O Pequeno Príncipe
Muito acima do topo das árvores e das nuvens fofas, sim, muito além do céu azul, há muito tempo, habitava um Rei. Seu reino era muito extenso e seus habitantes eram tão felizes que esse lugar era chamado o Reino da Felicidade. Doces acordes de música e delicadas cores do arco-íris flutuavam no ar nessa terra distante. Então, um dia pareceu que uma nota dissonante tinha soado. O Rei ouviu-a e o som murmurante da discórdia chegou mais perto. Assim, o Rei chamou um pequeno príncipe e disse:
– As crianças da Terra parecem não ter corações felizes e a luz do amor está se tornando escura. Alguém deve ir até essas crianças e levar-lhes uma nova luz de amor.
– Oh, Pai, deixe-me ir, disse o pequeno Príncipe.
Isso agradou o Rei. Ele sabia que não seria tarefa fácil e disse:
– Você está pronto para ir, meu filho? Está escuro no Mundo da Terra e, às vezes, será difícil acender a luz do amor.
– Sim, Pai, eu estou pronto para ir quando você me enviar, disse o Príncipe.
Então, o Rei chamou um de seus mensageiros do Reino da Felicidade e participou:
– Meu filho, o pequeno Príncipe, vai empreender uma longa jornada, em uma terra muito distante. Deixe tudo pronto para sua visita às crianças da Terra.
Os mensageiros do Rei conversaram entre si e logo grandes preparativos foram feitos para a partida do Príncipe.
Numa vila, no Mundo da Terra, morava uma jovem mulher muito linda. Ela morava numa pequena casa circundada por um jardim. Frequentemente, ela sentava-se no jardim e lia. Os passarinhos voavam ao redor dela e, algumas vezes, uma pomba branca pousava em seu ombro e arrulhava para ela. Maria era o nome da jovem mulher; ela tinha sempre maneiras gentis e um doce sorriso. Quando ela ia até à vila praticando ações bondosas, tornava muitas pessoas felizes e todos a amavam.
Nessa terra havia um rei que governava de um modo muito cruel. Ele realmente tornava seu povo infeliz. Seu reino era muito diferente do Reino da Felicidade. Havia tantas pessoas infelizes e o coração de Maria entristecia-se. Ela não gostava de ver os outros sofrerem, queria que fossem felizes e corajosos.
Havia uma história da qual Maria gostava particularmente e, por isso, lia-a repetidas vezes. Nela, o Rei do Reino da Felicidade prometia enviar o Príncipe da Paz para salvar as crianças da Terra. Maria muitas vezes conversava com o Rei, seu Pai Celestial e dizia-lhe que esperava a vinda do pequeno Príncipe. Um dia, após conversar com o Rei, sentiu-se muito feliz. Começou a cantar e seu coração sentiu-se muito leve e muito alegre. Ela pensou que pássaros cantavam mais docemente e até o Sol brilhava com mais intensidade. Parecia haver mais luz no jardim e, então, bem em frente dela, circundado das belas cores do arco-íris, apareceu um Anjo. O Anjo falou a Maria e disse-lhe que o seu Pai Celestial iria manter a Sua promessa para as crianças da Terra e enviaria à Maria, o Príncipe da Paz, para que ela O amasse e cuidasse d’Ele.
Vocês podem imaginar como a adorável Maria ficou feliz! À noite, quando seu marido chegou à casa, ela contou a visita do Anjo e José também ficou muito feliz. Assim, eles começaram a planejar a vinda do pequeno Príncipe.
Nos tempos antigos, as pessoas pagavam impostos, como também o fazem hoje. Uma tarde, José chegou à casa e disse:
Maria querida, precisamos ir a Belém pagar nossos impostos.
Então, ambos se puseram a caminho. Maria viajava em um burrico e José caminhava ao seu lado. Estavam tão felizes com a vinda do pequeno Príncipe, que falavam tão e todo o tempo sobre isso.
Depois de uma longa e cansativa jornada chegaram a Belém. José acomodou Maria o mais confortavelmente que pôde e depois foi procurar um quarto numa hospedaria. Ele tinha andado muito e quando voltou disse a Maria:
– Querida, não há nenhum quarto por aqui. Não há nada além do estábulo onde o gado é mantido. Mas é bonito e limpo.
E Maria disse:
– Está tudo bem, José querido, eu não me importo. Nós estaremos confortáveis e estou tão cansada que irei rapidamente dormir.
Assim, eles se dirigiram para o estábulo. As vacas mugiram como se estivessem dando-lhes as boas vindas, e seus olhos suaves e gentis pareciam mostrar prazer com a vinda de José e Maria.
Numa leve cama de capim fresco e cheiroso, Maria se instalou, sentindo-se feliz. Ela agradeceu a seu Pai Celestial pela Sua maravilhosa promessa e, então, dormiu.
No Reino da Felicidade, os Anjos estavam ocupados preparando o pequeno Príncipe para a jornada no Mundo da Terra. Um Anjo levantou-O gentilmente e O carregou, dizendo:
Vá, linda criança, e leve uma mensagem de amor e felicidade para as crianças da Terra. A luz do amor está no seu olhar e nunca será ofuscada. A centelha de luz que brilha no seu coração se tornará cada vez mais intensa.
E o Rei estava feliz e disse:
Meu Filho, você tem um grande trabalho a fazer para tornar mais brilhante a luz do amor num mundo escurecido.
Eu O abençoo, meu Filho.
Do Reino da Felicidade até a Terra formou-se uma Ponte de amor e através dela o Anjo carregou o Príncipe Celeste. Os Anjos Cantores e os Anjos de Luz o acompanhavam. Uma música angelical, doce e clara, se ouvia pelo ar. Logo todas as hostes celestiais davam louvores a Deus e cantavam:
– “Glória a Deus nas alturas, paz na Terra e boa vontade entre os homens”.
Após chegar à Terra, a luz brilhante de uma linda Estrela guiou o Anjo à Maria. Quando o Anjo lhe entregou o pequeno Príncipe, ele disse:
– Guarde-O cuidadosamente, pois Ele é um presente de Deus.
Então, Maria e o Príncipe foram envolvidos por um grande brilho. Quando ela olhou em Seus olhos, ficou maravilhada com a luz de amor que havia neles. Toda criancinha tem luz em seu rosto, mas essa especialmente trazia a luz de Deus em seus olhos. A música angelical e a Estrela brilhante atraíam muitas pessoas e logo havia visitantes amontoando-se para ver o Príncipe menino. Os pastores aproximavam-se vindos dos campos próximos.
Eles haviam visto a Estrela e a seguiram e ela os guiou até onde estava o menino, na manjedoura.
Agora, queridas crianças, essa é a história do pequeno Príncipe da Paz, o Portador de Luz para as crianças da Terra, cujo nascimento nós celebramos no dia de Natal. A Estrela que pairou sobre o lugar onde ficou o Príncipe brilha ainda hoje, tão intensamente, como brilhou antes, iluminando cada criancinha no seu caminho através da ponte do amor, do reino da Terra ao Reino da Felicidade.
Sigamos a Estrela e mantenhamos nossa luz do amor brilhando intensamente para iluminar os outros no caminho da felicidade e da alegria.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. II – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Para falar do Amor Universal do Cristo, falemos de conhecimentos extrafísicos
Certos partidários da filosofia realista-materialista desejam averiguar e determinar o que seria aquilo a que o espiritualista chama “AMOR UNIVERSAL”, ou seja, o amor do ESPÍRITO DO UNIVERSO. Para o espiritualista não existe dúvida sobre esse delicado ponto em seus estudos, concentrações e meditações, uma vez que se trata de conhecimentos da mente submersa no plano da MENTE ABSTRATA. Logo, percebemos, não se tratar apenas do “mentalismo cerebral”, enquanto a alma deve submergir em uma consciência superior, no plano abstrato-metafísico. Os filósofos da concepção realista, deste modo, não têm acesso a esse plano, pois trata-se de uma ação irreal.
Visto acionar um plano superior da Mente, o cientista materialista, como não pode fazer um cálculo, como não pode, através dos cinco sentidos, enquadrar-se na CONCEPÇÃO FILOSÓFICA MÍSTICA em sua determinação ESPÍRITO REALISTA, rejeita as qualidades anímicas que o espiritualista possui.
O materialista acredita que o amor é simplesmente um reflexo de funções celulares, e que nada mais é do que um erotismo sensual, sendo uma função do corpo animal que o ser humano possui. O amor para o materialista nada mais é do que um instinto animalesco. Dizem que, tal qual uma cachorra quer bem aos seus filhotes, uma mãe humana também quer bem aos seus filhos, colocando, assim, a espécie humana no mesmo nível do animal. Não nega, o espiritualista, que os animais não tenham o instinto de querer bem aos seus filhotes, mas não coloca o ser humano ao nível do instinto do animal. Cremos, porém, com toda sinceridade, que uma mãe não sentirá para com seu filho aquilo que Freud chama de “libido”. Pode uma esposa sentir a sensualidade para com o seu esposo, mas não uma mãe para com seus filhos.
Estamos vendo, nessa forma de pensar, que, se falarmos do AMOR UNIVERSAL, devemos utilizar conhecimentos extrafísicos, e não concepções materiais, sensuais e eróticas. Tratando-se, no caso do espiritualista, de amor proveniente do ESPÍRITO DO COSMOS, pois Deus é o amor transposto a cada célula do corpo físico do ser humano, deve dizer-se aos materialistas que essa concepção não é uma invenção humana, posto que, sendo Deus anterior ao ser humano, o amor logicamente é anterior.
O espiritualista rejeita qualquer especulação sobre o que procede de Deus, porque inatingível pela lógica mental, por qualquer fórmula dogmática do campo da intelectualidade. O espiritualista sente, por intuição, o AMOR UNIVERSAL, quando mergulhada sua alma na harmonia do UNIVERSO, submergida por ação meditativa no fenômeno extrassensorial.
Se ingressado na ilimitada exaltação de todo seu SER, nos planos do Absoluto, encontra sua alma embevecida de felicidade transfigurada no AMOR DO UNIVERSO. Esse fato mostra a ampliação de sua sensibilidade amorosa ao nível do AMOR UNIVERSAL. Sentirá DEUS em sua bondade, que o arrebatou das circunstâncias sensoriais-materiais.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz em 10/1975)
O Que a Teoria de Renascimento Revela: mitiga o temor da Morte
Vejamos o que a crença no renascimento pode fazer por nós em nossa vida neste plano físico. Primeiramente revela o fato de que o ser humano sendo consciente de si e agindo de acordo com seus desejos, torna-se responsável por suas ações. Essas ações, sob a Lei de Consequência, (isto é, o efeito que resulta da causa) ajudam a modelar sua vida. Aprende que colhe bons frutos pela ação reta e dores e sofrimentos pelos maus atos.
Não pode escapar dessas consequências, pois se não aparecerem na vida atual, aparecerão em vida posterior como destino maduro a ser dissolvido, às vezes em situação mais difícil, quando é maléfico. Portanto, o ser humano tem muitos incentivos para se tornar melhor. O renascimento vem ao encontro da doutrina da Ressurreição, pois, por seu intermédio, o aguilhão da morte é removido e perdida a vitória do túmulo, porquanto o que desapareceu tornará a aparecer.
O renascimento revela a eternidade da vida, proporcionando alegria de viver e aspirações na evolução. Os fracassos nesta vida poderão tornar-se vitórias na vida futura por meio de novas oportunidades para vencer o que hoje nos cerceia.
As repetidas vidas no correto viver nos habilitam a conhecer de onde viemos, para onde vamos e porque estamos aqui, bem como o que o futuro nos reserva acerca da liberdade de escolha.
O renascimento revela a sabedoria de Deus e a justiça das Suas Leis, a Santidade da vida e, sobretudo, a grandeza do ser humano feito à imagem Divina.
A crença no renascimento não é coisa recente; existe na Índia desde tempos antigos; é encontrada no Budismo; contida no Corão, o livro sagrado de Islã; é conhecida dos Lamas do Tibete. Foi ensinada por Pitágoras e dos gregos foi transmitida à primitiva Igreja Cristã. É religiosa, filosófica, e também podemos dizer, científica.
Na verdade, a morte não existe. O que assim parece é uma perda temporária de consciência num período de transição, quando passamos de um degrau para outro superior na escada da evolução.
Erradicando o temor da morte de nossas vidas pelo conhecimento do renascimento, a transmutação e a transfiguração guiam o curso das nossas vidas para os portos celestes da paz e do amor.
“E quando tenha terminado meu trabalho na Terra
E meu novo trabalho no céu comece,
Esqueça eu os louros que ganhei
Enquanto trabalho pelos outros”.
Autor Desconhecido
“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. São João 3:3
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz em 9/1975)
Pergunta: O assunto Espírito Santo não está claro. A questão do Espírito de Raça não faz sentido na plenitude maior que é o Espírito Santo que liberta e, sendo assim, é superior à própria influência de Cristo. Como pode o Espírito de Raça ser libertador?
Resposta: uma coisa é o Espírito Santo – ele sim é libertador, pelas razões abaixo – terceiro Aspecto da Trindade Divina, cuja atribuição, nesse Esquema de Evolução, foi dada à Jeová, um Anjo, o mais alto Iniciado do Período Lunar. Nesse Período ele alcançou a competência de criar um Corpo com material do Mundo de Deus, daí a sua atribuição. Isso fica claro nos Diagramas 8 e 14 do “Conceito”.
O Espírito Santo não é separatista. É tão unificador quanto os dois outros aspectos, o Pai e o Filho. Afinal, só alcançaremos o Pai e o Filho, via Espírito Santo. Se esse fosse separatista, seria impossível.
Vejamos as razões para isso. Jeová se tornou especialista em Corpos feitos com material da Região do Pensamento Abstrato – onde atualmente temos um veículo: o Espírito Humano. Atualmente, também, é nesse veículo que temos o foco da nossa evolução, por isso lemos no “Conceito”: “como Egos funcionamos na Região Abstrata do Mundo do Pensamento” (veja o Diagrama 4 do citado livro). É nessa Região que estamos nos focando quando fazemos os exercícios esotéricos preconizados no Capítulo VIII do referido livro. Afinal sem “desgrudar” a nossa Mente do nosso Corpo de Desejos (o que fizemos erroneamente, quando ganhamos o germe da Mente dos Senhores da Mente, a humanidade em geral, entre a primeira e segunda metade da Época Atlante, conforme vemos no Capítulo IV e XII) não há como ter “pensamentos sem a contaminação do desejo”. E aqui o auxílio do Espírito Santo é fundamental. Seja para aprendermos a funcionar conscientemente na Região Abstrata do Mundo do Pensamento (a região das Ideias), seja para dominar o nosso Corpo de Desejos (a primeira ajuda que recebemos – de um total de 3 – para adquirirmos toda a experiência por intermédio dos nossos instrumentos, a fim de alcançar o objetivo desse trabalho que é a união com o Eu superior.
Essa primeira ajuda nos prepara para a união com o Espírito Santo. Sem essa ajuda não chegamos a união com Cristo (!) – veja mais detalhes no Capítulo XVII).
E é aqui que entram as Religiões de Raça, criadas por Jeová, o Espírito Santo, e conduzidas pelos Espíritos de Raça, uma das inúmeras atribuições de um grupo de Arcanjos competentes para esse trabalho.
Veja: isso foi necessário porque nós, seres humanos, precisamos. Não foi criado porque “alguém quis”.
Antes de ganharmos o germe da Mente, nosso Corpo de Desejos era extremamente forte e o seu uso e abuso destruía o Corpo Denso em uma velocidade muitíssima maior que atualmente. Quando ganhamos o germe da Mente e, por livre e espontânea vontade, a atrelamos ao Corpo de Desejos, a situação piorou enormemente.
Junte-se a isso a conquista da consciência de vigília e a nossa decisão de “tomarmos o rumo da nossa evolução” começamos a fazer o mal, não somente para os nossos Corpos, mas para outras pessoas, as destruindo, física, moralmente e até espiritualmente (mais detalhes sobre isso veja quando criamos corpos e vivemos a partir da 3ª raça atlante e mesmo no início quando vivemos como Semitas Originais, Capítulo XII).
Só com um foco na obediência e na consequência clara do que acontece quando fazemos o mal a alguém é que conseguimos entender e aprender que o caminho do transgressor é duro e sofrido. Esse trabalho de fora foi necessário para, por livre arbítrio, escolhermos o caminho do bem.
Infelizmente, muitos de nós, ainda traz as reminiscências desse modo de aprender dentro de nós (e “vivemos” no Espírito de Raça). Exemplos: espírito de família, patriotismo, grupos que se identificam como separados dos outros, tribos, nações e, ainda, raças.
O “caráter libertador” que o irmão aludiu ao Espírito Santo é correto. Afinal o Espírito Santo não é “o Deus de Raça”, Espírito de Raça, Religiões de Raça. Essas são algumas das atividades que o Espírito Santo exerce, quando uma onda de vida, exatamente como a nossa, precisa de lições fornecidas “de fora para dentro”, a fim de alcançar a libertação por meio do domínio das suas ferramentas, seus instrumentos, no caso específico, do Corpo de Desejos.
Uma vez nos libertado desse grilhão que nos aprisiona – não o matando, mas aprendendo a usá-lo da forma como se deve – aí sim podemos dar um próximo passo e usar a 2ª ajuda (veja mais detalhes no Capítulo XVII).
Afinal de contas: como construir um Corpo-Alma – constituído dos 2 Éteres Superiores do nosso Corpo Vital – se o nosso Corpo de Desejos exige que o Corpo Vital seja quase todo preenchido de Éteres Inferiores para manter a vitalidade do nosso Corpo Denso? É impossível, né?
Como na Pedagogia: Objeto, Meio e Fim e a Órbita de Influência de Aquário
Como na pedagogia, a Escola Rosacruz, em seu trabalho, leva em conta três elementos:
1. O ser humano – objeto do aprendizado e regeneração;
2. A Filosofia – o meio; e,
3. Regeneração do ser humano e sua religação a Deus – o fim.
Embora todos os seres humanos tenham tido a mesma origem, como espíritos virginais diferenciados em Deus para a peregrinação na matéria e potencialização dos atributos divinos herdados, é sempre inevitável que cada espírito passe, ao longo de seu caminho evolutivo, por experiências diferentes. Desse modo foi formando um todo diferente, um microcosmo original, uma chispa divina que essencialmente é igual a seu Pai e seus Irmãos, porém dinamizou e modelou as qualidades divinas a seu modo. Daí ser ele um indivíduo, algo indivisível, distinto, um mundo próprio. E precisamente essa heterogeneidade do ser em evolução, pelo uso da Epigênese, ou seja, pela capacidade de criar coisas novas e originais, é que vai formando, no macrocósmico corpo de Deus, algo sempre novo. Desse modo, à medida que evoluímos, Deus também evolui porque “nele Vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”. Isso exposto, justificamos porque a Escola Rosacruz, ensinando o Renascimento, a Lei de Consequência e a Epigênese, tem no indivíduo a base de sua mensagem. Cada indivíduo é um mundo à parte. O conceito de individualidade, na Escola Rosacruz, atinge muito mais profundamente a realidade universal do ser humano, porque a isenta de culpa dos condicionamentos hereditários e outras dependências passageiras, inerentes ao seu presente estado evolutivo.
De fato, o ser humano real, o indivíduo, está destinado a converter-se num “super-ser humano”, livre dos laços de sangue, de nacionalidade, de raça, de credo e todas as demais restrições até agora justificadas pela necessidade.
O ser humano é nos estados atual e futuro, um Prometeu e um Hércules. Agora nos achamos encadeados, pela transgressão às Leis geradoras da morte, ao mundo material, como Prometeu ao Cáucaso. Havendo trazido o fogo divino, sentimos interno anseio de libertação e nossa dignidade de príncipe nos anima a resistir e lutar; mas a parte humana exige a repetição dos perniciosos hábitos antigos e com isso vemos o abutre (a lei de Consequência) comer-nos todo dia (cada vida) o fígado, (centro do Corpo de Desejos) que se renova (renascimento), até que nos convertamos num Hércules, um “super-ser humano”, que vence os doze trabalhos (libertação da influência adversa de seu zodíaco e sublimação das qualidades de suas doze casas zodiacais). Diz-se que Hércules, quando foi libertar Prometeu, atravessou o grande oceano num pote ou caneco de barro. Aqui está vivamente figurada a resolução do Cristão que navega no frágil barco da carne, do corpo, pelas ondas ou vicissitudes do mundo.
Estamos nessa transição de Prometeu a Hércules. É a condição expressa por Paulo apóstolo quando se sentia exaltar, como espírito, mas reconhecia outra lei em seus membros. É o que disse o iniciado Goethe, quando, pela boca de um de seus personagens, sabia possuir duas almas em conflito: uma que ansiava voar aos céus e outra que se agarrava à Terra com passionais desejos.
Diz a Bíblia que a Lei e os Profetas vieram até João Batista. Depois deste vem a época de Cristo, do Amor. Todavia, como citamos acima, o Novo Testamento reconhece a penosa transição. Começamos um novo dia, mas pouco passamos da meia-noite. Temos de trabalhar, vigiando e orando, até que nos chegue a Alva. O egoísmo e as limitações geradas pelas religiões de raça e pelas leis ainda persistem em nós, em graus diferentes para cada indivíduo. O aspirante Rosacruz procura abreviar a libertação desses obstáculos, não pelo medo ao inferno ou de chamas eternas, não pela recompensa de um céu futuro, embora essas ideias sejam ainda justificáveis para aqueles que estão ao nível do cristianismo popular, mas pelo dever que lhe impõe a condição de Filho de Deus, iluminado pelo discernimento. A Escola Rosacruz é Cristianismo Esotérico, a Religião do Futuro, da Época de Aquário, que se vai iniciar daqui a uns 600 anos e cuja órbita de influência, segundo a precessão dos Equinócios, começou em meados do século passado. Sob o raio de originalidade e racionalidade de Urano, Aquário iniciou o evento da conquista do ar e do éter (rádio, TV, telégrafo, telefone, avião, conquistas espaciais etc.) e a tendência de tudo racionalizar trouxe comprometedora sombra de materialismo. Para atender a essas almas avançadas e orientá-las com uma religião científica, surgiu a Fraternidade Rosacruz. Ela mostra a constituição trina corporal do indivíduo (Corpos Denso, Vital e Desejos), sétupla (os corpos citados, dirigidos, através da Mente, pelo tríplice espírito individual) e decupla (com acréscimo da tríplice alma ou fruto da experiência do espírito sobre os corpos). Sua Antropogênese abrange uma anatomia oculta (os veículos mencionados, centros espirituais, posição, natureza) e fisiologia oculta (como se formaram funções, estado atual e futuro). Disseca o homem como ser humano e espiritual, história sua queda e prescreve os métodos mais racionais e seguros de desenvolvimento, transmutação e reunião final com Deus.
Assim, revela ao ser humano o que ele é (“Nosce te ipsum”), identifica-o com seu Criador, cuja Trindade em Um (Pai, Filho e Espírito Santo) se acha nele expressa em igual natureza e na proporção de seu estado de consciência, como tríplice Espírito, que trabalha através da Mente para dinamizar os atributos latentes de Vontade-Poder, Amor-Sabedoria e Movimento-Atividade.
Mostra-lhe os fins imediatos e mediatos: a regeneração para uma vida mais feliz, baseada no sentimento de verdadeira fraternidade e serviço amoroso e desinteressado; e seu destino de Filho Pródigo que é de tomar a resolução de voltar à Casa Paterna de onde veio, mas agora rico, pela consciência da riqueza herdada, através da experiência. O apóstolo o exprime bem na I epístola aos Coríntios, cap. XV: “passando da fraqueza à fortaleza, da corruptibilidade à incorruptibilidade, da mortalidade material à imortalidade do espírito, porque o primeiro Adão foi feito em alma vivente, mas o último Adão sê-lo-á em espírito vivificante”.
Finalmente, a Fraternidade Rosacruz facilita amorosa e desinteressadamente o MEIO de o ser humano atingir esses fins imediatos e mediatos, por meio do desenvolvimento paralelo e harmonioso da Mente e do Coração, da Razão e do Sentimento. Seus livros são vendidos a preços razoáveis; os cursos orais e epistolares, bem como os folhetos informativos, são gratuitos. Como Escola essencialmente cristã, sustenta-se dos donativos voluntários de seus membros. E os recursos recebidos ela os canaliza para esse relevante serviço da regeneração humana, na qual se funda a verdadeira felicidade.
Se você, leitor, não empreendeu ainda um estudo sério da Filosofia Rosacruz para conhecer a si mesmo (Antropogênese) e o Universo (Cosmogênese), faça-o agora. Se já o está realizando, contagie outras almas afins, que estão buscando também. Espalhemos a mensagem de Aquário a todos os companheiros. Nossa vida, nosso exemplo, farão ecoar o som que vibrará nos corações deles, como um diapasão, tocando, afeta outro afinado no mesmo tom.
Que o Senhor, através do nosso exemplo, se comunique aos outros, como a energia da Usina Central ilumina as casas. Basta apenas a resolução e ato de ligar a “chave” dentro de nós, para que a corrente de Deus se exprima em luz.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz em 11/1975)
Resposta: Há duas classes de pessoas no mundo, mencionadas na Lenda Maçônica como os Filhos de Seth e os Filhos de Caim, representados atualmente pela Franco-Maçonaria e o Catolicismo, a política e o sacerdócio – os que escutam a voz do intelecto e se deixam levar pela cabeça, e os que obedecem à voz do coração, seguindo suas emoções e sentimentos. Os Filhos de Seth, pessoas que trilham o caminho da devoção e seguem sua religião, não importa em que país estejam, não entram em contato com nenhuma Escola de Mistérios em toda a sua existência. Eles seguem seus mestres espirituais, dóceis como cordeiros, como a água que flui suavemente num canal artificial, e entre os seus líderes, desde o tempo de Abel, o pastor, encontramos grandes luzes como Salomão, que renasceu mais tarde como Jesus, e é atualmente o pilar espiritual invisível da Igreja, que ele finalmente guiará sob o abrigo do Reino de Cristo. Essas pessoas são os protótipos divinos, Adão e Eva, criados por Jeová, o Regente da Lua, a Rainha das águas do mundo e das emoções humanas. Nossas emoções são tão instáveis quanto a água, que é regida em seus fluxos e refluxos periódicos pela Lua.
A outra corrente da humanidade, chamada os Filhos de Caim, é a classe na qual a essência divina, o Ego, se faz sentir como um fogo ardente. O instinto criador original é agudo e perspicaz neles, pois quando a humanidade estava no berço, eles ouviram a voz dos Espíritos Lucíferos e comeram da Árvore do Conhecimento. Por essa razão tornaram-se iluminados. A Mente desenvolveu-se em detrimento do coração. De Caim, Tubal-Caim, e Matusalém descendem todos os artesãos do mundo. Foram os que construíram o Templo de Salomão sob a liderança de Hiram Abiff, o Mestre Maçom, que renasceu posteriormente como o Filho da Viúva de Naim, ressuscitado pela garra potente do Leão de Judá, e que atualmente trabalha na indústria e política sob o nome de Christian Rosenkreuz, a fim de conduzir seus companheiros ao reino de Cristo, onde as duas correntes se unirão – onde não haverá prelados nem reis, mas exclusivamente um, o Cristo justo, que exercerá o duplo cargo de Rei e Sacerdote.
Em toda grande comunidade humana, sempre há os que ficam para trás e os que vão à frente, e podemos encontrar indivíduos pertencentes a cada uma dessas duas correntes da humanidade entre os tipos inferiores, como também entre as pessoas mais civilizadas da Terra. Ao longo do caminho evolutivo há, podemos dizer, portões que levam ao caminho da Iniciação e que podem ser destravados por todo aquele que tenha a chave apropriada.
As fechaduras diferem nos diferentes pontos encontrados no caminho da evolução, tornando-se cada vez mais complexas, já que todos nós estamos aprendendo hoje, através da trilha evolutiva, lições que só eram ensinadas em eras passadas no processo de Iniciação nas Escolas de Mistérios.
A cada vida nascemos com um novo horóscopo. O nosso Ascendente e nossos Astros serão muito diferentes a cada vida, de acordo com as lições que temos de aprender e as dívidas do passado que temos de saldar.
Em uma vida podemos ter Marte como Regente, em outra podemos ser regidos por Vênus ou por qualquer um dos outros Astros. O Espírito deve aprender todas as coisas para se tornar perfeito, e deve, por conseguinte, evoluir sob a influência de todos os Astros para que todos os aspectos da sua natureza sejam igualmente equilibrados. Não obstante, a marca da nossa Estrela-Pai ou Fogo-Pai está sempre presente, e isto fez com que um espírito inerentemente marcial seja diferente de outro que venha do Raio de Júpiter, embora seus horóscopos possam ser bem semelhantes, como, por exemplo, no caso de gêmeos.
As crianças nascidas com o mesmo Tempo Médio de Greenwich em Madrid, Nova York ou Honolulu serão de tipos bem diferentes, marcadas por suas peculiaridades nacionais e raciais, mas mesmo assim seus horóscopos assemelhar-se-ão muito. Isto demonstra que não é o horóscopo em si que conta, mas a influência invisível devida à identidade do Fogo-Pai ou Estrela-Pai e, quando um homem ou uma mulher estão prontos para transpor o portão ou empreender o caminho que leva à Escola de Mistérios, ele ou ela sentirão a atração espiritual correta através da vibração da cor básica da aura. Se essa atração for respeitada, ela os levará, sem dúvida, ao lugar correto, onde não serão rejeitados.
Falando de um modo geral, pode-se dizer que todos os povos do Mundo Ocidental pertencem à Escola da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes, e que eles se enganam quando tentam entrar para uma escola pertencente ou que divulgue a filosofia oriental. Quando Moisés conduziu os Israelitas para fora do Egito, a terra do Touro, onde o animal era adorado quando o Sol, por Precessão, se encontrava no Signo de Touro, ele deu ao povo ao qual guiava, um novo símbolo, o do Cordeiro. Desde a época em que o Sol, por precessão, atravessou o Signo de Áries, o Cordeiro, tornou-se idolatria adorar o Bezerro de Ouro (Touro), ou, reverenciar as serpentes e os escorpiões, que eram os sacerdotes dessa dispensação (porque Escorpião é o Signo oposto a Touro). Então, veio Cristo, o Cordeiro de Deus, assim chamado para inaugurar uma nova religião; e ouvimos falar de um julgamento quando Ele voltar novamente sob o Signo de Libra, a balança, oposto a Áries, para julgar o mundo inteiro.
Mais tarde, por precessão, o Sol passou pelo Signo de Peixes, os peixes, e por dois mil anos, abstivemo-nos de comer carne em determinados dias, comendo peixe em seu lugar, enquanto adorávamos o Signo oposto Virgem, a Virgem Imaculada. Atualmente o Sol está entrando, por precessão, na órbita do Signo celestial de Aquário, o Filho do Homem e, na futura Era Aquariana, teremos um padrão totalmente diferente do que tivemos até hoje. De fato, devemos aprender a venerar o Cristo interno, e esse Cristo não é o mesmo para cada um de nós. Ele é o Salvador que nos conduzirá além da nossa atual condição.
A diferença é o raio planetário básico que está em cada um e em todos nós. Assim, há o raio horoscópico, governado pelo Astro que rege o nosso horóscopo em cada vida; há o raio individual, governado pelo sub-raio do nosso Fogo-Pai ou Estrela-Pai sob o qual nos originamos, e, finalmente, há o próprio Fogo-Pai ou Raio em si. É esse último que não é revelado senão na última Iniciação.
Nosso raio individual é-nos revelado no momento em que recebemos as instruções do discipulado, e o raio horoscópico torna-se evidente tão logo calcularmos nosso tema e soubermos interpretá-lo.
Esclarecemos esse ponto de um outro ângulo, ilustrando-o em cores. Há sete cores no espectro: vermelho, laranja, amarelo, etc., mas, dentro do vermelho também encontramos sete subrraios, vermelho-escuro, o vermelho-alaranjado, o vermelho-amarelado, etc. O mesmo sucede com o raio amarelo; nele encontramos o amarelo-vermelhado, o amarelo-escuro, etc. Da mesma forma, sob o raio de Marte, encontramos alguns que são Marte-Saturno, outros Marte-Sol, outros ainda Marte-Vênus, e assim por diante. Marte é, então, a Estrela-Pai, enquanto o nome do outro Astro designa o Raio individual. Por essa razão, encontramos nas Escolas de Mistérios espalhadas pelo mundo, pessoas nascidas com qualquer um dos doze Signos elevando-se e com qualquer um dos Astros governando. Também encontramos pessoas com raios individuais do Sol, Vênus, Marte, Mercúrio, etc., tanto nas Escolas de Mistérios Orientais como nas Ocidentais. Mas a Escola de Mistérios em si é colorida pela profunda e predominante influência planetária do Fogo-Pai, a Estrela-Pai, sob a qual se originou.
Podemos entender, baseados no fato que o Fogo-Pai só é revelado na última Iniciação, que a natureza básica de toda Escola de Mistérios não pode ser revelada abertamente ao público. Mas, devemos diferenciar entre uma Escola de Mistérios e uma associação como a Fraternidade Rosacruz e outras sociedades semelhantes, que são apenas escolas preparatórias para suas respectivas ordens ocultas. Tais escolas, como a Fraternidade Rosacruz e organizações semelhantes, seriam naturalmente dominadas pela influência astral advinda da nascente. Portanto, essa não pode ser dada.
Há muitas pessoas que pretendem saber tudo e que sorriem misteriosamente ou emitem falsas informações que não podem ser contestadas e desmentidas porque dizem respeito aos segredos da Iniciação. O autor sempre teve como princípio declarar honestamente e sem hesitação diante de qualquer pergunta que ele não podia responder: “Não sei”. Aparentar onisciência equivale a aparentar divindade. Embora o autor tenha encontrado muitos “professores”, encontrou pouquíssimos “possuidores”, e o consulente terá que esperar pela resposta a essa pergunta até que chegue o momento apropriado na Iniciação.
Mesmo no caso do raio individual, que é dado aos Discípulos no momento em que ingressam no caminho do discipulado, verificou-se que pessoas sob o Signo de Gêmeos, por exemplo, que se supunha serem regidas por Mercúrio, tinham em seu raio individual todos os outros diferentes Astros, e o mesmo acontecia com os que pertenciam aos outros Signos. O autor dedicou tempo e estudo esforçando-se por descobrir uma regra, mas isso provou ser totalmente inútil. Há apenas uma explicação fornecida pelos Irmãos Maiores, isto é, o raio individual é retido pelo Espírito ao longo de toda a série de suas vidas, e é perfeitamente independente dos raios horoscópicos que mudam de acordo com o seu nascimento, meio ambiente e as lições a serem aprendidas a cada vida.
(Perg. 156 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Nossa Capacidade de Servir nos conhecendo melhor
Em qualquer plano, à medida que ampliamos nossa capacidade, também se amplia nossa utilidade.
Se esta é uma verdade indiscutível para a vida terrena, o é mais ainda para a vida espiritual. Assim, podemos dizer que, se a cultura religiosa não torna alguém mais cristão, também não é somente a vivência que sustenta o Cristianismo. A fé que reside apenas na vontade e no sentimento corre um grande risco. Em momentos de crise faltará sustentação do intelecto para dizer: não estou entendendo nem sentindo como gostaria, mas conheço o suficiente para tirar uma conclusão. Dificilmente uma fé sobreviverá sem a base sólida ou suficientemente sólida da doutrina.
A tônica dos ensinamentos Rosacruzes é servir. Mas será que não corremos o risco de nos acomodarmos ao serviço amoroso e desinteressado que procuramos executar e muitas vezes realmente o executamos, esquecendo-nos de que se aumentássemos nosso conhecimento da doutrina Rosacruz e outros poderíamos servir mais e melhor, reconhecendo realmente todas as oportunidades que se nos apresentam sem deixar passar alguma que, às vezes, nem percebemos serem oportunidades de serviço? E se, aumentando nossa capacidade de servir nesse plano aumentamos proporcionalmente nossa capacidade de servir nos planos internos, será que temos plena consciência da nossa responsabilidade ao nos contentarmos em permanecer no “status” espiritual que julgamos ter, sem melhorar ou melhorando muito aquém do que poderíamos e deveríamos, já que temos o privilégio enorme de sermos chamados pelos Irmãos Maiores para colaborar com eles na redenção da humanidade?
Temos a tendência em achar que, se fazemos o máximo pelos outros está tudo certo. Mas será que esse máximo que fazemos é realmente do que seríamos capazes se ampliássemos nossas capacidades, se estudássemos mais, se procurássemos colocar em nossos atos um embasamento maior de conhecimentos da Filosofia?
Tudo na natureza está na divina ordem: se não somos Auxiliares Visíveis, jamais chegaremos a Auxiliares Invisíveis. Se não trabalhamos pelos nossos irmãos, aqui e agora, aqueles que, com palavras e gestos muitas vezes imploram nosso auxilio, que credenciais teríamos para trabalhar como Auxiliares Invisíveis? Se o mundo físico é o “baluarte da evolução”, temos de trabalhar nele, antes de trabalhar em outros mundos. Deus respeita tanto nosso livre arbítrio que, se não servimos aqui e agora por nossa livre e espontânea vontade, onde praticamente tudo depende de nós, Ele não nos levará a servir no outro lado. Se não queremos servir aqui, quem garante que o queiramos do outro lado?
À medida que servimos, nos tornamos aptos a receber maiores e melhores oportunidades de serviço. Precisamos estar atentos a essas oportunidades e aproveitá-las todas, para formarmos o nosso Corpo-Alma, nosso dourado manto nupcial, pois não sabemos quando Cristo virá nos chamar para as bodas místicas.
Na nossa retrospecção, examinemos mais cuidadosamente o que deixamos de fazer e, se o que fizemos foi tão bem feito como o deveria, por falta de capacidade nossa. E assim poderemos nos conhecer melhor e ampliar nossa capacidade para, cada dia, podermos ser de maior utilidade na Vinha do Senhor.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/75 – Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: Consideram autênticas as profecias de “Mother Shipton”?
Resposta: Meio século antes que a América fosse descoberta, “Mother Shipton”, a vidente de Yorkshire, profetizou a descoberta de uma terra desconhecida na qual o ouro abundaria. Ela viu os automóveis e as ferrovias de hoje com os muitos acidentes que causariam; o telefone, o telégrafo, escafandristas, submarinos, aeronaves, e os grandes navios de ferro que substituiriam as embarcações de madeira. Ela previu as grandes convulsões políticas no mundo, principalmente na França, sua aliança com a Inglaterra e uma mescla das raças Anglo-saxônicas que poderá ainda acontecer apesar de seu conflito atual (1914-1918). Ela viu a emancipação dos judeus e sua elevação a cargos de proeminência, e uma expansão, sem precedentes, do conhecimento mesmo entre os pertencentes às mais humildes classes sociais, finalizando com a predição sobre certas elevações da superfície da Terra, por meio das quais regiões antigas submergiriam e uma nova terra surgiria. Previu o fim do mundo para 1991.
As últimas profecias farão, provavelmente, com que a maioria dentre nós sacuda a cabeça de maneira cética, mas, se analisarmos um pouco a questão, a ideia não nos parecerá tão absurda. Sabemos que já ocorreram elevações da crosta terrestre no passado, e os terremotos e erupções vulcânicas mostram-nos que as atividades subterrâneas não estão, em absoluto, extintas. O autor viu, durante muitos anos, grandes cavernas subterrâneas cheias de óleo e gás que correm numa mesma direção, desde o Maine, atravessando todo o continente americano em direção ao sudoeste abaixo da Califórnia do Sul e prolongando-se até o Oceano Pacífico ao sul.
Sua explosão provocaria uma enorme fenda na Terra. Ao mesmo tempo, viu um arquétipo em fase de construção, que mostra a forma que terá a Terra nessa região quando um cataclismo ou uma série de cataclismos tiver destruído a atual configuração desse continente e do oceano adjacente. Talvez seja arriscado determinar quando começará essa remodelação da Terra, mas o arquétipo ou matriz moldada em matéria mental e representando o pensamento criador do Grande Arquiteto e de Seus construtores está tão próximo de conclusão que, ao julgar pelo progresso realizado durante os anos em que o autor observou a sua construção, parece seguro dizer que até a metade do século atual (1950), senão antes, as elevações ter-se-ão iniciado. Não seria de todo inconcebível se houvesse em 1991 um abalo de tal magnitude que justificasse a profecia da vidente, apontando esse ano como o do fim do mundo. Não obstante, o autor pode estar precipitando-se ao julgar que esses abalos sísmicos terão início na metade do século. Pode ser que demorem a acontecer, e que isso só ocorra no fim do século. Só o tempo dirá, mas é certo que os preparativos para uma grande mudança estão sendo feitos há séculos e estão agora quase completos no mundo invisível. Consequentemente, podemos esperar que a profecia de “Mother Shipton” se realize logo, como se realizaram as outras mencionadas no início deste artigo.
Transcrevemos a profecia para que os nossos leitores possam julgar por si próprios:
Carruagens sem cavalos andarão,
E, por desastres, muita dor no mundo causarão;
“Primrose Hill ” em Londres estará,
E no seu centro, a sede de um Bispado haverá;
Os nossos pensamentos num segundo,
Num piscar de olhos irão dar a volta ao mundo;
Grande muralha a água realizará
Embora estranho, a verdade surgirá,
Nas raízes das árvores será o ouro encontrado;
O homem percorrerá colinas
Sem cavalos ou burros ao seu lado;
Sob as águas os homens vão andar a percorrer, dormir, falar,
Em branco, em preto e em verde
Serão vislumbrados no ar.
Um grande homem virá e irá embora!
O ferro flutuará na água
Tão facilmente como um barco de madeira o faz agora;
O ouro, a riqueza será encontrada
Numa terra até agora ignorada.
O fogo e a água farão maravilhas igualmente.
A Inglaterra acolherá o Judeu finalmente,
O Judeu tão menosprezado
Nascerá de um Cristão determinado.
Uma casa de vidro deverá na Inglaterra passar.
No entanto, que pena!
A guerra estará novamente em cena.
Na terra do Turco e do Pagão,
Procurando destruir-se entre si,
Estado contra Estado ferozmente lutarão.
Mas, quando pelo Norte, o Sul se dividir,
Uma águia o seu ninho na boca do Leão vai construir.
Sangue, guerras e taxas tão pesadas
Pesarão em todas as moradas.
Por três vezes a querida França
Irá voltear numa sangrenta dança,
Antes que seu povo vá se libertar.
Verá três tiranos dirigentes,
Procedendo de dinastias diferentes,
Os três sucessivamente a governar.
Então, lutas cruéis serão travadas
Inglaterra e França, unidas, bem ligadas;
A oliveira da Inglaterra em seguida,
Em casamento com a vinha da Alemanha será cingida.
Os homens sob e sobre os rios irão andar.
Todos os filhos da Inglaterra o solo vão lavrar,
Serão vistos com livros na mão, estudando,
A cultura assim circulando
E a sabedoria também nos pobres brotando.
As águas escoarão por onde os trigais crescem,
E o trigo crescerá por onde as águas descem.
Nos vales abaixo, casas vão surgir,
Mas por granizo e neve irão se cobrir.
O mundo chegará ao fim, sem engano algum,
Em mil novecentos e noventa e um.
(Perg. 155 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
“Amor e Simpatia” – O Único Remédio Para os Males do Mundo
“Estamos vivendo um momento crítico da história da humanidade”; “a decisão tem que ser tomada”, “qual o caminho?”, “estamos numa encruzilhada”; etc. etc., dizem-nos de todos os lados as várias escolas filosóficas, e as várias igrejas. Acreditamos que Max Heindel, o mensageiro dos Ensinamentos Rosacruzes, nos dá o mais sábio conselho: amor e simpatia. Aqueles que desenvolverem e cultivarem ao máximo esses sentimentos, ajudarão a equilibrar o mundo, porque estarão fortalecendo uma corrente de forças positivas, única couraça para protegê-los, e aqueles com quem comunguem, das forças negativas de desarmonia e ferocidade.
Quem cultiva em seu coração a simpatia e desenvolve a capacidade de amar, está ajudando a equilibrar o mundo. Quem dinamiza a capacidade de amar, tem encontro com a verdade.
A única e verdadeira felicidade neste mundo vem do amor. Mas do amor dinamizado, partindo que seja de um amor pessoal, particular, até atingir as proporções totais de um amor universal generalizado a todos e a tudo que nos cerca. Assim, quem tenha a felicidade de ter filhos, família numerosa, deveria tomar consciência da grata oportunidade que lhe foi dada de poder desenvolver e aperfeiçoar sua capacidade de amar, amparar, esclarecer, sacrificar-se, ser útil, com aqueles que lhe são mais chegados, mais queridos, o que lhe tornará mais fácil a tarefa. E quantos sacrifícios exige por vezes criar um filho, amparar pais, irmãos, parentes ou amigos, dar-lhes assistência numa doença, numa prova dura da vida! Agindo sem exclusivismos nem egoísmos, verificará que serão círculos e círculos de amor que se irão multiplicando geometricamente.
Lembremo-nos de uma frase de Max Heindel que constitui um aviso sensato: “nem todos podemos ser grandes luzes para o mundo, mas seja cada um a pequena luz que brilha no lugar em que foi posto”.
Épocas houve em que anseios espirituais nos levaram a uma certa ansiedade no desejo de procurar realizar obras altruístas, de auxílio e assistência. E quando corríamos de cá para lá na busca de campo de ação, sempre se manifestava a falta de oportunidade, até a inutilidade, por vezes, daqueles esforços que nos levará aqui e ali. Numa palavra, as portas não se abriam – se bem que seja válido o esforço que se faça em ser de algum modo útil. Parece que a própria vida se encarregava de lembrar-nos o velho ditado: a caridade bem ordenada em casa deve ser começada.
Contentemo-nos em ser “a pequena luz que brilha no lugar em que foi posta”. É sem dúvida a família que construímos, é o lugar em que fomos postos.
E pensar que estamos ajudando a construir núcleos de paz e amor para o mundo dando assistência e dedicação aos nossos lares e aos nossos filhos, parentes ou amigos, onde o amor, bondade, o equilíbrio, sedimentam-se dia após dia. Isto traz-nos imensa paz e felicidade. Estaremos colaborando na construção de focos de luz que irradiarão para o mundo.
Para isso há que procurar cada um tomar consciência de si próprio, de sua realidade interna sem cobri-la com falsos véus, ser autêntico, analisar suas falhas e qualidades, conquistar o necessário domínio próprio pela força de vontade em aspirar a corrigir falhas e fortalecer qualidades, melhorar-se cada vez mais para desenvolver os dons que potencialmente todos possuímos. O valor dessa conquista está no anseio e esforço que inquebrantavelmente empregamos para ela. Gandhi, o pacífico e bondoso apologista da resistência passiva, com que conquistou muitas melhorias para seu povo, dizia não achar valor algum nessa sua qualidade que apenas tinha nascido com ele – não era uma conquista de sua aspiração ou esforço.
Isso pode chegar a parecer um exagerado anseio de perfeição, mas o que revela é uma adorável humildade. Há outra qualidade tão necessária a quem quer viver uma vida superior, uma vida de amor. Na “Imitação de Cristo” nos é lembrado: e porque os seres humanos aspiraram em sua vaidade a um estado mais elevado que aquele onde Deus os queria, perderam rapidamente a graça. Pela falta de humildade quantos seres humanos de valor se desviam pelas veredas da vida, perdendo assim maravilhosas oportunidades de serem úteis a si próprios e a seus semelhantes.
Na reforma do caráter, na busca do aperfeiçoamento, é fundamental conquistar a necessária humildade de reconhecer seus erros e enganos e tentar corrigi-los.
Creio que o domínio e equilíbrio próprio são algumas das maiores conquistas que o ser humano deve perseguir, sem a qual não poderá expandir seus íntimos valores.
Observa-se na vida que, no meio termo, encontra-se o equilíbrio, exceto no amor, onde não há perigos de extremos: quanto maior mais equilibra.
O verdadeiro amor não fanatiza porque já não se apega a verdades temporais, a mestres, escolas ou igrejas. Não lhe interessam nomes, mas o AMOR CRISTÃO e saberá respeitar a visão e grau de evolução de quem quer que seja. Fará sentir a Verdade, que é uma só, em todos os lugares em todas as religiões, em todas as filosofias: bondade, justiça, lealdade, abnegação, sinceridade, o que forma os caracteres íntegros.
O amor universal reveste-se de todas as características do amor de pais, filhos, esposos e amigos: é aquele de que nos diz São Paulo na Bíblia “tudo crê, tudo espera, tudo suporta, nunca falha”.
Quando alcançado esse grau de amor, podem suceder desgraças, podem os seres humanos trazerem-nos os maiores desenganos e dores, que um coração infenso a rancores e ressentimentos permanecerá sereno.
O amor constrói; o ódio destrói. Santo Agostinho, em suas famosas “Confissões”, delineia numa frase, a síntese do que é a falta do amor: “como se houvesse maior inimigo do ser humano do que o próprio ódio que ele tem em seu coração”. O que pesa, o que realmente importa para a evolução, equilíbrio e felicidade do ser humano, é o que ele pensa e sente, não o que outros pensem ou sintam a seu respeito. A felicidade vem de dentro para fora, do AMOR que haja nos corações. Os que o têm, quando alvo no mundo de injustiças, ingratidões, injúrias, ataques ou abandonos, chegarão a poder sentir em seu coração muito embora a dor irreprimível dos erros de que foi alvo – uma imensa mágoa pelos erros que outros estejam cometendo, acarretando para si próprios inevitáveis sofrimentos, conscientes de que o verdadeiro mal está em quem os pratica, seguirão tranquilos sua caminhada.
Pondo em ordem seus pensamentos e sentimentos, projetando para aqueles que o rodeiam, simpatia e desejo de ser útil, justo e correto, o ser humano encontra a paz que o equilibrará neste mundo conturbado. Não serão as grandes obras, os grandes feitos, as grandes conquistas materiais que lhe trarão, mas os pequenos gestos de bondade, os pensamentos puros de tolerância e compreensão para com falhas e grandezas dos outros, a disposição constante de auxiliar de algum modo, com trabalho, companhia, palavras amigas de encorajamento e alegria.
Grandes pensadores, grandes inteligências que nos legaram quase sempre fruto de seus íntimos anseios e sofrimentos – obras famosas, tais como Schopenhauer, Kierkegaard, Kafka, tendo aguda e clara visão de muitos problemas da alma humana, não encontraram paz e equilíbrio. Andaram perto da Verdade e não a tocaram, porque não encontraram o Amor que os libertaria da angústia. O Amor é como um foco de luz, que mal o buscamos tudo ilumina e aquece. “Quem vive em amor vive em Deus, e Deus nele” – esta afirmação de São Paulo nos dá a verdadeira dimensão do amor. É uma chave da porta da paz, uma chave universal, pois serve a crentes ou ateus, católicos ou judeus, protestantes ou budistas. Deus ou o que queiramos chamar-lhe, esse algo desconhecido de quem emanamos, que tudo criou, dita-nos claramente, através da consciência, que para termos paz e harmonia neste mundo só vivendo no bem e no amor. E só quando haja o amor cristão em seus corações, os homens terão paz e harmonia, quando, ainda que ignorando o Cristo, sintam despertar em seu íntimo os atributos que o caracterizam: a doutrina do amor ao próximo, a única que poderá unificar os seres humanos.
Durante muito tempo não achava a forma de orar ou pedir algo por meus filhos, certa de que cada um tem o seu caminho próprio (que desconhecemos) a percorrer, sua colheita daquilo que semeia. Mas um dia achei a fórmula mágica. Envolvendo-os em amor, elevo o pensamento às forças superiores que regem o mundo num intenso anseio de que eles se mantenham sempre pela vida afora no caminho do Bem e do Amor. Não se afastando desses princípios, estarão protegidos, serão certamente úteis e felizes. Prova alguma os derrubará na vida.
Dar amor é como uma sementeira de belas flores, que a seu tempo brotarão e desabrocharão, encantando-nos.
Quando ouvi de uma de minhas filhas que umas palavras escritas por mim em seu álbum de juventude a tinha feito chorar de emoção, quando um filho me conta que esta ou aquela frase ou atitude minha o comovera em silêncio até às lágrimas, 20 anos atrás, quem se comove agora profundamente sou eu, ao constatar a sensibilidade de seus corações, a receptividade ao amor e carinho que lhes dava.
É o amor que nos permite construir sólidas amizades que nos enriquecem e confortam a vida. É no intercâmbio de ideias, conhecimentos, dedicações, sacrifícios, alegrias e sofrimentos que pomos em atividade os íntimos valores, descristalizando-os, adaptando-nos a novas experiências e renovações.
Procurar desvendar os mistérios da nossa origem, de onde viemos, para onde vamos, para que vivemos, através dos muitos caminhos da espiritualidade, é cativante e útil. Mas a observação dos seres humanos nos mostra que a principal e básica procura deverá ser a do íntimo conhecimento e equilíbrio próprio, a formação de um caráter íntegro sem o qual todos os conhecimentos podem tornar-se absolutamente inúteis. Pessoas há que depois de passarem longos anos ligadas, integradas, numa Igreja ou Escola, caem nos mesmos erros e enganos dos seres humanos comuns que nunca se vincularam a qualquer caminho espiritual – porque lhes faltou a reforma básica que os tornassem caracteres íntegros. Não tiveram a coragem de se olhar intimamente, de encarar suas próprias falhas. Durante anos enganaram-se a si próprios e aos outros. Mas chega fatalmente dia em que surgirá qualquer prova colocando em evidência seu verdadeiro caráter, aquilo que não foi corrigido.
Que valor tem um profundo conhecedor de filosofias – e todas elas pregam o amor, a bondade, a justiça – se na vida não souber agir equilibradamente, dominando seus pensamentos, sentimentos e ações, com amor, bondade e justiça?
“De que servirá uma filosofia ou religião que não nos torne melhores seres humanos, melhores maridos e pais?”. Esta é na verdade uma pergunta de Max Heindel a ser meditada!
Em compensação, quem não tenha estudado filosofia ou religiões, mas tenha em si o dom de saber amar, esse assistirá sereno aos erros e enganos, injustiças e falhas que campeiam pelo mundo, com amor, bondade e tolerância.
Viver é uma arte. Já que desconhecemos o porquê, o para quê, nos foi dada a vida, procuremos dar-lhe um sentido, torná-la útil, vivendo numa atitude não de egoísta procura de meras satisfações pessoais – o que, aliás, gera afinal a insatisfação! – mas voltada para o interesse pelos que nos rodeiam. Muitos apagariam suas íntimas angústias se, por uma atividade de interesse pelas dos outros, deixassem de focalizar as suas! A frase bíblica “viver no mundo sem pertencer ao mundo” é um desafio ao aspirante a uma vida equilibrada. Na verdade, deve-se participar ativamente da vida material que nos rodeia neste mundo em que vivemos, tão cheio de belezas. Mas, ao se vislumbrar que há em nós um outro mundo, o mundo espiritual, cujos valores são muito mais importantes que os do mundo externo, tão falíveis, tão perecíveis, começa-se a ter melhor consciência do valor relativo deste plano.
Participando equilibradamente de todas as atividades possíveis na vida, sem excessos nem exageros, colhe-se a necessária experiência por meio da qual a vida do espírito vai manifestar-se melhor.
Então chegaremos a amar o mundo sem a ele nos prendermos, sentindo que há outro mundo dentro de nós, aquele que nos permite amar melhor o externo, porque nos deixa livres de apegos, preconceitos, ilusões.
Há que participar ativamente do mundo em que vivemos, e o podemos fazer intensamente e com alegria se, aprendendo a dominar sentimentos, soubermos agir equilibradamente. A rainha-mãe da Inglaterra mostrou muito bom-senso e conhecimento do valor da vida quando, recusando o retrato que um pintor lhe havia feito, disse: está muito bonito mas dir-se-ia que passei pela vida sem dela ter participado!
Vida espiritual não tem que ser isolamento do mundo.
Quando a consciência espiritual desperta no ser humano, ela deverá refletir-se em integridade de caráter, no seu comportamento externo, no modo como age e participa do mundo. Acredito que essa atitude externa de ativa e equilibrada participação será o que mais estimulará e desenvolverá a parte espiritual da humanidade.
Haverá assim um movimento de duas forças ativas que se fortalecem e equilibram, uma demonstrando a outra.
O mundo está cheio de injustiças, egoísmos, vaidades, ferocidade, mil aspectos que nos entristecem. Mas sendo cuidadosos em não participar desses fatos negativos, antes cultivando ao máximo o Bem e o Amor, além de formarmos uma corrente positiva que ajudará a equilibrar o mundo, poderemos desfrutar das coisas belas que nos rodeiam. Quem tenha uma certa sensibilidade, e cultive as superiores qualidades de caráter, sente que correm no mundo as correntes construtivas e destrutivas, do bem e do mal. Distingue facilmente onde se expressa uma mensagem de amor e onde há apenas especulações intelectuais, muitas vezes camuflando egoísmos e vaidades.
Afinal, para se viver em paz e com alegria no coração não é essencial penetrar nas especulações metafísicas, religiosas – e sempre no infinito das nossas especulações haverá pontos de interrogação. Deixemos isso para depois de termos aprendido a dar amor e simpatia, base das maiores alegrias, confortos espirituais e materiais, e a forma mais fácil de chegar perto da Verdade.
No decorrer dos anos, ao longo da vida, vão surgindo momentos marcantes de grande íntima alegria ou mágoa profunda, pelos acontecimentos da vida: a leitura de um autor cujo pensamento ilumine o nosso, um gesto de amizade, um ato de bondade, um belo espetáculo da natureza ou criado pelos seres humanos– a maldade deles, os horrores das guerras, etc. etc. São momentos de emoção que nos fazem parar na caminhada para uma tomada de consciência. Algo de novo foi acrescentado à nossa experiência, enriquecendo a nossa vida. E essas sucessivas tomadas de consciência vão formando como que degraus que nos vão traçando caminho. Se ele for o caminho do Bem e do Amor atingiremos uma plataforma estável onde nos fixaremos tranquilamente, de onde teremos uma visão mais ampla, uma nova dimensão do mundo que nos cerca.
Essa plataforma é conquista de cada um. É trabalho e esforço de cada um. Não se pode ensinar aos outros a fé em algo superior, como não se pode dar aos outros a chave do seu caminho. Cada um vai colhendo daqui e dali, das mais variadas fontes, as pedras e pedrinhas com que formará a sua estrada, que o levará ou não à plataforma da paz. Mas é preciso ter a aspiração de construir a estrada.
Creio que as mais úteis chaves que um pode dar a outro são Amor e Simpatia.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/75 – Fraternidade Rosacruz)