Que o Mundo todo se Rejubile!
Música sempre encantou as Fadas e, por muito tempo, cinco delas permaneciam quietinhas, ajoelhadas próximas a uma janela aberta, ouvindo as crianças cantarem. Nenhum dos meninos e das meninas, que juntos ensaiavam sua canção para o Serviço da Páscoa, sabiam que elas estavam ali.
As vozes claras e jovens fundiam-se no ar, e as Fadas ali permaneciam reverentemente e ouviam cada palavra de louvor enquanto as crianças cantavam:
“Ele ascendeu, Ele ascendeu resplandecente,
Vamos proclamar isto alegremente;
De sua prisão de três dias, Ele se libertou,
E o mundo todo se rejubilou”.
As Fadas pularam para o peitoril da janela, impelidas pela beleza e encantamento da música. Elas permaneciam em fila na borda estreita da janela, suas faces erguidas, em adoração, por encontrar o amoroso poder do Cristo Nascido e, mesmo assim, as crianças não perceberam sua presença. Mesmo quando a música parou e as crianças se prepararam para voltar às suas casas, nenhuma delas notou que as fadinhas as olhavam.
Enquanto as Fadas olhavam, elas também escutavam o que a professora de música dizia às crianças.
— Quando vocês desfilarem amanhã de manhã, ela disse, cada uma de vocês carregará um vasinho com o Lírio da Páscoa.
As crianças bateram palmas de alegria.
— E, continuou a professora, quando vocês chegarem ao tablado, por favor, coloquem ali os seus vasinhos.
Ela dirigiu-se ao tablado e as crianças a seguiram para aprender o que deveriam fazer.
Mas, as Fadas não esperaram para ver ou ouvir mais nada. Elas flutuaram graciosamente para o chão e correram a fim de reunir alguns equipamentos que certamente ajudariam na grande ocasião. Não havia tempo a perder, porque o dia seguinte era Domingo de Páscoa.
Sem qualquer embaraço, as Fadas dirigiram-se a uma árvore e voltaram em um minuto. Uma delas carregava uma vassoura. Era feita de penas, tão suave como a chuva recém caída.
— Eu vou varrer as folhas dos lírios e fazê-las brilhar, ela cantarolou.
A segunda Fada segurava um pano de pó. Era grande e inteiramente tecido de teia de aranha.
— Tirarei o pó das pétalas, uma por uma, ela disse, e elas estarão radiantemente brancas para a manhã da Páscoa.
A líder das Fadas quase caiu do tronco da árvore, tão grande era sua carga. Ela carregava um enorme sabão de aroma de eucalipto, uma escova de cerdas de raios lunares torcidos e uma toalha que se arrastava no chão, debaixo de seus pés, de tão grande que era.
As outras duas Fadas tinham mãos com o poder de cura. Assim, usavam-nas para restaurar as plantas machucadas e descoloridas, devolvendo-lhes a beleza. Elas tinham um coração amoroso e, com o sussurro de suas doces vozes, convidavam os insetos a se retirarem dos botões e das flores onde frequentemente dormiam. Todas as fadas tinham um alegre senso de sua própria responsabilidade para tornar os lírios muito bonitos para o Domingo de Páscoa.
— Alguém sabe onde estão os vasinhos de lírio? – Perguntou a fada com a vassoura. Ninguém sabia!
— O que devemos fazer? – Gritavam as outras, em desespero.
A líder estendeu a toalha no chão e sentou-se nela, cruzando suas pernas enquanto pensava.
— Rápido! Ela gritou finalmente. Vamos voltar para o peitoril da janela antes que seja tarde demais. Talvez devêssemos escutar mais do que a professora de música tem a dizer às crianças.
Numa nuvem de esperança e felicidade, as fadas voltaram à janela para espiar de novo, mas era muito tarde. Não havia ninguém à volta. Mais uma vez, sua líder sentou-se de pernas cruzadas para pensar.
— Há mais janelas!
E lá se foram as Fadas espiar em todas as outras salas. Em frente a uma delas havia uma mesa, um telefone e lá estava a professora de música. As Fadas ouviram atentamente o que ela dizia:
— É da Floricultura Tempo-Feliz? Ela perguntou ao telefone.
E as pequeninas Fadas quase caíram do peitoril da janela de tão excitadas que estavam. E estavam tão excitadas que nem a ouviram perguntar sobre os lírios. Mas, uma outra voz bem longínqua, saiu do aparelho e desta vez as Fadas conseguiram ouvir.
— Os vinte e cinco vasinhos de lírios estarão prontos para as crianças no Domingo pela manhã, disse a voz distante.
As quatro fadinhas não esperaram para ouvir mais nada. Elas pularam para o chão e se aproximaram de sua líder, dizendo-lhe o que tinham ouvido.
— Continuem com seu trabalho normalmente, ela disse, até ao pôr-do-sol. Quando o último raio desaparecer no céu, ao anoitecer, encontremo-nos aqui. Enquanto isso localizarei a Floricultura e voltarei para levar vocês até lá na quietude da noite.
Todas concordaram e quatro Fadas voltaram a seu trabalho costumeiro de formar as folhas e as flores das plantas e das árvores. A fada líder flutuou sobre sua toalha por todo o local, como se estivesse sobre um tapete mágico. Enquanto ela estava fora, as outras não podiam pensar em nada além dos vasinhos de lírios e nas crianças que cantavam. Elas cantarolavam ao ouvido de cada planta sobre a qual trabalhavam, instilando em cada uma delas amor pela vida ressuscitada. Muitas formas lindas surgiam, enquanto elas cantavam suavemente:
“Abençoado Senhor, vamos todos adorar-Te,
Os Santos na Terra e os Santos nos céus juntamente;
Todas as criaturas vão reverenciar-Te,
Por Tua vida ter-lhes dado, amorosamente”.
Os pássaros ouviam e as borboletas ouviam e também ouviam as abelhas e os insetos. Uma por uma, elas elevavam no ar o alegre refrão, enchendo o mundo com sua música. Assim, toda a Terra rejubilava.
Enquanto isso, a Fada líder localizara a Floricultura Tempo-Feliz. Lá dentro, numa fileira suntuosa, estavam vinte e cinco vasinhos de flores. Em cada um deles havia um lírio branco. O Elfo ergueu seus olhos para dizer, “Obrigado” e, quando olhou para o céu, o Sol derramava seu último raio na tarde calma. Rapidamente a Fada líder juntou-se às outras.
— Tudo está pronto, anunciou. Iremos imediatamente à Floricultura.
Durante toda a noite elas trabalharam na Floricultura, escovando, tirando a poeira, limpando, até que todos os vasinhos de lírios brilhassem. Elas abriram os botões para enchê-los de luz e muitos dos insetos, ali alojados, saíram. Suas mãos curadoras, gentilmente, tratavam dos botões que estavam feridos e descoloridos e sussurravam uma prece de bênção para cada um. Quando o primeiro raio de Sol despontou para iluminar a Floricultura na Manhã de Páscoa, cada lírio estava limpo, inteiro e radiantemente branco.
A líder das Fadas sentou-se de pernas cruzadas sobre uma folha para avaliar o trabalho que tinham feito. A vassoura e o pano de pó continuaram a polir, mesmo onde não havia mais necessidade. Outros insetos saíram dos botões: um par de mãos curadoras transformaram o último botão ferido num botão saudável, e as Fadas declararam que seu trabalho estava terminado.
— Está bem, elas disseram, pois agora até os lírios cantarão ao Cristo ressuscitado.
Elas voltaram às suas casas nas árvores e esperaram o soar dos sinos que chamavam as pessoas para o Serviço da Páscoa. Vestidas com seus melhores trajes de festa, as Fadas sentaram-se em silêncio no peitoril da janela para tomar parte na cerimônia. Nenhum dos participantes suspeitou que elas estivessem lá. Todos olhavam para uma coroa de rosas vermelhas colocadas numa cruz branca.
Uma estrela dourada, luminosa, num fundo azul, brilhava como um halo de luz e amor atrás da cruz florida, e as Fadas, com suas bocas minúsculas, sussurravam eloquentes “o-o-o-s”. A música do órgão vibrava pela sala e ressoava em cada coração enquanto as crianças entravam. Os meninos e as meninas, cada qual carregando um brilhante Lírio de Páscoa, cantavam mais triunfalmente do que nunca:
“Aleluia! Aleluia!
Cristo ressuscitou”.
E as Fadas ouviram os lírios cantarem também.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. III – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Aprendizagem Esotérica: você sabe o que dissipa a falácia dos métodos inconscientes e de pretensa liberdade
Ensinou Sócrates[1]: “O ser humano não procura o que sabe, porque já o sabe e, portanto, não tem nenhuma necessidade de o procurar. Também não procura o que não sabe, pois, se não sabe, ignora o que deve procurar”.
Essa afirmação parece desencorajar qualquer esforço de aprendizado. Mas no sentido profundo ela quer significar a necessidade de passar adiante do que já se sabe, predispondo-se a novas condições, desconhecidas, que a evolução colocará em nosso caminho. Ora, se por nós mesmos, como personas, não temos a possibilidade de saber o que nos convém, o Espírito em nós o sabe e nos leva fatalmente para aquilo que nossa necessidade interna reclama.
Foi assim que, sem o saber, encontrei a Fraternidade Rosacruz. No contato com ela, descobri em mim uma identidade nova e ignorada. Isso me levou a desejar atingir algo mais que na verdade sempre desejei.
Sócrates foi um parteiro de almas porque despertava nas pessoas o que nelas estava adormecido. Assim aconteceu comigo, ao confrontar-me com a sabedoria Rosacruz: o desconhecido se me tornou conhecido e me convidou ao desabrochamento.
Sócrates disse também o seguinte: “Ninguém pode ensinar nada a ninguém e nem aprender nada de ninguém”. Outra afirmação enigmática que se revela profunda à meditação. Ele sabia que o ser humano “é feito à Imagem e Semelhança de Deus”, trazendo em si, em potencial, todas as faculdades, bastando que elas sejam acordadas e cultivadas para que se tornem realidade como conquista anímica do indivíduo. A maioria das pessoas, embora tenha lido a Bíblia, não compreendeu possuir essa riqueza potencial interna. No entanto, a própria experiência da vida nos mostra que ela existe. Cada um de nós pode ser, ao devido tempo, tudo. Mais facilmente atingirá as faculdades que já tenha desenvolvido em parte; e a longo prazo, aquelas que ainda não foram despertadas.
Quem no-lo revelará? Uma orientação externa. Mas… não disse Sócrates que ninguém ensina nada a ninguém? No sentido comum de ensinar, de fato ninguém ensina, porque a verdade já está dentro de nós. O que o mestre grego quis significar é diferente: o orientador não cria nada nem dá nada a ninguém; apenas o ajuda a descobrir-se; apenas revela o que já existe — como ensina a “Oração Rosacruz”. A orientação externa não vai tirar algo do nada, nem pôr algo no nada. Apenas faz descobrir o que já existe, o que está subjacente e que deve vir à tona da consciência, pelo exercitamento adequado.
Tanto isso é verdade que o próprio Sócrates o demonstrou. Ele tomou um jovem escravo sem formação matemática e, traçando na areia algumas figuras, foi interrogando metodicamente o moço, levando-o a definir, sozinho, por dedução, verdades muito próximas do teorema de Pitágoras. Sua habilidade é tal que induz ao moço, de pergunta em resposta, verdades surpreendentes. O jovem escravo tira de dentro de si as conclusões, sem que ninguém as explique a ele diretamente. Daí a conclusão: nada veio de fora para enriquecer aquela inteligência, que descobriu por si mesma — se bem com ajuda indutiva — as relações constitutivas do mundo matemático que já estavam nele. Só aguardavam para se tornarem conscientes, a invocação do orientador.
Não houve ensino, no sentido atual do termo, se bem que a presença e habilidade do orientador, como meio indutivo, é indispensável. Este induz o que sabe, mas o aluno o realiza de modo próprio, pelo dom epigenético contribuindo, não raro, para o orientador descobrir aspectos que não conhecia. Por isso que o ensinar é também um aprendizado.
É claro, pois, que o intercessor é necessário. Ainda mais: ele só pode induzir o outro a relacionar e concluir o que é conhecido dele, orientador. Mas naquele encontro, celebrado pelo amor, porque marcado pelo desejo de ajudar, muitas vezes ocorre a presença de um terceiro fator, de inspiração interna, levando um dos dois a sacar deduções imprevistas.
Do ponto de vista esotérico, a pedagogia se torna uma atividade espiritual das mais expressivas porque pressupõe necessariamente o amor, que se anula sem desejo de mostrar o que se sabe, para desvelar o desconhecido, das potencialidades do aluno. Mostra que a alma não é importada do exterior, se bem que seja suscitada pelo exterior: daí a necessidade do renascimento neste plano que é uma oficina de aprendizagem.
O ensino se torna uma invocação à união de nossa voz indutiva com a voz interna do aluno, para libertar-lhe uma vocação adormecida, tal como o Príncipe encantado a despertar a Bela Adormecida com o apelo de um beijo. A voz que vem de fora, como um som mágico, desperta no íntimo, por ressonância, a verdade pré-existente. Mas cada um despertará de modo singular e próprio, segundo o como e o que já tenha realizado anteriormente.
Cada despertar de uma verdade é um nascimento. Cada nascimento é um mistério encantador e traz a individualidade de sua origem.
Muitas vezes é um livro o intercessor que nos leva a conclusões novas. De toda a forma, embora pareça imenso, na verdade o papel do orientador é limitado ao livre arbítrio e à epigênese do aluno. Ele é um meio e não um modelo e fim. Apesar de todo o seu amor e altruística dedicação, não deve exorbitar a função de um invocador da verdade. Ele não se limita a resolver tudo com afirmações nem dar lições para que o aluno memorize. Ao contrário, ele se torna um discípulo ante o discípulo, instalando-se naquilo que o discípulo compreendeu e na maneira como ele compreendeu. Ele realiza a empatia pedagógica, ao colocar-se no lugar do outro.
Sem esse laço não existe aprendizado. O aluno sente o interesse do Instrutor por sua edificação. Os dois se abrem e se encontram como duas mãos em prece. Só esta compreensão, no aluno, é que avalia e elege o Orientador.
“Não há grande ser humano para o criado de quarto” — diz o ditado. Referindo-se a isso, Goethe[2] esclarece bem: “Não porque o grande ser humano não seja um ‘grande homem’, mas porque o criado de quarto é um criado de quarto”. Isto nos leva a compreender que o aluno não pode amar o que não compreende… Quando ele encontra o Instrutor que busca compreendê-lo e lhe abre o íntimo para um autêntico diálogo, o amor realiza o milagre do despertar.
Mas a demasiada intimidade pode arruinar esse encontro. Daí que haja entre aluno e instrutor uma sutil dosagem de intimidade na distância, e uma distância na intimidade, uma espécie de respeito diferente, mas não menos completo. Cada um tem algo que não revela ao outro e que o outro pressente, como a Sherazade das “Mil e uma noites” a velar algo mais para o dia seguinte.
À medida que a harmonia se estabelece entre o professor e o aluno, quase desaparece o intervalo entre aquele perguntar e este despertar à compreensão, porque o Eu real responde imediatamente à ideia suscitada, com sua verdade própria. Assim vão caminhando os dois na mesma direção: o Orientador humildemente, cônscio de suas limitações ante a verdade inabarcável, na consciência do pouco que tem ante a infinitude divina que o convida. O aluno, inspirado no exemplo do Instrutor, desejoso de continuar-lhe a obra de transmissão a outros.
Hoje há mal-entendido sentido de liberdade e de universalidade, de um lado motivado pela indisciplina e impaciência; doutro lado, por autores, que estão cometendo o grande erro de querer demolir a personalidade sem que ela ainda tenha sido formada: matar o que ainda não nasceu.
A grande maioria é espiritualmente infantil, imatura e deve ser ajudada na própria realização, por um método gradativo e inteligente.
O autodidata, rebelde a toda orientação ou escola — conforme ensinam esses autores — fica girando em torno de si mesmo, num círculo vicioso, limitado às próprias incipientes possibilidades conscientes. Nada aceita de fora, mas não se dá conta das sutis influências externas que o condicionam. Ouve falar, e muito, desses condicionamentos, mas não desenvolve meios de libertar-se deles. Fecha medrosamente a janela do íntimo à “perigosa influência das escolas” e não percebe que, justamente por isso, fecha as possibilidades de receber ajuda na conscientização da verdade. É como fechar a janela ao mal, fechando-se também ao bem.
Outro tipo de autodidata, comum no espiritualismo — igualmente movido por mal-entendido universalismo e independência — é aquele que não assume compromisso com nenhuma escola e põe-se a, gulosamente. ingerir toda a literatura que sua falta de discernimento e preparo escolhe. Sem desenvolver um sentido global, um esquema geral da vida e do ser, vai colecionando retalhos e cosendo-os incoerentemente. Perde-se na literatura variada como uma pessoa entre as árvores da floresta. Isolando-se em sua pretensão, furta-se à riqueza do diálogo e compromete o íntimo, porque vai perdendo aquele estado de equilíbrio e receptividade necessário ao aprendizado imparcial. Preocupado mais com a quantidade do que com a qualidade e coerência do que lê, confunde memorização com formação e acaba sendo esmagado pelo peso desse enorme bloco que engoliu e não digeriu. Refugia-se num tolo orgulho intelectual, subestimando as organizações, para justificar sua desorganização. É um herói sem esperança, pelo menos nesta vida, ao mesmo tempo que está formando cristalizações intelectuais, obstaculizando sua libertação em futuras vidas.
Outra dificuldade insinuante e perigosa — porque atende à conveniência dos preguiçosos — são os métodos de ensino subconsciente. Compreendamos que, se se conseguisse estabelecer um método de aprendizagem que permitisse a cada um decorar sem esforço (por exemplo, durante o sono, como o recurso subliminar), uma matéria qualquer, um tal sistema jamais seria a perfeição educacional. Ao contrário, seria o seu malogro e fim. No desenvolvimento do ser humano, a conquista do sistema nervoso cérebro-espinhal, que nos permitiu o desenvolvimento da consciência, é algo precioso que reclama cultivo constante. O ser humano está destinado a ganhar consciência plena de si. Não há evolução sem consciência. Só o que assimilamos conscientemente podemos converter em alma. Só o que dinamizamos conscientemente de nossa bagagem anímica potencial pode servir-nos como recursos de ação.
Mais do que nunca a humanidade está hoje precisando de uma honesta orientação. O método ocidental, exposto nesta série de artigos, dissipa a falácia dos métodos inconscientes e de pretensa liberdade.
A Universalidade só existe dentro de nós mesmos, conscientemente exercida através de nosso Eu real. A liberdade também, como bem esclareceu São Paulo Apóstolo: “Lá onde habita o Espírito, lá é onde existe liberdade”. Não se trata de fato externo. Ninguém nos pode libertar ou limitar-nos a liberdade.
“Conheci e dou testemunho de que a verdadeira orientação nos liberta de nós mesmos (a única limitação) para o conhecimento de nós mesmos e o sentido de universalidade autêntica”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1976)
[1] N.R.: Sócrates foi um filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga. Creditado como um dos fundadores da filosofia ocidental, é até hoje uma figura enigmática, conhecida principalmente através dos relatos em obras de escritores que viveram mais tarde, especialmente dois de seus alunos, Platão e Xenofonte, bem como pelas peças teatrais de seu contemporâneo Aristófanes. Muitos defendem que os diálogos de Platão seriam o relato mais abrangente de Sócrates a ter perdurado da Antiguidade aos dias de hoje.
[2] N.R.: Johann Wolfgang von Goethe (1749 -1832) foi um autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.
Nossas investigações pessoais sobre as vidas passadas de um grupo de pessoas que solicitaram auxílio para a cura do que se vem chamando de obsessão, vieram provar o seguinte: suas enfermidades são motivadas por certos fatores, equivocadamente considerados, por alguns investigadores anteriores, como se tratando do “Guardião do Umbral”.
Quando se examinam esses casos simplesmente através da faculdade da vidência espiritual, ou pela leitura dos registros etéricos, pode-se cair facilmente em semelhante erro, ou seja, confundir tal aparição com o verdadeiro Guardião do Umbral. Porém, assim que evoluímos e analisamos tais casos nos registros imperecíveis encontrados na Região das Forças Arquetípicas, o assunto se esclarece imediatamente. E as conclusões extraídas dessas investigações podem ser resumidas como se segue:
No momento da morte, quando o Átomo-semente — que contém todas as experiências da vida recém-finda, em imagens panorâmicas — se separa do coração, o espírito abandona o corpo físico, levando consigo os veículos mais refinados. Flutua então sobre o Corpo Denso — dito morto — durante um tempo que varia entre algumas horas a três dias e meio.
O fator determinante dessa variação é o vigor do Corpo Vital, veículo que constitui o Corpo-Alma de que fala a Bíblia.
Desde então se desenvolve uma reprodução pictórica da vida, uma visão panorâmica em ordem inversa, desde a morte até o nascimento. As imagens gravadas imprimem-se no Corpo de Desejos através do Éter Refletor do Corpo Vital. Durante todo esse tempo, a consciência do espírito se concentra no Corpo Vital — pelo menos deve ser assim — sendo que nesse processo não há envolvimento emocional algum.
A imagem impressa sobre o veículo do sentimento e da emoção, o Corpo de Desejos, constitui a base do sofrimento na vida purgatorial, pelas más ações praticadas. O oposto é válido no Primeiro Céu, em função do bem praticado.
Estes foram os pontos principais que o autor pôde observar pessoalmente acerca da morte. Isto ocorreu na época em que lhe foram dados a conhecer os primeiros ensinamentos superiores quando foi conduzido, com a ajuda do Mestre, a presenciar as reproduções panorâmicas das vidas de pessoas que estavam sendo observadas em sua passagem para o além. Investigações ulteriores, porém, vieram acrescentar, numa nova revelação, a existência do outro processo em ação nos dias importantes que se seguem à morte. Uma divisão se realiza no Corpo Vital, semelhante à do processo de Iniciação. Tudo quanto deste veículo possa ser qualificado de “alma”, une-se aos veículos superiores, formando a base da consciência nos mundos invisíveis, após a morte. A parte inferior acerca-se do Corpo Denso, flutuando sobre o túmulo, na maioria dos casos, como afirma o Conceito Rosacruz do Cosmos. Esta separação do Corpo Vital não se verifica igualmente em todas as pessoas, dependendo de como viveu a vida, e do caráter da pessoa que estiver passando para o além. Em casos extremos, esta divisão varia muitíssimo dos casos normais. Este ponto tão importante nos levou a pensar em muitos casos de suposta obsessão por parte do espírito. Com efeito, foram estes casos, investigados pela Sede Mundial, que ensejaram descobrimentos de alcance extraordinário, obtidos através de nossas pesquisas mais recentes, relativas à natureza das obsessões sofridas pelas pessoas que nos procuraram em busca do alívio.
Como se pode compreender facilmente, a divisão do Corpo Vital em tais casos, indiciou uma preponderância do mal. Efetuaram-se então, esforços necessários para descobrir se havia alguma outra classe de pessoas com outras divisões ou separações, em que se manifestasse a preponderância do bem. É uma grande satisfação esclarecer que assim aconteceu e, depois de analisarmos os casos descobertos e confrontá-los um com o outro, pudemos resumir a realidade exata das condições observadas e suas razões.
O Corpo Vital anela sempre construir o Corpo Denso, ao passo que os nossos desejos e emoções o destroem. A luta entre o Corpo Vital e o de Desejos produz a consciência no Mundo Físico, dando consistência aos tecidos, de modo que o Corpo Denso da criança se torna mais e mais rígido, atingindo a decrepitude senil, anos depois, seguindo-se a morte.
A moralidade ou imoralidade dos nossos desejos e emoções, atua de maneira semelhante sobre o Corpo Vital. Quando há devoção aos ideais elevados e a natureza devocional, pode manifestar-se livre e frequentemente, acompanhada, sobretudo, dos exercícios científicos indicados aos Probacionistas da Fraternidade Rosacruz, reduz-se gradualmente a quantidade dos Éteres Químicos e de Vida, à medida que os apetites animalescos desaparecem. Em seu lugar manifesta-se um aumento progressivo dos Éteres Superiores, o Luminoso e o Refletor. Consequentemente, a saúde física não é tão robusta entre os que seguem o caminho Superior, como entre aqueles em que as satisfações das paixões inferiores atraem os Éteres mais grosseiros — o Químico e o de Vida — como exclusão total até dos Superiores, conforme a extensão e a natureza dos vícios.
Daí surgem consequências muito importantes relacionadas com a morte. Como é o Éter Químico que robustece as moléculas do Corpo Denso para que permaneçam em seus respectivos lugares, e as conserva nele durante toda a vida, existindo somente um mínimo desse material, a desintegração do veículo físico, após a morte, deve ser muito rápida.
O autor não teve oportunidade de comprovar isso, porque foi muito difícil encontrar homens de qualidades espirituais elevadas que tivesse falecido na ocasião. Mas, parece que deve ser assim, pelo fato registrado na Bíblia, relativo ao corpo de Cristo, não encontrado na tumba quando o povo foi procurá-lo.
Como já afirmamos em relação a esse assunto, Cristo espiritualizou o corpo de Jesus de uma forma tão elevada, tornando-o tão vibrátil, que lhe foi quase impossível conservar as partículas no lugar durante os anos de Seu Ministério. Este fato já era do conhecimento do autor, através dos ensinamentos dos Irmãos Maiores, e das investigações levadas a efeito por ele mesmo na Memória da Natureza. Porém conduzir tal assunto ao terreno das ideias gerais sobre a morte e a existência “post-mortem” não lhe foi concedido até então.
O verdadeiro Guardião do Umbral é uma entidade elemental, complexa, criada nos planos invisíveis, por todos os maus pensamentos e obras não transmutados durante a evolução. Este Guardião postado à entrada dos Mundos Invisíveis desafia nosso direito de neles penetrar. Tal entidade deve ser redimida e transmutada. De nossa parte devemos gerar equilíbrio e força de vontade suficientes para resistir ao seu encontro, e poder sobrepor-nos a ela, antes de podermos entrar conscientemente nos Mundos Suprafísicos.
Como já dissemos, o interesse por uma vida mundana aumenta a proporção dos Éteres inferiores do Corpo Vital, em prejuízo dos mais elevados. Quando, opostamente, vive-se uma vida pura, ordenada e sem excessos, a saúde é melhor do que a do Aspirante à vida superior, pois as atitudes do último ensejam a formação de um Corpo Vital composto principalmente dos Éteres Superiores. O Aspirante à vida superior ama o “pão da vida” mais do que o sustento físico. Portanto, seu instrumento se torna mais e mais delicado, com um sistema nervoso mais complexo, condição sensitiva que com maior propriedade impulsiona às coisas do espírito, mas que se converte numa tarefa difícil sob o ponto de vista físico.
Há, na grande maioria da humanidade, uma tal preponderância do egoísmo e um tal desejo de extrair o máximo da vida material, que, ou bem estão os seres humanos empenhados em desalojar os adversários de seus postos, ou bem se acham acumulando propriedades. Daí, terem muito pouco tempo e mínima inclinação para se dedicarem à cultura da alma, tão necessária ao verdadeiro êxito na vida.
O autor teve várias oportunidades de conhecer pessoas que supunham ser suficiente pagar a um pastor para estudar a Bíblia durante a semana, e fazer-lhe um resumo no domingo. Acreditavam que isso era tudo o que lhes devia ser exigido por reservarem seu lugar no céu. Os seres humanos se filiam às igrejas, doando-lhes as coisas ordinariamente consideradas nobres e retas. Fora disso, contudo, desejam passar bem o tempo e divertir-se a valer. No entanto, há uma reduzida minoria que assim persistem em cada vida. A evolução dessas pessoas é tão desesperadamente lenta que, se fossem capazes de ver por si mesmas os acontecimentos pertinentes à sua própria morte, das elevadas regiões do Mundo do Pensamento Concreto, teriam a impressão, ao olhar para baixo, que nada se salvaria do Corpo Vital. Este veículo, em casos assim, parece retornar inteiro ao Corpo Denso, pairando sobre o túmulo até se desintegrar totalmente. E razão comprovada que uma parte progressiva se separa, seguindo os veículos mais elevados até ao Mundo do Desejo, onde formará a base da consciência, tanto na vida do Purgatório, como na dos Primeiro e Segundo Céus, persistindo, geralmente, até que o ser humano entre no Segundo Céu e se una com as Forças da Natureza, em seus esforços para criar para si mesmo um novo ambiente. Por essa ocasião já foi absorvido ou quase totalmente absorvido pelo espírito, e, qualquer coisa que ali permaneça de natureza material, desaparecerá rapidamente. Deste modo, a personalidade da vida passada se desvanece, e o espírito não voltará a encontrar-se com ela em vidas futuras sobre a Terra.
Entretanto, existem pessoas de natureza tão perversa que encontram gozo em vícios e práticas degeneradas. Alguns se comprazem até em fazer sofrer. Algumas vezes chegam a cultivar as ciências ocultas com propósitos malignos para obterem maior domínio sobre suas vítimas. Em tais casos, suas práticas imorais e demoníacas resultam na cristalização do seu Corpo Vital.
Em casos extremos, como nos últimos citados, em que a vida animal predominou, quando na vida precedente não houve expressão de alma, a divisão do Corpo Vital não pode produzir-se com a morte, uma vez que não existe linha divisória entre o bem e o mal. Em tal caso, se o Corpo Vital ficasse gravitando sobre o Corpo Denso e ali se desintegrasse gradativamente, o efeito de uma vida tão perversa não produziria consequências tão sérias. Mas, desgraçadamente, em tais casos existe um liame tão grande entre os Corpos Vital e de Desejos, que interfere, evitando a separação.
Temos observado que quando um ser humano vive quase exclusivamente uma vida superior, seus veículos espirituais se reforçam em detrimento dos inferiores. Pelo contrário, quando sua consciência está enfocada nos veículos grosseiros, estes se robustecem imensamente.
Devemos lembrar que a vida do Corpo de Desejos não termina com a partida do espírito, mantendo um resíduo de vida e de consciência.
O Corpo Vital também é capaz de sentir as coisas, em certa medida, durante alguns dias após a morte. Daí o sofrimento causado pelo embalsamento e pelas autópsias imediatamente após o desenlace. Todavia, quando uma vida grosseira cristalizou e fortaleceu o Corpo Vital, este tende a adquirir uma tenacidade marcante para aferrar-se à vida, a ponto de o falecido procurar nutrir-se dos vapores dos alimentos e das bebidas alcoólicas. Algumas vezes age como se fosse um vampiro das pessoas com quem se põe em contato.
Assim, pois, uma pessoa má pode viver invisivelmente entre nós durante muitos anos. Neste estado é muito mais perigoso do que um criminoso em corpo físico, porque dispõe de meios para induzir outras pessoas à prática de atos puníveis, degenerados e criminosos, sem que tenha medo de ser detido ou punido pela lei.
Seres desta espécie constituem, portanto, uma das maiores ameaças imagináveis à sociedade. São os responsáveis pelo encarceramento de muitos, da dissolução de lares, causando uma infinidade de amarguras e desgraças. Sempre abandonam suas vítimas quando estas caem nas mãos da justiça. Saboreiam a dor e o infortúnio das vítimas, constituindo isto parte do seu esquema diabólico.
Há outra classe que se dedica em adotar uma postura angélica nas sessões espíritas, onde também encontram vítimas, às quais insinuam práticas imorais. Os denominados como “Poltergeist”, palavra alemã que significa espírito alvoroçador, e escandaloso, são os que se comprazem em quebrar pratos, derrubar mesas, etc. A força e a densidade do Corpo Vital desses seres, facilita-lhes manifestações físicas muito mais do que aqueles que ultrapassaram o Mundo do Desejo. Com efeito, seus Corpos Vitais são tão densos, quase se aproximando do estado físico. Constitui um mistério para o autor que as pessoas que tenham roçado neles, não os tenham percebido. Se fossem vistos uma só vez seus rostos perversos e assustadores, seria logo desfeita a ilusão de que são seres angelicais.
Existe ainda outra classe de espíritos que pertence a essa mesma categoria, e que se apegam às pessoas que procuram desenvolvimento espiritual, sem seguir uma linha certa de conduta. Mediante a sugestão de que são mestres individuais, dão às suas vítimas, uma série de ensinamentos tolos e sem sentido. Nunca se repetirá o suficiente que não se deve aceitar de ninguém, seja visível ou invisível, ensinamentos que não se ajustem, ainda que seja no grau mais sutil, à nossa mais elevada concepção de ética e moral.
É muito perigoso confiar-se a outros e fazê-los participantes de nosso foro interno. De nossa parte sabemos disso por experiência, e trabalhamos de acordo com ela. Devemos ser mais precavidos quando a questão chega aos assuntos da alma. Não podemos confiar tão importante matéria, ou seja, o nosso bem-estar espiritual, às mãos de alguém que não podemos observar nem julgar. A confiança própria é a virtude essencial a ser cultivada em nossa evolução. A máxima mística de: “Se és Cristo, ajuda-te”, deve ressoar constantemente nos ouvidos daqueles que anelam encontrar e seguir o verdadeiro caminho. Por isso, devemos sempre guiar-nos a nós mesmos, sem temores e sem favores de nenhum espírito.
(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 06/86)
Pergunta: Na quarta parte de Tannhauser[1] lemos: “O homem deve encontrar a mulher dentro de si”. Lemos também que devemos enfrentar o Guardião do Umbral. Poderiam esclarecer esses dois pontos?
Resposta: De fato, o Espírito não é nem masculino nem feminino, mas, no decorrer do presente estado de manifestação, tornou-se necessário dedicar uma metade da força criadora ao desenvolvimento do cérebro, por meio do qual podemos criar imagens mentais que reproduzimos, em seguida, na matéria concreta do mundo físico. Para isso foi necessário desenvolver um organismo físico com dois sexos – um para expressar uma das qualidades do Espírito, a VONTADE, portanto masculino; outro expressando a IMAGINAÇÃO, que é feminina.
Como cada Espírito nasce alternadamente em corpos masculino e feminino, ele expressa também alternadamente as faculdades gêmeas do Espírito – vontade e imaginação. Uma dessas qualidades predomina a cada vida, e proporciona, respectivamente, a manifestação do masculino ou do feminino. Mas, à medida que o Espírito volta, dia após dia, ou vida após vida, para a Grande Escola, ele se torna cada vez mais elevado e, consequentemente, mais capaz de expressar as duas qualidades do Espírito simultaneamente e em proporções iguais. Assim, aos poucos, o homem encontra em si as qualidades femininas mais sutis e a mulher descobre as características mais nobres do homem. Quando esse traço característico chega a um perfeito equilíbrio, o casamento místico é consumado.
Sabemos que no céu não há casamento, porque lá o Espírito está livre dos grilhões da carne. Lá, o sexo nada representa, as qualidades duais da alma são utilizadas e, consequentemente, o casamento é desnecessário.
Cada um cria o arquétipo do seu corpo sem o auxílio de ninguém, exceto das Divinas Hierarquias, providenciando assim o futuro renascimento. É somente quando deixamos o reino da alma e penetramos no reino do sexo, que é necessário a cooperação de mais alguém para a formação de um veículo concreto que se adapte ao arquétipo inicialmente formado pelo próprio Espírito no céu. Quanto mais cedo aprendermos a ver em nós uma unidade criadora completa, tanto mais preservaremos nossa própria força criadora, enviando-a para cima com propósitos espirituais, assim, mais cedo encontraremos o homem ou a mulher dentro de nós mesmos. O casamento místico ter-se-á, então, realizado, e isto unirá os dois polos, dando-nos uma consciência que se revela criadora em todos os reinos da natureza.
Ao mesmo tempo devemos compreender que, enquanto estivermos aqui neste mundo físico e tivermos lições a absorver, precisamos ter instrumentos com os quais possamos aprender. Nós próprios alcançamos esse privilégio graças ao sacrifício de outros. Eles nos ajudaram na obtenção de um corpo, e não devemos jamais esquivar-nos da responsabilidade de oferecer a outrem a oportunidade de obter um corpo por meio dos nossos serviços, contanto que tenhamos uma boa saúde e que as outras circunstâncias sejam adequadas. Devemos também sentir que podemos oferecer ao Espírito que vier a nós, um ambiente favorável onde poderá crescer.
A respeito do Guardião do Umbral: É voz corrente que ele sempre se manifesta como sendo do sexo oposto ao nosso, porque todas as nossas tentações, assim como o mal que tenhamos praticado, tudo que é censurável, provém do nosso lado oculto e, a cada vida, esse lado oculto toma a forma do sexo oposto. Por causa do sexo oposto, somos tentados a cometer o pecado que expulsou a humanidade do estado de pureza chamado simbolicamente de Jardim do Éden. Ele habita no limiar dos reinos superiores, e cada um que tentar procurar a entrada, deve primeiro vencer esse demônio.
(Pergunta 144 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel)
[1] N.T.: Ou Tannhäuser foi um Minnesänger e poeta alemão medieval. Sua existência não foi atestada historicamente fora de sua poesia, datada entre 1245 e 1265, e sua biografia é, por consequência, obscura. Assume-se que tenha alguma ligação com a antiga família nobre dos Senhores de Thannhausen, que ainda residem em Neumarkt in der Oberpfalz. Foi ativo na corte de Frederico II da Áustria, e o Codex Manesse o mostra com as vestes da Ordem Teutônica, o que sugere que teria participado da Quinta Cruzada. Os poemas de Tannhäuser são paródias do gênero tradicional. Tannhäuser und der Sängerkrieg aus Wartburg (Tannhäuser e o torneio de trovadores de Wartburg, em alemão) é uma ópera em três atos com a música de Richard Wagner, e com o libreto do próprio compositor. É objeto de estudo no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
As dissonâncias que marcam o destino do nosso Planeta Terra e o nosso comportamento
Atualmente, entre o comportamento da pessoa espiritualmente consciente e o comportamento do ser humano mundano, existe uma brecha intransponível. A diferença entre a luz e as sombras torna-se cada dia maior.
Encontramos irmãos que querem fazer “algo” para o bem da comunidade e irmãos que visam somente seus propósitos e interesses e, com um impulso louco, querem aproveitar todos os prazeres e experimentar todas as sensações, não sabendo que o amanhã pode trazer-lhes consequências dolorosas e desastrosas.
Sentem-se impunes, pois não conhecem a lei de Deus, a Lei da Consequência.
Podemos perceber na arte e na música, atuais, um desequilíbrio emocional, um grande frenesi que está sendo alimentado e provocado pelos ritmos alucinantes e pelas drogas.
O destino da Terra está marcado por essas dissonâncias. A música e a arte são um espelho verdadeiro dos sentimentos de cada época. Observando a arte atual, não podemos admirar-nos pela intranquilidade e pelos desastres que também acontecem na natureza. Os incêndios que consomem as florestas, as inundações e os terremotos mostram uma mudança radical e destrutiva. São os resultados de uma exaltação doentia, de uma vibração dissonante, fanatismo, racismo, terrorismo, causando desequilíbrio na natureza. A humanidade sofre, se apavora e morre. Um grande grito de angústia parte do coração humano: Meu Deus, Onde Estás? Mas, este grito não é suficiente, não podemos esperar milagres sem merecê-los. Temos que achar o caminho, galgá-lo e, humildemente, procurar o equilíbrio que deve existir entre o coração e o entendimento.
É aqui que encontramos, atualmente, um outro tipo de desequilíbrio existente, que é o mental. Os grandes passos da ciência e tecnologia resultam num grande orgulho intelectual. Achamos que somos donos do mundo; nossas realizações não têm limites e podemos usar os frutos do nosso intelecto para fins egoístas, dominando e atormentando os outros à nossa vontade, não acreditando que haja uma força, um poder maior que pode dar um “basta” para toda esta superioridade humana. Há tropeços pelos quais precisamos passar para visualizar nossos erros e achar o caminho. Quando, um dia, a humanidade reconhecer suas limitações, descobrirá que bateu na porta errada e, vencida e quebrada, começará a procurar o verdadeiro caminho.
Se tiver humildade e amor, despindo a vaidade do intelecto, conscientizando-se da inutilidade de satisfações puramente emocionais, poderá achar o caminho superior. Os guias da humanidade estão ansiosos para estender a mão e para nos ajudar. Depende de nossa escolha, se aceitamos essa ajuda ou não. Somos livres tanto para nos elevarmos como para nos destruirmos.
A finalidade de nossa existência é encontrar e desenvolver o nosso Eu-Superior. Não é uma tarefa fácil, porque as forças das trevas toldam, fortemente, o caminho. Velhos hábitos nos tentam, sombras da nossa inferioridade cegam os nossos olhos. Devemos afirmar e seguir aquela voz silenciosa que está presente em todo ser humano e que é o resultado dos acertos, das boas ações durante muitos renascimentos, aquela voz que se pode tornar mais e mais nítida, se persistirmos no bem e ouvirmos seus conselhos.
A nossa fé em Deus não deve ser em vão. A nossa parte deve ser feita, não com sonhos nem com fantasias, mas com trabalho dedicado e com uma vontade inabalável para ajudar a construir um novo mundo, um mundo melhor e, “com todo o nosso poder possamos elevar as almas, a fim de que vivam em Harmonia e na Luz de uma Perfeita Liberdade”.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/86)
Pergunta: Qual é a essência dos ensinamentos Rosacruzes?
Resposta: A essência dos ensinamentos Rosacruzes é o evangelho do serviço.
Por nossa causa a Deidade se manifestou o universo. Algumas das grandes Hierarquias Criadoras nos ajudaram e outras ainda estão nos ajudando. Os Anjos estelares luminosos, cujos Corpos impetuosos nós vemos girando no espaço, trabalharam conosco por Eras, e no tempo devido o Cristo veio nos trazer o impulso espiritual necessário naquele tempo. Também é muito significativo que na parábola do juízo final Cristo não diz: “bem-feito, tu grande e filósofo erudita, que conhece a Bíblia, o Cabala, o “Cosmo” e toda a literatura misteriosa que revela o intrincado funcionamento da natureza”, mas Ele diz: “bem-feito, tu bom e fiel servo; entra-te na alegria do teu senhor. Porque eu estava com fome, e você me desde o que comer; Eu estava com sede, e você me desde o que beber”. Nenhuma uma única palavra sobre o conhecimento; toda a ênfase foi colocada sobre fidelidade e serviço.
Há uma profunda razão oculta para isso: o serviço constrói o Corpo-Alma, a gloriosa vestimenta de bodas sem a qual nenhum ser humano pode entrar no Reino dos Céus, ocultamente nomeado: “A Nova Galileia”, e não importa se nós estamos conscientes do que está acontecendo, ou se estamos ou não acompanhando esse desenvolvimento. Além do mais, como o Corpo-Alma luminoso cresce interno e em torno da pessoa, essa luz a ensinará sobre os Mistérios sem a necessidade de livros, e aquele que é assim ensinado por Deus sabe mais do que todos os livros que o mundo contém. No devido tempo a visão interior será aberta e o caminho para o Templo mostrado. Se você quiser ensinar seus amigos, não importa o quão cético eles podem ser, eles vão acreditar em você se você pregar o evangelho do serviço.
Mas, você deve pregar pela prática. Você deve se tornar um servo do ser humano em si mesmo, se você quiser que seja acreditado: fale pouco, sirva muito. Se você quiser que eles sigam, você deve liderar ou qualquer um terá o direito de questionar sua sinceridade. Lembre-se: “tu és uma cidade em cima de um monte”, e quando você fala, todos têm o direito de julgá-lo pelos seus frutos; portanto: fale pouco e sirva muito.
(traduzido da FAQ da The Rosicrucian Fellowship)
O Início: Sacrifício, primeiro princípio básico necessário ao trabalho do Grupo
Sabemos já que, em seu trabalho anual, Cristo nos dá o exemplo do Sacrifício: primeiro princípio básico necessário ao trabalho do Grupo.
Um segundo princípio: o Serviço, poderá ser observado em toda a Natureza, com seus milhares de seres visíveis ou invisíveis aos nossos olhos.
Todos aqueles que estão em harmonia com a Natureza trabalham com o propósito de manter a existência e a evolução da espécie.
Os elementos da Natureza servem-se mutuamente. A chuva fertiliza a terra, que, por sua vez, faz germinar a semente que serve de alimento.
Há, na Natureza, uma transformação e um renovar-se constante por meio do trabalho.
De fato, onde não há trabalho, há estagnação.
Além disso, temos que considerar o que ainda não aprendemos ver.
Pequenos seres como os Gnomos, Salamandras, Ondinas e Silfos, invisíveis à nossa vista comum, trabalham incansavelmente sobre os quatro elementos da Terra, procurando manter as condições apropriadas à vida de todos os seres.
Essas considerações podem mostrar-nos claramente que “o Serviço é o preço a pagar não somente para o progresso de todos, como também por mera imposição de existir”.
Nestes tempos que estamos vivendo, em que fatos inusitados e sumamente imprevistos ocorrem, um dos aspectos que devem chamar a nossa atenção é que nenhuma atividade humana pode se processar isoladamente. Como o aprender e, principalmente na Escola Rosacruz, é um fator importante de integração do ser humano na Sociedade, vejamos por exemplo como nasceu o trabalho em grupo:
“No dia seguinte João estava lá outra vez com dois de seus Discípulos e, olhando para Jesus que passava disse: Eis o Cordeiro de Deus!”.
“Os dois Discípulos, ouvindo dizer isto, seguiram a Jesus. Voltando-se Jesus e vendo que eles o seguiam, perguntou-lhes: “Que buscais? Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde assistes? Ele respondeu: Vinde e vereis. Foram, pois, e viram onde assistia, e ficaram aquele dia com ele: era mais ou menos a hora décima’’.
“André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João falar e que seguiram a Jesus”.
“Ele procurou primeiro seu irmão Simão, e lhe disse: Temos achado o Messias (que quer dizer Cristo)”.
“E o levou a Jesus. Jesus, olhando para ele, disse: Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cephas (que significa Pedro)”.
“No dia seguinte, resolveu Jesus ir à Galileia, e encontrou a Filipe. E disse-lhe: Segue-me. Ora, Filipe era de Betsaida, cidade de André e Pedro. Filipe encontrou a Natanael e declarou-lhe: Temos achado aquele de quem escreveu Moisés na Lei, e de quem falaram os Profetas: Jesus de Nazaré, filho de José. Perguntou-lhe Natanael: De Nazaré pode sair coisa que boa seja? Respondeu-lhe Filipe: Vem e vê. Jesus, vendo Natanael se aproximar, disse dele: Eis um verdadeiro Israelita, em que não há dolo. Perguntou-lhe Natanael: De onde me conheces? Respondeu Jesus: Antes de Filipe chamar-te, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Replicou-lhe Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”.
“Disse-lhe Jesus: Por eu te dizer que te vi debaixo da figueira, crês? Maiores coisas do que estas verás. E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” – Joa 1:35-41.
Muitos anos depois, Max Heindel, o fundador da Fraternidade Rosacruz, disse em uma de suas cartas aos estudantes: “Devemos aprender a lição do trabalho para um propósito comum, sem lideranças. Cada qual, igualmente, induzido pelo espírito de amor que lhe vem do íntimo, deve empenhar-se pela elevação física, moral e espiritual da humanidade à altura de Cristo – o Senhor e Luz do Mundo”.
(Publicada na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 06/86)
Construindo a Nova Jerusalém
Fisiologistas e frenologistas têm admitido há muitos anos que o cérebro possui centros que controlam as atividades do indivíduo. Porém, o que eles aparentemente não descobriram, é que até esta data o lado direito do cérebro encontra-se praticamente inativo, fato esse que não apresenta nenhuma novidade para o cientista ocultista.
Numa conferência proferida por Max Heindel no início de 1900, intitulada “Lúcifer: Tentador ou Benfeitor?”, ele afirma: “O nosso cérebro não é um conjunto homogêneo. Está dividido em duas metades, sendo um fato conhecido pelos fisiologistas que usamos apenas um desses hemisférios cerebrais. A metade direita está praticamente inativa. O coração também está no lado esquerdo do corpo, porém está começando a se mover para o direito. O lado direito do cérebro está se tornando também mais e mais ativo. Em consequência dessas duas mudanças, a tonalidade do caráter do ser humano vai se tornando diferente. O lado esquerdo está sob a influência dos Lucíferos, predominando o egoísmo, porém, o Ego obterá mais e mais controle na medida em que o lado direito do cérebro for impregnado pelo poder que atua sobre o corpo com o reto discernimento”.
“Está se processando uma mudança no coração, fazendo dele uma anomalia e um enigma o que não é novidade para os fisiologistas. Temos duas classes de músculos: Uma sob o controle da vontade, como por exemplo, os músculos do braço e da mão. São os músculos estriados longitudinalmente e transversalmente. O coração é uma exceção, não se encontra sob o controle do desejo e apesar disso já estão surgindo fibras transversais como só pode acontecer com os músculos voluntários”.
“No devido tempo as estrias cruzadas desenvolver-se-ão completamente, ficando assim o coração sob controle do ser humano. Quando chegar esse tempo estaremos aptos a dirigir a corrente sanguínea para a parte do corpo que desejarmos, o que nos possibilitará a evitar a irrigação do lado esquerdo do cérebro. Então, a Babilônia, a cidade de Lúcifer, cairá”.
“Quando enviarmos o sangue para o lado direito iniciaremos a construção da Nova Jerusalém, o que representa o início das estrias cruzadas em nosso coração, baseada nos ideais altruístas”.
Max Heindel em seus vários livros nos dá não somente uma explanação clara do desenvolvimento passado do ser humano, como também do seu futuro crescimento, provando assim a mais surpreendente verdade dos tempos presentes.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1978)
Parece-nos necessário lembrar, de tempos em tempos, ao noviço o voto dele, a sagrada promessa que ele fez ao seu “Eu Superior”.
Esta promessa, ele fez a seu Deus Interno.
O noviço pode talvez pensar que esta solene promessa ele a fez a si mesmo e que, portanto, não está comprometido com ninguém, nem se ligou a nenhuma outra pessoa ou organização. Pode parecer-lhe assim, mas se analisar profunda e sinceramente a questão, quem é o “Eu Superior”, ante quem se ajoelhou orando e a quem fez uma solene promessa, verá que essa promessa ao “Deus Interno” é muito mais sagrada que se a houvesse feito a um Deus sentado em seu trono, suscetível de irritar-se e castigá-lo, como ensinaram as antigas religiões.
Os Ensinamentos Rosacruzes dizem que o ser humano é uma chispa do Divino Pai e que o “Espírito de Deus mora dentro de nós”. Assim é que se fizemos nosso voto ao nosso Eu Superior, contraímos uma obrigação com Nosso Pai Celestial.
Em nossos dias as tentações estão por toda a parte e, ao vivermos a vida superior, elas põem de relevo tudo o que há no noviço de bem ou de mal. Deve estar constantemente alerta para subjugar seus baixos desejos.
E agora que as mulheres têm o hábito de fumar e que a moral, ao ficar simplificada com as mesmas regras para os dois sexos, outorgou à mulher os privilégios do sexo masculino, há maior perigo e tanto os homens como as mulheres estão caindo de novo no uso excessivo do álcool e do fumo, hábitos altamente destrutivos de toda a espiritualidade.
Diz Max Heindel em sua Carta nº 20 aos Estudantes: “Não se necessita nenhum argumento para demonstrar que não é possível dissertar eficazmente sobre a espiritualidade, tendo na mão um coquetel, nem advogar por uma vida inofensiva ao estar comendo um pedaço de assado. Mais ainda, os que conhecem vossos hábitos na vida diária, estão sempre prontos para fazer comentários, entre o que predicais e o que praticais”.
O noviço que se esforça por desenvolver sua alta percepção espiritual acha impossível levar essa vida dupla, pois os alimentos toscos e os estimulantes, como a carne, o álcool e o fumo, excitam e nutrem a parte baixa de nossa natureza e ofuscam o espírito.
Vossa para servir a humanidade.
(Por Augusta Foss de Heindel, traduzido da revista Rays From the Rose Cross, Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1978)