O Governo Invisível do Mundo
Sempre achamos que um “chefe de movimento”, um indivíduo livre, agindo por sua própria vontade cria e destrói povos, nações, impérios; mas, não passa de um instrumento do governo invisível do mundo, o poder situado detrás dos tronos, os Espíritos de Raça. Vamos detalhar aqui como isso ocorre.
Como estudantes da Filosofia Rosacruz, sabemos perfeitamente que as diferentes espécies de animais são dirigidas por um Espírito-Grupo, do Mundo do Desejo. Esse Espírito-Grupo é seu guardião, zelando por sua segurança e dando-lhes o mais conveniente à sua evolução. Não importa a posição geográfica dos animais sob sua proteção; o leão das selvas africanas está dominado pelo mesmo Espírito-Grupo do leão encerrado em uma jaula de qualquer centro civilizado. Assim, esses animais apresentam as mesmas características principais, emanadas do Espírito-Grupo comum; têm os mesmos gostos e preferências alimentares, agem de maneira igual em circunstâncias parecidas. Se queremos estudar a espécie dos leões, ou dos tigres, basta estudarmos um espécime, de vez que não têm arbítrio e nem prerrogativa e agem inteiramente de acordo com os ditames de seu Espírito-Grupo.
O mineral não pode escolher se deve cristalizar-se ou não; a rosa vê-se sujeita a florescer; o leão vê-se impelido a dominar a presa e todos seus movimentos são governados pelo Espírito-Grupo.
Mas o ser humano é diferente. Quando pretendemos estudá-lo, verificamos que cada indivíduo é uma espécie em si mesmo. O que um faz em certas circunstâncias, não pressupõe que outro faça identicamente. “O que a um serve de alimento, para outro é veneno” e cada qual tem diferentes gostos e aversões. Isto ocorre porque o ser humano, tal como o vemos no mundo físico terreno, é a expressão de um Espírito interno individual, que tem, aparentemente, a faculdade de escolha e livre arbítrio.
Porém, em realidade o ser humano não é tão livre como parece; todos os que vêm estudando a natureza humana observaram que em certas ocasiões um grande número de pessoas se porta como se estivessem dominadas por uma força externa, por um mesmo espírito.
É igualmente fácil verificar, sem recorrer ao ocultismo, que as diferentes nações têm certas características psicossomáticas.
Todos conhecemos os tipos alemães, franceses, ingleses, italianos, espanhóis. Cada uma dessas nacionalidades tem características diferentes das de outras, demonstrando haver um Espírito de Raça, nas raízes de tais peculiaridades. O ocultista dotado de visão espiritual sabe muito bem que é assim mesmo. Cada nação tem um Espírito de Raça diferente, passando como nuvem sobre o país inteiro.
Nele vive, move-se e tem seu ser a população de um país. Ele é seu guardião e trabalha constantemente pelo desenvolvimento de seus tutelados, compulsando-lhes a civilização, inculcando-lhes ideais da mais alta natureza, compatíveis com sua capacidade para o progresso.
Lemos na Bíblia, que Jeová, Elohim, que foi o Espírito de Raça dos judeus, apareceu-lhes sobre uma coluna numa nuvem, e no livro de Daniel encontramos consideráveis revelações sobre o modo de trabalhar desses Espíritos de Raça. A imagem vista do Nabucodonosor, de cabeça de ouro e pés de argila, mostrava claramente como uma civilização começava a construir sobre ideais auríferos, depois degenerando gradualmente até que em sua última parte da existência apresenta pés instáveis, de cambaleante argila sendo a imagem condenada à destruição.
Assim todas as civilizações começaram sob a direção de diferentes Espíritos de Raça, mantendo áureos ideais; mas a humanidade, exercendo seu livre arbítrio, não segue implicitamente os ditames do Espírito de Raça como o fariam os animais em relação aos respectivos Espíritos-Grupo. Esta é a razão do porquê, no transcurso do tempo, de uma nação cessar de elevar-se e, como não pode ”existir imobilidade” no Cosmos, começa a degenerar até formar pés de argila, sendo necessário então um golpe que a desmorone a fim de outra civilização edificar-se sobre suas ruínas.
Mas os impérios não caem sem um poderoso golpe físico. Assim, invariavelmente, no tempo em que a nação deve cair levanta-se um instrumento do Espírito de Raça para essa missão. Nos Capítulos X e XI do Livro de Daniel podemos conseguir alguma iluminação sobre o trabalho invisível dos Espíritos de Raça, os chamados “poderes por detrás do trono”.
Daniel vê-se conturbado espiritualmente; jejua durante três semanas completas; clama por luz e depois desse tempo aparece-lhe um Arcanjo, um Espírito de Raça, e lhe diz:
“Não temas, Daniel, pois desde o primeiro dia em que quiseste que teu coração compreendesse e te purificaste diante de teu Deus, tuas palavras foram ouvidas e por elas vim aqui. Mas o príncipe do reino da Pérsia me reteve durante vinte e um dias” e eis que Miguel, um dos primeiros Príncipes, veio em meu socorro e ali fiquei com o rei da Pérsia”. Depois de explicar a Daniel o que há de ocorrer, diz: “Sabes de onde vim, até aqui? E agora voltarei a combater com o príncipe da Pérsia; e quando me for, eis que o príncipe da Grécia chegará e ninguém há que possa obrigar-lhe a fazer estas coisas, além de Miguel, vosso Príncipe”. Também disse o Arcanjo: “No primeiro ano de Dario, o Medá, também estive com ele para acreditá-lo e fortalecê-lo”.
Assim, quando a sentença manuscrita pende de um muro, levanta-se alguém para desfechar o golpe; pode ser um Ciro, um Dario, um Alexandre, um César, um Napoleão, um Kaiser. E tal instrumento humano pode se julgar um “chefe de movimento”, um indivíduo livre, agindo por sua própria vontade; mas, não passa de um instrumento do governo invisível do mundo, o poder situado detrás dos tronos, os Espíritos de Raça, que veem a necessidade de destruir as civilizações que deram de si toda utilidade, de modo que a humanidade possa tomar um novo impulso e evoluir sob mais alto ideal em relação ao que, até então, esteve envolta.
O próprio Cristo, durante Sua permanência na Terra, disse: “Não vim trazer a paz, senão uma espada”, pois Lhe era evidente que, enquanto a humanidade estiver dividida em raças e nações, não poderá haver “paz na terra e boa vontade entre os homens”. A paz será possível somente quando as nações tiverem conseguido unir-se numa Fraternidade Universal.
As barreiras do nacionalismo devem converter-se num crisol de fusão, onde o melhor de todas as velhas nações se mescle e se amalgame para que surja uma nova raça de mais elevados ideais e sentimentos fraternos universalistas, como precursora da Era de Aquário. Entretanto, as barreiras do nacionalismo vão sendo rompidas com os terríveis conflitos mundiais, aproximando o dia da amizade universal e da realização da fraternidade humana.
Há outro objetivo que também deve ser alcançado. De todos os horrores a que está sujeita a humanidade, não há nenhum maior que a morte, que nos separa daqueles a quem amamos. Nosso sofrimento advém da falta de possibilidade de os vermos depois que foram despojados de seus corpos. Mas, tão certamente como o dia se segue à noite, também, certamente, nossas lágrimas acabarão por diluir a escama que oculta aos olhos dos seres humanos a terra desconhecida dos mortos que agora reafirmamos: uma das maiores bênçãos que resultará das guerras será a vista espiritual que um grande número de pessoas certamente adquirirá.
O profundo sofrimento de milhões de seres humanos, o anelo de novamente ver os que lhe são queridos e que tão súbita e cruelmente lhes foram arrebatados são forças de incalculável poder e fortaleza.
De igual maneira, aqueles que foram prematuramente levados pela morte, e agora estão nos Mundos invisíveis, sentem um intenso desejo de reunir-se aos que lhes são caros, para dizer-lhes palavras de consolo e convencê-los do bem-estar que presentemente desfrutam. Pode-se até dizer que, dos grandes exércitos que se formaram nas duas guerras mundiais, por milhões e milhões de pessoas, além dos outros desastres coletivos, surge um sentimento, de fantástica energia e intensidade de propósito que está minando os muros que separam o visível do invisível.
Dia após dia, tais muros ou véus se tornaram finos, mais débeis e, cedo ou tarde, os vivos e os mortos que vivem se encontrarão na metade do túnel. Antes mesmo do que podemos imaginar essa comunicação se estabelecerá e, então, veremos como a coisa mais natural deste mundo o fato de alguém deixar seus corpos ao morrer. Não sentiremos pesar nem perda alguma, porque poderemos vê-los, em todas as horas, nos seus Corpos Vitais, movendo-se ao nosso redor, como até então faziam. Assim venceremos o grande conflito da morte e poderemos dizer: “Oh, morte! Onde está tua gadanha? Oh, sepulcro! Onde tua vitória”.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/1971)
Ressaltemos os Fundamentos e as Verdades que brotam dos Ensinamentos Rosacruzes
Ressaltemos os fundamentos, a verdade e a atração que brotam desses ensinamentos da Sabedoria Ocidental e que foram tão bem expostos pelo notável arauto dos Irmãos Maiores.
Atualmente, nota-se uma preocupação constante de suavizar o espírito de competição, profundamente evidenciado na dinâmica civilização ocidental, através do bom relacionamento que, embora ainda mesclado com interesses pessoais e grupais, indica a aurora de uma condição ainda mal compreendida pelos seres humanos e, por isso, mal-empregada.
Essa condição, que exprime um estado de espiritualização, alicerçou a obra, a Vida e o ideal de Max Heindel. Por essa razão, a Filosofia Rosacruz pode ser denominada de FILOSOFIA DO CORRELACIONAMENTO, porque ela concede aos seus estudantes a possibilidade de tudo correlacionar, de aparar as arestas dos desentendimentos, de unir os opostos e de operar o milagre de estabelecer o entendimento e a harmonia entre os seres humanos.
Mas, de que maneira? – Muitos poderão perguntar.
Os fundamentos da Filosofia Rosacruz apoiam-se em dois princípios básicos enunciados por Cristo: “Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, depois, “Mas não sereis VÓS assim; antes o maior entre VÓS seja como o menor; e o que governa como quem serve”.
Assim, os fundamentos em que estão amparados os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, expostos no Conceito Rosacruz do Cosmos e nas demais obras de Max Heindel, são os princípios do AMOR e do SERVIÇO; na terminologia Rosacruz “O SERVIÇO AMOROSO E DESINTERESSADO PRESTADO AOS DEMAIS”.
Nosso Irmão Heindel sempre chamou a atenção dos estudantes para o fato de que o estudo da Filosofia Rosacruz se torna inútil se os seus ensinamentos não forem aplicados ou vividos sinceramente. Na aplicação dos ensinamentos da Filosofia, no início da aprendizagem, temos de levar em consideração o SÍMBOLO. O SÍMBOLO é o auxiliar do aspirante Rosacruz em particular, bem como de toda a humanidade em geral. Há um valor oculto e universal no SÍMBOLO que, mesmo depois da Iniciação, o aspirante Rosacruz reverencia. Ele constitui-se no meio de ligação entre o oculto e o visível, crescendo em significação na medida em que o aspirante cresce espiritualmente. Eis porque Max Heindel no livro Iniciação Antiga e Moderna nos diz: “o simbolismo que desempenhou um papel de importância capital em nossa evolução passada, ainda é uma necessidade vital para o nosso desenvolvimento espiritual”.
Daí então a conveniência em estudá-lo tanto com os nossos corações, como também com os nossos intelectos. Os diferentes símbolos divinos que têm sido outorgados à humanidade por uma e outra vez, falam a esse tribunal da verdade que existe dentro do nosso íntimo e despertam as nossas consciências para as ideias divinas que estão completamente além do alcance das palavras.
Desse modo, somos levados a considerar o SÍMBOLO como um auxiliar eficaz para a prática daqueles dois princípios enunciados: AMAR E SERVIR.
SERVIR BEM E DESINTERESSADAMENTE É AMAR, mas como encontramo-nos ainda na fase de aprendizagem, “vemos como que através de Vidros obscurecidos”, como diz o nosso ritual. Depositamos “a essência que emana dos Pães da Proposição” na “Rosa Branca” do nosso SÍMBOLO, a fim de que os Irmãos Maiores a empreguem onde acharem mais conveniente.
Executando um trabalho dessa natureza, vamos gradativamente nos tornando aquilo que na terminologia Rosacruz designa-se por AUXILIAR, primeiramente um AUXILIAR Visível, operando pelo uso da VONTADE QUE APLICA OS ENSINAMENTOS ROSACRUZES, para depois qualificar-se também para agir como AUXILIAR INVISÍVEL, um cidadão dos mundos. Por isso, cinco dias antes de passar para o além, nosso Irmão Heindel escreveu uma carta aos seus estudantes, na qual sublinha o ponto fundamental do êxito em assuntos espirituais e, portanto, no VIVER A VIDA. Essa carta de Max Heindel está à disposição dos amigos que podem retirar uma cópia ou mais, na Secretaria.
(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross e Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/1967)
A Autossuficiência: aprender a cultivar é imprescindível
A autossuficiência é a virtude cardinal que o aspirante da Escola Esotérica Ocidental deve aprender a cultivar. Logo de início, encorajam-se os estudantes a dependerem de si próprios e a desenvolverem o raciocínio e o sentido correto do discernimento, com o auxílio da meditação e da oração, pois esses são indispensáveis ao seu avanço e evolução espirituais.
No Livro ”Mistérios das Grandes Óperas”, Max Heindel resume nessas palavras a importância que tem a AUTOSSUFICIÊNCIA para o Espírito inquiridor que adere à Fraternidade Rosacruz: “Não se permite que ninguém se apoie em Mestres ou que siga líderes, cegamente. A ambição dos Irmãos Maiores da Rosacruz é emancipar as almas que se lhes dirigem; é educá-las, dar-lhes força e torná-las seus colaboradores (. . .) Os Instrutores não podem, de forma nenhuma, fazer por nós as obras positivas em que se baseia o crescimento da alma, nem assimilá-la por nós, ou dar-nos o poder anímico consequente e utilizável – da mesma maneira que não comem o nosso alimento para nos dar forças físicas”.
No nível presente da nossa evolução, só podemos avançar se formos autossuficientes. Já deixamos para trás os dias em que éramos guiados por grandes Seres que determinavam cada um dos nossos atos. Agora, quanto mais dependermos da consciência, do raciocínio, do juízo, da sabedoria, ou da força de vontade de outra pessoa – seja ela um Instrutor espiritual ou um ser humano – mais tempo será necessário para atingirmos o grau de responsabilidade que nos emancipará completamente de influências exteriores. Só agiremos totalmente, segundo os preceitos fundamentais da evolução da alma, quando formos completamente livres!
A autossuficiência é indispensável, tanto nas mínimas coisas como nas de maior importância. É efetivamente com as pequeninas coisas rotineiras que temos de começar; se não formos capazes de tomar decisões aparentemente insignificantes, como podemos esperar tomá-las em coisas de maior valor? Há estudantes principiantes, e até membros há muito ligados à Fraternidade Rosacruz, que escrevem para a Sede a pedir conselhos referentes a problemas pessoais ou domésticos, dos mais diminutos aos mais graves. Há tendência para considerar a Sede uma fonte donde brota facilmente auxílio em momentos de crise. “A lição que temos de aprender é a de trabalhar para um objetivo comum; sem líderes, cada um igualmente inspirado, interiormente, pelo Espírito do Amor, lutando para elevar o mundo inteiro, física, moral e espiritualmente à estatura e grandeza de Cristo” (do Livro Cartas aos Estudantes nº 20 – Max Heindel).
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 02/86)
A palavra Karma[1] provém do sânscrito, sendo muito utilizada na literatura esotérica para designar aquilo que nos Ensinamentos Rosacruzes conhecemos como Destino Maduro ou simplesmente destino. Esse termo generalizou-se tanto, face à invasão de filosofias orientais sofrida pelo Ocidente, a ponto de já ser usado em forma aportuguesada: Karma ou Carma.
Fiéis aos princípios básicos legados pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, optamos pelos vocábulos Destino Maduro ou destino. Destino, no sentido esotérico, associa-se a dívidas contraídas sob a Lei de Causa e Efeito. Geralmente representa o Efeito ou Consequência.
Muitas pessoas imaginam poder compensar, suavizar ou mesmo neutralizar um destino “sofrido” apenas pelo auto aperfeiçoamento. A superação de vícios e falhas de caráter e necessária e fundamental, mas por si só não é suficiente. É preciso mais que isso.
Lemos nos Evangelhos que certa vez um rapaz aproximou-se do Cristo e exclamou: “Bom Mestre, que bem-farei para conseguir a vida eterna? E Ele disse-lhe: Por que me chamais de bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o mancebo: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o moço ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades”.
Vemos, então, pelos ensinamentos cristãos que não basta apenas cultivar virtudes morais ou adquirir conhecimentos. É necessário, também, servir à humanidade, de maneira desinteressada e amorosa. Nossas vidas e nosso destino só mudam quando trabalhamos duro, em benefício dos nossos semelhantes, cumprindo nossa parte no mundo.
Se é verdade que levamos nossas cargas de destino individual, também é certo que estamos envolvidos num destino coletivo. Somos parte da grande família humana. Tudo que a afeta, afeta-nos também e vice-versa. Não há como fugir dessa realidade.
Não nos esqueçamos de que “a fé sem obras é morta”. O conhecimento é uma grande responsabilidade, e se não se traduzir em atos construtivos e amorosos acabará gerando, pela omissão, um destino muito doloroso.
Muitos esoteristas, após anos de estudos profundos acabam desalentados, queixando-se do insignificante progresso conquistado ao longo de tantos “esforços”. Esforços? Melhor seria se meditassem sobre esses esforços. No fundo, verificarão que durante todo esse tempo não passaram de meros teóricos, alguns até envaidecidos de sua erudição. É lógico, o conhecimento adquirido sempre conduz a algum progresso.
Mas se não for levado à prática, não passará de verniz, de superficialidade enganosa. Como afirmou o Apóstolo: “O conhecimento infla. Mas só o amor constrói”. Amor, no sentido mais elevado é ação. Não pode ser concebido como algo passivo, etéreo ou mesmo subjetivo. O amor deve conduzir à realização de algo construtivo e só por seu intermédio é possível a superação do destino. Só assim podemos, de fato, fazer uso da Doutrina Cristã da Remissão dos Pecados, também conhecida como Perdão dos Pecados.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/86)
[1]Karma ou Carma – ensinada nos países orientais.
Epigênese: Os Seus Novos Caminhos
A Revolução Industrial, cujo berço foi a Inglaterra, no século XVIII, modificou totalmente o panorama da sociedade ocidental. A economia, então predominantemente agrícola e artesanal, passou a conhecer uma fase de surgimento de indústrias. As cidades se desenvolveram porque as indústrias nelas se localizavam e suas populações cresceram consideravelmente.
O que se desencadeava, entretanto, não era um processo isolado, mas algo que exigia transformações profundas a fim de manter sua continuidade. Havia, por exemplo, necessidade de transportar matéria-prima de suas fontes até as regiões manufatureiras. O meio de transporte comum era à tração animal. Obviamente não atendia a demanda crescente; em primeiro lugar, porque a disponibilidade de animais de carga era pequena.
Quando tudo parecia caminhar para um impasse, eis que a genialidade de alguém cria a máquina a vapor. Surge a locomotiva. Os trens, as ferrovias, constituem a salvação. Estava resolvido o problema.
Sempre foi assim. Quando a necessidade de progresso do ser humano esbarrava em algum obstáculo ou problema aparentemente sem solução, o gênio inventivo, a criatividade, inovavam em algum campo de atividade humana, encontrando o caminho salvador.
Esse dom de criar algo novo, original, recebe o nome de Epigênese. É uma faculdade inerente a todo indivíduo, mas ainda pouco desenvolvida. Essa capacidade criadora é um traço de identidade entre Deus e o ser humano, porque ambos criam.
Max Heindel, em sua obra Conceito Rosacruz do Cosmos, no capítulo que trata da Involução, Evolução e Epigênese diz o seguinte: “Em todo o transcurso da evolução, através dos Períodos, Globos, Revoluções e Raças, aqueles que não melhoram, por não formarem novas características, ficam para trás e começam imediatamente a degenerar. Só os que permanecem plásticos, flexíveis e adaptáveis podem modelar novas formas, apropriadas à expressão da consciência que se expande. Só a vida capaz de cultivar as possibilidades de aperfeiçoamento, inerentes na forma que anima, pode evolucionar com os adiantados de qualquer Onda de Vida. Todos os outros ficam atrasados”.
“É esta a medula do Ocultismo. O progresso não é um simples desenvolvimento, nem tampouco Involução e Evolução, há um terceiro fator, a Epigênese, que completa a tríade”.
“As primeiras duas palavras são familiares a todos os que estudaram a vida e a forma. Admite-se, geralmente, que a Involução do Espírito na matéria tem o objetivo de construir a forma, mas não se reconhece tão comumente que a Involução do Espírito corre paralela à evolução da forma”.
“Desde o princípio do Períodode Saturno até a Época Atlante, quando “os olhos do ser humano foramabertos” pelos Espíritos Lucíferos,as atividades do ser humano (ou força vital que se converteu em humano) era dirigida principalmente para dentro. Essa mesma força que agora o ser humano emprega ou irradia para construir estradas de ferro e vapores, empregava-se internamente para construir um veículo através do qual pudesse manifestar-se. Esse veículo é tríplice, analogamente ao Espírito que o construiu. A forma evolui construída pelo Espírito. Durante essa construção, o Espírito involui até que, nela penetrando, parta para a própria evolução. Os melhoramentos ou aperfeiçoamentos da forma são resultado da Epigênese”.
“Logo, o poder que o ser humano agora emprega para melhorar as condições externas foi empregado durante a Involução com propósito de crescimento interno”.
“Há forte tendência em considerar tudo o que existe como resultado de algo que foi. Olha-se a Evolução como simples desenvolvimento de perfectibilidades germinais. Tal concepção exclui a Epigênese do esquema das coisas, não concede possibilidade alguma de construir-se algo novo, nenhuma margem para a originalidade”.
“O ocultista crê que o propósito da evolução é o desenvolvimento doser humano desde um Deus estático a um Deus dinâmico, um Criador. Se o desenvolvimento que atualmente efetua constituísse a sua educação, e se o seu progresso representasse simplesmente a expansão de qualidades latentes, onde aprenderia a criar?”
“Se o desenvolvimento do ser humano consistisse unicamente em aprender a construir formas cada vez melhores, de acordo com os modelos já existentes na mente do seu Criador, na melhor das hipóteses poderia converter-se num bom imitador, mas nunca num criador”.
“Para tornar-se um criador original e independente é necessário, no seu exercitamento, que tenha suficiente margem de emprego da sua originalidade individual. É isso que distingue a criação da imitação. Conservam-se certas características da forma antiga, necessárias ao progresso, mas em cada novo renascimento a vida evolucionante acrescenta tantos aperfeiçoamentos originais quanto sejam necessários para sua expressão ulterior”.
Vê-se, pois, que sem o emprego da faculdade epigenética o progresso do ser humano, em qualquer campo de atividade, seria uma impossibilidade. Quando deixa de ser ativa nas pessoas, nações, raças e instituições, a evolução cessa, começando daí a degeneração. Todo processo de cristalização na natureza representa a ausência de novos caminhos. A decadência das grandes civilizações principiou pela estagnação de seus valores básicos. A não renovação de suas estruturas, aliada a recusa em reciclar sua cultura, acabou por provocar a degeneração. Isso sempre ocorreu, seja no sentido individual, seja no coletivo.
Os veículos do Espírito também se aperfeiçoam pela Epigênese. As correções e as inovações começam na região dos arquétipos, ou seja, na Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento. A tendência de um veículo, como o Corpo Denso por exemplo, é tornar-se cada vez mais sensível, maleável e responsivo às vibrações espirituais. Esse progresso ocorre porque vimos constantemente aperfeiçoando nossos veículos.
Os corpos das Raças atrasadas estão em franca degeneração porque cristalizaram-se a tal ponto de não admitirem nenhum processo de revitalização. Os antropoides, são o resultado da degeneração de corpos humanos que perderam a sensibilidade. Os seres que usam esses corpos pertencem à nossa Onda de Vida, teoricamente ainda têm chances de progresso. Mas isso só acontecerá se derem um salto gigantesco em sua evolução, a ponto de poderem habitar corpos mais aperfeiçoados, abandonando em definitivo essas formas degeneradas.
É uma lei natural: Nenhum ser pode habitar corpos mais eficientes do que ele seja capaz de construir. Quanto mais uma pessoa avança e trabalha nos seus veículos, mais poder tem para construir uma nova vida.
Nossa capacidade de dominar as configurações estelares determina, em grande medida, o grau de Epigênese que vamos desenvolvendo em cada vida. Estamos sujeitos a poucas ou muitas limitações na vida atual, determinadas por dívidas contraídas em encarnações passadas. Mesmo assim temos certa margem de livre-arbítrio para desencadearmos novas causas. Gerando assim um novo destino. Não somos obrigados a errar. Se renascemos com grande tendência para a sensualidade, os astros podem impelir, mas nada nos vai obrigar a satisfazer nossas paixões carnais. A energia criadora malbaratada pode ser canalizada a objetivos superiores. Essa mesma energia, Deus e as Hierarquias utilizaram na criação do Cosmos. Podemos, portanto, empregá-la no processo epigenético contribuindo para a elevação da humanidade.
O processo da Epigênese é uma forma de transmutação. E isso explica porque certos presidiários reformam-se, tornando-se úteis à sociedade, enquanto outros mantém suas tendências criminosas; ou então, como pessoas com deficiências físicas desenvolvem certas habilidades, tornando-se vitoriosas em alguma atividade. O Espírito pode criar fases verdadeiramente novas de sua individualidade.
O gênio representa a manifestação epigenética no mais alto grau e isso não se explica pela hereditariedade. O gênio expressa sua genialidade não só por sua proficiência artística, intelectual ou profissional, mas principalmente pela sua criatividade. Esta é a diferença entre a competência e a genialidade.
Às vezes, a Epigênese se manifesta unilateralmente. E o caso de artistas que, embora talentosos, deixam muito a desejar moralmente entregando-se à bebida, aos tóxicos ou ao sexo. O talento pode lhes ser retirado temporariamente em vidas futuras, até que decidam a regenerar-se.
Geralmente o autodidata em algum ramo artístico ou profissional tende a ser criativo porque foge dos limitadores padrões acadêmicos. As pessoas criativas podem revolucionar (no mais puro sentido da Palavra) algum campo de atividade. Não raro isso lhes traz sofrimento porque seu trabalho inovador dificilmente será compreendido, além do que constitui uma ameaça aos padrões já estabelecidos naquela área particular. Eles RE-EVOLUCIONAM, isto é, dão novo impulso a evolução. Imagina-se, erroneamente, que revolucionar significa derrubar algo já consolidado.
Thomaz Edison certa vez foi posto para fora do escritório de um financista, em Nova York. O homem de negócios, indignado, afirmou-lhe grosseiramente, que jamais financiaria a produção em escala industrial daquelas “invenções malucas”. Bell foi chamado de louco pela imprensa norte-americana quando anunciou a invenção do aparelho telefônico. Júlio Verne encantou o mundo com suas obras de ficção. FICÇÃO? Hoje, quanto coisa tornou-se realidade.
Goethe modificou profundamente o teor das lendas que envolviam a figura do doutor Fausto, mago, astrólogo e quiromante do século XVI, dando-lhe, epigenéticamente, profundidade esotérica. Esse poema, uma obra-prima da literatura universal, conta a história do ser humano no afã de encontrar o divino em si mesmo.
Leonardo Da Vinci, para citar um exemplo mais distante no tempo, expressou uma exuberância epigenética incomum. Sua figura humana aproximou-se, como nenhum outro, daquele imaginário homem universal. Foi pintor, escultor, matemático, arquiteto, urbanista, físico, astrônomo, engenheiro, naturalista, químico, geólogo e cartógrafo. Suas obras tais como“Anunciação”, a “Virgem dos Rochedos”, a ”Monalisa”, constituem parte do patrimônio artístico da humanidade. Como urbanista, seu projeto para a cidade de Milão foi algo admiravelmente revolucionário. Eliminou as muralhas, traçou canais de esgotos, ruas superpostas para pedestres e pistas livres para veículos. As casas seriam amplas e ventiladas. Haveria praças e jardins. E tudo isso no final do século XV.
Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos esclarecem, e a própria história da civilização nos confirma, que se caminhamos até o estágio atual de desenvolvimento é porque fizemos uso da devida faculdade epigenética. Exercitar esse dom é encontrar Deus dentro de si mesmo.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’–Fraternidade Rosacruz-SP- maio/1986)
Doação de Glândulas Pituitárias
Pergunta: Junto a esta um recorte de jornal, onde poderemos ler um pedido de donativo de glândulas pituitárias, feito pela Agência Nacional Pituitária, no sentido de prevenir (ou evitar) o nanismo em crianças. Sou simpático a esse pedido e ao mesmo tempo admito que a ablação dessa glândula deva ser feita logo após a morte do doador. Dessa forma, como poderia haver uma conciliação desse fato com os vossos ensinamentos, uma vez que se fala no prazo de três dias para que o Corpo possa ser tocado, considerando-se ainda que, nos velórios, não há possibilidade de ser observado esse prazo. Em certas formas de embalsamamento o Corpo fica mais ou menos cristalizado ou mumificado, não se desintegrando por milhares de anos. Isto significa que o espírito vital como ficou explícito em vossos livros ficará preso ao seu próprio Corpo e à Terra, até que haja a desintegração?
Resposta: Max Heindel enfatizou que o finado deve ser o menos possível perturbado durante três dias e meio imediatamente após a ruptura do Cordão Prateado (o elemento, o cordão que liga os vários Corpos do ser humano entre si). Isso, naturalmente, para que o processo panorâmico se desenrole sem interrupções provindas do exterior. O interferir no processo panorâmico, em virtude da remoção de uma glândula ou de qualquer parte do Corpo depende, de alguma forma, da brevidade em que ela é feita em relação ao momento da morte, da idade da pessoa, das circunstâncias da morte, etc. Uma pessoa idosa geralmente completa o seu panorama mais rapidamente do que uma pessoa jovem, e a consciência do Ego logo após a morte é variável de indivíduo para indivíduo. Deve-se considerar também que a consciência do Ego, depois da ruptura do Cordão Prateado, não é provavelmente tão sensível em relação à dor física, como seria quando encarnado. Entretanto, tendo em vista a extrema importância de uma clara impressão das experiências da vida no Corpo de Desejos, todas as possíveis precauções deverão ser tomadas a fim de que o Ego desencarnado não seja perturbado.
O embalsamamento ou a mumificação deverão, naturalmente, ser evitados, entretanto, podemos afirmar que apenas a mumificação não será suficiente para tornar um Ego atado à Terra. As fortes fixações a um Corpo mumificado, a imprecação ou excomunhão emanadas de um sacerdote-magista ou ainda uma crença religiosa poderá fazer com que o Ego adere durante séculos ao redor da múmia, até que venha a compreender o seu engano, separando-se e submetendo-se a novo renascimento.
O termo “preso à terra” aplica-se somente ao Ego que escolhe ou é impelido a permanecer na Terra depois da morte. Tais Egos não estão “ligados” ao cadáver, porque o Corpo desintegra-se na sepultura a menos que seja cremado, e, em tal caso, desaparece rapidamente. Contudo um Ego preso à Terra – em virtude da sua fixação mental às coisas da Terra – continuará assim retido sem qualquer relação com seu Corpo, porque essa fixação diz respeito à Mente do Ego.
Talvez você esteja estabelecendo uma confusão entre o “espírito vital” e o Ego. O “espírito vital”, a que você se refere, trata-se da porção etérica do Corpo físico. Naturalmente, se o Corpo Denso é preservado, o mesmo acontecerá com o Corpo Vital, não se desintegrando, permanecendo flutuante pouco acima do primeiro. É meramente parte do cadáver. Não afirmamos que isso seja um “preso à Terra”, mesmo porque o seu destino é o de se desintegrar sincronicamente com o Corpo com o qual está ligado por meio da parte inferior do Cordão Prateado.
A razão de o doador permitir o transplante de uma glândula, ou de qualquer outro órgão, naturalmente representa para ele um crédito, espiritualmente falando. Contudo, a menos que o recebedor aprenda a lição que se supõe tenha aprendido, não haverá benefício permanente.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 08/1971)
Sementes da Nova Era, ainda aqui na Era de Peixes
A Era (ou Idade) de Peixes apresenta algumas características marcantes. Uma delas é a predominância de uns poucos sobre a maioria. Tal faceta pode ser notada com facilidade se observarmos, principalmente, os campos da religião e da política.
Nos últimos séculos, todas as grandes decisões que marcaram a vida das nações foram tomadas por poucos indivíduos, por grupos hegemônicos, ou em função do que eles pensavam e lhes atendia os interesses.
Os povos se acomodaram a essa situação, permitindo que um indivíduo tomasse iniciativa por eles. Não se discutia o valor das decisões, quais os critérios que a norteavam e se o objetivo final era o bem coletivo. O líder decidiu e ponto final. Revogam-se as disposições em contrário.
Esse sistema de lideranças foi legítimo numa época em que era necessário promover o desenvolvimento coletivo. Mas hoje, quando a influência de Aquário se faz sentir com intensidade crescente, esse estado de coisas tende a mudar.
O crescimento da individualidade assume importância prioritária e isso já vem promovendo uma significativa mudança na ordem social. As lideranças estão desaparecendo gradativamente, dando lugar a formas mais democráticas de tomadas de decisões. Os direitos individuais devem ser respeitados e a liberdade de expressão defendida, como sendo embriões de uma sociedade mais consciente de seus direitos, deveres e ideais.
A medida em que o líder carismático se torna uma figura do passado, as nações e as instituições passam a ser dirigidas por pessoas responsáveis, a quem são delegados poderes para tal, mediante critérios justos e democráticos.
Desses dirigentes exige-se competência, probidade e, acima de tudo,um acendrado amor aos seus concidadãos. Todos os seus atos devem representar e expressar as aspirações e vontades coletivas. Só se justifica a tomada de grandes decisões após amplos e profundos debates entre a população e, na medida do possível, procurar-se-á sempre o consenso.
Esse respeito à liberdade individual, propugnado e praticado no seio da Fraternidade Rosacruz, constitui um prelúdio do que será a futura sociedade humana.
Como membros da Fraternidade Rosacruz e colaboradores na disseminação do evangelho da Era (ou Idade) de Aquário, façamos uma autocrítica, verificando se nossos hábitos, ideias e procedimentos ainda recebem a influência de Peixes. Caso isso ocorra empenhemo-nos num esforço consciente e perseverante, no sentido de transmutar essa maneira de ser, dando-lhe características aquarianas. Notaremos, então, como nossa colaboração será muito mais eficiente.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/86)
O Evangelho do Serviço, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz
A Fraternidade Rosacruz, no cumprimento de suas finalidades precípuas, tem envidado esforços no sentido de divulgar os Ensinamentos Rosacruzes, utilizando, para tal, os veículos ao seu alcance, como revistas, folhetos, livros, cursos orais e epistolares etc. Tais conhecimentos são desinteressada e amorosamente colocados ao alcance de todos aqueles que aspiram a verdades mais profundas a respeito do ser humano e do mundo. Quantos seres desalentados recobraram ânimo e encontraram nova motivação para sua vida ao “descobrirem” os maravilhosos ensinamentos transmitidos à humanidade por Max Heindel! Quantos seres humanos encontraram-se a si mesmo ao tomarem a decisão de batalhar pela causa dos Irmãos Maiores!
A Fraternidade Rosacruz tem prestado relevantes serviços ao gênero humano. Numa época em que o materialismo campeia ameaçadoramente, ela desponta como um amenizador de impactos, indicando, sabiamente o caminho do equilíbrio.
E não se julgue que esse trabalho tem sido fácil! E não se pense que tudo tem sido um mar de rosas! Não! Pelo contrário! A caminhada da Fraternidade tem sido pontilhada de lutas e sacrifícios.
Não é fácil, nos dias de hoje, manter uma entidade com estas características de ineditismo, “sui generis”! Poucas organizações congêneres mantêm cursos por correspondência e outros serviços sem a exigência de um pagamento; o que pesa em cada um é a consciência do dever cumprido.
Todo sacrifício que se faça em prol desse Ideal ainda será pouco. Ele é tão elevado, que poder aspirá-lo constitui, por si só, um grande privilégio. A Fraternidade é uma grande seara onde há abundância de oportunidades de trabalho. Há muito que se fazer. Há falta de obreiros. Ela é a magna oportunidade de realização anímica por meio da purificação e do serviço.
Mediante o estudo aumentamos gradativamente nosso cabedal de conhecimentos, todavia, se não os aplicarmos permaneceremos na estaca zero. E de que forma podem ser aplicados os conhecimentos? Pelo aprimoramento do caráter e pelo serviço prestado em favor da humanidade. Conhecimento implica “fé racional”. E a “fé sem obras é morta”.
Alguns estudantes antigos queixam-se de seu exíguo e lento progresso no caminho Rosacruz. Talvez eles não tenham compreendido o sentido exato do Ideal. Só teoria não é suficiente. O estudo é indispensável, mas não é um fim em si mesmo. De intelectuais o mundo está repleto, mas há uma carência enorme de espiritualistas práticos. Pouco vale conhecer todas as obras rosacruzes se na vida diária nós as renegamos por meio de nossas atitudes incoerentes. De que adianta nosso dom de oratória, se ao proferirmos nossa elocução de uma tribuna não alimentamos nossas palavras com a convicção de quem vive realmente as verdades enunciadas?
Não se pode dissociar rosacrucianismo de SERVIÇO. Quem não se dispuser a arregaçar as mangas e fazer a sua parte dará passos miúdos na senda evolutiva. A Filosofia Rosacruz encerra em si mesma o EVANGELHO DO SERVIÇO, e na Fraternidade encontramos um campo de ação extraordinário, pois ela tende a crescer e a preparar os homens para a futura Era de Aquário.
PELA FRATERNIDADE “FAÇA-SE O MELHOR, FAÇA-SE TUDO!”.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/1971)