Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que os Evangelhos são, na verdade, fórmulas de Iniciações.
Sob o panorama de Cristo-Jesus, os Evangelhos apontam para caminhos de libertação e Iniciação nos Mistérios do ser, aproximam o contato com o divino em nós e representam a vida nova, impulsionada com o regenerador Batismo de Fogo, no reverenciado dia de Pentecostes.
Os três primeiros Evangelhos, de São Mateus, de São Marcos e de São Lucas, são sinóticos (sin – conjunto; ópticos – visão). Portanto, descrevem, empregando uma narrativa histórica, os episódios que fundamentam os ensinamentos do glorioso Mestre, o Cristo. Algumas passagens são ilustradas de forma praticamente idêntica pelos três evangelistas.
Por outro lado, o Evangelho Segundo São João aborda o Ministério do Salvador com mais profundidade e abrangência cósmica. Enaltece o poder luminoso de Cristo como o Unigênito Filho de Deus, como Co-criador e herdeiro das moradas celestes. Não apenas como mensageiro de verdades espirituais, mas como o Caminho, a Verdade e a Vida em Si mesmo.
Os Evangelhos sinóticos relatam com mais ênfase os aspectos exotéricos e humanos da vida do Messias da Galileia. O Evangelho Segundo São João se concentra na visão esotérica: os sublimes e íntimos ensinamentos na Judeia.
O Evangelho Segundo São Marcos (FOGO-AR, com predominância do FOGO) realça a força pró-realizadora do caráter enobrecido pelo Fogo Crístico e focaliza o poder transmutador e purificador capaz de subjugar a natureza inferior. Demonstra o calor penetrante e disseminador da Boa Nova que estenderá o reino do amor a todas as criaturas. Ele fala pouco sobre a Lei. Seu livro foi direcionado mais aos não judeus, pois sabia conviver com os gentios. Alguns teólogos afirmam que ele escreveu para os romanos, um povo cujo ideal concentrava-se no poder. Assim, descreve o Cristo como conquistador poderoso. É o mais curto, o mais simples e talvez o mais antigo de todos. Apresenta Cristo-Jesus vencendo a força titânica dos demônios, dominando as tempestades, enfermidades e até a morte. Faz apologia do verdadeiro serviço, realizado de forma espontânea e desinteressada.
O Evangelho Segundo São Mateus (AR – FOGO, com predominância do elemento ar) combina o bom senso e a lógica (qualidades aéreas) como norteadores da Lei e da Ordem. Também ressalta os dilemas e crises provenientes do calor ígneo que inflama na consciência do fervoroso aspirante espiritual em pleno processo de iluminação. São Mateus enfatiza o cumprimento da Lei, pois seu Evangelho tinha por alvo os judeus. Como sabia que aguardavam ansiosos a vinda do Prometido, anunciado no Antigo Testamento, anuncia Cristo-Jesus como o Messias e, por meio das citações dos profetas, mostra o esperado Messias conforme já prenunciava a própria tradição hebraica. São Mateus apela à razão, à natureza masculina do ser humano. Destaca os confrontamentos inerentes à realização interna. Revela os choques entre as forças espirituais e terrenas. Seu Método Iniciático adverte sobre os percalços e desafios a serem ativamente superados durante o glorioso processo de cristificação da personalidade humana.
O Evangelho Segundo São Lucas (ÁGUA-TERRA, com predominância da ÁGUA) enaltece a simplicidade, a sensibilidade, e o olhar voltado para as mazelas humanas. Engrandece a natureza devocional, evidenciando o poder inspirador do elemento Água. Também destaca a importância da ciência do conhecimento corretamente aplicado (Terras Altas) como superação das trevas da ignorância (Terras Baixas). São Lucas apresenta em seu Evangelho um Messias voltado a todos os seres humanos, especialmente os humildes, revelando um Deus misericordioso. É um Evangelho mais singelo, toca nos valores mais internos, fala de Anjos, dos Profetas e do Templo Sagrado. Ensina o recolhimento, a oração, a tranquila jornada pelo íntimo. Contrapondo São Mateus, é místico e acolhedor, eleva os padrões femininos da natureza humana. São Lucas, mesmo sendo médico e homem de ciência, não encobre os milagres operados pelo Mestre, inclui o maior número de curas entre os evangelistas. São Lucas apresenta Cristo-Jesus como o “Filho do Homem”. Nele encontramos a mais terna simpatia humana e a perspectiva de libertar a humanidade da cegueira espiritual. Seu método é dirigido aos gentios, ressaltando a benevolência de Deus e o amor dedicado a seus filhos.
O Evangelho Segundo São João (TERRA-ÁGUA, com predominância da TERRA) alia ensinamentos que mergulham nas profundezas da divina essência humana (ÁGUA), com uma incomparável compreensão das Dimensões Arquitectônicas que permeiam as forças geradoras e sustentadoras do Cosmos (TERRA). São João tinha em mente as necessidades dos Cristãos de todas as nações. Nesse sentido, apresenta as verdades mais profundas do Novo Testamento dentre as quais se destacam os ensinamentos sobre a Divindade do Cristo e do Espírito Santo. Inaugura o Evangelho discorrendo sobre o Verbo e a Luz dos Homens (o Filho). O mesmo Verbo, em expressão menor, se encontra no íntimo de cada ser humano. O Amor-Sabedoria emanado pelo Filho, o Cristo, é o próprio Poder Coesor empregado como força atrativa para tornar possível a edificação de qualquer forma manifestada. Se o Verbo é vida, cuja vida é a luz dos seres humanos, então as trevas são ausência de luz e vida. As trevas são a morte. Contudo, as trevas são ilusão, porque Deus está em tudo e Deus é Luz. Sem o Verbo nada foi feito, Ele é o Fiat Criador que amolda a substância-raiz-cósmica primordial, dando origem às formas. O Verbo assim se faz carne no sentido de manifestação. Bastaria o primeiro capítulo para revelar a profundidade do Evangelho Segundo São João.
Que as Rosas floresçam em vossa cruz
Partituras dos Hinos: Rosacruz de Abertura e Rosacruz de Encerramento – do Livreto Songs of Light
Em forma de livreto: De Songs of Light – Partituras – Rosicrucian Opening Hymn and Closing
Página a Página:





Pergunta: Como explicam o fato de uma criança herdar tão frequentemente as características negativas dos pais?
Resposta: Explicamos dizendo que isso não é a realidade. Infelizmente, as pessoas parecem atribuir suas características negativas à hereditariedade, culpando seus pais pelas suas falhas, não obstante creditando a si mesmas o mérito das boas qualidades que acaso possuam. O próprio fato de diferenciarmos o que herdamos daquilo que nos é próprio mostra que a natureza humana tem dois lados: o da forma e o da vida.
O ser humano, o pensador, vem parar aqui equipado com uma natureza mental e outra moral, que são exclusivamente suas, tomando de seus pais apenas o material para o Corpo Denso, o físico. Somos atraídos para certas pessoas pela Lei de Consequência e pela Lei de Associação. A lei que induz o músico a procurar a companhia de outro músico nas salas de concerto; os jogadores a se reunirem nos cassinos e nos hipódromos; os intelectuais a se juntarem nas bibliotecas, etc., é também a lei que leva as pessoas de análogas tendências, características e gostos a nascerem na mesma família. Quando ouvimos uma pessoa dizer: “Sim, sei que gasto muito, mas minha família nunca foi acostumada ao trabalho, sempre tivemos empregados” isso demonstra que basta a semelhança de gostos para justificar o caso. Quando outra diz: “Oh! Sim, sei que sou extravagante, mas não posso evitá-lo, é mal de família”, vemos mais uma vez a Lei de Associação se manifestando. Por conseguinte, quanto mais cedo reconhecermos que, ao invés de usar a Lei de Hereditariedade como desculpa para nossos maus hábitos, procurássemos dominá-los e cultivássemos as virtudes, seria muito melhor para nós. Não consideraríamos válida a desculpa de um ébrio que dissesse: “Não, não posso deixar de beber. Afinal, todos os meus companheiros bebem! ”. Recomendaríamos a eles simplesmente que se afastasse deles o mais depressa possível e procurasse se auto-afirmar em sua individualidade. Aconselharíamos, também, a parar de escudar-se atrás de seus ancestrais como desculpa para seus maus hábitos.
(Pergunta nº 30 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Os Efeitos do Suicídio e da Eutanásia na Sua Evolução
O suicida, que tenta fugir da vida, somente vai perceber que está mais vivo do que nunca e na mais lastimável condição. Ele é capaz de ver aqueles a quem desapontou e talvez desonrou por seus atos, e o pior de tudo, ele tem um indescritível sentimento de estar “oco por dentro”. A razão para isso é a seguinte:
Quando o Ego está descendo para o renascimento, ele é auxiliado pelas Hierarquias Criadoras a construir o arquétipo para seu futuro corpo e é instilada nesse arquétipo uma vida que durará o número de anos que a pessoa normalmente deverá viver. Esse arquétipo tem um movimento sonoro e vibratório que atrai para si o material do Mundo Físico e põe todos os átomos do corpo para vibrarem em consonância com um pequeno átomo localizado no coração, chamado “Átomo-semente”, o qual, como um diapasão, dá o assentamento para todo o resto do material no corpo. No momento em que a vida tenha sido completamente vivida na Terra, as vibrações no arquétipo cessam, o Átomo-semente é removido, o Corpo Denso começa a decompor-se e o Corpo de Desejos, com o qual o Ego atua no Purgatório e no Primeiro Céu, toma para si a forma do Corpo Denso. Então o ser humano começa o seu trabalho de expiar seus hábitos e ações negativas no Purgatório e de assimilar o bem de sua vida no Primeiro Céu.
O texto precedente descreve as condições normais quando o curso da natureza não é interrompido, mas no caso do suicida é diferente. Ele levou o Átomo-semente, mas o arquétipo continua vibrando. Portanto, ele sente-se como se estivesse “oco por dentro” e experimenta uma sensação de corroer-se por dentro, que pode ser mais bem comparada às pontadas causadas pela fome intensa, ou à dor de dente por todo o corpo. O material para a construção de um Corpo Denso está todo em volta dele, mas como lhe falta a escala padrão do Átomo-semente é impossível assimilar aquela substância e transformá-la num corpo. Esse sentimento horrível de “oco por dentro” dura tanto quanto sua vida originariamente deveria durar.
Desse modo, a Lei de Causa e Efeito ensina-o de que está errado cabular as aulas da escola da vida e que isso não pode ser feito com impunidade. Portanto, na próxima vida, quando as dificuldades aparecerem em seu caminho, os resultados dos sofrimentos do seu padrão suicida prevenirão uma recorrência e o habilitarão a seguir através das experiências da vida que fazem o crescimento de sua alma.
Vamos falar da eutanásia: à primeira vista, e desde a perspectiva das pessoas não versadas nos ensinamentos do ocultismo, a eutanásia parece possuir considerável apelo para ser recomendada. A maioria das pessoas, ao ver um animal sofrendo agonias, e sem esperanças de cura, é acometida prontamente pelo instinto humanista de acabar com o seu sofrimento e surgem as perguntas, “Por que não deveríamos fazer o mesmo pelos nossos semelhantes, homens e mulheres? Por que deveríamos deixá-los vivos em sofrimento excruciante, talvez por meses ou anos, quando sabemos que eles não têm chance de restabelecer sua saúde e que estão buscando e desejando a morte para terminar com sua dor?” parecem, do ponto de vista comum, clamar por aquiescência. Contudo, quando temos o conhecimento da Lei de Consequência, da Lei de Causa e Efeito, e estamos seguros de que colhemos aquilo que semeamos, senão nessa vida, em uma futura existência, o tema aparece sob uma visão diferente.
Nós não podemos fugir de nossos estritos deveres. O sofrimento que nos é dado é necessário para ensinar-nos uma lição, ou abrandar nosso caráter. A única maneira para encurtar esse sofrimento é por um esforço em compreender por que estamos em condição que nos traz dor. Se for câncer de estômago, então como abusamos desse órgão? Por uma ingestão excessiva de comida de natureza não conveniente ao nosso organismo? Temos estado “alimentando” nossa falta de consciência com emoções egoístas ou pensamentos negativos? Nosso coração está nos causando problemas? Quantas vezes perdemos a cabeça e enfurecemo-nos como loucos, colocando tremenda tensão nessa parte do corpo? Ou existem outros órgãos de nosso sistema fracos e debilitados? Podemos ter certeza de que, tanto nesta vida como em uma prévia, temos vivido de maneira a que os efeitos encontrem manifestação em nossos alimentos físicos particulares. De outra forma, não deveríamos estar sofrendo agora, e quanto mais rápido aprendermos a lição de cor e começarmos a viver uma vida melhor, mais em harmonia com as leis da natureza que desrespeitamos, mais rápido nosso sofrimento cessará.
Está sempre em nosso próprio domínio alterar condições, embora, naturalmente, não possamos remediar em um dia aquilo que levou anos ou vidas para ser destruído, mas certamente não existe outra maneira pela qual uma cura permanente possa ser efetivada. Mesmo que agora, pela supressão da lei que condena a eutanásia (ou como é erroneamente chamada de “morte por misericórdia”), o sofrimento seja abreviado, podemos estar certos que a pessoa, tão pronto deixe seu corpo e renasça em um novo veículo, terá a tendência a desenvolver a mesma doença da qual escapou de forma indireta.
Além disso, como está detalhadamente explicado no Conceito Rosacruz do Cosmos, este nosso Corpo Denso é moldado no Mundo do Pensamento como um molde invisível ou modelo, que é chamado de arquétipo e durante todo o tempo em que persistir esse arquétipo, nosso Corpo Denso permanece vivo. Quando a morte ocorre devido a causas naturais, ou mesmo nos denominados acidentes, (que normalmente não são acidentes, mas eventos usados para terminar a vida de acordo com os desígnios dos guardiães invisíveis dos incidentes humanos) o arquétipo é desintegrado e o Espírito é liberado. Um suicida, contudo, é diferente. Nesse caso o arquétipo persiste depois da morte por um número de anos até o tempo em que a morte deveria ocorrer, segundo os acontecimentos naturais, e não consegue incorporar para si os átomos físicos, o que dá ao suicida, durante aqueles anos de existência post-mortem uma contínua sensação de dor, alguma coisa como uma pontada de fome, ou uma persistente, mas excessivamente dolorosa dor de dente no corpo todo. Se a eutanásia se tornar uma lei e as pessoas forem permitidas a obter serviços de outros para cometer suicídio (pois isto é o que realmente importa), não há dúvida de que eles sofreriam em sua existência post-mortem da mesma forma que o suicida que prescreveu seu próprio veneno, ou cortou sua própria garganta. A legalização da eutanásia também poderia ser perigosa em outras circunstâncias e nós confiamos que essa prática não seja sancionada pela lei.
O termo Eutanásia vem do grego, podendo ser traduzido como “boa morte” ou “morte apropriada”. O termo foi proposto por Francis Bacon, em 1623, em sua obra “Historia vitae et mortis”, como sendo o “tratamento adequado às doenças incuráveis”. De maneira geral, entende-se por eutanásia quando uma pessoa causa deliberadamente a morte de outra que está mais fraca, debilitada ou em sofrimento. Nesse último caso, a eutanásia seria justificada como uma forma de evitar um sofrimento acarretado por um longo período de doença. Tem sido utilizado, de forma equivocada, o termo Ortotanásia para indicar este tipo de eutanásia. Essa palavra deve ser empregada no seu real significado de utilizar os meios adequados para tratar uma pessoa que está morrendo.
Existem dois elementos básicos na caracterização da eutanásia: a intenção e o efeito da ação. A intenção de realizar a eutanásia pode gerar uma ação (eutanásia ativa) ou uma omissão, isto é, a não realização de uma ação que teria indicação terapêutica naquela circunstância (eutanásia passiva). Desde o ponto de vista da ética, ou seja, da justificativa da ação, não há diferença entre ambas.
Distanásia: Morte lenta, ansiosa e com muito sofrimento. Alguns autores assumem a distanásia como sendo o antônimo de eutanásia. Novamente surge a possibilidade de confusão e ambiguidade. A qual eutanásia estão se referindo? Se for tomado apenas o significado literal das palavras quanto à sua origem grega, certamente são antônimos. Se o significado de distanásia for entendido como prolongar o sofrimento ele se opõe ao de eutanásia que é utilizado para abreviar esta situação. Porém se for assumido o seu conteúdo moral, ambas convergem. Tanto a eutanásia quanto a distanásia são tidas como sendo eticamente inadequadas.
Ortotanásia: é a atuação correta frente à morte. É a abordagem adequada diante de um paciente que está morrendo. A ortotanásia pode, dessa forma, ser confundida com o significado inicialmente atribuído à palavra eutanásia. A ortotanásia poderia ser associada, caso fosse um termo amplamente adotado, aos cuidados paliativos adequados prestados aos pacientes nos momentos finais de suas vidas.
Mistanásia: também chamada de eutanásia social. Leonard Martin sugeriu o termo mistanásia para denominar a morte miserável, fora e antes da hora. Segundo esse autor, “dentro da grande categoria de mistanásia quero focalizar três situações: primeiro, a grande massa de doentes e deficientes que, por motivos políticos, sociais e econômicos, não chegam a ser pacientes, pois não conseguem ingressar efetivamente no sistema de atendimento médico; segundo, os doentes que conseguem ser pacientes para, em seguida, se tornar vítimas de erro médico e, terceiro, os pacientes que acabam sendo vítimas de práticas nocivas por motivos econômicos, científicos ou sociopolíticos. A mistanásia é uma categoria que nos permite levar a sério o fenômeno da maldade humana”.
(de Reunião de Estudos da Fraternidade Rosacruz de Campinas – SP – outubro/2006)
O Ecos de um Centro Rosacruz tem como objetivo informar as atividades públicas de um Centro, bem como fornecer material de estudo sobre os assuntos estudados durante o mês anterior.
Para acessar somente os textos:
A Fraternidade Rosacruz é uma escola de filosofia cristã, que tem por finalidade divulgar a filosofia dos Rosacruzes, tal como ela foi transmitida ao mundo por Max Heindel. Exercitando nosso papel de Estudantes da Filosofia Rosacruz, o Centro Rosacruz de Campinas, edita o informativo: Ecos.
Informação
De acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS e visando a prevenção do avanço da pandemia de corona vírus (Covid 19) suspendemos as atividades presenciais em nossa sede em Campinas por tempo indeterminado. As atividades não presenciais como cursos on line (inscrições e correções das lições), Cura (solicitação e recebimento dos relatórios mensais e divulgação de materiais para leitura em nosso site, permanecem em atividade e sempre com novidades.
Atividades gerais ocorridas em nosso Centro, no mês de Junho:
Trânsito do Sol pelo Signo de Câncer, em julho
Enquanto o Sol transita pelo Signo de Câncer, no mês de julho, o Senhor Cristo ascende ao Seu próprio mundo, o Mundo do Espírito de Vida.
Esse é o reino onde a unidade e a harmonia reinam supremas; também, é a esfera de consciência que os primeiros Discípulos de Cristo contataram no Dia de Pentecostes. Isso será alcançado por toda a humanidade avançada no fim do presente Período Terrestre.
Por meio da operação do Cristo Cósmico, é aqui que o Filho ou o princípio da Palavra e o segundo aspecto da Trindade, nosso Abençoado Senhor, contata a Hierarquia de Câncer, Querubins.
Esses Seres celestiais são os guardiões de todos os lugares Sagrados no céu e na Terra. Eles guardam até mesmo o maior mistério da vida.
Sob a orientação do Senhor Cristo esse mistério sagrado é transmitido para baixo, de Câncer para o seu Signo oposto, Capricórnio, e fornecido para os Arcanjos. Foi por essa razão que o Salvador do Mundo, que veio para a Terra proclamando o mistério do Espírito Santo, nasceu sob o Signo de Capricórnio.
A observância conhecida eclesiasticamente como a Festividade de São João Batista, o precursor do Cristo, ocorre durante a estação do Solstício de Junho.
Em julho a alma da Terra está impregnada de puro êxtase. O céu se inclina, enquanto a Terra é elevada.
No intercâmbio divino de forças espirituais o Casamento Místico entre o céu e a Terra é consumado.
Em um intervalo de quatro dias, as correntes de desejos são acalmadas de tal modo que as forças espirituais vão se tornando cada vez mais operantes.
A Terra vai, então, sendo literalmente inundada com a luz pura e branca do espírito.
O Discípulo que aprende como se sintonizar com esse influxo poderoso receberá um despertar jamais sonhado de consciência espiritual.
______________________________________________________________________________
Fraternidade Rosacruz – Algumas das perguntas que recebemos e que talvez possam ser dúvidas de mais estudantes.
Com certeza! Aqui é o baluarte da evolução. Se estamos renascidos, como agora, estamos na fase de “aprender e crescer” espiritualmente. Porque, quando estamos vivendo nos Mundos espirituais, estamos na fase de “assimilar e nos preparar” para o próximo renascimento.
Atualmente, a função de Espíritos-Grupo é exercida por duas ondas de vidas distintas:
Sim. São ondas de vida que começaram a sua evolução ANTES desse Grande Dia de Manifestação que conhecemos como Esquema Evolutivo, que começa com o Período de Saturno e vai até o Período de Vulcano.
Há seres que começaram a sua evolução nesse Grande Dia de Manifestação que conhecemos como Esquema de Evolução, que começa com o Período de Saturno e vai até o Período de Vulcano e há seres que começaram em outros Dias de Manifestação e que estão nesse para completar seu aprendizado (se tornando deuses) ou continuar seu aprendizado (como o caso dos Anjos, Arcanjos, Senhores da Mente, Senhores da Sabedoria, Senhores da Individualidade e Senhores da Forma).
Sim, quando inspiramos a informação é registrada, devido ao Éter. Quando expiramos NÃO há registro algum! Impossível fazer algo que só durante a expiração já componha um quadro inteiro, pois o Éter que registra tanto a causa como o efeito persiste durante um bom tempo ao nosso redor e, com certeza absoluta, será inspirado na próxima respiração. Se só expirarmos, o ar poderá se dissipar, mas o Éter, não.
A questão de expressar o sexo aqui, quando renascido no Mundo Físico, sempre causará vários problemas enquanto não nos regenerarmos nessa questão, ou seja, enquanto não pagarmos todas as dívidas geradas por abuso, orgias, estupros, gastos da força sexual, magia negra e outras maneiras de mau uso da força sexual criadora.
Um desses problemas (diga-se que sempre existiu, mas muitas vezes enrustidos ou até permitido abertamente pela chamada “sociedade da época) é a questão do travesti (um homossexual) tanto para o homem, como para a mulher. De qualquer forma a causa advém do apego excessivo ao sexo em vidas passadas (não necessariamente na última) quando o hoje, Ego, renascido como homem, tinha renascido como mulher. E como tal usou e abusou da força sexual criadora utilizando de todo o poder sexual feminino. Vem nessa vida com a tentação de continuar utilizando (perceba: infelizmente a maioria dos nossos irmãos e irmãs homossexuais adoram “fazer sexo”) tais atributos como meio de sedução para gastar a força sexual criadora. Se cai na tentação se transforma em travesti, ou mesmo homossexual onde poderá se entregar às atividades femininas e, principalmente, gastar a força sexual criadora (lembrando que há exceções: muitos dos nossos irmãos e irmãs que vem com essa lição a aprender – tentação em reviver o sexo oposto que veio renascido nessa vida – resiste à tentação e, apesar de trejeitos e até gostos mais específicos do sexo oposto, não cai na tentação de se “transformar” e de, principalmente, gastar a força sexual criadora. Entendamos isso como mais uma lição a aprender. Se aprende, o ensino é suspenso. Se não aprende, a tentação o (a) acompanhará vida após vida, até resgatar a dívida.
Assassinatos sempre será uma questão de resgate de dívidas entre o irmão (ã) assassino (a) e o irmão (ã) assassinado (a). Em vidas passados, reviveram exatamente como os papéis trocados e o hoje assassinado (a) tirou a vida do hoje assassino (a). Jamais há “o programado pelo Poder Maior, mas manipulado da Terra aqueles que se desviaram do caminho projetado”. Sempre será uma questão de destino maduro entre dois irmãos!
Como acontece o resgate (lição aprendida, ensino suspenso)?
Quando o assassino tiver a oportunidade de assassinar o outro, ele resiste, não assassina e o perdoa do que ele fez em vidas passadas, quando estavam no papel trocado. Se isso não ocorrer, voltam os dois, em papéis trocados, novamente e a tentação ocorrerá. E assim vai até haver o resgate por parte de um e depois por parte do outro.
A questão dos “acidentes fatais”
Também seguem a mesma regra. Exceto quando o que morreu por acidente, morreu sozinho e causou o próprio acidente. Nesse caso o seu horóscopo mostra a probabilidade disso acontecer e, se ele sabe dessa probabilidade, redobra o cuidado em se expor a riscos, sempre trilha o caminho do bem e do valor a sua vida e segue vigilante para evitar quaisquer situações que pode levá-lo a um acidente fatal. Se não sabe…segue como “folhas ao vento”.
No nosso atual Esquema de Evolução as Noites Cósmicas ocorrem entre um Período e outro, onde habitamos 5 Globos escuros, sendo que no terceiro é onde ocorre o maior trabalho do Período anterior, seja de assimilação, seja de uniformização do que deveria ser aprendido por todos, de modo que todos fiquem nivelados em relação ao seu desenvolvimento. O que “dissolve” são os Globos do Período anterior (campos de evolução) e ao fim da Noite Cósmica, o primeiro Globo (campo de evolução) do Período subsequente é construído pelas Hierarquias Criadoras responsáveis pela Evolução dos seres nesse Esquema de Evolução.
Tudo, do menor microcosmo ao maior macrocosmo está sempre nascendo, crescendo, evoluindo, morrendo, renascendo. Um processo contínuo que jamais cessará. O conceito de Universo para nós, dada a nossa capacidade ainda muito limitada de pensar, é muito subjetivo e nada claro. Um Irmão Maior tem um conceito muito mais objetivo do que é o Universo.
Quando inspiramos, junto com o ar, inalamos os Éteres, em particular o Éter Refletor. Esse Éter é repassado ao nosso sangue arterial pelo processo de respiração e oxigenação que ocorre nos nossos pulmões e chega até o coração e quando passa no ápice do ventrículo esquerdo deposita uma imagem, em seus mínimos detalhes de tudo que acabou de ocorrer (em pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras, atos, ações e obras), no Átomo-semente do Corpo Denso que lá está. Quando exalamos, fruto da condução de gases transmitidos via sangue venoso aos pulmões, a única coisa que sai é o ar, carregado de gás carbônico, um pouco de oxigênio e outros gases em traços. Não sai nada de Éter.
Artigos Publicados nas redes sociais no mês de Junho:
Liderança segundo o Conceito de Max Heindel
Vivemos um momento em que falamos que Pós a Pandemia no Covid 19, viveremos num novo cenário, o chamado “Novo Normal”- que significa que teremos um novo padrão de comportamento da Sociedade
Essa definição de Max Heindel do que é Liderança, nunca foi tão atual como nesse novo necessário:
Essa é a definição de: “líder”, “guia”, “guru”, “instrutor”, “orientador”, “professor”, “mestre”, “ídolo”, “responsável”, “cuidador”, “tutor”, “chefe”, “presidente”, “diretor”, “conselheiro”, “pessoa preferida”, “o maior”, “o que mais sabe”, “o mais instruído”, “quem eu mais gosto” que a Fraternidade Rosacruz nos ensina quando estamos trilhando o Caminho da Preparação e da Iniciação Rosacruz. Apliquemos na nossa vida!
“Tudo posso naquele que me fortalece”
Conta-se que Cristo estava caminhando com Seus Discípulos quando passaram pelo cadáver de um cachorro em estado de putrefação. Os Discípulos voltaram o rosto, comentando com aborrecimento o nauseante espetáculo, mas Cristo olhou o cadáver e disse: “As pérolas são menos alvas que seus dentes”.
Qual o fundo moral desse relato?
Ora, é muito fácil. O Cristo deu a entender que devemos atentar sempre para o lado positivo de todas as coisas. Seria esse modo de pensar uma terapêutica para estabelecer a harmonia e alegria de viver no ser humano e na sociedade humana? Perfeitamente!
Devemos observar que a razão de ser e a essência de tudo resume-se no Bem. Tudo se encontra debaixo de leis divinas, imutáveis e sábias. A ação dessas leis intentando estabelecer o equilíbrio gera, muitas vezes, aquilo que chamamos de Mal. Na realidade não é assim. Logo, não há razão para encararmos a vida e os acontecimentos que a dinamizam através de ângulos negativos.
A vida é uma experiência maravilhosa. Por que desperdiçá-la? Por que não a tornar mais ampla? Por que evidenciar a sombra, se a luz é uma realidade? Nas pequenas coisas, nos fatos aparentemente insignificantes, nas pessoas desconhecidas com que cruzamos diariamente nas ruas, brilha a luz.
Por que não contribuímos para difundir essa luz? Sim, essa luminosidade resplandecendo ativa ou potencialmente em cada ser, em cada átomo.
Tudo na vida tem o seu lado positivo. Realçá-lo, constitui o dever do Aspirante a vida superior. Contudo, realçá-lo em condições especiais? Não! Evidenciá-lo nos acontecimentos marcantes ou triviais da vida quotidiana.
Não devemos nos restringir a tirar partido das condições ideais da existência, senão, aproveitar, principalmente, as condições da vida vulgar.
O diretor de uma destacada firma de Nova Iorque tinha por hábito reunir, anualmente, os gerentes das filiais espalhadas por todo o país, para uma espécie de orientação e balanço.
Houve uma época em que a empresa enfrentou uma séria crise econômica. A reunião anual foi convocada. Os gerentes apresentaram-se, denotando certa apreensão e pessimismo. Cada um expôs, detalhadamente, os seus problemas e como não poderia deixar de ser, não faltaram às lamúrias e expressões de desânimo.
Em dado momento, o diretor suspendeu na parede um grande cartaz branco com um pequeno ponto preto no centro e perguntou a um dos gerentes:
– Que é que está vendo?
– Um ponto preto – respondeu o interrogado.
– E você? – perguntou a outro.
– Um ponto preto num papel branco.
– E você?
– O mesmo.
– E você?
– Um ponto preto num cartaz branco.
– É incrível – afirmou o diretor – que vocês observem apenas um pontinho preto num cartaz branco?
Será que não enxergam um enorme cartaz branco com um simples pontinho escuro no meio?
Será que esta crise que atravessamos não lhes trouxe experiências e maiores conhecimentos?
Será que as dificuldades surgidas não lhes despertaram o senso de previsão e de prudência, essenciais para se alcançar êxito em qualquer empreendimento?
Senhores, quando uma pessoa trabalha e vive de uma maneira positiva, nenhuma crise poderá amedrontá-lo.
Tudo nesse mundo encerra uma lição valiosa. Sejamos firmes em nossas convicções otimistas, a despeito de circunstâncias aparentemente adversas, e jubilosas com as lutas e triunfos de nossos semelhantes.
Sejamos positivos. Tenhamos a disposição de São Paulo, o Apóstolo, ao afirmar “TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE”.
SERVIÇO DE AUXÍLIO E CURA
Todas as semanas, quando a Lua se encontra num Signo Cardeal (Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio), reunimo-nos com o propósito de gerar a Força Curadora por meio de fervorosas preces e concentrações. Esta força pode depois ser utilizada pelos AUXILIARES INVISÍVEIS, que trabalham sob a direção dos IRMÃOS MAIORES com o propósito de curar os doentes e confortar os aflitos.
Nessas datas, as 18h30, os Estudantes podem contribuir com esse serviço de ajuda, conforto e cura, sentando-se e relaxando-se na quietude do seu lar ou onde quer que se encontre, fechando os olhos e fazendo uma imagem mental da Rosa Branca e Pura situada no centro do Emblema Rosacruz. Em seguida leia o Serviço de Cura e concentre-se intensamente sobre AMOR DIVINO E CURA, pois só assim, você poderá fazer de si um canal vivo por onde flui o Poder Divino Curador que vem diretamente do Pai. Após o serviço de cura, emita os sentimentos mais profundos do amor e gratidão ao Grande Médico para as bênçãos passadas e futuras da cura.
Datas de Cura:
Julho: 4, 11, 19, 25
Cura-me, Senhor, e serei curado; salva-me, e serei salvo,
pois tu és aquele a quem eu louvo. Jeremias 17:14
Receita: Torta de Arroz
Ingredientes:
Modo de Preparo:
Histórias Aquarianas para Crianças: Ser um Porco-espinho
Porco Montanhês levantou seus espinhos e alisou-os novamente.
— Gostaria de ser um coelho, resmungou.
— UM COELHO? – Repetiu Esterlino, outro porco-espinho. Para que?
— Assim eu não teria que carregar estes espinhos nas minhas costas o tempo todo. São pesados e eles coçam.
— São a sua proteção – Protestou Esterlino. Eu não trocaria meus espinhos pelas cascas de todas as arvorezinhas do mundo.
— Não me diga que você gosta de carregar essas coisas para onde quer que você vá, disse Porco Montanhês.
— Não, eu não gosto muito, admitiu Esterlino, mas não me importo em ficar um pouco desconfortável. Os espinhos valem a pena. O que você faria se viesse um urso, perseguisse você e você não tivesse os espinhos?
— Se eu fosse um coelho, eu fugiria saltando, disse Porco Montanhês.
— Só isso, hein, disse Esterlino.
— Só isso, concordou Porco Montanhês.
— Bem, você deveria ficar agradecido por seus espinhos e ficar contente por não poder se livrar deles, admoestou Esterlino. Para os coelhos é muito mais difícil do que você pensa. Eles estão sempre tremendo e fugindo toda vez que um galhinho estala. Acho que eles nem podem comer sossegados.
— Azar deles se são como gatos assustados, disse Porco Montanhês com desprezo. Eu não fugiria quando um galhinho estalasse. E, com certeza, não ficaria tremendo. Eu continuaria a comer tranquilo. Além disso, nenhum urso ainda me perseguiu.
— Ele perseguiria, se você fosse um coelho, disse Esterlino. Mas eu não vou discutir com você. Eu vou procurar alguma coisa para comer.
Esterlino saiu gingando pesadamente. Porco Montanhês ficou observando-o e suspirou.
— Ele parece tão pesado como eu. Oh, como eu gostaria de me ver livre destes espinhos e ser um coelho!
— É isso mesmo que você quer? – Perguntou uma voz atrás dele.
Porco Montanhês se virou tão depressa quanto pode e ficou de olhos arregalados. Lá estava o porco-espinho mais esquisito que ele já tinha visto. Pelo menos ele pensou que era um porco-espinho, embora ele fosse roxo e com espinhos dourados.
— Quem é você? – Perguntou Porco Montanhês.
— Eu sou o Porco-Espinho Perfeito, respondeu ele.
Eu posso transformar você em um coelho, se você realmente quer ser transformado em coelho, mas você precisa ter certeza que quer ser um coelho, que depois que você virar coelho, você vai ter que ficar sendo coelho.
— Você pode mesmo me virar em um coelho? – Perguntou Porco Montanhês.
— Eu acho que foi isso mesmo que eu disse, respondeu impaciente o Porco-Espinho Perfeito.
— Então, por favor, me transforme em coelho, pediu Porco Montanhês.
— Você entendeu bem que depois que você virar coelho, você vai ter que ser coelho para sempre, mesmo que você queira muito voltar a ser porco-espinho de novo? – Perguntou o Porco-Espinho Perfeito.
— Eu entendo, respondeu Porco Montanhês. Eu não vou querer nunca mais ser porco-espinho.
— Eu não teria tanta certeza disso, disse o Porco-Espinho Perfeito. Mas, se é isso que você quer…
O Porco-Espinho Perfeito soltou um dos seus espinhos dourados, que caiu no chão na frente de Porco Montanhês e se balançou para os lados tão depressa, que ele só viu uma luz dourada.
— Sylvilagus Lepus Cuniculus! – Entoou o Porco-Espinho Perfeito.
No mesmo instante, Porco Montanhês se sentiu tão leve como uma pena. Tentou dar um passo para frente, mas em vez disso, ele deu um pulo. Tentou dar outro passo, e só deu outro pulo. Seus espinhos tinham desaparecido. Havia uma sombra branca atrás dele e torcendo o corpo como um U, viu que tinha um rabo de algodão.
— Sou um coelho! Sou um coelho! – Exclamou, pulando em círculos, entusiasmado. Obrigado, Porco-Espinho Perfeito, obrigado!
Contudo, o Porco-espinho Perfeito tinha desaparecido.
Porco Montanhês saiu pelo prado fazendo com que cada pulo fosse mais longo do que o anterior. Era maravilhoso sentir-se tão leve e levantar-se tão alto no ar, sem espinhos pesando para fazê-lo descer. Era quase como um instante, Porco Montanhês alcançou Esterlino, que ainda estava indo no seu jeito lento, pesado, procurando comida. Porco Montanhês pulou por cima de Esterlino e caiu bem na frente dele.
— Vuuuh! – Exclamou Porco Montanhês. Veja como eu pulo!
Você não está com pena de não ser um coelho?
— O que — Porco Montanhês? É você? – Perguntou espantado Esterlino quando conseguiu falar.
— Eu mesmo! – Disse Porco Montanhês. O Porco-Espinho Perfeito me transformou em coelho. Eu não peso quase nada! Eu posso pular, pular e ir a qualquer lugar dez vezes mais depressa do que você.
Porco Montanhês pulou e pulou em volta de Esterlino, mostrando como ele podia pular e como podia ir bem depressa.
— Pare! – Pediu Esterlino – Você está me deixando tonto. E para responder à sua pergunta, não, eu não tenho pena de não ser coelho. Espero que você não venha a sentir pena de ser um coelho. Boa sorte, meu velho. Você vai precisar dela.
Com isso, Esterlino continuou seu caminho, sem prestar mais atenção a Porco Montanhês.
— Ora, ele está com ciúmes, disse Porco Montanhês para si mesmo. Se ele vai ficar assim, é melhor eu esquecer dele. De qualquer forma, é hora de eu fazer amizade com coelhos.
Porco Montanhês foi pulando até que encontrou muitos coelhos comendo num canteiro de trevos. Deu um belíssimo pulo e caiu bem no meio deles. Os coelhos fugiram, pulando para todos os lados.
— Para onde eles foram? – Porco Montanhês pensou alto, quando um coelho grande veio devagar para perto dele.
— O que você quer dizer com “para onde eles foram?” – Perguntou zangado o coelho grande. Você os assustou tanto que eles se esconderam. Que espécie de coelho é você, afinal? Você não tem nada melhor que fazer do que assustar seus irmãos? Nós já temos muitas coisas de que ter medo!
— Desculpe, disse Porco Montanhês, que lá no fundo achou que era uma grande bobagem os coelhos terem medo de outro coelho. Eu sou coelho há pouco tempo, e não sabia que vocês se assustavam por tão pouco. Eu pulei por cima de Esterlino e ele não se assustou.
— Esterlino é um porco-espinho. Os porcos-espinho têm espinhos para protegê-los. Eles sabem disso e os outros animais também. Na verdade, há muito pouco do que os porcos-espinho possam ter medo. Nossa única proteção contra o perigo é fugir dele o mais rápido possível, e há muitas coisas que assustam os coelhos.
O coelho grande falou com se estivesse explicando as coisas para um bebezinho.
— Bem, disse Porco Montanhês, eu era porco-espinho até uma hora atrás e nunca me assustei. E também não vou começar a ficar assustado agora. Acho que vocês coelhos tinham que aprender a ser mais valentes.
— Você era um porco-espinho e agora você é um coelho!
O coelho grande repetiu essa informação suavemente.
— Você está procurando encrenca! Boa sorte, meu amigo. Você vai precisar dela.
Com isso, o coelho grande foi embora, pulando, deixando um Porco Montanhês aborrecido atrás dele.
— Que é que há com todo mundo? – Perguntou a si mesmo. É a coisa mais fácil do mundo ser coelho. É só pular e…
O som de latidos o interrompeu. Um cachorro enorme vinha correndo pelo prado bem na sua direção. Porco Montanhês já tinha lidado com cachorros antes e não se preocupou nem um pouco. Quando o cachorro visse seus espinhos, com certeza iria voltar correndo com o rabo entre as pernas.
Porco Montanhês tentou eriçar seus espinhos e nada aconteceu. Tentou de novo — e, então, ele se lembrou. Ele não tinha espinhos. Ele não tinha absolutamente nada que pudesse protegê-lo contra o cachorro.
Pela primeira vez na vida, Porco Montanhês teve medo. Seu coração bateu duas vezes mais depressa que o costume, e ele tremeu desde o focinho até ao rabo. O cachorro estava quase alcançando-o e tinha todos os sinais de querer agarrá-lo com seus dentes afiados.
Não havia outra coisa a fazer, senão fugir. Porco Montanhês começou a pular o mais depressa que conseguiu. O cachorro estava bem nos seus calcanhares. Mesmo correndo muito, o cachorro também corria igual, latindo tão ferozmente que Porco Montanhês sentia seu bafo quente.
Assim foram, sem cessar, o cachorro correndo e latindo, e Porco Montanhês pulando para salvar a pele. Atravessaram o prado, atravessaram o bosque, subiram e desceram a colina e ainda assim o cachorro estava bem atrás de Porco Montanhês.
Ele sabia que já não podia ir muito longe. Estava sem fôlego e suas pernas, que não estavam acostumadas a pular, doíam terrivelmente. Estava quase caindo, quando viu um buraco no chão na sua frente. Dando um último pulo, mergulhou no buraco, deixando o cachorro escavando na entrada e latindo loucamente.
Porco Montanhês ficou deitado no chão de um túnel. Ele não podia se mexer, quase não podia respirar e não queria pensar. Tudo em volta estava escuro e, à distância, ouviam-se latidos, latidos, latidos …
Depois do que lhe pareceu um tempo muito longo, Porco Montanhês percebeu que havia muitos coelhos ao seu redor.
— Quem é ele? – Disse um – Que sujeito, trazer aquele cachorro bem aqui na nossa toca! Agora nós vamos ter que nos mudar.
— Meu nome é Porco Montanhês, disse ele. Porque vocês vão ter que se mudar?
— Porque você trouxe o cachorro até nossa toca, seu palerma, foi a resposta. Agora que ele sabe onde nós moramos, ele não vai nos deixar em paz. Ele é capaz de ficar lá fora a qualquer hora, esperando a gente aparecer. Que tipo de coelho você é que não sabe disso?
— Bem, eu era um porco-espinho até há pouco tempo atrás, explicou Porco Montanhês, que estava ficando cansado de explicar isso. Desculpem por eu ter guiado o cachorro até sua toca, mas eu esqueci que eu já não tinha meus espinhos. O cachorro quase me pegou. Eu pulei, pulei, e quando vi este buraco eu me joguei dentro.
— Talvez fosse melhor se o cachorro tivesse pegado você, disse maldosamente o coelho. Nós, os coelhos de verdade, já temos bastantes problemas. Nós não temos necessidade de porcos-espinho-coelhos que não se lembram que não têm espinhos e levam os inimigos até nossa porta!
— Mas eu estava com medo, choramingou Porco Montanhês. Eu não sabia mais o que fazer.
— Você estava com medo! zombou o coelho. O que é que você esperava? Os coelhos passam metade de suas vidas assustados. Você devia ter pensado nisso antes de se tornar um coelho. Agora saia daqui e volte para onde você pertence. Não permitimos meios-coelhos aqui.
Os coelhos se uniram e empurraram Porco Montanhês pelo túnel e depois para fora da entrada. Parece que o cachorro tinha ido embora, mas agora estava escuro, e Porco Montanhês não sabia o que poderia estar escondido atrás das árvores e moitas. Ele estava aterrorizado, e seu coração batia tão forte, que ele nem podia ouvir seus próprios pensamentos.
— E não volte! gritaram os coelhos no túnel, atrás dele.
Porco Montanhês deu alguns pulos para a frente na escuridão. Um galhinho estalou, e ele quase morreu de medo antes de perceber que ele mesmo tinha feito o galhinho estalar quando pisou nele.
Uma coruja piou por perto e, de novo, ele pulou de susto.
— O que há comigo? pensou. Eu nunca tive medo de corujas antes.
Porco Montanhês foi pelos bosques escuros, pulando, parando e ouvindo. Qualquer barulhinho o assustava, e ouvia barulhos que não existiam. Não sabia aonde estava. Estava com fome. Estava cansado. Estava tão só!
Por fim, achou um tronco oco. Arrastou-se para dentro dele e deitou-se. Pensou que ali estaria tão à salvo como em qualquer outro lugar. Ali passou longas e escuras horas, esperando pelo amanhecer. Estava certo que bem ali, fora do tronco, havia cachorros, ursos, raposas e lobos, todos a espera para agarrá-lo.
Quando finalmente o Sol apareceu, o pobre Porco Montanhês estava em péssima forma. Meteu o nariz para fora do tronco e teve medo da própria sombra. Tremia o tempo todo, ainda mais quando um galho estalava. Estava morrendo de fome, mas muito assustado para procurar a sua refeição da manhã. Estava exausto, mas muito assustado para poder dormir.
— Oh! Como gostaria de ter meus espinhos de novo, murmurou, porque estava muito assustado para poder falar alto. Gostaria de nunca ter desejado ser um coelho! Gostaria de ser outra vez um porco-espinho!
— É, eu acho que sim! – Disse uma voz na frente do tronco.
Lá estava o mais estranho coelho que Porco Montanhês já tinha visto. Era roxo e seus bigodes e a cauda eram dourados.
— Suponho, murmurou Porco Montanhês, que você é o Coelho Perfeito?
— Sou, disse o Coelho Perfeito. Não precisa murmurar. Saia desse tronco e pare de tremer. Você é o coelho mais covarde que eu já vi.
— Eu não quero mais ser coelho, Porco Montanhês estava quase chorando.
— Não foi isso o que eu ouvi ontem, disse zangado o Coelho Perfeito. Você estava louco para ser um de nós.
Pular fora de qualquer perigo com a maior facilidade!
Ser coelho é a coisa mais fácil do mundo! Bah!
— Gostaria de ser um porco-espinho, choramingou Porco Montanhês.
— Você não se lembra que o Porco-Espinho Perfeito disse que você não poderia se transformar de novo? – Perguntou o Coelho Perfeito.
— Eu me lembro, fungou Porco Montanhês, começando a chorar.
— Oh! Pare de lamentar-se! – Disse o Coelho Perfeito.
Você é uma vergonha para a família Coelho. Eu tenho o poder de fazer uma exceção para a regra Não-Transformar-de-Novo, se acontecer de eu não querer você na nossa família. E é claro que eu não quero! Eu vou virar você de novo no que você era antes e espero que tenha bastante juízo para ficar daquele jeito.
O Coelho Perfeito agitou os bigodes até que eles se mexeram tão rapidamente, que tudo que Porco Montanhês viu foi uma luz dourada.
— Erethizon Hystricidae! – Entoou o Coelho Perfeito.
Imediatamente Porco Montanhês se sentiu mais pesado.
Tentou pular, mas em vez disso só deu um passo lento, pesado. Seus espinhos estavam outra vez no lugar. Ele era de novo um porco-espinho!
— Obrigado, Coelho Perfeito, disse Porco Montanhês agradecido, mas o Coelho Perfeito tinha desaparecido.
Agora Porco Montanhês sabia que nunca mais precisaria ter medo de cachorros, homens, corujas, galhos que estalavam ou de sua própria sombra. Seus espinhos eram tão pesados como sempre, mas Porco Montanhês se sentia leve, despreocupado e muito mais aliviado.
— Agora, disse, finalmente posso tomar minha refeição da manhã em paz.
Nesse momento, chegou Esterlino, movendo-se pesadamente.
— Oi, cumprimentou-o Porco Montanhês.
— Olá, você voltou a ser o mesmo, disse Esterlino. Você não gostou de ser coelho?
Porco Montanhês estremeceu.
— Não, não gostei de ser coelho, respondeu com firmeza. E também ninguém gostou de mim como coelho. Foi assustador e horrível: Eu nunca mais vou querer ser outra coisa a não ser um porco-espinho.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. VII – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
O Simbolismo da Pedra Filosofal
Todos os sonhos do ser humano se tornarão realidade na futura Era de Aquário? Assim muitos esperam. Não esqueçamos, porém, que a Era aquariana será apenas uma parte de um Grande Ano Sideral, a despeito de todas as perspectivas de um admirável avanço. Nas Eras subsequentes a Aquário, o gênero humano alcançará estágios de desenvolvimento inimagináveis à nossa consciência atual. Nossas esperanças mais próximas, entretanto, concentram-se na era que se avizinha.
A maior realização humana de Aquário não será uma inovação material (embora se possa prever um progresso científico passível de ser tomado, nos dias de hoje, como mera ficção, tal seu esplendor), sociológica ou cultural. Será a plenitude de todas as realizações humanas verdadeiramente significativas, hoje situadas no plano dos anseios mais nobres.
O ser humano terrestre logrará uma conquista importante: a elaboração da Pedra Filosofal pela transmutação da força criadora. Todos os Egos são dotados potencialmente dessa capacidade e, a seu tempo e após muito trabalho, todos a realização.
Na Idade Média se falava muito nos alquimistas. Muitos criam piamente na versão divulgada de que eles se esforçavam por transformar os metais brutos em ouro. Era uma forma de ocultar seu verdadeiro trabalho da curiosidade profana. Na realidade, os verdadeiros alquimistas eram dedicados Estudantes Rosacruzes da Ciência Oculta, fazendo-o com o propósito de aprender a transmutar a natureza inferior em Espírito. Portanto, considerada à luz dessa verdade, a afirmação de que os Rosacruzes se dedicavam à descoberta da fórmula da Pedra Filosofal é correta. O local em que esse trabalho é levado a efeito nada tem a ver com o laboratório alquimista tal como os antigos o imaginavam. O corpo humano é o único “laboratório”, pois é o próprio Ego o Alquimista espiritual – que, ao trabalhar em seu veículo físico, converte-se na Pedra Filosofal. O corpo, essa oficina do Espírito, contém todos os elementos essenciais a essa formulação. A elaboração dessa Pedra depende do direcionamento ascensional da força criadora. Em nosso passado evolutivo, fomos hermafroditas, criando fisicamente a partir de nós próprios.
Tendemos futuramente a retornar a essa condição, mas de uma forma mais elevada. Seremos novamente hermafroditas, tanto física como espiritualmente. A força criadora, ora encontrando expressão parcial através do cérebro e da laringe, permitir-nos-á, então, objetivar e vivificar ideias por intermédio do Verbo. Essa energia criativa dual é o “elixir da vida”, emanado do próprio Ego.
Esse trabalho requer persistência e, por certo, os resultados não se tornarão evidentes logo de imediato. Vencer a natureza inferior não é tarefa das mais fáceis e só uma perseverante diligência conduzirá o Estudante Rosacruz ao objetivo em mira. Um dia seu esforço será recompensado, quando o fogo espiritual finalmente ascender à cabeça, fazendo vibrar a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário.
O corpo inteiro se impregnará dessas irradiações e o ser humano tornar-se-á uma Pedra Filosofal.
(Publicado na Revista O Encontro Rosacruz – Fraternidade Rosacruz de Santo André – SP – abril/1982)
Pergunta: Como os chamados mortos se apresentam em relação às suas roupas externas? Seu pensamento molda a matéria etérica em roupas ou qualquer outra coisa que desejem? Essa conclusão baseia-se no que diz o livro O Conceito Rosacruz do Cosmos acerca do Mundo do Desejo. O Corpo de Desejos assume a forma do Corpo Denso imediatamente após o Cordão Prateado ser rompido?
Resposta: É possível para os chamados mortos moldar com os seus pensamentos qualquer peça de roupa que desejarem. Geralmente, lembram-se de estar vestidos com os trajes típicos do país onde viveram, antes de passarem para o Mundo do Desejo e aparecem assim trajados, sem um especial esforço de pensamento. Contudo, quando começam a desejar algo novo ou uma peça de roupa original, naturalmente têm de usar a força de vontade deles para dar existência a tal peça, que durará o tempo que se imaginar vestido com ela.
Contudo, tal sensibilidade da matéria de desejos referente à força do pensamento modelador é também usada em outras direções. De modo geral, quando uma pessoa abandona este mundo devido a um acidente, ela julga-se deformada, talvez sem uma perna, um braço ou com ferimento na cabeça. Isso não é um inconveniente, pois poderá movimentar-se lá tão facilmente sem braços ou pernas como se os tivesse. Contudo, isso mostra a tendência do pensamento de dar forma ao Corpo de Desejos. No início da guerra, quando um grande número de soldados passou para o Mundo do Desejo com as mais terríveis lesões, os Irmãos Maiores e seus discípulos ensinaram-lhes que, pelo simples fato de manter firme o pensamento, acreditando estar com os membros e o corpo totalmente perfeitos, eles se curariam instantaneamente de suas feridas deformantes. Foi o que fizeram. Atualmente, todos os recém-chegados capazes de entender os fatos lá existentes são logo curados de suas feridas e amputações de forma que, ao olhar para eles, ninguém diria que faleceram em consequência de um acidente no Mundo Físico.
Esse conhecimento propagou-se de tal forma que muitas pessoas que morreram desde então utilizaram-se dessa propriedade da matéria de desejos para, por meio do pensamento, mudar a sua aparência física. Às vezes, os que são muito corpulentos querem aparecer mais esbeltos ou os que são muito magros desejam aparecer mais robustos. Contudo, essa mudança ou transformação não é um sucesso permanente devido ao arquétipo. A carne extra colocada em uma pessoa magra ou a quantidade retirada de alguém corpulento não são permanentes; entretanto, após algum tempo o ser humano que era originalmente magro volta ao seu tamanho original, enquanto a pessoa que tenta perder peso sente recobrá-lo pouco a pouco e precisa passar novamente pelo processo. Acontece algo semelhante com aqueles que tentam moldar suas feições, dando-lhes uma aparência diferente que se harmonize mais com eles do que a que possuíam originalmente. Não obstante, as mudanças relativas às feições duram menos, pois a expressão facial, tanto lá como aqui, indica a natureza da alma; por conseguinte, o que tiver sido falsificado será rapidamente disperso pelo pensamento normal da pessoa.
Quanto à segunda parte da pergunta, podemos dizer que durante a vida física o Corpo de Desejos tem a forma aproximada de uma nuvem ovoide que circunda o Corpo Denso. No entanto, assim que a pessoa adquire consciência no Mundo do Desejo e começa a pensar em si mesma como tendo a forma do Corpo Denso, o Corpo de Desejos passa a assumir tal aparência. Essa transformação é facilitada pelo fato de os dois Éteres superiores do Corpo-Alma, o Luminoso e o Refletor, ainda não estarem com o ser humano, o Ego. Isso se tornará mais claro, se fizermos uma comparação. Lembremo-nos de que, quando o Ego está prestes a renascer, os dois Éteres inferiores, reunidos em volta do Átomo-semente do Corpo Vital, são moldados em uma matriz pelos Anjos do Destino e seus agentes. Essa matriz é colocada no útero da mãe, onde as partículas físicas são implantadas para que formem gradualmente o corpo da criança, que nasce em seguida. Nessa fase, a criança não tem o Corpo-Alma. O que pode existir dos dois Éteres superiores só será assimilado mais tarde na vida e será construído mediante ações boas e verdadeiras. Quando o Corpo-Alma alcança certa densidade, torna-se possível para a pessoa funcionar nele como Auxiliar Invisível e, durante os voos de alma, o Corpo de Desejos molda-se prontamente nessa matriz já preparada. Ao retornar ao Corpo Denso, o esforço de vontade com o qual a pessoa penetra nele dissolve automaticamente a ligação íntima entre o Corpo de Desejos e o Corpo-Alma. Mais tarde, quando a vida no Mundo Físico terminar e os dois Éteres inferiores tiverem sido descartados, juntamente do Corpo Denso, o luminoso Corpo-Alma ou “Dourado Manto Nupcial” permanecerá ainda com os veículos superiores. É nessa matriz que o Corpo de Desejos é moldado em seu nascimento nos Mundos invisíveis. Assim como o corpo da criança foi feito em conformidade com a matriz dos dois Éteres inferiores antes de nascer fisicamente, assim também o nascimento nos Mundos invisíveis, após a morte na Região Química do Mundo Físico, é realizado por uma impregnação com matéria de desejos da matriz formada pelos dois Éteres superiores para organizar o veículo a ser usado naquele mundo.
Todavia, os chamados mortos não são os únicos capazes de moldar assim a matéria de desejos, dando-lhe a forma que lhes agrade. Esse poder é compartilhado por todos os outros habitantes do Mundo do Desejo, incluindo os elementais que usam frequentemente essa faculdade de transformação para assustar ou enganar o recém-chegado, fato que muitos neófitos desoladamente descobriram ao penetrar nesse Reino pela primeira vez. Esses elementais detectam rapidamente quando a pessoa é estranha e ainda não está familiarizada com a natureza do que encontra lá. Regozijam-se em importuná-la, transformando-se nos monstros mais grotescos e aterrorizantes. Fingem atacá-la ferozmente e parecem deleitar-se quando conseguem encurralá-la em um canto, fazendo-a encolher-se de medo enquanto eles permanecem rangendo os dentes como se quisessem devorá-la. No entanto, a partir do momento que o neófito aprende que, na realidade, não há o que possa machucá-lo e que com seus veículos superiores ele esteja totalmente imune a qualquer dano e não possa ser dilacerado ou devorado, basta sorrir para essas inofensivas criaturas e dar-lhes uma ordem severa para que se retirem e dirijam a sua atenção para outro lugar. Agindo assim, elas prontamente o deixam em paz. Aprende a controlá-las segundo a sua vontade, porque nesse mundo todas as criaturas que ainda não estão individualizadas são compelidas a obedecer ao comando de inteligências superiores e o ser humano situa-se entre essas últimas.
Assim, um ser humano pode apossar-se de um elemental e dar-lhe a forma que desejar, fazendo-o cumprir suas ordens. Os seres assim criados por seu poder de vontade e que receberam certa missão obedecerão fielmente às ordens; de acordo com a intensidade aplicada nesse trabalho, a situação durará maior ou menor tempo. Dessa maneira, muitas das chamadas aparições foram criadas e receberam uma incumbência que pode durar séculos, mesmo após o autor ter ido para o superior Mundo Celestial. Essa é provavelmente a origem da “dama branca” que previne os Hohenzollerns (uma das mais importantes e nobres famílias alemãs da Europa) de morte iminente. Ela e outras aparições semelhantes, que causaram tanta especulação, foram criadas pela intensidade extrema do desejo de um ser humano, desejo lançado no Mundo do Desejo sob circunstâncias particularmente dolorosas ou penosas que produziram o feitiço mágico que foi requerido inconscientemente pela própria pessoa.
(Pergunta nº 2 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. II)
Pergunta: Às vezes é afirmado que temos o direito de pensar o que quisermos e que não somos responsáveis pelos nossos pensamentos. Isso é verdade do ponto de vista oculto?
Resposta: Não, não é verdade. Pelo contrário, precisamos recorrer ao que é geralmente chamado de ocultismo para encontrarmos essa ideia expressa por Cristo no Sermão da Montanha, onde Ele nos diz: “O homem que olhou para uma mulher e a desejou já cometeu adultério”. Somente quando nos conscientizarmos de que o ser humano é o resultado do que pensa em seu coração, é que teremos uma concepção de vida muito mais clara do que se levarmos em consideração apenas os atos dos indivíduos, pois cada ato é o resultado de um pensamento prévio. Contudo, esses pensamentos nem sempre são só os nossos.
Quando tocamos um diapasão, se houver outro do mesmo tom por perto, não somente aquele irá soar, mas o outro também começará a fazê-lo, por afinidade. Da mesma forma, quando emitimos um pensamento e outra pessoa ao nosso redor tem um semelhante, estes se fundem e se fortalecem para o bem ou para o mal, de acordo com a natureza do pensamento. Não é mera fantasia quando na peça intitulada “A Hora Enfeitiçada”, o protagonista procura ajudar um criminoso a escapar do Estado de Kentucky, onde o último está sendo procurado pelo assassinato do Governador. O protagonista, um homem cujo poder de pensamento é considerável, acredita ter, provavelmente, incitado o criminoso. Ele revela a sua irmã que antes da hora do crime pensou que o assassino cometeria esse delito exatamente da maneira como foi consumado. Ele tem a impressão que o seu pensamento pode ter sido captado pelo cérebro do assassino e pode ter-lhe mostrado a forma de agir.
Quando participamos de uma banca de jurados e vemos o criminoso à nossa frente, observamos apenas o seu ato; não temos conhecimento do pensamento que o impulsionou. Se temos o hábito de gerar pensamentos maldosos sobre as pessoas em geral, eles poderão ser atraídos por um criminoso. Baseados no princípio de que quando temos à nossa frente uma solução saturada de sal, basta adicionar um único cristal para que esta solução salina se solidifique, assim, se um ser humano tiver saturado a sua Mente com pensamentos homicidas, o pensamento emitido por nós pode ser a última gota que fará o cálice transbordar, destruindo assim a última barreira que o impediria de cometer o ato.
Os nossos pensamentos são muito mais importantes do que os nossos atos, e se pensarmos sempre de forma correta, agiremos sempre corretamente. Nenhum ser humano pode pensar em amar os seus semelhantes, planejar como ajudá-los e socorrê-los espiritual, mental ou fisicamente, sem também concretizar esses pensamentos em algum momento da sua vida. Se nós cultivarmos sempre tais pensamentos, logo veremos o brilho do sol irradiando-se à nossa volta. Veremos que as pessoas virão ao nosso encontro com o mesmo espírito que manifestamos e, se pudermos compreender que o Corpo de Desejos (que circunda cada um de nós e se estende cerca de quarenta e um a quarenta e seis centímetros além da periferia do Corpo Denso) contém todas essas sensações e emoções, observaremos as pessoas diferentemente, pois entenderemos que tudo é visto através da atmosfera que criamos ao nosso redor e que cobre tudo o que visualizamos nos outros. No entanto, se virmos maldade e mesquinhez nas pessoas que encontramos, será bom olhar para dentro de nós para verificarmos se não é a atmosfera, através da qual olhamos, que nos faz ver dessa forma. Verifiquemos se não temos esses atributos indesejáveis dentro de nós, e depois procuremos expulsar esses nossos defeitos internos. O ser humano que é mal e mesquinho irradia essas características, e quem quer que ele encontre, parecer-lhe-á também maldoso, pois evocará nos outros exatamente as peculiaridades manifestadas em si, isso baseado no princípio de que a vibração de um diapasão tocado em certo tom fará vibrar outro de tom idêntico. Por outro lado, se cultivarmos uma atitude serena, livre de cobiça e que seja francamente honesta e prestativa, faremos com que as outras pessoas exteriorizem o melhor que há dentro delas. Portanto, conscientizemo-nos que só quando tivermos cultivado as melhores qualidades dentro de nós, é que poderemos esperar encontrá-las nos outros. Somos responsáveis pelos nossos pensamentos e somos, de fato, os protetores de nossos irmãos, pois de acordo com o que pensamos quando os encontramos, assim parecemos a eles e, em consequência, eles refletem a nossa atitude. Aplicando o princípio precedente, se quisermos conseguir ajuda para cultivar essas qualidades superiores, procuremos a companhia de pessoas que são realmente boas, pois seu estado mental será de grande auxílio ao suscitar-nos qualidades mais puras.
(Perg. 16 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)