porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Autossuficiência: aprender a cultivar é imprescindível

A Autossuficiência: aprender a cultivar é imprescindível

A autossuficiência é a virtude cardinal que o aspirante da Escola Esotérica Ocidental deve aprender a cultivar. Logo de início, encorajam-se os estudantes a dependerem de si próprios e a desenvolverem o raciocínio e o sentido correto do discernimento, com o auxílio da meditação e da oração, pois esses são indispensáveis ao seu avanço e evolução espirituais.

No Livro ”Mistérios das Grandes Óperas”, Max Heindel resume nessas palavras a importância que tem a AUTOSSUFICIÊNCIA para o Espírito inquiridor que adere à Fraternidade Rosacruz: “Não se permite que ninguém se apoie em Mestres ou que siga líderes, cegamente. A ambição dos Irmãos Maiores da Rosacruz é emancipar as almas que se lhes dirigem; é educá-las, dar-lhes força e torná-las seus colaboradores (. . .) Os Instrutores não podem, de forma nenhuma, fazer por nós as obras positivas em que se baseia o crescimento da alma, nem assimilá-la por nós, ou dar-nos o poder anímico consequente e utilizável – da mesma maneira que não comem o nosso alimento para nos dar forças físicas”.

No nível presente da nossa evolução, só podemos avançar se formos autossuficientes. Já deixamos para trás os dias em que éramos guiados por grandes Seres que determinavam cada um dos nossos atos. Agora, quanto mais dependermos da consciência, do raciocínio, do juízo, da sabedoria, ou da força de vontade de outra pessoa – seja ela um Instrutor espiritual ou um ser humano – mais tempo será necessário para atingirmos o grau de responsabilidade que nos emancipará completamente de influências exteriores. Só agiremos totalmente, segundo os preceitos fundamentais da evolução da alma, quando formos completamente livres!

A autossuficiência é indispensável, tanto nas mínimas coisas como nas de maior importância. É efetivamente com as pequeninas coisas rotineiras que temos de começar; se não formos capazes de tomar decisões aparentemente insignificantes, como podemos esperar tomá-las em coisas de maior valor? Há estudantes principiantes, e até membros há muito ligados à Fraternidade Rosacruz, que escrevem para a Sede a pedir conselhos referentes a problemas pessoais ou domésticos, dos mais diminutos aos mais graves. Há tendência para considerar a Sede uma fonte donde brota facilmente auxílio em momentos de crise. “A lição que temos de aprender é a de trabalhar para um objetivo comum; sem líderes, cada um igualmente inspirado, interiormente, pelo Espírito do Amor, lutando para elevar o mundo inteiro, física, moral e espiritualmente à estatura e grandeza de Cristo” (do Livro Cartas aos Estudantes nº 20 – Max Heindel).

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 02/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Destino de Amorosidade: Karma, Carma, Destino ou Destino Maduro

A palavra Karma[1] provém do sânscrito, sendo muito utilizada na literatura esotérica para designar aquilo que nos Ensinamentos Rosacruzes conhecemos como Destino Maduro ou simplesmente destino. Esse termo generalizou-se tanto, face à invasão de filosofias orientais sofrida pelo Ocidente, a ponto de já ser usado em forma aportuguesada: Karma ou Carma.

Fiéis aos princípios básicos legados pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, optamos pelos vocábulos Destino Maduro ou destino. Destino, no sentido esotérico, associa-se a dívidas contraídas sob a Lei de Causa e Efeito. Geralmente representa o Efeito ou Consequência.

Muitas pessoas imaginam poder compensar, suavizar ou mesmo neutralizar um destino “sofrido” apenas pelo auto aperfeiçoamento. A superação de vícios e falhas de caráter e necessária e fundamental, mas por si só não é suficiente. É preciso mais que isso.

Lemos nos Evangelhos que certa vez um rapaz aproximou-se do Cristo e exclamou: “Bom Mestre, que bem-farei para conseguir a vida eterna? E Ele disse-lhe: Por que me chamais de bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o mancebo: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o moço ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades”.

Vemos, então, pelos ensinamentos cristãos que não basta apenas cultivar virtudes morais ou adquirir conhecimentos. É necessário, também, servir à humanidade, de maneira desinteressada e amorosa. Nossas vidas e nosso destino só mudam quando trabalhamos duro, em benefício dos nossos semelhantes, cumprindo nossa parte no mundo.

Se é verdade que levamos nossas cargas de destino individual, também é certo que estamos envolvidos num destino coletivo. Somos parte da grande família humana. Tudo que a afeta, afeta-nos também e vice-versa. Não há como fugir dessa realidade.

Não nos esqueçamos de que “a fé sem obras é morta”. O conhecimento é uma grande responsabilidade, e se não se traduzir em atos construtivos e amorosos acabará gerando, pela omissão, um destino muito doloroso.

Muitos esoteristas, após anos de estudos profundos acabam desalentados, queixando-se do insignificante progresso conquistado ao longo de tantos “esforços”. Esforços? Melhor seria se meditassem sobre esses esforços. No fundo, verificarão que durante todo esse tempo não passaram de meros teóricos, alguns até envaidecidos de sua erudição. É lógico, o conhecimento adquirido sempre conduz a algum progresso.

Mas se não for levado à prática, não passará de verniz, de superficialidade enganosa. Como afirmou o Apóstolo: “O conhecimento infla. Mas só o amor constrói”. Amor, no sentido mais elevado é ação. Não pode ser concebido como algo passivo, etéreo ou mesmo subjetivo. O amor deve conduzir à realização de algo construtivo e só por seu intermédio é possível a superação do destino. Só assim podemos, de fato, fazer uso da Doutrina Cristã da Remissão dos Pecados, também conhecida como Perdão dos Pecados.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/86)

[1]Karma ou Carma – ensinada nos países orientais.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Epigênese: Os Seus Novos Caminhos

Epigênese: Os Seus Novos Caminhos

A Revolução Industrial, cujo berço foi a Inglaterra, no século XVIII, modificou totalmente o panorama da sociedade ocidental. A economia, então predominantemente agrícola e artesanal, passou a conhecer uma fase de surgimento de indústrias. As cidades se desenvolveram porque as indústrias nelas se localizavam e suas populações cresceram consideravelmente.

O que se desencadeava, entretanto, não era um processo isolado, mas algo que exigia transformações profundas a fim de manter sua continuidade. Havia, por exemplo, necessidade de transportar matéria-prima de suas fontes até as regiões manufatureiras. O meio de transporte comum era à tração animal. Obviamente não atendia a demanda crescente; em primeiro lugar, porque a disponibilidade de animais de carga era pequena.

Quando tudo parecia caminhar para um impasse, eis que a genialidade de alguém cria a máquina a vapor. Surge a locomotiva. Os trens, as ferrovias, constituem a salvação. Estava resolvido o problema.

Sempre foi assim. Quando a necessidade de progresso do ser humano esbarrava em algum obstáculo ou problema aparentemente sem solução, o gênio inventivo, a criatividade, inovavam em algum campo de atividade humana, encontrando o caminho salvador.

Esse dom de criar algo novo, original, recebe o nome de Epigênese. É uma faculdade inerente a todo indivíduo, mas ainda pouco desenvolvida. Essa capacidade criadora é um traço de identidade entre Deus e o ser humano, porque ambos criam.

Max Heindel, em sua obra Conceito Rosacruz do Cosmos, no capítulo que trata da Involução, Evolução e Epigênese diz o seguinte: “Em todo o transcurso da evolução, através dos Períodos, Globos, Revoluções e Raças, aqueles que não melhoram, por não formarem novas características, ficam para trás e começam imediatamente a degenerar. Só os que permanecem plásticos, flexíveis e adaptáveis podem modelar novas formas, apropriadas à expressão da consciência que se expande. Só a vida capaz de cultivar as possibilidades de aperfeiçoamento, inerentes na forma que anima, pode evolucionar com os adiantados de qualquer Onda de Vida. Todos os outros ficam atrasados”.

“É esta a medula do Ocultismo. O progresso não é um simples desenvolvimento, nem tampouco Involução e Evolução, há um terceiro fator, a Epigênese, que completa a tríade”.

“As primeiras duas palavras são familiares a todos os que estudaram a vida e a forma. Admite-se, geralmente, que a Involução do Espírito na matéria tem o objetivo de construir a forma, mas não se reconhece tão comumente que a Involução do Espírito corre paralela à evolução da forma”.

“Desde o princípio do Períodode Saturno até a Época Atlante, quando “os olhos do ser humano foramabertos” pelos Espíritos Lucíferos,as atividades do ser humano (ou força vital que se converteu em humano) era dirigida principalmente para dentro. Essa mesma força que agora o ser humano emprega ou irradia para construir estradas de ferro e vapores, empregava-se internamente para construir um veículo através do qual pudesse manifestar-se. Esse veículo é tríplice, analogamente ao Espírito que o construiu. A forma evolui construída pelo Espírito. Durante essa construção, o Espírito involui até que, nela penetrando, parta para a própria evolução. Os melhoramentos ou aperfeiçoamentos da forma são resultado da Epigênese”.

“Logo, o poder que o ser humano agora emprega para melhorar as condições externas foi empregado durante a Involução com propósito de crescimento interno”.

“Há forte tendência em considerar tudo o que existe como resultado de algo que foi. Olha-se a Evolução como simples desenvolvimento de perfectibilidades germinais. Tal concepção exclui a Epigênese do esquema das coisas, não concede possibilidade alguma de construir-se algo novo, nenhuma margem para a originalidade”.

“O ocultista crê que o propósito da evolução é o desenvolvimento doser humano desde um Deus estático a um Deus dinâmico, um Criador. Se o desenvolvimento que atualmente efetua constituísse a sua educação, e se o seu progresso representasse simplesmente a expansão de qualidades latentes, onde aprenderia a criar?”

“Se o desenvolvimento do ser humano consistisse unicamente em aprender a construir formas cada vez melhores, de acordo com os modelos já existentes na mente do seu Criador, na melhor das hipóteses poderia converter-se num bom imitador, mas nunca num criador”.

“Para tornar-se um criador original e independente é necessário, no seu exercitamento, que tenha suficiente margem de emprego da sua originalidade individual. É isso que distingue a criação da imitação. Conservam-se certas características da forma antiga, necessárias ao progresso, mas em cada novo renascimento a vida evolucionante acrescenta tantos aperfeiçoamentos originais quanto sejam necessários para sua expressão ulterior”.

Vê-se, pois, que sem o emprego da faculdade epigenética o progresso do ser humano, em qualquer campo de atividade, seria uma impossibilidade. Quando deixa de ser ativa nas pessoas, nações, raças e instituições, a evolução cessa, começando daí a degeneração. Todo processo de cristalização na natureza representa a ausência de novos caminhos. A decadência das grandes civilizações principiou pela estagnação de seus valores básicos. A não renovação de suas estruturas, aliada a recusa em reciclar sua cultura, acabou por provocar a degeneração. Isso sempre ocorreu, seja no sentido individual, seja no coletivo.

Os veículos do Espírito também se aperfeiçoam pela Epigênese. As correções e as inovações começam na região dos arquétipos, ou seja, na Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento. A tendência de um veículo, como o Corpo Denso por exemplo, é tornar-se cada vez mais sensível, maleável e responsivo às vibrações espirituais. Esse progresso ocorre porque vimos constantemente aperfeiçoando nossos veículos.

Os corpos das Raças atrasadas estão em franca degeneração porque cristalizaram-se a tal ponto de não admitirem nenhum processo de revitalização. Os antropoides, são o resultado da degeneração de corpos humanos que perderam a sensibilidade. Os seres que usam esses corpos pertencem à nossa Onda de Vida, teoricamente ainda têm chances de progresso. Mas isso só acontecerá se derem um salto gigantesco em sua evolução, a ponto de poderem habitar corpos mais aperfeiçoados, abandonando em definitivo essas formas degeneradas.

É uma lei natural: Nenhum ser pode habitar corpos mais eficientes do que ele seja capaz de construir. Quanto mais uma pessoa avança e trabalha nos seus veículos, mais poder tem para construir uma nova vida.

Nossa capacidade de dominar as configurações estelares determina, em grande medida, o grau de Epigênese que vamos desenvolvendo em cada vida. Estamos sujeitos a poucas ou muitas limitações na vida atual, determinadas por dívidas contraídas em encarnações passadas. Mesmo assim temos certa margem de livre-arbítrio para desencadearmos novas causas. Gerando assim um novo destino. Não somos obrigados a errar. Se renascemos com grande tendência para a sensualidade, os astros podem impelir, mas nada nos vai obrigar a satisfazer nossas paixões carnais. A energia criadora malbaratada pode ser canalizada a objetivos superiores. Essa mesma energia, Deus e as Hierarquias utilizaram na criação do Cosmos. Podemos, portanto, empregá-la no processo epigenético contribuindo para a elevação da humanidade.

O processo da Epigênese é uma forma de transmutação. E isso explica porque certos presidiários reformam-se, tornando-se úteis à sociedade, enquanto outros mantém suas tendências criminosas; ou então, como pessoas com deficiências físicas desenvolvem certas habilidades, tornando-se vitoriosas em alguma atividade. O Espírito pode criar fases verdadeiramente novas de sua individualidade.

O gênio representa a manifestação epigenética no mais alto grau e isso não se explica pela hereditariedade. O gênio expressa sua genialidade não só por sua proficiência artística, intelectual ou profissional, mas principalmente pela sua criatividade. Esta é a diferença entre a competência e a genialidade.

Às vezes, a Epigênese se manifesta unilateralmente. E o caso de artistas que, embora talentosos, deixam muito a desejar moralmente entregando-se à bebida, aos tóxicos ou ao sexo. O talento pode lhes ser retirado temporariamente em vidas futuras, até que decidam a regenerar-se.

Geralmente o autodidata em algum ramo artístico ou profissional tende a ser criativo porque foge dos limitadores padrões acadêmicos. As pessoas criativas podem revolucionar (no mais puro sentido da Palavra) algum campo de atividade. Não raro isso lhes traz sofrimento porque seu trabalho inovador dificilmente será compreendido, além do que constitui uma ameaça aos padrões já estabelecidos naquela área particular. Eles RE-EVOLUCIONAM, isto é, dão novo impulso a evolução. Imagina-se, erroneamente, que revolucionar significa derrubar algo já consolidado.

Thomaz Edison certa vez foi posto para fora do escritório de um financista, em Nova York. O homem de negócios, indignado, afirmou-lhe grosseiramente, que jamais financiaria a produção em escala industrial daquelas “invenções malucas”. Bell foi chamado de louco pela imprensa norte-americana quando anunciou a invenção do aparelho telefônico. Júlio Verne encantou o mundo com suas obras de ficção. FICÇÃO? Hoje, quanto coisa tornou-se realidade.

Goethe modificou profundamente o teor das lendas que envolviam a figura do doutor Fausto, mago, astrólogo e quiromante do século XVI, dando-lhe, epigenéticamente, profundidade esotérica. Esse poema, uma obra-prima da literatura universal, conta a história do ser humano no afã de encontrar o divino em si mesmo.

Leonardo Da Vinci, para citar um exemplo mais distante no tempo, expressou uma exuberância epigenética incomum. Sua figura humana aproximou-se, como nenhum outro, daquele imaginário homem universal. Foi pintor, escultor, matemático, arquiteto, urbanista, físico, astrônomo, engenheiro, naturalista, químico, geólogo e cartógrafo. Suas obras tais como“Anunciação”, a “Virgem dos Rochedos”, a ”Monalisa”, constituem parte do patrimônio artístico da humanidade. Como urbanista, seu projeto para a cidade de Milão foi algo admiravelmente revolucionário. Eliminou as muralhas, traçou canais de esgotos, ruas superpostas para pedestres e pistas livres para veículos. As casas seriam amplas e ventiladas. Haveria praças e jardins. E tudo isso no final do século XV.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos esclarecem, e a própria história da civilização nos confirma, que se caminhamos até o estágio atual de desenvolvimento é porque fizemos uso da devida faculdade epigenética. Exercitar esse dom é encontrar Deus dentro de si mesmo.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’–Fraternidade Rosacruz-SP- maio/1986)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Doação da Glândula Pituitária após a morte causa prejuízo à evolução do Ego?

Doação de Glândulas Pituitárias

Pergunta: Junto a esta um recorte de jornal, onde poderemos ler um pedido de donativo de glândulas pituitárias, feito pela Agência Nacional Pituitária, no sentido de prevenir (ou evitar) o nanismo em crianças. Sou simpático a esse pedido e ao mesmo tempo admito que a ablação dessa glândula deva ser feita logo após a morte do doador. Dessa forma, como poderia haver uma conciliação desse fato com os vossos ensinamentos, uma vez que se fala no prazo de três dias para que o Corpo possa ser tocado, considerando-se ainda que, nos velórios, não há possibilidade de ser observado esse prazo. Em certas formas de embalsamamento o Corpo fica mais ou menos cristalizado ou mumificado, não se desintegrando por milhares de anos. Isto significa que o espírito vital como ficou explícito em vossos livros ficará preso ao seu próprio Corpo e à Terra, até que haja a desintegração?

Resposta: Max Heindel enfatizou que o finado deve ser o menos possível perturbado durante três dias e meio imediatamente após a ruptura do Cordão Prateado (o elemento, o cordão que liga os vários Corpos do ser humano entre si). Isso, naturalmente, para que o processo panorâmico se desenrole sem interrupções provindas do exterior. O interferir no processo panorâmico, em virtude da remoção de uma glândula ou de qualquer parte do Corpo depende, de alguma forma, da brevidade em que ela é feita em relação ao momento da morte, da idade da pessoa, das circunstâncias da morte, etc. Uma pessoa idosa geralmente completa o seu panorama mais rapidamente do que uma pessoa jovem, e a consciência do Ego logo após a morte é variável de indivíduo para indivíduo. Deve-se considerar também que a consciência do Ego, depois da ruptura do Cordão Prateado, não é provavelmente tão sensível em relação à dor física, como seria quando encarnado. Entretanto, tendo em vista a extrema importância de uma clara impressão das experiências da vida no Corpo de Desejos, todas as possíveis precauções deverão ser tomadas a fim de que o Ego desencarnado não seja perturbado.

O embalsamamento ou a mumificação deverão, naturalmente, ser evitados, entretanto, podemos afirmar que apenas a mumificação não será suficiente para tornar um Ego atado à Terra. As fortes fixações a um Corpo mumificado, a imprecação ou excomunhão emanadas de um sacerdote-magista ou ainda uma crença religiosa poderá fazer com que o Ego adere durante séculos ao redor da múmia, até que venha a compreender o seu engano, separando-se e submetendo-se a novo renascimento.

O termo “preso à terra” aplica-se somente ao Ego que escolhe ou é impelido a permanecer na Terra depois da morte. Tais Egos não estão “ligados” ao cadáver, porque o Corpo desintegra-se na sepultura a menos que seja cremado, e, em tal caso, desaparece rapidamente. Contudo um Ego preso à Terra – em virtude da sua fixação mental às coisas da Terra – continuará assim retido sem qualquer relação com seu Corpo, porque essa fixação diz respeito à Mente do Ego.

Talvez você esteja estabelecendo uma confusão entre o “espírito vital” e o Ego. O “espírito vital”, a que você se refere, trata-se da porção etérica do Corpo físico. Naturalmente, se o Corpo Denso é preservado, o mesmo acontecerá com o Corpo Vital, não se desintegrando, permanecendo flutuante pouco acima do primeiro. É meramente parte do cadáver. Não afirmamos que isso seja um “preso à Terra”, mesmo porque o seu destino é o de se desintegrar sincronicamente com o Corpo com o qual está ligado por meio da parte inferior do Cordão Prateado.

A razão de o doador permitir o transplante de uma glândula, ou de qualquer outro órgão, naturalmente representa para ele um crédito, espiritualmente falando. Contudo, a menos que o recebedor aprenda a lição que se supõe tenha aprendido, não haverá benefício permanente.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 08/1971)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Sementes da Nova Era, ainda aqui na Era de Peixes

Sementes da Nova Era, ainda aqui na Era de Peixes

A Era (ou Idade) de Peixes apresenta algumas características marcantes. Uma delas é a predominância de uns poucos sobre a maioria. Tal faceta pode ser notada com facilidade se observarmos, principalmente, os campos da religião e da política.

Nos últimos séculos, todas as grandes decisões que marcaram a vida das nações foram tomadas por poucos indivíduos, por grupos hegemônicos, ou em função do que eles pensavam e lhes atendia os interesses.

Os povos se acomodaram a essa situação, permitindo que um indivíduo tomasse iniciativa por eles. Não se discutia o valor das decisões, quais os critérios que a norteavam e se o objetivo final era o bem coletivo. O líder decidiu e ponto final. Revogam-se as disposições em contrário.

Esse sistema de lideranças foi legítimo numa época em que era necessário promover o desenvolvimento coletivo. Mas hoje, quando a influência de Aquário se faz sentir com intensidade crescente, esse estado de coisas tende a mudar.

O crescimento da individualidade assume importância prioritária e isso já vem promovendo uma significativa mudança na ordem social. As lideranças estão desaparecendo gradativamente, dando lugar a formas mais democráticas de tomadas de decisões. Os direitos individuais devem ser respeitados e a liberdade de expressão defendida, como sendo embriões de uma sociedade mais consciente de seus direitos, deveres e ideais.

A medida em que o líder carismático se torna uma figura do passado, as nações e as instituições passam a ser dirigidas por pessoas responsáveis, a quem são delegados poderes para tal, mediante critérios justos e democráticos.

Desses dirigentes exige-se competência, probidade e, acima de tudo,um acendrado amor aos seus concidadãos. Todos os seus atos devem representar e expressar as aspirações e vontades coletivas. Só se justifica a tomada de grandes decisões após amplos e profundos debates entre a população e, na medida do possível, procurar-se-á sempre o consenso.

Esse respeito à liberdade individual, propugnado e praticado no seio da Fraternidade Rosacruz, constitui um prelúdio do que será a futura sociedade humana.

Como membros da Fraternidade Rosacruz e colaboradores na disseminação do evangelho da Era (ou Idade) de Aquário, façamos uma autocrítica, verificando se nossos hábitos, ideias e procedimentos ainda recebem a influência de Peixes. Caso isso ocorra empenhemo-nos num esforço consciente e perseverante, no sentido de transmutar essa maneira de ser, dando-lhe características aquarianas. Notaremos, então, como nossa colaboração será muito mais eficiente.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Evangelho do Serviço, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz

O Evangelho do Serviço, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz

A Fraternidade Rosacruz, no cumprimento de suas finalidades precípuas, tem envidado esforços no sentido de divulgar os Ensinamentos Rosacruzes, utilizando, para tal, os veículos ao seu alcance, como revistas, folhetos, livros, cursos orais e epistolares etc. Tais conhecimentos são desinteressada e amorosamente colocados ao alcance de todos aqueles que aspiram a verdades mais profundas a respeito do ser humano e do mundo. Quantos seres desalentados recobraram ânimo e encontraram nova motivação para sua vida ao “descobrirem” os maravilhosos ensinamentos transmitidos à humanidade por Max Heindel! Quantos seres humanos encontraram-se a si mesmo ao tomarem a decisão de batalhar pela causa dos Irmãos Maiores!

A Fraternidade Rosacruz tem prestado relevantes serviços ao gênero humano. Numa época em que o materialismo campeia ameaçadoramente, ela desponta como um amenizador de impactos, indicando, sabiamente o caminho do equilíbrio.

E não se julgue que esse trabalho tem sido fácil! E não se pense que tudo tem sido um mar de rosas! Não! Pelo contrário! A caminhada da Fraternidade tem sido pontilhada de lutas e sacrifícios.

Não é fácil, nos dias de hoje, manter uma entidade com estas características de ineditismo, “sui generis”!  Poucas organizações congêneres mantêm cursos por correspondência e outros serviços sem a exigência de um pagamento; o que pesa em cada um é a consciência do dever cumprido.

Todo sacrifício que se faça em prol desse Ideal ainda será pouco. Ele é tão elevado, que poder aspirá-lo constitui, por si só, um grande privilégio. A Fraternidade é uma grande seara onde há abundância de oportunidades de trabalho. Há muito que se fazer. Há falta de obreiros. Ela é a magna oportunidade de realização anímica por meio da purificação e do serviço.

Mediante o estudo aumentamos gradativamente nosso cabedal de conhecimentos, todavia, se não os aplicarmos permaneceremos na estaca zero. E de que forma podem ser aplicados os conhecimentos? Pelo aprimoramento do caráter e pelo serviço prestado em favor da humanidade. Conhecimento implica “fé racional”. E a “fé sem obras é morta”.

Alguns estudantes antigos queixam-se de seu exíguo e lento progresso no caminho Rosacruz. Talvez eles não tenham compreendido o sentido exato do Ideal. Só teoria não é suficiente. O estudo é indispensável, mas não é um fim em si mesmo. De intelectuais o mundo está repleto, mas há uma carência enorme de espiritualistas práticos. Pouco vale conhecer todas as obras rosacruzes se na vida diária nós as renegamos por meio de nossas atitudes incoerentes. De que adianta nosso dom de oratória, se ao proferirmos nossa elocução de uma tribuna não alimentamos nossas palavras com a convicção de quem vive realmente as verdades enunciadas?

Não se pode dissociar rosacrucianismo de SERVIÇO. Quem não se dispuser a arregaçar as mangas e fazer a sua parte dará passos miúdos na senda evolutiva. A Filosofia Rosacruz encerra em si mesma o EVANGELHO DO SERVIÇO, e na Fraternidade encontramos um campo de ação extraordinário, pois ela tende a crescer e a preparar os homens para a futura Era de Aquário.

PELA FRATERNIDADE “FAÇA-SE O MELHOR, FAÇA-SE TUDO!”.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/1971)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

RECEITA – Leite Condensado de Arroz

LEITE CONDENSADO DE ARROZ
 
INGREDIENTES:
  • 1 xícara (chá) de arroz integral (ou branco, se preferir) cozido
  • 1 xícara (chá) de açúcar demerara
  • 1/2 xícara (chá) de água fervente
MODO DE PREPARO:
  • Bata a água fervente com o açúcar no liquidificador por 2 minutos, ou até formar uma massa homogênea um pouco escurecida.
  • Adicione o arroz integral cozido e bata por mais uns 5 minutos, ou até formar uma pasta amarelada bem homogênea.
  • Coloque numa travessa bonita e leve à geladeira por 8 horas.
  • Pronto !!!  Fica muito bom!!!
Pode ser usado para fazer BRIGADEIROS:
  • Para fazer brigadeiros, leve ao fogo 1 xícara desse leite condensado com 1 colher de sopa de cacau em pó 100% ou um bom chocolate // 1 colher de sopa de araruta e 1 colher de sopa de óleo de coco.
  • Mexa até dar o ponto de brigadeiro.
  • Transfira para um prato e deixe esfriar.
  • Faça bolinhas, coma de colher ou use no recheio de bolos.
  • Rendimento: 10 brigadeiros.
porFraternidade Rosacruz de Campinas

O último renascimento de um ser humano como gorila: o papel de uma mulher

O último renascimento de um ser humano como gorila: o papel de uma mulher

Na noite seguinte os Auxiliares Invisíveis foram até a mulher e contaram sobre seu amigo. Eles encontraram o navio e a acordaram; ela segurou no braço da Auxiliar Invisível e lhe disse: “Querida Anjo, muitas coisas estranhas me aconteceram. Eu me deitei essa tarde e me vi fora do corpo. Voei através da parede e por cima da água e me vi perto do corpo morto do meu amigo. Estava quase todo comido. Eu tentei enterrá-lo, mas não consegui segurar e nem levantar nada. O que há de errado comigo?”.

A Auxiliar Invisível sentou na cama dela e explicou tudo a ela; ela chorou de alegria e falou: “Agora eu posso ajudar os nativos e os gorilas. Eu não me importo com as pessoas da minha classe.”

Os Auxiliares Invisíveis viram a vida anterior dessa mulher quando ela era um homem. Ele foi um estudante avançado da Filosofia Hindu e estava quase pronto para a Iniciação. Ele acabou perdendo algumas pessoas na selva por ciúmes, porque ele queria tirar o homem do caminho que estava entre ela e a mulher que ele amava. Após duas semanas ele foi caçar e os tirou de lá, mas logo eles morreram de febre da selva.

A mulher falou que ela não gostava da comida do navio, então ela comia apenas frutas, pão e manteiga e leite ou vegetais crus. “Todos que eu encontro são muito amigáveis”, ela falou, “mas eu quero estar sozinha com meus pensamentos. O capitão é bondoso comigo e me conta várias histórias interessantes que eu gosto”.

A mulher falou que ela viu os Auxiliares Invisíveis uma vez antes na selva. Foi na vez em que eles salvaram a família de gorilas das duas cobras. Ela contou que ficou feliz que eles lidaram com as duas cobras, porque ela e seu gorila protetor estavam com muito medo de se mexerem. Eles estavam a apenas cem passos de distância e viram tudo o que aconteceu com a família de gorilas. Ela contou da vila dos gorilas e disse que haviam uns cinquenta gorilas lá.

Essa mulher pediu aos Auxiliares Invisíveis para levarem uma mensagem para seus pais e dizer à mãe dela que ela ainda tinha seus dedinhos dos pés bonitos. Então ela mostrou aos Auxiliares Invisíveis seus dois dedinhos extras nos pés e onde tinha os removido. Os Auxiliares Invisíveis logo partiram e foram ver a mãe dela.

Quando a mãe ouviu sobre os dedinhos ela ficou muito feliz e disse: “Ela é a minha filha, pois eu sempre admirei seus dedinhos extras.”

Mais tarde a mulher chegou na sua casa a salvo e foi recebida por seus pais com muita alegria. Essa história também conta como funciona a lei do destino maduro. Todos nós somos afetados por ela, mas poucos de nós tem coisas tão marcantes para resgatar.

(IH – de Amber M. Tuttle)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Como não se deve levar a vida à toa: Felícia encontra ‘Cauda Cinza’

Como não se deve levar a vida à toa: Felícia encontra ‘Cauda Cinza’

Perfeito, exclamou o esquilo marrom. Eu mesmo não poderia ter feito melhor.

Felícia, que estava andando na floresta, olhou para cima, com surpresa, ao ouvir a voz alta do esquilinho. Ela teve apenas tempo de vê-lo correr para cumprimentar o esquilo cinza que tinha dado um enorme pulo de uma árvore para outra.

O grande esquilo, que todos chamavam “Cauda Cinza”, inclinou-se de uma maneira zombeteira para o impertinente animalzinho marrom com riscas amarelas, e pensou consigo mesmo:

– Gostaria de ver você fazer isso, amiguinho! Algum dia você se encontrará em tal apuro, que precisará de todos os seus amigos para ajudá-lo.

Entretanto, não disse nada em voz alta, pois, como todos na floresta, ele sabia que Billy, o esquilo, se vangloriava de sua esperteza, apesar de, por mais estranho que possa parecer, ninguém o vira até então fazer qualquer coisa importante.

De repente, do ramo da árvore onde estava, “Cauda Cinza” viu Felícia e, por um momento, parecia que estava pronto para dar um outro salto para ir o mais longe possível. Então, fixou em Felícia um olhar espantado, pois reconheceu-a como a garotinha que ele tinha visto no pequeno vale com as fadas. Ela estava parada muito quieta, uma das mãos cheia de frutos que recolhera debaixo da árvore. Até então ela nunca soubera que as criaturas da floresta podiam falar ou, se falavam, que ela pudesse ouvi-las. (Neste momento, tenho certeza que vocês já perceberam que Felícia era uma garotinha afortunada que viu e aprendeu coisas que muitas pessoas nunca souberam).

Muito silenciosamente, um minúsculo camundongo do campo aproximou-se dela e na voz mais baixinha que você pode imaginar, guinchou:

– Por favor, não faça um mau juízo de Billy. Ele é ainda muito pequeno e não sabe muita coisa, mas realmente gostaríamos que ele não se metesse na vida dos outros.

A Senhora Camundongo suspirou um pouco e continuou:

– Ele mete o nariz em todas as nossas coisas, de maneira que tentamos ficar longe dele. Ele conta para todo mundo quando estou construindo um novo ninho, e oh! Como fofoca quando “Cauda-Cinza” visita a bela senhorita esquilo por aí.

Então, ela olhou para Felícia e perguntou:

– Quem é você? Parece muito grande para caber em nossas casinhas.

A garotinha sorriu e explicou que morava numa grande casa fora da floresta e que estava visitando a floresta com seus amigos.

– Você pode ouvi-los dando risada, acrescentou.

– Oh! Exclamou a Senhora Camundongo, nervosa. Espero que não venham até aqui. São muito barulhentos.

Enquanto isso, “Cauda-Cinza”, que estivera escutando Felícia e a Senhora Camundongo, decidiu juntar-se a elas, desceu da árvore e sentou-se perto. Ele enrolou sua bela cauda farta ao redor de seu dorso e olhou para Felícia com olhos brilhantes. Os olhos escuros de Felícia dirigiram-se a ele, em amigável admiração, enquanto pensava:

– Meu Deus, ele é tão formoso e em voz alta comentou: a Senhora Camundongo me disse o seu nome, tentando fazer com que sua voz fosse tão fraca e gentil quanto possível, de maneira que não assustasse as criaturinhas.

Alguns lagartos passaram sem prestar atenção no que acontecia, e as folhas secas ao pé da árvore sussurravam enquanto eles passavam.

– Eu já sei o seu nome, disse “Cauda-Cinza” para Felícia. Eu estava no vale das fadas, quando Brenda deu seu longo gorro verde para você.

– Eu não o vi; onde você estava? Ela perguntou.

– Oh, em cima de uma árvore, de onde podia ver tudo. Nunca pensei, que alguma vez fosse falar com você aqui, acrescentou o esquilo.

– Você gosta de pinhas? Felícia estendeu para “Cauda-Cinza” a mão cheia dos frutos que juntara.

– Gosto mais de nozes e avelãs, respondeu ele, mas essas também são boas quando se está com fome. E continuou: você sabia que as sequoias são as maiores árvores de folhas perenes e são as que têm os menores frutos? Sim, disse com um sorriso divertido, tamanho é uma coisa muito ilusória. Por exemplo, algumas vezes, os maiores oradores nada dizem.

Felícia e a Senhora Camundongo entreolharam-se como se ambas soubessem que “Cauda-Cinza” estava pensando em Billy.

Enquanto o esquilo, que parecia ser um animal muito esperto, estava falando, outros camundongos aproximaram-se e corriam em volta, cheirando aqui e acolá, mas não se atrevendo a aproximar-se muito. Felícia perguntou à Senhora Camundongo o que eles queriam.

– Eles estão sentindo o cheiro da comida que você tem, ela respondeu.

– Oh, eu não tenho nada aqui para eles comerem, disse a garotinha, muito surpresa.

– Oh, sim, você tem, e eu vou mostrar-lhe onde, respondeu, a Senhora Camundongo, enquanto bravamente subiu no colo de Felícia e entrou no bolso de seu avental, de onde retirou algumas migalhas de pão.

O olhar espantado de Felícia fez a Senhora Camundongo e “Cauda-Cinza” morrerem de rir – à maneira deles, naturalmente.

– Quase esqueci que tinha um sanduiche no meu bolso, mas todos vocês sabiam! Exclamou a garotinha.

– Isso não é novidade para nós, disse ”Cauda-Cinza”, nós temos um senso muito aguçado do olfato, o que nos ajuda a encontrar comida.

Felícia meditou:

– Eu nunca imaginei que uns pedacinhos tão minúsculos de comida pudessem ser úteis para alguém.

Ela prometeu a seus amiguinhos que nunca mais desperdiçaria até mesmo o menor pedaço de comida, e disse-lhes que, no inverno, colocaria comida no seu jardim, para os passarinhos.

– Cuidado para não a colocar onde os gatos possam pular sobre os passarinhos! Lembrou ‘Cauda Cinza’.

– Tudo bem, ela concordou, e antes de ir embora vou esvaziar todas as sobras da cesta de piquenique para vocês.

Os camundongos franziram seus narizes pontudos com satisfação, enquanto o esquilo gentilmente abanou sua cauda, em agradecimento. Felícia disse à Senhora Camundongo que voltaria brevemente para revê-los.

– Tudo bem, Felícia, o esquilo e o camundongo disseram juntos, estaremos aguardando você.

– Mas, como vocês saberão que virei? Ela perguntou.

– Oh, isso é fácil, riram os animais. Billy está sempre por dentro de tudo, você sabe.

Não muito tempo depois, Felícia voltou e aproximou-se da árvore sequoia, trazendo consigo uma sacola grande com restos de alimentos. Para os passarinhos, ela trouxe pão, que eles tanto gostavam.

Ela sentou-se e imediatamente um tímido som perto dela anunciou a presença da Senhora Camundongo.

– Oh, meu Deus! Exclamou Felícia, ela trouxe todos os seus parentes. Bem, de qualquer forma, tenho o suficiente para eles.

Um alegre assobio veio da árvore e “Cauda-Cinza” chegou, seguido por alguns de seus amigos, enquanto um bando de passarinhos já estava esperando nos galhos.

Felícia espalhou parte da comida, guardando alguma para os atrasados. Os pequenos animais e os passarinhos começaram a comer. Por alguns minutos, só se podia ouvir o barulho das mordidas. Então, um pequeno grito agudo os assustou. Os animais pararam de comer, pois todos perceberam que Billy deveria estar em grandes apuros, ali por perto. A garotinha ficou de pé, esparramando o resto da comida e perguntou ansiosamente.

– Onde ele está!

– Lá, respondeu “Cauda-Cinza”, que já estava a meio caminho do esquilo.

Felícia e o resto chegaram a ele num segundo e, com seus olhos atônitos, viram Billy, suspenso numa corda grossa que estava amarrada fortemente em volta de seu corpo, no topo de um fino galho de uma árvore, mais ou menos a meio metro do chão. Lá estava ele pendurado, agitando seu traseiro e sua cauda, desesperadamente, num terrível esforço para libertar-se. Felícia sentiu muita pena do animalzinho que continuava a guinchar na sua vozinha fina, mas “Cauda-Cinza” o advertiu severamente para ficar quieto, que eles o ajudariam.

A garotinha inclinou-se imediatamente com suas mãos já estendidas para afrouxar o laço, mas o “Cauda-Cinza” deu um beliscão na sua perna. Ela parou surpresa, mas imediatamente ele pediu a ela que se abaixasse de maneira que pudesse sussurrar algo em seu ouvido.

– Desculpe-me por mordê-la, Felícia, mas eu precisava detê-la imediatamente. Por favor, não ajude Billy, ele continuou em voz baixa. Todos nós sabemos que você pode livrá-lo, mas ele vai pensar que tudo é muito fácil e não vai aprender esta lição. Nós precisamos fazê-lo entender como ele foi tolo e como isto poderia ter sido muito mais sério e perigoso para ele.

Então, Felícia entendendo que ele estava certo, afastou-se para deixar-lhe o trabalho de libertar Billy. “Cauda-Cinza” ficou apoiado em suas pernas traseiras e começou a roer a corda em torno do esquilo que chorava. Muitos dos camundongos, com seus dentes afiados, começaram a roer o galho da árvore, até que ele caiu ao solo. Então, foi mais fácil para o esquilo roer a corda. De repente, ela cedeu e Billy caiu ofegante, mas livre!

Billy, disse “Cauda-Cinza” numa voz muito severa, o que você andou fazendo para cair na armadilha? Você já foi advertido muitas vezes sobre isso.

Billy tentou dizer alguma coisa, explicando que tinha visto o laço quando se dirigia à festa de Felícia e decidiu dar um salto direto através dele. Mas perdeu o alvo, de maneira que, quando tocou a corda, ela o prendeu e, ao mesmo tempo, o galho subiu.

– O-o-o-h! Estou com uma terrível dor de barriga, lamentou-se.

– Bem, você tem sorte de ter somente uma dor de barriga, resmungou “Cauda-Cinza”, que estava realmente irritado com o esquilo bobo. Levaremos você para casa e lhe daremos comida até que seja capaz de sair sozinho.

Os esquilos ajudaram a carregar Billy, enquanto Felícia se despedia dele; mas ele sentiu-se muito infeliz para responder.

A Senhora Camundongo dirigiu-se à garotinha dizendo:

– Não se preocupe com Billy. Ele estará bom em alguns dias – talvez mais esperto, também. Volto para vê-la novamente.

Ela mexeu seu longo rabinho fino, já que não podia dar as mãos à sua amiguinha, e esgueirou-se atrás de “Cauda-Cinza”, através dos pinheiros.

Felícia parou um momento, até que não mais se ouviu o som dos minúsculos pés se movimentando e, muito pensativa, voltou para casa.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. II – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

 

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Cartas de Augusta Foss Heindel: A Grande Virtude: você sabe qual é?

Um dos mais valiosos princípios que devem cultivar os que se propõem ser Estudantes Rosacruzes, é a tolerância. Milhões de vidas foram sacrificadas, pela ausência dessa qualidade, desde a mais obscura antiguidade da pré-história que os espiritualistas podem traçar; daí, então, podemos verificar os efeitos da falta de tolerância, que chegou a causar até a desagregação de nações. A intolerância foi o fundamento sobre o qual os atlantes transformaram seus pensamentos em atos, e que, com os tempos, destruíram seu continente.

A Fraternidade Rosacruz é um movimento Cristão internacional, uma organização aberta a todas as raças, sejam essas: branca, amarela, vermelha ou negra (ou qualquer outra cor que inventem).

Os seres que compõem, presentemente, essas raças principiaram simultaneamente seu desenvolvimento como Espíritos Virginais; entre eles, porém, alguns empenharam-se mais na evolução, adiantando-se aos demais e chegando a constituir as raças vanguardeiras do progresso espiritual, dando formação aos povos, e ganhando, assim, por seus próprios esforços, o direito de renascer entre os líderes da humanidade, apurando-se tanto física como mentalmente.

Diferenças de situação, de privilégios, não se devem à preferência de Deus, nem ao prevalecimento de favoritismos (impossíveis de existir no Plano Divino), porque na Grande Escola de Deus o ser humano tem que merecer cada passo que dá.

Os Senhores do Destino não favorecem mais a uns que a outros; exigem, sim, o pago de cada dívida, o fruto para cada recompensa, segundo o que conste nas contas do Banco Universal.

Se o evangelho do Grande Mestre, Cristo-Jesus, tivesse sido aceito e aplicado plenamente na vida, o mundo ter-se-ia transformado. Mas, credos e dogmas retorceram e despedaçaram esses ensinamentos; cada líder, cada templo, cada organização sangrou pelas verdades de Cristo, e a maioria dessas partes foram alimentadas pelo pervertido egoísmo de dirigentes que, por isso, só puderam proclamar esta verdade desde seu limitadíssimo ponto de vista.

Os Ensinamentos Rosacruzes dados a Max Heindel, pelos Irmãos Maiores, foram enviados às nações, aos povos, em toda parte, enfim, onde houvesse seres o bastante tolerantes para reconhecer o verdadeiro grau desses ensinamentos. A Filosofia Rosacruz é hoje aceita por pessoas de todos os meridianos, de todas as latitudes, não importando que sejam das Américas, da Europa da Índia, da China, da África, da Inglaterra ou de qualquer outro povo ou nação. Cristo veio a predicar aos judeus e aos gentios; todos para Ele eram aceitáveis. Assim deve ser o Estudante Rosacruz: tolerante.

Hoje mesmo uma visitante nos disse que se encontrara com proeminente Estudante da Fraternidade Rosacruz, e que esse se expressara contra certo povo, da mesma gente que Cristo aceitou. Porque os Estudantes Rosacruzes – pergunto eu – hão de condenar quem não estiver com eles? Devemos seguir o Cristo, conforme seus ensinamentos, como Max Heindel aconselha em seu belo poema “Credo ou Cristo?”:

Seu puro e doce amor não está confinado pelos credos
que separam e elevam muralhas.
Seu amor envolve e abraça toda a humanidade.
Não importa o nome que a Ele ou a nós mesmos, dermos.

Então, por que não seguimos a Sua palavra?
Por que nos atermos em credos que desunem?
Só uma coisa importa, atentemos:
é que cada coração seja repleto de amor fraternal

(De Augusta Foss Heindel, traduzido da Revista Rays from Rose Cross e Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1971-Fraternidade Rosacruz)

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