porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Poderiam descrever o Cordão Prateado e explicar sua função tanto no ser humano como no animal?

Resposta: Para responder a esta pergunta de forma abrangente, devemos referir-nos às condições evolutivas mais antigas.

Três Períodos de evolução precederam nosso atual Período Terrestre. Durante o Período de Saturno éramos semelhantes aos minerais; no Período Solar tínhamos uma constituição semelhante aos vegetais, e no Período Lunar desenvolvemos veículos parecidos aos dos animais atuais. Nós dizemos parecidos, pois a constituição do mundo era tão diferente que seria impossível uma construção idêntica. Imaginemos agora, um globo imenso girando no espaço como um satélite ao redor do seu Sol. É o Corpo de um Grande Espírito, Jeová. Tal como nós, que temos carne tenra e ossos duros, assim também a parte central do Corpo de Jeová é mais densa que a parte externa, que é gasosa e nebulosa. Embora Sua consciência interpenetre todo o globo, Jeová aparece especialmente na nuvem e com Ele Seus Anjos e outras Hierarquias Criadoras.

Do grande firmamento Nebular pendem milhões de Cordões, cada um deles com sua bolsa fetal pairando próxima à parte densa central, e do mesmo modo que a corrente vital da mãe humana circula através do cordão umbilical levando alimento ao feto durante a vida pré-natal, com o propósito de desenvolver um veículo no qual o Espírito Humano possa habitar independentemente quando o período de gestação completar-se, assim também a vida divina de Jeová pairava sobre nós na nuvem e circulava por toda família humana durante esse estágio embrionário da sua evolução. Éramos nessa época tão incapazes de iniciativa quanto o feto.

Desde então, o Maná (Mannas, Manas, Mens, Mensch, Man ou Homem) caiu do céu, vindo do seio do Pai, e está agora ligado pelo Cordão Prateado ao Corpo concreto durante suas horas de vigília e, mesmo no sono, ele forma o elo de ligação entre os veículos superiores e inferiores.

Esta ligação só se rompe por ocasião da morte. O Cordão é bem complexo na sua estrutura. Uma extremidade está arraigada no Átomo-semente no coração; essa parte é feita de Éter. Uma segunda parte, formada em matéria de desejos, sai do grande vórtice do Corpo de Desejos localizado no fígado, e quando essas duas partes do Cordão Prateado se unem no Átomo-semente do Corpo Vital localizado no Plexo Celíaco, essa junção dos três Átomos-semente marca a vivificação do feto.

Mas ainda há uma outra parte do Cordão Prateado feita de matéria mental e que nasce do Átomo-semente localizado em um ponto que poderíamos descrever, rudemente, como sendo o sinus frontal onde o Espírito Humano tem a sua sede. Ele passa entre o Corpo pituitário e a glândula pineal, e daí desce, ligando a glândula tiroide, a glândula timo, o baço e as suprarrenais. Finalmente, une-se à segunda parte do Cordão Prateado no Átomo-semente do Corpo de Desejos no grande vórtice desse veículo que está localizado no fígado. O local em que crescerá esta parte do Cordão Prateado está indicado no arquétipo, mas são necessários aproximadamente vinte e um anos para que a junção se complete. A união da primeira e da segunda parte do Cordão Prateado marca a vivificação física, que depende da total destruição dos corpúsculos sanguíneos nucleados que transportam a vida da mãe física e a emancipação de sua interferência por meio da gaseificação do sangue, que é, desde então, o veículo direto do Ego. A junção da segunda e da terceira partes do Cordão Prateado marca uma vivificação mental, e uma consequente emancipação da mãe Natureza que completou, então, o processo gestatório necessário para iniciar a fundação e estrutura para o templo do Espírito, que pode, subsequentemente, construir como bem quiser, limitado apenas por suas ações passadas.

Durante o dia, quando estamos despertos no Mundo Físico, o tríplice Cordão Prateado enrola-se numa espiral dentro do Corpo Denso, principalmente perto do Plexo Celíaco, mas à noite, quando o Ego se retira e deixa os Corpos Denso e Vital sobre a cama para se recuperar dos trabalhos duros do dia, o Cordão Prateado projeta-se a partir do crânio. O Corpo de Desejos ovoide flutua acima ou próximo da forma adormecida, assemelhando-se a um balão cativo. Quando se trata de crianças ou de pessoas não desenvolvidas, o Ego permanece nessa posição, meditando sobre os acontecimentos do dia, até que impactos provenientes do Mundo Físico, tais como a campainha de um despertador, o toque de um telefone ou algo semelhante, façam vibrar o Cordão Prateado atraindo a atenção do Ego para o seu veículo descartado, levando-o a reentrar.

Nenhum desenvolvimento oculto é possível sem que a terceira parte do Cordão Prateado se tenha desenvolvida, mas depois que isso acontece, o Ego pode deixar o seu Corpo Denso e vagar pelo vasto Mundo, quer conscientemente após um treino apropriado e uma Iniciação, quer inconscientemente com o auxílio de outros, ou acidentalmente, como no caso de um sonâmbulo que deixa a sua cama e depois volta a ela alheio ao fato, ou seja, inconsciente do lugar onde esteve ou o, que fez. Em qualquer desses casos, a terceira parte do Cordão Prateado, que é feita de matéria dúctil e elástica, serve de elo com os veículos inferiores. A qualidade da consciência do Ego, no momento em que está afastado do seu Corpo Denso, depende dele ter ou não formado um Corpo-Alma do Éter Luminoso e do Refletor, que é o veículo da percepção sensorial e da memória suficientemente estável para ser levado consigo. Se ele o tiver formado, o processo da Iniciação tê-lo-á ensinado como proceder, o Ego terá completa consciência enquanto estiver ausente do Corpo e, ao retornar, terá uma memória fiel do que ocorreu durante o voo da alma. Em caso contrário, tanto a consciência quanto a memória, com certeza serão, até um certo ponto, incompletas ou deficientes.

Tendo-nos familiarizado com a construção e função do Cordão Prateado como um elo entre o Ego e seus veículos, estudaremos a seguir sua aparência e uso em relação aos animais e seu Espírito-Grupo. Ensina-se no “Conceito Rosacruz do Cosmos” que os hábitos, gostos, simpatias e antipatias de cada espécie provém do fato de serem movidos por um Espírito-Grupo comum. Todos os esquilos armazenam nozes para um período de hibernação no inverno; todos os leões são carnívoros: os cavalos, sem exceção, comem feno, no entanto, o que é alimento para um ser humano, pode ser veneno para outro. Se conhecermos os hábitos de um animal, conheceremos os hábitos de todos os demais da mesma família, mas seria inútil investigar os ancestrais de Edison para descobrir a origem do seu gênio. Um tratado sobre os hábitos de um cavalo aplicar-se-á a todos os cavalos, mas a biografia de um ser humano difere inteiramente da de outro ser humano, porque cada um age sob os ditames de um Espírito individual interno. Os animais de um determinado grupo são dirigidos por uma inteligência comum, o Espírito-Grupo, por meio do Cordão Prateado. Cada animal possui o seu próprio Cordão Prateado individual, mas apenas as duas partes que ligam os Corpos Denso, Vital e de Desejos, pois a terceira parte, que está ligada ao vórtice central do Corpo de Desejos localizada no fígado, é o Cordão do Espírito-Grupo. Através dessa ligação elástica, ele governa os animais de sua classe com igual facilidade, não importa em que região do Mundo estejam. A distância não existe nos Mundos internos e, como os animais não possuem Mente própria, eles obedecem às sugestões do Espírito-Grupo sem questionar.

Nesse aspecto, as crianças são uma anomalia, pois elas só têm desenvolvidas as duas partes do Cordão Prateado. Entretanto, elas possuem uma Mente, através da qual a terceira parte está crescendo. Assim, o Ego não tem comunicação direta com seus veículos e, consequentemente, o recém-nascido que tem as maiores possibilidades é, ao mesmo tempo, a criatura mais desamparada sobre a Terra, sujeito à autoridade de seus protetores físicos.

Apesar do ser humano estar atualmente individualizado e emancipado de qualquer interferência direta e da ação conducente do Cordão, pelo qual o Espírito-Grupo força (não há outra palavra que possa transmitir o sentido exato) o animal a obedecer suas ordens, ele não está ainda habilitado para autodirigir-se, assim como uma criança não o está, até que atinja a idade apropriada para poder tomar conta de seus interesses. Por isso, os Espíritos de Raça ainda continuam a dirigir as nações. Cada nação, com exceção da América, tem o seu próprio Espírito de Raça que paira como uma nuvem sobre a Terra na qual vive o seu povo, tal como o fez o Deus dos Israelitas, e nele “eles vivem, movem-se e têm o seu ser”. Eles constituem seu povo peculiar, e ele é um Deus ciumento.

A cada respiração, eles inalam esse Espírito, e se forem levados para outro lugar, sentirão saudades da terra natal, pois onde quer que estejam o ar é diferente e transporta as vibrações de outra Hierarquia Arcangélica.

A medida que o tempo passa e nós avançamos, também seremos emancipados do Espírito de Raça que viveu em nossa respiração desde o tempo em que o Elohim Jeová soprou o nephesh – o ar vital – em nossas narinas. Esses Espíritos operam no Corpo de Desejos e no Espírito Humano, alimentando a vaidade e o egoísmo.

Quando aprendermos a confeccionar o glorioso Manto Nupcial, chamado Corpo-Alma, que é tecido através do serviço amoroso e desinteressado, e quando o casamento místico for consumado – quando o Cristo nascer imaculadamente dentro de nós – o Amor Universal emancipar-nos-á sempre da Lei Universal, e seremos tão perfeitos como é perfeito nosso Pai que está no Céu.

“De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado

O ser humano se liberta quando o autocontrole há conquistado”.

(Pergunta 137 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Razões Visíveis e Esotéricas para o Solstício de Dezembro

As Razões Visíveis e Esotéricas para o Solstício de Dezembro

Solstício-de-Dezembro As Razões Visíveis e Esotéricas para o Solstício de Dezembro

Os Solstícios marcam o momento em que a vibração terrestre é mais elevada e em que os Raios Cósmicos da Vida Crística entram profundamente (Solstício de Dezembro) ou saem definitivamente (Solstício de Junho).

Juntamente com os Equinócios de Março e Setembro, constituem os pontos decisivos na vida do Grande Espírito da Terra, Cristo.

O Solstício de Dezembro – ótimo momento para se fazer um importante exercício esotérico na sua véspera: Ritual do Solstício de Dezembro!

Vamos a explicação exotérica e depois a esotérica:

Razões Visíveis: No Solstício de Dezembro a Terra está se aproximando no máximo PERTO do Sol.

Como sabemos, a Astrologia funciona em projeção geocêntrica, e a declinação dá-nos a maior ou menor angulação que o Astro considerado faz com o Equador, tal como visto da Terra.

Assim, à medida que os dias se vão aproximando de Dezembro, a declinação do Sol vai diminuindo: passa de 00 em 21-22 de Setembro até atingir um máximo de 230 26′ em 20-21 de Dezembro: então parece que fica “parado”, cerca de três dias nos 230 26′ (daí o verbo sistere, que compõe a palavra “solstício”), uma vez que estamos vendo em projeção geocêntrica contra o fundo da Esfera Celeste, e a partir do dia 24-25 volta “para trás” e os dias começam a diminuir.

A razão cosmográfica do Sol ficar “parado” aparentemente, durante três dias por ocasião dos Solstícios, tem a ver com as declinações e não com as longitudes celestes.

Essas razões físicas são as partes visíveis que verificamos como evidências de que o Solstício de Dezembro é o momento em que a Terra está chegando ao seu ponto mais perto do Sol.

Razões Esotéricas: esteja você no hemisfério Norte ou no Sul, independentemente da inversão das estações, uma coisa não muda: é a DISTÂNCIA, maior ou menor, a que o Sol se encontra da Terra. A Terra percorre uma elipse em torno do Sol, ao longo do ano, e não uma circunferência perfeita, e o Sol ocupa um dos focos dessa elipse.

O fluxo e o refluxo do impulso espiritual de Cristo (misticamente, o nascimento, a morte e a ressurreição do Salvador) culmina no Solstício de Dezembro.

Cristo chega ao centro da nossa Terra à meia-noite de 24 de dezembro. Ele rejuvenesce a Terra e os reinos de vida que nela evolucionam.

Aí Ele fica por três dias e, depois, começa a voltar. Esta volta se completa na Páscoa. Assim, do Natal até a Páscoa Ele se dá a Si mesmo sem limitações nem medida, imbuindo com vida, não apenas as sementes adormecidas, mas todas as coisas sobre e dentro da Terra. Sem essa infusão da Vida e Energia Divinas, todos os seres viventes da nossa Terra morreriam imediatamente, e todo o progresso seria frustrado, no que concerne à nossa presente linha de desenvolvimento.

Como dissemos acima, no Solstício de Dezembro, a Terra está no máximo MAIS PERTO do Sol, o que provoca um aumento da espiritualidade com o correlativa intensificação e pujança de vitalidade espiritual.

Inicia-se o renascimento da Luz, ou seja, o dia 25 de dezembro marca o fim do “ciclo solsticial”.

A partir do dia 26 de dezembro se inicia um segundo ciclo de especial significado Iniciático.

Na igreja primitiva cristã, entre o dia 26 de dezembro (Primeiro Dia Sagrado) e o dia 6 de janeiro (Décimo Segundo Dia Sagrado) ocorria a preparação ritual dos catecúmenos que eram batizados no Dia de Reis (Primeira Iniciação). Esses “Doze Dias Sagrados”, que acompanham a fase inicial do renascimento do “Sol Invencível”, eram como que um resumo do ano zodiacal seguinte, e estavam sob a proteção das Hierarquias Celestes que tradicionalmente regem os 12 Signos do Zodíaco.

Que as rosas floresçam em vossa cruz!

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Se o Cordão Prateado está ligado ao Átomo-semente no coração por uma extremidade e ao vórtice central do Corpo de Desejos por outra, que órgão corresponde no corpo físico ao vórtice central?

Resposta: Essa extremidade do Cordão Prateado que está presa ao Átomo-semente no coração permanece aí imóvel até a morte, mas a outra extremidade e o ponto onde as duas metades do cordão se encontram, como é mostrado no diagrama 5-A do Livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos”, são móveis.

Durante o dia, esse vórtice central onde o Cordão Prateado está preso no Corpo de Desejos está colocado diretamente no fígado, e encontraremos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” material muito esclarecedor se procurarmos a palavra “fígado”. O ponto onde as duas metades do Cordão Prateado se encontram localiza-se na posição referencial do Plexo Celíaco durante o dia. Este, todos sabemos, é um lugar extremamente importante, e o Átomo-semente do Corpo Vital está situado exatamente no ponto de encontro dessas duas metades do Cordão Prateado. Quando esse ponto está na posição referencial do Plexo Celíaco, o fluido que vem do Sol através do baço passa pelo Átomo-semente do Corpo Vital, e é aí refletido no fluido cor-de-rosa do qual falamos em nossa literatura. Consequentemente, os três grandes centros de um corpo ligados ao Cordão Prateado são: o vórtice central no fígado – o ponto inicial no Corpo de Desejos; na posição referencial do Plexo Celíaco – que é a cidadela do Corpo Vital; e o coração – que é o centro do Corpo Denso.

(Pergunta 136 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Exame de Consciência

Exame de Consciência

“Que não caia o sono sobre teus olhos até que tenhas revisado três vezes as memórias do dia passado. Em que me desviei da retidão? Que estive fazendo? Que coisa deixei de fazer, que deveria ter feito? Começas assim desde o primeiro ato e prossegues e, em conclusão, ante o mal que tenhas feito, afliges-te e regozijas-te pelo bem” – Pitágoras.

“Todas as noites deveríamos chamar-nos às contas: Que fraqueza dominei este dia? A que paixão me opus? Que tentação resisti? Que virtude adquiri? Nossos vícios suprimir-se-ão por si mesmos, se são trazidos todos os dias à confissão e ao perdão” – Sêneca.

Como vemos, o fundamento racional da Retrospecção não é novo, nem se originou com os Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz. Os pensadores, no curso da História, têm compreendido o valor dessa forma de exame de consciência. Sua utilidade, como instrumento para melhorar a evolução humana, tem sido evidente para muitos que se beneficiam com sua prática.

A natureza específica das perguntas, tais como as que têm sido sugeridas pelos filósofos – Que deixei de fazer? Em que me apartei da retidão? Que fraqueza dominei? A que paixão me opus? -, é essencial para um bom exame de consciência. Devemos pensar em termos de virtudes, se quisermos dominá-las e confessar as tentações e as paixões, se quisermos vencê-las.

O exame de consciência é necessário para o progresso, uma vez que colocamos nossos pés sobre o caminho espiritual. O casual ordenamento de nossas lições e experiências terrenas e nossa resposta a elas, que caracterizaram nossa experiência passada, já não podem ser tolerados se queremos fazer apreciável progresso na busca espiritual, a que agora nos temos dedicado.

O movimento para adiante, intencional e firme, isto é, crescimento espiritual contínuo, deve ser agora a marca de nossa existência. Isso apenas será logrado se somos plenamente conscientes do que estamos fazendo e como o estamos fazendo e, se então, deliberada e conscientemente, damos os passos necessários para fazer o que sabemos que é correto, em todas as situações. Isso será possível somente se mantivermos um programa sincero e regular de contínuo exame de consciência.

Qualquer pessoa, não importa quão iluminada e progressista pareça, engana-se se crê que a necessidade do estudo de si mesma não se aplica a ela. Nossas provas e aflições multiplicam-se à medida que lutamos pelo progresso espiritual e quanto maior a altura, maior o perigo de uma caída. Nossos atos, nossas palavras, nossas atitudes, as próprias auras que nos rodeiam devem fazer-se mais refinados e elevados, à medida que prosseguimos.

Se temos feito algum progresso, as características que possam haver bastado há dois anos, já não seriam agora completamente adequadas. Pelo fato de havermos feito as necessárias mudanças dentro de nós, já agora devemos ter aprendido a avaliar-nos com mais esmero.

“Conhece-te a ti mesmo!” Uma advertência enganosamente simples! Quantas pessoas se conhecem a si mesmas corretamente, neste mundo? É certo que muitos que nunca se ocuparam em examinar-se a si próprios conscientemente, creem que se conhecem definitivamente e indignar-se-iam em ouvir que muito de suas mais íntimas personalidades, todavia, estão escondidas deles mesmos.

Apenas quando sinceramente nos ocupamos da consciente análise de nossos motivos, reações, metas, hábitos, fortalezas, debilidades e perspectiva integral, tal como o que é muito frutiferamente praticado durante a retrospecção noturna, é quando começamos a compreender quão pouco sabemos acerca do que fazemos, o porquê do que fazemos e que características, hábitos e atitudes devem ser fortalecidos ou mudados, com o objetivo de assegurar um automelhoramento contínuo.

Mais frequentemente do que cremos, o “eu” que tem funcionado tanto tempo e com êxito em um nível predominantemente material, deve ser drasticamente alterado para satisfazer as demandas do avanço espiritual. Unicamente quando nos temos observado a atuar, com um olho tão objetivo e claro quanto seja possível, compreenderemos a total extensão das mudanças necessárias.

O egocentrismo toma muitas e sutis formas e qualquer estudante sério dos Ensinamentos da Fraternidade sabe, por experiência, que uma pessoa pode sinceramente crer que está impulsionada por considerações inegoístas para somente depois, em um exame mais apurado, perceber que os subjacentes impulsos não são, no final, senão os do egoísmo. Não descobrimos isso, todavia, como resultado de observação superficial. Somente um autoescrutínio intenso revela todas as inesperadas e escondidas fraquezas mentais e emocionais a que somos propensos.

Em II Coríntios 13:5, São Paulo advertiu a seus leitores, assim: “Examinais a vós mesmos, se estais em fé; provais a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.       J

Se verdadeiramente estamos “em fé”, isto é, conformando-nos com os princípios do Cristianismo esotérico aos quais professamos termos aderido, o exame de consciência certamente revelará isso. Se estamos simplesmente tributando louvores fingidos aos ideais superiores, enquanto na prática estamos seguindo às ordens da natureza inferior, o exame de consciência também fará essa revelação.

O primeiro dos preceitos dados a todo novo estudante da Fraternidade Rosacruz é a simples, mas omni-inclusiva, afirmação de que “Cristo Jesus será seu ideal”. Se fazemos continua comparação entre nossa conduta e a que sabemos que teria sido observada por Cristo Jesus e atuamos em conformidade com tal comparação, ainda quando o resultado seja, ao princípio, decepcionante ao extremo, podemos esperar fazer um progresso gradual.

“Não reconheceis a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós?”. Perguntou São Paulo. Perguntas que poderíamos proveitosamente fazer a nós mesmos cada noite, tais como: Em que grau foi permitido funcionar o Cristo dentro de mim, no dia de hoje?; Tratei de enfrentar esta ou aquela situação como Cristo Jesus teria enfrentado?; Tratei de irradiar a Luz e o Amor de Cristo desde meu interior para os demais?; Foram meus interesses egoístas ou altruístas?; Preguei o Evangelho por meio do exemplo, no dia de hoje?

Um programa conveniente de exame de consciência ajudará, com o tempo, a conseguir os outros elementos de “individualidade” que devem ser alcançados por toda a humanidade evolucionante. O controle de si mesmo, isto é, a sujeição da natureza inferior a superior e a substituição dos desejos pessoais por motivos humanitários desenvolve-se gradualmente, em parte como resultado da profunda avaliação das razões pelas quais fazemos o que fazemos. Se compreendemos plenamente nossos motivos podemos alterá-los, se for necessário, para fazermos nossa conduta mais de acordo com o que se espera de um estudante espiritual. O autossacrifício, a doação de si mesmo, em tempo, pensamento e ação para benefício da humanidade semelhante, é dessa maneira também intensificado.

O exame de si mesmo é também fundamental para o desenvolvimento da autoconfiança. Quanto mais nos estudamos e compreendemos, mais seguros de nós mesmos nos tornamos e somos menos inclinados a nos apoiarmos em outras pessoas.

Certamente, nunca é prejudicial e às vezes ajuda ouvir as diferentes opiniões e bons conselhos, mas devemos gradualmente cultivar o suficiente juízo, discernimento e sabedoria para sermos capazes de tomarmos nossas próprias decisões em toda as coisas. Um programa efetivo de autoexame, repetimos, é fundamental para essa capacidade.

Finalmente, chegaremos à meta final de nossas vidas terrestres, a do domínio de nós mesmos. Nesse ponto o Eu Superior tem completa autoridade: a natureza inferior vencida permanentemente. Aqueles que alcançam esse superior estado de existência levam vidas de serviço irrepreensíveis, impecáveis, virtuosas e completamente inegoístas.

Sabem como conduzir-se, do ponto de vista espiritual, em toda circunstância concebível e o fazem automaticamente, já não tendo que depender de intensos esforços de vontade para manter-se no caminho reto. Alcançam esse mais elevado nível de esforço terreno porque aprenderam a conhecer-se a si próprios completamente e a atuar inteligentemente e de acordo com esse conhecimento.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 07/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Colar Coral

O Colar Coral

Todos vocês já fizeram aniversário e sabem como é excitante abrir pacotinhos misteriosos, embrulhados suavemente em papéis brancos e amarrados com alegres fitas coloridas. Assim sendo, caros leitores, vocês sabem como se sentiu Rosália no seu aniversário e como ela abria seus presentes ansiosamente, exclamando diante da surpresa que representava cada pacote.

O último a ser aberto era uma caixinha alongada, diferente dos outros pacotes. E, quando ela abriu a caixa, você precisaria tê-la ouvido exclamar: “Oh, que maravilha!”; pois lá estavam estendidas sobre um tufo de cetim branco, três rosas minúsculas esculpidas no mais delicado coral e presas por uma bela corrente de ouro.

– Oh, Vovô, que lindo colar! Onde você o comprou? Diga-me tudo sobre essas lindas rosas de coral!

Então, Vovô ergueu Rosália e colocou-a sobre seus joelhos e todas as crianças da festa se juntaram ao seu redor, para ouvir a história do colar de coral.

– Há muitos anos – provavelmente milhares de anos, disse Vovô, sobre as mornas águas azuis do Mar Mediterrâneo, flutuavam criaturinhas com um corpo suave como as geleias, parecendo estrelas do mar, somente que bem pequenas. Elas estavam procurando um novo lar e, encontrando rochas firmes no morno e profundo mar, elas agarraram-se lá, com segurança. Não tinham pés nem olhos, mas, através de suas bocas, elas bebiam em gotas a água do mar, absorvendo pequenas quantidades de cal que ajudaram a construir seus corpos e assim formar aquilo que pareciam ser pequenos castelos de pedras de cal. Um número cada vez maior dessa família de corais flutuantes – relacionada com a famosa família dos pólipos – agarravam-se às rochas. Elas se fixavam firmemente nas rochas e com que paciência e tenacidade desempenhavam seu trabalho de construir, fazendo sua parte no jardim do mar em preparação pela Mãe Natureza!

– O sedimento cresceu, cresceu, até que, após algum tempo, formou quase uma grande parede. Quando os corpos das primeiras famílias se fixaram e viraram pedras, então, dessas pedras pareciam crescer pequenos botões – quase como acontece com as pequeninas folhas na primavera. Estas eram as crianças corais e, à semelhança das outras crianças, elas também estavam procurando novos lares, como fizeram os pioneiros. No entanto, outras crianças nunca tentaram desligar-se da família, mas permaneceram em casa ajudando na construção. Assim, essa parede viva cresceu e tornou-se cada vez mais bonita. Ela refletia o azul do céu, o dourado do Sol brilhando, as tonalidades róseas do pôr do Sol e também o escarlate do nascer do Sol. Após algum tempo, apareceram lindas florestas de árvores de coral, delicados arbustos cor-de-rosa e flores de um matiz profundo. Perto das paredes de coral estavam minúsculos lagos, onde peixes de cor brilhante nadavam para lá e para cá, mordiscando os musgos verdes que se agarravam nos ramos de coral.

– Algumas vezes, outros pequenos habitantes do mar importunavam a família coral, dizendo: “Saiam de suas casas e flutuem conosco!”. E os pequenos corais construtores respondiam: “Vão embora e sejam felizes. Não podemos sair de nossas casas – pois as nossas casas somos nós mesmos. Mas, nós nos divertimos com nosso trabalho e somos felizes construtores para a Mãe Natureza!”

– Os pequenos corais construtores não podiam ouvir como nós e, consequentemente, não podiam falar como nós, mas os habitantes do mar têm uma linguagem própria e entendem bem o que as outras famílias do mar lhes dizem, explicou Vovô. Assim, fiel, esperançosa e amorosamente eles constroem um grande cordão de coral. Naturalmente, eles levam anos e anos para construir esse cordão; pois esses minúsculos construtores são muito pequeninos. Os antigos povoadores há muito já deixaram seus castelos, semelhantes a casas de pedra-calcária e sua pequena chama de vida já apagou. Mas, eles deixaram suas casas de pedra com uma sólida fundação para que outros pequeninos corais pudessem construir sobre elas. Esses felizes construtores amavam as arrojadas ondas e as espumas do mar. E, muitas vezes, as ondinas – os espíritos do mar – sussurraram-lhes sobre as outras criaturas do mar, contando-lhes maravilhosas lendas sobre os tesouros do mar da Mãe Natureza. Os bondosos Espíritos da Natureza que trabalham com a grande família dos pólipos ajudaram-nos com suas paredes de coral e os animavam em seu trabalho. Porque na escola da Mãe Natureza há uma regra, que aquele que sabe fazer coisas deve ajudar os que estão aprendendo e deve ter paciência com eles, até que aprendam suas lições. A Mãe Natureza é maravilhosa, e o Pai magnânimo deixou aos seus cuidados carinhosos, todas as crianças da Terra e do Mar. E a Mãe Natureza guia e olha todas as suas criancinhas. Ela as ama com um amor muito compreensivo e sempre recompensa sua fidelidade. Assim, os pequenos corais construtores não se incomodavam quando, numa tempestade ocasional, as ondas fortes quebravam um grande pedaço de sua parede. Não, isso era parte da recompensa que esperavam por serem construtores fiéis. Uma nova experiência estava reservada a eles, pois bondosos pescadores levavam embora esses pedaços quebrados do coral da praia.

– E isso trouxe-me até ao seu colar, Rosália, continuou Vovô. Um adorável pedaço de um raro coral cor-de-rosa foi levado a um joalheiro que, com suas mãos carinhosas, esculpiu essas delicadas rosas. E, por meio de seu fiel serviço à Mãe Natureza, os construtores corais agora trazem felicidade para uma garotinha no dia de seu aniversário.

Vovô colocou a corrente de ouro ao redor do pescoço macio de Rosália, dizendo:

– Estas três rosas cor-de-rosa ajudarão você a lembrar-se das três maiores coisas na vida, Rosália – fé, esperança e amor. no coração compreensivo da Mãe Natureza – esperança em ser útil à medida que você atravessa a escola da vida – e o amor, amor por todas as coisas que vivem. E, da mesma forma que amamos as criaturas do mar, as flores, os animais e os ajudamos a progredir na vida, os Anjos e os Arcanjos nos ajudam a crescer mais forte para que nós também possamos progredir. AMOR é o modo pelo qual crescemos à semelhança do Pai na Terra do Amor.

“O mundo está cheio de rosas,

Rosas cheias de orvalho, você vê.

O orvalho está cheio de amor celestial,

Que goteja para mim e para você”.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. III – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

 

 

 

 

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A Rua das Borboletas

A Rua das Borboletas

Uma vez terminado o funeral, o pequeno cemitério situado no fim da rua das Borboletas ficara vazio. O corpo da avozinha de Cecília jazia tranquilamente, mui tranquilamente, no belo caixão cinzento que fora depositado no túmulo especialmente preparado para acolhê-lo. As árvores sussurravam, como numa oração, sobre o lugar em que ela repousava.  Depois que todos se retiraram, o avô e a mãe de Cecília foram para casa, deixando-a atrás com seu pai, a caminhar lentamente, descendo a rua das Borboletas. Cecília chorava baixinho, pois amava muito sua avó e já começava a sentir saudades dela. Seu pai segurou-lhe a mãozinha, percebendo a amargura que reinava em seu coração.

– Você sabia que a rua das Borboletas é o céu das lagartas? – Perguntou ele a Cecília.

Ela olhou para o rosto do pai e através do véu das lágrimas seus olhos se abriram admirados.

– O que quer dizer o senhor, Papai? As lagartas são enterradas aqui?

– Não, minha queridinha. Tampouco as pessoas, como a vovó, são enterradas no céu. Elas vivem lá.

Fez uma pausa e baixou o olhar para o rostinho erguido da criança.

– Olhe, a borboleta é a refulgente parte espiritual da lagarta.

– Certo dia – continuou ele – a lagarta despe seu vestuário mais terreno, da mesma forma como a vovó despojou-se do seu. A lagarta aparece, então, com um vestuário muito mais belo, o vestuário que lhe permite voar. Como borboleta, ela não é mais oprimida pelo pesado corpo físico que anteriormente possuía, pois, como lagarta, naturalmente só podia rastejar sobre o chão, pelas árvores e pelas cercas.

Cecília sorriu entre as lágrimas e até riu um pouquinho.

– Por isso é que a vovó não podia voar com aquele corpo pesado? – Perguntou Cecília. -Ah! – Prosseguiu – eu não ficaria surpresa de que ela estivesse agorinha mesmo voando no céu.

– E eu, de modo algum me surpreenderia – respondeu o pai sorrindo.

Cecília parou de andar e puxou pela mão do pai, obrigando-o a parar também. Depois, vagarosamente, começou a olhar em volta, como se a rua das Borboletas fosse algo inteiramente novo para ela. No entanto, durante seus sete anos de vida, já se havia divertido ali muitas vezes, passeando e brincando com as borboletas que haviam dado nome àquela rua.

Finalmente ergueu de novo o olhar ao rosto do pai. Seus olhos brilhavam com uma nova luz. As lágrimas tinham desaparecido.

– Paizinho. . . – cochichou ela – então é isso que é a Páscoa? Quando a vovó saiu de seu…

Cecília reprimiu uma risada um pouquinho espontânea e olhou em volta por alguns instantes. Deu, então, alguns saltinhos jubilosos, lembrando-se de que ela e sua avó gostavam de rir da espécie de coisas nas quais pensava agora.

Bem. . . saiu de seu corpo lagartal…

O pai de Cecília sorriu encorajando-a, pois sabia o que ela tentava dizer.

– Continue – disse-lhe ele brandamente.

– Bem, quando ela saiu deve ter-se tornado mais leve – como as borboletas. Ela deve ter subido mais alto do que nós o podemos, tal como as borboletas o fazem.

Ela estava ficando agora um pouco excitada.

– Não é isso que o sr. chama de resu. . . ressu?

– Ressurreição – completou o pai.

– Sim, ressurreição, como Jesus, só que Ele estava sobre uma cruz.

– Pois a vovó também estava assim, sobre uma cruz – respondeu o pai – e assim estamos todos, cada um de nós.

– Espere um pouquinho, papai! – Interrompeu Cecília, afastando-se um pouco e encarando-o. – Eu sei o que o senhor quer dizer. Nós aprendemos isso na Escolinha Dominical. É assim (e a garota ficou de corpo ereto, juntando os pés e abrindo os braços em horizontal, como uma cruz) agora eu sou realmente uma cruz –  exclamou ela –  e tenho que crescer nesta cruz e nela viver até morrer. Serei então ressu…

Cecília deixou cair os braços e esperou que seu pai falasse.

– Ressuscitada – acudiu ele.

– Sim! Ressuscitada – como a borboleta que sai da lagarta!

Cecília fez uma pausa e tranquilamente volveu: como Cristo-Jesus quando morreu em Sua Cruz.

Após outra pausa, como que monologando pensativa, terminou:

– Aquilo aconteceu na Páscoa. Agora deve ser a Páscoa para a vovó, não é paizinho?

– Sim, querida – afirmou ele e continuaram a andar.

Durante algum tempo a garota saltitou ao lado do pai, tendo uma expressão séria no rosto. Seu pai também estava circunspecto. Nenhum dos dois disse uma única palavra, até que chegaram a um jardim, cheio de margaridas e esporinhas, onde grande número de borboletas voava silenciosamente, de uma flor a outra.

– Paizinho! – Cantarolou Cecília –  veja estes belos espíritos borboletais. Foi somente a lagarta que morreu. A vovó também não morreu realmente. Ela é uma bela borboleta no céu!

Cecília puxou novamente a mão de seu pai, desta vez porque tinha pressa de chegar a casa.

– Vamos contar à mamãe e ao vovô – pediu ela – de modo que não fiquem mais tristes, por causa da vovó. Quando lhes tivermos contado tudo isso, eles ficarão sabendo que agora é o feliz tempo da Páscoa para a vovó. E é por isso que as pessoas sempre põem flores nos túmulos – porque, quando morremos é, nossa época de Páscoa!

E assim, Cecília e o pai se apressaram para chegar em casa e partilhar estas novas maravilhosas com a mãe e o vovô de Cecília. Eram notícias boas demais para silenciá-las!

(Traduzida da Revista Rays From the Rose Cross e Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/78)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Um Apelo pela Igreja

No mês passado, prometi dar continuidade à explicação sobre a Ordem Rosacruz a sua relação com a Fraternidade, mas não me lembrei que a Páscoa estava próxima e que essa data deveria merecer uma atenção especial. Espero que concordem que é muito importante estudar esse grande acontecimento cósmico, particularmente por vivermos numa terra Cristã e por sermos, espero, Cristãos de coração. Na verdade, a palavra-chave deste mês é: um apelo pela IgrejaFoi com este propósito que publiquei no final da lição o poema Credo ou Cristo”.

Todos somos Cristos em formação. A natureza do amor está desabrochando em todos nós, portanto, por que não nos identificarmos com uma ou outra das igrejas cristãs que acalentam o ideal de Cristo? Alguns dos melhores obreiros da Fraternidade são membros e ministros de igrejas. Muitos estão famintos pelo alimento que temos para lhes dar. Não podemos compartilhar desse alimento com eles mantendo-nos afastados. Prejudicamo-nos pela negligência em não aproveitar a grande oportunidade de ajudar na elevação da Igreja.

Naturalmente, não há coação nisso. Não pedimos que se unam ou cuidem da Igreja, mas se formos até ela com espírito de ajuda, afirmo-lhes que experimentarão um maravilhoso crescimento de alma em um curto espaço de tempo. Os Anjos do Destino, que dão a cada nação a religião mais apropriada às suas necessidades, colocaram-nos em uma terra Cristã, porque a Religião Cristã favorece um amplo crescimento anímico. Mesmo admitindo que a Igreja tenha sido obscurecida pelo credo e pelo dogma, não devemos permitir que isso nos impeça de aceitar os ensinamentos que são bons, porque isso seria tão infrutífero como centralizar a nossa atenção sobre as manchas do Sol recusando ver a sua luz gloriosa.

Medite sobre este assunto, querido amigo, e tomemos por lema deste mês: Maior Utilidade, para que possamos crescer, empenhando-nos sempre no aperfeiçoamento das oportunidades surgidas.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 04)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Subliminar ou Subconsciente

O Subliminar ou Subconsciente

Quando a pessoa assiste a um programa de TV ou cinema, ou ouve boa música, ou mesmo está guiando há muito tempo, fica num estado parecido com aquele entre a vigília e o sono chamado hipnogógico, em que “o sono vem vindo”.

Nesse estado, o subconsciente está mais acessível; as sugestões o alcançam melhor. Por isso, se essas sugestões forem bem-feitas, podem dar bons resultados.

Se a mãe murmurar para o filho que ele prefere não roer as unhas, isso pode bastar para livrá-lo da onicofagia. Na propaganda, isso é uma arma.

Conta-se que a BBC de Londres teria feito experiências assim.

Diz-se, também, que num cinema se teria projetado rapidamente propaganda e os espectadores, depois, esgotaram o estoque do produto anunciado.

Já pensou isso usado para instigar povos à guerra? Que desastre?

Evidentemente a sugestão deve ser usada para o bem, nada mais. As pessoas podem aprender a ficar nesse transe hipnótico, por si mesmas, dando-se então sugestões positivas, como a de que pode deixar de fumar, deixar de beber álcool, deixar de comer certos alimentos que não se coadunam com a sua dieta, deixar de comer certos alimentos que engordam e sugestões para outras finalidades, enfim.

Tais propósitos, bem formulados, dão bons resultados. É a auto-hipnose.

Há entre nós uma estação de rádio que transmite música. De quando em vez, dá mensagens positivas.

“Você está se sentindo melhor, mais disposto, está ouvindo música”, isso contribui para o bem-estar da população.

No trabalho pode haver música de fundo, em certos casos. No estudo isso pode ajudar ou não, conforme o caso.

Seria bom que no trabalho houvesse mensagens periódicas positivas, animadoras. Isso daria bons resultados. Nos intervalos, os empregados deveriam aproveitar o descanso com técnica, aprendendo o “relax” de Jacobson, a autossugestão de Coué.

Em outros países, já há preguiçosas em fábricas para o descanso racional. Isso é recomendável, para trabalhadores e empresários. Todavia, tais técnicas exigem orientação adequada pelo psicólogo competente.

O perigo é haver sugestões negativas. É o risco de certas campanhas. Agora, por exemplo, que se faz movimento contra o barulho, a poluição, os tóxicos, os acidentes, corre-se o risco de contribuir-se para o próprio mal que se combate, salientando-o demais, criando verdadeira neurose.

É claro que as cidades, os carros, as fábricas poluem. Mas, não podemos voltar-nos contra tais agentes, sonhar com a volta à natureza. Temos que apoiar a tecnologia, que é ela que nos ajudará a vencer a poluição.

Afinal, as cidades são meios de progresso, os carros meios úteis de transporte, as fábricas meios de trabalho e de riqueza. Temos de saber dos males que há, mas sem pânico. Combatê-los por meios adequados, não com atitudes emocionais. Daí o erro de certas campanhas que a título de conscientizar a população, causa-lhe mal maior ainda.

Se Saturno estiver no horóscopo na 3ª Casa aspectado adversamente (Quadraturas, Oposições e/ou algumas Conjunções) indica que o nativo é cheio de preconceitos, não sabe se relacionar, taciturno, devido às derrotas sofridas noutras vidas. Terá que se transformar, mudar a forma de caráter e para isso deverá fazer o exercício de Retrospecção, deve ver-se desde o momento em que faz o exercício, retrocedendo sempre até a sua infância, até onde possa alcançar. Noutras vidas não pode penetrar porque é posto um véu naquilo que fizemos de bom ou de mau, para não nos derrotar ainda mais nesta vida. Porém, devemos perdoar e amar sempre. Mesmo alguma recordação desta vida pode ser apagada, amando e perdoando. Imaginai-vos retrocedendo até ao ponto em que alguém vos fez sofrer muito. Então trazei à consciência de vigília o fato e pensando que foi talvez por imperfeição da outra parte, ou talvez mesmo por vossa culpa, perdoai a pessoa e no mesmo instante estareis livres, para sempre.

Assim, o vosso átomo-semente do coração ficará branco, sem mácula, como uma gema branca e assim evitareis o Purgatório, avançando no tempo que não precisais perder, progredindo animicamente.

Os psicólogos dividem o círculo da Mente em três partes para demonstrar a grandeza da manifestação, neste mundo, do consciente, do subconsciente e do superconsciente.

O ser humano usa apenas 17% do seu poder mental, falta-lhe usar 83%, porque é vítima da inércia, da preguiça mental.

O subconsciente é como um computador eletrônico; aquilo que nele for programado, invariavelmente ele manifestará.

Os obstáculos foram feitos para serem suplantados ou contornados. É preciso saber pensar, agir, discernir.

Enfrentar a vida real como ela é.

A paz de espírito se consegue com lutas.

Para se realizar alguma cousa útil, não basta afirmar positivamente, tão somente, é preciso ter motivação.

Aqueles que vencem pela fraude não têm fibra, não são um V E N C E D O R, é impotência psíquica.

Renúncia do que não presta, conquista do que queremos ser. É o Poder.

Conquista a tua vitória, ou o Ser Humano Superior.

Encara a realidade como ela é.

Deve-se refletir o poder do Pai dentro de si e vencer todos os obstáculos. É preciso enfrentar a neurose de frente e ela fenece, se extingue.

A Mente una com o Cristo Interno não se perturba com nada, não tem medo de seres desta ou de outra dimensão. Aquele que se julga incapaz para um trabalho é porque cresceu como um bebê. Acredite em si próprio, assim liberta o seu subconsciente e resolve o problema. O entrave é seu próprio, é poder mental enclausurado. Aprenda a condicionar-se permanentemente durante a vida, para saber vencer.

Derreta a forma indesejada que és;

e com o mesmo material deves fundir outra estátua ou forma perfeita e depois esfrie.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/78)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Responsabilidade e a Fraternidade

Responsabilidade e a Fraternidade

A Fraternidade Rosacruz é uma Associação Internacional de Cristãos Místicos. Isso significa que a dimensão religiosa e espiritual do nosso movimento é de capital importância. Mas, da mesma forma como o espírito requer um corpo para adquirir experiência, com vista ao crescimento anímico, assim também o caminho espiritual necessita do ambiente material para que possamos desenvolver nosso potencial divino. Entenda-se que, quando nos referimos à Fraternidade Rosacruz, devemos fazer uma distinção entre o “corpo”, isto é, a Sede Mundial, os centros, os edifícios, os livros, e as “unidades viventes”. Estas são representadas pelos estudantes, probacionistas e discípulos, que fazem o possível para ajudar os Irmãos Maiores em seu benéfico trabalho em prol da humanidade. São pessoas que se esforçam por “viver a vida” e percorrer o caminho da espiritualidade.

“Viver a vida” não consiste em sonhos nem meditações, ou ainda em procurar visões místicas que nos alienem da realidade terrena e de suas responsabilidades. O “viver a vida” produz crescimento anímico, que não é produto de especulações, mas o resultado de trabalho duro, de esforços levados a cabo durante o dia quando cumprimos todas nossas obrigações e deveres com o melhor de nossas capacidades. O antigo alquimista afirmava: “Ora et labora”, cuja tradução é: ora e trabalha. Isto significa que nossas orações devem ser nosso trabalho e nosso trabalho deve ser como uma oração a Deus.

Tudo o que fazemos deve ser o melhor, durante todo o tempo. Deve ser um cântico de gratidão e louvor a nosso Senhor e Libertador. Devemos trabalhar, comer, dormir, orar e fazer todas as coisas para a glória de Deus. Agindo dessa forma viveríamos, realmente, uma vida espiritual durante as 24 horas do dia e não unicamente ao deitarmos ou levantarmos.

É mister que nossa vida inteira se revista de espiritualidade. É preciso lutar por unir todas as partes do nosso ser, num todo harmonioso, antes de que se nos permita explorar os reinos superiores do espírito.

Se vivemos separando o Criador de Sua Criação, não nos espantemos se o mundo parece estar despencando para um abismo! É tempo de compreendermos que a separatividade a nada conduz porque contraria o espírito de amor e fraternidade. Deus é uno e, ao mesmo tempo, é tudo que é Bom, Belo e Verdadeiro. Ele se encontra sempre presente, em toda parte de Sua Creação[1]. Através d’Ele verdadeiramente vivemos, nos movemos e temos nossa existência. Por nosso intermédio Ele evolui, porque Ele e nós somos UM.

Portanto, cada vez que expressamos a Bondade, a Beleza e a Verdade que possuímos, demonstramos Sua Presença e fortalecemos Seu Divino Poder em nós. Este Poder irradia-se, então, em forma de luz, dentro e ao redor de nós. Quando despontamos como sendo um bom exemplo, nós o colocamos em manifestação, outros o percebem e são estimulados a imitá-lo. São inspirados a viver uma vida mais espiritual, guiada pelo espírito e irradiadora de suas qualidades.

Devemos pensar, também, no fato de não estarmos associados simplesmente com a Fraternidade – a estrutura – mas verdadeiramente em Fraternidade, a fraternidade do espírito. Essa fraternidade espiritual, ou sagrada união com todos os nossos Eus Superiores, une milhares de almas cristãs em todo o mundo, com um vínculo de amor e compreensão. Representa um poder que traz cura e esperança a um mundo sofrido.

Compreendemos plenamente que força é estar ao lado do Cristo? Consideremos, ainda, o fato de que esta forma permanece latente, até que decidamos viver conforme nossos princípios, consagrando-nos e oferecendo-nos como um sacrifício vivente sobre o altar do Serviço.

A ideia do serviço prestado aos demais, amiúde, nos traz à mente façanhas missionárias heroicas, a serem realizadas com muito exibicionismo, ou uma grande demonstração de generosidade. Porém, isso não é assim. A verdade e a sabedoria divina encontram-se na simplicidade. O Mestre repete constantemente que devemos começar pelas coisas pequenas, demonstrando nossa fidelidade em nossas mais insignificantes responsabilidades. Isso tudo deve ocorrer antes de que nos sejam oferecidas oportunidades mais significativas. Quando caminhamos pela senda espiritual, estamo-nos esforçando por nos convertermos em colaboradores dos Irmãos Maiores, com a finalidade de curar os enfermos e elevar nosso semelhante à estatura de Cristo, Luz e Salvador do Mundo.

Mas, agora, consideremos isto: estamos sendo fiéis cumprindo todas as obrigações e responsabilidades básicas que assumimos, pelo fato de sermos Estudantes, Probacionistas e Discípulos? As responsabilidades que assumimos como estudantes não se encerram, subitamente, quando nos convertemos em Probacionistas! Cada vez que nos movemos no caminho, maiores responsabilidades recaem sobre nossos ombros. Não existe retorno à categoria anterior. Não podemos anular as habilidades e os conhecimento adquiridos. Regressar às formas de conduta inferiores, seria muito mais destrutivo para a alma.

Max Heindel faz a analogia entre o caminho e um canal em que a alma, como um barco, se eleva mediante o sistema de eclusas e comportas. Uma vez que o barco tenha passado a eclusa, e essa se fecha atrás dele e a água é vertida dentro, de maneira a elevá-lo a um nível mais alto, para dar prosseguimento à sua jornada. Abrir as comportas para retornar ao nível anterior seria puro suicídio.

Como não vemos, nem vivemos, conscientemente nos mundos superiores, nossas experiências ocorrem no plano físico, onde devemos habilitar-nos cumprindo, tão bem como seja possível, nossos deveres temporais.

Os Irmãos Maiores da Rosacruz sabem onde nos encontramos, no que tange ao desenvolvimento espiritual. Devemos usar nossas mentes e corações para nos valorizarmos. Mediante a ação e a retrospecção podemos determinar onde estamos fracassando em nossos deveres e responsabilidades.

Como unidades que somos da nossa Fraternidade, muito podemos fazer para demonstrar nosso mérito e capacitar-nos para a última etapa ou meta final do verdadeiro Discipulado e Iniciação; temos recebido estes admiráveis ensinamentos dados pelos Irmãos Maiores e obtido meio para alcançar a paz da mente que, debaixo da Lei de Causa e Efeito, deveremos compartilhar essas bênçãos com aqueles que sofrem.

Perguntemo-nos, cada um a si mesmo, o seguinte: estou fazendo tudo ao meu alcance para divulgar estes maravilhosos ensinamentos e para promover o benéfico trabalho da Ordem Rosacruz como gratidão, ou simplesmente recebo, sem retribuir, tudo aquilo que me tem sido proporcionado?

Vivo em harmonia com o que professo, de maneira que outros sejam inspirados por meu exemplo a “viver a vida”? Desejo unir-me em fraternidade com os obreiros da Sede Mundial no trabalho de disseminação desta bela filosofia?

Ofereço minha contribuição financeira mensalmente, segundo os ditames do meu coração e minhas posses o permitam, para ajudar a cobrir as despesas com remessa de correspondência e impressão de livros e lições, para que outros possam ter acesso à Luz?

Ajo com seriedade, devolvendo pontualmente meu cartão mensal de estudante Regular ou meu informe de probacionista, como é solicitado pelos Irmãos Maiores, para demonstrar minha fidelidade e sentido de disciplina?

Primo pela exatidão e clareza na correspondência que envio à Sede Mundial? Preocupo-me em enviar informações adequadamente redigidas ou datilografadas, de maneira a facilitar o trabalho daqueles que as recebem na identificação de meu nome, endereço e código?

Há muitas perguntas simples como essas que deveríamos fazer a nós mesmos, não só quando estamos tratando de assuntos relacionados à Fraternidade, mas especificamente, quando tratamos com outras pessoas, no trabalho, na família ou na comunidade.

Se desejamos ser considerados dignos de colaboradores, conscientemente, num plano superior melhor, revisemos nossas vidas e indaguemos como temos assumido nossas responsabilidades em todos os níveis. Somos as mãos privilegiadas que servem a Ordem Rosacruz e devemos apreciar o tesouro que estamos recebendo. Devemos fazer tudo o que for possível para nos assegurar de que muitas outras pessoas recebam, livremente, estes ensinamentos. À medida que percorrermos nosso mérito, tornamo-nos responsáveis por nossas vidas e fazemos o melhor possível em nossas atividades diárias.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/86)

[1] Crear é a manifestação da Essência em forma de existência – criar é a transição de uma existência para outra existência.

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