Se nos limitamos a interpretar as Sagradas Escrituras simplesmente pela “letra que mata” e não pelo “Espírito que vivifica” (IICor 3:6), como nos aconselha o apóstolo S. Paulo, pouco dela poderemos aprender. O buscador da verdade, isto é, aquele que anseia superar-se para ser mais útil à Humanidade a que pertence, será, certamente, iluminado ajudando na interpretação das escrituras.
Acerca dos três Reis Magos, se nos detemos em meditação, podemos estabelecer formosa analogia entre eles e nós, seres humanos. Observe-se que não dizemos aqui Reis da Ásia, da Arábia e do Egito, nem de qualquer outro ponto determinado da Terra. São Magos do Oriente.
Se recordamos o que escreveu Max Heindel, no tocante da direção aparente do Sol em relação à Terra e do sentido da evolução espiritual; que o Sol vem do Leste para Oeste e por analogia os Reis Magos vieram do Oriente, assentamos a base de nossa meditação.
Os três Reis Magos eram: um de cor branca, outro de cor amarela e outro de cor negra. Conhecemos a interpretação segundo a qual os Magos representam as três raças predominantes ao tempo de Cristo Jesus. Este trazia a missão de unificação das raças, ou seja, da Humanidade inteira, isto é, a substituição do Espírito de Raça pelo Espírito Unificador de Cristo – a encarnação do Amor.
Porém, cada verdade pode ter, no mínimo, sete interpretações verdadeiras. Quando nos propomos interpretar a Deus, segundo os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que, por intermédio de Max Heindel recebemos dos Irmãos Maiores, aprendemos que o Ser Supremo mencionado nos é apresentado com os atributos de: Poder, Verbo e Movimento. Não são três Seres, senão três Atributos de um só Ser. Quando este Ser, em Sua permanente atividade, põe em Manifestação mais densa, com o propósito de criar e crescer, eles se manifestam em: Vontade, Sabedoria e Atividade. À semelhança de Deus, nosso Criador, nós criado a Sua imagem e semelhança temos três atributos, emanações de Deus, que são: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano, respectivamente; três aspectos de Uma mesma divindade interna, nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui). Assim, nos manifestamos de forma tríplice, isto é, Consciência (Pai), Vida (Filho) e Forma (Espírito Santo). Não são três “pessoas”, senão três manifestações de uma só “pessoa”. Se faltasse uma destas três manifestações não poderíamos evoluir, mostrando assim que depende de uma cadeia completa de veículos correspondentes aos atributos superiores.
Então, os três Reis Magos podem representar a nós, o Ego, em estado superior que reverencia o “Eu Superior” (justamente os nossos veículos superiores: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano). Melchior, da raça branca, símbolo da Unidade do Pai, representa a Consciência; Gaspar, da raça amarela, cor do Filho, é a segunda manifestação: Vida (Cristo Interno) e Baltazar da raça negra, é a terceira manifestação: a Forma (Espírito Santo). Meditemos que o movimento, terceiro atributo do Todo Poderoso, é que dá a ação, o evento. É consequência do Poder, primeiro Atributo. Nenhum, isoladamente, é superior ou inferior, senão que todos são manifestações do Todo, que é Uno.
Melchior, Gaspar e Baltazar (Consciência, Vida e Forma – três atributos em UM), ofereceram ao recém-nascido o melhor que tinham Ouro, Incenso e Mirra (Espírito, Corpo e Alma, respectivamente).
Seguindo o exemplo deles, devemos, não apenas oferecer, senão dar em pensamentos, sentimentos e atos ao Cristo Interno que nasce dentro de nós, a Consciência, a Vida e nosso Corpo, de modo a identificarmos como Filhos de Deus, um Templo do Deus vivente, seja no sentido material como no espiritual.
Aquele ouro não era material, pois o Reino de Cristo não é deste mundo e Ele não buscava riquezas materiais. Os Reis Magos, iluminados como eram, vislumbravam a Estrela como também nós a vislumbramos hoje pela interna iluminação. Eles sabiam o que estavam levando e para quem estavam levando aquelas oferendas.
De volta ao Oriente, os Magos foram por outros caminhos, evitando o Rei Herodes, cuja intenção conhecia. Assim também faz o Aspirante que deseja encurtar o caminho para a meta. Deixa atrás o caminho da Involução e volta pelo caminho da Evolução; deixa a senda dos vícios e erros e segue o caminho mais curto das virtudes. Depois que encontra o Salvador e dedica-se inteiramente a Seu Serviço, sem posteriores ligações com o egoísmo: simbolizado por Herodes.
Que este pequeno ponto do Evangelho suscite no Estudante Rosacruz uma firme resolução de se enquadrar, cada vez mais nas condições ideais de um verdadeiro servidor da “Vinha de Cristo” neste mundo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1966 – Fraternidade Rosacruz-SP)