O conhecimento aplicado é a salvação para a ignorância. Até mesmo os mais sábios entre nós têm muito a aprender e ninguém, até agora, alcançou a perfeição; tampouco é possível alcançá-la em uma única e curta vida. Observamos em toda a Natureza que o desenvolvimento lento e persistente conduz a um grau mais elevado de evolução em tudo. Quanto mais conhecemos os métodos de funcionamento da Natureza, símbolo visível do Deus invisível, mais aptos nos tornamos a aproveitar as oportunidades que ela oferece para o crescimento e o poder — para a emancipação da servidão e a elevação ao autodomínio. Esse processo é a Evolução.
No início da nossa evolução, consistíamos apenas de Espírito e Corpo; não possuíamos Alma. Mas, desde então, cada vida vivida na Terra, nessa Escola da Experiência, tornamo-nos cada vez mais dotados de Alma, de acordo com o uso que fizemos das oportunidades e lições que delas aprendemos. Isso se manifesta nas diferentes gradações entre o “selvagem” e o “santo”, que vemos ao nosso redor. Todas as Raças são produtos da evolução, cujo único objetivo é a perfeição definitiva. A expressão mais elevada em uma vida se torna a expressão mais inferior na vida seguinte e assim subimos gradualmente a escada da evolução em direção à Divindade. A Humanidade, como um todo, avança lentamente por esse caminho e, desse modo, alcança gradualmente estados mais elevados de consciência.
Uma das principais características da evolução reside no fato de que ela se manifesta em períodos alternados de atividade e repouso. O verão ativo é seguido pelo descanso e pela inatividade do inverno e cada estação avança um pouco mais ao longo do caminho do tempo. O dia agitado alterna-se com a tranquilidade da noite. O refluxo do oceano é sucedido pela maré cheia e assim por diante.
Assim como todas as outras coisas se movem em ciclos, a vida que se expressa aqui na Terra por alguns anos não deve ser considerada encerrada quando chega a morte do Corpo Denso. Isso está infinitamente distante do nosso fim. Nós – Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui – somos imortais e os nossos Corpos Densos são os instrumentos que utilizamos durante a vida terrena para nos auxiliar em nossa evolução. Podemos estar certos de que, em qualquer posição da vida em que sejamos colocados — monarca ou mendigo, rico ou pobre, homem ou mulher — ela contém as lições e experiências necessárias naquele momento para a nossa evolução e nos oferece a melhor oportunidade possível para o nosso desenvolvimento. Tão certo quanto o Sol nasce pela manhã após se deitar à noite, a vida que foi encerrada pela morte de um Corpo Denso perecível será retomada em novo veículo, em ambiente diferente.
A evolução é a história da nossa – o Ego – progressão no tempo. Em toda parte, no Céu e na Terra, todas as coisas avançam — para cima, eternamente — e, ao observarmos os variados fenômenos do Universo, percebemos que o Caminho de Evolução é uma espiral. Cada volta da espiral é um ciclo. Cada ciclo se funde com o seguinte e, como as voltas da espiral são contínuas, cada sucessão é o produto aperfeiçoado das que a precederam e a criadora de estados mais avançados que ainda estão por vir.
Mas o Caminho de Evolução é uma espiral quando o consideramos apenas do ponto de vista físico. O Caminho de Evolução é uma lemniscata, uma figura em forma de oito, quando visto em suas fases física e espiritual. Os dois lados desse símbolo convergem em um ponto central e representam nós, Espírito imortal, o Ego em evolução. Um dos círculos representa nossa vida no Mundo Físico, do nascimento à morte. Durante esse período, plantamos sementes por meio de cada ato e devemos colher certa quantidade de experiência, o que acontecerá se as lições forem extraídas das oportunidades; ao final da vida terrena, o Ego se encontrará à porta da morte carregado dos mais ricos frutos da vida terrestre.
A outra seção da lemniscata simboliza a nossa – Ego – permanência nos Mundos invisíveis, que percorremos durante o período entre a morte e o renascimento. No momento em que chegamos ao ponto central da lemniscata, que divide os Mundo Físico dos Mundos invisíveis, trazemos conosco um conjunto de faculdades ou talentos adquiridos em todas as nossas vidas anteriores, os quais podemos usar ou enterrar durante a nossa próxima experiência de vida, conforme julgarmos adequado; porém, da maneira como utilizamos essas faculdades adquiridas depende a quantidade de crescimento de alma que colheremos em nossa próxima vida. Já vivemos uma existência semelhante – não igual! – ao mineral, vegetal e outra semelhante ao animal antes de nos tornarmos seres humanos; além de nós ainda existem evoluções posteriores nas quais nos aproximaremos cada vez mais do Divino.
Avançamos somente por meio do sacrifício. Poucos percebem que, ao subirmos na escala da evolução, pisamos sobre os Corpos Densos de nossos irmãos mais fracos. Consciente ou inconscientemente, nós os esmagamos e utilizamos para alcançar nossos próprios fins. Esse fato se aplica a todos os Reinos da Natureza. Quando uma Onda de Vida é levada ao ponto mais baixo da Involução e se incrusta na forma mineral, ela é imediatamente capturada por outra Onda de Vida, ligeiramente mais elevada, que toma o cristal mineral em desintegração, adapta às suas próprias necessidades como cristaloide e assimila como parte de uma forma vegetal.
Na Iniciação do Cristão Místico, quando Cristo lavou os pés de Seus discípulos na noite da Última Ceia, é dada a explicação de que, se os minerais não se decompusessem e não se oferecessem como envoltórios para o Reino vegetal, não teríamos vegetação; do mesmo modo, se o alimento vegetal não fornecesse sustento aos animais, os seres do Reino animal não poderiam encontrar expressão; assim, — o superior, em consciência, sempre se alimentando do inferior. Quando o Mestre lavou os pés de Seus discípulos, simbolicamente, Ele realizou para os discípulos aquele serviço humilde em reconhecimento do fato de que eles Lhe haviam servido como degraus para algo mais elevado.
O mesmo princípio se aplica a toda evolução espiritual, porque se não houvesse alunos situados nos degraus mais baixos da escada do conhecimento, necessitando de instrução, não haveria necessidade de um Mestre. Porém aqui existe uma diferença de suma importância. O Mestre cresce ao dar a seus alunos e servi-los, assim como todos, independentemente da posição na vida, crescem por meio do serviço. A partir dos ombros dos alunos, o Mestre sobe a um degrau mais alto da escada do conhecimento e, por isso, deve a eles a sua gratidão, que é simbolicamente reconhecida e quitada pelo lavar dos pés — um ato de serviço humilde àqueles que O serviram.
Sob a orientação benéfica das Hierarquias Criadoras, progredimos constantemente de vida em vida, sob condições exatamente adequadas a cada indivíduo, até que, com o tempo, alcancemos uma evolução superior e nos tornemos “super-homens”. O Cristão Ocultista acredita que o propósito da evolução é o nosso desenvolvimento desde um Deus estático a um Deus dinâmico — um Criador. Para que ele se torne um Criador independente e original, é necessário que sua formação inclua liberdade suficiente para o exercício da originalidade individual que distingue a criação da imitação.
Enquanto algumas características da forma antiga atendem às exigências do progresso, elas são mantidas; contudo, a cada renascimento a vida em evolução acrescenta os aprimoramentos originais e necessários à sua expressão futura. Pelo caminho ficaram atrasados que não conseguiram atingir o padrão exigido para acompanhar a crista da onda da evolução. No progresso evolutivo não existe ponto de estagnação. Progresso ou retrocesso é a lei e a forma que não é capaz de se aprimorar deve degenerar.
O impulso evolutivo atua para alcançar a perfeição definitiva de todos. É, portanto, razoável supor que as Hierarquias Criadoras, que estão encarregadas da nossa evolução, utilizem todos os meios disponíveis para conduzir em segurança o maior número possível dos seres vivos sob a responsabilidade d’Elas. Toda vibração no Universo é vida que surgiu do único Deus. Assim, todos somos um, embora haja alguns que estejam constantemente lutando para ficar para trás.
Durante o atual estágio de individualismo, que é o clímax da nossa ilusória separatividade, toda a Humanidade necessita de ajuda adicional; no entanto, para os atrasados deve ser provida alguma assistência extra e especial. Dar essa ajuda especial foi a missão de Cristo. Ele disse que veio buscar e salvar o que estava perdido. Ele abriu o caminho da Iniciação para todos que estão dispostos a buscá-Lo.
A evolução depende do crescimento da alma, da transmutação dos Corpos em Almas, o que deve ser realizado pelos nossos – o Ego – esforços individuais; no final da evolução, possuiremos Poder Anímico, como fruto de nossa peregrinação através da matéria. Seremos uma Inteligência Criadora.
Se preenchermos o lugar que nos foi designado da melhor maneira possível ao longo de toda a nossa vida, certamente alcançaremos progresso em uma vida futura. Veremos com mais clareza através do véu do egoísmo, quando vivermos de boa vontade a vida na qual fomos depositados, pois os Anjos do Destino não cometem erros nunca! Eles nos colocaram no lugar onde temos as lições necessárias para nos preparar para uma esfera maior de utilidade.
Se tivermos dentro de nós um amor suficiente por tudo, não poderemos causar dano algum, porque esse amor contém nossa mão em qualquer ação e nossa Mente em qualquer pensamento que possa ferir o outro. Ainda não alcançamos esse estágio avançado de consciência. Se tivéssemos alcançado, não haveria necessidade de existência aqui; porém todos nós estamos buscando isso e avançando na direção desse estado de gloriosa perfeição. É surpreendente quão rapidamente podemos progredir nesses caminhos, se formos verdadeiramente sérios em nossos esforços, confiando não apenas em nossa pobre Personalidade, mas tendo fé em Cristo e confiando que, pelo Seu exemplo e Seus ensinamentos, podemos nos capacitar a nos unirmos a nossa Divindade interior, nascendo e alimentando o Cristo Interno.
A evolução depende da dissolução dos Corpos e da amalgamação alquímica da Alma com o Espírito. A Alma é a quintessência, o poder ou a força do Corpo; quando um Corpo é levado à perfeição por meio dos diversos estágios, a Alma é plenamente extraída dele e absorvida por um dos três aspectos do Espírito (nossos veículos Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino), que originalmente gerou esse Corpo.
A Alma Consciente será absorvida pelo Espírito Divino na sétima Revolução do Período de Júpiter. A Alma Intelectual será absorvida pelo Espírito de Vida na sexta Revolução do Período de Vênus. A Alma Emocional será absorvida pelo Espírito Humano na quinta Revolução do Período de Vulcano.
Enquanto desenvolvemos esse amor universal dentro de nós, aprendemos a perceber cada vez mais que somos filhos do Criador e que, no devido tempo, avançaremos rumo à perfeição. Por mais vil que um ser humano ou criatura possa parecer, devemos lembrar que existe em seu interior uma Centelha divina que, lenta e seguramente, crescerá até que a glória do Criador ilumine esse ser.
As Hierarquias Criadoras que têm guiado a Humanidade no Caminho de Evolução desde o início da nossa jornada e continuam ativas e trabalhando conosco a partir de seus próprios Mundos; com a Sua ajuda seremos, finalmente, capazes de realizar a elevação da Humanidade como um todo e alcançar a realização individual da glória e da imortalidade. Tendo essa grande esperança dentro de nós, essa grande missão no mundo, trabalhemos como nunca para nos tornarmos homens e mulheres melhores a fim de que, por nosso exemplo, possamos despertar nos outros o desejo de viver uma vida que conduza à libertação.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Nosso Planeta Terra se compõe de nove Estratos de diferentes espessuras, e o núcleo ou centro constitui a décima parte. Esse é o assento da consciência do Espírito da Terra.
Um resumo com pequena descrição de cada Estrato da Terra você encontra aqui: Resumo Descritivo de cada um dos Estratos do Planeta Terra.
Um descrição mais detalhada de cada um deles, bem como para que servem e as correlações deles com as Iniciações, os Mundos e as Regiões dos Mundos você encontra no Capítulo XVIII na sessão: O Número da Besta no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz
A ciência oculta diz que há 777 encarnações, o que não quer significar que a Terra sofra 777 metamorfoses. Significa que a vida que está evoluindo faz: 7 Revoluções em torno dos 7 Globos dos 7 Períodos.
Esta peregrinação involutiva e evolutiva e o caminho reto da Iniciação estão simbolizados no Caduceu ou “Cetro de Mercúrio” (veja o Diagrama 15).
O Caduceu (O Caduceu ou emblema de Hermes (Mercúrio)) é um bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é adornada com asas. É um antigo símbolo. É frequentemente confundido com o símbolo da medicina, o bordão de Esculápio ou bastão de Asclépio) foi, essencialmente, uma cruz grega. Nele o braço horizontal está substituído por duas asas, e duas serpentes se enroscam ao redor do braço vertical. É considerado, frequentemente, como o báculo de Mercúrio. Nesse sentido é significativo que Mercúrio foi o deus da Iniciação e que, na Grécia, a Iniciação alcançou, indubitavelmente, elevados níveis de sublimidade. Os Aspirantes modernos reconhecem no caduceu o símbolo mais perfeito, jamais concebido, da Iniciação.
É assim chamado porque esse símbolo oculto indica o Caminho da Iniciação, aberto unicamente desde o princípio da metade mercurial do Período Terrestre. Alguns Mistérios Menores foram dados aos primitivos lemurianos e atlantes, mas não as quatro Grandes Iniciações, as Iniciações Cristãs.

A serpente negra do Diagrama 15 indica o caminho cíclico e tortuoso da Involução, e compreende os Período de Saturno, Solar, Lunar e a metade Marciana do Período Terrestre. Durante esse intervalo, a vida, que está evoluindo, construiu seus veículos, mas só adquiriu plena e clara consciência do mundo externo na última parte da Época Atlante.
A serpente branca representa o caminho que seguirá a humanidade através da metade Mercurial do Período Terrestre e dos Períodos de Júpiter, de Vênus e de Vulcano. A consciência humana expandir-se-á durante esta peregrinação, até alcançar a onisciência, a Inteligência Criadora. Enquanto a grande maioria dos seres humanos segue o caminho serpenteante, o Cetro de Mercúrio em que se enrolam as serpentes mostra o “estreito e reto caminho”, o Caminho da Iniciação. Os que por ele viajam, realizam em poucas vidas o que requer milhões de anos para a maioria da humanidade.
Assim, o Caduceu é o símbolo profundo da verdade iniciática. Sua haste vertical simboliza, para o alquimista, o cordão espinhal dentro do corpo humano. Ao longo da medula espinhal existem certos centros que, nas Escolas de Sabedoria orientais se conhecem como “flores de lótus” e nas Escolas de Sabedoria ocidentais, se conhecem como rosas, florescendo sobre a cruz do corpo. As serpentes entrelaçadas ao redor da haste do caduceu simbolizam os dois sistemas nervosos, o cérebro-espinhal e o simpático. Quando os centros se põem em atividade, são produzidas alterações em ambos os sistemas nervosos.
Note, também, que o Caminho da Evolução é sim uma espiral quando o observamos unicamente sob o ponto de vista físico, mas é uma lemniscata quando visto tanto em seu lado físico como no espiritual. Na lemniscata, ou forma de “oito”, há dois círculos que convergem para um ponto central e esses círculos podem ser considerados símbolos do espírito imortal, do Ego em evolução. Um dos círculos significa sua vida no Mundo Físico, do nascimento à morte. Durante esse intervalo de tempo, ele planta uma semente em cada ato praticado e, em troca, deve colher uma correspondente quantidade de experiência. No entanto, do mesmo modo que podemos semear e nada colher, porque a semente caiu em um solo pedregoso, entre espinhos, etc., também a semente da oportunidade pode ser desperdiçada devido à negligência em cultivar o solo. A vida, então, será infrutífera. Por outro lado, assim como o interesse ou cuidado aplicado no cultivo aumentam, imensamente, o poder produtivo da semente, assim também a séria dedicação aos vários afazeres da vida – o aproveitamento das oportunidades para aprender as lições da vida e extrair delas a experiência que contêm – resulta em mais oportunidades; e ao fim de um dia de existência, o Ego se encontra à porta da morte repleto com os mais ricos frutos colhidos durante a vida.
Ao terminar o trabalho objetivo da existência física, com o consequente findar dos dias dedicados às ações, o Ego entra no trabalho subjetivo da assimilação, realizado durante sua permanência nos Mundos invisíveis, compreendendo o período desde a morte até ao nascimento, simbolizado pelo outro anel da lemniscata. Como o método da realização dessa assimilação já foi minuciosamente descrito em várias partes da nossa literatura, não é necessário repeti-lo aqui. É suficiente dizer que no momento em que um Ego chega ao ponto central na lemniscata, o qual divide o Mundo Físico dos Mundos psíquicos, e que chamamos a porta do nascimento ou da morte, dependendo se o Ego está entrando ou saindo da vida aqui, ele tem consigo um conjunto de faculdades ou talentos adquiridos em todas as suas vidas anteriores, e que poderá usá-los ou não durante sua próxima existência; assim, seu crescimento anímico dependerá do uso que fizer dessas suas faculdades ou desses seus talentos.
Se por muitas vidas ele alimentou, principalmente, a natureza inferior, vivendo para comer, beber e se divertir, ou se sonhou e passou a vida em especulações metafísicas sobre a natureza de Deus, diligentemente se abstendo de todas as ações necessárias, gradualmente será deixado para traz pelos mais ativos e progressistas. Contrariamente à ideia comumente aceita, isso se aplica também àqueles engajados em trabalhos sistemáticos especialmente para algum propósito útil ou a criação de algo de valor (por exemplo, em qualquer tipo de empresa, na prestação de serviços, na agricultura, etc.). O fato de ganhar dinheiro é somente uma circunstância, um incentivo. Além desse aspecto, o trabalho deles é tão ou mais espiritual que o daqueles que passam seu tempo orando em prejuízo de um trabalho útil.
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Que as rosas floresçam em vossa cruz