Categoria Método e Leis cósmicas que regem a evolução

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Liberdade ou Direito de ser Livre

Liberdade ou Direito de ser Livre

“Livre vontade não é a liberdade de fazer o que quiser, senão o poder de fazer aquilo que deve ser feito, mesmo que seja contrário a um violento impulso. Eis aí, em verdade, o que é Liberdade” – K. B. MacDonald.

A liberdade que ganhamos pela obediência às leis é a única que conta. Se ESCOLHERMOS obedecer às leis, não podemos perder nossa liberdade. Porém, o ser licencioso e insultar à lei da terra, fará com que percamos nossa amada liberdade. O objetivo das leis na terra é dar o direito de ser livres a todos para a execução de nossas atividades, com segurança. É mais importante ainda considerar as Leis de Deus na natureza, pois elas tornam possível a evolução. Estamos num estado de mudança constante e, a seleção do justo ou errado pode mudar nosso destino. Não há descanso no caminho que nos conduz para o Criador.

Quando compreendemos o que é justo e verdadeiro, trabalhando constantemente para chegar à nossa meta, nosso progresso não será perturbado por repetidos erros e não teremos muito que retificar.

Então usaremos nosso tempo na Terra, que parece curto, trabalhando pela libertação do espírito.

Quando um Ego se acha pronto para retornar à Terra, se lhe permite escolher entre distintas vidas, porém uma vez feita a escolha não pode haver evasivas no que se refere aos acontecimentos principais durante essa vida particular na Terra. Temos livre vontade no que concerne ao futuro, porém o destino maduro está envolto na vida que escolhemos e não poderá ser evitado. O ser humano pode exercitar o livre arbítrio em muitos casos, porém se acha atado pelo destino que formou pelas dívidas criadas em vidas anteriores.

As grandes Inteligências, que têm a seu cargo esse assunto, sabem que requisitos são necessários para o ajuste de nossas obrigações. Entre as múltiplas relações que tivemos no passado, eles selecionam certo número de possíveis existências. Essas são mostradas ao Ego que está pronto para renascer e, portanto, pode selecionar uma ou várias delas. Escolhe, entre todas essas oportunidades, as que estão disponíveis no tempo particular desse renascimento, e amiúde existem grandes quantidades dessas oportunidades.

Uma vez feita a seleção, a vida do Ego seguirá a linha escolhida, porém: “não nos deixemos enganar pela ilusão de que o destino nos impele a agir mal em todo o tempo. A lei trabalha sempre, e apenas, para o bem, e o mal, em cada vida, é o primeiro a ser expurgado depois da morte, e apenas a tendência de fazer o mal em particular permanece com o sentimento de aversão gerado pelo sofrimento experimentado no processo de expurgação”. Não existe nunca a obrigação de fazer o mal.

É bom saber, e isso deve dar-nos uma certa firmeza em nossos esforços para resistir ao mal, pois nunca somos destinados para fazer o mal, senão que, cada ato mal feito, é um ato de livre vontade. Nossa consciência nos avisa, e somos livres para resistir, sempre que elejamos, entre o justo e o injusto. Nossa consciência nos impele para frente, para fazer tudo o que é construtivo e bom, pois a consciência é o resultado da dor e sofrimento experimentados em vidas anteriores.

Um fator muito importante e evidente em nossas múltiplas existências é a Epigênese. Brota do livre arbítrio e se manifesta como ação original. Essa divina e criadora atividade é a base da evolução da humanidade. A medida que o tempo avança haverá mais e mais oportunidade para esse divino atributo.

Parece ser, então, que estamos sujeitos a fatos maiores, porém, temos liberdade nos detalhes de nossas vidas, isto é, que temos muita liberdade no modo em que desejamos aprender nossas lições, sempre que, em verdade, as estejamos aprendendo, e existe a oportunidade para um trabalho novo e original, o qual chamamos Epigênese.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental promovem a liberdade pessoal dos indivíduos quando seguem os Ensinamentos da Filosofia Rosacruz. Ninguém deve obedecer a mestres, cada qual deve seguir seus próprios ditames internos. Aqueles que aspiram conhecer os ensinamentos internos e vivem no Mundo Ocidental não podem encostar-se ou depender de mestre ou guias. Não tendo um mestre sobre o qual encostar-se, o estudante tem que obter poder espiritual por sua própria iniciativa. Portanto, é óbvio, que cada qual tem que assumir a responsabilidade de suas próprias ações. Como existiria muito pouco progresso sem essa responsabilidade que mencionamos, devemos desejar assumi-la, sempre que aparecer a oportunidade. Desde logo, temos que estar certos em cumprir com as tarefas que se nos apresentem.

Quando fazemos o melhor que podemos e admitimos que as consequências de nossas próprias ações são nossas mesmo, ainda assim cometemos erros no cumprimento de nosso dever, então podemos aprender muito e ganhar em compreensão. Um coração compreensivo é muito desejável e difícil de se obter.

Desde o tempo em que a humanidade surgiu da densa atmosfera da Atlântida, entrou no mundo como um agente livre, com expressão das leis da natureza e de seu prévio e próprio destino adquirido. Desde então, o ser humano teve que aprender a se sustentar por si mesmo. Isto não é adquirido facilmente. Mais e mais reponsabilidades têm sido colocadas sobre seus ombros. Manter-se por si e assumir as consequências de suas próprias ações pode, às vezes, não ser muito agradável, porém é inevitável. Para desenvolver nossos poderes latentes espirituais, e assim tornar-nos ativos, temos que trabalhar, e enquanto trabalhamos temos que orar, pois assim nos manteremos em contato com os Mundos Superiores e receberemos a força necessária para seguir adiante.

O desenvolvimento futuro da humanidade dependerá mais e mais de sua própria iniciativa, e isso só leva a cabo quando o ser humano é livre. No princípio da evolução do ser humano, este vivia em pacífica ignorância, porém, desde que cresceu em conhecimento, começou a compreender muitas coisas. Durante inúmeras vidas aprendeu pela experiência e assim trocou sua ignorância pelo conhecimento da virtude.

O estudante sincero sabe, em seu interior, que o maior ladrão de sua liberdade é o tornar-se escravo de seus próprios desejos e apetites, e lamenta como São Paulo: “Porque o bem que quero, isto não faço; mas o mal que não quero, isto eu faço”. Para nos convertermos em verdadeiramente livres, temos que trabalhar pela nossa própria salvação, utilizando os poderes latentes, para o bem da humanidade.

Existem seres nos Mundos superiores sempre prontos para ajudar, se puderem fazê-lo, sem tirar esse nosso direito de liberdade. Copiando Max Heindel, no Livro: “Carta aos Estudantes”: “…porque embora ninguém possa interferir com o livre arbítrio da humanidade, e embora seja contrário ao plano divino o coagir, de alguma maneira, para que alguém faça o que não quer fazer, não existem barreiras contra as sugestões em assuntos que a ele possam agradar. É devido à sabedoria e ao amor desses grandes seres que o progresso em linhas humanitárias é a palavra de aviso de hoje em dia”.

O Mineral, a Planta e o Animal, todos os reinos, estão sujeitos à vontade dos Espíritos-Grupo; o ser humano é o único que possui livre vontade e iniciativa. À medida que o tempo avança, ele se fará cada vez menos susceptível às influências externas. “A Liberdade, é a herança mais preciosa da alma”, e podemos fazer pleno uso dessa herança sempre que sejamos cuidadosos em não interferir com o direito dos demais.

À medida que nossa consciência se desenvolve, temos que aprender a fazer o que é justo, conscientemente e de nossa própria vontade. Pode ser que seja necessário, para um Ego, selecionar uma vida cheia de duras lições para aprender, e essa nova existência pode estar cheia de calamidades, porém, ele pode escolher entre viver essa mesma vida honestamente e com humana dignidade, ou chafurdar-se na lama de modo vergonhoso. Ninguém pode interferir no modo em que ele trabalha em seu destino.

Copiando Max Heindel nas Cartas aos Estudantes: “Devemos aprender a lição do trabalho para um propósito comum, sem lideranças. Cada qual, igualmente induzido pelo espírito de amor que lhe vem do íntimo, deve empenhar-se pela elevação física, moral e espiritual da humanidade à altura de Cristo – o Senhor é a Luz do mundo”, e “onde está o Espírito do Senhor, aí há Liberdade” (IICo 3:17).

“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus Discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Joa 8:31-32).

 (Publicada revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Exame de Consciência

Exame de Consciência

“Que não caia o sono sobre teus olhos até que tenhas revisado três vezes as memórias do dia passado. Em que me desviei da retidão? Que estive fazendo? Que coisa deixei de fazer, que deveria ter feito? Começas assim desde o primeiro ato e prossegues e, em conclusão, ante o mal que tenhas feito, afliges-te e regozijas-te pelo bem” – Pitágoras.

“Todas as noites deveríamos chamar-nos às contas: Que fraqueza dominei este dia? A que paixão me opus? Que tentação resisti? Que virtude adquiri? Nossos vícios suprimir-se-ão por si mesmos, se são trazidos todos os dias à confissão e ao perdão” – Sêneca.

Como vemos, o fundamento racional da Retrospecção não é novo, nem se originou com os Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz. Os pensadores, no curso da História, têm compreendido o valor dessa forma de exame de consciência. Sua utilidade, como instrumento para melhorar a evolução humana, tem sido evidente para muitos que se beneficiam com sua prática.

A natureza específica das perguntas, tais como as que têm sido sugeridas pelos filósofos – Que deixei de fazer? Em que me apartei da retidão? Que fraqueza dominei? A que paixão me opus? -, é essencial para um bom exame de consciência. Devemos pensar em termos de virtudes, se quisermos dominá-las e confessar as tentações e as paixões, se quisermos vencê-las.

O exame de consciência é necessário para o progresso, uma vez que colocamos nossos pés sobre o caminho espiritual. O casual ordenamento de nossas lições e experiências terrenas e nossa resposta a elas, que caracterizaram nossa experiência passada, já não podem ser tolerados se queremos fazer apreciável progresso na busca espiritual, a que agora nos temos dedicado.

O movimento para adiante, intencional e firme, isto é, crescimento espiritual contínuo, deve ser agora a marca de nossa existência. Isso apenas será logrado se somos plenamente conscientes do que estamos fazendo e como o estamos fazendo e, se então, deliberada e conscientemente, damos os passos necessários para fazer o que sabemos que é correto, em todas as situações. Isso será possível somente se mantivermos um programa sincero e regular de contínuo exame de consciência.

Qualquer pessoa, não importa quão iluminada e progressista pareça, engana-se se crê que a necessidade do estudo de si mesma não se aplica a ela. Nossas provas e aflições multiplicam-se à medida que lutamos pelo progresso espiritual e quanto maior a altura, maior o perigo de uma caída. Nossos atos, nossas palavras, nossas atitudes, as próprias auras que nos rodeiam devem fazer-se mais refinados e elevados, à medida que prosseguimos.

Se temos feito algum progresso, as características que possam haver bastado há dois anos, já não seriam agora completamente adequadas. Pelo fato de havermos feito as necessárias mudanças dentro de nós, já agora devemos ter aprendido a avaliar-nos com mais esmero.

“Conhece-te a ti mesmo!” Uma advertência enganosamente simples! Quantas pessoas se conhecem a si mesmas corretamente, neste mundo? É certo que muitos que nunca se ocuparam em examinar-se a si próprios conscientemente, creem que se conhecem definitivamente e indignar-se-iam em ouvir que muito de suas mais íntimas personalidades, todavia, estão escondidas deles mesmos.

Apenas quando sinceramente nos ocupamos da consciente análise de nossos motivos, reações, metas, hábitos, fortalezas, debilidades e perspectiva integral, tal como o que é muito frutiferamente praticado durante a retrospecção noturna, é quando começamos a compreender quão pouco sabemos acerca do que fazemos, o porquê do que fazemos e que características, hábitos e atitudes devem ser fortalecidos ou mudados, com o objetivo de assegurar um automelhoramento contínuo.

Mais frequentemente do que cremos, o “eu” que tem funcionado tanto tempo e com êxito em um nível predominantemente material, deve ser drasticamente alterado para satisfazer as demandas do avanço espiritual. Unicamente quando nos temos observado a atuar, com um olho tão objetivo e claro quanto seja possível, compreenderemos a total extensão das mudanças necessárias.

O egocentrismo toma muitas e sutis formas e qualquer estudante sério dos Ensinamentos da Fraternidade sabe, por experiência, que uma pessoa pode sinceramente crer que está impulsionada por considerações inegoístas para somente depois, em um exame mais apurado, perceber que os subjacentes impulsos não são, no final, senão os do egoísmo. Não descobrimos isso, todavia, como resultado de observação superficial. Somente um autoescrutínio intenso revela todas as inesperadas e escondidas fraquezas mentais e emocionais a que somos propensos.

Em II Coríntios 13:5, São Paulo advertiu a seus leitores, assim: “Examinais a vós mesmos, se estais em fé; provais a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.       J

Se verdadeiramente estamos “em fé”, isto é, conformando-nos com os princípios do Cristianismo esotérico aos quais professamos termos aderido, o exame de consciência certamente revelará isso. Se estamos simplesmente tributando louvores fingidos aos ideais superiores, enquanto na prática estamos seguindo às ordens da natureza inferior, o exame de consciência também fará essa revelação.

O primeiro dos preceitos dados a todo novo estudante da Fraternidade Rosacruz é a simples, mas omni-inclusiva, afirmação de que “Cristo Jesus será seu ideal”. Se fazemos continua comparação entre nossa conduta e a que sabemos que teria sido observada por Cristo Jesus e atuamos em conformidade com tal comparação, ainda quando o resultado seja, ao princípio, decepcionante ao extremo, podemos esperar fazer um progresso gradual.

“Não reconheceis a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós?”. Perguntou São Paulo. Perguntas que poderíamos proveitosamente fazer a nós mesmos cada noite, tais como: Em que grau foi permitido funcionar o Cristo dentro de mim, no dia de hoje?; Tratei de enfrentar esta ou aquela situação como Cristo Jesus teria enfrentado?; Tratei de irradiar a Luz e o Amor de Cristo desde meu interior para os demais?; Foram meus interesses egoístas ou altruístas?; Preguei o Evangelho por meio do exemplo, no dia de hoje?

Um programa conveniente de exame de consciência ajudará, com o tempo, a conseguir os outros elementos de “individualidade” que devem ser alcançados por toda a humanidade evolucionante. O controle de si mesmo, isto é, a sujeição da natureza inferior a superior e a substituição dos desejos pessoais por motivos humanitários desenvolve-se gradualmente, em parte como resultado da profunda avaliação das razões pelas quais fazemos o que fazemos. Se compreendemos plenamente nossos motivos podemos alterá-los, se for necessário, para fazermos nossa conduta mais de acordo com o que se espera de um estudante espiritual. O autossacrifício, a doação de si mesmo, em tempo, pensamento e ação para benefício da humanidade semelhante, é dessa maneira também intensificado.

O exame de si mesmo é também fundamental para o desenvolvimento da autoconfiança. Quanto mais nos estudamos e compreendemos, mais seguros de nós mesmos nos tornamos e somos menos inclinados a nos apoiarmos em outras pessoas.

Certamente, nunca é prejudicial e às vezes ajuda ouvir as diferentes opiniões e bons conselhos, mas devemos gradualmente cultivar o suficiente juízo, discernimento e sabedoria para sermos capazes de tomarmos nossas próprias decisões em toda as coisas. Um programa efetivo de autoexame, repetimos, é fundamental para essa capacidade.

Finalmente, chegaremos à meta final de nossas vidas terrestres, a do domínio de nós mesmos. Nesse ponto o Eu Superior tem completa autoridade: a natureza inferior vencida permanentemente. Aqueles que alcançam esse superior estado de existência levam vidas de serviço irrepreensíveis, impecáveis, virtuosas e completamente inegoístas.

Sabem como conduzir-se, do ponto de vista espiritual, em toda circunstância concebível e o fazem automaticamente, já não tendo que depender de intensos esforços de vontade para manter-se no caminho reto. Alcançam esse mais elevado nível de esforço terreno porque aprenderam a conhecer-se a si próprios completamente e a atuar inteligentemente e de acordo com esse conhecimento.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 07/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Viver pela Metade

Viver pela Metade

Aqueles que seguem os ensinamentos da Filosofia Rosacruz ou que os elegeram como filosofia de vida, não podem mais manter certas dúvidas a respeito da vida espiritual.

Sabe-se que o primeiro passo e o mais difícil na crença das verdades espirituais, e admitirmos a Reencarnação, ou melhor, a Lei do Renascimento como ponto pacifico para a continuidade de nossos estudos e atividades na senda do Progresso. Entretanto, não ignoramos que existem muitos outros pontos, milhares deles, dos quais pode depender a nossa ascenção.

Em princípio, toda a asserção sábia, contém sempre em si mesma dois sentidos: o material, do qual se reveste para ser enunciada, e o espiritual ou oculto, que deve ser desvendado.

Analisemos de passagem, o que diz a Bíblia pela boca do Mestre, naquele versículo: “Se uma casa se levantar contra si mesma, essa casa não subsistirá”. O valor material dessa assertiva está bem claro e é um chamado à ordem àqueles que não sabem defender sua família, seu lar, seus filhos, tanto de Sangue como de ideal, contra o erro, a agressão, a maledicência, às vezes até contra si mesmo; já o sentido espiritual, faz-nos penetrar num. terreno mais sutil e perceber a face oculta da Verdade.

Então notaremos que tanto pode restringir-se ao relacionamento de alma, como ao próprio relacionamento Interno de cada um, melhor dizendo, aos cheques e entrechoques de nosso eu inferior com a verdade que já existe em nós. Choques esses que muitas vezes se apresentam sob a forma de dúvida, de limitações, de oscilações prejudiciais. Aliás, a dúvida conduz naturalmente às limitações, principalmente se ela atinge os valores espirituais da vida.

“Se uma casa se levantar contra si mesma”, isto é, se os nossos pensamentos espirituais não coincidirem totalmente com as nossas ações, com o nosso modo de vida, se mesmo conhecendo e sentindo os valores reais da vida, ainda perdemos tempo derivando por caminhos da matéria; se mesmo sentindo dentro de nós, maravilhosas verdades cantando sua música num coro divino, e apesar de tudo introduzimos ainda outros ritmos de canções menos celestiais, por algumas notas que sejam., estaremos quebrando a nossa sintonia interna e pondo uma pedra no caminho da nossa elevação espiritual. E é então que “essa casa não subsistirá”, porque não há equilíbrio interno que resista às oscilações a que a natureza externa das coisas muitas vezes nos submete, ou melhor dizendo, oscilações a que nós permitimos ser submetidos por nossas próprias fraquezas, nossa falta de coragem para aceitar integralmente a Verdade como escopo de vida, como única realização justa e aceitável em nosso progresso. Aí é que entra aquela frase bíblica tão conhecida, de que “não se pode servir a dois senhores”.

Porque estaremos servindo a dois senhores enquanto ainda ‘mantivermos dentro de nós, por insignificante que seja, algum interesse material,; quando ainda não tivermos a coragem, a determinação de afastar de nosso Caminho, tudo o que esteja fora das verdades espirituais, quando ainda não nos tivermos revestido o máximo possível daquele equilíbrio que nos leva a selecionar de imediato o joio do trigo, não aceitando nada que possa contrariar nossas verdades internas; quando ainda não soubermos encarar a vida e a humanidade como resultados de algo maior, algo superior à própria vida física e pautar nossa vida por essa crença, sem desvios numa entrega completa a Verdade, numa dedicação sem limites à causa dessa mesma verdade, dessa mesma vida superior, estaremos, repito, servindo a dois senhores. Isso porque, na senda do espiritualismo, chega o tempo em que já não se pode viver pela metade.

Ou somos, ou não somos. Ou cremos, ou não cremos. E, se cremos, temos que manter essa crença no seu verdadeiro nível de pensamentos, de sentimentos e de ações.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/73 – Fraternidade Rosacruz –SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Governo Invisível do Mundo

O Governo Invisível do Mundo

Sempre achamos que um “chefe de movimento”, um indivíduo livre, agindo por sua própria vontade cria e destrói povos, nações, impérios; mas, não passa de um instrumento do governo invisível do mundo, o poder situado detrás dos tronos, os Espíritos de Raça. Vamos detalhar aqui como isso ocorre.

Como estudantes da Filosofia Rosacruz, sabemos perfeitamente que as diferentes espécies de animais são dirigidas por um Espírito-Grupo, do Mundo do Desejo. Esse Espírito-Grupo é seu guardião, zelando por sua segurança e dando-lhes o mais conveniente à sua evolução. Não importa a posição geográfica dos animais sob sua proteção; o leão das selvas africanas está dominado pelo mesmo Espírito-Grupo do leão encerrado em uma jaula de qualquer centro civilizado. Assim, esses animais apresentam as mesmas características principais, emanadas do Espírito-Grupo comum; têm os mesmos gostos e preferências alimentares, agem de maneira igual em circunstâncias parecidas. Se queremos estudar a espécie dos leões, ou dos tigres, basta estudarmos um espécime, de vez que não têm arbítrio e nem prerrogativa e agem inteiramente de acordo com os ditames de seu Espírito-Grupo.

O mineral não pode escolher se deve cristalizar-se ou não; a rosa vê-se sujeita a florescer; o leão vê-se impelido a dominar a presa e todos seus movimentos são governados pelo Espírito-Grupo.

Mas o ser humano é diferente. Quando pretendemos estudá-lo, verificamos que cada indivíduo é uma espécie em si mesmo. O que um faz em certas circunstâncias, não pressupõe que outro faça identicamente. “O que a um serve de alimento, para outro é veneno” e cada qual tem diferentes gostos e aversões. Isto ocorre porque o ser humano, tal como o vemos no mundo físico terreno, é a expressão de um Espírito interno individual, que tem, aparentemente, a faculdade de escolha e livre arbítrio.

Porém, em realidade o ser humano não é tão livre como parece; todos os que vêm estudando a natureza humana observaram que em certas ocasiões um grande número de pessoas se porta como se estivessem dominadas por uma força externa, por um mesmo espírito.

É igualmente fácil verificar, sem recorrer ao ocultismo, que as diferentes nações têm certas características psicossomáticas.

Todos conhecemos os tipos alemães, franceses, ingleses, italianos, espanhóis. Cada uma dessas nacionalidades tem características diferentes das de outras, demonstrando haver um Espírito de Raça, nas raízes de tais peculiaridades. O ocultista dotado de visão espiritual sabe muito bem que é assim mesmo. Cada nação tem um Espírito de Raça diferente, passando como nuvem sobre o país inteiro.

Nele vive, move-se e tem seu ser a população de um país. Ele é seu guardião e trabalha constantemente pelo desenvolvimento de seus tutelados, compulsando-lhes a civilização, inculcando-lhes ideais da mais alta natureza, compatíveis com sua capacidade para o progresso.

Lemos na Bíblia, que Jeová, Elohim, que foi o Espírito de Raça dos judeus, apareceu-lhes sobre uma coluna numa nuvem, e no livro de Daniel encontramos consideráveis revelações sobre o modo de trabalhar desses Espíritos de Raça. A imagem vista do Nabucodonosor, de cabeça de ouro e pés de argila, mostrava claramente como uma civilização começava a construir sobre ideais auríferos, depois degenerando gradualmente até que em sua última parte da existência apresenta pés instáveis, de cambaleante argila sendo a imagem condenada à destruição.

Assim todas as civilizações começaram sob a direção de diferentes Espíritos de Raça, mantendo áureos ideais; mas a humanidade, exercendo seu livre arbítrio, não segue implicitamente os ditames do Espírito de Raça como o fariam os animais em relação aos respectivos Espíritos-Grupo. Esta é a razão do porquê, no transcurso do tempo, de uma nação cessar de elevar-se e, como não pode ”existir imobilidade” no Cosmos, começa a degenerar até formar pés de argila, sendo necessário então um golpe que a desmorone a fim de outra civilização edificar-se sobre suas ruínas.

Mas os impérios não caem sem um poderoso golpe físico. Assim, invariavelmente, no tempo em que a nação deve cair levanta-se um instrumento do Espírito de Raça para essa missão. Nos Capítulos X e XI do Livro de Daniel podemos conseguir alguma iluminação sobre o trabalho invisível dos Espíritos de Raça, os chamados “poderes por detrás do trono”.

Daniel vê-se conturbado espiritualmente; jejua durante três semanas completas; clama por luz e depois desse tempo aparece-lhe um Arcanjo, um Espírito de Raça, e lhe diz:

“Não temas, Daniel, pois desde o primeiro dia em que quiseste que teu coração compreendesse e te purificaste diante de teu Deus, tuas palavras foram ouvidas e por elas vim aqui. Mas o príncipe do reino da Pérsia me reteve durante vinte e um dias” e eis que Miguel, um dos primeiros Príncipes, veio em meu socorro e ali fiquei com o rei da Pérsia”. Depois de explicar a Daniel o que há de ocorrer, diz: “Sabes de onde vim, até aqui? E agora voltarei a combater com o príncipe da Pérsia; e quando me for, eis que o príncipe da Grécia chegará e ninguém há que possa obrigar-lhe a fazer estas coisas, além de Miguel, vosso Príncipe”. Também disse o Arcanjo: “No primeiro ano de Dario, o Medá, também estive com ele para acreditá-lo e fortalecê-lo”.

Assim, quando a sentença manuscrita pende de um muro, levanta-se alguém para desfechar o golpe; pode ser um Ciro, um Dario, um Alexandre, um César, um Napoleão, um Kaiser. E tal instrumento humano pode se julgar um “chefe de movimento”, um indivíduo livre, agindo por sua própria vontade; mas, não passa de um instrumento do governo invisível do mundo, o poder situado detrás dos tronos, os Espíritos de Raça, que veem a necessidade de destruir as civilizações que deram de si toda utilidade, de modo que a humanidade possa tomar um novo impulso e evoluir sob mais alto ideal em relação ao que, até então, esteve envolta.

O próprio Cristo, durante Sua permanência na Terra, disse: “Não vim trazer a paz, senão uma espada”, pois Lhe era evidente que, enquanto a humanidade estiver dividida em raças e nações, não poderá haver “paz na terra e boa vontade entre os homens”. A paz será possível somente quando as nações tiverem conseguido unir-se numa Fraternidade Universal.

As barreiras do nacionalismo devem converter-se num crisol de fusão, onde o melhor de todas as velhas nações se mescle e se amalgame para que surja uma nova raça de mais elevados ideais e sentimentos fraternos universalistas, como precursora da Era de Aquário. Entretanto, as barreiras do nacionalismo vão sendo rompidas com os terríveis conflitos mundiais, aproximando o dia da amizade universal e da realização da fraternidade humana.

Há outro objetivo que também deve ser alcançado. De todos os horrores a que está sujeita a humanidade, não há nenhum maior que a morte, que nos separa daqueles a quem amamos. Nosso sofrimento advém da falta de possibilidade de os vermos depois que foram despojados de seus corpos. Mas, tão certamente como o dia se segue à noite, também, certamente, nossas lágrimas acabarão por diluir a escama que oculta aos olhos dos seres humanos a terra desconhecida dos mortos que agora reafirmamos: uma das maiores bênçãos que resultará das guerras será a vista espiritual que um grande número de pessoas certamente adquirirá.

O profundo sofrimento de milhões de seres humanos, o anelo de novamente ver os que lhe são queridos e que tão súbita e cruelmente lhes foram arrebatados são forças de incalculável poder e fortaleza.

De igual maneira, aqueles que foram prematuramente levados pela morte, e agora estão nos Mundos invisíveis, sentem um intenso desejo de reunir-se aos que lhes são caros, para dizer-lhes palavras de consolo e convencê-los do bem-estar que presentemente desfrutam. Pode-se até dizer que, dos grandes exércitos que se formaram nas duas guerras mundiais, por milhões e milhões de pessoas, além dos outros desastres coletivos, surge um sentimento, de fantástica energia e intensidade de propósito que está minando os muros que separam o visível do invisível.

Dia após dia, tais muros ou véus se tornaram finos, mais débeis e, cedo ou tarde, os vivos e os mortos que vivem se encontrarão na metade do túnel. Antes mesmo do que podemos imaginar essa comunicação se estabelecerá e, então, veremos como a coisa mais natural deste mundo o fato de alguém deixar seus corpos ao morrer. Não sentiremos pesar nem perda alguma, porque poderemos vê-los, em todas as horas, nos seus Corpos Vitais, movendo-se ao nosso redor, como até então faziam. Assim venceremos o grande conflito da morte e poderemos dizer: “Oh, morte! Onde está tua gadanha? Oh, sepulcro! Onde tua vitória”.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/1971)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ressaltemos os Fundamentos e as Verdades que brotam dos Ensinamentos Rosacruzes

Ressaltemos os Fundamentos e as Verdades que brotam dos Ensinamentos Rosacruzes

Ressaltemos os fundamentos, a verdade e a atração que brotam desses ensinamentos da Sabedoria Ocidental e que foram tão bem expostos pelo notável arauto dos Irmãos Maiores.

Atualmente, nota-se uma preocupação constante de suavizar o espírito de competição, profundamente evidenciado na dinâmica civilização ocidental, através do bom relacionamento que, embora ainda mesclado com interesses pessoais e grupais, indica a aurora de uma condição ainda mal compreendida pelos seres humanos e, por isso, mal-empregada.

Essa condição, que exprime um estado de espiritualização, alicerçou a obra, a Vida e o ideal de Max Heindel. Por essa razão, a Filosofia Rosacruz pode ser denominada de FILOSOFIA DO CORRELACIONAMENTO, porque ela concede aos seus estudantes a possibilidade de tudo correlacionar, de aparar as arestas dos desentendimentos, de unir os opostos e de operar o milagre de estabelecer o entendimento e a harmonia entre os seres humanos.

Mas, de que maneira? – Muitos poderão perguntar.

Os fundamentos da Filosofia Rosacruz apoiam-se em dois princípios básicos enunciados por Cristo: “Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, depois, “Mas não sereis VÓS assim; antes o maior entre VÓS seja como o menor; e o que governa como quem serve”.

Assim, os fundamentos em que estão amparados os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, expostos no Conceito Rosacruz do Cosmos e nas demais obras de Max Heindel, são os princípios do AMOR e do SERVIÇO; na terminologia Rosacruz “O SERVIÇO AMOROSO E DESINTERESSADO PRESTADO AOS DEMAIS”.

Nosso Irmão Heindel sempre chamou a atenção dos estudantes para o fato de que o estudo da Filosofia Rosacruz se torna inútil se os seus ensinamentos não forem aplicados ou vividos sinceramente. Na aplicação dos ensinamentos da Filosofia, no início da aprendizagem, temos de levar em consideração o SÍMBOLO. O SÍMBOLO é o auxiliar do aspirante Rosacruz em particular, bem como de toda a humanidade em geral. Há um valor oculto e universal no SÍMBOLO que, mesmo depois da Iniciação, o aspirante Rosacruz reverencia. Ele constitui-se no meio de ligação entre o oculto e o visível, crescendo em significação na medida em que o aspirante cresce espiritualmente. Eis porque Max Heindel no livro Iniciação Antiga e Moderna nos diz: “o simbolismo que desempenhou um papel de importância capital em nossa evolução passada, ainda é uma necessidade vital para o nosso desenvolvimento espiritual”.

Daí então a conveniência em estudá-lo tanto com os nossos corações, como também com os nossos intelectos. Os diferentes símbolos divinos que têm sido outorgados à humanidade por uma e outra vez, falam a esse tribunal da verdade que existe dentro do nosso íntimo e despertam as nossas consciências para as ideias divinas que estão completamente além do alcance das palavras.

Desse modo, somos levados a considerar o SÍMBOLO como um auxiliar eficaz para a prática daqueles dois princípios enunciados: AMAR E SERVIR.

SERVIR BEM E DESINTERESSADAMENTE É AMAR, mas como encontramo-nos ainda na fase de aprendizagem, “vemos como que através de Vidros obscurecidos”, como diz o nosso ritual. Depositamos “a essência que emana dos Pães da Proposição” na “Rosa Branca” do nosso SÍMBOLO, a fim de que os Irmãos Maiores a empreguem onde acharem mais conveniente.

Executando um trabalho dessa natureza, vamos gradativamente nos tornando aquilo que na terminologia Rosacruz designa-se por AUXILIAR, primeiramente um AUXILIAR Visível, operando pelo uso da VONTADE QUE APLICA OS ENSINAMENTOS ROSACRUZES, para depois qualificar-se também para agir como AUXILIAR INVISÍVEL, um cidadão dos mundos. Por isso, cinco dias antes de passar para o além, nosso Irmão Heindel escreveu uma carta aos seus estudantes, na qual sublinha o ponto fundamental do êxito em assuntos espirituais e, portanto, no VIVER A VIDA. Essa carta de Max Heindel está à disposição dos amigos que podem retirar uma cópia ou mais, na Secretaria.

(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross e Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/1967)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Destino de Amorosidade: Karma, Carma, Destino ou Destino Maduro

A palavra Karma[1] provém do sânscrito, sendo muito utilizada na literatura esotérica para designar aquilo que nos Ensinamentos Rosacruzes conhecemos como Destino Maduro ou simplesmente destino. Esse termo generalizou-se tanto, face à invasão de filosofias orientais sofrida pelo Ocidente, a ponto de já ser usado em forma aportuguesada: Karma ou Carma.

Fiéis aos princípios básicos legados pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, optamos pelos vocábulos Destino Maduro ou destino. Destino, no sentido esotérico, associa-se a dívidas contraídas sob a Lei de Causa e Efeito. Geralmente representa o Efeito ou Consequência.

Muitas pessoas imaginam poder compensar, suavizar ou mesmo neutralizar um destino “sofrido” apenas pelo auto aperfeiçoamento. A superação de vícios e falhas de caráter e necessária e fundamental, mas por si só não é suficiente. É preciso mais que isso.

Lemos nos Evangelhos que certa vez um rapaz aproximou-se do Cristo e exclamou: “Bom Mestre, que bem-farei para conseguir a vida eterna? E Ele disse-lhe: Por que me chamais de bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o mancebo: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o moço ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades”.

Vemos, então, pelos ensinamentos cristãos que não basta apenas cultivar virtudes morais ou adquirir conhecimentos. É necessário, também, servir à humanidade, de maneira desinteressada e amorosa. Nossas vidas e nosso destino só mudam quando trabalhamos duro, em benefício dos nossos semelhantes, cumprindo nossa parte no mundo.

Se é verdade que levamos nossas cargas de destino individual, também é certo que estamos envolvidos num destino coletivo. Somos parte da grande família humana. Tudo que a afeta, afeta-nos também e vice-versa. Não há como fugir dessa realidade.

Não nos esqueçamos de que “a fé sem obras é morta”. O conhecimento é uma grande responsabilidade, e se não se traduzir em atos construtivos e amorosos acabará gerando, pela omissão, um destino muito doloroso.

Muitos esoteristas, após anos de estudos profundos acabam desalentados, queixando-se do insignificante progresso conquistado ao longo de tantos “esforços”. Esforços? Melhor seria se meditassem sobre esses esforços. No fundo, verificarão que durante todo esse tempo não passaram de meros teóricos, alguns até envaidecidos de sua erudição. É lógico, o conhecimento adquirido sempre conduz a algum progresso.

Mas se não for levado à prática, não passará de verniz, de superficialidade enganosa. Como afirmou o Apóstolo: “O conhecimento infla. Mas só o amor constrói”. Amor, no sentido mais elevado é ação. Não pode ser concebido como algo passivo, etéreo ou mesmo subjetivo. O amor deve conduzir à realização de algo construtivo e só por seu intermédio é possível a superação do destino. Só assim podemos, de fato, fazer uso da Doutrina Cristã da Remissão dos Pecados, também conhecida como Perdão dos Pecados.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/86)

[1]Karma ou Carma – ensinada nos países orientais.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Epigênese: Os Seus Novos Caminhos

Epigênese: Os Seus Novos Caminhos

A Revolução Industrial, cujo berço foi a Inglaterra, no século XVIII, modificou totalmente o panorama da sociedade ocidental. A economia, então predominantemente agrícola e artesanal, passou a conhecer uma fase de surgimento de indústrias. As cidades se desenvolveram porque as indústrias nelas se localizavam e suas populações cresceram consideravelmente.

O que se desencadeava, entretanto, não era um processo isolado, mas algo que exigia transformações profundas a fim de manter sua continuidade. Havia, por exemplo, necessidade de transportar matéria-prima de suas fontes até as regiões manufatureiras. O meio de transporte comum era à tração animal. Obviamente não atendia a demanda crescente; em primeiro lugar, porque a disponibilidade de animais de carga era pequena.

Quando tudo parecia caminhar para um impasse, eis que a genialidade de alguém cria a máquina a vapor. Surge a locomotiva. Os trens, as ferrovias, constituem a salvação. Estava resolvido o problema.

Sempre foi assim. Quando a necessidade de progresso do ser humano esbarrava em algum obstáculo ou problema aparentemente sem solução, o gênio inventivo, a criatividade, inovavam em algum campo de atividade humana, encontrando o caminho salvador.

Esse dom de criar algo novo, original, recebe o nome de Epigênese. É uma faculdade inerente a todo indivíduo, mas ainda pouco desenvolvida. Essa capacidade criadora é um traço de identidade entre Deus e o ser humano, porque ambos criam.

Max Heindel, em sua obra Conceito Rosacruz do Cosmos, no capítulo que trata da Involução, Evolução e Epigênese diz o seguinte: “Em todo o transcurso da evolução, através dos Períodos, Globos, Revoluções e Raças, aqueles que não melhoram, por não formarem novas características, ficam para trás e começam imediatamente a degenerar. Só os que permanecem plásticos, flexíveis e adaptáveis podem modelar novas formas, apropriadas à expressão da consciência que se expande. Só a vida capaz de cultivar as possibilidades de aperfeiçoamento, inerentes na forma que anima, pode evolucionar com os adiantados de qualquer Onda de Vida. Todos os outros ficam atrasados”.

“É esta a medula do Ocultismo. O progresso não é um simples desenvolvimento, nem tampouco Involução e Evolução, há um terceiro fator, a Epigênese, que completa a tríade”.

“As primeiras duas palavras são familiares a todos os que estudaram a vida e a forma. Admite-se, geralmente, que a Involução do Espírito na matéria tem o objetivo de construir a forma, mas não se reconhece tão comumente que a Involução do Espírito corre paralela à evolução da forma”.

“Desde o princípio do Períodode Saturno até a Época Atlante, quando “os olhos do ser humano foramabertos” pelos Espíritos Lucíferos,as atividades do ser humano (ou força vital que se converteu em humano) era dirigida principalmente para dentro. Essa mesma força que agora o ser humano emprega ou irradia para construir estradas de ferro e vapores, empregava-se internamente para construir um veículo através do qual pudesse manifestar-se. Esse veículo é tríplice, analogamente ao Espírito que o construiu. A forma evolui construída pelo Espírito. Durante essa construção, o Espírito involui até que, nela penetrando, parta para a própria evolução. Os melhoramentos ou aperfeiçoamentos da forma são resultado da Epigênese”.

“Logo, o poder que o ser humano agora emprega para melhorar as condições externas foi empregado durante a Involução com propósito de crescimento interno”.

“Há forte tendência em considerar tudo o que existe como resultado de algo que foi. Olha-se a Evolução como simples desenvolvimento de perfectibilidades germinais. Tal concepção exclui a Epigênese do esquema das coisas, não concede possibilidade alguma de construir-se algo novo, nenhuma margem para a originalidade”.

“O ocultista crê que o propósito da evolução é o desenvolvimento doser humano desde um Deus estático a um Deus dinâmico, um Criador. Se o desenvolvimento que atualmente efetua constituísse a sua educação, e se o seu progresso representasse simplesmente a expansão de qualidades latentes, onde aprenderia a criar?”

“Se o desenvolvimento do ser humano consistisse unicamente em aprender a construir formas cada vez melhores, de acordo com os modelos já existentes na mente do seu Criador, na melhor das hipóteses poderia converter-se num bom imitador, mas nunca num criador”.

“Para tornar-se um criador original e independente é necessário, no seu exercitamento, que tenha suficiente margem de emprego da sua originalidade individual. É isso que distingue a criação da imitação. Conservam-se certas características da forma antiga, necessárias ao progresso, mas em cada novo renascimento a vida evolucionante acrescenta tantos aperfeiçoamentos originais quanto sejam necessários para sua expressão ulterior”.

Vê-se, pois, que sem o emprego da faculdade epigenética o progresso do ser humano, em qualquer campo de atividade, seria uma impossibilidade. Quando deixa de ser ativa nas pessoas, nações, raças e instituições, a evolução cessa, começando daí a degeneração. Todo processo de cristalização na natureza representa a ausência de novos caminhos. A decadência das grandes civilizações principiou pela estagnação de seus valores básicos. A não renovação de suas estruturas, aliada a recusa em reciclar sua cultura, acabou por provocar a degeneração. Isso sempre ocorreu, seja no sentido individual, seja no coletivo.

Os veículos do Espírito também se aperfeiçoam pela Epigênese. As correções e as inovações começam na região dos arquétipos, ou seja, na Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento. A tendência de um veículo, como o Corpo Denso por exemplo, é tornar-se cada vez mais sensível, maleável e responsivo às vibrações espirituais. Esse progresso ocorre porque vimos constantemente aperfeiçoando nossos veículos.

Os corpos das Raças atrasadas estão em franca degeneração porque cristalizaram-se a tal ponto de não admitirem nenhum processo de revitalização. Os antropoides, são o resultado da degeneração de corpos humanos que perderam a sensibilidade. Os seres que usam esses corpos pertencem à nossa Onda de Vida, teoricamente ainda têm chances de progresso. Mas isso só acontecerá se derem um salto gigantesco em sua evolução, a ponto de poderem habitar corpos mais aperfeiçoados, abandonando em definitivo essas formas degeneradas.

É uma lei natural: Nenhum ser pode habitar corpos mais eficientes do que ele seja capaz de construir. Quanto mais uma pessoa avança e trabalha nos seus veículos, mais poder tem para construir uma nova vida.

Nossa capacidade de dominar as configurações estelares determina, em grande medida, o grau de Epigênese que vamos desenvolvendo em cada vida. Estamos sujeitos a poucas ou muitas limitações na vida atual, determinadas por dívidas contraídas em encarnações passadas. Mesmo assim temos certa margem de livre-arbítrio para desencadearmos novas causas. Gerando assim um novo destino. Não somos obrigados a errar. Se renascemos com grande tendência para a sensualidade, os astros podem impelir, mas nada nos vai obrigar a satisfazer nossas paixões carnais. A energia criadora malbaratada pode ser canalizada a objetivos superiores. Essa mesma energia, Deus e as Hierarquias utilizaram na criação do Cosmos. Podemos, portanto, empregá-la no processo epigenético contribuindo para a elevação da humanidade.

O processo da Epigênese é uma forma de transmutação. E isso explica porque certos presidiários reformam-se, tornando-se úteis à sociedade, enquanto outros mantém suas tendências criminosas; ou então, como pessoas com deficiências físicas desenvolvem certas habilidades, tornando-se vitoriosas em alguma atividade. O Espírito pode criar fases verdadeiramente novas de sua individualidade.

O gênio representa a manifestação epigenética no mais alto grau e isso não se explica pela hereditariedade. O gênio expressa sua genialidade não só por sua proficiência artística, intelectual ou profissional, mas principalmente pela sua criatividade. Esta é a diferença entre a competência e a genialidade.

Às vezes, a Epigênese se manifesta unilateralmente. E o caso de artistas que, embora talentosos, deixam muito a desejar moralmente entregando-se à bebida, aos tóxicos ou ao sexo. O talento pode lhes ser retirado temporariamente em vidas futuras, até que decidam a regenerar-se.

Geralmente o autodidata em algum ramo artístico ou profissional tende a ser criativo porque foge dos limitadores padrões acadêmicos. As pessoas criativas podem revolucionar (no mais puro sentido da Palavra) algum campo de atividade. Não raro isso lhes traz sofrimento porque seu trabalho inovador dificilmente será compreendido, além do que constitui uma ameaça aos padrões já estabelecidos naquela área particular. Eles RE-EVOLUCIONAM, isto é, dão novo impulso a evolução. Imagina-se, erroneamente, que revolucionar significa derrubar algo já consolidado.

Thomaz Edison certa vez foi posto para fora do escritório de um financista, em Nova York. O homem de negócios, indignado, afirmou-lhe grosseiramente, que jamais financiaria a produção em escala industrial daquelas “invenções malucas”. Bell foi chamado de louco pela imprensa norte-americana quando anunciou a invenção do aparelho telefônico. Júlio Verne encantou o mundo com suas obras de ficção. FICÇÃO? Hoje, quanto coisa tornou-se realidade.

Goethe modificou profundamente o teor das lendas que envolviam a figura do doutor Fausto, mago, astrólogo e quiromante do século XVI, dando-lhe, epigenéticamente, profundidade esotérica. Esse poema, uma obra-prima da literatura universal, conta a história do ser humano no afã de encontrar o divino em si mesmo.

Leonardo Da Vinci, para citar um exemplo mais distante no tempo, expressou uma exuberância epigenética incomum. Sua figura humana aproximou-se, como nenhum outro, daquele imaginário homem universal. Foi pintor, escultor, matemático, arquiteto, urbanista, físico, astrônomo, engenheiro, naturalista, químico, geólogo e cartógrafo. Suas obras tais como“Anunciação”, a “Virgem dos Rochedos”, a ”Monalisa”, constituem parte do patrimônio artístico da humanidade. Como urbanista, seu projeto para a cidade de Milão foi algo admiravelmente revolucionário. Eliminou as muralhas, traçou canais de esgotos, ruas superpostas para pedestres e pistas livres para veículos. As casas seriam amplas e ventiladas. Haveria praças e jardins. E tudo isso no final do século XV.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos esclarecem, e a própria história da civilização nos confirma, que se caminhamos até o estágio atual de desenvolvimento é porque fizemos uso da devida faculdade epigenética. Exercitar esse dom é encontrar Deus dentro de si mesmo.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’–Fraternidade Rosacruz-SP- maio/1986)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Protesto da Natureza

Protesto da Natureza

O poder da Natureza e sua influência sobre nós, como parte integrante da mesma, é incontestável.

É dele que extraímos o alimento, o ar que respiramos, a água, o benefício que nos proporciona a energia solar e o rico alimento dos mares como se um mundo à parte fosse dentro do nosso próprio mundo e, no entanto, é triste reconhecer o perigo ecológico que ora nos ameaça.

Com um pouco de sensibilidade, alguém ouviu do misterioso silêncio da Natureza o que passo a comentar.

A noite estava silenciosa, longe do vozerio da cidade, pois o fato que originou o presente relato é passado na pureza de um aprazível sitio. E eis a impressão desse alguém que meditava na ingratidão do ser humano para com Deus: o monólogo, para os que pensam que ele estava só, começa quando a criatura, ouvindo estranhos sons, procura classificá-los e acaba concluindo que tudo que se passou tem raízes profundas de verdade.

Na bucólica paisagem reinante, a noite é cálida e as estrelas, prateadas falenas divinas, como se fossem partículas de diamantes espargidos pelo zimbório celeste, oferecem magnífico cenário propício à meditação e essa alma contemplativa e cheia de sensibilidade, depois de ouvir e observar com cuidado o que à sua volta se passa, entretém suave diálogo com uma voz estranha e obtém as respostas que tanto a surpreendem.

– Por que ouço no ar soturno soluçar uma espécie de gemido não muito nítido, mas real? E a resposta não se faz esperar.

– O som que se faz ouvir é meu triste protesto contra os que estão a me poluir de mil maneiras. Sou o vento que soluça entre os ramos das árvores, pois já não sirvo como aragem que refresca nem como o ar que alimenta as criaturas. Quando corro, como as águas dos rios tropeço a cada passo, pois vejo deturpados os meus intentos. Quero, com minhas águas, fertilizar o solo, servir de meio de transporte, alimentar peixes e distribuir as minhas águas como enriquecedora fonte a ser consumida. Quando tratada, mitigo sede de todo ser vivente e para mil coisas estou sempre pronta a ser útil. Sou eu ainda que alimento as usinas de força e, unida ao sol, faço crescerem as plantas.

Sou os peixes e as aves que estão morrendo pela poluição daqueles que não me prezam como os prezo eu. Sou todos os animais que são sacrificados como distração para o ser humano que me destrói apenas por esporte, que me trancafia em zoológicos, tirando-me do meu habitat.

Sou as árvores decepadas sem escrúpulo e sem necessidade e que, dentro em pouco, privarão o mundo do oxigênio que generosamente ofereço.

Sou o obscuro grão de areia que pulsa em suas mãos. Sou, igualmente, a pedra que rola pelos caminhos do mundo como algo sem valor, como o pensam as crianças quando me atiram por diversão ou ainda quando me fazem explodir nas pedreiras os adultos, mas aí é diferente; quando elas se despedaçam, minha alma se divide e se multiplica, pois vou servir para alguma construção e me sinto feliz. Quando me tornam útil, sinto-me respeitada.

Muitas vezes, tenho lançado meus protestos através da boca dos vulcões que ponho em erupção ou nos terremotos e maremotos que provoco com grande alarido, afim de ver se com isso desperto o ser humano para a sua evolução, mas minha voz não é ouvida.

Choro por seres que querem e são impedidos de nascer. Pelas guerras e desigualdades que vejo. Pela fome que assola grande parte da população, pois o egoísmo dominou o mundo. Contudo, ainda assim, estou sempre procurando a tudo suportar, pois se muitos fizerem e entenderem o que você faz agora, dentro em breve voltarei a sorrir como as flores nos jardins, como o canto dos passarinhos, como a cantiga das cascatas, como o vento suave a entoar singela melodia.

Como toda a humanidade, possuo o meu lado alegre e o triste. Vou lhe revelar agora quem sou. Eu sou a alma de tudo que o rodeia. Sou a Alma da Natureza, que tudo vê e observa. Sou sua melhor amiga e quero estar sempre sendo sentida pela humanidade.

Alma irmã da minha alma, já se faz alta a noite e os Anjos a convidam para um sono feliz. Caminha para casa e vê se sonha comigo e divulga esse sonho quando despertar. Sou a Alma da Natureza a dialogar com a alma humana.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 02/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Poder do Altruísmo

O Poder do Altruísmo

Sabemos que a força designada sob o termo ALTRUÍSMO existe. Vemo-la manifestando-se de diversas maneiras em muitas partes do mundo. Observamos que ela está menos pronunciada nos povos menos civilizados do que naqueles de maior desenvolvimento. Nas raças atrasadas, é quase inexistente. A conclusão lógica dessa observação é que, há muito tempo, quando a humanidade passava pelos mais primitivos estágios, o altruísmo estava completamente nulo. E dessa conclusão surge naturalmente a pergunta: que foi que o induziu em nós? A personalidade material certamente não foi. Na verdade, esse aspecto do ser humano estaria muito melhor sem ele.

Ao mesmo tempo, não podemos deixar de reconhecer que o altruísmo deve ter estado latente dentro de nós durante todo o tempo, pois do contrário não poderia ter sido despertado. Do nada não pode surgir qualquer coisa. O que uma semente exprime ao germinar, levava-o dentro de si.

Torna-se, pois, evidente que, tudo que eleva o ser humano a melhor padrão de conduta deve brotar-lhe do íntimo, de uma fonte não idêntica ao seu corpo, pois muitas vezes luta contra os interesses mais óbvios deste. Doutro lado, deve ser uma força poderosíssima, bem mais forte que o corpo, uma vez que o compele a fazer sacrifícios, em benefício dos fisicamente mais frágeis.

Tal força existe mesmo, ninguém poderá negar-lhe a existência. No atual estágio de desenvolvimento ela nos leva a considerar na debilidade alheia, não uma oportunidade de presa fácil e da exploração; ao contrário, nessa fragilidade vemos um apelo de proteção. O egoísmo vai sendo, lenta e seguramente dissolvido pelo altruísmo.

Embora lento, o progresso do altruísmo é ordenado certo, realizando naturalmente seus propósitos. No íntimo de cada um de nós ele vai agindo como um fermento, transformando o selvagem num civilizado e, com o tempo, transubstanciando este num Deus.

Uma chispa do Cristo Cósmico, incorporada em nosso Redentor, para seu trabalho de purificação de nosso globo e estabelecimento de um clima favorável ao desabrochar do altruísmo, obteve acesso à Terra por meio do sangue purificado de Jesus, que fluiu no sacrifício do Gólgota. Atualmente essa chispa Crística está operando dentro de nosso globo para atenuar sua constituição física e suprafísica. Um poderoso fluxo espiritual foi sentido, no momento em que Ele se integrou à Terra, e uma luz irradiou-se tão intensa que toldou a visão do povo; este maravilhoso evento marcou o início da ação do princípio altruístico sobre o gênero humano. Isto tem concorrido sobremaneira para a segurança do processo evolutivo, pois dia a dia todos os sentimentos que fortalecem o interesse próprio são gradualmente transmutados em ações visando o bem-estar alheio.

Se o Cristo não tivesse vindo e iniciado tal processo descristalizante, outra Lua teria sido arremessada ao espaço, levando consigo a escória resultante daquele tenebroso estado de coisas. Esse sacrifício do Espírito do Cristo Cósmico não significa a Sua morte como comum e erroneamente é admitido, mas sim um influxo à Terra de uma elevadíssima energia que permite vivermos mais abundantemente em espírito.

Ainda hoje, séculos após o acontecimento do Gólgota, poucos são aqueles que estão aptos a viver tão próximos à verdade, seguindo suas concepções, professando-a e confessando-a perante o mundo por meio do serviço e por um reto viver. Ante tamanha evidência, bem podemos imaginar como deve ter sido nos remotos tempos que antecederam ao advento do Cristo, quando os seres humanos não possuíam dentro de si a elevação do Altruísmo.

Os padrões de moralidade eram muito baixos e o amor à verdade era uma tênue chama, quase inexistente na maioria dos seres humanos, os quais empenhavam-se mais em acumular riquezas, poder ou prestígios, muitas vezes por meios os mais abjetos possíveis. A tendência natural era conservar a inclinação aos interesses próprios, muitas vezes em detrimento de outrem.

Dessa forma, os Arquétipos enfraqueceram-se, as funções orgânicas foram afetadas intensamente, particularmente em relação aos corpos ocidentais que se tornaram mais sensitivos à dor em virtude do crescimento da consciência espiritual.

O Egoísmo não existia no mundo até que a névoa se condensasse e a humanidade saísse da atmosfera aquosa da Atlântida. Quando seus olhos se abriram, de modo que pudesse perceber o Mundo Físico e tudo o que nele existia, quando cada um ou cada uma viu-se separado dos outros, a consciência do “mim e do meu”, do “teu e da tua” formou-se nas mentes recém-surgidas e a ambição e separatividade substituíram o sentimento de companheirismo até então existente sob as águas da Atlântida. Daí em diante o egoísmo tem sido uma atitude muito natural, mesmo em nossa jactanciosa civilização. O Altruísmo permanece como um sonho utópico para as pessoas “práticas”.

Porém, entre uma minoria a qual já possui evidente iluminação, ele floresce mais e mais, e dia virá em que todos os seres humanos serão tão bons e indulgentes como o foram os maiores santos.

À medida que os anos passam, os movimentos altruístas vão se multiplicando e ganhando eficiência, eficiência que simboliza um novo modo de beneficiar o próximo. Isso consiste num altruísmo mais autêntico, visto que o trabalho efetuado no sentido de se distribuir esmolas, pura e simplesmente, torna-se um meio caritativo degradante e humilhante àquele que recebe o donativo, pois a natureza do benefício confina-se somente à necessidade material, tornando-se mister que haja uma atitude concomitante visando a elevação do ser.

Essa forma de auxilio mais aperfeiçoada, eleva aqueles a quem nós ajudamos, não só amenizando a situação em que se encontram, mas estimulando-os ao reerguimento por meio das próprios forças. Essa espécie de auxílio inclui o pensamento e o autossacrifício que estão sendo incutidos fortemente pelos nossos Guardiães Invisíveis, os quais são atualmente os irmãos que zelam pelos mais fracos.

Podemos perfeitamente iniciar tal trabalho no lar, sendo amorosos para com todos aqueles com quem estamos em contato imediato, sendo fiéis nas pequenas coisas, pois procedendo assim maiores oportunidades não deixarão de se apresentar.

Devemos nos tornar universais em nossas simpatias, pois o refrão “ame ao vosso vizinho como a ti mesmo” se aplica ao mundo inteiro e não unicamente aos nossos vizinhos imediatos. Podemos amar outras famílias bem como a nossa, outros países sem diminuirmos amor para com o nosso.

Grandes são as dores que estão fazendo nascer o Altruísmo em milhões de corações, porém, por meio do sofrimento ele cresce e torna-se melhor do que antes. À medida que o tempo passar e Cristo, por meio do seu beneficente influxo atrair mais Éter Interplanetário à Terra, esta ficará com o seu Corpo Vital bem mais luminoso.

Assim acontecendo, caminharemos num mar de luz, o que fará com que Ele, sendo a Luz, venha a unir-se com outras luzes.

Para que o ser humano atinja um elevado estágio em sua evolução, é mister que o egoísmo seja absorvido pelo Altruísmo.

Saturno, brandindo o chicote da necessidade sobre o ser humano nos tempos primitivos, o levou à situação presente; assim também Júpiter, o Planeta do Altruísmo, está destinado a ascendê-lo ao estado de “super-homem”, onde permanecerá sob o Raio de Urano que por sua natureza emocional substituirá a paixão pela compaixão.

O Altruísmo, a nota-chave de Urano, oculta um amor envolvente tal como o Salvador sentiu. Urano, como a oitava inferior a Vênus, influenciará a todos aqueles que estão em condições de entrar no Caminho da preparação que os conduzirá à Iniciação. Assim, todos os seres que estão nesse ponto de sua evolução deverão gradualmente aprender a suplantar o Amor Venusino, iniciando dessa forma o cultivo daquele amor Uraniano de Cristo, amor que não requer retribuição, amor que não se amainará em relação aos nossos familiares, porém estes senti-lo-ão com maior intensidade do que aqueles que se encontram mais distantes de nós.

A vida superior (Iniciação) não apresenta seus primeiros indícios até que o trabalho sobre o Corpo Vital seja iniciado. O meio dinamizante dessa atividade é o amor ou melhor, o Altruísmo, embora a palavra amor, hodiernamente, devido às deformações porque passou, não exprima mais com fidelidade aquele sentimento que o Cristo nos legou. Exige-se de nós que cultivemos pelos menos algumas das tendências altruísticas, a fim de que o progresso seja levado a efeito para além do nosso presente estágio.

Como estudantes do Cristianismo Esotérico, devemos nos esforçar no sentido de observar os ensinamentos de Cristo Jesus, procurando expressar e vivificar tenazmente o amor e o Altruísmo. Assim procedendo, estaremos mostrando ao próximo que o amor é a chave que abre todas as portas e a bússola segura e infalível a conduzir-nos à Luz. Se compreendemos que nosso dever é difundir a Filosofia Rosacruz, saibamos também como fazê-lo.

A ação com objetivo de proselitismo ou perturbar as crenças já existentes não se coaduna com o ideal Rosacruz, mas, chegar àqueles que necessitam de verdades mais elevadas, àqueles que não podem encontrar Cristo pela fé somente, àqueles cujos intelectos exigem uma explicação do passado, do presente e do futuro desenvolvimento do mundo e do ser humano, isto sim é procurar dar expansão ao rosacrucianismo por meios seguros e louváveis.

Sumariando, concluímos: assim que o ser humano principia a viver em consonância com a verdade, começa a observar a sociedade, vendo os homens e mulheres como sendo seus irmãos e irmãs. O ódio, a inveja, o ciúme, o egoísmo, a cobiça, a avareza não mais o embotam, porque ele vê a si mesmo como uma parte de todas as vidas.

Sabe perfeitamente que aquilo que é bom para um é bom para todos, que nunca poderá ferir a alguém sem que fira a si próprio e que sua vida é um entrelaçar inexorável com toda a humanidade. Portanto, o seu coração é levado inevitavelmente ao amor impessoal, ao amor para com todos homens e mulheres. Vê a possibilidade da consciência espiritual de cada um sendo desenvolvida; compreende que todos estão trilhando o mesmo caminho, embora ele esteja um pouco mais além, que nenhuma vida poderá ser deixada para trás quando os benéficos propósitos de Deus se completam.

O que o ser humano chama de pecado, ele transmuta em termos de ignorância e de egoísmo. Sua compreensão já não lhe permite desprezar ou condenar a alguém, mas sim, expressar compaixão, simpatia e ajuda. O ser humano espiritual não somente compreende a sua união com Deus, como jamais olvida a sua unidade com todo o gênero humano. Isso é o Altruísmo no seu mais elevado sentido.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/1967)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Missão Edificante e Equilibradora da Fraternidade Rosacruz

A Missão Edificante e Equilibradora da Fraternidade Rosacruz

Os que já estudaram e comprovaram o poder do pensamento e do sentimento, sabem perfeitamente o efeito que eles produzem nos planos invisíveis, difundindo-se e afetando todas as pessoas que lhes estejam sintonizadas, por mais distantes que se encontrem.

Ora, os trabalhos coletivos da Fraternidade – comum ofício devocional de poderosos efeitos, com os sentimentos e pensamentos conjugados de pessoas idealistas e amorosas – contribuem, em proporção muito maior do que se imagina, para o advento da nova Era de Aquário e estabelecimento da Fraternidade Universal. Uns poucos milhares de pessoas preparadas, trabalhando afinadas num mesmo ideal, podem mudar a história do mundo inteiro e transformar o estado de consciência humana em Consciência divina. A espiritualização da consciência humana será conseguida através de uma minoria que conhece e vive a verdade, estendendo-a da esfera individual para a da coletiva e ao mundo inteiro.

A influência de Aquário, iniciada em meados do século passado, se acentua com a descida de Éteres refinados.

Através deles Urano sensibiliza-nos a aura e nos predispõe a ideais mais avançados. Desse modo, aqueles que buscam a Luz, estão sendo incentivados pelos Guias da Humanidade e entrando num círculo cada vez mais estreito de causas e efeitos, aspirando e recebendo cada vez mais os Ideais da Nova Idade. Mas para isso deverão exercitar: receber e dar à luz e o amor divinos. Só assim poderão fazer jus ao influxo e é realmente um privilégio encontrarmos ensinamentos tais como os que se nos oferecem na Filosofia Rosacruz.

Conscientizando-os, aplicando-os com Amor, vamos seguramente transformando o ser humano velho em novo e realizando, em trabalho conjunto com os companheiros da Fraternidade, essa transubstanciação da Humanidade.

Portanto, a espiritualização começa em nosso íntimo e daí se projeta, como silenciosa pregação, ao mundo inteiro, elevando-o juntamente conosco, conforme exemplifica Max Heindel ao contar a história da pregação de São Francisco de Assis.

Feliz do indivíduo que recebe a Oportunidade de conhecer verdades espirituais tão altas e honestas; e mais feliz ainda o que toma a decisão de sobrepor-se, de superar-se, vivendo a vida espiritual, encetando a busca sincera e perseverante de Deus, em seu íntimo, buscando a Luz dentro dele, até lográ-la; o irromper da consciência divina e receber-Lhe o influxo glorioso e transformador.

Ao buscar e alcançar a própria realização, transforma-se, ao mesmo tempo, num servidor da humanidade!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1971)

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