porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Amizade como um ideal

Dezembro de 1910

Em um movimento religioso é costume se dirigir um ao outro como “Irmã” e “Irmão”, em reconhecimento de que todos, de fato, somos filhos de Deus, que é o nosso Pai em comum. Entretanto, irmãos e irmãs nem sempre estão em harmonia. Algumas vezes chegam ao extremo de se odiar, mas, entre amigos não pode haver outro sentimento que não seja o amor.

Foi o reconhecimento desse fato que levou Cristo, nosso grande e glorioso Ideal, a dizer a Seus Discípulos: “De agora em diante já não vos chamarei de servos…, mas de amigos” (Jo 15:15). Nada melhor podemos fazer do que seguir o nosso grande Líder, tanto nesse como em todos os outros acontecimentos da Sua vida. Não devemos nos contentar com simples relacionamentos fraternais, mas vamos nos esforçar por sermos amigos no mais santo, puro e amplo sentido da palavra.

Os Irmãos Maiores, cujos belos ensinamentos nos uniram no Caminho da Realização, honram os seus Discípulos do mesmo modo que Cristo honrou os Seus Apóstolos chamando-os de “Amigos”. Se você persistir no Caminho que você começou a percorrer, algum dia, estará na presença deles e ouvirá essa palavra “Amigo” pronunciada em voz tão suave, carinhosa e dócil que ultrapassa qualquer descrição ou até a própria imaginação. A partir deste dia, não haverá trabalho que você não efetuará para merecer tal amizade. Servi-los será o seu único desejo, sua única aspiração, e nenhuma distinção terrena será comparável a esta amizade.

Sobre os meus indignos ombros caiu o grande privilégio de transmitir os Ensinamentos dos Irmãos Maiores ao público em geral e, em particular, aos Estudantes, Probacionistas e Discípulos da Fraternidade Rosacruz. Você que solicitou que seu o seu nome figurasse na minha lista de correspondentes, saiba que eu, alegremente, lhe estendo a minha mão direita em fraternidade, cumprimentando-o pelo nome de amigo. Aprecio a confiança que deposita em mim, e lhe asseguro que me esforçarei para ajudá-lo em tudo que estiver ao meu alcance e ser merecedor de sua confiança. Espero que também você me auxilie no trabalho que me proponho a fazer em benefício de todos, e peço que me desculpe no caso de descobrir alguma falha em mim ou em meus escritos. Ninguém necessita mais de orações de seus semelhantes do que aquele que tem por missão ser um líder.

Por favor, lembre-se de mim em suas preces e tenha certeza de que o terei nas minhas. 

Incluo a primeira lição com a esperança de que o que foi exposto nessa carta estabeleça as nossas relações e firme, entre nós, uma amizade sincera.

(Do Livro: Carta nº 1 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Do Merecimento de Cada Um

Do Merecimento de Cada Um

Não raro acontece encontrarmos na vida pessoas que habitualmente atribuem aos outros a causa dos seus malogros, quando não, à sua própria falta de sorte. Em princípio, sabe-se que a sorte não existe, que tudo o que nos acontece é sempre resultado de nosso próprio merecimento. Até aquilo que vulgarmente chamamos de “coisa feita”, “despacho”, “feitiço”, e que tem sido, em muitos casos, apontado como responsável por ocorrências funestas na vida das pessoas a quem se dirige, até aquilo, não deixa de ser fruto de um merecimento. Porque se não houver culpa nenhuma — ou do presente, ou do passado — não existirá força negativa capaz de causar danos a quem quer que seja. Temos de ter sempre em mente que a pureza de sentimentos, de ações, de viver, enfim, fecha todas as brechas, reforçando os pontos fracos que poderiam dar acesso a qualquer maldade exterior.

E, na ordem de pureza, deve ser reconhecida, não só a nossa constância no bem, em todos os instantes do dia, como também uma fé inabalável em nossa autoprojeção que será conquistada através de nossa permanência na luz, procurando evitar tudo o que possa facilitar qualquer incursão de forças negativas em nosso mundo interior. Principalmente no início de nossa jornada, será necessário evitarmos contatos com ambientes em que se pratica o espiritualismo de forma passiva; ambientes que possam favorecer qualquer fragilidade nossa, como por exemplo, sortistas e adivinhos. Aliás, já o fato de sentirmos interesse ou necessidade de tais “apoios”, significa por si mesmo uma fragilidade em nosso campo de força interno.

Isso porque só o semelhante atrai o semelhante. E, se aceitamos certas ideias espiritualistas, e ainda mais se convivemos com elas por anos e anos, fazendo delas nossa forma de vida, não se justifica o fato de não encontrarmos nossas mesmas ideias — que já se devem ter transformado em vivência — não se justifica, repetimos, a necessidade de partilhar de outras ideias, nem que o façamos levados apenas por uma simples curiosidade. E, se alguém, por acaso pensar que há muita rigidez nesse modo de proceder, que uma vez possuindo força própria conquistada no bem realizado, não haverá razão para temermos outros ambientes ou outras ideias contrárias às nossas, será bom que analise as verdadeiras razões que o estarão induzindo a procurar outros canais de força. Tenhamos em mente que liberdade total nesse sentido só será real, deixando de se constituir em prejuízo, quando não houver mais nenhum interesse pessoal, nenhuma atração íntima a esses contatos, mas apenas uma imparcial e sincera necessidade da prática do Serviço que, de outra maneira talvez não fosse possível em tais meios.

Quando isso acontecer, estaremos amparados por nossos próprios recursos internos e, então, nada teremos a temer, nem da vida, nem das criaturas, tanto encarnadas como desencarnadas.

Portanto, se alguém chegar a sofrer alguma vez esse tipo de tentativa destrutiva por parte de um semelhante mais atrasado, não esqueça que o merecimento próprio será a sua melhor proteção, seu melhor apoio. Lembre-se que se tiver sido persistente no certo, essa proteção há de fazer-se notar de uma forma ou de outra, dependendo do seu grau de entendimento e aceitação das coisas. Melhor dizendo, sempre que estivermos no ponto de merecer auxílio das forças superiores, havemos de ter, um vislumbre que seja, ou das orações a serem feitas, ou de algum sacrifício necessário, ou de alguma atitude mental de despreocupação, ou ainda, de outro qualquer recurso positivo que deverá ser empregado no caso.

Uma coisa é bem clara: quem já penetrou um pouco mais na consciência de si mesmo, jamais pensará sequer em lançar mão, para se defender, de um recurso semelhante ao impacto negativo recebido. Seu próprio estado de merecimento não justificará tal reação, na certeza de que esse não seria o recurso acertado para libertar-se do jugo que lhe foi imposto.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de set/1973)

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Interesse pelas Filosofias Esotéricas

Interesse pelas Filosofias Esotéricas

Cresce, de forma notável, o interesse pelas filosofias esotéricas entre as diversas camadas socioeconômicas e culturais brasileiras, haja vista o grande número de obras lançadas atualmente, abordando temas espiritualistas.

As bancas de jornais e as livrarias registram uma procura superior à verificada em qualquer época. Naturalmente, nem todas as publicações situam-se num nível elevado. Há também algumas inconsequentes e de fundamento dúbio. Mas, de um modo geral nota-se muita semente digna de germinar sendo lançada.

E, além do mais, contribuem valiosamente para esclarecer as pessoas sobre uma gama variadíssima de questões vigentes até pouco tempo como incógnitas.

Há uma procura, procura muitas vezes desordenada. Contudo, pressupõe ânsia de conhecer. Busca da verdade. Desejo de obter respostas às mais intimas indagações.

Quão grande é a responsabilidade das Escolas Filosóficas em face dessa situação! E perante essa responsabilidade, quão privilegiada é a posição da Fraternidade Rosacruz por divulgar uma filosofia racional, logicamente ordenada, credenciada a satisfazer aos mais extremos anseios da Mente inquiridora, tão característica do ocidental.

O ocidente clama por ensinamentos profundos. Ensinamentos que revelem ao ser humano a sua natureza real. Que tenham o condão de, atingindo sua mente, lhe sensibilizar o coração no amadurecimento de uma natureza equilibrada. Que expliquem a origem dos seres e do mundo, determinando as causas entranhadas em todos os fatos.

A Fraternidade Rosacruz é uma Escola séria. Não visa a aliciar prosélitos. Mas acolhe de braços abertos a tantos quantos aspirem a uma vida superior. Oferece um programa de regeneração. Todavia, não é dogmática.

Respeita ao máximo a liberdade do Estudante. Procura libertá-lo da dependência de fatores externos, tornando-o confiante em si mesmo no mais alto grau. Preconiza o estudo. Estimula a pesquisa. Exorta à devoção. Respeita e compreende as demais escolas e crenças, reconhecendo a importância que assumem em determinados agrupamentos humanos, cujos estágios evolutivos comportam exatamente aquelas linhas doutrinárias. Não tem líderes. Alicerça-se na boa vontade e idealismo de seus membros.

A Fraternidade Rosacruz, nós o sabemos, é um movimento inspirado desde os planos internos. Contudo, para a colimação de seus propósitos no Mundo Físico, necessita do empenho de seus Estudantes. Nascida em meio às lutas e sacrifícios de Max Heindel, ela logrou sobreviver às inúmeras dificuldades, consolidando-se como um movimento “sui generis”. Da mesma forma, o esforço desinteressado de cada Estudante, fortalece a Obra na hora presente.

É um ideal grandioso. O campo para divulgação do rosacrucianismo desponta cada vez mais promissor. E a Fraternidade Rosacruz deve estar preparada para essa fase.

O número de Estudantes já é considerável, mas ainda são poucos os que dedicam uma mínima parcela de seu tempo em benefício da Obra.

Cada departamento requer uma estrutura cada vez mais definida e segura para atender e corresponder às necessidades daqueles que solicitam nossos serviços. A divulgação da filosofia deve estender-se a outras áreas. E os campos atingidos atualmente devem ser ampliados.

Esse trabalho de divulgação, esse verdadeiro apostolado, logrará o esperado êxito se desenvolvido em bases racionais, didáticas e impessoais.

Nesse labor altruísta o espírito de equipe deverá encontrar sua máxima expressão. Quem não se integra ao contexto do trabalho grupal, sobrepondo os interesses coletivos aos sentimentos pessoais de simpatia e antipatia, sacrificando inclusive suas ideias próprias (quando for necessário), encontrar-se-á irremediavelmente deslocado dentro da Obra.

Perscrutemo-nos anteriormente. Analisemos imparcialmente nossa conduta dentro do movimento Rosacruz. O ideal significa muito para nós? Dedicamo-lhe nossos melhores esforços? Damos um colorido impessoal ao nosso trabalho? Fazemo-lo independentemente de cargos e honrarias?

Com a palavra a nossa consciência!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1973)

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Imitação de Cristo – Thomas de Kempis

É um livro muito mencionado por Max Heindel em vários dos seus escritos como um dos melhores livros “de natureza puramente devocional” que ele sugere que o Estudante Rosacruz deve estudar e estudar e estudar.

Um exemplo: “Não importa se a vida tem longa ou curta duração. Muitas pessoas, como diz Thomas de Kempis[1], preocupam-se em garantir uma vida longa. Não importa a quantidade dos dias e sim a qualidade dos dias vividos. Devemos dirigir nossos esforços no cumprimento do dever diário. Então, certamente estaremos qualificados para receber o conhecimento superior e o exaltado poder que o acompanha.

Há sempre espaço para praticarmos o conhecimento, adquirido, não importa onde. Não se trata de pregar sermões nem de extasiar plateias. Declamar, desde manhã até a noite, as maravilhas que conhecemos para angariar admiradores. Ao contrário, devemos servir com humildade, vivendo a verdadeira vida espiritual.  Dando exemplos vivos e coerentes com nossos ensinamentos. A oportunidade para servir existe para todos nós. Não precisamos procurá-la muito longe, ela está precisamente aqui. Thomas de Kempis expressou tudo isso da maneira singela, própria de um místico inspirado. Com lindas palavras abordou o mesmo tema na ‘Imitação de Cristo’.”


[1] N.R.: Também conhecido como Tomás de Kempis, Tomás de Kempen, Thomas Hemerken, Thomas à Kempis, ou Thomas von Kempen (1379 ou 1380-1471) foi Monge e escritor alemão.

1. Para fazer download ou imprimir:

Imitação de Cristo – Thomas de Kempis

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O que é Ser um Aspirante a Vida Superior

O que é Ser um Aspirante a Vida Superior

O Aspirante à vida superior é aquele que tomou consciência da sua responsabilidade no plano de Deus e deseja participar dele. Para isso busca, por meio do estudo, alcançar a vida superior.

Chega um momento, porém, em que sente a necessidade de dedicar-se mais. Até aqui, por meio do estudo desperta o interesse e cumpre os mandamentos de Deus. Tal qual o jovem rico na parábola dada por Cristo Jesus: “Disse-lhe o jovem: ‘Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que me falta ainda? ’”. Respondeu Cristo Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dê aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me”. “Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos bens.” (Mt 19:20-22)

Muitos chegam até este ponto: obedecem aos mandamentos de Deus. Entretanto, o verdadeiro Aspirante à vida superior busca algo mais. Quer se livrar da escravidão que as posses terrestres lhe impõem. Quer que sua vida seja dedicada ao serviço amoroso e desinteressado aos outros.

A partir desse momento, passa a considerar tudo que possui no plano material como instrumento para o bem. Vive como propõe João na sua primeira Epístola: “não ameis o mundo, nem as casas do mundo, se alguém ama o mundo não está nele o amor do Pai.” (Jo 1:2-15).

Começa aprender a servir e compreende que a sua tarefa é aproveitar as oportunidades dadas por Deus, cultivá-las e transformá-las em poder anímico, poder da alma, que a cria e a alimenta. Aqui há um grande problema: a PRESSA. Quando decidimos caminhar em direção ao desenvolvimento espiritual estamos cheios de ânimo e não vemos a hora de alcançar a meta.

Tornamo-nos inquietos e chegamos até a agir precipitadamente. Só que não entendemos que é justamente essa atitude de inquietação e precipitação que frustra o que queremos alcançar. A natureza não dá saltos. O desenvolvimento é gradual, lento, mas seguro.

A falta de entusiasmo que sentimos e que faz parecer que em nada temos progredido é o resultado dessa discordância. O segredo está em compreender, ou tomar consciência da grande dificuldade que é mudar os nossos hábitos. É preciso muito esforço e muito tempo para formar novos e melhores hábitos no Corpo Vital.

Entretanto, uma vez formado um bom hábito, torna-se fácil praticá-lo. Contudo, para mantê-lo assim, devemos agir sempre com intensidade, firmeza e tranquilidade. Lembre-se que o que desenvolve o Corpo Vital é a repetição de coisas boas. As experiências repetidas nele criam a memória. E nesse sentido temos que ser persistentes e persistentes. “Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram” (Mt 7: 14).

Quando o Aspirante chega ao ponto de tomar a consciência da importância da consagração da sua vida ao serviço, ele compreende quão importante é isso, pois conhecer as leis de Deus e os mistérios da natureza é muito bom. Contudo, se não temos essa consciência de consagrar nossa vida ao serviço, nada vale o talento, a habilidade, a benevolência ou qualquer outra coisa. É isso que consegue por meio do domínio próprio. É assim que nos qualificamos para orientar os outros. Nesse ponto, o Aspirante que acha que não tem talento, não tem nenhuma habilidade para escrever ou para falar, mas que leva uma vida justa, consagrada ao serviço, cheia de ações de amor, vale mais do que o melhor orador que vive uma vida sem esforços, sem atos. Como lemos em IJo 3:18: “Não ameis de palavra nem de língua, mas por obras e em verdade”.

A persistência é fundamental nesse processo. Temos que ser persistentes em transformar nossos maus hábitos em bons hábitos. Transformar nossas habilidades em atos. Para isso precisamos fazer o que disse São Paulo: “Eu morro todos os dias”. Morrer diariamente para as coisas velhas – os maus hábitos, os vícios – de modo que as coisas novas possam ter espaço e disposição para crescer – os bons hábitos, as virtudes. Como disse Goethe, o poeta Iniciado: “Quem não experimenta morrer e nascer para vida, sem interrupção, sempre será um hóspede triste sobre essa terra infeliz”.

Nesse sentido muito nos ajuda o exercício de Retrospecção. É ele que nos faz morrer para as coisas que fizemos no dia anterior, deixando espaço e disposição para as coisas que faremos no dia seguinte. Ele é o nosso “Purgatório” e “Primeiro Céu” diários. É por meio dele que compreendemos os erros nos nossos hábitos e nos determinamos a eliminá-los ou a desfazer o mal feito. E, também, que aprovamos impessoalmente o bem praticado, determinando-nos a agir melhor. Com isso, fortificamos o bem pela aprovação e debilitamos o mal pela reprovação. Daqui notamos que o arrependimento e a reforma íntima são fatores poderosos na vida do verdadeiro Aspirante a vida superior. Praticando-os aprendemos a virtude da humildade e da esperança e, ainda, aprendemos o discernimento e a disposição em agir, pois ficamos desejosos em corrigir o mal feito.

A natureza jamais desperdiça esforços em processos inúteis. Uma vez aprendida a lição, o ensino será suspenso. Estaremos prontos para novas conquistas. Portanto, quem determina o compasso do nosso desenvolvimento somos nós mesmos. Tomemos cuidado com a impaciência e a ansiedade. Elas são manifestações da parte inferior do nosso Corpo de Desejos que sempre aspira por novidade, emoção, paixão… Porque queremos novos conhecimentos, se nem aquilo que aprendemos, praticamos?

Se, muitas vezes, não nos damos o trabalho nem de pesquisar, nem de meditar? Queremos tudo pronto e acabado. Queremos evoluir por meio de esquemas pré-estabelecidos ou formulas mágicas, como se existisse uma receita de bolo para o desenvolvimento oculto, para o conhecimento direto. Como disse Max Heindel (no livro O Conceito Rosacruz do Cosmos): “Nada realmente valioso obtém sem esforço. Nunca será demasiado repetir que não existem coisas como os ‘dons’ e a sorte. Tudo que possuímos é resultado de esforço. O que falta a um em comparação com outro está latente em si mesmo e pode ser desenvolvido quando se empregam os meios apropriados”. E todo o Aspirante ao conhecimento direto aos mistérios ocultos da natureza deve possuir um desejo intenso de adquirir esse conhecimento, lutar por ele e excluir de sua vida qualquer outro objetivo. Porém, deve ser acompanhado sempre por um desejo igualmente intenso de ajudar a humanidade, de um esquecimento de si próprio, e trabalhar para bem dos outros! Deve dar provas de desinteresse.

O conhecimento, por si só, resulta somente em intelectualidade. E intelectualidade compartilha a natureza da espiritualidade. Como diz um amigo nosso: “Há muitos intelectuais, ou que se julgam intelectuais, que nem começaram a soletrar o alfabeto divino”. Por outro lado, a experiência sem o conhecimento que a explique torna-se difícil de ser aproveitada.

A experiência ajuda-nos a melhorar, a aprimorar nossos veículos: o Corpo Denso, o Corpo Vital, o Corpo de Desejos e a Mente. É por meio dela que desenvolvemos a vontade. E essa é a força com a qual aplicamos o resultado da experiência. E é a vontade que nos faz ser persistentes e que nos ajuda a entender que: não importa o quanto falhamos, o que importa é que nunca deixemos de tentar. Pois não são os resultados, mas a sinceridade e a intensidade do nosso esforço o que conta. Daqui tiramos que o importante é fazer.

Tentar fazer o melhor que pudermos, mas fazer, não deixar de fazer. Não ter medo ou deixar de fazer algo por medo. Se quisermos aprender, temos que tentar. Mil vezes errar porque tentamos, do que por nossa omissão. O Aspirante a vida superior está sempre disposto em fazer algo, em ajudar, em servir. Ele não tem dias livres, nem de folga, nem feriados, nem férias, nem horário específico. E ainda, faz suas obras em segredo, sem propagandas ou pretensão de promoção. Contudo, sim, no completo anonimato, como disse São Mateus, no seu Evangelho, no cap. 6 vers. 1 a 3: “Guardai-nos de fazer vossas boas obras diante dos homens para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está no céu. Quando, pois, dá esmola, não toques a trombeta diante de ti (…) que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita”. Jesus Cristo disse que “o céu deve ser tornado de assalto”! Ou seja, que para alcançá-lo devemos ser determinados, decididos. Devemos estar sempre prontos a agir. Como diz São João no Apocalipse: “Não és frio nem quente, oxalá fosses frio ou quente, mas, como és morno, vou vomitar-te” (Apo 3:15-16). Não devemos ser mornos, mas sim quentes ou frios.

Do mesmo modo que a alma morre de fome se só a alimentamos com livros, com conhecimento, também morrerá se ficarmos sempre em cima do muro com medo de tomar partido por não querer magoar tal pessoa, ou correr o risco de perder tal amizade, ou por achar que não temos nada a ver com isso, ou por achar que não temos nada a dizer. Ficar de bem com todos não é ser “bonzinho” indiscriminadamente.

O Aspirante mostra coragem e exemplifica os ensinamentos nessas horas difíceis ou coloca em prova a sua determinação. Quanto maior é o pecador maior é o santo. Portanto, do ponto de vista espiritual, é preferível uma vida de erros, de atitudes erradas, mas cheia de obras, do que uma vida sem ações, enclausurada e restrita em obter conhecimentos só e em cima dos outros. O mundo necessita de seres de ação e não só de sonhadores. Quando decidimos ser Aspirante a vida superior, as pessoas ao nosso redor se voltam a nos observar! Não somos julgados pelos ensinamentos que pregamos, mas pela vida que levamos.

Exemplificaremos nossas vidas com obras do bem, intensificando nossa vigília sobre como vivemos, vivenciando os ensinamentos cristãos Rosacruzes (já que se estamos na Fraternidade Rosacruz, foi esse o método que escolhemos para se tornar um verdadeiro Aspirante à vida superior), obtendo experiências mais pela observação do que pela dor, praticando nossos exercícios – conforme fornecidos pela Fraternidade Rosacruz – sempre com mais intensidade e amor; esforçando-nos para sermos sempre maiores servidores e, assim, tornar mais conscientes nossas vidas do plano evolutivo que Deus, nosso Pai e criador elaborou para efetivarmos, de fato, a Sua imagem e semelhança.

QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O que é a Fraternidade Rosacruz e como ela trabalha?

A Fraternidade Rosacruz é composta por homens e mulheres que estudam a Filosofia Rosacruz, que também é conhecida como os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, tal como é apresentada no livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos”.

É uma Escola, onde quando a pessoa se inscreve e começa a fazer o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, alcança o Grau de Estudante Preliminar. Depois dele pode alcançar os demais graus propostos na Fraternidade Rosacruz que você pode ver aqui: Caminho da Preparação e o Caminho da Iniciação Rosacruz.

Essa Filosofia Cristã Mística revela os conhecimentos profundos a respeito dos Mistérios Cristãos e estabelece a união entre a Arte, a Religião e a Ciência. Max Heindel foi escolhido pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz para revelar publicamente os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, de modo a contribuir na preparação da humanidade para a vindoura era da Fraternidade Universal, a Era de Aquário. O trabalho da Fraternidade Rosacruz consiste em disseminar o Evangelho e a curar (não remediar!) os enfermos. Tais tarefas são realizadas de três modos principais:

1º) a disponibilização dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental a todos aqueles que desejam recebê-lo;

2º) por um Departamento de Cura que enfatiza a cura espiritual baseada nos princípios do reto viver pelo Método Rosacruz de Cura;

3º) e disponibilizando os livros da Fraternidade Rosacruz, bem como seus cursos, que ajudam no desenvolvimento pessoal, para todos aqueles que os solicitem.

Os cursos podem ser realizados por correspondências ou endereço eletrônico (e-mail) e incluem: estudos na Filosofia Esotérica Cristã, tendo como base o livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos”; o curso de Estudos Bíblicos que contribui para uma melhor compreensão das verdades satisfatórias contidas na Bíblia; e estudos da Astrologia Espiritual que foi concebido para auxiliar no foco da vida em sua parte espiritual (por meio do desenvolvimento espiritual e autoconhecimento), como uma chave para o Espírito, como um forte correlacionador para ajudar na cura dos doentes e enfermos, cujas causas estão justamente nas falhas que se comete por não focar a vida na parte espiritual. Assim, se utiliza da Astro-diagnose e Astro-terapia. Uma das condições básicas para que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental fossem fornecidos a Max Heindel para serem revelados publicamente é que nenhum preço deve ser cobrado por eles.

Esta condição foi fielmente observada por Max Heindel e é respeitada e seguida atualmente e com a mesma ênfase. Embora os Livros em papel da Fraternidade Rosacruz sejam vendidos – a fim de cobrir os custos de confecção – o serviço de nosso Departamento de Cura, os Cursos por Correspondências e as várias atividades desenvolvidas sempre serão oferecidos gratuita e amorosamente e baseadas no livre-arbítrio.

A Fraternidade Rosacruz não possui conexão com qualquer outra organização, inclusive as que também utilizam o nome Rosacruz.

Não há qualquer obrigação para os membros da Fraternidade Rosacruz, nem qualquer tarifa a ser cobrada.

Essa é a Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil.

Sua fundação data de 3 de agosto de 1980 no Centro de Campinas – SP – Brasil. Desde então desenvolve um trabalho focado na disseminação dos Ensinamentos Rosacruzes, fiel à literatura Rosacruz, conforme preconizada por Max Heindel e seguindo os três modos destalhados acima. Somos ligados à The Rosicrucian Fellowship (www.rosicrucianfellowship.org), fundada por Max Heindel, como um Centro autorizado.

Nosso endereço físico é:

Avenida Francisco Glicério, 1326 – Conjunto 82 – Centro – Campinas – SP – 13012-905 – Brasil Para receber mais informações ou tirar dúvidas sobre cursos, palestras e participações, envie um e-mail para: contato@fraternidaderosacruz.com

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BEM-VINDO e BEM-VINDA e desejos de que

AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ!

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O amor é o único meio completo de conhecimento

O amor é o único meio completo de conhecimento

Além do elemento de dar, o caráter ativo do amor torna-se evidente no fato de implicar sempre certos elementos básicos e comuns a todas as formas de amor. São eles: o cuidado, a responsabilidade, o respeito e o conhecimento.

Que o amor implique cuidado é mais do que evidente no amor da mãe pelo filho. Nenhuma afirmativa sobre seu amor nos impressionaria como sincera, se a víssemos sem cuidado para com a criança, se fosse desleixada em alimentá-la, banhá-la ou lhe dar conforto físico; ao passo que seu amor nos impressiona, se a vemos cuidar do filho. O caso não difere mesmo quanto ao amor por animais ou flores. Se uma mulher nos diz que ama as flores e vemos que ela se esquece de regá-las, não acreditamos em seu “amor” pelas flores. Amor é preocupação ativa e positiva pela vida e crescimento daquilo que amamos. Onde falta esse zelo positivo e ativo, não há amor.

O cuidado suscita outro aspecto do amor: o da responsabilidade. Hoje em dia, muitas vezes se entende a responsabilidade como denotando “dever”, algo imposto de fora. A responsabilidade, porém, em seu verdadeiro sentido, é ato inteiramente voluntário; é a resposta que damos às necessidades, expressas ou não, de outro ser humano. Ser “responsável” significa ter de “responder”, é estar pronto para isso. Essa responsabilidade, no caso da mãe e do filho, refere-se principalmente ao cuidado das necessidades físicas. No amor entre adultos, refere-se principalmente às necessidades psíquicas da outra pessoa.

A responsabilidade poderia facilmente corromper-se em dominação e possessividade, se não houvesse um terceiro elemento do amor: o respeito. Respeito não é medo ou temor, mas denota, de acordo com a raiz da palavra (respicereolhar para), a capacidade de ver uma pessoa tal como é, de ter conhecimento da sua individualidade. Respeito significa a preocupação em relação a outra pessoa, ao seu crescimento e desenvolvimento. Assim, o respeito produz ausência de exploração. Quero que a pessoa amada cresça e se desenvolva por si mesma, por seus próprios modos e não para o fim de me servir. Se amo outra pessoa, sinto-me um com ela, ou ele, tal como é, não como eu necessito que seja para objeto de meu interesse. É claro que o respeito só é possível se eu mesmo alcancei a independência; se puder levantar-me e caminhar sem precisar de muletas, sem ter de dominar e explorar outra pessoa. O respeito só existe na base da liberdade; como diz uma velha canção francesa “L’amour est 1’enfant de la liberté”; ou seja, o amor é filho da liberdade, nunca da dominação.

Contudo, não é possível respeitar uma pessoa sem conhecê-la. O cuidado e a responsabilidade seriam cegos, se não fossem guiados pelo conhecimento. O conhecimento, por sua vez, seria vazio, se não fosse motivado pelo cuidado, pelo zelo. Há muitas camadas de conhecimento; o conhecimento que é um aspecto do amor é aquele que não fica na periferia, mas penetra até o âmago. Só é possível quando podemos transcender o cuidado por nós mesmos e ver a outra pessoa em seus próprios termos. Podemos saber, por exemplo, que uma pessoa esteja encolerizada, ainda que não o mostre abertamente; mas podemos conhecê-la mais profundamente do que isso; sabemos então que esteja ansiosa e preocupada, que se sente só, que se sente culpada. Sabemos então que sua cólera seja apenas a manifestação de algo mais profundo e a vemos como ansiosa e preocupada; isto é, como uma pessoa que sofre e não como uma que se encoleriza.

O conhecimento tem outra relação — e mais fundamental — com a problemática do amor. A necessidade básica de fusão com outra pessoa de modo a transcender a prisão da própria separação relaciona-se muito de perto com outro desejo especificamente humano: o de conhecer “o segredo do ser humano”. Se a vida, em seus aspectos meramente biológicos, é um milagre e um segredo, o ser humano, em seus aspectos humanos, é um segredo insondável para si mesmo — e para seus semelhantes. Nós nos conhecemos e, contudo, mesmo apesar de todos os esforços que possamos fazer, não nos conhecemos. Conhecemos nosso semelhante e, contudo, não o conhecemos, porque não somos uma coisa, nem o nosso semelhante é. Quanto mais penetramos nas profundezas de nosso ser, ou do ser de outrem, tanto mais nos escapa o alvo do conhecimento. Não podemos, todavia, evitar o desejo de penetrar no segredo da alma do ser humano, no mais interno núcleo do que “ele” é.

Há um meio passivo de conhecimento desesperado: o completo poder sobre outra pessoa. É como a criança que apanha alguma coisa e a quebra a fim de conhecê-la e saber como é por dentro. O outro caminho, ativo, é amar. O amor é a penetração ativa na outra pessoa; aí, nosso desejo de conhecer é destilado pela união. No ato da fusão a conhecemos, conhecemo-nos também e conhecemos a todos — o conhecimento do que é vivo, pela experiência da união — e não por qualquer conhecimento que nosso pensamento possa dar.

O amor é o único meio completo de conhecimento. No ato de amar, de dar-me, no ato de perscrutar a outra pessoa eu me encontro e descubro; descubro-nos a ambos, descubro o ser humano.

A ardente aspiração de nos conhecer e conhecer nossos semelhantes encontrou expressão na sentença délfica “Conhece-te a ti mesmo”.

Na Filosofia Rosacruz vemos que o problema de conhecer o ser humano é paralelo à questão religiosa de conhecer Deus, mas não meramente como o faz a teologia convencional do Ocidente, tecendo afirmações a respeito de Deus, presumindo que O possamos conhecer apenas pelo pensamento. Mais ainda, une-se o intelecto ao coração (“cabeça” e “coração”), o conhecimento ao misticismo, acrescentando a experiência da união com Deus, na qual não há mais lugar para dúvida nem necessidade de palavras. Todavia, a experiência de união com o ser humano, ou, religiosamente falando, com Deus, não é de modo algum irracional. Ao contrário, é a consequência do racionalismo e seu efeito mais audacioso que se realiza pelo humilde reconhecimento de que, embora não possamos “aprender” tudo, por ora, do segredo do ser humano e do universo, podemos, não obstante, conhecer o semelhante e Deus nos atos de amor.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1967)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Qual é o conceito de felicidade que a Escola Rosacruz preconiza

Qual é o conceito de felicidade que a Escola Rosacruz preconiza

Chegado é o tempo de nós, seres humanos, já bem conscientes de nossos deveres e finalidades da nossa existência, verificarmos se realmente estamos vivendo como esperaria Deus, de quem somos filhos e partes integrantes, dentro do nível particular da nossa evolução.

Em tempos bastante remotos, nada conhecíamos de nós mesmos como indivíduos; nada sabíamos de nós próprios, nem física nem espiritualmente. Com o decorrer de milhões de anos, vida após vida, fomo-nos gradativamente elevando da inconsciência para a consciência, chegando hoje à possibilidade de saber muito a respeito do homem real, o tríplice espírito interior. Dessa grande realidade não são todos ainda conhecedores; mas nem por isso ela deixa de ser real. Como as estrelas, o oceano, a luz e todas as demais coisas que se revelam ao sentido da visão, existem em realidade, embora os cegos não as possam ver, assim também são as coisas espirituais, em relação ao ser humano materializado. Ora, assim como nós acreditamos nos altos postulados da ciência, embora pessoalmente não tenhamos recursos intelectuais para comprová-los, também as pessoas descrentes poderiam, por analogia, encontrar razões para confiar nas dezenas de testemunhos convergentes daqueles que relatam as coisas espirituais, como um homem normal a descrever para o cego as realidades da natureza física.

Basta aplicarmos a lógica para que tudo se torne mais coerente e simples. Dura é aquela verdade expressa nos Evangelhos: “Cego é o que, vendo, não vê”. Ao nosso redor a natureza fornece todos os elementos de correlação para avaliarmos a realidade da vida e dos mundos espirituais. Permito-me ainda lembrar ao caro leitor que, se antes não nos era possível conhecer a nós mesmos, por falta de consciência e razão, hoje não se justifica mais nossa ignorância em assunto tão vital. A graça que me foi dada, de mais profundamente conhecer o cristianismo e a realidade do meu ser, quero compartilhá-la com você, leitor e leitora, oferecendo-lhe a mais formosa filosofia que já foi dada ao mundo: a Filosofia Rosacruz.

Talvez você esteja bastante desiludido com tudo o que diga respeito à religião. Não há razão para isso: as falhas são dos seres humanos e não dos princípios Cristãos. Mais desiludido ainda talvez esteja com as chamadas coisas reais do mundo. Também não há razão para isso. Tudo é sagrado e bom. O mal está no mau uso que os seres humanos fazem de tudo, na pretensão de que possam possuí-las, quando em realidade são eles os possuídos pelas coisas e têm de abandoná-las, ao morrer.

Em verdade, você pode e deve ser feliz, porém isso depende da harmonia interna e de uma visão correta das coisas. Você é um estrangeiro, disse o Cristo; o seu reino, a sua pátria não é deste mundo. Sua felicidade, portanto, não reside na posse de artigos materiais, na fama que possa desfrutar entre seus semelhantes, no poder que possa exercer sobre os outros, nem no amor, esse amor comum e desvirtuado. Essas são as motivações da ação, os meios de atrair e fazer evoluir os seres humanos que ainda não encontraram interesse em coisas elevadas. Essas são fontes comuns de amargura, sofrimentos e desilusões. Não conduzem a algo efetivo ou real. São apenas meios e tentações terríveis onde o desprevenido amiúde afunda.

Veja por si mesmo: os resultados dessa dolorosa e sombria felicidade que sempre termina em dor ou enfermidade. Devemos culpar o mundo, as coisas ou nós mesmos? Seguramente, isso depende de nós. A real felicidade, escrita com letra maiúscula, de que estamos tratando está à sua espera como já esteve à espera dos que hoje vivem uma vida diferente. E estará esperando enquanto houver uma ovelha transviada, porque escrito está que haverá “um só rebanho e um só Pastor”. Essa felicidade jamais deixará de ser sentida, buscada ou vivida. Ela é o próprio fluir da harmonia cósmica que, por reflexo, escorre no microcosmo, no “homem real”, o espiritual, que nunca nasceu e jamais morrerá: você.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1966)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Exemplo de um Amigo Verdadeiro

Um Exemplo de um Amigo Verdadeiro

Em certa ocasião, um judeu caminhava sozinho de Jerusalém para Jericó. Era um lugar deserto, cheio de pedras e cavernas. Aí moravam ladrões e malfeitores que às vezes saíam das cavernas para assaltar os que passavam por ali.

Quando esse judeu passava por um desses lugares solitários, foi assaltado, espancado e deixado como morto, sem dinheiro e sem roupa.

Ferido daquela maneira, o pobre homem não poderia chegar a Jericó e, além disso, não havia quem o socorresse.

Depois de algum tempo alguém passou por ali: um sacerdote judeu. Era de se esperar que parasse para ajudar o pobre ferido. O sacerdote, porém, nem se aproximou dele. Olhou apenas e continuou a viagem. Mais tarde, passou pelo lugar um mestre judeu chamado de levita. Observando o pobre homem, aproximou-se para ver o que havia acontecido.

Parou um momento, mas parece que se arrependeu de tê-lo feito. Por que se desviara do seu caminho? Por que havia notado esse miserável? Era certo que o homem necessitava de ajuda, mas ele era orgulhoso demais para ajudá-lo. Talvez o ferido fosse um samaritano.

Os samaritanos e os judeus não gostavam uns dos outros. Não se consideravam bons vizinhos, nem se tratavam bem. Não era imprudente expor-se ao perigo para ajudar um estranho? Ajustando seus vestidos, o levita retirou-se.

Em seguida, aproximou-se um homem montado em um burrinho. Vinha de Samaria; também ele avistara o ferido, mas não pensou nas diferenças que existiam entre samaritanos e judeus. Ele sabia que o pobre homem necessitava de ajuda e sentiu compaixão por ele.

O samaritano retirou sua própria túnica e a pôs sobre o ferido. Em seguida, untou suas feridas com azeite. Com muito cuidado ele o colocou sobre o burrinho e, andando ao seu lado, levou-o até à hospedaria mais próxima.

Durante toda a noite, o bom samaritano cuidou do ferido. Na manhã seguinte, este ainda não estava em condições de ir para casa. Ao sair, o Samaritano deixou dinheiro com o hospedeiro, para que ele cuidasse do seu amigo.

Crianças, sejam gratas ao bom Deus por todas as coisas e procurai fazer o bem a todos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1966)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Requisitos Necessários para que o Nosso Progresso Espiritual se estabeleça em Base Sólida

Os Requisitos Necessários para que o Nosso Progresso Espiritual se estabeleça em Base Sólida

Certo dia estávamos conversando sobre assuntos espirituais com uma irmã da Fraternidade Rosacruz, quando ela aproveitou o ensejo para nos fazer esta indagação: quais são os requisitos necessários para que o nosso progresso espiritual se estabeleça em base sólida, isento de qualquer aspecto dubitativo?

Essa pergunta nos impeliu a meditar um pouco, antes de responder, pois compreendemos perfeitamente a responsabilidade que assumimos quando somos solicitados a opinar sobre algo de tamanha reverência. Respondemos que não pode haver progresso espiritual sem três qualidades fundamentais: Sinceridade, Amor, Lealdade. Se assim respondemos, é porque temos procurado pautar nossa existência por esses três princípios e as experiências que temos vivido dia a dia nos dão plena convicção de que deve ser assim. Ademais, isso se confirma quando analisamos fatos decorrentes da inobservância desses princípios.

Quando Cristo-Jesus divulgava Seus ensinamentos maravilhosos em nosso mundo, deixava sempre transparecer que não devemos fazer a outrem aquilo que não queremos que nos façam, pois nisso há Sinceridade; isto é, a coerência conosco mesmos. Aquele que se identifica com o sentimento de sinceridade é digno de crédito em qualquer circunstância.

Depois vem o Amor, o qual, sem sombra de dúvida, é a base, o fundamento, o ideal e a coluna mestra do Cristianismo. Sem esse sentimento sacrossanto não podemos sequer cogitar o crescimento espiritual, porque ele é o princípio que neutraliza todas as dissenções e discrepâncias existentes entre os homens. No entanto, para que esse Amor opere prodígios é necessário que seja um Amor sincero. A sinceridade é a qualidade inerente ao próprio Amor e o meio de sua subsistência.

Finalmente vem a Lealdade, a única condição que pode provar realmente se o Amor é sincero, desprendido, desinteressado. Como consta em nosso Ritual do Serviço do Templo, “Se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós e, em nós, é perfeito o Seu Amor”, concluímos que esse é o magno princípio que devemos albergar em nossos corações; contudo, não pode ser duradouro, se não se revestir de Sinceridade e Lealdade.

Assim, fazemos um apelo aos que anseiam pelo crescimento espiritual, para que procurem integrar-se ao reto viver, pois gradativamente sentirão o desabrochar dos poderes latentes do espírito, mediante estes três maravilhosos princípios: Sinceridade, Amor, Lealdade.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1967)

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