Os Duendes da Primavera
Tita estava aborrecida. E muito aborrecida.
As mesmas lições de música todos os dias, até num dia como hoje, belíssimo sábado ensolarado! Oh! não! O melhor mesmo seria sair de casa e ir brincar sozinha no bosque, à beira do regato. E assim fez Tita.
Deitou-se sobre a terra fresca. O córrego cantando para ela, e a canção do riacho eram como gorgolejos de alegria.
Ela se sentia, agora, tranquila e feliz. Fitava as brancas nuvens que passavam e desejou poder embarcar nelas.
Foi então que ouviu a música: tão suave, tão doce, mas tão débil a princípio que ela pensou tratar-se de uma vespa vagabunda. Mas não. Era algo diferente. Voltou, pois, a cabeça e procurou o músico.
A criaturinha era de fato muito pequena. Toda verde e brilhante. Cabelos amarelo-dourados cobriam-lhe o corpo como vestes transparentes. E tocava. Tocava um violino feito de duas das menores folhas de grama que podiam existir. Tita esfregou os olhos.
“Ah! até que enfim você pôde me ver!” A voz da criaturinha era cristalina como o som de um cubo de gelo sacudido num copo de cristal.
Tita a fitava atentamente, repleta de surpresa e espanto.
“Meu nome? Seeba” – disse a menina elfo como se estivesse lendo os pensamentos de Tita.
“Mas… que… que… por que. . .” – Tita gaguejou por fim, olhos arregalados.
“Ninguém consegue me ver” falou Seeba, novamente lendo seus pensamentos – “a menos que compreenda os espíritos da Natureza”.
Tita abriu a boca para uma pergunta, mas Seeba sorriu e acenou-lhe: “Vamos – disse – “vou lhe mostrar.”
Imediatamente Seeba cresceu até ficar tão grande quanto Tita, e juntas acharam-se as duas em uma enorme floresta. Gigantescas árvores e altas montanhas compunham o cenário. E também um turbulento e caudaloso rio, tão largo que-sua outra margem não podia ser vista. Tita olhava em volta amedrontada.
“Não” – disse Seeba – “tudo é o mesmo. Apenas você diminuiu até chegar ao meu tamanho. As árvores não passam de relvas, as montanhas são montículos de terra. E olhe o corregozinho” – finalizou apontando na direção do rio volumoso e agitado.
Seeba tomou-lhe as mãos. E juntas caminharam por aquela estranha terra, até chegarem a uma caverna. Tita pensava. Tinha tantas perguntas a fazer, mas por outro lado havia tanta coisa para ver! Gigantesca rocha erguia-se
próximo à entrada da caverna. Era uma rocha azul – estranhamente azul brilhante.
“Lembra-se daquela conta azul que você perdeu outro dia?” – perguntou Seeba, tocando a enorme rocha e sorrindo ante a expressão pasmada de Tita.
De súbito Tita não pôde reprimir um grito de pavor: uma enorme serpente se arrastava bem perto. Seeba amparou-a e disse calmamente:
“Uma minhoca. Ela carrega para longe os cascalhos e traz na volta terra adubada. Assim as flores podem crescer.”
Então as duas chegaram a um tronco que cruzava o túnel da caverna.
“A raiz de uma violeteira” – explicou Seeba abrindo um par de asas de seda que Tita jamais havia imaginado. E juntas passaram voando por sobre o tronco.
Tita já não podia ver nada. Estava escuro como a noite. Então ela percebeu uma fraca cintilação prata-esverdeada, que a pouco e pouco se aproximava e tornando-se mais intensa. Eram três ou quatro focos piscantes, e mais pareciam pássaros voando e transportando faróis intermitentes.
“Vagalumes” – disse Seeba. “Nosso sistema de iluminação.”
Aí elas avistaram um grupo de estranhos homenzinhos vestidos de marrom, levando nas mãos baldes vazios.
“Gnomos” – esclareceu a graciosa Elfo que guiava Tita – “Eles recolhem orvalho nos baldes e regam as raízes das plantas”.
A seguir surgiu uma fileira de graciosas criaturinhas bem parecidas com Seeba. Algumas eram de cor laranja, outras eram cor de rosa, e outras eram verdes. Transportavam baldes cheios de orvalho, que despejavam em algumas raízes aqui e acolá.
“Duendes da Primavera” – explicou Seeba, qual guia turista num ônibus de excursão. “Elas não se apressaram hoje, por isso estão chegando atrasadas.”
“Você também é um duende da Primavera?” – Perguntou Tita com voz, sumida, ainda receosa de tudo o que via.
“Oh sim! Estive no sul todo o inverno. Voltamos para o norte num grupo de nuvens há algumas semanas”.
Subitamente Seeba parou, empalideceu e começou a tremer. “A Rainha!” – Disse baixinho – “Ela vai me castigar.
Se pudesse me esconder em algum canto. Mas agora é tarde!”
Um brilho deslumbrante, de tom amarelo-dourado, feriu os olhos de Tita, e diante dela uma visão encantadora! A rainha era mais alta do que Seeba e usava um manto verde claro que resplandecia em todas as cores do arco-íris.
Seu cabelo tinha um tom azulado, mas não parecia absurdo. Tita lembrou-se de que jamais havia visto uma criatura tão linda. Mas os olhos da rainha faiscavam:
“Você não veio hoje tomar suas lições” – falou fitando Seeba. “Fugiu e foi brincar lá fora. Pois bem, por causa disso você ficará na caverna a noite toda., e não poderá subir nas nuvens. Apenas seu violino ficará com você.”
Seeba implorou:
“Esta noite vai chover, querida Rainha. Adoro montar nos pingos de chuva, além disso estarão chegando tanto novos duendes…”
Nesse momento surgiu a poucos passos outra enorme serpente. Tita esqueceu-se de que se tratava apenas de uma minhoca, e largou a correr. Corria cada vez mais depressa, até que se viu fora da caverna, em plena claridade do dia. E sozinha. Esfregando os olhos, parou e contemplou o que estava em volta. Devia ser muito tarde, pois o sol quase desaparecia no horizonte. Pesadas nuvens cinzentas se aproximaram. Tita não esperou mais. Correu para casa.
Naquela tarde ela tocou seu violino enquanto sua mãe tocava piano. Papai lia o seu jornal. Seu irmão Jan engraxava uma luva de baseball.
E aí Tita ouviu novamente aquela música. Suave, doce e quase inaudível como antes. Como sinos de fadas.
“Os duendes da Primavera”, disse excitada.
Seu irmão levantou os olhos e resmungou: “Ih! está chovendo! Assim, não mais poderemos jogar amanhã.”
Tita ergueu o rosto para ele. Como poderia um rapazinho saber? Mas ela compreendia. Os duendes da Primavera estavam chegando em profusão. Todo o esplendor da Primavera ia explodir agora! Os bosques e campos sentiriam a grande mágica! O que estaria fazendo Seeba neste momento? Montando em gotas de chuva ou tocando seu instrumento na caverna?
Tita apanhou seu violino e começou a tocar novamente. E a partir daquela tarde praticou suas lições de música com mais gosto e constância do que nunca.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. II – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Viajantes do Espaço: Vidas em outros Planetas
Nos últimos anos muito se tem falado sobre viajantes do espaço, naves espaciais, visitantes de outros Planetas, etc. Ainda que este assunto tenha levantado muita celeuma, não é novidade. A história vem relatando, desde muito tempo, o aparecimento de objetos aéreos não identificados. Tais objetos que são “reconhecidos” como naves espaciais, aparecem normalmente em áreas isoladas, afastadas dos grandes núcleos de população e são atestados apenas por um número muito limitado de pessoas.
Além disso, os observadores não estão de acordo com aquilo que “veem”. As descrições dos incidentes diferem bastante para poderem ser levados em consideração. Quer-nos parecer, também, que os visitantes de outros Planetas (se de fato o são) se tem boas intenções, como dizem os seus observadores, teriam muito pouca dificuldade para estabelecerem sua identidade e para tomar conhecidos os propósitos de sua vinda, de maneira menos misteriosa.
O lançamento de satélites pelos Estados Unidos e pela Rússia, as viagens pelo espaço, parece dar nova perspectiva à possibilidade da presença aqui, na Terra, de visitantes de outros Planetas. Em alguns centros culturais, a possibilidade da existência de vida inteligente em outros Planetas é obstinada e quase egoisticamente negada. Todavia, inúmeros astrônomos e filósofos do passado aceitaram essa possibilidade e a literatura oculta está repleta de referência aos “mensageiros” vindos à Terra, particularmente de Vênus e Mercúrio. Utilizando os conhecimentos adquiridos no ocultismo, podemos chegar a compreender o que aconteceu relativamente à manifestação inteligente em outros Planetas além da Terra.
Podemos admitir que o modelo e o propósito evolutivos básicos são idênticos, seja na Terra, em Marte, Mercúrio, Vênus etc., condicionando-os apenas, às condições existentes em cada Planeta.
M. C. Flammarion, um dos maiores astrônomos de poucos anos atrás, formulou, como dedução exata e rigorosa de fatos conhecidos e das leis científicas, que:
1. Várias forças que eram ativas no princípio da evolução deram nascimento a variedade de seres nos vários mundos, tanto no reino orgânico como no inorgânico.
2. Os seres animados derivaram dos primeiros, com formas e organismos correspondentes ao estado fisiológico de cada globo habitado.
3. As humanidades dos outros mundos diferem da nossa, tanto na organização interna como no tipo físico exterior.
A Filosofia Rosacruz nos diz que quando a Terra fazia ainda parte do Sol o seu material estava em estado ígneo.
Nessa ocasião já existia a vida embrionária e, como o fogo não queima o espírito, a evolução embrionária começou imediatamente, ficando confinada à região polar do Sol onde o calor era menos intenso. Os seres mais evoluídos que deveriam tomar-se humanos, apareceram quando a terra ainda estava em estado líquido e envolvida em atmosfera gasosa. Não obstante a inteligência evoluinte dispôs os meios para construir um veículo com o auxílio de inteligências superiores já manifestadas em períodos evolutivos anteriores.
Os primeiros corpos construídos eram conto de ar e água, pois tais elementos respondem mais facilmente às pulsações da vontade criadora. Os veículos posteriores foram construídos da parte mais sutil do material denso do globo físico.
O primeiro Corpo Denso do ser humano, nem de longe se assemelhava ao seu atual veículo altamente organizado desenvolvido através de inúmeros milhões de anos de evolução. Seu primeiro Corpo Denso era parecido a um grande saco com uma abertura em cima, de onde saía seu único órgão sensório que era usado para orientação. O ser humano servia-se deste órgão para sobreviver e evitar a destruição do seu corpo. O corpo humano consistia de matéria plástica mole e as outras formas terrestres também eram moles e plásticas.
A Terra, comparada com sua atual firmeza, estava naquele tempo, em estado fluídico. A alma humana, encarnada no veículo que acabamos de descrever, adaptou-se em maior grau do que depois, pois a atual manifestação da alma em um corpo masculino ou feminino é devida ao fato de que um ou outro foi imposto pelo desenvolvimento da natureza exterior. Enquanto o ser humano tinha domínio sobre a matéria, formava seu corpo masculino ou feminino, mas dava-lhe as qualidades comuns a ambos, pois, a alma humana é ao mesmo tempo masculina e feminina, possuindo ambas as naturezas em si. A formação exterior da Terra levou o corpo a adotar a evolução unilateral e, quando a Terra atingiu certo grau de densidade, apareceu a separação dos sexos. A densidade da matéria reprimiu parcialmente o poder de reprodução e essa porção da força reprodutora que é efetiva requer complemento exterior que encontra na força oposta de um outro ser humano.
Quando os veículos humanos atingiram certo grau de desenvolvimento, os espíritos que estavam por cima, no Éter (chamados na Bíblia de “Filhos de Deus”), desceram e penetraram nos novos corpos, chamados “filhas dos homens” ou mais corretamente, “Filhas de Manas”, ou seja, corpos formados ou feitos de Mente. A partir daí, seguiram um extenso programa evolutivo. As formas foram aparecendo no mundo material por um processo de experimentação natural e depois de milhões de anos, foram geradas formas mais convenientes para a manifestação do ser humano. As formas que não eram usadas para a encarnação do ser humano tornaram-se formas sem Mente, as sombras, os monstros descritos na antiga história da Caldéia como seres compostos feitos de animais, pássaros e peixes, com muitas cabeças. A Cabala também se refere a elas como os Reis de Edom, os gigantes sem equilíbrio que pereceram no vazio.
Na Bíblia, no Gênesis 4:4, está escrito: “Havia naqueles dias, gigantes na terra, e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens, e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de fama”. Gigantes que havia “antes” e “depois” é um sinônimo aparente de “Filhos de Deus”, embora pareça ter havido alguma degenerescência quando eles inauguraram a relação sexual na terra. Segue-se um intervalo de tempo e os versículos seguintes dizem: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicam sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração. E disse o Senhor: Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até o animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito”. A progênie dos gigantes que tinham produzido monstros devia desaparecer, embora se diga que os enormes antropoides que existem hoje são sua descendência.
O resfriamento da superfície da terra permitiu a liberação dos seus elementos com os quais foi possível formar veículos materiais para a humanidade infante. Esses elementos, modelados pela vontade dos deuses, foram assumindo formas determinadas como uma célula fecundada constrói, aos poucos um organismo capaz de ter uma existência inteligente individual. Mas houve um tempo que a terra não era conveniente para a existência humana. A Bíblia refere-se a esse tempo em que “a terra era informe e vazia e havia trevas sobre a face do abismo e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”. A terra devia ser isolada dos céus, as águas deviam ser divididas e a terra seca havia de aparecer, antes que a vida evoluinte pudesse habitar a Terra.
Apareceram outros líderes, que não as Hierarquias Criadoras, para conduzirem a humanidade. Eles ajudaram o ser humano nos seus primeiros passos titubeantes depois que a involução o dotou de veículos. Esses seres, e claro, estavam muito mais adiantados do que a humanidade comum, no caminho da evolução.
Vieram dos Planetas Vênus e Mercúrio prestar serviço à humanidade da Terra como pagamento de suas próprias dividas de destino.
Os seres que habitam Vênus e Mercúrio não são tão adiantados quanto aqueles cujo campo de evolução é o Sol, mas estão muito além da nossa humanidade. Foram capazes de permanecer por mais tempo na massa central do Sol do que nós que viemos para a Terra, mas em certo ponto, sua evolução também precisou de campo separado.
E os dois Planetas, Vênus primeiro e Mercúrio depois foram arrojados do Sol. Seu grande desenvolvimento permitiu que ficassem mais próximos do Sol para receberem o grau de vibração necessários ao prosseguimento de sua evolução.
Os habitantes de Mercúrio mais adiantados, firmam mais próximos do Sol. Desse, os que vieram à Terra foram identificados como os “Senhores de Mercúrio”. Os que vieram de Vênus foram chamados de “Senhores de Vênus”.
Os Senhores de Vênus foram os Guias das nossas massas de povo.Eram atrasados da evolução de Vênus e, para recuperarem sua evolução, foi-lhes dado o privilégio de nos prestarem serviço. Apareceram entre nós, a humanidade, e foram conhecidos como os “Mensageiros dos Deuses”. Guiaram nossa humanidade passo a passo não havendo rebeldia à sua autoridade porque o ser humano daquele tempo não havia desenvolvido a vontade própria. Seu propósito era conduzir a humanidade ao ponto em que pudesse manifestar vontade e entendimento, ou, ao menos, ao ponto em que pudesse dirigir-se a si mesmo.
Era sabido que tais mensageiros falavam com os Deuses. Eram muito reverenciados e suas ordens eram obedecidas sem discussão. Sob a orientação desses Grandes Seres, a humanidade atingiu elevado grau de progresso; os mais adiantados foram postos sob a direção dos “Senhores de Mercúrio” que os iniciaram nas verdades superiores a fim de prepará-los para serem os guias do povo. Alguns desses iniciados foram elevados à posição de reis, sendo os fundadores das diversas dinastias de “Guias Divinos”, reis por graça divina, ou melhor, pela graça dos Senhores de Vênus e de Mercúrio que eram como deuses para a humanidade infante. Os Senhores de Mercúrio guiaram e instruíram esses reis para governarem pelo bem do povo. A arrogância e a cupidez que eles depois demonstraram foi simples degeneração.
Os Senhores de Mercúrio ensinaram o ser humano a sair e entrar no corpo físico à vontade, a empregar seus veículos superiores independentemente do Corpo Denso, de modo que o corpo físico se tornou uma habitação agradável em vez de uma prisão. Atualmente Mercúrio exerce pequena influência sobre nós porque está emergindo do repouso planetário; com o tempo, porém, sua influência será mais fortemente sentida, tornando-se poderoso fator na futura evolução.
Os astrônomos e os filósofos de outrora fizeram muita conjectura acerca da vida nos outros Planetas e Kant apresentou como teoria que a matéria de que eram formados os veículos dos habitantes dos outros Planetas variava em densidade e em sutileza conforme a distância do Planeta ao Sol, este, é cheio de eletricidade vital e, portanto, a humanidade de Vênus e de Mercúrio, supõe-se ser muito mais etérica do que somos nós. Indubitavelmente são muito mais inteligentes e possivelmente menos abrutalhados. Astrônomos, matemáticos, filósofos, entre eles Leibnitz, Isaac Newton, Bode, Herschell e Laplace, acreditaram na existência de outros mundos habitados além do nosso e mesmo em mundos que precederam o nosso.
A análise dos meteoritos que caíram na Terra mostrou que em um deles havia uma forma de carbono que está invariavelmente associada à vida orgânica como existe no nosso mundo. A presença desse carbono não era devida a nenhuma ocorrência havida na nossa atmosfera, pois o carbono foi encontrado no interior do meteorito. Em outro meteorito encontraram água e turfa, sendo provável que a presença da turfa se deve à decomposição de substâncias vegetais. O como e o por que esses meteoritos com suas informações interiores deixaram seus Planetas continua, todavia, em mistério.
Exames posteriores das condições astronômicas de outros Planetas mostraram que alguns deles parecem melhor adaptados para o desenvolvimento da vida e da inteligência do que o nosso Planeta. As estações em Júpiter, por exemplo, mudam quase imperceptivelmente e duram quase doze vezes o tempo das nossas. Devido a inclinação do eixo de Júpiter, suas estações são devidas quase exclusivamente à excentricidade de sua órbita variar muito pouco e regularmente. Vênus parece ser menos adaptado à vida humana como nós a conhecemos, porque suas estações são muito acentuadas, com temperaturas extremas que mudam quase instantaneamente. A duração do dia, todavia, parece ser a mesma tanto em Mercúrio como em Vênus, na Terra e em Marte.Em Mercúrio o calor e a luz do Sol são sete vezes maiores do que estamos acostumados na nossa Terra e parece que ele está envolvido em densa atmosfera. Como a vida, no nosso Planeta, aparece mais ativa em proporção à luz e ao calor do Sol (dentro de limites, é claro), é possível que a atividade em Mercúrio seja muito maior do que aqui.
Vênus também possui atmosfera densa, bem como Marte. Os astrônomos notaram alguma semelhança entre Mercúrio, Vênus e a Terra nas regiões polares cobertas de neve, nas nuvens que cobrem a superfície dos Planetas e na variação das estações e dos climas. A existência de vida humana idêntica à nossa sobre esses três Planetas parece possível. Pelo menos, está abundantemente demonstrado que alguma forma de vida, não se levando em conta as suas características fisiológicas, é inteiramente provável nesses Planetas.
A Sabedoria Antiga nos fala de Grandes Seres que vieram dos seus mundos celestiais para reinar na Terra ensinar a humanidade a astronomia, a arquitetura, as matemáticas e todas as outras ciências que chegaram até nossos dias. Esses Seres apareceram primeiramente como Deuses e Criadores, incorporaram-se no ser humano, surgindo afinal como Reis e Legisladores divinos. Os Egípcios falam da ciência que floresceu somente depois do aparecimento dos seus Deuses Isis-Osíris aos quais continuaram a adorar como Deuses mesmo depois que eles apareceram como Príncipes em forma humana. Como Príncipes construíram cidades, aproveitaram as inundações devidas às cheias do Nilo, inventaram a agricultura, ensinaram o uso da música, da geometria etc. E muito significativo que o trigo nunca tenha sido encontrado em estado silvestre; acredita-se que não seja um produto da nossa Terra.
O que esses líderes sabiam e o que podiam fazer não parecia resultar do uso dos órgãos dos sentidos ou do conhecimento humano. Tais guias foram adorados como “Mensageiros Divinos” e como tais, dirigiram as comunidades e instruíram,alguns indivíduos, suficientemente desenvolvidos, nas artes de governar. Dizia-se que esses Mensageiros Divinos falavam com os deuses e que foram iniciados pelos deuses nas leis segundo as quais os seres humanos deviam evoluir. Tais iniciações e comunhões ocorriam em lugares desconhecidos do povo e, por esse motivo, eram chamados de Templos de Mistérios.
O ser humano é, todavia, um deus em potencial e está escrito que quando os deuses se retiraram deixando a humanidade colocar em prática as leis que havia aprendido sem ter quem a guiasse, chegou um período de degeneração devido a fraqueza humana.
Alguns entusiastas dos “discos voadores” dizem que o propósito da visita dos habitantes de outros Planetas não é impedir que a humanidade se aniquile pelo uso da energia nuclear, mas sim preveni-la da possibilidade de terrível cataclismo planetário pelo abuso das explosões atômicas que já estariam fazendo grandes alterações em seus Planetas, causando prejuízos à sua humanidade. Chegam mesmo, esses entusiastas, a dizer que tais visitantes já fazem uso de um poder desconhecido (para nós) a fim de contrabalançar alguns resultados das explosões atômicas que nós já realizamos. Seria mais razoável acreditar que a força atômica que a humanidade conseguiu dissociar cause maior catástrofe ao nosso próprio Planeta, a Terra, e que se tais fatos foram deduzidos por uma humanidade de outro Planeta, superior à nossa que eles se inquietassem e fizessem algum esforço, dentro de suas possibilidades, para evitar tal calamidade. Mas como estão levando a cabo seu intento por meio dessas visitas periódicas e áreas afastadas do nosso Planeta e a grupos isolados de pessoas que não podem convencer nosso governo do perigo que nos aguarda, isso faz com que ponhamos em dúvida o que dizem esses entusiastas. A inteligência superior atribuída aos visitantes dos outros Planetas levaria qualquer um a crer que eles seriam capazes de convencer a humanidade da Terra que estaria andando por mau caminho de forma mais prática do que essa. Uma inteligência tão grande que pode viajar em naves espaciais de sua criação, que demonstra não ter dificuldades em conversar na própria linguagem das pessoas com quem entra em contato, por certo estaria apta a provar seu ponto de vista, da mesma forma que a nossa humanidade avançada, daqui a centenas ou milhares de anos, poderá provar seu conhecimento superior.
A viagem entre os Planetas não é novidade, mas há razões para acreditarmos que ela só é possível com veículos muito mais sutis. As condições e os elementos físicos não são empecilho nem afetam aos que viajam nesses veículos sutis. As forças que encontraremos no trajeto são “interplanetárias” e assim como os Filhos de Deus” puderam outrora chegar ao nosso Planeta e tornar conhecida sua vontade à humanidade infantil, aqueles que conseguirem suficiente crescimento anímico nos nossos dias, poderão viajar para “países estrangeiros”, conforme seu desejo de servir.
Considerando o movimento de qualquer objeto material na nossa atmosfera, não podemos esquecer que está provado cientificamente que qualquer objeto (mesmo as naves espaciais), de material que tenha densidade maior do que o meio no qual está agindo (neste caso nossa atmosfera) criaria uma onda de choque, se viajasse com velocidade maior do que a do som, que é aproximadamente de 1.200 quilômetros por hora. Qualquer pessoa que visse um”disco voador” estaria, inevitavelmente, dentro da onda de choque, se ele viajasse com aquela velocidade ou maior ainda, e o som da onda de choque seria ouvida, com certeza, com grande intensidade. Mas até agora, nenhum dos observadores de discos voadores fez referência a esse fato, que é elementar, na física.
Não há dúvida que a humanidade quer dominar um a um os diversos materiais bem como as limitações e restrições físicas na conquista da matéria. Dessa forma pretende alcançar e penetrar regiões afastadas do nosso centro de densidade, a Terra. Como a densidade varia ao se aproximar de outro Planeta, aí encontrará novamente um grau ou condição de matéria que terá de lutar para conquistar. Conquistar o ser humano quer, pois ele está cada vez mais penetrando em seu veículo próprio a Mente, à medida que este veículo vai se tornando”maduro”.
Parece-nos, todavia, que o melhor que o ser humano poderia fazer, se conseguisse intercâmbio amistoso com seres de outros Planetas, seria a troca de conhecimentos intelectuais e é razoável supor que este seja um passo dado na direção certa que conduzirá à Fraternidade, dentro da esfera de influência de Deus, todas as Suas criaturas que, dessa forma, lhe proporcionarão o desenvolvimento e a perfeição evolutiva que ele busca.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/79)
A Valorização da Vida; afinal a solução está dentro de você
No rol de deveres do ser humano, particularmente do espiritualista, enfatizamos um como sendo básico e, de certa forma, abrangendo todos os outros: valorizar a vida.
O espírito pouco afeito à solidariedade humana passa indiferente às carências alheias. A palavra carência, dentro do tema proposto, assume, também, dimensões abrangentes. Quando nos referimos a indivíduos carentes, a primeira ideia suscitada – e cremos ser mesmo assim – é a de que lhes falta algo indispensável à subsistência física: pode ser alimento, agasalho, medicamento, moradia, ou, então, algo passível de garantir-lhes o futuro, como instrução, por exemplo.
O enfoque dado habitualmente às necessidades humanas, raras vezes foge ao contexto acima mencionado. Há uma razão para isso: a extrema limitação do ser humano ao mundo material. O ser comum, ignorando sua condição essencial de espírito, não pode atinar com outra realidade a não ser a que o circunda e lhe é perceptível através dos sentidos físicos. Tão agregado ao terra-a-terra ele permanece, a ponto de não admitir a existência de causas suprafísicas como origem de manifestações fenomênicas.
A Mente não identificada com as profundas investigações sobre a origem, estado atual e futuro do ser humano e do mundo desponta fantasiosa e inverossímil à simples hipótese de que tudo é regido por Leis Cósmicas imutáveis.
Daí a dependência exclusiva de instrumentais meramente humanos para equacionar os mais intrincados e transcendentais problemas, ora inquietando a humanidade. E como nem sempre a solução é encontrada, a preocupação e o desespero tomam conta de muitos.
Com frequência cada vez maior, são debatidos e analisados, nas altas esferas, questões relativas ao meio ambiente e à qualidade de vida nos grandes centros urbanos. Nesses, a grita é geral contra algumas distorções da vida moderna: poluição, condições de vida cada vez mais desumanas, marginalidade, pressa (que a nada conduz), neurose, artificialidade, solidão, dizimação de áreas verdes, etc.
Discute-se o assunto, promovem-se congressos, legisla-se a respeito, mas o ser humano reitera suas transgressões.
Além desses problemas, outros parecem exigir também urgentes soluções, desafiando a humanidade: as perspectivas de uma superpopulação à mercê de uma assustadora insuficiência de alimentos e o esgotamento progressivo de reservas energéticas, ameaçando esmagar a economia mundial.
Ora, tais desequilíbrios foram engendrados pelo próprio ser humano através de sua ambição, de sua vivência egoísta, de sua sede de poder. Compete-lhe, por conseguinte, no cultivo das virtudes opostas, restaurar a harmonia.
A solução pode ser encontrada no interior do próprio ser. Basta desenvolver e expressar as amorosas qualidades de empatia, afabilidade, caridade e espírito comunitário. A ajuda mútua torna-se um imperativo nos agitados dias em que vivemos.
Muitas pessoas sentem-se deprimidas pela solidão; anseiam por uma voz amiga, capaz de lhes preencher o imenso vácuo interior. Outras carecem de autoafirmação; aspiram por ver reconhecidas suas qualidades. Há aquelas cujas idiossincrasias as tornam pouco atrativas; necessitam de um pouco, talvez de uma minguada gota de compreensão. Há o jovem desejoso de que o aceitem com sua espontânea autenticidade. Há o velho reclamando um pouco de atenção. Há o animalzinho querendo afago. Há a flor e a árvore clamando por cuidados e admiração. Há a criança necessitando de amparo. Há a natureza, expressão física de Deus, rogando para ser preservada, no interesse da própria humanidade. Há pessoas de todas as raças e nacionalidades, de variados níveis culturais, de diferentes camadas socioeconômicas, formando uma multidão; mãos estendidas, olhos suplicando amor, só amor.
Em cada um desses seres palpita a vida.
E se desejamos um mundo melhor, tratemos de valorizá-la.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 09/1975)
Psicometria, em Síntese
Nos dias que correm, mormente através da Parapsicologia, um fenômeno tem despertado a atenção de estudiosos e curiosos: a psicometria. Verifiquemos, sucintamente, o que a Filosofia Rosacruz nos diz a respeito, por meio da palavra autorizada de Max Heindel:
“O Éter interpenetra toda a matéria do Mundo Físico, de maneira que os átomos químicos de qualquer substância, por densa que seja, não se tocam. Cada um vibra em um campo de Éter.
“Todos os objetos emitem vibrações desse Éter, levando à nossa retina as imagens de todas as coisas que nos rodeiam. Essas imagens não se perdem.
“No Éter formador do nosso Corpo Vital existem gravações, imagens de todas as coisas que temos observado conscientemente. E nossa capacidade de evocá-las depende de as lembrarmos ou não.
“No Éter que interpenetra cada objeto há uma imagem de tudo quanto o rodeia. Nas paredes de nossas casas estão gravadas todas as cenas, todos os incidentes ali ocorridos. E ainda que sejam pintadas, não será possível eliminarmos as impressões ali deixadas. Se extrairmos um pedacinho de argamassa de uma habitação, levando-o a uma pessoa dotada de visão etérica, é possível que ela lhe observe o Éter e nos relate algumas cenas ocorridas naquele lugar. Se lhe mostrarmos um pedaço de pedra das pirâmides do Egito, poderá vê-las tão perfeitamente como se fosse uma fotografia, porque o Éter dos objetos é que imprime sua imagem na placa fotográfica. E a única diferença entre essa impressão e aquela que recebemos na retina é que a primeira podemos fixar na placa e observá-la novamente a qualquer momento. Por outro lado, não nos é dado vislumbrar tão claramente as cenas do nosso passado em circunstâncias ordinárias.
Contudo, o psicômetra, capaz de ver no Éter, tem uma possibilidade imensa à sua disposição.”
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
Empenhe-se em uma Só Direção
Vagávamos, todos nós, durante longo tempo, juntamente com a humanidade comum, pelo deserto do mundo, como que perdidos, ansiando, graças a certa maturidade interna, espiritual, por algo mais elevado do que tudo aquilo que existia até então; até que, em um belo dia, tivemos a ventura de encontrar a Escola Iniciática Rosacruz, portadora de sublimes ensinamentos dados pelos Irmãos Maiores da Ordem desse nome, para eterno benefício da humanidade. Esses ensinamentos foram-nos transmitidos por seu fiel mensageiro, o iluminado mestre Max Heindel, a quem muito devemos. Esse nosso encontro com a Rosacruz foi de suma importância e ficamos maravilhados mesmo. Portanto, encontrado o caminho certo, com justa razão nos matriculamos nesta Escola, cujo curriculum consta de 7 etapas ou Cursos, que são: Preliminar, Regular, Probacionista, Discípulo, Irmão Leigo (a), Adepto e Irmão Maior, com o firme propósito de seguirmos fielmente e com toda diligência os preciosos ensinamentos por ela ministrados. Estes nos incitam, como um dos pontos FUNDAMENTAIS, A CONCENTRAR OS NOSSOS ESFORÇOS NUMA SÓ DIREÇÃO, E JAMAIS FICARMOS ZIGUEZAGUEANDO DE UM CAMINHO PARA OUTRO. Temos esses ensinamentos, já na obra básica, isto é, no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, com o título A FRATERNIDADE ROSACRUZ, que, entre outras coisas, nos diz, expressamente, o seguinte:
“Depois de completar o Curso Preliminar, o estudante é automaticamente matriculado como Estudante Regular durante dois anos. Findos esses, caso tenha-se compenetrado da verdade dos ensinamentos Rosacruzes e preparado para cortar toda relação com qualquer outra ordem oculta ou religiosa excetuando-se as Igrejas Cristãs e ordens fraternais – pode assumir a Obrigação que o admite no grau de Probacionista. Não pretendemos insinuar, na cláusula anterior, que as demais escolas de ocultismo não servem. Longe disso; muitos caminhos conduzem a Roma, mas chegaremos com menos esforços seguindo por um deles do que ziguezagueando de um caminho para outro. Nosso tempo e energias são limitados e, além disso, reduzidos por deveres de família e sociais que não devemos descuidar para atender ao próprio desenvolvimento. A fim de evitar, no máximo, o desperdício das energias de que legitimamente dispomos e evitar a perda dos poucos momentos ao nosso dispor, os Guias insistem no corte de relações com as demais ordens”.
Os Guias, a que “O Conceito” se refere, são os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. É lógico e coerente que devemos seguir essa segura e sábia orientação, e, se assim fizermos tornará patente estarmos com o pé na realidade, aliás sublime, portanto, libertos de imperfeições maiores, particularmente de confusão dentro de nós, como se ainda fôssemos seres indefinidos (pois a árvore se conhece por seus frutos – é um ensinamento dos Evangelhos).
Para ilustrar, ainda, o importante assunto aqui tratado, lembramos a todos que, se nos matricularmos numa Faculdade de Direito e quisermos alcançar bons resultados, temos que seguir com diligência o curriculum dela, a sua orientação, pois, se ficássemos correndo de uma faculdade a outra finalmente, não nos formaríamos em nenhuma delas. No campo espiritual a coisa é mais séria ainda. Atentemos.
Nos centros e grupos Rosacruzes, devemos transmitir os formosos ensinamentos que recebemos dos queridos Irmãos Maiores, de maneira fiel e diligente, pois, de certo modo estamos funcionando como guias de outros que estão começando, portanto, necessitam muita definição e firmeza; ademais, não temos o direito de deturpar nada, de ninguém, principalmente dos Irmãos Maiores, aos quais devemos o máximo respeito e admiração!
Neste artigo, que não passa de lembrete de pontos fundamentais da Filosofia Rosacruz, aparece o nome de quem o escreve, unicamente com a finalidade de resguardar a Fraternidade Rosacruz de qualquer falha que por ventura exista. Encerra ele, tão-somente, o pouco que o autor pôde alcançar dos ensinamentos Rosacruzes.
(De Hélio de Paula Coimbra, Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
Diálogos do Silêncio
– Conta-me, anjinho, por que esse ar feliz?
– Ainda não sabes, estrela amiga? Eu vou nascer. Deus já escolheu a minha família. Oh, estou tão feliz! O milagre da vida já aconteceu e eu nascerei do amor de meu pai e de minha mãe.
– Que bom! E quando será?
– Daqui a nove meses. O amor já fez o encontro sagrado das Sementes da Vida. Já existe o pequeno ser que será meu corpo. Estou tão impaciente! Não vejo a hora de nascer.
– E agora, conta-me, anjinho, por que estás sorrindo?
– É de felicidade. Deus deixou que eu conhecesse meu pai e minha mãe. Ele é forte e bonito e ela… oh, ela é maravilhosa! Conheci também meus dois irmãozinhos. São alegres e brincam muito. Não vejo a hora de nascer para brincar com eles. Estou tão orgulhoso da minha família!
– Isso vai ser logo.
– Vai, sim. Sabe? Meu corpinho já está crescendo. Mas ainda não dá para ver como serei. Você acha, estrela, que eu vou ser bonito?
– Claro que sim. Mas por que preocupas com isso?
– Não sei. É o único medo que eu tenho, mas é um grande medo. Se eu não nascer bonito, talvez não gostem de mim. Tenho tanto medo de não ser amado!
– Que bobagem, anjinho! Não percebeste como teus pais gostam de teus irmãozinhos? Pois, então gostarão também de ti.
– É. Acho que sim. Eles são muito bons e eu já começo a amá-los.
– O que é isso, anjinho? Por que estás tremendo? Por que esse ar tão triste e aflito?
– Estou com medo. Começo a não entender as coisas. Minha mãe descobriu que vou nascer e quando eu esperava grande alegria, houve grande tristeza. Eu estava ansioso para que ela contasse a meus irmãozinhos, porque precisava saber se eles ficariam contentes. Mas ela nem lhes deu a notícia. Falou só com meu pai e os dois discutiram muito.
– Não entendi bem o que disseram, mas acho que não me querem.
– Não diga isso, anjinho. Eles devem ter problemas, mas por certo não deixarão de querê-lo.
– Não entendo. Eu fiquei tão feliz por ser filho deles e eles não estão contentes por serem meus pais.
– Não fique triste! Não tenha medo!
– Impossível. Já não posso afastar a tristeza e o medo. Eu estou preso. Eu já os amo.
– Meu Deus, o que foi?! O que te fizeram? Calma! O que foi?
– Não compreendo! Não compreendo mais nada! Minha mãe matou o meu corpinho. Ela impediu que eu nascesse.
– Como?! Não é possível!
– Ela era tão bonita e gostava tanto dos meus irmãozinhos! Estou certo de que não seria capaz de matar um deles. No entanto a mim ela matou sem pena, dentro do seu próprio corpo. E eu a queria tanto, precisava tanto do seu amor!
– Acalma-te! Talvez ela não entendesse bem. Talvez as circunstâncias.
– Não. As mães têm que entender tudo. Eu já era seu filho. Eu já tinha vida dentro dela. Nenhuma circunstância a obrigaria a matar um dos meus irmãozinhos. E, no entanto, comigo ela foi mais cruel. Muito mais. Ela não me deu nenhuma chance! Por que não esperou ao menos que eu nascesse? Não saberia falar, mas olharia para ela, poderia até sorrir. Talvez ela começasse a gostar de mim. Então, eu poderia tentar ser amado.
(Publicado na Revista Rosacruz de fevereiro de 1976)
A Dádiva da Paz: quando começa a se manifestar na sua vida
A realização de uma paz interna que NUNCA falha, mesmo no meio de um ambiente caótico, é um sinal de uma permanente atitude de oração. Fenelon, o grande autor francês já dissera: “Fale, ande e aja em completa paz, como se estivesse orando. Em verdade, tal atitude é uma oração”.
Parece-nos difícil alcançar, às vezes, a meta proposta por São Paulo, quando nos exorta a orar sem cessar. Porém, nossas ações e reações de cada momento – se estendemos a mão para ajudar, ou voltamos tranquilamente nossas costas recusando a tomar conhecimento do problema do semelhante, em suma, cada pensamento, palavra e ato são INDICAÇÕES CERTAS DE NOSSA CONDIÇÃO INTERNA.
Durante a nossa caminhada para maiores vitórias espirituais, percebemos nitidamente que o exterior não é nada mais do que um reflexo do INTERNO. Se aprendêssemos a expressar paz em nossas palavras e ações, aprenderíamos a desenvolver a paz interna. Devemos aprender a construir em nosso interior uma cidadela de paz, na qual estaríamos abrigados das batalhas da vida agitada que o nosso dia-a-dia impõe. O Cristo conhecia tal paz quando disse pouco antes da crucificação “A Minha paz vos dou”.
E, então, como fazer? Como nos sentir tranquilos em face do estado caótico de nosso Planeta? A resposta está contida, por mais estranho que pareça, no Sermão da Montanha. Devemos ler esse Sermão, estudá-lo, absorvê-lo e então praticá-lo. Foi elaborado para nós, um método claro, para ser usado na vida diária.
Diz São Paulo: “PORQUE A INCLINAÇÃO DA CARNE É MORTE, MAS A INCLINAÇÃO DO ESPÍRITO É VIDA E PAZ.” (Rom 8:6). Porque então escolhemos em vez da paz, a morte e a desarmonia?
Diz-nos Max Heindel: “A paz é uma questão de EDUCAÇÃO sendo impossível uma vivência pacífica até que aprendamos a agir caridosa, justa e abertamente uns com os outros, tanto como indivíduos, quanto como NAÇÕES. Enquanto fabricarmos armas, não poderá haver paz. Deveria ser a nossa meta e nosso primeiro objetivo o fazer tudo que está em nosso poder para a abolição das guerras em todos os países e o estabelecimento de um sistema para a arbitragem dos desentendimentos (Cartas aos Estudantes nº 92 do Livro do mesmo nome, Max Heindel, Fraternidade Rosacruz).
Quando poderemos dizer juntamente com o salmista: “Como o cervo procura o riacho d’água, assim minha alma Te procura, Senhor” ou aprenderemos a “Praticar a Presença” como o irmão Lawrence nos diz?
Quando REALMENTE começarmos a viver a vida, conforme os ensinamentos de Cristo, então as dádivas do espírito começarão a se manifestar em nossas vidas. E uma dessas dádivas é a PAZ.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro de 1976)
FRATERNIDADE ROSACRUZ
Ritual do Serviço Devocional do Solstício de Junho
1) Preparar o ambiente com músicas elevadas
2) Um membro, de preferência de sexo oposto ao do orador, convida os presentes a cantarem, de pé, o Hino Rosacruz de Abertura
3) O Leitor ilumina e descobre o Símbolo Rosacruz e apaga as luzes, exceto a que o ilumina e auxilia na leitura:
4) Em seguida dirige aos presentes a saudação Rosacruz:
Queridas irmãs e irmãos: (Fixa o Símbolo)
“Que as rosas floresçam em vossa cruz“
(Todos respondem: “E na vossa também“
(Todos sentam, menos o oficiante)
5) Leitura do Ritual do Serviço Devocional do Solstício de Junho:
Estamos agora no Solstício de Junho, estação durante a qual a manifestação física sobre a Terra atinge o seu máximo.
Todos os anos uma onda espiritual de vitalidade penetra na Terra por ocasião do Solstício de Dezembro para impregnar as sementes adormecidas na Terra e para dar nova vida ao mundo em que vivemos. Este serviço é feito durante os meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro, enquanto o Sol transita pelos Signos zodiacais de Capricórnio, Aquário e Peixes, respectivamente.
Do ponto de vista cósmico, o Sol nasce quando Virgem, a Virgem Celestial, desponta no horizonte à meia-noite de 24 de dezembro, trazendo consigo a Imaculada Criança. Durante os meses que se seguem, o Sol passa pelo violento Signo de Capricórnio onde, segundo o mito, todos os poderes das trevas se concentram numa frenética tentativa de matar o portador da Luz, o que é uma fase do drama solar, que é representado misticamente na história do rei Herodes e na fuga do Menino para o Egito, para escapar à morte.
Quando o Sol entra no Signo de Aquário, o aguador, em Fevereiro, temos o tempo das chuvas e das tempestades; e assim como o Batismo consagra misticamente o Salvador à sua obra de Serviço, assim também as correntes de humildade que descem sobre a Terra amaciam-na, para que possa produzir os frutos que preservarão as vidas dos que vivem sobre ela.
Vem depois a passagem do Sol pelo Signo de Peixes, os peixes. Nessa ocasião, as reservas do ano precedente estão quase consumidas e o alimento do ser humano é escasso. Temos então o longo jejum da Quaresma que representa misticamente, para o aspirante, o mesmo ideal mostrado cosmicamente pelo Sol. Há, nessa ocasião, o Carnaval, o “carne-vale” dos latinos, que significa o adeus à carne, pois todo aquele que aspira à vida superior, deve, em alguma ocasião, dizer adeus à natureza inferior com todos os seus desejos e preparar- se para a Páscoa que então se aproxima.
Em Abril, depois de o Sol cruzar o Equador Celeste e entrar no Signo de Áries, o cordeiro, a Cruz se ergue como o símbolo místico do fato que o candidato à vida superior deve aprender a renunciar ao envoltório mortal e começar a subida ao Gólgota, “o lugar do crânio” e daí atravessar o limiar do mundo invisível. Finalmente, imitando a ascensão do Sol aos Signos do céu setentrional, para permitir com os seus raios quentes o crescimento das sementes no solo que foi revitalizando pela onda Crística durante os meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro, o candidato deve aprender que o seu lugar é com o Pai e que por fim, deverá subir até esse exaltado lugar.
Assim é que, presentemente, durante a estação que culmina a 21 de junho, o Grande Espírito de Cristo atinge o Mundo do Espírito Divino, o Trono do Pai. Durante os meses de Julho e Agosto, enquanto o Sol está em Câncer e Leão, o Cristo está reconstruindo Seu Espírito de Vida, veículo que Ele trará ao mundo e com ele rejuvenescerá a Terra e os reinos de vida que evoluem sobre ela.
Sem esta onda mística anual de energia vital do Cristo Cósmico, a vida física seria uma impossibilidade. Não haveria pão nem vinho físicos, nem a essência espiritual transubstanciada preparada alquimicamente com o sangue do coração do discípulo. A existência física é a escola ou laboratório no qual aprendemos a transmutar o metal básico das nossas naturezas inferiores no brilho esplendoroso da Pedra Filosofal, tornando assim possível a nossa libertação para esferas mais elevadas, onde o nosso exaltado Ideal, o Cristo, está presentemente.
Existem agentes por trás de todas as manifestações da Natureza – inteligências de diferentes graus de consciência, construtores e destruidores, que desempenham importantes papéis na economia da Natureza. O Solstício de Junho é o tempo de atividade dos duendes da terra e das entidades similares, no que se refere ao desenvolvimento material no nosso planeta, como muito bem o mostrou Shakespeare no seu imortal “Sonho de uma Noite de Verão”.
Pela ação semi-inteligente dos Silfos, são elevadas da superfície do mar, as partículas extremamente divididas de água evaporada, preparadas pelas Ondinas. Os Silfos transportam-nas tão alto quanto podem antes que sobrevenha a condensação parcial e sejam formadas as nuvens. Eles conservam consigo essas partículas de água até serem forçados pelas Ondinas a soltá-las.
Quando falamos que está havendo um temporal, estão sendo travadas batalhas na superfície do mar e no ar, algumas vezes com a ajuda das Salamandras que acendem as centelhas que unirão o hidrogênio e o oxigênio separados, e enviam suas setas inspiradoras de medo, em ziguezague, pelos céus escuros acompanhadas dos enormes estrondos de trovão que reboam na atmosfera, enquanto que as Ondinas triunfalmente, arremessam as gotas de água recuperadas à terra, para serem novamente devolvidas ao seu elemento materno.
Os pequenos Gnomos se ocupam com as plantas e com as flores. É seu serviço tingi-las com os inúmeros matizes de cores que deleitam nossos olhos. Eles também talham os cristais em todos os minerais e modelam as preciosas gemas que brilham nos diademas de ouro. Sem eles não haveria ferro para nossas máquinas, nem ouro para comprá-las; estão presentes em toda parte e a proverbial abelha não é mais operosa do que eles; à abelha, no entanto, é dado crédito pelo trabalho que faz, enquanto que os pequenos Espíritos da Natureza que representam tão importante papel no serviço do mundo, são desconhecidos, menos para uns poucos que são chamados de loucos ou sonhadores.
No Solstício de Junho as atividades físicas da Natureza estão no seu máximo, e por isso a “Noite de São João” é o grande Festival das Fadas que trabalham na construção do universo material, que alimentam o gado, que amadurecem o grão e que saúdam com alegria e agradecem a crista da onda de força, que é a ferramenta que usam para modelar as flores, então estonteante variedade de delicadas formas conforme seus arquétipos e para tingi-las de inúmeras matizes que fazem a delícia e o desespero dos artistas!
Nessa grandiosa noite, todos esses pequenos servidores se reúnem para o Festival das Fadas, vindos dos pântanos e das florestas, dos vales e das clareiras. Realmente eles cozinham e fazem os seus alimentos etéricos e posteriormente dançam em êxtases de alegria – a alegria de terem cumprido suas importantes tarefas na economia da Natureza.
É um axioma científico que a natureza não tolera nada que não tenha seu uso; os parasitas e os zangões são uma abominação; o órgão que se tornou inútil, atrofia-se: assim acontece com a perna ou com o olho que não são mais usados. A Natureza tem serviço a fazer e exige o trabalho de todos para que justifiquem sua existência e para que continuem fazendo parte dela. Isto se aplica tanto à planta e ao planeta como ao homem, aos animais e também às fadas. Todos têm seu serviço a cumprir; todos são trabalhadores e suas atividades são a solução para muitos dos múltiplos mistérios da Natureza.
vemos tentar compreender perfeitamente estes ensinamentos a fim de que possamos aprender a apreciar esta estação do ano com exatidão.
Que calamidade cósmica seria se nosso Pai Celestial deixasse de prover os meios para o nosso sustento e existência física, todos os anos! O Cristo do ano passado não nos poderá salvar da fome física assim como a chuva que caiu no último ano não poderá molhar o solo para inchar as milhões de sementes que agora repousam na terra à espera das atividades germinais da Vida do Pai, para começarem a crescer; o Cristo do ano passado não poderá novamente acender em nossos corações as aspirações espirituais que nos incitam a avançar no caminho como também o calor do último verão não nos poderá aquecer agora. O Cristo do ano passado deu-nos o Seu Amor e a Sua Vida até ao último alento, sem medida nem limite; quando Ele nasceu na Terra, no último Natal, Ele dotou de vida as sementes adormecidas que cresceram e gratuitamente encheram os nossos celeiros com o pão da vida física; Ele prodigalizou sobre nós o amor que o Pai Lhe deu e quando esgotou totalmente Sua Vida, Ele morreu na Páscoa para novamente subir ao Pai, como um rio, por evaporação, sobe ao céu. Mas o Amor Divino circula interminavelmente; assim o nosso Pai Celeste nos ama como um pai ama seus filhos, pois Ele conhece a nossa dependência e a nossa fraqueza física e espiritual.
Devemos, portanto, aproveitar vantajosamente as oportunidades que são oferecidas a nós nesta estação que hoje se inicia para que a próxima vinda do Espírito de Cristo nos encontre mais bem adaptados para responder com maior facilidade às poderosas vibrações espirituais com as quais seremos então banhados.
Concentremo-nos agora sobre Amor Divino e Serviço.
6) O período de concentração deve se prolongar por uns 5 minutos
7) Após o que recobre o Símbolo e acende as luzes
8) Todos cantam o Hino Rosacruz de Encerramento
9) Proferir a seguinte exortação de despedida:
E agora, queridas irmãos, que vamos partir, de volta ao mundo material, levemos a firme resolução de expressar, em nossas vidas diárias, os elevados ideais de espiritualidade que aqui recebemos, para que, dia a dia, nos tornemos melhores homens e mulheres, e mais dignos de sermos utilizados como colaboradores conscientes, na obra benfeitora dos irmãos Maiores, a Serviço da Humanidade”.
QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ
Esotérico – oculto, não acessível para a maioria; o contrário de exotérico. Esoterismo vem do grego: esotericos, que quer dizer: conhecimento complexo e entendimento restrito a um círculo de especialistas. Relacionamos com interno, oculto e reservado. Para passarmos de nível utilizamos as iniciações.
Como aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes: a religião Cristã é a mais elevada fornecida ao Ser Humano até o momento presente. Então, repudiar a religião Cristã, seja ela exotérica ou esotérica, por qualquer sistema antigo é como preferir livros científicos desatualizados ao invés dos mais novos que contém as mais recentes descobertas.
Da mesma forma, desprezar a crença nos ensinamentos da igreja relativa ao perdão dos pecados, ao poder salvador da fé e a eficácia da oração é um fator de atraso para o Aspirante à vida superior. Pois impelidos pela razão, muitos de nós afastamo-nos da igreja e tornamos as nossas vidas vazias. A saída é um retorno com renovada devoção nascida de uma compreensão mais profunda das verdades cósmicas.
Notemos isso quando entendemos a mensagem cristã que a Bíblia nos transmite e que conseguimos distinguir entre: o conteúdo essencial (“interior”) – ensinamento esotérico e a forma estrutural (“exterior”) – ensinamento exotérico.
A forma estrutural que aparece como religião sugere uma radiação exterior, um véu. E é com isso que externa os principais problemas: a pretensão de posse exclusiva da verdade; a rejeição das realidades Iniciáticas; a fixação no dogmatismo; o conhecimento público que tende a sofrer modificações advindas das interpretações individuais.
Lembremo-nos do ensinamento de São Pedro: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal” (IIPe 1:20).
Também vemos que São Paulo formulou que as Escrituras cristãs nos fornecem dois “tipos” Evangelhos: um exotérico (relacionado com a personalidade mundana): “Resolvi não saber coisa alguma, entre vós, senão Jesus Cristo, e este crucificado” (ICor 2:2) e outro esotérico (relacionado com a individualidade espiritual): “Não sabeis que sois templo de Deus?” (ICor 3:16).
Percebam: é o primeiro “tipo” que o Cristianismo Popular mais prega e divulga; mantém com o carácter que conhecemos e tem sido a tônica permanente da sua doutrina.
Por outro lado, vejam que o Cristianismo em si não é exclusivamente esotérico: é uma religião dada por Cristo para a salvação de todos e comunicável a todos!