Categoria Relação do Ser Humano com outros Seres

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A melhor forma de divulgação

Não tem escapado à observação de Estudantes, simpatizantes e pessoas ligadas à Fraternidade Rosacruz a nossa despreocupação em arregimentar a qualquer custo grande número de prosélitos. Há quem diga que uma propaganda em massa faria, inevitavelmente, nossas salas de reuniões lotar, ensejando, além disso, um consumo sem precedentes de livros e publicações Rosacruzes.

Por uma questão de coerência com os nossos próprios Ensinamentos recusamo-nos terminante e conscientemente a lançar mão de propagandas que envolvam o espetacular e o emocional. Não utilizamos “iscas” na forma de psiquismo sensacionalista. Não prometemos mundos e fundos. Aos desejosos de filiar-se à Fraternidade, oferecemos apenas os Ensinamentos Rosacruzes, além da orientação e do ideário por eles encerrados. Todas as outras conquistas decorrem do mérito reunido pelo aspirante na superação do “eu inferior”.

É um problema individual e interno. Aos relutantes em admitir essa verdade, Max Heindel responde: “Só a persistente paciência em fazer o bem qualifica o Aspirante aos degraus da Iniciação”. E nós acrescentamos: esse “fazer o bem” tem um sentido bem amplo. Não implica somente beneficiar a outrem, mas também a si próprio pela autodisciplina, purificação dos sentimentos e pensamentos etc.

Francamente, considerando o estágio espiritual em que se encontra a humanidade, não acreditamos na possibilidade de, atualmente, a Filosofia Rosacruz atrair grandes multidões. Quem deseja melhorar-se interiormente? Quantos se acercam das Escolas Ocultistas com honestidade de propósito?

Só motivações de ordem externa empolgam as massas. Se acenássemos com fenômenos, enigmas envoltos no véu do mais profundo mistério, iniciações fáceis ou voos anímicos, atrações tão ao gosto da curiosidade popular, por certo atrairíamos muitas pessoas; todavia, quedariam, mais tempo, menos tempo, decepcionadas, porque suas pretensões ilusórias, somadas a uma visão caricata do verdadeiro espiritualismo, não resistiriam ao crivo austero do método Rosacruz de desenvolvimento.

A verdade nua e crua é que muitos seres se alentam ao aproximar-se das Escolas Filosóficas, e mesmo das religiões, com o intuito egoísta de resolver seus problemas mundanos relacionados, via de regra, ao amor, dinheiro e saúde; quando não, por mero diletantismo. Descuram-se de procurar em si mesmos a tão ansiada solução, configurada internamente como autorregeneração e observância às Leis Divinas.

Poucos se dispõem a assumir responsabilidades, tornando-se condutores de si próprios. É mais cômodo delegá-las a “mestres”, “guias”, “líderes”, eternas “muletas” de quem detesta um mínimo de esforço.

Essa posição de comodidade contraria frontalmente o método Rosacruz, basicamente aquariano, por almejar, desde o início, libertar o aspirante de toda e qualquer influência externa, tomando-o confiante em si mesmo, no mais alto grau.

As multidões, ainda nos dias de hoje, procuram ansiosamente por líderes, de preferência carismáticos, prontos a dirigi-las, comandá-las, determinar-lhes o caminho. Bebem e embriagam-se de palavras grandiloquentes. Arrebatam-se com frases de efeito, com o magnetismo derramado da retórica pomposa, do sofisma traiçoeiro e de elogios nem sempre sinceros. O líder diz exatamente aquilo que a multidão deseja ouvir.

Na Fraternidade Rosacruz não há líderes. Nem o seu fundador pretendeu essa investidura. Ele, um Iniciado de caráter nobre, forjado no sofrimento e na compaixão, foi apenas um orientador sábio e amoroso. Pautou sua conduta pelo respeito ao livre-arbítrio do seu semelhante. Jamais andou à cata de encômios e reconhecimentos. A dedicação e o sacrifício que o consumiram, a simplicidade que lhe era peculiar e seu exemplo edificante constituem uma inesgotável fonte de inspiração. Vislumbramos nosso roteiro e encontramos nossa vocação espiritual nestas suas lapidares palavras: “Cada um, movido pelo Espírito do Amor Interno, deve trabalhar sem lideranças pela elevação física, moral e espiritual da humanidade, à altura de Cristo, o Senhor e a Luz do Mundo”.

Todas as atividades desenvolvidas no seio da Fraternidade Rosacruz revestem-se de um sentido estritamente impessoal. O desejo de servir constitui o móvel de toda a ação, mantendo-se como ponto de honra a renúncia aos apelos da personalidade. A única recompensa aspirada é receber novas e maiores oportunidades de colaborar.

O exposto esclarece por que o número de Estudantes Rosacruzes ainda não é tão grande como muitos desejam que fosse. Mesmo que centenas ou milhares de pessoas acorram à Fraternidade, nela apenas a minoria permanecerá. E ainda assim, alguns desistem no meio do caminho. Nem todos estão amadurecidos para encarar a luz radiante do Cristianismo Esotérico.

Apesar das dificuldades, o número de Estudantes vem crescendo consideravelmente e o consumo de algumas obras está a exigir novas edições. Muitos jovens nos procuram. Grupos de Estudo estão se formando. Novos colaboradores estão engrossando nossas fileiras. Temos boas razões para confiar no futuro da Obra.

Consta de nossa programática difundir a Filosofia Rosacruz através dos modernos meios de comunicação. Aliás, já o fizemos algumas vezes. Porém, agora, como nas oportunidades anteriores, nosso procedimento assentar-se-á no critério de divulgar sem objetivar proselitismo. Além disso, nós, os Estudantes, poderemos nos tornar os maiores e mais eficientes divulgadores da Filosofia Rosacruz, por meio de uma vida exemplar cuja ressonância superará as mais comoventes e eruditas palavras.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1975)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Auxiliares Invisíveis e Médiuns

Auxiliares Invisíveis e Médiuns

Há duas classes de pessoas no mundo. Uma delas possui os Corpos Denso e Vital tão for­temente conectados que seus Éteres não podem ser extraídos em nenhuma circunstância, permanecendo sem­pre com o Corpo Denso, em todas as condições, desde o nascimento até a morte. Tais pessoas são in­sensíveis a qualquer manifestação supersensitiva da visão ou audi­ção e, por isso, geralmente são ex­cessivamente céticas, não acredi­tando que exista algo além daqui­lo que possam ver.

Há outra classe de pessoas, nas quais a conexão entre os Corpos Denso e Vital é frouxa, em menor ou maior intensidade, de forma que o Éter dos seus Corpos Vitais vibra a uma velocidade maior do que no primeiro grupo mencionado. Essas pessoas, portan­to, são sensitivas em maior ou me­nor grau para o mundo espiritual.

Podemos dividir novamente essa classe de sensitivos. Alguns são caracteres débeis, dominados pela vontade dos outros de forma passiva, tais como os médiuns que são presas de espíritos desen­carnados e desejosos de obter um Corpo Denso, depois que perderam seus próprios Corpos pela morte.

A outra classe de sensitivos são caracteres fortes, ativos, que agem unicamente por seu foro ín­timo, de acordo com sua própria vontade. Eles podem se desenvolver e tornar-se clarividen­tes práticos, sendo seus próprios senhores, em vez de escravos de um espírito desencarnado. De al­guns sensitivos de ambas as classes é possível extrair uma parte do Éter que forma o Corpo Vital. Quando um espírito sem Corpo Denso obtém um paciente dessa natureza, desenvol­ve-o como “médium de materializa­ção”. O ser humano capaz de sair com o seu próprio Corpo Vital por um ato de vontade converte-se em um ci­dadão de dois mundos, independen­te e livre. Esse é conhecido frequentemente como “Auxiliar Invisível”. Há outras condições anormais nas quais o Corpo Vital é separado, total ou parcialmente, do Corpo Denso, como por exemplo quando coloca­mos uma perna em posição incômo­da, de maneira a obstar a circula­ção do sangue. Nesse caso, podemos ver a perna etérica pendurada embaixo do membro visível, como uma meia. Quando a circulação se restabelece e o membro etérico procura voltar à sua posição, notamos uma intensa sensação de formigamento; isso ocorre de­vido ao fato de as pequenas correntes de força, que todos os áto­mos irradiam através do Éter, ten­tarem interpenetrar as moléculas da perna e estimulá-las novamente à vibração. Quando uma pessoa está se afogando, o Corpo Vital também se separa do Denso e a do­lorosa, a intensa sensação do formi­gamento causada pelo reavivamento também é devida à causa antes men­cionada.

Enquanto estamos em estado de vigília, continuando nosso trabalho no Mundo Físico, o Corpo de Desejos e a Mente interpenetram am­bos: o Corpo Denso e o Corpo Vital, estabelecendo-se uma luta constan­te entre a natureza de desejos e o Corpo Vital. O Corpo Vital está continuamente ocupado na construção do organismo humano, enquanto os impulsos do Corpo de Desejos tendem a cansar e desgastar os tecidos físicos. Gradualmente, no decorrer do dia, o Corpo Vital perde terreno diante dos ataques do Corpo de Desejos. Pouco a pouco, acumulam-se os venenos da deterioração e o fluxo da força Vital se torna cada vez mais vagaroso, até que, por fim, somos incapazes de mover os músculos. Então o Corpo sente-se pesado e exausto. Afinal, o Corpo Vital sofre um colapso, por assim dizer: as diminutas correntes de força que penetram cada átomo parecem se encolher e o Ego é for­çado a abandonar seu Corpo às for­ças restauradoras do sono.

Quando um edifício foi mal con­servado, tendo que sofrer uma se­vera reparação, os inquilinos devem mudar-se para permitir que os operários tenham o campo livre. O mesmo ocorre quando o edifício de um espírito se tornou impróprio para seu uso ulterior: deve-se sair dele. Como foi o Corpo de Desejos que produziu os danos, é lógico concluir que ele também deva se retirar. Todas as noites, depois que nosso Corpo ficou cansado, os veículos supe­riores se retiram, ficando sobre o leito unicamente o Corpo Denso e o Corpo Vital. Começa então o pro­cesso de restauração, que dura mais tempo ou menos, de acordo com as circunstâncias.

Há ocasiões, não obstante, nas quais o predomínio do Corpo de De­sejos sobre nossos veículos mais densos é tão forte que ele se recusa a abandoná-los. Ficou tão interes­sado nos acontecimentos do dia que continua ruminando sobre eles de­pois do colapso do Corpo Denso, re­tirando-se apenas parcialmente. Nesse caso, pode transmitir visões e sons do Mundo do Desejo ao cérebro; contudo, como as ligações nessas condições estão naturalmente desa­justadas, disso resultam os sonhos mais confusos. Além disso, como o Corpo de Desejos impele à ação, o Corpo Denso é muito possivelmente sacudido quando o Corpo de Dese­jos não se retira por completo. Daí os sonos sobressaltados que geral­mente acompanham os sonhos de natureza confusa.

Existem realmente ocasiões nas quais os sonhos são proféticos e se realizam; mas surgem apenas de­pois de uma completa retirada do Corpo de Desejos, sob circunstân­cias especiais em que o espírito tenha, por exemplo, notado algum perigo em vias de se manifestar e, então, impri­me o fato no cérebro, “no momento do despertar”.

Pode também acontecer que o espírito se afaste num voo anímico e se esqueça de realizar o trabalho de restauração que lhe compete. Então o Corpo não estará em condições de ser ocupado pela manhã, continuando assim adormecido. O espírito pode ficar ao seu redor du­rante vários dias, ou até semanas, antes de penetrá-lo novamente e assumir a rotina nor­mal entre a vigília e o sono. Essa condição é chamada de transe e o espírito, ao regressar, pode se lembrar do que viu e ouviu nos Pla­nos suprafísicos, podendo também esquecê-lo, conforme o seu estado de desenvolvimento e a profundidade do estado de transe. Quando o tran­se é muito leve, o espírito geralmente permanece durante todo o tempo no quarto onde seu Corpo descansa e, ao voltar, pode contar aos seus familiares tudo o que disseram ou fizeram enquanto seu Corpo permanecia inconsciente. Quando é mais profundo, ao voltar o espírito geralmente está incons­ciente do que ocorreu ao redor do seu Corpo, mas pode relatar ex­periências obtidas no Mundo invisí­vel.

Há alguns anos, uma menina cha­mada Florence Bennett, de Kankakee, Estado de Ilinois, caiu num transe dessa espécie. Voltava ao seu Corpo depois de alguns dias, mas permanecia somente por poucas horas. O fenômeno durou aproximadamente três semanas. Du­rante as voltas ao Corpo, ela dizia aos seus parentes que em sua ausência ela parecia estar em um lugar ha­bitado por todas as pessoas que morreram. No entanto, afirmava que ne­nhuma delas falava sobre ter morrido e nenhuma parecia estar ciente de estar morta. Entre as pessoas que via estava um maquinista de trem, morto em um acidente. Seu Corpo ha­via sido mutilado no acidente. A menina o via lá, andando sem os braços e com lesões na cabeça. Tudo isso está de acordo com os fatos obser­vados pelos investigadores místicos. Pessoas feridas em acidentes con­tinuam aparentemente na mesma si­tuação até aprenderem que com um simples desejo de voltar a ter seu Corpo completo poderão obter um novo braço ou perna, pois a substância de desejos é rapidamente modelada pelo pensamento.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1975)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Stonehenge

Stonehenge

Os mitos da magia de Merlin e as lendas dos sacrifícios druidas, muito embora sem fundamento, lançaram um encanto sobre Stonehenge que apenas tem anuviado um mistério já grande e intrincado do mundo antigo. A maioria des­sas fantasias foi comprovada como ilusória por técnicas modernas como a do carbono-14, para determinação de datas, confirmando que a construção de Stonehenge começou aproximadamente há quarenta séculos, e a do computa­dor eletrônico, provando que as enormes pedras ou megalitos e os vários círculos ao seu redor não foram colocados arbitrariamente.

Tornou-se evidente que os pla­nejadores de Stonehenge não eram aborígenes curiosos e tradicional­mente incapazes de cultura, mas uma fração sensível e hábil de um povo altamente organizado que possuía suficiente conhecimento da geometria relacionada com o movimento da Lua e do Sol para associá-lo de maneira significativa.

Séculos antes da construção de Stonehenge, pedras enormes esta­vam sendo usadas pelo ser humano neolítico para construir catacum­bas e túmulos para sepultamento coletivo, assim como para cerimô­nias de veneração aos mortos. A migração desses construtores de túmulos megalíticos começou quando grupos de diferentes par­tes da Grécia e da Anatólia coloni­zaram a Espanha e Portugal entre 3400 a. C e 2500 a. C. O principal caminho de debandada da migra­ção nos 1000 anos seguintes es­tendia-se da Espanha e de Portugal, ao longo da costa atlântica da Euro­pa, Ilhas Britânicas e Escandiná­via.

Stonehenge é apenas uma das muitas estruturas megalíticas e centenas de túmulos que se encon­tram dentro de uma área de aproximadamente 40 quilômetros de Wiltshire, Inglaterra, ao longo dos rios Avon e Kennet. Uma das mais notáveis estruturas megalíticas da Europa é o longo túmulo West Kennet, perto do Rio Kennet. Trata-se do maior de to­dos os túmulos pré-históricos divi­didos em compartimentos e exis­tentes na Inglaterra ou País de Ga­les; foi usado, muito antes do ano 2000 a. C., pelo menos durante três séculos. Esse túmulo mede em torno de 107 metros de comprimento e diminui, em largura, em medidas aproximadas, de 23 metros para 15 metros.

Cerca de 24 quilômetros ao sul, perto do rio Avon, há um aterro ao lado de Stonehenge, chamado de Cursus, que se supõe ter servido como uma espécie de alameda ou cercado cerimonial. Cobre uma área de 100 metros de largura por 2800 metros de comprimento. Uma mi­lha para o leste há uma enorme es­trutura circular chamada de Durrington Walls, com cerca de 500 me­tros de diâmetro, e Woodhenge, um tipo de Stonehenge feito de madeira. Woodhenge vir­tualmente desapareceu, porém foi descoberta, do ar, em 1925.

O mais importante local para reuniões de templo antes da cons­trução de Stonehenge parece ter sido Avebury. Esse conjunto con­sistia de dois, possivelmente três, círculos de pedra, cada um com cerca de 97,5 metros, aproximadamente, de diâmetro, uni­dos, por uma avenida com largura por volta de 15 metros, a uma estrutura de pe­dra e madeira chamada O Santuá­rio. A pouca distância, está Silbury Hill, que poderia ser chamada de a grande pirâmide da Europa.

Silbury Hill é um túmulo cônico e inclinado que se eleva a 39,6 metros, aproximadamente, com uma base de mais de 200 me­tros de diâmetro. Embora sua finalidade seja desconhecida, provavelmente fizesse parte do conjunto de Avebury. Presumivelmente, al­gumas das pedras de Avebury fo­ram usadas em Stonehenge. Se­melhante em magnitude a Avebu­ry, é o colossal conjunto de monólitos próximo a Carnac, na Grã-Bretanha, onde mais de 2000 pe­dras aprumadas, chamadas menires, foram alinhadas em uma enor­me extensão de terra.

Stonehenge foi construída du­rante muitas gerações, à semelhan­ça das catedrais góticas, séculos depois. A primeira de três fases foi provavelmente iniciada por caçadores nativos e fazendeiros do con­tinente, após 1900 a. C. Esses cons­trutores de Stonehenge cavaram um grande fosso circular de mais de 91,5 metros, aproximadamente, de diâmetro e amon­toaram a terra como barragem em ambos os lados.

Foi deixada uma entrada no lado noroeste, onde eles colocaram a chamada pedra espigão a uns 30,5 metros, aproximadamente, fora do círculo. Esse megalito de 35 toneladas foi alinhado de modo que o Sol nascente no Solstício de Junho apenas atingisse sua parte superior. Na parte in­terna da barragem, cavaram um anel com 56 covas equidistantes umas das outras, que mais tarde se tornaram conhecidas como as covas de Aubrey, devido ao seu descobridor. Quatro enormes marcos de pedra foram colocados no círculo das covas de Aubrey para formar um retângulo perpendicu­lar ao eixo leste do monumento, durante o Solstício de Junho.

Stonehenge II foi iniciada aproximadamente no ano 1750 a. C., aparentemente por uma raça diferente chamada de os homens de boca larga. Eles alargaram a avenida e a desviaram, em curva, para o rio Avon a 3 quilômetros, aproximadamente, de distância, provavel­mente para que fosse usada como estrada para o transporte de 80 pedras-lispes (um tipo “místico” de pedra) para o recinto cercado. Essas pedras chegavam a pesar cinco toneladas e são encontradas apenas nas Montanhas Prescelly, no País de Gales, o que representa uma viagem de quase 322 quilômetros até Stonehenge, mais da metade através do Canal Bristol. Os círcu­los de pedra eram uma característica desses “homens de boca larga” e eles planejavam formar dois círculos concêntricos com a pedra-lispe, as pedras internas com­binando com as externas e dando a impressão de uma roda com aros. Embora esse período cobrisse duas gerações, os círculos duplos de pedra-lispe jamais foram concluídos.

Cerca de 1700 a. C. teve início a terceira fase da construção de Stonehenge pelos representantes de uma nova geração. Eles demoli­ram o círculo incompleto de pedra-lispe, recolocando-as na mesma área, porém, com uma disposição diferente: 81 enormes blocos de arenito que eram dez vezes maiores do que as pedras-lispes. Esses blocos foram, sem dúvida, trazidos de Marlborough Down, cerca de 32 quilômetros ao norte de Sto­nehenge.

Quase no centro, erigiram uma ferradura com cinco blocos de are­nito, cada grupo constituído de duas colunas cobertas com uma verga. Essas receberam o nome de trílito, palavra grega que significa três pedras e exclusivamente apli­cável a Stonehenge. Em seguida, cercaram esses trílitos com um círculo simples de 30 colunas de arenito ligadas por vergas na ex­tremidade superior.

Aproximadamente cinquenta anos após a montagem dos blocos de arenito, um conjunto de 29 co­vas em formato de Z foi cavado na parte ex­terna e em volta do círculo de blo­cos de arenito, e um de 30 covas em Y, cavado em círculo ao redor das covas em Z. Quase que imediatamente após isso, as pedras-lispes foram novamente erigi­das em um oval dentro do trílito, em forma de ferradura. Um segundo círculo de pedra-lispe foi erigido entre a ferradura e o círculo de blocos de arenito. Com isso, a construção terminou perto do ano 1600 a. C.

De um simples círculo e retângu­lo orientados para o Sol nascente do Solstício de Junho havia surgido, em um período de mais de 300 anos, uma complexa catedral de pedras enormes em forma de círculos e ferraduras abobadados. O maior dos blocos de arenito pesa cerca de 50 toneladas e tornou-se necessária considerá­vel capacidade de organização e planejamento para transportá-lo para Stonehenge, onde muitos de­les ainda podem ser vistos. Toda­via, megalitos muito maiores fo­ram deslocados pelo ser humano primi­tivo em outras partes do mundo.

Um dos maiores obeliscos em existência é um monólito com cerca de 32 metros de altura, pesando mais de 400 toneladas, erigido por Thutmose III. Mesmo algumas, das mais de 600 estátuas na Ilha da Páscoa, são monólitos que pesam mais de 50 toneladas, como uma gigantesca de, aproximadamente, 9,7 metros de altura, que pesa 82 toneladas. O maior bloco de pe­dra lavrada pelo ser humano é um monstro de 1200 toneladas existen­te em uma pedreira em frente ao templo romano em Baalbek.

A maravilha de Stonehenge, por­tanto, não está apenas em seu ta­manho, mas em seus detalhes as­tronômicos e de construção, recen­temente descobertos. Se visuali­zarmos uma linha que parta do cimo da nossa casa e chegue à parte superior de uma árvore alta, ela apontará para algum ponto do céu no qual a Lua, o Sol ou outro corpo celeste poderá aparecer em algu­ma época do ano.

O Dr. Gerald Hawkins, Presiden­te do Departamento de Astronomia da Universidade de Boston, fez algo semelhante e anotou as observações que podem ser feitas entre as várias e enormes pedras de Stonehenge I, assim como as observações através dos arcos formados pelos blocos de arenito de Stonehenge III. Em seguida, colocou essa informação em um computador e descobriu que cada um dos 24 possíveis ali­nhamentos de Stonehenge I apon­tava para a Lua ou para o Sol em posição celeste significativa. Veri­ficou também que os alinhamentos de Stonehenge III, independentemente, proporcionavam mais oito posições.

Ele formou ainda a teoria de que as 29 covas em Z e as 30 em Y representam o mês lunar, quando os intervalos en­tre a Lua cheia resulta a média entre 29 e 30, 29 dias e 1/2. Elas poderiam proporcionar ao povo o meio de contar os dias e, simultaneamente, a possibilidade de predizer o ano de um eclipse.

A localização acidental de Sto­nehenge parece improvável, pois nesse hemisfério está localiza­da onde uma diferença de 48,2 quilômetros, aproximadamente, para o norte ou o sul mo­dificaria a geometria astronômica suficientemente para transformar o retângulo formado pelas quatro pedras-marcos em paralelogramo. Certos requintes de acabamento em pedras são invulgares na Euro­pa setentrional pré-histórica e outra evidência como a dos enta­lhes, recentemente descobertos, de armas na Idade do Bronze, em três dos blocos de arenito, sugere a in­fluência e a comunicação com a grande e contemporânea civiliza­ção mediterrânea da Creta Minotaura, da Grécia Messeniana e do Egito.

Há muita justificativa para se presumir que um grupo de pessoas mais altamente adiantadas ou al­gum arquiteto magistral da área do Mediterrâneo projetou e construiu Stonehenge com a ajuda dos habi­tantes locais e isso é particularmen­te plausível quando, em nossa pró­pria época, nativos que carregavam lanças ajudaram a construir cam­pos de aviação.

A religião e o calendário são a mesma coisa na jovem história do ser humano. Desde que apenas duas pequenas pedras se fazem neces­sárias para marcar os alinhamen­tos celestes, é muito provável que, depois desses alinhamentos ini­ciais estarem estabelecidos, fosse desenvolvido o esforço para que se tornassem mais aperfeiçoados co­mo as catedrais góticas. Essas ca­tedrais medievais nasceram da ex­periência e do labor de gerações e, durante a época em que poucas pessoas sabiam ler, serviam como escolas, museus, igrejas, bibliote­cas, salões para concertos, templos de adoração… Stonehenge pode ter sido tudo isso e mais. Provavelmente, o ser humano primitivo não fazia diferença es­sencial entre a religião, a ciência, as artes e o governo; nossas mo­dernas instituições como igrejas, es­colas e museus simplesmente pareceriam inarmônicas para ele, em seu funcionamento e sua maneira de pensar.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1975)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Páscoa mostra que ainda a humanidade dorme, enquanto Cristo sofre

A Páscoa mostra que ainda a humanidade dorme, enquanto Cristo sofre

A Páscoa (passagem), em seu aspecto cósmico, marca a libertação anual do Cristo, crucificado em nosso Planeta. É a ascensão do Senhor do Amor aos reinos celestiais. Os grandes Iniciados místicos, em sua refinada sensibilidade, percebem o coro angélico saudando-O gloriosamente. A infusão de Sua energia na Terra, a cada novo ciclo, inaugura um período de crescimento, promovendo a intensificação das atividades nos reinos vegetal, animal e humano. As plantas crescem e florescem, os animais se multiplicam, e o ser humano sente-se fortalecido, para enfrentar os combates da vida, deles extraindo o “pão da alma”.

O Aspirante Rosacruz deve se esforçar ao máximo para compreender que ocorre, realmente, nessa época do ano. Uma importante lição a ser aprendida é a de não existência da morte; o que há é uma transição de uma esfera de atividade para outra.

Como espíritos em busca de experiência estamos crucificados no Corpo Denso. As condições restritivas da materialidade, as enfermidades a que está sujeito o organismo humano, as vicissitudes naturais dessa existência constituem sofrimento intenso para o espírito. A chamada morte, portanto, não nos deve causar horror.

Nada mais é do que uma libertação, uma passagem (Páscoa) para planos superiores de consciência. Sabemos pelo relato evangélico como, no Getsemani, Cristo se sentiu tomado de pavor e angústia. São Tiago, São João e São Pedro dormiram. Hoje, o quadro não é muito diferente. Apesar de todo progresso religioso e moral, grande parte da humanidade ainda dorme, enquanto Cristo sofre.

Cabe, àqueles conscientes desse processo cósmico, realizar algo para apressar o dia da libertação. Então, exclamaremos num só: Consumatum Est.

(publicado na Revista O Encontro Rosacruz da Fraternidade Rosacruz de Santo André-SP de abril/1982)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Tempestades da Insegurança

Tempestades da Insegurança

Em um mundo onde os valores espirituais aparentam soçobrar ante as tempestades da insegurança, da falência moral e dos distúrbios sociais; em um mundo onde a indigência e a ignorância afloram em todos os quadrantes evidenciando o contraste brutal, o chocante paradoxo –  o ser humano empreende milagres tecnológicos, mas sente-se incapaz de equacionar seus problemas mais comezinhos, de enfrentar seus desafios cotidianos; em um mundo onde o materialismo ameaça pisotear as mais belas flores do sentimento humano, lhes sufocando a dulcíssima fragrância; em um mundo de “ISMOS” antagônicos e radicalizantes, buscando desesperadamente uma hegemonia mentirosa e levando de roldão tantos quantos se deixem iludir pelo canto de suas sereias; neste mesmo mundo, em dolorosa fase de transição, ser membro de uma Escola Filosófica como a Fraternidade Rosacruz constitui um invulgar privilégio.

Enquanto a humanidade comum se vê às voltas com o terrível pesadelo que é a própria atualidade, procurando debelar as chamas devoradoras das neuroses e dos vícios, das guerras e das carências, tentando em vão encontrar-se nos valores efêmeros e nas condições exteriores, a Filosofia Rosacruz exorta-nos a procurarmo-nos dentro de nós mesmos.

O método Rosacruz de desenvolvimento difere de todos os outros métodos em um aspecto básico: procura desde o início libertar o aspirante da dependência de fatores externos, tornando-o confiante em si mesmo no mais alto grau. Capacita-o a suportar com estoicismo e serenidade as ondas devassadoras da adversidade e da incerteza. Conscientiza-o da transitoriedade dos fenômenos que pululam no mundo físico. Desperta-lhe uma fé inabalável na Justiça Divina, fé, essa, nascida do conhecimento espiritual e da vivência dos princípios preconizados pela Escola dos Irmãos Maiores.

Vinte séculos contemplam um Cristianismo puro e perfeito, porém mal compreendido e distorcido pelos seres humanos que o adequaram a seus interesses e conveniências. Dois milênios testemunharam a concretização da profecia de Cristo: “Eu não vos trago a paz, mas uma espada”.

Contudo, em contraposição, agora, no prelúdio da Era de Aquário, qual um milagre messiânico, surge a Fraternidade Rosacruz, para restaurar sua autenticidade original. E no contexto de seus ensinamentos, exorta o aspirante a procurar o Reino dos Céus dentro de si mesmo, no seu templo interno, no sacrário de seu coração.

A Fraternidade Rosacruz é o ponto de apoio no Mundo Físico de um grande trabalho de regeneração humana, encetado e inspirado desde os planos internos. Cada Grupo e Centro constitui um fulcro de espargimento das mais elevadas energias espirituais. Talvez, face às nossas limitações humanas, façamos uma ideia muito vaga do que representa realmente um Grupo ou Centro de Estudos. Ainda não nos encontramos em condições de avaliar as dimensões de um trabalho tão supremo. Porém, o simples fato de estarmos conscientes de que em alguma extensão ele beneficia a humanidade, induz-nos a sentir uma alegria incomum por estarmos aqui reunidos, irmanados e solidários trilhando o Caminho Rosacruz de desenvolvimento espiritual.

Ao longo desse tempo, muitos foram os obstáculos transpostos. E por certo, outros maiores ainda deverão ser superados no futuro. É mister unirmo-nos cada vez mais. Amarmo-nos como verdadeiros amigos. Redobrarmos a vigilância sobre as arremetidas do eu inferior e, nos prepararmos para mais renhidas batalhas.

Convictos de que o ideal merece nossos maiores sacríficos, cremos firmemente que não tombaremos em meio ao caminho, pois em nossa lida sincera, somos fortalecidos continuamente por Cristo, o Senhor do Amor.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1973)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Hora da Verdade

A Hora da Verdade

“Como vai a sua neurose?”. Lemos essa infeliz manchete na capa de uma revista. É o título de um artigo que aborda um dos males da época. Alarmante, é lamentável, mas não exagero. Retrata fielmente os tempos atuais. A neurose já é quase como o resfriado: quase uma doença comum. Muita gente recorre à Psicanálise, tentando erradicar essa mazela. Os consultórios estão sempre repletos. As fábricas de divãs estão sobrecarregadas de serviço. Cogita-se até mesmo criar um beliche-divã. Tudo por causa da neurose, o mal da época.

Amigo leitor, tudo isso que afirmamos acima pode parecer brincadeira, à primeira vista, porém essa não é a nossa intenção. Neurose, antes de qualquer coisa, é um conflito. E nós não brincamos com conflitos, por mais insignificantes que possam parecer. Neurose é um conflito sério, uma luta interna decorrente da superestima do material em detrimento do espiritual. Vivemos numa época em que o materialismo ainda prepondera. Engodados pelas exterioridades, os seres humanos extravasam loucamente seus desejos, suas paixões, seu imediatismo, seu apego às coisas transitórias. Pouco valor é dado à natureza interna, esse mundo desconhecido. Uma minoria cultiva devocional e racionalmente o lado espiritual da vida, mantendo-se em equilíbrio nos momentos mais desconcertantes, permanecendo incólume a todos os impactos do mundo material, extraindo-lhe pura e simplesmente as lições que eles possam proporcionar.

No frontispício do templo de Delfos, na antiga Grécia, lia-se: “Conhece-te a ti mesmo”. Passaram-se muitos séculos e, no decurso desse tempo, pouco se fez nesse sentido. O conhecimento interno tem sido relegado a um plano secundário. O ser humano parte para a conquista de outros Planetas sem haver conquistado nem conhecido a si mesmo. Seu mundo interior permanece ignoto.

Hoje em dia tudo está mecanizado, tudo obedece a esquemas previamente traçados, tudo é muitíssimo organizado; quando se intenta resolver um problema qualquer, basta apertar um botão; querem condicionar o sentimento humano ao complexo mecânico do computador. Alguém quer levantar um horóscopo? Ora, o computador pode fazê-lo! Dois jovens recém-casados querem saber quantos filhos terão? Isso não é problema! Para que existe o computador? O computador inclusive já indicou qual será o país vencedor do Campeonato Mundial de Futebol a ser disputado no México! É incrível como estamos tão automatizados, tão escravizados pelas máquinas, pelos códigos etc. Nos países mais desenvolvidos, as chamadas “grandes potências”, o panorama é alarmante, surpreendente. Nações organizadas, bem situadas economicamente, primando por grande desenvolvimento educacional, industrial ou tecnológico, apresentam um elevado índice de suicídios, enfartes, lares desfeitos, uso de tóxicos, conflitos entre gerações e NEUROSE. Tudo porque falta alguma coisa. Falta mais espiritualidade, falta equilíbrio entre mente e coração, falta a consciência de que a matéria é consequência. Matéria é espírito cristalizado. A causa de tudo encontra-se nos Planos espirituais. Quando esse conhecimento for de âmbito geral, as coisas mudarão. Quando a vida for encarada como sendo uma grande escola e nós, como alunos, simples administradores dos talentos que são concedidos a nós, os conflitos, as psicoses e as neuroses serão coisas do passado. Já não mais nos desesperaremos pelo temor de perder ou sofrer. Viveremos a vida em toda a sua plenitude.

Muito embora os tempos atuais não sejam luminosos, nós, como ocultistas cristãos, devemos ser otimistas. Lembremo-nos sempre da inspirada frase de Max Heindel: “QUANTO MAIS FORTE É A LUZ, MAIS PROFUNDA É A SOMBRA QUE ELA PROJETA”. O ser humano tem, infrutiferamente, procurado a felicidade fora de si mesmo. Um dia, abatido por tantas decepções, iniciará a jornada de volta para o seu “Eu interno”. Eis que chegará, então, a HORA DA VERDADE.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1970)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Elogio Versus A Condenação

O Elogio Versus A Condenação

 

A Fraternidade Rosacruz enfatiza o serviço prestado a todos os seres vivos a nossa volta e, nesse contexto, muitas vezes esta pergunta é feita: “Como posso servir meus semelhantes? Parece que não tenho oportunidade”. Assim, será bom ressaltar que o serviço não significa apenas uma ação grande ou espetacular como, por exemplo, salvar a vida das pessoas que estejam dentro de uma carruagem cujos cavalos estejam em fuga, ou adentrar um prédio em chamas para resgatar aqueles que, de outra forma, queimariam até a morte. Tais oportunidades não chegam para todos, ou todos os dias; mas todos nós, sem exceção, temos a oportunidade de servir e, não importando qual seja o ambiente ou a linha de serviço que indiquemos neste artigo, é de valor ainda maior do que um ato único onde salvamos alguém da morte que, mais cedo ou tarde, será a parte que nos cabe a todos, porque certamente vale mais ajudar as pessoas a viver bem do que apenas a escapar da morte.

É fato deplorável que a maioria de nós seja egoísta até certo ponto. Buscamos o melhor que há na vida e fazemos isso desconsiderando quase totalmente nossos próximos. Uma das maneiras pelas quais esse egoísmo se expressa com mais frequência é a manutenção de atitudes de autossatisfação. Somos propensos a comparar nossos esforços, pertences ou faculdades aos dos outros e, onde for manifesto que eles tenham mais do que nós, que sejam mais realizados ou algo do tipo, haverá sentimentos de ciúme e inveja que nos levarão a minimizar o sucesso ou realizações deles sob a ilusão de que, por essa comparação, subiremos ao nível deles ou acima. Se, por outro lado, for manifesto que não possuam tanto quanto nós; se parecer que a posição social deles esteja abaixo da nossa e, assim, que pareça fácil estabelecer sua inferioridade, poderemos adotar uma atitude arrogante, falar sobre eles de modo paternalista ou condescendente, julgando que tal comparação nos eleve muito acima da nossa posição atual.

Se ouvimos alguém falar mal de outra pessoa, estamos sempre prontos e propensos a acreditar no pior porque, em comparação, parecemos bem melhores, muito mais sagrados ou, pelo menos por enquanto, exaltados acima do culpado. E onde o mérito é tão másculo que o elogio não possa ser retido, geralmente somos rancorosos, pois sentimos como se o louvor dado a eles se afastasse de nós ou, talvez, exaltasse-os sobre nós.

Tal é a postura geral do mundo. Por mais deplorável ou lamentável que seja esse fato, é uma evidência entre a maioria da humanidade — todos parecem preocupados em manter todos os outros atrás. Essa é uma das coisas mais desumanas que os seres humanos praticam contra si mesmos, gerando incontáveis lamentações que, em contrapartida, produzem outras incontáveis lamentações.

Que serviço maior pode alguém oferecer aos outros, senão auxiliá-los com uma atitude sistemática de encorajamento e elogio? Não há coisa mais verdadeira que este sentimento interior: “Há muito de bom no pior de nós e muito de ruim no melhor que, dificilmente, cabe-nos encontrar falhas nos outros”. Em casa, na loja, no escritório; em todos os lugares encontramos, dia após dia, pessoas diferentes e todas elas suscetíveis ao desejo de encorajamento.

O que o Sol é para a flor, uma palavra encorajadora é para todos, no mundo. Se alguém triunfou e proferimos uma palavra de elogio, ela o ajudará a melhorar ainda mais na próxima vez. Se alguém fez algo errado ou falhou, uma palavra de simpatia ou confiança em relação a suas capacidades de vitória ou recuperação o encorajará a tentar novamente e — vencer. Da mesma maneira que, certamente, a atitude de desânimo murchará e destruirá a vida que pudesse ter sido salva por uma palavra alegre. Quando alguém chegar com uma estória ruim sobre outra pessoa, sejamos muito lentos para acreditar e mais ainda para contar a um terceiro. Esforcemo-nos por todos os meios de persuasão para impedir que o que chegou até nós seja repetido para os outros. Nada de bom pode resultar para nós ou às outras pessoas, se ouvirmos e acreditarmos nessas estórias.

Esse tipo de serviço pode parecer bem fácil à primeira vista; entretanto, devemos ter em mente que, muitas vezes, seja necessário bastante autonegação para continuar o trabalho, porque estamos tão imbuídos de egoísmo que seja quase impossível para a maioria de nós afastar continuamente esse eu de maneira completa para nos colocar na posição dos outros e dar o encorajamento e os elogios pelos quais tanto nos dedicamos.

Contudo, se persistirmos nessa atitude e a cumprirmos consistentemente, com todos em nosso ambiente, sempre insistindo em dizer uma palavra de encorajamento quando encontrarmos oportunidade, descobriremos que as pessoas venham até nós não apenas com suas tristezas, mas também com alegrias e, assim, poderemos ganhar alguma recompensa. Sentiremos então que tivemos uma grande participação em suas realizações e em todos os seus sucessos haverá alegria e sucesso que legitimamente pertençam a nós mesmos, um triunfo além do que alguém possa tirar de nós, algo que irá conosco para além do túmulo como um tesouro no Céu.

Não nos esqueçamos de que todo pequeno ato seja gravado no Átomo-semente, em nossos corações; que o sentimento e a emoção que acompanham esse ato reagirão em nós na existência post-mortem; e que toda alegria, prazer ou amor que derramarmos sobre outras pessoas reagirá sobre nós no Primeiro Céu, o que nos dará uma experiência sublime, inculcando em nós a maravilhosa habilidade de oferecer cada vez mais alegria aos outros e prestar um serviço cada vez maior.

Lembremos também que essa seja a única grandeza verdadeira, a única pela qual vale a pena trabalhar — a que nos ajuda a prestar o serviço. Acima de tudo, mais do que incentivar outras pessoas em seu trabalho, lembremo-nos da parte do serviço que foi descrita e trata de descontinuar as estórias. Quando alguém vem até nós com isso, não importa o que possamos pensar nem qual seja sua justificativa, a repetição não tem qualquer valor. Ela faz mal. À medida que a bola de neve que desce a montanha acumula material, cresce cada vez mais; assim também, o conto que é levado de uma boca a outra se torna exagerado, causando muita tristeza e sofrimento pelas línguas de fofoca.

Portanto, não podemos oferecer maior serviço às partes envolvidas ou à comunidade do que tentar fazer com que aqueles que carregam estórias de maldade acabem com esse hábito. Lares foram destruídos, comunidades foram arrasadas, seres humanos foram para a forca inúmeras vezes ou à servidão em alguma instituição, o que é muito pior, por causa de estórias ociosas. Dessa forma, podemos fornecer um serviço muito bom tanto nos recusando a ouvir fofocas quanto incentivando quem falhou ou elogiando aqueles que tiveram sucesso. Todos os dias oportunidades batem à nossa porta, independentemente de onde estejamos ou qual seja a nossa posição na vida.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross, julho de 1915 – Traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Nossos Mestres Planetários, incluindo o Sol e a Lua

Nossos Mestres Planetários, incluindo o Sol e a Lua

Ao treinar suas crianças (os da onda de vida humana), nosso Criador colocou-as sob os cuidados de sete Mestres, cuja missão é aplicar as leis governando o universo, cuidando para que todo ser humano viva, seguindo-as. Os Planetas são os corpos visíveis desses grandes mestres, ao redor do Trono de Deus ministrando à humanidade sob sua direção suprema. Irradiam-nos influências conforme as merecemos. Não há mal algum no bom universo de Deus. O que assim parece-nos é devido à nossa percepção imperfeita.

Todas as coisas da natureza tendem a um movimento progressivo, para o alto e para a frente, culminando num afastado “Evento Divino”, conforme planejado pelo originador. Um exame do simbolismo dos Planetas e seus mútuos aspectos (a cruz, o quadrado, o compasso, o círculo, o semicírculo) nos revelarão grandes lições quanto à missão dos Planetas relativamente à humanidade. Os Espíritos Planetários lidam com a humanidade através de seus embaixadores; estudaremos resumidamente suas finalidades.

O Sol é o centro e o coração do inteiro sistema, portanto, é análogo ao coração humano. Seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Miguel. Seu símbolo é o círculo, sinal do espírito, indicando nossa natureza essencial. Sua palavra-chave é Vida, e sua missão para o ser humano é proporcionar-lhe individualidade, lembrá-lo de sua ancestral realeza, sua descendência divina, e torná-lo consciente de seus poderes adormecidos, aguardando o toque do mestre a despertá-los para a vida. Ele cria a consciência “EU” e torna-nos donos de nós mesmos e do mundo externo.

O segundo na ordem desde o centro é o belo Mercúrio, tão próximo do Sol que diz estar no colo do Pai. É o Mensageiro dos Deuses, e seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Rafael. Seu símbolo é o círculo do espírito com o sinal da alma, um semicírculo em cima, e o sinal da matéria, uma cruz, embaixo. Sua influência é da maior potência na atual fase da evolução humana, como se vê de sua palavra-chave Razão. Sua missão é cultivar no ser humano essa faculdade e assim ampará-lo a emancipar-se dos grilhões da matéria, sob os quais está debatendo-se agora; é ajudá-lo a reunir conhecimento e ganhar crescimento anímico pela observação, evitando, assim, experiências penosas. Desenrola-nos as maravilhas da natureza e de nós mesmos e entrega-nos a chave do armazém da sabedoria do mundo. Ele inicia seus pupilos fiéis nos ensinamentos arcanos sublimes, e treina-nos no cultivo da omnisciência escondida em nós.

Na sequência temos a bela Vênus, cujo embaixador para a Terra é o Arcanjo Anael. O símbolo dela é o do espírito (círculo) sobrepondo-se à matéria (cruz), indicando assim a conquista do evanescente por parte do eterno. É chamada a Deusa do Amor, sua suave influência desperta-nos para a realização da ligação unificadora entre todos os membros da humana família, estejam em quais relacionamentos estiverem. Com laços de seda ela prende homem com homem, e homem com mulher, em traços afetivos. Sua palavra-chave é, portanto, Coalizão. Ela acende e mantém dentro do coração humano o amor que vive querendo servir e aliviar os sofrimentos humanos pela harmonia, beleza e música.

O dominador Marte envia seu raio de fogo desde além da órbita de nossa Terra, tendo-nos dado o fogo e o ferro. Sem ele a humanidade careceria de empreendimento e energia vitoriosa. O orgulho dominante que não se detém diante de obstáculos, e as forças ousadas e batalhadoras construtivas, continuamente realizando tarefas de progresso, devem seu nascer à interferência dos espíritos Lucíferes habitantes de Marte. Seu embaixador é o Arcanjo Samael. O símbolo de Marte é a cruz sobre o espírito, indicativo da sujeição ao chamado da natureza superior, do espírito egoísta, autoafirmativo, do Ego inferior. A palavra-chave é Energia. Ele desperta no ser humano as paixões inferiores: desejos, ira, orgulho e egoísmo, mas contribui para o instinto criador do ser humano.

Circulando em sua órbita, além de Marte está o gigante Júpiter, o dador de presentes, e o Deus favorito de toda humanidade. Seu embaixador é o Arcanjo Zacariel, e seu símbolo é o sinal da alma (semicírculo) sobre a cruz da Matéria mostrando a essência sublimada extraída da experiência na escola da vida. Sua palavra-chave é Expansão. Ele inclina o ser humano a altos ideais, nobreza de caráter, filosofia e religião. É o espírito do otimismo, opulência e generosidade.

Sob seu raio beneficente a humanidade vive em abundância, mas Júpiter é também um refinador. Castiga suas crianças para que sejam mais merecedoras de sua benevolência. Esse aspecto de Júpiter está bem ilustrado por Shakespeare, o grande iniciado-poeta e mestre astrólogo, em seu drama místico Cymbeline. Leonatus Posthumus, condenado a morrer no dia seguinte, dorme em sua cela. Sonha que o Deus Júpiter desce montado numa águia e coloca uma placa em seu peito. Ele ouve uma conversação entre o Deus e seus finados pais, e, em resposta à súplica dos pais no sentido de que fosse libertado o filho querido deles, o Deus responde:

“Quem eu mais amo, puno como dádiva,

Quanto mais tarda, mais deleita.

Estejam contentes;

Vosso abatido filho será erguido pela nossa divindade,

Seus confortos em prosperidade, suas provas bem aproveitadas,

Nossa estrela jovial reinava ao nascer dele”.

O Júpiter é também chamado o Trovejador pela mitologia grega. Com seu potente martelo força a natureza inferior para refinadas formas de amor e compaixão.

O assustador (aparentemente) Saturno, ou Satã das escrituras, o poderoso ministro da justiça de Deus, paira com ampulheta e foice. Com rigorosa justiça, seu toque de piedade, pontual, ceifa altos e baixos, bons e maus, quando cada um tiver gastado sua areia. É chamado Velha Dama e seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Cassiel. É simbolizado pela cruz sobre o semicírculo mostrando as limitações por ele impostas sobre a aspiração humana. Sua palavra-chave é Contração. Toda demora, desapontamentos e derrotas devem ser atribuídas a seu raio. Contudo, detenham-se de maldizê-lo. No livro de Judas, o Anjo Miguel quando tentado a repreender Satã, declara ser ele um poderoso ministro de Deus sendo-lhe devida reverência.

Na imortal obra-prima de Goethe, Fausto, Mefistófeles, a encarnação humana de Satã, declara-se espírito de negação, que embora planejando o mal executa, contudo, o bem. Essa é uma ilustração apropriada de seu caráter. A missão de Satã é pôr obstáculos no caminho da humanidade, a qual, sob a benéfica influência dos outros astros viveria em conforto e luxo, não se aplicando ao cumprimento de suas particulares missões na vida, que são experiências e crescimento anímico. Saturno é o freio da roda suave da vida. Alterando a metáfora, seu chicote desperta o ser humano para o dever, para a verificação das necessidades de seus semelhantes, da natureza evanescente de toda riqueza e glória terrenas. Ele é o amigo dos que renunciam ao mundo. Por suas tendências obstrutivas, ensina-nos: mentalmente – concentração, cautela, previsão e diplomacia; moralmente – autocontrole e castidade; fisicamente – método, ordem e sistema.

Nosso satélite Lua circula-nos próxima e os raios dos já mencionados Planetas hão de por ela passar para chegarem ao nosso contato. Portanto, a Rainha da Noite é o Astro da fecundação. Ela fertiliza, pela geração, as influências benéficas ou maléficas irradiadas pelos deuses superiores. Portanto, sua missão é de grande importância, e a posição por ela ocupada num horóscopo deve ser bem revelada. Seu embaixador é o Anjo Gabriel, cuja missão mencionada nas Escrituras é anunciar o nascimento de Espíritos no plano terrestre. Sua palavra-chave é Fecundação, ela governa a concepção, gestação e nascimento. Todas as funções femininas estão sob sua lei.

Os sete Planetas (considerando-se a Lua) já estudados relacionam-se com o crescimento do ser humano e sua perfeição na escola da vida. São nossos mestres que moldam nosso caráter para conformá-lo aos requisitos das leis evolutivas. O mundo é um enorme disco de polir pelo qual o diamante bruto, o ser humano não desenvolvido, é multifacetado e polido para assim dar brilho em sua glória, irradiando cores belas de seu coração ardente.

Mas após um longo período de submissão às forças externas, ao Espírito do ser humano, escolado e polido em renascimentos sucessivos, aparece-lhe um Mestre superior aos antes conhecidos: seu nome é Urano e seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Ituriel. Urano é chamado o Despertador. Seu símbolo é o sinal da alma dupla, juntas por laço indicando a comunhão de Espíritos, que é sua alta missão concretizar. Sua palavra-chave é Altruísmo, o amor altruísta, acima do sexo — amor que é sacrifício, expiação e autoimolação em favor dos outros; amor que dá pelo prazer de dar e sofre pelo bem do semelhante. Urano desperta o Espírito adormecido para a conscientização de sua origem de realeza, nele instila o “Descontentamento Divino”, solicitando-lhe a nova aspiração e empreendimento; depois disso a duração da escravidão para o Ego terminou. Desde a infância espiritual sob a guia de professores, brotou o espírito para “Estado Adulto” espiritual. Não mais está agrilhoado por leis, mas é uma lei em si. Saturno é quem dá as leis, e Urano é mencionado como pai dele. Sob a influência de Urano o ser humano se ressente de toda restrição, hábitos, regras, regulamentos, proporcionados sob o regime de Saturno. Ele torna o ser humano consciente de seu Ego imortal divino. Mostra ser o indivíduo um eterno escolhedor, que dentro dele está a prerrogativa divina, o livre arbítrio, e que nada na natureza pode acorrentá-lo, obstruí-lo ou limitá-lo

Ella Wheeler Wilcox descreve esse estado nos bonitos versos:

“Não há Planeta, Sol ou Lua, fraco

Ou Signo zodiacal que possa controlar

o Deus em nós. Se nos utilizarmos disso

sobre os eventos, os amoldaremos segundo nossa vontade”.

Urano, portanto, é nosso amigo que nos guia da servidão da matéria para a liberdade do espírito; guia-nos do jardim da infância de Deus, a Terra, dando-nos admissão à universidade do universo; guia-nos de sermos os pupilos obedientes de Deus para amigos e iguais. As forças sublimes do Espírito Humano que realizam essas maravilhas são amor e altruísmo. Urano representa o princípio Cristão dentro de nós. Ele é o iniciador do ser humano para o de “ser super-humano”, Mestre e Adepto.

Isto, em resumo, é o papel de nossos mestres planetários, embora em sua atual ignorância, a humanidade não se dá conta das infinitas capacidades latentes em desenvolvimentos à espera. Bom pode o poeta, desperto à sublime consciência de tais capacidades, declamar:

“Senhor de mil mundos sou Eu,

E reino desde o começo dos tempos;

E noite e dia em ciclos passarão

Enquanto Eu assimilo seus feitos,

E o tempo cessará antes que eu encontre libertação,

Pois, Eu sou a Alma do Homem”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – nov/dez/88)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma descoberta arqueológica, mas e os Ensinamentos ocultos?

Uma descoberta arqueológica, mas e os Ensinamentos ocultos?

Cercou-se de grande repercussão a notícia veiculada por jornais do mundo sobre a descoberta realizada por um grupo de arqueólogos norte-americanos nas profundezas da baía de Cádis, Espanha. Em suas pesquisas submarinas, encontraram os destroços de uma civilização antiquíssima; isto é, colunas, objetos e até estradas sulcadas no solo submerso. Segundo alguns membros da equipe, seriam ruínas de Atlântida, o lendário continente invadido pelas águas. Essa notícia, obviamente, ocupou as manchetes e as primeiras páginas das revistas e jornais. Naturalmente, as indagações e especulações começaram a surgir.

Logo em seguida, um dos líderes da expedição concedeu uma entrevista na qual salientou a precipitação de alguns de seus colegas, ao afirmarem pertencer à Atlântida as ruínas encontradas.

Arqueólogos espanhóis questionam a suposta descoberta e as autoridades marítimas locais proibiram os mergulhadores de voltar ao lugar. Asseveram que os restos encontrados são de origem fenícia ou romana.

Como se observa, o assunto gerou polêmicas e controvérsias. Qualquer ponto de vista conclusivo sobre a questão ainda é temerariamente prematuro. Somente estudos acurados poderão levar à verdade.

Porém, quanto ao fato de Atlântida ter existido, os ensinamentos ocultos não deixam dúvidas. Max Heindel, em “O CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS”, provê os leitores de informações preciosíssimas a respeito do continente atlante. Expõe de forma inteligível as características predominantes naquela remota época, as particularidades físicas e anatômicas da humanidade de então, as sete raças que a formaram (com seus traços marcantes), as condições ambientais e seu estertor, quando do grande dilúvio.

Enfim, uma descrição bem pormenorizada da civilização atlante, que foi obtida pela leitura da Memória da Natureza, a mais segura fonte de estudo e informações existente, à qual Max Heindel teve acesso devido à sua condição de Iniciado.

Além disso, algumas lendas e manuscritos antigos fazem alusão ao continente outrora situado onde hoje se localiza o Oceano Atlântico.

Platão, em uma de suas obras, cita o continente desaparecido. Uma lenda conhecida há séculos no norte da Europa foi musicada por Wagner com o título de “O Anel dos Nibelungos”. Nibelungo quer dizer “filho da névoa” (nibelungen). Por suposto é o “homem atlante”, vivendo sob uma névoa densa, úmida e quase aquosa que, mais tarde, viria a liquefazer-se, inundando aquela terra.

Como se vê, alguns fatos, lendas e ensinamentos de diversas escolas de mistério convergem para a mesma verdade. Quanto às recentes descobertas, só mesmo aguardando o desenrolar dos acontecimentos.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1973)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Vida Una: Aquele que é a Única Realidade existente

Vida Una: Aquele que é a Única Realidade existente

Há no universo um só Poder — uma só Energia — uma só Força.

E esse Poder, essa Energia e essa Força é a manifestação da Vida Una.

Não pode haver outro Poder, porque nada há fora do Uno, donde o Poder possa provir. E não pode haver manifestação alguma de Poder a não ser o Poder do Uno. Porque outro Poder não pode existir.

O Poder do Uno nos é visível em suas manifestações, nas leis naturais e nas forças da natureza — a que chamamos Vontade Criadora.

Essa Vontade Criadora é a interna força motriz, o impulso e o movimento por detrás de todas as formas e manifestações de vida. No átomo e na molécula; na célula, na planta, no peixe, no animal, no ser humano — o Princípio da Vida ou a Vontade Criadora está constantemente em ação, criando, conservando e propagando a vida em suas funções.

Podemos chamar a isso instinto ou natureza, mas não é senão a Vontade Criadora em ação. Essa Vontade está por detrás de todo Poder, Energia ou Força — seja força física, mecânica ou mental. E toda força que aplicamos, consciente ou inconscientemente, provém da grande e única Fonte do Poder.

Se pudéssemos ver claramente, haveríamos de perceber que, por detrás de nós, está o Poder do Universo, aguardando até que dele façamos uso inteligente sob o domínio da Vontade do Todo.

Nada há que nos possa assustar, pois somos manifestações da Vida Una, da qual procede todo o Poder, e o Eu Real está acima do efeito, porque é parte da causa.

Em cima e em baixo, por detrás de todas as formas de ser, matéria, energia, força e poder, está o Absoluto — sempre calmo, sempre tranquilo, sempre contente.

Sabendo isso, devemos manifestar esse espírito de absoluta fé, esperança e confiança na bondade e final justiça d’Aquele que é a Única Realidade existente.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro de 1970)

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