Deixe a Condenação Cessar na Sua Vida
“…não existe mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus.” (Rm 8:1). “Reúnam-se em concordância, unânimes.” (At 1:14). “Pois então conheceremos assim como também somos conhecidos.” (ICor 13:12).
Enquanto eu contemplava o pecado e o sofrimento de minhas queridas irmãs e irmãos, nesse período difícil do progresso do mundo, fiquei submerso em uma agonia de compaixão e oração pela Luz. Nós podemos fazer nossas orações das alturas ou das profundidades.
Em meu coração, não havia mais lugar para a condenação de um único pecador, por mais obscuro e grave que fosse o pecado. Eu parecia sentir a compaixão que encheu o coração do nosso Salvador, durante a agonia na cruz, quando Ele clamou: “Perdoa-os, Pai, porque eles não sabem o que fazem!” (Lc 23:24). Ele entendeu que eles não O estavam crucificando, mas alguém que consideravam um impostor. Ele entendeu que eles O crucificaram porque foram leais às tradições que lhes foram transmitidas pelas elevadas Autoridades. Ele sabia que eles eram cegos espiritualmente. Ele viu que a cegueira estava em processo de se tornar fixa em toda onda de vida humana lá.
Com o Seu Sacrifício, Ele aprendeu como aquela cegueira e como Sua Virtude Perfeita foram usadas pelo Amor Divino para consumar uma Obra de Amor por Todas as Coisas Vivas, incluindo a Terra: o Mistério do Gólgota.
Aprendemos, por meio dos ensinamentos sublimes do Conceito Rosacruz do Cosmos, que a Consciência é o extrato precioso e única aquisição permanente do Espírito, retida de vida em vida como incentivo ao pensamento correto, ao sentimento correto e à ação correta.
Ao contemplar a vida na Terra, aprendemos que a consciência é o princípio direto e fundamental que está por trás da conduta de cada Espírito individualizado.
Com a sua força, a consciência nos mantém no curso correto de ação, podendo ser contrária ao interesse próprio, ao bem-estar pessoal e a todos os sentimentos e inclinações individuais. Assim, as coisas menores não governam mais.
A consciência, em sua fraqueza, é um bastão quebrado para se apoiar. Sua voz fraca é silenciada pelo clamor do desejo, do interesse próprio, do bem-estar pessoal, da justiça própria e da condenação dos outros. Que satisfação agradável há para o “Eu Inferior” quando revelamos a maldade nos outros e refletimos que, pelo menos, não estamos fazendo esse tipo de coisa. E, no entanto, talvez tenha sido apenas “ontem” que, chafurdando naquele vício pelo qual condenamos nosso “Outro”, ganhamos no Purgatório — por terríveis reações de repulsa, vergonha e remorso — a resolução, o necessário despertar de consciência que inibe nossa prática em relação a esse vício para sempre, em qualquer condição.
O bêbado do passado é um dos melhores e mais ativos defensores da proibição do álcool, no presente.
A compaixão é a mão que planta “flores que crescem” no túmulo do antigo “eu”, o “eu inferior”, e as nutre com encorajamento e alegria, de modo que não haja mais tempo para arrependimentos. A compaixão é a mão que pode levantar o véu entre o “aqui” e o “ali”, para que nós possamos olhar para o processo de purgação e aprender uma lição, se não perdermos o equilíbrio ao contemplá-lo.
“Mas então conheceremos, assim como somos conhecidos”.
“Nada que seja, agora, secreto permanecerá escondido”.
Uma situação onde o que foi dito acima funciona é no plano purgatorial post-mortem, o reino do desejo inferior onde as reações são de ódio e repulsão, sob o vínculo que une todas as coisas semelhantes em natureza vibratória.
Vejamos, agora um caso de purificação de um ódio secreto. Duas irmãs viviam sob o mesmo teto. Uma era rica em bens deste mundo, moralmente relaxada e autoindulgente. A outra era viúva, pobre, orgulhosa, amargurada e estava ali como dependente. Nas aparências, elas viviam uma vida juntas, onde a harmonia era média.
Contudo, a pobre havia descoberto uma indiscrição moral da irmã rica que, se fosse conhecida, arruinaria seu lar e sua vida social.
A irmã rica suspeitou que ela tivesse sido descoberta e pequenos indícios, de vez em quando, não queriam confirmar a suspeita. Assim, ao longo dos anos, um ódio secreto foi construído. Atrás de cada presente em forma de roupas ou dinheiro, uma coisa maliciosa apareceu!
Com o tempo, as duas morreram.
Agora, agarradas por um abraço do qual se esforçam em vão para escapar, despojadas do véu da carne, em um plano que vibra na proporção da fonte do seu ódio, elas enxergam apenas a coisa olhada que foi velada pela carne na vida terrena e respondem com ódio, em uma loucura descontrolada, a qualquer coisa, exceto à Misericórdia de Deus, que ordenou que tais períodos de purgação sejam de apenas um terço em relação à geração do mal no plano físico. Elas não ouvem nenhuma pessoa; contudo, pobres vítimas de uma ideia fixa e do mal, drenam os seus últimos resquícios de amargura, três vezes intensificados, à medida que seu prazo é encurtado e perdem tempo em uma região de horror, tempo que poderia ser gasto em melhores reinos.
Se elas soubessem como podemos saber, por esses ensinamentos maravilhosos e as faculdades despertadas por sua vivência, você acha que teriam buscado alguma justificativa para o ódio que uma sentia pela outra? Não, elas teriam se purificado constantemente por dentro; teriam realizado sua purificação aqui e agora; teriam se dirigido a Deus livres daquela terrível consciência do pecado que, por muito tempo, não deixará os alienados pelo pecado se aproximarem do seu Salvador, embora Ele seja o Amante Eterno de cada Alma e deseje ardentemente sua aceitação.
Ei! Ele está à porta e bate. Peça ao seu Amante Divino para entrar. Todavia, antes de você fazer isso, seria bom fazer uma limpeza interior, ou Ele pode não conseguir ficar com você por muito tempo. Muitas vezes Ele foi expulso, depois de ter sido convidado a entrar; mas Seu amor nunca falha.
(Publicado na revista Rays from the Rose Cross de janeiro de 1918 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil).
Em Busca do que é a Verdade nessa Vida que vivemos aqui
No Evangelho Segundo São João, capítulo 18, versículos 37-38 temos a conversa entre Cristo Jesus e Pilatos:
“- Disse Cristo Jesus: Para isso nasci, para isso vim ao mundo, para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que é da Verdade ouve a minha voz.
– Disse-lhe Pilatos: O que é a Verdade?”
E nós aqui perguntamos: O que é a Verdade?
Será que a Verdade é o que vemos com os nossos olhos físicos? O que sentimos? O que ouvimos? Será que são as nossas posses? Nossos recursos intelectuais, emocionais, sentimentais?
Não… Essas coisas são muito limitadas para serem a Verdade.
Essas explicações e outras que são demonstráveis material ou concretamente e que tencionam explicar tudo sobre o ser humano e seu meio só satisfazem o intelecto, a Mente.
Raciocinar nesse Mundo dos Fenômenos, dos Efeitos, em que vivemos buscando a verdade é ilusão.
O que temos aqui são os efeitos da Verdade que se expressa como causas nos Mundos superiores.
Como disse Cristo:
“Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.”
Contudo, como conheceremos a Verdade, estando aqui vivendo neste Mundo dos efeitos, dos fenômenos, onde tudo está obscurecido ou torcido, irreconhecível sob essas condições ilusórias?
À medida que deixemos de lado todas as nossas aspirações para aquisições materiais, buscando amontoar tesouros no céu, quanto mais servirmos amorosa e desinteressadamente tanto mais rapidamente conheceremos a Verdade e, então mesmo vivendo neste Mundo dos fenômenos, poderemos falar como um Iniciado:
“Vivo neste Mundo, mas não sou deste Mundo”.
Portanto: para uma pessoa que um dia parou para pensar e chegou à brilhante conclusão que não sabe nada sobre o assunto, e, como diz Max Heindel, compreendeu sua ignorância e, assim, deu o primeiro passo para o conhecimento desse assunto, sente internamente, que algo maior existe e aspira conhecer a Verdade, mesmo sabendo que dificilmente alcançará pelos próprios meios.
Todavia, o que é esse “sentir internamente”? Não é nada mais, nada menos do que o coração aspirando por esclarecimentos mais profundos.
Vamos a um exemplo:
Quantas vezes estamos trabalhando afincadamente para resolver um problema e por mais que fazemos não conseguimos chegar à conclusão alguma.
Aí, eis que um belo dia, sem mais nem menos, um fio de intuição nos dá a solução que satisfaz todos os requisitos.
Nesse momento paramos para pensar no dito popular:
“O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
E mais: todo ato motivado por uma intuição pura raramente deixa de produzir um resultado positivo.
Aqui surge mais uma pergunta: O que é a intuição? Ou, ainda, para não fugirmos do assunto: e o que ela tem a ver com a busca da Verdade?
Para entendermos o que seja a intuição, precisamos entender os nossos três tipos de Memória todas relacionadas com a nossa Mente, que nos conduz à Região Abstrata do Mundo do Pensamento, onde começa a realidade, e, portanto, o vislumbre da Verdade. Porque nesse reino de realidades abstratas a Verdade não está obscurecida pela matéria. Ela é evidente por si mesma.
A Memória Consciente, também conhecida como Memória Voluntária, está Relacionada totalmente com as experiências desta Vida. Basicamente é formada pelas ilusórias e imperfeitas percepções dos nossos 5 sentidos: olfato, audição, visão, paladar e tato. Essas percepções são gravadas no Éter Refletor do nosso Corpo Vital como impressões dos acontecimentos. Tais impressões podem ser modificadas ou até apagadas. Temos acesso instantâneo a ela. De onde se veem duas coisas: Os nossos 5 sentidos sãos os veículos da Memória Consciente e as diversas regiões do Cérebro são os pontos onde acessamos para compor a nossa Memória Consciente. Experimente fechar os olhos e lembrar de algo. Acabou de utilizar a sua Memória Consciente ou Voluntária.
É através da utilização dessa nossa Memória e da execução persistente do exercício da Observação como um dos exercícios do método para adquirir o conhecimento direto (detalhado no Conceito Rosacruz do Cosmos) que compreendemos o que Cristo quis dizer no Evangelho Segundo São Marcos, capítulo 8, versículo 18 com: “Tendes olhos e não vedes. Tendes ouvidos e não ouves.”.
A Memória Subconsciente, também conhecida como Memória Involuntária, relaciona-se totalmente com as experiências desta vida. Basicamente é formada pelo Éter contido no ar que aspiramos. Esse Éter leva consigo uma imagem fiel e detalhada de tudo o que está em nossa volta, tenhamos observado ou não. Portanto, muito mais precisa na gravação do que a Memória Consciente ou Voluntária. Esse ar impregnado com o Éter chega aos nossos pulmões através das vias respiratórias. Do pulmão é absorvido pelo sangue no processo de oxigenação. Através das quatro Veias Pulmonares o sangue chega até a Aurícula esquerda do Coração. E passando pela Válvula Mitral, o sangue vai até o Ventrículo Esquerdo. No Ápice desse Ventrículo está localizado o Átomo-semente do nosso Corpo Denso, o físico. O sangue ao passar por aí deixa gravado nesse Átomo-semente todo pensamento, emoção, desejo, sentimento, palavra, obra, ação e ato registrado no Éter que o acompanha. De onde se veem duas coisas: o sangue é o veículo da Memória Subconsciente e esse registro é a nossa Memória Subconsciente.
Assim, esse Átomo-semente contém as recordações de toda a vida nos seus mínimos detalhes e são essas imagens que serão tanto o árbitro do nosso destino após a morte, como a base da nossa vida futura. Isso ocorre as 24 horas do dia, 7 dias por semana desde a nossa primeira respiração que inalamos ao nascer até o último alento ao morrer.
Também tais impressões podem ser modificadas ou até apagadas por meio de outro exercício do método para adquirir o conhecimento direto, o exercício de Retrospecção (detalhado no Conceito Rosacruz do Cosmos).
Não temos acesso instantâneo a essa Memória. Daqui vemos a importância de se ter um Corpo são, pois o estado do sangue afeta o cérebro e todos os outros órgãos do nosso Corpo.
A Memória Supraconsciente contém todas as nossas faculdades e conhecimentos adquiridos em todas as vidas anteriores. Ou seja: está relacionada com as nossas vidas passadas e não com esta como as outras duas Memórias. É o resultado de todas as nossas lições aprendidas em todas as nossas vidas passadas. É o que entendemos como Verdade. Verdade segundo o nosso ponto de vista. Essas faculdades e conhecimentos são gravados no nosso veículo Espírito de Vida. O nosso Espírito de Vida está permanentemente em estreito contato com o nosso coração. Pois, o nosso Espírito de Vida é a contraparte superior do nosso Corpo Vital e tem o seu assento secundário no nosso coração. O Espírito de Vida é um dos nossos três veículos espirituais e que retrata o amor e a unidade. Por isso o coração é o foco do amor altruísta.
Esse nosso veículo do Espírito de Vida funciona no Mundo do Espírito de Vida. Esse Mundo é o primeiro Mundo, de baixo para cima, onde cessa toda a separatividade, onde o cotidiano é a Fraternidade Universal e é onde se encontra a verdadeira Memória da Natureza.
O Espírito de Vida vê mais claramente no seu Mundo do que em qualquer um dos Mundos mais densos. Contudo, as recordações gravadas na Memória da Natureza, quando trazidas pelo Espírito de Vida, não voltam pelos nossos sentidos físicos, mas sim por meio do Éter Refletor do nosso Corpo Vital.
Assim, quando estamos com algum problema, podemos utilizar nosso veículo Espírito de Vida para buscar a solução, a verdadeira solução. Essa solução é enviada através do Éter Refletor até o nosso coração, como orientação e iniciativa. Tão logo a recebe, o nosso coração a retransmite ao nosso cérebro através do Nervo Pneumogástrico. Isso é como se torna impulso emanado diretamente da fonte da sabedoria e do amor cósmico. O processo é extremamente rápido. O nosso coração o elabora muito antes da nossa Mente, mais lenta, poder considerar a situação. Normalmente, esse impulso atua como: consciência e caráter. Ou, ainda, compele a ação com uma força tão grande que chega até a contradizer a nossa Mente e o nosso Corpo de Desejos.
Perceba que, para compelir a ação esse impulso não precisa se envolver em matéria Mental ou de Desejos, como ocorre com as nossas ideias. Pena que, na maioria dos casos, após esse verdadeiro impulso intuitivo, vem o raciocínio e o cérebro acaba dominando o coração.
Em outras palavras: a nossa Mente e o nosso Corpo de Desejos frustram o nosso próprio objetivo e, assim, junto com os nossos Corpos sofremos as consequências. De qualquer modo, quanto mais estivermos dispostos a seguir essa orientação da nossa Memória Supraconsciente, tanto mais frequentemente ela falará, para o nosso próprio benefício.
Com isso vemos que através da utilização mais frequente da nossa Memória Supraconsciente podemos aplicar a Verdade aqui na nossa vida cotidiana. Daqui percebemos que tanto a fé como o conhecimento são somente meios para se chegar a um fim comum: chegar a Deus.
E para chegar a Deus precisamos buscar a união entre o Coração e Mente. Equilibrando a nossa fé com as ações.
Pois quando as perguntas da nossa Mente são respondidas, o nosso coração está livre para amar. E, ajudada pela nossa intuição, a nossa Mente pode penetrar nos mistérios do nosso ser.
Esse equilíbrio é fundamental para chegarmos a um conhecimento mais verdadeiro de nós próprios e do mundo que vivemos. E, portanto, entenderemos que buscar a verdade aqui, não é mais nada senão buscar viver a vida superior. Despojarmo-nos do nosso egoísmo e viver o bem pelo simples prazer de fazer o bem.
Quanto mais acharmos difícil é porque estamos perto de conseguir o objetivo, pois nisso estamos mostrando que já compreendemos a luta interna, aqui dentro, entre o nosso “eu inferior”, a personalidade, e o nosso “eu superior”, a individualidade, o Ego, o que realmente somos.
Uma luta árdua, constante, sem descanso. E uma vozinha lá dentro, baixinha, mas firme, a nos empurrar para cima e para frente, dizendo-nos, constantemente: “O único fracasso é deixar de lutar”.
Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz
A atitude otimista e corajosa é essencial tanto à conservação da própria saúde quanto para podermos auxiliar aqueles que se encontram enfermos. Essa afirmação tem fundamento científico, mas somente pela filosofia oculta é que temos a prova cabal da sua utilidade.
“A energia solar flui continuamente para dentro do nosso Corpo Denso e Vital através do baço, órgão especializado na função de atrair e especializar esse Éter universal. No Plexo Celíaco esse Éter se transforma em um fluido de cor rosa, atravessando todo o sistema nervoso. Por meio dele os músculos são movimentados e os órgãos executam suas funções vitais. Quanto melhor se encontra o nosso estado de saúde, tanto maior é a qualidade desse fluido solar que somos capazes de absorver. Entretanto, do absorvido somente uma parte é utilizada e o excesso é irradiado do Corpo Vital seguindo direções retilíneas. Devido a essas correntes invisíveis de força, os germes, micróbios, vírus e bactérias nocivas das enfermidades não conseguem penetrar no nosso Corpo Denso e os micro-organismos que conseguem, associados aos nossos alimentos, são expelidos logo em seguida. Não obstante, ao emitirmos pensamentos de medo, aborrecimentos, ira e outros similares em inferioridade ou negativos o baço se fecha, cessando então de especializar o fluido em quantidade necessária. Então as linhas de força do Corpo Vital se encurvam, dando acesso fácil aos organismos deletérios que transformam os tecidos em seu pasto, originando, assim, a enfermidade”.
Além disso, “os pensamentos de medo, raiva, cólera, ódio e outros afins tomam forma e no decorrer do tempo se cristalizam naquilo que conhecemos como bacilos. De modo especial, os bacilos de enfermidades infecciosas são a incorporação do medo, da tristeza e do ódio; portanto, são vencidos pela força oposta — a coragem, o amor, a alegria.
Quando nos aproximamos de uma pessoa contaminada por uma enfermidade contagiosa, medrosos e trêmulos, é certo que dirigimos contra nós mesmos os venenosos micróbios portadores da morte.
Se, de outro modo, dela nos aproximarmos completamente livres de medo, escaparemos da infecção, particularmente se formos guiados pelo amor”.
(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross e publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1965)
Como funciona a Epigênese
Qual é o propósito da nossa existência neste Mundo Físico?
Se aqui é o baluarte da nossa evolução ou o laboratório experimental, então aqui vivemos, nos movemos, não com o objetivo propriamente de encontrar a felicidade, o que nos tornaria apenas superficiais, mas com objetivo de adquirir experiência, conquistar o mundo e sobrepor ao eu inferior para atingir o domínio próprio.
Nesse sentido, o sofrimento e a dor são os nossos melhores mestres no caminho evolutivo. E não nos preocupemos se daremos conta ou não. Pois como lemos no Evangelho Segundo São Mateus 6:34: “A cada dia basta seu fardo”.
Mas isso só é possível através de uma tríade chamada: Involução, Evolução e Epigênese.
Quando o nosso primeiro passo no desabrochar espiritual, isto é, no período da Involução, estávamos empenhados em construir os nossos Corpos Denso, Vital e de Desejos, através dos quais o Espírito aqui se manifesta.
É o período em que nos dedicamos à aquisição da consciência do “eu”.
Estávamos com a nossa consciência voltada para dentro na construção dos veículos. Contudo, tudo isso de acordo e sob a assistência grandiosa das grandes Hierarquias Criadoras.
Depois disso foi necessário à ligação do Espírito com os corpos construídos. Isto se deu por intermédio da Mente.
E passamos a ter nossa consciência voltada para fora. Daí então: “O homem vê o rosto, Deus o coração”, como lemos no Primeiro Livro dos Reis cap. 16:7.
Estávamos na fase da Evolução que é o período da existência, em que estamos desenvolvendo a consciência até convertê-la em divina onisciência.
Estávamos prontos a enfrentar o caminho evolutivo, o aperfeiçoamento desses veículos, agora de dentro para fora. Mas sem perder a ligação com as Hierarquias que são nossos orientadores.
Essa ligação é a força interna que trazemos e que nos faz diferentes dos demais.
Ela que nos dá o elemento de originalidade, que nos dá lugar à habilidade criadora, que converte o ser evolucionante em um Deus, afinal como lemos em Gênesis: “Deus criou o homem à sua imagem”.
Essa força é manifestada através da Epigênese, base do livre arbítrio.
Por isso, somente a Involução e Evolução do Espírito são insuficientes, precisamos aplicar a Epigênese no caminho evolutivo para nos tornarmos criadores.
Já tínhamos tudo o que precisávamos, isto é, os (três) Corpos, a Mente e os poderes latentes, incluindo a Epigênese.
Agora era só aplicá-los no nosso dia a dia.
Contudo, se nós deixássemos de utilizar esses poderes latentes no seu campo de evolução apenas passaríamos pela vida.
Essa fuga à experiência que nós nos negamos a vivenciar para assegurar uma vida tranquila e descuidada, é, lá no fundo, um tipo de acomodação de nossa personalidade que dentro de nós não aceita mudanças.
E quando a Epigênese se torna inativa em nós, ou até mesmo em nossa nação ou raça, cessa a evolução e começa a degeneração.
Hoje encontramos pessoas, infelizmente, que se acomodaram em suas vidas e não buscam alternativas para mudarem.
Elas simplesmente cedem aos contratempos da vida e ficam lamentando da sorte, escapam das responsabilidades geradas e perdem as oportunidades de tentar escapar da atual situação.
Muitos de nós somos preguiçosos, negligentes e fúteis na vida terrestre.
Nos apegamos às ilusões e esquecemos que aqui é somente o Mundo dos Efeitos, como lemos no Livro do Eclesiastes 1:14: “Pois nada há estéril debaixo do sol, onde tudo é vaidade e aflição do Espírito”.
E com isso nos submetemos aos ditames da natureza inferior e muitas vezes acabamos por reagir de maneira indesejável à nossa conduta.
Quando morremos, passamos por etapas para extrair as essências vividas aqui neste mundo físico, com objetivo de purificação do Espírito. Lembrando que não serão as mais agradáveis etapas já experimentadas.
Uma dessas etapas é a construção do nosso futuro ambiente, moldaremos de acordo e propício, no modo de conduta das vidas anteriores para termos a chance de mudar, regenerar e aprender as lições escolhidas.
E se perdermos novamente as oportunidades de crescimento anímico, certamente somaremos sofrimento para as vidas futuras.
Essas oportunidades não aproveitadas jamais retornam.
Lembrando o que São Paulo disse: “Tudo que aqui se planta, aqui se colhe”.
Em todas as nossas vidas seremos expostos a certas experiências que nada mais são do que o resultado do comportamento que tivemos em vidas anteriores.
Isso é, temos que passar por “incidentes mal resolvidos” em vidas anteriores para produzirmos novas causas que certamente se tornarão sementes de experiências em vidas futuras.
Imaginem se nesta escola da vida deixássemos de aplicar a Epigênese e produzir novas causas: cessaríamos a existência do Espírito, pois com as causas antigas resolvidas deixaríamos de produzir novos efeitos.
O mundo é a grande escola de Deus, e como temos que passar por etapas no mundo invisível, também nos atrasamos, nos descontrolamos e muitas vezes nos esquivamos, alguns até saem da escola por algum tempo, mas certamente teremos que retomar ao trabalho deixados atrás para aprender as lições e depois prestar exame.
A vida é diferente todos os dias e repleta de maravilhosas oportunidades.
Imaginem as lições de aperfeiçoamentos que o Espírito está sujeito a enfrentar nesta vida como defeitos de coluna, membros faltantes, pessoas com problemas mentais, problemas emocionais e tantos outros existentes.
Portanto como lemos no Evangelho Segundo São Mateus (16:24): “Renuncia a ti mesmo, toma tua cruz e segue a Jesus Cristo”.
Nós somos uma peça no grande tabuleiro da Natureza, que é a expressão viva de Deus, e devemos procurar mediante a vontade persistente buscar essas forças internas na purificação dos nossos veículos, por meio de bons pensamentos, boas palavras e atos corretos.
Isso será possível quando substituirmos certos vícios como: o egoísmo, a cobiça, a soberba, a inveja e a crueldade por bondade, tolerância, compaixão, perdão, fé e a humildade.
Deus, sendo justo, não permitiria que nada de bom ou mal nos acontecesse sem que merecêssemos e se, na sua infinita bondade e sabedoria, permite que soframos as consequências de nossos erros é somente para aprendermos as lições que não podemos ou não queremos aprender de outra maneira.
O que acontece é que ainda somos ignorantes das leis e das forças cósmicas e por isso estamos constantemente violando essas leis de forma que atraímos dor sobre nós mesmos.
Existem dois métodos de aprender o caminho evolutivo.
Um é pela experiência (chamamos dor) e o outro é pela observação (que chamamos amor).
A Fraternidade Rosacruz orienta seus Estudantes para que aprendam pela observação, um dos primeiros Exercícios Esotéricos que é solicitado ao Estudante executar diariamente, no seu dia a dia.
Contudo, existem várias fontes de ajuda disponíveis quando realmente trazemos para nós a responsabilidade para resolver nossos problemas.
Uma dessas fontes é a oração, mas que seja feita com sinceridade e que saibamos discernir nossa atitude quando recebermos a resposta.
Lembrando sempre de dizer a seguinte frase: “Pai, faça sua vontade e não a minha”.
Uma segunda fonte de ajuda é a intuição, que nos envia uma mensagem ao coração e este, em seguida, ao cérebro.
Essa mensagem ou resposta ao nosso “problema” vem diretamente da Sabedoria Cósmica, do Mundo do Espírito de Vida.
E uma outra fonte seria o conhecimento aplicado e que já é sabido que quanto maior o conhecimento, maior é a responsabilidade quanto ao uso que fazemos desses conhecimentos.
Não devemos nos sentir abatidos ou enfraquecidos diante dos fatos desagradáveis que nos acontecem e nem achar que somos incapazes ou imperfeitos.
Essas dificuldades são naturais no caminho evolutivo, e se forem bem compreendidas aumentarão a nossa Luz Interna.
Devemos procurar compreender o nosso papel aqui neste mundo físico e dar graças por essas oportunidades, pois Cristo disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14:6).
Que as rosas floresçam em vossa cruz
A Origem do Pecado, como aprendemos com ele e como sublimá-lo
Deus é perfeito. Contudo, nós, individualmente, não somos perfeitos.
Devido ao processo de evolução nós estamos sujeitos a cometer erros. E a maioria desses erros nós cometemos por causa da nossa ignorância.
Em parte, isso é devido a irmos contra as leis da natureza. Na maioria das vezes deixamos nosso “eu inferior” dominar a situação.
Nosso “eu superior” sabe como não pecar, como obedecer às Leis da Natureza. Isso prova nossa imperfeição. Usamos nosso livre arbítrio de modo contrário às Leis de Deus. Cometemos mais pecados por omissão do que por comissão. São pequenos pecados a que, na sua maioria, nem damos importância. Entretanto, ao passar do tempo esses pecados começarão a atrapalhar o nosso progresso espiritual.
O pecado é “consequência natural das Religiões de Raça, as Religiões de Jeová”. Essas Religiões eram Religiões de Leis, originadoras do pecado como consequência à desobediência dessas leis. Sob essas leis todos pecavam. E chegou-se a tal ponto que a evolução teria demorado muito, e muitos de nós perderíamos a evolução de nossa onda de vida se não fossemos ajudados.
Isso porque não sabíamos agir com retidão e amor. Nossa natureza passional tornou-se tão forte que não sabíamos mais controlá-la. Pecávamos continuamente.
Na Época Lemúrica, a propagação da raça e o nascimento eram executados sob a direção dos Anjos, por sua vez enviados por Jeová, o Regente da Lua.
A função criadora era executada durante determinados períodos do ano, quando as configurações estelares eram favoráveis. Como a força criadora não encontrava obstáculo, o parto realizava-se sem dor.
A consciência do Lemuriano era igual à nossa hoje, quando estamos dormindo. Assim, ele era inconsciente do Mundo Físico e, portanto, inconsciente do nascimento e da morte. Ou seja, essas duas coisas não existiam para o lemuriano. Eles percebiam as coisas físicas de maneira espiritual, como quando as percebemos em sonhos, quando parece que tudo está dentro de nós.
Quando, nessa Época, havia o íntimo contato das relações sexuais entre o homem e a mulher, o espírito sentia a carne e, por um momento, o ser humano atravessava o véu da carne e observava uma ligeira consciência. A isso se referem várias passagens da Bíblia: “Adão conheceu a sua mulher”, ou seja: sentiu-a fisicamente. “Adão conheceu Eva e ela concebeu Seth”; “Elkanah conheceu Havah e ela concebeu Samuel”. Mesmo no Novo Testamento, quando o Anjo anuncia à Maria que será a mãe do Salvador, ela contesta: “Como pode ser isso possível se eu não conheço a nenhum homem?“. Essas coisas perduraram até aparecerem os Espíritos Lucíferos.
Como o ser humano via muito mais facilmente no Mundo do Desejo, os Espíritos Lucíferos manifestaram-se por aí, e chamaram-lhe a atenção para o mundo exterior. Ensinaram-lhe como podia deixar de ser manipulado por forças exteriores, como poderia converter-se em seu próprio dono e Senhor, parecendo-se aos Deuses, “conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:5). Também lhe mostraram como podia construir outros corpos, sem a necessidade da ajuda dos Anjos.
O objetivo dos Espíritos Lucíferos era dirigir a consciência do ser humano para o exterior. Essas experiências proporcionaram a dor e o sofrimento, mas deram também a inestimável benção da emancipação das influências e direção alheias e o ser humano iniciou a evolução dos seus poderes espirituais.
A partir daí foram os seres humanos que dirigiram a propagação e não mais os Anjos. Eles passaram, então, a ignorar a operação das forças solares e lunares como melhor época para a propagação e abusaram da força sexual, empregando-a para a gratificação dos sentidos. Então, restou a dor que passou a acompanhar o processo de gestação e nascimento.
Passaram, também, a conhecer a morte, pois viam quando eles atravessavam do Mundo Físico para os mundos espirituais e vice-versa, quando voltavam, ao renascerem.
A partir daí, como diz a Bíblia: “conceberás teus filhos com dor”. Isso não foi uma maldição de Jeová, como normalmente se acha. Foi uma clara indicação do que iria ocorrer quando se utilizasse a força criadora na geração de um novo ser sem tomar em conta as forças astrais.
Então, é o emprego ignorante da força criadora que origina a dor, a enfermidade e a tristeza.
Esse é o pecado original. “A terra te produzirá espinhos e abrolhos, e tu terás por sustento as ervas da terra. Tu comerás o teu pão no suor do teu rosto, até que te tornes na terra, de que foste formado”. (Gn 3:18-19)
A partir daí o ser humano teve que trabalhar para obter o conhecimento. Através do cérebro, interioriza parte da força criadora para obter o conhecimento no Mundo Físico.
Isso é egoísmo.
Contudo, a partir da queda na geração, não há outro modo de se obter conhecimento.
Assim, uma parte da força sexual criadora do ser humano ama egoisticamente o outro ser, porque deseja a cooperação na procriação. A outra parte pensa, também, por razões egoístas, porque deseja conhecimento.
Como resultado cristalizou os seus veículos e esqueceu-se de Deus. Os corpos debilitados e as enfermidades que vemos ao nosso redor foram causados por séculos de abuso, e até que aprendamos a subjugar nossas paixões não poderá existir verdadeira saúde na humanidade.
Em resumo: o pecado original veio porque o ser humano usou o seu livre-arbítrio e quis obter a consciência cerebral e a do Mundo Físico. Transformou-se, de um autômato, guiado em tudo, num ser criador pensante.
Aos poucos, através do sábio uso da Força Criadora e da espiritualização dos seus corpos, o ser humano vai respondendo aos impactos espirituais e escapando do estigma do pecado original.
A partir do momento em que o ser humano tomou para si as rédeas de sua evolução, ele começou a experimentar, agindo bem ou mal, fazendo o certo e o errado.
Na Época Atlante, quando lhe foi dado a Mente, o Ego era excessivamente débil e a natureza de desejos muito forte, motivo por que a Mente uniu-se ao Corpo de Desejos, originando a astúcia; a partir daí, então, a tendência foi fazer mais o mal do que o bem, mais o errado do que o certo, desenvolvendo mais o vício do que a virtude.
Assim, devido à sua ignorância, foi lhe dada uma Religião que tinha como base o látego do medo, impelindo-o a temer a Deus.
Por causa desse medo, tentava-se fazer o bem, o certo. Mas a astúcia e a ignorância eram muito fortes e o ser humano fazia mais o mal do que o bem.
Após isso, foi lhe dada uma Religião que o levava a certa classe de desinteresse, coagindo-o a dar parte dos seus melhores bens como sacrifício: “Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar”(Gn 8:20).
Noé simboliza os Atlantes remanescentes, núcleo da quinta raça, a Raça Ária, e, portanto, nossos progenitores. Isso foi conseguido pelo Deus de Raça ou Tribo. Um Deus zeloso que exigia a mais estrita obediência e reverência. Contudo, era um poderoso amigo, ajudava o ser humano em suas batalhas e lhe desenvolvia multiplicados “os carneiros e cereais” que lhe eram sacrificados.
O ser humano não sabia que todas as criaturas eram semelhantes, mas o Deus de Raça ensinou-lhe a tratar benevolentemente seus irmãos de raça e fazer leis justas para os seres da mesma raça.
Entretanto, houve muitos fracassos e desobediências, pois o egoísmo estava – e ainda está – muito enraizado na natureza inferior.
No Antigo Testamento, encontramos inúmeros exemplos de como o ser humano se esqueceu dos seus deveres e de como o Deus de raça o encaminhou, persistentemente, uma e outra vez.
Só com os grandes sofrimentos ditados pelos Espíritos de Raça foi que os seres humanos caminharam dentro da lei. Isso porque o propósito da Religião de Raça é dominar o Corpo de Desejos, na maioria das vezes apegado à natureza inferior, de modo que o intelecto possa se desenvolver. Portanto, essas Religiões são baseadas na lei, originadoras do pecado, como consequência à desobediência a essas leis.
Exemplos dessa desobediência e de suas consequências vemos no Pentateuco Mosaico, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento. O ser humano foi pecando – pois não sabia agir por amor – por desobediência a essas Leis, baseadas na Lei de Consequência, e acumulando uma quantidade tão grande de pecados que, se não houvesse uma intervenção externa, muitos teriam sucumbido e toda a evolução perdida.
E essa ajuda foi a vinda do Cristo. Por isso ele disse que veio para “buscar e salvar os que estavam perdidos“. Cristo não negou a Lei, nem a Moisés, nem aos profetas.
Disse que essas coisas já tinham servido aos seus propósitos e que, para o futuro, o AMOR deveria suceder a Lei.
Ele é: “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. E o tirou, mas não o pecado do indivíduo!
Purificou, e continua purificando todos os anos, o Mundo do Desejo de modo que tenhamos matéria de desejos, emoções e sentimentos mais pura para construir nossos Corpos de Desejos e desejos, emoções e sentimentos superiores, mais puros.
Assim, por inanição, vamos eliminando nossas tendências inferiores, nossos vícios, o egoísmo, etc.
Ele nos deu a doutrina do Perdão dos Pecados. Ela não vai contra a Lei de Consequência, como muitos pensam, mas a complementa.
Dá aos que se interessam pela vida espiritual forças para lutar, apesar de repetidos fracassos e para conseguir subjugar a natureza inferior.
Mediante o Perdão dos Pecados foi nos aberto o caminho do arrependimento e da reforma íntima.
Aplicando uma lei superior à Lei Mosaica, a lei do amor, conseguimos esse perdão. Se não o fazemos, teremos que esperar pela morte que nos obrigará a liquidar nossas contas.
Para conseguir o perdão dos nossos pecados temos que, quando cometermos um erro, ter um sincero arrependimento seguido de uma devida regeneração que pode ser um serviço prestado a quem injuriamos ou uma oração para essa pessoa – se for impossível o serviço – ou, ainda, um serviço prestado a outrem. Com esse sentimento e essa compreensão tão intensas quanto possível do erro cometido, a imagem desse ato se desvanece ao Átomo-semente, no qual foi gravado.
Lembremos que são as gravações desse Átomo-semente que formam a base da justa retribuição depois da morte e que é o livro dos Anjos do Destino. Com isso, no Purgatório esse registro não estará mais lá e não sofreremos por esse ato errado, pois já aprendemos que ele é errado, restituindo-o voluntariamente.
Lição aprendida, ensino suspenso!
Nesse ponto, muito nos ajuda o Exercício da Retrospecção. É ele que nos faz viver o nosso Purgatório diariamente e nos ajuda na compreensão e no discernimento em fazer o bem e o que é fazer o mal.
Portanto, não sigamos tanto “a carne”, o Mundo Físico, pois já é passado o tempo que precisávamos disso.
Não sejamos preguiçosos, gulosos, impudicos, voluptuosos, soberbos, avarentos. Pois no ponto em que nós pecamos seremos gravemente castigados.
Relembremos, agora, os nossos pecados para podermos aproveitar melhor o tempo após a morte para ajudarmos os nossos irmãos e para construirmos melhores corpos.
Sejamos sábios utilizando toda essa ajuda que os nossos irmãos mais evoluídos nos dão.
Se vivemos para Cristo, veremos que toda tribulação dará prazer, pois a sofreremos com paciência e que: “a iniquidade não abrirá a sua boca” (Sl 106:42).
E pela paciência e persistência estaremos entre os escolhidos no dia do Juízo, pois: “erguer-se-ão naqueles dias os justos com grande força contra aqueles que os oprimiram e desprezaram.” (Sb 5:1).
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Renascimento: Uma Dádiva de Deus
Para muitas pessoas é difícil entender o grande enigma da vida; e o da morte se torna mais difícil ainda.
Muitas vezes nos encontramos perguntando sobre fatos da vida como: algumas pessoas são pobres outras já são afortunadas; umas são doentes e outras dotadas de saúde ou umas são brancas e outras negras.
Se Deus é justo e compenetra todo nosso Universo com a Sua vida, porque então iria favorecer alguns e outros não?
E fazemos constantemente as quatro grandes perguntas relativas à nossa existência:
Quase toda a humanidade ignora essas perguntas ou não quer pensar nelas ou, ainda, pensa e formula respostas polidas, bonitas, complicadas ou superficiais. Normalmente as pessoas creem nisto ou naquilo, mas sempre dizem que nada sabem. Não seria o momento de procurarmos respostas a tantas indagações que a nossa Mente, constantemente, está fazendo?
Antes que o ser humano possa entender o mistério da vida, precisa aceitar que o Renascimento é um fato e que todas as manifestações frente à nossa Mente se explicam pela Lei de Causa e Efeito.
Temos que compreender que a continuidade da vida é um fato fundamental!
O Renascimento, assim como a Lei de Causa e Efeito ou Lei de Consequência, torna possível que o ser humano desenvolva todos os seus poderes latentes.
Para conhecer este grande universo, que é a casa do Pai, vamos saber quais são os Mundos que precisamos ter passados até nossa chegada aqui no Mundo Físico.
São cinco os Mundos pelos quais evoluímos nesse Esquema de Evolução: Mundo do Espírito Divino, Mundo do Espírito de Vida, Mundo do Pensamento, Mundo do Desejo e Mundo Físico.
Os três últimos, o Mundo do Pensamento, o Mundo do Desejo e o Mundo Físico são, presentemente, os Mundos pelos quais estamos evoluindo.
No Mundo do Pensamento aprendemos a mexer com os arquétipos e com as ideias. Quando precisamos aprimorar alguma ideia, é nesse Mundo que buscamos os elementos sutis necessários para o aperfeiçoamento e a concretização da ideia.
No Mundo do Desejo aprendemos a lidar com os desejos, as emoções, os sentimentos utilizando as forças de atração, repulsão, interesse e da indiferença.
O Mundo Físico é composto de gases, líquidos, sólidos e Éteres e, consequentemente, estamos aprendendo a trabalhar com esses elementos em nossa estada aqui na Terra.
O ser humano consegue trabalhar nesses três Mundos pois tem um veículo composto de material de cada um desses Mundos. Se não tiver, não consegue trabalhar!
Sabemos que o nosso nascimento no Mundo Físico é feito de tempos em tempos. E quando nascemos aqui iniciamos o nosso caminho individual da involução: é o caminho do Espírito em direção à matéria.
É sabido que nas vidas passadas, muitas vezes, fomos cruéis, injustos, arrogantes, mal-agradecidos etc., mas também, com certeza, em outras ocasiões fomos bondosos, tolerantes, prestativos, etc.
Assim, com certeza, somos hoje a soma de todas essas experiências das vidas passadas e recebemos, como herança, a oportunidade de utilizar os poderes latentes em cada um de nós para aprendermos tudo que precisamos nesta existência.
Uma coisa é certa: não somos vítima de um Deus caprichoso, não temos que culpar ninguém, a não ser a nós mesmos, pelas confusões em que nos encontramos.
Como foi escrito pelo Apóstolo São Paulo na sua I Epístola aos Coríntios, capítulo 15 e versículo 40: “Como trazemos em nós a imagem do homem terrestre, devemos também trazer a imagem do celeste”. E no versículo 44 lemos o seguinte: “semeando corpo animal, ressuscita corpo espiritual”.
Esta é a Grande Escola de Deus com iguais oportunidades para todos os alunos, independentemente de idade, sexo, posição social, posição intelectual, habilidade ou quaisquer outras condições que inventemos.
Em cada renascimento, nesta escola da vida, recebemos certas lições fornecidas por Deus, para o nosso crescimento anímico, as quais devem ser estudadas, aprendidas e sublimadas. E se formos um aluno estudioso, ganhamos conhecimento e teremos avançado no caminho evolutivo.
Contudo, se desperdiçamos o tempo e recusamos os trabalhos apresentados, consequentemente nos debilitamos em nossa estrutura moral, como também adquirimos uma tarefa maior e mais difícil de executar. Criaremos uma enorme dívida de destino, cuja execução não será fácil.
Lembrando que os trabalhos não feitos são oportunidades perdidas e que deverão ser executados mais à frente ou em vidas futuras. Só que não será na mesma intensidade inicial, pois o desenvolvimento de nossas potencialidades latentes não poderá ser comprado e nem mesmo doado. Ele vai depender de nossos próprios esforços.
O sofrimento passado por nós aqui, neste baluarte da evolução, representa a lição a ser aprendida. Não devemos nos conformar, nem mesmo nos revoltar com as situações que nos foram apresentadas. Vejamos isso como um remédio doloroso, mas necessário e adequado à cura de nossas doenças da alma. A dor que passamos nada mais é do que a retomada do caminho da harmonia, um estímulo para a perfeição. A dor faz brotar a bondade, a solidariedade no íntimo de cada um dos seres humanos.
Como lemos no Evangelho Segundo São Mateus, capítulo 5 e versículo 48: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”.
Podemos ver que nesta escola da vida existe a regência da Lei e da Ordem, isto é; existe um trabalho unido, harmonioso, tanto do ser humano com o ser humano como do ser humano com a natureza. Isso tudo é o amor de Deus em manifestação!
A Lei de Causa e Efeito é ensinada pela Bíblia, como podemos ver quando o Apóstolo São Paulo diz o seguinte: “Qualquer coisa que um homem semear, isto mesmo colherá”. Seja nesta vida ou em outra futura.”.
Devemos agradecer a cada lição recebida, especialmente as difíceis e desagradáveis, pois nos mostra o adiantamento do nosso progresso evolutivo em poder realizá-la; afinal, se isso nos foi dado para passar, mostra que estamos capacitados por aprendê-la.
Podemos verificar que neste momento a vida está limitada pela forma. Estamos presos neste Corpo Denso e muitos de nós só têm consciência deste Mundo Físico, ainda que não totalmente (!)
Quando renascemos aqui no Mundo Físico, esquecemos a nossa origem divina e fazemos daqui um lugar ideal para se viver. Fazemos o possível para que nossa estada aqui seja a melhor possível. Porém chegará o momento em que dentro de nós haverá uma insatisfação, uma inquietação e começamos a buscar alguma coisa a mais que o prazer de viver aqui e a comodidade que encontramos neste Mundo Físico.
Então, o ser humano não se satisfazendo mais com as coisas comuns, começa a buscar a verdade que está relacionada à vida celestial. Estamos nos preparando para mergulharmos em Mundos mais sutis, mais purificados, no processo a que damos o nome de evolução. O ser humano muda, evolui e se transforma constantemente. E à medida que o tempo passa o ser humano está conseguindo ter desejos e pensamentos mais elevados, mais construtivos do que algum tempo atrás.
Por isso, à medida que surgem os obstáculos devemos abraçar a Fé em Deus e não se entregar ao temor, à ansiedade, ao desespero ou ao ceticismo. É nesse momento que devemos buscar aquela voz interna que nos diz: persista mais, persista mais…que no final tudo dará certo.
Como diz no Evangelho Segundo São João, capítulo 16 e versículo 33: “No Mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o Mundo”.
Devemos lembrar que aqui não é nosso lar e que estamos aqui de passagem e, ainda que o nosso verdadeiro lar é o lar celeste na casa do Pai. Se não compreendermos ou se não tivermos consciência do que realmente se passa aqui conosco, devemos procurar transpor as dificuldades e os obstáculos com paciência e fé no Senhor nosso Pai. Max Heindel ensina no Conceito o seguinte: “o único fracasso é deixar de lutar”.
Cada existência terrestre é um capítulo da história de nossa vida; então a morte é uma necessidade. Pois novos nascimentos em novos ambientes darão ao ser humano outras oportunidades de aprender todas as lições que ele desejar nesta escola da vida em que estamos constantemente nos formando, desenvolvendo e provando os nossos talentos. E que devemos usar esses talentos, esses ensinamentos dados por Deus, de maneira a trazer benefícios para o desenvolvimento da alma; pois seremos chamados a prestar contas dessa administração todas as vezes que deixamos o Mundo Físico e passamos para o outro lado.
“Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz”
O Efeito do Temor do Ponto de Vista Espiritual
Sabemos que no nosso Sistema Solar evoluem muitas ondas de vida.
No Mundo Físico, cuja Região Química é a que chamamos de visível, estão as ondas de vida mineral, vegetal, animal e humana. Falaremos aqui da nossa onda de vida, a humana.
Vamos voltar um pouco no tempo e lembrar que, na Época Lemúrica, o Ego tomou posse de seus veículos, constituindo os órgãos dos sentidos, a laringe e, sobretudo, o cérebro. E parte da força sexual criadora foi empregada na construção do cérebro, órgão com que o Ego adquiriu o poder de criar e de expressar pensamentos aqui no Mundo Físico.
O ser humano é constituído por quatro veículos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente; cada um desses veículos é formado de matéria de seu respectivo Mundo. E é com esses corpos que nos preparamos para trabalhar, aprender e servir aqui neste Mundo que é o baluarte de nossa evolução.
Nós, como Egos, através da Região do Pensamento Abstrato, utilizamos os sentidos para observar o mundo exterior e por meio dessas impressões obtidas são gerados os sentimentos e emoções no Corpo de Desejos que finalmente são refletidos na Mente. Aí surgem as “ideias” que revestida de material mental da Região do Pensamento Concreto se expressam através da Mente em “pensamento-forma” ou imaginação.
O pensamento é a mola que impulsiona toda a atividade humana. E hoje em dia nos encontramos em meio de tantas mudanças internas e externas, muitas vezes repentinas e sempre acompanhadas de um estado de agitação e desassossego. Onde as Mentes das pessoas têm estado em constante alteração, isso acaba por se refletir nos seus atos, nos seus pensamentos e também no modo de se expressar.
É no caminho da espiritualidade que devemos tentar superar um dos maiores obstáculos que o Aspirante enfrenta: o temor. Acredito que qualquer pessoa tenha passado por isso e continuará passando, se não procurar vencer essas debilidades e aprender com elas.
Os temores que nos assombram são: o desastre, a perda de um familiar ou amigo, o fracasso, a enfermidade, o medo de andar de avião, de água, da morte, a timidez e tantos outros que existem, dos quais, por meio de desculpas nos escondemos de alguma maneira para não os enfrentar.
Acontece que se agirmos dessa maneira, negaremos nosso Deus Interno. Pois sabemos que esses temores nada mais são do que uma debilidade da nossa Mente humana, uma fraqueza da nossa imaginação, uma desconfiança em nós mesmos.
Que efeitos o temor pode nos causar?
Os efeitos do temor sobre o Corpo de Desejos são muitos prejudiciais ao nosso desenvolvimento anímico. Para se ter uma ideia, podemos comparar o temor à água, quando congelada, porque os Corpos de Desejos das pessoas que abrigam esses pensamentos, estão imóveis, como o gelo e nada pode alguém dizer ou fazer que irá alterar essa condição ou situação da pessoa.
Sempre que alguém tiver um pensamento de temor, irá congelar as correntes do Corpo de Desejos e com isso a pessoa se isolará de receber amor, simpatia e carinho de todos que a rodeiam.
Os efeitos dele no Corpo Vital também são danosos. Pois sabemos que o sangue é o mais elevado produto do Corpo Vital.
Quando se cria um Pensamento-forma de natureza destrutiva, projeta-se esse pensamento no mundo e gasta-se inutilmente sua energia que depois do trabalho executado é retornado ao criador com mais força do que foi. O resultado dessa viagem é impresso via Éter Refletor no que chamamos de Mente subconsciente.
O pensamento negativo também destrói os tecidos do Corpo Denso. Eles acabam por destruir o poder de resistência do corpo, expondo-o a várias enfermidades.
Então, podemos perceber que a cada ato que realizamos, a cada emoção que expressamos, a cada pensamento que emitimos, estamos fazendo repercutir em nossa saúde, em nosso ambiente e também em nosso destino, seja construtiva ou destrutivamente.
Portanto, toda vez que isso acontecer seremos influenciados pelas vibrações mais baixas do Mundo do Desejo e apoiaremos unicamente a parte humana do nosso ser, esquecendo a parte divina. Toda vez que nos alimentamos de pensamentos negativos, alimentaremos nosso arquétipo de substância mental negativa, atrasando, consequentemente, a construção do nosso Templo, assim como a nossa chegada até o Pai. Violaremos a Lei do Amor, trazendo desordem e sofrimento a nós.
Existe, no Mundo do Desejo, a Lei de Atração, que está constantemente agindo em nossas vidas. Sabemos que “semelhante atrai semelhante” ou que “o imã atrai a limalha de ferro”. Isso é muito notado quando as coisas ao nosso redor começam a não correr bem, quando achamos que o mundo inteiro está contra nós, quando a nossa saúde não vai bem, quando as coisas materiais nos são negadas e até mesmo as espirituais. E toda vez que nos alimentamos desses sentimentos, seremos mais e mais suscetíveis a erros e fraquezas.
De que vale termos olhos e não vermos? Termos recursos e não sabermos apreciar o verdadeiro, o belo e o bom? É momento de mudar a maneira de pensar. É momento de mantermos firmemente o nosso foco mental em pensamentos elevados. Encontraremos muita ajuda por parte dos Líderes Espirituais que esperam de nós essa atitude louvável para progredir.
Porque nós somos dotados do livre-arbítrio, portanto só quando expressamos a força de vontade interna é que começaremos a receber a ajuda necessária, mas mergulhados na ignorância acabamos por empregá-lo mal.
É por meio de pensamentos de amor e bondade que despertaremos qualidades boas nos outros. É por esses pensamentos também que atrairemos pessoas com boas qualidades. É através deles que poderemos curar nossas enfermidades. E como buscar o equilíbrio no meio de todo esse tormento?
No livro da Revelação (Apocalipse) lemos: “Ao que vencer, farei dele um pilar do templo do meu Deus e dele não sairá mais”. Devemos buscar a fé como instrumento poderoso para expulsar o temor de nosso espírito, pois ela é o canal que se abre com Deus e nos coloca internamente ligados a Ele. Devemos também permanecer leal a nosso propósito de vida que é estarmos neste mundo para adquirir experiência e não a busca da felicidade.
Devemos também mediante a oração produzir pensamentos delicados e puros que possam purificar o Corpo Vital. A oração do Pai Nosso, dada por Cristo, é a mais completa de todas.
Ela ajuda na conquista do domínio próprio por meio da repetição (nota-chave do Corpo Vital) e harmoniza o Corpo Vital tornando-nos mais fraternos. Em Romanos Cap. 12:2 lemos: “Não vos conformeis com este mundo; mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento (espírito), para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito“.
Lembre-se: “Herói não é o que realiza façanhas sensacionais. Herói é o que aceita o desafio das pequenas dificuldades diárias, uma a uma, mediante o conhecimento e o domínio próprio. Cada vitória alcançada, cada pouco caso ou insulto perdoado, cada pensamento e sentimento de mágoa substituído por ato de boa vontade, manifestado em circunstância difícil, é um expressivo passo à frente, na direção de uma vida harmoniosa, feliz e cheia de paz”.
Portanto, como o pensamento é uma força criadora que sempre precede nossas ações, devemos ter somente pensamentos de pureza, pensamentos construtivos e construirmos nosso arquétipo de substância mental elevada.
Max Heindel diz no “Conceito Rosacruz do Cosmos” (nossa obra básica) que: “O que somos, o que temos, todas nossas boas qualidades, são o resultado de nossas próprias ações no passado. E aquilo que precisamos física, moral e mentalmente, poderá ser nosso no futuro“.
“Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz”
A Regeneração como Processo de Purificação
O objetivo da nossa existência física é a aquisição de experiências a fim de atingirmos a perfeição. É a evolução do inconsciente para o consciente; da passividade para a criatividade.
Para conseguirmos atingir isso, nós construímos corpos de diferentes graus de densidade:
Assim, o Ego é o tríplice Espírito que utiliza esses veículos para acumular experiências na escola da vida.
Cada um desses veículos é uma estrutura cristalizada. Além disso, temos um bom grau de imperfeição. Por isso, qualquer um desses veículos tem limitações. Isso quer dizer, uma vez que um Espírito tenha conseguido obter o máximo de experiências num conjunto desses veículos, ele abandona esse conjunto e passa para um período de avaliação do que aprendeu e de planejamento para um próximo passo. A transição para esse período é conhecida como morte. No período que a antecede, ou seja, em nossa existência terrena, os usamos para adquirir experiências. Portanto, esses dois períodos tendem a provocar o crescimento, visto que a cada transição para os mundos celestes – morte do Corpo Denso – um antigo conjunto de veículos imperfeitos é eliminado e, a cada transição para este Mundo Físico (nascimento do Corpo Denso) um novo e melhor conjunto é construído.
Literalmente, a palavra REGENERAÇÃO significa renascimento, mas também significa o passo à frente na evolução que o Ego dá cada vez que constrói um novo corpo e nele penetra.
Vejamos, agora, como isso é feito num ciclo de vida do Ego. A cada ciclo de vida – de um nascimento, no Mundo Físico, ao próximo – o Ego busca cada vez mais se aprimorar, por meio da aquisição de experiências. Quando, no momento da morte do Corpo Denso o Ego se liberta desse corpo, o poder espiritual volta-lhe novamente até certo grau. Por até três dias e meio após a morte, o Ego revisa o panorama da vida passada. É a primeira retrospecção após morte. Essa revisão ocorre porque o Ego pode, agora, ler as imagens do polo negativo do Éter Refletor do seu Corpo Vital em que estão as recordações indestrutíveis dos acontecimentos da existência física que se findou. Os acontecimentos apresentam-se em ordem inversa: primeiro os efeitos, depois as causas. As cenas passam, vão se imprimindo nos veículos superiores, mas como o Ego está na Região Etérica do Mundo Físico, fica impassível ante elas, não tem nenhum sentimento em relação a elas.
Depois desse panorama, o Ego entra no Mundo do Desejo. No Purgatório, que ocupa as regiões inferiores do Mundo do Desejo, o panorama da vida passa novamente ante a visão espiritual do Ego. Contudo, são só vistas as cenas onde ele cometeu erros. Experimenta todos os sofrimentos mentais e físicos que fez os outros passarem. Com isso, o Ego aprende a ser misericordioso ao invés de cruel, a fazer o bem ao invés do mal. O sentimento que permanece dessas experiências atuará em vidas futuras como a consciência: aquela vozinha que escutamos sempre ante um problema ou uma decisão.
Na passagem para o Primeiro Céu, que ocupa as três regiões superiores do Mundo do Desejo, o panorama da vida passa pela 3ª vez diante do Ego. Contudo, são só vistas as cenas onde tratou de ajudar os demais. Sente, novamente, o prazer de ajudar, principalmente, sente a gratidão dos que ajudou. Sente também a gratidão que teve quando ajudou. A essência disso é integrada no espírito como incentivo para o bem nas vidas futuras.
Depois da assimilação dos frutos de sua vida passada, da avaliação do que aprendeu, um desejo de novas experiências, a fim de obter maior crescimento da alma, leva o Ego a renascer. O fator que determina a sua nova vida é a Lei de Consequência. Seu novo nascimento está condicionado pelas suas vidas passadas.
É mostrado ao Ego um panorama da sua próxima vida enfatizando os fatos principais. O Ego se encontra no Terceiro Céu, que é formado pelas 3 regiões superiores do Mundo do Pensamento. Aqui o Ego está bem consciente da necessidade das futuras experiências, o que deve aprender e das desilusões, pesares e dificuldades que precisará atravessar. Aqui o Ego se sente acima das ilusórias condições materiais. Esse panorama desenrola-se do modo inverso ao dos anteriores, ou seja: primeiro as causas depois os efeitos.
Perceba que ao Ego só é mostrado os acontecimentos principais. O Ego tem livre arbítrio quanto aos detalhes.
Quando da entrada do Ego na matriz de seus novos corpos, um pouco antes do nascimento do Corpo Denso, o Ego vê os acontecimentos da vida futura. Assim, a maioria dos Espíritos dá os passos à frente quando entra em novos corpos. Mas, alguns Espíritos são capazes de reestruturar suas vidas adquirindo novos e importantes conhecimentos e experiências, não somente nos mundos celestes, quando assimilam e avaliam, mas também aqui, no Mundo Físico, durante esse período de aprendizagem. Esses Egos não seguem mais o caminho representado pelas cobras do Caduceu de Mercúrio – o caminho cíclico –, mas seguem o caminho reto e estreito representado pelo Cetro de Mercúrio: o Caminho da Iniciação.
Vejamos, então, como obter meios de se conseguir a regeneração independentemente do renascimento físico.
Pelo que foi exposto anteriormente fica claro que se uma pessoa quer se regenerar durante sua vida terrena, ela precisa fazer uma retrospecção diariamente, contemplando os acontecimentos na ordem inversa, fixando principalmente o aspecto moral, tanto em pensamentos, como em sentimento, palavras e atos. Lembre-se: a Natureza jamais gasta esforços em processos inúteis. Assim: lição aprendida, ensino suspenso.
O verdadeiro Aspirante à vida superior deve crer que tudo é possível e que pode fazer o que pretende, mesmo que nunca tenha feito antes. Precisa usar sua força de vontade e continuar trabalhando, se esforçando, até conseguir alcançar a sua meta, independentemente da idade, de desilusões, de dificuldades.
O Aspirante deve ter a Mente aberta, sempre pronto a receber novas ideias e experimentar novas maneiras de agir e fazer as coisas. Ser flexível e adaptável. Procurar continuamente a verdade.
É certo que não é nada fácil. Por exemplo: deixar de ter pensamentos indesejáveis seja de sensualidade, ou de inveja, etc., pode-se conseguir tomando a determinação de limpar a Mente de forma que só contenha pensamentos bons e elevados, recusando admitir pensamentos impuros. E se persistir em ter pensamentos bons e elevados alcançará uma completa regeneração. Já com as nossas emoções e anseios do nosso Corpo de Desejos a coisa é muito mais difícil. A natureza passional de desejos anseia por vingança, por “olho por olho, dente por dente”. Às vezes, após anos de luta, quando pensamos ter vencido, quando pensamos que a nossa paz espiritual não mais será transtornada, vemo-nos envolvidos e abalados por desejos de vingança, de inveja, de orgulho. Então, será necessário empregar toda a força da nossa natureza superior para dominar essa parte rebelde. Aqui devemos “vigiar e orar”. Mas, nesse vigiar está a capacidade do Aspirante em fazer uma faxina constantemente, entrando dentro de si e reavaliando seus princípios, reafirmando seu ideal, fazendo um balanço da existência, buscando melhores meios de vida e valores superiores.
Nesse instante, entra a flexibilidade. Sabemos que na natureza nada permanece estacionado: ou estamos subindo ou descendo. Quando notamos esse transtorno na nossa paz espiritual, devemos renovar nossa força de vontade, buscando a graça do Cristo, a consolação de Deus. Esse ponto de desvio e a retomada do caminho é mostrado na Parábola do Filho Pródigo: ele mesmo reconheceu que seu método de vida estava errado e procurou, internamente, forças para retornar ao Pai. O Pai sabe que o filho retornará e o espera de braços abertos.
Podemos obter uma grande ajuda para regenerar o nosso caráter descobrindo os efeitos combinados das configurações astrológicas natais, progressivas e transitórias. O primeiro passo, para obter essa ajuda, é cada um estudar o seu horóscopo. Com isso saberá quais as forças astrológicas disponíveis. Poderá saber usar as forças harmoniosas, essas que determinam nosso caráter, nossas reações, mas também saber como usar as forças desarmoniosas e delas extrair a harmonia necessária. Em outras palavras: a Conjunção é um Aspecto de força. Usa enorme quantidade de energia concentrada em um ponto.
Precisa, portanto, de direção. Já o Sextil é um Aspecto de oportunidade, e de acordo com a quantidade de energia aplicada na realização de nossos objetivos, podemos tirar proveito dessa força harmoniosa. O Trígono é um Aspecto de mérito. Nele podemos observar o resultado dos cuidados que foram sendo acumulados em vários deveres durante muitas vidas, é um aliado a nos ajudar. Aspecto em Quadratura é um típico que gera força desarmoniosa. Contudo, se o entendermos como um Aspecto que gera tanta energia que uma pessoa comum tem dificuldade em trabalhar com ela, podemos dispor dessa energia e, com cuidado e trabalho tirar proveito. É só lembrarmos que Quadratura só vem para pessoas suficientemente fortes para carregar uma enorme carga.
E, por fim, a Oposição oferece-nos um meio de eliminar influências desfavoráveis na vida, o que representa a conclusão, e solução ou trabalho final de um destino. O segundo passo é reconhecer as situações da vida diária em que essas forças tentam se manifestar. Exige de nós a observação e o discernimento. O terceiro passo é decidir como agir diante dessas situações.
Muitos tropeços e perdas de oportunidades podem ocorrer. Contudo, lembre-se: estamos nadando contra a corrente. A situação é muito diferente da pessoa que nada a favor da corrente e não sabe aonde a corrente o levará.
As forças de regeneração entram mais naturalmente na nossa vida. No lugar onde se encontra Plutão, o Planeta da regeneração e Escorpião, que em parte, é regido por Plutão. Aspectos harmoniosos com Plutão indicam que pontos de regeneração serão facilmente alcançados. Aspectos desarmoniosos indicarão obstáculos à regeneração. Poderá consegui-la com muito trabalho e dedicação.
Normalmente, as pessoas amam aqueles que as amam, dão somente aos que lhes dão algo em troca, odeiam aqueles que as odeiam, se esforçam para ajudar o próximo somente quando lhe é cobrado ou quando veem os outros fazerem. Contudo, é uma verdade que “quando menos uma pessoa pensa em si mesma, mais trabalhará realmente em seu próprio desenvolvimento”. E como disse Tomás de Kempis: “aquele que tem uma verdadeira vontade de fazer o bem em nada busca para si mesmo, mas deseja que tudo se faça para a glória de Deus”.
Assim, para o mundo passar por uma regeneração, devemos ser capazes de dar quando não recebemos, de fazer o bem. Cristo nos deixou bem claro essa ajuda que deveríamos prestar à humanidade não esperando nada em troca: “Tendes ouvido o que foi dito: amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo. Mas eu vos digo: amai a vossos inimigos, fazei o bem aos que vos têm ódio e orai pelos que vos caluniam e perseguem: para serdes filhos de vosso Pai, que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos. Porque se vós amais apenas os que vos amam, que recompensa haveis de ter?” (Mt 5:43).
“Sede vós perfeitos como também vosso Pai celestial é perfeito.” (Mt 5:48).
Perceba a ênfase de dissolver o mal com o bem. Sim, porque buscando sempre o bem no mal, com o tempo o mal se transformará no bem. O mal morrerá por falta de alimento. Procuremos, pois, o bem em todas as coisas. Só assim podemos aumentar a quantidade de amor. No mundo, podemos ajudar o Cristo no seu trabalho de redenção da humanidade. Seguindo o exemplo de Cristo, praticando na nossa vida os seus ensinamentos, colocando-os nos nossos afazeres diários, contribuiremos para a evolução da humanidade, pois pelo exemplo atrairemos a atenção de Egos que estão no ponto de receber os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental dados pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Interesse pelas Filosofias Esotéricas
Cresce, de forma notável, o interesse pelas filosofias esotéricas entre as diversas camadas socioeconômicas e culturais brasileiras, haja vista o grande número de obras lançadas atualmente, abordando temas espiritualistas.
As bancas de jornais e as livrarias registram uma procura superior à verificada em qualquer época. Naturalmente, nem todas as publicações situam-se num nível elevado. Há também algumas inconsequentes e de fundamento dúbio. Mas, de um modo geral nota-se muita semente digna de germinar sendo lançada.
E, além do mais, contribuem valiosamente para esclarecer as pessoas sobre uma gama variadíssima de questões vigentes até pouco tempo como incógnitas.
Há uma procura, procura muitas vezes desordenada. Contudo, pressupõe ânsia de conhecer. Busca da verdade. Desejo de obter respostas às mais intimas indagações.
Quão grande é a responsabilidade das Escolas Filosóficas em face dessa situação! E perante essa responsabilidade, quão privilegiada é a posição da Fraternidade Rosacruz por divulgar uma filosofia racional, logicamente ordenada, credenciada a satisfazer aos mais extremos anseios da Mente inquiridora, tão característica do ocidental.
O ocidente clama por ensinamentos profundos. Ensinamentos que revelem ao ser humano a sua natureza real. Que tenham o condão de, atingindo sua mente, lhe sensibilizar o coração no amadurecimento de uma natureza equilibrada. Que expliquem a origem dos seres e do mundo, determinando as causas entranhadas em todos os fatos.
A Fraternidade Rosacruz é uma Escola séria. Não visa a aliciar prosélitos. Mas acolhe de braços abertos a tantos quantos aspirem a uma vida superior. Oferece um programa de regeneração. Todavia, não é dogmática.
Respeita ao máximo a liberdade do Estudante. Procura libertá-lo da dependência de fatores externos, tornando-o confiante em si mesmo no mais alto grau. Preconiza o estudo. Estimula a pesquisa. Exorta à devoção. Respeita e compreende as demais escolas e crenças, reconhecendo a importância que assumem em determinados agrupamentos humanos, cujos estágios evolutivos comportam exatamente aquelas linhas doutrinárias. Não tem líderes. Alicerça-se na boa vontade e idealismo de seus membros.
A Fraternidade Rosacruz, nós o sabemos, é um movimento inspirado desde os planos internos. Contudo, para a colimação de seus propósitos no Mundo Físico, necessita do empenho de seus Estudantes. Nascida em meio às lutas e sacrifícios de Max Heindel, ela logrou sobreviver às inúmeras dificuldades, consolidando-se como um movimento “sui generis”. Da mesma forma, o esforço desinteressado de cada Estudante, fortalece a Obra na hora presente.
É um ideal grandioso. O campo para divulgação do rosacrucianismo desponta cada vez mais promissor. E a Fraternidade Rosacruz deve estar preparada para essa fase.
O número de Estudantes já é considerável, mas ainda são poucos os que dedicam uma mínima parcela de seu tempo em benefício da Obra.
Cada departamento requer uma estrutura cada vez mais definida e segura para atender e corresponder às necessidades daqueles que solicitam nossos serviços. A divulgação da filosofia deve estender-se a outras áreas. E os campos atingidos atualmente devem ser ampliados.
Esse trabalho de divulgação, esse verdadeiro apostolado, logrará o esperado êxito se desenvolvido em bases racionais, didáticas e impessoais.
Nesse labor altruísta o espírito de equipe deverá encontrar sua máxima expressão. Quem não se integra ao contexto do trabalho grupal, sobrepondo os interesses coletivos aos sentimentos pessoais de simpatia e antipatia, sacrificando inclusive suas ideias próprias (quando for necessário), encontrar-se-á irremediavelmente deslocado dentro da Obra.
Perscrutemo-nos anteriormente. Analisemos imparcialmente nossa conduta dentro do movimento Rosacruz. O ideal significa muito para nós? Dedicamo-lhe nossos melhores esforços? Damos um colorido impessoal ao nosso trabalho? Fazemo-lo independentemente de cargos e honrarias?
Com a palavra a nossa consciência!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1973)
Procurando a verdade: o risco de usar métodos errados e como esse conceito muda durante a nossa vida
Há 2.000 anos Pilatos indagou: “O que é a verdade?”.
As distintas formas de fé religiosa existentes são tentativas humanas de materializar seus conceitos internos sobre a verdade. A religião avança à medida que a visão humana se expande. O espírito interno clama por uma revelação mais completa. Uma nova Revelação surge em resposta a esse clamor e um conceito mais elevado de Deus começa a desabrochar na Mente do ser humano. Até hoje a religião não logrou alcançar uma oitava superior, mas nossas ideias relativas a ela são mais profundas. Cristo afirmou: “A verdade vos libertará”. A verdade é eterna e nossa busca por ela deve ser perdurável também. O Ocultismo não conhece “a fé de uma vez para sempre e relativa a todas as coisas”. Todas as Escolas de Ocultismo baseiam-se nas mesmas verdades fundamentais, passíveis de serem apreciadas sob diferentes ângulos, dando a cada um uma visão diferente. Assim, elas se completam.
Portanto, com o que atingimos por ora não é possível alcançar a verdade essencial. Em resposta à pergunta de Pilatos, devemos primeiro notar que a verdade seja um princípio subjetivo. Não pode ser encontrada no objetivo, se bem que esse contenha manifestações dela.
O erro consiste em pretendermos descobri-la totalmente nas coisas externas ou em alguma parte fora de nós mesmos. Nossa ideia sobre o que é verdade modifica-se à medida que progredimos, porque, à proporção que ascendemos, novas fases dela nos são apresentadas, etapas que não foram percebidas anteriormente.
Onde, pois, encontraremos a verdade? Não podemos encontrá-la neste mundo fenomenal, pontilhado de ilusões, no qual temos de proceder a constantes correções e mudanças, consciente ou inconscientemente. Sabemos que nossa visão nos engana, quando faz as coisas parecerem unidas no final de uma rua, por exemplo.
Com referência à indagação sobre onde encontraremos a verdade, a resposta só pode ser uma: dentro de nós mesmos.
É um assunto relativo ao próprio desenvolvimento interno, excluindo-se de qualquer outra fonte. A promessa de Cristo, “se vivermos a vida, conheceremos a doutrina”, é verdadeira no sentido mais literal. Os livros e os mestres podem despertar nosso interesse e nos incentivar a viver a vida. Contudo, só na medida em que julgarmos cuidadosamente suas ideias, antes dos preceitos constituírem parte de nossa vida interna, caminharemos na direção correta.
Conforme Max Heindel nos relatou, os Irmãos Maiores não lhe ensinaram tudo diretamente desde o primeiro curto período em que lhe proporcionaram o material para escrever O Conceito Rosacruz do Cosmos. A cada pergunta formulada, o Mestre indicava-lhe a direção em que poderia encontrar a informação necessária. Pelo uso de nossas próprias faculdades conseguiremos sempre os melhores dados ou informações.
A aspiração é o primeiro passo a ser dado para sairmos da escravidão para a liberdade, porquanto à medida que um ser humano deseje ascender, será libertado.
Somente por nossa aspiração à virtude dominamos os vícios. A fidelidade aos mandatos espirituais nos livra da sensualidade. A indiferença, entretanto, fará estiolar a mais bela flor do espírito.
Todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital com o cultivo de faculdades objetivas e comuns tais como a observação, o discernimento, a razão, a justiça, o senso comum e o cultivo do intelecto. Todas essas qualidades, quando combinadas com oração e devoção, conduzem a estágios mais avançados, na jornada evolutiva. Essa preparação interna do Estudante deve ser realizada sem considerar as circunstâncias externas.
Os dois Éteres inferiores do Corpo Vital, o Químico e o de Vida, decrescem em quantidade e densidade à proporção que os dois superiores formam o Corpo Denso. Então um poder maior flui através nosso ser. Isso, às vezes, causa distúrbios no corpo denso, pois os Éteres inferiores mantêm a saúde física. Essa condição, não obstante, é transitória e tende a desaparecer. Observe-se, portanto, como é de máxima importância para os Estudantes de Ocultismo persistir em suas aspirações.
Se alguém tentar adquirir poderes ocultos sem ideais elevados ou objetivos altruístas, o resultado físico será deplorável. Um grande número de males físicos entre os Estudantes de Ocultismo deve-se a esse fato.
Todo pensamento egoísta ou de ódio imprime-se no sangue e nos pulmões, retardando o processo regenerativo. Por outro lado, os pensamentos de amor, justiça e harmonia constroem o Corpo Vital e aumentam a vitalidade do Corpo Físico. A regeneração, na maior parte dos indivíduos, ocorre em um grau vibratório muito baixo, porque, por via de regra, o homem comum injeta continuamente os mesmos pensamentos negativos em sua corrente sanguínea. Daí estar sempre acompanhado de dores e enfermidades.
No Estudante de Ocultismo, esse processo regenerativo se efetua muito mais rapidamente. E em muitos casos, a corrente sanguínea pode ser praticamente regenerada em curto tempo. Alguns dos velhos pensamentos, não obstante, estão sujeitos a reintroduzirem-se na corrente. Por isso, o processo segue repetindo-se até que estejamos completamente purificados de toda escória.
Temos de trocar a roupagem de nossos corpos impuros pela brilhante veste que estamos tecendo dia-a-dia. Esse é o processo alquímico do qual resulta a saúde perfeita. Quando formos “ouro puro”, quando a corrente sanguínea carregar só o puro, como os pensamentos de Cristo, então aparentemente operaremos milagres. Com a energia restante curaremos os demais, dissiparemos a desarmonia, a tristeza e o sofrimento, irradiaremos amor, paz e bons pensamentos. Então, transcenderemos os laços familiares e raciais sem deixar de cumprir todos os nossos deveres, porque nos teremos purificado desses sanguíneos. Nós nos sentiremos, então, universais.
O coração, grande distribuidor de sangue, não alimentará preferências, mas amará a tudo e todos sem considerar religião, cor ou casta.
Cristo disse: “Deveis nascer de novo”. Esse renascimento estende-se ao físico, conforme o axioma hermético “como é em cima, assim é embaixo”.
Depende apenas de cada um de nós a formação do veículo que nos capacitará a perceber a verdade nos Planos internos. Harmonizando nossas vidas com os princípios divinos, de acordo com a verdadeira religião, estaremos construindo o Corpo-Alma, o Dourado Traje de Bodas.
Uma vida de amor e serviço aos demais constrói o Corpo-Alma. Esta vivência não só atrai e elabora os dois Éteres superiores, o Refletor e o Luminoso, como a seu tempo produzirá uma separação que os diferenciará dos dois Éteres inferiores. Depois de completada essa separação, o Corpo-Alma encontra-se pronto para os voos da Alma. Isso constitui a cor azul-dourada do amor, que distingue o santo do ser humano comum.
Estamos recebendo ajuda para construir este Corpo-Alma, ajuda do Cristo, o Espírito Interno da Terra, por meio de suas emanações etéricas que, brotando do centro do globo, atravessam nossos Corpos Vitais. Mesmo depois de separados os Éteres superiores e inferiores, o Corpo-Alma prossegue crescendo, contanto que seja alimentado. Tal qual outro corpo, necessita de alimentação para crescer e permanecer em condições saudáveis. Porém se deixamos de alimentar o Cristo Interno, experimentaremos uma grande fome espiritual, muito mais intensa e dolorosa que a fome física. Conforme se ampliam nossos conceitos sobre a verdade, o Corpo Vital demanda uma classe de alimento mais elevado, em forma de boa literatura, arte, música e uma vida de compaixão e serviço ao próximo. Um conceito puramente intelectual da verdade não é suficiente, devendo-se consistir em um sentimento interno e espiritual. A razão e o discernimento são faculdades intelectuais; no entanto, o intelecto mais desenvolvido falharia sem assimilação espiritual: o coração e a Mente têm que cooperar entre si. Nem todos temos a mesma acuidade mental, donde a verdade concebida pela Mente não pode ser idêntica para todos. Contudo, o espírito é uno e quem é espiritualmente consciente conhecerá a verdade. Evidentemente, existe uma grande diferença entre o conhecimento da verdade e a posse de um mero conhecimento mental dela.
O caminho da preparação pessoal é o preço que pagamos pela verdade. A obtenção consciente dela é o resultado de viver a vida estritamente moral, consoante às normas espirituais. Não há outro meio.
Emerson disse: “O homem deve aprender a descobrir e observar esse facho de luz que resplandece através de sua Mente, oriundo de um lugar muito mais iluminador que o firmamento dos poetas e sábios”.
O dilema naturalmente surge na Mente do Estudante: quantos conhecem a verdade, quando a encontram?
Em Cartas aos Estudantes, Max Heindel nos dá a resposta quando trata do exercício de Retrospecção. Segundo o Mestre, se for possível que esse exercício seja praticado sinceramente pelas pessoas mais depravadas, durante seis meses e ininterruptamente, elas serão regeneradas. Os mais zelosos testemunham os benefícios dessa prática, particularmente em relação às faculdades mentais e à memória.
Ademais, por esse juízo imparcial de si mesmo, noite após noite, o Estudante aprende a distinguir o verdadeiro do falso em um grau impossível de se obter por outros meios. Dentro de nós encontra-se o único tribunal da verdade. Se nos habituarmos a colocar nossos problemas diante desse tribunal, persistentemente, com o tempo desenvolveremos um sentido superior da verdade, facultando-nos a perceber se uma ideia avançada é falsa ou verdadeira. A menos que estabeleçamos esse tribunal interno da verdade, vagaremos de um lugar a outro falando mentalmente durante toda nossa vida, conhecendo um pouco mais no final do que no princípio ou, talvez, menos. Portanto, o Estudante nunca deve rejeitar ou aceitar, nem seguir às cegas qualquer pessoa, mas procurar estabelecer o tribunal dentro de si mesmo.
Temos outro método pelo qual podemos diferenciar a verdade da imitação. Há pessoas, exímias fabricantes de imitações de artigos legítimos, tentando enganar compradores incautos. Esses, a menos que disponham dos meios para conhecer o artigo genuíno, correm o risco de serem ludibriados. Nesse aspecto o buscador da verdade corre o mesmo risco. O colecionador amiúde guarda seu tesouro em um lugar especial, deleitando-se com ele a sós. Frequentemente, anos mais tarde ou após sua morte, descobre-se que algumas das peças guardadas e muito apreciadas eram grosseiras imitações sem valor algum; assim também, aquele que encontra algo que entende por verdade pode enterrá-lo em seu próprio peito, percebendo depois de muitos anos que houvesse sido enganado por uma imitação. Por isso, torna-se necessária uma prova final para eliminar toda possibilidade de decepção. A questão é: como descobri-la e aplicá-la? A resposta é tão simples como eficiente: pelo método.
Os colecionadores descobrem que uma peça seja pura imitação porque a exibem para quem conhece a original. Se expõem seus acervos ao público, ao invés de mantê-los em segredo, prontamente saberão se têm peças falsas ou legítimas. Assim como a preocupação em ocultar os objetos colecionados favorece e estimula a fraude por parte dos comerciantes de raridades, inescrupulosos, da mesma forma o desejo de guardar para si os conhecimentos pode facilitar o trabalho dos traficantes das imitações ocultas do saber. Como poderíamos comprovar o valor de uma ferramenta, senão pelo uso? Nós a compraríamos, se o vendedor exigisse que a mantivéssemos guardada, em vez de utilizá-la? Seguramente que não!
Insistiríamos em empregá-la em nosso trabalho para constatar se serviria ao fim que lhe destinamos. Uma vez comprovada sua utilidade, nós nos sentiríamos satisfeitos em tê-la adquirido.
Considerando esse princípio, por que comprar certos artigos, se os comerciantes fazem questão de ocultá-los? Se fossem legítimos, não haveria necessidade de mantê-los em segredo. E, a menos que possamos utilizá-los em nossas vidas diárias, não terão valor algum.
Todo aquele que encontra a verdade deve empregá-la no trabalho do mundo para assegurar que sua legitimidade resista à prova e dar aos outros a oportunidade de compartilhar o tesouro encontrado.
Portanto, é mister observarmos a exortação do Cristo: “DEIXAI QUE BRILHE VOSSA LUZ”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1975)