porFraternidade Rosacruz de Campinas

Sublimação – Falemos sobre o conceito esotérico: Harmonia

Sublimação – Falemos sobre o conceito esotérico: Harmonia

Todos nós já passamos pela experiência de adentrar um recinto onde tudo aparentava a mais perfeita paz. Sentíamos, porém, que as coisas não eram exatamente como pareciam: o ambiente estava realmente carregado de tensões encobertas. Se há desacordo ou ressentimento no coração das pessoas, o disfarce de pequenas frases amáveis não pode ser qualificado de harmonia. A harmonia não é ausência de qualquer coisa; é, sim, a presença do amor.

Ao examinarmos a vida de Cristo-Jesus, vivenciaremos um exemplo de harmonia. Ao procurarmos as fontes dessa harmonia, encontramos uma constante atmosfera, um contato permanente com o Pai, o que Lhe permitia afirmar: “Eu e o Pai somos Um”. São Paulo apóstolo também nos recomendou a orar sem cessar. Começamos a compreender a necessidade de uma disciplina e integração internas, uma incessante abertura do canal espiritual que somos para a Grande Influência Superior.

Na literatura Rosacruz há constantes citações da chamada “harmonia das esferas”. E quando logramos uma pálida noção do mundo em que vivemos, concordamos em que qualquer falta de harmonia em nosso Universo seria, humanamente falando, desastrosa.

Tal harmonia deve ser produzida por uma Fonte Perfeita, porque aqui, mesmo aqui, podemos aplicar o axioma hermético “assim como é no macrocosmos é também no microcosmos”, válido para os nossos corpos finitos que são universos em miniatura.

Desvinculados do emaranhado de nossas mesquinhas “preocupações” do mundo, podemos mergulhar realmente no Grande Desconhecido de que fazemos parte: o “habitat da harmonia”. Examinando o movimento dos astros em suas órbitas, convencer-nos-emos de que tão somente uma total e absoluta harmonia poderia ter produzido as galáxias, onde tudo se movimenta a velocidades incríveis, numa perfeita sincronização. Não necessitamos de grande imaginação para vislumbrar o caos total se houvesse ausência de harmonia na “sinfonia das esferas”.
A Palavra Criadora é uma palavra harmoniosa. E como a Terra deve considerar-se afortunada pelo fato de nossas palavras ainda não terem adquirido essa magnitude de poder. Podemos nos impacientar com a lentidão do nosso progresso espiritual, porém, entendemos porque o Amor Cósmico nos está protegendo de nós mesmos, até aprendermos a manter uma harmonia interna, como aparentamos exteriormente.

(Traduzido de Rays From The Rose Cross e publicado na Revista Serviço Rosacruz de 8/77)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Almejada Resposta: cultivar a parte espiritual e cuidar dos negócios desse mundo

A Almejada Resposta: cultivar a parte espiritual e cuidar dos negócios desse mundo

A humanidade passa atualmente por momentos de grande tensão. Vivemos numa época em que a insegurança aparenta ser o denominador comum da vida. As manchetes dos jornais e as notícias veiculadas pelo rádio e televisão, dão conta de crises em quase todos os quadrantes da terra. Crises monetárias, políticas, religiosas, morais. Crises e mais crises. Crise é a palavra que define todas as anormalidades e inseguranças.

Mas afinal, o que acontece com o mundo? Em uma época de racionalismo, de progresso tecnológico assombroso, de definições mais amplas, por que o estranho paradoxo dos desencontros? Por que dubiedades e incertezas se o logismo fundamenta as análises e o estabelecimento de teorias? O ser humano já vai à Lua, em empreendimentos orçados em milhões de dólares, e por incrível que pareça seus empreendedores ainda alimentam dúvidas quanto aos benefícios que a humanidade possa auferir. Se a automatização promove o conforto, por outro lado, ameaça o ser humano, substituindo-o, escravizando-o e desempregando-o.

Vivemos uma realidade de aparentes contrastes ou paradoxos. Nos países mais desenvolvidos do globo, onde o racionalismo e a automatização ditam normas, localizam-se os problemas mais complexos. Não é estranho?

Algumas das chamadas superpotências ou sociedades superorganizadas, a despeito de seu alto nível social e cultural, enfrentam males crônicos traduzidos em dissolução da família, suicídio em grande escala, enfartes, uso indiscriminado de drogas alucinógenas, erotismo etc., caracterizando uma agressão ou fuga aos deveres impostos pelo meio social. Acontece, porém, que quase todas estas sociedades «modernas» foram plasmadas no materialismo em suas variadas formas (competição, pragmatismo, utilitarismo, etc.), impondo o seu próprio ritmo à vida humana. Dispondo dos recursos oferecidos por uma sociedade organizada e abastada, vivendo dentro de um padrão de vida invejável, que elemento pode induzir um ser humano a pôr termo à própria existência, a ser derrubado por um enfarte ou a consumir-se pelo uso de entorpecentes? As nações desenvolvidas estão empregando verbas fabulosas em estudos e pesquisas visando encontrar a resposta.

A Filosofia Rosacruz proporciona-nos a resposta completa, subentendendo causa e solução. Em um versículo dos Evangelhos o Cristo também responde a essa indagação: “EU NÃO SOU DESTE MUNDO, COMO VÓS DESTE MUNDO NÃO SOIS”. O ser humano é em realidade e essência, um ser divino, um Espírito, célula indestrutível do grande corpo de Deus. Não é meramente uma forma mortal que pulsa, respira e anda. Manifesta-se no plano da matéria mais densa através de um corpo formado de elementos químicos. Este corpo, por sua vez, é vitalizado e sensibilizado por uma vestidura mais refinada, composta de Éter. Seus desejos, emoções, sentimentos e incentivo para ação, têm origem em um corpo mais sutil ainda, denominado Corpo de Desejos pela Filosofia Rosacruz. E para coordenar essa cadeia de veículos, o Espírito utiliza a Mente.

Sendo o Espírito potencialmente divino, sua imortalidade é um fato indiscutível, porém, encontra-se temporariamente sujeito a renascer várias vezes no plano material, onde se exercita e adquire experiências pelo uso de seus veículos, extraindo-lhes uma alma. Essa alma é o seu, alimento primordial, promovendo o desabrochar de suas faculdades latentes, tornando-o cada vez mais senhor de seus poderes, ampliando-se a consciência. À medida que for aprendendo as lições pertinentes a cada veículo e ao mundo correspondente, renascerá em mundos sucessivamente superiores. Logo, todas circunstâncias próprias do mundo físico são transitórias, porém indispensáveis à nossa evolução. Atualmente ele constitui nossa grande escola, mas temos de almejar escolas superiores. Muitos não lhe dão o devido valor, e outros o superestimam. Algumas religiões orientais apresentam o plano da matéria como sendo degradante, preconizando dedicação completa ao mundo do Espírito. É um lamentável desperdício de oportunidades de progresso e tal falha deverá ser corrigida futuramente. Em contraposição, muitos ocidentais apagaram-se de tal modo ao materialismo, a ponto de identificarem-se com ele. Não reconhecem outra realidade a não ser a das formas que os rodeiam. É outro equívoco a exigir reparação. É mister encontrar-se um ponto equilibrante. Se é verdade que NEM SÓ DE PÃO VIVE O SER HUMANO, não é menos verdade QUE DEVEMOS DAR A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR. Isto trocado em miúdos quer dizer que devemos cultivar as faculdades do Espírito (através da oração, da devoção, do estudo de filosofias espiritualistas, do aprimoramento do caráter, do serviço amoroso e desinteressado aos demais, etc.) e paralelamente cuidar dos negócios deste mundo (cumprindo nossos deveres sociais, familiares, profissionais, procurando ser atuantes em nosso meio ambiente, estimulando o progresso em todos os sentidos). Assim, equilibradamente, contribuiremos para tornar o mundo melhor, material e espiritualmente, divulgando pelo exemplo, a necessidade de procurar um ideal superior, utilizando os impactos do mundo físico como meios de crescimento anímico. Quando houver conscientização desse fato, o mundo deixará de ser um turbilhão de conflitos e então, caminharemos a passos largos rumo à Fraternidade Universal.

(de Gilberto A.V. Silos – Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/71)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Princesa e a Cozinha

A Princesa e a Cozinha

Era uma vez uma jovem e linda princesa que vivia em um enorme castelo bem no alto de uma montanha.

Até aí nada de especial, porque naturalmente todos já sabemos que “era uma vez” havia lindas princesas que viviam em enormes castelos nos altos das maiores montanhas…

O particularmente especial aqui é que esta princesa gostava de cozinhar. Todas as outras princesas dispunham de cozinheiras. E os cozinheiros faziam bolos de aniversário com coberturas de glacê açucarado, pudins, e dedos-de-moças que se derretiam na boca das princesas. E faziam saladas de frutas com laranjas, mamões, uvas, peras, e abacaxis e gelo, que ao final mais pareciam sorvete do que propriamente salada.

Mas esta princesa – cujo nome era Ariadne – não tinha cozinheiro.

Muitos mestres-cucas já haviam batido aos portões do castelo na esperança de conseguir emprego. Traziam amostras dos seus mais exóticos e variados pratos em grandes travessas para a princesa provar. Mas a resposta dela era sempre: “Não, muito obrigado. Eu cozinho melhor do que qualquer um”. E lá se iam embora os candidatos, tristonhos, com suas travessas de exóticos pratos e sem emprego.

Ariadne aplicava a maior parte do seu tempo na cozinha do castelo. Misturava e combinava espumantes molhos em grandes garrafões ou botijas escuras; fatiava batatas e cenouras; cortava pepinos e nabos, usando sempre uma afiada faca de trinchar. E tanto o mordomo que servia a mesa quanto a criada que lavava os pratos receavam que ela um dia cortasse os seus reais dedinhos.

Mas isso nunca aconteceu. Ela quebrava nozes e descascava bananas; descaroçava tâmaras e espremia laranjas; recheava tomates, batia ovos e salgava beterrabas. E chorava quando cortava as robustas cebolas da hortaliça do castelo.

Enquanto fazia patê para o café matinal, Ariadne já pensava sobre o suflê de queijo que precisava fazer para o almoço. Enquanto fazia o suflê de queijo, ela já planejava sobre o que haveria de acrescentar a sopa de legumes do jantar. E enquanto preparava a sopa do jantar, já pensava no que seria melhor para o café do dia seguinte: se a papa de aveia ou a omelete.

De vez em quando um príncipe de um reinado longínquo, ouvindo falar da rara beleza de Ariadne, decidira visitá-la. Nessas ocasiões o lacaio descia os altos degraus que davam a cozinha, e avisava Ariadne da chegada de mais um príncipe.

Ariadne então invariavelmente dizia: “Oh! Meu Deus. Não tenho tempo para pôr minha coroa e recebê-lo na sala do trono. Traga-o aqui mesmo”.

E o lacaio, franzindo o sobrolho porque discordava totalmente dessa atitude de Sua Altezinha, não tinha outra escolha senão pedir ao Visitante que o acompanhasse escada abaixo até a enfumaçada cozinha.

“Bom dia, meu bom príncipe”, cumprimentava Ariadne polidamente, dando as boas-vindas ao recém-chegado, e apenas levantando os olhos da massa de pão que preparava, “Muita gentileza de sua parte vir de tão longe a visitar-me”.

Os príncipes, que por certo haviam visitado muitas outras princesas, mas nunca nas cozinhas, nem quaisquer delas fazendo massa de pão, lembravam-se somente de se curvarem para Ariadne e de dizer-lhe: “Bom dia, Alteza Real.

É muita bondade de sua parte receber-me”.

Depois disso, contudo quaisquer dos príncipes visitantes pareciam não saber mais o que dizer. Regra geral, quando eles visitavam uma princesa, ela sentava-se em seu trono e eles sobre uma almofada de sedã aos pés, e conversavam então sobre torneios e cavalos; sobre caçadas e bailes; sobre valentes cavaleiros e elegantes damas.
Às vezes, conversavam e liam manuscritos na biblioteca do pai dela, o Rei.

Quando um príncipe visitava Ariadne, porém, tudo era diferente.

A princesa oferecia-lhe de início um rústico e duro banco, sem se interromper no seu trabalho culinário. Era comum então dizer inesperadamente:

“Quebre-me isto, por favor”, passando ao príncipe alguns ovos e uma tigela. Se o príncipe – a quem geralmente jamais haviam pedido antes para partir um ovo sequer –tivesse sorte, a maior parte dos ovos partiam-se dentro da- tigela. Mas via de regra, por um desastrado manuseio, os ovos rolavam pela mesa e caiam ao chão, onde se espatifavam.

Algumas vezes Ariadne dizia:

“Você se importaria em amassar isto para mim?” Então, o príncipe – que poderia enfrentar o mais pesado javali na mais desigual batalha sentia-se perdido. Ele simplesmente não sabia como segurar o rolo; ou não podia evitar que o mesmo grudasse; ou ignorava como “puxar” a massa para deixá-la delgada. E geralmente acabava com massa grudada no rosto, nas mãos e por toda a roupa – o garboso uniforme. Aí então o príncipe sentia-se envergonhado. E como os príncipes não gostam de se sentir envergonhados, eles todos guardavam uma triste recordação de sua infeliz visita a Ariadne. E nunca mais voltavam a visitá-la.

Ariadne, que se aborrecia com príncipes (ainda que não o demonstrasse), de fato pouco se importava que eles não mais voltassem. Não. Se nem um daquele lote de príncipes que a tinham visitado pôde falar sequer sobre creme de espinafre, de bolo de abóbora, de milho torrado ou mesmo de purê de batatas! Nem um deles sabia a mínima coisa a respeito de fazer pipocas, ou assar uma torta, ou colher um melão maduro!

A maioria falava tão pouco sobre culinária que mais parecia nada saber sobre a arte. Os poucos que falavam tagarelavam apenas sobre torneios, cavalos, caças, bailes, valentes cavaleiros e elegantes damas. Ariadne vivia sempre tão ocupada na cozinha que não dispunha de tempo para torneios, cavalos e caças e bailes e jogos e cavaleiros valentes e damas elegantes. E certamente pouco desejava ouvir sobre os assuntos.

“Oh! ” _ exclamava Ariadne tão logo o príncipe saia – “Alegro-me por vê-lo ir-se. Acredita você” – dizia, dirigindo-se ao mordomo – “que ele nem ao menos sabia quanta baunilha leva um sorvete de baunilha?”

“Isso parece surpreendente, não é Alteza?” – Respondia o mordomo, que intimamente estava convencido de que nada havia de surpreendente naquilo.

Um dia estava Ariadne medindo uma porção de farinha quando o lacaio anunciou a visita de outro príncipe.
“Chiii!” – Resmungou Ariadne, que estava experimentando uma nova receita e não queria ser perturbada.
“Mas se não o receber meu pai se zangará comigo. Muito bem. Traga-o aqui”.

Poucos minutos depois a porta abriu-se e uma voz alegre exclamou:

“Ah! Real Alteza! Que agradável lugar para tão bela dona de casa! E que aroma delicioso! Alecrim, penso”.
Ariadne fitou o jovem, e esqueceu todas as graciosas coisas que se supõe uma princesa deva dizer a um príncipe. Nenhum dos anteriores havia distinguido alecrim de ruibarbo. E ainda que muitos a tenham achado bela, nenhum falara assim de sua cozinha.

“Farinha, açúcar mascavo, tâmaras em fatia, soda, casca de laranja, nozes, caqui” – continuou o príncipe, examinando os ingredientes sobre a mesa, “Você vai fazer um bolo de caqui, não é isso?”.

“Como sabe?” –Perguntou Ariadne surpresa.

“Eu mesmo fiz um, outro dia”, respondeu o príncipe sorrindo – “e ficou muito bom. Posso ajudá-la neste?”.
Ariadne, que parecia ter perdido a voz, apenas pôde assentir com a cabeça, e já o príncipe misturava e batia todos os ingredientes juntos sem nem ao menos olhar para a receita, pondo ao final tudo na forma.

“Agora deixe assar por uma hora, Alteza” – disse ele. “Posso agora sugerir um passeio aos jardins do castelo, enquanto esperamos?”.

De ordinário Ariadne teria dito:

“Não, obrigada, tenho mais alguma coisa a preparar aqui”.
Mas este não era um príncipe comum, e antes que ela se desse conta do que estava acontecendo ele lhe havia tomado a mão e guiava-a ao longo do escuro túnel que conduzia ao jardim.

As flores esparziam doce aroma, e suave brisa soprava de qualquer parte. Ariadne aspirou fundo o perfume das flores, suspirou, e disse suavemente:

“Hummm. . . Que delícia! “Você deve vir aqui mais vezes”, sugeriu o príncipe.

“Não, não tenho tempo” – admitiu Ariadne. “Vivo demasiado ocupada na cozinha”.

“Você não faz outra coisa senão cozinhar? ” – Tornou ele. “Não vai a torneios, a jogos, a excursões em cavalos ou a visitar amigos?”.

“Não” – disse ela – “Não tenho tempo para essas coisas”.

“Você deve gostar muitíssimo de cozinhar”.

Oh! Sim – concordou Ariadne. É tão divertido juntar toda sorte de ingredientes e ver a transformação da miscelânea em forma diferente e em aroma e sabor deliciosos!
Mas, você não gostaria de fazer algo mais para variar? –Indagou o príncipe – Nunca desejou, por exemplo, ir a algum outro lugar, ver outras pessoas ou simplesmente sentar-se ao jardim?

Bem-disse a princesa lentamente, como se fosse difícil para ela admitir tal coisa – Tenho me perguntado às vezes de como seria minha vida se eu fizesse isso, ou procedesse dessa outra maneira. Mas desde que não disponho de tempo, só me resta evitar pensar nisso.

Mas só você. deve fazer comida? Há muita gente a alimentar neste castelo. Estou certo de que existem muitos cozinheiros que gostariam de trabalhar aqui.

Existem – confirmou Ariadne – mas prefiro os pratos que eu mesmo preparo.
Mesmo que isso signifique gastar todo o seu tempo na cozinha? Você deveria cozinhar apenas uma vez ou outra, deste modo poderia aprender mais coisas fora da cozinha.

Ninguém, exceto seu pai, o Rei, jamais havia dito a Ariadne o que ela devia ou não devia fazer. Não era o tipo de coisa que alguém pudesse dizer a uma princesa. Assim, Ariadne sentiu ímpetos de censurar o príncipe por sua audácia. Mas ele não lhe deu a chance.

Eu também costumava fazer apenas uma coisa – confessou ele. Costumava montar cavalos o tempo todo. Montava do nascer ao pôr-do-sol. Quando um cavalo cansava, trocava-o por outro. Não me pegavam em casa nem às refeições, pois eu ordenava aos criados que me levassem lanches aonde quer que eu estivesse. Até que eu recebi uma ordem de não montar mais do que duas horas por dia, e começasse a aprender a fazer outras coisas também.
Mas, você é um príncipe – protestou Ariadne – Ninguém lhe pode ordenar coisa alguma.

Meu pai é rei – disse o príncipe rindo – Ele pode.

Oh! Compreendo. Assim – continuou o príncipe comecei a fazer diferentes coisas todos os dias. Eu lia, plantava jardins e ajudava a cavar fossos em volta do castelo. Um dia demos um banquete, e a sobremesa esteve tão deliciosa que pedi ao cozinheiro que me ensinasse a fazê-la.

E ele o ensinou?

De início não queria. Dizia que cozinhar não era coisa para príncipes. Perguntei-lhe por quê, e ele não soube responder. Portanto, teve de me ensinar.

Cozinha bastante? –Inquiriu Ariadne.

Uma vez ou outra, mas não tento fazer tudo, ou todos os pratos, para todos os que vivem no castelo.
Às vezes tomo conta da cozinha, permitindo ao cozinheiro um dia inteiro de folga. Porém, não gastaria mais todo o meu tempo preparando pratos ou quitutes, ou mesmo montando cavalos.

Mas, você se diverte mais fazendo todas essas coisas do que montando cavalos o dia inteiro?

Muito mais – respondeu o príncipe – E você também se divertirá. Quer ver? Um dos meus amigos dará um baile esta noite. Gostaria de me acompanhar a esse baile?

Ou porque aquele não era um príncipe comum, ou porque Ariadne estava tão surpresa que não sabia mais o que dizer, _ o certo é que respondeu: “Sim”.

Ariadne e o príncipe voltaram, pois, para examinar o bolo de caqui, que já assava há bastante tempo. E constataram satisfeitos que tanto seu aspecto quanto seu cheiro eram excelentes. E o sabor excedia o aroma.
Enquanto Ariadne se vestia para o baile, o príncipe fez uma visita a seu pai, o Rei. E disse ao monarca que estava quase certo de que Ariadne não mais se dedicaria inteiramente à cozinha do castelo, dali para adiante, terminando pela sugestão de que o Rei empregasse o primeiro cozinheiro que ali fosse à procura de trabalho.

Santo Deus! – Exclamou o Rei. Ela passou a se interessar por outras coisas?

E o velho não cabia em si de contente. Chamou na mesma hora o lacaio e ordenou-lhe que lhe levasse a sala de audiências do palácio o primeiro cozinheiro que ali fosse à procura de emprego.

Ariadne e o príncipe foram ao baile e ali dançaram a noite toda. E ela sentiu que jamais se divertira tanto. No dia seguinte leram juntos alguns manuscritos na biblioteca do castelo, e passearam nos jardins, e galoparam seus cavalos através das campinas próximas. Paravam aqui e ali para conversar com outras pessoas e tomar limonadas. E ela sentiu mais uma vez que nunca antes se divertira tanto.

Duas semanas mais tarde o príncipe pediu ao Rei a mão de sua filha em casamento, e Ariadne percebeu definitivamente que jamais fora tão feliz na vida.

Todos os reis e rainhas, príncipes e princesas, cavaleiros e damas, e todos os súditos que serviam no castelo, foram convidados para as festas das núpcias. E houve música coral e música de danças. Houve um mundo de belos e ricos presentes para a noiva, e outros tantos para o noivo.

E também presentes para a criançada com menos de 10 anos e para os velhos com mais de 70 anos.

Após o casamento houve um baile e um banquete. No fim do banquete fez-se ouvir um conjunto de trombetas: apareceu então o mordomo da princesa portando uma tocha, seguido de doze lacaios que carregavam um bolo de casamento com 3 metros de altura, 7 metros de largura e 12 metros de comprimento. É provável que jamais se haja visto um bolo de casamento com tais proporções.

Uma camada era feita de “manjar de anjos”; outra de chocolate; outra de morangos; outra de caramelos; outra de laranja e a última era uma régia cobertura glacê-dourada. No topo fora colocado um maiúsculo lírio branco, totalmente feito de açúcar. Ariadne havia preparado a primeira camada do bolo. As restantes foram feitas por cada um dos cozinheiros que bateram aos portões do castelo, solicitando emprego, depois da memorável visita do príncipe. O lírio branco fora feito justamente pelo último cozinheiro contratado pelo seu pai, o Rei. E o bolo foi cortado em exatamente 1.233 pedaços, o suficiente para todos os convidados.
Ariadne e o príncipe então se despediram do velho monarca e de todos os seus amigos e convidados, tomaram uma bela carruagem e partiram para as distantes terras do príncipe.

E lá viveram felizes para sempre, num castelo situado bem no alto de uma grande montanha.

(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross de 09/1974 – Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/1976)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Crise Econômica e Saúde Mental

Crise Econômica e Saúde Mental

Os internamentos nos hospitais psiquiátricos e a situação da economia são fatos inter-relacionados.

O dr. Harvey Brenner, da Universidade de Harvard, examinou os registros de todos os hospitais psiquiátricos do Estado de New York, nos últimos 127 anos. Suas pesquisas, como outras efetuadas pelos drs. Louis Kopolow e Frank M. Ochberg, do Instituto Nacional para a Saúde Mental, confirmam esse paralelismo entre a prosperidade ou recessão no campo econômico e o índice de pessoas internadas em hospitais psiquiátricos.

A faixa mais atingida é a de pessoas do sexo masculino, entre 45 e 60 anos de idade. As profissões mais sensíveis às oscilações da economia são as dos operários semiespecializados e dos trabalhadores em seções de montagem nas indústrias.

Os distúrbios emocionais são, tão somente, parte do problema, pois as mesmas tensões produzem doenças físicas que acompanham os altos e baixos da economia. A medicina psicossomática tem verificado esses efeitos, especialmente no campo dos distúrbios das coronárias e na incidência de úlceras gástricas. A ação recíproca dos fatores emocionais, ambientais e físicos constitui um conhecimento essencial, “pois que a crise econômica, aliada às depressões emocionais e doenças físicas, representa uma ameaça ao ser humano” de Science News, 14 de fevereiro de 1976.

Não reputamos surpreendentes as revelações acima. Como aspirantes a uma vida espiritual, fácil se nos depara verificar a urgência do assentamento de bases espirituais mais sólidas na vida da humanidade. Certamente, a crise econômica representa uma grande provação, especialmente para os pais de família, responsáveis pelo bem-estar de seus dependentes.

Também a monotonia de um trabalho excessivamente rotineiro, como o de uma linha de montagem, pode conduzir a distúrbios emocionais, caso não se adote uma filosofia de vida. Nunca é demais repetir que o reto pensar e o reto viver estimulam evolução do Ego, provendo a harmonia de seus veículos.

Tal atitude ensejará forças durante a provação; e esta será compreendida como uma lição evolutiva – o que realmente ela é – sendo o resultado um aumento de poder anímico.

Não somos obrigados a aceitar as realidades desagradáveis do mundo material. Podemos dar um passo à frente e compreender as lições que ele contém, as oportunidades que oferece e assim manter o nosso equilíbrio físico, mental e emocional.

(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross e publicado na Revista Serviço Rosacruz de 08/1977)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Ciclo Vicioso ou Virtuoso

Um Ciclo Vicioso ou Virtuoso

Quanto maior é a candeia, maior também será a quantidade de fluido para abastecê-la. Quanto mais fraca é a terra, maior será a quantidade de fertilizante necessário para que se produza uma boa safra. Quanto melhor é um instrumento, melhor é o som que ele emitirá. Portanto, quanto mais amor tiver um indivíduo, melhores também serão as suas obras, e assim por diante. Essa regra se aplica em tudo.

A responsabilidade de um ser humano está em um determinado nível; vem então o desejo de aprender algo, de ter experiências afins. Alimentando o desejo, o ser humano passa a saber mais, colocando-se um pouco acima daquele que sabe menos. Aumentando o saber, aumenta também sua capacidade assimilativa, e assim por diante, em um ciclo vicioso onde ele tem cada vez mais as suas qualidades aumentadas, e cada vez maior número de oportunidades de aprender mais.

No entanto, o egoísmo leva o ser humano por caminhos tortuosos, longe da sua origem, porque à medida que vai aprendendo erroneamente, vai utilizando a sua inteligência para “acumular tesouros”, quando não, na maioria das vezes, para prejudicar seus semelhantes. Realmente, talvez ele tivesse razão se a vida fosse tão somente um lapso existencial entre o berço e o túmulo. Mas assim não acontece. A vida não para aí; existe muito mais ainda. Ou melhor, nós estamos sempre no meio, pelo menos enquanto não soubermos quando começa ou acaba a aventura do ser humano na matéria. Por isto, à medida que vai aprendendo, mais e mais, libertando-se das condições atuais de sobrevivência e livrando-se dos laços que o prendem à matéria, aumenta também, com isso, sua responsabilidade em relação aos menos favorecidos.

Assim como nos exemplos acima, aquele que se tornou em uma candeia precisa, igualmente, do azeite das obras, que irá alimentar essa candeia (que é o ser humano) e que vai, por outro lado, aumentar ainda mais a sua capacidade e o desejo de aprender, conduzindo-o sempre a uma responsabilidade ainda maior; também em um círculo vicioso onde, quanto mais o ser é livre, mais livre desejará ficar, até um ponto que culminará com o desprendimento total da matéria, tamanha é a força vibratória produzida pelo seu desenvolvimento.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/1976)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Frutos da Vivência Cristã

Os Frutos da Vivência Cristã

É deveras gratificante avaliar como o trabalho desenvolvido pela Fraternidade vem rendendo “frutos” apreciáveis.

Nosso júbilo não se deve exclusivamente ao crescimento gradativo do número de estudantes. Há um fator mais importante, merecedor de maior destaque: são os resultados obtidos mediante a aplicação, no quotidiano, dos ensinamentos transmitidos ao mundo por Max Heindel.

Frequentemente ouvimos expressões de admiração e gratidão emitidas por estudantes.

Fazem questão de realçar o papel importante que a Filosofia Rosacruz desempenhou e continua a desempenhar em suas vidas, por estimulá-los a uma reforma interior – base de todo e qualquer progresso.

Alguns relembram seu passado sofrido, suas dificuldades de relacionamento, quando no lar ou no trabalho viviam em constante atrito com as pessoas que os cercavam. Relatam as danosas consequências desse negativismo: inimizades, perda de valiosas oportunidades de ascensão profissional, lares quase desfeitos, frustrações, etc. Com entusiasmo narram transformações operadas após o conhecimento do rosacrucianismo. Aprenderam a ser mais compreensivos em relação às falhas alheias. Tornaram-se mais vigilantes com as próprias.

Notaram como as coisas, ao seu redor, se modificaram. Aquele estado de franca “beligerância” ou de “paz armada”, para com os outros, converteu-se em entendimento. A vida assumiu um novo significado.

Outros estudantes frisam, e suas palavras deixam escapar o calor de uma sincera gratidão, a melhora de sua saúde como a suprema graça alcançada no Movimento Rosacruz.

Recordam, às vezes com os olhos umedecidos, o quanto padeceram presos a enfermidades.

Depois de adotarem um regime alimentar mais natural – isento de carne, álcool e estimulantes – puderam realmente desfrutar de uma vida mais plena e feliz.

Inicialmente encontraram uma certa dificuldade para livrar-se dos maus hábitos. Não era para menos. Os hábitos perniciosos, se mantidos durante anos, criam raízes, tornam-se “de casa”, passam a integrar nossa própria natureza. Erradicá-los demanda tempo e muita perseverança.

Com o passar dos anos, porém, constataram a transformação para melhor. Hoje gozam de boa saúde e proclamam essa verdade.

Há aqueles que se sentiam profundamente infelizes com suas vidas: alguns reveses, principalmente financeiros, roubaram-lhes a autoconfiança. Tornaram-se inseguros, indecisos.

As oportunidades que lhes surgiam amedrontavam-nos ao invés de estimulá-los à ação.

Viam os colegas de trabalho como rivais oportunistas ou competidores. Os parentes, estes pareciam escarnecer de seus fracassos, levando-os a um desespero maior. Com o tempo deixaram-se prostrar num lamentável estado de apatia, desânimo e imobilismo. Eis que por intermédio de alguém, ou por algum outro meio, entraram em contato com a Fraternidade. Inscrevem-se, fazem os cursos, estudam incansavelmente e começam a enxergar uma realidade até então desconhecida: o ser humano é uma célula integrante do macrocósmico corpo de Deus. Foi dotado de todos os atributos divinos.

Possui-os em forma latente e através da peregrinação pelas várias etapas da evolução tornar-se-á onisciente. É um herdeiro de todas as promessas celestiais. De forma alguma renasce para ser obrigatoriamente um infeliz, pobre coitado sujeito aos caprichos do destino.

Pelo contrário. Seu futuro é grandioso. Os sofrimentos atuais nada mais são do que os frutos de sua ignorância, e uma gama de lições a serem aprendidas. Assim, o conhecimento das leis naturais e sua justa aplicação traduzida em pureza, amor e serviço ensejam-lhe, aqui e agora, mudar sua vida para melhor.

“O único pecado é a ignorância”.

“O único fracasso é deixar de lutar”. “A única salvação é o conhecimento aplicado”.

Dessa maneira, muitos se encontraram no rosacrucianismo.

Afirmam ter descoberto a “fórmula mágica” responsável pela benéfica transformação ocorrida em suas vidas.

FÓRMULA MÁGICA? Mas a Filosofia Rosacruz não é um conjunto de verdades antiquíssimas em novas roupagens?

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/1976)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Etapas da Preparação e a Transformação Lenta da sua Vida

Etapas da Preparação e a Transformação Lenta da sua Vida

O estudo em etapas capacita o aspirante a adquirir não somente o conhecimento a que aspira. À medida que penetra no conceito fundamental da vida, aprende a manejar eficientemente os seus veículos.

A etapa inicial do estudo é chamada de Preliminar. Constitui a base de um desenvolvimento futuro. O estudante encontra os temas desse curso na primeira parte do livro “CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS”, de Max Heindel.

É bom esclarecer que o Mestre observa com atenção o interesse dedicado pelos estudantes às lições.
A princípio, este pode extravasar muito entusiasmo, desejo de “saber” e muita impaciência. O Mestre segue observando.

Se o neófito persiste em seu desejo de investigação, uma vez terminadas as doze lições, será inscrito na Sede Mundial. Algumas pessoas, já militantes em outros campos esotéricos, ao solicitarem esse primeiro curso, não encontram nenhuma diferença com o assimilado em outros livros ou aprendido em outras escolas ocultistas.
Convém ressaltar que nossos ensinamentos não preveem somente a investigação, pois nosso aprendizado deve caminhar paralelamente à sua aplicação na vida diária. Uma transformação dos “metais inferiores” em “ouro puro” das oportunidades opera-se através do crisol espiritual de que falavam os antigos filósofos alquimistas. Não é uma utopia.

Quem quiser chegar ao plano das grandes realizações terá de compreender que é necessário transformar o “homem velho” no “homem novo”, o futuro “super-homem” de Aquário.

A transformação é lenta: principia com a mudança de hábitos, como deixar de fumar, de ingerir bebidas alcoólicas, de comer carne, evitar as drogas, usando-as somente quando receitadas por um médico competente e escrupuloso, e mesmo assim em condições especiais. Parte de seu tempo deve ser empregado na prática dos exercícios prescritos pela Filosofia Rosacruz. A observação, o discernimento e a meditação são práticas decisivas na evolução mental, para que se possa adquirir domínio sobre os veículos.

Mesmo iniciando seu trabalho espiritual quando da inscrição no Curso Preliminar, seu caminho não tem fim. As lições mais importantes, ele as recebe do Mundo do Desejo, outras do plano etérico, e as transcendentais, a seu tempo, são recebidas da Região do Pensamento Concreto.

Segundo Max Heindel, alguns com bagagem espiritual de outras vidas podem chegar à Iniciação em seis meses apenas.

Para a maioria, contudo, o processo é lento, como os moinhos de Deus que “moem devagar mas moem fino”.
Você percebeu, caro amigo aspirante aos Mistérios Menores da Ordem Rosacruz, quão sério é o Caminho da Libertação? O trabalho que os Irmãos Maiores efetuam conosco é assim. Você daria uma arma a uma criança?
Você deixaria um aparelho elétrico qualquer ao alcance dela, estando ligado? Claro que não!

Você aguardará que ela cresça, aprenda lentamente as lições da vida, até amadurecer suficientemente.

Analise sua vida até hoje e pense de você como uma criança recém-nascida, um menino que nasce para a vida espiritual.

Esse menino terá de ser bem assistido e seu método de vida cuidadosamente estudado.

O refinamento de seus veículos se efetuará dia após dia e seu crescimento anímico se evidenciará na medida de seu esforço em transmutar seu caráter. Caráter é destino. Um ser humano dotado de elevado senso moral, de hábitos sadios, despido de egoísmo, caminhará rapidamente no caminho Rosacruz. Você encontrará alguns desinteressados em perseverar neste plano de libertação. Mas, não há outro caminho.

Na Filosofia Rosacruz encontramos que o Evangelho de Cristo é o modelo para todos aqueles seres humanos desejosos de compartilhar de Seu Divino Plano, ainda incompreensível para milhares de seres humanos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/1976)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Meditação: a moral nasce do Ego e, como tal, não é filha de Deus. A ética, porém, nasce do “Eu interno”

Meditação: a moral nasce do Ego e, como tal, não é filha de Deus. A ética, porém, nasce do “Eu interno

Um ser humano conscientemente bom não é integralmente bom; o seu ser-bom tem de se tornar atitude a ponto de praticar os seus atos como um transbordamento irresistível e quase involuntário.

Quem faz o bem por motivos éticos, e não como gotas de água casualmente lançadas à praia pelo vasto e profundo mar da sua permanente atitude mística, não possui ética segura e sem perigo; cedo ou tarde quererá ser recompensado pela sua ética – o que não é ético.

O místico deve se identificar pela inspiração com o universo, a ponto de poder dizer: “Eu e Cristo somos um…Cristo está em mim e eu em Cristo…As obras que faço não sou eu que as faço; é Cristo que as faz em mim… De mim mesmo (a) nada posso fazer…” (IICor 6:14-15).

A moral nasce do Ego e, como tal, não é filha de Deus. A ética, porém, nasce do “Eu interno”, desse Deus no ser humano, do seu Cristo interno. Falta à moral humana não somente a origem divina da sua fonte, mas também o supremo encanto da leveza e da facilidade, o carisma da espontaneidade e luminosidade.

Quem é apenas, por sacrifício, bom como o ser humano moral e virtuoso, não age ainda com facilidade, beleza e encanto. Não descobriu ainda que “o jugo é fácil e o peso leve”. A ética de uma pessoa de experiência mística, Crística, é espontaneamente boa, bela, benevolente e eficiente. O seu ser espontaneamente bom se revela em fazer o bem, sem sacrifício, jubilosamente, com beleza. E isso é uma atitude gloriosamente artística. A mística transborda, então, em ética e estética.

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 01/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Médium: clarividente involuntário, apto para ser dirigida pela vontade dos demais

Médium – Falando em termos gerais, pode-se dizer que a humanidade atual está dividida em duas classes: as que tem a conexão entre o Corpo Vital e o Denso muito forte e as que a tem muito débil.

A primeira classe é formada pelas pessoas comuns, que vivem preocupadas com suas empresas materiais e que não tem contato algum com os Mundos espirituais. A última classe pode ser dividida em outras duas. Numa delas a vontade atua interiormente e, portanto, são pessoas positivas. A essa classe pertencem os clarividentes treinados e os Auxiliares Invisíveis. A outra classe é negativa e apta para ser dirigida pela vontade dos demais. A essa classe pertencem os médiuns.

Se uma pessoa tem a conexão débil entre o Corpo Vital e Denso e é de temperamento negativo, pode tornar-se presa dos espíritos desencarnados, como um médium. Os espíritos que andam errantes e que desejam se manifestar, podem extrair das citadas pessoas seu Corpo Vital do baço e empregar, temporariamente, o Éter de que é composto para materializar formas espíritas, devolvendo o Éter ao médium uma vez terminada a sessão.

Quando um médium permite que seu Corpo Vital seja empregado por entidades do Mundo do Desejo que querem se materializar, o Corpo Vital sai pelo lado esquerdo, através do baço, que é sua “porta” particular.

Então, as forças vitais não podem fluir no organismo como o fazem geralmente e o médium fica exausto e alguns deles veem-se obrigados a fazer uso de estimulantes, pelo que, com o tempo, convertem-se em beberrões incuráveis.

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