Pergunta: A Bíblia ensina a imortalidade da alma de uma forma autoritária. A Filosofia Rosacruz ensina o mesmo abertamente, apelando à razão. Não há provas positivas sobre a imortalidade?
Resposta: O consulente está errado quando diz que a Bíblia ensina a imortalidade da alma. Não é mencionada uma única vez a palavra imortalidade ou céu no sentido de uma possessão do ser humano no Antigo Testamento. Lá encontramos, explicitamente, que: “O céu, mesmo os céus são do Senhor, mas a Terra, Ele a deu aos filhos dos homens” (Sl 115:16). É explicitamente anunciado que “a alma que peca, morrerá”. Se a alma fosse imortal, isso seria uma impossibilidade. No Novo Testamento, a palavra “imortal” ou “imortalidade” é somente usada seis vezes. Ela é destacada como alguma coisa pelo que lutar, ou algo que é um atributo de Deus.
No entanto, no que diz respeito ao Espírito, o caso é diferente e, mesmo quando esse é o tema, a palavra imortal não é usada. A imortalidade está subentendida, da mesma forma que a doutrina do Renascimento, em muitas passagens; mas a doutrina do renascimento se evidencia mais do que a da imortalidade do Espírito humano, pois a doutrina do Renascimento foi ensinada definitivamente pelo menos uma vez no Evangelho Segundo São Mateus capítulo 11, versículo 14, em que o Cristo disse de João Batista: “Esse é Elias”. Nesse ensinamento, a doutrina da imortalidade foi novamente mencionada, pois, se o Espírito Elias renasceu como João Batista, ele deve ter sobrevivido à morte física. O ensinamento da imortalidade era, naquele tempo, um dos ensinamentos ocultos e mesmo até hoje é dificilmente aceito, e assim o será até quando o ser humano entre no Caminho da Iniciação e lá veja por si mesmo a continuidade da vida.
No entanto, podemos afirmar, em resposta à pergunta, que tudo depende do que se entende por “prova positiva”, e quais são as qualificações da pessoa que pede a prova para poder julgá-las? Não podemos provar um problema de trigonometria a uma criança, mas se ela se desenvolver, aprendendo os preliminares necessários, lhe será fácil prová-la o problema. Também não podemos provar a existência da cor e da luz a um cego de nascença; são fatos que ele não pode apreciar, porque não possui a faculdade requerida. Mas, se adquirir a faculdade da visão, por meio de uma cirurgia, não será necessário lhe provar esses fatos, pois ele constatará a sua veracidade. Da mesma forma, ninguém pode apreciar as provas da imortalidade do Espírito até que, por si mesmo, esteja capacitado para percebê-las; então, será fácil para ele obter a prova positiva da imortalidade do Espírito, da sua existência antes do nascimento e da sua permanência após a morte. Enquanto ele não estiver assim qualificado, deve se satisfazer com deduções razoáveis que podem ser obtidas de várias outras maneiras.
(Pergunta nº 80 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: Como podem conciliar a declaração da Bíblia, ou seja, que José só conheceu Maria após ela ter dado à luz ao seu primogênito Jesus que foi concebido pelo Espírito Santo, com os Ensinamentos Rosacruzes que dizem que Jesus era o filho de um pai humano, José, e de Maria, sua mãe?
Resposta: Se procurarmos as genealogias de Jesus nos Evangelhos segundo São Mateus e São Lucas, verificaremos que o parentesco é traçado desde José até Adão, e nenhuma palavra encontramos a respeito de Maria. Como já o dissemos numa resposta anterior, um copista pode ter interpolado a passagem citada para provar o sentido materialista da Imaculada Concepção.
Contudo, se considerarmos a doutrina esotérica da Imaculada Concepção, tal suposição torna-se desnecessária.
Jeová, o Espírito Santo, o guia dos Anjos, aparece em várias partes da Bíblia como o dador de filhos. Seus mensageiros foram a Sarah anunciar-lhe o nascimento de Isaac; para Hannah anunciaram o nascimento de Samuel; para Maria anunciaram o advento de Jesus, cujos veículos (Corpo Denso e Vital) foram, posteriormente, dados ao Cristo. O poder do Espírito Santo fecunda tanto o óvulo humano como a semente do grão na terra, e o pecado original ocorreu quando Adão conheceu a sua mulher, contrariando a recomendação de Jeová.
Essa transgressão acarretou a marca do pecado sobre uma função sagrada, mas quando uma vida santa purifica os desejos, o ser humano se inunda com esse espírito puro e pode efetuar a função procriadora sem paixão. A concepção torna-se, assim, Imaculada. A criança que nasce sob tais condições é naturalmente superior, porque a concepção realizou-se como um rito sagrado de autossacrifício e não como um ato de autossatisfação.
(Do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Perg. Nº 106 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Pergunta: A cruz constitui apenas um símbolo de sofrimento, como dão a entender as religiões cristãs populares? Não teria um significado mais transcendental?
Resposta: Como todos os símbolos, a cruz tem muitos significados. Platão revelou um deles, quando afirmou: “A alma do mundo está crucificada”.
Quatro ondas de vida se expressam neste mundo através dos quatro reinos: mineral, vegetal, animal e humano. O reino mineral é representado pelas substâncias químicas, de qualquer classe que sejam. Assim, a cruz feita com qualquer material simboliza esse reino.
O madeiro inferior da cruz representa o reino vegetal, porque as correntes dos espíritos coletivos que vivificam as plantas provêm do centro da Terra.
O madeiro superior simboliza o ser humano, porquanto as correntes vitais que o sustentam são irradiadas do Sol, perpassando-lhe a coluna vertebral (vertical). Dessa forma, o ser humano constitui uma planta invertida. Assim como a planta recebe seu alimento pelas raízes, em linha ascendente, o ser humano ingere sua alimentação pela cabeça, em linha descendente.
A planta é casta, pura, e destituída de paixão. Dirige seu órgão reprodutor em direção ao Sol. O ser humano, ao contrário, dirige seus órgãos geradores para baixo, em direção à Terra; respira o vivificante oxigênio e exala o venenoso dióxido de carbono. Este é absorvido pela planta nutrindo-a. O vegetal, em troca, devolve-lhe o elixir da vida, o oxigênio.
Entre os reinos vegetal e humano encontra-se o animal, cuja medula espinhal horizontal é perpassada pelas correntes dos Espíritos-Grupo particulares a esse reino, pois tais correntes circulam em torno da Terra. O madeiro horizontal da cruz, por conseguinte, simboliza o reino animal.
Em âmbito esotérico, a cruz nunca foi considerada como um símbolo de sofrimento ou instrumento de tortura. Só a partir do século VI é que surgiram os primeiros quadros representando o Cristo crucificado. Anteriormente o símbolo do Cristo era um cordeiro aos pés de uma cruz, indicando que, quando o Cristo “nasceu”, o Sol transitava pelo Signo astrológico de Áries (o cordeiro). Os símbolos das diversas religiões expressaram-se sempre dessa forma.
Quando o Sol, devido à Precessão dos Equinócios, transitava pelo Signo de Touro (o touro), surgiu no Egito o culto ao Boi Ápis, no mesmo sentido em que hoje adoramos o Cordeiro de Deus.
Em tempos remotos falava-se no deus Thor, que conduzia suas cabras gêmeas ao céu. O Sol, nessa época, transitava pelo Signo de Gêmeos, os gêmeos.
Quando o Cristo “nasceu”, o Sol encontrava-se em torno do 5º grau de Áries, o cordeiro. Eis porque nosso Salvador é chamado de “Cordeiro de Deus”. Contudo, nos primeiros séculos da era cristã discutiu-se muito sobre a legitimidade de instituir o cordeiro como símbolo do nosso Salvador. Alguns sustentavam que o Sol transitava pelo Signo de Peixes (os peixes). Para eles, o peixe seria a representação mais exata do Cristo. Como reminiscência dessa disputa, a mitra dos bispos conserva a forma de uma cabeça de peixe.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1977)
Pergunta: A Filosofia Rosacruz ensina-nos que na fraseologia dos alquimistas, as forças lunares são mencionadas como sendo um sal. Isto tem algum significado com relação à seguinte citação no Evangelho Segundo São Marcos 9:49-50: “Porque todo será salgado pelo fogo, e toda a vítima será salgada com sal. O sal é bom, porém, se ele se tornar insípido, com que o haveis de temperar? Tende sal em vós, e tende paz entre vós”?
Resposta: Todo sacrifício deve ser temperado com sal. Esse era um mandamento na lei Mosaica, o Judaísmo, como o chamamos, e foi originado por Jeová. Não obstante, o sal tem outro significado mais profundo, isto é, se o sal fosse colocado sobre o sacrifício, o sal produziria um fogo químico que simbolizaria a sensação ardente sentida por nós devido ao remorso decorrente das nossas más ações praticadas. Toda transgressão será punida e expiada através de um sacrifício determinado. O sal e a incineração do sacrifício simbolizam o que de melhor haveria de chegar. As pessoas daquele tempo não podiam ser, elas próprias, sacrifícios vivos. Elas não podiam privar-se de nada, pois eram extremamente ligadas às suas posses. Estavam sempre querendo mais filhos, muita terra e mais rebanhos, portanto, se as coisas que elas mais prezavam lhes fossem tiradas em razão do pecado e da transgressão, elas ressentiam-se de uma forma intensa, muito mais do que se fossem pessoalmente injuriadas.
Esse sacrifício era uma espécie de expiação de segunda mão, simbolizando um futuro em que as pessoas seriam o próprio sacrifício, quando, então, sentiriam remorsos pelos erros praticados. Naquele tempo, o sacrifício não era aceito no altar senão depois de salgado e, similarmente, o sacrifício vivo não será aceito no altar do arrependimento senão depois de ter sido salgado, isto é, devemos sentir angústia, remorso e contrição ardentes por todo o mau ato cometido, e somente após ter sentido isso é que o sacrifício será aceito. Até então, o sacrifício era consumido por um fogo divinamente ateado. Isso indica que, após termos salgado em nós próprios o sacrifício vivo com lágrimas de arrependimento ao debruçar-nos sobre o altar diante de Deus, perceberemos que, embora nossos pecados sejam rubros, eles tornam-se brancos como a neve. O registro será apagado do panorama da vida. É desse modo que nos purificamos, mas o primeiro requisito é que o sacrifício seja salgado com lágrimas.
O fato de salgar os sacrifícios nas épocas antigas pode ter tido alguma relação com a ideia de que Jeová é o Espírito Lunar e, por conseguinte, rege o elemento químico sal, mas o sal do alquimista não era o sal comum. Era o sal das lágrimas e do arrependimento. Os alquimistas não alegavam poder transformar o metal não precioso em ouro. O que eles se propunham fazer era transformar os elementos básicos do corpo, que foram tirados da terra, em ouro da alma, esse “Dourado Manto Nupcial” que brilha ao redor de cada um que atinge a espiritualidade e se torna uma luz cada vez mais brilhante à medida que vive uma vida mais elevada e mais nobre.
(Pergunta 162 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel)
Pergunta: Qual a atitude Rosacruz para com a oração, à luz das recomendações bíblicas?
Resposta: Num certo trecho, a Bíblia nos manda orar constantemente. Em outro, Cristo repudia a prática, dizendo que não deveríamos imitar aqueles que acreditam ser ouvidos pela quantidade de palavras proferidas. É evidente que não pode haver qualquer contradição entre as palavras de, Cristo e as de Seus Discípulos, portanto, devemos reconstruir as nossas ideias sobre a oração, de tal forma que estejamos sempre orando, sem empregarmos vastas quantidades de expressões verbais ou mentais. Emerson disse:
“Embora teus joelhos nunca se dobrem,
De hora em hora ao céu tuas preces sobem,
E sejam elas para o bem ou para o mal formuladas,
Ainda assim são respondidas e gravadas”.
Em outras palavras, cada ato nosso é uma oração que, sob a Lei de Causa e Efeito, nos traz os resultados adequados. Obtemos exatamente o que queremos. A expressão oral, sob forma de palavras, é desnecessária, mas uma ação sustentada num certo sentido indica o que desejamos, mesmo que nós mesmo não o realizemos e, com o tempo, mais cedo ou mais tarde, de acordo com a intensidade do nosso desejo, realiza-se aquilo pelo qual rezamos.
As coisas assim adquiridas ou atingidas podem não ser o que real e conscientemente desejamos. De fato, às vezes conseguimos algo que teríamos sem dúvida dispensado, algo que consideramos uma desgraça, um tormento, mas o ato-oração nos trouxe isso e teremos que conservá-lo até que consigamos nos livrar dele de forma legítima.
Quando lançamos uma pedra para o ar, o ato só se completará quando a reação trouxer a pedra de volta ao solo. Nesse caso, o efeito segue a causa tão rapidamente que não é difícil relacionar os dois.
No entanto, se dermos corda a um despertador, a força fica armazenada na mola até que um certo mecanismo a liberte. Então, se produz o efeito – o som da campainha – e, embora tenhamos mergulhado no sono mais profundo, a reação ou o desenrolar da mola ocorreu da mesma forma. Similarmente, atos que há muito esquecemos em algum momento irão produzir os resultados consequentes, e assim obteremos uma resposta aos nossos atos-orações.
Contudo, há a verdadeira oração mística – a oração em que encontramos Deus, face a face, como Elias o encontrou. Não é no tumulto do mundo, no vento, no terremoto, ou no incêndio que O encontramos, e sim quando tudo se aquieta, e uma voz silenciosa nos fala vinda de dentro. O silêncio requerido para esta experiência não é um mero silêncio de palavras. Nem há as imagens interiores que passam geralmente diante de nós na meditação.
Tampouco há necessidade de pensamentos, mas todo o nosso ser assemelha-se a um calmo lago tão límpido quanto um cristal. Nele, Deus Se espelha, e experimentamos a unidade que torna a comunicação desnecessária, seja por palavras seja por qualquer outro meio. Sentimos tudo aquilo que Deus sente. Ele está mais próximo de nós do que nossas mãos e nossos pés.
Cristo nos ensinou a dizer: “Pai nosso que estais no céu”, etc. Esta oração encerra a mais sublime forma de expressão encontrada sob forma de palavras, mas a oração da qual me refiro pode, no instante da união suprema, ser expressa numa única palavra não pronunciada: “Pai”. O devoto, quando está realmente submerso em oração, nunca vai mais longe. Ele não faz pedidos, para que? Não tem ele a promessa: “O Senhor é meu Pastor, não me faltará?”. Não lhe foi dito para buscar primeiro o Reino do Céu, e que tudo o mais lhe será acrescentado? Talvez sua atitude possa ser melhor entendida se fizermos a comparação com um cão fiel olhando para a face do seu dono com uma devoção muda, com toda a sua alma transparecendo através de seus olhos cheios de amor. De forma semelhante, naturalmente com intensidade muito maior, o verdadeiro místico olha para o Deus interno e se derrama todo em muda adoração. Desse modo, podemos orar sem cessar, internamente, enquanto trabalhamos como servos diligentes no mundo externo; pois nunca esqueçamos que o objetivo não é desperdiçar nossas vidas sonhando. Enquanto rezamos a Deus internamente, devemos também trabalhar para Deus externamente.
(Perg. 166 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Pergunta: Diz-se que quando o Novo Testamento menciona o “Filho do Homem” quer se referir ao Espírito Solar. Os adoradores do Sol foram considerados idólatras. Nós também seríamos considerados como tais?
Resposta: Todo aquele que não segue os padrões de seu tempo é um idólatra. Quando o Sol, por precessão, a deixou constelação de Touro e entrou em Áries foi emitida a ordem “Não adoreis o bezerro de ouro; isso é idolatria”.
Posteriormente, quando chegou a era Cristã, houve uma nova aliança e não se devia mais praticar o Judaísmo com suas oferendas, pois Cristo chegara e houve um único sacrifício por todos. Tornou-se idolatria executar o antigo sacrifício. Não há nenhum outro nome dado sob o céu pelo qual nós devemos ser salvos, a não ser o nome de Jesus Cristo. Mais tarde, quando Cristo entregar tudo nas mãos do Pai, haverá um novo padrão e será idolatria voltar aos nossos ideais de hoje.
(Revista Serviço Rosacruz – 12/73 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Pergunta: Encontramos na Bíblia, no Livro de Jó, as seguintes palavras: “Podes atar as cadeias das Plêiades ou soltar os atilhos do Orion?” (Jo 38:31). Essas estrelas exercem alguma influência sobre os seres humanos?
Resposta: Sim, não há dúvida que todas as estrelas no universo exercem alguma influência sobre os seres humanos, e alguns astrólogos marcam as posições de várias estrelas fixas ao levantar um horóscopo. A nosso ver, isso é apenas uma perda de tempo e trabalho, pois a Mente humana tem agora uma prova suficientemente forte para equilibrar as influências interagentes das Casas, Signos e Aspectos dos Astros, de tal maneira que seja possível ler com precisão a mensagem completa das estrelas, como é mostrada por esses fatores elementares. Pode-se afirmar, contudo, no tocante às Plêiades, que são uma das três manchas nebulosas do Zodíaco que, segundo descobriu-se, exercem uma influência perniciosa sobre os olhos em determinadas configurações do horóscopo do Sol ou da Lua com Saturno, Marte, Urano e Netuno.
(Perg. 109 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Pergunta: No Apocalipse, São João diz: “E já não haverá mar”. O que isso significa?
Resposta: Significa exatamente o que é dito, pois a Terra está passando por inúmeros estágios evolutivos que propiciam as condições necessárias para o nosso desenvolvimento. Houve uma era de escuridão, durante a qual o material do nosso planeta achava-se reunido em um estado de fermentação e germinação, os quais produziam calor e, no momento em que foi proferido o fiat criador:
“Faça-se a luz”, esse material transformou-se numa névoa de fogo luminosa, girando em torno do seu eixo e aquecendo a atmosfera circundante, a qual logo esfriava ao entrar em contato com o espaço exterior. Assim foi gerada a umidade que caía sobre o planeta incandescente, resultando em vapor que se elevou em direção ao espaço, uma neblina ígnea.
Durante eras, esses processos de evaporação e condensação aconteceram até formar-se uma crosta sólida que cobriu a Terra e se tornou o que chamamos terra firme e seca, da qual se elevava uma espécie de bruma, tal como descrita na Bíblia. Esse vapor esfriava-se, condensava-se e caía sobre a terra em forma de chuva, o que, gradualmente, clareou o ar propiciando-nos às condições atmosféricas prevalecentes até hoje. No passado, possuíamos corpos que nos permitiram viver nos diversos ambientes terrestres; atualmente, nossos veículos são, em sua maior parte, compostos de água, tal como são os corpos dos animais e vegetais. Apesar disso, a Bíblia diz que tanto a carne quanto o sangue não podem herdar o Reino de Deus. Ela também diz que deveremos descartar-nos do corpo físico e elevar-nos no ar. Daí a citação do Apocalipse, 21:1. “E já não haverá mar”. Desse modo, as condições gerais nos sãos apresentados, e há alguns indícios mostrando que, embora essas mudanças estejam ocorrendo lentamente, elas estão realmente surgindo. Os cientistas começam agora a admitir que a Terra está perdendo umidade. Lemos num artigo publicado no “Literary Digest”: “Muitas autoridades reconhecem que a Terra está perdendo lentamente a sua umidade. Isto ocorre como é parcialmente explicado por C. F. von Hermann, em Science (New York), pela ação das descargas elétricas no vapor em decomposição. Um dos gases componentes, o hidrogênio, é muito leve e sobe até as camadas superiores da atmosfera terrestre, de onde é finalmente expelido.
Essa perda de hidrogênio significa, na realidade, uma perda de água. A decomposição da umidade da Terra, com o seu desaparecimento final, é causada também por outros agentes, especialmente pelo efeito dos raios luminosos da parte superior do espectro. O Sr. von Hermann cita um escritor em Umschau, Dr. Karl Stoeckel, que disse: “Acredita-se que os raios ultravioletas da luz solar, que incidem sobre o vapor de água em suspensão na camada inferior da atmosfera terrestre, decompõem uma pequena parte desse vapor para produzir o hidrogênio, que se eleva a grandes altitudes”.
A respeito disso, o Sr. von Hermann comenta: “Não creio ter sido verificado antes que a superfície da Terra está continuamente perdendo hidrogênio por meio da decomposição do vapor de água provocada por cada relâmpago”. Pickering e outros já reconheceram as linhas de hidrogênio no espectro de um relâmpago, e estudos mais amplos na meteorologia mencionam que os clarões dos relâmpagos decompõem uma certa quantidade de água. O hidrogênio formado por cada relâmpago, eleva-se rapidamente à atmosfera superior e perde-se no espaço.
(Perg. 80 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Pergunta: Há algum trecho na Bíblia, seja no Antigo ou no Novo Testamento, onde é dito aos seres humanos, que se casem e vivam depois como irmão e irmã, sob quaisquer circunstâncias? Se isto não consta na Bíblia, por que é ensinado por vocês?
Resposta: Os Semitas Originais foram a quinta das raças Atlantes. Surgiram da Atlântida submersa, como foi contado de várias formas nas histórias de Noé e Moisés. Seu destino era uma Terra Prometida, não a pequena e insignificante Palestina, mas a terra como ela é hoje constituída. Era prometida porque estava passando por mudanças que ocorrem quando, uma nova raça está preparada para tomar posse dela. Inundações haviam destruído a civilização Atlante. No deserto de Gobi, na Ásia Central, vagueava o núcleo das presentes raças Arianas.
Na época em que tal núcleo estava para se tornar uma raça que povoaria o mundo, é natural que a procriação de crianças fosse de importância capital. Era considerado como dever de todos gerar um grande número de filhos e ser fecundo. Atualmente, não estamos vivendo naquela época, o mundo está mais povoado, e os Egos reencarnantes estão mais cautelosos, não se empenhando tanto em conceber. Nós nunca apregoamos o celibato geral, nem dissemos que as pessoas devem casar-se e depois viver como irmãos durante todo o tempo, mas ensinamos que as pessoas casadas devem, de acordo com as circunstâncias, ajudar a perpetuar a raça. Quer dizer, se ambos, marido e mulher, estão física, moral e mentalmente em condições, e possuem um lar onde um Ego encarnante possa ter a oportunidade de renascer e adquirir experiência, eles deverão oferecer-se como um sacrifício vivo no altar da humanidade e fornecer a substância de seus corpos para prover um Ego de um veículo, recebendo-o em seu lar como receberiam um convidado querido, gratos por poder fazer por ele o que outros lhes fizeram. Mas, quando o ato de fecundação tiver sido realizado, eles deverão abster-se de outras relações sexuais, até que se sintam novamente preparados para gerar o corpo de outra criança. É esse o ensinamento dos Rosacruzes a respeito da relação ideal entre marido e mulher. Eles sustentam que a função criadora não deveria ser usada com propósitos sensuais, mas para a perpetuação da raça, como foi, naturalmente, designada. Essa é uma situação ideal e pode estar fora de alcance para a maioria das pessoas no presente momento, como o é a prescrição de amar os nossos inimigos. No entanto, se não tivermos ideais elevados, não faremos progresso algum.
(Perg. 21 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Pergunta: Por que as cores do véu do Templo e das vestes sacerdotais eram, como foi mencionado no Êxodo, azul, púrpura e escarlate, em lugar de serem as três cores primárias?
Resposta: O Tabernáculo no Deserto foi a primeira igreja que o ser humano erigiu sobre a Terra. Quando a humanidade saiu das bacias terrestres devido à condensação das águas que antes pendiam como uma densa neblina sobre a terra, a visão espiritual que os havia guiado até ali tornou-se um obstáculo para o seu desenvolvimento físico. Consequentemente, ela foi diminuindo, e os sentidos dos seres humanos passaram a focalizar-se no mundo físico.
Essa mudança acarretou uma separação das Hierarquias Divinas que, até aquele momento, haviam guiado o ser humano no caminho da evolução. Elas tornaram-se invisíveis e o indivíduo sentiu a sua falta. Então, despertou em seu coração um desejo de Deus, que ficou satisfeito ao ser-lhe dado o Tabernáculo no Deserto e ao ser-lhe prescritas certas leis divinas no sentido de orientá-lo. Jeová era o Legislador e o Gênio particular dos Semitas Originais, que foram a raça de origem da futura Época Ária, e, atrás d’Ele permanecia o Altíssimo, o Pai. Isto é confirmado em certas passagens como no Deuteronômio, capítulo 32, versículos 8 e 9, onde é dito que o Altíssimo dividiu o povo em nações, reservando uma certa porção do povo ao Senhor, que o guiou e o levou para fora do Egito (terra onde se venerava o Touro), rumo à Era Ária do Arco-íris. Esta foi inaugurada com o uso do sangue do Cordeiro, Áries, no holocausto (Passover) realizado por Noé e pelas leis dadas através de Moisés, as quais foram simbolicamente mostradas no Tabernáculo no Deserto.
A cor do Altíssimo, o Pai, é um azul espiritual. A cor de Jeová é o vermelho (simbolizando o sacrifício sangrento), e a mistura destas duas cores produz a púrpura. Por essa razão, estas duas cores fizeram-se presentes no véu do Templo, além da cor branca indicando, de forma simbólica, a falta de alguma coisa. Sob o regime de Jeová era necessário aplicar o lema: “olho por olho e dente por dente”. Era uma exigência da lei ditada por Ele e transmitida a Moisés. Essa Lei reinou até Cristo, que nos trouxe, então, a graça e a verdade, rasgando assim, o véu do Templo.
Sob essa lei antiga, os sacrifícios de animais eram obrigatórios, pois a humanidade ainda não aprendera a fazer sacrifícios de si mesma.
Quando Cristo mostrou o caminho da verdade e da vida, oferecendo-Se em sacrifício, o véu do Templo rasgou-se, estava abolido o antigo sistema, e um novo caminho foi aberto para a salvação “de todo aquele que o desejar”.
Na nova dispensação não há véu sobre o qual possa ser colocada a cor do Iniciador. Encontrou-se uma forma melhor de marcar individualmente com Sua cor dourada aqueles que são de Cristo. Na verdade, todos os que seguem o caminho do serviço e do auto sacrifício desenvolvem em sua própria aura a cor dourada de Cristo, a terceira das cores primarias. Essa aura é a veste sacerdotal da nova dispensação, sem a qual ninguém pode penetrar no Reino, e nenhuma veste pode ser conseguida por meio de pseudo-iniciações, não importa qual tenha sido o preço pago.
(Perg. 82 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)