Exotérico – comum, acessível para a maioria; o contrário de esotérico. Vem do grego: exotéricos e, pelo latim: exotericu, que quer dizer: conhecimento passível de ser divulgado para o público. Relacionamos com externo, público e profano. Para passarmos de nível utilizamos as conversões.
Assim, Exotérico é tudo que se fala abertamente sobre: uma filosofia, uma corrente de pensamento, uma religião, etc., ou seja: todo ensinamento dado publicamente, sem reservas. É representado pelas grandes religiões: Cristianismo Popular – igreja católica, protestante, ortodoxa, etc., Budismo, Judaísmo, Islamismo, etc. É por isso que cada religião possui três elementos imprescindíveis:
Elohim – Nome dado, no primeiro capítulo do Gênesis, às Hierarquias Criadoras. Esse nome significa uma hoste de seres bissexuais. A primeira parte do nome é “Eloh”, um nome feminino, em que a letra “h” indica o gênero. Se se tivesse pretendido indicar um ser feminino ter-se-ia empregado a palavra “Eloh”. O feminino do plural é formado com o sufixo “oth”. Portanto, se houvesse intenção de indicar certo número de Deuses femininos, a palavra correta teria sido “Elooth”. Todavia, em vez de qualquer destas duas formas, encontramos o plural masculino terminado em “im”, acrescentado ao nome feminino “Eloh”, o que designa uma hoste de seres bissexuais, masculino-femininos, expressões na energia criadora dual, positiva-negativa.
Salvando um homem e a serpente que o homem queria matar
Aqui está outra história que conta como um fazendeiro assustado foi ajudado numa noite.
Alguns Auxiliares Invisíveis foram enviados até um homem que vivia em uma fazenda. Este homem disse-lhes que uma grande serpente estava em seu celeiro e que ele estava com medo de que mordesse e matasse suas vacas leiteiras e seus cavalos.
O Auxiliar Invisível perguntou, por meio do pensamento, se poderia tirá-la de lá. Alguém disse: “Sim, mas vai lhe dar trabalho”.
A serpente tinha cerca de 20 centímetros de diâmetro e cerca de cinquenta metros de comprimento. Esse Auxiliar Invisível perguntou a sua parceira se gostaria de acompanhá-lo e ela respondeu imediatamente: “Sim”. O agricultor, conhecendo o lugar, tentou deter a Auxiliar Invisível, pois achava que o companheiro dela era seu ajudante.
Os Auxiliares Invisíveis entraram no celeiro e a Auxiliar Invisível viu a serpente em um canto toda enrolada, e ela a mostrou para ele. A princípio, seu companheiro achou que era uma pilha de corda, como costumava ter nos navios a vapor. Ele chegou perto da serpente e ela começou a emitir um silvo e a colocar a língua, como que com raiva. O Auxiliar Invisível falou com a serpente: “meu caro, você não tem nenhum negócio aqui, assustando e ameaçando com a morte a todos. Vá embora. Eu não quero nenhum problema com você. Seja uma boa serpente, e vá para o seu ambiente natural”.
A serpente deu um bote em direção ao Auxiliar Invisível com a boca aberta, mas não o alcançou, e tentou novamente atacá-lo. O Auxiliar Invisível deu um passo para o lado e a segurou pelo pescoço; a força da sua pressão a fez cair no chão. O Auxiliar Invisível apertou-a ainda mais até que ela se enrolou próximo dele. A Auxiliar Invisível bateu em sua cabeça e ela acabou perdendo a consciência. Depois disso, os Auxiliares Invisíveis arrastaram a grande serpente para fora do celeiro. Quando o fazendeiro deparou com a serpente, achou que havia matado os Auxiliares Invisíveis, e então, atirou com a espingarda. Ele não a matou, mas machucou muito a sua pele; foi, então que os dois Auxiliares Invisíveis saíram do celeiro
“Se você se comportar, vou recuperar você, mas deverá ser tão boa quanto uma nova serpente”, disse o Auxiliar Invisível à serpente.
Depois disso, a serpente se se esticou no chão, e o Auxiliar Invisível lavou seus ferimentos, retirou várias balas da espingarda, colocou ataduras nas costas e a mandou embora. O fazendeiro estava tão surpreso que ficou paralisado olhando para os Auxiliares Invisíveis.
“Por que ajudar uma serpente quando ela matará outra pessoa?”, disse finalmente.
“Não, ela não incomodará mais ninguém antes de chegar à selva”, respondeu o Auxiliar Invisível. Então, os Auxiliares Invisíveis se afastaram e continuaram com suas atividades
(IH – de Amber M. Tuttle)
Como é o seu Domínio Próprio nos Estudos Ocultos?
O ser humano real, o Ego, é um Tríplice Espírito. Ele projetou de si mesmo um Tríplice Corpo, empregando-o para funcionar nos Mundos inferiores e para adquirir aquela experiência a ser, mais tarde, assimilada como Tríplice Alma. O Mundo Físico, portanto, é o laboratório e o campo de experiência do espírito para aquisição de conhecimento e sabedoria.
O Ego é, por si mesmo, potencialmente onisciente. Não quer significar que o seja desde já, embora já tenha capacidade de adquirir sabedoria pelo estudo e aplicação, atingindo alturas nunca imaginadas. Isso só pode ser realizado mediante trabalho, conhecendo e experimentando todas as verdades por si mesmo, exclusivamente. O ser humano pode receber lições, naturalmente, e seus esforços podem ser orientados. Mas só se obtém o conhecimento real por meio da experiência. A princípio, a experiência deve ser pessoal. Mais tarde, quando o indivíduo progrediu suficientemente, pode, então, aprender observando a experiência alheia.
A ideia de que o ser humano vem a este Mundo simplesmente para ser feliz é um terrível engano. Ele aqui está para aprender e trabalhar e seu ambiente atual é fruto de seu próprio trabalho. Muitos problemas lhe são apresentados para que sejam solucionados e não ignorados. Algumas vezes, esse esforço pode causar sofrimento, induzindo o indivíduo a deles tentar escapar. Poderá até julgar tê-lo conseguido, entretanto, deverá encará-los novamente, sob condições menos favoráveis. Enquanto não os solucionar, deles não se livrará.
O ser humano não é um imitador. A ideia de que a involução de um Tríplice Espírito e a evolução de um Tríplice Corpo consiste apenas no desabrochar de algumas possibilidades latentes é errônea. O ser humano não é um modelo, e muito menos o Universo. Se assim fosse o único futuro seria a imitação de algo pré-existente, com suas eventuais falhas. O ser humano é uma entidade pensante e consciente, capaz de adquirir e assimilar conhecimentos. Ele pode empregar sua Mente para acionar causas novas que produzirão efeitos físicos, modificando o ambiente que o rodeia.
Aquilo que a humanidade criou em sua infância espiritual tem sido muito prejudicial. A razão disto é que o ser humano prefere a vida sensual e suas reações dizem respeito à satisfação dos sentidos, apoiada e estimulada pela ignorância. Essa fase da existência, necessária à salvaguarda da individualização, não é propriamente má. O mal consiste em o indivíduo persistir nos mesmos erros, quer por falta de vontade de aprender, quer por ignorância.
Para agir consoante as Leis Cósmicas, o ser humano deve aprender a distinguir entre o bem e o mal, entre a verdade e o erro, a criar somente o que for harmonioso, visando sempre a um nobre objetivo. Ao mesmo tempo, deve aprender a empregar suas faculdades criadoras.
Existe uma ideia na Mente. Não importa que isto ocorra em virtude das atividades mentais ou se foi recebida de fontes externas. Essa ideia envolvida pela matéria mental, toma-se uma forma pensamento, tendo, em estado embrionário, forma e vida. Esta vida provém da Região do Pensamento Abstrato, ao passo que a forma pertence da Região do Pensamento Concreto. Se ela evoca apenas um interesse casual e passageiro, permanece adormecida, na Mente. Futuramente, se houver necessidade, poderá ser acionada. Muitas vezes ela desperta quando as condições se transformam, tomando-se favoráveis ao desenvolvimento da ideia. Se houver interesse, a Mente impele a forma-pensamento para o Mundo do Desejo, onde ela se reveste da matéria desse plano. Se, ao invés de interesse, a forma-pensamento encontra indiferença, ela se estiola e se desintegra, antes de que o espírito tenha ensejo de levar a ideia à manifestação.
O tempo necessário para manifestação depende inteiramente da intensidade do desejo e da força de vontade que o alimenta. Nem todos os pensamentos se materializam, embora deixem sempre na memória uma recordação do seu nascimento e de sua existência. Porém, quando foram projetados no Mundo do Desejo e o desejo de manifestação esteve ativo, nada pôde impedi-los. O processo torna-se absolutamente automático e não tem qualquer relação com a natureza, caráter ou valor do pensamento. Portanto, “como o homem pensa, assim ele é”.
A concentração sobre qualquer ideia ou pensamento, obriga-os a manifestarem-se fisicamente. Demonstrar interesse por uma ideia é o mesmo que cuidar de uma flor com terno carinho. Toda vez que alguém quiser desembaraçar-se de condições desagradáveis, não deve lamentar-se, nem se concentrar nos meios de poder destrui-las. Se elas forem simplesmente esquecidas, dissolvem-se, desintegrar-se.
O ser humano cria, contra si próprio, toda espécie de condições indesejáveis e desnecessárias. Ele assim age por não saber controlar seus pensamentos e depois clama contra o destino. Uma importante verdade a ser aprendida pelo estudante do ocultismo é que as condições que o cercam são inteiramente criadas por ele mesmo. A ninguém mais deve ser atribuída a culpa. Buda assim afirmou: “Se Deus realmente criasse todas as coisas que fazem a humanidade sofrer, Ele não seria justo. E não sendo justo, Ele não pode ser Deus”.
Se a origem do pensamento está em nós mesmos, ou se foi sugestionado por uma fonte externa, o resultado é o mesmo. A regra é a mesma tanto nos Mundos superiores como no físico. Ignorar a Lei não escusa ninguém.
Todos devem prestar cuidadosa atenção ao seu modo de pensar, imprimir sabedoria a seus pensamentos e dar vida somente àqueles que são desejados com justiça e retidão. Uma pessoa nunca deve agir de modo impulsivo, mas sim julgar seus pensamentos imparcialmente, pesando a ideia, seu valor e suas consequências. Se for inconveniente, deve esquecê-la e substituí-la por outra melhor. Se a ideia for aceitável, a pessoa deve procurar materializá-la o mais rapidamente possível pela concentração e fé no resultado. Fazer isto não é tarefa das mais fáceis: trata-se de um desvio da velha rotina, implicando na destruição de muitas ideias enraizadas em nossa mente desde a infância, e quiçá até antes do nascimento.
Nenhum ser humano pode alcançar destaque ou êxito efetivo em qualquer campo de atividade, enquanto não for capaz de controlar-se, ao menos em alguma extensão. Não pode haver saúde permanente enquanto o indivíduo não exercer domínio sobre suas próprias emoções. Estas, debilitam o Corpo Denso por sua ação sobre o sistema nervoso e perturbam o ambiente individual, pela concentração sobre condições discordantes. Sem algum grau de autodomínio não se pode pretender progresso no ocultismo.
É necessário evitar, a todo custo, as emoções negativas. Como emoções negativas classificamos o ódio, a paixão, a inveja, a malícia, a vaidade. Todas podem ser atribuídas a uma só causa: o medo. O medo está sempre presente em nossas atividades diárias e em nosso ambiente. Tememos perdas, moléstias, velhice, morte, críticas e um sem número de coisas reais ou imaginárias.
O ser humano deve convencer-se de que, nada, além dele próprio, pode prejudicá-lo. O medo da escuridão física ou espiritual pode facilmente ser destruído pela luz. Nada há a temer da obscuridade. O único perigo existente nas sombras é a desarmonia na própria consciência humana. Para dissipá-lo basta cultivar pensamentos sadios e construtivos e sentimentos tais como o amor, a fé, a alegria, compaixão, caridade.
Para muitos, esse tipo de vivência torna-se difícil, porque atormentar-se é humano. Também é humano justificar nossos tormentos, atribuindo sua causa a outrem. Porém, deve o ser humano conscientizar-se de que constitui lhe divina prerrogativa sublimar qualquer emoção capaz de gerar desarmonia. A conquista do autodomínio não é questão de meses ou de alguns anos. Na maioria dos casos, muitas encarnações são necessárias. Contudo, isso não quer dizer que o mesmo trabalho deva ser repetido constantemente. Qualquer progresso feito agora, permanece como parte integrante da consciência. Persiste através da existência como uma posse do Ego. O indivíduo em qualquer existência futura, pode não se lembrar de seus esforços anteriores. Os resultados, entretanto, permanecem e os problemas encarados e resolvidos nunca mais aparecem.
Alcançado esse estágio, a vitória está próxima. Quando o indivíduo se capacitou de todas as suas possibilidades, pode então compreendê-las e encontrar os meios de realizá-las. Muitos deixaram-se dominar pelos maus hábitos. A melhor maneira de vencê-los é criar hábitos de natureza oposta. Toda vez que um pensamento ou uma figura mental aflorarem nossa Mente, devemos proceder a uma análise. Se pertencerem ao medo, à morte, ou qualquer outra coisa indesejável, há que se lhe opor algo em contrário.
Todos devem convencer-se da divindade do Ego, de suas possibilidades e oobjetivo de sua evolução. Certas faculdades que se encontram adormecidas na maioria das pessoas, devem ser despertadas. As mais importantes são: o amor, o espírito de sacrifício, a abnegação, a humildade de coração, a renúncia de poderes para uso pessoal, um intenso desejo de ser útil, uma firme resolução de respeitar a liberdade alheia, fé e confiança nas verdades eternas, etc.
Como os seres humanos ainda são fracos, é de grande proveito uma precediária. Geralmente pensamos em Deus, julgando-o muito distante de nós. Não o alcançamos por causa de nossas próprias concepções errôneas de separatividade.
Se orarmos pedindo sabedoria, já estaremos em condições de recebê-la, pois “tudo quando suplicais e pedis, crede que o tendes recebido e tê-lo-eis”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro de 1979)
Educando para o Futuro: a atenção e o propósito do ser humano ao autoaperfeiçoamento
Os pais e educadores conscienciosos de hoje, bem como todos os interessados no bem-estar da humanidade, estão dedicando considerável atenção à questão da educação, tanto das crianças como dos adultos. Os métodos e programas das escolas elementares e secundárias estão passando por uma análise crítica e por nova apreciação à luz das inúmeras mudanças em nosso modo de vida resultantes das descobertas e invenções científicas assim como das influências espirituais que estão, à revelia de muitos, afetando o conhecimento humano.
A intensificação de uma percepção mundial revelou com grande insistência o fato de que milhões de seres humanos estão com extrema necessidade, não somente de alimento para sua subsistência física, como também de ideias para nutrir suas personalidades espirituais e livrá-las da ignorância, pobreza, doença e escravidão de cuja mercê tem estado há tanto tempo. Consciente ou inconscientemente muita gente vai percebendo que as ideias extremamente nacionalistas ou separatistas não favorecem a formação de bons cidadãos da Nova Ordem que ora surge. Índice disso é a maneira com que se acentua hoje a necessidade de “relações humanas” nas escolas públicas e nos cursos profissionais. Educação planejada para pessoas de todas as idades, e abrangendo o lar e a fábrica, bem como a escola, é considerada o meio lógico para ajudar a humanidade em todas as partes e construir uma vida melhor e um nível de conhecimentos mais elevado.
Até aqui tudo isso está muito bom. Porém, se todos os educadores estivessem cientes do fato de que agora estamos atravessando um período de transição, seus planos educativos seriam elaborados com mais segurança de modo a satisfazerem as necessidades da nova raça de seres humanos. Quer muita gente saiba ou não, o fato é que estamos preparando as condições das quais emergirá uma parte mais evoluída da humanidade. Agora estamos libertando-nos da matéria e futuramente o lado real, ou mais elevado do ser humano em vez do lado físico, deverá ter precedência.
Os sistemas escolares do passado e do presente, nos diversos países do mundo, embora diferindo em muitos aspectos, tem-se destinado e destinam-se principalmente a desenvolver a natureza infantil em relação às coisas. A criança, desde os tempos primórdios, tem-se tornado cônscia do seu ser físico e do mundo material em que vive esse ser físico. O programa escolar é elaborado principalmente para prepara-la a funcionar bem como um ser físico. Sua alimentação, roupa, habitação e prazeres físicos receberam máxima consideração.
Mas o fato de que uma Nova Era está raiando e torna necessária que novos princípios básicos substituam os do passado e do presente. O ser humano, o Tríplice Espírito, possui outros Corpos mais sutis que o veículo físico denso. Esses outros Corpos (o Corpo Vital e o Corpo de Desejos) estão relacionados diretamente com os Mundos suprafísicos, os reinos das forças, causas e significados e estão ligados ao Espírito pela ponte da Mente. A fim de orientar a educação com sabedoria, o ser humano precisa primeiro compreender a existência dos Mundos invisíveis e adaptar-se às suas realidades.
É muito bom aprender a ler e escrever e contar, mas o objetivo de tal aprendizagem, bem como dos métodos empregados, devem basear-se no fato fundamental de que o ser humano é um Tríplice Espírito, e que a Mente, a ponte entre o Espírito e seus veículos, é o instrumento por meio do qual se atinge um dos propósitos da evolução: o controle da personalidade do “eu”. Daí a necessidade de se dispensar especial atenção à educação da Mente, embora nunca se deva esquecer que ela é apenas um instrumento. O Espírito é a energia central, a força dentro do ser humano.
A Mente concreta inferior reflete os desejos inferiores e precisa ser utilizada para transmitir ao Ego as experiências sensoriais, ou as informações que ela projeta, vindas do mundo dos sentidos. Mas o processo de educar a mentalidade humana e desenvolver os sentidos superiores precisa estar relacionada com mundo das causas, ao invés do mundo dos fenômenos físicos. Existem leis que regem esse processo e elas abrangem muito mais do que decorar e sistematizar fatos. Exigem que se ponham em exercício as três forças fundamentais do Espírito: Vontade, Sabedoria e Atividade.
A Vontade é o princípio mais elevado do Deus trino dentro do ser humano. Seu desenvolvimento e sua orientação acertada deveria ser a maior preocupação de todos os educadores. As crianças deveriam ser ensinadas desde os primeiros anos a desejar o bem, o verdadeiro e o belo. A vontade de ajudar e de servir os outros deveria ser um dos objetivos específicos. O desenvolvimento da vontade impede que a natureza dos desejos se imponha e desvirtue as atividades.
A Sabedoria, o segundo aspecto de Deus, dentro do ser humano, é o princípio unificador através do qual todas as pessoas podem compreender sua identidade com todas as outras criaturas e assim podem viver coletivamente a estabelecer relações humanas harmoniosas e construtivas. É bom sinal que cada vez mais aumenta o número de pessoas que compreendem o fato de que conviver harmoniosamente com seus semelhantes qualquer que seja sua natureza, sua raça ou religião ou cor, é requisito indispensável para viver feliz hoje e amanhã.
O terceiro, ou príncipe da Atividade, compreende o desenvolvimento da força criadora inata do Espírito, e sua transmutação da potencialidade física para a potencialidade superior. Os educadores verificaram que as crianças apreciam e aprendem melhor fazendo as coisas. Isso aplica-se grandemente às coisas físicas, é verdade, mas se aplica também à música, à literatura e a todos os outros setores onde são utilizadas as faculdades criadoras. Desejar criar coisas úteis à humanidade é o passo seguinte.
Para promover o desenvolvimento das três forças do Espírito Interior certas faculdades podem ser aproveitadas, tanto no ensino tradicional como praticamente em todos processos educativos indiretos. Uma faculdade importante é o discernimento. A criança aprende a distinguir entre o real e o irreal, entre o essencial e o não essencial. Compreendendo que as realidades existem nos Mundos suprafísicos torna possível encarar as coisas do Mundo material como secundárias, e não raro de pequeno ou nenhum valor real. Devidamente orientada, a criança aprende a dedicar suas energias a controlar e transmutar a personalidade ao invés de egoisticamente ganhar dinheiro e adquirir posses materiais.
A observação é outra faculdade de máxima importância. A menos que aprendamos a observar com precisão as vistas e cenas ao nosso redor, as imagens em nossa memória consciente não coincidem com os registros automáticos subconscientes. Existe uma perturbação do ritmo e da harmonia no Corpo Denso em proporção à falta de precisão em nossas observações diárias.
A devoção, também, deve ser incluída na educação da criança; devoção à realização de ideais elevados e devoção ao Criador. Como disse Max Heindel: “desenvolve a alma”. Isso é particularmente certo para as pessoas que tem inclinação para a vida intelectual, porque aqueles que se excedem no intelectualismo em relação ao coração e seguem o caminho do saber simplesmente para aprender e não para servir, podem acabar na magia negra.
A ordem, também, deve ser ensinada ao Ego em desenvolvimento, não somente em relação ao seu mundo objetivo, como também em relação à sua atividade criadora. O universo baseia-se num plano divinamente ordenado. Daí a manifestação de suas maravilhas. O ser humano também tem a habilidade inata de funcionar melhor debaixo de um propósito dirigido e de um ritmo. O máximo grau de atividade construtiva obedece a um ritmo ordenado. Entretanto, isso não é um ritmo imposto por terceiros. É uma obediência interior às leis espirituais estabelecidas, que sempre conduz a ritmos espirais mais elevados.
Acima de tudo, a educação para o futuro deve dirigir a atenção e o propósito do ser humano ao autoaperfeiçoamento (físico, emotivo, mental e espiritual), afastando-se das glórias nacionalistas do passado e das possíveis conquistas do futuro. Quando colocarmos a personalidade sob o controle de um Espírito Tríplice equilibrado, poderemos olhar para o futuro e dedicar nosso tempo e energias à formação de condições melhores para uma humanidade mais altamente desenvolvida.
(Traduzido da Revista Rays from Rose Cross e publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro de 1979)
O Pequeno Príncipe
Muito acima do topo das árvores e das nuvens fofas, sim, muito além do céu azul, há muito tempo, habitava um Rei. Seu reino era muito extenso e seus habitantes eram tão felizes que esse lugar era chamado o Reino da Felicidade. Doces acordes de música e delicadas cores do arco-íris flutuavam no ar nessa terra distante. Então, um dia pareceu que uma nota dissonante tinha soado. O Rei ouviu-a e o som murmurante da discórdia chegou mais perto. Assim, o Rei chamou um pequeno príncipe e disse:
– As crianças da Terra parecem não ter corações felizes e a luz do amor está se tornando escura. Alguém deve ir até essas crianças e levar-lhes uma nova luz de amor.
– Oh, Pai, deixe-me ir, disse o pequeno Príncipe.
Isso agradou o Rei. Ele sabia que não seria tarefa fácil e disse:
– Você está pronto para ir, meu filho? Está escuro no Mundo da Terra e, às vezes, será difícil acender a luz do amor.
– Sim, Pai, eu estou pronto para ir quando você me enviar, disse o Príncipe.
Então, o Rei chamou um de seus mensageiros do Reino da Felicidade e participou:
– Meu filho, o pequeno Príncipe, vai empreender uma longa jornada, em uma terra muito distante. Deixe tudo pronto para sua visita às crianças da Terra.
Os mensageiros do Rei conversaram entre si e logo grandes preparativos foram feitos para a partida do Príncipe.
Numa vila, no Mundo da Terra, morava uma jovem mulher muito linda. Ela morava numa pequena casa circundada por um jardim. Frequentemente, ela sentava-se no jardim e lia. Os passarinhos voavam ao redor dela e, algumas vezes, uma pomba branca pousava em seu ombro e arrulhava para ela. Maria era o nome da jovem mulher; ela tinha sempre maneiras gentis e um doce sorriso. Quando ela ia até à vila praticando ações bondosas, tornava muitas pessoas felizes e todos a amavam.
Nessa terra havia um rei que governava de um modo muito cruel. Ele realmente tornava seu povo infeliz. Seu reino era muito diferente do Reino da Felicidade. Havia tantas pessoas infelizes e o coração de Maria entristecia-se. Ela não gostava de ver os outros sofrerem, queria que fossem felizes e corajosos.
Havia uma história da qual Maria gostava particularmente e, por isso, lia-a repetidas vezes. Nela, o Rei do Reino da Felicidade prometia enviar o Príncipe da Paz para salvar as crianças da Terra. Maria muitas vezes conversava com o Rei, seu Pai Celestial e dizia-lhe que esperava a vinda do pequeno Príncipe. Um dia, após conversar com o Rei, sentiu-se muito feliz. Começou a cantar e seu coração sentiu-se muito leve e muito alegre. Ela pensou que pássaros cantavam mais docemente e até o Sol brilhava com mais intensidade. Parecia haver mais luz no jardim e, então, bem em frente dela, circundado das belas cores do arco-íris, apareceu um Anjo. O Anjo falou a Maria e disse-lhe que o seu Pai Celestial iria manter a Sua promessa para as crianças da Terra e enviaria à Maria, o Príncipe da Paz, para que ela O amasse e cuidasse d’Ele.
Vocês podem imaginar como a adorável Maria ficou feliz! À noite, quando seu marido chegou à casa, ela contou a visita do Anjo e José também ficou muito feliz. Assim, eles começaram a planejar a vinda do pequeno Príncipe.
Nos tempos antigos, as pessoas pagavam impostos, como também o fazem hoje. Uma tarde, José chegou à casa e disse:
Maria querida, precisamos ir a Belém pagar nossos impostos.
Então, ambos se puseram a caminho. Maria viajava em um burrico e José caminhava ao seu lado. Estavam tão felizes com a vinda do pequeno Príncipe, que falavam tão e todo o tempo sobre isso.
Depois de uma longa e cansativa jornada chegaram a Belém. José acomodou Maria o mais confortavelmente que pôde e depois foi procurar um quarto numa hospedaria. Ele tinha andado muito e quando voltou disse a Maria:
– Querida, não há nenhum quarto por aqui. Não há nada além do estábulo onde o gado é mantido. Mas é bonito e limpo.
E Maria disse:
– Está tudo bem, José querido, eu não me importo. Nós estaremos confortáveis e estou tão cansada que irei rapidamente dormir.
Assim, eles se dirigiram para o estábulo. As vacas mugiram como se estivessem dando-lhes as boas vindas, e seus olhos suaves e gentis pareciam mostrar prazer com a vinda de José e Maria.
Numa leve cama de capim fresco e cheiroso, Maria se instalou, sentindo-se feliz. Ela agradeceu a seu Pai Celestial pela Sua maravilhosa promessa e, então, dormiu.
No Reino da Felicidade, os Anjos estavam ocupados preparando o pequeno Príncipe para a jornada no Mundo da Terra. Um Anjo levantou-O gentilmente e O carregou, dizendo:
Vá, linda criança, e leve uma mensagem de amor e felicidade para as crianças da Terra. A luz do amor está no seu olhar e nunca será ofuscada. A centelha de luz que brilha no seu coração se tornará cada vez mais intensa.
E o Rei estava feliz e disse:
Meu Filho, você tem um grande trabalho a fazer para tornar mais brilhante a luz do amor num mundo escurecido.
Eu O abençoo, meu Filho.
Do Reino da Felicidade até a Terra formou-se uma Ponte de amor e através dela o Anjo carregou o Príncipe Celeste. Os Anjos Cantores e os Anjos de Luz o acompanhavam. Uma música angelical, doce e clara, se ouvia pelo ar. Logo todas as hostes celestiais davam louvores a Deus e cantavam:
– “Glória a Deus nas alturas, paz na Terra e boa vontade entre os homens”.
Após chegar à Terra, a luz brilhante de uma linda Estrela guiou o Anjo à Maria. Quando o Anjo lhe entregou o pequeno Príncipe, ele disse:
– Guarde-O cuidadosamente, pois Ele é um presente de Deus.
Então, Maria e o Príncipe foram envolvidos por um grande brilho. Quando ela olhou em Seus olhos, ficou maravilhada com a luz de amor que havia neles. Toda criancinha tem luz em seu rosto, mas essa especialmente trazia a luz de Deus em seus olhos. A música angelical e a Estrela brilhante atraíam muitas pessoas e logo havia visitantes amontoando-se para ver o Príncipe menino. Os pastores aproximavam-se vindos dos campos próximos.
Eles haviam visto a Estrela e a seguiram e ela os guiou até onde estava o menino, na manjedoura.
Agora, queridas crianças, essa é a história do pequeno Príncipe da Paz, o Portador de Luz para as crianças da Terra, cujo nascimento nós celebramos no dia de Natal. A Estrela que pairou sobre o lugar onde ficou o Príncipe brilha ainda hoje, tão intensamente, como brilhou antes, iluminando cada criancinha no seu caminho através da ponte do amor, do reino da Terra ao Reino da Felicidade.
Sigamos a Estrela e mantenhamos nossa luz do amor brilhando intensamente para iluminar os outros no caminho da felicidade e da alegria.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. II – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Para falar do Amor Universal do Cristo, falemos de conhecimentos extrafísicos
Certos partidários da filosofia realista-materialista desejam averiguar e determinar o que seria aquilo a que o espiritualista chama “AMOR UNIVERSAL”, ou seja, o amor do ESPÍRITO DO UNIVERSO. Para o espiritualista não existe dúvida sobre esse delicado ponto em seus estudos, concentrações e meditações, uma vez que se trata de conhecimentos da mente submersa no plano da MENTE ABSTRATA. Logo, percebemos, não se tratar apenas do “mentalismo cerebral”, enquanto a alma deve submergir em uma consciência superior, no plano abstrato-metafísico. Os filósofos da concepção realista, deste modo, não têm acesso a esse plano, pois trata-se de uma ação irreal.
Visto acionar um plano superior da Mente, o cientista materialista, como não pode fazer um cálculo, como não pode, através dos cinco sentidos, enquadrar-se na CONCEPÇÃO FILOSÓFICA MÍSTICA em sua determinação ESPÍRITO REALISTA, rejeita as qualidades anímicas que o espiritualista possui.
O materialista acredita que o amor é simplesmente um reflexo de funções celulares, e que nada mais é do que um erotismo sensual, sendo uma função do corpo animal que o ser humano possui. O amor para o materialista nada mais é do que um instinto animalesco. Dizem que, tal qual uma cachorra quer bem aos seus filhotes, uma mãe humana também quer bem aos seus filhos, colocando, assim, a espécie humana no mesmo nível do animal. Não nega, o espiritualista, que os animais não tenham o instinto de querer bem aos seus filhotes, mas não coloca o ser humano ao nível do instinto do animal. Cremos, porém, com toda sinceridade, que uma mãe não sentirá para com seu filho aquilo que Freud chama de “libido”. Pode uma esposa sentir a sensualidade para com o seu esposo, mas não uma mãe para com seus filhos.
Estamos vendo, nessa forma de pensar, que, se falarmos do AMOR UNIVERSAL, devemos utilizar conhecimentos extrafísicos, e não concepções materiais, sensuais e eróticas. Tratando-se, no caso do espiritualista, de amor proveniente do ESPÍRITO DO COSMOS, pois Deus é o amor transposto a cada célula do corpo físico do ser humano, deve dizer-se aos materialistas que essa concepção não é uma invenção humana, posto que, sendo Deus anterior ao ser humano, o amor logicamente é anterior.
O espiritualista rejeita qualquer especulação sobre o que procede de Deus, porque inatingível pela lógica mental, por qualquer fórmula dogmática do campo da intelectualidade. O espiritualista sente, por intuição, o AMOR UNIVERSAL, quando mergulhada sua alma na harmonia do UNIVERSO, submergida por ação meditativa no fenômeno extrassensorial.
Se ingressado na ilimitada exaltação de todo seu SER, nos planos do Absoluto, encontra sua alma embevecida de felicidade transfigurada no AMOR DO UNIVERSO. Esse fato mostra a ampliação de sua sensibilidade amorosa ao nível do AMOR UNIVERSAL. Sentirá DEUS em sua bondade, que o arrebatou das circunstâncias sensoriais-materiais.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz em 10/1975)
O Que a Teoria de Renascimento Revela: mitiga o temor da Morte
Vejamos o que a crença no renascimento pode fazer por nós em nossa vida neste plano físico. Primeiramente revela o fato de que o ser humano sendo consciente de si e agindo de acordo com seus desejos, torna-se responsável por suas ações. Essas ações, sob a Lei de Consequência, (isto é, o efeito que resulta da causa) ajudam a modelar sua vida. Aprende que colhe bons frutos pela ação reta e dores e sofrimentos pelos maus atos.
Não pode escapar dessas consequências, pois se não aparecerem na vida atual, aparecerão em vida posterior como destino maduro a ser dissolvido, às vezes em situação mais difícil, quando é maléfico. Portanto, o ser humano tem muitos incentivos para se tornar melhor. O renascimento vem ao encontro da doutrina da Ressurreição, pois, por seu intermédio, o aguilhão da morte é removido e perdida a vitória do túmulo, porquanto o que desapareceu tornará a aparecer.
O renascimento revela a eternidade da vida, proporcionando alegria de viver e aspirações na evolução. Os fracassos nesta vida poderão tornar-se vitórias na vida futura por meio de novas oportunidades para vencer o que hoje nos cerceia.
As repetidas vidas no correto viver nos habilitam a conhecer de onde viemos, para onde vamos e porque estamos aqui, bem como o que o futuro nos reserva acerca da liberdade de escolha.
O renascimento revela a sabedoria de Deus e a justiça das Suas Leis, a Santidade da vida e, sobretudo, a grandeza do ser humano feito à imagem Divina.
A crença no renascimento não é coisa recente; existe na Índia desde tempos antigos; é encontrada no Budismo; contida no Corão, o livro sagrado de Islã; é conhecida dos Lamas do Tibete. Foi ensinada por Pitágoras e dos gregos foi transmitida à primitiva Igreja Cristã. É religiosa, filosófica, e também podemos dizer, científica.
Na verdade, a morte não existe. O que assim parece é uma perda temporária de consciência num período de transição, quando passamos de um degrau para outro superior na escada da evolução.
Erradicando o temor da morte de nossas vidas pelo conhecimento do renascimento, a transmutação e a transfiguração guiam o curso das nossas vidas para os portos celestes da paz e do amor.
“E quando tenha terminado meu trabalho na Terra
E meu novo trabalho no céu comece,
Esqueça eu os louros que ganhei
Enquanto trabalho pelos outros”.
Autor Desconhecido
“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. São João 3:3
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz em 9/1975)
Pergunta: O assunto Espírito Santo não está claro. A questão do Espírito de Raça não faz sentido na plenitude maior que é o Espírito Santo que liberta e, sendo assim, é superior à própria influência de Cristo. Como pode o Espírito de Raça ser libertador?
Resposta: uma coisa é o Espírito Santo – ele sim é libertador, pelas razões abaixo – terceiro Aspecto da Trindade Divina, cuja atribuição, nesse Esquema de Evolução, foi dada à Jeová, um Anjo, o mais alto Iniciado do Período Lunar. Nesse Período ele alcançou a competência de criar um Corpo com material do Mundo de Deus, daí a sua atribuição. Isso fica claro nos Diagramas 8 e 14 do “Conceito”.
O Espírito Santo não é separatista. É tão unificador quanto os dois outros aspectos, o Pai e o Filho. Afinal, só alcançaremos o Pai e o Filho, via Espírito Santo. Se esse fosse separatista, seria impossível.
Vejamos as razões para isso. Jeová se tornou especialista em Corpos feitos com material da Região do Pensamento Abstrato – onde atualmente temos um veículo: o Espírito Humano. Atualmente, também, é nesse veículo que temos o foco da nossa evolução, por isso lemos no “Conceito”: “como Egos funcionamos na Região Abstrata do Mundo do Pensamento” (veja o Diagrama 4 do citado livro). É nessa Região que estamos nos focando quando fazemos os exercícios esotéricos preconizados no Capítulo VIII do referido livro. Afinal sem “desgrudar” a nossa Mente do nosso Corpo de Desejos (o que fizemos erroneamente, quando ganhamos o germe da Mente dos Senhores da Mente, a humanidade em geral, entre a primeira e segunda metade da Época Atlante, conforme vemos no Capítulo IV e XII) não há como ter “pensamentos sem a contaminação do desejo”. E aqui o auxílio do Espírito Santo é fundamental. Seja para aprendermos a funcionar conscientemente na Região Abstrata do Mundo do Pensamento (a região das Ideias), seja para dominar o nosso Corpo de Desejos (a primeira ajuda que recebemos – de um total de 3 – para adquirirmos toda a experiência por intermédio dos nossos instrumentos, a fim de alcançar o objetivo desse trabalho que é a união com o Eu superior.
Essa primeira ajuda nos prepara para a união com o Espírito Santo. Sem essa ajuda não chegamos a união com Cristo (!) – veja mais detalhes no Capítulo XVII).
E é aqui que entram as Religiões de Raça, criadas por Jeová, o Espírito Santo, e conduzidas pelos Espíritos de Raça, uma das inúmeras atribuições de um grupo de Arcanjos competentes para esse trabalho.
Veja: isso foi necessário porque nós, seres humanos, precisamos. Não foi criado porque “alguém quis”.
Antes de ganharmos o germe da Mente, nosso Corpo de Desejos era extremamente forte e o seu uso e abuso destruía o Corpo Denso em uma velocidade muitíssima maior que atualmente. Quando ganhamos o germe da Mente e, por livre e espontânea vontade, a atrelamos ao Corpo de Desejos, a situação piorou enormemente.
Junte-se a isso a conquista da consciência de vigília e a nossa decisão de “tomarmos o rumo da nossa evolução” começamos a fazer o mal, não somente para os nossos Corpos, mas para outras pessoas, as destruindo, física, moralmente e até espiritualmente (mais detalhes sobre isso veja quando criamos corpos e vivemos a partir da 3ª raça atlante e mesmo no início quando vivemos como Semitas Originais, Capítulo XII).
Só com um foco na obediência e na consequência clara do que acontece quando fazemos o mal a alguém é que conseguimos entender e aprender que o caminho do transgressor é duro e sofrido. Esse trabalho de fora foi necessário para, por livre arbítrio, escolhermos o caminho do bem.
Infelizmente, muitos de nós, ainda traz as reminiscências desse modo de aprender dentro de nós (e “vivemos” no Espírito de Raça). Exemplos: espírito de família, patriotismo, grupos que se identificam como separados dos outros, tribos, nações e, ainda, raças.
O “caráter libertador” que o irmão aludiu ao Espírito Santo é correto. Afinal o Espírito Santo não é “o Deus de Raça”, Espírito de Raça, Religiões de Raça. Essas são algumas das atividades que o Espírito Santo exerce, quando uma onda de vida, exatamente como a nossa, precisa de lições fornecidas “de fora para dentro”, a fim de alcançar a libertação por meio do domínio das suas ferramentas, seus instrumentos, no caso específico, do Corpo de Desejos.
Uma vez nos libertado desse grilhão que nos aprisiona – não o matando, mas aprendendo a usá-lo da forma como se deve – aí sim podemos dar um próximo passo e usar a 2ª ajuda (veja mais detalhes no Capítulo XVII).
Afinal de contas: como construir um Corpo-Alma – constituído dos 2 Éteres Superiores do nosso Corpo Vital – se o nosso Corpo de Desejos exige que o Corpo Vital seja quase todo preenchido de Éteres Inferiores para manter a vitalidade do nosso Corpo Denso? É impossível, né?
Como na Pedagogia: Objeto, Meio e Fim e a Órbita de Influência de Aquário
Como na pedagogia, a Escola Rosacruz, em seu trabalho, leva em conta três elementos:
1. O ser humano – objeto do aprendizado e regeneração;
2. A Filosofia – o meio; e,
3. Regeneração do ser humano e sua religação a Deus – o fim.
Embora todos os seres humanos tenham tido a mesma origem, como espíritos virginais diferenciados em Deus para a peregrinação na matéria e potencialização dos atributos divinos herdados, é sempre inevitável que cada espírito passe, ao longo de seu caminho evolutivo, por experiências diferentes. Desse modo foi formando um todo diferente, um microcosmo original, uma chispa divina que essencialmente é igual a seu Pai e seus Irmãos, porém dinamizou e modelou as qualidades divinas a seu modo. Daí ser ele um indivíduo, algo indivisível, distinto, um mundo próprio. E precisamente essa heterogeneidade do ser em evolução, pelo uso da Epigênese, ou seja, pela capacidade de criar coisas novas e originais, é que vai formando, no macrocósmico corpo de Deus, algo sempre novo. Desse modo, à medida que evoluímos, Deus também evolui porque “nele Vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”. Isso exposto, justificamos porque a Escola Rosacruz, ensinando o Renascimento, a Lei de Consequência e a Epigênese, tem no indivíduo a base de sua mensagem. Cada indivíduo é um mundo à parte. O conceito de individualidade, na Escola Rosacruz, atinge muito mais profundamente a realidade universal do ser humano, porque a isenta de culpa dos condicionamentos hereditários e outras dependências passageiras, inerentes ao seu presente estado evolutivo.
De fato, o ser humano real, o indivíduo, está destinado a converter-se num “super-ser humano”, livre dos laços de sangue, de nacionalidade, de raça, de credo e todas as demais restrições até agora justificadas pela necessidade.
O ser humano é nos estados atual e futuro, um Prometeu e um Hércules. Agora nos achamos encadeados, pela transgressão às Leis geradoras da morte, ao mundo material, como Prometeu ao Cáucaso. Havendo trazido o fogo divino, sentimos interno anseio de libertação e nossa dignidade de príncipe nos anima a resistir e lutar; mas a parte humana exige a repetição dos perniciosos hábitos antigos e com isso vemos o abutre (a lei de Consequência) comer-nos todo dia (cada vida) o fígado, (centro do Corpo de Desejos) que se renova (renascimento), até que nos convertamos num Hércules, um “super-ser humano”, que vence os doze trabalhos (libertação da influência adversa de seu zodíaco e sublimação das qualidades de suas doze casas zodiacais). Diz-se que Hércules, quando foi libertar Prometeu, atravessou o grande oceano num pote ou caneco de barro. Aqui está vivamente figurada a resolução do Cristão que navega no frágil barco da carne, do corpo, pelas ondas ou vicissitudes do mundo.
Estamos nessa transição de Prometeu a Hércules. É a condição expressa por Paulo apóstolo quando se sentia exaltar, como espírito, mas reconhecia outra lei em seus membros. É o que disse o iniciado Goethe, quando, pela boca de um de seus personagens, sabia possuir duas almas em conflito: uma que ansiava voar aos céus e outra que se agarrava à Terra com passionais desejos.
Diz a Bíblia que a Lei e os Profetas vieram até João Batista. Depois deste vem a época de Cristo, do Amor. Todavia, como citamos acima, o Novo Testamento reconhece a penosa transição. Começamos um novo dia, mas pouco passamos da meia-noite. Temos de trabalhar, vigiando e orando, até que nos chegue a Alva. O egoísmo e as limitações geradas pelas religiões de raça e pelas leis ainda persistem em nós, em graus diferentes para cada indivíduo. O aspirante Rosacruz procura abreviar a libertação desses obstáculos, não pelo medo ao inferno ou de chamas eternas, não pela recompensa de um céu futuro, embora essas ideias sejam ainda justificáveis para aqueles que estão ao nível do cristianismo popular, mas pelo dever que lhe impõe a condição de Filho de Deus, iluminado pelo discernimento. A Escola Rosacruz é Cristianismo Esotérico, a Religião do Futuro, da Época de Aquário, que se vai iniciar daqui a uns 600 anos e cuja órbita de influência, segundo a precessão dos Equinócios, começou em meados do século passado. Sob o raio de originalidade e racionalidade de Urano, Aquário iniciou o evento da conquista do ar e do éter (rádio, TV, telégrafo, telefone, avião, conquistas espaciais etc.) e a tendência de tudo racionalizar trouxe comprometedora sombra de materialismo. Para atender a essas almas avançadas e orientá-las com uma religião científica, surgiu a Fraternidade Rosacruz. Ela mostra a constituição trina corporal do indivíduo (Corpos Denso, Vital e Desejos), sétupla (os corpos citados, dirigidos, através da Mente, pelo tríplice espírito individual) e decupla (com acréscimo da tríplice alma ou fruto da experiência do espírito sobre os corpos). Sua Antropogênese abrange uma anatomia oculta (os veículos mencionados, centros espirituais, posição, natureza) e fisiologia oculta (como se formaram funções, estado atual e futuro). Disseca o homem como ser humano e espiritual, história sua queda e prescreve os métodos mais racionais e seguros de desenvolvimento, transmutação e reunião final com Deus.
Assim, revela ao ser humano o que ele é (“Nosce te ipsum”), identifica-o com seu Criador, cuja Trindade em Um (Pai, Filho e Espírito Santo) se acha nele expressa em igual natureza e na proporção de seu estado de consciência, como tríplice Espírito, que trabalha através da Mente para dinamizar os atributos latentes de Vontade-Poder, Amor-Sabedoria e Movimento-Atividade.
Mostra-lhe os fins imediatos e mediatos: a regeneração para uma vida mais feliz, baseada no sentimento de verdadeira fraternidade e serviço amoroso e desinteressado; e seu destino de Filho Pródigo que é de tomar a resolução de voltar à Casa Paterna de onde veio, mas agora rico, pela consciência da riqueza herdada, através da experiência. O apóstolo o exprime bem na I epístola aos Coríntios, cap. XV: “passando da fraqueza à fortaleza, da corruptibilidade à incorruptibilidade, da mortalidade material à imortalidade do espírito, porque o primeiro Adão foi feito em alma vivente, mas o último Adão sê-lo-á em espírito vivificante”.
Finalmente, a Fraternidade Rosacruz facilita amorosa e desinteressadamente o MEIO de o ser humano atingir esses fins imediatos e mediatos, por meio do desenvolvimento paralelo e harmonioso da Mente e do Coração, da Razão e do Sentimento. Seus livros são vendidos a preços razoáveis; os cursos orais e epistolares, bem como os folhetos informativos, são gratuitos. Como Escola essencialmente cristã, sustenta-se dos donativos voluntários de seus membros. E os recursos recebidos ela os canaliza para esse relevante serviço da regeneração humana, na qual se funda a verdadeira felicidade.
Se você, leitor, não empreendeu ainda um estudo sério da Filosofia Rosacruz para conhecer a si mesmo (Antropogênese) e o Universo (Cosmogênese), faça-o agora. Se já o está realizando, contagie outras almas afins, que estão buscando também. Espalhemos a mensagem de Aquário a todos os companheiros. Nossa vida, nosso exemplo, farão ecoar o som que vibrará nos corações deles, como um diapasão, tocando, afeta outro afinado no mesmo tom.
Que o Senhor, através do nosso exemplo, se comunique aos outros, como a energia da Usina Central ilumina as casas. Basta apenas a resolução e ato de ligar a “chave” dentro de nós, para que a corrente de Deus se exprima em luz.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz em 11/1975)