Arquivo de categoria Método e Leis cósmicas que regem a evolução

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

O Significado Místico da Rosa

O Significado Místico da Rosa

Uma das mais queridas flores que o nosso Criador nos deu foi a Rosa. Por meio do consenso geral ela tem sido escolhida como a mais bonita entre as filhas de Flora. Na história de nossa raça, encontramos a Rosa associada à corrente de mil capítulos e, embora seja considerada nativa do Leste, atualmente participa da universalidade, abrindo suas pétalas ao Sol de praticamente todas as nações.

A sacralidade da Rosa tem sido sentida e reconhecida durante épocas passadas, desde as primeiras inscrições sobre pedras e peles, pelos nossos ancestrais das cavernas, até as inspirações imortais de Dante, Burton e Corelli. Muitos dos antigos encaravam a Rosa como emblema do silêncio, do amor, da alegria e da reserva.

Pode-se dizer que a Rosa representa o ápice do crescimento, da expansão e da evolução no reino vegetal. Através de muitas eras veio a assumir a presente perfeição de graça, beleza e fragrância de tal modo que hoje seja considerada o símbolo da alta espiritualidade — até mesmo do próprio Espírito, como está evidenciado na afirmação do Conceito Rosacruz do Cosmos de que a Cruz é representada com “uma única rosa no centro, simbolizando o Espírito que irradia de si os quatro veículos: o Corpo Denso, o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, mais o veículo Mente”.

Cada pétala amorosa da Rosa, desprendendo o seu perfume místico, pode ser comparada ao crescimento anímico que surge por intermédio dos desejos, dos anelos, das aspirações e dos sofrimentos do Espírito habitante, vida após vida. A Rosa, assim como o Espírito Virginal, desabrocha e se desenvolve no sentido da perfeição. A fragrância apurada dessa flor encantadora lembra-nos do poder sagrado que se acha dentro do ser humano e que o impele a descobrir a realidade das coisas invisíveis.

Do mesmo modo como a Rosa expõe o seu coração ao Sol físico, assim o ser humano, o Espírito habitante e individualizado, volta-se para a Luz da Verdade espiritual, enquanto tudo ao seu redor denota escuridão e desespero. Na medida em que implora no Umbral Divino, pode-lhe surgir repentinamente aquela iluminação maravilhosa, limpadora e inspiradora.

Todas as perfeições físicas acabam desaparecendo; mas as virtudes divinas são infinitas. Os que forem subordinados à Beleza Espiritual deixarão uma herança duradoura. Assim como a Rosa, com sua beleza e fragrância, trouxe felicidade e alívio ao sofrimento do mundo físico, assim também o Espírito, manifestando-se a partir dos planos invisíveis, trouxe elevados conceitos e ideais para a humanidade. No grande Jardim do Senhor existem infinitas variedades de Suas flores; mas através de toda a variedade de raças, religiões e línguas permanece o fio condutor do progresso em direção ao próprio Ideal.

Cada ser humano é uma Semente no Grande Jardim do universo de Deus e, quando nutrida com amabilidade, desprendimento e compreensão, cresce e floresce até se tornar uma flor humana de estatura divina, não importando quanto tenha sido gravemente ferida pelas tempestades da intolerância, do preconceito e do fanatismo. Dessa maneira está surgindo uma Nova Raça, raça essa que está sendo preparada para viver na Nova Era.

“A rosa, como qualquer outra flor, é o órgão reprodutor da planta. Sua haste verde conduz o sangue da planta, incolor e desapaixonado. A rosa de cor sanguínea revela a paixão que se incorpora ao sangue da raça humana; na rosa, porém, o fluído vital não é sensual: ele é casto e puro. Assim, é um símbolo excelente do órgão reprodutor no estado puro e santo que muitos atingirão quando tiverem limpado e purificado o sangue dos desejos, quando se tornarem castos, puros e iguais ao Cristo.” — MAX HEINDEL

(Publicado na Revista Rosacruz de agosto de 1970)

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Vida, Vida, Vida…não existe a morte!

Vida, Vida, Vida…não existe a morte!

Mês de novembro. Aqueles que professam o Cristianismo popular reverenciam pungentemente seus mortos. Nós, Estudantes da Filosofia Rosacruz, tributamos nosso respeito a essa atitude; porém não a imitamos. Compreendemos o significado da chamada “morte”. Sabemos que seja um processo natural dentro do fluxo evolutivo.

Sob o ponto de vista oculto, somos, antes de mais nada, Espíritos, partes integrantes de Deus, células divinas. Sendo assim, encontramo-nos dotados, em forma latente, de todos os atributos divinos. Assim como uma gigantesca árvore encontra-se potencialmente numa minúscula semente, da mesma forma Deus está em nós e nós, NELE. Possuímos, entretanto, essa energia ainda em fase estática. Cumpre-nos dinamizá-la para emergirmos da impotência para a onipotência.

Um axioma científico assevera que a função cria o órgão. Os atributos inerentes ao Espírito necessitam ser despertados e exercitados. Além disso, todo crescimento anímico é promovido através da experiência. Eis porque, como Espíritos, procuramos meios para expressar e desenvolver nossas divinas faculdades. Os meios aludidos são os nossos veículos e dentre eles aquele que presentemente nos é mais útil é o Corpo Denso, formado de matéria química.

A “morte”, dentro do conceito popular, diz respeito ao fenômeno da paralisia total e definitiva do Corpo Denso e sua posterior decomposição, após o sepultamento.

Esse fato, encarado com horror pela maior parte da humanidade, é um processo natural. O veículo denso, como meio de expressão do Espírito na Região Química do Mundo Físico, presta relevantes serviços à causa evolutiva; porém, com o decorrer dos anos ele paulatinamente se cristaliza, até chegar a um estado em que se torna praticamente inútil, deixando de proporcionar as experiências requeridas pelo ser em evolução. A Chispa Divina é obrigada a abandoná-lo, adentrando então nos Planos internos da natureza (imperceptíveis aos sentidos físicos), onde durante muito tempo assimilará o valor educativo da última encarnação. O corpo, despojado das forças que o animavam, dissolve-se, retornando à economia da natureza. Esse retorno periódico da matéria à substância primordial habilita o ser a evoluir. Se o processo de cristalização prosseguisse indefinidamente, ofereceria um terrível obstáculo à evolução do Espírito. Quando a matéria se cristaliza a ponto de tornar-se demasiada pesada e dura, o ser espiritual, não podendo manejá-la livremente, retira-se para recuperar a energia exaurida. No entanto, retornará futuramente acrescido de novos conhecimentos e experiências, ocupando novas formas, recomeçando seu período de aprendizado no Plano terrenal.

A frase “quanto mais amiúde morremos, tanto melhor viveremos” considera-se um axioma. Goethe, o poeta Iniciado, disse: “Quem não experimenta morrer e nascer para a vida, sem interrupção, sempre será um hóspede triste sobre esta terra infeliz.”. São Paulo afirmou: “Eu morro todos os dias”.

Neste mês em que se pranteia os chamados “mortos”, lembremo-nos mais uma vez: a morte não existe.

No universo de Deus só há uma realidade absoluta: VIDA, VIDA, VIDA…

(De Pereira dos Santos, publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro de 1970)

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O Ressentimento e o Perdão Terapêutico

O Ressentimento e o Perdão Terapêutico

A personalidade “tipo fracasso”, quando procura uma desculpa ou bode expiatório para seu malogro, quase sempre culpa a sociedade, o “regime”, a vida, a sorte. Ela se ressente com o êxito e a felicidade dos outros porque constituem para ela uma prova de que a vida a está defraudando, que ela está sendo tratada injustamente. O ressentimento é uma tentativa de suportar seu próprio fracasso explicando-o em termos de tratamento injusto, parcial. Mas, como bálsamo para o malogro, o ressentimento é uma cura pior do que a doença. É um veneno mortal para o espírito, torna a felicidade impossível, consome tremenda dose de energia que poderia ser utilizada em realizações. E um círculo vicioso quase sempre se estabelece: o homem ou a mulher que traz consigo uma mágoa não é um companheiro ideal nem um agradável colega de serviço. Quando seus companheiros a evitam ou o chefe tenta apontar suas deficiências, ela vê aí motivos adicionais para ressentir-se.

O ressentimento é também um “meio” de fazer-se vítima importante. Ela sente uma perversa satisfação em sentir-se “injustiçada” e, considerando-se tratada iniquamente, sente-se moralmente superior aos causadores da injustiça.

O ressentimento é ainda um “meio”, ou tentativa, de atestar ou erradicar uma injustiça real ou imaginária que já tenha sido praticada. A pessoa ressentida está, por assim dizer, tentando defender a sua causa no tribunal da vida. Se ela puder sentir-se suficientemente ressentida e, por esse meio, “provar” a injustiça, algum processo mágico a recompensará, fazendo com que “se anule” o acontecimento ou circunstância geradoras do ressentimento. Nesse sentido, o ressentimento significa voltar a lutar, emocionalmente, contra alguma coisa do passado. Ora, a vítima jamais poderá vencer, porque está tentado o impossível — alterar o passado. E quando o ressentimento é muito forte e o caráter defeituoso, a vítima, percebendo essa impossibilidade, parte para a vingança, em que ela própria se imola nas consequências.

Cristo via e ensinava a ver o lado bom e belo de todas as coisas, porque sabia dos benéficos efeitos que isso produziria em nosso interior.

De fato, o ressentimento, mesmo quando baseado em injustiças reais, não é a maneira de vencer. Ele em pouco tempo se transforma em hábito emocional. E quando habitual, conduz invariavelmente à autocomiseração, que é o pior hábito emocional que alguém possa adquirir. Se esses hábitos chegaram a criar raízes, o indivíduo já não se sente mais natural ou “certo” quando eles (os hábitos) estão ausentes! A pessoa começa então a, literalmente, procurar por “injustiças”. Disse alguém que tais pessoas só estão bem quando se sentem desgraçadas.

Lembre-se o leitor que, em verdade, seu ressentimento não é causado por outras pessoas, acontecimentos ou circunstâncias, mas é resultado de suas próprias reações emocionais.

Você, só você, tem poder sobre isso. Só você pode dominar tais reações, convencendo-se de que o ressentimento e a autocompaixão não constituem caminho para a felicidade e o êxito, e sim para o fracasso e a infelicidade. A pessoa ressentida, sem o saber muitas vezes, confia aos outros as rédeas de sua vida. São os outros que ditam como ela se deve comportar ou sentir; tal qual um mendigo, ela depende totalmente dos demais. Faz, aos que a cercam, pedidos e exigências descabidas — principalmente aos que a feriram — e se todos se dedicarem à tarefa de a tornar feliz, ela se ressentirá quando isso não acontecer. Quando sentimos que as outras pessoas nos devem eterna gratidão, imorredoura apreciação ou contínuo reconhecimento pelo nosso imenso valor, experimentamos ressentimento quando esse “débito” não é pago.

O ressentimento é, portanto, incompatível com a busca de objetivos criadores. Na busca desses, você é o autor, não o recipiente passivo. Você é que deve estabelecer seus alvos. Ninguém lhe deve coisa nenhuma. Você persegue seus próprios objetivos. Você se torna responsável pelo seu próprio êxito e felicidade. O ressentimento não se enquadra nessa imagem e é, por isso, um “mecanismo de fracasso”. E como consequência vem o vazio interior. A vítima pode, apesar da frustração, da agressividade mal dirigida, do ressentimento, alcançar êxito aparente, conquistar símbolos externos de sucesso, mas quando vai abrir o longamente sonhado baú de tesouros, seja num outro amor, na fortuna, na fama, no poder, encontra o vazio, porque, ao longo do caminho percorrido, perde a capacidade de apreciar a vida e as pessoas.

Posso perdoar mas não posso esquecer — dizem alguns. O perdão, quando é completo, verdadeiro e esquecido — constitui o bisturi que remove o pus de velhas feridas emocionais, cura-as e elimina o tecido cicatricial. O perdão parcial ou tíbio não dá resultados. Também o perdão concedido como “dever” não é eficaz. Devemos perdoar e depois esquecer o fato e o ato de perdoar, porque o perdão que é lembrado, mantido no “pensamento, infecciona de novo a ferida que se pretende cauterizar. Se você se sente orgulhoso de seu perdão ou o relembra constantemente, isso é porque, com certeza, acha que a outra pessoa lhe deve alguma coisa por você a ter perdoado. Você perdoa-lhe a dívida, mas ao fazê-lo ela incorre em outra com você, mais ou menos como acontece com as reformas de promissórias. Há muitas ideias erradas sobre o perdão e um dos motivos por que seu valor terapêutico não tem sido devidamente reconhecido é que o verdadeiro perdão raras vezes é posto em prática. De nada vale orarmos diariamente, “perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos a nossos ofensores” se achamos que devemos perdoar para ser bons ou porque nossa posição de espiritualistas o exige como dever. Em verdade, os moralistas que têm ensinado esses conceitos deveriam haver dito: “devemos perdoar para ser felizes”. O perdão terapêutico extirpa, cancela, erradica a ofensa como se esta jamais houvesse existido, não porque decidimos ser generosos ou fazer um favor à pessoa que nos ofendeu nem porque lhe sejamos moralmente superiores. Cancelamos o “débito”, demos “quitação” dele, não porque ela nos quisesse pagar mas porque chegamos à conclusão de que a dívida não tinha razão de ser. O verdadeiro perdão ocorre somente quando conseguimos ver e emocionalmente aceitar, o fato de que não há, nem nunca houve, nada que perdoar. Que não devíamos ter condenado ou odiado a outra pessoa. Se perdoamos é porque condenamos, porque chegamos a odiar.

Não se diz nos evangelhos que o Cristo perdoou a mulher adúltera, porque também a não condenou. Apenas lhe disse: Vai e não peques mais. Erramos quando odiamos alguém por causa de seus erros, confundindo o espírito com seu comportamento transitório; erramos quando mentalmente estipulamos uma dívida que a outra pessoa deve pagar para voltar a gozar de nossas boas graças ou voltar a ser emocionalmente aceita por nós. Será feliz, terá mais saúde e paz interior quem praticar o perdão terapêutico ensinado por Cristo naquela frase do “Pai nosso”. Essa é a única forma de perdão que realmente “dá certo”.

Finalizando, queremos considerar que não somente recebemos ferimentos emocionais de outros, como também de nós próprios. E então, se somos negativos, nos flagelamos pela autocondenação, o remorso e o arrependimento com excessivos sentimentos de culpa. Passados dos limites do reconhecimento racional, o remorso e o arrependimento são uma tentativa de viver no passado, uma tentativa de corrigir o passado, de vez que seus efeitos nos dificultam reagir adequadamente ao nosso ambiente atual. Devemos saber também perdoar-nos, esquecendo o fato passado e dele extraindo apenas a experiência, em forma de consciência, para corrigir no presente e no futuro as mesmas tendências. Nunca diga de si mesmo: “sou um fracasso”, “não valho nada”, ou: “a vida não presta”. Não se confunda com os erros. Como espíritos estamos ensaiando, raciocinando e aprendendo. “O único pecado que existe é a ignorância e o único fracasso é deixar de lutar”. Quando você afirma ser um fracasso é o mesmo que considerar seu espírito um fracasso. Ora, nosso espírito é algo feito à imagem e semelhança do Criador, com todas as virtualidades latentes de Deus para serem desenvolvidas, assim como a semente contém em si as possibilidades de tornar-se numa árvore. Você não é seus erros. Você comete erros porque é humano e imperfeito. Os erros não fazem você. Se a ciência não aceitasse a evidência de novas e mais altas verdades, ainda que modifiquem todas as anteriores, ela estaria destinada ao fracasso. Também nós, assim. Portanto, nossa atitude correta deve ser esta:

1) Façamos a relaxação das tensões negativas, para evitar a formação de cicatrizes daremos exercícios nesse sentido;

2) Realize o perdão terapêutico para remover cicatrizes antigas;

3) Dote a si mesmo de entendimento para formar uma camada protetora à sua hipersensibilidade, à sua facilidade de magoar-se (mas não uma carapaça de indiferença!);

4) Viva criativamente, procurando realizar algo construtivo, de acordo com suas inclinações;

5) Não receie ser ferido e com isso evitar os demais. Disponha-se a ser um pouco vulnerável. A indiferença ou o isolamento não fazem crescer a alma.

6) Tenha aspiração presente e confiança no futuro;

7) Extraia a essência de bem do passado, dele não guardando nenhum ressentimento.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1967)

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Onde está o Templo de Deus

Onde está o Templo de Deus

O rei David louvava a Deus pela maravilhosa obra que Ele, o Pai, ajudou ao ser humano realizar, dizendo: “Louvar-te-ei porque Tuas obras são formidáveis e maravilhosas. Estou deslumbrado e minh’alma o sabe muito bem. Não foi encoberto de Ti o meu corpo, quando no oculto foi feito e entretecido nas profundezas da Terra”. O corpo humano, “o Templo de Deus” referido por São Paulo apóstolo, é o mais valioso instrumento do ser humano, porque por meio dele o Espírito (nós), como manifestação da Chispa divina, obtém experiência.

Entretanto, o que faz a maioria dos homens e das mulheres, deste divino Tabernáculo? Transformam-no em um covil de vícios, maus hábitos e baixos desejos. Muitos ignoram a sublimidade de sua origem e o elevado custo de seu desenvolvimento passado e, cegados pela ilusão dos sentidos e convicções materialistas buscam tirar dele o que chamam de proveito e embrutecem-no lamentavelmente! Outros, entretanto, sabem o que ele representa, como obra divina, como laboratório cuja perfeição de funcionamento sabem que não se deve a automatismos, senão à ação de Inteligências Superiores e regência de leis naturais imutáveis. No entanto, abusam conscientemente, em desafio a essas mesmas divinas leis, cuja desobediência suscita enfermidades e todo um cortejo de dores. Aliás, os sinais dessa desobediência podem ser devidos a transgressões dessa vida ou de existências anteriores.

Segundo os Rosacruzes, a saúde total abrange não só o físico, senão também e, principalmente, o comportamento emocional e mental, donde geralmente afloram as causas dolorosas de nossas enfermidades. Nesse amplo sentido, todos somos enfermos, em maior ou menor grau e se desejamos recuperar a saúde e conservá-la, precisamos conhecer e respeitar esses princípios fundamentais e regular, por eles, os nossos hábitos todos.

O Adorável Mestre Cristo-Jesus ressaltou bem a origem de nossas enfermidades ao paralítico já curado por Ele: “Eis que já estás são. Vai e não peques mais para que te não suceda alguma coisa pior”.

Note-se que até o próprio Senhor não ousava quebrar as leis naturais e não podia assegurar saúde permanente, se aquele que a recebesse não deixasse os maus hábitos e vícios transgressores da harmonia cósmica, essa harmonia presente tanto nos Astros como no corpo humano, no macro e no micro e na relação entre toda a criação.

A Fraternidade Rosacruz nos leva a conhecer essas leis, tornando-se, com todo o respeito que tem à liberdade individual, um luminoso caminho de regeneração humana. Por isso recomenda adoção de uma dieta racional, rica em frutas, legumes, verduras, nozes, cereais integrais, leite, queijo, ovos. Alimentação isenta de elementos prejudiciais (carnes de toda a espécie) sem excesso de massas, senão equilíbrio de vitaminas, sais minerais e proteínas, formas saudáveis de preparo, quantidade e qualidade condizentes com o tipo físico, tipo de atividade, clima etc.. Uma alimentação cheia de elementos prejudiciais mostra os efeitos nocivos da ira, da apreensão, da angústia, do medo, da crítica ferina, da inveja, do ciúme, do orgulho e de todas as demais ramificações irmãs dessa hidra tenebrosa que generalizamos pelo nome de egoísmo. Não apenas tudo isso nos prejudica a saúde e a paz interior como, por decorrência, retarda nosso avanço espiritual.

A Filosofia Rosacruz nos leva a compreender nossa verdadeira identidade, como Espíritos, herdeiros de Deus, cidadãos celestiais, em peregrinação e aprendizagem nesse plano, ao qual não nos devemos apegar e cujos elementos têm apenas utilidade transitória, como fatores de experiência, aprendizagem e crescimento interno, que se converterão em faculdades criativas em nossas condições superiores do futuro.

Reconhecendo as manhas e dificuldades impostas por nossa natureza inferior, embora de existência transitória, mas que pode nos atrasar perigosamente no Caminho, ensina-nos o mecanismo de nossas emoções e pensamentos e dá-nos um método racional e seguro de libertação, pela disciplina desses corpos e domínio de nós mesmos.

Conheça, pois, caro leitor, essa formosa e lógica filosofia que a todos nós tem trazido imensos benefícios e a qual desejamos estender a tantas pessoas que nos seja possível alcançar, de modo a suscitar-lhes os pendores naturais bons, espirituais, que jazem adormecidos em seu íntimo e armá-los com discernimento e amor para a luta e gradativa vitória contra a tenebrosa natureza inferior, rumo ao alvorecer de um novo e radioso dia, à realização de um novo homem e uma nova mulher, identificados com a luz, com a eterna e verdadeira fonte de que promanaram. Como diz o Novo Testamento: “Deus é Luz. Quem anda na luz está com Deus e Deus nele”, “E já não será mais ele que vive, senão o Cristo em seu interior” o qual se dará sem medidas e por ele fará as mesmas obras e maiores ainda do que as que realizou na Terra”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1968)

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A Missão Rosacruz na época moderna

A Missão Rosacruz na época moderna

Há pouco tempo, pela primeira vez, tivemos a oportunidade de ler um exemplar do informativo “Echoes” de Mount Ecclesia, publicado pela Fraternidade Rosacruz, Oceanside, Califórnia, EUA. O que nos despertou mais a atenção, afora o noticiário sobre os trabalhos e atividades, foi a seção onde são publicadas as cartas enviadas à Sede Mundial por estudantes Rosacruzes de todas as partes do mundo. Lendo e analisando profundamente aquelas palavras repletas de gratidão e entusiasmo, pudemos verdadeiramente aquilatar quão imensos são os benefícios físicos e espirituais auferidos por aqueles que se interessam e se dedicam aos ensinamentos Rosacruzes. Em cada frase notamos um sentimento de alívio, de otimismo, de renascimento de esperanças, e o que é assaz importante, um sentimento de libertação.

Se a liberdade física é um sagrado e inalienável direito do ser humano, quanto mais a liberdade do espírito, o qual constitui o ser real. Mas, grande parte da humanidade ainda permanece agrilhoada a preconceitos obsoletos, a ideias estacionárias e os problemas sócio-espirituais tornam-se cada vez mais complexos e intrincados.

Justamente nesse aspecto é que realçamos a missão da Fraternidade Rosacruz, num mundo onde cada indivíduo procura desesperadamente, além de si, aquilo que em si mesmo possui, isto é, a força espiritual capaz de despertá-lo desse sono mortal, de torná-lo consciente de que é uma parcela viva do macrocosmo, e como tal, transpor os obstáculos que os erros humanos procuram erguer.

É nobre e de grande responsabilidade a obra encetada por Max Heindel, mormente na época atual, em que o ser humano, escravo das próprias imperfeições, procura solver seus problemas utilizando meios inadequados, tristes paliativos para uma triste situação. É necessário sacudi-lo, para que ele inicie verdadeiramente a espiral da evolução, consciente da realidade espiritual, de que a morte do corpo físico não exprime a realidade, de que o aquém e o além não existem: existe o todo. É mister que ele venha a compreender e integrar-se nas leis da criação, pois somente assim seu espírito viverá na luz da verdade, admitindo ser uma célula atuante no corpo maravilhoso que é a comunidade universal.

E a Fraternidade Rosacruz deve ser vanguardeira nessa luta, usando como armas, o próprio lema, a própria tônica e os maravilhosos ensinamentos Rosacruzes, essas joias de inestimável valor que Max Heindel nos legou.

A Fraternidade Rosacruz deve tornar-se a precursora de uma nova era, e, para tanto, é necessário que cada estudante contribua com algo de si mesmo para o êxito dessa dignificante missão. Cada qual pode colaborar de múltiplas maneiras, pois o essencial é o sentimento que dinamiza essa cooperação. Um esforço sincero e impessoal, por menor que seja, sempre terá o seu valor.

Paralelo ao esforço conjunto, deve prosseguir o crescimento individual, por meio do estudo, da meditação, do aprimoramento da razão e da compreensão das leis que regem o universo, pois, quanto mais belas forem as pérolas, tanto mais belo será o colar.

Todos os Estudantes da Filosofia Rosacruz, cônscios do papel a desempenhar nesse movimento de regeneração espiritual, devem empregar o máximo de suas energias e faculdades a fim de que o objetivo em mira seja alcançado, pois assim, irmanados pelo desejo de servir a humanidade, um dia poderão ver todos os seres humanos empunhando a taça da harmonia.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz de novembro/1966)

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O Hipnotismo, um cerceamento e violência à sagrada liberdade individual

O Hipnotismo, um cerceamento e violência à sagrada liberdade individual

Nos ensinamentos que promulga, a Fraternidade Rosacruz leva acima de tudo a liberdade humana. Sua mensagem é, sobretudo, de libertação. Como o hipnotismo representa um cerceamento e violência a essa liberdade, a Fraternidade Rosacruz o desaprova terminantemente. Porque o hipnotismo é um cerceamento e violência à sagrada liberdade individual, explicaremos no decorrer desta exposição.

Muitas pessoas, ao tomar seu primeiro contacto com a Fraternidade e receber as instruções preliminares, estranham que vedemos a inscrição a hipnotizadores, médiuns, videntes, quiromantes e astrólogos profissionais. Explicamos: são práticas que agridem a liberdade do espírito interno, que mercantilizam e prostituem forças divinas. Isso dizemos porque a realidade mesma, observada dos planos internos, nos autoriza a proteger a boa fé e ignorância de muita gente a respeito desses assuntos.

Do ponto de vista da ciência materialista, o ser humano é considerado simplesmente como algo físico, um corpo organizado, não um ser espiritual a manipular uma complexa instrumentação mental, emocional, etérica e química. Esses conceitos materialistas são divulgados tanto nos livros e escolas que, ao atingirmos a fase adulta e começarmos a estudar o ocultismo, surpreendemo-nos muitas vezes com a insidiosa influência dessas ideias, gravadas em nós desde a infância. Sabemos da Bíblia, aprendemos catecismo em pequenos, ouvimos muitas vezes as inúmeras e claríssimas asserções de que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, de que a vontade de Deus é que atinjamos a perfeição, de que as coisas que o Cristo fazia nós as faremos também e maiores obras ainda, além de um sem número de afirmações, segundo as quais vemos que somos seres espirituais, herdeiros das promessas divinas. No entanto, passemos os olhos ao nosso redor. Vejam quanta gente agitada, convulsionada, nervosa, lutando desesperadamente numa competição muitas vezes injusta, anticristã, no afã de quê? Ficar rico? “Gozar” a vida? “Assegurar” o futuro? Onde a fé, onde a confiança em Deus, onde a convicção de que, à morte, tudo deixamos aqui, levando apenas a essência do que tenhamos FEITO de bom ou de mau?

É lógico que ninguém poderá fazer as coisas que o Cristo fez e obras maiores ainda, segundo nos afirmam os Evangelhos, se não for pelo renascimento, que permite o aperfeiçoamento gradativo, pois ninguém pode realizar esse gigantesco intento em uma só existência. É lógico que, se há “céus”, se há um plano imaterial, suprassensível, um mundo invisível aos nossos olhos físicos, esse mundo que é a origem de tudo, o mundo das causas, nenhum assunto poderá ser inteiramente considerado e compreendido, se não for abordado em seus aspectos físico e espiritual, devendo haver entre ambos os aspectos inteira coerência, pois no reino de Deus não existe contradição.

Com esse preâmbulo, voltemos ao tema do hipnotismo.

Que é ele?

Consiste em, por meio de passes à cabeça ou por meio de toques em certos pontos vitais, EXPULSAR o éter da cabeça da vítima, introduzindo ali, em substituição, por meio da vontade, o próprio éter (do hipnotizador). Nessa condição, fica o paciente privado de consciência, do crivo da razão, que o torna ser humano, ser racional, capaz de analisar, rejeitando ou aceitando o que lhe é proposto. No transe hipnótico, temos de obedecer ao que nos for ordenado. Depois a “ordem” ficará gravada através de um pequeno resíduo do Corpo Vital do hipnotizador na medula oblonga da vítima, como elos, como cordéis pelos quais o hipnotizador poderá atuar na vítima enquanto viver. O hipnotismo é perigoso, mormente nas mãos de pessoas inescrupulosas. Difundido como está, infelizmente até por certas escolas ditas espiritualistas, pode ser um instrumento de domínio, de exibição de falsos poderes, com propósitos egoístas, dando geralmente causa à idiotia em vida futura. Muitos Egos, privados numa vida de seu livre arbítrio, vinculados e aprisionados num corpo demente, de cérebro deformado, sem possibilidade de expressão natural, mostram as causas de sua enfermidade nos maus aspectos de Netuno, que rege as faculdades espirituais. Embora não seja uma forma grave de magia negra, traz essa consequência num destino maduro. Contudo, por isso não devemos concluir que todos os casos de idiotia congênita se devem a essas práticas em vidas anteriores, porque existem outras causas.

Para se ter uma ideia próxima de como se desloca a parte etérica, tomemos o exemplo de um fenômeno comum, como o do adormecimento de um braço ou de uma perna. Uma posição forçada, dificultando a livre circulação do sangue e do fluido vital, provoca o deslocamento do Éter. Em tais casos, vemos o braço ou a perna etéricos flutuando sobre o braço ou a perna material, respectivamente, até que, pela normalização da circulação do sangue, os pontos vitais de novo se introduzem no membro, dando causa, com sua entrada, àquela sensação de “formigamento”. No caso da hipnose, não se dá o formigamento porque a parte vital retirada da cabeça é substituída imediatamente por éter do hipnotizador, durante o transe.

Muitos objetam, embora, sabendo disso, que em certos casos o hipnotismo se justifica, como, por exemplo, na medicina ou em odontologia, para tirar o dente, sem dor, de pessoas que têm alergia por injeções, que têm males de coração, etc. As correntes médicas especializadas no assunto se dividem, pró e contra sua aplicação. A maioria dos psicanalistas já condenou o seu emprego nas sessões, para descobrir a causa dos traumas. Julgam eles, mui acertadamente, que o paciente deve ter consciência da causa e por si mesmo, com orientação do médico ou sem ela, erradicar o trauma.

Do ponto de vista oculto, é evidentemente errado tratar de curar um hábito, como o da bebida alcoólica, pelo hipnotismo. Encarado do ponto de vista de uma só vida (daí a ciência material e as igrejas cristãs populares muitas vezes concordarem com o hipnotismo) o tratamento pela hipnose pareceria justo e eficiente. Senta-se o paciente numa cadeira, faz-se-o dormir e dão-se-lhe certas sugestões. Desperta-se-o e quando se põe de pé, já está curado de seu mau hábito. De alcoólatra que era, converte-se num cidadão respeitável, que cuida bem de sua esposa e filhos e segundo todas as aparências o benefício obtido é inegável.

Mas se contemplamos as coisas do ponto de vista mais profundo, o do ocultista, que vê os dois planos e contempla esta vida como uma dentre muitas, que toma em consideração o efeito causado nos veículos invisíveis dessa pessoa, então o caso é completamente diferente. Quando se submerge uma pessoa no sono hipnótico, na forma já descrita, além de privá-la da livre escolha, impõe-se-lhe uma ordem, não uma simples sugestão e o paciente não tem outro remédio senão obedecer, mormente quando se repetem os transes, porque fica um resíduo do manipulador, para agir dentro do indivíduo. É como que, para usar uma comparação, uma pequena parte do magnetismo infundido num dínamo elétrico, que nele fica sempre e com o qual pode ser posto em movimento. Assim, o resíduo etérico do hipnotizador, dentro da vítima, cresce em proporção e poder, com a repetição dos transes a que for submetido pela mesma pessoa. Concluímos, pois, que a vítima de um hipnotizador não vence um mau hábito por sua própria vontade e força, senão pela imposição da vontade de outra.

Quando regressa à terra, em próximo renascimento, terá as mesmas debilidades que não venceu e terá de novamente lutar consigo mesmo, até vencer-se.

Alguém poderá contestar que uma sugestão não prejudica, pois, a vida inteira passamos a receber sugestões por meio de livros, de cinema, de pessoas, etc. Mas é um caso muito diferente, porque em tais circunstâncias a pessoa está de posse de sua razão, com direito de aceitar ou rejeitar a sugestão. Se se trata de uma pessoa de forte personalidade, diante de outra, de vontade débil, essa sugestão poderá assumir quase o caráter de uma imposição. Mas essa influência a moverá somente quando atender-lhe à natureza. Uma pessoa comum, numa assembleia onde todos estejam vibrando em uníssono numa mesma ideia, ou num comício onde um líder consiga inflamar a maior parte dos ouvintes com suas ideias, ou numa parada patriótica onde se exaltem os sentimentos de patriotismo, poderá afetar-se momentaneamente, deixar-se levar pela força da egrégora. Mas depois, consigo mesmo, voltará à tônica de seu modo de ser. No hipnotismo é diferente: fica uma influência, uma imposição estranha.

Por oportuno, lembremos o que diz Max Heindel em “O Conceito Rosacruz do Cosmo”, obra básica da Filosofia Rosacruz: “O método Rosacruz difere de todos os outros métodos num ponto especial: procura, desde o princípio libertar o aspirante de todas as limitações internas e externas, ajudando-o a conquistar o pleno domínio de si mesmo, pois só em tais circunstâncias poderá “efetivamente ajudar os demais”. Já soubemos de outras organizações com nome de Rosacruz, (não a de Max Heindel, ligada aos Irmãos Maiores da Ordem), que facilitam meios de exercer poder sobre os semelhantes. Do ponto de vista oculto e do Bem, é repreensível, mas os Irmãos Maiores têm isso a seu cuidado, como guardiães e vigilantes de tudo o que é perigoso na evolução humana. Cumprimos nosso dever, esclarecendo quando necessário, deixando o mais a cuidado desses excelsos Seres,  vanguardeiros Guias da Onda humana.

Foram os próprios Irmãos Maiores que, no tempo que julgaram oportuno, anunciaram indiretamente ao mundo a força do pensamento e deixaram entrever o mecanismo do subconsciente, muito antes de Freud. Foram eles que mandaram Mesmer, o qual foi tremendamente ridicularizado pelos postulados que pregava. Só quando os materialistas, trocando o nome da forca descoberta por Mesmer, deram ao mesmerismo o nome de “hipnotismo” é que se tornou “científica”. Em verdade, resta ainda muito a aprender e desaprender aos atuais indivíduos da ciência materialista. Podem eles lutar até o último momento contra o que, zombando, qualificam de “ideias ilusórias” dos ocultistas. É só questão de tempo; terão de aceitar e admitir todas as suas verdades, uma a uma.

“Os pensamentos são coisas”, é uma força atualmente incalculável. À medida que a razão se for desenvolvendo, controlando mais e mais os impulsos do Corpo de Desejos e o altruísmo for assegurando um legítimo emprego a todos os poderes latentes do ser humano, alcançaremos o mérito de utilizar esse poder maravilhoso, mas sempre para o bem e sem imposição a ninguém.

Siegfried, símbolo da alma avançada, na mitologia nórdica, estava armado para a batalha da vida com a espada “nothung” (a coragem do desespero) com a qual combateu e venceu os dois dragões da cobiça e do credo. E tinha outra arma, que nos tempos modernos podemos chamar de poder hipnótico: Tarcap, o capacete da ilusão, que permitia a quem usasse aparecer aos outros na forma que desejasse. E para fazer uso desse poder lhe foi dado também, por Brunhilde, o espírito da verdade, seu cavalo alado, Grane, o discernimento, graças ao qual podemos distinguir o erro da ilusão. Aí está porque nós devemos tornar primeiramente merecedores, por nossa formação moral, de utilizar esses e outros poderes do espírito. Eis, também, porque não podemos aceitar em nosso seio aqueles que propositada e egoisticamente fazem deles uso pervertido.

Para finalizar, damos um meio de empregar legitimamente a força do pensamento, em casos de pessoas que precisam de auxílio extra. Tal auxílio é prestado durante o sono natural, quando o Ego, envolto pela Mente e o Corpo de Desejos sai do corpo físico e geralmente flutua sobre ele ou permanece em sua vizinhança, ligado pelo cordão prateado, enquanto os Corpos Denso e Vital se restauram, no leito. Nessa oportunidade é possível influenciar a pessoa adormecida, inculcando-lhe no cérebro pensamentos e ideias que lhe queremos comunicar. Contudo, não se pode conseguir que ela faça algo ou que acolha qualquer ideia que não esteja de acordo com suas próprias tendências habituais. É impossível ordenar-lhe que faça algo ou obrigá-lo à obediência porque durante o sono natural seu cérebro está interpenetrado por seu próprio Corpo Vital e tem perfeito controle de si mesmo. Não há, aí, desrespeito ao livre arbítrio da pessoa. Já no sono hipnótico, os passes do hipnotizador lançam fora do cérebro o Éter da cabeça, que fica então sobre os ombros da vítima como um colar. Então o cérebro está aberto ao Éter do Corpo Vital do hipnotizador, que toma o lugar do Corpo Vital da vítima. De sorte que no sono hipnótico a vítima não pode escolher nem quanto às ideias, nem quanto aos movimentos de seu corpo, porque é o cérebro que dirige os nervos e músculos voluntários e então, está manipulado por Éter estranho. No sono natural, o Ego é o agente completamente livre. Na realidade, esse método de sugestão durante o sono é sumamente importante para as mães que têm filhos rebeldes e refratários e para as esposas de viciados rebeldes, de vontade fraca. Para tratar dessas pessoas, assenta-se ao lado da pessoa adormecida e (se possível, tomando-lhe uma das mãos) fala-se suave e audivelmente com ela, inculcando-lhe no cérebro as sugestões convenientes. Ao despertar e principalmente com a repetição (há mais facilidade, naturalmente, com as pessoas de sono pesado) verá que muitas dessas ideias lançaram raízes no subconsciente, de uma forma eficaz, porque muitas pessoas detestam conselhos e reprimendas e desse modo se lhes faculta seguir a própria deliberação. Igualmente se pode tratar assim de pessoa enferma, quando carece de otimismo, coragem, fé e outros valores importantes na cura. Sabemos que isso pode ser usado para o mal, mas não mantemos o segredo porque acreditamos que o bem que se pode realizar com esse método sobrepassará em muito o prejuízo que uma ou outra pessoa malvada possa ocasionar. Além do mais, a lei de causa e efeito se incumbe de pôr os irresponsáveis, pela dor, no devido caminho.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz de maio/1966)

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

A Lei de Atração: o semelhante atrai o semelhante

A Lei de Atração: o semelhante atrai o semelhante

Todos já sabemos que, pela Lei de Atração, o semelhante atrai o semelhante. Entretanto, nem sempre estamos atentos para perceber o quanto essa lei age em cada momento de nossa vida, através dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos e dos nossos atos.

Recordando que somos constituídos pela nossa parte humana e pela parte superior ou divina, vamos perceber que, em geral, vivemos mais influenciados pela nossa parte humana do que pela divina. A maioria das vezes, temos orientado os nossos pensamentos e os nossos atos seguindo os conceitos humanos muito mais do que a lógica divina. Entretanto, devemos lembrar-nos que, quando se pratica um ato ou se alimenta um pensamento apoiado unicamente no lado humano de nosso ser, tão suscetível a erros e a fraquezas, atraímos para nós, pessoas, coisas, pensamentos e acontecimentos coerentes com o nosso modo humano de agir e de pensar. Consequentemente, quando agimos influenciados pelo nosso lado superior, nossas ações excedem a lógica humana e vão repercutir em tudo o que nos cerca também, sejam coisas ou pessoas — formando, com eles, o equilíbrio de valores e de fatos que constituem a nossa vida. É por isso que, quando as coisas em torno de nós, começam a não correr bem, quando o mundo todo parece conspirar contra nós, contra a nossa saúde e à nossa tranquilidade, quando parece que as coisas materiais ou espirituais que desejávamos, nos têm sido negadas, devemos fazer um exame de consciência muito bem feito e procurar em nós mesmos, em nossos pensamentos e atos, a causa de todo aquele efeito negativo.

Sempre que agimos com a nossa parte divina, a trajetória das nossas ações no campo espiritual vai se estender à parte divina daqueles que nos cercam, sintonizando com ela, e nós entramos em contacto com as pessoas através daquele raio de projeção. Mesmo que a maioria das pessoas não esteja muitas vezes em condições de compreender a boa intenção de nossos sentimentos e pensamentos, esses pensamentos e sentimentos levam em si uma força de expansão que será sempre absorvida em alguma extensão, pelo semelhante divino contido no outro ser. E, mesmo que não atinja em cheio o objetivo, a linha de projeção volta à sua origem e as boas intenções retornam à sua fonte, favorecendo então aquele que as emitiu.

Quanto mais positivos nos sentirmos em nossa vida de relação, tanto mais poderemos desenvolver e colher o bem em torno de nós, porque é pelo positivo, pelo nosso lado divino que poderemos ajudar a outrem a se elevar, minorando o sofrimento dos nossos irmãos menos esclarecidos.

Quem já atingiu certo grau de conhecimento dos fatos ocultos que regem a vida de todos os seres, não pode permanecer alheio a esses fatos. Do conhecimento, temos que partir para a ação; caso contrário, nossos próprios valores se cristalizarão, e os Guias Espirituais que dirigem a Evolução não poderão ajudar-nos em nosso progresso. Verdade que todo o ser humano é livre em suas escolhas, porém essa liberdade se limita à escolha do certo dentro da Lei. Se escolher o errado, o ser humano sofrerá as consequências desse erro. Portanto, daí se conclui que o ser humano tem liberdade para escolher o certo. Antes disso, até que deseje ele mesmo essa escolha, as forças auxiliares estarão em expectativa para ajudá-lo a progredir. Por isso se diz que o ser humano se agita e Deus o conduz.

Pode acontecer também que levamos uma vida irrepreensível: agimos sempre com boas intenções dentro do direito e do dever, não magoamos ninguém, e desejamos ardentemente ser amigos de todos, procurando raciocinar o máximo possível, apoiados em nosso espírito divino. E, apesar de tudo, certos fatos se precipitam em nossa vida ou vêm perturbar a ordem de nosso lar e de nossos familiares. Esses acontecimentos, nesse caso, possuem uma causa muito mais remota: procedem de outros erros mais distantes, de coisas que fizemos em outras vidas e que só podem ser saldadas daquela maneira, influindo até, muitas vezes, no destino coletivo de uma família ou de uma organização. Porém, se soubermos manter-nos em atitude de graça, isto é, se perseverarmos no divino em nossos atos, palavras, pensamentos e sentimentos, nossa forma de atravessar aquele período será muito mais conformada e se processará debaixo de maior compreensão e tolerância. Assim, superaremos as configurações negativas de nossos temas-natal, perseverando no bem na virtude. Perseverar no bem, portanto, é raciocinar o mais possível dentro da lógica divina, pondo de lado os conceitos humanos, em nossa vida de relação. É mantendo-nos o mais possível vigilante em nosso espírito, procurando estar conscientes de nossa própria consciência em todas as nossas ações diárias, que chegaremos um dia a agir como agia Jesus Cristo, reconhecendo em nós o Espírito de Cristo que existe já em formação em todo indivíduo de boa vontade.

É para isso que estamos aqui. Para, em cada uma de nossas reuniões, adquirirmos novas forças através do despertar dessa parte divina que existe em nós. E isso, pois, conseguiremos pelo desenvolvimento da mente com o conhecimento da Verdade expressa através da Filosofia que aqui se expõe, e pelo despertar de nosso coração, apoiados no espírito de fraternidade e solidariedade que nos eleva a todos a uma camaradagem superior, estimulando assim os nossos bons sentimentos e a nossa devoção. É para isso que nos reunimos aqui todas as semanas como espíritos de vários matizes que desejam ajudar-se mutuamente, em busca da Luz e em busca do Amor, para aprendermos, através do conhecimento da verdade, amar-nos uns aos outros.

E, para nos mantermos conscientes em nosso positivo durante este mês, vamos recordar aquela exortação de Cristo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, repetindo-a nos momentos difíceis, nos instantes de insegurança ou de receio, nas horas de lazer, no ônibus, na rua, diante de um desagravo, e sobretudo, repetindo-a em nossas meditações: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1978)

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

O Altruísmo: ligada à divina natureza do maior dos Arcanjos

O Altruísmo: ligada à divina natureza do maior dos Arcanjos

Quando Max Heindel falava acerca de Cristo, usava, habitualmente, o termo ALTRUÍSMO. Essa qualidade nobilíssima, fundamental à evolução humana, encontra-se indissociavelmente ligada à divina natureza do maior dos Arcanjos.

Um estudo, mesmo à ligeira, da Antiguidade Clássica, revela como o “direito da força” regia o relacionamento entre as pessoas e principalmente entre os povos. Predominava a “lei do mais forte”, com a sobrevivência dos mais aptos em detrimento dos mais débeis. Aos últimos, caso lograssem escapar à morte, só restava uma alternativa: submissão incondicional, quando não o cativeiro.

Todas essas distorções do sentimento humano — a crueldade, a opressão a injustiça — têm suas raízes no egoísmo. O sentimento de posse exclusiva, a luta pelo interesse próprio sem levar em consideração os demais, os preconceitos, encontram-se num extremo diametralmente oposto ao altruísmo.

O interesse pessoal, mesmo desenvolvido inconscientemente, desempenhou um importante papel durante a chamada “involução”. De outra forma não teríamos avançado tanto, de um modo geral. Todos os esforços do passado concentraram-se na formação de veículos para que o Espírito pudesse utilizá-los em seu progresso, gigantesca escalada de Chispa Divina, a Chama Criadora.

O egoísmo, tal como o conhecemos, não se manifestara, até o nosso surgimento da nevoenta atmosfera atlante. Começamos, daí em diante, a perceber-nos como seres separados. Tal não ocorria anteriormente, quando nossa consciência estava enfocada nos planos internos.

Procuramos, então, fazer valer nossos desejos estritamente pessoais. Tornamo-nos avaros. Era espantosa nossa avidez em possuir bens materiais, porque, sob o regime de Jeová, essas “posses” convertiam-se em sinais externos de que estávamos vivendo consoante Suas Leis.

Essa situação, contudo, chegou a extremos perigosos, capazes de comprometer nossos passos evolutivos. Afinal, se em “Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, se constituímos células divinas de Seu Grande Corpo Macrocósmico, não poderíamos viver tanto tempo apartados e inconscientes dessa grande realidade. Uma providência seria tomada pelas Hierarquias Divinas, ao assegurar-nos uma ajuda efetiva por intermédio do Cristo, o Senhor do Amor.

As grandes transformações, porém, ocorrem lentamente. O altruísmo encontrava-se em estado latente na humanidade, até o momento em que o Cristo obteve acesso ao coração da Terra, quando Seu sangue fluiu no Gólgota. A partir desse magnífico evento, a semente do princípio altruísta começou a germinar no interior do ser humano. Gradativamente passamos a ampliar nossa área de interesse, para incluir mais alguém, mantendo-nos alertas quanto às necessidades de outrem.

Do sentimento tribal ou de clã, tão comum nos tempos antigos, avançou-se para um espírito nacional. As tribos, superando diferenças decorrentes de suas peculiaridades, serenaram suas querelas, conseguindo organizar-se em nações. O interesse coletivo passou a sobrepujar, dessa maneira, o sentimento individualista ou de grupos minoritários. Todos os esforços deveriam convergir para o bem-estar comum. Mais recentemente, as nações estreitaram mais ainda essa união, aglutinando-se em uma organização internacional, visando a preservar a paz e debater problemas os mais diversos.

Mas, todo esse processo desenvolveu-se, e se desenvolve, a passos de tartaruga. Portanto, não nos surpreende tanta demonstração de violência e egoísmo nos dias que correm. A maioria dos fumantes queixa-se das dificuldades encontradas em abandonar o vício do fumo, cultivado ao longo de alguns anos. Que dizer então de um vício moral, arraigado há milênios?

Os modernos meios de comunicação realizaram o milagre de estreitar o relacionamento entre os povos, tornando conhecidos os problemas e anseios de muitas nações. Contudo, ao mesmo tempo chocam pela veiculação de tanta crueldade e frieza.

Desiludidos, muitos relutam em acreditar num futuro melhor para a humanidade, onde as guerras e o egoísmo sejam substituídos pela paz, cooperação e altruísmo. A visão da atualidade não lhes permite conceber uma sociedade cujos componentes deixem de lado seus interesses pessoais, para cuidar das carências alheias ou dos problemas comunitários. Descreem da bondade humana.

Esse ceticismo, todavia, existe há muito tempo. Conta-se que certa vez, Thomas Jefferson, o grande estadista norte-americano, viajava por uma estrada na Nova Inglaterra, acompanhado de um amigo, quando a carruagem parou diante de uma cancela, aguardando sua abertura. Enquanto os cocheiros esperavam, apesar da chuva pesada e da lama lá fora, Jefferson interrompeu a conversa, saltando na estrada para libertar um leitãozinho que guinchava desesperadamente, preso entre os varais de uma cerca. Voltando à carruagem, molhado e enlameado, seu amigo admirou-se: “Mas, então, logo você que vive dizendo que as ações humanas têm sua origem no egoísmo e no interesse próprio, sai nesta chuva para soltar um porquinho preso numa cerca?” Jefferson redarguiu: “Eu só fui lá porque os guinchos do animal incomodavam-me. Não veja nenhum altruísmo num gesto que, na verdade, foi egoísta e destinou-se essencialmente a fazer com que eu mesmo me sinta bem e, quem sabe, durma melhor hoje à noite”.

Ora, Thomas Jefferson, isso nós sabemos, era um homem de sentimentos nobres. E, paradoxalmente, não estava seguro de suas próprias qualidades.

Mas há outro exemplo digno de menção. Adam Smith, grande pensador e escritor, contemporâneo de Jefferson, mostrou-se contraditório na abordagem desse mesmo assunto. Em uma de suas obras afirmou que a felicidade e a virtude humanas fundavam-se no sentimento de companheirismo que o ser humano nutre em relação aos seus semelhantes e, portanto, em natural impulso para o mútuo amparo e socorro. Já em outra obra assevera: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que há de vir o nosso jantar, mas, sim, da preocupação deles com seu próprio interesse. Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas ao seu amor-próprio e não lhes falamos das nossas necessidades e sim das vantagens que podem obter”.

São enfoques pessimistas, sombrios, carregados de tonalidade cinzenta. Mas não resistem à análise profunda dos ensinamentos rosacruzes, pérolas de sabedoria, primando por nos mostrar uma outra realidade, mais alvissareira por sinal.

A despeito de tudo, a humanidade pouco a pouco desperta para o clarão de novos horizontes. À medida que o tempo passa, o Cristo, por meio de Seu benéfico trabalho, atrai uma quantidade cada vez maior de éter interplanetário para a Terra, tornando seu Corpo Vital mais luminoso. Esse contacto com as poderosas vibrações crísticas também nos tornará luminosos. Cabe-nos o relevante papel de colaboradores conscientes nesse processo regenerador.

Se as manifestações de egoísmo chegam a assustar, lembremo-nos que no passado eram bem mais acentuadas. Temos de admitir, portanto, que houve um considerável progresso. O quotidiano pode oferecer-nos ou revelar fatos que, pela sua natureza inferior, abalem o melhor dos nossos sentimentos. Mas é inegável que as expressões de solidariedade, mesmo observadas em raros e até fugidios momentos, nos animam de esperanças.

O altruísmo, tal como uma planta, germina, desponta e cresce lentamente. Mas é certo que produzirá frutos. Por seu intermédio o Cristo nascerá dentro de cada um de nós, fazendo irradiar Sua Luz. Então, andaremos na Luz, como Ele na Luz está.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1978)

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

A Doutrina do Renascimento responde muito das suas Perguntas

A Doutrina do Renascimento responde muito das suas Perguntas

Há uma resposta para todo problema que a vida apresenta. Os mais avançados na Escola da Vida forjaram perguntas e encontraram estas respostas; eles não dizem, “Eu penso” ou “eu creio”; eles simplesmente dizem: “Eu Sei”. Como sabem? Porque adquiriram conhecimento direto? Como o obtiveram?

Mediante o serviço amoroso e desinteressado aos demais, a persistência, a devoção, a observação e o discernimento. Antes que qualquer homem ou mulher possa compreender a vida, possa compreender completamente a verdade de algo, eles devem estar dispostos a aceitar, como hipótese de trabalho, que a doutrina do Renascimento é um fato, e que a Lei de Causa e Efeito é responsável por toda manifestação. Quando tiver aceito estes dois grandes fatores, estes terão um ponto de partida para raciocinarem.

Se o Renascimento é um fato, então todos nós já vivemos muitas vidas antes da presente, e já tivemos muitas experiências. Fomos arrogantes, cruéis, opressores, tiranos, injustos e já houve vezes em que fomos bondosos, considerados, simpáticos, úteis, etc. Somos atualmente a soma de todas as nossas experiências passadas, ou melhor, somos a soma de todas as nossas reações às experiências passadas.

Todo ser humano de nossa onda de vida começou na grande Escola da vida de Deus com iguais oportunidades. Durante cada vida nos foram dadas certas lições a aprender. Se as dominamos, crescemos em conhecimento e compreensão; se recusamos fazer nosso trabalho e malbaratamos nosso tempo em uma vida de preguiça, ou pior, tumultuosa, não somente debilitamos nossa fibra moral, deixando de fazer o trabalho que deveria ser feito, no dia seguinte o trabalho será mais duro e mais difícil de se executar, e não estaremos tão bem equipados para fazê-lo como quando a lição nos foi dada pela primeira vez. Porém, algum dia, em alguma vida, este trabalho descuidado deverá ser feito, porque somos deuses em evolução e devemos adquirir nosso próprio desenvolvimento mediante nossos próprios esforços.

O desenvolvimento das potencialidades latentes dentro de cada indivíduo não pode ser comprado, nem roubado, não pode ser encontrado, nem pode ser recebido como dádiva. Depende de nossos próprios esforços; persistentes e determinados, para que este crescimento gradativo aconteça, e somente nós somos capazes de acelerá-lo ou retardá-lo.

O indivíduo que diz: “Eu nunca tive uma oportunidade na vida” está enganando-se a si mesmo. Todo incidente que ocorre, e dezenas deles estão ocorrendo diariamente, nos proporciona, em certa extensão, uma oportunidade de desenvolvimento de algum poder latente dentro de nós, e as experiências com que tropeçamos são oportunidades dadas por Deus, para o crescimento, as quais devemos estudar bem e aproveitá-las ao máximo. Quando compreendermos isto, cada dia da vida se converte em uma grande e gloriosa aventura. Os acontecimentos mais humildes se transformam em grandes e maravilhosas experiências. O canto de um pássaro chega aos nossos ouvidos, aguça nosso sentido do ouvido, e desenvolve nossa apreciação da verdadeira harmonia que se expressa no som. Uma humilde minhoca se arrasta sobre o solo aos nossos pés, põe-se em ação o nosso sentido da visão; a cor da criatura se nos revela, bem como sua forma, sua maneira de mover-se e transladar-se de um lugar a outro. Nosso poder de observação se fortalece, nosso interesse se estimula e a Mente se ativa. Nessa humilde criatura vemos manifestar-se a mesma vida de Deus. Qual é o propósito disto?

Começamos a estudar a vida, e conforme nossa mentalidade se aguça, finalmente aprendemos que tudo o que É, é uma parte de Deus; lenta, porém seguramente, a Divindade dentro de nós mesmos evolui. É uma escola na qual se dá um treinamento alegre e intenso a todo ser criado. É uma vida vibrante que se desenvolve e o faz onde quer que esteja. É a Lei e a ordem trabalhando juntas harmoniosamente. É amor em manifestação; é à vontade em expressão; é a atividade revelando-se a si mesma em miríades de demonstrações.

Por que vemos pessoas em altas posições às quais aparentemente não merecem? Suas lições na escola da vida requereram esse particular ambiente, porém ai daquele que abusa de seu alto privilégio, pois está acumulando sobre si uma tremenda dívida do destino, e que não será fácil pagar. Porque vemos o indivíduo de mérito sofrer opressão? É para que possa aprender valiosas lições para usá-las com vantagem para com seus semelhantes em futuras vidas, nas quais será colocado em posição de poder. Tal indivíduo nunca cometerá o erro que seu irmão menos avançado poderá fazer em uma posição semelhante.

O homem ou a mulher que semeia sementes de discórdia, ódio, desonestidade, engano etc., não pode esperar escapar da penalidade da lei; “Tudo o que o ser humano semeia, isso também colherá”, quer seja durante a presente vida ou em alguma vida futura, a menos que se arrependa de seu mau procedimento, se transforme e, na medida de suas possibilidades, faça as restituições pelo mal que haja cometido. As razões pelas quais não vemos o malfeitor pagar suas dívidas do destino é porque não somos capazes, em nosso presente estado de desenvolvimento, seguir de vida em vida, nem de conhecer quando estas dívidas devem ser pagas. Algumas vezes são pagas durante a vida na qual se acham, outras vezes são reservadas para uma ou mais vidas futuras.

A Lei de Causa e Efeito é ensinada na Bíblia, porém expressada em diferente terminologia; “Tudo o que o homem semear, isso mesmo colherá”. Nem esta lei, nem a do Renascimento, são realmente novas, como pode ser demonstrado facilmente por meio de um estudo cuidadoso e analítico da Bíblia. Sem dúvida, no presente se está pondo uma ênfase particular sobre elas, por parte das escolas mais avançadas de treinamento espiritual, pelo fato de que um número considerável da humanidade já completou as lições ensinadas através da religião pisciana, e está pronto para dar um passo mais avançado no caminho do progresso. Este passo avançado lhes abrirá os Mundos invisíveis, onde reside o Espírito, o Eu real, durante os intervalos entre a morte e o nascimento, e lhes capacitará para seguir as pegadas do Espírito, enquanto faz suas várias viagens da morte ao renascimento e de regresso à terra.

Antes que o indivíduo possa dar este avançado passo, deve construir um veículo no qual poderá funcionar nos Mundos invisíveis. Esse veículo é construído produzindo uma separação entre os Éteres Inferiores, o Químico e o de Vida, e os Éteres Superiores, o Luminoso e o Refletor. Os dois Superiores que são os veículos de percepção sensorial e da memória, podem então serem usados como instrumentos e é chamado Corpo-Alma. Portanto, “o Caminho da Preparação” precede a capacidade de adquirir o conhecimento direto.

O serviço amoroso e desinteressado aos demais e o discernimento são os meios de sua aquisição. O serviço amoroso e desinteressado aos demais, automaticamente, atrai e aumenta os dois Éteres Superiores (o Luminoso e o Refletor) do indivíduo, com os quais se constrói o Corpo-Alma. Os Éteres Químico e de Vida têm o atributo de levar a cabo as funções vitais do Corpo Denso, durante o sono.

Mais tarde ocorre uma divisão entre estes dois Éteres Superiores, o Luminoso e o Refletor.

Quando estes dois últimos, que compõem o Corpo-Alma, estiverem suficientemente espiritualizados por meio da observação, do discernimento e do serviço, uma simples fórmula transmitida pelo Instrutor Espiritual, capacitará o Aspirante a usar o Corpo-Alma à vontade, juntamente com o Corpo de Desejos e a Mente. Assim fica equipado com um veículo de percepção sensorial e de memória.

Toda sabedoria ou conhecimento que possua no Mundo Físico é aproveitável para uso nos reinos espirituais, e quando voltar a entrar em seu Corpo Denso, trará ao cérebro físico, as recordações de suas experiências obtidas fora do corpo, enquanto funcionava nesses sublimes lugares. Quando o indivíduo houver construído tal veículo para funcionar nele, pode visitar os reinos espirituais e é livre para explorá-los à vontade, e ali aprender as causas que produzem todos os efeitos que se manifestam no plano físico.

Ele é, então, capaz de seguir um Ego, da morte ao renascimento, e assim provar que o renascimento é um fato. É capaz de descobrir quando foram contraídas as dívidas do destino, e quando devem ser pagas, provando assim a ação de Causa e Efeito. É capaz de compreender a vida e seu propósito, e de trabalhar inteligentemente com todas as Leis da Natureza. Desta forma, tem em seu poder não só acelerar sua própria evolução, mas também ajudar os outros a fazerem o mesmo.

Todo progresso depende de aprender as lições que se nos apresentam em nossas vidas diárias, sem ter em conta se são duras ou fáceis. Deveríamos estar agradecidos por cada lição, e nos dispormos alegremente a aprendê-las. Deveríamos estar especialmente agradecidos pelas duras e desagradáveis lições. Elas indicam que fizemos considerável progresso no passado e, portanto, nos consideram qualificados para dominá-las. As almas jovens não recebem as tarefas difíceis de executar. Cada dia está repleto de oportunidades que, se captadas e se aproveitadas ao máximo, nos farão avançar rapidamente no caminho do verdadeiro desenvolvimento.

Durante este mês façamos um especial esforço por reconhecer as oportunidades que se nos apresentem por si mesmas, dia após dia, sob a forma de experiências, e de aprender as lições que elas contêm, e ao final do mês, provemo-nos a nós mesmos, atentando sobre o progresso que fizemos. Lembremos que o extrato de toda experiência que nos vem, será usado para fomentar o bem no mundo.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz de janeiro/fevereiro de 87)

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

Renovação: “Nada é mais certo do que a mudança”

Renovação: “Nada é mais certo do que a mudança”

E não vos conformeis com este mundo; mas transformai-vos pela renovação do vosso atendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:27).

Quando nascemos neste Mundo Físico, todos e cada um estamos dotados de grandes forças e poderes potenciais. É nosso dever, assim como também nossa oportunidade, desenvolvê-los durante nossa vida aqui na Terra, e utilizá-los em nosso caminho para cima na perfeição; nossa jornada de retorno para Deus.

Quando vemos o diminuto, terno e quase desemparado corpo de uma criancinha é difícil imaginar a esse ser humano totalmente crescido e apto para usar livre e poderosamente seu ágil organismo. No início de nossa existência terrena há pouco evidência dos poderes latentes espirituais e morais nesse pequeno ser, porém, embora invisíveis, estas forças estão prontas para manifestar-se a seu devido tempo.

O corpo físico se renova a cada sete anos, e analogamente podemos concluir que nossos outros veículos mais sutis, internos, terão que ser renovados. É a presença destes poderes latentes que torna possível a evolução. Conforme renovamos nossos Corpos de Desejos, e os redirigimos, podemos mudar e enriquecer totalmente nossa existência e fazer com que o exemplo de nossa vida se reflita nos Mundos superiores. Quando nossa Mente muda para melhor, mais primorosos e amplos horizontes se descortinam ante nós.

Quando estas forças ocultas dentro de nós são liberadas, podem ter um efeito tremendo, como poderemos compreender se testemunharmos as grandes forças que hoje os cientistas liberam do minúsculo e invisível átomo.

Para a maioria da humanidade, em nosso estado evolutivo atual, o caminho da evolução não vai para cima em linha reta; há muitos altos e baixos neste caminho, porém tudo faz parte de uma evolução em espiral. Sabemos que na natureza nada permanece estacionado e nós mesmos temos que subir ou descer; não há nada em estado permanente.

“Nada é mais certo do que a mudança”. Temos que escolher, e é por um esforço determinado da vontade que devemos determinar, cuidadosamente, o caminho que devemos percorrer. “Depois que a escolha houver sido feita, o investigador da verdade se esforça, conscientemente em trabalhar com as forças ocultas. Ele faz com que cada um de seus propósitos sejam para progredir pela sistemática e individual concentração e meditação, e por uma cada vez mais minuciosa observação de si mesmo, de seu meio ambiente, se adquire o discernimento pela contemplação consegue-se a paz e o equilíbrio, e, finalmente, aquele que chega ao ponto em que sente verdadeiramente adoração, a qual pode dar-lhe uma compreensão da fonte de toda a criação.

O aspecto mais valioso de todas as coisas é a possibilidade de sua mudança para melhor; a potencialidade para compreender e a realizar a verdade. Existe em toda a criação um movimento contínuo para a perfeição. Na Filosofia Rosacruz nos é ensinado que a humanidade pode obter o acesso para a perfeição com a ajuda daqueles que, antes de nós, tomaram este caminho: nossos Irmãos Maiores, os Anjos e os Arcanjos que estão todos empenhados no progresso humano.

A habilidade criadora é inerente ao ser humano, e este foi feito à imagem e semelhança de seu Criador, e vive, se move e tem o seu ser no Pai. Com o auxílio da oração e da meditação, ele tem o poder de abrir-se às benéficas influências do universo. Nosso sistema planetário com tudo o que está acima e dentro dele provém do Sol, e o ser humano recebe seu impulso espiritual e ética por meio dos raios espirituais que emanam do Espírito que vive atrás da órbita física solar. Depende muito da habilidade do ser humano para reacionar estas emanações. Tem que saber como receber esse bem que está em todo nosso redor e deve desejá-lo intensamente antes que lhe seja possível utilizar essas forças superiores conforme lhe chegam. Em resposta à sua própria busca, assim como pede, o receberá.

Os raios que vêm do Sol transmitem iluminação espiritual; aqueles que nos são enviados pelos Planetas promovem inteligência moral e crescimento anímico, e os raios refletidos por nosso satélite, a Lua, são responsáveis pelo crescimento físico.

Com todo o auxílio voluntário daqueles que partiram antes de nós, e com todas as forças e emanações que constantemente circundam nossa Terra, os seres humanos não se convertem em Anjos apenas por terem vivido uma vez em nosso Planeta e depois entrar no céu pela porta da morte. Em nossa evolução cíclica temos que retornar muitas vezes à Terra. A humanidade avança continuamente, todavia são necessários muitos renascimentos, e temos que viver, atuar e aprender neste nosso plano de ação.

Progredimos constantemente, de vida em vida. Conforme mudam os costumes sociais e ambientes físicos, de idade em idade, voltamos a estar em contato com a vida em cada novo meio-ambiente e, com o auxílio e guia de Grandes Inteligências, encontramos condições e circunstâncias que são úteis a nós na obtenção de experiências necessárias. Deste modo temos uma oportunidade para desemaranhar “o novelo embaraçado” que nós nos enrolamos em vidas anteriores. Ao mesmo tempo, podemos por novas causas em ação. Lemos nas Cartas de São Paulo aos Coríntios: “O homem interno é renovado dia a dia”.

No Livro “A Teia do Destino” lemos que “desde a puberdade e durante toda a vida uma força espiritual é gerada internamente em nosso organismo”. Esta força pode ser usada para três fins: GERAÇÃO, DEGENERAÇÃO E REGENERAÇÃO. Depende de nós qual dos três métodos escolheremos; terá uma orientação importante em nossa vida, pois o uso dessa força não está confinado em seu efeito ao tempo ou ocasião em que se dispõe dela. Reflete em cada um dos momentos de nossa existência, e determina nossa atitude em cada uma das fases particulares da vida.

Algumas vezes podemos perder nossa meta aqui na Terra e os valores reais e eternos são esquecidos na presença de tantas coisas evanescentes e transitórias. É quando nos damos conta desta condição que devemos parar, fazer um balanço de nossa existência, e buscar melhores meios de vida; buscar valores superiores e a maneira para renovar nossa força, voltando ao nosso Criador.

Essa possibilidade é tratada de modo bem claro nas Sagradas Escrituras, na parábola do Filho Pródigo. Ele, por si mesmo, deveria reconhecer que seu estado era indigno e seu método de vida era insatisfatório, e teria que procurar internamente para encontrar a força para dar a volta e retornar ao Pai. Na verdade, o Pai contava com o seu retorno e o esperava com os braços abertos de boas-vindas.

É evidente que o cultivo de forças invisíveis e poderes requer que também sejam adquiridos sabedoria e compreensão, pois os poderes espirituais em si mesmos não são nem bons e nem maus, pois são o motivo e o caráter de quem os possui que os fazem merecer este ou aquele qualificativo. Sabemos que “as distinções entre o uso legítimo ou ilegítimo dos poderes espirituais são superiores e sutis”. Devemos recordar sempre que “poder” é força para realizar, e o que com ela fazemos depende de nós; a direção que lhe dermos é de nossa própria e pessoal responsabilidade.

Foi poder sobre todas as coisas o que Satanás, o tentador, prometeu ao Senhor quando estiveram juntos no deserto. Sabemos que Jesus Cristo triunfou em todas as tentações e respondeu: “Afasta-te de Mim, Satanás”. Neste e como em todos os demais caminhos Ele é nosso Guia e Caminho. Se perdermos a nossa meta, isto é apenas temporariamente. As asas cortadas podem crescer de novo, e quando houvermos reencontrado o caminho, teremos aprendido também que somente o Bem, a Verdade e a Beleza sobrevivem até o fim. A sabedoria da advertência que frequentemente é dada em nossa Filosofia de nunca deixar de tentar é evidente.

E o que estava sentado no trono disse: Eis aqui, eu faço novas todas as coisas” (Apo 21:5).

(Publicado na revista Serviço Rosacruz de 01-02/87)

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