Todos nós podemos e devemos decifrar a mensagem e resolver o mistério do Universo: eis um exemplo
Diz-se amiúde e com razão, por certo, que “o menino é o pai do homem” e sobre o mesmo princípio podemos dizer que o Filho do Homem é o Super-homem. Portanto, quando o Sol entrar, por precessão, no Signo celestial de Aquário, o aguador, virá uma nova fase da religião do Cordeiro exotericamente e o ideal que devemos perseguir está indicado no Signo oposto: Leão.
A Lua, habitação do regente autocrático da raça e o dador de leis, Jeová, está, exaltada em Touro, Signo do touro, e quando o Sol transitou, por precessão, por esse Signo, todas as religiões de raça, mesmo a fase mosaica da religião ária do Cordeiro, pediam uma vítima propiciatória para cada transgressão da lei.
Mas o Sol está exaltado em Áries e ao entrar nesse Signo, por precessão, o grande espirito Solar, Cristo, veio como um Sumo Sacerdote da Religião Ária, ab-rogou o sacrifício de outros ao oferecer-se a Si mesmo como um sacrifício perpétuo pelo pecado do mundo.
Observando o ideal maternal de Virgem durante a Era de Peixes e seguindo o exemplo de Cristo como um serviço de sacrifícios, a imaculada concepção converte-se numa experiência real para cada um de nós, e Cristo, o Filho do Homem (Aquário), nasce internamente.
Deste modo, gradualmente a fase terceira da religião Ária se manifestará e um novo ideal será encontrado no Leão de Judá (Leão). Valor e convicção, fortaleza de caráter e virtudes semelhantes farão do ser humano realmente o Rei da Criação, digno da confiança e do afeto dos reinos inferiores de vida, bem como do amor das divinas Hierarquias que sobre ele estão.
Assim, a mensagem mística da evolução do ser humano está marcada em caracteres de fogo no campo celestial, onde qualquer investigador pode ler.
E quando estudemos o propósito de Deus, revelado no Zodíaco, aprenderemos a nos conformarmos inteligentemente com Seus desígnios e deste modo abreviar o dia da emancipação de nosso limitado ambiente atual, para sermos perfeitamente livres como espíritos, sobrepondo-nos à lei do pecado e da morte, por meio de Cristo, o Senhor do Amor e da Vida.
Todos nós podemos e devemos decifrar a mensagem e resolver o mistério do Universo.
A entrada do Sol em Aquário, em que teremos mais estreita união com o Cristo, por uma forma elevada da religião do Cordeiro, está indicada, além do Zodíaco, no Evangelho de São Lucas (22:10-11), São Marcos (14:13-15) e São Mateus (26:18), pois o Cristo Solar é simbolizado em Astrologia pelo Sol, quer na evolução do ser humano, como das nações e do mundo. Aquário, às vezes, é representado por uma mulher derramando água de um cântaro; outras vezes por um menino e outras ainda, por um homem. O correto é de um rapaz, que simboliza o Cristo já crescido no ideal dentro de nós; a água que se derrama sob controle do cântaro, pelo rapaz, significa o equilíbrio das emoções. Será, pois, a época do Amor racional, inteligente, o equilíbrio entre o Coração e a Mente, preconizado pelos Rosacruzes.
A palavra chave de Aquário, como Signo Fixo, é: Estabilidade.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 01/64)
Pergunta: Um ser humano bom terá que passar pelo Purgatório e aí tornar-se consciente de todo o mal antes de poder entrar no Primeiro, Segundo e Terceiro Céus? Se for assim, não será isso um castigo imerecido para ele?
Resposta: A ideia de castigo deveria ser afastada. Não existe castigo. O que acontece a uma pessoa é consequência de leis imutáveis, invariáveis. Não existe nenhum Deus pessoal que distribua prêmios ou castigos a seu bel-prazer, de acordo com uma vontade inescrutável ou qualquer método semelhante. Quando o Ego se reveste com Corpos, ou quando se despoja de seus veículos, esse processo realiza-se com base no mesmo princípio e pelas mesmíssimas leis que regem, por exemplo, um Planeta. Quando um Planeta começa a se formar a partir de uma nebulosa ígnea central, uma cristalização ocorre nos polos onde o movimento é mais lento. A matéria cristalizada é lançada para fora pela força centrífuga e atravessa o espaço por ser mais pesada que o resto da nebulosa ígnea. Por razões similares, quando o Corpo do espírito, que é o mais denso, se torna tão cristalizado e pesado que o espírito não pode mais usá-lo para adquirir experiência, o processo de despojamento é realizado pela força centrífuga que, naturalmente, elimina primeiro o Corpo Denso. Isso é o que chamamos morte. Então, o espírito é livre por um certo período, mas a substância de desejos mais grosseira usada para a incorporação das mais baixas paixões e emoções deve ser também eliminada, e é a expulsão violenta dos desejos inferiores que causa o sofrimento no Purgatório, onde a força centrífuga da repulsão é a mais forte. Se o ser humano tem qualquer partícula dessa substância grosseira no seu Corpo de Desejos, terá naturalmente que permanecer no Purgatório e passar pelo processo da purgação antes de poder entrar no Primeiro Céu. Lá, a força centrípeta de atração lança todo o bem praticado durante a vida para dentro do centro espiritual, onde é assimilado como poder da alma para ser usado pelo espírito na sua próxima vida terrena como consciência. Deste modo, a nossa permanência no Purgatório dependerá da quantidade de substância inferior de desejos que tivermos. Naturalmente, um ser humano bom terá pouquíssima dessa substância ou até nenhuma. Não terá nada para contar no Purgatório, portanto, passará diretamente por essas regiões em direção ao Mundo Celeste.
(Perg. 59 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Conhecimento do Processo Alquímico
De uns tempos para cá, observa-se, já em maior número, obras tratando sobre “alquimia” à venda nas livrarias. A procura parece estar crescendo. É sinal de interesse, obviamente. Mas, o público, de um modo geral, não faz uma ideia precisa de quem eram os alquimistas, a que se dedicavam, qual sua filosofia e seus objetivos verdadeiros. Não há, diga-se, a bem da verdade, muitas informações a respeito. E o que certas revistas de caráter puramente comercial divulgam por aí reveste-se de confiabilidade duvidosa.
Perseguidos por reis e clérigos, em sua ânsia de glória, os alquimistas da Idade Média foram alvos do fogo da Inquisição, da prisão e da tortura. Quando suas descobertas contrariavam ideias muito arraigadas na época, e sabendo que o conhecimento é uma arma perigosa nas mãos daqueles cujos Corações e Mentes não são temperados com a pureza, sabedoria e compaixão, os alquimistas enterravam seus segredos em lendas e mistérios.
Eis aí, de uma certa forma, uma das causas da inexistência de informações mais amplas. Além disso, cremos que só mesmo na intimidade das escolas filosóficas sérias, tais como a Rosacruz, pode-se haurir conhecimentos profundos sobre o “processo alquímico”. O grande público prefere as publicações superficiais, tais como as encontradas nas bancas, à rígida disciplina das Escolas Ocultistas.
Porém, algumas vezes deparamos com a publicação de trabalhos de nível muito bom abordando o assunto. Na edição de 23/05/77 do JORNAL DA TARDE, Luiz Carlos Lisboa, por sinal um excelente crítico literário, escreveu um artigo interessante sob o título “A GRANDE TAREFA”. Desse artigo transcrevemos alguns trechos contendo informações muito elucidativas:
“Grande quantidade de mitos e relatos fúteis dissimulam, na história da alquimia, sua finalidade maior que é a transformação do ser humano. É o próprio alquimista o operador e a matéria trabalhada.
“A fabricação do ouro, a procura da pedra filosofal, são lendas que reforçaram a incompreensão a respeito do assunto. A alquimia, de fato, esteve sempre voltada para a mesma busca que motivou as grandes religiões do mundo, em todas as épocas, divergindo delas no fato de não possuir um corpo de doutrina ou regulamentação de ordem moral. Com a mesma proposta fundamental de transformar basicamente o ser humano, a alquimia propunha um caminho individual, embora ascético e também contemplativo, como o das organizações religiosas. A compreensão do fenômeno é difícil, considerando que fomos condicionados para ver na alquimia qualquer coisa como um conjunto de operações complicadas e inúteis levadas a efeito por ignorantes precursores da moderna química, tendo em vista um fim prático jamais alcançado, aliás”.
“A alquimia tradicional, de fato, repousou sempre sobre um conhecimento preciso de todos os ritmos, ciclos e gamas vibratórias daquilo que confusamente ainda alguns chamam de “energia cósmica”, ou alma do mundo. Nas retortas e cadinhos do passado, os alquimistas “procuravam” – quando não se tratava de meros sopradores, assim chamados os formalistas que usavam mecanicamente o fole nos seus laboratórios – a essência e o princípio de todo o conhecimento, isto é, o conhecimento de si mesmo. Houve sempre uma noção bastante clara disso no passado. Isaac Newton, por exemplo, escreveu em 1676: “Existem outros segredos ao lado das transmutações dos metais, e somente os corações grandes têm acesso a eles. Esses segredos são os mais importantes de todos”.
Mais adiante o articulista desvela com admirável lucidez, mesmo que sucintamente, o significado da alquimia:
“Basile Valentin, no seu clássico Practica (1618), dizia que “a alquimia tem uma única finalidade: a regeneração espiritual do ser humano, que conduz à iluminação”.
“Jung ressuscitou o Ouroboros, simbolizado pela serpente que engole a própria cauda, e que representa a limitação natural do pensamento, só resolvida através da obra alquímica, isto é, do autoconhecimento. Para o psicólogo suíço, que estudou profundamente a literatura alquimista, a verdadeira “transmutação dos metais” era de ordem psicológica e o ouro era o símbolo do ser humano integral.
“No Oriente, a tradição alquímica desenvolveu-se no seio do Taoísmo e Tsu-Ien (século IV a.C) foi seu primeiro representante. Esse alquimista chinês gostava de repetir uma mesma frase: “Descobri em mim mesmo a divindade do forno”.
“Hoje ele seria desprezado como louco, ou acusado de alienação pelos pragmáticos que brincam com jogos que consideram sérios e gratificantes”.
Em seguida, Lisboa aponta as dificuldades encontradas pela alquimia no mundo atual, onde o ser humano moderno afivelou em seu rosto a máscara do pragmatismo:
“De fato, nosso século escolheu atividades que considera dignas de sua atenção, e a elas dedica seus esforços e energia. Ninguém se questiona quanto à prioridade verdadeira das coisas. As religiões dogmáticas, as ideologias salvacionistas, as fórmulas prontas em geral, são todas tentadoras do ponto de vista da Mente humana.
“Confortáveis porque dispensam a atenção total, oferecem respostas para qualquer questão e parecem providencialmente sábias. Ao espírito preguiçoso do nosso tempo esse prato servido é apetitoso. Tudo aquilo que pareça distante das normas habituais, longe do nosso condicionamento, diverso das nossas certezas enraizadas, merece repulsa imediata. Só a ideia de autoconhecimento já parece suspeita, contraditória, confusa, indigna da mente “objetiva”, cartesiana, científica, dos tempos correntes”.
E conclui:
“Nos baixos-relevos do grande portal da Notre Dame de Paris são representados alquimistas diante de seu forno, entre cadinhos e alguidares, os olhos postos no alto, à espera da “graça alquímica”. A decantação do espírito no forno do autoconhecimento conduziria a um estado no qual “o autor e a obra são uma só coisa”. Jacques Coeur, tesoureiro de Charles VII, falava de outra maneira a respeito do resultado da ópera alchimica: “Só se realiza o fim da Grande Tarefa quando já não há mais o alquimista, mas simplesmente a mistura e o forno. Aí não há mais nada a fazer”. Linguagem e interesses estranhos num tesoureiro.
O fato é que também aqui há indícios de que a tarefa principal de uma Vida é a descoberta do que se passa no próprio descobridor. Sem isso, que parece obscuro e supersticioso aos fanáticos de todas as seitas e aos escravos do pragmatismo – Jacques Coeur conseguiu ser financista e poeta – a vida carece de beleza e as pessoas vivem de empréstimo, esse empréstimo que se toma às doutrinas que prometem a felicidade amanhã, quando o mundo exterior estiver devidamente consertado”.
(de Gilberto Silos, Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
O Cinema Afasta-se da sua Verdadeira Finalidade
A recreação para o espiritualista sincero vai se tornando cada vez mais escassa.
As peças de teatro apelam tanto para os palavrões, a um realismo contundente – esquecendo que isso é apenas uma parte da realidade total de nossos dias – que as pessoas de boa formação não suportam: saem no meio da encenação da peça como sinal de protesto.
Os cinemas, basta ler os programas anunciados pelos jornais: sexo, nudismo, violência, malícia.
Realmente, qual uma nesga de sol que aproveita uma brecha das nuvens para dizer-nos que lá atrás encontra-se uma luz real, aparece um filme bom. E os cinemas recebem um público numeroso, superlotando suas dependências! Por que? É a essência humana esfomeada!
É verdade que certos filmes, mais profundos e, simbólicos, como a “Flauta Mágica”, não tiveram êxito esperado, embora atingissem sutilmente o íntimo das pessoas.
E se uma boa película dá bilheteria, por que não as produzir em maior número? O “marketing”, revela que a massa reclama violência, sexo, nudismo, malícia. Mas, o cinema não tem finalidade educativa? Ingenuidade! É comércio.
Houve um grande produtor que acreditou na função educativa do cinema e soube conciliar a finalidade econômica com a sociológica.
Foi Walt Disney.
Agora vem à baila a história da famosa atriz Doris Day, sempre julgada esquisita porque jamais consentiu representar papéis que suscitassem maus exemplos ao público. Por coincidência é cristã convicta, não fuma, não bebe, não se envolveu em triângulos amorosos, nem em qualquer outro tipo de escândalo. Foi, além disso, presidenta da Sociedade Protetora dos Animais da Califórnia, após ter realizado uma viagem à Europa, onde pregou o amor aos animais, numa campanha contra o uso de peles e plumas por mulheres vaidosas.
Doris Day teve a coragem de deixar o cinema, em pleno apogeu da fama, e mesmo diante de ofertas tentadoras, preferindo um programa de televisão com seu filho.
Disse ela: – “Não me encaixo mais no cinema. Os roteiros que me oferecem são crus demais para o meu temperamento. Dão muita ênfase ao sexo, a Violência, ao nudismo. Não sou puritana, mas acredito em mostrar mais o lado belo das coisas para animar a humanidade a continuar lutando neste mundo, não a desanimar”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
Uma História para Crianças: Sou eu o teu Cristo, tu és Eu e Eu sou tu, sou Cristo do teu Eu e teu Eu sou Eu mesmo
Era uma vez um aluno que ouvia dizer de seu professor que existia um homem que se chamava CRISTO. Este Cristo tinha um Pai nos céus e uma Mãe na Terra. Estes dois criaram o seu filho Cristo. O professor contou que o Pai criou seu filho de perfeita luz e a Mãe deu à luz a sua preciosa carne. Aconteceu, disse o professor, que este filho se chamava mais tarde Filho de Deus por causa de sua perfeição. Porém, não acreditaram nele, pois ninguém via a luz. Acharam que ele era um mentiroso. Naquela época crucificavam os mentirosos e assim foi crucificado e posto o seu corpo numa tumba. No dia seguinte procuraram o seu corpo que, por um milagre, tinha desaparecido.
Houve muita discussão sobre o desaparecimento e acharam que o corpo tinha sido roubado e não podia ser outro senão o seu próprio pai. Chegaram a esta conclusão porque o guarda do cemitério não sabia nada do seu desaparecimento, não viu ninguém, não sentiu nada, pois então, somente a LUZ do Pai entrou na tumba e levou o seu Filho e o guarda não viu essa luz. Foi uma grande calamidade.
Chegaram, enfim, a seguinte conclusão: como ninguém se apoderou de seu corpo e somente as vestes mortuárias estavam na tumba, ele não tinha morrido e anda sem corpo para ninguém o achar.
O aluno não se satisfez com o desaparecimento e começava uma jornada dura para achar o Cristo. Ele disse a si mesmo:
– O Cristo estava na Terra, então não podia desaparecer; é preciso procurá-lo.
Começou a andar pelo mundo, andava pelos mares e montanhas, rios e vales, andava em baixo do mar e em cima dos ventos, perguntava às árvores e aos pássaros e não recebia resposta, tudo parecia em vão.
O aluno ficou mais velho e mais maduro em seus dias. Continuou procurando o Cristo nos sentimentos dos seres humanos, ia procurar na inteligência, procurava no colorido do Sol poente, na estrela da noite e da madrugada, na Lua, no crepúsculo do nascimento do dia, tudo em vão, não achava o Cristo, o seu querido Filho de Deus.
O aluno ficou ainda mais velho e já se estendia a cor de prata sobre os seus cabelos, andava já bem cansado com as costas arqueadas, pelas ruas, mas nunca se cansou a sua alma à procura do seu bem-amado.
Um dia, quando quase lhe faltaram as forças pelas duras caminhadas, aconteceu algo bastante esquisito. Parecia que a morte lhe tocava as costas, quando alguém lhe tocou levemente nos ombros dizendo:
– Aqui sou EU a quem tu procuras!
Virou-se rapidamente para ver quem lhe falava, mas, ninguém se achava presente.
Logo mais, aconteceu a mesma coisa, a mesma voz falava, porém mais forte.
– “Aqui sou EU”. Virou-se novamente e não achava ninguém.
Recomeçava de novo a caminhar pensando em seu Cristo. De repente,ouvia de novo a mesma voz, mas não falava, cantava, cantava cada vez mais forte, cantava assim como canta o mar:
– Aqui sou Eu, sou Eu aqui, o teu Cristo junto a ti.
O aluno perdeu-se em si mesmo ouvindo dentro de si a voz tão forte como o mar:
– Sou eu o teu Cristo, tu és Eu e Eu sou tu, sou Cristo do teu Eu e teu Eu sou Eu mesmo.
O aluno perdeu o mundo. Cristo reinava em seu Espírito.
(de Francisco PH. Preuss; publicado na Revista Serviço Rosacruz – 10/81- Fraternidade Rosacruz-SP)
Para você se desenvolver espiritualmente há um “Preço a Pagar”: você está pronto?
É comum observarmos como as pessoas se mostram eufóricas quando dão os primeiros passos no Caminho Rosacruz. E não é para menos. Os primeiros contatos com a filosofia divulgada ao mundo por Max Heindel, logo no início já ensejam um raro sentimento de segurança, pelos simples devassar de questões até então ignotas. Causas são penetradas com assombrosa lógica.
Fatos que, aparentemente, nunca guardaram relação alguma entre si são interligados, formando um todo capaz de explicar a razão de ser de muitos fenômenos. De repente, o estudante descobre um sistema, onde esoterismo, religião, astrologia, naturismo e muitos campos do conhecimento humano formam uma unidade coerente nas linhas que a compõem.
Para o pesquisador descortina-se um horizonte amplo, maravilhoso, inusitado até. Sobrevém um ímpeto irresistível de nele mergulhar. É o impulso inicial. Justifica-se, como natural, tamanho entusiasmo. Assume-se (consigo mesmo) o compromisso de fazer os cursos. Lição após lição delineiam-se novas e surpreendentes perspectivas.
Passado algum tempo, porém, essa, às vezes, até exacerbada euforia pode arrefecer-se. Não que o encanto se dissipe. Não que a beleza inerente à Filosofia Rosacruz venha a fenecer. É que os resultados tão ansiosamente esperados tardam a surgir, ou aparentemente nem surgem.
Pode, em tais circunstâncias, o estudante deixar-se abater pelo desânimo. Afinal, ele contava progredir, evoluir espiritualmente, e isto parece não estar acontecendo. Empenha-se nas lições, procura ler as obras rosacruzes, investiga, perscruta. No entanto, sente ter caminhado muito pouco, ou quase nada. Que estará acontecendo?
Sempre há uma ou várias causas entravando o tão almejado progresso.
Alguma coisa, evidente ou sutil, pode estar retardando os passos do aspirante.
Cumpre-lhe constatar o que está ocorrendo.
A Filosofia Rosacruz aponta vários fatores como capazes de impedir a evolução do aspirante. E ele pode verificar em qual ou quais se enquadra, tendo “a tocha da razão por guia”.
Um fator merecedor de toda ênfase é a negligência em praticar o exercício noturno de Retrospecção. O termo “negligência” assume aqui um caráter muito abrangente. Significa: a – praticar o aludido exercício com irregularidade; b – com indiferença; c – automaticamente (por mera obrigação); de não o praticar.
O exercício de Retrospecção proporciona inúmeros benefícios ao aspirante. Em primeiro lugar, oferece-lhe acesso a um invulgar privilégio denominado autoconhecimento. O preceito gravado no tempo de Apolo, em Delfos, “HOMEM, CONHECE-TE A TI MESMO” – indica, subjacentemente, que o conhecimento de tudo é posterior ao conhecimento de si mesmo. O ser humano não pode prescindir dessa verdade. Ela projeta, em grande parte, luz sobre as razões dos conflitos humanos.
O exercício de Retrospecção, tão bem explicado por Max Heindel, sobretudo no “CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS”, constitui uma forma de disciplina que, juntamente com outros exercícios preconizados pela Escola dos Irmãos Maiores, sensibiliza-nos para os vários aspectos da vida. Desperta-nos o sentimento de empatia, base da solidariedade humana. Produz a liberação de cargas emocionais acumuladas pelos impactos e lutas do cotidiano.
Funciona, de um certo modo, como o divã do psicanalista ou como o confessionário católico. Resulta num alivio e nova disposição para enfrentar a vida.
Evita o sofrimento purgatorial. Isto é notavelmente benéfico, todos hão de convir.
Ainda sobre a retrospecção, ela forma a consciência moral do aspirante, estimulando-o a promover uma reforma interior, sem a qual torna-se impossível, repetimos, IMPOSSÍVEL, qualquer avanço no Caminho Rosacruz.
Max Heindel afirmou certa vez que o exercício em exame constitui o mais importante ensinamento da Filosofia Rosacruz. É necessário dizer mais alguma coisa a respeito?
Amigo estudante, se você pondera não estar evoluindo na senda que abraçou, procure analisar atentamente o acima exposto.
E mais ainda: veja como estão seus hábitos.
Você ainda fuma? Ingere bebidas alcoólicas? Alimenta-se de carne?
Irrita-se com facilidade? Angustia-se ao mais insignificante problema? Eis aí alguns seríssimos entraves à sua caminhada.
O fumo e o álcool embrutecem a natureza espiritual do ser humano. A carne consiste-lhe em alimento inadequado, carregado de toxinas, além de exigir a matança cruel de animais. A irritabilidade e a angústia tolhem-lhe a capacidade de pensar com clareza, induzindo-o, não raro, a cometer desatinos.
Você ama seus semelhantes? É capaz de servi-los desinteressadamente?
Você não alimenta preconceitos? Há muitos fatores dignos de uma severa análise. Alguns tão eivados de sutilezas que só podem ser detectados pelo próprio aspirante.
É natural todos desejarem progredir espiritualmente. É admissível aspirarem a, um dia, receberem a iluminação por vias Iniciáticas. Mas isso não se consegue apenas estudando, debruçando-se exaustivamente sobre livros e cursos. É mister sacrificar as más tendências, os hábitos degradantes, o comodismo, a inércia, em favor do Cristo Interno.
O dinheiro, o prestígio e o poder não compram o desenvolvimento espiritual. Somente o sacrifício de si mesmo, em benefício da humanidade, conduz alguém aos portais da Iniciação. Esse é o preço a ser pago.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
Viajantes do Espaço: Vidas em outros Planetas
Nos últimos anos muito se tem falado sobre viajantes do espaço, naves espaciais, visitantes de outros Planetas, etc. Ainda que este assunto tenha levantado muita celeuma, não é novidade. A história vem relatando, desde muito tempo, o aparecimento de objetos aéreos não identificados. Tais objetos que são “reconhecidos” como naves espaciais, aparecem normalmente em áreas isoladas, afastadas dos grandes núcleos de população e são atestados apenas por um número muito limitado de pessoas.
Além disso, os observadores não estão de acordo com aquilo que “veem”. As descrições dos incidentes diferem bastante para poderem ser levados em consideração. Quer-nos parecer, também, que os visitantes de outros Planetas (se de fato o são) se tem boas intenções, como dizem os seus observadores, teriam muito pouca dificuldade para estabelecerem sua identidade e para tomar conhecidos os propósitos de sua vinda, de maneira menos misteriosa.
O lançamento de satélites pelos Estados Unidos e pela Rússia, as viagens pelo espaço, parece dar nova perspectiva à possibilidade da presença aqui, na Terra, de visitantes de outros Planetas. Em alguns centros culturais, a possibilidade da existência de vida inteligente em outros Planetas é obstinada e quase egoisticamente negada. Todavia, inúmeros astrônomos e filósofos do passado aceitaram essa possibilidade e a literatura oculta está repleta de referência aos “mensageiros” vindos à Terra, particularmente de Vênus e Mercúrio. Utilizando os conhecimentos adquiridos no ocultismo, podemos chegar a compreender o que aconteceu relativamente à manifestação inteligente em outros Planetas além da Terra.
Podemos admitir que o modelo e o propósito evolutivos básicos são idênticos, seja na Terra, em Marte, Mercúrio, Vênus etc., condicionando-os apenas, às condições existentes em cada Planeta.
M. C. Flammarion, um dos maiores astrônomos de poucos anos atrás, formulou, como dedução exata e rigorosa de fatos conhecidos e das leis científicas, que:
1. Várias forças que eram ativas no princípio da evolução deram nascimento a variedade de seres nos vários mundos, tanto no reino orgânico como no inorgânico.
2. Os seres animados derivaram dos primeiros, com formas e organismos correspondentes ao estado fisiológico de cada globo habitado.
3. As humanidades dos outros mundos diferem da nossa, tanto na organização interna como no tipo físico exterior.
A Filosofia Rosacruz nos diz que quando a Terra fazia ainda parte do Sol o seu material estava em estado ígneo.
Nessa ocasião já existia a vida embrionária e, como o fogo não queima o espírito, a evolução embrionária começou imediatamente, ficando confinada à região polar do Sol onde o calor era menos intenso. Os seres mais evoluídos que deveriam tomar-se humanos, apareceram quando a terra ainda estava em estado líquido e envolvida em atmosfera gasosa. Não obstante a inteligência evoluinte dispôs os meios para construir um veículo com o auxílio de inteligências superiores já manifestadas em períodos evolutivos anteriores.
Os primeiros corpos construídos eram conto de ar e água, pois tais elementos respondem mais facilmente às pulsações da vontade criadora. Os veículos posteriores foram construídos da parte mais sutil do material denso do globo físico.
O primeiro Corpo Denso do ser humano, nem de longe se assemelhava ao seu atual veículo altamente organizado desenvolvido através de inúmeros milhões de anos de evolução. Seu primeiro Corpo Denso era parecido a um grande saco com uma abertura em cima, de onde saía seu único órgão sensório que era usado para orientação. O ser humano servia-se deste órgão para sobreviver e evitar a destruição do seu corpo. O corpo humano consistia de matéria plástica mole e as outras formas terrestres também eram moles e plásticas.
A Terra, comparada com sua atual firmeza, estava naquele tempo, em estado fluídico. A alma humana, encarnada no veículo que acabamos de descrever, adaptou-se em maior grau do que depois, pois a atual manifestação da alma em um corpo masculino ou feminino é devida ao fato de que um ou outro foi imposto pelo desenvolvimento da natureza exterior. Enquanto o ser humano tinha domínio sobre a matéria, formava seu corpo masculino ou feminino, mas dava-lhe as qualidades comuns a ambos, pois, a alma humana é ao mesmo tempo masculina e feminina, possuindo ambas as naturezas em si. A formação exterior da Terra levou o corpo a adotar a evolução unilateral e, quando a Terra atingiu certo grau de densidade, apareceu a separação dos sexos. A densidade da matéria reprimiu parcialmente o poder de reprodução e essa porção da força reprodutora que é efetiva requer complemento exterior que encontra na força oposta de um outro ser humano.
Quando os veículos humanos atingiram certo grau de desenvolvimento, os espíritos que estavam por cima, no Éter (chamados na Bíblia de “Filhos de Deus”), desceram e penetraram nos novos corpos, chamados “filhas dos homens” ou mais corretamente, “Filhas de Manas”, ou seja, corpos formados ou feitos de Mente. A partir daí, seguiram um extenso programa evolutivo. As formas foram aparecendo no mundo material por um processo de experimentação natural e depois de milhões de anos, foram geradas formas mais convenientes para a manifestação do ser humano. As formas que não eram usadas para a encarnação do ser humano tornaram-se formas sem Mente, as sombras, os monstros descritos na antiga história da Caldéia como seres compostos feitos de animais, pássaros e peixes, com muitas cabeças. A Cabala também se refere a elas como os Reis de Edom, os gigantes sem equilíbrio que pereceram no vazio.
Na Bíblia, no Gênesis 4:4, está escrito: “Havia naqueles dias, gigantes na terra, e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens, e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de fama”. Gigantes que havia “antes” e “depois” é um sinônimo aparente de “Filhos de Deus”, embora pareça ter havido alguma degenerescência quando eles inauguraram a relação sexual na terra. Segue-se um intervalo de tempo e os versículos seguintes dizem: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicam sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração. E disse o Senhor: Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até o animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito”. A progênie dos gigantes que tinham produzido monstros devia desaparecer, embora se diga que os enormes antropoides que existem hoje são sua descendência.
O resfriamento da superfície da terra permitiu a liberação dos seus elementos com os quais foi possível formar veículos materiais para a humanidade infante. Esses elementos, modelados pela vontade dos deuses, foram assumindo formas determinadas como uma célula fecundada constrói, aos poucos um organismo capaz de ter uma existência inteligente individual. Mas houve um tempo que a terra não era conveniente para a existência humana. A Bíblia refere-se a esse tempo em que “a terra era informe e vazia e havia trevas sobre a face do abismo e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”. A terra devia ser isolada dos céus, as águas deviam ser divididas e a terra seca havia de aparecer, antes que a vida evoluinte pudesse habitar a Terra.
Apareceram outros líderes, que não as Hierarquias Criadoras, para conduzirem a humanidade. Eles ajudaram o ser humano nos seus primeiros passos titubeantes depois que a involução o dotou de veículos. Esses seres, e claro, estavam muito mais adiantados do que a humanidade comum, no caminho da evolução.
Vieram dos Planetas Vênus e Mercúrio prestar serviço à humanidade da Terra como pagamento de suas próprias dividas de destino.
Os seres que habitam Vênus e Mercúrio não são tão adiantados quanto aqueles cujo campo de evolução é o Sol, mas estão muito além da nossa humanidade. Foram capazes de permanecer por mais tempo na massa central do Sol do que nós que viemos para a Terra, mas em certo ponto, sua evolução também precisou de campo separado.
E os dois Planetas, Vênus primeiro e Mercúrio depois foram arrojados do Sol. Seu grande desenvolvimento permitiu que ficassem mais próximos do Sol para receberem o grau de vibração necessários ao prosseguimento de sua evolução.
Os habitantes de Mercúrio mais adiantados, firmam mais próximos do Sol. Desse, os que vieram à Terra foram identificados como os “Senhores de Mercúrio”. Os que vieram de Vênus foram chamados de “Senhores de Vênus”.
Os Senhores de Vênus foram os Guias das nossas massas de povo.Eram atrasados da evolução de Vênus e, para recuperarem sua evolução, foi-lhes dado o privilégio de nos prestarem serviço. Apareceram entre nós, a humanidade, e foram conhecidos como os “Mensageiros dos Deuses”. Guiaram nossa humanidade passo a passo não havendo rebeldia à sua autoridade porque o ser humano daquele tempo não havia desenvolvido a vontade própria. Seu propósito era conduzir a humanidade ao ponto em que pudesse manifestar vontade e entendimento, ou, ao menos, ao ponto em que pudesse dirigir-se a si mesmo.
Era sabido que tais mensageiros falavam com os Deuses. Eram muito reverenciados e suas ordens eram obedecidas sem discussão. Sob a orientação desses Grandes Seres, a humanidade atingiu elevado grau de progresso; os mais adiantados foram postos sob a direção dos “Senhores de Mercúrio” que os iniciaram nas verdades superiores a fim de prepará-los para serem os guias do povo. Alguns desses iniciados foram elevados à posição de reis, sendo os fundadores das diversas dinastias de “Guias Divinos”, reis por graça divina, ou melhor, pela graça dos Senhores de Vênus e de Mercúrio que eram como deuses para a humanidade infante. Os Senhores de Mercúrio guiaram e instruíram esses reis para governarem pelo bem do povo. A arrogância e a cupidez que eles depois demonstraram foi simples degeneração.
Os Senhores de Mercúrio ensinaram o ser humano a sair e entrar no corpo físico à vontade, a empregar seus veículos superiores independentemente do Corpo Denso, de modo que o corpo físico se tornou uma habitação agradável em vez de uma prisão. Atualmente Mercúrio exerce pequena influência sobre nós porque está emergindo do repouso planetário; com o tempo, porém, sua influência será mais fortemente sentida, tornando-se poderoso fator na futura evolução.
Os astrônomos e os filósofos de outrora fizeram muita conjectura acerca da vida nos outros Planetas e Kant apresentou como teoria que a matéria de que eram formados os veículos dos habitantes dos outros Planetas variava em densidade e em sutileza conforme a distância do Planeta ao Sol, este, é cheio de eletricidade vital e, portanto, a humanidade de Vênus e de Mercúrio, supõe-se ser muito mais etérica do que somos nós. Indubitavelmente são muito mais inteligentes e possivelmente menos abrutalhados. Astrônomos, matemáticos, filósofos, entre eles Leibnitz, Isaac Newton, Bode, Herschell e Laplace, acreditaram na existência de outros mundos habitados além do nosso e mesmo em mundos que precederam o nosso.
A análise dos meteoritos que caíram na Terra mostrou que em um deles havia uma forma de carbono que está invariavelmente associada à vida orgânica como existe no nosso mundo. A presença desse carbono não era devida a nenhuma ocorrência havida na nossa atmosfera, pois o carbono foi encontrado no interior do meteorito. Em outro meteorito encontraram água e turfa, sendo provável que a presença da turfa se deve à decomposição de substâncias vegetais. O como e o por que esses meteoritos com suas informações interiores deixaram seus Planetas continua, todavia, em mistério.
Exames posteriores das condições astronômicas de outros Planetas mostraram que alguns deles parecem melhor adaptados para o desenvolvimento da vida e da inteligência do que o nosso Planeta. As estações em Júpiter, por exemplo, mudam quase imperceptivelmente e duram quase doze vezes o tempo das nossas. Devido a inclinação do eixo de Júpiter, suas estações são devidas quase exclusivamente à excentricidade de sua órbita variar muito pouco e regularmente. Vênus parece ser menos adaptado à vida humana como nós a conhecemos, porque suas estações são muito acentuadas, com temperaturas extremas que mudam quase instantaneamente. A duração do dia, todavia, parece ser a mesma tanto em Mercúrio como em Vênus, na Terra e em Marte.Em Mercúrio o calor e a luz do Sol são sete vezes maiores do que estamos acostumados na nossa Terra e parece que ele está envolvido em densa atmosfera. Como a vida, no nosso Planeta, aparece mais ativa em proporção à luz e ao calor do Sol (dentro de limites, é claro), é possível que a atividade em Mercúrio seja muito maior do que aqui.
Vênus também possui atmosfera densa, bem como Marte. Os astrônomos notaram alguma semelhança entre Mercúrio, Vênus e a Terra nas regiões polares cobertas de neve, nas nuvens que cobrem a superfície dos Planetas e na variação das estações e dos climas. A existência de vida humana idêntica à nossa sobre esses três Planetas parece possível. Pelo menos, está abundantemente demonstrado que alguma forma de vida, não se levando em conta as suas características fisiológicas, é inteiramente provável nesses Planetas.
A Sabedoria Antiga nos fala de Grandes Seres que vieram dos seus mundos celestiais para reinar na Terra ensinar a humanidade a astronomia, a arquitetura, as matemáticas e todas as outras ciências que chegaram até nossos dias. Esses Seres apareceram primeiramente como Deuses e Criadores, incorporaram-se no ser humano, surgindo afinal como Reis e Legisladores divinos. Os Egípcios falam da ciência que floresceu somente depois do aparecimento dos seus Deuses Isis-Osíris aos quais continuaram a adorar como Deuses mesmo depois que eles apareceram como Príncipes em forma humana. Como Príncipes construíram cidades, aproveitaram as inundações devidas às cheias do Nilo, inventaram a agricultura, ensinaram o uso da música, da geometria etc. E muito significativo que o trigo nunca tenha sido encontrado em estado silvestre; acredita-se que não seja um produto da nossa Terra.
O que esses líderes sabiam e o que podiam fazer não parecia resultar do uso dos órgãos dos sentidos ou do conhecimento humano. Tais guias foram adorados como “Mensageiros Divinos” e como tais, dirigiram as comunidades e instruíram,alguns indivíduos, suficientemente desenvolvidos, nas artes de governar. Dizia-se que esses Mensageiros Divinos falavam com os deuses e que foram iniciados pelos deuses nas leis segundo as quais os seres humanos deviam evoluir. Tais iniciações e comunhões ocorriam em lugares desconhecidos do povo e, por esse motivo, eram chamados de Templos de Mistérios.
O ser humano é, todavia, um deus em potencial e está escrito que quando os deuses se retiraram deixando a humanidade colocar em prática as leis que havia aprendido sem ter quem a guiasse, chegou um período de degeneração devido a fraqueza humana.
Alguns entusiastas dos “discos voadores” dizem que o propósito da visita dos habitantes de outros Planetas não é impedir que a humanidade se aniquile pelo uso da energia nuclear, mas sim preveni-la da possibilidade de terrível cataclismo planetário pelo abuso das explosões atômicas que já estariam fazendo grandes alterações em seus Planetas, causando prejuízos à sua humanidade. Chegam mesmo, esses entusiastas, a dizer que tais visitantes já fazem uso de um poder desconhecido (para nós) a fim de contrabalançar alguns resultados das explosões atômicas que nós já realizamos. Seria mais razoável acreditar que a força atômica que a humanidade conseguiu dissociar cause maior catástrofe ao nosso próprio Planeta, a Terra, e que se tais fatos foram deduzidos por uma humanidade de outro Planeta, superior à nossa que eles se inquietassem e fizessem algum esforço, dentro de suas possibilidades, para evitar tal calamidade. Mas como estão levando a cabo seu intento por meio dessas visitas periódicas e áreas afastadas do nosso Planeta e a grupos isolados de pessoas que não podem convencer nosso governo do perigo que nos aguarda, isso faz com que ponhamos em dúvida o que dizem esses entusiastas. A inteligência superior atribuída aos visitantes dos outros Planetas levaria qualquer um a crer que eles seriam capazes de convencer a humanidade da Terra que estaria andando por mau caminho de forma mais prática do que essa. Uma inteligência tão grande que pode viajar em naves espaciais de sua criação, que demonstra não ter dificuldades em conversar na própria linguagem das pessoas com quem entra em contato, por certo estaria apta a provar seu ponto de vista, da mesma forma que a nossa humanidade avançada, daqui a centenas ou milhares de anos, poderá provar seu conhecimento superior.
A viagem entre os Planetas não é novidade, mas há razões para acreditarmos que ela só é possível com veículos muito mais sutis. As condições e os elementos físicos não são empecilho nem afetam aos que viajam nesses veículos sutis. As forças que encontraremos no trajeto são “interplanetárias” e assim como os Filhos de Deus” puderam outrora chegar ao nosso Planeta e tornar conhecida sua vontade à humanidade infantil, aqueles que conseguirem suficiente crescimento anímico nos nossos dias, poderão viajar para “países estrangeiros”, conforme seu desejo de servir.
Considerando o movimento de qualquer objeto material na nossa atmosfera, não podemos esquecer que está provado cientificamente que qualquer objeto (mesmo as naves espaciais), de material que tenha densidade maior do que o meio no qual está agindo (neste caso nossa atmosfera) criaria uma onda de choque, se viajasse com velocidade maior do que a do som, que é aproximadamente de 1.200 quilômetros por hora. Qualquer pessoa que visse um”disco voador” estaria, inevitavelmente, dentro da onda de choque, se ele viajasse com aquela velocidade ou maior ainda, e o som da onda de choque seria ouvida, com certeza, com grande intensidade. Mas até agora, nenhum dos observadores de discos voadores fez referência a esse fato, que é elementar, na física.
Não há dúvida que a humanidade quer dominar um a um os diversos materiais bem como as limitações e restrições físicas na conquista da matéria. Dessa forma pretende alcançar e penetrar regiões afastadas do nosso centro de densidade, a Terra. Como a densidade varia ao se aproximar de outro Planeta, aí encontrará novamente um grau ou condição de matéria que terá de lutar para conquistar. Conquistar o ser humano quer, pois ele está cada vez mais penetrando em seu veículo próprio a Mente, à medida que este veículo vai se tornando”maduro”.
Parece-nos, todavia, que o melhor que o ser humano poderia fazer, se conseguisse intercâmbio amistoso com seres de outros Planetas, seria a troca de conhecimentos intelectuais e é razoável supor que este seja um passo dado na direção certa que conduzirá à Fraternidade, dentro da esfera de influência de Deus, todas as Suas criaturas que, dessa forma, lhe proporcionarão o desenvolvimento e a perfeição evolutiva que ele busca.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/79)
A Valorização da Vida; afinal a solução está dentro de você
No rol de deveres do ser humano, particularmente do espiritualista, enfatizamos um como sendo básico e, de certa forma, abrangendo todos os outros: valorizar a vida.
O espírito pouco afeito à solidariedade humana passa indiferente às carências alheias. A palavra carência, dentro do tema proposto, assume, também, dimensões abrangentes. Quando nos referimos a indivíduos carentes, a primeira ideia suscitada – e cremos ser mesmo assim – é a de que lhes falta algo indispensável à subsistência física: pode ser alimento, agasalho, medicamento, moradia, ou, então, algo passível de garantir-lhes o futuro, como instrução, por exemplo.
O enfoque dado habitualmente às necessidades humanas, raras vezes foge ao contexto acima mencionado. Há uma razão para isso: a extrema limitação do ser humano ao mundo material. O ser comum, ignorando sua condição essencial de espírito, não pode atinar com outra realidade a não ser a que o circunda e lhe é perceptível através dos sentidos físicos. Tão agregado ao terra-a-terra ele permanece, a ponto de não admitir a existência de causas suprafísicas como origem de manifestações fenomênicas.
A Mente não identificada com as profundas investigações sobre a origem, estado atual e futuro do ser humano e do mundo desponta fantasiosa e inverossímil à simples hipótese de que tudo é regido por Leis Cósmicas imutáveis.
Daí a dependência exclusiva de instrumentais meramente humanos para equacionar os mais intrincados e transcendentais problemas, ora inquietando a humanidade. E como nem sempre a solução é encontrada, a preocupação e o desespero tomam conta de muitos.
Com frequência cada vez maior, são debatidos e analisados, nas altas esferas, questões relativas ao meio ambiente e à qualidade de vida nos grandes centros urbanos. Nesses, a grita é geral contra algumas distorções da vida moderna: poluição, condições de vida cada vez mais desumanas, marginalidade, pressa (que a nada conduz), neurose, artificialidade, solidão, dizimação de áreas verdes, etc.
Discute-se o assunto, promovem-se congressos, legisla-se a respeito, mas o ser humano reitera suas transgressões.
Além desses problemas, outros parecem exigir também urgentes soluções, desafiando a humanidade: as perspectivas de uma superpopulação à mercê de uma assustadora insuficiência de alimentos e o esgotamento progressivo de reservas energéticas, ameaçando esmagar a economia mundial.
Ora, tais desequilíbrios foram engendrados pelo próprio ser humano através de sua ambição, de sua vivência egoísta, de sua sede de poder. Compete-lhe, por conseguinte, no cultivo das virtudes opostas, restaurar a harmonia.
A solução pode ser encontrada no interior do próprio ser. Basta desenvolver e expressar as amorosas qualidades de empatia, afabilidade, caridade e espírito comunitário. A ajuda mútua torna-se um imperativo nos agitados dias em que vivemos.
Muitas pessoas sentem-se deprimidas pela solidão; anseiam por uma voz amiga, capaz de lhes preencher o imenso vácuo interior. Outras carecem de autoafirmação; aspiram por ver reconhecidas suas qualidades. Há aquelas cujas idiossincrasias as tornam pouco atrativas; necessitam de um pouco, talvez de uma minguada gota de compreensão. Há o jovem desejoso de que o aceitem com sua espontânea autenticidade. Há o velho reclamando um pouco de atenção. Há o animalzinho querendo afago. Há a flor e a árvore clamando por cuidados e admiração. Há a criança necessitando de amparo. Há a natureza, expressão física de Deus, rogando para ser preservada, no interesse da própria humanidade. Há pessoas de todas as raças e nacionalidades, de variados níveis culturais, de diferentes camadas socioeconômicas, formando uma multidão; mãos estendidas, olhos suplicando amor, só amor.
Em cada um desses seres palpita a vida.
E se desejamos um mundo melhor, tratemos de valorizá-la.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 09/1975)
Psicometria, em Síntese
Nos dias que correm, mormente através da Parapsicologia, um fenômeno tem despertado a atenção de estudiosos e curiosos: a psicometria. Verifiquemos, sucintamente, o que a Filosofia Rosacruz nos diz a respeito, por meio da palavra autorizada de Max Heindel:
“O Éter interpenetra toda a matéria do Mundo Físico, de maneira que os átomos químicos de qualquer substância, por densa que seja, não se tocam. Cada um vibra em um campo de Éter.
“Todos os objetos emitem vibrações desse Éter, levando à nossa retina as imagens de todas as coisas que nos rodeiam. Essas imagens não se perdem.
“No Éter formador do nosso Corpo Vital existem gravações, imagens de todas as coisas que temos observado conscientemente. E nossa capacidade de evocá-las depende de as lembrarmos ou não.
“No Éter que interpenetra cada objeto há uma imagem de tudo quanto o rodeia. Nas paredes de nossas casas estão gravadas todas as cenas, todos os incidentes ali ocorridos. E ainda que sejam pintadas, não será possível eliminarmos as impressões ali deixadas. Se extrairmos um pedacinho de argamassa de uma habitação, levando-o a uma pessoa dotada de visão etérica, é possível que ela lhe observe o Éter e nos relate algumas cenas ocorridas naquele lugar. Se lhe mostrarmos um pedaço de pedra das pirâmides do Egito, poderá vê-las tão perfeitamente como se fosse uma fotografia, porque o Éter dos objetos é que imprime sua imagem na placa fotográfica. E a única diferença entre essa impressão e aquela que recebemos na retina é que a primeira podemos fixar na placa e observá-la novamente a qualquer momento. Por outro lado, não nos é dado vislumbrar tão claramente as cenas do nosso passado em circunstâncias ordinárias.
Contudo, o psicômetra, capaz de ver no Éter, tem uma possibilidade imensa à sua disposição.”
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
Empenhe-se em uma Só Direção
Vagávamos, todos nós, durante longo tempo, juntamente com a humanidade comum, pelo deserto do mundo, como que perdidos, ansiando, graças a certa maturidade interna, espiritual, por algo mais elevado do que tudo aquilo que existia até então; até que, em um belo dia, tivemos a ventura de encontrar a Escola Iniciática Rosacruz, portadora de sublimes ensinamentos dados pelos Irmãos Maiores da Ordem desse nome, para eterno benefício da humanidade. Esses ensinamentos foram-nos transmitidos por seu fiel mensageiro, o iluminado mestre Max Heindel, a quem muito devemos. Esse nosso encontro com a Rosacruz foi de suma importância e ficamos maravilhados mesmo. Portanto, encontrado o caminho certo, com justa razão nos matriculamos nesta Escola, cujo curriculum consta de 7 etapas ou Cursos, que são: Preliminar, Regular, Probacionista, Discípulo, Irmão Leigo (a), Adepto e Irmão Maior, com o firme propósito de seguirmos fielmente e com toda diligência os preciosos ensinamentos por ela ministrados. Estes nos incitam, como um dos pontos FUNDAMENTAIS, A CONCENTRAR OS NOSSOS ESFORÇOS NUMA SÓ DIREÇÃO, E JAMAIS FICARMOS ZIGUEZAGUEANDO DE UM CAMINHO PARA OUTRO. Temos esses ensinamentos, já na obra básica, isto é, no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, com o título A FRATERNIDADE ROSACRUZ, que, entre outras coisas, nos diz, expressamente, o seguinte:
“Depois de completar o Curso Preliminar, o estudante é automaticamente matriculado como Estudante Regular durante dois anos. Findos esses, caso tenha-se compenetrado da verdade dos ensinamentos Rosacruzes e preparado para cortar toda relação com qualquer outra ordem oculta ou religiosa excetuando-se as Igrejas Cristãs e ordens fraternais – pode assumir a Obrigação que o admite no grau de Probacionista. Não pretendemos insinuar, na cláusula anterior, que as demais escolas de ocultismo não servem. Longe disso; muitos caminhos conduzem a Roma, mas chegaremos com menos esforços seguindo por um deles do que ziguezagueando de um caminho para outro. Nosso tempo e energias são limitados e, além disso, reduzidos por deveres de família e sociais que não devemos descuidar para atender ao próprio desenvolvimento. A fim de evitar, no máximo, o desperdício das energias de que legitimamente dispomos e evitar a perda dos poucos momentos ao nosso dispor, os Guias insistem no corte de relações com as demais ordens”.
Os Guias, a que “O Conceito” se refere, são os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. É lógico e coerente que devemos seguir essa segura e sábia orientação, e, se assim fizermos tornará patente estarmos com o pé na realidade, aliás sublime, portanto, libertos de imperfeições maiores, particularmente de confusão dentro de nós, como se ainda fôssemos seres indefinidos (pois a árvore se conhece por seus frutos – é um ensinamento dos Evangelhos).
Para ilustrar, ainda, o importante assunto aqui tratado, lembramos a todos que, se nos matricularmos numa Faculdade de Direito e quisermos alcançar bons resultados, temos que seguir com diligência o curriculum dela, a sua orientação, pois, se ficássemos correndo de uma faculdade a outra finalmente, não nos formaríamos em nenhuma delas. No campo espiritual a coisa é mais séria ainda. Atentemos.
Nos centros e grupos Rosacruzes, devemos transmitir os formosos ensinamentos que recebemos dos queridos Irmãos Maiores, de maneira fiel e diligente, pois, de certo modo estamos funcionando como guias de outros que estão começando, portanto, necessitam muita definição e firmeza; ademais, não temos o direito de deturpar nada, de ninguém, principalmente dos Irmãos Maiores, aos quais devemos o máximo respeito e admiração!
Neste artigo, que não passa de lembrete de pontos fundamentais da Filosofia Rosacruz, aparece o nome de quem o escreve, unicamente com a finalidade de resguardar a Fraternidade Rosacruz de qualquer falha que por ventura exista. Encerra ele, tão-somente, o pouco que o autor pôde alcançar dos ensinamentos Rosacruzes.
(De Hélio de Paula Coimbra, Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)