Responsabilidade e a Fraternidade
A Fraternidade Rosacruz é uma Associação Internacional de Cristãos Místicos. Isso significa que a dimensão religiosa e espiritual do nosso movimento é de capital importância. Mas, da mesma forma como o espírito requer um corpo para adquirir experiência, com vista ao crescimento anímico, assim também o caminho espiritual necessita do ambiente material para que possamos desenvolver nosso potencial divino. Entenda-se que, quando nos referimos à Fraternidade Rosacruz, devemos fazer uma distinção entre o “corpo”, isto é, a Sede Mundial, os centros, os edifícios, os livros, e as “unidades viventes”. Estas são representadas pelos estudantes, probacionistas e discípulos, que fazem o possível para ajudar os Irmãos Maiores em seu benéfico trabalho em prol da humanidade. São pessoas que se esforçam por “viver a vida” e percorrer o caminho da espiritualidade.
“Viver a vida” não consiste em sonhos nem meditações, ou ainda em procurar visões místicas que nos alienem da realidade terrena e de suas responsabilidades. O “viver a vida” produz crescimento anímico, que não é produto de especulações, mas o resultado de trabalho duro, de esforços levados a cabo durante o dia quando cumprimos todas nossas obrigações e deveres com o melhor de nossas capacidades. O antigo alquimista afirmava: “Ora et labora”, cuja tradução é: ora e trabalha. Isto significa que nossas orações devem ser nosso trabalho e nosso trabalho deve ser como uma oração a Deus.
Tudo o que fazemos deve ser o melhor, durante todo o tempo. Deve ser um cântico de gratidão e louvor a nosso Senhor e Libertador. Devemos trabalhar, comer, dormir, orar e fazer todas as coisas para a glória de Deus. Agindo dessa forma viveríamos, realmente, uma vida espiritual durante as 24 horas do dia e não unicamente ao deitarmos ou levantarmos.
É mister que nossa vida inteira se revista de espiritualidade. É preciso lutar por unir todas as partes do nosso ser, num todo harmonioso, antes de que se nos permita explorar os reinos superiores do espírito.
Se vivemos separando o Criador de Sua Criação, não nos espantemos se o mundo parece estar despencando para um abismo! É tempo de compreendermos que a separatividade a nada conduz porque contraria o espírito de amor e fraternidade. Deus é uno e, ao mesmo tempo, é tudo que é Bom, Belo e Verdadeiro. Ele se encontra sempre presente, em toda parte de Sua Creação[1]. Através d’Ele verdadeiramente vivemos, nos movemos e temos nossa existência. Por nosso intermédio Ele evolui, porque Ele e nós somos UM.
Portanto, cada vez que expressamos a Bondade, a Beleza e a Verdade que possuímos, demonstramos Sua Presença e fortalecemos Seu Divino Poder em nós. Este Poder irradia-se, então, em forma de luz, dentro e ao redor de nós. Quando despontamos como sendo um bom exemplo, nós o colocamos em manifestação, outros o percebem e são estimulados a imitá-lo. São inspirados a viver uma vida mais espiritual, guiada pelo espírito e irradiadora de suas qualidades.
Devemos pensar, também, no fato de não estarmos associados simplesmente com a Fraternidade – a estrutura – mas verdadeiramente em Fraternidade, a fraternidade do espírito. Essa fraternidade espiritual, ou sagrada união com todos os nossos Eus Superiores, une milhares de almas cristãs em todo o mundo, com um vínculo de amor e compreensão. Representa um poder que traz cura e esperança a um mundo sofrido.
Compreendemos plenamente que força é estar ao lado do Cristo? Consideremos, ainda, o fato de que esta forma permanece latente, até que decidamos viver conforme nossos princípios, consagrando-nos e oferecendo-nos como um sacrifício vivente sobre o altar do Serviço.
A ideia do serviço prestado aos demais, amiúde, nos traz à mente façanhas missionárias heroicas, a serem realizadas com muito exibicionismo, ou uma grande demonstração de generosidade. Porém, isso não é assim. A verdade e a sabedoria divina encontram-se na simplicidade. O Mestre repete constantemente que devemos começar pelas coisas pequenas, demonstrando nossa fidelidade em nossas mais insignificantes responsabilidades. Isso tudo deve ocorrer antes de que nos sejam oferecidas oportunidades mais significativas. Quando caminhamos pela senda espiritual, estamo-nos esforçando por nos convertermos em colaboradores dos Irmãos Maiores, com a finalidade de curar os enfermos e elevar nosso semelhante à estatura de Cristo, Luz e Salvador do Mundo.
Mas, agora, consideremos isto: estamos sendo fiéis cumprindo todas as obrigações e responsabilidades básicas que assumimos, pelo fato de sermos Estudantes, Probacionistas e Discípulos? As responsabilidades que assumimos como estudantes não se encerram, subitamente, quando nos convertemos em Probacionistas! Cada vez que nos movemos no caminho, maiores responsabilidades recaem sobre nossos ombros. Não existe retorno à categoria anterior. Não podemos anular as habilidades e os conhecimento adquiridos. Regressar às formas de conduta inferiores, seria muito mais destrutivo para a alma.
Max Heindel faz a analogia entre o caminho e um canal em que a alma, como um barco, se eleva mediante o sistema de eclusas e comportas. Uma vez que o barco tenha passado a eclusa, e essa se fecha atrás dele e a água é vertida dentro, de maneira a elevá-lo a um nível mais alto, para dar prosseguimento à sua jornada. Abrir as comportas para retornar ao nível anterior seria puro suicídio.
Como não vemos, nem vivemos, conscientemente nos mundos superiores, nossas experiências ocorrem no plano físico, onde devemos habilitar-nos cumprindo, tão bem como seja possível, nossos deveres temporais.
Os Irmãos Maiores da Rosacruz sabem onde nos encontramos, no que tange ao desenvolvimento espiritual. Devemos usar nossas mentes e corações para nos valorizarmos. Mediante a ação e a retrospecção podemos determinar onde estamos fracassando em nossos deveres e responsabilidades.
Como unidades que somos da nossa Fraternidade, muito podemos fazer para demonstrar nosso mérito e capacitar-nos para a última etapa ou meta final do verdadeiro Discipulado e Iniciação; temos recebido estes admiráveis ensinamentos dados pelos Irmãos Maiores e obtido meio para alcançar a paz da mente que, debaixo da Lei de Causa e Efeito, deveremos compartilhar essas bênçãos com aqueles que sofrem.
Perguntemo-nos, cada um a si mesmo, o seguinte: estou fazendo tudo ao meu alcance para divulgar estes maravilhosos ensinamentos e para promover o benéfico trabalho da Ordem Rosacruz como gratidão, ou simplesmente recebo, sem retribuir, tudo aquilo que me tem sido proporcionado?
Vivo em harmonia com o que professo, de maneira que outros sejam inspirados por meu exemplo a “viver a vida”? Desejo unir-me em fraternidade com os obreiros da Sede Mundial no trabalho de disseminação desta bela filosofia?
Ofereço minha contribuição financeira mensalmente, segundo os ditames do meu coração e minhas posses o permitam, para ajudar a cobrir as despesas com remessa de correspondência e impressão de livros e lições, para que outros possam ter acesso à Luz?
Ajo com seriedade, devolvendo pontualmente meu cartão mensal de estudante Regular ou meu informe de probacionista, como é solicitado pelos Irmãos Maiores, para demonstrar minha fidelidade e sentido de disciplina?
Primo pela exatidão e clareza na correspondência que envio à Sede Mundial? Preocupo-me em enviar informações adequadamente redigidas ou datilografadas, de maneira a facilitar o trabalho daqueles que as recebem na identificação de meu nome, endereço e código?
Há muitas perguntas simples como essas que deveríamos fazer a nós mesmos, não só quando estamos tratando de assuntos relacionados à Fraternidade, mas especificamente, quando tratamos com outras pessoas, no trabalho, na família ou na comunidade.
Se desejamos ser considerados dignos de colaboradores, conscientemente, num plano superior melhor, revisemos nossas vidas e indaguemos como temos assumido nossas responsabilidades em todos os níveis. Somos as mãos privilegiadas que servem a Ordem Rosacruz e devemos apreciar o tesouro que estamos recebendo. Devemos fazer tudo o que for possível para nos assegurar de que muitas outras pessoas recebam, livremente, estes ensinamentos. À medida que percorrermos nosso mérito, tornamo-nos responsáveis por nossas vidas e fazemos o melhor possível em nossas atividades diárias.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/86)
[1] Crear é a manifestação da Essência em forma de existência – criar é a transição de uma existência para outra existência.
Se o ser humano pudesse compreender que o maior curador é a natureza! Deus preparou Seu Laboratório de modo que todo aquele que seja observador dos efeitos dos vegetais e das frutas no organismo humano saberá que contêm um remédio para cada enfermidade de que são herdeiros os seres humanos e os animais.
O animal quando está doente lhe é possível encontrar a erva ou o vegetal necessário para curar-se. Já observou você o cão ou o gato em tal caso? Se tem a oportunidade de sair do quarto onde está preso, no mesmo instante busca as folhas verdes do capim, e especialmente as pontas do trigo ou da cevada, os quais mantêm os órgãos digestivos desses carnívoros em perfeito estado de saúde. Se seu cãozinho ou gato estão doentes e não têm oportunidade de ser livres, leve-os ao campo e permita-lhes que por si próprios encontrem sua medicina; se lhes concede que sigam seus instintos, rapidamente ficarão curados. Se as folhas do capim contêm tudo o que necessita o enorme corpo de um boi ou de um cavalo para alimentá-los, quanto mais podia receber o ser humano dos vegetais mais altamente cultivados e evoluídos?
Para as queimaduras, escaldaduras e contusões, moa-se a batata crua ou a cebola e use-se como emplasto; absorverá toda a inflamação.
A cebola crua, quando se corta em fatias e se põe entre dois biscoitos de água e sal como um sanduiche, e se comem tendo vazio o estômago cada noite antes de dormir, reconstruirá o sistema nervoso, assegurando um sono profundo. Enquanto o corpo descansa, esse vegetal maravilhoso atuará como uma escova para limpar o fígado e os intestinos de suas impurezas.
O alho, esse vegetal tão desprezado, devido a seu odor, quando se come em forma de sanduiche entre fatias de pão integral, eliminando toda outra classe de alimentação por alguns dias e fazendo três comidas ao dia desse sanduiche, curará as escrófulas, os desarranjos biliares, a prisão de ventre e os catarros, sendo também muito útil nos casos de elevada pressão sanguínea e endurecimento das artérias.
Se o sangue está anêmico, ou com falta de ferro, o espinafre, as beterrabas, a alface, o almeirão silvestre e as maçãs vermelhas, que estão bem supridas com o ferro da natureza, são os vegetais e frutas que se deveriam comer. Todas as substâncias minerais que se vendem como drogas nas farmácias são prejudiciais e não são assimiláveis pelo sangue. O mel é um maravilhoso estimulante, e restaurará a energia e força do organismo depois de um trabalho muscular intenso. O mel quando é misturado com o suco de limão é bom para curar as enfermidades da garganta, catarros e resfriados, e quando é mesclado com água também cura as queimaduras do sol e as mãos gretadas.
Uma laranja ou uma maçã comida durante a noite antes de ir dormir e ao se levantar em jejum, faz a mesma coisa, estimula a ação dos intestinos e com o tempo cura a prisão de ventre.
As réstias dos feijões verdes podem secar-se e armazenar-se para casos de emergência; fazendo-se infusão delas como se fosse um chá, aliviará todos os distúrbios de bexiga e são um regulador eficiente dela.
Para aclarar a cútis e obter o brilho do cabelo, coma-se pouco creme, gordura ou gemas de ovo, mas bastantes vegetais ou saladas, tais como almeirão, espinafre, as pontas da beterraba tenra, (as folhagens) cenouras, mostarda silvestre, agrião, etc.
A seguinte tábua de alimentos terapêuticos pode ser de utilidade:
PARA OS NERVOS: As cebolas, alface, cenouras, maçãs. Passas negras, morangos, amoras, aipo.
PARA FORMAR OU ENRIQUECER O SANGUE: As beterrabas, cenouras, espinafre, alface, morangos, maças vermelhas, ameixas, uvas vermelhas.
PURIFICADORES DO SANGUE E DO FÍGADO: As cebolas, o alho, as cenouras, nabos, almeirão silvestre, tomates, ameixas em passas, ameixas, figos e pêssegos.
PARA OS RINS: Os aspargos, alcachofras, almeirão silvestre, suco de maçãs, feijões verdes, ervilhas verdes, limões.
PARA O RAQUITISMO OU DEFICIÊNCIA DE CÁLCIO: Vagens verdes do feijão, ervilhas verdes, cenouras, maçãs, morangos.
PARA O ESTÔMAGO: Tudo o que geralmente poderíamos aconselhar para este órgão, quando sofre transtornos, é um descanso muito necessário, deixando de ingerir alimentos durante um ou dois dias.
(De Augusta Foss Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross – Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/1978)
Cristo Planetário – é um Arcanjo glorioso, supremo entre a Hoste Arcangélica.
O Mistério de Cristo é tão sublime e tão poderoso em Sua importância que transcende qualquer definição humana. Tão profundo é o Seu significado que nunca pode ser dosado ou expresso por meras palavras; só pode ser sentido no silêncio da contemplação espiritual.
A Hierarquia de Capricórnio é o lar dos Arcanjos; mas durante o período de Sua missão nesse Planeta, Cristo e Seus ministros Arcangélicos faz Seus lares no revestimento espiritual do Sol – pois cada corpo celestial tem um revestimento espiritual estendendo além do espaço da sua parte visível. Do mesmo modo, cada ser humano tem uma extensão espiritual, além do seu veículo físico.
O Sol do nosso Sistema Solar é o tríplice. Podemos ver o Sol físico. Por trás dele, ou escondido por ele, está o Sol espiritual, de onde vem o impulso do Espírito do Cristo Cósmico.
O Mistério de Cristo é tão sublime e tão poderoso em Sua importância que transcende qualquer definição humana. Tão profundo é o Seu significado que nunca pode ser dosado ou expresso por meras palavras; só pode ser sentido no silêncio da contemplação espiritual.
A diferença entre Cristo da Terra e o Cristo Cósmico é melhor entendido por meio de uma ilustração. Imagine uma lâmpada no centro de uma grande esfera oca de metal polido. A lâmpada envia raios de luz de si para todos os pontos da esfera e os refletirá em vários lugares. Do mesmo modo, o Cristo Cósmico – o mais alto Iniciado do Período Solar – envia Seus raios emitidos.
Quando tínhamos nos desenvolvido o suficiente, Cristo veio e encarnou aqui na Terra; então um raio do Cristo Cósmico veio aqui e encarnou no Corpo do nosso Irmão Maior Jesus. Após o sacrifício no Gólgota Ele entrou na Terra, e tornou-se Seu Espírito Planetário Interno.
Não foi outro, senão o Cristo que apareceu a Moisés no episódio da sarça ardente. Tal fenômeno foi reflexo do Cristo Cósmico, conforme Ele se aproximou mais da Terra, antes de Sua encarnação humana. Cristo é o Senhor do Sol e Chefe dos espíritos de Fogo, os Arcanjos. A Dispensação Cristã está intimamente guiada pela Hierarquia de Leão, os Senhores da Chama. Assim, a Iniciação de Fogo é diretamente ligada aos Mistérios de Cristo.
Foi o Cristo Cósmico, localizado no meio da Glória Solar, que ensinou a Seus Discípulos os mistérios mais profundos da nova fé na nova Era, a Era de Peixes, que eles iriam, então, transmitir ao grupo de Discípulos mais próximos do futuro.
A Crucificação do Cristo Cósmico começa, todo ano, quando o Sol está em Libra, no Equinócio de Setembro, quando a Glória desce para o “Hades”[1] do Planeta Terra.
O Equinócio de Março é o momento em que o Cristo Cósmico é libertado dos grilhões terrestres que Ele se aprisionou, durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro.
A Estação do Advento se estende pelo mês de dezembro e é anunciada como uma Festividade de Luz. O impulso espiritual da estação prepara a humanidade para o derramamento das forças celestiais acompanhando o renascimento do Cristo Cósmico em nossa esfera terrestre. Esse período é seguido pela estação do Solstício de Dezembro que se estende de 21 de dezembro à 24 de dezembro e culmina com o dia seguinte, o 25 de dezembro, no Natal, o dia mais profundamente reverenciado em toda a Cristandade.
O Cristo Cósmico será a figura central da vindoura religião da Era de Aquário.
[1] N.T.: profundezas
Pergunta: Por que investigar os Mundos invisíveis?
Resposta: Se soubéssemos, com absoluta certeza, que em um dia mais ou menos remoto seremos levados para um país onde deveremos viver durante muitos anos sob condições novas e estranhas, não seria razoável acreditar que aceitássemos com prazer a oportunidade de conhecer, antecipadamente, alguma coisa sobre esse país?
Pergunta: Isso se aplica a todos os seres humanos?
Reaposta: Sim. Há só uma coisa certa na vida: é a Morte. Quando passarmos ao além e enfrentarmos novas condições de existência, o conhecimento que tenhamos delas, sem dúvida nos será de grande auxílio.
Pergunta: Existem outras razões?
Reaposta: Outra razão muito importante é que, para compreender o Mundo Físico, que é o Mundo dos efeitos, é necessário compreender o Mundo suprafísico, que é o Mundo das causas.
Pergunta: Que evidência temos desse fato?
Resposta: Vemos como os ônibus elétricos correm pelas ruas e podemos escutar o tique-taque dos aparelhos telegráficos, mas para nós permanece invisível a força misteriosa que é a causa desses fenômenos.
Pergunta: Não lhe damos o nome de eletricidade?
Resposta: Sim; dizemos que é a eletricidade, mas o nome não explica. Nada sabemos da força em si própria, unicamente vemos e ouvimos os seus efeitos.
Pergunta: Isso é também verdadeiro para todas as formações físicas?
Resposta: Sim; se em uma atmosfera de temperatura suficientemente baixa colocamos um prato cheio de água, começarão a formar-se cristais de gelo e poderemos observar o processo de sua formação. As linhas em que se cristaliza a água foram, durante todo o tempo, linhas de força invisíveis, até o momento da congelação da água.
Pergunta: Tais Mundos são tão reais quanto o Mundo Físico?
Resposta: Quanto à realidade desses mundos superiores, comparada com a do mundo físico, por estranho que isso pareça, esses mundos superiores, que para a maioria são miragem, ou, pelo menos, menos substanciais, são na verdade muito mais reais e os objetos que neles se encontram muito mais permanentes e indestrutíveis do que os objetos do Mundo Físico.
Pergunta: Que exemplos podem ser dados para provar essa afirmação?
Resposta: Um arquiteto não começa a construção de uma casa adquirindo os materiais necessários e contratando os trabalhadores para que sobreponham as pedras ao acaso. Primeiramente ele idealiza ou traça um plano de construção. Começa, primeiramente, pensando na casa. Aos pouco esse pensamento assume em sua mente uma forma e finalmente adquire uma ideia clara da casa, tal como deve ser; um pensamento-forma.
Pergunta: A casa material não é mais real do que sua imagem?
Resposta: Não. A casa material poderá ser destruída por dinamite, por terremoto ou pelo fogo, mas o pensamento-forma que a criou permanecerá enquanto for vivo o arquiteto que o idealizou e desse pensamento-forma poderão ser construídas tantas casas quantas se queiram. Nem mesmo o arquiteto poderá destruí-lo. Ainda depois de sua morte, esse pensamento-forma poderá ser examinado por qualquer pessoa qualificada para ler na memória da natureza.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/1978)
A União, necessária para a elevação da humanidade
Bem sabemos que a elevação da humanidade só pode ser alcançada mediante a amizade universal. Os Irmãos Maiores não poupam esforços para mostrar, com Seus exemplos, como consegui-la.
É fácil ser amigo daqueles que amamos, o amor suaviza tudo, tornando-nos compreensivos, tolerantes, facilmente perdoando ofensas, esquecendo mágoas. A pergunta é: como poderemos construir dentro de nós essa potencialidade que chamamos amor, para abraçar tudo e a todos, sem ter em conta índole, natureza, raça ou posição social das pessoas? O Mundo do Espirito de Vida é o Mundo do Cristo, o Mundo do Amor e Sabedoria, e reflete-se em nosso Corpo Vital. Então, é no Corpo Vital, agindo sobre ele, que temos de começar nosso trabalho, formando e construindo novos hábitos, repetindo-os.
As obras desinteressadas, trabalhando para o bem-estar dos outros, já é um começo para condicionar o Corpo Vital ao trabalho proveitoso e produtivo. Devemos nos tornar sábios para praticar o bem acertadamente.
Vemos a miséria humana, as lutas entre irmãos, as atrocidades, os atentados, o terrorismo que nos causam repugnância. Como então podemos ser capazes de amar, sem exceção? O único caminho é a compaixão. Max Heindel disse: “Planta-se a semente da compaixão e nela brotará o amor”. Assim começaremos a ver por outro ângulo todos aqueles que agem de uma maneira violenta e egoísta. Perceberemos que eles são cegos e ignorantes, usando a força, a potência e inteligência para o mal. Como eles trabalham para sua própria destruição! Podemos ver as penas, as consequências atrozes que atraem com os seus atos.
E nessa hora desperta, em nossos corações, a compaixão que Cristo sentia na hora da crucificação, ouvindo os insultos e sarcasmos do populacho. Ele disse: “Pai perdoa-os, que não sabem o que estão fazendo”.
E quando brotar o perdão em nossos corações, quando sentirmos compaixão, despertaremos nossa vontade de ajudar e servir amorosamente, sem esperar amor ou retribuição ou reconhecimento; despertará também nossa amizade para o todo e para com todos, porque bem sabemos, que ajudando nossos irmãos a serem melhores, aliviaremos a cruz do nosso Salvador e trabalhando com Ele ajudaremos também ao propósito de Deus de unir fundamentalmente cada um com todos, porque a fusão de todas as almas será a fusão também com Deus.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 08/86)
Trabalhemos…não nos preocupemos!
Há quem diga que o mundo não necessita de seres humanos preocupados, mas sim de ocupados. Há um fundo de verdade nisso. Só a atividade abre canais de solução.
A vida tornou-se complexa, exigindo ação enérgica para a suplantação dos obstáculos. Os desafios do quotidiano encontram os seres humanos, em sua grande maioria, despreparados para enfrentá-los. Assim, não raro, estampam no rosto a marca do desespero, da ansiedade, do ceticismo. Carecem de uma estrutura espiritual capaz de sobrepô-los aos problemas existenciais.
Faz-se muito alarde de crises nos dias atuais, a ponto de imaginarmos que a convivência com elas representa a normalidade da vida. Crises econômicas. Crises políticas. Crises morais. As manchetes dos jornais não cansam de proclamá-las.
Analisado, o problema, sob o prisma essencialmente materialista, não nos deixa conclusões alentadoras.
Mas, à luz do espiritualismo, as coisas se apresentam de outra maneira. O que corrói a humanidade, realmente, é uma crise de FÉ. Esta é a verdadeira crise. O ser humano vive preso de temores, quase sempre infundados. Por descrer na ação equilibradora de Forças Superiores, acaba sofrendo contínuos abalos em sua existência.
Ora, se “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” – e isso os ocultistas admitem como uma verdade axiomática – não podemos nos conceber dissociados do TODO. Somos células vivas do Grande Corpo Divino. Além disso, estamos sujeitos a leis imutáveis, cuja ação promove a harmonia universal. Então, porque imaginarmo-nos apartados desse processo? Deus está em nós, e a recíproca é verdadeira. Max Heindel vai mais longe ainda, quando afirma “que Deus evolui por nosso intermédio”.
Diante disso, não é sensato duvidar da Divina Presença em todos os seres da criação.
Deus mora, vibra, palpita em todas as pessoas. Se elas não O manifestam em suas vidas, é porque se fecharam à Sua ação. E se se mantiverem refratárias ao fluxo de Sua “seiva”, por certo provocaria um desequilíbrio e o consequente sofrimento.
Eis uma verdade fundamental: Deus encontra-se presente em cada um de Seus filhos, como atuante e poderoso auxílio. Foi-nos destinado um caminho luminoso, ascensional, transbordante de plenitude. Nossa meta é a perfeição. Os fatos que nos envolvem, nossos êxitos e fracassos, alegrias e tristezas, lutas e desafios, constituem eterno convite para a PERFEIÇÃO. Dão sabor à nossa vida. Porém, quantos já se sensibilizaram a essa realidade?
A consciência da Divina Presença em nós afasta a possibilidade de qualquer preocupação, porque esta resulta de um temor, de uma dúvida, de uma hesitação. A certeza de Deus em nós elimina qualquer sentimento negativo. São Paulo apóstolo dizia: “Se Cristo é por nós, quem será contra nós?”
O temor contrapõe-se à fé. E a sua negação. Devemos, portanto, substituí-lo por sentimentos positivos, conservando uma inabalável confiança na Providência Divina.
É possível que, às vezes, deixemo-nos desgastar com preocupações, por causa de problemas financeiros, de saúde, etc. É importante libertarmo-nos desses cuidados.
Cabe-nos o empenho em resolvê-los, sem, contudo, deixarmo-nos envolver pela ansiedade.
É necessário ver a mão de Deus em todos os acontecimentos e circunstâncias, sempre laborando por tudo aperfeiçoar. Onde a maioria só encontra dúvida e confusão devemos perceber a força da Divina Sabedoria. Onde os problemas e o sofrimento parecem dominar, devemos vislumbrar o poder de Deus em ação. Onde antigamente só lamentávamos a enfermidade, hoje procuremos ver as leis naturais agindo para restabelecer o equilíbrio rompido pela ignorância humana. Em tudo devemos ver a Divindade.
Às vezes é necessária uma fé inquebrantável para acreditar que todas as coisas estejam contribuindo para o nosso bem. São momentos decisivos, a provar nossa convicção. E quando tomamos a consciência de que não devemos apenas aguardar confiantemente as leis operarem, senão que é necessário colaborarmos com elas através da sabedoria e do poder do Espírito em nós. Devemos agir serenamente, seguros de que nossa cooperação produzirá um BEM final.
Portanto, a atitude assumida nunca deve ser de passividade. Cumpre conservar-nos sempre ativos e atentos, trabalhando incansavelmente na Seara do Cristo. Isso só é possível quando nos elevamos acima da humana conceituação das coisas, aprofundando nossa visão a respeito de tudo que nos rodeia.
Há um propósito superior na vida de cada ser: o constante aprimoramento de suas potencialidades. Todas as coisas tendem a melhorar, a encontrar a sua exaltação. Donde infere-se que o pecado e o sofrimento são anomalias na natureza. Libertemo-nos deles, assumindo nossa verdadeira identidade, espiritual por excelência.
Não nos preocupemos. Trabalhemos.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/1978)
O Lago Encantado
Uma vez, há muito, muito tempo atrás, havia um rei que estava sempre em guerra. Ele conquistou seus vizinhos, depois partiu para a conquista de terras mais distantes, até que chegou a governar tantos países e tanta gente que foi chamado “O Grande imperador”.
Todo mundo o adulava. Recebia presentes maravilhosos. Diziam-lhe como era nobre, grande, maravilhoso e, de tal forma, que ele acreditou que era tudo isso e frequentemente dizia para si mesmo: “Ninguém na Terra ou nos Céus é maior do que eu!”
Isso era uma afirmação muito forte para um simples ser humano fazer, pois mesmo a pessoa mais sábia e mais importante nesta Terra não pode saber tudo, nem governar sobre tudo na Terra e nos Céus.
Um dia, esse grande e poderoso Imperador saiu para uma caçada com os membros da corte. Todos estavam soberbamente vestidos e montavam seus belos cavalos que dançavam e saltavam. Os cães também pulavam e latiam alto. As cornetas soavam e assim o alegre grupo saiu para o campo e para a floresta.
O Sol brilhava intensamente e, após algumas horas, todos estavam exaustos com a caçada e exauridos com o calor do dia. Então, o grande e poderoso Imperador disse a seus cortesãos para que descansassem debaixo das árvores, enquanto ele iria banhar-se num belo lago ali perto. Os cortesãos ficaram assustados porque o Imperador ia banhar-se nesse lago. Era um lago encantado e as pessoas não se arriscavam a entrar nele e até mesmo se uma simples gota dessa água mágica caísse sobre elas, ficavam aflitas e apreensivas.
Quando foi avisado dos perigos do lago encantado o grande e poderoso Imperador disse orgulhosamente:
-Sou mais poderoso que qualquer encanto.
Imediatamente dirigiu-se para a bonita margem arenosa. Seu cavalo foi amarrado a uma árvore, sua maravilhosa roupa cuidadosamente arrumada à beira do lago. Então, sob suas ordens, seus guardas o deixaram. Ele mergulhou na água e deliciou-se com o seu frescor. Nadou pelo lago e sentiu-se muito bem. Em nenhum momento, entretanto, esqueceu-se que era o grande e poderoso Imperador.
Enquanto divertia-se, surgiu a beira do lago um homem que se parecia muito com o grande e poderoso Imperador. De fato, ele era quase seu sósia, não somente na aparência, mas também na voz e nos modos. Este homem vestiu-se rapidamente com as roupas do Imperador. Os guardas de Sua Majestade estavam dormindo profundamente na sombra refrescante. Nenhum deles viu esse homem vestir as roupas do Imperador, pegar seu belo cavalo e nem mesmo os cães de caça latiram! Acordou todos, ordenando a volta ao palácio.
Descansado e refeito, o grande e poderoso Imperador nadou até o lugar onde suas roupas foram estendidas em ordem, pomposamente. Mal conseguiu acreditar no que estava vendo! Sua roupa não estava mais lá! Seu cavalo não estava mais lá! Nada de roupa! Nada de cavalo! Que ultraje! Alguém seria punido severamente!
– Meus homens, chamou furioso.
Nenhum som em resposta ao chamado do grande e poderoso Imperador!
A essa altura, o Sol já desaparecia por detrás das montanhas. Estava ficando frio. O Imperador andou pelas margens do lago. Logo escureceu. Não via ninguém. Evidentemente os caçadores foram embora e o deixaram – deixaram o grande e poderoso Imperador! Realmente alguém pagaria por isso. Apenas esperassem até que ele chegasse a seu palácio e sentasse em seu trono!
O grande e poderoso Imperador decidiu que a coisa mais importante, agora, era encontrar roupa e abrigo. Ele lembrou-se que não muito longe do lago morava um cavaleiro.
– Não fui eu que o tornei cavaleiro e lhe dei seu esplêndido castelo? Ele ficará, muito feliz em vestir e servir seu Imperador. Irei até ele.
Antes de se dirigir ao cavaleiro, o Imperador teceu, em forma de esteira, algumas das hastes que cresciam à margem do lago. Amarrou a esteira ao redor de seu corpo. Dirigiu-se ao castelo do cavaleiro. Apesar de ser uma curta jornada, foi muito dolorosa. As pedras pontiagudas cortavam seus pés. As raízes espetavam sua carne. Os galhos das árvores atingiam seus longos cabelos, emaranhando-os. Era uma experiência desagradável para um grande e poderoso Imperador! Muitas vezes, ele jurou que alguém pagaria por isso quando ele estivesse novamente em seu palácio e sentasse em seu trono.
O Imperador chegou ao castelo. Bateu nos portões. Chamou o porteiro que finalmente veio e olhando pela janelinha do grande portão, perguntou:
– Quem está aí?
– Abra o portão, ordenou o Imperador, e você verá logo quem eu sou. E ele encheu-se de orgulho.
Quando o portão se abriu e o porteiro colocou sua cabeça para fora, perguntou:
– Quem é você?
Muito desgostoso, o grande e poderoso Imperador gritou:
– Infeliz! Eu sou seu Imperador!
– Oh! Oh! fez o homem, rindo muito.
– Infeliz! Infeliz! Vá ao seu patrão, ordenou o Imperador. Diga-lhe que me traga roupa. Diga-lhe para vir saudar seu grande Imperador!
– Imperador!, zombou o porteiro. O Imperador esteve aqui com meu patrão há uma hora atrás. Veio da caçada com sua corte. Oh, sim! Chamarei o meu patrão. Mostrarei a ele um grande e poderoso Imperador!
O porteiro bateu o portão na cara de Sua Majestade. Em seguida, ele voltou com o cavaleiro e, apontando para o homem nu, disse:
– Lá está o Imperador, olhe para sua Majestade!
O orgulhoso e poderoso Imperador exclamou em seu tom mais orgulhoso e poderoso:
– Chegue perto e ajoelhe-se diante de seu Imperador, senhor cavaleiro.
O cavaleiro pareceu surpreso enquanto o Imperador acrescentou:
– Eu – Eu, o Imperador, o tornei cavaleiro. Eu lhe dei este castelo. Agora eu lhe dou a maior graça de poder vestir o seu Imperador com suas vestimentas.
– Mentiroso! Impostor! Saia! gritou o cavaleiro. Saiba que não faz uma hora que o grande e poderoso Imperador sentou-se à minha mesa.
O cavaleiro ficou cada vez mais enraivecido e ordenou:
– Batam nesse homem! Tirem-no daqui!
Como o porteiro riu enquanto os servos batiam no pobre homem!
– Batam bem! ele mandou. Não é todos os dias que se pode dar uma surra em um Imperador.
O grande e poderoso Imperador saiu coxeando, sentindo-se ferido e sangrando.
– Ingrato! Eu lhe dei tudo o que tem. Veja como ele me retribui! Espere, ah, espere até que eu volte ao meu trono! Ele será severamente punido!
Então, começou a perceber que as circunstâncias eram muito desagradáveis para ele.
– Agora, aonde vou? O que devo fazer? Ah! Irei ao Duque! Eu o conheço há muito tempo. Com ele fui a festas e a caçadas. Sim! O Duque estava na minha comitiva de caça de hoje! Certamente ele reconhecerá o seu Imperador!
Enquanto tropeçava pelo caminho, o Imperador começou a pensar – realmente a pensar. Perguntou-se por que seus súditos não o conheciam. Sua realeza, suas grandezas deveriam ser reconhecidas mesmo se não estivesse em trajes reais.
De repente, ouviu o som de uma voz bem em seu ouvido! O poderoso Imperador assustou-se. Olhou ao seu redor! Não viu ninguém. Mesmo assim a voz lhe dizia:
– A verdadeira grandeza é humilde. Ela não se proclama, mas é como o Sol. Não pode ser coberta. A verdadeira grandeza dá àquele que a possui, uma grande beleza – beleza que nenhum trono, nenhuma coroa, nenhum aparato real pode conferir.
A voz continuou:
– Sabedoria e nobreza não podem ser distinguidas pela falta de roupas, nem pela sujeira e ferimentos. Por outro lado, qualquer tolo, com um trono, uma coroa, um palácio e aduladores, pode parecer um príncipe.
O grande e poderoso Imperador dirigiu-se a mansão do Duque. Mas não tinha tanta certeza, como antes teve, de que seria bem recebido quando bateu nos portões. A terceira batida, o portão abriu-se e o porteiro viu um homem vestido somente com uma esteira de galhos, seu cabelo era um emaranhado só e seu corpo estava arranhado e sangrando.
– Chame o Duque, eu lhe rogo. Diga-lhe que o Imperador está aqui. Diga-lhe que roubaram o cavalo e a roupa de seu Imperador. Vá depressa! Eu o ordeno!
O atônito porteiro fechou o portão e correu ao seu patrão.
– Excelência, há um louco nos portões! Ele está nu. Está ferido, sujo e bravo. Ele me ordenou dizer-lhe que é o Imperador.
Os portões se abriram. Sua Excelência, o Duque, não reconheceu o Imperador!
– Você não me conhece? Sou o Imperador. Esta manhã você foi à caça e deve lembrar-se que o deixei para banhar-me no lago. Enquanto eu estava no lago, um miserável roubou minha roupa e meu cavalo. E eu – eu – eu apanhei de um cavaleiro!
Seria possível que a voz do grande e poderoso Imperador estivesse trêmula? Certamente parecia menos soberba do que de costume.
– Ponha esse homem na prisão! Não é seguro deixar livre esse louco, ordenou o Duque ao porteiro e acrescentou: Dê pão, água e um estrado para deitar.
– Estranho, estranho, murmurou o Duque dirigindo-se a seus convidados no grande saguão. Um louco nos portões! Ele deveria estar na floresta esta manhã, enquanto descansávamos, pois disse-me ser o Imperador que nos deixou para banhar-se no lago e que alguém lhe roubou sua roupa e seu cavalo. Mas vocês sabem que o Imperador voltou conosco.
Todos eles falaram sobre esse estranho homem. Alguns murmuraram:
– O lago, o lago encantado!
Ainda assim não parecia possível que algo tivesse acontecido ao Imperador, pois eles o viram há menos de uma hora atrás.
O grande Imperador estava acorrentado numa cela escura. Ele estava magoado e ferido.
– Esperem, esperem, até eu voltar ao meu trono! Darei uma lição a esses velhacos.
No entanto, o poderoso Imperador sequer sonhava que era ele próprio, o grande monarca, que estava aprendendo a mais sublime lição de sua vida.
– Será que estou tão mudado que nem o Duque me conheceu?
Então, seu pensamento dirigiu-se ao palácio.
– Há alguém que me reconhecerá! Vou até ela!
Depois de muito esforço, as correntes afrouxaram-se e o infeliz homem saiu de sua cela e encaminhou-se para o seu próprio palácio. Ao amanhecer, ele estava nos portões do palácio. O grande Imperador ergueu sua mão e bateu – bateu em seus próprios portões!
O porteiro abriu e olhou para aquele homem de aspecto selvagem e que estava nu.
– Quem é você? O que você quer?
– Deixe-me passar! Sou seu Senhor, sou o seu Imperador.
– Você, meu Senhor! Você, o Imperador! Pobre tolo. Olhe ali.
O porteiro abriu os portões e apontou para o saguão. Lá estava o Imperador, sentado no seu trono. A seu lado estava a Rainha – sua amada Rainha! Oh, que agonia ele sofreu!
– Deixe-me ir até ela! Ela me conhecerá!
O barulho feito pelo porteiro e pelo Imperador chegou ao grande saguão onde havia uma festa com muitos convidados. Os nobres vieram ver o que estava acontecendo. Atrás deles vinham a Rainha e o Imperador.
Ao ver aqueles dois, era tanta a sua raiva, medo, ciúme e ansiedade que mal podia falar; mas roucamente gritou:
– Sou seu Senhor e marido, estendendo sua mão para sua amada Rainha. Certamente você me conhece!
A Rainha afastou-se apavorada.
– Senhores, disse o homem que estava com a Rainha, que deve ser feito com esse infeliz?
– Mate-o, disse um.
– Bata-lhe! gritavam outros.
O grande e poderoso Imperador foi escorraçado do palácio; cada um lhe dava uma pancada quando passava. Os portões de seu próprio palácio se fecharam atrás dele. Ele fugiu. Não sabia para onde ir. Vagarosamente dirigiu-se para o lago onde havia se banhado. Tinha frio, fome, estava ferido; queria estar morto. Ajoelhou-se no chão e bateu em seu peito. Colocou sua cabeça no solo e exclamou:
– Eu não sou nenhum grande e poderoso Imperador. Eu não sou nenhum Imperador maravilhoso. Uma vez, pensei que não havia ninguém mais poderoso do que eu na Terra e nos Céus. Agora sei que nada sou – um pobre pecador. Não há ninguém tão pobre, tão humilde quanto eu! Deus me perdoe pelo meu orgulho.
As lágrimas corriam de seus olhos. Ele levantou-se e foi lavar sua face nas águas límpidas do lago encantado. Ele se virou. Lá estavam suas roupas! Lá estava seu belo cavalo, comendo a grama verde e macia!
Sua Majestade vestiu-se rapidamente. Montou seu cavalo e em seguida dirigiu-se ao seu palácio. Quando se aproximou, os portões se abriram de imediato. Os servos chegaram, um segurou seu cavalo, outro ajudou-o a desmontar. O porteiro se curvou, enquanto disse:
– Eu me admiro, Majestade, pois não o vi passar pelos portões.
O grande e Poderoso Imperador entrou. No magnífico saguão, ele viu novamente os nobres, a Rainha com o homem a seu lado, o homem que se intitulara Imperador. Os nobres não olhavam para esse homem, nem a Rainha também. Eles viram apenas o seu Imperador entrar no saguão e foram cumprimentá-lo. O homem também veio. Ele estava vestido de branco, com roupas brilhantes, não em roupas régias.
O Imperador inclinou sua cabeça para esse homem e murmurou:
– Quem é você?
– Sou o seu Anjo da Guarda, respondeu ele. Você era orgulhoso e colocava-se somente nas alturas. Era preciso que você, fosse “trazido para a realidade. Mas o reino, que eu guardei para você, é-lhe devolvido agora, porque aprendeu a ser humilde. Só os humildes são capazes de governar e você, daqui por diante, saberá governar com sabedoria.
O Anjo desapareceu. Ninguém mais ouviu sua voz. O Imperador sentou-se novamente em seu trono, e governou mais sabiamente do que nunca e foi muito amado por seu povo.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. II – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
A Pureza e Força Criadora
A pureza e um dos caminhos conducentes a Deus. Relacionada com o uso da força criadora pode tornar-se um problema capaz de afligir o aspirante. Isso ocorre quando o estudo e compreensão superficiais dos ensinamentos da Sabedoria Ocidental geram um conflito entre uma convicção moral interna e a realidade do cotidiano.
Meditando sobre vários temas do Conceito alusivos à natureza da força criadora chega-se à conclusão de que esse conhecimento implica em grande responsabilidade. Responsabilidade inquestionável, porquanto essa força não diz respeito exclusivamente ao ser humano. Pertence à toda a humanidade. Uma parte é utilizada na perpetuação da espécie, e sua fonte, em última análise, é o próprio Deus, por tratar-se; essencialmente da mesma energia usada no processo da Criação. É, portanto, espiritual e sagrada.
Através do sexo, no propósito da procriação, a força criadora encontra um canal de expressão. Mas, infelizmente o sentido dessa atividade foi distorcido e o seu emprego na gratificação dos sentidos generalizou-se para desgraça do gênero humano.
Devemos manter uma atitude objetiva em relação ao sexo, livres de temor, puritanismo ou autocondenação. Mas não basta apenas ser objetiva. Há que ser objetiva e espiritual porque assim teremos condições de dirigir, controlar e transmutar essa energia em algo superior. Quando agirmos dessa forma, notaremos um crescimento admirável de nossa energia, vigor e criatividade, bem como desenvolveremos uma mais elevada consciência de Deus.
É necessário transmutar, e disso não temos dúvida. Mesmo querendo tornarmos a decisão consciente de transformar a energia, seremos atormentados pelos impulsos inconscientes que são parte de nossa formação não regenerada. Essa energia pode ser redirigida, mas isso demanda tempo e esforço sistemático.
Uma das formas que se nos apresentam de realizar essa transmutação consiste em canalizarmos ativamente nossos interesses, aspirações e entusiasmo e alguma atividade criativa, tal como pintura, dança, escultura, literatura, artesanato, etc. A princípio teremos de aprender a criar em nosso campo de atividade sem atentar para a qualidade final do produto. Com o tempo nos surpreenderemos com o fato de que poderemos criar e criar bem.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 06/86)