da ordem, do método e da perseverança. O doador de vida, Sol, está em Trígono com Urano, o Planeta da originalidade, intuição e independência; e Vênus, o Planeta do amor e da atração, está em Trígono com Júpiter, o Planeta da benevolência, da filantropia e do bom companheirismo. Esses Aspectos mostram um lado da natureza de Leonard e nos dizem que ele tem um excelente intelecto, uma Mente intuitiva e original; que ele é empreendedor e prático, possuidor de bom senso e com a habilidade de pensar ou planejar cuidadosamente sobre o futuro, que sabe manter a ordem, organizado e naturalmente metodológico; e ele tem a qualidade da perseverança em tudo que empreende. Além disso, ele é benevolente, gentil e simpático, hospitaleiro e muito popular devido as boas qualidades e, se esses Aspectos forem os mais ativados, a vida será acompanhada, geralmente, por circunstâncias afortunadas.
Tudo isto é muito lindo, e seria esplendido se isso fosse tudo o que haveria para ser dito, mas infelizmente todos nós temos o nosso lado fraco, assim como os nossos pontos positivos.
Portanto, Leonard não é exceção a este respeito, e a necessidade dele é a oportunidade para vocês, pois os pontos positivos sempre cuidarão de si mesmos; mas é com respeito aos pontos adversos que ele precisa da ajuda e assistência de vocês durante os anos de infância, quando os hábitos são formados; e a parte desagradável que temos agora a relatar é, portanto, a que é a mais valiosa para vocês e para ele, de modo que vocês possam promover seus pontos positivos e ajudá-lo a suprimir o lado fraco de sua natureza. Marte, o Planeta do calor da Mente, da tendência à raiva, da imprudência, do impulso e da agressão, está na 12ª Casa, a Casa da angústia e tristeza profunda, das dificuldades e da autodestruição, assim como Saturno, o Planeta da obstrução e decepção; é por meio de seus Aspectos adversos com os outros Astros que ele aprenderá na escola da vida. Em primeiro lugar, vemos que o doador de vida, o Sol, está em Quadratura com o turbulento Marte e com o bombástico, extravagante e da gratificação excessiva dos próprios apetites, desejos e caprichos Júpiter.
Isso o deixará, às vezes, com um estado mental fácil para se zangar e fácil para se acalmar, embora ele não possua malícia alguma nisso; mesmo assim tem uma tendência a ficar angustiado, profundamente triste e gerar confusão, a ponto de perder o respeito pelos outros. Isso lhe proporcionará um certo modo bombástico, um falso orgulho e uma consideração muito forte por seus confortos, e isso lhe roubará a perseverança, demonstrada pelos melhores Aspectos em tais ocasiões, e constitui um sério obstáculo para o sucesso na vida. Então, vemos que a Lua está em Conjunção com a saturnina Cauda do Dragão e em Quadratura com Saturno. O movimento diário de Saturno nos céus e o movimento da Lua no horóscopo, que chamamos de “progressão”, são praticamente os mesmos.
Portanto, é provável que isso o acompanhe por toda a vida e traga preocupações e desapontamentos, que ele precisará de toda a precaução, demonstrada por Mercúrio em Trígono com Saturno, para neutralizar tudo aquilo. Se vocês notarem uma tendência nele de se tornar taciturno na infância, tome cuidado para despertá-lo instantaneamente, voltando sua atenção para outra coisa. Isso pode salvá-lo de muitos momentos amargos nos anos posteriores, pois vocês podem ver como essas coisas modificam as boas indicações mostradas pelos Aspectos que acabamos de mencionar, e o bom senso lhe dirá como trabalhar com o bem e contra o mal.
Com relação à saúde, vemos que o Signo fraco de Água, Câncer, está no Ascendente. Isso por si só mostra uma baixa vitalidade, e a Oposição de Marte com Júpiter indica que o sangue não está em muito bom estado.
A Lua em Conjunção com a saturnina Cauda do Dragão, em Quadratura com Saturno, o Planeta da obstrução em Gêmeos, o Signo que rege os pulmões, mostra que há um ponto fraco e vocês devem protegê-lo bem contra as gripes. Vocês, provavelmente, conseguirão mantê-lo com boa saúde lhe permitido que ele faça muitos exercícios ao ar livre e coma alimentos que não sejam muito ricos em hidratos de carbono, que têm uma tendência a obstruir o organismo, mas o principal é que mantenha seu ânimo, pois se ele se permitir adquirir o hábito de mau humor e melancolia, então a vitalidade do seu organismo, provavelmente, entrará em colapso, pois, em primeiro lugar, seu organismo não é forte.
LILLIAN C. – NASCIDA EM 18 DE MARÇO DE 1915 ÀS 1:40 AM
EM SANTA BARBARA, CALIFÓRNIA, EUA
No momento do nascimento de Lillian, quatro Signos Cardeais estavam nos ângulos do horóscopo, mostrando que lhe será proporcionada uma vida ativa, cheia de experiências que contribuem para o crescimento da sua alma.
Vênus, o Planeta do amor, da arte e música, está em Conjunção com Urano, o Planeta da originalidade, independência e intuição no Signo no qual é o Regente, Aquário, onde ele é mais forte. Isso mostra que Lillian tem um amor inato pela arte e pela música, com a capacidade de se expressar dessa forma. Isso lhe proporciona muita inspiração e intuição, rapidez para captar as coisas, original, independente e de uma personalidade muito adorável que será muito admirada pelo sexo oposto. Também atrairá muitos amigos que a ajudarão na vida.
Saturno, o Planeta da memória, premeditação, ordem, do método e sistema, em Trígono com Mercúrio, o Planeta da Mente, ambos nos Signos intelectuais de Aquário e Gêmeos, respectivamente, fornecem a ela uma memória esplêndida e a capacidade de se concentrar em qualquer problema que venha a ela, para que ela possa resolvê-lo e provar pela razão o que sua intuição lhe diz ser verdadeiro, além de colocá-lo em prática com a certeza de estar certa. Suas qualidades mentais incomuns são ainda mais fortalecidas pelo Sextil de Saturno com a Lua, o luminar da imaginação. Portanto, isso proporcionará a ela uma Mente muito profunda e a capacidade de assumir grandes responsabilidades e de ocupar importantes cargos executivos de confiança, especialmente em uma grande empresa que lide com terras, minas ou coisas semelhantes. Também lhe proporcionará a habilidade de lidar com os homens e com as mulheres com o intuito de superar as dificuldades com tato e diplomacia. Isso devido a capacidade de ser muito cautelosa e possuir uma grande premeditação que a ajuda a se orientar em todos os assuntos; portanto, tudo isso a proporcionar a facilidade em ser uma líder ou a ocupar cargos representativos e sua educação deve ser tal que a habilite para este trabalho. Marte, o Planeta da coragem, construção e energia dinâmica, está em Conjunção com Júpiter, o Planeta da benevolência e opulência, na 2ª Casa, que governa as finanças. Isso lhe proporcionará a vitalidade, o vigor e entusiasmo em tudo o que empreender e isso, juntamente com a perseverança saturnina já mencionada, assegurará sua ampla recompensa financeira por seus esforços. Isso, também, lhe proporcionará considerável desenvoltura e aumentará sua capacidade executiva, além de torná-la franca, generosa, aberta e filantrópica, sempre ansiosa por ajudar qualquer pessoa ou causa de valor.
Vênus, Urano e Mercúrio no Signo intelectual de Aquário mostram que ela tem uma capacidade raciocinadora independente, tão distante da ortodoxia quanto o oriente está do ocidente. Mas o Sol, doador de vida, em Trígono com Netuno, o Planeta da espiritualidade dos Signos psíquicos de Câncer e Peixes, mostra que ela tem a habilidade de cultivar os poderes latentes da alma e despertar o sexto sentido, que a colocará em contato com os Mundos invisíveis. Se ela fará isso ou não, é claro que dependerá de si mesma e das circunstâncias em que viverá. Mas não pode haver dúvida de que ela será fortemente atraída pelo ocultismo de uma forma ou de outra e, como já foi dito, ela tem muito entusiasmo e é uma líder nata; portanto, não é provável que ela permaneça na periferia e se contente com um conhecimento superficial da ciência sagrada.
Há apenas uma desvantagem em tudo isso, e ela depende da questão da saúde. Vemos que Saturno, o Planeta da obstrução, está em Gêmeos, o Signo que rege os pulmões, e em Quadratura com o Sol que, dá a vida, no Signo de Peixes na 12ª Casa, que rege hospitais e instituições de confinamento semelhantes.
Isso mostra que o ponto fraco de Lillian está nos pulmões e vocês também podem procurar alguma aflição no coração; mas um prevenido vale por dois, e se vocês cuidarem bem dela durante a infância para que ela seja educada de maneira higiênica, com uma alimentação saudável e nutritiva, com exercícios físicos adequados, também exercícios respiratórios que desenvolvam os pulmões, não há dúvida de que vocês podem superar essa tendência, pois essa ocorre nos Signos Comuns que não são tão fatais quanto os Signos Fixos. Fora isso, este é um horóscopo esplêndido e podemos dizer que Lillian realmente nasceu sob “estrelas da sorte”.
MARGUERITE K. – NASCIDA EM 8 DE MAIO DE 1915 ÀS 5:50 AM
EM SANTA MONICA, CALIFÓRNIA, EUA
Marguerite nasceu sob uma das configurações mais benéficas de toda a gama. Em seu nascimento, o doador de vida Sol estava no Ascendente do robusto, vital e enérgico Signo de Touro, em Sextil com a Lua, que é o significador específico da saúde para uma mulher e, também, em Sextil com Júpiter, o Planeta da benevolência, opulência e do bom companheirismo.
Isso mostra que Marguerite tem uma estrutura e composição física excepcionalmente forte e é provável que goze de uma saúde esplêndida durante toda a vida, pois caso ocorra qualquer ligeira indisposição temporária, ela terá um maravilhoso poder de recuperação para se restabelecer rapidamente. Isso demonstra que ela tem uma natureza gentilmente amável e radiante com boa vontade para com todos com quem entre em contato e, portanto, conquistará muito respeito na comunidade e muitos amigos que se empenharão em ajudá-la da maneira que ela desejar, e que serão de grande benefício material para ela. Isso, também, proporciona sucesso financeiro acima da média e, assim, ela pode ter certeza de que terá à disposição todos os confortos da vida.
Além disso, ela merecerá certamente tudo o que conseguir, por causa de seu caráter, sua natureza altruísta e do bom uso que fará do que possui.
Sua 11ª Casa, indicando amigos, é a mais bem fortificada de todas as Casas nesse horóscopo, tendo Vênus, o Planeta do amor, Júpiter, o Planeta da benevolência, e a Lua, que é o Planeta da fecundação que faz acontecer o que é prometido no horóscopo. Isso mostra que ela será totalmente voltada para os seus amigos e eles serão tudo em tudo para ela; esse é o princípio da reciprocidade: não podemos obter a menos que doemos, não podemos ter amigos a menos que sejamos amigáveis com eles também.
No que diz respeito às suas qualidades mentais, encontramos Mercúrio, o Planeta da razão, em Sextil com Júpiter, o Planeta da lei, ordem, benevolência, etc., mostrando que ela tem uma Mente extremamente bem equilibrada. Mercúrio também é o Planeta da expressão e está próximo da cúspide de Gêmeos, seu próprio Signo.
Isso indicaria que ela possui a arte e a faculdade de expressão até o ponto da eloquência, com a capacidade de colocar seus pensamentos por escrito. E como Urano, o Planeta da intuição e originalidade, está em Sextil com Vênus, o Planeta da arte e da música, podemos julgar que ela tem uma habilidade musical latente que, em algum tempo, a poderá lhe proporcionar a proeminência perante o público, devido a sua capacidade artística. Esses talentos proporcionarão a ela o amor do público em geral e a recompensa financeira mencionada na primeira parte dessa interpretação astrológica.
O Sol e a Lua são significadores do cônjuge para o homem e a mulher, portanto, o Sextil entre os dois, nesse horóscopo, indica que a vida de Marguerite também será bem satisfatória a esse respeito, e que sua felicidade aumentará devido ao casamento. Assim, tudo o que ela ou qualquer pessoa possa esperar, provavelmente, será cumprido, isto é, desde que ela siga o curso reto.
Mas, como não há luz sem sua sombra, também nesse horóscopo encontramos indícios de problemas se o caminho da retidão for abandonado. Urano é o Planeta da originalidade e da independência e quando está sob tensão, tende ao desrespeito imprudente das convenções sociais. Está 10ª Casa, que rege a honra e a posição social, e está em Quadratura com o Sol, que significa o cônjuge. Isso mostra que há uma tendência a condutas imprudentes, tanto em Marguerite quanto na pessoa com quem ela vai se casar, mesmo com seus amigos do sexo oposto em geral. Por causa disso, ela está sujeita a se envolver em escândalos e ser caluniada por pessoas que têm ideias mais conservadoras.
Essa tendência é compensada, em uma medida considerável, por um Sextil do Sol com Júpiter, o Planeta da lei e da ordem, pois isso proporciona a ela uma valorização e a opinião da comunidade de uma maneira geral, como já foi dito; mas a Quadratura de Urano com o Sol proporcionará a ela, sob certas configurações astrais posteriores, a tendência de fazê-la agir impulsiva e precipitadamente, com desconsideração da opinião pública, e ela sofrerá por isso, mesmo que não tenha cometido nenhum mal real.
Portanto, vocês, como pais, devem tentar inculcar nela o mais elevado respeito pelas convenções e seu lema deve ser evitar até mesmo a mais leve aparência do mal, pois, assim fazendo vocês pouparão a ela muitas tristezas e muitos problemas.
MARY V. G. – NASCIDA EM 25 DE JULHO DE 1917 ÀS 10:15 AM
EM SAN DIEGO, CALIFÓRNIA, EUA
No momento do nascimento de Mary encontramos quatro Signos Cardeais nos ângulos e isso mostra a promessa de uma vida ativa para ela. O versátil, perspicaz, eloquente, literário e habilidoso Mercúrio em Sextil à magnética, imaginativa, plástica e mutável Lua proporciona a ela uma natureza brilhante e versátil, um raciocínio rápido, uma imaginação vívida e uma personalidade magnética, instintos literários, a capacidade para se adaptar em quase todos os lugares e situações e “ser pau para toda obra”. Há uma tendência para mudanças frequentes, mas geralmente ela se aperfeiçoará por meio delas.
O obediente à lei, conservador, reverente, otimista, opulento e benevolente Júpiter em Sextil com o vital, aventureiro e autoritário Sol proporcionará a ela uma disposição alegre, ensolarada e jovial e a tornará uma líder em sua esfera de vida. Isso lhe fornecerá respeito e estima na comunidade e, também, lhe proporcionará uma capacidade executiva que a levará à frente como uma líder e uma personagem pública, tornando-a proeminente na política e nos assuntos ligados à filantropia. Isso lhe proporcionará uma riqueza considerável, pois Saturno, o Planeta da aquisição, também está em Sextil com Júpiter, o Planeta da opulência. Isso lhe fornece a facilidade em ter muitos amigos sinceros e influentes e desfrutará das coisas boas da vida em um grau incomum.
O Sextil de Júpiter com o cauteloso, deliberado, metódico, perseverante, atencioso, diplomático e econômico Saturno proporcionará a ela uma personalidade forte, perseverante, paciente e persistente em tudo que empreenda; cautelosa, diplomática e atenciosa em suas relações com os outros de modo que, geralmente, será capaz de ganhar pontos, não importa o quão forte seja a oposição, mas sendo sincera e imbuída de um forte senso de justiça, pode-se confiar que ela não tomará indevidas vantagem de ninguém. Esse Aspecto também fortalecerá a capacidade executiva e de organização conferida pelo Sextil de Júpiter com o Sol e a proporcionará a facilidade de julgar com competência o valor dos investimentos, agregando também a aquisição e a economia necessárias para manter a união e aumentar o que ela adquire por legado, casamento e seus próprios esforços.
O Sextil de Júpiter com o oculto, profético, espiritual, devocional e musical Netuno proporciona a ela uma forte tendência ao ocultismo em sua constituição que, provavelmente, tomará expressão independentemente da tendência jupteriana à ortodoxia, amor à burocracia e respeitabilidade. Isso pode lhe proporcionar uma leve tendência a se rebaixar aos olhos de fanáticos como os que podem ser encontrados em toda parte, mas não lhe dará a satisfação de alma encontrada de nenhuma outra maneira.
O empreendedor, enérgico, entusiástico e construtivo Marte em Sextil o harmonioso, artístico, belo e suave Vênus lhe proporcionará mais força, vigor e vitalidade, amor ao prazer e uma disposição muito afetuosa e demonstrativa e um temperamento equilibrado. Esse também é um bom Aspecto para ganhar dinheiro, mas a torna livre e generosa nas despesas por prazer. Assim, ela nunca será avarenta, como se a ganância saturnina governasse sozinha. Mesmo Júpiter não é excessivamente livre para gastar, a menos que esteja sob tensão.
Mas depois de ver o lado ensolarado de seu horóscopo, devemos também dar uma olhada nas sombras, pois talvez seja mais importante descobrir o que atrapalha do que o que ajuda na vida. Se pudermos remover os obstáculos da estrada, teremos maior probabilidade de correr a corrida da vida sem tropeçar.
O ponto de perigo na vida de Mary é indicado pelo sensual, indolente, dissoluto, vulgar e preguiçoso Vênus em Oposição ao licencioso, não convencional, fanático e irreprimível Urano.
Os Aspectos benéficos anulam a maioria dessas características indesejáveis. Eles a ajudaram a nunca ser indolente e preguiçosa e tem muito respeito pela estima da comunidade para fazer algo abertamente não convencional.
Ao mesmo tempo, esse Aspecto indica pontos de vista muito avançados sobre a questão do sexo, especialmente durante os anos mais jovens e o período de namoro será considerado particularmente perigoso. Portanto, ela deve ser cuidadosamente ensinada a reverenciar as ideias estabelecidas sobre este assunto e a evitar até mesmo a mais leve aparência do mal, pois os erros da juventude, às vezes, lançam uma sombra sobre toda a vida.
Como “um prevenido vale por dois” com cuidado vigilante e o ensino correto, vocês podem, sem dúvida, ajudá-la durante as crises.
Com respeito à saúde, descobrimos que o Sol, que dá vida, está em Conjunção com o obstrutivo Saturno em Leão, o Signo que rege o coração. Isso mostra que existe uma tendência a problemas cardíacos, mas, como todas as outras coisas, isso pode ser superado se for bem tratado e levado a tempo. Diz-se que a corrente não é mais forte do que seu elo mais fraco, mas se uma tensão muito grande para o elo mais fraco não for colocada na corrente, ela aguentará de qualquer maneira. Portanto, tome cuidado durante a infância e durante os anos de crescimento para que ela não se entregue a exercícios extenuantes; correr, pular e esses esportes mais radicais devem ser particularmente evitados ou muito moderados.
Vocês não podem, é claro, amarrá-la em uma cadeira e enrolá-la em algodão, mas dizendo a ela e sendo cuidadosos com o que ela pode fazer, vocês podem ajudá-la a fortalecer o coração durante os anos de crescimento, quando os órgãos estão mais presentes passível de ser sobrecarregado. Então, mais tarde na vida, se vocês fizerem isso, provavelmente o órgão fará bem o seu trabalho. Há uma coisa a seu favor: ela tem um temperamento muito equilibrado, de modo que não é provável que o coração fique sobrecarregado a partir desse ponto. A Lua é o significador particular da saúde para uma mulher e ela está em Libra, o Signo regido por Vênus. Esse é um excelente testemunho de saúde e se vocês ensinarem a ela os cuidados normais com o Corpo Denso que uma criança deve ser ensinada e a ser moderada em sua dieta, provavelmente ela passará pela vida com uma saúde razoavelmente boa.
MILDRED MARION H. – NASCIDA EM 18 DE JUNHO DE 1918 ÀS 8:40 AM
EM PORTLAND, OREGON, EUA
No momento do nascimento de Mildred, encontramos quatro Signos Fixos nos ângulos, mostrando que ela tem uma Mente bem-controlada e “quando ela quer, ela vai, e vocês podem confiar nisso, mas quando ela não quer, ela não vai, e essa é a decisão final.”
O sagaz, lógico, versátil, eloquente e o mentalmente hábil e habilidoso Mercúrio, em Sextil com o pensativo, cauteloso, metódico e diplomático Saturno, proporcionará a ela uma Mente profunda e pensativa, capaz de se concentrar para resolver os problemas que possam surgir em sua vida. Isso a tornará sistemática e metódica e quando ela começar a fazer qualquer coisa, ela irá perseverar até que tenha realizado seu desejo. Isso, também, lhe proporcionará uma boa memória para que se beneficie, ao máximo, com tudo o que aprender e poderá alcançar seus fins com tato e diplomacia, quando essas qualidades puderem ser utilizadas. Também podemos notar que ela é muito habilidosa com as mãos.
O otimista, opulento e benevolente Júpiter, em Conjunção com o digno, vital e corajoso Sol e em Trígono com a emocional, magnética e imaginativa Lua, proporcionará a ela uma atitude digna, benevolente e gentil; coragem e ambição de empreender qualquer trabalho nobre, altruísta e humanitário; a visão e imaginação para levá-la ao sucesso; e as confortáveis circunstâncias financeiras necessárias para satisfazer essas nobres aspirações.
Como o Sol e Júpiter estão na 12ª Casa, indicando amigos, esperanças e desejos, isso mostra que Mildred estará cercada por amigos influentes que se empenharão em ajudá-la na realização de suas esperanças, seus desejos e suas ambições.
Essas são as indicações mais fortes e evidentes, mas há outro lado da natureza de Mildred mostrado pelo bombástico, indolente, pródigo Júpiter em Quadratura com o egoísta e temperamental Marte. Isso indica que Mildred tem uma tendência a se enraivecer e, em tais ocasiões, pode ser muito autoritária e dominadora; se essa tendência se manifestar, inevitavelmente, levará à perda de amigos e prestígio, que ela tanto preza. Portanto, deve ser a parte de vocês ensiná-la a se conter por todos os meios ao seu alcance. Há também uma tendência ao pessimismo e à melancolia que roubará a alegria da vida e fará com que ela olhe para o lado escuro das coisas. Isso é demonstrado pela Quadratura do melancólico, pessimista e preocupante Saturno com Vênus, o Planeta do amor, do afeto e do prazer.
Às vezes, quando vocês virem essas características surgindo, desperte-a por todos os meios, conduza seus pensamentos para canais mais brilhantes, para que ela não se envolva em pensamentos-formas de medo e preocupação que pode excluir a vida e o amor.
No que diz respeito à saúde, encontramos Saturno, o Planeta da obstrução, em Leão o Signo que rege o coração e em Quadratura com Vênus, o Planeta que governa a circulação venosa. Isso mostra que há uma obstrução e tendência a problemas cardíacos. Mas se vocês tiverem o cuidado de contê-la, principalmente no que diz respeito à tendência a se enraivecer, isso provavelmente não lhe causará nenhum problema sério. Por outro lado, se a tendência a se enraivecer governar e ela se entregar a exercícios extenuantes, o assunto pode se tornar sério ao longo dos anos e causar confinamento em um hospital, como mostra a presença de Saturno na 12ª Casa. O quente e inflamatório Marte em Virgem, o Signo que governa os intestinos, e em Quadratura com o vivificante Sol e Júpiter em Gêmeos, o Signo que rege os pulmões, também mostra tendência a queixas febris, mas vocês conhecem a dieta que superará esta tendência.
MORRIS B. – NASCIDO EM 3 DE ABRIL DE 1910, 00:03 am
EM BUTTE, MONTANA, EUA
No momento do nascimento de Morris encontramos Marte, o Planeta da energia dinâmica, no Signo mercurial de Gêmeos, e Mercúrio, o Planeta da razão e expressão, no Signo marcial de Áries.
Portanto, eles estão em mútua recepção e mais fortemente conectados do que de qualquer outra forma. Marte também está em Trígono com Júpiter, o Planeta da benevolência, que é o Regente do Ascendente, e Júpiter está no Meio do Céu, o ponto mais elevado do horóscopo.
Isto proporcionará a Morris uma natureza muito ambiciosa e entusiasmada. Fornecerá a ele qualidades de empreendedorismo e de energia; proporcionará a ele um excelente talento para negócios e uma habilidade mecânica prática; uma mente perspicaz, arguta e afiada, com uma resposta ou argumento sempre pronto na ponta da língua. Quando Marte está em Sextil com Mercúrio e nenhuma outra influência opera na Mente há uma tendência a ser impulsivo, mas no caso de Morris, Saturno, o Planeta da obstrução, está em Trígono com Urano, o Planeta da intuição, invenção e originalidade. Como já afirmamos muitas vezes, a influência de Saturno sobre as qualidades mentais é favorável à concentração, pois ele, por assim dizer, reprime a Mente volúvel e, quando em Aspectos benéficos, ele também oferece premeditação, tato e diplomacia.
Portanto, podemos dizer que Morris terá uma Mente forte e profunda, uma natureza séria e determinada, dada à premeditação, com a capacidade de originar, organizar e sistematizar, qualidades que são todos grandes fatores para o sucesso na vida. Esse é o lado bom dele; mas há também o outro, onde ele precisará de ajuda e cooperação dos pais para superar. Em primeiro lugar, vemos que Saturno, o Planeta da obstrução, está na 4ª Casa, que indica o lar, e em Quadratura com Vênus, o Planeta do amor e do prazer. Isso mostra que os pais tendem a ser muito rigorosos com ele, colocar um freio em seu entusiasmo e lhe negar a liberdade de expressão, necessária para o desenvolvimento de sua natureza. Isso está errado, e se vocês querem que seu filho cresça e tenha o melhor sucesso possível na vida, vocês devem parar de dizer “não faça” a tudo que ele faz. Ele está fadado a cometer erros às vezes e se meter em encrencas, mas será melhor para ele e para vocês dois se ele puder vir até vocês com a confiança de que receberá a simpatia e os conselhos adequados. Se vocês não derem a ele, vocês o forçarão a ir buscar isso em outro lugar e ele se afastará de vocês. Ele precisa de encorajamento, pois o Aspecto do qual falamos (Saturno em Trígono com Urano), fornecendo a ele determinação e premeditação, é compensado em uma medida pela Quadratura entre o Sol e a Lua, que tem uma tendência a torná-lo vacilante e irresoluto. Se ele for desencorajado em casa e sempre for impedido ou ser criticado por tudo que faz, isso pode sempre predominar como resultado das situações e arruinar suas chances na vida em uma grande extensão.
É verdade que há uma tendência a ele ser egoísta, bombástico e autoritário, também ser orgulhoso e falso, demonstrado por Mercúrio e o Sol em Oposição a Júpiter, o Regente do horóscopo, mas isso é apenas a efervescência do Espírito em uma criança em crescimento; vocês podem mostrar a ele que tal atitude mental é errada e, se isso for feito de maneira gentil, não temos dúvidas de que com o tempo ele vencerá essas qualidades ruins.
Com respeito à saúde, vemos que Saturno está em Touro, o Signo que governa a garganta, e Marte está em Gêmeos, o Signo que governa os pulmões; já o Sol em Quadratura com a Lua diminui a vitalidade.
Sob tais condições, ele estará mais sujeito a resfriados na garganta e nos brônquios. Também vemos Netuno no Signo de Câncer, que Rege o estômago, e em Oposição à lua. Isso mostra uma tendência para bebidas fortes e alimentos de difícil digestão e que, provavelmente, serão a raiz das gripes e resfriados aos quais nos referimos. Sob tais condições também pode haver problemas com o processo de excreção, já que Escorpião, que rege o reto, está em é o Signo oposto onde está Saturno, em Touro.
Portanto, na causa-raiz de qualquer problema que ocorra, vocês poderão procurar por uma seleção errada de alimentos, que provoca o efeito da má digestão e excreção deficiente. Se vocês cuidarem da alimentação dele, em primeiro lugar, e lhe ensinarem a viver uma vida simples na infância, ele certamente terá menos problemas mais tarde e, provavelmente, eliminará todos esses problemas, desde que persista a continuar a viver assim.
RICHMOND VAN D. – NASCIDO EM 5 DE JANEIRO DE 1912 ÀS 5:36 PM
EM PORTERVILLE, CALIFÓRNIA, EUA
Alguém escreveu nesse horóscopo “tendência muito forte de se enraivecer feroz”, e parece que isso foi retirado da carta pedindo uma interpretação do seu horóscopo. Isso enfaticamente não é verdade, se sua hora de nascimento foi informada corretamente. O Signo psíquico de Câncer no Ascendente com o oculto, profético, inspirador e devocional Netuno, o torna um pouco místico, uma criança diferente no comportamento do que se espera ou se conceitua como normal, difícil de se entender. O Sol no Signo saturnino de Capricórnio e em Trígono com Saturno, o Planeta da profunda agonia e tristeza, proporciona a ele uma natureza séria e atenciosa e, às vezes, pode parecer que ele está melancolicamente em silêncio; vocês podem então despertar o fogo marcial estimulando-o, quando deveriam tentar o Trígono magnético da Lua, com o benevolente e otimista Júpiter e o harmonioso e adorável Vênus.
Vocês podem atraí-lo para perto de vocês por meio de um vínculo de profundo afeto. Ele pode se sentir como um animal enjaulado que está sendo cutucado com uma vara. Se ele se irrita quando está de mau humor, vocês não podem culpar Saturno e Marte em Touro se eles forem despertados para uma manifestação de raiva. Deixe-os em paz e eles adormecerão.
De acordo com o horóscopo, ele é um jovem bom. Existem quatro Signos Cardeais nos ângulos, prometendo uma vida ativa, e o galante, empreendedor e enérgico Marte está em Trígono com o avançado, original, independente e amante da liberdade Urano, mostrando que ele tem um fundo inesgotável de energia e entusiasmo com o qual pode abrir seu caminho na vida e alcançar o sucesso. Ele é engenhoso e cheio de ideias, então ele é capaz de lidar com quaisquer dificuldades que possa encontrar e, assim, levar suas ideias e capacidade inventiva à realização bem-sucedida. Vocês descobrirão que ele deixará sua marca no mundo. No que diz respeito às finanças, notamos que a Lua magnética está na 2ª Casa, que rege esse assunto, em Trígono com Júpiter, o Planeta da opulência, que está forte em seu próprio Signo, Sagitário. A Lua também está em Trígono com Vênus, o Planeta da atração, e isso mostra que ele terá uma renda financeira muito confortável. O harmonioso, artístico e suave Vênus em Conjunção com o obediente às leis, caridoso, conservador, reverente e otimista Júpiter, mostra que ele terá todas as qualidades mais refinadas que tornam a vida e o relacionamento social agradáveis, como já foi dito, favorecendo o acúmulo de riqueza e gozo de todos os luxos da vida. É uma boa indicação, ocorrendo como na 5ª Casa, para um namoro bem-sucedido e feliz, que terminará em um casamento harmonioso. Proporciona o prestígio social e o respeito de todos com quem ele provavelmente entrará em contato, e neutraliza em grande medida as tendências sombrias do Sol em Trígono com Saturno; às vezes, isso o imbuirá de uma visão otimista, generosa e de amável da vida. Ele será muito hospitaleiro e ativo em medidas filantrópicas, gostará de desfrutar e viajar, e será capaz de aproveitar a vida ao máximo. Esse aspecto, provavelmente, também lhe proporcionará algum talento e habilidade musical.
A única coisa que realmente nos incomoda nesse horóscopo é que, com exceção da Oposição de Netuno e Urano, não há aflições; Saturno e Marte estão com Aspectos benéficos, eles estão naturalmente colocados em Touro e, às vezes, quando ele for severamente provado ou excitado e não conseguir se livrar do aborrecimento, eles o farão mostrar aquela facilidade em ficar intensamente enraivecido, assunto que vocês estão reclamando, mas não virá para a superfície, salvo sob provocação.
Com relação à saúde, vemos que Saturno, o Planeta da obstrução, e Marte, o Planeta do calor e da inflamação, estão ambos em Touro, o Signo que rege a garganta e, também, tem governo, por ação reflexa, sobre o Signo de Escorpião, que está conectado com os órgãos de geração e eliminação. Tanto Saturno quanto Marte estão com Aspectos benéficos, no entanto, sua própria presença mostra que há uma tendência a alguns problemas com os órgãos situados na região nomeada, e recomendamos especialmente que vocês tomem cuidado para não ter que fazer cirurgias nas tonsilas ou adenoides. Se problemas se desenvolverem com essas partes, é possível encontrar meios de controlar durante o período da puberdade, quando é mais provável que isso se manifeste. Depois disso, isso não lhe causará problemas e o salvará das dificuldades experimentadas por todos os que fizeram essas cirurgias. Netuno no Signo de Câncer, que rege o estômago, mostra que esse é outro ponto fraco, talvez o mais fraco da cadeia e, portanto, seria bom educá-lo minuciosamente para cuidar dos órgãos digestivos, não para comer ou comer demais, coisas que não concordam com o seu organismo e não se misturam. Se vocês o ensinarem corretamente nesses assuntos, sem dúvida, ele poderá desfrutar de uma saúde razoavelmente boa por toda a vida.
ROSE E. K. – NASCIDA EM 24 DE NOVEMBRO DE 1916 ÀS 7:00 AM
EM QUEEN CITY, N.Y., EUA
No momento do nascimento de Rose encontramos Mercúrio, o Planeta da Mente, da expressão e destreza manual, em Trígono com Saturno, o Planeta da concentração, premeditação, cautela, do tato e da diplomacia. Isso proporciona a Rose uma Mente profunda e penetrante, capaz de olhar para frente, planejar cada etapa da sua vida, para que ela sempre possa ser capaz de fazer a coisa certa na hora certa. Isso lhe fornecerá uma memória esplêndida, que é um recurso muito valioso na vida e, também, cautela, tato e diplomacia, para que ela não apenas pense antes de agir, mas seja capaz de seus objetivos da maneira mais surpreendente.
Essas qualidades proporcionarão a ela um bom preparo para ocupar uma posição de grande responsabilidade na vida. Isso, também a ajudará a se elevar socialmente e, assim, desfrutará do respeito e da estima de todos que a conhecem. Ela será bastante séria ainda na infância e mostrará preferência pela companhia de pessoas mais velhas. Isso, também, proporcionará a ela habilidade mecânica e destreza com as mãos.
Marte, o Planeta da energia, do empreendimento e entusiasmo, em Sextil com Vênus, o Planeta da beleza, do amor e da arte mostra que, embora cautelosa e cuidadosa, Rose será entusiasta tanto no trabalho quanto no lazer, dotada de um agudo instinto de negócios, e capaz de ganhar um dinheiro considerável, mas também livre e generosa com ele para satisfazer seu desejo por roupas, exibições e prazer. Tendo em vista a configuração entre Mercúrio e Saturno, o Planeta da economia e da aquisição, é seguro dizer que ela sempre guardará parte do que ganha e verá que está bem investido, para que haja um equilíbrio confortável, no lado do crédito de sua caderneta bancária.
Marte também está em Trígono com Júpiter, o Planeta da opulência, do otimismo e da benevolência. Isso aumenta o testemunho dos Aspectos anteriores, proporcionando a Rose uma capacidade executiva adicional, poderes de ganho, vitalidade e vigor. Isso a ajudará a se tornar mais livre, generosa, ambiciosa, otimista e opulenta, aumentando o respeito que ela terá na comunidade.
Também encontramos o vital, empreendedor e confiável Sol em Trígono com o deliberativo, perseverante, diplomático, cauteloso, metódico e atencioso Saturno. Isso proporcionará a Rose coragem e cautela, de modo que, embora às vezes possa parecer precipitada, ela nunca será temerária, mas considerará cuidadosamente o custo de um empreendimento e avaliará os obstáculos; assim, ela certamente alcançará seu objetivo.
Ela não usará a força, no entanto, preferirá o tato, a diplomacia e perseverança. Isso a ajudará a ser muito ordeira, sistemática e metódica, qualidades que contribuem para o sucesso na vida. O Sol atrai dinheiro e Saturno, como já foi dito, é o Planeta da parcimônia e ele a ajudará a acumular uma fortuna confortável que crescerá com investimentos cuidadosos.
Esse é o lado bom da vida, testemunhado pelos vários Aspectos descritos acima, mas também há um lado sombrio na natureza de Rose, como em qualquer outro ser humano. Isso é indicado por uma negativa, sonhadora, visionária, vacilante e preocupante
Lua, em Quadratura com o não convencional, fanático e irreprimível Urano, também o malicioso, melancólico, pessimista e obstrutivo Saturno, em Quadratura com a sensual e indolente Vênus. Isso mostra que, em certas condições astrais, Rose pode exibir algumas dessas características indesejáveis, mas como os Aspectos benéficos são tão preponderantes e fortes, não há necessidade de grande preocupação quanto a isso.
Convém, no entanto, ter essas questões em mente e ordenar sua educação durante os anos de infância de forma a erradicá-los tanto quanto possível. Pois lembrem-se de que é durante os primeiros anos, quando o cérebro e a Mente são mais plásticos, que as impressões duradouras são feitas, que permanecem por toda a vida, e se vocês se esforçarem para ensiná-la a maneira correta de viver, não há dúvida de que, pelo menos, ter uma influência considerável na vida mais tarde. Assim, vocês a ajudarão muito a superar suas falhas. E como há quatro Signos Comuns nos ângulos, parece certo de que ela é suficientemente plástica para vocês fazerem um grande bem com os esforços educacionais adequados.
No que diz respeito à saúde, encontramos o vital Sol em Trígono com o persistente e perseverante Saturno. Isso mostra que qualquer vitalidade que ela tenha será conservada ao máximo e, portanto, ela terá um controle forte e tenaz da vida. Mas Saturno está em Leão, o Signo que governa o coração, e podemos, portanto, considerá-lo o ponto mais fraco do organismo dela. Vocês devem ter cuidado para não permitir que ela sobrecarregue esse órgão com exercícios muito extenuantes. Se vocês a ensinarem por preceito e exemplo a viver uma vida simples, ela será muito auxiliada por isso.
RUTH R. – NascidA EM 14 DE JULHO DE 1904 ÀS 1:45 PM
EM COLUMBUS, OHIO, EUA
No momento do nascimento de Ruth, havia quatro Signos Fixos nos ângulos com o material Signo de Escorpião no Ascendente e Marte, o Regente, estava em Trígono com o Ascendente. Encontramos no horóscopo cinco Aspectos principais, dois deles são chamados de benéficos e três são chamados de adversos, embora, como sempre dizemos, tais termos não sejam realmente aplicáveis, pois aprendemos tanto pelos Aspectos benéficos quanto pelos adversos, já que aprender as lições da vida é o objetivo desta escola, que é a nossa vida, na qual somos colocados desde o nosso nascimento até a nossa morte.
Primeiro, o Sol que dá vida está em Conjunção com Vênus, o Planeta do amor, da arte e da música.
Então, temos Júpiter, o Planeta da benevolência e opulência, em Trígono com Urano, o Planeta da originalidade, intuição e independência. Em seguida temos Mercúrio, o Planeta do rumor e das confusões verbais, e Vênus, o Planeta da desordem, em Quadratura com Júpiter, o Planeta da autoindulgência. Também a Lua está em Oposição a Saturno, o Planeta da obstrução.
Tomando o primeiro desses Aspectos, o Sol que dá vida em Conjunção com Vênus, o Planeta da música, arte e do amor, descobrimos que ele proporciona a Ruth uma natureza amável, afetuosa, gentil e simpática a todos com quem ela entra em contato, uma disposição alegre que espalha sol em seu entorno, um gosto pela música e arte; ela também tem alguma habilidade nessa direção e está ávida por prazer, conforto, luxo e lazer. Isso a tornará muito popular, garantirá uma ascensão na vida e uma renda confortável. Quando chegar a hora de se casar, ela encontrará um companheiro que irá expor sua natureza amorosa ao máximo e resultará em uma união ideal, enchendo sua taça de felicidade até a borda.
Júpiter, o Planeta da benevolência e opulência, em Trígono com Urano, o Planeta da independência e originalidade, proporciona a ela uma Mente aberta e independente em pensamento e ação. Isso a ajuda a chegar a suas conclusões por meio de métodos mentais surpreendentes e únicos, que muitas vezes surpreenderão os outros. Este Aspecto também proporciona chance de ser bem-sucedida na vida e uma vocação ligada à filosofia superior, artes ocultas ou sociedades onde seus instintos humanitários podem encontrar espaço para expressão.
Uma educação no mercado de edição e impressão agora a beneficiará muito nos anos posteriores.
Mas não há rosa sem seus espinhos, nem sempre a vida corre suavemente; todos nós temos cantos agudos em nossos personagens que precisam ser arredondados; é exatamente para isso que serve esta escola da vida, e Ruth não é exceção a essa regra. A Quadratura de Mercúrio, o Planeta da calúnia e das confusões verbais, e Vênus, o Planeta da preguiça e desordem, com Júpiter, o Planeta da autoindulgência, mostra que ela é capaz de se expressar com demasiada nitidez às vezes, para satisfazer sua disposição em espalhar rumores e se acalmar demais e adotar uma atitude descuidada com respeito às convenções de um modo muito intenso. Isso a deixará sujeita a calúnias que, por sua vez, pode lhe gerar muita infelicidade, a menos que ela seja ensinada que devemos evitar a aparência de atos errados tanto quanto os próprios atos errados, e quanto mais cedo ela aprender esta lição, mais tristeza ela se salvará.
Haverá obstáculos suficientes em sua vida de qualquer maneira, apesar de seus melhores esforços, porque a Lua está em Oposição a Saturno, o Planeta da obstrução, que sempre traz decepção na vida, de modo que quando você pensa que tem algo bem ao seu alcance, imprevistos acontecem e seu palácio dos sonhos desmorona como um castelo de cartas. Isso ela não pode evitar, pois a configuração é em Signos Fixos, mostrando que é um destino maduro trazido de vidas passadas, mas se ela tomar a atitude certa pode tirar proveito de cada lição e aprender a ter paciência e coragem. Não é a experiência em si que importa tanto quanto a forma como a encaramos, além disso, haverá tanto bem em sua vida para compensar o mal que vai superá-lo em muito.
Com respeito à saúde, vemos que Câncer é um dos Signos mais fracos do Zodíaco, de modo que, quando o Sol, que dá vida, está ali, as forças vitais não estão em seu nível mais elevado. Encontramos também a Lua, que é o significador particular da saúde da mulher, em Leão, o Signo que governa o coração, e em Oposição a Saturno, o Planeta da obstrução. Isso mostra que a ação do coração é organicamente fraca e, embora externamente ela possa no momento não mostrar quaisquer sinais disso, há, no entanto, problemas latentes daquela direção. Por conta disso, ela deve economizar tanto quanto possível qualquer exercício desnecessário ou extenuante, conservando suas forças vitais na juventude para que mais tarde ela possa ter vitalidade suficiente para suportar o desgaste dos anos.
A Conjunção de Marte, o Planeta da energia dinâmica, com Netuno, o Planeta do caos, em Câncer, o Signo que rege o estômago, mostra que há uma tendência também a problemas digestivos e, portanto, a vida simples e a atenção à dieta irão salvar Ruth muitos problemas nos anos posteriores. Ela deve lembrar que é com força e vitalidade como uma conta bancária ou uma renda: não importa quanto tenhamos, se gastarmos mais seremos pobres, mas seremos ricos se soubermos viver com nossas posses, independente de quão escassa nossa porção possa ser.
SARAH W. S. – NASCIDA EM 25 DE SETEMBRO DE 1907 ÀS 3:18 AM
EM LOS ANGELES, CALIFORNIA, EUA
No momento do nascimento de Sarah, encontramos o cumpridor e obediente da lei, conservador, reverente, otimista, opulento e benevolente Júpiter em Sextil com o afetuoso e artístico Vênus. Isso proporcionará a ela uma disposição jovial e otimista, sempre em busca de visões amplas e brilhantes em todas as vicissitudes da vida. Ela vai gostar muito da arte e música; extremamente suave, educada e hospitaleira, muito apreciadora dos prazeres sociais.
Consequentemente, ela tende a ser popular nos círculos sociais de sua esfera de vida, onde fará muitos amigos e aproveitará a vida ao máximo.
A magnética e imaginativa Lua, muito Elevada e muito poderosa em seu Signo de Exaltação Touro, em Sextil com o oculto, profético, inspirador e devocional Netuno, no Signo psíquico de Câncer, proporcionará a Sarah uma vida interior extraordinariamente rica, cheia de sonhos e visões de um mundo mais brilhante.
Isso fornecerá a ela muita inspiração e alguns poderes sobrenaturais, como a psicometria, talvez até uma visão espiritual natural. Esse aspecto também indica viagens em considerável número.
O vital, aventureiro e distinto Sol em Conjunção com o harmonioso, afetuoso e artístico Vênus proporcionará a ela um olho muito voltado para a arte e beleza, uma natureza ambiciosa, honrada e corajosa e uma disposição afetuosa para com seu companheiro, o que tende a torná-la feliz na vida matrimonial.
Mas antes da consumação desse feliz evento, há um grave perigo para Sarah, pois o impulsivo Marte, que significa o elemento masculino no horóscopo de uma mulher, está na 5ª Casa, que rege o namoro; o não convencional e licencioso Urano está lá também e afligido por uma Quadratura com Mercúrio, o Planeta da razão, e por uma Oposição de Netuno, o Planeta da fraude e do decepção. Isso mostra que Sarah pode ser abusada durante os primeiros anos da infância e, portanto, vocês devem ter muito cuidado quando ela atingir a puberdade, digamos, começando por volta dos doze anos, e continuar a vigiá-la até que ela se case. Esse é um assunto muito sério. Será necessário todo o cuidado de vocês e, também, engenhosidade para evitar uma calamidade. Sugerimos que vocês também comecem cedo a ensinar-lhe a santidade da fonte da vida, a beleza de uma maternidade virtuosa. Certifique-se também de fornecer a ela as condições do lar que lhe deem uma saída natural para sua demonstração de amor, pois isso deve ter sua expressão. É tão vital para ela quanto a própria vida, e se vocês forem frios e indiferentes, vocês a levarão a buscar o afeto que ela anseia em outro lugar; portanto, vocês devem assumir uma responsabilidade muito grande se negligenciar a isso.
O Sol em Conjunção com Vênus, o Planeta da atração, na 2ª Casa governando as finanças, e o Sextil de Vênus com Júpiter, o Planeta da opulência, mostra que Sarah terá circunstâncias financeiras muito confortáveis ao longo da vida.
Com respeito à saúde, vemos que o Sol doador de vida está em Conjunção com Vênus e o Signo vital de Leão está no Ascendente. Essa é uma boa indicação, mas Marte, o Planeta de energia dinâmica, em Trígono com a Lua, que é o significador particular da saúde no horóscopo de uma mulher, é muito melhor, e as indicações são, portanto, de que Sarah terá uma saúde excepcionalmente boa. A única exceção a isso é mostrada por Saturno no Signo de Peixes, que governa os pés. Isso pode produzir alguns problemas nessas extremidades e, também, algumas irregularidades na região abdominal. Mas se vocês a ensinarem a seguir uma dieta saudável, provavelmente, ela será capaz de superar essas tendências.
WATANA PAULINE E. – NASCIDA EM 18 DE ABRIL DE 1913 ÀS 6:55 A M
BESSEMER, ALABAMA, EUA
Aqui temos uma senhorita destinada a se apresentar como uma musicista inspiradora, pois o harmonioso e artístico Vênus está forte no Ascendente, no seu Regente, Signo de Touro, que governa a garganta, e a magnética, imaginativa e emocional Lua está em Sextil com o inspirador e musical Netuno.
O original e inventivo Urano está altamente Elevado e forte no seu Regente, o intelectual Aquário, em Trígono com o metódico, sistemático e perseverante Saturno. Isso mostra que ela tem muita persistência.
Ela trabalhará duro e perseverantemente para alcançar o sucesso e nunca desistirá até que alcance seu objetivo. O entusiasta, empreendedor e enérgico Marte na 11ª Casa, denotando amigos, em Sextil ao otimista, benevolente e influente Júpiter, mostra que ela terá admiradores influentes, firmes e entusiastas que se empenharão em ajudá-la a obter suas esperanças, seus desejos, e suas aspirações.
Assim, ela terá a certeza de ter uma vida de sucesso e uma situação financeira confortável.
Um grave perigo a ameaça, pois o não convencional e licencioso Urano está em Quadratura com o sensual Vênus na 12ª Casa, a Casa da tristeza, dos problemas e da autodestruição. Isso indica casos de amor clandestinos e possivelmente estupro. Por volta do décimo ano, o Sol, que designa o elemento masculino no horóscopo feminino, entra em Conjunção com Vênus e faz a Quadratura com Urano. Isso excitará a condição e será imperativo proteger a criança, digamos, do nono ao décimo terceiro ano. Ela também deve ser cuidadosa durante toda a vida, mas a necessidade não é tão grande como nesse momento específico.
O obediente às leis, conservador e benevolente Júpiter, em Sextil com o energético Marte, nos fornece a esperança de que vocês terão sucesso em salvá-la; mas, como uma dica de ajuda adicional, podemos dizer-lhe que o perigo provavelmente virá de alguém com influência para ajudá-la a seguir a carreira pública para a qual está destinada. Ele é descrito pelo Sol em Áries. Certifique-se de ensinar à criança com muito cuidado a retidão moral que é tão necessária para ela, pois em algum momento de sua vida o escândalo ameaça sua carreira, mas amigos fortes e influentes que a apoiarão com firmeza provavelmente a salvarão. O sagaz e lógico Mercúrio em Sextil ao diplomático Saturno proporcionará a ela uma Mente profunda e pensativa e uma memória esplêndida que a capacitará a considerar seriamente e compreender os problemas da vida. Portanto, vocês têm um material mais excelente para trabalhar.
No que diz respeito à saúde, descobrimos que o forte Signo vital de Touro está no Ascendente, que a dinâmica de Marte está elevada e bem-aspectada, a Lua também estando sem aflições. Esses são sinais de boa saúde, mas o Sol em Áries, que governa a cabeça, em Quadratura com o nervoso Netuno, indica tendência a dores de cabeça. Saturno em Gêmeos, que rege os pulmões, mostra tendência a resfriados e ela deve ser cuidadosamente protegida contra eles. Considerando todas as coisas, no entanto, podemos julgar que uma boa saúde mediana está reservada para Watana.
F I M
[1] N.T.: Pollyanna é um livro de Eleanor H. Porter, publicado em 1913 e considerado um clássico da literatura infantojuvenil. Pollyanna, uma menina de onze anos, após a morte de seu pai, um missionário pobre, se muda de cidade para ir morar com uma tia rica e severa que não conhecia anteriormente. No seu novo lar, passa a ensinar às pessoas o “jogo do contente” que havia aprendido com o seu pai. O jogo consiste em procurar extrair algo de bom e positivo em tudo, mesmo nas coisas aparentemente mais desagradáveis. Por exemplo Uma vez eu tinha pedido bonecas e ganhei muletas. Mas fiquei feliz porque não precisava delas. Este é um trecho do livro Pollyanna.

Elisabeth Ray • O que deu a você a maior satisfação de criar este livro? E por quê?
Ger Westenberg • Nós, quero dizer meus pais, meu irmão e duas irmãs nos mudamos para Amsterdam quando eu tinha 17 anos. Nós vivíamos no campo, mas meu pai tinha sua empresa de vendas de porcelana e cerâmica em Amsterdã e em 1950 precisávamos nos mudar lá para ter uma educação secundária.
A intenção era que eu, como filho mais velho, entrasse no negócio de meu pai. Um dia no início de setembro, quando eu tinha 20 anos, eu cheguei em casa e lá estava o jornal aberto na mesa. Eu não gostava, e ainda não gosto de ler jornais, mas fiquei atraído por ele e vi um pequeno emblema da Sociedade e o anúncio de que a Fraternidade Rosacruz iniciaria um curso de Astrologia em 7 de setembro de 1953. Eu não sabia nada sobre a Astrologia.
Mas quando vivíamos no campo, tínhamos uma casa e um jardim muito grande, e durante o verão a irmã de minha mãe, que era viúva, veio até nós e trabalhou alguns meses com minha mãe para limpar a casa. Quando eu tinha 17 anos, essa tia me perguntou se eu ia ler cartas para ela. Eu respondi que eu não sabia como fazer isso, mas ela tinha uma revista e nela as cartas foram retratadas e o que elas queriam dizer.
Então, eu fiz isso por ela, minha mãe, meu pai e o resto da família. O que eu me lembrava era que cada um tinha um aviso de morte, exceto minha mãe. Isso me preocupava, mas não contei aos outros membros. Eu estava com medo de que minha mãe morresse. Depois de várias semanas minha mãe foi chamada por um sobrinho que lhe perguntou se ela poderia vir e ficar com seu irmão que estava em um leito de hospital em outra cidade. Depois de alguns dias ela voltou para casa e nos disse que seu irmão tinha morrido. Fiquei aliviado por não ter sido ela quem morreu.
Quando eu vi esse anúncio classificado, eu esperava que a Astrologia fosse mais definitiva. Parecia que eu tinha uma atração por Astrologia, e depois de meio ano eu perguntei aos que estavam à frente na Fraternidade Rosacruz na Holanda o que a Rosicrucian Fellowship significava, e eles disseram que iria iniciar um novo curso sobre o Conceito Rosacruz do Cosmos em setembro. Então, é claro, eu me juntei a eles e estava realmente animado; isso era o que eu sempre quis saber. Tornei-me membro em 18 de abril de 1956, em Amsterdã e em setembro de 1956 em Oceanside (eu me tornei um Probacionista em 1 de fevereiro de 1959).
Elisabeth Ray • Voltando à quando você iniciou a biografia, como as mudanças afetaram seu trabalho no projeto?
Ger Westenberg • Eu era o membro mais jovem lá e, frequentemente, visitava membros idosos que tinham que se mudar para uma casa menor ou uma casa para pessoas idosas e, muitas vezes, me perguntavam se eu queria ficar com suas lições e cartas e, às vezes, alguns livros. Eu sempre aceitei o que eles ofereceram, e assim meu arquivo cresceu.
Muitas vezes as pessoas contavam as histórias mais absurdas sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz, então decidi investigar por mim mesmo.
Havia duas pessoas que eram muito importantes para mim. O Sr. Jaap Kwikkel, era muito bom em Astrologia e viveu em Zaandam e Sr. Frits Kreiken, que era muito bom nos ensinamentos.
Foi em 29 de abril de 1961 que me casei com a filha do organista da famosa e mais antiga igreja protestante de Amsterdã. Ela esperava um bebê no início de 1963, e eu tentei descobrir astrologicamente quando ele iria nascer. Poderíamos ganhar um carrinho de bebê se acertássemos a data. Embora nós fossemos muito pobres naquele tempo, eu não faria isso, mas a data que eu tinha calculado era exata. Isso eu fiz para minha filha Yolanda também; estava certo também, mas por causa dos meus estudos, eu não tinha tempo para fazê-lo para Ellen.
Trabalhar no negócio do meu pai não era o que eu queria, então comecei a estudar para me tornar um assistente social na Academia Social, em Amsterdã. Quando eu estava no segundo dos quatro anos, eu tive que garantir um estágio, e que não era fácil de encontrar, especialmente porque eu era casado e tinha dois filhos pequenos. Mas finalmente consegui um emprego em Zaandam e, também, uma casa para morar. Esse foi realmente um prêmio de uma loteria, como havia uma grande escassez de casas após a Segunda Guerra Mundial. Era difícil alugar uma casa (1961).
Elisabeth Ray • Nestes 50 anos de pesquisa, quais foram suas maiores surpresas nas informações recebidas em relação à toda a sua experiência?
Ger Westenberg • Alguns membros me disseram que Max Heindel certamente não teria gostado que alguém escrevesse sua biografia. Isso soou estranho para mim, como ele deu muita informação em seus livros, mas eu guardei isso muito bem guardado.
Pesquisar nos Estados Unidos é bastante difícil. Eu queria encontrar uma cópia do testamento de Max Heindel e de Augusta Foss, mas precisava saber quem tinha sido seu advogado e onde ele morava. Na Holanda temos um registro central, mas não era assim na Califórnia.
No entanto, amigos na Califórnia me ajudaram, e eu encontrei esses testamentos. No testamento da Sra. Heindel encontrei os endereços dos 4 filhos de Max Heindel, mas esses tinham várias décadas.
Foi em 1968, um dia antes do Natal, quando cheguei em casa e conversei com minha esposa na cozinha. O carteiro tinha entregado um envelope grosso da América, da filha mais velha de Max Heindel, Wilhelmina. Recebeu minha carta e o retorno demorou um ano. Ela incluiu 3 fotos: Max Heindel e seu irmão e meia-irmã (34), Max Heindel e sua primeira esposa e Wilhelmina (37), e os quatro filhos quando eles foram para a América (39). Eles são retratados no Capítulo dois da biografia. Então, para mim isso foi um encorajamento para ir mais longe com a biografia. Essas fotos e o contato foram uma grande surpresa para mim.
Não consegui obter informações de Copenhague, Dinamarca; somente que Max Heindel tinha vivido naquela cidade. Então, eu tive uma ideia. Como você sabe, em Mensagem das Estrelas você pode encontrar o horóscopo de Max Heindel (Nº 3), mas não diz onde ele nasceu. Esperamos que Max Heindel pudesse certamente calcular seu próprio horóscopo, eu mesmo fiz isso com uma Efemérides daquela época (Raphael) e vi que a Lua não se encaixava em Copenhague. Então eu comecei a movê-la, e ela se encaixava para Aarhus, Dinamarca, então eu escrevi uma carta em alemão para o arquivo central daquela área. Depois de um ano eu ainda não tinha resposta e o Sr. Kreiken sugeriu que eu escrevesse a uma amiga da família em Copenhague e pedisse que ela ligasse para o arquivo. Parecia que o Sr. Rickelt tinha coletado muita informação, e ele podia ler alemão, mas ele não podia escrever, e então ele perguntou a Adda Christensen, a amiga, se ela traduzisse uma carta para ele.
Foi realmente uma revelação para mim, e ele me deu uma impressão de pedra vermelha original (litografia) a partir de 1868 de Aarhus, com a padaria nele do Padeiro Grasshoff. Ele também tinha um para si. Entretanto, eu havia traduzido a biografia para o inglês em 1971 e a tinha copiado numa máquina de estêncil ou mimeógrafo do meu empregador, a Igreja Protestante em Zaandam. Essa Igreja deu-me o consentimento para seguir o estudo avançado para assistente social. Isso significava que eles pagariam parte do tempo que eu passei a ensinar em outros lugares durante o segundo ano, e teríamos um salário. Eles sabiam que este seria o último ano em que eu trabalharia em Zaandam e eles o viam como um sinal de apreço, e que certamente era.
Enquanto isso, enviei a biografia para a sede com todas as fotos originais e o original litho eu mantive duplicatas para mim. A razão era que o conselho naquele tempo disse que tinham a intenção de publicá-lo. Isso nunca aconteceu, e as imagens e litho se foram há muito tempo.
Eu me mudei para Dieren, na parte oriental do país com seu belo parque nacional, em 1972. Eu me tornei conselheiro de trabalho social e trabalhei em toda a província com nossa sede em Arnhem (16 de janeiro de 1973). Logo conseguimos uma casa para alugar.
Foi em 5 de abril de 1974, que minha esposa e eu fomos para a Califórnia. Nós poderíamos ficar algum tempo em Los Angeles na casa da viúva Schwenk, e fomos convidados de seu filho, Norman. Vimos tantas coisas interessantes nessas três semanas. Eu também me hospedei por 3 dias na Sede. Que decepção. Eu estava sozinho, mas uma senhora holandesa, a Sra. Young, e seu marido inglês moravam lá. Ela me ajudou com a tradução de várias partes da biografia para o inglês. Ela era dominadora, e os outros membros do conselho não gostavam disso, então, eles a chamaram de comunista, e então eu, como visitante, também era comunista.
Ninguém falou comigo, e a biblioteca, infelizmente, estava embalada em caixas por causa do trabalho de pintura planejado. Tirei fotos e na maior parte do tempo me sentei no banco que dava vista à parte do vale e que tinha uma vista para o Templo. Lá eu tive a companhia dos beija-flores, que eu nunca tinha visto um antes. Era como se eu pudesse tocá-los. Eu também vi uma vez uma cobra cascavel na entrada do Templo.
No último dia Irene Murray veio até mim e convidou-me para visitar o Templo e tirar algumas fotos de dentro. A capela poderia ser visitada livremente. E ela me mostrou também o departamento de cura e o interior de alguns outros edifícios. Eu também tive mais problemas. Minha esposa e eu nos divorciamos em 3 de agosto de 1975.
Eu vivi então por quatro anos em um chalé de verão na floresta, onde, no sábado, a cada quinze dias, meus três filhos me visitavam e era como umas férias muito agradáveis. Era um lugar tranquilo, meus filhos e eu gostávamos.
Você não vai acreditar, mas 19 de fevereiro de 1984 foi um dia maravilhoso para mim. Um amigo meu, Michel Kwikkel, filho de Jaap Kwikkel, que era um homem de computador, um programador, tinha programado uma pequena máquina de calcular para que eu pudesse calcular com precisão horóscopos. Naquele dia eu tive meu horóscopo ratificado.
Foi em 1984 que eu ouvi que a família Barkhurst ainda estava viva, e eu contatei-os com perguntas, é claro. Isso se tornou uma amizade e eles me disseram que sua visão etérica lhes tinha dado a convicção de que eles fariam bem em me enviar seu véu de Discípulo. Eles morreram (a Sra.) em março de 1987 e (o Sr.) em dezembro de 1986. Isso tornou possível escrever o exercício de discípulo reconstruído e relatar como Max Heindel trabalhou nos primeiros dias.
Eu, no entanto, não sei em que ponto eu estava; portanto, eu tinha feito uma figura horária. Você aprenderá a partir da biografia que mais tarde o Irmão Maior fez o exercício comigo, e o “ponto um” era o mesmo que eu tinha calculado. Eu tenho o Sol em Áries, e talvez seja essa a razão pela qual um é no meu caso a cabeça; Max Heindel disse que não conseguia encontrar uma regra astrológica.
Foi em 1986 que descobrimos que o nosso Departamento no trabalho seria descontinuado. Primeiro, as pessoas mais velhas foram dispensadas. Meu tempo veio em 1986. Resultou em ter um salário, mas estar desempregado. Isso durou cerca de um ano durante o qual eu traduzi o livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume II para o holandês. Quando éramos sete pessoas juntas em Haia, estabelecemos Stichting Zeven (Cooperação Sete) que doou algum dinheiro, e publicou o livro, 1000 cópias no outono de 1990.
Elisabeth Ray • O livro agora já foi publicado em holandês e em espanhol. Que outras línguas estão sendo trabalhadas?
Ger Westenberg • Consegui um novo emprego e trabalhei durante quatro anos, durante o qual eu traduzi mais livros e terminei a biografia em holandês. O Sr. Joost Ritman, dono da Biblioteca Ritman de Amsterdã, a maior biblioteca Rosacruz do mundo, me pediu para visitá-lo. Depois de uma hora de conversa sobre a biografia, ele disse que a Biografia tinha que ser publicada e que ele (a Biblioteca) tinha um fundo para isso e pagaria os custos. A biografia foi publicada em dezembro de 2003 (Mil cópias).
Em 1998, a Rose Cross Press (Lectorium Rosicrucianum) me perguntou se nós (a Fraternidade Rosacruz na Holanda) concordaríamos em publicar o Conceito novamente em holandês. Ele estava esgotado, e eles vendem os livros de Max Heindel para seus membros e pessoas que vinham para suas reuniões. Seria impresso sob o nome da Fraternidade Rosacruz, eu corrigiria o livro em holandês moderno, e eles pagariam pela publicação. Isso aconteceu no ano 2000.
Isto significou que após minha aposentadoria, em 1998, eu gastei meu tempo traduzindo novamente os livros por Max Heindel e diversos estão agora prontos. A espera é para uma doação prometida para tê-los publicados.
Folker Schlender me ajudou a traduzir a biografia em alemão e eles foram publicados em parcelas em seu site na Alemanha desde o verão de 2008.
Elizabeth Ray traduziu para o inglês, e começou a publicá-lo em www.rrfriends.org, em novembro de 2009.
Jorge Rey, da Colômbia, traduziu o livro para o espanhol e foi publicado em julho de 2009.
Antonio Ferreira de Portugal terminou a tradução para o português, que será impressa em meados de novembro de 2009.
O Sr. Paolo Parenti, de Pisa, na Itália, está traduzindo o livro em italiano, do qual não tenho detalhes.
Elisabeth Ray • O que você espera para o futuro da Rosicrucian Fellowship como organização? – Para a Filosofia? – Para o trabalho da Fraternidade?
Ger Westenberg • O futuro da Rosicrucian Fellowship é salvaguardado por muitos membros ativos em todo o mundo que publicam informações e livros em seus sites.
O futuro da Sede - já viveu seu tempo mais longo, eu acho.
Há interesse por muitas pessoas, e a disponibilidade de livros e publicações na internet ajudará a preparar pessoas para a era Cristã que vem, a Era de Aquário. Os Ensinamentos Rosacruzes, como divulgados por Max Heindel, são a nova forma de Cristianismo.
Elisabeth Ray • Vimos interesse e expectativa para o livro de membros de língua inglesa, e as pessoas parecem ansiosas para ter uma cópia publicada. Qual foi a reação ao livro entre os membros holandeses e de língua espanhola?
Ger Westenberg • Suponho que ouviremos mais quando as pessoas lerem o livro na internet e depois quando tiverem uma cópia impressa. A dificuldade é que agora cheguemos aos que estão conscientemente interessados, mas os livros que se tornam disponíveis nas livrarias também chegarão a outras pessoas. Eu não sei quantos livros foram vendidos na Holanda, várias centenas, pelo menos. Jorge Rey tinha 100 cópias impressas em espanhol, mas não sei se ele encomendou uma segunda impressão.
Elisabeth Ray • Em que outras coisas você está trabalhando?
Ger Westenberg • Tenho dois objetivos em mente. Um é escrever um livro sobre a fisionomia astrológica. Eu tenho 4000 horóscopos e imagens de pessoas principalmente ocidentais. Vou tentar estudar desenho, para que eu possa fazer desenhos compostos.
O segundo é escrever um livro sobre ‘Astrologia horária’ com os Aspectos menores, como Kepler nos deu, e usando o sistema Campanus, que parece ser o sistema de Casas mais correta.
Elisabeth Ray • Que tipo de conselho você gostaria de dar aos que se dedicam à Filosofia Rosacruz? Para aqueles que são membros da Fraternidade?
Ger Westenberg • Essa é uma questão que é difícil de responder. Depende do que os indivíduos desejam e do que eles estão dispostos a investir. Max Heindel disse que lamentava que, embora muitas pessoas estivessem felizes com os Ensinamentos Rosacruzes, poucos queriam viver de acordo com eles. Mas suponha que você queira viver a vida, até onde você quer ir? Seu impulso interior determina o tipo de provações que você recebe.
Max Heindel diz, em Cartas aos Estudantes, que enquanto vivermos a vida normal, as coisas correrão bem, mas assim que começarmos a lutar, surgem as dificuldades. Então, deve-se persistir e ouvir a sua própria lei interior. Somente quando construímos a lei dentro, Max Heindel diz, podemos nos candidatar à Iniciação.
Uma das coisas mais importantes é ter paciência e se levantar novamente depois de ter caído. Eu raramente penso sobre quando é hora de finalmente se tornar um Iniciado. Enquanto fazemos o nosso melhor, pagamos nossas dívidas e nosso Guardião do Umbral fica menor e será mais fácil de passar, talvez.
Elisabeth Ray • Você tem a distinção de ser capaz de olhar para trás em muitos anos de experiência com a Filosofia dos “Ensinamentos da Sabedoria Ocidental”. Como você descobriu esses Ensinamentos, e o que eles significaram para você pessoalmente ao longo destes anos?
Ger Westenberg • Já respondi sobre como entrei em contato com os Ensinamentos Rosacruzes na primeira pergunta. Para mim, ficou imediatamente claro que esses eram os ensinamentos que eu inconscientemente estava procurando. Eu li livros sobre outros ensinamentos, mas sempre com o objetivo de saber o que eles aprendem. Eu nunca tive o desejo de tentar outra coisa. Os maçons pediram-me três vezes para me tornar membro, também o Lectorium, mas isso é absolutamente fora de questão. No momento, não há nada mais elevado do que os Ensinamentos Rosacruzes como Max Heindel colocou em palavras. Eu respeito muito Max Heindel pelo que ele deu ao mundo, durante os últimos dez anos de sua vida.
Portanto, estou contente por ter sido capaz de escrever sua biografia. Steiner falhou e há mais de 5 biografias dele. Max Heindel conseguiu e certamente precisa de, pelo menos, uma biografia.
Eu, portanto, estava cheio de alegria quando recentemente recebi quatro fotos de infância de Max Heindel que Madeline Burgess descobriu em uma gaveta de uma mesa.
F I M
Em A Flauta Mágica, onde existem muitas notas e simbologia Rosacruzes, Mozart nos eleva para a criação da Fraternidade Universal consciente. Na “Flauta Mágica”, Mozart descreve a senda que o candidato – pobre, nu e cego – percorre à procura da luz.
A ópera continua revelando os passos sequentes da senda, de muitas provas e alterações, pelas quais ele é submetido para, finalmente, tornar-se digno de entrar naquele Templo, que não é feito por mãos, mas que está eternamente nos céus, onde ele se encontra para sempre em divina união com a luz eterna.
Para fazer download ou imprimir:
A Maçonaria Mística e a Flauta Mágica de Mozart – F PH Preuss – Fraternidade Rosacruz
2. Para estudar no próprio site:
A MAÇONARIA MÍSTICA
E A FLAUTA MÁGICA DE MOZART
Resumido por
Corinne Heline
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Revisado de acordo com:
Cópia Datilografada: Traduzido do alemão por F. Ph. Preuss em 1976 da Revista “Das Rosenkreuz” e Resumido por Corinne Heline
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
SUMÁRIO
Mozart inicia a abertura de sua Ópera “Flauta Mágica”[1] com três acordes majestosos que correspondem aos três passos, ou graus fundamentais, que é a base de todos os ensinamentos místicos. Essa tríade é conhecida como o serviço da Loja Azul. Os três acordes descrevem as três batidas do candidato antes que ele tenha o seu pedido de iluminação atendido. A esses três acordes segue-se uma procissão em marcha solene, geralmente escrita para metais, a qual simboliza a “senda” do candidato. Na abertura, muitos acordes com temas diferentes foram genialmente entremeados por Mozart. Ele descreve aqui os maravilhosos e augustos ensinamentos, os três graus maçônicos superiores, os quais existem em todo ser humano. A abertura chega à sua máxima e triunfal expressão quando retrata exatamente a “senda”. O caminho é longo e o trabalho é exaustivo, mas no final – assim Mozart nos conta – o aspirante digno chega à culminância – ele se torna um “Iniciado”. Na abertura são descritos vários processos, pelos quais a pedra, áspera e tosca, se transforma até ficar completamente polida; ele finaliza com a repetição dos três acordes (batidas), através dos quais é mostrado que o solicitante procura maior sabedoria e luz. A senda é sem-fim, a procura é eterna!
A cena inicial desenrola-se no Egito, num campo aberto, perto do templo de Isis. Tamino[2], um belo e jovem mancebo, em vestimentas elegantes, está sendo perseguido por uma grande serpente. Sua precipitação, perturbação e medo são expressivamente descritos nas agitadas passagens da orquestra. Com uma prece aos deuses para obter proteção, ele cai inconsciente ao chão. Aparecem três jovens cobertas por véus, cada uma com uma lança de prata para que possam matar a cobra. Após o que, elas cantam a beleza do mancebo num harmônico e melodioso trio. Essas três jovens representam, na obra máxima de um aspirante ao iniciar suas buscas, a purificação do corpo, a purificação dos desejos e os apetites, assim como a espiritualização do intelecto. Os grandes progressos que Tamino já alcançara na senda são comprovados pelo fato de que a cobra fora abatida no seu corpo tríplice, isto é, as paixões animais, que pertencem à natureza inferior, já foram vencidas.
Uma melodia lindíssima soa ao longe; ela é alegre, uma das características das obras de Mozart. Ela descreve perfeitamente o personagem que a canta: “O passarinheiro, sim sou eu, alegre, cantando e pulando…”
O seu traje é feito principalmente de penas e nas costas traz uma grande gaiola de pássaros. Tamino acorda e vê a cobra morta aos seus pés, contempla o recém-chegado com interesse e esse lhe diz que seu nome é Papageno[3] e que ele é um caçador de pássaros da Rainha da Noite; ele acrescenta, ainda, que todos os dias, quando leva os pássaros à Rainha, recebe das três meninas, suas servas, pão, vinho e figos doces.
Assim como Tamino é um aspirante à procura da luz, Papageno representa a massa humana, a qual pouco ou nada se interessa pelo que diz respeito à espiritualidade profunda, e que vive só para comer, beber, para ser feliz, com poucos pensamentos para o amanhã.
Papageno percebe que Tamino crê ter sido ele quem matou a cobra e reivindica imediatamente o mérito para si. Ele diz ter a força de um gigante e afirma ter matado a cobra com seu braço direito. Nesse instante, aparecem as três jovens veladas, que solicitam ao caçador de pássaros, que se vangloria, que abandone suas mentiras. Elas lhe dizem que nem pão nem vinho receberá nesse dia, mas somente água e uma pedra, e que, além disso, fechar-lhe-ão os lábios com um cadeado.
As Servas da Rainha dão a Tamino um quadro de Pamina[4] e contam-lhe que ela é a filha da Rainha. Quando ele vê a encantadora beleza, canta a fascinante ária: “Esta imagem é tão bela e encantadora, como olhos jamais viram!”. Ele expressa seu desejo de estar unido a ela para sempre. Pamina representa a natureza espiritual latente no homem, a qual é frequentemente apresentada como a sublime feminilidade. Quando um Discípulo se aperfeiçoa em sua busca, começa a sentir as perspectivas da maravilhosa e augusta beleza superior, e se consagra cada vez mais intensamente à realização da união com seu divino EU, o que constitui, no ocultismo, “as bodas místicas”.
As jovens (servas da Rainha) informam Tamino que ele fora escolhido para ser o libertador da bela Pamina, que desaparecera por magia de um mago malévolo.
Ecoa uma ensurdecedora trovoada, e o cenário escurece. Entre estrelas aparece a Rainha da Noite em seu trono. Seu recitativo, solene e sério, conta a perda de sua filha. Numa graciosa ária, em coloratura, canta que Tamino é inocente, sábio e piedoso e se ele tiver êxito em achar sua filha, poderia tomá-la como sua. Depois dessa promessa, o cenário escurece novamente.
O candidato ao atingir um certo grau em sua “senda” começa a desenvolver a clarividência. Esse novo grau de visão fá-lo capaz de visualizar algo dos mundos internos. A pergunta, feita admiravelmente por Tamino, é própria de todos os aspirantes que alcançam esse estado de consciência: “É verdade o que eu vejo? Ou perturbam-se os meus sentidos?”. As jovens dão-lhe, a seguir, uma flauta mágica, a qual – e elas prometem – o protegerá em qualquer dificuldade. Pois que a flauta suaviza as paixões dos seres humanos, e tem muito mais valor do que ouro e coroas e proporcionará, algum dia, paz a todos os seres humanos. Esta flauta mágica representa a divindade latente no ser humano; se o seu poder for desenvolvido satisfatoriamente, fá-lo-á capaz de ouvir seu próprio tom básico por toda a sua vida, parando, somente, na hora da morte.
As jovens livram os lábios de Papageno e ordenam-lhe que acompanhe Tamino. O medroso caçador de pássaros não se entusiasmou com essa ordem, pois não aspira a nada superior. Elas lhe dão alguns sinos mágicos que, como elas dizem, o protegerão de todo mal.
Ao ficar só, Tamino toca a flauta e dirige uma prece aos deuses, suplicando por bençãos e proteção quando ele for à procura de Pamina. Essa prece é acompanhada pela orquestra com um delicado “Obligato” de flauta.
O quadro seguinte é o de uma ala ricamente adornada num palácio egípcio. O mágico malévolo, Monostatos[5], um representante dos poderes negros, entra arrastando a semiconsciente Pamina. Ele a joga sobre um sofá e acena a três escravos que o ajudem a algemá-la. Esses três escravos representam os veículos humanos: o Corpo Denso, o Corpo de Desejos e a Mente quando usados para fins maléficos. São símbolos do prazer inferior, do medo e da ignorância, os quais acorrentam o espírito à personalidade.
Papageno entra em cena acompanhado por outros – para Mozart esse acompanhamento é caracterizado por frases diabólicas de violino. O homem dos pássaros reconhece imediatamente Pamina como a figura original do quadro que ele havia visto nas mãos de Tamino e narra-lhe sobre o jovem e vistoso mancebo que vem em seu socorro. Ela, por sua vez, sente-se encantada com as boas novas, porém adverte Papageno que, se for descoberto, morrerá morte muito cruel. Eles resolvem fugir imediatamente, titubeando, contudo, porque o passarinheiro, sentindo-se sobremaneira feliz devido à simpatia dela, confessa-lhe a sua solidão, dando-lhe a entender que ele mesmo a desejaria como sua pequena Pamina. Pamina admoesta-o a ser paciente, e diz-lhe que sabe que os deuses lhe mandarão uma companheira.
Os dois afastam-se, cantando o lindíssimo dueto sobre a delícia e a bem-aventurança do amor: “não há nada mais nobre do que o homem e a mulher”.
O cenário muda: três templos estão ligados entre si por corredores de colunas. O da direita ostenta a inscrição “TEMPLO DA RAZÃO, o da esquerda, “TEMPLO DA NATUREZA”, e o do meio, “TEMPLO DA SABEDORIA”. Esses três templos representam, na simbologia maçônica, a força masculina, a beleza feminina e a sabedoria (a união dos dois).
Quando Tamino indagou às três jovens como podia achar a montanha na qual Pamina está encerrada, elas lhe contaram que seria acompanhado por três belos mancebos, sábios e bons. Esses três jovens guiam-no aos três templos, abandonando-o depois com a exortação: “sede imperturbável, paciente e calado, considerai isso; enfim, sede homem, depois jovem, e tereis a vitória como homem”. Novamente só, Tamino procura entrar no Templo à direita, mas a entrada lhe é proibida por uma voz que lhe ordena “para trás”; experimenta entrar no Templo à esquerda, mas a entrada lhe é proibida da mesma maneira. Ele não se deixa perturbar e bate no portal do meio, o da “SABEDORIA”. Um sacerdote idoso aparece na entrada e o príncipe compreende que chegou ao Templo de Sarastro[6], o sumo sacerdote do sol, o mago sábio, que se acha em harmonia com as forças da luz. Tamino tenta, ansioso, saber algo sobre o paradeiro de Pamina. O sacerdote responde-lhe: “meu caro filho, não me é permitido dizer-te isso agora. O juramento e a responsabilidade tolhem-me a língua”, Tamino pergunta quando estará liberto desse juramento. O sacerdote responde-lhe numa das mais solenes árias da ópera: “Logo que te guiar ao santuário do laço da eterna amizade”.
Nessa ocasião, um coro se eleva pedindo a Tamino não interromper suas buscas pois que não demorará muito tempo até que encontre Pamina. Tamino responde numa ária que exprime sua alegria e gratidão pelo auxílio dos deuses, acompanhado por um sublime solo de flauta.
Quando Tamino se afasta, aparecem Papageno e Tamina, que são perseguidos por Monostatos e seus três escravos. Em desespero, Papageno toca os sinos mágicos que recebera das três jovens, para sua proteção. Imediatamente forma-se ao redor dos dois uma aura que não pode ser devastada pelo mago malévolo. Eles estão livres! É na verdade, possível a todas as pessoas encerrarem-se em si mesmas numa aura divina, onde nenhuma força negativa ou maléfica possa atingi-las. Papageno e Pamina cantam jubilosos um dueto em agradecimento ao auxílio divino, que lhes foi concedido por intermédio da sonoridade dos sinos; proclamam que, se todos soubessem fazer uso de tal magia, inimigos tornar-se-iam amigos, e o mundo inteiro seria o reino da beleza e da harmonia.
Um coro invisível anuncia a aproximação do sumo sacerdote Sarastro. Ele entra acompanhado por vários sacerdotes e Iniciados. Pamina relata que tentara fugir, pois temia o mouro Monostatos. Num ritmo apaziguante, conta-lhe Sarastro que algum dia compreenderá por que foi separada de sua mãe, e colocada sob os cuidados do Templo. Nesse instante entra o mouro arrastando Tamino atrás de si. O príncipe e a princesa reconhecem-se de maneira intuitiva e abraçam-se afetuosa e calorosamente. Sarastro pede aos sacerdotes para encaminharem Tamino e Papageno ao Templo da Provação. Os sacerdotes lhes cobrem as cabeças com véus e os acompanham para fora. Sarastro toma Pamina pela mão e guia-a ao Templo da Sabedoria. Ali, invoca os deuses e suplica-lhes que abençoem os jovens aspirantes à procura da luz:
“Ó Isis e Osiris, dai
o espírito da sabedoria ao jovem par!
Vós, que guiais os passos que caminham;
Fortalecei-os no perigo com a paciência!
Fazei que eles vejam os frutos da provação;
Se, porém, devem descer à sepultura,
Gratificai a virtude da ousada corrida,
Aceitai-os em vossa Santa Morada”.
O segundo ato começa com uma marcha solene (geralmente com instrumentos de sopro) com o mesmo tema dos acordes iniciais da abertura. Como acompanhamento, aparecem os sacerdotes, guiados por Sarastro, que lhes diz que Tamino e seu companheiro esperam na entrada norte do Templo. Eles perguntam ao príncipe por que Tamino desejaria conhecer os mistérios.
Ele responde que sua finalidade é alcançar sabedoria para que possa se unir a Pamina. Acrescenta, ainda, que ele espera, com isso, fortificar as forças do amor e da comunhão no mundo e está pronto a sacrificar sua vida para atingir esse fim. A seguir, os sacerdotes perguntam a Papageno qual o objetivo de sua vida. Ele responde que não ambiciona sabedoria; deseja somente comer bem, dormir e brincar e, se possível, achar uma pequena companheira para si.
Aqui estão claramente revelados os dois caminhos da evolução. Há poucos, como Tamino, dedicados ao serviço da sabedoria. Mas muitos são como Papageno, só vivem para gozar a aquisição de bens materiais e ter vida alegre e voluptuosa.
As três jovens voltam e advertem Tamino da traição de Sarastro e dos sacerdotes. Tamino nega-se a ouvi-las. Sempre em épocas de crise espiritual unem-se as baixas forças físicas, tanto com os sentimentos quanto com as forças mentais, para uma experiencia decisiva que visa alterar, astutamente, o espírito humano da luz. A uma ordem severa de um dos sacerdotes, as três jovens afundam na terra. Novamente entram os sacerdotes. Eles louvam Tamino por sua coragem, força e perspicácia.
O segundo ato, em sua maior parte, é dedicado às tentações que Tamino e Pamina precisam vencer, para confirmar sua dignidade perante a Iniciação dos mistérios.
O cenário mostra um jardim maravilhoso. Pamina aparece novamente, perseguida pelo negro Monostatos. Ele descreve o seu desejo imperioso em relação a Pamina, exigindo que ela se entregue a ele. Ela, porém, afirma, com toda a energia, que antes prefere morrer. No auge dessa luta, aparece a Rainha da Noite e Pamina pede-lhe ajuda. A Rainha responde-lhe que seu pai, antes de morrer, dera o santo escudo do sol ao sumo sacerdote e que ela não pode libertá-la sem o poder do escudo. Contudo, entrega à Pamina um punhal, com o qual poderia matar Sarastro e ajudar a mãe a retomar o escudo sagrado. Numa ária-coloratura, a Rainha confirma seu ódio contra o sumo sacerdote e seu desejo de vingança, jurando destruir o templo e os sacerdotes.
A Rainha desaparece quando Pamina cai de joelhos rezando, pois sabe que não pode matar Sarastro. O mau Monostatos, que espreitava, volta. Rapidamente arranca de Pamina o punhal e exige que ela se entregue a ele, ou do contrário morrerá. Ela repete que prefere a morte. De repente, Sarastro encontra-se entre os dois. Ternamente toma a moça em seus braços, contando-lhe que fora separada da Rainha para seu próprio bem, porque ela queria encetar uma revolta para destruir o Templo, junto com seus santos servidores. Isso, declara ele, agora ela não seria capaz de fazer. “Tu e Tamino”, acrescenta, “sois destinados um para o outro”. “Juntos, tereis muitas bençãos e trareis muitos benefícios ao mundo.” A cena termina com a magnífica ária de Sarastro:
“Nestas santas galerias
Não se conhece a vingança;
E se um homem decair
O amor o levará ao seu dever
Anda suave na mão amiga
Contente e alegre num mundo melhor.
Nestes muros abençoados
Onde o homem ama o Homem,
Não pode traidor espreitar,
Porque perdoa-se ao inimigo.
Aquele, a quem tais ensinamentos
Não agradam, não merece homem se chamar.”
Cada grupo que estuda a atividade das leis divinas cria uma força dinâmica, utilizando-a para construir ou destruir. É de máxima importância, para os grupos, aprenderem que a primeira fase em sua obra é: “viver e deixar viver”. Recomenda-se cautela para impossibilitar imediatamente qualquer sinal de bisbilhotice, inveja, ciúme ou ódio. Se isso for negligenciado, haverá discordância, afastamento e, no fim, como consequência, a destruição. Uma lei fundamental diz que a verdadeira ação esotérica só pode ter sucesso se baseada na união espiritual. A pedra fundamental de todos os grupos ocultos pode ser achada nas palavras do sumo sacerdote Sarastro: “Nestas santas galerias não se conhece a vingança”.
O quadro seguinte é o de uma galeria grande, Tamino e Papageno são acompanhados por dois sacerdotes que lhes pedem para ficar calados, aludindo que, se ouvirem trombetas, devem-se se dirigir à direção dos sons. Papageno, porém, não se cala. Tagarela sem parar, de alegria, apesar dos esforços de Tamino em fazê-lo calar-se. Entram depois os três jovens, que trazem uma mesa repleta de comida e vinho. Trazem, também, a flauta e os sinos mágicos. Papageno está encantado e começa a comer vorazmente, enquanto Tamino toca sua flauta. A esse som, aparece Pamina correndo rapidamente em sua direção. Ele se lembra de seu juramento e faz-lhe sinais para ir-se embora, entendendo que teria perdido seu amor. Ela canta com desânimo:
“Ah! Eu sinto que desapareceu
Eternamente a felicidade do amor.
Nunca mais voltareis vós, horas de prazer,
Ao meu triste coração!
A cena seguinte passa-se perto das pirâmides. Entram Sarastro e seus sacerdotes. Numa procissão solene cantam uma invocação a Isis e Osiris. Tamino e Pamina são levados para o cenário, envoltos em véus, e lhes é anunciado que se devem separar para sempre. Quando tiram os véus de Tamino, Pamina corre impetuosamente em sua direção; porém, ele a rejeita, e Pamina, triste, abandona a galeria, para enfrentar seu desventurado destino.
Amedrontado, Papageno vem à procura de Tamino. Bate numa porta e depois noutra. Vozes ásperas advertem-no de que ele não é digno de ser admitido. Mereceria trilhar para sempre os escuros abismos da terra, mas os deuses o dispensam do castigo, “jamais tereis, porém, o prazer de sentir a Iniciação”. Papageno responde: “Bem, então existe mais gente igual a mim” e, enquanto toca os seus sinos, canta a atraente ária: “Uma menina ou mulherzinha Papagena[7] deseja para si…”
A seguir, a cena se passa num jardim, ao alvorecer… Os três jovens vêm adorar o sol nascente. Pamina entra levando o punhal que a Rainha da Noite lhe dera, dizendo que vai acabar com a vida. Os três mancebos aconselham-na a esperar pacientemente a sua reunião com Tamino, o qual se aproxima, pois Deus a castigaria pelo suicídio.
A próxima cena mostra duas montanhas separadas. No interior de uma, vê-se um fogo chamejante, da outra, uma estrondosa catarata. Dois guardas, em armadura, cantam:
“Aquele que trilha este caminho cheio de sofrimentos,
Purifica-se pelo fogo, pela água, pelo ar e pela terra,
Se supera o medo da morte
Impulsiona-se da terra aos céus
Iluminado será depois de
Consagrar-se aos mistérios de Isis.”
À esquerda, entra Tamino, acompanhado por um sacerdote, e, à direita, Pamina acompanhada por outro. Sem demora, dão-se as mãos atravessando o fogo, incólumes. Tamino toca sua flauta mágica durante esse tempo. Depois passam ilesos pela prova da água. Quando acabam de passar, Sarastro acha-se na porta aberta do templo, e dá-lhes as boas-vindas ao venerável santuário!
Antes fora mencionado que o santo escudo do sol havia sido entregue pelo pai de Pamina ao sumo sacerdote. Isso se refere à aura iluminada de um Iniciado, ao maravilhoso traje nupcial, que cada neófito deve tecer para si mesmo, antes de chegar a ser um Iniciado. Esse traje, formado pelos dois éteres superiores de um aspirante, é muitas vezes denominado “a roupagem de um mestre em azul e ouro”, pois são essas as cores dos dois Éteres Superiores. Se um aspirante vestir este Traje Nupcial pode passar através de fogo, ar, água e terra.
A cena final da ópera começa quase em completa escuridão. A Rainha da Noite e suas três jovens aproximam-se, acompanhadas por Monostatos que leva uma tocha acesa. Eles pretendem destruir o Templo e seus sacerdotes; como recompensa por seu auxílio, Monostatos receberia a mão da encantadora Pamina. De repente, ouve-se um trovão ensurdecedor. Imaginaram terem sido destituídos de seu poder, e com um grito de pavor afundam os cinco na terra.
Novamente o palco se torna feericamente iluminado e o Templo, em luz radiante, é visto no alto de uma colina. Nele aparecem Sarastro, os sacerdotes, os três jovens, Tamino e Pamina. Como foi antes mencionado, os três mancebos representam os três veículos inferiores do ser humano: o Corpo Denso, o Corpo de Desejos e a Mente. Numa existência terrestre o ser humano acumula conhecimentos, os quais deixam a sua impressão na natureza composta, para a posteridade. Por um processo alquímico, que é ativo tanto durante uma vida terrestre como também durante o tempo da presumida morte e Renascimento, a essência das experiências é alquimicamente extraída da personalidade e incluída na alma tríplice. Nessa ópera franco-maçônica, os três aspectos da alma são identificados como as três características do espírito: “poder, sabedoria e beleza”.
A “Flauta Mágica” finaliza com o coral dos sacerdotes:
“Santificados sede vós, Iniciados!
Superastes o tormento da noite
Bendito sê tu, Osiris,
Louvor a ti, ó Isis
Venceu o celso poder
Recompensado com a coroa eterna,
da beleza e da sabedoria”.
Na “Flauta Mágica”, Mozart descreve a senda que o candidato – pobre, nu e cego – percorre à procura da luz. A ópera continua revelando os passos sequentes da senda, de muitas provas e alterações, pelas quais ele é submetido para, finalmente, tornar-se digno de entrar naquele Templo, que não é feito por mãos, mas que está eternamente nos céus, onde ele se encontra para sempre em divina união com a LUZ ETERNA.
FIM
[1] N.T.: A Flauta Mágica (original em alemão Die Zauberflöte Loudspeaker.svg? KV 620 é uma ópera (singspiel) em dois atos de Wolfgang Amadeus Mozart, com libreto alemão de Emanuel Schikaneder. Estreou no Theater auf der Wieden em Viena, no dia 30 de setembro de 1791. Algumas de suas árias tornaram-se muito conhecidas, como o dueto de Papageno e Papagena, e as duas árias da Rainha da Noite.
[2] N.T.: o príncipe
[3] N.T.: o caçador de pássaros
[4] N.T.: filha da Rainha da Noite
[5] N.T.: mouro a serviço de Sarastro
[6] N.T.: sacerdote de Ísis e Osíris
[7] N.T.: prometida a Papageno