Sejamos Persistente no Amor
Nesses tempos conturbados, quando a desesperança parece tomar conta dos corações, os espíritos mais lúcidos vislumbram no amor a única força equilibrante. Tanto isso é verdade, que, não fosse o sacrifício anual do Cristo, inundando nosso Planeta com suas poderosíssimas vibrações, viveríamos numa situação caótica e o nosso progresso se frustraria.
A Terra, que há muito sofre os efeitos dos sentimentos egoístas da onda de vida humana – essa carga que pesa, principalmente, sobre o Espírito Planetário – deve ser aliviada agora e eliminada com o tempo.
A expressão do amor universal implica em sofrimento pessoal. Certamente o Cristo sofre em virtude de seu confinamento às limitações da materialidade. Para um Ser de sua envergadura espiritual a ajuda que oferece à humanidade é motivo de grande regozijo, mas ao mesmo tempo representa um inimaginável sacrifício.
Com o ser humano, ao nível microcósmico, ocorre o mesmo. Antes de estarmos preparados para manifestar o amor universal, mesmo que em sua expressão mais elementar, devemos libertar-nos dos desejos pessoais e egoístas, presentemente fatores predominantes em nossas vidas. Isso produz dor, certamente impossível de comparar-se com o sofrimento do Cristo. Porém, é um sofrimento real, que se alivia e desaparece à medida que nos libertamos das expressões inferiores da personalidade. Esse processo não gera resultados da noite para o dia. É um trabalho árduo, persistente, capaz de abalar todas as fibras do nosso ser. Ao longo do tempo, colheremos suas primícias, revestindo-nos de uma profunda sensação de paz e liberdade.
Há outro aspecto no desenvolvimento do nosso, ainda incipiente, amor universal em que provavelmente será mais duradouro. Como é evidente no exemplo de Cristo, os esforços altruístas em favor dos nossos semelhantes são amiúde recebidos com antipatia, ressentimentos ou desdém. Essa incompreensão, às vezes, aflora no seio da própria família, provocando uma dor maior. Temos de agir com paciência, pois mesmo aqueles que não aceitam nossa maneira elevada de ser, pouco a pouco responderão ao transformante e transcendente poder do amor que lhes é dirigido. Contudo, essa resposta quiçá venha a manifestar-se somente após vários renascimentos.
A exemplo de Cristo, não devemos desanimar se nossos esforços amorosos parecem não dar frutos, ou, se em realidade produzem antagonismo. Dois mil anos se passaram e a humanidade aparentemente não saiu do mesmo lugar, tal o grau de crueldade ainda manifesto aqui na Terra. No entanto, o Cristo permanece firme e amoroso em seu trabalho redentor, aguardando sofrida e pacientemente à sensibilização dos corações humanos.
Que catástrofe para a onda de vida humana se o Cristo algum dia renunciasse à Sua Missão, desgostoso e desalentado com nossa evidente omissão ao Seu esforço! Ele sabe, entretanto, “que os moinhos de Deus moem devagar, mas moem sempre”. Alguns séculos mais, quando estivermos vivendo na Era Aquariana, a humanidade colherá abundantemente os frutos da transmutação que promovemos graças à Sua ajuda.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jul/ago/88)
A Teoria do Conhecimento
A aquisição do conhecimento varia de indivíduo para indivíduo. Há uma gradação no processo humano de conhecer.
Conhecer um objeto é distingui-lo de todos os que se percebem distintos dele e, ao mesmo tempo, relacioná-lo com objetos considerados semelhantes a ele.
Nesse processo há uma série de graus, representando cada um desses graus um processo de generalização cada vez mais alto; ou seja, o conhecimento humano é tanto mais elevado quanto maior é o número de coisas que nele compreendemos.
Há três graus de conhecimento: o conhecimento vulgar, o conhecimento científico e o conhecimento filosófico.
O conhecimento vulgar, popular ou de primeiro grau, também chamado erroneamente de empírico, é aquele que nos fornece a maior parte dos conhecimentos cotidianos. Pode ser adquirido pela simples observação. Por exemplo, podemos notar que o calor aumenta o volume dos corpos, que a ingestão de certos alimentos produz reações orgânicas. Isso é conhecimento, embora isolado, casuísta, fragmentário, qualitativo, casual.
O conhecimento científico ou de segundo grau é totalmente diverso, porque consiste em um conhecimento sistemático dos fatos e dos fenômenos, colocando uns em relação com os outros de modo que é possível descobrir sua uniformidade e determinar as leis que os regem. É o conhecimento pelas causas, porque conhecer verdadeiramente é conhecer pelas causas e saber sobre uma coisa de modo absoluto é saber sobre a causa que a produziu, reconhecendo que a causa não pudesse ser outra.
A simples troca de posição de uma letra pode mostrar a diferença entre o conhecimento vulgar e o científico, visto que aquele é casual e este é causal.
O conhecimento científico ou pelas causas é constante e pode ser resumido a uma lei, representado por uma fórmula, que tem por finalidade revelar as relações entre causa e efeito. Esse conhecimento distingue-se pela generalidade, porque não existe conhecimento científico do indivíduo, do particular.
O conhecimento filosófico ou de terceiro grau atinge um grau ainda maior de generalização, porque a filosofia representa o complemento ou a integração das ciências particulares. Como a ciência, em relação ao conhecimento vulgar, unifica uma ordem de relações de fenômenos e leis, em filosofia se unifica todo o conjunto das relações de fenômenos e leis em uma lei suprema.
Entre a ciência e a filosofia não existe diversidade de processo cognoscitivo, mas apenas diferença de grau, pois a filosofia representa o último grau de generalização. O conhecimento filosófico abrange e supera os outros dois.
A ciência é o saber parcialmente unificado. A filosofia é o saber totalmente unificado.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1970)
Coragem: “aquele que der um começo, já terá feito a metade da coisa”
São necessárias cordas durante a descida de algum trecho pequeno, porém escorregadio e rochoso, de superfície escarpada, numa última etapa de um exercício de escalada de montanha.
“Admiro a sua coragem”, observou um espectador ardentemente, quando um dos alpinistas se sentou na relva, descansando um pouco, antes de regressar à sua casa.
O alpinista olhou o seu admirador de forma perturbada e, em seguida, disse-lhe de modo um tanto embaraçado: “Não há de que”. Não conhecia muito bem o seu admirador e mesmo que o conhecesse, seria o caso de lhe dizer que não foi necessário ter coragem alguma para fazer a escalada e a descida? Seria o momento de dizer que isso lhe deu a coragem de adentrar grutas ou qualquer outro espaço reduzido, escuro e fazer a sugestão de que talvez o seu admirador pudesse desempenhar essa exploração de modo igualmente fácil? Muita discussão por um comentário tão simples! Melhor não dizer coisa alguma — pelo menos, nesse instante.
Contudo, chega um momento em que o assunto coragem deve ser explorado muito cuidadosamente pelo aspirante a uma vida superior, caso se considere totalmente zeloso e sincero. Por quê? Mas por que é tão importante a uma vida baseada na Filosofia Rosacruz? Talvez possamos melhor responder a essa indagação após considerarmos a coragem um pouco mais profundamente.
A maioria de nós reconhece de modo vago que o que exige um esforço varia de pessoa a pessoa; mas possivelmente muitos não se detiveram para perceber que a maior parte das pessoas “normais”, existentes atualmente no mundo, realizou, em certa época, esforços enormes. Por exemplo, diz-se que o desejo de locomoção surge antes da capacidade de se movimentar. E as tremendas batalhas que devam ter ocorrido à medida que o ser humano, em sua formação, aprendeu a conduzir os seus veículos de um lugar a outro são vistas de modo telescópico nas primeiras tentativas fracas e desajeitadas de um bebê procurando locomover-se. Do mesmo modo que cada um de nós apresenta melhores rendimentos em certa matéria do que outros, em assuntos escolares, cada qual aprendeu suas lições quanto ao funcionamento nas várias atividades deste mundo de um modo melhor em algumas matérias do que em outras; porém todas as nossas atividades presentes exigiram esforço em certa época — e alguma coragem, quando procurávamos algo novo.
E, se pensarmos um pouco mais, a maioria de nós se apercebe de que uma ação que quase não levamos em consideração em certo momento de nossa vida, ação que até mesmo poderíamos exercer alegremente, poderá, em outros instantes, constituir um supremo ensaio de vontade. Poderá surgir um momento na vida de todos nós em que até mesmo o despertar em uma manhã ou o início de um novo dia poderá exigir muita resistência moral, quando significar a necessidade de encarar novamente problemas ou dores que pareçam difíceis de enfrentar.
No entanto, após reconhecermos que os atos de coragem significam diferentes coisas a pessoas diferentes, ou coisas diversas em tempos diversos para a mesma pessoa, eventualmente encobriremos a verdade de que haja certas lições básicas e gerais quanto à coragem, lições que todos nós deveremos aprender, se formos aspirantes sinceros a uma vida superior, da mesma forma que houve certos atributos físicos que tivemos de desenvolver para podermos viver a nossa atual vida física. Aqui estão algumas dessas lições básicas, sendo que o leitor provavelmente desejará acrescentar outras mais.
1 — A coragem de reconhecer e aceitar os próprios traços indesejáveis e em seguida fazer o máximo para transmutá-los. Cada um de nós tem pelo menos uma tendência indesejável ativa ou abrandada e a mantemos, provocando embaraços de modo sabidamente errado ou, pelo menos, em desarmonia com nossa capacidade mais elevada e, lutando contra essas tendências retrógradas, pode obter fortaleza. Por exemplo, há necessidade de muita coragem para nos dizermos honestamente, algumas vezes, que o que gostamos de apreciar como sendo exteriorização é, na realidade, um mau temperamento e, parcialmente, um ressentimento sepultado. Poderá também ocorrer que haja alguma falta ou área congestionada em nosso caráter que não possamos honestamente perceber. É aqui onde um amigo de confiança, que seja um astrólogo competente, poderá ser muito valioso: mesmo se nós próprios conhecermos a astrologia, poderá ser muito fácil passar por cima de algumas indicações negativas de nossos horóscopos.
Mas após termos erguido as nossas faces, banhadas de lágrimas, dessas questões soluçantes, talvez nos perguntemos qual seria o melhor modo de combater todos os pontos negativos que tenhamos acumulado. A resposta dada por Max Heindel é que não devamos fazer isso diretamente. Em harmonia com o sentimento da velha canção que nos exorta a acentuarmos o positivo, ele nos diz para praticarmos a virtude oposta à falta que desejarmos eliminar. Trata-se de outra aplicação daquilo que aprendemos a respeito do Mundo do Desejo: a atenção de toda espécie, agradável ou desagradável, causa uma grande atividade no sujeito e na coisa agradável ou desagradável. Porém a indiferença mata, de modo que devamos ignorar a falta e procurarmos aumentar a virtude oposta, amando-a e praticando-a. Assim, se percebermos que estejamos inclinados à tristeza, não devemos nos recriminar por não sermos eufóricos, porque assim ficaremos rapidamente muito mais ansiosos e angustiados. Ao contrário, se praticarmos a jovialidade, ela se tornará eventualmente uma parte de nós próprios e sentiremos realmente o otimismo, suas vantagens e os benefícios de nos empenhar duramente nesse método na tradução original, “duramente para encontrar nossas vizinhanças”. Até mesmo nos males físicos esse princípio opera a nosso favor: em uma certa espécie de artrite, um dos melhores medicamentos é a movimentação deliberada das partes enrijecidas e doloridas. Certamente que isso exige esforço! Mas é disso que estamos tratando.
2 — A coragem de apreciar a morte como um princípio. Atualmente não temos a caça às feiticeiras, que culminava na queima dos corpos em praça pública; nem mais se crucifica uma pessoa como nos tempos bíblicos, em virtude de ofensas triviais das quais se pudesse ser acusado, como hoje em dia — falsamente. Não há igreja que nos jogue na prisão para definhar e torturar, pelo menos não neste país. Como então essa espécie de coragem seria, na atualidade, algo que não fosse mais do que mero interesse acadêmico?
Neste século tem havido oportunidades aos que vivem em certos lugares para exercitar este tipo de coragem, manifestando-se contra as injustiças e procurando corrigi-las. A Alemanha nazista constituiu um lugar onde alguém poderia correr risco de vida pela defesa de um princípio; hoje em dia, Espanha e Portugal são outros.
Porém, as Forças Superiores sempre encontram meios de provar os estudantes em certo momento de suas vidas, nesse aspecto de coragem e talvez o meio mais comum em nosso país, atualmente, seja através da enfermidade.
Você talvez tenha estado doente durante longo tempo, acamado na maior parte desse tempo, de modo que se encontre bastante enfraquecido. Os médicos meneiam suas cabeças e mostram suficientemente, pelos seus comportamentos, que acreditem terem feito tudo o que pudessem; os amigos forçam conversações prazenteiras através de semblantes sombrios. Você mesmo está quase resignado quanto à desesperança de seu caso. Então, começa a sugestão. Trata-se de fazer algo que há muito decidiu ser nocivo a seu corpo e sua alma. Mas após tudo isso, dizem seus amigos, experimentou-se tudo mais e imaginam o quanto de bem poderão fazer após conseguirem a cura! O choque mais cruel de todos surge quando até mesmo seus melhores amigos, ligados à Filosofia Rosacruz, induzem-lhe a esse curso de ação errado para salvar a sua vida, conforme dizem.
No entanto, silenciosamente, você diz a si próprio: “Sei que me encontro agora próximo da morte. Todavia, não desejo ir, porque há muita coisa que gostaria de fazer. Porém, se tomar essa atitude que eu saiba ser errada e recuperar a saúde, haverá sempre aquele senso atormentador que assim agi fazendo algo errado e nunca mais estarei em condições de trabalhar, segundo o mais expressivo e o melhor de minhas capacidades, em virtude daquele espectro que fica observando por trás de meus ombros. Tentei tudo o que sabia estar em harmonia com meus princípios. Se tiver de morrer agora, morrerei de qualquer modo, não importa o que eu faça”.
Dessa forma, você se certifica de que os seus negócios se encontrem em ordem e repousa em seus travesseiros para exalar o último alento exausto, porém contente…
Contudo, algo acontece. Alguém chega, pousa as mãos em você e, no dia seguinte, você já se ergue e sai, após ter estado na cama durante meses. Ou você simplesmente melhora gradualmente, embora não faça algo diferente. Mas, em primeiro lugar, você terá de mostrar aquilo que realmente deliberou durante a noite tempestuosa em que tomou a decisão há longo tempo, em um pacífico dia ensolarado.
3 — Coragem para desafiar qualquer elemento físico, quando necessário.
O que você teme neste Mundo Físico? O fogo? As alturas? Inundações? As crianças? As pessoas idosas? A eletricidade? Serpentes? Se houver neste mundo algo que desperte em nós o desejo de nos afastar, eis um problema que deva ser encarado completamente, agora, uma vez que, quanto mais o medo for encoberto, tanto mais se inflama, desenvolve e suas raízes se aprofundam muito mais, no decorrer do tempo.
Familiarize-se, por meio da leitura, com os aspectos da constituição e da estética de tudo aquilo que você teme é adequado, de forma que passe a dispor de uma riqueza de informações alusivas ao assunto, porque muitas vezes tememos mais o que nos é estranho, desconhecido e inominado. Em seguida, familiarize-se de primeira mão. Se você teme a água e não sabe nadar, tome lições de um instrutor competente. Se você teme as alturas, faça caminhadas pelas colinas e depois pelas montanhas. Primeiramente, aprecie a vista da parte baixa de um penhasco. Gradualmente, faça-o cada vez mais próximo do topo. Tire em seguida o seu bacharelado, encabeçando algumas escaladas.
4 — A coragem de arriscar cometer algum engano, quando for necessária alguma ação. Quantas vezes desistimos de realizar até ações mais simples, com receio de dizer ou fazer coisas erradas ou pelo medo de parecer enlouquecidos? E quantas vezes nos mantivemos na retaguarda por não termos feito algo e, assim, perdido uma possível oportunidade de experimentar aquela sensação extraordinária de crescimento e expansão?
“Mas o erro que poderíamos cometer seria monumental”, você poderia dizer. “Poderia”, sim; porém você não tem a certeza disso. E mesmo se você tivesse feito algo radicalmente impróprio, sabemos que as Hierarquias criadoras, bem acima de nós em matéria de evolução, também cometem erros: os cometas são o resultado de uma tentativa de criação no cosmos que, por alguma razão, não “se gelificou” e atingiu a órbita adequada, de forma que eles vêm e vão, malogros divinos perdidos na face da profundidade.
Desse modo, devemos provar a nossa fé através de obras: obras significam experiência concreta e a experiência deve envolver alguns erros.
Max Heindel nos diz que o mundo necessita de seres humanos que façam e não que sonhem ou leiam. Em suma, será feito na terra de nossos corpos o que acontece no Céu de nossos Espíritos.
5 — A coragem de estar só. Nós a temos na mais alta autoridade, a do Próprio Cristo; em certa época de sua carreira esotérica, o estudante de ocultismo sincero deve estar completamente só, fisicamente, para enfrentar sua sorte e seus problemas. Os parentes estão disseminados e não compreenderiam. Os amigos também parecem estar muito longe, física, mental e espiritualmente. Não parece possível receber ajuda de ser vivente algum. Cristo, que é o Precursor em um sentido muito literal, sentiu essa desolação no Jardim do Getsemani, quando perguntou amargamente se nenhum de Seus discípulos adormecidos poderia velar com Ele.
Porém, quando nós bravamente tomarmos a nossa cruz, seja ela pequena ou grande, existirão amigos em ambos os lados do véu prontos para auxiliar-nos a carregá-la. Descobriremos que a solidão, como tudo mais que seja apenas desta vida, foi somente temporária. Goethe, o poeta Iniciado, escreveu:
“Aquele que nunca come o seu pão na amargura
e jamais passa por horas tenebrosas,
pranteando e aguardando o amanhecer,
não conhece os Poderes Celestiais”.
6 — A coragem de continuar tentando. De acordo com T. S. Eliot, somos “unicamente derrotados porque tentamos”. Isso poderá ser um pequeno consolo para alguém que tenha um pertinaz problema de saúde, que há muito esteja suportando um pesado encargo familiar ou talvez venha tentando há muitos anos romper um mau hábito, como modificar um traço inadequado da personalidade ou do caráter. Mas a Filosofia Rosacruz nos diz que, se persistirmos no rumo certo, mesmo que não possamos ver os resultados, eles ali estarão. Isso porque as imagens de nossas circunvizinhanças incluem as condições que estejam dentro de nossa própria aura. Se tivermos criado em nossas mentes a imagem de uma coisa que desejemos obter e tivermos revestido essas imagens mentais com um intenso desejo de ser bem-sucedido, a mente modificada e o desejo impulsor ativo eventualmente tornarão o Corpo Vital muito mais fixo e resistente, o qual, por sua vez, acarretará quaisquer modificações necessárias no veículo mais sólido a ser modificado, o Corpo Denso. Assim, mesmo se intimamente trabalharmos durante toda uma existência em um problema sem resultados tangíveis no mundo físico, teremos a promessa de que esses resultados se mostrarão na próxima vida, uma vez que os corpos mais elevados desta vida determinam a qualidade dos mais baixos, na outra. E, quem sabe? Poderemos não ter de trabalhar durante toda uma existência nesse problema. Ajuda-nos também a lembrança de que a hora mais obscura é comumente anterior à alvorada.
Existem pelo menos duas coisas que devamos manter em mente, relacionadas com todas as espécies de coragem que mencionamos. A primeira é uma advertência. A coragem sem previsão e discriminação não é coragem, mas, sim, temeridade, insensatez e um trágico desperdício de energia valiosa. Devemos nos lembrar de que as forças negativas estejam sempre prontas para tentar e enredar, particularmente o estudante sincero. Trata-se de um fio de navalha sobre o qual devemos andar. O segundo ponto importante a refletir constitui uma ajuda ao nosso desenvolvimento em matéria de coragem. Trata-se daquilo que João nos diz em sua primeira epístola: “o perfeito amor afasta o temor”. Isto não significa necessariamente que devamos aprender a amar o que tememos, porque o que tememos pode ser verdadeiramente mau. Porém o amor por alguém ou por um princípio e os atos desempenhados a favor desse amor poderão dissolver completamente todos os nossos temores precedentes.
Agora que falamos de algumas das modalidades de coragem que nós, como estudantes de ocultismo, precisaremos desenvolver em alguma época de nossas carreiras, talvez estejamos em posição melhor para compreender por que nós as necessitamos e por que necessitamos de qualquer espécie de coragem, pelo menos. Se não nos esforçarmos e tentarmos transmutar as características indesejáveis em nós próprios, então estaremos simplesmente colocando-nos por detrás do caminho evolutivo lento e laborioso daqueles que aprenderão apenas pela experiência e não estaremos realmente entre os que conquistarão o Céu por assalto. Se não estivermos prontos a lutar por um princípio, então o mesmo não nos terá qualquer significado e não poderemos esperar ser os depositários de verdades e poderes maiores; dessa forma, até mostrarmos o aspecto de coragem física, faríamos melhor se o desenvolvêssemos, até porque nas expressas palavras de Max Heindel, quando explanava sobre o Tannhauser, o estudante sincero deve “perceber que deva possuir as mesmas virtudes requeridas de um cavalheiro, uma vez que sobre a senda espiritual também existam perigos e lugares onde é necessária a coragem física”. Se não tivermos a coragem de agir quando devemos, mesmo se a ação signifique um possível erro, então não estaremos agarrando as oportunidades de progresso e estaremos provavelmente nos chocando contra as ondas. Se não pudermos, em momento algum, sentirmo-nos plenamente sós, então não estaremos desejosos de partilhar de modo algum da vida do Cristo. Se não tivermos a coragem de continuar tentando, então mostraremos que realmente não temos fé na verdadeira filosofia em que dizemos acreditar, filosofia que explica por que um esforço nunca é desperdiçado. Finalmente, uma coisa muito importante: necessitamos de coragem de todas as espécies a fim de sobrepujarmos o Guardião do Umbral. Se formos estudantes sinceros, deveremos certamente nos encontrar com essa entidade algum dia.
Shakespeare disse em Rei Lear que “a coragem emerge com a ocasião”. Esperemos que assim seja, porque há muitas ocasiões nesse período de nossa história. As condições internas são espelhadas extrinsecamente pelo microcosmo e macrocosmo: o mundo e sua aura estão em agonias de batalhas monumentais, envolvendo todas as espécies de forças. Se você não se sentir necessitado de modo algum, fechará os seus olhos e ouvidos.
De forma que, coragem, caro coração! E relembre-se, com o poeta Horácio, de que aquele que der um começo, já terá feito a metade da coisa.
(Publicado na revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1970)
A Única Salvação é o Conhecimento Aplicado
A preocupação dominante nas grandes metrópoles é encontrar meios de humanizá-las. Nos vastos centros urbanos emergem as mais contraditórias paisagens, os mais chocantes contrastes, os mais intrincados e aparentemente insolúveis problemas. Por suposto, seus reflexos fazem-se sentir nas pessoas, traumatizando-as, neurotizando-as, gerando toda sorte de enfermidades.
Deverá ser eternamente assim? Não haverá uma saída? Vejamos. Se a vida nas palpitantes urbes apresenta uma série de inconvenientes, em contrapartida oferece uma gama valiosíssima de experiências, impossíveis de serem encontradas em outros lugares. À experiência traz consigo um conhecimento real, comprovado, não haurido livrescamente. A fonte maior dessas experiências é o relacionamento humano. Através do relacionamento promove-se um importante e rico intercâmbio de valores culturais, morais e espirituais.
Só assim tomamos conhecimento e sentimos mais intimamente os problemas dos outros. O contato com os seres humanos faz-nos recordar sempre a humanidade existente dentro de nós mesmos. Não podemos prescindir disto, a menos que sejamos frios e duros blocos de concreto, como os que compõem a paisagem cinzenta das megalópoles.
No Livro: “O Conceito Rosacruz do Cosmos” Max Heindel assinala que “a única salvação é o conhecimento aplicado”. Se a cidade grande enseja multivariadas experiências — e decorrente conhecimento — por que não aproveitamos as mesmas para humanizá-la, tornando-a um lugar aprazível, mais habitável? Podemos e devemos fazê-lo.
O ser humano isolado é uma impossibilidade. Não podemos fugir à interdependência no relacionamento diário. Este enfatiza a necessidade de amar ao próximo, mormente porque o próximo dos outros somos nós mesmos. À competição desenfreada, o temor de ser passado para trás, a pressa em fazer alguma coisa ou chegar a algum lugar, tão característicos dos grandes centros, produzem angústia devoradora. Afinal, o ser humano é uma vítima da cidade, ou de si mesmo?
O ser humano descarrega sua insatisfação acusando uma cidade de ser desumana, quando, realmente, ele é que a torna assim pela sua vivência egoísta. Nós a envolvemos com nossos sentimentos e pensamentos, e estes, em sentido coletivo, imprimem-lhe características básicas, gerando inclusive seu destino. A cidade em que vivemos, é, de certo modo, uma soma do que somos. A menos que, pensemos e ajamos sempre visando o bem comum, continuaremos a fazer parte da “indesejável” paisagem do lugar em que vivemos.
Uma comunidade urbana é, em essência, algo maravilhoso. É o campo de evolução onde os seres humanos coexistem em torno de necessidades, de ideias e ideais. As experiências que ensejam devem, antes de mais nada, apurar a sensibilidade de seus habitantes em relação às suas belezas e aos anseios do próximo. A experiência deve conduzir o ser humano à maturidade. Mas é mister identificar este termo no seu sentido mais profundo. “Alcançar a maturidade”, como definiu Weissman, “não significa envelhecer. É passar da arrogância, cavadora de abismos, para a humildade unificadora; da indiferença para o amor: da inveja para a gratidão; da insegurança para a tranquilidade. É aumentar em si os impulsos construtivos, livrando-se dos sentimentos destrutivos”.
Assim, a maturidade há de acompanhar a purificação do sentimento, tornando-nos verdadeiramente cristãos na vida comunitária. Amemos nossas cidades, amando e servindo seus habitantes.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1976)
Pergunta: É possível ser Iniciado em outro plano sem passar antes por uma Iniciação correspondente no plano físico? Nesse caso, a lembrança da Iniciação, no primeiro despertar, seria uma indicação que esta se realizou, ou isso não passaria de um sonho?
Resposta: A humanidade, como um todo, está progredindo através de um processo que chamamos de evolução da impotência para a onipotência. Durante essa peregrinação, nós, que fomos outrora totalmente espirituais, cristalizamo-nos gradualmente nos vários veículos que possuímos hoje. Naqueles dias do passado éramos inteiramente conscientes no plano espiritual, e embora no tempo devido nos tenhamos envolvido num corpo físico, não o sabíamos. No entanto, gradualmente, alguns tornaram-se conscientes do corpo físico. Como diz a Bíblia: “Eles olharam-se, seus olhos foram abertos e viram que estavam nus”. Esses pioneiros, que haviam sido assim Iniciados no mistério do corpo físico, começaram a dizer aos outros: “Nós temos um corpo”. No início, é natural que muito poucos acreditassem neles, mas, gradualmente, um maior número se tornou Iniciado no mistério do corpo. Eles receberam sua visão física, e viram algo que não era tão patente aos seus irmãos. Finalmente, toda a humanidade desenvolveu os sentidos físicos e tornou-se capaz de perceber o mundo material no qual vivemos hoje.
Atualmente acontece o contrário. A humanidade tornou-se tão apegada ao mundo material, que a grande maioria não se conscientiza da existência de seus veículos superiores e do fato de existir um mundo espiritual, que pode ser percebido através de um sexto sentido que já foi desenvolvido por poucos, mas que está latente na maioria das pessoas. Estes pioneiros que, por meio do desenvolvimento de um sexto sentido, se tornaram Iniciados no mistério da alma, estão agora ocupados em difundir para os outros as boas notícias, isto é, que temos uma alma e um sentido latente para percebê-la.
Esta explicação deveria tornar claro que a Iniciação consiste, até certo ponto, em ajudar alguém que não tenha sido previamente capaz de perceber o mundo espiritual, a mudar a sua consciência a fim de poder focalizá-la à vontade na parte invisível do ser humano que denominamos alma, e manter perfeita consciência de tudo que vê.
Isso é verdade, pelo menos no que diz respeito ao processo espiritual de Iniciação. Naquela longínqua Época Lemúrica, quando os primeiros pioneiros descobriram que tinham um corpo, não podiam ajudar ninguém que não estivesse preparado a participar de uma cerimônia por mais elaborada que ela fosse; a elevação a ser obtida pela Iniciação consistia na abertura dos olhos e na percepção do corpo físico no mundo físico. Da mesma forma, não adiantará passar por cerimônias desde manhã até à noite, ou estudar o livro deste ou o método daquele homem. O objetivo é desenvolver o sexto sentido, por meio do qual o mundo invisível e os veículos invisíveis do homem possam ser percebidos. Este é um lento processo de crescimento, e exige que a pessoa se transforme em algo que não é no momento.
O melhor método de despertar este sentido latente, apropriado para o Mundo Ocidental, está indicado no “Conceito Rosacruz do Cosmos” sob o título: Método para Adquirir o Conhecimento Direto, como também no artigo intitulado Visão e Percepção Espiritual, Seu Cultivo, Controle e Uso Correto. Quando a vida física de uma pessoa a tornou apta para a Iniciação, o Mestre sempre aparece no seu caminho enquanto ela está completamente desperta e em plena consciência física. O candidato é informado que desenvolveu um veículo necessário para atuar no mundo invisível, é-lhe oferecida ajuda para efetuar a primeira ou transição “inicial” com segurança.
Esta é uma oferta que poderá ser recusada se o candidato assim o desejar, e nenhum dos Irmãos Brancos o pressionaria contra a sua vontade, se ele não quiser ir. Certos preparativos físicos são necessários e, durante todo o processo, desde o momento em que abandona o corpo até o retorno, o candidato permanece plenamente consciente e tem uma lembrança ininterrupta de tudo o que ocorre. Portanto, é impossível a alguém que tenha realmente passado por um processo da Iniciação, duvidar dele ou pensar que tenha sido um sonho.
(Perg. 67 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Acredite…se quiser
Há pouco tempo, aguardando o ônibus para São Paulo na rodoviária de Campinas, detive-me a folhear um livro numa banca de jornais. Chamou-me a atenção uma frase de Edgard Mitchell: “A tripulação da espaçonave Terra amotinou-se contra a Ordem do Universo.”
Entrei no ônibus e ocupei minha poltrona. Em seguida, sentou-se ao meu lado uma figura estranhíssima. Um homem totalmente calvo, orelhas muito pequenas, arredondadas, e a pele de um tom arroxeado. Nunca tinha visto algo semelhante. Fiquei na minha.
Quando o veículo começou a movimentar-se, ele me dirigiu a palavra, com uma voz singularmente rouca:
— Senhor João, não vai usar o cinto de segurança?
Agradeci-lhe a observação e travei o cinto. Curioso, perguntei-lhe como sabia meu nome, pois não me lembrava de antes tê-lo visto ou conhecido.
Ele respondeu: — Eu sei. Sei de coisas de sua vida e de muitos habitantes deste Planeta.
— Como é possível? — Redargui.
— Eu sou aquilo que vocês terráqueos chamam de alienígena. Vim de uma estrela localizada em uma longínqua galáxia. Na Terra existem outros como eu, encarnados e vivendo entre vocês, sem que nos reconheçam. Não estamos aqui para simplesmente bisbilhotá-los, mas apenas tentando entender o que se passa em suas Mentes, a ponto de provocarem tantos desequilíbrios.
Achei o estranho muito pretensioso, e um pouco irritado perguntei-lhe o nome. Ele me respondeu que em sua estrela as pessoas se conhecem e se identificam pelas vibrações que emitem. Não precisam de nome.
— Quer dizer então que vocês constituem uma civilização mais avançada que a terrestre? – perguntei-lhe.
— Modestamente, posso dizer que sim, porém, isso não nos torna arrogantes. Estamos preocupados com a maneira como vocês vivem e agem.
— Posso então entender que vocês, alienígenas, convivem conosco disfarçados de humanos para cumprir uma missão, – afirmei com uma pitadinha de ironia.
— Se o senhor quer entender assim, tudo bem. A verdade é que pensam e agem como se este planeta fosse o centro do Universo, imaginando que somente aqui há vida inteligente. Não têm a mínima ideia de que no Universo cósmico visível e em sua contraparte invisível tudo se encontra interconectado. Os seus atos, pensamentos, sentimentos e palavras repercutem, para bem ou para mal, em todos os pontos do Cosmos. Isso já se tornou motivo de preocupação, porque as vibrações que partem daqui são desarmoniosas e afetam os outros mundos.
Perguntei-lhe: — Então me esclareça, senhor E.T., o que realmente está acontecendo? O que quer saber a nosso respeito?
Aquela figura tão estranha foi direto em sua resposta:
— Queremos saber qual é o nível de inteligência dos terrestres. Fico analisando os problemas que vocês enfrentam e me pergunto como uma espécie que desenvolveu a razão, capacidade de previsão e prerrogativa de fazer escolhas, pode conduzir-se com tamanha estreiteza de visão. Vocês são tão inteligentes como imaginam?
Continuando, disse-me — Qual é o nível de inteligência de uma espécie capaz de destruir o ecossistema vital à sua própria sobrevivência? Qual é o nível de inteligência de seres que se apoderam de vastas áreas de terras férteis para cobri-las com concreto e asfalto, poluir seu ar, espantar a maioria das outras criaturas vivas, e pagar fortunas para nelas viver? Como podem envenenar os alimentos que ingerem e a terra que os produz?
A conversa seguiu nesse tom, até que o meu interlocutor se fechou no mais absoluto mutismo. Eu também fiquei em silêncio, meditando sobre tudo aquilo que acabara de ouvir.
Talvez eu tenha cochilado um pouco. Despertei com o ônibus chegando no terminal do Tietê. Para minha surpresa aquele ser estranho não se encontrava mais no ônibus. Onde teria desembarcado?
Fiquei pensativo por alguns instantes e me lembrei da frase de Edgard Mitchell. Coincidência?
Por Gilberto A V Silos
Pergunta: Como os registros na Memória da Natureza aparecem à visão espiritual? Como os atos da vida anterior de uma pessoa são representados?
Resposta: Isso depende de onde se leia na Memória da Natureza. No Éter Refletor existem imagens de tudo que aconteceu no mundo, num período de, pelo menos, várias centenas de anos atrás, talvez muito mais em certos casos. Aparecem semelhantes a imagens projetadas numa tela, com a diferença que as cenas se desenrolam em sentido contrário. Portanto, se desejarmos estudar a vida de Lutero ou de Calvino na Memória da Natureza, podemos, por meio da concentração, evocar quaisquer pontos de suas vidas e daí começar mantendo a cena com a qual iniciamos a observação ou outra cena qualquer, pelo tempo que desejarmos pela simples vontade de a contemplar. No entanto, descobriremos que a película se desenrola para trás, assim, se começarmos com a cena em que Lutero, segundo consta, lançou o tinteiro contra a parede a fim de expulsar sua Majestade Satânica, e se quisermos saber o que aconteceu depois disso, nada conseguiremos. Passarão diante de nós todas as cenas ocorridas anteriormente e, para conseguir a informação desejada, deveremos começar a partir de um ponto posterior ao tempo daquele acontecimento. Então as cenas desenrolar-se-ão de frente para trás, numa sequência ordenada, até que cheguemos ao episódio do tinteiro e, em consequência, poderemos mais tarde reconstituir a cena completa da forma progressiva que se obtém diária e habitualmente na vida física.
Contudo, se lermos na Memória da Natureza no reino superior seguinte, onde o registro é guardado, ou seja, na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto, obteremos uma visão consideravelmente diferente. Ao concentrarmos o pensamento em Lutero, evocaremos em nossa Mente, de uma só vez como num lampejo, o registro completo de sua vida. Não haverá começo nem fim, mas experimentaremos imediatamente o aroma ou a essência de toda a sua existência. Esse filme — ou pensamento ou conhecimento — não estará localizado fora de nós como se fôssemos simples espectadores assistindo a vida de Lutero. Na verdade, ele estará dentro de nós, e nós nos sentiremos como se fôssemos realmente Lutero. Esse filme falará à nossa consciência interna e dar-nos-á um entendimento completo da vida e dos objetivos dele, o que não poderia ser adquirido através de uma simples visão externa. Saberemos o que ele sabia durante algum tempo. Sentiremos o que ele sentiu e, embora não haja emissão sonora, obteremos um profundo conhecimento desse homem desde o berço até o túmulo.
Cada pensamento e ato, por mais íntimos e ocultos que tenham sido, chegarão ao nosso conhecimento com todos os seus motivos e tudo que os ocasionou. Isso nos levará a uma compreensão mais ampla da sua vida, um entendimento tão íntimo que, provavelmente, nem ele próprio, durante a sua vida, imaginou a extensão do conhecimento que teríamos dele.
Podemos pensar que, tendo adquirido um conhecimento tão profundo e completo sobre Lutero, Calvino, Napoleão ou qualquer outro ser humano, acontecimento histórico ou até pré-histórico antes da história ser escrita, seríamos capazes de escrever livros que explicariam todas essas coisas de maneira maravilhosa. Os que tentarem ler a Memória da Natureza, conforme ela se apresenta nessa Região elevada, confirmarão a declaração do autor, que foi exatamente isso que sentiram quando deixaram a pesquisa e voltaram para a sua consciência cerebral comum. No entanto, o pensamento deve se manifestar através do cérebro e, para se tornar inteligível para os outros, deve ser traduzido em frases que contenham e desenvolvam consecutivamente as ideias a serem expostas, e ninguém que ainda não tenha sentido esta limitação ao voltar do Mundo Celestial com informações tão valiosas, pode avaliar o desapontamento e o desespero que a pessoa sente ao fazer esse esforço. Nessa subdivisão elevada da Região do Pensamento Concreto, todas as coisas estão incluídas num eterno aqui e agora. Não há tempo nem espaço, começo nem fim, e é quase impossível ajustar ordenadamente as ideias sobre o que lá foi visto, ouvido e sentido. Parece simplesmente que o cérebro se recusa a deixar filtrar essas ideias. Nós, que temos visto e ouvido, sabemos o que vimos e ouvimos, mas somos incapazes de expressá-lo. Não há idioma ou língua humana que possa traduzir essas coisas de maneira adequada e só podemos transmitir aos outros uma fraca impressão, uma sombra atenuada da gloriosa realidade.
Há ainda outro registro da Memória da Natureza no Mundo do Espírito de Vida que, segundo os Irmãos Maiores da Rosacruz, abrange os eventos que remontam aos primórdios da nossa atual manifestação. São tão sublimes, tão maravilhosos que não encontramos palavras que possam descrevê-los. Há muitos mistificadores que se enganam a si mesmos e aos outros, julgando que são capazes de ler esse registro, mas, segundo os Irmãos Maiores, somente eles próprios e outros Hierarcas de outra Escola de Mistérios, juntamente com os Adeptos que se graduaram nessas instituições, são capazes de ler esse registro.
(Perg. 66 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Pergunta: No Conceito Rosacruz do Cosmos, Capítulo III — subtítulo O Segundo Céu -, consta que a faculdade de percepção do espaço está ligada ao delicado ajustamento dos três canais semicirculares no ouvido, apontando nas três dimensões do espaço. O pensamento lógico e a capacidade matemática estão em proporção da precisão do seu ajustamento.
Parece que a percepção da quarta dimensão foi alcançada por matemáticos de nível muito superior. Poderiam dizer-me se há alguma mudança na disposição desses canais semicirculares, ou qual é o processo que leva à consciência da quarta dimensão?
Parece também que os espíritos da natureza e os elementais possuem esta consciência da quarta dimensão, o que representa um grau de consciência mais elevado daquele que temos agora, e isso se aplica possivelmente à abelha ou aos cavalos Elberfeld[1]. Poderiam indicar o elo perdido? O que torna o ser humano ou a humanidade superior a esses seres, e qual é a disposição desses canais semicirculares no caso das abelhas e desses cavalos talentosos?
Resposta: Para a maioria da humanidade, os algarismos são excessivamente tediosos, pois estamos acostumados a viver uma vida externa entre outras pessoas e amigos, com os quais expressamos os nossos desejos, sensações e emoções. Quanto mais esses sentimentos são intensos, mais interessantes achamos a vida. Por outro lado, coisas que não causam qualquer emoção são tidas como monótonas e desinteressantes. Por essa razão, a maioria não é atraída pela matemática ou por qualquer outra coisa que aguce a Mente sem que, ao mesmo tempo, desperte a natureza emocional.
Sabemos que Deus geometriza, que todos os processos da natureza estão estruturados sobre cálculos sistemáticos que provam a existência de uma Inteligência Superior. Quando Deus, o grande Arquiteto do Universo, construiu o mundo todo sobre linhas matemáticas, podemos concluir que, consciente ou inconscientemente, o matemático está alcançando uma direção em que finalmente ver-se-á face a face com Deus, e isso, por si mesmo, mostra uma expansão de consciência. Se considerarmos que cada um dos canais semicirculares é realmente um nível supersensível do espírito — ajustado de maneira a indicar à nossa consciência o movimento do nosso corpo através do comprimento, largura ou profundidade do espaço — podemos facilmente entender que o seu presente ajuste é necessário para a percepção do espaço. Se esses canais são bem ajustados, a percepção da pessoa é perfeita e, se ela empreender o estudo da matemática, as suas teorias estarão em concordância com o que ela vê no mundo como fatos reais. Em algumas Mentes elevadas, isso gera um verdadeiro amor pelos algarismos, o que se torna um fator de descanso para essas pessoas, ao invés de serem uma fonte de cansaço como o são para a maioria. O amor pelos algarismos pode despertar nelas as faculdades espirituais latentes, mas não através de qualquer mudança nos canais semicirculares. Esses são estruturas ósseas e não mudam facilmente durante o período de nossa vida. No entanto, não há dúvida que aquele que possuir gosto pela música ou pela matemática irá construir esses canais mais acuradamente no Segundo Céu, no período compreendido entre a morte e um novo nascimento.
Quanto à consciência dos elementais ou dos espíritos da natureza, realmente eles possuem o que pode ser chamado consciência da quarta dimensão. Além da altura, largura e comprimento, que são as dimensões do espaço no mundo físico, há o que denominamos “interpenetração” nos Éteres. Com a visão etérica podemos ver dentro de uma montanha e, se tivermos um Corpo Vital como possuem os espíritos da natureza, podemos atravessar a mais dura rocha de granito. Esse não oferecerá qualquer obstáculo, da mesma forma que o ar não impede a nossa marcha aqui, embora, muitas vezes, sejamos perturbados pelos ventos. Contudo, mesmo entre os espíritos da natureza há diferentes entidades e uma correspondente variação de consciência.
Os corpos dos Gnomos são feitos principalmente do Éter Químico, portanto, são do solo da terra. Ninguém os vê voando como voam as Sílfides. Eles podem ser queimados no fogo e envelhecem de maneira não muito diferente da dos seres humanos.
As Ondinas que vivem na água e as Sílfides no ar são também mortais, mas sendo os seus corpos compostos, respectivamente, dos Éteres de Vida e Luminoso, têm uma longevidade maior. Acredita-se que os Gnomos não vivam mais do que algumas centenas de anos, as Ondinas e as Sílfides milhares de anos, e as salamandras, cujos corpos são feitos principalmente do quarto Éter, viveriam muitos milhares de anos. Contudo, a consciência que constrói e anima esses corpos pertence a várias Hierarquias Divinas que, dessa maneira, adquirem experiência adicional, e as formas, que foram construídas de matéria e depois animadas, atingiram um grau de autoconsciência durante essas longas existências. Eles percebem sua própria existência transitória, e é devido à sua rebeldia contra esse estado de coisas, que a guerra dos elementos, principalmente as do fogo, do ar e da água é travada. Julgando que são mantidos em cativeiro, procuram libertar-se das amarras pela força, mas, não possuindo nenhum estilo de direção, investem furiosamente de uma maneira destrutiva que resulta muitas vezes em grandes catástrofes.
A consciência dos Gnomos é vagarosa demais para tomarem a iniciativa, mas eles tornam-se frequentemente cúmplices dos outros espíritos da natureza ao abrir passagens que favorecem explosões na rocha. No entanto, isso não tem nenhuma ligação com os cavalos Elberfeld ou com outros animais prodígios. Esses são os pupilos dos seus respectivos Espíritos-Grupo, e é provável que seja a última vez que renasçam numa forma animal.
Quando isso acontece, tais Espíritos são relegados ao Caos, onde devem esperar durante a Noite Cósmica por seus irmãos menos dotados até a época em que lhes será possível iniciar a sua evolução humana no Período de Júpiter.
(Perg. 65 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
[1] N.R.: Os célebres cavalos Muhamed e Zarif deixaram a sociedade parisiense atônita no início do século XX, quando através de um alfabeto convencional conversavam com o seu dono, rico comerciante de Elberfeld, distrito de Wuppertal, na Alemanha; além de executarem difíceis cálculos matemáticos, inclusive raízes quadradas e cúbicas.
O Eterno Momento: viver aqui e agora
A linha é uma sucessão de pontos; a vida, uma sucessão de agoras.
Vivo conscientemente e bem o aqui e agora, pois nisso vejo toda a ciência do viver.
Não me volto ao passado. Apenas lhe conservo a experiência. Só me preocupei com ele quando era infeliz, complexada, insatisfeita. Então me voltei, rebusquei-o muito bem para encontrar as causas de minhas condições e as desarraiguei para sempre, à luz da Filosofia, dos Ensinamentos Bíblicos e da Astrologia Rosacruz. Depois disso “tomei do arado e não mais olhei para trás”. Quando me assalta a vontade, lembro-me da mulher de Lot, transformada em estátua de sal ao voltar os olhos para a cidade destruída por Deus.
Realmente: reviver coisas desagradáveis só nos reacende sentimentos indesejáveis e cristalizantes. E mesmo as coisas agradáveis. Que proveito há em rememorar nossos triunfos? Não será vaidade? Devemos partir para conquistas mais altas.
Conservo as experiências. Elas são a essência, a Fênix renascida das cinzas de tudo que queimei. Elas me permitem relacionar as causas aos efeitos e deduzir atos progressivamente melhores. Este conhecimento me evita sofrimentos desnecessários, quando pela Vontade, aplico-o a novas ações.
Quanto ao futuro, também não me preocupa. Os devaneios roubam agoras preciosos que poderiam ser preenchidos com realizações. Os momentos passados edificaram minhas atuais condições; igualmente, meus agoras continuarão a edificar o meu caráter. E caráter é destino.
O futuro depende do agora. Assim, penso, sinto, ajo, no agora.
“A cada dia os seus cuidados”, “Não faço planos”. Muitas vezes os fiz e quase sempre tudo veio diferente…. Sei o que me convém, como ser espiritual, e ajo de forma a realizá-lo. Porém, é Cristo, em mim, quem vai dispor os tijolinhos de meus esforços diários; Ele é o Arquiteto do Templo que lhe edifico silenciosamente.
Desligo-me de toda ansiedade e preocupações. Atenta e responsável a tudo que me incumbe e me é possível, não deixo pendências que me perturbem depois. Tenho inteira confiança nas Leis de Deus, ativas no Micro e no Macro. Entrego-me à direção de meu verdadeiro Ser, sobreposta que estou aos pensamentos negativos e sentimentos de medo e restrição. “Quem deseja salvar sua alma é quem a perde”.
Aqui e agora busco a Deus e seu Reino no íntimo de todas as coisas e pessoas. Aqui e agora, sou feliz!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1970)
Preparação para se encontrar com o Mestre, um Adepto da Ordem Rosacruz
O Estudante dos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz recebe a instrução de que num certo ponto de seu desenvolvimento espiritual encontrará o Mestre, um Adepto da Ordem Rosacruz, que é uma das Escolas de Mistérios Menores que trabalham incessantemente pelo progresso evolutivo da humanidade. Quando o Aspirante tenha feito suficiente progresso na senda da conquista espiritual, como para merecer a assistência individual de um Ser tão augusto, lhe é dada a necessária assistência a fim de dar passos ulteriores, adiante e acima.
A nota-chave da Senda Rosacruz de Aquisição, na qual o Estudante a seu tempo encontra o Mestre, é “serviço amoroso e desinteressado aos demais”, e a divisa dada como guia é: “Mente pura, Coração nobre e Corpo são”. Para alcançar o florescimento de consciência necessária para chegar à plenitude destes ideais, o Aspirante deverá seguir uma regra de conduta designada pelos Sábios para seu próprio benefício.
Primeiramente, após obter alguma compreensão das leis divinas que governam nosso universo, vem uma dedicação consciente e uma vida de conformidade com estas leis. Para observar esta dedicação requer-se autodisciplina e sacrifício, uma purificação dos Corpos e da Mente e o uso da vontade para desenvolver as faculdades internas latentes em todo ser humano.
Entre os primeiros passos específicos da Senda, baseados na aceitação da unidade de toda a Vida e a santidade dessa Vida, estão a abstinência de comer a carne de nossos irmãos menores, os animais, de usar couro, peles e plumas ou qualquer outro produto que utilize partes dos Corpos dos nossos irmãos menores, os animais (mamíferos, aves, peixes e quaisquer outros ser vivo dessa onda de vida) ou, ainda, que sejam sacrificados em testes para a obtenção desses produtos. A abstinência do uso do tabaco e de quaisquer bebidas alcoólicas segue à compreensão de que o Corpo é o templo do Espírito que mora em nós — o Deus Interno. Até que o Aspirante desenvolva a consciência de largar facilmente e voluntariamente estas práticas prejudiciais, não deve esperar que o Mestre seja atraído para ele.
O neófito que tenha entrado na Senda da Aquisição Espiritual deve também começar a conservar a divina força criadora interna, antes de que possa fazer maior progresso espiritual. Mediante o sacrifício e a vida reta (incluindo o reto sentir e o reto pensar), deve purificar e elevar este fogo criador ao cérebro, onde pode ser usado e convertido em poder anímico por meio dos órgãos espirituais, a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário. Todo trabalho criativo (serviço), incluindo o trabalho físico, a composição musical e artística, a arte de escrever e as ciências materiais, elevam a força ou fogo criador a canais superiores. Todo Aspirante deveria dedicar uma parte de seu tempo a tais atividades criadoras.
Devem ser praticados diariamente esforços para controlar as emoções e sentimentos, transformando-os em canais construtivos. A perda da paciência é muito prejudicial para o crescimento interno: é dissipação em grande escala de energia que pode ser proveitosamente usada no serviço. Mais ainda, envenena o Corpo, arruína-o e obstaculiza enormemente a aquisição. Todo Aspirante sincero luta por dominar sua natureza de desejos, mediante o seguimento dos preceitos do Mestre dos Mestres, Cristo-Jesus, quem manda que amemos a nossos inimigos, que façamos o bem a quem nos aborrece e que amemos a nosso próximo como a nós mesmos. Com o tempo se converterá em um guardião seguro de seu poder de pensamento, por meio do qual poderá formar ideias exatas, que estarão imediatamente prontas para cristalizar-se em coisas úteis.
Como ajuda específica para os que estão no Caminho, a Fraternidade Rosacruz dá dois exercícios, conduzindo ambos à intuição e à visão espiritual. Um é chamado Concentração, e para maiores resultados deveria ser praticado imediatamente ao despertar de manhã. Desenvolve o controle e o poder de pensamento, essenciais para desenvolver os poderes do Espírito para dirigir a vida em direção a metas escolhidas. O segundo exercício chama-se Retrospecção, devendo ser executado cada noite precisamente antes de recolher-se. Desenvolve a devoção, a compaixão e as outras qualidades do coração, especialmente necessárias para aqueles que se encontram no caminho do ocultismo.
Ao Estudante da Fraternidade Rosacruz aconselha-se que faça seus exercícios no retiro e na solidão de sua própria habitação. Pode ser que os resultados sejam obtidos mais lentamente por este método, mas quando aparecerem se manifestarão como poderes cultivados por si mesmo, usados independentemente das demais pessoas. Este método constrói o caráter ao mesmo tempo que desenvolve as faculdades espirituais e assim protege o discípulo de cair na tentação de prostituir os poderes divinos por prestígio mundano.
O tempo requerido para obter resultados da execução dos exercícios varia de acordo com cada indivíduo e depende de sua aplicação, seu estudo evolutivo e de seu registro no Livro do Destino ou Memória da Natureza. Por conseguinte, não é possível fixar-se um tempo determinado. Alguns, que estão quase prontos, obtêm resultados em poucos dias ou semanas, outros têm que trabalhar por meses, anos, ainda sua vida inteira sem resultados ‘visíveis’. Não obstante resultados estarão ali e o Aspirante que fielmente persista, contemplará, algum dia, nesta ou numa vida futura, a recompensa de sua paciência e fidelidade.
O Estudante deveria ter sempre presente que está sendo emancipado da dependência dos demais. Está sendo educado, fortalecido e convertido em um colaborador altamente confiante em si mesmo, da vinha de Cristo. Assim está aprendendo a caminhar sozinho sob todas as circunstâncias, a fazer frente a todas as condições e a render sabiamente o serviço amoroso, que dele se requer. Os Mestres não podem fazer por nós as boas obras requeridas para o crescimento anímico, nem as assimilar, nem nos dar para usar o poder resultante, assim como não podem nos dar fortaleza física comendo nossa comida.
Através de seu treinamento para uma consciência espiritual mais elevada, o neófito deve cultivar o amor e a fé como princípios governantes de sua existência. Não pode esperar converter-se em Discípulo de um Mestre que está representando uma certa Ordem, se não tem fé nesta Ordem e se não tem o valor e a fortaleza para resistir à investida do inimigo. Será provado uma e outra vez em seus pontos mais débeis, seja o egoísmo, o egocentrismo, os ciúmes, a intolerância, o amor ao poder, a vaidade, etc. As particulares tentações, quando vencidas, servirão como degraus para subir mais acima. Ao fazer frente a estas provas e tentações, não deve perder de vista a máxima que diz: “Não existe fracasso, senão em deixar de lutar”. Ao fracassar, deve tentar de novo, ou do contrário não haverá graus que subir. O ser humano deve elevar-se a si mesmo. Mesmo que possa receber ajuda dos Seres Superiores, ninguém pode fazer seu trabalho espiritual por ele, e quando tenha aceso a chama do Espírito ao escolher este caminho, não pode voltar atrás. Deve prosseguir. A guerra do eu superior e inferior traz desarmonia e dor, mas neste crisol das experiências diárias arde o fogo do Espírito sobre as escórias. Desta forma o neófito aprende a parar de responder ao lado da forma da vida, o qual é um véu que oculta a Luz de Deus, e começa a abrir-se rumo ao superior.
Jesus Cristo disse a Nicodemos: “Vos é necessário nascer outra vez”, e isto se aplica ao Aspirante que se prepara conscientemente para encontrar o Mestre que está guiando e ajudando o neófito da Escola Rosacruz.
Com referência ao Mestre e a relação do neófito com Ele, Max Heindel nos diz: “Favor recordar que havendo vindo como resposta à oração (a qual não é apenas palavras, senão uma vida de aspiração), o Mestre dá prova indiscutível de Seu poder e capacidade de ensinar, guiar e ajudar. Então, fazemos o pedido de que em diante deve-se ter absoluta fé nele; do contrário torna-se impossível para ele trabalhar com o Aspirante. O Mestre deve provar sua capacidade e a provará. Ele é conhecido por seus frutos, e a sua vez pede lealdade. A menos que esta fé, esta lealdade, esta prontidão em servir, esta vontade de fazer o que se requer, venha do Aspirante, a relação terminará. Além disso, não há perigo de que o Mestre descuide de alguém que tenha alcançado o desenvolvimento requerido. Toda boa e desinteressada ação aumenta a luminosidade e poder vibrante da aura do candidato enormemente, e tão seguramente como o ímã atrai a agulha, assim o brilho da luz áurica atrai o Mestre”.
“O Aspirante nunca deve temer que por falta de um Mestre seja demorado em dar os passos espirituais; nem necessita preocupar-se em buscar um Mestre. Tudo o que é necessário para ele é começar a melhorar-se a si mesmo e, seriamente e persistentemente, continuar assim. Desta forma purificará seus veículos. Estes começarão a brilhar nos Mundos internos e não pode deixar de chamar a atenção do Mestre, que está sempre buscando estes casos e está mais que ansioso e alegre em ajudar àqueles que, às custas de seus sinceros esforços pela purificação de si próprios, obtiveram o direito de receber ajuda. À humanidade está urgentemente necessitada de auxiliares que sejam capazes de trabalhar nos mundos internos; portanto, ‘buscais e encontrareis’”.
(Publicada na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – mai/jun/88)