Há algum tempo, o autor leu um artigo com esse mesmo título em uma das grandes revistas nacionais. Havia alguns comentários muito engraçados sobre o conteúdo do texto. Alguns eram extremamente elogiosos, outros criticavam cada detalhe. Para alguns, o editor era uma voz clamando no deserto, expressando sentimentos que há anos estavam gravados no coração dos assinantes; para outros, ele era simplesmente um maluco.
Um escreveu: “Sim, está certo, continue chamando os judeus, mas para cada assinatura de um judeu que você conseguir, perderá dois gentios. Cancele minha assinatura”.
Outro disse: “Seu artigo de … mostra claramente que você está agradando aos católicos. Não quero mais o seu romanismo. Retire meu nome da sua lista”.
Um terceiro viu de outra forma: “Como católico romano e devoto, protesto contra o artigo de …. Não quero mais a sua revista de propaganda protestante”.
Citamos esses trechos de memória — portanto, não são exatos — porque expressam o sentido e o sentimento, mostrando que é impossível agradar a todos. Nós nos lembramos desse artigo porque ele nos mostrou que nós, em Mount Ecclesia, não somos os únicos a ser criticados por fazer, ou deixar de fazer, as coisas de acordo com as ideias de todos aqueles que não conhecem as condições como nós conhecemos, ou que não têm qualquer noção do fardo pesado que, uns poucos, carregamos. Sempre nos animamos com as palavras de apreço vindas da grande maioria e nos esforçamos para não nos deixaram abater pelas críticas injustas. Reconhecemos que estamos longe da perfeição e buscamos examinar, quando a crítica chega, se fomos negligentes — e corrigimos o erro, caso a crítica seja justa.
Mas quando recebemos uma carta com termos muito repreensíveis — absolutamente indignos de uma senhora —, contendo ameaças e calúnia criminosa, o que constitui crime ao ser enviado pelo correio, que nos acusa de grosseira deturpação, para dizer o mínimo, então nós protestamos. E para tornar impossível que alguém possa interpretar mal a nossa posição no futuro, fazemos a seguinte declaração.
A senhora parece não acreditar que não levantamos horóscopo nem dela e nem de ninguém, pois sempre ensinamos que é absolutamente errado levantar horóscopos por dinheiro ou qualquer outra consideração material. Temos impresso em vários lugares da nossa literatura pedidos para que não sejamos incomodados com solicitações de horóscopo, o que nos obriga a gastar um tempo valioso escrevendo cartas de recusa; além disso, já devolvemos centenas de dólares a pessoas que imaginaram que uma quantia generosa nos faria esquecer nosso princípio e prostituir uma ciência espiritual em troca de ganho material.
Se usamos para a Astrodiagnose ou Astroterapia é porque são fundamentais para o processo de Cura Rosacruz e, aqui somente focamos na questão das causas de tratamentos de doenças e enfermidades da pessoa que solicita Auxílio à Cura; e tal horóscopo não é fornecido à pessoa, em hipótese alguma. Se isso fosse apenas um benefício para demonstrar o quão somos bons em levantar horóscopo, estaríamos jogando as estrelas na lama e seríamos piores do que o charlatão que vende horóscopos por uns reais no mercado aberto; mereceríamos o desprezo de todos as pessoas honestas e seríamos obrigados a nos desprezar.
Todos os nossos livros, livretos, revistas, folhetos e afins não são publicados com fins lucrativos. Compreendamos isso plenamente: Todos os nossos livros, livretos, revistas, folhetos e afins são publicados unicamente como uma forma de SERVIÇO para ajudar os Aspirantes à vida superior por meio dos Ensinamentos Rosacruzes; acreditamos que tanto a Filosofia Rosacruz, os Ensinamentos Bíblicos Rosacruzes e a Astrologia Rosacruz sejam uma ajuda importante para os Estudantes Rosacruzes.
Tudo o que fazemos e damos é por amor e como forma de serviço voluntário. É por isso que somos uma Associação de Cristãos Místicos; assim, nós nos reservamos o direito de usar nosso discernimento sobre como realizar esse trabalho.
(de Max Heindel – Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Renovação é um termo muito empregado na atualidade. Exprime, talvez, o objetivo das lutas que observamos quotidianamente na arena do mundo. À palavra renovação associamos, intuitivamente, outro vocábulo: adaptação. A adaptabilidade é um fator favorável a qualquer tipo de mudança. Nós, as estruturas sociais, políticas e religiosas não podem se renovar sem a existência dessa faculdade que permite um ajustamento harmonioso as novas condições.
Não podemos negar ou ignorar as transformações que atualmente vem se operando no mundo. Uma força irresistível nos impele para novos rumos. É o curso natural desse Esquema de Evolução. Na Natureza (que é Deus em manifestação) tudo progride lenta, mas, seguramente. A inércia inexiste. Contudo, na atualidade esse avanço parece se processar num ritmo bem acelerado.
Analisando, detida e acuradamente tal fato, nos parece que estamos atravessando uma fase de transição para uma nova Era. Transformações profundas se avizinham. Isto fornece toda a margem a esse clima de insegurança e incerteza observado nos dias de hoje. Alguns conseguem se entrosarem com facilidade às inovações; outros, porém, preferem se conservarem refratários a quaisquer movimentos que visem revolucionar o “status quo” vigente.
Deparamos, então, com um conflito entre duas facções (que nada tem a ver com a idade, posição social ou econômica, grau de escolaridade ou outras segmentações que são comuns nesses casos): os conservadores, representantes das velhas estruturas; e os arrojados, desejosos de erigir um novo mundo. Lamentamos o fato de, muitas vezes, essas duas facções permanecerem extremamente radicais e intransigentes em seus objetivos. Eis porque surgem lutas, às vezes, marcadas até por derramamento de sangue. E aqui sim, se reflete nas segmentações: o diálogo entre idosos e jovens, professores e alunos, pais e filhos, homens e mulheres, geralmente, resulta em fracasso ou, no mínimo, em geração de separatividade. Uma facção não reconhece os méritos do outro. Não aceitam um intercâmbio de valores. Há um terceiro caminho conciliador que uma minoria procura trilhá-lo. Os arrojados, levados pelo seu entusiasmo, refutam em utilizar as experiências e o cabedal de conhecimento do polo contrário, como base para as transformações pretendidas. Desejam prescindir de algo que eles mesmos conquistaram em vidas passadas. É impossível fugir dessa realidade. No ímpeto de ganhar terreno tendem, muitas vezes, para a violência física e psicológica: o desprezo, o egoísmo, o orgulho, a hipocrisia, o etarismo. Convenhamos: sobre a violência ninguém edifica coisa alguma, a não ser ódio, misérias e ressentimentos.
Por outro lado, lamentamos profundamente a atitude dos conservadores, pela sua teimosia intransigente em não aceitar a verdade de que tudo na vida é suscetível de uma transformação para melhor. Tudo pode e deve ser aprimorado. Aquilo que não se renova acaba por se cristalizar, perdendo sua utilidade. Inadaptar-se às novas condições é comodismo, é inercia, é apego a uma rotina agradável, porém sumamente prejudicial. Somos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui, e como tal nos encontramos acima de estruturas, de formalismos, de tradições e de convenções. Não devemos nos apegar a ninguém e a nada, a não ser a um Ideal elevado que gradativamente nos leve a perfeição: o Cristianismo Esotérico.
Pitágoras, de certo modo, tinha razão ao afirmar em seus famosos “Versos Áureos” que “o bem consiste, muitas vezes, no meio termo”. Como Aspirantes à vida superior, Estudantes de uma profunda Filosofia Rosacruz, compreendemos a necessidade de nos conservarmos sempre dispostos a aceitar todas as inovações edificantes. Não vacilemos em substituir o antigo pelo novo desde que seja para melhorar. Porém, é mister darmos o devido valor àquilo que foi construído no passado, pois constitui-se na base para as conquistas presentes, como essas se refletirão no futuro.
A renovação externa constitui uma necessidade, contudo, se encontra fundamentada na renovação interna. Jamais uma comunidade sofrerá uma benéfica transformação, se os membros que a compõem não se renovarem internamente. Se não cultivarem as virtudes Cristãs, se não aprimorarem o seu caráter, se não agirem como verdadeiros alquimistas, “transformando os metais impuros em ouro”, todas as suas realizações externas levarão a marca de suas imperfeiçoes. Tão somente construirão castelos sobre a areia.
O objetivo primordial de cada um de nós deve ser, antes de tudo, se renovar internamente. Transformemo-nos, pois em novos seres humanos, em “novidade de Espírito” (Rm 7:6). Aproveitemos a benção de estarmos renascidos aqui, nesse momento maravilhoso onde estamos sob a Órbita de Influência da Era de Aquário, estando, ainda na Era de Peixes. Ou seja: temos o dobro de lições a aprender, com o dobro de facilidades para utilizar!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1968 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Esta é a época do ano – março, abril, maio e junho, entre o Equinócio de Março e o Solstício de Junho – na qual o poder do desejo chega ao clímax. Com o brotar desse período do ano vem a intensa atividade para o progresso e desenvolvimento em todos os assuntos da vida.
À medida que o Sol transita pelo Signo de Áries, especializa a inteligência criadora. Você observará, naturalmente, a importância da Mente, guiando o desejo na criação, cuja espécie mais importante se encontra em nós. Achamo-nos influenciados nisso pela paixão de Marte, Regente do Signo de Áries. Porém, no nosso adiantamento de animal a ser humano, a Mente está gradualmente temperando o ferro e convertendo-o em aço. O poder criador pode ser governado pela inteligência tendo livre vontade para usá-las para o bem ou para o mal, conforme seja o caso.
No passado, a metade de nossa força sexual criadora começou a ser enviada “para baixo”, para gratificar nossos sentidos, além de prover Corpos para irmãos e irmãs que precisavam renascer. A outra metade começou a ser enviada “para cima”, para construir o cérebro e a laringe. Essa força ainda alimenta esses órgãos. O caminho para a Divindade requer que dirijamos “para cima”, tanto quanto possível, nossa força sexual total criadora. Possamos, com o tempo, criar por meio do poder da Mente, à medida que pronunciamos o fiat criador, a palavra criadora ou a palavra perdida.
Nossa condição unissexual, quando renascidos aqui, é temporária nesta fase da evolução. No futuro, dirigindo a força sexual criadora totalmente “para cima”, nos tornaremos espiritualmente hermafroditas. Objetivando nossas ideias e falando a palavra criadora, poderemos infundir-lhes vida e fazê-las vibrar de energia vivente.
A Fraternidade Rosacruz não advoga inteiramente uma vida de celibato para os seus Estudantes Rosacruzes. Ao contrário, ela considera a união de duas pessoas com o objetivo de gerar Corpos de modo a proporcionar a tantos irmãos e tantas irmãs, que estão na imensa fila para renascer aqui, as vantagens e oportunidades especiais para um Renascimento como um dever religioso para o Místico ou Ocultista iluminado, o qual pode encontrar um Espírito semelhante, com o mesmo pensar.
Como os Egos mais avançados não podem nascer de pais que não se ocupam das suas partes espirituais, que se deliciam com os “prazeres do mundo”, que pregam e vivem no materialismo ou, ainda, que se negam e até abortam para não terem filhos, seria em verdade um erro para os Aspirantes à vida superior, os Estudantes Rosacruzes, viver inteiramente uma vida de celibato só pelo próprio benefício do seu adiantamento particular, quando as condições – físicas, emocionais, financeiros, psicológicas e espirituais – lhes permitem ter filhos. O uso da força sexual criadora nas poucas vezes que se requer quando é legitimamente utilizada para a propagação não interfere no desenvolvimento espiritual. Afinal, aqueles que fazem grandes sacrifícios pelo interesse dos demais ganharão a “Coroa da Glória”, pois “semeiam para o espírito e não para a carne”, como aprendemos nos nossos Estudos Bíblicos Rosacruzes.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1977 – Fraternidade Rosacruz-SP)