Categoria Filosofia

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Os Espíritos-Grupo são inimigos no plano espiritual, como o são aqui algumas espécies como as dos lobos e carneiros?

Pergunta: Os Espíritos-Grupo são inimigos no plano espiritual, como o são aqui algumas espécies como as dos lobos e carneiros?

Resposta: Não, não há nenhuma inimizade seja no Mundo visível ou no invisível. O lobo não odeia o carneiro que devora, da mesma forma que o boi não odeia a grama que ingere. É simplesmente uma questão de obter o alimento por meio do qual sustentam a vida, e o trabalho dos Espíritos-Grupo com suas espécies é bem favorecido pelo jogo resultante do esconder e procurar que exercem os animais de rapina e suas presas.

O principal objetivo da existência é a evolução da consciência, e a engenhosidade demonstrada por uma classe de animais para capturar outra, a paciente concentração do gato vigiando o esconderijo do rato, e os mais variados planos usados por outros animais para capturar os incautos, são amplamente contrabalançados pela cautela demonstrada pelas vítimas no seu estado selvagem, quando estão totalmente dependentes dos Espíritos-Grupo para serem salvas dos seus perseguidores. Se não houvesse essa luta pela existência, a evolução da consciência seria bem mais prolongada do que ela é. Por isso, os hábitos predatórios dos animais carnívoros servem realmente a um propósito, como também todas as outras anomalias semelhantes.

(Pergunta nº 62 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. II”)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Vida Una: Aquele que é a Única Realidade existente

Vida Una: Aquele que é a Única Realidade existente

Há no universo um só Poder — uma só Energia — uma só Força.

E esse Poder, essa Energia e essa Força é a manifestação da Vida Una.

Não pode haver outro Poder, porque nada há fora do Uno, donde o Poder possa provir. E não pode haver manifestação alguma de Poder a não ser o Poder do Uno. Porque outro Poder não pode existir.

O Poder do Uno nos é visível em suas manifestações, nas leis naturais e nas forças da natureza — a que chamamos Vontade Criadora.

Essa Vontade Criadora é a interna força motriz, o impulso e o movimento por detrás de todas as formas e manifestações de vida. No átomo e na molécula; na célula, na planta, no peixe, no animal, no ser humano — o Princípio da Vida ou a Vontade Criadora está constantemente em ação, criando, conservando e propagando a vida em suas funções.

Podemos chamar a isso instinto ou natureza, mas não é senão a Vontade Criadora em ação. Essa Vontade está por detrás de todo Poder, Energia ou Força — seja força física, mecânica ou mental. E toda força que aplicamos, consciente ou inconscientemente, provém da grande e única Fonte do Poder.

Se pudéssemos ver claramente, haveríamos de perceber que, por detrás de nós, está o Poder do Universo, aguardando até que dele façamos uso inteligente sob o domínio da Vontade do Todo.

Nada há que nos possa assustar, pois somos manifestações da Vida Una, da qual procede todo o Poder, e o Eu Real está acima do efeito, porque é parte da causa.

Em cima e em baixo, por detrás de todas as formas de ser, matéria, energia, força e poder, está o Absoluto — sempre calmo, sempre tranquilo, sempre contente.

Sabendo isso, devemos manifestar esse espírito de absoluta fé, esperança e confiança na bondade e final justiça d’Aquele que é a Única Realidade existente.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro de 1970)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Atrás da Máscara: “não ponha a mão no arado e olhe para trás”!

Atrás da Máscara: “não ponha a mão no arado e olhe para trás”!

“Os homens disputarão pela religião; escreverão por ela; pelejarão por ela; morrerão por ela; tudo menos que viver por ela” – Colton

Não importa quão a miúdo possamos presenciar uma convenção política, sempre nos surpreende algo, e talvez nos desagrada, observar as faltas e recriminações que são apontados por vários candidatos e seus partidários. Não é de todo infrequente que os insultos se expressem livremente, ainda que algo disfarçados, e o ouvinte se pergunta seriamente se algo bom pode sair de tudo isto.

Sem dúvida — para surpresa de muitos — é sempre manifesto que uma vez que a voz do público foi claramente ouvida na assembleia dos delegados eleitos presentes, que fazem a eleição final, o recém nomeado candidato, de repente — e como por arte de magia — se converte em amigo de todos e em campeão do partido. Ainda aqueles que eram seus mais severos críticos durante a convenção acalorada agora o aclamam a uma só voz como seu elegido, também, a convenção inteira logo esquece os sentimentos feridos e as acusações da batalha política; todo gira em volta do novo candidato; todos se unem em um propósito comum de apresentar a seu candidato e seu programa ao público: e de seu apoio e trabalho unidos dependem a vitória ou a derrota nos comícios. E nunca, nenhum membro responsável do partido permite que as diferenças externas de opinião, personalidade e convicção, lhe impeçam promover os ideais, propósito e princípios do partido.

Podemos aprender uma boa lição de nossos amigos da vida pública. Existe um paralelo mui real entre a campanha política e a perturbação que impediu o crescimento externo da Fraternidade Rosacruz. Muitos observaram esta disputa e muitos, também, identificaram esta disputa com a Fraternidade Rosacruz mesma. Muitos olvidaram que há uma fraternidade espiritual aqui e que esta controvérsia não é mais parte deste ensinamento que os argumentos políticos do partido político antes de que seja eleito o candidato.

Finalmente, sem dúvida, a voz do povo da Fraternidade há falado, a este povo se confia o direito de governar este corpo; e este povo há decretado que a Fraternidade Rosacruz permaneça livre para dedicar seu tempo todo a promover no mundo os ensinamentos dos Irmãos Maiores.

É um estranho paradoxo que a maioria daqueles que eram parte desta controvérsia já não estejam ativos na liderança da Fraternidade. Em última análise todo Estudante, Probacionista ou Discípulo, e qualquer que se considere membro ao menos em espírito — e existem muitos destes — deve perguntar-se se há perdido na batalha ou se há mantido sua atenção fixa sobre o ensinamento, que é a única parte real e duradoura desta obra.

No Conceito Rosacruz do Cosmos ensina-se que o mundo que está imediatamente além dos limites deste Mundo Físico — que interpenetra a esse Mundo Físico — é o Mundo do Desejo. Aqui os desejos, aspirações e sentimentos do ser humano, do animal e dos seres mais altamente desenvolvidos, tomam forma e cor e encontram expressão. Aqui a força e a matéria estão quase contrabalançadas, nivelados, porém a coisa mais desconcertante acerca deste reino é que a vida ou inteligência real de qualquer manifestação particular, se oculta — por assim dizer — atrás de um labirinto de cor e de forma que muda com grande rapidez.

Requer muita concentração e habilidade ver atrás desta máscara e ver o princípio de vida pelo qual existe. Os que recém-entram a este reino conscientemente, têm grande dificuldade em manter sua atenção enfocada sobre esta vida real, parando serem iludidos ou enganados pela emanação externa de cor de forma desta inteligência. É de maior interesse saber que o Mundo do Desejo não interpenetra somente o Mundo Físico, senão que está presente onde queira como a causa invisível de todo o que sucede no Mundo Físico.

Conservando na Mente o que foi dito, o ser humano está se preparando, inconscientemente, para a existência neste e em outros reinos da natureza. O ser humano está aprendendo lições nesta vida que serão de imenso valor nas expressões subsequentes. Talvez uma das mais importantes lições é a que agora é evidente; porque onde queira, a cada momento, se nos obriga a separar em nossas mentes o real do irreal; o que é importante do que não é importante. A todos nos consta a verdade daquilo de que “os pensamentos são coisas”, e que ver a negação e o mal só robustece a este mal, enquanto que, pelo contrário, ver o bem nas coisas ajuda o bem a crescer e a destruir com o tempo ao mal.

O mal evidente desta controvérsia há sido demasiado patente para a maioria de nós; sem dúvida, quantos de nós havíamos permitido que isto obscurecesse o bem que podia e devia haver sido feito, se soubéssemos manter nossas mentes fixas no verdadeiro propósito destes ensinamentos?

Os Irmãos Maiores são os mentores desta “Fraternidade”, e podemos estar certos, já que sua obra existiu secretamente por séculos antes do estabelecimento da Fraternidade — e é consideravelmente mais espiritual que física — se encontra além da possibilidade de que alguém a destrua. Os Auxiliares Invisíveis sob a direção destes Irmãos, disto podeis estar seguros, não passaram por alto nenhum pedido de ajuda, todos os Departamentos da Fraternidade continuaram trabalhando, incluindo a obra esotérica. Que eu saiba, a nenhuma alma foi negada o privilégio destes ensinamentos. A Correspondência de nossos departamentos estrangeiros continuou fluindo de todas as partes da terra. Queria que muitos de nossos houvessem estado mais ativos para disseminar estes ensinamentos durante o período passado de desilusão e aflição.

Alguns perderam a fé e haviam renunciado, porém, um momento mais preciso de pensamento, sobre a parte real dos ensinamentos dos Rosacruzes, não revelaria que a essência desta obra estava sempre em evidência e que a oportunidade sempre estava a nosso alcance para ajudar a nosso semelhante, porque este é o único propósito válido ao recebermos estes ensinamentos? Ainda que penoso, talvez isto foi uma benção no fundo, porque deu-nos uma oportunidade de provar nossas próprias convicções, para permanecer sinceros aos ideais que professamos crer.

O grande caráter bíblico, David, bem pode ser a história de toda alma aspirante e as inevitáveis tentações que devem vir a nós para provar estas aspirações. David em sua idade temporão teve aspirações para a música e as artes, e sem dúvida teve em seu coração unicamente propósitos nobres e elevados. Todavia, no transcurso de sua vida fracassou em manter-se fiel a sua primeira visão e chegou a ser um rei de conquista e de guerra e tudo o que isto implica. Quando finalmente tratou de conhecer-se a si mesmo no ocaso de sua vida e desejou cumprir o desejo de seu coração — construir o templo — Jeová lhe negou este privilégio por ter sido um “homem de guerra” e não de paz. Havia gasto muito tempo pelejando tanto, que não estava nem física nem espiritualmente preparado para construir o templo.

Se conservamos os nossos olhos sempre fixos na verdadeira parte espiritual desta obra, o qual é assistir a Cristo a estabelecer Seu Reino, e se permanecemos fiéis aos ideais que em primeiro lugar nos atraíram a este ensinamento, podemos ser instrumentos da verdadeira virtude e colher um desenvolvimento espiritual maravilhoso deste modo. Por outro lado, se unicamente vemos faltas nos demais e pretendemos ter uma perfeição que realmente não temos dentro de nós mesmos, estamos, de fato, retraindo-nos de ser uma parte de um núcleo espiritual que será o instrumento para criar uma obra espiritual maior que nos capacitaria para administrar a panaceia curativa ao que toda pessoa estará de acordo em chamar um mundo enfermo. Que de uma vez para todas extirpemos a comiseração de si mesmo, a crítica não dirigida a si mesmo, as demoras que nos impedem promover nossa própria obra na Fraternidade, e acharemos que em lugar de ser belicosos e de negarmos a causa disto, nos será dada uma oportunidade dourada de serviço como talvez nunca foi oferecida na história.

Admite-se que existem os que dizem que qualquer organização que se compromete em batalhas legais, etc., não é digna de realizar a obra ou de ser apoiada. E existem os que dizem que o poder nos há sido retirada. De onde lhes vem sua autoridade, não o sabemos, nem nos interessa. Contudo — sabendo talvez que algum dia seus Estudantes necessitariam esta certeza — Max Heindel escreveu, faz aproximadamente quarenta anos, numa carta a seus Estudantes que se acha agora em seu livro de “Ensinamentos de um Iniciado” que “E triste contemplar… deve vir o dia em que a Fraternidade Rosacruz seguirá o caminho de todos os outros movimentos; que se ligará por meio de leis, e a usurpação do poder o fará desintegrar-se e cristalizar-se. Porém então teremos o consolo de que de suas ruínas surgirá algo maior e melhor. Uma pequena ajuda da parte dos Irmãos Maiores me capacitou para pôr-me em contato com a quarta região, onde se acham os arquétipos, e para receber ali os ensinamentos e compreensão do que se contempla como o mais alto ideal e missão da Fraternidade Rosacruz. Vi nossa sede central e uma procissão de gentes vindo de todas as partes do mundo para receber os ensinamentos. Vi-as logo sair dali, para levar bálsamo aos afligidos de perto e de longe”.

O que poderia em realidade eclipsar o imenso significado do que antecede? Desde as trevas do angustioso passado surgirá um luminoso poder espiritual que brilhará, que de certo modo pode comparar-se à vida de Cristo, cuja vida sobre a terra foi um caminho de espinhos, perseguição, dor, e ainda traição e negação de parte dos seus próprios seguidores escolhidos! Esta é nossa fé, nossa vida e nossa única resposta aos que nos interrogam.

A nossa esperança e oração é que num futuro não mui distante — quando a oportunidade e os meios o permitam — possamos fazer de tudo o que pudermos para promover estes Ensinamentos Rosacruzes.

“Ninguém que põe a mão ao arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus” – (Lc 9:62).

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/jun/88)

 

 

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: O que sucedeu ao Corpo Denso de Jesus, colocado no túmulo e não encontrado na manhã da Páscoa?

Pergunta: O que sucedeu ao Corpo Denso de Jesus, colocado no túmulo e não encontrado na manhã da Páscoa? Se o Corpo Vital de Jesus foi preservado para ser novamente usado por Cristo, o que faz Jesus, nesse meio tempo, para obter um Corpo Vital? Não seria mais prático conseguir um novo Corpo Vital para Cristo, quando da Sua Segunda Vinda?

Resposta. O estudo das Escrituras nos revela que Cristo costumava afastar-se de Seus discípulos, os quais ignoravam nesses momentos o Seu paradeiro — ou se sabiam, nunca mencionaram. Não obstante, isso é explicado pelo fato de que, sendo um Espírito tão glorioso, Suas vibrações eram por demais elevadas até mesmo para os melhores e mais puros veículos físicos. Por conseguinte, era necessário que o Espírito se retirasse, deixando o Corpo em completo repouso por algum tempo para que os átomos pudessem reduzir a sua frequência até atingir o nível costumeiro. Cristo acostumara-se a recorrer aos Essênios, deixando o Corpo aos seus cuidados. Esses eram peritos nisso e o Cristo não sabia lidar com os veículos que recebera de Jesus. Não tivesse recebido esses cuidados e o repouso necessário, o Corpo Denso de Jesus teria sido desintegrado muito antes que se concluíssem os três anos do Seu ministério e o Gólgota nunca teria sido alcançado.

No momento oportuno, quando Seu ministério terreno terminou, os Essênios cessaram de interferir. Os acontecimentos retomaram o seu curso natural e a tremenda força vibratória concedida aos átomos os espalhou aos quatro ventos; assim, quando o túmulo foi aberto, poucos dias mais tarde, não se encontrou o menor sinal do Corpo.

Isso está em perfeita harmonia com as leis naturais conhecidas por nós através de sua ação no mundo físico. Correntes elétricas de baixo potencial queimam e matam, enquanto uma voltagem muitas vezes superior pode passar através do Corpo sem qualquer efeito nocivo. A luz, cuja frequência vibratória é tremenda, é agradável e benéfica para o Corpo, mas quando focalizada através de uma lente, sua frequência vibratória diminui e temos uma força destrutiva. Da mesma maneira, quando Cristo, o grande Espírito Solar, entrou no denso Corpo de Jesus, a frequência vibratória foi reduzida devido à resistência da matéria densa, o que poderia reduzir o Corpo a cinzas, como ocorre na cremação, se não tivesse havido uma interferência. A força foi a mesma, o resultado idêntico — exceto que, sendo um fogo invisível o que consumiu o Corpo de Jesus e não o fogo comum, não houve cinzas. Com relação a isso, é bom lembrar que esse fogo jaz invisível em todas as coisas. Apesar de não o vermos na planta, no animal ou na pedra, ele está presente, visível à visão interna e capaz de manifestar-se a qualquer momento, contanto que se revista com uma chama de substância física.

Considerando que o autor do Conceito Rosacruz do Cosmos praticamente não teve ajuda na revisão das provas desse livro, é motivo para congratulações não serem encontrados muitos erros. O Capítulo XV, O Sangue Purificador, refere-se ao presente assunto. Foi corrigido e a palavra “Átomo-semente” substituiu a expressão “outros veículos”. A frase ficou assim: “Depois da morte do Corpo Denso de Jesus, os Átomos-semente foram devolvidos a seu primitivo dono.”. Durante os três anos de intervalo entre o Batismo, quando cedeu seus veículos, e a Crucificação, que ocasionou a volta dos Átomos-semente, Jesus adquiriu um veículo de Éter, da mesma forma que um Auxiliar Invisível adquire matéria física sempre que for necessário materializar todo o seu Corpo ou parte dele. Contudo, um material que não combine com o Átomo-semente não pode se adaptar definitivamente. Ele se desintegra tão logo se esgote a força de vontade nele reunida; portanto, isso foi apenas um paliativo. Quando o Átomo-semente do Corpo Vital retornou, um novo Corpo foi formado e, nesse veículo, Jesus atua desde então, trabalhando com as igrejas. Ele nunca mais tomou para si um Corpo Denso, embora fosse perfeitamente capaz de fazê-lo. Provavelmente pelo fato de seu trabalho ser inteiramente desligado das coisas materiais e diferir diametralmente do trabalho de Christian Rosenkreuz, que tratou dos problemas do Estado, da indústria e da política. O último, portanto, necessitou de um Corpo físico para poder aparecer diante do público.

A razão pela qual o Corpo Vital de Jesus está sendo preservado para a Segunda Vinda de Cristo, ao invés de ser formado um novo veículo, é dada em Fausto, um mito que expõe, em termos pictóricos, uma grande verdade espiritual de valor inestimável para a alma que busca. Fausto, desejando adquirir um grande poder espiritual antes de merecê-lo, atrai um Espírito disposto a satisfazer seu desejo — mas exige uma retribuição, pois o altruísmo é uma virtude que ele simplesmente não possui. Quando Lúcifer se volta para sair, ele fica temeroso ao ver um pentagrama diante da porta, com uma ponta voltada em sua direção. Ele pede a Fausto que remova o símbolo para que ele possa sair, porém esse último pergunta-lhe por que não sai pela janela ou pela chaminé. Lúcifer admite relutantemente que: “Para fantasmas e Espíritos, é lei que por onde entraram, devam sair”.

De acordo com o curso natural dos acontecimentos, o Espírito, ao nascer, entra no Corpo Denso pela cabeça, trazendo consigo os veículos superiores. Ao deixar o Corpo, à noite, ele sai pelo mesmo caminho e da mesma forma que reentrará pela manhã.

O Auxiliar Invisível também sai e reentra no Corpo pela cabeça. Finalmente, quando a nossa vida na Terra termina, alçamo-nos para fora do Corpo pela última vez através da cabeça, que é, então, reconhecida como sendo o caminho de entrada e saída natural do Corpo. Portanto, o pentagrama com uma ponta para cima é o símbolo da magia branca que trabalha em harmonia com a lei da evolução.

O mago negro, que age contra a natureza, subverte a força vital, dirigindo-a para baixo através dos órgãos inferiores. A passagem pela cabeça fecha-se para ele; então, retira-se pelos pés e o cordão prateado estende-se em direção aos órgãos inferiores. Por conseguinte, Lácifer entrou facilmente no gabinete de Fausto, pois o pentagrama estava com duas pontas voltadas para ele, representando o símbolo da magia negra. No entanto, ao tentar sair, ele encontra somente uma ponta voltada para si e tem que se curvar diante do símbolo da magia branca. Ele só podia sair pela porta, pois havia entrado por ela e assim vê-se preso, ao descobrir que esse caminho esteja bloqueado. Da mesma forma, Cristo tinha a liberdade de escolher Seu veículo de entrada na Terra, onde está agora confinado; contudo, uma vez escolhido o veículo de Jesus, Ele é forçado a sair pelo mesmo caminho. Se esse veículo fosse destruído, Cristo permaneceria neste ambiente tão limitado até que o Caos dissolvesse a Terra. Isto seria uma grande calamidade e é por tal razão que o veículo usado por Ele é guardado com o máximo cuidado pelos Irmãos Maiores.

Nesse meio tempo, Jesus foi quem perdeu todo o crescimento anímico obtido durante os trinta anos terrestres anteriores ao Batismo e contido no veículo cedido a Cristo. Esse foi e é um grande sacrifício feito para nós; mas, como todas as boas ações, esse sacrifício redundará em maior glória no futuro. Esse veículo será usado por Cristo quando Ele vier estabelecer e aperfeiçoar o Reino de Deus; estará tão espiritualizado e glorificado que, quando for novamente restituído a Jesus no momento em que Cristo entregar o Reino ao Pai, será o mais maravilhoso de todos os veículos humanos. Embora isso não tenha sido ensinado, o autor acredita que Jesus será o mais elevado fruto que o Período Terrestre produziu nesse sentido, vindo Christian Rosenkreuz em segundo lugar. “Não há maior ser humano do que aquele que dá a sua própria vida” e o fato de dar não somente o Corpo Denso mas também o Corpo Vital, por tanto tempo, certamente é o supremo sacrifício.

(Pergunta nº 96 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Será Que Precisamos Mesmo Ficar Apreensivos Quanto ao Rumo da Humanidade?

Será Que Precisamos Mesmo Ficar Apreensivos Quanto ao Rumo da Humanidade?

Arnold Toynbee, a maior autoridade em Filosofia da História e um dos grandes humanistas contemporâneos, em uma recente entrevista concedida a uma revista de renome internacional, manifesta sua apreensão quanto aos rumos tomados pela humanidade.

Proclama seu temor quanto à possibilidade de o ser humano, empolgado e embriagado pelas avassaladoras conquistas tecnológicas, robotizar-se, coisificar-se, anulando todos os valores morais e espirituais inerentes à sua condição de ser criado à imagem e semelhança de Deus. Lamenta o fato de, nas escolas, minimizar-se o humanismo, menosprezando-o até no relacionamento humano.

Toynbee pondera sobre as perspectivas sombrias de, em um futuro não muito distante, o ser humano fugir ao contexto da moralidade, ou mesmo da imoralidade, para converter-se em algo amoral.

E encerra seu dramático pronunciamento afirmando categoricamente que, diante das perspectivas de um esvaziamento espiritual, seria preferível a nossa regressão ao estágio de seres humanos primitivos, onde, pelo menos alguns valores seriam preservados, não obstante sua precariedade.

Embora reconhecendo a excessiva dramaticidade, quase fatalista, dessas declarações, não podemos negar, realmente, a carência de maior dose de humanismo no espírito das nações mais desenvolvidas. E esse estado de coisas, como não poderia deixar de ser, reflete-se também nos países materialmente menos aquinhoados.

Seria, porém, uma atitude estapafúrdia, não atribuir à ciência, às pesquisas, à moderna tecnologia, o seu real valor. Seria negar as faculdades divinas que o ser humano deverá desenvolver a um grau máximo na Época Ária, culminando no florescimento de um verdadeiro e irresistível poder espiritual. A Época em que vivemos, dentro do nosso esquema evolutivo, é consagrada ao desenvolvimento da Mente, o caçula dos nossos veículos, e sua aplicação em todos os campos de atividade. É uma verdade indiscutível.

Mas, partindo dessa premissa, deparamo-nos com a pergunta: porque, então, esse profundo abismo, essa incrível dissociação, entre sentimento e intelecto, entre mente e coração, entre ciência e religião?

Analisando o problema detidamente, sob a luz dos ensinamentos da sabedoria ocidental, concluiremos que, na encruzilhada do século XX, o ser humano ainda não encontrou o seu ponto equilibrante. Não fincou os pés em um bilateralismo sadio, em que a ciência religiosa deve ser um meio e não um fim em si mesma, para que, por intermédio de uma religião científica, racional, na mais elevada expressão do termo, o gênero humano possa reencontrar-se com sua real natureza.

O desenvolvimento unilateral tem sido a tônica e a causa primordial de quase todos os males que afligem o mundo. Nos países altamente desenvolvidos, o materialismo tem pisoteado as mais belas flores do sentimento humano, transformando o ser humano em uma máquina fria e indiferente, escravo de convenções, peça manipulada da engrenagem socioeconômica. Consequências lógicas: enfartes, suicídios, neuroses, conflitos, insatisfações, toxicomania e toda sorte de fugas. Por outro lado, o panorama diametralmente oposto é igualmente limitante. Na Índia, onde o ser humano absorvido pela contemplação espiritual descura-se de melhorar o ambiente em que vive, mediante a aplicação de seus talentos, aflora um quadro doloroso: atraso, desconforto, populações inteiras vegetando à míngua, milhares de vidas ceifadas pela fome e enfermidades. Perda irreparável de valiosas oportunidades de progresso.

Ora, desde o Primeiro Dia de Manifestação, a verdade sempre foi encontrada no equilíbrio. E agora, mais do que nunca, é necessário encontrar-se um denominador comum, uma fórmula conciliatória, em que o progresso tecnológico seja um fator, um instrumento, um meio de o ser humano elevar-se acima de todas as contingências, promovendo em si mesmo o germinar da semente divina.

Diante desse quadro, o que nos alenta e conforta é saber que essas duas tendências estão sendo contrabalançadas pela ação unificante e equilibradora do Cristo, criando condições para que o ser humano retome o seu verdadeiro caminho.

Contudo, o nosso papel não se restringe passivamente ao alento e conforto, mas à responsabilidade que pesa sobre nossos ombros, pelo simples fato, de, como aspirantes, conhecermos essas verdades.

Essa responsabilidade implica sermos atuantes, trabalharmos em nosso meio ambiente mais próximo, dentro do nosso raio de ação e de nossas possibilidades, objetivando a promover o necessário equilíbrio.

Cada um deve fazer a sua parte e ter fé na justiça divina. Cada pôr do sol é o sepultamento de velhas desilusões. O raiar de um novo dia é o signo da esperança, o nascedouro do ser humano renovado.

Embora muitos não nos compreendam e divirjam de nossos conceitos, nós teremos fé!

Ainda que os prenúncios sejam de guerras e catástrofes, nós teremos fé!

Ainda que a palavra dos seres humanos traga em seu bojo o germe do conflito, nós teremos fé!

Ainda que ao nosso redor só medre a descrença, ainda assim, e mais do que nunca, nós teremos fé!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1973)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Saber Ceder mantém a sua Mente arejada

Saber Ceder mantém a sua Mente arejada

A arte de saber ceder é uma das mais difíceis, pois requer um sacrifício das ideias próprias, já arraigadas, em favor do algo novo. Se nos aferramos, intransigentemente, a padrões e conceitos extremamente arcaicos, como poderemos evoluir?

Segundo Max Heindel, a palavra-chave da evolução é ADAPTABILIDADE. Isso vem colocar-se num plano diametralmente oposto à cristalização. O verdadeiro buscador da verdade há de ser como a água, que toma sempre a forma do recipiente que a contém, sem, contudo, deixar de ser água. Há de ter sempre a Mente arejada, admitindo inicialmente todas as coisas como possíveis, até chegar o momento da comprovação.

Essa atitude não rara lhe acarreta aborrecimentos em face ao julgamento da maioria, que muitas vezes poderá considerá-lo um louco visionário, etc. Cristo também assim foi considerado pelos fanáticos de seu tempo.

A época vindoura, a Era de Aquário, caracterizar-se-á pela renovação, pelo arejamento e libertação da Mente. Já notamos essa influência em todos os campos. Uma nova geração surge e reage desenfreadamente nos influxos dessa época de transição que atravessamos. Esses jovens podem e devem ser orientados, porém não podemos coagi-los a aceitar padrões que de há muito pedem para ser reformulados. Com descabida intransigência, só faremos aumentar o abismo entre a velha e a nova geração. Procuremos ceder um pouco, compreendendo, estimulando, orientando com amor. Não nos assustemos. Só os meios mudarão. As verdades serão as mesmas, apenas trocarão de vestes, mais condizentes com à realidade atual. Portanto, ceder em favor das novas luzes da verdade é adaptar-se às condições Aquarianas, já às portas!

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/70)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Despertamento Interior

Despertamento Interior

Quase todos nós experimentamos, numa determinada fase de nossa existência, o impulso de buscar respostas para nossas perguntas e dúvidas no que tange às questões espirituais.

Para muitos de nós os aspectos de nossa natureza de seres espirituais que estão evoluindo em um mundo material permanecem envoltos em certo véu de mistério. Bem poucos têm conseguido levantar, em plena consciência, as dobras daquele véu, além do qual já não pairam indagações nem dúvidas.

O contato consciente com a verdade de sua natureza transcendente, excelsa, espiritual e eterna inunda-o de intensa luz de certeza, quietude, sabedoria e onisciência.

Tudo isso pode parecer aos não místicos um tanto utópico e fantasioso. Contudo, o intelecto, a Mente científica pode apreender também a veracidade dessas indescritíveis potencialidades do ser.

As Escolas de Mistérios, as religiões, em sua milenar existência, têm sido as fiéis guardiãs de verdades e ensinos que se tem transmitido de gerações a gerações, alimentando o “fogo” da fé, da certeza da existência dos planos espirituais e da relação do ser humano com tais planos ou Mundos donde ele provém e para onde volta em seu girar evolucionante.

A Filosofia Rosacruz, como voz e pensamento atuante, é a fiel divulgação dos mais puros e verdadeiros ensinamentos orientados pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, no que se refere ao modo de cada um atingir a iluminação e consciência espiritual, chegando à concretização do plano divino, que consiste em nossa subida consciente para uma perene comunhão com Deus.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/70)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Adaptabilidade: o grande segredo para o seu avanço ou o seu atraso

Adaptabilidade: o grande segredo para o seu avanço ou o seu atraso

 

Adaptabilidade não quer dizer estagnação; significa, isto sim, acomodação às novas condições e o encontro do fio da meada para agir, descortinando sempre os novos horizontes. Quem é facilmente ADAPTÁVEL é também FLEXÍVEL; portanto, EMINENTEMENTE ENSINÁVEL e funciona no campo da inteligência de maneira sábia e amorosa, assimilando os ensinamentos que lhe chegam de toda a criação, obra de nosso Pai Comum — DEUS.

Para melhor elucidar o presente tema, ouçamos a palavra de Max Heindel que, em seu laborioso trabalho e ajudado pelos Irmãos Maiores, adquiriu a capacidade de investigar os Mundos internos e ler a Memória da Natureza, esclarecendo-nos em O Conceito Rosacruz do Cosmos da seguinte maneira:

“Nas escolas, todos os anos alguns Estudantes não se adiantam o necessário para passar a um grau superior. Analogamente, em cada Período de Evolução, alguns ficam atrás por não poderem alcançar o desenvolvimento necessário e ir ao próximo grau superior. Foi o que aconteceu já no Período de Saturno. Naquele estado, a vida com a qual trabalharam os Seres Superiores era inconsciente de si, mas essa inconsciência não era obstáculo para o retardamento de alguns dos Espíritos Virginais MENOS FLEXÍVEIS, MENOS ADAPTÁVEIS que os demais.

“Nessa palavra, ADAPTABILIDADE, temos O GRANDE SEGREDO do atraso ou do progresso. Todo adiantamento depende de FLEXIBILIDADE E ADAPTABILIDADE do ser em evolução, da capacidade que tem de se acomodar às novas condições ou estacionar e cristalizar-se, tornando-se incapaz de qualquer transformação. A ADAPTAÇÃO É A QUALIDADE QUE FAZ A ENTIDADE PROGREDIR, ESTEJA EM UM GRAU SUPERIOR OU INFERIOR DE EVOLUÇÃO. A falta de adaptação é causa de atraso para o espírito e de retrocesso para a forma. Isso se aplica ao passado, ao presente e ao futuro”.

Dispensa comentário a lapidar orientação de Max Heindel, apontando a adaptabilidade como a palavra-chave em nossa evolução. Trata-se de uma instrução que ele mesmo extraiu da Memória da Natureza, auxiliado pelo Mestre, e que resiste à lógica mais apurada; portanto, merece nossa particular atenção.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 03/70)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Como o corpo de Jesus pôde ser dispersado pelas forças vibratórias do Espírito de Cristo após Sua saída e como os átomos poderiam ter saído do túmulo uma vez que esse estava selado?

Pergunta: Agradeço as respostas a respeito do corpo de Jesus e de sua relação com Cristo, mas fico ainda sem entender como o corpo de Jesus pôde ser dispersado pelas forças vibratórias do Espírito de Cristo após Sua saída. Também como os átomos poderiam ter saído do túmulo uma vez que esse estava selado?

Resposta: Acreditar que o corpo habitado por nós seja totalmente vivo é uma das nossas ilusões, pois a realidade não é essa. A parte deste corpo que pode ser considerada viva é tão pequena que o que afirmamos é praticamente verdadeiro. A maior parte está totalmente adormecida, senão morta.

Esse é um fato bem conhecido pela ciência, e a razão ensina-nos isso de certa forma. Isso acontece porque a nossa força espiritual é tão fraca que não pode prover este veículo com vida em quantidade suficiente. Quanto menos conseguimos vitalizar o corpo, mais ele assemelha-se a um torrão de argila que temos de arrastar com força até que, depois de alguns anos, ele cristaliza-se de tal maneira que se torna impossível para nós manter a ação vibratória. Então, somos forçados a deixar o corpo, e dizemos que ele morreu. Um processo lento de desintegração ocorre a fim de restituir aos átomos o seu estado livre original.

Verifiquemos agora o que acontece quando um Espírito poderoso, como o de Cristo, se apodera de um destes corpos terrenos. Constatamos que há uma semelhança com o caso de um homem que é reavivado de um afogamento. Nesse caso, o Corpo Vital foi extraído e a ação vibratória dos átomos físicos cessou parcial ou integralmente. Então, quando o Corpo Vital é obrigado a penetrar novamente no corpo físico, ele começa a estimular cada átomo a entrar em ação e começar a vibrar.

Esse esforço para despertar os átomos adormecidos causa uma sensação de agulhadas intensamente desagradável, geralmente descrita por pessoas que sofreram um afogamento, e essa sensação só cessa quando os átomos físicos atingem uma frequência vibratória de uma oitava abaixo da frequência vibratória do Corpo Vital. A partir daí nenhuma sensação se manifesta além daquelas normalmente experimentadas.

Consideremos agora o caso de Cristo ao entrar no Corpo Denso de Jesus. Nesse corpo, os átomos moviam-se a uma velocidade bem inferior à das forças vibratórias do Espírito de Cristo. A aceleração, portanto, fazia-se inevitável, e durante os três anos de ministério, essa aceleração acentuada da vibração desses átomos teria destruído o corpo, não fosse a poderosa vontade do Mestre, assistida pela habilidade dos Essênios, em mantê-los unidos. Se os átomos estivessem adormecidos quando Cristo deixou o corpo de Jesus, da mesma forma que os nossos átomos ficam adormecidos quando deixamos os nossos corpos, um longo processo de purificação teria sido necessário para desintegrar o corpo. Mas eles estavam, como já o dissemos, altamente sensibilizados e vivos, portanto, era impossível conservá-los reunidos com o Espírito ausente.

Em eras futuras, quando aprendermos a manter os nossos corpos vivos, não trocaremos os átomos e, portanto, não trocaremos os corpos tão frequentemente. E mesmo quando o fizermos, o processo de purificação não será tão longo como o é hoje. O túmulo não estava hermeticamente selado, por isso, não ofereceu obstáculo à passagem dos átomos.

(Pergunta nº 97 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. II)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Intensidade: cada minuto da sua vida é sagrado

Intensidade: cada minuto da sua vida é sagrado

À medida que tentamos progredir no caminho do viver certo, uma das coisas mais difíceis de conseguir é a conciliação dos ensinamentos de pureza e bondade que recebemos da Filosofia Rosacruz, com o nosso esclarecimento, os nossos contatos humanos de cada dia. Isso porque, quanto mais nos embrenhamos na senda da espiritualidade, mais distanciados vamos ficando dos pontos de vista comuns e da maneira de viver da humanidade em geral, no corre-corre do dia a dia. No entanto, existe uma semelhança bem grande naquela espécie de força compulsiva que predomina na vida das pessoas personalistas, com o nosso estímulo espiritualista, com a nossa própria vontade de acertar. A essa força podemos chamar de intensidade, pois é ela que leva o indivíduo à realização de alguma coisa, tanto à concretização de suas coisas materiais como à realização de si mesmo.

Entretanto, essa intensidade, mesmo quando dirigida para o Certo, como força positiva em nosso íntimo, seja no que for que fizermos, deve ser bem dosada e estar sob o nosso próprio controle. Isso porque, essa força, mesmo possuindo um valor positivo de acordo com o nosso modo de viver, não deve predominar, sob risco de desgastar-se.

Haja vista o que acontece quando se fala demais de determinado assunto que nos empolgue no momento — possibilidades novas, vitórias conquistadas, até nossas próprias frustrações — o assunto “vira”, o acontecimento se transforma, passando então a ocorrer completamente ao contrário do que afirmáramos antes. É que houve uma espécie de dissipação de força, que precisa ser reajustada, por um novo esforço de autorrecuperação.

Por isso, se é bom sentirmos animação por algo que desperte o nosso interesse, melhor ainda será acertarmos nossa intensidade por coisas que provenham do Dever, coisas que partam mais das nossas obrigações do que dos nossos interesses. Porque não podemos esquecer que vamos ter que pagar pelo nosso próprio empolgamento, até mesmo se permitirmos que o entusiasmo exista apenas em nosso íntimo, como um revérbero silencioso. Temos que ser ponderados em nossa animação, seja ela qual for, até para nós mesmos, procurando pesar e medir os reais valores de qualquer aquisição, de qualquer merecimento. Todo o excesso de vibração, quer no falar, no sentir, mesmo no pensar, corre o risco de enfraquecer-se, desgastando-se com o atrito de nosso próprio excesso mal controlado.

Assim, é obrigação nossa manter-nos alertas diante de nossa própria intensidade, porque, em tudo o que fizermos na vida, até nas ações aparentemente triviais, é por intermédio dessa intensidade que vamos realizar-nos em nossa divindade, em cada momento do dia.

Nesse particular, aliás, existe uma atenuante: se essa intensidade estiver sendo aplicada erradamente, por ignorância, mas se for forte e sincera em si mesma, conservará o próprio valor, que será incorporado no Certo, no momento em que girar em seu próprio eixo, engrenando no Bem e identificando-se com ele. Por isso, cada minuto de vida é sagrado e deve ser aproveitado com cuidadoso empenho, com amorosa atenção, procurando vivê-lo dentro dos padrões que regem a nossa vida, ou melhor, dentro das normas que decidimos seguir, porque as aceitamos como certas. E só essa intensidade equilibrada é que poderá levar-nos à comprovação em nós mesmos e por nós mesmos, da exatidão dos ensinamentos admitidos como certos. Só a fé ativa naquilo em que acreditamos como verdade dentro do Bem é que nos conduzirá à própria verdade existente em nós mesmos. Porque intensidade também é fé, fé inteligente que conduz à ação. E melhor ainda à realização.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1973)

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